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Numero do processo: 11080.901076/2008-93
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL.
Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal que estabeleceu a previsão.
Numero da decisão: 3803-006.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal que estabeleceu a previsão.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CONDIÇÃO. PROVA. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A extinção de débitos mediante compensação declarada pelo sujeito passivo condicionase a ulterior comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não devem ser excluídos na determinação da base de cálculo sob o regime cumulativo, em virtude da ineficácia do dispositivo legal que estabeleceu a previsão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 10 76 /2 00 8- 93 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o acórdão da DRJ/Porto Alegre que considerou improcedente a manifestação de inconformidade Despacho decisório da DRF/Porto Alegre não homologou a compensação declarada pela Contribuinte por inexistência do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep perante a Fazenda Nacional, tendo o órgão de origem localizado o DARF indicado na DComp, porém dele não restando saldo credor para utilização na presente compensação. Em manifestação de inconformidade a Interessada alegou que o crédito utilizado era decorrente de pagamento indevido sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável, com base no art. 3°, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/1998. Também foi alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração. Em julgamento da lide, a DRJ Porto Alegre considerou que o dispositivo legal invocado não atuou em sua eficácia, dada a falta de sua regulamentação pela RFB, tendo sido revogado em julho de 2000. Aduziu também que a Contribuinte não trouxe aos autos qualquer documento comprobatório dos repasses, e, portanto, do direito alegado. A decisão foi ementada com segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação — Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. Compensação não Homologada Cientificada da decisão em 24 de outubro de 2008, sextafeira, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário em 24 de novembro de 2009, em que reitera os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade, sustentando, adicionalmente, o seu direito com base na vacatio legis resultante da declaração de inconstitucionalidade da parte final do art. 15, in fine, da MP nº 1.212/95 (art. 18, in fine, da Lei nº 9.715/98). É o Relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.901076/200893 Acórdão n.º 3803006.878 S3TE03 Fl. 93 3 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo. Tenhase que somente no recurso voluntário foi apresentado o fundamento da ocorrência de vacatio legis, resultante da declaração de inconstitucionalidade da parte final do art. 15, in fine, da MP nº 1.212/95 (art. 18, in fine, da Lei nº 9.715/98), para sustentar a legitimidade do crédito utilizado na DComp. Esta matéria não foi prequestionada perante a primeira instância, não se tendo instaurado quanto a ela o litígio. Portanto, não pode ser conhecida. Na parte que se conhece, nada há a reparar na decisão recorrida, ao aduzir à ausência de produção de efeitos do dispositivo legal trazido à baila pela Manifestante, o art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98[1], que fazia previsão para a exclusão da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins dos valores recebidos como receita e que foram repassados a terceiros. Com efeito, esta previsão legal, ao referir que as exclusões de tais valores deveriam observar as regras regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo, constituiuas, sistemicamente, em obstáculo material a ser transposto para a concreção da eficácia (técnica) de tal preceito, como complemento sintático e integrador do texto legal. O legislador ao outorgar tal benefício tributário condicionou o seu gozo. Optou por delegar ao Poder Executivo a tarefa de estabelecer os contornos de como se aperfeiçoaria o benefício, decisão tomada ao amparo da sua autonomia legislativa. Dessa forma, a inexistência da regulamentação impediu mesmo a geração de efeitos do dito texto legal. E neste entendimento consolidouse a jurisprudência deste Conselho e precedentes do Superior Tribunal de Justiça. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa 1 [...]§ 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo [...]; Fl. 94DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000348/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2006
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL INDIVIDUALIZADA DAS PARCELAS INTEGRANTES E NÃO INTEGRANTES DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. MATERIALIDADE DA INFRAÇÃO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA.
A materialidade da infração não foi contestada no recurso, restando preclusa essa questão por desatendimento ao princípio da dialeticidade dos recursos.
DOSIMETRIA DA MULTA.
No cálculo da multa são considerados os elementos de gradação previstos no art. 292 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. A multa foi aplicada em seu valor mínimo considerando a inexistência de circunstâncias agravantes e atenuantes.
RELEVAÇÃO DA MULTA. FALTA NÃO CORRIGIDA. INAPLICABILIDADE.
O instituto da relevação da multa tinha por finalidade a satisfação, pelo infrator, do objeto da obrigação tributária acessória descumprida, de modo que não é aplicável quando não ocorre o saneamento da falta, nos termos do art. 291 § 1o do RPS/99.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio César Vieira Gomes- Presidente
Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2006 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL INDIVIDUALIZADA DAS PARCELAS INTEGRANTES E NÃO INTEGRANTES DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. MATERIALIDADE DA INFRAÇÃO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. A materialidade da infração não foi contestada no recurso, restando preclusa essa questão por desatendimento ao princípio da dialeticidade dos recursos. DOSIMETRIA DA MULTA. No cálculo da multa são considerados os elementos de gradação previstos no art. 292 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. A multa foi aplicada em seu valor mínimo considerando a inexistência de circunstâncias agravantes e atenuantes. RELEVAÇÃO DA MULTA. FALTA NÃO CORRIGIDA. INAPLICABILIDADE. O instituto da relevação da multa tinha por finalidade a satisfação, pelo infrator, do objeto da obrigação tributária acessória descumprida, de modo que não é aplicável quando não ocorre o saneamento da falta, nos termos do art. 291 § 1o do RPS/99. Recurso Voluntário Negado.
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MATERIALIDADE DA INFRAÇÃO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. A materialidade da infração não foi contestada no recurso, restando preclusa essa questão por desatendimento ao princípio da dialeticidade dos recursos. DOSIMETRIA DA MULTA. No cálculo da multa são considerados os elementos de gradação previstos no art. 292 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. A multa foi aplicada em seu valor mínimo considerando a inexistência de circunstâncias agravantes e atenuantes. RELEVAÇÃO DA MULTA. FALTA NÃO CORRIGIDA. INAPLICABILIDADE. O instituto da relevação da multa tinha por finalidade a satisfação, pelo infrator, do objeto da obrigação tributária acessória descumprida, de modo que não é aplicável quando não ocorre o saneamento da falta, nos termos do art. 291 § 1o do RPS/99. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 03 48 /2 00 8- 91 Fl. 281DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.000348/200891 Acórdão n.º 2402004.616 S2C4T2 Fl. 282 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 0524.253 da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) Campinas (SP), fl. 216223, com ciência da autuada em 08/01/2009, fl. 230, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) lavrado sob o Debcad no 37.153.5522, do qual o sujeito passivo foi cientificado em 02/07/2008, fl. 212. De acordo com o relatório fiscal de fl. 3640, o auto de infração se refere à penalidade por infração ao art. 32, inciso II, da Lei n° 8.212/1991, e §§ 13 a 17 do inciso II do art. 225 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, por ter sido constatado que a autuada deixou de contabilizar, em títulos próprios de sua contabilidade, as parcelas da remuneração de segurados empregados denominadas de direito intelectual, vale refeição, vale alimentação, vale transporte e ajuda de custo, identificadas em “folha de pagamento suplementar”. A autuada apresentou impugnação, fls. 130164, solicitando a nulidade da autuação. Alegou, em síntese, que os livros de duplicatas a receber e de duplicatas a pagar são facultativos, e que não os utiliza, tendoos substituído por softwares de controle da parte financeira. Também sustentou a desnecessidade de manter o Livro de Duplicatas a Pagar, pois efetua os pagamentos das notas fiscais emitidas pelos consultores diretamente na conta de resultado “consultores”, não envolvendo qualquer conta patrimonial do passivo. Alegou que foram apresentadas à fiscalização todas as notas fiscais emitidas pela empresa, as quais são lançadas na conta duplicatas a receber/clientes, afirmando que esses documentos suprem a exigência do Livro Duplicatas a Receber. Sustentou que sua contabilidade é regular e que não criou óbice à atuação da fiscalização, de modo que não existem motivos para o uso da técnica do arbitramento. Argumentou que é arbitrário o procedimento de fiscalização que desconstituiu as pessoas jurídicas que lhe prestam serviços. Por fim, argumentou que a multa deve ser aplicada no seu valor mínimo de R$ 636,17 e que, em atenção aos princípios da legalidade, razoabilidade e proporcionalidade, deve ser relevada, na forma do § 1o do art. 291 do RPS, uma vez que é primária e não incorreu em qualquer agravante. A DRJ julgou a impugnação improcedente sob o fundamento de que ficou materializada a infração, que a multa foi aplicada de acordo com a legislação de regência e que não cabe relevar a multa quando não corrigida a falta. Em 19/01/2009, a interessada interpôs recurso voluntário, fl. 235273, reiterando, na íntegra, as razões da impugnação. É o relatório. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Recurso Voluntário Conheço do recurso por estar presentes os requisitos de admissibilidade. Materialidade da Infração Conforme mencionado em seu recurso, a recorrente contesta a infração por “não ter apresentado ao Sr. Auditor Fiscal os "Livros Auxiliares", conforme se observa das razões do Auto de Infração”. Entretanto, segundo o relatório fiscal às fls. 3640, o fato imputado à recorrente e que ensejou a autuação, foi a constatação de que o Livro Diário não contempla a escrituração, em contas individualizadas, de algumas parcelas da remuneração de segurados empregados identificadas em “folha de pagamento suplementar”, quais sejam, os valores pagos a título de direito intelectual, vale refeição, vale transporte e ajuda de custo. A escrituração contábil deve permitir a identificação dos fatos geradores de contribuições previdenciárias apenas com base nos títulos das contas, sem que haja a necessidade de pesquisa em históricos contábeis, nem em documentos. Essa exigência está prevista no inciso II do artigo 32 da Lei 8.212/91 e no inciso II do § 13º do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/991. Para tanto, nos termos do inciso II, do § 13, do art. 225 do RPS/99, a contabilidade deve identificar, de modo individualizado, todas as parcelas pagas aos segurados empregados, ainda que não integrem o salário de contribuição. Ocorre que o recurso voluntário não contesta as matérias tratadas no auto de infração. As razões do recurso dizem respeito tão somente à exigência de escrituração dos livros de duplicatas a receber e de duplicatas a pagar, o uso da técnica do arbitramento para 1 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: I atender ao princípio contábil do regime de competência; e II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.000348/200891 Acórdão n.º 2402004.616 S2C4T2 Fl. 283 5 efetuar lançamento tributário e desconsideração de pessoas jurídicas prestadoras de serviços, matérias estranhas à autuação. Entendo, portanto, que a materialidade da infração não foi contestada, restando preclusa essa questão, conforme previsto no art. 17 do Decreto 70.235/72, que dispõe que: “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”, e, considerando, ainda, o desatendimento ao princípio da dialeticidade2, segundo o qual o recorrente deve apresentar suas razões impugnando especificamente os fundamentos fáticos e jurídicos do lançamento. Escrituração Contábil em desacordo com a Legislação Previdenciária. Dosimetria da Multa A multa abstrata é fixada pelo legislador, que, para a infração em foco, a definiu no art. 283 inciso II “a” do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, no valor de R$ 6.361,73, corrigida, à época da lavratura do auto de infração, para R$ 12.548,77, com base nos mesmos índices de correção dos benefícios da previdência social, conforme determinação do art. 373 do RPS/99 c/c Portaria MPS/MF nº 77, de 11 de março de 2008 – DOU 12/03/2008, vigente à época da autuação, art. 8o inciso VI, abaixo transcrito: RPS/99: Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) ... II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Portaria MPS/MF nº 77, de 11 de março de 2008 Art. 8º A partir de 1º de março de 2008: ... 2 Conforme esclarece Fredie Didier, citando Nelson Nery Jr.: "de acordo com este princípio, exigese que todo recurso seja formulado por meio de petição na qual a parte, não apenas manifeste sua inconformidade com ato judicial impugnado, mas, também e necessariaemnte, indique os motivos de fato e de direito pelos quais requer o novo julgamento da questão nele cogitada". (DIDIER JR., Fredie, CARNEIRO DA CUNHA, Leonardo José. Curso de Direito Processual Civil, vol. 3, BA: ed. Jus Podium, 2009, p. 62). Fl. 285DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 VI o valor da multa indicada no inciso II do art. 283 do RPS é de R$ 12.548,77 (doze mil quinhentos e quarenta e oito reais e setenta e sete centavos); A pena concreta foi aplicada pela autoridade administrativa com base em critérios legais, previstos no art. 292 do RPS/99, na redação vigente à época da infração: Art. 292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: I na ausência de agravantes, serão aplicadas nos valores mínimos estabelecidos nos incisos I e II e no § 3º do art. 283 e nos arts. 286 e 288, conforme o caso; II as agravantes dos incisos I e II do art. 290 elevam a multa em três vezes; III as agravantes dos incisos III e IV do art. 290 elevam a multa em duas vezes; IV a agravante do inciso V do art. 290 eleva a multa em três vezes a cada reincidência no mesmo tipo de infração, e em duas vezes em caso de reincidência em infrações diferentes, observados os valores máximos estabelecidos no caput dos arts. 283 e 286, conforme o caso; e V – na ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinqüenta por cento. Parágrafo único. Na aplicação da multa a que se refere o art. 288, aplicarseá apenas as agravantes referidas nos incisos III a V do art. 290, as quais elevam a multa em duas vezes. Não foram constatadas as circunstâncias agravantes do art. 290 do RPS/99 nem a atenuante do art. 291 do mesmo Regulamento, na redação vigente à época da infração: Art. 290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: I tentado subornar servidor dos órgãos competentes; II agido com dolo, fraude ou máfé; III desacatado, no ato da ação fiscal, o agente da fiscalização; IV obstado a ação da fiscalização; ou V incorrido em reincidência. Parágrafo único. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tornar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do Fl. 286DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16095.000348/200891 Acórdão n.º 2402004.616 S2C4T2 Fl. 284 7 prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) § 1o A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) § 2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) § 3º A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de ofício para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. § 3o Da decisão que atenuar ou relevar multa cabe recurso de ofício, de acordo com o disposto no art. 366. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) Os critérios da individualização da pena são tão somente os previstos em lei. Notase que não há previsão legal para se considerar, na gradação da multa, a condição financeira e econômica do autuado, a atividade por ele exercida, ou a extensão do dano causado. No auto de infração adotouse o valor mínimo da multa, R$ 12.548,77, considerando a inexistência de circunstâncias agravantes e atenuantes, por força do art. 290, inciso I, do RPS/99, o que ficou consignado no relatório fiscal da aplicação da multa às f. 40. Em suma, na aplicação e gradação da multa, foi observada fielmente a legislação pertinente. Relevação da Multa No momento da apresentação da impugnação vigorava o art. 291 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/99, na redação do Decreto 6.032, de 1o de fevereiro de 20073, o qual previa a possibilidade de a autoridade administrativa relevar a multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória no caso de haver pedido do autuado dentro do prazo de defesa, de o infrator ser primário, ter corrigido a falta e não ter incorrido em nenhuma circunstância agravante: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. §1° A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. 3 Esse dispositivo foi revogado pelo Decreto nº 6.727, de 12 de janeiro de 2009. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 §2° O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. §3° A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de ofício para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. Esse dispositivo não explicitava o significado da expressão ter o infrator corrigido a falta, mas sua exegese não oferece maiores dificuldades para o intérprete, permitindose concluir que a correção da falta nada mais é do que a satisfação, pelo infrator, do objeto da obrigação tributária acessória. Na linha dessa interpretação, a correção da falta consistiria, no caso, em a empresa comprovar que corrigiu sua escrituração contábil no período da autuação, demonstrando que o Livro Diário contempla, de modo individualizado, todas as rubricas dos pagamentos feitos aos segurados empregados. Em 31 de julho de 2008, dentro do prazo de impugnação, a autuada pediu a relevação da multa, e, embora primária, deixou de comprovar a correção da falta, o que, por si só, impede a remissão da multa prevista no § 1o do art. 291, que exigia a observância, pelo infrator, de todos os requisitos nele previstos, cumulativamente. Essa é a conclusão do acórdão recorrido quanto à matéria, cujo entendimento ratifico com base nas suas próprias razões de decidir: Resta concluir, assim, que a empresa não atende apenas a segunda das condições previstas no § 1o do art. 291 do Regulamento, qual seja a correção da falta até a expiração do prazo para impugnação do Auto. Como, no entanto, o dispositivo regulamentar em apreço exige que TODAS as condições ali postas sejam atendidas é dizer, elas são cumulativas, e não alternativas , forçoso é concluir que a impugnante não faz jus à relevação da multa. Portanto, rejeito o pedido de relevação da multa. Conclusão Com base no exposto, voto por negar provimento ao recurso. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10768.009611/99-08
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995
PIS. PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005.
Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após a ocorrência do fato gerador.
No caso, como o pedido administrativo de repetição de PIS foi protocolado em 13/05/1999, relativo a fatos geradores ocorridos de 01/07/1988 a 30/09/1995, está extinto o direito de se pleitear a restituição dos tributos com fatos geradores ocorridos antes de 13/05/1989, por superar o prazo decenal.
Numero da decisão: 9900-000.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto
Presidente na data da Formalização do Acórdão
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 09/04/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros OTACILIO DANTAS CARTAXO (Presidente), JOEL MIYAZAKI, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, NANCI GAMA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, MARCELO OLIVEIRA, PAULO ROBERTO CORTEZ, PAULO ROBERTO CORTEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, JULIO CESAR ALVES RAMOS, JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, VALMAR FONSECA DE MENEZES, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ELIAS SAMPAIO FREIRE, VALMIR SANDRI, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, HENRIQUE PINHEIRO TORRES, RODRIGO CARDOZO MIRANDA, RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RODRIGO DA COSTA POSSAS e FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2208; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFPL Fl. 357 1 356 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10768.009611/9908 Recurso nº Extraordinário Acórdão nº 9900000.890 – Pleno Sessão de 09 de dezembro de 2014 Matéria PIS Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida DECORAÇÔES KARÍCIA LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995 PIS. PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após a ocorrência do fato gerador. No caso, como o pedido administrativo de repetição de PIS foi protocolado em 13/05/1999, relativo a fatos geradores ocorridos de 01/07/1988 a 30/09/1995, está extinto o direito de se pleitear a restituição dos tributos com fatos geradores ocorridos antes de 13/05/1989, por superar o prazo decenal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 96 11 /9 9- 08 Fl. 420DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBE RTO FREITAS BARRETO Processo nº 10768.009611/9908 Acórdão n.º 9900000.890 CSRFPL Fl. 358 2 Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente na data da Formalização do Acórdão (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 09/04/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros OTACILIO DANTAS CARTAXO (Presidente), JOEL MIYAZAKI, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, NANCI GAMA, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, MARCELO OLIVEIRA, PAULO ROBERTO CORTEZ, PAULO ROBERTO CORTEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, JULIO CESAR ALVES RAMOS, JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, VALMAR FONSECA DE MENEZES, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ELIAS SAMPAIO FREIRE, VALMIR SANDRI, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, HENRIQUE PINHEIRO TORRES, RODRIGO CARDOZO MIRANDA, RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RODRIGO DA COSTA POSSAS e FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA. Relatório Tratase de recurso extraordinário de iniciativa da Fazenda Nacional ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, com fundamento no artigo 9º do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais RICSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007. Observese que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, o recursos extraordinário interposto contra acórdãos proferidos até 30 de junho de 2009 serão, por força do artigo 4° do mesmo Regimento, processados de acordo com o rito então previsto no RICSRF, mais especificamente em seus arts. 43 e 44. Referese o feito à repetição de indébito (restituição), cumulada com pedido de compensação (fls. 01 e 02), ambas denegadas pela autoridade administrativa (fls. 224 a 228), abrangendo pagamentos realizados sob a égide dos DecretosLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988 e nº 2.449, de 21 de julho de 1988, posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, consoante Resolução do Senado Federal nº 49, de 09 de outubro de 1995. Consoante planilhas de fls. 15 a 26, os recolhimentos a maior em relação ao valor devido consoante Lei Complementar nº 07, de 07 de setembro de 1970, teriam se dado de 10/88 a 10/95 (referindose a períodos de apuração para o PIS de 07/88 a 09/95), com os pedidos de restituição e compensação tendo sido protocolizados em 13/05/99 (fls. 01 e 02). Fl. 421DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBE RTO FREITAS BARRETO Processo nº 10768.009611/9908 Acórdão n.º 9900000.890 CSRFPL Fl. 359 3 Diante do indeferimento de seu pleito junto à RFB, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 234 a 246, onde se insurgiu contra : a) A decadência, declarada no despacho de indeferimento com fulcro na aplicação do art. 168, I do CTN, e que fulminava os pagamentos efetuados antes de 13/05/94, tendo, assim, ali se considerado que a contagem do prazo decadencial se iniciou a partir de cada um dos pagamentos efetuados. b) Ainda, mesmo para os pagamentos admitidos como não decaídos, entendia o contribuinte que, contrariamente ao exposto na decisão, ao se confrontar a base de cálculo devida e a exigida, restaria evidente a ocorrência de pagamento a maior, considerandose que: b.1) a base de cálculo do PIS devido pela interessada, nos moldes da Lei Complementar n° 07, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior a ocorrência do fato gerador, sem a incidência de correção monetária e b.2) De outro lado, a base de cálculo exigida e recolhida pela interessada, nos moldes dos DecretosLei n°s. 2.445 e 2.449, ambos de 1988, seria a receita operacional bruta do período. A autoridade julgadora da 1a. instância, mantendo a interpretação do despacho de indeferimento quanto à decadência, também considerou decaídos os pagamentos anteriores a 13/05/94, tendo, ainda, rejeitado a alegada existência de defasagem temporal de seis meses entre o fato gerador da exação em análise e sua base de cálculo, interpretando que o art. 6o. da Lei Complementar n° 07, de 1970, em verdade, somente estipulou o marco inicial para a concretização dos depósitos (recolhimento) (fls. 271 a 282). Demonstrou, ainda, a DRJ competente que, para os pagamentos ali não considerados decaídos (que abrangeriam os períodos de apuração de 04/1994 a 09/1995), uma vez rejeitada a defasagem semestral citada, não haveria que se falar em montante passível de restituição ou compensação (demonstrativos de fls. 257 a 259). Ingressou, então, o contribuinte com Recurso Voluntário, repisando os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade quanto a ambas as matérias previamente questionadas (fls. 285 a 294), o qual restou integralmente provido na forma do Acórdão 20179.054, do então 2o. Conselho de Contribuintes (fls. 297 a 299). Entendeuse aqui que a contagem do prazo decadencial para repetição do indébito somente se iniciaria a partir da data de publicação da Resolução do Senado Federal no 49, que suspendeu a execução dos DecretosLeis declarados inconstitucionais, a saber, 10/10/1995. Inconformada com o decisum supra, ingressa, em 15/05/2006, a Fazenda Nacional com Recurso Especial de contrariedade à lei (fls. 302 a 305), previsto na forma do art. 32, I do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes então vigente, atendose, porém, a Fazenda Nacional, neste pleito, a questionar a matéria relativa a contagem do prazo decadencial. Reforça a Fazenda, nesta sede recursal, a argumentação propugnada pela autoridade da 1a. instância, utilizandose, também, dos ditames dos arts. 3o, 4o e 106 da Lei Complementar no 118, de 09 de fevereiro de 2005. Admitido o Especial, consoante Despacho de fls. 307/308 e não tendo havido contrarrazões pelo recorrido, foi prolatado o Acórdão CSRF no 0202.900, da 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 28 de janeiro de 2008 (fls. 318 a 324), onde se negou provimento ao Recurso Especial de iniciativa da Fazenda Nacional, mantendose o entendimento da Câmara a quo, no sentido de que o dies a quo para fins de contagem do prazo Fl. 422DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBE RTO FREITAS BARRETO Processo nº 10768.009611/9908 Acórdão n.º 9900000.890 CSRFPL Fl. 360 4 decadencial seria a data de publicação da Resolução do Senado Federal no 49. Transcrevese, a seguir, a ementa do julgado: NORMAS PROCESSUAIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO.O termo a quo para contagem do prazo decadencial para pedido administrativo de repetição de indébito de tributo pago indevidamente com base em lei impositiva que veio a ser declarada inconstitucional pelo STF, com posterior Resolução do Senado suspendendo a execução daquela, é a data da publicação desta. No caso dos autos, em 10/10/1995, com a publicação da Resolução do Senado n° 49, de 09/10/95. A partir de tal data, abrese ao contribuinte o prazo decadencial de cinco anos para protocolo do pleito administrativo de repetição do indébito. Recurso especial negado. A Fazenda Nacional apresenta, então, recurso extraordinário a este Pleno (fls. 282 a 303), com fulcro nos arts. 9o e 43 do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF no 147, de 25 de junho de 2007, onde sustenta como inafastáveis as previsões do CTN que determinam a contagem do prazo para restituição a partir do pagamento indevido. Em sede deste Extraordinário, defende a recorrente que somente é possível se pleitear a repetição do indébito no prazo de 5 anos após o recolhimento indevido, tendo, assim, a decisão vergastada da CSRF violado o teor dos arts. 165, caput e inciso I c/c o art. 168, caput e inciso I, e ainda com o art. 156, inciso I, todos do CTN. Ressalta, ainda, novamente, a necessidade de aplicação dos arts. 3° e 4° da LC no 118, de 2005. Dentre os paradigmas apresentados para comprovar a divergência, destacase o Acórdão CSRF/0400.810, da 4a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado em 03 de março de 2008, cuja ementa se transcreve: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ILL O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos 1 e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido. Por fim, solicita a Fazenda Nacional que, mesmo que, por ventura, venha a se entender que o marco inicial do prazo para a restituição começa a partir da data da publicação da Resolução do Senado Federal no 49, de 1995, não se poderia deferir a restituição para além dos cinco anos anteriores, colacionando jurisprudência administrativa que sustenta tal entendimento. Propugna, assim, a recorrente que seja reformado o acórdão recorrido, para reconhecer a decadência de todos os pagamentos anteriores a 13/05/1994 pleiteados pelo contribuinte, tendo em vista que, para tais pagamentos, transcorreu mais de 5 anos do pagamento indevido. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBE RTO FREITAS BARRETO Processo nº 10768.009611/9908 Acórdão n.º 9900000.890 CSRFPL Fl. 361 5 O recurso foi admitido pelo despacho de fls. 347 e verso, que considerou a divergência jurisprudencial comprovada. Devidamente cientificado por edital (fls. 355 e 356), o sujeito passivo não apresentou contrarrazões, É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Data do pedido: 13/05/1999. Fatos Geradores: 01/07/1988 a 30/09/1995. A divergência diz respeito ao prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação e foi devidamente comprovada. Assim, o presente recurso extraordinário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Discutese qual o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação, especificamente no caso de tributo declarado inconstitucional. Nessa situação, o CARF está obrigatoriamente vinculado ao posicionamento dos Tribunais Superiores, nos termos do art. 62A do anexo II do RICARF, segundo o qual se deve reproduzir o conteúdo das decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Isso porque, no Recurso Extraordinário n° 566.621/RS, julgado em 11/10/2011, com trânsito em julgado em 17/11/2011, o STF decidiu que (a) considerase o prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da LC 118/05, ou seja a partir de 9 de junho de 2005, e (b) para os demais casos, aplicase a posição do STJ de que o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados da ocorrência do fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4o, 156, VII, e 168, I do CTN. Não há que se falar em tratamento diverso do acima exposto para o caso de inconstitucionalidade de lei. Nesse sentido: Fl. 424DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBE RTO FREITAS BARRETO Processo nº 10768.009611/9908 Acórdão n.º 9900000.890 CSRFPL Fl. 362 6 no RESP nº 1.002.932SP, de 05/11/2009, em regime de Recurso Repetitivo, o Ministro Relator, Luiz Fux, faz expressa referência, em seu voto (fls. 6 e 7) à jurisprudência do STJ, reproduzindo o ERESP n° 4.35835SC, nos termos a seguir: ... 2. Não há que se falar em prazo prescricional a contar de declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. ... o Supremo Tribunal Federal confirma essa afirmação, no RE nº 566.621 RS, de 11/10/2011, da relatoria da Ministra Ellen Gracie, em que é definido o critério de aplicação da tese dos 5 + 5 anos, em detrimento da redação dada ao art. 168 do CTN pela Lei Complementar n° 118, de 2005, e, à fl. 11 do voto, é também referida a jurisprudência consolidada do STJ, nos termos a seguir: ... é que a União invoca precedentes relativos a questões específicas, como tributos retidos no regime de substituição tributária e tributos inconstitucionais, em que chegou a haver, é verdade, alguma dúvida quanto à aplicação da regra geral dos 10 anos, mas que não perdurou. Logo, aquela Corte [STJ] firmou posição no sentido de que, também em tais situações de retenção e de reconhecimento do indébito em razão da inconstitucionalidade de lei instituidora, deverseia aplicar, sem ressalvas, a tese dos dez anos, conforme se vê dos EREsp 329.160/DF e EREsp 435.835/SC, julgados pela Primeira Seção daquela Corte. Aliás, nada melhor do que o próprio STJ para reconhecer que se tratava de jurisprudência consolidada. esse entendimento foi confirmado pelo próprio STJ, quando adaptou sua jurisprudência à decisão do STF, conforme RESP n° 1.269.570MG, de 23/05/2012, da relatoria do Ministro Mauro Campbell, em que se esclarece que a única alteração foi referente à data da mudança de critério, qual seja, para pedidos a partir da vigência da Lei Complementar n° 118, de 2005. Salientese, adicionalmente, que a expressão "ações ajuizadas" na decisão referida deve ser entendida como a realização do pedido de repetição de valor à autoridade competente para tal, o que inclui o processo administrativo, no âmbito da Administração Tributária. No presente caso, o pedido de repetição do indébito ocorreu antes de 09 de junho de 2005 e, portanto, aplicase o prazo de 10 anos a partir da ocorrência do fato gerador. Como o pedido foi feito em 13/05/1999, referente a tributos com fatos geradores ocorridos de 01/07/1988 a 30/09/1995, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, darlhe provimento parcial para reconhecer a perda do direito de se pleitear a restituição dos tributos com fatos geradores ocorridos antes de 13/05/1989. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 425DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBE RTO FREITAS BARRETO Processo nº 10768.009611/9908 Acórdão n.º 9900000.890 CSRFPL Fl. 363 7 Fl. 426DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBE RTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 19515.000879/2004-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
RECURSO DE OFÍCIO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO.
Uma vez comprovadas as origens de depósitos bancários, é correta a exclusão destes depósitos da base de cálculo do imposto.
NORMAS PROCESSUAIS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO.
É intempestivo o recurso apresentado após o decurso do prazo consignado no caput do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 2202-002.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO: Por unanimidade de votos, negar provimento. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. QUANTO À DECADÊNCIA: Pelo voto de qualidade, não acolher a decadência suscitada de ofício pelo Relator em relação ao crédito tributário remanescente no processo. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo (Relator), Fábio Brun Goldschmidt e Pedro Anan Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. Fez sustentação oral, o representante legal do contribuinte, Dr. Rubens Harumy Kamoi, inscrito na OAB/SP sob o nº 137700.
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz De Aragão Calomino Astorga Presidente Substituta.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins, Fábio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 RECURSO DE OFÍCIO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO. Uma vez comprovadas as origens de depósitos bancários, é correta a exclusão destes depósitos da base de cálculo do imposto. NORMAS PROCESSUAIS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO. É intempestivo o recurso apresentado após o decurso do prazo consignado no caput do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2162; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 6.298 1 6.297 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000879/200450 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2202002.255 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de abril de 2013 Matéria IRPF Recorrentes FRANCISCO RAYMUNDO FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 RECURSO DE OFÍCIO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO. Uma vez comprovadas as origens de depósitos bancários, é correta a exclusão destes depósitos da base de cálculo do imposto. NORMAS PROCESSUAIS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO. É intempestivo o recurso apresentado após o decurso do prazo consignado no caput do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO AO RECURSO DE OFÍCIO: Por unanimidade de votos, negar provimento. QUANTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO: Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. QUANTO À DECADÊNCIA: Pelo voto de qualidade, não acolher a decadência suscitada de ofício pelo Relator em relação ao crédito tributário remanescente no processo. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo (Relator), Fábio Brun Goldschmidt e Pedro Anan Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez. Fez sustentação oral, o representante legal do contribuinte, Dr. Rubens Harumy Kamoi, inscrito na OAB/SP sob o nº 137700. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz De Aragão Calomino Astorga – Presidente Substituta. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 08 79 /2 00 4- 50 Fl. 6309DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Rafael Pandolfo Relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins, Fábio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. Fl. 6310DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000879/200450 Acórdão n.º 2202002.255 S2C2T2 Fl. 6.299 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização Em razão de registros de movimentação financeira incompatíveis com os valores declaradas, foi instaurado procedimento de fiscalização (fl. 15) sobre o recorrente, que foi intimado para, em relação ao anocalendário de 1998: a) apresentar os extratos bancários que deram origem a sua movimentação financeira; b) comprovar, mediante documentação hábil, a origem dos recursos depositados. Ciente em 04/04/01, não ofereceu resposta. O Fisco, após emitir diversos Termos de Intimação, lavrando inclusive Termos de Embaraço a Fiscalização (fls. 5865), em razão da inércia do recorrente, decidiu emitir Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (fl. 67), em nome das instituições Banco Bradesco S/A (fls. 67 e 71), BANESPA (fl. 75) e Banco Santander Noroeste S/A (fl. 78). Consta cumprimento de Bradesco (fls. 536635), Banespa (fls. 627681) e Banco Santander Noroeste (fls. 682835). Em 25/06/03, o recorrente apresentou manifestação sustentando exercer atividade de interventor junto ao Tabelião de Notas e Anexos de BarueriSP desde 18/05/98, com escrituração própria do Livro de Lançamentos de Receitas e Despesas. Na oportunidade, juntou os seguintes documentos: a) Portarias 88/98; 168/98 e 197/99, da Egrégia Corregedoria Geral da Justiça, registro de nomeação (fls. 8486); b) extrato de conta corrente junto ao Banco Santander em nome do Tabelião de Barueri, do ano de 1998 (fls. 87110); c) extrato da conta corrente junto ao Banco Banespa em nome do Tabelião de Barueri, do ano de 1998 (fls. 111131); d) extrato da conta corrente junto ao Banco Bradesco em nome da pessoa física (fls. 132176); e) relação de depósitos bancários extraídos de conta (fls. 177178); f) e) relação de Cheques em Depósito ou Cobrança do período de 05/01/1998 a 30/12/1998, emitido pelo Banco Bradesco em nome do 9° Cartório de Registro de Imóveis da Capital (fls. 179453) Em 02/07/03 (fl. 454), o recorrente juntou, ainda, extratos de conta corrente junto ao Banco Bradesco, em nome do Registro de Imóveis da Capital, anocalendário 1998 (fls. 455533). Em 11/03/04, o recorrente foi intimado (fls. 838920) para: (a) apresentar relação que discriminasse, detalhadamente, as atividades e operações que deram causa à composição dos valores mensais dos rendimentos tributáveis informados na Declaração de Fl. 6311DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Ajuste Anual do ano calendário 1999; (b) esclarecer as divergências mensais entre os valores declarados e os totais mensais de depósitos nas contas correntes da pessoa física e do 9° Cartório de Registro de Imóveis de S. Paulo (de titularidade do 1º Tabelião de Notas de Barueri) (c) comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos que deram causa aos depósitos ocorridos no anocalendário de 1998, nas contas bancárias indicadas. Sem obter resposta, o Fisco elaborou, em 23/04/2004, Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 922925) e autuou o recorrente. 2 Auto de Infração Assim, foi lavrado, em 23/04/2004 (fls. 926931), auto de infração relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, anocalendário 1998, constituindo crédito tributário no montante de R$ 7.995.564,23, incluídos imposto, juros de mora e multa ofício de 75%. A infração imputada foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. 3 Impugnação Ciente em 29/04/04 (fl. 932), o recorrente apresentou impugnação tempestiva (fls. 934939), esgrimindo, em síntese, os seguintes argumentos: a) o impugnante, tempestivamente, apresentou sua declaração de rendimento do exercício de 1999, nela consignando todos os rendimentos auferidos no anocalendário 1998, resultando em um imposto a recolher de R$ 683.282,68; b) o recorrente possui "Livro Caixa", para registro das Receitas e Despesas concernentes à sua atividade de serventuário de Justiça, Livro que está subordinado à corregedoria permanente da Justiça do Estado de São Paulo; c) o registro de receitas e de despesas deve ser escriturado, diariamente, em forma mercantil, levantandose em conta balancete mensal e balanço anual, com discriminação, pela origem, da Receita e das Despesas do Cartório. Esse registro está sujeito ao visto do Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito da Vara dos Registros Públicos da Capital. A legislação de regência dos cartórios determina, nesse diapasão, fiscalização permanente por parte da Corregedoria da Justiça e, o registro está sujeito à autenticação de folha por folha, visados pelo Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito da Vara dos Registros Públicos. Anexou, por fim: a) Portaria nº 88/98 (fls. 951953); b) Provimento nº 05/09 (fls. 954966); c) Termo de Retenção e Termo de Devolução de Livro Caixa (fls. 967970); d) Decreto lei n° 5.129 de 23 de julho de 1931 (fls. 971976); e) Resumo Mensal e Anual das Contas em nome de Geraldo Lupo (fls. 977 991) f) Resumo Mensal e Anual das Contas em nome de Francisco Raymundo (fls. 9921007) g) Resumo Geral as Operações (fls. 1008—1009) Fl. 6312DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000879/200450 Acórdão n.º 2202002.255 S2C2T2 Fl. 6.300 5 h) Livros Caixa do 9° Cartório de Registro de Imóveis e do 1º Tabelião de Notas e Anexos de Barueri (fls. 10221214) i) Guias de recolhimento de Custas do Estado (Cód. 2446) e carteira de Serventia — IPESP (Cód. 3189) do 9° Cartório de Registro de Imóveis (fls. 12151463) e do 1° Tabelião de Notas e Anexos de Barueri (fls. 1464 2399) j) Relatório de Andamento dos Títulos (Resumido) do 9° Cartório de Registro de Imóveis (fls. 2402 3.794); k) Relatório de Andamento dos Títulos, Registro e Devoluções (Detalhado) do 9° Cartório de Registro de Imóveis (fls. 3.7956.188) 4 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada parcialmente procedente, por unanimidade, pela 7° Turma da DRJ/SP2 (fls. 6.1966.215), mantendose parte do crédito tributário exigido. Na decisão, foram alinhados, em síntese, os seguintes fundamentos: a) da análise da documentação juntada, concluise que os valores creditados nas contas correntes 50595255 (extrato de fls. 682/733, vol 4) e 50476241 (fls. 734/799, vol 4 e 802/813, vol 5), mantidas junto ao Banco Santander Noroeste, em nome de 1º Tabelião de Notas e Anexos da Comarca de Barueri, referiamse a movimentação financeira de responsabilidade de Geraldo Luppo. Desse modo, é de se excluir da base de cálculo lançada a totalidade dos valores dos créditos/depósitos efetuados nas aludidas contas correntes. A questão, contudo, não confere nulidade ao auto de infração; b) os totais dos valores de depósitos sem comprovação de origem apurados nas contas correntes de n° 47.6927 e n° 77.7412, junto ao Banco Bradesco SA, em nome de Francisco Raymundo/9° Cartório de Registro de Imóveis (Planilha 1 de fl. 920, vol 5), atinentes aos meses de junho/98 e novembro/98, ficam alterados, de R$625.846,52 e R$510.685,14 para R$625.741,52 e R$510.580,14, devido a Fiscalização ter computado o estorno de lançamento ocorrido em 02/06/98 e 30/11/98, ambos no valor de R$52,50 cada um, como depósito de origem não comprovada, ao invés de deduzilos do total de depósitos verificados no mês; c) não é possível concluir quais ingressos de valores das custas lançados no "Relatório de Andamento de Títulos" foram depositados nas contas bancárias em exame, nem quais devoluções de custas foram realizadas mediante saída de recursos previamente depositados em contas bancárias. d) os recolhimentos de custas pertencentes ao Estado e a carteira de Previdência de Serventias não Oficializadas, conforme documentos juntados aos autos (Guias de arrecadação, vols. 7 a 12) coincidentes em datas e valores com os valores debitados em contas correntes de titularidade do citados Cartório devem ser deduzidos dos totais mensais de depósitos bancários apurados. e) verificase, a partir dos extratos bancários de titularidade do 9° Cartório de Registro de Imóveis (fls. 602626) e do 1° Tabelião de Notas e Anexos de Barueri (fls. 634681 e 814835), que os valores creditados nas aludidas Fl. 6313DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 contas correntes comportam lançamentos a débito cujos valores são idênticos aos das datas das GARES. Assim, o recolhimento feito pelas referidas instituições, a título de custas devidas ao Estado e contribuições à Carteira de Previdência das Serventias não oficializadas da Justiça do Estado, passíveis de dedução dos totais mensais de depósitos bancários apurados, correspondem àqueles valores cujos pagamentos puderam ser identificados nos extratos bancários. Desse modo, devem ser excluídos dos os “Totais Mensais Depositados em C/C Pertencentes a Francisco Raymundo" (fls. 6.2066.213) os valores recolhidos a titulo de Custas de Estado (código 2446) e contribuições à Carteira de Previdência das Serventias Não Oficializadas da Justiça do Estado (código 3189), pelo 9° Cartório de Registro de Imóveis e 1° Tabelião de Notas e Anexos de Barueri (fl. 6.213). Devem ser excluídos, ainda, os valores declarados, mês a mês, como recebidos de pessoas físicas na DIRPF/1999 (fls. 24/27), em observância ao procedimento adotado pela Fiscalização (Termo de Verificação Fiscal de fls. 922/925, vol 5. Assim, o lançamento consubstanciado no auto de infração (fls. 928930, vol. 5) resta alterado de acordo com anexo de fls. 6.2146215. 5 Recurso Voluntário Ciente da decisão em 18/08/11 (fls. 6.254), o recorrente interpôs, intempestivamente, recurso voluntário, em 22/09/11 (fls. 6.2626.293) no qual sustenta, em síntese: a) que o Fisco autuou o recorrente em 22/04/04, data em que já não possuía mais o direito de constituir crédito tributário sobre tal fato, visto que já transcorrido prazo decadencial para que o Fisco constituísse crédito tributário. O IRPF classificase como imposto sujeito ao lançamento por homologação, de modo que cabe ao contribuinte ou seu substituto tributário antecipar o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Não homologado o pagamento antecipado, abrese oportunidade para lançamento de ofício com objetivo de haver eventual diferença, levandose em conta os pagamentos parciais realizados, procedimento cujo prazo é de 5 anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. O Superior Tribunal de justiça já consolidou entendimento de que o prazo contase, no caso em tela, da ocorrência do fato gerador. b) que o serviço notarial ou registral não é delegado a uma pessoa jurídica mas sim a uma pessoa natural que o presta sozinha, sob sua responsabilidade, mediante concurso de delegação notarial ou registral. O cartório não possui personalidade jurídica, sendo tão somente o local onde o serviço notarial é prestado. c) que a obrigação tributária é ex lege, e o Imposto de Renda tem como hipótese de incidência a aquisição de disponibilidade econômica e jurídica. A movimentação financeira não é base suficiente para configurar disponibilidade econômica, devese verificar se esses valores aumentaram o seu patrimônio, ou se configuram valores pertencentes a terceiros, no caso, Estado de São Paulo e Terceiros que não efetivam os seus atos registrais, ou de emolumentos, despesas para exercício da atividade. No caso, a fiscalização pautase em mera presunção de riqueza, sem investigar sua origem tampouco o regime tributário incidente. Fl. 6314DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000879/200450 Acórdão n.º 2202002.255 S2C2T2 Fl. 6.301 7 d) que impugnante é pessoa física que exerce a função de Delegado Notarial e Oficial do 9º Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo, tendo exercido, nos anos de 1998 a 1999 a função de interventor no 9ª Registro de Imóveis da Comarca de Barueri. O recorrente juntou os mapas diários dos registros efetuados de todas as parcelas recebidas na qualidade de Oficial Registrador. Ressaltese que tais movimentações são os registros ordinários e legais da contabilização e recolhimentos dos valores repassados ao Estado. A autuação fundase em suposta omissão de receitas, o que não ocorreu, pois a origem dos depósitos foi devidamente comprovada. Assim, a inexatidão da capitalização do lançamento torna o auto ilíquido e, portanto, nulo de pleno direito. e) que não houve consideração de que, em que pese o Cartório esteja vinculado a pessoa física do impugnante, há o exercício de uma atividade equivalente a de uma empresa, devendo ser considerados os Registros de Receitas e Despesas e o Livro Caixa. f) que a jurisprudência ampara o entendimento no sentido de que os titulares de serviços notariais e registro poderão deduzir dos rendimentos decorrentes do exercício da respectiva atividade os emolumentos pagos a terceiros e as despesas de custeio necessários à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. g) que a fiscalização desconsiderou as atividades praticadas do impugnante, afrontando a Lei de Registros Públicos, bem como o CPC em seus arts. 378 e 380, os quais são aplicados subsidiariamente ao presente feito. h) pugna pela aplicação da súmula n. 182 do TFR. Argui que a Fiscalização não buscou a verdade material, fixandose unicamente na informação passada pelas Instituições Financeiras. i) o cartório é fiel depositário das verbas estatais até o seu repasse dentro do prazo legal. De 100% dos registros efetuados pelo impugnante, 47% representam recolhimentos de verbas já mencionadas e 53% representa receita de Oficial de Registro com o qual efetuará pagamento de funcionários, despesas edílicas, contas de água, luz, telefone, entre outras. j) muitos dos valores podem circular pela conta do Oficial do Cartório e serem devolvidas as pessoas físicas correspondentes vez que os atos a serem registrados podem não ser efetivados, portanto não podem ser contabilizados como receitas. Cumpre salientar que o cartório pode requerer depósitos prévios para prática de atos solicitados. k) a lei paulista (Lei nº 4.476/84) determina que os atos extrajudiciais serão pagos diretamente ao serventuário, competindolhe o recolhimento de custas e contribuições fixada, respectivamente, 27% e 20%. l) embasarse única e exclusivamente na movimentação financeira do impugnado inegavelmente esta se desconsiderando a realidade dos fatos que se embasa no regime fiscal ao qual o recorrente está submetido. Fl. 6315DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 m) a fiscalização é adstrita ao cumprimento da legalidade. n) a multa aplicada possui caráter confiscatório, devendo ser excluída. o) argumenta ser inaplicável a taca SELIC, devendo ser utilizado o índice de caderneta de poupança. p) Por fim, a cobrança concomitante de multa e juros configura “bis in idem”. 6. Memoriais O recorrente apresentou memoriais, repisando os argumentos do recurso de destacando: a) vez que é matéria de ordem pública e incidente no caso concreto, deve ser declarada a decadência; b) houve, no caso, requerimento da fiscalização solicitando RMF. A legalidade do procedimento está em discussão no STF (RE 601314). Assim, em obediência ao Art. 62A, § 1º, do Regimento do CARF, o feito deve ser sobrestado; c) os serviços registrais são remunerados por meio de emolumentos pagos pelos usuários dos serviços, sendo que parte deles pertence ao Estado e ao Instituto de Previdência. Desse modo, transitam na conta bancária do recorrente, além de seus rendimentos consistentes nos emolumentos, os valores pertencentes ao Estado e ao IPESP. Os últimos não integram os seus rendimentos para fins de tributação, devendo ser excluídos do lançamento. d) o Oficial Registrador de Imóveis recebe depósitos prévios por ocasião da apresentação pelos usuários de títulos para registro, sendo esses valores creditados em sua conta corrente. Quando o título n não for apresentado, os valores são devolvidos aos usuários. Do mesmo modo, não constituem rendimentos para tributação. Juntou planilhas de fls. 9 a 81, que comprovam a devolução desses valores aos usuários. e) aduz que inaplicável ao caso a taxa SELIC, já que ostenta caráter remuneratório. É o relatório. Fl. 6316DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000879/200450 Acórdão n.º 2202002.255 S2C2T2 Fl. 6.302 9 Voto Vencido Conselheiro Relator Rafael Pandolfo 1 Preliminar de decadência 1.1 CONHECIMENTO MESMO DIANTE DA INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO O recorrente foi intimado do resultado do julgamento de sua impugnação em 18/08/11(fls. 6.254 do eprocesso). Não obstante, seu recurso voluntário foi interposto somente em 22/09/11(fls. 6.2626.293 do eprocesso), ou seja, 33 dias após a intimação. A consequência imediata do ato extemporâneo seria o não conhecimento do recurso voluntário, restrição que, no caso em tela, não impede que seja reconhecida, de ofício, a decadência. Assim, considerando as matérias que comportam julgamento ex officio, ainda que em sede de recurso de ofício e, apesar da intempestividade do recurso voluntário, entendo que a decadência deve ser reconhecida. A um, porque a decadência é matéria que deve ser reconhecida de ofício pelo julgador, conforme preceitua art. 210 do Código Civil. No direito tributário, a decadência revela, de modo plano, a ilegalidade do ato de lançamento – praticado após do lapso temporal previsto pelo art. 150, §4º, do CTN. Não existe, neste contexto, direito do Fisco de efetuar o lançamento, o qual se mostra evidentemente nulo. Estamos, neste procedimento, na esfera administrativa, e penso que o reconhecimento da decadência vai ao encontro do interesse público, pois deixa de movimentar a máquina estatal visando à realização de um direito subjetivo extinto (CTN, art. 156, V), em homenagem ao princípio da eficiência. A dois, porque tendo sido praticado fora do lapso preclusivo previsto pelo CTN (art. 150, §4º), o lançamento constitui ato administrativo flagrantemente ilegal, e como tal deve ser revisto pela Administração enquanto não encerrado o procedimento administrativo Assim, caso não sejam suficientes os argumentos acima colacionados, destaco que a Lei nº 9.784/99, em seu artigo 63, §2º, ao tratar das hipóteses de não conhecimento do recurso administrativo, estabelece: Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: I fora do prazo; II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. Fl. 6317DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 § 1o Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendolhe devolvido o prazo para recurso. § 2o O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. Assim, no que se refere ao recurso voluntário, em que pese intempestivo, constatada a ilegalidade do ato e em respeito aos princípios da eficiência processual e da moralidade administrativa, deve ser reconhecida a decadência. A três, porque o ato de lançamento está sendo repisado por força do recurso de ofício existente. Embora existam precedentes dessa Câmara contrários a possibilidade de “reformatio in pejus”, penso que esse não é o melhor deslinde para o caso, seja porque se está diante de matéria de ordem pública (decadência), seja porque a aludida vedação à “reformatio in pejus” não ecoa na seara administrativa, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça abaixo transcrito: ADMINISTRATIVO FUNCIONAMENTO DOS BANCOS EXIGÊNCIAS CONTIDAS EM LEI ESTADUAL E MUNICIPAL LEGALIDADE. 1. A jurisprudência do STF e do STJ reconheceu como possível lei estadual e municipal fazerem exigências quanto ao funcionamento das agências bancárias, em tudo que não houver interferência com a atividade financeira do estabelecimento (precedentes). 2. Leis estadual e municipal cuja arguição de inconstitucionalidade não logrou êxito perante o Tribunal de Justiça do Estado do RJ. 3. Em processo administrativo não se observa o princípio da "non reformatio in pejus" como corolário do poder de auto tutela da administração, traduzido no princípio de que a administração pode anular os seus próprios atos. As exceções devem vir expressas em lei. 4. Recurso ordinário desprovido. (RMS 21981/RJ, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/06/2010, DJe 05/08/2010) Cumpre destacar, quanto a este ponto, posicionamento da autoridade em direito administrativo Hely Lopes Meirelles, na sua obra Direito Administrativo Brasileiro (1994): “Em qualquer modalidade de recurso a autoridade ou o tribunal administrativo tem ampla liberdade de revisão do ato recorrido, podendo modificalo ou invalidálo por motivo de legalidade, conveniência, oportunidade ou, mesmo, por razões de ordem técnica que comprometam a eficiência do serviço público ou utilidade do negócio em exame, sendo admissível até reformatio in pejus (...)”. A conclusão é fruto da análise em conjunto de dois dos princípios corolários da administração pública, quais sejam: autotutela administrativa e legalidade, os quais, unidos, garantem à administração a prerrogativa de anular seus próprios atos quando eivados de vício da ilegalidade, conforme disposto expressamente no art. 53 da Lei Lei nº 9.784/99, vejase: Fl. 6318DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000879/200450 Acórdão n.º 2202002.255 S2C2T2 Fl. 6.303 11 Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Desse modo, constatada a ocorrência do prazo decadencial, extinto está o direito de lançar, fato que obriga a administração a anular o ato praticado com base em direito inexistente. Assim, entendo que a alegação de decadência há de ser analisada, em respeito aos princípios da eficiência processual e da moralidade administrativa. 1.2 Da decadência no caso em tela O Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) é tributo sujeito ao lançamento por homologação, modalidade de lançamento em que o contribuinte antecipa o pagamento do tributo e declara o montante devido ao Fisco, ficando esse procedimento sujeito à posterior homologação por parte da Fazenda Pública. Não havendo qualquer ato que expressamente homologue a declaração efetuada pelo contribuinte e o respectivo pagamento, ainda que parcial, considerase o procedimento tacitamente homologado após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do fato gerador, nos termos do que dispõe o §4º, do art. 150, do CTN. Passado esse prazo, salvo a comprovação de dolo, de fraude ou de simulação, o direito de efetuar eventual lançamento de ofício encontrase atingido pela decadência. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça, analisando o assunto sob o rito previsto no art. 543C, do Código de Processo Civil, cuja decisão é de observância obrigatória por esta Colenda Corte, nos termos do art. 62 A do Regime Interno, entendeu que o art. 173, inciso I, do CTN, é aplicado, de modo ordinário, somente, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando não há qualquer pagamento realizado pelo contribuinte: in verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp Fl. 6319DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). Grifamos. “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO A MENOR. DECADÊNCIA. Fl. 6320DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000879/200450 Acórdão n.º 2202002.255 S2C2T2 Fl. 6.304 13 TERMO INICIAL A CONTAR DO FATO GERADOR. 1. É firme o entendimento desta Corte Superior de Justiça de que o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que houve pagamento antecipado, ainda que parcial, é contado da ocorrência do fato gerador. 2. Agravo regimental improvido.” (AgRg no REsp 1182862/RS, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/12/2010, DJe 02/02/2011) Cumpre esclarecer que, apesar da Lei nº 7.713/88 determinar que os acréscimos patrimoniais não declarados devam ser apurados mensalmente, esses valores caracterizam meras antecipações, já que o evento tributário do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física somente se verifica no último dia do exercício, em 31 de dezembro. Nesse sentido é o entendimento pacífico dessa E. Corte: Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 10616064 do Processo 10845004198200292 Data: 24/01/2007 Ementa: IRPF DECADÊNCIA ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. A omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurada em base mensal e tributados anualmente, razão pela qual o fato gerador se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN). FORMA DE APURAÇÃO TRIBUTAÇÃO MENSAL A partir do anocalendário 1989, o acréscimo patrimonial não justificado deve ser apurado mensalmente, confrontandose os rendimentos do respectivo mês, com transporte para os períodos seguintes dos saldos positivos de recurso, conforme determina o artigo 2º da Lei nº 7.713, 1988. PROVAS Não tendo o contribuinte logrado comprovar integralmente a origem dos recursos capazes de justificar o acréscimo patrimonial, através de rendimentos tributáveis, isentos ou tributáveis exclusivamente na fonte, é de se manter o lançamento de ofício. Recurso negado. (Grifamos) Da análise da Declaração de Ajuste Anual do anocalendário de 1998 (fl. 20), verificase que o recorrente declarou ter recolhido, a título de carnêleão, o valor de R$ 158.707,62. Conforme Termo de Verificação fiscal de (fl. 925), o Fisco calculou o valor da multa sobre o montante de imposto incidente sobre os rendimentos omitidos, descontando do Fl. 6321DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 total do imposto apurado os valores que já haviam sido recolhidos a título de carnê leão. Desse modo, houve pagamento antecipado pelo recorrente, fato que, consoante o entendimento jurisprudencial consolidado, atrai a incidência do art. 150, §4º, do CTN. Assim, iniciando o prazo de decadência em 31/12/98 (CTN, art. 150, § 4º) e tendo sido o contribuinte notificado do auto de infração em 29/04/04, há de se reconhecer a caducidade do direito fazendário à constituição do crédito tributário. Portanto, deve ser declarada, de ofício, a decadência em relação aos eventos jurídicotributários ocorridos no anocalendário de 1998. 2 Do Recurso de Ofício O recurso atende aos requisitos de admissibilidade, tendo em vista que o valor exonerado na decisão de primeiro grau ultrapassa o limite de alçada indicado na Portaria MF nº 3/08, conforme determina o art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72. Foi exonerado do lançamento o valor de R$ 1.457.632,00 (fl. 6.215), restando saldo de imposto a pagar no valor de R$ 1.587.137,32. Portanto, caso não seja acolhida a preliminar de decadência por este conselho, julgo o recurso de ofício. A infração imputada ao recorrente foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. O art. 42 da Lei 9.430/96 estipula, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. “ Tratase de presunção legal, que permite à Fazenda tributar depósitos bancários sem origem e/ou tributação justificados, cabendo prova em contrário, por parte da contribuinte. Como bem ensina Alfredo Augusto Becker, presunção é o resultado de processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável (Teoria Geral do Direito Tributário, 3. ed. São Paulo : Lejus. 1998. pg. 508). No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. Tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo, a existência de depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação; logo, omitido o fato desconhecido de existência provável. Da análise do processo, concluise que a matéria submetida a revisão de ofício foi corretamente analisada pela 7° Turma da DRJ/SP2, a qual demonstrou que houve comprovação da origem dos valores exonerados, conforme fundamentação abaixo colacionada, que se divide em três pontos principais: Fl. 6322DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000879/200450 Acórdão n.º 2202002.255 S2C2T2 Fl. 6.305 15 “É de se concluir, portanto, que os valores creditados nas contas correntes 50595255 (extrato de fls. 682/733, vol 4) e 50476241 (fls. 734/799, vol 4 e 802/813, vol 5), mantidas junto ao Banco Santander Noroeste, em nome de 10 Tabelião de Notas e Anexos da Comarca de Barueri, referiamse a movimentação financeira de responsabilidade de Geraldo Luppo. Assim sendo, é de se excluir da base de cálculo lançada a totalidade dos valores dos créditos/depósitos efetuados nas aludidas contas correntes 091.505952.55 e 091.504762.41, mantidas no Banco Santander Noroeste, em nome do 10 Tabelião de Notas e Anexos da Comarca de Barueri (...)Os valores que transitaram pelas contas bancárias nº 091.505952.55 e nº 091.504762.41, de Titularidade do 1º Tabelião de Notas e Anexos da Comarca de Barueri, eram movimentadas pelo Delegado Geraldo Luppo. Somente com a edição da Portaria nº 88/98, de 15/05/1998, o recorrente foi designado para assumir os Trabalhos no Tabelião de Notas. (...) Relativamente à c/c 47.6927 mantida no Banco Bradesco SA, em nome do 9° Cartório de Registro de Imóveis da Capital, constatase que o total de depósitos sem comprovação de origem monta a quantia de R$625.741,52 em junho/1998 e R$490.580,14 em novembro/1998, conforme assinalou o Impugnante na Planilha 02 (fl. 991, vol. 5), ao invés de R$625.846,52 e R$490.685,14, respectivamente, conforme apurou a Fiscalização (fls. 873/878 e 905/912, vol 5). Constata se que dito erro decorreu do fato de a Fiscalização ter computado o estorno de lançamento ocorrido em 02/06/1998 e 30/11/1998, ambos no valor de R$52,50 cada um, como depósito de origem não comprovada, ao invés de deduzilos do total de depósitos verificados no mês. (...) os recolhimentos de Custas pertencentes ao Estado (código 244 6) e à Carteira de Previdência das Serventias Não Oficializadas (código 3189), efetuados pelo 9° Cartório de Registro de Imóveis e 1° Tabelião de Notas e Anexos de Barueri, conforme Guias de Arrecadação EstadualGARE juntadas aos autos (vols. 7 a 12), coincidentes em datas e valores com os valores debitados em contas correntes de titularidade dos citados Cartórios, serão deduzidos dos totais mensais de depósitos bancários apurados. Referemse, pois, às custas devidas ao Estado e As contribuições A Carteira de Previdência das Serventias Não Oficializadas, que estariam inseridas nos valores dos depósitos previamente efetuados. Verificase do exame dos extratos bancários de titularidade do 9° Cartório de Registro de Imóveis (c/c 47.6927 e c/c 77.7412, ambas do Bradesco, fls. 563/564, 565/599 e 602/626, vols 3 e 4) e do 1° Tabelião de Notas e Anexos de Barueri (c/c 0010397 e c/c 50808344, fls. 634/681 e 814/835, vols 4 e 5), que os valores creditados nas aludidas contas correntes comportam os lançamentos a débito realizados em valores idênticos e nas mesmas datas das GARES. (...)” Fl. 6323DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 Comprovadas a origem dos depósitos, não subsiste a imputação de omissão de rendimentos, como corretamente concluiu a decisão recorrida. 3 Do Recurso Voluntário O recorrente foi intimado do resultado do julgamento de sua impugnação em 18/08/11. Não obstante, seu recurso voluntário foi interposto somente em 22/09/11, ou seja, 33 dias após a intimação. O Decreto nº 70.235/72 em seu art. 33 dispõe: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Como pode ser observado, o recurso foi interposto após o prazo normativamente previsto, carecendo do pressuposto processual da tempestividade, motivo pelo qual não merece ser conhecido. Ante o exposto, voto por DECLARAR A DECADÊNCIA do direito da Fazenda de constituição do crédito tributário em relação ao ano de 1998, anulando o auto de infração lavrado em face do recorrente. Em decorrência do não acolhimento da preliminar, voto por: a) NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão da intempestividade; b) NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, de modo a reiterar o acórdão recorrido. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 6324DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000879/200450 Acórdão n.º 2202002.255 S2C2T2 Fl. 6.306 17 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Redator designado O presente voto referese tão somente em relação a matéria na qual o Conselheiro Relator, restou vencido. Destaquese que o voto do Conselheiro Relator é condutor das razões de votar da Turma no que toca ao Recurso de Ofício. Inobstante, respeitável arrazoado do Conselheiro Relator, no que se refere ao Recurso Voluntário, entendo não ser possível suscitar a decadência, em recurso perempto. Sem maiores considerações e tendo o interessado interposto recurso intempestivo, ocorre a perda do direito de recorrer. Perempto o recurso, consolidase a decisão consubstanciada no Acórdão de primeira instância na esfera administrativa, na parte que não estiver sujeita ao recurso de ofício. Perempção significa o mesmo que preclusão, ou a perda do ato processual pelo decurso do prazo assinalado na lei. Não se confunde com a perempção prevista no artigo 267, inciso V, c/c artigo 268, ambos do Código de Processo Civil, que extingue o processo sem resolução de mérito quando o autor der causa, por 3 (três) vezes, à extinção do processo por abandonar a causa. Conforme jurisprudência consolidada, o recurso mesmo perempto, ou seja, o recurso que foi proposto fora do prazo para o seu exercício, obrigatoriamente será apreciado pelo órgão de segunda instância que julgará a perempção. Disciplina o Decreto nº 70235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal da União: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Reconhecida a intempestividade do recurso administrativo apresentado pelo recorrente, deve ser considerado como não apresentado, motivo pelo qual o prazo de decadência não tem como ser apreciado pela autoridade julgadora de segunda instância. Para a autoridade julgadora cabe apenas julgará a perempção. Confirmando a, o recurso não pode ser conhecido, e como decorrência a decadência não pode ser analisada. Fl. 6325DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 Isto posto, não conheço do recurso voluntário apresentado por intempestividade. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 6326DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORG A, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10970.000774/2010-05
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/12/2007 a 30/04/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA.
A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, caracteriza-se como descumprimento da obrigação acessória do artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para aplicar a multa do art. 32-A, I, da 8.212/91, caso seja mais benéfica ao contribuinte.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2007 a 30/04/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, caracterizase como descumprimento da obrigação acessória do artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para aplicar a multa do art. 32A, I, da 8.212/91, caso seja mais benéfica ao contribuinte. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 07 74 /2 01 0- 05 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10970.000774/201005 Acórdão n.º 2803002.429 S2TE03 Fl. 122 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10970.000774/201005 Acórdão n.º 2803002.429 S2TE03 Fl. 123 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo EXPRESSO CIDADE DE ARAGUARI LTDA. em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada. 2. Narra o relatório fiscal que o auto de infração teve como objeto a seguinte infração: “A empresa está sendo autuada por apresentar Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social/GFIP com omissão Base de cálculos da contribuição sobre os Contribuintes Individuais que lhe prestara serviço na competência 10/2007. Não relacionamos os empregados mensalmente visto que os mesmos constam das GFIP enviadas em época própria. Também houve a Informação a menor dos valores devidos a titulo GILRAT informado 1% quando o valor correto seria de 3% conforme descrito no anexo I.” 3. O acórdão de primeira instância refutou os argumentos trazidos pelo contribuinte, restando ementado nos termos que transcrevo abaixo: “DESISTÊNCIA RESTRITA. NÃO ACATAMENTO. LEGISLAÇÃO REGENTE. INTIMAÇÃO PARA REGULARIZAÇÃO. PARCELAMENTO. Não se acata a desistência interposta se esta diz respeito a fatos não compreendidos nos autos. O lançamento regese pela lei então em vigor à época da ocorrência do fato gerador. Não existe previsão para intimação à regularização da infração detectada antes da lavratura da autuação. O parcelamento previsto na Lei 11.941/2009 abrange os créditos tributários com vencimento até 30/11/2008. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” 4. Buscando reverter a decisão a quo, que manteve o lançamento do débito, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando em síntese: a) alega, como preliminar, falta de embasamento legal à imposição de multa, já que o § 5º do art. 32 da Lei 8.212/1991 foi revogado pela Lei 11.941/2009; b) pugna pelo afastamento da aplicação da multa, tornando o auto de infração insubsistente, para que seja declarada a nulidade do auto, cancelandoo e exonerando o sujeito passivo de tal obrigatoriedade. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10970.000774/201005 Acórdão n.º 2803002.429 S2TE03 Fl. 124 4 5. Não houve apresentação de contrarrazões pelo fisco e os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10970.000774/201005 Acórdão n.º 2803002.429 S2TE03 Fl. 125 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 2. O contribuinte foi autuado por “apresentar Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social/GFIP com omissão Base de cálculos da contribuição sobre os Contribuintes Individuais que lhe prestaram serviços na competência 10/2007. Também houve a Informação a menor dos valores devidos a titulo GILRAT informado 1% quando o valor correto seria de 3% conforme descrito no anexo I”. 3. Insurgese o contribuinte contra a aplicação da multa prevista no § 5º do artigo 32 inciso IV, da lei 8.212/91 com redação dada pela Lei 9.528/97. 4. Em seus argumentos, a recorrente dispõe que o dispositivo citado foi revogado pela Lei 11.241/2009, logo, diante da explícita falta de fundamentação legal à aplicação da multa, o sujeito passivo deve ser exonerado da obrigação. 5. Desse modo, salientase que antes da publicação da Lei nº 11.941/09, a multa pela (i) não declaração em GFIP de fatos geradores da contribuição previdenciária; (ii) não apresentação de GFIP; e (iii) pelo preenchimento incorreto da GFIP estava prevista no artigo 32, § 5º, da Lei 8.212/91. 6. Com a publicação da Lei 11.941/09, o mencionado artigo foi revogado e a multa do artigo 32, § 5º, da Lei 8.212/91 restou substituída por aquela prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91, ou seja, (i) R$ 20,00 para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas na GFIP; ou (ii) 2% (dois por cento), ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%, observado o disposto no § 3º deste artigo. Vale dizer que a multa, após a publicação da Lei 11.941/09, reduziu de forma substancial. 7. Diante disso, o CSRF do CARF, amparado na retroatividade benigna prevista no artigo 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional CTN examinou a questão e entendeu que a penalidade lançada contra o contribuinte prevista no artigo 32, § 5º, da Lei nº 8.212/91 restou substituída pela multa do artigo 32A, da Lei 8.212/91, que deverá ser aplicada inclusive nos casos de descumprimento de obrigação acessória anteriores à vigência da Lei nº 11.941/09. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10970.000774/201005 Acórdão n.º 2803002.429 S2TE03 Fl. 126 6 8. Assim, no que tange à regra aplicável ao caso em análise, tendo em vista a superveniência de legislação mais benéfica no que se refere à penalidade por descumprimento de obrigação acessória passo a análise detalhada da matéria. 9. Ocorre que a Lei n.º 11.941, de 2009, alterou a Lei n.º 8.212/91 para abrandar os valores da multa aplicada: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” 10. Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; Fl. 126DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10970.000774/201005 Acórdão n.º 2803002.429 S2TE03 Fl. 127 7 b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. 11. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. 12. O inciso II do artigo 32A manteve a desvinculação entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. 13. Dessa forma, depreendese da leitura do inciso que o sujeito passivo estará sujeito à multa prevista no artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias. 14. E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais) percebese que as regras diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. (...). Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições (...). Fl. 127DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10970.000774/201005 Acórdão n.º 2803002.429 S2TE03 Fl. 128 8 Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 15. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. 16. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 o qual se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: “Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” 17. Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não de pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10970.000774/201005 Acórdão n.º 2803002.429 S2TE03 Fl. 129 9 18. Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. 19. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Fl. 129DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10970.000774/201005 Acórdão n.º 2803002.429 S2TE03 Fl. 130 10 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” 20. No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n° 449/1996, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...). II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” 21. E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10970.000774/201005 Acórdão n.º 2803002.429 S2TE03 Fl. 131 11 22. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Porém, nos casos em que a multa contida no auto de infração seja inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. 23. Assim, com relação à multa em questão entendo que os valores impostos pelo fisco devem ser retificados, conforme o previsto no citado artigo 32A, I, se mais benéfico para o contribuinte. CONCLUSÃO 24. Por todo exposto, conheço do recurso, para, no mérito, darlhe provimento parcial para aplicar a multa do art. 32A, I, da Lei nº 8.212/91, caso seja mais benéfica ao contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Fl. 131DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 25/0 6/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.000273/2008-90
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/05/2007
INFORMAR FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP.
Deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, ANEXO II, DO REGIMENTO INTERNO.
O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI N º 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA. As multas referentes a declarações em GFIP foram alteradas pela lei nº 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, deve-se aplicar a norma mais benígna ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de reformar a decisão a quo e o lançamento em questão para que a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32-A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §§1º e 3º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, vedada a interpretação conjunta com os artigos 35 e 35-A da Lei n. 11.941/2009.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos e Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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Deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, ANEXO II, DO REGIMENTO INTERNO. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI N º 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA. As multas referentes a declarações em GFIP foram alteradas pela lei nº 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, devese aplicar a norma mais benígna ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de reformar a decisão a quo e o lançamento em questão para que a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §§1º e 3º, da Lei n. 8.212/1991, com redação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 02 73 /2 00 8- 90 Fl. 855DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.000273/200890 Acórdão n.º 2803002.450 S2TE03 Fl. 856 2 anterior à Medida Provisória n. 449/2008, vedada a interpretação conjunta com os artigos 35 e 35A da Lei n. 11.941/2009. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos e Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 856DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.000273/200890 Acórdão n.º 2803002.450 S2TE03 Fl. 857 3 Relatório O presente Recurso Voluntário (fls.829840) foi interposto contra decisão da DRJ(fls. 812821 do processo digital), que manteve parcialmente o crédito tributário oriundo da aplicação de multa por descumprimento do disposto no art. 32, IV, §§ 1o e 3o, da Lei n. 8.2121991, por não ter informado todos fatos geradores de contribuições previdenciária, e não entregou diversas GFIP em todas as competências do período autuado. Foi constatada a inexatidão quanto aos salários informados, porque não incluiu todos os seus segurados empregados e nenhum contribuinte individual, conforme planilhas: => Anexo I Relação de Segurados Declarados em GFIP entregue antes do início da ação fiscal, fls. 32/61; => Anexo II Relação de Segurados não Declarados_ em GFIP antes do início da ação fiscal, fls. 62/95. E foi ressalvada que muitos segurados foram omitidos por alguns meses seguidos ou constavam alternadamente em alguns outros meses. Não foram entregues, nas respectivas épocas de vencimento, as GFIP referentes aos 13° salário dos exercícios de 2005 e 2006.. A ciência do auto de infração inaugural foi em 18.02.2007 (fls. 01). A decisão a quo reconheceu a relevação do crédito tributário referentes às competências 09, 10 e 12/2005; 05, 07, 12/2006; e 01/2007, e não para as competências 7, 08, 11 e 13/2005; 01 a 04, 06, 08 a 11, e 13/2006; e, 02 a 05/2007. Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos: ausência de provas para aplicação da sanção, e inconstitucionalidade da mesma por excessividade da multa e aplicação retroativa do disposto na Medida Provisória n. 4492009 e Lei n.11.941/09. Esse é o relatório. Fl. 857DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.000273/200890 Acórdão n.º 2803002.450 S2TE03 Fl. 858 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. Quanto à alegação de que não seria possível a aplicação de penalidade à Recorrente, em razão da ausência de elementos probatórios, e que a aplicação deveria ser diversa. Assim, está correta Auto de Infração, a obrigação de informar em GFIP todas as informações referentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, está prevista no art. 32, IV, da Lei n. 8.212/1991, e sua multa estava prevista legalmente pelo §§1º e 3º do mesmo artigo. Obrigação essa que tem natureza instrumental (art. 113, do CTN), como forma de auxiliar o controle e arrecadação tributária, mas é autônoma do cumprimento das demais. Ainda, os elementos probatórios estão plenamente descritos, demonstrados e fundamentados no Relatório Fiscal, cumprindo o definido no art. 142, do CTN, e artigos 33 e 37, da Lei n. 8.212/1991, o que permitiu pleno exercício do direito de defesa. Por final, quanto à suposta inconstitucionalidade de tal aplicação da sanção e da aplicação da Taxa Selic em face do principio da vedação de excessividade e ilegalidade da mesma, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A, do Anexo II, Regimento Interno do CARFMF. Todavia, por dever de ofício, ao se verificar a multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV, §5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, devese atentar às alterações legais implementadas por esta e sua lei de conversão (Lei n. 11.941/2009), que revogou os parágrafos e incluiu o art 32A, I,. Recentemente, as normas sancionatórias relativas à GFIP foram alteradas pela lei n º 11.941/09, e provavelmente beneficiam a Recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 858DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.000273/200890 Acórdão n.º 2803002.450 S2TE03 Fl. 859 5 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Toda multa tributária é uma sanção, ou seja tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.1103 1109) Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se Fl. 859DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10580.000273/200890 Acórdão n.º 2803002.450 S2TE03 Fl. 860 6 poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Devido ao disposto no art. 112, IV, do CTN, a legislação tributária que define as infrações e comina suas penalidades deve ser interpretada de forma mais favorável ao contribuinte em casos de dúvidas quanto à natureza das infrações e suas penalidades. Interpretação que deve ser conjugada com a retrotatividade benígna prevista no art. 106, II, a e c, do CTN, de forma a reduzir ou extinguir penalidades sempre quando lei posterior estabeleça pena menos grave ou não entenda mais como infração tal conduta. Portanto, também deve ser colocado como premissa, que além de retroagir a aplicação de dispositivo legal mais favorável essa retroação também deve sempre buscar uma aplicação mais favorável ao contribuinte. Assim, em razão do princípio da retroatividade benigna (art. 106, do CTN), como o entendimento que a aplicação da sanção deve ser regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §§1º e 3º da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, vedada a interpretação conjunta com os artigos 35A da Lei n. 11.941/2009. Conclusão Isso posto, meu voto é para CONHECER O RECURSO VOLUNTÁRIO, CONCEDENDO PARCIAL PROVIMENTO, no sentido de reformar a decisão a quo e o lançamento em questão para que a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §§1º e 3º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, vedada a interpretação conjunta com os artigos 35 e 35A da Lei n. 11.941/2009. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 860DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 15940.000492/2008-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO.
O VTN médio obtido com base nos valores informados pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA), não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel.
Numero da decisão: 2201-002.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo, que negaram provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. O VTN médio obtido com base nos valores informados pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA), não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo, que negaram provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 04 92 /2 00 8- 56 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2005, consubstanciado no Auto de Infração (fls. 88/94), pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 10.453,21, calculados até 30/09/2008, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda São Lourenço, com área de 1.476,4 ha, localizado no município de Dracena/SP. A fiscalização alterou o VTN declarado de R$ 741.120,74 para R$ 2.375.919,54 ou R$ 2.135,85/ha, conforme demonstrativo de fl. 21. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: Em atendimento à intimação fiscal, apresentou documentos comprovando as áreas declaradas de preservação permanente e reserva legal e utilizadas na atividade rural, restando comprovado o Grau de Utilização de 100%; também apresentou Laudo de Avaliação do imóvel, realizado por profissional habilitado, onde foi determinado o VTN com fundamento na NBR 146533/2005, item 9.2.3.5 da ABNT, com enquadramento no grau de precisão II previsto nessa norma, e, mesmo assim, o agente fiscal desconsiderou o Laudo e o fundamento jurídico utilizado na DIAT e elevou abusivamente o VTN para R$ 2.375.919,54; o imóvel possui muitas benfeitorias, como pastagens artificiais, estradas, cercas, casas de trabalhadores, etc., e é explorado pela cultura de grãos e pecuária de novilho; Pela Lei n.º 8.847/1994, o valor da terra nua por hectare era fixado pela Secretaria da Receita Federal, ouvido o Ministério da Agricultura, de Abastecimento e da Reforma Agrária, em conjunto com as Secretarias de Agricultura dos Estados respectivos; com o advento da Lei n.º 9.393/1996, foi deixado a critério do proprietário rural a autoavaliação da terra nua, e, em caso de desapropriação para fins de reforma agrária, esse seria o valor a ser pago pela União, conforme art. 8º, parágrafos 1º e 2º; A terra nua de um imóvel rural é definida como sendo o solo com sua superfície, incluindo florestas naturais, matas nativas e pastagens naturais; a legislação vigente sobre reforma agrária preceitua que, do valor de mercado do imóvel deduzse o valor das benfeitorias, melhoramentos, instalações, etc.; e, portanto, não existe valor de mercado de terra nua, o qual somente é obtido por exclusão das benfeitorias; Com o advento da nova Lei, os proprietários rurais, em sua maioria, tomaram por base o valor da terra nua arbitrado pela Receita Federal, referente ao anobase de 1996, e acresceram a inflação, apurando o VTN de 1º de janeiro de 1997, declarado na DIAT/1997, e tal valor passou a ser autoavaliação da terra nua a preço de mercado e base de cálculo para os futuros exercícios; em consonância com o art. 10, §1º, inciso I, letras a, b, c, e d da Lei n.º 9.393/1996; Fl. 172DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15940.000492/200856 Acórdão n.º 2201002.076 S2C2T1 Fl. 3 3 O art. 11, §2º da Lei n.º 9.393/1996 fixa um valor mínimo de imposto, o qual, uma vez respeitado, descaracteriza a hipótese de subavaliação do VTN pelo contribuinte; O lançamento de ofício somente terá fundamentação nos casos de falta de entrega do DIAT ou DIAC ou de prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas; entender como subavaliação o valor declarado pelo contribuinte, de acordo com os artigos 8º, 10 e 11, parágrafos e incisos, da Legislação em vigor, é ferir o texto da própria Lei, desrespeitando o princípio da legalidade; Dessa forma, a Portaria n.º 447, de 2002, que criou unilateralmente o SIPT, não pode ter aplicabilidade, por estar em conflito com a Lei n.º 9.393/1996, que já disciplina a matéria; e o art.14, § 1º da Lei 9.393/96 só tem aplicabilidade nos casos citados e apuração de imposto em valor menor que o mínimo legal. A 1ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: VALOR DA TERRA NUA. A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela fiscalização, com base no SIPT, como previsto em Lei, se não existir comprovação efetiva que justifique reconhecer valor menor. Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão de primeira instância em 10/02/2011 (fl. 147), G B F Agropecuária Ltda. apresenta Recurso Voluntário em 03/03/2011 (fls. 149 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos a autoridade fiscal, em função da subavaliação do imóvel fiscalizado, alterou o VTN da propriedade rural declarada de R$ 741.120,74 para R$ 2.375.919,54 ou R$ 2.135,85/ha, com base nos dados do Instituto de Economia Agrícola IEA (fl. 21). Em sua peça recursal alega a suplicante que o laudo técnico apresentado, por ocasião da Impugnação, atende os requisitos da NBR 14.653 da ABNT, com fundamentação e Fl. 173DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 precisão grau II, portanto, o referido documento não poderia ser ignorado pela Delegacia de Julgamento. Por fim, afirma que “... o art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996 só tem aplicabilidade nos casos em que houver falta de entrega do DIAT ou DIAC, de prestação de informações inexatas ou incorretas ou fraudulentas ou subavaliação que resultem em lançamento de imposto inferior ao mínimo estabelecido no art. 11, § 2º dessa Lei”. Pois bem, a autoridade fiscal considerou que o VTN declarado pela recorrente estava subavaliado e, como o laudo técnico apresentado estava fora das normas da ABNT, procedeu ao arbitramento, conforme determina o art. 14, caput, da Lei n° 9.393/1996: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. (grifei) Por sua vez, o art. 12, §1º, inciso II, da Lei no 8.629/93, cuja redação vigente à época da edição da Lei no 9.393/96 determina: Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. §1o A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. (grifei) Pelo que se vê, o Fisco dispõe da prerrogativa estipulada em Lei de não aceitar informações prestadas pelo sujeito passivo, como a de que cuidam estes autos, sempre que tais valores não mereçam fé. Todavia, impõese que o Fisco ao fazêlo se acautele, fazendo Fl. 174DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15940.000492/200856 Acórdão n.º 2201002.076 S2C2T1 Fl. 4 5 apoiar suas pretensões em parâmetros previstos pelo legislador, inclusive capacidade potencial da terra, informados pelas Secretarias de Agricultura dos Estados e Municípios. Contudo, não é o que ocorre nestes autos. O arbitramento se baseou única e exclusivamente no preço médio de terra para pastagem, informada pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA), como se verifica do extrato de fls. 21/22, cuja utilização não atende às exigências legais, fundamentalmente, nas informações disponíveis em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. Neste mesmo sentido é o voto da lavra da Conselheira Maria Lucia Moniz de Aragão Calomino Astorga, no acórdão 220200.722: Conjugando os dispositivos acima transcritos, inferese que o sistema a ser criado pela Receita Federal para fins de arbitramento do valor da terra nua deveria observar os critérios estabelecidos no art. 12, 1º, inciso II, da Lei no 8.629, de 1993, quais sejam, a localização, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel, assim como considerar os levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Nesse contexto, foi aprovado o Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal – SIPT, pela Portaria SRF nº 447, de 28 de março de 2002, alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores da terra nua da base de declarações do ITR (art. 3º da Portaria SRF nº 447, de 2002). Para se contrapor ao valor arbitrado com base no SIPT, deve o contribuinte apresentar Laudo Técnico, com suficientes elementos de convicção, elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado de ART, e que atenda às prescrições contidas na NBR 146533, que disciplina a atividade de avaliação de imóveis rurais. (...) Entretanto, embora presentes os elementos que autorizam o arbitramento, o valor do VTN atribuído pela fiscalização deve ser revisto, pois houve um erro na sua apuração. A fiscalização utilizou para arbitrar o VTN do imóvel da recorrente o valor do VTN médio/ha declarado pelos contribuintes do mesmo município (R$495,76/ha), extraído das informações contidas no SIPT (fl. 79), multiplicado pela área total do imóvel (9.846,7ha), obtendo o valor final de R$ 4.881.599,99. Ressaltese, entretanto, que o VTN médio declarado por município, obtido com base nos valores informados na DITR, constitui um parâmetro inicial, mas não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. Isso porque esta informação não é contemplada na declaração, que contém apenas o valor global atribuído a propriedade, sem levar em conta as Fl. 175DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 características intrínsecas e extrínsecas da terra que determinam o seu potencial de uso. Assim, o valor arbitrado deve ser obtido com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. (grifei) Em verdade, como o SIPT foi concebido por lei ordinária, disciplinadora do ITR, deve ser obrigatoriamente utilizado pela autoridade fiscal para o cálculo do arbitramento. Neste caso, deve a Secretaria da Receita Federal do Brasil manter seus dados disponíveis e atualizados, para que possa ser utilizado pela fiscalização. Nessa conformidade, penso que não foram respeitados os requisitos previstos em Lei para a prática do arbitramento e, portanto, não deve prevalecer o VTN arbitrado pela autoridade fiscal. Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 176DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15940.000492/200856 Acórdão n.º 2201002.076 S2C2T1 Fl. 5 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 15940.000492/200856 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº2201002.076. Brasília/DF, 16 de abril de 2013. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 177DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 12/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 11050.000129/2005-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O crédito presumido do PIS não-cumulativo, atribuído às agroindústrias pelos produtos adquiridos de pessoa física ou na forma do art. 9º da Lei nº 10.925/04, não pode ser ressarcido ou utilizado para compensar débitos de outros tributos, mas apenas utilizado para abatimento dos débitos da mesma Contribuição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto de Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 26/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido do PIS não-cumulativo, atribuído às agroindústrias pelos produtos adquiridos de pessoa física ou na forma do art. 9º da Lei nº 10.925/04, não pode ser ressarcido ou utilizado para compensar débitos de outros tributos, mas apenas utilizado para abatimento dos débitos da mesma Contribuição. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto de Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 26/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1927; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11050.000129/200561 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.096 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2013 Matéria PIS E COFINS RESSARCIMENTO Recorrente ÁRTICO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido da Cofins nãocumulativa, atribuído às agroindústrias pelos produtos adquiridos de pessoa física ou na forma do art. 9º da Lei nº 10.925/04, não pode ser ressarcido ou utilizado para compensar débitos de outros tributos, mas apenas utilizado para abatimento dos débitos da mesma Contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito presumido do PIS nãocumulativo, atribuído às agroindústrias pelos produtos adquiridos de pessoa física ou na forma do art. 9º da Lei nº 10.925/04, não pode ser ressarcido ou utilizado para compensar débitos de outros tributos, mas apenas utilizado para abatimento dos débitos da mesma Contribuição. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto de Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 01 29 /2 00 5- 61 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11050.000129/200561 Acórdão n.º 3302002.096 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 26/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório A empresa ÁRTICO S/A apresentou pedido de restituição, combinado com declaração de compensação, de créditos de PIS e de Cofins relativo ao 4o trimestre de 2004. A autoridade administrativa competente deferiu, em parte, o pedido da interessada porque entendeu que o crédito presumido da agroindústria não pode ser utilizado na compensação de débitos de outros tributos, senão do próprio PIS e Cofins. Inconformada com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade alegando que pode se apropriar e utilizar os créditos simbólicos da agroindústria, porque não existe vedação (nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03) e não poderia ser aplicado as disposições da IN SRF nº 660/06 e sim a IN SRF nº 600/05, art. 26. A autoridade julgadora de primeira instância indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão nº 1030.761, de 07/04/2011, ratificando o entendimento da DRF de origem de o crédito presumido não pode ser utilizado na compensação com outros tributos. Ciente desta decisão em 25/05/2011, a interessada ingressou, no dia 21/06/2011, com recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo foi distribuído para relatar. É o Relatório. Voto Fl. 123DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11050.000129/200561 Acórdão n.º 3302002.096 S3C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como se viu, a lide versa exclusivamente sobre a possibilidade de compensar saldo de crédito presumido de PIS e Cofins da agroindústria, regularmente escriturado, com débitos de outros tributos administrados pela RFB. A forma de utilização do crédito presumido em tela está prevista no caput dos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/04, abaixo transcritos. Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. [...] Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (os grifos não são do original). Estes dispositivos são taxativos e possibilitam, unicamente, o desconto ou abatimento dos débitos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Claramente não autorizam, na existência de saldo credor, o ressarcimento em espécie ou a compensação com outros tributos administrados pela RFB. Em harmonia com os comandos legais acima transcritos está o art. 8º, § 3º, da IN SRF nº 660/2004, bem como o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15/2005, segundo o qual “O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência não cumulativa.”. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11050.000129/200561 Acórdão n.º 3302002.096 S3C3T2 Fl. 5 4 Portanto, sem reparos a decisão recorrida. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10325.000995/2010-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA BIS IN IDEM
Não merece prosperar dois Autos de Infração lavrados na mesma ação fiscal, cujos documentos solicitados são os mesmos, provenientes do mesmo Termo de Início de Procedimento Fiscal, e quando não há solicitação de outras informações ou esclarecimentos sobre documentos ou situações não relacionadas a fatos geradores de contribuições previdenciárias.
Ocorrência debis in idem, ou seja pela descrição da mesma infração foram lavrados dois autos distintos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2302-002.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Ocorrência debis in idem, ou seja pela descrição da mesma infração foram lavrados dois autos distintos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 09 95 /2 01 0- 80 Fl. 676DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Trata o presente de auto de infração lavrado em desfavor do sujeito passivo acima identificado, em 21/07/2010, com ciência através de edital, fls.27 por ter deixado de prestar esclarecimentos necessários à fiscalização. De acordo com o relatório fiscal da infração, fls.05/06, a autuada, regularmente intimada através de Termo de Início de Procedimento Fiscal de fls.08/10, não apresentou os seguintes documentos: • Livro Diário, Livro Razão e Registro de Empregados. • GFIP • Comprovantes de recolhimentosGPS • Arquivos digitais • Resumo das folhas de pagamento • RAIS'Relação Anual de Informações Sociais • Rescisões de contrato de trabalho • Relação de compras de produtos rurais adquiridas de pessoas físicas. O Fisco lavrou o Termo de Constatação Fiscal, fls.12/14, em 05/05/2010, dizendo: Dirigiuse à sede da empresa e foi informado por assistente administrativo que i) naquele local funcionava filial da empresa Distribuidora de Carnes Equatorial LTDA, CNPJ 07.880.840/000216 cujos sócios são os Srs. Reinaldo Nunes Cabral e Francisco Neves; ii) as instalações pertenciam à Frisama Frigorífico do Sudeste Maranhense LTDA, que estavam arrendadas à Distribuidora Equatorial; iii) a empresa era administrada pelo Sr. Pablo Leal Parente; o contador relatara também que a) a empresa fiscalizada tinha sido desativada em 2006; b) esta possuía parcelamento junto à RFB; c) havia perdido contato com os antigos sócios; d) o Sr. Petergibson de Carvalho havia se mudado para São Paulo; o porteiro, por sua vez, afirmou que conhecia o Sr. Petergibson, mas que ele falecera há seis meses e que não sabia quem era o outro sócio, Sr. João Paulo Ferreira Cardoso E em 11/05/2010, lavrou outro Termo de Constatação Fiscal, o de número 2, fls. 15/23, onde relata: o Escritório de Pesquisa e Investigação na 3ª RF – ESPEI emitiu relatório tratando de sonegação fiscal e previdenciária de grupo de empresas do ramo de frigoríficos estabelecidas no Maranhão e no Pará; Fl. 677DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10325.000995/201080 Acórdão n.º 2302002.411 S2C3T2 Fl. 677 3 a Sinfacol Serviços de Informática Administrações e Cont. LTDA anteriormente denominada Industrial e Comercial Maranhense de Alimentos LTDA, fazia parte do grupo Frisama – Frigorífico do Sudoeste Maranhense LTDA, de propriedade do Sr. Roberto Luiz da Silva Logrado; os frigoríficos envolvidos na operação utilizavam empresas fictícias, constituídas em nome de sócios “laranjas”, simulando contratos de arrendamento com as mesmas, com o intuito de transferir indevidamente responsabilidades fiscais e previdenciárias para as empresas de fachada; foram emitidos diversos mandados judiciais de busca e apreensão em vários estados, abrangendo as sedes das principais empresas investigadas, sócios proprietáriose escritórios de contabilidade; A empresa, ora fiscalizada, foi constituída em dezembro de 2002 conforme registrado na Junta Comercial do Estado do Maranhão sob o n° 21200536718, com a razão social de INDUSTRIAL COMERCIAL MARANHENSE DE ALIMENTOS LTDA, com sede na BR 222, KM 07, Parque das Nações, Açailândia — Maranhão, tendo como atividade principal o abate e a frigorificação de bovinos para consumo interno, exportação e importação frigorífica, cujos sócios fundadores são: MARIA DE FÁTIMA BEZERRA DOS SANTOS, CPF 673.183.12391 e JOÃO PAULO FERREIRA CARDOSO, CPF 673.183.55368, responsável pela gerencia da sociedade. Em agosto de 2003, o endereço foi alterado para Rodovia BR 222, KM 5, Parque das Nações, Açailândia, Maranhão, conforme primeira alteração ao contrato social, arquivada na JUCEMA sob o n° 20030241693. Em fevereiro de 2007, foi feita a 2a alteração ao contrato social, na qual é admitido o sócio PETERGIBSON DE CAVALHO (SIC), CPF 278.942.82200, residente e domiciliado na Rua Afonso de Albuquerque, 109, São Bernardo do Campo — SP, que adquire por compra as cotas da sócia MARIA DE FÁTIMA BEZERRA DOS SANTOS, já qualificada acima, pagando pelas citadas cotas o valor de R$10.000,00 (dez mil reais), conforme consta na alteração contratual. Nesta mesma ocasião, a razão social passa a ser SINFACOL — SERVIÇOS DE INFORMÁTICA ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE LTDA., sendo que nesta alteração as atividades da empresa continuam as mesmas, visto não ter qualquer menção na citada alteração sobre modificação do objeto da sociedade, e o endereço passa a ser RUA AFONSO ALBUQUERQUE, 109 — Centro, São Bernardo do Campo — SP. Mesmo endereço do sócio entrante. (...) Por meio do MEMO Difis/EFI2/ 0803/N° 38/2009, o relatório foi devolvido a SRF033ª RF/Difis, tendo em vista, que em diligência realizada, conforme determinação do MPF 0811900.2008.010688, pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, Pedro Antonio Balint, matricula 877.334, ficou constado Fl. 678DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 que na Rua Afonso de Albuquerque, 109, Centro São Bernardo do Campo, reside a Senhora Odirene Vieira de Mesquita, que afirmou desconhecer qualquer empresa no endereço citado. Posteriormente o mesmo AuditorFiscal consultou o CNIS e confirmou que lá é mesmo a residência da referida senhora. (...) em 5 de junho de 2009 foi emitido o termo de início de fiscalização e enviado por aviso de recebimento aos sócios PETERGIBSON DE CARVALHO, na Rua Afonso de Albuquerque, 109 — Jardim do Lago, São Bernardo do Campo — SP e JOÃO PAULO FERREIRA CARDOSO, na Rua Rio Branco, 514, Vila Brasil, Imperatriz — MA. 0 termo foi devolvido pelos Correios com as observações: pessoa desconhecida e não há o número indicado. Assim sendo em 29 de junho de 2009, foi emitido o Edital/DRF/IMO/NUFIS N° 40, cientificando o contribuinte do termo de inicio de fiscalização. Mesmo assim, no dia 1º de julho de 2009, o termo de início de fiscalização foi remetido para FRISAMA FRIGORÍFICO DO SUDOESTE MARANHENSE LTDA, na BR 222, KM 1 — Jardim de Ala, Açailândia — CE (sic). No dia 7 de julho de 2009, em atendimento ao edital ou ao termo de inicio de fiscalização, o Senhor Petergibson de Carvalho, enviou documento, por intermédio dos Correios, pedindo prorrogação de 20 (vinte) dias no prazo para apresentar os documentos requeridos nos termo de inicio. Pedido este deferido em 10 de julho de 2009. O envelope remetido pelo Senhor Petergibson de Carvalho, com o pedido de prorrogação, foi postado em postado (sic) em São Paulo e nele consta o endereço da Rua Afonso Albuquerque, 109 — Centro, São Bernardo do Campo — SP. Entretanto, por se desconhecer o verdadeiro endereço do contribuinte, e tendo em vista não haver certeza de como foi tornado conhecimento do termo de inicio de fiscalização, se pelo edital ou se por conta do envio para.° FRISAMA na BR 222, KM 1, Jardim de Ala — Açailândia — MA, a concessão da prorrogação foi enviada para o antigo endereço da empresa, BR 222, KM 7 — Parque das Nações, Açailândia — MA, tendo sido devolvido também com a observação endereço insuficiente. No dia 30 de julho de 2009, novamente se remeteu a concessão de prorrogação, desta vez para a BR 222, KM 1, Açailândia — MA, documento devolvido pelos Correios com a observação endereço insuficiente. Em 12 de agosto de 2009, o Senhor Petergibson de Carvalho remeteu novo pedido de prorrogação do termo de inicio de fiscalização, de São Paulo, sendo que desta vez no envelope o endereço e Rua Pedro Paulo, 85, São Paulo — SP. Diante de tantas informações desencontradas e na impossibilidade de se contatar o contribuinte, em 14 de setembro de 2009, foram emitidos os RMFs 03.2.02.002009000363 — Banco Bradesco, enviado em 25 de setembro por aviso de recebimento; 03.2.02.002009000371 — Banco Rural , enviado em 23 de setembro, também por aviso de recebimento; e Fl. 679DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10325.000995/201080 Acórdão n.º 2302002.411 S2C3T2 Fl. 678 5 03.2.02002009000380 — Banco do Brasil, remetido em 25 de setembro de 2009, por aviso de recebimento. No dia 2 de outubro de 2009, foi emitido o Ato Declaratório Executivo n° 14, do Delegado da Receita Federal em lmperatriz, tornando INAPTA a inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica o CNPJ 05.470.371/000150, de SINFACOL — SERVIÇOS DE INFORMÁTICA ADMINISTRAÇA0 E CONTABILIDADE LTDA, por inexistir de fato, Processo 10325.001227200918. (fl. 50) O Senhor Petergibson, em 12 de novembro de 2009, voltou a remeter para a Receita Federal, por meio de aviso de recebimento, da Rua Pedro Paulo, 85, São Paulo — SP, novo pedido de prorrogação do termo de inicio de fiscalização. Em 22 de março de 2010, foi enviado outro termo de intimação fiscal, por meio de aviso de recebimento, a SINFACOL — Serviços de Informática Administração e Contabilidade Ltda, para a Rua Afonso de Albuquerque, 109— São Bernardo do Campo, SP, devolvido pelos Correios com a observação pessoa desconhecida. Outro termo de intimação fiscal foi emitido em ,29 de março de 2010 e enviado, desta vez, para a BR 222, KM 5, e também para BR 222, KM 1, Açailândia —MA, ambos devolvidos com a observação dos Correios de que o endereço era insuficiente. Em 29 de março de 2010, foi enviado o OFICIO/Nufis/DRF/IMP n° 08/2010, para a Junta Comercial do Estado do Maranhão e o OFICIO/Nufis/DRF/IMP n° 09/2010, para a Junta Comercial do Estado de São Paulo, ambos solicitando cópias dos atos constitutivos e as possíveis alterações contratuais de SINFACOL — Serviços de Informática, Administração e Contabilidade Ltda. A Junta Comercial do Estado do Maranhão, em oficio de 5 de abril de 2010, remeteu os documentos arquivados naquela instituição. Em 30 de setembro de 2009, o Banco Rural S.A , em atendimento a RMF nos enviou extratos e outros documentos, assim como também o Banco do Brasil, em 30 de outubro de 2009 e Banco Bradesco em 05 de novembro e 14 de dezembro de 2009. Analisamos a documentação recebida, especialmente os extratos bancários, emitimos em 5 de maio de 2010, termo de intimação fiscal, pedido para o contribuinte apresentar a documentação comprobatória dos créditos relacionados no anexo ao termo de intimação, assim como apresentar justificativa para os valores movimentados. Fomos pessoalmente a um dos endereços da empresa, em Açailândia, na BR 222, KM 5 e por termos sido informados que lá não funcionava tal empresa, lavramos o termo de constatação que abaixo reproduzido: (Termo de Constatação Fiscal 1, de 05.05.2010) (...) Fl. 680DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Diante disso, e por entendermos infrutífera qualquer tentativa de localizar o contribuinte foi emitido o EDITAL/DRF/IMP/MA/NUFIS N° 13, de 5 de maio de 2010, para dar ciência do termo de intimação fiscal. Quando da analise dos documentos recebidos do Banco Bradesco S.A, cópias das procurações passadas pela empresa fiscalizada não foram enviadas juntamente com os demais documentos, sendo assim fizemos, em 5 de maio de, 2010, termo de solicitação de informação endereçado ao banco, pedindo a remessa de tais procurações, urna vez que o próprio banco fala da existência de procurações. A Delegacia de Policia Federal em Imperatriz, por meio do Oficio 878/2007CART/ DPF.B/ITZ/MA, enviou à Delegacia da Receita Federal em Imperatriz farto material, referente ao Mandado de Busca e Apreensão n° 158/2007 SECVA (...), apreendido no imóvel localizado na Rodovia 222, s/n, KM 01, Jardim de Ala. Açailândia/MA, pela equipe 14. Tal material serviu de base para montagem do dossiê de seleção. Ao analisarmos o material, constatamos numa comunicação interna da FRISAMA de 5/12/03, a seguinte observação: "o contrato de financiamento de energia elétrica está correto. OBS.: Para mais esclarecimento entrar em contato com Dr. Borges/Aldo". Assinado pele gerente industrial Aldo N. Teixeira. Logo abaixo, uma observação à mão diz: "OBS. O contrato não pode ser ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, e sim: João Paulo Ferreira Cardoso— CI 243.59822— SS Paulo — CPF 673.183.55368." Rubricado por Antonio Durão — CRC/MG21323 S/MA CPF 087.886.26687' (fl. 70) Foi também encontrada cópia do contrato de reserva de potência e fornecimento de energia elétrica — AJU 018/02 , entre a CEMAR e Industrial e Comercial Maranhense de Alimentos Ltda, no qual consta como representante da Industrial e Comercial Maranhense de Alimentos Ltda o diretor ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO. Tal contrato, entretanto, não está assinado por nenhuma das partes. (fls. 71/75) Ainda consta do referido material uma autorização passada pela Industrial e Comercial Maranhense de Alimentos Ltda., autorizando expressamente a senhora Lilian Frota Ximenes — CPF 393.502.66334, transferir para o senhor ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, conforme "Contrato Particular de Confissão, Remissão Parcial e Assunção de Divida, c/c Dação em Pagamento e Outras Avencas firmado em 31/8/2006, o apartamento 900, do Edifício Lara, na Rua Ana Bilhar, n° 601, Aldeota, Fortaleza — CE, matriculado sob o número 20.009, no Cartório de Registro de Imóveis da 4a. Zona de Fortaleza." (fl. 76) Diante disso, foi expedido o OFICIO/Nufis/DRF/IMP/n° 12/2010, ao Cartório de Registro de Imóveis do 4° Oficio de Fortaleza, solicitando a documentação pertinente a operação de transferência do imóvel para o Senhor Roberto Luiz da Silva Logrado, bem como o OFÍCIO/Nufis/DRF/IMP/ n° 13/2010, a Companhia Energética do Maranhão — CEMAR, solicitando Fl. 681DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10325.000995/201080 Acórdão n.º 2302002.411 S2C3T2 Fl. 679 7 cópia de possíveis contratos firmado com a Industrial e Comercial de Alimentos Ltda. Em atendimento ao Oficio/Nufis/DRF/IMP n° 12/2010, por intermédio de correspondência de 12 de maio de 2010, o Cartório Miranda Bezerra —Registro de Imóveis da 4a Zona de Fortaleza , nos enviou cópia do Registro Geral 20.009, de 21 de maio de 2001, e nos informou que pela escritura de 1° de novembro de 2007, do 1° Oficio da Comarca Vinculada de Paramoti deste Estado, liv.005, fls.168/169, prenotada em 12.03.2008 sob o n° 111.355, a proprietária vendeu o imóvel desta matricula a VITOR SANTOS LOGRADO, brasileiro, solteiro, estudante, CPF 528.023.70278, residente e domiciliado na Rua Godofredo Viana, 960, Centro,1110 lmperatriz — MA, por R$750.000,00 (setecentos e cinqiienta mil reais), importância essa que a vendedora, assim como vem representada, declara quitada conforme Contrato Particular de Confissão,Remissão Parcial e Assunção de Divida da empresa Mercantil São Jose S.A — Comercio e Indústria, assinado entre a vendedora e a anuente em 31 de agosto de 2006, tendo a anuente, INDUSTRIAL E COMERCIAL MARANHENSE DE ALIMENTOS LTDA. Com sede na Rodovia BR 222, S/N — Parque das Nações, Açailândia/MA — CNPJ 05.470.371/000150, recebido do comprador a importância de R$750.000,00 VITOR SANTOS LOGRADO é filho de ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, conforme consta da declaração de imposto de renda deste Ultimo, no ano calendário de 2003, exercício de 2004. Ante o exposto, restou caracterizada a sujeição passiva solidária de ROBERTO LUIZ DA SILVA LOGRADO, CPF 120.803.73234, nos termos do art. 124 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) e art. 207, parágrafo Único, inciso III do RIR/99. A autuada não apresentou impugnação, o que foi feito pelo Sr. Roberto Luiz da Silva Logrado, responsável solidário, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária. Após a impugnação os autos baixaram em diligência para que o Fisco procedesse a lavratura dos Termos de Sujeição Passiva Solidária para as demais empresas envolvidas, já que caracterizado grupo econômico e para as pessoas físicas Roberto Luiz da Silva Logrado, João Paulo Ferreira Cardoso e Petergibson de Carvalho. Após a apresentação de impugnações das empresas solidárias e aditamento da defesa do Sr. Roberto Logrado Acórdão de fls.400/411, julgou o lançamento procedente em parte para excluir o Sr. Roberto Luiz da Silva Logrado do pólo passivo do auto de infração. Inconformadas as empresas responsáveis solidárias apresentaram recurso voluntário, arguindo: Distribuidora de Carnes Equatorial Ltda. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Frigorífico Industrial Eldorado Ltda. Frigorífico Industrial Altamira Ltda. Frisama – Frigorífico do Sudoeste Maranhense Ltda. Matadouro Altamira Ltda. Matadouro Eldorado Ltda. a) que o lançamento inovou pois o Termo de Sujeição Passiva Solidária foi lavrado após a impugnação; b) que após a diligência o lançamento foi revisto, com a indicação de novos sujeitos passivos; c) que a revisão do lançamento carece de motivo, porque não restou comprovada qualquer hipótese do artigo 149, do CTN; d) que houve erro na identificação do sujeito passivo, pois o lançamento foi efetuado contra empresa extinta, o que não procede, inclusive com posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a que se reporta; tal fato nulifica o lançamento; e) a inexistência do grupo econômico que não foi caracterizado pela fiscalização; f) nulidade da multa aplicada por falta de motivação do auto de infração; g) que as asserções lançadas são insuficientes para a identificação do fato ilícito; h) a multa foi aplicada em patamar superior ao determinado pela legislação, R$636,17; i) a portaria que reajusta a multa não pode retroagir Requer a anulação do termo de sujeição passsiva solidária da recorrente; anulação do lançamento de ofício, afastar a cobrança pela inexistência de provas quanto ao grupo econômico, anular o auto de infração por falta de motivação. É o relatório. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10325.000995/201080 Acórdão n.º 2302002.411 S2C3T2 Fl. 680 9 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço dos recursos e passo a examinálos. O presente Auto de Infração de Obrigação Acessória referese ao Código de Fundamento Legal 35 e foi lavrado pelo descumprimento do artigo 32, inciso III da Lei n.º 8.212/91, o qual diz expressamente que a empresa é obrigada a prestar ao INSS as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, assim como os esclarecimentos necessários à fiscalização Também o artigo 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, dispõe: Art.225 A empresa é também obrigada a : (...) III prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social e à Secretaria da Receita Federal todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis do interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; Ocorre que do exame dos autos, constatei que na mesma ação fiscal, na mesma data de 21/07/2010, foi lavrado o Auto de Infração de Obrigação Acessória DEBCAD 37.289.6880, pela não apresentação dos documentos solicitados no Termo de Início do Procedimento Fiscal, cuja falta também sustenta a presente autuação, entre eles, como constam igualmente nos dois autos de infração: • Livro Diário, Livro Razão e Registro de Empregados. • GFIP • Comprovantes de recolhimentosGPS • Arquivos digitais • Resumo das folhas de pagamento • RAIS'Relação Anual de Informações Sociais • Rescisões de contrato de trabalho • Relação de compras de produtos rurais adquiridas de pessoas físicas. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Da análise dos documentos solicitados através do TIPF e não apresentados, podese vislumbrar que são os mesmos que originaram as duas autuações, configurandose o bis in idem. A autuação no Código de Fundamento Legal 35, pressupõe que o auditor fiscal, quando necessário e plenamente justificado, possa solicitar, mediante termo próprio para apresentação de documentos, esclarecimentos que ensejem a apresentação de documentos e livros não diretamente relacionados com as contribuições previdenciárias. De forma que a não apresentação dos esclarecimentos permite a autuação neste código. Todavia, o Auto de Infração neste CFL deverá ser precedido de solicitação de esclarecimentos por escrito, com a justificativa da necessidade de tais explicações, quando não forem documentos diretamente relacionados com as contribuições previdenciárias. É de se registrar que existe a possibilidade de lavratura simultânea de AI neste CFL e no CFL 38,decorrentes de um mesmo TIAD, quando o sujeito passivo não exibir documentos relacionados e não relacionados às contribuições previdenciárias; ou quando não exibir documentos relacionados com as contribuições e não prestar as informações necessárias, sempre solicitadas em Termo de Intimação para Apresentação de Documentos. Entretanto, no caso em exame, não vislumbrei que o Fisco tenha solicitado esclarecimentos que ensejassem a lavratura deste Auto de Infração, concomitantemente à lavratura do Auto de Infração no CFL 38, cujos documentos solicitados são os mesmos, provenientes do mesmo Termo de Início de Procedimento Fiscal, e não há solicitação de outras informações ou esclarecimentos sobre documentos ou situações não relacionadas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. Em regra geral, no mesmo procedimento fiscal, deverá ser lavrado um só auto por tipo de infração assim, no caso em tela, entendo que ocorreu bis in idem, ou seja pela descrição da mesma infração foram lavrados dois autos distintos. Como o Auto de Infração Código de Fundamento Legal 38, também objeto de exame por parte desta relatora foi julgado procedente, entendo que a presente autuação pela não apresentação dos mesmos documentos que originaram aquele AI, deve ser desconsiderada. Por todo o exposto, Voto pelo provimento do recurso. Liege Lacroix Thomasi, Relatora Fl. 685DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10325.000995/201080 Acórdão n.º 2302002.411 S2C3T2 Fl. 681 11 Fl. 686DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10140.723034/2011-96
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
MULTA. GFIP. SEGURADO OMITIDO.
Para fins de imputação da multa prevista no art. 32-A, II, da Lei n. 8.212/91, cada segurado omitido equivale a um conjunto de dez informações omitidas, eis que cada informação corresponde a um campo não preenchido do cadastro do trabalhador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-002.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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GFIP. SEGURADO OMITIDO. Para fins de imputação da multa prevista no art. 32A, II, da Lei n. 8.212/91, cada segurado omitido equivale a um conjunto de dez informações omitidas, eis que cada informação corresponde a um campo não preenchido do cadastro do trabalhador. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Carolina Wanderley Landim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 30 34 /2 01 1- 96 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 0428.738 fls. 72/76, que julgou totalmente improcedente a Impugnação apresentada para manter a integralidade da imputação disposta na autuação fiscal, consolidada em 08/12/2011, cujo importe corresponde a R$ 11.160,00 (onze mil e cento e sessenta reais), relativo ao descumprimento de obrigação acessória a seguir relatada, nos termos do Relatório Fiscal, de fls. 06/09, in verbis: 2.0 DESENVOLVIMENTO DOS TRABALHOS: 2.1 Com a apresentação do TIPF informamos ao contribuinte o período da auditoria fiscal , para o qual foram solicitados à empresa, além de outros documentos, arquivo contendo os lançamentos contábeis no padrão MANAD, folhas de pagamento de todos os segurados e as GFIP. 2.2 A empresa entregounos a documentação solicitada, onde constatamos, através da análise dos lançamentos contábeis na conta 3.3.90.36.00Outros Serviços de Terceiros – Pessoa Física, que no período da auditoria fiscal diversos prestadores de serviços contribuintes individuais não forma informados em GFIP. 2.3 Na planilha constante do Anexo I deste auto de infração relacionamos os nomes dos contribuintes individuais remunerados e as respectivas remunerações. Embora a empresa auditada não tenha efetuado a informação desses segurados em GFIP, a mesma efetuou o desconto da contribuição do segurados, recolhendoa juntamente com a contribuição a seu cargo. 2.4 Ao informar as GFIP com tais omissões, fica caracterizado o descumprimento de obrigação acessória prevista na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso IV, com a redação dada pela MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, levandonos a lavratura do presente Auto de Infração. 2.5. Com a publicação da Medida Provisória 449 em 04 de dezembro de 2008 e sua posterior conversão na Lei 11.941, publicada em 28 de maio de 2009, novas capitulações foram introduzidas na Lei 8.212/91 disciplinando a aplicação de penalidade pelo não recolhimento das contribuições previdenciárias e pela não declaração dos fatos geradores em GFIP. (...)” DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 48/54. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 4ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS, DRJ/CGE, prolatou o Acórdão n° 04 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10140.723034/201196 Acórdão n.º 2403002.010 S2C4T3 Fl. 3 3 28.738 (Fls. 72/76), mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA. GFIP. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS. Constitui infração à legislação previdenciária apresentar, o Órgão Público, Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social GFIP com informações incorretas ou omissas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” DO RECURSO Irresignada, a Municipalidade interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 83/90, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, ao argumento de que a multa aplicada encontrase equivocada por considerar cada segurado omitido equivalente a um conjunto de dez informações omitidas, quando em verdade deveria ser considerada a omissão de apenas uma informação. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fls. 93, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO Infere a Recorrente que a multa imputada entremostrase exacerbada por considerar cada segurado omitido equivalente a um conjunto de dez informações omitidas, quando na verdade deveria ser considerada apenas uma. Não merece prosperar o argumento da Recorrente, dandose razão a autuação da autoridade fiscal e manutenção pela DRJ. A tentativa da Recorrente não encontra acolhida na legislação previdenciária, eis que se apresenta ilógico considerar no mesmo enquadramento a hipótese de uma GFIP com uma informação omitida em relação a um segurado declarado e a omissão total de um segurado. Isso porque é certo que cada segurado não declarado corresponde a diversas informações que foram omitidas em GFIP, razão pela qual cada campo que não foi preenchido no cadastro do segurado deve ser considerado uma informação omitida. Deste modo, correta a resolução da lide com a aplicação da Solução de Consulta interna nº. 09/2010, por se apresentar instrumento de esclarecimento quando da aplicação de determinado dispositivo. Ademais, foi aplicado corretamente o disposto no art. 32A da Lei 8.212/91. Ante o exposto, afasto o argumento da Recorrente para manter a integralidade da multa imputada, considerando cada segurado omitido equivalente a dez informações omitidas, conforme planilha anexa ao Auto de Infração, fl. 35. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso para negar provimento, nos termos do voto. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 99DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/07 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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