Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,235)
- Segunda Câmara (27,802)
- Primeira Câmara (25,085)
- Segunda Turma Ordinária d (17,417)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,076)
- Primeira Turma Ordinária (15,870)
- Primeira Turma Ordinária (15,862)
- Primeira Turma Ordinária (15,851)
- Segunda Turma Ordinária d (15,719)
- Segunda Turma Ordinária d (14,277)
- Primeira Turma Ordinária (12,970)
- Primeira Turma Ordinária (12,280)
- Segunda Turma Ordinária d (12,256)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (84,103)
- Terceira Câmara (66,411)
- Segunda Câmara (54,642)
- Primeira Câmara (19,299)
- 3ª SEÇÃO (16,076)
- 2ª SEÇÃO (11,243)
- 1ª SEÇÃO (6,794)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,446)
- Segunda Seção de Julgamen (113,241)
- Primeira Seção de Julgame (75,650)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,918)
- Câmara Superior de Recurs (37,709)
- Terceiro Conselho de Cont (25,973)
- IPI- processos NT - ressa (5,010)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,864)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,245)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,627)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,201)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,645)
- HELCIO LAFETA REIS (3,513)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,899)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,614)
- WILDERSON BOTTO (2,602)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,084)
- 2021 (35,828)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,045)
- 2024 (25,915)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,467)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,246)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,078)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,840)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 16327.001061/2005-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000
Ementa: MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE.
Considera-se definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada na peça recursal.
PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE 8
Face a declaração da inconstitucionalidade, pelo Supremo Tribunal Federal STF, dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo às contribuições para a CSLL, o PIS e a Cofins é aquele previsto no Código Tributário Nacional. Aplicação da Súmula Vinculante 8 do STF.
PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE DOLO E FRAUDE.
INAPLICABILIDADE DO ART. 150, § 4º DO CTN. INÍCIO DA CONTAGEM. ART. 173, I, DO CTN.
Caracterizada a ocorrência de fraude, resta inaplicável a contagem do prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, devendo o mesmo ser contado na forma do art. 173, I do CTN.
MULTA MAJORADA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA. CONTA BANCÁRIA NÃO CONTABILIZADA. DOLO. FRAUDE.
Constatado que a autuada, de forma reiterada, deixou de registrar em sua contabilidade, e de declarar ao fisco, toda a movimentação financeira de contas bancárias registradas em nome de seu sócio, pessoa física, evidencia-se o dolo com o intuito de fraude, com o claro objetivo de alcançar a redução do montante dos tributos devidos.
Cabível a aplicação de multa majorada, por infração qualificada, baseada em elementos que comprovem a ação dolosa e fraudulenta do sujeito passivo.
Numero da decisão: 1202-000.820
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
considerar definitivamente julgadas as matérias não expressamente contestadas, relativamente ao lançamento do IRPJ, das matérias concernentes à nulidade dos lançamentos e do mérito dos
lançamentos da CSLL, PIS e Cofins. Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para considerar decaído o direito de lançar a CSLL, relativamente ao período de apuração de 31/12/1998, e, no que se refere ao PIS e à Cofins, relativamente aos períodos de apuração de janeiro/1998 à novembro de 1999, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o conselheiro Gilberto Baptista que considerava, para efeito do início da contagem do prazo decadencial do PIS e da Cofins, o período de apuração seguinte e não o exercício seguinte.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201207
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 1998, 1999, 2000 Ementa: MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Considera-se definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada na peça recursal. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE 8 Face a declaração da inconstitucionalidade, pelo Supremo Tribunal Federal STF, dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo às contribuições para a CSLL, o PIS e a Cofins é aquele previsto no Código Tributário Nacional. Aplicação da Súmula Vinculante 8 do STF. PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE DOLO E FRAUDE. INAPLICABILIDADE DO ART. 150, § 4º DO CTN. INÍCIO DA CONTAGEM. ART. 173, I, DO CTN. Caracterizada a ocorrência de fraude, resta inaplicável a contagem do prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, devendo o mesmo ser contado na forma do art. 173, I do CTN. MULTA MAJORADA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA. CONTA BANCÁRIA NÃO CONTABILIZADA. DOLO. FRAUDE. Constatado que a autuada, de forma reiterada, deixou de registrar em sua contabilidade, e de declarar ao fisco, toda a movimentação financeira de contas bancárias registradas em nome de seu sócio, pessoa física, evidencia-se o dolo com o intuito de fraude, com o claro objetivo de alcançar a redução do montante dos tributos devidos. Cabível a aplicação de multa majorada, por infração qualificada, baseada em elementos que comprovem a ação dolosa e fraudulenta do sujeito passivo.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 16327.001061/2005-64
conteudo_id_s : 5247087
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1202-000.820
nome_arquivo_s : Decisao_16327001061200564.pdf
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO DONASSOLO
nome_arquivo_pdf_s : 16327001061200564_5247087.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em considerar definitivamente julgadas as matérias não expressamente contestadas, relativamente ao lançamento do IRPJ, das matérias concernentes à nulidade dos lançamentos e do mérito dos lançamentos da CSLL, PIS e Cofins. Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para considerar decaído o direito de lançar a CSLL, relativamente ao período de apuração de 31/12/1998, e, no que se refere ao PIS e à Cofins, relativamente aos períodos de apuração de janeiro/1998 à novembro de 1999, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o conselheiro Gilberto Baptista que considerava, para efeito do início da contagem do prazo decadencial do PIS e da Cofins, o período de apuração seguinte e não o exercício seguinte.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
id : 4863698
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:08:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045807650832384
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2164; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 1.431 1 1.430 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001061/200564 Recurso nº 000000 Voluntário Acórdão nº 1202000820 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de julho de 2012 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente POWER FACTORING LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 Ementa: MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Considerase definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada na peça recursal. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE 8 Face a declaração da inconstitucionalidade, pelo Supremo Tribunal Federal STF, dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo às contribuições para a CSLL, o PIS e a Cofins é aquele previsto no Código Tributário Nacional. Aplicação da Súmula Vinculante 8 do STF. PRAZO DECADENCIAL. OCORRÊNCIA DE DOLO E FRAUDE. INAPLICABILIDADE DO ART. 150, § 4º DO CTN. INÍCIO DA CONTAGEM. ART. 173, I, DO CTN. Caracterizada a ocorrência de fraude, resta inaplicável a contagem do prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, devendo o mesmo ser contado na forma do art. 173, I do CTN. MULTA MAJORADA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA. CONTA BANCÁRIA NÃO CONTABILIZADA. DOLO. FRAUDE. Constatado que a autuada, de forma reiterada, deixou de registrar em sua contabilidade, e de declarar ao fisco, toda a movimentação financeira de contas bancárias registradas em nome de seu sócio, pessoa física, evidencia se o dolo com o intuito de fraude, com o claro objetivo de alcançar a redução do montante dos tributos devidos. Cabível a aplicação de multa majorada, por infração qualificada, baseada em elementos que comprovem a ação dolosa e fraudulenta do sujeito passivo. Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/07/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.001061/200564 Acórdão n.º 1202000820 S1C2T2 Fl. 1.432 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em considerar definitivamente julgadas as matérias não expressamente contestadas, relativamente ao lançamento do IRPJ, das matérias concernentes à nulidade dos lançamentos e do mérito dos lançamentos da CSLL, PIS e Cofins. Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para considerar decaído o direito de lançar a CSLL, relativamente ao período de apuração de 31/12/1998, e, no que se refere ao PIS e à Cofins, relativamente aos períodos de apuração de janeiro/1998 à novembro de 1999, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o conselheiro Gilberto Baptista que considerava, para efeito do início da contagem do prazo decadencial do PIS e da Cofins, o período de apuração seguinte e não o exercício seguinte. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidentesubstituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Orlando José Gonçalves Bueno, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto, Gilberto Baptista e Edijalmo Antonio da Cruz. Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos, transcrevo, na parte que interessa, o Acórdão nº 169.684 da DRJ/São Paulo I, de fls. 1320 a 1336, o qual passo a adotar: “DA AUTUAÇÃO Tratase de impugnação a crédito tributário de IRPJ/CSLL/PIS/COFINS, constituído contra o sujeito passivo POWER FACTORING LTDA., supra qualificado, em decorrência de omissão de receita de operações de factoring da pessoa jurídica, cuja constatação deuse a partir da movimentação financeira de pessoa fisica de sócio, operações essas não registradas na contabilidade da pessoa jurídica, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls.209/224, fls. 550/572, fls. 882/897, fls. 1222/1237). Os fatos constatados pela fiscalização abrangeram o período de 01/01/1998 a 31/12/2000 e deram ensejo à lavratura dos seguintes autos de infração: a) Imposto de Renda Pessoa Jurídica — fls.231 a 234, no valor total de R$ 35.650,35, incluindo multa de oficio de 150% e juros de mora calculados até 31/05/2005, com fundamento no art. 24 da Lei n°9.249/95, arts. 249, inc. II, 251 e parágrafo único, 278, 279,280 e 288, do RIR199. b) Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL fls. 578 a 583 — no valor total de R$ 100.553,86, incluindo multa de oficio de 150% e juros de mora calculados até 31/05/2005; com fundamento no art. 2°, e §§, da Lei n° 7.689/88; art. Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/07/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.001061/200564 Acórdão n.º 1202000820 S1C2T2 Fl. 1.433 3 19 e 24, da Lei n° 9.249/95; art. 1° da Lei n° 9.316/96; art. 28 da Lei n° 9.430/96, art. 6° da MP n° 1.858/99 e reedições. c) Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS — fls. 899 a 909 — no valor total de R$ 6.847,66, incluindo multa de oficio de 150% e juros de mora calculados até 31/05/2005; com fundamento nos arts. 1° e 3° da Lei Complementar 07/70, arts. 2°, inc. I, 3 0, 80, inc. I, e 9°, da MP n° 1.212/95 e suas reedições, convalidadas pela Lei 9.715/98; arts. 2°, e 3°, da Lei no 9.718/98. d) Contribuição para o Financiamento da Seguridade — COFINS — fls. 1244 a 1254 — no valor total de R$ 27.787,66, incluindo multa de oficio de 150% e juros de mora calculados até 31/05/2005; com fundamento nos arts. 1° e 2° da Lei Complementar n° 70/91; arts. 2°, 3° e 8°, da Lei n° 9.718/98, com as alterações da MP 1.807/99 e reedições, com as alterações da MP 1.858/99 e reedições. DA UNIFICAÇÃO DOS PROCESSOS Em decorrência da Portaria SRF no 6129, de 02/12/2005 (fls.288), procedeu se vinculação dos débitos constantes nos processos 16327.001061/200564 (CSLL), 16327.001062/200517 (PIS) e 16327.001063/200553 (COFINS), ao processo n° 16327.001060/200510 (IRPJ). [...] DAS IMPUGNAÇÕES A defesa argumenta quanto a exigência de IRPJ (fls. 250/269), a de CSLL (fls. 603/624), de PIS (fls. 929/948), e de COFINS (fls. 1269/1288), que: DOS FATOS Tratase de autos de infração tendo em vista suposto descumprimento das obrigações tributárias, que decorreu de uma confusão realizada por sócio que utilizou sua conta bancária de pessoa física para movimentação financeira e desenvolvimento das atividades da Impugnante, motivo pelo qual deixou tais valores de constarem da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. A ação fiscal teve como origem representação encaminhada pela DRF/CAMPINAS, sobre o sócio Renato Luiz Righetto Ifanger. A Impugnante foi intimada a apresentar diversas informações e documentos, inclusive extratos bancários, e ficou constatado que, nas contas correntes da pessoa física do sócio, especificadas no rodapé, foram movimentados inequivocamente recursos relativos as operações de factoring realizadas pela Impugnante. Em decorrência, a fiscalização efetua a lavratura dos autos de infração, arbitrando os valores omitidos, aplicando multa qualificada de 150%. Ocorre que referidas autuações são completamente indevidas, pois há afronta a Constituição Federal, ao Código Tributário Nacional e posição jurisprudencial consolidada da Suprema Corte do Brasil (STF), e, ainda, a decisões da CSRF — Câmara Superior de Recursos Fiscais. DO DIREITO DA EXTINÇÃO PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELA DECADÊNCIA Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/07/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.001061/200564 Acórdão n.º 1202000820 S1C2T2 Fl. 1.434 4 Decadência do IRPJ/CSLL A União elegeu para o IRPJ e CSLL o lançamento por homologação, com o período de apuração trimestral. Em função de não ter ocorrido o pagamento antecipado do crédito tributário supostamente devido, é inequívoco que não se aplica ao presente caso o art. 150, § 40, do CTN. Contudo, a teor de tal disposto, bem como na hipótese do inciso I, do art. 173, do CTN, conclui a defesa que a decadência atingiu parte do crédito tributário. Decadência do PIS/COFINS Embora de apuração mensal, de igual modo parte do crédito tributário de PIS e COFINS teria sido atingida pela decadência, em função dos dispositivos legais acima mencionados. DA NULIDADE DA AUTUAÇÃO EM RAZÃO DA IMPOSSIBILIDADE DE AUTUAÇÃO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS — AFRONTA AOS DITAMES CONSTITUCIONAIS E DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL QUANTO AO IMPOSTO SOBRE A RENDA. 0 auto deve ser declarado nulo por ter o agente fiscal utilizado como suposto embasamento do critério de autuação os depósitos bancários, utilizandose do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. A leitura harmônica da Constituição Federal (art. 153, inciso III) e do enunciado do CTN (art. 43) leva o intérprete e jurista à conclusão de que apenas a renda nova ou aquisição de acréscimo patrimonial são hipóteses de incidência do imposto sobre a renda. A autuação fiscal não comprovou o signo de renda; não há provas de que o contribuinte tenha auferido renda nova ou acrescido o seu patrimônio. Na realização de negócios de factoring, os depósitos bancários, que se referem aos recebimentos dos títulos colocados em cobrança, não podem ser considerados como renda nova. Ocorre, no caso, arbitramento e presunção de riqueza, sem qualquer prova de gastos incompatíveis ou renda consumida, o que está em total confronto com os ditames constitucionais e do Código Tributário Nacional. Reportase à jurisprudência administrativa, destacando voto do relator referente a Acórdão da CSRF/011.911 (fls.262): "... o depósito bancário em si mesmo não é fato gerador do imposto, sendo necessário que o fisco demonstre a existência da renda auferida pelo contribuinte (..) 0 artigo 42 da Lei n° 9.430/96 é ilegal, pois extrapola o fato gerador e base de cálculo, possíveis, determinados pelo artigo 43 do CTN, e a própria Constituição Federal no seu art. 145, § 1°, ou seja, o principio da capacidade contributiva. Da forma como apresentada, a autuação deve ser declarada nula, pois afronta os preceitos constitucionais e infraconstitucionais, pois depósito bancário não é renda. DIREITO A REDUÇÃO DA MULTA — ARTIGO 44, INCISO I, DA LEI N° 9.430/96 — ARTIGO 112, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/07/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.001061/200564 Acórdão n.º 1202000820 S1C2T2 Fl. 1.435 5 Foi imputada à Impugnante a multa qualificada de 150%, cabível somente nos casos de evidente intuito de fraude. Contudo, afirma a Impugnante, resta inequívoco pela análise do processo de fiscalização que não houve qualquer intuito de fraude, que se materializa na ação dolosa tendente a ludibriar o fisco, com a modificação das características essenciais da obrigação tributária, objetivando o não pagamento dos tributos. No presente caso, o que ocorreu foi uma confusão, por parte do sócio da empresa, das contas bancárias utilizadas para a movimentação financeira dos recursos da Impugnante, que em momento algum se recusou a apresentar documentos ou informações tendentes a apurar a materialidade dos fatos, ou dificultou o aparecimento deste. Muito pelo contrário, a Impugnante alega que respondeu a todas as intimações, apresentou todos os documentos solicitados e comprovou documentalmente que os recursos financeiros movimentados nas contas bancárias em nome do Sr. Renato Ifanger tiveram como origem a atividade licita de fomento mercantil. 0 Conselho de Contribuintes firmou entendimento de que a simples omissão do rendimento nas declarações de IRPJ por si só não caracteriza o evidente intuito de fraude e cita jurisprudência As fls. 264 a 267. Em conformidade com o art. 112 do CTN, no caso de dúvida quanto ao intuito de fraude, deve ser imputado A Impugnante o percentual de 75%. Requer a defesa o reconhecimento da inexistência de intuito de fraude, determinandose a redução do percentual de 150% da multa para 75%, nos termos do inciso I, do artigo 44, da Lei n° 9.430/96. DA NECESSIDADE DE EXCLUSÃO DOS VALORES JÁ DECLARADOS E PAGOS PELA IMPUGNANTE E PELA PESSOA FÍSICA DO SÓCIO. A autuação inclui no arbitramento valores tributáveis já declarados e devidamente pagos tanto pela Impugnante como pela pessoa fisica do Sócio, que devem ser excluídos, sob pena de incidir o mesmo tributo, duas vezes, sobre o mesmo fato gerador. Requer prazo de 15 dias para apresentação do memorial de cálculo, discriminando as irregularidades do arbitramento. DA OCORRÊNCIA DE PREJUÍZO — INEXISTÊNCIA DE BASE DE CÁLCULO Conforme se comprovou pelas planilhas anexadas pela Impugnante nos autos do processo de fiscalização, inexiste base de cálculo que dê origem a qualquer crédito tributário, vez que a Impugnante no exercício de suas atividades experimentou prejuízo efetivo, o que ficará comprovado através da juntada de documento no mesmo prazo requerido para apresentação do memorial de cálculo. DO PEDIDO Requer o recebimento da impugnação para julgamento da improcedência do auto de infração, reconhecendo: Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/07/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.001061/200564 Acórdão n.º 1202000820 S1C2T2 Fl. 1.436 6 a) a extinção parcial do crédito tributário em razão da decadência, nos termos do artigo 156, inciso V, do CTN; b) a inconstitucionalidade e ilegalidade do arbitramento com base nos depósitos bancários; c) o direito a redução da multa para 75%; d) a inexistência de base de cálculo face a ocorrência de prejuízo; e) o recalculo do arbitramento com a exclusão dos valores já declarados e pagos pela Impugnante e pelo seu Sócio. Requer, outrossim, a produção de todos os meios de provas em direito admitidos, especialmente pela juntada de novos documentos e a produção de prova pericial a se realizada por profissional de economia ou contabilidade, a ser indicado pela SRF, para expedição de laudo sobre: a) o montante da movimentação financeira em relação ao fomento mercantil; b) os valores de devoluções de cheques durante o período autuado; c) a identificação da média possível do prazo dos títulos em desconto e d) a taxa média do mercado de deságio. É o relatório.” Na sequência, foi emitido o Acórdão nº 169.684 da DRJ/São Paulo I, de fls. 1320 a 1336, mantendo integralmente os lançamentos fiscais, com o seguinte ementário: Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais, não se verifica a nulidade do Auto de Infração. DECADÊNCIA. APURAÇÃO ANUAL. Na apuração anual, o fato gerador do imposto de renda ocorre em 31 de dezembro, termo de inicio do prazo decadencial. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade são de exclusiva competência do Poder Judiciário. FACTORING. RECEITA BRUTA. A receita bruta das empresas de fomento comercial (Factoring) é a diferença entre o valor de aquisição e o valor de face do titulo ou direito adquirido, sendo válida a receita bruta calculada a partir de fator médio de desconto apurado na ação fiscal. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. UTILIZAÇÃO DE CONTA CORRENTE DE SÓCIO. PRÁTICA REITERADA. A prática reiterada de movimentação das operações de factoring da pessoa jurídica em conta bancária de sócio, e sem registro na Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/07/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.001061/200564 Acórdão n.º 1202000820 S1C2T2 Fl. 1.437 7 contabilidade da pessoa jurídica, caracteriza evidente intuito de fraude que impõe a aplicação de multa qualificada. CONTRIBUIÇÕES A SEGURIDADE SOCIAL. CSLL/PIS/COFINS DECADÊNCIA. A Lei no 8.212/91 estabeleceu o prazo de dez anos para a decadência das contribuições sociais destinadas à seguridade social. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. 0 decidido no IRPJ repercute nas exigências decorrentes da mesma ação fiscal e que tem o mesmo pressuposto fático. Lançamento Procedente Irresignado com a decisão proferida, o interessado interpôs recurso voluntário a este colegiado, mediante arrazoado, de fls. 1344 a 1364, se manifestando apenas em relação às matérias relativas à ocorrência da decadência das contribuições sociais e redução para o percentual 75 % da multa majorada por infração qualificada, no qual repisa praticamente os mesmos argumentos trazidos na peça impugnatória. Adicionalmente, informa que em relação à autuação do IRPJ (Processo principal nº 16327.001060/200510), optou pelo parcelamento desse tributo, nos termos da Medida Provisória nº 303, de 2006, restando para análise apenas os seus reflexos da CSLL, PIS e Cofins, que constavam em processos apensados ao processo principal (IRPJ), de números 16327.001061/200564 (CSLL), 16327.001062/200517 (PIS) e 16327.001063/200553 (COFINS). É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso é tempestivo e nos termos da lei. Portanto, dele tomo conhecimento. A recorrente informa em seu recurso voluntário que o crédito tributário principal, relativo ao lançamento do IRPJ, formalizado no processo nº 16327.001060/200510, encontrase com opção de parcelamento nos termos do estabelecido na MP nº 303, de 2006, não mais fazendo parte do litígio. Ainda, no recurso voluntário, o recorrente se manifesta apenas em relação à duas matérias: i) ocorrência parcial da decadência das contribuições sociais, CSLL, PIS e Cofins; e ii) redução da multa qualificada, para 75 %. Deixa, portanto de se manifestar a respeito das demais matérias levantadas na peça impugnatória. Dessa forma, em relação ao lançamento do IRPJ e das matérias relativas à nulidade dos lançamentos e do mérito dos lançamentos da CSLL, PIS e Cofins, devem ser consideradas definitivamente julgadas, na esfera administrativa, nos termos do nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/07/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.001061/200564 Acórdão n.º 1202000820 S1C2T2 Fl. 1.438 8 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (grifei) Passo ao exame das matérias que permanecem em discussão. Inicialmente, examinase o cabimento da multa agravada, por infração qualificada, no percentual de 150%. Alega o recorrente que não teria havido qualquer intuito de fraude objetivando o não pagamento dos tributos, mas uma confusão, por parte do sócio da empresa, das contas bancárias utilizadas para a movimentação financeira dos recursos da autuada. Além disso, o recorrente em momento algum teria se recusado a apresentar documentos ou informações tendentes à apurar a materialidade dos fatos, ou dificultou o aparecimento destes. De fato, compulsando os autos, verificase que a autuada colaborou com a fiscalização, prestando todos os esclarecimentos e documentos que foram solicitados. Entretanto, pesa contra a recorrente o fato, não contestado, de que parte da movimentação financeira da autuada foi feita à margem da sua contabilidade, em contas corrente bancárias do sócio pessoa física, Sr. Renato Luiz Righetto Ifanger, nos Bancos Unibanco, HSBC e Citibank, fls 550/551. Por conseqüência, foram omitidas receitas que deveriam ter sido oferecidas à tributação nas declarações DIPJ e DCTF, o que evidencia o claro intuito de omitir das autoridades fazendárias as movimentações financeiras de suas atividades e, por conseqüência, fugir da incidência dos impostos e contribuições devidos. Registrese que a ocultação das movimentações financeiras bancárias foi feita de forma reiterada e ocorreram ao longo de todos os três anos autuados, em 1998, 1999 e 2000, o que podese afastar, desde já, a ocorrência de erro ou falha por parte da empresa no registro contábil e fiscal da totalidade de suas operações a que estava obrigada. Vejase o que relato a autoridade fiscal em seu Termo de Verificação, fls. 555: “16. Os elementos coletados ao longo do processo investigativo levam à conclusão de que as contas correntes mantidas em nome do sócio RENATO LUIZ RIGHETTO IFANGER continha movimentação da POWER FACTORING LIDA, CNPJ 00.425.952/000157, e estas não estavam escrituradas e contabilizadas nos livros comerciais da empresa. Essas informações foram corroboradas pelo próprio contribuinte.” Como se percebe, o procedimento levado a cabo pelo contribuinte revela a clara intenção de fraudar as informações contábeis/fiscais, ao optar por registrar apenas parte das movimentações bancárias, tendo em vista a ocultação das contas bancárias dos Bancos Unibanco, HSBC e Citibank. Salientese que essas contas registraram mais de 50% das operações regularmente declaradas pela empresa ao longo desses três anos, conforme se verifica da planilha de fls. 556. Na sequência, cabe aqui esclarecer os conceitos de sonegação, fraude e conluio previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964 e seus efeitos: Lei nº 4.502, de 1964 Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/07/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.001061/200564 Acórdão n.º 1202000820 S1C2T2 Fl. 1.439 9 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais: II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72." No presente caso, ao se utilizar de conta bancária própria, não registrada na contabilidade e nem declarada ao fisco, ficou clara a ação dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, de modo a reduzir o montante do imposto devido, enquadrado nos arts. 71 e 72 acima transcrito, caracterizando a conduta como “sonegação” e “fraude”. A meu ver, a ocorrência do dolo ficou caracterizada pelos seguintes motivos: i) a autuada, deliberadamente, deixou de registrar em sua contabilidade, e de declarar ao fisco, toda a movimentação financeira das contas bancárias registradas em nome do sócio, pessoa física, nos Bancos Unibanco, HSBC e Citibank. ii) a prática de omissão do registro das movimentações bancárias ocorreu de forma reiterada, em todos os três anos autuados, o que afasta a possível ocorrência de erros ou falhas nos registros da empresa, denotando a clara intenção do sujeito passivo em alcançar a redução do montante dos tributos devidos; iii) os valores omitidos são de expressivo valor, representando mais de 50% das operações regularmente declaradas pela empresa ao longo dos três anos, o que ratifica a intenção na omissão do registro, afastandose a ocorrência de falhas na escrituração; Registrese que os Autos de Infração lavrados, possuem o enquadramento legal da multa aplicada, encontrandose em sintonia com os fatos acima descritos, no caso, o art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, vigente à época dos fatos, cujo percentual não sofreu alteração com a nova redação dada ao art. 44, pela Lei nº 11.488, de 2007, conforme se depreende da leitura dos dispositivos a seguir transcritos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/07/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.001061/200564 Acórdão n.º 1202000820 S1C2T2 Fl. 1.440 10 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei nº 11.488, de 2007 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (grifei) Assim, creio existir perfeita subsunção dos fatos ao estabelecido nos arts. 71 e 72 acima transcritos, impondose a penalização mais agravada. Em face do exposto, por existir perfeito enquadramento da conduta do sujeito passivo com os dispositivos legais mencionados, entendo que deve ser mantida a multa agravada por infração qualificada, no percentual de 150%. Por fim, examinase o direito do fisco proceder ao lançamento das contribuições sociais, face a alegada ocorrência parcial do decurso do prazo decadencial. O acórdão recorrido considerou que o prazo se esgotaria em 10 anos do fato gerador, nos termos do art. 45 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 e, portanto, não haveria de se cogitar da ocorrência do prazo decadencial. Já a defesa alega que deve ser desconsiderado o prazo decadencial de 10 anos, mas sim de 5 anos, como previsto no CTN, postulando pela inaplicabilidade do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991 antes referido. A esse respeito, cumpre mencionar que o Supremo Tribunal FederalSTF declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que estabelecia o prazo de 10 anos para constituição do crédito tributário relativo às contribuições sociais. Com efeito, foi editada pelo STF a Súmula Vinculante 8, DJe de 20/06/2008, estipulando que as contribuições para a CSLL, o PIS e a Cofins encontramse também reguladas pelo prazo decadencial de cinco anos estabelecido pelos artigos 150 e 173 do CTN. Súmula Vinculante 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212. Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/07/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.001061/200564 Acórdão n.º 1202000820 S1C2T2 Fl. 1.441 11 Dessa forma, concluise que deve ser considerado, no presente caso, que o prazo decadencial das contribuições lançadas, deve ter o mesmo lapso temporal de cinco anos previsto no Código Tributário Nacional previsto para os demais tributos. Examinando o caso dos autos, cumpre registrar inicialmente, que é de se afastar de imediato a aplicação do art. 150, § 4°, do CTN na contagem do prazo decadencial, face a incontestável ocorrência de dolo e fraude por parte da autuada na supressão dos tributos devidos, cuja matéria, já foi apreciada no item precedente deste voto: Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifouse) Assim, no caso em análise, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN, o qual estipula que o direito de constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme transcrição que segue: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Os autos de infração da CSLL, do PIS e da Cofins referemse aos anos de 1998, 1999 e 2000. O lançamento da CSLL foi feito de acordo com a apuração anual (fl.579) e, do PIS e da Cofins (fls. 900 e ss.), de acordo com a apuração mensal. Já a ciência das autuações ocorreu em 12/08/2005, AR de fls. 598, 926, 1266. Em relação à CSLL, para o fato gerador mais antigo, ocorrido em 31/12/1998, o lançamento só poderia ser efetuado no dia seguinte, em 01/01/1999 e o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, de que trata o art. 173, I do CTN, é o dia 01/01/2000, esgotandose 5 anos após, em 31/12/2004, portanto, já transcorrido o prazo decadencial para lançamento. Já para o período de apuração 31/12/1999, o lançamento só poderia ser efetuado no dia seguinte, em 01/01/2000 e o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, de que trata o art. 173, I do CTN, é o dia 01/01/2001, esgotandose 5 anos após, em 31/12/2005, portanto, dentro do prazo decadencial para lançamento. Contagem análoga deve ser feita para o período seguinte, 31/12/2000. Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/07/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.001061/200564 Acórdão n.º 1202000820 S1C2T2 Fl. 1.442 12 Assim, em relação à CSLL, deve ser considerado decaído o direito de lançamento para o período de apuração encerrado em 31/12/1998. No que se refere aos lançamentos do PIS e da COFINS, como se trata de apuração mensal dessas contribuições, o lançamento fiscal somente poderia ocorrer no dia seguinte ao final de cada mês. Assim, para os períodos de apuração mais antigos, de janeiro/1998 a novembro de 1999, considerando este último mês, o lançamento só poderia ser efetuado no dia seguinte, em 01/12/1999 e o início da contagem do prazo decadencial é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, em 01/01/2000, esgotandose 5 anos após, em 31/12/2004. Como a ciência dos lançamentos ocorreu em 12/08/2005, AR de fls. 926 e 1266, há que se considerar decaído o direito do fisco proceder ao lançamento fiscal desses períodos. Por outro lado, para o período de apuração de dezembro de 1999 (contagem análoga para os períodos seguintes) encerrado em 31/12/1999, o lançamento somente poderia ser efetuado no dia seguinte, em 01/01/2000 e o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ser efetuado, a que se refere o art. 173, I do CTN, iniciase em 01/01/2001, encerrandose 5 anos após, em 31/12/2005. Assim, como a ciência do lançamento ocorreu em 12/08/2005, portanto, dentro do prazo decadencial de 5 anos, não há que se falar em decadência nesse período e para os períodos de apuração seguintes. Dessa forma, deve ser considerado decaído o direito de lançamento do PIS e da Cofins para os períodos de apuração de janeiro/1998 à novembro de 1999. Em face do exposto, voto no sentido de que sejam consideradas definitivamente julgadas as matérias não expressamente contestadas, relativamente ao lançamento do IRPJ e das matérias concernentes à nulidade dos lançamentos e do mérito dos lançamentos da CSLL, PIS e Cofins e, de que seja dado parcial provimento ao recurso voluntário, para considerar decaído o direito de lançar a CSLL, relativamente ao período de apuração de 31/12/1998, e, no que se refere ao PIS e à Cofins, relativamente aos períodos de apuração de janeiro/1998 à novembro de 1999. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/07/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
score : 1.0
Numero do processo: 15374.902030/2008-47
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral: Dra. Bianca Ramos Xavier, OAB/RJ nº 121.112.
(assinado digitalmente)
Belchio Melo de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Paulo Guilherme Deloured (Suplente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente).
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201304
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 15374.902030/2008-47
anomes_publicacao_s : 201305
conteudo_id_s : 5249026
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3803-000.274
nome_arquivo_s : Decisao_15374902030200847.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 15374902030200847_5249026.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral: Dra. Bianca Ramos Xavier, OAB/RJ nº 121.112. (assinado digitalmente) Belchio Melo de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Paulo Guilherme Deloured (Suplente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente).
dt_sessao_tdt : Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
id : 4864010
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:09:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045807712698368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1849; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 122 1 121 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.902030/200847 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3803000.274 – 3ª Turma Especial Data 24 de abril de 2013 Assunto PIS RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO Recorrente EL PASO ÓLEO E GÁS DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral: Dra. Bianca Ramos Xavier, OAB/RJ nº 121.112. (assinado digitalmente) Belchio Melo de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Paulo Guilherme Deloured (Suplente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Rio de Janeiro II/RJ que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação pleiteada. De início, registrese que a numeração de folhas dos autos identificada neste relatório e no voto que o segue referese à numeração eletrônica e não àquela aposta aos autos em papel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 02 03 0/ 20 08 -4 7 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.902030/200847 Resolução nº 3803000.274 S3TE03 Fl. 123 2 O contribuinte havia transmitido o Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 33448.65157.171106.1.7.048373, em 17 de novembro de 2006, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, período de apuração setembro de 2002, no valor de R$ 8.857,97, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. De acordo com o despacho decisório, o pagamento efetuado por meio de DARF no valor de R$ 18.570,33 já havia sido utilizado para compensação em outro PER/DCOMP, de nº 40258.26727.300903.1.3.045253, no montante de R$ 16.120,95, e na quitação do débito da contribuição devida em agosto de 2002 (R$ 2.449,38). Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o cancelamento do despacho decisório e, conseguintemente, a homologação da compensação, alegando que a autoridade administrativa, ao proferir a decisão, desconsiderara que o débito da Cofins compensado no PER/DCOMP nº 40258.26727.300903.1.3.045253 já havia sido pago anteriormente, conforme comprovaria o DARF então acostado aos autos, em razão do que a referida compensação teria perdido seu objeto, mantendose intacto o crédito correspondente. Segundo o então Manifestante, ao efetuar um levantamento em seus arquivos, verificara que, de fato, um mesmo crédito havia sido informado em duas PER/DCOMPs, sendo que, na primeira delas (a de nº 40258.26727.300903.1.3.045253, transmitida em 30/9/2003), não utilizara o crédito declarado por força do pagamento anterior do débito que se pretendia compensar. Dessa forma, ainda segundo o contribuinte, não havendo débito a ser compensado no PER/DCOMP n° 40258.26727.300903.1.3.045253, inevitável seria a conclusão de que o crédito ali apontado, uma vez não utilizado, continuaria sendo passível de apropriação para fins de compensação. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, dos dois PER/DCOMPs, da DCTF retificadora transmitida em 20/4/2007 e do DARF relativo ao pagamento da contribuição para o PIS de setembro de 2002, no valor de R$ 28.525,24 (fls. 17 a 67). A DRJ Rio de Janeiro II/RJ não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 13/09/2002 INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.902030/200847 Resolução nº 3803000.274 S3TE03 Fl. 124 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Arguiu o relator a quo que, compulsando os autos, verificouse que deles não constava pedido de cancelamento da primeira PER/DCOMP, qual seja, aquela em que se utilizara o saldo do DARF indicado como origem do crédito discutido neste processo, nos termos expressamente previstos no art. 62 da Instrução Normativa SRF n˚ 600/2005, vigente à época da compensação ora em análise. O excerto a seguir transcrito faz parte do voto condutor do acórdão da Delegacia de Jugamento: É dizer que, embora tenha compensado e pago o mesmo débito, a contribuinte não cancelou a compensação, deslocando o crédito aqui reclamado do DARF indicado na presente PER/DCOMP para outro DARF, este indicado pela contribuinte na manifestação de inconformidade. Ademais, não há previsão legal para perda de objeto de atos praticados pela contribuinte, seja pela falta de sua análise, seja pelos recolhilhimento e compensação de um mesmo valor ou débito. A Administração Pública não tem como prever qual pagamento ou compensação realmente deveria ter sido considerada nos atos praticados pela contribuinte, nem mesmo, de ofício, desconsiderar a extinção de débitos via compensação, quando a contribuinte assim não informou.(fls. 72 a 73) Ainda de acordo com a autoridade julgadora, referindose ao primeiro PER/DCOMP apresentado pelo contribuinte, se a compensação então declarada não foi analisada pela Fazenda Pública, no final do prazo de cinco anos contados da data de sua transmissão ou protocolo, ela se tornou homologada tacitamente, não havendo que se falar em falta de análise ou perda de objeto, pois a compensação é procedimento de caráter definitivo de extinção da obrigação tributária. Irresignado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade e requer a reforma da decisão de primeira instância, com a declaração de nulidade do despacho decisório por falta de motivação e a consequente homologação da compensação pleiteada, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o despacho decisório está eivado de nulidade insanável, por violar os princípios da legalidade, da ampla defesa, do contraditório, da verdade material, da vedação ao enriquecimento sem causa e da capacidade contributiva, em razão do fato de que os dispositivos legais ali apontados são genéricos, indicando que a decisão foi proferida com o único intuito de resguardar os interesses da Fazenda Nacional, ignorando a efetiva existência do direito creditório; b) a Fiscalização deveria ao menos ter buscado junto à pessoa jurídica os documentos e provas para certificar o crédito pleiteado; c) é impossível haver a extinção de um débito por homologação tácita quando ele já se encontra extinto anteriormente por pagamento; Fl. 124DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.902030/200847 Resolução nº 3803000.274 S3TE03 Fl. 125 4 d) a Receita Federal se funda em presunções desconexas, com análise periférica do direito creditório, não tendo o ato administrativo exarado sido motivado nos termos exigidos pela Lei nº 9.784, de 1999; e) o Estado deve sempre buscar a verdade dos fatos, ainda que para isso tenha de se valer de outros elementos além dos apresentados pelos contribuintes; f) estando comprovada a existência do crédito e preenchidos todos os requisitos para a sua fruição, é forçoso concluir que o contribuinte não pode ser impedido de exercer o seu direito, legalmente previsto, de compensálo com débitos de sua titularidade; g) no mérito, argumenta que, em conformidade com a legislação de regência, em que a compensação tributária pressupõe a existência da relação de credor (Fisco) e devedor (contribuinte), não se pode pretender compensar um débito que já se encontra extinto por pagamento, situação essa incompatível com a figura da homologação tácita; h) o primeiro PER/DCOMP, em que se pretendeu compensar um débito já extinto por pagamento, apresentase eivado de vícios e carente de motivação e fundamentação, devendo, portanto, ser desconsiderado. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. I. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O Recorrente alega que o despacho decisório seria nulo por ausência de motivação e por violar os princípios da legalidade, da ampla defesa, do contraditório, da verdade material, da vedação ao enriquecimento sem causa e da capacidade contributiva, em razão do fato de que os dispositivos legais ali apontados seriam genéricos, indicando que a decisão fora proferida com o único intuito de resguardar os interesses da Fazenda Nacional, ignorando a efetiva existência do direito creditório. De pronto, devemse afastar tais alegações do Recorrente, pois o despacho decisório foi exarado em conformidade com os dispositivos legais e regulamentares que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), este disciplinado primordialmente pelo Decreto nº 70.235, de 1972. No despacho decisório, emitido que fora com observância da legislação de regência, consta de forma evidente a razão da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência do indébito em razão do fato de que o pagamento declarado em PER/DCOMP, ou seja, pelo próprio sujeito passivo, já ter sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte, constando, ainda, individualizada e pormenorizadamente, todas as informações relativas ao pagamento e à compensação efetuada em outro PER/DCOMP, de forma que nenhuma informação foi suprimida em prejuízo da defesa do interessado. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.902030/200847 Resolução nº 3803000.274 S3TE03 Fl. 126 5 Inexiste qualquer desvio de finalidade no despacho decisório, pois que ele decorreu de pedido formulado pelo próprio sujeito passivo, cujos termos delimitaram a extensão da matéria a ser analisada pela Administração tributária, encontrandose esta autorizada por lei (art. 74 e §§ da Lei nº 9.430/1996) a proceder daquela forma, com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte, informações essas suficientes à apreciação do pleito. Não se pode ignorar que se erro houve ao longo dos procedimentos ora analisados ele decorreu da atuação do próprio Recorrente, pois foi ele que forneceu informações desencontradas à Administração tributária. Devese ressaltar que, em conformidade com o direito fundamental à ampla defesa e ao contraditório (art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal), ao contribuinte é assegurado o direito de se valer do contencioso administrativo, em duas instâncias, para se contrapor às decisões da Administração tributária, inclusive apresentando, na defesa do seu direito, outras informações e documentos ainda não apreciados pela Fazenda Pública. As regras de funcionamento do litígio administrativo, conforme já apontado, devem ser buscadas, primariamente, no Decreto nº 70.235/1972 e, subsidiariamente, nas demais regras que regulam o processo administrativo e/ou judicial, sendo que, não se vislumbrando qualquer ofensa a tais atos normativos, inexiste fundamento a apoiar a pretendida declaração de nulidade do despacho decisório. Nesse contexto, afastase a preliminar de nulidade arguida. II. Mérito. Compensação. Existência do indébito. Para se analisar o mérito da matéria controvertida, necessário se torna relacionar, em ordem cronológica, os fatos devidamente comprovados nos autos, inobstante constarem do relatório supra. É o que se faz na sequência: 1º) em 13 de setembro de 2002, o contribuinte, por meio de DARF, recolheu aos cofres públicos o valor de R$ 18.570,33, referente à contribuição para o PIS devida no mês de setembro de 2002, conforme se constata do despacho decisório de fl. 8; 2º) em 15 de outubro de 2002, o contribuinte, por meio de DARF, recolheu aos cofres públicos o valor de R$ 28.525,24, referente à contribuição para o PIS devida no mês de setembro de 2002 (fl. 67); 3º) em 30 de setembro de 2003, transmitiuse o PER/DCOMP nº 40258.26727.300903.1.3.045253, em que se informou a existência de um crédito de R$ 16.123,80, decorrente do pagamento de R$ 18.570,33 (1º item supra), utilizado para quitar parte do débito da contribuição de setembro de 2002, este no valor de R$ 28.432,86 (fls. 57 a 62); 4º) em 17 de novembro de 2003, transmitiuse o PER/DCOMP sob análise neste processo, de nº 33448.65157.171106.1.7.048373, em que se informou a existência de um crédito de R$ 8.857,97, decorrente do pagamento de R$ 18.570,33 (1º item supra), utilizado para quitar débito de IRRF devido em dezembro de 2003, no valor de R$ 8.389,87 (fls. 3 a 6); Fl. 126DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.902030/200847 Resolução nº 3803000.274 S3TE03 Fl. 127 6 5º) em 20 de abril de 2007, o contribuinte transmitiu à Receita Federal a DCTF retificadora, em que declarou que a contribuição para o PIS de agosto de 2002, no montante de R$ 2.457,58, fora quitada com parte do pagamento de R$ 18.570,33 (1º item supra), do que restara saldo credor de R$ 16.120,95, e com o pagamento, via outro DARF, de R$ 8,20, e que a contribuição para o PIS de setembro de 2002, no valor de R$ 28.433,85, fora paga por meio de parte do recolhimento de R$ 28.525,24 (fls. 63 a 65); 6º) em 6 de outubro de 2008, o contribuinte foi cientificado do despacho decisório de 25 de setembro de 2008, em que a compensação pleiteada restou não homologada pelo fato de que o pagamento efetuado por meio de DARF no valor de R$ 18.570,33 já havia sido utilizado para compensação em outro PER/DCOMP, de nº 40258.26727.300903.1.3.04 5253, no montante de R$ 16.120,95, e na quitação do débito da contribuição devida em agosto de 2002 (R$ 2.449,38). Não constam dos autos cópias da DCTF original e do DARF referente ao pagamento de R$ 18.570,33, mas as informações de interesse contidas nesses documentos podem ser extraídas do despacho decisório sob análise neste processo. De início, ressaltese mais uma vez que a decisão da repartição de origem denegatória da compensação pleiteada neste processo baseouse em informações presentes em seus sistemas internos, informações essas prestadas pelo próprio interessado, ainda que de forma desencontrada. O pleito do direito creditório em duplicidade resta inconteste nos autos, sendo que, considerando as informações prestadas pelo Recorrente, há fortes indícios de que tal procedimento decorrera de erro do próprio interessado no preenchimento dos PER/DCOMPs, pois, no primeiro deles, o de nº 40258.26727.300903.1.3.045253, pretendeu extinguir parte do débito da contribuição devida em setembro de 2002, no valor de R$ 28.432,86, com um crédito de R$ 16.123,80, este decorrente do DARF no valor de R$ 18.570,33, débito aquele que já se encontrava quitado por meio de DARF no montante de R$ 28.525,24. A meu ver, o provável erro cometido pelo sujeito passivo não pode servir de supedâneo à desconsideração da verdade dos fatos, ainda que ele não tenha requerido o cancelamento do PER/DCOMP transmitido por engano, nos termos exigidos pelo art. 62 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005. A inobservância da legislação tributária pelo administrado no que tange às normas procedimentais não pode suplantar, por si só, os demais elementos normativos do sistema jurídico, como o princípio da vedação ao enriquecimento ilícito e o princípio da verdade material – em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das formalidades processuais e procedimentais –, assim como o princípio da legalidade, pois o contribuinte deve recolher o tributo devido nos limites da previsão normativa, nem mais, nem menos. Encontrandose nos autos o elemento probatório apto a comprovar o direito alegado, ignorálo, em razão da inobservância de uma regra infralegal, ou seja, de uma norma complementar, equivale, a meu ver, a romper com os princípios do não confisco e da capacidade contributiva, pois que se estará tributando parcela do patrimônio cuja intributabilidade fora assegurada pela Constituição e pelas leis instituidoras dos tributos. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.902030/200847 Resolução nº 3803000.274 S3TE03 Fl. 128 7 Nos casos da espécie ao ora analisado, em que os pedidos de ressarcimento/restituição e as declarações de compensação são analisados por meio de simples processamento eletrônico, a partir do cruzamento dos dados existentes nas informações até então prestadas pelo interessado, a questão da prova documental se mostra relevante para se comprovar eventuais erros cometidos pelos sujeitos passivos no preenchimento das declarações que alimentam os sistemas internos da Administração tributária. Notese que, no presente caso, na data da emissão do despacho decisório (25/9/2008), o contribuinte já havia transmitido à Receita Federal, em 20 de abril de 2007, a DCTF retificadora em que declarou que a contribuição para o PIS de agosto de 2002, no montante de R$ 2.457,58, havia sido quitada com parte do pagamento de R$ 18.570,33, do que restara saldo credor de R$ 16.120,95, e que a contribuição para o PIS de setembro de 2002, no valor de R$ 28.433,85, havia sido paga por meio de parte do recolhimento de R$ 28.525,24. Essa informação antecedente ao despacho decisório, constante da DCTF retificadora, que vai ao encontro dos argumentos apresentados pelo contribuinte, tanto na primeira quanto na segunda instância do PAF, não foi levada em conta pela autoridade administrativa no momento da decisão então prolatada, cujo embasamento se restringiu ao teor do PER/DCOMP nº 40258.26727.300903.1.3.045253. Diante do desencontro de informações presentes nos sistemas informatizados, acredito que teria agido melhor a autoridade administrativa se tivesse requerido ao sujeito passivo esclarecimentos adicionais para sanar a contradição, ou, ao menos, considerado a informação mais recente constante da DCTF retificadora, tendo em vista que esta declaração constitui o crédito tributário. Nesse contexto, dada a verossimilhança dos fatos alegados pelo ora Recorrente, a presente análise não pode ignorálos, sob pena de afronta aos princípios acima referenciados, precipuamente o da vedação ao enriquecimento sem causa, assim como à norma impositiva da legislação tributária instituidora do tributo em questão. Contudo, para se decidir o litígio, mostrase necessária a obtenção de esclarecimentos adicionais, em razão do que voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA à repartição de origem, com vistas a se comprovar o efetivo recolhimento do valor de R$ 28.525,24, constante da cópia do DARF de fl. 67, assim como a sua alocação para quitar o débito da contribuição para o PIS devida em setembro de 2002. Confirmada essa vinculação entre os referidos crédito e débito e, por consequência lógica, desconsiderada a compensação pleiteada por meio do primeiro PER/DCOMP (nº 40258.26727.300903.1.3.045253), encontrarseia o crédito sobre o qual se controverte nestes autos disponível para quitar o débito informado no PER/DCOMP nº 33448.65157.171106.1.7.048373? Após a realização da diligência, o Recorrente deverá ser cientificado dos seus resultados, franqueandolhe o prazo regulamentar para se pronunciar, devendo, ao final, os autos retornar a esta 3a Turma Especial da 3ª Seção do CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 128DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.902030/200847 Resolução nº 3803000.274 S3TE03 Fl. 129 8 Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 129DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 07/05/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.013648/2006-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001, 2002 Ementa: Ementa: RECURSO DE OFÍCIO - LIMITE MÍNIMO DE ALÇADA - NÃO CONHECIMENTO - Não se conhece de apelo de ofício quando, em face de determinação superveniente à formalização do recurso, o limite mínimo de alçada não é alcançado ITR - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA - Sendo a apuração e o pagamento do ITR efetuados pelo contribuinte, nos termos do artigo 10, da Lei nº 9.393, de 1996, e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro (art. 150, § 4.º do CTN). MULTA DE OFÍCIO - CONFISCO - Em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos TAXA SELIC – A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula nº 04 do CARF)
Numero da decisão: 2202-001.519
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª câmara / 2ª turma ordinária do segunda SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, acolher os Embargos apresentados para rerratificar o Acórdão n.º 2202-00.548, de 13/05/2010, sanando as irregularidades apontadas, manter a decisão original proferida.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001, 2002 Ementa: Ementa: RECURSO DE OFÍCIO - LIMITE MÍNIMO DE ALÇADA - NÃO CONHECIMENTO - Não se conhece de apelo de ofício quando, em face de determinação superveniente à formalização do recurso, o limite mínimo de alçada não é alcançado ITR - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA - Sendo a apuração e o pagamento do ITR efetuados pelo contribuinte, nos termos do artigo 10, da Lei nº 9.393, de 1996, e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro (art. 150, § 4.º do CTN). MULTA DE OFÍCIO - CONFISCO - Em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos TAXA SELIC – A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula nº 04 do CARF)
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10680.013648/2006-91
conteudo_id_s : 5242100
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2202-001.519
nome_arquivo_s : Decisao_10680013648200691.pdf
nome_relator_s : PEDRO ANAN JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10680013648200691_5242100.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ª câmara / 2ª turma ordinária do segunda SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, acolher os Embargos apresentados para rerratificar o Acórdão n.º 2202-00.548, de 13/05/2010, sanando as irregularidades apontadas, manter a decisão original proferida.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
id : 4842244
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:08:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045807726329856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2120; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.013648/200691 Recurso nº 340.782 Voluntário Acórdão nº 220201.519 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de Matéria ITR Recorrente AGRO INDUSTRIAL BELA VISTA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001, 2002 Ementa: Ementa: RECURSO DE OFÍCIO LIMITE MÍNIMO DE ALÇADA NÃO CONHECIMENTO Não se conhece de apelo de ofício quando, em face de determinação superveniente à formalização do recurso, o limite mínimo de alçada não é alcançado ITR LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA Sendo a apuração e o pagamento do ITR efetuados pelo contribuinte, nos termos do artigo 10, da Lei nº 9.393, de 1996, e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro (art. 150, § 4.º do CTN). MULTA DE OFÍCIO CONFISCO Em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos TAXA SELIC – A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula nº 04 do CARF) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª câmara / 2ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, acolher os Embargos apresentados para Fl. 882DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/12/2011 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 rerratificar o Acórdão n.º 220200.548, de 13/05/2010, sanando as irregularidades apontadas, manter a decisão original proferida. (Assinado Digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 883DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/12/2011 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10680.013648/200691 Acórdão n.º 220201.519 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Contra o contribuinte Agro Industrial Bela Vista Ltda. inscrita no CNPJ sob o número 17.471.442/000119 foi lavrado em 06 de dezembro de 2006, auto de infração de fls. 04, 128/138, onde se exige o crédito tributário de Imposto Territorial Rural – ITR, dos exercícios de 2001 e 2002, incidentes sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Bela Vista” (NIRF 3.578.7686), localizado no Município de Sarzedo – MG. O contribuinte foi intimado para apresentar documentos no intuito de comprovar os dados informados nas DITR’s, dos exercícios de 2001 e 2002. Após esgotado o prazo para apresentação de documentos, e não ter sido apresentado nenhum documento pelo contribuinte, a autoridade lançadora efetuou a análise dos documentos de fls. 22/127, e os dados informados nas DITR’s, e efetuou a glosa das áreas declaradas como preservação permanente, utilização limitada, produção vegetal, pastagens, além de rejeitar o valor do VTN declarado, arbitrando o valor com base nos dados constantes no SIPT, culminando na lavratura do auto de infração conforme demonstrativo de fls. 131 e 132. O contribuinte foi intimado do auto de infração, e protocolou a impugnação de fls. 147 a 170. A autoridade recorrida, ao examinar o pleito, decidiu, por unanimidade pela improcedência parcial do lançamento através do acórdão da 1ª Turma da DRJ/BSA n° 03 22.299, de 12/09/2007, às fls. 302/327, cuja síntese da decisão segue abaixo: “Assunto: Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2001, 2002 ITR. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA Tendo em vista o pagamento em atraso, realizado após o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, fica afastada, no caso, a hipótese de decadência, aplicandose, para fins de contagem do prazo decadencial, a regra prevista no art. 173, I, do CTN, de acordo com o entendimento da RFB. DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Tendo o contribuinte sido cientificado da lavratura do auto de infração, compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena, dentro do prazo legal, o seu direito de defesa, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. DA ÁREA TOTAL DO IMÓVEL E DAS ÁREAS DE PRODUTOS VEGETAIS OCUPADAS COM BENFEITORIAS. Fl. 884DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/12/2011 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 Estando as alegações do contribuinte devidamente embasadas em documentos hábeis, cabe acatar as alterações pretendidas em relação à área total do imóvel, às áreas utilizadas com produtos vegetais e ocupadas com benfeitorias, adequando a exigência à sua realidade fática. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. Nos termos exigidos pela fiscalização e observada a legislação de regência, as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA. DO REBANHO E DA ÁREA DE PASTAGEM ACEITA Com base no rebanho comprovado, cabe recalcular a área servida de pastagens do imóvel, para efeito de apuração do seu Grau de Utilização. A área de pastagem aceita será a menor entre a área de pastagem declarada e a área de pastagem calculada, observado o respectivo índice de lotação mínima por zona pecuária, fixado para a região onde se situa o imóvel. DO VALOR DA TERRA NUA – VTN Cabe rever os VTN arbitrados pela fiscalização, quando apresentado Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel rural avaliado, a preços dos anos abrangidos pela ação fiscal, bem como a existência de características particulares desfavoráveis, que justificam o valor apurado pelo autor do trabalho. MULTA DE OFÍCIO DE 112,5% Não restando caracterizada a tentativa de obstruir ou retardar a fiscalização, é de se cancelar o agravamento da multa de ofício de 112,5%, cabendo a mesma ser fixada no percentual genérico de 75%, a incidir sobre o imposto suplementar remanescente. Lançamento Procedente em Parte. Houve recurso de ofício por parte da DRJ de Brasília, e voluntário por parte do contribuinte que foi apresentado tempestivamente, de fls. 335 a 350, onde o contribuinte alega em síntese: que ocorreu a decadência relativo ao exercício de 2001; que seja reformada a decisão relativa a glosa das áreas de reserva legal e preservação permanente, sendo as mesmas retiradas da base tributável do imposto devido; seja reconhecida a inconstitucionalidade do art. 44, I, da Lei 9.430, de 1996, para que não seja aplicada a multa de 75%, por a mesma ter natureza confiscatória; Fl. 885DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/12/2011 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10680.013648/200691 Acórdão n.º 220201.519 S2C2T2 Fl. 3 5 não seja aplicada a taxa SELIC relativo aos juros de mora, por não ser lícita a cobrança de juros remuneratórios. Em sessão de julgamento realizada em 13 de maio de 2010, foi não foi conhecido o recurso de ofício e dado provimento parcial ao recurso apresentado pela Recorrente, consubstanciado no acórdão 220200.548, cuja ementa abaixo transcrita: Ementa: RECURSO DE OFÍCIO LIMITE MÍNIMO DE ALÇADA NÃO CONHECIMENTO Não se conhece de apelo de ofício quando, em face de determinação superveniente à formalização do recurso, o limite mínimo de alçada não é alcançado ITR LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA Sendo a apuração e o pagamento do ITR efetuados pelo contribuinte, nos termos do artigo 10, da Lei nº 9.393, de 1996, e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro (art. 150, § 4.º do CTN). Foi apresentado Embargos de Declaração pela contribuinte, às fls. 401/403. A Embargante se opõe contra a omissão no voto condutor que não teria sido claro qual seria o motivo por não ter apreciado as questões relativas a multa de ofício e juros SELIC. Os embargos foram admitidos através de despacho fundamentado, que foi devidamente acolhido pelo Presidente da Turma e os autos retornaram para julgamento da omissão apontada. É o relatório Voto Conselheiro Pedro Anan Junior, Relator Os embargos de declaração preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto devem ser acolhidos. A omissão apontada nos embargos apresentados pelo contribuinte, versa sobre análise da questão relativa a juros SELIC e natureza confiscatória da multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO – CONFISCO Em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos Fl. 886DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/12/2011 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR 6 Incabível se falar em confisco no âmbito das multas pecuniárias. O princípio constitucional do nãoconfisco se aplica, apenas, aos tributos. Neste sentido, não procede o argumento da Embargante referente a essa matéria. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC No que diz respeito ao argumento da indevida aplicação da SELIC como juros de mora, entendo que o mesmo não procede, uma vez que o artigo 13, da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995 prevê a sua aplicação sobre os tributos em atraso: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Desta forma, como a cobrança em auto de infração dos juros de mora (calculados pela Taxa SELIC) decorre da aplicação de dispositivos legais vigentes e eficazes na época de sua lavratura. Em decorrência dos princípios da legalidade e da indisponibilidade, os referidos dispositivos legais são de aplicação compulsória pelos agentes públicos, até a sua retirada do mundo jurídico, mediante revogação ou resolução do Senado Federal que declare sua inconstitucionalidade Além do mais tendo em vista a Súmula n° 04 do CARF, a aplicação da SELIC é devida aos débitos administrados pela Receita Federal do Brasil: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Desta forma, não procede o argumento apresentado pela Embargante no que diz respeito a essa matéria. Diante do exposto, acolho os embargos apresentados no sentido de sanear a omissão apontada e reratifico a decisão do acórdão 220200.548, de 13 de maio de 2010. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Fl. 887DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/12/2011 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 10680.013648/200691 Acórdão n.º 220201.519 S2C2T2 Fl. 4 7 Fl. 888DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/12/2011 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por PEDRO ANAN JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10840.906597/2009-14
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2000 RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp - Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não homologa-se a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. COM EMPREGO DE MATERIAIS. COEFICIENTE. As prestadoras de serviços em geral, com ou sem fornecimento de materiais na execução dos serviços, estão obrigadas a aplicar o coeficiente de 32% sobre a receita bruta auferida para a apuração do Lucro Presumido, pelos serviços não caracterizarem prestação de serviço típico de construção civil, e pela empresa não ser especificamente deste ramo. Somente as obras de construção civil, com emprego de materiais, sem repasse de seus custos, realizadas na modalidade de empreitada são suscetíveis da utilização do coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS, COEFICIENTES. É dever da empresa que possui atividades diversificadas - prestação de serviços e comércio - segregar as receitas auferidas de forma a aplicar o coeficiente adequado para a apuração do Lucro Presumido e comprovar esta segregação e o oferecimento à tributação, contabilmente, ainda que na forma resumida permitida aos optantes pelo regime do Lucro Presumido.
Numero da decisão: 1801-001.433
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2000 RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp - Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não homologa-se a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. COM EMPREGO DE MATERIAIS. COEFICIENTE. As prestadoras de serviços em geral, com ou sem fornecimento de materiais na execução dos serviços, estão obrigadas a aplicar o coeficiente de 32% sobre a receita bruta auferida para a apuração do Lucro Presumido, pelos serviços não caracterizarem prestação de serviço típico de construção civil, e pela empresa não ser especificamente deste ramo. Somente as obras de construção civil, com emprego de materiais, sem repasse de seus custos, realizadas na modalidade de empreitada são suscetíveis da utilização do coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS, COEFICIENTES. É dever da empresa que possui atividades diversificadas - prestação de serviços e comércio - segregar as receitas auferidas de forma a aplicar o coeficiente adequado para a apuração do Lucro Presumido e comprovar esta segregação e o oferecimento à tributação, contabilmente, ainda que na forma resumida permitida aos optantes pelo regime do Lucro Presumido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 10840.906597/2009-14
conteudo_id_s : 5245657
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1801-001.433
nome_arquivo_s : Decisao_10840906597200914.pdf
nome_relator_s : JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
nome_arquivo_pdf_s : 10840906597200914_5245657.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
id : 4863552
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:08:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045807743107072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2256; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.906597/200914 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.433 – 1ª Turma Especial Sessão de 07 de maio de 2013 Matéria PER/DCOMP Recorrente MEDEIROS E GUIMARÃES INSTALAÇÕES ELÉTRICAS LTDA (M G ENGª ELÉTRICA LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2000 RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. COM EMPREGO DE MATERIAIS. COEFICIENTE. As prestadoras de serviços em geral, com ou sem fornecimento de materiais na execução dos serviços, estão obrigadas a aplicar o coeficiente de 32% sobre a receita bruta auferida para a apuração do Lucro Presumido, pelos serviços não caracterizarem prestação de serviço típico de construção civil, e pela empresa não ser especificamente deste ramo. Somente as obras de construção civil, com emprego de materiais, sem repasse de seus custos, realizadas na modalidade de empreitada são suscetíveis da utilização do coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS, COEFICIENTES. É dever da empresa que possui atividades diversificadas prestação de serviços e comércio segregar as receitas auferidas de forma a aplicar o coeficiente adequado para a apuração do Lucro Presumido e comprovar esta segregação e o oferecimento à tributação, contabilmente, ainda que na forma resumida permitida aos optantes pelo regime do Lucro Presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Leonardo Mendonça Marques e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1430.726/10 exarado pela Quinta Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP, fls. 53 a 59, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 01 a 03. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade (...) com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJlucro presumido, código de arrecadação 2089), concernente ao período de apuração 3/1999. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que tendo optado pela apuração do imposto pela sistemática do lucro presumido, teria cometido erro ao efetuar o recolhimento relativo ao período de 3/1999, ao percentual de 32%, "como se só houvesse emprego de mãodeobra", quando o correto seria aplicar o percentual de 8%, "por ter utilizado materiais em suas notas fiscais'", nos termos do ADN Cosit nº 6, de 1997; que o alegado crédito teria sido compensado corretamente, sem margem para dúvidas quanto à veracidade da compensação. Ao final, requer seja provido o recurso, desconsiderado o indeferimento do pedido de compensação e extinto o débito apurado. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.906597/200914 Acórdão n.º 1801001.433 S1TE01 Fl. 3 3 [...] VOTO [...] A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com documentos respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/1972, a seguir transcritos: [...] Vale ressaltar que as informações prestadas à RFB por meio de declarações previstas na legislação (DCTF, DIPJ ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo artigo 16, inciso III, do Decreto n.° 70.235/72 (PAF). Assim, uma vez constatada incongruência entre informações prestadas em declarações originais, e aquelas prestadas nas respectivas declarações retifícadoras, cabe ao contribuinte trazer aos autos os elementos probatórios hábeis a evidenciar a realidade dos fatos. No presente caso, caberia à interessada fazer prova do suposto recolhimento a maior do imposto que, no seu entender, decorreria de errônea mensuração da base de cálculo por aplicação indevida do percentual de 32% sobre a receita bruta, na determinação do IRPJ devido pela sistemática do lucro presumido, nos termos do art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a seguir transcritos: [...] Para tanto, imprescindível a juntada, ao processo, dos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar o quantum e a composição da base de cálculo do imposto no período em questão, os critérios adotados para aplicação, sobre a receita bruta mensal, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a apuração do imposto devido e eventuais deduções. Embora ausentes os registros contábeis, a interessada apresentou os seguintes elementos: a) "planilha de cálculo do IRPJ devido", à fl. 23; b) cópias de notas fiscais de prestação de serviços com fornecimento de materiais, numeração 285 e 286, valor total de R$ 14.432,28, às fls. 37 e 42; c) cópias de notas fiscais de aquisição de mercadorias junto a fornecedores, às fls. 38/41, e 44/46. Verificase, de plano, que as cópias de notas fiscais de aquisição de mercadorias junto a fornecedores não repercutem sobre a análise em curso, por não demonstrada sua correlação com a receita bruta auferida no período e respectiva apuração do imposto devido. [...] Resta assim evidenciado (Coluna E) que o somatório dos valores das notas fiscais apresentadas na impugnação (Coluna D) não corresponde ao valor da receita bruta (Coluna C) considerado para a determinação da base de cálculo e recolhimento do imposto, no período de apuração em foco. Tal constatação remete à necessidade já apontada de verificação dos registros contábeis e respectivos documentos fiscais, concernentes ao período de apuração, os quais não foram juntados aos autos pela interessada. A ausência de tais elementos impossibilita exame da apuração da receita bruta e do IRPJ, na contabilidade da interessada, e seu cotejo com o montante efetivamente recolhido, restando assim prejudicada a comprovação do alegado direito creditório. As cópias de declarações prestadas à RFB e cálculos demonstrativos juntados à impugnação, embora relevantes, mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos termos acima. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 [...] Nesse sentido, quanto à declaração de compensação em foco, o alegado indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). E uma vez não comprovada, nos autos, a existência de direito creditório líquido e certo, do contribuinte contra a Fazenda Pública, passível de compensação, cabe indeferimento do pedido, pelo que não se há de cogitar reparos no despacho decisório recorrido.” A empresa interpôs tempestivamente (AR – 18/02/11, fls 62; Recurso – 18/03/11, fls. 637) o Recurso de fls. 63 a 71, reiterando os termos da defesa exordial. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto, Relator Conheço do recurso interposto, por ser tempestivo. A recorrente, optante pela apuração do Lucro na forma Presumida, pretende por meio de diversos Per/Dcomp alterar o coeficiente de presunção de lucro de 32% para 8º, sob a argumentação de que é prestadora de serviços com emprego de materiais e, por esta circunstância, faz jus ao menor coeficiente, devendoselhe repetir as diferenças de tributos indevidamente recolhidas. Para comprovar o alegado junta ao processo cópia(s) de Nota(s) Fiscal(is) de Prestação de Serviços (receita) emitida para o período (trimestral) e Nota(s) Fiscal(is) de compras de mercadorias de terceiros (para revenda). A tese albergada pela recorrente não merece ser reconhecida por claro desencontro com a norma. Destacase que a recorrente possui vários pleitos apreciados semelhantes neste órgão, sendo alvo de não provimento. Neste sentido, conduzo este voto na mesma esteira do brilhante voto da Conselheira e Relatora Ana de Barros Fernandes – Acórdão 1801001.382 da 1ª Turma Especial em sessão de 10/04/2013. Como bem explicitado no acórdão vergastado, a recorrente não apresenta documentação hábil para comprovar que faz jus ao coeficiente de 8%, nos termos da legislação tributária vigente, por excepcionada do coeficiente de 32% para apuração de seu Lucro Presumido, coeficiente este determinado pela norma às prestadoras de serviço que optam por este regime de tributação. A norma é clara e expressa: Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] Fl. 83DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.906597/200914 Acórdão n.º 1801001.433 S1TE01 Fl. 4 5 III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004 ) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. (grifos não pertencem ao original) Pelo teor da norma, as prestadoras de serviços em geral, com ou sem utilização de materiais nos serviços realizados, não foram excepcionadas pela norma de regência do coeficiente de 32%. A legislação tributária excepcionou às prestadoras de serviços a utilização do coeficiente de 8%, de forma expressa, somente para as construtoras civis, ainda assim, que, na modalidade de empreitada, e que utilizam materiais nas edificações, sem o repasse dos custos destes materiais (grifei), o que não é o caso. As excepcionalidades admitidas pela Receita Federal do Brasil foram normatizadas na Instrução Normativa RFB nº 480, de 2004, em razão da natureza dos serviços prestados. Dispõe o artigo 1º, §7º, II, sobre o conceito de construção civil, na modalidade total, o empreeiteiro fornece todos os materiais indispensáveis à sua execução sendo incorporados à obra, o que não inclui os instrumentos de trabalho e materiais utilizados nesta execução (§9º): [...] § 7º Para os fins desta Instrução Normativa considerase: [...] II construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. [...] § 9º Para efeito do inciso II do § 7º não serão considerados como materiais incorporados à obra, os instrumentos de Fl. 84DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra. O Ato Declaratório Normativo nº 06, de 19971, que versa sobre o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal na atividade de construção por empreitada, declara: INa atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a)8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b)32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais. (grifos não pertencem ao original) A recorrente tem como objeto social, consoante a Consolidação das Cláusulas Contratuais de fls. 14 a 17: “IIDO OBJETO SOCIAL A sociedade tem como objetivo o ramo de "Projetos, consultoria, instalações e administração na área de engenharia elétrica e comércio de materiais elétricos em geral". Em nenhum momento dos autos verificase que a recorrente tenha comprovado que opera no ramo de construção civil. A atividade da empresa descrita no seu Contrato Social, registrado na JUCESP em 23/01/2004, declara ser para realizar projetos, consultoria, instalações elétricas e/ou a venda de materiais elétricos, mas isto não fundamenta o pedido da recorrente para que seja equiparada a obras de construção civil e, implicitamente, sendo contratada na modalidade de empreitada. Ademais, se bem verificarmos o Contrato Social alterado e arquivado na JUCESP em 29/01/2009 (folhas 18 a 20), ali, talvez percebendo a recorrente o seu verdadeiro ofício, readequou o seu objeto social para “instalações elétricas e comércio de materiais elétricos”, enquadrada como EPP no mesmo ano. Retomando a questão principal, à receita proveniente da venda de mercadorias, por ser atividade de comércio, deve ser aplicado o coeficiente de 8% para a apuração do Lucro Presumido, mas a legislação tributária impõe às empresas que exercem atividades mistas (prestadoras de serviços e comércio) o dever de segregarem as receitas de cada atividade para efeito de aplicação do coeficiente pertinente, o que a empresa não comprova ter feito § 2º do artigo 15 da lei nº 9.249/95. 1 019 Qual a base de cálculo para as empresas que executam obras de construção civil e optam pelo lucro presumido? O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção civil é de 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, e de 8% (oito por cento) quando se tratar de contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. http://www.receita.fazenda.gov.br/Publico/perguntao/dipj2011/CapituloXIIIIRPJLucroPresumido2011.pdf Fl. 85DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.906597/200914 Acórdão n.º 1801001.433 S1TE01 Fl. 5 7 A mera apresentação de Nota Fiscal de receitas auferidas (cujo descritivo da mesma é“... instalações elétricas / telefonia e som ...”) e Notas de mercadorias adquiridas de terceiros, que inclusive podem corresponder ao estoque da empresa destinado à venda de mercadorias, ou até para o seu próprio uso e consumo, na forma isolada apresentadas, sem o devido respaldo na contabilidade, ainda que escriturada de forma resumida, e mais documentos que a embasam, primordialmente eventuais os contratos de empreitadas de edificações, não possui qualquer valor probatório para o fim que a recorrente almeja, ou seja, ser considerada empresa do ramo de construção civil e, por conseguinte, fazer jus ao coeficiente de 8% para a apuração de seu lucro. Cito para robustecer este voto, Soluções de Consultas2, como fonte subsidiária na interpretação da norma tributária, em casos práticos análogos: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM EMPREGO DE MATERIAIS É de 32% o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do imposto de Renda no lucro presumido, na atividade de prestação de serviços de reforma ou manutenção de motores elétricos com emprego de materiais (SRRF/6ª RF, Solução de Consulta nº 70/05) PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM EMPREGO DE MATERIAL, EXCETO CONSTRUÇÃO CIVIL Aplicase o percentual de 32% sobre a receita bruta das empresas prestadoras de serviços, com emprego ou não de materiais, para apuração do lucro presumido, [...] (SRRF/6ª RF, Solução de Consulta nº 170/03) INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE SISTEMAS DE AR CONDICIONADO E REFRIGERAÇÃO. As atividades de instalação e manutenção de sistemas de ar condicionado e refrigeração, ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, com fornecimento de materiais, não caracterizam obras de construção civil, estando sujeitas as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) para determinar a base de cálculo do IRPJ sob regime de tributação com base no lucro presumido. (SRRF/9ª RF, Solução de Consulta nº 305/06). INSTALAÇÃO, MANUTENÇÃO E EXTRAÇÃO DE DADOS DE EQUIPAMENTOS DE COMUNICAÇÃO E DE CONTROLE DE TRÁFEGO. As atividades de instalação, manutenção e extração de dados de equipamentos de comunicação [...] , ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, com fornecimento de materiais, não caracterizam obras de construção civil, estando sujeitas as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% para determinar a base de cálculo do IRPJ sob o regime de tributação 2 PEIXOTO, Marcelo Magalhães (coord) et al, Regulamento do Imposto de Renda Anotado e Comentado 2011, 6ª ed, MP Editora Fl. 86DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 com base no lucro presumido (SRRF/9ª RF, Solução de Consulta nº 94/06) A jurisprudência deste colegiado tem se manifestado no mesmo sentido, ora espelhado no Acórdão, cuja ementa transcrevese3: 140201.027, de 08 de maio de 2012 (2ª TO da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF) LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS SOBRE A RECEITA BRUTA.PRESTAÇÃODESERVIÇOS.Regularéaaplicaçãodocoefi cientede32%paradeterminaçãodolucropresumidoemrelaçãoarec eitasdecorrentesdeprestaçãodeserviçosemgeral,taiscomo:serviço sdeconsultoria,serviçosdelimpeza,serviçodelocaçãodecontainers, serviçodequeimademadeira,contrataçãodefuncionários,eaautuad anãologracomprovarquesetratoudeconstruçãocivilcomempregod emateriais. RecursoVoluntárioNegado. Com relação ao outro tópico aventado pela recorrente, deve ser esclarecido que as empresas que optam pelo regime do Lucro Presumido estão obrigadas, sim, a manter registros contábeis – ao menos o Livro de Inventário e Livro Caixa com toda a movimentação financeira –, dos quais são apurados os tributos devidos artigo 527 do Regulamento do Imposto de Renda vigente (RIR/99 – Decreto nº 3.000/99): Art.527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): Iescrituração contábil nos termos da legislação comercial; IILivro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; IIIem boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafoúnico. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único) Outro ponto relevante, é que para a recorrente proceder à retificação das declarações prestadas ao fisco em tempo hábil, é necessário, igualmente, comprovar de forma cabal a existência de erro de fato dos valores originalmente declarados à Administração Tributária (cujos créditos tributários já foram inclusive extintos pelo pagamento). Determina o artigo 11 da Instrução Normativa RFB nº 903/08: DA RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES 3 http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudenciaCarf.jsf Fl. 87DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10840.906597/200914 Acórdão n.º 1801001.433 S1TE01 Fl. 6 9 Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. Para comprovar o erro de fato mister é a apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, repito, ainda que na forma simplificada do Livro Caixa com a movimentação financeira registrada por completo e Inventário (possibilita a verificação do faturamento da empresa e a consequente tributação devida). E o ônus probatório da existência do crédito tributário no caso de pedido de repetição do indébito é da empresa. Este princípio é consagrado pelo art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 88DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 [...] Desta forma, há, nos autos, absoluta ausência de provas hábeis para comprovar que os tributos recolhidos à época própria não foram devidos. A recorrente não logra comprovar possuir o crédito que alega no Per/Dcomp objeto deste litígio e que o tributo já recolhido não é devido aos cofres públicos, por fazer jus à utilização do coeficiente de 8% para apuração do Lucro Presumido. Corretos os cálculos dos tributos originalmente recolhidos que incidiram sobre 32% do faturamento da empresa. E no presente caso não há que se falar em qualquer inovação de fundamento nas razões de decidir do acórdão combatido, pois o despacho denegatório fundamentouse justamente na carência de prova da existência do crédito, asseverando que o tributo fora recolhido de forma devida e legalmente exigida, impassível de repetição. Argumento reforçado pela turma julgadora de primeira instância e ora adotado neste decisório para manter tanto o decidido no referido despacho a quo, quanto no acórdão vergastado. No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 89DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10380.017077/2001-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997
PIS. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. PROCESSO NÃO COMPROVADO. Comprovada a existência do processo judicial cuja ausência gerou o auto de infração, este deve ser cancelado.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3201-000.991
Decisão: ACORDAM os membros da 2ªCâmara/1ªTurma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1997 PIS. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. PROCESSO NÃO COMPROVADO. Comprovada a existência do processo judicial cuja ausência gerou o auto de infração, este deve ser cancelado. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10380.017077/2001-34
conteudo_id_s : 5241529
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 3201-000.991
nome_arquivo_s : Decisao_10380017077200134.pdf
nome_relator_s : LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
nome_arquivo_pdf_s : 10380017077200134_5241529.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ªCâmara/1ªTurma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
id : 4842110
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:08:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045807773515776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1517; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 396 1 395 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.017077/200134 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201000.991 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23/05/2012 Matéria PIS Recorrente SAGANOR Sociedade Anônima Nordeste Automóveis Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1997 PIS. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. PROCESSO NÃO COMPROVADO. Comprovada a existência do processo judicial cuja ausência gerou o auto de infração, este deve ser cancelado. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 12/06/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Judith do Amaral Marcondes Armando e Daniel Mariz Gudiño. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Contra o sujeito passivo de que trata o presente processo foi lavrado o auto de infração da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, fls. 25/35, no valor total de R$ 226.467,30, incluindo encargos legais. 2. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 28, o lançamento decorreu de auditoria interna na Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF para o primeiro trimestre do anocalendário de 1997, tendo sido apurada a falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata, decorrente de créditos com exigibilidade suspensa mas com processo judicial não comprovado, conforme anexos I – Demonstrativo dos Créditos Vinculados não Confirmados, fls. 29, III – Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar, fls. 31. 3. A ciência do lançamento se deu em 07/12/2001, conforme AR às fls.141 e em 28/12/2001 (fls. 01/24) é apresentada impugnação ao Auto de Infração onde o contribuinte alega, em síntese, o que se segue. 3.1 Vício formal de violação aos princípios da cientificação e da legalidade: argumenta, nesse sentido, que o procedimento fiscalizatório que culminou com o auto de infração em apreço teria sido inicializado sem que lhe fosse comunicada sua instauração. Tal situação ensejaria a nulidade do auto de infração. 3.2 Vício formal da falta de assinatura na autuação: nesse ponto, alega a defesa que não há, no auto de infração atacado, assinatura de próprio punho da autoridade autuante, mas sim uma mera reprodução mecânica, o que inviabilizaria a perfeita apuração da identidade e conseqüente averiguação da competência da pessoa que lavrou o auto. Tais circunstâncias desatenderiam à obrigação de respeito à forma legal pela qual deveria se exteriorizar o ato administrativo de autuação, conforme preceitua o artigo 10, VI, do Decreto 70.235/72 e impediriam a ampla defesa pelo contribuinte, vez que impediriam a perfeita aferição da competência do autuante. 3.3 Insubsistência da alegação de “Processo Judicial não Comprovado”: argumenta que no processo judicial considerado como “não comprovado” pela autuação, o Fisco Federal teria sido regularmente citado, tendo, inclusive, a Procuradoria da Fazenda Nacional se manifestado nos autos pela contestação à petição inicial do contribuinte. Ademais, a própria DRF responsável pela autuação teria providenciado a realização do Registro do Crédito Tributário SubJudice – RECREJU, expediente utilizado pela Fazenda Nacional para arquivar e acompanhar os trâmites processuais dos pleitos dos contribuintes na esfera judicial. 3.4 Do seu direito ao crédito de PIS: com a declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988, o período cobrado indevidamente, a título de PIS, deveria ser recalculado nos moldes da Lei Complementar nº 7/70, com as alterações introduzidas pela Lei Complementar nº 17/73. Nesse caso, o seu direito de se utilizar do crédito tributário decorrente seria líquido e certo. 3.5 Improcedência do lançamento da multa de ofício por força do disposto no art. 63 da Lei nº 9.430/96 – suspensão da exigibilidade em razão do processo judicial: alega, citando o artigo 62 do Decreto 70.235/72, que o Fisco Federal não poderia ter lavrado o auto de infração atacado, cobrando multa de ofício e juros de Fl. 211DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10380.017077/200134 Acórdão n.º 3201000.991 S3C2T1 Fl. 397 3 mora, já que a matéria objeto da autuação estaria sendo discutida na esfera judicial. 3.6 Requer que sejam acolhidas suas alegações de existência de vício formal, julgandose, por decorrência, nulo o auto de infração. Caso contrário, roga pela improcedência da autuação pelos motivos expendidos em sua defesa e acima resumidos. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza/CE deferiu parcialmente o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/FOR n.º 11.507, de 06/09/2007: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1997 INSUFUCIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Apurada a falta ou insuficiência do recolhimento de PIS, é devida a sua cobrança com os encargos legais correspondentes. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL A opção pela via judicial importa em renúncia ou desistência da esfera administrativa, naquilo em que o processo no âmbito do judiciário abordar. CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. ATIVIDADE DE LANÇAMENTO. A existência de medida judicial não impede a constituição do crédito tributário mediante lançamento de ofício. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1997 FASE PROCEDIMENTAL. CIENTIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE. PRESCINDIBILIDADE. A ciência ao contribuinte dos procedimentos que antecedem a fase processual é prescindível na medida em que ainda não inaugurado o contencioso da relação fiscocontribuinte. ASSINATURA ELETRÔNICA. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. DESCABIMENTO. A digitalização da assinatura do AFRF não afasta a pessoalidade que se exige para a formalização do lançamento, a qual continua presente na identificação das irregularidades e na determinação de que o documento “Auto de Infração” seja elaborado com a agilidade que os meios eletrônicos permitem. MULTAS DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA Tratandose de ato não definitivamente julgado aplicase retroativamente a lei nova quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo do lançamento. Lançamento Procedente em Parte. Em face da decisão, o contribuinte é intimado às fls. 163, interpondo recurso voluntário de fls. 184/197. Após, foi dado seguimento ao recurso interposto. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 4 É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Como se verifica dos autos, o processo versa sobre a cobrança de PIS do ano calendário de 1997, haja vista não constar no sistema pagamento da referida contribuição. Mantido o lançamento quanto ao principal e juros, a contribuinte recorre, alegando, basicamente, a impossibilidade do lançamento, tendo em vista as decisões judiciais proferidas. Entendo que existem preliminares que fulminam o lançamento realizado. Vemos que a base para o lançamento se deu sob fundamento de inexistência de comprovação de processo judicial, fls. 30. Na medida em que a recorrente comprovou a existência do processo judicial, o qual, digase, a União já detinha conhecimento desde 1996 quando do ingresso da medida cautelar, o auto de infração perdeu a sua base de sustentação. Os fundamentos utilizados na constituição do crédito tributário em 2001 estão equivocados, o que torna o auto de infração nulo. Esta posição não é nova, já sendo adotada por esta Corte, como vemos: Segundo Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20180774 do Processo 10950001887200248 Data 23/11/2007 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 Ementa: PIS. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. PROCESSO NÃO COMPROVADO. Comprovada a existência do processo judicial cuja ausência gerou o auto de infração, este deve ser cancelado. O julgador administrativo não tem competência para alterar o fundamento do auto de infração lavrado. Recurso provido. Segundo Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20181458 do Processo 13955000224200254 Data 08/10/2008 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10380.017077/200134 Acórdão n.º 3201000.991 S3C2T1 Fl. 398 5 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 NORMAS PROCESSUAIS. Impossibilidade de o órgão julgador aperfeiçoar lançamento desbordando de sua competência. Auto de infração decorrente de auditoria interna na DCTF, por conta de processo judicial não comprovado. Tendo sido comprovada a existência e regularidade da medida judicial, elidindo a motivação do lançamento, este deve ser cancelado. Recurso voluntário provido Ante o exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário. Sala de sessões, 23 de maio de 2012. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 214DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 22/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10675.002625/2006-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 Ementa: ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. RESERVA LEGAL. Estando a reserva legal registrada à margem da matrícula do registro de imóveis não há razão para ser desconsiderada sob pena de afrontar dispositivo legal. DIVERGÊNCIA ENTRE A ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE INFORMADA NA DITR. ERRO DE FATO. No caso de evidente erro de fato no preenchimento da informação da DITR, comprovado com documentais hábeis, que a parte da área declarada de reserva legal, efetivamente é de preservação permanente e sendo ambas não sujeitas ao ITR, a mesma deve ser restabelecida. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PROVA MEDIANTE LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. REQUISITOS. Para fazer prova do valor da terra nua o laudo de avaliação deve ser expedido por profissional qualificado e que atenda aos padrões técnicos recomendados pela ABNT. Sem esses requisitos, o laudo não tem força probante para infirmar o valor apurado pelo Fisco com base no SIPT.
Numero da decisão: 2201-001.276
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar parcial provimento para considerar como áreas de preservação permanente e de reserva legal, respectivamente, 103,7 ha e 510,09 ha. Vencida a conselheira Rayana Alves de Oliveira França (relatora) e Rodrigo Santos Masset Lacombe que davam provimento também em relação ao cálculo do VTN. Designado para elaborar o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201109
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 Ementa: ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. RESERVA LEGAL. Estando a reserva legal registrada à margem da matrícula do registro de imóveis não há razão para ser desconsiderada sob pena de afrontar dispositivo legal. DIVERGÊNCIA ENTRE A ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE INFORMADA NA DITR. ERRO DE FATO. No caso de evidente erro de fato no preenchimento da informação da DITR, comprovado com documentais hábeis, que a parte da área declarada de reserva legal, efetivamente é de preservação permanente e sendo ambas não sujeitas ao ITR, a mesma deve ser restabelecida. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PROVA MEDIANTE LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. REQUISITOS. Para fazer prova do valor da terra nua o laudo de avaliação deve ser expedido por profissional qualificado e que atenda aos padrões técnicos recomendados pela ABNT. Sem esses requisitos, o laudo não tem força probante para infirmar o valor apurado pelo Fisco com base no SIPT.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10675.002625/2006-21
conteudo_id_s : 5245800
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 17 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2201-001.276
nome_arquivo_s : Decisao_10675002625200621.pdf
nome_relator_s : RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
nome_arquivo_pdf_s : 10675002625200621_5245800.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar parcial provimento para considerar como áreas de preservação permanente e de reserva legal, respectivamente, 103,7 ha e 510,09 ha. Vencida a conselheira Rayana Alves de Oliveira França (relatora) e Rodrigo Santos Masset Lacombe que davam provimento também em relação ao cálculo do VTN. Designado para elaborar o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
id : 4863569
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:08:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045807794487296
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2488; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.002625/200621 Recurso nº 141.058 Voluntário Acórdão nº 220101.276 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de setembro de 2011 Matéria ITR Recorrente JOSE EVANDRO PADUA VILELA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 Ementa: ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. RESERVA LEGAL. Estando a reserva legal registrada à margem da matrícula do registro de imóveis não há razão para ser desconsiderada sob pena de afrontar dispositivo legal. DIVERGÊNCIA ENTRE A ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE INFORMADA NA DITR. ERRO DE FATO. No caso de evidente erro de fato no preenchimento da informação da DITR, comprovado com documentais hábeis, que a parte da área declarada de reserva legal, efetivamente é de preservação permanente e sendo ambas não sujeitas ao ITR, a mesma deve ser restabelecida. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PROVA MEDIANTE LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. REQUISITOS. Para fazer prova do valor da terra nua o laudo de avaliação deve ser expedido por profissional qualificado e que atenda aos padrões técnicos recomendados pela ABNT. Sem esses requisitos, o laudo não tem força probante para infirmar o valor apurado pelo Fisco com base no SIPT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar parcial provimento para considerar como áreas de preservação permanente e de reserva legal, respectivamente, 103,7 ha Fl. 182DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA 2 e 510,09 ha. Vencida a conselheira Rayana Alves de Oliveira França (relatora) e Rodrigo Santos Masset Lacombe que davam provimento também em relação ao cálculo do VTN. Designado para elaborar o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (Assinado Digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (Assinado Digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora. EDITADO EM: 12/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente à época do julgamento). Relatório Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado Auto de Infração (fls.100/103) para exigir crédito tributário de ITR, exercício 2002, no montante total de R$68.100,17, incluído multa de ofício de 75% e juros de mora, calculados até 31/08/2006, incidentes sobre o imóvel rural (NIRF 1.439.6041), denominado "Fazenda Rancho Grande”, com área de 2.694,7ha, localizado no município de Santa Vitória — MG. Conforme se depreende do Demonstrativo de Apuração de ITR (fls.98), que acompanhou o Auto de Infração foi alterado, com base na tabela SIPT (fls.92) valor do VTN do imóvel declarado de R$ 1.283.250,00 (476,21ha) para R$ 5.928.340,00 (R$ 2.200,00 ha) e glosado integralmente 575,9ha de área de utilização limitada e 66,6ha de área de preservação permanente. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou tempestivamente impugnação, acostada às fls.106/125. Após analisar a matéria, os Membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/BSA n°0322943, de 31 de outubro de 2007, em decisão assim ementada: “DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. Nos termos exigidos pela fiscalização c observada a legislação de regência, os áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 10675.002625/200621 Acórdão n.º 220101.276 S2C2T1 Fl. 2 3 DO VALOR DA TERRA NUA – VTN. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base nos VTN/ha apontados no SIPT, exigese que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto (1º/01/2002). DA LEGALIDADE/CONSTITUCIONALIDADE. O procedimento fiscal foi instaurado de conformidade a legislação vigente, não cabendo a órgão administrativo apreciar argüição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer Principio constitucional de natureza tributária. Lançamento Procedente.” Cientificado da decisão da DRJ em 10/10/2006 (fls. 105), o interessado apresentou na data de 13/10/2006, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fls. 106/125, retificando os termos da impugnação apresentada e se insurgido preponderantemente sobre a obrigatoriedade de apresentação do ADA (Ato Declaratório Ambiental) e a reformulação do valor atribuído ao VTN. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls.168 (última). É o relatório. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Não há argüição de preliminar. A questão em análise versa sobre o não cumprimento tempestivo da obrigação acessória de apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA e o arbitramento do Valor da Terra Nua – VTN. Passemos individualmente a análise de ambos. 1. Ato Declaratório Ambiental – ADA Da análise dos autos, verifico foi considerado comprovada a averbação de uma área de utilização limitada/reserva legal total de 510,29 ha, inferior à área declarada como Fl. 184DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA 4 tal, de 575,9 ha, além da averbação de uma área de preservação permanente total de 103,7 ha, portanto, maior do que a área declarada 66,6 ha, à margem das matriculas do imóvel (fls. 06/09 e 10/12). Entretanto, essas áreas averbadas foram glosadas, por ter a protocolização do ADA (fls.13) ocorrido após o fato gerador, em 14/10/2003, mas antes do início da intimação do procedimento fiscal, em 23/05/2006 (fls.03). Como é do conhecimento dos Nobres Conselheiros desse Colegiado, discordo do entendimento de que para exclusão das áreas de reserva legal e preservação permanente seja imprescindível a apresentação tempestiva do ADA, sendo esse mais um elemento do prova a pretensão do contribuinte. Analisando a legislação concluo que a finalidade precípua do ADA foi a instituição de uma Taxa de Vistoria que deve ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, não tendo portanto o condão de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou regular procedimentos de apuração do ITR. A obrigatoriedade do ADA está prevista no art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, que deu nova redação ao artigo 17O da Lei nº 6.938/81, in verbis: “Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. [...] § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” Da leitura em conjunto dos dispositivos legais acima, verificase que o § 1º instituiu a obrigatoriedade apenas para situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, ou seja, depende do reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público. Por outro lado, a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorre diretamente da lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, não pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”. Assim, a apresentação tempestiva do ADA não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam os art.2º e 16 da Lei n.4.771/65 da base de cálculo do ITR. Assim, dispõe referidos artigos, ex legis: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; Fl. 185DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 10675.002625/200621 Acórdão n.º 220101.276 S2C2T1 Fl. 3 5 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. (...) Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (...) §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) A lei, portanto define, objetivamente, a área de preservação permanente e de reserva legal, independente de qualquer determinação do poder público. Assim, estando devidamente comprovada a existência da área de preservação permanente e averbação da área de reserva legal, as mesmas devem ser restabelecidas. Ocorre que há um divergência de valores entre as áreas declaradas na DIAT e as efetivamente comprovadas: Fl. 186DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA 6 Área Declarada Comprovada Diferença Reserva Legal 575,9 510,09 65,81 Preservação Permanente 66,6 103,7 37,1 TOTAL 642,5 613,79 28,71 No ADA, a área declarada de preservação permanente é 103,7ha, assim como comprovado através de laudo e averbação, no entanto na DITR foi declarado apenas 66,6ha. Concluo portanto que efetivamente ocorreu erro no preenchimento na DITR do contribuinte. Entretanto, constatada que parte da área declarada de reserva legal, efetivamente é de preservação permanente e sendo ambas não sujeitas ao ITR, deve as mesmas serem restabelecidas. Assim, sendo ambas não sujeitas ao ITR, entendo que deve ser restabelecida a área de 510,09ha de reserva legal e 103,7ha de preservação permanente, totalizando uma área comprovada de 613,79, ainda menor que área declaradas de 624,4ha, conforme devidamente demonstrado no quadro acima. 2. Valor da Terra Nua VTN Referente ao valor do VTN , a autoridade fiscal não acatou o Laudo Técnico de Avaliação (fls.68/78), por entender que o mesmo não atendia às normas da ABNT. Nesse mesmo sentido entendeu a decisão de primeira instância. “Quanto à avaliação em si, apesar de o autor do trabalho utilizar o método comparativo direto de dados de mercado, levantando os valores atribuídos a cada tipo de terra (aptidão agrícola) da propriedade, o certo é que, além de utilizar, basicamente, como fonte de pesquisa de preços de terras para apuração do VTN atribuído ao imóvel avaliado, os valores de pauta utilizados pela Prefeitura Municipal de Santa Vitória — MG, doc./cópia de fls. 82/84, para efeito de cobrança do ITBI, também deixou de efetuar os devidos tratamentos estatísticos, estabelecidos no anexo "A" (modelo de regressão linear) ou "3" (aplicação de fatores de homogeneização) da referida NBR.”. Verifico que no presente caso foi utilizado pesquisa de preços de terras na região, bem como os valores de pautas utilizados no município para cobrança de IPI.” Comparando os valores do VTN constante no processo, verifico que o valor utilizado na arbitragem foi o menor R$2.200,00, constante da tabela SIPT. Não obstante o VTN médio da região foi 477,06ha, bastante próximo ao declarado de 476,21ha. Apesar do entendimento contrário da decisão de primeira instância, verifico que o laudo foi elaborado por profissional habilitado, no qual as áreas que integram o imóvel são identificadas, quantificadas e classificadas, inclusive com informações sobre o uso do solo. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 10675.002625/200621 Acórdão n.º 220101.276 S2C2T1 Fl. 4 7 Não há portanto, elementos de prova adversos e estando esse próximo ao valor do VTN declarado da região, não há razão para o mesmo não ser considerado. Diante do exposto, voto no sentido de considerar a área averbada de reserva legal de 510,09ha e de preservação permanente de 103,7ha, bem como o valor declarado do imóvel de R$ 1.283.250,00 (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora Voto Vencedor O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Divergi do bem articulado voto da i. Relatora apenas quanto ao VTN. Entendeu a relatora que o laudo de avaliação apresentada pelo Contribuinte era satisfatório, devendo ser acolhido como prova do VTN declarado. Consultando o Laudo Técnico de Vistoria e Avaliação de fls. 68/78, todavia, chego a conclusão diversa. É que o referido laudo, quanto ao VTN, limitase a referir a valores, mencionando como fontes pauta de valores adotadas pela Prefeitura Municipal de Santa Vitória e “consulta a proprietários de terras e intermediários da região”. Ora, um laudo técnico de avaliação, para ser admitido como prova, deve se basear em critérios técnicos, cujos parâmetros são estabelecidos pela ABNT, e que indica, para avaliação de imóveis, o levantamento de operações realizadas com imóveis na região. No caso concreto, as fontes utilizadas não atendem esses requisitos. Vale ressaltar que o laudo, no caso, deve justificar a discrepância entre o valor do imóvel e o preço medido, considerada a aptidão agrícola, da média dos imóveis da região, apurada por meio do SIPT. O laudo deve indicar, pois, as características especiais do imóvel que justifiquem essa discrepância e mostrar, mediante levantamento de operações imobiliárias, os preços praticados na alienação de imóveis, para, a partir desses elementos chegar ao VTN. Nessas condições, portanto, penso que deve prevalecer o valor apurado com base no SIPT. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar parcial provimento para considerar como áreas de preservação permanente e de reserva legal, respectivamente, 103,7 ha e 510,09 ha. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 188DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. Brasília/DF, 12/07/2012 __________(assinado digitalmente)_____________ Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 189DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001257/2007-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2006 a 30/08/2006; 01/12/2006 a 30/12/2006
Ementa: REMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP A empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, e recolher, à Previdência Social, as quantias descontadas, conforme estabelece o art. 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei 8.212/91 MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Numero da decisão: 2301-002.660
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Redator designado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no 2 mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a)
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2006 a 30/08/2006; 01/12/2006 a 30/12/2006 Ementa: REMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP A empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, e recolher, à Previdência Social, as quantias descontadas, conforme estabelece o art. 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei 8.212/91 MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 11330.001257/2007-48
conteudo_id_s : 5241305
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 24 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2301-002.660
nome_arquivo_s : Decisao_11330001257200748.pdf
nome_relator_s : BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
nome_arquivo_pdf_s : 11330001257200748_5241305.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Redator designado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no 2 mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a)
dt_sessao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
id : 4842017
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:08:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045807903539200
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2595; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 192 1 191 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11330.001257/200748 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2301002.660 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2012 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO Recorrente RIO SUL LINHAS AÉREAS Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2006 a 30/08/2006; 01/12/2006 a 30/12/2006 Ementa: REMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP A empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, e recolher, à Previdência Social, as quantias descontadas, conforme estabelece o art. 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei 8.212/91 MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Redator designado. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no Fl. 205DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 2 mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a) Redator: Leonardo Henrique Pires Lopes. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Leonardo Henrique Pires Lopes Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11330.001257/200748 Acórdão n.º 2301002.660 S2C3T1 Fl. 193 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte dos segurados. Conforme Relatório Fiscal (fls. 93), constitui fato gerador da contribuição lançada a contribuição descontada dos segurados empregados, declarada em GFIP. A autoridade lançadora informa que a empresa encontrase no plano de Recuperação Judicial, onde foi nomeado Gestor Judicial o Sr. Miguel Dau, conforme Ata de Assembléia Geral de 16/08/2006, registrada na JUCERJA sob o n° 1682231 em 16/03/2007. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1217.758, da 13a Turma da DRJ/RJOI (fls. 164), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 176 ), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, afirma a tempestividade do recurso apresentado e a inexigibilidade do depósito prévio. No mérito, reitera que vem atravessando grave crise financeira já há algum tempo, o que tem buscado reverter com certas medidas e que pretende retomar suas atividades empresariais, de forma a poder continuar honrando com suas obrigações, mormente as trabalhistas e tributárias. Reafirma que, em razão da grave situação descrita, nenhum dos valores utilizados como base de cálculo das contribuições lançadas foi efetivamente pago aos funcionários da Empresa, motivo pelo qual, requer a reforma da decisão recorrida, e que o lançamento ora rechaçado ameaça a continuidade do plano de recuperação judicial hoje em prática, prejudicando não somente a Empresa, mas, também, seus demais credores. Insiste em afirmar que foi fato totalmente alheio à sua vontade, verdadeira causa de força maior, que a impediu de efetuar o pagamento dos valores devidos a alguns de seus funcionários durante o período fiscalizado, repisando que sofre com a insuficiência de recursos para pagar os pesados encargos que incidem sobre sua atividade. Registra que, consoante exposto, a situação anteriormente descrita é apenas temporária, de forma que, possui a Recorrente, tão logo cesse a causa que deu azo a tal prática, o intento de regularizar a situação, recolhendo todos os valores apurados como efetivamente devidos. Entende que o presente lançamento, com a aplicação de pesadas multas e exorbitantes juros, não pode prosperar, sob pena de se causar maiores prejuízos que aqueles já Fl. 207DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 4 verificados, com o risco de inviabilizar por completo o plano de recuperação judicial já aprovado e em andamento. Esclarece que, na hipótese presente, a Empresa necessitou momentaneamente preterir o pagamento de parte de sua folha de salários para que fosse viabilizada a retomada de suas atividades e que, considerando a exclusão de ilicitude da Recorrente quanto aos valores objeto da presente autuação, tendo em vista que mesmo as obrigações trabalhistas deixaram de ser pagas, bem como considerando que a manutenção do presente ato administrativo não aproveita a ninguém, mas ao contrário, inviabiliza a recuperação judicial já em trâmite, resta plenamente justificado o presente pleito de reforma. Reitera que, durante o tempo que compreende a integralidade do período lançado, a recorrente foi impedida, por razões alheias à sua vontade, de efetuar o pagamento dos valores devidos à parte de seus funcionários, e conclui que, como inexistiu pagamento da folha de salários, inexistiu o fato gerador das contribuições sobre elas incidentes, conforme exposto no artigo 195 da CF e que, somente no momento em que forem, de fato, pagos os valores devidos pela Recorrente, é que serão também devidas as contribuições sociais lançadas pela Fiscalização, as quais, obviamente, pretende a Empresa recolher. Da mesma forma, entende que, quanto às contribuições devidas pelos segurados empregados, supostamente retidas e não recolhidas, também não há que se falar na ocorrência de fato gerador, restando patente que não houve apropriação indébita de contribuição previdenciária, tal como suposto pela Fiscalização. Sustenta que não houve retenção da contribuição devida pelos funcionários, já que nem a remuneração devida pela Empresa a seus funcionários foi, em verdade, paga, e os ditos valores apropriados nunca estiveram à disposição da Empresa, que, durante esse período, não apresentou fluxo de caixa suficiente, tendo deixado de honrar outras obrigações diante da absoluta insuficiência de recursos. Quanto ao relatório que lista os representantes legais da Recorrente, repisa que o atual Gestor Judicial da Empresa, Miguel Dau, no período de 09.ago.04 e 23.nov.05, atuou como Diretor de Operação de Vôo, retornando à Empresa como Gestor Judicial em 16.ago.06, consoante comprova a documentação em anexo. Finaliza requerendo a reforma da decisão hostilizada, e a conseqüente anulação do débito. É o relatório. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11330.001257/200748 Acórdão n.º 2301002.660 S2C3T1 Fl. 194 5 Voto Vencido Conselheiro Bernadete De Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, verificase que a notificada não nega que tenha deixado de recolher a contribuição previdenciária de seus empregados, por ela devida. Ela apenas tenta demonstrar que, por fatores alheios a sua vontade, deixou de pagar a remuneração de parte de seus funcionários e, como não houve pagamento de remuneração, também não houve fato gerador da contribuição lançada. Contudo, o art. 28, I, da Lei 8.212/91, é bastante clara ao definir, como salário de contribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresa, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho e, para o segurado contribuinte individual, a remuneração auferida em uma ou mais empresas. Portanto, remuneração auferida é a totalidade dos rendimentos pago, devidos ou creditados, pela empresa aos segurados que lhe prestaram serviços, seja empregado ou contribuinte individual. Dessa forma, como a empresa não nega que os rendimentos são devidos aos segurados que lhe prestaram serviços, não há também como negar que tais valores integram o salário de contribuição. Conforme IN 100/2003 e IN 03/2005, vigentes nas competências abrangidas pelo débito, constitui fato gerador da contribuição previdenciária o exercício de atividade remunerada, e o pagamento, o crédito ou quando for devida a remuneração, o que ocorrer primeiro: IN 100/2003: Art. 71. Constitui fato gerador da obrigação previdenciária principal: I em relação ao segurado: a) empregado, empregado doméstico e trabalhador avulso, o exercício de atividade remunerada; (...) III em relação à empresa ou equiparada: Fl. 209DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 6 a) o pagamento, o crédito ou quando for devida remuneração, o que ocorrer primeiro, a segurados empregado e trabalhador avulso que lhe prestem serviço; No mesmo sentido, a IN 03/2005 dispõe que: Art. 66. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador da obrigação previdenciária principal e existentes seus efeitos:(Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009) I em relação ao segurado: a) empregado e trabalhador avulso, quando for paga, devida ou creditada a remuneração, o que ocorrer primeiro, quando do pagamento ou crédito da última parcela do décimoterceiro salário, observado o disposto nos arts. 122 e 123, e no mês a que se referirem as férias, mesmo quando recebidas antecipadamente na forma da legislação trabalhista; b) contribuinte individual, no mês em que lhe for paga ou creditada remuneração; Assim, mesmo que a empresa não tenha pago a remuneração dos seus funcionários, como ela afirma, ocorreu a prestação de serviços e, com ela, o fato gerador da contribuição previdenciária. A Lei é clara ao determinar que a contribuição devida pelos segurados deverá ser arrecadada pela empresa mediante desconto de sua remuneração, ou seja: Lei 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: I a empresa é obrigada a: arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; Lei 10.666/2003, com redação dada pela Lei 11.933/2009 Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 20 (vinte) do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. Assim, toda empresa é obrigada a arrecadar as contribuições devidas pelos segurados a seu serviço, mediante desconto de sua remuneração. Cumpre destacar que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa Fl. 210DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11330.001257/200748 Acórdão n.º 2301002.660 S2C3T1 Fl. 195 7 lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica”. (grifei) Ademais, segundo nos ensina Hely Lopes Meirelles: “Na Administração Pública, não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza. A lei para o particular, significa ‘pode fazer assim’; para o administrador público significa ‘deve fazer assim’.” (Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo, Revista dos Tribunais, 1991. 16ª ed. Atual. Pela Constituição de 1988, 2ª tiragem, p. 78). Nesse sentido, sendo o lançamento um ato vinculado, a autoridade fiscal, ao constatar a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e o não recolhimento da contribuição devida, lavrou a competente NFLD, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91, vigente à época do lançamento: Art.37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Dessa forma, não há que se falar em nulidade da NFLD, como quer a recorrente. A recorrente insiste em afirmar que não houve retenção da contribuição devida pelos funcionários, já que nem a remuneração devida pela Empresa a seus funcionários foi, em verdade, paga, e os ditos valores apropriados nunca estiveram à disposição da Empresa. Porém, o § 5o, do art. 33, da Lei 8.212/91, determina que: Art. 33. (...) §5ºO desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Portanto, toda empresa é obrigada a arrecadar as contribuições devidas pelos segurados a seu serviço, mediante desconto de sua remuneração, não lhe sendo lícito alegar omissão. E a fiscalização, ao constatar o não recolhimento das contribuições que a notificada confessou que deve, já que declarou em GFIP, lavrou corretamente a presente NFLD, em observância aos mandamentos legais. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 8 A notificada demonstra seu inconformismo pelo fato da auditoria fiscal haver formalizado Representação Fiscal para Fins Penais pela ocorrência em tese de crime de apropriação indébita. Todavia, entendo que não cabe manifestação a respeito da oportunidade em que a auditoria fiscal deveria efetuar a citada representação, pois o lançamento, objeto do recurso, não guarda qualquer relação de dependência com o possível ilícito praticado. Ademais, a auditoria fiscal agiu no estrito dever funcional, uma vez que tomou ciência da ocorrência, em tese, de crime de apropriação indébita previdenciária tipificado no art. 168A, § 1º, I do Código Penal. Também não cabe nesta instância administrativa discutir a ocorrência ou não de crime, devendo a recorrente apresentar suas alegações perante o órgão competente para a apuração do ilícito. Da mesma forma, a recorrente apenas alega, mas não prova, que há equívoco no Relatório de Representantes Legais em relação ao período de atuação do Sr. Miguel Dau. Da análise da ata do Conselho de Administração (fls. 107), e da certidão de fls. 105, verificase que não há equívoco algum. Ante o exposto e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto por CONHECER do recurso e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete De Oliveira Barros – Relatora Voto Vencedor Leonardo Henrique Pires Lopes Redator Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal Fl. 212DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11330.001257/200748 Acórdão n.º 2301002.660 S2C3T1 Fl. 196 9 de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos Fl. 213DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 10 nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Processo nº 11330.001257/200748 Acórdão n.º 2301002.660 S2C3T1 Fl. 197 11 Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 12 A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), aplicandolhe a que for mais benéfica. Diante do exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 5/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000237/2007-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/2002 a 31/12/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
O deferimento dos embargos de declaração pode ter, em alguns casos, efeitos infringentes, no sentido de determinar a modificação do julgamento anteriormente realizado (Acórdão CSRF/01-04.539), razão pela qual retifica-se o Acórdão nº 3301-01.134 - 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, cuja ementa e decisório passam a ter a seguinte redação:
COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA FIRMADA PELO PROCESSO EM QUE SE DISCUTE OS CRÉDITOS ALEGADOS. REGIMENTO INTERNO DO CARF.
A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, assim sendo a apreciação de recurso voluntário consistente em exigência lastreada em fatos cuja apuração serviu para determinar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 2009, está afeta à competência da colenda Primeira Seção.
Embargos Acolhidos.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3301-001.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em acolherem-se os embargos de declaração para anular o Acórdão nº 3401-01.134, para em seguida declinar da competência para a colenda Primeira Seção, competente para apreciar o recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Rodrigo da Costa Pôssas
Presidente
Antônio Lisboa Cardoso
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201302
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/2002 a 31/12/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. O deferimento dos embargos de declaração pode ter, em alguns casos, efeitos infringentes, no sentido de determinar a modificação do julgamento anteriormente realizado (Acórdão CSRF/01-04.539), razão pela qual retifica-se o Acórdão nº 3301-01.134 - 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, cuja ementa e decisório passam a ter a seguinte redação: COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA FIRMADA PELO PROCESSO EM QUE SE DISCUTE OS CRÉDITOS ALEGADOS. REGIMENTO INTERNO DO CARF. A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, assim sendo a apreciação de recurso voluntário consistente em exigência lastreada em fatos cuja apuração serviu para determinar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 2009, está afeta à competência da colenda Primeira Seção. Embargos Acolhidos. Recurso Voluntário Não Conhecido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 17883.000237/2007-80
anomes_publicacao_s : 201305
conteudo_id_s : 5249021
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3301-001.758
nome_arquivo_s : Decisao_17883000237200780.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ANTONIO LISBOA CARDOSO
nome_arquivo_pdf_s : 17883000237200780_5249021.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em acolherem-se os embargos de declaração para anular o Acórdão nº 3401-01.134, para em seguida declinar da competência para a colenda Primeira Seção, competente para apreciar o recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
id : 4864005
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:09:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045807992668160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2339; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 467 1 466 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17883.000237/200780 Recurso nº 01 Embargos Acórdão nº 3301001.758 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de fevereiro de 2013 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado PEUGEOT CITROEN DO BRASIL AUTOMÓVEIS ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2002 a 31/12/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. O deferimento dos embargos de declaração pode ter, em alguns casos, efeitos infringentes, no sentido de determinar a modificação do julgamento anteriormente realizado (Acórdão CSRF/0104.539), razão pela qual retifica se o Acórdão nº 330101.134 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, cuja ementa e decisório passam a ter a seguinte redação: COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA FIRMADA PELO PROCESSO EM QUE SE DISCUTE OS CRÉDITOS ALEGADOS. REGIMENTO INTERNO DO CARF. A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, assim sendo a apreciação de recurso voluntário consistente em exigência lastreada em fatos cuja apuração serviu para determinar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 2009, está afeta à competência da colenda Primeira Seção. Embargos Acolhidos. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em acolheremse os embargos de declaração para anular o Acórdão nº 340101.134, para em seguida declinar da competência para a colenda Primeira Seção, competente para apreciar o recurso voluntário, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 02 37 /2 00 7- 80 Fl. 467DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 330101.134 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, prolatado na sessão de 6 de outubro de 2011, conforme sintetizado na ementa a seguir reproduzida: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/2002 a 31/12/2002 Ementa: VALORES COMPENSADOS ESCRITURALMENTE. FALTA DE DECLARAÇÃO. MULTA. A falta de declaração em DCTF de valores objetos de compensação escritural, dentro do limite legítimo de crédito do sujeito passivo, extingue o crédito tributário sob condição resolutória ensejando a aplicação de penalidade por irregularidade no cumprimento de obrigação acessória, e não de multa de ofício proporcional, por falta de expressa previsão legal. Recurso provido O acórdão foi disponibilizado pela Secretaria da Câmara em 27/01/2012 (fl. 463), sendo os presentes Embargos de Declaração opostos em 28/02/2012 (fl. 464), onde a Procuradoria da Fazenda Nacional arguindo a existência de omissão, visto que não houve qualquer justificativa para o afastamento dos artigos do Regimento Interno do CARF que versam sobre Competência. Nesse sentido aduz que a competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado. No caso em tela, a apreciação do recurso voluntário envolve exigência lastreada em fatos cuja apuração serviu para determinar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do Imposto de Renda. Por tanto, nos termos dos arts. 2º e 7º, Anexo II do Regimento Interno do CARF a competência para julgamento será da Primeira Seção. Assim, o Recurso Voluntário não deveria ter sido conhecido pela Terceira Seção. É o relatório. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 17883.000237/200780 Acórdão n.º 3301001.758 S3C3T1 Fl. 468 3 Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator Considerando o Acórdão foi disponibilidade pela Secretaria da Câmara em 27/01/2012, tendo sido interpostos os presentes Embargos de Declaração em 28/02/2012, dentro do prazo estabelecido pelos arts. 65 e 66 c/c art. 82, do Anexo II, do RICARF, devendo o mesmo ser conhecido. De fato, de acordo com os art. 7°, § 1º, do Anexo II, do RICARF, a competência para julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, como no caso em apreço o recurso voluntário envolve exigência lastreada em fatos cuja apuração serviu para determinar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do Imposto de Renda, matéria esta afeta à competência da colenda Primeira Seção (art. 2º, I, do Anexo II, do RICARF). Consoante Acórdão CSRF/0305.390, prolatado na sessão de 15 de maio de 2007, é nulo o acórdão que versa sobre matéria diversa da competência regimental de outra Seção, in verbis: Acórdão : CSRF/0305.390 CSLL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. INCOMPETÊNCIA. NULIDADE. É nulo o acórdão do 32 Conselho que versa sobre compensação de CSLL com outros tributos, uma vez que a referida matéria é da competência do 12 Conselho de Contribuintes. Processo anulado a partir da decisão da 1° Câmara do 32 Conselho de Contribuintes, inclusive. Declarada nulidade do acórdão. Em face do exposto, voto no sentido de anular o Acórdão nº 330101.134 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, para em seguida declinar da competência para a à colenda Primeira Seção, competente para apreciar o recurso voluntário. Sala das Sessões, em 27 de fevereiro de 2013 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 469DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 Fl. 470DF CARF MF Impresso em 20/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 07/04/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13882.000591/2008-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - VALORES RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA - TRIBUTAÇÃO - Os valores recebidos de pessoa jurídica caracterizam, salvo prova em contrário, rendimentos recebidos. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda ou da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo.. GRATIFICAÇÃO DE DESGASTE FÍSICO E MENTAL, GRATIFICAÇÃO DE ATIVIDADE DE RISCO, GRATIFICAÇÃO DE OPERAÇÕES ESPECIAIS - NATUREZA JURÍDICA - RENDIMENTO TRIBUTÁVEL - APLICAÇÃO DOS ARTS. 110/111 DO CTN SOBRE CONCEITO DE DIREITO PRIVADO TRABALHISTA - Uma vez que o próprio legislador trabalhista definiu o adicional como acréscimo salarial em decorrência das condições de trabalho, inexistindo lei que institua isenção, é correto o enquadramento do rendimento como tributável, inclusive porque este constitui acessório que deve seguir a natureza do principal (verbal salarial). RENDIMENTOS REFERENTES AO ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO E À GRATIFICAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ORGÂNICA DE SERVIDOR PÚBLICO MILITAR FEDERAL. LEI FEDERAL N" 8.852/94 RENDIMENTOS NÃO ENQUADRADOS NO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO, Somente as verbas não enquadradas no conceito de remuneração, com caráter indenizatório, reconhecidas por lei tributária específica, são isentas do imposto de renda da pessoa física, A Lei n° 8.852/94 regula a estrutura remuneratória do Poder Público Federal, definindo as verbas que devem ser consideradas como vencimento, vencimentos e remuneração, excluindo desse último conceito um conjunto de verbas, algumas isentas, pois de caráter indenizatário, como as diárias ou a ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte, e outras tributáveis, como a gratificação natalina, o terço de férias, o pagamento das horas extraordinárias ou o adicional por tempo de serviço.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-001.681
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS - VALORES RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA - TRIBUTAÇÃO - Os valores recebidos de pessoa jurídica caracterizam, salvo prova em contrário, rendimentos recebidos. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda ou da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo.. GRATIFICAÇÃO DE DESGASTE FÍSICO E MENTAL, GRATIFICAÇÃO DE ATIVIDADE DE RISCO, GRATIFICAÇÃO DE OPERAÇÕES ESPECIAIS - NATUREZA JURÍDICA - RENDIMENTO TRIBUTÁVEL - APLICAÇÃO DOS ARTS. 110/111 DO CTN SOBRE CONCEITO DE DIREITO PRIVADO TRABALHISTA - Uma vez que o próprio legislador trabalhista definiu o adicional como acréscimo salarial em decorrência das condições de trabalho, inexistindo lei que institua isenção, é correto o enquadramento do rendimento como tributável, inclusive porque este constitui acessório que deve seguir a natureza do principal (verbal salarial). RENDIMENTOS REFERENTES AO ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO E À GRATIFICAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ORGÂNICA DE SERVIDOR PÚBLICO MILITAR FEDERAL. LEI FEDERAL N" 8.852/94 RENDIMENTOS NÃO ENQUADRADOS NO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO, Somente as verbas não enquadradas no conceito de remuneração, com caráter indenizatório, reconhecidas por lei tributária específica, são isentas do imposto de renda da pessoa física, A Lei n° 8.852/94 regula a estrutura remuneratória do Poder Público Federal, definindo as verbas que devem ser consideradas como vencimento, vencimentos e remuneração, excluindo desse último conceito um conjunto de verbas, algumas isentas, pois de caráter indenizatário, como as diárias ou a ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte, e outras tributáveis, como a gratificação natalina, o terço de férias, o pagamento das horas extraordinárias ou o adicional por tempo de serviço. Recurso negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 13882.000591/2008-44
conteudo_id_s : 5250473
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2202-001.681
nome_arquivo_s : Decisao_13882000591200844.pdf
nome_relator_s : ANTONIO LOPO MARTINEZ
nome_arquivo_pdf_s : 13882000591200844_5250473.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
id : 4872237
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:09:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045808060825600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2434; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13882.000591/200844 Recurso nº 936.257 Voluntário Acórdão nº 220201.681 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2012 Matéria IRPF Recorrente HOMERO PINTO JUNIOR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS VALORES RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA TRIBUTAÇÃO Os valores recebidos de pessoa jurídica caracterizam, salvo prova em contrário, rendimentos recebidos. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda ou da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo.. GRATIFICAÇÃO DE DESGASTE FÍSICO E MENTAL, GRATIFICAÇÃO DE ATIVIDADE DE RISCO, GRATIFICAÇÃO DE OPERAÇÕES ESPECIAIS NATUREZA JURÍDICA RENDIMENTO TRIBUTÁVEL APLICAÇÃO DOS ARTS. 110/111 DO CTN SOBRE CONCEITO DE DIREITO PRIVADO TRABALHISTA Uma vez que o próprio legislador trabalhista definiu o adicional como acréscimo salarial em decorrência das condições de trabalho, inexistindo lei que institua isenção, é correto o enquadramento do rendimento como tributável, inclusive porque este constitui acessório que deve seguir a natureza do principal (verbal salarial). RENDIMENTOS REFERENTES AO ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO E À GRATIFICAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ORGÂNICA DE SERVIDOR PÚBLICO MILITAR FEDERAL. LEI FEDERAL N" 8.852/94 RENDIMENTOS NÃO ENQUADRADOS NO CONCEITO DE REMUNERAÇÃO, Somente as verbas não enquadradas no conceito de remuneração, com caráter indenizatório, reconhecidas por lei tributária específica, são isentas do imposto de renda da pessoa física, A Lei n° 8.852/94 regula a estrutura remuneratória do Poder Público Federal, definindo as verbas que devem ser consideradas como vencimento, vencimentos e remuneração, excluindo desse Fl. 49DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 último conceito um conjunto de verbas, algumas isentas, pois de caráter indenizatário, como as diárias ou a ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte, e outras tributáveis, como a gratificação natalina, o terço de férias, o pagamento das horas extraordinárias ou o adicional por tempo de serviço. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiros Helenilson Cunha Pontes. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13882.000591/200844 Acórdão n.º 220201.681 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, HOMERO PINTO JUNIOR, foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 07/09, referente ao imposto de renda pessoa física do ano calendário de 2005, que reduziu o saldo de imposto a restituir de R$ 14.302,21 para R$.1.429,20. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 08), o procedimento resultou na apuração da seguinte infração: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Did), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos no valor de R$ 69.071,52, recebidos do Ministério da Justiça, CNPJ n° 00.394.494/0112 51.. Inconformado, o interessado apresentou, em 01/02/2008, a impugnação de fls. 01/05, trazendo, em síntese, as seguintes alegações: 1. o requerente se ativa como funcionário público federal no Departamento de Policia Rodoviária Federal, recebendo seus vencimentos já com as deduções na fonte do Imposto de renda, deduções estas calculadas sobre a somatória das 'verbas contidas em sue demonstrativo de pagamentos; 2. com o advento da Lei n° 8.852, de 04 de fevereiro de 1994, ficou disciplinado que não entrariam no cômputo da remuneração parcelas tidas como indenizatórias (art. 1 0, inciso III, alínea "r"); 3. no caso em tela, o servidor possui as seguintes parcelas indenizatórias: Gratificação por Atividade Executiva, Gratificação de Atividade de Policia Rodoviária Federal, Gratificação por Desgaste Físico e Mental, Gratificação de Atividade de Risco, Gratificação de Operações Especiais e Adicional por Tempo de Serviço; 4. não há fato gerador a justificar a incidência de imposto de renda sobre tais parcelas, uma vez que as mesmas não são o produto do trabalho, mas, sim, um pagamento a titulo de indenizações especiais com a finalidade única de minorar os efeitos das condições de trabalho a que estavam sujeitos tais obreiros, posto que pagas para compensar danos, inclusive aos já aposentados; Fl. 51DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 5. tais parcelas deixaram de compor a remuneração em função do caráter eminentemente indenizatório de que se revestem, tornando não tributáveis tais recebimentos e, por conseguinte passíveis de devolução, o que por si só justifica o expurgo dos valores incorretamente retidos e tributados; 6. desse modo, o requerente teve sua base de cálculo de Imposto de Renda Pessoa Física, para efeito de retenção na fonte, alterada, o que lhe causou uma cobrança de imposto maior do que a efetivamente devida e, por conseguinte, uma restituição, menor da que deveria acontecer; 7. traz A. colação jurisprudência sobre o assunto; 8. em face do principio da igualdade expresso no art. 5° da" Constituição Federal, requer o mesmo tratamento dado aos parlamentares com relação a suas verbas indenizatórias, as quais, como sobejamente sabido, encontramse absolutamente isentas de tributação por se tratar de valores necessários ao desempenho de sua atividade parlamentar; 9. requer o acolhimento da nova Declaração de Ajuste Anual apresentada. A DRJ ao apreciar as razões, julgou o lançamento procedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, em obediência ao principio da legalidade em matéria tributária, disposição legal especifica. Impugnação Improcedente Insatisfeito, o contribuinte interpõe recurso voluntário ao Conselho onde reitera as mesmas razões da impugnação. Indica que as gratificações não se caracterizam como vencimentos uma vez que não são pagos pelo exercício de cargo público, mas si por causa deste exercício (danos a saúde física e mental, penosidade, periculosidade, etc), nem compõem a remuneração, fato inclusive já admitido pelo órgão da Receita Federal quando da análise da declaração retificadora, mesmo porque não possuem caráter permanente, onde está o amparo legal para haja tributação sobre elas. Tais indenizações encontramse previstas no mesmo diploma legal, para efeito da previsão necessária para o reconhecimento da isenção pretendida. Deste modo, inegável o caráter indenizatório das referidas parcelas, uma vez que equiparadas, legalmente, a outras cujo pagamento está isento de aplicação do imposto sobre a renda. É o relatório. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13882.000591/200844 Acórdão n.º 220201.681 S2C2T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Discutese no processo em tela a natureza tributária das verbas recebidas pelo contribuinte a titulo de gratificação por atividade executiva, gratificação de atividade de Policia Rodoviária Federal, gratificação por desgaste físico e mental, gratificação de atividade de risco, gratificação de operações especiais e adicional por tempo de serviço. Sobre a tributação do imposto de renda, o art. 43 do Código Tributário Nacional determina que o fato gerador do imposto de renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza. A legislação tributária também esclarece que são rendimentos tributáveis aqueles oriundos do trabalho assalariado, bem como as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, além de quaisquer proventos ou vantagens, no que se inclui as gratificações ou proventos, sendo também, portanto, rendimentos provenientes do trabalho. Destaquese que segundo o § 4° do art. 3° da Lei No. 7.713, 22/12/1998: "a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo". De conformidade com o prescrito no art. 176 do Código Tributário Nacional, a isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão e, a lei, deve ser interpretada literalmente. Quaisquer outros rendimentos, mesmo remunerados a título de verbas “indenizatórias” devem compor o rendimento bruto para efeito de tributação, uma vez que, sendo a isenção uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, deve ser sempre decorrente de lei e de interpretação literal e restritiva, nos termos do art. 111 do CTN. Uma vez que o próprio legislador trabalhista definiu o adicional como acréscimo salarial em decorrência das condições de trabalho, inexistindo lei que institua isenção, é correto o enquadramento do rendimento como tributável, inclusive porque este constitui acessório que deve seguir a natureza do principal (verbal salarial). Deve se observar que é a lei tributária do imposto de renda da pessoa fisica que define quais as verbas que transcendem o conceito de remuneração são isentas do IRPF, notadamente constando tais isenções no art. 6º da Lei No. 7.713/88. Assim, por exemplo, no Fl. 53DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 art, 6', II e XX, da Lei n'7.713/88 constam as isenções relativas às diárias e à ajuda de custo em decorrência da mudança de sede. As isenções tributárias não são definidas pela Lei n° 8.852/94, como equivocadamente defende o contribuinte Se assim fosse, por exemplo, o pagamento do décimo terceiro salário seria isento (art. 1', III, "f", da Lei n° 8.852/94), o que demonstra o equívoco do raciocínio do recorrente, pois não se conhece quem já tenha defendido a ausência de tributação sobre o décimo terceiro salário (esta verba consta corno tributável especificamente no art 25 da Lei n° 7.713/88). Ainda, o legislador, no art. 1°, § 1°, da Lei no 8.852/94, tomou o cuidado de alertar que as verbas que transcendem à remuneração, previstas no art. 1 o. , III, da Lei aqui citada, abrangem adiantamentos desprovidos de natureza indenizatória, ou seja, alertou que há rendimentos em tal inciso que não tem caráter indenizatório, sendo, assim, tributáveis pelo imposto de renda. Em relação ao adicional por tempo de serviço dos agentes públicos federais a gratificação de compensação orgânica não há qualquer legislação que o isente do imposto de renda da pessoa física, São verbas tributáveis. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 54DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002101/2008-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/07/1990 a 30/09/1995 COMPENSAÇÃO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. FUNDAMENTO LEGAL REVOGADO. Se o fundamento legal da compensação autorizada por decisão judicial foi alterado, aplica-se a legislação superveniente que deu igual tratamento aos demais contribuintes. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-001.677
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201206
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/07/1990 a 30/09/1995 COMPENSAÇÃO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. FUNDAMENTO LEGAL REVOGADO. Se o fundamento legal da compensação autorizada por decisão judicial foi alterado, aplica-se a legislação superveniente que deu igual tratamento aos demais contribuintes. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 11020.002101/2008-69
conteudo_id_s : 5248794
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3302-001.677
nome_arquivo_s : Decisao_11020002101200869.pdf
nome_relator_s : WALBER JOSE DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 11020002101200869_5248794.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
id : 4863971
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:09:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713045808156246016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1515; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.002101/200869 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 330201.677 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de junho de 2012 Matéria PIS COMPENSAÇÃO Recorrente FRIGORÍFICO CHESINI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1990 a 30/09/1995 COMPENSAÇÃO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. FUNDAMENTO LEGAL REVOGADO. Se o fundamento legal da compensação autorizada por decisão judicial foi alterado, aplicase a legislação superveniente que deu igual tratamento aos demais contribuintes. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 29/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa FRIGORÍFICO CHESINI LTDA, no qual está pleiteando a restituição de PIS reconhecido em decisão judicial com trânsito em julgado e o respectivo crédito habilitado junto a RFB. Em razão da decisão judicial autorizar a compensação do crédito do PIS com débito do próprio PIS, a DRF de origem não homologou a compensação de débito de Cofins declarada pela Recorrente. Ciente desta decisão, a recorrente ingressou com manifestação de inconformidade, argüindo, em apertada síntese, que não representa descumprimento da decisão judicial a compensação do crédito reconhecido com débito de outro tributo administrado pela RFB autorizado por legislação posterior, conforme jurisprudência judicial e administrativa que cita. A DRJ em Campo Grande MS indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 0425.727, de 23/08/2011, cuja ementa abaixo transcrevo: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. A decisão judicial favorável ao contribuinte deve ser cumprida nos estritos limites dessa decisão não se estendendo a outras situações que não foram objeto dessa decisão, mormente quando a possibilidade da extensão da compensação foi devidamente analisada pelas autoridades judiciais e não permitida. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 13/09/2011 e ingressou com Recurso Voluntário no dia 11/10/2011, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado, a empresa recorrente está contestando unicamente a decisão da autoridade da RFB que não efetuou a compensação do seu crédito de PIS com débito de Cofins em face da decisão judicial autorizar a compensação com débito do PIS. A empresa Recorrente ingressou com mandado de segurança no ano de 1998 pleiteando o direito de compensar os pagamentos do PIS feitos com base nos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, de 1988, com débitos do próprio PIS e a sentença que reconheceu o direito pleiteado restou transitada em julgado no dia 30/03/2005. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.002101/200869 Acórdão n.º 330201.677 S3C3T2 Fl. 2 3 Como a decisão judicial não autoriza expressamente a compensação com outros tributos administrados pela RFB, a autoridade competente da RFB não homologou a compensação realizada e declarada pela recorrente de débito da Cofins com o crédito do PIS reconhecido na decisão judicial acima referida. Como se pode constatar das razões de mérito da Sentença nº 046/99, de 03/02/1999 (flse 63/75), a autorização para a recorrente realizar compensação teve como fundamento legal o art. 66 da Lei nº 8.383/91 c/c art. 39 da Lei nº 9.250/95. Esta legislação sofreu várias alterações, a exemplo das Leis nº ,9.430/96 e 10.637/02, que passou a permitir a compensação do crédito de um tributo com débito de qualquer tributo administrado pela RFB. Nesta parte a sentença não sofreu reformas. Nestas condições, a aplicase ao caso concreto a Solução de Divergência COSIT nº 2/2010, publicada no DOU 11/11/2010, que tem a seguinte redação: Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, ou ainda, que tenha permitido apenas a repetição do indébito, poderão ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB (a) se houver legislação superveniente que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou (b) se a legislação vigente quando do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. Devese observar, ainda, que as restrições impostas à compensação pela sentença de mérito do mandado de segurança foram unicamente aquelas constantes da legislação que a fundamentou, acima citada. Tais restrições foram afastadas por legislação superveniente, permitindo a todos os contribuintes efetuar a compensação de indébitos de PIS com débitos de qualquer tributo administrado pela RFB. Portanto, o crédito do PIS decorrente de pagamento indevido pode e deve ser utilizado para compensar débitos de Cofins, devidamente declarado, até o limite do crédito reconhecido pela autoridade da RFB. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para determinar a homologação das compensações de débitos de Cofins declaradas pela Recorrente, até o limite do crédito reconhecido e disponível para compensação. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 228DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
