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Numero do processo: 16643.000343/2010-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
Administração Tributária. Compartilhamento de Informações na Forma da Lei ou Convênio. Lançamento. Validade.
É válido o lançamento de crédito tributário que tenha por base informações fiscais compartilhadas entre a administração tributária da União e a do Estado, na forma da lei ou convênio.
Devolução de Livros e Documentos. Possibilidade de Vista dos Autos. Cerceamento de Defesa. Inexistência.
Não há cerceamento de direito de defesa quando consta dos autos a indicação de que os livros e documentos entregues pela fiscalização foram devolvidos, bem como diante da possibilidade assegurada por lei de vista dos autos.
Receitas Informadas ao Fisco Estadual Divergentes das Inseridas nas Declarações entregues à Receita Federal. Omissão de Receitas.
Caracteriza omissão de receitas a divergência entre os valores informados à administração tributária do Estado e os inseridos pelo sujeito passivo nas declarações apresentadas à Receita Federal.
Numero da decisão: 1301-003.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 Administração Tributária. Compartilhamento de Informações na Forma da Lei ou Convênio. Lançamento. Validade. É válido o lançamento de crédito tributário que tenha por base informações fiscais compartilhadas entre a administração tributária da União e a do Estado, na forma da lei ou convênio. Devolução de Livros e Documentos. Possibilidade de Vista dos Autos. Cerceamento de Defesa. Inexistência. Não há cerceamento de direito de defesa quando consta dos autos a indicação de que os livros e documentos entregues pela fiscalização foram devolvidos, bem como diante da possibilidade assegurada por lei de vista dos autos. Receitas Informadas ao Fisco Estadual Divergentes das Inseridas nas Declarações entregues à Receita Federal. Omissão de Receitas. Caracteriza omissão de receitas a divergência entre os valores informados à administração tributária do Estado e os inseridos pelo sujeito passivo nas declarações apresentadas à Receita Federal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. COMPARTILHAMENTO DE INFORMAÇÕES NA FORMA DA LEI OU CONVÊNIO. LANÇAMENTO. VALIDADE. É válido o lançamento de crédito tributário que tenha por base informações fiscais compartilhadas entre a administração tributária da União e a do Estado, na forma da lei ou convênio. DEVOLUÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE DE VISTA DOS AUTOS. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há cerceamento de direito de defesa quando consta dos autos a indicação de que os livros e documentos entregues pela fiscalização foram devolvidos, bem como diante da possibilidade assegurada por lei de vista dos autos. RECEITAS INFORMADAS AO FISCO ESTADUAL DIVERGENTES DAS INSERIDAS NAS DECLARAÇÕES ENTREGUES À RECEITA FEDERAL. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracteriza omissão de receitas a divergência entre os valores informados à administração tributária do Estado e os inseridos pelo sujeito passivo nas declarações apresentadas à Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 03 43 /2 01 0- 29 Fl. 335DF CARF MF Processo nº 16643.000343/201029 Acórdão n.º 1301003.039 S1C3T1 Fl. 336 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de recurso interposto por CLAMI MÓVEIS E DECORAÇÕES LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra Acórdão nº 1647.322, da 13ª Turma da DRJ São Paulo I, que negou provimento à impugnação da recorrente, mantendo contra esta o lançamento pelo qual lhe era exigido crédito tributário por omissão de receita. Relata a autoridade lançadora, no Termo de Verificação Fiscal TVF (fls.188 a 207) que a auditoria teve início com a verificação das informações fiscais, apresentadas pela recorrente ao Fisco Estadual, relativas ao ICMS. Tais informações foram confrontadas com aquelas inseridas na Declaração Anual Simplificada do ano base 2006. Em complemento, fez se uma análise da movimentação financeira da recorrente, que, se aproximando dos valores relativos às operações de saída registradas para fins de ICMS, confirmou a veracidade desses dados. Concluiu daí a autoridade fiscal que a diferença entre as receitas informadas ao Fisco Estadual e a receita bruta declarada ao Fisco Federal deveria ser oferecida à tributação. Disse que foi dada à recorrente a oportunidade de justificar o ocorrido, mas a iniciativa serviu apenas para confirmar a divergência. As operações que ensejaram o lançamento de ofício são a venda e a revenda de móveis e artigos de decoração, que compuseram o faturamento líquido da fiscalizada. As operações foram informadas ao Fisco Estadual através das Guias de Informação e Apuração do ICMS GIA. Foram menores, entretanto, os montantes informados à Receita Federal na Declaração Anual Simplificada do ano base 2006. A Fiscalização, ao utilizar os dados, observou os respectivos códigos fiscais de operações CFOP, e assim computou as venda de mercadorias, deduzindo as respectivas devoluções. Contra o lançamento foi apresentada impugnação, a que a DRJ negou provimento em acórdão cuja ementa foi assim redigida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 336DF CARF MF Processo nº 16643.000343/201029 Acórdão n.º 1301003.039 S1C3T1 Fl. 337 3 Anocalendário: 2006 NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DIRETA. RECEITA BRUTA ESCRITURADA NO LIVRO REGISTRO DE APURAÇÃO DO ICMS. INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO À RECEITA FEDERAL. Constitui prova direta de omissão de receitas a constatação de receita bruta escriturada no Livro Registro de Apuração do ICMS e não informada/ofertada à Tributação Federal procedendo a exigência dos tributos componentes do SIMPLES calculados sobre tal diferença. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. Correta a aplicação da taxa SELIC para a cobrança dos juros moratórios lançados, conforme previsão legal expressa no art. 61, § 3º da Lei n° 9.430/1996. A multa de ofício decorrente de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal é considerada débito para com a União, sendo devidos juros de mora sobre o valor lançado inadimplido a partir de seu vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não resignada, a recorrente se insurgiu contra a decisão. Preliminarmente, alegou nulidade por cerceamento do direito de defesa. Isso porque a Fiscalização teria retido os documentos que haviam sido entregues, impedindo assim que a recorrente produzisse sua defesa, conhecendo as bases que foram utilizadas para a constituição do crédito tributário. Além disso, a autoridade fiscal teria recebido informações, por meio eletrônico, diretamente do Fisco estadual, sem conhecimento da recorrente. No mérito, alegou que: A interpretação da AUTORIDADE FISCAL no que concerne à omissão de receitas diverge totalmente dos padrões adotados pela Receita Federal do Brasil, haja vista, a ausência de comparação com as entradas de caixa que deveriam estar dispostas na contraposição dos apontamentos, pois, as diferenças apuradas pela AUTORIDADE FISCAL não podem ser consideradas omissão de receita no ponto que o seu final entendimento não tenha classificado como tal. (grifo do original) (fl. 306) Fl. 337DF CARF MF Processo nº 16643.000343/201029 Acórdão n.º 1301003.039 S1C3T1 Fl. 338 4 Ademais, não consta do TVF que a recorrente tenha omitido receitas, mas sim a existência de diferenças entre informações prestadas ao Fisco federal e ao do Estado, diferenças que se devem a equívoco. A autoridade lançadora não afirmou que a intenção da recorrente era omitir receitas. Assim sendo, o acórdão recorrido, ao expressar que a recorrente havia praticado omissão de receitas, agravou a situação inicial, incorrendo em reformatio in pejus. Portanto, solicita a recorrente que o julgamento pela DRJ seja anulado ou que seja excluída a expressão "omissão de receitas". Por fim, questionou a multa, fazendoo com fulcro na Súmula CARF 14, cujo enunciado se encontra assim redigido: Súmula CARF n°. 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Não procede a alegação de cerceamento de defesa e, consequentemente, de nulidade. Consta do Termo de Encerramento (fl. 184), do qual a recorrente foi intimada, a informação de que foram devolvidos os livros e documentos utilizados no trabalho de fiscalização. Por outro lado, não há nos autos notícia de que a recorrente, ao receber o Termo de Encerramento, tenha questionado essa informação, solicitando que se devolvesse qualquer livro ou documento ainda retido pelo Fisco. Da mesma forma, não existe nulidade em razão de o lançamento se basear em informações obtidas diretamente da Secretaria de Fazenda do Estado. A permuta de informações entre os Fiscos tem respaldo constitucional, especificamente no inciso XXII do art. 37: XXII as administrações tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, atividades essenciais ao funcionamento do Estado, exercidas por servidores de carreiras específicas, terão recursos prioritários para a realização de suas atividades e atuarão de forma integrada, inclusive com o compartilhamento de cadastros e de informações fiscais, na forma da lei ou convênio. (g.n.) Fl. 338DF CARF MF Processo nº 16643.000343/201029 Acórdão n.º 1301003.039 S1C3T1 Fl. 339 5 O compartilhamento de informações encontra respaldo, ademais, no próprio Código Tributário Nacional CTN, desde que feito nos termos da lei ou de convênio: Art. 199. A Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestarseão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio. Importante dizer que tais informações, estando nos autos, podem ser examinadas e ter sua veracidade e exatidão contestadas pelo próprio contribuinte, que, em verdade, é a pessoa que forneceu as informações tanto para a Receita Federal, quanto para a Secretaria de Fazenda. Portanto, em tese, nada existe nesses bancos de dados que o próprio contribuinte não conheça. No mérito, não procede a alegação de que a autoridade fiscal teria deixado de examinar as entradas de caixa. A omissão de receita foi constatada pelo confronto das informações prestadas ao Fisco estadual (corroboradas por informações financeiras) e à Receita Federal. A discrepância entre esses números revela a omissão de receitas. Portanto, a decisão recorrida não operou qualquer agravamento na situação jurídica da recorrente. Por fim, cabe dizer que a penalidade aplicada foi a multa simples de 75%. Não houve qualificação (150%), nem agravamento (112.5%). Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 339DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18184.000051/2008-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/04/2006
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão do limite de alçada.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/09/2002 a 30/04/2006 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão do limite de alçada. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1620; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 234 1 233 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18184.000051/200851 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 2201004.558 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 6 de junho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INPAR PROJETO RESIDENCIAL GRANDS JARDINS SPE LTDA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2002 a 30/04/2006 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em razão do limite de alçada. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 4. 00 00 51 /2 00 8- 51 Fl. 235DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso de ofício, interposto em face da decisão de fls. 217/228, a qual julgou improcedente o lançamento do débito, lavrado em 27/12/2006, que teve como Período de apuração: 01/09/2002 a 30/04/2006 De acordo com o relatório da decisão recorrida, que adoto, assim restou descrita a infração: 1. Tratase de Auto de Infração (AIOACFL 34 DEBCAD nº 37.013.717 5) por descumprimento ao artigo 32, inciso II da Lei 8.212/91 e alterações posteriores, regulamentada pelo Decreto 3.048/99, uma vez que, segundo o Relatório Fiscal da Infração de fls. 23, a empresa deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, as quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, observando que a Empresa não escritura em centros de custo distintos para cada obra. 1.1. Num apontamento preliminar, anotase que o presente processo, ora digital, foi iniciado em papel e assim numerado, sendo certo que após sua digitalização a numeração sofreu alterações, razão da eventual divergência nas referências dos documentos, ficando ressalvado que as folhas ora indicadas correspondem as da numeração atual, digital. 1.2. O Auto de Infração foi lavrado em 27/12/2006 e o contribuinte foi cientificado pessoalmente na mesma data, fls. 02. 1.3. O procedimento fiscal que resultou, entre outras, nesta autuação, teve início em 18/10/2006, com a ciência do Mandado de Procedimento Fiscal –MPF dada ao contribuinte e se desenvolveu com várias intimações para apresentação de livros e documentos, culminando no lançamento realizado por aferição indireta, com base no CUB, motivado pela apresentação deficiente de informações/documentos e sem preencher formalidades legais (Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, Debcad nº 37.013.7140, processo nº 18184.000049/200882). 1.4. A obrigação acessória descumprida, objeto do presente processo, tem relação com a apuração e lançamento constantes da NFLD Debcad nº 37.013.7140. 1.5. Destacase do Relatório Fiscal da Infração, fls. 22, que a remuneração relativa à obra de construção civil matrícula CEI nº 43.490.03544/72 foi apurada por aferição indireta porque “a empresa apresentou os lançamentos contábeis do período de 09/02 a 11/06, no formato previsto na Portaria MPS/SRP/058 de 28.01.2005 (MANAD), referentes à movimentação contábil de toda a empresa e não somente à obra objeto da matrícula CEI 43.490.03544/72, não permitindo a averiguação da correta contabilização de todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Verificouse que os valores relativos aos custos Fl. 236DF CARF MF Processo nº 18184.000051/200851 Acórdão n.º 2201004.558 S2C2T1 Fl. 235 3 de todas as obras estão lançados ("ativados") na conta contábil genérica "18 Terrenos para Incorporações”. 1.6. Em decorrência da infração ao art. 32, II da Lei 8.212/91foi aplicada a multa prevista no art. 283, II, “a” c/c art. 292, I, estes do Decreto 3.048/99, no valor de R$ 11.569,42 (onze mil, quinhentos e sessenta e nove reais e quarenta e dois centavos), atualizado nos termos da Portaria MPS nº 342/2006, consoante o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls 24, registrandose a inexistência de circunstâncias agravantes, entre elas a reincidência, confirmado pelo Termo de Verificação de Antecedentes de Auto de Infração, fls. 69. O contribuinte foi notificado e apresentou impugnação. Da Impugnação A Recorrida apresentou sua Impugnação de fls. 78/85 acompanhada dos documentos de fls. 86/100, alegando, em suma, os seguintes aspectos: 2.1. Afirma a imprescindibilidade de conexão entre os processos administrativos lavrados na mesma ação fiscal – a NFLD Debcad nº 37.013.7140 e os Autos de Infração Debcad nº 37.013.7159, 37.013.7167, 37.013.7175 e 37.013.7183, pois dependem dos mesmos elementos de provas e de sua produção, do que conclui que a apreciação deve ser conjunta, inclusive para evitar divergência entre decisões. 2.2. Alega ilegalidade da aferição indireta para o presente caso porque entende que foi autuada, em suma, por suposto não atendimento às solicitações da fiscalização para apresentação de documentos à fiscalização, em desconsideração aos valores contábeis apresentados pela impugnante e também pela não apreciação de todos os documentos comprobatórios dos recolhimentos por ela efetuados. 2.3. Assevera que sua contabilidade cumpre todos os requisitos necessários, além de refletir, fielmente, todas as movimentações financeiras e que, em contrariedade ao que afirmou o Auditor Fiscal, atendeu a todos os pedidos da fiscalização e disponibilizou todos os documentos solicitados, juntando como prova os Termos de Intimação anotados pela Autoridade Fiscal. 2.4. Apesar de ter disponibilizado durante o procedimento fiscal, apresenta, mais uma vez, junto com a impugnação, todos os documentos. Pormenoriza a documentação acostada ao processo que trata da obrigação principal. Reforça que a aferição indireta foi comprovadamente ilegal e desnecessária em face da documentação idônea, regular e eficiente. 2.5. Assim, pretende o cancelamento da presente autuação, sob pena de evidente infração ao princípio da verdade Fl. 237DF CARF MF 4 material dos fatos, já que a contabilidade da impugnante é clara e eficiente, além de restarem comprovados os recolhimentos de todos os valores devidos pela impugnante. 2.6. Ademais, pleiteia a relevação da multa em função do princípio da boafé. 2.7. Articula no sentido de que a multa possui um perfil punitivo e, excepcionalmente, cunho indenizatório e, assim, considerando que cumpriu suas obrigações tributárias de forma diligente, não deve ser punida e espera que a multa não seja mantida. 2.8. Em seu pedido requer, por fim, deferimento de diligência para verificação de todos os documentos que se façam necessários para comprovar suas alegações e requer, ainda, diante das razões apresentadas, seja considerada insubsistente o Auto de Infração e, assim, cancelado. Diligências O processo foi convertido em diligência, conforme restou muito bem explicado na decisão proferida pela DRJ, que adoto integralmente: 3. A conclusão da análise de então Serviço de Contencioso Administrativo foi no sentido de necessidade de manifestação da Fiscalização, tendo em vista que o presente Auto de Infração está atrelado ao lançamento (NFLD) realizado por aferição indireta, com fundamento na apresentação deficiente dos documentos e informações e pelo não preenchimento das formalidades legais, enquanto que a documentação juntada pela empresa neste processo e especialmente nos autos da NFLD Debcad nº 37.013.7140 mostrouse potencialmente indicativa a modificar os lançamentos, razão da necessária avaliação fiscal, em busca da verdade material. 3.1. Nos termos do Despacho datado de 04/04/2007, fls. 102/103, relativo ao processo da NFLD Debcad nº 37.013.7140, foi determinada a apreciação da documentação apresentada quando da impugnação, bem como outros documentos colocados à disposição da Fiscalização conforme mencionado na defesa e, em decorrência, fosse apresentada manifestação conclusiva sobre a documentação, com a manutenção ou revisão do lançamento e autuação, sempre fundamentada e, ainda, que após o exame, ficasse esclarecido de forma clara e objetiva, qual a deficiência dos documentos e das informações que seriam justificadores da apuração do débito por aferição indireta, prevista nos §§ 3º, 4º e 6° do art. 33 da Lei 8.212/91 e procedimento fiscal conforme os arts. 473 e 597 da Instrução Normativa IN SRP n° 03/2005. 3.2. Especificamente quanto ao presente Auto de Infração, conforme Despacho também datado de 04/04/2007, fls. 105/106, considerando a relação desta autuação com a NFLD, bem como dos argumentos e documentos apresentados quando da Fl. 238DF CARF MF Processo nº 18184.000051/200851 Acórdão n.º 2201004.558 S2C2T1 Fl. 236 5 impugnação e, assim, em busca da verdade material, o presente processo foi encaminhado para apreciação conjunta e manifestação conclusiva da Autoridade lançadora. 3.3. A diligência que teve início em 08/05/2008 foi concluída 09/12/2009 com a apresentação de relatório (fls. 122/127) contendo o mesmo teor para todos os processos da ação fiscal que haviam sido encaminhados em diligência para a Fiscalização, a saber, DEBCAD nº 37.013.7140 (NFLD); DEBCAD nº 37.013.7183 (CFL68); 37.013.7159 (CFL38); 37.013.7167 (CFL 35) e 37.013.7175 (CFL 34). Em suma, a Autoridade Fiscal não confirmou a necessidade de aferição indireta e lançamento pelo CUB e atestou a regularidade da contabilidade. 3.4. Os trechos a seguir reproduzidos da informação fiscal resume a manifestação da AuditoraFiscal responsável pela realização da diligência: Fls. 125: “Alegou o AFRFB que houve apresentação deficiente da contabilidade, que recebeu a contabilidade em formato MANAD (conforme solicitado em TIAD Termo de ... e alega ter sido de toda a contabilidade e não só da obra não permitindo a averiguação da correta contabilização de todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias), onde e quando, então, pode constatar que houve omissão de informação da verdade e/ou que não correspondia a realidade do fato? Parece errônea a lavratura do AI 34!!” ... A empresa demonstra em relatório anexo no item 1.1.3 GPS, GFIP, FOLHA DE PAGAMENTO E RAZÃO CONTÁBIL referenciando GPS (Guia da Previdência Social) código 2208, GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social), folha de pagamento e razão contábil. Foram feitas as referências por amostra nos meses de agosto de 2003, 2004 e 2005 (anexo 8). A planilha em arquivo magnético do livro Razão utilizado conforme relatório do SVA recebido à época pelo AFRFB que fiscalizou (anexo 9). “5. NFLD – Notificação de Lançamento de Débito – DEBCAD nº 37.013.7140. Não poderia o levantamento ser feito por arbitramento, pois, como foi detalhado nos itens 1 a 4 acima o AFRFB que fiscalizou recebeu os documentos conforme sua solicitação. ... Fls. 126: A contabilidade estava lançada em contas próprias. Fl. 239DF CARF MF 6 A INPAR PROJETO RESIDENCIAL GRAND JARDINS SPE LTDA foi aberta a fim da construção de três empreendimentos, sendo controlados em contas de “Centros de Custos” contábeis. Com isso, possibilita a emissão dos livros diários e razões auxiliares, específicos dos empreendimentos. ... Abaixo está uma tabela com as contas contábeis de estoque relacionadas por centro de custos: ... Não poderia, então, alegar o AFRFB motivos para lançar por arbitramento e ainda, não atentou que a movimentação da obra com mão de obra de segurados empregados ou por tomada de serviço ocorre a parir de 07/2003 até 06/2006. Grifos acrescidos ao original 3.5. Importa ressaltar que a AuditoraFiscal responsável pela diligência concluiu que a contabilidade estava lançada em contas próprias; informou as contas contábeis de estoque relacionadas por centro de custos e afirmou que a movimentação da obra ocorreu a partir de 07/2003 até 06/2006. Junto com o relatório foi apresentada uma planilha com valores retificados, relativa ao Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação acessória relacionada à GFIP. 3.6. A interessada, manifestouse após fls. 128/131. 3.7. Em seguida, os autos foram encaminhados à esta DRJ que, em exame das informações, conforme Despacho nº 87/2010 (fls. 136/139), determinou o retorno dos autos à fiscalização para que: “verifique a documentação e informe expressamente se o contribuinte contabilizou, em títulos próprios e de forma discriminada, adequadamente nos termos da legislação, a obra objeto do lançamento e do auto de infração, identificando a respectiva matrícula CEI e informando especificamente as contas da obra em questão. Por fim, ainda especificamente quanto ao presente auto de infração, apresente conclusão expressa quanto à ocorrência e/ou correção da infração (ou não).” 3.8. Em resposta, fls. 145/147, as informações prestadas pela Autoridade Fiscal foram no mesmo sentido/teor do resultado da primeira diligência. 3.9. Apesar de ter sido cientificado da diligência e do prazo para manifestação, o Contribuinte quedouse inerte (fls. 160) e os autos foram encaminhados a esta DRJ/Turma. 3.10. As informações resultantes da segunda diligência, acima relatadas, não atenderam ao Despacho nº 87/2010 (fls. 136/139) nem ao Despacho nº 83/2010 do processo Fl. 240DF CARF MF Processo nº 18184.000051/200851 Acórdão n.º 2201004.558 S2C2T1 Fl. 237 7 relativo à obrigação principal (DEBCAD nº 37.013.7140), resultando na terceira diligência conforme Despacho nº 27/2011, fls. 161/163, para cabal cumprimento. 3.11. Este processo e os demais foram encaminhados à mesma AuditoraFiscal para atendimento da Diligência e assim, após nova intimação para a empresa apresentar documentos e esclarecimentos, a conclusão fiscal, diferentemente das diligências anteriores, fls. 171/172, manteve a autuação nos seguintes termos: “A empresa INPAR PROJETOS RESIDENCIAL GRAND JARDINS SPE LTDA. sofreu o auto de infração DEBCAD n° 37.013.7175 por deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei 8212/99 art 32, II, combinado com art 225, II e § 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social — RPS aprovado pelo Decreto 3048/99, conforme relatórios de fls. 01. Ratifico a infração e mantenho o presente auto de infração” Grifos acrescidos ao original 3.12. Após a terceira diligência e mais uma vez cientificada a Interessada apresentou a manifestação juntada às fls. 1034/1041 na qual reitera seus argumentos, reafirma que disponibilizou toda a documentação, apresentou esclarecimentos e que efetuou regular pagamento das contribuições previdenciárias devidas; bem como contabilizou corretamente os custos relativos à obra; rebateu todos os itens dos documentos ditos como não apresentados com a afirmação de que foram acostados aos autos. 3.13. Ainda, a Interessada destaca que na primeira diligência a manifestação da Autoridade Fiscal foi no sentido de que o lançamento fiscal seria insubsistente. 3.14. Lado outro, anotou que em razão da contradição de informações foi determinada nova diligência e, pelo não atendimento pleno, mais uma vez foi solicitada manifestação fundamentada. 3.15. Ademais, destacado que “em total contrariedade aos argumentos apresentados nas duas manifestações anteriores, o Auditor Fiscal... resolveu, simplesmente e sem qualquer fundamento jurídico, fazer argumentos genéricos... e concluiu genericamente que o lançamento fiscal deve ser mantido.” 3.16. Assim, rebate a última manifestação fiscal entendendo que “é NULA porque contraria as duas outras manifestações fiscais proferidas pelo mesmo Auditor Fl. 241DF CARF MF 8 Fiscal...” bem como porque as afirmações da Autoridade Fiscal são genéricas e sem fundamento jurídico, destacando que a diligência não foi adequadamente atendida. 3.17. Em conclusão pugna pelo cancelamento deste lançamento e dos demais autos de infração lavrados sobre o mesmo fato. Da Decisão Recorrida Conforme já exposto, o lançamento foi cancelado, conforme se verifica da parte final da decisão de fls. 217/228, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2002 a 30/04/2006 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DE LANÇAR, MENSALMENTE, EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE, DE FORMA DISCRIMINADA, FATOS GERADORES, QUANTIAS DESCONTADAS, CONTRIBUIÇÕES E RECOLHIMENTOS. (AIOA CFL 34) Constitui infração a empresa deixar de lançar em sua contabilidade, mensalmente, de forma discriminada e em títulos próprios, os fatos geradores das contribuições previdenciárias, as contribuições por ela devidas e as descontadas, bem como os totais recolhidos, nos termos do art. 32, inciso II, da Lei nº 8.212/91. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2002 a 30/04/2006 NULIDADE. É nulo o lançamento se não tiver sido assegurado o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa do contribuinte, com os meios e recursos a ela inerentes. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Do Recurso de Ofício A DRJ/SP recorreu de ofício com relação à parte exonerada pela decisão e o presente recurso de ofício compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 18184.000051/200851 Acórdão n.º 2201004.558 S2C2T1 Fl. 238 9 Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama Apesar do esforço feito pela DRJ/SP ao tentar fundamentar o conhecimento do presente recurso de ofício nos seguintes termos: RECORRESE DE OFÍCIO ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão do presente processo estar relacionado ao processo n° 18184.000049/200882, cujo valor exonerado ultrapassa o limite de alçada, em conformidade com o art. 366, inciso I, § 2°, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, na redação dada pelo Decreto n° 6.224/07, bem como com o art. 34 do Decreto n° 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei n° 9.532/97, combinados com o artigo 1° da Portaria MF n° 03, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, que estabeleceu o limite para interposição de recurso de ofício. Devese ressaltar que quanto à admissibilidade do recurso de ofício, aplicase o teor do §1º do art. 1º da Portaria/MF nº 63/2017, publicada no DOU de 10/02/2017, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. No caso em tela, temos que o valor exonerado, somando tributo, multa e juros corresponde a R$ 11.569,42 (onze mil, quinhentos e sessenta e nove reais e quarenta e dois centavos), portanto, abaixo do mínimo estabelecido pela Portaria/MF nº 63/2017, publicada no DOU de 10/02/2017. Aplicável ao caso, o teor da súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator Fl. 243DF CARF MF 10 Fl. 244DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720960/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006
MASSA FALIDA. MULTA. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON. CABIMENTO.
É cabível a multa pela não entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon referente à Massa Falida.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.992
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/05/2006 a 31/05/2006 MASSA FALIDA. MULTA. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON. CABIMENTO. É cabível a multa pela não entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon referente à Massa Falida. Recurso Voluntário Negado
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MULTA. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON. CABIMENTO. É cabível a multa pela não entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon referente à Massa Falida. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 09 60 /2 01 1- 16 Fl. 41DF CARF MF Processo nº 16327.720960/201116 Acórdão n.º 3201003.992 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para se exigir multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). Cientificado, o contribuinte apresentou Impugnação e requereu o cancelamento do auto de infração, alegando o seguinte: a) a decretação da falência de uma empresa afasta o falido da posse de seus bens, passandoos para uma administração forçada destinada a liquidálos em favor dos credores, interrompendose a atividade econômica exercida até então pelo falido, que só poderá ser exercida em casos excepcionais, com as operações sendo lançadas em livros especiais; b) a massa falida não é uma pessoa jurídica, principalmente por não resultar da vontade de qualquer pessoa, sendo a lei, por meio do seu poder de expropriação dos bens do devedor, que, para atingir efeitos práticos, mantém todos os credores reunidos em uma massa subjetiva, sem, contudo, personalizála; c) por não ser pessoa jurídica e nem praticar qualquer atividade econômica é que a Massa Falida não pode, a princípio, ser sujeito passivo de obrigações tributárias; d) as atividades próprias da Administração da Massa Falida são a arrecadação e a realização dos ativos. bem como o pagamento aos credores, não produzindo nenhuma disponibilidade patrimonial, pois é a liquidação dos bens do devedor uma manifestação do Poder Público, designadamente uma execução coletiva; e) não há absolutamente nada em um processo falimentar que possa gerar resultados próprios de uma atividade empresarial, sendo inconsistente a exigência de apresentação de dados voltados à apuração de lucro e de base para uma contribuição social; f) diferentemente das empresas em atividade, a Massa Falida não vende bens e não presta serviços, ou seja, não aufere resultados operacionais e nem tampouco resultados não operacionais, já que, fundamentalmente, o movimento mais exaurível é do próprio Estado quando adota medida de execução dos bens do devedor; g) extraordinariamente, pode concluir a administração da Massa Falida uma operação transacional, sendo apenas nos casos anormais que seria válido o argumento previsto na lei de tributar as entidades submetidas a falência, ou seja, nessas circunstâncias particulares, durante o período necessário para a realização dos seus ativos em que vier a ser praticada uma operação, um fato econômico gerador de receita, arrimado em um negócio jurídico; h) a não ser que seja dado continuidade às operações do objeto social da sociedade falida pelo Administrador Judicial, inconcebível exigir qualquer obrigação tributária, sob pena de violação da Constituição Federal; i) com o encerramento das atividades da empresa falida, não há meios de se fitar um resultado como efeito decorrente da execução dos bens do devedor pelo Estado; Fl. 42DF CARF MF Processo nº 16327.720960/201116 Acórdão n.º 3201003.992 S3C2T1 Fl. 4 3 j) a Massa na promoção de sua função, não adquire disponibilidade de acréscimo patrimonial, sendo absurdo obrigar a massa falida , a cada ato do Estado que realiza um ativo com a finalidade de satisfazer o direito dos credores, a recolher impostos que tem como fato gerador resultados positivos, receitas ou acréscimo patrimonial; k) seria uma ofensa ao artigo 153, III, da Constituição Federal se a execução dos bens do devedor fosse considerada como fato gerador de impostos; l) a venda de bens do ativo não acarreta acréscimo patrimonial para os credores e muito menos acréscimo patrimonial para o falido, sendo sua realização revertida exclusivamente para reparar os danos da insolvência do devedor; m) à luz do artigo 60 da Lei nº 9.430/1996, a verificação de eventual lucro tributável, se existir, ocorreria apenas com o encerramento do processo falimentar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 16 038.319, julgou improcedente a Impugnação sob os seguintes fundamentos: 1) a apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon fora do prazo fixado enseja a cobrança da multa prevista na legislação pertinente; 2) as entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e de falência (massa falida) sujeitamse às mesmas regras de incidência dos tributos e contribuições aplicáveis às pessoas jurídicas em geral, inclusive no que se refere à obrigatoriedade de apresentação de declarações e demonstrativos, enquanto perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa e arguindo que a decisão recorrida era equivocada em relação ao contido no § 2º do art. 146 do RIR/99 e que não tinha aplicação o contido na Instrução Normativa SRF nº 590/2005. É o relatório. Fl. 43DF CARF MF Processo nº 16327.720960/201116 Acórdão n.º 3201003.992 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.988, de 21/06/2018, proferido no julgamento do processo 16327.720956/201140, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.988): Não obstante os argumentos expendidos em sede recursal, razão não assiste à recorrente. Perfilho o entendimento de que as massa falidas não estão desobrigadas ao cumprimento das obrigações acessórias tributárias. Entendimento diverso seria permitir que as massas falidas simplesmente deixassem de cumprir com obrigações legalmente estatuídas. O Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON tratase de um demonstrativo instituído com fundamento no art. 7º da Lei nº 10426/2002, com a redação dada pela Lei nº 11051/2004. O dispositivo legal em comento apresenta a seguinte redação: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo;" Constatase, então, que a obrigação acessória em apreço possui previsão legal. Estabelece a Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, vigente à época dos fatos, nos arts. 2º e 8º: Fl. 44DF CARF MF Processo nº 16327.720960/201116 Acórdão n.º 3201003.992 S3C2T1 Fl. 6 5 "Art. 2º A partir do anocalendário de 2006, as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo e nãocumulativo, inclusive aquelas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a periodicidade de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 708, de 09 de janeiro de 2007) § 1º As pessoas jurídicas não enquadradas no caput deste artigo poderão optar pela entrega do Dacon Mensal. § 2º A opção de que trata o § 1º será exercida mediante apresentação do primeiro Dacon, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o ano calendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. § 3º No caso de ser exercida a opção de que trata o § 1º com a apresentação de Dacon relativo a mês posterior ao primeiro mês de 2006, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação dos demonstrativos relativos aos meses anteriores. § 4º Na hipótese de que trata o § 3º, será devida a multa pelo atraso na entrega de Dacon referente a mês anterior ao da opção, no caso de apresentação após o prazo fixado." "Art. 8º O Dacon deverá ser apresentado: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de referência; II pelas demais pessoas jurídicas: a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao segundo semestre do anocalendário anterior. § 1º Excepcionalmente, em relação ao anocalendário de 2006, a obrigatoriedade de entrega do Dacon, nos prazos estabelecidos nos incisos I e II deste artigo, vigorará a partir do período em que os respectivos programas geradores forem disponibilizados, na forma do art. 7º. § 2º No caso de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total, o Dacon deverá ser apresentado pela pessoa jurídica extinta, incorporada, incorporadora, fusionada ou cindida o último dia útil do mês subseqüente ao do evento, observada a excepcionalidade do § 1º deste artigo. § 3º A obrigatoriedade de entrega do Dacon, na forma prevista no § 2º, não se aplica à incorporadora nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento." No caso dos autos não existe controvérsia acerca dos fatos, no sentido de que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon foi entregue fora do prazo, o que torna cabível a aplicação da multa legalmente prevista. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 16327.720960/201116 Acórdão n.º 3201003.992 S3C2T1 Fl. 7 6 O entendimento do Conselho Administrativo e Recursos Fiscais CARF é no sentido de ser devida a multa pelo atraso na entrega do DACON. Neste sentido, temse os seguintes julgados: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. Irreparável lançamento que exige multa pelo atraso na entrega do Dacon quando se comprova que o contribuinte estava a ela obrigada e que ele foi entregue intempestivamente, em especial se, em sede de Recurso, não há apresentação e qualquer prova em sentido contrário." (Processo nº 16327.002626/200369; Acórdão nº 3802003.388; Relator Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 ANÁLISE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, sendolhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10242.000337/201016; Acórdão nº 3302002.666; Relatora Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. Exercício: 2008 Estando o contribuinte obrigado a apresentar o Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória." (Processo nº 13227.000945/200884; Acórdão nº 3202001.224; Relator Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri; Sessão de 29/05/2013) Embora não tenha sido alegado pela recorrente, perfilho o entendimento de que não é o caso de aplicação das Súmulas 192 e 565 do Supremo Tribunal Federal STF a seguir transcritas, pois se assim o fosse, as massas falidas estariam desoneradas do cumprimento de obrigações acessórias, tais como a entrega de declarações, informações e demonstrativos. "Súmula 192 Não se inclui no crédito habilitado em falência a multa fiscal com efeito de pena administrativa." Fl. 46DF CARF MF Processo nº 16327.720960/201116 Acórdão n.º 3201003.992 S3C2T1 Fl. 8 7 "Súmula 565 A multa fiscal moratória constitui pena administrativa, não se incluindo no crédito habilitado em falência." Vejase que, ambas as súmulas, tratam da habilitação da multa aplicada como crédito na falência, o que não impede o seu lançamento, até pelo fato de tal atividade ser vinculada e obrigatória, como prescreve o art. 142 do Código Tributário Nacional, verbis: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Assim, somente no processo falimentar, se habilitado o crédito pelo ente credor contra a massa falida, é possível afastar tal parcela. Especificamente, em relação ao cumprimento das obrigações acessórias por parte das massas falidas, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF assim se posiciona sobre o tema: "MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – DECADÊNCIA – INOCORRÊNCIA. A jurisprudência desse e. Conselho de Contribuintes acolhe a tese de que o Lançamento de Multa por atraso na entregada da Declaração tem seu prazo decadencial regido pelo art. 173, I do CTN e não pelo art. 150, §4º do CTN. MASSA FALIDA MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – CABIMENTO. É cabível a multa pela não entrega da Declaração de Imposto de Renda referente à Massa Falida. MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – REDUÇÃO – MICROEMPRESA LEI Nº 10.426/2002 – APLICAÇÃO RETROATIVA – ART. 106, I DO CTN. Para Microempresas, o art. 7º, §3º, I da Lei nº 10.426/2002, estabeleceu em R$ 200,00 o valor da multa no caso de atraso na entrega da Declaração de Imposto de Renda, o que pode ser aplicado, inclusive, retroativamente, por força do art. 106 do CTN." (Processo nº 10675.001779/200352; Acórdão 10708.355; Relator Conselheiro Octávio Campos Fischer; Sessão de 10/11/2005) "MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – DECADÊNCIA – INOCORRÊNCIA. A jurisprudência desse e. Conselho de Contribuintes acolhe a tese de que o Lançamento de Multa por atraso na entregada da Declaração tem seu prazo decadencial regido pelo art. 173, I do CTN e não pelo art. 150, §4º do CTN. MASSA FALIDA MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – CABIMENTO. É cabível a multa pela não entrega da Declaração de Imposto de Renda referente à Massa Falida." (Processo nº 10675.001791/200367; Acórdão 10708.362; Relator Conselheiro Octávio Campos Fischer; Sessão de 10/11/2005) Fl. 47DF CARF MF Processo nº 16327.720960/201116 Acórdão n.º 3201003.992 S3C2T1 Fl. 9 8 Em recente julgado de relatoria do Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, deliberouse pela manutenção da multa contra massa falida. A decisão está ementada nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2003 MULTA DE MORA. EXIGIBILIDADE DIANTE DE MASSA FALIDA. As multas fiscais, ainda que não possam ser reclamadas em processos de falência em vista do art. 23, III, da Lei 7.661/88 em seu período de vigência, devem ser lançadas de ofício, por força do § único do art. 142 do CTN, e da independência dos respectivos trâmites processuais. Recurso Voluntário Negado" (Processo nº 13005.720005/200739; Acórdão 3301003.449; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; Sessão de 26/04/2017) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 48DF CARF MF
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Numero do processo: 10670.001407/2008-81
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
SIMPLES NACIONAL. INÍCIO DE ATIVIDADE. INCLUSÃO RETROATIVA. PRAZO.
O estabelecimentos em início de atividade tem 10 (dez) dias contados do último deferimento de inscrição para efetuara opção pelo Simples Nacional (inciso I, § 3º do art 7º da Resolução CGSN nº 4/2007).
Numero da decisão: 1003-000.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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INÍCIO DE ATIVIDADE. INCLUSÃO RETROATIVA. PRAZO. O estabelecimentos em início de atividade tem 10 (dez) dias contados do último deferimento de inscrição para efetuara opção pelo Simples Nacional (inciso I, § 3º do art 7º da Resolução CGSN nº 4/2007). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 14 07 /2 00 8- 81 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10670.001407/200881 Acórdão n.º 1003000.061 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase o presente processo de recurso voluntário contra acórdão de nº 09 32.277, de 08 de novembro de 2010, da 1ª Turma da DRJ/JFA que não conheceu da manifestação de inconformidade da contribuinte em razão de manifesta intempestividade. O Recorrente efetuou pedido de inclusão no Simples Nacional, alegando que a CGC havia sido liberada em 26/02/2008 e o sistema não aceitou seu requerimento de opção pelo Simples Nacional, em razão do prazo. Afirma que teve a atividade iniciada em 07/11/2007, contudo a conclusão ocorreu apenas em 04/03/2008 (fl.01). Através do Despacho Decisório DRFB/MCR/SARAC nº 256/2010 o pedido da contribuinte foi indeferido, por não ter havido a comprovação da data do deferimento da inscrição municipal, nem restou evidenciado qualquer fato que justificasse a inclusão de ofício da empresa no Simples Nacional (fls. 17 a 19). A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi não foi conhecida pela DRJ, em razão de sua intempestividade (fls. 23 e 24; e 48 e 49). A Recorrente foi notificada da decisão de primeira instância aos 13/12/2010. O recurso voluntário foi enviado pelos correios sem informações de quando foi postado. Inconformada com o acórdão, a Recorrente apresentou recurso voluntário alegando, em síntese, o seguinte: I. Que teve seu pedido de opção pelo Simples Nacional indeferido pelo sistema; II. Que, em razão da intempestividade da sua manifestação de inconformidade, suas razões de mérito não foram julgadas; III. Informa ter iniciado suas atividades em 07/11/2007, todavia, por falhas no Sistema de Cadastro Integrado e por morosidade dos sistemas municipal e estadual só pode realizar o requerimento de opção no Simples Nacional em 09/04/2008, o qual foi considerado inválido em razão do prazo; Por fim, requereu a inclusão retroativa no Simples Nacional. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora A intimação da decisão da DRJ ocorreu no dia 12/12/2010. Desta forma, a Recorrente possuía até 12/01/2011 para apresentar seu Recurso, caso desejasse. O Recurso Voluntário está datado como tendo sido assinado aos 10/01/2011. O mesmo foi enviado via correios, contudo, conforme se depreendem às fls. 57, não há como identificar a data da postagem, contudo, nas razões de recurso, a Recorrente atesta a tempestividade recursal. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10670.001407/200881 Acórdão n.º 1003000.061 S1C0T3 Fl. 4 3 Considerando tais pontos, entendo conhecer do recurso como tempestivo, haja vista que, na dúvida quanto ao prazo, deve prevalecer o benefício à contribuinte. A Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, revogou a Lei nº 9.317/96 (Simples Federal), e instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, assim dispondo em seu artigo 16, caput Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o ano calendário Na época da solicitação do pedido de inclusão no Simples, vigorava a Resolução CGSN nº 4, de 30/05/2007, que, em seu art. 7º, estabelecia o seguinte: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do ano calendário da, opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição municipal e estadual, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional. § 6° A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3° deste artigo. Segundo se depreende do artigo acima transcrito, a opção pelo Simples Nacional deverá ser realizada até o último dia do mês de janeiro, contudo, para empresas em início de atividade, para não ser aplicada essa limitação temporal, a legislação determina que elas terão 10 (dez) dias, contados do último deferimento para realizar sua inscrição, a qual terá efeitos a partir do cadastro no CNPJ , desde que observado o prazo de 180 (cento e oitenta) dias da data da abertura. Entendo ser esses os limites temporais para empresas no início da atividade. O prazo de 180 (cento e oitenta) concedidos é o prazo máximo para o pedido de inclusão no Simples Nacional, desde que respeitados os prazos do § 3º, inciso I. Ou seja, a legislação não prevê aumento do prazo, mas apenas a redução dele. No presente caso, a data de abertura da empresa foi em 07/11/2007, porém só foi inscrita no CNPJ aos 26/02/2008, com efeitos retroativos a 07/11/2007 (fls. 11 e 12). Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10670.001407/200881 Acórdão n.º 1003000.061 S1C0T3 Fl. 5 4 Através de certidão acostada aos autos às fls. 15, datada de 29/03/2010, a Prefeitura de Montes Claros informa que a Recorrente foi cadastrada no município, porém não informa quando isso ocorreu. A tela de consulta de acompanhamento da solicitação do CNPJ via internet (fls. 05), demonstram que a Recorrente teve sua inscrição estadual deferida em 04/03/2008, contudo a data do requerimento de opção pelo Simples Nacional foi 09/04/2008 (fls. 14). Em que pese a alegação de que teria a empresa cumprido com seus prazos, não há nos autos nenhuma informação que corrobore as informações alegadas pela Recorrente. Essa não efetuou a juntada de nenhum documento que comprovasse ter a mesma efetuado a opção no prazo correto. Haja vista a impossibilidade de análise da data de deferimento da licença municipal e considerando a data do deferimento da inscrição estadual, a Recorrente solicitou o pedido de inclusão após o prazo determinado pelo § 3º do art. 7º da Resolução CGSN nº 4, de 30/05/2007. É digno registrar que a prova de suas alegações devem ser apresentadas pela Recorrente, ônus do qual não se desincumbiu. Em razão disso, não há como concluir ter havido erro por parte da autoridade fiscal que justificasse a inclusão da Recorrente na sistemática do Simples Nacional. Em razão do decurso de prazo de 10 (dez) dias contados do último deferimento de inscrição, estabelecido pelo inciso I do § 3º do art. 7º da Resolução CGSN nº 4/2007, para fazer a solicitação de opção pelo Simples Nacional, deve ser mantido o indeferimento da opção pelo Simples Nacional Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002448/2005-97
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa.
Numero da decisão: 9202-006.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 24 48 /2 00 5- 97 Fl. 154DF CARF MF 2 Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra acórdão que deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte para determinar o cancelamento do lançamento por meio do qual exigese IRPF sobre rendimentos recebidos acumuladamente em razão de decisão proferida em ação judicial. O acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A imputação da multa de 75% advém da constituição do crédito tributário via procedimento conduzido de ofício pela fiscalização tributária, e está prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JULGAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL. Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406 realizado sob o rito do art. 543B do CPC, não prosperando, assim, lançamento constituído em desacordo com tal entendimento. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11516.002448/200597 Acórdão n.º 9202006.846 CSRFT2 Fl. 144 3 Inconformado com a decisão, a Fazenda Nacional apresentou o presente recurso. A recorrente requer a aplicação ao caso do entendimento externado no acórdão paradigma o qual encaminhou pela manutenção do auto de infração, apenas determinando a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação das tabelas progressiva vigentes à época da aquisição dos rendimentos regime de competência. Intimado o contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pela manutenção do acórdão recorrido por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O recurso preenche os requisitos formais razão pela qual, ratificando as razões do respectivo despacho de admissibilidade, dele conheço. Conforme exposto no relatório, por meio do Recurso Especial a Fazenda Nacional devolve a este Colegiado a discussão acerca do critério utilizado para o cálculo do IRPF incidente sobre rendimento recebidos acumuladamente, mais especificamente sobre a possibilidade de retificação de lançamento que na origem utilizouse do critério de caixa para o cálculo do imposto. Discutese sobre a possibilidade ou não do órgão julgador refazer o lançamento na tentativa de corrigir o equívoco perpetrado pela autoridade lançadora. Inicialmente, não tenho dúvidas de que o mérito da questão já foi decidido tanto pelo Superior Tribunal de Justiça quanto pelo Supremo Tribunal Federal, respectivamente sob os ritos do Recurso Repetitivo e da Repercussão Geral. Estamos falando do RESP 1.118.429/SP e do RE 614.406/RS, que receberam as seguintes ementas: RESP 1.118.429/SP TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. RE 614.406/RS IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores Fl. 156DF CARF MF 4 há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Em relação ao julgado do STJ a tese firmada traz o seguinte texto: O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios previdenciários atrasados pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado, não sendo legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Assim, pelo fato de constar no texto da ementa e também da tese firmada referência ao fato de se ter discutido o pagamento de benefícios previdenciários há quem defenda a aplicação do julgado somente a estes casos. Entretanto, em relação ao julgado do Supremo Tribunal Federal, considerando o tema fixado para a Repercussão Geral é possível darlhe maior abrangência já que a redação da delimitação do tema ficou assim consignada: Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. Neste último caso, vale mencionar que não foi feita qualquer ressalva quanto a origem dos rendimentos discutidos. Tal fato fica ainda mais cristalino quando nos debruçamos sobre a fundamentação utilizada pelo Ministro Marco Aurélio que levou em consideração o princípio da isonomia e o da capacidade contributiva. Em voto vista, a Ministra Carmem Lúcia citando a exposição de motivos da Medida Provisória nº 497/2010 (convertida na Lei n. 12.350/2010 que deu origem ao art. 12A da Lei 7.713/88) resume bem a questão: “52. Tratase da tributação de pessoa física que não recebeu o rendimento à época própria, recebendo em atraso o pagamento relativo a vários períodos. Nos termos do art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, esses rendimentos seriam tributados no mês do recebimento mediante a aplicação da tabela mensal, o que muitas vezes resulta em um imposto de renda muito superior àquele que seria devido caso o rendimento fosse pago no tempo devido” Assim, resta indiscutível a aplicação ao caso do art. 62, §2º, do Regimento Interno do CARF, o qual determina que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos que lhe foram submetidos. Ocorre que, embora os Tribunais Superiores tenham decido sobre a aplicação do regime de competência para fins de cobrança do IRPF sobre rendimentos recebidos acumuladamente e em que pese haver manifestação em sentido contrário, entendo que em nenhum momento os julgados analisaram a tese acerca da possibilidade de se determinar a correção de um lançamento fiscal que tenha adotado o critério de caixa declarado inconstitucional. Diante do entendimento dos nossos tribunais, vejamos a situação do lançamento: exigese do contribuinte imposto de renda apurado conforme sistemática declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Ainda que o auto de infração não faça menção expressa ao art. 12 da Lei nº 7.713/88, tendo fundamentado a autuação nos artigos 1º a 3º da lei, ainda assim a forma utilizada para cobrança do tributo permanece viciada. E aqui entendo tratarse de vício que leva ao cancelamento do lançamento, pois a inconstitucionalidade impacta diretamente nos critérios quantitativos do lançamento uma vez que a depender da aplicação do regime de caixa ou de competência teremos alterações Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11516.002448/200597 Acórdão n.º 9202006.846 CSRFT2 Fl. 145 5 significativas de base de cálculo e alíquotas. Neste cenário, nos parece pouco razoável admitir a possibilidade de 'refazimento' do lançamento, sob pena de violação ao violação ao art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A partir do citado dispositivo é pacifico o entendimento de o lançamento tributário ser procedimento de competência exclusiva da autoridade administrativa fiscal, cujo objetivo é verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, culminar penalidade. Com essa premissa, entendo que o julgador administrativo não tem competência para proceder novo lançamento valendose de critério para o cálculo do imposto não ventilado pela autoridade administrativa, novo critério inclusive inexistente quando da ocorrência do fato gerador. Por fim, e mais uma vez, fazendo uma abordagem histórica acerca da criação do art. 12A da Lei nº 7.713/88, o qual trouxe norma para adequar o sistema ao entendimento da jurisprudência que vinha se consolidando, vale mencionar que por meio da Mensagem de Veto nº 702, ao projeto de conversão que deu origem à Lei nº 12.350/2010, consolidouse o entendimento de que um novo critério jurídico não poderia ser aplicado de forma retroativa. Vejamos: MENSAGEM Nº 702, DE 20 DE DEZEMBRO DE 2010. § 8º do art. 12A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, inserido pelo art. 44 do Projeto de Lei de Conversão “§ 8o O disposto neste artigo aplicase retroativamente aos fatos geradores não alcançados pela decadência ou prescrição.” Razões do veto “A aplicação retroativa da norma tributária gera insegurança jurídica sobre as situações definitivamente constituídas, produzindo efeitos de difícil mensuração nas esferas administrativas e judiciais. Além disso, o CTN, lei materialmente complementar e regra geral do direito tributário, estabelece no art. 144 que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.” O próprio art. 12A em seu §7º é expresso ao limitar sua aplicação apenas aos rendimentos recebidos a partir do anocalendário de 2010, o que me parece reforçar a tese da impossibilidade de refazimento do presente lançamento e cobrança do imposto com base no regime de competência. Fl. 158DF CARF MF 6 Diante de todo o exposto, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Voto Vencedor Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado Como bem relatado, a matéria em discussão cingese ao exame da possibilidade de recálculo do tributo devido, originalmente lançado com base no regime de caixa, em sede de contencioso administrativo, ante as decisões do STJ, no REsp 1.118.429/SP, e do STF, no RE 614.406/RS, que firmaram o entendimento de que, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF deve ser calculado considerandose as bases de cálculo e alíquotas conforme as competências a que se referem os rendimentos. A sucessão dos fatos relevantes é a seguinte: 1) Em 27/06/2005 foi lavrada a Notificação de Lançamento objeto do presente processo; 2) Em 24/04/2017 o Superior Tribunal de Justiça – STJ proferiu o Acórdão no REsp. nº 1.118.429/SP, com a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. 3) Em 23/10/2014 o Supremo Tribunal Federal proferiu decisão no RE nº 614.406, assim ementado: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. 4) Em 04/04/2017 foi proferido o acórdão de recurso voluntário, cuja decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Túlio Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11516.002448/200597 Acórdão n.º 9202006.846 CSRFT2 Fl. 146 7 Teotônio de Melo Pereira, Mário Pereira de Pinho Filho e Kleber Ferreira de Araújo, que davam provimento parcial no sentido de que o crédito tributário fosse recalculado de acordo com o regime de competência. Entendeu a Relatora, corroborando o entendimento esposado pelo acórdão recorrido, por manter a decisão quanto à improcedência do lançamento, por entender não ser possível o recálculo do imposto. Apesar das bem articuladas razões da Relatora, divirjo desse entendimento. Com a devida vênia, penso que essa conclusão parte de premissa equivocada: a de que a atividade de julgamento administrativo deve se limitar a confirmar ou infirmar o lançamento na sua totalidade, sem a possibilidade de alteração deste, numa interpretação, a meu juízo, isolada e superficial do artigo 142 do CTN. Essa conclusão simplesmente ignora o comando dos artigos 145 e 146 do mesmo CTN os quais vale ressaltar, integram o capítulo II do Código sob o título “Constituição do Crédito Tributário”, que têm a seguinte redação: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I – Impugnação do sujeito passivo; II – Recurso de ofício; III – Iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previsto no artigo 149. (Destaquei) Art. 146. A modificação introduzida, de oficio ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fatos geradores ocorridos posteriormente à sua introdução. Ora, se o lançamento pode ser alterado nos casos de impugnação do sujeito passivo, tal alteração somente pode ser realizada pela autoridade julgadora administrativa, limitada essa alterabilidade, em relação a um mesmo sujeito passivo, apenas pela impossibilidade de agravamento da exigência, mediante a introdução de novos critérios jurídicos em desfavor do contribuinte. Digase, a propósito, que a alterabilidade do lançamento nos casos de sua inconformidade parcial com as normas do direito positivo, é amplamente reconhecida pela doutrina, com lastro exatamente na interpretação dos artigos 145, 146 e 149 do CTN. Paulo de Barros Carvalho, por exemplo, diz sobre o ponto: Por alterabilidade do lançamento não devemos nos cingir tão só às circunstâncias da nulidade absoluta ou da nulidade relativa (anulabilidade). Ocasiões há em que o lançamento sofre alterações que agravam a exigência anteriormente formalizada. No quadro das condições estipuladas, o direito positivo brasileiro assegura ao interessado o direito de ipugnar a pretensão tributária consubstanciada no ato de lançamento. E o Código Tributário Nacional contempla a matéria da Fl. 160DF CARF MF 8 alterabilidade, estatuindo, no art. 145, que o lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I) impugnação do sujeito passivo; II) recurso de ofício; III) iniciativa de ofício da autoridade admisitrativa, nos casos previstos no art. 149 [...].(CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário – 23 ed. – São Paulo : Saraiva, 2011. p. 497/498) Também Eurico Marcos Diniz de Santi, corroborando o mesmo entendimento, assim se manifesta sobre a alterabilidade do lançamento: A alterabilidade do atonorma de lançamento podese dar pela edição de outro atonorma que lhe substitua, invalidando implicitamente o atonorma anterior, ou podese dar mediante a expressa invalidação do atonorma anteriormente praticado. Pressupõe, portanto, competência administrativa para rever o atonorma, o que implica de outra parte, a competência para invalidálo. Estas normas de competência são aquelas que determinam, de forma genérica e abstrata, quais os supostos e as correspectivas consequências para se proceder a invalidação do atonorma de lançamento. Como o assunto requer certa precisão de conceito e de linguagem, convencionaremos denominar como regramatriz de invalidação do atonorma de lançamento às normas de competência para editar atonorma administrativo invalidador. A regramatriz de invalidação do atonorma de lançamento, regra de estrutura, defluem, no Código Tributário Nacional, dos arts. 145, 146 e 149. (SANTI, Eurico Marco Diniz. 2 ed. – São Paulo : Max Limonad, 2001. p. 255) No caso sob análise, o lançamento referese a rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de decisão em processo judicial trabalhista, tendo sido o imposto apurado em conformidade com a norma em vigor à época da autuação – art. 12, da Lei nº 7.713, de 1988 – que previa que o imposto seria devido no mês do recebimento. Confirase: Lei nº 7.713, de 1988: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento ou crédito, siobre a totalidade dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessários ao seu recebimento, incusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Tal dispositivo estabelecia apenas um dos critérios de apuração do imposto devido, com implicação direta no valor deste: com base no regime de caixa. Tanto é assim que o STJ, ao interpretar o dispositivo, e o STF, ao declarar sua inconstitucionalidade, em momento algum afirmaram a não incidência do imposto. E se é assim, o efeito vinculante de tais decisões aos órgãos julgadores administrativos não impõe, em absoluto, a necessidade de declaração da nulidade do lançamento, mas apenas de afastar o critério segundo o qual o imposto deve ser apurado segundo o regime de caixa. Como referido acima, o art. 145, I, do CTN, combinado com as normas que regem o processo administrativo fiscal, confere aos órgãos julgadores administrativos, quando provocados pela impugnação do sujeito passivo, competência para promover a necessária Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11516.002448/200597 Acórdão n.º 9202006.846 CSRFT2 Fl. 147 9 alteração do lançamento quando, dando razão ao sujeito passivo, entender que o mesmo está em desconformidade com as normas de incidência. E, com ainda mais razão, quando a decisão deste órgão administrativo está vinculada a algum comando que imponha uma específica interpretação, como neste caso. No presente caso, vale repisar, a controvérsia cingiase à definição do critério de apuração, se com base no regime de caixa ou no regime de competência. Diante da afirmação de que o procedimento adotado pela fiscalização, que apurou o imposto com base no regime de caixa, foi irregular compete à autoridade julgadora, no dizer de Eurico De Santi, alterar o atonorma de lançamento mediante a edição de outro atonorma. Não há nada que justifique, em casos como este, em que há apenas desconformidade parcial do ato com os requisitos instituídos pelo Direito Positivo, e quando esta for sanável mediante correção, a nulidade do lançamento. Realizar essa correção é um dos misteres da autoridade julgadora administrativa. Por tudo o que foi dito acima, o cancelamento total do lançamento por suposta violação ao art. 142 do CTN carece de consistência jurídica. A um, porque o art. 142 do CTN descreve o procedimento do lançamento e não os seus requisitos de validade; a dois, porque o art. 145, I do próprio CTN prevê a hipótese de alterabilidade do lançamento pela autoridade julgadora administrativa, o que tem como pressuposto lógico a possibilidade da imperfeição do lançamento realizado pela autoridade lançadora. Ante esses pressupostos, a afirmação da impossibilidade de se alterar o lançamento em razão de as decisões dos tribunais superiores impactarem no seu critério quantitativo não se sustenta. Por fim, ressalto que a posição ora esposada, com estes e outros fundamentos, tem prevalecido neste Colegiado. Cito, como exemplo, os Acórdãos nºs. 9202004.518, Sessão de 26/10/2016, 9202005.357, Sessão de 25/04/2017, 9202006.415, Sessão de 29/01/2018 e 9202006.706, Sessão de 18/04/2018. Com não há outras questões a serem analisadas senão a da possibilidade ou não de cálculo do imposto segundo o regime de caixa, é desnecessário o retorno do processo para a Câmara a quo. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO para que seja recalculado o imposto devido mediante aplicação das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (regime de competência). (assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 162DF CARF MF 10 Fl. 163DF CARF MF
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Numero do processo: 10711.005839/2010-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 17/06/2008
PRELIMINAR DE SUJEIÇÃO PASSIVA. EQUIPARAÇÃO.
Há equiparação do agente de cargas e dos agentes consolidadores e desconsolidadores, no caso prático, última figura, ao transportador, consoante a leitura do artigo 2.º, parágrafo 1.º, IV, da IN 800/2007.
CONHECIMENTO PARCIAL. MATÉRIA TRAZIDA APENAS EM SEDE DE RECURSO. INOVAÇÃO.
Não deve ser conhecida o argumento de que houvera atraso, por parte do embarcador, no envio das informações, e que, por este motivo, ficou impossibilitado o agente desconsolidador em prestar as informações em tempo hábil.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INTEMPESTIVIDADE.
Deixar de prestar informação de desconsolidação de carga nos termos do artigo 22 e 50 da Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007 enseja a multa prescrita na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37 de 1966.
Numero da decisão: 3001-000.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente o Recurso Voluntário, para declarar precluso o argumento referente ao atraso na prestação das informações por culpa do embarcador, nos termos do Relator, vencido o conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, que o conheceu integralmente, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Renato Vieira de Avila (Relator), que lhe deu provimento parcial, para acatar o argumento relativo a não incidência da multa, por haver norma postergando o início do termo inicial de sua exigibilidade, e o conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães, Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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LOGISTICS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/06/2008 PRELIMINAR DE SUJEIÇÃO PASSIVA. EQUIPARAÇÃO. Há equiparação do agente de cargas e dos agentes consolidadores e desconsolidadores, no caso prático, última figura, ao transportador, consoante a leitura do artigo 2.º, parágrafo 1.º, IV, da IN 800/2007. CONHECIMENTO PARCIAL. MATÉRIA TRAZIDA APENAS EM SEDE DE RECURSO. INOVAÇÃO. Não deve ser conhecida o argumento de que houvera atraso, por parte do embarcador, no envio das informações, e que, por este motivo, ficou impossibilitado o agente desconsolidador em prestar as informações em tempo hábil. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INTEMPESTIVIDADE. Deixar de prestar informação de desconsolidação de carga nos termos do artigo 22 e 50 da Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007 enseja a multa prescrita na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente o Recurso Voluntário, para declarar precluso o argumento referente ao atraso na prestação das informações por culpa do embarcador, nos termos do Relator, vencido o conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, que o conheceu integralmente, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Renato Vieira de Avila (Relator), que lhe deu provimento parcial, para acatar o argumento relativo a não incidência da multa, por haver AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 58 39 /2 01 0- 51 Fl. 145DF CARF MF 2 norma postergando o início do termo inicial de sua exigibilidade, e o conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães, Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Tratase de Recurso Voluntário que pretende combater a aplicação da multa prevista no artigo 107, IV, e do Decreto Lei 37/66 com a nova redação estabelecida no artigo 77 da Lei 10.833/03. Alegou, preliminarmente, a ilegitimidade passiva, sob o argumento no qual agentes de carga e transportadores não se confundem, havendo, no caso, responsabilização solidária sem expressa previsão legal. No mérito, aponta a impossibilidade de aplicação do teor textual previsto no inciso IV, e, pelos motivos a seguir descritos, Auto de Infração Inicia sua síntese narrativa definindo as principais partes envolvidas nos relacionamentos, jurídicos e negociais, do comércio internacional marítimo. Destaca, o comprador importador e vendedor exportador. Definidas as condições do negócio, contratase a armação do navio. Ressaltando, a existência de representantes diretos ou por agências de navegação. Acrescenta, ainda, a figura do NVOCC, empresas consolidadoras de carga, responsáveis pelo transporte e, em chegando no destino, a desconsolidação da carga mediante seus representantes, as agências de cargas. Poderá haver, a consolidação de carga já consolidada, havendo duas ou mais empresas de agenciamento de carga. Por este motivo, é necessário a prestação de informações em tempo hábil, caso contrário, o poder de polícia aduaneiro teria prejuízo na sua capacidade de controle. O conhecimento de carga ((bill of landing BL) é o documento emitido pelo transportador ou consolidador, que representa os termos do contrato de transporte marítimo e prova a posse da carga. Ainda, identifica proprietário, consignatário, último endossatário ou o portador do título, em via de consequencia, o titular do despacho aduaneiro. O transportador procedente do exterior, tem o dever de prestar informações à Receita Federal do Brasil, sobre a chegada de veículo e as cargas transportadas. Conjugado o Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10711.005839/201051 Acórdão n.º 3001000.362 S3C0T1 Fl. 145 3 artigo 37 do Decreto Lei 37 / 66, com seu parágrafo primeiro, conclui a autoridade fazendária pela responsabilidade do agente de cargas Controle Aduaneiro Informatizado Os dados transmitidos eletronicamente, obedecem a forma e prazos estabelecidos pela RFB, e os atos detém validade, fiscal e aduaneira, em razão das disposições legais expressas no artigo 64 da Lei 10.833/03, atinentes sobre a certificação digital. Neste ambiente, o Siscomex Carga é sistema informatizado para o controle de movimentação de embarcações e cargas nos portos alfandegados. Os dados ali são inseridos pelos transportadores, agentes de carga ou seus representantes, e submetidos ao controle aduaneiro relatam as escalas, com dados dos Manifestos e Conhecimentos de carga, nos parâmetros do Sistema de Conhecimento Eletrônico (CE Mercante) Da Equiparação a Transportador A indicação prevista no artigo 5.º, combinado com o artigo 2.º, parágrafo 1.º, IV, da IN 800/2007, equipara, para efeitos fiscais, empresas de navegação, desconsolidadores e agentes de carga Informações a ser prestadas. o artigo 6.º da IN 800/2007 impele ao transportador, o dever de prestar informações sobre veículo e cargas para cada escala em porto alfandegado. Dentre as informações, o veículo e escalas, e a carga. Sobre a carga, informações sobre o manifesto, a vinculação à escala, conhecimentos de transportes, informações sobre a desconsolidação e a associação do Conhecimento de Carga ao novo manifesto, em caso de transbordo ou baledeação. Prazos dado às prestações de informações São os artigos 22 e 50 da IN 800/2007, com alteração dada pela IN 899/2008, os prazos mínimos para a prestação de informações, sendo que após a leitura de seus dispositivos, verificase a ocorrência de dois períodos distintos: de 31/03/08 a 31/03/09; e a partir de 1.º de abril de 2009. No período inicial (31/03/08 a 31/03/2009), foram estipulados prazos de menor antecedência, e, aplicando a norma mais benéfica, presente no artigo 50, os prazos mínimos para as prestações de informações são os presentes no artigo I e II: I as relativas ao veiculo e suas escalas, cinco horas antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, b em como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala a) antes da salda da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, guando o item de carga for granel; b) antes da salda da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; C) antes da salda da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; Fl. 147DF CARF MF 4 d) antes da chegada da embarcação no primeiro Porto Nacional, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas a conclusão da desconsolidação, antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Ausência de Denúncia Espontânea Requer a aplicação do artigo 683, parágrafo 3.º do Regulamento Aduaneiro. Dos Danos Causados à Fiscalização Explica que as ações de fiscalização são planejadas a partir das informações do Siscomex Cargas. O gerenciamento de risco é a ferramenta para dar celeridade ao despacho de mercadorias com a consequente redução do custo incidente sobre o comércio exterior. Tal análise dos dados, devem ocorrer previamente às operações de comércio exterior, com o conhecimento dos dados que nortearão os atos da RFB. Por este motivo, a falta de prestação de informações, ou sua ocorrência fora de prazo, inviabiliza a análise prévia, causando entrave no exercício do controle aduaneiro. Da Infração pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos Foi aplicado o disposto no artigo 107, IV, e, do Decreto Lei 37/66, com novel redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03. Dos Fatos A embarcação chegou ao Brasil, RJ, e proveniente de Valencia, Espanha, em 17 de junho de 2008, atracando às 08:15, conforme detalhado em extrato de escala constante destes autos. A data, 17 de junho de 2008, e a hora, 08:15, relativas à atracação, estabelecem o limite para a agência de navegação prestar as informações do veiculo de carga, conforme inteligência do artigo 22 e 50, da IN 800. A agencia de navegação MSC Mediterranean, após ter informado o manifesto de sua compentencia, e efetuado as devidas vinculações às escalas, informou tempestivamente o Conhecimento eletrônico, no dia 13 de junho de 2008. Consta como consignatário da CE, a empresa NEWS Logistics, ora recorrente, Haja vista ser o porto do Rio de Janeiro, o primeiro de atracação e o destino da carga, a data e hora limite para que a NEWS, ora recorrente, prestasse as informações de sua responsabilidade, nos termos dos artigos 22 e 50 da IN 800/07, é a da atracação da embarcação, ou seja, 17 de junho de 2008, as 80hrs15. Conforme consta, a NEWS procedeu a desconsolidação da carga somente no dia 17/06/08, as 10hrs17min41. Desta forma, intempestiva. tendo sido gerado inclusive pelo sistema Carga um bloqueio automático com o status de "INCLUSÃO DE CARGA AP6S 0 PRAZO OU ATRACAÇÃO" de forma imediata, conforme extrato do C.E. Mercante As fls. 20 a 21. Sujeição à Multa Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10711.005839/201051 Acórdão n.º 3001000.362 S3C0T1 Fl. 146 5 Por fim, a informação no sistema Carga, no momento do desbloqueio, sujeita a aplicação da multa prevista na alínea e, IV do artigo 107 do DL 37/66, com a data de referência em 17 de abril de 2008. Documentos anexados · Extrato da Escala; · Extrato do Manifesto; · Consulta de agencia de navegação / Desconsolidador; · Extrato do Conhecimento Eletrônico. Impugnação Em sua narração de defesa, a recorrente relata ter sido alvo de auto de infração por não ter prestado informações sobre as cargas transportadas em momento tempestivo, motivo pelo qual lhe foi aplicada a multa prevista no artigo 107, IV, e do decreto lei 37/66, nos seguintes termos: a multa será aplicada ao prestador de serviços internacionais quandoa informação não for prestada na forma e prazo Inocorrência de infração ou extemporaneidade na prestação de informações Alega que as informações foram prestadas no prazo. Clama a aplicação do artigos 105 e 116 do CTN, e o argumento da irretroativdade da lei tributária, merecendo ser transcrito os seguintes trechos da impugnação. Ora, tendo em vista que a embarcação transportando a carga cujo CE é objeto da presente autuação atracou em porto nacional em 17/06/2008 (CE 130.805.119.701.397), constatase que não havia obrigatoriedade de observação do prazo de antecedência estipulado para a prestação de informações pela IMPUGNANTE, dado que o prazo determinado pelo artigo 22, nos termos do artigo 50 da IN 800/07, somente seria cogente após 1 0 de janeiro de 2009. a obrigação de prestação de informações no prazo previsto no artigo 22 era até o dia 01 de abril de 2009. Dessa forma, a legislação vigente no momento de ocorrência do "fato gerador', qual seja, no instante em que as informações deveriam ser prestadas, é a legislação que deve ser aplicada ao caso concreto para determinação do prazo para cumprimento da obrigação de prestação de informações por sua vez, que de acordo com o artigo 22 da IN RFB n° 800/2007, as informações deveriam ser prestadas quarenta e oito horas antes da chegada das embarcações a descarregarem em porto nacional. Todavia, referido dispositivo tomarseia de observação obrigatória somente a partir de 10 de Janeiro de 2009, nos termos do artigo 50 da IN RFB n° 800/2007 a •seguir transcrito: Art. 50 Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1 de janeiro de 2009. Fl. 149DF CARF MF 6 Parágrafo único. 0 disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar, informações sobre: I a escala, com antecedência minima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no Pais. Nem se. alegue que o parágrafo único do artigo 50 da IN RFB n° 800/2007 levaria a entendimento diverso, uma vez que trata da responsabilidade do transportador de prestar informações, figura que difere do NVOCC— empresa consolidadora de cargas ou, ainda, das agências de carga (desconsolidadoras da carga). Ilegitimidade do Agente desconsolidador Classificase, conforme encontrase assentado, como agente desconsolidador, não podendo ser equiparada a agente de navegação. Mais tarde, assegura que a figura da autuada equiparase a do agente de navegação marítima. Cita a súmula 192 do extinto TFR: o agente marítimo, quando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador. Por fim, evidencia as impropriedades do auto de infração, atribuindo a necessidade de respeitar as características da relação tributária, o arquétipo do contrato mandato. Irretroatividade e aplicação da multa a partir de 2009 A carga cujo CE é objeto da presente autuação atracou em 17/06/2008, alegando, como visto, não haver a obrigatoriedade de observação do prazo de antecedencia. Levanta a utilização do artigo 105 do CTN irretroatividade da lei que as informações deveriam ser prestadas 48 horas antes da chegada das embarcações , conforme artigo 22, inciso II, da IN 800/2007 Acrescenta, porém, os termos do artigo 50 da IN 800/2007, cujo mandamento impende a obrigação para somente a partir de 1 de janeiro de 2009 Pondera, também, pela alteração trazida pela IN 899/2008, a qual postergou ainda mais a obrigatoriedade, desta vez, para abril de 2009 Ausência de prejuízo ao Erário Merecem ser transcritos os seguintes trechos da impugnação: 24. De fato, segundo consta da autuação, a atracação da embarcação ocorreu no dia 17/06/2008, As 8:15:00, e a inclusão do CEMercante Agregado (HBL) 130805119701397 foi procedida na mesma data As 10:17:41, ou seja, pouco mais de duas horas após a efetiva atracação. 25. Ressaltase que a informação foi prestada na data da atracação e de forma espontânea pela IMPUGNANTE, sendo certo que a inclusão da informação no sistema decorridas duas Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10711.005839/201051 Acórdão n.º 3001000.362 S3C0T1 Fl. 147 7 horas da atracação não causou qualquer impedimento ao exercício do controle aduaneiro'ou bo erário público. Proporcionalidade e razoabilidade Requer a aplicação do artigo 2 da lei 9784/99, no sentido de conferir efeitos concretos aos comando da proporcionalidade e reazoabilidade na aplicação de sanções administrativas. A seguir, trechos que delineiam o raciocínio empreendido: Com efeito, a sanção pecuniária imposta, multa regulamentar de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), não observa a proporcionalidade e razoabilidade, que deve permear os atos administrativos, haj a. vista i) a ausência de lesão ao erário, ii) o pleno . exercicio do controle aduaneiro e iii) a boafé da IMPUGNANTE que, duas horas após a atracação da embarcação, Promoveu a inclusão do CEMercante no sistema. Conversão da multa em pena de Advertência Requereu a conversão da multa em pena de advertência, prevista no artigo 76, I, j, da Lei 10.833/03, cominada com o artigo 45 da IN 800/07. DRJ/RJ O acórdão emanado pela referenciada DRJ, encontrase dispensado da formação de ementa, motivo pelo qual, deixase de transcrevêla, seguindose à transcrição do relatório. Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para exigência tributária no valor de 5.000,00, referente a multa do artigo 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37 de 18/11/1966, aplicada a agente de carga por deixar de prestar informação sobre carga transportada, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Depreendese da descrição dos fatos e enquadramento legal do Auto de Infração que a interessada, na condição de agente desconsolidador de carga, informou operação de desconsolidação de carga depois da atracação do navio que a transportava. A irregularidade foi cometida em relação ao Conhecimento de Embarque (CE) Mercante Máster nº 130.805.118.396.876 (CE – House nº 130.805.119.701.397), configurando a situação prevista no artigo 45 da Instrução Normativa RFB nº 800 de 27 de dezembro de 2007, a qual impõe a penalidade prevista na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, com multa de R$ 5.000,00 por informar desconsolidação de CE Mercante fora do prazo estabelecido pela legislação. Fl. 151DF CARF MF 8 Cientificada por Auto de Infração, a interessada apresentou a impugnação tempestiva de folhas 29 a 41. Pondera a Impugnante que não é parte legitima para figurar no pólo passivo da autuação, tendo em vista que a imposição do parágrafo único do artigo 50 da IN RFB n° 800/2007 não poderia ser lhe aplicada, uma vez que trata da responsabilidade do transportador de prestar informações, figura que difere do NVOCC empresa consolidadora de cargas ou das agências de carga (desconsolidadoras da carga). Alega a impugnante que o auto de infração em questão fundamentase em norma que não produzia efeitos à época do fato gerador, citando o artigo 105 do CTN, ipis litteris: Art. 105. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116. Entende que na época dos fatos, a prestação de informações não precisava observar o prazo do artigo 22 da Instrução Normativa n° 800/2007, uma vez que no momento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária acessória, o referido artigo não tinha aplicação cogente, sendo válido apenas a partir de janeiro de 2009. No mesmo sentido afirma que com a IN RFB n° 899/2008, que modificou a redação do artigo 50 da IN n° 800/2007, houve ainda maior postergação dos prazos de antecedência, tornado a obrigatoriedade de prestar informações no prazo previsto no artigo 22 inexigível até o dia 1º de abril de 2009. Observa ainda a ausência de prejuízo ao erário, bem como que pela observância dos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, pois que a atracação não causou qualquer impedimento ao exercício do controle aduaneiro ou ao erário público. A imposição de multa por mero atraso no cumprimento de uma obrigação de prestação de informações, que não ensejou qualquer embaraço ao pleno exercício do controle aduaneiro (bem jurídico que a obrigação acessória pretende resguardar), mostrase desproporcional à finalidade da norma. Verificada a diminuta ou inexistente lesividade da conduta da impugnante, já que realizou de forma espontânea a prestação das informações sobre o CEMercante pouco tempo depois da atracação da embarcação, possibilitando o efetivo controle da entrada, saída e movimentação das cargas transportadas em território nacional, não se justifica a aplicação da penalidade de multa. Com vistas a observar os princípios legais atinentes à graduação e aplicação de penalidades, notadamente os princípios da proporcionalidade e razoabilidade, deveria ser aplicada a penalidade de advertência, prevista no artigo 76, I, "j" da Lei n° 10.833/03 c/c o artigo 45 da IN n° 800/2007. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10711.005839/201051 Acórdão n.º 3001000.362 S3C0T1 Fl. 148 9 Requer que seja anulado o Auto de Infração, promovendo a declaração de insubsistência do presente AI com a anulação/cancelamento da cobrança e exigibilidade da multa. Do voto, merecem transcrições os seguintes trechos, relativo à aplicabidade da multa em decorrência da análise de direito intertemporal travada nestes autos: Como a norma transcrita esclarece, os prazos previstos em seu artigo 22 somente serão exigidos a partir de 1º de abril de 2009. Todavia, seu parágrafo único estabelece expressamente que, a despeito dos prazos passarem a viger na data determinada, isso não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Portanto, a intempestividade da informação de carga após a atracação da embarcação, quando se trata de carga de estrangeira, enseja a aplicação da penalidade. Sendo assim, no momento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária acessória a determinação de cumprimento dos prazos de informação da carga já se encontrava em vigor. Desta forma, não se pode recorrer a alegação de que não se esteja cumprindo a regra geral de aplicação da lei tributário, ou seja, sua aplicação prospectiva e imediata prevista no artigo 105 do CTN. Sobre a ilegitimidade passiva, extraise do voto condutor: Relativamente ao argumento de tratarse de mero NVOCC empresa consolidadora de cargas, sem poder ficar sujeito às exigências dos mandamentos da Instrução Normativa nº 800/07, especificamente o dispositivo do artigo 50, informo que estão sujeitos à multa em tela a empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou o mero desconsolidador de carga, equiparandose ao transportador marítimo. Sobre os fatos: A fiscalização relata que a atracação da embarcação ocorreu no dia 17/06/2008, às 08:15hs, sendo esta a data/hora limite para que a empresa prestasse as informações de sua responsabilidade, nos termos dos arts. 22 e 50 da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27/12/2007, com redação alterada pela IN RFB n° 899, de 29/12/2008. No entanto, a empresa NEWS LOGISTICS LTDA, procedeu a desconsolidação da carga informando o CE. Mercante Agregado (HBL) n° 130.805.119.701.397, somente no dia 17/06/2008, às 10:17:41hs, restando, portanto, INTEMPESTIVA a informação, tendo sido gerado inclusive pelo sistema Carga um bloqueio automático com o status de "INCLUSÃO DA CARGA APÓS O PRAZO OU ATRACAÇÃO" de forma imediata. Fl. 153DF CARF MF 10 Sobre a denúncia espontânea: Cabe observar que o bloqueio da carga no Sistema se deu antes de qualquer pedido de retificação da informação, portanto iniciado procedimento fiscal para apurar a irregularidade, antes mesmo de qualquer solicitação do contribuinte. Alegação de falta de prejuízo ao erário público: Com relação à alegação de falta de prejuízo ao Erário e da falta de conduta lesiva, por conta do admitido registro intempestivo da desconsolidação da carga, é suficiente salientar que, em se tratando de direito tributário, a responsabilidade do infrator não tem a mesma natureza da responsabilidade penal e/ou cível, não cabendo falar, portanto, em modalidade culposa ou dolosa, uma vez que “a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato” (art. 94, § 2º, do DL 37/1966 e art. 136 do CTN). Conversão da pena, conforme artigo 45 da IN 800/2007 a expressão “e quando for o caso” não confere possibilidade de escolha sobre a aplicação de pena, mas sim sua cumulatividade quando couber. Recurso Voluntário O recurso apresentado insurgese em face da decisão de primeira instância que manteve a cobrança da multa imposta com fundamento no artigo 107, IV, e do DL 37/66 Ilegitimidade Passiva Alega a não sujeição passiva por parte da recorrente, mencionando a seção II da IN 800/2007, mais especificamente o consolidador estrangeiro (NVOCC) e o agente de carga. Deste modo, pelo artigo 4.º da mencionada IN, a empresa de navegação seria representada pelo agência marítima. Ainda, em seu artigo 6.º, indica a existência da obrigatoriedade do transportador pela prestação de informações. Desobrigatoriedade de Agente Desconsolidador em prestar informações Outro ponto abordado, a recorrente não se confunde com as figuras dos agentes arrolados, não se enquadrando como empresa de transporte, prestadora de serviço de transporte porta a porta e agente de carga. A recorrente é agente desconsolidador, e, por analogia, poderia ser comporada a agente de navegação. Por isso, relata que a recorrente, seria mero agente de cargas apontado pelo agente emissor do HBLS, conforme telas do SISCARGA, e neste sentido, a empresa MSC Meditarranean Shipping deveria ser responsabilizada pela prestação de informações. Junta jurisprudência relativo ao cancelamento de auto de infração com fundamento no item c, do inciso IV do artigo 107 do DL 37/66. Atraso no envio das informações por parte do embarcador Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10711.005839/201051 Acórdão n.º 3001000.362 S3C0T1 Fl. 149 11 Alega que as informações prestadas foram as corretas e, para prestar as informações, depende das informações prestadas por embarcadores e a confirmação das informações pelo consignatário, exatidão e tempestividade na prestação de informações dos armadores, e, por isso, houve o apontado atraso. Por ser mero agente de cargas, não possui a gestão náutica, e para saber od andamento, dependfe da comunicação oficial do armador Ausência de prejuízo As informações foram prestadas de forma correta, e não houve liberação de carga o envio das informações à autoridade aduaneira, havendo, portanto ciência e a anuência da fiscalização. Denúncia espontânea Traz o artigo 138 do CTN, pois a requerente, sem nenhuma provocação da autoridade, imputou, espontaneamente, as informações logo após ter recebido as informações alega ainda que haja afastamento do instituto pelo DLs 4.543/2002 e 6.759/2009, o CTN fora recepcionado com força de lei complementar. entregue em momento anterior a lavratura do auto, tendo o procedimento fiscal iniciado após a retificação, em conformidade com o artigo 102, parágrafo 2.º do DL 37/66, introduzida pela lei 12.530/2010. Retroação da Lei 12.530/2010 Por fim, a norma, veiculada no ordenamento jurídico no ano de 2010, retroagiria beneficamente ao fato aqui imputado. Ausência de Obrigação Legal período de contingencia 31/03/2009 nas disposições finais transitórias foi estabelecida a data de vigência de aplicação do prazo de 48 horas antes da chegada da embarcação para a prestação de informações, com o objetivo de oportunizar a devida preparação dos operadores do sistema Tal oportunização ocorreu com o diferimento do prazo incial, em 1 de janeiro de 2009, postergado para 1 de abril de 2009, tornando incabível o argumento da aplicação do artigo 50. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário interposto pela recorrente a fim de verse livre da imposição de multa, mediante lavratura de auto de infração, cujo antecedente normativo Fl. 155DF CARF MF 12 prevê, em caso de ocorrência de atraso na prestação de informações ao Siscomex, a aplicação de multa. Tempestividade Analisando os autos temse que o Recurso Voluntário é tempestivo. Conhecimento Parcial A fim de analisar sua admissibilidade, temse que deve sêlo apenas parcialmente, excluindose, do conhecimento, a parte atinente ao argumento no qual o atraso na prestação das informações deveuse ao atraso no envio das informações por parte do embarcador, vez que, tal argumento veio à tona apenas em sede recursal. Preliminar de Sujeição passiva Alega a recorrente a ocorrência de sujeição passiva inadequada aos fatos apresentados nas narrativas e versões descritas. Em especial, destacase argumentos da recorrente: Sendo descabida a pretensão do administrador de atingir os agentes marítimos, desconsolidador ou agente de carga. Isto por que, não há previsão legal para a aplicação da responsabilidade solidária pretendida pela autoridade fazendária. Entretanto, há equiparação do agente de cargas e dos agentes consolidadores e desconsolidadores, no caso prático, última figura, ao transportador, consoante a leitura do artigo 2.º, parágrafo 1.º, IV, da IN 800/2007: artigo 2.º Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíenas "a" e "b" , responsável pela consolidação da carga na origem; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela consolidação da carga na origem; d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíenas "a" e "b" , responsável pela desconsolidação da carga no destino; e d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; Neste ponto, não assiste razão à recorrente, sendo negado provimento. MÉRITO Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10711.005839/201051 Acórdão n.º 3001000.362 S3C0T1 Fl. 150 13 Termo Inicial da aplicação de multa aplicável à prestação em atraso das informações exigidas pelo artigo 22 e 50 da IN 800/2007, alterada pela IN 899/2008 A multa combatida encontrase prevista no artigo transcrito a seguir: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; A legislação tributária que merece atenção, é o mencionado artigo 50 da IN 800 modificado pela IN 899. IN 800/2007, modificada pela IN 899/2008 Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. E, por fim, mister transcrever o artigo 22 da mencionada IN. Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; Em que pese a existência de precedentes deste Conselho, favoráveis à aplicação da multa em comento, no caso de atraso prestação de informações consubstanciadas na declaração, entendo que: 1. há previsão normativa de postergação do prazo para a incidência Fl. 157DF CARF MF 14 da multa cujo fato gerador é a envio de comunicação, por parte do consignante, em momento posterior à atracação da embarcação. IN 800, de 27 de dezembro de 2007 Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Ainda, em segundo momento, houve norma posterior, abrandando a aplicação da penalidade, postergando o início de sua obrigatoriedade para somente após de 01 de abril de 2009, devendo ser obedecido o artigo neste sentido. Por este motivo, se socorre da aplicação do artigo seguinte do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Em caso semelhante, tal raciocínio fora empreendido. O caso do precedente acostado abaixo, relacionase com a extensão do prazo, de 05 para 07 dias, como necessário à prestação de informações. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10711.005839/201051 Acórdão n.º 3001000.362 S3C0T1 Fl. 151 15 Como é sabido, no caso presente, tratase de legislação que determinava a ocorrência de multa, IN 800, posteriormente revogada pela IN 899, a qual concedeu o prazo para início da obrigatoriedade apenas em 01 de abril de 2009. IN 899, de 29 de dezembro de 2008 Art. 1º O art. 50 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009 Deste modo, devese aplicar o entendimento da legislação mais benéfica ao contribuinte. Acórdão nº 3302004.717 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2008 a 22/03/2008 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, E, DO DECRETOLEI 37/1966 (IN SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando de descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF 28/1994, a multa instituída pelo artigo 107, IV, e do DL 37/1966, deve ser mitigada diante do novo prazo imposto pela IN SRF 1.096/2010, em decorrência da retroatividade benigna. Após a lavratura do auto de infração foi publicada a Instrução Normativa RFB n. 1.096, de 13/13/2010, que ampliou o prazo para registro dos dados pertinentes no SISCOMEX para 7 dias2. Afirma que o art. 106 do CTN permite que a dilação do prazo pela publicação da recente norma deve gerar benefícios a seu favor, já que não é mais considerada infração o não fornecimento de informações no prazo de 2 dias. Considerando que não poderão ser objeto de deliberação por este Colegiado as matérias abordadas no recurso voluntário e que já foram objeto de deliberação, nos resta apreciar, unicamente, o argumento sobre o fato superveniente, que é a publicação da IN RFB n.1.096/2010 e se seus efeitos retroagem à data dos fatos descritos no auto de infração. E, sobre esse tópico, filiome à vasta jurisprudência deste Conselho, que reconhece que os efeitos benignos da IN RFB n. 1.096/2010 devem surtir efeitos em hipóteses análogas à dos autos. Fl. 159DF CARF MF 16 Isso porque estamos diante de uma sanção (ainda que na seara tributária) e a melhor interpretação sobre o texto contido no inciso XL do artigo 5º da Constituição Federal 1988 impõe o reconhecimento que a lei penal deverá retroagir, sempre que for para beneficiar o réu (no caso, o contribuinte apenado pela multa). A propósito, e ilustrativamente, segue a ementa de julgado deste Conselho, o qual adoto como fundamento: TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO / 2ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA / ACÓRDÃO 3202000.486 em 25/04/2012 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA. Data do fato gerador: 04/07/2006, 06/07/2006, 10/07/2006, 11/07/2006, 13/07/2006, 15/07/2006, 23/07/2006 e 29/07/2006 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, 'E' DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando do descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF no 28/1994, a multa instituída no art. 107, IV, 'e' do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo de dois dias para o registro desses dados no Siscomex. Uma vez que a IN SRF no 1.096/2010 fixou o prazo de sete dias para o registro dos dados no Siscomex, deve ser aplicada, com fulcro no princípio da retroatividade benigna, a norma mais benéfica ao contribuinte. CONTAGEM DE PRAZO. DIA ÚTIL. A contagem dos prazos estipulados na legislação tributária deve seguir os ditames do artigo 210 do Código Tributário Nacional. Os prazos iniciam e terminam apenas em dias úteis. SISCOMEX. INDISPONIBILIDADE. PROVA. A parte que alega a indisponibilidade do sistema SISCOMEX deve apresentar prova irrefutável sobre tal situação. A mera alegação, sem comprovação do alegado, não é capaz de influir no entendimento do julgador. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA N. 02 DO CARF. De acordo com a Súmula n. 02 do CARF, o órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, preliminar de nulidade do auto de infração não acolhida e, no mérito, recurso voluntário provido em parte. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10711.005839/201051 Acórdão n.º 3001000.362 S3C0T1 Fl. 152 17 (grifos adicionados) Assim, entendo que o recurso voluntário deve ser provido para que as multas impostas em decorrência das informações prestadas dentro do prazo de 7 dias (IN SRF n.1.096/2010) sejam canceladas. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Argumentos prejudicados Os argumentos trazidos a respeito da Denúncia espontânea, Retroação da Lei 12.530/2010 e Ausência de Obrigação Legal período de contingência 31/03/2009, ficam prejudicados, tendo em vista o provimento do pedido relativo à não aplicação da multa por haver norma mais benéfica que alterou o termo inicial do início da incidência da multa. Conclusão. Diante do exposto, Conheço parcialmente do recurso, para excluir da apreciação o argumento atinente ao motivo do atraso na prestação de informações, que teria ocorrido pelo envio tardio por parte do embarcador. Em sede de preliminares, rejeito o pedido de reconhecimento de ilegitimidade passiva. No mérito, aceito a argumentação relativa a não incidência da multa por haver norma postergando o início do termo inicial de sua exigibilidade, dando, neste ponto DOU PROVIMENTO ao recurso. Sobre os temas da Denúncia espontânea, Retroação da Lei 12.530/2010 e Ausência de Obrigação Legal em prestar as informações, consideroos prejudicados, não sendo necessária sua análise. Assim, conheço parcialmente do recurso para lhe dar parcial provimento, excluindo o dever recolhimento da multa. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Voto Vencedor Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Redator Designado Preâmbulo 1 Em que pese o elogiável argumento que fundamentou o Voto Vencido, peço vênia para submeter a este Colegiado entendimento diferente do esposado pelo Ilustre Conselheiro Renato Vieira de Avila, que lhe deu provimento parcial, para acatar o argumento relativo a não incidência da multa, por haver norma postergando o início do termo inicial de sua exigibilidade, acompanhado pelo Ilustre Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deu provimento, em seu bem fundamentado voto como Relator. Procurarei, em breves linhas, expor por que entendo que se deve negar provimento ao recurso voluntário quanto à exoneração da exigência da multa em debate, posição diametralmente oposta à do ilustre relator, que proveu o recurso voluntário. Fl. 161DF CARF MF 18 Neste passo, alerto que o desencontro de entendimento restringese tão somente ao fundamento jurídico adotado, segundo o qual há "norma postergando o início do termo inicial de sua exigibilidade". Preâmbulo 2 Atentese, o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do Ricarf, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no julgamento do processo 10711.005630/201098, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3001000.354): "Da divergência do entendimento jurídico A questão pareceme bastante simples. A fiscalização foi bastante clara e correta ao exigir a observância dos prazos de antecedência de prestação de informações, na forma do parágrafo único do artigo 50 da IN RFB 800 de 2007, cuja redação mais adiante reproduzse. Vejase que tanto o transportador quanto o próprio agente de cargas, qualidade que se insere o ora recorrente, por força do caput e § 1º do artigo 37 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, têm o dever de prestar informações à Receita Federal do Brasil, na forma e prazos estabelecidos pela própria Administração, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ora, não me parece razoável supor que mesmo não estando em vigor o artigo 22 da IN RFB 800 de 2007, deixarseia de aplicar a regra prevista no caput do artigo 50 da mesma Instrução Normativa. Tal dispositivo, conforme transcreverseá, mais adiante, diz textualmente que o tempo de vacância do artigo 22 da IN RFB 800 de 2007 “não exime o transportador da obrigação de prestar informações”. Tendo em vista que o recorrente somente procedeu a desconsolidação da carga após a atracação das embarcações, é patente que houve desrespeito aos prazos de antecedência previstos na legislação normativa em questão. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10711.005839/201051 Acórdão n.º 3001000.362 S3C0T1 Fl. 153 19 Então, uma vez descumprida a obrigação acessória, cuja finalidade me parece bastante razoável para fins de efetivo controle aduaneiro, impõese sim a aplicação da correspondente multa. E em relação à multa, não há como eximir o recorrente, pois esta decorre de lei específica, na forma da alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 18.11.1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 29.12.2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (...) Explicito melhor o tema em debate. Atendendo ao determinado no dispositivo legal supratranscrito, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) publicou a Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007, que “dispõe sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados”. Relativamente aos prazos mínimos para a prestação das informações à Secretaria da Receita Federal do Brasil a referida Instrução Normativa estabeleceu no artigo 22 da seguinte forma, in verbis: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; b) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; Fl. 163DF CARF MF 20 c) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1º Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no sistema pela Coordenação Especial de Vigilância e Repressão (Corep), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. § 3º Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput, se reduz a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto. Todavia, o artigo 50 da IN RFB 800 de 2007 previa, desde sua publicação, a data a partir da qual referidos prazos seriam implementados e, depois da alteração promovida pela IN RFB 899 de 29.12.2008, ficou com a seguinte redação, in verbis: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (destaquei) Como a norma transcrita esclarece, os prazos previstos em seu artigo 22 somente serão exigidos a partir de 1º de abril de 2009. Todavia, seu parágrafo único estabelece expressamente que, a despeito dos prazos passarem a viger na data determinada, isso não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Portanto, reforço, a intempestividade da informação de carga após a atracação da embarcação, quando se trata de carga de estrangeira, enseja a aplicação da penalidade. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10711.005839/201051 Acórdão n.º 3001000.362 S3C0T1 Fl. 154 21 Desta forma, está preservado o princípio da legalidade pela combinação da alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com os dispositivos 22 e 50 da Instrução Normativa nº 800 de 2007. Salientese, o princípio da irretroatividade não se macula quando a lei vigente coaduna com a época do fato gerador como se esclareceu no presente caso. Da conclusão Pelas razões que expus acima, entendo que o Colegiado a quo agiu consoante os princípios constitucionais e legais, a lei processual administrativa e as leis que motivam o lançamento e a exigência em discussão, uma vez que resta sobejamente evidenciado que o recorrente procedeu a desconsolidação da carga informando o CE. Mercante Agregado (HBL) somente depois de a embarcação ter atracado no porto do Rio de Janeiro, ou seja, prestando a informação INTEMPESTIVAMENTE, tanto que gerouse de forma imediata, pelo sistema Carga, um bloqueio automático com o status de "INCLUSÃO DA CARGA APÓS O PRAZO OU ATRACAÇÃO"." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do Ricarf (Portaria MF 343 de 09.06.2015), proponho a este Colegiado, especificamente quanto a este item, seja negado provimento ao recurso de voluntário, mantendose a exigência fiscal, nos termos em que lavrado o auto de infração. É como penso e voto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 165DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.906683/2009-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
É do contribuinte o ônus da prova da liquidez e certeza do crédito por ele utilizado em Declaração de Compensação, o qual deve ser demonstrado cabalmente por meio da escrituração contábil e fiscal e de documentos hábeis e idôneos que a amparam.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2004
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVAS DOCUMENTAIS APRESENTADAS EM RECURSO VOLUNTÁRIO.
Em virtude do princípio da Verdade Material, pode o contribuinte, quando da apresentação do Recurso Voluntário, trazer aos autos prova documental do seu direito creditório, caso sejam essenciais para o deslinde da questão.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio.
Numero da decisão: 1302-002.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de não conhecimento dos documentos trazidos no recurso voluntário, suscitada de ofício pelo conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus da prova da liquidez e certeza do crédito por ele utilizado em Declaração de Compensação, o qual deve ser demonstrado cabalmente por meio da escrituração contábil e fiscal e de documentos hábeis e idôneos que a amparam. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2004 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVAS DOCUMENTAIS APRESENTADAS EM RECURSO VOLUNTÁRIO. Em virtude do princípio da Verdade Material, pode o contribuinte, quando da apresentação do Recurso Voluntário, trazer aos autos prova documental do seu direito creditório, caso sejam essenciais para o deslinde da questão. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo serem afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de não conhecimento dos documentos trazidos no recurso voluntário, suscitada de ofício pelo conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 66 83 /2 00 9- 27 Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10580.906683/200927 Acórdão n.º 1302002.894 S1C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em relação ao Acórdão nº 03 53.902, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente." Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10580.906683/200927 Acórdão n.º 1302002.894 S1C3T2 Fl. 4 3 O sujeito passivo apresentou o Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DComp), por meio do qual compensa suposto crédito de sua titularidade, referente a pagamento indevido ou a maior a título de IRPJ, relativo ao 2º trimestre de 2004, com débitos relativos à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e à Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS/Pasep), período de apuração de outubro de 2006. Por meio do Despacho Decisório, a citada compensação não foi homologada, por inexistência do alegado crédito, uma vez que o pagamento invocado se encontraria inteiramente utilizado para quitação de débito confessado pelo sujeito passivo. Foi apresentada Manifestação de Inconformidade, na qual o sujeito passivo se limita a alegar a existência de erro no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) referente ao 3º trimestre, e que o valor efetivamente devido teria sido informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) relativa ao anocalendário de 2004. Informa, ainda, que promoveu a retificação da citada DCTF, para informar o valor do débito que entende correto. Pediu, por fim, a concessão de prazo adicional de 15 (quinze) dias, para apresentação de "maiores informações e documentos", bem como o direito a produção de provas, com anexação de novos documentos e, inclusive, perícia contábil. O Acórdão recorrido entendeu que a mera alegação de erro, juntamente com a retificação da DCTF, mas desacompanhada da escrituração contábilfiscal e dos documentos hábeis e idôneos que a embasaram, não é capaz de comprovar a liquidez e certeza do crédito informado. Registrou, ainda, que o prazo solicitado pelo sujeito passivo para a apresentação de informações e documentos se esgotou sem que qualquer novo elemento tenha sido anexado aos autos. Regularmente intimado por via postal, em 31/01/2014, da decisão de primeira instância, o sujeito passivo apresentou Recurso, em 05/03/2014, por meio do qual sustenta que: a) apurou e pagou a maior o IRPJ relativo ao referido trimestre, o qual teria sido corrigido por meio de DIPJ retificadora, juntamente com a apresentação de PER/DComp, na qual compensou o suposto indébito; b) após a não homologação da compensação, promoveu a retificação da DCTF, de modo a compatibilizála com a DIPJ; c) tendo em vista a decisão da DRJ, que considerou insuficiente como prova a DIPJ retificadora, apesar de apresentada antes do PER/DComp, juntou ao Recurso Voluntário outros documentos de amparam seu pleito (Demonstrativo do Lucro Real e Demonstração do Resultado transcrito no Livro Diário, bem como Termo de Abertura e Encerramento do referido Livro, contemporaneamente registrado na Junta Comercial); d) as normas que tratam da restituição do imposto pago a maior ou indevidamente não elencam documento obrigatório que seja prova suficiente da existência do direito creditório, ficando a depender do caso concreto; Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10580.906683/200927 Acórdão n.º 1302002.894 S1C3T2 Fl. 5 4 e) no caso sob análise, o Julgador considerou insuficiente a apresentação da DIPJ e não requereu as diligências necessárias para a produção de provas ou mera confirmação dos créditos, como determina a lei; f) os novos documentos juntados fariam prova da existência do crédito pleiteado. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.890, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10580.906679/2009 69, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, inicialmente, como parte da solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento, contido no voto vencedor, que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.890), relativamente à preliminar de não conhecimento dos documentos trazidos no recurso voluntário, suscitada de ofício pelo conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo: "Ousase discordar do ilustre relator1 no ponto em que entendeu pela impossibilidade de o contribuinte juntar documentos aos autos, após a apresentação da impugnação administrativa. É que, o processo administrativo fiscal é regido por diversos princípios, dentre eles o da Verdade Material, que impõe a perseguição pela realidade dos fatos (prática do fato gerador) praticados pelo contribuinte, podendo o julgador, inclusive, de ofício, independentemente de requerimento expresso, realizar diligências para aferir os eventos ocorridos. A possibilidade de o julgador requerer diligência, em busca da realidade dos fatos está prevista expressamente no artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou 1 do Acórdão Paradigma. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10580.906683/200927 Acórdão n.º 1302002.894 S1C3T2 Fl. 6 5 impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto 70.235/72, que rege o processo administrativo, é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações e argumentos apresentados pelos contribuintes. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que, como mencionado, ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. É dever do julgador perseguir a realidade dos fatos. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10580.906683/200927 Acórdão n.º 1302002.894 S1C3T2 Fl. 7 6 efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ................................................................................................. ......................... É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Não se pode olvidar que, no processo administrativo, não há a formação de uma lide propriamente dita. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. O que não restou feito no presente processo. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10580.906683/200927 Acórdão n.º 1302002.894 S1C3T2 Fl. 8 7 PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devese admitir a juntada de documentos, que, supostamente, confirmariam o direito creditório do contribuinte. Por todo o exposto, voto por afastar a preliminar suscitada de ofício pelo relator, para conhecer dos documentos acostados aos autos pelo contribuinte quando da apresentação do Recurso Voluntário." Relativamente à admissibilidade do recurso e às questões de mérito, transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento, que prevaleceu no voto do relator do Acórdão nº 1302002.890: "I DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 31 de janeiro de 2014 [...], tendo apresentado recurso em 05 de março de 2014 [...], dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996, uma vez que os dias 3 e 4 de março de 2014 foram ponto facultativo, conforme Portaria MPOG nº 2, de 3 de janeiro de 2014. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído [...]. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso I, e Art. 7º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o recurso preenche todos os requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. II DO MÉRITO Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10580.906683/200927 Acórdão n.º 1302002.894 S1C3T2 Fl. 9 8 Conforme explicitado pela própria Recorrente, a legislação que permite a compensação de créditos tributários exige a liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo. Assim, na hipótese de apresentação de PER/DComp por parte do sujeito passivo é ônus deste a demonstração de tais requisitos em relação ao seu direito creditório. No caso da análise eletrônica e automática como a que gerou o Despacho Decisório que não homologou a compensação, a liquidez e certeza é aferida pela administração tributária, via de regra, pelo mero cruzamento das informações disponíveis em seu banco de dados, fornecidas seja pelo próprio sujeito passivo seja por terceiros. Incumbe, então, ao sujeito passivo a responsabilidade para que as informações por ele fornecidas à administração tributária sejam compatíveis com o direito creditório invocado. Nos presentes autos, a Recorrente apresentou o PER/DComp compensando suposto direito creditório proveniente de pagamento indevido ou a maior, mas as informações confessadas por ela própria em sua DCTF demonstravam a inexistência do alegado direito. Por esta razão, a compensação não foi homologada pelo Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador/BA. Com a apresentação da Manifestação de Inconformidade, e instauração do contencioso administrativo, a análise da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado passa a outro nível, sendo ônus do sujeito passivo comprovála cabalmente, por meio da adequada instrução documental. [...] A Recorrente, como relatado, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, limitouse a apresentar cópia da DCTF retificada para compatibilizar o valor do débito confessado ao informado na DIPJ, e que alega ser o correto; além de cópias dos comprovantes de arrecadação dos valores pagos e que suportariam o crédito compensado. [...] Os parcos elementos de prova juntados pelo sujeito passivo, de fato, não demonstram de modo algum que o novo valor de débito confessado na DCTF é o montante efetivamente devido, e não aquele confessado na primeira DCTF apresentada. [...] Não procede, também, a alegação trazida no Recurso Voluntário de que, em caso de dúvidas acerca da liquidez e certeza, o julgador se encontrava obrigado a determinar a realização de diligências. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10580.906683/200927 Acórdão n.º 1302002.894 S1C3T2 Fl. 10 9 Os dispositivos invocados (arts. 18 e 29 do Decreto nº 70.235, de 1972) revelam que a realização de diligências deve ser determinada pela autoridade julgadora apenas quando este entender necessárias e imprescindíveis à formação da sua convicção: "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." A diligência não pode ser utilizada como um meio para suprir a deficiência das provas carreadas pelo sujeito passivo aos autos. Portanto,[...] concluo que a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. O Julgador não poderia ter agido de outro modo, frente à ausência de demonstração do crédito invocado pelo sujeito passivo. [...] Ressalvo, apenas para demonstrar a ausência de zelo do sujeito passivo na busca de comprovar o direito creditório que invoca, que, [...] os novos documentos apresentados, nada trariam de prova inconteste do referido crédito. É que os elementos em questão se limitam a cópias simples dos Termos de Abertura e Encerramento de Livro Diário; cópia simples de uma folha (supostamente do referido Livro), na qual se apresenta a Demonstração do Resultado do trimestre relativo ao suposto crédito; cópia simples de uma folha do Livro de Apuração do Lucro Real do referido trimestre; e cópia do recibo de entrega e das Fichas 09A e 12A da DIPJ relativas ao ano calendário de 2004. É óbvio que tais elementos são um começo de prova em favor do direito creditório do sujeito passivo, mas estão longe de conferir a liquidez e certeza necessária, já que deveriam estar acompanhados das demais folhas do Livro Diário (e do Livro Razão) que comprovassem os valores que compõe a Demonstração do Resultado; do Livro de Apuração do Imposto sobre Mercadorias e Serviços que demonstrasse o montante de receitas auferidas no trimestre em questão; além dos esclarecimentos relativos ao erro supostamente cometido, uma vez que é gigantesca a disparidade entre os valores inicialmente confessados e aqueles posteriormente retificados, e isso para os 2º, 3º e 4º trimestres do anocalendário de 2004. Assim, [...]terseia a mesma situação em que se encontrou a DRJ, ou seja, parcos elementos de prova, sendo que a realização Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10580.906683/200927 Acórdão n.º 1302002.894 S1C3T2 Fl. 11 10 de diligência para a complementação documental não significaria mero esclarecimento de dúvida para a formação do convencimento do julgador, mas o suprimento da ineficiência da instrução probatória realizada pelo sujeito passivo. Os novos elementos apresentados em nada esclarecem qual foi o erro que motivou o suposto pagamento a maior. Quais foram os valores alterados na nova apuração? Não se sabe. Onde estão as provas hábeis a comprovar o indébito? A Recorrente não as apresentou. Concluise, portanto, que o sujeito passivo não provou a liquidez e certeza do crédito utilizado no PER/Dcomp de que tratam os presentes autos. Isto posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo, com a manutenção da nãohomologação da compensação realizada no PER/Dcomp apresentado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de rejeitar a preliminar de não conhecimento dos documentos trazidos no recurso voluntário, suscitada de ofício pelo conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 60DF CARF MF
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Numero do processo: 10711.005727/2010-09
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 17/06/2008
PRELIMINAR DE SUJEIÇÃO PASSIVA. EQUIPARAÇÃO.
Há equiparação do agente de cargas e dos agentes consolidadores e desconsolidadores, no caso prático, última figura, ao transportador, consoante a leitura do artigo 2.º, parágrafo 1.º, IV, da IN 800/2007.
CONHECIMENTO PARCIAL. MATÉRIA TRAZIDA APENAS EM SEDE DE RECURSO. INOVAÇÃO.
Não deve ser conhecida o argumento de que houvera atraso, por parte do embarcador, no envio das informações, e que, por este motivo, ficou impossibilitado o agente desconsolidador em prestar as informações em tempo hábil.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INTEMPESTIVIDADE.
Deixar de prestar informação de desconsolidação de carga nos termos do artigo 22 e 50 da Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007 enseja a multa prescrita na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37 de 1966.
Numero da decisão: 3001-000.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente o Recurso Voluntário, para declarar precluso o argumento referente ao atraso na prestação das informações por culpa do embarcador, nos termos do Relator, vencido o conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, que o conheceu integralmente, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Renato Vieira de Avila (Relator), que lhe deu provimento parcial, para acatar o argumento relativo a não incidência da multa, por haver norma postergando o início do termo inicial de sua exigibilidade, e o conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães, Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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LOGISTICS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/06/2008 PRELIMINAR DE SUJEIÇÃO PASSIVA. EQUIPARAÇÃO. Há equiparação do agente de cargas e dos agentes consolidadores e desconsolidadores, no caso prático, última figura, ao transportador, consoante a leitura do artigo 2.º, parágrafo 1.º, IV, da IN 800/2007. CONHECIMENTO PARCIAL. MATÉRIA TRAZIDA APENAS EM SEDE DE RECURSO. INOVAÇÃO. Não deve ser conhecida o argumento de que houvera atraso, por parte do embarcador, no envio das informações, e que, por este motivo, ficou impossibilitado o agente desconsolidador em prestar as informações em tempo hábil. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. INTEMPESTIVIDADE. Deixar de prestar informação de desconsolidação de carga nos termos do artigo 22 e 50 da Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007 enseja a multa prescrita na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente o Recurso Voluntário, para declarar precluso o argumento referente ao atraso na prestação das informações por culpa do embarcador, nos termos do Relator, vencido o conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, que o conheceu integralmente, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Renato Vieira de Avila (Relator), que lhe deu provimento parcial, para acatar o argumento relativo a não incidência da multa, por haver AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 57 27 /2 01 0- 09 Fl. 145DF CARF MF 2 norma postergando o início do termo inicial de sua exigibilidade, e o conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães, Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Tratase de Recurso Voluntário que pretende combater a aplicação da multa prevista no artigo 107, IV, e do Decreto Lei 37/66 com a nova redação estabelecida no artigo 77 da Lei 10.833/03. Alegou, preliminarmente, a ilegitimidade passiva, sob o argumento no qual agentes de carga e transportadores não se confundem, havendo, no caso, responsabilização solidária sem expressa previsão legal. No mérito, aponta a impossibilidade de aplicação do teor textual previsto no inciso IV, e, pelos motivos a seguir descritos, Auto de Infração Inicia sua síntese narrativa definindo as principais partes envolvidas nos relacionamentos, jurídicos e negociais, do comércio internacional marítimo. Destaca, o comprador importador e vendedor exportador. Definidas as condições do negócio, contratase a armação do navio. Ressaltando, a existência de representantes diretos ou por agências de navegação. Acrescenta, ainda, a figura do NVOCC, empresas consolidadoras de carga, responsáveis pelo transporte e, em chegando no destino, a desconsolidação da carga mediante seus representantes, as agências de cargas. Poderá haver, a consolidação de carga já consolidada, havendo duas ou mais empresas de agenciamento de carga. Por este motivo, é necessário a prestação de informações em tempo hábil, caso contrário, o poder de polícia aduaneiro teria prejuízo na sua capacidade de controle. O conhecimento de carga ((bill of landing BL) é o documento emitido pelo transportador ou consolidador, que representa os termos do contrato de transporte marítimo e prova a posse da carga. Ainda, identifica proprietário, consignatário, último endossatário ou o portador do título, em via de consequencia, o titular do despacho aduaneiro. O transportador procedente do exterior, tem o dever de prestar informações à Receita Federal do Brasil, sobre a chegada de veículo e as cargas transportadas. Conjugado o Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10711.005727/201009 Acórdão n.º 3001000.357 S3C0T1 Fl. 145 3 artigo 37 do Decreto Lei 37 / 66, com seu parágrafo primeiro, conclui a autoridade fazendária pela responsabilidade do agente de cargas Controle Aduaneiro Informatizado Os dados transmitidos eletronicamente, obedecem a forma e prazos estabelecidos pela RFB, e os atos detém validade, fiscal e aduaneira, em razão das disposições legais expressas no artigo 64 da Lei 10.833/03, atinentes sobre a certificação digital. Neste ambiente, o Siscomex Carga é sistema informatizado para o controle de movimentação de embarcações e cargas nos portos alfandegados. Os dados ali são inseridos pelos transportadores, agentes de carga ou seus representantes, e submetidos ao controle aduaneiro relatam as escalas, com dados dos Manifestos e Conhecimentos de carga, nos parâmetros do Sistema de Conhecimento Eletrônico (CE Mercante) Da Equiparação a Transportador A indicação prevista no artigo 5.º, combinado com o artigo 2.º, parágrafo 1.º, IV, da IN 800/2007, equipara, para efeitos fiscais, empresas de navegação, desconsolidadores e agentes de carga Informações a ser prestadas. o artigo 6.º da IN 800/2007 impele ao transportador, o dever de prestar informações sobre veículo e cargas para cada escala em porto alfandegado. Dentre as informações, o veículo e escalas, e a carga. Sobre a carga, informações sobre o manifesto, a vinculação à escala, conhecimentos de transportes, informações sobre a desconsolidação e a associação do Conhecimento de Carga ao novo manifesto, em caso de transbordo ou baledeação. Prazos dado às prestações de informações São os artigos 22 e 50 da IN 800/2007, com alteração dada pela IN 899/2008, os prazos mínimos para a prestação de informações, sendo que após a leitura de seus dispositivos, verificase a ocorrência de dois períodos distintos: de 31/03/08 a 31/03/09; e a partir de 1.º de abril de 2009. No período inicial (31/03/08 a 31/03/2009), foram estipulados prazos de menor antecedência, e, aplicando a norma mais benéfica, presente no artigo 50, os prazos mínimos para as prestações de informações são os presentes no artigo I e II: I as relativas ao veiculo e suas escalas, cinco horas antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, b em como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala a) antes da salda da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, guando o item de carga for granel; b) antes da salda da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; C) antes da salda da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; Fl. 147DF CARF MF 4 d) antes da chegada da embarcação no primeiro Porto Nacional, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas a conclusão da desconsolidação, antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Ausência de Denúncia Espontânea Requer a aplicação do artigo 683, parágrafo 3.º do Regulamento Aduaneiro. Dos Danos Causados à Fiscalização Explica que as ações de fiscalização são planejadas a partir das informações do Siscomex Cargas. O gerenciamento de risco é a ferramenta para dar celeridade ao despacho de mercadorias com a consequente redução do custo incidente sobre o comércio exterior. Tal análise dos dados, devem ocorrer previamente às operações de comércio exterior, com o conhecimento dos dados que nortearão os atos da RFB. Por este motivo, a falta de prestação de informações, ou sua ocorrência fora de prazo, inviabiliza a análise prévia, causando entrave no exercício do controle aduaneiro. Da Infração pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos Foi aplicado o disposto no artigo 107, IV, e, do Decreto Lei 37/66, com novel redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03. Dos Fatos A embarcação chegou ao Brasil, RJ, e proveniente de Valencia, Espanha, em 17 de junho de 2008, atracando às 08:15, conforme detalhado em extrato de escala constante destes autos. A data, 17 de junho de 2008, e a hora, 08:15, relativas à atracação, estabelecem o limite para a agência de navegação prestar as informações do veiculo de carga, conforme inteligência do artigo 22 e 50, da IN 800. A agencia de navegação MSC Mediterranean, após ter informado o manifesto de sua compentencia, e efetuado as devidas vinculações às escalas, informou tempestivamente o Conhecimento eletrônico, no dia 13 de junho de 2008. Consta como consignatário da CE, a empresa NEWS Logistics, ora recorrente, Haja vista ser o porto do Rio de Janeiro, o primeiro de atracação e o destino da carga, a data e hora limite para que a NEWS, ora recorrente, prestasse as informações de sua responsabilidade, nos termos dos artigos 22 e 50 da IN 800/07, é a da atracação da embarcação, ou seja, 17 de junho de 2008, as 80hrs15. Conforme consta, a NEWS procedeu a desconsolidação da carga somente no dia 17/06/08, as 10hrs17min41. Desta forma, intempestiva. tendo sido gerado inclusive pelo sistema Carga um bloqueio automático com o status de "INCLUSÃO DE CARGA AP6S 0 PRAZO OU ATRACAÇÃO" de forma imediata, conforme extrato do C.E. Mercante As fls. 20 a 21. Sujeição à Multa Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10711.005727/201009 Acórdão n.º 3001000.357 S3C0T1 Fl. 146 5 Por fim, a informação no sistema Carga, no momento do desbloqueio, sujeita a aplicação da multa prevista na alínea e, IV do artigo 107 do DL 37/66, com a data de referência em 17 de abril de 2008. Documentos anexados · Extrato da Escala; · Extrato do Manifesto; · Consulta de agencia de navegação / Desconsolidador; · Extrato do Conhecimento Eletrônico. Impugnação Em sua narração de defesa, a recorrente relata ter sido alvo de auto de infração por não ter prestado informações sobre as cargas transportadas em momento tempestivo, motivo pelo qual lhe foi aplicada a multa prevista no artigo 107, IV, e do decreto lei 37/66, nos seguintes termos: a multa será aplicada ao prestador de serviços internacionais quandoa informação não for prestada na forma e prazo Inocorrência de infração ou extemporaneidade na prestação de informações Alega que as informações foram prestadas no prazo. Clama a aplicação do artigos 105 e 116 do CTN, e o argumento da irretroativdade da lei tributária, merecendo ser transcrito os seguintes trechos da impugnação. Ora, tendo em vista que a embarcação transportando a carga cujo CE é objeto da presente autuação atracou em porto nacional em 17/06/2008 (CE 130.805.119.701.397), constatase que não havia obrigatoriedade de observação do prazo de antecedência estipulado para a prestação de informações pela IMPUGNANTE, dado que o prazo determinado pelo artigo 22, nos termos do artigo 50 da IN 800/07, somente seria cogente após 1 0 de janeiro de 2009. a obrigação de prestação de informações no prazo previsto no artigo 22 era até o dia 01 de abril de 2009. Dessa forma, a legislação vigente no momento de ocorrência do "fato gerador', qual seja, no instante em que as informações deveriam ser prestadas, é a legislação que deve ser aplicada ao caso concreto para determinação do prazo para cumprimento da obrigação de prestação de informações por sua vez, que de acordo com o artigo 22 da IN RFB n° 800/2007, as informações deveriam ser prestadas quarenta e oito horas antes da chegada das embarcações a descarregarem em porto nacional. Todavia, referido dispositivo tomarseia de observação obrigatória somente a partir de 10 de Janeiro de 2009, nos termos do artigo 50 da IN RFB n° 800/2007 a •seguir transcrito: Art. 50 Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1 de janeiro de 2009. Fl. 149DF CARF MF 6 Parágrafo único. 0 disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar, informações sobre: I a escala, com antecedência minima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no Pais. Nem se. alegue que o parágrafo único do artigo 50 da IN RFB n° 800/2007 levaria a entendimento diverso, uma vez que trata da responsabilidade do transportador de prestar informações, figura que difere do NVOCC— empresa consolidadora de cargas ou, ainda, das agências de carga (desconsolidadoras da carga). Ilegitimidade do Agente desconsolidador Classificase, conforme encontrase assentado, como agente desconsolidador, não podendo ser equiparada a agente de navegação. Mais tarde, assegura que a figura da autuada equiparase a do agente de navegação marítima. Cita a súmula 192 do extinto TFR: o agente marítimo, quando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador. Por fim, evidencia as impropriedades do auto de infração, atribuindo a necessidade de respeitar as características da relação tributária, o arquétipo do contrato mandato. Irretroatividade e aplicação da multa a partir de 2009 A carga cujo CE é objeto da presente autuação atracou em 17/06/2008, alegando, como visto, não haver a obrigatoriedade de observação do prazo de antecedencia. Levanta a utilização do artigo 105 do CTN irretroatividade da lei que as informações deveriam ser prestadas 48 horas antes da chegada das embarcações , conforme artigo 22, inciso II, da IN 800/2007 Acrescenta, porém, os termos do artigo 50 da IN 800/2007, cujo mandamento impende a obrigação para somente a partir de 1 de janeiro de 2009 Pondera, também, pela alteração trazida pela IN 899/2008, a qual postergou ainda mais a obrigatoriedade, desta vez, para abril de 2009 Ausência de prejuízo ao Erário Merecem ser transcritos os seguintes trechos da impugnação: 24. De fato, segundo consta da autuação, a atracação da embarcação ocorreu no dia 17/06/2008, As 8:15:00, e a inclusão do CEMercante Agregado (HBL) 130805119701397 foi procedida na mesma data As 10:17:41, ou seja, pouco mais de duas horas após a efetiva atracação. 25. Ressaltase que a informação foi prestada na data da atracação e de forma espontânea pela IMPUGNANTE, sendo certo que a inclusão da informação no sistema decorridas duas Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10711.005727/201009 Acórdão n.º 3001000.357 S3C0T1 Fl. 147 7 horas da atracação não causou qualquer impedimento ao exercício do controle aduaneiro'ou bo erário público. Proporcionalidade e razoabilidade Requer a aplicação do artigo 2 da lei 9784/99, no sentido de conferir efeitos concretos aos comando da proporcionalidade e reazoabilidade na aplicação de sanções administrativas. A seguir, trechos que delineiam o raciocínio empreendido: Com efeito, a sanção pecuniária imposta, multa regulamentar de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), não observa a proporcionalidade e razoabilidade, que deve permear os atos administrativos, haj a. vista i) a ausência de lesão ao erário, ii) o pleno . exercicio do controle aduaneiro e iii) a boafé da IMPUGNANTE que, duas horas após a atracação da embarcação, Promoveu a inclusão do CEMercante no sistema. Conversão da multa em pena de Advertência Requereu a conversão da multa em pena de advertência, prevista no artigo 76, I, j, da Lei 10.833/03, cominada com o artigo 45 da IN 800/07. DRJ/RJ O acórdão emanado pela referenciada DRJ, encontrase dispensado da formação de ementa, motivo pelo qual, deixase de transcrevêla, seguindose à transcrição do relatório. Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para exigência tributária no valor de 5.000,00, referente a multa do artigo 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37 de 18/11/1966, aplicada a agente de carga por deixar de prestar informação sobre carga transportada, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Depreendese da descrição dos fatos e enquadramento legal do Auto de Infração que a interessada, na condição de agente desconsolidador de carga, informou operação de desconsolidação de carga depois da atracação do navio que a transportava. A irregularidade foi cometida em relação ao Conhecimento de Embarque (CE) Mercante Máster nº 130.805.118.396.876 (CE – House nº 130.805.119.701.397), configurando a situação prevista no artigo 45 da Instrução Normativa RFB nº 800 de 27 de dezembro de 2007, a qual impõe a penalidade prevista na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, com multa de R$ 5.000,00 por informar desconsolidação de CE Mercante fora do prazo estabelecido pela legislação. Fl. 151DF CARF MF 8 Cientificada por Auto de Infração, a interessada apresentou a impugnação tempestiva de folhas 29 a 41. Pondera a Impugnante que não é parte legitima para figurar no pólo passivo da autuação, tendo em vista que a imposição do parágrafo único do artigo 50 da IN RFB n° 800/2007 não poderia ser lhe aplicada, uma vez que trata da responsabilidade do transportador de prestar informações, figura que difere do NVOCC empresa consolidadora de cargas ou das agências de carga (desconsolidadoras da carga). Alega a impugnante que o auto de infração em questão fundamentase em norma que não produzia efeitos à época do fato gerador, citando o artigo 105 do CTN, ipis litteris: Art. 105. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116. Entende que na época dos fatos, a prestação de informações não precisava observar o prazo do artigo 22 da Instrução Normativa n° 800/2007, uma vez que no momento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária acessória, o referido artigo não tinha aplicação cogente, sendo válido apenas a partir de janeiro de 2009. No mesmo sentido afirma que com a IN RFB n° 899/2008, que modificou a redação do artigo 50 da IN n° 800/2007, houve ainda maior postergação dos prazos de antecedência, tornado a obrigatoriedade de prestar informações no prazo previsto no artigo 22 inexigível até o dia 1º de abril de 2009. Observa ainda a ausência de prejuízo ao erário, bem como que pela observância dos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, pois que a atracação não causou qualquer impedimento ao exercício do controle aduaneiro ou ao erário público. A imposição de multa por mero atraso no cumprimento de uma obrigação de prestação de informações, que não ensejou qualquer embaraço ao pleno exercício do controle aduaneiro (bem jurídico que a obrigação acessória pretende resguardar), mostrase desproporcional à finalidade da norma. Verificada a diminuta ou inexistente lesividade da conduta da impugnante, já que realizou de forma espontânea a prestação das informações sobre o CEMercante pouco tempo depois da atracação da embarcação, possibilitando o efetivo controle da entrada, saída e movimentação das cargas transportadas em território nacional, não se justifica a aplicação da penalidade de multa. Com vistas a observar os princípios legais atinentes à graduação e aplicação de penalidades, notadamente os princípios da proporcionalidade e razoabilidade, deveria ser aplicada a penalidade de advertência, prevista no artigo 76, I, "j" da Lei n° 10.833/03 c/c o artigo 45 da IN n° 800/2007. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10711.005727/201009 Acórdão n.º 3001000.357 S3C0T1 Fl. 148 9 Requer que seja anulado o Auto de Infração, promovendo a declaração de insubsistência do presente AI com a anulação/cancelamento da cobrança e exigibilidade da multa. Do voto, merecem transcrições os seguintes trechos, relativo à aplicabidade da multa em decorrência da análise de direito intertemporal travada nestes autos: Como a norma transcrita esclarece, os prazos previstos em seu artigo 22 somente serão exigidos a partir de 1º de abril de 2009. Todavia, seu parágrafo único estabelece expressamente que, a despeito dos prazos passarem a viger na data determinada, isso não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Portanto, a intempestividade da informação de carga após a atracação da embarcação, quando se trata de carga de estrangeira, enseja a aplicação da penalidade. Sendo assim, no momento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária acessória a determinação de cumprimento dos prazos de informação da carga já se encontrava em vigor. Desta forma, não se pode recorrer a alegação de que não se esteja cumprindo a regra geral de aplicação da lei tributário, ou seja, sua aplicação prospectiva e imediata prevista no artigo 105 do CTN. Sobre a ilegitimidade passiva, extraise do voto condutor: Relativamente ao argumento de tratarse de mero NVOCC empresa consolidadora de cargas, sem poder ficar sujeito às exigências dos mandamentos da Instrução Normativa nº 800/07, especificamente o dispositivo do artigo 50, informo que estão sujeitos à multa em tela a empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou o mero desconsolidador de carga, equiparandose ao transportador marítimo. Sobre os fatos: A fiscalização relata que a atracação da embarcação ocorreu no dia 17/06/2008, às 08:15hs, sendo esta a data/hora limite para que a empresa prestasse as informações de sua responsabilidade, nos termos dos arts. 22 e 50 da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27/12/2007, com redação alterada pela IN RFB n° 899, de 29/12/2008. No entanto, a empresa NEWS LOGISTICS LTDA, procedeu a desconsolidação da carga informando o CE. Mercante Agregado (HBL) n° 130.805.119.701.397, somente no dia 17/06/2008, às 10:17:41hs, restando, portanto, INTEMPESTIVA a informação, tendo sido gerado inclusive pelo sistema Carga um bloqueio automático com o status de "INCLUSÃO DA CARGA APÓS O PRAZO OU ATRACAÇÃO" de forma imediata. Fl. 153DF CARF MF 10 Sobre a denúncia espontânea: Cabe observar que o bloqueio da carga no Sistema se deu antes de qualquer pedido de retificação da informação, portanto iniciado procedimento fiscal para apurar a irregularidade, antes mesmo de qualquer solicitação do contribuinte. Alegação de falta de prejuízo ao erário público: Com relação à alegação de falta de prejuízo ao Erário e da falta de conduta lesiva, por conta do admitido registro intempestivo da desconsolidação da carga, é suficiente salientar que, em se tratando de direito tributário, a responsabilidade do infrator não tem a mesma natureza da responsabilidade penal e/ou cível, não cabendo falar, portanto, em modalidade culposa ou dolosa, uma vez que “a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato” (art. 94, § 2º, do DL 37/1966 e art. 136 do CTN). Conversão da pena, conforme artigo 45 da IN 800/2007 a expressão “e quando for o caso” não confere possibilidade de escolha sobre a aplicação de pena, mas sim sua cumulatividade quando couber. Recurso Voluntário O recurso apresentado insurgese em face da decisão de primeira instância que manteve a cobrança da multa imposta com fundamento no artigo 107, IV, e do DL 37/66 Ilegitimidade Passiva Alega a não sujeição passiva por parte da recorrente, mencionando a seção II da IN 800/2007, mais especificamente o consolidador estrangeiro (NVOCC) e o agente de carga. Deste modo, pelo artigo 4.º da mencionada IN, a empresa de navegação seria representada pelo agência marítima. Ainda, em seu artigo 6.º, indica a existência da obrigatoriedade do transportador pela prestação de informações. Desobrigatoriedade de Agente Desconsolidador em prestar informações Outro ponto abordado, a recorrente não se confunde com as figuras dos agentes arrolados, não se enquadrando como empresa de transporte, prestadora de serviço de transporte porta a porta e agente de carga. A recorrente é agente desconsolidador, e, por analogia, poderia ser comporada a agente de navegação. Por isso, relata que a recorrente, seria mero agente de cargas apontado pelo agente emissor do HBLS, conforme telas do SISCARGA, e neste sentido, a empresa MSC Meditarranean Shipping deveria ser responsabilizada pela prestação de informações. Junta jurisprudência relativo ao cancelamento de auto de infração com fundamento no item c, do inciso IV do artigo 107 do DL 37/66. Atraso no envio das informações por parte do embarcador Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10711.005727/201009 Acórdão n.º 3001000.357 S3C0T1 Fl. 149 11 Alega que as informações prestadas foram as corretas e, para prestar as informações, depende das informações prestadas por embarcadores e a confirmação das informações pelo consignatário, exatidão e tempestividade na prestação de informações dos armadores, e, por isso, houve o apontado atraso. Por ser mero agente de cargas, não possui a gestão náutica, e para saber od andamento, dependfe da comunicação oficial do armador Ausência de prejuízo As informações foram prestadas de forma correta, e não houve liberação de carga o envio das informações à autoridade aduaneira, havendo, portanto ciência e a anuência da fiscalização. Denúncia espontânea Traz o artigo 138 do CTN, pois a requerente, sem nenhuma provocação da autoridade, imputou, espontaneamente, as informações logo após ter recebido as informações alega ainda que haja afastamento do instituto pelo DLs 4.543/2002 e 6.759/2009, o CTN fora recepcionado com força de lei complementar. entregue em momento anterior a lavratura do auto, tendo o procedimento fiscal iniciado após a retificação, em conformidade com o artigo 102, parágrafo 2.º do DL 37/66, introduzida pela lei 12.530/2010. Retroação da Lei 12.530/2010 Por fim, a norma, veiculada no ordenamento jurídico no ano de 2010, retroagiria beneficamente ao fato aqui imputado. Ausência de Obrigação Legal período de contingencia 31/03/2009 nas disposições finais transitórias foi estabelecida a data de vigência de aplicação do prazo de 48 horas antes da chegada da embarcação para a prestação de informações, com o objetivo de oportunizar a devida preparação dos operadores do sistema Tal oportunização ocorreu com o diferimento do prazo incial, em 1 de janeiro de 2009, postergado para 1 de abril de 2009, tornando incabível o argumento da aplicação do artigo 50. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário interposto pela recorrente a fim de verse livre da imposição de multa, mediante lavratura de auto de infração, cujo antecedente normativo Fl. 155DF CARF MF 12 prevê, em caso de ocorrência de atraso na prestação de informações ao Siscomex, a aplicação de multa. Tempestividade Analisando os autos temse que o Recurso Voluntário é tempestivo. Conhecimento Parcial A fim de analisar sua admissibilidade, temse que deve sêlo apenas parcialmente, excluindose, do conhecimento, a parte atinente ao argumento no qual o atraso na prestação das informações deveuse ao atraso no envio das informações por parte do embarcador, vez que, tal argumento veio à tona apenas em sede recursal. Preliminar de Sujeição passiva Alega a recorrente a ocorrência de sujeição passiva inadequada aos fatos apresentados nas narrativas e versões descritas. Em especial, destacase argumentos da recorrente: Sendo descabida a pretensão do administrador de atingir os agentes marítimos, desconsolidador ou agente de carga. Isto por que, não há previsão legal para a aplicação da responsabilidade solidária pretendida pela autoridade fazendária. Entretanto, há equiparação do agente de cargas e dos agentes consolidadores e desconsolidadores, no caso prático, última figura, ao transportador, consoante a leitura do artigo 2.º, parágrafo 1.º, IV, da IN 800/2007: artigo 2.º Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíenas "a" e "b" , responsável pela consolidação da carga na origem; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela consolidação da carga na origem; d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíenas "a" e "b" , responsável pela desconsolidação da carga no destino; e d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; Neste ponto, não assiste razão à recorrente, sendo negado provimento. MÉRITO Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10711.005727/201009 Acórdão n.º 3001000.357 S3C0T1 Fl. 150 13 Termo Inicial da aplicação de multa aplicável à prestação em atraso das informações exigidas pelo artigo 22 e 50 da IN 800/2007, alterada pela IN 899/2008 A multa combatida encontrase prevista no artigo transcrito a seguir: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; A legislação tributária que merece atenção, é o mencionado artigo 50 da IN 800 modificado pela IN 899. IN 800/2007, modificada pela IN 899/2008 Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. E, por fim, mister transcrever o artigo 22 da mencionada IN. Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; Em que pese a existência de precedentes deste Conselho, favoráveis à aplicação da multa em comento, no caso de atraso prestação de informações consubstanciadas na declaração, entendo que: 1. há previsão normativa de postergação do prazo para a incidência Fl. 157DF CARF MF 14 da multa cujo fato gerador é a envio de comunicação, por parte do consignante, em momento posterior à atracação da embarcação. IN 800, de 27 de dezembro de 2007 Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Ainda, em segundo momento, houve norma posterior, abrandando a aplicação da penalidade, postergando o início de sua obrigatoriedade para somente após de 01 de abril de 2009, devendo ser obedecido o artigo neste sentido. Por este motivo, se socorre da aplicação do artigo seguinte do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Em caso semelhante, tal raciocínio fora empreendido. O caso do precedente acostado abaixo, relacionase com a extensão do prazo, de 05 para 07 dias, como necessário à prestação de informações. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10711.005727/201009 Acórdão n.º 3001000.357 S3C0T1 Fl. 151 15 Como é sabido, no caso presente, tratase de legislação que determinava a ocorrência de multa, IN 800, posteriormente revogada pela IN 899, a qual concedeu o prazo para início da obrigatoriedade apenas em 01 de abril de 2009. IN 899, de 29 de dezembro de 2008 Art. 1º O art. 50 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009 Deste modo, devese aplicar o entendimento da legislação mais benéfica ao contribuinte. Acórdão nº 3302004.717 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2008 a 22/03/2008 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, E, DO DECRETOLEI 37/1966 (IN SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando de descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF 28/1994, a multa instituída pelo artigo 107, IV, e do DL 37/1966, deve ser mitigada diante do novo prazo imposto pela IN SRF 1.096/2010, em decorrência da retroatividade benigna. Após a lavratura do auto de infração foi publicada a Instrução Normativa RFB n. 1.096, de 13/13/2010, que ampliou o prazo para registro dos dados pertinentes no SISCOMEX para 7 dias2. Afirma que o art. 106 do CTN permite que a dilação do prazo pela publicação da recente norma deve gerar benefícios a seu favor, já que não é mais considerada infração o não fornecimento de informações no prazo de 2 dias. Considerando que não poderão ser objeto de deliberação por este Colegiado as matérias abordadas no recurso voluntário e que já foram objeto de deliberação, nos resta apreciar, unicamente, o argumento sobre o fato superveniente, que é a publicação da IN RFB n.1.096/2010 e se seus efeitos retroagem à data dos fatos descritos no auto de infração. E, sobre esse tópico, filiome à vasta jurisprudência deste Conselho, que reconhece que os efeitos benignos da IN RFB n. 1.096/2010 devem surtir efeitos em hipóteses análogas à dos autos. Fl. 159DF CARF MF 16 Isso porque estamos diante de uma sanção (ainda que na seara tributária) e a melhor interpretação sobre o texto contido no inciso XL do artigo 5º da Constituição Federal 1988 impõe o reconhecimento que a lei penal deverá retroagir, sempre que for para beneficiar o réu (no caso, o contribuinte apenado pela multa). A propósito, e ilustrativamente, segue a ementa de julgado deste Conselho, o qual adoto como fundamento: TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO / 2ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA / ACÓRDÃO 3202000.486 em 25/04/2012 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA. Data do fato gerador: 04/07/2006, 06/07/2006, 10/07/2006, 11/07/2006, 13/07/2006, 15/07/2006, 23/07/2006 e 29/07/2006 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, 'E' DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando do descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF no 28/1994, a multa instituída no art. 107, IV, 'e' do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo de dois dias para o registro desses dados no Siscomex. Uma vez que a IN SRF no 1.096/2010 fixou o prazo de sete dias para o registro dos dados no Siscomex, deve ser aplicada, com fulcro no princípio da retroatividade benigna, a norma mais benéfica ao contribuinte. CONTAGEM DE PRAZO. DIA ÚTIL. A contagem dos prazos estipulados na legislação tributária deve seguir os ditames do artigo 210 do Código Tributário Nacional. Os prazos iniciam e terminam apenas em dias úteis. SISCOMEX. INDISPONIBILIDADE. PROVA. A parte que alega a indisponibilidade do sistema SISCOMEX deve apresentar prova irrefutável sobre tal situação. A mera alegação, sem comprovação do alegado, não é capaz de influir no entendimento do julgador. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA N. 02 DO CARF. De acordo com a Súmula n. 02 do CARF, o órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, preliminar de nulidade do auto de infração não acolhida e, no mérito, recurso voluntário provido em parte. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10711.005727/201009 Acórdão n.º 3001000.357 S3C0T1 Fl. 152 17 (grifos adicionados) Assim, entendo que o recurso voluntário deve ser provido para que as multas impostas em decorrência das informações prestadas dentro do prazo de 7 dias (IN SRF n.1.096/2010) sejam canceladas. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Argumentos prejudicados Os argumentos trazidos a respeito da Denúncia espontânea, Retroação da Lei 12.530/2010 e Ausência de Obrigação Legal período de contingência 31/03/2009, ficam prejudicados, tendo em vista o provimento do pedido relativo à não aplicação da multa por haver norma mais benéfica que alterou o termo inicial do início da incidência da multa. Conclusão. Diante do exposto, Conheço parcialmente do recurso, para excluir da apreciação o argumento atinente ao motivo do atraso na prestação de informações, que teria ocorrido pelo envio tardio por parte do embarcador. Em sede de preliminares, rejeito o pedido de reconhecimento de ilegitimidade passiva. No mérito, aceito a argumentação relativa a não incidência da multa por haver norma postergando o início do termo inicial de sua exigibilidade, dando, neste ponto DOU PROVIMENTO ao recurso. Sobre os temas da Denúncia espontânea, Retroação da Lei 12.530/2010 e Ausência de Obrigação Legal em prestar as informações, consideroos prejudicados, não sendo necessária sua análise. Assim, conheço parcialmente do recurso para lhe dar parcial provimento, excluindo o dever recolhimento da multa. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Voto Vencedor Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Redator Designado Preâmbulo 1 Em que pese o elogiável argumento que fundamentou o Voto Vencido, peço vênia para submeter a este Colegiado entendimento diferente do esposado pelo Ilustre Conselheiro Renato Vieira de Avila, que lhe deu provimento parcial, para acatar o argumento relativo a não incidência da multa, por haver norma postergando o início do termo inicial de sua exigibilidade, acompanhado pelo Ilustre Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deu provimento, em seu bem fundamentado voto como Relator. Procurarei, em breves linhas, expor por que entendo que se deve negar provimento ao recurso voluntário quanto à exoneração da exigência da multa em debate, posição diametralmente oposta à do ilustre relator, que proveu o recurso voluntário. Fl. 161DF CARF MF 18 Neste passo, alerto que o desencontro de entendimento restringese tão somente ao fundamento jurídico adotado, segundo o qual há "norma postergando o início do termo inicial de sua exigibilidade". Preâmbulo 2 Atentese, o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do Ricarf, aprovado pela Portaria MF 343 de 09.06.2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no julgamento do processo 10711.005630/201098, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3001000.354): "Da divergência do entendimento jurídico A questão pareceme bastante simples. A fiscalização foi bastante clara e correta ao exigir a observância dos prazos de antecedência de prestação de informações, na forma do parágrafo único do artigo 50 da IN RFB 800 de 2007, cuja redação mais adiante reproduzse. Vejase que tanto o transportador quanto o próprio agente de cargas, qualidade que se insere o ora recorrente, por força do caput e § 1º do artigo 37 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, têm o dever de prestar informações à Receita Federal do Brasil, na forma e prazos estabelecidos pela própria Administração, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ora, não me parece razoável supor que mesmo não estando em vigor o artigo 22 da IN RFB 800 de 2007, deixarseia de aplicar a regra prevista no caput do artigo 50 da mesma Instrução Normativa. Tal dispositivo, conforme transcreverseá, mais adiante, diz textualmente que o tempo de vacância do artigo 22 da IN RFB 800 de 2007 “não exime o transportador da obrigação de prestar informações”. Tendo em vista que o recorrente somente procedeu a desconsolidação da carga após a atracação das embarcações, é patente que houve desrespeito aos prazos de antecedência previstos na legislação normativa em questão. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10711.005727/201009 Acórdão n.º 3001000.357 S3C0T1 Fl. 153 19 Então, uma vez descumprida a obrigação acessória, cuja finalidade me parece bastante razoável para fins de efetivo controle aduaneiro, impõese sim a aplicação da correspondente multa. E em relação à multa, não há como eximir o recorrente, pois esta decorre de lei específica, na forma da alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 18.11.1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 29.12.2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (...) Explicito melhor o tema em debate. Atendendo ao determinado no dispositivo legal supratranscrito, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) publicou a Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007, que “dispõe sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados”. Relativamente aos prazos mínimos para a prestação das informações à Secretaria da Receita Federal do Brasil a referida Instrução Normativa estabeleceu no artigo 22 da seguinte forma, in verbis: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; b) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; Fl. 163DF CARF MF 20 c) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1º Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no sistema pela Coordenação Especial de Vigilância e Repressão (Corep), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. § 3º Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput, se reduz a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto. Todavia, o artigo 50 da IN RFB 800 de 2007 previa, desde sua publicação, a data a partir da qual referidos prazos seriam implementados e, depois da alteração promovida pela IN RFB 899 de 29.12.2008, ficou com a seguinte redação, in verbis: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (destaquei) Como a norma transcrita esclarece, os prazos previstos em seu artigo 22 somente serão exigidos a partir de 1º de abril de 2009. Todavia, seu parágrafo único estabelece expressamente que, a despeito dos prazos passarem a viger na data determinada, isso não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Portanto, reforço, a intempestividade da informação de carga após a atracação da embarcação, quando se trata de carga de estrangeira, enseja a aplicação da penalidade. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10711.005727/201009 Acórdão n.º 3001000.357 S3C0T1 Fl. 154 21 Desta forma, está preservado o princípio da legalidade pela combinação da alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 1966, com os dispositivos 22 e 50 da Instrução Normativa nº 800 de 2007. Salientese, o princípio da irretroatividade não se macula quando a lei vigente coaduna com a época do fato gerador como se esclareceu no presente caso. Da conclusão Pelas razões que expus acima, entendo que o Colegiado a quo agiu consoante os princípios constitucionais e legais, a lei processual administrativa e as leis que motivam o lançamento e a exigência em discussão, uma vez que resta sobejamente evidenciado que o recorrente procedeu a desconsolidação da carga informando o CE. Mercante Agregado (HBL) somente depois de a embarcação ter atracado no porto do Rio de Janeiro, ou seja, prestando a informação INTEMPESTIVAMENTE, tanto que gerouse de forma imediata, pelo sistema Carga, um bloqueio automático com o status de "INCLUSÃO DA CARGA APÓS O PRAZO OU ATRACAÇÃO"." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos parágrafos 1º e 2º do artigo 47 do Anexo II do Ricarf (Portaria MF 343 de 09.06.2015), proponho a este Colegiado, especificamente quanto a este item, seja negado provimento ao recurso de voluntário, mantendose a exigência fiscal, nos termos em que lavrado o auto de infração. É como penso e voto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.726910/2014-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
RECURSO DE OFÍCIO. BASE DE CÁLCULO. VENDAS CANCELADAS.
Conforme a alínea a, do § 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, as vendas canceladas não integram a base de cálculo das contribuições.
RECURSO VOLUNTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS.. SÚMULA CARF Nº 1.
Não deve ser conhecido o Recurso Voluntário no que toca ao pedido de exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS em razão da sua concomitância com os pedidos formulados em sede de Mandado de Segurança.
RECURSO VOLUNTÁRIO. MULTA DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR MANDADO DE SEGURANÇA.
Estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário por decisão judicial no momento da lavratura do Auto de Infração, não pode ser lançada a Multa de Ofício.
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRELIMINAR. NULIDADE DA AUTUAÇÃO. COMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 27.
É valido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo.
RECURSO VOLUNTÁRIO. NULIDADE. PROVA EMPRESTADA. INOCORRÊNCIA.
Não é nulo o auto de infração lavrado com os mesmos elementos de prova decorrentes de única ação fiscal da qual decorre a lavratura de autos de infração distintos por tributo.
RECURSO VOLUNTÁRIO. NULIDADE. DESCONSIDERAÇÃO DE NEGÓCIOS E PERSONALIDADE JURÍDICA. INOCORRÊNCIA.
Não acarreta a nulidade do lançamento o fato de a Fiscalização efetuar a desconsideração de negócios e personalidade jurídica com a devida fundamentação.
RECURSO VOLUNTÁRIO. EMPRESAS VINCULADAS. IMPORTADORA - INDUSTRIAL. COMERCIAL. VINCULAÇÃO COM AFETAÇÃO DE PREÇOS DOMÉSTICOS. DESCONSIDERAÇÃO DOS PREÇOS NAS TRANSAÇÕES ENTRE PARTES VINCULADAS.
A fiscalização demonstrou que houve afetação de preços domésticos entre empresas vinculadas. Produtos importados e industrializados vendidos abaixo dos preços de livre concorrência no mercado doméstico e, exclusivamente, a empresa vinculada do grupo. A prática de preços de transferência no mercado doméstico e a falta de comprovação de preços em condições de livre concorrência (arm´s lengh) levou a desconsideração dos preços praticados entre as partes vinculadas. Foram considerados os preços praticados pela entidade comercial quando da venda para terceiros não vinculados.
RECURSO VOLUNTÁRIO. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM
Havendo interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, mantêm-se a solidariedade.
RECURSO VOLUNTÁRIO. DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO.
Contatado pela Fiscalização a efetiva devolução de mercadorias sujeitas ao regime monofásico, deverá ser feita a apropriação do crédito respectivo.
RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE DE COBRANÇA DE MULTA DA EMPRESA SUCESSORA.
Nos termos da Súmula STJ nº 554, "na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão".
RECURSO VOLUNTÁRIO. MULTA QUALIFICADA. INEXISTÊNCIA DE DOLO.
A afetação dos preços em função da vinculação entre as entidades, não constitui fraude ou simulação. A favor do sujeito passivo estão a prestação de informações contábeis e fiscais de forma regular. Logo, a divergência entre o sujeito passivo e a fiscalização quanto a operacionalização do planejamento tributário seriam insuficientes para caracterizar a fraude ou simulação e não autoriza a qualificação da multa de ofício, independentemente do posicionamento que se tenha quanto às atividades do grupo empresarial.
EMENTA JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO
São devidos juros sobre a multa de ofício aplicada.
Numero da decisão: 3201-003.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente o Recurso Voluntário, para não conhecer apenas a matéria relativa à parcela relativa à exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, por concomitância de matéria na esfera judicial. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para: a) cancelar a multa de ofício relativa à parcela do ICMS incluída na base de cálculo do PIS/Cofins para os fatos geradores ocorridos entre julho a dezembro de 2010; e, b) reconhecer o direito à apropriação dos créditos de PIS/Cofins correspondentes às notas fiscais de devolução de mercadorias, inclusive das mercadorias classificadas no NCM 3306. Por maioria de votos: a) manter a exigência dos valores principais de PIS/Cofins, e multa de ofício,excluídos os valores decaídos referentes ao período de janeiro a novembro de 2009, vencidos, no ponto, os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, relatora, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento total, para exonerar o crédito tributário lançado, e os conselheiros Marcelo Giovani Vieira e Paulo Roberto Duarte Moreira, que não reconheciam a decadência; e, b) excluir a qualificação da multa de ofício, vencidos os conselheiros Marcelo Giovani Vieira e Paulo Roberto Duarte Moreira. E, por último, por voto de qualidade, em manter a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima,Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Marcelo Giovani Vieira e Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
(assinado digitalmente)
Leonardo Correia Lima Macedo - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 69; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1824; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 286.759 1 286.758 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.726910/201419 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3201003.930 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria COFINS Recorrentes UNILEVER BRASIL INDUSTRIAL LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 RECURSO DE OFÍCIO. BASE DE CÁLCULO. VENDAS CANCELADAS. Conforme a alínea “a”, do § 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, as vendas canceladas não integram a base de cálculo das contribuições. RECURSO VOLUNTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS.. SÚMULA CARF Nº 1. Não deve ser conhecido o Recurso Voluntário no que toca ao pedido de exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS em razão da sua concomitância com os pedidos formulados em sede de Mandado de Segurança. RECURSO VOLUNTÁRIO. MULTA DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR MANDADO DE SEGURANÇA. Estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário por decisão judicial no momento da lavratura do Auto de Infração, não pode ser lançada a Multa de Ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRELIMINAR. NULIDADE DA AUTUAÇÃO. COMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 27. É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. RECURSO VOLUNTÁRIO. NULIDADE. PROVA EMPRESTADA. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o auto de infração lavrado com os mesmos elementos de prova decorrentes de única ação fiscal da qual decorre a lavratura de autos de infração distintos por tributo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 69 10 /2 01 4- 19 Fl. 286759DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.760 2 RECURSO VOLUNTÁRIO. NULIDADE. DESCONSIDERAÇÃO DE NEGÓCIOS E PERSONALIDADE JURÍDICA. INOCORRÊNCIA. Não acarreta a nulidade do lançamento o fato de a Fiscalização efetuar a desconsideração de negócios e personalidade jurídica com a devida fundamentação. RECURSO VOLUNTÁRIO. EMPRESAS VINCULADAS. IMPORTADORA INDUSTRIAL. COMERCIAL. VINCULAÇÃO COM AFETAÇÃO DE PREÇOS DOMÉSTICOS. DESCONSIDERAÇÃO DOS PREÇOS NAS TRANSAÇÕES ENTRE PARTES VINCULADAS. A fiscalização demonstrou que houve afetação de preços domésticos entre empresas vinculadas. Produtos importados e industrializados vendidos abaixo dos preços de livre concorrência no mercado doméstico e, exclusivamente, a empresa vinculada do grupo. A prática de preços de transferência no mercado doméstico e a falta de comprovação de preços em condições de livre concorrência (arm´s lengh) levou a desconsideração dos preços praticados entre as partes vinculadas. Foram considerados os preços praticados pela entidade comercial quando da venda para terceiros não vinculados. RECURSO VOLUNTÁRIO. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM Havendo interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, mantêmse a solidariedade. RECURSO VOLUNTÁRIO. DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Contatado pela Fiscalização a efetiva devolução de mercadorias sujeitas ao regime monofásico, deverá ser feita a apropriação do crédito respectivo. RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE DE COBRANÇA DE MULTA DA EMPRESA SUCESSORA. Nos termos da Súmula STJ nº 554, "na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão". RECURSO VOLUNTÁRIO. MULTA QUALIFICADA. INEXISTÊNCIA DE DOLO. A afetação dos preços em função da vinculação entre as entidades, não constitui fraude ou simulação. A favor do sujeito passivo estão a prestação de informações contábeis e fiscais de forma regular. Logo, a divergência entre o sujeito passivo e a fiscalização quanto a operacionalização do planejamento tributário seriam insuficientes para caracterizar a fraude ou simulação e não autoriza a qualificação da multa de ofício, independentemente do posicionamento que se tenha quanto às atividades do grupo empresarial. EMENTA JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO São devidos juros sobre a multa de ofício aplicada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 286760DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.761 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente o Recurso Voluntário, para não conhecer apenas a matéria relativa à parcela relativa à exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, por concomitância de matéria na esfera judicial. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para: a) cancelar a multa de ofício relativa à parcela do ICMS incluída na base de cálculo do PIS/Cofins para os fatos geradores ocorridos entre julho a dezembro de 2010; e, b) reconhecer o direito à apropriação dos créditos de PIS/Cofins correspondentes às notas fiscais de devolução de mercadorias, inclusive das mercadorias classificadas no NCM 3306. Por maioria de votos: a) manter a exigência dos valores principais de PIS/Cofins, e multa de ofício,excluídos os valores decaídos referentes ao período de janeiro a novembro de 2009, vencidos, no ponto, os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, relatora, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento total, para exonerar o crédito tributário lançado, e os conselheiros Marcelo Giovani Vieira e Paulo Roberto Duarte Moreira, que não reconheciam a decadência; e, b) excluir a qualificação da multa de ofício, vencidos os conselheiros Marcelo Giovani Vieira e Paulo Roberto Duarte Moreira. E, por último, por voto de qualidade, em manter a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima,Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Marcelo Giovani Vieira e Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 10057.308, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), que assim relatou o feito: Fl. 286761DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.762 4 Tratase de impugnação contra os Autos de Infração (fls. 189.812 a 189.838) 1 relativos às contribuições do PIS (lançamento de R$ 273.563.724,07) e da Cofins (lançamento de R$ 1.280.775.617,35) totalizando um crédito tributário de R$ 1.554.339.341,42, com multa e juros. A impugnação é apresentada em conjunto pela Unilever Brasil Industrial Ltda. (CNPJ nº 01.615.814/00011) e Unilever Brasil Ltda (61.068.276/000104). Diante do volume de folhas que envolvem esse processo se faz necessário realizar um breve histórico sobre os autos para uma melhor compreensão do litígio em análise. A fiscalização começou através do Termo de Início de Ação Fiscal (MPF nº 08.1.04.002012002608) datado de 28/03/2012 (fls. 2 a 4). As contribuições do PIS e da Cofins se encontram relacionadas no Termo de Início de Ação Fiscal (MPF nº 08.1.04.002014005220) datado de 28/03/2014 (fls. 70.675 a 70.676). Objetivavase apurar os valores devidos incidentes na sistemática monofásica prevista na Lei nº 10.147/2000 sobre receitas auferidas pelo contribuinte (produtos de toucador, higiene pessoal, etc.). Durante o procedimento fiscalizatório foram solicitados diversos documentos contábeis, fiscais e administrativos da empresa: arquivos digitais das notas fiscais de entrada e de saída; contrato social e alterações; Livro de Registro de Apuração de IPI; manifestação sobre as conclusões de Termo de Constatação; apresentação de determinados Despachos de Importação; contratos de venda, mútuo, participação e de ajustes; esclarecimentos sobre os pagamentos referentes às vendas de produtos acabados para estabelecimentos da Unilever Brasil Ltda., com as respectivas notas fiscais e comprovantes, hábeis e idôneos, dos efetivos pagamentos, assim como apresentar os contratos e ajustes semelhantes (instrumentos originais) em que constem os preços e demais condições negociadas entre as partes; esclarecimentos sobre a constatação de que nos acordos de fornecimento não constavam os preços e demais condições negociadas entre as partes; apresentação dos lançamentos, balancetes, registros contábeis e de vendas, conta correntes, mútuos, empréstimo, e despesas, das alegadas “compensações entre empresas”; contratos de gestão de pagamentos e recebimentos; balanço patrimonial; matrícula de imóvel do estabelecimento; relação de bens do patrimônio; conhecimentos de transporte específicos de algumas notas fiscais; informações sobre os responsáveis pelas decisões dos estabelecimentos; informação sobre critério utilizado para determinação dos valores unitários dos produtos; contas de energia elétrica; contas de telefonia; esclarecimentos sobre locações e comprovantes de aluguéis periódicos; informar as devoluções de vendas e a respectiva causa, apresentando as notas fiscais que acompanharam o produto, emitida pelo estabelecimento que fez a devolução, comprovando pelos registros contábeis e demais elementos de sua escrita, o ressarcimento do valor dos produtos devolvidos, mediante Fl. 286762DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.763 5 crédito, restituição ou substituição; existência de ações judiciais; Livro Registro de Inventário; relação completa de funcionários; esclarecimentos sobre a segregação dos estabelecimentos localizados no mesmo endereço; contas de água; depoimentos de envolvidos; localização dos centros de distribuição; planilhas com as bases de cálculo das contribuições; esclarecimentos sobre divergências no DACON; relação de operações submetidas a alíquotas diferenciadas de PIS e de Cofins; alvarás de licença; contratos de comodato, transporte, serviços logísticos, e subcontratação; entre outros. Constam vários registros de reintimações devido ao não atendimento pelo contribuinte de solicitações de documentos ou de esclarecimentos formalizados nas intimações. Foram juntados aos autos os seguintes documentos: Livro de Apuração do IPI (fls. 26 a 196, 74.132 a 74.520); cópias de notas fiscais (fls. 222 a 307, 315 a 369, 384 a 568, 839 a 907, 1.351 a 2.309, 2.514 a 2.547, 2.645 a 2.652, 2.720 a 2.750, 48.544 a 48.709, 71.208 a 71.313); acordos de fornecimento, aditamentos, contratos de empréstimos, contratos de gestão de pagamentos e de recebimentos (fls. 577 a 636, 1.066 a 1.082, 1.127 a 1.134); contratos sociais e alterações (fls. 644 a 828); relação de sínteses de documentos (fls. 908 a 1.044); conhecimentos de transporte/NFs (fls. 1.136 a 1.272, 2.311 a 2.317); matrícula de imóvel (fls. 2.318 a 2.323); registros contábeis (fls. 2.344 a 2.400); NFs/Documentos de Importação (fls. 2.402 a 2.513, 2.548 a 2.572, 2.764 a 2.875); comprovantes de despesas de despachos aduaneiros (fls. 2.671 a 2.713, 3.072 a 3.160); pagamentos de IPTU (fls. 2.892 a 3.048); pagamentos de fornecedores (fls. 3.049 a 3.071); despesas de fretes (fls. 3.161 a 3.251); notas fiscais que originaram devolução (fls. 3.371 a 4.485, 44.655 a 44.711, 44.712 a 47.116, 61.132 a 61.225); livro de registro de controle da produção e do estoque – RCPE (fls. 4.486 a 44.325); extratos bancários (fls. 44.396 a 44.481); contas de energia elétrica (fls. 47.137 a 47.504); contas de telefone (fls. 48.505 a 47.810); contratos de locação (fls. 47.956 a 48.003); plantas dos estabelecimentos (fls. 48.710 a 48.725); relação de funcionários com funções e dados da GFIP e do CNIS (fls. 48.742, 49.208 a 50.209, 61.253 a 64.420, 82.848 a 86.936); contratos de industrialização sobre encomenda com anexos, resumos de propostas, contratos de operações, aditamentos, contratos de permissão (fls. 50.397 a 50.803, 51.064 a 51.211); comparativo dos valores de saída do estabelecimento industrial e da média ponderada de preços unitários (fls. 53.021 a 61.020); demonstrativos dos valores unitários das notas fiscais de entrada (importação) e de saída dos mesmos produtos (fls. 61.031 a 61.124); localização dos centros de distribuição (fls. 61.242 a 61.252, 70.241 a 70.246); itens de saída do estabelecimento industrial (fls. 65.518 a 70.146); planilhas discriminando os valores de PIS e de Cofins por estabelecimento (fls. 70.716 a 70.763); alvarás, contratos de locação, comodato, transporte, serviços logísticos, contas de despesas gerais (fls. 70.935 a 71.207); Livro de Registro de Entradas (fls. 74.521 a 80.281); DIPJs (fls. 80.836 a 82.847); DACONs (fls. 86.937 a 87.736); Fl. 286763DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.764 6 itens de saída de produtos monofásicos (fls. 87.853 a 189.464); totais de saída por classificação fiscal e por estabelecimento (fls. 189.465 a 189.512); entre outros. Também foram realizadas visitas ao estabelecimento pela fiscalização (ver fls. 47.919 a 47.942, 48.726 a 48.738). Tomouse o depoimento dos senhores Carlos Eduardo (fls. 51.232 a 51.237), Luiz Henrique Pazzini (fls. 51.238 a 51.241), Nerino Lapastini (fls. 51.263 a 51.267), Valmir Souza (fls. 51.268 a 51.270) e Airton Lazaro (fls. 51.288 a 51.292). Com base nesses elementos e nos documentos levantados pela fiscalização foram elaborados os seguintes demonstrativos: a) Demonstrativo das diferenças apuradas na base de cálculo do PIS e da Cofins (fls. 189.513). b) Demonstrativo dos valores indevidamente reduzidos da base de cálculo do PIS com a devida especificação do período, rubrica, ficha do DACON, e valores (fls. 189.514 a 189.515). c) Demonstrativo dos valores indevidamente reduzidos da base de cálculo da Cofins com a devida especificação do período, rubrica, ficha do DACON, e valores (fls. 189.516 a 189.517). O Termo de Verificação Fiscal (TVF) pormenorizado das constatações e elementos que levaram as conclusões feitas pela fiscalização se encontra às fls. 189.520 a 189.811. Em apertada síntese podemos dizer que a fiscalização apurou que a Unilever Brasil Industrial Ltda. e a Unilever Brasil figuravam no plano fático como respectivamente matriz e filial, e não como empresas distintas. Verificouse a prática de simulação com o objetivo de evadir tributos e contribuições federais. Isso se deveu ao levantamento de elementos que levaram a concluir que a unidade industrial não teria receitas próprias, sendo financiada em suas atividades operacionais pela Unilever Brasil, restando a política de preços dos produtos saídos do estabelecimento fiscalizado competência da direção do grupo econômico, no comando da Unilever Brasil. São citadas pela fiscalização diversas situações em que se procurava dar uma aparência, enquanto a realidade seria outra. O objetivo dos interessados seria de suprimir tributos/contribuições através da falsidade na prestação de informações em declarações obrigatórias – DIPJ, GFIP – e em notas fiscais de importação e de saídas emitidas pelo estabelecimento industrial. No TVF teria sido observado também a criação artificiosa de “acordos de fornecimento” para dar a aparência de que existiam negociações comerciais e operações de compra e venda. A fiscalização apurou que inexistiam as operações comercias entre a Unilever Brasil Higiene Pessoal e Limpeza Ltda. (incorporada pela Unilever Brasil Industrial Ltda.) e a própria Unilever Brasil Industrial Ltda. – não haveriam pagamentos nas saídas dos produtos. Outras infrações Fl. 286764DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.765 7 foram verificadas levando a glosas de créditos, como, por exemplo, em função das devoluções não comprovadas. Para a Unilever Brasil Industrial Ltda. a ciência dos Autos de Infração foi dada em 19/12/2014 (fls. 189.839 a 189.840). A Unilever Brasil Ltda., arrolada como responsável solidário, teve a ciência na mesma data (fls. 189.843 a 189.444). A assinatura do representante que tomou a ciência para ambas empresas é da mesma pessoa, senhor Antônio Bastos Neto. Foi apensado a esses autos o processo administrativo de nº 10830.726911/201455 relativo à representação fiscal para fins penais correspondente aos fatos apurados nesses autos (ver fl. 189.853). A impugnação apresentada foi feita conjuntamente pelas empresas Unilever Brasil Industrial Ltda. (UBI) 2 e Unilever Brasil Ltda. (UB) no dia 16/01/2015, às fls. 189.887 a 189.958), constatandose, em resumo, as seguintes alegações: Dos Fatos Antecedentes QUE tanto a UBI, quanto à própria UB, entendem que a UB é parte ilegítima para figurar como responsável solidário nesse processo administrativo. QUE quase todas as supostas provas foram produzidas no âmbito de outros processos administrativos (PAF nº 10830.727214/201331, 11829.720048/201424 e 11829.720047/201480), ou seja, a fiscalização teria se utilizado de provas emprestadas para chegar as suas premissas, as quais entendem equivocadas. Das Preliminares QUE a UB não é parte legítima para figurar como responsável solidário no presente processo administrativo nos termos do inciso I, do art. 124, do CTN, inexistindo dispositivo legal nesse sentido. Dizem que a solidariedade não pode ser presumida e que inexistiria interesse comum. O fato de a UB deter quotas representativas do capital social da UBI não implicaria responsabilidade por eventuais débitos fiscais. QUE há nulidade devido ao fato de que o processo de fiscalização relacionado e a lavratura das autuações terem sido efetuados por autoridade incompetente para tal, ou seja, a DRF/Campinas. Defendem isso apontando que a fiscalização e a autuação dos contribuintes do município de São Paulo seria competência da DERAT/SP. Mencionam o art. 7º da Portaria RFB nº 1.687/2014. QUE há nulidade em razão de que as supostas provas foram produzidas nos processos administrativos nºs 10830.727214/201331, 11829.720048/201424 e 11829.720047/201480, sob a alegação de que se tratava de apuração com efeitos reflexos sobre a base de cálculo. Foram Fl. 286765DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.766 8 utilizados documentos e arquivos digitais apresentados no curso da fiscalização relativa ao IPI. Argumentam que não existe qualquer previsão no Decreto nº 70.235/72 acerca de provas emprestadas, e que o CARF só aceitaria essas em relação a laudos aplicáveis à mesma situação fática de outro processo do mesmo contribuinte. Falam que a incidência do PIS e da Cofins pelo regime monofásico em nada tem relação com a apuração do valor mínimo tributável previsto no RIPI, e muito menos com quaisquer operações de importação realizada pelos requerentes. Sobre os referidos processos comentam que os mesmos estão aguardando julgamento de Recurso Voluntário ou das impugnações de 1ª instância. QUE há nulidade na desconsideração da personalidade jurídica, visto que sequer é invocado o art. 116, do CTN, ou o art. 50, do Código Civil. Dizem que a fiscalização reconheceria a personalidade jurídica distinta da UBI e da UB, e ao mesmo tempo questionaria a efetiva existência das mesmas. Aduzem que restaria patente a nulidade por infração ao inciso IV, do art. 10, do Decreto nº 70.235/72, emprego de capitulação legal incorreta para descrever a suposta infração, com o consequente cerceamento do direito de defesa. Colocam que não seria razoável considerar que não caberia qualquer percentual de aumento nos preços praticados pela UB em decorrência de suas atividades. QUE há nulidade pela impossibilidade de acesso integral às informações e documentos do processo em tempo hábil para a elaboração desta impugnação. Teriam protocolado em 07/01/2015 pedido de “cópia e vistas de processo”, as quais foram disponibilizadas às requerentes em 15/01/2014, onde constariam mais de 180.000 páginas digitalizadas. Entendem que não foi possibilitada uma defesa plena e integral. Do mérito QUE inexistiria simulação, fraude ou confusão patrimonial nas operações entre a UBI e a UB, visto que apoiaram as suas práticas e as suas operações em interpretações razoáveis e legítimas das normas jurídicas aplicáveis, bem como efetuaram registros contábeis e fiscais que correspondiam a essas interpretações. Defendem que a estrutura operacional adotada é lícita e legítima. Dizem que a caracterização da fraude ou simulação depende de o contribuinte deixar de reportar ou contabilizar as suas operações. Citam outros processos da própria empresa analisados no CARF. Ressaltam que as discussão em relação aos efeitos jurídicos decorrentes de importação, industrialização e comercialização é questão para ser discutida nos correspondentes processos de IPI e do Imposto de Importação. QUE sobre a legislação sobre simulação ou fraude apontam que todo o procedimento fiscal está apoiado em informações contábeis e fiscais fornecidas pelos próprios requerentes, restringindose a discussão se a circunstância dessas operações Fl. 286766DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.767 9 seriam aptas ou não a produzir efeito fiscal. Mencionam o art. 167 do Código Civil, entendendo na sequência que não estariam presentes nesses autos nenhum dos tipos de vício apontados em tal norma. Questionam que a fiscalização não colocou em dúvida a legitimidade da escrita fiscal, mas única e exclusivamente os efeitos advindos das operações econômicas. Complementam que seria apenas um caso de divergência de interpretação da legislação tributária, e não um caso de simulação ou fraude. Novamente dizem não ter sido invocado o art. 116 do CTN, frisando que a parte final do dispositivo não seria auto aplicável, pois depende de regulamentação de lei ordinária, a qual não ocorreu até o presente momento. A fiscalização assim não poderia desconsiderar negócios jurídicos com base em uma suposta falta de propósito negocial, substância econômica, etc. QUE há substância econômica e propósito negocial na segregação das atividades industrial e comercial do Grupo Unilever. Mencionam que a estrutura operacional da segregação da atividade industrial/importadora da comercial/atacadista já teria sido examinada no antigo Conselho de Contribuintes, e que tal segregação teriam validade e legitimidade. As sociedades teriam seus objetos sociais, quadro de empregados, faturamento e despesas diferentes, e que por questão de conveniência e alinhamento de práticas e de estratégias compartilham determinados empregados. QUE apenas a empresa comercial contaria com equipes de vendas, marketing, etc., especializadas em suas funções, enquanto que a empresa industrial evitaria incorrer em custos e despesas desnecessários a sua atividade. A UBI não teria gastos com vendas, publicidades, entre outros. De maneira semelhante, a UB não teria encargos com depreciação de maquinário. Havia compartilhamento de determinados empregados, centralização do caixa das empresas, adoção de estrutura eficiente e emprego de logística comercial integrada. Dizem que todo esse compartilhamento seria absolutamente lícito e de acordo com a legislação tributária. QUE sobre o compartilhamento de empregados na mesma jornada colocam que não há qualquer impedimento legal de funcionários de uma empresa trabalhando para outra dentro do mesmo grupo econômico numa mesma jornada de trabalho. O fato da UBI não possuir empregados com atribuições na área de comércio exterior, bem como a circunstância de tantos outros empregados das empresas UBI e UB trabalharem ora em benefício de uma entidade, ora em benefício de outra, não acarretaria simulação ou fraude. A UB repassaria o custo associado ao tempo de seus empregados à UBI. QUE sobre os contratos de pagamentos e de recebimentos celebrados entre empresas do Grupo Unilever, sobre os quais a fiscalização entende como evidência de “falta de autonomia financeira”, constituiriam esses matéria que está sendo discutida no processo administrativo nº 10830.016429/201080. Diz a fiscalização que o sistema de compensações criado pelo Grupo Fl. 286767DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.768 10 Unilever abrangia a totalidade das operações viabilizando um “caixa único”. Entendem que o conta corrente mercantil possibilita a centralização e o compartilhamento de recursos e de negócios entre uma pluralidade de pessoas com interesses econômicos afins. Tais contratos de contacorrente mercantis não constituiriam a caracterização de um mútuo entre as pessoas jurídicas correntistas. Discordam da afirmação de que a unidade industrial não teria receitas próprias e operava com os recursos da Unilever Brasil. QUE a fiscalização descaracterizou as operações de compra e venda de produtos entre a UBI e a UB, posto não haver pagamento pelos produtos enviados de uma para outra. Defendem que a falta de pagamento em moeda não invalidaria a compra e venda, e que as operações poderiam se provar pelas notas fiscais trocadas entre as partes, e os diversos registros contábeis e fiscais, citando o art. 226 do Código Civil. QUE sobre os centros de distribuição e o uso exclusivo do depósito fechado pela UBI, devido ao fato de várias inscrições do CNPJ terem o mesmo endereço (onde só existiria um prédio), aduzem que a fiscalização se equivoca. No caso da empresa DHL, um desses CNPJs, prestaria a mesma serviços de operador logístico do Grupo Unilever. Falam que as notas fiscais demonstrariam que a utilização seria exclusiva do estabelecimento industrial, argumentando que a constatação do uso compartilhado do depósito fechado seria improcedente. QUE sobre a possibilidade do uso compartilhado de um depósito fechado, no caso de desconsideração das operações de retorno simbólico, discorrem que tal uso seria autorizado pelo Parecer Normativo CST nº 123/74. A única coisa que se exigiria da UBI para fins do uso compartilhado do depósito fechado é que existisse um controle para garantir que os produtos dos depositantes não se confundissem. O compartilhamento se justificaria para reduzir custos. QUE sobre a manutenção de estabelecimentos diversos no mesmo prédio, comentam que o RIPI não estabeleceria metragem mínima ou alocação de número predeterminado de empregados, como requisito para a existência ou validade de um estabelecimento. “Uma sala fechada, com um único empregado” poderia caracterizar um estabelecimento. Cita o Parecer Normativo nº 198/72. QUE sobre os empregados e as operações, admitem que de fato existiriam empregados dos requerentes e da empresa DHL vinculados aos respectivos estabelecimentos. Nesse sentido, apontam que não seria razoável exigir que a UB mantivesse toda a sua força de vendas em local afastado dos grandes centros urbanos. No tocante aos empregados vendedores da UBR, os mesmos estariam sujeitos ao regime de “trabalho realizado a distância”. Vender seria um processo complexo e mesmo que os requerentes não contratassem empregados próprios, tal circunstância não impediria a UBI de ser considerada uma Fl. 286768DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.769 11 empresa industrial, nem a UBR de ser considerada uma empresa comercial atacadista. Dizem que o TST não questionou a legalidade de casos relacionados a empresas sem empregados. Complementam que seria descabido exigir que o contribuinte alocasse empregados a determinados estabelecimentos. QUE a emissão de notas fiscais, cuja tarefa foi delegada no tocante aos aspectos operacionais aos profissionais de uma empresa terceirizada (DHL), mencionam que esse operador logístico não emitiria notas fiscais em nome próprio, mas sim era contratado para operar o sistema informatizado das empresas do Grupo Unilever para emitir notas fiscais dos requerentes por conta e ordem desses. A função seria semelhante a de um contador. QUE sobre a inexistência de margem de lucro, tendo em vista a constatação da fiscalização de que a unidade industrial trabalhava sem qualquer margem de lucro, dizem não ser verdade, apontando um lucro bruto nos anos de 2008 a 2010 declarados nas DIPJs. As operações da UBI poderiam ser supostamente deficitárias em relação a um produto ou outro, ou a um determinado período, mas isso não representaria a realidade de suas operações. QUE como considerações finais sobre a inexistência de simulação ou fraude fiscal relativamente à fiscalização dizer que ocorria uma passagem fictícia pelo estabelecimento industrial importador, falam que a mesma estaria tirando o foco tanto da questão técnica, quanto da liberdade de organização dos negócios das empresas. Discorrem que a jurisprudência do CARF afastaria alegações de simulação ou fraude fiscal em casos de divergência de interpretação sobre a legislação fiscal. A segregação das atividades industriais e comerciais é uma estratégia mundial que vem sendo adotada pelo Grupo Unilever desde o ano de 2001. Mesmo que tal segregação tenha reduzido a carga fiscal do PIS e da Cofins, não foi esse o objetivo exclusivo da empresa. QUE sobre a regularidade da apuração do IPI nas operações entre os requerentes e as operações de importações, resguardamse o direito de discutir essas questões nos processos administrativos próprios e independentes. QUE mesmo se superadas as nulidades e razões de mérito, haveria erros na apuração das supostas infrações. Em primeiro lugar pela existência de sentença válida e eficaz que desobrigou a UBI a incluir a parcela relativa ao ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Em segundo lugar pela necessidade de se excluir os valores referentes a vendas canceladas e devoluções da UB na base de cálculo dessas contribuições. QUE relativamente ao ICMS, tratase da decisão judicial da 13ª Vara Cível de São Paulo (de 1º grau), em 24/04/2007, a qual julgou o Mandado de Segurança nº 002239320.2006.4.03.6100 , reconhecendo o direito da exclusão do ICMS da base de cálculo. A União teria encaminhado recurso de apelação e essa teria sido Fl. 286769DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.770 12 recebida apenas com efeito devolutivo (ver doc. nº 45, juntado a impugnação). QUE a fiscalização quando da apuração das bases de cálculo deixou de considerar a existência de vendas canceladas e devoluções ocorridas no dia a dia das empresas. Apontam os termos do parágrafo 3º, do art. 1º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, no sentindo de que as vendas canceladas e devoluções deveriam ser abatidas das receitas de vendas de mercadorias (ver docs. 46 e 47, juntados a impugnação). QUE a exclusão do ICMS, das vendas canceladas e das devoluções, ocorreria uma redução de R$ 187.998.601,00, no valor do principal exigido nos Autos de Infração. QUE ocorreu decadência dos supostos fatos geradores alegadamente ocorridos no período de janeiro a novembro de 2009, citando o § 4º, do art. 150, do CTN, visto se tratar de tributos sujeitos a lançamento por homologação. Entendem que o direito da fiscalização constituir o crédito se extinguiria transcorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador. Falam, ainda, que não se pode alegar inexistência de pagamento, haja visto os pagamentos realizados pela UBI por meio de compensação de créditos (ver docs. Nº 50 a 52, juntados a sua impugnação). QUE na formação da base de cálculo do PIS e da Cofins a legislação determinou a incidência do regime monofásico, ficando as demais operações da cadeia produtiva desoneradas do pagamento das contribuições. A Lei nº 10.865/04, por sua vez, criou o regime de alíquotas especiais, em substituição ao regime monofásico, para os produtos de cosméticos, higiene pessoal e toucador. Colocam que a partir dessa mudança, a receita decorrente da venda dos mencionados produtos passou a estar sujeita ao PIS e à Cofins pelo regime nãocumulativo, com alíquotas diferenciadas, mas sendo mantida a forma prevista na Lei nº 10.147/00 (aplicação da alíquota combinada de 12,5 %, competindo o recolhimento das contribuições apenas ao fabricante ou importador dos produtos, sujeitandose os demais entes da cadeia comercial, inclusive os revendedores, à alíquota zero). QUE inexistiria regra de preço ou valor tributável mínimo na legislação do PIS e da Cofins, muito embora o § 1º, do art. 1º, da Lei nº 10.147/00, determinou que o conceito de industrialização previsto no IPI deva ser aplicado para fins de definir qual empresa está sujeita ao recolhimento do PIS e da Cofins. Argumentam que a segregação das atividades comerciais e industriais seria uma forma de elisão fiscal, que é a legítima atitude do contribuinte em planejar suas atividades de forma menos onerosa. Citam, na sequência, precedentes do CARF sobre a questão. QUE querem que sejam desqualificadas as multas aplicadas. Em primeiro lugar, pela impossibilidade de exigência de multas da empresa sucessora, visto que os Autos de Infração foram Fl. 286770DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.771 13 posteriores à incorporação da Unilever Brasil Higiene Pessoal e Limpeza pela UBI, de modo que a exigência do crédito tributário recaiu sobre a sucessora e não sobre a pessoa jurídica que teria cometido a infração apenada. Defendem que a sucessora não pode ser responsabilizada pelas multas aplicadas contra a empresa sucedida (cita o art. 132 do CTN). Em segundo lugar, pela impossibilidade da aplicação da multa de 150%, tendo em vista entenderem que inexistiu fraude ou simulação. E em terceiro lugar, pela não incidência de juros sobre as multas aplicadas. POR FIM, requerem que a presente impugnação seja integralmente acolhida, a fim de que seja reconhecido, em preliminar, a nulidade dos Autos de Infração: (i) em virtude de sua lavratura por DRF incompetente para fiscalizar as requerentes; (ii) ante a impossibilidade de lavratura de autuação fiscal com fundamento “em provas emprestadas”, ou, subsidiariamente; (iii) por claro equívoco na capitulação legal das infrações supostamente cometidas pelos requerentes, bem como pela efetiva desconsideração da personalidade jurídica dos requerentes sem emprego da fundamentação jurídica para tanto, em franco prejuízo dos requerentes e cerceamento de seu direito de defesa, ou ainda, também subsidiariamente; (iv) em face da impossibilidade de acesso em tempo hábil, por parte dos requerentes, aos documentos utilizados pela fiscalização para suportar a lavratura dos Autos de Infração. Dizem ainda, os requerentes, que caso esse não seja o entendimento, em vista da gravidade das causas de nulidades apontadas, requerem no mérito que seja reconhecida a insubsistência dos Autos de Infração ora questionados, com conseqüente cancelamento integral do crédito tributário cobrado (principal, multa e juros) e arquivamento do presente processo administrativo. E finalmente, caso ainda não seja esse o entendimento, os requerentes requerem subsidiariamente que seja: (i) reconhecida a decadência com relação aos supostos fatos geradores alegadamente ocorridos no período de janeiro a novembro de 2009; (ii) determinada a exclusão dos valores relativos ao ICMS, às vendas canceladas (da UB) da base de cálculo do PIS e da Cofins, os quais correspondem a R$ 187.998.601,00 do principal dessas contribuições exigidos nos Autos de Infração; (iii) cancelada a inclusão da UB como responsável solidária, bem como canceladas as multas e penalidades impostas aos requerentes por conta de fatos geradores praticados por empresa que a UBI sucedeu; (iv) e determinado o cancelamento das multas isoladas, de ofício, e regulamentar, ou , ainda, subsidiariamente, seja determinada a redução das multas mantidas de 150% para 75%, e a exclusão dos juros sobre o valor das multas mantidas. Os requerentes protestam, ainda, pela posterior juntada de documentos a corroborar o seu direito, assim como provar o Fl. 286771DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.772 14 alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, sem exceção de quaisquer. Junto com a impugnação os requerentes anexaram os seguintes documentos: extratos (fls. 190.354 a 190.374); planilhas com empresa, centro, descrição, classe, bem patrimonial, inventário, entre outras informações (fls. 190.375 a 190.491); dados sobre a ação judicial nº 002239320.2006.4.03.6100 (fls. 190.458 a 190.552); demonstrativo com valores relativos às vendas canceladas, ao ICMS e aos retornos de devolução, com as bases de cálculo desconsiderando esses valores em comparação aos cálculos da autuação (fl. 190.552); recolhimentos/compensações realizados em períodos que o contribuinte alega decaídos (fls. 190.553 a 190718); arquivos com código de mercadoria, NBM, data, CFOP, nº NF, quantidade, preço unitário e total, ICMS, status, entre outras informações (fls. 197.030 a 216.853, 216858 a 240.095, 240.099 a 255.908, 255.912 a 260.125, 260.656 a 272.209); entre outros. O processo foi então encaminhado a essa DRJ para julgamento. Em 07/04/2015, através da Resolução nº 10000.379 (fls. 272.219 a 272.230), decidiu essa Turma encaminhar os autos em diligência para especificamente: a) verificação da alegação e das implicações da existência de decisão judicial excluindo o ICMS das bases de cálculo das contribuições, com juntada aos autos das peças pertinentes; b) e manifestação sobre a inclusão nas bases de cálculo das contribuições de vendas canceladas e de devoluções. Após a realização da diligência deveria ser reaberto o prazo de 30 dias para manifestação do contribuinte. O contribuinte foi então intimado a prestar tais esclarecimentos. Com suporte nos documentos e informações prestados pelo impugnante foi formulado o Relatório de Diligência Fiscal das fls. 285.760 a 285.792. As conclusões da fiscalização foram de que o Mandado de Segurança nº 002239320.2006.4.036100 não seria aplicável à UBI, uma vez que a ação mandamental teria sido impetrada por outras pessoas jurídicas, além de ter sido reformada pelo TRF da 3ª Região. Sobre as devoluções não haveria previsão legal para exclusão, podendo tão somente descontar créditos em relação aos bens recebidos em tal condição, sendo considerados apenas o valor dos itens relativos a produtos sujeitos a incidência monofásica do PIS e da Cofins, constante em notas fiscais em nome das requerentes. Já as vendas canceladas tem previsão de exclusão, mas o valor seria inferior ao apontado pelos requerentes. A fiscalização então juntou aos autos como resultado da diligência: recibos de entregas de arquivos digitais (fls. 272.400 a 272.438); consulta processual judicial, acórdãos do TRF da 3ª Região (fls. 272.468 a 272.497); peças judiciais dos Mandados de Segurança (fls. 272.498 a 272.532); entradas por retornos e devoluções de vendas de produtos sujeitos à tributação monofásica do PIS e da Cofins nos centros de distribuição da Unilever (fls. 272.533 a 279.730); itens de entradas por retornos e devoluções de venda informados pelo contribuinte em Fl. 286772DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.773 15 diligência (fls. 279.731 a 283.814); valores mensais das entradas por retornos e devoluções de vendas de produtos monofásicos do PIS e da Cofins por centro de distribuição da Unilever (fls. 283.815 a 283.857); itens de saídas de produtos sob regime de tributação monofásica do PIS e da Cofins discriminados em notas fiscais canceladas (fls. 283.858 a 285.142); valores mensais dos itens de saídas em notas fiscais canceladas por estabelecimento (fls. 285.143 a 285.190); e itens de saídas de produtos em notas fiscais canceladas informados pela Unilever Brasil em diligência (fls. 285.191 a 285.759). Com a ciência da diligência a UBI e UB apresentaram conjuntamente uma manifestação a respeito da mesma (fls. 285.798 a 285.807). Relativamente ao Mandado de Segurança nº 002239320.2006.4.03.6100, citado nas impugnações, que teria tido sentença favorável ao contribuinte reformada pelo TRF da 3ª Região, informam que interpuseram recurso de Agravo Interno a fim de conceder efeito suspensivo. No que se refere à exclusão de devoluções e de vendas canceladas da base de cálculo das contribuições defendem, primeiramente, que, em que pese a falta de previsão legal, deveriam as devoluções serem excluídas das receitas de vendas utilizadas como ponto de partida para o cálculo dos supostos débitos fiscais. No tocante a diferença encontrada entre o apurado pela fiscalização e o que foi encontrado pelos impugnantes relativamente ao valor do montante de exclusões, apontam que seria devido à exclusão pelo Fisco dos produtos classificados no NCM 3306. Comentam que tais produtos somente teriam sido excluídos de alíquotas concentradas através da Lei nº 12.839/2013. Sobre as vendas canceladas discorrem que a fiscalização não explicitaria a diferença entre os valores que encontrou em comparação com o informado pelos impugnantes, o que ensejaria a nulidade da glosa nessa parte do valor informado. O processo então retornou para essa Delegacia de Julgamento. Esse é o relatório. Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Constatados os elementos necessários à caracterização de grupo econômico de fato e a simulação das operações entre as empresas desse, deve a autoridade fiscal atribuir a responsabilidade pelo crédito tributário a todas as empresas integrantes daquele grupo. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da lei tributária Fl. 286773DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.774 16 LIVROS E DOCUMENTOS DO CONTRIBUINTE. PROVA. O conceito de prova emprestada não abarca os livros e os documentos de propriedade do próprio contribuinte. Além do mais, também seria lícito ao Fisco valerse de informações colhidas por outras autoridades fiscais para efeito de lançamento de ofício desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. PRAZO DE DEFESA. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. O prazo para a apresentação da impugnação é definido pela legislação, descabendo à esfera administrativa alterar os prazos legalmente previstos. O contribuinte além da solicitação de cópias, pode ter vistas ao processo a qualquer momento. O contribuinte pode solicitar cópias dos autos até no mesmo dia em que recebe a ciência do Auto de Infração, e a sua demora em tal solicitação é de sua responsabilidade. INEXISTÊNCIA MATERIAL DE SEPARAÇÃO ENTRE AS EMPRESAS. SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO. A realização de operações quando a empresa tomadora e a empresa fornecedora são separadas apenas formalmente no papel, mas na realidade, de fato, inexiste separação, pois materialmente são e atuam como um único estabelecimento, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários, acarretando a ilegalidade da operação. Por conseqüência cabe a desconsideração dos atos jurídicos devendo o correspondente tributo ser exigido. Comprovada a simulação através de vasto acervo probatório, identificando a verdade dos fatos. BASE DE CÁLCULO. VENDAS CANCELADAS. Conforme a alínea “a”, do § 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, as vendas canceladas não integram a base de cálculo das contribuições. ICMS. BASE DE CÁLCULO. Os valores correspondentes ao ICMS compõem a base de cálculo da COFINS e do PIS, inexistindo previsão legal para sua exclusão. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. CABÍVEL. Cabível a imposição de multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, da Lei nº 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas na Lei nº 4.502/1964. ADITAMENTO DA IMPUGNAÇÃO. Fl. 286774DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.775 17 A impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar deve ser apresentada no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. A oportunidade para a apresentação de provas é na impugnação, somente sendo admitida a juntada extemporânea quando comprovada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 Por envolver os mesmos elementos fáticos, aplicase o decidido em relação à Cofins no julgamento das questões envolvendo o litígio da contribuição para o PIS. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A procedência parcial da Impugnação foi no sentido de reconhecer o direito à exclusão, da base de cálculo das contribuições, das receitas correspondentes às vendas canceladas. Conforme tabela de fl. 40 do Acórdão DRJ, o valor do crédito tributário exonerado é de R$5.332.506,61 (valor principal, sem considerar multa e juros). Desse modo, foi interposto Recurso de Ofício quanto à parcela exonerada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido, formulando os seguintes pedidos: 301. Assim, a Recorrente e a UBR requerem que o presente Recurso Voluntário seja INTEGRALMENTE ACOLHIDO, afim de que seja reconhecido, em preliminar, a NULIDADE dos Autos de Infração, (i) em virtude de sua lavratura por DRF incompetente para fiscalizar as Recorrentes, (ii) ante a impossibilidade de lavratura de autuação fiscal com fundamento em “provas emprestadas,” ou, subsidiariamente, (iii) por claro equívoco na capitulação legal das infrações supostamente cometidas pelas Recorrentes, tendo em vista que a D. Fiscalização efetivamente desconsiderou a personalidade jurídica das Recorrentes sem que emprego da fundamentação legal adequada para tanto, em franco prejuízo das Recorrentes e cerceamento de seu direito de defesa. 302. Contudo, caso não seja esse o entendimento de V.Sas., o que, em vista da gravidade das causas de nulidade apontadas acima, efetivamente se admite apenas para argumentar, as Recorrentes requerem, então, que, no mérito, seja reconhecida a insubsistência dos Autos de Infração ora questionados, com o consequente CANCELAMENTO integral do crédito tributário cobrado (principal, multa e juros) e arquivamento do presente processo administrativo. Fl. 286775DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.776 18 303. Caso esse também não seja o entendimento de V.Sas., o que novamente se admite apenas para argumentar, as Recorrentes requerem, subsidiariamente, seja (i) reconhecida a decadência com relação aos supostos fatos geradores alegadamente ocorridos no período de janeiro a novembro de 2009, (ii) determinada a exclusão dos valores relativos ao ICMS e às devoluções (também da UBR) da base de cálculo do PIS e da COFINS exigidos por meio dos Autos de Infração ora combatidos, (iii) cancelada a inclusão da UBR como responsável solidária, bem como canceladas as multas e penalidades impostos às Recorrentes por conta de fatos geradores praticados por empresa que a UBI sucedeu, e também (vi) determinado o cancelamento das multas isoladas, de ofício, e regulamentar, ou, ainda, subsidiariamente, seja determinada a redução das multas mantidas de 150% para 75%, e a exclusão dos juros sobre o valor das multas mantidas. 304. Por fim, as Recorrentes pleiteiam seja negado provimento ao recurso de ofício do Fisco e mantida a exclusão dos valores relativos às vendas canceladas das bases de cálculo do PIS e da COFINS, como bem reconheceu o V. Acórdão recorrido. A Procuradoria da Fazenda Nacional, intimada, não apresentou razões de Recurso de Ofício e apresentou contrarrazões ao Recurso Voluntário defendendo a manutenção do acórdão recorrido. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. Em primeira análise, esta Turma resolveu por baixar o feito em diligência para fins de obtenção de maiores informações acerca dos Mandados de Segurança nº 2006.61.05.0131233 e nº 002239320.2006.4.03.6100. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Voto parcialmente vencido e parcialmente vencedor RECURSO DE OFÍCIO (Voto Vencedor) O Recurso é próprio e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 286776DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.777 19 Conforme relatado, o lançamento de origem foi julgado parcialmente improcedente, tendo a DRJ determinado a exclusão, da base de cálculo das contribuições, das receitas correspondentes às vendas canceladas. Conforme tabela de fl. 40 do Acórdão DRJ, o valor do crédito tributário exonerado é de R$5.332.506,61 (valor principal, sem considerar multa e juros). O acórdão Recorrido assim se manifestou quanto à questão posta: g) DA DESCONSIDERAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO NA APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DAS VENDAS CANCELADAS E DAS DEVOLUÇÕES UBI e UB na defesa apresentada questionaram que a fiscalização quando da apuração das bases de cálculo das contribuições não teria desconsiderado as vendas canceladas e as devoluções. Apontam os termos do parágrafo 3º, do art. 1º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, no sentindo de que as vendas canceladas e devoluções deveriam ser abatidas das receitas de vendas de mercadorias. Esse tópico também foi objeto de diligência. Na manifestação complementar dos interessados após a realização da diligência comentam as duas situações – devoluções e vendas canceladas. Sobre as devoluções, em que pese a falta de previsão legal, defendem que as mesmas deveriam ser excluídas das receitas de vendas. No tocante a diferença encontrada entre o apurado pela fiscalização e o que foi encontrado pelos impugnantes relativamente ao valor do montante das exclusões, apontam que seria devido à exclusão pelo Fisco dos produtos classificados no NCM 3306. Comentam que tais produtos somente teriam sido excluídos de alíquotas concentradas através da Lei nº 12.839/2013. Sobre as vendas canceladas discorrem que a fiscalização não explicitaria a diferença entre os valores que encontrou em comparação com o informado pelos impugnantes, o que ensejaria a nulidade da glosa nessa parte do valor informado. Para fins didáticos, esclareçase que “os cancelamentos de vendas” se traduzem pela não saída da mercadoria, podendo esse ser um fato decorrente de diversos motivos, como, por exemplo, a desistência do negócio por parte do cliente. Nesse caso, como a mercadoria não saiu, a transação comercial não se concretizou e por consequência não haverá lançamentos contábeis, nem fato gerador de tributos e de contribuições. A alínea “a”, do § 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, determina que essas vendas canceladas não integram a base de cálculo das contribuições. Já quando falamos de “devoluções de vendas”, presumese que as mercadorias saíram do estabelecimento da empresa vendedora e, num momento posterior, retornaram. Em decorrência dessa saída, deverão ser feitos os lançamentos contábeis dessa operação, bem como reconhecidos os fatos geradores de tributos e de contribuições tanto em relação às saídas, quanto ao seu retorno (devolução). Nesse ponto, a legislação tributária prevê, segundo o disposto no Fl. 286777DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.778 20 inciso VIII, artigo 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que do valor a pagar a titulo de PIS e COFINS, a pessoa jurídica poderá descontar créditos referentes a bens recebidos em devolução. O crédito será determinado mediante a aplicação das alíquotas incidentes na venda sobre o valor ou unidade de medida, conforme o caso, dos produtos vendidos e depois devolvidos no mês. Devese registrar inicialmente que a fiscalização esclarece que quando do procedimento fiscalizatório realmente não foram excluídas da base de cálculo do lançamento as devoluções de vendas e notas canceladas, fundamentando o porquê disso conforme a seguir: “Importa esclarecer à autoridade julgadora que não foram excluídas da base de cálculo do lançamento as devoluções de venda e as notas canceladas, as primeiras, por falta de previsão legal, e estas últimas, por um problema no processamento dos dados constantes nos arquivos digitais”. (fl. 285.777) (...) Em relação às vendas canceladas, essas possuem previsão legal para exclusão dos respectivos valores das bases de cálculo do PIS e da Cofins. É citada a ocorrência de erro no processamento de dados dos arquivos digitais de notas fiscais, tendo os valores sido indevidamente incluídos no quantum lançado de ofício. A diligência alerta que não faz parte da impugnação apresentada o “Documento nº 49” mencionado na peça de defesa, dando respaldo a planilha de cálculo correspondente ao “Documento nº 48”. Desta forma, a fiscalização na diligência intimou a apresentação do referido “Documento nº 49”. É comentado que o contribuinte teria tentando apresentar as planilhas de suporte sem sucesso no dia 20/01/2015, só conseguindo a reapresentação com sucesso em 23/02/2015, após o prazo para a apresentação da impugnação. Em todo o caso os documentos que os interessados chamam de “planilhas de suporte” na verdade seriam relações de itens de produtos e de demonstrativos com referências a notas fiscais e aos respectivos valores (tais documentos encontramse às fls. 190.730 a 272.198). Foram solicitados arquivos digitais com os dados específicos das notas fiscais de saída canceladas de jan/2009 a dez/2010. Após diversas correções a fiscalização apurou um montante de vendas canceladas para o período de R$ 42.660.052,79: “Quanto aos valores corretos dos itens constantes nas notas canceladas, totalizam R$ 42.660.052,79 ...”. A conclusão da fiscalização na diligência realizada é no sentido de que as devoluções de venda não poderiam ser abatidas das bases de cálculo das contribuições, sendo apenas passíveis de utilização na forma de crédito, e que as vendas canceladas poderiam ser deduzidas das bases de cálculo das contribuições: Fl. 286778DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.779 21 “Em conclusão, é importante frisar que, no entendimento desta fiscalização, à luz da legislação pertinente, os valores do PIS e da Cofins oriundos das devoluções de venda, conforme calculado, são passíveis apenas de utilização na forma de crédito pela autuada, em relação aos produtos submetidos à incidência monofásica dessas contribuições. Quanto às notas fiscais canceladas, permite a legislação a dedução da base de cálculo das contribuições”. (gn) Logo, notase que o acórdão recorrido nada mais fez do que aplicar a legislação vigente, alínea “a”, do § 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, em sentido literal, para reconhecer que as notas fiscais canceladas devem ser deduzidas da base de cálculo das contribuições. Anotase, ainda, que em diligencia determinada pela DRJ, a própria Fiscalização reconheceu que incorreu em erro na apuração dos valores, que estas apenas deixaram de ser excluídas "por um problema no processamento dos dados constantes nos arquivos digitais". Desse modo, sem mais delongas, tenho que deve ser NEGADO PROVIMENTO ao RECURSO DE OFÍCIO, mantendose o acórdão recorrido no que diz respeito ao reconhecimento do direito à dedução, da base de cálculo das contribuições, das notas fiscais canceladas. RECURSO VOLUNTÁRIO (Voto parcialmente Vencido) O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Assim, passo ao exame de cada um dos tópicos das Razões e Contrarrazões de Recurso. Inicialmente, abordo as questões preliminares ao mérito: A exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS Tratase de preliminar de conhecimento do presente Recurso, no que toca à concomitância. Inicialmente, passo à análise de preliminar de conhecimento do presente Recurso, no que toca à concomitância. Há nos autos discussão acerca do alcance de decisões judiciais quanto à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. A DRJ não acatou a alegação de concomitância e manteve o lançamento integralmente. Fl. 286779DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.780 22 Em Recurso Voluntário, insistem as contribuintes que os Mandados de Segurança nº 002239320.2006.4.03.6100 e 2006.61.05.0131233 lhe garantem o direito à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, não podendo tais parcelas serem exigidas, tampouco lançados os valores correspondentes a multa e juros. Pois bem. Inicialmente pontuase que o presente Auto de Infração foi lavrado em face de UNILEVER BRASIL INDUSTRIAL LTDA (01.615.814/000101), como contribuinte principal, na condição de sucessora de UNILEVER BRASIL HIGIENE PESSOAL E LIMPEZA LTDA. (CNPJ 03.085.759/000102). A empresa UNILEVER BRASIL LTDA (CNPJ 61.068.276/000104) foi apontada como como solidária. Especificamente no que toca ao devedor principal, salientase que UNILEVER BRASIL HIGIENE PESSOAL E LIMPEZA LTDA. (CNPJ 03.085.759/0001 02) foi sucedida pela UNILEVER BRASIL INDUSTRIAL LTDA (01.615.814/000101) a partir julho de 2010. Como os fatos geradores ocorreram entre 01/01/2009 e 31/12/2010, observa se que estes ocorreram sob 2 (dois) CNPJ distintos. Em sede de diligência solicitada por esta Turma, as Contribuintes trouxeram aos autos as peças relativas ao Mandado de Segurança nº 2006.61.05.0131233 e ao Mandado de Segurança nº 002239320.2006.4.03.6100. Como esclarecem as Contribuintes em sua petição de fls. 286.413/286.418 e confirmam os documentos anexados: UNILEVER BRASIL HIGIENE PESSOAL E LIMPEZA LTDA. (incorporada) CNPJ nº 03.085.759/000102 Fatos geradores autuados: jan/09 a jun/10 Está albergada pelo Mandado de Segurança nº 2006.61.05.0131233. A Impetrante consta na petição inicial com sua antiga denominação social (UNILEVER BRASIL PRODUTOS DE TOUCADOR LTDA), mas com idêntico CNPJ, conforme fl. 286577. Essa ação mandamental ainda não possui trânsito em julgado, conforme certidão de fls. 286722 e 286723. UNILEVER BRASIL INDUSTRIAL (incorporadora) CNPJ nº 01.615.814/000101 Fatos geradores autuados: jul/10 a dez/10 Está albergada pelo Mandado de Segurança nº 002239320.2006.4.03.6100. A Impetrante consta na petição inicial com sua antiga denominação social (UNILEVER BRASIL ALIMENTOS LTDA.), mas com idêntico CNPJ, conforme fl. 286474. Fl. 286780DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.781 23 Essa ação mandamental ainda não possui trânsito em julgado, conforme certidão de fls. 286574. Desse modo, observase que a Contribuinte principal, de fato, possui ações judiciais questionando todo o período autuado. Assim, não cabe a análise do mérito em sede de contencioso administrativo que tenha igual objeto daquele discutido em sede de ação judicial, nos termos da Súmula CARF nº 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Nesse aspecto, vale salientar que a Procuradoria da Fazenda Nacional não trouxe, em suas Contrarrazões, qualquer manifestação acerca dos Mandados de Segurança mencionados, tampouco se irresignou quanto ao pedido formulado pelas Contribuintes pela exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS em razão das referidas ações judiciais. É certo que, tendo em vista que os Autos de Infração foram lavrados posteriormente à impetração dos referidos Mandados de Segurança, devem observar o artigo 151 do CTN e o artigo 63 da Lei nº 9.430/96 no que tange ao lançamento e a cobrança dos juros de mora e da multa de ofício. Tendo em vista que não houve depósito judicial das quantias controvertidas, na hipótese de prolação de decisão judicial contrária ao contribuinte, os juros de mora serão devidos. No que se refere à multa de ofício, observo que a lavratura dos Autos de Infração ocorreu em 19/12/2014. Nessa data estavam vigentes as seguintes decisões judiciais, conforme certidões apresentadas pelas Contribuintes: Inicialmente analiso o Mandado de Segurança nº 2006.61.05.0131233 (certidão de fls. 286722 e 286723): C E R T I F I C A que em Sessão de Julgamento realizada em 24/05/2012, a Sexta Turma decidiu, por unanimidade, julgar prejudicado o agravo regimental, nos termos do voto da Relatora e, por maioria, negar provimento à apelação, nos termos do voto do Juiz Federal Convocado Paulo Domingues, vencida a Relatora que lhe dava parcial provimento (acórdão disponibilizado no Diário Eletrônico em 06/06/2012). C E R T I F I C A que em Sessão de Julgamento realizada em 06/09/2012, a Sexta Turma decidiu, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração. (acórdão disponibilizado no Diário Eletrônico em 20/09/2012). C E R T I F I C A constar às fls. 408 e verso decisão proferida pela Excelentíssima Desembargadora VicePresidente desta Fl. 286781DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.782 24 Corte, determinando o sobrestamento do Recurso Extraordinário interposto pela parte impetrante/apelante. C E R T I F I C A constar às fls. 529 Termo de Remessa dos autos ao órgão julgador (Sexta Turma), nos termos do disposto na Ordem de Serviço nº 2/2017 da Vice Presidência desta Corte, tendo em vista a decisão proferida pelo C. STF no julgamento do RE 574.706/PR. C E R T I F I C A que em Sessão de Julgamento realizada em 30/11/2017, a Sexta Turma decidiu, por unanimidade, dar provimento à apelação do impetrante. Notase que em recente decisão proferida em 30/11/2017, foi garantido às Impetrantes do direito de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS.Não obstante, quando da lavratura do Auto de Infração, estava vigente a decisão anteriormente proferida em segunda instância, que negava o referido direito. Portanto, não consta dos autos que, no momento da lavratura do Auto de Infração, a exigibilidade do crédito tributário correspondente, relativo aos período de apuração jan/09 a jun/10, estivesse suspensa. Logo, o lançamento da Multa de Ofício está correta. Por evidente, ocorrendo o trânsito em julgado da decisão favorável proferida, o crédito tributário será integralmente extinto (principal, juros e multa). Quando ao Mandado de Segurança nº 002239320.2006.4.03.6100, válido para os fatos geradores ocorridos entre jul/10 a dez/10, também conforme certidão, nesse caso, de fls. 286573 e 286574: Certifica que sentença registrada em 27.03.2007, foi proferida nos seguintes termos: "(...) Face ao exposto, JULGO PROCEDENTE o pedido e, de conseguinte, concedo a segurança para o efeito de a) desobrigar a parte impetrante de incluir na base de cálculo das contribuições destinadas ao Programa de Integração Social e ao Financiamento da Seguridade Social PIS e COFINS a parcela relativa ao ICMS e, por conseqüência, b) autorizar a compensação dos valores recolhidos a tal título nos cinco anos imediatamente anteriores ao ajuizamento desta ação mandamental com parcelas vincendas de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, consoante os critérios de correção monetária e juros acima delineados. Sem condenação em verba honorária, incabível na espécie. Custas ex lege. Deixo de submeter a presente decisão ao reexame necessário, em razão da nova redação dada pela Lei nº 10.352/2001 ao artigo 475 do Código de Processo Civil, aplicada subsidiariamente ao mandado de segurança (STJ Resp nº 687.216, Relator Ministro José Delgado, Primeira Turma, in DJ de 18/4/2005, pág. 234). Comuniquese ao relator do agravo de instrumento noticiado o teor da presente decisão." Certifica que o recurso de apelação interposto pela União foi recebido no efeito devolutivo. Certifica que os autos foram remetidos a este Tribunal, e distribuídos em 25.10.2007. Certifica que decisão disponibilizada no Diário Eletrônico em 18.4.2016, foi Fl. 286782DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.783 25 proferida nos seguintes termos: Tratase de apelação interposta contra sentença (fls. 150/159) concessiva de Mandado de Segurança no qual se objetiva a declaração de inexigibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS a ser cobrado sobre as atividades desenvolvidas pela impetrante, compensandose os valores indevidamente pagos, respeitada a prescrição quinquenal, acrescidos da variação da SELIC e correção monetária. Não houve condenação ao pagamento de honorários advocatícios. Custas na forma da lei. Inconformada, a União Federal sustenta a necessidade de reforma da sentença, tendo em vista que o valor do ICMS é parte integrante do preço da mercadoria ou serviço, compondo assim a receita bruta do contribuinte passível de tributação. Pede, ainda, a inaplicabilidade da taxa SELIC e de juros, em sede de compensação. (...) Nesse contexto, entendo devida a inclusão do ICMS na base de cálculo tanto do PIS como da COFINS, não obstante, em julgamento recente, o Colendo Supremo Tribunal Federal tenha proferido decisão em sentido contrário, no julgamento do RE nº 240.785, cuja eficácia não é erga omnes, motivo pelo qual é de se aguardar o julgamento do RE nº 574.706, submetido ao regime de repercussão geral. Diante do exposto, com fundamento no artigo 932, do Novo Código de Processo Civil, dou provimento à apelação e à remessa oficial, tida por interposta, para reformar a r. sentença e rejeitar o pedido inicial. Certifica que em julgamento de 16.11.2016, acórdão disponibilizado no Diário Eletrônico em 20.12.2016, a Turma por unanimidade negou provimento ao agravo legal interposto pela apelada, nos termos do voto do Relator. O Desembargador Federal André Nabarrete acompanhou, com a ressalva de que o fez à vista da ausência de juntada de documentos comprobatórios da efetiva existência de relação jurídica entre as partes quanto às contribuições em discussão, providência exigível em sede de mandado de segurança. Nesse caso, quando da lavratura do Auto de Infração, estava vigente a decisão proferida em primeira instância, que concedia a segurança pleiteada. O Recurso de Apelação da Fazenda Nacional, recebido apenas no efeito devolutivo, não suspendeu a eficácia desta decisão, que apenas veio a ser reformada em 18.4.2016, por acórdão de segunda instância. Logo, para os valores correspondentes aos fatos geradores ocorridos entre jul/10 a dez/10, a multa de ofício não poderia ter sido lançada, uma vez que o crédito tributário encontravase com a exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, IV do CTN. Pelo exposto, nos termos da Súmula CARF nº 1, deixo de conhecer o Recurso Voluntário no que toca à exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS, devendo tal parcela do crédito tributário ser vinculada às decisões judiciais finais proferidas nos autos dos Mandados de Segurança nº 2006.61.05.0131233 e 0022393 20.2006.4.03.6100. Não obstante, o valor correspondente à multa de ofício lançada relativamente aos fatos geradores ocorridos entre jul/10 a dez/10, deve ser cancelada em face da suspensão da exigibilidade nos autos do Mandado de Segurança nº 002239320.2006.4.03.6100. Fl. 286783DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.784 26 Decadência dos supostos fatos geradores alegadamente ocorridos no período de janeiro a novembro de 2009 Na hipótese dos autos a discussão relativa à aplicação do art. 150, §4º ou art. 173 do CTN depende, exclusivamente, da definição acerca da ocorrência de fraude ou não. Não há dúvida de que houve o recolhimento parcial dos tributos discutidos. Desse modo, esta questão será analisada juntamente com o tópico "Multas agravadas de 150%: inexistência de fraude ou simulação", adiante abordado. A. Incompetência da DRF/CPS para fiscalizar e autuar as Recorrentes Alegam as Contribuintes a nulidade da autuação fiscal, uma vez que lavrada pela DRF de Campinas, a despeito do fato de possuírem "domicílio fiscal no Município de São Paulo/SP" e que, portanto, a competência para a Fiscalização seria da "Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (“DERAT/SP”)". Sem maiores digressões, aplicase o disposto na Súmula CARF nº 27: Súmula CARF nº 27: É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Assim, afasto a preliminar de nulidade suscitada relativamente à alegada incompetência da DRF de Campinas para fiscalizar e autuar as Contribuintes. Nulidade dos Autos de Infração em razão das supostas “provas” emprestadas dos autos de outros processos administrativos Acerca da utilização de provas emprestadas, observase que estas foram utilizadas como indício de prova, tendo sido o presente feito amplamente instruído com documentação pertinente ao lançamento correspondente. O fato de a documentação que ensejou a lavratura dos Autos de Infração, nas palavras das Recorrentes, "exclusivamente com base nas “provas” produzidas no âmbito dos Processos Administrativos nºs 10830.727214/201331, 11829.720048/201424 e 11829.720047/201480", apenas demonstra que todas essas autuações decorreram de uma mesma ação fiscal. A lavratura de diversos autos se deu exclusivamente pela necessidade de segregação dos diversos tributos lançados (PIS/COFINS, IPI, IRPJ e CSLL). Ademais, ainda que os documentos inicias que instruíram a lavratura dos Autos de Infração apresentem fundamentos exclusivos à legislação do IPI, como afirma as Recorrentes, a sua aplicabilidade aos tributos ora em discussão é matéria passível de resolução na análise do mérito. Fl. 286784DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.785 27 Por fim, destaco que há nos presentes autos detalhado Relatório Fiscal (fls. 189519 a 189810), ou seja, de quase 300 laudas, que apontam a devida fundamentação do presente lançamento (PIS e COFINS), tendo sido assegurado aos Contribuintes a plena ciência do lançamento, tendo estes exercido a ampla defesa também com robusta e sólida defesa, acompanhada de documentação. Pelo exposto, afasto a preliminar de nulidade do lançamento por suposta utilização indevida de prova emprestada. Nulidade dos Autos de Infração – A desconsideração da personalidade jurídica Quanto à desconsideração da personalidade jurídica, entendo que tratase de matéria a ser apreciada no mérito do presente Recurso Voluntário. Na hipótese dos autos, discutese não a desconsideração da personalidade jurídica por si, mas a alegação de prática de autos fraudulentos pelas Contribuintes, tendo agido a Fiscalização em conformidade com o parágrafo único do art. 116 do CTN: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Assim, em sede de preliminar, não se verifica qualquer nulidade do lançamento em razão dos atos de desconsideração de negócios ou mesmo da personalidade jurídica, devidamente fundamentados e combatidos pelas Recorrentes. IV. MÉRITO: A INEXISTÊNCIA DE SIMULAÇÃO, FRAUDE OU CONFUSÃO PATRIMONIAL NAS OPERAÇÕES ENTRE A UBI E A UBR A. Alegações constantes do TVF (repetidas no V. Acórdão recorrido) B. Segregação de atividades industriais e comerciais B.1. Segregação em âmbito global – estratégia mundial de supply chain do Grupo Unilever B.2. Segregação de atividades industriais e comerciais no Brasil Fl. 286785DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.786 28 C. Empregados registrados exclusivamente na área de Comércio Exterior e compartilhamento de empregados na mesma jornada D. Contratos de Gestão de Pagamentos e Recebimentos E. Fornecimento de produtos à UBR F. Parecer do Professor Tavares Guerreiro G. Centros de distribuição G.1. Uso exclusivo do depósito fechado pela UBI G.2. Da possibilidade de uso compartilhado de um depósito fechado G.3. Manutenção de estabelecimentos diversos no mesmo prédio G.4 Empregados e operações G.5. Emissão de notas fiscais H. Existência de margem de lucro I. Inexistência de simulação ou fraude fiscal no caso dos autos J. Legislação e precedentes sobre simulação ou fraude L. Inexistência de ilegalidade na coordenação de atividades V. REGULARIDADE DA APURAÇÃO E RECOLHIMENTO DO PIS E DA COFINS MONOFÁSICOS NAS OPERAÇÕES ENTRE AS RECORRENTES B. Formação da base de cálculo do PIS e da COFINS “monofásicos” C. Inexistência de regra de preço ou valor tributável mínimo na legislação do PIS e da COFINS No tópico de mérito e seus diversos subtópicos as Contribuintes discorrem acerca de cada um dos aspectos considerados pela Fiscalização para caracterizar como fraude a operação societária realizada entre as Contribuintes. Serão analisados em conjunto nessa decisão. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento assim resumiu a controvérsia: Em apertada síntese podemos dizer que a fiscalização apurou que a Unilever Brasil Industrial Ltda. e a Unilever Brasil figuravam no plano fático como respectivamente matriz e filial, e não como empresas distintas. Verificouse a prática de simulação com o objetivo de evadir tributos e contribuições federais. Isso se deveu ao levantamento de elementos que levaram a concluir que a unidade industrial não teria receitas próprias, sendo financiada em suas atividades operacionais Fl. 286786DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.787 29 pela Unilever Brasil, sendo a política de preços dos produtos saídos do estabelecimento fiscalizado competência da direção do grupo econômico, no comando da Unilever Brasil. São citadas pela fiscalização diversas situações em que se procurava dar uma aparência, enquanto a realidade seria outra. O objetivo dos interessados seria de suprimir tributos/contribuições através da falsidade na prestação de informações em declarações obrigatórias – DIPJ, GFIP – e em notas fiscais de importação e de saídas emitidas pelo estabelecimento industrial. No TVF observouse também a criação artificiosa de “acordos de fornecimento” para dar a aparência de que existiam negociações comerciais e operações de compra e venda. Inexistiam as operações comercias entre a Unilever Brasil Higiene Pessoal e Limpeza Ltda. (incorporada pela UBI) e a própria UBI (Unilever Brasil Industrial Ltda.) – não haviam pagamentos nas saídas dos produtos. Outras infrações foram verificadas levando a glosas de créditos, como, por exemplo, em função das devoluções não comprovadas. Pois bem. A questão relativa ao chamando planejamento tributário é assaz debatida no direito tributário. O que se pode afirmar, já de início, é que tal tema não pode merecer a interpretação preconceituosa que a Fiscalização aplicou. A conduta de planejar as operações a serem realizadas por uma determinada pessoa jurídica, é inerente e até mesmo essencial à boa condução empresarial. Com efeito, podese afirmar que existe uma linha tênue entre as práticas que visam à economia tributária como boa prática empresarial, e aqueles que tem por intuito, lesionar, causar danos ao erário. É a diferença que comumente se faz entre elisão (lícita) e evasão (ilícita). Inicialmente, observase que a fundamentação central da autuação para afirmar ter ocorrido fraude e simulação é o fato de as empresas industrial e comercial serem integrantes de um mesmo grupo econômico. Quanto à existência de Grupo econômico entre as empresas autuadas, isso é evidente e não se questiona. Todavia, tanto a Fiscalização quanto a DRJ parecem tratar a simples existência de grupo econômico como comprovação cabal de fraude ou máfé, de exercício de ações coordenadas com o fim exclusivo de economia de tributo e fraude à administração tributária. Partese do pressuposto de que, sendo as empresas ligadas, não seria justificável a sua separação, podendo, ou melhor, devendo todas elas funcionarem sob uma única composição societária. Ora, tal compreensão não é consentânea com a realidade social, econômica e jurídica hoje vigente, não apenas em âmbito nacional, como internacional, com o cenário da economia globalizada e profissionalização empresarial. A visão manifestada pela fiscalização se adequava a cenários existentes ainda no século XX, onde era comum a confusão de grupos empresariais com grupos familiares, onde a profissionalização das empresas era insipiente, ainda predominada, como dito, por negócios familiares quando, de fato, um pequeno grupo de pessoas detinha controle absoluto sobre as mais diversas atividades. Ocorre que não é essa a realidade que ora se apresenta. Fl. 286787DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.788 30 Esse posicionamento é exatamente o mesmo que manifestei por ocasião do julgamento do processo nº 16561.720182/201265, Acórdão nº 3201003.444, contudo, naquela oportunidade,validando o entendimento fiscal: O Direito Tributário não admite, na atualidade, interpretações estanques, dissociadas da realidade econômica, social e política. A moderna doutrina tributária, no quem vem acompanhada pela jurisprudência dos Tribunais Superiores, não mais admite que a obrigação tributária seja parametrizada por conceitos imutáveis. A interpretação do direito tributário, à exemplo do que se verifica na interpretação conforme a constituição e na própria mutação constitucional, deve acompanhar a evolução dos paradigmas sociais e econômicos. Na hipótese específica dos autos, um conceito de natureza econômica forjado em 1850 pelo já revogado Código Comercial Brasileiro, por óbvio, jamais poderá ser interpretado da mesma forma quase 2 séculos depois. Como já tive oportunidade de me manifestar, em junho de 2016, no sentido de que a autoridade tributária não pode desprezar a realidade negocial, ao não reconhecer a existência de uma modalidade contratual amplamente praticada no mercado nacional e internacional para fins de exigência tributária (Acórdão nº 3201002.227), reafirmo que também o contribuinte não pode pretender afastar essa mesma realidade para fins de se eximir da obrigação tributária. É a própria realidade mercadológica da Recorrente que inviabiliza restringir o conceito de praça comercial a um único município. Seus produtos são comercializados em todo o país (e mesmo internacionalmente), independentemente da sua presença física nos municípios, sendo seus produtos claramente individualizados e definíveis, e sem variações de valor. Não se trata de negar primazia ao princípio da legalidade tributária, mas, sim, de interpretar a norma tributária em consonância com a realidade social, política e econômica. E, na atual realidade, de economia globalizada, limitar o conceito de "praça comercial" de um comerciante de alcance internacional, às barreiras geográficas de um único município, significa corromper o próprio conceito normativo. (Declaração de Voto) Os grandes grupos econômicos, com abrangência internacional, como é o caso da Recorrente, são hoje realidade. São grupos de empresas dedicadas a uma ou mais atividades e que, por esta razão, criam e mantêm empresas especializadas por setor de atuação ou de produção. Essa formação é pública, notória, documentada, registrada e absolutamente legal. Não há qualquer ilegalidade (ou mesmo imoralidade) na existência de tais grupos. Assim, a comprovada existência de grupo econômico, com o compartilhamento de diretores, unificação e centralização de procedimentos e de fornecedores, por exemplo, não é fato apto a ensejar qualquer indício de fraude ou simulação, como Fl. 286788DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.789 31 pretendeu a Fiscalização ao listar, exaustivamente, as dados societários e os representantes comuns das empresas como prova incontestável de conluio. Encerrando este aspecto vale salientar que a legitimidade da estrutura societária utilizada já restou chancelada por este Conselho, em decisão transitada em julgado: Desse modo, entendo que não assiste razão à Fiscalização ao chancelar como planejamento abusivo a segregação das atividades entre empresas industrial e comercial. Em que pese a diversidade de argumentos da Fiscalização no sentido de defender a ocorrência de abuso por parte das Contribuintes e também a substância dos diversos argumentos de defesa, tenho que os ora expostos são suficientes para dirimir a questão, permitindome, assim, não mais me alongar em cada um dos filigranas existentes. Fl. 286789DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.790 32 Feita tal colocação, entendo que para a solução da lide, se faz necessário fixar algumas premissas: (i) Os elementos constantes dos autos demonstram que o valor de venda praticado pela unidade industrial era bastante irrisório em face do valor do bem no mento da sua colocação no mercado (preço do industrial cerca de 3 vezes inferior ao preço do comercial, tendo sido demonstrado "prejuízo" na revenda de produtos importados). A prática de preços reduzidos, contudo, não foi feita de forma escusa. As operações eram legitimamente realizadas e declaradas à Fiscalização. Obviamente que, em se tratando de empresas interligadas, a ausência de lucro pela industrial na venda de produtos para a comercial é negocialmente justificável. Contudo, considerando que o baixo custo de venda reduz significativamente a base de cálculo das contribuições devidas pelo regime monofásico, tal prática merece censura. (ii) A Fiscalização agiu de forma legítima ao fiscalizar o preço de venda das mercadorias, o que significa, na hipótese dos autos, verificar a composição da base de cálculo do PIS e da COFINS para os produtos sujeitos ao regime monofásico. (iii) A Fiscalização afirma que para as operações em exame venda de produtos no regime monofásico as empresas industrial e comercial agiram não como empresas independentes, mas como "matriz ou filial", que, nas hipóteses específicas, o estabelecimento comercial figurou como mero armazém das mercadorias. Contudo, não efetuou a desconsideração da personalidade jurídica do estabelecimento comercial, já que todas as demais operações realizadas com produtos não sujeitos ao regime monofásico não foram questionadas. O que houve foi a desconsideração no negócio jurídico de compra e venda de produtos sujeitos ao regime monofásico, em face da demonstração de que os valores foram artificialmente fixados. (iv) Fixado que as Contribuintes incorreram em redução indevida da base de cálculo do PIS e da COFINS ao dar saída a produtos sujeitos ao regime monofásico em valores irrisórios, a Fiscalização se tornou autorizada a rever a base de cálculo adotada. Assim, com base nas premissas obtidas pelo exame dos autos, tenho que a legalidade do lançamento deve ser analisada em face do procedimento utilizado pela Fiscalização ao estabelecer a base de cálculo tributável. Não há dúvida de que a base de cálculo adotada pela Fiscalização é a receita final obtida pela empresa comercial com a venda dos produtos industrializados. Então o questionamento que se faz é: poderia a Fiscalização eleger essa base de cálculo? Com efeito, nos termos da Lei nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, a base de cálculo do PIS e da Cofins no regime monofásico é o faturamento da pessoa jurídica industrial. Art. 1o A Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à Fl. 286790DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.791 33 industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01; 30.03, exceto no código 3003.90.56; 30.04, exceto no código 3004.90.46; e 3303.00 a 33.07, exceto na posição 33.06; nos itens 3002.10.1; 3002.10.2; 3002.10.3; 3002.20.1; 3002.20.2; 3006.30.1 e 3006.30.2; e nos códigos 3002.90.20; 3002.90.92; 3002.90.99; 3005.10.10; 3006.60.00; 3401.11.90, exceto 3401.11.90 Ex 01; 3401.20.10; e 9603.21.00; todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no7.660, de 23 de dezembro de 2011, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas:(Redação dada pela Lei nº 12.839, de 2013) I – dois inteiros e dois décimos por cento e dez inteiros e três décimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos referidos nocaput; I – incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: ((Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de:(Redação dada pela Medida Provisória nº 609, de 2013) I – incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: ((Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória nº 609, de 2013) a) produtos farmacêuticos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00: 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento);(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, classificados nas posições 33.03 a 33.07 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 96.03.21.00: 2,2% (dois inteiros e dois décimos por cento) e 10,3% (dez inteiros e três décimos por cento);(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, classificados nas posições 33.03 a 33.07, exceto na posição 33.06, e nos códigos 3401.11.90, exceto 3401.11.90 Ex 01, 3401.20.10 e 96.03.21.00: 2,2% (dois inteiros e dois décimos por cento) e 10,3% (dez inteiros e três décimos por cento); e(Redação dada pela Medida Provisória nº 609, de 2013) b) produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, classificados nas posições 33.03 a 33.07, exceto na posição 33.06, e nos códigos 3401.11.90, exceto 3401.11.90 Ex 01, 3401.20.10 e 96.03.21.00: 2,2% (dois inteiros e dois décimos por cento) e 10,3% (dez inteiros e três décimos por cento); e(Redação dada pela Lei nº 12.839, de 2013) Fl. 286791DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.792 34 II – sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente das demais atividades. § 1o Para os fins desta Lei, aplicase o conceito de industrialização estabelecido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI. § 2oO Poder Executivo poderá, nas hipóteses e condições que estabelecer, excluir, da incidência de que trata o inciso I, produtos indicados no caput, exceto os classificados na posição 3004. § 3oNa hipótese do § 2o, aplicase, em relação à receita bruta decorrente da venda dos produtos excluídos, as alíquotas estabelecidas no inciso II. Ou seja, o PIS e a COFINS do regime monofásico são devidas exclusivamente por industrial, e tem como base de cálculo a sua receita bruta. A Contribuinte industrial corretamente utilizou a sua receita bruta como base de cálculo. Ou seja, não se verifica, aqui, como ocorre, por exemplo, na legislação do IPI ao estabelecer o Valor Tributável Mínimo, qualquer fórmula para se chegar ao valor da mercadoria. É a receita bruta pura e simplesmente. De igual modo, não se trata de situação de "omissão de receita", ou, no caso, omissão de faturamento. Não há qualquer alegação ou indício de que o estabelecimento industrial teria recebido qualquer ingresso além do valor de venda declarado. O que ocorreu é que a Fiscalização afirma que o valor da receita bruta obtido era irreal, maquiado, artificialmente reduzido (ou seja como se queira definir). Ao concluir desse modo, competiria, evidentemente, apontar o correto valor de receita, mas sem perder de vista que esta receita é do estabelecimento industrial. Assim, para se definir de qual forma deverá ser estabelecida a base de cálculo real do PIS e COFINS monofásico, socorrese ao Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que "regulamenta a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins devidas pelas pessoas jurídicas em geral": Art. 91. Verificada a omissão de receita ou a necessidade de seu arbitramento, a autoridade tributária determinará o valor das contribuições, dos acréscimos a serem lançados, em conformidade com a legislação do Imposto de Renda (Lei nº8.212, de 1991, art. 33,capute §§ 3ºe 6º,Lei Complementar nº70, de 1991, art. 10, parágrafo único,Lei nº9.715, de 1998, arts. 9ºe 11, eLei nº9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 24). Com efeito, tal imposição se extrai do próprio Código Tributário Nacional: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os Fl. 286792DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.793 35 esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Assim, nos termos da legislação pertinente, caso a base de cálculo declarada não mereça fé que é, a meu ver, justamente a conclusão fiscal deveria ter sido realizado o regular procedimento de arbitramento, demonstrando qual composição de base de cálculo pelo industrial seria correta. Ocorre que não foi esse o fundamento no qual se centrou a Fiscalização ao efetuar o lançamento. Optou o Agente Fiscal por "desconsiderar" o negócio jurídico da compra e venda, ainda que este tenha ocorrido dentro da legalidade, e simplesmente aplicar o valor de venda do comercial, subvertendo a definição legal de contribuinte (industrial) e base de cálculo (venda pelo industrial). Assim, entendo, com base nos dispositivos acima, que o que fez a Fiscalização, em última análise, foi um verdadeiro arbitramento da base de cálculo do PIS e da COFINS. Ao proceder desse modo, a meu ver, a Fiscalização acabou por alcançar uma base de cálculo "superfaturada". Ou seja, sai do extremo do "subfaturamento" para o extremo oposto do "superfaturamento". Digo que há superfaturamento porque o preço praticado pelo comercial considera, na sua composição, custos exclusivos da atividade comercial, como, por exemplo, a publicidade e a distribuição, sendo que, como dito, pela interpretação do texto legal, a base de cálculo deve compreender apenas os custos da industrialização. Não há duvida de que a base de cálculo utilizada pela Fiscalização engloba custos além da industrialização. E mais do que isso, como dito, a Fiscalização não efetuou o arbitramento consoante exigências legais para tanto, que, no caso, seriam exatamente aquelas estabelecidas pela legislação do Imposto de Renda. Pelas razões expostas, percebese que, ainda que censurável os preços praticados pelo estabelecimento industrial e, conseqüentemente, da base de cálculo do PIS e da COFINS, falhou a Fiscalização ao efetuar o lançamento, uma vez que não utilizou o procedimento legal de arbitramento, fixando base de cálculo sem qualquer respaldo legal aplicável às contribuições em exame. Assim, deve ser provido o Recurso Voluntário para cancelar o lançamento fiscal efetuado em inobservância à legislação tributária. Ilegitimidade da UBR para figurar como autuada solidária A solidariedade da UBR, empresa comercial, foi fundamentada no art. 124, inciso I do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Fl. 286793DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.794 36 (...)” Entendo que a solidariedade foi corretamente aplicada. A UBR era a única destinatária das mercadorias industrializadas pela UBI e, portanto, beneficiária direta da redução da base de cálculo praticada. Nesse ponto, portanto, não merece acolhida o pleito recursal das contribuintes. A exclusão das devoluções da base de cálculo do PIS e da COFINS Como exposto anteriormente, houve negativa de provimento ao Recurso de Ofício, reconhecendo a necessidade de exclusão das parcelas relativas à Notas Fiscais canceladas no cálculo do PIS e da COFINS. DEVOLUÇÕES DOS CLIENTES PARA A UBR Não obstante, a Fiscalização não concordou em excluir da base de cálculo também as Notas Fiscais canceladas, entendendo que não existe previsão legal para tanto. Ainda afirmam que tais devoluções apenas poderiam ser utilizadas pelas Contribuintes na forma de crédito. Desse modo, manteve na base de cálculo da apuração do PIS e da COFINS a integralidade dos valores correspondentes à devolução de mercadorias. Vejase o acórdão recorrido: Nesse ponto, a legislação tributária prevê, segundo o disposto no inciso VIII, artigo 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que do valor a pagar a titulo de PIS e COFINS, a pessoa jurídica poderá descontar créditos referentes a bens recebidos em devolução. O crédito será determinado mediante a aplicação das alíquotas incidentes na venda sobre o valor ou unidade de medida, conforme o caso, dos produtos vendidos e depois devolvidos no mês. Todavia, a despeito de reconhecer que as mercadorias recebidas em devolução devem geram crédito na apuração do PIS e da COFINS, não efetuou o devido reajustamento dos valores lançados, limitandose a incluir o valor das devoluções como receita tributável. Entendo que não andou bem a Fiscalização ao proceder desse modo. Uma vez verificado que as Contribuintes receberam mercadorias em devolução e, uma vez chancelados que a legislação autoriza o desconto de créditos relativamente a tais devoluções, a Fiscalização deveria ter promovido o devido ajuste. É o que determina a Solução de Consulta Interna COFIS nº 24 de 28 de agosto de 2007: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 286794DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.795 37 A autoridade fiscal deve aproveitar de ofício os créditos da não cumulatividade da Cofins sempre que verificar a existência de saldo desses créditos no período em que ficar evidenciada infração à legislação da aludida contribuição, exceto quando tais créditos estiverem vinculados a Pedido de Ressarcimento (PER) ou Compensação (DCOMP) pendente de verificação, hipótese em que a autoridade fiscal que constatar infração à legislação das aludidas contribuições não deve aproveitálos de ofício. O aproveitamento de ofício de que trata o parágrafo anterior deve ser efetivado independentemente de o crédito ter sido originado no próprio período em que ficar evidenciada infração à legislação, ou em período anterior. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP A autoridade fiscal deve aproveitar de ofício os créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep sempre que verificar a existência de saldo desses créditos no período em que ficar evidenciada infração à legislação da aludida contribuição, exceto quando tais créditos estiverem vinculados a Pedido de Ressarcimento (PER) ou Compensação (DCOMP) pendente de verificação, hipótese em que a autoridade fiscal que constatar infração à legislação das aludidas contribuições não deve aproveitálos de ofício. O aproveitamento de ofício de que trata o parágrafo anterior deve ser efetivado independentemente de o crédito ter sido originado no próprio período em que ficar evidenciada infração à legislação, ou em período anterior. Nesse mesmo tópico, as contribuintes ainda alegam que houve erro nos cálculos efetuados pela Fiscalização, uma vez que deixou de considerar as devoluções de mercadorias de NCM 3306, afirmando que estas estavam sujeitas ao regime monofásico à época dos fatos geradores. A exclusão destas do regime monofásico apenas ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 609/2013, convertida na Lei nº 12.839/2013: Art. 1oA contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 3003, 3004, 3303 a 3307, e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 96.03.21.00, todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, aprovada peloDecreto no2.092, de 10 de dezembro de 1996, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas:(Vide Medida Provisória nº 41, de 2002) Art.1ºA contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à Fl. 286795DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.796 38 industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46 e 3303.00 a 33.07, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00, 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00, todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada peloDecreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.548, de 2002) Art.1ºA Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46 e 3303.00 a 33.07, exceto na posição 33.06, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00, 3401.11.90, exceto 3401.11.90 Ex 01, 3401.20.10 e 9603.21.00, todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada peloDecreto nº7.660, de 23 de dezembro de 2011, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas:(Redação dada pela Medida Provisória nº 609, de 2013) Art. 1o A Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01; 30.03, exceto no código 3003.90.56; 30.04, exceto no código 3004.90.46; e 3303.00 a 33.07, exceto na posição 33.06; nos itens 3002.10.1; 3002.10.2; 3002.10.3; 3002.20.1; 3002.20.2; 3006.30.1 e 3006.30.2; e nos códigos 3002.90.20; 3002.90.92; 3002.90.99; 3005.10.10; 3006.60.00; 3401.11.90, exceto 3401.11.90 Ex 01; 3401.20.10; e 9603.21.00; todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no7.660, de 23 de dezembro de 2011, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas:(Redação dada pela Lei nº 12.839, de 2013) Observase que este equívoco vem sendo arguido pelas Contribuintes desde a realização da diligência solicitada pela DRJ, conforme se verifica pelo seguinte trecho do acórdão recorrido: Esse tópico também foi objeto de diligência. Na manifestação complementar dos interessados após a realização da diligência comentam as duas situações – devoluções e vendas canceladas. Sobre as devoluções, em que pese a falta de previsão legal, defendem que as mesmas deveriam ser excluídas das receitas de Fl. 286796DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.797 39 vendas. No tocante a diferença encontrada entre o apurado pela fiscalização e o que foi encontrado pelos impugnantes relativamente ao valor do montante das exclusões, apontam que seria devido à exclusão pelo Fisco dos produtos classificados no NCM 3306. Comentam que tais produtos somente teriam sido excluídos de alíquotas concentradas através da Lei nº 12.839/2013. Sobre as vendas canceladas discorrem que a fiscalização não explicitaria a diferença entre os valores que encontrou em comparação com o informado pelos impugnantes, o que ensejaria a nulidade da glosa nessa parte do valor informado. Não obstante, a decisão recorrida não se manifestou quanto a esse aspecto. Por entender que tal omissão não acarreta danos ao julgamento, tratandose de nulidade superável, analiso o pleito das Recorrentes. Com efeito, assiste razão às Contribuintes. Como comprovado pelo excerto legal acima transcrito, as mercadorias de NCM 3306 estavam sujeitas ao regime monofásico à época dos fatos geradores. Desse modo, a devolução respectiva deverá ser considerada pela Fiscalização, nos termos acima expostos, na condição de créditos passíveis de apropriação. Impossibilidade de exigência de multas da empresa sucessora O presente Auto de Infração foi lavrado em face da empresa sucessora UNILEVER BRASIL INDUSTRIAL LTDA (01.615.814/000101), como contribuinte principal, na condição de sucessora de UNILEVER BRASIL HIGIENE PESSOAL E LIMPEZA LTDA. (CNPJ 03.085.759/000102). Parte dos fatos geradores ocorreram anteriormente ao evento de sucessão, razão pela qual as Contribuintes requerem o afastamento da multa correspondente aos eventos ocorridos anteriormente à sucessão, nos termos do art. 132 do CTN. Sem mais me alongar no já extenso voto, registro que a matéria já se encontra sumulada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça: Súmula nº 544 Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão. (Súmula 554, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2015, DJe 15/12/2015) Desse modo, não deve ser provido o Recurso Voluntário nesse aspecto. Multas agravadas de 150%: inexistência de fraude ou simulação Fl. 286797DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.798 40 Foi aplicada às Contribuintes Multa Qualificada de 150% por entender a Fiscalização que teria ocorrido fraude. Citando jurisprudência desta Corte, as Contribuintes afirma que, não tendo ocorrido dolo por parte das Contribuintes, sendo típica hipótese de divergência acerca da interpretação da legislação tributária, não há falar na aplicação da multa qualificada prevista no §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Com efeito, entendo que assiste razão às Contribuintes. Entendo não ter ocorrido a necessária tipificação das condutas exigidas, quais sejam aquelas condutas tipificadas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502/64: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Veja que qualquer uma das condutas tipificadas nos dispositivos legais acima exige o dolo por parte do contribuinte, ou seja, a vontade deliberada de cometer o ilícito. Notase, contudo, que todas as operações autuadas foram devidamente registradas, contabilizadas e declaradas à Fiscalização. Em nenhum momento se questionou a legitimidade de qualquer um desses documentos ou declarações. As Recorrentes atuaram com boafé durante toda a fiscalização, apresentando ampla documentação e diversos Fl. 286798DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.799 41 esclarecimentos durante todo o curso da ação fiscal. O que fez a Fiscalização foi refutar a forma aplicação da legislação tributária pelas Contribuintes. Ademais, as Contribuintes declararam e recolheram os tributos na forma que entendiam devidas, consoante a regra legal aplicada. Ainda que a Fiscalização pretenda questionar as operações realizadas pelas Contribuintes e a conclusão obtida venha a prevalecer o próprio fato de existirem diversas decisões deste Conselho com posicionamento diametralmente opostos e nenhuma delas proferida à unanimidade, demonstra se tratar de efetiva divergência quanto à interpretação da legislação tributária. Nesse sentido, cito jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no acordão n° 9101003.365, de 18/01/2018: MULTA QUALIFICADA. A acusação de artificialismo de uma operação baseada na ausência de seu propósito negocial revelada pela geração de ágio interno e com uso de empresa veículo, sem a demonstração cabal de invalidades efetivas e do intuito de fraudar, sonegar ou atuar em conluio do sujeito passivo, com a devida subsunção aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4502/64 não autoriza a qualificação da multa de ofício, independentemente do posicionamento que se tenha quanto à dedutibilidade do ágio na questão. E também, o acórdão n° 910101.404 de 17/07/2012: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada. Pelo exposto, por entender não restar configurada conduta dolosa por parte das Contribuintes, tratandose de típica hipótese de mera divergência quanto à interpretação da legislação tributária, deve ser afastada a multa qualificada. Por conseguinte, deverá ser aplicado, quanto à decadência, o prazo previsto no art. 150, §4º do CTN. Não incidência de juros sobre as multas aplicadas Conforme reiterados julgados por mim preferidos, entendo não ser cabível a cobrança de juros sobre a multa de ofício, uma vez que esta detêm caráter punitivo e não tributário. Fl. 286799DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.800 42 CONCLUSÃO: NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. (vencedor) CONHECER PARCIALMENTE o Recurso Voluntário, deixando de conhecer o Recurso no que toca à exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS, devendo tal parcela do crédito tributário ser vinculada às decisões judiciais finais proferidas nos autos dos Mandados de Segurança nº 2006.61.05.0131233 e 0022393 20.2006.4.03.6100. (vencedor) Na parte conhecida do Recurso Voluntário, voto por dar PROVIMENTO, passando a analisar cada um dos tópicos de defesa apresentados: 1. Cancelar a multa de ofício lançada relativa à parcela do ICMS incluída na base de cálculo do PIS e da COFINS, para os fatos geradores ocorridos entre jul/10 a dez/10; (vencedor) 2. Reconhecer a decadência parcial, nos termos do art. 150, §4º do CTN, uma vez que os tributos foram declarados e recolhidos pelas Recorrentes, e não restou configurada fraude, restando decaídos os fatos geradores ocorridos entre janeiro e novembro de 2009; (vencedor) 3. Rejeitar a preliminar de nulidade suscitada relativamente à alegada incompetência da DRF de Campinas para fiscalizar e autuar as Contribuintes; (vencedor) 4. Rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento por suposta utilização indevida de prova emprestada; (vencedor) 5. Rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento em razão dos atos de desconsideração de negócios / personalidade jurídica; (vencedor) 6. Cancelar o lançamento tributário em virtude da apuração irregular da base de cálculo do PIS e da COFINS; (vencido) 7. Manter a responsabilidade solidária da UBR; (vencedor) 8. Reconhecer o direito à apropriação dos créditos de PIS e COFINS correspondentes à devolução de mercadorias, inclusive aquelas classificadas no NCM 3306. (vencedor) 9. Manter a cobrança da multa da empresa Sucessora, pelos fatos geradores praticados pela empresa sucedida, relativamente aos fatos geradores ocorridos anteriormente à sucessão, nos termos da Súmula STJ nº 554. (vencedor) 10. Afastar a qualificação da multa de ofício, mantendo o percentual de 75%. (vencedor) 11. Afastar a cobrança dos juros sobre a multa de ofício. (vencido) Fl. 286800DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.801 43 É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo Redator Designado. Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do Recurso Voluntário e das contrarrazões ao Recurso Voluntário apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O litígio cuida de Auto de Infração (AI), efls. 189.812 a 189.839, relativo às contribuições do PIS e da COFINS, com multa de ofício qualificada e juros de mora. De forma resumida, a fiscalização alega que as empresas(a) Unilever Brasil Industrial Ltda (importadora e industrial) e (b) Unilever Brasil (comercial) atuavam no mercado como empresas vinculadas, respectivamente como matriz e filial, e não como empresas independentes em condições de livre mercado. Segundo a fiscalização, as referidas empresas realizavam transações comerciais com o objetivo de evadir tributos e contribuições federais. A relatora, Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário,após análise do caso proferiu seu voto com as seguintes conclusões: NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. CONHECER PARCIALMENTE o Recurso Voluntário, deixando de conhecer o Recurso no que toca à exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS, devendo tal parcela do crédito tributário ser vinculada às decisões judiciais finais proferidas nos autos dos Mandados de Segurança nº 2006.61.05.0131233 e 002239320.2006.4.03.6100. (vencedor) Na parte conhecida do Recurso Voluntário, voto por dar PROVIMENTO, passando a analisar cada um dos tópicos de defesa apresentados: 1. Cancelar a multa de ofício lançada relativa à parcela do ICMS incluída na base de cálculo do PIS e da COFINS, para os fatos geradores ocorridos entre jul/10 a dez/10; 2. Reconhecer a decadência parcial, nos termos do art. 150, §4º do CTN, uma vez que os tributos foram declarados e recolhidos pelas Recorrentes, e não restou configurada fraude, restando decaídos os fatos geradores ocorridos entre janeiro e novembro de 2009; 3. Rejeitar a preliminar de nulidade suscitada relativamente à alegada incompetência da DRF de Campinas para fiscalizar e autuar as Contribuintes; Fl. 286801DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.802 44 4. Rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento por suposta utilização indevida de prova emprestada; 5. Rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento em razão dos atos de desconsideração de negócios / personalidade jurídica; 6. Cancelar o lançamento tributário em virtude da apuração irregular da base de cálculo do PIS e da COFINS; 7. Manter a responsabilidade solidária da UBR; 8. Reconhecer o direito à apropriação dos créditos de PIS e COFINS correspondentes à devolução de mercadorias, inclusive aquelas classificadas no NCM 3306. 9. Manter a cobrança da multa da empresa Sucessora, pelos fatos geradores praticados pela empresa sucedida, relativamente aos fatos geradores ocorridos anteriormente à sucessão, nos termos da Súmula STJ nº 554. 10. Afastar a qualificação da multa de ofício, mantendo o percentual de 75%. 11. Afastar a cobrança dos juros sobre a multa de ofício. Inicialmente, como consta do voto da Conselheira Tatiana, cabe negar provimento ao Recurso de Ofício e conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer no mesmo apenas na parte que toca à exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS, em função da concomitância da matéria na esfera judicial. Mérito Na sequência, analisase o mérito, dos pontos que obtiveram provimento para relatar o voto vencedor. a) Cancelar a multa de ofício relativa à parcela do ICMS incluída na base de cálculo do PIS/COFINS para os fatos geradores ocorridos entre julho a dezembro de 2010. (Unanimidade) A multa de ofício relativa à parcela do ICMS incluída na base de cálculo do PIS e da COFINS foi cancelada em razão da concomitância da matéria na esfera judicial. Aplicação da Súmula CARF n.º 1 em razão da sua concomitância com os pedidos formulados em sede de Mandado de Segurança. Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da Fl. 286802DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.803 45 constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Pelo exposto, nos termos da Súmula CARF nº 1, deixouse de conhecer o Recurso Voluntário no que toca à exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS, devendo tal parcela do crédito tributário ser vinculada às decisões judiciais finais proferidas nos autos dos Mandados de Segurança nº 2006.61.05.0131233 e 0022393 20.2006.4.03.6100. Por último, tendo em vista que não houve depósito judicial das quantias controvertidas em Mandado de Segurança, na hipótese de prolação de decisão judicial contrária ao contribuinte, os juros de mora serão devidos. b) Reconhecer o direito à apropriação dos créditos do PIS e da COFINS correspondentes às notas fiscais de devolução de mercadorias, inclusive das mercadorias classificadas no NCM 3306. (Unanimidade) O direito à apropriação dos créditos do PIS e da COFINS correspondentes às notas fiscais de devolução de mercadorias foi reconhecido, inclusive aquele das mercadorias classificadas na NCM posição 3306. c) Manter a exigência dos valores principais do PIS e da COFINS, excluídos os valores decaídos referentes ao período de janeiro a novembro de 2009 (Maioria de votos) Mantevese a exigência dos valores principais do PIS e da COFINS, excluídos apenas os valores decaídos referentes ao período de janeiro a novembro de 2009. Para justificar a manutenção dos valores principais, prevaleceu o entendimento do colegiado de que não houve circulação de mercadoria econômica ou jurídica nas "vendas" da autuada para a sua interdependente, mas tão somente circulação física. Nessa linha de pensamento, a maioria do colegiado entendeu que as entidades (a) importadora e industrial e (b) comercial realizavam transações comerciais entre vinculadas com afetação de preços. Em outras palavras, que o preço pelo qual a entidade (a) importadora e industrial revendia suas mercadorias para a entidade (b) comercial era inferior ao que seria se as partes não fossem vinculadas e o preço tivesse sido ofertado a terceiras empresas compradoras.O fato de entidade (a) importadora e industrial operar com “acordo de fornecimento”, trabalhar com o sistema de conta corrente e ter como único adquirente de suas mercadorias a entidade (b) comercial do mesmo grupo pesou para tal conclusão. A prática adotada pelo grupo multinacional na determinação dos preços internos possui semelhança com a metodologia de preços de transferência na esfera internacional. A essência da questão para fins de tributação, tanto na esfera internacional como na interna, encontrase na seguinte pergunta: em que medida os preços praticados pelas entidades do mesmo grupo foram afetados? Fl. 286803DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.804 46 A fiscalização demonstrou que os preços praticados entre as entidades estavam abaixo dos valores aceitáveis no mercado. Em sua defesa, as entidades do grupo poderiam ter demonstrado que os preços praticados se assemelhavam a preços de terceiros. Poderiam também ter juntado documentação de que suas margens de lucro estavam conforme o mercado.Enfim, poderiam ter fartamente argumentado quanto ao preço praticado. Ao contrário, a defesa trouxe argumentos de reorganização societária que nada provam quanto a robustez dos preços praticados. Assim, para fins da determinação da base de cálculo na apuração do PIS e da COFINS, as operações entre as duas entidades grupo Unilever foram entendidas como transações com afetação do preço e foram, portanto, desconsideradas. Em outras palavras, o preço pelo qual as mercadorias foram negociadas foi desacreditado. Tal preço foi inferior ao que seria se as partes não fossem pertencentes ao mesmo grupo. Logo, prevaleceu o entendimento de que não houve liberdade de negociação em condições de livre mercado. Ao desconsiderar o negócio jurídico entre as entidades, a fiscalização considerou de forma acertada como válidos para fins de tributação do PIS e da COFINS os preços praticados pela entidade (b) comercial e os terceiros adquirentes no mercado interno. Não houve arbitramento de preços, apenas a desconsideração dos preços praticados entre as entidades (a) e (b) de forma exclusiva e sem respaldo no mercado. Finalmente, cabe esclarecer que a exclusão da fraude, levou ao reconhecimento de valores decaídos, referentes ao período de janeiro a novembro de 2009. Assim, ocorreu a decadência dos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a novembro de 2009, com base na aplicação do § 4º, do art. 150, do CTN, visto tratarse de tributos sujeitos a lançamento por homologação. d) Excluir a qualificação da multa de ofício (Maioria de votos) A qualificação da multa de ofício foi excluída por não restar configurada a conduta dolosa. A comprovação de fraude ou simulação exigiria mais do que o planejamento tributário que foi constatado pela fiscalização. O colegiado entendeu que a afetação dos preços em função da vinculação entre as entidades, não constitui fraude ou simulação. A favor do sujeito passivo estão a prestação de informações contábeis e fiscais de forma regular. Logo, a divergência entre o sujeito passivo e a fiscalização quanto a operacionalização do planejamento tributário seriam insuficientes para caracterizar a fraude ou simulação. Nesse sentido, citase jurisprudência da CSRF do CARF: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da Fl. 286804DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.805 47 ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada.(CSRF Acórdão n° 910101.404 de 17/07/2012) Deuse provimento as razões do sujeito passivo, por entender não restar configurada a conduta dolosa, tratandose de típica hipótese de mera divergência quanto à interpretação da legislação tributária. Afastase a multa qualificada e, por conseguinte, aplicase, quanto à decadência, o prazo previsto no art. 150, §4º do CTN. e) Manter a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício (Voto de qualidade) Mantevese a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Citase jurisprudência da CSRF do CARF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (CSRF 3ª Turma, Acórdão nº 9303006.245 do Processo 16561.720170/201311, de 24/01/2018) Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício e conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer no mesmo apenas na parte que toca à exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS, em função da concomitância da matéria na esfera judicial. No mérito, voto por: a) Cancelar a multa de ofício relativa à parcela do ICMS incluída na base de cálculo do PIS/COFINS para os fatos geradores ocorridos entre julho a dezembro de 2010; b) Reconhecer o direito à apropriação dos créditos do PIS e da COFINS correspondentes às notas fiscais de devolução de mercadorias, inclusive das mercadorias classificadas no NCM 3306; c) Manter a exigência dos valores principais do PIS e da COFINS, excluídos apenas os valores decaídos referentes ao período de janeiro a novembro de 2009; d) Excluir a qualificação da multa de ofício; e Fl. 286805DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.806 48 e) Manter a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo Declaração de Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira Tem por finalidade esta declaração de voto explicitar os fundamentos para sustentar a autuação fiscal e a decisão recorrida. Cumpre mencionar primeiramente as empresas que compõem o grupo Unilever e a forma em que participaram da reorganização societária e dos negócios do Grupo. ELIDA POND'S INDUSTRIAL LTDA (ELIDA) não realizou atividades IGL INDUSTRIAL LTDA (IGL) sucessora da ELIDA iniciou atividade industrial em setembro/2001 UNILEVER BRASIL PRODUTOS DE TOUCADOR LTDA (UBT) sucessora da IGL UNILEVER BRASIL HIGIENE PESSOAL E LIMPEZA LTDA. (UBHPL) sucessora da UBT atividade industrial UNILEVER BRASIL INDUSTRIAL LTDA (UBI) sucessora da UBHPL UNILEVER BRASIL LTDA (UBR) sócia majoritária e administradora das PJ anteriores atividade comercial a partir de setembro/2001 exerceu atividade industrial até agosto/2001 Elemento fundamentar para entender a atuação fiscal é o modelo de negócio praticado antes e após o advento da Lei nº 10.147/2000, com a produção de efeitos a partir de 01/05/2001. Modelo de negócio até agosto/2001: UBR industrializava e vendia produtos aos clientes Modelo de negócio a partir de setembro/2001: UBI sucedeu PJ do grupo Unilever, com capital de R$ 1.000 e sem operação até agosto de 2001, que teve aumento de capital de R$ 149 milhões, principalmente em ativos imobilizados, efetuado pela UBR (sócia majoritária e administradora), e passou a industrializar. O produto industrializado era remetido para depósito fechado mas as NF consignavam "venda" para UBR, que os "revendia" a seus clientes" Fl. 286806DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.807 49 Legislação: Até abril/2001 todas as receitas com vendas de produto industrializados e revendidos pelo grupo eram tributado pelo PIS e Cofins, em todas as fases da operação (Lei 9718/98). A partir de maio/2001 as receitas com vendas da pessoa jurídica industrial ou importadora de alguns produtos de perfumaria, toucador e higiene pessoal passaram a sofrer incidência de PIS e Cofins concentrada nesta etapa (industrialização e importação). As demais operações REVENDA tiveram alíquotas reduzidas a zero. Inicio a análise. A Unilever aduz que a empresa industrial vende toda a sua produção à empresa comercial do Grupo e que os preços “são negociados entre as Partes”. O pagamento é realizado mediante compensações mútuas entre as pessoas jurídicas do grupo centrado em um conta corrente única dedicada ao encontro de débitos e créditos recíprocos. O Fisco afirma que constatou que as operações de saída de produtos industrializados da UBI são remessas para depósito fechado que compartilha mesmas instalações de estabelecimento da UBR e não há pagamento pelos produtos transferidos. Assim, entende que a venda entre a UBI e UBR é simulada. Entendo que a solução da lide deve superar a contemplação da verdade formal representada pela (i) constatação da constituição e existência de estabelecimentos e pessoas jurídicas do grupo Unilever, envolvidas na venda de produtos industrializados pela UBI para outra empresa do Grupo (e não diretamente ao cliente), (ii) verificação de que há notas fiscais mencionando venda e correspondente escrituração das saídas e da liquidação do pagamento mediante lançamento contábil. A matéria exige análise minuciosa à vista de se tratar de grupo econômico em que o produto industrializado submetido ao regime de tributação monofásica no qual apenas a saída da industria sofre a incidência do PIS/Cofins, desonerandose as demais operações é "vendido" exclusivamente para empresa do Grupo, operação esta em que não há pagamento em qualquer forma convencional, mas a compensação de débitos e créditos mediante registros contábeis em conta corrente centralizado e sua entrega é em depósito fechado (para fins de armazenagem) que compartilha do mesmo espaço físico da empresa do grupo que realiza a venda para terceiros não interdependentes, por preço cerca de 03 (três) vezes superior ao consignado na nota fiscal de saída do estabelecimento industrial. De pronto não se pode acusar a Unilever de planejamento tributário abusivo ou imporlhe forma de negócio diversa daquela implementada. Seria preconceituoso apenas com a descrição do parágrafo anterior deduzir a prática da simulação. De outra banda, cabe analisar as acusações fiscais que alega desnudar a verdadeira natureza da saída dos produtos da UBI para UBR de modo que foi eivada de artificialidade pois consubstanciada em uma transferência para depósito fechado e deste diretamente para cliente. O novo e atual modus operandi está amparado em documentos emitidos e escrituração contábilfiscal formalmente regulares. Certamente revela uma estrutura de negócios que fora meticulosamente reorganizada para se alcançar objetivos de planejamento tributário e eficiência empresarial, que podem ou não coincidir com a realidade fática das operações sujeitas à incidência de PIS e Cofins. Fl. 286807DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.808 50 Analisase pois a forma de negócio empreendido, pesquisando os fundamentos que motivaram a alteração, a regularidade das operações frente à legislação tributária, a compatibilidade entre o negócio declarado e aquele revelado no procedimento fiscal para ao final concluir pela licitude ou ilicitude do planejamento tributário empreendido pela contribuinte. 1. A reorganização societária e dos negócios e as atividades das empresas do grupo Unilever A estrutura de negócios (reorganização societária e dos negócios e o planejamento tributário) deve ser apreciada investigando as datas e atividades desenvolvidas pelas pessoas jurídicas que compõem o grupo Unilever tendo por comparação a data de publicação da Lei nº 10.147/2000, de 21/12/2000, mas com efeitos somente aos fatos geradores a partir de 01/05/20011, que instituiu a incidência monofásica na tributação de PIS e Cofins para a pessoa jurídica que industrializa ou importa produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal (classificados nas posições 33.03 a 33.07 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 96.03.21.00 da TIPI), com alíquotas substancialmente superiores (2,02% para o PIS, e 10,3% para a Cofins) à tributação normal do regime nãocumulativo. Para essa gama de produtos, determinou a Lei que a incidência sobre a receita bruta da pessoa jurídica industrial/importadora é única (concentrada), e expressamente reduziu a zero as alíquotas de PIS e Cofins nas receitas com a revenda efetuadas pelas pessoas jurídicas adquirentes do fabricante/importador: Art. 2o São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1o, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador. Em síntese, até 30/04/2001 o PIS e Cofins sobre a receita bruta na venda ou revenda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal alcançavam todas as pessoas jurídicas. A partir de 01/05/2001, essas contribuições passaram a incidir apenas sobre a receita bruta da pessoa jurídica fabricante/importadora de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal. Como se verá a reorganização dos negócios da Unilever são posteriores à indigitada alteração legislativa. A autuação fiscal recaiu sobre a incorporadora (UBI) da autuada (UBHPL), cuja denominação era IGL, nome este decorrente de alteração da pessoa jurídica ELIDA. Assim a análise da reorganização societária e dos negócios do grupo Unilever iniciase a partir da constituição da Elida. 1 Art. 7o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de maio de 2001, ressalvado o disposto no art. 4o. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 286808DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.809 51 A ELIDA, foi constituída em 01/03/1999, com capital social de apenas R$ 1.000,00, tendo como sócia majoritária (99,9% das cotas) e administradora a UBR, e sede na Av. das Indústrias, 315, Parte – Vinhedo SP. A razão social da ELIDA foi alterada em abril/2001 para IGL. Após, em 01/09/2001, a cotista gerente, a UBR optou por separar seus negócios de conformidade com seus respectivos ramos e especialidades. Para tanto, realizouse o aumento de capital da IGL, no valor de R$ 149.678.105,00, integralizado pela UB por meio de bens, direitos e obrigações, que passou a ter como objeto a fabricação e comercialização de produtos mencionados no item "2" da Consolidação do Contrato Social . A administração da sociedade mantevese a cargo da UB, que passou a possuir 149.678.104 da cotas, ou seja, 99,9999993%. Em 24/08/2006, a IGL teve o nome empresarial alterado para UBT, que retornou, em 01/03/2007, para IGL. Finalmente, em 21/05/2007, houve nova alteração da denominação social, desta vez, para UBHPL, permanecendo até a incorporação pela UBI, em 01/07/2010, quando o estabelecimento até então inscrito no CNPJ sob n° 03.085.759/000102 transformouse numa filial desta empresa e seu número de inscrição no CNPJ passou a ser 01.615.814/006487. (fls. 52.656/52.667). A fiscalização apontou que as Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) da IGL (antiga ELIDA) referentes aos anoscalendário 1999, 2000 e 2001 demonstram que não houve movimento até agosto de 2001 (fls. 80.822/80.825). Impende verificar as vendas desses mesmos produtos tributados pela sistemática monofásica do PIS e Cofins, antes e após a reorganização dos negócios do grupo Unilever. A demonstração encontrase à folha 189.746 do TVF, reproduzida, com a inclusão dos somatórios de valores: UBR fabricante e distribuidora e IGL sem movimento Período Faturamento da UBR (limpeza e toucador) Cofins Monofásica Faturamento da IGL (limpeza e toucador) Cofins mai/01 112.439.212,00 11.581.238,84 jun/01 129.174.783,84 13.305.002,74 jul/01 123.660.385,84 12.737.019,74 ago/01 144.058.636,23 14.838.039,53 509.333.017,91 52.461.300,85 IGL fabricante e UBR distribuidora Período Faturamento da UBR (limpeza e toucador) Cofins Faturamento da IGL (limpeza e toucador) Cofins Monofásica set/01 150.320.747,92 0,00 62.645.353,37 6.452.471,40 out/01 156.260.644,43 0,00 87.592.998,48 9.022.078,84 nov/01 152.461.661,01 0,00 76.892.040,78 7.919.880,20 dez/01 169.621.010,57 0,00 79.191.788,20 8.156.754,18 628.664.063,93 306.322.180,83 31.551.184,62 Fl. 286809DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.810 52 Notase que a industrialização e distribuição/venda dos produtos monofásicos era realizada pela UBR até o início da industrialização pela IGL (posteriormente IGHPL/UBI). Após a alteração, a IGL encarregouse da industrialização e a UBR da comercialização com pessoas jurídicas não interdependentes (clientes redes do varejo). Salta aos olhos uma constatação de extrema relevância: o faturamento da industria após efetivada a reorganização da produção (o início da fabricação pela IGL) decresceu cerca de 40% (R$ 306.322.180,82 x R$ 509.333.017,91) em relação ao período em que a industrialização era realizada pela UBR, e assim se manteve nos anos posteriores. De outra banda, a receita com revenda a terceiros efetuada exclusivamente pela UBR cresceu cerca de 23% (R$ 628.621.010,57 x R$ 509.333.017,91) no mesmo período. Ora, somente duas explicações seriam possíveis: a primeira, sem qualquer base de sustentação na reorganização societária e dos negócios do Grupo ou explicação de ordem micro ou macroeconômica, o nível de atividade industrial caíra 40% a partir de setembro/2001; ou a segunda, plausível com as acusações fiscais de operações simuladas, o grupo transferiu a receita com clientes da industria tributada pela Lei 10.147/2000, com efeitos práticos a partir de 01/05/2001, para o comércio, objetivando a redução de PIS e Cofins, e digase, plenamente alcançado à vista do aumento da receita de vendas do grupo com a contrapartida da redução da Cofins no período. Atentase que a receita com vendas para clientes no período analisado aumentou cerca de 23%, (fato que por si só aniquila a tese da redução do nível industrial em 40%), porém, contrariando a lógica matemática e tributárias, a Cofins devida reduziuse de 40% (R$ 31.551.184,62 x R$ 52.461.300,85), plenamente explicada pelo planejamento tributário e a reorganização societária e dos negócios. Podese empreender outra análise que admitida como verdadeira derruiria toda a vantagem preconizada da reorganização societária e dos negócios: a de que os custos e despesas com o acréscimo da etapa de armazenagem e a "venda" da IGL para a UBR e posterior revenda efetuada por esta (UBR) foram repassados para seus cliente na ordem de 23%, representado por aumento de preços, sem o correspondente acréscimo de lucro. Confrontada essa realidade de alteração nos negócios e assentada nas premissas alhures, entendo que exsurge como conclusão verdadeira a realidade de que (i) não houve declínio na atividade industrial, (ii) a redução da receita na venda da empresa industrial é fruto de planejamento tributário que visou a redução de tributos, mediante (iii) o acréscimo de uma pessoa jurídica dedicada à atividade industrial e outra, adquirente do mesmo grupo, exclusivamente revendedora para seus clientes. Receio que seja prematura afirmar que somente a análise deste primeiro elemento da acusação fiscal seja prova de um planejamento tributário artificial que visou a redução de PIS e Cofins mediante a simulação na cadeia de negociação de uma pessoa jurídica exclusivamente revendedora de produtos sem a tributação dessas Contribuições. Ressaltase que a análise é um retrato limitado ao período em que houve o início dos efeitos da vigência da tributação concentrada na industria e desoneração na revenda, de alguns produtos da Unilever. Afinal, o período fiscalizado é posterior 01/01/2009 a 31/12/2010. Fl. 286810DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.811 53 Entendo que as constatações a seguir sintetizadas não se tratam de mera coincidência: (i) a transformação da Elida em IGL (ativada operacionalmente somente após setembro/2001) com aumento de capital de R$ 1.000,00 para R$ 149.678.105,00, integralizado pela UB por meio de bens, direitos e obrigações, cujo objeto (da IGL) é a fabricação e comercialização de produtos industrializados, com venda exclusiva à controladora UBR, que passou a se dedicar exclusivamente à revenda a seus cliente; (ii) os efeitos da vigência da Lei nº 10.147/2000; e (iii) a redução dos preços dos produtos na transferência da IGL para UBR. Portanto, por ora, assentase que esta realidade é forte indício de uma simulação nas operações de venda da industrial coma redução artificial dos preços dos produtos industrializados. Os fatos narrados não foram presumidos, são constatações. Não se trata de invencionice da autoridade fiscal, estão todos suportados por documentos coligidos nestes autos ou transladados de outros. A análise isolada da reorganização societário e dos negócios após o início da tributação concentrada na industria/importação de produtos de toucador e outros pode não levar às conclusões de arranjo simulado com fins meramente de economia de tributos, contudo, é de se contestar a reorganização sob um único enfoque: ainda que se pareça conclusão simplista e ausente de rigor técnico, não concebo motivo para não se realizar venda diretamente do industrial/importador para o cliente; ao passo que ao criar um "intermediário" dentro do próprio grupo econômico inevitavelmente custos e despesas com pessoal, administração, logística e imobilizados serão acrescentados. A explicação podese ater à expressiva economia tributária na introdução na cadeia de venda uma pessoa jurídica que detém o comando do grupo e participa duplamente como fabricantevendedor e compradorcliente, interdependentes, o que desnaturaria completamente a operação de compravenda, conferindolhe tão somente a natureza de mera transferência de produtos fabricados, transvertido de um venda que não teria ocorrida. A continuidade desta análise haverá de melhor perquirir os fatos presentes na autuação fiscal e elucidar asa dúvidas suscitadas neste tópico para fins de confirmação, ou não, dos indícios apontados. 2 A negociação: contrato de compravenda e pagamento A inexistência de uma verdadeiro contrato de compra e venda Suscita a fiscalização que o contribuinte intimado e reintimado não comprovou haver negociação: "O “Acordo de Fornecimento”, apresentado quando solicitados os contratos de venda, foi forjado e apresentado à fiscalização. A afirmação da fiscalizada de que o preço é “sempre resultante da aplicação do custo, acrescido dos valores de frete, despesas acessórias e impostos” – somente confirma que não há negociação". A política de definição de preço, imposta pela controladora, compõe apenas de seus elementos primários (custo, frete, despesa acessória e impostos) sequer com a previsão de margem de lucro, deixando ainda ausente outros componentes da definição do preço final. Fl. 286811DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.812 54 Essa conduta evidencia a inexistência de liberalidade da UBI em ditar seu preço de venda, fato que revela elemento essencial no contrato de compra e venda o preço determinado pelo vendedor. A definição do valor a constar na nota fiscal de transferência (venda, no entender da contribuinte) não é arbítrio da UBI, mas sim da própria UBR cotista majoritária e controladora das empresas do grupo Unilever , situação que o Código civil impõe a nulidade do contrato de compra e venda: “Art. 489. Nulo é o contrato de compra e venda, quando se deixa ao arbítrio exclusivo de uma das partes a fixação do preço.” Falta também liberdade à UBI para efetuar venda direta aos clientes, que se realizada no mesmo nível de preço praticado com a interdependente traria imediata economia de custos e despesas incorridos na UBR, e indubitavelmente, teria um preço inferior, certamente muito mais competitivo e com maior lucro bruto. Não é crível que a inserção de uma comercial atacadista entre a industrial e o cliente (grandes redes de supermercados, magazines e drogarias) tenha resultado maior lucratividade ao Grupo. Sob a ótica financeira da Unilever, o negócio é extremamente lucrativo não pela redução de custos de "intermediação" da UBR, mas sim pela majoração do preço do produto em relação à etapa UBIUBR na revenda efetuada por esta a seus clientes. Desnecessária maior expertise em negócio e finanças para concluir que a venda direta da UBI para seu cliente final reduziria os custos e despesas incorridos na etapa de transferência para UBR e desta para o cliente. São custos e despesas com pessoal, instalações, ativos, logística e outras mais. Contudo, é exatamente a inclusão dessa etapa, ao meu ver irrelevante, que permite a venda majorada em cerca de 3 vezes em relação aos custos de produção. Eis ai o despropósito da remessa da UBI para UBR. O exame do acordo de fornecimento que implica a inexistência de um contrato regular de compra e venda e as conclusões obtidas acrescemse aos indícios das "coincidências" entre os efeitos da vigência da Lei nº 10.147/2000 e a reorganização societária e dos negócios da Unilever, doravante apontando para uma simulação nas operações entre UBI e UBR. Formação do preço e Pagamento A determinação do PIS/Cofins tem como base de cálculo a receita da pessoa jurídica industrial, que primordialmente compõese do preço de venda de seus produtos fabricados e estes consignados nas respectivas notas fiscais de saída. Desponta do procedimento fiscal que a reorganização societária e dos negócios do Grupo implicou a alteração na forma negocial, antes diretamente da pessoa jurídica industrialcomercial (UBR) para seus clientes (redes vajeristas), e após a indigitada alteração da legislação do PIS/Cofins, esta mesma empresa (UBR) passou a ser a exclusiva adquirente dos produtos da industrial IGL/UBHPL/UBI e revendedora para seus cliente (os Fl. 286812DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.813 55 mesmos que adquiria da UBR quando exercia a dupla atividade de fabricante e comercial vendedora). Este fato, a princípio contrário à lógica da eficiência financeiraeconômica, permitiu no seu início (a partir de setembro/2001) aumento na receita da empresa comercial, redução dos tributos a pagar e a redução de cerca de 40% na receita da industrial, que passou a sofrer a incidência concentrada de alguns produtos fabricados. Esta redução da receita bruta da pessoa jurídica industrial após a "majoração" na tributação de suas vendas pelo PIS/Cofins, implicou vários procedimentos fiscais nas empresas sujeitas à essa sistemática tributária, pois remanesce dúvidas quanto à realidade dos fatos: a queda das receitas com vendas foram acompanhadas da interposição de um "revendedor" na cadeia, com a peculiaridade de pertencer ao mesmo grupo econômico do industrial e "exercer" a atividade de atacadista, permitindo a venda da indústriaatacadista a preços extremamente inferiores em relação "revendas" atacadistacliente final. O fato é que, além da própria reorganização societária e dos negócios serem alvos de fiscalizações, o preço declarado na nota fiscal de venda da industria para o atacadista do mesmo grupo, a efetiva transferência da propriedade, a entrega e o pagamento tornaramse alvos de esmiuçada análise fiscal para verificação da realidade fática ou mera simulação. Pois bem. A fiscalização solicitou da contribuinte (UBI) a apresentação de contrato de compra, a demonstração da realidade do preço de venda declarado e a comprovação dos pagamento pela UBR dos produtos saídos da UBHPL/UBI, em especial, os acordos de fornecimento, planilhas de formação de preços, contratos ou ajustes que tratam especificamente dos preços e suas condições de negociação entre as partes. Após as respostas da intimada, constatou a fiscalização o que se segue sintetizado: A UBI afirma que, na formação do valor unitário dos produtos nacionais, considera apenas os custos dos insumos químicos e das embalagens (custo de fabricação), somados ao frete, às despesas acessórias e aos impostos. Condições de pagamento: 15 dias para produtos fabricados pela UBHPL Os pagamentos referentes às vendas de produtos acabados, de sua industrialização ou importação são feitos através das compensações entre as empresas, em contas correntes, conforme demonstrado pelos documentos anexos. Tais movimentações podem ser feitas através de lotes que contém várias notas fiscais numa mesma movimentação. Nos Acordos de Fornecimento consta que os preços serão negociados entre as Partes Não foram fornecidos os comprovantes de pagamento dos produtos "adquiridos" pois são inexistentes em razão do sistema de compensação de débitos e créditos recíprocos entre as empresas do Grupo; apenas as notas fiscais foram apresentadas O Acordo de Fornecimento é assinado pelas mesmas pessoas na condição simultânea de vendedor e comprador, sem a identificação dos seus signatários (fls. 1.131 e 1.134). Fl. 286813DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.814 56 A identificação dos signatários foi posterior no curso do procedimento fiscal, tendo a fiscalização constatado que um deles, Os fornecedores estrangeiros dos desodorantes formalmente importados pela indústria são pagos pela empresamãe. Os signatários, Antonio Fernando Conde e Milton Luis Nascimento Brandt, não constavam como diretores estatutários em nenhum dos Contratos Sociais das pessoas jurídicas contratantes e a aposição de suas assinaturas contrariavam o art. 10º do Contrato Social da UBR. “ARTIGO 10° A Sociedade não estará obrigada em quaisquer contratos senão com as assinaturas de dois Diretores Estatutários ou de um Diretor Estatutário e de um procurador ou, ainda de dois procuradores, estes nomeados nos termos do Parágrafo Quarto abaixo.” O signatário Milton Luís Nascimento Brandt não constava no quadro de funcionário da UBR, conforme observado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, à época da celebração/assinatura do contrato. Por meio de oitiva pessoal, o sr. Milton Luís Nascimento Brandt informou que na data de celebração e assinatura do instrumento (01/02/2008 e 03/03/2008) encontravase ausente do País (retornou somente em julho/2008) e que não mantinha vínculos funcionais ou empregatícios com as empresas do grupo Unilever no Brasil nas datas constantes dos instrumentos Quanto ao sr. Antonio Fernando Conde, igualmente não era investido no cargo de diretor com poderes para assinar os instrumentos. Acrescentase ao indício de reorganização societária e dos negócios com objetivos unicamente de redução de tributos mediante a simulação nas operações de venda da industrial coma redução artificial dos preços dos produtos industrializados as conclusões deste tópico de que inexiste na substância um contrato de compra e venda celebrado entre partes distintas, com a livre determinação do preço pelo vendedor. Comprovouse que o "Contrato de Fornecimento" foi artificialmente elaborado, assinado por duas pessoas físicas na condição simultânea de comprador e vendedor, sem poderes estatutários/contratuais firmar compromissos e representar ambas empresas UBR e UBI, tendo uma delas declarado não compor o quadro de diretoria ou funcional do Grupo no Brasil e que estava ausente do País na data de sua assinatura (retornou meses após). Além disso, não há a estipulação de preço das mercadorias pelo vendedor, pois se compõe de somatória de custos e despesas de fabricação; inexistente também a comprovação de pagamento no prazo de 15 dias conforme estipulado, eis que liquidado por lotes, mediante compensação de débitos e créditos recíprocos das empresas do Grupo, gerido pela UBR, como se verá adiante. Contrato de empréstimos Fl. 286814DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.815 57 A contribuinte insiste em afirmar que as aquisições pela UBR de produtos industrializados pela UBI não são pagos em dinheiro, mas sim através de contratos de empréstimos e, especialmente, por conta corrente gerido pela própria UBR no qual os débitos e créditos recíprocos das pessoas jurídicas pertencentes ao grupo são compensados entre si. Informa que as operações registradas na conta contábil n° 13633104 (CONTA CORRENTE UBR TOUCADOR X UBR) referemse aos contratos de Gestão de Pagamentos e Recebimentos firmados com a empresa UBR. A fiscalização informa que na referida conta contábil a UBI registra os valores relativos a: Venda dos Produtos acabados entre coligadas; Transferência de despesas de serviço da área de Serviço Compartilhado e Corporativo Unilever ; Compartilhamento das despesas administrativas entre sites (ex: Restaurante em Valinhos, Vinhedo, venda de vapor maquinário, etc); Contrato Leasing operacional dos ativos fixos; Folha de Pagamento; Pagamento via caixa da Unilever aos Fornecedores de MatériaPrima e diversos Diante das declarações da UBR e UBI é inafastável a conclusão da Fiscalização de que a UBR é a financiadora das atividades operacionais da unidade industrial (UBI), que não detém autonomia financeira, pois seus dispêndios são suportados por aquela, inclusive fornecedores, matériaprima e sua folha de pagamento do pessoal da industria. A situação revela a verdadeira natureza das empresas: a UBR, funciona como uma matriz que exerce o comando operacional, administrativo e financeiro; a UBI, é tal como uma filial, na qual é suprida financeiramente pela UBR (ou melhor, tem seus dispêndios pagos pela UBR) que arca com seus custos e despesas industriais (da UBI) para prover a "matriz" com o fornecimento de produto conforme o "Acordo de Fornecimento". Vejase que as expressões utilizadas pelas empresas interdependentes são "fornecimento" (e não venda), "acordo" (e não contrato de compra e venda) e "compensação" (e não o binômio preço pagamento). Os registros contábeis relativos ao sistema de compensações do grupo O exame dos contratos relacionados à empréstimos e conta corrente e dos registros contábeis das operações com produtos industrializados confirmam que a UBI não recebe qualquer pagamento em dinheiro ou forma assemelhada, mas lança em sua contabilidade um “direito” que será compensado com as obrigações contraídas com a controladora do grupo econômico. Os compromissos financeiros da UBI são contabilizados pela UBR, que credita contas bancárias de sua titularidade, ao mesmo tempo em que diminuiu suas obrigações para com aquela. Observou a fiscalização que a UBR efetua o pagamento dos dispêndios da UBI e das demais empresas do grupo econômico; e, em todos os casos, abate este valor na conta corrente respectiva que mantém com cada uma das pessoas jurídicas. Resumindo, a gestão de pagamentos "significa que a UBR paga os compromissos contraídos das demais empresas do grupo perante terceiros. Assim, o Fl. 286815DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.816 58 pagamento de uma fatura da UBI é registrado como crédito do UBR e débito da UBI na conta corrente que controla os pagamentos e recebimentos." O arranjo do conta corrente único, centralizado e gerido pela UBR, os lançamentos contábeis que representam e substituem os pagamentos dos produtos fornecidos à UBR pela UBI, acrescidos dos pagamentos (pela UBR) dos custos e despesas da UBI aos seus credores denotam um sistema complexo que impossibilitou a correlação das notas fiscais de saídas em remessas com os respectivos pagamentos, vez que implementado via sistemática de compensação (controlada e efetuada no conta corrente gerido pela UBR). Esse fato é comprovado em resposta da UBI ao informar que as compensações são efetuadas por lotes de notas fiscais, deixando de apresentar tal comprovação (fls. 189.579)2. Autonomia da UBI em relação ao grupo A realidade da administração de um caixa único e contacorrente para registros contábeis de débitos e créditos recíprocos, nos quais se realizam o pagamento de folha de salários, de fornecedores, de matériaprima e outras despesas da UBI sustentam a acusação fiscal de ausência de autonomia da UBI em relação à UBR. Está ausente elemento essencial para caracterizar e validar um contrato comercial a bilateralidade. Se não houver a legitimidade do “consentimento”, pela UBHPL / UBI, na formação do preço de saída para a UBR, é de se concluir que ausente qualquer autonomia por parte da empresa industrial e inexistente o contrato de compra e venda. Aos indícios da reorganização societária e dos negócios para a redução artificial da receita bruta na industria por meio da simulação com fins à redução de tributos e da existência meramente formal do contrato de fornecimento de produtos, inválido pois assinado por pessoas sem poderes e ausente requisitos de liberalidade do pretenso "vendedor" e bilateralidade das partes, somase a inexistência de autonomia operacional e financeira da UBI para pagar custos e despesas do processo industrial e falta de comprovação da liquidação das "compras" efetuadas para a sócia majoritária (UBR). 3. As saídas da UBI: transferência para depósito fechado Por mais que possa causar estranheza à recorrente a constatação fiscal de inexistência de funcionários no CDL da pessoa jurídica atacadista, na atividade de comercialização de mercadorias "comprada" da UBI, o fato vem corroborar outra observação do Fisco, de que os estabelecimentos da Unilever Brasil Ltda de CNPJ n° 61.068.276/030780 e 61.068.276/002816, que pretensamente exercem atividades de comércio atacadista (de produtos de higiene pessoal e alimentação, respectivamente), não comercializam mercadorias funcionam apenas como um depósito de produtos para distribuição. 2 Os pagamentos referentes às vendas de produtos acabados, de sua industrialização ou importação são feitos através das compensações entre as empresas, em contas correntes, conforme demonstrado pelos documentos anexos. Tais movimentações podem ser feitas através de lotes que contém várias notas fiscais numa mesma movimentação Fl. 286816DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.817 59 Diante do modelo de negócio do Grupo Unilever a fiscalização procedeu à análise dos pedidos de fornecimento de produtos de UBR à sua principal unidade industrial UBI. O escopo inicial era os pedidos relativos ao período fiscalização; inviabilizado em razão da resposta de que os pedidos são armazenados por um período de apenas de 30 dias (fls. 189.616/189.617). Efetuouse a análise no período da ação fiscal (novembro/2012). Constatou a fiscalização que o faturamento indica endereço e número do CNPJ do estabelecimento do CD da UBR que compartilha o mesmo local físico do depósito fechado da UBI em Louveira/SP. Constam também do pedido que o endereço de cobrança não é o do fabricante UBI, mas o da matriz da UB na capital paulista. No pedido não há qualquer referência ou informação quanto às condições de pagamento. Esta análise conduz à conclusão de que o fornecimento de produtos da UBI é integralmente controlado pela UBR, chegando ao extremo de constar como local de faturamento e de pagamento os seus estabelecimentos (CDL/Louveira e matriz/São Paulo, respectivamente). Nesse modelo a UBI apenas industrializa os produtos determinados pela UBR dandolhe destinação de transferência para depósito fechado/CDL denominada "fornecimento" pelo Grupo para o qual o "pagamento", realizado por compensação contábil é centralizado na UBR. Neste tópico surge mais um elemento determinante da ausência de autonomia da UBI e a comprovação de que a venda de produto industrializado é meramente formal, sem o compromisso de pagamento ou transmissão de propriedade, uma vez que a saída do estabelecimento fabricante tem por destino seu depósito fechado ao passo que os documentos de controle efetivo indicam pagamento à UBR, e não à pessoa jurídica industrial. 4. Produtos importados pela UBHPL/UBI e "revendidos" para a UB Em relação aos produtos importados pelo estabelecimento é relevante apontar que, na maior parte das operações praticadas, o valor unitário constante na nota fiscal de saída é inferior ao valor de importação acrescido dos tributos, frete nacional e despesas acessórias e, em muitos casos, ao valor unitário indicado no documento fiscal relativo à entrada, sem quaisquer acréscimos. A fiscalização apresentou como exemplo o produto na importação documentada pela nota fiscal de entrada n° 7349 (fls. 2.069/2.130): Conforme arquivos digitais apresentados pelo contribuinte, o mesmo item, na mesma quantidade, está discriminado na nota fiscal de saída n° 211.130, desta forma: Fl. 286817DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.818 60 Há ainda uma circunstância agravante. Os produtos não ingressam no estabelecimento da UBHPL / UBI de Vinhedo, que consta como importador nas Declarações de Importação e nas notas fiscais de entrada. Nos documentos fiscais de entrada é indicado o CFOP 3102 (correspondente a entrada de mercadorias provenientes de outro país) e, em seu corpo, aposto um carimbo com a indicação de entrega no endereço correspondente ao CNPJ 61.068.276/030780, da UBR, contrariando o endereço consignado no Conhecimento de Carga do transporte rodoviário (fl. 189.559) Constatou a fiscalização que "Os funcionários que realizam procedimentos relativos à importação dos desodorantes são do quadro de pessoal da UBR. Na diligência consumada na sede do grupo Unilever, verificouse, em resumo, que a tomada de decisões sobre a importação de desodorantes, assim como o planejamento dos processos de importação, sua coordenação e supervisão, a execução dos pedidos de importação, a contratação e supervisão da comissária de despachos aduaneiros responsável pelas tarefas de importação, a supervisão da logística de importação e o contato com as empresas de transporte e, inclusive, o controle da conta corrente bancária utilizada para pagamento dos tributos aduaneiros, se dão pela UBR, em suas instalações e por seus funcionários, sejam eles administrativos, gerentes ou diretores." Percebese que o modelo de "venda" simulada aplicase às operações de importações, em razão da Lei nº 10.147/2000 determinar a incidência de PIS e Cofins concentrada ao importador de mercadoria sujeito às mesmas regras na venda de produção nacional. 5. Comparação entre modalidade de negócios: mercado interno e exportação Nas saídas para o exterior (exportação), as vendas são faturadas pelo estabelecimento industrial bem como é de sua emissão as respectivas notas fiscais, contrariando toda o planejamento tributário e reorganização societária no modelo de negócio "UBIdepósito fechadoUBR", inobstante a informação de que a UBI não dispõe de funcionários de vendas para exportação (fls. 44.553/44.557). Diferentemente das vendas internas de produtos da Unilever sujeitas à tributação monofásica na pessoa jurídica industrial, nas vendas para exportação não há a incidência das Contribuições para o PIS (art. 5º da Lei 10.637/02) e para a Cofins (art. 6º da Lei nº 10.833/03), o que explica e justifica a venda efetuada diretamente pela UBI sem se utilizar da atacadista, eis que desnecessário o artifício de preço reduzido no fabricante e triplicado no atacadista. Assim observou a fiscalização que "Das saídas de produtos acabados do estabelecimento de Vinhedo, aproximadamente uma décima parte foi destinada ao exterior e, nestes casos, os destinatários foram, sempre e somente, as empresas do grupo Unilever." (fl. 189.535). Tal fato somente vem corroborar o que vem sendo plenamente demonstrado neste voto, apresentado inicialmente como "forte indício" mas que a cada tópico ou novo elemento de análise confirmam as acusações fiscais. Fl. 286818DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.819 61 No presente tópico, conquanto as exportações se revelam inexpressivas em relação ao volume quantitativo e financeiro de vendas no mercado interno, mostrouse despiciendo o modelo engendrado para simular as revendas pela UBR, sendo que em verdade tratase de venda da UBI para os clientes do Grupo. Aqui não há tributo a ser "economizado", portanto, dispensada a simulação. 6. O depósito fechado da UBI: compartilhamento de espaço físico com CD da UBR Os produtos monofásicos industrializados pela UBHPL/UBI (Vinhedo/SP) é toda remetida para armazenamento em depósito fechado da industria ou Centro de Distribuição CD, da UBR. Nas saídas para o Estado de São Paulo, os produtos são remetidos para armazenagem em depósito fechado da UBI, localizado em espaço físico compartilhado por filial (CD) da UBR na cidade de Louveira/SP, do qual os produtos dão saída para vendas a clientes. Louveira e Vinhedo são municípios limítrofes, e o estabelecimento industrial da UBI (Louveira) está a uma distância de cerca de 6,2 km do depósito fechado/CDUBR (Vinhedo). No caso de saída dos produtos industrializados para outras Unidades da Federação a armazenagem é primeiramente no depósito fechado e após, a destinação é sempre um CD da UBR. Após diligências efetuadas no curso da ação fiscal, atestou as autoridades fiscais a impossibilidade de distinguir o depósito fechado da UBI do estabelecimento "comercial atacadista" CD da UBR, eis que compartilham o mesmo espaço físico situado em Louveira/SP. Vejam os fatos demonstrados pela Fiscalização: O local destinase à armazenagem de produtos operado pela empresa DHL, responsável pela execução das atividades e administração do estabelecimento; A unidade funciona como unidade de armazenagem e centro de distribuição logística, conforme informação do gerente de operações da DHL, do gerente de distribuição e do Coordenador de distribuição, ambos da Unilever. Os funcionários da UBR (35, relacionados a função de logística; nenhum à de comercialização) supervisionam o trabalho de cerca de 750 funcionários da DHL; Na unidade inexistem funcionários responsáveis pela comercialização de produtos pela UBR, tampouco da UBI; O estabelecimento constituise de 2 galpões interligados entre si por 9 passagens (trânsito de pessoas e veículos/equipamentos); Fl. 286819DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.820 62 Não há segregação entre depósito fechado e CDUBR, ambos ocupam o mesmos galpões, isto é, os galpões funcionam como um único depósito de produtos; situação confirmada com a apresentação das plantas (fl. 189.636); Inexistem divisórias ou placas indicativas da segregação entre depósito fechado e CD. Os lotes de produtos não se separam por qualquer tipo de barreira física, apenas por espaços vazios para circulação de pessoas e empilhadeiras; No contrato de prestação de serviços celebrado entre UBR e DHL para as atividades de armazenamento e logística de distribuição de produtos não se prevê qualquer distinção entre produtos remetidos para depósito fechado e aquele destinados ao CDUBR que compartilham o mesmo endereço/espaço físico. A única segregação prevista é quanto à natureza do produto alimentos, inflamáveis, e outros; A Exel do Brasil (que antecedeu a DHL) requereu à SEFA/SP regime especial der armazenagem de mercadorias de terceiros, expressamente a IGL (sucedida pela UBHPL/UBI). Significa que o depósito fechado da UBI esta localizado em estabelecimento ocupado também pela EXEL/DHL Nos dados do CNPJ encontramse 07 (sete) pessoas jurídicas instaladas no mesmo endereço: Av. José Luiz Mazzalli nº 450, 06 (seis) identificadas com o complemento "PARTE", de "A" a "F", sendo o de "PARTE C" e "PARTE F" depósitos fechados da UBI. Quanto ao estabelecimento "F", de CNPJ nº 01.615.814/009079, consta em seu contrato social a atividade de produção, em clara divergência entre o que consta no cadastro da Receita Federal e o que se verificou na realidade; A narrativa dos fatos acima permitem asseverar a descaracterização do que a legislação denomina depósito fechado no qual é vedada a realização de vendas, pois destinase à armazenagem de produtos entregues por ordem do depositante (art. 518, VII do RIPI/02). A coexistência no mesmo espaço físico de dois ou mais estabelecimentos, um depósito fechado de pessoa jurídica industrial e outro(s) de comercial é inadmissível em face da legislação. Conforme relato fiscal, não há isolamento físico (nos termos definidos no RIPI) que delimite o estabelecimento de CNPJ 03.085.759/001508 (01.615.814/009079, após a incorporação pela UBI) – que serve de depósito fechado aos produtos de higiene pessoal remetidos pela unidade industrial – daquele que, segundo o informado pela pessoa jurídica, destinarseia ao comércio atacadista dos mesmos produtos (CNPJ 61.068.276/030780). O Parecer Normativo CST n° 78/73, em seu item 2, prescreve a necessidade de isolamento perfeito para se manter um depósito fechado: “(...) Não se incluem, ainda, no conceito de depósito fechado, os depósitos situados dentro do estabelecimento industrial, neste caso simples seções. Pode ocorrer, entretanto, que empresa com mais de um estabelecimento pretenda transformar parte de um deles em depósito fechado. Nada obstará a este procedimento, desde que dele resulte o perfeito isolamento do depósito em relação ao estabelecimento de que foi desmembrado. Desse Fl. 286820DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.821 63 isolamento deve resultar entrada própria para o depósito, ausência de qualquer comunicação direta com o estabelecimento industrial, e a configuração do depósito como estabelecimento autônomo, com inscrição própria no CGC. (...)” De fato, a UBR não mantém entrada própria para o depósito fechado do estabelecimento industrial, nos termos do citado Parecer. Concluiu a fiscalização que, "as diversas inscrições no CNPJ não encontram correspondência na realidade fática. A alegada divisão em 'partes' não se materializa na prática. Ainda que existisse, não bastaria para configurar diversos estabelecimentos, porque o RIPI não deixa dúvidas sobre a necessidade de muros, cercas ou outra forma de isolamento efetivo. Ao informar ao Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica várias inscrições, como se, no local, houvesse distintos estabelecimentos, além de buscar fugir ao controle do Fisco, as pessoas jurídicas do grupo Unilever incorrem em falsidade." Assim, demonstrase que não são executadas atividades de comercialização no estabelecimento. A atividade desenvolvida pela UBR, no local, é, apenas e tão somente, de supervisão dos serviços logísticos executados pela DHL / Exel. 7. Cisão, desmembramento de empresa, reorganização societária e de negócios: simulação É indiscutível a liberalidade de empresas realizarem cisões de negócio com fins ao desmembramento de atividades econômicas, pois respaldada em princípios constitucionais, como o da livre iniciativa. Todavia, a legislação pátria não ampara negócios realizados artificialmente mediante fraude, simulação e sonegação fiscal. Plácido e Silva conceitua simulação como “o artifício ou o fingimento na prática ou na execução de um ato, ou contrato, com a intenção de enganar ou de mostrar o irreal como verdadeiro, ou lhe dando aparência que não possui (...) No sentido jurídico, sem fugir ao sentido normal, é o ato jurídico aparentado enganosamente ou com fingimento, para esconder a real intenção ou para subversão da verdade. Na simulação, pois, visam sempre os simuladores a fins ocultos para engano e prejuízo de terceiros” (Silva, De Plácido e. Vocabulário Jurídico. Ed. Forense, 1990). Luciano Amaro complementa que “a simulação seria reconhecida pela falta de correspondência entre o negócio que as partes realmente estão praticando e aquele que elas formalizam.” (Amaro, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 13ª Ed. Ed Saraiva, 2007, p. 231) Simulação corresponde, portanto, a realização de atos ou negócios jurídicos através de forma prescrita ou não defesa em lei, mas de modo que a vontade formalmente declarada no instrumento oculte deliberadamente a vontade real dos sujeitos da relação jurídica. O ato existe apenas aparentemente; é um ato fictício, uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado. Fl. 286821DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.822 64 Em geral, devido a sua própria natureza, a simulação é de difícil comprovação documental. Há a presença de dois atos, o ato simulado, do qual há documento ostensivo, e o ato dissimulado que é o que se intenta esconder. Assim, visto que sua ação é dissimulada sob forma diversa, fica muito difícil que se encontre a chamada prova cabal da sua ocorrência, pois esconder o ato dissimulado é da própria natureza da simulação, sendo assim se faz necessário perquirirse a real intenção dos agentes no momento da prática do ato. Para sua demonstração, devese lançar mão de provas indiciárias e presuntivas. No discorrer de seu relatório, fiscalização trilhou este caminho ao descrever os indícios que apontavam para formas de operação e rearranjo societário que no somatório e conjunção das provas coligidas permitiram afirmar que se tratava de atos e negócios que conferiam certa aparência que, entretanto, não correspondiam à realidade. Entre as folhas 18.9786 e 18.9794 a autoridade fiscal desenvolveu tópico específico no qual relata a aparência formal dos atos praticados pela UBR/UBI e a sua realidade material; arremata que "Pelos fatos expostos acima, concluise que a UBHPL/UBI e a UBR incorreram em todas as hipóteses de simulação nos negócios jurídicos previstas no artigo 167 do Código Civil (lei 10.406/02)3. São muitas as comprovações de que estes aparentaram conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente foram conferidos ou transmitidos, de que contém declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira, além do que, os instrumentos particulares foram antedatados." A título de síntese, cumpre repisar as constatações que passam a fundamentar o presente voto para sustentar o planejamento tributário ilícito executado mediante simulação com o fins de sonegação fiscal. A economia tributária por intermédio de transações simuladas revelouse a motivação da cisão de uma única atividade de industrialização e venda de produtos (UBI cliente) para outro formato de negócio, com a inserção de uma etapa de revenda (UBIUBR cliente) que inevitavelmente haveria de acrescentar custos e despesas relevantes ao Grupo; contudo, mediante a redução artificiosa dos preços na etapa de venda do produto industrializado, realizada entre empresas interdependentes, proporcionou a redução dos tributos incidentes sobre produtos destacados pela Lei para sofrer incidência concentrada, unicamente na venda pelo estabelecimento industrial e redução a zero nas etapas de comercialização posteriores. Daí a ilicitude de tal planejamento tributário, pois respaldado em vendas não comprovada pela ausência de elementos e requisitos a ela inerentes, quais sejam, partes distintas (comprador e vendedor), liberalidade do vendedor para decidir o que produzir e determinar o seu preço, bem como a elaboração de contratos irreais e sistema de compensação para liquidação do negócio fictício. Restando ao final não comprovado o pagamento do produto mediante ausência de específica correlação de notas fiscais e respectiva liquidações, 3 Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1° Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. § 2° Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. Fl. 286822DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.823 65 pois efetuada em forma de compensação em contas contábeis de conta corrente gerido pela pessoa jurídica controladora e financiadora dos custos e despesas da pessoa jurídica industrial. Ao final do TVF (fls. 189.754/189.762) a autoridade fiscal enumerou e narrou os fatos de forma cronológica para a demonstração da correlação das alterações legislativas em relação às Contribuições para o PIS/Cofins iniciada em 27/11/1998 e correspondente à reorganização da sociedade e de dos negócios, a partir de 01/03/1999. A narrativa compõese de 32 (trinta e dois) eventos/constatações que redundaram na comprovação de que se tratou de um planejamento tributário artificioso com a prática de atos que visavam simulação, fraude e sonegação de tributos. Verificouse uma coincidência que se descortinou premeditada. Somente após a produção de efeitos (maio/2001) da Lei que criou a sistemática de cobrança do PIS e Cofins nas vendas de determinados produtos pela pessoa jurídica industrial/importadora é que foi criada a empresa ELIDA/IGL, antecessoras da UBHPL/UBI com capital social inexpressivo e mantida operacionalmente inoperante até agosto/2001 que após receber expressivo aumento do capital social, representado principalmente por bens de produção, iniciou a fabricação e importação dos produtos sujeitos à tributação concentrada quanto às Contribuições e cujas "vendas" tributadas não mais se realizaram diretamente aos clientes (grandes grupos de redes de varejistas), mas sim, por empresas do Grupo, dedicadas ao comércio atacadista, após armazenagem em depósitos fechados da pessoa jurídica ou centro logísticos de distribuição CD´s. Na realidade, a UBR simulou, entre outros, a existência de um estabelecimento comercial atacadista de produtos de higiene pessoal e limpeza em Louveira (CNPJ sob os n°s 61.068.276/030780) e, também, a existência de vendas da empresa industrial para o suposto comercial atacadista. Em suma, a UBR simulou uma etapa do processo de circulação das mercadorias, para que pudesse criar dois valores de saída distinta – o da indústria muito inferior ao da suposta comercial atacadista – e, assim, neutralizar a incidência de tributos indiretos não cumulativos. Houve falsidade na prestação das informações nas Guias de recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com o objetivo evidente de simulação da real natureza do estabelecimento de Louveira (CDUBR). Tratase de iniciativa articulada com a simulação das operações de venda, de modo a fazer parecer que há uma etapa – que não existe – em que uma suposta comercial atacadista adquire produtos da indústria e, supostamente, os revende por um preço até três vezes superior. O preço pago pelos terceiros, consumidores, é o mesmo, porém, o Fisco não recebe a parte que é devida ao Estado brasileiro. Na “invenção” de uma etapa que não existe, o grupo econômico neutraliza 80% da carga de incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS e, ainda proporção maior, da carga do IPI, pois, reduzindo a base de cálculo na saída da fábrica a, pelo menos, 40% do valor real, os créditos pela entrada anulam os débitos decorrentes da incidência concentrada na fase industrial. Finalizando, a operação é simulada sobretudo porque a unidade industrial (UBI) não detém autonomia operacional e financeira e quase a totalidade de seus custos e despesas são bancados pela UBR, sua controladora; que arca com a folha de salários da unidade industrial, contas de energia elétrica e telefone, pagamento de fornecedores de matériasprimas, despesas de importação e de outros itens necessários à manutenção das Fl. 286823DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.824 66 atividades operacionais, conforme demonstram a documentação colhida e a contabilidade das empresas. 8. A base de cálculo utilizada pela fiscalização Desnecessário delongarse nos motivos que conduziram a fiscalização a rechaçar o preço de "venda" declarado nas notas fiscais de venda da UBI para a UBR e a própria operação. Basta rever brevemente as constatações e fatos que desnudaram o planejamento tributário ilícito e a reorganização societária e dos negócios sem que houvesse um real propósito negocial a justificar sua eficiência econômica e financeira, mediante a prática de simulação e sonegação fiscal. Entendo que fora evidenciado não a desconsideração da personalidade jurídica de alguma das empresas do grupo Unilever, mas tãosó a desconsideração da operação simulada, qual seja, a da venda de produtos sujeitos à sistemática de tributação concentrada do PIS e Cofins da UBI para a UBR, pois constatado uma mera transferência de produtos do estabelecimento industrial da UBI para seu depósito fechado, que coexistia e compartilhava o mesmo espaço físico da CD_UBR a qual pretensamente "revendia" a seus clientes. Sintetizando os fundamentos para a desconsideração dos negócios entre a UBI e UBR: Até maio de 2001, a UBR industrializava e comercializava os produtos da marca Unilever com seus clientes grandes redes de varejos; A partir de maio de 2001 passou a surtir efeitos a tributação de PIS e Cofins introduzida pela Lei nº 10.147/2000, na qual, para determinados produtos fabricados pela Unilever, a tributação concentrouse na pessoa jurídica industrial e desonerou as demais operações de revenda; Em setembro de 2001, empresa do grupo (ELIDA/IGP) que teve seu capital aumentado de R$ 1.000,00 para R$ 149.678.105,00, integralizado pela UBR por meio de bens, direitos e obrigações, que passou a ter como objeto a fabricação e comercialização de produtos, e permaneceu sob o controle da UBR, substitui a UBR na industrialização de produtos, não mais vendendoos diretamente aos clientes do Grupo, mas exclusivamente à própria UBR, que os revendia. O novo modelo de negócio implicou o acréscimo de uma etapa de comercialização entre a indústria e o cliente final, antes inexistente, que certamente acarretaria acréscimos de custo e despesas ao Grupo; Os resultados da reorganização societária e dos negócios revelaramse inusitadas: diminui a receita bruta da venda de produto industrializado em cerca de 40%, ao mesmo tempo em que aumento a receita com a comercialização dos produtos em operação de revenda da UBR comercial atacadista para os clientes na ordem de 23% e, as Contribuições para o PIS/Cofins apuradas e recolhidas reduziram em 40%, exatamente na mesma proporção da redução da receita com vendas na industria; Fl. 286824DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.825 67 A unidade industrial (UBPHL/UBI) foi submetida a procedimentos de fiscalização, no qual se constataram: (i) inexistência de contrato de compra e venda entre UBPHL/UBI e UBR; (ii) os preços dos produtos eram definidos pela UBR na condição de controladora do Grupo e não pela pessoa jurídica fabricante; (iii) ausência de pagamento pelo fornecimento dos produtos pela UBPHL/UBI à UBR, pois liquidados apenas por intermédio de compensação na contabilidade, em conta corrente gerida pela UBR e não comprovados pelas empresas do grupo Unilever; (iv) negociação baseada em "acordo de fornecimento" assinado por pessoas físicas, que simultaneamente representavam vendedor (UBPHL/UBI) e comprador (UBR), mas sem poderes regulares para firmarem compromissos em nome das partes; (v) todas as despesas e custos da unidade fabril eram suportados financeiramente pela UBR que a controlava integramente, inclusive na determinação dos produtos a serem produzidos; (vi) os produtos fabricados eram remetidos para deposito fechado da UBPHL/UBI administrado por empresa de logística e que ocupava mesmo espaço físico do CD da UBR. Diante de todas esses fatos desnudados, a fiscalização desconsiderou a venda realizada entre a UBPHL/UBI e UBR, tomando por verdadeira apenas como remessa/transferência da industria para depósito fechado/CD, e que de fato, a venda continuava a ser realizada pela UBR para os clientes do grupo. Desse modo, desconsiderouse, também, os preços consignados nas NFs de remessa da UBPHL/UBI para seu depósito fechado (simulado como venda para a UBR), tomando como verdadeiro negócio da indústria a venda da UBR para aos clientes e o preço informado nesta operação. Desconsiderouse, também, os preços consignados nas NFs de remessa da UBPHL/UBI para seu depósito fechado (simulado como venda para a UBR), pois exsurgiu como verdadeiro negócio da industria a venda da UBR para aos clientes, com os preços informados nessas operações. À vista do relatado, temse que não se tratou os autos de desconsideração de personalidade júrídica da UBPHL/UBI ou de qualquer estabelecimento da UBR (em especial, de seu CD), mas, repisase, desconsiderouse a pretensa venda da UBPHL/UBI para a UBR, pois fictícia e simulada. Assim, inexistindo a realidade da venda da UBPHL/UBI para a UBR, prevalece a venda efetuada da UBR para seus cliente, e por conseguinte, o preço dos produtos, do qual se apura a receita bruta a ser considerada base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins, é o consignado nas NFs de venda UBRclientes. Destarte, é de se concluir a inexistência de uma arbitramento de preço como entendimento exarado pela contribuinte e admitido no voto da Relatora. Arbitramento é procedimento extremo quando não é conhecido ou não se tem em exatidão os valores de determinada base de cálculo a ser oferecida à tributação, o que não é o caso dos autos, pois aos valores da verdadeira operação de venda UBRcliente é plenamente conhecido e corresponde exatamente àquele consignado nas NFs que respaldam tais operações. Incabível, pois, a acusação de arbitramento sem respaldo na Lei ou efetuado em inobservância dos disposto no art. 148 do CTN ou do art. 91 do Decreto nº 4.524/2002, que Fl. 286825DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.826 68 regulamentou as Contribuições para o PIS e Cofins, instituídas pelas Leis Complementares nºs. 07/1970 (PIS) e 70/1991 (Cofins). Concluo pela regularidade da apuração da base de cálculo do PIS e Cofins uma vez que obtida do valor efetivo da verdadeira operação de venda a ser tributada aquela entre a UBR e seus clientes. São essas minhas considerações para manter a autuação fiscal, com a qualificação da multa no patamar de 150%. Paulo Roberto Duarte Moreira Conselheiro Marcelo Giovani Vieira Gostaria de registrar, em breves linhas, a diretriz principal da análise da licitude dos planejamentos tributários em geral, e do presente caso em particular. O direito tributário não se pauta pelo formalismo e deve perseguir, como seu resultado, a tributação da matéria real, da operação real, da verdade material, conforme a respectiva matriz legal de incidência, e não a tributação da formalidade4. É esta diretriz moral e principiológica que deve nortear as interpretações dos planejamentos tributários dos casos mais diversos. Não fosse assim, a tributação tenderia a zero, posto que, por meio de formalismos dissociados da verdade material, se alcançaria qualquer resultado desejável. Utilizase, amiúde, o conceito de “existência de fundamento econômico” para caracterizar os planejamentos tributários lícitos. Tratase de conceito construído a partir de casos práticos, que, ao fim e ao cabo, tem como bastidor, sempre, a condenação da tese do formalismo como elemento justificador do modelo tributário. No presente caso, a minha convicção, a partir das provas e contraprovas produzidas (art. 29 do PAF), é de que o grupo formalmente é estruturado em empresas distintas, mas, nas operações em foco são, materialmente, executadas como uma empresa única, apenas de estabelecimentos diferentes. Praticou preços artificialmente baixos, longe do que seria natural entre empresas realmente independentes. As operações foram efetivadas como se fossem uma única empresa, e não como empresas diferentes, nas quais houvesse operações a preços de mercado, em que terceiros atacadistas pudessem adquirir os produtos ao mesmo preço do estabelecimento atacadista. Logo, tributase a materialidade da operação, o preço de saída das operações executadas como empresa única. Não houve arbitramento de preços e 4 "A materialidade do fato gerador está intimamente ligada à concretização da conduta prevista na norma como suficiente para gerar uma relação de ordem tributária. É materializar esta conduta, ou seja, a materialidade do fato gerador ocorre quando o sujeito efetiva a conduta tipificada na lei tributária.“ (Pereira, Luciano de Almeida. Direito Tributário: Simplificado. 1 Edição. 2011) Fl. 286826DF CARF MF Processo nº 10830.726910/201419 Acórdão n.º 3201003.930 S3C2T1 Fl. 286.827 69 não houve desconsideração de personalidade jurídica. Houve tributação da materialidade das operações. Aplicação do art. 149, incisos IV, V, VI, VII do CTN. O fundamento econômico que pode, eventualmente, justificar a separação dos estabelecimentos produtor e atacadista, não justifica a prática de preços artificialmente baixos, tais como os que se descortinam aqui. Tal separação, e seu fundamento econômico, justificariam a operação, diante da legislação do Pis e Cofins, se os preços praticados fossem de mercado, como empresas economicamente independentes. Quanto à qualificação da multa, verifico que o esforço da empresa em apresentar as operações, ao Fisco, como se fossem de compra e venda, quando materialmente não eram, o que se demonstrou por meio dos vários elementos colhidos na fiscalização, conforme resumido às fls. 189.788 a 189.794, revela simulação (aparência dissociada da realidade), elemento doloso, e portanto, mantémse a multa qualificada. Art. 44, §1º da L 9430, c.c. 71 e 72 da Lei 4.502/64. Conselheiro Marcelo Giovani Vieira. Fl. 286827DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.011304/2002-30
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. OCORRÊNCIA.
A homologação tácita das declarações de compensação é aplicável para os pedidos de compensação transformados em DCOMP e sua contagem se dá desde a data do protocolo do pedido. Aplicação do entendimento exposado na SCI Cosit nº 1/2006.
Numero da decisão: 9303-006.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (relator), que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. OCORRÊNCIA. A homologação tácita das declarações de compensação é aplicável para os pedidos de compensação transformados em DCOMP e sua contagem se dá desde a data do protocolo do pedido. Aplicação do entendimento exposado na SCI Cosit nº 1/2006.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (relator), que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. OCORRÊNCIA. A homologação tácita das declarações de compensação é aplicável para os pedidos de compensação transformados em DCOMP e sua contagem se dá desde a data do protocolo do pedido. Aplicação do entendimento exposado na SCI Cosit nº 1/2006. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (relator), que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e relator (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 13 04 /2 00 2- 30 Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10980.011304/200230 Acórdão n.º 9303006.854 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 299 a 309), interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, contra Acórdão proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 289 a 295), sob a seguinte Ementa: Relator: Ivan Allegretti Acórdão nº: 3403001.152 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de Apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 SUPERVENIENTE. ART. 74, §§ 4º E 5º DA LEI 9.430/96. QUESTÃO DE ORDEM PÚBLICA. PREJUDICIAL DE MÉRITO. Por força do § 4º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela MP 66/2002, os pedidos de compensação têm de ser considerados declaração de compensação desde a data de seu protocolo. E o § 5º deste mesmo dispositivo, com a redação dada pela MP 135/2002, determina que a Fazenda tem o prazo de 5 anos, contados da data em que foi apresentada pelo contribuinte, para decidir quanto à homologação da compensação. Por força de Lei, portanto, o decurso do prazo de 5 anos depois do protocolo, sem que tenha havido decisão quanto à homologação da compensação, implica em sua homologação tácita. Se a decisão válida da compensação apenas foi proferida mais de 5 anos depois da apresentação do pedido, ainda que se trate de uma segunda decisão proferida em razão da anulação da primeira decisão, houve a homologação tácita por força da Lei. Recurso provido. No seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 311 e 312), a PGFN utilizase como paradigma do Acórdão nº 20311.648, defendendo a irretroatividade dos efeitos de alterações promovidas no art. 74 da Lei nº 9.430/96 pela MP nº 135/2003 (posteriormente convertida na Lei nº 10.833/2003), que estabeleceu o prazo “fatal” de cinco anos para a homologação das compensações. Assim, para os Pedidos ou Declarações de Compensação apresentados antes daquela data, não haveria prazo para que a Administração Tributária os apreciasse, não cabendo se falar em homologação tácita se não levado a efeito em cinco anos. E isto não só pelo fato de que a alteração legislativa não se enquadra em nenhuma das hipóteses de aplicação retroativa da lei tributária do art. 106 do CTN, mas, em uma visão mais geral (citando a doutrina de Cândido Rangel Dinamarco), por que “... a Teoria do Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10980.011304/200230 Acórdão n.º 9303006.854 CSRFT3 Fl. 4 3 Isolamento dos atos processuais, correlacionada ao princípio da irretroatividade das leis (tempus regit actum), ambos consagrados em nosso ordenamento jurídico, nega aplicação imediata da lei processual nova quando esta retirar a proteção antes outorgada a determinada pretensão, excluindo ou comprometendo radicalmente a possibilidade do exame desta, de modo a tornar impossível ou particularmente difícil a tutela anteriormente prometida”. O contribuinte não apresentou Contrarrazões. É o Relatório. Voto Vencido Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF, pelo que dele conheço. No Mérito, não há como deixar de transcrever inicialmente a norma geral, insculpida no CTN, que regula o instituto da compensação, uma das formas de extinção do crédito tributário: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Vejamos então, na parte que interessa, a evolução legislativa na regulação da compensação tributária federal: 1) O art. 66 da Lei nº 8.383/91 só permitia a compensação “de tributos e contribuições da mesma espécie”; 2) Com o advento da Lei nº 9.430/96, art. 74, passou a ser permitida a compensação com tributos de espécies diferentes, mediante requerimento [Pedido de Compensação, em formulário papel)], sem prazo para análise pela autoridade administrativa responsável. Vejamos a redação original do caput do referido artigo: Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. 3) A Medida Provisória nº 66/2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002) promoveu substanciais alterações, por meio do seu art. 49 (que produziu efeitos somente a partir de 01/10/2002), dentre outras, no que interessa à discussão, a introdução dos §§ 1º, 2º e 4º no “nodal” art. 74 da Lei nº 9.430/96: § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10980.011304/200230 Acórdão n.º 9303006.854 CSRFT3 Fl. 5 4 informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. ................... § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. A partir de 01/10/2002, então: (i) a compensação não era mais via requerimento, mas sim através de uma Declaração de Compensação [inicialmente em formulário (papel) e depois, como regra, em meio eletrônico, via Programa PER/ DCOMP]; (ii) a simples Declaração de Compensação extinguia o crédito tributário, mas sob condição resolutória de sua ulterior homologação (inicialmente, sem definição de prazo) e (iii) os Pedidos de Compensação ainda não apreciados foram “convertidos” em Declarações de Compensação (da mesma forma, sem prazo para análise, desde a origem). 4) Posteriormente a Medida Provisória nº 135/2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003), através do seu art. 17 (que produziu efeitos somente a partir de 31/10/2003), trouxe outras alterações bastante significativas, dentre outras, no que interessa a discussão, as consignadas nos §§ 5º e 6º: § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. A partir de 31/10/2003, então: (i) foi estabelecido um prazo máximo, de cinco anos da entrega da Declaração de Compensação para que a autoridade administrativa competente, sendo o caso, não homologasse ou homologasse parcialmente a compensação declarada (devidamente cientificado o contribuinte desta decisão), sob pena de homologação tácita (ii) a Declaração de Compensação passou a constituir confissão de dívida, sendo que, a exemplo da DCTF, para a sua cobrança era dispensada a constituição do crédito tributário pelo lançamento (com a diferença de que foi facultado ao contribuinte recorrer, no rito do PAF). A discussão aqui, para a solução da lide posta, é se estas alterações promovidas pela MP nº 135/2003 seriam retroativas ou não e como o quadro concreto se enquadraria nestas perspectivas, pelo que resumo aqui o seu histórico: Em 29/10/2002, o contribuinte protocolou uma Declaração de Compensação de um débito do IRPJ – Lucro Presumido (fls. 002, em papel – à época não existia o Programa PER/DCOMP), sendo o alegado crédito decorrente de Pedido de Ressarcimento (fls. 003) do saldo credor de IPI acumulado no 3º trimestre de 2002 (art. 11 da Lei nº 9.779/99), no valor de R$ 7.801,40. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10980.011304/200230 Acórdão n.º 9303006.854 CSRFT3 Fl. 6 5 Em 12/12/2006, ao cabo da pertinente verificação fiscal por parte da Unidade jurisdicionante (DRF/Guarulhos), foi emitido Despacho Decisório (fls. 097 e 098) indeferindo o Pedido de Ressarcimento (pelo fato de que o estabelecimento só teria dado saída a produtos “NT”), e, conseqüentemente, não homologando a compensação a ele vinculada, decisão esta da qual o contribuinte foi cientificado em 19/12/2006 (fls. 099 e 100). * Assim, é fato que a não homologação da compensação, no que tange a este primeiro Despacho, se deu menos de cinco anos após o protocolo da Declaração de Compensação. Em 16/01/2007, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 104 a 110), na qual alega que seus produtos (na sua visão, derivados de petróleo) seriam imunes (art. 155, § 3º da CF) – mesmo que tributados à alíquota de 5 % na TIPI (???) – e a IN/SRF nº 33/99, que regula o art. 11 da Lei nº 9.779/99, admitiria, em seu art. 4º, a manutenção e utilização (ressarcimento) dos créditos também nestes casos; A DRJ/Ribeirão Preto, em Acórdão de 12/03/2009 (fls. 145 a 147), anulou a decisão administrativa, “por vício na motivação”, já que os produtos não seriam “NT” (nada fala sobre imunidade), mas tributados à alíquota de 5 %, pelo que a DRF teria que apurar os créditos e reconstituir a escrita fiscal do contribuinte (lavrando Auto de Infração, se fosse o caso), e, sob este prisma, exarar novo Despacho Decisório; Em 28/04/2009 (fls. 148), a DRF/Guarulhos deu início aos procedimentos no sentido de atender o determinado pela instância de piso, concluindo, após a reconstituição da escrita fiscal utilizandose da alíquota de 5 %, que seriam apurados saldos devedores, não havendo, portanto, da mesma forma, qualquer direito a crédito, pelo que novo Despacho Decisório denegatório foi emitido 04/05/2010 (fls. 187 a 190), do qual o contribuinte tomou ciência em 18/05/2010 (fls. 191 e 192). * Assim, também é fato que a não homologação da compensação, no que tange a este segundo Despacho, se deu mais de cinco anos após o protocolo da Declaração de Compensação. Em 17/06/2010, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 194 a 203), repisando o alegado na primeira (imunidade), nada suscitando sobre homologação tácita; Em Acórdão de 27/07/2010 (fls. 235 a 241) a DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o argumento principal de que o produto não seria derivado de petróleo (pois não decorrente do refino), estando efetivamente sujeito à alíquota de 5 %, mas, ainda que imune fosse, o ADI/SRF nº 5/2006 – interpretando de forma sistemática a nova legislação com o art. 5º do Decretolei nº 491/69 – firmou o entendimento de que a instrução normativa, ao se utilizar da palavra imune, o fez somente em relação aos produtos exportados. Contra esta decisão o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 249 a 260), sempre com os mesmos argumentos basilares e, novamente, nada suscitando sobre homologação tácita; Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10980.011304/200230 Acórdão n.º 9303006.854 CSRFT3 Fl. 7 6 No Acórdão Recorrido, como se depreende da Ementa, considerando tratar se de questão de ordem pública, reconheceu de ofício a homologação tácita da compensação, ficando prejudicada, assim, a análise do Mérito. Como já vimos, o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (que estabeleceu o prazo de cinco anos para homologação) foi introduzido pelo art. 17 da MP nº 135/2003, que produziu efeitos somente a partir de 31/10/2003, pelo que, admitir que ele atingisse compensações pleiteadas antes desta data seria, necessariamente, considerála retroativa. Quando tratamos de retroatividade das leis tributárias, não há como não se observar o previsto no art. 106 do CTN (repiso, norma geral) e lá não há como se encaixarem os multicitados dispositivos legais, notadamente por nada terem de interpretativos, além do que não estamos aqui a tratar de penalidades. E, indo além, como bem fez a PGFN, mesmo que trate de norma processual, não pode vir ela com potencial prejuízo (até mesmo o impedimento) da atuação da Administração em defesa do interesse público. Vista a questão sob o prima prático, é impensável que a lei simplesmente “passasse uma régua” sobre as compensações, instituto de capital importância para a arrecadação (mais precisamente, a sua não efetivação), homologando tacitamente diversas delas, sem que a Administração Tributária nada pudesse fazer a respeito ou, no mínimo, surpreendendo, de uma hora para outra, com efeitos retroativos, as autoridades competentes para decidir, em um prazo que elas desconheciam, ao qual elas simplesmente não estavam sujeitos, para a apreciação de pleitos de tamanha relevância, se visto o seu conjunto. Em tese, há ainda que se enfrentar o argumento de que o prazo de cinco anos já estaria “embutido” na palavra “homologação” – fazendo referência ao lustro contado do fato gerador para constituição do crédito tributário no caso de lançamento por homologação, previsto no § 4º do art. 150 do CTN. Ora, é totalmente descabida esta interpretação, pois, a compensação é forma de extinção do crédito tributário (implicando simples cobrança do débito indevidamente compensado) e o lançamento forma de sua constituição, o que absolutamente afasta esta “analogia” – que, ainda que admitida, por si só não poderia fazer o que só a legislação pode. Mas, ainda que eu venha a ser vencido na discussão em tese, este caso, sob o prisma prático, tem uma peculiaridade que não pode ser afastada: a Administração não se mostrou inerte por mais de cinco anos; a autoridade competente para decidir o fez, com base em análise manual, antes disto. A DRJ só veio a apreciar o pleito em março de 2009, mas este interregno, na minha visão, tem que ser afastado, pois a Unidade de Origem (que sobre este prazo não tem qualquer ingerência), até aí, estava convicta de sua posição, e não podia “adivinhar” que teria que, ainda que forçosamente, adotar outro entendimento. E notese, a título de reforço, que logo no mês seguinte (abril de 2009), a DRF/Guarulhos já começou a adotar as providências necessárias para analisar o pleito sob a visão da 1ª instância, chegando, da mesma forma, à conclusão de que o crédito era indevido. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10980.011304/200230 Acórdão n.º 9303006.854 CSRFT3 Fl. 8 7 A DRJ, em novo julgamento, ratificou esta decisão – ainda colocando, em caráter secundário, que mesmo se admitindo que o produto era imune, ainda assim não haveria o direito ao crédito. Assentado está, portanto, que, fosse o produto imune, “NT”, ou tributado alíquota de 5 %, o crédito era indevido, então, adotando a tese plasmada no Acórdão recorrido estaríamos a reconhecer que é devido um crédito que se sabe que não é. Ora, um dos corolários básicos do Direito Tributário é que só se pode (e deve) cobrar um crédito quando devido, na forma da lei. Me parece mais que óbvio que, por outro lado, não se pode extinguir um crédito tributário (débito), pela via da compensação com um crédito que (ao menos até este momento processual, se tem certeza) inexiste contra a Fazenda Pública – pois o instituto exige que ele seja líquido e certo –, com base em uma interpretação (mais que discutível) de que uma lei é retroativa sem que atenda aos requisitos para tal estabelecidos na norma geral tributária, ainda “passando por cima” do fato de que a autoridade competente, mesmo considerando como peremptório o prazo de cinco anos para a homologação ou não da compensação, o fez, antes disto. À vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, determinando que os autos retornem à competente Turma do CARF, para que analise o mérito da questão. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Relator Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10980.011304/200230 Acórdão n.º 9303006.854 CSRFT3 Fl. 9 8 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Com todo respeito ao voto do ilustre relator, porém fui designado para redigir voto vencedor em que a maioria do colegiado entendeu pelo não provimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. A matéria trazida em âmbito do recurso especial é antiga e confesso que estou inaugurando, de minha parte, um novo entendimento sobre o assunto. Portanto, deixo claro que não há reparos a serem efetuados no voto vencido. Na verdade esta nova posição, a despeito do meu entendimento pessoal, que está expresso, por exemplo no Acórdão nº 9303 004390, decorre de uma nova releitura da legislação sobre o assunto e leva em conta sobretudo o disposto na Solução de Consulta Interna Cosit nº 01/2006. Tenho para mim que se a própria parte, no caso a RFB, manifestou parecer favorável à ocorrência da homologação tácita, desde a data do protocolo do pedido, não se torna viável deixar que o contribuinte fique aqui vencido e com ampla margem de chances de se tornar vencedor no âmbito do Poder Judiciário. Ou seja, há que se aplicar, no caso, o princípio da economia processual. Transcrevo abaixo trechos da SCI Cosit nº 01/2006, no qual fica evidente o entendimento da RFB a respeito da homologação tácita, contados desde a data do protocolo do pedido, para situações em que o pedido foi efetuado antes de 31/10/2003: (...) 8. No que se refere às compensações requeridas ou declaradas antes da edição da MP nº 135, de 2003, referido prazo para a homologação das compensações não teve sua contagem iniciada na data da publicação da referida MP, mas sim na data do protocolo da declaração de compensação (ou do pedido de compensação convertido em declaração de compensação) na unidade da SRF, conforme já regulado pelo art. 70 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004. 9. Assim, a interpretação conferida pela DRJ/POA em sua consulta interna, no que diz respeito à ocorrência da homologação tácita de compensação requerida em 08/07/1997 e que somente foi apreciada (despacho proferido) em 21/01/2005, pode ser considerada correta no que se refere aos créditos abrangidos pelo caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. (...) Importante observar também que o próprio Poder Judiciário também vem assim decidindo, conforme decisão do STJ, abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO INFORMADA EM DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF E PRETENDIDA EM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO ATRELADO A PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPRESCINDIBILIDADE DE LANÇAMENTO DOS DÉBITOS OBJETO DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DECLARADA EM DCTF ENTREGUE ANTES DE 31.10.2003. CONVERSÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO PENDENTE EM 01.10.2002 EM DECLARAÇÃO DE Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10980.011304/200230 Acórdão n.º 9303006.854 CSRFT3 Fl. 10 9 COMPENSAÇÃO DCOMP. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO E EXTINÇÃO SOB CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA. PRAZO DECADENCIAL PARA HOMOLOGAÇÃO. 1. Antes de 31.10.2003 havia a necessidade de lançamento de ofício para se cobrar a diferença do "débito apurado" em DCTF decorrente de compensação indevida. Interpretação do art. 5º do DecretoLei nº 2.124/84, art. 2º, da Instrução Normativa SRF n. 45, de 1998, art. 7º, da Instrução Normativa SRF n. 126, de 1998, art. 90, da Medida Provisória n. 2.15835, de 2001, art. 3º da Medida Provisória n. 75, de 2002, e art. 8º, da Instrução Normativa SRF n. 255, de 2002. 2. De 31.10.2003 em diante (eficácia do art. 18, da MP n. 135/2003, convertida na Lei n. 10.833/2003) o lançamento de ofício deixou de ser necessário para a hipótese, no entanto, o encaminhamento do "débito apurado" em DCTF decorrente de compensação indevida para inscrição em dívida ativa passou a ser precedido de notificação ao sujeito passivo para pagar ou apresentar manifestação de inconformidade, recurso este que suspende a exigibilidade do crédito tributário na forma do art. 151, III, do CTN (art. 74, §11, da Lei n. 9.430/96). 3. Desse modo, no que diz respeito à DCTF apresentada em 25/05/1998, onde foi apontada compensação indevida, havia a necessidade de lançamento de ofício para ser cobrada a diferença do "débito apurado", a teor da jurisprudência deste STJ, o que não ocorreu, de modo que inevitável a decadência do crédito tributário, nessa primeira linha de pensar. 4. No entanto, no caso em apreço não houve apenas DCTF. Há também pedido de compensação formulado pelo contribuinte datado de 01.12.1997 (Pedido de Compensação n. 10305.001728/9701) atrelado a pedido de ressarcimento (Pedido de ressarcimento n. 13888.000209/9639) que recebeu julgamento em 27/09/2001. 5. Os Pedidos de Compensação pendentes em 01.10.2002 (vigência estabelecida pelo art. 63, I, da Medida Provisória n. 66/2002) foram convertidos em DCOMP, desde o seu protocolo, constituindo o crédito tributário definitivamente, em analogia com a Súmula n. 436/STJ ("A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco") e extinguindo esse mesmo crédito na data de sua entrega/protocolo, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pelo fisco, que poderia se dar no prazo decadencial de 5 (cinco) anos (art. 150, §4º, do CTN, e art. 74, §§ 2º, 4º e 5º, da Lei n. 9.430/96). 6. No caso concreto, o Pedido de Compensação n. 10305.001728/9701 estava pendente em 01.10.2002. Sendo assim, foi convertido em DCOMP desde o seu protocolo (01.12.1997). Da data desse protocolo a Secretaria da Receita Federal dispunha de 5 (cinco) anos para efetuar a homologação da compensação, coisa que fez somente em Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10980.011304/200230 Acórdão n.º 9303006.854 CSRFT3 Fl. 11 10 23/06/2004, conforme a carta de cobrança constante das eSTJ fl. 79/81. Portanto, fora do lustro do prazo decadencial que se findaria em 01.12.2002. Irrelevante o julgamento do Pedido de ressarcimento n. 13888.000209/9639 em 27/09/2001, pois imprescindível a decisão nos autos do pedido de compensação. Nessa segunda linha de pensar, também inevitável a decadência do crédito tributário. 7. Recurso especial provido. (REsp 1240110/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/02/2012, DJe 27/06/2012) (grifouse) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 336DF CARF MF
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