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Numero do processo: 13881.000102/2004-31
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2007
Ementa: IPI. CRÉDITO-PRÊMIO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO SUPORTE.
A ausência de documentação hábil nos autos que comprove a autenticidade do crédito-prêmio de IPI pleiteado impossibilita o deferimento do pedido de ressarcimento a que se refere o crédito.
Recurso negado.
Numero da decisão: 201-80055
Nome do relator: Gileno Gurjão Barreto
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O -7 cae-- Processo n2 : 13881.00010212004-31 Recurso n2 : 134.994 SIviflVutabosa Acórdão n2 : 201-80.055 Sutpe 91745 Recorrente : MAX1ON COMPONENTES ESTRUTURAIS LTDA. Recorrida : DRJ em Ribeirão Preto - SP os003°. 1PL CRÉDITO-PRÊMIO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO (18 det)f" CPcistakel SUPORTE. .,„see,r.o vt- IQ/ 0. • • A ausência de documentação hábil nos autos que comprove aw-poN;tet, autenticidade do crédito-prémio de IPI pleiteado impossibilita o de deferimento do pedido de ressarcimento a que se refere o crédito. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MAXION COMPONENTES ESTRUTURAIS LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 28 de fevereiro de 2007. 0.1baxta, tliftçloot- cr • osef&Maria Coelho Marques - Presidente ./ Gileno °ou' á o RelatOr Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Mauricio Taveira e Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, José Antonio Francisco e Roberto Venoso (Suplente). 1 . • • E '9 CC-MF Ministério da Fazenda MF - SEGUNDO CONSELHO CE CONTRIBUINTES Fl. ( Segundo Conselho de Contribui es CONFERE COMO ORIGINAL Braslia '72.' (2 7 7ex-7. Processo n2 : 13881.000102/2004-3 sive sgÁbOsaRecurso112 : 134.994 Mat: Siape 91745 Acórdão n2 : 201-80.055 Recorrente : MAXION COMPONENTES ESTRUTURAIS LTDA. RELATÓRIO Trata-se de pedido de ressarcimento de crédito-prêmio de IPI (fls. 01/05), proveniente de produtos adquiridos e/ou fabricados no mercado interno e exportados, conforme art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491/69 e alterações posteriores, apresentado em 16/06/2004, no valor de R$ 2.769.941,23, referente ao período de fevereiro de 1994 a abril de 2004. Não há evidência nos autos de pedidos de compensação atrelados a esta solicitação de ressarcimento. Em 29/06/2004 foi proferido Despacho Decisório (fls. 41/42) indeferindo o pleito, com base nas disposições contidas nas Instruções Normativas SRF n2s 210/2002 e 226/2002. Cientificada em 12/07/2004 (fl. 44) a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade (fls. 45/55) em 09/08/2004, alegando, em síntese, que o pedido de ressarcimento em análise tem como base legal o Decreto-Lei n2 491/69 e alterações posteriores, estando ainda em pleno vigor com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF do Decreto-Lei n 2 1.724/79; que os atos normativos baixados pelo Secretário da Receita Federal para negar o beneficio são ilegais; que há decisão do STF que declara a inconstitucionalidade do Decreto-Lei n 2 1.724/79, a qual deveria ser plenamente observada pela Administração Pública Federal. O Acórdão da DRJ em Ribeirão Preto - SP (fls. 60/75), de 08/03/2006, indeferiu a solicitação da impugnante, alegando, resumidamente, que o crédito-prêmio, beneficio fiscal de natureza financeira, vigorou somente até 30/06/1983, em conformidade com a legislação tributária aplicável, de forma que é incabível a solicitação de ressarcimento de valores do incentivo alusivos a exportações realizadas depois da referida data. Cientificada em 02/05/2006 a recorrente, inconformada, apresentou recurso voluntário em 26/05/2006 (fls. 78/100), argumentando, em síntese, que o crédito-prêmio de IPI ainda estaria em pleno vigor, tendo sido expressamente mantido pelo art. 1 2, inciso II, do Decreto-Lei n2 1.894/81. Além disso, traz à discussão a Resolução do Senado Federal n2 71/2005, que em seu art. 1 2 preserva a vigência do que remanesce do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491/69. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuinte e do Judiciário, além de • artigo do constitucionalista Ives Gandra da Silva Martins, defendendo que o incentivo continua a existir e a beneficiar as empresas exportadoras na parte não declarada inconstitucional. Pede pelo deferimento do seu pleito, a ser corrigido pela taxa Selic. É o relatório. ttk.. • — , - vEr GUNDO CONSELHO CE CONFERE COM O • .";;-•Z CC-MF tà, Ministério da Fazenda »C....'75 Segundo Conselho de Contribuintes MF ORIGINAL CONTRIBUINTES Fl. ,;it 44* Brasiiia Processo n2 : 13881.00010212004-31 7-cp• Recurso : 134.994 SIM* S1~ Acórdão n2 : 201-80.055 Mat. Siaps VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR GILENO GUILIÃO BARRETO O recurso é tempestivo. Além disso, vejo que não é necessário arrolamento de bens, o que de fato não ocorreu, visto que a recorrente pede que seja deferido o seu pedido de ressarcimento sem que tenha feito qualquer compensação do crédito pleiteado. Assim, o recurso é admissivel e passo a apreciá-lo. Em seu mérito, observo que a matéria em apreço diz respeito ao crédito-prêmio de IPI, assunto este já bastante discutido em nosso Conselho de Contribuintes e não menos nos tribunais do Poder Judiciário. Diante de tudo que já se expôs sobre o tema, a meu ver, consta como mais correta a tese de que o crédito-prémio de IPI ainda estaria em pleno vigor, tendo sido expressamente mantido pelo art. 1 2, inciso II, do Decreto-Lei n2 1.894/81, em que pese haver entendimentos em sentido contrário, fato este que tem propiciado amplos debates nos diversos órgãos julgadores que deliberam sobre esta matéria. E então se entra na interpretação da tese em si, com a qual concordo, a qual não requer ser transcrita, uma vez já o feito à exaustão. Contudo, pelo que foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal, pelo Judiciário singular e pelo Conselho de Contribuintes, peço a devida vênia para discorrer sobre fato novo, trazido à luz com a publicação da Resolução n 2 71/2005 do Senado Federal, publicada no Diário Oficial da União em 27/12/2005. No Parecer n2 2.250, do Senador Amir Lando, em síntese, vemos o posicionamento do Senado Federal sobre os efeitos desta Resolução no mundo jurídico: "Muito se discutiu na doutrina e na jurisprudéncia nacionais se a resolução senatorial seria um ato facultativo ou obrigatório. Na primeira hipótese, existiria total discricionariedade a favor do Senado Federal, que poderia ou não dar publicidade à decisão do STF, segundo critérios que obedeceriam ao interesse público e político de suspender a eficácia de norma reconhecidamente inconstitucional. Na segunda hipótese, o Senado agiria como mero chancelador da decisão do Supremo, agindo de forma automática e meramente procedimental" Entendo, contudo, tratar-se de uma atividade legislativa exclusiva, equivalente à revogação de normas inquinadas de inconstitucionalidade. Nesse sentido . pactuamos do entendimento do então Procurador-Geral da República Alcino Salazar, em parecer em que opina que "sempre que se impõe, se revoga, se modifica ou se suspende urna regra, aí temos o ato legislativo, seja ele uma lei, um decreto ou uma deliberação." Ressalto também o estudo do Excelentíssimo Senador Josaphat Marinho, intitulado "O art. 64 da Constituição e o papel do Senado" (in Revista de Informação Legislativa, junho de 1964), que ora ressuscito, dada a contemporaneidade de suas palavras: "Ora, se o Supremo Tribunal procede com rigorosa prudéncia ri, o Senado há de ser igualmente cauteloso, senão nzais exigente. E por vários motivos. Primeiro, porque, órgão do Congresso Nacional, lhe cabe zelar, na medida possível, pela eficácia e pelo prestígio dos atos legislativos, dos quais a lei é expressão eminente. Segundo, porque enquanto a decisão judicial abrange, apenas, comumente, os direitos discutidos no caso 3 • • • 22 CC.MF -••;.:é.1:t. Ministério da Fazenda itk Fl. Segundo' Conselho de Contribuin er -SEGImeo ta: Ce SahocE CONFLRE com " C°NrReUagrEsoRIGiNAL Processo n2 : 13881.000102/2004- 18rasi''e•--t,-2 iop Recurso n2 : 134.994 ume - Acórdão n2 : 201-80.055 eut=taa concreto, a deliberação do Senado suspendendo no todo ou em parte, a execução de lei ou decreto, é de caráter genérico, opera erga onmes. Vale dizer: o ato suspensivo pode atingir, embora momentaneamente, o sistema de uma política legislativa, talvez instituída por imperiosas razões de ordem geral Pode atingi-lo e, assim - o que é mais -, vedar ao Supremo Tribunal Federal o reexame de seu entendimento, tantas vezes necessário na apreciação das grandes teses, sobretudo na esfera do direito público." Concluía, então, da seguinte forma: "[..] não é obrigatória, para o Senado, a suspensão da vigência de lei ou decreto que o Supremo Tribunal declare inconstitucional, em decisão definitiva. Ao Senado, no exercício do poder legitimo de interpretar os limites e as responsabilidades de sua competência, cabe ver ficar, em cada caso, pelo conhecimento da decisão judicial e das circunstâncias políticas e sociais, se convém proceder, e imediatamente, ou não, à suspensão da execução da lei ou decreto, sobre que incidiu a declaração de inconstitucionalidade. O órgão do Congresso [..] não contradita nem anula as decisões que produzem seus efeitos normais nas hipóteses julgadas. Apenas o Senado pode omitir- se de proclamar a suspensão proposta, ou reservar-se para fazê-lo quando lhe parecer oportuno, inclusive pela vercação de que se tornou 'predominante '." Nesse mesmo sentido, o então Senador Paulo Brossard (in "O Senado e as leis inconstitucionais", Revista de Informação Legislativa, abril a junho de 1976, pp. 55-64) repudiava o papel mecânico que se pretendia atribuir ao Senado Federal, o que o reduziria a mero executor do Supremo Tribunal Federal. Em suas palavras: "Tudo está a indicar que o Senado é o Juiz exclusivo do momento em que convém exercer a competência, a ele e só a ele atribuída. de suspender lei ou decreto declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal No exercício dessa competência cabe-lhe proceder com equilíbrio e isenção, sobretudo com prudência, como convém a tarefa delicada e relevante, assim para os indivíduos, como para a ordem jurídica" Pode, outrossim, quando do ato suspensivo, firmar sua posição diante do contexto histórico, económico e social em que esteja inserido o objeto normativo da lei declarada inconstitucional, quando disciplinado por outros diplomas legais não afetados pela decisão do Supremo. No presente caso, a questão vai além da inconstitucionalidade da expressão "ou reduzir, temporária ou definitivamente, ou extinguir", constante do art. 12 do Decreto-Lei n2 1.724/79, e das expressões "reduzi-los" e "suspendê-los ou extingui-los" constantes do inciso I do art. 30 do Decreto-Lei n2 1.894/81. De fato, uma vez declarada pelo Supremo a inconstitucionalidade da delegação de competência ao Ministro da Fazenda para manipular o estímulo fiscal conhecido como "crédito-prêmio do IPI", previsto no art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491/69, o ordenamento jurídico brasileiro ancora-se no resíduo legal do sistema normativo que rege a matéria. É que, ao inquinar de inconstitucionais as normas acima citadas, o Supremo excepcionou a permanência do direito das empresas ao beneficio fiscal retrocitado. Como se sabe, referida norma estendeu originalmente a empresas fabricantes e exportadoras de produtos manufaturados, a título de estímulo fiscal, créditos tributários sobre exportação, a serem deduzidos do valor do IPI incidente sobre as operações no mercado interno. Posteriormente. ti C, ft,re. 4 e. • • .2e CC-MF -••...c;:1-w. Ministério da Fazenda NSEGUDO CONS Fl. tai-n,i'lt Segundo Conselho de Contribui kr &HO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O OR.C.NAL / 0/2, /7009; Processo n2 : 13881.000102t2004- asi;:a. Recurso ng : 134.994 thilo reosa Acórdão n2 : 201-80.055 Ma!: Shape 91745 como se verifica do arcabouço legal regente, o beneficio foi estendido a produtos nacionais sem qualquer discriminação. O que se suscita, agora, é a vigência ou não do incentivo fiscal instituído, sobretudo diante das decisões do Supremo Tribunal Federal e da Resolução n2 71/2005 do Senado Federal. Disso nos colocamos diante da situação jurídica de fato. O que temos que buscar, logo, é a melhor inteligência sobre o crédito-prêmio, retiradas do ordenamento jurídico as expressões, tal como no art. 1 2 da Resolução: "Art. 1° É suspensa à execução, no art. 1° do Decreto-Lei n° 1.724, de 7 de dezembro de 1979, da expressão 'ou reduzir, temporária ou definitivamente ou extinguir', e, no inciso Ido art. 3 41 do Decreto-Lei n°1.894. de 10 de novembro de 1981, das expressões 'reduzi- los' e 'Suspendê-los ou extingui-los', preservada a vigência do que remanesce do art. 1° do Decreto-Lei n°491, de 5 de março de 1969." Claramente a intentio legis, além de proferir sua eficácia ex tunc à declaração de inconstitucionalidade, é a de fazer valer o que remanesce do art. 1 2 do Decreto-Lei n2 491/69, de onde se pode deduzir que o beneficio em análise estaria em vigor e deveria, portanto, ser aplicado ao presente caso. Entretanto, em que pese ser este o meu entendimento acerca do direito em si, tenho buscado verificar nos autos dos processos submetidos ao meu escrutínio a verdade material dos fatos, qual seja, a evidência nestes autos da documentação necessária para a comprovação da origem do crédito a que se refere o pedido de ressarcimento em análise. Isso para atender ao princípio da verdade material, caríssimo ao processo administrativo. Quanto a esse princípio, bem asseveram Marcus Vinicius Neder de Lima e Maria Teresa Martinez López, in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, pag. 74, que: "Em decorrência do principio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade de apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado. Odete Madauar preceitua que 'o principio da verdade material ou verdade real, vinculado ao principio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos 1 No caso concreto, possível constatar a existência tão-somente de planilha, na qual foram digitadas informações sobre as exportações realizadas pela contribuinte (fls. 03 a 05) dessas operações. Nesse momento, importante para o presente julgamento discorremos sobre se essa listagem apresentada poderia ser considerada por esse Colegiado como sendo prova. Seguindo os mesmos doutrinadoresl: eko{ I NEDER, Marcos Vinícius e LÕPEZ, Maria Teresa Martinez, Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 21 edição, Ed. Dialética, São Paulo, 2004, pgs. 254 e 255. 5 • 24 CC-MF Ministério da Fazenda Fl. irfr-s.Z.0 . Segundo Conselho de ContribUin asF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -Ariffat, vir CONFERE COM O ORIGINAL Processo n2 : 13881.00010212004-3 Brasa& (:)q— I 7"91;it Recurso n2 : 134.994 Sadio Siqueira Safb0S3 Acórdão n2 : 201-80.055 Mat. Sep. 91745 "Entende-se por 'prova' os meios de demonstrar a existência de um fato jurídico ou de fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Giuseppe Chiovenda ensina que 'provar significa formar o convencimento do juiz, sobre a existência dos fatos - relevantes no processo'. Não há no processo administrativo fiscal federal, limitações referentes às provas que podem ser produzidas. Como regrai geral, predominam a prova documental, a pericial e a indiciaria. O artigo 332 do CPC estabelece que 'todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa'. Pelo fato de pautar-se o processo administrativo fiscal na materialidade, eis que não importa a intenção do indivíduo e sim a ocorrência do fato ou situação, a prova documental é o meio de maior uso: (negritei) O ônus dessa prova, no caso, recai sobre a contribuinte. Citando os mesmos doutrinadores, "a palavra ônus, do latim onus, significa carga, peso, encargo, obrigação": "Quando se indaga a quem cabe o ônus da prova, quer se saber a quem cabe a obrigação de prover os elementos probatórios suficientes para a formação do convencimento do julgador. No processo administrativo fiscal, tem-se como regra que aquele que alega algum fato é quem deve provar. Então, o ónus da prova recai a quem dela se aproveita. As partes não têm o dever de produzir provas, tão só o ónus. Não o atendendo, não sofrem sanção alguma, mas deixam de auferir a vantagem que decorreria do implemento da prova. O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito: ao réu. quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." 2 Nos casos em que estão em julgamento recursos relativos ao crédito-prêmio de IPI, severamente discutidos, e cuja própria validade da retromencionada Resolução do Senado Federal é contestada pelas autoridades fiscais, entendo como imprescindível, pelo menos até que o Egrégio Supremo Tribunal Federal venha a menifestar-se sobre a eficácia da Resolução do Senado Federal (o que de resto considero uma aberração juridico-institucional), a observância aos princípios do Direito Tributário do in dubio pro fisco e do Processo Administrativo da verdade material, e, por isso, voto no sentido de negar provimento ao recurso volutário. Sala das Sessões, em 28 de fevereiro de 2007. GLLENO G AO -BARRETO 41..4 I• Pd' IA 2 NEDER, Marcos Vinícius e LóPEZ, Maria Teresa tina, Processo Adinnuararsvo Fiscal Federal Comentada 22 edição, Ed. Dialética, São Paulo, 2004, pg. 170. 6 Page 1 _0040100.PDF Page 1 _0040200.PDF Page 1 _0040300.PDF Page 1 _0040400.PDF Page 1 _0040500.PDF Page 1
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Numero do processo: 13890.000213/96-30
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 1996
Data da publicação: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 1996
Ementa: IPI - NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. MULTA DO ART. 365, II, RIPI/82. Comprovada a existência de fato da fornecedora, não ficando sob dúvida os pagamentos efetuados através de cheques nominativos e deixando a fiscalização de intimar a contribuinte a apresentar outros elementos de prova (art. 4 da Portaria/MF nr. 187/93) é de se aceitar como idôneas as transações e a regular escrituração dos créditos destacados nas notas fiscais. PENALIDADE EM CADEIA. Inaplicável quando restou incomprovado que a denunciada participou dos possíveis ilícitos fiscais cometidos na cadeia negocial, anteriores às suas aquisições (conluio). DECADÊNCIA. Da mesma forma, se os fatos geradores reportam-se a tais documentos e aceita a legitimidade das operações, o lançamento é considerado homologado, na forma do disposto no art. 150, §4, primeira parte, CTN. Não restou demonstrada, cabalmente, a fraude que viciou o ato jurídico. Recurso provido.
Numero da decisão: 202-08926
Nome do relator: JOSÉ CABRAL GAROFANO
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O. U. 2c. De 30 /____Qh / 19 9+ •.010x MINISTÉRIO DA FAZENDA C 1-„ Rubrica Or4,4' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13890.000213/96-30 Sessão • 04 de dezembro de 1996 Acórdão : 202-08.926 Recurso : 100.006 Recorrente : IND. REUNIDAS DE BEBIDAS TATUZINHO -3 FAZENDAS S.A Recorrida : DRJ em Campinas - SP IPI - NOTAS FISCAIS INIDOSEAS. MULTA DO ART. 365, II, RIPI/82. Comprovada a existência de fato da fornecedora, não ficando sob dúvida os pagamentos efetuados através de cheques nominativos e deixando a fiscalização de intimar a contribuinte a apresentar outros elementos de prova (art. 4° da Portaria/MF n. 187/93) é de se aceitar como idôneas as transações e a regular escrituração dos créditos destacados nas notas fiscais. PENALIDADE EM CADEIA. Inaplicável quando restou incomprovado que a denunciada participou dos possíveis ilícitos fiscais cometidos na cadeia negociai, anteriores às suas aquisições (conluio). DECADÊNCIA. Da mesma forma, se os fatos geradores reportam-se a tais documentos e aceita a legitimidade das operações, o lançamento é considerado homologado, na forma do disposto no art. 150, § 4°, primeira parte, CTN. Não restou demonstrada, cabalmente, a fraude que viciou o ato jurídico. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: INDÚSTRIAS REUNIDAS DE BEBIDAS TATUZINHO 3 FAZENDAS S.A. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. • •as Sessõ ,s, e. I). §e dezembro de 1996 c tt rriStia o t. liveira Glasner Presidente ---"~""577 JoseCabr.rç o ano Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Carlos Bueno Ribeiro, Daniel Corrêa Homem de Carvalho, Oswaldo Tancredo de Oliveira, José de Almeida Coelho, Tarásio Campeio Borges e Antonio Sinhiti Myasava. (opr/) rs 1 • h-t• MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13890.000213/96-30 Acórdão : 202-08.926 Recurso : 100.006 Recorrente : IND. REUNIDAS DE BEBIDAS TATUZINHO -3 FAZENDAS S.A RELATÓRIO Consoante descrito no Auto de Infração (fls. 01/15), de 03.03.95, a ora recorrente é acusada de ter registrado notas fiscais, e aproveitados créditos do IPI, --- pela aquisição de vodca a granel ( 3.678.500 litros ) --- emitidas pela empresa INDUSTRIAL DE BEBIDAS SABARÁ LTDA; sendo que esta por sua vez registrou a aquisição de 4.095.150 litros do produto da empresa VOCAL IND. E COM. DE BEBIDAS LTDA. Em síntese: a VOCAL diz ter vendido 4.095.150 litros da vodca à SABARÁ, que por sua vez revendeu 3.678.500 litros a TATUZINHO. A aquisição da TATUZINHO corresponde a aproximadamente 90% do total da vodca que a SABARA diz ter adquirido da VOCAL. A fiscalização da Fazenda Nacional assevera que os Termos de Verificação Fiscal levaram à conclusão de que a VOCAL jamais forneceu vodca à SABARÁ, via de conseqüência, esta nunca vendeu o produto à TATUZINHO. Os autuantes vão mais longe, para que o produto não permanecesse no estoque escritural da TATUZINHO, esta simulou venda com isenção do IPI à uma "trading"- EXPORTADORA SANTA HELENA LTDA., sediada em Ponta Porã/MS - que se revelou firma de curta existência, com negócios inconsistentes, segundo consta dos Termos de Diligências. A SANTA HELENA, por sua vez, para "zerar" seu estoque escritural, simulou a exportação para o Paraguai. Prova do cabal ato simulado realizada pela exportadora é que as GEs checadas junto à CACEX-BB, se revelaram falsas. A fiscalização exige da TATUZINHO o crédito do imposto que entendeu ter sido aproveitado indevidamente, com multa de 150% prevista no artigo 364, inciso III, RIPI182. Quanto à escrituração das notas fiscais tidas como inidõneas, a TATUZINHO foi apenada com a multa prevista no artigo 365, inciso II, RIM182, sendo que os valores das mercadorias discriminadas nas notas fiscais foram corrigidos monetariamente, da data das emissões até a lavratura do Auto de Infração (cf. fls. 15 que demonstram os cálculos de atualização). Os fatos geradores (data das emissões fiscais) vão de 03/89 a 12/89 e o auto de Infração é de 03.03.95 2 c MINISTÉRIO DA FAZENDA át;31).• SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13890.000213/96-30 Acórdão : 202-08.926 Já no Termo de Verificação Fiscal (fls. 16/17) a fiscalização sustenta que a SABARÁ, supostamente, adquiria produtos a granel da VOCAL (vodca, aguardente e álcool) para aproveitamento dos créditos do IPI. Também consta do mesmo Termo, de acordo com o documentário fiscal apresentado, que a VOCAL adquiria tais produtos da empresa COMÉRCIO DE ÁLCOOL E AÇÚCAR PERISTOK LTDA. com sede em Maringá/PR. Pelas diligências levadas a efeito, a fiscalização concluiu que a empresa "PER1STOK" "nunca entrou em funcionamento, tendo inclusive seus talonários de notas fiscais sem uso sido extraviados". Por outro lado, a fiscalização afirma que a "empresa Vocal Ind. E Com. de Bebidas Ltda. em tempo algum foi responsável pela movimentação de mercadorias (entradas ou saídas de produtos a granel) nas dependências de seu estabelecimento" . Mais à frente escreve: "manifesta inidoneidade dos documentos fiscais emitidos pela empresa 'VOCAL' e utilizados pela fiscalizada para fruição de indevidas vantagens". Ressalta notório que a expressão 'pela fiscalizada' diz respeito à SABARÁ, e não à TATUZINHO, porquanto, como já descritos os fatos, a VOCAL nunca foi vendedora de vodca ou qualquer outro produto diretamente à ora recorrente. Isto é o que a fiscalização atesta nos autos do processo. No final das transações comerciais --- venda da vodca à trading EXPORTADORA SANTA HELENA LTDA --- pelo fato de a fiscalização ter asseverado que esta era empresa "de curta existência com negócios inconsistentes", vale destacar o Termo de Diligências (fls. 429/431) a informação prestada, em 12.12.94, pelo Sr. Agente da Secretaria da Fazenda em Ponta Porã/MS. Em sua impugnação tempestiva (fls. 371/380), como matéria preliminar diz haver operado a decadência fiscal, nos termos do artigo 173 do CM, uma vez que o Fisco só constituiu o crédito tributário em 03.03.95. Quanto à matéria de mérito sustenta a efetividade das operações, do finnionamento regular das empresas, existências de fato e direito e seu fornecedor e que os assentamentos contábeis não merecerem reparos. A fiscalização nada apurou contra a impugnante, tão-somente suspeitou e circunstanciou provas contra a VOCAL e SABARÁ. Do mesmo modo procedeu quanto a SANTA HELENA e a TATUZINHO "está fora de tudo isto" e não pode fiscalizar os negócios havidos entre a SABARÁ e sua fornecedora. Não tem qualquer responsabilidade quanto à exportadora, visto esta estar regularmente constituída e registrada nos órgãos competentes. Entregou suas mercadorias para exportação e se a exportadora desvirtuou o negócio, a autuada não concorreu com o fato ilícito. 3 , - .91.4Ws MINISTÉRIO DA FAZENDA ‘rieg'0`.1; SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13890.000213/96-30 Acórdão : 202-08.926 Deveria a SANTA HELENA, se fosse o caso, responder pelos encargos decorrentes, na forma do disposto no artigo 42 do RIPI/82. Quanto à aplicação das multas, assevera que a fiscalização não apurou contra a TATUZINHO nenhuma das três circunstâncias qualiflcadoras (sonegação, fraude ou conluio) que justificasse aplicação da multa prevista no artigo 364, III, RIPI/82. O Sr. Delegado da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, através da Decisão n. 11175/03/GD/2013/95 (fls. 508/521), indeferiu parcialmente os termos da impugnação --- vez que excluiu da exigência originária a atualização monetária da multa disposta no artigo 365, II, RIPI/82, o que é objeto do recurso de oficio contido nos autos do Processo n. 10865.000. 184/95-53 --- consubstanciada na seguinte ementa: "UTILIZAÇÃO DE NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS - A utilização de notas fiscais que não correspondam à efetiva salda das mercadorias dos estabelecimentos emitentes, além da glosa do crédito indevido, resulta, cumulativamente, na aplicação da multa proporcional ao imposto não recolhido, majorada pela circunstância qualcativa (art. 364, III, RIPI/82) e da multa igual ao valor comercial atribuído às mercadorias (art. 365, II, RIPI/82)" Quanto à preliminar de decadência, o julgador singular diz que ao caso presente I se aplica o disposto no artigo 150, § 40, do CTN, e não as regras da decadência ínsitas no artigo 173 do Código, visto restar demonstrada a ocorrência de fraude. Em suas razões de recurso (fls. 531/535), de plano, sustenta os argumentos já oferecidos na petição impugnativa e a preliminar de decadência fiscal. Diz que o julgador singular decidiu de forma simplista ao rejeitar a preliminar quando limitou-se a asseverar que o IPI é um imposto lançado por homologação, pelo que se aplica o disposto no artigo 150, § 4° do CTN e, por existência de fraude inocorreu o prazo extintivo de 05 (cinco) anos. Mesmo que se aceitasse a tese da decisão recorrida, o lapso decadencial de 05 (cinco) anos deveria ser contado na forma da primeira parte do § 4 0, artigo 150 do CTN, isto é., a partir da ocorrência do fato gerador, uma vez que a fraude não está provada nos autos. Se a acusação é de ter recebido notas fiscais inidôneas, emitidas por empresas em situação irregular, o tipo penal só poderia estar dirigido ao conluio. É a acusação de infração I pela entrada da mercadoria e nada tem a ver com a empresa responsável pela exportação do produto. A fornecedora existia de fato e de direito quando das operações comerciais, pelo que ato ilícito por ela cometido não pode recair sobre a denunciada. Por fidelidade aos argumentos de defesa que atacam a decisão recorrida, transcreve-se os principais trechos da petição de recurso: 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA -.4 Psiu SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13890.000213/96-30 Acórdão : 202-08.926 " Em resumo, a apenação é pelo recebimento das notas e escrituração dos créditos e não pela saída da mercadoria Inocorreu a fraude, como define o artigo 355, do RIPI/82, assim como o parágrafo 4° do artigo 150 do CTIV, não se refere a conluio, única hipótese, mesmo que absurda, poderia ser indevidamente explorada pela fiscalização. A prevalecer o prazo de modalidade de lançamento contido no artigo 150, parágrafo 4°, do CT1V, também o termo final seria em 31.12.94, uma vez que dezembro de 1989 é a data do último fato gerador, e, como dito e repisado, não restou comprovada qualquer circunstância qualifkadora, ainda mais o conluio que nem consta do texto legal Fraude, hipótese ainda mais absurda !!! (.) A fornecedora da vodca a granel, INDÚSTRIA DE BEBIDAS SARARÁ LTDA., é empresa tradicionalmente conhecida no mercado como fabricante da VODCA BAKUNIN e as transações comerciais entre a mesma e a Recorrente vem de longa data, sem que houvesse qualquer motivo que pudesse por em dúvida a conduta exemplar da vendedora As operações mercantis de rotina são caracterizadas por aquisição do produto a granel, revendido no mercado interno e/ou destinado às habituais exportações. Por outro lado, se houve eventual transação irregular entre a INDÚSTRIA DE BEBIDAS SABARÁ LTDA. e sua fornecedora, a VOCAL IND. E COM DE BEBIDAS LTDA., o fato não diz respeito à Recorrente, uma vez que não sabia, como não poderia saber, de qualquer conduta ilícita entre as mesmas, se é que ocorreram. Nas ditas operações questionadas pelo Fisco a Recorrente é terceira que agiu de boa fé A R Decisão recorrida vai mais além, traz aos autos a possível situação irregular da empresa COMÉRCIO DE ÁLCOOL E AÇÚCAR PERISTOK, que era tida como fornecedora do produto à VOCAL, esta por sua vez teria vendido irregularmente à SABARA e por conseqüência, também seria duvidosa a venda desta última à TATUZINHO. Haja imaginação e criatividade para se fazer juízo de culpa contra a ora Recorrente; esta 'seria' a quarta empresa na cadeia negociai, tese esta que o Segundo Conselho de Contribuintes afasta, manifestando-se neste sentido em inúmeros arestos que são domínio dos Ilustres Conselheiros. 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES a4.13Fr r>4." r Processo : 13890.000213/96-30 Acórdão : 202-08.926 E não para por aí, a fiscalização e a 1?. Decisão recorrida tentam trazer à Recorrente a autoria de possíveis ilícitos tributários cometidos por terceiros. Prova disto é quando a Decisão singular insiste na existência de 'operações fraudulentas por triangulações de tal modo que, investigado o fornecedor (revendedor), este possa alegar que adquiriu mercadoria de outrem... Nada mais fugidiço, porque da forma como o Julgador singular fundamentou o decisório, por ilação ou construção fantasiou:, foi além da imaginação ao tentar demonstrar não uma operação triangular e sim uma operação pentagular, na medida em que trouxe, pelo inaceitável método empírico, a cadeia negociai de 05 (cinco) empresas, sem estabelecer de forma irrespondível o conluio entre todas elas, que existiam juridicamente e de fato à época dos negócios inquinados de irregulares. Vale trazer, a título de exemplo, o entendimento atual do E. Segundo Conselho de Contribuintes, consubstanciado em duas ementas: "IPI - Mercadorias estrangeiras adquiridas no mercado interno - A responsabilidade pela introdução clandestina no Pais, de mercadoria de procedência estrangeira não pode ser imputada, em cadeia, a todos quantos participaram de transações com ela relacionadas, salvo se comprovada sua participação ou conhecimento da prática da irregularidade, o que, na hipótese, rido ocorreu." Ac. 201-67.395, de 18.09.91. "IPI - Utilização e registro de notas fiscais que não correspondem à efetiva saída do estabelecimento remetente das mercadorias nelas descritas. Remetente estabelecido e remessa com documentação regular: o fato de haver adquirido de terceiros, irregularmente, as mercadorias, importa apenação em cadeia, que não pode atingir a terceiro destinatário." Ac. 202-07.058, de 20.09.94. Ora, para o primeiro aresto, não pode ser apenado o terceiro de boa fé por aquisição de mercadoria estrangeira internada irregularmente no território nacional; muito mais se aplica o entendimento sobre mercadorias de procedência nacional, porque aqui nem se cogita em internação irregular (descaminho) e, em nenhuma hipótese pode-se aplicar pena em cadeia para produtos aqui industrializados, que, repisa-se, eram provenientes de empresas legalmente constituídas e de existência de fato. Quanto ao segundo aresta cai como uma luva para agasalhar a tese da Recorrente. No que concerne à traiding, EXPORTADORA SANTA HELENA LTDA., é uma firma de comércio exterior que tem vida regular e com registro em todos os órgãos competentes, que são incumbidos de credenciar e fiscalizar a atividade. A documentação juntada aos autos quando do oferecimento da impugnação provam à saciedade a existência e regularidade da empresa. 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA frigiN"t..g. ‘`:41‘114e;(' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13890.000213/96-30 Acórdão : 202-08.926 Agora, se durante a sua vida cometeu ilícitos, como quer a fiscalização, os mesmos não podem ser imputados à Recorrente, visto que aquela recebeu as mercadorias para exportação, mas, se não o fez vendendo-as no mercado interno, deve responder isoladamente pela falta. Aliás, muito embora os ilustres AFTNs não pouparam tempo e palavras para acusar a SANTA HELENA, a Recorrente tem informações seguras que nenhum feito fiscal foi levado a efeito contra a mesma. Porque lançar sobre os ombros da Recorrente a pecha de ter cometido irregularidades, para as quais não tenha concorrido? (..)" Por fim, pede pela exclusão dos encargos da TRD, cobrados a título de juros de mora no período anterior a01.08.91 (Lei n. 8.218/91). Nas contra-razões o Sr. Procurador da Fazenda Nacional (fls. 545/546) assevera que quanto ao lado fático não há nada a acrescentar, vez que foi amplamente analisado pela decisão recorrida. Em relação à preliminar de decadência, andou bem a autoridade julgadora ao tipifica-la no artigo 150, § 4°, CTN. Restou demonstrada a fraude, da forma como foi denunciada pela fiscalização. Diz que: "Os negócios da recorrente são vultosos e, mesmo que a lei não lhe impusesse a necessidade de verificar a regularidade das empresas com quem transacionou, é evidente que essa verificação constitui praxe comercial a que ela não poderia frustar-se. A exceção, como se sabe, não justifica a regra. A conduta da recorrente tipifica a fraude e, nesse caso, sendo o lançamento por homologação, a decadência é regida pelo artigo 150, par. 4°, do CTN, e não pelo seu art. 173." É o relatório. 7 wWC -w MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13890.000213/96-30 Acórdão : 202-08.926 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR JOSÉ CABRAL GAROFANO O recurso voluntário foi manifestado dentro do prazo legal. Dele conheço por tempestivo. A decisão recorrida e o Sr. Procurador da Fazenda Nacional entenderam que ao caso não se aplica a decadência tributária, da forma como está disposta no artigo 173 do CTN, sendo que deve prevalecer o comando ínsito no artigo 150, § 4°, in fine, do Código, vez que restou comprovada a materialidade da fraude fiscal e o MI ser tributo de natureza declaratória. Concilio meu juízo com as autoridades fazendárias, na medida que aceito ser o EPI um imposto de natureza declaratória e o poder impositivo tem 5 (cinco) anos para homologar o valor informado ou constituir de oficio o crédito tributário, contados da ocorrência do fato gerador. Por isto, não se aplica a regra contida no artigo 173 que se destina aos casos em que não há declaração do sujeito passivo, que devesse ou não ser homologada pela autoridade fiscal. Na medida em que o sujeito passivo escriturou notas fiscais tidas como inidôneas e aproveitou seus créditos de IPI, tal procedimento prejudicou o imposto devido --- que é o resultado dos débitos pelas saídas menos os créditos básicos pelas compras --- em determinado período, o que, via de conseqüência, reduziu o imposto a ser recolhido aos cofres públicos. Este é o endereço da norma fiscal contida no Código e se deve aplicar quando o Fisco não concorda com os valores apurados e declarados pelo contribuinte, e de oficio, constitui o crédito tributário no montante que considera insuficiente em cada período de apuração. Antes de mais nada deve-se concluir pela ocorrência ou não de fraude nas operações comerciais impugnadas pelo Fisco, o que conduz o julgamento do mérito em primeiro lugar, vez que a preliminar deve fixar o entendimento que for dado ao questionamento da inexistência real dos negócios e a ilegitimidade das notas fiscais. Disto decorre, por conseqüência, que se aceita a idoneidade das operações mercantis, ao caso se aplicará o comando integrante da norma contida no artigo 150, § 4° primeira parte, do CTN O lançamento será considerado homologado em cinco anos contados a partir da data de cada período de apuração. Pela documentação e Termos de Diligências juntados pelo autuante, o que efetivamente não ficou sob dúvida foi a existência de fato das empresas SABARÁ e VOCAL, que emitiram as notas fiscais na época dos negócios indigitados de inidôneos pela Fazenda Nacional. Sobre tais circunstâncias desnecessário tecer maiores comentários, vez que as provas produzidas 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA 45,Vel SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4;;44.- • Processo : 13890.000213/96-30 Acórdão : 202-08.926 pela própria fiscalização são concludentes no sentido que elas operavam regularmente com o tipo de mercadoria, descrita nas notas fiscais in comento. Várias vezes expressei meu juízo sobre esta matéria --- restringe-se à produção de provas --- e continuo entendendo-a da mesma forma, visto os dois fatores tenho como determinantes. O primeiro é saber se as emitentes das notas fiscais existiam de fato quando das transações comerciais com a apelante e, se a fiscalização comprovou, cabalmente, que os negócios foram simulados, criados como o único expediente de praticarem ilícitos tributários. O segundo é saber se a recebedora-denunciada das notas fiscais participou de alguma forma das transações irregulares ou ainda, se tinha ou poderia ter conhecimento da real situação das empresas- vendedoras. As duas condições operam cumulativamente. Já sustentei que os comandos legais da Portaria/MF n. 187, de 26 de abril de 1.993, foram dirigidos exclusivamente à fiscalização para a apuração de ilícitos desta natureza, e os procedimentos administrativos --- de compulsória observância --- contidos no citado normativo passaram a ser ônus processual da fiscalização. Isto quer dizer que a norma legal impõe no seu artigo 4° - "Sempre que, no decorrer da ação fiscal, forem encontrados documentos emitidos em nome das pessoas jurídicas referidas no art. 3°, o contribuinte sob fiscalização deverá ser intimado para comprovar o efetivo pagamento e recebimento dos bens, direitos, mercadorias ou da prestação de serviços, sob pena de: ...II) ter glosado o crédito fiscal originário de documento inidâneo;..." Como dito, os autuantes deveriam intimar a recebedora das notas fiscais a comprovar a materialidade das operações que considerava fictícias. Contudo, nos autos não há notícia de tering que tenha intimado a adquirente a prestar tais informações ou apresentar documentos hábeis e idôneos. Tanto na petição impugnativa como no recurso voluntário a denunciada sustentou que pagou regularmente suas compras, através de cheques nominativos e recebeu as mercadorias ( conforme "Relação dos conhecimentos de fretes no transporte de vodka"- fls. 468/474). Não observando o comando da Portaria/MF n. 187/93, a fiscalização deixou de intimar a fiscalizada a comprovar a efetividade das operações, que, como já visto, é seu ônus processual para confirmar sua suspeita de ocorrência de negócios fictícios realizados entre a TATUZINHO e a SABARÁ. Ainda mais, se a fiscalização entendeu que a fraude se iniciou com a PERISTOK, que emitiu nota fiscal inidônea a favor da VOCAL; esta por sua vez repassou os créditos fiscais à SABARA; que também os transferiu a TATUZINHO; que por fim deu baixa em seu estoque escriturai como venda simulada à exportação através da SANTA HELENA, era sua obrigação comprovar a total ilicitude contida na cadeia negociai. 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA 0:40 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES flIrra Processo : 13890.000213/96-30 Acórdão : 202-08.926 Compulsando detidamente o processado, com relação às empresas vendedoras antecedentes à TATUZINHO, só existe o TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL (fls. 16/17) -- muito embora este se refira a outros documentos ou constatações que não estão nos presentes autos -- que traz a conclusão dos autuantes no sentido de que a PERISTOK, que vendeu à VOCAL, nunca entrou em funcionamento e que seus talonários de notas fiscais foram extraviados e, que a vista do documentário da VOCAL a vodca jamais entrou na SABARÁ, ainda mais porque a empresa transportadora "TAC" jamais prestou serviço desta natureza entre as empresas. Como bem disse a recorrente, deveria restar comprovado o conluio, que nos termos do art. 356, do RIPI182 é: "o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas, naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 359 e 355" Assim , para o caso presente, o conluio seria a única forma ilícita que se praticada poderia ensejar a fraude (art. 355). No que respeita aos pagamentos efetuados pela denunciada à sua fornecedora e aos conhecimentos de transporte rodoviário (cf. relação de cheques já indicada), assim fundamentou a decisão recorrida: "Cumpre, ainda, assinalar que o pagamento, quando devidamente comprovado, por si só não tem o condão de representar a prova cabal da efetividade das operações comerciais descritas nas notas fuceis, vez que o pagamento, se efetivo, provaria apenas o desembolso financeiro vinculado às operações. Além da comprovação do pagamento, a exibição conjunta de outros documentos emitidos I ou visados por terceiros não vinculados às empresas acusadas, tais como: conhecimentos de transporte, registro de passagem dos produtos pelas barreiras estaduais, (quando pertinentes), controle de pesagem dos produtos, registro dos produtos no controle de estoque, controles de recebimento de mercadorias (p .CJC. controles de portaria), etc., podem representar indícios de confiabilidade das operações. Mas, sobretudo, para se obter a prova plena da regularidade das transações, é imprescindível que, através da documentação apresentada, fique inequivocamente demonstrado que o pagamento realizado corresponde à contrapartida de algo recebido." No presente caso, a evidência de que as notas fiscais emitidas pela SARARÁ tratam-se de 'notas frias', vale dizer, notas que efetivamente não correspondem à operação real de venda das mercadorias nelas discriminadas, emerge do conjunto de fatos apurados pela fiscalização e trazidos ao bojo dos autos, tido tendo a impugnante oferecido prova eficaz contrária à demonstração do autuante que, por isso, subsiste incólume a justificar a autuação." Como lido, no que respeita aos pagamentos realizados através de cheques nominativos a favor da vendedora, entendo que a autoridade fazendária aceita que foram efetivamente realizados, contudo, no seu dizer, só prestam para comprovar o "desembolso financeiro vinculado às operações". Não me parece que tenham ficado sob dúvida ditos desembolsos, vez que não se questionou a relação de "PAGAMENTOS EFETUADOS A INDUSTRIAL DE BEBIDAS SABARA LTDA - EM NCZS" (onde há menção de inclusão dos 10 e_ MINISTÉRIO DA FAZENDA ArtGgil SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13890.000213/96-30 Acórdão : 202-08.926 pagamentos efetuados à vendedora e aos respectivos transportadores; discriminando números dos cheques e nome dos bancos sacados - cf. fls. 435/437) trazidos junto à impugnação. Repisando, se a decisão recorrida entendeu que a denunciada não ofereceu I "prova eficaz contrária à demonstração do autuante"; por obediência aos precisos termos da Portaria/MIE n. 187/93, a fiscalização deveria intimar o contribuinte a apresentar todos os documentos que ela menciona e, não, transferir a este o ônus processual, diferentemente do que manda a lei. Se outras provas deveriam ser constituídas para comprovar a efetividade das operações mercantis, e após intimado o contribuinte não atendesse a comunicação, deixando do trazer ditas provas, ai sim, deveria ser declarada procedente a ação fiscal. A fiscalização da Fazenda Nacional deveria apurar quais pessoas se beneficiaram dos pagamentos, uma vez que não se os discutem, bem como, mesmo que por amostragem, deveria proceder ao rastreamento dos cheques emitidos pela apelante, destinados aos pagamentos das aquisições sob discussão. Não é do bom direito que alguém pague pelo que não recebeu ou não deve. Se houve efetivamente fraude fiscal, não tenho dúvidas que este procedimento levaria a fiscalização aos verdadeiros beneficiados pelos ilícitos tributários e seus mentores intelectuais. Cui Prodest ? A quem aproveitaria ? [ Pergunta que se costuma formular para insinuar que o provável autor de um ato criminoso é a pessoa que dele tira proveito]. Concluindo nesta parte. A meu juízo e principalmente por falta de observância a requisitos legais (artigo 4° da Portaria/MF n. 187/93), a fiscalização da Fazenda Nacional deixou de comprovar, cabalmente, a ocorrência da fraude, porquanto não restou demonstrado que os pagamentos foram fictícios e que a vodca não entrou efetivamente no estabelecimento industrial da denunciada Este Conselho de Contribuintes, sem dissensão nas três Câmaras, tem jurisprudência pacífica de que na ocorrência de ilícitos fiscais, não se aplica penalidade em cadeia, se não restar demonstrado de forma irrespondível a fraude, o que, diga-se I de passagem, aqui inexiste prova efetiva de conluio da recorrente com as demais empresas envolvidas nas operações de venda da mercadoria, tidas pela fiscalização como irregulares. Já quanto a trading EXPORTADORA SANTA HELENA LTDA. em primeiro lugar, o fato de a mesma "revelou-se firma de curta existência, com negócios inconsistentes", por si só não é o bastante para assegurar que as operações não se realizaram. Conforme se comprova na cópia do formulário de informações cadastrais ( cf. fls. 432 ) esta empresa só teve seu cadastro suspenso no Ministério da Fazenda em 08/92, assim como a Secretaria da Fazenda do Estado de Mato Grosso do Sul vistoriou o estabelecimento da exportadora na Av. Pres. Vargas, 278 - Ponta Porã atestando como "vistoriado conforme ordem n°53/67 de 30/09/93" - Apropriado para depósito de bebidas, cigarros, enlatados" --- como faz certo cópia de 11 .)15 01 . k. MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 13890.000213/96-30 Acórdão : 202-08.926 documento juntado às fls. 272 do Proc. n. 10865.000184/95-53. Sobre este documento, juntado à impugnação, não se pronunciou a decisão recorrida. Em segundo lugar, se houve fraude na emissão das GEs, deve responder pelo ilícito a SANTA HELENA; sendo que das quais consta que o produto foi remetido pela apelante e a continuidade do negócio passou a ser da exportadora. Não restou demonstrado nos autos que a denunciada tenha participado da emissão das GEs falsas. Aplicação do artigo 42, RIPI/82. Em terceiro lugar, a responsabilidade da recorrente se encerrou com a entrega do produto à exportadora e, como já exaustivamente falado, restou incomprovado que a remetente não recebeu as mercadorias da SABARÁ e que utilizou o artificio de dar saída com isenção do IPI, por se destinarem à exportação, com o único objetivo da "zerar" seu estoque escriturai. Nos termos do artigo 137 do CTN, a infração à lei tributária praticada com dolo é responsabilidade pessoal do agente. Não restou demonstrado, cabalmente, que a apelante tenha agido de conluio com os verdadeiros infratores, no intuito de se beneficiar por tais atos ilícitos. Para mim, como reza o Código e como conceitualmente aceito pela doutrina, à espécie, não é o adquirente das mercadorias o agente infrator. Nestes casos, já para o Direito Romano o agente do crime era sobre quem restasse demonstrado, de forma irrespondível, a conscientia fraudis [consciência da fraude]. As excludentes arroladas no inciso I, r parte do citado artigo, são de notória procedência, exibindo legitimidade e validade em qualquer ramo do direito, inclusive do criminal. Facultado ao julgador a devida liberdade para formar seu convencimento, que decorre da apreciação de todos os elementos contidos nos autos do processo e, pela significativa liberalidade com que o legislador consagrou o princípio in dubio contra fiscum , gravado no ânimo do artigo 112 do Código Tributário Nacional - CTN, voto o sentido de ACOLHER A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA, nos termos do artigo 150, § 4°, primeira parte, do Código, vez que não restou demonstrada, cabalmente, a ocorrência de fraude que viciou o ato jurídico, e que tenha sido praticada pela apelante. Sala das Sessões, em 04 de dezembro de 1996 JOSÉ ---n1Pn - *FANO 12
score : 1.0
Numero do processo: 13709.002281/92-29
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 1993
Data da publicação: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 1993
Ementa: IPI - ISENÇÕES - Máquinas, aparelhos e equipamentos, destinados ao processo produtivo do adquirente (DL nº 2.433/88): não é o caso dos cilindros de ferro utilizados pelo adquirente na embalagem de seus produtos. Não se trata de máquinas, aparelhos ou equipamentos; tampouco se destinam ao "processo produtivo" do adquirente, como exige aquele diploma. Recurso negado.
Numero da decisão: 202-06263
Nome do relator: Oswaldo Tancredo de Oliveira
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SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '''''' Rubrico. Processo no 13709.002281/92-29 . .-- SessMJ no 09 de dezembro de 1993 ACORDA° no 202-06.263 Recurso rici 91.695 Recorrente: MAT-INCENDIO S/A - ENGENHARIA DE INCENDI° Recorrida e DRF NO RIO DE 3ANEIRO - R3 IPI - ISENÇOES - Máquinas, aparelhos e • equipamentos, destinados ao processo produtivo do adquirente (DL np 2.433/33) rao é o caso dos • cilindros de ferro utilizados pelo adquirente na embalagem de seus prod(rlos. Wro se trata de maquinas, aparelhos ou equipamentos 1 tampouco se destinam ao "processo produtivo" do adquirente, COMO exige aquele diploma. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MAT-INCENDIO S/A - ENGENHARIA DE INCENDI°. ACORDAM os Membros da Segunda Cftmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AL~Ites os Conselheirts. TERESA CRISTINA GONÇALVES PANTWA e jOW ANTONIO AROCHA DA CUNHA. Sala das Sessffes, em 09 1G, dezembro de 1993. / HELVI1 ES,OWIDO BAELLLOS - Presidente U-ifat-tE OSVALDO TANCREDO DE oLr - Relator nas, 4 ADRIANA C CFR - -ARVALHO - Procuradora-Repre- sentante da Fazen- da Nacional VISTA EM SESSRO DE ti 6 „I AN 19 94 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ELIO ROTHE„ ANTONIO CARLOS BUENO RIBEIRO, 30SE ~TONTO AROCHA DA CUNHA, TARASIO CAMPELO BORGES e jOSE CABRAL GAROFANO. /ovrs/ 1 • 31A/ J-, k : '. MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO „ .. -NT-% 4 At .,: :•. ."•:42,.....' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo no 13709.002261/92-29 Recurso no: 91.695 AcOrdWo no: 202-06.263 Recorrente: MAT-INCENDIO S/A - ENGENHARIA DE INCÊNDIO RELATORI O • Na descriçab dos fatos que ensejaram o procedimento de que estamos tratando, declaram os autuantes que fo:i constatado, na empresa acima identificada, que a mesma industrializa recipientes para gases comprimidos ou liquefeitos, . de ferro fundido ou aço (cilindros), classificados na Tablela de Incidencia do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI/88) na posiçao 7311.00.0199, aliquota de 10%p que, nos meses de •junho/88 a dezembro/08, deu salda aos referidos produtos para • várias empresas, sem lançamento do referido imposto nas notas fiscais emitidas, sob a alegaçao de que as referidas vendas se achavam acobertadas pela isençao prevista no art. 17 do Decreto- Lei n2 2.433/88, alterado pelo Decreto-Lei no 2.451/88p que, •todavia, se trata de embalagens retornáveis, utilizaddas para • acondicionar as mercadorias fabricadas pelas empresas tCfl das citadas embalagens, para transporte e revenda, nao abrangidas, pois, no conceito de "máquinas e equipamentos" destinados ao processo produtivo previsto na Portaria n2 851/79, Parecer Normativo CST no 19/83 e conforme exige o Decreto-Lei ng 2.451/88. Em virtude de tais fatos, foi exigido 'o Imposto sobre Produtos Industrializados julgado devido, tudo conforme formalizado no auto de infraçXo de fls. , no qual se acham discriminados os valores exigidos, a titulo de imposto, 0nus moratório (inclusive TRD Acumulada) e multa proposta, bem como a fundamentaçgo legal da exigOncia, conforme dispositivos do regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto no 87.981/82 (RIPI /82), além da legislaç go específica. Anexo, ao auto de infraçao, demonstrativos da notas fiscais levantadas, bem como dos valores exigidos. Em impugnaçao tempestiva, a autuada se insurge 'mitra a exigOncia, contestando a legalidade da Portaria no,, 851/79 e Parecer Normativo CST n2 19/88, sobre o conceito de máquinas e equipamentos destinados ao processo industrial, invocados no auto de infraçao, ClAjOS atos diz terem sido editados sob a égide do Decreto-Lei no 1.335/74, o qual foi revogado pelo Decreto-Lei no 2.433/88. Este exige apenas para a isençXo em causa que as máquinas e equipamentos sejam adquiridos "para 2 ,:sh i 4-• . !!!-- MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO ',.$ ' • V, 40k,'. SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo na: 13709.002281/92-29 Acórd'So np: 202-06.263 . ampliaçao ou modernizaçao de estabelecimento industrial", passando a exigir apenas que o bem fosse "destinado ao emprego no processo produtivo". Por outro lado, conforme preconiza o AI)-CST no 37/08, a Impugnante apenas exigiu de seus encomendantes que estes fizessem constar dos seus pedidos de compras a invocada isenao, em face da destinaçao do produto adquirido - o que comprova mediante deciaraOes anexas. Diz mais que o autuante está transferindo a responsabilidade para o vendedor, ao arrepio do que normatiza o ,citado AD-CST no 37/88, o qual declara que, nas isençffes condicionadas à destinaçao do produto, deve ser observado o disposto no art. 42 de RIPI, que determina a responsabilidade do i adquirente pelo pagamento do imposto dispensado. Assim, conclui que a Impugnante nao pode ser responsabilizada pela isençao do IPI exigida pelos seus clientes, i COm base no Decreto-Lei n2 2.433/68. i In-for-maça:) fiscal, depois de mencionar os principais itens da Impugnaao, declarando que a autuaçao bas•ou-se na Portaria Ministerial no 651179, PH-CST n2 19/03 e Decretos-Leis nos 2.433 e 2.451, de 1988. Ali se declara que os recipientes para gases comprimidos de que cuidam os autos nado se acham abrangidos no conceito de máquinas e equipamentos, restrito apenas aos dos capítulos 64, 85 e 90, ainda assim, na condiçáo de Ato Deciaratório específico. As declaraçffes dos adquirentes, juntadas ao processo, nada significam, visto que os cilindros sao usados pelos seus adquirentes para embalagem e transporte de gases e, quando vazios, retornam aos fabricantes de gases, para nova utilizaçao. Sao, portanto, meras embalagens, nao podendo enquadrar-se como "máquinas e equipamentos" dos capítulos 84, 05 e 90, destinadas ao processo industrial, comi :1 sitie gua non para o gozo da isenao. Quanto à responsabilidade do adquirente, de que . "\fala o AD• CST no 37/02, isso só ocorreria no caso de J àescumprimento da destinaao exigida pela norma concedente do t.ieneficio. E óbvio que ai se supffe que exista a isenao„ para, depois, o descumprimento da =dia.) da mesma. No caso, a isenao nao existe desde logo, como já comprovado. Pede a manutençao do feito. --y ..) 30 .45III MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO -,,-;- - a i. ..,i.•• • - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES4,...,..... Processo no: 13709.002261/92-29 . :Acórdão no: 202-06.263 A decisão recorrida, depois de analisar os diversos aspectos da denúncia fiscal, impugnação e informação do autuante, diz que a simples declaração do adquirente de que o produto ê isento não exclui a responsabilidade do remetente e contribuinte do imposto. Invoca o texto do Decreto-Lei n2 2.433/88 e diz que o 'conceito de máquinas e equipamentos de que trata esse dispositivo é o mesmo referido no Decreto-Lei ng 1.335/74. Assim, o PN-CST no 19/83 continua em pleno vigor, visto que ele O interpretativo quanto A conceituação daquelas mAquinas e equipamentos. Por essas principais razffes, indefere a impugnação e mantém a exigéncia. Ainda irresignada, a Autuada apela tempestivamente para este Conselho, ainda invocando o texto do Decreto-Lei 02 2.433/88, que isenta os citados equipamentos, destinados ao processo produtivo. Discorda do entendimento fiscal, no sentido de que os cilindros são meras embalagens, ia que eles fazem parte da linha de produção de que fazem parte os gases. Reitera que a Portaria n2 851/79 e o PN-CST n2 19/83 se acham ultrapassados com a edição do Decreta-Lei no 2.433/80, o qual estendeu a isenção aos acessórios e sobressalentes das máquinas e equipamentos. Assim, os cilindros da posição 73.11.00.0199 se acham plenamente ao abrigo do beneficio fiscal. • Reitera a transferencia da responsabilidade para os adquirentes, em face das deciaraçffeS destes, nos termos do AD-CST na 37/88. Pede provimento do recurso. $1 r\ . E o relatório. \ 4 3/R ,L , me .. , 1/41s:dr, - • •k „,--... ., ., -..: MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO--. ; _ - .v': , 4:C . SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo no: 13709.002281/92-29 Acórdao no: 202-06.263 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR OSVALDO TANCREDO DE OLIVEIRA Conforme consta dos aut(Ds, a Recorrente deu Balda a recipientes para gases comprimidos ou liquefeitos, de ferro fundido ou aço (cilindros), classificados, como iá visto, 00 código 7311.00.0199 (TIPI/08). Esses produtos se destinavam a terceiros que, por sua vez, os utilizavam na embalagem de gases para transporte. Os produtos em quest go saíram do estabelecimento da Recorrente com isençgo do IPS, tendo sido invocado para tanto o disposto no art. 17 do Decreto- Lei n2 2.451/88 (nova redaçgo dada ao Decreto-Lei n2 2.433/88), o qual isenta do imposteN "... os equipamamentos, máquinas, aparelhos e : 1 nstrumentos... bem como os acessórios, sobressa- lentes e ferramentas que acompanham esses bens, quandoN I - adquiridos por empresas industriais para integrar o seu ativo imobilizado. desIj,n5j2s g Pallr2q2 ng PrPi=g PUldMflY2 2M RAl4?£:1954=I2 ¡ngust:rjal." (grifei). Note-se que esse Decreto-Lei ng 2.451/88 manteve a rela0o dos produtos abrangidos pela isen0o, tal e qual já constava do primitivo Decreto-Lei ng 1.335/74. ' O Parecer Normativo CST no 19/03 estabeleceu o conceito dos citados produtos, conceito que ainda prevalece, ia que eles permanecem os mesmos, a saber2 "Consideram-se máquinas e equipamentos, nos termos do disposto pela Nota (XVI-5) da TIPI... as diversas máquinas, aparelhos e insutrumentos --.. ‘,31\ classificados nos capítulos 84 e 85 ... bem como os instrumentos e aparelhos encontrados no ‘ capítulo 90." 5 ., S42 -, 01". 4; ,, . .,. kt .•e_a MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo no: 13709.002281/92-29 Ac6rd eão no: 202-06.263 . Desde logo, então, se verifica que os recipientes I de que cuidam os autos (código 73.11.00.0199) n go se acham acobertados pela isenção em causa. Por outro lados mesmo que abrangidos, seria preciso que se destinassem ao processo produtivo do adquirente, o que também n go é o caso, já que se destinavam à embalagem de I transporte dos produtos da dita adquirente. Assim, não Pá que se falar em isenção. O fato de haver deciaraOes dos adquirentes nesse 1sentido (direito à isenção) não altera a responsabilidade da Recorrente. A responsabilidade atribuída aos adquirentes, nos I termos do invocado Ato Deciaratório Normativo CST ng 37/88s só seria de se cogitar se se tratasse de produto favorecido pela • isonçgo de que se trata e ao qual tivesse sido dado destino diverso. Tratando-se de produto tributado, irrelevante o destino que lhe tenha dado o adqurientes visto que a responsabilidade da Remetente, ora recorrente, é inquestionável. Nego provimento ao recurso. Sal. das SessVies s em 09 de dezembro de 1993. I / . r • r, I OSVALDO TANCREDO DE OLIVEVA ///////: 6
score : 1.0
Numero do processo: 19482.720004/2013-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 29/06/2012
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO.
Devem ser acolhidos os embargos declaratórios quando presente contradição, omissão e obscuridade.
Numero da decisão: 3302-005.549
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
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OMISSÃO. Devem ser acolhidos os embargos declaratórios quando presente contradição, omissão e obscuridade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 48 2. 72 00 04 /2 01 3- 93 Fl. 2970DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3302003.516 que, deu provimento ao Recurso Voluntário para acolher o pedido de nulidade do Auto de Infração, por flagrante ilegitimidade passiva, considerando que o auto de infração foi lavrado contra quem não poderia sofrer a multa por cessão de nome, nos termos da ementa abaixo sintetizada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 29/06/2012 CESSÃO DE NOME. OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTES. MULTA PECUNIÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA. PESSOA JURÍDICA. Apenas a pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita à multa prescrita pelo artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Segundo a Embargante o v. acórdão embargado é omisso, posto que não foi especificado o tipo de vício no lançamento fiscal, se material ou formal. Em 14 de julho de 2017, foi proferido o despacho de fls. 2.9532.954 no sentido de admitir os Embargos de Declaração para seja dirimida a omissão suscitada pela Embargante. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator Os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional teve o exame de admissibilidade processado regularmente, dele tomo conhecimento. Conforme noticiado anteriormente, os Embargos de Declaração foram admitidos para sanar a omissão quanta natureza do vício que ensejou a declaração de nulidade do lançamento fiscal, se material ou formal. De fato há omissão no acórdão embargado, merecendo, assim, serem acolhidos os Embargos de Declaração para sanar a referida omissão. Pois bem. Conforme exposto anteriormente, foi dado provimento ao Recurso Voluntário para acolher o pedido de nulidade do Auto de Infração, por flagrante ilegitimidade passiva, Fl. 2971DF CARF MF Processo nº 19482.720004/201393 Acórdão n.º 3302005.549 S3C3T2 Fl. 3 3 considerando que o auto de infração foi lavrado contra quem não poderia sofrer a multa por cessão de nome prevista no artigo 33, da Lei nº 11.488/2007. Para este relator, o erro na identificação do sujeito passivo implica inobservância de requisito essencial estabelecido no artigo 142, do Código Tributário Nacional e, por conseguinte, nulidade do lançamento por vício material. Para melhor elucidar a diferença entre vício formal e vício material, trazse excertos do acórdão nº 3202000.633, Relator Luís Eduardo Garrossino Barbieri, os quais adoto como fundamento para considerar o presente vício como material: Muito bem. A anulação de um lançamento, por vício formal, decorre do descumprimento de alguma formalidade necessária para a exteriorização ao ato (requisitos do artigo 10º do PAF, por exemplo), ou de irregularidade observadas durante o seu processo de formação (fase do procedimento fiscal), ou até mesmo, o não atendimento aos requisitos concernentes à publicidade do ato (ciência). De outro lado, a nulidade de um lançamento, por vício material, decorre de um descompasso na aplicação da regramatriz de incidência tributária, seja no antecedente da norma (“motivação”), seja em seu consequente (“conteúdo”). Tal fato é de suma importância para o deslinde do processo, na medida em que a declaração de nulidade por vício material, afasta a aplicação do disposto no art. 173, II, do CTN, ficando impossibilitada a abertura de novo prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública impor uma nova penalidade. Diante do exposto, acolho os Embargos de Declaração para sanar o vício suscitado pela Embargante, contudo, sem modificação do resultado do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 2972DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.720635/2010-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão exarado pelo Carf, devem ser acolhidos embargos de declaração visando a saná-las.
GFIP. INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. DIFICULDADE NO PREENCHIMENTO DAS GUIAS. ALEGAÇÃO ESTRANHA À CONSTITUIÇÃO DO DÉBITO.
Constitui infração à legislação previdenciária apresentar nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIPs) com informações incorretas ou omissas.
O julgador deve verificar a adequação do lançamento em relação às normas vigentes, não cabendo observar situação de cunho pessoal no que se refere ao desconhecimento ou dificuldade para o correto preenchimento da GFIP.
Numero da decisão: 2301-005.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2301-003.229, de 22/11/2012, alterar o dispositivo para "Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Acompanharam a votação por suas conclusões os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira". Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
João Bellini Júnior Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão exarado pelo Carf, devem ser acolhidos embargos de declaração visando a saná-las. GFIP. INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. DIFICULDADE NO PREENCHIMENTO DAS GUIAS. ALEGAÇÃO ESTRANHA À CONSTITUIÇÃO DO DÉBITO. Constitui infração à legislação previdenciária apresentar nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIPs) com informações incorretas ou omissas. O julgador deve verificar a adequação do lançamento em relação às normas vigentes, não cabendo observar situação de cunho pessoal no que se refere ao desconhecimento ou dificuldade para o correto preenchimento da GFIP.
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ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão exarado pelo Carf, devem ser acolhidos embargos de declaração visando a sanálas. GFIP. INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. DIFICULDADE NO PREENCHIMENTO DAS GUIAS. ALEGAÇÃO ESTRANHA À CONSTITUIÇÃO DO DÉBITO. Constitui infração à legislação previdenciária apresentar nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIPs) com informações incorretas ou omissas. O julgador deve verificar a adequação do lançamento em relação às normas vigentes, não cabendo observar situação de cunho pessoal no que se refere ao desconhecimento ou dificuldade para o correto preenchimento da GFIP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2301003.229, de 22/11/2012, alterar o dispositivo para "Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Acompanharam a votação por suas conclusões os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira". Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. João Bellini Júnior – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 06 35 /2 01 0- 21 Fl. 359DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela União, representada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), respeitantes ao acórdão 2301003.229, de 22 de novembro de 2012. Os embargos restaram admitidos em face de contradição entre o resultado do julgamento e os fundamentos do acórdão embargado, pelo qual restou provido o recurso voluntário, por unanimidade de votos, nos termos do voto do relator, que por sua vez orientou seu voto por negar provimento ao recurso voluntário, mas concluiu, no mérito, por dar provimento ao recurso. É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior – Relator. Penso que as razões expostas pelo relator são suficientemente claras para que se possa verificar que seu voto orientouse por negar provimento ao recurso voluntário. Transcrevoas: DO MÉRITO 2. A autuação em questão deuse em razão de o sujeito passivo ter informado incorretamente nas GFIPs a ocorrência de exposição a agentes nocivos com o código n.° 8 (aposentadoria especial aos 25 anos) para contribuintes individuais. 3. Ocorre que, pelo que consta dos autos, é incontroversa a ocorrência do erro no preenchimento de tais guias, pois a própria recorrente, em seu recurso voluntário, pontua: "15. O erro que a recorrente cometeu ao preencher a GFIP foi punido com multa pecuniária. A recorrente considera esse fato um absurdo. Mas é o caso de indagar se essa multa pecuniária está prevista em lei. Entende a recorrente que o ato dito normativo que criou a obrigação acessória em causa, estabelece também a imposição de multa, nas hipóteses em que o formulário não é preenchido corretamente, como na espécie dos autos (...)." 4. Em suas alegações, a recorrente dispõe que os equívocos cometidos na GFIP não deveriam ter sido apurados com tanto rigor, pois tais incorreções ocorreram em razão da falta de conhecimento ou por dificuldade de preenchimento da guia. 5. Diante disso, entendo que não lhe assiste razão, pois a legislação previdenciária trata da obrigação acessória em Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10950.720635/201021 Acórdão n.º 2301005.359 S2C3T1 Fl. 3 3 questão, estabelecendose uma relação de obrigatoriedade e vinculação da atividade fiscal nessas situações. 6. Conforme a Lei 8.212/91, dentre as obrigações da empresa, está a de declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS, como segue: "Art. 32. A empresa é também obrigada a: IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) " 7. Dessa maneira, a autuação da entidade por informar incorretamente nas GFIPs a exposição a agentes nocivos para contribuintes individuais, não possui caráter discricionário, devendo a fiscalização aplicar a multa devida pelo descumprimento de obrigação acessória, como trata o art. 32A do dispositivo legal anteriormente citado " Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarse á às seguintes multas: (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009). I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009). II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei n° 11.941, de 2009)." 8. Ademais, a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é cediça nesse sentido, como transcrevo abaixo: "Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS DESCUMPRIMENTO MULTA POR INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória prevista em lei, a empresa deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. O descumprimento de Fl. 361DF CARF MF 4 obrigação acessória enseja a aplicação de multa punitiva conforme legislação de regência. Recurso Voluntário Negado. (Segundo Conselho de Contribuintes; Câmara.6; Turma Ordinária: Acordão:20090205;20601859)." 9. Assim, mantenho a autuação, restando legalmente motivada a exigência da multa em questão, pois entendo que a isenção atinente ao processo principal não alcança as obrigações acessórias. (Grifouse.) Voto, portanto, por ACOLHER os embargos de declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2301003.229, de 22/11/2012, alterar o dispositivo para “Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Acompanharam a votação por suas conclusões os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira”. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 362DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660456/2012-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.857
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1745; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.660456/201261 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401004.857 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente ALL NET TECNOLOGIA DA INFORMACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 04 56 /2 01 2- 61 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660456/201261 Acórdão n.º 3401004.857 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660456/201261 Acórdão n.º 3401004.857 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660456/201261 Acórdão n.º 3401004.857 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660456/201261 Acórdão n.º 3401004.857 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660456/201261 Acórdão n.º 3401004.857 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660456/201261 Acórdão n.º 3401004.857 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.018469/2009-48
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 30/11/2009
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-007.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 30/11/2009 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 84 69 /2 00 9- 48 Fl. 486DF CARF MF 2 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD 37.240.3271, lavrado contra o contribuinte identificado acima, consolidado em 30/11/2009, no valor de R$26.583,60 (Vinte e seis mil, quinhentos e oitenta e três reais, e sessenta centavos), em razão do contribuinte apresentar a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo o disposto no art. 32, IV, §5°, da Lei n° 8.212/91, c/c o art. 225, IV, do Regulamento da Previdência Social. De acordo com o Relatório Fiscal da multa aplicada, fls. 11/14, o valor de R$ 26.583,60 corresponde a 100% do valor da contribuição devida e não declarada, limitada, por competência, em função do número de segurados da empresa, observandose os limites mensais previstos nos §§ 4° e 5° do art. 32 da Lei n° 8.212/91, com redação dada pela Lei n° 9.528/97, c/c o art. 284, II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, c/c o art. 92 e art. 102 da Lei n° 8.212/91. O limite legal da multa estabelecido, por competência, em função do número de segurados da empresa, indicado no Anexo VI, foi apurado utilizando o multiplicador correspondente, constante do quadro integrante do §4° do art. 32 da Lei n° 8.212/91, vezes o valor mínimo previsto no art. 92 da Lei n° 8.212/91. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário na sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 18/09/2013, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2301003.719 (fls. 167/176), com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, na questão de mérito, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 Fl. 487DF CARF MF Processo nº 15504.018469/200948 Acórdão n.º 9202007.051 CSRFT2 Fl. 3 3 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM A MESMA MATÉRIA. Conforme a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP e o regime vigente à data do fato gerador aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 08/01/2014 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 09/01/2014, o presente Recurso Especial (fls. 178/187). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme Despacho s/nº, da 3ª Câmara, de 25/07/2016 (fls.190/193), considerados como paradigmas os Acórdãos nº 20601.782 e nº 240100.127. O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado do Acórdão nº 2301003.719, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN em 06/09/2016, o contribuinte apresentou, tempestivamente, 21/09/2016, suas contrarrazões (fls. 200/211). Fl. 488DF CARF MF 4 Em suas contrarrazões, alega que as duas multas têm naturezas distintas: a do art. 35A é incidente sobre a obrigação principal (valor devido não pago) e é multa por atraso no pagamento; já a do art. 32A é multa penal por não apresentar GFIP ou apresentála com erros de informação. Diz que a Recorrente, no caso a Fazenda Nacional, ao entender que, de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado seria o art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a multa prevista no lançamento de ofício (art. 44 da Lei nº 9.430/96), impõe uma multa mais gravosa ao contribuinte, indo na contramão do que dispõe o artigo 106 do CTN, que é o de beneficiar o contribuinte com uma multa menos gravosa. O processo foi então incluído na pauta de julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, em sessão de 26/09/2017, foi convertido em diligência, conforme Resolução nº 9202000.136, para que a unidade de origem da Receita Federal do Brasil prestasse informações acerca do andamento da obrigação principal que embasou a presente autuação em tela. Vejamos trecho do voto: “As questão objeto do recurso referese, resumidamente, a retroatividade benigna quanto à natureza das multas aplicadas nos autos de infração de contribuições previdenciárias após a MP 449/2008, convertida na lei nº 11.941/2009. Contudo, por tratarse de AI de obrigação acessória AIOA, para atribuir certeza ao crédito, conforme podemos identificar no relatório fiscal, foram lavrados Autos de Infração de Obrigações Principais conexos ao presente processo, qual seja: nº DEBCAD 37.248.3291, processo nº 15504.018471/200917. Em pesquisa aos sistemas não foi possível identificar decisão final acerca do referido processo.” Os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem em 24/11/2017, que prestou as informações contidas no despacho de fls. 473/475, destaquese: “13. À vista do exposto, o crédito tributário cadastrado com o nº 37.248.3291 poderá ser baixado no sistema informatizado deste órgão, tendo em vista a decisão judicial proferida no Mandado de Segurança nº 005649074.2010.4.01.3800, bem como o disposto art. 156, inciso X, do Código Tributário Nacional.” Dada a ciência da Resolução nº 9202000.136 e da Informação Fiscal (fls. 473/475) em 11/04/2018, o contribuinte não se manifestou e os autos retornaram ao Carf para prosseguimento. É o relatório. Fl. 489DF CARF MF Processo nº 15504.018469/200948 Acórdão n.º 9202007.051 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 190. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão Do mérito Em se tratando de AIOA importante descrever o resultado do Auto de infração correlato. Para isso o presente julgamento foi convertido em diligência por meio da Resolução nº 9202000.136, nos seguintes termos: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que sejam prestadas informações acerca do processo DEBCAD 37.248.3291, processo nº 15504.018471/200917. Em cumprimento a diligência a Receita Federal prestou os seguintes esclarecimentos fls. 472/475: 1. Tratase de solicitação encaminhada a esta Equipe, pela DRF/CFN, para que seja informada a atual situação do Auto de Infração AI nº 37.248.3291, tendo em vista solicitação do CARF. 2. O AI nº 37.248.3291 foi lavrado em 30/11/2009 para o lançamento contribuições incidentes sobre pagamentos realizados a segurados empregados a título de Abono, sob o código 132 – Abono Acordo Coletivo e código 85 – Abono, no período de 08/2005. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 13/21, referida rubrica constituise em parcela integrante do salário de contribuição, e, portanto, é base de cálculo para as contribuições devidas à Seguridade Social, nos termos da Legislação Previdenciária, art. 28 – inciso, I, da Lei nº 8.212, de 24/07/91 c/c art. 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048 de 06/05/1999. 3. Ainda de acordo com o Relatório Fiscal, o Regulamento da Previdencia Social – RPS, em seu art. 214, diz o seguinte; “§ 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: Fl. 490DF CARF MF 6 (...) “V – as importâncias recebidas a titulo de: (...) j) ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei. (destacamos) 4. À vista do dispositivo legal reproduzido, concluiu a fiscalização que incide contribuição previdenciária sobre os pagamentos realizados aos segurados empregados da empresa epigrafada, no período de 08/2005, pagamentos estes realizados sob a rubrica Abono, e em face de cumprimento à cláusula quarta do Acordo Coletivo de Trabalho firmado em 10/08/2005. 5. Oportuno informar que também foram lançadas no AI em análise as contribuições incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados contribuintes individuais, pessoas físicas, que prestaram serviços a empresa no período de 01/2005 a 12/2005. 6. O contribuinte apresentou impugnação, contestando somente a contribuição previdenciária que se originou do pagamento da rubrica denominada Abono Salarial. 7. Em conseqüência, os valores relativos ao levantamento referente à contribuição incidente sobre a remuneração paga aos contribuintes individuais foram transferidos do debcad nº 37.248.3291 para o debcad nº 37.324.6200. 8. Em 29/07/2010 o contribuinte impetrou o Mandado de Segurança nº 56490 74.2010.4.01.3800, visando provimento jurisdicional que declarasse a inexistência de relação jurídica que o obrigasse ao recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos a seus empregados a título de abono, desvinculado do salário e previsto em Acordo Coletivo de Trabalho. 9. O MM. Juiz do feito julgou procedente o pedido, e concedeu a segurança, conforme dispositivo ora transcrito; JULGO PROCEDENTE O PEDIDO E CONCEDO A SEGURANÇA PRETENDIDA, para declrar a ilegalidade do artigo 214, parágrafo 9º, inciso V, alínea “j”, do Decreto 3.048/99, no tocante à exigência de “lei” ali lançada, e para assegurar à impetrantes ANGLOGOLD ASHANTI BRASIL MINERAÇÃO LTDA. ANGLOGOLD ASHANTI CÓRREGO DO SITIO MINERAÇÃO S/A e MINERAÇÃO MORRO VELHO LTDA. o direito de excluírem da base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores pagos a título de abono, na forma prevista nos Acordos coletivos de Trabalho acostados às folhas 76 e 91, nos termos do artigo 28, parágrafo 9º, alínea “e”, item “7”, da Lei 8.212/91. 10. Inconformada com a decisão, a União aviou o recurso de apelação, o qual foi recebido no efeito devolutivo. 11. Em decisão publicada em 15/03/2016, o Desembargador Federal Novély Vilanova da Silva Reis negou seguimento à Fl. 491DF CARF MF Processo nº 15504.018469/200948 Acórdão n.º 9202007.051 CSRFT2 Fl. 5 7 apelação da União e à remessa de ofício, com a seguinte fundamentação; O recurso e a remessa estão em confronto com a jurisprudência do STJ e deste Tribunal (CPC, art. 557 e Súmula 253/STJ). Não incide a contribuição previdenciária sobre esse abono em virtude da excepcionalidade e transitoriedade do pagamento: AgRg no REsp 1502986/CE, r. Ministro Humberto Martins, 2ª Turma do STJ em 10.03.2015: 1. A jurisprudência do STJ firmouse no sentido de que não incide contribuição social sobre o abono pecuniário recebido em parcela única (sem habitualidade), previsto em acordo coletivo de trabalho. 2. Precedente idêntico: AgRg no REsp 1.386.395/SE, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19/09/2013, DJe 27/09/2013. 3. Outros precedentes: AgRg no REsp 1.235.356/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 22/3/2011, DJe 25/3/2011; REsp 1.062.787/RJ, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, julgado em 19/8/2010, DJe 31/8/2010; REsp 1.155.095/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/6/2010; REsp 1.125.381/SP, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe de 29/4/2010; REsp 819.552/BA, Rel. p/ acórdão Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe de 18/5/2009; REsp 840.328/MG, Primeira Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ de 25/9/2006, p. 241; REsp 434.471/MG, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ de 14/2/2005, p. 155. AC 001689920.2005.4.01.3400DF, r. Des. Federal Maria do Carmo Cardoso, 8ª Turma deste Tribunal em 07.08.2015: … 5. O abono recebido em caráter eventual e sem habitualidade, previsto em convenção coletiva de trabalho, não integra a base de cálculo do saláriocontribuição. 12. De acordo com consulta processual realizada pela INTERNET, sitio do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, a União não apresentou recurso em face da aludida decisão, o que culminou com o trânsito em julgado da mesma em 22/04/2016, e o retorno dos autos para o juízo de origem. 13. À vista do exposto, o crédito tributário cadastrado com o nº 37.248.3291 poderá ser baixado no sistema informatizado deste órgão, tendo em vista a decisão judicial proferida no Mandado de Segurança nº 005649074.2010.4.01.3800, bem como o disposto art. 156, inciso X, do Código Tributário Nacional. Fl. 492DF CARF MF 8 14. Diante do exposto, à DRF/CFN, em atendimento ao despacho de fls. 472. Ou seja, o resultado da diligência identificou que o AIOP foi julgado improcedente por força de decisão judicial em relação ao pagamento de ABONOS já transitado em julgado (conforme decisão acima transcrita). Em tendo levado a demanda ao judiciário em relação ao mérito dos fatos geradores, o contribuinte acabar por renunciar a sua discussão na via administrativa, valendo o resultado aplicado na via judicial para determinar a procedência dos fatos geradores no momento da execução dos julgados. Todavia existem outros fatos geradores também omissos que ensejaram a presente autuação, senão vejamos: 2.2 Deixou de registrar no campo "Remuneração sem parcela do 13° salário" da Guia, o valor de R$ 214,04 pago a titulo de beneficio concedido de Clube Recreativo (remuneração indireta), concedido ao seu empregado: Lincoln Silva Gerente, no período de 08/2005, através do "Minas Tênis Clube" e "Cruzeiro Esporte Clube", extraído da conta contábil: 5040999 Outros Apoio Administrativo. 2.3 Deixou de informar no campo "OCORRÊNCIAS", da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social GFIP, os códigos: 02 (exposição a agente nocivo aposentadoria especial aos 15 anos de serviço), 03 (exposição a agente nocivo aposentadoria especial aos 20 anos de serviço) e 04 (exposição a agente nocivo aposentadoria especial aos 25 anos de serviço), para os segurados empregados a seu serviço, cuja atividade seja exercida em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade fisica deste trabalhador e permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, nos termos dos artigos 57 e 58 da Lei n° 8.213 de 24/07/1991, no período de 08/2005, conforme discriminado nos "ANEXO III" e "ANEXO IV"que se constituem em parte integrante do processo administrativofiscal: AutodeInfração AI DEBCAD N° 37.248.3283, que recebeu o número de protocolo 15504.018470/200972, razão pela qual • não juntamos ao presente AutodeInfração AI, tendo o contribuinte recebido os referidos Anexos III e IV 2.4 Deixou de informar na GFIP segurados contribuintes individuais pessoas físicas que prestaram serviços a empresa sem vinculo empregaticio e respectiva remunerações, no período de 08/2005, conforme discriminado no "ANEXO II", que se constitui em parte integrante do processo administrativofiscal: AutodeInfração Al DEBCAD N° 37.248.3291, que recebeu o número de protocolo 15504.018471/200917, razão pela qual não juntamos ao presente AutodeInfração AI, tendo o contribuinte recebido o referido Anexo II. 3 Os valores omitidos foram apurados verificandose as Folhas de Pagamento, Livros Diários n° 124 a 129, Razão Contábil, Perfil Profissiográfico Previdencidrio PPP e demais Demonstrações Ambientais apresentadas pela empresa, relativos ao período de 01/2005 a 12/2005, analisados durante a ação fiscal. Fl. 493DF CARF MF Processo nº 15504.018469/200948 Acórdão n.º 9202007.051 CSRFT2 Fl. 6 9 Assim, em relação aos demais fatos geradores, não se observando a demanda judicial e não existindo qualquer argumentação no sentido de sua improcedência, devese se analisar o recurso especial da Fazenda Nacional. Recurso Especial da Fazenda Nacional Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. Fl. 494DF CARF MF 10 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 15504.018469/200948 Acórdão n.º 9202007.051 CSRFT2 Fl. 7 11 Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 496DF CARF MF 12 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Fl. 497DF CARF MF Processo nº 15504.018469/200948 Acórdão n.º 9202007.051 CSRFT2 Fl. 8 13 Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" Fl. 498DF CARF MF 14 do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso Fl. 499DF CARF MF Processo nº 15504.018469/200948 Acórdão n.º 9202007.051 CSRFT2 Fl. 9 15 resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referir se a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 500DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.720621/2008-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 02/06/2003, 04/07/2003
PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE.
Prescindível a realização de perícia quando cumpridas as formalidades processuais e presentes todos os elementos necessários ao conhecimento da matéria e à formação de convicção do julgador.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 02/06/2003, 04/07/2003
REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. DRAWBACK-SUSPENSÃO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
No caso de inadimplemento do Regime Aduaneiro de Drawback- suspensão, a Fazenda Pública poderá constituir o crédito tributário em até cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao do dia imediatamente posterior ao trigésimo dia da data limite para exportação.
Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 02/06/2003, 04/07/2003
REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. DRAWBACK-SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO. EFEITOS.
Verificado, em ação de fiscalização, que mercadoria importada com suspensão de tributos deixou de ser aplicada ou consumida no processo produtivo de mercadoria exportada sob o regime de drawback, modalidade suspensão, é cabível a exigência proporcional dos tributos que deixaram de ser recolhidos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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PRESCINDIBILIDADE. Prescindível a realização de perícia quando cumpridas as formalidades processuais e presentes todos os elementos necessários ao conhecimento da matéria e à formação de convicção do julgador. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 02/06/2003, 04/07/2003 REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. DRAWBACKSUSPENSÃO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. No caso de inadimplemento do Regime Aduaneiro de Drawback suspensão, a Fazenda Pública poderá constituir o crédito tributário em até cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao do dia imediatamente posterior ao trigésimo dia da data limite para exportação. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 02/06/2003, 04/07/2003 REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. DRAWBACKSUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO. EFEITOS. Verificado, em ação de fiscalização, que mercadoria importada com suspensão de tributos deixou de ser aplicada ou consumida no processo produtivo de mercadoria exportada sob o regime de drawback, modalidade suspensão, é cabível a exigência proporcional dos tributos que deixaram de ser recolhidos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 06 21 /2 00 8- 23 Fl. 376DF CARF MF 2 Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 0836.436, proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: Tratase do auto de infração de fls. 28, lavrado para fins de exigência de crédito tributário relativo a Imposto de Importação, juros de mora e multa de ofício, perfazendo, na data da autuação, o valor total de [...], tendo a fiscalização assim descrito os fatos: • O importador, por meio da DI’s nº 03/04628039 e nº 03/0565988 4, registradas em 02/06/2003 e 04/07/2003 respectivamente, submeteu ao regime aduaneiro especial de drawback, na modalidade suspensão 7.100 toneladas (base seca) de hidróxido de sódio (soda cáustica), classificável na Tarifa Externa Comum no código 2815.12.00, por meio do Ato Concessório nº 1778 01/0001596 de 31/10/2001, sendo que foi concedido o prazo de 01 ano e depois alterado através de Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10280.720621/200823 Acórdão n.º 3301004.643 S3C3T1 Fl. 377 3 aditivos até a data para a utilização dos bens no processo produtivo do beneficiário, sendo que ao seu término, deveria ocorrer a exportação; • Ocorre que findo o prazo estabelecido no regime, não tendo o beneficiário tomado nenhuma das providências elencadas no art. 342 do RA, resolvese a suspensão, exigindo os tributos devidos. Esses fatos são detalhados no relatório de auditoria fiscal de fls. 136 151, parte integrante do auto de infração, do qual se destaca o seguinte trecho: • Montamos as tabelas abaixo para facilitar a visualização da vinculação quantitativa SOMENTE para o Hidróxido de Sódio (Soda Cáustica) por ser matériaprima direta que compõem a Alumina Calcinada (Óxido de Sódio) exportada e ter o seu consumo na produção divergente com o consumo apontado nos três Laudos Técnicos (fls. 81 a 90 ) entregues pela empresa. • Esses três Laudos Técnicos entregues pela Alunorte informam que para cada 1.000,00 Kg. de Alumina Calcinada (Óxido de Alumínio) produzidos são necessários 100,00 Kg. de Soda Cáustica (Hidróxido de Sódio) isto é, 10% (dez por cento) e também informam que o consumo de soda cáustica tem perdas insignificantes. • Na prática acontece que verificando o que está informado no corpo de todas as Notas Fiscais de Saída da Alumina Calcinada da empresa Alunorte e que estão relacionadas no Relatório Unificado de Drawback (RUD) referente ao Ato Concessório fiscalizado n° 1778 01/0001596, constatamos efetivamente que para cada 1.000,00 Kg de Alumina Calcinada (Hidróxido de Sódio) (sic) produzidos foram necessários 80,00 Kg de Soda Cáustica (Hidróxido de Sódio) isto é, 8% (oito por cento), ocasionando uma quantidade de Soda Cáustica (Hidróxido de Sódio) no estoque final da empresa e que não foi utilizada na produção; • Para corroborar o indício de que essa sobra de soda cáustica no estoque foi utilizado para a produção de Alumina Calcinada para ser fornecida no mercado interno, detectamos a emissão de duas Notas Fiscais n° 8197 de 20/04/2003 (fl. 108) e n° 9006 de 28/08/2003 (fl. 109) de saída da empresa Alunorte, fornecendo Alumina Calcinado para a empresa Valesul Alumínio S/A, localizada no estado do Rio de Janeiro, sem informações a respeito de Ato Concessório de Drawback e sem estarem relacionadas no RUD (fls. 54 a 72). • Diante do exposto e da robustez das provas, consideramos que a porcentagem correta de utilização de soda cáustica na produção de alumina calcinada é de 8% (oito por cento); • Em anexo, para exemplificar, cópias de seis Notas Fiscais (fls. 102 a 107) que estão relacionadas no Relatório Unificado de Drawback Fl. 378DF CARF MF 4 RUD (fls. 54 a 72) do Ato Concessório fiscalizado atestando o consumo de Soda Cáustica (Hidróxido de Sódio). A empresa autuada foi cientificada do lançamento em 3 de outubro de 2008 (fls. 3), tendo apresentado, em 31 de outubro de 2008, a impugnação de fls. 153181, por meio da qual requer a improcedência do auto de infração, tecendo, entre outras, as seguintes alegações: Do índice técnico • O índice técnico de 80 kg de soda cáustica/t de alumina calcinada, utilizado pela fiscalização, é apenas estimado; que o índice real é variável e somente poderia ser apurado mediante extração, ao fim de cada mês, da média de consumo mensal, levando em consideração potência da circulação de energia, qualidade do produto, temperatura etc. • Deve ser feito o ajuste no cálculo de apuração acerca do insumo soda cáustica, pois o cálculo da fiscalização conforme demonstrado não está correto, posto que utilizado índice técnico divergente. Vendas no mercado interno • Nenhuma das importações autorizadas e com tributos suspensos em função dos Atos Concessórios fiscalizados tiveram as suas matérias primas ou insumos utilizados para a fabricação de produtos consumidos no mercado interno, o que deve ser apurado em perícia; • A impugnante efetuou vendas no mercado interno para a Valesul Alumínio S/A, através das Notas Fiscais nos 8197, de 20/04/2003 e 9006 de 28/08/2003, mas a soda cáustica consumida para atender estas vendas foram importadas no regime comum, com base nas seguintes declarações de importação: • A quantidade importada com pagamento de impostos, no total de 4.477,999, representa um montante bem superior ao que a fiscalização apurou como o de utilização no mercado interno. Ofensa ao princípio da reserva legal. • Há, no lançamento, ofensa ao princípio da reserva legal, já que a autuação foi baseada em portarias e comunicados do DECEX, que não possuem força de lei para descaracterizar o drawback e porque na legislação apontada pela fiscalização não se encontra tal dispositivo; • O descumprimento de regras contidas em portarias ou atos normativos equivalentes enseja no máximo infrações por desobediência a obrigações acessórias. • Como o auto de infração baseiase tão somente em descumprimento de portarias, o que em hipótese nenhuma poderia levar o contribuinte ao pagamento de tributo, deverá o lançamento ser considerado improcedente. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10280.720621/200823 Acórdão n.º 3301004.643 S3C3T1 Fl. 378 5 • Há ausência de tipificação legal correta e infringência ao princípio da legalidade e da tipicidade tributária; Competência do órgão concessor do benefício para revogar o incentivo. • Sem qualquer previsão legal não poderia o AC ser descaracterizado já que este foi reconhecido pela SECEX, somente este órgão poderia desconsiderálo. • Somente com o não atendimento à condição de exportar as mercadorias importadas é que a Receita Federal poderia pedir a cassação do regime ou descaracterizálo. Como essa hipótese não ocorreu, o auto de infração não pode prosperar. Decadência com base no artigo 150, § 4º, do CTN • Há ocorrência de decadência do lançamento de ofício e da prescrição do lançamento por declaração; • O desembaraço aduaneiro das mercadorias vinculadas aos atos concessórios fiscalizados ocorreu em diversas datas, tendo as DI objeto da autuação sido desembaraçadas em 16/06/2003 e 15/07/2003. • Como o lançamento ocorreu em 03/10/2008 há que se considerar que o lançamento é decadente, posto que passados mais de cinco anos da data de ocorrência do fato gerador. Assim, implementase o artigo 150, § 4°, do CTN. • A decadência se impõe, pois a Receita Federal tinha conhecimento dos fatos geradores desde o momento em que a DI foi desembaraçada, podendo lavrar auto de infração a qualquer tempo; • Ainda mais, quando a alegação do fisco se fundamenta na exclusão das referidas DI do Ato Concessório fiscalizado tornando o lançamento obrigatório desde a data de seu conhecimento, sendo incabível no caso a tese de que a decadência se contaria a partir do encerramento e conclusão do AC, pois se a ele a importação não pertence, sendo uma importação autônoma, então o curso da decadência e seu dies a quo tem curso normal de qualquer outro tributo sujeito a lançamento por homologação. • O entendimento que faz com que a decadência exija, no caso de tributo que seja lançado por homologação, o prévio recolhimento do imposto, e para que a contagem do prazo se inicie a partir do fato gerador, é exatamente o de ter a fazenda pública conhecimento da existência do fato. • No caso do drawback suspensão a Fazenda pública toma conhecimento do fato imediatamente no ato do desembaraço aduaneiro, tanto em relação a exportação como em relação a importação. Fl. 380DF CARF MF 6 • A fazenda toma conhecimento do fato gerador logo no desembaraço da DI, inclusive tendo registro de que essas importações estão atreladas a determinado AC de drawback, podendo desde aquele instante efetuar a fiscalização e exigir os impostos devidos, caso houvesse descumprimento/inadimplemento do regime, o que pode também ser verificado de forma full time. Observância do Comunicado DECEX 30, de 13.10.1997. • No Comunicado DECEX 30, de 13/10/1997, está previsto como se dará a homologação e a concessão do benefício. • O contribuinte, ao exportar todas as mercadorias importadas com o benefício da suspensão, cumpriu as regras de fundo previstas para o Ato Concessório e por esse motivo a DECEX homologou o Ato Concessório, inclusive vinculando as RE e as DI, com quantitativos compatíveis, ao Ato Concessório fiscalizado. • A única regra material para a obtenção do regime de suspensão na importação é a que prevê importação de mercadoria em quantidade e qualidade equivalente à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado, conforme determina o art. 314, I, do RA. • O drawback, como já foi visto, é concedido pela autoridade de comércio exterior e somente por ela pode ser cassado, bem como, não tem cabimento exigir obrigação não exigida na época de concessão do regime. • As vinculações efetivadas pelo contribuinte em mais de um ato concessório receberam a guarida do SECEX que é o órgão competente para efetivar a autorização, por isso deve a autuação ser declarada improcedente; Da presunção fiscal • Há presunção fiscal por parte da autuação, já que não foi comprovado que o contribuinte inadimpliu o seu dever de exportar; • A decisão da autoridade fiscal em autuar a empresa baseada nas suas averiguações não passa de mera presunção fiscal e atenta contra o princípio da verdade material. • a autuação desafia a própria realidade ao afirmar que o contribuinte inadimpliu o dever de exportar, já que todos os produtos importados sob o amparo do AC fiscalizado foram incorporados aos produtos exportados pela ALBRÁS. • A autoridade fiscal entendeu que houve saldo dos produtos importados beneficiados pelo regime de drawback que não foram exportados, especificamente a soda cáustica. • Essas conclusões são refutadas pelo impugnante, posto que no caso dos saldos de produtos importados supostamente não aplicados nos produtos exportados, essa conclusão é errônea devido a utilização pela fiscalização de índice técnico distinto do utilizado pelo contribuinte. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10280.720621/200823 Acórdão n.º 3301004.643 S3C3T1 Fl. 379 7 • Para valer a glosa, deveria a autoridade fiscal efetuar um levantamento quantitativo, como já foi feito outras vezes, para verificar se as matérias primas importadas foram incorporadas aos produtos exportados (atividade abrange 99,99% das operadas pela empresa exportadora) ou se foram revendidas internamente. • O correto a ser feito seria apurar o índice técnico ao final da produção específica, ou seja, o índice real, pois somente este pode apontar se houve sobra ou não, visto que o índice apresentado em laudo é meramente estimado. • Como não foi esse o caminho tomado pela fiscalização, jamais se poderia concluir pela inadimplência do dever de exportar mesmo porque se comprovou junto ao DECEX o cumprimento do dever de exportar. • Ao glosar as DIs e apurar saldo indevido de produtos importados a fiscalização presumiu que os produtos nelas descriminados não foram exportados e que por isso não poderiam servir para a comprovação/obtenção do Drawback. Do princípio da equivalência. • A legislação indica que a finalidade de qualquer Drawback, seja no tipo suspensão, isenção, verdeamarelo ou restituição, é o incentivo à exportação, sendo esse o objetivo da legislação. • É crucial a manutenção do reconhecimento da validade do regime de drawback, posto que, a finalidade essencial da sua instituição foi alcançada. • Não há como desqualificar o regime pela ausência de descumprimento de algumas obrigações acessórias sequer reconhecidas pela DECEX (SECEX). • O princípio da equivalência nesse caso se impõe. Devese aplicar o princípio para que sejam considerados válidos os documentos apresentados à DECEX como próprios para a comprovação do Drawback, como se nenhum erro de forma contivessem, pois os mesmos alcançaram a finalidade de comprovação da exportação dos produtos em quantidade suficiente para a comprovação do drawback. Inexistência de causa implementadora da condição suspensiva. • O regime de drawback é uma isenção. Uma isenção condicionada. Isso porque, caso haja o adimplemento do compromisso de exportar, e havendo a devida homologação do regime, não haverá o pagamento do imposto suspenso. • Essa suspensão do pagamento do tributo somente não se transformará em isenção definitiva caso ocorra uma das causas interruptivas da suspensão que estão descritas no artigo 319 do Regulamento Aduaneiro. Fl. 382DF CARF MF 8 • Sendo que essas causas são: a. O não emprego no todo ou em parte das mercadorias importadas com a suspensão no processo produtivo de bens a serem exportados; b. Quando estiverem em desacordo com o ato concessório. • O artigo 319 determina condições, e, conforme a sua ocorrência, indica os procedimentos. • O pagamento de tributos, somente deverá ocorrer, no caso da alínea "c" do referido artigo, ou seja, quando houver a destinação para o consumo interno das mercadorias remanescente, digase, não exportadas sob a forma de produto final. • Somente com a comprovação por parte do fisco de que as importações com tributos suspensos foram destinadas ao mercado interno é que a fazenda poderá exigir o pagamento do tributo. • O contribuinte apresentou toda a documentação pertinente ao adimplemento do ato concessório, comprovou e desafiou a fazenda a provar que houve o inadimplemento do dever de exportar. • Somente a lei pode determinar as causas em que o drawback pode ser cassado ou revogado, e, como visto a lei somente autoriza a exigência dos tributos suspensos caso ocorra a condição contida no artigo 319, I, alínea "c", porquanto somente nesta hipótese, e, nem mais uma outra, poderão os tributos suspensos serem exigidos, conforme determina o parágrafo único do artigo aludido. • Como o fisco não comprovou que a recorrente destinou ao mercado interno as suas importações beneficiadas pelo regime, não se poderá jamais exigir o pagamento do tributo. Inaplicabilidade do artigo 317 do Regulamento Aduaneiro • Não se aceita o argumento de que o regulamento aduaneiro autoriza a criação de obrigações acessórias, as quais, caso não sejam cumpridas, possam resultar em retirada do beneficiário do regime de drawback. Não é isso que diz o artigo 317 do Regulamento. • Em nenhum momento, no entanto, o artigo 317 é autorizador de criação pela administração de normas que declarem as condições em que o drawback deve ser concedido ou não. • A norma serve apenas como outorga de poder instrumental, para a autoridade administrativa exercer o controle das operações de drawback, mas não para criar as hipóteses em que ele deve ser concedido ou revogado. • As medidas de cassação ou retirada do regime como dito alhures, estão no artigo 319 e somente lá. • Devese sim considerar que administração tributária deva estar vinculada à lei, e, essa vinculação deveria ser observada tanto pelo julgador Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10280.720621/200823 Acórdão n.º 3301004.643 S3C3T1 Fl. 380 9 como pela autoridade fiscal autuante, já que a lei não permite que se declare inadimplente o beneficiário de regime de drawback, salvo nas condições do artigo 319 do Regulamento Aduaneiro. • Quando a administração procura transformar o descumprimento de obrigações acessórias em pagamento de tributo, sem que haja qualquer disposição legal que permita tal situação, não estará agindo de forma vinculada. • Não se pode admitir que se venha dizer que a exigência de códigos, como meras obrigações formais possam desqualificar o regime de drawback concedido ao contribuinte e homologado pela SECEX, com o conhecimento da fiscalização aduaneira, e que isso se faz dessa forma por vinculação às inúmeras normas infralegais, que não preveem em nenhum caso a declaração de inadimplemento do drawback. Os juros porventura devidos devem incidir a partir da data que cessou a suspensão • O drawback suspensão suspende a exigibilidade do crédito tributário até o implemento da condição suspensiva desse direito. • Se realmente tivéssemos que considerar que houve a declaração do inadimplemento do drawback, seria somente a partir desta data é que o crédito tributário poderia ser exigido, e, isso com a comunicação ao contribuinte para que ele recolha o tributo devido, como determina o artigo 319, parágrafo único, do Regulamento Aduaneiro. • Logo, não há como se vislumbrar que o contribuinte seja obrigado a pagar juros sobre um período de mais de cinco anos suspensos. A suspensão como se sabe impede que haja a exigibilidade de qualquer obrigação no período de sua validade. • Dessa forma, enquanto vigeu o Ato Concessório, a exigibilidade do credito tributário estava suspensa, o contribuinte não tinha o dever de recolher o imposto. • O dever de recolher o imposto teoricamente surgiu por uma interpretação da fazenda, foi esta quem deu causa para a suspensão, a qual poderia ter sido dada há muito tempo antes. • Os juros devidos bem como a correção monetária somente podem ser exigidos na época em que os tributos também pudessem ser cobrados. • Se não se pode cobrar o tributo em determinado período por disposição legal, sobre esse período não se poderão exigir correção monetária e muito menos juros. Ilegalidade de correção monetária via taxa SELIC Fl. 384DF CARF MF 10 • Não há possibilidade de se corrigir o crédito tributário lançado por meio da taxa SELIC, essa é a jurisprudência reiterada do Superior Tribunal de Justiça. Multa Indevida • Arguise a impossibilidade de cobrança das multas aplicadas pela fiscalização, conforme reiterada jurisprudência do Conselho de Contribuintes, já que estas devem ser cobradas conforme determina o artigo 59 da Lei 8.383/91 A impugnante aduz, ainda aos autos um pedido de perícia, no qual indica perito e apresenta os seguintes quesitos: • Qual o real índice técnico de produção para o insumo soda cáustica, no período fiscalizado e abrangido pelo AC. • No período fiscalizado a empresa efetuou venda de alumínio ao mercado interno? Qual o montante dessa venda? • No período fiscalizado a empresa adquiriu insumos no mercado interno ou com pagamento de imposto? Se positivo qual esse quantitativo? • Os quantitativos exportados dão cobertura para os Atos Concessórios aos quais as respectivas RE estão vinculadas? • Os saldos de insumos supostamente não utilizados para produzir produtos exportados, apurados pela fiscalização em levantamento quantitativo, estão corretos e de acordo com a escrita fiscal e contábil da empresa utilizandose o índice técnico real apurado conforme item I? • Há como comprovar, pela escrita fiscal e contábil da empresa, se os insumos importados protegidos pelo drawback fiscalizado foram todos exportados sob a forma de produto final? Se positivo, perguntase: essa exportação efetivamente ocorreu? • Há documentação, apresentada pelo contribuinte, que comprove as exportações realizadas e vinculadas ao AC fiscalizado? O citado acórdão decidiu pela improcedência da impugnação, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 02/06/2003, 04/07/2003 IMPUGNAÇÃO. DELIMITAÇÃO DO OBJETO DO LITÍGIO. PRINCÍPIO DA EQUIVALÊNCIA. VINCULAÇÃO DE DI OU DE RE A MAIS DE UM ATO CONCESSÓRIO. MATÉRIAS ESTRANHAS. Incabível discutir, em sede de impugnação de lançamento, matéria que não tenha sido objeto da exigência de ofício, não se instaurando, em relação a essa matéria, o litígio. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10280.720621/200823 Acórdão n.º 3301004.643 S3C3T1 Fl. 381 11 Prescindível a realização de perícia quando cumpridas as formalidades processuais e presentes todos os elementos necessários ao conhecimento da matéria e à formação de convicção do julgador. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 02/06/2003, 04/07/2003 PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. OFENSA. INOCORRÊNCIA. Inexiste ofensa ao princípio da reserva legal no ato infralegal que, por remissão legal, expressa ou tácita, apenas regulamente e assim viabilize a execução da lei. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. Decorre de expressa disposição legal a cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, com o acréscimo de juros moratórios, cujo cálculo é feito com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, iniciandose no primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento do prazo. REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE DRAWBACKSUSPENSÃO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. No caso de inadimplemento do Regime Aduaneiro de Drawback suspensão, a Fazenda Pública poderá constituir o crédito tributário em até cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao do dia imediatamente posterior ao trigésimo dia da data limite para exportação. DECISÕES JUDICIAIS. NÃO VINCULAÇÃO. As decisões judiciais, mesmo proferidas pelos órgãos colegiados, não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas a outros casos, sem uma lei que lhes atribua eficácia erga omnes, somente se aplicando sobre a questão em análise nos respectivos litígios e somente vinculando as partes neles envolvidas, salvo aquelas objeto de controle concentrado de constitucionalidade, as súmulas vinculantes e as proferidas nos termos dos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, neste último caso, após manifestação favorável da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 02/06/2003, 04/07/2003 DRAWBACKSUSPENSÃO. CONTROLE. COMPETÊNCIA. Em relação ao regime aduaneiro especial de drawback, modalidade suspensão, compete à SECEX a concessão, o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar, sem prejuízo da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil para a aplicação do Fl. 386DF CARF MF 12 regime e a fiscalização dos tributos envolvidos, nesta compreendidos o lançamento de crédito tributário; sua exclusão, em razão de reconhecimento do benefício; e a verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela importadora, dos requisitos e condições fixados pela legislação. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 02/06/2003, 04/07/2003 DRAWBACK. MODALIDADE SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO. EFEITOS. Verificado, em ação de fiscalização, que mercadoria importada com suspensão de tributos, deixou de ser aplicada ou consumida no processo produtivo de mercadoria exportada sob o regime de drawback, modalidade suspensão, é cabível a exigência proporcional dos tributos que deixaram de ser recolhidos. DRAWBACK. MODALIDADE SUSPENSÃO. DESCUMPRIMENTO. INCIDÊNCIA DE JUROS DESDE A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Correta é a incidência de juros de mora relativos a tributos que deixaram de ser pagos em decorrência do descumprimento do Regime de Drawback suspensão, calculados desde a ocorrência do fato gerador do respectivo tributo. DRAWBACK. MODALIDADE SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Cabe ao sujeito passivo demonstrar o preenchimento das condições e o cumprimento dos requisitos previstos para comprovar o adimplemento do Regime Aduaneiro Especial de Drawbacksuspensão. DRAWBACK. MODALIDADE SUSPENSÃO. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Os tributos e contribuições devidos em decorrência do descumprimento do regime aduaneiro especial de drawback, caso não recolhidos espontaneamente, sujeitamse ao lançamento de ofício, acrescidos de juros de mora e de multa no percentual de 75 %. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual, em síntese: preliminarmente, opõemse à forma como a decadência foi interpretada e alega ter havido cerceamento do direito defesa por lhe ter sido indeferida a perícia; e, no mérito; alega que o índice técnico não pode ser aferido tão somente com base em "uma ou duas notas fiscais", com informação estimada; aduz ofensa ao princípio da reserva legal; defende que somente a SECEX, órgão concessor do regime, poderia revogar o benefício; aduz a necessidade de observância do Comunicado DECEX 30, de 13.10.1997; alega que a autuação se baseou em mera presunção fiscal; socorrese do princípio da equivalência; aduz a inocorrência de causas interruptivas da suspensão que previstas no art. 319 do Regulamento Aduaneiro e a inaplicabilidade do art. 317 do mesmo diploma; insurgese contra o termo inicial da aplicação dos juros de mora; afirma a ilegalidade de correção monetária via taxa SELIC e defende impossibilidade de cobrança das multas aplicadas pela fiscalização. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10280.720621/200823 Acórdão n.º 3301004.643 S3C3T1 Fl. 382 13 Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 388DF CARF MF 14 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. Preliminares Alega a recorrente, em sede de preliminar, que "não poderá o prazo de decadência, muito menos o seu termo de início ser contado em função do que determina um parecer normativo ou lei formalmente ordinária, ou qualquer outra norma de hierarquia inferior ou regra administrativa que se confronta com a Lei e a Constituição Federal", citando o art. 146, II, da Constituição Federal. É assim que se insurge contra o entendimento do acórdão de piso, pela decadência no prazo do art. 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN), com termo inicial no vencimento do ato concessório do regime. Descabida a argumentação da recorrente: o CTN foi recepcionado como lei complementar pela Carta Magna de 1988. Diz a recorrente que "a decadência se impõe, pois a Receita Federal tinha conhecimento dos fatos geradores desde o momento em que a Dl foi desembaraçada, podendo lavrar auto de infração a qualquer tempo inclusive para prevenir a decadência" e que " não satisfaz melhor exegese a interpretação que obriga o reconhecimento da decadência no caso de lançamento por homologação ao recolhimento do tributo". A decadência do direito ao lançamento, regra geral é regida pelo art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional (CTN), apenas quando se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação e o contribuinte tiver realizado o respectivo pagamento parcial antecipado. Em não havendo um tal pagamento, afastase a aplicação da primeira parte do dispositivo, incidindo o art. 173, I, do mesmo Código. É o entendimento corrente do CARF. No nesse mesmo sentido, o STJ já se pronunciou, no REsp 973.733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 18/09/2009. Sobre o termo inicial da decadência no regime em pauta, bem esclarece o acórdão da Delegacia de Julgamento: Deste modo, em se tratando de drawback, em sua modalidade suspensão, quando não ocorre o adimplemento do regime, o termo inicial para a contagem deste prazo decadencial é o primeiro dia do exercício 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10280.720621/200823 Acórdão n.º 3301004.643 S3C3T1 Fl. 383 15 seguinte ao dia imediatamente posterior ao trigésimo dia da data limite para exportação, pois só então seria possível se lançar o crédito tributário. Este entendimento é extraído da inteligência do artigo 319, inciso I, do RA/85 (vigente à época). Tanto é assim que, no intuito de deixar mais clara a questão, o Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009, ao tratar de decadência, trouxe em seu artigo 752, § 3º, II, de forma expressa esse entendimento: Art.752. O direito de exigir o tributo extinguese em cinco anos, contados (Decretolei nº 37, de 1966, art. 138, caput, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, art. 4º; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 173, caput): I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado; ou II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. [...] § 3º No regime de drawback, o termo inicial para contagem a que se refere o caput é, na modalidade de: I suspensão, o primeiro dia do exercício seguinte ao dia imediatamente posterior ao trigésimo dia da data limite para exportação; e Assim, nesse ponto, nego provimento ao recurso voluntário. A recorrente alega ainda o cerceamento do direito defesa, por não ter sido deferido seu pedido de perícia constante da peça impugnatória. Tal questão será abordada juntamente com os fundamentos de mérito da presente decisão. Mérito Índice técnico e sobra de soda cáustica Verifiquei as notas fiscais de fls. 102 a 109, tendo, com base nelas, construído a seguinte tabela: Fl. 390DF CARF MF 16 Nas oito notas fiscais acima relacionadas, emitidas pela recorrente, a proporção SODA CAÚSTICA/ ALUMINA CALCINADA é de exatamente 8,000%, com três casas decimais. A fiscalização concluiu ser soda cáustica o produto apontado como "QUANTIDADE CONSUMIDA", posto que esta é a "matériaprima direta que compõem a Alumina Calcinada", o que não ocorre com os demais produtos importados constantes do ato concessório: tecidos e polímeros. Na nota fiscal à fl. 111, figura "soda cáustica" manuscrita no campo em pauta. As seis primeiras notas fiscais constam do Relatório Unificado de Drawback (RUD). Nelas figura menção ao "DRAWBACK SUSPENSÃO INTERMEDIÁRIO", com "ICMS diferido conforme Art. 1 da Lei 5758/93 e lei 6307 de 17/07/00, em venda à ALBRÁS, empresa sediada no mesmo município da recorrente, Barcarena/PA. As duas últimas se referem a vendas para a empresa VALESUL, situada no Rio de Janeiro, sem informações a respeito do drawback e não relacionadas no RUD. Observese, do RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL (fl. 136 e seguintes), que a fiscalização, a partir da proporção levantada nas notas fiscais arroladas acima relacionadas no RUD, portanto representativa do processo produtivo que envolveu, especificamente, os produtos vinculados ao ato concessório em pauta, utilizouse do método PEPS de controle de estoque para chegar ao valor de soda cáustica excedente: [...] Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10280.720621/200823 Acórdão n.º 3301004.643 S3C3T1 Fl. 384 17 Sobre o tema afirma a recorrente, que "nenhuma das importações autorizadas e com tributos suspensos em função dos Atos Concessórios fiscalizados tiveram as suas matérias primas ou insumos utilizados para a fabricação de produtos consumidos no mercado interno, O QUE DEVE SER APURADO EM PERÍCIA SOLICITADA A SEGUIR" (grifos do original). Insurgese contra a alegação da fiscalização de que "Para corroborar o indício de que essa sobra de soda cáustica no estoque foi utilizado para a produção de Alumina Calcinada para ser fornecida no mercado interno, detectamos a emissão de duas Notas Fiscais [...] de saída da empresa Alunorte". Afirma depois a recorrente que "Realmente a empresa efetuou vendas no mercado interno para a Valesul [...] , ocorre que a soda cáustica consumida para atender estas vendas foram importadas no regime norma (sic) de importação". Tal questão, no entanto, não é o fundamento da autuação, nem do presente voto. Após determinar o núcleo da questão como o índice técnico, a recorrente alega que este não pode ser aferido tão somente com base em "uma ou duas notas fiscais", com informação estimada, obtida mensalmente: Há que ser ressaltado que a fiscalização teve como principal indutor de seu trabalho a utilização do índice técnico de 80 kg/ton de alumina calcinada. Ocorre que essa quantidade mencionada na nota fiscal é uma informação estimada, pois normalmente a média final mensal da quantidade final de soda cáustica consumida é obtida somente ao término de cada mês. Portanto, não há como obter o índice técnico de produção somente pelo índice indicado em uma ou duas notas fiscais, posto que a média de apuração do índice técnico da empresa é variável a uma série de outros fatores, tais como potência da circulação de energia, qualidade do produto, temperatura etc... e tais elementos são obtidos ao final de cada mês. Por essa razão, não se poderia ter como índice técnico o apurado somente com a produção de duas faturas. Continua a recorrente a defender que " A variação de consumo é completamente variável (sic), inclusive, reduzindose o consumo do insumo conforme a sua qualidade, ou seja, quanto melhor a pureza do hidróxido de sódio (sic), mais reduzido será o Fl. 392DF CARF MF 18 seu consumo e, por conseguinte melhor será o índice de produtividade". Este relator confirmou, na literatura especializada, que realmente a quantidade de soda cáustica utilizada no processo produtivo da alumina pode variar: (MARTIRÉS, Raimundo A. C. Balanço Mineral Brasileiro, 2001). Ainda assim, não assiste razão à recorrente. Não foram "uma ou duas" notas fiscais, mas oito delas, abrangendo um período de três meses; no curso dos quais, segundo a recorrente, a dita estimativa poderia ser refeita a cada mês, absorvendo as variações inerentes ao processo produtivo em foco, mas mantevese estável em exatos 8,000%. Assim, sobre a questão do índice técnico a proporção da soda cáustica na alumina o acórdão recorrido deu, acertadamente, razão à conclusão da fiscalização: A impugnante questiona a relação de proporção apurada como 8% entre o insumo soda cáustica (hidróxido de sódio) e o produto alumina calcinada (óxido de alumínio), afirmando que o índice obtido pela fiscalização é apenas uma estimativa e que o correto seria a apuração com base mensal global da empresa, já que se trataria de um índice dependente de fatores variáveis, somente obtidos no final de cada mês. Contudo, de acordo com o que consta do relatório de auditoria fiscal de fls. 136151, o índice de utilização do insumo soda cáustica (hidróxido de sódio) na produção de alumina calcinada (óxido de alumínio) foi obtido pela fiscalização a partir das informações prestadas pela própria impugnante no Relatório Unificado de DrawbackRUD e das notas fiscais de saída da alumina calcinada da empresa autuada, sendo este o procedimento adequado para a comprovação do regime de drawback, modalidade suspensão, conforme previa, na época dos fatos, a Consolidação das Normas de DrawbackCND, na redação dada pelo Comunicado Decex nº 2, de 31 de janeiro de 2000: 19.1. Para comprovação do Regime de Drawback, na modalidade suspensão, as empresas utilizarão o Relatório Unificado de Drawback, identificando os documentos eletrônicos registrados no SISCOMEX, Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10280.720621/200823 Acórdão n.º 3301004.643 S3C3T1 Fl. 385 19 relativos às operações de importação e exportação, bem como as Notas Fiscais de venda no mercado interno, vinculadas ao Regime, ficando as empresas dispensadas de apresentar documentos impressos. A fiscalização, portanto, cumpriu o previsto na legislação de regência do drawback, tendo apurado regularmente o consumo da soda cáustica (hidróxido de sódio) na proporção de 8/100 (8 %) em relação ao produto alumina calcinada (óxido de alumínio), utilizando documentos e informações oriundos da impugnante, os quais, salvo se inquinados por falsidade, material ou ideológica, são provas bastantes para esse tipo de verificação. A recorrente diz ter havido cerceamento do direito de defesa por não lhe ter sido deferida a perícia: Ao ignorar o pedido de perícia e ao julgar pela dúvida favorecendo o fisco a autoridade fiscal desconsiderou por completo o direito do contribuinte a ver instaurado o contraditório e ter direito a sua mais ampla defesa. Negou o II. Julgador de 1º instância ao postulante o direito à produção de uma prova que a seu julgamento seria e é essencial para convencer os nobres julgadores destes Eg. Tribunal, albergado em uma visão egoísta e ilegal do processo, A busca da verdade material poderia, em tese, indicar a perícia pretendida; mas apenas se a contribuinte trouxesse provas consistentes do desacerto da fiscalização, o que não ocorreu. A fiscalização se utilizou das próprias notas fiscais emitidas pela contribuinte, vinculadas ao Relatório Unificado de Drawback e representativas do processo produtivo que envolveu os produtos vinculados ao ato concessório sob análise, como determina especificamente a Consolidação das Normas de DrawbackCND. Também não trouxe a contribuinte notas fiscais que demonstrassem o contrário. Ademais, o art. 18 do Decreto 70.235/ 72, determina que "a autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis", o que fez com acerto, ao entender que " os autos contêm prova de inquestionável valor para a elucidação dos fatos, de modo que referidos documentos, examinados à luz da legislação pertinente, constituem o conjunto probatório necessário e suficiente para formar a convicção do julgador". Não houve assim prejuízo à defesa da recorrente. Sobre os laudos técnicos oferecidos pela recorrente e seu pedido de perícia, assim manifestase o acórdão de piso: Por outro lado, os laudos técnicos apresentados à fiscalização pela autuada apresentam, estes, sim, características de padronização, com repetição de informações, ao ponto de a impugnante não ter sobre eles fundamentado a sua defesa, [...] Fl. 394DF CARF MF 20 Por outro lado, a quantidade total de soda cáustica importada e consumida neste Ato Concessório foi de 76.809,071 toneladas (base seca), com a exportação de 912.782,306 ton. de alumina calcinada, ou seja, um índice de 84,14829 kg/ton. de alumina calcinada, abaixo do índice de 100 kg/ton. de alumina informada no Laudo Técnico. A recorrente diz ter ocorrido ofensa ao princípio da reserva legal, por ser a atuação baseada em portarias e comunicados e que o descumprimento destas " enseja no máximo infrações por desobediência a obrigações acessórias". Diz também que "o descumprimento dessas obrigações não gerou o não pagamento de tributo", posto que "notas fiscais com produtos destinados ao mercado interno, tiveram a sua produção efetuada com insumos importados com pagamento de tributos". Não é assim. A fiscalização se amparou no "que está informado no corpo de [...] Notas Fiscais de Saida da Alumina Calcinada da empresa Alunorte e que estão relacionadas no Relatório Unificado de Drawback (RUD)" e não nas notas de venda para o mercado interno. Também não houve ofensa à reserva legal. O que se descumpriu foram os termos do Decretolei nº 37/66, este recepcionado como lei, a qual, no seu art.78, II, determina a condição para a "suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação": que a mercadoria seja "exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada". Esta não é mera obrigação acessória. Tal disposição fora arrolada na autuação, em seu enquadramento legal nos termos do art. 335 do Decreto n° 4.543/02, que a reproduz. Entende a recorrente que "somente quem concede o benefício é quem pode revogálo", nesse caso a SECEX. Também aduz a necessária observância do Comunicado DECEX 30, de 13.10.1997, em particular, o item 26.2, que trata da "liquidação do compromisso de exportação" e que "o contribuinte ao exportar todas as mercadorias importadas com o benefício da suspensão, cumpriu as regras de fundo previstas para o Ato Concessório e por esse motivo a DECEX homologou o Ato Concessório". Não assiste razão à recorrente. Ela mesma afirma que "somente o não atendimento à condição de exportar as mercadorias importadas é que a Receita Federal poderia pedir a cassação do regime ou descaracterizálo", o que ocorreu, pela demonstração trazida do RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL. E mais, sob a égide da competência da Receita Federal para fiscalizar e lançar tributos, nos termos da Portaria MEFP nº 594, de 1992, art. 3º: O Comunicado DECEX 30 trata de tema diverso. Constitui atribuição do Departamento da Receita Federal DRF a aplicação do regime e a fiscalização dos tributos, nesta compreendidos o lançamento de crédito tributário, sua exclusão em razão de reconhecimento do benefício e a verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela importadora, dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente. Defende a recorrente que "a decisão da autoridade fiscal em autuar a empresa baseada nas suas averiguações não passa de mera presunção fiscal" ao entender que "houve saldo dos produtos importados beneficiados pelo regime de drawback que não foram exportados, especificamente a soda cáustica". Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10280.720621/200823 Acórdão n.º 3301004.643 S3C3T1 Fl. 386 21 Não tem razão a recorrente. A fiscalização provou não meramente presumiu a partir índice técnico extraído de informação consignada pela empresa em notas fiscais que emitiu, num período de três meses, o dito saldo. A recorrente aduz que a forma não pode prevalecer sobre o principal e que a interpretação literal deve ser usada em favor do contribuinte, socorrendose do princípio da equivalência. Diz que atendeu a finalidade da lei, que é de "incentivo a exportação", não havendo como "desqualificar o regime pela ausência de descumprimento de algumas obrigações acessórias sequer reconhecidas pela DECEX (SECEX)". Não assiste razão á contribuinte. Ela importou com suspensão mercadorias que não foram utilizadas em mercadoria a ser exportada, sequer cumprido, quanto a estas, a teleologia da norma, incidindo o art.78, II, do Decretolei nº 37/66. Assim, não é que tão somente "descumpriu meras obrigações acessórias". Ademais, bem andou o acórdão recorrido ao dizer que " é estranha à lide instaurada nos presentes autos, a discussão quanto ao princípio da equivalência, pois este não foi o motivo da autuação, que se baseou na sobra, nos estoques da autuada, de insumo importado sob o regime de drawback". A contribuinte repisa o tema da aplicabilidade de tal princípio em sede de recurso voluntário alegando que "é perfeitamente aplicável o princípio da equivalência e identidade que o produto adquirido no mercado interno com pagamento de tributos foi o que serviu de base para a fabricação da alumina revendida no mercado interno". Repito, al questão das vendas no mercado interno para a VALESUL não é o fundamento da autuação, tampouco do presente voto. Defende a recorrente que a suspensão do imposto condicionase ao adimplemento do drawback, que ocorrendo, transformará a suspensão de pagamento em isenção. Diz que tal suspensão somente não se transformará em isenção definitiva, ocorrendo "uma das causas interruptivas da suspensão que estão descritas no artigo 319 do Regulamento aduaneiro" (de 85). Não lhe assiste razão. O que a fiscalização demonstrou foi justamente o não emprego no todo ou em parte das mercadorias importadas com a suspensão no processo produtivo de bens a serem exportados, essencialmente o caput do dito artigo, sem que fossem tomadas quaisquer das providências previstas nos seus incisos, a exemplo da reexportação ou destruição. Aduz a recorrente a inaplicabilidade do art. 317 do RA/85, posto que tal regra somente pode criar obrigação acessória, não sendo regra autorizadora de declaração de inadimplemento do drawback, sendo que a vinculação da autoridade fiscal administrativa deve ser a ato legal. Sobre a passagem, acerta o acórdão recorrido ao afirmar que: O art. 317 do RA/85 apenas trazia alguns elementos a serem observados quando da concessão do regime, pela Secex, porém, nada que impedisse ou limitasse a competência da SRF (RFB) em relação à aplicação do regime e Fl. 396DF CARF MF 22 fiscalização dos tributos, competências essas exercidas regularmente, no presente caso, não se vislumbrando nesse dispositivo qualquer restrição ao exercício pleno da atividade de fiscalização. Entende a contribuinte que "havendo suspensão da exigibilidade do crédito tributário os Juros porventura devidos devem incidir a partir da data que cessou a suspensão". Não é assim. Como já esclareceu o acórdão de piso, "A regra geral para a cobrança de juros de mora, válida para todo e qualquer contribuinte em débito para com a Fazenda Pública, é aquela estabelecida no art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996", o que o faz incidir " partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo" de pagamento, no caso, relativamente aos tributos não recolhidas nas importações autuadas, "até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento", nos exatos termos legais. A recorrente afirma a "ilegalidade de correção monetária via taxa SELIC". Tratandose de matéria constitucional, foge à competência deste CARF. Ainda assim, registre se que a Lei 9.065/97, art. 13, dá peso legal à dita Selic, o que é objeto da súmula 4 deste Conselho. A contribuinte aduz "impossibilidade de cobrança das multas aplicadas pela fiscalização", suscitando jurisprudência do Conselho de Contribuintes, assim ementada: " A portaria MEFP n. 9.594/92, em seu parágrafo único do artigo 13 determina que os tributos não recolhidos deverão ser pagos na forma do art. 59 da Lei 8.383/91 não havendo multa prevista no art. 4º da Lei 8.218/91". Tal entendimento não se aplica ao caso corrente, como descreve o acórdão da Delegacia de Julgamento: [...] Cumpre inicialmente esclarecer que, na data da infração, caracterizada pela falta de pagamento dos tributos, o art. 59 da Lei nº 8.383, de 1991, encontravase tacitamente revogado pelo art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, o qual passou a prever a multa de mora à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso, limitado a vinte por cento do valor do tributo ou da contribuição. Essa multa, entretanto, somente se aplica quando ocorre o recolhimento espontâneo do tributo ou contribuição, o que não se verifica no caso dos autos, em que houve lançamento de ofício do Imposto de Importação. Neste caso, a multa lançada está em conformidade com o previsto no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996: Assim, também no mérito, voto negar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Assim, por todo o exposto, voto negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10280.720621/200823 Acórdão n.º 3301004.643 S3C3T1 Fl. 387 23 Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 398DF CARF MF
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Numero do processo: 13963.000218/2003-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. MP 66/2002. LEI 10.637/2002. VEDAÇÃO. APLICAÇÃO.
A Medida Provisória no 66/2002, posteriormente convertida na Lei no 10.637/2002, vedou expressamente a compensação de débitos com créditos de terceiros, aplicando-se a vedação às compensações registradas a partir de 01/10/2002, data de início da vigência do comando de estatura legal.
Numero da decisão: 3401-005.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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INDÚSTRIA DE AZULEJOS ELIANE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. MP 66/2002. LEI 10.637/2002. VEDAÇÃO. APLICAÇÃO. A Medida Provisória no 66/2002, posteriormente convertida na Lei no 10.637/2002, vedou expressamente a compensação de débitos com créditos de terceiros, aplicandose a vedação às compensações registradas a partir de 01/10/2002, data de início da vigência do comando de estatura legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 3. 00 02 18 /2 00 3- 89 Fl. 1229DF CARF MF 2 Versa o presente sobre o formulário de Declaração de Compensação de fl. 41, com protocolo de 13/05/2003, no valor de R$ 277.543,95, por força de decisão judicial (crédito de terceiro – empresa “Nitriflex S.A. Indústria e Comércio”, CNPJ no 42.147.496/000170, afastada ainda em juízo a vedação constante na IN SRF 41/2000), mencionandose que os créditos estão controlados no processo administrativo no 13476.000533/200117. No despacho decisório de fls. 58 a 64, datado de 11/02/2005 (ciência em 03/03/2005), emitido pela DRF/Florianópolis/SC, afirmase que, a partir de 01/10/2002, passou a haver expressa vedação legal à compensação de débitos com créditos de terceiros, e, por isso, a ordem judicial perdeu eficácia na parte que afastou a restrição de compensação veiculada em normas infralegais (ato declaratório e instrução normativa), devendo ser declarada a não homologação da compensação. Afirmouse ainda que não havia necessidade de lançamento do débito, seja por estar declarado em DCTF, seja por a Declaração de Compensação passado a constituir confissão de dívida, mas que deveria ser lançada a multa de ofício, encaminhando os autos à fiscalização. Na Manifestação de Inconformidade de fls. 66 a 84, datada de 01/04/2005, argumenta a empresa cessionária do crédito, em síntese, que: (a) o crédito foi assegurado por sentença judicial transitada em julgado, em 18/04/2001, no Mandado de Segurança (MS) no 98.00166580 (referente a crédito presumido em relação a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero); (b) buscando preventivamente resguardar seu direito à compensação, em face da vedação estabelecida na IN SRF no 41/2000, a recorrente moveu ação judicial pedindo o afastamento de seus efeitos, obtendo decisão favorável em 16/09/2002, no MS no 2001.51.10.0010250, sendo que, em 12/09/2003 transitou em julgado o Acórdão proferido pelo TRF2, convalidando a liminar e confirmando o direito de livre disponibilidade do crédito, ante a inexistência de previsão legal; e (c) a cessão de crédito estava sob o manto da coisa julgada, não podendo ser negada administrativamente. Às fls. 106 a 128 consta cópia de Auto de Infração, lavrado em 01/03/2005 (com ciência em 03/03/2005), no valor de R$ 14.915.461,93, aplicando multa isolada decorrente de compensações em oito processos administrativos, entre os quais o presente, com fundamento no art. 18 da Lei no 10.833/2003. E, às fls. 130 a 186 constam despachos decisórios de nãohomologação proferidos nos seguintes processos administrativos: no 11516.001792/200488; no 13963.000217/200334; no 13963.000191/200324; no 13963.000188/200319; no 13963.000218/200389 (o presente processo); no 11516.000804/200376; e no 11831.003363/200391. Às fls. 187 a 265, e 276 a 408, constam síntese e peças referentes ao MS no 2001.51.10.0010250. Às fls. 266 a 274, figura cópia de despacho decisório no processo administrativo no 10735.000001/9918, emitido pela DRF Nova Iguaçu/RJ, homologando/reconhecendo os créditos decorrentes da decisão judicial. Em 23/06/2005 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 443 a 455), decidindo unanimemente o colegiado administrativo pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que a decisão judicial não ampara as compensações, tendo em vista o advento da Medida Provisória no 66/2002, convertida na Lei no 10.637/2002, vigente ao tempo do protocolo da compensação. Destacou ainda o julgador de piso que o 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1230DF CARF MF Processo nº 13963.000218/200389 Acórdão n.º 3401005.065 S3C4T1 Fl. 1.230 3 crédito homologado à “Nitriflex” foi objeto de várias compensações com débitos da própria empresa, estabelecimentos coligados e terceiros, sem demonstração, no processo, da existência de saldo de crédito disponível. Ciente da decisão de piso em 23/09/2005 (fl. 463), a empresa cessionária do crédito (recorrente) apresentou, em 20/10/2005, o Recurso Voluntário de fls. 465 a 493, sustentando, basicamente, que: (a) a coisa julgada produzida no MS no 98.00166580 não só reconheceu o direito de credito, como também sua plena disponibilidade, sendo certo que o MS no 2001.51.10.0010250 só foi impetrado para preventivamente afastar a interpretação restritiva do Fisco, à época constante da IN/SRF no 41/00; (b) a inexistência nos autos de demonstração de saldo credor não é impeditiva da compensação, pois quem gerencia o crédito é o próprio fisco; (c) a competência para decidir o processo é do titular da DRF de Nova Iguaçu/RJ (onde foi apurado o crédito), e não da DRF de Florianópolis/SC; (d) foram protocolizadas todas as declarações de compensação junto à DRF de Nova Iguaçu/RJ, onde se controlam os créditos no processo administrativo no 13746.000533/200117; e (e) ocorreu homologação tácita as compensações por decurso de prazo. O processo foi enviado ao então Segundo Conselho de Contribuintes em 08/12/2005 (fl. 569). Por meio do Acórdão no 20179.425, de 29/06/2006 (fls. 621 a 635), o processo foi anulado a partir do despacho decisório proferido pela DRF de Florianópolis/SC, por voto de qualidade, determinandose que outro despacho fosse seja proferido pela DRF de Nova Iguaçu/RJ, competente para o ato, segundo a IN SRF 460/2004. Em 19/09/2007 é proferido um segundo despacho decisório, agora pela DRF de Nova Iguaçu/RJ (fls. 641 a 661), por meio do qual é considerada não homologada a compensação, pelos seguintes fundamentos: (a) existência de ação rescisória interposta pela Fazenda Nacional em relação ao MS no 98.00166580, reduzindo e tornando incerto o montante do crédito; (b) a tentativa de habilitar o crédito junto à DRF de Nova Iguaçu/RJ foi rechaçada, em decisão administrativa não revertida judicialmente, visto que a IN SRF 517/2005, que disciplinava a matéria à época do pedido de habilitação, estabelecia a necessidade de trânsito em julgado, e ainda pendia a ação rescisória, maculando a certeza do crédito; e (c) como ponto nevrálgico, ainda se tem que a compensação com crédito de terceiro foi efetuada ao desamparo da Medida Provisória no 66/2002, convertida na Lei no 10.637/2002, visto que o provimento judicial tomou em conta norma de hierarquia diversa (IN 41/2000) entendida como ilegal. Ciente do novo despacho decisório em 31/10/2007 (fl. 669), a empresa apresenta a Manifestação de Inconformidade de fls. 671 a 741, em 29/11/2007, sustentando, em síntese, que: (a) as decisões judiciais asseguraram tanto o direito ao crédito quanto o direito à compensação, sendo livre a disponibilidade do crédito, mediante coisa julgada, e afastada a vedação então existente na IN SRF 41/2000; (b) houve violação à irretroatividade e à coisa julgada no MS no 2001.51.10.0010250, que não perdeu seu objeto diante do advento da Lei no 10.637/2002; (c) a ação rescisória interposta pela Fazenda Nacional (no 2003.02.01.0056750) visando à desconstituição da coisa julgada no citado MS no 98.00166580 não obteve tutela para suspender a execução da coisa julgada; (d) a inexistência de habilitação não impede a utilização do crédito; (e) a nova redação da Lei no 9.430/1996 não pode retroagir aos fatos jurídicos que ensejaram o direito creditório; (f) a inexistência nos autos de demonstração de saldo credor não é impeditiva da compensação, pois quem gerencia o crédito é o próprio fisco, Fl. 1231DF CARF MF 4 sendo que o crédito do processo no 10735.000001/9918 não inclui o apurado no processo no 10735.000202/9970, como afirmou a própria autoridade fiscal; e (g) houve homologação tácita das compensações. Em 07/08/2008 ocorre novo julgamento de primeira instância (fls. 771 a 783), decidindo unanimemente o colegiado administrativo pela improcedência da nova manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos: (a) no MS no 2001.51.10.0010250, o impetrante (“Nitriflex S.A. Indústria e Comércio”) obteve o afastamento da aplicação de norma infralegal (IN SRF no 41/2000), justamente por ser tal norma ilegal, sob o argumento de falta de amparo legal para a restrição a compensação com créditos de terceiros; (b) a partir de 01/10/2002, então, a decisão judicial não ampara as compensações, não havendo que se falar em irretroatividade, no caso; (c) o crédito homologado à “Nitriflex” foi objeto de várias compensações, sem demonstração, no processo, da existência de saldo de crédito disponível; e (d) não comporta manifestação do colegiado a menção a outros processos, que não versam sobre a compensação em análise. Ciente da nova decisão de piso em 03/09/2008 (fl. 789), a empresa apresentou, em 15/09/2008, o Recurso Voluntário de fls. 793 a 420, basicamente reiterando as razões expressas em sua segunda manifestação de inconformidade, no que se refere ao alcance das decisões judiciais, a existência de coisa julgada, a violação à irretroatividade, e a irrelevância da existência de demonstração de saldo credor. O processo foi encaminhado ao então Segundo Conselho de Contribuintes em 20/09/2008 (fl. 861). Na peça de fls. 880 a 889, a recorrente informa ter sido reconhecido em definitivo o crédito, com a extinção também definitiva das ações rescisórias interpostas pela Fazenda Nacional, devendo, quanto à vedação da compensação com créditos de terceiro, aplicarse ao caso a legislação vigente quando da respectiva coisa julgada, agregando ainda pareceres de lavra dos prof. Paulo de Barros Carvalho e Cândido Rangel Dinamarco. E, por fim, acrescenta que turmas da 3ª Seção de Julgamento deste CARF vêm proferindo acórdãos nos processos de compensação com créditos derivados da “Nitriflex” determinando que sejam afastados os óbices encontrados no despacho decisório e na decisão de piso (v.g., acórdão proferidos nos seguintes processos administrativos: no 13746.001218/200280; no 13746.001386/200275; no 13502.000470/200315; no 13502.000505/200316; no 13502.000588/200343; no 13808.002485/200111; no 13707.002728/200745; no 13707.003510/200716; e no 13707.001269/200782). No CARF, o processo foi distribuído a este relator, por sorteio, em outubro de 2017. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 13963.000218/200389 Acórdão n.º 3401005.065 S3C4T1 Fl. 1.231 5 Na declaração de compensação, informase que o crédito é decorrente de ação judicial. Apesar de o declarante ter informado em tal documento que a ação na qual se fundamenta seu crédito era o MS no 99.00.60542 (fl. 6), apurou a fiscalização (no que foi endossada pela postulante ao crédito), que, de fato, o crédito tem origem no MS no 98.00166580, interposto pela “Nitriflex”, com a seguinte demanda (fl. 895). Na sentença de piso, a segurança foi denegada, em 14/09/1998 (fl. 900). A apelação processada junto ao TRF2, sob o no 024.199/RJ, no entanto, foi provida, reconhecendose “direito líquido e certo da empresa em compensar o crédito presumido de IPI com o crédito a recolher ao final do processo industrial” (fl. 901): Foram rejeitados os embargos interpostos por “Nitriflex”, mas acolhidos os “embargos em embargos” para aclarar o período abrangido na decisão (julho de 1988 a julho de 1998). E foi negado seguimento aos recursos especial e extraordinário interpostos pela Fazenda Nacional (fl. 904), em 24/03/2000. Em relação à negativa de seguimento ao RE, houve interposição de Agravo de Instrumento, pela Fazenda Nacional, também negado (fl. 907), e “agravo no agravo” (autuado no STF sob o no 313.4815/RJ), igualmente negado (fl. 908), em 13/03/2001, havendo trânsito em julgado em 18/04/2001 (fl. 909). Eis a tutela obtida em definitivo pela “Nitriflex”. Não se vê em tal decisão nenhuma autorização para compensar ou vestígio de que tenha sido assegurada livre disponibilidade do crédito, como postula a recorrente em suas peças recursais. Ao tempo do trânsito em julgado da referida ação, assim dispunha o art. 74 da Lei no 9.430/1996: “Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração.” (grifo nosso) E o artigo anterior (art. 73) dispunha: “Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7o do Decretolei n o 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição.” (grifo nosso) Cabia à RFB (à época SRF) autorizar eventual compensação, atendendo a requerimento do contribuinte. E a norma procedimental que disciplinava as compensações era a IN SRF no 21, de 10/03/1997, que previa a compensação de débitos com créditos de terceiros em seu artigo 15, operacionalizada mediante “pedido de compensação”: “COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DE UM CONTRIBUINTE COM DÉBITO DE OUTRO Fl. 1233DF CARF MF 6 Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. § 1o A compensação de que trata este artigo será efetuada a requerimento dos contribuintes titulares do crédito e do débito, formalizado por meio do formulário "Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros", de que trata o Anexo IV. § 2o Se os contribuintes estiverem sob jurisdição de DRF ou IRFA diferentes, o formulário a que se refere o parágrafo anterior deverá ser preenchido em duas vias, devendo cada contribuinte protocolizar uma via na DRF ou IRFA de sua jurisdição. § 3o Na hipótese do parágrafo anterior, a via do Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, entregue à DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do débito terá caráter exclusivo de comunicado. § 4o Na hipótese do § 2o, a competência para analisar o pleito, efetuar a compensação e adotar os procedimentos internos de que trata o § 2o do art. 13 é da DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do crédito.” (o § 2o do artigo 13 trata de procedimentos a cargo da unidade que a efetuar) (grifo nosso) Qualquer requerimento apresentado durante a vigência de tal norma (independente do período a que se refira o crédito) deveria obedecer, então, ao trâmite procedimental ali disposto. Aliás, se a remissão fosse ao período em que gerado o crédito (1988 a 1998), à maior parte do período sequer se aplicaria a Lei no 9.430/1996. A IN SRF 21/1997, no entanto, foi alterada em 10/04/2000, pela IN SRF no 41, de 07/04/2000, que passou a vedar expressamente a compensação de débitos com créditos de terceiros (art. 1o) e revogar todo o artigo 15 da IN SRF no 21/1997. Vejase que a alteração foi promovida oito dias antes do trânsito em julgado da ação judicial, no caso concreto. Portanto, ao apresentar suas solicitações de compensação, a empresa “Nitriflex” deveria amoldarse à norma procedimental vigente, que já vedava compensações com créditos de terceiros. Como tal empresa divergia em relação a tal possibilidade de vedação, contra ela se insurgiu em 26/03/2001, no Mandado de Segurança (Preventivo) no 2001.51.10.0010250 (cópia da peça às fls. 200 a 218). Claro está o fundamento jurídico do Mandado de Segurança, no sentido de que a restrição estabelecida pela IN SRF 41/2000 somente poderia ter sido estabelecida por lei. A sentença proferida no MS, em 29/05/2001, extinguiu o processo sem julgamento de mérito (fls. 228 a 230). Em apelação (fls. 232 a 242), a “Nitriflex” argumentou, em síntese, em 13/06/2001, que a IN SRF violava o princípio da legalidade. Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 13963.000218/200389 Acórdão n.º 3401005.065 S3C4T1 Fl. 1.232 7 Nas contrarrazões de apelação (fls. 278 a 292), destacou a Fazenda Nacional, em 26/07/2001, que a IN SRF vedou apenas o que outra IN SRF havia concedido, não violando a norma legal. No TRF2, em relação ao MS (autuado sob o no 2001.02.01.0313448 – fls. 294 a 300), decidese, em 27/09/2001, por revigorar a liminar anteriormente deferida, retornando o processo ao status prévio à extinção sem julgamento de mérito. Após parecer da Procuradoria da República o recomendando seja proferida sentença apreciando o mérito, no caso (fls. 302 a 306), o TRF2 decide, em 20/03/2002, restituir os autos ao juízo a quo, para que fosse proferida nova sentença, apreciando o mérito (fls. 307 a 316). Nos embargos de declaração apresentados em 06/05/2002 pela “Nitriflex” (fls. 318 a 329), pede a empresa, com fundamento na economia processual, e no art. 515, § 3o do CPC, que o próprio TRF2 aprecie o mérito, pois não restaria, no caso, caracterizada supressão de instância, invocando ainda precedentes no mesmo sentido. O TRF2, então, nos “embargos de declaração na apelação do mandando de segurança” (fls. 330 a 334) entende, em 12/06/2002, não ser possível a aplicação retroativa do dispositivo do CPC citado, que ainda não estava vigente ao tempo da decisão proferida em 20/03/2002. A “Nitriflex” interpõe, então embargos de declaração aos “embargos de declaração na apelação do mandando de segurança” (fls. 336 a 364), em 01/07/2002, dispondo que o acórdão, embora tenha sido proferido em 20/03/2002, somente se tornou público em 02/05/2002, quando já estava em vigor a lei nova. O Agravo Regimental da Fazenda Nacional em relação à decisão monocrática que deferiu antecipação de tutela, suspendendo os efeitos da sentença que extinguia o processo sem julgamento de mérito foi negado, or unanimidade, pela quarta turma do TRF2, em 21/11/2001 (fls. 366 a 376). A esta altura, já passava a existir norma de estatura legal vedando as compensações: a Medida Provisória no 66, de 29/08/2002, que alterava, a partir de 01/10/2002 (cf. art. 63, I), o artigo 74 da Lei no 9.430/1996 (e depois foi convertida na Lei no 10.637/2002), que passava a dispor: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Fl. 1235DF CARF MF 8 (...) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.” (grifo nosso) E, recordese, ainda não havia sido apresentada a compensação de que trata o presente processo, o que ocorreu apenas em 13/05/2003. Não há, assim, que se falar em compensação “em andamento”, ou em “pedido de compensação” convertido em declaração. Após a edição da Medida Provisória no 66/2002, a disciplina infralegal foi efetuada pela IN SRF 210, de 30/09/2002, que estabeleceu novos procedimentos para compensação, mantendo a vedação à compensação de débitos com créditos de terceiros, agora com fundamento expresso na norma legal (a nova IN SRF expressamente mencionou a citada Medida Provisória em seu preâmbulo, como fundamento). Assim, o cenário que se delineava para a apresentação de compensações pela Nitriflex já era outro, e já não fazia sentido a discussão sobre afastamento de IN por violação à reserva legal, demandada para o tema, visto que passava a existir norma legal a reger as compensações a serem protocolizadas após 01/10/2002, ou seja, voltada ao futuro, sem violação à irretroatividade. E, por certo, não afrontava tal norma a coisa julgada no MS no 98.00166580 (autorização para compensar o crédito presumido de IPI da “Nitriflex” com o crédito a recolher ao final do processo industrial). É nesse cenário que a empresa “Nitriflex” peticiona em juízo (fls. 378 a 380), em 08/10/2002: A nosso ver, a “Nitriflex” passava a ser reincidente na máleitura (sempre estendida, em seu favor) das decisões judiciais que figuram nestes autos. Da mesma forma que entendeu (alargadamente) que a decisão transitada em julgado no MS 98.00166580 para compensar o seu crédito presumido de IPI com seu o crédito a recolher ao final do processo industrial era, na verdade, um reconhecimento do crédito para que este fosse livremente utilizado, inclusive por terceiros, entendeu a “Nitriflex” que a decisão judicial que lhe permitia afastar a aplicação da IN SRF 41/2000, que, conforme seu pedido, seria ilegal por dispor de matéria reservada à lei, equivaleria ao afastamento de “qualquer limitação”. E essa distorção não se restringe ao entendimento do que restou decidido em juízo, mas se alastra à compreensão do que seria a IN SRF 210/2002, que teria “mantido” a limitação da IN SRF 41/2000. Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 13963.000218/200389 Acórdão n.º 3401005.065 S3C4T1 Fl. 1.233 9 Em verdade, como aqui exposto, a IN SRF 210/2002 tem amparo em norma legal ao estabelecer a vedação, não constituindo mera reiteração da vedação infralegal, como faz parecer a petição. No entanto, vejase que ao final, a demanda parece adaptada para abranger inclusive a norma legal que fundamentaria a IN SRF 210/2002 (MP no 66/2002, já em vigor), visto que a “Nitriflex” pede para efetuar a compensação com débito de terceiro, “independente de edição de texto normativo que vier a tratar da matéria sub judice”. Em 14/10/2002, em nova petição, menciona a “Nitriflex” (fls. 406 a 408) que seu direito restara mantido. Em 16/09/2002, nos “embargos de declaração em embargos de declaração na apelação do mandando de segurança” (fls. 417 a 429), o TRF2 entende haver omissão, a ser sanada com decisão de mérito pelo tribunal. Na sequência, a unidade que jurisdiciona a cedente do crédito é notificada da seguinte forma (fl. 431), em 13/11/2002: Ocorre, então, o registro do formulário de “Declaração e Compensação” de que trata o presente processo administrativo, em 13/05/2003. Vejase que, nem de longe, a questão referente a estar a vedação prevista na IN SRF 210/2002 igualmente consignada em norma legal vigente desde 01/10/2002 (portanto, antes do registro da compensação), foi enfrentada pelo Poder Judiciário. As razões para afastamento das IN SRF, como se percebe do próprio pedido da impetrante “Nitriflex”, remontam, a serem tais normas de hierarquia inferior à lei. Assim, a questão submetida a juízo no MS no 2001.51.10.0010250 não enfrenta o tema que foi objeto das razões de indeferimento pela unidade local da RFB e pela DRJ (existência de norma legal vedando a compensação do crédito com débitos de terceiro). E endossamos tais razões de indeferimento, concluindo que a solicitação de compensação foi efetuada sem amparo legal, segundo a legislação de regência ao tempo do protocolo da compensação. E a decisão judicial obtida não contorna tal razão de improcedência do pedido. A recorrente (cessionária do crédito), a exemplo da “Nitriflex” (cedente), confunde o decidido no primeiro MS 98.00166580, e aqui já exposto cristalinamente, com “reconhecimento de crédito e de sua plena disponibilidade”, e confunde a aplicação das normas sobre compensação no tempo, ao afirmar que deveria ser aplicada a legislação referente aos fatos geradores (08/1988 a 07/1998), o que implicaria concluir que sequer a Lei no 9.430/1996 e a IN SRF 21/1997, que tratou da compensação com créditos de terceiros, seriam aplicáveis à grande maioria dos fatos geradores. Fl. 1237DF CARF MF 10 A defesa administrativa da recorrente, a exemplo do exposto em relação à Nitriflex” em juízo, efetua máleitura do conteúdo das decisões obtidas (fl. 813), especialmente quando alega: Os fundamentos da decisão no referido MS, como aqui exposto, não tratam de irretroatividade de lei (a não ser quando se referem ao CPC), mas da impossibilidade de norma de hierarquia inferior à lei (como as IN SRF) estabelecer restrição à compensação. Mas as conclusões (digase, equivocadas) em relação ao decidido (e aqui já reproduzido), prosseguem (à fl. 815): Repitase: não se dá caráter retroativo à Lei no 9.430/1996, em qualquer de suas redações, na leitura do despacho decisório ou na decisão da DRJ. Em ambas as decisões administrativas a redação da lei se aplica somente às compensações após ela registradas. E também não se afronta a coisa julgada, cujos limites foram neste voto bem delineados. Improcedentes, assim, as alegações de defesa de que houve violação à coisa julgada ou à irretroatividade. Por fim, quanto à inexistência de demonstração do saldo credor, entendoa, assim como parece ter entendido a DRJ, como questão secundária/acessória. Por certo que se fosse passível de homologação a compensação pleiteada no presente processo, caberia à unidade preparadora da RFB verificar sua disponibilidade, à luz do processo administrativo onde se controla o crédito invocado nestes autos, e das compensações já realizadas em outros processos. Os precedentes colacionados, assim como os pareceres apresentados pela defesa, os fatos novos (relativos à ação rescisória movida pela Fazenda Nacional em relação ao Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 13963.000218/200389 Acórdão n.º 3401005.065 S3C4T1 Fl. 1.234 11 MS 98.00166580) e as manifestações da DRF Nova Iguaçu/RJ em informações fiscais em processos distintos foram aqui tomados como elementos formadores de convicção, mas não aptos a afastar, no caso concreto, as conclusões neste voto externadas. A existência de ação rescisória e seu resultado não afetaram, ao fim e ao cabo, o montante do crédito assegurado no MS 98.00166580. E o principal tema em debate nestes autos, recordese, não versa sobre o crédito, mas sobre a possibilidade de sua compensação com débitos de terceiros à época da apresentação da solicitação de compensação. Os precedentes administrativos e judiciais, assim como os pareceres apresentados posteriormente ao recurso voluntário, por sua vez, apesar de analisarem questões comuns a créditos advindos da “Nitriflex” em diversos processos, tratam de situações sensivelmente distintas daquela por nós visualizada, no caso concreto, no presente processo. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 1239DF CARF MF
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Numero do processo: 10670.002153/2009-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
INOVAÇÃO DE QUESTÕES NO ÂMBITO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos dos artigos 16, inciso III e 17, ambos do Decreto n. 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em impugnação desenvolver todos os fundamentos fático-jurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria, impondo seu não conhecimento.
ARQUIVOS DIGITAIS.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa, que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados, de apresentar ao fisco informações em meio digital com o leiaute previsto na legislação tributária.
Numero da decisão: 2402-006.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmetne)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 INOVAÇÃO DE QUESTÕES NO ÂMBITO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos artigos 16, inciso III e 17, ambos do Decreto n. 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em impugnação desenvolver todos os fundamentos fático-jurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria, impondo seu não conhecimento. ARQUIVOS DIGITAIS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa, que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados, de apresentar ao fisco informações em meio digital com o leiaute previsto na legislação tributária.
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IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos artigos 16, inciso III e 17, ambos do Decreto n. 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em impugnação desenvolver todos os fundamentos fáticojurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria, impondo seu não conhecimento. ARQUIVOS DIGITAIS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa, que utiliza sistema de processamento eletrônico de dados, de apresentar ao fisco informações em meio digital com o leiaute previsto na legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 21 53 /2 00 9- 07 Fl. 122DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmetne) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10670.002153/200907 Acórdão n.º 2402006.280 S2C4T2 Fl. 123 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário, de fls. 96/100, voltado contra Acórdão da 6ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE, de fls. 108/116, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte, mantendo, in totum, o crédito tributário exigido no DEBCAD 37.228.4841. Está assim lançado o relatório da r. decisão em testilha: "Conforme Relatório Fiscal, tratase de débito no valor R$ 13.291,66 (treze mil, duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos), relativo A aplicação multa administrativa por infração a Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso III e § 11, com a redação dada pela MP n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009, combinado com o art. 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, uma vez que o sujeito passivo não apresentou os arquivos digitais referentes As folhas de pagamento do período 01/2005 a 12/2006. Notificado da autuação em 18/11/2009, o Município autuado apresentou impugnação em 18/12/2009, alegando nulidade da autuação: por ausência de descrição do fato e da fundamentação legal que originou o valor lançado." No apelo aponta que a gestão do exprefeito foi feita de modo totalmente improbo, não podendo o município arcar com tais obrigações. Desse modo, e com arrimo no art. 137, incs. I e II do Código Tributário Nacional, aponta no sentido de que há a necessidade de confirmação da responsabilidade do exdirigente da prefeitura. Afia, às fls. 112: "Em análise ao disposto, numa interpretação literal dos enunciados, fica a ponderação de que o agente é excluído da responsabilidade pessoal, somente e só, quando em exercício regular da administração. Ora, impróprio e até mesmo imoral seria admitir que um atuante de governo, ao agir de modo negligente, quando sabia estar agindo; uma vez que não pode arguir o contrário, pois os atos são dirimidos por lei, estaria atuando em exercício regular!" Assim, requer a declaração de responsabilidade do Sr. João Ferreira Lima para responder pelo pagamento do crédito ora perseguido. No mérito, afiança que o motivo que ensejou a autuação (a não apresentação dos arquivos digitais referentes às folhas de pagamento do período de 01/2005 a 12/2006) não Fl. 124DF CARF MF 4 é plausível, eis que a falta de apresentação de tais arquivos não teria gerado qualquer "receio" ao Fisco. Com isso, a multa por obrigação acessória prevista no art. 31, III da Lei nº 8.212/91 seria descabida. Requer, portanto, que sejam acolhidos os argumentos apresentados para que seja declarada a improcedência da ação fiscal e seja cancelado o débito reclamado. É o relatório. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10670.002153/200907 Acórdão n.º 2402006.280 S2C4T2 Fl. 124 5 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza 1. ADMISSIBILIDADE. Quando da análise de admissibilidade do Recurso Voluntário, verificamos estarem presentes os pressupostos os intrínsecos (legitimidade, cabimento, interesse e inexistência de fato impeditivo ou extintivo), entretanto, quantos aos elementos extrínsecos restam atendidos apenas parcialmente, eis que, apesar da regularidade formal, verificamos a articulação de novas razões preliminares, erigidas apenas em sede recursal, portanto, em momento onde a preclusão já havia se operado. Assim, antes de adentrar nas questões intrínsecas da lide será necessário delimitar seu âmbito de conhecimento, uma vez que, conforme se demonstrará a seguir, parte dos fundamentos erigidos pelo Recorrente só foram desenvolvidos em âmbito recursal. Ao proceder à uma comparação entre a peça impugnatória e a peça recursal é possível concluir que o recorrente inova em suas fundamentos preliminares. Na impugnação verificamos que o Recorrente apresenta como preliminar a "Nulidade do Auto de Infração alegando em essência que na "descrição do Auto de Infração n°. 37.228.4850 a ausência da descrição do fato e da fundamentação legal que originou o exorbitante valor da multa imposta, não sendo possível ao ora autuado a elaboração de sua defesa técnica." (sic). (fls. 84) A peça Recursal por seu turno apresenta como preliminar a "Responsabilidade pessoal do exchefe do executivo" alegando que "Ante a narrativa dos fatos e em vista ao período de apuração das supostas infrações, resta notório que a data consta de negligências remanescentes à outra gestão administrativa, no qual tinha por seu chefe do executivo o Sr. João Ferreira Lima, uma vez que seu mandato iniciou em janeiro de 2005." (fls. 110) Como tais fundamentos não têm natureza jurídica afeta a ordem pública [não sujeitas a preclusão e passíveis de cognição oficiosa por esta instância julgadora ordinária] e não decorrem de pontos trazidos pela Decisão objurgada, não há razão para o seu conhecimento. Os Recursos, regra geral, devolvem ao órgão ad quem o conhecimento daquilo que tenha sido expressamente impugnado no órgão a quo dado o seu efeito tantum devolutum quantum appellatumm, estando o conhecimento de seus termos, salvo pelas matérias de ordem publica ou alegadas em decorrência direta da própria decisão, limitados aquilo que expressamente constou da impugnação. Fl. 126DF CARF MF 6 Tal entendimento, no âmbito do PAF, tem assento normativo no que prevê o art. 161, inciso III do Decreto nº 70.235/71 que impõem ao contribuinte o ônus de, em sua impugnação, trazer todos os fundamentos relevantes para o julgamento da lide administrativa. Logo, não tendo sido aventada tal matéria em sede de impugnação e não se tratando de questão de ordem pública ou decorrência lógica das articulações da própria decisão recorrida, restaria precluso tal direito sendo vedado seu conhecimento por este colegiado, sob pena de haver a inoportuna supressão de instância conforme se extrai do Art. 172 do mesmo Decreto sobredito. Assim, voto por não conhecer das preliminares erigidas de modo inovador por ocasião do Recurso. 2. MÉRITO. Tratase de autuação referese a infração intitulada pelo artigo 32, inciso III, §1 1 c/c com o artigo 225, III, do Regulamento da Previdência Social RPS, Decreto n°. 3.048/99, eis que, segundo o relatório fiscal, no período de 01/01/2005 a 31/12/2006. a Recorrente deixou de enviar ao fisco os arquivos digitais referentes as folhas de pagamento do período supracitado. No mérito a Recorrente se limita a fazer referência aos argumentos da impugnação sem articular as razões recursais propriamente ditas e naquilo que esboçou o fez de modo extremamente superficial e genérico, não apresentando provas ou teses capazes de desconstituir o lançamento. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) 2 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10670.002153/200907 Acórdão n.º 2402006.280 S2C4T2 Fl. 125 7 O Auto de Infração por sua vez registra adequadamente as circunstancias da infração: 1 A multa foi aplicada em conformidade com a alínea "b", do inciso II, do art. 283 e art.373, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999. 2 — Em razão da ausência de circunstâncias agravantes previstas' no art.290 do Regulamento da Previdência Social — RPS, a multa foi fixada no valor mínimo estabelecido. 3 — Para aplicação da penalidade, foi(ram) utilizado(s) o(s) valor(es) definido(s) pela Portaria Interministerial MPS/MF n°48, de 12 de fevereiro de 2009. Não havendo razão legal ou fática exposta de modo a permitir a desconstituição daquilo que foi lançado, não há como acolher os inconformismos genericamente expostos pela Recorrente. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente o Recurso Voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 128DF CARF MF
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