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Numero do processo: 15563.000308/2006-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2003 a 28/02/2006
EMBARGOS INOMINADOS. CABIMENTO. APRECIAÇÃO DE UM MESMO RECURSO DUAS VEZES E POR ÓRGÃOS JULGADORES DISTINTOS. LAPSO MANIFESTO.
A existência de duas decisões, de órgãos julgadores distintos de uma mesma instância administrativa, para a apreciação dos Recurso de Ofício e Recurso Voluntário interpostos, é passível de correção pela oposição de embargos inominados, por configurar hipótese de
inexatidão material ou erro devido a lapso manifesto.
CRITÉRIO PARA DETERMINAÇÃO DA PRIMEIRA DECISÃO PROFERIDA NO PROCESSO. DATA DE JULGAMENTO. DATA DE FORMALIZAÇÃO. ARTIGO 37 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Seguindo o disposto no artigo 37 do Decreto nº 70.235/1972, o Regimento Interno do CARF, Anexo II, Título II, disciplina, em seu Capítulo II, o procedimento a ser observado no julgamento de recursos e, em seu Capítulo III, os procedimentos a serem observados após a realização do julgamento de recursos, procedimentos estes de natureza meramente administrativa, para fins de formalização e registro da decisão tomada pela Turma na sessão pública de julgamento.
Com isso, para fins de determinação da primeira decisão proferida no processo, deve-se considerar a data de julgamento e não a data de formalização do julgado, pois o julgamento se efetiva na sessão pública, sendo os atos posteriores atos de natureza administrativa, para fins de formalização do julgado, desprovidos de natureza judicante.
NULIDADE DA SEGUNDA DECISÃO PROFERIDA NO PROCESSO, POR TER SIDO PROFERIDA POR AUTORIDADE INCOMPETENTE. ARTIGO 59, INCISO II, DO DECRETO Nº 70.235/1972. ARTIGO 2º, PARÁGRAFO ÚNICO, ALÍNEA A, DA LEI Nº 4.717/1965. ARTIGO 25, INCISO II, PARÁGRAFOS 1º A 5º, DO DECRETO Nº 70.235/1972. ARTIGOS 49, PARÁGRAFO 5º E 6º, 65 E 66 DO RICARF. ARTIGO 494, DO NCPC.
Após o julgamento de Recursos de Ofício e Voluntário, esgota-se a competência da Turma para fazer qualquer alteração do julgado, salvo a oposição de embargos de declaração e/ou inominados, não havendo que se falar em competência de outra Turma para realizar novo julgamento desses mesmos recursos, o que só ocorreu em razão de lapso manifesto, devendo ser reconhecida a nulidade da segunda decisão proferida por ter sido proferida por autoridade incompetente, com base no artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972.
Numero da decisão: 3401-004.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento aos Embargos Inominados opostos, para saneamento deste processo administrativo, pelo reconhecimento da nulidade da segunda decisão proferida, a Resolução nº 3302-000.444, com fundamento no artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972, e pelo reconhecimento da higidez e validade da primeira decisão proferida, Acórdão nº 3401-000.522, esclarecendo-se, para fins do artigo 59, parágrafo 2º, do Decreto nº 70.235/1972, que deve o presente processo retomar sua marcha, com a realização da ciência das partes acerca do Acórdão nº 3401-000.522 e desta decisão, que integra a primeira, para, querendo, apresentarem recursos.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: Augusto Fiel Jorge d' Oliveira
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 28/02/2006 EMBARGOS INOMINADOS. CABIMENTO. APRECIAÇÃO DE UM MESMO RECURSO DUAS VEZES E POR ÓRGÃOS JULGADORES DISTINTOS. LAPSO MANIFESTO. A existência de duas decisões, de órgãos julgadores distintos de uma mesma instância administrativa, para a apreciação dos Recurso de Ofício e Recurso Voluntário interpostos, é passível de correção pela oposição de embargos inominados, por configurar hipótese de inexatidão material ou erro devido a lapso manifesto. CRITÉRIO PARA DETERMINAÇÃO DA PRIMEIRA DECISÃO PROFERIDA NO PROCESSO. DATA DE JULGAMENTO. DATA DE FORMALIZAÇÃO. ARTIGO 37 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 37 do Decreto nº 70.235/1972, o Regimento Interno do CARF, Anexo II, Título II, disciplina, em seu Capítulo II, o procedimento a ser observado no julgamento de recursos e, em seu Capítulo III, os procedimentos a serem observados após a realização do julgamento de recursos, procedimentos estes de natureza meramente administrativa, para fins de formalização e registro da decisão tomada pela Turma na sessão pública de julgamento. Com isso, para fins de determinação da primeira decisão proferida no processo, devese considerar a data de julgamento e não a data de formalização do julgado, pois o julgamento se efetiva na sessão pública, sendo os atos posteriores atos de natureza administrativa, para fins de formalização do julgado, desprovidos de natureza judicante. NULIDADE DA SEGUNDA DECISÃO PROFERIDA NO PROCESSO, POR TER SIDO PROFERIDA POR AUTORIDADE INCOMPETENTE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 03 08 /2 00 6- 51 Fl. 1490DF CARF MF 2 ARTIGO 59, INCISO II, DO DECRETO Nº 70.235/1972. ARTIGO 2º, PARÁGRAFO ÚNICO, ALÍNEA A, DA LEI Nº 4.717/1965. ARTIGO 25, INCISO II, PARÁGRAFOS 1º A 5º, DO DECRETO Nº 70.235/1972. ARTIGOS 49, PARÁGRAFO 5º E 6º, 65 E 66 DO RICARF. ARTIGO 494, DO NCPC. Após o julgamento de Recursos de Ofício e Voluntário, esgotase a competência da Turma para fazer qualquer alteração do julgado, salvo a oposição de embargos de declaração e/ou inominados, não havendo que se falar em competência de outra Turma para realizar novo julgamento desses mesmos recursos, o que só ocorreu em razão de lapso manifesto, devendo ser reconhecida a nulidade da segunda decisão proferida por ter sido proferida por autoridade incompetente, com base no artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento aos Embargos Inominados opostos, para saneamento deste processo administrativo, pelo reconhecimento da nulidade da segunda decisão proferida, a Resolução nº 3302000.444, com fundamento no artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972, e pelo reconhecimento da higidez e validade da primeira decisão proferida, Acórdão nº 3401000.522, esclarecendose, para fins do artigo 59, parágrafo 2º, do Decreto nº 70.235/1972, que deve o presente processo retomar sua marcha, com a realização da ciência das partes acerca do Acórdão nº 3401000.522 e desta decisão, que integra a primeira, para, querendo, apresentarem recursos. ROSALDO TREVISAN Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Tratase de embargos inominados opostos por Conselheiro em 20/02/2017, com fundamento no artigo 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, em razão da verificação, pelo Conselheiro, de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto. Fl. 1491DF CARF MF Processo nº 15563.000308/200651 Acórdão n.º 3401004.297 S3C4T1 Fl. 1.491 3 De início, aproveito a síntese do ocorrido no processo administrativo em questão, elaborada pelo Conselheiro, em seus embargos, da seguinte forma: "O presente processo originouse da lavratura de auto de infração (fls. 1.121 a 1.185) em que se exigiram parcelas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e demais acréscimos legais, inclusive multas qualificadas, em razão da apuração pela Fiscalização das seguintes infrações: (i) emissão de notas fiscais com o imposto lançado a menor, (ii) compensações de débitos do IPI com apólices da dívida pública apenas contabilizadas, mas não declaradas, (iii) declaração indevida de débitos com exigibilidade suspensa, (iv) ausência de declaração de parcelas do imposto devido; e (v) omissão de receitas. Referido auto de infração veio a ser objeto de impugnação (fls. 1.218 a 1.249), tendo a DRJ Juiz de Fora/MG decidido por darlhe provimento parcial, excluindose do lançamento original as parcelas do imposto que se encontravam devidamente declaradas em DCTF, decorrendo daí a interposição de Recurso de Ofício por parte da autoridade julgadora (fls. 1.267 a 1.281). Cientificado da decisão de 1ª instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 1.284 a 1.303), tendo a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Acórdão nº 3401000.522, de 3 de dezembro de 2009, negado provimento ao Recurso de Ofício e dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, para "afastar o agravamento referente à compensação com títulos da dívida pública", conforme constou da ata de julgamento. Contudo, por razões que se desconhecem, referido acórdão não foi formalizado, tendo sido o processo, em 20 de janeiro de 2011, enviado à repartição de origem a pedido da autoridade administrativa (fls. 1.425 a 1.426) e devolvido ao CARF em 4 de fevereiro de 2011 (fl. 1.428). Em 20 de maio de 2011, a repartição de origem requisitou mais uma vez o envio do processo (fls. 1.429 a 1.430) para fins de análise de alegações do contribuinte acerca de cobrança de débitos em duplicidade, sendo então operacionalizada a exclusão dos débitos de IPI que já havia sido determinada no acórdão da DRJ Juiz de Fora/MG (fls. 1.432 a 1.434). Em 16 de junho de 2011, o processo retornou ao CARF (fl. 1.457), sendo então digitalizado e, conforme se verifica do despacho de fl. 1.458, enviado, equivocadamente, para inclusão em pauta. Em 16 de outubro de 2014, por meio da Resolução nº 3302000.444 (fls. 1.463 a 1.468), a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF resolveu declinar da competência em favor da 1ª Seção de Julgamento, em razão do fato de se tratar de lançamento reflexo de infrações à legislação do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), com base no art. 2º do Anexo II do então vigente Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, que assim dispunha: Fl. 1492DF CARF MF 4 Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) IV demais tributos, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; (g. n.) Em 15 de maio de 2016, a Procuradoria da República no Município de São João de Meriti/RJ solicitou o envio de informações acerca deste processo assim que julgado o recurso interposto pelo contribuinte (fl. 1.473). Sobrevindo a informação de que, em verdade, o Recurso Voluntário e o Recurso de Ofício já haviam sido julgados em 3 de dezembro de 2009, anteriormente, portanto, à prolação da referida Resolução, o Presidente da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, tendo se em conta que o relator originário não mais integrava o Colegiado, designou, com fundamento no art. 17, inciso III, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, o Conselheiro Hélcio Lafetá Reis para formalizar o referido acórdão, até então estranho aos autos (fl. 1.475). O Acórdão nº 3401000.522 encontrase formalizado às fls. 1.476 a 1.485". Em seu recurso, o Embargante tece considerações a respeito das infrações constatadas no curso de uma única fiscalização que deu origem tanto ao lançamento de IPI discutido no presente processo administrativo (de nº 15563.000308/200651) quanto ao lançamento de IRPJ discutido no processo administrativo nº 15563.000306/200661 para, em seguida, afirmar que "por se tratar de exigência do IPI lastreada em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação do IRPJ, nos termos do art. 2º, inciso IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, vigente à época da lavratura do Acórdão nº 3401000.522, de 3 de dezembro de 2009, a decisão que se mostra mais acertada, a priori, é aquela tomada na referida Resolução". (grifos nossos) Porém, pondera o Embargante que "considerando a forma como os fatos processuais se deram, constatase a ocorrência de infração a regras processuais e regimentais a reclamar por saneamento, dada a prolação de duas decisões distintas decorrentes de um mesmo recurso voluntário e de um mesmo recurso de ofício". Diante disso, o Embargante apresenta os Embargos Inominados "para que o Colegiado decida, preliminarmente, acerca da anulação do Acórdão nº 3401000.522, com a prolação de nova decisão em conformidade com as regras processuais e regimentais, tendose em conta a realidade fática dos autos". (grifos nossos) É o relatório. Fl. 1493DF CARF MF Processo nº 15563.000308/200651 Acórdão n.º 3401004.297 S3C4T1 Fl. 1.492 5 Voto Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Como se verifica, os recursos de ofício e voluntário foram apreciados duas vezes e, ainda, por órgãos julgadores distintos, a primeira em 03/12/2009, por esta 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara (Acórdão nº 3401000.522), e a segunda em 16/10/2014, pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta Seção (Resolução nº 3302000.444). Além dessa questão, os Embargos Inominados opostos suscitam uma potencial incompetência desta 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, para a prolação do Acórdão nº 3401000.522, em 03/12/2009. Essas, portanto, as duas questões a serem examinadas a seguir. A doutrina elenca cinco elementos, também chamados de requisitos ou pressupostos, para formação e validade do ato administrativo, dentre eles, a existência de um agente capaz para a prática do ato, sob pena de restar caracterizado o defeito ou vício de incompetência do ato administrativo. A Lei nº 4.717/1965, que regula a ação popular, em seu artigo 2º, parágrafo único, alínea a, define o vício de incompetência, nos seguintes termos: "a) a incompetência fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou". Sobre esse elemento, a doutrina de Alexandre dos Santos Aragão ensina que a competência não deve estar necessariamente na Lei, mas deve estar contemplada no ordenamento jurídico, a partir de uma visão mais atual do princípio da legalidade, que se traduziria no princípio da juridicidade. Nesse sentido, a respeito do elemento agente capaz, "o ato deve ser praticado por pessoa física à qual a lei, explícita ou implicitamente, atribua poder para a sua prática"1. (grifos nossos) E, na hipótese de algum defeito ou vício nesse elemento, a conseqüência é a nulidade do ato administrativo praticado, pois, como explica Themístocles Brandão Cavalcanti "será assim capaz, a autoridade que tiver competência para a prática do assunto, sendo nulo o ato praticado por aquele que não tem competência e, portanto, capacidade legal para a prática do ato"2. No âmbito do processo administrativo federal, o artigo 25, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972, prevê a competência do CARF, nos seguintes termos: "Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: (...) II – em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial". 1 Aragão, Alexandre dos Santos. Curso de Direito Administrativo. Rio de Janeiro. Forense. 2012. p. 148. 2 Cavalcanti, Themístocles Brandão. "Teoria dos atos administrativos. São Paulo. Ed. Revista dos Tribunais, 1973. p. 6667. Fl. 1494DF CARF MF 6 Como adverte Athos Gusmão Carneiro3, "nos órgãos colegiados, surge o problema da competência interna. Os Tribunais de Justiça são fracionados em "Câmaras"; os Tribunais Regionais Federais, em "Turmas"; uma apelação, um agravo serão distribuídos a uma dessas Câmaras ou Turmas, que se tornará competente para apreciar o recurso". Há ainda a competência do relator para determinados atos, pois, como observa o ilustre doutrinador, "na câmara ou turma, um de seus desembargadores será sorteado como relator, e exercerá as atribuições que, em razão da função, cabem ao relator". Assim, nos termos do artigo 25, inciso II, parágrafos 1º a 5º, do Decreto nº 70.235/1972, o CARF é dividido em Seções, especializadas por matéria, e constituídos por Câmaras que, por sua vez, são dividas em Turmas de Julgamento, seguindo o disposto no artigo 37 do Decreto nº 70.235/1972, "Art. 37. O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno". Por sua vez, o Regimento Interno do CARF prevê, em seu artigo 49, parágrafo 5º e 6º, que a distribuição e julgamento de determinado processo por um Conselheiro, torna ele e a própria Turma preventos para julgamento de eventuais demandas adicionais no âmbito daquela instância de julgamento. Assim, processos que retornem de diligência ou que tenham embargos de declaração opostos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio. Além disso, o artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972, determina que são nulos "os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente". Sobre o tema, destaquese ainda que, uma vez praticado o ato jurisdicional e prolatada uma decisão, ou seja, uma vez exercida a competência, dizse que há um esgotamento da competência pelo órgão judicante, não sendo lícito alterar o decisão, salvo nas hipóteses previstas no artigo 494, do CPC, in verbis: "Art. 494. Publicada a sentença, o juiz só poderá alterála: I para corrigirlhe, de ofício ou a requerimento da parte, inexatidões materiais ou erros de cálculo; II por meio de embargos de declaração". Do mesmo modo, no processo administrativo fiscal, o Regimento Interno do CARF prevê em seus artigos 65 e 66 a oposição de embargos de declaração e embargos inominados, respectivamente, para que o mesmo órgão julgador corrija a decisão por ele proferida, na hipótese de "omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma" ou "inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão". No presente caso, a primeira questão a ser enfrentada diz respeito a existência de duas decisões, de órgãos julgadores distintos de uma mesma instância administrativa para a apreciação dos Recurso de Ofício e Recurso Voluntário interpostos. A primeira decisão foi proferida m 03/12/2009, por esta 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara e deu origem ao Acórdão nº 3401000.522. A segunda decisão foi proferida em 16/10/2014 pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta Seção e deu origem à Resolução nº 3302000.444. Acrescentese ainda as datas de formalização de cada decisão. A segunda decisão teve a formalização contemporânea à data de julgamento, sendo a primeira a ser acostada aos autos, às fls. 1463 e seguintes. Já a primeira decisão que foi proferida, por motivos que se desconhece, só foi formalizada agora, em 2017, como se verifica pelo despacho de designação de Conselheiro "ad hoc" de fls. 1476 e pela própria decisão, acostada às fls. 1476 e seguintes. 3 Carneiro, Athos Gusmão. "Jurisdição e Competência". Ed. Saraiva. São Paulo. 2005. 14ª Edição. p. 9495. Fl. 1495DF CARF MF Processo nº 15563.000308/200651 Acórdão n.º 3401004.297 S3C4T1 Fl. 1.493 7 O Regimento Interno do CARF, Anexo II, em seu Título II, que trata "Do Procedimento", é dividido nos seguintes capítulos: (i) Capítulo I, da distribuição e sorteio; (ii) Capítulo II, do julgamento; (iii) Capítulo III, das decisões colegiadas; (iv) Capítulo IV, dos recursos; (v) Capítulo V, das súmulas; (vi) Capítulo VI, das resoluções do Pleno da CSRF; e (vii) Capítulo VII, das disposições gerais. Dessa forma, o Capítulo II trata do procedimento a ser observado no julgamento, como número de reuniões e sessões a serem realizadas por ano, quorum para deliberação das turmas, informações a serem indicadas na pauta de julgamento, ordem de julgamento dos recursos, rito a ser observado no julgamento de cada recurso, registro do julgamento em ata de sessão etc. Já o Capítulo III trata de procedimentos a serem observados após a realização do julgamento, procedimentos estes de natureza meramente administrativa, para fins de formalização e registro da decisão tomada pela Turma na sessão pública de julgamento, tais como as informações que devem constar em acórdãos e resoluções, prazo para formalização de decisão, procedimentos de ciência das partes acerca das decisões, prazo para formalização de declarações de voto, ficando o detalhamento de tais procedimentos administrativos a cargo do Presidente do CARF que, nos termos do artigo 63, parágrafo 9º, Anexo II, do RICARF, "disciplinará a formalização das decisões, as peças integrantes e as assinaturas, bem como o programa gerador de decisões". De forma ordinária, as Turmas de Julgamento realizam a reunião mensal seguindo os procedimentos previstos no Capítulo II e, logo em seguida, nas semanas seguintes ao julgamento dos recursos, os integrantes da Turma praticam as providências administrativas previstas no Capítulo III, para fins de formalização do que anteriormente restou decidido. No caso ora examinado a prática de tais procedimentos relativos ao Acórdão nº 3401000.522 foi separada por longo período de tempo mais de 7 (sete) anos, o que levou a uma indevida inclusão em pauta para julgamento de recursos já julgados, com a prolação da Resolução nº 3302000.444. De qualquer maneira, a formalização do Acórdão nº 3401000.522 somente em 2017, portanto, após o julgamento e formalização da Resolução nº 3302000.444 não altera a realidade, no sentido de que o processo foi efetivamente julgado em 2009, tendo em vista que o julgamento se efetiva na sessão pública, sendo os atos posteriores atos de natureza administrativa, para fins de formalização do julgado, desprovido de natureza judicante. Dessa maneira, uma vez decididos os Recursos de Ofício e Voluntário no ano de 2009 por esta 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, esgotouse a competência da Turma para fazer qualquer alteração do julgado, salvo a oposição de embargos de declaração e/ou inominados, não havendo que se falar, com muito mais razão, em competência da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta Seção para realizar novo julgamento em 2014, por ocasião da lavratura da Resolução nº 3302000.444, o que só ocorreu em razão de lapso manifesto o não conhecimento de que já existia decisão sobre os recursos interpostos, devidamente registrada em Ata de Julgamento , justamente hipótese para cabimento dos Embargos Inominados interpostos. Assim, tendo em conta a incompetência da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta Seção para decidir a respeito dos recursos de ofício e voluntário interpostos, pela lavratura, da Resolução nº 3302000.444, deve ser reconhecida a nulidade dessa segunda decisão proferida, com base no artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 1496DF CARF MF 8 Contudo, os Embargos Inominados opostos vão além e suscitam uma potencial incompetência desta 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, para a prolação da primeira decisão existente nos autos, o Acórdão nº 3401000.522, de 03/12/2009. De plano, verificase que não se trata de matéria a ser revisitada pela oposição de Embargos Inominados, pois o julgamento lá ocorrido não se deu, a partir de lapso manifesto, tal como ocorreu em 2014, com a prolação da Resolução nº 3302000.444. Isso porque, se a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara não tinha competência para a prolação do Acórdão nº 3401000.522, tal fato não decorre de lapso manifesto, mas de erro de julgamento, que deve ser desafiado, a priori, por oposição de Embargos de Declaração ou Recurso Especial, esteja o entendimento em sentido oposto firmado de forma expressa ou não. Apesar disso, em razão da matéria alegada nulidade da decisão por incompetência até seria possível o seu conhecimento, por ter sido levantada em Embargos Inominados, tendo em vista que poderia ser conhecida até mesmo de ofício. Contudo, não é possível ingressar em tal exame, pois não há nos autos cópia do processo administrativo nº 15563.000306/200661, mencionado nos Embargos Inominados, e que trata de lançamento de IRPJ. Dessa forma, deixo de apreciar a matéria nesta ocasião, sem prejuízo de a Turma vir a apreciála no futuro, caso levantada em Embargos de Declaração, seja pelo contribuinte, seja pela Fazenda Nacional, seja por Conselheiro, não havendo que se falar em nulidade do Acórdão nº 3401000.522. Por todo o exposto, proponho ao Colegiado conhecer e dar provimento aos Embargos Inominados opostos, para saneamento deste processo administrativo, pelo reconhecimento da nulidade da segunda decisão proferida, a Resolução nº 3302000.444, com fundamento no artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972, e pelo reconhecimento da higidez e validade da primeira decisão proferida, Acórdão nº 3401000.522, esclarecendose, para fins do artigo 59, parágrafo 2º, do Decreto nº 70.235/1972, que deve o presente processo retomar sua marcha, com a realização da ciência das partes acerca do Acórdão nº 3401000.522 e desta decisão, que integra a primeira, para, querendo, apresentarem recursos. É como voto. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Relator Fl. 1497DF CARF MF
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Numero do processo: 13983.000279/2004-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 08/11/2004
IPI. SELO DE CONTROLE. INEXISTÊNCIA. EXPOSIÇÃO À VENDA. PENALIDADES.
Os produtos sujeitos a selo de controle, expostos à venda sem tais selos, sujeitam-se à multa relacionada no artigo 499, I do RIPI/2002, sem prejuízo da exigência do imposto e das sanções cabíveis, conforme artigo 266, § 3o do mesmo RIPI.
Numero da decisão: 3401-004.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 08/11/2004 IPI. SELO DE CONTROLE. INEXISTÊNCIA. EXPOSIÇÃO À VENDA. PENALIDADES. Os produtos sujeitos a selo de controle, expostos à venda sem tais selos, sujeitamse à multa relacionada no artigo 499, I do RIPI/2002, sem prejuízo da exigência do imposto e das sanções cabíveis, conforme artigo 266, § 3o do mesmo RIPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 3. 00 02 79 /2 00 4- 99 Fl. 96DF CARF MF 2 Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 3 a 121, lavrado em 09/11/2004, para exigência de IPI, no valor original de R$ 2.474,96, acrescido de multa de ofício (75%), e multa regulamentar, por produto sem selo de controle, apreendido em 08/11/2004, totalizando R$ 16.705,98. Narrase, na autuação, que foram encontrados no estabelecimento da empresa 78 relógios de pulso sujeitos ao selo de controle de que trata o artigo 223 do Regulamento do IPI de 2002 (RIPI/2002 – Decreto no 4.544/2002), e que restaram apreendidos, e possuem valor comercial de R$ 12.374,80 (e classificação, na Tabela de Incidência do IPI – TIPI, no código 9102.12.90 – alíquota de 20%), sendo nomeado como fiel depositário o Sr. Vilmar Teixeira, proprietário da empresa, para requerer os respectivos selos junto à RFB. Ciente da autuação em 10/11/2004 (fl. 4), a empresa apresenta Impugnação em 08/12/2004 (fls. 19 e 20), alegando, em síntese, que todos os relógios apreendidos são de procedência de empresas brasileiras, e a queda dos selos se justifica pelo longo tempo de permanência no estabelecimento industrial, já que haviam sido adquiridos no período de 1995 a 2001. Em 26/04/2004 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 74 a 77), decidindo unanimemente o colegiado administrativo pela procedência do lançamento, sob os seguintes fundamentos: (a) o infrator, na posse de relógios de pulso em situação irregular (sem selos de controle), expostos à venda, nas dependências de seu estabelecimento comercial, é responsável pela infração descrita no RIPI; e (b) a alegação de que os selos de controle teriam se separado dos relógios de pulso em virtude do longo tempo de armazenamento não tem o condão de ilidir a apreensão e a autuação decorrente. Cientificada da decisão de piso em 25/05/2010 (fl. 77), a empresa interpôs recurso voluntário em 23/06/2010 (fl. 80), alegando que formulou defesa no processo referente à apreensão, tendo sido comprovada a regularidade fiscal das mercadorias apreendidas, anulandose a autuação, e devolvendose as mercadorias retidas, em 10/03/2005. O processo foi distribuído a este relator, por sorteio, em janeiro de 2017, tendo sido indicado para pauta de julho de 2017, mas não incluído em pauta pelo excesso de número de processos a julgar. Em agosto, o processo não foi incluído em pauta por ausência justificada do relator, e, em setembro e outubro, foi incluído em pauta e retirado por falta de tempo hábil para julgamento. Não houve sessões de julgamento em novembro e dezembro. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13983.000279/200499 Acórdão n.º 3401004.304 S3C4T1 Fl. 97 3 A autuação se dá com fundamento em diversos dispositivos do RIPI/2002, entre os quais se destacam os seguintes: “Art. 266. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprego ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se eles se acham devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao selo de controle, bem assim se estão acompanhados dos documentos exigidos e se estes satisfazem a todas as prescrições deste Regulamento (Lei no 4.502, de 1964, art. 62). (...) § 3o No caso de falta do documento fiscal que comprove a procedência do produto e identifique o remetente pelo nome e endereço, ou de produto que não se encontre selado, rotulado ou marcado, quando exigido o selo de controle, a rotulagem ou a marcação, não poderá o destinatário recebêlo, sob pena de ficar responsável pelo pagamento do imposto, se exigível, e sujeito às sanções cabíveis (Lei no 4.502, de 1964, art. 62, § 2o, e Lei no 9.532, de 1997, art. 37, inciso V). (...) Art. 499. Aplicamse as seguintes penalidades, em relação ao selo de controle de que trata o art. 223, na ocorrência das infrações abaixo (Decretolei no 1.593, de 1977, art. 33, e Medida Provisória no 66, de 2002, art. 52): I venda ou exposição à venda de produtos sem o selo ou com o emprego do selo já utilizado: multa igual ao valor comercial do produto, não inferior a R$ 1.000,00 (um mil reais) (Decretolei no 1.593, de 1977, art. 33, inciso I, e Medida Provisória no 66, de 2002, art. 52); (...)” (grifo nosso) São incontroversos os principais elementos caracterizadores das citadas penalidades. Em outras palavras, não se discute nestes autos serem os relógios sujeitos a selo de controle, nem que estavam expostos à venda sem tal selo. E isso é suficiente para a manutenção da presente autuação. As únicas alegações originais de defesa eram de que os relógios eram de procedência nacional, e, em todos os 78 itens, o selo já não estava nos produtos em função do tempo decorrido desde sua aquisição. Mas sequer há qualquer esforço no sentido de apresentar eventual selo descolado, ou marca de que este tenha sido um dia já tenha sido afixado no produto. Absolutamente desprovidas de prova as alegações de defesa, pelo que se acorda com o julgador de piso quando este afirma que a alegação de que os selos de controle teriam se separado dos relógios de pulso em virtude do longo tempo de armazenamento não tem o condão de ilidir a apreensão e a autuação decorrente. Fl. 98DF CARF MF 4 De fato, os produtos inquestionavelmente estavam expostos à venda sem selo. Em sede de recurso voluntário, a argumentação se volta ao relaxamento da apreensão dos 78 relógios, em procedimento distinto. Sobre o tema, a própria autoridade fiscalizadora já havia tratado, quando instada a se manifestar sobre eventual penalidade de perdimento às mercadorias apreendidas, em face do artigo 253 do RIPI/2002 (fl. 72): Assim, as mercadorias foram devolvidas não por ter sido afastada eventual autuação de apreensão, mas, simplesmente, porque a penalidade está sendo aplicada nestes autos, bastando à empresa aquisição de selos para que pudesse comercializar os 78 relógios. Portanto, o presente processo não se confunde com aquele procedimento acautelatório (endossando as palavras da fiscalização) de apreensão, até que a empresa regularizasse a situação referente aos selos. Restou, então, nitidamente caracterizada a infração de exposição à venda de mercadorias sem selo de controle, sendo cabível a aplicação das penalidades literalmente tipificadas em lei, disciplinadas no RIPI/2002, e impostas pela fiscalização. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 99DF CARF MF
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Numero do processo: 11050.002554/2003-23
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 22/03/1999 a 20/01/2003
THERMELT (105) (135) (168). ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO.
Classificam-se no código NCM 3908.90.20 as poliamidas em formas primárias, obtidas por condensação de ácidos graxos dimerizados ou trimerizados com etilenaminas, por ser mais específica a referida descrição.
Numero da decisão: 9303-006.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 22/03/1999 a 20/01/2003 THERMELT (105) (135) (168). ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. Classificam-se no código NCM 3908.90.20 as poliamidas em formas primárias, obtidas por condensação de ácidos graxos dimerizados ou trimerizados com etilenaminas, por ser mais específica a referida descrição.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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TINTAS E ADESIVOS ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 22/03/1999 a 20/01/2003 THERMELT (105) (135) (168). ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. Classificamse no código NCM 3908.90.20 as poliamidas em formas primárias, obtidas por condensação de ácidos graxos dimerizados ou trimerizados com etilenaminas, por ser mais específica a referida descrição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 25 54 /2 00 3- 23 Fl. 1333DF CARF MF Processo nº 11050.002554/200323 Acórdão n.º 9303006.473 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no Acórdão nº 310100.333, de 04 de fevereiro de 2010 (efolhas 423 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 22/03/1999 a 20/01/2003 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. POLIAMIDAS EM FORMAS PRIMÁRIAS. THERMELT105, THERMELT135 E THERMELT168. Laudos técnicos utilizados como suporte da exação não permitem concluir que as poliamidas em formas primárias comercialmente denominadas Thermelt105, Thermelt135 e Thermelt168 são obtidas por condensação de ácidos graxos dimerizados ou trimerizados com etilenaminas, condição necessária para a classificação das mercadorias no código NCM/SH3908.90.20. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 4491 e segs) diz respeito à classificação do produto de nome comercial Thermelt 105, 135 e 168. Para a recorrente (Fazenda Nacional), ele deve ser classificado na NCM 3908.90.20 e não na NCM 3908.90.90, utilizada pela contribuinte. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade às e folhas 8892 e 890. Contrarrazões da contribuinte às efolhas 1.318 e segs. Requer que seja negado seguimento ao recurso e, no mérito, que seja desprovido. É o Relatório. 1 Folha na qual o RE propriamente dito tem início. 2 Há problemas na numeração das folhas do processo. Fl. 1334DF CARF MF Processo nº 11050.002554/200323 Acórdão n.º 9303006.473 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial O contribuinte defende em contrarrazões que o recurso especial não deve ser conhecido pois o recorrente não teria demonstrado em que ponto estaria assentada a suposta divergência de interpretação da lei tributária. Não vejo razão nessa assertiva. Embora de forma suscinta, o recurso especial deixa evidente que há divergência de interpretação da legislação tributária, sobretudo quanto à interpretação dada aos produtos Thermelt 105 e 135 quanto à sua correta classificação fiscal. Destacase que o acórdão apresentado como paradigma pertence ao mesmo contribuinte e chegou à conclusão diversa do recorrido. De forma que conheço do recurso especial, nos mesmos moldes em que lhe foi dado seguimento por ocasião do exame de admissibilidade, efls. 889/890, elaborado pelo expredidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. Mérito Depreendese dos autos que, para o Fisco, o produto objeto da lide deve ser classificado na NCM 3908.90.20, por se tratar de resina de poliamida obtida por condensação de ácidos graxos dimerizados ou trimerizados com etilenaminas. Já para a contribuinte, o mesmo classificase na NCM 3908.90.90, tendo em vista a presença da diamina na reação para a obtenção das resinas em questão. Segundo entende, a classificação no código específico (3908.90.20) somente se aplicaria caso a obtenção do produto se desse através da reação dos ácidos exclusivamente com as etilenaminas. O texto dos códigos correspondentes são os seguintes: 39.08 Poliamidas em formas primárias (...) 3908.90.20 Obtidas por condensação de ácidos graxos dimerizados ou trimerizados com etilenaminas. (...) Fl. 1335DF CARF MF Processo nº 11050.002554/200323 Acórdão n.º 9303006.473 CSRFT3 Fl. 5 4 3908.90.90 Outras. A principal dúvida que se apresenta, portanto, é se a substância identificada como diamina é uma etilenamina ou, pelo menos, uma espécie desta. Também revelase incerto o processo de obtenção do produto acabado. Segundo a perícia, ele é obtido por policondensação e não condensação, tal como faz referência o texto do código 3908.90.20. Não economizaramse esforços na busca desses esclarecimentos. Primeiro, a própria autoridade autuante desincumbiuse dessa função. O voto condutor da decisão recorrida esclarece que a Unidade Preparadora, ainda no curso da ação fiscal, considerou os laudos inconclusivos. Por essa razão, requereu complementação da perícia, nos seguintes termos. A dúvida que persiste, em razão da inexistência de negativa ao perguntado no quesito 043 do pedido de exame, é se a Diamina é uma Etilenamina, o porquê do processo de obtenção ter sido chamado de policondensação e se o Ácido Graxo Monocarboxílico é um ácido graxo dimerizado ou trimerizado, ou seja, a resposta ao quesito deve ser entendida como afirmativa ou negativa? Depreendemse do excerto acima três indagações: (i) Diamina é uma etilenamina? (ii) Policondensação é o mesmo que condensação? (iii) Ácido Graxo Monocarboxílico é um ácido graxo dimerizado ou trimerizado? A Funcamp atendeu ao pedido de complementação do laudo pericial nos seguintes termos (transcrito às efolhas 432 e segs, no voto condutor da decisão recorrida): Na preparação das Poliamidas são utilizados os Ácidos Diméricos, Diaminas lineares e um Ácido monobásico ou dibásico como modificadores [...]. As Poliamidas acima obtidas podem se apresentar no estado líquido, as quais são consideradas como Poliamidas reativas que tem [sic] como principal utilização a cura de Resinas Epóxidas, 3 Quesito nº 04 e a resposta que a perícia lhe deu. 4) Sendo poliamida, é obtida por condensação de ácidos graxos dimerizados ou trimerizados com etilenaminas? De acordo com Literatura Técnica, mercadorias de nome comercial THERMELT são Resinas de Poliamida obtidas a partir da reação de policondensação entre Ácido Graxo Dimerizado, Ácido Graxo Monocarboxílico e Diamina. Fl. 1336DF CARF MF Processo nº 11050.002554/200323 Acórdão n.º 9303006.473 CSRFT3 Fl. 6 5 ou no estado sólido, solúveis em solventes orgânicos, de baixo ponto de fusão e são utilizadas, principalmente, na impressão flexográfica e adesivos do tipo HotMelt. A mercadoria em epígrafe, THERMELT 105 [135 ou 168], apresenta as características físicoquímicas das Poliamidas descritas acima, pois é obtida a partir da polimerização de condensação (policondensação), na qual moléculas de Grupos Funcionais contendo átomos de Oxigênio (Ácido Graxo Dimerizado – Diácido, Ácido Graxo Monocarboxílico – modificador) e Nitrogênio (Aminas da Série Etilênica) reagem entre si no processo de uma reação de condensação, com a formação de Água. Dessa forma, ratificamos integralmente o Laudo de Análises nº [33], ou seja, tratase de Poliamida obtida a partir da reação de Ácido Graxo e Poliamina, na forma de grânulos, Resina de Poliamida obtida por condensação de Ácidos Graxos Dimerizados ou Trimerizados com Etilenaminas, Outra Poliamida, em forma primária. (grifos acrescidos) As Literaturas Técnicas [em idiomas estrangeiros] de mercadorias de denominação comercial THERMELT seguem em anexo. Embora a resposta pareçame um tanto confusa, creio que, ao juntar as partes negritadas do texto acima, é possível extrair do quarto parágrafo que o produto se trata de uma Poliamida (...) obtida por condensação de Ácidos Graxos Dimerizados ou Trimerizados com Etilenaminas (...) em forma primária. Penso que esta conclusão é inequívoca e confirma expressamente que os produtos Thermelt 105, 135 e 168 classificamse na posição 3908.90.20. Não há qualquer defeito neste laudo produzido pela Funcamp. O fato de ter partido da literatura técnica do produto não o invalida, ao contrário, partiuse de informações reais a respeito do produto comercial. O laudo inconclusivo da UFRS de forma alguma afasta o concluído no laudo da Funcamp. O laudo da UFRS não conseguiu determinar se existia a tal etilenamina a partir de um exame de infravermelho, porém ele não afirma que não existe etilenamina. Se ele é inconcluso, mas existe um laudo válido elaborado a partir da literatura técnica do produto comercial, deve prevalecer o laudo conclusivo da Funcamp. Fl. 1337DF CARF MF Processo nº 11050.002554/200323 Acórdão n.º 9303006.473 CSRFT3 Fl. 7 6 Como acima transcrito, a conclusão do laudo da Funcamp, efl. 222, é que se trata de uma Poliamida obtida por condensação de ácidos graxos dimerizados ou trimerizados com Etilaminas em forma primária. Agora vejamos como consta da NCM as posições em conflito: 39.08 Poliamidas em formas primárias (...) 3908.90.20 Obtidas por condensação de ácidos graxos dimerizados ou trimerizados com etilenaminas. (...) 3908.90.90 Outras. Veja como a especificação se encaixa à perfeição com a descrição da classificação fiscal na posição 3908.90.20. A posição não fala que a condensação deve ser exclusivamente com etilamina, portanto incorreta a alegação do contribuinte de que o fato de conter Diamina, que segundo o próprio contribuinte informa tratase de um grupo de substâncias químicas que compreende vários produtos entre os quais a etilenamina, efl. 245, jogaria a classificação para a posição mais genérica em 3908.90.90 outros. Nesse sentido importante transcrever em parte as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado: A classificação das mercadorias na Nomenclatura regese pelas seguintes regras: 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: 2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b) Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesma forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos Fl. 1338DF CARF MF Processo nº 11050.002554/200323 Acórdão n.º 9303006.473 CSRFT3 Fl. 8 7 compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. 3. Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. c) Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. (...) Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1339DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.014495/2004-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
IRPJ. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. LANÇAMENTO DE OFICIO. LUCRO ARBITRADO. POSSIBILIDADE.
Suspensa a imunidade tributária, por descumprimento do disposto no artigo 14 do Código Tributário Nacional, é cabível o lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica mediante arbitramento do lucro quando a escrituração contábil não contém os elementos indispensáveis para a apuração do lucro real.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL.
Em se tratando de contribuições lançadas com base nos mesmos fatos apurados no lançamento relativo ao Imposto de Renda, a exigência para sua cobrança é decorrente e, assim, a decisão de mérito prolatada no procedimento matriz constitui prejulgado na decisão dos créditos tributários relativos às citadas contribuições.
Numero da decisão: 1301-002.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em complemento ao decidido no Acórdão 101-95.996, ratificar as decisões de mérito nele proferidas, negar provimento ao recurso voluntário e restabelecer a exigência de IRPJ e de CSLL referente ao ano-calendário de 1997, e de PIS e de Cofins relativas ao mês de dezembro de 1997.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 IRPJ. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. LANÇAMENTO DE OFICIO. LUCRO ARBITRADO. POSSIBILIDADE. Suspensa a imunidade tributária, por descumprimento do disposto no artigo 14 do Código Tributário Nacional, é cabível o lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica mediante arbitramento do lucro quando a escrituração contábil não contém os elementos indispensáveis para a apuração do lucro real. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Em se tratando de contribuições lançadas com base nos mesmos fatos apurados no lançamento relativo ao Imposto de Renda, a exigência para sua cobrança é decorrente e, assim, a decisão de mérito prolatada no procedimento matriz constitui prejulgado na decisão dos créditos tributários relativos às citadas contribuições.
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secao_s : Primeira Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em complemento ao decidido no Acórdão 101-95.996, ratificar as decisões de mérito nele proferidas, negar provimento ao recurso voluntário e restabelecer a exigência de IRPJ e de CSLL referente ao ano-calendário de 1997, e de PIS e de Cofins relativas ao mês de dezembro de 1997. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1910; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 784 1 783 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.014495/200438 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.775 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de fevereiro de 2018 Matéria IRPJ Recorrente FUNDAÇÃO DOM CABRAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 IRPJ. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. LANÇAMENTO DE OFICIO. LUCRO ARBITRADO. POSSIBILIDADE. Suspensa a imunidade tributária, por descumprimento do disposto no artigo 14 do Código Tributário Nacional, é cabível o lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica mediante arbitramento do lucro quando a escrituração contábil não contém os elementos indispensáveis para a apuração do lucro real. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Em se tratando de contribuições lançadas com base nos mesmos fatos apurados no lançamento relativo ao Imposto de Renda, a exigência para sua cobrança é decorrente e, assim, a decisão de mérito prolatada no procedimento matriz constitui prejulgado na decisão dos créditos tributários relativos às citadas contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em complemento ao decidido no Acórdão 10195.996, ratificar as decisões de mérito nele proferidas, negar provimento ao recurso voluntário e restabelecer a exigência de IRPJ e de CSLL referente ao anocalendário de 1997, e de PIS e de Cofins relativas ao mês de dezembro de 1997. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 44 95 /2 00 4- 38 Fl. 784DF CARF MF Processo nº 10680.014495/200438 Acórdão n.º 1301002.775 S1C3T1 Fl. 785 2 Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 785DF CARF MF Processo nº 10680.014495/200438 Acórdão n.º 1301002.775 S1C3T1 Fl. 786 3 Relatório Por meio do Acórdão nº 10195.996, de 28/02/2007, a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (1ºCC), por maioria de votos, acolheu preliminar de decadência de todos os tributos em relação aos anos de 1996 e 1997 e acolheu preliminar de decadência da COFINS e da Contribuição para o PIS dos meses de janeiro e fevereiro de 1998. No mérito, em razão da suspensão de imunidade, manteve a exigência relativa a exigência de IRPJ e de CSLL (arbitramento de lucros) e as exigências de PIS e Cofins sobre as receitas auferidas. A PGFN apresentou recurso especial e a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deulhe provimento parcial, nos seguintes termos: a) por conhecer do Recurso Especial por Divergência, e por DAR provimento PARCIAL ao mesmo para aplicar o dies a quo do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, em relação ao IRPJ, determinando que seja restabelecido o lançamento deste imposto referente ao anocalendário de 1997, e que os autos retornem à e. Câmara a quo, para apreciação do mérito da parte de deixou de ser apreciada em razão de ter sido acolhida a preliminar de decadência; b) por conhecer do Recurso Especial por Contrariedade à Lei, e por DAR provimento PARCIAL ao mesmo, analisando de ofício toda a matéria de decadência por ser questão de ordem pública, para aplicar o dies a quo do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, em relação a CSLL, determinando que seja restabelecido o lançamento deste imposto referente ao anocalendário de 1997, e em relação à Contribuição para o PIS e à Cofins, determinando que sejam restabelecidos os lançamentos destas contribuições referente a dezembro de 1997, e que os autos retornem à e. Câmara a quo, para apreciação do mérito da parte que deixou de ser apreciada em razão de ter sido acolhida a preliminar de decadência; c) declarar prejudicado o Recurso Especial por Divergência em relação à Contribuição para o PIS, em razão da questão já ter sido julgado no Recurso Especial por Contrariedade à Lei. Ato contínuo, os autos retornaram à Primeira Seção para novo sorteio e relato a fim de que fosse apreciado o mérito da parte que deixou de ser apreciada no julgamento do recurso voluntário em razão de ter sido acolhida a preliminar de decadência. É o relatório. Fl. 786DF CARF MF Processo nº 10680.014495/200438 Acórdão n.º 1301002.775 S1C3T1 Fl. 787 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O recurso voluntário já fora conhecido quando da prolação do Acórdão 101 95.996. Pois bem, no julgamento do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais restabeleceu a exigência de IRPJ e de CSLL referente ao anocalendário de 1997 e de PIS e de Cofins relativas ao mês de dezembro de 1997. Em razão desse restabelecimento, determinouse o retorno dos autos à turma ordinária para que fossem apreciados os pontos prejudicados em razão da anterior exoneração de crédito por decadência. Compulsando os autos, contudo, não identifico qualquer ponto do recurso voluntário que já não tenha sido alvo de análise por parte da então 1ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes por meio do Acórdão 10195.996. Por essas razões, válidas são todas as conclusões de mérito já proferidas no Acórdão 10195.996, aplicáveis também aos períodos de apuração cujo crédito tributário foi restabelecido pelo Acórdão 9101002.265. ARBITRAMENTO DOS LUCROS Inicialmente cabe mencionar que no presente processo não serão apreciados os motivos da suspensão da imunidade, pois tratase [sic] de matéria submetida ao Poder Judiciário. Quanto ao arbitramento dos lucros, a recorrente argumenta que o Fisco não poderia lançar pelo regime do lucro arbitrado, mas deveria ter apurado o lucro real, pois a sua escrituração, elaborada segundo o art. 14, III, do CTN, permitiria perfeitamente apurar o lucro real. Devidamente intimada pela autoridade fiscal, a apresentar, relativamente aos períodos fiscalizados (de 1996 a 2000), os elementos necessários à apuração do lucro real, tais como, as DIPJ, as Demonstrações Financeiras (com base no art. 274, do RIR/1999), o LALUR e os Livros Diário e Razão, a interessada colocou à disposição da Fiscalização os documentos e livros contábeis próprios de entidade imune à tributação, demonstrando a "escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão" (art. 14, III, do CTN). Foram entregues as DIPJ (fls. 303/307), preenchidas como entidade imune ou isenta. Contudo, não apresentou as demonstrações financeiras, planilhas e livros próprios de empresas que apuram o imposto de renda pelo lucro real. Como justificativa, salientou que a fundação não é empresa, mas instituição de educação Fl. 787DF CARF MF Processo nº 10680.014495/200438 Acórdão n.º 1301002.775 S1C3T1 Fl. 788 5 sem finalidade lucrativa, assim reconhecida por decisão judicial em vigor, razão pela qual não possui tais documentos. Efetivamente, a intimação feita pela fiscalização tratase de uma medida preliminar ao lançamento, consoante prescreve o art. 844, do RIR/1999 (cuja matriz legal é o art. 19 da Lei n° 3.470, de 28 de novembro de 1958, com redação dada pela Medida Provisória n° 2.15834/2001, art. 71 e 77, e MP 2.158 35/2001, art. 71 e 91), "verbis": Artigo 19. O processo de lançamento de oficio será iniciado pela intimação ao sujeito passivo para, no prazo de vinte dias, apresentar as informações e documentos necessários ao procedimento fiscal, ou efetuar o recolhimento do crédito tributário constituído. Nesse caso, as informações prestadas pela instituição servem como dados complementares ao lançamento, pois a mesma deixou de fornecer os elementos suficientes para a apuração do lucro real, que, conforme estabelece o art. 247 do RIR/1999, é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por lei. Como é cediço, o lucro real não é um simples confronto entre receitas e despesas, mas todo um conjunto de elementos regido pela legislação comercial e fiscal, que deve ser elaborado pela pessoa jurídica. Não é possível apurar o lucro real sem as demonstrações financeiras, devendo o contribuinte elaborar a demonstração do lucro real, discriminando o lucro líquido e os lançamentos de ajustes e transcrevendoa no LALUR, segundo as determinações dos arts. 274 e 275, todos do RIR/1999. Outrossim, não é dever do Fisco a elaboração das demonstrações financeiras e a apuração da base de cálculo do lucro real, sendo que a este cabe intimar a contribuinte a apresentar os elementos necessários à apuração do lucro real. Na falta dessas informações, não resta outro caminho senão o arbitramento do lucro, nos termos em que prevê a legislação tributária de regência da matéria. O enquadramento legal do lançamento deuse com base no artigo 530, incisos I, II, alínea "b", e III do RIR/99, verbis: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n°8.981, de 1995, art. 47, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 1°): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tomem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; Fl. 788DF CARF MF Processo nº 10680.014495/200438 Acórdão n.º 1301002.775 S1C3T1 Fl. 789 6 III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Concluise, dessa forma, que se encontram presentes todos os pressupostos legais que autorizam ao Fisco realizar o arbitramento do lucro da interessada, uma vez que, após regularmente intimada, não apresentou os elementos necessários à apuração do lucro real. RECEITAS FINANCEIRAS A recorrente insurgese contra a inclusão na base de cálculo do lançamento, dos rendimentos decorrentes de aplicações financeiras, afirmando que possui sentença judicial a seu favor (fls. 291/296), obtida em 29/03/2000, nos autos do Mandado de Segurança n° 1999.38.00.002.0247, impedindo a retenção do imposto de renda na fonte sobre tais rendimentos. A citada ação judicial não tem por objeto a imunidade de que trata o art. 150, VI, alínea "c", da Constituição Federal, visto que referese à não incidência do imposto de renda na fonte sobre os rendimentos auferidos pelas aplicações financeiras da Contribuinte. Também em relação ao Mandado de Segurança n° 2002.38.00.0427501, referida imunidade apenas é mencionada no pedido final de anulação dos efeitos do Ato Declaratório Executivo DRF/BHE n° 260, de 2002. Diante disso, nenhuma das ações judiciais propostas pela recorrente tem o condão de impedir que o Fisco inclua na base de cálculo tanto do IRPJ como da CSLL tais rendimentos financeiros, os quais têm o mesmo tratamento das receitas operacionais das pessoas jurídicas e devem ser incluídos na apuração da base de cálculo desses tributos, conforme estabelece a legislação de regência. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE CSLL – PIS— COFINS Em se tratando de exigência fundamentada na irregularidade apurada em procedimento fiscal realizado na área do IRPJ, o decidido naquele lançamento é aplicável, no que couber, aos lançamentos conseqüentes na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Fl. 789DF CARF MF Processo nº 10680.014495/200438 Acórdão n.º 1301002.775 S1C3T1 Fl. 790 7 CONCLUSÃO Isso posto, em complemento ao decidido no Acórdão 10195.996, voto por ratificar as decisões de mérito nele proferidas, negar provimento ao recurso voluntário e restabelecer a exigência de IRPJ e de CSLL referente ao anocalendário de 1997, e de PIS e de Cofins relativas ao mês de dezembro de 1997. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 790DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.908851/2012-81
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2011 a 28/02/2011
COFINS. COMPENSAÇÃO. ERRO. COMPROVAÇAO. MOMENTO APTO À INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. PRECLUSÃO
O momento correto para a apresentação de documentos com o fim de perfazer prova apta à verificação de erro, é a Manifestação de Inconformidade. Os elementos de prova trazidos em sede de Recurso Voluntário não devem ser considerados.
COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE ERRO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO ERRO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO.
É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comprová-lo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO.
O processo administrativo fiscal é norteado por legislação própria, na qual se encontra previsto o prazo para apresentação de documentos, qual seja, o parágrafo 11 constante no artigo 74 da Lei 9.430/96 c/c artigo 14 e 16 parágrafo 4.º do Decreto n.º 70.235/72.
Numero da decisão: 3001-000.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Schappo que lhe deu provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2011 a 28/02/2011 COFINS. COMPENSAÇÃO. ERRO. COMPROVAÇAO. MOMENTO APTO À INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. PRECLUSÃO O momento correto para a apresentação de documentos com o fim de perfazer prova apta à verificação de erro, é a Manifestação de Inconformidade. Os elementos de prova trazidos em sede de Recurso Voluntário não devem ser considerados. COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE ERRO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO ERRO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO. É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comprová-lo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. O processo administrativo fiscal é norteado por legislação própria, na qual se encontra previsto o prazo para apresentação de documentos, qual seja, o parágrafo 11 constante no artigo 74 da Lei 9.430/96 c/c artigo 14 e 16 parágrafo 4.º do Decreto n.º 70.235/72.
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COMPENSAÇÃO. ERRO. COMPROVAÇAO. MOMENTO APTO À INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. PRECLUSÃO O momento correto para a apresentação de documentos com o fim de perfazer prova apta à verificação de erro, é a Manifestação de Inconformidade. Os elementos de prova trazidos em sede de Recurso Voluntário não devem ser considerados. COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE ERRO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO ERRO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO. É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comproválo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 88 51 /2 01 2- 81 Fl. 68DF CARF MF 2 comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. O processo administrativo fiscal é norteado por legislação própria, na qual se encontra previsto o prazo para apresentação de documentos, qual seja, o parágrafo 11 constante no artigo 74 da Lei 9.430/96 c/c artigo 14 e 16 parágrafo 4.º do Decreto n.º 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Schappo que lhe deu provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo Relatório Despacho Decisório 041990962 Tratase de decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp registrada sob n.º 35874.35377.201211.1.3.042237, enviada em 29/11/2011, referente a pagamento indevido ou a maior, sendo que o crédito analisado corresponde ao valor original na data de transmissão do Per/Dcomp no total de R$ 21.448,42. A partir das características do DARF discriminado no Per/Dcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, tendo sido homologado parcialmente a compensação. Neste sentido, foi posto em cobrança o crédito tributário no valor de R$ 23.093,52 de principal, R$ 4.618,70 de multa e R$ 2.117,67 correspondente a juros. Manifestação de Inconformidade Em sua defesa, a recorrente apresentou argumentos no sentido de reconstruir a sinopse histórica dos fatos. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10983.908851/201281 Acórdão n.º 3001000.136 S3C0T1 Fl. 69 3 Pagamento a maior Em abril de 2011, teria efetuado pagamento de COFINS referente ao mês de março de 2011, no valor de R$ 34.827,49, enquanto, na verdade, deveria ter recolhido valor menor. DACON Retificadora Isto posto, ou seja, de sua percepção pelo pagamento a maior, apresentou DACON retificadora, em dezembro de 2011, na qual apurou COFINS, março de 2011, no valor de R$ 13.729,06. Gerou, a seu ver, um crédito de R$ 21.448,43. Dcomp Original Ainda no mês de dezembro de 2011, manuseou Per/Dcomp n.º 35874.35377.201211.1.3.042237, na intenção de compensar referido pagamento a maior. Contudo, o fizera de forma incorreta, vez que preencheu a data de forma incorreta, pois deveria constar como mês de origem do crédito 03/2011. Documentos anexados Anexou, nesta manifestação de inconformidade Despacho Decisório e DACON. DRJ/RPO A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 1450.766 11ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 28/02/2011 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar a situação fática, será aproveitado conforme a transcrição a seguir: Fl. 70DF CARF MF 4 Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Cofins, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração fevereiro de 2011, no valor de R$ R$ 21.448,43, transmitido através do PER/Dcomp nº 35874.35377.201211.1.3.042237. A DRF Florianópolis não homologou a compensação por meio do despacho decisório de fl. 7, proferido em 03/01/2013, já que pagamento indicado na Dcomp teria sido utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em 24/01/2013 (fl. 8), o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 10/11, para argumentar que o crédito seria decorrente de recolhimento a maior da contribuição. Alegou que teria declarado em Dacon e DCTF valor maior do que o débito devido, e que, posteriormente, teria efetuado a correção, restando saldo de pagamento disponível. Concluiu para solicitar a homologação do PER/Dcomp nº 35874.35377.201211.1.3.042237. No voto, a autoridade julgadora de primeira instância firma seu entendimento no sentido de delimitar o tema a ser enfrentado, qual seja: O argumento da interessada limitouse a suposto erro no preenchimento de DCTF, o qual, uma vez sanado, demonstraria o indébito alegado na Declaração de Compensação. Ocorre que a mera retificação da DCTF não pode ser aceita como prova, já que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Mas para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de compensação, de seu exclusivo interesse. No presente, o interessado limitouse a alegar que a retificação da DCTF faria surgir saldo de pagamento disponível, sem apresentar qualquer documentação que lastreasse tal argumento. Recurso Voluntário Em sua peça de defesa, a recorrente apresenta o cabimento e tempestividade, refazendo, a seguir, o quadro histórico já apresentado na manifestação de inconformidade. Dando continuidade, põe em elenco suas razões para a reforma da decisão de primeiro piso. Dacon Retificadora Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10983.908851/201281 Acórdão n.º 3001000.136 S3C0T1 Fl. 70 5 A recorrente julga suficiente a apresentação de DACON retificadora para comprovar a correta apuração da base de cálculo da Cofins, e a cabal demonstração do pagamento a maior efetuado. Dcomp A recorrente refaz os fatos pelo quais requereu a homologação da compensação declarada da Dcomp. Documentos Anexados A recorrente, em sede recursal, juntou cópia dos DARF pagas a maior, DCTF original e retificadora, Dacon retificada e original, Dcomp e cópia do razão contábil. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Mérito Tratase de processo administrativo cuja origem deuse em Dcomp com decisão desfavorável em sede de despacho decisório. Ao ver negado seu direito ao crédito reclamado, a recorrente expôs suas razões no sentido de firmar entendimento pelo qual deteria legitimidade para reivindicar a quantia em razão de pagamento a maior. A comprovação deste pagamento a maior, deuse pela tentativa de apontar a devida sincronicidade entre as declarações acessórias as quais encontrase submetida, em especial a DACON e Dcomp. Pois bem, alegou a recorrente que em dezembro de 2010 efetivara pagamento a maior da Cofins. No deslinde destes autos, apontou que, em 25 de novembro de 2011, apresentou DACON retificadora, apontando para a Cofins apurada no valor de R$ 35.038,42, tida por correta pela Recorrente. Após a retificação da DACON, em 29 de novembro de 2011, apresentou a primeira Dcomp, com o valor a compensar equivocado. Por isso, apresentou nova DComp com o valor tido por correto. Em 2013 sobreveio a resposta sob forma de Despacho Decisório Eletrônico, vinculando o crédito reclamado, com o reconhecimento da compensação declarada sob a Dcomp 19896.38746.291111.1.3.045150. E, conforme visto, em sede de manifestação de inconformidade, buscou sustentar a legitimidade de seu crédito a que foi rechaçado por 2 motivos: desrespeito às formalidades da IN 900/08, para fins de cancelamento da primeira Dcomp; e, a utilização do crédito apontado na Dcomp e pagamento DARF. Fl. 72DF CARF MF 6 Nesta seara de jurisdição administrativa, já em sede recursal, remonta faticamente o ocorrido, com o protagonismo da DACON retificadora e Dcomps. Após a breve consolidação dos fatos, temse que o cerne deste processo é a capacidade probatória dos documentos, anexados a estes eautos, para comprovar a existência do pagamento a maior e possibilitar o deferimento do pedido feito em Recurso Voluntário, voltado ao reconhecimento da compensação declarada na Dcomp 36441.60630.291111.1.3.04 3022. A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, importante o respaldo na acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, com diferenças fáticas essenciais, a ser abordadas a seguir. Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Importa, antes de adentrar a questão sobre o tratamento das provas em casos semelhantes, transcrever trechos do acórdão fundamentais ao desdobramento do tema. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10983.908851/201281 Acórdão n.º 3001000.136 S3C0T1 Fl. 71 7 A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tão somente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. Fl. 74DF CARF MF 8 No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito.de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Neste caso, conforme transcrito em ementa, foi dado provimento ao recurso voluntário em persecução ao princípio da verdade material. Importante ressaltar, que conforme extraído do relatório deste acórdão, foi juntado ao processo, para fins de comprovação do crédito, o Contrato de licença de uso de marca. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). Insuficiência dos documentos No caso dos autos, contudo, além de intempestivos os documentos trazidos no Recurso Voluntário, seriam, caso apreciados, insuficientes para a comprovação do crédito. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10983.908851/201281 Acórdão n.º 3001000.136 S3C0T1 Fl. 72 9 Isto porque, a fim de demonstrar seu crédito, é dever da recorrente apontar sua origem, de forma robusta, em documentação contábil suficiente, tanto para aferição do crédito, como de sua real ocorrência. Seguese ao julgado: Acórdão: 3202001.185 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Data do fato gerador: 20/04/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DCTF RETIFICADORA. NECESSIDADE DA PROVA PELO CONTRIBUINTE. Nos termos dos §1º do art. 147 do CTN, para a validade da DCTF retificadora, nos casos em que a retificação importa na redução de tributo, é imprescindível a prova do erro que ensejou a necessidade da retificação. Tratandose de pedido de ressarcimento/restituição cumulado com pedido de compensação, o ônus de comprovar o direito creditório que alega é do contribuinte. Acórdão 3302002.709 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é caso da DCTF. Dos meios para a Comprovação do erro material O tema presente se faz crucial para o desdobramento da questão. O cerne da discussão transita entre a exigência da autoridade fazendária na qual os erros devem ser provados com meios robustos e claros, com a definição e evidência dos fatos geradores ocorridos, e a devida construção lógico temporal entre a ocorrência do erro e a ocorrência do fato em si. Por outro lado, notase por parte do contribuinte, a pretensão em fazer valer seu suposto direito ao crédito, no presente caso, com o argumento de que errou. Não indicou, no momento apropriado, conforme se verá no item seguinte, nenhum indício da materialização do erro e o percurso percorrido para atingir o novo montante, considerado correto. Os meios de prova, aptos a comprovar a legitimidade do crédito, seriam, no entender deste julgador, a demonstração, com os documentos contábeis e contratuais, que permitam, em sede de contencioso administrativo, a efetiva leitura de como ocorreu apuração do tributo no valor apontado pela Recorrente. Fl. 76DF CARF MF 10 Este Conselho imputa à Recorrente, o ônus de comprovar este erro. Isto porque, a fim de aproveitar seu direito creditório, quando posto em litígio administrativo, deve assumir, plenamente, a tarefa de provar a existência do crédito. E, assumir o ônus de provar a existência do crédito, significa dizer, provar a existência da efetiva operação. Neste sentido, contratos comprovantes das operações que deram lastro aos lançamento contábeis, os seus devidos reflexos nos livros contábeis e fiscais, acompanhados de memoriais de cálculo, poderiam servir à apreciação do julgador, e demonstrar, justamente, o real acontecido. Mais substância ainda, seria trazer aos autos, os comprovantes da real ocorrência das operações negociais, como comprovantes de pagamentos e da efetiva prestação de serviço. Neste sentido, são as manifestações deste Conselho: Acórdão 380302.786 – 3ª Turma Especial Como de sabença, o ônus da prova impende a quem alega. A ambos, administração fazendária e contribuintes, cabe a produção de provas que proporcionem condições de convicção ao julgador favoráveis à sua pretensão. Nos casos em que o contribuinte alega a existência de crédito, sobre este recai a responsabilidade da apresentação de todos os elementos de provas que demonstrem a cabal existência do crédito pretendido, desta forma, a apresentação de tais documentos oferecem maior possibilidade de apreciação objetiva e segura quanto às conclusões extraídas de seus resultados, assegurando ampla defesa ao contribuinte, para que o mesmo não seja maculado além do expressamente previsto na legislação tributária Compulsando os autos, observase que foram juntados os seguintes elementos de prova que consideramos relevantes para o deslinde da controvérsia: i)cópia do contrato de câmbio de venda – tipo 04 transferências financeiras para o exterior, celebrado entre a Recorrente e o banco Santander S/A, no valor de R$ 369.032,04, com a empresa Solomon Associates como recebedora no exterior; ii)comprovante de arrecadação da COFINS no valor de R$ 33.793,65, com vencimento em 07/03/2005; iii) cópia da DCTF original transmitida em 05/05/2005; iv) contrato de cancelamento de câmbio junto ao Sisbacen (fl.36/37). Acórdão: 3302002.709 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débitodeclarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado, o que, no presente caso, não ocorreu. Recurso Voluntário Negado. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10983.908851/201281 Acórdão n.º 3001000.136 S3C0T1 Fl. 73 11 A mera alegação de inexistência de débito, desacompanhada dos documentos comprobatórios de sua real inexistência não é suficiente para que sejam homologadas quaisquer compensações, ou que quaisquer débitos sejam anulados. No presente caso o Recorrente não comprovou os recolhimentos efetuados por meio de documentos hábeis e idôneos, bem como de que se trata o débito inexistente. Há que se esclarecer que o Recorrente está obrigado a comprovar o erro de fato cometido ao preencher sua DCTF Complementar referente ao 1ºTrimestre de 1997, bem como que nenhum valor a título de COFINS é devido no referido período, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos. Sem a comprovação de seu direito, através de tais documentos, a autoridade administrativa fica impedida de lhe proporcionar qualquer anulação de débito. Tratandose, portanto de matéria de prova, cabia ao recorrente produzila de forma satisfatória, a fim de demonstrar o seu direito Acórdão nº 3302.004.108 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o início de procedimento fiscal não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. Acórdão n° 3801000.681 — la Turma Especial ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ONUS DA PROVA. 0 crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado Recurso Voluntário Negado."Logo, a desconstituição do crédito tributário nascido com a con fissão de divida ocorrida através da DCTF dependerá de comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que se trata de débito inexistente. E que, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário nascido não se mostra suficiente que o contribuinte limitese a alegar erros, fazendo se necessário que demonstre, por intermédio de documentação hábil e idônea, que a obrigação tributária principal é indevida. Fl. 78DF CARF MF 12 Em meu entender, a documentação trazida aos autos, tanto em sede de manifestação de inconformidade, com já em sede recurso, não servem às exigências ressaltadas nos acórdãos acima Todavia, consoante se verá adiante, descuidouse a recorrente de observar o adequado momento processual para instrução probatória. Momento para apresentação da prova A Recorrente juntou ao seu Recurso Voluntário, a destempo portanto, documentos acima listados, não devendo ser apreciados devido à preclusão, conforme os entendimentos adiante listados. Parto do entendimento que o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 é claro e suficiente em seu regramento quanto ao momento de apresentação das provas. Não deixando margem para juntadas posteriores à manifestação de inconformidade. Acórdão: 3202001.185 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 20/04/2007 . PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO DA PROVA. PRECLUSÃO. Conforme o art. 16, § 4º, do Decreto nº. 70.235/72, no processo administrativo fiscal, as provas devem ser apresentadas na impugnação, sendo admitida a juntada posterior somente nos casos excepcionais elencados naquele dispositivo legal. Recurso Voluntário negado. 3802002.108–2ªTurma Especial ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário:2003 COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.NULIDADE.INOCORRÊNCIA. Não enseja nulidade o despacho decisório exarado por autoridade competente e devidamente fundamentado. O momento oportuno para apresentação de esclarecimentos pelo contribuinte é o da manifestação de inconformidade que instaura a fase litigiosa do procedimento, restando afastada a ocorrência de cerceamento ao direito de defesa. Conclusão Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10983.908851/201281 Acórdão n.º 3001000.136 S3C0T1 Fl. 74 13 Diante do exposto, conheço do recurso para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.902596/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO
À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas.
Numero da decisão: 1401-002.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 25 96 /2 00 9- 61 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10835.902596/200961 Acórdão n.º 1401002.239 S1C4T1 Fl. 0 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de IRPJ/CSLL. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiamse no entendimento que, sendo empresa prestadora de serviços de radiologia, estes seriam equivalentes aos serviços hospitalares prestados e, assim, ao invés de estar sujeito às alíquotas de lucro presumido no percentual de 32%, estaria submetida às alíquotas de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL. A compensação não foi homologada pela Delegacia de Origem com base na alegação constante no Despacho Decisório. Ou seja, os serviços prestados pela recorrente não seriam caracterizados como serviços hospitalares em função de a empresa não possuir estrutura permanente e de funcionamento ininterrupto para atendimento de casos de internação de pacientes para tratamento de saúde. Assim, os serviços por ela prestados não poderiam se submeter aos percentuais estabelecidos para os serviços hospitalares. Inconformada com a nãohomologação das compensações a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual argumenta que realizou consulta à SRRF, formulada sob o nº 10835.001313/200610, com vistas a esclarecer o seu enquadramento como prestadora de serviços hospitalares e argumentou que realizou a retificação de suas DIPJ, DCTF para que pudesse usufruir dos créditos. A delegacia de julgamento considerou improcedente a manifestação de inconformidade emitindo a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Ou seja, a Delegacia de Julgamento entendeu que os créditos da empresa não estariam devidamente comprovados com a documentação apresentada pela recorrente. Inconformada com a decisão a empresa apresentou recurso voluntário no qual apresenta as seguintes alegações: Da apresentação de novos documentos. Alega que a decisão recorrida considerou que não foi comprovado que os serviços prestados referiamse apenas a serviços de Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10835.902596/200961 Acórdão n.º 1401002.239 S1C4T1 Fl. 0 3 radiologia e radiodiagnóstico inseridos em seu objeto social. Mas que a documentação apresentada comprovaria o exercício destas atividades e, ainda, apresenta cópia do razão e declaração do contador da empresa, pelo que suscita que seja aceita a referida documentação como suficiente para caracterização dos serviços da empresa; Da realização de diligência. Entende que tendo em vista a apresentação dos novos documentos e que essa apresentação é possível em sede de recurso voluntário, haja vista que essa alegação somente foi trazida pela decisão da DRJ e, mais ainda, conforme farta jurisprudência que admite esta apresentação posterior. Do ônus da apresentação de prova impossível. Entende a empresa que a Delegacia de Julgamento pretende a formação de prova impossível visto que, mesmo que apresentasse todas as notas fiscais da empresa ainda assim não seria possível comprovar que somente realizou serviços indicados no seu objeto social. Nulidade por vícios formais. Entende que a decisão que considerou não homologadas as compensações padece de vícios, vez que indicou apenas o dispositivos que tratam da não homologação das compensações sem que exista dispositivo legal que constitua o crédito tributário. Do fato de a empresa não ser sociedade empresária e dos serviços realizados. Neste ponto apresenta farta jurisprudência deste CARF e do STJ, nos quais encontrase o entendimento de que a redução de alíquota decorre da efetiva prestação de serviços de natureza hospitalar e não do local em que se realizam, com exceção da realização de consultas. Com relação à natureza da sociedade entende que a decisão do STJ, relativa a sociedade simples e que este fato não foi impeditivo do direito, visto que a base para a sua concessão foi a natureza objetiva dos serviços realizados. Traz colações da doutrina no sentido de que a empresa se define mais pela verificação das atividades que desenvolve do que pelo seu simples registro formal. Assim eventual irregularidade seria apenas formal e não impeditiva do exercício do direito. Da natureza dos serviços prestados. Repisa os argumentos já trazidos para indicar que os serviços prestados pela sociedade são, efetivamente de radiologia e radiodiagnóstico. É o Relatório Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.211, de 22.02.2018, proferido no julgamento do processo nº 10835.901959/200941, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.211): A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação acerca de, em face de solução de consulta que reconheceu a possibilidade de a empresa tributar seus lucros pelas alíquotas equivalentes a 8%, poder a Receita Federal desconsiderar este direito em razão de alegar a não Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10835.902596/200961 Acórdão n.º 1401002.239 S1C4T1 Fl. 0 4 comprovação da inscrição da empresa como sociedade empresária e do exercício de atividades que possam ser consideradas como hospitalares. Vejamos o que determina a norma relativa à aplicação das alíquotas de serviços hospitalares: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ..... III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) ..... Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) Base de cálculo da CSLL Estimativa e Presumido Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10835.902596/200961 Acórdão n.º 1401002.239 S1C4T1 Fl. 0 5 corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Pelo que se depreende da norma acima, a redação da norma ao tempo dos fatos geradores dos pagamentos a maior realizados apenas estabelecia a aplicação da alíquota reduzida àqueles que realizassem o exercício de serviços hospitalares. A solução de consulta em que se baseou a empresa para a apuração dos seus créditos assim dispôs sobre os requisitos a serem atendidos para fins de fruição dos benefícios da alíquota reduzida. Em contraparida, verificase a existência de Recurso Repetitivo nº 217, do STJ que, tratando do assunto, assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10835.902596/200961 Acórdão n.º 1401002.239 S1C4T1 Fl. 0 6 Vejase que o critério apresentado pelo STJ, seguindo o critério da Lei nº 9.249/95, é simples e objetivo. São enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar. Inobstante, a Delegacia de Julgamento, ao analisar o caso do contribuinte baseou sua decisão nas diversas instruções normativas e atosdeclaratórios existentes a respeito da definição de serviços hospitalares para fins de aplicação da alíquota de presunção. Desta forma, fundamentou a improcedência na necessidade de o contribuinte atender a três requisitos, conforme abaixo apresentados: Ocorre, no entanto que não comungo do entendimento exposado pelo referido órgão julgador. A decisão proferida pelo STJ, aplicável ao caso dos autos, trata a norma redutora da alíquota de forma objetiva. Assim, o serviço que tenha natureza hospitalar, qual seja, diagnóstico, tratamento, internação, quer seja desenvolvido nos hospitais ou fora deles, com exceção apenas das simples consultas, devem ser considerados serviços hospitalares e, assim, estão sujeitos à alíquota reduzida estabelecida pela Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Comungam deste entendimento os seguintes julgados, inclusive desta mesma câmara em época anterior à entrada deste relator no colegiado. Acórdão nº 1401001.434 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrente Instituto Guaçuano de Orrino laringologia S/S Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10835.902596/200961 Acórdão n.º 1401002.239 S1C4T1 Fl. 0 7 À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas. Acórdão nº 1401001.433 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrentes Hemoclínica Serviços de Hemoterapia Ltda Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006, 2007, 2008, 2009 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas, como hemoclínicas. Acórdão nº 9101001.559 – 1ª Turma Sessão de 23 de janeiro de 2013 Matéria IRPJ Exercícios 1999 a 2001 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CAMP IMAGEM NUCLEAR S/C LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEM MEDICINA NUCLEAR. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%. No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399/BA (2009/00064810), na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Do exposto, comungando do entendimento exposado pelo STJ no sentido de que a redução de alíquota tem caráter objetivo em razão do tipo de serviços prestados pela empresa. No caso dos autos, inobstante a argumentação da Decisão atacada de que não restou comprovado a prestação de serviços relacionados a hospitalares pelo contribuinte, havemos de esclarecer que a Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10835.902596/200961 Acórdão n.º 1401002.239 S1C4T1 Fl. 0 8 Decisão da DRJ não pode inovar nos fundamentos utilizados pela Delegacia de Origem para o não reconhecimento dos créditos. Vejase que na decisão original o não reconhecimento dos créditos deveuse ao fato de a autoridade administrativa entender que a recorrente não possuía estrutura hospitalar para internação e tratamento e não pelo fato de não ter comprovado as atividades, até mesmo porque sequer foi intimada para tanto. Mais ainda, a decisão emitida na solução de consulta, corroborada pela Decisão da Delegacia de Julgamento corroborou o entendimento de que o requisito de estrutura estaria suprido pela apresentação de laudo da vigilância sanitária da jurisdição da recorrente. Assim, verificandose que o contribuinte, exercer atividades exclusivamente de radiologia e diagnóstico por imagem, atividades essas que estão incluídas no conceito de serviços de atendimento à saúde, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 173DF CARF MF
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Numero do processo: 17613.720415/2016-63
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
IRPF. MOLÉSTIA GRAVE. PENSÃO. ISENÇÃO.
A pensão recebida por portador de moléstia grave enumerada na norma isentiva e comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial é isenta de imposto de renda de pessoa física. Súmula CARF nº 63.
Numero da decisão: 2002-000.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni, Virgilio Cansino Gil e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
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MOLÉSTIA GRAVE. PENSÃO. ISENÇÃO. A pensão recebida por portador de moléstia grave enumerada na norma isentiva e comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial é isenta de imposto de renda de pessoa física. Súmula CARF nº 63. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni, Virgilio Cansino Gil e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 61 3. 72 04 15 /2 01 6- 63 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 17613.720415/201663 Acórdão n.º 2002000.054 S2C0T2 Fl. 81 2 Relatório Lançamento Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física nos seguintes valores (fl. 35): Rubrica Valor em reais Imposto 10.162,27 Multa de ofício 7.621,70 Juros de mora 2.313,94 Total à época 20.097,91 A fiscalização identificou omissão de rendimentos referente à dependente Christine Joy Silva de Otoni no valor de R$ 36.953,72, informado na Dirf da fonte pagadora CNPJ 28.165.132/000192 Fundação Banestes de Seguridade Social, constando também de comprovante de rendimentos apresentado pela contribuinte (fl. 36). Tempestividade da impugnação O prazo para impugnar é de 30 dias1. Considerando que a contribuinte tomou ciência do lançamento no dia 21/03/2016 (fl. 33) e protocolou sua peça no dia 11/04/2016 (fl. 2), verificase que a impugnação é tempestiva. Impugnação Em sua impugnação a contribuinte alega, em síntese, que (fl. 2 e ss): o valor de R$ 36.953,72 referese a pensão por morte recebida pela contribuinte, mas destinada a sua filha maior incapaz e curatelada pela contribuinte, Christine Joy Silva de Otoni, CPF 060.738.46703 recebida em razão da morte de seu genitor, Tristão Vieira Otoni. a beneficiária é absolutamente incapaz, consoante interdição processada e já autuada na Receita Federal no processo de emissão de CPF. Documentos impugnação Após a impugnação constam os seguintes documentos: cópia da notificação de lançamento (fl. 4 e ss); identidade da contribuinte (fl. 7); comprovante de rendimentos (fl. 9 e ss); declaração Baneses (fl. 14); print tela (fl. 15); 1 Art. 15 do Decreto 70.235/72 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 17613.720415/201663 Acórdão n.º 2002000.054 S2C0T2 Fl. 82 3 Dirpf (fl. 16). Decisão de 1ª instância A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) julgou a impugnação improcedente e manteve o credito tributário pelas seguintes razões: em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal, verificouse que a dependente Christiane não apresentou Declaração de Ajuste Anual (DAA) em separado para o ano fiscalizado. a inclusão de dependente na declaração é uma opção da contribuinte que, uma vez exercida, acarreta a obrigatoriedade de se declarar, em conjunto, os rendimentos auferidos pela dependente, pois serão levados aos ajuste anual na declaração do titular como rendimentos próprios do contribuinte (art. 38, § 8º, IN SRF 15/2001 vigente à época). assim, no caso em tela, como a contribuinte optou por informar a dependente em sua declaração, deveria ter incluído os rendimentos auferidos por essa dependente dentre os rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual, ainda que dentro do limite de isenção. Contudo, a contribuinte informou os rendimentos de Christiane no quadro destinado aos rendimentos isentos e não tributáveis, sob a alegação de incapacidade da dependente. o fato de a dependente ser incapaz e curatelada pela contribuinte não implica que os rendimentos recebidos por aquela sejam isentos e não tributáveis. Para que os proventos de aposentadoria complementar por morte do beneficiário gozassem de isenção seria necessário provar que a dependente é portadora de moléstia grave especificada em lei (art. 39, XXXIII, § 4º e 5º do Regulamento do Imposto de Renda (RIR) 2. pela norma, para gozo da isenção, a moléstia grave deve estar prevista em lei e deve ser comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial. no caso dos autos, a contribuinte somente alega que a dependente é incapaz, mas não traz qualquer laudo médico oficial que demonstre que a incapacidade é resultante dela ser portadora de moléstia grave prevista na lei. em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal, não foi encontrado nenhum processo em nome da dependente que trate de interdição ou isenção de IRPF. dessa forma, não é possível reconhecer a situação sem a apresentação de provas de ser a dependente portadora de moléstia grave especificada em lei. para fazer jus à isenção é necessário que a contribuinte obtenha laudo médico oficial atestando que a dependente, além de ser incapaz e interditada para os atos da vida civil, é portadora de alguma das moléstias previstas no art. 39, XXXIII do RIR/99. Em razão disso, a DRJ decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário lançado. 2 Decreto 3.000/1999 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 17613.720415/201663 Acórdão n.º 2002000.054 S2C0T2 Fl. 83 4 Tempestividade do recurso voluntário O prazo para recorrer é de 30 dias3. Considerando que a contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 03/03/2017 (fl. 63) e protocolou sua peça no dia 24/03/2017 (fl. 66), verificase que o recurso voluntário é tempestivo. Recurso Voluntário Em seu recurso voluntário o contribuinte alega, em síntese, que (fl. 65 e ss): os julgadores disseram que não foi encontrado qualquer processo em nome da dependente junto à Receita Federal em que conste sua interdição e/ou isenção de IRPF. Contudo, o CPF da dependente foi emitido na condição de interditada e toda a documentação foi juntada ao processo 11543.002081/201041. não obstante, faz juntada novamente da documentação explicitada na legislação para que a decisão seja reformada e considerada a devida isenção tributária. anexou termo de curatela, laudos médicos e declarações médicas. Por fim, pede o recebimento do presente recurso para fins de reforma da decisão, entendendose pela quitação dos tributos referentes ao período de apuração. Documentos recurso voluntário Após o recurso voluntário constam os seguinte documentos: declaração de 22.03.1996 da perícia médica do governo do Estado do Espírito Santo, atestando que Christine é portadora de lesão neurocógica (por anóxia intraparto) cursando com deficiência mental acentuada incapaz para exercer atividade laborativa e reger atos da vida civil de forma definitiva (fl. 68). laudo de avaliação de deficiência mental de 28/10/2008, preenchido em formulário do anexo X da Instrução Normativa SRF 607/2006, atestando, para a finalidade de concessão do benefício do art. 1º, IV, da Lei 8.989/1995, que Christine possui deficiência mental severa / grave F.72 (CID10) (fl. 69). declaração da Policlínica São Pedro de 28/10/2008, informando que aquele serviço médico que integra o Sistema Único de Saúde (SUS), preenchida em formulário do anexo XII da Instrução Normativa SRF 607/2006 (fl. 70); Atestado do serviço de perícias médicas do INSS de 07 de março de 1980, para os fins previsto nas Leis 5.559/68, 4.266/63, RS/INPS 299.3/69, informando que Christine foi examinada e concluiuse pela existência de invalidez (fl. 71). Compromisso de curadora, de 18/06/1997, no qual Inah aceita o encargo de curadora de Christine (fl. 72). requerimento protocolado no processo 11543.002081/201041 encaminhando documento para declaração de IRPF expedido pela Fundação Banestes, com 3 art. 33 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 17613.720415/201663 Acórdão n.º 2002000.054 S2C0T2 Fl. 84 5 isenção tributária, conforme documentação autuada naquela entidade. Afirma ainda na peça que a isenção pleiteada tem fulcro na Lei 7.713/88, bem como na instrução da Receita em página de esclarecimentos destinada ao contribuinte. Por fim, solicitando a procedência do pedido (fl. 73). acórdão da DRJ, que já constava do processo (fl. 74). Voto Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Admissibilidade O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 67) e tempestividade, conforme acima demonstrado, portanto dele conheço. Processo informado O processo 11543.002081/201041, informado pela contribuinte, não consta na base de dados do sistema informatizado de processos. O comprovante juntado quanto a este ponto (fl. 73) é uma petição sua enviada à Receita Federal em resposta à intimação prestando esclarecimentos. Contudo, as informações constantes deste documento são insuficientes para localizar o processo. A data informada pela contribuinte, 10/05/2012, referese a protocolo da referida resposta à intimação e não ao protocolo do processo. Não consta dos autos nenhum documento emitido pela Receita onde conste esse número de processo. Em consulta aos sistemas informatizados também não foi encontrado nenhum processo no CPF da dependente. Rendimentos questionados O valor de R$ 36.953,72 da dependente Christine Joy Silva de Otoni, tratase de benefício de previdência complementar pago pela Fundação Banestes de Seguridade Social (fl. 9). A declaração da fl. 14 comprova que Christine é beneficiária do exparticipante assistido Tristão Vieira Otoni. Dessa forma, verificase que tratase de pensão por morte, conforme alegado pela recorrente. De acordo com o art. 6º, XXI c/c XIV da Lei 7.713/88, os valores de pensão recebidos por portador de alienação mental ficam isentos de imposto de renda: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. [...] Fl. 84DF CARF MF Processo nº 17613.720415/201663 Acórdão n.º 2002000.054 S2C0T2 Fl. 85 6 XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma Segundo o art. 39, §§ 4º e 5º c/c XXXIII do Decreto 3.000/99: Art.39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: [...] §4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e §1º). §5ºAs isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. [...] XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma No mesmo sentido a súmula CARF nº 63 dispõe que: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os Fl. 85DF CARF MF Processo nº 17613.720415/201663 Acórdão n.º 2002000.054 S2C0T2 Fl. 86 7 rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Assim, para reconhecimento da isenção, a moléstia deve ser comprovada por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Em sede de recurso voluntário, a recorrente apresentou declaração da perícia médica do governo do Estado do Espírito Santo, afirmando que Christine Joy Silva de Otoni tem deficiência mental acentuada, por anóxia4 intraparto, tendo deficiência mental acentuada e sendo incapaz de exercer atividades laborativas e reger atos da vida civil de forma definitiva (fl. 68). Há também laudo de avaliação que atesta que a dependente possui deficiência mental severa/grave F.72 (CID10)5 (fl. 69). Este último laudo foi emitido por serviço médico privado integrante do SUS (fl. 70), portanto também oficial. Consta ainda dos autos atestado de invalidez da dependente emitido pelo INSS (fl. 71). A meu ver, a documentação apresentada supri as exigências da norma, comprovando quadro de alienação mental da dependente. Assim, verificase que a recorrente logrou comprovar os requisitos isentivos, fazendo jus ao atendimento de seu pleito. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER o recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para que seja extinto o crédito tributário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo 4 MEDICINA estado em que se verifica uma deficiente oxigenação dos tecidos Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. 5 Retardo mental grave Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12278.720115/2013-76
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito.
Numero da decisão: 1001-000.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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DE PEDRAS DECORATIVAS E TRANSPORTES LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 27 8. 72 01 15 /2 01 3- 76 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 12278.720115/201376 Acórdão n.º 1001000.304 S1C0T1 Fl. 65 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Florianópolis (SC), mediante o Acórdão nº 0737.623, de 24/07/2015 (efls. 44/51), objetivando a reforma do referido julgado. Em 03/01/2013, a empresa fez a opção pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional, que foi indeferida, mediante o “Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional”, em 28/022013 (efl. 47), sob o fundamento de que a pessoa jurídica incorreu, naquele momento, na(s) seguinte(s) situação(ões) impeditiva(s): Débito previdenciário com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cuja exigibilidade não está suspensa na data limite. Lista de Débitos: 1) Débito 364512750 A interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento da sua opção pelo Simples Nacional, alegando, em síntese, que efetuou pedido de revisão do referido débito confessado em GFIP, no dia 28/06/2012, que continuava em análise na RFB (efls. 2; 16 a 18). A DRJ considerou procedente o Termo de Indeferimento de Opção ao Simples Nacional e proferiu acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. DÉBITO PREVIDENCIÁRIO. NÃO REGULARIZAÇÃO EM TEMPO HÁBIL. A regularização tempestiva das pendências indicadas no Termo de Indeferimento é condição sine qua non para o acesso ao regime de tributação do Simples Nacional. Não havendo a regularização em tempo hábil seja por pagamento ou por parcelamento a pessoa jurídica deve, no anocalendário a que se refere o requerimento de opção, submeterse a outro regime de tributação que a legislação lhe faculte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. A Recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância em 13/08/2015, por decurso de prazo de 15 dias da disponibilização dos documentos através da Caixa Postal, Módulo eCAC do Site da Receita Federal, conforme despacho à efl. 53. O recurso voluntário foi apresentado em 10/03/2016 (efls. 56/62), conforme carimbo aposto à efl. 56. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 12278.720115/201376 Acórdão n.º 1001000.304 S1C0T1 Fl. 66 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para que seja interposto o Recurso Voluntário contra as decisões das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento é de 30 dias a partir da ciência da referida decisão: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A Regra Geral sobre contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal é estabelecida pelo Art. 5º, do Decreto nº 70.235/72: "Art. 5º: Os prazos serão contínuos, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o dia do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato." Acerca da Eficácia e Execução das Decisões, assim dispõe o Decreto n° 70.235/1972: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...] A contagem do prazo recursal deve iniciar no primeiro dia útil seguinte. Considerandose que a data de ciência foi no dia 13/08/2015 (quintafeira), a contagem do prazo recursal deve iniciar na sextafeira, dia 14/08/2015. Tendo em vista que o prazo recursal esgotouse com o decurso de trinta dias, em 14/09/2015 (segundafeira), e o recurso voluntário foi apresentado em 10/03/2016, o mesmo é intempestivo e não deve ser conhecido por este colegiado. Neste sentido, tendo em vista o não cumprimento do pressuposto de admissibilidade, previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, por ser intempestivo, tornando definitiva, no âmbito administrativo, a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 66DF CARF MF Processo nº 12278.720115/201376 Acórdão n.º 1001000.304 S1C0T1 Fl. 67 4 Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11831.001201/2001-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997
PERC. REGULARIDADE FISCAL. SÚMULA CARF 37.
Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 1401-002.185
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto De Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1997 PERC. REGULARIDADE FISCAL. SÚMULA CARF 37. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Provido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 PERC. REGULARIDADE FISCAL. SÚMULA CARF 37. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto De Souza Gonçalves Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 12 01 /2 00 1- 57 Fl. 776DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão que indeferiu o PERC – Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais apresentado pela contribuinte, em razão da ausência de comprovação de regularidade fiscal. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido: A contribuinte acima identificada ingressou com o PERC – Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais de fls. 03/05, tendo em vista que não houve ordem de emissão para o incentivo (fls. 07), relativamente à sua opção por aplicação de parte do IRPJ relativo ao anocalendário 1997, exercício 1998, no FINOR. 1.1. O “EXTRATO DAS APLICAÇÕES EM INCENTIVOS FISCAIS” (fl. 07), que acompanha o pedido, nos informa que não houve ordem de emissão para o FINOR pelas seguintes ocorrências: 11CONTRIBUINTE COM DÉBITOS DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS (LEI 9069/95, ART. 60) e 08DÉBITO DO IRPJ ANOCALENDÁRIO/97 COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. 2. Por meio do Despacho Decisório de fls. 623, proferido em agosto de 2008, a autoridade administrativa competente indeferiu o pedido, com base no artigo 60 da Lei nº 9.069, de 29/06/1995, tendo em vista o resultado de consultas sobre a Regularidade Fiscal da Pessoa Jurídica, sintetizada à fl. 622. 2.1. O auditor fiscal designado para apreciar o pedido informou que: (...) Após análise do processo de acordo com a NE/SRF/COSAR/COSIT Nº 10 de 17 de julho de 2000, foi constatado que o contribuinte possuía pendências impeditivas a liberação do incentivo. Foi, então, o contribuinte intimado em 26/03/08 a regularizar as pendências, conforme fl. 129. Feita nova análise da regularidade fiscal, foi constatado que ainda havia pendências impeditivas a liberação do Incentivo, conforme consta do relatório à página 610. Tendo em vista que a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativo a tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Fl. 777DF CARF MF Processo nº 11831.001201/200157 Acórdão n.º 1401002.185 S1C4T1 Fl. 777 3 Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais (Lei 9069/95), proponho que o processo de PERC Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, do exercício de 1998, seja indeferido. 3. Inconformada com o referido Despacho Decisório, do qual foi devidamente cientificada em 13/11/2008 (fls. 643), a interessada, por intermédio de suas advogadas e procuradoras (doc. de fls. 645/647), apresentou, em 09/12/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 629 a 639, acompanhada dos documentos de fls. 640 a 664. 3.1. Na peça de defesa a interessada alega, preliminarmente, a nulidade da intimação nº 2060/2008 e do “parecer” que a embasa, porquanto não se trata de decisão administrativa. Ocorre, no entender da manifestante afronta a determinação contida no artigo 31 do Decreto nº 70.235/1972, na medida em que deveria conter (i) o relatório resumido do processo, (ii) a fundamentação legal com a apreciação de todos os argumentos de fato e de direito alegados, (iii) conclusão fundamentada; e (iv) ordem de intimação do contribuinte. 3.1.1. Também seriam nulos: a intimação e o “parecer”, na medida em que teria sido violado o princípio da motivação e por não constar nele os fundamento pelos quais se exige comprovação de regularidade fiscal no momento da apreciação do PERC. Alega não ter havido, por parte do Fisco, qualquer esforço investigativo no sentido de aferir a real existência dos débitos. Acusa que o argumento utilizado para o indeferimento (razões evasivas) estaria a violar o princípio do devido processo legal e os postulados constitucionais do contraditório e da ampla defesa (art. 5º, LV, da CF/1988) 3.2. Sob o tópico “IV – DAS RAZÕES JURÍDICAS PARA A REFORMA DO PARECER”, a interessada alega a impossibilidade de se exigir da requerente a regularidade fiscal posteriormente (quase dez anos após) à data de opção pelo investimento. Ressalta que os investimentos aos fundos regionais deramse em 1998, ano em que foi entregue a Declaração de Rendimentos da Requerente. Nesta data, e somente nesta, é que deve ser perquirida a regularidade do sujeito passivo. 3.2.1. Argumenta a impugnante que a opção pela destinação do imposto por ela recolhido para fundos de investimentos regionais se deu com base na Lei nº 8.167/1991, com as modificações perpetradas pela Lei nº 9.532/1997 e que em ambos diplomas legais não se cogita da possibilidade do contribuinte ter seu benefício vedado em razão da existência de débitos perante a Secretaria da Receita Federal, a Procuradoria da Fazenda Nacional, nem muito menos junto ao FGTS. Como a legislação citada não impõe qualquer restrição como pretendido pelo despacho decisório, a denegação do benefício com base em dados ocorridos muitos anos após a manifestação da opção estaria em desacordo com os princípios da segurança jurídica e da legalidade. 4. Por meio do Despacho nº 051/2009 – 8a. Turma da DRJ/SPOI, de 25/06/2009, o processo foi encaminhado à DIORT/DEINFSPO para as devidas providências, tendo em vista a constatação de que, na data em que foi protocolizado o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, 28/06/2001 (fl. 01), encontravase esgotado o prazo para a contribuinte apresentálo. 4.1. Conforme Termo de Intimação DIORT/DEINF nº 208, de 31/08/2011, à fl. 669, a contribuinte foi intimada a apresentar os seguintes documentos: Fl. 778DF CARF MF 4 1 Certidão Conjunta Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais e à Dívida Ativa da União; 2 Certidão Negativa de Débitos relativos às Contribuições Previdenciárias e à Terceiros; 3 Certificado de Regularidade do FGTS — CRF (CEF) Finalidade: Em consonância com a Súmula Carf n° 37. 4.2. Cientificada do Termo de Intimação em 14/09/2011, respondeu à intimação por meio do documento de fls. 692/694, em que conclui que, nos exatos termos do disposto na Súmula 37 do CARF, inexistindo prova nos autos de que, na época em que formalizada a opção pelo incentivo, a situação da Requerente era irregular perante o Fisco, é a presente para requerer a homologação do PERC. 4.3. No despacho à fl. 700, o Chefe da Diort encaminha o processo para julgamento e informa a respeito da tempestividade da apresentação do pedido, com base no AD/COSAR/36, nos seguintes termos: Às fls. 652/653, a DRJ/SP I verificou que o PERC foi protocolizado fora do prazo constante no extrato das aplicações em incentivos fiscais (fl. 03), que era 30/09/2000, contudo, diferentemente do que consta no item 3.2 (fl. 653), este prazo foi prorrogado para o dia 29/06/2001 por meio do ato de prorrogação AD/COSAR/36 de 14/09/2000. Portanto, tendo em vista que o PERC foi protocolizado em 28/06/2001, dentro do prazo a que se refere o AD/COSAR/36, proponho o encaminhamento a DRJ/SP I para julgamento da Manifestação de Inconformidade (fls. 616/627). É o relatório. Em 21 de junho de 2013 a DRJ/SP1 negou provimento à manifestação de inconformidade, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 1997 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Não procede a argüição de nulidade do lançamento quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. PERC. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. PROVA. O indeferimento do PERC com fulcro no art. 60 da Lei 9.069/95 impõe a demonstração da existência de irregularidade fiscal relativamente ao período a que se refere a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo. Por força da Súmula vinculante do CARF é admitida a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo. A ausência da prova de quitação de débitos daquele período impede de pronto o reconhecimento do incentivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada do acórdão em 2 de setembro de 2013 (fls. 713), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 17 de setembro de 2013 (fls. 715731), alegando, em síntese: (i) a regularidade do sujeito passivo deve ser analisada no ano em que foi entregue a Declaração de Rendimentos, nos termos do enunciado da Súmula Vinculante n. 37 do CARF. Fl. 779DF CARF MF Processo nº 11831.001201/200157 Acórdão n.º 1401002.185 S1C4T1 Fl. 778 5 (ii) a decisão recorrida aprecia o caso de forma totalmente distorcida do entendimento sedimentado no CARF. Não se pode impor à recorrente, como condição para deferimento do benefício, que, depois de transcorridos 15 anos, esta comprove que em 29 de abril de 1998 (data da opção pelo PERC) estava em situação regular perante o fisco, pois seria atentar contra a ampla defesa e o contraditório. Em suas palavras: 22. Não havendo nos autos nenhum documento que comprove que, na ocasião da adesão ao incentivo, em 1998, a Recorrente estava em situação regular perante o Fisco, a r. decisão recorrida indeferiu o PERC alegando supostas pendências perante a Receita Federal e a Procuradoria da Fazenda Nacional, com base em consulta realizada em 2008, dez anos depois da formalização da opção pelo incentivo. 23. Tudo em descumprimento à Sumula n. 37 deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais! Transcreve decisões de diversas turmas deste CARF segundo as quais, comprovada a regularidade fiscal ou não logrando a administração tributária comprovar irregularidades que se reportem ao momento da opção pelo benefício, deve ser deferida a apreciação do PERC. (iii) ademais, sustenta a prescrição administrativa do direito de a administração analisar o PERC, eis que entre a data da opção para destinar parcelas de seu imposto de renda aos fundos de investimento regionais (no exercício de 1998, com relação ao ano calendário 1997) e a data de análise de seu pedido (2008) transcorreram 10 anos, o que conduziria à sua homologação tácita. Neste sentido, transcreve trechos da Portaria Interministerial 237/2002, dos Ministérios da Fazenda e da Integração Nacional, a qual estabelece que "caberá à SRF adotar providências no sentido de concluir a análise e julgamento dos Pedidos de Revisão de Ordens de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, referentes ao Exercício de 1991 / Ano calendário 1990 a Exercício de 1999 / Ano calendário 1998, dentro de trinta e seis meses, a contar da publicação desta Portaria." Tal norma determinou à SRF a instituição de cronogramas para processamento, observado o prazo de julho de 2005 para os PERC relativos ao exercício de 1998, anocalendário 1997. (iv) abre tópico específico para sustentar a preclusão temporal ou prescrição ocorrida no processo administrativo, considerando que "nos termos do artigo 54 da Lei 9.784/99, tem a Administração o prazo de 5 anos para analisar os atos praticados pelos contribuintes", não podendo ser impingido a estes o ônus da morosidade da Administração. (v) abre outro tópico para alegar a decadência da administração, que implicaria a homologação tácita da declaração da "opção" efetuada pelo contribuinte, nos termos do art. 150, par. 4o do CTN. Ou seja, sustenta que a não apreciação do PERC no prazo de 5 anos a contar da data em que efetivada a opção pelo incentivo configura decadência do direito de a Administração proceder ao seu indeferimento, com a consequente homologação tácita da opção efetuada pelo contribuinte. Isso porque, muito embora o indeferimento do PERC não implique imediato lançamento tributário, a decisão terá reflexo direto na esfera jurídica do contribuinte, pois não obstante a destinação de Fl. 780DF CARF MF 6 parcela de seu imposto ao fundo de investimentos, ele não receberá os certificados de investimento. (vi) sustenta a ilegalidade da exigência de CND como pressuposto para a concessão de benefício fiscal. Nesse ponto, observa que a opção pela destinação do imposto aos fundos de investimento regionais se deu com base na Lei 8.167/1991, sendo que as únicas condições impostas por tal diploma eram (i) pagar integralmente o IR, sendo destinada parcela do valor recolhido ao respectivo fundo; e (ii) manifestar esta opção em sua declaração de rendimentos. Assim, a administração não poderia impor, anos depois da opção, novas condições para a fruição do benefício, fazendo tabula rasa ao princípio da segurança jurídica. No dia anterior à sessão de julgamento marcada para 6 de outubro de 2016, a Recorrente apresentou petição a qual comprovaria a quitação dos apontados débitos. O julgamento foi então convertido em diligência nos termos da Resolução 1401000.433, de seguinte teor: O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. A Súmula Vinculante do CARF n. 37 estabelece que o momento de verificação da regularidade fiscal para fins de apreciação do PERC é aquele em que configurada a opção pelo investimento (isto é, a entrega da declaração de rendimentos), admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo: "Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72." Diante disso, e considerando que a petição apresentada pela Recorrente no dia da sessão de julgamento ainda não estava juntada aos autos, entendo pela necessidade de se converter o julgamento em diligência para que ocorra a juntada de tal petição, bem como para que se verifique a autenticidade e veracidade da informação ali constante. Referida petição foi juntada aos autos a fls. 757761 contendo (i) Certidão Positiva com Efeitos de Negativa Relativos aos Tributos Federais e à Dívida Ativa da União emitida em 18/07/2016 e válida até 14/01/2017, sob o código de controle C6E3.2CE4.6014.D7B9; e (ii) Certificado de Regularidade do FGTS n. 2016092902505359627452, emitido em 3/10/2016 e válido de 29/09/2016 a 28/10/2016. O Relatório de Diligência Fiscal de fls. 770772 confirmou (i) a autenticidade da Certidão Positiva com Efeitos de Negativa Relativos aos Tributos Federais e à Dívida Ativa da União emitida em 18/07/2016 sob o código de controle C6E3.2CE4.6014.D7B9, observando ainda que foram expedidas posteriormente mais outras 2 certidões, também positivas com efeitos de negativa, com data de 22/12/2016 e 05/05/2017 (esta última válida até 1/11/2017); e (ii) que em 26/09/2017 a contribuinte encontravase regular perante o FGTS Fl. 781DF CARF MF Processo nº 11831.001201/200157 Acórdão n.º 1401002.185 S1C4T1 Fl. 779 7 Voto Conselheira Livia De Carli Germano Relatora Conforme já se observou na Resolução 1401000.433, a Súmula Vinculante do CARF n. 37 estabelece que o momento de verificação da regularidade fiscal para fins de apreciação do PERC é aquele em que configurada a opção pelo investimento (isto é, a entrega da declaração de rendimentos), admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, vejase: Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. De fato, não logrando a administração tributária comprovar irregularidades que se reportem ao momento da opção pelo benefício, uma vez comprovada a regularidade fiscal no curso do processo administrativo deve ser deferida a apreciação do PERC. Assim, considerando que a Recorrente produziu prova de sua regularidade fiscal no decurso do presente processo administrativo, o que foi corroborado pelo Relatório de Diligência Fiscal de fls. 770772, oriento meu voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 782DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.726056/2009-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
Numero da decisão: 9202-006.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10580.726430/2009-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10580.726430/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 60 56 /2 00 9- 12 Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10580.726056/200912 Acórdão n.º 9202006.378 CSRFT2 Fl. 3 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10580.726430/200971. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão recorrida, que , em seu entendimento reflete a melhor interpretação jurídica quanto à aplicação do art. 106, II, "c" ao caso sob análise. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física decorrente da omissão de rendimentos recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”. Referidos rendimentos correspondem à diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas entre janeiro de 2004 e dezembro de 2006, com base na Lei Complementar do Estado da Bahia no 20, de 08 de setembro de 2003. Consoante tese esposada pela autoridade autuante, as diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O sujeito passivo apresentou impugnação, que restou integralmente indeferida. Regularmente cientificado da decisão de 1a instância, interpôs Recurso Voluntário, tendo o Colegiado a quo dado provimento ao Recurso, por entender que os valores recebidos possuem natureza indenizatória, ao considerar o teor da Lei no. 9.655, de 02 de junho de 1998, Lei no. 10.477, de 27 de junho de 2002, da Resolução no. 245, de 2002, do Supremo Tribunal Federal e, ainda, da referida Lei Complementar do Estado da Bahia no 20, de 2003, concluindo, assim, pela não incidência de IRPF sobre as verbas sob análise. Enviados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência do Acórdão, sua Procuradoria apresentou, tempestivamente, Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009. O recurso contém alegação de existência de divergência interpretativa somente quanto à já referida nãoincidência do IRPF (mais especificamente quanto à natureza indenizatória ou não, declarada pela Turma a quo) sobre as (das) diferenças em discussão, Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10580.726056/200912 Acórdão n.º 9202006.378 CSRFT2 Fl. 4 3 tendo restado integralmente admitido quando da realização do respectivo exame de admissibilidade. Requer a Fazenda Nacional que seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose o lançamento em sua integralidade. Encaminhados os autos ao sujeito passivo para fins de ciência do recorrido e do despacho de admissibilidade recursal, este apresentou contrarrazões tempestivas, onde requer que se mantenha integralmente o acórdão recorrido, em virtude deste encontrarse em perfeita consonância com o ordenamento jurídico pátrio, não havendo violação ao princípio da legalidade tributária, conforme demonstrado em suas razões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.367, de 29/01/2018, proferido no julgamento do processo 10580.726430/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.367): Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma consistente e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Ainda, faço notar que o Acórdão paradigmático apresentado não se trata de jurisprudência superada ou ultrapassada, visto não ter sido objeto de reforma nem contrariar Súmula ou Resolução do Pleno deste Conselho. Noto que eventual mudança de posicionamento do Colegiado paradigmático decorrente de sua alteração de composição ou de qualquer outra motivação não se confunde com o conceito de jurisprudência superada. Assim, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Passandose à análise de mérito, noto que a matéria que permanece sob litígio é a não incidência do IRPF, a partir da natureza supostamente indenizatória das verbas recebidas, à luz da possível aplicação da Lei Complementar Estadual no. 20, de 2003, e da Resolução STF no. 245, de 2002. A propósito, reitero aqui, inicialmente, considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10580.726056/200912 Acórdão n.º 9202006.378 CSRFT2 Fl. 5 4 1) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Complementar Estadual 20, de 2003. Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 2° e 3° da referida Lei Complementar Estadual: Art. 2° As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de n° 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1° de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3° São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2° desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos membros do Ministério Público, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual. Assim, não se trata, aqui, de invasão de competência do STF pela União para declarar inconstitucional a referida Lei Complementar Estadual, mas, sim, interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida Lei Complementar, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo, para se concluir pela sua tributação ou não pelo Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas à contribuinte pelo Ministério Público do Estado da Bahia não se Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10580.726056/200912 Acórdão n.º 9202006.378 CSRFT2 Fl. 6 5 destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 2° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. É incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, sim, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. De se reproduzir aqui a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no enquadramento legal do auto de infração à efl. 07, os quais devem ser respeitados de forma a se guardar obediência ao princípio da legalidade tributária, vedado seu afastamento, in casu, por dispositivo outro que não a lei, na forma do art. 97 do CTN . 2) Da Resolução n.° 245 do STF Baseiase a decisão recorrida, ainda, na Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2°. da Lei n°. 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10580.726056/200912 Acórdão n.º 9202006.378 CSRFT2 Fl. 7 6 2003, aplicarseia também aos membros do Ministério Público dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar integralmente ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Vejase: “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I. apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10580.726056/200912 Acórdão n.º 9202006.378 CSRFT2 Fl. 8 7 nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, ainda que se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação da PGFN, no sentido de se cingirem os efeitos dos referidos Despacho do PGR e dos Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, a recorrente), vedados, repitase: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais de efl. 07, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e a Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dos dispositivos legais que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei Complementar do Estado da Bahia no. 20, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. Finalmente, ressalvo que, quanto às alegações da contribuinte, no sentido de não incidência do IRPF sobre os juros de mora, tratase de matéria estranha ao presente pleito recursal e, que, ainda, notese, não restou apreciada pelo Colegiado recorrido, dada a tese ali adotada de nãoincidência. Destarte, esta matéria deve ser objeto de apreciação quando do retorno do presente feito à Turma a quo, proposto no âmbito do Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10580.726056/200912 Acórdão n.º 9202006.378 CSRFT2 Fl. 9 8 presente voto, visto que imprescindível, sob pena de supressão de instância quanto a esta e também quanto a qualquer outra matéria não apreciada pelo inicial reconhecimento do caráter indenizatório das verbas em questão. Conclusivamente, diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno do feito ao Colegiado a quo, para exame das matérias ainda não apreciadas por força da adoção inicial da tese, aqui reformada, de não incidência do IRPF pelo caráter indenizatório das verbas em questão. É como voto. Em face ao exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno do feito ao Colegiado a quo, para exame das matérias ainda não apreciadas por força da adoção inicial da tese, aqui reformada, de não incidência do IRPF pelo caráter indenizatório das verbas em questão. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 328DF CARF MF
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