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Numero do processo: 16327.915393/2009-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigmas só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Numero da decisão: 9303-006.814
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Vanessa Marini Cecconello, que conheceu do recurso. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. Recorrente ITAÚ UNIBANCO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigmas só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Vanessa Marini Cecconello, que conheceu do recurso. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 53 93 /2 00 9- 51 Fl. 1583DF CARF MF Processo nº 16327.915393/200951 Acórdão n.º 9303006.814 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo Sujeito Passivo ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão CARF nº 3802003.654, que negou provimento ao recurso voluntário. O acórdão recorrido possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: CPMF. PER/DCOMP. MODIFICAÇÃO DO OBJETO DO PLEITO. INADMISSIBILIDADE. O pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação. (...) Cientificada do referido acórdão a Contribuinte interpõe Recurso Especial apontando dissídio interpretativo em relação aos acórdãos nºs 1102001.125 e 10808.805. Em seguida, o então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF deu seguimento ao recurso. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.827, de 17/05/2018, proferido no julgamento do processo 16327.915399/200929, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 1584DF CARF MF Processo nº 16327.915393/200951 Acórdão n.º 9303006.814 CSRFT3 Fl. 4 3 Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.827): "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie. Passo ao julgamento. A controvérsia suscitada pela Contribuinte referese a ocorrência de erro de preenchimento de PER/COMP e a possibilidade de retificação do direito creditório pleiteado em razão das provas trazidas aos autos. In caso, a decisão recorrida decidiu por negar provimento ao recurso voluntário, sob o entendimento de que a declaração de compensação só poderia ser retificada até a data da expedição do respectivo despacho decisório que decidiu acerca da homologação ou não da compensação. Vejamos fragmentos do aresto: Consta dos autos que em 14/10/2009 fora transmitida pela internet DCTF retificadora, portanto em data posterior à emissão do Despacho Decisório, ocorrido em 07/10/2009. Na mencionada retificadora foi declarado débito no valor total de R$ 10.467.312,78, constando como créditos o pagamento através de DARF no valor de R$ 3.386.779,85 e, como compensação de pagamento indevido ou a maior R$ 7.080.532,93. Analisando todo o acima exposto, o CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, decidindo no sentido de que a compensação fosse novamente apreciada, havendo entendido que a apresentação da DCTF retificadora, alterando o valor do débito ao qual fora vinculado o pagamento indicado como feito a maior, desconstituiria a causa original da não homologação, impondose o novo exame do feito. Nesse contexto, assim se posicionou a decisão a quo, a respeito da compensação tratada na DCOMP nº 42618.66449.240608.1.3.040833: (...) Como relatado, os autos retornam a esta Delegacia de Julgamento por força de acórdão prolatado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que determinou novo exame da compensação declarada pela contribuinte. Entendeu aquele colegiado que a apresentação de DCTF retificadora teria alterado a situação jurídica na qual se baseara o Fl. 1585DF CARF MF Processo nº 16327.915393/200951 Acórdão n.º 9303006.814 CSRFT3 Fl. 5 4 despacho decisório de não homologação, devendose reexaminar a existência do direito creditório. Em novo despacho decisório, a unidade de origem reconheceu a existência de pagamento a maior. Porém, não haveria como homologar a presente declaração de compensação já que o direito de crédito estaria integralmente comprometido na absorção de débito declarado em outra DCOMP. Ressaltese que no recurso apresentado pelo Recorrente na época, bem como no Acórdão proferido pelo CARF, em nenhum momento foi noticiado a questão do alegado equívoco no preenchimento do PER/DECOMP. Naquela oportunidade, restringiase ao erro no preenchimento da DCTF e da retificadora. O Recorrente, em seu recurso, reafirma a existência de pagamento a maior e admite equívoco no preenchimento do PER/DCOMP nº 18652.39612.120406.1.7.04.3183 e da DCTF, havendo erro na indicação nas características do documento de arrecadação pelo qual teria sido feito o pagamento a maior. Notese que o pedido de compensação foi analisado pela autoridade administrativa concernente ao reclamado pagamento a maior ou indevido indicado na DCOMP, com respeito ao qual referida autoridade concluiu inexistir o direito alegado. Instaurado o litígio, não pode a recorrente afirmar que seu crédito seria outro, referente a uma outra compensação, questão completamente alheia ao objeto do litígio, cuja aceitação representaria, também, violação aos princípios do contraditório e da estabilidade da demanda. Com efeito, como é cediço, a compensação que, nos termos do art. 170 do CTN, pressupõe liquidez e certeza dos créditos, é levada a efeito por meio de declaração capaz de extinguir o débito tributário sob condição da sua ulterior homologação, nos termos dos parágrafos 1º e 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme a redação que lhes foi fornecida pela Lei nº 10.637, de 2002. Portanto, cabe ao Fisco analisar se cabe ou não homologar uma compensação declarada. Noutro giro, os parágrafos sétimo a nono do mesmo art. 74 da mesma Lei nº 9.430, de 1996, incluídos pela Lei nº 10.833, de 20033, indicam as conseqüências da não homologação da DCOMP, bem assim o objeto do litígio instaurado em razão da apresentação de manifestação de inconformidade. Focado nesses parâmetros, entendo que o pleito do sujeito passivo não merece acolhida, pois não cabe a este Colegiado ir além da análise do ato de não homologação da Declaração de Compensação e tal ato, como decidido pelo acórdão recorrido, não merece reparo. Observase vários julgados desta Corte que no caso do preenchimento dos dados do PER/DCOMP, cuja finalidade é a comunicação à administração tributária de um crédito e de um débito, os quais se extinguirão mutuamente, o erro na discriminação de qualquer um dos dois é claramente substancial, não podendo ser considerado simples erro material. Para comprovar a divergência jurisprudencial, a Contribuinte apresentou os acórdãos paradigmas de nºs 1102001.125 e 10808.805. Transcrevese parte do trecho da parte que interessa do Acórdão nº 1102001.125: Anocalendário: 2010 COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP. INDICAÇÃO DE SALDO NEGATIVO NO LUGAR DE PAGAMENTO A MAIOR. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. Fl. 1586DF CARF MF Processo nº 16327.915393/200951 Acórdão n.º 9303006.814 CSRFT3 Fl. 6 5 Quando, em sede de recurso, o contribuinte demonstra ter preenchido a DCOMP de forma incorreta, indicando como crédito saldo negativo quando o correto seria pagamento a maior do imposto referente ao mesmo período, é possível a retificação de ofício pela autoridade julgadora, que determinará a análise do pedido com base no crédito efetivamente existente. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Pelo confronto entre a ementa do acórdão recorrido e a ementa e excerto do voto condutor do primeiro paradigma, não se comprova divergência. Como visto, os autos foram remetidos a unidade de jurisdição da Contribuinte, em comprimento ao Acórdão nº 330201.504 (fls. 58/63), o qual foi emitido um novo despacho decisório onde relata: "o interessado não comprovou crédito de pagamento indevido ou a maior [...]mas transmitiu, utilizando este crédito, declarações de compensação em um valor original total de R$ 109.726,28 [...]Na PER/DCOMP nº 28883.84622.220206.1.3.049350, com informação do crédito relativo a PER/DCOMP nº 42618.66449.240608.1.3.040833, objeto deste processo, foi informado um crédito de R$ 18,08, totalmente utilizado na própria PER/DCOMP. Não havendo crédito disponível, propomos a não homologação da PER/DCOMP nº 42618.66449.240608.1.3.040833". Do retorno dos autos, sobreveio o acórdão nº 3802003.658, ora guerreado, com a negativa de provimento ao Recurso, no esteio de que o pedido de compensação foi analisado pela autoridade administrativa concernente ao reclamado pagamento a maior ou indevido indicado na DCOMP, ao qual referida autoridade concluiu inexistir o direito alegado. Por sua vez, o acórdão paradigma entendeu que em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado. Não existe qualquer divergência, a decisão recorrida remeteu os autos para análise do direito creditório, emitindo um novo despacho decisório, o qual restou comprovado a inexistência de crédito, por sua vez, o acórdão paradigma firmou entendimento do retorno dos autos para que abertura de um novo contencioso administrativo. A Contribuinte não pretende a uniformização de teses jurídicas, objetivo primordial do Recurso Especial. A ampla defesa foi exercida em sua plenitude. Nestes autos, não existe direito creditório Neste sentido, não tomo conhecimento do Recurso Interposto, esta E. Câmara Superior não há espaço para rediscussão de matéria fáticoprobatória, exaustivamente discutida na 1º Instância Administrativa. Fl. 1587DF CARF MF Processo nº 16327.915393/200951 Acórdão n.º 9303006.814 CSRFT3 Fl. 7 6 Quanto ao acórdão nº 10808.805, pelo confronto entre a ementa do acórdão recorrido e a ementa e excerto do voto condutor, também não se comprova divergência. Transcrevo fragmentos do aresto: Exercício: 1998 Ementa: IRPJ – PREJUÍZO FISCAL – COMPENSAÇÃO – ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. Compensação de IRPJ recolhido por estimativa em exercício cujo resultado foi prejuízo fiscal, deve ser admitida, não obstante erro de fato no preenchimento da declaração, que não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos. Prevalência do princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido. Com efeito, a decisão recorrida consignou que: "o pedido de compensação foi analisado pela autoridade administrativa concernente ao reclamado pagamento a maior ou indevido indicado na DCOMP, com respeito ao qual referida autoridade concluiu inexistir o direito alegado. Instaurado o litígio, não pode a recorrente afirmar que seu crédito seria outro, referente a uma outra compensação, questão completamente alheia ao objeto do litígio, cuja aceitação representaria, também, violação aos princípios do contraditório e da estabilidade da demanda". Por sua vez, o acórdão paradigma fixou o seguinte entendimento: "não obstante erro de fato no preenchimento da declaração, que não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos. Prevalência do princípio da verdade material". Como se vê, a Contribuinte insiste na rediscussão fática, o acórdão paradigma entende que caso ocorra erro no preenchimento da declaração, não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos. Ora, o Contencioso foi estendido a Contribuinte, não foi invalidado o procedimento de um suposto erro, foi proferido um novo despacho decisório, o qual foi confirmada a inexistência de crédito. Deste modo, as dessemelhanças fáticas e normativas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. Em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Diante de tudo que foi exposto, em razão das dessemelhanças fáticas e normativas que impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte." Fl. 1588DF CARF MF Processo nº 16327.915393/200951 Acórdão n.º 9303006.814 CSRFT3 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1589DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.977150/2016-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2014
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL.
O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1401-002.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2014 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
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DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 71 50 /2 01 6- 74 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.977150/201674 Acórdão n.º 1401002.629 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Iniciemos com o relatório da Decisão de Piso. Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 30/06/2014, no valor de R$ 58.899,68, transmitida através do PER/Dcomp nº [...]. A Derat São Paulo não homologou a compensação, por meio do despacho decisório eletrônico de fl. [...], pois o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em [...], o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade [...], para alegar que os créditos decorrentes do pagamento a maior já teriam sido “disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período”. Concluiu, para requerer a homologação do PER/Dcomp. Analisando a manifestação de inconformidade a Delegacia de Julgamento proferiu decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 30/06/2014 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Referida decisão baseouse no fato de a empresa não ter retificado a DCTF antes da decisão do indeferimento da compensação e, ainda, por não ter apresentado comprovação de que não existiria saldo de CSLL a pagar no período. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário. No entanto, neste recurso, o único objeto de alegação é o pedido de prazo para realizar todas as retificações das declarações de maneira a demonstrar a existência do crédito solicitado. É o brevíssimo relatório. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10880.977150/201674 Acórdão n.º 1401002.629 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.603, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.977128/2016 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.603): "O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. O crédito solicitado pela empresa trata de pagamento a maior ou indevido de IRPJ/CSLL. Inobstante a decisão eletrônica do PER/DCOMP e da Delegacia de Julgamento observo que sequer a DIPJ da empresa do referido período foi juntada a processo para fins de análise. Para o deslinde do caso realizei consultas à DIPJ apresentada referente ao período de apuração do pagamento, assim como sobre a disponibilidade do pagamento realizado. Analisando as informações constantes da DIPJ e da DCTF da empresa verificamos que, efetivamente, a empresa apurou na DIPJ e confessou como devido em sua DCTF o valor de IRPJ/CSLL do período de apuração do DARF. Restando configurado serem devidos os débitos aos quais o pagamento foi alocado. marTendo apurado este valor e pesquisando os pagamentos realizados durante todo o exercício, verificamos que a empresa realizou o pagamento e que este foi o mesmo pagamento objeto de PER/DCOMP analisado no presente processo. Assim, à vista do exposto, demonstrase que foi correta a decisão da delegacia de origem quando não homologou a compensação em face da inexistência de crédito, considerando que o pagamento a cujo crédito fora pleiteado já estava integralmente utilizado na quitação do débito confessado em DCTF, inexistindo saldo de crédito a ser reconhecido. Desta forma, não havendo crédito a ser reconhecido por este CARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10880.977150/201674 Acórdão n.º 1401002.629 S1C4T1 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005090/2009-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 31/01/2004, 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004
OPERAÇÕES DE MÚTUO ENTRE EMPRESAS NÃO FINANCEIRAS COLIGADAS.
A lei não restringe o campo de incidência do IOF às operações de crédito consequentes de contratos celebrados com pessoas jurídicas financeiras.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR.
Na hipótese em que não há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia haver sido realizado. Constituído dentro do prazo de cinco anos a partir do marco inicial, o crédito tributário não sofre os efeitos da decadência.
Numero da decisão: 3302-005.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 31/01/2004, 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 OPERAÇÕES DE MÚTUO ENTRE EMPRESAS NÃO FINANCEIRAS COLIGADAS. A lei não restringe o campo de incidência do IOF às operações de crédito consequentes de contratos celebrados com pessoas jurídicas financeiras. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. Na hipótese em que não há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia haver sido realizado. Constituído dentro do prazo de cinco anos a partir do marco inicial, o crédito tributário não sofre os efeitos da decadência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede.
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Recorrente ATRA PRESTADORA DE SERVIÇOS EM GERAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 31/01/2004, 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 OPERAÇÕES DE MÚTUO ENTRE EMPRESAS NÃO FINANCEIRAS COLIGADAS. A lei não restringe o campo de incidência do IOF às operações de crédito consequentes de contratos celebrados com pessoas jurídicas financeiras. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. Na hipótese em que não há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia haver sido realizado. Constituído dentro do prazo de cinco anos a partir do marco inicial, o crédito tributário não sofre os efeitos da decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 50 90 /2 00 9- 08 Fl. 624DF CARF MF 2 Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede. Relatório Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 27/05/2008, formalizando a exigência de Imposto sobre operações de crédito, cambio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários IOF, acrescidos de multa de ofício e juros de mora, no valor de R$ 1.259.261,17. O contribuinte foi intimado a apresentar conforme Termo de Início de Fiscalização (fls. 05), lavrado em 05/03/2009, relativamente aos anoscalendários de 2003 a 2006: Ø Contrato Social e suas três últimas alterações; Ø Procuração para preposto, com poderes para representar a empresa, perante esta DEFIS; Ø Livros Diário e Razão; Ø Livro Registro de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências; Ø Livro de Apuração do Imposto incidente sobre Serviços. Na ocasião, o contribuinte foi advertido de que o não atendimento no prazo marcado àquela reintimação, permitiría em caso de lançamento de ofício, ao agravamento da multa, nos termos do quanto autorizado pelos incisos I e II do caput do art. 44 da Lei n° 9.430/96. Transcorrido o prazo para a apresentação daqueles documentos, os mesmos não foram exibidos, impedindo os trabalhos de auditoria que se pretendia desenvolver. Para que não houvesse alegação de excesso de exação, esta fiscalização resolveu conceder novo prazo para que os documentos acima referenciados fossem finalmente apresentados, conforme se verifica nos Termos de Prosseguimento de Ação Fiscal, lavrados em 30/04/2009 e 15/06/2009 (fls. 13 e 14). Em 28/08/2009, lavramos Termo de Reintimação, para apresentação de todos os documentos e informações solicitados através do TERMO DE INÍCIO DE AÇÃO FISCAL, lavrado em 05/03/2009 e dos TERMOS DE PROSSEGUIMENTO DE AÇÃO FISCAL, lavrados em 30/04/2009 e 15/06/2009 (fls. 15 e 16). Em 28/08/2009, lavramos Termo de Intimação (fls. 18 e 19), para apresentação de: Ø Lista de todos os contratos de mútuo, celebrados entre a ATRA e terceiros, em que a ATRA figure como mutuante, para os anos de 2004, 2005 e 2006; Fl. 625DF CARF MF Processo nº 19515.005090/200908 Acórdão n.º 3302005.715 S3C3T2 Fl. 3 3 Ø Declaração dos tipos de operações de crédito realizadas por meio de conta corrente, se com definição do valor de principal ou sem definição do valor de principal; Ø Planilhas detalhadas (beneficiário, valor e prazo) de todas as operações de mútuo celebrados entre a ATRA e terceiros, em que a ATRA figure como mutuante, referenciados às folhas dos Livros Razões e organizados diariamente e cronologicamente, para os anos de 2004, 2005 e 2006. Em 01/09/2009, lavramos Termo de Intimação (fls. 21), para apresentação de: Ø Documentação comprobatória dos recolhimentos de IOF de todas as operações de mútuo celebrados entre a ATRA e terceiros, em que a ATRA figure como mutuante, referenciados às folhas dos Livros Razões e organizados diariamente e cronologicamente para os anos de 2004, 2005 e 2006. Em 23/09/2009, o contribuinte apresentou (fls. 24 a 28): Ø Procuração em nome de Albino Vanzo Neto para representar a empresa ATRA Prestadora de Serviços em Geral Ltda; Ø Contrato Social da empresa ATRA Prestadora de Serviços em Geral Ltda; Ø Contrato de Mútuo, firmado entre ATRA Prestadora de Serviços em Geral Ltda (mutuante) e Geldria Participações e Serviços Ltda (mutuária), firmado em 03/01/2006; Ø Aditamento ao Contrato de Mútuo, datado de 03/01/2008. Neste mesmo documento, informou que os livros Razão dos exercícios de 2004, 2005 e 2006, estão à disposição da fiscalização nas instalações da empresa e que, devido ao fato dos livros serem volumosos, tornase difícil, a sua movimentação para fora da empresa. Em 28/09/2009, lavramos Termo de Reintimação (fls. 29), para apresentação de: Ø Lista de todos os contratos de mútuo, celebrados entre a ATRA e terceiros, em que a ATRA figure como mutuante, para os anos de 2004, 2005 e 2006; Ø Declaração dos tipos de operações de crédito realizadas por meio de conta corrente, se com definição do valor de principal ou sem definição do valor de principal; Ø Planilhas detalhadas (beneficiário, valor e prazo) de todas as operações de mútuo celebrados entre a ATRA e terceiros, em que a ATRA figure como mutuante, referenciados às folhas dos Livros Fl. 626DF CARF MF 4 Razões e organizados diariamente e cronologicamente, para os anos de 2004, 2005 e 2006. Na ocasião, o contribuinte foi advertido de que a recusa injustificada, nos termos da lei, de exibição dos elementos solicitados iria configurar embaraço à fiscalização, nos termos do disposto no inc. I, do Art. 33, da Lei n° 9430/96; além disso, o não atendimento a esta intimação, ensejaria a aplicação de multa agravada conforme artigo 959 do RIR/99 (Decreto nr. 3000/99) sem prejuízo de outras sanções que couberem; além disso, o não atendimento permitiría o lançamento com as informações de que se dispusesse. Em 19/10/2009, foi lavrado Termo de Embaraço à Ação Fiscal (fls. 35 a 37), devido à falta de apresentação da totalidade dos documentos solicitados através dos Termos anteriormente mencionados. Em 28/10/2009, o contribuinte apresentou declaração em que afirma “que não há guias de recolhimento de IOF a serem apresentadas referentes às operações de mútuo realizadas com a GELDRL4, tendo em vista que tratamse de empresas do mesmo grupo econômico. ” (fls. 39). Em 28/10/2009, o contribuinte apresenta solicitação de dilação do prazo, em 15 dias, para apresentação de cópias dos livros Razão, “pertinentes aos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006” (fls. 40 e 41). Em 28/10/2009, o contribuinte requer a desconstituição do Termo de Embaraço à Ação Fiscal, por entender que “as Requerentes jamais se eximiram de apresentar os documentos solicitados, bem como, por diversas vezes tentaram agendar um horário com o Sr. Fiscal para tanto, no entanto, todas as tentativas restaram infrutíferas, apesar dos esforços despendidos, sendo que ora a impossibilidade era dos procuradores das citadas empresas, ora a impossibilidade era do agente fiscalizador. Mesmo porque, foram respeitadas as datas agendadas, sendo que, diante da impossibilidade, sempre fora notificado o agente fiscalizador para que se procedesse a novo agendamento, nunca se eximindo de comparecer e atender às exigências fiscais. " (fls. 44 a 46). Em 17/11/2009, o contribuinte apresentou (fls. 47 a 59): Ø Contrato de Mútuo, firmado entre Atra Prestadora de Serviços em Geral Ltda (mutuante) e Rentalcenter Comércio e Locação de Bens Móveis Ltda (mutuária), firmado em 30/12/2002, bem como 03 Aditamentos ao Contrato de Mútuo, datados de 02/01/2004, 31/12/2004 e 01/01/2006; Ø Contrato de Mútuo, firmado entre Atra Prestadora de Serviços em Geral Ltda (mutuante) e ASM Futura Desenvolvimento de Software e Comércio Ltda (mutuária), firmado em 01/08/2003, bem como dois Aditamentos ao Contrato de Mútuo, datados de 31/07/2005 e 31/07/2006. Em 17/11/2009, o contribuinte foi intimado a apresentar a Razão Social completa e o CNPJ das empresas listadas a seguir, que constam das seguintes contas do livro Razão 2004 da empresa ATRA Prestadora de Serviços em Geral (fls. 60 a 62): Geldria Participações 12101005033 Gelre Trabalho Temporário 12101005049 Fl. 627DF CARF MF Processo nº 19515.005090/200908 Acórdão n.º 3302005.715 S3C3T2 Fl. 4 5 Rentalcenter 12101005061 Central de Estágios 12101005096 GPP Promoções 12101005131 Gelre Agrícola 12101005171 7ASM Futura 12101005353 Atra Sistemas Informatizados 12101005075 Taskforce 12101005166 ASM Informática 12101005221 Empréstimos a sócios 12101005395 Sterck Factoring Fomento 12101005103 Omnia 12101005145 Sterck Corretora Seguros 12101005719 Empréstimo a Sócios 12101005395 16GGI12101005215 Em 24/11/2009, o contribuinte apresentou a Razão Social completa e o CNPJ das empresas listadas no Termo de Intimação de 17/11/2009 (fls. 63 a 64). A análise do Livro Razão de 2004 permite identificar contas contábeis que foram objeto de lançamentos de mútuos, bem como contas contábeis, que apresentam operações e transferências financeiras, que não tem classificação específica, mas que, pela sua natureza, se enquadram como operações de crédito, de acordo com o art. 3°, inciso VII do Decreto nr. 4494/2002. Estas operações de crédito, decorrentes de registros ou lançamentos contábeis ou sem classificação específica, indicam, pela sua natureza, a colocação ou entrega de recursos à disposição de terceiros, de acordo com o art. 7°, § 13 do Decreto nr 4494/2002. Dentre estas operações de crédito, aparecem, por exemplo, despesas pagas por uma empresa em favor de outra empresa, sendo que esta última fica devedora daquele valor em favor da primeira (fls. 82). As cópias das contas contábeis de interesse dos livros Razão de 2004 estão às fls. 65 a 115, sendo que em razão do grosso volume destes livros, há a dificuldade de abertura total das folhas, impedindo assim a obtenção completa e legível destas cópias, pois as mesmas ficam completamente escurecidas nos cantos. Assim, as cópias dos Razões, fornecidas pelo contribuinte, estão com muitas das informações transcritas a mão, como, por exemplo, nomes e números das contas, bem como datas dos lançamentos. Estas informações foram verificadas pela fiscalização. As Tabelas dos Anexos 1 a 16 apresentam as transcrições dos lançamentos das seguintes contas contábeis, obtidas dos livros Razão de 2004: ANEXO 1 Geldria Participações 12101005033 Fl. 628DF CARF MF 6 ANEXO 2 Gelre Trabalho Temporário 12101005049 ANEXO 3 Rentalcenter 12101005061 ANEXO 4 Central de Estágios 12101005096 I ANEXO 5 GPP Promoções 12101005131 ANEXO 6 Gelre Agrícola 12101005171 ANEXO 7 ASM Futura 12101005353 ANEXO 8 Atra Sistemas Informatizados 12101005075 ANEXO 9 Taskforce 12101005166 ANEXO 10 ASM Informática 12101005221 ANEXO 11 Empréstimos a sócios 12101005395 ANEXO 12 Sterck Factoring Fomento 12101005103 ANEXO 13 Omnia 12101005145 ANEXO 14 Sterck Corretora Seguros 12101005719 ANEXO 15 AtraPSG S/C Ltda 12101005054 ANEXO 16 GGI12101005215 Nas tabelas anexas ao Auto de Infração, considerase ocorrido o fato gerador e devido o IOF , na data do lançamento contábil, em relação às operações e às transferências internas que não tenham classificação específica, mas que, pela sua natureza, se enquadrem como operações de crédito, de acordo com o art. 3°, inciso VII do Decreto nr. 4494/2002 . A base de cálculo para cálculo do IOF devido a cada mês, é a soma dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, sendo que o IOF devido é obtido pela aplicação da alíquota de 0,0041% sobre o total dos saldos devedores apurados, de acordo com o art. 7°, inc. I e § 13 do Decreto 4.494/2002. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 03/12/2009 (fls. 328), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 23/12/2009, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 337 à 349, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante em sua defesa alegou os seguintes pontos: ü Ocorre que a Impugnante apenas não recolheu o imposto exigido por entender que não incide IOF entre mutuo realizado entre pessoas jurídicas coligadas; ü Porém o IOF é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, e acordo com o disposto no artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para o Fisco constituir seu crédito é de 05 (cinco) anos contados da ocorrência do fato jurídico tributário (“fato gerador”); Fl. 629DF CARF MF Processo nº 19515.005090/200908 Acórdão n.º 3302005.715 S3C3T2 Fl. 5 7 ü Sendo assim, a Autoridade Fiscal, para exigir a totalidade dos créditos referentes às competências exigidas no AI em tela, teria que começar a realizar o lançamento em janeiro de 2009. Contudo, somente notificou a Impugnante em 03 de dezembro de 2009, desse modo, já foram extintas pela decadência as competências relativas a janeiro de 2004 a novembro de 2004, somente podendo ser exigido da Impugnante a competência de dezembro de 2004; ü Dessa forma, o crédito tributário foi constituído em face da impugnante depois do transcurso do prazo decadencial estipulado pela legislação aplicável, ensejando, desta forma, a extinção desses débitos, nos termos do artigo 156, V, do Código Tributário Nacional; ü No caso, a Impugnante é uma prestadora de serviço de terceirização de mãodeobra, não é uma instituição financeira, apenas realizou mútuo com empresas coligadas, portanto não realizou o fato gerador previsto na lei complementar, o que toma insubsistente a presente acusação fiscal e totalmente ilegal a exigência do IOF no caso em epígrafe; ü Ocorre que no caso em tela, não se trata de mútuo comercial e sim de mútuo realizado entre pessoa jurídicas não financeiras com pessoa jurídicas coligadas, conforme atestou a D. Fiscal na lavratura do auto de infração; ü O mútuo entre pessoas jurídicas do mesmo grupo de empresas não tem o intuito comercial e sim de se ajudarem, ou de auto ajuda ou “empréstimo para si mesmo”, não tendo relação alguma como o mercado de crédito, fugindo assim da competência da União Federal para legislar e intervir sobre o assunto; ü Ora, as sociedades que operam em grupo de empresas têm objetivo comum, a serviço dos quais conjugam todos os seus recursos e esforços, uma não tem intuito de beneficiarse ou obter vantagem econômica em cima da outra, por isso devem ser consideradas, neste objetivo comum que é o resultado positivo do grupo, como uma só empresa; ü Desta feita, por isso sobre o mútuo realizado entre empresas do mesmo grupo não há incidência do lOFcrédito, a uma, porque não existe a operação de mútuo na acepção, a qual um empresta para outro visando um ganho sobre a operação, a duas, sendo as empresas do grupo uma só empresa, ninguém empresta dinheiro para si mesmo, visando obter ganho. DO PEDIDO Ex positis, preliminarmente, requer a Impugnante seja reconhecida a extinção dos créditos referentes aos períodos de janeiro de 2004 a novembro de 2004, por já ter ocorrido a decadência, nos termos do art. 150, § 4° do CTN. Fl. 630DF CARF MF 8 Mais e finalmente, requer seja dado julgado improcedente o presente lançamento, uma vez que resta claro que não incide IOFcrédito sobre mútuo realizado entre pessoas jurídicas não financeiras, coligadas e pertencentes ao mesmo grupo de empresas, em virtude dos fatos e razões apontados e comprovados por competente prova documental, por se tratar do que se tem como a mais lídima justiça! Em 28 de janeiro de 2015, através do Acórdão n° 0650.887, a 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Curitiba/PR, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, para afastar as preliminares de decadência e nulidade e manter a exigência do crédito tributário lançado. Entendeu a Turma que: ü Não havendo pagamento de tributo a contagem do prazo decadencial é a prevista no inciso I do artigo 173 do CTN como mencionou a fiscalização no TVF, ou seja, o prazo começa a fluir do primeiro dia do exercício seguinte àquele que poderia ter sido efetuado o lançamento. Considerando que os fatos geradores ocorridos até novembro de 2004 já poderiam ter sido lançados naquele exercício financeiro, temos que o início do prazo decadencial se dá em 01/01/2005 e encerrase em 31/12/2009. Como a ciência da autuação ocorrera em 03/12/2009 o prazo decadencial não tinha expirado ainda; ü Ressaltese que as operações de crédito correspondentes a mútuos de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física, tem como característica a liberalidade, constitui de fato um repasse de recursos financeiros disponíveis entre pessoas jurídicas, quase sempre pertencentes ao mesmo grupo econômico, mediante contrato de mútuo pactuado entre as partes; ü Assim, se estas operações não se revestem de intuito especulativo ou não constituem atividade econômica geradora de ônus ou ganhos para as partes envolvidas, são aspectos irrelevantes para definir o campo de incidência do IOF. É, portanto, equivocada a afirmação da impugnante de que o IOF seria um consectário do Imposto de Renda, haja vista que os tributos possuem fatos geradores distintos e o próprio CTN, em sua sistematização, deixa clara a distinção entre impostos sobre o patrimônio e a renda, e impostos sobre a produção e a circulação; ü Desse modo, à luz do que disciplina o art. 13 da Lei n°. 9.779, de 1999, não há como os recursos disponibilizados pela empresa ALL América Latina Logística S.A. sob a forma de mútuo, com empresas do mesmo grupo, não financeiras se caracterizam como operações de crédito, em sentido amplo, e estão incluídas na incidência do IOF; ü Desta forma em que pesem as manifestações doutrinárias transcritas na peça de defesa, não vislumbro qualquer tendência de a legislação brasileira adotar a tese defendida pelo interessado de que operações dentro de um mesmo grupo econômico não estarem sujeitas ao IOF. O que restou muito claro, à vista dos dispositivos que regem a matéria é que, não importa o fato de as empresas terem ou não algum tipo de relacionamento ou ligação, a pessoa jurídica que conceder o crédito é Fl. 631DF CARF MF Processo nº 19515.005090/200908 Acórdão n.º 3302005.715 S3C3T2 Fl. 6 9 responsável pela cobrança e recolhimento do IOF. Portanto, à vista de todo o exposto, voto por julgar procedente a exigência consignada no auto de infração que ora se analisa; ü Com relação às transferências realizadas em favor das empresas do grupo, a interessada limitase a afirmar que as importâncias adiantadas às referidas coligadas e controladas não poderiam ser tributadas como operações de mútuo, uma vez que se tratam de adiantamentos para o pagamento de despesas rotineiras como salários, fornecedores, e outros, a fim de que aquelas não precisassem recorrem às instituições financeiras; ü Pois bem, as informações colhidas no curso da ação fiscal autorizam concluir que a Interessada mantinha um conta corrente com cada uma das referidas empresas, através do qual efetuava adiantamentos para fins de pagamento de despesas. O mecanismo de conta corrente mantido entre pessoas jurídicas, pelo qual uma disponibiliza à outra recursos financeiros que deverão ser restituídos à primeira ao cabo de prazo determinado ou indeterminado, configura operação de mútuo, sobre ela incidindo o IOF, sendo irrelevante para fins tributários que tal operação esteja prevista em contrato denominado “de gestão de recursos financeiros” que qualifique as obrigações nele fixadas como meros adiantamentos de recursos; ü Assim, não importa a que propósito os repasses foram realizados, sua característica é de mútuo e, à vista de tais circunstâncias, reputo correta a cobrança do IOF com base nas regras do crédito rotativo. A impugnante foi cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento, em 15/04/2015, via Aviso de Recebimento, às folhas 587 do processo digital. Em 13/05/2015 (folhas 614), a empresa autuada apresentou RECURSO VOLUNTÁRIO de folhas 591 a 601. Foi alegado que: DA DECADÊNCIA ü O Auto de infração em tela, está exigindo, do período de 2004 IOF sobre mútuos realizados entre a Recorrente e pessoas jurídicas coligadas, empréstimos estes devidamente lançados, escriturados e contabilizados, conforme cientificou a D. Fiscal; ü Ocorre que a Recorrente apenas não recolheu o imposto exigido por entender que não incide IOF entre mutuo realizado entre pessoas jurídicas coligadas; ü Porém o IOF é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, e acordo com o disposto no artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o Fl. 632DF CARF MF 10 prazo para o Fisco constituir seu crédito é de 05 (cinco) anos contados da ocorrência do fato jurídico tributário ("fato gerador"); ü Sendo assim, a Autoridade Fiscal, para exigir a totalidade dos créditos referentes às competências exigidas no AI em tela, teria que começar a realizar o lançamento em janeiro de 2009. Contudo, somente notificou a Recorrente em 03 de dezembro de 2009, desse modo, já foram extintas pela decadência as competências relativas a janeiro de 2004 a novembro de 2004, somente podendo ser exigido da Recorrente a competência de dezembro de 2004. DA INCIDÊNCIA DO IOF ü A Recorrente é uma sociedade empresarial que visa auxiliar as pessoas jurídicas de seu grupo econômico, não é uma instituição financeira, apenas realizou mútuo com empresas coligadas, portanto não realizou o fato gerador previsto na lei complementar, o que torna insubsistente a presente acusação fiscal e totalmente ilegal a exigência do IOF no caso em epígrafe. DO MÚTUO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS DO MESMO GRUPO ü No caso em tela, não se trata de mútuo comercial e sim de mútuo realizado entre pessoas jurídicas não financeiras com pessoa jurídicas coligada, conforme atestou a D. Fiscal na lavratura do auto de infração; ü O mútuo entre pessoas jurídicas do mesmo grupo de empresas não tem o intuito comercial e sim de se ajudarem, ou de auto ajuda ou "empréstimo para si mesmo", não tendo relação alguma como o mercado de crédito, fugindo assim da competência da União Federal para legislar e intervir sobre o assunto; ü No caso os contratos utilizados pela fiscalização é o da Recorrente com todas as empresas de seu grupo econômico, sendo sócia de todas ou tendo como administrador ou sócio o Sr. Johannes Antonius Maria Wiegerink, conforme os contratos sociais em anexo; ü Temse assim claro que o mútuo foi realizado entre empresas coligadas e do mesmo grupo, conforme afirmou a Fiscal e é comum em um grupo de empresas que uma delas tenha prejuízo outra opere com lucro e uma ajude a outra com serviços ou até mesmo empréstimo para atingir o objetivo que é o resultado positivo; ü Ora, as sociedades que operam em grupo de empresas têm objetivo comum, a serviço dos quais conjugam todos os seus recursos e esforços, uma não tem intuito de beneficiarse ou obter vantagem econômica em cima da outra, por isso devem ser consideradas, neste objetivo comum que é o resultado positivo do grupo, como uma só empresa; ü Desta feita, por isso sobre o mútuo realizado entre empresas do mesmo grupo não há incidência do IOFcrédito, a uma, porque não existe a operação de mútuo na acepção, a qual um empresta para outro Fl. 633DF CARF MF Processo nº 19515.005090/200908 Acórdão n.º 3302005.715 S3C3T2 Fl. 7 11 visando um ganho sobre a operação, a duas, sendo as empresas do grupo uma só empresa, ninguém empresta dinheiro para si mesmo, visando obter ganho; ü Não relação de mútuo entre pessoas jurídicas distintas no caso em tela, mas sim entre pessoas do mesmo grupo empresarial visando o objetivo comum, e uma auxiliando a outra para atingir o resultado positivo; ü Portanto, o presente auto de infração deve ser julgado insubsistente uma vez que não há operação de crédito passível de incidência do IOF entre empresas coligadas ou do mesmo grupo quando desempenham, em favor uma das outras, funções de apoio financeiros ou administrativos. DO PEDIDO Ex positis, preliminarmente, requer a Recorrente seja reconhecida a extinção dos créditos referentes aos períodos de janeiro de 2004 a novembro de 2004, por já ter ocorrido a decadência, nos termos do art. 150, § 4° do CTN. Mais e finalmente, requer seja dado julgado improcedente o presente lançamento, uma vez que resta claro que não incide IOFcrédito sobre mútuo realizado entre pessoas jurídicas não financeiras, coligadas e pertencentes ao mesmo grupo de empresas, em virtude dos fatos e razões apontados e comprovados por competente prova documental, por se tratar do que se tem como a mais lídima justiça! É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 15 de abril de 2015, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário apresentando a recorrente recurso voluntário tempestivo, em 13 de maio de 2015. Da controvérsia. São pontos controversos: ü A decadência; ü A incidência do IOF; Fl. 634DF CARF MF 12 ü O mútuo entre pessoas jurídicas do mesmo grupo. Das Preliminares. A decadência A data de início da contagem do prazo decadencial dos tributos se regram por dois entendimentos: O primeiro entendimento, defendido principalmente pelos contribuintes, é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento de ofício deve obedecer ao prazo decadencial estabelecido pelo art. 150, § 4º, da Lei nº 5.172/1966 Código Tributário Nacional (CTN), ou seja, contado a partir da data de ocorrência do fato gerador, independentemente de haver ou não pagamento, salvo se constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, hipótese em que a regra a ser aplicada é a do art. 173, I, do mesmo diploma legal, ou seja, contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Argumentase que o importante é que a modalidade de lançamento seja por homologação, ou seja, aquela na qual a lei atribui ao sujeito passivo o dever de pagar sem prévio exame da autoridade administrativa. Segundo esse entendimento, se a modalidade do lançamento é por homologação, não interessa se houve algum pagamento, ou mesmo se o sujeito passivo descumpriu algum outro dever. Alegase que o artigo 150, § 4º, do CTN, estabelece norma de decadência em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação e que cabe ao contribuinte identificar o fato gerador, apurar o montante devido e efetuar o “autolançamento”. Entendese que o pagamento, realizado ou não pelo sujeito passivo, não integra a constituição do crédito tributário, mas sim a extinção, e que não se homologa pagamento, que é causa de extinção do crédito tributário, mas a atividade exercida pelo sujeito passivo, regra esta que expressamente decorre da segunda parte do artigo 150, na qual se encontram as expressões “tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. Interpretase que a atividade a que se refere a lei são os atos realizados pelo sujeito passivo para o “autolançamento”. Assim, nos casos em que a autoridade fiscal mantémse inerte em relação às ações ou omissões do sujeito passivo, decorridos cinco anos a contar do fato gerador, temse a decadência. Ainda, entendese que o artigo 173, I, do CTN, ao prever que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, trata dos casos de lançamento por declaração, que ocorre quando a lei atribui ao sujeito passivo ou a terceiro a obrigação de prestar informações para que a Fazenda, com base nas informações prestadas, constitua o crédito tributário. É por esta razão que, nesse caso, o prazo decadencial começaria a contar no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Em outras palavras: nos tributos por declaração, uma vez prestadas as informações, cabe ao sujeito at2ivo, no exercício de seupoder/dever, constituir o crédito tributário pelo lançamento. Decorrido o exercício em que as informações foram prestadas, sem que o lançamento tenha sido efetuado, iniciase o prazo decadencial. O segundo entendimento é o de que o lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo antecipa o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade Fl. 635DF CARF MF Processo nº 19515.005090/200908 Acórdão n.º 3302005.715 S3C3T2 Fl. 8 13 administrativa, sob condição resolutória de ulterior homologação ao lançamento. Não havendo pagamento, não se cumpre o requisito básico disposto no mencionado artigo, verbis: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifouse) Dessa forma, conforme se observa na transcrição acima, entendese que a lei atribuiu requisito ao lançamento por homologação, qual seja, a antecipação do pagamento. Assim, não basta que a legislação determine o pagamento antecipado do tributo para que se caracterize o lançamento por homologação, mas sim, que haja efetivamente o pagamento. Não atendida a condição, não se pode configurar o lançamento por homologação e, neste caso, aplicase a regra geral de contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I do CTN, ou seja, a contagem do prazo tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A interpretação da Receita Federal do Brasil foi manifestada pela Cosit nas Soluções de Consulta Interna nº 16, de 5 de junho de 2003; 23, de 24 de agosto de 2004; e 26, de 1º de novembro de 2005. Em suma, havendo pagamento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150 do CTN; não havendo pagamento, aplicase a regra do art. 173 do mesmo Código. Nesse mesmo sentido concluiu a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/CAT nº 1617/2008, ao analisar a decadência das contribuições previdenciárias. No referido parecer, a PGFN registra entendimentos dos então Conselhos de Contribuintes no sentido de que “se a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o tributo amoldase à sistemática de lançamento denominada homologação, onde a contagem do prazo decadencial dáse com a ocorrência do fato gerador, na forma disciplinada pelo § 4º do art. 150 do CTN (...)”. Ressaltase que consta do item 36 desse parecer, a seguir transcrito, que os Conselhos estariam começando a mudar o entendimento: (...) Fl. 636DF CARF MF 14 36. Os Conselhos de Contribuintes, no entanto, começam a mudar o entendimento. Aplicouse recentemente o art. 173, I, do CTN, em caso de lançamento de ofício, no qual não houve pagamento. Refirome ao Recurso RP/ 203123287. Entendeu o Conselho que deve se verificar se o contribuinte recolheu valores no período fiscalizado. Na existência do recolhimento, deve se aplicar o § 4º do art. 150 do CTN. Na inexistência de recolhimentos, deve ser aplicado o art. 173, I, do mesmo CTN. De igual modo, decidiuse no Recurso RD/204130232, bem como no RD/203115797. (...) Ao final conclui o Parecer PGFN/CAT nº 1617/2008: (...) d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN; (...) Em que pese o entendimento da Receita Federal do Brasil e o da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional sobre o tema, observase, nos julgados do Conselho de Contribuintes (CC), atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que o posicionamento predominante nesse órgão é no sentido de se contar o prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação a partir da data de ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN). Não obstante, em recente apreciação de recurso impetrado pela PGFN contra o acórdão CC nº 10514777, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por voto de qualidade, deu provimento ao mencionado recurso, com a publicação do acórdão CSRF nº 910100460, no sentido de aplicar a regra do art. 173, I do CTN, no caso de inexistência de pagamento. Prescreve o art. 173 do Código Tributário Nacional – CTN, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito Fl. 637DF CARF MF Processo nº 19515.005090/200908 Acórdão n.º 3302005.715 S3C3T2 Fl. 9 15 tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (grifei). O artigo 173 do Código Tributário Nacional estabelece que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário via lançamento extinguese após 5 (cinco) anos. Estabelecido o quantum do prazo, é curial verificar seu dia de início. Podese destacar três hipóteses: (i) primeiro, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, fonte no artigo 173, inciso I, do CTN; (ii) segundo, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, fonte no artigo 173, inciso II, do CTN; (iii) terceiro, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados da data em a Fazenda deveria ter homologado o lançamento, fonte no artigo 150, §4º, do CTN; Jurisprudência Judicial. Coincide com o entendimento da Receita Federal do Brasil e o da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), reiterado recentemente nos autos do Recurso Especial (REsp) nº 973.733/SC, julgado como representativo da controvérsia, sob o rito do art. 543C, do CPC ("recurso repetitivo"[2]), no qual a Primeira Seção decidiu que "o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. De acordo com o STJ, a regra jurídica da decadência aplicável nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado, é aquela regida pelo disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. No julgamento do referido recurso, a Primeira Seção do STJ destacou, ainda, que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado “corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação”. (grifouse) O posicionamento do STJ sobre a matéria pode ser observado também nas seguintes decisões REsp 216.758/SP, DJ 10.04.2006, (Primeira Seção); REsp 674.497/PR, DJe Fl. 638DF CARF MF 16 08/09/2009, (Segunda Turma); REsp 766.050/PR, DJ 25.02.2008 (Primeira Seção); REsp 749.446/PR, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1.044.953/SP, DJe 03/06/2009; REsp 989.421/RS, DJe 10/12/2008 (Primeira Turma); REsp 957.682/PE, DJe 02/04/2009 (Segunda Turma). Assim temos que: ü Regra geral – prevista no artigo 173, inciso I do CTN que prevê que a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; ü Regra especial – é retirada do artigo 150, parágrafo quarto e utilizada para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação e nos casos em que tenha ocorrido efetivamente a antecipação do pagamento. Determina que o início da contagem do prazo decadencial é a data do fato gerador. Ocorrendo dolo, fraude ou simulação nos casos de lançamento por homologação, aplicase a regra geral; ü Regra do lançamento anulado – estabelece que, quando existir lançamento anulado por vício formal, o início da contagem do prazo decadencial darseá na data em que se tornar definitiva a decisão que anulou o lançamento anteriormente efetuado (art. 173, II, CTN). Consoante o Auto de Infração, a data mais remota de fato gerador é 31/04/2004 (folhas 329). Destarte, conforme exposto, dada a ausência de pagamento, o início do prazo decadencial se dá em 01/01/2005 e encerrase em 31/12/2009. Como a ciência da autuação ocorrera em 03/12/2009 o prazo decadencial não tinha expirado ainda. Do Mérito. A incidência do IOF Nos limites da autorização constitucional e do fixado no CTN, a Lei n° 9.779, de 1999, em seu art. 13, caput, estabeleceu, de forma expressa, que os mútuos de recursos financeiros realizados entre pessoas jurídicas, como no presente caso, sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. Tal disposição não distinguiu, de modo algum, o fato de trataremse de empresas do mesmo grupo. Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. É alegado às folhas 09 do Recurso Voluntário: Assim ambas normas jurídicas forma recepcionadas pela Constituição Federal que com a legislação complementar competente para dispor sobre normas gerais de direito tributário, em especial sobre o IOF, ficando claro a eleição do Fl. 639DF CARF MF Processo nº 19515.005090/200908 Acórdão n.º 3302005.715 S3C3T2 Fl. 10 17 fato gerador do imposto as condutas realizadas por instituições financeiras. Com efeito, não pode a legislação ordinário dispor de forma contrária a lei complementar e eleger outras hipóteses de incidências, que sejam realizadas por pessoas jurídicas que não sejam instituições financeiras. No caso, a Recorrente é uma sociedade empresarial que visa auxiliar as pessoas jurídicas de seu grupo econômico, não é uma instituição financeira, apenas realizou mútuo com empresas coligadas, portanto não realizou o fato gerador previsto na lei complementar, o que torna insubsistente a presente acusação fiscal e totalmente ilegal a exigência do IOF no caso em epígrafe. Dos claros termos da norma acima transcrita decorre que o imposto incide não só nas operações de crédito intermediadas por instituição financeira, como também nas operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros realizadas entre quaisquer pessoas jurídicas, ou entre pessoa jurídica e pessoa física, sendo também irrelevante que as operações realizadas tenham se dado entre empresas do mesmo grupo econômico, pois o dispositivo legal retromencionado, em nenhum momento, assim distinguiu, bastando que referidas operações se caracterizem como mútuo, observandose para tanto, a definição contida no abaixo transcrito art. 586 do Código Civil de 2002 (Lei n° 10.406, de 2002), o qual que manteve a redação do art. 1256 do Código Civil anterior (Lei 3.071, de 1916): Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. No mesmo sentido, as disposições abaixo transcritas dos artigos 2°, I, “c” e art. 3°, § 3°, I e III do Regulamento do IOF (Decreto n° 6.306, de 2007), já presentes nos arts. 2°, I, “c” e art. 3°, § 4°, I, III do Regulamento que o antecedeu (Decreto n° 4.494, de 2002): “Art. 2° O IOF incide sobre: I operações de crédito realizadas: a) por instituições financeiras (Lei n° 5.143, de 20 de outubro de 1966, art. 1°); (...) c) entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 13); (...) “Art. 3° O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado (Lei n° 5.172, de 1966, art. 63, inciso I). (...) Fl. 640DF CARF MF 18 § 3° A expressão "operações de crédito" compreende as operações de: I empréstimo sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito e desconto de títulos (DecretoLei n° 1.783, de 18 de abril de 1980, art. 1°, inciso I); (...) III mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei n° 9.779, de 1999, art. 13).(destaquei) DOS RESPONSÁVEIS Art. 5° São responsáveis pela cobrança do IOF e pelo seu recolhimento ao Tesouro Nacional: I as instituições financeiras que efetuarem operações de crédito (DecretoLei n° 1.783, de 1980, art. 3°, inciso I); II as empresas de factoring adquirentes do direito creditório, nas hipóteses da alínea "b" do inciso I do art. 2° (Lei n° 9.532, de 1997, art. 58, § 1°); III a pessoa jurídica que conceder o crédito, nas operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros (Lei n° 9.779, de 1999, art. 13, § 2°).” (Grifo e negrito nossos). Frisese, ainda, que antes mesmo da edição da Lei n° 9.779, de 1999, o Supremo Tribunal Federal, ao apreciar a Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 17638/DF, já havia adotado posicionamento no sentido de que o âmbito constitucional de incidência possível do IOF sobre operações de crédito não se restringe às praticadas por instituições financeiras: EMENTA: IOF: incidência sobre operações de factoring (L. 9.532/97, art. 58): aparente constitucionalidade que desautoriza a medida cautelar. O âmbito constitucional de incidência possível do IOF sobre operações de crédito não se restringe às praticadas por instituições financeiras, de tal modo que, à primeira vista, a lei questionada poderia estendêla às operações de factoring, quando impliquem financiamento (factoring com direito de regresso ou com adiantamento do valor do crédito vincendo — conventional factoring); quando, ao contrário, não contenha operação de crédito, o factoring, de qualquer modo, parece substantivar negócio relativo a títulos e valores mobiliários, igualmente susceptível de ser submetido por lei à incidência tributária questionada.”(destaquei) Esse assunto também já foi levado ao antigo Conselho de Contribuintes, e ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF onde foi confirmado o entendimento acima exposto. Citase como exemplo o Acórdão 330100.217, de 14/08/2009, disponível no site do CARF na internet, assim ementado: “IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF (...), mútuo entre empresas ligadas. incidência do IOF. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre quaisquer pessoas Fl. 641DF CARF MF Processo nº 19515.005090/200908 Acórdão n.º 3302005.715 S3C3T2 Fl. 11 19 jurídicas ou entre qualquer pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do 10F, ainda que o concedente do crédito não seja instituição financeira nem entidade a ela equiparada. Recurso voluntário provido em parte.(...)” Da alegação de mútuo entre pessoas jurídicas do mesmo grupo É alegado às folhas 11 do Recurso Voluntário: Ocorre que no caso em tela, não se trata de mútuo comercial e sim de mútuo realizado entre pessoas jurídicas não financeiras com pessoa jurídicas coligada, conforme atestou a D. Fiscal na lavratura do auto de infração. O mútuo entre pessoas jurídicas do mesmo grupo de empresas não tem o intuito comercial e sim de se ajudarem, ou de auto ajuda ou "empréstimo para si mesmo", não tendo relação alguma como o mercado de crédito, fugindo assim da competência da União Federal para legislar e intervir sobre o assunto. No caso os contratos utilizados pela fiscalização é o da Recorrente com todas as empresas de seu grupo econômico, sendo sócia de todas ou tendo como administrador ou sócio o Sr. Johannes Antonius Maria Wiegerink, conforme os contratos sociais em anexo. Temse assim claro que o mútuo foi realizado entre empresas coligadas e do mesmo grupo, conforme afirmou a Fiscal e é comum em um grupo de empresas que uma delas tenha prejuízo outra opere com lucro. A Impugnante argumenta que as operações identificadas em sua contabilidade não correspondem a contrato de mútuo comercial e sim de mútuo realizado entre empresas do mesmo grupo, o que afastaria a incidência do imposto. Os artigos transcritos, assim como, em particular, o artigo 7º da Instrução Normativa n° 907/09, que parece ser a disposição normativa que mais se amolda à argumentação da Recorrente, não distinguem a figura do contrato de mútuo comercial e do mútuo realizado entre empresas do mesmo grupo. Art. 7o O IOF incidente sobre operações de crédito concedido por pessoas jurídicas não financeiras, de que trata o art. 13 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, incide somente sobre operações de mútuo que tenham por objeto recursos em dinheiro, disponibilizados sob qualquer forma. § 1° O imposto de que trata o caput tem como: contribuinte, o mutuário, pessoa física ou jurídica; Fl. 642DF CARF MF 20 fato gerador, a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do mutuário; e base de cálculo, o valor entregue ou colocado à disposição do mutuário. Portanto, para configurar a ocorrência do fato gerador do IOF, ainda que entre empresas do mesmo grupo, basta a disponibilização dos recursos em dinheiro. Por ser elucidativo cabe colacionar a ementa e parte do voto do Eminente Min. Mauro Campbell do STJ: RECURSO ESPECIAL N° 1.239.101 RJ (2011/00334760) TRIBUTÁRIO. IOF. TRIBUTAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE CRÉDITO CORRESPONDENTES A MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. ART. 13, DA LEI N. 9.779/99. O art. 13, da Lei n. 9.779/99 caracteriza como fato gerador do IOF a ocorrência de "operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas " e não a específica operação de mútuo Sendo assim, no contexto do fato gerador do tributo devem ser compreendidas também as operações realizadas ao abrigo de contrato de conta corrente entre empresas coligadas com a previsão de concessão de crédito. Recurso especial não provido. VOTO (...) Com efeito, o que a lei caracteriza como fato gerador do IOF é a ocorrência de "operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas " e não a específica operação de mútuo. (...) Sendo assim, o contrato de mútuo, longe de ser a única espécie contratual a ser tributada, é tido por um modelo cujas características essenciais devem ser buscadas em outras espécies de contrato que envolvam operações de crédito para que possam ser alcançadas pela hipótese de incidência do IOF. É por esse motivo que o §1°, do art. 13, da lei citada considera ocorrido o fato gerador do tributo na data da concessão do crédito. Também, em sintonia com os entendimentos expressos acima estão os precedentes do CARF sobre o tema: IOF. RECURSOS CONTABILIZADOS EM ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL. EQUIPARAÇÃO A NEGÓCIO DE MÚTUO. POSSIBILIDADE. Não estando demonstrado que os recursos repassados representavam realmente um pagamento antecipado para aquisição de ações ou quotas de capital (AFAC), o aporte de recursos financeiros efetuados sistematicamente caracterizamse como uma operação de crédito correspondente a mútuo, nos exatos termos da configuração do fato gerador do IOF, previsto no art. 13 da Lei n° 9.779/99. A ocorrência de uma Fl. 643DF CARF MF Processo nº 19515.005090/200908 Acórdão n.º 3302005.715 S3C3T2 Fl. 12 21 operação de crédito, para fins de incidência do IOF, independe da formalização de um contrato de mútuo. IOF. ADIANTAMENTOS EFETUADOS PARA EMPRESAS LIGADAS COM A FINALIDADE DE PAGAMENTOS DE DESPESAS. A utilização de uma rubrica contábil com a finalidade de pagamento de despesas de empresas ligadas, sem contrato formal de mútuo, caracteriza a existência de uma contacorrente, devendose apurar o IOF devido segundo as regras próprias das operações de crédito rotativo. IOF. MÚTUOS PACTUADOS VERBALMENTE ENTRE EMPRESAS LIGADAS. A utilização de uma rubrica contábil para registrar transferências de recursos entre empresas ligadas, sem contrato formal de mútuo, caracteriza a existência de uma contacorrente, devendose apurar o IOF devido segundo as regras próprias das operações de crédito rotativo. (CARF Acórdão 3101002.282, 3“ Câmara / 1a turma Ordinária, sessão de 27/03/14). IOF. CONTA CORRENTE. RECURSOS DE EMPRESAS DO MESMO GRUPO EMPRESARIAL. UTILIZAÇÃO. INCIDÊNCIA. A utilização de recursos financeiros disponibilizados por pessoas jurídicas, pertencentes ou não a um mesmo grupo empresarial, em contas correntes, por um dos correntistas, em montante superior ao seu valor de ingresso constitui fato gerador do IOF, por força de previsão constante do art. 13 da Lei n° 9.779/99, restando caracterizada operação de crédito em sua acepção ampla. (CARF Acórdão 3401002.490, 4“ Câmara / 1“ turma Ordinária, sessão de 29/01/14). MÚTUO, SEM PRAZO, DE RECURSOS FINANCEIROS POR MEIO DE CONTA CORRENTE. BASE DE CÁLCULO. Nas operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas, sem prazo, realizado por meio de contacorrente, a base de cálculo do IOF é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês. LANÇAMENTO. REGISTROS CONTÁBEIS. ALEGAÇÃO DE ERROS NA CONTABILIDADE. NÃO COMPROVAÇÃO. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Tendo sido o lançamento fundamentado nos registros contábeis da autuada, cabe a esta comprovar a inexatidão destes registros, e, quando não logra fazêlo, deve ser mantida a autuação. (CARF Acórdão 3302002.264, 3“ Câmara / 2“ turma Ordinária, sessão de 20/08/13). IOF. MÚTUO ENTRE EMPRESAS LIGADAS. CONTRATO DE CONTA CORRENTE COM ABERTURA DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas do mesmo grupo empresarial, através de contrato de conta corrente com abertura de crédito rotativo, sujeitamse à tributação pelo IOF, nos termos do artigo 13 da Lei n. 9.779/99. ÔNUS DA PROVA. DEFESA. FATOS IMPEDITIVOS, MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS. Fl. 644DF CARF MF 22 Cabe à defesa a prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária. (CARF Acórdão 3402003.019, 4a Câmara / 2“ turma Ordinária, sessão de 26/04/16). Assim, não procede as alegações apresentadas no sentido de eximir a incidência do IOF. Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. Jorge Lima Abud. Fl. 645DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.720238/2015-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
SUB-ROGAÇÃO NA PESSOA DO ADQUIRENTE DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. EMPRESA ADQUIRENTE, CONSUMIDORA OU CONSIGNATÁRIA OU COOPERATIVA. SUB-ROGAÇÃO. ART. 30, IV, DA LEI Nº 10.256, DE 2001. CONSTITUCIONALIDADE ASSENTADA PELO STF NO RE 718.874. REPERCUSSÃO GERAL. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO NOS JULGADOS DO CARF.
1. A constitucionalidade do instituto da sub-rogação veiculada pelo art. 30, IV, da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 9.528, de 1997, foi objeto do Recurso Extraordinário 718.874, julgado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 30/03/2017 (tema 669 da repercussão geral).
2. Restou decidido serem constitucionais, na égide da Lei 10.256, de 2001, tanto a norma que prevê a imposição tributária (art. 25 da lei 8.212, de 1991) quanto a norma que determina a responsabilidade tributária/sub-rogação (art. 30, IV, da lei 8.212, de 1991).
3. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemáticas, respectivamente, da repercussão geral e dos recursos repetitivos (arts. 1.036 a 1.041 da Lei 13.105, de 2015), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62, § 2º do Anexo II do Ricarf).
Numero da decisão: 2301-005.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário; vencidos os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa (relator) e Wesley Rocha, que deram provimento ao recurso. Designado por fazer o voto vencedor o conselheiro João Bellini Júnior.
João Bellini Júnior Presidente e redator designado
Marcelo Freitas de Souza Costa Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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EMPRESA ADQUIRENTE, CONSUMIDORA OU CONSIGNATÁRIA OU COOPERATIVA. SUBROGAÇÃO. ART. 30, IV, DA LEI Nº 10.256, DE 2001. CONSTITUCIONALIDADE ASSENTADA PELO STF NO RE 718.874. REPERCUSSÃO GERAL. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO NOS JULGADOS DO CARF. 1. A constitucionalidade do instituto da subrogação veiculada pelo art. 30, IV, da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 9.528, de 1997, foi objeto do Recurso Extraordinário 718.874, julgado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 30/03/2017 (tema 669 da repercussão geral). 2. Restou decidido serem constitucionais, na égide da Lei 10.256, de 2001, tanto a norma que prevê a imposição tributária (art. 25 da lei 8.212, de 1991) quanto a norma que determina a responsabilidade tributária/subrogação (art. 30, IV, da lei 8.212, de 1991). 3. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemáticas, respectivamente, da repercussão geral e dos recursos repetitivos (arts. 1.036 a 1.041 da Lei 13.105, de 2015), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62, § 2º do Anexo II do Ricarf). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário; vencidos os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa (relator) e Wesley Rocha, que deram provimento ao recurso. Designado por fazer o voto vencedor o conselheiro João Bellini Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 02 38 /2 01 5- 37 Fl. 3008DF CARF MF 2 João Bellini Júnior – Presidente e redator designado Marcelo Freitas de Souza Costa – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase Auto de Infração por descumprimento de obrigação principal, lavrado contra a empresa acima identificada, referentes à contribuição social correspondente à parte patronal e de terceiros – SENAR, ambos incidentes sobre a comercialização da produção rural com subrogação. De acordo com o Relatório Fiscal o levantamento do lançamento é HT – FRUTAS E VERDURAS conforme DD – Discriminativo do Débito e referese ao período de 01/2011 a 12/2012. Informa ainda que a empresa possui ação judicial com antecipação tutela e que esta deixa claro que a inexistência da obrigação de o autor reter a contribuição social denominada Funrural de seus fornecedores, com base na receita bruta, proveniente da comercialização da produção rural de empregadores, abrange somente para fornecedores de bovinos para abate e estes autos ora analisados são referentes a frutas e verduras entre outros. Após a impugnação, decisão de primeira instância julgou parcialmente procedente a autuação com a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. SUB ROGAÇÃO. São devidas as contribuições do empregador rural pessoa física, incidentes sobre a receita bruta da comercialização de sua produção. A empresa adquirente fica subrogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo cumprimento das obrigações do art. 25 da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001 e pelo recolhimento da contribuição para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. AÇÃO JUDICIAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.MULTA DE OFÍCIO Nos termos do art.63 da lei 9.430, não é cabível o lançamento da multa de ofício por se tratar de crédito tributário destinado a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União. Fl. 3009DF CARF MF Processo nº 13227.720238/201537 Acórdão n.º 2301005.357 S2C3T1 Fl. 3.009 3 SENAR. FALTA DE RETIFICAÇÃO EM GFIP. RECOLHIMENTO ANTERIOR A AÇÃO FISCAL. A constituição do crédito tributário através do lançamento das contribuições destinadas a Terceiros – SENAR, está correta quando regularmente intimado o contribuinte deixa de apresentar as retificações em GFIP, referente a recolhimentos efetuados antes do início da ação fiscal. PAGAMENTO O pagamento importa na renúncia do contencioso Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado com a Decisão a empresa recorre a este conselho alegando em síntese: Que a relatora do acórdão ora recorrido firmou o entendimento de que as jurisprudências pelas quais a recorrente se ateve para alegar a Inconstitucionalidade e/ou ilegalidade da cobrança do FUNRURAL se baseavam na aplicação das Leis 8.540/92 e 9.528/97 mas que o presente Auto de Infração está fundamentado na Lei 10.256/2001 que não foi declarada Inconstitucional pelo STF. Afirma que tal entendimento encontrase equivocado tendo em vista o pronunciamento da Suprema Corte que confirmou através do RE 611.601/RS que as alterações promovidas pela Lei 10.256/2001 continuam contrárias à Constituição e não teriam força de reverter a inconstitucionalidade da contribuição; Entende que sua situação se encontra nos mesmos moldes da inconstitucionalidade declarada em relação a venda de produção rural de bovinos, pois, figura tão somente como substituto legal tributário, que adquire a produção do produtor rural, pessoa física; Defende que o sistema tributário nacional possui em sua natureza o Princípio da Rigidez, que impede que uma lei se convalide com posterior reorganização ou correção de alguns vícios, ou seja, que uma norma inconstitucional adquira constitucionalidade superveniente; Colaciona a seguinte decisão do TRF1, ao decidir pela não aplicação da Lei 10.256/2001 cumulativamente pela sua não convalidação pela EC 20/98: Fl. 3010DF CARF MF 4 Com relação ao SENAR repete os argumentos da impugnação, os quais peço vênia para transcrever o trecho do relatório da decisão de primeira instância que muito bem o resumiu:: "Acerca da contribuição ao SENAR, não faz alegações quanto ao mérito uma vez que informa ter recolhido o valor devido diretamente ao SENAR e que a autoridade autuante foi cientificada disto no decorrer do procedimento fiscal em resposta a suas intimações e que nas informações buscadas junto a receita e ao SENAR, este informou como deveria proceder e que com a publicação do Ato Declaratório Executivo CODAC nº06 de 23/02/2015 os pagamentos futuros deveriam ser respeitar o contido nesta norma. Informa ainda que na época dos recolhimentos não havia nenhuma norma emanada da RFB com orientações de como proceder e que tal manifestação somente veio com a publicação do Ato Declaratório nº06 e que como não há norma não infração. E conclui pedindo que seja acolhida a presente impugnação para o fim de : Juntar aos autos a cópia de PETIÇÃO Inicial, Sentença, e extrato do andamento prcessual junto ao TRF1, relativos aos autos n.0000187.2014.4.4.01.4100 e 0005229 43.2010.4.01.4100, e cópia do inteiro teor da decisão do CARF no processo n.16641.000202/200992, instruindo o feito; Devidamente instruído seja conhecido a presente impugnação e julgado insubsistente o auto de infração em epigrafe, extinguindo o processo com exame de mérito, arquivandose todo e qualquer ato ou procedimento dele decorrente, e conseqüentemente desobrigar o Autuado quanto à retenção e/ou mesmo o recolhimento dos valores ali apontados. Promover o cancelamento do crédito tributário reclamado a título de contribuição SENAR, tendo em vista que houve o pagamento, (segue em anexo planilha descrevendo o pagamento, acompanhada com cópias da GPS, que comprovam aludida alegação). Fl. 3011DF CARF MF Processo nº 13227.720238/201537 Acórdão n.º 2301005.357 S2C3T1 Fl. 3.010 5 Desobrigar o requerente de confeccionar GFIP com os valores que foram recolhidos em GPS, referente ao SENAR, por não haver na época dos fatos norma disciplinadora .' É o relatório Voto Vencido Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. O contribuinte insurgese contra a autuação aduzindo a inconstitucionalidade da cobrança de contribuições previdenciárias exigidas de adquirentes de produção rural da pessoa física declarada pelo Supremo Tribunal Federal. Já a autoridade fiscalizadora entende que a decisão do STF abarca somente a aquisição de bovinos e no presente caso tratase de aquisição de frutas e verduras entre outros e está fundamentado na Lei 10.256/2001 que não foi declarada Inconstitucional pelo STF. Inicialmente entendo caber razão ao contribuinte ao equiparar a aquisição de hortfrut com a aquisição de bovinos, pois, a decisão do STF quando do julgamento do RE n. 363.852/MG, foi no sentido de declara Inconstitucional a cobrança da comercialização de produção rural da pessoa física, em virtude de que o dispositivo legal deveria ter sido incluído por Lei Complementar, não se discutindo qual o tipo de atividade exercida. Por certo, há a menção sobre a aquisição de bovinos pois, naquele caso em concreto era o que se pleiteava. Pensar diferente seria entender que a inconstitucionalidade estaria apenas restrita aos bovinos, excluindose por exemplo a aquisição de ovinos, equinos e etc.. Neste aspecto, entendo que a decisão aplicase às pessoas físicas produtores rurais sem empregados, independentemente da atividade exercida. Em síntese, o que levou ao entendimento da inconstitucionalidade da referida contribuição foi a ausência de Lei Complementar, entender da forma como quer a fiscalização afrontaria o Princípio da Isonomia. Mais uma vez há razão ao contribuinte, pois, a decisão do STF quando do julgamento do RE n. 363.852/MG, foi no sentido de declarar da empresa adquirente, na condição de subrogado, inconstitucional a exigência das contribuições sociais sobre a aquisição da produção rural de pessoa física. Muito embora em março de 2017, o STF em julgamento do RE 718.874/RS ter julgado Constitucional a Lei 10.256/2001 com Repercussão Geral, devendo, portanto ser obedecida por este conselho, a lide passa pela delimitação do alcance do que ficou decidido pela Corte Máxima no bojo do RE n.º 363.852/MG, no qual discutiuse a constitucionalidade da exigência de contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta da comercialização da produção rural do empregador pessoa física, prevista no art. 25, I e II, da Lei n.º 8.212/1991, com redação dada pela Lei n.º 8.540/1992, e da subrogação do adquirente na obrigação de recolher o tributo devido, conforme art. 30, IV, da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.528/1997. Ali a empresa recorrente, adquirente de produtos rurais de produtores pessoas Fl. 3012DF CARF MF 6 físicas, não concordando com a exação suscitou ofensa do dispositivo atacado aos art. 195, e §§ 4. e 8., 154, I e 146, III, todos da Constituição Federal: Vejamos a referida decisão do STF: Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitadta por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior. Plenário, 03.02.2010. Após essa decisão a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração, os quais foram rejeitados pela Corte, nos seguintes termos: A C Ó R D Ã O Vistos, relatados e discutidos estes autos, acórdão os Ministros do Supremo Tribunal Federal em rejeitar os embargos de declaração o recurso extraordinário, nos termos do voto do relator e por unanimidade, em sessão presidida pelo Ministro Cezar Peluzo, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Do Acórdão exarado pelo STF no citado RE, percebese que ele é explícito em declarar a inconstitucionalidade da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização dos produtores rurais pessoas física e, vai além, também afastando a possibilidade de se responsabilizar o adquirente na condição de subrogado. Eis as exatas palavras contidas na parte dispositiva do decisum: “... para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais...” Logo, a decisão atingiu não somente as contribuições sociais previstas no art. 25, I e II, da Lei n.º 8.212/1991, mas também a forma de arrecadação, afastando a responsabilidade da empresa adquirente na condição de subrogada, esta estampado no inciso IV do art. 30 da mesma Lei, reconhecendo, todavia que haveria a possibilidade de que nova legislação, Compatível com a Emenda Constitucional nº 20/98 pudesse vir a ser editada instituindo a contribuição incidente sobre a receita do empregador sem a necessidade de Lei Complementar. Fl. 3013DF CARF MF Processo nº 13227.720238/201537 Acórdão n.º 2301005.357 S2C3T1 Fl. 3.011 7 Referida lei já existia, era a Lei 10.256/2001 que havia dado nova redação ao art. 25 da Lei 8.212/91 e passou a exigir as contribuições incidentes sobre a comercialização efetuada pelo produtor rural pessoa física. Como dito anteriormente, referida lei foi declarada constitucional quando do julgamento do RE 718.874/RS, conforme se verifica abaixo: RE 718.874 / RS Ementa: TRIBUTÁRIO. EC 20/98. NOVA REDAÇÃO AO ARTIGO 195, I DA CF. POSSIBILIDADE DE EDIÇÃO DE LEI ORDINÁRIA PARA INSTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO DE EMPREGADORES RURAIS PESSOAS FÍSICAS INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. CONSTITUCIONALIDADE DA LEI 10.256/2001. 1.A declaração incidental de inconstitucionalidade no julgamento do RE 596.177 aplicase, por força do regime de repercussão geral, a todos os casos idênticos para aquela determinada situação, não retirando do ordenamento jurídico, entretanto, o texto legal do artigo 25, que, manteve vigência e eficácia para as demais hipóteses. 2.A Lei 10.256, de 9 de julho de 2001 alterou o artigo 25 da Lei 8.212/91, reintroduziu o empregador rural como sujeito passivo da contribuição, com a alíquota de 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; espécie da base de cálculo receita, autorizada pelo novo texto da EC 20/98. 3. Recurso extraordinário provido, com afirmação de tese segundo a qual É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/01, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. Contudo, com relação à subrogação do adquirente dos produtos rurais de pessoa física na obrigação de pagar o tributo, este continuou a ser considerado inconstitucional. Observese que o único dispositivo que autorizava essa técnica de arrecadação era o inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.528/1997, o qual foi declarado inconstitucional pelo STF, como se pode ver da parte dispositiva do acórdão exarado no bojo do RE n.º 363.852, conforme se extrai do texto: “...declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97...” Vejamos os textos do inciso IV do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social desde a redação original até a que vige atualmente: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) Fl. 3014DF CARF MF 8 IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (redação original) IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea a do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei nº 8.540, de 1992). IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Quando a decisão faz menção ao dispositivo declarado inconstitucional ela reportase também às atualizações legais trazidas ao ordenamento pela Lei n. 9.598/1997, posto que essas são anteriores a edição da EC n.º 20/1998. Assim, considerando que o inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, nas redações dadas pelas Leis n.º 8.540/1992 e n.º 9.548/1997, foram declarados inconstitucionais, não pode subsistir o crédito tributário arrimado nesses dispositivos. É certo supremo não atingiu esse dispositivo, posto que na inicial foi requerida a declaração de inconstitucionalidade de todo o art. 1.º da Lei n.º 8.540/1992, o qual alterou dispositivos da Lei n.º 8.212/1991, inclusive trazendo a regra que previa a subrogação do adquirente de produtos rurais de pessoa física. Tendo sido declarada inconstitucional pelo STF, em decisão plenária, a norma que previa a subrogação do adquirente de produtos oriundos de produtor rural pessoa física na obrigação de recolher as contribuições sociais, deve este Tribunal Administrativo, em obediência ao seu Regimento Interno, declarar a improcedência do lançamento. O entendimento aqui adotado coaduna com a decisão recente proferida pelo Desembargador Wilson Zauhy do TRF da 3ª Região no Agravo de Instrumento nº 5017947.64.2017.4.03.0000, cujo trecho que se amolda ao presente caso transcrevemos:: (...) Como se percebe, a redação original do texto constitucional previa apenas a contribuição do empregador incidente sobre a folha de salários, faturamento e o lucro, não havendo qualquer previsão quanto à sua incidência sobre o valor da receita bruta. Assim é que a instituição de outras fontes de custeio da seguridade, além daquelas previstas pelo legislador constitucional, exigia a edição de Lei Complementar, nos termos do artigo 154, I da Constituição Federal. Ocorre, contudo, que as Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97 haviam promovido alterações na redação original do artigo 25 da Lei nº Fl. 3015DF CARF MF Processo nº 13227.720238/201537 Acórdão n.º 2301005.357 S2C3T1 Fl. 3.012 9 8.212/91, passando a prever a exigência da contribuição sobre a receita bruta, em evidente descompasso com a previsão constitucional que não autorizava tal forma de tributação. Nesse contexto normativo é que o E. STF apreciou os Recursos Extraordinários nº 363.852 e nº 596.177 declarando a inconstitucionalidade das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97, que deram nova redação aos artigos 12, V e VII, 25, I e II, e 30, IV, da Lei nº 8.212/91, até que legislação nova, arrimada na EC nº 20/98, institua a contribuição, desobrigando a retenção e recolhimento da contribuição social ou o recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, orientação mantida por ocasião do julgamento do RE nº 596.177/RS, julgado sob o regime da repercussão geral, nos termos do art. 543B do CPC. Entretanto, a redação original do artigo 195 da Constitucional Federal foi modificada pela Emenda Constitucional nº 20/98, passando a viger nos seguintes termos: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; II – do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; III – sobre a receita de concursos de prognósticos. (...) Assim, com a alteração do texto constitucional, tornouse possível a incidência das contribuições destinadas à seguridade social relativamente ao empregador, empresa ou entidade a ela equiparada também sobre a receita, além da folha de salários. Em seguida, foi editada a Lei nº 10.256/01 que novamente modificou a redação do artigo 25, da Lei nº 8.212/91, prevendo como hipótese de incidência da contribuição do produtor rural pessoa física, a receita bruta da comercialização de sua produção. Por tal razão, não há que se falar em inconstitucionalidade da Lei Fl. 3016DF CARF MF 10 nº 10.256/01, pois editada com fundamento de validade na Constituição Federal, o que faltava à legislação anterior (Lei nº 8.540/92), julgadainconstitucionalpelo STF. No que toca à irresignação da agravante relativa ao fundamento legal que legitime o recolhimento por subrogação, tenho que lhe assiste razão. Com efeito, em 13.09.2017 foi publicado no DOU a Resolução Senado Federal nº 15 de 12/09/2017 dispondo o seguinte: Art. 1º É suspensa, nos termos do art. 52, inciso X, da Constituição Federal, a execução do inciso VII do art. 12 daLei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e a execução do art. 1º daLei nº 8.540, de 22 de dezembro de 1992, que deu nova redação ao art. 12, inciso V, ao art. 25, incisos I e II, e ao art. 30, inciso IV, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, todos com a redação atualizada até a Lei nº 9.528, de 10 de dezembro de 1997, declarados inconstitucionais por decisão definitiva proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 363.852. Art. 2º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Observo que o ato editado pelo Senado Federal encontra fundamento constitucional de validade no artigo 52, X da Constituição Federal que prevê se tratar de competência privativa do Senado Federal a suspensão da “execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal”. Este é o caso dos autos, vez que, como vimos, o E. STF proferiu decisão publicada em 23.04.2010 “declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98”. Observo, ademais, que tanto na decisão proferida pelo E. STF como no ato editado pelo Senado Federal que, respectivamente, declarou a inconstitucionalidade do dispositivo legal e determinou a suspensão de sua execução não houve qualquer ressalva à manutenção do recolhimento por subrogação, daí depreendendose que a ordem legal para tal forma de recolhimento se encontra sem fundamento de validade, dado que deixou de produzir efeitos a partir da publicação da Resolução mencionada. Ante o exposto, defiro, parcialmente, o pedido de antecipação da tutela recursal para o fim de desobrigar a agravante ao recolhimento do tributo, na condição de responsável tributária (subrogada), nos termos da fundamentação. (...) O mesmo se pode dizer da contribuição destinada ao SENAR, posto que a sua exigência por subrogação tem esteio no mesmo dispositivo, qual seja o inciso IV do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991. Fl. 3017DF CARF MF Processo nº 13227.720238/201537 Acórdão n.º 2301005.357 S2C3T1 Fl. 3.013 11 Ante ao Exposto, Voto no sentido de CONHECER DO RECURSO e no Mérito Darlhe provimento julgando improcedente o lançamento. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Voto Vencedor João Bellini Júnior, redator designado Peço vênia ao respeitado conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, para dele divergir, pelas razões que passo a expor. Por primeiro, verifico que o lançamento trata da parte patronal incidente sobre a comercialização da produção rural com subrogação, não existindo constituição de crédito tributário referente às contribuições para terceiros, pelo que as alusões à contribuição para o Senar, manifestadas pelo digno relator, podem expressar a sua opinião sobre o assunto, mas não estão a resolver qualquer questão posta em julgamento. Dito isso, passo ao exame da questão objeto do recurso voluntário. Preceitua o art. 62, § 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf) que as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemáticas, respectivamente, da repercussão geral e dos recursos repetitivos (arts. 1.036 a 1.041 da Lei 13.105, de 2015), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Tal norma excetua o principio do livre convencimento, que vem veiculado pelo art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972: Fl. 3018DF CARF MF 12 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Tal questão – a constitucionalidade do instituto da subrogação veiculada pelo art. 30, IV, da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 9.528, de 1997 – foi objeto do Recurso Extraordinário 718.874, julgado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 30/03/2017, apreciando o tema 669 da repercussão geral. Restou decidido serem constitucionais, na égide da Lei 10.256, de 2001, tanto a norma que prevê a imposição tributária (art. 25 da lei 8.212, de 1991) bem como a norma que determina a responsabilidade tributária/subrogação (art. 30, IV, da lei 8.212, de 1991). Logo, tal decisão deve ser reproduzida por este CARF. Eis os preceitos normativos em questão: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (...) Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Passo a demonstrar o julgamento da questão pelo Supremo Tribunal Federal, bem como as razões pelas quais entendeu ser constitucional a norma. Primeiramente, demonstro que a matéria foi debatida no Recurso Extraordinário 718.874, como se evidencia dos seguintes votos: Voto do Min. Edson Facchin, relator No mesmo sentido, devese declarar inconstitucional o artigo 30, IV, da Lei 8.212/91, para excluir a expressão "pessoa física de que trata a alínea a do inciso V do art. 12". Isso porque a dogmática fiscal não permite a imputação de responsabilidade tributária a terceiros pelo pagamento de tributo manifestamente inconstitucional. (Grifouse.) (...) Fl. 3019DF CARF MF Processo nº 13227.720238/201537 Acórdão n.º 2301005.357 S2C3T1 Fl. 3.014 13 Ademais, por arrastamento, devese declarar parcialmente inconstitucional o artigo 30, IV, da Lei 8.212/91, apenas no que toca à expressão “da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12”. Isso porque a dogmática fiscal não permite a imputação de responsabilidade tributária a terceiros pelo pagamento de tributo manifestamente inconstitucional. (Grifou se.) Voto do Min. Gilamr Mendes, votovogal O objeto do presente recurso extraordinário é a constitucionalidade da redação atual dos artigos 12, incisos V e VII; 25, incisos I e II; e 30, inciso IV, da Lei 8.212/91, bem como de toda sucessão de normas alteradoras que afetaram esses dispositivos, ou seja: Lei 8.540/92; Lei 8.870/94; Lei 9.528/97 e Lei 10.256/2001. Voto Min. Luís Roberto Barroso 15. Por sua vez, a Lei 10.256/01 modificou a redação do caput do art. 25 da Lei 8.212/1999 e, aproveitando a disciplina dos incisos I e II, que permaneceu válida e em vigor para cobrança do segurado especial, recriou a contribuição com base no produto da comercialização da produção para o empregador rural pessoa física. Vale mais uma vez lembrar que a Corte no julgamento do RE 363.852 de forma clara declarou “a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/1992, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/1991, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/1998, venha a constituir a contribuição". (Grifouse.) Voto Min. Luiz Fux No art. 30, inciso IV, por sua vez, a Lei nº 8.212/91 instituiu hipótese de responsabilidade tributária, relegando ao adquirente, consignatário ou à cooperativa, a obrigação de recolhimento da referida contribuição do segurado especial incidente sobre a receita da comercialização da produção. Confirase a redação original do dispositivo: (...) O intuito da referida previsão constitucional e legislativa foi justamente o de permitir a integração dos produtores pessoas físicas em regime de economia familiar à Seguridade Social, já que a cobrança de contribuição mensal, nos moldes da contribuição normal do art. 195, I, poderia provocar a sua inviabilidade econômica, excluindo diversos trabalhadores do sistema previdenciário. Atribuiu, ainda, a responsabilidade pelo pagamento da referida contribuição ao adquirente da Fl. 3020DF CARF MF 14 produção, como mais uma forma de garantia do segurado especial. Ocorre que o artigo 25 da Lei 8.212/91 – e igualmente o inciso IV, do art. 30 – foi sucessivamente alterado, entre 1991 e 2001, por três leis: a Lei 8.540/92, a Lei 9.528/97 e a Lei 10.256/01, a fim de expandir a incidência da referida contribuição originalmente prevista apenas para o segurado especial – assim entendido como o produtor, pessoa física, que exerce suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados –, também para o produtor rural pessoa física – assim entendido como aquele que exerce atividade rural por conta própria, com o auxílio de empregados, com o objetivo de substituir a cota patronal que este recolhe na condição de equiparado a empregador. Destaquese que se expandiu a incidência e igualmente a hipótese de responsabilidade do adquirente, que passou a ter de recolher também a contribuição sobre a receita relativa ao produtor rural pessoa física, além da relativa ao segurado especial. E é justamente aí que se inicia a controvérsia ora posta sob análise da Corte. (...) Ou seja, a referida lei instituiu uma contribuição sobre a receita bruta da comercialização da produção de pessoa física, diversa do segurado especial, inserindo ainda a expressão “da pessoa física de que trata a alínea a do inciso V do art. 12” no inciso IV, do art. 30, da Lei 8.212/91, criando também uma hipótese de responsabilidade relativa à recémcriada contribuição, cuja obrigação de recolhimento ficou a cargo do adquirente da produção, nos moldes do que já ocorria com o segurado especial. Confirase: (...) Posteriormente, a Lei 9.528/97 modificou o caput do art. 25, para incluir a expressão “empregador rural pessoa física” e a redação dos incisos I e II sem, no entanto, modificarlhes o conteúdo prescritivo. O artigo passou a ter a seguinte redação: (...) O mesmo foi feito em relação à hipótese de responsabilidade do inciso IV, do art. 30: (Grifouse.) Assim, examinadas as questões postas em julgamento, inclusive o instituto da subrogação, veiculado no art. 30, IV, da Lei 8.212, de 1991, o Plenário do STF decidiu conhecer e dar provimento ao recurso extraordinário da União. Após, fixou a seguinte tese: “É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. Fl. 3021DF CARF MF Processo nº 13227.720238/201537 Acórdão n.º 2301005.357 S2C3T1 Fl. 3.015 15 O referido instituto da subrogação – que nada mais é do que responsabilidade tributária da sociedade adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa, pelas contribuições sociais previdenciárias devidas pelo produtor rural pessoal física e pelo segurado especial – que havia sido considerado, face à legislação anterior, examinada nos RE 363.842 e 596.177, inconstitucional por arrastamento (sendo inconstitucional a norma que impõe o tributo, também o é a que define a responsabilidade), foi considerado constitucional, também por arrastamento: sendo constitucional a norma que impõe o tributo, também o é a que define a responsabilidade. Vejase os seguintes trechos dos votos vencedores do julgado em apreço: Min. Gilmar Mendes 4.6) Art. 12, incisos V e VII, e 30, IV, da Lei 8.212/1991 (...) O art. 30, por sua vez, trata das normas destinadas à arrecadação e ao recolhimento das contribuições sociais. A norma institui hipótese de responsabilidade tributária, destinada a instrumentalizar a arrecadação do tributo previsto no art. 25 da Lei 8.212/1991, tanto do segurado especial quanto do empregador rural pessoa física. Assim, ao entregar o produtor rural sua produção a qualquer das entidades econômicas ali indicadas – empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa –, passam estas à condição de responsável pelo pagamento do tributo, mediante aplicação da alíquota prevista no art. 25 da lei ao montante da produção adquirido. É evidente a relação que o art. 30, IV, mantém com a disposição do art. 25. Apenas a inconstitucionalidade deste contaminaria aquele. Por isso, uma vez reconhecida a constitucionalidade da contribuição do empregador rural pessoa física, com base na receita de sua produção, não há razão para declarar a invalidade da hipótese de subrogação prevista no art. 30. (Grifouse.) Frisase, ademais, que no julgamento dos RE 363.842 e 596.177 houve apenas a declaração da invalidade da aplicação, para o empregador rural pessoa física, das normas impositivas relativas à contribuição prevista no art. 25 da Lei 8.212, de 1991, sem redução de texto. Nas palavras do Min. Fux: (...) a declaração de inconstitucionalidade dos incisos do art. 25 da Lei 8.212/91 pelo STF, em sede de controle difuso, nos já mencionados RE's 363.842 e 596.177, não retirou os referidos dispositivos do ordenamento jurídico, mas apenas declarou a invalidade de sua aplicação para o empregador rural pessoa física, no período anterior à EC 20/98 e às alterações promovidas pela Lei 10.256/01. (Grifouse.) Fl. 3022DF CARF MF 16 É certo que, no julgamento do primeiro Recurso Extraordinário, constou da proclamação a declaração da “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97”, sem ressalva, portanto, quanto à situação do segurado especial. No entanto, esse mesmo dispositivo do julgado limitou a declaração de inexistência de relação tributária à situação dos empregadores, pessoas naturais”, produtores rurais (RE 363.852). Assim, com um mínimo de interpretação, percebese que não houve a declaração de inconstitucionalidade de todo o texto do artigo. O Min. Gilmar Mendes, demonstrando que não houve, no julgamento dos RE 363.842 e 596.177, a declaração de inconstitucionalidade de todo o texto do artigo 25 da Lei 8.212, de 1991, mas apenas da expressão “do empregador rural pessoa física”, sendo que todo o demais o texto dessa Lei se manteve íntegro, asseverou: É certo que, no julgamento do primeiro Recurso Extraordinário, constou da proclamação a declaração da “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97”, sem ressalva, portanto, quanto à situação do segurado especial. No entanto, esse mesmo dispositivo do julgado limitou a declaração de inexistência de relação tributária à situação dos empregadores, pessoas naturais”, produtores rurais (RE 363.852). Assim, com um mínimo de interpretação, percebese que não houve a declaração de inconstitucionalidade de todo o texto do artigo. (...) (...) O texto normativo não se confunde com a norma jurídica. Para encontrarmos a norma, para que possamos afirmar o que o direito permite, impõe ou proíbe, é preciso descobrir o significado dos termos que compõem o texto e decifrar, assim, o seu sentido linguístico. De um mesmo texto legal, podem ser extraídas várias normas. (...) No entanto, a única fração do texto legal passível de supressão por força da inconstitucionalidade é a expressão “do empregador rural pessoa física”, constante do caput. A vigência do restante é indispensável para extração da norma tributária do segurado especial. Ou seja, mesmo que a inconstitucionalidade resida nos incisos, não seria possível a redução em seu texto. A única redução possível residia na expressão mencionada no caput. (Grifouse.) No mesmo sentido o Min. Dias Toffoli, para o qual, “no julgamento do RE nº 363.852/MG, Relator o Ministro Marco Aurélio, o Tribunal Pleno, levando em consideração, dentre outros, aqueles dispositivos, concluiu ser inconstitucional tão somente a norma relativa à contribuição devida pelo produtor rural pessoa física empregadora incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção”. (Grifos no original.) Fl. 3023DF CARF MF Processo nº 13227.720238/201537 Acórdão n.º 2301005.357 S2C3T1 Fl. 3.016 17 Conclusão Voto, por tais fundamentos, calcado na determinação do § 2º do art. 62 do Ricarf, pelo desprovimento do recurso voluntário. João Bellini Júnior – redator designado Fl. 3024DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16020.000373/2007-67
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
ATIVIDADE VEDADA. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO E REPAROS EM EQUIPAMENTOS.
Aplicação direta da Súmula CARF n.º 57. A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.
Numero da decisão: 1002-000.305
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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Recorrente REMASO REFORMA DE MAQ SOROCABA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 ATIVIDADE VEDADA. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO E REPAROS EM EQUIPAMENTOS. Aplicação direta da Súmula CARF n.º 57. A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 0. 00 03 73 /2 00 7- 67 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 16020.000373/200767 Acórdão n.º 1002000.305 S1C0T2 Fl. 191 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo recorrente em face de decisão proferida pela 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO) mediante o Acórdão n.º 1424.351/2009 (efls. 154 a 160). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] A empresa acima identificada, mediante Ato Declaratório Executivo n° 17 de 28 de dezembro de 2007 (fl. 86), foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) em razão de "prestação de serviços de manutenção de equipamentos de mineração". A exclusão deuse com efeitos a partir de 01/01/2002. A exclusão decorreu de representação fiscal firmada pelo Chefe do Seort, da DRF//Sorocaba, e amparouse no Despacho da Secat daquela DRF de fl. 85, que atribuiu à manifestante a prestação de serviços de manutenção de equipamentos para mineração. A ciência do ADE deuse em 18 de janeiro de 2008. Inconformada, a contribuinte apresentou, em 19/02/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 97 a 105, por intermédio do Procurador, Dr. Ivo Roberto Perez, constituído pela procuração de f1.106, na qual alega, em síntese, o seguinte: Preliminarmente, a impugnante pede a anulação do ato de exclusão do Simples por ausência de requisito formal, ante a inexistência de abertura de processo tributário administrativo próprio, com base no art. 15, § 3° da Lei 9.317, de 1996. Entende que todas as fases do procedimento deveriam ter sido comunicadas a manifestante, para viabilizar as intervenções necessárias, sendo que a empresa foi intimada apenas uma vez, para ciência do ADE. Agindo assim, a fiscalização violou os princípios da publicidade, da ampla defesa e do contraditório. Postula a nulidade do ADE por falta de motivação, pois, o ADE não está devidamente fundamentado, e que não teria sido intimado para apresentar suas razões antes da expedição do referido ADE. Ainda, em sede preliminar, pleiteia a nulidade do ADE, pois, baseado em legislação revogada. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 16020.000373/200767 Acórdão n.º 1002000.305 S1C0T2 Fl. 192 3 No mérito, alega que o objetivo da empresa não tem como atividade o exercício de qualquer profissão profissional de engenharia ou assemelhadas. Reproduz o objetivo social da empresa constante do seu Contrato Social e das alterações posteriores, afirmando que em nenhum momento a empresa define como atividade profissional o exercício de algumas das hipóteses elencadas no inciso XIII, do art. 90 da Lei n° 9.,317/96. Insurgese, também, com a exclusão em data retroativa, pois, quando da constituição da sociedade o enquadramento na CNAE era efetivamente 2852600, e a empresa foi devidamente enquadrada no Simples, sem qualquer insurgência da RFB. Conclui que se a RFB aceitou sua inclusão como optante do Simples à época de sua constituição, a exclusão somente poderia ocorrer a partir da data de emissão do Ato Declaratório. É a síntese do essencial. A 1.ª Turma da DRJ/RPO decidiu pelo indeferimento do pedido do impugnante. Inconformado com a decisão de primeira instância, o contribuinte apresenta o recurso voluntário de efls. 164 a 167, argumentando essencialmente que a Lei Complementar n.º 123/2006 não manteve a vedação de que tratava o inciso XIII do art. 9.º da Lei n.º 9.317/96, devendo então ser aplicada a retroatividade da Lei mais benéfica. Traz jurisprudência colacionada no corpo do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. O recorrente alega que efetivamente presta serviços de manutenção e reparação, e que, embora houvesse a discussão sobre o enquadramento ou não destes serviços sob a hipótese de vedação do art. 9.º, XIII, da Lei n.º 9.317/96, a Lei Complementar n.º 123/2006 não traz dispositivo que permita mais interpretar como vedada essa atividade. Alega que o Simples Federal vedava, o Simples Nacional, não. É preciso reconhecer que os elementos de prova contidos nos autos apontam para consolidar que o recorrente, de fato, exercia as atividades de reforma e operação de equipamentos, fabricação de componentes para mineração, operação de instalação industrial, e Fl. 192DF CARF MF Processo nº 16020.000373/200767 Acórdão n.º 1002000.305 S1C0T2 Fl. 193 4 manutenção e reparos de equipamentos e máquinas, conforme se verifica no Contrato Social e Contratos de prestação de serviços, efls. 10, 18, 27 e 38. Em verdade o art. 17, XI, da Lei Complementar n.º 123/2006 é o dispositivo correlato ao 9.º, XIII, da Lei n.º 9.317/96, e não perpetua grande parte dos motivos que haviam para as divergências de entendimento relativas às atividades vedadas. Acabou sendo até revogado em 2014, pela LC n.º 147/2014. O texto do referido inciso XI vigente à época da produção do ADE de exclusão reduziu o impedimento para a opção pelo SIMPLES — que constavam do inciso XIII do art. 9.º da Lei n.º 9.317/96 — para os casos de prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios. Isso já seria suficiente para inclinar as conclusões em favor de reconhecer regular a opção pelo SIMPLES, diante da atividade do recorrente comprovada pelos documentos já citados. Entretanto, não obstante a necessidade de exame de cada situação concreta, conforme reflexão acima, o caso dos autos encontrase em conformidade com o teor da Súmula CARF n.º 57, consolidada pela CSRF em novembro de 2010, texto abaixo: Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. E, considerando o comando normativo do art. 72 do Anexo II da Portaria MF n.º 343/2015, que obriga à observância das súmulas do CARF quando do julgamento em 2.ª instância, impõese admitir decidida a lide sob o contorno da citada súmula. Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Descabe então discorrer acerca das razões do recurso voluntário sobre retroatividade da lei mais benéfica, e acerca da jurisprudência ali apontada. Portanto, deve ser provido o recurso voluntário, e mantida a opção pelo regime de tributação SIMPLES no período de exclusão definido no ADE DRF/SOR n.º 17/2007, devendo ser afastados os efeitos da referida exclusão. Conclusão. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 16020.000373/200767 Acórdão n.º 1002000.305 S1C0T2 Fl. 194 5 Por tudo comentado acima, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso, cancelando a exclusão do SIMPLES declarada pelo ADE DRJ/SOR n.º 17/2007, uma vez que o litígio envolve matéria sumulada pela CSRF. É como Voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator Fl. 194DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.900662/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO.
Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ).
SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1401-002.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13227.900318/2010-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ). SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13227.900318/2010-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ). SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13227.900318/201060, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 06 62 /2 00 9- 15 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13227.900662/200915 Acórdão n.º 1401002.541 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão n. 0121.942 3ª Turma da DRJ/BEL, que, por unanimidade de votos, não homologou a compensação correlata ao crédito de CSLL não reconhecido. A Recorrente transmitiu declaração de compensação em 06/04/2006, na qual indicou crédito resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2484, do período de apuração de 01/2005. A unidade de origem, por intermédio de despacho decisório, não homologou a compensação declarada, sob o argumento de que após analisadas as informações prestadas pela Recorrente foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou que: a) A empresa efetuou pagamento de CSLL Código de Receita: 2484, relativo ao período de apuração de 01/2005; b) Por ocasião do levantamento do balancete de suspensão e/ou redução nesse mês, após os ajustes apresentou prejuízo fiscal, ou seja, não teria nada a recolher mesmo assim recolheu.; c) Oportunamente, aproveitou o crédito do pagamento indevido para compensar, via PER/DCOMP e de forma legal, débitos próprios. Diante dos fatos apresentados, requereu a anulação do Despacho Decisório, por questão de justiça e direito. Apreciados tais argumentos, o despacho decisório restou mantido, sob o entendimento de que as declarações de compensação apresentadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil somente podem ser homologadas quando reste comprovada pelo sujeito passivo a existência do respectivo direito creditório. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Inconformada, a Recorrente interpôs Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado defendendo estar suficiente comprovado seu direito creditório. Era o essencial a ser relatado. Passo a decidir Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13227.900662/200915 Acórdão n.º 1401002.541 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.523, de 17/05/2018, proferida no julgamento do Processo nº 13227.900318/201060, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento indevido de IRPJ estimativa mensal, referente ao período de apuração de fevereiro/2006, para compensação com débitos do contribuinte. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido de CSLL estimativa mensal, do período de apuração de 01/2005, com débitos do contribuinte. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.523): O Recurso apresenta os requisitos essenciais para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, a decisão de piso manifestase no sentido de que pode a Fiscalização, após o encerramento do ano calendário, exigir estimativas eventualmente não recolhidas durante o ano calendário, por expressa previsão legal e que a falta de recolhimento de estimativas. Segundo o Acórdão recorrido, descabe a alegação da contribuinte no sentido de que a glosa de estimativas da apuração de saldo negativo representa dupla exigência à Recorrente decorrente do mesmo fato, pois o pagamento de estimativas deveria ter sido feito dentro do prazo legal, o que não teria ocorrido no presente caso, assim como não houve o adimplemento dos débitos confessados, a glosa do saldo negativo é consequência deste fato. Por isso, no entendimento da decisão de piso, não haveria como se manter o saldo negativo de parcelas constituintes que não estariam satisfeitas, porque a cobrança dos valores não pagos decorre de determinação legal, de forma que não haveria que se falar em dupla cobrança, já que uma vez adimplido o débito, este procedimento reflete na apuração do saldo negativo. Ocorre que, conforme apontado pela recorrente em sede de voluntário, embora a compensação tenha se dado de forma equivocada, uma vez que ao entregar a DCTF, a recorrente ao invés de simplesmente comparar o valor devido com o valor recolhido a título de estimativa e assim declarar somente o valor Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13227.900662/200915 Acórdão n.º 1401002.541 S1C4T1 Fl. 5 4 devido, caso apurasse valor a maior do que o recolhido por estimativa, declarou o valor apurado como devido e apresentou PERD/DCOMP para compensálo. Considerando que as informações acima transcritas restam localizadas na DIPJ e LALUR, que apontam a base de cálculo da contribuição e os DARFs (fls.) devidamente pagos que originaram o crédito em discussão. Tratase, portanto, de erro de fato no preenchimento do PER aqui analisado, que não pode, sob hipótese alguma, refletir na glosa de estimativas já liquidadas, computadas na apuração do saldo negativo do IRPJ do período. Desta forma, tendo a Recorrente comprovado de maneira incontroversa que as estimativas mensais de outubro de 2006 foram liquidadas através da quitação antecipada autorizada pela Lei nº 13.043/2014 (Doc. 7 do RV), não pode ser mantida a redução do saldo negativo de 2004. Ademais, consolidando este entendimento, temos: SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a glosa das estimativas. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.009111/2007-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 07/07/2003 a 17/10/2003
ISENÇÃO. PRAZO DE DURAÇÃO. VIGÊNCIA DA LEI TRIBUTÁRIA NO TEMPO. TERMO FINAL. PUBLICAÇÃO DO ATO NORMATIVO. IRRETROATIVIDADE.
A Portaria n. 448/2003 do Ministério de Minas e Energia, em sendo ato normativo expedido por autoridade administrativa que versa sobre relação jurídica tributária (isenção específica no âmbito das importações, prevista em acordo internacional e incorporada pelo direito pátrio), submete-se à disciplina do Código Tributário Nacional sobre sua vigência, a qual só se inicia na data da sua publicação (artigos 96; 100, inciso I; 103, inciso I). Não poderia ser diferente, pois é só com a publicação que se formaliza o conhecimento pelos administrados a respeito do conteúdo normativo que deverá ser seguido, sendo impossível antes disso cobrar-lhes qualquer conduta prevista na norma, haja vista que esta ainda não possui todos os seus atributos para surtir efeitos jurídicos (validade, vigência e eficácia).
Entendimento em sentido contrário significaria, por um raciocínio opaco a respeito tanto das regras acima colocadas, assim como de todas as acepções que se possa pensar sobre a segurança jurídica, impor uma espécie de retroatividade transversa da norma tributária.
Portanto a interpretação literal, nos moldes que impõe o artigo 111 do CTN, a ser dada à isenção é justamente essa: a data em que houver sido alcançada a capacidade de transporte do gasoduto Brasil - Bolívia acordada (trinta milhões de m3/dia) é aquela editada pelo Ministério das Minas e Energia por ato normativo, cuja vigência ocorrerá na data de sua publicação. Ou seja, é com a publicação da Portaria n. 448/2003 que se dá o termo final da isenção.
Numero da decisão: 3402-005.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 07/07/2003 a 17/10/2003 ISENÇÃO. PRAZO DE DURAÇÃO. VIGÊNCIA DA LEI TRIBUTÁRIA NO TEMPO. TERMO FINAL. PUBLICAÇÃO DO ATO NORMATIVO. IRRETROATIVIDADE. A Portaria n. 448/2003 do Ministério de Minas e Energia, em sendo ato normativo expedido por autoridade administrativa que versa sobre relação jurídica tributária (isenção específica no âmbito das importações, prevista em acordo internacional e incorporada pelo direito pátrio), submete-se à disciplina do Código Tributário Nacional sobre sua vigência, a qual só se inicia na data da sua publicação (artigos 96; 100, inciso I; 103, inciso I). Não poderia ser diferente, pois é só com a publicação que se formaliza o conhecimento pelos administrados a respeito do conteúdo normativo que deverá ser seguido, sendo impossível antes disso cobrar-lhes qualquer conduta prevista na norma, haja vista que esta ainda não possui todos os seus atributos para surtir efeitos jurídicos (validade, vigência e eficácia). Entendimento em sentido contrário significaria, por um raciocínio opaco a respeito tanto das regras acima colocadas, assim como de todas as acepções que se possa pensar sobre a segurança jurídica, impor uma espécie de retroatividade transversa da norma tributária. Portanto a interpretação literal, nos moldes que impõe o artigo 111 do CTN, a ser dada à isenção é justamente essa: a data em que houver sido alcançada a capacidade de transporte do gasoduto Brasil - Bolívia acordada (trinta milhões de m3/dia) é aquela editada pelo Ministério das Minas e Energia por ato normativo, cuja vigência ocorrerá na data de sua publicação. Ou seja, é com a publicação da Portaria n. 448/2003 que se dá o termo final da isenção.
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PRAZO DE DURAÇÃO. VIGÊNCIA DA LEI TRIBUTÁRIA NO TEMPO. TERMO FINAL. PUBLICAÇÃO DO ATO NORMATIVO. IRRETROATIVIDADE. A Portaria n. 448/2003 do Ministério de Minas e Energia, em sendo ato normativo expedido por autoridade administrativa que versa sobre relação jurídica tributária (isenção específica no âmbito das importações, prevista em acordo internacional e incorporada pelo direito pátrio), submetese à disciplina do Código Tributário Nacional sobre sua vigência, a qual só se inicia na data da sua publicação (artigos 96; 100, inciso I; 103, inciso I). Não poderia ser diferente, pois é só com a publicação que se formaliza o conhecimento pelos administrados a respeito do conteúdo normativo que deverá ser seguido, sendo impossível antes disso cobrarlhes qualquer conduta prevista na norma, haja vista que esta ainda não possui todos os seus atributos para surtir efeitos jurídicos (validade, vigência e eficácia). Entendimento em sentido contrário significaria, por um raciocínio opaco a respeito tanto das regras acima colocadas, assim como de todas as acepções que se possa pensar sobre a segurança jurídica, impor uma espécie de retroatividade transversa da norma tributária. Portanto a interpretação literal, nos moldes que impõe o artigo 111 do CTN, a ser dada à isenção é justamente essa: a data em que houver sido alcançada a capacidade de transporte do gasoduto Brasil Bolívia acordada (trinta milhões de m3/dia) é aquela editada pelo Ministério das Minas e Energia por ato normativo, cuja vigência ocorrerá na data de sua publicação. Ou seja, é com a publicação da Portaria n. 448/2003 que se dá o termo final da isenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 91 11 /2 00 7- 86 Fl. 128DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ("DRJ") de Florianópolis/SC, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: Tratase de lançamento no valor total de R$ 413.051,64, decorrente de processo de revisão aduaneira, visando cobrar imposto de importação e imposto sobre produtos industrializados (IPI) incidente na importação, acrescidos de juros e multa de mora, referente as operações de importação amparadas pelas Declarações de Importação(DI) listadas nos autos, em razão do não reconhecimento de isenção aplicada, por ter se verificado posteriormente que os fatos geradores dos tributos ocorreram em período no qual já não mais vigia o benefício fiscal utilizado. A autoridade fiscal autuadora informa que a Isenção decorrente do Acordo para Isenção de Impostos Relativos à Implementação do Projeto do Gasoduto BrasilBolívia, celebrado entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República da Bolívia, em Brasília, em 5 de agosto de 1996, somente seria válida, nos termos deste, até a data em que havia sido alcançada a capacidade de transporte de 30 milhões de m3/dia. Informa que as DI, conforme lista anexa, foram registradas depois de 30/06/2003, data declarada pelo Ministério das Minas e Energia por meio da Portaria MME nº 448/2003, de 20/11/2003, como a em que foi alcançada a capacidade de transporte de 30 milhões de m3/dia, logo seriam devidos os tributos incidindo juros e multa de mora desde a datas de seu registro. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10314.009111/200786 Acórdão n.º 3402005.306 S3C4T2 Fl. 129 3 Os fatos geradores das importações remontam ao período de 07/07/2003 a 17/10/2003 e a revisão aduaneira se concretizou por meio da ciência ao interessado da exigência do crédito tributário apurado em 01/10/2007. A MENDES JUNIOR pugna nos seguintes termos: Alega que todos os despachos foram registrados antes da publicação da Portaria MME nº 448/2003, em 20/11/2003, a qual reconheceu a ocorrência da capacidade de transporte de 30 milhões de m3/dia como tendo ocorrido em 30/06/2003. Alega, segundo sua interpretação, que o ato editado não poderia atingir os fatos geradores dos tributos de forma retroativa, antes de 20/11/2003, data de publicação da Portaria MME nº 448/2003, e fundamenta seu entendimento no que dispõe o inciso I do art. 103, Parágrafo Único e inciso I do art. 100 e inciso III do art. 104, todos da Lei nº 5.172, de 1966 – Código Tributário nacional – CTN. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; Art. 103. Salvo disposição em contrário, entram em vigor: I os atos administrativos a que se refere o inciso I do artigo 100, na data da sua publicação; (...) Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referentes a impostos sobre o patrimônio ou a renda: III que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no artigo 178. Alega que a isenção foi aplicada à época da ocorrência do fatos geradores e que não pode ser atingida pela Portaria MME nº 448/2003, para cobrança do imposto de importação, inclusive dos juros e multa de mora, e justifica sua tese, alegando que o atraso na publicação do ato decorre de culpa da administração pública, logo não pode ser penalizado por este fato. O julgamento da impugnação resultou no Acórdão da DRJ de Florianópiolis/SC (fls 87 a 92), cuja ementa segue colacionada abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 130DF CARF MF 4 Período de apuração: 07/07/2003 a 17/10/2003 ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. DIREITO ADQUIRIDO Interpretase literalmente a legislação tributária que dispõe sobre outorga e extinção de isenção, sendo de caráter precário, sem o condão de gerar direito adquirido, o despacho da autoridade administrativa que concedeu o benefício fiscal em cada operação de importação. Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho por meio de petição de fls 102 a 110, repisando os argumentos de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora Conforme o despacho de fls 127, o recurso é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A questão a ser decidida por este Colegiado resumese a saber se a isenção concedida à Recorrente era vigente ou não à época da ocorrência dos fatos geradores dos tributos ora cobrados. A dúvida surge em razão do confronto entre determinados dispositivos legais, conforme passo a explicitar. A isenção sob apreço tem como base o Acordo para Isenção de Impostos relativos à implementação do projeto do Gasoduto BrasilBolívia, celebrado entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República da Bolívia, em Brasília, em 5 de agosto de 1996, que foi aprovado pelo Senado Federal, por meio do Decreto Legislativo nº 128, de 13 de dezembro de 1996. A internalização desta isenção ocorreu por meio do Decreto nº 2.142, de 1997, o qual dispõe sobre as condições do gozo do benefício decorrente de acordo internacional. Pois bem. Alcançando o ponto de maior relevo para o presente caso, o período previsto legalmente para gozo da isenção foi estipulado pelo artigo 3º do referido Acordo entre Brasil e Bolívia, a seguir transcrito: Artigo 3º As isenções referidas no Artigo 1º serão aplicadas exclusivamente em fase de construção do gasoduto até que se alcance a capacidade de 30 milhões de m³/dia. (grifei) Ademais, o Acordo Internacional estabelece que as partes contratantes estabelecerão as normas legais internas necessárias à aplicação do presente Acordo (artigo 6º). Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10314.009111/200786 Acórdão n.º 3402005.306 S3C4T2 Fl. 130 5 Nesse sentido, o Regulamento Aduaneiro de 2002, vigente à época dos fatos geradores ora sob análise e seguindo os dizeres da Portaria Interministerial n. 41/Ministério da Fazenda/ Ministério das Minas e Energia, de 28/02/97 , 1 determinou que: Art. 179. A isenção do imposto na importação dos bens destinados à construção do Gasoduto Brasil Bolívia aplicase exclusivamente a materiais, equipamentos, máquinas, aparelhos e instrumentos, importados, e aos respectivos acessórios, sobressalentes e ferramentas, que os acompanhem, adquiridos pelo executor do projeto, diretamente ou por intermédio de empresa por ele contratada especialmente para a sua execução (Acordo para Isenção de Impostos Relativos à Implementação do Projeto de Gasoduto BrasilBolívia, Art. 1, promulgado pelo Decreto no 2.142, de 1997). § 1o A isenção de que trata o caput aplicase, exclusivamente, durante o período compreendido entre a data de início da construção do gasoduto, e a data em que houver sido alcançada a capacidade de transporte acordada (Acordo para Isenção de Impostos Relativos à Implementação do Projeto de Gasoduto BrasilBolívia, Art. 3, promulgado pelo Decreto no 2.142, de 1997). § 2o Compete ao Ministério das Minas e Energia informar à Secretaria da Receita Federal a data em que for alcançada a capacidade a que se refere o § 1o. (grifei) Finalmente, tal capacidade foi alcançada em 30/06/2003, conforme foi reconhecido pelo Ministro das Minas e Energia, por meio da Portaria n. 448/2003, publicada no Diário Oficial da União de 20/11/2003. Eis seu conteúdo: Art. 1º Reconhecer, tendo em vista as disposições do Decreto n. 0 2.142, de 5 de fevereiro de 1997, que promulga o Acordo para Isenção de Impostos Relativos A Implementação do Projeto Gasoduto BrasilBolivia, que o gasoduto alcançou a capacidade de transporte de trinta milhões de m3/dia, em 30 de junho de 2003. (grifei) São as duas datas supra citadas que devem ser avaliadas. Isto porque os tributos foram lançados haja vista que as DI foram registradas2 depois de 30/06/2003, dia em que o gasoduto alcançou a capacidade de trinta milhões de m3/dia. Ocorre que a publicidade desse evento só ocorreu em 20/11/2003, com a publicação no DOU, data essa posterior às importações auditadas. O primeiro ponto a ser colocado é que o Acordo Internacional travado entre Brasil e Bolívia não estabelece que o fim da isenção é "a data em que houver sido alcançada a capacidade de transporte acordada", como fez o Regulamento Aduaneiro de 2002, mas sim 1 Art.5º "As isenções de que trata esta Portaria aplicamse, exclusivamente, durante o período cujo termo inicial é a data de inicio da construção do gasoduto e cujo termo final será a data em que houver sido alcançada a capacidade de transporte de 30 milhões de m3/dia, reconhecida pelo Ministério das Minas e Energia." 2 Declarações de importação n. 03/05699975 de 07/07/2003; n. 03/05700051 de 07/07/2003; n. 03/06983359 de 18/08/2003; n. 03/08486336 de 02/10/2003 e 03/09004599 de 17/10/2003 Fl. 132DF CARF MF 6 como termo final para a vigência da isenção "até que se alcance a capacidade de 30 milhões de m³/dia." Em segundo lugar, quando foi posto pela legislação interna a "data" como o marco para o término da isenção, sua leitura deve ser feita levando em conta o restante da legislação nacional, à quem foi delegada a competência para estipular as normas para a aplicação do Acordo (artigo 6º), em especial o próprio CTN, que cuida tanto da disciplina das isenções,3 como também da vigência das leis em matéria tributária. Nesse sentido, devem ser destacados os seguintes dispositivos: Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; Art. 103. Salvo disposição em contrário, entram em vigor: I os atos administrativos a que se refere o inciso I do artigo 100, na data da sua publicação; (grifei) Da leitura dos citados comandos normativos, concluise que a Portaria n. 448/2003 do Ministério de Minas e Energia, em sendo ato normativo expedido por autoridade administrativa que versa sobre relação jurídica tributária (isenção específica no âmbito das importações), submetese à disciplina do CTN sobre sua vigência, a qual só se inicia na data da sua publicação. Ora, não poderia ser diferente, pois é só com a publicação que se formaliza o conhecimento pelos administrados a respeito do conteúdo normativo que deverá passar a ser seguido, sendo impossível antes disso cobrarlhes qualquer conduta prevista na norma, haja vista que esta ainda não possui todos os seus atributos para surtir efeitos jurídicos (validade, vigência e eficácia). A publicidade é, nesse sentido, requisito sine qua non para a completude dos atos jurídicos de maneira geral, sejam eles atos administrativos (e.g. notificação do lançamento tributário) ou atos normativos (e.g. portarias, leis, etc); sendo que, para esses estes últimos, por sua vocação de disciplinar condutas gerais e abstratas, invariavelmente serão direcionados para atos futuros, nunca passados (como ocorrem com as decisões judiciais ou administrativas). Entendimento em sentido contrário significaria, por um raciocínio bastante opaco a respeito tanto das regras acima colocadas, assim como de todas as acepções que se possa pensar sobre a segurança jurídica, impor uma espécie de retroatividade transversa da norma tributária. Com efeito, julgar que a isenção nas importações prevista pelo Acordo Internacional teria fim antes da publicação do ato normativo que declara como juridicamente 3 Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10314.009111/200786 Acórdão n.º 3402005.306 S3C4T2 Fl. 131 7 vigente a ocorrência do evento descriminado como dies aq quem do seu prazo de duração, significa impor tanto obrigação (de pagar tributo) quanto penalidade (sanção por ato ilícito, consubstanciada na multa de ofício ora cobrada) ao Contribuinte por descumprir ato que ainda não pode ser conhecido, tampouco produz efeitos na ordem jurídica. Parece certo então que a interpretação literal, nos moldes que impõe o artigo 111 do CTN, a ser dada à isenção sub judice é justamente essa: a data em que houver sido alcançada a capacidade de transporte acordada é aquela editada pelo Ministério das Minas e Energia por ato normativo, cuja vigência ocorrerá na data de sua publicação. Essa é, na realidade, a única leitura cabível, sob pena de afronta ao artigo 103, inciso I do CTN, bem como o princípio da irretroatividade (artigo 150, inciso III da Constituição). No caso concreto, haja vista que todas as DIs foram registradas em datas anteriores (fls 9) à publicação da Portaria n. 448/2003 do Ministério das Minas e Energia (20/11/2003), todas ainda estavam amparadas pela isenção prevista no Acordo para Isenção de Impostos relativos à implementação do projeto do Gasoduto BrasilBolívia, sendo incabível a cobrança dos tributos, multa de mora e juros perpetrados pelo auto de infração fundador do presente processo administrativo. Dispositivo Ex positis, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 134DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.910420/2008-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
IRPJ. Lucro Presumido. Coeficiente de Presunção. Serviço de Empreitada com Fornecimento de Materiais.
É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais.
Numero da decisão: 1301-003.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO. SERVIÇO DE EMPREITADA COM FORNECIMENTO DE MATERIAIS. É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 04 20 /2 00 8- 57 Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10880.910420/200857 Acórdão n.º 1301003.133 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA., já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ que, negando provimento à manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, manteve o despacho decisório da DeratSP, em que a autoridade administrativa não reconhecia o direito creditório pleiteado e, assim, deixou de homologar a compensação formalizada em declaração compensação dcomp. A recorrente alega ser empresa do ramo de construção civil. Grande parte de suas receitas advém de contratos com a Administração Pública. Por força de tais contratos, se obrigou, juntamente com a prestação de serviços, a fornecer materiais. O mesmo se deu em relação aos serviços prestados a particulares. No período em questão, a recorrente apurou o IRPJ com base no lucro presumido, adotando 32% como coeficiente de presunção. Mais tarde, tomou conhecimento de que, respondendo a diversas consultas, a Receita Federal do Brasil RFB havia manifestado entendimento no sentido da aplicação do coeficiente de 8%, quando o serviço de empreitada fosse prestado com fornecimento de materiais. Diante disso, a recorrente recalculou o IRPJ devido, retificou a DIPJ e apresentou declaração de compensação dcomp. A Derat, embora acusando a existência do pagamento indicado como indevido, assinalou que parte dele já havia sido utilizada para quitação de débitos da contribuinte, e assim homologou parcialmente a compensação. MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. se insurgiu contra o despacho decisório em manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento, por falta de prova dos fatos alegados, já que não teriam sido apresentadas a escrita comercial e a fiscal do período, nem os livros Diário e Razão, além da movimentação comercial, contratos de prestação de serviços e todas as notas fiscais emitidas, a fim de que se pudesse verificar se foram auferidas receitas sujeitas ao coeficiente de 8%. Foi interposto recurso. A recorrente, em preliminar, arguiu homologação tácita do crédito, porquanto o Fisco, dentro do prazo legal, não examinou os recolhimentos e as informações prestadas nas declarações. No mérito, afirmou ter consultado formalmente a RFB sobre a matéria, obtendo resposta por meio da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT nº 186, cuja ementa tinha a seguinte dicção: Para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda apurado com base no lucro presumido, aplicase o percentual de oito por cento sobre a receita bruta decorrente tão somente da prestação de serviços de construção civil por empreitada com fornecimento de materiais. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10880.910420/200857 Acórdão n.º 1301003.133 S1C3T1 Fl. 4 3 Disse que a DRJ, em respeito ao princípio da verdade material, deveria ter determinado o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que fosse realizada diligência, dando oportunidade à recorrente de comprovar, mediante a apresentação de documentos, o direito pleiteado. Aduziu que, ao prestar os serviços de construção civil, fornecera materiais, especialmente na execução dos contratos com a Administração Pública. Por isso, faria jus ao coeficiente de 8% na apuração do lucro presumido. Afirmou ter juntado laudo, produzido por peritos por ela contratados, com a finalidade de comprovar o fornecimento de materiais. Ao final, pediu a realização de perícia, formulando desde logo os quesitos e indicando o perito. Com essas alegações, pugnou pelo reconhecimento do direito e a subsequente homologação das compensações. É o relatório. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10880.910420/200857 Acórdão n.º 1301003.133 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.124, de 12/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.904015/2008 08, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.124): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. De início, cumpre rejeitar a preliminar de homologação tácita e de decadência. No caso, não ocorreu decadência, porque esta extingue o direito de constituir crédito tributário, mas não impede a verificação de fatos de que decorra direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Da mesma forma, não ocorreu homologação tácita, uma vez que a homologação tácita se dá com o decurso do prazo de cinco da transmissão da dcomp, tornando definitiva a compensação declarada. No caso em exame, porém, o despacho decisório foi proferido dentro do prazo legal. No mérito, a questão gira em torno de saber qual o coeficiente aplicável às receitas auferidas pela recorrente, na apuração do lucro presumido, se 8% ou 32%. Para tanto, é necessário verificar se os serviços de empreitada prestados pela recorrente envolviam fornecimento de materiais, bem como verificar qual a participação dessas receitas na receita bruta total auferida no período. No Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 13 de janeiro de 1997, a Receita Federal já havia se posicionado acerca do coeficiente de presunção aplicável aos casos de empreitada com fornecimento de materiais. Confirase: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 3º da IN SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10880.910420/200857 Acórdão n.º 1301003.133 S1C3T1 Fl. 6 5 Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; (g.n.) b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais.(g.n.) II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a", deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. O entendimento, quanto à aplicação do coeficiente de 8%, foi ratificado pela recente Instrução Normativa RFB nº 1.700/2017: Art. 33. A base de cálculo do IRPJ, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 26, auferida na atividade, deduzida das devoluções, das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos. § 1º Nas seguintes atividades o percentual de determinação da base de cálculo do IRPJ de que trata o caput será de: I 1,6% (um inteiro e seis décimos por cento) sobre a receita bruta auferida na revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida: a) na prestação de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, fisioterapia e terapia ocupacional, fonoaudiologia, patologia clínica, imagenologia, radiologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, exames por métodos gráficos, procedimentos endoscópicos, radioterapia, quimioterapia, diálise e oxigenoterapia hiperbárica, desde que a prestadora desses serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); b) na prestação de serviços de transporte de carga; c) nas atividades imobiliárias relativas a desmembramento ou loteamento de terrenos, Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10880.910420/200857 Acórdão n.º 1301003.133 S1C3T1 Fl. 7 6 incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda e a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda; e d) na atividade de construção por empreitada com emprego de todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra; (g.n.) (...) Art. 215. O lucro presumido será determinado mediante aplicação dos percentuais de que tratam o caput e os §§ 1º e 2º do art. 33 sobre a receita bruta definida pelo art. 26, relativa a cada atividade, auferida em cada período de apuração trimestral, deduzida das devoluções e vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos.http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/ anexoOutros.action?idArquivoBinario=0 Portanto, diante da interpretação adotada pela RFB, deve ser reconhecido à recorrente o direito de aplicação do percentual de 8% na apuração do lucro presumido, limitandose às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada pelos quais a recorrente se obrigou a fornecer materiais em qualquer quantidade, já que esse era o entendimento da Receita Federal ao tempo dos fatos. As receitas oriundas dos demais serviços ficam sujeitas ao coeficiente de 32%. Por último, cumpre ressaltar que a Solução de Consulta Cosit nº 8/2014 deixa claro que, até 2004, o entendimento oficial era no sentido de que o coeficiente de 8% aplicavase às receitas de construção por empreitada, com emprego de materiais em qualquer quantidade. Embora a Receita Federal tenha modificado o entendimento, a nova interpretação não tem aplicação retroativa, como deixa claro o inciso XIII, do parágrafo único do art. 2º da Lei nº 9.784/1999: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. (g.n.) Conclusão Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10880.910420/200857 Acórdão n.º 1301003.133 S1C3T1 Fl. 8 7 Pelo exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito ao coeficiente de presunção de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais. Os autos devem retornar à unidade de origem para retomar a análise do direito creditório, observando o disposto no art. 15, § 2º, da Lei nº 9.249/1995. À unidade de origem cabe realizar a verificação das receitas que se enquadrem nessa condição, observando, como limite máximo para o direito creditório, o valor informado na dcomp. Definido o valor do crédito, devem ser homologadas as compensações até esse limite. Na verificação, a autoridade fiscal poderá adotar os métodos usualmente empregados na fiscalização, inclusive a verificação por amostragem, se entender cabível." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 291DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.901085/2008-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/1999 a 30/11/1999
INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 3302-005.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário, vencido o Conselheiro Diego Weis Junior (relator), que não conhecia do recurso voluntário e anulava a decisão recorrida. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Walker Araújo.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
(assinado digitalmente)
Walker Araújo - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1999 a 30/11/1999 INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário, vencido o Conselheiro Diego Weis Junior (relator), que não conhecia do recurso voluntário e anulava a decisão recorrida. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Walker Araújo. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. (assinado digitalmente) Walker Araújo Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 10 85 /2 00 8- 38 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13819.901085/200838 Acórdão n.º 3302005.430 S3C3T2 Fl. 60 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão da 3ª Turma da DRJ de Campinas/SP assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/12/1999 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na origem, o recorrente apresentou, em 16.01.2004, DCOMP de nº 39361.04685.160104.1.3.044205, objetivando a compensação de suposto crédito de PIS, oriundo de pagamento indevido ou a maior dessa contribuição, realizado em 15.12.1999, relativo ao período de apuração encerrado em 30.11.1999, no valor original de R$279,581, com débitos de CSLL do 4º Trimestre de 2003, no valor original de R$187,55, de COFINS do mês de dezembro/2003, no valor original de R$242,26, e de PIS do mês de dezembro/2003, no valor original de R$52,49. Sobreveio despacho decisório informando que foi localizado o pagamento informado pelo contribuinte, mas que este fora integralmente utilizado para a quitação de outros débitos próprios, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não sustentou a existência do crédito declarado na DCOMP não homologada, tendo apenas informado que Em 29/12/2005, a empresa temendo que a Receita Federal não processasse o citado PER/DCOMP, a mesma por sua liberalidade quitou este débito com multa e juros, através do Darf código 2372 referente ao período de apuração 31/12/2003, no valor de R$ 10.701,94, e do Darf código 8109 referente ao período de apuração 31/12/2003, no valor de R$ 79,23, e do Darf código 2172 referente ao período de apuração 31/12/2003, no valor de R$ 365,71, portanto não há o que se falar em valores devidos, ou seja, a empresa não é devedora de débito algum, pois foi devidamente quitado, conforme cópia em anexo.(sic) 1 O valor atualizado na data da transmissão da DCOMP 16.01.2004 era de R$385,60. (fl. 3) Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13819.901085/200838 Acórdão n.º 3302005.430 S3C3T2 Fl. 61 3 Ao fim, pediu o contribuinte, em manifestação de inconformidade, fosse feita revisão de ofício, contemplando o cancelamento da DCOMP em comento e, por via de conseqüência, cancelada a cobrança decorrente da não homologação. Os membros da 3ª Turma da DRJ de Campinas/SP acordaram por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que a desistência ou cancelamento de DCOMP possui rito próprio, sendo vedado, tanto ao contribuinte quanto à autoridade julgadora, a pretensão de desistência/cancelamento naquela fase processual. Alegaram ainda os membros da 3ª Turma da DRJ/CPS, que as questões relativas à existência ou não de pagamento do débito era matéria estranha ao julgamento administrativo da não homologação de declarações de compensação, devendo ser observada somente na etapa de cobrança do crédito tributário confessado na DCOMP. Inconformada, a contribuinte apresentou, em 15.12.2011, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, onde ratificou os argumentos da Manifestação de Inconformidade e alegou não ter se utilizado do crédito apontado na DCOMP, vez que promoveu o pagamento integral do débito cuja compensação se pleiteava, o que materializaria erro de fato e não ausência de pagamento. Destaca a recorrente que o pagamento integral do débito ocorreu antes mesmo da ciência quanto à não homologação da compensação declarada, não podendo ser ela compelida ao pagamento em duplicidade do citado débito. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade, portanto, passo a apreciálo. 1 Das Etapas de Verificação do PER/DCOMP e da Instauração do Contencioso Administrativo. A compensação enquanto modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do CTN, operase mediante a existência de crédito líquido e certo oponível à fazenda pública, sem o que não há como efetivar o encontro de contas pretendido pelo contribuinte. Assim, têmse que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito declarado. Não restando comprovadas a certeza e liquidez do crédito do contribuinte, não há como operacionalizar a compensação. Atualmente, a compensação pode ser declarada pelo próprio sujeito passivo, em meio eletrônico, mediante preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação DCOMP, na qual se indicará, em detalhes, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose a ulterior homologação por verificação fiscal. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13819.901085/200838 Acórdão n.º 3302005.430 S3C3T2 Fl. 62 4 A verificação fiscal das compensações declaradas pelos contribuintes se opera em dois momentos distintos, a saber: 1) Verificação Eletrônica: Consiste no cruzamento de informações fiscais do contribuinte, disponíveis na base de dados dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil, objetivando verificar a consistência e coerência da compensação declarada. Detectada, nesta fase de verificação, qualquer inconsistência ou divergência entre valores e informações do contribuinte, não homologase a compensação realizada, oportunizando ao interessado o contraditório e ampla defesa em processo administrativo fiscal específico. 2) Verificação Documental: Uma vez instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, pela apresentação de Manifestação de Inconformidade à não homologação decorrente da verificação eletrônica, tem início a nova etapa de análise do direito creditório, que passa a se operar mediante verificação de documentos hábeis e idôneos que comprovem a existência do crédito utilizado pelo contribuinte. Neste segundo momento de verificação, devem ser observadas todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Em outras palavras, na etapa de verificação eletrônica antes de instaurado o contencioso administrativo são consideradas somente as informações e dados constantes dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil. Contudo, uma vez constatada a inconsistência/divergência das informações existentes nos sistemas informatizados, não homologase a compensação declarada e iniciase a etapa de verificação documental, nos autos de processo administrativo fiscal, onde incumbe ao contribuinte comprovar a existência de certeza e liquidez do crédito que pretende utilizar. No caso em estudo, o contribuinte informou, em sua primeira oportunidade de manifestação nestes autos, ter efetuado, em 29.12.2005, por meio de DARFs (fls. 13 a 15), o pagamento integral do débito que pretendia compensar, bem como pediu, de modo suficientemente claro, a revisão de ofício para fins de cancelamento da DCOMP 39361.04685.160104.1.3.044205. Assim, no que cinge ao suposto crédito de PIS do mês 11/1999, declarado na DCOMP em comento, o próprio contribuinte reconheceu sua inexistência, ainda em sede de manifestação de inconformidade, fazendo com que sequer tenha se instaurado controvérsia administrativa sobre tal matéria, não havendo que se falar em reconhecimento ou não de direito creditório, pois não há crédito em litígio. Contudo, a DRJ conheceu da Manifestação de Inconformidade e ratificou a decisão da DRF, não reconhecendo o direito creditório, sob o fundamento de que o cancelamento seria vedado naquela fase processual, bem como que a questão relativa a existência ou não de pagamento seria matéria estranha ao julgamento administrativo da não homologação de declarações de compensação. No recurso voluntário, o contribuinte ratificou todos os argumentos produzidos por ocasião da manifestação de inconformidade, renovando o pedido de revisão de ofício para o cancelamento da DCOMP e, por conseguinte, da cobrança decorrente de sua não homologação. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13819.901085/200838 Acórdão n.º 3302005.430 S3C3T2 Fl. 63 5 Repisese que desde sua primeira manifestação neste PAF, a empresa pugnou pela revisão de ofício, com o cancelamento da DCOMP e extinção da cobrança decorrente de sua não homologação. Segundo previsão legal do §9º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com alterações introduzidas pela Lei nº 10.833/2003, é facultado ao sujeito passivo se insurgir, por meio de Manifestação de Inconformidade, contra a não homologação da declaração de compensação. Nesse sentido, temse que a competência dos órgãos de julgamento administrativo, no que diz respeito às declarações de compensação, está adstrita ao reconhecimento ou não do direito creditório, que terá por consectário a homologação, ou não, da compensação declarada. Ocorre que o caso em estudo não versa sobre a não homologação da DCOMP, vez que o próprio contribuinte reconheceu a inexistência de direito creditório, tendo pleiteado a revisão de ofício para que fosse realizado o cancelamento da DCOMP, o que escapa à competência dos julgadores administrativos. Não estando a retificação ou o cancelamento de declarações, entregues pelo sujeito passivo, inseridos na esfera de competências do julgador administrativo, não se pode decidir sobre tal matéria. Tampouco faz sentido decidir sobre matéria não impugnada pelo contribuinte em suas peças, como é o caso do reconhecimento do direito creditório e conseqüente homologação da DCOMP em comento, sobre o que, conforme já visto, sequer se instaurou litígio. Noutras palavras, não tendo o contribuinte pugnado pelo reconhecimento do direito creditório não homologado pelo Despacho Decisório, não há e nunca houve litígio administrativo quanto a não homologação, esvaziando a competência dos órgãos de julgamento administrativo, vez que também não podem estes decidir sobre os pedidos formulados nas peças produzidas pelo contribuinte nestes autos. 2 Do Cancelamento da DCOMP Os artigos 62 e 82, respectivamente das Instruções Normativas SRF nº 600/20052 e RFB nº 900/20083, e seus parágrafos únicos, vigentes no período dos fatos, 2 IN SRF nº 600/2005. ... Art. 62. A desistência do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF do Pedido de Cancelamento gerado a partir do Programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário (papel), mediante a apresentação de requerimento à SRF, o qual somente será deferido caso o Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do Pedido de Cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. 3 IN RFB nº 900/2008. ... Art. 82. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário em meio papel, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido de restituição, Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13819.901085/200838 Acórdão n.º 3302005.430 S3C3T2 Fl. 64 6 sujeitavam a desistência da DCOMP a Pedido de Cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOM, e condicionavam o seu deferimento a pendência de decisão administrativa na data de apresentação do pedido de cancelamento. Já o parágrafo único desses dispositivos, estabelecia que seria indeferido o pedido de cancelamento formalizado após a intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Ainda que o contribuinte não tenha sido intimado à apresentação de quaisquer documentos, depois de emitido o Despacho Decisório (decisão administrativa) restou configurada a impossibilidade do sujeito passivo efetuar a desistência da DCOMP por conta própria, mediante a transmissão de pedido gerado a partir do programa PER/DCOMP. Muito embora não tenha o recorrente manifestado pela desistência da DCOMP por via adequada, mediante a utilização do programa PER/DCOMP, no caso concreto restou comprovada nos autos a intenção de desistir da declaração de compensação efetuada em 16.01.2004. Vejamos. O contribuinte solicitou, ainda em sede de manifestação de inconformidade, a revisão de ofício para cancelamento da DCOMP, anexando aos autos os comprovantes de pagamento de CSLL, PIS e COFINS relativos ao período de contribuição envolvido na compensação. Frente às alegações do contribuinte, o Serviço de Orientação e Análise Tributária SEORT, da DRF de São Bernardo do Campo/SP, juntou ao processo, em 17.10.2008, cópia da DCTF referente aos tributos cujos débitos se pretendia compensar (fls. 25 a 29), evidenciando que o total devido a título de CSLL do 4º Trimestre de 2003 era de R$7.089,26, o total devido a título de COFINS do mês de dezembro de 2003 era de R$242,26, e que o total devido a título de PIS do mês de dezembro/2003 era de R$52,49. A recorrente efetuou, em 29.12.2005, antes da emissão do despacho decisório, o pagamento integral dos saldos devedores declarados em DCTF do mesmo período de apuração, de CSLL, no montante original exato de R$7.089,26, de COFINS, no montante original exato de R$242,26, e de PIS, no montante original exato de R$52,49, conforme comprovam as cópias do DARFs anexado nas fls 13 a 15 e os comprovante de arrecadação de fls 42 a 44, não remanescendo saldo devedor de destes tributos no referido período de apuração. Destacase que tanto a transmissão da DCTF, anexada aos autos pela própria autoridade fiscal, quanto o pagamento do tributo devido, nela declarado, foram realizados muito tempo antes da prolação do despacho decisório (quase 3 anos antes), conforme se comprova pelas fls. 13 a 15, 25 a 29 e 42 a 44, combinadas com a fl 16. O Parecer Normativo Cosit nº 8, de 03 de setembro de 2014, dispõe, com efeito, ser possível a revisão de ofício dos atos realizados mediante erro de fato. o pedido de ressarcimento, o pedido de reembolso ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13819.901085/200838 Acórdão n.º 3302005.430 S3C3T2 Fl. 65 7 Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DE DÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, quais sejam: quando a lei assim o determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. (grifei) Dispõe ainda o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, que Não mais sendo possível a retificação por iniciativa do sujeito passivo, esta poderá ser realizada de ofício pela autoridade administrativa da unidade local de jurisdição para reduzir os débitos a serem encaminhados ao órgão da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa, haja vista orientação contida na Portaria Conjunta SRF/PGFN nº 1, de 1999, antes referida. Nos termos desta portaria, mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa, e ainda que iniciada a execução fiscal, a retificação de ofício poderá ser efetuada se comprovado o erro de fato no preenchimento da declaração. Consoante ao acima exposto, e observando ainda o contido no parágrafo nº 53 do relatório do Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, a revisão de ofício de decisão que não homologou a compensação está condicionada à não apreciação do erro de fato pelos órgãos de julgamento administrativo, em contencioso instaurado em função da apresentação anterior de manifestação de inconformidade. 53. Ressaltese que somente poderá haver revisão de ofício do despacho decisório que não homologou a compensação se o erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a DCTF e mesmo a DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL) não tiver sido objeto de apreciação dos órgãos de julgamento administrativo instaurado em função de apresentação anterior de manifestação de inconformidade, conforme já abordado Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13819.901085/200838 Acórdão n.º 3302005.430 S3C3T2 Fl. 66 8 Contudo, uma vez emitido o despacho decisório, restou comprometida a possibilidade de o contribuinte efetuar o pedido de cancelamento da DCOMP pela via adequada, tendo em vista o disposto nas instruções normativas vigentes. Assim, não vislumbrando outro caminho, decidiu o contribuinte por pedir a revisão de ofício em manifestação de inconformidade. Em homenagem ao princípio do formalismo moderado, que deve permear a tramitação dos processos administrativos, não se pode desconsiderar totalmente o pedido do recorrente apenas porque deixou de observar formalidades regulamentares. Portanto, estando presentes nos autos relevantes indícios de cometimento de erro de fato e da boa fé do contribuinte, entendo que o caso merece especial atenção, a fim de evitar que o erro cometido pelo sujeito passivo culmine em exação indevida. Não cabendo aos órgãos julgadores administrativos decidir sobre o pedido formulado pelo contribuinte em todas as suas manifestações nestes autos, e havendo previsão expressa no sentido de ser possível a revisão de ofício de lançamentos, a fim de evitar a inscrição em divida ativa e conseqüente execução de um crédito tributário indevido, o que seria contrário a princípios caros ao processo administrativo, penso que o pedido do recorrente deve ser analisado por quem detém competência para tanto. Nesse sentido o acórdão de nº 1301002.243, proferido pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 PER/DCOMP. PEDIDO DE CANCELAMENTO DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE DÉBITO INEXISTENTE. ERRO. CONVERSÃO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE EM PEDIDO DE REVISÃO DE OFÍCIO. PN COSIT Nº 8/2014. Se o contribuinte apresenta pedido de cancelamento de ofício do PER/DCOMP manejando manifestação de inconformidade, ao argumento de que inexiste o débito declarado, por erro, a autoridade fiscal deve receber a manifestação de inconformidade como pedido de revisão de ofício. Merece destaque, ainda, o seguinte excerto do voto vencedor que deu origem ao acórdão acima citado, da lavra do ilustre conselheiro Flávio Franco Corrêa: Sou da opinião de que o pedido de “cancelamento de ofício do PER/DCOMP”deve ser entendido como pedido de revisão de ofício do despacho decisório, formulado sob o argumento de que tanto o crédito como o débito não existem. Não me atenho à inexistência do crédito, somente, porquanto, se fosse apenas isso, o contribuinte não teria motivo para contestar a decisão da autoridade fiscal. Nessa situação, o contribuinte está ciente de que o crédito declarado é irreal. Vejo o problema por outra óptica quando o contribuinte alega que o débito antes confessado em DCOMP inexiste, mormente quando o contribuinte descobre tal fato no momento de Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13819.901085/200838 Acórdão n.º 3302005.430 S3C3T2 Fl. 67 9 apresentar defesa contra o despacho decisório, tal e qual o ocorrido. Nessa circunstância – vale lembrar o artigo 32, parágrafo único, da IN SRF nº 600/2005 impedia o cancelamento da DCOMP, assim como, hoje em dia, o artigo 93, parágrafo único, da IN RFB nº 1300/2012, também o impede. Consoante o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, a Portaria Conjunta SRF/PGFN nº 1/1999 estabelece que “qualquer débito encaminhado para inscrição em dívida ativa pode ser revisto de ofício pela autoridade administrativa da RFB quando o sujeito passivo apresentar provas inequívocas de cometimento de erro de fato”. Anotese que citado PN Cosit nº 8/2014 prevê a possibilidade de revisão de ofício de DCOMP “quando a compensação não é homologada por despacho decisório e, cumulativamente, tal decisão não é reformada em função de contencioso administrativo, seja pelo fato de não se ter insturado o litígio, seja em virtude de decisão administrativa definitiva, total ou parcialmente, desfavorável a ele”. No caso sob exame, não há e nunca houve litígio quanto ao crédito. Por outro lado, as DRJ e o Carf não são competentes para apreciar reclamações fundadas na inexistência do débito declarado com erro em DCOMP. Portanto, a decisão administrativa não se tornará definitiva passando por essas instâncias. Assim, pela perspectiva do PN Cosit nº 8/2014, o Despacho Decisório à fl. 23 é a decisão que se tornou definitiva e objeto do pedido de revisão de ofício. O novel Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 430/2017, dispõe ser da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização (Defis), dentre outros, no âmbito da respectiva jurisdição, a competência específica para proceder a revisão de ofício e o cancelamento ou reativação de declarações a pedido do sujeito passivo. Art. 272. À Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização (Defis), à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização de Comércio Exterior (Delex), à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Comércio Exterior (Decex), às Delegacias Especiais da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes de São Paulo e de Belo Horizonte (Demac) compete, no âmbito da respectiva jurisdição, gerir e executar as atividades de fiscalização, de tecnologia e segurança da informação, de comunicação social, de programação e logística e de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: ... III proceder à revisão de ofício de lançamentos e de declarações apresentadas pelo sujeito passivo e ao cancelamento ou reativação de declarações a pedido do sujeito passivo; Diante do exposto e tendo em vista o PN Cosit nº 8/2014, voto por não conhecer do recurso, e, de ofício, anular o acórdão recorrido, encaminhando o processo à Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13819.901085/200838 Acórdão n.º 3302005.430 S3C3T2 Fl. 68 10 unidade competente, para que seja recebida e processada a manifestação de inconformidade como pedido de revisão de ofício. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Voto Vencedor Conselheiro Walker Araujo Redator Designado Com o devido respeito aos argumentos do ilustre Relator, divirjo de seu entendimento quanto à solução a ser dada no presente caso, em especial quanto a declaração de nulidade do acórdão recorrido. Isto porque, ao contrário do entendimento explicitado pelo relator, não há na decisão recorrida vestígios de vício passíveis de nulidade, tampouco qualquer ato processual capaz de ensejar a incidência do artigo 59, do Decreto nº 70.235/72. Com efeito, a decisão recorrida analisou todos os argumentos explicitados pela Recorrente, bem como as demais questões processuais suscitadas pelas partes, ou seja, não houve nenhum vício na decisão recorrida que seja passível de nulidade. Neste esteira, entendo que a melhor solução à ser dado ao presente caso é aquela decidida por esta Turma, em outra composição, nos autos do processo 13819.901086/200882 (acórdão 3302004.648), de relatoria do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, envolvendo as mesmas partes e questões fáticas, a saber: Com efeito, no recurso em apreço, a recorrente não contestou o motivo da não homologação da compensação, ou seja, a inexistência do valor crédito utilizado na compensação em apreço. A confirmação do asseverado foi feita pela própria recorrente no demonstrativo de apuração e pagamento integral do débito da CSLL do período, colacionado na peça recursal em apreço. Assim, se não está em questão a existência ou não do direito creditório informado pela recorrente na Declaração de Compensação (DComp) colacionada aos autos e declarado inexistente pela autoridade fiscal, no âmbito do questionado Despacho Decisório, obviamente, não existe litígio a ser dirimido por este Colegiado. Em consequência, o presente o recurso, inequivocamente, perdeu o seu objeto. De toda sorte, cabe esclarecer que, caso a recorrente não tenha recolhido a parcela do débito confessado na referida DComp, obviamente, a cobrança desse valor deverá ser feita pela unidade da Receita Federal de origem, na forma da legislação vigente. Por todo o exposto, votase pelo não conhecimento do recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13819.901085/200838 Acórdão n.º 3302005.430 S3C3T2 Fl. 69 11 Nesse passo, considerando que a Recorrente, assim como o fez no citado processo, não contestou o motivo da não homologação da compensação, ou seja, a inexistência do valor crédito utilizado na compensação em apreço e, que toda matéria arguida em sede recursal não faz parte do litígio, ou seja, matéria estranha, outra solução não merece o presente caso, senão o não conhecimento do recurso. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Redator Designado. Fl. 69DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.906194/2012-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
Despacho Decisório. Pagamento Totalmente Utilizado. Fundamentação.
Considera-se fundamentado o despacho decisório que não homologa a compensação declarada ao argumento de que o pagamento indicado como indevido se encontra totalmente utilizado.
Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova.
Em pedido de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de nulidade e o pedido de diligência, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DESPACHO DECISÓRIO. PAGAMENTO TOTALMENTE UTILIZADO. FUNDAMENTAÇÃO. Considerase fundamentado o despacho decisório que não homologa a compensação declarada ao argumento de que o pagamento indicado como indevido se encontra totalmente utilizado. PAGAMENTO INDEVIDO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Em pedido de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de nulidade e o pedido de diligência, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 61 94 /2 01 2- 01 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10855.906194/201201 Acórdão n.º 1301003.251 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por AHK CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ Ribeirão Preto, que negou provimento à manifestação de inconformidade da recorrente e manteve o despacho decisório da DRF Sorocaba. No despacho decisório, a autoridade administrativa não reconheceu a existência do crédito pleiteado pela recorrente e, assim, deixou de homologar a compensação declarada em dcomp. A decisão fundouse no argumento de que, embora tendo sido encontrado o DARF, o pagamento já estava inteiramente utilizado para quitar outro débito da própria recorrente, não remanescendo qualquer valor. Na manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que o despacho decisório carecia de fundamentação, já que não expunha os motivos que levaram ao indeferimento do direito creditório. Por conseguinte, teriam sido violados os princípios da legalidade e da ampla defesa. Aduziu ainda que a autoridade administrativa não teve o cuidado de esclarecer os motivos da indisponibilidade do pagamento, e não intimou a interessada a apresentar as razões pelas quais o pagamento seria indevido. Concluiu, portanto, ser nulo o despacho decisório. A contribuinte se manifestou acerca da origem de seu direito nos seguintes termos: A Impugnante, ao calcular o quantum debeatur da exação, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôla. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. A DRJ, alegando que o direito não tinha sido demonstrado e que não havia certeza, nem liquidez do crédito, negou provimento à manifestação de inconformidade. Não resignada, AHK CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO LTDA. interpôs recurso, afirmando ter feito recolhimento a maior, "considerando as discussões jurídicas de legalidade e conceituação das disposições que regulam os tributos". Aduziu que "em Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10855.906194/201201 Acórdão n.º 1301003.251 S1C3T1 Fl. 4 3 decorrência das diversas legislações, da complexidade do ordenamento jurídico e, ainda, notadamente diante de todas as manifestações acerca da interpretação das normas aplicáveis aos tributos, a Recorrente postulou a restituição de tributos, utilizando o crédito em compensação.". Diversas seriam as "teses jurídicas" aplicáveis ao caso, que ensejariam a restituição ou compensação do valor recolhido, a exemplo do que se dá com a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofíns. Aduziu que o direito de repetir o indébito decorre diretamente da Constituição Federal e também do Código Tributário Nacional CTN, que asseguram ao contribuinte o direito de não pagar tributo ilegal. Portanto, deve ser afastada qualquer limitação ao direito imposta por norma regulamentar. No caso concreto, diz a recorrente, a Administração não apenas condicionou o direito ao crédito ao uso da declaração de compensação, como também exigiu a retificação da DCTF do período a que se refere o indébito. Afirmou que os fundamentos do despacho decisório e da decisão da DRJ não subsistem, e que foram violados os princípios da eficiência administrativa, da motivação, do contraditório e da ampla defesa. No mais, ressaltou que a dcomp não comporta a anexação de provas, as quais devem ser produzidas por iniciativa da autoridade administrativa, antes do despacho decisório. Com essas alegações, pugnou pelo provimento do recurso a fim de converter o julgamento em diligência, com o propósito de demonstrar a legitimidade do crédito. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10855.906194/201201 Acórdão n.º 1301003.251 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.245, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10855.900721/2012 66, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O crédito analisado no processo paradigma referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, apurado no 2º trimestre/2008. No presente processo, o direito creditório analisado tem como origem pagamento indevido ou a maior do IRPJ, referente ao 4º trimestre/2008. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.245): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. De plano, cumpre frisar que não há nulidade no despacho decisório, nem na decisão recorrida. O despacho decisório está devidamente fundamentado. O fundamento consiste no fato de que o valor que a recorrente queria ver restituído estava integralmente utilizado para quitar débito que a própria recorrente havia declarado. Essa circunstância é suficiente para respaldar a decisão denegatória. Não há violação ao direito de defesa, nem ao contraditório. A recorrente poderia, na manifestação de inconformidade e, se fosse o caso, no recurso, demonstrar que, a despeito de ter declarado o débito, este não existia, ou não existia no montante declarado. Na mesma oportunidade, deveriam ser expostas as razões de fato e de direito da pretensão ao crédito, acompanhadas dos respectivos elementos de prova. A recorrente, sem razão, sustenta que a autoridade administrativa não teve o cuidado de esclarecer os motivos da indisponibilidade do pagamento. A autoridade administrativa explicou o porquê da indisponibilidade: o pagamento estava indisponível porque alocado a um débito que a recorrente confessou. Se o débito não existia e se não deveria ter sido confessado, isso competia à recorrente explicar. Não cabe, ademais, falar em violação do princípio da eficiência, que nunca foi requisito de validade de ato Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10855.906194/201201 Acórdão n.º 1301003.251 S1C3T1 Fl. 6 5 administrativo. A eventual falta de eficiência da Administração Pública não implica a invalidade do ato praticado. Quanto à exigência de apresentar declaração de compensação, é preciso dizer que ela não anula, nem limita o direito à compensação, sendo apenas uma forma estabelecida para o exercício desse direito. A dcomp, ademais, produzindo efeito extinto da obrigação compensada, protege o contribuinte contra eventual morosidade da Administração. Por último, é equivocada a afirmação de que a autoridade administrativa e a DRJ exigiam a retificação da DCTF. O que se exige é a prova do indébito. Com essas razões, afastase a preliminar de nulidade. Foi requerida a realização de diligência, a qual deve ser indeferida, pois a recorrente não delimitou de forma clara e específica o seu objeto. No mérito, cumpre dizer que, nos pedidos de restituição e nas compensações, o ônus da prova do fato constitutivo do direito de crédito cabe àquele que bate às portas do Fisco, pleiteando a devolução de uma quantia que teria sido vertida indevidamente aos cofres públicos. É errôneo acreditar que basta ao contribuinte pedir restituição, para que o simples requerimento transfira ao Fisco o ônus de provar que o direito não existe. O ônus da prova é de quem alega o fato. Por conseguinte, uma vez indeferida a compensação, a recorrente já deveria, na manifestação de inconformidade, ter exibido as provas documentais do suposto direito. No caso em exame, a recorrente falou que o direito estaria ancorado em "teses jurídicas", "discussões" e "teses já decididas pelo STF como inconstitucionais", sem, entretanto, anunciar quais seriam essas teses e como elas afetariam o montante devido do IRPJ. Sobretudo, não foi demonstrado como essas "teses jurídica" interferem no caso concreto. É importante notar que a recorrente pleiteou a integralidade do pagamento, dando a entender que, no período, ela não devia IRPJ, sem explicar a razão, sem demonstrar qual a tese jurídica que prevaleceu no Supremo Tribunal Federal e afastou, no todo, a obrigação de pagar IRPJ. Frisese, por último, que a questão envolvendo a base de cálculo de PIS e Cofins não afeta o IRPJ apurado na sistemática do lucro presumido. Em suma, por todas essas razões, a pretensão da recorrente não pode ser acolhida. Conclusão Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10855.906194/201201 Acórdão n.º 1301003.251 S1C3T1 Fl. 7 6 Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade, indeferir a diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar a arguição de nulidade e o pedido de diligência, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 93DF CARF MF
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