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Numero do processo: 13839.911512/2009-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 30/06/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
I - Em processo de compensação tributária, ao contribuinte, enquanto autor do pedido de compensação, incumbe a prova da existência do crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, I; e Lei nº 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, I), data em que a compensação tributária se efetiva sob condição resolutória. II - A simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro, sendo a retificação da DCTF ineficaz por caber ao contribuinte (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; e Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II) o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF. III - O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo.
Numero da decisão: 2401-005.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 30/06/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP. ÔNUS DA PROVA. I - Em processo de compensação tributária, ao contribuinte, enquanto autor do pedido de compensação, incumbe a prova da existência do crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, I; e Lei nº 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, I), data em que a compensação tributária se efetiva sob condição resolutória. II - A simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro, sendo a retificação da DCTF ineficaz por caber ao contribuinte (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; e Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II) o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF. III - O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo.
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DCOMP. ÔNUS DA PROVA. I Em processo de compensação tributária, ao contribuinte, enquanto autor do pedido de compensação, incumbe a prova da existência do crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, I; e Lei nº 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, I), data em que a compensação tributária se efetiva sob condição resolutória. II A simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro, sendo a retificação da DCTF ineficaz por caber ao contribuinte (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; e Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II) o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF. III O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 15 12 /2 00 9- 39 Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13839.911512/200939 Acórdão n.º 2401005.643 S2C4T1 Fl. 172 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório que NÃO HOMOLOGOU compensação do crédito original (utilizado) no valor de R$ 20.710,70, a partir de pretenso Pagamento Indevido/a Maior de Imposto de Renda Retido na Fonte (cód 0422, PA 30/06/2006) veiculado na PER/DCOMP 05033.37991.291106.1.3.049950, em razão de o pagamento ter sido utilizado na extinção de débitos declarados em DCTF. Intimado do Despacho Decisório em 24/07/2009, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 19/08/2009 alegando, em síntese: a) O recolhimento do IRRF incidente sobre Royalties foi efetuado de forma antecipada nos períodos compreendidos entre Junho a Dezembro de 2006. Entretanto, a ausência de averbação do contrato de Royalties pelo INPI Instituto Nacional de Propriedade Industrial impossibilitou o pagamento. b) Não havendo pagamento de Royalties, a retenção de imposto de renda na fonte foi indevida. Intimado em 24/08/2009 a regularizar a representação, o contribuinte apresentou em 04/09/2009 cópia de alteração contratual, bem como cópia da conta "Royalties a Pagar" do Livro Razão, copia de Certificado de Averbação n° 070437/02, referente ao aditivo de 10/01/2008 ao Contrato de 01/04/2007, e cópia de Contrato de Royalties firmado em 01/04/2007 e Aditivo de 10/01/2008 com prazo de 30/05/2007 a 29/05/2012. Em 22/05/2014, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente. Do Acórdão, em síntese, se extrai: a) O Requerente sustenta a existência do indébito tributário amparandose com cópia de razão consolidado da movimentação da conta de royalties a pagar no ano de 2006, cópia de contrato e aditivo de licença de tecnologia firmado com a Huf Husbeck & Furst GmbH & Co sem tradução juramentada e da cópia do Certificado de Averbação emitido pelo INPI em fevereiro/2008. b) O recolhimento noticiado encontrase integralmente alocado ao débito de IRRF (Código de Receita 0422) especificado do despacho decisório. O contribuinte efetuou a transmissão da DCTF retificadora após a ciência do despacho decisório. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13839.911512/200939 Acórdão n.º 2401005.643 S2C4T1 Fl. 173 3 b) A matéria em litígio exigia do requerente a apresentação de amplo conjunto probatório à plena demonstração da pertinência do crédito reivindicado, entre os quais: (i) cópia integral dos Contratos de Licença de Transferência e Exploração de Tecnologia e seus aditivos depositados no INPI, acompanhados dos correspondentes Certificados de Averbação naquele órgão de registro; (ii) cópias das faturas (invoice) de prestação de serviço; e (iii) cópias das operações de fechamento de câmbio destinadas ao pagamento das operações de royalties e dos Registros Declaratórios Eletrônicos – RDE correlatos (CartaCircular Bacen nº 2.816, de 15/04/1998), tudo devidamente acompanhado de todo acervo documental suplementar, se for o caso, e da escrituração contábil (contas patrimoniais e de resultado) que permitam a averiguação das alusões que propugnam o lapso no preenchimento da DCTF (CTN, art. 165, I). Documentos em língua estrangeira devem observar a disciplina do art. 224 do Código Civil, do art. 157 do Código de Processo Civil, dos arts. 129 e 148 da Lei nº 6.015, de 31/12/1973 (Lei de Registros Públicos). c) A comprovação da verdade material relacionada ao direito creditório sob litígio, bem como o ônus da prova, devem obedecer aos ditames fixados no art. 9º, §1º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, regulamentado pelo art. 923 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), condições estas que não ficaram configuradas no momento do ingresso da manifestação de inconformidade. Cientificado em 27/06/2014, o contribuinte interpôs em 25/07/2014 recurso voluntário, em síntese, alegando: a) A empresa apresentou impugnação alegando pagamento antecipado de IRRF sobre Royalties e Assistência Técnica, referente a uma eventual e futura prestação de serviços por terceiro, fato que não aconteceu a caracterizar o pagamento indevido. Ante a ausência de averbação do contrato de Royalties pelo INPI, impossibilitouse o pagamento dos mesmos pela inocorrência do fato gerador. b) Ainda que os documentos apresentados com a manifestação de inconformidade fossem insuficientes, o julgador não poderia decidir mediante simples aplicação do ônus da prova, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material. Cabia diligência para que o contribuinte complementasse a documentação ou apresentasse esclarecimentos (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 18) Doutrina e jurisprudência respaldam esse entendimento. O mesmo dever jurídico se impõe ao CARF. A documentação acostada com a manifestação de inconformidade já era suficiente. Mas, para não haver dúvidas apresenta documentação complementar. c) Pede a reforma integral do Acórdão da DRJ, bem como o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. Por fim, requer diligência caso seja necessária. É o Relatório. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13839.911512/200939 Acórdão n.º 2401005.643 S2C4T1 Fl. 174 4 Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Presentes os pressupostos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. O princípio da verdade material não pode ser invocado para se afastar o ônus jurídico de o contribuinte instruir a manifestação de inconformidade com suas provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11), sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo. Com lastro no art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, a autoridade julgadora pode realizar diligência de ofício, mas tratase de providência complementar à instrução probatória e não destinada a retirar das partes o ônus de provar suas alegações. Esse entendimento tem prevalecido no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como bem ilustram as seguintes ementas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. (Processo n° 10120.907657/200933; Acórdão nº 3001000.312 – 3ª Seção/Turma Extraordinária/1ªTurma; Sessão de 11 de abril de 2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORME DE RENDIMENTOS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA REJEITADO. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13839.911512/200939 Acórdão n.º 2401005.643 S2C4T1 Fl. 175 5 Nos autos do processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de compensação tributária. O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito creditório pleiteado, consoante Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015, art. 373, I) de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário federal, e com observância do Decreto nº 70.235/72 (arts. 15 e 16). Incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas, da existência do crédito que alega possuir contra Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Os requisitos ou atributos de liquidez e certeza quanto ao crédito objetado contra a Fazenda Nacional devem estar preenchidos ou satisfeitos quando da transmissão da DCOMP, data em que a compensação tributária se efetiva, sob condição resolutória. A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. (Processo n° 10880.997365/200982; Acórdão nº 1301002.908 – 1ª Seção/3ªCâmara/1ªTurma Ordinária; Sessão de 16 de março de 2018) Acrescentese que a simples apresentação de DCTF retificadora, ainda que acompanhada de DARF, não se constitui em prova de pretenso erro. A retificação da DCTF é ineficaz, pois cabe ao contribuinte o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame da DCTF (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II1). Novamente, invocase atual e iterativa jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. 1 Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Lei n° 5.869, de 1973 Código de Processo Civil REVOGADO Art. 333. O ônus da prova incumbe: II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Lei n° 13.105, de 2015 Código de Processo Civil VIGENTE Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Art. 373. O ônus da prova incumbe: II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13839.911512/200939 Acórdão n.º 2401005.643 S2C4T1 Fl. 176 6 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Processo n° 15374.903703/200886; Acórdão nº 2201004.420 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; Sessão de 04 de abril de 2018) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2010 MERA ALEGAÇÃO DE ERRO MATERIAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A alegação de que houve erro material no preenchimento da DCTF, mesmo que posteriormente retificada, e que determinado débito de IRRF teria sido pago a maior, não é suficiente para assegurar que tenha sido, de fato, maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, de modo a justificar a existência de direito creditório. É imprescindível a apresentação de prova cabal e inconteste do alegado erro material. (Processo n° 16327.910429/200919; Acórdão nº 2201004.442 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; Sessão de 04 de abril de 2018) Destarte, incumbe ao contribuinte a prova da existência do crédito liquido e certo contra a Fazenda Nacional ao tempo da transmissão da DCOMP (Lei n° 9.784, de 1999, arts. 36 e 69)2, data em que a compensação tributária se efetiva, sob condição resolutória. Além disso, em procedimento de análise da compensação do crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo, ou seja, do alegado erro na DCOMP original (Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II). Portanto, não tendo o requerente se desincumbindo de seu ônus probatório, correta a decisão veiculada no Acórdão de piso ao compreender como não provados os pressupostos de existência e validade do crédito postulado e como não comprovada sua disponibilidade para amparar o exercício da compensação declarada. As provas documentais do contribuinte devem ser apresentadas com a manifestação de inconformidade (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°)3. Em 2 Lei n° 9.784, de 1999. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. 3 Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13839.911512/200939 Acórdão n.º 2401005.643 S2C4T1 Fl. 177 7 homenagem ao princípio da verdade material, se admite a juntada após a manifestação de inconformidade nas hipóteses das alíneas a, b e c do § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, mediante requerimento à autoridade julgadora de primeira instância devidamente fundamentado (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §5°)4 ou, após a decisão de primeira instância, mediante juntada aos autos e a instruir recurso (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §6°)5, devendo, a rigor, se observar as mesmas hipóteses das alíneas do referido § 4° (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §§ 4°, 5° e 6°). No caso concreto, não restou demonstrada nenhuma das situações previstas nas alíneas a, b e c do §4° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. Por conseguinte, a documentação que instrui o recurso voluntário não mereceria ser conhecida como prova do contribuinte. Ainda que se entenda que o princípio da verdade material autoriza o julgador a conhecer de ofício de tais documentos, eles não têm o condão de comprovar as alegações do contribuinte, como a seguir será demonstrado. Além disso, eventual diligência a ser promovida com lastro em tais documentos não versaria sobre questões pontuais a serem esclarecidas por quesitos específicos (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, IV), mas na simples intimação do contribuinte para que produzisse prova que legalmente já deveria ter instruído a manifestação de inconformidade (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §4°). Logo, não é cabível a conversão do presente julgamento em diligência. O recurso foi instruído com procuração, cópia do contrato social, cópias dos Termos de Abertura e Encerramento dos Livros Diário 036 a 042 e do que supostamente seriam algumas páginas desses livros; cópia de Contrato de Licença firmado em 01/04/2007; e cópia de Certificado de Averbação INPI 070437/01 com prazo de cinco anos a partir de 27/12/2007. No prazo para comprovar a regularidade da representação em relação à manifestação de inconformidade, já haviam sido carreados aos autos cópia da conta "Royalties a Pagar" do Livro Razão, copia de Certificado de Averbação n° 070437/02, referente ao aditivo de 10/01/2008 ao Contrato de 01/04/2007, e cópia de Contrato de Royalties firmado em 01/04/2007 e Aditivo de 10/01/2008 com prazo de 30/05/2007 a 29/05/2012. De plano, ressaltese que a integralidade dos Livros Diário pertinentes às alegações do contribuinte deveriam ter sido apresentada para se comprovar todos os montantes efetivamente escriturados como pagos a título de Royalties e todos os valores retidos e recolhidos, bem como excertos dos Livros Razão com as contas pertinentes. a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) 4 Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16 (...) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) 5 Decreto n° 70.235, de 1972. Art. 16 (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13839.911512/200939 Acórdão n.º 2401005.643 S2C4T1 Fl. 178 8 Em relação ao excerto do Livro Diário não foram apresentados os respectivos Termos de Abertura e Encerramento. De qualquer forma, a força probatória do Livro Razão é reflexa ao respectivo Livro Diário devidamente formalizado e registrado. Os Termos de Abertura e Encerramento apresentados em cópia com o recurso voluntário foram datados e firmados entre junho e dezembro de 2006, tendo sido levados a registro em 2007 e em Cartório de Registro de Pessoas Naturais. As cópias do que se supõe serem folhas escolhidas desses livros atestam como data de elaboração os dias 25, 28 ou 29 de 05/2007 ou 04/06/2007. Logo, as folhas dos livros teriam sido elaboradas após a data de conclusão dos mesmos, constante dos respectivos Termos de Encerramento. Diante da impossibilidade jurídica de um Livro Diário ser confeccionado após a data de lavratura de seu termo de encerramento, tais documentos são destituídos de valor probatório, bem como o excerto do Livro Razão apresentado por não poder ser confrontado com os respectivos Livros Diário. Acrescentese ainda que, além de não se ter apresentado a integralidade dos Livros Diários, não foi exibido o Plano de Contas e os históricos dos lançamentos, inclusive do excerto do Livro Razão, são extremamente lacônicos e/ou codificados não havendo como os compreender adequadamente estando desacompanhados dos documentos que lhes deram suporte. O Contrato de Licença e Aditamento (em inglês e vernáculo sem tradução juramentada, não há como se afirmar com segurança serem duas versões de um mesmo contrato) e os Certificados de Averbação apresentados apresentam validade a partir de 30/05/2007. Como consta da PER/DCOMP e do DARF, o IRRF 0422 se refere ao período de apuração 30/06/2006. Os poucos documentos apresentados não permitem se concluir acerca dos valores que deveriam ter sido retidos e recolhidos em relação ao período de apuração e nem delimitar na esfera dos fatos concretos o alegado erro (antecipação de pagamento e inocorrência do fato gerador). Como bem destacou o Acórdão da DRJ, todos os Contratos de Licença e Contratos de Câmbio celebrados pelo contribuinte; os Certificados de Averbação INPI; invoices; DARFs; Livros e Demonstrações Contábeis etc, bem como os devidos esclarecimentos para se explicitar em tal documentação os fatos dela alegados, deveriam ter sido apresentados desde a manifestação de inconformidade. As provas constantes dos autos são incapazes de gerar a convicção acerca dos fatos e argumentos alegados, não tendo o recorrente se desincumbido de seu ônus probatório. Isso posto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 178DF CARF MF
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Numero do processo: 17335.720069/2016-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. PAGAMENTO PELO AVÔ AO NETO. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. PAGAMENTO POR LIBERALIDADE.
São dedutíveis na Declaração de Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, nos termos do art. 8º, II, f, da Lei nº. 9.250/95. A importância paga por mera liberalidade não é dedutível.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.513
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,. por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora) e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Martin da Silva Gesto.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
(Assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (Suplente Convocado) e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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PENSÃO ALIMENTÍCIA Recorrente VICENTE DIAS SANTANA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2015 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. PAGAMENTO PELO AVÔ AO NETO. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. PAGAMENTO POR LIBERALIDADE. São dedutíveis na Declaração de Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, nos termos do art. 8º, II, f, da Lei nº. 9.250/95. A importância paga por mera liberalidade não é dedutível. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,. por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora) e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Martin da Silva Gesto. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora (Assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 33 5. 72 00 69 /2 01 6- 40 Fl. 95DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (Suplente Convocado) e Ronnie Soares Anderson. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE): Contra o contribuinte, acima identificado, foi lavrada Notificação de Lançamento – Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, fls. 07/11, relativo ao anocalendário de 2014, exercício de 2015, para formalização de redução do imposto a restituir que passou de R$ 5.932,38 para R$ 5.054,78. A infração apurada pela Fiscalização, relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 08, decorreu de: “Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública. Glosa do valor de R$ 3.264,00, indevidamente deduzido a título de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Contribuinte intimado (TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 3.688/2015) a apresentar Decisão Judicial ou Acordo Homologado Judicialmente fixando o valor da pensão alimentícia judicial, porém não o fez. Enquadramento Legal: Art. 8º, inciso II, alínea 'f', da Lei nº 9.250/95; arts. 49 e 50 da Instrução Normativa SRF nº 15/2001, arts. 73, 78 e 83 inciso II do Decreto nº 3.000/99 RIR/99.” Inconformado com a exigência, a qual tomou ciência em 25/04/2016 (Despacho às fls. 46), o contribuinte apresentou contestação em 25/04/2016 (fls. 03/04), alegando, em síntese: “Referência: Notificação de Lançamento nº 2013/625089709505210. VICENTE DIAS SANTANA, CPF: 033.502,82172, não se conformando com a notificação de lançamento em referência, vem apresentar a presente impugnação nos termos dos artigos 14 a 17 e 23 do Decreto 70.235/72 com alterações introduzidas peias Leis n° 8.748/93 e nº Fl. 96DF CARF MF Processo nº 17335.720069/201640 Acórdão n.º 2202004.514 S2C2T2 Fl. 96 3 9.532/97, pelos motivos a seguir expostos: Infração: DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL E/OU POR ESCRITURA PÚBLICA Valor da infração: R$ 3.264,00. Estou questionando o valor de R$ 3.264,00. 2. Exposição dos Fatos: Recebi intimação referente a apresentação de comprovantes com despesas médicas e decisão judicial, onde apresentei somente as despesas com saúde, pois a Decisão Judicial não estava em meu poder. Portanto tive que viajar a Porangatu/GO a fim de obter tal documento, o qual venho apresentar e requerer da Receita Federal que façam uma nova análise da minha declaração. Estou apresentando os comprovantes de despesas médicas acompanhado da Decisão Judicial, 3. Solicitação Venho requerer a Revisão da minha Declaração referente o Exercício2015.” Tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 11 de abril de 2013 (DOU 17/04/2013), e no art. 2º da Portaria RFB nº 1.006, de 24 de julho de 2013 (DOU 25/07/2013), e conforme definição da CoordenaçãoGeral de Contencioso Administrativo e Judicial da RFB, encaminhouse o presente eprocesso para apreciação pela DRJB/Fortaleza (fls. 49). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) negou provimento à Impugnação (fls.64) , em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2015 PENSÃO ALIMENTÍCIA. Apenas podem ser deduzidas as importâncias comprovadamente pagas a título de pensão alimentícia em cumprimento de decisão ou acordo judicial em consonância com as normas do Direito de Família. Indedutível o pagamento de pensão para netos, cujos filhos são maiores de 21 anos, e não esteja comprovada a incapacidade para prover a própria mantença, bem como a incapacidade física ou mental para o trabalho não ficar devidamente demonstrada. Fl. 97DF CARF MF 4 Cientificado (AR fls. 77), o contribuinte o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls. 85), no qual reitera as alegações suscitadas quando da Impugnação. É o relatório Voto Vencido Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora. O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A norma que confere ao contribuinte o direito à dedução da pensão alimentícia (art. 8º, II, f, da Lei nº 9.250/95) da base de cálculo do imposto de renda tem a seguinte redação: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124 A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; No caso analisado, o alimentando, PEDRO LUCAS GOMES LIRA SANTANA, nascido em 18/09/2000 é neto do Recorrente, conforme se verifica pelo teor da Carta Precatória acostada às fls. 24. O pai do menor peticionado, JOSÉ FERNANDO LIRA SANTANA, nascido em 01/12/1982, à época da Sentença (anocalendário de 2001), contava com 18 anos completos. A questão em litígio prendese, portanto, à possibilidade de deduzir pagamentos de pensão alimentícia pagos a netos de filhos maiores de 21 anos, ancorada em decisão judicial. A decisão recorrida manteve a glosa das despesas com pensão alimentícia judicial por entender que: Notese que o § 1º estabelece um limite máximo de 24 anos, desde que cursando estabelecimento de nível superior ou escola técnica de segundo grau, para que a pessoa seja considerada dependente. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 17335.720069/201640 Acórdão n.º 2202004.514 S2C2T2 Fl. 97 5 Admitirse, em função do disposto no inciso II do art. 4º da Lei 9.250/1995, que, toda e qualquer importância paga a título de pensão alimentícia em face do Direito de Família, desde que homologada judicialmente, é passível de dedução da base de calculo do imposto de renda devido pelo alimentante, é dar à regra jurídica em questão interpretação extensiva, ignorando o contexto em que está situada. Assim, não há como se interpretar o inciso II do art. 4º da Lei 9.250/1995 de forma isolada do restante do texto legal onde está inserido. Sua interpretação há de ser feita de forma sistemática, levando em conta a totalidade do texto legal em que se situa. De acordo com a Lei sob exame, resta claro que TODAS as despesas passíveis de dedução, por expressa disposição legal, são dispêndios incorridos pelo declarante em beneficio dele próprio ou de qualquer de seus dependentes, assim considerados uma vez atendidas as condições previstas na mesma Lei. E não há, portanto, no contexto da mencionada Lei, previsão para que possam ser deduzidas importâncias pagas a titulo de pensão alimentícia em face do Direito de Família e homologadas judicialmente, quando em beneficio de pessoas que não preencham as condições previstas na mesma Lei para serem consideradas como dependentes do declarante. Ademais, admitirse tal dedução é reconhecer que a sociedade pague por tal liberalidade dos pais (p. ex: pagamento de pensão aos filhos maiores até 24 anos, que não estejam cursando ensino superior ou escola técnica de segundo grau). A sociedade arcaria sim, na medida em que a dedução de pensão resulta em diminuição do imposto a pagar, recurso este que seria carreado para os cofres da União e retornaria em benefícios para toda a sociedade. Não há que se argumentar que a União não incorreria em prejuízo, sob o pretexto de que os dependentes seriam tributados nos mesmos valores. Tal assertiva não seria correta, uma vez que há o limite de isenção do qual cada um dos dependentes iria se beneficiar. Entendo, data vênia, que a decisão merece ser reformada pelas seguintes razões. Em primeiro lugar, porque, ao contrário do que alega a decisão recorrida, a interpretação por ela pretendida é restritiva. Todavia, o Código Tributário Nacional ao estabelecer, em seu artigo 111, que a interpretação das isenções se dá de forma literal, não admite que essa seja feita de forma restritiva Como bem observa Hugo de Brito Machado: "Há quem afirme que a interpretação literal deve ser entendida como interpretação restritiva. Isto é um equívoco. Quem interpreta literalmente por certo não amplia o alcance do texto, mas com certeza também não o restringe. Fica no exato alcance que a expressão literal permite. Nem mais, nem menos. Tanto é incorreta a interpretação do seu alcance, como sua restrição" Fl. 99DF CARF MF 6 (MACHADO, Hugo de Brito, Curso de Direito Tributário, 22 ed. Malheiros, São Paulo, 2003, p.105) (grifamos) Nesse sentido, esclarecedora a decisão proferida pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara no Acórdão nº 2201003.406 julgado na sessão de 20/01/2017, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. FILHO MAIOR DE 21 ANOS. CONDIÇÕES. A fiscalização não pode condicionar o direito à dedução da pensão alimentícia paga a filho, aos preenchimento das condições estabelecidas para caracterizar a condição de dependente. Merece transcrição, pela clareza com que aborda a questão, o voto vencedor da Conselheira Dione Jesabel Wasilewski: Este voto trata da possibilidade de dedução de pensão alimentícia paga a filho com mais de 21 anos e que não comprove curso em faculdade ou ensino técnico superior ou impossibilidade para trabalho ou para prover a própria mantença. As atividades legislativa e executiva são expressões do poder político do Estado, a primeira responsável pela edição de normas de caráter geral e abstrato que inovam na ordem jurídica e, a segunda, vocacionada a resolver os casos concretos de acordo com a ordem jurídica vigente. Mesmo o poder regulamentar conferido ao executivo deve ser exercido dentro dos estreitos limites impostos pelas leis, sendo pacífico o entendimento de que ele não é autorizado, sob pena de se configurar invasão de competência, a extrapolar essas fronteiras criando regras inovadoras. Se o poder regulamentar está contido pela rigidez desses contornos, que se dirá da atividade da Administração pública, já definida como aquela a quem compete aplicar a lei de ofício. Na hipótese em questão, a norma que confere ao contribuinte o direito à dedução da pensão alimentícia da base de cálculo do imposto de renda tem a seguinte redação (Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995): (...) Essas regras são diferentes daquelas relativas à dedução dos filhos como dependentes. Para cada uma dessas situações, dedução como dependente ou dedução de pensão alimentícia, existem condições legais próprias a serem atendidas, que expressam verdadeiros ônus para os contribuintes, mas são Fl. 100DF CARF MF Processo nº 17335.720069/201640 Acórdão n.º 2202004.514 S2C2T2 Fl. 98 7 também expressões de direitos a serem respeitados pela Administração. Ao estender as regras criadas textualmente para as situações de dependência para as de dedução da pensão alimentícia, a Administração onera os contribuintes nesta situação de forma que extrapola os limites impostos pela investigação sintática (literalidade). E este é o critério fixado pelo Código Tributário Nacional como o adequado para a interpretação das normas dessa natureza (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 111), que tanto serve para limitar o exercício do direito, como para definir o ônus imposto como condição para ele. Ou seja, a literalidade da norma tanto serve para impedir a extensão, como a redução do seu significado. É certo que o CTN autoriza o emprego da analogia quando houver "ausência de disposição expressa" (art. 108, I), ressalvando que, do emprego da analogia, não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei (art. 108, § 1º). Mas, ao se indagar sobre a possibilidade de integração da norma, por analogia, no caso concreto em análise, não é possível superar nem o primeiro obstáculo estabelecido pelo CTN, pois, indubitavelmente, há norma específica regulando a matéria. A meu ver, criar condições que não podem ser extraídas do texto legal significar inovar no ordenamento jurídico, e inovar no ordenamento jurídico é legislar sobre direito tributário, atividade estranha à esfera de competência desse órgão. Isso não quer dizer que a administração está fadada a admitir as deduções a título de pensão alimentícia sem qualquer valoração do caso concreto. Pelo contrário, há um espaço a ser preenchido na verificação da adequação do caso concreto ao preceito geral e abstrato. Assim, para que haja o direito à dedução não basta, por exemplo, que haja um acordo homologado judicialmente. É necessário investigar quais foram as condições estabelecidas como pressupostos para sua validade e se essas condições ainda se mantém (aplicação da cláusula rebus sic stantibus). De forma que, se a pensão foi justificada pelo estado de desemprego involuntário, ou pelo fato do filho estar se dedicando à formação acadêmica, ou pelo casal estar separado de fato, ou por doença do beneficiário da pensão ou de seu filho/cônjuge a exigir atenção integral daquele, pode ser feita a verificação da continuidade dessas condições como pressuposto de eficácia do acordo ou da sentença. Dessa forma, conforme exposto no voto acima transcrito, não se deve confundir a dedução com dependentes com aquela feita à título de pensão alimentícia. Além disso, é importante ressaltar que o pagamento em questão não decorre de mera liberalidade do Recorrente, mas de determinação judicial. Em face do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 101DF CARF MF 8 (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Voto Vencedor Conselheiro Martin da Silva Gesto, Redator designado. Peço vênia à ilustre Relatora, mas meu entendimento é contrário ao seu, diante da situação fática existente. Verificase, no presente caso, que o motivo da glosa se deu em razão da fiscalização ter compreendido que a pensão alimentícia paga pelo recorrente ao seu neto, era realizada por liberalidade. Entendo correta a decisão da DRJ de origem que manteve o lançamento, haja vista que este encontra respaldo no Código Tributário Nacional, visto que a pensão alimentícia devida em face das normas de Direito de Família é despesa dedutível do IR pessoa física para o alimentante, desde que cumpridos os requisitos em lei, em contrapartida, seria passível de incidência do referido imposto para o alimentando. Ainda, importante apontar a jurisprudência em casos semelhantes ao ora em análise, cujas ementas já integraram o acórdão recorrido: “APELAÇÃO CÍVEL. ACORDO DE ALIMENTOS. PRETENSÃO DE HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL. CÔNJUGES VIVENDO SOB O MESMO TETO. DEVER DE ASSISTÊNCIA PRESTADO. REGULAR MANUTENÇÃO DA FAMÍLIA. A convivência harmoniosa da família, sob o mesmo teto, com a regular prestação do dever de assistência e de sustento, desautoriza a homologação de acordo de alimentos, máxime quando as circunstâncias narradas levam à conclusão de que, antes de qualquer outra pretensão, visase à obtenção de descontos de tributação na fonte pagadora do cônjuge varão, com evidente prejuízo ao erário (APC 20040110640184, Relatora Desa. Carmelita Brasil, 2ª Turma Cível, julgado em 14/11/2005, DJ 24/01/2006, pág. 93).” “CIVIL. ACORDO DE ALIMENTOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. RECURSO IMPROVIDO. 1. Restando patenteado nos autos que o objetivo da alimentante se reveste do nítido desejo de benefício tributário, não deve o Judiciário homologar acordo de alimentos. 2. As acordantes informam que a filha cuida há vários anos da mãe, com quem gasta quase metade de seus rendimentos. Tal fato, mesmo que verídico, não enseja isenção do Imposto de Renda, mas, tãosomente, as reduções asseguradas a todos os contribuintes. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 17335.720069/201640 Acórdão n.º 2202004.514 S2C2T2 Fl. 99 9 3. Recurso conhecido e improvido. (20050110996055APC, Relator SANDOVAL OLIVEIRA, 4ª Turma Cível, julgado em 22/11/2006, DJ 17/04/2007, pág. 124)”. “APELAÇÃO CÍVEL. ACORDO DE ALIMENTOS. PRETENSÃO DE HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL. PAI E FILHA QUE VIVEM SOB O MESMO TETO. INTENÇÃO DE REGULARIZAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO MENSAL VOLUNTARIAMENTE DEFERIDA POR MEIO DE DESCONTO EM FOLHA DE PAGAMENTO PARA OBTENÇÃO DE DESCONTO NO IMPOSTO DE RENDA. HOMOLOGAÇÃO NEGADA. Não se vislumbrando as necessidades do alimentando, cuja filha, voluntariamente, paga alimentos ao pai, que com ela reside sob o mesmo teto, mas tãosomente a obtenção de descontos de tributação na fonte pagadora, com evidente prejuízo ao erário, indeferese o pedido homologatório do acordo de alimentos. (20060111308808APC, Relator CARMELITA BRASIL, 2ª Turma Cível, julgado em 18/07/2007, DJ 14/08/2007, pág. 101)” “DIREITO CIVIL. EXCÔNJUGES. ACORDO DE ALIMENTOS. IMPOSTO DE RENDA. IMPOSSIBILIDADE. 1. É firme a jurisprudência no sentido de que tendo o acordo de alimentos objetivos meramente fiscais, não deve ser homologado, pois implicaria indevida dedução no cálculo do Imposto de Renda. 2. Subjacente à homologação, está o acordo de vontades que haveria de servir à prevenção ou terminação de litígio (CC, art. 840), de modo que assim a transação somente pode referirse a direitos substanciais que admitam conflito de interesses. 3. Simples questões advindas de liberalidade não são passíveis de homologação judicial, até mesmo por falta de interesse jurídico dos interessados. 4. Recurso conhecido e improvido. (Processo: APC 20060111339348 DF, Relator(a): CARLOS RODRIGUES, Julgamento: 28/11/2007, Órgão Julgador: 2ª Turma Cível, Publicação: DJU 21/02/2008, pág. 1475)” Por oportuno, transcrevo o entendimento do colendo Superior Tribunal de Justiça, preconizando que os alimentos são devidos "ao filho até a data em que vier ele a completar os 24 anos, pela previsão de possível ingresso em curso universitário" (STJ 4ª turma RESP 23.370/PR Rel. Min. Athos Carneiro v.u. DJU de 29/03/1993, p. 5.259). EXONERAÇÃO. ALIMENTOS. MAIORIDADE. ÔNUS . PROVA. Tratase, na origem, de ação de exoneração de alimentos em Fl. 103DF CARF MF 10 decorrência da maioridade. No REsp, o recorrente alega, entre outros temas, que a obrigação de pagar pensão alimentícia encerrase com a maioridade, devendo, a partir daí, haver a demonstração por parte da alimentanda de sua necessidade de continuar a receber alimentos, mormente se não houve demonstração de que ela continuava os estudos. A Turma entendeu que a continuidade do pagamento dos alimentos após a maioridade, ausente a continuidade dos estudos, somente subsistirá caso haja prova da alimentanda da necessidade de continuar a recebêlos, o que caracterizaria fato impeditivo, modificativo ou extintivo desse direito, a depender da situação. Ressaltouse que o advento da maioridade não extingue, de forma automática, o direito à percepção de alimentos (Súm. n. 358STJ), mas esses deixam de ser devidos em face do poder familiar e passam a ter fundamento nas relações de parentesco (art. 1.694 do CC/2002), em que se exige prova da necessidade do alimentando. Dessarte, registrouse que é da alimentanda o ônus da prova da necessidade de receber alimentos na ação de exoneração em decorrência da maioridade. In casu, a alimentanda tinha o dever de provar sua necessidade em continuar a receber alimentos, o que não ocorreu na espécie. Assim, a Turma, entre outras considerações, deu provimento ao recurso. Precedente citado: RHC 28.566GO, DJe 30/9/2010. REsp 1.198.105RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 1º/9/2011. (grifouse) Assim, verificase que a pensão paga pelo recorrente ao seu neto não devida em face do poder familiar, pois tem fundamento nas relações de parentesco (art. 1.694 do CC/2002). Ademais, a decisão judicial que determinou a pensão alimentícia foi fixada para o filho do recorrente e não ao recorrente. Logo, os pagamentos realizados pelo recorrente ao seu neto foram realizados por mera liberalidade, sendo, de tal modo, indedutíveis. Portanto, deve ser mantida a glosa da dedução de pagamento a título de pensão alimentícia judicial. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Redator designado Fl. 104DF CARF MF
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Numero do processo: 15540.720003/2012-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2006, 2007
AUTO DE INFRAÇÃO. PROCEDIMENTO DECORRENTE DE AUTO IRPJ. COMPETÊNCIA. PRIMEIRA SEÇÃO.
Compete à Primeira Seção do CARF o julgamento de recurso voluntário relativo a procedimento decorrente de fatos cuja apuração tenha servido para configuração da prática de infração à legislação do IRPJ (art. 2o, IV do Anexo II do RICARF).
Numero da decisão: 3403-003.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso e declinar da competência de julgamento à Primeira Seção do CARF.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: Domingos de Sá Filhio
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. PROCEDIMENTO DECORRENTE DE AUTO IRPJ. COMPETÊNCIA. PRIMEIRA SEÇÃO. Compete à Primeira Seção do CARF o julgamento de recurso voluntário relativo a procedimento decorrente de fatos cuja apuração tenha servido para configuração da prática de infração à legislação do IRPJ (art. 2o, IV do Anexo II do RICARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso e declinar da competência de julgamento à Primeira Seção do CARF. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 00 03 /2 01 2- 75 Fl. 5333DF CARF MF 2 Relatório O Contribuinte, IPCE FIOS E CABOS ELÉTRICOS LTDA., interpôs Recurso Voluntário visando modificar a decisão de piso que lhe foi totalmente desfavorável, referente lançamento de constituição do crédito tributáriode IPI básico, relativo ao período de apuração de 01.01.2006 a 31.12.2007. Imputa ao contribuinte acusação ter se utilizado de empresa de fachada para se créditar do Imposto sobre Produtos Industrializados destacados em notas fiscais de aquisição de sucata ferroso por meio de notas fiscais emitidas pela empresa METALAN INDUSTRIA e COMÉRCIO DE METAIS LTDA. Do extenso “Termo de Verificação Fiscal”, FLS. 26449/ o auditor fiscal tece suas considerações a motivar a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento). Entre tantas, aponta como prova: a) O endereço não condiz com empresa de porte, visto tratarse de uma casa residencial modesta do tipo “meia àgua”, e teria obtido informação que naquele local nunca existiu nenhuma atividade empresarial, que o imóvel teria sido alugado no período de 2006 a 2008 para uma pessoa de nome Renaldo Viana Lima, embora o contrato de locação esteja firmado com Alcimar Barbosa Cunha, falecido desde 08.07.1997; b) Verificado junto Ministério do Trabalho, constatou em pesquyisa que a empresa jamais apresentou registro de empregado; c) A Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica relativa ao ano calendário de 2006 apresentada na modalidade de Lucro Presumido, no entanto, não consignava informações ecônomicas; d) A empresa metalan teria sido constituída em 01.09.2005, sendo os sócios fundadores Renato Quinn Lopes e Alcimar Barbosa Cunha, ambos falecidos desde 08.07.1997 e 09.08.1990, respectivamente; e) Que o pai do sócio fundador Renato Quinn Lopes, procurado diz que a foto da carteira de identidade não era do filho, mas os demais dados sim. f) Informa que em 06 de fevereiro de 2006 por meio de alteração de contrato registrada perante a Junta Comercial do Rio de Janeiro, houve a substituição do sócio falecido pelo sr. José Nonato Lima, cuja profissão seria de motorista de taxa, o que segundo o fiscal, revela ser laranja; g) Em declaração o sr. José Nonato Lima, informou que conheceu o sr. LINDORO VICENTE SANTANNA NETO, quando utilizava os serviços de taxista, passando serem amigos, passou ser sócio da Metalan, que o sr. Lindoro Vicente Fl. 5334DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 3403003.532 S3C4T3 Fl. 3 3 Santana Neto, reside em condomío fechado, “Santa MÔNICA”, próximo a Av. das Américas, localizado na Barra da Tijuca, Rio de JaneiroRJ. Que estava junto com o sr. Lindoro Vicente Santana Neto , quando da sua morte em um Hotel na cidade de São Paulo, há aproximadamente um ano. Disse que só conhece o sr. Eloy José Ramos Barros, o qual conheceu na residência do sr. Lindoro em Búzios, o qual teria sido apresentado como sendo o caseiro da casa de praia; Afirma, ainda, que nunca teve conhecimento da existência física da empresa Metalan; h) Houve terceira alteração do contrato social da Metalan, 14.12.2006, registrada na Junta Comercial, saindo o José Nonato Lima e ingressando o sr. Eloy José Ramos de Barros. Disse, também, que era oriundo da cidade de Três Rios/Rj, após ser demitido da RFFSA, a convite da sua irmão, conhecida de sra. Rosane de Carvalho da Silvva, esposa do sr. Lindoro Vicente Santana Neto, para trabalhar como cadeiro na residência deste, av. dos Tangarás, antiga Av. José Bento Ribeiro Dantanas, Quadra 1, Lote 15, Bairro Marina Porto Búzio, Armação de Búzios/RJ, em novembro de 1999. Informou que ouvia do sr. Lindoro que a empresa Metalan exercia a atividade compra e venda de sucata, na Cidade de São Gonçalo, mas nunca esteve no local e, que o sr. Lindoro tinha escritória na residência em Búzios, o onde tinha caixas de documentos da empresa, os quais vinha pelo correio IPCE ou da suposta Metalan, remetidos pelo sr. Reinaldo, que era uma pessoa da confiança do sr. Lindoro. Apresentou “um papel” onde consta o número de telefone do sr. Reinaldo em São Gonçalo e o número do telefone, 2601.6786, verificado por meio telefonema, a informação que não havia ninguém como esse nome na empresa. Disse também que assinou procuração a favor do sr. Reinaldo, e assinou diversos cheques em branco e enviado para empresa IPCE em São Paulo via sedex; i) continuando a narrativa do termo de verificação, consta, ainda, do depoimento do sr. o depoimento sr. Eloy José Ramos de Barros, que conheceu o sr. Ademar, irmão do Sr. Lindoro, quando foi em São Paulo companhando o sr. Lindoro para trocar de carro, e, passaram na firma do sr. Ademar (IPCE); disse também que os bens do sr. Lindoro estava em nome da filha dele, Rita de Carvalho da Silva de Santana e ouvia comentário que o veículo estava em nome do sr. José Nonato; afirmou ainda que esteve no escritório da contadora, Kelly, com o sr. Lindoro para apanhar documentos; Fl. 5335DF CARF MF 4 Ouvido a sra. Kelly Maláquias da Silva, disse que sua tratativa sempre foi com o sr. Lindoro, e, que fazia trabalhos esporádicos, como apresentar DCTF, Declaração de Imposto de Renda, GIA. Tempo depois tomou conhecimento, comentários, na Inspetoria Estadual de que a empresa do sr. Lindoro era de fachada. Encerrando relatório diz sr. Fiscal que boa parte das notas fiscais emitidas foram para empresa IPCE FIOS E CABOS ELÉTRICOS LTDA e a empresa Indústria de Cabos Elétricos Paulista Ltda. Motivo pelo qual entendeu tratarse de empresa de fachada, consequentemente, as notas fiscais emitidas para a Recorrente foram consideradas “Nfrias” motivando o lançamento relativamente ao Imposto de Renda, CSLL, IRRF e glosa do crédito de IPI por parte da empresa IPCE. A recorrente contesta toda motivação descritas, e, reprisa em suas razões recursais, que tratase de negócio jurídico, que os cuidados de praxe foram tomados, isso é, consulta ao cadastro da Rceceita Federal, bem como, no Estado do Rio de Janeiro, o único elo existente é o fato do sr. Ademar sócio da IPCE ser irmão do sr. Lindoro. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filhio, relator. Conforme se depreende do relatado, este lançamento de IPI está calcado na glosa do crédito de IPI resultante do aproveitamento de notas frias emitidas pela empresa METALAN INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS LTDA. No próprio Relatório Fiscal (fls. 2662) a fiscalização deixou clara a vinculação por decorrência deste auto de infração com o auto de infração de IRPJ: (...) (...) Assim, diante da identidade de fundamentos e premissas para a autuação, resta claro que todos os lançamentos são nascidos de uma mesma base fática: a emissão de notas fiscais consideradas inidôneas em relação a fornecedor (“METALAN”) afetando o tratamento fiscal/contábil da empresa compradora (“IPCE”). Fl. 5336DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 3403003.532 S3C4T3 Fl. 4 5 Verificada a identidade de base fática, com a correspondente conexão dos processos, impõese a competência estabelecida no art. 2o, IV do Anexo II do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 256/2009, atribuída à Primeira Seção deste CARF. Assim, voto pelo não conhecimento do recurso, declinandose da competência à Primeira Seção do CARF. É como voto Domingos de Sá Filho Fl. 5337DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.908647/2009-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/10/2006
COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO
Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento.
Numero da decisão: 1302-002.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, para dar provimento parcial ao recurso voluntário e declarar a nulidade parcial da decisão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/10/2006 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, para dar provimento parcial ao recurso voluntário e declarar a nulidade parcial da decisão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, para dar provimento parcial ao recurso voluntário e declarar a nulidade parcial da decisão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 86 47 /2 00 9- 55 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13819.908647/200955 Acórdão n.º 1302002.860 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Nos termos consignados nos autos, o presente processo administrativo se iniciou pelo indeferimento, via Despacho Decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo, de pedido de compensação, no qual o ora Recorrente, Yakult S/A Indústria e Comércio, pretendia quitar débitos próprios com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativas. No Despacho Decisório proferido, aquela douta Delegacia, não reconhecendo o direito creditório do contribuinte, assim se manifestou, in verbis: Analisadas as informações prestadas no documento acima Identificado, foi constatada a Improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Desta feita, como não foi reconhecido o direito creditório, o pedido de compensação não foi homologado, sendo cobrado, por consequencia, o débito que se pretendia quitar, acrescido de multa e juros. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual defendeu o seu direito creditório. Suas alegações foram bem colocadas no acórdão recorrido. Assim, pedese venia para transcrever trecho do relatório daquele acórdão, na parte em que são expostas as razões defendidas pelo Recorrente: Em direito tributário, a compensação depende de lei (art. 170 do Código Tributário Nacional). Portanto, data vênia, não da ao FISCO o direito de enriquecerse ilicitamente em detrimento dos contribuintes. A compensação, notadamente no âmbito tributário, é instrumento moralizador, porquanto afasta o contribuinte dos transtornos inerentes à restituição em espécie. O que ocorre é que as compensações, por força dos art. 74, §§1° e 14, da Lei 9.430/96, têm, necessariamente, que ser declaradas ao Fisco, na forma que foi regulamentada. A Instrução Normativa RFB 900, de 30 de dezembro de 2008, é que regulamenta a compensação, e estabelece que sera efetuada mediante a utilização do programa PER/DCOMP (art. 34, §1°). O problema é que o dito PER/DCOMP não distingue os débitos de IRPJ/Estimativa e CSLL/Estimativa calculados com base na receita bruta (Lei 9.430/96, art.2°) ou com base no balanço/balancete de suspensão/redução (Decreto 3.000/99, art. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13819.908647/200955 Acórdão n.º 1302002.860 S1C3T2 Fl. 4 3 230). Em ambos os casos, o código da receita, estipulado pela Receita Federal do Brasil (RFB) é o mesmo. Assim sendo, decorre que o programa gerador de compensação (PER/DCOMP) não pode fazer a distinção entre débitos de estimativa calculados com base na receita bruta (Lei 9.430/96, art. 2°) e débitos de estimativas calculados com base no balanço/balancete de suspensão/redução (Decreto 3.000/99, art. 230), o que ocasiona a errônea analise do FISCO, conforme decisão de IMPROCEDÊNCIA. A contribuinte esta devidamente amparada pela citada legislação em vigor e atende os requisitos legais para seja concedido e deferido o presente pedido de compensação. Ressaltando novamente que os pagamentos efetuados foram efetuados com base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução, de acordo com o que foi declarado da DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, na ficha 11 (IRPJ), e na ficha 16 (CSLL). Ao analisar a Manifestação de Inconformidade do Recorrente, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto (SP) indeferiu o pleito do contribuinte, sob o mesmo argumento que motivou o Despacho Decisório. Citase trecho do acórdão neste sentido: (...) Portanto, as estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação de IRPJ/CSLL a serem apurados ao final do anocalendário, pois somente no final do exercício, em face do balanço patrimonial levantado, é que o crédito tributário se exteriorizará, fruto da aplicação da respectiva alíquota sobre uma base de cálculo tributável, decorrente do lucro contábil ajustado pelas adições e exclusões impostas pela lei fiscal, confrontado com a somatória das parcelas recolhidas e retidas ao longo do período, no caso o ano civil, podendo dessa operação aflorar a situação de ter sido antecipado e retido mais que o devido, o que passou a ser chamado de saldo negativo. Argumentou ainda, aquela d. DRJ, que seria ônus do contribuinte comprovar o seu direito creditório, com a apresentação de livros contábeis e fiscais, com a composição e cálculo dos valores recolhidos. Neste sentido, alegou que o contribuinte não fez prova do seu direito creditório. Vejase mais um trecho do acórdão: Além do mais, é oportuno registrar que, ainda que se pudesse admitir o recolhimento a maior de estimativa como pagamento indevido ou a maior de tributo, esta Turma de Julgamento tem consignado que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13819.908647/200955 Acórdão n.º 1302002.860 S1C3T2 Fl. 5 4 fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Devidamente, intimado da decisão proferida pela DRJ em 26/06/2015, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 22/07/2015, no qual repisou os argumentos para sustentar o seu direito creditório, além de ter acostado aos autos cópias do LALUR, livros contábeis e fiscais e DARF´s de pagamento, que, a princípio, comprovariam o direito creditório invocado no pedido de compensação que não foi homologado pela Receita Federal do Brasil. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.855, de 13/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13819.908642/2009 22, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.855): Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado eletronicamente do teor do acórdão recorrido, em 02/06/2015, apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 29/06/2015, ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Assim, por cumprir os demais requisitos de admissibilidade, o Recurso Voluntário deve ser conhecido e analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Como demonstrado acima, o Recorrente, em pedido de compensação apresentado, indicou como crédito o pagamento indevido ou a maior de estimativas, de acordo com o regime de apuração do lucro real do IRPJ. A Delegacia da Receita Federal, em despacho decisório emitido, entendeu que não estava configurado o direito creditório, sob o argumento de que as estimativas pagas a maior só poderiam ser utilizadas para compor o saldo negativo do IRPJ e da CSLL. Ou seja, a princípio, pelo entendimento exarado, não foram analisados os livros contábeis e fiscais do contribuinte, para se verificar se o crédito invocado no pedido de compensação era legítimo. Tendo em vista o entendimento pela impossibilidade de compensação das estimativas, o pedido de compensação não foi homologado. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13819.908647/200955 Acórdão n.º 1302002.860 S1C3T2 Fl. 6 5 E a DRJ, apesar de ter alegado em argumento subsidiário que o contribuinte não comprovou o seu direito creditório, deixou bem claro o seu entendimento: as estimativas pagas a maior ou indevidamente só podem compor o saldo negativo, não podendo ser compensadas no mesmo exercício. Pois bem. No que tange à motivação do despacho decisório, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem posição consolidada e sumulada diametralmente oposta ao que restou consignado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de São Bernardo do Campo (SP). Vejase, neste sentido, o teor da Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. E quando se analisa os acórdãos que deram origem ao entendimento sumulado, fica fácil perceber o equívoco daquele Despacho Decisório. Como exemplo, citase trecho extraído do acórdão CARF nº 1202000.458, no qual é externado, inclusive, o entendimento da Receita Federal do Brasil, em que admite a compensação das estimativas, sem a vinculação à composição do saldo negativo, como restou assentado equivocadamente, data venia, no Despacho Decisório exarado: A própria Receita Federal do Brasil já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por meio da Solução de Consulta 285 – SRRF/9ª RF/Disit de 17/07/2009, assim ementada: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Por outro lado, a Solução de Consulta COSIT nº 19, de 05 de Dezembro de 2011, ao analisar questionamento interno que tem o mesmo objeto da presente discussão, assim concluiu: Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13819.908647/200955 Acórdão n.º 1302002.860 S1C3T2 Fl. 7 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Portanto, a motivação para indeferir o direito creditório do contribuinte não deve prevalecer. Por outro lado, como relatado acima, a DRJ, em argumento subsidiário, após aderir ao equivocado entendimento consignado no Despacho Decisório, afirmou que o contribuinte não havia feito prova do seu direito creditório, o que reforçaria a manutenção da decisão combatida pelo Recorrente. Contudo, a Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto (SP) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pelo Recorrente, até mesmo porque, como mencionado, o crédito não foi analisado pela Delegacia da Receita Federal que não homologou a compensação. A possibilidade de a instância julgadora determinar, de ofício, a realização de diligências esta prevista no artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13819.908647/200955 Acórdão n.º 1302002.860 S1C3T2 Fl. 8 7 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A interpretação que se pode fazer do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo federal é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos de James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13819.908647/200955 Acórdão n.º 1302002.860 S1C3T2 Fl. 9 8 Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, no presente caso, é patente o equivoco do acórdão recorrido, que, partindo de uma premissa há muito superada por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (vide o teor da Súmula nª 84 acima transcrita), manteve o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação do contribuinte, e, por consequencia, por argumento subsidiário (inovação), não analisou a legitimidade do crédito indicado na PerDcomp transmitida. Desta feita, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para que reconhece a possibilidade de se compensar o pagamento indevido ou a maior das estimativas, reformando se o acórdão neste ponto. Por consequência, ANULO PARCIALMENTE, no que se refere à inovação, o acórdão proferido, determinando o retorno dos autos à instância a quo para que esta analise, com base nos documentos acostados aos autos e outros que entender necessários, o direito creditório do Recorrente, podendo, Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13819.908647/200955 Acórdão n.º 1302002.860 S1C3T2 Fl. 10 9 inclusive, determinar a realização de diligências para um melhor entendimento do crédito indicado no pedido de compensação. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário e declarar a nulidade parcial da decisão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto acima transcritos. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.900766/2012-05
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade competente analise os documentos acostados ao recurso voluntário e, eventualmente, adote outras providências cabíveis.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1579; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 108 1 107 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.900766/201205 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3001000.093 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Data 10 de julho de 2018 Assunto IPI DCOMP ELETRÔNICO PAGAMENTO INDEVIDO Recorrente ARBOR BRASIL INDUSTRIA DE BEBIDAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade competente analise os documentos acostados ao recurso voluntário e, eventualmente, adote outras providências cabíveis. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. RELATÓRIO Dos fatos Cuidase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão 1454.263 da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP DRJ/RPO que, em sessão de julgamento realizada no dia 29.10.2014, a unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Transcrevo, por sua clareza e precisão, o relatório do acórdão recorrido (efls. 49 a 52): Relatório Trata o presente de manifestação de inconformidade contra o Despacho decisório que não homologou a compensação do débito RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 35 .9 00 76 6/ 20 12 -0 5 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10735.900766/201205 Resolução nº 3001000.093 S3C0T1 Fl. 109 2 declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, em razão de constar nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos do contribuinte. Tempestivamente o interessado manifestou sua inconformidade alegando o seguinte: "(...), por entender que o débito solicitado na PER/DCOMP 34592.45295.181109.1.3.041080 DE 18/11/2009, tem fundamento, através da análise efetuadas nas Declarações e não encontrados elementos que impeçam a compensação solicitada. Diante do exposto, solicitamos ao departamento de análise da DRF Nova Iguaçu, que analise a decisão proferida e nos informe os motivos pelos quais a PER/DCOMP não foi homologada, de forma mais detalhada, para que possamos promover as divergências através de retificação ou pagamento, após conclusão. Desde já solicitamos o diferimento do pedido no andamento do processo, nos termos dos parágrafos 7º e 9º, do art. 74 da Lei nº 9430, de 1996, com alterações posteriores." Da decisão de 1ª instância A 2ª Turma da DRJ/RPO, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 26/03/2008 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da ciência O contribuinte, em 22.08.2016 foi cientificado da decisão formalizada pelo acórdão recorrido, é o que depreendese do "TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM COMUNICADO", que dá conta do envio da "Comunicação 233/2016", que Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10735.900766/201205 Resolução nº 3001000.093 S3C0T1 Fl. 110 3 referese ao Acórdão 1454.263 2ª Turma da DRJ/RPO, emitido em 29.10.2014 (efls. 54 e 57). Irresignado com a referida decisão, em 21.09.2016 registra as solicitações de juntada do recurso voluntário (efls. 59 a 84) e demais documentos nele anexados (efls. 87 a 116), é o que informam os "TERMOS DE ANÁLISE DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA" de efls. 85 e 117. Do recurso voluntário No recurso voluntário, para o que interessa ao momento, o recorrente aduz em sua defesa o que segue reproduzido, ipis litteris: (...) Conforme já exposto na síntese fática, em março de 2008 a ora Recorrente realizou, de forma prévia, devido ao curto prazo para pagamento, a apuração dos valores devidos a título de IPI em relação ao período de 20/03/2008, procedendo ao recolhimento de DARF, código 0668, no importe de R$ 28.826,67 em 26/03/2008, declarando tal montante em DCTF. Não obstante, após realizar a apuração definitiva dos débitos de IPI relativos ao período de 20/03/2008, a contribuinte constatou que o valor correto para o período seria de apenas R$ 13.112,61, montante menor que o efetivamente recolhido e declarado. Desta feita, constatouse a existência de crédito de R$ 15.714,06 à ora Recorrente, decorrente de pagamento a maior devidamente declarado na ficha da DCTF relativo ao IPI do segundo decêndio de março de 2008. Por deter crédito decorrente de pagamento de tributo a maior a Recorrente solicitou, no PD 34592.45295.181109.1.3.041080, a compensação de seus créditos com o débito de R$ 13.112,61, pedido posteriormente negado pela autoridade fiscal , ao argumento de que o saldo seria insuficiente para a compensação pretendida. (...) Ademais, a autoridade fiscal deixou de observar que mesmo a Recorrente tendo utilizado o crédito para compensar os débitos dos PDs 24007.84215.090109.1.3.043652 e 01492.74650.170209.1.3.04 7707, ainda lhe restou R$ 13.976,58, saldo suficiente para realizar a compensação com o débito de R$ 13.112,61. (...) O presente caso é um exemplo cristalino de que o entendimento fiscal está equivocado e contraria a prova dos autos, pois restou devidamente comprovado a existência de saldo suficiente à compensação pleiteada! Outrossim em razão do lapso temporal transcorrido do despacho decisório e o não reconhecimento do direito creditório criouse um embaraço para a produção de outras provas que não as apresentadas, que sob a ótica da Recorrente são suficientes para comprovar a existência do direito creditório pleiteado. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10735.900766/201205 Resolução nº 3001000.093 S3C0T1 Fl. 111 4 Tal circunstância culmina com a total improcedência do v. acórdão recorrido, posto não haver condições fáticas nem jurídicas para a sua manutenção. (...) Destarte, requerse o acolhimento total do presente Recurso Voluntário para que seja julgado procedente o pedido de compensação formulado, pelas razões já expostas. Do encaminhamento O processo digital (eprocesso), então, foi encaminhado para ser analisado por esta Turma Extraordinária do Carf na forma regimental (efl. 119). É o relatório. VOTO Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Relator. Da decisão recorrida Dispõe o voto condutor do acórdão recorrido, ipsis litteris: Voto Inicialmente cabem algumas considerações. A Declaração de Compensação é regida pela regra geral estabelecida no CTN, que assim dispõe: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Pois bem, quando o contribuinte invoca um direito creditório, cujo ressarcimento ou restituição é pleiteado, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil averiguar a certeza e liquidez deste crédito, de acordo com a disciplina prevista no parágrafo 14 (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 e instaurada mediante atos administrativos. No presente caso o direito creditório consistiria num pagamento indevido ou maior que o devido, cuja restituição se pleiteia, sendo que, por ocasião do preenchimento e transmissão da PERDCOMP, exigese a descrição do DARF relativo ao recolhimento que daria causa à repetição do indébito. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10735.900766/201205 Resolução nº 3001000.093 S3C0T1 Fl. 112 5 Atendendo ao princípio da eficiência, as PERDCOMPs são processadas eletronicamente visando atender ao contribuinte agilmente e, para atingir tal fim, a busca da certeza e liquidez do crédito se dá, num primeiro momento, pelo cruzamento das informações prestadas pelo próprio interessado à SRF, ou seja, confrontandose o DARF e a DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), procedimento este não só respaldado em ato administrativos, bem como, em atendimento ao previsto no artigo 37 da Lei nº 9784/99. Enfim, a verificação da certeza e liquidez do direito creditório alegado pelo contribuinte, que nada mais é que o estrito cumprimento da lei e a obediência ao princípio da verdade material, baseiase nas obrigações acessórias realizadas pelo próprio. Na presente lide constou, nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos, conseqüentemente, ou, o Despacho Decisório está correto, ou houve algum erro de preenchimento por parte do contribuinte na DCTF. Bastaria, então, retificar a DCTF? Não, a simples alteração na DCTF, bem como a DIPJ, não atende ao disposto no art. 36 da Lei nº 9784/99, ou seja, a manifestação do interessado não traria qualquer prova ou indício que permitiria comprovar o alegado recolhimento indevido, o que justificaria uma eventual retificação da DCTF e não tornála apenas numa “conta de chegada”. Logo, o contribuinte tem o direito de retificar a DCTF, entretanto, se a contribuinte não mais goza de espontaneidade, conforme prevê o inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 786/2007, quando da transmissão e da análise do PERD/COMP em tela, o crédito não existia, pois o pagamento estava integralmente alocado ao débito declarado pela contribuinte. Por conseguinte, não basta apenas harmonizar o pedido de restituição com uma eventual DCTF retificadora sem demonstrar a efetiva existência de crédito líquido e certo, ou seja, é necessário provar que realmente ocorreu um pagamento indevido, ou maior que o devido, ao teor do já citado art. 36 da Lei nº 9784/99. Não se pode olvidar que o processo administrativofiscal é informado pelo princípio da concentração das provas na contestação, ou seja, uma vez que não há a previsão para a realização de uma audiência de instrução, como ocorre no âmbito do processo civil, as provas de fato modificativo, impeditivo ou extintivo da pretensão fazendária e/ou as alegações pertinentes à defesa devem ser oferecidas pelo sujeito passivo na impugnação. Vale dizer que na esfera cível, no que tange ao autor da ação, as provas devem ser indicadas na exordial e apresentadas na audiência de instrução, sendo que o réu também deve indicar as suas provas na contestação para produção na audiência; na seara tributária, Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10735.900766/201205 Resolução nº 3001000.093 S3C0T1 Fl. 113 6 conquanto, todas as contraprovas devem ser carreadas aos autos no bojo da peça impugnatória. Da seguinte maneira discorre o Decreto nº 70.235 (PAF), de 1972, art. 16, acerca dos requisitos da impugnação, verbis: "Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis; II omissis; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV omissis”. (grifei) Em relação ao ônus da prova, assim dispõe o Código de Processo Civil, art. 333: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. Destarte, na hipótese de solicitação administrativa, recai sobre o interessado o ônus de provar a pretensão deduzida, ao contrário do que acontece no âmbito do processo de exigência tributária, em que o ônus da prova das infrações tributárias cometidas pelo sujeito passivo incide sobre o ente tributante. Portanto, a manifestação de inconformidade, devem ser instruídos com todos os elementos hábeis a demonstrar o direito da requerente. Assim, por não restar provada a certeza e liquidez dos alegados créditos contra a Fazenda Nacional, voto que se julgue a manifestação como improcedente. Da proposta de diligência Compulsandose os autos verificase que, relativamente ao crédito pleiteado, tanto a glosa, digase, parcial, de que trata o Despacho Decisório emitido em 01.03.2012, pela autoridade competente da DRF NOVA IGUAÇU rastreamento 019111785, quanto o indeferimento do pedido tratado no acórdão recorrido, tem por fundamento o fato de não restar provada a pretensão deduzida, ônus que competia ao contribuinte, é o que evidencia os últimos parágrafos do seu voto condutor. Neste contexto, o pleiteante, com vista a melhor fundamentar materialmente seu pleito, sob a justificativa de o lapso temporal transcorrido entre o despacho decisório e o não reconhecimento do direito creditório haver dificultado sobremaneira a produção de outras provas, além das já apresentadas, que sob sua ótica eram suficientes para comprovar a existência do direito creditório pleiteado, trouxe aos autos, nesta fase recursal, dentre outros documentos, o "LIVRO DE APURAÇÃO IPI REFERENTE AO SEGUNDO DECÊNDIO DE Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10735.900766/201205 Resolução nº 3001000.093 S3C0T1 Fl. 114 7 MARÇO DE 2008 DOC. 3", o DARF E DCTFRETIFICADORA DOC. 4" e a "FICHA DCTF IPI SEGUNDO DECÊNDIO DE MARÇO DE 2008 DOC. 5" (efls. 87 a 116). Por certo, é condição indispensável para a efetivação da compensação de tributos, a comprovação da liquidez e certeza do crédito informado, conforme dispõe o artigo 170A da Lei 5.172 de 1966 (CTN), o que fazse necessária a efetiva demonstração da sua existência. Da conclusão Deste modo, com vista a dirimir dúvida suscitada nestes autos, em face dos elementos de prova carreados pelo recorrente, com a vinda do presente recurso voluntário, proponho a realização de diligência para que o órgão fiscal que jurisdiciona o contribuinte manifestese acerca dos documentos juntados às efls. 87 a 116, que aparentemente demonstram assistirlhe razão, e, se assim entender, intime o contribuinte para apresentar outras provas que julgar necessárias para a efetiva demonstração da existência do alegado direito creditório, conforme declarado na Per/DComp 34592.45295.181109.1.3.041080. Neste sentido devem os autos retornar para a DRF/Nova Iguaçu. Ao término dos trabalhos, a autoridade responsável pela condução da diligência deverá elaborar relatório resumido, manifestandose formalmente sobre a existência ou não de direito creditório objeto do deste processo. Encerrada a instrução processual, o recorrente deverá ser intimado para, se assim desejar, manifestarse no prazo de trinta dias, porém, tão somente sobre o resultado da diligência realizada. Após esta providência, os autos deverão ser devolvidos a este Carf, para prosseguimento do feito. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.003437/2004-96
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI DO ART. 11 DA LEI Nº 9.779/99. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAS-PRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E MATERIAIS DE EMBALAGEM UTILIZADOS NA PRODUÇÃO DE MERCADORIAS ISENTAS OU SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. POSSIBILIDADE.
A legislação trouxe critérios objetivos para a recuperação dos créditos de IPI de insumos utilizados na fabricação de produtos isentos e não tributados, não havendo o seu condicionamento à não escrituração como custo do produto final. As premissas estabelecidas pela norma foram observadas pelo Contribuinte no caso em exame: tratar-se de aquisição de insumos posteriormente a 01/01/1999; e serem utilizados na produção e/ou fabricação de produtos isentos ou sujeitos à alíquota zero.
A violação à legislação, se existente no presente caso, dá-se em relação ao IRPJ e à CSLL, cujo regulamento traz proibição expressa de inclusão na rubrica do custo de aquisição dos valores relativos aos tributos recuperáveis na escrita fiscal, conforme artigo 289, §3º do Decreto nº 3.000/99 supra transcrito.
Numero da decisão: 9303-006.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI DO ART. 11 DA LEI Nº 9.779/99. AQUISIÇÃO DE MATÉRIASPRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E MATERIAIS DE EMBALAGEM UTILIZADOS NA PRODUÇÃO DE MERCADORIAS ISENTAS OU SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. POSSIBILIDADE. A legislação trouxe critérios objetivos para a recuperação dos créditos de IPI de insumos utilizados na fabricação de produtos isentos e não tributados, não havendo o seu condicionamento à não escrituração como custo do produto final. As premissas estabelecidas pela norma foram observadas pelo Contribuinte no caso em exame: tratarse de aquisição de insumos posteriormente a 01/01/1999; e serem utilizados na produção e/ou fabricação de produtos isentos ou sujeitos à alíquota zero. A violação à legislação, se existente no presente caso, dáse em relação ao IRPJ e à CSLL, cujo regulamento traz proibição expressa de inclusão na rubrica do custo de aquisição dos valores relativos aos tributos recuperáveis na escrita fiscal, conforme artigo 289, §3º do Decreto nº 3.000/99 supra transcrito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 00 34 37 /2 00 4- 96 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10140.003437/200496 Acórdão n.º 9303006.968 CSRFT3 Fl. 174 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 124 a 131) com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 380300.097 (fls. 114 a 120) proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 10 de agosto de 2009, no sentido dar provimento ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: Assunto: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. DIREITO DE CRÉDITO NÃO ESTÁ VINCULADO À CONTABILIZAÇÃO COMO CUSTO PARA EFEITO DE DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA E DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO. Se o contribuinte deixou de estornar o valor do crédito do IPI em relação ao custo, para efeito de dedução do IRPJ e CSLL, isto não é condição legal de validade do lançamento do crédito básico nos livros de IPI e para o aproveitamento destes créditos. O que confere ao imposto a característica de "recuperável" é a natureza objetiva do próprio imposto, e não a vontade do contribuinte. Assim, a qualificação do IPI como recuperável depende da existência de previsão legal permitindo a apropriação ou manutenção de créditos básico em relação as situações concretas envolvidas. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10140.003437/200496 Acórdão n.º 9303006.968 CSRFT3 Fl. 175 3 Recurso Voluntário Provido. Não resignada com o acórdão de recurso voluntário, insurgese a Fazenda Nacional por meio do apelo especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à possibilidade de aproveitamento dos créditos básicos de IPI, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779/99, tendo a decisão recorrida fundamentado o provimento do recurso voluntário, em síntese, no fato de ser defeso ao Fisco recusar ao Contribuinte o direito de aproveitamento do crédito básico do IPI sob o argumento de que tal direito estaria condicionado à retirada do valor da rubrica do custo, para efeito de dedução do IRPJ e CSLL. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigma o acórdão nº 20401.576. Nas razões recursais, a Fazenda Nacional sustenta, em síntese, que: (a) para obtenção do direito ao crédito de IPI, o pedido de ressarcimento de saldo credor do referido tributo deve estar amparado em documentação contábil fiscal correta e hábil que permita conferir a certeza e liquidez dos créditos; (b) a escrituração dos créditos de IPI relativos à aquisição de insumos, utilizados na fabricação de produto isento, como imposto não recuperável e integrante do custo da mercadoria, atuando na redução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, impede que estes valores sejam considerados no sistema de débito e crédito do IPI para fins de ressarcimento do seu saldo credor; (c) nos termos do art. 2º da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 33/99, que regulamentou o art. 11 da Lei nº 9.779/99, para aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da compra de insumos há obrigatoriedade de registro dos referidos valores como imposto recuperável; (d) por fim, requer seja provido o recurso especial com a reforma integral do acórdão recorrido. Foi dado seguimento ao recurso especial, nos termos do despacho nº 3300 000.195, de 27/07/2011 (fls. 151 a 152), proferido pelo Ilustre Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, por ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte tomou ciência do recurso especial da Procuradoria e apresentou contrarrazões (fls. 158 a 162). O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio eletrônico, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10140.003437/200496 Acórdão n.º 9303006.968 CSRFT3 Fl. 176 4 Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito No mérito, cingese a controvérsia à possibilidade de ressarcimento de crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) decorrentes da aquisição de insumos matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME) utilizados na fabricação de produtos isentos, tendo tais créditos sido contabilizados como "imposto não recuperável" e, por conseguinte, integrando o custo da mercadoria, dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. O art. 11 da Lei nº 9.779/99 prevê a possibilidade de ressarcimento do saldo credor do IPI, originado da aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos isentos ou tributados à alíquota zero, in verbis: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Assim, a partir de janeiro de 1999 os Contribuintes passaram a ter direito ao creditamento do IPI decorrente da aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos desonerados (isentos ou alíquota zero) na saída do estabelecimento industrial. Verificase que a possibilidade surgiu, portanto, apenas a partir da vigência da Lei nº 9.779/99 janeiro de 1999. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10140.003437/200496 Acórdão n.º 9303006.968 CSRFT3 Fl. 177 5 No período anterior à publicação do diploma legal em referência, os Contribuintes não eram beneficiados com referido favor fiscal, considerandose o saldo credor de IPI de insumos utilizados na industrialização de produtos desonerados como "imposto não recuperável". Por essa razão, referido valor compunha o "custo de aquisição", pois se tratava de um imposto definitivo, sem possibilidade de recuperação. Após a Lei nº 9.779/99, os créditos de IPI oriundos da aquisição de insumos para utilização na fabricação de produtos isentos ou sujeitos à alíquota zero, passara a ser escriturados regularmente, existindo a possibilidade jurídica de sua recuperação. Transformou se, assim, em tributo recuperável, deixando de repercutir no custo do produto final. Nessa perspectiva, os impostos passíveis de recuperação, como o crédito de IPI oriundo da compra de insumos empregados nos produtos que são tributados na sua saída do estabelecimento industrial, são escriturados no livro de apuração do IPI, descontandose dos débitos gerados na saída dos bens tributados. Conforme legislação do IRPJ, é vedada a inclusão dos "tributos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal" no custo dos produtos vendidos, de acordo com art. 289, §3º, do Decreto nº 3.000/1999 Regulamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (correspondente ao art. 231, §3º, do Decreto nº 1.041/1994, vigente quando da entrada em vigor da Lei nº 9.779/99): Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. (grifouse) Para regulamentar o benefício fiscal inserido no art. 11 da Lei nº 9.779/99, a Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 33, de 04/03/1999, que dispõe sobre a apuração e aproveitamento do crédito do IPI e dá outras providências. Dentre os seus artigos, há título específico tratando "Do direito ao aproveitamento do saldo credor do IPI art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999" nos seus artigos 4º e 5º: DO DIREITO AO APROVEITAMENTO DO SALDO CREDOR DO IPI ART. 11 DA LEI NO 9.779, DE 1999 Art. 4o O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei No 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10140.003437/200496 Acórdão n.º 9303006.968 CSRFT3 Fl. 178 6 MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999. Art. 5o Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação. § 1o Os créditos a que se refere este artigo deverão ficar anotados à margem da escrita fiscal do IPI. § 2o O aproveitamento dos créditos do IPI de que trata este artigo somente poderá ser efetuado com débitos decorrente da saída dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e dos fabricados a partir de 1o de janeiro de 1999, com a utilização dos insumos originadores desses créditos, considerandose que os produtos que primeiro saírem foram industrializados com a utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento. § 3o O aproveitamento dos créditos, nas condições estabelecidas no artigo anterior, somente será admitido após esgotados os créditos referidos neste artigo. (grifouse) O art. 1º da IN RFB nº 33/99 explicita tratar o ato normativo das hipóteses de apuração e utilização de créditos do IPI e ressalta, inclusive em relação ao saldo credor a que se refere o art. 11 da Lei nº 9.779/99. Nessa linha relacional, o art. 2º da Instrução Normativa, referese aos créditos de IPI relativos aos insumos empregados nos produtos industrializados, sujeitos à tributação quando da sua saída do estabelecimento industrial, não se aplicando as suas disposições ao aproveitamento do saldo credor do IPI do art. 11 da Lei nº 9.779/99, que possui dispositivos específicos para sua regulamentação arts. 4º e 5º da IN RFB nº 33/99 transcritos acima. Portanto, depreendese que a legislação trouxe um critério objetivo para a recuperação dos créditos de IPI de insumos utilizados na fabricação de produtos isentos e não tributados, não havendo o seu condicionamento à não escrituração como custo do produto final. As premissas estabelecidas pela norma foram observadas pelo Contribuinte no caso em exame: tratarse de aquisição de insumos posteriormente a 01/01/1999; e serem utilizados na produção e/ou fabricação de produtos isentos ou sujeitos à alíquota zero. Conforme destacado pela decisão recorrida, "em se verificando um descompasso pelo fato de o contribuinte ter lançado o crédito básico de IPI e ao mesmo tempo têlo considerado como custo para a dedução do IRPJ e da CSLL, a solução dependerá de saber objetivamente se tal crédito é recuperável". Inequívoca a condição de "crédito recuperável" dos valores discutidos no presente processo administrativo. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10140.003437/200496 Acórdão n.º 9303006.968 CSRFT3 Fl. 179 7 Prossegue, ainda, o acórdão recorrido no sentido de que "sendo objetivamente recuperável o crédito, terá o Fisco de fazer o ajuste por meio da exigência do IRPJ e da CSLL que foram recolhidos a menor em virtude da consideração indevida do valor do crédito de ipi como custo". A violação à legislação, se existente no presente caso, dáse em relação ao IRPJ e à CSLL, cujo regulamento traz proibição expressa de inclusão na rubrica do custo de aquisição dos valores relativos aos tributos recuperáveis na escrita fiscal, conforme artigo 289, §3º do Decreto nº 3.000/99 supra transcrito. A vedação ao aproveitamento aos créditos de IPI oriundos da aquisição de insumos empregados na produção de mercadorias isentas ou sujeitas à alíquota zero, para o período posterior a janeiro de 1999, por não terem sido estornados do "custo" dedutível do IRPJ, não encontra amparo na legislação, mas sim contraria benefício fiscal previsto expressamente no art. 11 da Lei nº 9.779/99 e cujos requisitos foram atendidos pela Contribuinte. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 179DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.934226/2008-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL.
Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91)
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.507
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.914320/2010-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PRESCRIÇÃO. Recorrente AUTO PECAS PORTO EIXO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.914320/201014, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 42 26 /2 00 8- 67 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.934226/200867 Acórdão n.º 3302005.507 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que, analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF nele discriminado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese: · Em preliminar, a falta de eficácia da intimação e sua validade, acarretando nulidade da notificação do despacho decisório; · No mérito, a Inconstitucionalidade das disposições da Lei n 9.718/98, sobre a COFINS e dos DecretosLei 2.445/98 e 2.449/98 quanto ao PIS; · Sobre a prescrição, o prazo prescricional para repetição do indébito tributário é de 5 (cinco) anos da homologação e como normalmente esta ocorre tacitamente somada mais com 5 (cinco) anos, a manifestante tem 10 (dez) anos do pagamento para restituir o que foi pago indevidamente; · Requer a reforma do Despacho Decisório, e que se mantenha vinculada a compensação ao processo, nos moldes da MP 135/03 transformada na Lei 10833/03, em seu Art. 17º § 11 (sic), e deste modo, os valores compensados estarão suspensos. A decisão de primeira instância foi pelo não provimento da manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 16034.251. Após ciência ao acórdão de primeira instância, apresentou recurso voluntário , em essência, reprisando a manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.934226/200867 Acórdão n.º 3302005.507 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.493, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.914320/201014, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.493): "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase Declaração de Compensação DCOMP nº 01594.54905.270906.1.3.049320 (fls. 01/05), transmitida, em 27/09/2006, para a compensação de débitos de IRPJ lucro presumido (PA 06/2006) com créditos tributários (PA 04/1999) relativos à COFINS cumulativa, de que trata a Lei nº 9.718/98. PRELIMINAR Reitera a ora recorrente que a intimação para instaurar processo administrativo foi recebido e assinado por pessoa não credenciada e não habilitada para receber qualquer correspondência da empresa manifestante e sendo seu sócio gerente seu representante legal, somente ele poderia ter recebido a correspondência. Direito ao ponto, pela perfeita subsunção dos fatos alegados ao enunciado da Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Não há de se falar em retroação dos efeitos do supracitado enunciado, visto, simplesmente consolidar jurisprudência1, antiga e pacífica, nos antigos Conselhos de Contribuintes e no atual CARF, baseadas na legalidade, especificamente do art. 23, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, justificada que a ênfase dada pelo caput a que a intimação seja provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, não tem o rigor que suponha necessária a pessoalidade do ato, sendo que a maioria das notificações e das intimações administrativas são promovidas por via postal, com prova de recebimento (AR) e que a entrega da intimação no domicílio 1 Acórdãos nºs 20168026, de 20/05/1992; 20209572, de 14/10/1997; 20171773, de 02/06/1998; 20306545, de 09/05/2000; 10707076, de 20/03/2003; 20208457, de 21/05/2003; 10807562, de 16/10/2003; 10614266, de 21/10/2003; 10246574, de 01/12/2004; 10420408, de 26/01/2005. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.934226/200867 Acórdão n.º 3302005.507 S3C3T2 Fl. 5 4 fiscal eleito pelo sujeito passivo é o quanto basta para que a relação processual se tenha completado, sendo irrelevante se o recibo foi assinado por quem não era representante legal do contribuinte. Tida como válida a ciência, por conveniente, refuto, também, a alegação de ter sido rasgada as regras dos princípios constitucionais e administrativos, como sugere o recorrente, haja vista a definição das normas impostas pelo Decreto nº 70.235/72, não havendo porque afastarse a aplicação ou deixar de observar leis válidas, estando, mesmo, vedado aos Conselheiros do CARF fazê lo, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 62, da Portaria MF nº 343 de 09/06/15RICARF/15), no mesmo sentido do enunciado da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face de todo o exposto, voto por não acatar as preliminares argüidas. MÉRITO A ora recorrente, manifestou inconformidade ao não reconhecimento do direito creditório, defendendo que efetuou recolhimentos a maior em DARF, em razão das ilegalidade e inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo e majoração da alíquota, de 2% à 3%, da COFINS, pela Lei nº 9.718/98. Diante desses argumentos, entendeu a decisão recorrida, improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar prescrito o direito de pleitear a repetição do indébito; e por entender não socorrer o interessado eventuais efeitos da declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. Quanto ao fundamento do indébito estar em possíveis inconstitucionalidades da Lei nº 9.718/98, entendo não ser papel dos órgão julgadores administrativos discorrer sobre direitos em tese, visto não existir nos autos uma única prova sequer da natureza do indébito, limitandose a ora recorrente a protestar pela posterior juntada de outros documentos e demonstrativos que comprovariam o direito alegado, desnecessários pelos efeitos da patente questão prejudicial de mérito (prescrição) que segue. Quanto à prescrição, o crédito tributário pleiteado via DCOMP nº 01594.54905.270906.1.3.049320 (fls. 02/05), transmitida em 27/09/2006, diz respeito à COFINS cumulativa do Período de Apuração PA 04/1999. Notase, nas informações constantes da DCOMP, que o interessado informou data de arrecadação em 30/04/2002 (fls. 02), porém, conforme consta no DARF (fl. 40), o recolhimento foi efetuado em 10/05/1999. Sobre a repetição de indébito tributário, o Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), assim dispõe: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.934226/200867 Acórdão n.º 3302005.507 S3C3T2 Fl. 6 5 ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3º da LCp nº 118, de 2005) Sobre o prazo para repetição de indébito tributário, o Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do RE 566.621/RS, com fundamento na sistemática da repercussão geral, do art. 543B, do CPC, firmou o seguinte entendimento: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.934226/200867 Acórdão n.º 3302005.507 S3C3T2 Fl. 7 6 pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Tratandose de DCOMP transmitida em 27/09/2006 e inexistindo medida judicial, prévia à 09/06/2005, individualizando a garantia do direito ao interessado, aplicase o prazo reduzido para repetição ou compensação de indébitos, fixado pela LC nº 118/2005, prescrevendo o direito de pleitear administrativamente a restituição de valores recolhidos indevidamente, em 5(cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, conforme inciso I, do artigo 165, do CTN, e entendimentos firmados pelo RE 566.621/RS e pelo enunciado da Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10(dez) anos, contado do fato gerador. Portanto, conforme consta no DARF (fl. 40), ao recolhimento efetuado em 10/05/1999, encontravase prescrito o direito à repetição do alegado indébito, pedido via DCOMP transmitida em 27/09/2006, por força do inciso I, do artigo 165, do CTN, do RE 566.621/RS e da Súmula CARF nº 91. Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 80DF CARF MF
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Numero do processo: 10940.901463/2008-90
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível.
A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO EM DUPLICIDADE DE SIMPLES. UTILIZAÇÃO DO MESMO CRÉDITO EM OUTRA COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO.
Mantém-se o despacho decisório que não homologou a compensação, em que o contribuinte declarou crédito de pagamento em duplicidade do Simples, quando se constata a existência de outra Dcomp com utilização integral do mesmo crédito.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.296
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves de Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO EM DUPLICIDADE DE SIMPLES. UTILIZAÇÃO DO MESMO CRÉDITO EM OUTRA COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Mantém-se o despacho decisório que não homologou a compensação, em que o contribuinte declarou crédito de pagamento em duplicidade do Simples, quando se constata a existência de outra Dcomp com utilização integral do mesmo crédito. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO EM DUPLICIDADE DE SIMPLES. UTILIZAÇÃO DO MESMO CRÉDITO EM OUTRA COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação, em que o contribuinte declarou crédito de pagamento em duplicidade do Simples, quando se constata a existência de outra Dcomp com utilização integral do mesmo crédito. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 14 63 /2 00 8- 90 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10940.901463/200890 Acórdão n.º 1002000.296 S1C0T2 Fl. 87 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves de Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 51/52) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 39/42), proferida em sessão de 24 de março de 2011, consubstanciada no Acórdão n.º 0630.924, da 2.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (DRJ/CTA), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 02/03) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 18/07/2008 (efl. 04), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 29738.86658.121104.1.3.040256, transmitido em 12/11/2004, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO EM DUPLICIDADE DE SIMPLES.UTILIZAÇÃO DO MESMO CRÉDITO EM OUTRA COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação, em que o contribuinte declarou crédito dc pagamento em duplicidade do Simples, quando se constata a existência de Outra Dcomp com utilização integral do mesmo crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Trata o processo de manifestação de inconformidade contra despacho decisório proferido em declaração Per/Dcomp, em que Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10940.901463/200890 Acórdão n.º 1002000.296 S1C0T2 Fl. 88 3 o contribuinte apresentou como crédito pagamento indevido de Simples referente ao período 04/2002, pago em 10/05/2002, no valor de R$ 5.502,59, para compensação com débito de PIS (períodos 04/2002, 05/2002 e 06/2002), Cofins (períodos 04/2002, 05/2002 e 06/2002), CSLL (segundo trimestre de 2002) e IRPJ (segundo trimestre de 2002). O contribuinte acima identificado enviou a Dcomp n.º 29738.86658.121104.1.3.040256 de fls. 08/17, na data de 12/11/2004, cuja compensação não foi homologada pelo despacho de fl. 03. Cientificada da decisão em 31/07/2008, conforme informação de fl. 31, a interessada, tempestivamente, em 12/08/2008, ingressou com a reclamação de fls. (01/02, instruída com os documentos de fls. 03/17, que se resume a seguir. a. Alega que declarou de forma incorreta o valor de R$ 5.502,59, período de apuração 30/04/2002; b. Informa que os dados corretos são: 1) período de apuração 31/04/2002, valor R$ 1.775,77, data do pagamento (10/05/2002; 2) período de apuração 31/05/2002, valor R$ 1.999,49, data do pagamento 10/06/2002; 3) período de apuração 30/06/2002, valor R$ 1.727,13, data do pagamento 10/07/2002, conforme documentos anexados. O Despacho Decisório informa que o crédito pleiteado, a título de restituição, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, inexiste, razão pela qual não se homologou a compensação. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, não se localizou o próprio DARF citado, de modo a não haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi quitado, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito: A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Quanto ao pagamento não encontrado nos sistemas da Receita Federal, confirmase a explicação dada na peça de defesa, já que o único recolhimento de código 6106 efetuado na data de 10/05/2002 é no valor de R$ 1.775,77, conforme impressão de tela de fl. 35, o que autoriza a conclusão de que o contribuinte equivocouse ao declarar o valor de R$ 5.502,59. A seguir, a impugnante alega que os dados corretos são: 1) período de apuração 30/04/2002, valor R$ 1.775,77, data do pagamento 10/05/2002; 2) período de apuração 31/05/2002, valor R$ 1.999,49, data do pagamento 10/06/2002; 3) período de apuração 30/06/2002, valor R$ 1.727,13, data do pagamento 10/07/2002. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10940.901463/200890 Acórdão n.º 1002000.296 S1C0T2 Fl. 89 4 No entanto, verifiquei que todos esses três recolhimentos já foram objeto de compensação, através de Per/Dcomp, cujos créditos encontramse totalmente consumidos para quitação dos respectivos débitos, de forma que não resta pagamento disponível para compensar os débitos do presente processo. A tabela a seguir resume todas as Dcomp's enviadas pelo contribuinte: Essas foram as razões de decidir da DRJ. No recurso voluntário, em outras palavras, o contribuinte reiterou os argumentos suscitados na sua manifestação de inconformidade, visando devolver a matéria para instância superior, acrescentou, ainda, que houve equívoco no preenchimento do PER/DCOMP, de modo que, ao invés de fazer a retificação, transmitiu três novas declarações, PER/DCOMP's ns.º 41755.22434.111006.1.3.04 5001, 42855.32831.111006.1.3.040931 e 04479.54693.111006.1.3.048326, duplicando o pedido de restituição dos créditos e débitos. Sustenta, assim, que os créditos e débitos relacionados no PER/DCOMP n.º 29738.86658.121104.1.3.040256, objeto destes autos, são os mesmos citados nos outros PER/DCOMP's referidos transmitidos em momento posterior. Deste modo, ao final, requereu que se reconhecesse o engano no preenchimento do PER/DCOMP n.º 29738.86658.121104.1.3.040256, anulandoo, tendo em vista que a correta restituição e compensação estão na sequência dos outros PER/DCOMP's citados. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10940.901463/200890 Acórdão n.º 1002000.296 S1C0T2 Fl. 90 5 inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 18/04/2011, segundafeira, efls. 44 e 46/47, e protocolo em 16/05/2011, efl. 50), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, a Administração Tributária não reconheceu a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo contribuinte, haja vista que o próprio DARF (Documento de Arrecadação Fiscal) que fundamentaria o recolhimento indevido ou a maior não foi localizado, de modo a não haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração de sua não localização. Demais disto, a DRJ afirmou que verificou que todos os três recolhimentos efetivados pelo contribuinte já Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10940.901463/200890 Acórdão n.º 1002000.296 S1C0T2 Fl. 91 6 foram objeto de compensação, através de outros PER/DCOMP, cujos créditos foram integralmente consumidos para quitação dos respectivos débitos, de forma que não resta pagamento disponível para compensar os débitos do presente processo e, de igual modo, apresentou tabela que resume todas as Dcomp's enviadas pelo contribuinte, a qual foi do mesmo modo exibida no relatório deste acórdão. De mais a mais, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. Em suma, no recurso voluntário, o contribuinte reconhece o equívoco no preenchimento do PER/DCOMP objeto deste processo, informando que, ao invés de retificálo, procedeu a transmissão de três novos PER/DCOMP’s, ensejando, segundo o contribuinte, duplicidade no pedido de compensação do crédito discutido no recurso, tanto que pediu a anulação do PER/DCOMP n.º 29738.86658.121104.1.3.040256. Ocorre que, não compete a este órgão recursal, enquanto instância revisora, proceder cancelamento do PER/DCOMP ou mesmo homologar pedido de desistência de compensação de crédito tributário constituído em linguagem competente pelo próprio contribuinte, haja vista que está limitado aos termos da norma individual e concreta produzida pelo próprio contribuinte (constituição do PER/DCOMP). Cumprenos, tão somente, exercer o controle de legalidade da homologação ou não homologação do pedido transmitido pelo contribuinte e, nesse contexto, não vejo motivos que me levem a reparar a decisão proferida pela DRJ. Eventual erro de fato, se tiver ocorrido duas confissões para o mesmo débito (crédito tributário), não pode ser reconhecido por meio do cancelamento do PER/DCOMP neste momento processual e sem que tenha sido vindicado na primeira oportunidade e sem retificação transmitida pelo contribuinte, devendo ser objeto de pedido de revisão de ofício junto às Delegacias da Receita Federal do Brasil (CTN, art. 149, IV e V; art. 145, III) requerendose que a autoridade competente, através da fiscalização, proceda à revisão de ofício do crédito tributário constituído e da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Cumprirá à unidade de origem, se for o caso, verificar se o crédito tributário reconhecido e confessado no PER/DCOMP n.º 29738.86658.121104.1.3.040256 já foi objeto de pagamento ou de outro pedido de compensação em outros PER/DCOMP’s transmitidos pelo contribuinte, adotando, para cada cenário, os procedimentos administrativos pertinentes. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10630.900216/2006-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO.
A manifestação de inconformidade não é instrumento hábil para retificação de Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP.
Numero da decisão: 1001-000.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência dos créditos exigidos, suscitada no recurso, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO. A manifestação de inconformidade não é instrumento hábil para retificação de Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência dos créditos exigidos, suscitada no recurso, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 90 02 16 /2 00 6- 16 Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10630.900216/200616 Acórdão n.º 1001000.650 S1C0T1 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 207 a 215) interposto contra o Acórdão nº 0922.482, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (fls. 187 a 189), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO A manifestação de inconformidade não é instrumento hábil para retificação de Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP. Solicitação Indeferida" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " O interessado transmitiu a DCOMP no 14501.97532.300603.1.3.043214, visando compensar os débitos nela declarados, com pretenso crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, efetuado em 30/12/1999. Essa declaração foi selecionada para tratamento manual por meio do presente processo; A DRFGovernador Valadares/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação de débito do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação. 0 contribuinte foi cientificado em 30/11/2007 (fl. 87 e 92); A empresa apresenta Manifestação de Inconformidade (fl. 08 e seguintes), na qual alega que o crédito a ser utilizado na DCOMP em questão é o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1999;" Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário sustentando, preliminarmente, a suposta prescrição dos valores cobrados; e no mérito alega que não agiu com dolo ou intuito de fraude no equívoco incorrido, devendo a compensação ser homologada. É o relatório. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10630.900216/200616 Acórdão n.º 1001000.650 S1C0T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Primeiramente, o Contribuinte traz em seu Recurso a alegação preliminar de que o Fisco não poderia mais cobrar os valores decorrentes da não homologação da compensação em tela por, supostamente, já se ter operado a decadência nos termos do art. 173, I, do CTN. Ora, tal normativa citada pela Recorrente se refere à decadência, ao direito de lançar o tributo, conforme se transcreve: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Ocorre que a decadência já foi afastada pelo próprio contribuinte quando procedeu ao lançamento fiscal dos valores devidos a título de IRPJ em suas competentes declarações à época dos fatos. Isto é, o tributo em questão já foi lançado no momento devido, o que se discute no presente feito é a ocorrência ou não de quitação por meio da compensação pretendida e, em caso negativo, a correta execução dos valores em aberto. Desta feita, de plano rejeito a preliminar suscitada, vez que as alegações não procedem. Passando ao mérito, a própria Recorrente admite que, assim como fora indicado pela DRJ de origem, apresentou a DCOMP com erro quanto a indicação do crédito a ser usado para a realização da compensação. Ainda aduz que, a despeito do equivoco, não há qualquer indício de dolo, fraude ou simulação, devendo o direito à compensação ser aceito mesmo assim no bojo do presente processo administrativo. Ora, devese estabelecer que é responsabilidade exclusiva de cada contribuinte o controle de seus negócios e o cuidado com o fiel cumprimento de todas as normas tributárias em suas atividades cotidianas. Igualmente, é dever e responsabilidade própria de cada empresa o zelo com a correição de toda as informações prestadas às autoridades administrativas, bem como com toda a sua documentação. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10630.900216/200616 Acórdão n.º 1001000.650 S1C0T1 Fl. 5 4 Outrossim, ainda que se acredite na boa fé da Recorrente, é obrigação, deste julgador zelar pela aplicação das normas vigentes, não cabendo a ele abertura de exceções não previstas pela lei, sob pena de descumprimento do princípio maior da legalidade. Destarte, como a própria Recorrente reconhece a existência dos vícios na DCOMP objeto do presente litígio, e não traz qualquer elemento que aponte para a retificação da mesma em tempo hábil, não resta outra alternativa a este julgador que não a confirmação da decisão de primeira instância. Assim, por economia processual, peço licença para adotar e transcrever os fundamentos já exarados na decisão de piso: "(...) A empresa transmitiu a DCOMP n° 14501.97532.300603.1.3.043214 com erro e não providenciou sua retificação, como determina o artigo 55 da IN SRF n° 460/2004 (determinação mantida nas IN 600/2005 e 900/2008). Ressaltese que a manifestação de inconformidade não é instrumento hábil para retificação de Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP, o que nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB de documento retificador gerado a partir do referido Programa. (...)". Assim, diante da incapacidade da DCOMP em tela em apontar créditos válidos, e a inexistência de qualquer retificação, entendo por não acolher os argumentos da Recorrente. Em face a todo o exposto, REJEITO a preliminar e, no mérito, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 302DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.902259/2014-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. EXECUÇÃO FISCAL. GARANTIA DO DÉBITO.
Constatado que as estimativas compensadas não foram homologadas, mas que o respectivo crédito tributário foi inscrito em dívida ativa, e posteriormente objeto de execução fiscal devidamente garantida, reconhece-se o direito de crédito correspondente.
Numero da decisão: 1301-003.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Nelso Kichel que votou por lhe negar provimento. Em primeira votação, em relação à votação iniciada em fevereiro de 2018 em que a relatora original, Conselheira Bianca Felícia Rothschild, votou por sobrestar o julgamento do recurso até que os processos prejudiciais fossem julgados na esfera administrativa, sendo vencida pelos demais conselheiros. Em segunda votação restou vencido o Conselheiro Nelso Kichel que suscitou nova preliminar de sobrestamento do julgamento, dessa feita até que transitasse em julgado as execuções fiscais embargadas pela Recorrente. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto acompanhou o voto vencedor por suas conclusões e manifestou interesse em apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto Relator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. EXECUÇÃO FISCAL. GARANTIA DO DÉBITO. Constatado que as estimativas compensadas não foram homologadas, mas que o respectivo crédito tributário foi inscrito em dívida ativa, e posteriormente objeto de execução fiscal devidamente garantida, reconhece-se o direito de crédito correspondente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Nelso Kichel que votou por lhe negar provimento. Em primeira votação, em relação à votação iniciada em fevereiro de 2018 em que a relatora original, Conselheira Bianca Felícia Rothschild, votou por sobrestar o julgamento do recurso até que os processos prejudiciais fossem julgados na esfera administrativa, sendo vencida pelos demais conselheiros. Em segunda votação restou vencido o Conselheiro Nelso Kichel que suscitou nova preliminar de sobrestamento do julgamento, dessa feita até que transitasse em julgado as execuções fiscais embargadas pela Recorrente. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto acompanhou o voto vencedor por suas conclusões e manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. EXECUÇÃO FISCAL. GARANTIA DO DÉBITO. Constatado que as estimativas compensadas não foram homologadas, mas que o respectivo crédito tributário foi inscrito em dívida ativa, e posteriormente objeto de execução fiscal devidamente garantida, reconhecese o direito de crédito correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Nelso Kichel que votou por lhe negar provimento. Em primeira votação, em relação à votação iniciada em fevereiro de 2018 em que a relatora original, Conselheira Bianca Felícia Rothschild, votou por sobrestar o julgamento do recurso até que os processos prejudiciais fossem julgados na esfera administrativa, sendo vencida pelos demais conselheiros. Em segunda votação restou vencido o Conselheiro Nelso Kichel que suscitou nova preliminar de sobrestamento do julgamento, dessa feita até que transitasse em julgado as execuções fiscais embargadas pela Recorrente. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto acompanhou o voto vencedor por suas conclusões e manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 22 59 /2 01 4- 17 Fl. 910DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 911 2 (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto – Relator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 911DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 912 3 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Tratase de Despacho Decisório Eletrônico que homologou parcialmente ou não homologou compensações declaradas em DCOMP pela interessada, nos seguintes termos: As informações complementares da análise do crédito mostram que as estimativas não confirmadas no Despacho Decisório, referentes aos meses de set/2009 e dez/2009, decorrem, respectivamente, de: compensação não homologada (DCOMP 26469.65292.031209.1.7.11 0601); compensação considerada não declarada, relativa a crédito declarado a título de saldo negativo do anocalendário de 2005 (DCOMP 26420.50446.300610.1.7.02 4917). Cientificada do Despacho Decisório em 13/11/2014 (fl. 512), a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 15/12/2014, segundafeira (fls. 2/86). Em resumo, aduziu o seguinte: III – DAS PRELIMINARES QUE IMPEDIRÃO A APRECIAÇÃO DO MÉRITO RELATIVO À HIGIDEZ DO CRÉDITO RELATIVO AO SALDO NEGATIVO DO ANO CALENDÁRIO DE 2009 Fl. 912DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 913 4 III.1 – DA IMPOSSIBILIDADE DE GLOSAR AS ESTIMATIVAS COMPENSADAS NA COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO – NATUREZA DE CONFISSÃO DE DÉBITO, QUE DEVERÁ SER ADIMPLIDO PELO CONTRIBUINTE [...] Portanto, independentemente do resultado final da análise conferida àqueles “PER/DCOMP’s”, as correspondentes estimativas deverão fazer parte do saldo negativo, seja em casos de compensações pendentes de análise por parte da Secretaria da Receita Federal, seja nos casos de compensações não homologadas na pendência de recurso administrativo, ou, ainda, mesmo nos casos em que a compensação foi definitivamente não homologada na esfera administrativa (ou considerada não declarada), pelos seguintes motivos: a) a compensação regularmente declarada extingue o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins (inclusive a composição do saldo negativo); b) em caso de não homologação da compensação abrese ao contribuinte a possibilidade de interposição de recurso administrativo dotado de efeito suspensivo, de modo que o ato administrativo (despacho decisório) que não homologa a compensação deve ter todos os seus efeitos suspensos até que sobrevenha decisão final na esfera administrativa; c) caso a compensação seja definitivamente não homologada, a Fazenda exigirá o débito compensado pelas vias ordinárias, ajuizando a competente execução fiscal, de modo que, tal valor será devidamente adimplido pelo contribuinte ou a cobrança poderá vir a ser reconhecida como indevida pelo judiciário; d) por fim, o entendimento do Fisco acarreta dupla cobrança do mesmo débito, uma vez que de um lado terá prosseguimento a cobrança do débito decorrente da estimativa de “IRPJ” não homologada, e, de outro, haverá a redução do saldo negativo gerando outro débito com a mesma origem. [...] III.2 – DECADÊNCIA DO DIREITO AO LANÇAMENTO DOS VALORES CONSTANTES DO “PER/DCOMP” nº 26469.65292.031209.1.7.110601– ARTIGO 74, PARÁGRAFO QUINTO, DA LEI Nº 9.430/96 [...] A dicção da norma não deixa dúvidas: o prazo para homologação da Declaração de Compensação é de 5 (cinco) anos, contados a partir da data de entrega daquela. Assim, no presente caso, o prazo máximo para que as D. Autoridades Fiscais procedessem com a análise do “PER/DCOMP” nº 26469.65292.031209.1.7.110601 se encerrou em 02 de dezembro de 2014, sem que tenha sido proferido qualquer “Despacho Decisório” em relação àquele “PER/DCOMP”. Ora, ante a ausência de qualquer “Despacho Decisório” quanto ao “PER/DCOMP” nº 26469.65292.031209.1.7.110601 até a presente data; há que se reconhecer o decurso do prazo para homologação expressa da Declaração de Compensação, dandose lugar à homologação tácita, com a consequente extinção do débito relativo ao mês de setembro de 2009. [...] Nem se diga que o Despacho Decisório proferido em face do “PER/DCOMP” nº 14766.36810.301009.1.1.117022, o qual se refere apenas ao Pedido de Ressarcimento, teria tido o condão de afastar a necessidade de Despacho Fl. 913DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 914 5 Decisório em face do “PER/DCOMP” nº 26469.65292.031209.1.7.110601, na medida em que o débito relativo ao mês de setembro de 2009 somente poderia ter sido constituído por meio de Despacho Decisório que fizesse menção ao “PER/DCOMP” nº 26469.65292.031209.1.7.110601. [...] IV.1 – DA PREJUDICIALIDADE EM RELAÇÃO AO PER/DCOMP Nº 26469.65292.031209.1.7.110601 (ESTIMATIVA DE IRPJ DO MÊS DE SETEMBRO DE 2009) – CRÉDITO PLEITEADO SERÁ OBJETO DO JULGAMENTO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE APRESENTADA NOS AUTOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 16682.720.390/201298 E DA IMPUGNAÇÃO APRESENTADA NOS AUTOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 16682.721219/201204 [...] Isso porque, a ora REQUERENTE cuidou de apresentar Manifestação de Inconformidade em face do despacho decisório que não homologou o pedido de ressarcimento pleiteado no PER/DCOMP nº 14766.36810.301009.1.1.117022, cuja justificativa se materializada na suposta inexistência de crédito de “COFINS” não cumulativo (Mercado Interno), apurado no terceiro trimestre de 2009. Nesse pedido de ressarcimento é defendida a validade de todo aquele direito creditório, sendo que parte dele foi declarado no “PER/DCOMP” nº 26469.65292.031209.1.7.110601[1], o qual buscava a quitação da estimativa de “IRPJ” do período de setembro de 2009, no valor histórico de R$ 11.894.407,26, e que, ante a sua não homologação, refletiu na composição do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2009. [...] Pois bem, em relação a esse crédito, devese igualmente reconhecer a prejudicialidade no que se refere ao Auto de Infração lavrado nos autos do processo administrativo nº 16682.721219/201204 (Doc. nº 08), o qual foi devidamente impugnado pela REQUERENTE e atualmente se encontra em fase de julgamento do Recurso Voluntário interposto perante o “CARF”. Isso se deve ao fato que no referido Auto de Infração foram glosados todos os créditos de “COFINS” não cumulativa (Mercado Interno), apurada no terceiro trimestre de 2009, relativos ao registro de créditos extemporâneos de aquisições de álcool anidro no período de setembro de 2004 até setembro de 2008, as quais foram registradas no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais somente em setembro de 2009. Ora, naqueles autos, a REQUERENTE discute a higidez de boa parte da composição do crédito de “COFINS” não cumulativo (mercado interno), relativo ao 3º trimestre de 2009, que é justamente o direito creditório indicado para quitação da estimativa de “IRPJ”, do mês de setembro de 2009, que por sua vez, ante a sua não homologação, deixou de compor o saldo negativo de “IRPJ” do ano calendário de 2009, ora em debate. [...] IV.2 – DA PREJUDICIALIDADE EM RELAÇÃO AO PER/DCOMP Nº 26420.50446.300610.1.7.024917 (ESTIMATIVA DE IRPJ DO MÊS DE DEZEMBRO DE 2009) – JULGAMENTO DA EXECUÇÃO FISCAL Nº 2011.51.01.5022634, DOS EMBARGOS À EXECUÇÃO Nº 2011.51.01.5116811 E DO RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO NOS AUTOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 16682.720237/201007 No que se refere à estimativa de IRPJ dezembro de 2009, no valor de R$ 32.594.785,45, temse que a mesma foi indicada para ser adimplida mediante o Fl. 914DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 915 6 saldo negativo do “IRPJ” do ano calendário de 2005, isso por meio do “PER/DCOMP” nº 26420.50446.300610.1.7.02 4917. No entanto, o referido PER/DCOMP foi considerado não declarado pelo fisco4, sob o argumento que o direito creditório lá indicado (saldo negativo de “IRPJ” do ano calendário de 2005) já teria sido objeto de análise quando da transmissão do PER/DCOMP nº 05415.46500.170408.1.7.023260, sendo este indeferido. [...] Pois bem, em função da glosa do referido pedido de compensação, formalizado por meio do “PER/DCOMP” nº 26420.50446.300610.1.7.024917, atualmente, o débito de estimativa de “IRPJ”, da competência de dezembro de 2009, encontrase inscrito em Dívida Ativa da União, por meio da “CDA” nº 70 2 10 00661288 (Doc. nº 05) que instrui a Execução Fiscal nº 2011.51.01.5022634 e que fora posteriormente contestada pela ora REQUERENTE por meio dos Embargos à Execução autuados sob o nº 2011.51.01.5116811 (Doc. nº 06). Ora, considerando que a estimativa de “IRPJ” do mês de dezembro de 2009 encontrase em discussão judicial por via de Embargos à Execução Fiscal e que na eventualidade de ser proferida decisão favorável aos interesses da REQUERENTE naqueles autos essa quantia restará definitivamente extinta, restará ilidida a premissa da autoridade fiscal para glosar o saldo negativo ora em debate, de modo que não há dúvidas acerca de prejudicialidade entre ambas as demandas (Manifestação de Inconformidade e Embargos à Execução Fiscal). Com efeito, ressaltase, ainda, que há uma segunda prejudicialidade em relação a análise da presente manifestação de inconformidade, no entanto, esta se manifesta exclusivamente em relação ao crédito indicado para quitar o débito de “IRPJ” de estimativa do mês de dezembro de 2009, relativo ao saldo negativo de “IRPJ” do ano calendário de 2005, o qual se encontra em discussão no âmbito administrativo, por meio do processo nº 16682.720237/201007 (Doc. nº 10), cuja análise de recurso voluntário resta pendente no “CARF”. Neste processo, após o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP nº 24014.98682.290610.1.2.023002, que tinha por objeto o crédito relativo ao saldo negativo de “IRPJ” do ano calendário de 2005, ter sido considerado não homologado pelo fisco (culminando no reflexo na compensação referente ao “PER/DCOMP” nº 26420.50446.300610.1.7.02 49175, onde foi indicado o débito de IRPJ de estimativa de dezembro de 2009), a ora REQUERENTE cuidou de apresentar sua manifestação de inconformidade nos autos do processo administrativo nº 16682.720237/201007 (Doc. nº 10) e, na sequência, em função de resultado desfavorável quando da análise pela “DRJ”, o competente Recurso Voluntário, este ainda pendente de análise pelo “CARF”. É certo que, acaso reconhecido o direito creditório relativo ao saldo negativo de “IRPJ” do ano calendário de 2005, por consequência há de ser extinto o débito de estimativa de “IRPJ” relativo ao mês de dezembro de 2009. [...] IV.3 – DA NECESSIDADE DE SOBRESTAMENTO DESTE FEITO ATÉ QUE SEJA PROFERIDA DECISÃO FINAL QUANTO A VALIDADE DAS COMPENSAÇÕES QUE TINHAM POR OBJETO AS ESTIMATIVAS DE IRPJ DE SETEMBRO E DEZEMBRO DE 2009 Ante a evidente vinculação entre a decisão administrativa a ser proferida nos autos do presente processo administrativo, com aquelas a serem exaradas nos autos dos Processos Administrativos nºs 16682.720.390/201298 (Doc. nº 08) e Fl. 915DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 916 7 16682.721219/201204 (Doc. nº 09) – estimativa de setembro de 2009 – e dos Embargos à Execução nº 2011.51.01.5116811 (Doc. nº 06) e do processo administrativo nº 16682.720237/201007 (Doc. nº 10) – estimativa de dezembro de 2009 –, impõese, à hipótese, a previsão constante do artigo 265, inciso IV, alínea “a”, do Código de Processo Civil, como se vê: [...] Desse modo, resta latente a necessidade de sobrestamento do julgamento dessa Manifestações de Inconformidade, até que seja proferida decisão final nos autos dos processos administrativos nºs 16682.720.390/201298 e 16682.721219/201204 (validade da estimativa de “IRPJ” de setembro de 2009), bem assim dos Embargos à Execução Fiscal nº 2011.51.01.5116811 e processo administrativo nº 16682.720237/201007 (validade da estimativa de “IRPJ” de dezembro de 2009), uma vez que a glosa do saldo negativo de “IRPJ” do ano calendário de 2009, realizada no presente feito, teve justamente como fundamento a suposta ausência de quitação dessas estimativas por meio das compensações anteriormente formalizadas. Por fim, na remota hipótese do argumento ora expendido ser igualmente superado, algo que se pode admitir unicamente em respeito ao princípio da eventualidade, cumpre à ora REQUERENTE suscitar, de forma derradeira, as razões que ensejam a homologação das compensações requeridas por meio dos “PER/DCOMP`s” nºs 26469.65292.031209.1.7.110601 e 26420.50446.300610.1.7.024917, de modo que, sendo reconhecida a validade desses créditos, seja dado provimento à presente Manifestação de Inconformidade. V – DO DIREITO – DA HIGIDEZ DOS CRÉDITOS INDICADOS NOS PER/DCOMP’S NºS 26469.65292.031209.1.7.110601 E 26420.50446.300610.1.7.024917, OS QUAIS SÃO PASSÍVEIS QUE QUITAÇÃO DAS ESTIMATIVAS DE IRPJ DOS PERÍODOS DE SETEMBRO E DEZEMBRO DE 2009 [...]VI – DOS PEDIDOS Diante de todo o até aqui exposto, a REQUERENTE pugna a Vossa Senhoria que: i) nos termos do item II.1, seja dado provimento à presente Manifestação de Inconformidade, de modo que seja reconhecida a impossibilidade de se glosar na composição do saldo negativo os valores relativos às estimativas objeto de compensações, ante o fato que tais valores, uma vez declarados, serão, de qualquer maneira, quitados pela REQUERENTE, de modo que devem fazer parte da composição do saldo negativo, sob pena de se proceder a dupla glosa em desfavor do contribuinte, o que não se pode admitir; ii) caso superado este ponto, que se reconheça a decadência do direito do fisco de lançar o débito de estimativa de “IRPJ” do período de setembro de 2009, consubstanciado no “PER/DCOMP” nº 26469.65292.031209.1.7.110601, uma vez que a REQUERENTE jamais foi intimada do suposto despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, bem assim porque o despacho decisório proferido em face do indeferimento do pedido de restituição formulado no PER/DCOMP nº 14766.36810.301009.1.1.117022 não supre a necessidade de lançamento de ofício do referido débito; Fl. 916DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 917 8 iii) caso não seja conferida guarida aos retromencionados argumentos, nos termos do item IV da presente Manifestação de Inconformidade, deve ser reconhecida a prejudicialidade entre a decisão administrativa a ser proferida nos autos do presente processo administrativo, com aquelas a serem exaradas nos autos dos Processos Administrativos nºs 16682.720390/201298 e 16682.721219/201204 – estimativa de setembro de 2009 –, bem assim dos Embargos à Execução nº 2011.51.01.5116811 e do processo administrativo nº 16682.720237/201007 – estimativa de dezembro de 2009, de modo que deve ser determinado o sobrestamento do presente feito até o deslinde final das mencionadas demandas; iv) Por fim, deve ser dado provimento à presente Manifestação de Inconformidade, nos termos do item V, para que, verificandose a validade do direito creditório declarado nos “PER/DCOMP’s” nºs 26469.65292.031209.1.7.11 0601 (COFINS” não cumulativa, apurada no terceiro trimestre de 2009) e 26420.50446.300610.1.7.024917 (saldo negativo de “IRPJ” do ano calendário de 2005), sejam considerados quitados os débitos de estimativa de “IRPJ” de setembro e dezembro de 2009, os quais, por consequência, deverão compor o saldo negativo de “IRPJ” do ano calendário de 2009. A decisão da autoridade de primeira instancia julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, cuja acórdão encontrase as fls. 42 e segs. e ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. É condição para a realização de compensação que o crédito a ser utilizado seja líquido e certo. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ. Os valores mensalmente apurados por estimativa, a título de antecipação de IRPJ, somente são passíveis de dedução do imposto devido apurado no ajuste anual quando efetivamente “pagos”. Na hipótese das estimativas terem sido informadas em declaração de compensação e esta não ter sido homologada ou ter sido considerada não declarada, há que se considerar que não ocorreu a efetividade do “pagamento”. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Demonstrado que a ciência do Despacho Decisório de não homologação da compensação ocorreu, regularmente, antes do prazo legal de cinco anos, não há que se falar em homologação tácita da compensação. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. A Administração Pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). Se até mesmo em caso de pendência de decisão definitiva no Poder Judiciário, instância superior e autônoma em relação à esfera administrativa, descabe o sobrestamento do processo Fl. 917DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 918 9 administrativo, igual conclusão se impõe quando há pendência de decisão administrativa definitiva. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA ESTRANHA AO LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO. Deve ser não conhecida a manifestação de inconformidade quanto aos argumentos expendidos acerca de créditos e compensações discutidos em processos específicos, nos quais é facultado ao interessado o exercício do direito de defesa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão de primeira instancia em 17/11/2016, o contribuinte apresentou, fl. 578 e seguintes, em 07/12/2016, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de manifestação de inconformidade, acrescentando razões para reforma na decisão de primeira instancia. A SAP BRASIL LTDA recorre a este Conselho, com fulcro nos §§ 10 e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 0250.625 da 3ª Turma da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Por bem refletir os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de primeira instância, complementandoo ao final: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP), mediante utilização do “Saldo Negativo de CSLL” apurado no AC de 2003 no valor de R$3.283.130,77. DDeessppaacchhoo DDeecciissóórriioo ddaa DDRRFF 2. A análise do documento protocolizado pelo contribuinte foi efetuada pela DRF através do Despacho Decisório nº 916066698 anexado à fl. 08, que apurou: 2.1 Verificadas as antecipações referentes à CSLL AC 2003 no PER/DCOMP, foi confirmada a importância de R$ 1.410.555,87, para uma CSLL devida no valor de R$729.480,49. Neste contexto, a DRF confirmou a legitimidade de parte do Saldo Negativo de CSLL utilizado na DCOMP’s em análise pelo valor de R$ 681.075,38. 2.1.1 O detalhamento da análise do crédito, parte integrante do Despacho Decisório, encontrase anexado ao processo, e indica que parte das antecipações indicadas pelo contribuinte não foi confirmada pela DRF: Parcelas não confirmadas – estimativa mensal CSLL AC 2003 PA Nº do Processo Valor compensado Valor não confirmado Justificativa JAN/2003 11831.003413/200331 2.881.119,81 2.602.055,41 DCOMP homologada parcialmente Fl. 918DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 919 10 2.2. A DRF utilizou o crédito reconhecido na extinção dos débitos declarados pelo contribuinte, concluindo pela HOMOLOGAÇÃO PARCIAL das compensações declaradas, em função da insuficiência do crédito utilizado. MMaanniiffeessttaaççããoo ddee IInnccoonnffoorrmmiiddaaddee 3. O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 08/04/2011, conforme documento à fl. 10. Irresignado, o contribuinte apresenta em 06/05/2011 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 119 a 121, onde, em síntese, argumenta: 3.1 Os valores constantes da DIPJ 2004 já se encontram alcançados pela homologação tácita, conforme art. 150 do CTN. Desta feita, não poderia a autoridade fiscal discutir ou indeferir os saldos da CSLL apontados pela impugnante. 3.2 Por fim, pleiteia a desconsideração do decidido pela DRF e o reconhecimento da validade do pedido de ressarcimento apresentado. 4. Diante da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, o processo foi encaminhado a esta DRJ para manifestação acerca da lide . Analisando a manifestação de inconformidade apresentada, a turma julgadora de primeira instância consideroua improcedente. A Recorrente foi intimada da decisão em 28 de janeiro de 2014 (fl. 150), tendo apresentado tempestivamente recurso voluntário de fls. 173200 em 26 de fevereiro de 2014. Em resumo, a Recorrente reforça seus argumentos apresentados em manifestação de inconformidade e manifestação de inconformidade complementar, alegando que: o despacho decisório seria nulo por cerceamento do direito de defesa, uma vez que, em suposto descompasso com o disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/2008, a autoridade fiscal teria deixado de realizar diligência junto ao contribuinte, não o intimando a apresentar a documentação pertinente, antes da decisão que homologou parcialmente as declarações de compensação apresentadas; no despacho decisório haveria erro de cálculo, pois com a homologação parcial das compensações, o valor que deveria estar sendo cobrado deveria ser de R$ 2.602.055,41, e não R$ 2.661.122,08, ou seja, estaria sendo cobrado um valor excedente de R$ 59.066,67; na apresentação da manifestação de inconformidade original, não teve tempo hábil de angariar toda a documentação que pudesse comprovar o crédito pleiteado, uma vez que somente foi intimada sobre o despacho decisório quase oito anos após o encerramento do período de apuração a que se refere o saldo negativo pleiteado, o que dificultou sobremaneira a localização dos documentos necessários. Requereu a realização de diligência, bem como a admissão de novos documentos em sede de recurso voluntário. Alega que o indeferimento da diligência e o não conhecimento dos documentos comprobatórios implicaria a nulidade da decisão, pois contrariaria o disposto no art. 38 da Lei 9.784/99, que permitiria a Fl. 919DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 920 11 juntada de documentos e pareceres, bem como o requerimento de diligências e perícias, na fase instrutória e antes da tomada de decisão. Em razão disso, em homenagem ao princípio da busca da verdade material e do formalismo moderados, requer ainda que o CARF conheça das alegações e documentos adicionais apresentados em sede de recurso voluntário; argumenta ainda que não seriam exigíveis acréscimos legais nos casos em que o não reconhecimento do crédito decorreu de posterior declaração retificadora pela fonte pagadora; em 03 de maio de 2016 (fl. 247), a Recorrente anexou o expediente de fls. 248251 requerendo a juntada de Laudo elaborado pela PricewaterhouseCoopers, bem como da documentação pertinente; discorre que os experts identificaram que na composição do saldo negativo de CSLL de 2003, pleiteado nos presentes autos, havia estimativas objeto de declaração de compensação com saldo negativo de CSLL de 2002, no total de R$ 2.881.119,81, tendo sido confirmada a quitação somente de R$ 279.064,40. Os R$ 2.602.055,41 de estimativas cujas compensações não foram homologadas foram objeto de discussão no processo 11831.003413/200331. Tal processo administrativo culminou com a Execução Fiscal nº 001665761.2009.403.6182 (Anexo III – fl. 800 e ss.) que se encontra em discussão por meio dos Embargos à Execução nº 002891251.2009.403.6182 (Anexo IV). Alega que no bojo de tais embargos, haveria confirmação da improcedência da cobrança por parte da Fazenda Nacional por meio de Laudo Pericial elaborado por perito técnico designado pelo juízo (Anexo I – doc. 08); aduz que o Laudo elaborado pela PricewaterhouseCoopers conclui no mesmo sentido (Anexo I – p. 7); requereu, assim, o reconhecimento do crédito ainda em litígio, bem como a homologação das compensações correspondentes. É o relatório. Fl. 920DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 921 12 Voto Vencido Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator ad hoc Nos termos do despacho de fl. 909, fui designado redator ad doc do presente acórdão em razão do afastamento temporário da Conselheira Bianca Felícia Rothschild em razão de problemas de saúde. O voto a seguir apresentado foi a versão depositada pela ilustre Conselheira e proferido na reunião realizada em fevereiro de 2018, o qual reproduzo em sua totalidade e que não correspondente ao meu entendimento sobre o caso concreto, nos termos de declaração de voto que comporão também o presente acórdão. O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. A homologação da compensação dos valores envolvidos na lide está sendo atualmente discutida nos autos dos Processos Administrativos n° 16682.720390/201298, 16682.720237/201007 e 16682.721219/201204 e Execução Fiscal nº 2011.51.01.5022634. Tendo em vista que o artigo 170 do Código Tributário Nacional exige dos créditos passíveis de compensação a qualidade de serem líquidos e certos e tais requisitos não são atendidos no caso em comento, uma vez que estão sob discussão administrativa, entendo que se faz necessário aguardar o deslinde desses processos para verificar o direito ao crédito tributário em comento. Em consulta à pagina eletrônica do CARF verificase que o processo mencionados encontramse atualmente pendentes de julgamento definitivo por este órgão colegiado. Assim, a fim de se evitar qualquer prejuízo à contribuinte, os presentes autos deverão ser suspensos até que possa ser examinado o crédito tributário nos referidos processos, para que sejam melhor avaliadas as estimativas que compõem o direito creditório aqui pleiteado. Fl. 921DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 922 13 Conclusão Diante do exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para que se aguarde o julgamento definitivo dos processos acima mencionados (Processos Administrativos n° 16682.720390/201298, 16682.720237/201007 e 16682.721219/201204 e Execução Fiscal nº 2011.51.01.5022634), retornando estes os autos para julgamento com a informação da decisão definitiva neles proferida. Ressaltase que, após decisão definitiva dos processos acima mencionados, caso haja provimento parcial favorável ao contribuinte, deverá a unidade de origem especificar nestes autos quais os débitos foram ou homologados para fins de correta quantificação da compensação aqui debatida. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 922DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 923 14 Voto Vencedor Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto Redator Designado. Com a devida vênia, ouso discordar do voto da ilustre Conselheira Bianca Felícia Rothschild. A controvérsia tratada nos autos diz respeito a pedido de saldo negativo de IRPJ composto por estimativas compensadas, mas não homologadas, em diversos processos. Segundo a Recorrente, as não homologações de compensação levaram a Fazenda Nacional a propor a Execuções Fiscais. A Recorrente, por sua vez, opôs os Embargos à em ambas as execuções e teria oferecido garantia aos débitos. Por essas razões, requer a Recorrente que se reconheça nos presentes autos que a não homologação levada a efeito nos processos prejudiciais não deve subsistir, levando ao reconhecimento do crédito pleiteado ainda em discussão nos presentes autos. É incontroverso que os processos referentes às execuções fiscais ainda está em andamento. Portanto, até o momento, a decisão definitiva na esfera administrativa não foi superada por qualquer decisão judicial, não cabendo nova rediscussão do tema nos presentes autos, conforme determina o art. 42 do Decreto nº 70.235/72: Art. 42. São definitivas as decisões: [...] II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; [...] Nesse cenário, fazse necessário analisar se, nas condições atuais, o presente recurso estaria apto a ter seu mérito julgado, e, em caso afirmativo, qual o tratamento tributário mais adequado a ser dado. Em primeiro lugar, a tese de que a estimativa compensada será cobrada de qualquer forma não prospera, uma vez que após o encerramento do período de apuração não há mais que se cobrar estimativas, e, até mesmo, pode até não haver sequer imposto a se cobrar no ajuste, quer pela apuração de prejuízo fiscal, quer pela apuração de valor de imposto de renda na fonte superior ao montante de imposto devido. Tal entendimento é corroborado pelos Pareceres PGFN/CAT nº 193/2013 e nº 88/2014. O posicionamento final da PGFN chegou à seguinte conclusão (Parecer 88/2014): 19. O entendimento que podemos extrair do excerto acima é de que tratamos de tributo em si, não mais de estimativas, cuja existência se encerra com o ajuste anual, consoante exposto nos Pareceres PGFN/CAT n° 1.658/2011 e 193/2013, razão pela Fl. 923DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 924 15 qual podemos ter uma conclusão diferente daqueles constantes nos pareceres mencionados, contudo, sem modificarlhes em nenhum ponto, apenas por considerar que no caso estamos tratando de tributo propriamente dito. 20. A conclusão que podemos formular, a partir do questionamento da Receita Federal do Brasil, é pela legitimidade de cobrança de valores que sejam objeto de pedido de compensação não homologada oriundos de estimativa, uma vez que já se completou o fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto de renda, ocorrendo à substituição da estimativa pelo imposto de renda. 21. Devemos ressaltar, porém, que deverão ser realizados ajustes para que fique claro que os valores cobrados, quando da não homologação de compensação de estimativa, são, na verdade, IRPJ ou CSLL e não estimativa dos tributos, pois a confusão pode influenciar as chances de êxito da cobrança, pois a nomenclatura inadequada pode levar órgãos administrativos e judiciais a entenderem que a cobrança seria ilegal. III CONCLUSÃO 22. Em síntese, os questionamentos levantados na consulta oriunda da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem ser respondidos nos seguintes termos: a) Entendese pela possibilidade dc cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção dedébitos relativas a estimativa, desde que já lenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; b) Propõese que sejam ajustadas os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrarça não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. Conforme se observa, conclui a PGFN que, após o final de período de apuração e transmissão da correspondente DIPJ, não há mais que se falar em estimativas, mas sim em cobrança de imposto apurado no ajuste. Contudo, ressaltase que continuam válidas as conclusões anteriores da PGFN, a saber: 5. Desse modo, a consulta realizada em nada se assemelha as anteriores, em que foram tratadas as estimativas, ou seja, valores não consolidados no ajuste anual. Tanto o Parecer PGFN/CAT n.° 1.658/2011, quanto no Parecer PGFN/CAT n.° 193/2013 abordam os valores relativos a estimativa, não analisando a mudança de natureza que ocorre após o ajuste anual, portanto, não vislumbramos nenhuma razão para alteração dos pareceres anteriores, aos quais remetemos para questão das estimativas. [g.n.] Ainda no Parecer PGFN 88/2014, assim se manifesta a Procuradoria: 15. O IRPJ e a CSLL substituem as estimativas, contudo, é possível que os valores relativos à estimativa tenham sido compensados e computados como pagamento no Fl. 924DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 925 16 momento do ajuste anual, contudo, essa compensação pode não ser homologada, ocorrendo a decisão após a apuração do lucro real. Assim, tratarseiam de valores referentes a tributo consolidados com o ajuste anual, não mais de mera estimativa do imposto de renda e da contribuição sobre o lucro. [g.n.] 16. Esse entendimento já é aplicado pela Receita Federal do Brasil, vejamos trecho da Nota Cosit n° 31/2013, a qual serve de lastro à consulta: "Portanto, ao apurar, cm 31 de dezembro, o valor total do imposto devido em todo o anocalendário, o sujeito passivo há de pagar esse valor, não havendo porque a RFB manter a cobrança de um débito (estimativa) que foi incorporado por outro (imposto a pagar). Isso é pacífico. A RFB não cobra estimativa não paga no anocalendário: aplica multa de ofício e cobra o imposto devido na forma de saldo a pagar." 17. A leitura do trecho acima deixa claro que a RFB tem consciência da inviabilidade de cobrança das estimativas, pelo menos até a ocorrência do fato jurídico que enseja a incidência do IRPJ e CSLL na modalidade anual. 18. Ocorre que, após o ajuste, a estimativa é substituída pelo tributo, portanto, a estimativa extinta por meio de compensação foi incorporada ao ajuste, como explicado pela própria Receita Federal do Brasil na Nota Cosit n.° 31/2013: [...] Ante a tal cenário, a meu ver, somente poderseá promover a cobrança das estimativas se houver apuração de imposto devido, pois não há como converter estimativas em imposto apurado se, por exemplo, após o ajuste anual tiver sido apurado prejuízo fiscal. Nesse sentido, chamo a atenção para os itens 15 e 34 do Parecer PGFN CAT 193/2013: 15. Também se levanta a hipótese de possibilidade de parcelamento de estimativas nas hipóteses de parcelamento simplificado, contudo, não existe nenhuma previsão objetiva de que as estimativas possam ser parceladas, tratase, como já afirmado, apenas de uma hipótese levantada na consulta. Ainda que se elaborasse uma regulamentação que permitisse o parcelamento das estimativas, continua valendo a premissa do Parecer PGFN/CAT n° 1.658/2011, a estimativa é simples antecipação do tributo, sendo substituída pelo resultado apurado ao final do ano base, podendo inclusive não existir valor devido a titulo de tributo. Assim, caso realizado um parcelamento, a estimativa deixaria de existir no ano seguinte, ficando sem respaldo o parcelamento. [g.n.] 34. Conclusivamente, os valores mensalmente apurados por estimativa, a título de antecipação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, e não pagos, ainda que objetos de Declaração de Compensação não homologada, não podem ser inscritos em Dívida Ativa da União e, consequentemente, cobrados de per si. Reforço os dizeres do Parecer 88/2014 de que permanecem hígidas as considerações dos pareceres anteriores. E vêse que o entendimento firmado é cristalino: não existindo valor devido a título tributo, não há como cobraremse estimativas, ainda que Fl. 925DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 926 17 parceladas. Nesse sentido a PGFN chega a afirmar que eventuais parcelamentos de estimativas deveriam ser cancelados se, ao final do exercício, restasse demonstrado que o contribuinte auferiu prejuízos fiscais. Tal interpretação reforça a ideia de impossibilidade de conversão de estimativas não adimplidas em imposto devido nas hipóteses em que não houve apuração de imposto devido. Com efeito, conclui ainda a PGFN que não é possível a cobrança de estimativas após o encerramento do período de apuração. Se for o caso, devese proceder a cobrança de eventual saldo de imposto a recolher. Assim, não havendo saldo de imposto a recolher, as estimativas declaradas e não extintas, quer por pagamento, quer por compensação, como no caso concreto, jamais serão alvo de cobrança, o que demonstra ainda mais a ausência de certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado pela Recorrente. Há outras hipóteses em que tal conclusão pode ser aplicada como, por exemplo, quando o imposto devido for inferior ao imposto de renda retido na fonte, ou seja, em que não há necessidade de dedução das estimativas para fins de dedução do imposto devido, posto que integralmente deduzido pelo IRFonte. Poderseia resumir o raciocínio à ideia de que não cabe exercer a cobrança de qualquer valor que não seja devido. Se não há imposto devido, como cobrar as estimativas objeto de não homologação? Pareceme ser essa a ideia dos Pareceres exarados pela PGFN. Ora, se a própria PGFN não permite que as estimativas, de per si, sejam inscritas em dívida ativa, cai de vez por terra o argumento de que estimativas compensadas devem ser consideradas na composição de saldo negativo ainda que tais compensações não sejam homologadas, uma vez que tais débitos não serão alvo de cobrança por parte da União. De qualquer forma, ainda que me convencesse do contrário em relação às conclusões dos pareceres, particularmente não vejo como reconhecer o crédito se parte dos valores pleiteados (estimativas) no processo em que se analisa (por exemplo, ano "X"), depende do provimento de recurso no processo em que se analisa o crédito do período "X1". Não vejo como razoável reconhecerse indébito tributário sem que o crédito requerido tenha sido efetivamente extinto. Se a mera possibilidade de cobrança fosse suficiente para reconhecerse um determinado indébito, não haveria porque não se reconhecer débitos confessados em DCTF, mas que não foram adimplidos, pois, da mesma forma que nos casos da DComp, o débito informado em DCTF configura confissão de dívida. E mesmo na hipótese de extinção do processo administrativo e inscrição em dívida ativa dos débitos em questão (quer como estimativas, quer como imposto devido no ajuste anual), a presunção de certeza de liquidez e certeza se dá quanto ao crédito da Fazenda (débito do contribuinte), e não o contrário. Somente há que se falar em certeza e liquidez do crédito do contribuinte em caso de extinção de seu débito inicial utilizado posteriormente na formação desse indébito, ou, se ainda não perfectibilizada a extinção, haja ao menos certeza de que o débito será adimplido, conforme explanarei na sequência deste voto. De outra banda, indeferir o crédito pleiteado sem que o litígio administrativo tenha findado, também não me parece razoável. Fl. 926DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 927 18 Em situações como a ora analisada, este colegiado tem adotado uma posição conservadora, visando a resguardar os interesses de ambas as partes: não se reconhece o direito creditório, mas também não se permite uma duplicidade de cobrança dos valores de estimativa cuja compensação foi não homologada, por meio do sobrestamento do julgamento até que os processos prejudiciais tenham seu término na esfera administrativa. Contudo, no caso sob análise, após os debates, todos os conselheiros ficaram convencidos de que todos os processos tidos como prejudiciais já haviam se encerrado na esfera administrativa, não havendo sentido no sobrestamento do julgamento do presente feito. A ilustre Conselheira Relatora, Bianca Felícia Rothschild, também se convenceu dessa impossibilidade de sobrestamento, contudo, não teve a oportunidade de alterar seu voto já proferido, pois, após o pedido de vista, na reunião seguinte, não pôde comparecer às reuniões posteriores em razão de restrições médicas, prevalecendo assim o seu voto já proferido, nos termos dos §§ 4º e 5º do art. 58 do Anexo II do RICARF. Desse modo, entendo que deva ser superada a proposta de sobrestamento do feito até o encerramento dos processos administrativos encaminhada pela Conselheira Relatora. No que atine ao sobrestamento do julgamento até encerramento de uma execução fiscal já proposta pela União relativa à parte das estimativas ora em debate, entendeu a maioria do colegiado que também não seria óbice para o prosseguimento do julgamento, até mesmo pelo encaminhamento de mérito que se seguiu. Passo, então, à análise do mérito da exigência. Retornando ao cerne do debate, em que pesem as restrições de cobrança das estimativas trazidas pelos Pareceres PGFN/CAT nº 193/2013 e nº 88/2014, talvez justamente por se tratarem de decisões anteriores à edição de tais pareceres, o fato é que houve inscrição em dívida ativa das estimativas de IRPJ que compõem o saldo negativo em discussão neste processo. Venho me manifestando no sentido não ser razoável considerar como líquido e certo os créditos de estimativa somente pelo fato da possibilidade de virem a ser cobrados pela Fazenda. Infelizmente, sabese que, na prática, é muito baixa a efetividade das execuções fiscais no Brasil, o que aumentaria sobremaneira a possibilidade de se devolver um tributo a determinado contribuinte sem que, jamais, o crédito tributário tenha sido efetivamente extinto. Contudo, no presente caso, compulsando a cópia dos Embargos à Execução nº 002594672.2018.4.02.5101 (inicial às fls. 684804 – referente à estimativa de R$ 11.894.407,26 – 09/2009) e dos Embargos à Execução nº 0501168152.2011.4.02.5101 (inicial às fls. 816899 – referente à estimativa de R$ 32.594.785,45 – 12/2009), constatei que os débitos estão garantidos por apólices de seguro acolhidas pelo Poder Judiciário (fls. 652 672/673683 e fls. 625635/903905, respectivamente). Ressaltese que não há dúvidas de que a inscrição dos valores em questão é alvo das Execuções Fiscais a que se referem os embargos citados, bastando confrontar as CDA (fls. 645651 e fls. 805812), as iniciais das Execuções Fiscais (fls. 622624 e fls. 813815) e os extratos obtidos pela Recorrente junto ao ECAC (fls. 900902 e fls. 906908). Fl. 927DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 928 19 Nesse cenário, do mesmo modo que já decidi no Acórdão 1402002.330, na condição de relator, entendo que o apelo da Recorrente deve ser provido. Isso porque, como o contribuinte, em seus Embargos, não contesta a existência dos débitos originais das estimativas em questão1, mas sim considera que havia crédito disponível para extinguilas via compensação, se pode concluir que as estimativas em questão ou serão consideradas homologadas (na hipótese de o contribuinte obter êxito em seus Embargos à Execução), ou será extinta por pagamento, ainda que mediante o seguro garantia que afiança ambas as execuções fiscais. Nessa hipótese, se ainda não foram extintas os débitos de estimativa em debate, há segurança suficiente de que serão. Logo, entendo que, a despeito do mérito discutido nessas execuções e respectivos embargos, as estimativas que compõem o saldo negativo ora em análise devem ser reconhecidas. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto 1 Caso houvesse contestação do contribuinte em relação à existência dos débitos iniciais de estimativa, a conclusão a que chegaria seria diversa, pois em caso de êxito em seu pleito, não haveria estimativas extintas por pagamento ou compensação, e, consequentemente, não poderiam compor o saldo negativo ora pleiteado. Fl. 928DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 929 20 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. Peço vênia ao Ilustre Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para apresentar as razões pelas quais acompanhei seu abalizado voto pelas conclusões. O presente processo tem origem em pedidos de compensação formulados pela Recorrente, cujo crédito é oriundo de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2009 (exercício 2010), composto por retenções na fonte, estimativas compensadas com saldos negativos de períodos anteriores e estimativas compensadas com outros créditos. O despacho decisório proferido reconheceu apenas a composição do saldo no que se referia às retenções na fonte, glosando as estimativas compensadas sob o fundamento que as DCOMPs que visavam o sem adimplemento não foram homologadas pelas autoridades administrativas em seus respectivos processos administrativos. Especificamente, não se homologou as DCOMPs transmitidas para o adimplemento das estimativas apuradas em 09/2009 e 12/2009, nos valores de R$ 11.894.407,26 e 32.594.785,45, respectivamente. Como comprovado pelo Recorrente, em razão dos débitos que exsurgem da não homologação das estimativas compensadas e do fato da incontrovérsia sobre o quantum visto que declarados pelo próprio contribuinte os créditos foram inscritos em Dìvida Ativa e atualmente se encontram em execução fiscal, com garantia apresentada pelo executado. O Conselheiro Fernando Brasil, em seu voto, entendeu que as estimativas compensadas e não homologadas dariam direito ao crédito correspondente para a composição do saldo negativo compensado nestes autos na esteira do julgamento do Acórdão CARF nº 1402002.330. Estabeleceu o Colegiado, como marco, a garantia de adimplemento do crédito tributário como condição para que fosse reconhecido o direito creditório correspondente do contribuinte, sob o argumento de que não se poderia pleitear crédito sobre um débito que sequer foi pago. Com a devida vênia, entendo que essa condição só faria sentido diante de um pedido de restituição, que o art. 165 do Código Tributário Nacional exige expressamente a ocorrência de pagamento na forma do art. 162 da mesma lei: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Fl. 929DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 930 21 II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. No presente caso, entretanto, tratase de compensação, cujo tratamento jurídico está delineado no art. 170 do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Da mesma forma, no âmbito federal, dispõe o caput do art. 74 da Lei nº 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que APURAR CRÉDITO, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Como se vê da literalidade dos dispositivos, o que a lei exige, para fins de compensação, é que o crédito seja apurado e goze de liquidez e certeza, atributos que restaram efetivamente verificados uma vez que a discussão no âmbito administrativo se tornou definitiva, inclusive com a inclusão dos mesmos em CDAs, tornandoos exequíveis. Portanto, reconheço que a geração de saldo negativo de IRPJ não está condicionado ao efetivo e terminal adimplemento das estimativas, mas ao reconhecimento delas enquanto crédito tributário líquido e certo, não havendo que se confundir fases distintas do fenômeno tributário, quais sejam, o reconhecimento/nascimento do crédito e o seu adimplemento. Um argumento que me parece reforçar a desnecessidade de pagamento ou compensação para que se reconheça o crédito correspondente à estimativa consiste na possibilidade desse crédito tributário declarado e não pago ser extinto por diversas formas, como decadência, prescrição ou remissão, nos termos do art. 156 do CTN, ou mesmo por prescrição intercorrente, no âmbito da execução fiscal, sem que essa ausência de pagamento impeça o aproveitamento da estimativa extinta na composição de saldo negativo compensável. Assim, estou convicto de que o adimplemento ou garantia deste não é condição do reconhecimento do crédito compensável, mas sim a sua liquidez e certeza, hauridas da consolidação administrativa da discussão e da ausência de discussão do montante declarado pelo contribuinte. Além disso, caso o crédito de saldo negativo seja desconsiderado pelo simples fato da quitação das antecipações que compõem o pedido de compensação não terem sido homologados, estará configurada uma cobrança em duplicidade do tributo cobrase numa Fl. 930DF CARF MF Processo nº 16682.902259/201417 Acórdão n.º 1301003.210 S1C3T1 Fl. 931 22 ponta o débito aberto da estimativa, e cobrase na outra ponta a diferença decorrente do saldo negativo glosado pela fiscalização. Ademais, a própria RFB, através da Solução de Consulta Interna COSIT nº 18/2006, traça a diferença no tratamento das compensações consideradas não declaradas e as não homologadas, para fins de glosa do saldo negativo apurado na DIPJ, cuja ementa é expressa, nesse sentido. Por fim, há que se frisar que se trata de uma posição reiteradamente adotada no âmbito deste CARF, inclusive com decisão recente da CSRF, conforme a ementa abaixo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). (Acórdão n. 9101002.489, DJ 06/12/2016) Nesses termos, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reverter as glosas de créditos feita pela fiscalização. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 931DF CARF MF
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