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Numero do processo: 14479.000049/2007-35
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/12/2001
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 9. 00 00 49 /2 00 7- 35 Fl. 399DF CARF MF Processo nº 14479.000049/200735 Acórdão n.º 9202006.785 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 400DF CARF MF Processo nº 14479.000049/200735 Acórdão n.º 9202006.785 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 401DF CARF MF Processo nº 14479.000049/200735 Acórdão n.º 9202006.785 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 402DF CARF MF Processo nº 14479.000049/200735 Acórdão n.º 9202006.785 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 403DF CARF MF Processo nº 14479.000049/200735 Acórdão n.º 9202006.785 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 404DF CARF MF Processo nº 14479.000049/200735 Acórdão n.º 9202006.785 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 405DF CARF MF Processo nº 14479.000049/200735 Acórdão n.º 9202006.785 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 406DF CARF MF Processo nº 14479.000049/200735 Acórdão n.º 9202006.785 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 407DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.944154/2008-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
IRPJ. Lucro Presumido. Coeficiente de Presunção. Serviço de Empreitada com Fornecimento de Materiais.
É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais.
Numero da decisão: 1301-003.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO. SERVIÇO DE EMPREITADA COM FORNECIMENTO DE MATERIAIS. É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 41 54 /2 00 8- 66 Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10880.944154/200866 Acórdão n.º 1301003.148 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA., já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ que, negando provimento à manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, manteve o despacho decisório da DeratSP, em que a autoridade administrativa não reconhecia o direito creditório pleiteado e, assim, deixou de homologar a compensação formalizada em declaração compensação dcomp. A recorrente alega ser empresa do ramo de construção civil. Grande parte de suas receitas advém de contratos com a Administração Pública. Por força de tais contratos, se obrigou, juntamente com a prestação de serviços, a fornecer materiais. O mesmo se deu em relação aos serviços prestados a particulares. No período em questão, a recorrente apurou o IRPJ com base no lucro presumido, adotando 32% como coeficiente de presunção. Mais tarde, tomou conhecimento de que, respondendo a diversas consultas, a Receita Federal do Brasil RFB havia manifestado entendimento no sentido da aplicação do coeficiente de 8%, quando o serviço de empreitada fosse prestado com fornecimento de materiais. Diante disso, a recorrente recalculou o IRPJ devido, retificou a DIPJ e apresentou declaração de compensação dcomp. A Derat, embora acusando a existência do pagamento indicado como indevido, assinalou que parte dele já havia sido utilizada para quitação de débitos da contribuinte, e assim homologou parcialmente a compensação. MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. se insurgiu contra o despacho decisório em manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento, por falta de prova dos fatos alegados, já que não teriam sido apresentadas a escrita comercial e a fiscal do período, nem os livros Diário e Razão, além da movimentação comercial, contratos de prestação de serviços e todas as notas fiscais emitidas, a fim de que se pudesse verificar se foram auferidas receitas sujeitas ao coeficiente de 8%. Foi interposto recurso. A recorrente, em preliminar, arguiu homologação tácita do crédito, porquanto o Fisco, dentro do prazo legal, não examinou os recolhimentos e as informações prestadas nas declarações. No mérito, afirmou ter consultado formalmente a RFB sobre a matéria, obtendo resposta por meio da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT nº 186, cuja ementa tinha a seguinte dicção: Para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda apurado com base no lucro presumido, aplicase o percentual de oito por cento sobre a receita bruta decorrente tão somente da prestação de serviços de construção civil por empreitada com fornecimento de materiais. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10880.944154/200866 Acórdão n.º 1301003.148 S1C3T1 Fl. 4 3 Disse que a DRJ, em respeito ao princípio da verdade material, deveria ter determinado o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que fosse realizada diligência, dando oportunidade à recorrente de comprovar, mediante a apresentação de documentos, o direito pleiteado. Aduziu que, ao prestar os serviços de construção civil, fornecera materiais, especialmente na execução dos contratos com a Administração Pública. Por isso, faria jus ao coeficiente de 8% na apuração do lucro presumido. Afirmou ter juntado laudo, produzido por peritos por ela contratados, com a finalidade de comprovar o fornecimento de materiais. Ao final, pediu a realização de perícia, formulando desde logo os quesitos e indicando o perito. Com essas alegações, pugnou pelo reconhecimento do direito e a subsequente homologação das compensações. É o relatório. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10880.944154/200866 Acórdão n.º 1301003.148 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.124, de 12/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.904015/2008 08, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.124): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. De início, cumpre rejeitar a preliminar de homologação tácita e de decadência. No caso, não ocorreu decadência, porque esta extingue o direito de constituir crédito tributário, mas não impede a verificação de fatos de que decorra direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Da mesma forma, não ocorreu homologação tácita, uma vez que a homologação tácita se dá com o decurso do prazo de cinco da transmissão da dcomp, tornando definitiva a compensação declarada. No caso em exame, porém, o despacho decisório foi proferido dentro do prazo legal. No mérito, a questão gira em torno de saber qual o coeficiente aplicável às receitas auferidas pela recorrente, na apuração do lucro presumido, se 8% ou 32%. Para tanto, é necessário verificar se os serviços de empreitada prestados pela recorrente envolviam fornecimento de materiais, bem como verificar qual a participação dessas receitas na receita bruta total auferida no período. No Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 13 de janeiro de 1997, a Receita Federal já havia se posicionado acerca do coeficiente de presunção aplicável aos casos de empreitada com fornecimento de materiais. Confirase: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 3º da IN SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10880.944154/200866 Acórdão n.º 1301003.148 S1C3T1 Fl. 6 5 Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; (g.n.) b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais.(g.n.) II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a", deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. O entendimento, quanto à aplicação do coeficiente de 8%, foi ratificado pela recente Instrução Normativa RFB nº 1.700/2017: Art. 33. A base de cálculo do IRPJ, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 26, auferida na atividade, deduzida das devoluções, das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos. § 1º Nas seguintes atividades o percentual de determinação da base de cálculo do IRPJ de que trata o caput será de: I 1,6% (um inteiro e seis décimos por cento) sobre a receita bruta auferida na revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida: a) na prestação de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, fisioterapia e terapia ocupacional, fonoaudiologia, patologia clínica, imagenologia, radiologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, exames por métodos gráficos, procedimentos endoscópicos, radioterapia, quimioterapia, diálise e oxigenoterapia hiperbárica, desde que a prestadora desses serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); b) na prestação de serviços de transporte de carga; c) nas atividades imobiliárias relativas a desmembramento ou loteamento de terrenos, Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10880.944154/200866 Acórdão n.º 1301003.148 S1C3T1 Fl. 7 6 incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda e a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda; e d) na atividade de construção por empreitada com emprego de todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra; (g.n.) (...) Art. 215. O lucro presumido será determinado mediante aplicação dos percentuais de que tratam o caput e os §§ 1º e 2º do art. 33 sobre a receita bruta definida pelo art. 26, relativa a cada atividade, auferida em cada período de apuração trimestral, deduzida das devoluções e vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos.http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/ anexoOutros.action?idArquivoBinario=0 Portanto, diante da interpretação adotada pela RFB, deve ser reconhecido à recorrente o direito de aplicação do percentual de 8% na apuração do lucro presumido, limitandose às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada pelos quais a recorrente se obrigou a fornecer materiais em qualquer quantidade, já que esse era o entendimento da Receita Federal ao tempo dos fatos. As receitas oriundas dos demais serviços ficam sujeitas ao coeficiente de 32%. Por último, cumpre ressaltar que a Solução de Consulta Cosit nº 8/2014 deixa claro que, até 2004, o entendimento oficial era no sentido de que o coeficiente de 8% aplicavase às receitas de construção por empreitada, com emprego de materiais em qualquer quantidade. Embora a Receita Federal tenha modificado o entendimento, a nova interpretação não tem aplicação retroativa, como deixa claro o inciso XIII, do parágrafo único do art. 2º da Lei nº 9.784/1999: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. (g.n.) Conclusão Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10880.944154/200866 Acórdão n.º 1301003.148 S1C3T1 Fl. 8 7 Pelo exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito ao coeficiente de presunção de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais. Os autos devem retornar à unidade de origem para retomar a análise do direito creditório, observando o disposto no art. 15, § 2º, da Lei nº 9.249/1995. À unidade de origem cabe realizar a verificação das receitas que se enquadrem nessa condição, observando, como limite máximo para o direito creditório, o valor informado na dcomp. Definido o valor do crédito, devem ser homologadas as compensações até esse limite. Na verificação, a autoridade fiscal poderá adotar os métodos usualmente empregados na fiscalização, inclusive a verificação por amostragem, se entender cabível." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 293DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.961396/2008-14
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003
PREENCHIMENTO INCORRETO DE PER/DCOMP. NOTIFICAÇÃO PARA RETIFICAÇÃO. DESCUMPRIMENTO.
Se o contribuinte preenche equivocadamente o PER/DCOMP e, intimado para retificá-lo, deixa de cumprir a intimação sob alegação de desconhecer o procedimento, assume as consequências de transmitir o pedido com dados equivocados, sendo ele o responsável pela produção das normas jurídicas individuais e concretas que regem o instituto da compensação.
A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Na falta de comprovação do crédito do contribuinte, face a forma como constituído e transmitido o PER/DCOMP, não há que se falar de crédito passível de compensação.
DESCONHECIMENTO DE LEI. RECLAMAÇÃO INESCUSÁVEL.
O desconhecimento de lei é fato inescusável, não podendo o contribuinte deixar de atender intimação para retificação de PER/DCOMP alegando demora para obter as orientações adequadas.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.289
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves de Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2003 PREENCHIMENTO INCORRETO DE PER/DCOMP. NOTIFICAÇÃO PARA RETIFICAÇÃO. DESCUMPRIMENTO. Se o contribuinte preenche equivocadamente o PER/DCOMP e, intimado para retificá-lo, deixa de cumprir a intimação sob alegação de desconhecer o procedimento, assume as consequências de transmitir o pedido com dados equivocados, sendo ele o responsável pela produção das normas jurídicas individuais e concretas que regem o instituto da compensação. A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Na falta de comprovação do crédito do contribuinte, face a forma como constituído e transmitido o PER/DCOMP, não há que se falar de crédito passível de compensação. DESCONHECIMENTO DE LEI. RECLAMAÇÃO INESCUSÁVEL. O desconhecimento de lei é fato inescusável, não podendo o contribuinte deixar de atender intimação para retificação de PER/DCOMP alegando demora para obter as orientações adequadas. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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NOTIFICAÇÃO PARA RETIFICAÇÃO. DESCUMPRIMENTO. Se o contribuinte preenche equivocadamente o PER/DCOMP e, intimado para retificálo, deixa de cumprir a intimação sob alegação de desconhecer o procedimento, assume as consequências de transmitir o pedido com dados equivocados, sendo ele o responsável pela produção das normas jurídicas individuais e concretas que regem o instituto da compensação. A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Na falta de comprovação do crédito do contribuinte, face a forma como constituído e transmitido o PER/DCOMP, não há que se falar de crédito passível de compensação. DESCONHECIMENTO DE LEI. RECLAMAÇÃO INESCUSÁVEL. O desconhecimento de lei é fato inescusável, não podendo o contribuinte deixar de atender intimação para retificação de PER/DCOMP alegando demora para obter as orientações adequadas. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 13 96 /2 00 8- 14 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10880.961396/200814 Acórdão n.º 1002000.289 S1C0T2 Fl. 50 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves de Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 41/43) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 36/39), proferida em sessão de 24 de maio de 2011, consubstanciada no Acórdão n.º 1631.677, da 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP (DRJ/SP1), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 14/16) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 11/12/2008 (efl. 2), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 24880.56146.131004.1.3.041341, transmitido em 13/10/2004, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 08/10/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IRREGULARIDADES DE PREENCHIMENTO. CONTRIBUINTE INTIMADO. OMISSÃO. DECISÃO DESFAVORÁVEL. RETIFICAÇÃO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. A postura omissiva do contribuinte em face de intimação acerca de possíveis erros de preenchimento em sua declaração de compensação consolida sua pretensão em submeter os dados assim informados à administração tributária, sendo defeso requerer, depois de pronunciamento desfavorável, sua retificação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Versa o presente processo sobre manifestação de inconformidade em face de não homologação da Declaração de Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10880.961396/200814 Acórdão n.º 1002000.289 S1C0T2 Fl. 51 3 Compensação (Dcomp) n.º 24880.56146.131004.1.3.041341 de fls. 09/13, na qual a contribuinte aponta como origem do crédito um pagamento indevido de Simples (Código de Receita 6106), referente ao período de apuração de 30/09/2003, com data de arrecadação de 13/10/2004, no valor de R$ 2.708,37. Durante a análise eletrônica da Dcomp, a contribuinte recebeu um termo de intimação, versando sobre irregularidades no preenchimento do PER/DCOMP, em 08/02/2007 (fls. 06/08). A compensação declarada não foi homologada de acordo com a seguinte fundamentação (fls. 01): "(...) Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 1.099,62 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Cientificada da decisão eletrônica em 05/01/2009, a contribuinte apresentou, em 28/01/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 14/16, na qual alega, em síntese, o quanto se segue: a) Recolheu, em 08/10/2003, DarfSimples a maior no valor de R$ 5.774,52, correspondente ao valor de receita bruta de R$ 329.936,75 e percentual de 9,80%, referente ao período de apuração de 30/09/2003; b) Depois de alocado o valor, restou uma sobra de R$ 2.356,95 que foi utilizado no presente PER/DCOMP, transmitido em 13/10/2004, para compensar parcialmente o valor devido de Simples da competência de 08/2004, vencido em 10/09/2004, num montante de R$ 2.068,52; c) Tendo em vista a recente mudança entre o processo em papel para o processo eletrônico, o contribuinte equivocouse ao informar como crédito no referido PER/DCOMP apenas o valor utilizado na compensação, bem como a diferença entre o valor alocado no sistema e o Darf recolhido; fazendo com que o documento não fosse localizado nos sistemas da Receita Federal; e d) Ocorreu um erro de fato, não podendo o contribuinte ser prejudicado por um equívoco no preenchimento de uma declaração, sobretudo porque o crédito realmente existe. O Despacho Decisório informa que o crédito pleiteado, a título de restituição, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, inexiste, razão pela qual não se homologou a compensação. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, não se localizou o próprio DARF citado, de modo a não haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi quitado, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito: Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10880.961396/200814 Acórdão n.º 1002000.289 S1C0T2 Fl. 52 4 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Conforme cópia de DarfSimples de fls. 26, verificase que a contribuinte recolheu o valor de R$ 5.774,52, em 08/10/2003, correspondente a uma tributação ao percentual de 9,80%, referente ao período de apuração de 30/09/2003, de acordo com uma receita bruta acumulada até aquele momento de R$ 329.936,75. No exercício seguinte, ao elaborar a Declaração do Simples relativa a 2003 (fls. 27), verificou que o percentual devido não era de 9,80%, mas de 5,80% que, aplicados sobre a receita bruta mensal daquele mês de R$ 58.932,69, resultaria num recolhimento de R$ 3.417,57, mas não, de R$ 5.774,52. Constatado o pagamento a maior de Simples referente ao período de apuração de 30/09/2003 no valor de R$ 2.356,95, a contribuinte transmitiu a presente Dcomp em 13/10/2004 para compensar débito vencido do Simples relativo a agosto/2004. Entretanto, a contribuinte incorreu em alguns erros de preenchimento da Dcomp: ao invés de ter indicado o valor total do Darf de R$ 5.774,52, apenas indicou a parcela que seria utilizada na compensação, de R$ 2.708,37, sendo R$ 2.356,95 de principal e R$ 351,42 de juros; ao invés de ter informado como data de arrecadação aquela em que ocorreu o pagamento com o Darf, 08/10/2003, a contribuinte indicou o dia em que transmitiu a Dcomp, qual seja, 13/10/2004; e, também, indicou o percentual de recolhimento de 5,80%, ao invés de 9,80%. Não há dúvidas de que a contribuinte cometeu erros de preenchimento, isto é, erros de fato que fizeram com que o Darf do qual o crédito se originou não fosse localizado pelos sistemas de controle da arrecadação da Receita Federal. Por outro lado, a Receita Federal, prevendo que esses equívocos poderiam ocorrer, programou na rotina de processamento dos PER/Dcomp's, uma etapa em que há a emissão de um alerta à contribuinte sobre possíveis irregularidades de preenchimento de seus formulários eletrônicos, intimandoa a fazer as devidas correções. No caso da manifestante, esta intimação foi expedida e recebida em 08/02/2007 (fls. 06/08), contendo alerta para que ela conferisse os dados do Darf ou do Redarf com os informados na Dcomp e, ainda, que a data da arrecadação deveria ser a data constante da autenticação bancária. Ao final do termo de intimação, a contribuinte foi orientada a efetuar a retificação da Dcomp, se confirmadas as divergências ou, caso contrário, a comparecer à Receita Federal com o Darf ou Redarf originais. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10880.961396/200814 Acórdão n.º 1002000.289 S1C0T2 Fl. 53 5 Embora entenda que os erros de preenchimento sejam formais e, em tese, escusáveis, ao ignorar a oportunidade conferida pela administração tributária para corrigilos, a contribuinte consolidou sua pretensão em manter inalterados os dados informados em sua declaração e de assumir as consequências dessa postura. Tal como sucede em prazos processuais, é necessário definir um termo final para que determinados atos sejam realizados, sob pena de se prolongar uma demanda ao infinito e, ainda, como medida necessária para manter a higidez do próprio sistema. O sistema PER/DCOMP segue uma rotina, que prevê a possibilidade de retificar dados da Dcomp sob determinadas condições, dentre elas, enquanto pendente a decisão administrativa à data do envio do documento retificador, conforme previsto no artigo 77 da IN/RFB n.º 900/2008: Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. Por certo, esta restrição poderia ser superada se houvesse um fato que a justificasse, como por exemplo, se o despacho decisório fosse expedido sem que a contribuinte tivesse sido alertada anteriormente sobre possíveis inconsistências em sua Dcomp. Todavia, a contribuinte foi regularmente intimada, em época própria, a promover as correções necessárias, nada fez e não apresentou qualquer justificativa sobre sua omissão. Deve ser ressaltado que não se tratou de uma comunicação genérica encaminhada à contribuinte que poderia suscitar dúvidas sobre o que ela versaria, mas de um termo de intimação que apontou exatamente os erros em que estava incorrendo a contribuinte e de que maneira ela deveria proceder para superá los e, ainda, que remanescesse alguma dúvida sobre o que fazer, restaria à contribuinte a opção de procurar atendimento presencial na unidade da Receita Federal jurisdicionante de seu domicílio, opção que também foi expressamente consignada no termo de intimação. Essas foram as razões de decidir da DRJ. No recurso voluntário, o contribuinte justificou não ter atendido a intimação para ajustes no PER/DCOMP, em outras palavras, reiterou os argumentos suscitados na sua manifestação de inconformidade, visando devolver a matéria para instância superior. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10880.961396/200814 Acórdão n.º 1002000.289 S1C0T2 Fl. 54 6 Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 17/06/2011, sextafeira, efls. 40 e 47, e protocolo em 18/07/2011, efl. 41), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10880.961396/200814 Acórdão n.º 1002000.289 S1C0T2 Fl. 55 7 Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, a Administração Tributária não reconheceu a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo contribuinte, haja vista que o DARF (Documento de Arrecadação Fiscal) que fundamentaria o recolhimento indevido ou a maior não foi localizado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP. Como bem destacado pelo julgador singular, o contribuinte incorreu em erro de fato no preenchimento de diversos campos do PER/DCOMP, os quais impossibilitaram que a compensação fosse homologada, já que a Receita Federal não conseguiu localizar, em seu banco de dados, o DARF informado pelo contribuinte. Nada obstante, antes de recusar a homologação, o Fisco notificou o contribuinte, através de carta com aviso de recebimento, na data de 08/02/2007, dando ao contribuinte a chance de retificar as informações transmitidas, nos termos da IN/RFB n.º 900, de 2008, expressamente citada na decisão da DRJ. A alegação do contribuinte de que, apesar de notificado, não tomou as providências adequadas, porque não tinha a orientação correta de como proceder, não justifica o provimento do recurso voluntário, já que é defeso alegar o desconhecimento da lei, especialmente em matéria tributária, nos termos do artigo 3.º do DecretoLei n.º 4.657, de 1942, que instituiu a Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro. Nesse sentido precedente deste Colegiado, in verbis: Acórdão: 1002000.072 Data de Publicação: 11/04/2018 Relator(a): JULIO LIMA SOUZA MARTINS Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2001 DESCONHECIMENTO DE LEI. RECLAMAÇÃO INESCUSÁVEL. PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE. O desconhecimento de lei é fato inescusável, não podendo o contribuinte contrapor a exigência diante da suposta falta de informações do sítio da RFB. No mesmo sentido os seguintes precedentes desta Turma Extraordinária: Acórdão n.º 1002000.071 (Publicado em 11/04/2018); Acórdão n.º 1002000.070 (Publicado em 11/04/2018); Acórdão n.º 1002000.069 (Publicado em 11/04/2018); dentre outros precedentes deste Conselho Administrativo. Além disto, HUGO DE BRITO MACHADO, ao tratar da exclusão da responsabilidade pelo desconhecimento da lei, informa que: "Em princípio, a ignorância da lei não exclui a responsabilidade por seu cumprimento. Ninguém se escusa de cumprir a lei alegando que não a conhece" (Curso de Direito Tributário, 30.ª edição, São Paulo: Malheiros, 2009, p. 170). A doutrina nos ensina que se o erro do contribuinte for, em certa medida, provocado pelo próprio ente tributante, não seria legítimo punilo quando deixar de cumprir um deverlegal, contudo não é este o caso presente; neste, o contribuinte confessa que deixou de cumprir a notificação de retificação do PER/DCOMP pelo simples fato de Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10880.961396/200814 Acórdão n.º 1002000.289 S1C0T2 Fl. 56 8 desconhecer os trâmites legais para tanto, escusandose da obrigação sob o argumento de que é uma microempresa. De mais a mais, é importante destacar que no regime jurídico da compensação compete ao contribuinte constituir a linguagem com a confecção e transmissão do PER/DCOMP. O regime jurídico da compensação impõe ao sujeito passivo realizar os procedimentos necessários para a efetivação do encontro de contas, com a requisição da restituição e a efetivação da compensação, tudo sujeito à posterior homologação. Vale dizer, o contribuinte produz as normas individuais e concretas relacionadas ao caso. Por isso, não compete a segunda instância administrativa o procedimento de cancelamento ou de revisão do PER/DCOMP constituído em linguagem competente pelo próprio contribuinte, haja vista que o órgão julgador está limitado aos termos das normas individuais e concretas produzidas pelo próprio sujeito passivo, que, no mínimo, deve proceder com a retificação, ainda que a destempo, a fim de emitir nova norma jurídica quando necessária para sanar quaisquer equívocos. Não há, portanto, motivos que justifiquem a reforma da decisão proferida pela DRJ, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade, e não o saneamento de erros imputados aos próprios contribuintes, notadamente quando destinados à constituição de créditos para fins de compensação. Logo, verificandose correção no julgamento a quo, bem como observando que a Administração Tributária não agiu em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado na análise do pedido transmitido pelo contribuinte. Observese que a DRJ bem fundamentou o caso em análise, inclusive informando que constatado o pagamento a maior de Simples, referente ao período de apuração de 30/09/2003, no valor de R$ 2.356,95, a contribuinte transmitiu DCOMP, em 13/10/2004, para compensar débito vencido do Simples relativo a agosto/2004. Entretanto, a contribuinte incorreu em alguns erros de preenchimento: ao invés de ter indicado o valor total do DARF de R$ 5.774,52, apenas indicou a parcela que seria utilizada na compensação, de R$ 2.708,37, sendo R$ 2.356,95 de principal e R$ 351,42 de juros; ao invés de ter informado como data de arrecadação aquela em que ocorreu o pagamento com o DARF, em 08/10/2003, a contribuinte indicou o dia em que transmitiu a DCOMP, qual seja, 13/10/2004; e, também, indicou o percentual de recolhimento de 5,80%, ao invés de 9,80%. Como dito pela DRJ, não há dúvidas de que a contribuinte cometeu erros de preenchimento, isto é, erros de fato que fizeram com que o DARF do qual o crédito se originou não fosse localizado pelos sistemas de controle da arrecadação da Receita Federal. Contudo, o sujeito passivo, após ser intimado em 08/02/2007 para retificar o PER/DCOMP, produzindo novas normas individuais e concretas que revogariam a situação anterior, corrigindo a situação, permaneceu inerte. Desta feita, ao ignorar a oportunidade conferida pela Administração Tributária para corrigilos, o sujeito passivo consolidou sua pretensão em manter inalterados os dados informados em sua declaração, por conseguinte assumindo as consequências dessa postura. Destarte, não logrando o sujeito passivo êxito em comprovar existência de crédito na forma corretamente exigida, ônus que lhe competia em razão do requerimento de compensação e sendo atribuição desta instância recursal tão somente exercer o controle de legalidade, verificando ter sido o modus operandi exercido em total consonância com os Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10880.961396/200814 Acórdão n.º 1002000.289 S1C0T2 Fl. 57 9 ditames legais, não subsistem motivos que justifiquem reparo na decisão recorrida, razão pela qual entendo pela manutenção do julgamento da DRJ. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.720607/2011-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
ERRO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. EQUÍVOCO NA INDICAÇÃO DO NÚMERO DO PROCESSO
Verificada a indicação equivocada do número do processo, cabe o acolhimento de Embargos Inominados para sanar o erro material, mediante a indicação do número correto dos autos.
Numero da decisão: 1302-002.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos e acolhê-los, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 ERRO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. EQUÍVOCO NA INDICAÇÃO DO NÚMERO DO PROCESSO Verificada a indicação equivocada do número do processo, cabe o acolhimento de Embargos Inominados para sanar o erro material, mediante a indicação do número correto dos autos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos e acolhê-los, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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score : 1.0
Numero do processo: 11516.000764/2010-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 07 64 /2 01 0- 91 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11516.000764/201091 Acórdão n.º 9202006.767 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11516.000764/201091 Acórdão n.º 9202006.767 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11516.000764/201091 Acórdão n.º 9202006.767 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 169DF CARF MF Processo nº 11516.000764/201091 Acórdão n.º 9202006.767 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 170DF CARF MF Processo nº 11516.000764/201091 Acórdão n.º 9202006.767 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 171DF CARF MF Processo nº 11516.000764/201091 Acórdão n.º 9202006.767 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 172DF CARF MF Processo nº 11516.000764/201091 Acórdão n.º 9202006.767 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 173DF CARF MF Processo nº 11516.000764/201091 Acórdão n.º 9202006.767 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 174DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.720111/2015-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO.
Com fulcro no artigo 30, inciso I, alíneas a e b, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência.
NORMAS PROCEDIMENTAIS DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS. POSSIBILIDADE.
Constatando-se a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto tomador de serviços e o tido prestador de serviços, deverá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, enquadrando os trabalhadores desta última como segurados empregados da tomadora, com fulcro no artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c Pareceres/CJ nºs 330/1995 e 1652/1999.
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Rejeita-se a preliminar de nulidade do lançamento invocada com base em cerceamento do direito de defesa, porquanto ao contribuinte foi lhe dado tomar conhecimento do inteiro teor das infrações que lhe são imputadas, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa.
Concedida ao contribuinte ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, tanto no decurso do procedimento fiscal como na fase impugnatória, não há que se falar em cerceamento do direito defesa.
AFERIÇÃO INDIRETA
Com a recusa ou apresentação deficiente de documentos a fiscalização promoverá o lançamento de ofício por arbitramento, inscrevendo as importâncias que reputar devidas, conforme respaldo no art. 33, §3° da Lei 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO SIMULAÇÃO. FRAUDE. CABIMENTO.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO PARCIAL DOS TRIBUTOS DEVIDOS. CONSTATAÇÃO DE DOLO OU FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
O prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, nos caso dos tributos sujeitos ao chamado lançamento por homologação, ainda que tenha ocorrido o recolhimento parcial dos tributos devidos, quando constatada a presença de dolo, fraude ou simulação é de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN.
TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4
Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Com arrimo nos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DEVER DE COLABORAÇÃO. LÓGICA DO SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL. PROVAS.
As obrigações acessórias são criadas com a finalidade de facilitar à fiscalização tributária, ainda mais no atual ambiente fiscal em que prevalece o lançamento por homologação. Nesse passo, o dever de colaboração dos contribuintes é ínsito ao atual Sistema Tributário Nacional, o seu descumprimento deve ser sancionado por multas, pois se generalizado colocaria em cheque todo o Sistema, impossibilitando, assim, os entes federados de cumprirem seus desígnios constitucionais. Neste contexto, para refutar o lançamento que relata o descumprimento de obrigação acessória a interessada não deve se limitar ao campo das alegações, necessária a produção de provas no sentido de que a obrigação instrumental foi tempestivamente cumprida.
Numero da decisão: 2401-005.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier. Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Com fulcro no artigo 30, inciso I, alíneas a e b, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. NORMAS PROCEDIMENTAIS DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS. POSSIBILIDADE. Constatando-se a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto tomador de serviços e o tido prestador de serviços, deverá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, enquadrando os trabalhadores desta última como segurados empregados da tomadora, com fulcro no artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c Pareceres/CJ nºs 330/1995 e 1652/1999. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Rejeita-se a preliminar de nulidade do lançamento invocada com base em cerceamento do direito de defesa, porquanto ao contribuinte foi lhe dado tomar conhecimento do inteiro teor das infrações que lhe são imputadas, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Concedida ao contribuinte ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, tanto no decurso do procedimento fiscal como na fase impugnatória, não há que se falar em cerceamento do direito defesa. AFERIÇÃO INDIRETA Com a recusa ou apresentação deficiente de documentos a fiscalização promoverá o lançamento de ofício por arbitramento, inscrevendo as importâncias que reputar devidas, conforme respaldo no art. 33, §3° da Lei 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO SIMULAÇÃO. FRAUDE. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO PARCIAL DOS TRIBUTOS DEVIDOS. CONSTATAÇÃO DE DOLO OU FRAUDE OU SIMULAÇÃO. O prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, nos caso dos tributos sujeitos ao chamado lançamento por homologação, ainda que tenha ocorrido o recolhimento parcial dos tributos devidos, quando constatada a presença de dolo, fraude ou simulação é de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4 Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Com arrimo nos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DEVER DE COLABORAÇÃO. LÓGICA DO SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL. PROVAS. As obrigações acessórias são criadas com a finalidade de facilitar à fiscalização tributária, ainda mais no atual ambiente fiscal em que prevalece o lançamento por homologação. Nesse passo, o dever de colaboração dos contribuintes é ínsito ao atual Sistema Tributário Nacional, o seu descumprimento deve ser sancionado por multas, pois se generalizado colocaria em cheque todo o Sistema, impossibilitando, assim, os entes federados de cumprirem seus desígnios constitucionais. Neste contexto, para refutar o lançamento que relata o descumprimento de obrigação acessória a interessada não deve se limitar ao campo das alegações, necessária a produção de provas no sentido de que a obrigação instrumental foi tempestivamente cumprida.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 38; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2150; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.720111/201527 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.657 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de julho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente PARANASA ENGENHARIA E COMERCIO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Com fulcro no artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. NORMAS PROCEDIMENTAIS DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS. POSSIBILIDADE. Constatandose a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e o tido “prestador de serviços”, deverá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, enquadrando os trabalhadores desta última como segurados empregados da tomadora, com fulcro no artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c Pareceres/CJ nºs 330/1995 e 1652/1999. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento invocada com base em cerceamento do direito de defesa, porquanto ao contribuinte foi lhe dado tomar conhecimento do inteiro teor das infrações que lhe são imputadas, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Concedida ao contribuinte ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, tanto no decurso do procedimento fiscal como na fase impugnatória, não há que se falar em cerceamento do direito defesa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 01 11 /2 01 5- 27 Fl. 14530DF CARF MF 2 AFERIÇÃO INDIRETA Com a recusa ou apresentação deficiente de documentos a fiscalização promoverá o lançamento de ofício por arbitramento, inscrevendo as importâncias que reputar devidas, conforme respaldo no art. 33, §3° da Lei 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO SIMULAÇÃO. FRAUDE. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO PARCIAL DOS TRIBUTOS DEVIDOS. CONSTATAÇÃO DE DOLO OU FRAUDE OU SIMULAÇÃO. O prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, nos caso dos tributos sujeitos ao chamado lançamento por homologação, ainda que tenha ocorrido o recolhimento parcial dos tributos devidos, quando constatada a presença de dolo, fraude ou simulação é de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF N° 4 Não há que se falar em inconstitucionalidade ou ilegalidade na utilização da taxa de juros SELIC para aplicação dos acréscimos legais ao valor originário do débito. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Com arrimo nos artigos 62 e 72, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DEVER DE COLABORAÇÃO. LÓGICA DO SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL. PROVAS. As obrigações acessórias são criadas com a finalidade de facilitar à fiscalização tributária, ainda mais no atual ambiente fiscal em que prevalece o lançamento por homologação. Nesse passo, o dever de colaboração dos contribuintes é ínsito ao atual Sistema Tributário Nacional, o seu descumprimento deve ser sancionado por multas, pois se generalizado colocaria em cheque todo o Sistema, impossibilitando, assim, os entes federados de cumprirem seus desígnios constitucionais. Neste contexto, para refutar o lançamento que relata o descumprimento de obrigação acessória a interessada não deve se limitar ao campo das alegações, necessária a produção de provas no sentido de que a obrigação instrumental foi tempestivamente cumprida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 14531DF CARF MF Processo nº 15504.720111/201527 Acórdão n.º 2401005.657 S2C4T1 Fl. 3 3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier. Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 14532DF CARF MF 4 Relatório PARANASA ENGENHARIA E COMERCIO S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 4a Turma da DRJ em Belém/PA, Acórdão nº 0133.490/2017, às efls. 13.649/13.684, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, concernente às contribuições previdenciárias devidas ao INSS, referente aos valores pagos aos segurados contribuintes individuais e obrigação acessória, em relação ao período de 01/2010 a 12/2011, conforme Relatório Fiscal, às fls. 79/226 e demais documentos que instruem o processo, consubstanciado nos seguintes Autos de Infração e levantamentos: Contribuição Previdenciária da Empresa. DEBCAD 51.071.5559, fl. 3, no valor total de R$ 19.529.642,63. AB – ABONO OBRA 251; AC – AJUDA DE CUSTO AJUDA REGIONAL; AD – ADIANTAMENTO 13 SAL SEM DESC; AN – ADICIONAL NOTURNO; AR – AJUDA REGIONAL DIRETORES; CA – COOP TRAB UNIMED SÃO GONÇALO; CI –CONTRIBUINTE INDIVIDUAL AUTÔNOMO; CT – COOPERATIVA TRAB UNIMED BI; DH – DIFERENÇA HORAS; DT – DÉCIMO TERCEIRO DIRETORES; EG – ESTABILIDADE OBRA GERDAU; HE– INTEGRAÇÃO HORA EXTRA; PE – PERICULOSIDADE; PJ – CARACTERIZAÇÃO SEGURADO EMPREG; PL – PARTICIPAÇÃO LUCROS RESULTADOS. Contribuição Previdenciária dos Segurados. DEBCAD 51.071.5567, fl. 41, na importância de R$ 1.274.922,82. CC – CONTRIB SEG CONTRIB INDIVIDUAL e CS – CONTRIB SEGURADO CARACT EMPREGADO. Contribuições a outras Entidades e Fundos (SalárioEducação (FNDE), INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE). DEBCAD 51.071.5575, fl. 50, no montante de R$ 4.550.934,71 Fl. 14533DF CARF MF Processo nº 15504.720111/201527 Acórdão n.º 2401005.657 S2C4T1 Fl. 4 5 AB – ABONO OBRA 251; AC – AJUDA DE CUSTO AJUDA REGIONAL; AD – ADIANTAMENTO 13 SAL SEM DESC; AN – ADICIONAL NOTURNO; DH – DIFERENÇA HORAS; EG –ESTABILIDADE OBRA GERDAU; HE – INTEGRAÇÃO HORA EXTRA; PE – PERICULOSIDADE; PJ – CARACTERIZAÇÃO SEGURADO EMPREG; PL – PARTICIPAÇÃO LUCROS RESULTADOS DEBCAD 51.071.5583, fl. 73, R$ 1.925,81. Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente. DEBCAD 51.071.5591, fl. 74, R$ 1.925,81. Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço. DEBCAD 51.082.2860, fl. 75, R$ 19.257,83. Deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições previstas na Lei 8.212/91 ou apresentálos sem as formalidade legais exigidas, com informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Conforme depreende do Relatório Fiscal, a Empresa foi intimada para se manifestar sobre a não inclusão na base de cálculo de contribuições federais de rubricas lançadas em folhas de pagamento, apresentadas em meio digital à Fiscalização. Em sua resposta, fls. 856/858, a Interessada assim se manifestou: a) Periculosidade: tratase de pagamento de adicional de periculosidade para o qual, por equívoco, não houve o recolhimento das contribuições sociais; b) Int. Hora Extra Férias: tratase de valores correspondentes à media das horas extras referentes ao período aquisitivo de férias, a qual equivocadamente e em relação a alguns poucos empregados, não sofreu a incidência verba de contribuições sociais; i) Estabilidade obra Gerdau: tratase referese de valores pagos a trabalhadores demitidos, contudo, titulares de estabilidade no emprego. As verbas têm natureza salarial e por equívoco, não foram recolhidas as correspondentes contribuições sociais; Fl. 14534DF CARF MF 6 j) Adicional Noturno: tratase de pagamento de adicional noturno para o qual, por equívoco, não houve o recolhimento das contribuições sociais; k) Diferença Horas: tratase de verba de natureza salarial para o qual, por equívoco, não houve o recolhimento das contribuições sociais; Informa o Setor Fiscal que os valores das bases de cálculo, ANEXO I a ANEXO V, extraídos das folhas de pagamento foram totalizados por competência e lançados por levantamento conforme Relatório de Lançamento. No entendimento da Autoridade Lançadora, os valores pagos a empregados relativos ao Abono obra 251, discriminados no ANEXO VI, por empregado e por competência, compõem o salário de contribuição, mesmo que pagos esporadicamente e desvinculados do salário. Informa que no ANEXO VII constam os valores pagos pela empresa a título de Ajuda de Custo. Entende o Setor Fiscal que a natureza jurídica desta verba só é indenizatória se paga em parcela única, situação diversa da ocorrida, já que os empregados receberam o benefício, em parcela fixa, durante quase todo o período fiscalizado. Da mesma forma no ANEXO IX estão listadas as verbas pagas aos Diretores, mês a mês, sob o título de Ajuda Regional. Também foi considerado salário de contribuição a importância paga a título de Participação nos Lucros – PPLR Obras, já que não estão em consonância com as condições estabelecidas na Lei 10.101/2000 e na legislação previdenciária. Foram lançados os pagamentos de 13º (décimo terceiro) salário a Diretores, Levantamento DT, Anexo X, “tais valores pagos, apesar de constarem nas folhas de pagamento da empresa e devidamente contabilizados, não foram incluídas nas GFIP’s nem foram objeto de recolhimento de contribuições previdenciárias”, idêntico fato ocorreu em relação ao Levantamento CI – Contribuintes Individuais, ANEXO XII. Acerca do Levantamento Adiantamento Décimo Terceiro Salário – AD, ANEXO XI, afirma a peça fiscal: Foi constatado que a empresa, ao efetivar as rescisões de contrato de trabalho, descontou do valor da base de cálculo das contribuições para a Previdência Social, as quantias referentes ao pagamento da rubrica 0128 Adiantamento de 13° Salário. Esta conduta reduziu indevidamente a base de cálculo do 13° Salário pago em rescisão, já que os valores pagos a este título devem ser considerados pelo seu valor bruto, sem nenhuma dedução. O adiantamento do 13° Salário não deve ser tributado na competência de seu pagamento. No entanto, deverá o Décimo Terceiro Salário ser tributado pelo seu valor integral por ocasião do pagamento da segunda parcela ou quando da rescisão de contrato de trabalho. Foram tributados os pagamentos efetuados à UNIMED Belo Horizonte e de São Gonçalo Niterói Cooperativa de trabalho médico, referentes a serviços prestados de assistência médicohospitalar aos empregados da autuada. Levantamentos: CT e CA. Entende o Setor Fiscal que compete a Interessada as contribuições a cargo da empresa referente aos Fl. 14535DF CARF MF Processo nº 15504.720111/201527 Acórdão n.º 2401005.657 S2C4T1 Fl. 5 7 pagamentos de prestação de serviços realizados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. “Para identificação dos valores das contribuições devidas foram examinados os respectivos contratos de prestação de serviços firmados com as cooperativas citadas”. Nas fls. 94, in fine, e 95 estão expressos os critérios para apuração da base de cálculo relativa à Cooperativa de trabalho UNIMED. Informa o Relatório Fiscal que a PARANASA contratou de forma irregular diversos profissionais por meio de contratos de prestação de serviços quando deveria registrá los como empregados. Esse mesmo procedimento foi utilizado para efetuar a complementação da remuneração de seus empregados do nível gerencial. Na grande maioria destes casos, estes empregados constavam no quadro funcional da autuada desempenhando cargos gerenciais com salários compatíveis com as funções exercidas. Após sua demissão do quadro de empregados estes segurados passaram a receber sua remuneração através da emissão de notas fiscais de serviços e posteriormente foram readmitidos com salário irrisório geralmente no valor do piso mínimo nacional correspondente a R$510,00 (quinhentos e dez reais) em 2010 e R$545,00 (quinhentos e quarenta e cinco reais) em 2011 e continuando sendo remunerados também através da emissão de notas fiscais de serviços. A relação de emprego foi atestada pela auditoria fiscal mediante análise de elementos que identificaram os pressupostos de tal vínculo: prestação de serviço, pessoalidade, remuneração, não eventualidade e subordinação Ao detalhar o procedimento fiscal, narra a autoridade lançadora que a autuada foi intimada a apresentar 88 (oitenta e oito) contratos de prestação de serviços e depois de reiteradas intimações a Interessada apresentou apenas parcialmente os contratos. Passou então a intimar as prestadoras de serviços. Em resposta às diligências algumas prestadoras de serviços apresentaram os Contratos de Prestação de Serviço solicitados sendo que outras justificaram a não apresentação dos mesmos alegando já não mais possuir os contratos firmados e que já haviam entrado em contato com a PARANASA solicitando a apresentação dos mesmos Nas folhas seguintes do Relatório Fiscal são expostas as evidências e as conclusões da autuante acerca do relação de emprego de profissionais que exerciam atividades por meio de contratos de prestação de serviço. Ficou evidenciado que tal conduta tratase de prática institucionalizada e disseminada no contribuinte, visto que engloba diversos níveis hierárquicos da empresa, passando pelo nível de SUPERINTENDENTES e chegando ao nível operacional, desde engenheiros até técnicos de edificações, na execução das atividades fim da mesma. Tal prática vem de longa data visto que foram apresentados contratos com data do ano de 2008 sendo prorrogados até o período fiscalizado Fl. 14536DF CARF MF 8 Na seqüência são relatados os pressupostos fáticos da relação de emprego: Pessoalidade, onerosidade, não eventualidade e subordinação jurídica. A pessoalidade e a identidade da pessoa física ficam também evidenciadas quando a PARANASA S/A estende diretamente a elas (pessoas físicas), o benefício do plano de assistência médica UNIMEDBH concedido aos empregados regularmente contratados. Para outros segurados também foram oferecidos benefícios como treinamento e empréstimos consignados. A pessoalidade também está flagrantemente exposta nos inúmeros casos de empregados que são remunerados concomitantemente sob as normas da CLT e adicionalmente por intermédio por pessoas jurídicas – PJ, situação exaustivamente descrita nos itens 4.7 acima. O próprio sujeito passivo reconhece a condição de empregado do prestador dos serviços ao formalizar o contrato de trabalho de vários segurados Informa o Relatório Fiscal que nenhum dos prestadores de serviços possuía empregados registrados. Este fato foi constatado em pesquisas realizadas nos sistemas informatizados da Receita Federal, na RAIS e em GFIP, o que comprova a pessoalidade existente na relação “PARANASA x Prestador de Serviços”, “disto deduzse que, os serviços foram executados pessoalmente por seus responsáveis”. “Notouse também, por meio da análise do Razão contábil dos contratados, que as Notas Fiscais emitidas seguiam uma seqüência numérica ininterrupta, indicando que a prestação de serviço se dava de forma exclusiva à PARANASA” Sustenta que a não eventualidade está configurada pela habitualidade da prestação dos serviços, “o que se comprova através da emissão das NFS mensais seqüenciais”. Apesar dos contratos de prestação de serviços apresentados, a não eventualidade também se manifesta claramente nos prazos estipulados nos contratos (renovados semestralmente ou anualmente), consistindo em verdadeiro contrato de trabalho por prazo indeterminado durante todo o período fiscalizado Como citado anteriormente foram encontrados contrato sem vigor desde 2008, prorrogados de forma consecutiva, apontando claramente na direção da necessidade permanente da contratação dos mesmos profissionais comprovando categoricamente, mais uma vez, a não eventualidade Afirma que a onerosidade é expressa pela remuneração do prestador de serviços que é a retribuição ao empregado pela prestação do serviço. Está consubstanciada nos pagamentos efetuados aos profissionais executores dos serviços, os quais são efetuados a cada 15 (quinze) dias nos contratos firmados até 07/2011 e a cada 30 (trinta) dias nos contratos posteriores após 07/2011, mascarados pelas emissão de notas fiscais de prestação de serviços Após discorrer sobre as três esferas em que a subordinação se revela: econômica, hierárquica e jurídica, salienta que: Fl. 14537DF CARF MF Processo nº 15504.720111/201527 Acórdão n.º 2401005.657 S2C4T1 Fl. 6 9 No caso em tela é incontestável a subordinação hierárquica, uma vez que os segurados empregados recebem a determinação da fiscalizada, tanto dos serviços a serem executados quanto do prazo de execução. Os serviços a serem realizados são os contratados com os clientes do sujeito passivo e muitas vezes constam expressamente dos contratos de prestação de serviços firmados com a PARANASA S/A e que mascaram a relação de emprego existente Estes contratos entre a PARANASA e as pessoas jurídicas – PJ, que acobertam a relação laboral, são uniformes, têm o mesmo padrão, conteúdo, cláusulas e outras características. Isto, por si só,já denuncia a subordinação hierárquica, considerando que, no universo de dezenas decontratos, em nenhum deles os contratados tiveram possibilidade de colocar quaisquer particularidades ou especificidades na prestação dos serviços. Apesar da gama variada de serviços prestados, a regra rígida é imposta a todos, pela subordinação a que estão sujeitos Incontestável também a subordinação jurídica: as ordens são expedidas pela PARANASA aos profissionais executores dos serviços, com indicação das atividades a serem executadas que são as previstas nos contratos entre a PARANASA e seus clientes, além das previsões contratuais impostas A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação específica para cada DEBCAD, requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a 4ª Turma da DRJ em Belém/PA entendeu por bem julgar procedente em parte o lançamento, exonerando parte do crédito tributário, por entender que deve ser afastado os levantamentos CA e CT, relativos as cooperativas de trabalho, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão já mencionado. Inconformada com a Decisão recorrida, autuada apresentou Recurso Voluntário (específico para cada DEBCAD), às efls. 13.754/14.525, procurando demonstrar sua improcedência, repisando em número, grau e gênero as razões da impugnação, motivo pelo qual, neste aspecto, adoto o relatório da DRJ, em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, suscita o que segue: Outro motivo que leva a nulidade deste lançamento foi a utilização, pela autoridade fiscal, de documentos que não se referem ao período fiscalizado (01/2010 a 12/2011), o que resulta na alteração da verdade dos fatos objeto da autuação. Ocorreram vários erros na descrição dos fatos que repercutiram sobre o direito de defesa da Impugnante, o que torna o ato nulo, conforme inciso II, art. 59, Decreto 70.235/72. O cerceamento do direito de defesa também ocorreu pela utilização pelo Fisco de provas que não constam do processo administrativo ou sem qualquer comprovação de veracidade, o que viola aos artigos 5º, LV, da Constituição Federal; art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN; art. 333, I, do Código de Fl. 14538DF CARF MF 10 Processo Civil – CPC; artigos 9º e 59, II, do Decreto 70.235/72. O resulta na nulidade do lançamento tributário. A Fiscalização não apresentou todos os contratos firmados pela Interessada o que caracteriza cerceamento do Direito de Defesa, que também estaria configurado pela utilização de documentos inacessíveis à Impugnante como os supostos “contratos padrões”, item 5.5 do Relatório Fiscal, o que torna as afirmações da autoridade autuante genéricas, não passíveis de constatação e macula o lançamento de nulidade, já este deve ser instruídos com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, conforme art. 9º do Decreto 70.235/72. Outra fonte de nulidade do lançamento é a incompetência da agente fiscal para desconsiderar a existência de pessoa jurídica e reconhecer relações de emprego, o que ofende o art. 114 da Constituição Federal; art. 50 do Código Civil; art. 129 da Lei 11.196/05; artigos 142 e 116, parágrafo único, do CTN e o art. 59, I, do Decreto 70.235/72. (...) A competência para desconsideração da personalidade jurídica de empresa prestadora de serviço é competência restrita ao Poder Judiciário. Salienta que o parágrafo único do art. 116 do CTN não permite a desconstrução de pessoas regularmente constituídas que prestaram serviços à Impugnante. (...) Entende a Impugnante que outra nulidade do lançamento decorre da utilização do método de aferição indireta sem que existam parâmetros legais previstos para a apuração de contribuições sociais. Tal procedimento viola aos artigos 33, § 6º da Lei 8.212/91; 3º e 97, IV e 142 do CTN e 150, I, da Constituição Federal. (...) A desconsideração dos valores já recolhidos a título de contribuição social pelas pessoas jurídicas prestadoras de serviço é causa de nulidade do lançamento. Ainda em sede de preliminar alega a impugnante a decadência do lançamento relacionado a fatos geradores ocorridos antes de 06/10/2010, com base no § 4º, art. 150 e 156, V do CTN. Não se aplica para o caso concreto a regra contida no art. 173, I, do CTN, pois não ocorreu nenhuma prática dolosa. Transcritas as preliminares argüidas, passaremos a dispor sobre os fundamentos de mérito, senão vejamos: No mérito sustenta a insubsistência do Auto de Infração, já que o lançamento foi realizado com base em mera presunção, sem elementos de provas capazes de demonstrar, de forma cabal, a existência de relação de emprego. Fl. 14539DF CARF MF Processo nº 15504.720111/201527 Acórdão n.º 2401005.657 S2C4T1 Fl. 7 11 Aduz “que só se estará diante de empregado, se houver inequívoca prova da existência concomitante dos seguintes requisitos: trabalho por pessoa física, pessoalidade, onerosidade, nãoeventualidade e subordinação jurídica. A ausência de provas de tal jaez, mormente presunções destituídas de gravidade, precisão e concordância, são inaptas à demonstração desse estado”. A prestação de serviços por empresas que não possuem folha de pagamento não é suficiente para presumir a prática de “pejotização” por parte da Impugnante. Lembra que mesmo os serviços personalíssimos, nos moldes do art. 129 da Lei 11.196/05, são passíveis de serem prestados através de pessoas jurídicas. Geralmente as empresas contratadas são micro ou pequena empresas, pelas características “desse tipo de sociedade, ressaltese, demonstram que, de fato, é geralmente o próprio sócio que presta, pessoalmente, o serviço contratado”, no entanto, existem outras empresas que não são empresas individuais, em que há sempre a possibilidade da prestadora contratar outros profissionais para a execução dos serviços, subcontratar ou até mesmo que o serviço seja prestado por um dos sócios de empresas compostas por sócios que exercem as mesmas atividades, ou seja, não existem elementos nos autos que comprovem que os serviços foram realizados por supostos empregados da Impugnante. “Daí porque pouco importa o fato de que as pessoas jurídicas não tenham o registro de empregados: os serviços podem ter sido executados por outros de seus sócios ou por outras pessoas jurídicas ou trabalhadores autônomos que contratou”. Uma demonstração da inexistência de “pejotização” é que um grande número de sociedades tem quotistas distintos daqueles indevidamente apontados como empregados com participações societárias relevantes. A adoção de contratos similares decorre da praticidade inerente às relações negociais, o que não enseja natureza empregatícia entre as partes. Diversas empresas que prestaram serviços à Impugnante já existiam em data anterior ao período fiscalizado. São citados alguns empregados da Interessada que concomitantemente são sócios de empresas que prestam serviço a Interessada. A Impugnante não vê nisso nenhuma contrariedade às leis, pelo contrário, a própria ordem constitucional incentiva a valorização do trabalho humano e da livre iniciativa art. 170 da Constituição Federal. Não caracteriza tal fato a pessoalidade, tampouco a evidencia o pagamento de Plano de Assistência Médica da UNIMEDBH às pessoas discriminadas no Relatório Fiscal. "Tratase, na realidade, de mera liberalidade da Impugnante, não existindo Fl. 14540DF CARF MF 12 vedação legal que a obste de agir dessa forma". São transcritos nomes de profissionais beneficiários da liberalidade da empresa que não constam em seu quadro funcional. Por outro lado existem sócios de empresas destacadas pelo Fisco que não são beneficiários do referido Plano de Saúde. O fato de constar a palavra férias no corpo da nota fiscal não prova vínculo empregatício. "Cabe destacar que tais documentos não foram assinados. Na realidade, sequer foi comprovado que o nome do profissional Luiz Fernando Torres que consta no corpo do documento foi escrito por ele próprio". Para demonstrar a inexistência de nãoeventualidade é apresentada uma lista de notas fiscais de "empresas contratadas pela Impugnante, extraídas da própria onde se identificam competências mensais sem prestação de serviços". Em outros casos os serviços foram prestados em curtíssimo prazo, portanto, sem habitualidade. Algumas empresas também prestavam, em menor escala, serviços para outros clientes, fl. 5533. "Os serviços contratados pela Impugnante não correspondem à sua atividadefim". Várias pessoas jurídicas contratadas pela Interessada prestam serviço de natureza distinta da construção civil, fl. 5.536. O que pode ser demonstrado pela própria CNAEFiscal dessas empresas. "Assim, não havendo vedação na legislação pátria à adoção da terceirização, a habitualidade da prestação de serviços de tal natureza, por certo, também não caracteriza eventual relação de emprego". Discorda sobre a caracterização do elemento onerosidade, já que os pagamentos foram realizados em razão da prestação de serviço por pessoa jurídica, portanto, não se trata de complemento de pagamento de salário. "Aliás, é factível que um empregado aceitasse tamanha redução dos seus vencimentos, em alguns casos de mais de 50%?" O valor maior recebido pela empresa contratada, mesmo composta por empregado da Interessada é decorrente do volume de trabalho contratado. Ademais, não há demonstração que os valores pagos às pessoas jurídicas contratadas foram destinadas exclusivamente aos pretensos empregados. (...) Aduz que disposições contratuais que estabelecem as responsabilidades das contratadas, inclusive por eventuais encargos trabalhistas, também demonstram "que a referida empresa provavelmente possui empregados contratados". Alega que a subordinação não foi comprovada. "As empresas que prestaram serviços à Impugnante, de fato se sujeitam a diretrizes por ela traçadas. Porém, não em razão de Fl. 14541DF CARF MF Processo nº 15504.720111/201527 Acórdão n.º 2401005.657 S2C4T1 Fl. 8 13 suposta relação de emprego, envolvendo empregador e empregado. A sujeição decorre exclusivamente dos contratos por elas firmados para a prestação de serviços e das cláusulas neles avençadas e livremente estipuladas pelas partes". "Na realidade, vejase, no presente caso não há subordinação de espécie alguma, seja econômica, hierárquica ou jurídica" fl. 5.562. Salienta que a "Auditora Fiscal não comprovou no Relatório Fiscal a presença de qualquer um dos profissionais tidos por ela como empregados no Registro Eletrônico de Pontos da Impugnante no período fiscalizado". Entende a Impugnante que a apuração do crédito tributário não poderia ter sido realizada por meio de aferição indireta, “posto não observados os requisitos dos artigos 148 do CTN e 33, §§ 3o e 6o, da Lei n° 8.212/1991”. (...) Requer a Impugnante que se proceda a dedução no crédito tributário lançado dos tributos já recolhidos pelas empresas que prestaram serviços à Impugnante. Alega que, “nos termos do relatório fiscal da presente atuação, exigese contribuições sociais incidentes sobre verbas pagas a título de abono, ajuda de custo e Participação nos Lucros e Resultados (PLR)”. Como essas verbas não têm natureza remuneratória, sobre elas não deve incidir Contribuições Previdenciárias, conforme normas contidas no § 9º, art. 28 da Lei 8.212/91. “Quanto ao denominado Abono de Obra 251, cumpre salientar, inicialmente, que a nomenclatura utilizada encontrase equivocada, tratandose, na realidade, de verba paga a título de gratificação por produtividade”. Defende a não incidência de contribuições sociais sobre a ajuda de custo regional em razão da natureza indenizatória desta verba, conforme alínea “g”, § 9º, art. 28 da Lei 8.212/91 e art. 470 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT. Observa que o fato de não ter sido paga em parcela única não descaracteriza sua natureza indenizatória. Observa que foram realizados pagamentos a título de Participação nos Lucros e Resultados uma única vez nos exercícios de 2010 e 2011, tal como admite o art. 3º, § 2º da Lei 10.101/2000. E mesmo que,[...] “não se reconheça que a Impugnante pagou a aludida verba nos exatos termos da Lei n° 10.101/2000, então, indubitavelmente, tal verba deve ser compreendida como gratificação ou premiação, paga pela Impugnante de forma eventual”. Fl. 14542DF CARF MF 14 Considera ilegal a exigência de contribuições sociais sobre valores identificados como adiantamentos de 13º salário no pagamento de rescisões de contrato de trabalho, uma vez “que a impugnante procedeu tal como determina a lei, recolhendo as apontadas contribuições previdenciárias sobre a totalidade de sua base de cálculo”, nos termos dos §§ 6º e 7º do Decreto 3.048/99. A Interessada também considera ilegal a qualificação da multa aplicada, pois o dolo não foi demonstrado de forma cabal Aduz que o próprio Fisco ao realizar os Autos de Infração 51.071.5583 (deixar de preparar folha de pagamento) e 51.071.5591 (deixar de arrecadar as contribuições dos segurados empregados) compreendeu que tais infrações não foram realizadas com dolo. Por outro lado aplica a multa qualificada. Neste caso, se há dúvidas deve ser aplicado o art. 112 do CTN. Defende a inaplicabilidade da Taxa Selic como fator de juros de mora, “posto possuir natureza notoriamente remuneratória e, não, moratória, e em razão da patente afronta aos princípios legalidade, indelegabilidade da competência tributária, da anterioridade e da segurança jurídica”. Resumidamente, a recorrente requer: a) A nulidade do lançamento; b) decadência do lançamento referente aos fatos geradores ocorridos até o dia 06/10/2010. Em caráter subsidiário: c) A apuração das contribuições sociais de acordo com os profissionais que executaram as atividades ou, subsidiariamente, segundo a participação dos sócios nas respectivas pessoas jurídicas; d) A dedução de todos os valores pagos a título de tributos federais pelas empresas que prestaram serviços à Impugnante; e) A exclusão dos juros e da multa imposta, com esteio no artigo 44, inciso I e § 1o, da Lei n° 9.430/1996, conforme autoriza o artigo 100, inciso III e parágrafo único do Código Tributário Nacional. f) Redução da multa para 75%, ante a ausência de dolo. As teses da defesa expressas nos Recursos referentes aos Autos de Infração 51.071.5567 e 51.071.5575 estão incluídas no Recurso ao Auto de Infração 51.071.5559, anteriormente relatado. Em relação aos Autos de Infração 51.071.5583 e 51.071.5591 a recorrente sustenta que a folha foi elaborada de forma adequada, dada a inexistência de relação trabalhista entre as sociedades prestadoras de serviços e a contribuinte, conforme argumentação apresentada por ocasião da defesa ao Auto de Infração 51.071.5559. “Ante a manifesta dúvida quanto á ocorrência de fato ilícito, há de se atender ao comando do artigo 112, inciso II, do Fl. 14543DF CARF MF Processo nº 15504.720111/201527 Acórdão n.º 2401005.657 S2C4T1 Fl. 9 15 CTN, desonerandose a Recorrente da sanção lhe imposta por suposto descumprimento de obrigação acessória”. No que diz respeito ao Auto de Infração 51.082.2860 aduz a Interessada que a penalidade é ilegal, pois, a documentação apresentada pela impugnante foi suficiente para a realização do trabalho fiscal, tanto é assim que foram realizados vários lançamentos relacionados às contribuições sociais. Ademais a multa aplicada é incontestavelmente confiscatória e não razoável, em razão disso o presente lançamento deve ser julgado improcedente. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. DELIMITAÇÃO DA LIDE Preambularmente cabe estabelecer o correto balizamento da presente lide. Para que seja caracterizado o litígio é necessário que a pretensão da Administração Tributária, consubstanciada nos Autos de Infração, seja resistida pela Recorrente. Sem resistência expressa não há que se falar em matéria litigiosa, conforme se depreende do Decreto 70.235/72. Conforme observado pela autoridade julgadora de primeira instância, a recorrente reconhece, ainda durante a ação fiscal, a ocorrência de diversos equívocos e por ocasião da Impugnação quedouse silente sobre os seguinte levantamentos: EG (ESTABILIDADE OBRA GERDAU); PE (PERICULOSIDADE); DH (DIFERENÇAS DE HORAS); NA (ADICIONAL NOTURNO); HE (INTEGRAÇÃO HORAS EXTRAS – FÉRIAS). Em seu Recurso Voluntário, insurgese quanto a impossibilidade da cobrança dos valores alusivos aos levantamentos encimados, por restar discutindo a nulidade e a decadência do lançamento, ou seja, abarcando a totalidade das rubricas. Quanto ao argumento encimado, cabe a DRF de origem observar a inexigibilidade do crédito apartado, uma vez que está sendo discutido a validade do lançamento, bem como uma eventual decadência. Da mesma forma não iremos nos posicionar acerca dos levantamentos referentes as cooperativas de trabalho (CA e CT COOPERATIVAS DE TRABALHO), por terem sidos excluídos pela decisão de piso. PRELIMINARES NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA A contribuinte preliminarmente alega a ocorrência de cerceamento do direito de defesa, pugnando pela nulidade dos lançamentos. Fl. 14544DF CARF MF 16 Em que pesem as razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que os lançamentos, corroborados pela decisão recorrida, apresentamse formalmente incensuráveis, devendo ser mantidos em sua plenitude. Resta evidenciada a legitimidade da ação fiscal que deu ensejo ao presente lançamento, cabendo ressaltar que tratase de procedimento de natureza indeclinável para o Agente Fiscalizador, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação de penalidade cabível. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com os presentes lançamentos. A simples leitura dos anexos das autuações, especialmente o “Fundamentos Legais do Débito – FLD”, Relatório Fiscal e demais informações fiscais, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção dos lançamentos. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover os lançamentos demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhes suportaram, ou melhor, os fatos geradores do crédito tributário, não se cogitando na nulidade dos procedimentos. Vale salientar ainda que a contribuinte escreveu mais de 600 páginas de recursos para contestar dos Autos de Infração que compõem este processo, o que nos levar a crer que a descrição dos fatos, os relatórios, anexos e demais documentos que instruem o processo, permitiram a interessada a entender, completamente, os Autos, conforme demonstrado pelas extensas defesas. Ademais, não se pode perder de vista o iter processual. Na seara administrativa não é apropriado falar em cerceamento do direito de defesa na fase anterior ao lançamento, pois só após a Impugnação tempestiva é que se inaugura a fase litigiosa. É neste estágio que incidem as garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa, visto que esses princípios, nos termos da Constituição Federal, aplicamse aos litigantes, no marco de um processo administrativo ou judicial. O fato de o Fisco não apresentar “no lançamento os contratos de prestações de serviços” de três empresas constantes na Impugnação, fl. 5.466, in fine, certamente não caracteriza cerceamento do direito de defesa, primeiro, não houve a demonstração de que isso poderia alterar o lançamento, segundo, a análise dos contratos serviu para comprovar que eles seguiam um padrão, para isso não se fez necessário a totalidade dos contratos, bastando uma grande parte deles, fl. 2.144. Também não se pode perder de vista, que apesar de solicitada a apresentação de todos os contratos, a Interessada não cumpriu completamente seu dever de colaboração, daí a necessidade de circularização, que agregou, inclusive, informações negadas pela Interessada, conforme relatado na peça fiscal, fl. 131: Em 22/09/2015, em resposta ao TIF04, a autuada declarou que no período fiscalizado não existe contrato de prestação de Fl. 14545DF CARF MF Processo nº 15504.720111/201527 Acórdão n.º 2401005.657 S2C4T1 Fl. 10 17 serviços firmado com a empresa RS MECANIZAÇÃO LTDA. Após a prestadora de serviços ser intimada a apresentar o contrato firmado com a PARANASA, em 06/04/2015, a autuada apresentou 2 (dois) contratos de prestação de serviços firmados em 12/01/2010 e 04/01/2011. Mais a mais, a exemplo da defesa inaugural, a contribuinte não trouxe qualquer elemento de prova capaz de comprovar que os lançamentos encontramse maculados por vício em sua formalidade, escorando seu pleito em simples arrazoado desprovido de demonstração do sustentado. Diante desse arcabouço jurídico, repetido a exaustão no meio jurídico, sobre a competência do AuditorFiscal para constituir o crédito tributário por meio do lançamento e da ausência de cerceamento do direito de defesa, afastamse as preliminares de nulidade dos lançamentos analisados neste processo. NULIDADE INCOMPETÊNCIA DO AGENTE FISCAL PARA DESCONSIDERAR A EXISTÊNCIA DE PESSOA JURÍDICA E RECONHECER RELAÇÕES DE EMPREGO A recorrente argumenta sobre a incompetência dos AuditoresFiscais de caracterizar a relação laborativa, pois tal competência seria da Justiça do Trabalho. Da mesma forma do tópico anterior, tal argumento não deve prosperar, senão vejamos. Temse que a competência da Justiça do Trabalho para o reconhecimento da relação de emprego, prevista no artigo 114 da Constituição, não exclui a competência dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil para a constituição dos créditos tributários relativos às contribuições previdenciárias decorrentes do devido enquadramento do segurado da Previdência Social. Ademais, o reconhecimento do vínculo, tem a finalidade de apurar corretamente as contribuições previdenciárias devidas, todos esses atos estão na abrangência da competência dos Auditores Fiscais, inclusive no que diz respeito à obediência de normas, como a contida no parágrafo único do art. 116 do CTN, já que presentes os elementos caracterizadores da relação de emprego. Na esfera administrativa não há exceção à regra de fazer o que determina as normas presumidamente constitucionais, elas têm força vinculante na base administrativa do Poder Executivo, como por exemplo, a contida no artigo 229, parágrafo 2º, do RPS, na redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29 de novembro de 1999: Art. 229. (...) (...) § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (g.n.) Dito isto, afasto a preliminar suscitada. NULIDADE UTILIZAÇÃO DE AFERIÇÃO INDIRETA A recorrente, ainda em sede de preliminar, pugna pela nulidade do lançamento em razão da utilização da técnica de aferição indireta sem padrões estabelecidos Fl. 14546DF CARF MF 18 em lei como ocorre com o Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Pois bem. A fundamentação legal para o procedimento adotado Aferição Indireta encontrase na no artigo 33, §§ 3º e 6º da Lei nº 8.212/91. Confirase: art. 33: Parágrafo 3° Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Departamento da Receita Federal (DRF) podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. No caso concreto, o motivo que ensejou a aferição indireta foi a não entrega de documentos solicitados pela fiscalização, com permissão estampada no dispositivo encimado, além de valores não declarados em GFIP e folha de pagamento. O critério utilizado está descrito no Relatório Fiscal e os valores lançados, mês a mês, estão nos anexos. Esta transparência permite o exercício do direito à ampla defesa, inclusive para demonstrar, por meio de provas hábeis e idôneas, que os valores lançados deveriam ser outros, por exemplo. Assim, afastase a preliminar de nulidade pela utilização da técnica de aferição indireta e no mérito será analisada a procedência ou não desta parcela do lançamento. DEMAIS ASPECTOS PRELIMINARES No que diz respeito a preliminar sobre a nulidade do lançamento por ofensa ao art. 19, § 4º da Lei 10.522/2002 e do Ato Declaratório da RFB nº 05/2015 e da Nota PGFN nº 174/2015, assim também como a valoração das provas apresentadas pelas partes, serão analisadas em sede de mérito, pois com este se confunde. A não compensação de valores eventualmente recolhidos a título contribuições previdenciárias pelas pessoas jurídicas prestadoras de serviço não nulifica o lançamento, pois, além de se tratar de pessoas diferentes, os lançamentos estão relacionados a valores não declarados em GFIP, adicionais a esses. Por oportuno, destacase a existência da vedação normativa contida no § 6º do art. 56, Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012: Art. 56. O sujeito passivo que apurar crédito relativo às contribuições previdenciárias previstas nas alíneas “a” a “d” do inciso I do parágrafo único do art. 1º, passível de restituição ou de reembolso, inclusive o crédito relativo à Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), poderá utilizálo na compensação de contribuições previdenciárias correspondentes a períodos subseqüentes. § 6º É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 2006, e o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Fl. 14547DF CARF MF Processo nº 15504.720111/201527 Acórdão n.º 2401005.657 S2C4T1 Fl. 11 19 Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), instituído pela Lei nº9.317, de 5 de dezembro de 1996. Também não nulifica o lançamento o exame, durante a ação fiscal, de documentos anteriores ao período lançado. Tampouco provoca nulidade a eventual ausência de documentos produzidos pela própria recorrente. No mérito serão analisadas as ocorrências dos fatos geradores das contribuições lançadas ou a natureza jurídica das verbas pagas, se remuneratórias ou indenizatórias e seus lastros probatórios, entre outros elementos de compõem os Autos de Infração litigiosos. As alegações de nulidade sustentadas na inconstitucionalidade ou ilegalidade de normas que fundamentaram os lançamentos realizados não terão o condão de nulificar os Autos ou algumas de suas partes, uma vez que o julgador administrativo não tem competência para afastar normas presumidamente constitucionais, essa atribuição foi reservada, pelo nosso ordenamento jurídico, ao Poder Judiciário, conforme será visto, com mais detalhes, por ocasião da análise das multas aplicadas. Dito isto, em análise atenta aos Autos de Infração em questão, notase claramente que encontramse dentro das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com a legislação vigente. Portanto, afasto as preliminares clamadas. Em relação a alegada decadência, será tratada posteriormente, após discutida a qualificação da multa. MÉRITO CARACTERIZAÇÃO DA RELAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS (PEJOTIZAÇÃO) Questão central na solução do presente litígio repousa na verificação da existência ou não de elementos fáticos e jurídicos suficientes para caracterizar a contratação de empregados sob a roupagem de pessoas jurídicas ou da utilização de pessoas jurídicas para complementação da remuneração de empregados com cargos gerenciais, segundo relato pela autoridade autuante: Na grande maioria destes casos, estes empregados constavam no quadro funcional da autuada desempenhando cargos gerenciais com salários compatíveis com as funções exercidas. Após sua demissão do quadro de empregados estes segurados passaram a receber sua remuneração através da emissão de notas fiscais de serviços e posteriormente foram readmitidos com salário irrisório geralmente no valor do piso mínimo nacional correspondente a R$510,00 (quinhentos e dez reais) em 2010 e R$545,00 (quinhentos e quarenta e cinco reais) em 2011 e continuando sendo remunerados também através da emissão de notas fiscais de serviços Por sua vez a recorrente sustenta a insubsistência dos Autos de Infração, já que os lançamentos foram realizados com base em mera presunção, sem elementos de provas capazes de demonstrar, de forma cabal, a existência de relação de emprego. Inobstante os argumentos da recorrente contra referido procedimento levado a efeito na constituição do crédito tributário ora exigido, a legislação previdenciária, por meio do artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, impôs ao Auditor Fiscal a obrigação de considerar os contribuintes individuais Fl. 14548DF CARF MF 20 (autônomos) ou outros prestadores de serviços pessoas jurídicas como segurados empregados, quando verificados os requisitos legais, in verbis: Art. 229. [...] § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social, constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inc. I «caput» do art.9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado Verificase do artigo supracitado, que o legislador ao mencionar “ [...] ou sob qualquer outra denominação [...]”, deu margem a desconsideração da personalidade jurídica de empresas, quando constatados os pressupostos para tanto, tal como procedeu o Auditor Fiscal na presente demanda. Mais a mais, esse procedimento também encontra respaldo no Parecer/MPAS/CJ nº 1652/99 c/c Parecer/MPAS/CJ nº 299/95, os quais apesar de não vincularem este Colegiado, tratam da matéria com muita propriedade, com as seguintes ementas: EMENTA PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO – VÍNCULO EMPREGATÍCIO– DESCARACTERIZAÇÃO DE MICROEMPRESÁRIOS. 1. A descaracterização de microempresários, pessoas físicas, em empregados é perfeitamente possível se verificada a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e o tido “microempresário. EMENTA Débito previdenciário. Avocatória. Segurados empregados indevidamente caracterizados como autônomos. Procedente a NFLD emitida pela fiscalização do INSS. Revogação do Acórdão nº 671/94 da 2ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, que decidiu contrariamente a esse entendimento. Ainda a respeito do tema, cumpre transcrever o artigo 12, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, e o artigo 3º da CLT, que assim estabelecem: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas? I – como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado;” Art. 3º. Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Assim, constatados todos os requisitos necessários à caracterização da relação laboral entre o suposto tomador de serviços com os tidos prestadores de serviços (pessoas jurídicas), a autoridade administrativa, de conformidade com os dispositivos legais encimados, tem a obrigação de caracterizar como segurado empregado qualquer trabalhador Fl. 14549DF CARF MF Processo nº 15504.720111/201527 Acórdão n.º 2401005.657 S2C4T1 Fl. 12 21 que preste serviço ao contribuinte nestas condições, fazendo incidir, conseqüentemente, as contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas ou creditadas em favor daqueles. Entrementes, não basta que a autoridade lançadora inscreva no Relatório Fiscal da Notificação tais requisitos, quais sejam, subordinação, remuneração, pessoalidade e não eventualidade. Deve, em verdade, deixar explicitamente comprovada a existência dos pressupostos legais da relação empregatícia, sob pena de improcedência do lançamento por ausência de comprovação do fato gerador do tributo, e cerceamento do direito de defesa do contribuinte. É o que determina o artigo 37 da Lei nº 8.212/91, nos seguintes termos: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. (g.n.) No mesmo sentido, o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao atribuir a competência privativa do lançamento à autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa atividade o fiscal autuante descreva e comprove a ocorrência do fato gerador do tributo lançado, como segue: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível Na hipótese dos autos, a ilustre autoridade lançadora, ao proceder a caracterização dos prestadores de serviços (sócios das pessoas jurídicas desconsideradas) como segurados empregados, foi muito feliz em sua empreitada, demonstrando e comprovando, no entendimento deste Conselheiro, os requisitos legais necessários à configuração do vínculo, como passaremos a demonstrar. Assevera o setor fiscal que da análise dos contratos de prestação de serviço fica demonstrado a subordinação imposta aos contratados: “tratam com pluralidade todos os prestadores de serviços simultaneamente, subordinandoos pelo geral por um único comando”. É cediço que a rotina comercial se caracteriza pela autonomia da contratada para realizar o objeto do contrato, com preço que engloba o conjunto do serviço contratado, inclusive das pequenas despesas. No entanto, os contratos demonstram outra realidade, pois carregam dispositivos que evidenciam uma relação de subordinação. Com a prática cotidiana de formação de juízos particulares acerca de cada despesa, se seria ou não autorizada. Até mesmo despesas com material de expediente ou de viagens da empresa contratada necessitaria de autorização da Interessada, conforme exsurge da leitura de certas condições complementares, por exemplo, na fl. 1.210, in fine, ou descrito na peça fiscal, item 4.7.11: Fl. 14550DF CARF MF 22 7.3 – As despesas administrativas tais como: taxas, fotocópias, fax, impressões, telefonemas, certidões, correios, deslocamento, hospedagem e quaisquer outras, desde que comprovadas e autorizadas pela CONTRATANTE, para a prestação dos serviços aqui contratados, serão reembolsadas, à medida que forem sendo realizadas, mediante requisição da CONTRATADA devidamente acompanhada da documentação comprobatória Outros fatos apresentados dão relevância a tese da autoridade fiscal: Muitas das empresas contratadas foram constituídas em datas próximas à data de assinatura dos contratos de prestação de serviços. Em regra as notas fiscais foram emitidas com numeração seqüencial, posicionando a Interessada como tomadora dos serviços. Empresas com o domicílio fiscal idêntico da Impugnante ou do mesmo escritório que prestavam serviços de auditoria à Impugnante e a outras empresas contratadas, inclusive há provas nos autos que o sócioadministrador desse escritório, CONTAC, era beneficiário do Plano de Saúde UNIMEDBH da Interessada, assim como alguns exempregados que constituíram empresas, como exemplo, o segurado Marco Antônio Dutra de Carvalho, no período de 01/07/2009 a 02/02/2011. Esse mesmo segurado, citado no final do parágrafo anterior, prestou serviços à Impugnante no período de 03/04/2006 a 01/07/2009, com salário, no mês da rescisão, de R$ 4.800,00. Um mês antes de rescindir o contrato de trabalho com a Interessada, ele constituiu a empresa Amazonas Engenharia e Consultoria Ltda, em 01/06/2009, conforme comprovante de inscrição no CNPJ. Agora, enquanto empresa, continuou a prestar serviços para a Impugnante com remuneração por meio de notas fiscais da Amazonas Engenharia e Consultoria Ltda. Em 02/02/2011 o segurado foi readmitido, agora com salário de 606,00 um pouco maior que o salário mínimo vigente à época e simultaneamente recebia por meio das notas fiscais emitidas por sua empresa Amazonas Engenharia e Consultoria Ltda. Tais fatos, analisados em conjunto, evidenciam uma opção consciente da Interessada em reduzir o pagamento das contribuições sociais, com redução substancial da base de cálculo, ao mesmo tempo em que demonstram a existência de todos os elementos que compõem a relação de emprego, mormente, a subordinação e a pessoalidade. Como se não bastasse os fatos que convergem para essa relação de subordinação mesmo sobre o manto da remuneração à pessoa jurídica, ainda assim, optaram por readmitir o segurado com salário irrisório, aproximadamente 8 (oito) vezes menor do que ele recebia há um ano e meio atrás, o que deixa muito claro a presença de todos os elementos que o caracteriza como empregado, pois se trata da mesma pessoa, sócia da empresa Amazonas Engenharia e Consultoria Ltda. Esta sistemática de criação de empresas por empregados da Interessada, meses antes de rescindir o contrato e depois continuar prestando serviços à Impugnante, para posteriormente ser readmitido com salários irrisórios era uma prática comum no período fiscalizada, tal fato também aconteceu com o engenheiro Anderson José Azevedo Dias, que constituiu a empresa Azevedo Dias Consultoria Ltda dois meses antes da rescisão de seu contrato de trabalho, depois, mesmo desligado, exerceu a função de fiscal de contrato e em 22/11/2010 é readmitido com o salário irrisório para um engenheiro, R$ 515,00 (quinhentos e quinze reais), aproximadamente 15 (quinze) vezes menos do que recebia antes da rescisão, o que por certo, reduziu em muito as contribuições sociais quem têm como base de cálculo a remuneração recebida. Este padrão é o que prevalece, para citar apenas mais um exemplo, já que o Relatório Fiscal narra a situação fática de 58 (cinqüenta e oito) segurados empregados remunerados por meio de notas fiscais, fls. 102/206 e seguintes. O segurado Luiz Carlos de Faria Rios ganhava R$ 8.200,00. Um mês antes de rescindir seu contrato de trabalho constituiu Fl. 14551DF CARF MF Processo nº 15504.720111/201527 Acórdão n.º 2401005.657 S2C4T1 Fl. 13 23 a empresa Chabude Consultoria Ltda. Mesmo desligado do quadro funcional da empresa, representava a Interessada como gerente de contrato e continuava na condição de beneficiário de Plano de Saúde da UNIMEDBH. Foi readmito em 03/01/2011 com a função de Coordenador de Projetos com um salário de R$ 600,00 (seiscentos reais), salário incompatível com a função exercida. Por oportuno se observa que as informações recolhidas na internet, sobre o histórico profissional deste segurado, que exerceu a função de gerente de contratos na Paranasa, no período de 2005 a janeiro de 2014, estão no mesmo sentido dos contratos assinados sobre um carimbo de gerente de contratos. De início, impede esclarecer que não entendemos que a amostragem encimada, por si só, teria o condão de ensejar a configuração da relação laboral entre a autuada e os prestadores de serviços, mas sim são fortes indícios. Mais a mais, cabe ao fiscal autuante, a partir dos elementos disponibilizados a ele no decorrer da ação fiscal, motivar e comprovar a existência dos pressupostos da relação empregatícia entre os prestadores de serviços e a contratante. Foi exatamente como procedeu a fiscalização na hipótese dos autos, trouxe à colação diversos outros elementos que comprovam serem os prestadores de serviços, de fato e de direito, segurados empregados da recorrente, o que justifica a desconsideração da personalidade jurídica daquelas empresas, na forma que conduziu o Fisco. Em outras palavras, reuniu vários indícios para concluir que as empresas prestadoras de serviços, em verdade, deveriam ser desconsideradas para fins de caracterização de seus sócios como prestadores de serviços da autuada, senão vejamos: Para melhor compreensão, analisaremos os requisitos da pessoalidade, onerosidade, nãoeventualidade e subordinação. Por muito bem analisar as alegações suscitadas pela autuada e documentos acostados aos autos acerca dos requisitos da pessoalidade, onerosidade, nãoeventualidade e subordinação, peço vênia para transcrever excertos da decisão recorrida e adotálos como razões de decidir, in verbis: Em relação à pessoalidade a Impugnante entende que o fato de a prestação de serviços por empresas que não possuem empregados não permite concluir que ocorreram “pejotizações”, uma vez que o art. 129 da Lei 11.196/2005 deixa claro que a prestação de serviços intelectuais “são passíveis de serem prestados através de pessoas jurídicas”. Referidas empresas por sua natureza intelectual não demanda grandes estruturas, em razão disso umas funcionam no “endereço de residência dos próprios sócios, como é o caso da empresa SR INFORTRAB Ltda ou, por uma questão formal, do escritório de contabilidade que lhes presta serviços”. Anuncia a Impugnante, que não teve ciência do registro de empresas em seu próprio endereço. No contexto dos fatos levantados, não é desprezível a constatação de que algumas empresas possuíam o mesmo domicílio tributário da Impugnante ou de seu escritório de contabilidade. Normalmente o domicílio tributário das “pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à Fl. 14552DF CARF MF 24 obrigação, o de cada estabelecimento”, como sugere o art. 127 do CTN. Essas opções atípicas ao mundo empresarial, de coincidência de domicílio tributário, reforçam a tese do Setor Fiscal. Observase que a denominada “pejotização” não abarcou apenas serviços intelectuais. Tampouco é apropriado afirmar que o trabalho intelectual é incompatível com a relação de emprego. Podese enquadrar como típico empregado o prestador de serviços intelectuais, que, mesmo tendo relativo controle do seu trabalho ou com conhecimento para prestálo de modo auto suficiente, esteja inserido na cadeia produtiva sobre o comando cotidiano de seu tomador. O art. 129 da Lei nº 11.196/2005 não pode ser interpretado como uma possibilidade de as partes transformarem artificialmente uma relação de emprego (na qual estão presentes a pessoalidade, onerosidade, não eventualidade e subordinação) em algum outro tipo de relação jurídica, com base apenas na utilização de uma pessoa jurídica para formalização do contrato. No trato jurídico das relações de trabalho impera o princípio da primazia da realidade, devendo a verdade fática prevalecer sempre sobre as formas jurídicas adotadas. Neste passo, concluise que o art. 129 da Lei 11.196/2005 não configura óbice ao enquadramento dos prestadores de serviços como segurados empregados para fins de apuração das contribuições previdenciárias e das contribuições destinadas a outras entidades e fundos. Esse enquadramento deve ser efetuado sempre que restar contatado que a prestação de serviços, a despeito de ter sido formalmente contratada com uma pessoa jurídica, ostenta de fato os elementos essenciais da relação de emprego previstos no art. 3º da CLT e no art. 12, I, “a”, da Lei 8.212/917. Observase que alegações desacompanhadas de provas não têm o condão de alterar os lançamentos realizados, ainda mais quando as provas são fáceis de produzir, como por exemplo, quem efetivamente prestou serviços à Interessada? Quais dos sócios, com idêntica ou distinta formação ou foi prestada por terceiros conforme alegado na Impugnação? A simples cogitação da possibilidade que eventual serviço poderia ter sido realizado por terceiros, não prova que foi realizado por terceiros, ainda mais que as empresas contratadas não possuíam empregados, portanto, sem provas em contrário não há porque descaracteriza a pessoalidade, já que o conjunto de provas converge para isso. Tampouco descaracteriza a pessoalidade se a data da constituição da empresa for anterior ao período fiscalizado, isso pode demonstrar, entre outras coisas, que a prática de “pejotização” era anterior ao período fiscalizado. No caso concreto o recorte fático a ser valorado está adstrito ao período dos lançamentos tributários. A Interessada discorda “que a pessoalidade estaria evidenciada, também, nas hipóteses em que o sócio da empresa prestadora de serviços compõe, concomitantemente, o quadro de funcionários da Impugnante”. Para ela este fato é parte da liberdade de contratar e da política de valorização de profissionais Fl. 14553DF CARF MF Processo nº 15504.720111/201527 Acórdão n.º 2401005.657 S2C4T1 Fl. 14 25 especializados. No entanto, não é esta a conclusão adotada no presente voto, pois a contratação por salários irrisórios, como citado anteriormente, não expressa nenhum tipo de valorização desses profissionais, pelo contrário. A argumentação da “valorização dos profissionais de elevada expertise” aproxima em muito dos argumentos apresentados pela fiscalização, de que a grande parte da remuneração desses empregados é realizada por meio de notas fiscais expedidas por empresas contratadas, cujos sócios ostenta a condição de empregados legalmente subordinados a Paranasa. A argumentação de que na realidade trata de mera liberalidade da Impugnante o pagamento de plano de assistência médica da UNIMEDBH a segurados não empregados8 ou desligados do quadro de empregados da autuada não só não afasta a pessoalidade como a reforça. Não é demais salientar que este comportamento destoa do padrão de mercado: a contratação de empresa para prestação de serviço e como ato de liberalidade a empresa contratante concede a sócio da empresa contratada um plano de assistência médica. Assim, temse que esses pagamentos são também provas de uma relação de caráter pessoal entre os sócios da empresas contratadas, beneficiários desse plano de assistência médica, e a Impugnante. Não é demais observar que para fazer parte do lançamento tributário o critério não foi apenas ser ou não beneficiário do plano de assistência médica da UNIMEDBH da Interessada, no entanto, para aqueles segurados incluídos nos lançamentos o fato de ser beneficiário deste plano em períodos em que se encontravam desligados do quadro de empregados da autuada, assume relevância, mormente para reforçar o critério da pessoalidade, no marco de uma efetiva relação de emprego. Também é relevante para a análise da pessoalidade a informação retirada “do Razão contábil dos contratados, que as Notas Fiscais emitidas seguiam uma seqüência numérica ininterrupta, indicando que a prestação de serviço se dava de forma exclusiva à PARANASA”. Temse, então, um quadro atípico, em termos de mercado. Um conjunto de empresas contratadas, sem empregados, que prestam serviços exclusivamente para a Impugnante, por meio de seus sócios. Muitos dos quais também empregados da PARANASA com salários irrisórios. O fato de as empresas contratadas não possuírem empregados reforça a caracterização da pessoalidade. A necessidade de contratar uma pessoa jurídica é justamente para evitar a pessoalidade. Contratase uma empresa especializada em determinada atividade, que pode ser prestada por qualquer um de seus funcionários. Se um trabalhador estiver impedido de trabalhar outro é colocado em seu lugar. Já, no caso concreto, não há empregados, os serviços são prestados sempre pela pessoa do sócio, em uma relação intuitu personae. O contrato era assinado visando o trabalho a ser realizado pela pessoa do sócio. A pessoalidade também se revelava na contratação de empresas de empregado remunerados, bem abaixo dos valores correspondentes as suas atribuições. A pessoalidade já estava Fl. 14554DF CARF MF 26 estabelecida, a pessoa jurídica tinha como objetivo principal a complementação da remuneração, sem incidência de Contribuições Previdenciárias e de Terceiros. A nãoeventualidade é caracterizada pela prestação dos serviços com habitualidade, de forma contínua e integrada aos fins sociais desenvolvidos pela empresa, neste sentido é o disposto no § 4º, art. 9º, Decreto 3.048, de 6 de maio de 1999: “Entendese por serviço prestado em caráter não eventual aquele relacionado direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa”. No caso concreto, além da habitualidade na expedição mensal de notas fiscais seqüenciais, observase a renovação sucessiva dos contratos, no período fiscalizado, demonstra a necessidade permanente desses profissionais e a não eventualidade dos serviços por eles prestados. Segundo o Setor Fiscal “foram encontrados contratos em vigor desde 2008, prorrogados de forma consecutiva”. Com o objetivo de descaracterizar a nãoeventualidade a Impugnante elabora uma planilha composta por uma relação de empresas prestadoras de serviço que em alguns meses não emitiram notas fiscais. No entanto, não se pode tomar como sinônimo a prestação de serviço e sua, respectiva, remuneração. Observase que, regra geral, quando não há emissão de nota fiscal para algum mês, no antecedente ou no conseqüente, há uma compensação, com emissão de mais notas fiscais ou com valores superiores. Ademais, notase que boa parte das empresas contratadas, citadas na tabela impugnatória, deixaram de emitir nota fiscal para uma única competência. Considerando a relação de pessoalidade, anteriormente confirmada, podese concluir que se trata de período de férias, o que só reforça a tese da nãoeventualidade, no marco de uma relação de emprego. Da mesma, entendese que não é suficiente para descaracterizar a nãoeventualidade o fato de determinadas empresas prestarem serviços por meio de seus sócios por um curto espaço de tempo, durante o período fiscalizado. O tempo de duração de um contrato de trabalho, não retira dele seus elementos caracterizadores, tal como a nãoeventualidade. A Interessada apresenta outra planilha com o escopo de desconstruir a caracterização da nãoeventualidade na prestação de serviço pelos sócios da empresas contratadas, para isso ela cita algumas empresas que prestaram serviços para outros destinatários diferentes da PARANASA. No entanto, a maioria das notas de prestação de serviço foi emitida em períodos diferentes do fiscalizado. Por exemplo, a empresa Warranty Consultoria e Engenharia Ltda, na tabela esta relatado que as notas se referem às competências: 01/2014; 08/2013; 03/2008; 04/2008; 07/2008; 06/2009; 10/2009 e 02/2010. As sete primeiras notas estão fora do período do lançamento e a última, fora do período do lançamento para esta empresa contratada, com notas emitidas a partir de 07/2010, ou seja, de uma realidade distinta da constituída nos lançamentos tributários sob exame. Ao mesmo tempo, não há nenhuma dúvida que a grande maioria das notas foram emitidas de forma seqüencial, tendo como destinatário a PARANASA. Neste contexto, entendese que uma ou outra nota fiscal emitida para outro destinatário que não seja a Interessada não descaracteriza a nãoeventualidade, entendida no sentido do disposto no § 4º, Fl. 14555DF CARF MF Processo nº 15504.720111/201527 Acórdão n.º 2401005.657 S2C4T1 Fl. 15 27 art. 9º, Decreto 3.048, de 6 de maio de 1999: “Entendese por serviço prestado em caráter não eventual aquele relacionado direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa”. Temse que a simples denominação de atividade de consultoria ou assessoria, desacompanhada de provas da atividade efetivamente prestada no cotidiano da empresa, não é suficiente para comprovar que não se trata de serviço não eventual relacionado diretamente ou indiretamente com as atividades normais da Interessada. Observase que apesar do olhar mais atento e de forma segmentada a cada um dos requisitos caracterizadores da relação de emprego, eles serão valorados em conjunto com outros elementos retratados nos autos, como por exemplo, o fato de o sócio da empresa Impacto Consultoria Assessoria e Representações Ltda, citado na referida planilha, o Segurado Marcelo Alvim Cândido de Oliveira, constar como beneficiário do Plano de Saúde UNIMED, da Interessada, no período de 01/12/2000 a 30/04/2013, no qual está incluído as competências lançadas, além de constar no histórico de diversos lançamentos contábeis9 a referência a desconto consignado. Nessa freqüência o termo Férias entre parênteses escrito a caneta em cima do carimbo que faz referência ao centro de custo na Nota Fiscal nº 2011/10 é mais um indício que somado a outros como os constantes em páginas da internet onde os segurados são declarados como empregados da PARANASA convergem para a configuração de um planejamento tributário que visava reduzir o pagamento de Contribuições Previdenciárias e para outras entidades e fundos por meio de empresas contratadas com remuneração por notas fiscais de serviço. Observase que não há como não considerar afirmações feitas pela própria empresa, em sua página na internet declarando que alguns sócios das contratadas são seus empregados, e. g., fls. 139. Por não se tratar de trabalho voluntário a onerosidade, no sentido da remuneração pelos serviços prestados, está presente ao olhar o pagamento realizado às empresas contratadas como forma de acobertar a remuneração aos sócios dessas empresas e mais ainda quando se trata de sócios das contratadas que também ostentam, declaradamente, a condição de empregado. Já a Impugnante defende que pagamento à empresa contratada não pode ser considerado remuneração de pessoa física. A Impugnante destaca um conjunto de notas para demonstrar que os valores pagos às contratadas eram variáveis, “havendo, inclusive, sua redução de uma competência para outra”. No entanto, se ampliar o tamanho da amostra de notas a conclusão que exsurge é outra, já que a realidade da autuação leva em conta dois anos e não apenas dois meses, como no primeiro exemplo citado, referente à empresa Amazonas Engenharia e Consultoria. A Interessada alega que não é factível um empregado aceitar a redução de seus vencimentos, “em alguns casos de mais de 50%”. No entanto, como visto anteriormente, as reduções de salários foram compensadas por pagamentos realizados por intermédio das pessoas jurídicas contratadas, quinzenalmente e Fl. 14556DF CARF MF 28 depois mensalmente, sendo irrelevante a data correta, mas sim os valores e a periodicidade, já que se procurava dissimular uma relação de emprego. Essa opção de remuneração por meio de empresas contratadas explica os fatos descritos no Relatório Fiscal relacionados a empregados capacitados que recebiam bons salários e depois de demitidos aceitavam ser recontratados com salários irrisórios para exercerem as mesmas atividades que outrora realizavam, quando bem remunerados. Nesse contexto, eventual contestação desses fatos deve ser acompanhada de novas provas aptas a demonstrarem uma nova realidade, e não apenas uma nova interpretação com conclusões que se sustentam em uma análise isolada dos fatos. Se a Impugnante contesta o montante apurado nos lançamentos tributários, deveria carrear aos autos provas dos valores dos salários efetivamente pagos, pois não é crível que alguém, capacitado, que trabalhava com salários compatíveis com sua função, aceite ser recontratado com salários em torno de um salário mínimo. Fica, assim, descontextualizado, a necessidade de manutenção do trabalho, com todos os seus requisitos, por uma remuneração irrisória. Ainda mais quando o sócio da contratada e o empregado da Impugnante são a mesma pessoa. Sem provas em contrário, prevalece as carreadas pela fiscalização, que reforçam a tese de a remuneração complementar seria realizada por meio de pessoas jurídicas constituídas para este fim. Assim, temse que o requisito da onerosidade está presente, também pelos pagamentos realizados por intermédio das pessoas jurídicas contratadas. Apesar da resistência da Impugnante, a existência de contratos uniformes evidencia uma relação de subordinação, pois é de conhecimento geral que na esfera contratual prevalece a liberdade contratual, ainda mais se realizado entre distintas pessoas, com atividades diferentes, no entanto, no caso concreto esta liberdade não é observada. A Impugnante discorda, em seu entender a contratação depende da aceitação do contrato padrão: “Caso não concorde com as exigências previstas, simplesmente não se efetua a avença”. Diante desta afirmação e das disposições contratuais a tese da existência da subordinação ganha força, pois a submissão das contratas aos ditames da contratante é patente, v.g., os serviços devem ser realizados “segundo as especificações constantes das determinações da CONTRATANTE”, e se o serviço não ficasse a contento: “eventual refazimento de etapas consideradas inadequadas pela CONTRATANTE” 10. O juízo de adequação de cada etapa (“em qualquer etapa11”), realizado pela Interessada, demonstra a subjetividade deste controle, que não era realizado sobre o resultado final da atividade, mas sim sobre cada etapa. O critério utilizado para verificação de eventuais falhas ou incorreções era “exclusivo” da Contratante,12 inclusive “aprovar as medições de serviços da CONTRATADA13. A Impugnante ao mesmo tempo em que critica a utilização de critérios ultrapassados de subordinação utilizados pelo Fisco, faz uso dos ensinamentos de Orlando Gomes, falecido em 1988, para esclarecer o conceito de subordinação jurídica: “Tanto ao poder de comando como ao de direção do empregador corresponde o dever específico do empregado em obedecer. O poder de comando seria o aspecto ativo e o dever de obediência Fl. 14557DF CARF MF Processo nº 15504.720111/201527 Acórdão n.º 2401005.657 S2C4T1 Fl. 16 29 o passivo da subordinação jurídica” (Grifos do Impugnante). Entendese que, além dos outros elementos da relação de emprego, analisados anteriormente, a subordinação também está presente. Os próprios dispositivos contratuais deixam claro que os serviços que foram prestados por sócios das contratadas, empregados ou exempregados da Interessada, eram subordinados ao poder de comando da PARANASA em cada uma das etapas, e se eventualmente, o executor contratado não obedecesse ao que a contratante considerava adequado deveria o trabalho ser refeito. Como se observa das constatações encimadas, a autoridade lançadora se desincumbiu do ônus de comprovar os requisitos da relação laboral entre os funcionários e/ou sócios das empresas prestadoras de serviços com a contratante, ora autuada, na forma que a legislação de regência exige, mais precisamente o artigo 229, § 2°, do Decreto n° 3.048/99 – Regulamento da Previdência Social, possibilitando, assim, a desconsideração da personalidade jurídica daquelas empresas com o fito reclassificar o vínculo entre tais funcionários com a recorrente. Constatase, assim, que o fiscal autuante, ao promover o lançamento, agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação que regula o tema, demonstrando circunstanciadamente os fatos que ensejaram a constituição do crédito previdenciário, impondo a manutenção da autuação em sua integralidade. DEMAIS QUESTÕES QUANTO A CARACTERIZAÇÃO Como já dito em tópico específico nas preliminares, o método de aferição indireta adota pelo Sr. Fiscal, obedeceu todos os requisitos e parâmetros legais. A aferição indireta utilizada para apuração da base de cálculo das contribuições lançadas é uma decorrência lógica e jurídica da situação fática encontrada, mormente, a remuneração de segurados do RGPS por meio de notas fiscais. A fundamentação legal está estampada no § 6º, art. 33 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991. Não havia na contabilidade ou em outro documento o registro do movimento real da remuneração dos segurados a serviço da Interessada. Conforme visto anteriormente, restou demonstrado que a remuneração dos segurados empregados era realizada de forma integral ou complementar por meio de notas fiscais. Neste contexto a fiscalização federal não poderia quedarse inerte, fezse, no caso, o que deveria fazer, já que sua atividade é plenamente vinculada. Agiu em conformidade com o disposto no § 6º, art. 33 da Lei 8.212/91. A base de cálculo foi apurada com a utilização das notas fiscais por competência e por segurado. Ressaltase, a partir do exposto no parágrafo anterior, o efeito jurídico processual da utilização do método de aferição indireta: a inversão do ônus da prova ou na redação do § 6º, art. 33 da Lei 8.212/91, in fine: “cabendo à empresa o ônus da prova em contrário”. A metodologia utilizada foi transparente, além dos relatórios fiscais e provas nos autos, a base de cálculo está detalhada por competência e por segurado nos anexos XVI a LXXII, fls. 375/642, entre outros. No caso sob exame a empresa, apesar de ter todas as condições para isso, não se desincumbiu do ônus probatório, não se esforçou para produzir provas das remunerações efetivamente pagas aos segurados empregados, já que discorda nos valores lançados. Nesse contexto, não é suficiente sugerir um ou outro caminho que poderia a fiscalização ter trilhado, como por exemplo, examinar as GFIP das empresas, em uma tentativa de inverter o ônus da prova, que a própria lei determina expressamente que é da empresa. Fl. 14558DF CARF MF 30 Outro ponto pe que a interessada solicita a dedução dos lançamentos das contribuições sociais e dos tributos recolhidos pelas pessoas jurídicas que prestaram serviços à Impugnante. No entanto, não será possível, pois os lançamentos sob exame estão relacionados à base de cálculo não declaradas em GFIP, conforme descrito na classificação dos levantamentos utilizados nos Autos de Infração, DEBCAD 51.071.5559, fls. 4/5, ou seja, as bases de cálculo e contribuições lançadas em GFIP e eventualmente recolhidas não são litigiosas, o litígio repousa nas bases de cálculo complementares às declaradas, com contribuições complementares. Por outro giro, caberia a recorrente comprovar eventual ocorrência de duplicidade, demonstrando a parte coincidente entre a lançada e a declarada em GFIP, só diante disso poderia se falar em dedução, já que os levantamentos, base dos lançamentos, dizem respeito a novas bases de cálculo, não declaradas em GFIP. VERBAS INDENIZATÓRIAS Ao defender a não incidência de Contribuições Previdenciárias sobre verbas pagas a título de abono, ajuda de custo e Participação nos Lucros e Resultados a recorrente não produziu argumentos sobre os pontos essenciais que caracterizam este debate, preferiu concentrar a maior parte de seus esforços em argumentos genéricos, sem associálos a realidade efetivamente ocorrida no âmbito da PARANASA. Em outras palavras, não basta denominar determinada verba de Participação nos Lucros e Resultados, por exemplo, para que esta verba transmude sua natureza jurídica, de remuneratória para indenizatória, e fique livre da tributação. Se o ordenamento jurídico tece algumas exigências, finalísticas, para que determinada verba seja caracterizada como indenizatória, é preciso atestar que essas exigências foram cumpridas. Com lastro em provas, de que a realidade praticada no âmbito da empresa está adequada às exigências normativas, aí sim, não paira dúvida, nesta condição, que se está diante de uma verba indenizatória, livre da incidência de contribuições previdenciárias. A propósito da matéria, por não ter a contribuinte juntado aos autos novas provas ou novos argumentos capazes de rechaçar o lançamento, a autoridade julgadora de primeira instância se manifestou com bastante propriedade, motivo pelo qual peço vênia para transcrever excertos do Acórdão recorrido e adotálo como razões de decidir, in verbis: PLR Destacamse, inicialmente, os valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados pagos a segurados empregados sob o título de Participação nos Lucros PPLR Obras. Independente da denominação, a condição para que estas verbas não integrem o salário de contribuição é que obedeçam aos requisitos estipulados em lei específica, conforme estabelecido, taxativamente, na alínea “j”, § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91: Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. A Lei específica é a de nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa. Informa a Peça Fiscal que nas Convenções Coletivas de Trabalho, relativas ao período de 01/2000 e 12/2011, “não consta nenhuma cláusula disciplinando o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados – PLR para a matriz nem para nenhuma das obras”. E acrescenta: “Da inexistência de regulamento disciplinando o pagamento da PLR em confronto com a Lei n° 10.101/00 deparase com varias irregularidades na aplicação do benefício: Fl. 14559DF CARF MF Processo nº 15504.720111/201527 Acórdão n.º 2401005.657 S2C4T1 Fl. 17 31 a) Não houve formação de comissão para elaborar o Acordo Coletivo; b) Não existiu nenhuma definição de metas a serem atingidas; c) Os pagamentos foram efetuados em descompasso com o convencionado no parágrafo 1o daquela cláusula 5a, visto que foram realizados em períodos diversos de janeiro de 2009”. O Impugnante, com base no ANEXO VIII, conclui que “os pagamentos realizados pela Impugnante aos seus empregados, a título da aludida verba, ocorreram uma única vez nos exercícios de 2010 e 2011” (destaque no original, fl. 142, in fine). No entanto, não é isso que se observa. Ao consultar o referido Anexo, destacouse o primeiro trabalhador, Cód. 052.018, fl. 312, e se constatou que ocorreram dois pagamentos, um na competência 01/2010 e outro na competência 03/2010, tal fato se repete em relação ao segundo trabalhador do referido anexo, 052.022, para citar apenas os dois primeiros exemplos. Apesar de a Lei 10.101/00 trazer outras exigências e o Setor Fiscal ter apresentado seus fundamentos, a Impugnante se limita à afirmação transcrita no início deste parágrafo, o que enfraquece em demasia sua tese, pois não se pode escolher qual trecho da Lei se pretende cumprir e simplesmente ignorar os demais. No marco da isenção a interpretação dos dispositivos legais isentivos é literal, conforme comando constante no art. 111 do Código Tributário Nacional CTN: “Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: outorga de isenção”. Também, com base neste fundamento, não há espaço para, novamente, mudar a denominação de remuneração, com o objetivo de alterar sua natureza jurídica e afastar a incidência de Contribuição Previdenciária. Portanto, mantémse a tributação sobre as verbas denominadas de Participação nos Lucros PPLR Obras, em razão do descumprimento das exigências contidas na Lei 10.101/00. Por essas razões, mantém a incidência das contribuições. ABONO OBRA Em relação aos pagamentos realizados nos meses de novembro de dezembro de 2011 sobre a rubrica “Abono Obra 251” foi considerado base de cálculo das contribuições uma vez que ganhos eventuais e abonos só não integram o saláriode contribuição se expressamente desvinculados do salário por força de lei. “Como não existe previsão legal para o pagamento do Abono em questão, o mesmo integra a base de cálculo das contribuições para a Previdência Social”. Por ocasião da Impugnação a Interessada, ainda na tentativa de enquadrar referido Abono no campo da não incidência aduz: “Quanto ao denominado Abono de Obra 251, cumpre salientar, Fl. 14560DF CARF MF 32 inicialmente, que a nomenclatura utilizada encontrase equivocada, tratandose, na realidade, de verba paga a título de gratificação por produtividade”. No parágrafo seguinte, fl.5.585, justifica a mudança com a citação do Professor Maurício Godinho Delgado: "Os abonos consistem em antecipações pecuniárias efetuadas pelo empregador ao empregado. São adiantamentos salariais concedidos pelo empregador". Dada à natureza de "antecipação salarial", é inquestionável, portanto, sua natureza jurídica de verba salarial. (grifos na Impugnação) Com perdão pela repetição, a mudança da denominação de determinada verba não tem o condão de alterar sua natureza jurídica. Se uma verba pretende retribuir o trabalho ela tem natureza remuneratória, logo sobre ela incidem Contribuições Sociais Previdenciárias. A própria Impugnante deixa isso claro ao afirmar que a verba, agora denominada de gratificação por produtividade, foi paga em razão do destacado trabalho empreendido pelos seus empregados, fl. 5.585, in fine. Nesta esteira, fica evidente a natureza remuneratória dessa verba, que retribuiu um esforço adicional dos empregados para atingir os objetivos da empresa. O fato de a Interessada caracterizar o pagamento como mera liberalidade da empresa não o torna automaticamente uma verba isenta de Contribuições Previdenciárias e de Terceiros, pois, nos dias atuais, ninguém tem dúvida sobre a natureza tributária destas contribuições, logo, se sujeitam ao regime jurídico tributário, a começar pela sujeição à legalidade, tanto para instituir como para isentar tributos: art. 97 do CTN e art. 150, § 6º da Constituição Federal. Constituição Federal, art. 150, § 6º: Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. Art. 97 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1.966: Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; [...] VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Neste contexto normativo, tanto os abonos como os ganhos eventuais só são considerados isentos se expressamente desvinculados do salário. Lei 8.212/91, art. 28: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: e) as importâncias Fl. 14561DF CARF MF Processo nº 15504.720111/201527 Acórdão n.º 2401005.657 S2C4T1 Fl. 18 33 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; Essa desvinculação expressa deve ser realizada por lei, em consonância com o regime jurídico tributário, como atesta o art. 214 do Decreto 3.048, de 6 de maio de 1999. § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: V as importâncias recebidas a título de: j) ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei; (destacouse) Com base no encadeamento normativo acima exposto e na natureza jurídica remuneratória dessa verba, mantémse sua sujeição ao campo de incidência das Contribuições Sociais Previdenciárias e para outros fundos e entidades. AJUDA DE CUSTO E AJUDA DE CUSTO REGIONAL No que diz respeito à tributação dos pagamentos aos empregados realizados sob a denominação de ajuda de custo e ajuda de custo regional, a linha de defesa é a mesma: tenta atrair uma norma isentiva para uma realidade distinta de sua incidência, prevista em lei, o que resulta na não subsunção do fato à norma, já que a realidade não se amoldar completamente à situação descrita na norma isentiva. No caso concreto, a Lei 8.212/91 retira a ajuda de custo do saláriodecontribuição se ela for paga em parcela única e recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado18. Tal fato não ocorreu, os pagamentos foram realizados de janeiro de 2010 a novembro de 2011, conforme Anexo VII, portanto, não há que se falar em isenção dessas verbas, pois tais pagamentos não se amoldam à lei isentiva. Mantémse o lançamento tributário, pois esta verba, no caso concreto, compõe o salário decontribuição. ADIANTAMENTO DO DÉCIMO TERCEIRO O Levantamento AD – Adiantamento do Décimo Terceiro Salário (Código 0128) serviu de base para o lançamento das Contribuições sobre as remunerações pagas em rescisões de contrato de trabalho a empregados nas competências 12/2010, 13/2010 e 11/2011, a título de Adiantamento de Décimo Terceiro Salário. Não há nenhum litígio, nos autos, sobre a natureza jurídica remuneratória do adiantamento de décimo terceiro salário, por ocasião da rescisão de contrato de trabalho. A defesa se restringe a afirmar que ocorreu o pagamento das Contribuições sobre essa verba e que a manutenção desta parte do lançamento configuraria uma duplicidade. No entanto, não produziu provas específicas da referida duplicidade. Limitouse a citar as folhas de pagamento e as respectivas GPS, sem construir eventual conexão com os fatos detalhadamente expostos no Anexo XI, fl. 354, base do referido lançamento. O Anexo XI relata a competência, o códigos trabalhador, lotação, rubrica, valor, Fl. 14562DF CARF MF 34 estabelecimento, etc. Com todos os elementos para a produção de provas específicas com o objetivo de afetar a livre convicção motivada do julgador, nos termos do art. 29 da Norma Geral do Processo Administrativo Fiscal, Decreto 70.235, de 6 de março de 1972: “Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção”. Mantémse, assim, esta parte do lançamento, dada a ausência de provas específicas para sustentar a tese de duplicidade levantada pela defesa. Pelo exposto, nego provimento quanto as verbas indenizatórias. QUALIFICAÇÃO DA MULTA Contrapõemse, a autuada, contra a qualificação da multa aplicada afirmando a inocorrência de qualquer das situações previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 e a ausência de atuação dolosa. Sem razão a recorrente! A qualificação da multa aplicada foi fundamentada pelo auditor fiscal na disposição contida nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, entendendo pela ocorrência de sonegação e fraude, com vistas à redução ou supressão do tributo devido. Em que pese este Conselheiro ter o entendimento de que a simples desconsideração da personalidade jurídica e caracterização como segurados empregados, por si só, não tem o condão de ensejar a qualificação da multa, devendo haver a devida comprovação das condutas, os fatos constantes no relatório fiscal são aptos a justificar a tipificação prevista no artigo mencionado, uma vez que o sujeito passivo, de fato, simulou situação inexistente, ao qual sabidamente não fazia jus. A autoridade autuante justifica a qualificação da multa da seguinte forma: Conforme fartamente comprovado ao longo do presente Relatório Fiscal no item 4.7 CONTRATAÇÃO DE EMPREGADOS COMO PESSOAS JURÍDICAS LEVANTAMENTO: PJ a PARANASA, na formalização de contratos de prestação de serviços com diversas pessoas jurídicas, adotou procedimentos visando mascarar sua verdadeira intenção que seria a obtenção do resultado do trabalho de seus sócios pessoas físicas — na realidade, segurados empregados de fato. Ao mesmo tempo, no intuito de efetivar os pagamentos das respectivas remunerações dessas pessoas físicas, travestiaos contabilmente como meras quitações de notas fiscais emitidas pelas pessoas jurídicas utilizadas na transação irregular. Conforme evidenciado no subitem 4.7, a contratação desses empregados travestidos de pessoas jurídicas não foi erro e tampouco simples coincidência. Como a remuneração dessa categoria não sofre incidência de contribuições previdenciárias e manifestando deliberada intenção de reduzir encargos trabalhistas, os responsáveis pela instituição, utilizandose desse conveniente subterfúgio, contratava os sócios daquelas pessoas jurídicas com intuito de tratálos internamente como empregados, sua verdadeira categoria, e ocultar a ocorrência do fato gerador, deixando com isso de pagar as contribuições sociais previdenciárias devidas. Fl. 14563DF CARF MF Processo nº 15504.720111/201527 Acórdão n.º 2401005.657 S2C4T1 Fl. 19 35 Assim sendo, fica inequivocamente demonstrada que a PARANASA, através de seus responsáveis legais, agiu dolosamente visando impedir/ocultar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal das contribuições sociais previdenciárias, bem como modificar suas características essenciais de modo a reduzir/evitar o montante do imposto devido, ficando portanto caracterizada a ocorrência de sonegação e fraude.Considerando os fatos expostos e todos os elementos trazidos aos autos e já apreciados nos tópicos anteriores, considerase demonstrada a ocorrência da conduta descrita no artigo 72 da Lei nº 4.502/1964 a justificar a qualificação da multa, prevista no §1o do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, considerandose improcedentes as alegações da defesa sobre o tema. Temse, portanto, que o dolo ficou evidenciado a partir da orquestração da tentativa, precípua, de economia tributária, a qual não se pode afirmar que não foi consciente, pois foi fruto de um planejamento, que envolveu, inclusive, uma seqüência temporal e um padrão comportamental, como, por exemplo, a criação de empresas tendo empregados como sócios, na seqüência ocorre a demissão desses empregados, para, posteriormente, ser recontratados com salários irrisórios e remuneração complementar realizada por nota fiscal de prestação de serviço. Tal fato reduziu, em muito, a base de cálculo das Contribuições Previdenciárias para o custeio do Regime Geral de Previdência Social e conseqüentemente as próprias Contribuições Previdenciárias e as destinadas a outras entidades e fundos. Sem espaço, no caso concreto, para aplicação do art. 112 do CTN. Considerando os fatos expostos e todos os elementos trazidos aos autos e já apreciados nos tópicos anteriores, considerase demonstrada a ocorrência da conduta descrita nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964 a justificar a qualificação da multa, prevista no §1° do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, considerandose improcedentes as alegações da defesa sobre o tema. DECADÊNCIA A recorrente pugna pela decretação da decadência do lançamento relativos a fatos geradores ocorridos em data anterior a 06/10/2010, com base no art. 150, § 4º do CTN. No entanto, o prazo para contagem da decadência adotado será o estabelecido no art. 173, I, do CTN, já que o dolo ficou evidenciado na opção da contribuinte em contratar empregados como pessoas jurídicas e assim retardar conscientemente o pagamento de contribuições sociais, em especial as previdenciárias, matéria debatida e analisada no corpo deste voto, especialmente do tópico anterior, por ocasião da análise das provas carreadas aos autos. Neste contexto, a Administração Tributária Federal teria até 31/12/2015 para realizar os lançamentos tributários dessas contribuições sociais relativas ao mês de janeiro de 2010. A ciência ocorreu em 06/10/2015, ou seja, momento que aperfeiçoou os Autos de Infração, ainda dentro do prazo legal para a Fazenda exercer seu direito de lançar, portanto, afasto a decadência pleiteada. MULTA DE OFÍCIO E DA TAXA SELIC A contribuinte aduz ser inconstitucional a multa de ofício de 75%, tendo um evidente caráter confiscatório. Fl. 14564DF CARF MF 36 Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da multa por descumprimento de obrigação de pagar o tributo é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da sua quantificação pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da falta de pagamento do tributo, fato incontestável, aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Discriminativo do Débito, em que são expressos os valores originários a multa e os juros aplicados no lançamento. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o fisco tão somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar o lançamento. Insurgese também acerca da inconstitucionalidade da aplicação da taxa Selic sobre os juros moratórios. A aplicação da taxa SELIC é matéria pacificada no âmbito desse Conselho conforme se verifica pela Súmula CARF nº 4 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em face do exposto, improcedente é o pedido. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Quantos aos Autos de Obrigações Acessórias, em suas razões recursais, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve integralmente a exigência fiscal, aduzindo para tanto os mesmos argumentos da impugnação, não acrescentando nem um novo documento ou fundamento sequer. Assim sendo, uma vez que a contribuinte simplesmente repisas as alegações da defesa inaugural, peço vênia para transcrever excertos da decisão recorrida e adotálos como razões de decidir, por muito bem analisar as alegações suscitadas pela autuada e documentos acostados aos autos, in verbis: Fl. 14565DF CARF MF Processo nº 15504.720111/201527 Acórdão n.º 2401005.657 S2C4T1 Fl. 20 37 Os Autos de Infração 51.071.5583 e 51.071.5591 são mantidos integralmente, pois não há, nos autos, provas do cumprimento das obrigações acessórias de confeccionar folhas de pagamento relacionadas às remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente e tampouco da arrecadação, mediante desconto das remunerações, das contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, relacionados à base de cálculo lançada. A Impugnante optou por combater a existência dos vínculos de emprego, o que redundaria na desnecessidade de acrescentar novos segurados nas folhas de pagamento e fazer novas retenções. No entanto, está tese não prevaleceu neste voto, com visto anteriormente. Ademais, temse que os elementos probatórios existentes nos autos, analisados em conjunto, levam a manutenção dos Autos de Infração, o que afasta a aplicação do art. 112, II, do CTN, no caso concreto. Aduz a Interessada que a penalidade, corporificada no Auto de Infração 51.082.2860, é ilegal, pois, a documentação apresentada pela impugnante foi suficiente para a realização do trabalho fiscal, tanto é assim que foram realizados vários lançamentos relacionados às contribuições sociais. Aduz que a multa aplicada é incontestavelmente confiscatória e não razoável, em razão disso o presente lançamento deve ser julgado improcedente. No entanto, esses argumentos não devem prevalecer, por três motivos principais a seguir apresentados. Primeiro, a ilegalidade deve ser comprovada e no lugar apropriado, que não é, como visto, no Processo Administrativo Fiscal. Segundo, não há, nos autos, nenhum indício do incontestável caráter confiscatório da multa aplicada, em outras palavras, não há, nem mesmo indícios, que o pagamento da multa de R$ 19.257,83 vai inviabilizar o direito ao livre comércio da Impugnante ou impor obstáculo ao exercício do seu direito de propriedade. A razoabilidade desta multa decorre do próprio sistema tributário, que poderia ser colocado em cheque, se o contribuinte não sofresse nenhuma sanção pelo descumprimento do dever de colaboração com a administração tributária. Terceiro, o fundamento do Auto de Infração 51.082.2860 está estampado no corpo do Auto, fl. 75, do qual se destaca a norma contida no § 1º, art. 33, da Lei 8.212/91: A empresa é obrigada “a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei”. Destacouse a palavra todos, para deixar claro que não cabe ao contribuinte, neste caso, escolher quais documentos vai apresentar, em outras palavras fazer um juízo de suficiência, basta uma parcela de documentos. Não é essa a melhor interpretação que exsurge do texto normativo. O dever de apresentar todos os documentos e livros relacionados com as Contribuições Previdenciárias tem substrato no dever fundamental de colaboração com a Administração Tributária, que decorre diretamente do Estado Democrático de Direito, conforme a lição do tributarista Leandro Paulsen, já citada anteriormente. No caso concreto, a Fl. 14566DF CARF MF 38 Interessado não apresentou todos os documentos solicitados, o que levou o Setor Fiscal a, entre outras medidas, circularizar informações. Portanto, mantém, integralmente o Auto de Infração 51.082.2860. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento (parte mantida pela decisão de piso), uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo pra si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando os lançamentos sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo a integralidade dos lançamentos fiscais, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. Rayd Santana Ferreira Fl. 14567DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000597/2006-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 10/12/2002 a 31/12/2002
Ementa:
CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 3302-005.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 10/12/2002 a 31/12/2002 Ementa: CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
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(PAREX BRASIL INDÚSTRIA E COM. DE ARGAMASSAS S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/12/2002 a 31/12/2002 Ementa: CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 05 97 /2 00 6- 87 Fl. 602DF CARF MF Processo nº 13502.000597/200687 Acórdão n.º 3302005.553 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório da decisão de piso: “O estabelecimento acima qualificado apresentou os formulários de fls. 03, 04, 05, 06, 07 e 09 intitulados "Pedidos de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros", com o objetivo de compensar os débitos neles apontados com créditos de terceiros, pertencentes à empresa Nitriflex S/A Indústria e Comércio, estabelecimento inscrito no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) sob o 11'2 42.147.496/000170. Os Pedidos de fls. 02, 08 e 10 pleiteiam as mesmas compensações dos de fls. 03, 08 e 10, repectivamente. Os débitos objeto dos formulários de fls. 03, 04, 05, 06, 07 e 09 se encontram controlados no presente processo, sendo que cinco deles também se encontram em outros processos conforme abaixo discriminado: Os créditos em que se baseiam as compensações requeridas se encontram nos processos administrativos 10735.000001/9918, 10735.000202/9970 e 13746.000533/200117 e decorreriam da ação judicial de n° 98.00166580, que garantiu Nitriflex S A Indústria e Comércio os créditos de IPI relativos a produtos sujeitos à alíquota zero e/ou isentos adquiridos no período de julho de 1989 a julho de 1998. A empresa Nitriflex S A Indústria e Comércio transmitiu créditos para a interessada filial 0003 da contribuinte Eliane Argamassas e Rejuntes Ltda (Parex Brasil Indústria Comercio de Argamassas S A) — CNPJ 03.086.322/000355, créditos esses que a credora Nitriflex S A estaria autorizada judicialmente a transferir a terceiros em virtude de decisão favorável obtida no Mandado de Segurança n° 2001.02.01.0352326 (processo originário n° 2001.51.1.00010250), onde foi pedido o Fl. 603DF CARF MF Processo nº 13502.000597/200687 Acórdão n.º 3302005.553 S3C3T2 Fl. 4 3 afastamento dos efeitos da IN SRF n° 41, de 2000, que vedava a utilização de créditos de terceiros na compensação. O Parecer Seort n° 399, de 2009 e respectivo Despacho Decisório (fls. 105/113) ambos proferidos pela Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu/RJ? concluíram em síntese que: A sociedade empresária Nitriflex S A Indústria e Comércio ajuizou ... a Ação Mandamental (Mandado de Segurança) n° 98.00166580 no sentido de reconhecer o seu direito ao crédito presumido de IPI ... referente às aquisigaes de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagens isentos, não tributados ou que foram tributados à aliquota zero ..., bem como seu direito de compensálo com o imposto (IPI) a recolher no final do processo industrial, obtendo decisão favorável, transitada em julgado em 18.04.2001 após acórdão exarado pelo Tribunal Regional Federal fda Segunda Regido. Como a decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança n° 98.00166580 somente lhe permitia utilizar o seu crédito ... com débitos relativos a este mesmo imposto, sociedade empresária Nitrillex S A Indústria e Comércio impetrou junto a 50 Vara Federal de Sao João de Menti — RJ um outro Mandado de Segurança (MS), o de n° 2001.51100010250, esse visando afastar a incidência dos efeitos da Instrução Normativa SRF n°41/2000, obtendo sentença favorável que, em 12.09.2003, também transitou em julgado no sentido de reconhecer e de declarar o seu direito de ceder parte do seu crédito a terceiros para que estes utilizem em compensação tributária.... a sociedade empresária Nitriflex S A ... realizou diversas compensações tributárias de débitos próprios e, além disso cedeu grande parte do saldo remanescente a terceiros...... a Procuradoria ajuizou ... a Ação Rescisória n° 2198 visando desconstituir a sentença proferida no Mandado de Segurança n° 98.00166580 transitada em julgado, obtendo vitória parcial, uma vez que houve mudança no tocante ao período sobre o qual recaiu o direito ao crédito, que passou de 10 (dez) para 5 (cinco) anos, o que também reduziu em muito o valor primitivo do crédito. Após ter sido proferida a sentença da ação rescisória e já na vigência da IN SRF n° 517, de 2005, a Nitriflex S A Indústria e Comércio pretendeu habilitar créditos junto Secretaria da Receita Federal para prosseguir realizando compensações tributárias com débitos de terceiros. 0 pedido de habilitação (processo n° 13746.000191/200551) foi indeferido administrativamente, sendo que, mais uma vez a Nitriflex S A buscou na via judicial o reconhecimento do direito A habilitação do crédito, não obtendo êxito na i5 instância de julgamento. O Parecer Seort n° 399, de 2009, continua seu relato aduzindo que: ... o ponto nevrálgico ...repousa em saber se o contribuinte pode ou não compensar seus débitos tributários mediante a utilização de crédito que lhe foi cedido pela Nitriflex SA ..., pois numa Fl. 604DF CARF MF Processo nº 13502.000597/200687 Acórdão n.º 3302005.553 S3C3T2 Fl. 5 4 época em que não havia lei mas apenas norma infralegal (IN/SRF n° 41/2000) vedando a utilização de crédito de um contribuinte para compensar débito de outro, a pessoa jurídica cedente do crédito obteve sentença transitada em julgado ... reconhecendo o seu direito de cedêlo a terceiro......sobre o assunto, a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Nova Iguaçu — RJ se pronunciou no sentido de que a nova regra contida no artigo 74 da Lei n°9.430/96 após a alteração que lhe foi dada pelo artigo 49 da MP 66, de 29.08.2002 convertido no artigo 49 da Lei n° 10.637/02 tem o condão de restringir a utilização do crédito em questão, sem contudo ofender a autoridade da coisajulgada e sem que represente aplicação retroativa da lei. quando o Mandado de Segurança n° 2001.51.10.0010250 ... foi ajuizado inexistia lei expressa que dispusesse sobre a compensação tributária de débito de um contribuinte mediante a utilização de crédito de terceiros, embora a Instrução Normativa SRF n° 41/2000 já vedasse esta espécie de compensação tributária. Assim, ... somente os pedidos de compensação tributária formalizados antes do dia 29.08.2002, data da publicação da Medida Provisória n°66/02 ... é que estão amparados pelo MS n° 2000.51100010250 e, desta forma, somente naqueles pedidos é que pode ser utilizado crédito cedido pela sociedade empresária Nitriflex S A. A DRF/Nova IguaçuRJ, continua em sua decisão, transcrevendo partes do parecer expedido pela PSFN/Nova Iguaçu/RJ, dentre as quais cumpre evidenciar: quando ajuizado o MS 2001.51.100010250, vigorava a IN SRF n°41/00, cujo artigo 1° vedava a compensação de débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros, administrados pela SRF, sendo que a Lei n°9.430/96 em seus arts. 73 e 74, dispositivos estes expressamente mencionados no voto do relator, eram omissos a respeito, dai a razão pela qual ter o tribunal ad quem afastado a limitação imposta pela IN SRF 41/00. Entretanto, os referidos arts. 73 e 74 sofreram total reformulação através do art. 49 da MP no 66/02, convertida na Lei n° 10.637/2002 ...... se de uma decisão judicial decorre a coisa julgada, é certo que este efeito não prevalecerá se ocorerrem mudanças nas normas jurídicas que tratam da questão transitada em julgado. ... hoje a situação fciticajurídica é diversa. A Lei n° 9.430/96 que era omissa sobre o tema, a partir de 30 de agosto de 2002 passou a ser clara ao prever como única possibilidade de compensação de tributos administrados pela SRF, inclusive os judiciais transitados em julgado, a efetividade entre créditos e débitos do próprio sujeito passivo. ... Assim, a coisa julgada não pode sei invocada quando direito superveniente repercute na relação jurídica sobre o qual a coisa julgada se operou. Ressalvamse, pois, os efeitos jurídicos dos pedidos de compensação efetivamente realizados por conta da decisão Fl. 605DF CARF MF Processo nº 13502.000597/200687 Acórdão n.º 3302005.553 S3C3T2 Fl. 6 5 judicial considerados fatos consumados, até a edição da MP 66, de 29.08.2002, convertida na Lei n°10.637/2002. Registrese: a lei nova não esta a alcançar fatos passados, compensações efetivadas perante a ordem jurídica anterior e com espeque em decisão judicial transitada em julgado. A nova lei alcança, isto sim, os fatos novos ocorridos sob a sua égide e sobre a qual a coisa julgada não pode surtir efeitos, já que estamos diante de novos regramentos jurídicos. Logo, após as alterações da MP 66/02, convertida na Lei n° 10.637/02, as pretendidas compensações com débitos de terceiros não podem ser admitidas eis que não permitidas pela Lei, não sendo a mesma objeto de qualquer discussão judicial. Não ha que se falar de violação a coisa julgada e o suposto direito adquirido, como evidente, relacionase às compensações requeridas — fatos consumados sob efeito3 da coisa julgada, jamais aos pedidos de compensação formulados depois das alterações legislativas supervenientes a coisa julgada. Ao final o parecerista houve por bem adotar o entendimento da PSFN para propor a não homologação da compensação pleiteada. O Despacho Decisório de fls. 113 aprovou integralmente o parecer e determinou fosse dada continuidade à cobrança e tomadas as demais providências cabíveis. O presente processo foi enviado à DRF/Camaçari /BA, antiga unidade jurisdicionante da empresa devedora, para prosseguimento. Frisese, por necessário, mais uma vez, que a devedora Eliane Argamassas e Rejuntes Ltda — CNPJ 03.086.322/000355 foi incorporada pela Parex Brasil Indústria omércio de Argamassas S A. Por meio da Intimação DRF/CCl/SARAC n° 1068, de 2009 (fls. 116), a interessada tomou ciência do Parecer Seort/DRF/NIU/RJ n° 399, de 2009 e respectivo Despacho Decisório em 24/09/2009 (fls. 120). Pelo arrazoado de fls. 121/151, a empresa PAREX Brasil Indústria Com. de Argamassas S A incorporadora da empresa Eliane Argamassas e Rej untes Ltda manifestou sua inconformidade alegando em síntese que: No entender da Autoridade Fiscal somente com o deferimento administrativo da habilitação é que se poderia efetuar as declarações de compensação. Além disso, aduziu que, mesmo se os créditos estivessem habilitados, a recorrente não poderia utilizálos para compensações após 28/09/2002, em razão do óbice previsto no caput do art. 74 da Lei 9.430/96, cuja novel redação foi introduzida pelo art. 49 da MP n° 66, de 29/08/02, posteriormente convertida na Lei n° 10.637/2002. O MS 98.00166580 (Nitriflex) teve por objeto o reconhecimento do direito ao crédito de IPI, no período de 08/1988 até 07/1998, Fl. 606DF CARF MF Processo nº 13502.000597/200687 Acórdão n.º 3302005.553 S3C3T2 Fl. 7 6 decorrente da aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos a aliquota zero... ... a Nitriflex lançou mão de medida judicial para afastar a aplicação da IN/SRF 41/00 (que passou a proibir a cessão de crédito para terceiros não optantes do REFIS). Foi impetrado o MS 2001.51.10.0010250 para se alcançar tal desiderato... Em 12/09/2003 transitou em julgado o v. acórdão proferido pelo E. TRF da 2' Região que, convalidando a medida liminar deferida initio litis e concedendo a ordem, decidiu pela irretroatividade da legislação então limitadora do direito a plena disponibilidade do crédito (IN/SRF 41/00) para alcançar fatos consumados sob a égide de normas que o garantiam expressamente, a saber, art. 170 do CTN e arts. 73 e 74 da Lei n.° 9.430/96, regulamentados pela IN/SRF 21/97 Por fim, foi ajuizada pelo Fisco, em 15/04/2003, a ação rescisória 2003.02.01.0056758 visando a desconstituiç 'do da coisa julgada produzida no MS 98.00166580. Embora o pedido tenha sido julgado parcialmente procedente pelo E. TRF da 20 Região, foram interpostos pela Nitriflex recursos pendentes de análise, e não foi condedida tutela de urgência para suSpender a execução da coisa julgada, que, por isto, continua produzindo efeitos. Demonstrada a liquidez e certeza do crédito..., bem como autorização para a sua cessão ... a seguir será rechaçada a resistência fazemddria no sentido de criar obstáculos ás compensações efetuadas pela recorrente. E sabido que em 25/02/2005 foi publicada a IN/SPY 517, que passou a exigir a habilitação de créditos reconhecidos por decisões judiciais transitadas em julgado. Para não inviabilizar seus procedimentos de compensação é que a Nitrifex sujeitouse a mencionada regra. ... a bem da verdade, a 1N/SRF 517 s6 produz efeitos para fatos posteriores entrada em vigor da regra. No presente caso, a decisão judicial transitada em julgado que reconheceu o direito ao crédito de IPI transitou em julgado em 18/04/2001, anteriormente a entrada em vigor da IN/SRF 517, por isto inaplicável. Portanto, a inexistência de habilitação do crédito de IPI não é óbice para sua utilização No que tange à ação rescisória a empresa, em sua peça de defesa, argumentou transcrevendo o artigo 489 do CPC e concluindo que "somente o deferimento de tutela de urgência" ou "o trânsito em julgado da decisão rescindente tem o condão de impedir o cumprimento da decisão rescindida". Em suas razões de defesa a interessada aduz, ainda: Outra questão de extrema importância, ... foi o ajuizamento pela União Federal, paralelamente a ação rescisória n° 2003.02.01.0056758, de outra ação deste mesmo tipo, agora perante o E.STF (AR 1788), a qual foi julgada extinta sem Fl. 607DF CARF MF Processo nº 13502.000597/200687 Acórdão n.º 3302005.553 S3C3T2 Fl. 8 7 julgamento de mérito pela Exma. Min. Ellen Gracie, por falta de interesse de agir. Entendeu S. Exa. Que a decisão transitada em julgado e, portanto, impugnável, seria o V. Acórdão proferido pela Col. 2' Turma do E.STF no agravo de despacho denegatporio de recurso extraordinário da Unido ( autos n° 313.4815), e não a decisão moncrcitica proferida pela Relatoria. Tendo o trânsito em julgado recaído sobre o V. Acórdão proferido pela Col. 2' Turma do E.STF, evidentemente a ação rescisória n° 2003.02.01.0056758 que visa rescindir o V. Acórdão na apelação do MS 98.00166580, e inadmissível, e como tal será reconhecida, o que faz ruir a argumentação da Fazenda... O trânsito em julgado proferido nos auios da AR 1788 foi informado pela ora recorrente nos autos da AR 2003.02.01.0056758, o qual será considerado no julgamento pelo Pleno do E. TRF da 2° Região dos embargos de declaração pendentes de apreciação. Definindo o conteúdo e alcance do direito a propriedade, ... o art. 1.228 do Código Civil... Não podendo a legislação tributária alterar o conteúdo e alcance dos institutos e conceitos de direito privado utilizados para fixar competências tributárias dos entes politicos (art. 110 do CTN) Entende a interessada, também, que a coisa julgada material impede a aplicação da Lei ng 10.637, de 2002, que limita a disponibilidade do crédito .do IPI, porque, no caso, esse crédito foi reconhecido por decisão judicial transitada em julgado. Alega que a limitação legal apontada no despacho decisório s6 é aplicável aos créditos nascidos posteriormente à sua entrada em vigor, acrescentando que, admitir o contrário, resultaria no descumprimento de uma ordem judicial, no desrespeito A. coisa julgada material e aos princípios da nãocumulatividade do IPI e da irretroatividade das leis. Ressalta, a requerente, que também foi proposto o Mandado de Segurança nº 2001.51.10.0010250, para impedir que a IN SRF nº 41, de 2000, obstasse a livre disposição do crédito do IPI, conquistado, em juizo, pela Nitriflex S/A Indústria e Comércio. Diz ainda que, em 12 de setembro de 2003, transitou em julgado acórdão proferido pelo TRF da 2' Região, confirmando o direito de livre disposição do crédito decorrente da decisão judicial relativa ao processo n° 98.00166580. A reclamante se utilizou do principio constitucional que trata da irretroatividade da lei como base de argumentação a respaldar a não utilização, no caso concreto, da nova redação do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, trazida pela Lei no 10.637, de 2002, salientando trecho da ADIMC 172, DJ 19/02/1993, p. 2.032, do Relator Mb. Celso de Melo. Prosseguindo em sua contestação: Noutros falares, o E. TRF da 2° Região fundamentou sua decisão de afastar a aplicação da IN/SRF 41/00 com base no principio constitucional da irretroatividade das leis, segundo o qual a lei Fl. 608DF CARF MF Processo nº 13502.000597/200687 Acórdão n.º 3302005.553 S3C3T2 Fl. 9 8 nova não pode retroagir para afetar fatos consumados antes de sua entrada em vigor. Entendeu a E. Corte que a instrução normativa, sobre ser ilegal, não poderia retroagir para afetar fatos consumados sob a égide de legislação que permitia a cessão para terceiros do crédito de IPI reconhecido no MS 98.00166580, no caso o art. 170 do CTN e arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430/96, regulamentados pela 1N/SRF 21/97. E dizer, a coisa julgada estabilizou, entre a Nitriflex e o Fisco, relação jurídica segundo a qual o crédito de IPI, no tocante ao seu aproveitamento, sujeita se à legislação em vigor na época da ocorrência dos fatos geradores (crédito), ocorridos entre 08/88 e 07/98. A corroborar sua tese referente à irretroatividade da nova redação do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, trouxe ao processo doutrina de Roque Antonio Carra7za, Geraldo Ataliba e Vicente Rao. A reclamante se utilizou do principio constitucional que trata da irretroatividade da lei como base de argumentação a respaldar a não utilização, no caso concreto, da nova redação do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, trazida pela Lei n° 10.637, de 2002, salientando trecho da ADIMC 172, DJ 19/02/1993, p. 2.032, do Relator Min. Celso de Melo. A reclamante transcreve, dentre outras, ementa do EREsp 488.992/MG, DJ 07/06/2004, p. 156, cuja relatoria pertenceu ao Min. Teori Albino Zavascki : inviável, na hipótese, apreciar o pedido à luz do direito superveniente, porque os novos preceitos normativos, ao mesmo tempo em que ampliaram o rol das espécies tributárias compensáveis, condicionaram a realizacão da compensação a outros requisitos, cuja existência não constou da causa de pedir e nem foi objeto de exame nas instâncias ordinárias. Na sequência, a reclamante traz alegações concernentes à liquidez e certeza dos créditos com seguinte teor: 0 crédito utilizado nas compensações. . foi homologado pelo Fisco nos valor de R$ 62.235.433,54 ... de R$ 4.291.28.355... Ambos os valores devem sofrer a aplicação dos juros e expurgos inflacionários, conforme determinação judicial ... exarada no MS 99.00605420, que deu origem ao PA 13746.000533/200117. inadmissível o Fisco justificar a não homologação do presente pedido de compenyação pautado em suposta insuficiência de crédito. Ao final, pede a reforma da decisão corn a conseqüente homologação das compensações e a extinção dos créditos tributários compensados..” Na sessão de 12 de fevereiro de 2010, a 3ª Turma da DRJ/JFA, por maioria de votos, negou provimento à manifestação de inconformidade da recorrente, acórdão nº 09 28.601, o quanto recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 609DF CARF MF Processo nº 13502.000597/200687 Acórdão n.º 3302005.553 S3C3T2 Fl. 10 9 Período de apuração: 10/12/2002 a 31/12/2002 DISCUSSÃO DA COMPENSAÇÃO EM OUTRO PROCESSO. PEDIDO EM DUPLICIDADE PERDA DE OBJETO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. • HOMOLOGAÇÃO TACITA. INOCORRÊNCIA. TÍTULO JUDICIAL. INAPLICABILIDADE. 1.Não cabe apreciação da matéria quando verificada a concomitância de objeto, resultante da identidade do crédito e do débito relativos compensação pleiteada, que já se encontram em apreciação em outro processo administrativo. 2.Não ocorre a homologação tácita em compensações baseadas em créditos de terceiros na vigência da Lei n° 10.637, de 2002. 3.As compensações declaradas a partir de 1 2 de outubro de 2002, de débitos do sujeito passivo com crédito de terceiros, esbarram em inequívoca disposição legal MP n° 66, de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 2002 impeditiva de compensações da espécie. Ê descabida a pretensão de legitimar compensações de débitos do requerente, com crédito de terceiros, declaradas após 1 de outubro de 2002, pretensão essa fundada em decisão judicial proferida anteriormente Aquela data, que afastou a vedação, outrora existente, em instrução normativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/12/2002 a 31/12/2002 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. 1.Não cabe apreciar questões relativas a ofensa a princípios constitucionais, tais como da legalidade, da nãoctunulatividade ou da irretroatividade de lei competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado: 2.A doutrina trazida ao processo não é texto normativo, não ensejando, pois, subordinação administrativa. 3.A jurisprudência administrativa e judicial colacionadas não possuem legalmente eficácia normativa, não se constituindo em normas gerais de direito tributário. Mánifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a r. decisão da qual se extraiu a ementa acima transcrita, a recorrente nos termos que lhe é garantido pela legislação que sustenta o Processo Administrativo Fiscal, interpôs o recurso voluntário, que na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Fl. 610DF CARF MF Processo nº 13502.000597/200687 Acórdão n.º 3302005.553 S3C3T2 Fl. 11 10 Conselheiro José Renato Pereira de Deus Relator. A matéria tratada no presente processo já é do conhecimento deste Colegiado, havendo várias decisões a respeito, inclusive com acórdão exarados em processos em que a recorrente figura como parte. Dentre os processos acima referidos, podemos destacar o acórdão nº 3302 005.465, prolatado no processos de nº 13746.000259/200330. Dispõem os arts. 50, § 1º, e 64, da Lei nº 9.784/99: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Art. 64. O órgão competente para decidir o recurso poderá confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida, se a matéria for de sua competência. Nesse diapasão, peço vênia para utilizar com minhas razões de decidir, aquelas prolatadas no acórdão acima mencionado, pelo então relator o I. Conselheiro Paulo Guilherme Déroulere, vejamos: Em preliminar, a recorrente alega a ocorrência de homologação tácita nos termos do §5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, uma vez que o Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros foi protocolado em 11/03/2003 e a ciência do despacho decisório ocorreu em 24/07/2008, portanto em mais de cinco anos. Esta matéria foi apreciada por esta turma no Acórdão nº 3302 004.263, cujas razões expostas na Declaração de Voto elaborada pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento transcrevo abaixo e adoto como razão de decidir: “A presente declaração de voto cingese a questão preliminar, prejudicial de mérito, atinente a decadência do direito de lançar ante a ocorrência da homologação tácita da compensação realizada pela recorrente com créditos terceiros no período de junho de 2001 a maio de 2002. A recorrente a alegou que, nos termos do art. 150, §§ 1º e 4º, do CTN, a autoridade administrativa tinha o prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da formação do pedido, para homologar as compensações em apreço, porém, como a decisão não homologatória fora proferida em 10/6/2008, após 6 (seis) anos e meses, estaria consumada a decadência do direito de constituir o crédito tributário. Fl. 611DF CARF MF Processo nº 13502.000597/200687 Acórdão n.º 3302005.553 S3C3T2 Fl. 12 11 Equivocase a recorrente. O art. 150, §§ 1º e 4º, do CTN trata da homologação tácita do lançamento em que há pagamento antecipado do tributo. No caso, além de não ter havido pagamento, mas compensação, não há que se falar homologação tácita do lançamento, haja vista que, por iniciativa própria, a recorrente procedeu a constituição dos débitos tributários compensados, por meio da DCTF. Assim, se os débitos foram devidamente constituídos, obviamente, a etapa de lançamento ou constituição do crédito está superada, portanto, a decadência suscitada pela recorrente é matéria superada e, portanto, estranha aos autos Dessa forma, resta saber se no caso em tela, de fato, houve a alegada homologação tácita das compensações em referência. Nesse sentido, previamente, cabe consignar que, até 01/10/2002, quando entrou em vigor a sistemática de compensação por declaração, introduzida pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, não havia previsão legal para a homologação tácita da compensação. No período em que vigeu a redação originária do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, alterada pelos citados preceitos legais, e regulamentada pela da Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997, não havia prazo para homologação dos pedidos de compensação formulados pelos contribuinte. Tal previsão somente passou a existir com a novel alteração supra mencionada. A propósito do assunto em comento, é oportuno enfatizar que, no âmbito dos tributos administrados pela RFB, a compensação do crédito de terceiro não tinha (e continua não tendo) amparo legal. Nesse sentido, atualmente há determinação legal expressa (art. 74, § 12, II, “a”, da Lei nº 9.430, de 1996, acrescido pela Lei nº 11.051, de 2004) atribuindo o efeito de compensação não declarada a utilização de crédito de terceiro e tipificando tal conduta como infração sancionada com a multa fixada no § 4º do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, com as alterações posteriores. A despeito da falta de previsão legal, o art. 15 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, em total afronta ao princípio da estrita legalidade, da supremacia do interesse público e da hierarquia das normas, num curto período de tempo, autorizou a compensação de crédito de um contribuinte com débito de outro, com a seguinte dicção: Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. (...). (grifos não originais). [...] Fl. 612DF CARF MF Processo nº 13502.000597/200687 Acórdão n.º 3302005.553 S3C3T2 Fl. 13 12 Ainda que desprovido de suporte legal, o referido art. 15 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, vigeu até 10/4/2000, data em que foi expressamente revogado pelo art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 041 de 07 de abril de 2000. Em consonância com as disposições legais vigentes, este ato normativo também proibiu a compensação de débitos de um sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administrados pela RFB, com créditos de terceiros (art. 1º). Logo, diferentemente do alegado pela recorrente, na data em que ela formalizou as compensações em apreço, o referido art. 15 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, que, sem fundamento legal, autorizara a compensação com crédito de terceiros, já se encontrava expressamente revogado e, ao contrário do disposto no citado preceito normativo, o art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 041, de 20002, passou expressamente a proibir essa modalidade de compensação, com os seguintes termos, in verbis: Art. 1º É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, com créditos de terceiros. Parágrafo único. A vedação referida neste artigo não se aplica aos débitos consolidados no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal REFIS e do parcelamento alternativo instituídos pela Medida Provisória no 2.0045, de 11 de fevereiro de 2000, bem assim em relação aos pedidos de compensação formalizados perante a Secretaria da Receita Federal até o dia imediatamente anterior ao da entrada em vigor desta Instrução Normativa. (grifos não originais) Cabe esclarecer ainda que, além dos pedidos de compensação de crédito com débitos próprios pendentes de análise em 1/10/2002, ainda existiam, em fase de análise, pedidos de compensação de crédito com débitos de terceiros formalizados até 9/4/2000, data do término da vigência do art. 15 da da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, aos quais foram assegurados, pela própria Administração Tributária, o direito de compensação até então vigente. De qualquer modo, não se pode desconhecer que o art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 2002, estabeleceu um regramento de transição para os pedidos de compensação pendentes de apreciação até 1/10/2002, nos termos do § 4º acrescido ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, a seguir transcrito: “Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo”. Em face das regras de transição anteriormente apresentadas, as questões a serem respondidas são as seguintes: os pedidos de compensação de crédito com débitos de terceiros, pendentes de análise em 9/4/2000, estão sujeitos a qual regramento? Ao que vigeu até 30/9/2002 ou ao vigente a partir de 1/10/2002, que introduziu o novel regime de compensação por declaração? Fl. 613DF CARF MF Processo nº 13502.000597/200687 Acórdão n.º 3302005.553 S3C3T2 Fl. 14 13 Afirmativamente, tais pedidos ficaram submetidos à disciplina legal sobre compensação vigente em 9/4/2000 e que vigeu até 30/9/2002, pelos seguintes motivos: a) o novo regime de compensação aplicase apenas à “compensação de débitos próprios”, nos termos do caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1976, com a nova redação da Lei nº 10.637, de 2002; b) a declaração de compensação, prevista na nova sistemática, deve ser entregue pelo próprio sujeito passivo detentor do crédito e do débito a serem compensados, nos termos do § 1º do art. da Lei nº 9.430, de 1996, acrescido pela Lei nº 10.637, de 2002; e c) há previsão expressa no § 13 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, acrescido pela Lei nº 11.051, de 2004, no sentido de que a compensação de crédito de terceiros não se submete ao novel regime jurídico de compensação por declaração. Dessa forma, os pedidos de compensação de crédito de um contribuinte com débito de outro, formulados até 9/4/2000, pendentes de apreciação na data de início do regime de compensação declarada, por não atender a tais condições, obviamente, não se converteram em declaração de compensação. Assim, com muito mais razão, os pedidos de compensações com crédito de terceiro, formulados a partir de 10/4/2000, como no caso em tela, protocolados após a referida data, quando já não expressa vedação, inclusive, em atos normativos da Receita Federal, induvidosamente, inequivocamente, também não se converteram em declaração de compensação. Assim, os débitos compensados por meio dos citados pedidos não estão sujeitos ao regime de extinção sob condução resolutória da sua ulterior homologação, nem tampouco ao prazo de 5 (cinco) determinado para efetivação da homologação expressa, previstos no art. 74, §§ 2ºe 5º, da Lei nº 9.430, de 1996. Além disso, por se trata de um direito subjetivo de natureza material, o regime jurídico da compensação realizada pelo contribuinte é aquele previsto na norma legal vigente na data do exercício desse direito (a data da compensação), logo, havendo mudança de regime jurídico, os novos preceitos legais somente se aplicam aos fatos e situações futuras (a partir da vigência). Tratase de aplicação da regra geral de direito intertemporal, prevista no art. 101 do CTN, combinado com o disposto no art. 6º da Lei de Introdução ao Código Civil. Nesse sentido, a doutrina de Hugo de Brito Machado1, explicitada no excerto a seguir reproduzido: 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 28 ed. São Paulo: Malheiros, 2007, p. 127 Fl. 614DF CARF MF Processo nº 13502.000597/200687 Acórdão n.º 3302005.553 S3C3T2 Fl. 15 14 (...). Em princípio, o fato regulase juridicamente pela lei em vigor na época de sua ocorrência. Essa é a regra geral do chamado direito intertemporal. A lei incide sobre o fato que, concretizando sua hipótese de incidência, acontece durante o tempo em que é vigente. Surgindo uma lei nova para regular fatos do mesmo tipo, ainda assim, aqueles fatos acontecidos durante a vigência da lei anterior foram por ela qualificados juridicamente e a eles, portanto, aplicase a lei antiga. (grifos do original) Não se pode olvidar que a norma jurídica, apenas em caráter excepcional, retroage para qualificar juridicamente os fatos ocorridos antes do início de sua vigência. No âmbito tributário, as hipóteses de retroatividade da norma são aquelas taxativamente enumeradas no art. 106 do CTN, em que não se incluem as situações ou fatos extintivos do crédito tributário por meio da compensação. Em relação ao procedimento de compensação, evidentemente, não pode ser diferente, uma vez que o regime de compensação a que tem direito sujeito passivo é aquele previsto na lei vigente na data da realização da compensação tributária, o que, no âmbito dos tributos administrados pela RFB, corresponde a data da entrega do pedido ou da declaração de compensação. No mesmo sentido, manifestouse a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), por meio do Parecer PGFN/CDA/CAT nº 1499/2005, em que concluiu pela inexistência de conversão em declaração de compensação dos pedidos de compensação fundados em créditos de terceiros, “créditoprêmio” instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 5 de março de 1969, título público, crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado e crédito que não se refira a tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos excertos relevantes transcrevese a seguir: V – COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIRO – PEDIDOS PENDENTES DE APRECIAÇÃO NÃO SÃO CONVERTIDOS EM DCOMPS 38. Partindo do disposto no tópico anterior, é de se perquirir: e os pedidos de compensação com créditos de terceiro que, quando da entrada em vigor da Lei nº 10.637/02 (que incluiu o § 4º ao art. 74 da Lei nº 9.430/96), encontravamse pendentes de análise pela SRF, estão sujeitos à nova disciplina da “declaração de compensação”? 39. Ora, partindo do pressuposto de que a compensação com créditos de terceiro afigurase como exceção, vedada expressamente pela legislação em vigor, e do fato de o sujeito passivo apenas poder contrapor seu crédito líquido e certo ao crédito fiscal, como direito subjetivo público seu, no caso de existir norma legal autorizadora do encontro de contas e, ainda, submetendose ele aos requisitos de condições e garantias estipulados pela lei específica, é de se entender que os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade Fl. 615DF CARF MF Processo nº 13502.000597/200687 Acórdão n.º 3302005.553 S3C3T2 Fl. 16 15 administrativa só podem ser considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, se observadas todas as demais condições estabelecidas na lei nº 9.430/96 e legislação correlata. 40. Assim, os pedidos administrativos de compensação, fundados em créditos de terceiro, pendentes de análise pela SRF (RFB), protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria (Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03), não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação. 41. Com efeito, o precitado art. 74 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02, ao instituir a “declaração de compensação”, expressamente previu que a mesma só poderia ser prestada pelo próprio detentor do crédito contra o Fisco, ou seja, para que a “declaração de compensação” feita à Secretaria da Receita Federal extinga o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (art. 74, § 2º, da Lei nº 9.430/96), mister se faz que o contribuinte utilizese de créditos próprios. 42. Se não existe “declaração de compensação” com créditos de terceiro, por óbvio, os pedidos de compensação com créditos que não pertençam ao próprio contribuinte, mesmo que pendentes de análise por parte da RFB, não podem transmudarse naquela. 43.E mais, permanecendo como pedidos de compensação, não estão sujeitos à nova sistemática instituída para a compensação. 44. Tal entendimento decorre, inclusive, de uma interpretação sistemática das regras jurídicas encartadas na Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, ou seja, do confronto entre as regras contidas nesse diploma legal, bem como entre essas regras e as demais que tratam do instituto da compensação. 45. Dito isso, concluise, desde já, que o novel regime da compensação, que é realizada por meio de declaração (DCOMP) prestada à SRF (hoje RFB), não alcança, sob hipótese alguma, os casos de compensação com créditos de terceira pessoa. 46. Não podendo o novo regime instituído para a compensação ser desmembrado, de maneira que apenas alguns de seus postulados sejam cumpridos, em detrimento de outros, é evidente a inaplicabilidade das novas disposições sobre a compensação aos encontros de contas daquela natureza. 47. Resumindo, o encontro de contas pleiteado deve ser analisado de acordo com as normas anteriores, que previam a utilização de créditos de terceiro, não se aplicando, inclusive, a conversão do “pedido de compensação” em “declaração de compensação” (com a extinção automática do crédito tributário), e nem mesmo, por conseqüência, o prazo previsto no § 5º, do art. 74, da lei nº 9.430/96 para homologação da compensação (cinco anos). Fl. 616DF CARF MF Processo nº 13502.000597/200687 Acórdão n.º 3302005.553 S3C3T2 Fl. 17 16 48. Não se afigura correto, pois, a conversão dos pedidos de compensação desse jaez (com créditos de terceiros) em declarações de compensação, por total ausência de previsão legal para tanto. 49. E mais, por também não observarem as condições estabelecidas no art. 74 da Lei nº 9.430/96 (com a redação dada pela MP nº 66/02), resta claro que não podem ser convertidos em declaração de compensação os pedidos de compensação pendentes de apreciação, quando fundados em créditos que se refiram a “créditoprêmio” instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 05 de março de 1969; ou que se refiram a títulos públicos; ou sejam decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado; ou não se refiram a tributos ou contribuições administrados pela SRF. Aplicase, pois, o entendimento retro exposto. 50. Por fim, cumpre chamar a atenção para o fato de que, com a entrada em vigor do art. 4º da Lei nº 11.051/04, as compensações, pretendidas a partir desta data, em que os créditos sejam de terceiros (assim como aqueles que se encontrem nas situações elencadas no parágrafo anterior), serão consideradas não declaradas (vide, a respeito, os recém incluídos §§ 12 e 13 da Lei nº 9.430/96, que disciplinam esta situação e que ainda serão objeto de análise no presente Parecer). (os últimos grifos não constam do original). No mesmo sentido, o entendimento esposado na Solução de Consulta Cosit nº 1, de 4 de janeiro de 2006, de onde se extrai os trechos dos enunciados da sua ementa a seguir reproduzidos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Homologação tácita de compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA PARA PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO NÃO CONVERTIDOS EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE EXAME DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CABIMENTO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE CONTRA O NÃORECONHECIMENTO DO CRÉDITO OBJETO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. O prazo para a homologação de compensação requerida à Secretaria da Receita Federal tem sua contagem iniciada na data o protocolo do pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Será considerada tacitamente homologada, mediante despacho proferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, a compensação objeto de pedido de compensação Fl. 617DF CARF MF Processo nº 13502.000597/200687 Acórdão n.º 3302005.553 S3C3T2 Fl. 18 17 convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. Não foram convertidos em declaração de compensação os pedidos de compensação de créditos de terceiros, “créditoprêmio” instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 1969, título público, crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado e crédito que não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Os pedidos de compensação não convertidos em Declaração de Compensação não estão sujeitos à homologação tácita e devem ser deferidos ou indeferidos pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal. [...] (grifos não originais). Em suma, no âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por falta de amparo legal, o novo regime de compensação declarada não se aplica aos pedidos de compensação de crédito com débitos de terceiros, apresentados na ou após a vigência do art. 15 da Instrução Normativa nº 21, de 1997, e pendentes de análise em 1/10/2002, data que entrou em vigor a nova sistemática de compensação por declaração.” Corroborando este posicionamento, o Acórdão nº 9101002.848, proferido pela CSRF em 12/05/2017, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1995 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO DE TERCEIROS. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser convertidos em declaração de compensação, desde o seu protocolo, caso sejam observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata. Nesse sentido, os pedidos de compensação no qual se utiliza crédito para extinguir débitos de terceiros, pendentes de análise pela Receita Federal, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria por meio da MP nº 66/2002 e das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação, razão pela qual não recai sobre o Fisco a homologação tácita. Destarte, rejeita a preliminar argüida. Quanto à matéria de mérito, ou seja, a possibilidade jurídica de se efetuar a compensação de débitos de um contribuinte com créditos de terceiros, esta turma já se pronunciou no julgamento Fl. 618DF CARF MF Processo nº 13502.000597/200687 Acórdão n.º 3302005.553 S3C3T2 Fl. 19 18 do processo nº 13963.000188/200319, que resultou no Acórdão nº 3302003.169. Em breve relato, a Nitriflex obteve decisão transitada em julgado favorável, em 18/04/2001, no MS nº 98.00166580, para se creditar de IPI sobre aquisições isentas e ou sujeitas à alíquota zero, adquiridos no período de julho de 1989 a julho de 1998, conforme certidão de efls. 908. A União ajuizou as Ações Rescisórias nº 1.788DF e nº 2003.02.01.0056758, com o intuito de rescindir decisões proferidas no MS 98.00166580, tendo a primeira sido extinta sem julgamento do mérito, com trânsito em julgado em 13/05/2009. Relativamente à segunda ação, a União obteve decisão parcialmente favorável, o que motivou o ajuizamento da Reclamação nº 9.790 no STF pela recorrente. Em 28/03/2012, o Pleno do STF julgou procedente a reclamação para cassar as decisões proferidas pelo TRF da 2º Região na Ação Rescisória nº 2003.02.01.0056758, com trânsito em julgado ocorrido em 19/10/2012. Assim, inexiste incerteza quanto à aplicação da coisa julgada no MS 98.00166580, sendo legítimos os créditos de IPI decorrentes das aquisições isentas e de alíquota zero no período referido no mandado de segurança e já reconhecidos nos processos 10735.000001/9918 e 10735.000202/9970, que aqui não estão discutidos, mas apenas a compensação com débitos da ELIANE. De outro giro, o MS nº 2001.51.10.0010250 objetivou o afastamento da vedação imposta pela IN SRF 41/2000 de compensação de débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros, decisão transitada em julgado em 12/09/2003. O entendimento defendido pela recorrente é de que a coisa julgada alcançaria não apenas o direito creditório em si, mas também a forma como a Nitriflex poderia dispor deste direito, o que não poderia ser afastado por legislação superveniente, em decorrência do princípio da irretroatividade e da segurança jurídica. Este posicionamento se coadunou com o esposado no OfícioIntimação nº 289/2002 SUB, de 13/11/2002, mediante o qual o Delegado da Receita Federal fora intimado do seguinte: "Senhor Delegado, Comunico a V. Sª que, nos autos da APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA N.° 2001.02.01.0352326 (Origem: 200151100010250), em que figuram como APELANTE: N1TRIFLEX S/A INDUSTRIA E COMÉRCIO e, como APELADO: UNIAO; FEDERAL / FAZENDA NACIONAL, foi proferido despacho às fls. 253, do seguinte teor: '...2 Intimese a digna autoridade impetrada para ciência e cumprimentei do v. acórdão que invalidou limitação a compensação de créditos da impetrante com débitos de terceiros, tal conto previsto nu INSRF n° 41/00, repetida na 1NSRF n° 210 de 30 de setembro de 2002, sob as penas Fl. 619DF CARF MF Processo nº 13502.000597/200687 Acórdão n.º 3302005.553 S3C3T2 Fl. 20 19 previstas no art. 14 do CPC...". Em 11/11//200Z ROGERIO CARVALHO —Relator. [...] ROGÉRIO VIEIRA DE CARVALHO Desembargador Federal Relator Presidente da 4º Turma TRF 2º Região Verificase que a comunicação informou estar invalidada a limitação à compensação de créditos da Nitriflex com débitos de terceiros, tal como prevista na IN SRF 41/2000, bem como na IN SRF nº 210/2002, a qual foi editada já sobre a vigência da MP nº 66/2002. Posteriormente, a NITRIFLEX peticionou nos autos do MS nº 2001.51.10.0010250 informando o descumprimento de ordem judicial e ofensa à coisa julgada por parte da Receita Federal, sob o argumento de que a partir de 29/08/2002, em razão da alteração do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 pelo artigo 49 da MP nº 66/2002, estaria vedada a compensação de créditos de um sujeito passivo com débitos de outro. Em 25/03/2014, foi proferida decisão no seguinte teor: "Por conseguinte, considerando que a impetrada não trouxe aos autos qualquer alegação capaz de relativizar os efeitos da coisa julgada, DEFIRO O PEDIDO de fls. 1272/1279, para determinar que cumpra imediatamente a r. decisão transitada em julgado, adotando todas as providências necessárias nos autos dos processos administrativos relativos às compensações objeto da ação n° 98.00166580 (PA 10735.000001/9918 e apensos), efetuando em definitivo a análise dos pedidos de compensação com débitos de terceiros não optantes do REFIS, conforme limites objetivos do título judicial exequendo, atentando para o fato de que o advento da Lei n. 10.637/02 não pode ser óbice à homologação do pedido de compensação da impetrante." Depreendese, pois, que a discussão principal travada neste processo quanto à aplicação ou não da nova redação do artigo 74, alterado pela MP nº 66/2002, no sentido de vedar a entrega de declaração de compensação após 1º/10/2002 com utilização de créditos de terceiros, foi levada ao Judiciário ante a decisão acima proferida no processo 2001.51.10.0010250 em 25/03/2014, determinando o cumprimento da coisa julgada, afastando qualquer óbice trazido pela Lei nº 10.637/2002 (conversão da MP nº 66/2002). Assim, não cabe a este conselho proferir julgamento de mérito sobre a matéria levada à discussão judicial, nos termos da Súmula CARF nº 1, cujo enunciado dispõe que "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do Fl. 620DF CARF MF Processo nº 13502.000597/200687 Acórdão n.º 3302005.553 S3C3T2 Fl. 21 20 processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.". Reforçando a conclusão, informase a existência de ação rescisória de nº 2005.02.01.0071872, com decisão em recurso especial favorável à União, questionando a segurança concedida no MS 2001.51100010250. Verificando o andamento processual do referido mandado, consta decisão proferida em 18/01/2016 pela Juíza Federal Vanessa Simione Pinotti, com o seguinte teor: JUSTIÇA FEDERAL SEÇÃO JUDICIÁRIA DO RIO DE JANEIRO 01ª Vara Federal de Execução Fiscal de São João de Meriti Processo nº 000102518.2001.4.02.5110 (2001.51.10.0010250) Autor: NITRIFLEX S/A COM/ IND/. Réu: DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DE NOVA IGUACU. Decisão Tratase de embargos de declaração opostos pela impetrante em face da decisão de fls. 1533/1536, sustentando ter ocorrido omissão às normas processuais dos artigos 125, inciso I, 128 e 473 do CPC, ao argumento de que o Juízo não teria observado os princípios da igualdade e inércia, e que a decisão modificada pela ora impugnada fere decisão já preclusa. Alega, ainda, a existência de contradição, por ter considerado suspensa a exigibilidade do título executivo proferido neste processo em razão do ajuizamento de ação rescisória, já que não houve deferimento de efeito suspensivo pelo TRF. A impetrante aditou sua petição de embargos de declaração às fls. 1598/1601 requerendo que, se não houvesse o cancelamento da decisão ora embargada que, ao menos, houvesse a suspensão da exigência dos créditos de terceiros. Diante dos possíveis efeitos infringentes dos embargos de declaração, foi dada vista à Fazenda Nacional, que sustentou que os embargos não cumprem os requisitos do artigo 535 do Código de Processo Civil, diante da inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. É o relatório. Passo a decidir. Inexiste a omissão a normas processuais apontadas pela impetrante. A notícia da existência de ação rescisória tendo por objeto o título executivo da presente demanda foi trazida aos autos por certidão de servidor da Secretaria do Juízo (fls. 1464/1514), em momento posterior à prolação da decisão de fls. 1458/1459, que deferiu a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários da sociedade que se pretende compensar com créditos da impetrante. Tratase, portanto, de fato até então desconhecido por esse Juízo, mas já sabido pelas partes desse feito. Frisese que ambas Fl. 621DF CARF MF Processo nº 13502.000597/200687 Acórdão n.º 3302005.553 S3C3T2 Fl. 22 21 as partes já se manifestaram nesse processo após o ajuizamento e a apresentação de resposta na ação rescisória, porém não fizeram qualquer menção desse fato. Diante dessa nova situação, que, salientese, já era conhecida pelas partes dessa demanda, esse Juízo cuidou para que o princípio da efetividade da demanda, notadamente a ação rescisória, pudesse ser alcançado. Destaquese que o título executivo proveniente dessa ação permite que o crédito tributário que a impetrante tem para com o Fisco seja repassado a terceiros, que, conforme mesmo aduz a impetrante, são muitos. Além disso, como também já explicitado nesse feito, o cumprimento da aludida decisão é situação complexa e que exige uma série de procedimentos. Logo, na eventual hipótese de desconstituição do título executivo, no mínimo, demandará um lapso temporal razoável para se desfazer o encontro de contas já realizado. Por tudo isso e com escoro no poder geral de cautela, esse Juízo entendeu que a melhor forma de assegurar o princípio da efetividade da ação rescisória seria suspender o cumprimento do acórdão transitado em julgado a fim de que não houvesse prejuízo a qualquer das partes, respeitando, pois, a igualdade entre as partes. Nessa trilha, não se está decidindo para além da lide proposta a uma, porque a lide já restou decidida, havendo, inclusive, o trânsito em julgado; e, a duas, porque a emanação dos influxos do princípio da efetividade da ação rescisória permite que o magistrado, no uso do seu poder geral de cautela, adote as medidas que entenda necessárias para salvaguardar o resultado útil do processo, sob pena de a demanda restar decidida e aquele que tiver seus interesses acolhidos não conseguir executála. Cabe ainda ponderar que não se está a discutir questão já preclusa nesse feito, visto que, como dito, é matéria nova ao menos para esse Juízo e nesse feito. Por tudo isso, não há que se falar em omissão às normas processuais em foco. Com relação à contradição alegada, embora o egrégio Tribunal Regional Federal da 2ª Região não tenha conferido efeito suspensivo à ação rescisória, não resta dúvida de que o Tribunal já assentou, no julgamento da apelação nº 2011.51.20.0011037, que a decisão do STJ que anulou o julgamento da rescisória “já restou reconhecida a nulidade do título [...] em razão da aplicação da teoria da causa madura em face de sentença terminativa e antes da vigência da Lei nº 10.352/01, que acrescentou o §3º ao art. 515 do CPC” (fl. 1529). Ademais, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região assentou que não há ofensa ao artigo 489 do Código de Processo Civil mesmo sem a concessão do efeito suspensivo prevista no referido dispositivo, visto que a decisão do Superior Tribunal de Justiça é Fl. 622DF CARF MF Processo nº 13502.000597/200687 Acórdão n.º 3302005.553 S3C3T2 Fl. 23 22 mais que provimento precário, é julgamento de mérito de instância superior. Nem se alegue que a referida apelação nº 2011.51.20.0011037 não tem relação com a presente demanda, pois se trata de apelação em mandado de segurança no qual a impetrante daqueles autos pretende compensar seus débitos com créditos tributários da NITRIFLEX, tendo como causa de pedir o direito reconhecido no presente mandado de segurança. Por outro lado, deve ser reconhecida a contradição apontada pela embargante quando sustenta que, a despeito do estado de incerteza quanto à manutenção do título existente nesse feito, há, ainda, coisa julgada que, também, emite os seus efeitos. De fato, enquanto não julgada definitivamente a ação rescisória, o título executivo subsiste, até que seja confirmada ou não sua eventual rescisão, emitindo, portanto, efeitos. Entretanto, não resta dúvida que a existência da ação rescisória põe em questão a certeza da coisa julgada produzida anteriormente, devendo ser analisados com cautela os efeitos do imediato cumprimento da sentença. Como dito, na hipótese dos autos, a execução imediata do título executivo permite a compensação de créditos da impetrante com débitos de outras sociedades empresariais. Caso cumprido imediatamente, eventual rescisão do julgado causaria, no mínimo, enorme transtorno e lapso temporal, haja vista que a Receita Federal do Brasil teria que rever um incalculável número de processos administrativos de compensação. Assim, forte no poder geral de cautela suprarreferido, nos termos do artigo 798 do Código de Processo Civil, entendo que deve ficar suspensa a exigibilidade da coisa julgada produzida nos presentes autos até o julgamento final da ação rescisória nº 2005.02.01.0071872. Por tudo isso, nem se deve levar a cabo o encontro de contas de débitos de terceiro com os créditos da impetrante, nem se pode tolerar que a Receita Federal do Brasil e a Procuradoria da Fazenda Nacional exijam os mesmos débitos de terceiros, respeitando, assim, a igualdade entre as partes. Diante do exposto, CONHEÇO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO E A ELES DOU PARCIAL PROVIMENTO para alterar a parte final da decisão de fls. 1533/1536, a partir de fl. 1536, que passa a constar com a seguinte redação: “Ademais, considerando a existência de ação rescisória a colocar em cheque a certeza do título executivo produzido nos presentes autos, não se pode realizar o cumprimento imediato do que restou decidido nesse processo. Por outro lado, tendo sido reconhecido o direito da impetrante em promover a compensação de seus créditos com débitos de Fl. 623DF CARF MF Processo nº 13502.000597/200687 Acórdão n.º 3302005.553 S3C3T2 Fl. 24 23 terceiros, a coisa julgada produz efeitos, ao menos até o julgamento final da ação rescisória. Por tudo isso, nem se deve levar a cabo o encontro de contas de débitos de terceiro com os créditos da impetrante, nem se pode tolerar que a Receita Federal do Brasil e a Procuradoria da Fazenda Nacional exijam os mesmos débitos de terceiros. Dessa forma: TORNO SEM EFEITO a decisão de fls. 1363/1365, a fim de não mais impor à Administração o cumprimento imediato do acórdão prolatado neste feito; MANTENHO SUSPENSA A EXIGIBILIDADE dos créditos tributários constantes dos Processos Administrativos 10880.720940/200616 e 10880.721107/200684; OFICIESE à 5ª Vara Federal de São João de Meriti, para ciência desta decisão e eventuais providências cabíveis; SUSPENDASE o presente mandado de segurança até julgamento final da ação rescisória nº 2005.02.01.0071872.” OFICIESE com a máxima urgência a Delegacia da Receita Federal de Nova Iguaçu, bem como a Procuradoria da Fazenda de Nova Iguaçu, para ciência das modificações aqui produzidas. Publiquese. Intimemse. São João de Meriti, 18 de janeiro de 2016. VANESSA SIMIONE PINOTTI Juíza Federal Substituta 1ª Vara Federal de Execução Fiscal de São João de Meriti Documento assinado eletronicamente Portanto, concluise que a decisão, acima transcrita, proferida nos autos do MS 2001.51100010250 suspendeu os efeitos da coisa julgada no sentido de a Administração Tributária não se compelida ao cumprimento do acórdão transitado, bem como suspendeu a exigibilidade do crédito tributário compensado, até o julgamento final da ação rescisória nº 2005.02.01.0071872. Destarte, a matéria principal de mérito subida a este conselho, qual seja, a relativização da coisa julgada no MS 2001.51100010250, em razão da aplicação da limitação imposta pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96 (com a redação dada pelo artigo 49 da MP nº 66/2002), vedando a compensação com créditos de terceiros, é objeto de discussão judicial, devendo não ser conhecido o recurso voluntário nesta parte, qual seja, os argumentos desenvolvidos nos itens II.3, II.4, II.5, II.6 e II.7 (e fls. 155/184). Fl. 624DF CARF MF Processo nº 13502.000597/200687 Acórdão n.º 3302005.553 S3C3T2 Fl. 25 24 Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, no que tange à matéria preliminar, contudo negarlhe provimento, e, em razão da existência de concomitância entre a matéria administrativamente discutida com os processos judiciais, não conhecêlo quanto ao mérito no que se refere à limitação imposta pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 para a compensação de débitos próprios com créditos de terceiros, cabendo à unidade administrativa de origem dar cumprimento às decisões judiciais vigentes. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Fl. 625DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660384/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.785
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 84 /2 01 2- 51 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660384/201251 Acórdão n.º 3401004.785 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660384/201251 Acórdão n.º 3401004.785 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660384/201251 Acórdão n.º 3401004.785 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660384/201251 Acórdão n.º 3401004.785 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660384/201251 Acórdão n.º 3401004.785 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660384/201251 Acórdão n.º 3401004.785 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.720813/2016-75
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 11/04/2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO COLETIVA. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
A existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3002-000.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, afastando a concomitância e determinando o retorno dos autos à DRJ para que profira novo julgamento analisando todas as alegações da Impugnação.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
1.0 = *:*
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1248; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 200 1 199 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.720813/201675 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.215 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 12 de junho de 2018 Matéria AI ADUANA MULTA Recorrente V. SANTOS ASSESSORIA ADUANEIRA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/04/2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO COLETIVA. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, afastando a concomitância e determinando o retorno dos autos à DRJ para que profira novo julgamento analisando todas as alegações da Impugnação. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 08 13 /2 01 6- 75 Fl. 200DF CARF MF Processo nº 11128.720813/201675 Acórdão n.º 3002000.215 S3C0T2 Fl. 201 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão 1675.695 da DRJ/SPO, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. A partir desse ponto, transcrevo o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Trata o presente processo de Auto de Infração formalizado para exigência da multa "por não prestação de informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que executar", na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003, perfazendo o valor do crédito tributário exigido R$ 5.000,00. Segundo a fiscalização, a interessada concluiu a desconsolidação relativa a conhecimento de transporte de forma intempestiva, conforme resumo apresentado na OCORRÊNCIA 1 constante dos autos. Informa também que o crédito foi lançado para prevenir a decadência. Cientificada da autuação, apresentou defesa, alegando, em síntese, que: houve impossibilidade de prestação de informações por fatos alheios à sua vontade.por depender de informações de outros, devendo ser levados em consideração os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. deve ser excluída a penalidade em função de decisão em sede de tutela antecipada no processo n° 000523886.2015.4.03.6100 da 14ª Vara Federal da Subseção Judiciária de São Paulo, interposta pela Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissárias de Despachos e Operadores Intermodais (ACTC). Referida decisão afasta a aplicação das multas da IN/RFB n° 800/2007 pela aplicação da denúncia espontânea, nos termos do art. 102, §2°, do Decretolei n° 37/66. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 11128.720813/201675 Acórdão n.º 3002000.215 S3C0T2 Fl. 202 3 a denúncia espontânea exclui as penalidades de natureza administrativa, como é o caso, com jurisprudência do CARF e da DRJ sobre o tema. Requer, por fim, que sejam acolhidos os argumentos apresentados e que seja julgado improcedente o presente auto de infração." Analisando as argumentações da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPO) julgou a Impugnação de modo a não conhecêla, quanto à matéria objeto de ação judicial, e julgála improcedente, quanto à matéria diferenciada, por Acórdão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 11/04/2012 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO INTEMPESTIVO DE CARGA. MULTA. O registro intempestivo do conhecimento de carga na chegada de veículo ao território nacional tipifica a multa prevista no art. 107, IV, “e” do Decretolei n° 37/66 com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Mandado de Segurança. Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. Parecer Normativo COSIT n°7/14. Súmula CARF n° 1. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. A existência de medida judicial suspendendo a exigência de crédito tributário não é incompatível com o lançamento efetuado pela Fazenda Pública para prevenir a decadência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seqüência, após ser cientificada dessa decisão, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário (167/182), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando e reforçando argumentos jurídicos já apresentados e argumentando que não há concomitância entre o processo judicial e o administrativo, pois a recorrente figuraria apenas como substituída naquele. Ademais, alega que a decisão viola os Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 11128.720813/201675 Acórdão n.º 3002000.215 S3C0T2 Fl. 203 4 É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A principal controvérsia posta sob análise cingese à existência ou não de concomitância entre o processo administrativo e o judicial em casos de ações coletivas propostas por associações de classe, da qual o contribuinte faça parte. Essa matéria se mostra, atualmente, pacificada no âmbito desta Corte, como demonstram os recentes Acórdãos: Acórdão 1402001.629: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. PROCESSO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INOCORRÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. A renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do contribuinte expressado mediante litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou propositura de ação individual de objeto análogo ao processo administrativo, o que não se verifica na hipótese. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS DE DEFESA. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 11128.720813/201675 Acórdão n.º 3002000.215 S3C0T2 Fl. 204 5 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Afastadas a concomitância e a renúncia à discussão administrativa, é de se reconhecer a nulidade da decisão de primeira instância que deixou de apreciar todos os argumentos de impugnação. Nova decisão deve ser proferida, em atenção ao duplo grau de jurisdição previsto nas regras de regência do processo administrativo fiscal. Acórdão 9303005.472: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1999 a 30/09/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Recurso Especial do Procurador negado. Acórdão 9303005.057 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/10/1995 a 31/10/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. Ainda que haja alcance dos efeitos jurídicos da decisão para os representados da entidade, não se materializa a identidade entre os sujeitos dos processos, ou seja, autor da medida judicial e recorrente no âmbito administrativo, diante da qual é possível aferir a manifestação de vontade (critério subjetivo) que exige a renúncia. Assim, a existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 11128.720813/201675 Acórdão n.º 3002000.215 S3C0T2 Fl. 205 6 Embora seja certo que as entidades de classe, quando propõem ações coletivas, estão agindo no interesse de seus filiados, também é correto supor que estes podem não ter manifestado sua concordância com a propositura daquelas ações. Mesmo quando assembléias aprovam o caminho judicial a ser seguido pela entidade, ainda assim, devemos ter em conta que a decisão da maioria não reflete, necessariamente, a vontade de todos os filiados. Creio oportuno trazer a colação as Súmulas do Supremo Tribunal Federal que ratificam a independência das entidades de classe, quanto à propositura de ações coletivas: Súmula STF nº 629 A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes. Súmula STF nº 630 A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria. (grifos nossos) Assim, pareceme não ser razoável o reconhecimento da concomitância somente pela existência de uma ação coletiva movida por entidade de classe, da qual o contribuinte faça parte, sem que esteja clara a vontade deste, pois diferentemente das ações individuais, nas quais resta cristalina a intenção de o contribuinte optar pela via judicial, nas coletivas, isto, em princípio, não ocorre. Ademais, quando o sujeito passivo impetra uma ação individual versando sobre a mesma matéria discutida em processo administrativo, ocorre uma presunção legal absoluta da desistência tácita ao contencioso administrativo. Contudo, em ações coletivas, ajuizadas por substitutos processuais, não se aplica tal presunção, pois do contrário, estaria se violando os Direitos Constitucionais ao Contraditório e à Ampla Defesa. Desta forma, entendo não existir concomitância no presente caso. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, afastando a concomitância e determinando a devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento analisando todas as alegações da Impugnação. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 11128.720813/201675 Acórdão n.º 3002000.215 S3C0T2 Fl. 206 7 (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 206DF CARF MF
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Numero do processo: 10730.720612/2017-88
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
PEDIDO DE ANULAÇÃO DO LANÇAMENTO.
Necessária a devida fundamentação fática e legal de vício ou erro que justifique a anulação de lançamento.
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEPENDENTE SEM COMPROVAÇÃO LEGAL. CONTRIBUIÇÃO PARA PREVIDÊNCIA PRIVADA. DEDUÇÃO DE INCENTIVO. MATÉRIAS NÃO CONTESTADAS.
Considera-se reconhecido o crédito tributário para matérias com aceitação do recorrente ou que não tenham sido objeto de contestação expressa na peça recursal.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Falta de declaração ou declaração inexata de rendimentos recebidos. Lançamento da diferença de imposto em razão da omissão de rendimentos por informação inexata na declaração de ajuste anual.
Numero da decisão: 2001-000.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 PEDIDO DE ANULAÇÃO DO LANÇAMENTO. Necessária a devida fundamentação fática e legal de vício ou erro que justifique a anulação de lançamento. DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEPENDENTE SEM COMPROVAÇÃO LEGAL. CONTRIBUIÇÃO PARA PREVIDÊNCIA PRIVADA. DEDUÇÃO DE INCENTIVO. MATÉRIAS NÃO CONTESTADAS. Considera-se reconhecido o crédito tributário para matérias com aceitação do recorrente ou que não tenham sido objeto de contestação expressa na peça recursal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Falta de declaração ou declaração inexata de rendimentos recebidos. Lançamento da diferença de imposto em razão da omissão de rendimentos por informação inexata na declaração de ajuste anual.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
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Necessária a devida fundamentação fática e legal de vício ou erro que justifique a anulação de lançamento. DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEPENDENTE SEM COMPROVAÇÃO LEGAL. CONTRIBUIÇÃO PARA PREVIDÊNCIA PRIVADA. DEDUÇÃO DE INCENTIVO. MATÉRIAS NÃO CONTESTADAS. Considerase reconhecido o crédito tributário para matérias com aceitação do recorrente ou que não tenham sido objeto de contestação expressa na peça recursal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Falta de declaração ou declaração inexata de rendimentos recebidos. Lançamento da diferença de imposto em razão da omissão de rendimentos por informação inexata na declaração de ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 06 12 /2 01 7- 88 Fl. 103DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas, Dependentes, Dedução de Incentivo e Omissão de Rendimentos. O Lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 15.195,93, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e, juros moratórios, referente ao anocalendário de 2014. A justificação do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento motivador da lavratura o fato de que a Recorrente promoveu dedução do imposto por despesas médicas incorridas por pessoas não dependentes legalmente, dedução de incentivo para previdência privada e omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda de pessoa física. A constituição do Acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à despesas sem comprovação ou sem amparo legal para utilização como despesas dedutíveis e omissão de rendimentos por informação inexata na declaração de ajuste anual em desatendimento à legislação tributária, como segue: Em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual com base nos arts. 788, 835 a 839, 841, 844, 871 e 992 do Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), foi lavrada, em 06/02/2017, a Notificação de Lançamento às fls. 14, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, do anocalendário de 2014 na qual foi apurado IRPF/2015 Suplementar de R$ 15.195,93, multa de oficio e juros mora, valor do crédito tributário apurado em 24/02/2017 de R$ 30.252,04. (...) A inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para o impugnante a obrigação de comprovação e justificação das deduções, e, não o fazendo, sofre as consequências legais, ou seja, o não cabimento das deduções, por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar significa trazer elementos que não deixem qualquer dúvida quanto ao fato questionado. Desta forma, cabe ao impugnante trazer aos autos documentos e elementos que façam prova cabal da despesa deduzida na declaração de ajuste anual nos moldes previstos na legislação do imposto de renda. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10730.720612/201788 Acórdão n.º 2001000.430 S2C0T1 Fl. 104 3 A presente lide trata da omissão de rendimentos com base nas informações prestadas nas DIRF, despesas médicas, contribuição à previdência privada e dependente. Observase do demonstrativo elaborado pela interessada, às fls. 11 da impugnação e transcrita no relatório, que aceitou parcialmente omissão de rendimentos no valor de R$ 21.453,24. Portanto, a lide a ser apreciada no presente voto é o valor da omissão de rendimentos apurada referente aos rendimentos decorrente de aposentadoria parcela excedente por ter mais de uma aposentadoria pagas pelos cofres públicos. No que diz respeito as glosas das deduções no valor total de R$ 5.722,64, constante do demonstrativo de apuração de imposto devido fls. 23, foi acatado pela contribuinte em demonstrativo de apuração elaborado às fls. 11. Ademais, não foram juntados aos autos, documentos que comprovassem as deduções pleiteadas, para análise do julgamento da lide. Ademais, ao ser acatado pela interessada, não há litígio, em relação às glosas das deduções, objeto da Notificação de Lançamento 2015/951709174117805, no valor de R$ 5.722,64. Quanto à glosa da Dedução de Incentivo no valor de R$ 2.100,00, de conformidade com o demonstrativo de fls. 11, não constam documentos que comprove a dedução nos termos prescrito pela legislação. Ademais, foi aceito pela interessada quando da apuração do imposto devido pela contribuinte às fls. 11. Portanto, matéria não contestada. (...) De conformidade com as informações prestadas em sua DIRPF/2014, consta que foi oferecido à tributação fonte pagadora Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão CNPJ 42.498.634/000166, apenas o valor de R$ 31.231,02, conforme transcrição da referida declaração. Entretanto, a referida fonte pagadora informou os seguintes valor R$ 31.728,25, como rendimentos tributáveis e R$ 21.453,24, referente as parcelas mensais como isenção de imposto de renda por ser a contribuinte aposentada e maior de 65 anos. E a isenção de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria de declarante com 65 anos ou mais, teve seu limite estabelecido em lei, conforme o art. 4, VI, da Lei 9.250/95, com redação dada pela Lei 10.451/2002, a seguir reproduzido: Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) VI a quantia de R$ 1.058,00 (um mil e cinquenta e oito reais), correspondente à parcela isenta dos rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por Fl. 105DF CARF MF 4 qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, a partir do mês em que o contribuinte completar 65 (sessenta e cinco) anos de idade. Importante ressaltar o que determina a Instrução Normativa SRF nº 15, de 06 de fevereiro de 2001, relativamente à parcela isenta de aposentadoria ou pensão, em seu art. 52: Art.52. No caso de recebimento de uma ou mais aposentadorias ou pensões pagas pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno ou por entidade de previdência privada, a contribuinte com 65 anos de idade ou mais, a parcela isenta deve ser considerada em relação à soma dos rendimentos, observados os limites mensais. Parágrafo único. O limite anual representa a soma dos valores mensais computados a partir do mês em que o contribuinte completar 65 anos de idade até o término do anocalendário. Assim, depreendese dos comandos normativos os seguintes requisitos e condições para usufruir a isenção em análise: a) os rendimentos devem ser originados de aposentadoria ou pensão; b) o contribuinte deve completar 65 anos; c) a parcela de isenção pode ser computada somente uma vez, mesmo no caso de recebimento de mais de um rendimento. (...) No presente caso, a contribuinte recebe aposentadoria e ou pensão de 03 (três) fontes pagadoras: Mistério da Fazenda , Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão. Como são fontes pagadoras distintas cada uma considera a parcela isenta, por ser a contribuinte, aposentada ou pensionista maior de 65 anos. Entretanto, a legislação permite apenas isenção de uma fonte pagadora. (...) Portanto, o total pago a contribuinte pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, foi de R$ 53.184,79, referente total de R$ 31.231,02, já declarado e R$ 21.453,24, omitido pela contribuinte, devidamente apurado pela autoridade fiscal. Assim sendo, é de manter a omissão de rendimentos apurado na Notificação de Lançamento. (...) Por fim, cabe afirmar que não há que se falar em nulidade do lançamento quando todos os requisitos previstos no art. 11 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, foram observados na ocasião da lavratura da notificação, verbis: (...) Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10730.720612/201788 Acórdão n.º 2001000.430 S2C0T1 Fl. 105 5 O lançamento revestiuse de todas as formalidades para sua validade, quais sejam: determinação do montante devido; a identificação do sujeito passivo; a proposição da penalidade aplicável cabível; a lavratura por servidor competente (AuditorFiscal da Receita Federal), com atribuições legais para tal fim, tudo exposto às fls. 16/21 da presente notificação. Nesse contexto, no caso concreto, não há que se falar em nulidade da presente notificação, uma vez que a Autoridade Fiscal seguiu o que determina a legislação. Por fim, em se tratando do pedido de parcelamento feito pelo sujeito passivo, em sua peça impugnatória, devemos ressaltar ao contribuinte que não compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento apreciar pedido de parcelamento, posto que tal competência não se encontra dentre aquelas determinadas pela Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010, a qual trata do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) Ante ao exposto, VOTO pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação, MANTER o na integra a Notificação de Lançamento. Assim, conclui a decisão de piso pela improcedência da impugnação para manter a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 15.195,93, referente à omissão de rendimentos como parte do que foi contestado do lançamento, mais as matérias não contestadas referente ao crédito tributário lançado, todos a serem acrescidos de multas e juros nos termos da legislação tributária. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) INICIALMENTE – Da nulidade do Ofício de Lançamento Fiscal Aqui, primeiro, antes de ingressar na matéria de direito, requer a recorrente alegar questão ponderosa que, data vênia, deve ser decidida antes de se apreciar o mérito propriamente dito deste instrumento recursal. Dito isto, temse que o artigo 11, do Decreto nº 70.235/72, inciso II, estabelece que o valor do crédito tributário deve constar do documento de lançamento) notificação. O legislador ao editar tal obrigação, assim como o fez com relação à CDA narrada nos artigos 202, II e III do CTN, desejou dar transparência à exação suplementar decorrente da atividade revisional de ofício exercida pelo fisco, de modo que não pairem dúvidas a respeito da tributação pendente (ocasionalmente) ainda devida pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Fl. 107DF CARF MF 6 Dessa maneira, não é aceitável que haja qualquer falha no aludido orçamento, de modo que seja vista como infeliz em desvalorização da credibilidade e solidez desta conta qualquer equívoco em sua formatação, circunstâncias que gera insegurança e exercício tributário de cobrança sem parâmetro ou baliza legal e atuarial. MÉRITO Em que pese a inteligência julgadora emitida pela prodigiosa relatora responsável por este julgamento, conclusão jurisdicional administrativa esta que foi acompanhada na integra pelos integrantes da d. 1ª Turma da DRJ/REC, mas a decisão proferida no julgamento da presente contestação da notificação de lançamento fiscal não está correta, considerandose a integralidade do substrato fático que envolve à relação jurídica tributária estabelecida entre as partes, e, maiormente, em virtude da existência de decisão judicial proferida nos autos da ação ordinária nº 2002.5102.005.9225, julgada pela 3ª Vara Federal de Niterói/RJ, em que a autora objetivou, com êxito, que a Fazenda se abstivesse da cobrança de imposto de renda sobre os valores do benefício de aposentadoria complementar recebido pela ora recorrente segundo se passa a expor. (...) Dáse, contudo, que a impugnante, ora recorrente, utilizouse deste mecanismo de impugnação para contrariar o lançamento fiscal inerente ao tópico em que este órgão Fiscal afirma que houve omissão de rendimentos, este, por sua vez, inerente à fonte pagadora Rio Previdência – Secretaria de Estado do Planejamento e Gestão (CNPJ 42.498.634/000166), cujos valores não informados equivaleriam ao crédito asseverado como omitido de R$ 21.453,24 (vinte e um mil e quatrocentos e cinquenta e três reais e vinte e quatro centavos), parcela referente a crédito/rendimento tributário dito como percebido, já que o abatimento inerente aos proventos de inatividade/aposentadoria de declarante com 65 (sessenta e cinco) anos ou mais na data do fato gerador/informação, condizente ao DIRPF/DAA, já havia sito utilizado pela contribuinte em relação a outra renda, fato que impediria tal utilização também em face desse rendimento. Entretanto, ao contrário disso, verificase que o rendimento afirmado como excluído da DIRPF, em verdade, está com sua exigência fiscal suspensa por força da decisão judicial proferida nos autos da ação ordinária nº 000592279.2002.4.02.5102 (documento em anexo), em trâmite perante a 3ª Vara Federal de Niterói/RJ. (...) Da Não Observância Da Prova Apresentada No Termo de Recepção de Requerimento Inerente a Intimação Fiscal nº2014/715807427932750 – Atendimento À Intimação nº 2014/010300180428 No bojo do julgamento do v. Acórdão nº 1157502, informam os judicantes que a contribuinte não fez juntar aos autos qualquer documento que comprove suas alegações, nem mesmo a respeito dos fatos que eventualmente não tenham sido isoladamente impugnados. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10730.720612/201788 Acórdão n.º 2001000.430 S2C0T1 Fl. 106 7 Ocorre que tal afirmativa não é crível, eis que a contribuinte, à luz da Intimação Fiscal nº2014/715807427932750 – Atendimento À Intimação nº 2014/010300180428 – apresentou um rol extenso de documentos que, com efeito, comprovam suas alegações e, por certo, deveriam influir no julgamento desta impugnação. (...) A autora é uma das partes que compõem o litisconsórcio (polo) ativo da presente demanda, tendo se beneficiado da decisão judicial que ordena a suspensão da exigibilidade da obrigação tributária em face d presente renda, conforme pode ser atestado, também, pelas informações complementares presentes no comprovante de rendimento pago e de retenção de imposto de renda na fonte alusivo ao provento e aposentadoria ora questionado (Rio Previdência – Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, CNPJ 42.498.534/000166, DEPRO 04071270). Segundo redigido no documento oficial retro citado (anexo), a renda alegada pela SRFB como omitida dos rendimentos oficiais da autora está com sua exigibilidade fiscal integralmente suspensa, e, quanto a parte do rendimento que teria sido destinada à isenção determinada no artigo 6º, XV, da Lei 7.713/88 (artigo 4º, VI da Lei 9.250/95 e artigo 52 da IN da RFB nº 15 de FEV/2001), esta, por corolário lógico, também está com sua exigibilidade suspensa quando não utilizada neste sentido – não consideração como rendimento tributável – tendo em vista a cláusula ou regra do acessório segue o destino do principal. Os valores da renda Rio Previdência Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, CNPJ 42.498.534/000166, DEPRO 040712 70, percebida pela ora recorrente, consiste, além do principal (rendimento com exigibilidade suspensa apurada no valor de R$ 54.658,28), em bem acessório, correspondente ao valor de R$ 23.241,01 (que, subtraída a parcela inerente ao décimo terceiro não tributável), que é igual ao montante dito como omitido pela sujeita passiva da obrigação tributária os operação de subtração (R$ 21.453,24). Sobrevém que como bem acessório (e a parcela suso é acessória justamente porque se supõe para sua essência a existência do rendimento total, cuja parcela migrou para efeito de comprimento da lei que concede isenção fiscal aos aposentados com idade de 65 anos), o valor alegado pelo fisco como omitido da DIRPF/DAA deve seguir a mesma sorte do seu principal, o que, em se tratando de exação fiscal, deve ser considerado para todo o rendimento da recorrente, como uma parcela de rendimento integra, independente do valor ou da característica que lhe der á lei, já que no presente caso “ambas” (o rendimento total atinente da aposentadoria Rio Previdência Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, CNPJ 42.498.534/000166, DEPRO 04071270) os rendimentos estão com sua exigibilidade suspensa em virtude de decisão judicial vigente que assim ordenou. (...) Fl. 109DF CARF MF 8 Frente às razões alocadas acima, já que resta cristalino pelos fundamentos lavrados acima que a exigibilidade do crédito tributário atinente à renda Rio Previdência – Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, CNPJ 42.498.634/000166, DEPRO 040712 70, encontrase com a exigibilidade fiscal suspensa por força de decisão proferida em autos de ação ordinária declaratória de inexistência de obrigação tributária cumulada com repetição de indébito tributário (decisões carreada a esse recurso), requer seja o presente recurso provido para, de tal modo, ser considerado inoportuna à afirmação de omissão de rendimento apurada no valor de R$ 21.453,24 em desfavor da sujeita passiva, e, assim, ser declarada a falha da notificação de lançamento fiscal atribuída a ora recorrente (2015/951709174117805), tudo na forma das razões jurídicas e fáticas posta no bojo deste remédio recursal. Ex positis, requerse o recebimento deste instrumento de reclame , e, após a sua análise revisional, pugna a recorrente seja este expediente recursal, forte no disposto no Decreto nº 70.235/72 e, sobremaneira, com estribo na disciplina e interpretação dos valores e das normas fundamentais estabelecidas na Constituição da República Federativa do Brasil provido, para que ao ato de cobrança exercitado pela SRFB seja anulado, ut argumentos deflagrados no tópico “3” deste recurso voluntário e, não sendo essa a definição dada, ... seja avaliada como imprópria para o fim a que se destina esta r. decisão, tendo em vista que segue demonstrada a insubsistência, impertinência e, assim, a improcedência parcial/relativa da notificação de lançamento fiscal deflagrada pela SRFB, ora novamente atacada, o que impõe o cancelamento do débito fiscal ali constante, por força do provimento deste recurso que ora se espera, tudo conforme fundamentação supra. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e por isso deve ser conhecido. O que se evidencia com facilidade de visualização no processo é que o Recorrente utilizouse de abatimento do imposto sobre a renda por despesas médicas incorridas com pessoas não dependentes legalmente para efeito tributário, dedução de incentivo fiscal sem a devida comprovação e omissão de recita por informação incorreta na apuração do ajuste anual do imposto sobre a renda. DA ALEGAÇÃO DE NULIDADE DO LANÇAMENTO A Recorrente alega em sua defesa que deve ser considerada a nulidade do lançamento dizendo ser inaceitável qualquer falha na constituição do crédito tributário que lhe retire a solidez. Contudo, a alegação é genérica e não aponta objetivamente nenhum vício ou erro que por ventura tivesse ocorrido na feitura do lançamento. Acrescentese que o Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10730.720612/201788 Acórdão n.º 2001000.430 S2C0T1 Fl. 107 9 Lançamento é claro na sua fundamentação, contendo os elementos exigidos no CTN para sua constituição, razão inclusive da exposição dos fatos que permitiu a discordância da Recorrente na peça de defesa. Assim sendo, razão não há para nulidade do lançamento contestado. DO MÉRITO A lide, neste grau de recurso, trata exclusivamente da omissão de rendimentos detectada na ocasião da lavratura do lançamento, o que está apontado na decisão de piso, nos seguintes termos; Observase do demonstrativo elaborado pela interessada, às fls. 11 da impugnação e transcrita no relatório, que aceitou parcialmente omissão de rendimentos no valor de R$ 21.453,24. Portanto, a lide a ser apreciada no presente voto é o valor da omissão de rendimentos apurada referente aos rendimentos decorrente de aposentadoria parcela excedente por ter mais de uma aposentadoria pagas pelos cofres públicos. O mesmo direcionamento da lide é dado pela parte Recorrente em sua defesa quando aborda como tema de contestação somente no que se refere à parte considerada pela Recorrente como isenta e apontada pelo Fisco como irregular procedimento na redução do imposto a pagar, como segue: Dáse, contudo, que a impugnante, ora recorrente, utilizouse deste mecanismo de impugnação para contrariar o lançamento fiscal inerente ao tópico em que este órgão Fiscal afirma que ouve omissão de rendimentos, este, por sua vez, inerente à fonte pagadora Rio Previdência – Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão CNPJ 42.498.634/000166, cujos valores não informados equivaleriam ao crédito asseverado como omitido de R$ 21.453,24 (vinte e um mil e quatrocentos e cinquenta e três reais e vinte e quatro centavos) parcela referente à crédito/rendimento tributário dito como percebido, já que o abatimento inerente aos proventos de inatividade/aposentadora de declarante com 65 (sessenta e cinco) anos ou miais na data do fato gerador /informação, condizente ao DIRPF/DAA, já havia sido utilizado pela contribuinte em relação a outra renda, fato que impediria tal utilização também em face desse rendimento. O comprovante anexado ao processo fl. 26, ao final do documento da fonte pagadora Governo do Estado do Rio de Janeiro, CNPJ 42.498.634/000166, em favor de Zilah Nogueira, CPF 512.178.21791, constando como valor tributável R$ 54.658,28, com a seguinte observação: “OBS: Rendimentos e os impostos depositados judicialmente, se for o caso, não foram adicionados as linhas 01 e a5 do quadro 3, e linha 03 do quadro 5, por estarem com exigibilidade suspensa por determinação judicial.”. Ocorre que não há separação de valores que identifique o que está ou não sub judice no documento apresentado, assim como não há comprovação que aclare tal separação de valor em situação de exigibilidade suspensa na tributação de rendimentos em tramitação no judiciário. Fl. 111DF CARF MF 10 Além disso, há discrepância de valores entre o que é informado na declaração de ajuste e a informação constante na DIRF emitida pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão do Rio de Janeiro. O órgão estadual informa na DIRF um valor de R$ 31.728,25, como tributável, e mais R$ 21.453,24 como parcela isenta, no entanto a Contribuinte informou em sua declaração de ajuste anual somente o valor de R$ 31.231,02. Assim sendo, ficou constatado o não oferecimento à tributação de R$ 21.453,24, o que foi classificado pelo Fisco como omissão de rendimento praticada no anocalendário de 2013, exercício de 2014. Por fim, em que pese a existência de demanda judicial sobre a inexigibilidade tributária de determinada parte dos rendimentos da fonte pagadora identificada com o CNPJ 42.498.634/000166, referida ação não transitou em julgado, fato que não impede o lançamento, até mesmo por não ficou comprovado pela Recorrente tratarse do mesmo rendimento. A Recorrente apresentou texto da decisão judicial para não tributação de parte dos rendimentos definidos como “benefício complementar pago pela entidade de previdência privada, correspondente às contribuições recolhidas pelos autores no período de 01.01.1989 a 31.12.1995”. Contudo, inexiste colisão da feitura do Lançamento com a exigibilidade suspensa por força da decisão judicial proferida nos autos da ação ordinária nº 0005922 79.2002.4.02.5102, vez que não há trânsito em julgado da matéria que exclua definitivamente a tributação da matéria em lide. Assim que, no exame do processo constatase como evidente a omissão de rendimentos no valor de R$ 21.453,24, mais as glosas de despesas não contestadas pela Recorrente, o que resulta no montante do crédito tributário final de R$ 15.195,93, pelas razões expostas na decisão de piso objeto da conclusão do voto constante do acórdão ora vergastado. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar, e no mérito NEGAR PROVIMENTO, mantendo os termos do Acórdão contestado pela mantença da exigência do crédito tributário referente a imposto suplementar apontado no Lançamento. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 112DF CARF MF
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