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Numero do processo: 16707.006586/2009-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA.
O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado neste Conselho.
Não é nulo o acórdão recorrido em que foram apreciados de forma suficiente os argumentos da impugnação e as provas carreadas aos autos, sem vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste cerceamento de defesa quando os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado.
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Estando os autos instruídos com os elementos suficientes para o deslinde da controvérsia, há de ser indeferida a diligência ou perícia, por demonstrada a sua prescindibilidade.
ARBITRAMENTO.
A fiscalização está autorizada legalmente a lançar de ofício, arbitrando as importâncias que reputarem devidas, com base em elementos idôneos de que dispuser, quando a contabilidade da empresa não registrar o movimento real de remuneração de segurados a seu serviço, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI, DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
O art. 22, IV, da Lei nº 8.212, de 1991, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, no RE 595.838/SP, paradigma da Tese de Repercussão Geral 166: "É inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei nº 8.212/1991, com redação dada pela Lei nº 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho".
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO.
Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com informações incorretas ou omissas.
Numero da decisão: 2202-004.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso sem efeitos sobre o valor da multa. Vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento ao recurso em maior extensão.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
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INEXISTÊNCIA. O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado neste Conselho. Não é nulo o acórdão recorrido em que foram apreciados de forma suficiente os argumentos da impugnação e as provas carreadas aos autos, sem vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Estando os autos instruídos com os elementos suficientes para o deslinde da controvérsia, há de ser indeferida a diligência ou perícia, por demonstrada a sua prescindibilidade. ARBITRAMENTO. 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O art. 22, IV, da Lei nº 8.212, de 1991, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, no RE 595.838/SP, paradigma da Tese de Repercussão Geral 166: "É inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei nº 8.212/1991, com redação dada pela Lei nº 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho". AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária a apresentação de GFIP com informações incorretas ou omissas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso sem efeitos sobre o valor da multa. Vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deram provimento ao recurso em maior extensão. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 1141.004, proferido pela 7a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fl. 295DF CARF MF Processo nº 16707.006586/200945 Acórdão n.º 2202004.551 S2C2T2 Fl. 296 3 Recife/PE (DRJ/REC), que julgou parcialmente procedente o lançamento, mantendo a cobrança parcial do crédito tributário. Pela clareza, reproduzo o relatório do acórdão recorrido, na parte anterior à decisão da DRJ/REC: Cuidase do AI 37.054.2924, destinado à aplicação de penalidade, pelo fato de a empresa, acima identificada, apresentar GFIP com omissão/erros, nas competências 01/2005 a 12/2006, de: a) contribuições sociais relativas a remunerações de obreiros contratados por intermédio de cooperativa de trabalho (UNIMED), conforme fls. 04/07 (levantamento COO). Os valores pagos à cooperativa foram identificados pelo fisco na contabilidade (conta 4201001031); b) remunerações de segurados empregados, consoante quadro demonstrativo às fls. 04/07 dos autos. Mencionado quadro, além do levantamento COO já especificado, faz referência aos levantamentos CON e NF, detalhados nos AI 37.054.2959 e 37.054.2967, conexos com o presente feito e lavrados, por arbitramento, na mesma ação fiscal da qual resultou o processo ora em apreço, por omissão, na contabilidade, de Notas Fiscais de Serviços e de remunerações de folhas de pagamento. Em decorrência de mencionadas omissões/erro, constituiuse o presente AI, infligindose multa de R$ 269.823,54 (duzentos e sessenta e nove mil, oitocentos e vinte e três reais e cinqüenta e quatro centavos), consoante quadro de fls. 09/10 dos autos. O feito recebeu o n° 16707.006586/200945 no protocolo do Ministério da Fazenda. Cientificada do lançamento em 18/12/2009, conforme aviso de recebimento postal à fl. 98, a empresa manejou impugnação (fls. 105/159), em 18/01/2010, ocasião em que argúi que a multa do presente feito depende do julgamento do processo n.° 16707.006588/200934, relativo ao descumprimento de obrigação principal patronal, reiterando, assim, as razões elencadas neste último, a saber: A Improcedência do arbitramento, porque: I As notas fiscais apontadas pela fiscalização foram devidamente contabilizadas e a omissão contábil das folhas de pagamento referemse apenas ao ano de 2005, não havendo cabimento para o arbitramento do ano de 2006; II houve cerceamento de defesa, dado que, no arbitramento, não foram explicitados os percentuais utilizados para cada obra, nem identificados os documentos fiscais utilizados para a sua feitura, requerendo, assim, elaboração de demonstrativos por obra; Fl. 296DF CARF MF 4 III somente foram deduzidos créditos nos meses em que houve lançamento fiscal; IV extensão do arbitramento a outras obras, nas quais não foram apontadas quaisquer irregularidades; V no tocante à acusação de que não contabilizou as notas fiscais, salienta que a receita deve ser contabilizada quando o serviço for prestado, independente da emissão da nota fiscal. Também, destaca que, quando emitidas as citadas notas, devese levar em consideração os períodos de prestação dos serviços nelas indicado. B Improcedência das diferenças de GFIP X Contabilidade acusa inexistirem as diferenças apontadas pelo fisco, requerendo a retificação do lançamento. Passa a tecer considerações por CEI/obra: I CEI 50.004.00328/71 OBRA PR030; CEI 50.016.95806/75 OBRA PB006; CEI 50.023.40802/70 OBRA RN243; CEI 50.020.77490/74 OBRA RJ035; CEI 50.023.58653/78 OBRA RN244; CEI 50.019.58931/76 OBRA RJ033; CEI 50.016.917/76 OBRA AM 100 as diferenças apontadas advêm de verbas não sujeitas à contribuição previdenciária, pagas em rescisões de contrato de trabalho, como saláriofamília, férias indenizadas e respectivo 1/3 constitucional. II CEI 50.019.64708/77 OBRA PR033 as diferenças, segundo planilha de fls. 279/280, advêm de verbas rescisórias não tributáveis e de valores pagos à pessoa jurídica (SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda); III CEI 50.020.37627/79 diz que os lançamentos assinalados pelo fisco para referida matrícula são da OBRA RJ034 e não da OBRA SC011 e que as diferenças decorrem de verbas rescisórias não sujeitas à tributação. C Acréscimos legais indevidos não vê qualquer irregularidade na forma de contabilização das GPS código 2631 (retenções de contribuições sociais por serviços tomados de outras pessoas jurídicas). D Correta contabilização das Notas Fiscais diz que as NF 22939; 18892 e 94, apontadas no item 5 do relatório fiscal como não contabilizadas e motivadoras do arbitramento no exercício de 2006, foram registradas à fl. 237 do livro diário respectivo. Acresce que a NF 18892 corresponde, na verdade, ao valor de R$ 609,23, sendo relativa a serviços de corte e dobra de ferro, não sujeitos à retenção. E Recolhimento dos valores retidos, constantes das NF apontadas no relatório fiscal, requerendo sua exclusão do processo em pauta. F Cobrança indevida de contribuições previdenciárias sobre faturas UNIMED, dado que não se trata de cooperativa de trabalho. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 16707.006586/200945 Acórdão n.º 2202004.551 S2C2T2 Fl. 297 5 G Falta de apropriação de créditos referentes ao estabelecimento /000187 a fiscalização listou GPS pagas, com valores incorretamente apurados. Assinala, no item 108 de sua impugnação, as diferenças que o fisco deixou de computar. Acusa, ainda, divergências entre valores constantes do Relatório de Documentos Apresentados RDA e da apropriação efetuada nos meses que especifica no item 111 de sua impugnação, requerendo a corresponde retificação. H Levantamento "CON Salários Administrativos", para o estabelecimento /000187, sem detalhamento de origem das bases de cálculo, cerceando o exercício do direito de defesa. I Não dedução das contribuições sociais: 1.1 retidas pelos tomadores. Acresce, também, não terem sido deduzidas as retenções sobre serviços de subempreiteiros. 1.2 referentes ao 13° salário nas obras que especifica (itens 144 e 149 de sua defesa); J Lançamentos indevidos nos estabelecimentos: CEI 50.019.58931/76 OBRARJ 033, na competência 10/2006, com base em NF no valor de R$ 95.485,28. Diz que não existe referida NF, requerendo, assim, o cancelamento dos tributos lançados; CEI 50.019.64708/77 OBRA PR033, na competência 12/2005, porque concernentes a outra obra (PR032). L Indevida exigência de contribuições sobre alimentação fornecida in natura. Contesta não apenas a incidência, como a forma de apuração da base de cálculo. M Glosa de compensação diz que os erros nos recolhimentos foram produzidos pelos tomadores de serviços e não pela empresa, não podendo, assim, ser responsabilizada. N Lançamentos relativos aos estabelecimentos 70.001.25497/70 e 70.001.25522/75, integrantes do DD Discriminativo do Débito, sem qualquer referência aos documentos sobre os quais se efetivaram, nem os percentuais adotados, cerceando seu direito de defesa. Por fim, requer diligência. O feito foi convertido em diligência (fls. 182/184), ocasião em que o fisco voltou a se pronunciar (fls. 188/203), especificando, dentre outros pontos: I) a elaboração de quadro demonstrativo da forma de aferição indireta da remuneração dos segurados empregados por NFS (188/198); II) em relação às Notas Fiscais, apontadas como não contabilizadas, atesta que a NF 022939, emitida em 27/01/2006, Fl. 298DF CARF MF 6 foi registrada somente em 02/2006, com inobservância ao princípio contábil da competência; a NF 18.892 foi informada erroneamente no relatório fiscal (na verdade, tratase da NF 18.982); reconhece que a NF 094 foi contabilizada; III) detalhamento do levantamento CON, esclarecendo tratarse de contribuições sociais incidentes sobre salários pagos aos empregados da administração, bem como valores pagos a título de salário alimentação, ambos especificados no quadro de fl. 201. Cientificada da diligência, consoante fls. 204/5, em 17/04/2011, a empresa não aditou sua impugnação inicial. O feito foi novamente convertido em diligência para que o fisco apontasse os valores lançados a título de alimentação (fl. 208), dada a nova orientação emanada do Parecer PGFN/CRJ n.° 2117/2011 , tendo a mesma sido atendida, consoante fls. 209/210, com ciência do fato ao sujeito passivo, conforme fl. 217, que, mais uma vez, mantevese inerte. A impugnação da recorrente foi julgada parcialmente procedente pela DRJ/REC, que retificou a penalidade, passando a multa de R$ 269.823,54 para R$ 257.669,70. Referida decisão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 GFIP. OMISSÃO/ERRO. PENALIDADE. Apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de contribuições sociais constitui infração, passível de penalidade. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTE STJ E PARECER PGFN. A jurisprudência pacífica das cortes superiores do país e o entendimento esposado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, acerca da não incidência de contribuições sociais sobre despesas relativas a fornecimento de alimentação in natura aos segurados empregados, determinam a revisão da penalidade aplicada, com retificação do crédito para exclusão de mencionada rubrica. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A contribuinte foi cientificada do Acórdão da DRJ/REC em 14/02/2014. Inconformada com a decisão, postou Recurso Voluntário em 12/03/2014 (fls. 236), repisando os argumentos da impugnação, e ainda nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa. É o relatório. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 16707.006586/200945 Acórdão n.º 2202004.551 S2C2T2 Fl. 298 7 Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Das preliminares Da nulidade do acórdão recorrido. Inocorrência Ao longo de todo o recurso voluntário a recorrente alega que teve seu direito de defesa cerceado porque a autoridade julgadora deixou de analisar documentos juntados à impugnação, e por não haver pronunciamento sobre os quesitos apresentados em impugnação. Sem razão a recorrente, que não especifica qual ou quais documentos o julgador deixou de analisar. Extraio do acórdão recorrido os seguintes trechos (efls.225): A eventual divergência entre as datas da prestação de serviço e da emissão das respectivas notas fiscais, para fins de sua contabilização, tampouco restou demonstrada pela impugnante nos autos, não havendo como acolher a irresignação na matéria. Não prospera, também, a arguição de cerceamento de defesa, em relação ao citado arbitramento, dado que o Fisco o explicitou, por meio da planilha de fls. 188/198, da qual teve pleno conhecimento, consoante fls. 204/5, especificando os percentuais utilizados para cada obra e as NF utilizadas. No tocante às deduções levadas a cabo pelo Fisco, as mesmas não tem relação com a obrigação de a empresa declarar a integralidade das contribuições sociais em questão em GFIP, conforme já assinalado anteriormente. Quanto ao argumento de extensão do arbitramento a obras sem irregularidades, não restou demonstrado no feito, resultando, assim, desprovido de sustentação. Da transcrição acima, ao contrário do que afirma a recorrente, considero que o julgador a quo apreciou os documentos acostados à impugnação. Sem entrar no mérito se tal apreciação está correta ou não, o fato é que ela entendeu que eles não foram suficientes para sustentar as alegações da Recorrente. Além disso, consta nos autos que o processo foi baixado em diligência para que fossem sanadas dúvidas em relação a todos os argumentos da recorrente referenciados por documentos acostados à impugnação (efls. 349/352). É certo que do resultado da diligência, o julgador forma seu livre convencimento, baseado em elementos acostados aos autos, fatos narrados pela fiscalização e argumentos trazidos na defesa, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre a faculdade de solicitar diligências para formação de sua convicção, podendo a seu critério valorar as provas trazidas aos autos: Fl. 300DF CARF MF 8 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Assim, não cabe ao julgador fazer batimentos de dados constantes em todos os documentos acostados à impugnação, principalmente quando deixaram de ser apresentados ao longo do procedimento fiscal, e cuja apreciação poderia demandar análises ou recálculos mais específicos que, naquele momento, a autoridade autuante estaria mais apta a fazêlos. Quanto ao argumento de que a autoridade julgadora não se pronunciou sobre os quesitos apresentados em impugnação, entendo que o deferimento da diligência e respectivo resultado continuem prova suficiente de que os questionamentos postos pela recorrente foram considerados. Frisese que no deferimento da diligência, a autoridade julgadora fez vários questionamentos que julgou necessários, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, não vislumbro qualquer cerceamento de defesa à recorrente, visto que as suas alegações foram apreciadas pelo julgador a quo, ao longo de todo o acórdão recorrido. Da diligência. Perícia A recorrente solicita a realização de diligência, apresentando quesitos. Entretanto, não vejo necessidade para o deferimento. O Termo de Verificação Fiscal, a Informação Fiscal resultante da diligência, e seus anexos detalham de forma clara os critérios utilizados pelo autuante, a forma de apuração da base de cálculo, e os valores e diferenças apuradas, o que deu à recorrente todas as condições para contestar o lançamento. Entretanto, mesmo após a realização de diligência determinada pelo julgador a quo, a recorrente nada complementou em sua impugnação, cujas alegações foram repetidas no Recurso Voluntário. Por isso, desnecessária a diligência nesta fase, uma vez que o Auto de Infração apresenta os elementos para formação da convicção do julgador. Ressaltese que o fato de a recorrente ter denominado seus questionamentos para a diligência como quesitos não o caracteriza como solicitação de perícia, visto que esta demanda requisitos necessários ao pedido, nos temos do inciso IV e § 1º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (Grifei). Fl. 301DF CARF MF Processo nº 16707.006586/200945 Acórdão n.º 2202004.551 S2C2T2 Fl. 299 9 Portanto, indefiro o pedido de diligência por entendêlo prescindível à solução do litígio. Do mérito Arbitramento A recorrente alega que as irregularidades apontadas pela fiscalização para o ano de 2006 não eram suficientes para o arbitramento, pois o Auditor Fiscal reconheceu que a Nota Fiscal nº 94, emitida pela J. Balbino Reps Coml Ltda foi contabilizada, e depois afirmou o que número correto da nota fiscal da Manchester Serv. Constr. Ltda era 18982, e não 18892. Ressaltou que mesmo na impugnação comprovou que a nota fiscal 18892 foi contabilizada (item 98 da impugnação). Além disso, a recorrente assevera que a omissão quanto à contabilização das folhas de pagamento se deu apenas no ano de 2005, estando a de 2006 em perfeita ordem. Como se vê, a controvérsia está na motivação do arbitramento efetuado pela fiscalização, relativo ao ano de 2006, visto que a recorrente reconheceu a falta de contabilização das folhas de pagamento relativas a 2005. Então, vamos analisar por partes os motivos que levaram a fiscalização a proceder ao arbitramento. Em relação à falta de contabilização das notas fiscais, o Auditor Fiscal respondeu o seguinte, no resultado da diligência solicitada pelo órgão julgador a quo (efls. 366/367): Letra G. Argumentação do contribuinte: "houve a contabilização das NF 22939 (folha 237 do Diário, no valor de R$ 661,86), 18892 (folha 237 do Diário, no valor de RS 609,23) e 094 (folha 478 do Diário, no valor de RS 14.734.00) e, em relação à NF 18982, citada como sendo de R$ 14.734,00, é, na verdade, NF de prestação de serviço de corte e dobra de ferro, no valor de R$ 609,23, não sujeita a retenção Esclarecimentos da auditoria: A nota fiscal 022939, da empresa CONCREMAT ENGENHARIA E TECNOLOGIA SA, CNPJ 33.146.648/000120, data de emissão em 27/01/2006, folha 198 do processo, somente foi contabilizada em 02/2006, deixando de observar o princípio contábil da competência, conforme se pode observar na pg 237 do diário geral 59. Já a nota fiscal de Manchester Serviços de Construção Ltda, CNPJ 02.687.270/000148, emitida em 30/01/2006, foi equivocadamente informada no relatório fiscal como sendo a de no. 18.892, quando na realidade o número correto é 18.982, mas entendemos que a citação equivocada do número da nota no relatório fiscal não modifica o fato constatado, até por que (sic) a cópia da nota foi anexada aos autos, fl. 200. Cabe retificação o registro contábil de J. Balbino Reps Coml. Ltda, visto que o contribuinte demonstrou sua contabilização. Fl. 302DF CARF MF 10 Analisando os documentos constantes nos autos, entendo que o número da nota fiscal emitida pela Manchester Serv. Constr. Ltda., a qual a auditoria faz referência no Relatório Fiscal só poderia ser a 18982, porque é a única nota no valor de R$ 5.071,78, que espelha o documento constante às efls. 203, confirmando que o Auditor Fiscal cometeu apenas um erro de numeração em seu relato fiscal. Dito isso, verifico que a nota fiscal nº 18982, sobre cuja falta de contabilização se insurgiu a fiscalização, aparece contabilizada no Livro Diário no dia 28/02/2006, no valor de R$ 609,23 (efls. 2410), apesar de a referida nota ter sido emitida em 30/01/2006, no valor de R$ 5.071,78 (efls. 203). Portanto, entendo que a contabilização da referida nota fiscal não espelhou o que nela constava. Da mesma forma, a nota nº 022939, foi emitida pela Concremat Eng. Tecnologia S/A em 27/01/2006 (efls. 201), mas está contabilizada no Diário Geral na data de 28/02/2006 (efls. 2410). Acrescento que, a decisão pelo lançamento por arbitramento não decorreu apenas da falta de contabilização das citadas notas fiscais, mas pelos seguintes fatos, conforme relato fiscal: a) Deixar o sujeito passivo de apropriar a folha de pagamento dentro do mês em que ocorrer a prestação de serviços, bem como de apropriar a contribuição previdenciária a recolher. Este descumprimento ocorreu quando houve a falta da contabilização das folhas de pagamento dentro do período a que se referiram, como foi demonstrado nas planilhas apresentadas no item 2.1 b) Deixar o tomador de provisionar notas fiscais de serviços dentro do mês em que os serviços foram prestados, bem como de apropriar a contribuição previdenciária a recolher; (Grifei) Além disso, o Auditor Fiscal informa ter constado divergência entre os salários contabilizados nos Livros Diários de 2005 e 2006 e os declarados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, apresentando planilha (item 2.1) com as respectivas divergências (efls. 108/122). Considerando esses fatos, apesar de a recorrente dizer que não haveria motivos para arbitrar o ano de 2006, entendo de forma diversa. Pela planilha constante no Relatório Fiscal (item 2.1) é possível ver que as divergências entre a escrituração contábil dos salários e o declarado em GFIP persistiram no exercício de 2006. E, mesmo intimada a justificar as divergências, a recorrente não apresentou elementos suficientes para isso. Diante da inércia, a auditoria seguiu o que determina a legislação, efetuando o arbitramento. A recorrente ainda afirmou que tais diferenças se referiam a verbas rescisórias não sujeitas à tributação. Contudo, isso não restou comprovado pelos documentos acostados à impugnação, conforme se verá mais adiante, não merecendo reparos a afirmação da auditoria fiscal de que os custos com remuneração não estavam corretamente contabilizados. Lembro à recorrente que, a auditoria fiscal enumerou por obra e competência, os salários não contabilizados nas competências de 2005 (fls. 124/125) e as divergências entre os salários contabilizados e os declarados em GFIP, neste caso, incluídas as competências de 2006 (efls. 108/122). Portanto, não há fundamento na afirmação da defendente de que as irregularidades contábeis se restringiram apenas aos fatos geradores de 2005. A recorrente alega ainda que, a falta de contabilização de uma única nota fiscal não seria motivo para o arbitramento. Ocorre que, conforme visto acima, também houve Fl. 303DF CARF MF Processo nº 16707.006586/200945 Acórdão n.º 2202004.551 S2C2T2 Fl. 300 11 falta/divergências de escrituração contábil dos salários dos segurados. Considero que esses fatos em conjunto são suficientes para o arbitramento, nos termos da legislação previdenciária aplicada ao caso: Lei nº 8.212/1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. [...] § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (Grifei). RPS/1999 Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira.(Grifei) Além disso, o argumento da recorrente de que os dados das GFIP's seriam suficientes para apurar o movimento real dos salários, não se sustenta. Os salários declarados em GFIP divergiam dos contabilizados, e a recorrente não apresentou documentos suficientes que demonstrassem quais deles estavam corretos, sendo necessário que a apuração da verdade se efetuasse por outros meios, dispostos em lei e atos normativos. Também não vejo razão ao argumento de que o arbitramento se daria apenas nos casos de vícios insanáveis, nos termos do Regulamento do Imposto de Renda. Ocorre que, o arbitramento relativo às contribuições previdenciárias tem legislação específica, conforme transcrição acima, a qual foi aplicada corretamente pela fiscalização. Ademais, a legislação não quantifica os registros errados para que a contabilidade seja desconsiderada, mas assevera "a Fl. 304DF CARF MF 12 contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados". E, entendo que a fiscalização conseguiu demonstrar que isso efetivamente ocorreu. Aliás, analisando a forma de contabilização dos salários, as folhas de pagamento e as rescisões acostadas à impugnação (efls. 375/2935), e comparando os valores constantes nesses elementos, percebese que a maioria deles não corresponde com o registro contábil. Como exemplo, podemos citar os abaixo: Dados extraídos do Relatório Fiscal Dados extraídos dos documentos acostados à impugnação Contabilidade GFIP Folhas de Pagamento/Planilhas FP Compe tência CEI Rescisões Contab Salário Contab Total Contab Gfip Refisc 13 gfip Refisc Total Gfip Sal FP Salário Fam FP Base Inss FP Total Rescisões jun/06 5001691776/73 9.821,24 2.900,00 12.721,24 3.509,44 1.523,32 5.032,76 2.900,00 13.351,70 jan/06 5001695806/75 2.017,02 5.575,83 7.592,85 5.990,10 26,33 6.016,43 2.017,02 abr/06 5001695806/75 4.250,73 6.926,72 11.177,45 8.937,62 8.937,62 4.250,73 jun/06 5001695806/75 12.972,21 2.645,41 15.617,62 3.904,12 2.960,82 6.864,94 13.244,12 out/06 5001695806/75 2.391,94 2.391,94 324,35 445,94 770,29 2.391,94 jan/06 5001958931/76 3.046,87 61.170,73 64.217,60 63.327,70 152,21 63.479,91 61.169,73 224,85 3.878,71 fev/06 5001958931/76 391,53 53.366,42 53.757,95 53.482,95 118,29 53.601,24 50.440,42 239,84 607,93 mar/06 5001958931/76 1.728,92 29.772,51 31.501,43 30.560,37 414,85 30.975,22 29.772,51 104,93 1.988,59 abr/06 5001958931/76 13.718,73 24.610,62 38.329,35 28.392,26 1.903,49 30.295,75 24.610,62 110,18 11.714,12 mai/06 5001958931/76 21.359,76 21.359,76 5.473,94 5.473,94 22.777,35 mar/06 5001964708/77 48.909,18 48.909,18 34.309,35 2.619,59 36.928,94 48.939,16 36.928,94 20.951,51 jun/06 5001964708/77 30.813,72 30.813,72 25.312,44 1.642,77 26.955,21 30.930,72 26.955,21 3.425,82 jul/06 5001964708/77 43.196,14 43.196,14 24.727,45 770,13 25.497,58 27.005,84 25.497,58 5.534,02 ago/06 5001964708/77 26.304,73 26.304,73 20.583,17 2.172,44 22.755,61 26.339,76 22.755,60 7.132,79 set/06 5001964708/77 28.758,33 28.758,33 20.583,17 2.172,44 22.755,61 28.825,49 21.076,57 11.788,56 out/06 5001964708/77 19.221,68 19.221,68 14.339,97 1.631,84 15.971,81 19.239,95 15.971,81 5.583,40 nov/06 5001964708/77 33.898,05 33.898,05 10.173,77 8.544,65 18.718,42 33.898,05 18.718,42 29.609,80 dez/06 5001964708/77 7.731,75 7.731,75 3.491,45 1.163,27 4.654,72 7.731,75 4.654,72 4.634,26 jan/06 5002037627/79 2.582,38 11.530,88 14.113,26 12.423,77 131,30 12.555,07 11.530,88 59,96 2.582,38 mar/06 5002037627/79 15.507,26 14.440,28 29.947,54 18.754,33 2.072,58 20.826,91 27.322,96 0,00 15.563,26 abr/06 5002037627/79 12.083,13 27.499,07 39.582,20 29.683,50 1.593,51 31.277,01 54.604,22 0,00 12.083,13 mai/06 5002037627/79 9.760,17 54.126,57 63.886,74 54.599,61 1.865,26 56.464,87 54.068,69 648,28 9.770,17 jun/06 5002037627/79 6.047,25 5.514,88 11.562,13 7.712,52 2.517,22 10.229,74 5.514,88 0,00 14.445,49 jan/06 5002077490/74 276,46 16.703,81 16.980,27 17.155,08 17.155,08 8.960,81 0,00 276,46 fev/06 5002077490/74 85,53 36.186,08 36.271,61 35.991,44 35.991,44 44.210,21 648,42 86,53 mar/06 5002077490/74 1.993,87 57.501,90 59.495,77 57.948,31 196,95 58.145,26 30.293,49 581,17 1.993,87 abr/06 5002077490/74 2.647,41 53.182,40 55.829,81 54.560,51 456,61 55.017,12 53.182,46 884,38 2.647,41 mai/06 5002077490/74 7.382,03 36.840,29 44.222,32 38.545,84 1.152,85 39.698,69 73.680,58 236,10 5.986,94 jun/06 5002077490/74 21.171,90 69.100,24 90.272,14 71.358,22 4.017,59 75.375,81 138.200,47 1.737,28 12.773,64 jul/06 5002077490/74 6.124,48 66.314,44 72.438,92 67.559,40 1.415,96 68.975,36 66.314,43 774,20 6.130,78 ago/06 5002077490/74 59.133,22 51.675,69110.808,91 66.866,71 12.968,75 79.835,46 51.675,68 141,66 59.390,28 nov/06 5002077490/74 64.240,24 8.402,60 72.642,84 28.143,74 14.147,65 42.291,39 8.402,60 0,00 64.334,68 dez/06 5002077490/74 16.301,20 2.200,00 18.501,20 4.228,37 4.372,57 8.600,94 10.994,43 282,38 16.301,20 set/06 5002340802/70 235,20 3.680,46 3.915,66 3.776,13 59,80 3.835,93 2.510,80 223,40 235,20 out/06 5002340802/70 1.008,54 5.441,26 6.449,80 5.716,29 328,74 6.045,03 5.441,26 134,04 1.008,54 nov/06 5002340802/70 1.293,06 3.261,00 4.554,06 3.906,48 268,92 4.175,40 3.261,00 111,70 1.293,06 set/06 5002358653/78 661,39 6.052,10 6.713,49 6.248,46 119,52 6.367,98 6.052,10 513,82 807,27 out/06 5002358653/78 425,70 10.605,29 11.030,99 10.784,53 89,64 10.874,17 10.605,29 759,56 425,70 nov/06 5002358653/78 1.955,09 11.591,23 13.546,32 12.812,39 314,54 13.126,93 11.591,23 714,88 2.451,64 A recorrente insurgese quanto à afirmação do julgador a quo de que ela não teria comprovado a alegada regularidade contábil das obras, a fim de que não fosse estendida a estas o arbitramento. Arrazoa que os livros Diário e Razão foram juntados aos autos para que o Fisco procedesse às verificações necessárias. Ocorre que a auditoria informou ter verificado a contabilidade da fiscalizada, e, como vimos, apontou várias divergências. Então, se efetuou a apuração das obras por Fl. 305DF CARF MF Processo nº 16707.006586/200945 Acórdão n.º 2202004.551 S2C2T2 Fl. 301 13 arbitramento, é porque considerou que a contabilidade não evidenciava a verdade real. Assim, caberia à recorrente, apontar por obra quais eventos provariam que elas estavam perfeitamente contabilizadas. Entretanto, a recorrente não se incumbiu de tal intento, pois analisando os documentos juntados à impugnação, constatase a existência de divergências, que apenas corroboram o afirmado pela fiscalização. A recorrente assevera que o julgador a quo não se manifestou sobre a diligência requerida e os quesitos a serem respondidos pelo Fisco. Pelo contrário, a autoridade julgadora deferiu o pedido de diligência, conforme despacho 911 (efls. 349/352), direcionando os questionamentos para a auditoria fiscal, que em ampla Informação Fiscal (efls. 355/370) respondeu a todos os pontos alegados. A recorrente afirma que apesar de ter sido cientificada do relatório de diligência e não ter se manifestado, teve cerceado seu direito de defesa, porque os livros Diário e Razão não lhe foram disponibilizados. Ora, tal alegação não tem qualquer sustentação, visto que esses livros são elaborados pela própria empresa, e não há qualquer prova nos autos de que a fiscalização os tenha apreendido e não os tenha devolvido. Além disso, cópia deles foram acostadas à impugnação (efls. 3302/5600), possuindo a recorrente a faculdade de vista e de pedir cópia de todo o processo, nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 146 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Assim, se não dispunha deles para confrontar o resultado da diligência deveria ter solicitado cópia do processo da mesma forma que fez antes da apresentação da impugnação, em 29/12/2009 (efls. 265). Por todo o exposto, entendo que o lançamento por arbitramento teve motivação, não havendo razão para reforma do acórdão recorrido, nessa parte. Da improcedência do lançamento relativo às diferenças entre GFIP e contabilização dos salários. A recorrente afirma que não existiram as diferenças apontadas pela fiscalização, entre o salário escriturado na contabilidade e o declarado em GFIP, porque existem verbas sobre as quais não incide contribuição previdenciária. Cita, por obra, documentos anexos à impugnação que comprovariam o alegado. Entendo de forma contrária. A análise desses documentos, cujos dados foram apresentados na tabela da seção anterior, confirma a divergência apontada pela fiscalização, pois os valores constantes nas folhas de pagamento apresentam base de cálculo de INSS diferente do valor declarado em GFIP; o valor total de vencimentos constante nas planilhas de salários é diferente do valor de salários contabilizado; as rescisões não estão escrituradas por obra; em algumas obras a recorrente contabiliza apenas as rescisões, noutras contabilizada o somatório dos salários com as rescisões, sem discriminação das verbas sobre as quais incide contribuição previdenciária. A recorrente afirma que as diferenças entre o salário contabilizado e as GFIP's encontradas pela fiscalização nas obras 50.016.95806/75, 50.019.64708/77, 50.023.40802/70, 50.02077490/74, 50.023.58653/78, 50.019.58931/76, 50.020.37627/79, 50.019.58931/76, 50.016.91776/73 se referem a verbas rescisórias sobre as quais não incide contribuição previdenciária. Entretanto, não aponta, por competência, quais seriam essas verbas, pois pelas rescisões apresentadas existem diversas rubricas: Fl. 306DF CARF MF 14 Verbas constantes nas rescisões apresentadas Int Hora Extra DSR Int Ad Not 13 sal Aviso Previo Indenizado Ad not prop Saldo Salário 1/3 férias 13º Salário DSF Int Hora Extra 13 Salário Hora Extra 13 Salário Inden. Hora Extra 50% Férias vencidas Hora Extra 70% Férias proporc. Hora Extra 100% Int Hora Extra férias venc Passagem Int Hora Extra férias ind t serv 14a cc Int Ad Not Férias prop ind t serv 15a cc Int Ad Not Férias venc art. 479 CLT Analisando essas rubricas, a tabela abaixo apresenta as que poderiam guardar relação com as verbas rescisórias que a empresa menciona às fls. 5804 e seguintes, sobre as quais afirma que não incidiria contribuição previdenciária (saláriofamília, férias indenizadas e respectivo 1/3 constitucional): Verbas constantes nas rescisões apresentadas Aviso Previo Indenizado Int Ad Not Férias prop Férias vencidas Int Ad Not Férias venc Férias proporc. 1/3 férias Int HE férias venc Salário Família Int HE férias art. 479 CLT Pois bem, mesmo excluindo as verbas rescisórias consideradas pela empresa (verbas constantes nas rescisões apresentadas) e pela legislação previdenciária como não sujeitas à incidência de contribuição previdenciária1, continuam existindo divergências entre o valor de salário contabilizado e o valor declarado em GFIP, conforme planilha abaixo, que apresenta uma amostragem da análise dos documentos acostados à impugnação2: CompetênciaCEI (A) Verbas Rescisórias sobre a quais não incidiria CP versão empresa (B) Verbas Rescisórias sobre a quais não incide CP versão SRF (C) Rescisões contabilizadas (D) Salário contabilizado (E) Total Salário Contabilizado (C+D) (F) Gfip Refisc (G) 13 Gfip Refisc (H) Total GFIP (F+G) (I) Diferença Contabilidade GFIP (EH) jun/06 5001691776/73 10.421,06 12.514,34 9.821,24 2.900,00 12.721,24 3.509,44 1.523,32 5.032,76 7.688,48 jan/06 5001695806/75 1.576,42 1.638,99 2.017,02 5.575,83 7.592,85 5.990,10 26,33 6.016,43 1.576,42 abr/06 5001695806/75 1.503,21 2.239,83 4.250,73 6.926,72 11.177,45 8.937,62 8.937,62 2.239,83 jun/06 5001695806/75 8.954,23 11.915,05 12.972,21 2.645,41 15.617,62 3.904,12 2.960,82 6.864,94 8.752,68 out/06 5001695806/75 1.621,65 2.067,59 2.391,94 2.391,94 324,35 445,94 770,29 1.621,65 jan/06 5001958931/76 1.569,53 1.721,74 3.046,87 61.170,73 64.217,60 63.327,70 152,21 63.479,91 737,69 fev/06 5001958931/76 373,11 491,40 391,53 53.366,42 53.757,95 53.482,95 118,29 53.601,24 156,71 mar/06 5001958931/76 785,90 1.200,75 1.728,92 29.772,51 31.501,43 30.560,37 414,85 30.975,22 526,21 abr/06 5001958931/76 6.215,22 7.856,49 13.718,73 24.610,62 38.329,35 28.392,26 1.903,49 30.295,75 8.033,60 mai/06 5001958931/76 11.383,42 15.512,46 21.359,76 21.359,76 5.473,94 5.473,94 15.885,82 mar/06 5001964708/77 7.096,84 7.747,28 48.909,18 48.909,18 34.309,35 2.619,59 36.928,94 11.980,24 jun/06 5001964708/77 1.849,79 2.298,01 30.813,72 30.813,72 25.312,44 1.642,77 26.955,21 3.858,51 1 http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/pagamentoseparcelamentos/emissaoepagamentode darfdasgpsedae/calculodecontribuicoesprevidenciariaseemissaodegps/tabeladeincidenciade contribuicao 2 Como algumas rescisões estavam ilegíveis, foram desconsideradas como amostra, as competências a que elas se referiam. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 16707.006586/200945 Acórdão n.º 2202004.551 S2C2T2 Fl. 302 15 jul/06 5001964708/77 2.527,45 3.472,87 43.196,14 43.196,14 24.727,45 770,13 25.497,58 17.698,56 ago/06 5001964708/77 3.511,34 4.781,49 26.304,73 26.304,73 20.583,17 2.172,44 22.755,61 3.549,12 set/06 5001964708/77 5.784,21 8.402,83 28.758,33 28.758,33 20.583,17 2.172,44 22.755,61 6.002,72 out/06 5001964708/77 2.895,56 4.430,80 19.221,68 19.221,68 14.339,97 1.631,84 15.971,81 3.249,87 nov/06 5001964708/77 13.222,62 21.074,96 33.898,05 33.898,05 10.173,77 8.544,65 18.718,42 15.179,63 dez/06 5001964708/77 3.099,12 4.291,08 7.731,75 7.731,75 3.491,45 1.163,27 4.654,72 3.077,03 jan/06 5002037627/79 1.488,18 1.619,48 2.582,38 11.530,88 14.113,26 12.423,77 131,30 12.555,07 1.558,19 mar/06 5002037627/79 7.296,74 9.369,32 15.507,26 14.440,28 29.947,54 18.754,33 2.072,58 20.826,91 9.120,63 abr/06 5002037627/79 6.955,19 8.548,70 12.083,13 27.499,07 39.582,20 29.683,50 1.593,51 31.277,01 8.305,19 mai/06 5002037627/79 4.570,43 6.435,69 9.760,17 54.126,57 63.886,74 54.599,61 1.865,26 56.464,87 7.421,87 jun/06 5002037627/79 9.159,35 11.676,58 6.047,25 5.514,88 11.562,13 7.712,52 2.517,22 10.229,74 1.332,39 jan/06 5002077490/74 106,32 106,32 276,46 16.703,81 16.980,27 17.155,08 17.155,08 174,81 fev/06 5002077490/74 0,00 0,00 85,53 36.186,08 36.271,61 35.991,44 35.991,44 280,17 mar/06 5002077490/74 1.050,47 1.247,42 1.993,87 57.501,90 59.495,77 57.948,31 196,95 58.145,26 1.350,51 abr/06 5002077490/74 1.238,57 1.565,35 2.647,41 53.182,40 55.829,81 54.560,51 456,61 55.017,12 812,69 mai/06 5002077490/74 1.868,54 3.021,39 7.382,03 36.840,29 44.222,32 38.545,84 1.152,85 39.698,69 4.523,63 jun/06 5002077490/74 7.031,34 9.590,59 21.171,90 69.100,24 90.272,14 71.358,22 4.017,59 75.375,81 14.896,33 jul/06 5002077490/74 3.119,86 4.535,82 6.124,48 66.314,44 72.438,92 67.559,40 1.415,96 68.975,36 3.463,56 ago/06 5002077490/74 23.057,51 36.026,26 59.133,22 51.675,69 110.808,91 66.866,71 12.968,75 79.835,46 30.973,45 nov/06 5002077490/74 20.565,89 34.713,54 64.240,24 8.402,60 72.642,84 28.143,74 14.147,65 42.291,39 30.351,45 dez/06 5002077490/74 8.760,26 13.132,83 16.301,20 2.200,00 18.501,20 4.228,37 4.372,57 8.600,94 9.900,26 set/06 5002340802/70 79,73 139,53 235,20 3.680,46 3.915,66 3.776,13 59,80 3.835,93 79,73 out/06 5002340802/70 404,77 733,51 1.008,54 5.441,26 6.449,80 5.716,29 328,74 6.045,03 404,77 nov/06 5002340802/70 378,66 647,58 1.293,06 3.261,00 4.554,06 3.906,48 268,92 4.175,40 378,66 set/06 5002358653/78 663,84 783,36 661,39 6.052,10 6.713,49 6.248,46 119,52 6.367,98 345,51 out/06 5002358653/78 156,76 246,40 425,70 10.605,29 11.030,99 10.784,53 89,64 10.874,17 156,82 nov/06 5002358653/78 568,72 939,26 1.955,09 11.591,23 13.546,32 12.812,39 314,54 13.126,93 419,39 Ora, se a empresa afirma que as divergências apontadas pela fiscalização se referem a verbas rescisórias sobre as quais não incide contribuição previdenciária, é certo que as colunas "(A) Verbas Rescisórias sobre a quais não incidiria CP versão empresa" e "(I) Diferença Contabilidade GFIP (EH)" deveriam ser iguais. Entretanto, isso não ocorre, o que corrobora que as diferenças realmente existiram. Dessa forma, considerando que o Auditor Fiscal efetuou o lançamento por arbitramento, diante das inconsistências entre a contabilidade e os documentos apresentados, caberia à recorrente o ônus da prova, nos termos do § 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Entretanto, conforme demonstrado nas planilhas acima, a recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes que pudessem contradizer o lançamento. Primeiro, porque os documentos acostados à impugnação apenas ratificam o afirmado pela fiscalização: a necessidade de arbitramento em decorrência de divergência nos registros contábeis. Segundo, os documentos apresentados não foram suficientes para demonstrar a real base de cálculo, considerando que a maioria das folhas de pagamento apresentadas estão em desacordo com as formalidades exigidas pela legislação previdenciária: não há discriminação das verbas sobre as quais incide ou não contribuição previdenciária; a maioria delas se trata de planilhas com valores de salário, algumas contém assinatura dos segurados, outras não; o somatório das verbas constantes nos termos de rescisão contratual divergem dos valores contabilizados. Além disso, não foram anexados documentos de todas as obras objeto do lançamento, pois os documentos constantes nos autos referemse às seguintes: Documentos apresentados relativos diferença FPxGFIP Matrícula CEI OBRA Localização nos autos, efls 50.016.95806/75 PB 006 416/534 (doc 2) 50.016.93906/71 SE 001 não vieram rescisões Fl. 308DF CARF MF 16 50.016.91776/73 AM 100 2007/2418 (doc 9) 50.019.64708/77 PR 033 764/1111 (doc 3) 50.019.58931/76 RJ 033 1688/1861 (doc 7) 50.020.37627/79 RJ 034 1865/2003 (doc 8) 50.020.77490/74 RJ 035 1213/1544 (doc. 5) 50.023.40802/70 RN 243 1113/1210 (doc 4) 50.023.58653/78 RN 244 TRE 1548/1685 (doc. 6) 50.004.00328/71 PR 030 375/413 (doc. 1) Assim, a recorrente não apresentou qualquer outro documento relativo às demais obras, não se incumbindo do ônus de provar que os fatos narrados pela fiscalização eram inverídicos. A recorrente assevera que teve seu direito de defesa cerceado, porque os documentos anexos à impugnação não foram analisados, pois o julgador deveria têlos confrontado com os dados do Diário e Razão que estavam em poder do Fisco. Diz ainda que, a fundamentação do acórdão, quanto à alegação de que as diferenças apontadas pelo Fisco decorreriam das rescisões, foi genérica e omissa. Não vejo razão à recorrente. O julgador a quo, diante dos questionamentos da recorrente, baixou o processo em diligência, de cujo resultado concluiu que a defesa não conseguiu comprovar todas as alegações. Para as que houve comprovação, foram efetuadas as respectivas exclusões. Ademais, quando a recorrente afirma que as diferenças apontadas pela fiscalização decorrem de verbas de rescisão, e tais valores não batem com os termos de rescisão apresentados, não vejo em que ponto a DRJ/Recife tenha destoado do que verificou nos autos, pois vislumbro das mesmas inconsistências, conforme demonstrado nas planilhas anteriormente apresentadas. Neste ponto, há que ser lembrado que a fiscalização efetuou o lançamento por aferição indireta. Em função disso, cabe a este colegiado analisar se houve motivação para tal, e se a recorrente se incumbiu do ônus da prova em contrário. Situações essas que não vislumbro em seu arrazoado. Por isso, considero correta a decisão pela aferição indireta. Com relação à MATRICULA CEI nº 50.004.00328/71 OBRA PR030, de acordo com o Discriminativo de Débito DD (efls. 10/30) não houve débitos neste auto de infração, não prosperando qualquer alegação em relação a ela. Com relação à MATRICULA 50019647008/77 OBRA PR033, cabe observar que para fins de determinar as divergências entre o salário escriturado e o declarado em GFIP, não se levou em consideração os valores relativos aos serviços prestados por pessoas jurídicas, tais como os abaixo (que não são passíveis de declaração em GIFP); mas, mesmo os excluindo do batimento, as diferenças permaneceram, conforme verificado anteriormente: MES/ ANO VR. CONTÁBIL. VALOR GFIP DIFER. ORIGEM 12/05 9.247,74 0 9.247,74 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 03/06 20.825,67 0 20.825,67 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 04/06 16.589,00 0 16.589,00 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 05/06 5.908,54 0 5.908,54 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 06/06 9.613,67 0 9.613,67 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 07/06 20.412,13 0 20.412,13 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 08/06 23.141,04 0 20.141,04 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 09/06 28.650,17 0 28.650,17 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" Fl. 309DF CARF MF Processo nº 16707.006586/200945 Acórdão n.º 2202004.551 S2C2T2 Fl. 303 17 10/06 18.804,56 0 18.804,56 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" Quanto à MATRICULA CEI 50.020.37627/79 OBRA RJ034, a incorreção da planilha apontada pela recorrente não decorreu de erro da fiscalização, que apenas apresentou os dados da forma que constavam na contabilidade (efls. 3023/3024): Além disso, em relação a essa obra, o Auditor Fiscal já tinha se pronunciado em diligência (efls. 366): Portanto, diante do exposto, não vejo motivo para reforma do acórdão recorrido, nem vislumbro qualquer cerceamento de defesa, pois a recorrente dispunha de todos os elementos para construir seu contraditório, mas se manteve inerte em trazer quaisquer outros argumentos ou elementos, quer após as diligências efetuadas, quer em sede de recurso voluntário. Fl. 310DF CARF MF 18 Improcedência do lançamento. Acréscimos legais indevidos. Os acréscimos legais não compuseram a base para cálculo da multa de obrigação acessória, razão pela qual as alegações relativas a eles não serão analisadas. Improcedência do lançamento. Correta contabilização das notas fiscais A recorrente arrazoa que as notas fiscais foram contabilizadas. Em relação a isso, o julgador a quo já havia se pronunciado depois da diligência fiscal, em que o Auditor Fiscal confirmou a escrituração da nota fiscal nº 94, informando o número correto da nota fiscal 18982, e a contabilização indevida da nota 022939, por ter sido escriturada em data posterior à emissão, permanecendo a falta, conforme se verifica no trecho abaixo: Do exposto, concluise que procede, em parte, a impugnação na matéria, dado que a citada NF n.ºs 94 foi adequadamente contabilizada, ao contrário do referido no relatório fiscal original. De ressaltarse, porém, que a falha persiste em relação à mencionada NF 18.982 e que, também, a empresa é compelida a observar o princípio contábil da competência, segundo o qual o reconhecimento de despesas e receitas deve ser feito quando de sua ocorrência (no caso, pela emissão da NF), independentemente de saída ou entrada de numerários, fato inobservado pela impugnante em relação à NF 022939 supracitada. A alegação da recorrente já foi analisada em tópico anterior, onde entendi que a falta permaneceu em relação às notas fiscais emitidas pela Manchester e Concremat, pois a recorrente deixou de observar os princípios contábeis ressaltados pela auditoria. Cobrança indevida relativa ao item 7 do Termo de Verificação Fiscal (retenção e recolhimento de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços) Os valores lançados nesse item não compuseram a base para cálculo da multa de obrigação acessória, razão pela qual as alegações relativas a eles não serão analisadas. Improcedência cobrança INSS sobre faturas Unimed A recorrente alega ser indevida a cobrança de 15% sobre as faturas emitidas pela Unimed, porque esta não é cooperativa trabalho. Quanto à alegação de a Unimed não ser cooperativa de trabalho, não tem razão a recorrente. A Unimed se caracteriza como cooperativa de trabalho, como já foi ressaltado no acórdão recorrido: Equivocase, entretanto, na matéria. Consulta à página eletrônica da referida instituição médica (www.unimed.com.br) deixa claro que se trata de cooperativa de serviços na área de saúde, conforme trecho a seguir: A Unimed é a maior experiência cooperativista na área da saúde em todo o mundo e também a maior rede de assistência médica do Brasil, presente em 83% do território nacional. O Sistema nasceu com a fundação da Unimed Santos (SP) pelo Dr. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 16707.006586/200945 Acórdão n.º 2202004.551 S2C2T2 Fl. 304 19 Edmundo Castilho, em 1967, e hoje é composto por 370 cooperativas médicas, que prestam assistência para mais de 18 milhões de clientes em todo País. Fundada com base em uma forma de organização originada há mais de 150 anos o cooperativismo , a Unimed é hoje um modelo para a saúde do novo milênio. Entretanto, não há incidência de contribuição previdenciária sobre as notas fiscais emitidas pelas cooperativas, vez que declarada a inconstitucionalidade do art. 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Recurso Extraordinário (RE) 595.838/SP, nos seguintes termos: Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico "contribuinte " da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art 195, §4° com a remissão feita ao art. 154,1, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Fl. 312DF CARF MF 20 Em 11/03/2015 transitou em julgado o acórdão publicado em 25/02/2015, que rejeitou os embargos de declaração opostos pela União, com o fim de modular o decidido no julgamento desse RE: Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 9.876/99. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. Lei aplicável em razão de efeito repristinatório. Infraconstitucional. 1. A modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade é medida extrema, a qual somente se justifica se estiver indicado e comprovado gravíssimo risco irreversível à ordem social. As razões recursais não contêm indicação concreta, nem específica, desse risco. 2. Modular os efeitos no caso dos autos importaria em negar ao contribuinte o próprio direito de repetir o indébito de valores que eventualmente tenham sido recolhidos. 3. A segurança jurídica está na proclamação do resultado dos julgamentos tal como formalizada, dandose primazia à Constituição Federal. 4. E de índole infraconstitucional a controvérsia a respeito da legislação aplicável resultante do efeito repristinatório da declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. 5. Embargos de declaração rejeitados. O STF reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada nesse Recurso Extraordinário, para o qual firmou a Tese de Repercussão Geral 166: RE 595.838/SP É inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Em face disso, o Senado Federal emitiu a Resolução nº 10, de 2016: É suspensa, nos termos do art. 52, inciso X, da Constituição Federal, a execução do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, declarado inconstitucional por decisão definitiva proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 595.838. Dessa forma, nos termos do art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Ricarf), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, as decisões definitivas de mérito do STF e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 (Antigo Código do Processo Civil), ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 (Novo Código de Processo Civil), devem ser reproduzidas pelas Turmas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Art. 62. [...] Fl. 313DF CARF MF Processo nº 16707.006586/200945 Acórdão n.º 2202004.551 S2C2T2 Fl. 305 21 § 2o As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF n° 152, de 2016) Portanto, por força da Decisão no RE 595.838/SP com Repercussão Geral, c/c art. 62, § 2º do RICARF devem ser excluídos do cálculo da multa as contribuições devidas sobre o levantamento COO, constante na planilha "Demonstrativo das contribuições não declaradas" (fls. 5/8). Ausência de detalhamento das origens das bases de cálculo do item "CON SALÁRIOS ADMINISTRATIVOS" A recorrente alega que a fiscalização não discriminou as divergências relativas ao estabelecimento 08.323.347/000187, a que se refere o levantamento "CON SALÁRIOS ADMINISTRATIVOS", para as competências 01/2005, 09/2005, 10/2005, 11/2005, 12/2005, 01/2006, 02/2006, 03/2006. Afirma que a autoridade recorrente entendeu que tal discriminação foi feita pela auditoria em diligência, da qual a recorrente foi cientificada, mas não se pronunciou. Alega que não teria como se pronunciar porque os livros Diário e Razão estavam de posse da fiscalização, o que impossibilitou seu direito à ampla defesa. Não assiste razão à recorrente. Por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 03, recebido em 23/03/2009 (efls. 140), a auditoria solicita que a recorrente justifique as "divergências entre as GFIP e os lançamentos contábeis indicados nas planilhas anexas", e logo às efls. 143 consta o Anexo "Justificar as diferenças verificadas entre os valores contabilizados e os informados na GFIP Salários Administrativos", em que estão relacionados, por competência, os valores de salários administrativos e o valor declarado em GFIP. Novamente às efls. 368, o Auditor Fiscal discrimina esses valores, acrescentando parte relativa à alimentação. A alegação da empresa de que não se pronunciou sobre o resultado da diligência porque os livros Diário e Razão estavam com a fiscalização, não tem fundamento, visto que a ela é facultado pedir cópia de todo o processo, nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 146 do Decreto nº 7.574/2001. Além disso, esses livros são elaborados pela empresa com base em seus próprios documentos, o que torna sem propósito dizer que não poderia recorrer porque não dispunha deles, sem considerar que, conforme consta às efls. 3302/5591, tais livros são resultado de escrita digital, sendo razoável que a empresa tenha esses dados em sistema, seja na própria empresa ou em escritório responsável por sua contabilidade, e possivelmente acessível a ela. Portanto, sem sentido essa alegação. Demais alegações · Falta de apropriação de créditos no "RADA" no estabelecimento matriz · Da falta de apropriação de INSS retido pelas fontes pagadoras Fl. 314DF CARF MF 22 · Da falta de apropriação de INSS referente ao estabelecimento 50.016.93906/71 Obra SE001 · Da falta de apropriação de INSS referente ao estabelecimento 50.019.64708/77 Obra PR033 · Da glosa da compensação de créditos de INSS Para esses arrazoados, adoto como razões de decidir os seguintes trechos do acórdão recorrido: De ressaltarse que, independentemente de recolhimentos, as contribuições devidas à Seguridade Social devem ser informadas nas respectivas GFIP. Assim, o fato de haver ou não promovido os citados recolhimentos ou de os mesmos terem ou não sido deduzidos pelo Fisco quando do lançamento das obrigações principais, não afeta em nada a obrigação de informar as contribuições sociais nas correspondentes GFIP, tornandose, assim, inútil sua discussão no presente feito, motivo pelo qual resultam as citadas argüições não conhecidas, por se tratar de matéria estranha ao processo em pauta. De mesma sorte, a glosa de compensação, tratada no item M da impugnação acima relatada, não foi incluída no cálculo da penalidade do quadro de fl. 9/10 dos autos, não sendo, por conseguinte, objeto de discussão no feito. Do lançamento relativo aos estabelecimentos 70001.25497/70 e 70001.25522/75 A recorrente informa estar impossibilitada de apresentar defesa em relação aos lançamentos dessas obras, por não terem sido evidenciados os dados mínimos para conhecimento claro das bases de cálculo. Não assiste razão à recorrente. Conforme visto, por meio de diligência o Auditor Fiscal respondeu a vários questionamentos feitos pela recorrente em sua peça impugnatória, em que consta às efls. 356/365 relação das notas fiscais utilizadas, com respectivos percentuais considerados para o lançamento, sendo que às efls. 364/365 está discriminado o cálculo que deu origem ao lançamento das obras Matrícula CEI nº 70001.25497/70 e 70001.25522/75, conforme abaixo: [...] Fl. 315DF CARF MF Processo nº 16707.006586/200945 Acórdão n.º 2202004.551 S2C2T2 Fl. 306 23 Os dados constantes na planilha acima estão exatamente consistentes com os valores lançados pela fiscalização, apresentados no relatório DD Discriminativo do Débito (e fls. 29/30). Além disso, a relação de notas fiscais utilizadas pela fiscalização já constavam como anexo do Relatório Fiscal (efls. 234), em que o Auditor Fiscal apresentou a metodologia do cálculo efetuado para o lançamento (efls. 130): DA AFERIÇÃO DA REMUNERAÇÃO DA MÃO DE OBRA 1. Considerando que a contabilidade apresentada pelo sujeito passivo deixou de atender aos princípios contábeis , o valor da mãodeobra foi apurada pelo método do arbitramento, com base no artigo 33, parágrafo 6o. da Lei no. 8.212., de 24/07/1991. 2. Da análise da documentação apresentada pela empresa (Contratos, Notas Fiscais e Medições de Serviços) observase à previsão contratual de fornecimento de material e equipamentos, contudo não existe, nem nos contratos e tampouco nas notas fiscais e medições, discriminação clara dos valores desses itens. 3. Sendo assim, o valor da remuneração da mão de obra utilizada foi calculada, com base na aplicação dos critérios estabelecidos nos Art 600 e seguintes da IN nº SRP 03/2005, conforme abaixo: • Aplicação do percentual de 50% sobre o valor bruto da Nota Fiscal para fins de aferição do valor dos serviços embutidos na prestação do serviço; Na prestação dos serviços de construção civil abaixo relacionados, havendo ou não previsão contratual de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, o valor da remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços não poderá ser inferior ao percentual, respectivamente estabelecido para cada um desses serviços, aplicado sobre o valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. I pavimentação asfáltica: quatro por cento; II terraplenagem, aterro sanitário e dragagem: seis por cento; III obras de arte (pontes ou viadutos): dezoito por cento; IV drenagem: vinte por cento; Fl. 316DF CARF MF 24 V demais serviços realizados com a utilização de equipamentos, exceto manuais, desde que inerentes à prestação dos serviços: quatorze por cento. 4. As bases de cálculo, (valores da remuneração da mão de obra aferidas conforme itens acima), as contribuições apuradas, alíquotas e deduções utilizadas e recolhimentos aproveitados, encontramse devidamente discriminados nos relatórios "Discriminativo do Débito DD", integrantes da presente notificação. Portanto, a recorrente tinha todos os elementos necessários para sua plena defesa, não havendo razão para elaboração de novo demonstrativo, porque o que consta nos autos espelha de onde se originaram os valores efetivamente lançados. Por todo o exposto, constatase que a recorrente entregou GFIP contendo informações incorretas, infringindo o disposto na Lei nº 8.212/91, art. 32, inc. IV e §5º, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV, §4º do Decreto nº 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social RPS). Observo que mesmo não incidindo tributação sobre as faturas de cooperativas, e com a exclusão do lançamento relativo à alimentação nos termos do acórdão recorrido, não há alteração no valor da multa, considerando que ele é determinado pelo número de segurados, conforme § 4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores, c/c inciso I do art. 284 do Decreto nº 3.048/99: Art. 32. A empresa é também obrigada a: [...] IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS.(Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). [...] § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo:(Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008)(Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) (Grifei) 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo Assim, considerando que a recorrente nada alegou em relação ao número de segurados, o valor da multa deve permanecer como apurado pela fiscalização. Fl. 317DF CARF MF Processo nº 16707.006586/200945 Acórdão n.º 2202004.551 S2C2T2 Fl. 307 25 Conclusão Pelo exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso sem efeitos sobre o valor da multa. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias. Fl. 318DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.914324/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/1999 a 31/10/1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1999 a 31/10/1999
TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL.
Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91)
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.497
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.914320/2010-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/1999 a 31/10/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/1999 a 31/10/1999 TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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PRESCRIÇÃO. Recorrente AUTO PECAS PORTO EIXO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1999 a 31/10/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1999 a 31/10/1999 TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.914320/201014, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 43 24 /2 01 0- 01 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.914324/201001 Acórdão n.º 3302005.497 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que, analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF nele discriminado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese: · Em preliminar, a falta de eficácia da intimação e sua validade, acarretando nulidade da notificação do despacho decisório; · No mérito, a Inconstitucionalidade das disposições da Lei n 9.718/98, sobre a COFINS e dos DecretosLei 2.445/98 e 2.449/98 quanto ao PIS; · Sobre a prescrição, o prazo prescricional para repetição do indébito tributário é de 5 (cinco) anos da homologação e como normalmente esta ocorre tacitamente somada mais com 5 (cinco) anos, a manifestante tem 10 (dez) anos do pagamento para restituir o que foi pago indevidamente; · Requer a reforma do Despacho Decisório, e que se mantenha vinculada a compensação ao processo, nos moldes da MP 135/03 transformada na Lei 10833/03, em seu Art. 17º § 11 (sic), e deste modo, os valores compensados estarão suspensos. A decisão de primeira instância foi pelo não provimento da manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 16034.847. Após ciência ao acórdão de primeira instância, apresentou recurso voluntário , em essência, reprisando a manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.914324/201001 Acórdão n.º 3302005.497 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.493, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.914320/201014, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.493): "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase Declaração de Compensação DCOMP nº 01594.54905.270906.1.3.049320 (fls. 01/05), transmitida, em 27/09/2006, para a compensação de débitos de IRPJ lucro presumido (PA 06/2006) com créditos tributários (PA 04/1999) relativos à COFINS cumulativa, de que trata a Lei nº 9.718/98. PRELIMINAR Reitera a ora recorrente que a intimação para instaurar processo administrativo foi recebido e assinado por pessoa não credenciada e não habilitada para receber qualquer correspondência da empresa manifestante e sendo seu sócio gerente seu representante legal, somente ele poderia ter recebido a correspondência. Direito ao ponto, pela perfeita subsunção dos fatos alegados ao enunciado da Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Não há de se falar em retroação dos efeitos do supracitado enunciado, visto, simplesmente consolidar jurisprudência1, antiga e pacífica, nos antigos Conselhos de Contribuintes e no atual CARF, baseadas na legalidade, especificamente do art. 23, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, justificada que a ênfase dada pelo caput a que a intimação seja provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, não tem o rigor que suponha necessária a pessoalidade do ato, sendo que a maioria das notificações e das intimações administrativas são promovidas por via postal, com prova de recebimento (AR) e que a entrega da intimação no domicílio 1 Acórdãos nºs 20168026, de 20/05/1992; 20209572, de 14/10/1997; 20171773, de 02/06/1998; 20306545, de 09/05/2000; 10707076, de 20/03/2003; 20208457, de 21/05/2003; 10807562, de 16/10/2003; 10614266, de 21/10/2003; 10246574, de 01/12/2004; 10420408, de 26/01/2005. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.914324/201001 Acórdão n.º 3302005.497 S3C3T2 Fl. 5 4 fiscal eleito pelo sujeito passivo é o quanto basta para que a relação processual se tenha completado, sendo irrelevante se o recibo foi assinado por quem não era representante legal do contribuinte. Tida como válida a ciência, por conveniente, refuto, também, a alegação de ter sido rasgada as regras dos princípios constitucionais e administrativos, como sugere o recorrente, haja vista a definição das normas impostas pelo Decreto nº 70.235/72, não havendo porque afastarse a aplicação ou deixar de observar leis válidas, estando, mesmo, vedado aos Conselheiros do CARF fazê lo, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 62, da Portaria MF nº 343 de 09/06/15RICARF/15), no mesmo sentido do enunciado da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face de todo o exposto, voto por não acatar as preliminares argüidas. MÉRITO A ora recorrente, manifestou inconformidade ao não reconhecimento do direito creditório, defendendo que efetuou recolhimentos a maior em DARF, em razão das ilegalidade e inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo e majoração da alíquota, de 2% à 3%, da COFINS, pela Lei nº 9.718/98. Diante desses argumentos, entendeu a decisão recorrida, improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar prescrito o direito de pleitear a repetição do indébito; e por entender não socorrer o interessado eventuais efeitos da declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. Quanto ao fundamento do indébito estar em possíveis inconstitucionalidades da Lei nº 9.718/98, entendo não ser papel dos órgão julgadores administrativos discorrer sobre direitos em tese, visto não existir nos autos uma única prova sequer da natureza do indébito, limitandose a ora recorrente a protestar pela posterior juntada de outros documentos e demonstrativos que comprovariam o direito alegado, desnecessários pelos efeitos da patente questão prejudicial de mérito (prescrição) que segue. Quanto à prescrição, o crédito tributário pleiteado via DCOMP nº 01594.54905.270906.1.3.049320 (fls. 02/05), transmitida em 27/09/2006, diz respeito à COFINS cumulativa do Período de Apuração PA 04/1999. Notase, nas informações constantes da DCOMP, que o interessado informou data de arrecadação em 30/04/2002 (fls. 02), porém, conforme consta no DARF (fl. 40), o recolhimento foi efetuado em 10/05/1999. Sobre a repetição de indébito tributário, o Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), assim dispõe: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.914324/201001 Acórdão n.º 3302005.497 S3C3T2 Fl. 6 5 ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3º da LCp nº 118, de 2005) Sobre o prazo para repetição de indébito tributário, o Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do RE 566.621/RS, com fundamento na sistemática da repercussão geral, do art. 543B, do CPC, firmou o seguinte entendimento: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10880.914324/201001 Acórdão n.º 3302005.497 S3C3T2 Fl. 7 6 pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Tratandose de DCOMP transmitida em 27/09/2006 e inexistindo medida judicial, prévia à 09/06/2005, individualizando a garantia do direito ao interessado, aplicase o prazo reduzido para repetição ou compensação de indébitos, fixado pela LC nº 118/2005, prescrevendo o direito de pleitear administrativamente a restituição de valores recolhidos indevidamente, em 5(cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, conforme inciso I, do artigo 165, do CTN, e entendimentos firmados pelo RE 566.621/RS e pelo enunciado da Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10(dez) anos, contado do fato gerador. Portanto, conforme consta no DARF (fl. 40), ao recolhimento efetuado em 10/05/1999, encontravase prescrito o direito à repetição do alegado indébito, pedido via DCOMP transmitida em 27/09/2006, por força do inciso I, do artigo 165, do CTN, do RE 566.621/RS e da Súmula CARF nº 91. Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 124DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.679901/2009-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 08/09/2005
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Numero da decisão: 9303-006.942
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente TIM CELULAR S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 08/09/2005 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 99 01 /2 00 9- 61 Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10880.679901/200961 Acórdão n.º 9303006.942 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 3803004.422, proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que negou provimento ao recurso voluntário. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto ao entendimento da decisão recorrida de que a comprovação do erro, com a respectiva juntada de documentação comprobatória, após o despacho decisório que indeferiu a compensação, deve ser feita no momento da manifestação de inconformidade/impugnação. Visando comprovar o dissenso apresentou o acórdão de número 330201.406. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, conforme despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões defendendo o não provimento do recurso especial do contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10880.679901/200961 Acórdão n.º 9303006.942 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.937, de 13/06/2018, proferido no julgamento do processo 10880.679890/200919, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.937): "Da Admissibilidade O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho fls. 273 a 275. Do Mérito A questão trazida a debate em Recurso Especial versa sobre o entendimento se a DCTF retificadora, após o despacho decisório comprova o direito creditório. Ou seja, a questão de mérito se restringe à certeza e liquidez do crédito. Segundo o despacho decisório eletrônico, cientificado pela contribuinte em 5/11/2009, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte. Segundo o consta nos autos, a contribuinte limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF. Verificase também que a contribuinte apenas trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora transmitida em 2 de dezembro de 2009, após a ciência do despacho decisório, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. No caso dos autos, embora tenha sido apresentada a DCTF retificadora, a principal fundamentação do acórdão recorrido depreendese pela ausência de comprovação da certeza e liquidez dos créditos tributários, pela falta de apresentação de outros documentos fiscais e contábeis da empresa, que comprovaria seu direito creditório, conforme abaixo: (....) Conforme se verifica do relatório supra, a compensação declarada por meio de PER/DCOMP não foi homologada pela repartição de origem pelo fato de que o crédito pleiteado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ São Paulo I/SP, em razão da falta de comprovação do alegado erro ocorrido no preenchido da DCTF. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10880.679901/200961 Acórdão n.º 9303006.942 CSRFT3 Fl. 5 4 Para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora transmitida em 2 de dezembro de 2009, após a ciência do despacho decisório, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábil fiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Nenhum documento, por mais precário que fosse, foi trazido aos autos para se comprovarem as remessas ao exterior de royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos. Nada há nos autos que demonstre esses fatos alegados pelo Recorrente. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrasse em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à alegada violação do princípio. Quanto a esse tema, compartilho do entendimento exposto no voto trazido pela ilustre Conselheira Vanessa Marini Cecconello, no Acordão n.º 9303005.469, a qual peço licença para transcrever e, por se tratar de fatos similares, adoto seus fundamentos como minhas razões de decidir no presente processo: (...) a. Possibilidade de apreciação e deferimento do pedido de compensação independentemente da apresentação de DCTF retificadora A compensação de créditos decorrentes do pagamento indevido ou a maior é prevista no art. 74 da Lei nº 9.430, e regulamentada por meio da IN RFB nº 1.300/2012. Indispensável à homologação do pedido de compensação é a existência de crédito líquido e certo do Contribuinte, bem como esteja devidamente demonstrado nos autos do processo administrativo. No recurso especial, a Contribuinte insurgese face à não homologação de seu pedido de compensação, alegando ser dispensável a apresentação de DCTF retificadora para tanto. De fato, o crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nasce com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário deve restar comprovada por outros meios nos autos do processo administrativo. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10880.679901/200961 Acórdão n.º 9303006.942 CSRFT3 Fl. 6 5 DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10880.679901/200961 Acórdão n.º 9303006.942 CSRFT3 Fl. 7 6 Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442. No caso dos autos, da fundamentação do acórdão recorrido depreendese ser este o entendimento explicitado naquela ocasião pelo Colegiado a quo, não tendo sido homologada a compensação, embora também não apresentada a DCTF retificadora, mas sim e principalmente pela ausência de comprovação da certeza e liquidez dos créditos tributários, por meio de outros documentos fiscais e contábeis da empresa. Por estas razões, não pode ser acolhido o pleito da Recorrente de serem homologadas as compensações. b. Ônus da prova para comprovação da certeza e liquidez do crédito Pelo princípio da verdade material, norteador do processo administrativo, o julgador tem o poderdever de buscar o esclarecimento dos fatos, adotando providências no sentido de conduzir o processo à busca da verdade real dos fatos. No entanto, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Dentro do princípio da cooperação no processo, mudança significativa introduzida pelo Novo Código de Processo Civil, as partes envolvidas na lide podem solicitar provas e buscálas, sendo concebido o processo para todos os envolvidos, inclusive o juiz da causa. No entanto, não se pode interpretar referida diretriz como total transferência do ônus probatório. No caso em exame, com a manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, limitouse a contribuinte a juntar a DCTF e DACON, não trazendo quaisquer outros elementos de prova que comprovem a certeza e liquidez do crédito tributário. Portanto, nesse caso, não cabe se falar em ônus do julgador em solicitar providências complementares, pois sequer foram juntados documentos fiscais e contábeis, de sua posse, para início dessa comprovação. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. Vale ressaltar ainda, que aqui não estamos tratando de compensação não homologada pela falta da retificação da DCTF. Nestes casos, entendo que, quando esta é suprida pelo Contribuinte na apresentação da manifestação de inconformidade, constituindose em primeiro indício de prova da certeza e liquidez do crédito tributário, devendo então ensejar nova análise do pedido de compensação pela Autoridade Fiscal. Assim, nestes caso, mediante a apresentação da DCTF retificadora, que substitui a original, quando da apresentação da manifestação de inconformidade, cabível oportunizar ao Contribuinte a apresentação de provas quanto à certeza e liquidez do crédito tributário, por meio de documentos contábeis e fiscais. Ou seja, entendo que não há óbice, portanto, à apresentação da DCTF retificadora e sua aceitação após a prolação do despacho decisório. No entanto, apresentação de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de reverter a não homologação da compensação. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10880.679901/200961 Acórdão n.º 9303006.942 CSRFT3 Fl. 8 7 No caso em exame, o Contribuinte limitouse a trazer aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora transmitida em 2 de dezembro de 2009, após a ciência do despacho decisório, documentos esses insuficientes à plena comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Nenhum documento, por mais precário que fosse, foi trazido aos autos para se comprovarem as remessas ao exterior de royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos. Diante do exposto, negase provimento ao Recurso Especial do Contribuinte." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também não juntou aos autos nenhum documento hábil a comprovar o direito creditório alegado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 213DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.905703/2012-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012
PROCESSUAL - ADMINISTRATIVO - NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO
Falece, à DRJ, competência para considerar "não-declarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondo-se, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72
Numero da decisão: 1302-002.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2012 PROCESSUAL - ADMINISTRATIVO - NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO Falece, à DRJ, competência para considerar "não-declarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondo-se, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012 PROCESSUAL ADMINISTRATIVO NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO Falece, à DRJ, competência para considerar "nãodeclarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondose, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 57 03 /2 01 2- 30 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10840.905703/201230 Acórdão n.º 1302002.879 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o feito de pedido de compensação de crédito resultante de pretenso indébito concernente à CSLL trimestral recolhida no ano de 2012, para quitação do mesmo tributo devido no mesmo ano calendário. Este pedido não foi homologado pela Unidade de Origem, cujo despacho decisório consignou a seguinte motivação fática: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte opôs a sua manifestação de inconformidade para deduzir alegações de nulidade de praxe, comumente apresentadas em processos como o ora analisado, afirmando ser desmotivado o despacho decisório e, mais, ter ocorrido cerceamento de defesa por não ter sido franqueado, à empresa, a produção de provas concernentes ao crédito cuja compensação se postulava. No mérito, afirmou que o crédito teria origem numa genérica assertiva de que a empresa teria incluído na base de cálculo receitas que, a teor de "algumas teses tributárias já julgadas pelo Suprem Tribunal Federal de favorável aos contribuinte, a exemplo (!?) a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinas despesas, etc (?!?). Pediu, ao fim, a produção de prova pericial, sem, inclusive, declinar os quesitos necessários à análise de validade do pedido, a teor dos preceitos do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. Instada a analisar as razões de insurgência do contribuinte, a DRJ de Ribeirão Preto, inovando o despacho decisório, houve por bem considerar não declarada a compensação deixando, consequentemente, de conhecer da aludida manifestação. Cientificado do conteúdo do acórdão em 04/02/2014, a empresa interpôs seu recurso voluntário em 28/02/2014, por meio do qual, a par de uma "preliminar" de tempestividade totalmente estranha ao feito, basicamente reiterou os argumentos deduzidos em sua manifestação de inconformidade. Este é o relatório. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10840.905703/201230 Acórdão n.º 1302002.879 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.872, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.905696/2012 76, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.872): Aos meus pares, vale o destaque: este processo é, virtualmente, idêntico ao PA de nº 3851.903041/201222, cujo acórdão de nº 1302002.642 já foi, inclusive, objeto de publicação. Assim, peço vênia, antes mesmo de me pronunciar sobre a tempestividade e os requisitos de cabimento do RV, para reproduzir todas as razões que lá expus, já que integralmente aplicável ao caso em análise: I Da análise do cabimento do RV e de questão de ordem pública prejudicial. Antes mesmo de me pronunciar sobre o cabimento do recurso, é necessário dirimir questão de relevo surgida apenas com o advento da decisão de primeira instância. Tal como descrito no relatório, a DRJRPO não conheceu da manifestação de inconformidade por entender que o crédito, cuja compensação se postulava, decorreria, a seu ver, de discussão judicial, o que, em tese, atrairia, ao caso, a aplicação da regra encartada no artigo 74, § 12, II, “f”, da Lei n.º 9.430, de 1996. Como a decisão primerva considerou como "não declarada" a compensação, entendeu descabida a manifestação de inconformidade já que, nesta hipótese, caberia tão só o recurso hierárquico a que alude o art. 56 da Lei 9.784/96 (por força da determinação constante do art. 39, § 2º, da IN 900/08, vigente à época da transmissão da declaração de compensação). O grande problema, todavia, é que, a teor do art. 74, § 10, da citada Lei 9.430, só caberia recurso a este Conselho para o caso de improcedência da manifestação inconformidade: § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10840.905703/201230 Acórdão n.º 1302002.879 S1C3T2 Fl. 5 4 Demais disso, reprisese, que, uma vez considerada como "nãodeclarada" a compensação, como já dito, descabe manifestação de inconformidade e, por conseguinte, recurso voluntário; o rito que se segue, neste passo, é, e apenas, aquele descrito na anteriormente citada Lei 9.784. Ou seja, em tese, não nos seria cabível conhecer do recurso voluntário. Todavia, entendo, particularmente, que a DRJ incorreu, no caso, em dois erros, data venia... Primeiramente, o crédito postulado pelo contribuinte não advinha de decisão judicial ou de alegação de inconstitucionalidade, já que, da DECOMP de nº (...), que efetivamente descreve o crédito, a sua origem e natureza, informa, explicitamente, que a pretensão deduzida pelo recorrente não estava fundada em discussão judicial. Insistase, a alegação, por demais genérica, de que haveria ocorrido um indébito em decorrência de eventual discussão judicial ou alegação de inconstitucionalidade de norma adveio, apenas, na manifestação de inconformidade. Por isso, inclusive, que a Unidade de Origem apenas deixou de homologar o pedido da empresa. Como não o fez, à DRJ competia, tão só, se pronunciar sobre a existência ou não do crédito, pena de, inclusive, incorrer em reformatio in pejus (como de fato o fez, já que ao considerar como nãodeclarada a compensação, o órgão Colegiado a quo tornou muito mais gravosa a situação do contribuinte). Vejam bem, a DRF não reconheceu o direito creditório pleiteado porque o contribuinte não cuidou de informálo! Não há, nos autos, notícias de que o recorrente tenha retificado eventuais declarações (DCTF) a fim de permitir à Unidade de Origem inferir a existência de um indébito restituível; tivesse a parte tomado tal providência a DRF cuidaria de intimálo para explicar tal retificação e, apresentadas as considerações constantes da manifestação de inconformidade, aí sim, considerar a aplicação dos preceitos do art. 74, § 12, da Lei 9.430/96. Como tais procedimentos não foram adotados, a DRF, corretamente, deixou de homologar a compensação pela razão já apontada no relatório acima: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10840.905703/201230 Acórdão n.º 1302002.879 S1C3T2 Fl. 6 5 Este o limite da atuação da DRJ; este o limite do objeto da manifestação de inconformidade que deveria ter sido observado pela instância a quo. Uma vez que não homologado o pedido de compensação, o cabimento da citada manifestação de inconformidade é decorrência estrita e lógica da Lei 9.430 (art. 74, § 7º,) e cabia à DRJ dela conhecer para, se assim entendesse cabível, julgála improcedente. No entanto, vale o destaque, o recurso voluntário não atacou o fundamento específico da DRJ; o contribuinte, digase, não se insurgiu, por seu apelo, contra o não conhecimento da sua manifestação de inconformidade nem tampouco questionou as razões que levaram ao colegiado de primeira instância a considerar não declarada a sua compensação. O recorrente, pois, não devolveu à este Conselho a matéria (que, na minha concepção, não encerra, neste ponto, o conhecimento de ofício), tendo, pois, se operado a preclusão neste particular (inteligência do art. 33 do Decreto 70.235/72). Resta a análise do segundo equívoco incorrido pela DRJ. E aqui, a discussão ganha um realce bastante diferente. Ainda que não disponha de artigo específico para determinar a competência para a análise das Declarações de Compensação transmitidas à DRF, a Lei 9.430 a todo momento deixa, quando menos, implícita tal competência (vejase, por exemplo, os preceitos do § 4º do art. 74). Nada obstante, a IN 1.300 (que revogou a IN 900, vigente à época da transmissão da DECOMP objeto deste feito), é suficientemente clara ao dispor, em seu art. 46, caput¸ "a autoridade competente da RFB considerará não declarada a compensação nas hipóteses previstas no § 3º do art. 41". O § 8º, deste mesmo preceito, põe um pedra de toque sobre o assunto: O lançamento de ofício da multa isolada de que tratam os §§ 6º e 7º será efetuado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) da unidade da RFB que considerou não declarada a compensação. A competência, portanto, para considerar não declarada eventual compensação é exclusiva da DRF, cabendo ao Auditor Fiscal o mister de efetuar o lançamento da multa isolada preconizada pelos §§ 6º e 7º. Em linhas gerais, a DRJ não detém competência para considerar não declarada eventual compensação por ventura transmitida pelo contribuinte (até mesmo pelos motivos já suscitados anteriormente, já que as situações descritas no § 12 do art. 74 devem ser apuradas pela Auditoria Fiscal no curso da análise das DECOMP). Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10840.905703/201230 Acórdão n.º 1302002.879 S1C3T2 Fl. 7 6 Atentem, agora, para os preceitos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72: Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A luz de tais premissas, temse no caso, hipótese clara e inegável de nulidade do acórdão da DRJ que, inadvertidamente, proferiu decisão sobre matéria que não lhe competia analisar. E a nulidade descrita no art. 59, supra, é, esta sim, matéria de ordem pública conhecível em qualquer grau ou instância, conforme art. 64, §1º, do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo por força dos preceitos do art. 15 do mesmo digesto processual civil. Dito isto, a anulação do acórdão ora recorrido é medida que se impõe. II Conclusão. Diante disto, voto por conhecer do recurso voluntário (porque tempestivo) e declarar a nulidade da decisão de primeiro grau pelas razões expostas anteriormente, determinandose o retorno dos autos à DRJRPO a fim de que proceda à análise do mérito do pedido de compensação objeto desta demanda." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.001500/2009-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. MILITAR. RESERVA REMUNERADA. DIREITO. ENUNCIADO Nº 43 DA SÚMULA CARF.
Os proventos recebidos por militar da reserva remunerada estão alcançados pela isenção para portador de moléstia grave.
Numero da decisão: 2201-004.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. MILITAR. RESERVA REMUNERADA. DIREITO. ENUNCIADO Nº 43 DA SÚMULA CARF. Os proventos recebidos por militar da reserva remunerada estão alcançados pela isenção para portador de moléstia grave.
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MOLÉSTIA GRAVE. MILITAR. RESERVA REMUNERADA. DIREITO. ENUNCIADO Nº 43 DA SÚMULA CARF. Os proventos recebidos por militar da reserva remunerada estão alcançados pela isenção para portador de moléstia grave. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 15 00 /2 00 9- 34 Fl. 142DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário formulado em face do Acórdão nº 1317.229, da 2ª Turma da DRJ/RJOII, que negou provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que reclassificou rendimentos declarados por ele como isentos de tributação para rendimentos tributáveis. Ao impugnar o lançamento, o contribuinte alegou ser portador de moléstia grave, conforme comprovaria Termo de Inspeção de Saúde da Junta de Saúde da Marinha do Brasil e o comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte. A decisão de piso considerou improcedente a impugnação, por entender que a isenção de moléstia grave não beneficiaria militar da reserva remunerada, situação na qual se enquadraria o contribuinte. A ciência da decisão de piso ocorreu em 06/11/2007 (fl. 123) e o recurso voluntário foi tempestivamente apresentado em 26/11/2007. Em sede recursal, o autuado volta a defender seu direito à isenção, uma vez que a reserva remunerada seria equivalente à aposentadoria. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. A questão em litígio consiste em definir se os rendimentos percebidos por militar da reserva estariam compreendidos na isenção de que trata o art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713, de 1988. Ocorre que essa matéria já foi pacificada no âmbito deste colegiado, eis que tratada pelo enunciado nº 43 da Súmula CARF: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Entre os Acórdãos que serviram de paradigma, destacase o de número 104 21.935, cuja ementa determina, in verbis: RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE RENDIMENTOS ISENTOS MOLÉSTIA GRAVE MILITAR TRANSFERIDO PARA RESERVA REMUNERADA Em conformidade com a legislação tributária, os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, percebidos por portador de moléstia grave, são isentos do imposto de renda. Para esse efeito, a transferência do militar para a reserva remunerada se enquadra no conceito de aposentadoria, já que ambas configuram inatividade. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 15374.001500/200934 Acórdão n.º 2201004.666 S2C2T1 Fl. 143 3 Não é demais registrar ainda o ATO DECLARATÓRIO 1 PGFN, DE 123 2018, que: DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais fundadas no entendimento de que a isenção do Imposto de Renda prevista no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, abrange os proventos percebidos por militar na reserva remunerada". Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado e lhe dar provimento. Dione Jesabel Wasilewski Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13982.720047/2011-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para verificar os valores passíveis de dedução da base de cálculo das contribuições na forma do art. 3º, III, §9º-A, da Lei nº 9.718/98. Vencido o Conselheiro Pedro Sousa Bispo. Designada a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. Recorrente UNIMED CAÇADOR COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO DA REGIÃO DO CONTESTADO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para verificar os valores passíveis de dedução da base de cálculo das contribuições na forma do art. 3º, III, §9ºA, da Lei nº 9.718/98. Vencido o Conselheiro Pedro Sousa Bispo. Designada a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 82 .7 20 04 7/ 20 11 -9 0 Fl. 485DF CARF MF Processo nº 13982.720047/201190 Resolução nº 3402001.386 S3C4T2 Fl. 486 2 Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Tratase de Auto de Infração relativo à falta/insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor de R$ 419.594,73, e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor de R$ 90.912,20, acrescidos de juros de mora e multa proporcional, referente ao período de 01/01/2007 a 31/12/2008. A empresa em epígrafe tratase de uma cooperativa de profissionais médicos, operadora de plano de assistência à saúde registrado na ANS sob o nº. 346951. A base de cálculo considerada pela fiscalização foi o faturamento, correspondente à receita bruta, conforme dispõe a Lei nº. 9.718/98, art. 2º. e 3º., Decreto nº. 4.524/02, IN SRF nº. 247/02, art. 10, e IN SRF nº. 635/06, art. 6º., caput. Os valores discriminados nas planilhas “Demonstrativo de Apuração PIS e da Cofins – 2007 e 2008 (PIS e Cofins a lançar) foram compulsados nos valores lançados nas planilhas de Composição dos Saldos das Rubricas Contábeis/Planilha Auxiliar de Determinação dos Ingressos/Receitas/Glosas/Deduções (2007 e 2008)”, extraídos da contabilidade regular da contribuinte, conforme arquivo digital entregue pelo mesmo em atendimento aos termos de intimações. Foram consideradas as deduções legais, conforme item “5.1.3. Das deduções relativas às sociedade cooperativas de médicos que operam planos de assistência à saúde”. No item “6. Da apuração do Pis e da Cofins a ser lançada” do relatório fiscal, consta que as contribuições foram apuradas na forma cumulativa, com a alíquota de 3% para o cálculo da Cofins e 0,65% para o cálculo do PIS. Nas razões da impugnação, inicialmente, a contribuinte discorre sobre o que entende ser o “ato cooperativo”, remetendo ao art. 79 da Lei das Sociedades Cooperativas – Lei nº. 5.764/71. Após, alega, em síntese, que a função essencial da cooperativa médica é prestar serviços exclusivamente para seus cooperados, todos médicos, realizados em proveito comum, a teor do art. 3º. da Lei 5.764/71 e que estas devem ser examinadas à luz de suas características próprias e diversas dos demais serviços médicos ofertados em planos de saúde, por entidades que não são cooperativas, sendo que o ato de angariar clientes para seus cooperados é ato tipicamente cooperativo, visto que direcionam os possíveis usuários para serviços prestados exclusivamente pelos associados. Conforme a contribuinte, o tratamento “adequado”, insculpido na Constituição Federal de 1988, significa não tributar o que é adequado ao cooperativismo e tributar o que “não é adequado”; a prestação de serviços pelo cooperado é tributável na pessoa do cooperado; a prestação de serviços ao cooperado (angariar clientes) não é tributável, pois haveria uma Fl. 486DF CARF MF Processo nº 13982.720047/201190 Resolução nº 3402001.386 S3C4T2 Fl. 487 3 dupla tributação, no cooperado e na cooperativa, pelo mesmo serviço, ou seja, o atendimento médico a terceiros; que não podem ser cobrados tributos das cooperativas pelo ato de repasse dos recursos recebidos aos cooperados. Sustenta que, enquanto substituto tributário (retenção na fonte de tributos devidos por terceiros) a base de cálculo decorre não de seus atos próprios, mas de valores percebidos por terceiros, como, por exemplo, ocorre com a retenção de imposto sobre a renda de trabalhadores que trabalham para cooperativa. Sob o tópico “Do plano de saúde ser produto e não serviço nos termos legais”, alega, em resumo, que as operações realizadas entre a cooperativa e os médicos cooperados configuram atos cooperativos principais; as operações de contratação de serviços credenciados, pela sociedade, configuram atos cooperativos auxiliares, mas que todos eles integram, necessariamente, o gênero “atos cooperativos”, nos termos do art. 79 da Lei 5.764/71. Faz uma extensa explanação sobre a legislação que rege os planos de saúde e as operadoras destes planos, bem como suas especificidades, e termina por alegar, em síntese que: o que a cooperativa vende é um produto (plano de saúde) que não pode ser confundida com prestação de serviço; quanto à oferta de planos de saúde, incorrendo a cooperativa na busca de sua finalidade principal – prestação de serviços aos médicos cooperados através da captação de clientes – sem objetivar lucros, está executando ato tipicamente cooperativo; pela previsão da lei de regência, as entidades cooperativas são sociedades sem fins lucrativos, logo não estão sujeitas ao recolhimento do imposto incidentes sobre a renda, bem como os seus reflexos, traduzidos nas tributações pertinentes ao Cofisn e PIS; quer sob a ótica da Lei nº. 9.718/98 ou da Lei nº. 5.764/71, a conclusão é que as sociedades cooperativas, relativamente aos atos cooperativos, não estão sujeitas à incidência das contribuições; os atos praticados com terceiros, para a conquista do seu objeto social, são atos cooperativos, aí incluídos os resultantes da relação com o hospitais e demais serviços auxiliares na prestação da atividade médica, sendo a rede hospitalar elemento muitas vezes indispensável ao exercício da atividades pelos médicos cooperados, com cobertura obrigatória por parte da cooperativa; Por fim, requer que se reconheça a natureza jurídica da sociedade cooperativa, bem como sua imunidade e isenção acerca das contribuições para o PIS e a Cofins. Ato contínuo, a DRJFLORIANÓPOLIS (SC) julgou a impugnação do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. RECEITA BRUTA DECORRENTE DE ATOS EMPRESARIAIS. PLANOS DE SAÚDE. TRIBUTAÇÃO. Fl. 487DF CARF MF Processo nº 13982.720047/201190 Resolução nº 3402001.386 S3C4T2 Fl. 488 4 Os atos de venda dos serviços médicos dos cooperados (e terceiros não cooperados) se traduz na comercialização de planos de saúde, sendo que os valores recebidos dos usuários, seja diretamente ou na forma de mensalidades do plano de saúde, constituise em receita bruta da cooperativa decorrente de atos empresariais, sujeitandose à tributação. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. RECEITA BRUTA DECORRENTE DE ATOS EMPRESARIAIS. PLANOS DE SAÚDE. TRIBUTAÇÃO. Os atos de venda dos serviços médicos dos cooperados (e terceiros não cooperados) se traduz na comercialização de planos de saúde, sendo que os valores recebidos dos usuários, seja diretamente ou na forma de mensalidades do plano de saúde, constituise em receita bruta da cooperativa decorrente de atos empresariais, sujeitandose à tributação. Impugnação Improcedente. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Neste Recurso, a Empresa arguiu em sede preliminar: a) sobrestamento do julgamento administrativo até a decisão final do RE nº598.085 no qual foi declarado repercussão geral quanto a matéria discutida nos autos atinente a incidência, ou não, da COFINS sobre os atos cooperativos; b) que a forma exigida por lei para a realização do lançamento é a notificação de lançamento e não auto de infração, tal como fez o Auditor Fiscal, ensejando a anulação dos autos de infração; c) falta de indicação do dispositivo legal infringido no auto de infração, também enseja a anulação dos autos de infração; No mérito, a Recorrente apresenta as seguintes argumentações: a) não incidência das contribuições sobre os atos cooperados das Sociedades Cooperativas Médicas; b) exclusão do valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades; e c) aplicação indevida da multa de 75%, pois a aplicação desta somente pode se dar diante de pressupostos subjetivos na conduta do contribuinte (art.5º, XLVI, CF/88) É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Pedro Sousa Bispo Fl. 488DF CARF MF Processo nº 13982.720047/201190 Resolução nº 3402001.386 S3C4T2 Fl. 489 5 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Um dos argumentos trazidos pela Recorrente foi no sentido de que o Auditor considerou a menor o valor excluído da base de cálculo, previsto no inciso III do §9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, referente às indenizações correspondentes "aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades", uma vez que foram considerados apenas os valores pagos por serviços prestados a associados de outras operadoras. Segundo seu entendimento, tal dispositivo também lhe permite a exclusão relativa a despesas operacionais ou custos decorrentes do cumprimento dos contratos de prestação de serviços médicos contratados pela Unimed com os seus usuários. Temse que tal arguição não foi suscitada em sede de impugnação, não podendo mais ser analisada nesta instância administrativa por ocorrência de preclusão, nos termos do art.17 do Decreto nº70.235/72, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Voto vencedor Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Em sessão, fui acompanhada pelos demais integrantes do Colegiado na proposta de conversão do julgamento do presente processo em diligência, nos termos a seguir elucidados. Como indicado pelo I.Conselheiro Relator, a Recorrente invocou a necessidade de adequação da base de cálculo dos valores autuados com fulcro na previsão do art. 3º, III, §9ºA da Lei n.º 9.718/98, incluída pela Lei n.º 12.873/2013, publicada em 25/10/2013, com o seguinte teor: "Art. 3o O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (...) § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (...) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 489DF CARF MF Processo nº 13982.720047/201190 Resolução nº 3402001.386 S3C4T2 Fl. 490 6 § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013)" (grifei) Como debatido em sessão, observase que referido dispositivo foi introduzido após a interposição da Impugnação Administrativa, razão pela qual o argumento em torno de sua eficácia retroativa, aceita no âmbito deste Conselho, não foi invocado pela empresa em sua Impugnação. Com efeito, a eficácia retroativa da referida disposição tem sido amplamente aceita neste CARF, em conformidade com o entendimento externado de forma unânime pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF no Acórdão n.º 9303004.399, abaixo ementado: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2008 OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. Na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir os custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida, nos termos do §9ºA, art. 3º da Lei 9.718/98. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2008 OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. Na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir os custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida, nos termos do §9ºA, art. 3º da Lei 9.718/98. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2008 NORMA INTERPRETATIVA. RETROATIVIDADE. POSSIBILIDADE. Nos termos do art. 106, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, a norma que seja expressamente interpretativa aplicase, em qualquer caso, a ato ou fato pretérito, restando excluída a aplicação da penalidade à infração dos dispositivos interpretados. Amoldase o comando da retroatividade benigna do art. 106, I, do CTN ao §9ºA, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, norma de caráter interpretativo, introduzido em 2013 pela Lei nº 12.873, que retroage para alcançar os fatos geradores do presente processo administrativo." (Número do Processo 13982.001408/200981 Data da Sessão 09/11/2016 Relatora Vanessa Marini Cecconello Nº Acórdão 9303004.399. Unânime grifei) Ora, tratandose de questão que poderá ensejar no cancelamento ainda que parcial da exigência fiscal constante dos autos e como matéria de direito introduzida posteriormente à própria autuação fiscal, julgamos necessária a conversão do processo em diligência para quantificação pelo Auditor Fiscal autuante da repercussão da Fl. 490DF CARF MF Processo nº 13982.720047/201190 Resolução nº 3402001.386 S3C4T2 Fl. 491 7 interpretação legal fixada pelo §9ºA, art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, acrescido à redação original pelo artigo 19 da Lei nº 12.873, de 2013, sobre os valores exigidos no lançamento. Referida conversão está em conformidade com aquela ocorrida em processos semelhantes, que já vem sendo realizada inclusive pelas Delegacias de Julgamento de origem (vide acórdãos 3402004.337 e 3402004.338, ambos de 26/07/2017, de minha relatoria). Diante destas circunstâncias que entendeu a maioria deste Colegiado pela conversão em diligência deste processo para que a autoridade fiscal de origem quantifique a repercussão da interpretação legal fixada pelo §9ºA, art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, acrescido pela Lei nº 12.873, de 2013, sobre os valores exigidos no lançamento. Em seguida, antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. É como proponho a presente Resolução. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 491DF CARF MF
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Numero do processo: 12664.000043/2010-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.815
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem junte aos autos cópias integrais dos processos administrativos 10183.002797/2007-17 e 12664.000087/2008-56.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem junte aos autos cópias integrais dos processos administrativos 10183.002797/200717 e 12664.000087/200856. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da resolução nº 3302000.582 (fls.582591): Tratase de lançamento no valor total de R$ 1.365.473,40 (fl. 06), referente ao auto de infração de fls. 0314, através do qual a fiscalização, segundo declarado no Relatório de Fiscalização de fls. 321329, entendeu configurada a cessão do nome para acobertamento de operações de importação de terceiros, por parte da empresa BRAIMEX COMÉRCIO IMP. EEXP. DE EQUIP. ELETRÔNICOS LTDA (BRAIMEX), aplicando a multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 26 64 .0 00 04 3/ 20 10 -4 1 Fl. 598DF CARF MF Processo nº 12664.000043/201041 Resolução nº 3302000.815 S3C3T2 Fl. 599 2 correspondente a 10% do valor aduaneiro relativo às operações acobertadas, conforme planilha de fls. 316320. No citado Relatório, a fiscalização informa que o procedimento especial que deu origem à autuação foi decorrente dos processos administrativos 10183.002797/200717 e 12664.000087/200856, tendo sido o primeiro apensado ao segundo. Na descrição dos fatos do Auto de Infração, à fl. 07, consta: “A Empresa (Pessoa Jurídica), devidamente identificada, cedeu seu nome para a realização de operação de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários na operação de importação, conforme relatório integrante ao processo administrativo n° 12664000087/200856 e anexo a este Auto de Infração objeto do processo administrativo n ° 12664.000043/201041”. No referido Relatório, a fiscalização, ao discorrer sobre o histórico da BRAIMEX, afirma que a movimentação financeira e a declaração de IRPF dos sócios não são compatíveis com as alterações contratuais da empresa. Analisando o passivo da BRAIMEX, a fiscalização declara que o valor de R$ 6.109.725,76 que consta como origem de recursos no livro Razão de 2007, à fl. 302, é, na verdade, adiantamento de clientes, utilizado para pagamento das importações. No tópico “ANÁLISE FINANCEIRA”, os autuantes revelam que, através das cópias das notas fiscais emitidas ao longo do ano de 2007, bem como das informações contidas nos livros de controle de entrada e saída de mercadorias do mesmo ano, podese verificar que as datas de emissão das NF’s de entrada são bem próximas daquelas NF’s de saída. Aduzem também, os fiscais, que os valores das mercadorias na entrada são bastante equivalentes daqueles constantes das NF’s de saída. A conta "Estoques" do fechamento do balanço do ano de 2007 apresenta saldo muito baixo, se comparando ao total de entradas de mercadorias. No sentido de ressaltar os itens acima, foi, segundo a fiscalização, verificado in loco que a empresa não dispõe de local de armazenagem de estoque, conforme foto e termo de constatação. Alegam os autuantes que, conforme o livro Razão da BRAIMEX, o total de lançamentos a débito e o de lançamentos a crédito são praticamente idênticos, sendo que os saques em sua grande parte são para fechamento de câmbio e pagamento de tributos devidos no desembaraço. Não há conta "Clientes" ou qualquer outra que denote vendas a prazo. Todas contrapartidas da conta de receita "Venda de Mercadoria" são "Adiantamento de Clientes", ou seja, não se referem a recebimento de duplicatas, mas sim à baixa de uma conta do "passivo" chamada "Adiantamento de Clientes". No tópico “VÍCIO DE ATO PERANTE O CNPJ”, a fiscalização aduz que, em alteração contratual ocorrida em 23/01/2004, houve irregularidade, uma vez que o valor de R$ 6.000.000,00, relativo a linha de crédito concedida pelo Banco Scharin, não foi utilizado, tendo sido o registro apenas escritural. Ao tratar do “MODO DE OPERAÇÃO DA EMPRESA”, os autuantes declaram que todas as importações realizadas pela empresa foram em regime de entreposto aduaneiro. Fl. 599DF CARF MF Processo nº 12664.000043/201041 Resolução nº 3302000.815 S3C3T2 Fl. 600 3 Essas mercadorias eram entrepostadas em nome da permissionária do Porto Seco de Cuiabá, e desembaraçadas em nome da BRAIMEX, que as distribuía aos seus "clientes"; até aqui, segundo a fiscalização, temse uma operação, em tese, dentro da legalidade. Entretanto, a BRAIMEX recebia o pagamento de seus "clientes" a título de adiantamento de vendas e, em seguida, nacionalizava os produtos, recolhendo apenas os tributos referentes ao desembaraço. A atividade comercial pressupõe risco, e essa forma de operar da BRAIMEX, recebendo recursos adiantados de terceiros para financiar suas operações é uma prova inequívoca de que a empresa só existe para beneficiar os terceiros que realizam as importações, via BRAIMEX, sem comprovar a origem dos recursos e sem recolher todos os tributos devidos, uma vez que a maior parte dos tributos ficará a cargo da BRAIMEX que provavelmente não os recolherá, como não recolheu até o momento. Esses terceiros beneficiados pelas operações da BRAIMEX seriam seus "clientes", os quais são de fato os adquirentes das mercadorias, ou seja, os reais importadores e, portanto, são considerados contribuintes do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, incidente sobre a revenda da mercadoria importada no mercado interno, por equiparação a estabelecimento industrial, conforme artigo 79 da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001 combinado com o artigo 2°, inciso II, da Lei nº 4.502/1964. À fl. 326, a fiscalização apresenta quadro com diversos clientes da BRAIMEX por ordem decrescente do valor das notas fiscais de saída para cada um. Os quatro maiores clientes respondem, no período analisado, por 90% das vendas realizadas pela BRAIMEX, sendo que as duas primeiras empresas, ADV e DVG, que respondem por 61% das vendas e são controladas pelo sr. Luis Carlos Klein, conforme procurações. Em relação à empresa Ana Cunha, a fiscalização afirma que teve acesso ao livro de entrada de mercadorias e, por meio de comparação com as notas fiscais NF de saída da BRAIMEX, verificou que várias NF’s de saída desta empresa, com destino à Ana Cunha, não foram nelas registradas como entrada e nem canceladas por aquela, conforme registro no Livro de Saída da BRAIMEX. Analisando esses documentos, a fiscalização declara que constatou que o empresário Luis Carlos Klein simulava uma operação comercial, "vendendo" os produtos importados para as empresas ADV e DVG, que ele mesmo controlava, ou seja, ele vendendo para ele mesmo a um preço abaixo do valor de mercado, para livrar essas empresas de uma tributação na operação comercial seguinte e ainda obter créditos de tributos não pagos na operação anterior. Nessa sistemática de operação, a BRAIMEX, segundo os autuantes, só recolhia os tributos federais devidos no desembaraço aduaneiro, jamais tendo recolhido qualquer tributo federal devido nas operações de revenda no mercado interno conforme consulta aos sistemas da RFB. Esta é uma prática de empresas importadoras preparadas para fraudar o fisco: vendem os produtos para empresas que participam do esquema e não são contribuintes do IPI; desta forma, o IPI devido na operação de revenda fica todo na conta da empresa importadora, que nunca recolherá tal tributo e ainda passará um crédito de PIS/COFINS/ICMS para a empresa compradora. Essa operação fraudulenta é a chamada "Quebra da cadeia do IPI". Essa intenção fraudulenta da BRAIMEX é, segundo a fiscalização, corroborada pelas características da empresa: não tem patrimônio nem capacidade operacional necessários à realização de seu objeto social. A empresa não possui depósito e conta com apenas um funcionário para realizar todas as atividades inerentes ao comércio. Fl. 600DF CARF MF Processo nº 12664.000043/201041 Resolução nº 3302000.815 S3C3T2 Fl. 601 4 Fica claro que a empresa empresta seu nome para suas principais clientes, que são de fato os reais importadores. Outro indício da ação fraudulenta da empresa é o fato dela operar sempre no prejuízo. Esse modus operandi da BRAIMEX, de emprestar seu nome para efetuar importações para terceiros sem declarálas à Receita Federal do Brasil, nos termos da legislação vigente é enquadrada no art. 33 da Lei 11.488/2007. Da impugnação Cientificada do lançamento em 24/06/2010 (fl. 09), a BRAIMEX insurgiuse contra a exigência, tendo apresentado, em 26/07/2010, a impugnação de fls. 332345, em que, após discorrer sobre tempestividade e fatos, alega: preliminarmente, houve nulidade do auto de infração porque está lastreado em processo administrativo de procedimento especial, instaurado pelo MPF nº 01301002008.005999, que visava apurar capacidade econômica e valoração de mercadorias, anos de 2007 e 2008, mas foi encerrado em 05/11/2008, conforme Ficha de Procedimentos Especiais (fl. 31 dos autos); conforme essa ficha, o processo nº 12664000087/200856, citado no auto de infração, foi encerrado em 05/11/2008, concluindo que a origem dos recursos foi devidamente identificada. Consequentemente, não houve qualquer ocultação do real adquirente; se o processo foi concluído, eis que encerrada a ficha de procedimento especial, o MPF n° 01301002008.005999 encontrase extinto pelo decurso de prazo, em 05/11/2008, conforme determina o art. 14, I da Portaria SRF n° 11.371/2007. Desse modo, a expedição do MPF nº 01301002009.002403, nomeando para execução o mesmo AFRFB Alexandre Duarte, que constava no MPF anterior, contrariou o art. 15, § único, da Portaria SRF n° 11.371/2007. Por esse motivo, todos os atos subsequentes são nulos, já que assinados pelo referido auditor; também de forma preliminar, há nulidade do auto de infração porque o sócio proprietário da impugnante, Luis Carlos Klein, foi inquirido pelo AFRFB Alexandre Duarte, em 20/01/2009 (fl.86), quando o MPF nº 01301002008.005999 já estava extinto. Da mesma forma, as intimações a terceiros, clientes da impugnante, que se encontram sem número de MPF, encontramse eivadas de vícios, não podendo ser utilizadas como prova, tendo sido rechaçadas pela IRF/SP por esse motivo; podese afirmar que esses atos praticados pelo citado auditor Alexandre Duarte foram executados com desvio de poder, eis que inobservaram o interesse público com objetivo diverso do previsto na lei, podendo inclusive adentrar na seara penal (Lei nº 4.898/1995, art. 4º, "h"); nesse processo está bem claro que a intenção do referido AFRFB não era alcançar os interesses públicos, mas tão somente pessoais, eis que o sócio da empresa impugnante foi obrigado a representar contra o mesmo no Ministério Publico Federal por excesso de exação; esse fato ocasionou a exclusão do referido AFRF do MPF que lastreia o presente auto de infração, porém não impediu de que o mesmo praticasse atos posteriores, inclusive por vingança de tal representação, o que novamente obrigou o sócio Luis Klein a comunicar o fato a Superintendência da Receita Federal; os atos são assinados por outros auditores, porém quem de fato os executa é citado AFRFB Alexandre, bastando citar que em 07/10/2009, (já excluído do MPF) o mesmo invadiu o escritório de contabilidade que presta serviços para impugnante ameaçando verbalmente o contador, e em 14/10/2009, o referido escritório recebeu a intimação n° 0157/09 EFA (fls.168), assinada pelos AFRFB Ênio e Antonio Ferreira, porém entregue pessoalmente pelo AFRFB Alexandre, conforme declaração daquela empresa à fl.167; ficam claros a intimidação e o desvio de poder exercido em apoio classista pelos AFRFB no cumprimento de suas funções quando se faz a leitura da resposta de fls. 174 à intimação 0157/09 supracitada, na qual foi destacado: “Quanto à ameaça de denúncia junto ao CRC/MT, vejo como uma forma de intimidação e pressão Fl. 601DF CARF MF Processo nº 12664.000043/201041 Resolução nº 3302000.815 S3C3T2 Fl. 602 5 psicológica para forçar uma situação, lembrando que o poder público também tem código de ética para cumprir, dentre eles: ‘Legalidade, Moralidade, Publicidade’”; esse desvio de poder e de finalidade vem causando prejuízos a impugnante já que não consegue cumprir seus contratos e operar com rapidez, já que o referido AFRFB Alexandre inseriu dados no arquivo radar da empresa, na "ficha alerta", de forma leviana, o que ocasionou a abertura de procedimento especial previsto na IN 206/2002 em todos os despachos subsequentes efetuados pela defendente, em todas as unidades da federação em que adentravam as mercadorias importadas; o referido fato corrobora a afirmação de desvio de poder, pois em procedimento especial de fiscalização concluído em 05/11/2008, o resultado da fiscalização exercida pelo mesmo auditor Alexandre Duarte aponta terem sido identificadas e constatadas a origem de todos os recursos utilizados para as transações internacionais (importações) no período fiscalizado (01/03/2005 a 10/07/2007), (fls.31); o desvio de poder esta gritante, pois fica clara a pessoalidade" exercida no procedimento, como "vingança" diante da representação da BRAIMEX junto ao Ministério Publico, para apurar o ato praticado pelo AFRF Alexandre; ou seja, a finalidade do procedimento não era fiscalizar a empresa, mas tão somente fazêla ficar inoperante até que ocorresse sua quebra pela paralisação das atividades mercantis; o referido Auditor cometeu vários atos abusivos inclusive procedendo à busca de documentos pessoais de funcionário e na empresa impugnante conforme relato encaminhado à Inspetoria em 03/09/2009 (doc.03); grande parte dos princípios contidos no art. 2º e § único, especialmente o inciso VI, da Lei nº 9.784/1999, não foram observados no procedimento de fiscalização, restando viciado o procedimento administrativo que deu origem ao auto de infração pelo desvio de poder, devendo o auto ser anulado e desconstituído o crédito nele apurado; outra nulidade no auto de infração em comento é ter seu enquadramento legal fundamentado em legislação revogada, caso do Decreto nº 4.543/2002, o qual foi revogado pelo Decreto 6.759/2009, impedindo assim que seja feita uma defesa específica aos fatos apontados, o que causa o cerceamento de defesa; se já não bastasse o enquadramento errôneo, a impugnante não possui todos os documentos que instruíram o presente auto de infração, tendo sido obrigada a requerer e pagar pelas cópias que deveriam ter sido fornecidas integralmente e gratuitamente conforme dispõe o art. 9° do Decreto n° 70.235/1972; por não terlhe sido fornecida a cópia integral do processo, inclusive com documentos desentranhados, não há possibilidade de combater as alegações contidas no auto de infração e no relatório elaborado, já que não há como saber de que forma se apurou o credito tributário descrito no auto de infração; salientese que a impugnante requereu novamente o complemento das peças citadas no relatório e as desentranhadas do processo, fato que não foi atendido, impedindo que fosse exercido o direito constitucional previsto no art. 5°, XXXIV, "a" e LV da CF/88, e no art. 3°, II da Lei n° 9.784/1999; conforme art. 3º, inciso II, da Lei nº 9.784/1999, o administrado tem o direito de ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas; desta forma, requer a anulação do auto de infração por cerceamento da defesa do contribuinte, tendo em vista não terem sido fornecidos os documentos requeridos, ou sequer lhe ter sido concedida a reabertura de prazo para suprir tal falha, devendo, de oficio, ser anulado o auto e desconstituído o respectivo credito tributário apurado; em relação às operações com a empresa Ana P. Cunha, a impugnante tem lucro de 7% na venda de Disco CDR, o que é aceitável dentro de um mercado com concorrência desleal em virtude da pirataria; havendo lucro, há impostos federais, inclusive IPI, diferente do que alega a fiscalização; como a BRAIMEX possui um crédito de US$ 5.000.000,00 junto ao fornecedor LG da Koreia, firmado em 2005 Fl. 602DF CARF MF Processo nº 12664.000043/201041 Resolução nº 3302000.815 S3C3T2 Fl. 603 6 (fls. 17 a 23), bem como um crédito de R$ 6.000.000,00, no Brasil, junto ao Banco Scharin, não necessita utilizar o capital depositado pelos clientes para pagar as importações; apesar de a fiscalização afirmar que a empresa possuía entrada e saída sequenciais, com a neutralização dos lançamentos de débito, pelos lançamentos de crédito, o que importa, é que o dinheiro efetivamente utilizado pela BRAIMEX era proveniente de seus recursos, já que possuía o credito conforme acima mencionado; isso ocorria porque a mercadoria encontravase armazenada em regime de entreposto no Brasil com tributação suspensa aguardando a comercialização pela BRAIMEX, já que esta não possui depósito. Assim, quando nacionalizava um lote para revendêlo, essa operação de venda era feita quase sempre no mesmo dia da liberação ou no máximo na mesma semana, e desta forma deveria haver o pagamento pelos clientes, o que justifica totalmente a neutralização dos débitos pelos créditos oriundos dessas vendas; nos autos não há provas de que os recursos para as compras no exterior eram dos clientes; as DI’s citadas pela fiscalização para exemplificar os adiantamentos de clientes (07/00713250 e 07/00777959) não são as mesmas a que se referem os depósitos citados; os clientes da BRAIMEX não são adquirentes, pois não possuem qualquer vínculo ou contato como fornecedor estrangeiro; também não há nos autos prova de interposição fraudulenta, sendo que, conforme fl. 31, a origem dos recursos relativos às importações de 2007 foi comprovada; o valor do presente auto sequer é possível ser discutido, pois há apenas uma planilha de importações referente ao ano de 2007 que somadas totalizam CIF R$ 13.654.734,00 (treze milhões seiscentos e cinquenta e quatro mil setecentos e trinta e quatro reais), e sobre esse valor foi aplicada a multa de 10%; por que foram utilizados esses valores? Qual o suporte documental e fático que o respalda? Quais são as pessoas jurídicas que estão sendo colocadas na condição de adquirentes? Não existem documentos nos autos que permitam tal interpretação ou resposta a esses questionamentos; corroborando a existência de capacidade econômica da BRAIMEX, no processo administrativo nº 15165.001232/201050 a própria Receita Federal confirma que a BRAIMEX é responsável pela distribuição dos produtos das marcas LG e ACCUREC, reconhecendo o contrato existente e o vínculo com o exportador estrangeiro colocando a impugnante na condição de adquirente, e reconhecendo a origem dos recursos; desta forma, requer que sejam acolhidas as preliminares para anulação do presente auto de infração, julgandose seu mérito conforme determina o art. 28 do Decreto 70.235/72, para ao final julgálo improcedente, desconstituindose definitivamente o crédito tributário apurado. Através da Resolução nº 2.658, de 27/03/2014, da Sétima Turma deste órgão julgador, decidiuse converter o julgamento em diligência, enviando o processo à unidade de preparo, para esta: “1) anexar comprovante de que foi fornecida à impugnante cópia integral do presente processo administrativo; 2) na hipótese do item 1 acima, cabe cientificar o sujeito passivo acerca da diligência efetuada, assegurandolhe o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre as informações e os documentos trazidos aos autos, decorrente da providência solicitada; 3) no caso de não ter havido fornecimento, intimar a impugnante, cientificandolhe de que fica facultada vista aos autos no prazo fixado no art. 24 da Lei nº 9.784/1999, e, caso solicitado dentro do mesmo prazo, fornecer cópias das folhas de seu interesse, mediante adoção dos procedimentos previstos na legislação de regência; 4) na hipótese do item 3 acima, cabe assegurar à impugnante o direito de se pronunciar nos autos, no prazo de trinta dias contados da data de vista aos autos.” Fl. 603DF CARF MF Processo nº 12664.000043/201041 Resolução nº 3302000.815 S3C3T2 Fl. 604 7 Em decorrência, à BRAIMEX, através da Intimação de fls. 450 (ciência eletrônica por decurso de prazo em 25/04/2014 – fl. 451), constando a abertura do documento como sendo 08/05/2014 (fl. 452), foi facultada vista ao processo, bem como obtenção de cópias, em conformidade com o art. 24 da Lei nº 9.784/1999, assim como a apresentação de manifestação em trinta dias. Tendo os autos retornado à DRJ/Fortaleza, em virtude do despacho de fl. 453, datado de 23/05/2014, com a constatação de não haver manifestação da impugnante, foram juntados, posteriormente, os documentos de fls. 456468, onde consta manifestação da defendente, em 26/05/2014, conforme Termo de Solicitação de Juntada de fl. 455, datado de 10/06/2014. Tendo sido constatada a ausência de assinatura da manifestação apresentada pela impugnante, através da Resolução nº 2.847, de 13/11/2014, da Sétima Turma deste órgão julgador, decidiuse converter novamente o julgamento em diligência, enviando o processo à unidade de preparo, para: “que a empresa interessada seja cientificada das razões acima expostas e intimada a, no prazo de cinco dias, prorrogável por igual período, adotar as providências cabíveis no sentido de sanar a irregularidade atinente à falta de assinatura na manifestação de fls. 458464, mediante a anexação de petição com idêntico teor, devidamente assinada na forma preconizada na legislação, ou de petição devidamente assinada convalidando a manifestação anteriormente apresentada. Em virtude da referida Resolução, foi solicitado à BRAIMEX, através da Intimação de fls. 474 (ciência eletrônica por decurso de prazo em 12/12/2014 – fl.475), constando a abertura do documento como sendo 15/12/2014 (fl. 476), que saneasse a manifestação apresentada. Em resposta, a impugnante apresentou, em 16/12/2014, às fls. 478488, a mesma manifestação de fls. 456468, agora devidamente assinada pelo advogado, na qual, após citar a decisão que converteu o julgamento em diligência (Resolução nº 2.658), alega: o contribuinte nem precisou fazer vista do processo, eis que não houve qualquer alteração no quadro, pois o citado AFRF apenas intimou o contribuinte para obtenção de cópias deste procedimento; porém existem peças desentranhadas deste processo e utilização de outros processos os quais não foram fornecidas cópias ao contribuinte. Basta se verificar a reiteração do requerimento constante as fls. 354; se o processo 12664.000087/200856 está vinculado ao processo 12664.0000071/201087 e que serviram para embasar a fundamentação do presente auto de infração, o contribuinte necessita da copia desses procedimentos para ter a informação de como foram obtidas as provas; porém, o AFRF não lhe concedeu as cópias daqueles procedimentos sob argumento de que ainda estavam em andamento, o que pior fica, pois, se não havia conclusão, as provas não poderiam ter sido utilizadas até o termino daqueles, portanto o cerceamento continua latente; quanto aos documentos desentranhados às fls. 269270 do processo 12664.000087/200856, o qual serviu para embasar o presente auto e que também foram solicitados no requerimento do contribuinte, não foram fornecidos, e serviram de base para representação fiscal conforme consta no termo de desentranhamento daquelas folhas; se as peças foram desentranhadas deveriam ser substituídas, eis que se aquele procedimento estava em curso, o contribuinte deveria ter acesso ao mesmo; conforme se pode verificar as fl. 18, o processo ora combatido se lastreia totalmente no procedimento 12664.000087/200856, do qual não foi fornecida cópia ao contribuinte e está arquivado; na realidade o AFRF que negou as cópias do processo ao contribuinte em 14/05/2010 Fl. 604DF CARF MF Processo nº 12664.000043/201041 Resolução nº 3302000.815 S3C3T2 Fl. 605 8 (fls. 355) faltou com a verdade, eis que, conforme ficha de procedimentos especiais às fls. 46 (fl. 49 do eprocesso) o processo findou em 05/11/2008; em suma nada mudou com relação ao vício de cerceamento, eis que o processo 12664.000087/200856 que embasou toda fundamentação do auto de infração encontrase juntado aos pedaços, não tendo como se defender plenamente sem que o mesmo seja juntado na íntegra; há incongruências nas conclusões do procedimento, uma vez que na ficha de procedimentos especiais consta que, a princípio, as origens de recursos utilizados no período fiscalizado foram identificadas; mas na fundamentação do auto de infração consta que houve cessão do nome; se não bastasse, resta demonstrado que o processo n° 12664.000087/200856, que lastreou o presente procedimento, também esta eivado de vícios, eis que o mandado de procedimento fiscal MPFD que o amparou, findou em 20/11/2008 (fl. 21– fl. 24 do eprocesso) e as diligências continuaram mesmo com sua extinção, conforme se depreende dos documentos de fls. 101 em diante; também resta demonstrado que o contribuinte já requereu e pagou a cópia integral do processo 12664.000087/200856 conforme comprovam documento e DARF de fls. 324/325, porém nunca o recebeu; em conclusão, o contribuinte continua impedido de exercer seu direito constitucional previsto no art. 5º, XXXIV, "a" e LV da CF/88, e no art. 3°, II da Lei n° 9.784/99; por todo exposto reitera a preliminar já exposta na impugnação, para requerer que seja anulado o presente auto de infração pelo cerceamento de defesa, desconstituindose assim o respectivo credito tributário apurado. Conclusos, os autos retornaram a este órgão julgador. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fato gerador: 23/06/2010 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. A competência do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil para o lançamento tributário tem origem na lei. O Mandado de Procedimento Fiscal é apenas um instrumento gerencial de controle administrativo da atividade fiscal e eventuais falhas na sua execução não configuram motivo suficiente para abalar a constituição do crédito tributário, se esta se deu conforme os ditames dos arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/1972 e do art. 142 do CTN. DEVIDO PROCESSO LEGAL. ARGUIÇÃO DE EXCESSO DE EXAÇÃO, DESVIO DE PODER OU DE FINALIDADE. NULIDADE NÃO COMPROVADA. Inexistem elementos nos autos que comprovem ter havido irregularidade hábil a macular o procedimento administrativo, sendo que os argumentos aduzidos pela impugnante não são aptos a formar o convencimento de que tenha havido o alegado vício de nulidade. ARGUIÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. DESCABIMENTO. Estando o Auto de Infração devidamente motivado, contendo a descrição dos fatos e a fundamentação jurídica referentes à infração, e tendo a empresa tomado conhecimento de todas as imputações e respectivas provas, não há falar em cerceamento de defesa. Fl. 605DF CARF MF Processo nº 12664.000043/201041 Resolução nº 3302000.815 S3C3T2 Fl. 606 9 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fato gerador: 23/06/2010 CESSÃO DE NOME PARA A REALIZAÇÃO DE OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR DE TERCEIROS. PENALIDADE. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no qual, em linhas gerais, repisa os argumentos presentes na impugnação ao lançamento fiscal. Referida resolução foi proferida para certificar a tempestividade do recurso voluntário, fato este ocorrido por meio do despacho de fls.596. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. No relatório de fls.321329, a fiscalização informa que o procedimento especial que deu origem à autuação foi decorrente dos processos administrativos 10183.002797/2007 17 e 12664.000087/200856, tendo sido o primeiro apensado ao segundo. Na descrição dos fatos do Auto de Infração, à fl. 07, consta: “A Empresa (Pessoa Jurídica), devidamente identificada, cedeu seu nome para a realização de operação de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários na operação de importação, conforme relatório integrante ao processo administrativo n° 12664000087/200856 e anexo a este Auto de Infração objeto do processo administrativo n ° 12664.000043/201041”. Em relação aos citados processos, a Recorrente alegou, em suma, que os processos foram encerrados com a conclusão de que a origem dos recursos foi devidamente identificada e, assim, não houve qualquer ocultação do real adquirente.Alegou, ainda, que não teve acesso aos processos por negativa da fiscalização. Compulsando os autos constatasse que a fiscalização juntou parte do processo administrativo nº 12664.000087/200856, contudo, não trouxe aos autos cópia do PA 10183.002797/200717 que, segundo a fiscalização a presente autuação decorreu dos fatos apurados nestes processos. Não longe disso, a Recorrente alegou que nos referidos processos houve conclusão favorável por parte da fiscalização, fato este, no entendimento deste relator, de suma importância para o deslinde do presente processo. Com efeito, a ausência de cópia dos referidos processos impede este relator de analisar corretamente se há similaridade de procedimentos e documentos e eventual causa de decorrência entre as lides. Fl. 606DF CARF MF Processo nº 12664.000043/201041 Resolução nº 3302000.815 S3C3T2 Fl. 607 10 Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a fiscalização traga aos autos cópia integral dos processos administrativos 10183.002797/2007 17 e 12664.000087/200856. Após, intimese a Recorrente para, querendo, apresentar manifestação sobre os documentos no prazo de 30 (trinta) dias. É como voto. (assinatura digital) Walker Araujo Fl. 607DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.977148/2016-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL.
O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1401-002.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
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DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 71 48 /2 01 6- 03 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10880.977148/201603 Acórdão n.º 1401002.627 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Iniciemos com o relatório da Decisão de Piso. Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 31/03/2013, no valor de R$ 171.831,75, transmitida através do PER/Dcomp nº [...]. A Derat São Paulo não homologou a compensação, por meio do despacho decisório eletrônico de fl. [...], pois o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em [...], o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade [...], para alegar que os créditos decorrentes do pagamento a maior já teriam sido “disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período”. Concluiu, para requerer a homologação do PER/Dcomp. Analisando a manifestação de inconformidade a Delegacia de Julgamento proferiu decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2013 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Referida decisão baseouse no fato de a empresa não ter retificado a DCTF antes da decisão do indeferimento da compensação e, ainda, por não ter apresentado comprovação de que não existiria saldo de IRPJ a pagar no período. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário. No entanto, neste recurso, o único objeto de alegação é o pedido de prazo para realizar todas as retificações das declarações de maneira a demonstrar a existência do crédito solicitado. É o brevíssimo relatório. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.977148/201603 Acórdão n.º 1401002.627 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.603, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.977128/2016 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.603): "O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. O crédito solicitado pela empresa trata de pagamento a maior ou indevido de IRPJ/CSLL. Inobstante a decisão eletrônica do PER/DCOMP e da Delegacia de Julgamento observo que sequer a DIPJ da empresa do referido período foi juntada a processo para fins de análise. Para o deslinde do caso realizei consultas à DIPJ apresentada referente ao período de apuração do pagamento, assim como sobre a disponibilidade do pagamento realizado. Analisando as informações constantes da DIPJ e da DCTF da empresa verificamos que, efetivamente, a empresa apurou na DIPJ e confessou como devido em sua DCTF o valor de IRPJ/CSLL do período de apuração do DARF. Restando configurado serem devidos os débitos aos quais o pagamento foi alocado. marTendo apurado este valor e pesquisando os pagamentos realizados durante todo o exercício, verificamos que a empresa realizou o pagamento e que este foi o mesmo pagamento objeto de PER/DCOMP analisado no presente processo. Assim, à vista do exposto, demonstrase que foi correta a decisão da delegacia de origem quando não homologou a compensação em face da inexistência de crédito, considerando que o pagamento a cujo crédito fora pleiteado já estava integralmente utilizado na quitação do débito confessado em DCTF, inexistindo saldo de crédito a ser reconhecido. Desta forma, não havendo crédito a ser reconhecido por este CARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10880.977148/201603 Acórdão n.º 1401002.627 S1C4T1 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.014173/2008-01
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2001-000.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o recorrente apresente elementos de comprovação do que foi alegado quanto à desistência do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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Numero do processo: 10680.928386/2011-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO.
As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ.
Numero da decisão: 1401-002.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa.
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RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 83 86 /2 01 1- 29 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10680.928386/201129 Acórdão n.º 1401002.454 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/BHE que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve o despacho decisório. O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente referente a PER/DCOMP. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a CSLL, recolhido em 24/04/2001 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade, alegando o que se segue: O crédito pleiteado tem como origem pagamento de CSLL, referente ao período de apuração de janeiro de 1997, realizado em razão da apuração por estimativa do regime de tributação pelo Lucro Real. Ao final do ano, apurou o saldo negativo e os valores recolhidos tornaramse indevidos e passíveis de compensação. Afirma que sua DIPJ foi homologada pela RFB, ficando evidente que a apuração do saldo negativo de CSLL abrangeu todos os recolhimentos por estimativa realizados. Acrescenta que a apuração de saldo negativo, por si só, gera o direito à compensação realizada, razão pela qual deve ela ser totalmente homologada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente uma vez que os recolhimentos foram efetuados exatamente nos valores dos débitos apurados, não caracterizando a existência de pagamento indevido ou a maior. Inconformada apresentou Recurso Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado para o reconhecimento do seu saldo creditório de CSLL. É o relatório do essencial. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10680.928386/201129 Acórdão n.º 1401002.454 S1C4T1 Fl. 4 3 Tabela do plano Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.433, de 13/04/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.907763/201196, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento indevido de CSLL estimativa mensal, referente ao período de apuração de setembro/1997, para compensação com débitos do contribuinte. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido de CSLL estimativa mensal, do período de apuração de janeiro de 1997, com débitos do contribuinte. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.433): "O recurso é tempestivo e apresentam os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. O Acórdão DRJ entendeu que não houve, em relação ao pedido de restituição original, a homologação tácita do direito creditório nele envolvido, como sustenta a Impugnante. Isso porque não existe para o pedido de restituição nenhum prazo legal para a homologação do correspondente crédito, por parte da Fazenda Pública. O que se tem, no § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996 (com redação da Lei n° 10.833, de 2003), é que: “o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. Ou seja, a lei prevê prazo de homologação para a compensação, e não para o crédito objeto de pedido de restituição. Vale lembrar, nesse sentido, que somente a lei é quem pode determinar prazo limite para que o interessado (seja contribuinte ou fisco) aja, por si só, no sentido de constituir o seu direito. E, como já se viu, o que há é o prazo legal para que o sujeito passivo exerça o seu direito de pleitear restituição de suposto crédito (art. 168, do CTN), mas não para que a fazenda o homologue expressamente. Entretanto, como contraponto disso, a lei impôs à Fazenda Pública o prazo de 5 (cinco) anos para homologar, ou não, expressamente a compensação declarada pelo sujeito passivo. Ocorreu, então, que o contribuinte, valendose do mesmo crédito que suponha possuir, enviou, 2007, DCOMP, para quitar débitos. Logo, o prazo de homologação dessa compensação contra a Fazenda Pública teve início em 2007; e o termo final seria em 2012. Portanto, em data posterior à do despacho decisório. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10680.928386/201129 Acórdão n.º 1401002.454 S1C4T1 Fl. 5 4 Preliminar homologação tácita. A princípio, esclareço que, no que diz respeito possibilidade da ocorrência de homologação tácita de Declaração de Compensação protocolizada em 30/03/2001, portanto anterior a Lei 10.833/03, adoto os fundamentos de precedente recente da 3a. Turma da CSRF, no sentido de que nos pedidos de compensação pendentes de apreciação pela Autoridade Administrativa, convertidos em declarações de compensação, por força da Lei nº 10.637/2002, a ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos, a contar da data da entrega da declaração de compensação. De maneira que, tendo transcorrido este prazo, homologase tacitamente a compensação declarada, sendo definitivamente extintos os débitos tributários ali contemplados, independentemente da existência ou suficiência dos direitos creditórios. Referido Acórdão n. 9303003.900, proferido em 19/05/2016, restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 EMENTA: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Estabelecese como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerandose pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Recurso Especial do Procurador Negado. Contudo, no caso em questão, os requisitos para reconhecimento da homologação tácita, não encontramse preenchidos, pois conforme descrito minuciosamente conforme relatado. Mérito. Quanto ao mérito, o acórdão DRJ restou fundamentado na inexistência de crédito recolhido indevidamente ou a maior a ser compensado. Na sua manifestação de inconformidade, o contribuinte alega, genericamente, que o seu crédito originouse de um pagamento a maior realizado em 24/04/2001, referente à CSLL (cód. 2484), cujo período de apuração era 01/09/1997. Por sua vez, a Declaração de Compensação aqui analisada indica, como origem do crédito, pagamento indevido ou a maior, discriminando DARF utilizado no recolhimento de estimativa Como se verifica, os recolhimentos foram Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10680.928386/201129 Acórdão n.º 1401002.454 S1C4T1 Fl. 6 5 efetuados exatamente nos valores dos débitos apurados (o suposto crédito postulado no presente processo referese ao período de apuração 01/09/1997). Portanto, não se caracterizou a existência de pagamento indevido ou a maior. Inexiste, pois, direito creditório a ser reconhecido para o contribuinte, como pagamento indevido ou maior, uma vez que o pagamento da estimativa foi exatamente igual ao débito apurado. Durante o recurso voluntário, afirma que encerrou o ano de 1997 com prejuízo, contudo ser oferecer maiores elementos em relação esse processo. Por isso, nego provimento ao Recurso. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 116DF CARF MF
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