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Numero do processo: 10886.000682/2010-76
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
Ementa:
EXIGÊNCIA DA ENTREGA DCTF. TERMO INICIAL. EFEITOS RETROATIVOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. Diante da fixação da data de exclusão do simples, ancorado em uma das hipóteses do art. 15 da Lei nº 9.317/1996, surge a obrigação de entrega da DCTF, independentemente da data do desfecho de qualquer discussão administrativa sobre a matéria.
Numero da decisão: 1002-000.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: JULIO LIMA SOUZA MARTINS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2005 Ementa: EXIGÊNCIA DA ENTREGA DCTF. TERMO INICIAL. EFEITOS RETROATIVOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. Diante da fixação da data de exclusão do simples, ancorado em uma das hipóteses do art. 15 da Lei nº 9.317/1996, surge a obrigação de entrega da DCTF, independentemente da data do desfecho de qualquer discussão administrativa sobre a matéria.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 Ementa: EXIGÊNCIA DA ENTREGA DCTF. TERMO INICIAL. EFEITOS RETROATIVOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. Diante da fixação da data de exclusão do simples, ancorado em uma das hipóteses do art. 15 da Lei nº 9.317/1996, surge a obrigação de entrega da DCTF, independentemente da data do desfecho de qualquer discussão administrativa sobre a matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Foram distribuídos os autos para análise de controvérsia envolvendo a cobrança de penalidade acessória, consubstanciada em multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF. In casu, há exigência vinculada ao 2º semestre de 2005, quantificada em R$ 3.447,55 (três mil quatrocentos e quarenta e sete reais e cinquenta e cinco centavos) (efl. 4). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 6. 00 06 82 /2 01 0- 76 Fl. 40DF CARF MF 2 Diante da constituição do lançamento, protocolouse impugnação (efls. 2/3) alegando a recorrente ter sido excluída do Simples, contudo, devido a decisão advinda do PA nº 13736.000817/200386, os efeitos da exclusão seriam válidos a partir da data em que se deu a decisão definitiva naquele fólio, em 2007. A reclamação administrativa foi então conhecida, fazendo com que a 5ª Turma da DRJ/RJ I proferise o Acórdão nº 1234.212 (efls. 23/26) que, por unanimidade de votos, determinou a manutenção integral do crédito tributário, tendo sido anotado no decisum a data de 01/01/2002 como termo inicial para efeitos da exclusão do Simples. Ato contínuo, irresignada com o julgamento a quo, a autuada interpôs recurso voluntário (efls. 32/36), reiterando os mesmos argumentos rechaçados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Julio Lima Souza Martins Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Com efeito, a questão controversa se resume em saber qual o marco inicial para efeitos de exclusão do Simples e, como tal, em que momento surgiria a obrigação de entrega das DCTF's pela recorrente. De plano verifico que, a despeito de não estar juntado ao processo, a decisão de piso deixa consignado que o ADE nº 445754, de 07 de agosto de 2003, determinou efeitos retroativos da exclusão a partir de 01/01/2002. A recorrente, por sua vez, afirma que a exclusão teve seus efeitos a partir de 2004, porém compreende que, somente a partir da decisão definitiva sobre a controvérsia (PA nº 13736.000817/200386), ocorrida 07/12/2007, deveria cumprir a obrigação acessória: Diante de tal decisão, a Recorrente interpôs o competente Recurso Administrativo, proc. n° 13736000817/200386, pelo que a questão ficou aguardando decisão final administrativa, que somente se deu em 07 de dezembro de 2007, quando restou decidida definitivamente a exclusão do SIMPLES, com data retroativa a 2004. (grifei) A interpretação advogada na petição não merece guarida. Primeiramente porque a recorrente por si só reconhece a retroatividade da exclusão do Simples desde o ano de 2004, dando azo, portanto, a exigência da entrega da DCTF do 2º semestre de 2005. Além disso, o argumento defendido no sentido de que a exclusão valeria a partir da decisão definitiva, no caso 07/12/2007, não encontra amparo na legislação à época vigente. Para tanto, reproduzo o art. 15 da Lei nº 9.317/1996 que enumera taxativamente todas as possibilidades de eficácia do termo inicial: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10886.000682/201076 Acórdão n.º 1002000.065 S1C0T2 Fl. 3 3 I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 13; II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9o desta Lei; III a partir do início de atividade da pessoa jurídica, sujeitandoa ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência, acrescidos, apenas, de juros de mora quando efetuado antes do início de procedimento de ofício, na hipótese do inciso II, "b", do art. 13; IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9°; V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. VI a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência do ato declaratório de exclusão, nos casos dos incisos XV e XVI do caput do art. 9o desta Lei. Portanto, não há fundamentos jurídicos para conceber, que somente em 2007, com a ciência da decisão, surgiriam os efeitos da exclusão. De todo o exposto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Fl. 42DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.000331/2003-62
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
SIMPLES. VEDAÇÃO INEXISTENTE NA LEI COMPLEMENTAR 123/06. IRRELEVÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA.
Embora a Lei Complementar nº 123/2006 tenha autorizado a inclusão de escolas de artes no Simples Nacional, não há retroatividade da norma, nos termos da Súmula CARF nº 81. Recurso especial parcialmente provido, reconhecendo a impossibilidade de aplicação retroativa da Lei Complementar 123/2006.
Numero da decisão: 9101-003.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação do mérito do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo -Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 SIMPLES. VEDAÇÃO INEXISTENTE NA LEI COMPLEMENTAR 123/06. IRRELEVÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA. Embora a Lei Complementar nº 123/2006 tenha autorizado a inclusão de escolas de artes no Simples Nacional, não há retroatividade da norma, nos termos da Súmula CARF nº 81. Recurso especial parcialmente provido, reconhecendo a impossibilidade de aplicação retroativa da Lei Complementar 123/2006.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação do mérito do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo -Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES. VEDAÇÃO INEXISTENTE NA LEI COMPLEMENTAR 123/06. IRRELEVÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA. Embora a Lei Complementar nº 123/2006 tenha autorizado a inclusão de escolas de artes no Simples Nacional, não há retroatividade da norma, nos termos da Súmula CARF nº 81. Recurso especial parcialmente provido, reconhecendo a impossibilidade de aplicação retroativa da Lei Complementar 123/2006. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação do mérito do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 03 31 /2 00 3- 62 Fl. 101DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de processo originado por exclusão do Simples Federal, por meio de Ato Declaratório nº 12, de 28 de janeiro de 2005, no qual se identifica como causa de exclusão a identificação de serviços “profissionais de professor, de músico”, aplicando o artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996 (fls. 41). O contribuinte, anteriormente, foi excluído do Simples nos autos do processo nº 10840.000293/200267, em 1999, por exercer atividade vedada (“Escola de Cursos Livres e Reuglares de 1º e 2º grai da área artística”). No entanto, como não encontrada intimação regular do contribuinte sobre tal exclusão (em 1999), restabeleceuse a opção pelo Simples em 01/01/1997, com a formação do novo processo (ora julgado) (fls. 2, certidão em 27/01/2003). O contribuinte apresentou impugnação contra a nova exclusão do Simples (fls. 44/54). O requerimento foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal em Ribeirão Preto, em acórdão assim ementado (fls. 48): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA. ENSINO DE SEGUNDO GRAU. As pessoas jurídicas que se dedicam às atividades de ensino médio estão impedidas de optarem pelo Simples, a teor do que dispõe, o art. 9°, XIII, da Lei n° 9.317, de 1996. CONSTITUCIONALIDADE. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a l'apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade. Solicitação Indeferida Contra tal decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 57), alegando, que suas atividades não se enquadrariam no artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996. Alega que exerce atividade de escolas livres e regulares de 1º e 2º graus da área artística, não dependendo de habilitação profissional. A 3ª Câmara do extinto 3º Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso voluntário, em acórdão cuja ementa se transcreve a seguir (fls. 60/67): Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10840.000331/200362 Acórdão n.º 9101003.393 CSRFT1 Fl. 100 3 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEAIPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 ATIVIDADE VEDADA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. O exercício de atividade consubstanciada em cursos livres e regulares na área artística não encontra óbice à opção pela sistemática do SIMPLES, nos moldes da LC 123/2006. DIREITO INTERTEMPORAL. MUDANÇA NO REGIME DE VEDAÇÕES DA LEGISLAÇÃO APLICÁVEL AO SIMPLES. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. Na vigência da Resolução CGSN n° 04, de 2007, pessoas jurídicas aptas a aderir ao regime instituído pela Lei Complementar n° 123, de 2006 não devem ser afastadas do regime da Lei n°9.317, de 1996. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Os autos foram remetidos à Procuradoria em 02/03/2009 (fls. 72), que interpôs recurso especial em 20/03/2009 (fls. 73), com fundamento no artigo 7º, I, do Regimento Interno da CSRF (Portaria MF 147), sustentando contrariedade à lei, diante da aplicação retroativa da Lei Complementar nº 123/2006. O recurso especial foi admitido, conforme razões a seguir reproduzidas pelo então Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção (fls. 88/89). O contribuinte foi intimado em 18/01/2010 (fls. 90), sem que tenha apresentado contrarrazões ao recurso especial. É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora O recurso é tempestivo, tendo sido demonstrada a contrariedade à lei tributária, razão pela qual conheço de suas razões, adotando as razões do Presidente de Câmara. Lembro que a Turma a quo julgou recurso voluntário em sessão de 7 de julho de 2008, decidindo por provêlo nos seguintes termos: Fl. 103DF CARF MF 4 Com efeito, não se trata, no presente caso, de buscar motivos que possam fazer invalidar o Ato Declaratório expedido pela autoridade administrativa, mas, de adequar a situação ao que prevê a lei. Nessa esteira, dispõe o art. 17, XVI, da Lei Complementar 123/06, que as Microempresas e Empresas de Pequeno Porte que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade de escolas de escola de música, não estão incluídas nas vedações legais, na forma do SIMPLES, in verbis (...) Destarte, sendo a atividade declarada e efetivamente exercida não vedada ao SIMPLES, nem havendo outros impedimentos legais, não há respaldo legal a impedir a opção de enquadramento no aludido Sistema. Partindo desta premissa, a alteração do Regime de Vedações promovido pela Lei Complementar 123/2006, por força do art. 18 da Resolução CGSN n°04, de 30 de maio de 2007, passou a ser considerado quando da aplicação da Lei n° 9.317, de 1996 a processos pendentes de julgamento. Vejase: "Art. 18. Serão consideradas inscritas no Simples Nacional as ME e EPP regularmente optantes pelo regime tributário de que trata a Lei n 9.317, de 5 de dezembro de 1996, salvo as que estiverem impedidas de optar por alguma das vedações previstas nesta Resolução. § 12 Para fins da opção tácita de que trata o caput, consideramse regularmente optantes as ME e as EPP inscritas no CNPJ como optantes pelo regime tributário de que trata a Lei n. 9.317, de 1996, que até 30 de junho de 2007 não tenham sido excluídas dessa sistemática de tributação ou, se excluídas, que até essa data não tenham obtido decisão definitiva na esfera administrativa ou judicial com relação a recurso interposto. (Grifo) Pois bem, aludida norma, definiu como regularmente optante a pessoa jurídica que, anterionnente excluída do regime da Lei n° 9.317/1996, passou a ser recepcionada pela Lei Complementar n° 123/2006, como não impedida de optar pelo sistema SIMPLES, desde que a exclusão não se encontrasse definitivamente julgada na esfera administrativa ou judicial. Acresçase que a atividade da Recorrente foi expressamente incluída dentre aquelas em que é possível aderir a nova sistemática. Nesse sentido é o que dispõe o art. 12 da mesma Resolução CGSN n° 04: (...) Impende registrar, ainda, que o artigo 88 da Lei Complemenatr n°.. 123/2006 estabelece claramente que aludido diploma legal entrou em vigor no dia 1º. de janeiro de 2007, todavia, subsequentemente, dispõe o artigo 89 que a Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e Lei no. 9.841, de 5 de outubro de 1999, estarão revogadas à partir da vigência da Lei Complementar em cotejo, ou seja, em 1º. de julho de 2007. Portanto, estamos diante de uma norma d eeficácia contida, e assim sendo, sua aplicação só se dará em sua plenitude quando as condições impeditivas Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10840.000331/200362 Acórdão n.º 9101003.393 CSRFT1 Fl. 101 5 forem resolvidas pela perda de sua eficácia, que ocorrerá com a desconstituição das referidas normas, Leis 9317/1996 e 9841/1999. Outrossim, analisandose o texto legal, evidente que, embora a LC 123/2006 autorize empresas que exerçam atividades pertinentes a cursos livres e regulares de artes a optarem pelo regime do Simples, estas fatalmente irão esbarrar nos impedimentos legais contidos na Lei 9317/1996. Nesse contexto, prevê o artigo 146, III, alínea "d" da Constituição Federal, que cabe A. lei complementar, estabelecer normas gerais em matéria tributária (...) Porquanto, forçoso reconhecer que a partir de 01 de julho de 2007 passaram a ser integralmente revogadas as legislações até então vigentes, que disciplinam o a sistemática do Simples, atinente às Leis supramencionadas 9317/1996 e 9841/1999, incluindose demais leis estaduais e municipais pertinentes a temática. Feitas essas considerações e, tendo em vista que a recorrente não desempenha a atividade ensejadora de sua exclusão do SIMPLES, tampouco, desempenha qualquer atividade vedada pela LC no 123/06, não há como subsistir a exclusão efetuada De fato, a atividade econômica exercida pela empresa i recorrente, segundo seu contrato social, incidi na "prestação de serviços de cursos livres e regulares na área artística", fls. 20, e, portanto, amparada pela legislação tributária aplicável. (...) Com efeito, a Lei Complementar nº 123/2006, com redação alterada pela Lei Complementar nº 128/2008, com redação conferida pela Lei Complementar n. 147 / 2014, autorizou a inclusão de escolas de artes no Simples Nacional: Art. 18. O valor devido mensalmente pela microempresa ou empresa de pequeno porte, optante pelo Simples Nacional, será determinado mediante aplicação das alíquotas constantes das tabelas dos Anexos I a VI desta Lei Complementar sobre a base de cálculo de que trata o § 3o deste artigo, observado o disposto no § 15 do art. 3o. (Redação dada pela Lei Complementar nº 147, de 2014) § 5ºB Sem prejuízo do disposto no § 1º do art. 17 desta Lei Complementar, serão tributadas na forma do Anexo III desta Lei Complementar as seguintes atividades de prestação de serviços: I creche, préescola e estabelecimento de ensino fundamental, escolas técnicas, profissionais e de ensino médio, de línguas estrangeiras, de artes, cursos técnicos de pilotagem, preparatórios para concursos, gerenciais e escolas livres, exceto as previstas nos incisos II e III do § 5ºD deste artigo; Não obstante isso, equivocada a decisão recorrida ao atribuir efeitos retroativos para a Lei Complementar nº 123. Afinal, não há fundamento legal para retroatividade da legislação que trata do regime simplificado (Simples Nacional) estabelecido Fl. 105DF CARF MF 6 pela Lei Complementar nº 123/2006 , para assegurar a opção quanto ao Simples Federal, que tem regramento próprio, em especial a Lei nº 9.317/1996. O artigo 106, I, do Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a retroatividade, limitase à hipótese de norma interpretativa, que exclua a aplicação de penalidade, hipótese distinta do caso dos autos. É o teor do artigo 106: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse sentido, destaco o Enunciado da Súmula do CARF impedindo a retroatividade em casos de atividade anteriormente vedada, verbis: Súmula CARF nº 81: É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples. Dentre os julgamentos que originaram a Súmula CARF 81, alguns trataram da irretroatividade da Lei Complementar n. 123, quais sejam: Número do acórdão Atividade analisada / assunto 9101000.809 Atividades descritas na Lei nº 9317, art. 9, incisos V e XIII 9101000980 Limpeza e conservação 9101001.001 Atividade de manutenção do físico corporal (academia) 1402000168 Desenvolvimento de programas de informática 3801000165 Engenharia e assemelhados 3801000.039 Professor 380300.045 Curso de idiomas Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10840.000331/200362 Acórdão n.º 9101003.393 CSRFT1 Fl. 102 7 Em julgamento realizado em 13 de março de 2017, esta Turma da CSRF decidiu pela impossibilidade de aplicação da Lei Complementar nº 123 de forma retroativa, conforme acórdão 9101002.574 do qual se transcreve ementa a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 SIMPLES. LEI 9.317/1996. ACADEMIA DE GINÁSTICA. ATIVIDADE VEDADA. As academias de ginástica exercem atividades assemelhadas às de fisicultor, sendo vedada a opção pelo Simples Federal, nos termos do artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996. SIMPLES. VEDAÇÃO INEXISTENTE NA LEI COMPLEMENTAR 123/06. IRRELEVÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DESTA LC Embora a Lei Complementar nº 123/2006 tenha autorizado a inclusão de academias de ginástica no Simples Nacional, não há retroatividade da norma, nos termos da Súmula CARF nº 81. Por tais razões, voto por dar parcial provimento ao recurso especial quanto à retroatividade da Lei Complementar nº 123/2006. Esclareço que, em seu recurso especial, a Procuradoria pede para “restaurar o inteiro teor da r. decisão de primeira instância”, pedido que não é integralmente acolhido pelo presente voto. Isto porque a Turma a quo não analisou de forma suficiente a matéria que lhe foi devolvida pela interposição de recurso voluntário – notadamente o cerne da discussão no processo administrativo relacionado à interpretação do artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996 e a alegação do contribuinte de que sua atividade “não depende de habilitação profissional” (fls. 57). Diante disso, proponho a baixa dos autos para complemento ao julgamento pela Turma a quo e, assim, voto pelo provimento parcial ao recurso especial. Conclusões Por tais razões, voto por conhecer e dar parcial provimento ao recurso especial da Procuradoria quanto à retroatividade da Lei Complementar nº 123/06. Voto, ainda, pela baixa dos autos para pronunciamento da Turma quanto ao artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/96. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 107DF CARF MF 8 Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.901061/2009-28
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade fiscal de origem analise os documentos acostados aos autos.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade fiscal de origem analise os documentos acostados aos autos. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. RELATÓRIO Dos fatos Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0949.124, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora /MG DRJ/JFA que, em sessão de julgamento realizada no dia 23.01.2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 138 a 142): Trata o presente processo de PER/DCOMP nº 34927.02138.260109.1.3.043960, com crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior, relativo ao DARF no valor de R$ 37.959,76, recolhido em 20/03/2007. Após análise dos elementos constitutivos do crédito pleiteado, foi emitido Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito, tendo em vista RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 01 06 1/ 20 09 -2 8 Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10880.901061/200928 Resolução nº 3001000.021 S3C0T1 Fl. 234 2 que o pagamento indicado como indevido ou a maior não oferecia saldo disponível para compensação, uma vez que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Regularmente cientificada do Despacho Decisório, por via postal, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em breve síntese, que transmitiu DCTF retificadora que confirma o seu crédito e que o crédito informado no PER/DCOMP é suficiente para a compensação do(s) débito(s) declarado(s). É o relatório do necessário. Da decisão de 1ª Instância A 1ª Turma da DRJ/JFA, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/03/2007 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da ciência O contribuinte, segundo por meio do "Aviso de Recebimento" (efl. 143), tomou conhecimento, em 14.02.2014, da "INTIMAÇÃO 272/2014" (efl. 144) dando conta do acórdão vergastado. Irresignado com a referida decisão, conforme o "Termo de Análise de Solicitação de Juntada" (efl. 231), o recorrente, em 13.03.2014, registra a solicitação de juntada do recurso voluntário apresentado (efls. 146 a 230). No caso, compulsando as datas acima destacadas, concluise que o recurso voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação; de modo que dele conheço. Do recurso voluntário Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10880.901061/200928 Resolução nº 3001000.021 S3C0T1 Fl. 235 3 Sintetizo os argumentos de defesa apresentado que entendo suficiente para evidenciar a necessidade de deferirse a diligência pleiteada. Alega o recorrente que: 1 é pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido e, portanto, o regime de tributação das contribuições ao PIS e Cofins é o cumulativo; 2 apurou saldo devedor de Cofins no valor de R$ 37.959,76, referente a fevereiro/2007 e providenciou o devido recolhimento por meio de DARF; 3 constatou que apurou de forma indevida o referido saldo a pagar de Cofins no citado período, tendo em vista que, para as operações de industrialização por encomenda, a legislação reduziu a alíquota desta contribuição, ficando alterada de 3% para zero, gerando crédito em seu favor; 4 em face da legislação aplicável às operações de industrialização por encomenda, o valor correto a ser recolhido no referido período era de R$ 108,66, gerando, por consequente, um saldo credor de R$ 37.851,10; 5 desse modo, apresentou a DCOMP 34927.02138.260109.1.3.043960, com o objetivo de quitar débitos de tributos federais com o valor que recolheu indevidamente; 6 a fiscalização, ao analisar o direito creditório pleiteado, ao proferir o despacho decisório, não o homologou, por haver concluído que respectivo valor serviu para quitar integralmente os débitos informados na DCTF e Dacon; 7 a não homologação decorreu da não apresentação da DCTF e do Dacon retificados, o que impossibilitou de a fiscalização identificar que o saldo recolhido de Cofins não estava de acordo com a realidade dos fatos e, por conseguinte, de aferir o crédito existente a seu favor, em face do recolhimento a maior; 8 se a fiscalização o tivesse intimado a prestar esclarecimentos sobre referida divergência, à época, já poderia explicar que por mero vício formal não retificou em tempo a DCTF e o Dacon, o que não desqualifica a materialidade de seu crédito de Cofins; 9 com vista a sanar o equívoco que maculou o despacho decisório, ao apresentar a manifestação de inconformidade, procedeu à retificação dos referidos documentos (DCTF e Dacon), para que estes demonstrassem o saldo creditório correto, que por um lapso divergia de sua documentação contábil e fiscal; 10 a questão suscitada no acórdão recorrido não merece prosperar, pois comprovou que o crédito discutido surgiu de apuração equivocada de Cofins em relação à operação de industrialização por encomenda, conforme consta de seu Livro Razão e Balancete; 11 no intuito de corroborar com a verdade material dos fatos, possibilitar a aferição do crédito e consequente homologação da DComp, aproveita esta oportunidade para apresentar sua documentação contábil, bem como a fiscal, que inegavelmente comprovam a existência do direito creditório ora pleiteado. Do encaminhamento Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10880.901061/200928 Resolução nº 3001000.021 S3C0T1 Fl. 236 4 O processo digital, então, foi encaminhado para ser analisado por este CARF na forma regimental. É o relatório. VOTO Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Do voto condutor do acórdão recorrido Do voto condutor do acórdão recorrido colhese: (...) Consoante o § 1º do art. 74 da Lei n.º 9.430/96, a compensação é realizada mediante entrega da DCOMP. Assim, o crédito informado deve existir já na data da transmissão dessa Declaração. No caso, é inconteste que, segundo as informações constantes da DCTF apresentada pelo contribuinte até a data entrega do PER/DCOMP, não havia pagamento a maior ou indevido que respaldasse o crédito utilizado na compensação. Portanto, cabe ao interessado a prova de que cometeu erro de preenchimento na DCTF original e que o valor efetivamente devido é aquele declarado na DCTF retificadora (entregue após a transmissão do PER/DCOMP). Entretanto, a contribuinte limitouse a apresentar a DCTF retificadora e a informar que o crédito decorre da retificação da DCTF. Nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais e controles internos. Em situações tais como a analisada, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderia comprovar que inexistia tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento efetuado em DARF daria ao interessado crédito passível de ser compensado com outros débitos. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. De acordo com o § 11 do art. 74 da Lei n.º 9.430/96, aplicase ao presente processo o rito estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Esse Decreto, com força de Lei, determina em seu art. 16 que a impugnação (manifestação de inconformidade) contenha as razões e provas que o interessado possua. No mesmo sentido, a Lei n.º 9.784/99, de aplicação subsidiária ao rito processual do Decreto n.º 70.235/72, estabelece, em seu art. 36, que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, em consonância, ainda, com o artigo 333, inciso I, do Código de Processo Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10880.901061/200928 Resolução nº 3001000.021 S3C0T1 Fl. 237 5 Civil, que afirma que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Com efeito, cumpre elucidar ainda que, nos moldes do art. 214, do Código Civil1, para a desconsideração da confissão de dívida por erro de fato, o equívoco deve ser devidamente comprovado, sendo do sujeito passivo (assim como ocorre em relação à comprovação do indébito) o encargo probante da circunstância, por aplicação do já comentado art. 333, I, do CPC. E isto deve ser feito por intermédio de documentos robustos, especialmente dos assentamentos contábeis/fiscais do contribuinte, não sendo suficiente, por si só, como prova a mera apresentação de DCTF retificadora. 1 “Art. 214. A confissão é irrevogável, mas pode ser anulada se decorreu de erro de fato ou de coação” É assente na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) é firme nesse sentido, conforme exemplificam as seguintes ementas: (...) Deste modo, considerando que a DCTF retificadora foi entregue somente após a transmissão do PER/DCOMP e que não foram aduzidos aos autos quaisquer elementos comprobatórios do crédito pleiteado, concluise que não há qualquer reparo a ser feito no Despacho Decisório sob análise. Nessa perspectiva, cumpre assinalar que, de acordo com a peça de defesa, a interessada também retificou o Dacon, em 30/03/2009 (fls. 29 a 72), alterando o valor da contribuição devida nos mesmos moldes da DCTF retificadora (fls. 73 a 115). Tal retificação, que resultou na diminuição do débito confessado, se deu em virtude da alteração da origem de grande parte da receita auferida, primeiramente informada como venda de produtos sujeitos à tributação monofásica e posteriormente alterada para revenda dos referidos produtos, cuja receita é tributada à alíquota zero. Entretanto, a interessada não comprovou a procedência da alteração efetuada, indispensável no presente caso, especialmente porque a atividade da contribuinte é, entre outras, a fabricação de medicamentos farmacêuticos, situação em que a tributação é concentrada no fabricante (fls. 120 a 134 e 137). Diante do exposto, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório de não homologação da compensação. Da justificativa para a proposta de diligência Compulsandose os autos verificase que o pedido de compensação do recorrente foi indeferido, por meio de despacho decisório eletrônico, número de rastreamento 849875837, em decorrência da inexistência de crédito. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10880.901061/200928 Resolução nº 3001000.021 S3C0T1 Fl. 238 6 O recorrente apresentou DCTF e Dacon retificadora, informando este fato quando da apresentação da manifestação de inconformidade. No seu entender, com a apresentação dessas declarações retificadora estaria sanada a irregularidade apontada no despacho decisório. Entretanto, o acórdão recorrido manteve o indeferimento do pedido de compensação sob o argumento de que o interessado não apresentou qualquer elemento contábil que demonstrasse ter havido pagamento a maior ou indevido e, deste modo, o recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito informado na DComp em questão. Portanto, em síntese, o fundamento da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante satisfatória (escrituração contábilfiscal) que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, na DCTF retificadora. O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, afirma, com suas próprias palavras, que houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual apresentou a retificadora da DCTF, juntamente com a Dacon, e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio uma vez que o fundamento do despacho decisório seria apenas a inexistência de débito. Como o acórdão recorrido proferido pela 1ª Turma da DRJ/JFA indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, o recorrente apresentou esses documentos, que entende serem suficientes para a devida comprovação do direito à compensação solicitada. Requer a realização de diligência para o esclarecimento acerca do crédito compensado, caso entendase necessário. Pois bem. Entendo que há razoável dúvida quanto à certeza e liquidez dos alegados direitos aos créditos que o recorrente pretende compensar. É certo que é condição indispensável à compensação de tributos a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Necessário, neste sentido, a comprovação cabal da existência desses supostos créditos, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação contábilfiscal do contribuinte. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para o recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, concluo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência. Desta forma, por entender que a mencionada retificação (DCTF e Dacon) levada a efeito pelo recorrente, sinaliza com a possibilidade de acerto quanto ao correto valor do indébito de Cofins, e, com isto, o reconhecimento da extinção do débito tributário objeto da compensação, nos termos do inciso II do artigo 156 do CTN, ainda mais com os documentos lastreados aos presentes autos, com a apresentação do recurso voluntário de que se cuida. Da conclusão Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da repartição de origem proceda à análise da documentação apresentada pelo recorrente em seu recurso voluntário, bem como intimeo para apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos que Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10880.901061/200928 Resolução nº 3001000.021 S3C0T1 Fl. 239 7 entenda necessários, a critério da fiscalização, com vistas a esclarecer e comprovar a existência dos supostos créditos suscetíveis de serem utilizados na compensação de tributos. Desta forma, os autos devem retornar à repartição de origem DERAT SÃO PAULO para realização da diligência solicitada. Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal da repartição de origem deverá elaborar relatório conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de crédito líquido e certo suscetível de ser utilizado pelo recorrente na PER/DCOMP 34927.02138.260109.1.3.043960. Encerrada a instrução processual o recorrente deverá ser intimado para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para este CARF, para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 239DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.003547/2006-81
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88. LIMITES DA COISA JULGADA. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. DESISTÊNCIA PARCIAL DO LITÍGIO. RESTABELECIMENTO DE PARTE DAS EXIGÊNCIAS.
A questão sobre o alcance da coisa julgada não deveria ter sido apreciada pela decisão recorrida, porque já tinha sido objeto de ação judicial, em que a contribuinte não obteve êxito. A contribuinte também formalizou desistência parcial do recurso voluntário que havia interposto, renunciando ao litígio em relação aos débitos referentes aos anos-calendário 2001/2003. Havendo concomitância entre processo administrativo e judicial, e, principalmente, desistência do litígio para parte dos débitos, a decisão recorrida não podia ter determinado o cancelamento integral do lançamento. O restabelecimento das exigências referentes aos anos-calendário 2001/2003 é medida impositiva, independentemente da posição que se tenha sobre o mérito do recurso especial da PGFN. Fica mantido o cancelamento das exigências referentes aos anos-calendário de 1997/2000 em razão de decadência (matéria não recorrida).
Numero da decisão: 9101-003.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para restabelecer as exigências fiscais relativas aos anos-calendário de 2001, 2002 e 2003.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CTBC DATA NET TELECOMUNICAÇÕES S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88. LIMITES DA COISA JULGADA. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. DESISTÊNCIA PARCIAL DO LITÍGIO. RESTABELECIMENTO DE PARTE DAS EXIGÊNCIAS. A questão sobre o alcance da coisa julgada não deveria ter sido apreciada pela decisão recorrida, porque já tinha sido objeto de ação judicial, em que a contribuinte não obteve êxito. A contribuinte também formalizou desistência parcial do recurso voluntário que havia interposto, renunciando ao litígio em relação aos débitos referentes aos anoscalendário 2001/2003. Havendo concomitância entre processo administrativo e judicial, e, principalmente, desistência do litígio para parte dos débitos, a decisão recorrida não podia ter determinado o cancelamento integral do lançamento. O restabelecimento das exigências referentes aos anoscalendário 2001/2003 é medida impositiva, independentemente da posição que se tenha sobre o mérito do recurso especial da PGFN. Fica mantido o cancelamento das exigências referentes aos anoscalendário de 1997/2000 em razão de decadência (matéria não recorrida). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial para restabelecer as exigências fiscais relativas aos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 35 47 /2 00 6- 81 Fl. 3032DF CARF MF Processo nº 10675.003547/200681 Acórdão n.º 9101003.428 CSRFT1 Fl. 3 2 Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto ao que foi decidido sobre a possibilidade de exigência da CSLL no contexto de a contribuinte ter obtido, em momento anterior, decisão transitada em julgado que declarou a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/1988. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 1301000.760, de 23/11/2011, rerratificado pelo Acórdão nº 1301001.372, de 05/12/2013, por meio dos quais a 1a Turma Ordinária da 3a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, entre outras questões, deu provimento a recurso voluntário da contribuinte, para cancelar integralmente o lançamento contido nos presentes autos. O Acórdão nº 1301000.760 contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 CSLL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICO TRIBUTARIA POR SENTENÇA JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. LIMITES DA COISA JULGADA. EFEITOS DA LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543C DO CPC. APLICABILIDADE DO ART. 62A DO RICARF. Declarada, por decisão judicial transitada em julgado, a inexistência de relação jurídico tributária entre o contribuinte e o Fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/1988, que instituiu a CSLL, afasta se a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar o tributo, em respeito à coisa julgada material. Decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp n° 1.118.893, no regime do art. 543C do CPC. Aplicabilidade do art. 62A do Regimento Interno do CARF. CSLL. APURAÇÃO ANUAL. FALTA DE PAGAMENTO DAS ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. Fl. 3033DF CARF MF Processo nº 10675.003547/200681 Acórdão n.º 9101003.428 CSRFT1 Fl. 4 3 Ao restar configurada a inexistência de relação jurídico tributária que obrigue a contribuinte ao pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, em face de decisão judicial transitada em julgado, não cabem antecipações com base em estimativas, muito menos a exigência de multas isoladas por seu descumprimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, por força de aplicação do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. E o Acórdão nº 1301001.372, que julgou embargos de declaração da contribuinte contra a decisão acima, apresenta o seguinte desfecho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO. Embargos declaratórios que se acolhe para suprir a omissão apontada, rerratificandose a parte conclusiva do voto condutor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, para suprir a omissão, sem produção de efeitos infringentes, nos termos do voto exarado. Os referidos embargos foram apresentados sob a alegação de que o Acórdão nº 1301000.760 incorreu em vício de omissão, por não ter se pronunciado sobre a decadência arguida no recurso voluntário da contribuinte, relativamente aos anoscalendário de 1997, 1998, 1999 e 2000. É importante transcrever trechos do voto que orientou a referida decisão que acolheu os embargos: Acórdão nº 1301001.372 Voto Conselheiro Relator Paulo Jakson da Silva Lucas. Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Esclareço, inicialmente, que merece acolhimento os embargos interpostos pela contribuinte, eis que configurada a ausência de pronunciamento, no acórdão ora embargado, da decadência argüida em recurso voluntário com relação aos períodos base de 1997, 1998, 1999 e 2000 (matéria litigiosa). Ressaltese, por imperioso, em que pese o fato do quanto decidido no referido Acórdão resultar no cancelamento integral do lançamento em questão, haja visto o provimento total ao recurso voluntário, importa a análise da questão relativa a decadência suscitada em razão do Recurso Fl. 3034DF CARF MF Processo nº 10675.003547/200681 Acórdão n.º 9101003.428 CSRFT1 Fl. 5 4 Especial interposto nos autos do presente processo pela Fazenda Nacional, a ser examinada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Analisando, pois, a matéria, temse que a ciência dos autos de infração relativo ao Acórdão embargado deuse em 28/12/2006. A matéria em litígio (decadência) conforme assentado no relatório referese a falta de recolhimento da CSLL relativo aos anos calendário de 1997, 1998, 1999 e 2000. O STF julgou inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212/91, tendo editado súmula vinculante, nos seguintes termos: [...] Isso posto, as contribuições também ficam sujeitas ao prazo decadencial de cinco anos estabelecido no CTN. Ademais, como no caso sob exame não houve pagamento, ainda que parcial, dos tributos e contribuições ora exigidos, o termo inicial da contagem do prazo decadencial é aquele previsto no art. 173, I, do CTN, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo ou contribuição poderia ter sido lançado. Ocorre que a matéria sob exame, a saber, a aplicabilidade do art. 150, § 4º, ou do art. 173, I, ambos do CTN, já foi objeto de decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), nos autos do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940). O julgamento se deu em 12/08/2009 e o acórdão foi publicado no DJe de 18/09/2009, restando assim ementado: [...] Posteriormente, o próprio STJ reviu seu posicionamento quanto ao termo inicial para a contagem do prazo decadencial, nos EDcl nos EDcl no AgRG no Recurso Especial nº 674.497 – PR (2004/01099782). Ressalto que o ilustre Ministro Relator, após mencionar expressamente o REsp nº 973.733, registra que “impõese o acolhimento dos presentes embargos de declaração, a fim de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria”. O julgamento ocorreu em 09/02/2010, e o acórdão foi publicado no DJe em 26/02/2010, com a seguinte ementa: [...] De se observar a diferença relevante entre um e outro julgados: no primeiro caso (REsp nº 973.733), o termo inicial para a contagem do prazo decadencial era tido como sendo o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, interpretação esta que fugia por completo à textualidade do art. 173, I, do CTN. No segundo julgado, revendo o posicionamento anterior, o Tribunal passou a considerar que (naquele caso), completandose o fato gerador em 31 de dezembro de 1993, o lançamento somente poderia ser feito a partir de 1994, e o prazo decadencial começaria a fluir em 1º de janeiro de 1995. Fl. 3035DF CARF MF Processo nº 10675.003547/200681 Acórdão n.º 9101003.428 CSRFT1 Fl. 6 5 De se ver, portanto, de que forma essa jurisprudência deve ser reproduzida no caso sob exame, em cumprimento das nóveis disposições regimentais. O Superior Tribunal de Justiça aponta, inequivocamente, para a contagem do prazo decadencial segundo as disposições do art. 173, I, do CTN, como regra geral. Esse seria também o dispositivo aplicável quando a lei determine o pagamento antecipado do tributo e o contribuinte não cumpra com essa obrigação e, ainda, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Conforme se depreende do processo, a ciência aos autos de infração deuse em 28 de dezembro de 2006, e alcançam fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 1997, 1998, 1999 e 2000. Logo, aplicando o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, para a CSLL, tomando por base o AC/2000, e em se tratando do Lucro Real Anual, a exação só poderia ser exigida a partir de 01/01/2001, logo o termo inicial para a contagem do prazo decadencial de cinco anos dáse em 01/01/2002 e encerrouse em 01/01/2006. Como o lançamento foi cientificado à contribuinte apenas em 28/12/2006, é de se reconhecer a decadência para todos os períodos em questão. Ante ao exposto, voto no sentido de acolher os embargos interpostos, com vistas a suprir a omissão verificada, sem efeito modificativo nas conclusões do Acórdão nº 1301000.760, sessão de 23 de novembro de 2011. Ao ser cientificada da primeira decisão (Acórdão nº 1301000.760), em 15/08/2012, a PGFN apresentou o recurso especial sob exame, e esse recurso foi admitido por decisão monocrática. Na sequência, a contribuinte foi intimada do Acórdão nº 1301000.760, do recurso especial da PGFN e do despacho que admitiu esse recurso. A contribuinte, então, apresentou os referidos embargos de declaração, alegando omissão no Acórdão nº 1301000.760, e o processamento desses embargos resultou no Acórdão nº 1301001.372. Em 18/11/2014, os autos foram novamente encaminhados à PGFN, dessa vez para ciência do Acórdão nº 1301001.372, e em 19/11/2014, a PGFN apresentou manifestação de que estava ciente do Acórdão 1301001.372, que julgou os Embargos de Declaração do Contribuinte em epígrafe, sem efeitos modificativos ao Acórdão 1301000.760 (efls. 2992). Nessa mesma manifestação, a PGFN destacou a interposição de Recurso Especial pela União e seguimento deste pela comprovação da divergência de entendimento apontada, e requereu que fosse dado prosseguimento ao feito, em cumprimento ao Despacho nº 200/2012 – 3ª Câmara, para posterior apreciação do referido recurso especial pela e. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Em seu recurso especial, a PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente ao que foi decidido sobre a possibilidade de exigência da CSLL no contexto de a contribuinte ter Fl. 3036DF CARF MF Processo nº 10675.003547/200681 Acórdão n.º 9101003.428 CSRFT1 Fl. 7 6 obtido, em momento anterior, decisão transitada em julgado que declarou a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/1988. Para o processamento do recurso, foram apresentados os seguintes argumentos: PRELIMINAR E SINOPSE FÁTICA tratase de lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, referente aos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 1997/2003, em decorrência de auditoria levada a efeito na escrita contábil e fiscal da empresa; a impugnação apresentada foi julgada procedente em parte, conforme termos da ementa que segue: [...]; em sede de recurso voluntário, a Primeira Turma da Terceira Câmara da Primeira Seção do CARE deu provimento ao recurso nos seguintes termos: [...]; em síntese, a turma a quo deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte nos termos do artigo 62A do RICARF para aplicar ao caso concreto o que foi decido pelo STJ no Resp n° 1.118.893; data venia, o entendimento esposado no acórdão ora recorrido não se subsume ao que foi decido pelo STJ no referido Resp; em abril do de 2011, o Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Resp n° 1.118.893, caso segue o rito dos recursos repetitivos, conforme estabelecido no artigo 543C do Código de Processo Civil (CPC), entendeu que os contribuintes que tenham a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da CSLL Contribuição Sobre Lucro Liquido, conforme concebida pela Lei n. 7.689/1988, não podem ser cobrados em razão de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter, posteriormente, se manifestado em sentido oposto à decisão, reconhecendo a constitucionalidade da CSLL. Eis a ementa do acórdão do Resp: [...]; pela simples leitura do acórdão ficou cristalino que somente se subsume ao que foi decidido o contribuinte que teve sentença transitada em julgado anterior à execução isentandoa do pagamento da CSLL, nos termos da lei n° 7.689/88, e das Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92. Conforme já relatado o auto de infração foi lavrado com base em legislação tributária diversa (fls. 2407/2415); portanto, à situação do caso concreto não se aplica o artigo 62A do Regimento Interno do CARF; ao dar provimento parcial ao recurso voluntário, o v. acórdão recorrido adota entendimento divergente da jurisprudência do CARF e do STJ, merecendo, por isso, reforma, como será demonstrado a seguir; DO CABIMENTO DO RECURSO Fl. 3037DF CARF MF Processo nº 10675.003547/200681 Acórdão n.º 9101003.428 CSRFT1 Fl. 8 7 a e. Câmara a quo diverge da decisão proferida pelas 5ª e 3ª Câmaras do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, constante do Acórdãos n°s 10513884 e 103 20057, cujas ementas passamos a transcrever integralmente: Acórdão 10513884 CSLL Decisão judicial sobre relação tributária continuativa não tem força de coisa julgada para períodos subseqüentes, mormente se o advento de nova legislação modifica tal relação. Acórdão 10320057 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO COISA JULGADA RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUATIVA A jurisprudência pátria (tanto a judicial quanto a administrativa) tem entendido que nas relações tributárias de natureza continuativa entre o Fisco e o contribuinte, não é cabível a alegação da exceção da coisa julgada em relação aos fatos geradores sucedidos após as alterações legislativas e, uma vez que os fatos geradores da obrigação tributária aqui discutidos são posteriores à alteração legislativa, nada obsta que sela realizado o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro via Auto de Infração, independentemente do resultado final da Ação Rescisória. observase a nítida divergência pelo cotejo das ementas. Enquanto a decisão afirma que o contribuinte tem sentença transitada em julgado anterior à execução isentandoa do pagamento da CSLL, os acórdãos paradigmas defendem que a coisa julgada não impediria que novas leis passassem a reger diferentemente fatos tributários ocorridos após sua vigência; notase clara divergência jurisprudencial na interpretação da lei tributária entre as Câmaras, na medida em que situações iguais deram ensejo a decisões completamente dispares, o que satisfaz os requisitos exigidos pelo art. 64 do Regimento Inferno e demonstra, portanto, o cabimento do presente recurso. DO MÉRITO DA EXIGÊNCIA DO CRÉDITO DE CSLL. CONCEITO DE COISA JULGADA. DOS EFEITOS DA COISA JULGADA. na espécie, a contribuinte ajuizou demanda judicial com o fim de eximirse do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, com o fundamento da inconstitucionalidade de sua instituição pela Lei 7.689/88, obtendo sentença favorável, transitada em julgado; o cerne da questão cingese na abrangência temporal da decisão judicial proferida em favor da contribuinte, transitada em julgado, considerando a inadmissão de seus efeitos normativos, prospectivos e futuristas, tendo em vista: a) supervenientes alterações legislativas nos aspectos formais e materiais nas normas incidentes sobre a relação tributária continuativa e a relação com a coisa julgada material; e Fl. 3038DF CARF MF Processo nº 10675.003547/200681 Acórdão n.º 9101003.428 CSRFT1 Fl. 9 8 b) a inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, declarada como motivo da decisão judicial, em observância ao principio da motivação, requerida incidentalmente, no exercício do controle difuso, não estando a declaração de inconstitucionalidade como causa de pedir albergada pelo manto imutável da coisa julgada, mormente após decisão em controle difuso e concentrado, proferida pelo Supremo Tribunal Federal, afirmando a constitucionalidade da exação tributária em comento, ressalvados os art. 8ºe 9º da Lei 7.689/88 (ADI 15 / DF DISTRITO FEDERAL AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE, Relator(a): Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Julgamento: 14/06/2007, Órgão Julgador: Tribunal Pleno); nos termos do Parecer PGFN/CRJ/ N° 2434/2008, a adequada compreensão dos limites objetivos das decisões judiciais pode (deve) ser obtida a partir de uma análise que leva em conta, além do próprio conteúdo das decisões, os demais elementos integrantes da demanda sob análise. Isto porque, como sabido, a tutela judicial é concedida nos limites da pretensão formulada pelo próprio autor/impetrante; segundo os fundamentos da teoria geral do processo, depreendese que a interpretação a ser conferida ao caso deve reproduzir o princípio da congruência da decisão judicial à demanda que lhe deu causa (congruência externa), bem como manter a coerência interna da própria sentença (congruência interna); a demanda impetrada trouxe como elementos táticos e fundamentos jurídicos pautados nas Leis 7.689/88, alterada posteriormente pelas Lei 7.787/89 e 7.7856/89; ocorre que a relação jurídicotributária é de trato sucessivo, uma relação jurídica continuativa, que se projeta no tempo, de maneira que o decidido no mandamus não pode (deve) se sobrepor às alterações legislativas posteriores, pois presentes modificações no estado de fato e de direito, bem como diante do comando normativo enunciador da forca de lei da sentença presente nos limites da lide. Portanto, a imutabilidade da coisa julgada material existe sobre o pedido e sobre os fatos deduzidos na inicial, respectivamente, mas não sobre aqueles que exsurgiram após o julgado, pois não há que se falar em coisa julgada sobre a situação jurídica nova, ante a ausência do nexo de referibilidade e em observância à inteligência do principio da congruência da decisão judicial à demanda; assim, modificado o quadro fático e/ou jurídico, necessário novo tratamento à relação jurídica, sendo as relações continuativas, como a relação jurídicotributária, reguladas por normas jurídicas que projetam no tempo os seus pressupostos, permitindo variações nos elementos quantitativos e qualitativos; dessa maneira, a sentença atende aos pressupostos fálicos e jurídicos do tempo em que foi proferida, sem o condão de extinguir a relação jurídica, que continua sujeita a variações dos seus elementos constitutivos, ao longo do tempo. A bem da verdade, toda sentença proferida em tais situações contém em si a cláusula REBUS SIC STANTIBUS, adaptandoa ao estado de fato e ao direito supervenientes. Logo, com a superveniência de alterações legislativas à regular a relação jurídica continuativa, surge nova equação jurídica; vejamos alguns dispositivos legais posteriores, que configuram importante modificação no quadro normativo referente à Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, reafirmando a instituição do tributo, e, conseqüentemente, inviabilizando a pretensão da recorrente em se eximir da exação tributária da CSLL sob o fundamento de estar protegida pela sentença proferida no MS 89.0001256. Transcrevo: [...]; Fl. 3039DF CARF MF Processo nº 10675.003547/200681 Acórdão n.º 9101003.428 CSRFT1 Fl. 10 9 ressaltese o teor da súmula n° 239 da jurisprudência dominante do STF: "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores", aplicável ao caso dos autos; doutos julgadores, verificouse, como demonstrado, a modificação na legislação de regência da CSLL das pessoas jurídicas, sendo reafirmada a instituição deste tributo, implicando na obrigatoriedade de cobrança da CSLL. Ressaltese, por razões óbvias, que a ação judicial invocada pela recorrente não apreciou as alterações posteriores, não integrando a causa de pedir da demanda, motivo pelo qual não integram a lide, ensejando o surgimento dos créditos tributários, oriundos da subsunção dos fatos geradores posteriores à decisão às hipóteses de incidência referentes à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido; corroborando o exposto, é como entende a jurisprudência administrativa e judicial, sendo vejamos: [...]; ademais, ação judicial proposta pela recorrente traz a declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88 como causa de pedir. Podese verificar que a declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88 não consta nos dispositivos da sentença e acórdão, tendo sido declarada pela via do controle difuso e de forma incidental, como lhe é característica. Assim, como a declaração de inconstitucionalidade não integra o dispositivo das decisões, não há trânsito em julgado desta em favor da recorrente. como dispõe o art. 469 do CPC; isto porque, no exercício do controle difuso, aberto, por via de exceção ou de defesa, o Poder Judiciário, na decisão da lide, declara a inconstitucionalidade de ato normativo. Entretanto, a declaração da inconstitucionalidade em sede de controle difuso não é o pedido do autor, não sendo o objeto central da lide, mas apenas uma questão incidental; caso o reconhecimento da inconstitucionalidade da Lei n° 7.689, de 1988, de forma incidental, fosse suficiente a afastar a cobrança da exação, inobstante não ser o caso em comento, a superveniência das Leis n° 8.034, de 1990, n° 8.212, de 1991 e da Lei Complementar n° 70, de 1991, alteraram a disciplina da contribuição social sobre o lucro das empresas, afirmando a cobrança do tributo, impondo a obrigação tributária à recorrente; nesse sentido, julgados já citados, e: [...]; observese que, na via do controle concentrado, o Supremo Tribunal Federal consolidou entendimento de que a declaração de inconstitucionalidade não impede o legislador de promulgar lei de teor idêntico ao de um texto anteriormente impugnado. Destarte, se a declaração de inconstitucionalidade, em sede de controle concentrado não impede a promulgação de nova norma de teor idêntico ou semelhante, notadamente, a declaração incidental de constitucionalidade não possui o condão de impedir o legislador de produzir lei nova disciplinando a matéria; diante do exposto, restaria à contribuinte demandar judicialmente para se eximir da obrigação tributária, desta feita, insurgindose contra as alterações legislativas ulteriores, por meio de uma nova ação judicial; entretanto, fadada estaria ao insucesso, mormente em virtude de entendimento do Supremo Tribunal Federal, pelas vias do controle concentrado e difuso, afirmando a inconstitucionalidade tão somente dos arts. 8º e 9° da Lei 7.689/88, restando por Fl. 3040DF CARF MF Processo nº 10675.003547/200681 Acórdão n.º 9101003.428 CSRFT1 Fl. 11 10 constitucional os demais dispositivos instituidores da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, tendo em vista o caráter dúplice das ações em controle concentrado (ADI 15 / DF DISTRITO FEDERAL); finalmente, relembramos que a Lei n° 7.689, de 1988, já teve sua constitucionalidade reconhecida em momento anterior pelo c. Supremo Tribunal Federal, com exceção do art. 8° (RE n° 138.2848/CE); a respeito dos efeitos temporais da coisa julgada sobre as relações jurídicas tributárias continuativas, bem como acerca da constitucionalidade da exação tributária da CSLL, instituída pela Lei 7.689/88, o acima detalhadamente explanado se encontra de acordo com o entendimento desta Procuradoria da Fazenda Nacional, tendo sido, inclusive objeto de PARECER PGFN/CRJ/N° 2434/2008 e PARECER PGFN/CR.J/N° 2363/2008; de todo o exposto, podese concluir pela obrigatoriedade da exação tributária da CSLL, anoscalendário 1997/2003, tendo em vista as alterações legislativas posteriores, os limites objetivos do trânsito em julgado da sentença proferida na demanda judicial proposta pela recorrente, bem como os precedentes judiciais e administrativos citados, destacandose decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, pela constitucionalidade da instituição da CSLL; outrossim, restando comprovada a manutenção do crédito tributário ora lançado, invertese a premissa do raciocínio postado no acórdão recorrido para restabelecer a obrigatoriedade das antecipações com base em estimativas e, por corolário, a exigência de multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas; DO PEDIDO por todo o exposto, requer a União (FAZENDA NACIONAL) seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, para reformar o acórdão recorrido, restaurandose o entendimento firmado na decisão de 1ª instância. Como já mencionado, o recurso especial foi admitido por decisão monocrática. O Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 200/2012, exarado em 21/11/2012, deu seguimento ao recurso, fundamentando sua decisão na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Examinando os acórdãos paradigmas, em seu inteiro teor, verificase que os mesmos trazem o entendimento de que nas relações tributárias de natureza continuativa entre o Fisco e o contribuinte, não pode ser oposta a exceção da coisa julgada em relação aos fatos geradores sucedidos após as alterações legislativas. De outra parte, o acórdão recorrido diverge desta interpretação ao dispor que deve prevalecer a decisão transitada em julgado que declarou a inexistência da relação jurídica entre o contribuinte e o Fisco, mediante a declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 7689/1988, ainda não modificado em sua essência, afastando assim a cobrança. Fl. 3041DF CARF MF Processo nº 10675.003547/200681 Acórdão n.º 9101003.428 CSRFT1 Fl. 12 11 Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse divergentes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente. Ante ao exposto, e tendo em vista que a uniformização da jurisprudência administrativa é o escopo do recurso especial, opino no sentido de que se DÊ SEGUIMENTO ao presente recurso. A contribuinte também foi intimada dos dois acórdãos exarados pela 1a Turma Ordinária da 3a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF. Quando foi cientificada da primeira decisão (Acórdão nº 1301000.760), ela apresentou os embargos de declaração que resultaram no segundo acórdão. E ao ser cientificada desse segundo acórdão (Acórdão nº 1301001.372), a contribuinte não se manifestou. É o relatório. Fl. 3042DF CARF MF Processo nº 10675.003547/200681 Acórdão n.º 9101003.428 CSRFT1 Fl. 13 12 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento a título de CSLL sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 e 2003. Também houve aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais de CSLL nos anos acima referidos e também no anocalendário de 1997. A autuação fiscal foi motivada pelo fato de a contribuinte se ver desobrigada do recolhimento da CSLL, em razão de uma decisão transitada em julgado que declarou a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/1988. A descrição dos fatos contida no auto de infração (vol. 13, efls. 10/12) informa: que a contribuinte não apurava nem recolhia CSLL em razão de entender que a decisão transitada em julgado, datada de 17 de fevereiro de 1992, oriunda da Ação Declaratória 05/89/UDI (Apelação Cível n° 90.01.154840 TRF da 1ª Região) a desobrigou de tal responsabilidade; que a contribuinte impetrou ação declaratória em 26/07/2001 (processo n° 2001.38.03.0036833), requerendo o reconhecimento da inexistência de obrigação para recolhimento da CSLL, alegando a ocorrência da coisa julgada, após obtenção de medida liminar em 12/07/2001 nos autos de Ação Cautelar de n° 2001.38.0031021, exarada nos seguintes termos: "Determino à Ré, na pessoa de seu representante legal, que se abstenha de cobrar das Autoras as parcelas vencidas e vincendas da contribuição sobre o lucro (CSLL) instituída pela Lei 7689/88, até solução definitiva da lide, devendo desconsiderar quaisquer débitos relativos ao tributo em questão para fins de expedição de CND"; que em 29/08/2003, entretanto, foi prolatada Sentença de 1ª instância pelo MM. Juiz Federal da 2ª Vara Federal da Subseção Judiciária de UberlândiaMG, tanto nos autos da ação ordinária/tributária, quanto nos autos da ação cautelar inominada, julgando improcedente o pedido formulado na inicial e revogando a liminar concedida; que em 19/12/2003, a contribuinte interpôs Recurso de Apelação nas duas ações, sendo recebida no efeito devolutivo na ação cautelar e no efeito suspensivo e devolutivo na ação ordinária; e que, diante disto, a Procuradoria da Fazenda Nacional em Uberlândia se pronunciou no sentido de que a exação não se encontrava com a exigibilidade suspensa, uma vez que a liminar que concedia a suspensão foi revogada pela sentença objeto de recurso com efeito apenas devolutivo, e que a concessão do efeito suspensivo à apelação nos autos da ação ordinária era inócua; e que em processo de mesma matéria e de empresa do mesmo grupo deste contribuinte, a DRF/UBE/EQAJ exarou a Informação Fiscal de nº 157/2004 cujo mérito Fl. 3043DF CARF MF Processo nº 10675.003547/200681 Acórdão n.º 9101003.428 CSRFT1 Fl. 14 13 concluiu pela obrigatoriedade do recolhimento da CSLL, e que esse entendimento foi confirmado pelo acórdão exarado pela 8ª Turma do TRF da 1ª Região em 14/03/06 (julgamento da apelação cível no processo 2001.38.03.0036833). O lançamento foi realizado com a multa de ofício de 75%, tendo em vista o pronunciamento da Procuradoria da Fazenda Nacional em Uberlândia acima referido, no sentido de que a exação não se encontrava com a exigibilidade suspensa, uma vez que a liminar que concedia a suspensão foi revogada pela sentença objeto de recurso com efeito apenas devolutivo, e que a concessão do efeito suspensivo à apelação nos autos da ação ordinária era inócua. A decisão de primeira instância administrativa (vol. 14, efls. 3), aplicando o princípio da retroatividade benigna, alterou o lançamento apenas para fins de reduzir a multa isolada por falta de estimativas de 75% para 50%, nos seguintes termos: Acórdão nº 1215.326 7ª Turma da DRJ/RJOI ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 PRAZO DECADENCIAL. ART. 45 DA LEI n° 8.212/1991. O prazo de decadência da CSLL é de dez anos, nos termos do art. 45 da Lei n° 8.212/1991. CISÃO PARCIAL. RESPONSABILIDADE PELOS TRIBUTOS. SOLIDARIEDADE. Na cisão parcial a companhia sucessora e a empresa cindida respondem solidariamente pelas obrigações desta última. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial, conforme determina o Ato Declaratório Normativo (ADN) n° 3/1996. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS DE CSLL. Incide multa de oficio isolada sobre os valores de estimativa de CSLL devidos e não pagos. MULTA ISOLADA. REDUÇÃO PARA 50%. Cabe a aplicação da regra do art. 106, inciso II, do CTN, que dispõe que a lei nova se aplica a ato ou fato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Lançamento Procedente em Parte Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, ACORDAM os membros da 7ªTurma da Delegacia da Receita Federal do Fl. 3044DF CARF MF Processo nº 10675.003547/200681 Acórdão n.º 9101003.428 CSRFT1 Fl. 15 14 Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I (RJ), por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado: (i) não tomar conhecimento da impugnação no tocante dos efeitos da decisão judicial exarada no curso da Ação Declaratória autuada sob o n° 05/89/UDI, que considerou inconstitucionais os preceitos da Lei n° 7.689/1988, pois tal matéria foi levadas à apreciação do Poder Judiciário, por meio da Ação Declaratória autuada sob o n° 2001.38.03.0036833. Assim sendo, visto que o crédito tributário está definitivamente constituído, devese proceder ao ADN COSIT n° 3/1996; (ii) reduzir a multa isolada de R$ 6.028.461,33 para R$ 4.018.974,22; (iii) quanto às demais matérias, considerar procedente os lançamentos. Encaminhese os autos do presente processo à DRF/UBE/SACAT, para que seja cientificada a interessada, intimandoa a pagar, exceto se ainda presente uma das hipóteses do art. 151 do Código Tributário Nacional, no prazo de 30 dias da ciência, o crédito tributário mantido. Facultese ainda a interposição de recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes, em igual prazo, relativamente às matérias não abrangidas pela ação judicial, observado o disposto no ADNCOSIT n° 3/1996. Quanto à parte exonerada, RECORRO DE OFÍCIO ao Egrégio Conselho de Contribuintes, conforme previsto no inciso I do art. 34 do Decreto n° 70.235/72, alterado pelo art. 67 da Lei n° 9.532/97, combinado com a Portaria MF n° 375/01. A exoneração do crédito procedida por este acórdão só será definitiva após o julgamento em segunda instância. (grifos acrescidos) Após ser cientificada da decisão acima referida, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 30/05/2008. Ocorre que em 29/10/2009, antes do julgamento do recurso voluntário, a contribuinte ingressou com petição de desistência parcial do recurso, para inclusão de débitos no parcelamento regido pela Lei 11.941/2009. Nessa petição, a contribuinte informou que não estavam contempladas na renúncia e desistência as questões atinentes à decadência quinquenal. Ela ainda discriminou individualmente os débitos que iriam ser incluídos no parcelamento, que correspondem aos débitos de CSLL nos anoscalendário 2001, 2002 e 2003, e aos débitos referentes à multa isolada por falta de estimativas do mês de janeiro/2001 em diante. Ela também discriminou as rubricas de juros de mora sobre os débitos de CSLL nos anoscalendário 2001, 2002 e 2003. Como já mencionado no início, o julgamento do recurso voluntário se deu primeiramente pelo Acórdão nº 1301000.760, de 23/11/2011. Essa decisão, logo de início esclareceu (equivocadamente) "que remanesce o litígio, tão somente, com relação à matéria não alcançada pela decadência, a qual, na visão da recorrente diz respeito aos débitos da CSLL (cód. 2973) do período de apuração 12/2001, 12/2002 e 08/2003 e da Multa Isolada (cód. 6094) do período de apuração de 31/01/2001 a 31/07/2003, bem como dos juros de mora relativo a fatos geradores dos ano calendários de Fl. 3045DF CARF MF Processo nº 10675.003547/200681 Acórdão n.º 9101003.428 CSRFT1 Fl. 16 15 2001, 2002 e 2003, conforme demonstrativo de fls. 2749 a 2751 constante do oficio de comunicação de sua manifestação da desistência parcial ao presente recurso voluntário, haja vista sua adesão ao REFIS IV, instituído pela Lei 11.941, de 2009". Na sequência, o voto que orientou o Acórdão nº 1301000.760 passou a apreciar a matéria que a Delegacia de Julgamento tinha considerado como concomitante (em razão da Ação Declaratória autuada sob o n° 2001.38.03.0036833). E, invocando a decisão do Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), nos autos do Recurso Especial n° 1.118.893 MG (2009/00111359), o Acórdão nº 1301000.760 decidiu pelo cancelamento integral do lançamento. Conforme já relatado, houve apresentação de recurso especial pela PGFN (ora examinado) e de embargos de declaração pela contribuinte. Nesses embargos, a contribuinte alegou que o Acórdão nº 1301000.760 tinha incorrido em vício de omissão, por não ter se pronunciado sobre a decadência arguida no recurso voluntário, relativamente aos anoscalendário de 1997, 1998, 1999 e 2000. E ainda fez os seguintes registros: Embora tenha o Relator reconhecido em seu voto a importância da análise desta matéria para a solução do litígio, entendeu que a renúncia recaiu sobre a matéria alcançada pela decadência (1997 a 2000), ou seja, entendeu que remanesceu em litígio, tão somente, a matéria não alcançada pela decadência (2001 a 2003), in verbis: [...]; Porém, a manifestação de desistência parcial ao presente recurso voluntário, documento anexo, alcança apenas a parcela não decaída, ou seja, A RENUNCIA E DESISTÊNCIA NÃO DEVE SER APLICADA À PARCELA DECAÍDA (ANOS DE 1997 A 2000) E SIM AOS DÉBITOS CUJOS FATOS GERADORES OCORRERAM A PARTIR DO ANO DE 2001, CONSIDERADOS PELA EMIBARGANTE COMO NÃO ALCANÇADOS PELO INSTITUTO DA DECADÊNCIA E PARCELADOS NO REFIS IV. Assim consta da manifestação de desistência parcial: [...]; A manifestação de desistência parcial ao recurso voluntário relaciona, por período de apuração, os débitos objeto da renúncia e desistência, cujos fatos geradores ocorrem nos anos de 2001 a 2003. Assim sendo, em oposto ao que constou do voto do Relator, remanesce o litígio, tão somente, com relação à matéria alcançada pela decadência (anos de 1997 a 2000). Data vênia, a r. decisão embargada por este instrumento não foi proferida com o costumeiro acerto, merecendo, portanto, ser reformada. Por essas razões é que a Embargante vem REQUERER Que diante da configuração das premissas legais, que se demonstrou, o conhecimento e o provimento dos Embargos de Declaração; Fl. 3046DF CARF MF Processo nº 10675.003547/200681 Acórdão n.º 9101003.428 CSRFT1 Fl. 17 16 Que esta Colenda Câmara se digne a reformar a decisão hostilizada, a fim de declarar sua decisão sobre a decadência dos débitos cujos fatos geradores ocorreram anteriormente ao ano de 2001. O julgamento desses embargos resultou no Acórdão nº 1301001.372. Nesse novo pronunciamento, a 1a Turma Ordinária da 3a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF entendeu que os embargos interpostos pela contribuinte mereciam acolhimento, "eis que configurada a ausência de pronunciamento, no acórdão ora embargado, da decadência argüida em recurso voluntário com relação aos períodos base de 1997, 1998, 1999 e 2000 (matéria litigiosa)". Essa decisão ressaltou ainda: "em que pese o fato do quanto decidido no referido Acórdão resultar no cancelamento integral do lançamento em questão, haja vista o provimento total ao recurso voluntário, importa a análise da questão relativa a decadência suscitada em razão do Recurso Especial interposto nos autos do presente processo pela Fazenda Nacional, a ser examinada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais." E nesse passo, o Acórdão nº 1301001.372 acolheu a decadência para as exigências relativas aos anoscalendário de 1997, 1998, 1999 e 2000. A PGFN foi cientificada dessa nova decisão, e, conforme já mencionado, ela apenas requereu que seu recurso especial, apresentado em momento anterior, fosse apreciado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. As informações acima são importantes para o deslinde deste processo, porque evidenciam que a decisão recorrida, composta pelos Acórdãos 1301000.760 e 1301001.372, contém equívocos e merece reparos. O primeiro equívoco, contido no Acórdão nº 1301000.760, foi tomar como objeto da renúncia/desistência os débitos referentes aos anoscalendário 1997/2000, justamente aqueles que remanesciam em litígio, em razão da alegação de decadência. Além disso, o Acórdão nº 1301000.760, sem dar nenhuma justificativa, simplesmente desconsiderou o problema da concomitância de matéria entre o presente processo administrativo e o processo judicial (Ação Declaratória autuada sob o n° 2001.38.03.0036833). E essa situação de concomitância tinha sido implicitamente suscitada no auto de infração e expressamente mencionada na decisão de primeira instância. Oportuno registrar que a referida decisão do STJ (REsp 1.118.893/MG) pode servir para tratar da questão de mérito sobre o alcance da coisa julgada (como entendeu o relator do Acórdão nº 1301000.760), mas não é suficiente para abordar o problema da concomitância, especialmente numa condição em que a contribuinte ajuizou ações posteriores para fazer valer o seu entendimento sobre o alcance da coisa julgada, e não obteve êxito nessas ações judiciais. Outro problema do referido Acórdão nº 1301000.760 é que, mesmo depois de expressamente fazer menção à referida petição da contribuinte, onde ela formalizou renúncia/desistência de parte do recurso voluntário, a decisão foi pelo "cancelamento integral" do lançamento. Fl. 3047DF CARF MF Processo nº 10675.003547/200681 Acórdão n.º 9101003.428 CSRFT1 Fl. 18 17 O segundo acórdão exarado pela 1a Turma Ordinária da 3a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF (Acórdão nº 1301001.372) corrigiu o equívoco em relação à renúncia/desistência (primeiro equívoco acima referido), e supriu a omissão em relação à decadência, mas manteve a decisão de "cancelamento integral" do lançamento. Nesse contexto, o quadro que ficou após as duas decisões da 1a Turma Ordinária da 3a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF é o seguinte: os débitos referentes aos anoscalendário 2001/2003 foram cancelados pelo mérito da questão do alcance da coisa julgada (1º acórdão). E os débitos referentes aos anoscalendário 1997/2000 foram cancelados pelo mérito da questão do alcance da coisa julgada (1º acórdão) e também por decadência (2º acórdão). Entretanto, o recurso especial da PGFN só abordou a questão referente ao alcance da coisa julgada. A PGFN foi cientificada do Acórdão nº 1301001.372, mas ela apenas requereu que seu recurso especial, apresentado em momento anterior, fosse apreciado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como o recurso especial não suscita nenhuma divergência sobre decadência, o seu processamento não produz nenhum efeito sobre os débitos referentes aos anoscalendário 1997/2000. Em relação a esse período, a decadência (matéria não recorrida) é suficiente, por si só, para manter o cancelamento das exigências fiscais. Já em relação aos débitos de 2001/2003, o recurso da PGFN deve ser provido para fins de se restabelecer o lançamento. E há duas razões para isso. A primeira é que em 2001 a contribuinte propôs duas ações judiciais para discutir o alcance da coisa julgada (Ação Cautelar n° 2001.38.0031021 e Ação Declaratória n° 2001.38.03.0036833), e não obteve êxito em nenhuma dessas ações. Em razão da concomitância, essa matéria, que motivou o provimento do recurso voluntário, nem mesmo deveria ter sido conhecida na segunda instância administrativa (da mesma forma como não foi na primeira instância). Há inclusive súmula do CARF a esse respeito: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. A segunda razão, ainda mais relevante, é que a contribuinte, provavelmente por não ter obtido êxito nas referidas ações judiciais, formalizou desistência parcial do recurso voluntário que havia interposto, renunciando ao litígio em relação aos débitos referentes aos anoscalendário 2001/2003. A contribuinte informou que estava aderindo ao Refis IV, instituído pela Lei nº 11.941/2009, para pagamento parcelado dos débitos de 2001/2003. Fl. 3048DF CARF MF Processo nº 10675.003547/200681 Acórdão n.º 9101003.428 CSRFT1 Fl. 19 18 E, em havendo desistência, não há que se falar em direito, porque este foi renunciado. Confirase o art. 78 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis Diante disso, a 1a Turma Ordinária da 3a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, sabendo que a contribuinte havia desistido do litígio para uma parte dos débitos, não podia ter tomado duas decisões no sentido de determinar o cancelamento integral do lançamento. Nesse contexto, o restabelecimento de parte do lançamento é medida impositiva, independentemente da posição que se tenha sobre o mérito do recurso especial da PGFN. Diante disso, voto no sentido de DAR parcial provimento ao recurso especial da PGFN, para fins de restabelecer o lançamento relativo às exigências fiscais referentes aos anoscalendário 2001, 2002 e 2003. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 3049DF CARF MF Processo nº 10675.003547/200681 Acórdão n.º 9101003.428 CSRFT1 Fl. 20 19 Fl. 3050DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.001333/2007-33
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49).
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. A matéria, que não foi expressamente contestada na impugnação, deve ser considerada como preclusa quando apresentada somente em fase recursal, não podendo ser conhecida por força de expressa disposição legal.
Numero da decisão: 1002-000.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: JULIO LIMA SOUZA MARTINS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49). MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. A matéria, que não foi expressamente contestada na impugnação, deve ser considerada como preclusa quando apresentada somente em fase recursal, não podendo ser conhecida por força de expressa disposição legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Foram distribuídos os autos para análise de controvérsia envolvendo a cobrança de penalidade acessória, consubstanciada em multa por atraso na entrega da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 13 33 /2 00 7- 33 Fl. 49DF CARF MF 2 Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF. In casu, há exigências vinculadas ao 1º trimestre do anocalendário de 2006, perfazendo um total a pagar no valor de R$ 14.310,92 (quatorze mil trezentos e dez reais e noventa e dois centavos) (efl. 7). Diante da constituição do lançamento, protocolouse impugnação (efls. 2/6) alegando em síntese aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea no caso concreto (Art. 138 do CTN). A reclamação administrativa foi então conhecida, fazendo com que a 3ª Turma da DRJ/BHE proferise o Acórdão nº 0220.108 (efls. 23/26) que, por unanimidade de votos, determinou a manutenção integral do crédito tributário. Ato contínuo, irresignada com a decisão a quo, a autuada interpôs recurso voluntário (efls. 24/31), reiterando o mesmo argumento rechaçado na impugnação, acrescentando que subsumese à espécie a extinção em matéria de penalidade decorrente da não conversão em lei do art. 18 da Medida Provisória nº 303 de 29 de junho de 2006. É o relatório. Voto Conselheiro Julio Lima Souza Martins Relator O recurso voluntário é tempestivo. Passo então a apreciar as alegações da recorrente. De plano, do cotejo entre a impugnação e a peça recursal ora examinada revela que, quando da impugnação, o contribuinte em nenhum momento arguiu, naquela primeira oportunidade, quesito relacionado à aplicabilidade da Medida provisória nº 303/2006, no que tange a retroatividade mais benéfica da multa aplicada. Diante disso, vale transcrever a legislação que discorre sobre a matéria que deve versar na impugnação administrativa: Decreto nº 70.235/1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Nesse sentido, transcrevo, excertos relacionados extraído do Código de Processo Civil: Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13609.001333/200733 Acórdão n.º 1002000.052 S1C0T2 Fl. 3 3 Art. 141. O juiz decidirá o mérito nos limites propostos pelas partes, sendolhe vedado conhecer de questões não suscita das a cujo respeito a lei exige iniciativa da parte. (...) Art. 223. Decorrido o prazo, extinguese o direito de praticar ou de emendar o ato processual, independentemente de declaração judicial, ficando assegurado, porém, à parte provar que não o realizou por justa causa. (...) Art. 329. O autor poderá: I até a citação, aditar ou alterar o pedido ou a causa de pedir, independentemente de consentimento do réu; II até o saneamento do processo, aditar ou alterar o pedido e a causa de pedir, com consentimento do réu, assegurado o contraditório mediante a possibilidade de manifestação deste no prazo mínimo de 15 (quinze) dias, facultado o requerimento de prova suplementar. Parágrafo único. Aplicase o disposto neste artigo à reconvenção e à respectiva causa de pedir. (...) Art. 492. É vedado ao juiz proferir decisão de natureza diversa da pedida, bem como condenar a parte em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado. Parágrafo único. A decisão deve ser certa, ainda que resolva relação jurídica condicional. (...) Mister notar que a recorrente não pode modificar o pedido ou invocar outra causa de pedir nesta fase do contencioso, sob pena de violação do princípio da congruência e ofensa às normas processuais que regem, especificamente, o Processo Administrativo Fiscal, bem assim, em geral às relativas ao Processo Civil. Deixo, por conseguinte, de conhecer desta parte do litígio. Da denúncia espontânea Em outra perspectiva, resta dirimir se, no contexto, prevalece ou não a denúncia espontânea para fins de apresentação das declarações a destempo, mercê dos reflexos sobre a cobrança contestada. Fl. 51DF CARF MF 4 Nesse sentido, alijando maiores digressões que alonguem a discussão no âmbito administrativo, surge aos julgadores deste colegiado a necessidade de se respeitar as súmulas editadas pelo órgão. Reproduzo para tanto inc. VI, do art. 45, do Regimento interno do CARF: Art. 45. Perderá o mandato o conselheiro que: [...] VI deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF, bem como o disposto no art. 62; Dito isso, particularmente quanto à matéria devolvida à apreciação, referente à denúncia espontânea na conjuntura da entrega de declarações, reportome à Sumula CARF nº 49, cujo teor não deixa incertezas acerca da inviabilidade da pretensão veiculada: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Não obstante, ainda que as decisões do STJ não vinculem os conselheiros do CARF, não custa lembrar que aquele órgão judiciário também pacificou seu posicionamento no sentido de que a denúncia espontânea não afasta a multa decorrente do atraso na entrega da declaração, uma vez que o art. 138 do CTN não se aplica às obrigações acessórias. TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido (AgRg nos EDcl no AREsp 209.663/BA, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/04/2013, DJe 10/05/2013) Rejeito, portanto, tal pretensão. Assim, diante ao enfretamento de todas as questões levantadas, voto por conhecer parcialmente e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13609.001333/200733 Acórdão n.º 1002000.052 S1C0T2 Fl. 4 5 Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722526/2010-06
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/05/1999
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA.
A Administração Pública não responde solidariamente por créditos previdenciários devidos pela empresa contratada para prestação de serviços de construção civil, reforma ou acréscimo, exceto nos casos de cessão de mão-de-obra.
Numero da decisão: 9202-006.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11080.722524/2010-17, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/05/1999 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA. A Administração Pública não responde solidariamente por créditos previdenciários devidos pela empresa contratada para prestação de serviços de construção civil, reforma ou acréscimo, exceto nos casos de cessão de mão-de-obra.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11080.722524/2010-17, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA. A Administração Pública não responde solidariamente por créditos previdenciários devidos pela empresa contratada para prestação de serviços de construção civil, reforma ou acréscimo, exceto nos casos de cessão de mãodeobra. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11080.722524/201017, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 25 26 /2 01 0- 06 Fl. 351DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Contribuinte contra o Acórdão de Recurso Voluntário, no qual restou consignada a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/05/1999 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NFLD. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. O proprietário, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. Nas hipóteses em que o cálculo do tributo tiver por base, ou tomar em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, poderá arbitrar o valor da base de cálculo ou os aludidos preços, sempre que forem omissos ou não merecerem fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o fisco federal pode inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. A utilização de percentual definido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições Fl. 352DF CARF MF Processo nº 11080.722526/201006 Acórdão n.º 9202006.581 CSRFT2 Fl. 3 3 previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. ELISÃO DA SOLIDARIEDADE. IMPOSSIBILIDADE. A CND apenas certifica que, no momento de sua emissão, não havia crédito tributário formalmente constituído em desfavor da empresa signatária da certidão, circunstância que não afasta o direito da Fazenda Pública de constituir e cobrar qualquer débito eventualmente apurado após a sua emissão, conforme ressalvado na própria CND. A apresentação de CND emitida em nome de empresa prestadora de serviços não é suficiente para elidir a responsabilidade solidária na construção civil. A elisão somente é possível com a comprovação do recolhimento da contribuição devida, pela apresentação dos documentos exigidos pela legislação de regência. Recurso Voluntário Negado Conforme consta do auto de infração, os objetos dos lançamentos são as contribuições sociais destinadas à Seguridade Social correspondentes a: II remuneração paga aos segurados empregados das empresas executoras de obras de construção civil, incluída em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente, haja vista que não houve elisão da responsabilidade solidária nos termos da legislação aplicável, a seguir fundamentada, cujo lançamento está codificado como “SC1 – SOLIDA. CONST. CIVIL ANTES 1999”; III remuneração paga aos segurados empregados das empresas prestadoras serviços com cessão de mãodeobra, incluída em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente, haja vista que não houve elisão da responsabilidade solidária nos termos da legislação aplicável, a seguir fundamentada, cujo lançamento está codificado como “SM1 – SOLIDARIEDADE CMO ANTES 1999”. Especificamente quanto aos fatos geradores da Solidariedade na Construção Civil e por Cessão de MãodeObra: a) fazem parte do crédito previdenciário as contribuições devidas pela notificada, destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa (FPAS) e dos segurados empregados, ao financiamento da complementação das prestações por acidente do trabalho (Seguro de Acidente de TrabalhoSAT) e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa; Fl. 353DF CARF MF 4 b) as contribuições previdenciárias destinadas a Terceiros não foram incluídas na presente notificação, tendo em vista o entendimento do Parecer CJ/MPAS n.º 1.710/99. Irresignada, a ora Recorrente impugnou a autuação alegando, em síntese: a necessidade de chamamento ao processo da empresa executora, responsável pelo recolhimento tributário, a fim de que se apurasse a real existência dos débitos autuados, em observância aos princípios da garantia de defesa e da verdade material; a impossibilidade de enquadrar o Impugnante como responsável solidário, já que a responsabilidade pelo recolhimento do tributo foi assumida pela empresa contratada, esta na forma de licitação pública; a autuação indevida, por não lhe ter sido garantido o benefício de ordem, cobrando em primeiro lugar, da contribuinte propriamente dita, já que a redação do art. 30, inciso IV da Lei n. 8.212/91, até dezembro de 1997 não vedava sua aplicação; e a irregularidade na apuração do lançamento do crédito tributário. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento entendeu pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido, o que gerou a interposição de Recurso Voluntário, ao qual foi negado provimento. Posteriormente, foi interposto Recurso Especial pela Contribuinte, no qual, acerca da divergência, a Recorrente sustenta que o Acórdão de Recurso Voluntário adotou entendimento divergente da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF (acórdão n.º 2401003.200), merecendo, por isso, reanálise do tema: responsabilidade solidária de sociedade de economia mista na contratação de obra de construção civil. Foi realizado exame de admissibilidade, restando disposta a seguinte conclusão: Do exposto, verificase que foram atendidos os pressupostos de admissibilidade do recurso especial previstos nos arts. 67 e 68 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 09/06/2015, razão pela qual é de se DAR SEGUIMENTO ao pedido do recorrente para que seja reapreciada a seguinte matéria: responsabilidade solidária de sociedade de economia mista na contratação de obra de construção civil art. 30,VI da lei 8212/91. Cabe destacar que o acórdão paradigma trata de situação fática idêntica a dos autos, referindose ao mesmo tributo e à mesma parte (Banco do Brasil). No que se referem às razões de reforma do Acórdão vergastado, a Recorrente aduz, em síntese, que: a) considerando que o lançamento objurgado não se refere a contratos formados por cessão de mãodeobra, mas sim, exclusivamente, para realização de obras de construção civil contratadas mediante empreitada, cujo conceito não se equipara a celebração de contratos mediante cessão de mãodeobra, há que se reconhecer a inexistência de responsabilidade solidária; b) com base no Parecer AGU n.º AC55/2006 e respaldado no entendimento deste Conselho (Súmula CARF n.º 66), resta indene de dúvida que a Administração Pública não responde solidariamente por créditos previdenciários de empresas contratadas para prestação de serviços de construção civil, Fl. 354DF CARF MF Processo nº 11080.722526/201006 Acórdão n.º 9202006.581 CSRFT2 Fl. 4 5 como é exatamente o caso das contratações realizadas pelo Recorrente, sociedade de economia mista; c) deve ser promovido o cancelamento do crédito legal constituído, com o reconhecimento da nulidade da autuação. Foram apresentadas contrarrazões pela Procuradoria da Fazenda Nacional, nas quais expressamente restou consignada a concordância com a demonstração da divergência jurisprudencial apontada pela Recorrente, nos seguintes termos: O cotejo levado a cabo pela Recorrente permite constatar que efetivamente foi demonstrada a alegada divergência jurisprudencial: enquanto no caso do acórdão recorrido entendeuse que sociedade de economia mista responde solidariamente por contratação de obra de construção civil em razão do art. 30,VI da lei 8212/91, o paradigma decidiu em sentido contrário. Quanto às razões do improvimento do Recurso Especial interposto pelo contribuinte, a Procuradoria dispôs, em síntese: a) o alegado pelo contribuinte de que o próprio STJ confirma a não aplicabilidade da Responsabilidade Solidária em relação à sociedade de economia mista não procede para o caso em tela, eis que o citado acórdão do Superior Tribunal de Justiça trata da Responsabilidade Solidária prevista quando da contratação de serviços mediante cessão de mãodeobra (REsp 417.794RS, Relator Min. Luiz Fux. – 1ª Turma); b) não é possível aceitar os argumentos expostos no tópico anterior, uma vez que o lançamento de que trata este processo não é de responsabilidade solidária decorrente da execução de contrato de cessão de mão de obra, de acordo com o artigo 31 da Lei 8.212/1991, mas de responsabilidade solidária decorrente de serviços de construção civil, de acordo com o artigo 30, VI, da Lei 8.212/1991. Fazse necessário destacar que o Recurso Especial sob análise tratase de Paradigma, de modo que o resultado consignado no presente julgamento será aplicado aos demais processos com fundamento em idêntica questão de direito que foram distribuídos no mesmo lote, consoante o disposto no art. 47, § 1º e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), abaixo transcrito: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. Fl. 355DF CARF MF 6 § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Portanto, aplicase ao presente a sistemática de recursos repetitivos prevista no Regimento Interno da Casa. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.580, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 11080.722524/201017, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.580): Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. De conformidade com o narrado, a divergência objeto da controvérsia é a responsabilidade solidária da sociedade de economia mista na contratação de obra de construção civil. Sobre a aptidão da mencionada divergência suscitada pela Recorrente para fins de conhecimento do Recurso, houve concordância da Procuradoria da Fazenda Nacional. Apesar da referida concordância, a Procuradoria da Fazenda, durante a sustentação oral proferida, quando do início do julgamento do recurso sob análise, suscitou o seu não conhecimento. Não assiste razão à Fazenda Nacional, tendo em vista que restou configurada a divergência argüida, pois o acórdão paradigma (n.º 2401003.200) trata de situação fática idêntica, mesmo tributo e mesma parte, inclusive (Banco do Brasil), em que foi aplicado entendimento jurídico diverso do posicionamento adotado pelo acórdão recorrido (sobre o art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/91). Desse modo, assentou o colegiado pelo conhecimento do Recurso Especial interposto pela Contribuinte. No que se refere ao mérito do recurso, assevera a Recorrente que, com base no Parecer AGU n.º AC55/2006 e respaldado no entendimento deste Conselho (Súmula CARF n.º 66), resta indene de dúvida que a Administração Pública não responde Fl. 356DF CARF MF Processo nº 11080.722526/201006 Acórdão n.º 9202006.581 CSRFT2 Fl. 5 7 solidariamente por créditos previdenciários de empresas contratadas para prestação de serviços de construção civil, como é exatamente o caso das contratações realizadas pelo Recorrente, sociedade de economia mista. Por outro lado, a PFN alega a impossibilidade de aceitação dos argumentos da Contribuinte, uma vez que o REsp 417.794RS citado no Recurso sob análise trata da responsabilidade solidária prevista quando da contratação de serviços mediante cessão de mãodeobra, de acordo com o art. 31 a Lei 8.212/91, não sendo o caso dos autos, que dispõe, na realidade, sobre a responsabilidade solidária decorrente de serviços de construção civil, de acordo com o art. 30, VI, da Lei 8.212/91. Assim, assevera a Procuradoria que: modificar o julgado importaria em violação ao referido dispositivo legal, o que não pode ser feito na via administrativa (Súmula n. 2 do CARF). Estabelecidos os contornos da controvérsia, impende discorrer sobre a natureza jurídica do Banco do Brasil S.A, que é uma entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, criada por lei para a exploração de atividade econômica, sob a forma de sociedade anônima, cujas ações com direito a voto pertencem em sua maioria à União, enquadrandose, nos termos do DecretoLei 200/1967, como sociedade de economia mista. Pleiteia a Recorrente a aplicação, ao presente caso, do Enunciado de Súmula CARF 66 abaixo transcrito: Súmula CARF nº 66: Os Órgãos da Administração Pública não respondem solidariamente por créditos previdenciários das empresas contratadas para prestação de serviços de construção civil, reforma e acréscimo, desde que a empresa construtora tenha assumido a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. Tendo em vista que, ao editar os enunciado de súmula, os tribunais devem aterse às circunstâncias fáticas dos precedentes que motivaram sua criação, nos termos do art. 926, § 2º, do CPC, para melhor avaliar a subsunção do presente caso ao disposto na Súmula CARF n.º 66, foi realizado o distinguishing entre o caso concreto analisado e os paradigmas que orientaram a formação da Súmula mencionada. Um dos paradigmas relevantes é o Acórdão n.º 20600.611, da Fundação Clóvis Salgado e Outros, que nega provimento a Recurso de Ofício em razão da inexistência de responsabilidade solidária na construção civil, conforme a ementa baixo transcrita: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1997 a 31/07/1998 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA — CONSTRUÇÃO CIVIL — ÓRGÃO PÚBLICO — FUNDAMENTO LEGAL ART. 30, INCISO VI LEI 8.212/1991 —INEXISTÊNCIA. Diante do que prevê o artigo 71, § 2° da Lei n° 8.666/93, com a redação dada Fl. 357DF CARF MF 8 pela Lei n° 9.032/95, somente nas situações previstas no art. 31 da Lei n° 8.212/1991, a Administração passou a responder solidariamente com o contratado pelas contribuições previdenciárias por ele devidas. Recurso de Oficio Negado Convém salientar que a contribuinte no referido processo é uma Fundação Estadual pertencente à administração indireta, da mesma forma que a Recorrente (Sociedade de Economia Mista). Nesse contexto, pareceme que a Súmula 66 trata da Administração pública direta e indireta, mas, impropriamente, se utiliza da expressão "órgão público". Sobre a abrangência do conceito de órgão público, José dos Santos Carvalho Filho, esclarece: Enquanto a Administração Direta é composta de órgãos internos do Estado, a Administração indireta se compõe de pessoas jurídicas, também denominadas de entidades. De acordo com o art. 4º, II, do Decretolei n.º 200/1967, a Administração Indireta compreende as seguintes categorias de entidades, dotadas, como faz questão de consignar a lei, de personalidade jurídica própria: a) as autarquias; b) as empresas públicas; c) as sociedades de economia mista; e d) as fundações públicas. Considerando o paradigma utilizado para a formação da Súmula 66, a interpretação mais adequada é a de que o Enunciado trata da Administração pública como um todo, não apenas de órgão público; compartimento na estrutura estatal a que são cometidas funções determinadas, sendo integrado por agentes que, quando as executam, manifestam a própria vontade do Estado; alcançando as entidades da administração pública indireta. Portanto, considero perfeitamente aplicável o referido Enunciado, desde que a empresa construtora tenha assumido a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. O requisito citado não foi objeto de discussão nos autos, pois a controvérsia se instaurou de forma mais ampla, existência ou não de responsabilidade da SEM na Construção Civil. Pelo fato de o Banco do Brasil tratarse de sociedade de economia mista, fazendo parte da Administração Pública Federal, ele está submetido ao regramento especial disposto Lei nº 8666/93: Art. 1º Esta Lei estabelece normas gerais sobre licitações e contratos administrativos pertinentes a obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações e locações no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (...). Parágrafo único. Subordinamse ao regime desta Lei, além dos órgãos da administração direta, os fundos especiais, as Fl. 358DF CARF MF Processo nº 11080.722526/201006 Acórdão n.º 9202006.581 CSRFT2 Fl. 6 9 autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios. O citado diploma dispõe, em seu art. 71, que as responsabilidades pelos encargos decorrentes da execução dos contratos firmados com a Administração Pública deverão ser atribuídas apenas ao contratado, exceto nos casos em que a execução do contrato seja realizada mediante a cessão de mão deobra, assim vejamos: Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. § 1º A inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) § 2° A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 19911. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995). Assim, em razão de os contratos realizados com a Recorrente serem regidos pela Lei de Licitações, entendo cumprido o requisito previsto na Súmula em questão, em razão da natureza do contrato administrativo realizado a partir do procedimento licitatório, bem como diante da objeto social do Banco (operações bancárias ativas, passivas e acessórias, a prestação de serviços bancários, de intermediação e suprimento financeiro sob suas múltiplas formas e o exercício de quaisquer atividades facultadas às instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional). Conforme já identificado nos Fundamentos Legais do Débito, fls. 8 e 9, a responsabilidade solidária atribuída à Recorrente foi fundamentada no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/91, que assim dispõe: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: VI o proprietário, o incorporador definido naLei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e Fl. 359DF CARF MF 10 admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem;(...). Cumpre elucidar que a previsão trazida na Lei 8.666/93 tratase de norma especial que rege a responsabilidade dos entes da Administração Pública sobre encargos administrativos, devendo prevalecer sobre o art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/91, que prescreve norma geral sobre responsabilidade solidária pelos débitos previdenciários decorrentes das obras de construção civil, independente de quem seja o contratante, o que se consubstancia na aplicação do princípio da especialidade, lex specialis derrogat generali. Vale destacar a aplicabilidade do Parecer AC nº 055/2006 da Advocacia Geral da União (AGU), aprovado pelo Presidente da República, também consolidando o entendimento de que a Administração Pública não poderá responder por créditos previdenciários devidos pela empresa contratada para prestação de serviços de construção civil, reforma ou acréscimo, nos termos do art. 30, VI da Lei 8.212/91, conforme ementa abaixo transcrita: PREVIDENCIÁRIO. ADMINISTRATIVO. CONTRATOS. OBRAS PÚBLICAS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E RETENÇÃO. DEFINIÇÃO. I Desde a Lei nº 5.890/73, até a edição do DecretoLei nº 2.300/86, a Administração Pública respondia pelas contribuições previdenciárias solidariamente com o construtor contratado para a execução de obras de construção, reforma ou acréscimo de imóvel, qualquer que fosse a forma da contratação. II Da edição do DecretoLei nº 2.300/86, até a vigência da Lei nº 9.032/95, a Administração Pública não respondia, nem solidariamente, pelos encargos previdenciários devidos pelo contratado, em qualquer hipótese. Precedentes do STJ. III A partir da Lei nº 9.032/95, até 31.01.1999 (Lei nº 9.711/98, art. 29), a Administração Pública passou a responder pelas contribuições previdenciárias solidariamente com o cedente de mãodeobra contratado para a execução de serviços de construção civil executados mediante cessão de mãodeobra, nos termos do artigo 31 da Lei nº 8.212/91 (Lei nº 8.666/93, art. 71, § 2º), não sendo responsável, porém, nos casos dos contratos referidos no artigo 30, VI da Lei nº 8.212/91 (contratação de construção, reforma ou acréscimo). IV Atualmente, a Administração Pública não responde, nem solidariamente, pelas obrigações para com a Seguridade Social devidas pelo construtor ou subempreiteira contratados para a realização de obras de construção, reforma ou acréscimo, qualquer que seja a forma de contratação, desde que não envolvam a cessão de mãodeobra, ou seja, desde que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente (Lei nº 8.212/91, art. 30, VI e Decreto nº 3.048/99, art. 220, § 1º c/c Lei nº 8.666/93, art. 71). Fl. 360DF CARF MF Processo nº 11080.722526/201006 Acórdão n.º 9202006.581 CSRFT2 Fl. 7 11 V Desde 1º.02.1999 (Lei nº 9.711/98, art. 29), a Administração Pública contratante de serviços de construção civil executados mediante cessão de mãodeobra deve reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa contratada, cedente da mãodeobra (Lei nº 8.212/91, art. 31). Em virtude de a Advocacia Geral da União ter reconhecido, por meio de Parecer aprovado pelo Presidente da República, que a responsabilidade da Administração sobre as contribuições previdenciárias decorrentes dos contratos administrativos é restrita apenas aos casos de cessão de mãodeobra, tal entendimento deve ser seguido pelos órgãos da Administração, conforme determina o art. 40, §1º da Lei Complementar nº 73/93 abaixo transcrito: Art. 40. Os pareceres do Advogado Geral da União são por este submetidos à aprovação do Presidente da República. § 1º O parecer aprovado e publicado juntamente com o despacho presidencial vincula a Administração Federal, cujos órgãos e entidades ficam obrigados a lhe dar fiel cumprimento. Considerando que a matéria recorrida não se refere à execução de contratos mediante cessão de mãodeobra, concluise que, no presente caso, não há que se falar em responsabilidade solidária da Contribuinte pelos débitos previdenciários decorrentes de obras de construção civil, fundamentada no art. 30, inciso VI da Lei 8.212/12. Ademais, acerca dos argumentos da Procuradoria, tornase imperioso elucidar que a Recorrida centraliza suas contrarrazões na impossibilidade de aceitação dos argumentos da Contribuinte, uma vez que o REsp 417.794RS não seria aplicável ao caso, contudo a Recorrente não faz menção ao julgado citado, de modo que rejeito as sintéticas argumentações da Fazenda. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso especial interposto pela Contribuinte e, no mérito, darlhe provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 361DF CARF MF 12 Fl. 362DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.905489/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Numero da decisão: 3201-003.487
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
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A. MACIEL EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 54 89 /2 01 2- 11 Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10183.905489/201211 Acórdão n.º 3201003.487 S3C2T1 Fl. 3 2 Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira. Relatório LEONICE DA S. A. MACIEL EPP requereu restituição de crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório não deferindo a restituição, em razão do fato de que os pagamentos informados já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou a inexistência de débito referente ao pagamento em questão, conforme DCTF retificadora apresentada. Nos termos do Acórdão nº 02049.841, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão na falta de comprovação do crédito pleiteado. No Recurso Voluntário, o contribuinte reitera a existência de erro na DCTF e no Dacon e alega que a origem do indébito é o fato de as mercadorias vendidas se submeterem ao regime monofásico, razão pela qual não deveria incidir a contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.476, de 02/03/2018, proferido no julgamento do processo 10183.905470/201266, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.476): O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. O crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Pis, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10183.905489/201211 Acórdão n.º 3201003.487 S3C2T1 Fl. 4 3 ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I do CPC2). Sem os elementos de prova do direito da recorrente, atento aos requisitos de certeza e liquidez do crédito, de acordo com art. 1703 do CTN, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído, por meio da DCTF original. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 3 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 42DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.916057/2011-05
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/08/2001
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-006.161
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Recorrente FÊNIX EMPREENDIMENTOS S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 60 57 /2 01 1- 05 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 13888.916057/201105 Acórdão n.º 9303006.161 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II, 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao Acórdão nº 3802002.827, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/08/2001 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso a que se nega provimento". Não conformada com tal decisão a Contribuinte interpôs o presente recurso. Visando comprovar o dissenso jurisprudencial apontou como paradigmas os Acórdãos nºs 3302002.226 e 330201.748. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 13888.916057/201105 Acórdão n.º 9303006.161 CSRFT3 Fl. 4 3 Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF foi dado seguimento ao recurso. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões nas quais requer o nãoconhecimento do recurso especial interposto pela Contribuinte. Alternativamente, requer, no mérito, que seja negado provimento ao recurso, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.142, de 13/12/2017, proferido no julgamento do processo 13888.916042/201139, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.142): "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial. A divergência suscitada pela Contribuinte em razão do acórdão recorrido ter decidido que o Recorrente não teria demonstrado nos autos o recolhimento indevido, pois apesar de ter acostado documentos, deixou de retificar a DCTF e o DACON, sendo que este último seria imprescindível para se confirmar a alegada inclusão indevida de receitas não tributáveis, na base de cálculo da contribuição em questão. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 13888.916057/201105 Acórdão n.º 9303006.161 CSRFT3 Fl. 5 4 Verificase que o voto condutor da decisão recorrida, o recurso voluntário não mereceu provimento sob o fundamento de que: "Agora, além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período (ver fls. 80/81). Todavia, permanece sem apresentar a DCTF retificadora, o mesmo podendo ser dito em relação à DIPJ retificadora e ao DACON retificador. Ou seja, mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados – , entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados, não se pode olvidar da necessidade de apresentação dos documentos comprobatórios do reclamado indébito, dentre os quais o DACON retificador, imprescindível para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras do sujeito passivo, fonte do direito creditório reclamado. Sem a devida comprovação não há como afirmar que o crédito reclamado é indevido, ainda que admitidas as novas provas acostadas aos autos (Livro Razão) em homenagem ao princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, que deságua na busca pela verdade material. Mas esta há que ser harmonizada com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas, não se podendo transferir para o Fisco o ônus de comprovar o direito creditório alegado, que é do sujeito passivo, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC". Como se observa, a decisão recorrida, fundamentou que a Contribuinte não comprovou o direito ao crédito reclamado, se desincumbiu do ônus probatório consistente em demonstrar o seu direito creditório. Isto é, não comprovou que houve erro ou pagamento a maior hábil a gerar o indébito alegado. Por outro lado, o acórdão paradigma nº 330201748, analisou tão somente a questão relativa a necessidade de retificação da DCTF em momento anterior à apresentação da DCOMP. Além disso, naquele caso o Sujeito Passivo providenciou a retificação da DCTF, circunstância que não se verifica no presente caso. Transcrevo parte do aresto: “Como relatado, a empresa Recorrente apurou a existência de pagamento indevido de Cofins e o utilizou para compensação de débito seu, apresentando a competente PER/DCOMP sem, contudo, efetuar a retificação da DCTF anteriormente apresentada. Corretamente, a DRF verificou que o valor do pagamento (Darfs) informado pela Recorrente foi integralmente aproveitado no débito informado na DCTF e, por esta razão, não reconheceu a existência de crédito e não homologou a compensação declarada. Somente após a ciência da decisão que não homologou a compensação declarada é que a Recorrente providenciou a retificação da DCTF e ingressou com manifestação de inconformidade, esta indeferida pela DRJ porque a DCTF fora apresentada após a ciência do Despacho Decisório da DRF e porque a Recorrente não apresentou a prova da existência do crédito alegado. Por seu turno, no recurso voluntário a empresa Recorrente sustente que o crédito efetivamente existe e está devidamente provado nos autos e que efetuou a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório. Concluindo: à mingua de previsão legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, ou a sua apresentação após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não se constitui em motivo para o indeferimento do pedido de restituição e, conseqüentemente, para a não homologação da compensação declarada pela Recorrente. Deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado considerando Fl. 162DF CARF MF Processo nº 13888.916057/201105 Acórdão n.º 9303006.161 CSRFT3 Fl. 6 5 todas as provas trazidas aos autos e outras que julgar imprescindível para apurar a verdade material e formar sua convicção.” Neste mesmo sentido, o acórdão paradigma nº 3302002.226, trata de situação na qual foi apresentado o DACON retificador. Vejamos: Por seu turno, no recurso voluntário a empresa Recorrente sustente que o crédito efetivamente existe e está devidamente provado nos autos e que efetuou a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório. Relatório “Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Brasília: (...) Considerado cientificado dessa decisão em 22/10/2009, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 23/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 a 6, acrescida de documentação anexa. A contribuinte alega que houve inúmeros erros na consolidação dos dados da apuração da contribuição, o que teria originado o crédito pleiteado. Retificou a Dacon do período para demonstrar o valor que seria realmente devido. Anexa cópias das declarações retificadas. Voto “Em síntese, a Recorrente advoga a existência de pagamentos indevidos e junta ao processo a Dacon retificadora transmitida em data anterior ao despacho decisório exarado pela DRF.” Como se vê, as decisões paragonadas não se identifica semelhança fática, o acórdão recorrido entendeu imprescindível a apresentação dos documentos comprobatórios do indébito, dentre os quais o DACON retificador, para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras da Contribuinte, fonte do direito creditório guerreado. Por outro lado, Os acórdãos indicados como paradigmas, não apresentam similitude fática, considerada relevante para o resultado do julgamento. No que tange o acórdão nº 330201748, nada fala sobre a questão da apresentação do DACON retificador. Além disso, traz o fundamento com o qual concorda a Turma a quo, relativa à necessidade ou não de retificação da DCTF em momento anterior à emissão do despacho decisório. Se a presente controvérsia girasse apenas em torno dessa matéria, a Turma a quo poderia ter acatado a pretensão da Contribuinte. A decisão recorrida encampou o fundamento de que: “mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados –, entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados”. Sem embargo, a retificação do DACON, embora, possa parecer irrelevante para o Acórdão n. 3302002.226, o mesmo não ocorre em relação a decisão recorrida. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13888.916057/201105 Acórdão n.º 9303006.161 CSRFT3 Fl. 7 6 Entretanto, o fato é que essa retificação do DACON ocorreu no caso discutido no acórdão indicado como paradigma (Acórdão nº 3302002.226), ao passo que o mesmo não se verificou no presente caso. Com efeito, a situação examinada pelo Acórdão n. 3302002.226, poderia a Turma a quo ter decidido de forma diversa, ou acolhendo a pretensão da contribuinte, ou determinando o retorno dos autos em diligência. O fato é que ocorreu na situação abordada pelo Acórdão n. 3302002.226 circunstância relevante, não presente na decisão recorrida, que poderia ter alterado a convicção ou a fundamentação do colegiado a quo. O contexto fático exposto nas decisões paradigmas e no acórdão recorrido, patente pela leitura das passagens acima transcritas, demanda do mesmo modo, que o recurso especial não seja conhecido em face da ausência de demonstração de que, discutindo casos similares, foi dada interpretação jurídica diversa. Neste sentido, O Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (versão atualizada, pg.30) estabelece que: O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, assim estabeleceu, em seu art. 67, § 1º, do Anexo II: "§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente." Em 15 de fevereiro de 2016, foi publicada a Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, com a seguinte redação: “§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente.” Neste sentido, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte, em razão de não ter sido comprovada divergência, e similitude fática, nos termos do § 1º da Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.720859/2012-24
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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AZEVEDO LAVANDERIA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL ANOSCALENDÁRIO: 2009, 2010, 2011 e 2012 A existência de débitos como Instituto Nacional do Seguro Social INSS ou para com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa, é hipótese de indeferimento da inclusão no Simples Nacional, nos termos do inciso V do artigo 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 72 08 59 /2 01 2- 24 Fl. 162DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0360.078, da 4ª Turma da DRJ/BSB, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débitos, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo o voto: É tempestiva e atende aos demais requisitos legais de admissibilidade a manifestação de inconformidade manejada pelo interessada, razão por que merece ser conhecida. O litígio é decorrente do indeferimento dos pedidos da contribuinte contido no Parecer Secat/DRF/SJC n° 263, de 13 de agosto de 2012 em virtude da existência de pendências que a interessada integralmente contesta. Não assiste razão à manifestante. Considerando que a Manifestação de Inconformidade da contribuinte ataca o Parecer Secat 263, de 2012 e referese a atos praticados nos anoscalendário de 2009 a 2012, vamos analisálos separadamente. DOS DEVERES DO JULGADOR Inicialmente, cabe registrar que o julgador deve observar o entendimento da RFB expresso em atos normativos, de acordo com o disposto no artigo 7º, inciso V, da Portaria MF nº 341 /2011: Art. 7° São deveres do julgador: (...) IV cumprir e fazer cumprir as disposições legais a que está submetido; e V observar o disposto no inciso III do art. 116 da Lei nº 8.112, de 1990, bem como o entendimento da RFB expresso em atos normativos. (...) DA ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE Quanto à alegação de inconstitucionalidade da norma levantada pela interessada, há disposição legal expressa quanto à atuação dos órgãos de julgamento administrativos, qual seja: Decreto nº 70.235/1972 (...) Art. 26A. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13884.720859/201224 Acórdão n.º 1001000.277 S1C0T1 Fl. 3 3 No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) DA EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL A contribuinte alega que não teve conhecimento do Ato Declaratório Executivo DRF/SJC N° 387632, de 22 de agosto de 2008, mas argumenta que os débitos constantes da Intimação de Pagamento IP 3192812008 foram quitados assim que deles tomou conhecimento. Telas de sistemas da RFB, trazidas aos autos pela DRF de origem, permitem verificar que a contribuinte foi cientificada do Ato Declaratório Executivo DRF/SJC N° 387632, de 22 de agosto de 2008 (fl. 79) por meio do Aviso de Recebimento 790012746, datado de 16 de setembro de 2008 e assinado por Ane Shirley Azevedo (fls. 90 e 91), responsável pela empresa. Quanto aos débitos que ensejaram sua exclusão, estão explicitamente listados no Parecer Secat/DRF/SJC Nº 263, de 13 de agosto de 2012, onde se lê: Os débitos que ensejaram a exclusão de ofício são aqueles constantes da Intimação de Pagamento (IP) 3192812008, quais sejam os débitos de natureza previdenciária relativos às competências 12/2003, 01/2004, 03/2004, 04/2004, 06/2004, 07/2005, 10/2005, 12/2006, 03/2007 e 04/2007. Como não há nos autos, elementos que permitam determinar a data que a contribuinte teve ciência dos débitos que motivaram o ADE DRF/SJC N° 387632, de 22 de agosto de 2008, vamos considerar que foi cientificada deles por meio do Parecer Secat/DRF/SJC Nº 263, ou seja, em 23/08/2012, conforme AR 289799324JL (fl. 101), assinado por Ane Shirley Azevedo. Acerca das vedações ao recolhimento dos impostos e contribuições na forma do Simples Nacional temse no campo legal a LC 123/2006: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (…) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (…) Fl. 164DF CARF MF 4 Quanto à regulamentação da exclusão do Simples Nacional, tem se no campo infralegal, as Resoluções CGSN nº 4/2007 e 15/2007, vigentes à época: Resolução CGSN nº 15/2007 Art. 3 º A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação da ME ou da EPP, darseá: I – por opção; II – obrigatoriamente, quando: (…) d. incorrer na hipótese de vedação prevista no inciso XVI do art. 12 da Resolução CGSN nº 4, de 2007. (...) Art. 5 º A exclusão de ofício da ME ou da EPP optante pelo Simples Nacional darseá quando: I – verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; (...) Resolução CGSN nº 4/2007 Art. 12. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a ME ou a EPP: (…) XVI – que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (…) A contribuinte que possua débito com o INSS ou as Fazendas Públicas Federal, Estadual e Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa será excluída do Simples Nacional. O artigo 151 do CTN, por sua vez, lista exaustivamente as hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espéciesde ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13884.720859/201224 Acórdão n.º 1001000.277 S1C0T1 Fl. 4 5 Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. A possibilidade de regularização está prevista no Art. 31 §2° da LC 123 que aduz: Art. 4° Tornarseá sem efeito a exclusão, caso a totalidade dos débitos da pessoa jurídica sejam pagos no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência deste Ato Declaratório Executivo (ADE), ressalvada a possibilidade de emissão de novo ADE devido a outras pendências porventura identificadas. Assim, temos que, da ciência dos débitos, a contribuinte tem 30 dias para regularizálos. Dessa forma, considerando que a contribuinte teve ciência, em 23/08/2012, dos débitos que ensejaram sua exclusão do Simples Nacional, teria até 24/09/2012 (segundafeira), dia de expediente normal no órgão para regularizar as pendências do ADE DRF/SJC N° 387632, de 22 de agosto de 2008. A contribuinte alega em sua defesa, em síntese apertada, que regularizou os débitos constantes da Intimação de Pagamento (IP) 3192812008, quando deles tomou conhecimento, por meio de retificação de dados das GFIP. Os débitos que ensejaram a exclusão de ofício são aqueles constantes da Intimação de Pagamento (IP) 3192812008, quais sejam os débitos de natureza previdenciária relativos às competências 12/2003, 01/2004, 03/2004, 04/2004, 06/2004, 07/2005, 10/2005, 12/2006, 03/2007 e 04/2007 (grifo nosso). A DRF de origem verificou que a requerente apresentou GFIP retificadoras para as competências 07/2005, 10/2005, 12/2006, 03/2007 e 04/2007, deduzindo das contribuições previdenciárias os valores pagos a título de salário família. Contudo, permaneceu a divergência para a competência 07/2005, em razão de não ter sido recolhido qualquer valor neste período. A DRF/SJC prossegue em sua análise informando que não teria encontrado, nos sistemas da RFB, Guias da Previdência Social (GPS) para as competências 12/2003, 01/2004, 03/2004 e 04/2004. Pesquisas nos sistemas da RFB (fls. 124 a 128) permitem verificar que as competências 12/2003, 01/2004, 03/2004, 04/2004, 06/2004, 07/2005 apresentavam débitos em aberto em 26/03/2014. Assim, correta a decisão contida no Parecer Secat/DRF/SJC n° 263, de 2012 de manter a exclusão do ADE DRF/SJC N° 387632, de 22 de agosto de 2008. DA OPÇÃO DE 2010 Fl. 166DF CARF MF 6 A contribuinte alega que regularizou a pendência constante no Termo de Indeferimento relativo à sua opção de 26/01/2010 (fls. 54). Esse Termo de Indeferimento (TI) da Opção pelo Simples Nacional (fl. 54), expedido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, fundase na existência de débitos de natureza previdenciária, com exigibilidade não suspensa, segundo art. 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006, e possui possui número de recibo 00.03.65.13.99 e data de registro 20/04/2012. Acerca dos procedimentos para se efetuar a opção de ingresso ao Simples Nacional, temse, no campo infralegal, a Resolução CGSN nº 4/2007: DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) II efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) A regularização de eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional deve ser feita enquanto não vencido o prazo para a solicitação da opção (29/01/2010). A DRF de origem traz aos autos telas de sistemas da RFB (fl. 89) e informa no Parecer Secat/DRF/SJC n° 263, de 2012 que o débito motivador do indeferimento encontravase exigível em 19/07/2012. Assim, correta a decisão contida no Parecer Secat/DRF/SJC n° 263, de 2012 de indeferir o pedido da contribuinte de cancelamento do TI de recibo 00.03.65.13.99. DA OPÇÃO DE 2011 A contribuinte alega que regularizou a pendência constante no Termo de indeferimento relativo à sua opção de 31/01/2011 (fls 72) Esse Termo de Indeferimento (TI) da Opção pelo Simples Nacional fl. 72), expedido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, fundase na existência de débitos de natureza Fl. 167DF CARF MF Processo nº 13884.720859/201224 Acórdão n.º 1001000.277 S1C0T1 Fl. 5 7 previdenciária, com exigibilidade não suspensa, segundo art. 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006, e possui número de registro 00.04.32.85.78 e data de registro 20/04/2012. A regularização de eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional deve ser feita enquanto não vencido o prazo para a solicitação da opção (31/01/2011). Pesquisas nos sistemas da RFB (fls 129 e 130) permitem verificar que o débito motivador do indeferimento só foi liquidado em 31/01/2012. Assim, correta a decisão contida no Parecer Secat/DRF/SJC n° 263, de 2012 de indeferir o pedido da contribuinte de cancelamento do TI de recibo 00.04.32.85.78. DA OPÇÃO DE 2012 A contribuinte alega que todos as suas pendências teriam sido regularizados tempestivamente. A DRF de origem verificou que não há restrições por parte da RFB para o pedido de opção de 2012 (fls. 73 e 74), devendo a impugnação ser dirigida ao ente federado que a indeferiu. Pesquisas nos sistemas da RFB (fls. 129 a 134) permitem verificar que o débito com a RFB foi quitado em 31/01/2012, restando pendências com outro ente federado. Dispõe o art. 14 da Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) n° 94, de 29 de novembro de 2011, que o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional será expedido por autoridade fiscal integrante da estrutura administrativa do respectivo ente federado que decidiu o indeferimento. Art. 14. Na hipótese de ser indeferida a opção a que se refere o art. 6°, será expedido termo de indeferimento por autoridade fiscal integrante da estrutura administrativa do respectivo ente federado que decidiu o indeferimento, inclusive na hipótese de existência de débitos tributários. (Lei Complementar n° 123, de 2006, art. 16, § 6°) Parágrafo único. Será dada ciência do termo a que se refere o caput à ME ou à EPP pelo ente federado que tenha indeferido a sua opção, segundo a sua respectiva legislação, observado o disposto no art. 110 (Lei Complementar n° 123, de 2006, art. 16, §§ 1 °A e 6°; art. 29, § 8°) A mesma Resolução, em seu art. 109, esclarece que o contencioso administrativo relativo à opção pelo Simples Nacional submetese ao rito processual definido em legislação específica do ente federado que a indeferiu, cabendo a este o registro da liberação em aplicativo próprio, após a qual, será deferida a opção automaticamente, caso não haja pendências com outros entes. Fl. 168DF CARF MF 8 Art. 109. O contencioso administrativo relativo ao Simples Nacional será de competência do órgão julgador integrante da estrutura administrativa do ente federado que efetuar o lançamento do crédito tributário, o indeferimento da opção ou a exclusão de ofício, observados os dispositivos legais atinentes aos processos administrativos fiscais desse ente. (Lei Complementar n° 123, de 2006, art. 39, caput) Assim, correta a decisão da DRF de origem de não conhecer da manifestação de inconformidade quanto ao pedido de opção anocalendário 2012, código da Solicitação: 00.04.77.33.91 proferida no Despacho Decisório do Parecer Secat/DRF/SJC n° 263, de 2012. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de se conhecer da manifestação de inconformidade e, quanto aos pedidos da contribuinte, temos que: 1. Em relação ao pedido de reinclusão retroativa a 1°/01/2009, voto no sentido de julgálo improcedente para ratificar a decisão contida no Parecer Secat/DRF/SJC n° 263, de 2012 de manter a exclusão do ADE DRF/SJC N° 387632, de 22 de agosto de 2008; 2. Em relação ao pedido de reinclusão retroativa a 1°/01/2010, voto no sentido de julgálo improcedente para ratificar a decisão contida no Parecer Secat/DRF/SJC n° 263, de 2012, de indeferir o pleito da contribuinte de cancelamento do TI de recibo 00.03.65.13.99; 3. Em relação ao pedido de reinclusão retroativa a 1°/01/2011, voto no sentido de julgálo improcedente para ratificar a decisão contida no Parecer Secat/DRF/SJC n° 263, de 2012, de indeferir o pleito da contribuinte de cancelamento do TI de recibo 00.04.32.85.78; 4. Em relação ao pedido de reavaliação da opção do ano calendário 2012, código da Solicitação: 00.04.77.33.91, voto no sentido de julgálo improcedente para ratificar a decisão contida no Parecer Secat/DRF/SJC n° 263, de 2012, de não conhecer do pleito.__ Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. A recorrente, em seu Recurso Voluntário, alegou: Tendo em vista, esta Junta de Julgamento tendo considerado IMPROCEDENTE a Manifestação de Inconformidade ao Parecer SECAT/DRT/SJC nº 263 de 13/08/2012, vem através deste, solicitar a RECONSIDERAÇÃO de suas alegações, visto Fl. 169DF CARF MF Processo nº 13884.720859/201224 Acórdão n.º 1001000.277 S1C0T1 Fl. 6 9 que: No próprio relatório desta Junta de Julgamento, é mencionado o artigo 109 da Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) nº 94, de 29 de novembro de 2011, que diz: “art.109: O contencioso administrativo relativo ao Simples Nacional será de competência do órgão julgador integrante da estrutura administrativa do ente federado que efetuar lançamento do crédito tributário, o indeferimento da opção ou a exclusão de ofício, observados os dispositivos legais atinentes aos processos administrativos fiscais desse ente. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 39, caput)”. Também no mesmo relatório é mencionado que em pesquisa efetuada nos sistemas da RFB (fls. 124 a 128), permitiram verificar que as competências 12/2003, 01/2004, 03/2004, 04/2004, 06/2004, 07/2005 apresentavam débitos em aberto em 26/03/2014. Tendo em visto esses dois fatos relatados, vale salientar que em relação às competências em aberto, a empresa, tendo efetuado regularização através de GFIPs e consultado o site da RFB através do (IP) 3192812008, onde constou a seguinte expressão: “A IP 00319281/2008 NÃO APRESENTA DIVERGÊNCIA NA OPÇÃO TODAS AS RUBRICAS”, considerou que sua situação perante o Fisco estava regularizada e sem pendências, pois, na época, o acesso às informações do referido Simples Nacional não eram tão acessíveis quanto nos dias atuais, com inúmeras falhas de processamento e atendimento em suas unidades. Sendo assim, no relatório, menciona que ainda há pendências de valores em aberto na data de 26/03/2014, mas, a empresa está considerada reenquadrada no Simples Nacional desde 01/01/2013, como pode ser comprovado pela tela impressa no dia 07/08/2014, diretamente extraída do site da Receita Federal do Brasil, em anexo a esse processo. Isso vai de encontro ao artigo 109 da Resolução citada acima, visto que, se a empresa possuir débitos, não poderá enquadrarse no referido sistema de tributação. Esses débitos ora mencionados no relatório, não são de conhecimento da empresa, e nem tampouco informados à mesma, pois, se obteve o seu reenquadramento em 2013, concluiu que estava com sua situação cadastral e fiscal devidamente solucionada, restandolhe apenas a conclusão deste processo que se encontra nesta Junta de Julgamento. Em nenhum local do site ou mesmo no balcão de atendimento, é informada tal situação cadastral, não tendo a empresa acesso às informações internas deste órgão, portanto, não podendo ser penalizada por desencontros de informações ou até mesmo omissão por parte do órgão. Levandose em consideração que a execução fiscal é o procedimento para cobrança de créditos já constituídos pelos órgãos lançadores, nos termos do artigo 142 do CTN e regese Fl. 170DF CARF MF 10 pela Lei 6830/1980 (Lei de Execuções Fiscais – LEF) que trata especificamente da cobrança judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública. Para tal, conforme citação de CARVALHO, Paulo de Barros, página 470: “Com o lançamento eficaz, quer dizer, adequadamente notificado o sujeito passivo, abrese à Fazenda Pública o prazo de 05 (cinco) anos para que ingressem em juízo com a ação de cobrança (ação de execução). Fluindo esse período de tempo sem que o titular do direito subjetivo deduza sua pretensão pelo instrumento processual próprio darseá o fato jurídico da prescrição. A contagem do prazo tem como ponto de partida a data da constituição definitiva do crédito, expressão que o legislador utiliza para referirse ao ato de lançamento regularmente comunicado (pela notificação) do devedor”. Somente é pressuposto para o ajuizamento da execução fiscal que o crédito esteja previamente constituído pelo lançamento e que haja o título executivo pela inscrição do débito em Dívida Ativa (Certidão de Dívida Ativa – CDA). A partir de então, a Fazenda Pública tem o prazo de cinco anos para o ajuizamento da execução fiscal nos termos do Artigo 174 do CTN. Ora, a referida empresa não tem conhecimento e nem ciência da emissão de qualquer CDA para os débitos aqui mencionados, e também não constam em nenhuma pesquisa no site da RFB tal emissão, pelo menos até onde a mesma possui acessos através do seu código de acesso ao Portal eCAC. Levandose em consideração a citação de Paulo de Barros Carvalho, expirouse o prazo para este órgão cobrar os débitos mencionados no relatório, constituindose então a PRESCRIÇÃO destes. Com tudo aqui exposto, a empresa solicita a RECONSIDERAÇÃO do resultado deste relatório que considerou improcedente suas alegações, deferindo seu pedido de reenquadramento no Simples Nacional para os anos de 2009, 2010, 2011 e 2012, além da quitação geral dos débitos ora apresentados e inexistentes pela prescrição destes. A DRJ fez uma exaustiva do pleito da recorrente, ano a ano, demonstrando a existência de pendências impeditivas à opção pelo Simples Nacional, apresentando, inclusive, as devidas provas documentais anexadas ao processo. Alega prescrição dos créditos, nos termos do artigo 174, do Código Tributário Nacional CTN, para a Fazenda Pública efetuar a cobrança. Entretanto, por ocasião do indeferimento da Opção, em cada anocalendário, os débitos foram constituídos regularmente e nenhuma prescrição havia ocorrido, portanto, não assiste razão à recorrente, neste pleito. Alega ter sido enquadrada no Simples Nacional em 2013, anocalenário este que não está em discussão neste processo. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13884.720859/201224 Acórdão n.º 1001000.277 S1C0T1 Fl. 7 11 Por último, solicita o seu enquadramento no Simples nos anoscalendário de 2009 a 2012 e "quitação geral dos débitos ora apresentados e inexistentes pela prescrição destes." Como já dito antes, a DRJ efetuou uma análise profunda e criteriosa, ano a ano, dos pedidos da Recorrente e concluiu, com base nas provas constantes nos autos, a correção do indeferimento da opção pelo Simples Nacional nos anoscalendário em discussão, com base no artigo 17, inciso V, da LC 123/2006, acima transcrito no vota da DRJ. Portanto, o a decisão da DRJ está correta e muito bem embasada, posto que, com base na legislação, em vigor, LC 123/2006, as microempresas ou empresas de pequeno porte não podem se beneficiar do Simples Nacional, se houver débitos, com a exigibilidade não suspensa, para com a Instituto Nacional do Seguro Social INSS ou para com as Fazendas Pública Federal, Estadual ou Municipal. Conseqüentemente, nego provimento ao presente recurso, sem crédito tributário em litígio. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 172DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.904664/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO.
Constatado erro no preenchimento da declaração, que aponta pagamento indevido de estimativa quando na verdade se trata de crédito oriundo de saldo negativa, bem como comprovada a existência do aludido crédito tributário em sede de diligência, a homologação pretendida deve ser reconhecida, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo.
Numero da decisão: 1301-002.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de R$ 1.700,57, homologando as compensações declaradas nos processos 10865.904662/2009-81, 10865.904663/2009-25, 10865.904664/2009-70, 10865.904665/2009-14 e 10865.904666/2009-69 até o limite do crédito reconhecido, vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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DCOMP SALDO NEGATIVO. DILIGÊNCIA REALIZADA Recorrente AUTO POSTO EVOLUÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. Constatado erro no preenchimento da declaração, que aponta pagamento indevido de estimativa quando na verdade se trata de crédito oriundo de saldo negativa, bem como comprovada a existência do aludido crédito tributário em sede de diligência, a homologação pretendida deve ser reconhecida, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de R$ 1.700,57, homologando as compensações declaradas nos processos 10865.904662/200981, 10865.904663/200925, 10865.904664/200970, 10865.904665/200914 e 10865.904666/200969 até o limite do crédito reconhecido, vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 46 64 /2 00 9- 70 Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10865.904664/200970 Acórdão n.º 1301002.765 S1C3T1 Fl. 667 2 Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 1436.468, proferido pela 6ª Turma da DRJ/RPO, que, ao apreciar a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por unanimidade de votos, julgála improcedente, não reconhecendo o direito creditório. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório confeccionado por ocasião do julgamento de primeira instância: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 02/06, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de IRPJ (código de receita: 5993) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 5993). Por intermédio do despacho decisório de fl. 07, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte,“não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, em 26/05/2009, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fl. 12, na qual alega, em síntese: a) no anocalendário de 2005, efetuou recolhimento por estimativa de IRPJ com base em balancete de redução; b) no fechamento do ano base de 2005, apurouse o IRPJ sobre lucro real, no valor de R$ 2.613,52, conforme página 11 da DIPJ/2006; c) ao apurar o IRPJ de janeiro/2006 e fevereiro/2006, com base em balancete de redução, utilizouse de parte do valor pago a maior no ano de 2005 para compensar os referidos débitos; d) ao transmitir a PER/Dcomp nº 00595.42299.051006.1.3.044472, em 05/10/2006, para compensar os débitos apurados conforme consta da letra “c”, por desconhecimento informou erroneamente como tipo de crédito: pagamento indevido ou a maior, quando o correto seria tipo de crédito: saldo negativo de IRPJ; e) ao analisar as PER/Dcomp acima, o Auditor Fiscal concluiu que o crédito constante da PER/Dcomp já tinha sido utilizado para quitação de débito do anocalendário de 2005, não se atentando que no referido ano foi apurado saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 2.613,52, valor esse que poderia ser compensado no anoseguinte. Ao final, solicita a homologação total da compensação declarada, uma vez que o contribuinte incorreu em erro ao elaborar a referida PER/Dcomp, mas não lesou o Fisco. É o relatório. A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, São Paulo, apreciando as razões trazidas pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão nº 1436.468, de 31 de janeiro de 2012, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: Fl. 667DF CARF MF Processo nº 10865.904664/200970 Acórdão n.º 1301002.765 S1C3T1 Fl. 668 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 29/06/2005 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ reclama efetividade no pagamento ou compensação das antecipações calculadas por estimativa ou das retenções na fonte pagadora, a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções e a comprovação contábil e fiscal do valor do tributo apurado no anocalendário. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A DCOMP foi criada como instrumento essencial à eficácia jurídica da compensação tributária realizada por opção do contribuinte, tendo, além de óbvio efeito declaratório, efeito constitutivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/06/2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Diante do não acolhimento da pretensão deduzida na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte interpôs o recurso voluntário, por meio do qual renovou a argumentação expendida na peça impugnatória e juntou documentos. Em uma primeira apreciação, a 2ª Turma Especial desta Seção de Julgamento resolveu converter o julgamento em diligência para que seja verificada e informada a base de cálculo e o respectivo IRPJ para o anocalendário de 2005; o valor das estimativas recolhidas referentes a 2005, seja por meio de DARF, seja mediante quitação por compensação com outros créditos; e, no caso de haver quitação de estimativas por compensação, identificar os respectivos PER/DCOMP, prestando informação sobre a condição atual dos mesmos; (Resolução nº 1802000.496, de 06 de maio de 2014). Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal em Limeira, São Paulo, carreou ao processo o documento de fls. 645/646, em que, em apertada síntese, informa que "o valor do saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2005 corresponde à R$ 1.700,57 e que, não foi apurado débito de estimativa extinto por compensação.". Cientificada do resultado da diligência realizada, a contribuinte aportou ao processo o documento de fl. 650, por meio do qual contesta a conclusão esposada no relatório Fl. 668DF CARF MF Processo nº 10865.904664/200970 Acórdão n.º 1301002.765 S1C3T1 Fl. 669 4 da diligência fiscal, aduzindo que o saldo negativo do ano base de 2005 foi composto por impostos pagos nos anos de 2002, 2003 e 2005 , ao passo que a diligência considerou apenas os valores atinentes ao ano de 2005, requerendo, por conseqüência, revisão. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais, portanto, dele conheço. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Consoante relatado, trata o presente processo de PER/DCOMP, por meio do qual o contribuinte pretende extinguir débitos de sua titularidade com crédito de R$ 537,47, oriundo de recolhimento indevido ou a maior de IRPJ no anocalendário de 2005, realizado em 29/06/2005 com o código 5993 (estimativa mensal), no exato valor de R$ 537,47. Em suas razões de recurso, a recorrente sustenta a legitimidade de seu crédito, aduzindo: que em 2005 efetuou recolhimentos de estimativas de IRPJ apuradas em Balanços de Suspensão/Redução, no montante de R$ 3.894,23; que para esse mesmo ano, a DIPJ e os registros contábeis demonstram apuração de IRPJ sobre lucro real no valor de R$ 2.193,66; e que do total do IRPJ recolhido nos anos de 2002, 2003, e 2005, no valor de R$ 11.339,25, descontando os valores devidos nos anos de 2002 a 2005, no valor de R$ 8.725,73, resulta um saldo negativo de R$ 2.613,52. Para comprovar suas alegações, o contribuinte apresenta cópias dos DARF recolhidos ao longo de 2005 e do Livro Diário de 2005 contendo: balancetes cumulativos de verificação; Balanço Patrimonial e Demonstração de Lucros/Prejuízos Acumulados; cópia da DIPJ do anocalendário de 2005; cópias dos DARF, balancetes cumulativos de verificação, Balanço Patrimonial e Demonstração de Lucros/Prejuízos Acumulados, relativamente aos anoscalendário de 2002 a 2004; cópias do LALUR contendo registros desde 2002 até 2005. Ao analisar os argumentos declinados em recurso, o colegiado anterior resolveu converter o julgamento em diligência, para apuração da liquidez e certeza do direito creditório pretendido, acolhendo, por conseguinte, argumentação da recorrente, de que se trava os autos de mero erro formal do contribuinte indicar nos PER/DCOMPs os recolhimentos individuais em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, admitindo o exame do crédito sob a ótica de saldo negativo. Ao realizar a diligência solicitada, a autoridade responsável realizou sua análise e concluiu que o valor do saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2005 corresponde à Fl. 669DF CARF MF Processo nº 10865.904664/200970 Acórdão n.º 1301002.765 S1C3T1 Fl. 670 5 R$ 1.700,57, mas também afirmou que não foi não foi apurado débito de estimativa extinto por compensação." Ocorre que, ao ser cientificada do resultado da diligência, o contribuinte contesta sua conclusão, aduzindo que o saldo negativo do ano base de 2005 foi composto por impostos pagos nos anos de 2002, 2003 e 2005, ao passo que a diligência considerou apenas os valores atinentes ao ano de 2005, requerendo, por conseqüência, revisão. No particular, não há como admitir que na composição do saldo negativo relativo ao anocalendário de 2005 se incluam valores oriundos de saldo negativo de períodos anteriores, a não ser que os débitos de estimativas tivessem sido extintos por compensação com créditos de saldos negativos relativos a períodos anteriores, o que não é o caso, pois todos foram extintos por pagamentos realizados. Com efeito, as estimativas pagas são aproveitadas como “dedução” do tributo devido no ajuste anual do respectivo anocalendário, servindo para reduzir o seu montante, ou para a formação de saldo negativo, passível de ser restituído ou compensado em momento posterior por meio de PER/DCOMP noticiando que na composição do crédito pleiteado encontrase saldo negativo (ou parte dele) de um determinado período. Contudo, vêse que a diligência realizada concluiu que o interessado possui direito creditório oriundo de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2005 correspondente à R$ 1.700,57. Encontrando este valor disponível, deve ser reconhecido o direito do contribuinte de dispor do seu crédito. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório de R$ 1.700,57, homologando as compensações declaradas nos processos 10865.904662/200981, 10865.904663/200925, 10865.904664/200970, 10865.904665/200914 e 10865.904666/200969, até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 670DF CARF MF
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