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Numero do processo: 13116.720067/2008-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ITR. DECADÊNCIA.O imposto sobre a propriedade territorial rural é, a partir do ano-calendário 1997, tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro de cada ano-calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação (Recurso Especial nº 973.733).
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. UTILIZAÇÃO DOS DADOS DO SIPT. O VTN médio declarado por município, constante da tabela SIPT, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-001.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente
(assinado digitalmente)
RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado) e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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DECADÊNCIA.O imposto sobre a propriedade territorial rural é, a partir do anocalendário 1997, tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro de cada anocalendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 00 67 /2 00 8- 74 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 2 VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. UTILIZAÇÃO DOS DADOS DO SIPT. O VTN médio declarado por município, constante da tabela SIPT, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO– Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Rodrigo Santos Masset Lacombe, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Ewan Teles Aguiar (Suplente convocado) e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Pelo que se extrai dos autos, o procedimento fiscal teve início pelo Termo de Intimação Fiscal, lavrado em 15/09/2008, através do qual foi solicitada comprovação do VTN declarado nos exercícios de 2003, 2004, 2006 e 2007, do imóvel denominado “Nova Petrópolis” (NIRF 6.599.1623), com área total declarada de 1.452,0ha, localizado no Município de Planaltina/GO. No referido documento, constava advertência de que a falta de comprovação ensejaria o arbitramento, com base na tabela SIPT da RFB, nos termos do art.14 da Lei 9.393/96. Sobre essa intimação a contribuinte não se manifestou, sendo, por conseguinte, lavrada uma Notificação de Lançamento para cada exercício, consubstanciada em 4 (quatro) processos distintos. Todos levados a julgamento na presente sessão. Nesses processos foi arbitrado o valor do VTN, com base no Valor do VTN para o Município, nos termos a seguir resumidos: Processo Administrativo Exercício Valor Total Declarado VTN p/ Munícipio VTN Apurado Diferença de Imposto Apurada 13116.720067/200874 2003 R$1.000,00 R$837,51 R$ 1.216.064,52 R$ 104.495,54 13116.720069/200863 2004 R$1.000,00 R$962,08 R$ 1.396.940,16 R$ 120.077,63 13116.720071/200832 2005 R$ 500,00 R$951,26 R$ 1.381.229,52 R$ 118.742,73 13116.720072/200887 2006 R$ 500,00 R$674,12 R$ 978.822,24 R$ 84.135,71 Destaquese por oportuno, que não consta, em nenhum dos processos acima mencionados, cópia da tabela do Sistema de Preços de Terras – SIPT. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 13116.720067/200874 Acórdão n.º 2201001.942 S2C2T1 Fl. 159 3 A ciência dos lançamentos se deu por edital, em 26/12/2008, sendo tempestivamente impugnados pela recorrente que apresentou para todos eles a mesma tese de defesa, assim resumida pelo relatório do Acórdão recorrido: de início, discorda do procedimento fiscal, principalmente no que diz respeito ao Termo de Intimação Fiscal, recepcionado por quem não detinha poderes de representação; diz ser proprietária de uma área de 1.260ha denominada Loteamento Nova Petrópolis, localizada na zona urbana do município de Planaltina – GO e, portanto, excluída da hipótese de incidência do ITR. Ao final, a contribuinte requer seja acolhida a presente notificação e anulado esse lançamento, por incluirse o imóvel na hipótese de incidência do IPTU, ou seja reaberto o prazo para cumprimento da intimação de fls.09/10, após ser notificada em seu endereço. Inicialmente, quando levado o processo a julgamento, este foi convertido em diligência para as seguintes providências: “ enviar ofícios a Prefeitura de Planaltina – GO, para que informe desde quando o citado imóvel é considerado área urbana e qual sua área total (urbana), e ao cartório de Registro de Imóveis competente, para que informe qual a área da matricula original foi constituída como loteamento urbano; com base nestes documentos e quaisquer outros que entender pertinentes apurar a situação cadastral do imóvel questionado e, se for o caso, atualizar o CAFIR, de acordo com a INS/RFB Nº830/2008.” Em atendimento a diligência solicitada, foram enviados ofícios à Prefeitura de Planaltina/GO e ao Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Planaltina/GO que não se manifestaram, retornando o processo a julgamento nas condições em que se encontravam. Após analisar a matéria, os Membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente o lançamento objeto do presente processo, bem como os demais, nos termos da ementa abaixo: “DO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA Nessa modalidade de lançamento, na falta de pagamento ou pagamento em atraso do ITR, realizado após o exercício de apuração do imposto, aplicase a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN, para efeito de contagem do respectivo prazo decadencial. Constada a ocorrência dessa hipótese, o prazo de cinco anos previsto para a Fazenda Nacional constituir o lançamento, a contar de 1º/01/2004, encerrou em 31/12/2008. DO IMÓVEL OBJETO DO LANÇAMENTO. Não comprovado nos autos que esse imóvel rural, inequivocamente, tenha sido incorporado ao perímetro urbano do município em que se Fl. 160DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 4 localiza, até a data do fato gerador do ITR/2005, deverão ser mantidos o lançamento e o respectivo crédito tributário. DO VALOR DA TERRA NUA VTN. Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2003 pela autoridade fiscal com base no SIPT, por falta de laudo técnico de avaliação em consonância com a NBR 14.6533 da ABNT, que atingisse fundamentação e grau de precisão II, demonstrando o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do imposto e suas peculiaridades desfavoráveis, que justificassem o valor declarado. Impugnação Improcedente Cientificada da decisão da DRJ em 16/08/2011 (fls. 86 – PDF), a contribuinte apresentou na data de 15/09/2011, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fls.100/109, alegando em síntese: Preliminarmente, ausência de citação válida e decadência do lançamento; Cerceamento do direito de defesa, pois afirma que recebeu carta de intimação da decisão de primeira instancia, desacompanhada da cópia da íntegra do Acórdão; Diante da ausência desse documento, solicitou cópia integral do processo administrativo, recebendo parte do processo, na qual faltava a cópia do referido acórdão, impossibilitando que exercesse seu sagrado direito à ampla defesa e ao contraditório; Nulidade da decisão de primeira instância, por ter sido o processo levado a julgamento sem cumprimento da determinada diligência; Total improcedência do lançamento, pois o imóvel está localizado em área urbana e foi por Decreto Municipal, loteado ou vendido. Para comprovar seu direito, acosta ao recurso certidão, datada de 14/09/2011, emitida pelo Cartório de Imóveis da Comarca de Planaltina/GO, acompanhada da cópia da Matrícula nº 5.298 e 4.076. É o relatório. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A questão em análise versa sobre arbitramento do VTN Valor da Terra Nua. Nas suas razões recursais, a recorrente alega cerceamento do direito de defesa por não ter recebido cópia da decisão de primeira instância e por não ter sido cumprida a diligência solicitada, bem como afirma que houve a decadência do lançamento referente ao exercício de 2003 e a ausência de citação válida. No mérito, aduz que o imóvel está localizado em área urbana e foi por Decreto Municipal, loteado ou vendido. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 13116.720067/200874 Acórdão n.º 2201001.942 S2C2T1 Fl. 160 5 Preliminarmente, quanto a argüição de decadência do lançamento relativo ao fato gerador ocorrido em 2003, cabe o registro que a Lei n° 9.393/1996 alterou substancialmente o Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, principalmente em relação a sua forma de apuração. Vejamse os artigos 1° e 10 da Lei n° 9.393/1996: Art. 1°. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1° de janeiro de cada ano. (...) Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Pelo que se observa do enxerto legal reproduzido o fato gerador do imposto ITR iniciase em 1° de janeiro de cada anocalendário, e a partir da vigência da Lei n° 9.393/1996, passou a ser tributo sujeito a modalidade de lançamento por homologação, atribuindo ao sujeito passivo a incumbência de apurar o imposto, sem prévio exame da autoridade administrativa. Sendo o ITR, tributo sujeito ao lançamento por homologação, tenho me posicionado que o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo é, em regra, o do art.150, §4º do CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento é de cinco anos a contar do fato gerador. Neste sentido, o § 4º do art. 150 do CTN, fixa prazo de homologação de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, no caso em que a lei não fixar outro limite temporal. Transcrevese o art. 150, § 4º do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na inocorrência de dolo, fraude ou simulação o lançamento se consolida no momento em que o sujeito passivo identifica a ocorrência do fato gerador, a matéria tributável e o montante do tributo devido, submetendo, posteriormente, esse procedimento à autoridade administrativa, que deverá, homologar ou não, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo sujeito passivo. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 6 Assim, o decurso do prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, implica na homologação tácita da atividade exercida pelo contribuinte e, em razão do instituto da decadência, previsto no artigo 156, inciso V, do CTN, extingue o crédito tributário. Analisando sobre esse prisma, o fato gerador do ITR referente ao exercício de 2003, iniciase em 01 de janeiro daquele ano e considerando o lapso temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, a data fatal completarse ia em 01 de janeiro de 2007. No caso em tela, a ciência dos lançamentos se deu por edital, em 26/12/2008, poderseia imediatamente concluir, que o crédito tributário estaria atingido pela decadência. Contudo, é necessário aprofundar a análise, face a alteração promovida pela Portaria MF n.º 586/2010 no artigo 62A do anexo II, que introduziu dispositivo no Regimento Interno deste E. Conselho que determina, in verbis: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” Assim, no que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, temos como parâmetro o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra Fl. 163DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 13116.720067/200874 Acórdão n.º 2201001.942 S2C2T1 Fl. 161 7 da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). Dessa forma, com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento e/ou imposto de renda retido na fonte, devese aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 8 No presente caso, não prova nos autos do pagamento do tributo declarado na DIAC/DIAT 2003, assim não há como se concluir que deva ser aplicado o art. 150, §4º, do CTN. Não obstante, passemos a análise mais detalhada do caso. Analisando as provas documentais trazidas no Recurso, verifico, pela certidão expedida pelo cartório de Registro de Imóveis e pela análise das escrituras acostadas, que a recorrente ainda é proprietária de parte do imóvel em questão, apesar de informar que todo ele havia sido loteado e vendido. Na fase impugnatória a contribuinte apresentou certidão da Prefeitura Municipal de Planaltina, datada de 12/01/2009, certificando que “de acordo com informações que constam dos cadastros fiscais desta Secretária, verificou que, o loteamento denominado por NOVA PETRÓPOLIS, em Planaltina, Estado de Goiás, está localizado em Zona Urbana, com a devida cobrança de IPTU (Imposto Predial e Território Urbano), de conformidade com a planta de loteamento deste Município”. Na mencionada Certidão consta, ainda, a seguinte informação “que dando busca no arquivo deste cartório, no livro 2T de Registro geral, à fls164, verificou constar a matricula nº 4.076, referente a uma gleba de terras com a área de 300,00 alqueires, situada na Fazenda “AITIQUIRA”, conhecida também por “FAZENDA ELDORADO”, dentro dos limites e confrontações, constantes da referida matricula, deste Município de PlanaltinaGO. CERTIFICA, mais, que parte da referida gleba foi loteada com a denominação “NOVA PETROPOLIS”, de propriedade da firma TERPLANI – TERRENOS E PLANEJAMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA”. (Grifos no original). Essa certidão, portanto, claramente destaca que “parte” da referida gleba foi loteada com a denominação NOVA PETROPÓLIS, depreendendose, por conseguinte, que restou uma parte de propriedade da recorrente que não foi loteada. Nas razões apresentadas pela recorrente, ela informa que parte do imóvel foi loteada e a outra vendida, mas essa informação não está respaldada com precisão nos documentos acostados nas suas defesas. Para o exercício em questão, não é possível determinar qual a área de sua propriedade está no perímetro urbano e qual está no perímetro rural. Em que pese essas considerações e as preliminares arguidas pela recorrente sobre cerceamento de direito de defesa, há um ponto de extrema importância quanto à materialidade do arbitramento do VTN no presente processo. Conforme relatado, o VTN foi arbitrado com base no Valor do VTN médio para o Município. A legislação pátria permite o arbitramento do valor da terra nua, nos termos art. 148 do CTN. O art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996 que prevê o arbitramento do VTN, nos casos de subavaliação, com base em sistema de preços de terras, se reporta expressamente a critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, II da Lei nº 8.629, de 1993, in verbis: Lei nº 9.393, de 1996: “Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, Fl. 165DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 13116.720067/200874 Acórdão n.º 2201001.942 S2C2T1 Fl. 162 9 considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1o As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.” Lei nº 8.629, de 1993: Art. 12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) (...) II aptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Analisando os dois dispositivos acima, verificase claramente que o SIPT, para ser utilizado como parâmetro para o arbitramento, deve, necessariamente, levar em conta a aptidão agrícola. No presente processo, o arbitramento se baseou única e exclusivamente no Valor do VTN médio para o Município, cuja utilização não atende às exigências legais. A título de fundamentação, valhome das bem lançadas razões apresentadas pela Ilustre Conselheira Maria Lucia Moniz de Aragão Calomino Astorga, extraídas do acórdão nº 220200.722, de 19/08/2010, para situação em tudo assemelhada à presente e cujos fundamentos adoto na íntegra: “Conjugando os dispositivos acima transcritos, inferese que o sistema a ser criado pela Receita Federal para fins de arbitramento do valor da terra nua deveria observar os critérios estabelecidos no art. 12, 1o, inciso II, da Lei no 8.629, de 1993, quais sejam, a localização, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel, assim como considerar os levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Nesse contexto, foi aprovado o Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal – SIPT, pela Portaria SRF no 447, de 28 de março de 2002, alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores da terra nua da base de declarações do ITR (art. 3o da Portaria SRF no 447, de 2002). Para se contrapor ao valor arbitrado com base no SIPT, deve o contribuinte apresentar Laudo Técnico, com suficientes elementos de convicção, elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado de ART, e que atenda às prescrições Fl. 166DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 10 contidas na NBR 146533, que disciplina a atividade de avaliação de imóveis rurais. (...) Entretanto, embora presentes os elementos que autorizam o arbitramento, o valor do VTN atribuído pela fiscalização deve ser revisto, pois houve um erro na sua apuração. A fiscalização utilizou para arbitrar o VTN do imóvel da recorrente o valor do VTN médio/ha declarado pelos contribuintes do mesmo município (R$495,76/ha), extraído das informações contidas no SIPT (fl. 79), multiplicado pela área total do imóvel (9.846,7ha), obtendo o valor final de R$ 4.881.599,99. Ressaltese, entretanto, que o VTN médio declarado por município, obtido com base nos valores informados na DITR, constitui um parâmetro inicial, mas não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. Isso porque esta informação não é contemplada na declaração, que contém apenas o valor global atribuído a propriedade, sem levar em conta as características intrínsecas e extrínsecas da terra que determinam o seu potencial de uso. Assim, o valor arbitrado deve ser obtido com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel.” Como o critério não foi observado, entendo que não foram atendidos os requisitos previstos em lei para a realização do arbitramento, razão pela qual deve ser desconsiderado o VTN arbitrado e restabelecido o VTN declarado pela Recorrente. Diante dessa conclusão quanto ao mérito, deixo de analisar as demais preliminares arguidas pela recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso para restabelecer o VTN declarado. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Fl. 167DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 13116.720067/200874 Acórdão n.º 2201001.942 S2C2T1 Fl. 163 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. Brasília/DF, 02/05/2013 __________(assinado digitalmente)_____________ MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 168DF CARF MF Impresso em 07/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 02/05/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 03/05/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 13832.000069/2003-43
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Se, ao analisar o Pedido de Compensação, a administração tributária verificar alguma irregularidade, o procedimento correto para constituir o crédito tributário é a lavratura de Auto de Infração ou a expedição de Notificação de Lançamento, nos termos dos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 1972.
Numero da decisão: 1801-000.750
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator
Nome do relator: EDGAR SILVA VIDAL
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NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Se, ao analisar o Pedido de Compensação, a administração tributária verificar alguma irregularidade, o procedimento correto para constituir o crédito tributário é a lavratura de Auto de Infração ou a expedição de Notificação de Lançamento, nos termos dos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros : Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edijalmo Antonio da Cruz, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 14/06/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13832.000069/200343 Acórdão n.º 180100.750 S1TE01 Fl. 424 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação apresentada pela recorrente em 13/05/2003, pretendendo compensar débitos de sua responsabilidade, com créditos decorrentes de Saldo Negativo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido do ano calendário de 2001, bem como com saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2000. A Declaração de Compensação foi analisada pela DRF em MaríliaSP, que indeferiu o direito creditório e não homologou as compensações declaradas relativas aos débitos de .IRPJ e de CSLL dos meses de janeiro, fevereiro e março de 2003. A negativa em homologar as compensações solicitadas deveuse a divergências de metodologia de cálculo do resultado entre a contribuinte e a Receita Federal. Registrese, ainda, que a contribuinte não apresentou os documentos contábeis e fiscais que embasaram sua planilha , bem como deixou de juntar ao processo os Livros Diário e Razão. Cientificada em 21/07/2006, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em 16/8/2006, onde alega, em síntese: I procedeu a apuração do IRPJ e CSLL nos termos do Parecer Normativo CST n° 73/1975, isto é, computou em separado os custos diretos, apropriandose proporcionalmente dos custos e encargos indiretos ao valor das receitas decorrentes de atos cooperados e não cooperados; II nulidade do auto de infração pela tributação integral dos atos cooperados/desconsideração das despesas com atos não cooperados; III – que a recorrente por sua natureza jurídica, tem como objetivo a cooperação de seus associados que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens e serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro, de acordo com o art. 3º da Lei 5.764/71/; IV – que os resultados das operações cooperativas com não associados mencionadas nos artigos 85 e 86 da Lei 5.764/71, são contabilizados em separado para permitir o cálculo para incidência tributária; V – que os resultados positivos obtidos em negócios com cooperados, denominados sobras, não se sujeitam a tributação; VI – quanto à CSLL, a isenção para as cooperativas, prevista no artigo 39 da Lei 10.865/04, veio corroborar o entendimento já pacificado no 1º Conselho de Contribuintes; e pede: a a nulidade auto de infração; b diligência para revisão dos cálculos de IRPJ e CSLL, referentes aos anos calendários de 2000 e 2001, nos termos do Parecer Normativo CST 73/1975; c o reconhecimento da impossibilidade de se tributar o resultado positivo nas operações com associados pelas sociedades cooperativas, em face da CSLL; e Fl. 424DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 14/06/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13832.000069/200343 Acórdão n.º 180100.750 S1TE01 Fl. 425 3 d – a homologação da compensação dos débitos. Em sessão de 26 de junho de 2007, a DRJ em Ribeirão Preto SP, com o Acórdão 1416.180, da sua 5ª Turma, indeferiu a solicitação. Intimada do Acórdão em 29/11/2007, apresentou Recurso Voluntário em 11 de dezembro de 2007, onde alega: I – procedeu à apuração do IRPJ e da CSLL, nos termos do Parecer 73/1975, isto é, computou em separado os custos diretos, após, apropriou proporcionalmente os custos e encargos indiretos ao valor das duas receitas, decorrentes de atos cooperados e não cooperados, o que resultou em lucro real de R$ 459.026,34 e saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 234.543,23, ao passo que pelos cálculos da Receita Federal o lucro real foi de R$ 1.603.454,08, alterando o resultado do Imposto de Renda, que gerou saldo a pagar no valor de R$ 51.563,71; II – quanto à CSLL, procedeu a apuração considerando a exclusão dos atos cooperados, conforme decisões exaustivas do Primeiro Conselho de Conselho de Contribuintes e da CSRF e nos termos do Parecer 73/1975. Informa que, ao final do anocalendário de 2001, a CSLL apurada com base no Balancete de Suspensão ou Redução resultou saldo negativo, uma vez que os valores das antecipações efetuadas foram maiores que o valor devido de CSLL; III repete as alegações constantes da impugnação; e IV – pede a nulidade do Auto de Infração e a homologação das compensações dos débitos. É o relatório. . Voto Conselheiro Edgar Silva Vidal – Relator, O Recurso é tempestivo e dele conheço. O que ficou caracterizado neste processo é a divergência de metodologia de apuração do resultado da cooperativa, de um lado feita pela recorrente e, de outro , pela Receita Federal. O regime jurídico das sociedades cooperativas foi instituído pela Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, lei esta recepcionada como Lei Complementar pela Constituição de 1988. Em seu artigo 4º, VII, a Lei prevê o retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral. De acordo com o artigo 79 da Lei , são atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados , entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando Fl. 425DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 14/06/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13832.000069/200343 Acórdão n.º 180100.750 S1TE01 Fl. 426 4 associadas para a consecução dos objetivos sociais. E mais, que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Mas o legislador não restringiu as operações das cooperativas apenas aos seus associados e estabeleceu normas para que as operações praticadas com não associados seriam separadas daquelas feitas com associados e tributadas normalmente. Os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações com não cooperados, previstas no artigos 85 e 86, serão contabilizados em separado, a fim de permitir cálculo para incidência de tributos, conforme dispõe os artigos 87 e 111 da citada Lei. Para a DRJ, o indeferimento do direito creditório pela autoridade fiscal decorreu , justamente, do fato de a recorrente não ter contabilizado de forma segregada e correta as operações com não associados, contabilização essa que, se tivesse sido levada a efeito, permitiria à fiscalização apurar o lucro tributável dessas operações, baseandose nos custos diretamente incorridos e apropriandose, proporcionalmente, dos custos indiretos, desde que comum às duas espécies de receita.ter emitido. No caso sob análise, segundo informações da recorrente, as operações com terceiros geraram receita no valor total de R$ 1.637.545,02. Dessa receita, ela deduziu custos diretos no valor de R$ 251.006,18, correspondentes a CPMF sobre aplicações financeiras, no valor de R$ 181.449,59, ao PIS sobre operações com terceiros, no valor de R$ 12.717,21 e a COFINS sobre operações com terceiros no valor de R$ 56.843,38, e, ainda, custos indiretos no montante de R$ 1.110.945,80. Relativamente aos custos diretos, passíveis de dedução, a interessada não demonstrou, com documentação contábil e fiscal, que o valor de R$ 251.006,18 (imposto sobre receitas financeiras),utilizado para apurar a receita operacional líquida do anocalendário de 2000, conforme demonstrado na fl. 123, referiase exclusivamente aos encargos diretos relativos às operações com terceiros, conforme determina o Parecer Normativo CST 73/1975.Além disso, a recorrente não trouxe aos autos os livros Diário e Razão do ano calendário de 2000 (arts. 258 e 259 do RIR/99/. Entendo não caber o critério de proporcionalidade na tributação das receitas financeiras, pois estas são compostas de operações típicas (atos cooperativos) como atípicas ( resultados de atos não cooperativos) Quanto aos resultados de aplicações financeiras, há incidência do Imposto de Renda, nos termos da Súmula nº 262 do STJ: Súmula 262 – Incide imposto de renda sobre os resultados das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas Também no âmbito deste Conselho, a matéria já foi enfrentada no Acórdão n 10322647, de 22/09/2006: LANÇAMENTOS DE IRPJ e CSLL RECEITAS FINANCEIRAS DE COOPERATIVAS SÚMULA 262/STJ. Conforme entendimento sumulado pelo E. Superior Tribunal de Justiça, “incide o Imposto de Renda sobre o resultado das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas”. LANÇAMENTOS PIS e COFINS RECEITAS FINANCEIRAS DE Fl. 426DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 14/06/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13832.000069/200343 Acórdão n.º 180100.750 S1TE01 Fl. 427 5 COOPERATIVAS Não há lei que autorize ao Fisco Federal exigir a contribuição ao PIS e a COFINS sobre o valor das receitas financeiras aferidas pelas cooperativas no período assinalado no lançamento. Os dispositivos legais referidos no auto de infração tratam apenas e tãosomente da base de cálculo “faturamento”, cujo conceito não abarca, à evidência, receitas decorrentes de aplicações financeiras. Recurso voluntário a que se dá parcial provimento. Publicado no D.O.U. nº 215 de 09/11/2006 Todavia, a fiscalização glosou custos e alterou a contabilidade da recorrente (fls. 156 e 164), quando o procedimento correto de acordo com os artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, seria emitir Auto de Infração relativo ao IRPJ que julgasse devido, para alterar o saldo negativo de IRPJ do anocalendário. Sem a Notificação de Lançamento ou Auto de Infração, as glosas efetuadas pela autoridade a quo não surtem efeitos para modificar o resultado apurado pela contribuinte na contabilidade. (fls. 156 e 164). Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Relativamente à CSLL, a recorrente apresentou DCOMP pretendendo compensar saldo negativo referente ao anocalendário de 2001. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 14/06/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13832.000069/200343 Acórdão n.º 180100.750 S1TE01 Fl. 428 6 Refeitos os cálculos mediante procedimento de fiscalização, apurouse valor a pagar de CSLL, ao invés de saldo negativo, uma vez que a contribuinte excluiu da base de cálculo, sem previsão legal, receitas decorrentes de atos cooperativos, o que resultou na lavratura de Auto de Infração, protocolizado sob nº 13830.001503/200594, com vistas a constituir o crédito tributário decorrente das diferenças positivas de CSLL, relativamente aos anoscalendários de 2000 e 2001. Ocorre que o Recurso da recorrente relativo ao Auto de Infração foi julgado e provido em 09 de março de 2010, conforme Acórdão nº 1301.00271: Processo nº 13830.001503/200594 Recurso n° 166.266 Voluntário Acórdão n° 130100.271 — 3° Câmara /1ªa Turma Ordinária Sessão de 09 de março de 2010 Matéria CSLL Recorrente COOPERATIVA DE ELETRIFICAÇÃO RURAL DE ITAI PARANAPANEMA AVARÉ LTDA Recorrida 5ª' TURMA DE JULGAMENTO DA DAI EM RIBEIRÃO PRETO SP Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Exercício. 2001 e 2002 CSLL SOCIEDADES COOPERATIVAS BASE DE CÁLCULO As sobras obtidas pelas Sociedades Cooperativas com seus associados não se configuram como lucro, não subsumindo, portanto, a incidência da contribuição social. Exegese do art. 3o., da Lei n. 5.764/71 e arts. 1 o. e 2o. da Lei n. 7.689/88. MULTA ISOLADA Resta descabida a aplicação da multa isolada eis que restabelecida a legitimidade da exclusão dos valores referentes a atos cooperativos, legitima a compensação do saldo negativo apurado com a CSLL devida por estimativa. Recurso Voluntário Provido. Portanto, a alteração procedida pelo Fisco não surtiu qualquer efeito jurídico, sobre o saldo negativo de CSLL que a contribuinte tem direito. Diante do exposto, voto para dar provimento ao Recurso Voluntário. (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal – Relator. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 14/06/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10980.009833/00-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 14/11/2000 a 07/08/2002
COMPENSAÇÃO. EMPRESA COLIGADAS. CRÉDITOS DE TERCEIROS.
Pessoas jurídicas coligadas têm personalidades jurídicas distintas e caracterizam-se, individualmente, como sujeitos passivos autônomos das obrigações tributárias.
Recurso Voluntário Negado
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 3302-002.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Walber José da Silva - Presidente
(Assinado digitalmente)
José Antonio Francisco - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 14/11/2000 a 07/08/2002 COMPENSAÇÃO. EMPRESA COLIGADAS. CRÉDITOS DE TERCEIROS. Pessoas jurídicas coligadas têm personalidades jurídicas distintas e caracterizam-se, individualmente, como sujeitos passivos autônomos das obrigações tributárias. Recurso Voluntário Negado Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva - Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 14/11/2000 a 07/08/2002 PRESCRIÇÃO. APLICAÇÃO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. A prescrição do direito da parte pode ser observada de ofício pela autoridade julgadora. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 14/11/2000 a 07/08/2002 COMPENSAÇÃO. EMPRESA COLIGADAS. CRÉDITOS DE TERCEIROS. Pessoas jurídicas coligadas têm personalidades jurídicas distintas e caracterizamse, individualmente, como sujeitos passivos autônomos das obrigações tributárias. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 98 33 /0 0- 40 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 258 a 270) apresentado em 12 de janeiro de 2012 contra o Acórdão no 1435.770, de 08 de novembro de 2011, da 8ª Turma da DRJ/RPO (fls. 233 a 240), cientificado em 15 de dezembro de 2011, que, relativamente a pedido de compensação de IPI dos períodos de novembro de 2000 a agosto de 2002, considerou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 14/11/2000 a 07/08/2002 Ementa: RECLAMAÇÕES E RECURSOS. EFEITO SUSPENSIVO. As reclamações e recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário. IPI. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE COLIGADA. CRÉDITO DE TERCEIRO. O crédito de empresa coligada ao sujeito passivo é considerado crédito de terceiro e não pode ser considerado de titularidade do próprio sujeito passivo. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIRO. IMPOSSIBILIDADE. As compensações de débitos do sujeito passivo com crédito de terceiro, declaradas a partir de 10 de abril de 2000, esbarram em inequívoca disposição normativa, impeditiva de compensações da espécie. Manifestação de Inconformidade Improcedente O pedido foi apresentado em 01 de dezembro de 2000 e apreciado inicialmente pelo despacho de fls. 190 a 192, de 08 de julho de 2005. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório resultante da apreciação dos Pedidos de Compensação de Crédito com Débitos de Terceiros apresentados pela beneficiária da compensação (fls 003, Fl. 292DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.009833/0040 Acórdão n.º 3302002.075 S3C3T2 Fl. 291 3 007/032, 034/042, 067, 071/086, 111/124, 139/174, 177/179), protocolados entre 14/11/2000 e 07/08/2002, por meio dos quais a contribuinte pretende compensar crédito de terceiro no valor total de R$ 1.034.659,35, em débitos do estabelecimento. Conforme informado pela contribuinte, o crédito a ser compensado tem sua origem no processo nº 10980.005959/00 38, no qual teriam sido reconhecidos os créditos de titularidade da empresa Iguaçu Celulose Papel S/A, CNPJ 81.304.727/0001 64. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba PR, que, em 08/07/2005, emitiu Despacho Decisório (fls. 190/192), no qual a autoridade competente não conheceu das compensações dos débitos de códigos 2100 e 2607, por não se tratar de débitos administrados pela SRF, e não homologou as demais compensações pleiteadas entre 14/11/2000 e 07/08/2002 por inexistir amparo legal para a compensação de débitos próprios com créditos de terceiros, bem como por terem sido efetuadas antes do trânsito em julgado de sentença judicial. Cientificada do Despacho Decisório, em 13/07/2005 (fl. 194), a contribuinte ingressou, em 09/08/2005, com a manifestação de inconformidade de fls. 196/203 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. Esclarece que não é terceira, mas sim com direitos iguais à detentora dos créditos, a empresa Iguaçu Celulose Papel S/A, por ser coligada pelo capital social com aquela, o que a torna indubitavelmente solidária, nos direitos e nas obrigações, afirmando que as pessoas jurídicas se tornam unas pela união de capital. Anexa documentos comprobatórios da coligação entre as empresas por meio das ações de sua controladora. 2. Insiste em que a manifestante é legítima credora da Receita Federal, sendo seus créditos líquidos e certos, pois amparados pelo art. 15 da IN nº 21/1997, com alterações da IN nº 73/1997, por se tratarem de créditos do período de 11/1988 a 12/1991, período no qual a referida norma estaria em vigor. Reforça a legitimidade dos créditos rechaçando o trânsito em julgado administrativo do indeferimento no processo nº 10980.005959/0036, por existir recurso voluntário pendente de julgamento no Segundo Conselho de Contribuintes. 3. Clama pela eficácia e manutenção dos efeitos das compensações pleiteadas, no sentido de não inscrever em dívida ativa os débitos correspondentes, até que ocorra o trânsito em julgado administrativo do processo nº 10980.005959/0036, ou ainda o trânsito em julgado da sentença judicial. 4. Alega duplicidade em relação à cobrança do ITR nos processos originais com a cobrança correspondente ao presente processo. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 5. Reclama ter havido violação do disposto no art. 74 da Lei 9.430/96, por não ter sido comunicado em 30 dias do indeferimento, ocorrido em 04/04/2002, no processo 10980.005959/0036, comunicação que foi feita somente com o despacho no presente processo, após terem se passado 3 anos, implicando em nulidade do presente processo. Conclui requerendo seja acatada e dado provimento à manifestação de inconformidade para o cancelamento do Despacho Decisório. Posteriormente, em 09/08/2011, a contribuinte apresentou requerimento na unidade da PGFN em Curitiba referente à consolidação do parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009, no qual alega a prescrição qüinqüenal dos débitos objeto do presente processo e pede a sua exclusão da consolidação efetuada para fins daquele parcelamento. Faz referência à Súmula Vinculante nº 8 do STF. Cópia do referido requerimento foi anexada aos autos, a fim de provocar a manifestação da autoridade competente acerca da prescrição alegada. No recurso, a Interessada alegou, inicialmente, que “não se pode recepcionar tais créditos como sendo de terceiros, haja vista, que mesmo pertencendo ao mesmo grupo econômico, as pessoas jurídicas se interligam entre si pelo capital social, tornandoas uma.” Preliminarmente, argumentou sobre a prescrição intercorrente, alegando o seguinte: No caso vertente ficou clarividente a inércia da Administração na prática de atos essenciais ao regular andamento do processo. A desídia da Administração não praticando tais atos, dentro do prazo estabelecido, gera insegurança para com os administrados, o que não se admite nem nenhuma hipótese num estado democrático de direito, bem como representa manifesta ofensa a princípios administrativos, ou seja, da legalidade, da ampla defesa, da eficiência administrativa, da segurança jurídica, da razoável duração do processo, do devido processo legal, da oficialidade e do direito de petição. Assim, a aplicação da prescrição intercorrente deverá ser instrumento hábil e eficaz para o controle da atividade administrativa, a qual, diante de um comportamento desidioso, poderá e deverá ser penalizada com a perda do crédito tributário, servindo, portanto como instrumento de controle para a eficiência do serviço público. No mérito, repetiu as alegações da manifestação de inconformidade, quanto às empresas coligadas pelo capital social. Acrescentou que a DRJ teria efetuado um julgamento “extra petita”, ao trazer nova argumentação para indeferir seu direito (prescrição do pedido). Fl. 294DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10980.009833/0040 Acórdão n.º 3302002.075 S3C3T2 Fl. 292 5 A seguir, abordou a cobrança do ITR, imposto cujos débitos foram objeto da compensação, afirmando ter ficado “evidenciada a cobrança em dobro do ITR, cujo procedimento é ilegal e injusto.” É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Em que pese os argumentos trazidos pela Interessada, descabelhe razão. Primeiramente, não há que se falar em prescrição intercorrente, figura processual que não se aplica ao processo administrativo, conforme Súmula Carf n. 11 (Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009): Súmula CARF no 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Ademais, não se aplica ao caso igualmente a questão do julgamento “extra petita”, uma vez que não se trata de julgamento de pedido efetuado por uma das partes. Tratarseia, na realidade, de inovação, assim considerada a apresentação de um novo argumento oposto ao direito da Interessada pela DRJ não inicialmente apresentado pela DRF. Entretanto, tal restrição não se aplica à prescrição, conforme art. 193 do novo CC (Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002). Art. 193. A prescrição pode ser alegada em qualquer grau de jurisdição, pela parte a quem aproveita. Embora se trate de legislação civil, tal dispositivo encerra um princípio geral sobre prescrição e, assim, pode ser aplicado ao caso do direito tributário processual administrativo. Notese que o art. 194 do referido Código, que vedava ao Juiz suprir de ofício a prescrição não alegada pela parte a quem aproveitaria, foi revogado pela Lei n. 11.280, de 2006. Ademais, ainda que assim não fosse, esse não é o ponto central do litígio, que é a titularidade dos créditos. No caso dos autos, a empresa coligada é outro sujeito passivo, uma vez que as personalidades jurídicas das empresas, ainda que coligadas, são distintas. Tratase de fato jurídico notório e amplamente aceito. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 A Interessada não citou, além disso, disposição alguma que permitiria ir contra tal princípio, ficando apenas em assertivas sem suporte legal. Quanto à eventual cobrança em duplicidade, não se trata de matéria de competência do Carf, que se restringe ao que foi decidido pela DRF e pela DRJ. Entretanto, devese notar que a DRJ esclareceu corretamente que as petições e recursos apresentadas no âmbito do processo administrativo fiscal suspendem a exigibilidade do crédito tributário envolvido na discussão. À vista do exposto e adotando os demais fundamentos do acórdão de primeira instância, nos termos do art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784, de 1999, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 296DF CARF MF Impresso em 17/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 14/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 35366.001803/2006-11
Turma: Quinta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2006
Ementa: OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CNAE. SAT. INCRA. SEBRAE. TERCEIROS. JUROS. MULTA. CONSTITUCIONALIDADE.A Classificação Nacional de Atividade Econômica (CNAE) é utilizada para obter a alíquota aplicável para a contribuição ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho.Há determinação legal para a exigência de contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, do INCRA, do SEBRAE, dos juros e da multa presentes no lançamento.Há previsão legal para a competência de arrecadar, fiscalizar e cobrar as contribuições para Terceiros.
O Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 205-00268
Nome do relator: Marcelo Oliveira
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2006 Ementa: OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CNAE. SAT. INCRA. SEBRAE. TERCEIROS. JUROS. MULTA. CONSTITUCIONALIDADE.A Classificação Nacional de Atividade Econômica (CNAE) é utilizada para obter a alíquota aplicável para a contribuição ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho.Há determinação legal para a exigência de contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, do INCRA, do SEBRAE, dos juros e da multa presentes no lançamento.Há previsão legal para a competência de arrecadar, fiscalizar e cobrar as contribuições para Terceiros. O Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Recurso Voluntário negado
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' OD- 06 042Brasília. •CCO2/CO5 Isis Sousa Moura • matr. 4295 Fls. 113 MINISTÉRIO DA FAZENDA cal : 3,4 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo u° 35366.001803/2006-11 Recurso e 142.215 Voluntário crohontes Matéria diferenças de contribuições , do consoo 60 1", ez. tg.$030 o no 0" _OS,- Acórdão n" 205-00.268 de Ruhrica Sessão de 12 de fevereiro de 2008 Recorrente CALÇADOS ANTRAK LTDA Recorrida DELEGACIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA SÃO PAULO CENTRO/SP Assunto: Coritittições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2006 Er. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CNAE SAT. INCRA. SEBRAE TERCEIROS. JUROS. MULTA CONSMUCIONAIIDADE A Classificação Nacional de Atividade Econânica (CNAE) é utilizada para obter a aliquota aplicável para a contribui "çáo financilmeribp dos beneficios concedidos em razão do grau de ácidência de incapacidade laborativadecomte dos riscos ambientais do trabalho. Há deteiminaçki legd. para a exigência de contribuição para o financiamento dos beneficiosconcedidos em razão' do grau de ineidérria de ir£apacidadelaborativa decontnte dos riscos ambientais do trabalho, do NCRA, do SEBRAE, dos juros e damulta presentes no lançamento. Há previsão legd para a competência de arrecadar, fiscalizar e cobrar as coninbuiçães para Terceiros. O Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tnbutícia. Recurso Voluntário newdo • • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • , . . • CC/MF - Quinta Gamara CONFERE COM O ORIGINAL • Processo n.° 35366.001803/2006-11 Brasilia (A, / 0 CCO2/CO5 • _ Acórdão n.°-205-00.268- - !sia Sousa Moura 4k Fls. 114 Matr. 4295 ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES,Por unanimidade de votos: I) rejeitou-se as preliminares suscitadas e, no mérito, II) negou-se pro • ento ao recurso. JULj\ig ' VIE ES Preside e • /id ' C O OLIVEIRA elator • • • • . Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros, Marco André • . v s Vieira • Damião Cordeiro De Moraes, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato , Lacroix • Thomasi,e Misael Lima Barreto. • Processo n.° 35366.001803/2006-H 2° CC/MF - Quinta Câmara -- CONFERE COM O ORIGINAL CCO2/CO5• _Acórdão n.° 205-00268 C / Fls. 115• BrasIlia, • Isis Sousa Moura Mak. 4295 • Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária, São Paulo . Centro /SP (DRP), Decisão-Notificação (DN) 21.401.4/0461/2006, fls. 069 a 077, que julgou procedente o lançamento, efetuado pela Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) 37.011.725-5, por descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fl. 033, a NFLD refere-se a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, da complementação ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT), bem como as destinadas a Terceiros. O RF informa que, em fiscalização seletiva, com base nas divergências apontadas no batimento GF1P versus GPS, bem como nas folhas de pagamento do 13° salário, foram apurados o presente débito. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos, detalhados e claros no RF e nos demais anexos da NFLD. Contra a autuação, a recorrente apresentou impugnação, fls. 042 a 058, acompanhada de anexos. A DRP analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento, fls. 069 a 077. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 081 a097. No recurso, a recorrente alega, em síntese, que: 1. Não concorda com o código CNAE estabelecido pela fiscalização; 2. Há códigos diferentes na Secretaria da Receita Federal (CNPJ); 3. Pelo provado, o Fisco deve promover os atos necessários ao saneamento da irregularidade; 4. Postula-se a correta identificação do código CNAE; 5. A contribuição ao SAT é ilegítima; 6. O Regulamento não pode invadir matéria reservada à Lei, afrontando o Principio da Legalidade; 7. Pleiteia-se, assim, a completa exclusão da tributação sobre AT;• 8. • A cobrança da contribuição ao INCRA é ilegítima; 9. Não devem ser exigidas, da empresas urbanas, a contribuiç ao INCRA; , • 2° CC/IVIF - Quinta Câmara CONFERE COM O ORIGINAL •Processo n.° 35366.001803/2006-11O n_ e CCO2/CO5 Acórdlo n.° 205-00.268 - - Brasilia, / Fls. 116 isis Sousa Moura • Matr. 4295 4 10. Portanto, pela falta de disposição legal, há que se reconhecer a absoluta inexistência de contribuição ao INCRA; 11. A cobrança ao SEBRAE é ilegítima; 12. A recorrente não mantém convênio com o SEBRAE, assim não há que se falar em exigência de contribuição ao SEBRAE; 13. É ilegítima a cobrança de contribuições devidas aos chamados Terceiros; 14. Não há atribuição legal para arrecadar e fiscalizar as contribuições • endereçadas aos Terceiros, presentes nesta NFLD; 15. A lei 8.212/1991 não atende as exigências constitucionais para que se proceda a essa cobrança, pois não é Lei Complementar; 16. Assim, se há débitos, os credores legítimos é quem devem efetuar a cobrança; • 17. Com efeito, faze-se necessária a retificação desses valores; • 18. A aplicação da Taxa SELIC é inconstitucional; 19. Os juros deveriam se os presentes no Art. 192 da Constituição Federal (CF/88); 20. Aplica-se taxa de juros totalmente abusiva; 21. Desta feita, impõe-se a exclusão da Taxa SELIC; 22. A multa aplicada não deve prosperar, pois não houve sonegação, fraude, aproveitamento econômico de qualquer natureza, etc.; 23. Para a legítima imposição da multa, há que se comprovar a má-fé; 24. Com efeito, há que se aplicar o adequado percentual de multa; 25. O julgador administrativo não pode escusar-se de analisar matéria quanto a sua constitucionalidade; 26. Portanto, solicita: a) cancelamento da DN; b) o ' reconhecimento da improcedência da NFLD; c) postula sua intimação para defesa oral. Posteriormente, a DRP elaborou contra-razões, mantendo, em síntese, o lançamento, e enviou o processo ao Conselho de Recursos da Previdência Soe (CRPS), fl. 0110 e 0111. • E o Relatório. - • • • , , ' • Processo n." 35366.001803/2006-11 Qui • ___ C of;NCFCEV: C- O M 80ta0CF211= CCO2/CO5 4 AcérdAa n.205-00.268 — Fls. 117Brasília, n/ O / o 58. • lsis Sousa Moura 4IS • Matr. 4296 Voto Conselheiro MARCELO OLIVEIRA, Relator Da Admissibilidade O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, razões pelas quais dele se deve tornar conhecimento. Do Mérito Primeiramente, cabe salientar ao recorrente que nosso ordenamento pátrio fundamenta-se no Estado Democrático de Direito, onde regras — constantes na Constituição Federal (CF/88), nas Leis, em Decretos, etc. - devem ser seguidas por todos, enquanto vigorarem. É essa a afirmação contida em nossa Constituição Federal (CF/88). Após esse esclarecimento, a primeira preliminar instada pela recorrente refere-se a utilização de Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE). A recorrente afirma • que o CNAE utilizado em seu cadastro (CNPJ) está correto, 5232-9-00 (Comércio varejista de artigos do vestuário e complementos), e que não concorda com o código CNAE estabelecido pela fiscalização, 5233-7 (Comércio varejista de calçados, artigos de couro e viagem). Saliente-se que os dois códigos possuem o mesmo grau de risco (001, risco leve) e que a alíquota de SAT não irá ser modificada pela aplicação de um ou de outro código. O código CNAE é utilizado pela fiscalização previdenciária para a averiguação do grau de risco, - a fim de aplicar a alíquota SAT correspondente. Feito esse esclarecimento, cabe averiguar se o código utilizado pela fiscalização é o correto. Pela simples leitura do contrato social da recorrente, fl. 063, fica claro que o código utilizado pela fiscalização é o mais correto, pois há previsão no contrato social, como ressalta o nome da recorrente, da comercialização de calçados. Assim, a aplicação do código CNAE foi feita -de maneira correta pela • fiscalização. ' Quanto à ilegitimidade da contribuição patronal prevista no art. 22, II, da Lei 8.212/91, destinada ao Seguro de Acidente de Trabalho (SAT/RAT), temos que - seguindo os princípios constitucionais tributários e nos moldes do art. 97 do Código Tributário Nacional • (CTN) - a Lei 8.212/91 tratou da instituição da referida contribuição para o financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laboratiya, decorrente dos riscos ambientais do trabalho • (SAT/RAT); definindo o seu fato gerador, fixando a base de cálculo e as alíq aplicáveis, restando ao decreto apenas a regulamentação da aludida contribuição, o q p r sua vez, • estabelece os graus de risco conforme a atividade precípua da empresa. O débito relativo ao SAT e aqui notificado refere-se à alíquota de , \V , constante da disposição legal contida no artigo 22, inciso II, letra "a" da Lei n.° 8.212/91. • ' . • , . " • . , • , ='; • • ' 2° CC/MF - Quinta Câmara • CONFERE COM O ORIGINAL Brasília, °a/ bçj o Processo n.° 35366.001803/2006 - 11 !sia Sousa Moura eC )2/CO54 — — —Acórdão n.° 205-00.268-- Matr. 4295 Fls 118 Fazemos referência à doutrina para reforçar que não houve ofensa aos princípios constitucionais ao ser delimitado por decreto os respectivos graus de risco das empresas, conforme ensinam MARCUS ORIONE GONÇALVES CORREIA e ÉRICA PAULA BARCHA CORREIA: "Incidindo a contribuição para a cobertura acidentá ria sobre o salário, perfeitamente legal a sua imposição mediante simples lei ordinária - art. 22, II, da Lei n. 8.212, de 1991, já que não estamos • diante de fonte de custeio inédita. Por outro lado, ao tratar desigualmente situações desiguais, a gradação dos percentuais de contribuição, de acordo com o grau de risco da empresa, em verdade coaduna-se com o princípio da igualdade - em vez de contra ele conspirar. Estamos diante da velha noção de justiça propagada por Aristóteles e incorporada aos • ordenamentos modernos (inclusive o nosso): somente há justiça onde os desiguais são tratados de forma desigual. Por fim, há autorizativo da própria lei - art. 22, 5 3 0, da Lei n. 8.212, de 1991 - para que os decretos indiquem as atividades submetidas aos diversos níveis de risco. Destarte, nada há que conspire, ainda aqui, contra o princípio da legalidade. Logo, nada mais normal (sob o viés jurídico) que empresas, cujo risco de acidente do trabalho é menor, contribuam de forma menos signcativa para a manutenção do sistema de atendimento aos que se acidentam no exercício de seu labor. E, por outro lado, que empresas, • cujo risco de acidente em seu ambiente é maior, contribuam com mais. • Inexiste, sob as óticas anteriores, qualquer pecha de inconstitucionalidade no dispositivo em comento". (Curso de Direito da Seguridade Social, 2001, Editora Saraiva, págs. 142/143) O decreto apenas expressa os graus de risco e o que seja atividade preponderante, enquanto a fixação de todos os elementos da obrigação tributária se encontra na lei. Inclusive o Supremo Tribunal Federal (STF) já se manifestou a respeito do SAT, aduzindo, inclusive, a desnecessidade de Lei Complementar para instituição da sobredita contribuição, bem como que não há ofensa aos art. 195, § 4°, c/c art. 154, I, da Constituição Federal, consoante a ementa a seguir transcrita: "CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO- SAT. Lei 7.787/89, arts. 3 0 e 40; Lei 8.212/91, art. 22, 11, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/9, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4"; art. 154,J, art. 5", ; a 150, I. • • L - Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAI': Lei 7.787/89, art. 3°, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no • sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4°, c/c art. •154, I, Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, L Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição - para o SAT. , - ; • 2° CC/MF - Quinta Câmara CONFERE COM O ORIGINALProcesso n.° 35366.001803/2006-11• CCOVCO5 Acórdão• n.°_205-00.268 Brasília, 05 a"/ ç / 0 1> Fls. 119 Ws Sousa Moura .0 Matr. 4295 - O art. 3°, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao principio da igualdade, por isso que o art. 4° da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. HL - As Leis 7.787/89, art. 3°, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementaçã o dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5°, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. - Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. - Recurso extraordinário não conhecido". • • (RE 343.446-2/SC, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ de 04/04/2003) Assim, a contribuição ao SAT/RAT está de acordo com a legislação vigente, sendo perfeitamente exigível. Apreciada a regularidade da exigência do SAT, passa-se ao exame da • contribuição devida ao INCRA. A contribuição para o INCRA foi instituída pela Lei n° 2.613/55, que estabelecia, em seu art. 6°, §4°, a contribuição obrigatória para o então Serviço Social Rural, por parte de todos os empregadores. O Decreto-Lei n° 1.110, de 09/07/1970 criou o Instituto Nacional de Reforma • Agrária — INCRA, lhe transferindo todos os direitos, competências, atribuições e responsabilidades do EBRA, do INDA e do Grupo de Reforma Agrária (GERA). Posteriormente, o Decreto-Lei n° 1.146/70 destinou ao INCRA cinqüenta por cento dos tributos do §4°, do artigo 6°, da Lei n°2.613/55: Art. 1° As contribuições criadas pela Lei n° 2.613, de 23 de Setembro 1955, mantidas nos termos deste Decreto-Lei, são devidas de acordo com o artigo 6° do Decreto-Lei n°582, de 15 de maio de 1969, e com o artigo 2° do Decreto-Lei n°1.110, de 9 julho de 1970: I - Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA: • I - as contribuições de que tratam os artigos 2° e 5° deste Decreto-Le• 2 - 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição que trata o art. 3° deste Decreto-lei. (. • • Art. 3° É mantido o adicional de 0,4% (quatro décimos por cento) contribuição previdenciária das empresas, instituído no § 4° do artig 6° da Lei n° 2.613, de 23 de Setembro de 1955, com a modificação do •.t. , , . . st s — e CC/IViF - 'Mulata Camara • Brasíla, REs_CO/Nlys_ ORI:31áNAL. i Processo n.° 35366.001803/2006- 11 c2oNFE ,r CCO2/CO5 Acórdão n.°-205-0O.268 Isis Sousa Moura Matr. 4296 F1s. 120- artigo 35, § 2 0, item VIII, da Lei número 4.863, de 29 de novembro de 1965." Os tributos em tela foram instituídos por instrumentos legais competentes. Lei ordinária é o meio idôneo para se instituir tributos -e, nos termos do artigo 55, II, da Constituição de 1967, com a redação da Emenda Constitucional de 1969, o Decreto-Lei • poderia dispor sobre matéria tributária. Assim, não há que se falar em falta de dispositivo legal autorizador dessa exigência. Em relação se a contribuição ao INCRA é exigível das empresas urbanas, esclarecemos que esta contribuição não possui qualquer relação com a produção rural, sendo obrigatório seu pagamento para as empresas em geral. Nesse sentido, decidiu, recentemente, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial n° 603.267 PE (2003/0197138-2) cuja ementa transcreve-se abaixo: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E PARA O INCRA (LEI 2.613/55). EMPRESA URBANA. EXIGIBILIDADE. ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STF. PRECEDENTES DO STJ. 1. O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento no sentido de que não existe óbice a que sejam cobradas de empresa urbana as contribuições destinadas ao INCRA e ao FUNRURAL. 2. Recurso especial provido. (grifo nosso). Assim, há a determinação legal para a exigência da contribuição às empresas urbanas. Quanto à legitimidade da contribuição ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), esclarecemos que esta contribuição criada pela Lei n° 8.029, de 12/04/90, que autorizou o Poder Executivo a desvincular da Administração Pública Federal o antigo CEBRAE, mediante sua transformação em serviço social autônomo, consoante disposto no artigo 8°: Art. 8° É o Poder Executivo autorizado a desvincular, da Administração Pública Federal, o Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresa — CEBRAE, mediante sua transformação em serviço social autônomo. § 3° As contribuições relativas às entidades de que trata o artigo 1° do Decreto-Lei n° 2.318, de 30 de dezembro de 1986, poderão ser majoradas em até 0,3% (três décimos por cento), com vistas a financiar a execução da política de Apoio às Microempresas e às Pequenas Empresas. § 4 0 0 adicional da contribuição a que se refere o parágrafo ante • • - será arrecadado e repassado mensalmente pelo órgão competente Previdência e Assistência Social ao CEBRAE. O artigo 1° do Decreto-Lei n° 2.318/86 dispõe sobre a cobran.:, fiscalização, arrecadação e repasse às entidades das contribuições para o SENAI, SENAC, S e SESC. - • 2° CC/NIF - Quinta Câmara CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.° 35366.001803/2006-11 Brasília, $311- / O / 0 57) CCO2/CO5 Acórdão n.° 205-00.268 Fl 121—leis Sousa Moura---44- s. _ _ — Metr. 4296 O Poder Executivo, fazendo uso da autorização legal, editou o Decreto n° 99.570, de 09/10/90, transformando o CEBRAE no atual SEBRAE, conforme o artigo 1°: Art. 1° Fica desvinculado da Administração Pública Federal o Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresas — CEBRAE e transformado em serviço social autônomo. Parágrafo único. O Centro Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresas — CEBRAE, passa a denominar-se Serviço Brasileiro de Apoio às Microempresas — SEBRAE. Do mesmo modo que a Lei n° 8.029/90, o Decreto n° 99.570/90 manteve a autorização para o INSS arrecadar o adicional da contribuição, com o repasse ao SEBRAE, nos termos do artigo 6°, que assim dispõe: Art. 6° O adicional de que trata o parágrafo 3° do art. 8° da Lei n° 8.029, de 12 de abril de 1990, será arrecadado pelo Instituto Nacional da Seguridade Social — INSS e repassado ao SEBRAE no prazo de trinta dias após a sua arrecadação. Já em 28/12/1990, foi editada a Lei n° 8.154, que em seu artigo 8°, definiu os percentuais devidos a título do adicional da contribuição, da seguinte forma: Art. 8° (.) sf 3° Para atender à execução da política de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, é instituído adicional às alíquotas das contribuições sociais relativas às entidades de que trata o artigo I ° do Decreto Lei n°2.318, de 30 de dezembro de 1986, de: a. 0,1% (um décimo por cento) no exercício de 1991; b. 0,2% (dois décimos por cento) em 1992; e c. 0,3% (três décimos por cento) a partir de 1993. Desta forma, podemos perceber que a questionada contribuição destinada ao custeio do Serviço de Apoio às Microempresas e às Pequenas Empresas, foi criada como uma .majoração das contribuições devidas ao SESI/SENAI, SESC/SENAC e, posteriormente, ao SEST/SENAT, criado após o acima mencionado decreto-lei, por meio da Lei n° 8.706, de 14/09/1993. Desta forma, todas as pessoas jurídicas " obrigadas ao recolhimento da contribuição devida às referidas entidades, por força dos dispositivos legais retro transcritos, passaram a ser obrigadas ao recolhimento do adicional devido ao SEBRAE. Apenas para ilustrar, em relação à cobrança das contribuiçõ d stinadas ao - SEBRAE, segue ementa do entendimento firmado pelo TRF da 4 1` RegiãO: Tributário — Contribuição ao Sebrae — Exigibilidade. I. O adicion destinado ao Sebrae (Lei n° 8.029/90, na redação dada pela Lei n. : 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas n Decreto-Lei n° 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, sé ;`' ^- - 2° CC/MF - Quanta Câmara Processo n.° 35366.001803/2006-11 CONFERE COM O ORIGINAL CCO2/CO5 O o'<6Acórdão n.° 205-00.268 Brasília, / / Fls. 122 Isis Sousa Moura Matr. 4295 portanto, sua instituição por lei complementar. 2. Prevê a Magna Carta tratamento mais favorável às micro e pequenas empresas para que seja promovido o progresso nacional. Para tanto submete à exação pessoas jurídicas que não tenham relação direta com o incentivo. 3. Precedente dal' Seção desta Corte (ELAC n 2000.04.01.106990-9). ACÓRDÃO: Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4' Região, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 17 de junho de 2003. (TRF 4" R — T — Ac. n° 2001.70.07.002018-3 — Rel. Dirceu de Almeida Soares — DJ 9.7.2003 — p. 274) Na mesma linha é o pensamento do STJ, conforme ementa do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Agravo de Instrumento de n c' 840946 / RS, publicado no Diário da Justiça em 29 de agosto de 2007: TRIBUTÁRIO — CONTRIBUIÇÕES AO SESC, AO SEBRAE E AO SENAC RECOLHIDAS PELAS PRESTADORAS DE SERVIÇO — PRECEDENTES. I. A jurisprudência renovada e dominante da Primeira Seção e da Primeira e da Segunda Turma desta Corte se pacificou no sentido de reconhecer a legitimidade da cobrança das contribuições sociais do SESC e SENAC para as empresas prestadoras de serviços. 2. Esta Corte tem entendido também que, sendo a contribuição ao SEBRAE mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, devem recolher aquela contribuição todas as empresas que são contribuintes destas. 3.Agravo regimental improvido. Desse modo, não procede o argumento da recorrente de que as contribuições destinadas ao SEBRAE somente podem ser exigidas de microempresas e de empresas de • pequeno porte. • Assim, não possui razão a alegação da recorrente sobre a ilegitimidade da cobrança da contribuição ao SEBRAE. A recorrente afirma, também, que é ilegítima a cobrança de contribuições devidas aos chamados Terceiros, por não haver atribuição legal para arrecadar e fiscalizar as contribuições endereçadas aos Terceiros, presentes nesta NFLD. Para tanto, a recorrente afirma que a lei 8212/1991 não atende as exigências constitucionais para que se proceda a essa cobrança, pois a mesma não é Lei Complementar. • Esclarecemos a recorrente que as contribuições para Terceiros o Mribuições parafiscais, destinadas a Entidades e Fundos, para os quais, por força de 'o, ,1NSS, agora a Secretaria da Receita Federal do Brasil, se incumbe de arre, . - repassar, devidamente autorizado pela Legislação. Lei n° 8.212/91: '"" 2° CC/MF - Caulina Cárnara CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.° 35366.001803/2006-11 rasia, 6 CCO2/CO5(-)cro n. ; Aódã° 205-00.628 B íl / Fls. 123 lsis Sousa Moura Matr. 4295 Art. 94. s 0 Instituto Nacional do Seguro Social-INSS poderá arrecadar e fiscalizar, mediante remuneração de 3,5% do montante arrecadado, contribuição por lei devida a terceiros, desde que provenha de empresa, segurado, aposentado ou pensionista a ele vinculado, aplicando-se a essa contribuição, no que couber, o disposto nesta Lei. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se, exclusivamente, às contribuições que tenham a mesma base utilizada para o cálculo das contribuições incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados, ficando sujeitas aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios, inclusive no que se refere à cobrança judicial." Portanto, verificamos que há a previsão legal para a arrecadação e fiscalização das contribuições aos Terceiros. Quanto à inconstitucionalidade nessa arrecadação, afirmamos que não possuímos competência para tanto. Nesse sentido, o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou - na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 - a Súmula 2, que dita: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Assim, a fiscalização seguiu o que foi determinado pela Legislação. Quanto ao questionamento sobre a ilegitimidade na cobrança dos juros e da multa, esclarecemos que a Legislação é quem determina essa cobrança. Lei 8.212/1991: Art. 34. As contribuições Sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia-SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. • Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: • I - para pagamento, após ' á vencimento de obrigação não incluída notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; . 1 . 'á: ' ' 2° CC/MF - Quhrtta Câmara CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.° 35366.001803/2006-11Q 5 0Brasliia, "/ CCO2/CO5 c 12 Acórdão n.° 205-00.268 F1s-124 Ists Sousa Moura Matr. 4295 b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II - para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III - para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; • b) setenta por cento, se houve parcelamento; c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; • d) cem por cento, após o eijuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de ; parcelamento. § 1° Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2° Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3 0 O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1° deste artigo. § 4° Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de •• apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. • Outro ponto a ressaltar é que o Segundo Conselho, do s lho de . Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou - na Sessão Plenária de 18 de bro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 - a Súmula 3, que dita: , 44,+52'. •• • .44. 2° CCiMF - Quinta Câmara CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.° 35366.001803/2006-11O . CCO2/CO5 Acórdão n.° 205-00168 Brasília OP-- ° 6" , 5 Fls. 125 IsIs Sousa Moura Matr. 4295 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia — Selic para títulos federais. Assim, não há que se falar em comprovação de má-fé ou improcedência na exigência dos juros e multas presentes no lançamento. Por fim, ressaltamos que a decisão encontra-se revestida das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. Portanto, voto por CONHECER do recurso, para NEGAR provimento. Sala das Se -os 12 de evereiro de 2008 / • LO OLIVEIRA 7Relator „ , . Page 1 _0051800.PDF Page 1 _0051900.PDF Page 1 _0052000.PDF Page 1 _0052100.PDF Page 1 _0052200.PDF Page 1 _0052300.PDF Page 1 _0052400.PDF Page 1 _0052500.PDF Page 1 _0052600.PDF Page 1 _0052700.PDF Page 1 _0052800.PDF Page 1 _0052900.PDF Page 1
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Numero do processo: 10820.000985/2007-58
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/1999 a 30/09/2003
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733).
O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.223
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1999 a 30/09/2003 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62-A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Recurso especial provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2412; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10820.000985/200758 Recurso nº 259.750 Especial do Contribuinte Acórdão nº 920202.223 – 2ª Turma Sessão de 28 de junho de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente UNIMED DE BIRIGUI COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1999 a 30/09/2003 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 05/07/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Em face de Unimed de Birigui Cooperativa de Trabalho Médico foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de fls. 01/24, objetivando a cobrança de contribuições sociais incidentes sobre valores pagos a cooperados que lhe prestaram serviços no período de 12/1999 a 09/2003. A Segunda Turma da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 240200.235, que se encontra às fls. 320/324 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/1999 a 30/09/2003 DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à Fl. 404DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10820.000985/200758 Acórdão n.º 920202.223 CSRFT2 Fl. 2 3 administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1999 a 30/09/2003 COOPERATIVA EQUIPARAÇÃO A EMPRESA – REMUNERAÇÃO MEMBROS DA DIRETORIA CONTRIBUIÇÃO INCIDÊNCIA A Cooperativa equiparase à empresa para fins de aplicação da Lei n° 8.212/1991 e corno tal está obrigada ao recolhimento da contribuição incidente sobre os valores pagos aos cooperados membros da diretoria. TAXA SELIC MULTA MORATÓRIA APLICAÇÃO Sobre as contribuições não recolhidas em época própria, incide a taxa de juros SELIC e a multa de mora, conforme preceitua a legislação de regência. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/1999 a 30/09/2003 INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” A anotação do resultado do julgamento indica que a turma, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/2000, nos termos do artigo 173, I do CTN. Intimada do acórdão em 07/05/2010 (AR de fls. 343) a Recorrente interpôs recurso especial às fls. 344/357, em que sustenta divergência entre o v. acórdão recorrido e o acórdão n° 10196.815, no tocante à aplicação ao presente caso do disposto no artigo 150, §4º do CTN. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400 406/2010, de 16/11/2010 (fls. 380/382). Intimada sobre a admissão do recurso especial interposto pela Recorrente em 03/12/2010 (fls. 382), a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarazões de fls. 385/392. É o Relatório. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso especial interposto pela Recorrente preenche os pressupostos de admissibilidade, tendo sido feita a devida comprovação da divergência como constatado no r. despacho de admissibilidade de fls. 380/382, razão pela qual dele conheço. A questão a ser enfrentada é o marco inicial para a contagem do prazo de decadência, ou seja, se deve ser aplicado ao caso o §4º do art. 150 do CTN para verificação da ocorrência da decadência ou o disposto no art. 173, inciso I, do CTN, o que em termos práticos postergaria o início do prazo decadencial para o primeiro dia do exercício seguinte. Em diversas oportunidades já manifestei o entendimento segundo o qual, para os tributos sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em regra, o do art.150, §4º do CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento seria de cinco anos a contar do fato gerador, independentemente da existëncia de pagamento antecipado. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, a partir de alteração promovida pela Portaria MF n.º 586, de 22 de dezembro de 2010, introduziu no artigo 62A do Anexo II dispositivo que determina, in verbis: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” E o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar em 18/09/2009 o RESP nº 973.733 na sistemática de recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C do CPC, consolidou entendimento diverso no que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, considerando relevante a existência de antecipação do pagamento para a aplicação do art. 150, parágrafo 4º do CTN. O acórdão em questão encontrase assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o Fl. 406DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10820.000985/200758 Acórdão n.º 920202.223 CSRFT2 Fl. 3 5 mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento deve este Colegiado aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou Fl. 407DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo este entendido, segundo a ementa acima, como o primeiro dia seguinte à ocorrência do fato imponível. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. No presente caso, consta do v. acórdão recorrido que não houve a antecipação do tributo, razão pela qual deveria ser aplicada a regra decadencial do artigo 173, inciso I do CTN. Verifico, no entanto, que a ausência de recolhimento só foi demonstrada em relação aos prestadores de serviços e cooperados listados nas planilhas de fls. 40/54. Ou seja, a fiscalização não demonstrou que não houve qualquer recolhimento de contribuições previdenciárias sobre as demais verbas sujeitas à contribuição previdenciária, sendo que a meu ver tratase de fato gerador global, que inclui todas as verbas sujeitas à contribuição. Em casos como o presente, em que a questão relativa à existência ou não de pagamento e sua vinculação ao resultado do julgamento por conta da reprodução do entendimento do STJ em recurso repetitivo surgiu apenas após a apresentação do recurso especial e/ou contrarazões pelo contribuinte, entendo que não se pode exigir que ele contribuinte tivesse obrigação de provar a existência do pagamento antecipado. Ademais, às fls. 35 consta que a fiscalização examinou guias de recolhimentos relativas aos períodos envolvidos, indicando a existência de possíveis pagamentos. Nestas situações e diversamente da posição defendida pela Procuradoria da Fazenda Nacional, tenho me manifestado que o deslocamento da regra de contagem do prazo de decadência do artigo 150, §4º, para o artigo 173, ambos do CTN, requer a ausência de recolhimento de contribuições previdenciárias pelo contribuinte relativamente aos períodos envolvidos nos fatos geradores questionados, devidamente comprovada nos autos pela fiscalização, o que não ocorreu. Com base no referido raciocínio aplicase ao presente caso o disposto no artigo 150, §4º, do CTN, sendo que o início da contagem do prazo de decadência dáse com a ocorrência do fato gerador. Considerando que a autoridade fiscal não comprovou que o contribuinte não efetuou o recolhimento de contribuições previdenciárias relativamente ao período do lançamento e como a ciência da NFLD se deu em 28/05/2007 (fls. 58), devem ser cancelados os créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos até a competência 04/2002. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10820.000985/200758 Acórdão n.º 920202.223 CSRFT2 Fl. 4 7 Destarte, conheço do recurso especial interposto pela Recorrente para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO e reconhecer a decadência dos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos até a competência 04/2002. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 409DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 13771.000953/2010-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. REQUISITOS DA COMPROVAÇÃO.
As deduções com despesas médicas devem ser reconhecidas quando os dados faltantes nos comprovantes anteriormente apresentados são fornecidos e permitem a identificação do profissional e seu endereço, além de indicar o beneficiário do serviço prestado.
Numero da decisão: 2201-002.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer as deduções de despesas médicas nos valores de R$16.233,00 e R$400,00, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARCIO DE LACERDA MARTINS - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Marcio de Lacerda Martins, Rayana Alves de Oliveira França, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Matéria: M
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
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DESPESAS MÉDICAS. REQUISITOS DA COMPROVAÇÃO. As deduções com despesas médicas devem ser reconhecidas quando os dados faltantes nos comprovantes anteriormente apresentados são fornecidos e permitem a identificação do profissional e seu endereço, além de indicar o beneficiário do serviço prestado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer as deduções de despesas médicas nos valores de R$16.233,00 e R$400,00, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (Assinado digitalmente) MARCIO DE LACERDA MARTINS Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Gustavo Lian Haddad, Marcio de Lacerda Martins, Rayana Alves de Oliveira França, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 1. 00 09 53 /2 01 0- 79 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 09/05 /2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MART INS Processo nº 13771.000953/201079 Acórdão n.º 2201002.007 S2C2T1 Fl. 52 2 Relatório A Notificação de Lançamento e demonstrativos do Imposto de Renda da Pessoa Física (fls.4 a 9), referentes ao exercício 2009, foram emitidos para exigir da contribuinte acima identificada o crédito tributário de R$11.948,05; sendo R$6.281,18 de imposto; R$4.710,88 de multa de ofício e R$955,99 de juros de mora (15,22% calculados até 30/12/2010). Da Declaração de ajuste/2009 A contribuinte apresentou declaração de ajuste para o exercício de 2009, fls. 14 a 19, apurando imposto a restituir de R$928,36 com dedução de R$27.238,48 de despesas médicas. Do Lançamento. O lançamento foi motivado por glosas efetuadas em valores não comprovados ou com comprovação insuficiente de despesas médicas que totalizaram R$ 26.216,49; assim distribuídos: 1) UNIMED de Londrina Cooperativa: a contribuinte comprova somente R$ 1.021,99. Glosado o valor deduzido de R$ 9.583,49, por falta de comprovação. O valor glosado inclui mensalidades de outra pessoa sem relação de dependência com a declarante. 2) PRO ASLAN Clínica Médica Ltda: Glosado o valor de R$ 16.233,00 por comprovação insuficiente por falta de identificação da (o) paciente / beneficiária (o). 3) Águeda Maria Wendhausen Barreto: Glosado o valor de R$400,00 por comprovação insuficiente por falta de identificação da (o) paciente / beneficiária e sem a indicar o endereço da profissional. Da Impugnação Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação, fl.2 acompanhada dos documentos de fls. 11 e 12 informando que a despesa médica paga a PRO ASLAN Clínica Médica Ltda foi efetuada pela própria contribuinte assim como para a médica Águeda M. W Barreto cuja clínica se localiza na Avenida Silva Jardim 2121, bairro Rebouças –Curitiba – CEP 80.250200. Da decisão de 1ª instância A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, por meio do Acórdão 0347.541, julgou a impugnação improcedente ao constatar não atendidas as exigências dos arts. 73 e 80 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, em relação à documentação comprobatória. Em relação à Nota Fiscal de fl. 11 constatouse falta da identificação da beneficiária dos serviços no campo “Discriminação dos Serviços” e, quanto ao recibo de fl. 12, faltou a identificação do paciente e o endereço da profissional. Sobre a despesa declarada para a Unimed/Londrina nada foi apresentado. Assim, concluíram pela manutenção do lançamento. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 09/05 /2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MART INS Processo nº 13771.000953/201079 Acórdão n.º 2201002.007 S2C2T1 Fl. 53 3 Do Recurso Voluntário Cientificada do Acórdão 0347.541 em 22/06/2012, a contribuinte apresentou, em 12/07/2012, o Recurso Voluntário de fls. 37 e 38 acompanhado dos documentos de fls. 40 a 46 para requer o restabelecimento das deduções a partir dos seguintes informações e comprovações: Em relação à Nota Fiscal emitida pela Pro Aslan Clínica Médica Ltda, apresenta o recibo de quitação de fl. 42, identificando a recorrente como beneficiária dos serviços e a comunicação de correções sobre a Nota Fiscal nº1258 (fl.45) retificando o histórico da Nota para identificar a beneficiária dos serviços, a cliente e seu CPF etc. Em relação ao recibo da médica Águeda M. W. Barreto apresentou o documento de fl. 43 que ratifica o recebimento do valor de R$400,00 referente a tratamento médico e complementa os dados faltantes no recibo de fl. 12. Da distribuição do processo O processo foi distribuído, por sorteio, para este relator na sessão pública realizada em 23/01/2013 no CARF em Brasília. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio de Lacerda Martins O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. O Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, dispõe acerca das deduções permitidas e da dedução de despesas médicas: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Despesas Médicas Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a”). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades Fl. 53DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 09/05 /2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MART INS Processo nº 13771.000953/201079 Acórdão n.º 2201002.007 S2C2T1 Fl. 54 4 que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (destaques nossos) A contribuinte apresentou esclarecimentos e comprovou o pagamento das despesas médicas realizadas e solicitou ao prestador de serviços a complementação dos dados faltantes no documento anteriormente apresentado. Portanto, devem ser reconhecidas as deduções com despesas médicas quando os dados faltantes nos comprovantes anteriormente apresentados são fornecidos e permitem a identificação do profissional e seu endereço, além de indicar o beneficiário do serviço prestado. Considero comprovadas as despesas de R$ 16.233,00 da Pro Aslan Clínica Médica Ltda e de R$ 400,00 da médica Águeda M. W. Barreto. Mantenho a redução no valor declarado de R$10.605,48 para R$ 1.021,99 valor que foi comprovado para cobertura de atendimento à saúde da recorrente na Unimed de Londrina Cooperativa. Eis os motivos que me levam a dar provimento parcial ao recurso para restabelecer as deduções das despesas médicas de R$ 16.233,00 referente à ProAslan Clínica Médica Ltda e de R$ 400,00 relativo à médica Águeda Maria Wendhausen Barreto. (Assinado digitalmente) Marcio de Lacerda Martins – Relator Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 09/05 /2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MART INS Processo nº 13771.000953/201079 Acórdão n.º 2201002.007 S2C2T1 Fl. 55 5 INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201 002.007. Brasília/DF, 8 de maio de 2013 (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da 1ª TO / 2ª Câmara / 2ª Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: ______/______/_______ _____________________________ Procurador (a) da Fazenda Nacional Fl. 55DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 09/05 /2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 08/05/2013 por MARCIO DE LACERDA MART INS
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Numero do processo: 19311.000541/2010-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SALÁRIOS
INDIRETOS DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º DA LEI 8212/91.
Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias,
para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIROS
A fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91.
SALÁRIO INDIRETO VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO NATUREZA SALARIAL SÚMULA
60 DA AGU.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale-transporte
pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba.
SALÁRIO INDIRETO PRÊMIOS COMISSÕES PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PARCELA
INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES
PREVIDENCIÁRIAS Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa.
A participação em resultados sem os cumprimentos dos dispositivos legais
caracteriza-se como salário indireto pago ao empregado.
As comissões, pagas por meio de cartões nada mais são do que retribuição
por serviço prestado, caracterizando-se verba com nítida feição salarial.
SALÁRIO INDIRETO AJUDA DE CUSTO RELACIONADO A DESLOCAMENTO AO TRABALHO SEM DEMONSTRAÇÃO DA NATUREZA “PARA” O TRABALHO.
O pagamento de deslocamento para alguns empregados de sua residência até
o trabalho não demostra a exclusão da base de cálculo, posto que o
empregado teria que se deslocar de qualquer forma, assim, como os demais
demonstrando um benefício direto não concedido a todos os empregados e
que não se coaduna com a regra “para o trabalho”, capaz de excluir a verba
da base de cálculo.
SALÁRIO INDIRETO FORNECIMENTO DE ALUGUEL PARA DETERMINADOS EMPREGADOS.
Não traz o recorrente qualquer documento que demonstre que os valores dos
alugueis fornecidos teriam relação direta com o trabalho desempenhado, mas, tão somente consiste de benefício direto pago ao empregado, possuindo nítida feição salarial.
SALÁRIO INDIRETO FORNECIMENTO DE EDUCAÇÃO AOS DEPENDENTES DO SEGURADO.
A educação fornecida só estará excluída do conceito de salário de
contribuição, quando fornecida ao próprio empregado e desde que
comprovado a disponibilização a totalidade dos empregados, o que não
logrou êxito o recorrente em demonstrar.
SALÁRIO INDIRETO SAÚDE FORNECIMENTO DE COBERTURA DIFERENCIADA
Se o benefício relacionado a saúde for fornecido de forma diferenciada
favorecendo determinado grupo de trabalhadores em detrimento dos demais,
não há como falar de cumpridos os preceitos legais.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES SALÁRIO
INDIRETO NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO
DOS FATOS GERADORES.
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o
pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no
DAD, bem como no relatório fiscal e seus anexos.
INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE
DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade
de lei tributária.
PROCEDIMENTO FISCAL APRESENTAÇÃO DE TODOS OS TERMOS CIENTIFICANDO O RECORRENTE DA CONTINUIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL
Tendo a autoridade fiscal cumprido todo o rito necessário a constituição do crédito e realização do procedimento não padece o lançamento de qualquer vício.
INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS
A assinatura oposto por empregado do setor de contabilidade, para requisição de documentos não vicia o procedimento, posto que não se trata de documento final de constituição do crédito.
TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA
Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra
importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.468
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade; e II) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial para excluir as contribuições atinentes ao lançamento de vale transporte pago em dinheiro. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Freitas de Souza Costa, que davam provimento parcial em maior extensão, para excluir, também, os valores das contribuições decorrentes das despesas com deslocamento com veículo do empregado.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SALÁRIOS INDIRETOS DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º DA LEI 8212/91. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIROS A fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. SALÁRIO INDIRETO VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO NATUREZA SALARIAL SÚMULA 60 DA AGU. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale-transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba. SALÁRIO INDIRETO PRÊMIOS COMISSÕES PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa. A participação em resultados sem os cumprimentos dos dispositivos legais caracteriza-se como salário indireto pago ao empregado. As comissões, pagas por meio de cartões nada mais são do que retribuição por serviço prestado, caracterizando-se verba com nítida feição salarial. SALÁRIO INDIRETO AJUDA DE CUSTO RELACIONADO A DESLOCAMENTO AO TRABALHO SEM DEMONSTRAÇÃO DA NATUREZA “PARA” O TRABALHO. O pagamento de deslocamento para alguns empregados de sua residência até o trabalho não demostra a exclusão da base de cálculo, posto que o empregado teria que se deslocar de qualquer forma, assim, como os demais demonstrando um benefício direto não concedido a todos os empregados e que não se coaduna com a regra “para o trabalho”, capaz de excluir a verba da base de cálculo. SALÁRIO INDIRETO FORNECIMENTO DE ALUGUEL PARA DETERMINADOS EMPREGADOS. Não traz o recorrente qualquer documento que demonstre que os valores dos alugueis fornecidos teriam relação direta com o trabalho desempenhado, mas, tão somente consiste de benefício direto pago ao empregado, possuindo nítida feição salarial. SALÁRIO INDIRETO FORNECIMENTO DE EDUCAÇÃO AOS DEPENDENTES DO SEGURADO. A educação fornecida só estará excluída do conceito de salário de contribuição, quando fornecida ao próprio empregado e desde que comprovado a disponibilização a totalidade dos empregados, o que não logrou êxito o recorrente em demonstrar. SALÁRIO INDIRETO SAÚDE FORNECIMENTO DE COBERTURA DIFERENCIADA Se o benefício relacionado a saúde for fornecido de forma diferenciada favorecendo determinado grupo de trabalhadores em detrimento dos demais, não há como falar de cumpridos os preceitos legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES SALÁRIO INDIRETO NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal e seus anexos. INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PROCEDIMENTO FISCAL APRESENTAÇÃO DE TODOS OS TERMOS CIENTIFICANDO O RECORRENTE DA CONTINUIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL Tendo a autoridade fiscal cumprido todo o rito necessário a constituição do crédito e realização do procedimento não padece o lançamento de qualquer vício. INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS A assinatura oposto por empregado do setor de contabilidade, para requisição de documentos não vicia o procedimento, posto que não se trata de documento final de constituição do crédito. TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIROS A fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. SALÁRIO INDIRETO VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO NATUREZA SALARIAL SÚMULA 60 DA AGU. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba. SALÁRIO INDIRETO PRÊMIOS COMISSÕES PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa. A participação em resultados sem os cumprimentos dos dispositivos legais caracterizase como salário indireto pago ao empregado. As comissões, pagas por meio de cartões nada mais são do que retribuição por serviço prestado, caracterizandose verba com nítida feição salarial. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 2 SALÁRIO INDIRETO AJUDA DE CUSTO RELACIONADO A DESLOCAMENTO AO TRABALHO SEM DEMONSTRAÇÃO DA NATUREZA “PARA” O TRABALHO. O pagamento de deslocamento para alguns empregados de sua residência até o trabalho não demostra a exclusão da base de cálculo, posto que o empregado teria que se deslocar de qualquer forma, assim, como os demais demonstrando um benefício direto não concedido a todos os empregados e que não se coaduna com a regra “para o trabalho”, capaz de excluir a verba da base de cálculo. SALÁRIO INDIRETO FORNECIMENTO DE ALUGUEL PARA DETERMINADOS EMPREGADOS. Não traz o recorrente qualquer documento que demonstre que os valores dos alugueis fornecidos teriam relação direta com o trabalho desempenhado, mas, tão somente consiste de benefício direto pago ao empregado, possuindo nítida feição salarial. SALÁRIO INDIRETO FORNECIMENTO DE EDUCAÇÃO AOS DEPENDENTES DO SEGURADO. A educação fornecida só estará excluída do conceito de salário de contribuição, quando fornecida ao próprio empregado e desde que comprovado a disponibilização a totalidade dos empregados, o que não logrou êxito o recorrente em demonstrar. SALÁRIO INDIRETO SAÚDE FORNECIMENTO DE COBERTURA DIFERENCIADA Se o benefício relacionado a saúde for fornecido de forma diferenciada favorecendo determinado grupo de trabalhadores em detrimento dos demais, não há como falar de cumpridos os preceitos legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES SALÁRIO INDIRETO NULIDADE DA AUTUAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DE DEFINIÇÃO DOS FATOS GERADORES. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal e seus anexos. INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PROCEDIMENTO FISCAL APRESENTAÇÃO DE TODOS OS TERMOS CIENTIFICANDO O RECORRENTE DA CONTINUIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 19311.000541/201032 Acórdão n.º 2401002.468 S2C4T1 Fl. 2 3 Tendo a autoridade fiscal cumprido todo o rito necessário a constituição do crédito e realização do procedimento não padece o lançamento de qualquer vício. INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS A assinatura oposto por empregado do setor de contabilidade, para requisição de documentos não vicia o procedimento, posto que não se trata de documento final de constituição do crédito. TRABALHO DO AUDITOR ATIVIDADE VINCULADA Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade; e II) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento parcial para excluir as contribuições atinentes ao lançamento de vale transporte pago em dinheiro. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Freitas de Souza Costa, que davam provimento parcial em maior extensão, para excluir, também, os valores das contribuições decorrentes das despesas com deslocamento com veículo do empregado. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 4 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.266.3842, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela destinada a terceiros, no período de 01/2007 a 12/2007. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 34 a 50, com análise das folhas de pagamento e da contabilidade, documentos que consubstanciaram o lançamento, foi detectado o fornecimento de diversos benefícios aos trabalhadores, não considerados pela empresa como base de cálculo de contribuição previdenciária e, consequentemente, não informados em GFIP, declaração de cunho obrigatório, assim, motivo de autuação específica. Ditos fatos geradores consistem: TRANSPORTE (DINHEIRO/COMBUSTÍVEL/PEDÁGIO); PLANOS DE SAÚDE DIFERENCIADOS PARA ALGUNS EMPREGADOS; AJUDA DE CUSTO (ALUGUEL/ESCOLA/OUTROS, PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS (PRÊMIOS); COMISSÕES E OUTROS PAGAMENTOS. A fonte principal das apuração dos fatos geradores foram a contas contábeis: 2.2.54.50.00.17 – PROVISÃO DE PPM A PAGAR Analisando a referida conta, foi possível identificar pelos valores lançados a débito, a entrega de valores referentes a prêmios de participação ao sr. Celso Cintra, administrador empregado da empresa. Temos no item 10 do relatório fiscal, toda argumentação para considerar tais valores como salário de contribuição. 4.3.21.05.00.24 – COMISSÕES PERÍODO DE 01 A 07/2007 E 09 A 12/2007. Da análise da conta constatouse o pagamento da verba comissões que são parcelas de natureza salarial, prevista no inciso I do art. 28 da lei 8212/91. Os pagamentos foram feitos por meio de cartões magnéticos individuais. Foi colacionado aos autos listagem constantes nas notas fiscais emitidas pela empresa SIM INCENTIVE MARKETNG S/C LTDA. 4.3.21.05.00.32 – AJUDA DE CUSTO – PERÍODO DE 01 A 12/2007. De posse de documentos a autoridade fiscal constatou o pagamento de mensalidades escolares dos filhos do gerente geral Celso Luis Cacheiro Cintra. Foram encontrados outros pagtos denominados ajuda de custo efetuadas mensalmente a determinados funcionários identificados no anexo 1. Descreveu ainda a autoridade que a exclusão da base de cálculo à título de ajuda de custo deveria obedecer o previsto no art. 9, g da lei 8.212/91. 4.3.21.10.00.34 – CONVÊNIO MÉDICO HOSPITALAR PERÍODO DE 01 A 12/2007. Foi realizada intimação fiscal de n. 4, a fim de esclarecer e detalhar a distribuição do benefício “saúde” aos funcionários, tendo sido solicitado a apresentação das notas fiscais dos planos de saúde, constante da conta ora em destaque, acompanhadas das respectivas relações dos beneficiários e dependentes. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 19311.000541/201032 Acórdão n.º 2401002.468 S2C4T1 Fl. 3 5 Segundo o auditor, pelo exame pormenorizado dessas relações podêse constatar o fornecimento de planos diferenciados para alguns funcionários, sendo que a coparticipação do funcionário era equalitária e simbólica,, quase sempre em torno de R$ 0,10. Da análise do texto legal, qual seja, art. 28, § 9, alínea q da lei 8212/91, denotase que a assistência medica fornecida para náo estar incluída deverá indissoluvelmente ser dirigida, de forma igualitária, a todos aqueles que trabalham para a empresa, inclusive seus próprios dirigentes. Para esse levantamento considerouse o menor valor do benefício recebido, para que só a diferença entre os diversos planos, integrasse a base de cálculo da contribuição previdenciária ora lançada, tendo sido subtraído os valores descontados. 4.3.21.15.00.30 – VALE TRANSPORTE PERÍODO DE 01 A 12/2007. Foi constatado que juntamente com a remuneração mensal lançada em folha de pagamento eram pagos valores à título de vale transporte em dinheiro. Foi detalhada planilha com os beneficiários. 4.3.21.15.00.92 – CURSOS E TREINAMENTOS PERÍODO DE 01 A 12/2007. Utilizouse o mesmo preceito da saúde fornecida, qual seja, igualdade no fornecimento do benefício, considerando que a empresa custeia no todo ou em parte a mensalidade dos cursos universitários de alguns poucos empregados. Nada ficou comprovado, no sentido de demonstrar que esse benefício foi estendido a todos os funcionários que pudessem dele se utilizar, uma vez que favorece um percentual em torno de 6% do quadro funcional, que abriga 90 trabalhadores, apesar de devidamente intimado para tanto. Assim, o descumprimento do art. 28, § 9, alínea t da lei 8212/91, enseja considerar os valores como base de cálculo de contribuição. 4.3.21.15.00.98 – PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PERÍODO DE 04 A 07/2007. Na mencionada conta foram encontrados lançamentos que demonstram o pagamento de prêmios de participação a dois funcionários do alto escalão da empresa, o sr. Celso Cintra e sr. Alfedro Evaristo. Outros pagamentos de prêmios foram realizados a diversos empregados, sendo pagos por meio de cartões magnéticos, alimentados com os respectivos valores fornecidos pela empresa SIM Incentive House especializada no ramo. Não foi possível nomear os beneficiários, já que a empresa não apresentou a relação a esse fato gerador a apuração do crédito foi feita por aferição indireta, através do levantamento SI – SIM incentive. Tais pagamentos em nada se identificam com o programa PLR, ao qual os funcionários tiveram direito, relativamente ao ano de 2007, por força de convenção coletiva e acordo, totalmente amparado pela lei 10.101/2000, haja vista a empresa ter cumprido as exigências ali contidas através de programa específico de alcance de resultados. Assim, os pagamentos aqui descritos não se encontram de acordo com o previsto no art. 28, § 9, alínea j da lei 8212/91 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 6 4.3.31.02.00.50 – DESPESAS DE ALUGUÉIS PERÍODO DE 06 A 12/2007. Foram encontrados recibos de aluguel pago a proprietário pessoa física em nome do empregado Jorge Nobuyuki Okumura, de janeiro a dezembro de 2007. Na referida conta aparece o histórico contábil: PAGTO OKUMURA E O VALOR DE r$ 320,00. A identificação do lançamento, além do texto e numa análise mais profunda é indiscutivelmente a mesma dos lançamentos da conta “veículos”, para os pagamentos efetuados em nome desse segurado. Destaque apenas para o fato que no mês de setembro de 2007, o valor foi lançado na conta “veículos” de forma equivocada. 4.3.34.02.00.19 – CAMPANHA DE MARKETING PERÍODO DE 01 A 10 E 12/2007. Conforme descrito anteriormente, foi constatado pagamento por meio de cartões de premiação fornecido pela empresas já citada, SIM INCENTIVE, onde na mencionada conta, constam os pagamentos das notas fiscais. No termo de intimação n. 11 foram solicitados as faturas constantes da conta acima, bem como a relação de beneficiários. Assim, a apuração do débito deuse por aferição indireta nos termos do art. 33, § 1 e 3 da lei 8212/91. Para apuração da base considerouse o valor faturado, excetuadas as taxas de administração. 4.3.35.02.00.42 – VEÍCULOS Esse levantamento engloba os pagamentos feitos pela empresa a alguns funcionários para custear o transporte de ida e vinda ao trabalho, como combustível e pedágio. A apuração deuse por meio de demonstrativos de reembolso de despesas mensais com a quilometragem diária efetuada, atribuindose um valor pelo quilômetro rodado, fixado de acordo com o local da residência do funcionário, juntamente com as passagens diárias pelas praças de pedágios de acesso a empresa. As passagens de pedágio foram obtidas por meio das faturas do sistema “Sem parar”. Ressaltouse que os valores não foram declarados em GFIP, tendo sido lavrado auto de infração específico sob o n. 37.266.3818. Procedeu a autoridade fiscal ao comparativo da multa aplicada de acordo com os termos da lei 11.941, procedendo ao comparativo da mesma de forma a aplicar a mais benéfica a recorrente. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 23/09/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 27/09/2010. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, no corpo do processo 19311000539/201063, que trata do AIOP, referente a parcela patronal, fls. 995 a 1034. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência parcial do lançamento, fls. 1226 a 1252, no corpo do processo 19311000539/201063, que trata do AIOP, referente a parcela patronal Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, no corpo do processo 19311000539/201063, que trata do AIOP, referente a parcela patronal, conforme fls. 1751 a 1795, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, senão vejamos: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 19311.000541/201032 Acórdão n.º 2401002.468 S2C4T1 Fl. 4 7 1. Não merece prosperar a acordão prolatado uma vez que fadado à discricionariedade e dessa maneira, à inconstitucionalidade e ilegalidade, conforme se verificará nas razões de direito a seguir expostas. 2. Quanto ao MPF não tendo ocorrido a intimação de prorrogação no prazo legal, o contribuinte readquire a espontaneidade, o que torna nula a continuidade do procedimento fiscal. 3. Ao contrário do entendimento do nobre julgador, considerando a obrigatoriedade de observância dos preceitos formais vinculados ao procedimento fiscal deve ser declarada a nulidade do lançamento. 4. Considerando que o Sr. Ozemar não compõe o quadro societário da empresa, a este é vedado receber intimação ou notificação sem o devido instrumento de mandato, posto que as informações constantes em procedimento fiscal são sigilosas. 5. Quanto as ajudas de custo e os prêmios, os mesmos não devem compor o conceito de salário de contribuição, na medida em que, além de não possuir o caráter de habitualidade no seu pagamento, não retribui o trabalho desempenhado pelo empregado conforme preceituado no art. 28, I da lei 8212/92. 6. A ajuda de custo não se subsome à hipótese de remuneração passível de incidência, uma vez que se caracteriza como ressarcimento de despesa na realização da função atribuída ao empregado, ou até mesmo na sua locomoção ao estabelecimento onde trabalha. 7. Quanto aos prêmios consistem em agraciamento, em atenção a determinada situação personalíssima que envolve a ativação do empregado sua dedicação, esforço, implemento de condição específica estipulada pelo empregador, meta atingida. Dessa forma, não apresenta natureza salarial. 8. No tocante a moradia, a distância da empresa ficou comprovada, posto que os empregados não residem no mesmo município da sede ora requerente. Logo não possui o caráter salarial. 9. Quanto ao vale transporte pago em dinheiro o STF preferiu recente julgado acrec ada cão caracterização salarial do vale transporte mesmo pago em dinheiro. 10. Não há qualquer vantagem ao empregado sobre o pagamento de ajuda de custo para manutenção de veículo próprio do empregado quando destinado a ressarcir gastos que teve em benefício do empregador, ou seja, no desempenho da atividade que lhe foi atribuída. 11. O ensino superior custeado pelo recorrente destinase a qualificar e capacitar o profissional, uma vez que ficou demonstrado que os mesmos destinamse a incrementar o conhecimento técnico desempenhado nas atividades da empresa. Ficou demonstrado que o cursos estão disponíveis a todos os trabalhadores, de maneira equânime, inexistindo óbice a recorrente isentar em relação a essa verba. 12. No que pertine a PLR apesar da obrigatoriedade procedimental discriminada para disponibilização ao empregado da participação nos lucros, isso não interferirá na Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 8 descaracterização do recebimento na qualidade de não salarial, uma vez que a própria CF/88objetiva incentivar o empregador a conceder a participação nos resultados. 13. Ilegal a constituição de crédito tributário através de presunção de fatos por insuficiência de provas. Inaceitável a lavratura de auto de infração por presunção sob o argumento da fiscalização de que inexiste material probatório suficiente para motivar a infração que pretende imputar ao contribuinte. 14. Cumpre esclarecer a boa fé da ora recorrente e a constante contribuição para a fiscalização e a constante contribuição para com a fiscalização, a qual em todos os momentos foi sempre atendida e a ela apresentados todos os documentos técnicos solicitados. 15. No caso em questão o presente AI foi lavrado com base numa presunção de infração em momento algum confirmada mediante prova documental pela fiscalização, a qual demonstra expressamente não ter verificado todos os documentos apresentados, sendo dessa maneira necessária a realização de uma nova diligência pelo fiscal impugnado para efetiva verificação de todos os documentos fiscais devidamente apresentados, mas não analisados adequadamente pela fiscalização, conforme se evidencia claramente no presente AI. 16. A imposição de multa foi fixada em desconformidade inclusive com os dispositivos invocados, caracterizandose confiscatória. 17. Foram inobservados os princípios constitucionais da legalidade, finalidade, motivação, verdade material 18. Os valores disponibilizados aos funcionários da empresa da empresa não possuem natureza salarial dado o caráter de ressarcimento ou incentivo, não constituindo contraprestação ao serviço prestado. 19. Vislumbramse vícios de nulidade no AI, qual seja violação ao sigilo fiscal por não ter sido exigido instrumento hábil a legitimar os funcionários a recebem intimações da impugnante. 20. Nulo também em função de não possui prova documental suficiente para caracterização da infração pretendida, o que invalida o AI. 21. Seja por fim declarada a inexigibilidade da contribuição e multa imposta. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 19311.000541/201032 Acórdão n.º 2401002.468 S2C4T1 Fl. 5 9 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 1999 e 1752. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Alegando nulidade do procedimento, argumenta o recorrente que o procedimento administrativo adotado não poderia ser realizado da forma como foi, independente da causa, legal ou contratual, o que malfere o princípio do devido processo legal, posto que não houve a devida motivação, ou mesmo fundamentação para que se apurasse determinadas verbas como salário de contribuição. Vejamos de forma sintética, os termos do recurso: Não merece prosperar a acordão prolatado uma vez que fadado à discricionariedade e dessa maneira, à inconstitucionalidade e ilegalidade, conforme se verificará nas razões de direito a seguir expostas. Quanto ao MPF não tendo ocorrido a intimação de prorrogação no prazo legal, o contribuinte readquire a espontaneidade, o que torna nula a continuidade do procedimento fiscal. Ao contrário do entendimento do nobre julgador, considerando a obrigatoriedade de observância dos preceitos formais vinculados ao procedimento fiscal deve ser declarada a nulidade do lançamento. Considerando que o Sr. Ozemar não compõe o quadro societário da empresa, a este é vedado receber intimação ou notificação sem o devido instrumento de mandato, posto que as informações constantes em procedimento fiscal são sigilosas. Quanto as ditas alegações, em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, as nulidade avençadas pelo recorrente Observase que compõem o Auto de Infração todos os documentos pertinentes a constituição do crédito ora sob análise. e mencionado no corpo do próprio relatório, fl. 36 e 50, as autorizações por meio da emissão do Termo de Início de Procedimento Fiscal, anexo IV, fl. 651. Conforme descrito no parágrafo anterior foi emitido o respectivo Termo de Início de Procedimento, instrumento hábil a solicitar a documentação relativa a todo e qualquer recebimento por parte dos segurados empregados a seu serviços, sendo inclusive, solicitada contabilidade formalizada, instrumento que consubstanciou o lançamento. Assim, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária, inclusive solicitando esclarecimentos sobre diversos pontos Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 10 apurados durante o procedimento não haveria de se falar em qualquer vício no procedimento adotado. No mesmo termo, encontrase a devida designação a auditora fiscal responsável pelo procedimento fiscal. Notese que os termos de Intimação, fl. 654 a 659, de n. 02 a 06, foram entregues pessoalmente na figura do Sr. Alfredo Vieira – Diretor Financeiro, já os termos de n. 07 foi entregue em meio postal, fl. 661 a 662, sendo que os Termos de Intimação 9 e 10, foram assinados pelo Sr. Ozemar Soares. Porém tratase apenas de solicitação de documentos e intimação para que representante da empresa compareça a Delegacia para prestar documentos, sendo que não há de se falar em cerceamento do direito de defesa. Notese que ao contrário do entendimento do recorrente a solicitação de documentos realizada pela autoridade fiscal, na pessoa de empregado do setor de contabilidade não provoca vício no procedimento, uma vez que não tratase de cientificação acerca da lavratura do auto de infração, esse sim, possível apenas na figura do represente legal. Da mesma forma, quanto a alegada falta de sigilo por parte da autoridade fiscal, entendo que não compete a esta relatora a apreciação do fato, posto que no lançamento não foi detectado nenhum vício quanto a constituição do lançamento, conforme descrito acima. Foi realizada a conclusão dos trabalhos com a emissão do Termo de Encerramento, fl. 668, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Quanto ao questionamento acerca das prorrogações de MPF, que importariam na nulidade do lançamento, entendo que o assunto já foi esclarecido pela autoridade julgadora de primeira instância, não tendo o recorrente apresentado qualquer fato novo que implicasse na alterações da razões descritas na referida decisão. Assim, transcrevo trecho da decisão no que pertine ao MPF, adotando as razões ali expostas como razão de decidir: No que se refere ao MPF, vale lembar que o mesmo encontrase disciplinado pela Portaria RFB n. 11.371 de 12 de dezembro de 2007, que quanto à sua validade e prorrogação assim dispôs: Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. Quer dizer o prazo de validade desse Mandado será de 120 dias (cento e vinte) dias, prorrogáveis tantas vezes quantas necessárias, o que ocorreu no presente caso, como se verifica da cópia que juntamos às fls. 1108. Ressaltese que em se tratando de fiscalização, propriamente dita, é emitido o MPFF, conforme dispõe o parágrafo único do art. 2 dessa Portaria. Confira: Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela RFB serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Fl. 63DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 19311.000541/201032 Acórdão n.º 2401002.468 S2C4T1 Fl. 6 11 Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPF F), e no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD). Ademais, a sua emissão e prorrogação é uma ato administrativo de natureza discricionária de controle e planejamento da atividade fiscal e de informação ao contribuinte, sendo que eventuais incorreções ou omissões na sua expedição ou renovação não geram nulidade no âmbito do processo administrativo ou contaminam o lançamento decorrente da ação fiscal, sujeitando apenas o auditor fiscal quanto ao aspecto disciplinar. Por outro lado, o próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em inúmeros Acordão, ao apreciar idêntica matéria, já se pronunciou no mesmo sentido, como se vê da Decisão a seguir descrita. PRELIMINAR – MPF – FALTA DE CIÊNCIA DE PRORROGAÇÃO – A regulamentação do MPF estabelece que a prorrogação dos mesmos será controlada na internet, não sendo necessária a ciência pessoal das mesmas (Acordão n. 10248623 – Processo n. 18471.001003/200411, DOU de 23.11.2007) O entendimento se fundamenta no fato de que tanto o MPF original quanto a sua prorrogação não se constitui em ato essencial à validade do procedimento fiscal, tratandose de mero instrumento de controle interno. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida indicação dos motivos que ensejaram a autuação, entendo que razão não assiste ao recorrente. Quanto à necessidade de justificativa para realização de auditoria (motivação), destacase que ao autoridade fiscal possui competência para verificar o fiel cumprimento da legislação previdenciária. Ademais, o próprio conceito de auditoria descrito na normas previdenciárias, esclarece seu objetivo: “A AuditoriaFiscal Previdenciária AFP ou Fiscalização é o procedimento fiscal externo que objetiva orientar, verificar e controlar o cumprimento das obrigações previdenciárias por parte do sujeito passivo, podendo resultar em lançamento de crédito previdenciário, em Termo de Arrolamento de Bens e Direitos, em lavratura de Auto de Infração ou em apreensão de documentos de qualquer espécie, inclusive aqueles armazenados em meio digital ou em qualquer outro tipo de mídia, materiais, livros ou assemelhados.” Simplesmente alegar, sem demonstrar o cumprimento da legislação, ou mesmo quais os vícios contidos no lançamento não servem como meio para anular o lançamento. Notese que o relatório fiscal, encontrase detalhado, por rubrica, permitindo ao recorrente o exercício do amplo direito de defesa, razão porque correto foi o procedimento adotado. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, ou a descumprimento das obrigações acessórias previstas em lei, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato os respectivos autos de infração de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário, ou imputandolhe a multa devida. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 12 Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Importante enfatizar que não se trata de lançamento por presunção, como questionou o recorrente, tanto que o relatório fiscal, mostrouse detalhado, inclusive anexou a autoridade fiscal diversas planilhas e documentos para demonstrar suas convicções, possibilitando ao recorrente, mesmo para aqueles levantamentos em que não apresentou os documentos pertinentes ao cumprimento da legislação durante o procedimento fiscal, apresentálos na impugnação ou na esfera recursal, o que não o fez. Assim, o lançamento encontrase consubstanciado em registros contábeis não contestados pelo recorrente, não servindo meros argumentos desprovido de provas, capazes de desconstituir o lançamento. No que tange a arguição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições e sobre as bases de cálculo apuradas, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas previstas na Lei n ° 8.212/1991. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, apenas para efeitos de esclarecimento, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito DO MÉRITO Fl. 65DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 19311.000541/201032 Acórdão n.º 2401002.468 S2C4T1 Fl. 7 13 Em primeiro lugar, cumpre observar que fiscalização previdenciária possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. No mérito, foram atacados os salários indiretos considerados pela auditoria fiscal, como salário de contribuição para efeitos previdenciários. Porém antes mesmo de apreciar cada um dos fatos geradores isoladamente, convém apreciar o conceito de salário de contribuição e remuneração. DA DEFINIÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. Como o lançamento envolve ainda contribuições sobre os pagamentos feitos a contribuintes individuais fazse conveniente apreciar o salário de contribuição e também em relação a estes segurados. Para os trabalhadores contribuintes individuais, o art. 28, III da referida lei, assim dispõe: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5º; A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; Fl. 66DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 14 c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 67DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 19311.000541/201032 Acórdão n.º 2401002.468 S2C4T1 Fl. 8 15 m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 16 v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Assim, ao não cumprir os dispositivos legais quanto a concessão dos benefícios: TRANSPORTE (DINHEIRO/COMBUSTÍVEL/PEDÁGIO); PLANOS DE SAÚDE DIFERENCIADOS PARA ALGUNS EMPREGADOS; AJUDA DE CUSTO (ALUGUEL/ESCOLA/OUTROS, PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS (PRÊMIOS); COMISSÕES E OUTROS PAGAMENTOS; assumiu o recorrente o ônus de ter os valores dos benefícios integrando o conceito de salário de contribuição, quando pago em desacordo com as respectivas leis. Não há de se argumentar que existia previsão em acordos ou convenções coletivas de trabalho, posto que esses instrumentos de negociação coletiva são válidos para normatizar direitos trabalhistas e não os reflexos desses nas parcelas que compõem a base de cálculo de contribuições previdenciárias. DO VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO No caso do lançamento de contribuições à título de Vale Transporte pago em Dinheiro relevante informar que a impugnante questiona a incidência de contribuição sobre tal verba, tendo a mesma sido apurada com base na conta contábil 4.3.21.15.00.30 – VALE TRANSPORTE PERÍODO DE 01 A 12/2007. Foi constatado que juntamente com a remuneração mensal lançada em folha de pagamento eram pagos valores à título de vale transporte em dinheiro. Foi detalhada planilha com os beneficiários. Embora entenda que correto o trabalho do auditor ao proceder o lançamento de contribuições sobre o vale transporte pago em dinheiro, devese tem em mente o disposto na Súmula da AGU n. 60, que abarca lançamentos sobre a mesma base de cálculo. SÚMULA AGU Nº 60, DE 08 DE DEZEMBRO DE 2011 DOU DE 09/12/2011 O ADVOGADOGERAL DA UNIÃO, no uso das atribuições que lhe conferem o art. 4º, inc. XII, e tendo em vista o disposto nos arts. 28, inc. II, e 43, caput, § 1º, da Lei Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, no art. 38, § 1°, inc. II, da Medida Provisória nº 2.16943, de 24 de agosto de 2001, no art. 17A, inciso II, da Lei n° 9.650, de 27 de maio de 1998, e nos arts. 2º e 3º, do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, bem como o contido no Ato Regimental/AGU nº 1, de 02 de julho de 2008, resolve: "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba". Assim, face o disposto na referida súmula, entendo deva a mesma ser observada para fins de exclusão das contribuições sobre a base de cálculo: VALE TRANSPORTE. DOS VEÍCULOS E DESPESAS PELO DESLOCAMENTO PARA O TRABALHO Esse levantamento 4.3.35.02.00.42 – VEÍCULOS, engloba os pagamentos feitos pela empresa a alguns funcionários para custear o transporte de ida e vinda ao trabalho, como combustível e pedágio. A apuração deuse por meio de demonstrativos de reembolso de Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 19311.000541/201032 Acórdão n.º 2401002.468 S2C4T1 Fl. 9 17 despesas mensais com a quilometragem diária efetuada, atribuindose um valor pelo quilômetro rodado, fixado de acordo com o local da residência do funcionário, juntamente com as passagens diárias pelas praças de pedágios de acesso a empresa. As passagens de pedágio foram obtidas por meio das faturas do sistema “Sem parar”. Dessa forma, pelo que restou demonstrado pelo auditor em seu relatório os valores fornecidos a alguns funcionários para o deslocamento desses de suas residências para o trabalho não se coaduna com os dispositivos legais que excluem ditos valores da base de cálculo do salário de contribuição. m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) “r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; O fato do empregador ressarcir as despesas de deslocamento de alguns empregados para ir ao trabalho, não denota que ditos pagos caracterizamse como “necessários ao desempenho do trabalho”, posto que todos os empregados em geral precisam realizar esse deslocamento, independente do local em que residem. Para o caso concreto, entendo que o automóvel fornecido pelo empregador, só não será considerado salário de contribuição, quando fornecidos nos exatos termos do § 9º do art. 28, “r” da lei, ou seja: Assim, o benefício nada mais é do que concedido “pelo” trabalho, consistindo em um benefício direto ao trabalho, que para obtêlo teria que dispender valores próprios. Dessa forma, entendo procedente o lançamento quanto a essa rubrica. DOS PRÊMIOS E COMISSÕES PAGOS POR MEIO DE CARTÕES DE PREMIAÇÃO Da análise da conta 4.3.21.05.00.24 – COMISSÕES PERÍODO DE 01 A 07/2007 E 09 A 12/2007, constatouse o pagamento da verba comissões. Os pagamentos foram feitos por meio de cartões magnéticos individuais. Foi colacionado aos autos listagem constantes nas notas fiscais emitidas pela empresa SIM INCENTIVE MARKETNG S/C LTDA. Foram ainda constatados pagamentos por meio da conta 4.3.34.02.00.19 – CAMPANHA DE MARKETING PERÍODO DE 01 A 10 E 12/2007. pagamento por meio de cartões de premiação fornecido pela empresas já citada, SIM INCENTIVE, onde na mencionada conta, constam os pagamentos das notas fiscais. No termo de intimação n. 11 foram solicitados as faturas constantes da conta acima, bem como a relação de beneficiários. Assim, a apuração do débito deuse por aferição indireta nos termos do art. 33, § 1 e 3 da lei 8212/91. Para apuração da base considerouse o valor faturado, excetuadas as taxas de administração. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 18 Quanto a essas rubricas, entendo que os pagamentos feitos à título de premiação constituem sim, salário de contribuição, seja na utilização da nomenclatura “comissões ou “campanha de marketing”, possui nítida feição salarial, portanto não assiste razão ao recorrente quanto a inexigência de contribuições sobre os valores pagos à título de premiação, seja quais sejam os argumentos trazidos pelo recorrente O ponto chave é a identificação do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Para isso façamos uso da legislação previdenciária, atrelada a conceitos trazidos da legislação trabalhista. O conceito de remuneração, descrito no art. 457 da CLT, deve ser analisado em sua acepção mais ampla, ou seja, correspondendo ao gênero, do qual são espécies principais os termos salários, ordenados, vencimentos etc. Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Súmulas nos 84, 101 e 226 do TST.) § 2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de cinqüenta por cento do salário percebido pelo empregado. § 3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. Não procede o argumento do recorrente, uma vez que já está pacificado na doutrina e jurisprudência que os prêmios pagos possuem natureza salarial. A definição de “prêmios” dada pela recorrente não se coaduna com a de verba indenizatória, mas, com a de parcelas suplementares pagas em razão do exercício de atividades, tendo o empregado alcançado resultados no exercício da atividade laboral, mesmo que pagas por agraciamento por parte do empregador. Ao contrário do entendimento do recorrente, entendo que a citada habitualidade, resta de pronto demonstrada na medida que o pagamento das comissões ou premiações possui relação direta com a finalidade da empresa. Dessa forma, não há de se falar em pagamento eventual, não relacionado com a prestação de serviços, mas pelo contrário, nada mais é do que uma forma indireta de remunerar os serviços prestados. O ilustre professor Maurício Godinho Delgado, em seu livro “Curso de Direito do Trabalho”, 3º edição, editora LTr, pág. 747, assim referese ao assunto: (...) Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 19311.000541/201032 Acórdão n.º 2401002.468 S2C4T1 Fl. 10 19 Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa.(...) O prêmio, na qualidade de contraprestação paga pelo empregador ao empregado, têm nítida feição salarial. (...) Os prêmios são considerados parcelas salariais suplementares, pagas em função do exercício de atividades atingindo determinadas condições. Neste sentido, adquirem caráter estritamente contraprestativo, ou seja, de um valor pago a mais, um “plus” em função do alcance de metas e resultados Não tem por escopo indenizar despesas, ressarcir danos, mas, atribuir um incentivo ao empregado. Segundo o professor Amauri Mascaro Nascimento, em seu livro Manual do salário, Ed. Ltr, p. 334, nestas palavras “Prêmio é modalidade de salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como produtividade e eficiência. Os prêmios caracterizamse por seu aspecto condicional, sendo que uma vez instituídos e pagos com habitualidade não podem ser suprimidos .” Vale destacar ainda, que por se caracterizarem como remuneração, os prêmios devem, em regra, refletir no pagamento de todas as demais verbas trabalhistas, sejam elas: férias, 13º salário, repouso semanal remunerado, devendose observar a habitualidade dependendo da verba que se faça incidir. Pelo exposto o campo de incidência é delimitado pelo conceito remuneração. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado ou de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Cabe destacar nesse ponto, que os conceitos de salário e de remuneração não se confundem. Enquanto o primeiro é restrito à contraprestação do serviço devida e paga diretamente pelo empregador ao empregado, em virtude da relação de emprego; a remuneração é mais ampla, abrangendo o salário, com todos os componentes, e as gorjetas, pagas por terceiros. Nesse sentido é a lição de Alice Monteiro de Barros, na obra Curso de Direito do Trabalho, Editora LTR, 3ª edição, página 730. Assim, não estando entre as exclusões prevista na legislação não há como excluir da base de cálculo de contribuições previdenciárias os pagamentos feitos à título de premiação, seja enquanto comissões ou outros pagamentos. Dessa forma, razão não assiste ao recorrente. \Segundo o ilustre professor Arnaldo Sussekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 20 Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Mesmo entendimento deve ser atribuído ao pagamento feito por meio da conta 4.3.21.15.00.98 – PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PERÍODO DE 04 A 07/2007. Neste caso, não demonstrou o recorrente que os pagamento foi realizado nos moldes determinados pela lei 10.101. Identificou o auditor que a empresa possui programa de participação nos lucros e resultados, plano este que não ensejou lançamento de contribuições. Os argumentos trazidos pelo recorrente foram no sentido que mesmo que não cumprido o rito procedimental, o pagamento de PLR, por si só, já se encontra afastado do conceito de salário de contribuição, contudo entendo que não é esse o entendimento previsto na legislação. Quanto a verba participação nos lucros e resultados em primeiro lugar deve se ter em mente que é norma constitucional de eficácia limitada. Para fins de esclarecimento, cabe citar, o item 02, do Parecer CJ/MPAS no 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, dispõe, verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Vale ressaltar o que o Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu bojo acerca da matéria: EMENTA DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) Fl. 73DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 19311.000541/201032 Acórdão n.º 2401002.468 S2C4T1 Fl. 11 21 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 22 que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Neste contexto podemos descrever normas constitucionais de eficácia limitada são as que dependem de outras providências normativas para que possam surtir os efeitos essenciais pretendidos pelo legislador constituinte. OU seja, enquanto não editada a norma, não há que se falar em produção de efeitos. Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. A Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional, na alínea “j”, § 9º, do art. 28, dispõe, nestas palavras: Art. 28 § 9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. A edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e remunerações sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações ao texto legal, até a conversão na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. Os pagamentos referentes à Participação nos Lucros pela recorrente sofrem incidência de contribuição previdenciária, haja vista no período em que foram efetuados terem sido realizadas em desacordo com a legislação específica. A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; Fl. 75DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 19311.000541/201032 Acórdão n.º 2401002.468 S2C4T1 Fl. 12 23 II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. § 1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. § 2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. § 3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. § 4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Isto posto, não há de se acatar a teoria de que os pagamentos à título de PLR já encontramse fora da base de cálculo conforme disposto acima: Conforme mencionada foram encontrados lançamentos que demonstram o pagamento de prêmios de participação a dois funcionários do alto escalão da empresa, o sr. Celso Cintra e sr. Alfedro Evaristo. Outros pagamentos de prêmios foram realizados a diversos empregados, sendo pagos por meio de cartões magnéticos, alimentados com os respectivos valores Fl. 76DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 24 fornecidos pela empresa SIM Incentive House especializada no ramo. Não foi possível nomear os beneficiários, já que a empresa não apresentou a relação a esse fato gerador a apuração do crédito foi feita por aferição indireta, através do levantamento SI – SIM incentive. Tais pagamentos em nada se identificam com o programa PLR, ao qual os funcionários tiveram direito, relativamente ao ano de 2007, por força de convenção coletiva e acordo, totalmente amparado pela lei 10.101/2000, haja vista a empresa ter cumprido as exigências ali contidas através de programa específico de alcance de resultados. Outro não pode ser o raciocínio em relação a conta 2.2.54.50.00.17 – PROVISÃO DE PPM A PAGAR, posto que conforme descreveu o auditor, foi possível identificar pelos valores lançados a débito, a entrega de valores referentes a prêmios de participação ao sr. Celso Cintra, administrador empregado da empresa. Temos no item 10 do relatório fiscal, toda argumentação para considerar tais valores como salário de contribuição. Assim, os pagamentos aqui descritos não se encontram de acordo com o previsto no art. 28, § 9, alínea j da lei 8212/91, razão porque deva ser mantido o lançamento também neste ponto. De posse de documentos a autoridade fiscal constatou o pagamento de mensalidades escolares dos filhos do gerente geral Celso Luis Cacheiro Cintra, por meio da análise da conta 4.3.21.05.00.32 – AJUDA DE CUSTO – PERÍODO DE 01 A 12/2007.. Foram encontrados outros pagamentos denominados ajuda de custo efetuadas mensalmente a determinados funcionários identificados no anexo 1. Descreveu ainda a autoridade que a exclusão da base de cálculo à título de ajuda de custo deveria obedecer o previsto no art. 9, g da lei 8.212/91. t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) Da descrição feita pelo auditor em seu relatório notamos que o benefício era concedido em relação aos filhos dos empregados, o que por si só já demonstra a inobservância dos dispositivos legais. Não há como afastar ditos valores da base de cálculo uma vez que constituem meros benefícios, que para o empregado ter acesso, caso o empregador não os fornecesse teriam que sair do bolso do próprio empregado, o que ratifica o seu caráter salarial. O mesmo raciocínio deve ser atribuído aos pagamentos efetuados por meio da conta contábil 4.3.21.15.00.92 – CURSOS E TREINAMENTOS PERÍODO DE 01 A 12/2007. Utilizouse o mesmo preceito da saúde fornecida, qual seja, igualdade no fornecimento do benefício, considerando que a empresa custeia no todo ou em parte a mensalidade dos cursos universitários de alguns poucos empregados. Nada ficou comprovado, no sentido de demonstrar que esse benefício foi estendido a todos os funcionários que pudessem dele se utilizar, uma vez que favorece um percentual em torno de 6% do quadro funcional, que abriga 90 trabalhadores, apesar de devidamente intimado para tanto. Assim, o descumprimento do art. 28, § 9, alínea t da lei 8212/91, enseja considerar os valores como base de cálculo de contribuição. O recorrente não apresentou os planos de concessão do benefício a todos os trabalhadores conforme preceitua a lei, seja durante o procedimento fiscal, ou mesmo na impugnação ou recurso apresentado. Dessa forma,, o benefício concedido também não se coaduna com os dispositivos legais. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 19311.000541/201032 Acórdão n.º 2401002.468 S2C4T1 Fl. 13 25 Para ter os valores do benefícios relacionados a educação concedidos diretamente aos empregados excluídos do conceito de salario de contribuição deveria demonstrar o plano de concessão de educação que demonstrasse a extensão do benefício a totalidade dos empregados, o que não o fez. Assim, como o benefício de educação fornecido, os valores apurados por meio da conta 4.3.21.10.00.34 – CONVÊNIO MÉDICO HOSPITALAR PERÍODO DE 01 A 12/2007, constituem salário de contribuição conforme descreveu a autoridade fiscal em seu relatório. Com relação a essa rubrica, não há mais o que ser apreciado tendo em vista, dita rubrica já ter sido excluído pela decisão de primeira instância. Vejamos trecho da ementa do acordão proferido: ASSISTÊNCIA MÉDICA. COBERTURA TOTALIDADE DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. PLANOS DE SAÚDE DIFERENCIADOS, CUSTEIO. LEGALIDADE. NÃO INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO. O valor pago por assistência medica prestada por plano de saúde, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, não integra o salário de contribuição, ainda que os serviços sejam prestados por mais de um plano ou que não haja custeio por parte dos beneficiados. Com relação aos pagamentos apurados por intermédio da conta 4.3.31.02.00.50 – DESPESAS DE ALUGUÉIS PERÍODO DE 06 A 12/2007, descreve o auditor que foram encontrados recibos de aluguel pago a proprietário pessoa física em nome do empregado Jorge Nobuyuki Okumura, de janeiro a dezembro de 2007. Na referida conta aparece o histórico contábil: PAGTO OKUMURA E O VALOR DE r$ 320,00. A identificação do lançamento, além do texto e numa análise mais profunda é indiscutivelmente a mesma dos lançamentos da conta “veículos”, para os pagamentos efetuados em nome desse segurado. Destaque apenas para o fato que no mês de setembro de 2007, o valor foi lançado na conta “veículos” de forma equivocada. Assim, não traz o recorrente qualquer documento que demonstre que os valores dos alugueis fornecidos teriam relação direta com o trabalho desempenhado, mas, tão somente consiste de benefício direto pago ao empregado, possuindo nítida feição salarial. Por fim, convêm destacar que a nomenclatura utilizada pelo recorrente não e relevante para identificação da sua feição salarial, tendo a identificação da natureza da verba, sido apreciada de acordo com o objetivo da verba, sua destinação, sendo irrelevante o nome adotado. NATUREZA SALARIAL DAS UTILIDADES Após a apreciação individual de cada uma das utilidades fornecidas, entendo importante firmar entendimento do papel das utilidades dentro do conceito de salário de contribuição. Não se pode descartar o fato de que os valores pagos á educação, alugueis, prêmios, PLR em desacordo com a lei não representem alguma espécie de ganho para seus empregados Pelo contrário, estão inseridos no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço executado. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 26 Também convém reproduzir a posição da professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e nãosalariais: "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparamse a instrumentos de trabalho e, consequentemente, não têm feição salarial." Ademais, a interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei, por mais que se vislumbre a boa intenção do empregador, estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. DA ILEGALIDADE DA APLICAÇÃO DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Alega o recorrente que ilegal a cobrança de juros e multa que lhe foram imputados, contudo, entendo que razão não assiste ao recorrente neste ponto. Conforme já apreciado pela autoridade julgadora, no caso em questão correto a aplicação dos juros e multa, sendo as duas aplicadas em relação ao montante do débito apurado. Os juros de mora são aplicáveis sobre o valor original da contribuição devida, conforme descrito no relatório fiscal fl. 91 e 92, item 100 e seguintes. Na aplicação da multa, a autoridade fiscal procedeu a análise da situação mais favorável, só havendo a aplicação da multa de ofício nas competência em que essa foi mais benéfica ao recorrente. Note que a aplicação de juros SELIC, não se confunde com a multa de ofício, posto que os juros moratórios são aplicáveis pelo inadimplemento da obrigação na época oportuna. Nesse sentido, dispõe a Súmula nº 03, do CARF “ É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais”. Notese que a autoridade julgadora na decisão de 1 instância já refutou os argumentos do recorrente, não havendo reparo a ser feito na referida decisão. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente em sua maioria são insuficientes para refutar a totalidade lançamento. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas (conforme apreciado individualmente acima), no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento em parte. CONCLUSÃO Fl. 79DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 19311.000541/201032 Acórdão n.º 2401002.468 S2C4T1 Fl. 14 27 Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO para excluir as contribuições atinentes ao lançamento de vale transporte pago em dinheiro. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 80DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE
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Numero do processo: 13971.910877/2009-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
Numero da decisão: 3803-004.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
ALEXANDRE KERN - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
EDITADO EM: 03/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALEXANDRE KERN (Presidente), BELCHIOR MELO DE SOUSA, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, e JORGE VICTOR RODRIGUES.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação.
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 08 77 /2 00 9- 11 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. EDITADO EM: 03/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALEXANDRE KERN (Presidente), BELCHIOR MELO DE SOUSA, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, e JORGE VICTOR RODRIGUES. Relatório A contribuinte formalizou perante a DRF/BlumenauSC Per/DComp para o encontro de contas com créditos decorrentes de pagamento realizado a maior, sendo o pedido indeferido por meio de despacho decisório que informou não haver crédito disponível para efetuar a compensação declarada. Irresignada a contribuinte manifestou a sua inconformidade, argumentando pela necessidade da busca da verdade material, deduzindo pela declaração de nulidade do ato administrativo que não homologou a compensação declarada, sob a égide da ausência de motivação e de fundamentação, o que ensejaria o desvio de finalidade, laborando em prejuízo ao exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. Pugnou, ainda, pela não exigência dos juros (taxa Selic) e da multa de mora, por se contrapor aos princípios da vedação ao confisco, razoabilidade e da proporcionalidade, devendo os juros exigidos se limitar ao disposto no CTN. Conclusos vieram os autos para a apreciação da 4a Turma de Julgadores da DRJ/FNS, quando em 25/05/12, proferiram decisão por meio do acórdão nº 0729.073, nos termos seguintes: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Para que os recolhimentos relativos a débitos declarados em DCTF sejam tidos como indevidos e passíveis de repetição, é preciso que o sujeito passivo retifique a declaração originalmente apresentada, alterando os valores daqueles débitos para, com isso, consubstanciar juridicamente a existência do indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O condutor do acórdão em questão entendeu que os valores declarados em DCTF, por se constituírem em confissão de dívida, só podem ter natureza infirmada diante da sua retificação, o que não ocorreu,in casu. Esclareceu que enquanto não retificados, tais valores informados são considerados como devidos, não ficando disponíveis para qualquer tipo de repetição: compensação, restituição, ressarcimento ou reembolso. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.910877/200911 Acórdão n.º 3803004.068 S3TE03 Fl. 7 3 Aduziu, ainda, que não há vício no despacho decisório, eis que a motivação e fundamentação deixaram claro a razão da não homologação, pois compulsando os autos constatou que o despacho decisório faz referência objetiva e sumária à inexistência do crédito alegado pelo sujeito passivo, não havendo desdobramentos fáticos ou jurídicos que justificassem mais do que foi dito, eis que consta de campo próprio do Per/DComp que o recolhimento afirmado pela contribuinte como indevido foi integralmente utilizado pela própria contribuinte para o pagamento do débito relativo ao próprio tributo e ao próprio período de apuração indicados no próprio documento de arrecadação – DARF. Admitiu, entretanto, o relator, que se o contribuinte tivesse retificado previamente a sua DCTF, reduzindo o valor do débito original, não teria tido o seu crédito declarado pela DRF/BlumenauSC como indisponível, o que poderia levar a uma eventual homologação da compensação intentada. Quanto à contestação da exigência da multa de mora e dos juros de mora, tais questões não restaram apreciada em razão da ausência de competência, pois em relação aos julgamentos de reconhecimento de direito creditório, a competência das DRJ se limita à aferição da efetiva existência ou não desse direito alegado pelo contribuinte. A ciência da decisão de primeira instância pela contribuinte se deu por meio de Termo de Ciência por Decurso de Prazo de quinze dias, a contar da disponibilização dos documentos nele acostados na Caixa Postal, Módulo eCAC, do site da Receita Federal. A data de disponibilização dos documentos na Caixa Postal foi 31/05/12 e a data da ciência do acórdão da manifestação de inconformidade por decurso de prazo deuse em 15/06/12. Entretanto, a protocolização do recurso voluntário na CAC da DRF/Caxias do Sul somente ocorreu em 18/06/2012, conforme se depreende do recebimento pelo servidor em seu carimbo. O recurso voluntário aviado reiterou os argumentos expendidos na peça inaugural de forma minudente. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como dito, o contribuinte pretendeu compensar crédito indevido ou a maior, com débitos próprios, não logrando êxito nesse desiderato perante o juízo a quo, que concluiu a partir de análise efetuada nos autos pela insuficiência de crédito, considerando, inclusive que o sujeito passivo não acostou aos autos documentos que demonstrassem inequivocamente a comprovação de sua existência, bem assim não procedeu à retificação da DCTF para, mediante a alteração dos valores originalmente informados, consubstanciar juridicamente a existência do indébito. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 O deslinde da querela circunscrevese, então, à matéria probatória acerca do reconhecimento da existência de direito creditório alegado pelo contribuinte, matéria que foi devolvida para esta Corte, em razão de não restar pacificada em sede de primeira instância. Noticiam os autos que a recorrente argüiu pela ausência de fundamentação no feito e que deveria haver sido intimada para prestar esclarecimentos ou mesmo para proceder a retificação da DCTF, e que a não ocorrência de tais situações resultou em prejuízo ao contraditório, a ampla defesa e ao devido processo legal, restando caracterizada assim a nulidade do feito. Neste sentido formulou assertivas que a fundamentação ou motivação dos atos administrativos é obrigatória para o exame de sua legalidade, finalidade e da moralidade administrativa, ex vi do art. 37 da CF/88, assinalando que a autoridade administrativa antes de não homologar a compensação declarada deveria se certificar da origem do crédito. Não subsiste a pretensão de nulidade do feito. É o que se demonstrará a seguir. A DCOMP tem a finalidade de informar acerca do encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, bem assim que a responsabilidade da emissão desse documento é de exclusividade da contribuinte, de igual modo o sendo em relação à comprovação da liquidez e certeza dos débitos e créditos informados por meio de Per/DComp. De igual modo cabe à autoridade tributária a necessária verificação da documentação e da origem desses débitos/créditos e correspondente validação e, se for o caso, sobrevém à homologação confirmando a extinção da obrigação tributária, que efetivamente não ocorreu por falta da apresentação de documentação hábil e idônea que demonstrasse a existência do crédito alegado na DComp. Assim utilizandose das informações constantes dos sistemas RFB a fiscalização constatou que o pagamento informado por meio de DARF foi integralmente utilizado para o pagamento de débito regularmente declarado pela própria contribuinte, não restando saldo credor para à satisfação da compensação. Por sua vez a decisão recorrida observou que a contribuinte não efetuou a retificação dos valores informados na DComp por meio da retificação da correspondente DCTF. Compulsando os autos verificouse que a fiscalização amparouse em informações do sistema RFB alimentado pela própria contribuinte, que em momento algum laborou em demonstrar a efetividade da existência do crédito alegado, ou seja, não logrou em demonstrar a certeza e a liquidez necessária a consubstanciar a sua pretensão. Quanto a este aspecto os fatos falam por si só. A decisão consubstanciouse em seus próprios fundamentos, com base no princípio da verdade material, utilizandose de informações fornecidas pela recorrente, tornandose despicienda a sua intimação, pois discricionária é a demanda neste sentido. Partindose do pressuposto de que as informações prestadas regularmente ao Fisco são as mesmas que alimentam os registros contábeis e fiscais da recorrente, e que tais informações foram utilizadas pela autoridade administrativa para a comprovação da inexistência de saldo credor para à satisfação da compensação declarada, não há se alegar cerceamento de defesa e muito menos ao contraditório, pois a peça recursal analisada em toda a sua amplitude reflete o direito de audiência e o devido processo legal. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.910877/200911 Acórdão n.º 3803004.068 S3TE03 Fl. 8 5 No item atinente ao crédito passível de compensação, a recorrente discorre acerca da verdade material para, justificar a possibilidade de comprovação do crédito em qualquer fase processual, entretanto não laborou em demonstrar a efetivamente existência do crédito alegado. E mais. A título de dar cumprimento aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa, tais assertivas não se opõem ao disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, que prevê que o momento de apresentação da prova dáse simultaneamente com a interposição da impugnação/manifestação de inconformidade, não podendo sêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, outrossim esclarecendo que a recorrente não se insere neste contexto. Determina, ainda, o disposto no artigo 16 do Dec. nº 70.235/72, que da impugnação deverá constar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta o pleito formalizado, como também as razões da discordância e as provas que comprovem o direito a que faz jus o interessado. Como dito a recorrente não laborou em demonstrar a razão superveniente que a impediu de apresentar, oportunamente, os documentos trazidos em outro momento processual. Por tal razão não há como acolher o seu pleito neste aspecto. Igualmente não logrou infirmar o conteúdo do decidido no despacho decisório eletrônico, ou mesmo demonstrar a existência de liquidez, certeza e disponibilidade do crédito informado no Per/DComp, para a satisfação da compensação, mediante a homologação e extinção do crédito, nos termos do art. 156, II, do CTN. A questão da prova na atividade administrativotributária resolvese ante o discernimento acerca da responsabilidade de quem deve provar o alegado. Para esclarecer esta questão buscase a orientação no Código de Processo Civil, subsidiariamente utilizado nos julgamentos dos processos administrativos fiscais pelo CARF, em seu art. 333, assim alude: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo, ou extintivo do direito do autor. A função do julgador administrativo no âmbito o CARF é a verificação do controle da legalidade e a aplicação da lei ao caso concreto. A aplicação da Taxa Selic a título de juros de mora encontra amparo legal, não havendo a declaração de inconstitucionalidade neste sentido pelo Pleno dos Tribunais Superiores. Este é o entendimento remansoso adotado majoritariamente nos julgamentos realizados no âmbito do CARF. Finalmente, a não apresentação de documentos necessários à comprovação de direito creditório juntamente com a impugnação, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária, impede a revisão de ofício e enseja o lançamento para o cumprimento de exigência fiscal. Ante o exposto nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN 6 (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 109DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 21410.001463/90-94
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 1995
Data da publicação: Wed May 24 00:00:00 UTC 1995
Ementa: ITR - NORMAS PROCESSUAIS - Petição que trata de matérias estranhas ao Processo Administrativo Fiscal (cobrança da dívida ativa e cancelamento de cadastro), não é de ser aceita como impugnação. Recurso não conhecido, dado a inexistência de litígio a ser apreciado.
Numero da decisão: 202-07764
Nome do relator: Antônio Carlos Bueno Ribeiro
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Numero do processo: 10880.979269/2009-52
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 30/06/2003
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-001.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2003 IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
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PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 92 69 /2 00 9- 52 Fl. 30DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa. Relatório Por economia processual adoto o Relatório da decisão recorrida (fl. 13) que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 01 e 02) relativa ao pagamento indevido ou maior de IRPJ— cód. 2089, no montante de R$ 44,81, ocorrido em 30/06/2003, com débito próprio de COFINS — cód. 2172. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 21/11/2005, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fl. 03, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que homologou parcialmente a compensação declarada por insuficiência do crédito. Segundo o Despacho Decisório o pagamento indicado possui saldo disponível para compensação de apenas R$ 0,01, visto que o restante foi utilizado para quitação de débito do contribuinte. Inconformado, o contribuinte por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 07, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas A requerente tem como objeto social o transporte rodoviário de cargas e na execução desses serviços seus veículos estão sujeitos ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras. Por força do artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional ou rendimento tributável da empresa não constituindo base de incidência de contribuições social ou previdencicirias. Portanto os valores recebidos a titulo de pedágio pela Requerente, obrigatoriamente destacados no campo especifico do conhecimento de transporte rodoviário, conforme prevê o ,¢ único do mesmo artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, não deveriam ter composto a base de cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRP1 Ocorre que por desconhecimento até então pela Requerente desse fato, os valores relativos ao pedágio vinham sendo considerados como receita da empresa e, conseqüentemente, incluídos na base de calculo de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Tendo tornado conhecimento da não incidência dos impostos federais sobre os valores recebidos a titulo de pedágio, a Requerente efetuou levantamento dos valores pagos a maior relativos ao prazo prescricional, e efetuou pedido de restituição conforme PER/DCOMP n° 25525.74958.141105.1.2.049043, relativo ao período de apuração mar/2003. Nesse período, Fl. 31DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979269/200952 Acórdão n.º 1802001.637 S1TE02 Fl. 3 3 conforme poderá ser constatado pela planilha anexa, foram destacados nos conhecimentos de transporte o valor correspondente a R$ 3.734,55, relativo ao pedágio, valor esse que não deveria ter integrado a base de cálculo do imposto. Sendo feita a verificação poderá ser constatado que o percentual do imposto aplicado sobre a diferença acima informada corresponde exatamente ao crédito pleiteado e compensado pela Requerente. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/São Paulo/SP1) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1627.316, de 27 de outubro de 2010 (fls.12/15), cientificado ao interessado em 07/12/2010. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.12): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2003 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 04/01/2011 narrando os mesmos fundamentos aduzidos na manifestação de inconformidade acima sintetizados, portanto, desnecessário repetilos. A Recorrente reforça que em sua manifestação de inconformidade apresentou além de suas alegações relativas as compensações efetuadas, a relação dos conhecimentos de transporte onde os valores de pedágio foram destacados e indevidamente considerados como receita operacional da empresa. A confirmação de que os valores relativos ao pedágio constavam dos referidos conhecimentos de transporte e por conseqüência foram considerados na apuração da receita operacional tributável poderia, a critério do órgão julgador de primeira instância, ter sido feita através de diligência junto a Recorrente. Finalmente requer que a principio o julgamento seja transformado em diligência, a fim de que sejam devidamente comprovadas todas as alegações da Recorrente, para ao final serem as compensações efetuadas julgadas procedentes, evitando a apropriação indébita pelo estado de valores, certamente, indevidos pelo contribuinte. E por ser esta uma medida da mais plena JUSTIÇA É o relatório. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 24857.32699.211105.1.3.040857 (fls.01/02), transmitido em 21/11/2005, em que a contribuinte pretende compensar débito de Cofins: R$ 64,14, código 2172, relativo ao mês de Outubro de 2005, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ no valor de R$ 44,81, código – 2089; Período de Apuração: 31/03/2003; Data de Arrecadação: 30/06/2003. Consta do despacho decisório de fl.03, emitido em 24/08/2009 que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível para compensação de apenas R$ 0,01. Contrapondose ao despacho decisório, a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada em 23/09/2009(fls.07/08), foi no sentido de que o crédito decorre do valor relativo ao pedágio destacado no conhecimento de transporte, o qual, segundo o disposto no artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, nem constituirá base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. Apresenta em anexo (fl. 08), uma relação dos conhecimentos de transporte relativo ao período de apuração de março/2003 e respectivo valor do pedágio cujo total monta a R$ 3.734,55. Na decisão de primeira instância a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, sob o fundamento de que não fora homologada a compensação porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito (IRPJ, código 2089) foi utilizado na quitação de débito confessado em DCTF e não há prova nos autos de que os valores relativos ao pedágio integraram a base de cálculo do IRPJ relativo período de apuração de março/2003, de modo a comprovar o alegado indébito tributário. Vejamos os fundamentos que também adoto como razão de decidir: ... De inicio, é de se registrar que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos. Pautado neste principio, tanto a Declaração de Compensação — DCOMP prevista no artigo 49 da Lei n° 10.637/2002 quanto o Pedido de Restituição — PER (eletrônico),utilizam as informações constantes das declarações apresentadas pelo contribuinte (DCTF, DIPJ, DACON, etc). No caso, por se tratar de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, o processamento comparou o pagamento indicado com a informação constante na DCTF. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979269/200952 Acórdão n.º 1802001.637 S1TE02 Fl. 4 5 0 procedimento em tela apurou crédito de apenas R$ 0,01 que como se vê é insuficiente para homologar a totalidade da compensação declarada. ... De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz qualquer elemento que demonstre suas alegações, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CPC "Art. 333. 0 ânus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II — ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Com efeito a simples relação do conhecimento de transporte não é suficiente para comprovar que o valor em questão integrou a base de calculo do IRPJ relativo período de apuração de mar/2003, visto que, está desacompanhada de copia da escrituração contábil que deve obrigatoriamente estar assinada pelo contabilista responsável, bem como do próprio conhecimento de transporte. Assim sendo, em face de tudo o quanto foi exposto, VOTO no sentido de considerar a manifestação de inconformidade IMPROCEDENTE. Em sede recursal, a Recorrente reproduz os mesmos argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, mas apesar dos fundamentos aduzidos pela DRJ, a Recorrente em nada se desincumbiu para provar que os valores ditos recebidos a título de pedágio, deveras compôs a base de cálculo do IRPJ do período de apuração em comento a proporcionar o pagamento indevido do mencionado tributo. A Recorrente requer diligência para comprovar que os valores relativos ao pedágio foram considerados na apuração da receita operacional tributável. Sobre tal pleito, vale esclarecer que a diligência se reserva à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde do litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probante puder ser demonstrado nos autos, de sorte que a autoridade julgadora possa formar a sua livre convicção. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Ora, nada impedia ao contribuinte, acaso interessado em comprovar seu direito creditório, a proceder a juntada de cópia da escrituração contábil/fiscal e comparar com os valores declarados na DIPJ/2004 e DCTF. Pois, como explicado na decisão recorrida, a simples relação de conhecimento de transporte é insuficiente para comprovar que o valor em questão integrou a base de cálculo do IRPJ relativo período de apuração de março/2003. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Registrese que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979269/200952 Acórdão n.º 1802001.637 S1TE02 Fl. 5 7 Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 21/11/2005, tomou ciência do despacho decisório expedido em 24/08/2009, e apresentou a manifestação de inconformidade em 23/09/2009. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 15/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/ 05/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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