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Numero do processo: 12571.720234/2012-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO DE EXTRATOS E DADOS BANCÁRIOS DIRETO PELA RFB. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA 2.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária.
IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO.
A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Cabe ao sujeito passivo o ônus da prova se a infração tributária que lhe é atribuída decorre de presunção legal.
Recurso Voluntário desprovido
Numero da decisão: 1402-001.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO DE EXTRATOS E DADOS BANCÁRIOS DIRETO PELA RFB. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA 2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Cabe ao sujeito passivo o ônus da prova se a infração tributária que lhe é atribuída decorre de presunção legal. Recurso Voluntário desprovido
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Recorrida 1ª Turma da DRJ/CTA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO DE EXTRATOS E DADOS BANCÁRIOS DIRETO PELA RFB. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA 2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Cabe ao sujeito passivo o ônus da prova se a infração tributária que lhe é atribuída decorre de presunção legal. Recurso Voluntário desprovido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 72 02 34 /2 01 2- 23 Fl. 760DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12571.720234/201223 Acórdão n.º 1402001.526 S1C4T2 Fl. 3 2 Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá. Relatório Tratamse de Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, lavrados em razão da suposta omissão de receita apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, referente aos anoscalendário de 2008 e 2009, acrescidos de juros e multa de 75%. Conforme Relatório de Ação Fiscal (fls. 569/580), em razão de ter a fiscalizada apresentado movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados em sua DIPJ, foi instaurado o procedimento fiscalizatório. Os autos de infração foram lavrados por arbitramento do lucro, uma vez que o sujeito passivo, optante pelo lucro presumido, não apresentou os livros e documentos da sua escrituração, ainda que regularmente intimado, configurando a hipótese prevista no artigo 530, III, do RIR/99. A contribuinte apresentou Impugnação (fls. 724730), sustentando: 1) Que, é defeso à RFB requisitar diretamente dados e informações bancárias, uma vez que o STF afastou as normas da Lei 9.311/96 e da Lei Complementar 105/01 e do Decreto nº 3.724/01. 2) Que, é inadmissível a cobrança de tributos apenas com base em depósitos bancários e mediante mera presunção. Cita doutrina e a Sumula 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos. 3) Que, com base em jurisprudência administrativa do antigo Conselho de Contribuintes, deve haver nexo causal entre os depósitos e o fato que representa a omissão de rendimentos. 4) Que, foi tributada a totalidade dos depósitos bancários, sendo que o art. 849, § 2º, do RIR/99, dispõe taxativamente que os créditos serão analisados individualizadamente. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12571.720234/201223 Acórdão n.º 1402001.526 S1C4T2 Fl. 4 3 A 1ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário lançado (fls. 732/741), na forma da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 EXTRATOS E DADOS BANCÁRIOS. REQUISIÇÃO DIRETA PELA RFB. INCOMPETÊNCIA DAS DRJ PARA PRONUNCIARSE SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência aos órgãos julgadores administrativos federais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionalidade. AUTO DE INFRAÇÃO. CRÉDITOS EM CONTA DE DEPÓSITO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. Configura presunção de omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito, para os quais o titular da conta não logra justificar, com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, a origem das importâncias adentradas em sua conta. OMISSÃO DE RECEITAS. VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. PROVA MEDIANTE HISTÓRICO DO LANÇAMENTO. DENOTAÇÃO DE AUFERIMENTO DE RECEITAS. Resta caracterizada omissão de receitas quando valores depositados em conta bancária são apontados como produto de auferimento de receitas, com base no histórico dos lançamentos, e o interessado não contesta esse critério de determinação e tampouco apresenta provas de que referidas importâncias não são verbas tributáveis. ARBITRAMENTO. RECEITA BRUTA NÃO CONHECIDA. IMPOSSIBILIDADE, QUANDO A RECEITA BRUTA É CONHECIDA. O arbitramento, com base nos diversos critérios previstos na legislação, para os casos em que a receita bruta não é conhecida, somente podem ser utilizados nessa circunstância. Conhecendose a receita bruta, ainda que parcial, o arbitramento deve, preferencialmente, ser realizado conforme os critérios baseados na receita bruta conhecida. MULTA QUALIFICADA Procedente a aplicação de multa qualificada quando o contribuinte, reiteradamente, apresenta DIPJ e DCTF com valores inferiores ao das receitas omitidas apuradas mediante Fl. 762DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12571.720234/201223 Acórdão n.º 1402001.526 S1C4T2 Fl. 5 4 procedimento fiscal, ocultando, assim sua verdadeira receita e movimentação financeira. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ressalto que, constou indevidamente da ementa a informação sobre multa qualificada que não é hipótese dos autos e tampouco foi objeto da decisão recorrida. Diante dos fatos, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 751/758), repisando integralmente os argumentos de sua peça impugnatória. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. Preliminar As instâncias administrativas de julgamento estão impedidas de afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionalidade, a teor do disposto no artigo 62 da Portaria MF nº 256/2009, que aprova o Regimento Interno do CARF, conforme abaixo: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A aplicação de normas constitucionais somente é possível nos casos de decisões definitivas do STF e do STJ na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869/73 (Código de Processo Civil), conforme art. 62A do Regimento Interno do CARF, a saber: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil (g.n.), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Nesse passo, como a matéria não foi definitivamente julgado pelo STF, considerase legítima a requisição de dados e extratos bancários pela Receita Federal do Brasil diretamente às Instituições Financeiras. Sobre o tema, aplicase, ainda, o enunciado da Súmula nº. 2 deste Conselho: Fl. 763DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12571.720234/201223 Acórdão n.º 1402001.526 S1C4T2 Fl. 6 5 Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, é de se rejeitar a preliminar argüida pela Recorrente. Mérito No mérito, deve ser mantida a autuação. No presente caso, o arbitramento realizado pela fiscalização foi feito com base na receita bruta constatada por meio da presunção legal de omissão de receita, existente na legislação do imposto de renda, apurável com base em depósito bancário de origem não comprovada, de acordo com o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, com a alteração feita pela Lei nº 9.481/97. De acordo com o citado dispositivo, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origens não comprovadas para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Neste ponto devese esclarecer que o que se está tributando é uma importância financeira de propriedade da Recorrente que, pelo fato de não ter sua origem esclarecida e comprovada, deve ser considerada receita omitida, segundo a legislação acima reproduzida, que presume que este montante na verdade se origina de receita tributável auferida e não declarada. Diante desta presunção legal, o ônus da prova se inverte e passa para a Recorrente, que tem a obrigação legal de comprovar a origem dos recursos. In casu, a autoridade lançadora fez aquilo que o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 lhe atribuía como responsabilidade: constatada a movimentação bancária incompatível com as receitas declaradas em DIPJ, intimou a Recorrente a comprovar a origem de créditos efetuados em conta bancária. Diante da falta de comprovação da origem do depósitos bancários, o auditor fiscal não teve outra escolha senão formalizar o lançamento de omissão de receitas com base no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. Não tendo a interessada qualquer cautela em documentar adequadamente os fatos, ficam por sua conta e risco as conseqüências de tal negligência. Ademais, vale dizer que a fiscalização intimou a Recorrente a apresentar os livros comerciais, fiscais e os demonstrativos contábeis, mas estes livros nunca foram apresentados. Logo, agiu corretamente a autoridade autuante ao aplicar ao caso o arbitramento, previsto no artigo 530, inciso III, do RIR/1999. Por fim, não prosperam as alegações da Recorrente no sentido de que não houve individualização dos valores depositados em contacorrente, e conseqüente nexo causal dos depósitos tributados, pois a partir da relação de fls. 581/648 é possível atestar que a fiscalização cuidou de relacionar um a um os créditos em conta de depósito, portanto individualizadamente, para o quais requereu esclarecimentos quanto à origem, sob pena de Fl. 764DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12571.720234/201223 Acórdão n.º 1402001.526 S1C4T2 Fl. 7 6 presumirse como omissão de receitas tais valores. Foi a Recorrente que se absteve de expender as necessárias justificativas. Assim, os valores não comprovados e aqueles que a Recorrente confessou tratarse de créditos bancários decorrentes de fretes foram legalmente presumidos como receita omitida. Posto isso, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo integralmente o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 765DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10875.903609/2009-43
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no recurso voluntário. O limite da lide circunscreve-se aos termos da manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 3803-004.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no recurso voluntário. O limite da lide circunscreve-se aos termos da manifestação de inconformidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
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INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no recurso voluntário. O limite da lide circunscrevese aos termos da manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de recurso contra a decisão da DRJ de Campinas, por meio da qual não foi homologada a PER/DCOMP transmitida para compensar débitos de Cofins AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 36 09 /2 00 9- 43 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 correspondente ao PA de março/2006, com crédito proveniente do recolhimento indevido do mesmo tributo, referente ao período de apuração de 31/10/2003, arrecadado em 14/11/2003, conforme DARF indicado pelo contribuinte no valor de R$ 116.645,95. À fl. 34 está anexo o despacho decisório, que indeferiu a compensação realizada, sob o pressuposto de que foram localizados pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou sintética manifestação de inconformidade às fls. 03/05, argumentando basicamente que possui direito a compensação em razão do recolhimento a maior da Cofins. Às fls. 47/50 sobreveio o acórdão n.º 0536.219 9° Turma da DRJ de Campinas, que indeferiu o pedido sobre o pressuposto de que o sujeito passivo não apresentou prova do direito creditório. Além do que, a Lei n.10.637/2002 apregoa que a compensação é realizada pelo sujeito passivo através da entrega da Dcomp, que por sua vez extingue o débito em condição resolutória. Inconformado com a decisão, apresentou Recurso Voluntário às fls. 80/98 alegando que o DARF indicado no PER/DCOMP é suficiente para extinguir o seu débito. Afirma que a origem do indébito que fundamenta o seu direito creditório decorre 4 (quatro) razões: a) alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins em razão do extravazamento do conceito de receita; b) exclusão da base de cálculo do PIS e Cofins em decorrência do regime de substituição tributária; c) exclusão da base de cálculo das contribuições sobre operações com combustível em virtude da incidência monofásica; d) exclusão do ICMS e ISS da base de cálculo das contribuições. Em relação ao alargamento da base cálculo, fez considerações de que o faturamento é decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços e não da totalidade da receita das pessoas jurídicas. Além do que, a instituição de contribuição sobre a receita somente poderia ser feita por meio de lei complementar, por força do art. 195, § 4° da CF, logo a Lei n. 9.718/98 não possui validade. Esclarece que após a promulgação da Lei n. 9.718/98 até a edição da Lei n. 10.637/2002 recolheu indevidamente o PIS sobre outras receitas que não as que integravam o conceito de faturamento. Já no tocante ao direito ao crédito das contribuições relacionado as operações com combustíveis em razão da substituição tributária, o contribuinte afirma que não abastecia seus caminhões em postos de combustíveis e que mantinha bomba de combustível própria. Deste modo, adquiria combustível diretamente das distribuidoras de petróleo. Logo, teria ocorrido recolhimento indevido do tributo em regime de substituição tributária, nos termos da IN n.º 006/1999, já que não houve o fato imponível “presumido” referente à operação do posto de combustível, que neste caso foi eliminado da cadeia. O contribuinte comentou ainda que até julho de 2000 a Cofins e o PIS incidiam sob a sistemática da substituição tributária e posteriormente sofrendo a incidência monofásica. Argumenta que quando presta serviço de transporte está sujeito a incidência da Cofins e do PIS, mas que tal receita configura hipótese de incidência do ICMS e do ISS, dependendo do fato imponível praticado. Assim, defende que não é todo ingresso na contabilidade que deve ser compreendida como receita, mas somente valores que integram o Fl. 101DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10875.903609/200943 Acórdão n.º 3803004.665 S3TE03 Fl. 102 3 patrimônio da empresa. Neste caso, afirma que o direito creditório decorre da exclusão do ISS e do ICMS da base de cálculo das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, mas não reúne os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele não conheço. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte alegou resumidamente possuir direito a compensação em razão do DARF indicado em PER/DCOMP. Entretanto, não trouxe qualquer outro argumento no sentido de justificar a origem do direito creditório. Já em seu recurso voluntário, inova em sua defesa na medida em que apresentou argumentos novos, antes não trazidos na manifestação de inconformidade. Deste modo, os contornos da lide foram construídos a partir da linha de defesa formulada pelo contribuinte na manifestação de inconformidade, logo a decisão de primeira instância se limitou a discorrer apenas a respeito da ausência de prova do direito alegado, conforme os elementos existentes da exordial. Com efeito, os julgadores de primeiro grau não foram instados a se manifestarem a respeito do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, nem mesmo sobre a exclusão da base de cálculo das contribuições sobre operações com combustível em virtude da incidência monofásica e muito menos a respeito dos demais argumentos elencados no recurso. Consequentemente, não há que se falar em constituição de lide no tocante a matéria de defesa não trazida na manifestação de inconformidade, mas que veio aos autos somente no recurso voluntário em razão da preclusão. A preclusão encontra fundamento no art. 303 do CPC: Art.303. Depois da contestação, só é lícito deduzir novas alegações quando: Irelativas a direito superveniente; IIcompetir ao juiz conhecer delas de ofício; IIIpor expressa autorização legal, puderem ser formuladas em qualquer tempo e juízo Além do que, o Decreto n.º 70235/72 dispõe: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim, com fundamento neste artigo somente é possível apresentar novas alegações em casos excepcionais, sob pena da ocorrência da preclusão. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Em relação à preclusão, vale citar a Apelação Cível n.° 200934000248411, julgada pelo TRF da 1ª Região, por intermédio da qual o tribunal PROCESSUAL CIVIL, CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO INOVAÇÃO RECURSAL NÃO APLICAÇÃO DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003 AMPLIAÇÃO DA DIMENSÃO DO DIREITO PLEITEADO PRESCRIÇÃO AÇÃO DE PROCEDIMENTO ORDINÁRIO PIS E COFINS INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98 COMPENSAÇÃO INDEVIDA EM RAZÃO DA INCIDÊNCIA DA PRESCRIÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. (...) 4. No que tange à questão relativa à não aplicação das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, em razão da opção da empresa autora pelo regime de lucro presumido, entendendo esta não se sujeitar aos efeitos das mencionadas Leis para efeito da incidência de PIS e COFINS, cumpre esclarecer que a parte autora inovou em sua peça de apelo. 5. Ocorre que a inicial trouxe irresignação específica e não tratou de questões atinentes ao pedido acima mencionado. Dessa forma, restou configurada inovação recursal, insuscetível de conhecimento em face da preclusão consumativa. 6. Nesse sentido, "As alegações constantes das razões recursais não foram trazidas na petição inicial, constituindo inovação na causa de pedir a sua inclusão em sede de recurso. Jurisprudência consolidada do STJ no sentido de não admitir tal inovação. (...)". (AC 0126797 56.2000.4.01.0000/GO, Rel. Juiz Federal Carlos Eduardo Castro Martins, 7ª Turma Suplementar, eDJF1 p.1390 de 23/03/2012). (...) Trago a baila ainda o Agravo Regimentar no Agravo em Recurso Especial n. 143485 – CE. Neste julgado o STJ não conheceu do recurso com fundamento no fato de que o recorrente inovou em seus argumentos, operando assim a preclusão. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. RAZÕES DO REGIMENTAL DISSOCIADAS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA 284/STF. INOVAÇÃO RECURSAL. VEDAÇÃO. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. 1. Os fundamentos do agravo regimental vinculados à prescrição estão dissociados das razões da decisão agravada, pois em nenhum momento houve abordagem da referida temática, o que atrai a incidência da Súmula 284 do STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. A questão prescricional revestese de inovação recursal, pois não fora aduzida nas razões do especial, sobre a qual se operou a preclusão consumativa. Conforme pacífica jurisprudência Fl. 103DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10875.903609/200943 Acórdão n.º 3803004.665 S3TE03 Fl. 103 5 desta Corte, é vedada a inovação recursal, seja em agravo regimental, seja em embargos de declaração. Precedentes. Agravo regimental não conhecido. Ora, para o conhecimento do recurso voluntário há necessidade de que exista coerência entre a manifestação de inconformidade e o recurso apresentado, pois a lógica do sistema implica em considerar que este busca a reforma da decisão denegatória do seu pedido formulado conforme os contornos estabelecidos pela manifestação de inconformidade. Todavia, uma vez constatado que o contribuinte alegou defesa que não constam na manifestação de inconformidade, por certo que se opera a inovação da defesa, pelo que, não poderá ser conhecido o recurso, caso contrário, implicaria em aceitar como válida a inovação à lide na fase recursal, ocasionando ofensa ao devido processo legal, bem como ofensa ao princípio da devolutibilidade, principalmente porque ao julgador de piso não foi dada a possibilidade de enfrentar as questões agora trazidas no recurso. Além do que, como já dito, a falta de adequação entre o recurso e a manifestação de inconformidade configura necessariamente ausência de lide em relação à matéria agora impugnada apenas em segundo grau. Vale lembrar ainda que se a intenção do contribuinte era demonstrar que o débito confessado inexiste, então deveria ter apresentado prova do seu direito com a finalidade de reduzir ou extinguir a dívida por meio de documentos contábeis, visto que sobre o sujeito passivo recai o ônus probatório, nos termos do art. 16 do Decreto n. 70.235/72. O que é inadmissível é a alegação fazia de que a origem do crédito decorre de receitas tributadas indevidamente, sem demonstrar a sua origem. Neste aspecto, o contribuinte deveria ter elaborado planilhas contendo os valores recolhidos indevidamente, bem como ter apontado no Livro Razão e no Livro Diário o motivo do recolhimento indevido. Ante o exposto, não conheço do recurso em face da ocorrência de inovação dos argumentos de defesa. Sala das sessões, 22 de outubro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 104DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.015794/2004-90
Turma: Sétima Turma Especial
Câmara: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Dec 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
A nulidade do lançamento somente se dá nos casos previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, quando houver prejuízo à defesa ou ocorrer intervenção de servidor ou autoridade sem competência legal para praticar ato ou proferir decisão. Não configurada qualquer dessas hipóteses, em especial a preterição do direito de defesa, rechaçam-se as alegações do sujeito passivo.
GLOSA DE CUSTOS. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS.
São indedutíveis os custos de mercadorias escriturados e não lastreados em documentação hábil e idônea que comprove a operação realizada.
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.
A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
Numero da decisão: 1402-001.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de nulidade e no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A nulidade do lançamento somente se dá nos casos previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, quando houver prejuízo à defesa ou ocorrer intervenção de servidor ou autoridade sem competência legal para praticar ato ou proferir decisão. Não configurada qualquer dessas hipóteses, em especial a preterição do direito de defesa, rechaçam-se as alegações do sujeito passivo. GLOSA DE CUSTOS. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. São indedutíveis os custos de mercadorias escriturados e não lastreados em documentação hábil e idônea que comprove a operação realizada. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A nulidade do lançamento somente se dá nos casos previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, quando houver prejuízo à defesa ou ocorrer intervenção de servidor ou autoridade sem competência legal para praticar ato ou proferir decisão. Não configurada qualquer dessas hipóteses, em especial a preterição do direito de defesa, rechaçamse as alegações do sujeito passivo. GLOSA DE CUSTOS. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. São indedutíveis os custos de mercadorias escriturados e não lastreados em documentação hábil e idônea que comprove a operação realizada. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a arguição de nulidade e no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 57 94 /2 00 4- 90 Fl. 713DF CARF MF Impresso em 20/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.015794/200490 Acórdão n.º 1402001.527 S1C4T2 Fl. 714 2 (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 20/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.015794/200490 Acórdão n.º 1402001.527 S1C4T2 Fl. 715 3 Relatório Tratase de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL referente à glosa de custos relativos à aquisição de mercadoria para revenda sem a devida comprovação da sua existência. Segundo o Termo de Verificação Fiscal restaram infrutíferas as diligências realizadas junto aos supostos fornecedores e junto à própria empresa autuada a fim de constatar a veracidade das operações registradas nas notas fiscais glosadas. Consigna, também, que os emitentes das referidas notas fiscais encontramse em situação irregular perante a Secretaria Estadual da Fazenda, tendo sido inclusive, todas as notas fiscais glosadas consideradas por ela (fiscalização estadual) inaptas para efeito fiscal e objeto de lançamento de ofício. Em diligências, constatouse pelo lado dos fornecedores o que se segue: DOMINAR COMERCIO E REP. LTDA (fls.24/25, 32/33 e 40). CNPJ 01.385.010/000155 Endereço: Av. José Faria da Rocha 1390, loja 01, Bairro Eldorado, Contagem/Mg Inscrição Estadual n° 186 980817 00 75, bloqueada desde 28/04/1999, em decorrência do desaparecimento do Contribuinte Ato Declaratório de Falsidade/Inidoneidade n° 13 186110 03311, pela SEF/MG e publicado em 13/12/1999, declarando inidôneos todos os documentos fiscais emitidos por esta empresa a partir de 28/04/1999 (autorizados ou não). DIPJ/2000 apresentada, indicando valor de receita de venda Zero. Encaminhado termo de intimação que foi devolvido, sem ciência. Em diligência no local indicado no cadastro fiscal, verificouse que a empresa ali não funciona, não tendo, os vizinhos, qualquer informação quanto ao paradeiro e existência da referida empresa. KENNU COMÉRCIO E REP. LTDA (fls.23/27, 34/35 e 41). CNPJ n 02.387.142 00089 Endereço a rua Tiziu, Bairro Goiânia, Belo Horizonte MG. Atos dec1atórios de Falsidade/Inidoneidade n° 13 062 26000654 e 13 062 26000635, emitidos pela SEF/MG e publicados em 23/02/2000, declarando inidôneos todos os documentos fiscais emitidos por esta empresa, de número 0001 a 000400, em razão dos mesmos terem sido impressos sem a devida autorização. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 20/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.015794/200490 Acórdão n.º 1402001.527 S1C4T2 Fl. 716 4 DIPJ/2000 apresentada, indicando valor de receita de venda Zero. Encaminhado termo de intimação que foi devolvido, sem ciência. Em diligência no local indicado no cadastro fiscal verificouse que a empresa ali não funciona, não tendo, os vizinhos, qualquer informação a cerca da empresa. PE ELE COMERCIO E DISTRIBUIDORA. LTDA (fls. 28/29, 36/37 e 42) CNPJ 03.298.255/000170 Endereço a Rua Matipó, 220, loja 01, Bairro Industrial São Luiz, ContagemIMG. Inscrição Estadual n° 186 036899 00 98, bloqueada desde 31/10/2000, em decorrência de Inexistência de Estabelecimento no endereço inscrito. Atos dec1atórios de Falsidade/Inidoneidade n° 13 186 11 003561 e 13 186 11003576, emitidos pela SEF/MG e publicados em 23/02/2000, declarando inidôneos documentos fiscais emitidos. por esta empresa, em razão de Encerramento irregular de atividade e pela impressão de documentos sem a devida autorização. As notas fiscais objeto da presente autuação pertencem ao talonário declarado inidôneo. DIPJ/2000 apresentada, indicando valor de receita de venda Zero. Encaminhado termo de intimação que foi devolvido, sem ciência. Em diligência no local indicado no cadastro fiscal, verificouse que a empresa ali não funciona, não tendo, os vizinhos, qualquer informação quanto ao paradeiro e existência da referida empresa. GRANACAFITA COMERCIO LIDA (fls.30/31, 38/39 e 43). CNPJ 02.510.573/000190 Endereço a Rua Davi Fonseca 330, Bairro Milionários, Belo Horizonte/MG: Inscrição Estadual n° 062743554 00 39, bloqueada desde 26/03/1999, em decorrência do Desaparecimento do Contribuinte. Ato Declaratório de Falsidade/Inidoneidade n° 13 062 260 00711, emitido pela SEF/MG e publicado em 01/03/2000, declarando inidôneos documentos fiscais emitidos por esta empresa, em razão de Encerramento irregular de atividade. DIPJ/2000 apresentada, indicando valor de receita de venda Zero. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 20/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.015794/200490 Acórdão n.º 1402001.527 S1C4T2 Fl. 717 5 Encaminhado termo de intimação que foi devolvido, sem ciência. Em diligência no local indicado no cadastro fiscal, verificouse que a empresa ali não funciona, não tendo, os vizinhos, qualquer informação quanto ao paradeiro e existência da referida empresa. Relata ainda a autoridade fiscal que em relação à exigência fiscal levada a efeito pelo Fisco Estadual, o contribuinte ingressou com Ação Anulatória perante o Poder Judiciário, a qual foi julgada parcialmente procedente. E, ao final, aponta: Concluiu esta fiscalização, pela tributação, como custo/despesa não comprovada, as notas fiscais que, não tendo respaldo de comprovação, pelo lado dos respectivos emitentes, também não o tiveram, de forma satisfatória, pelo lado da fiscalizada, carecendo de comprovação do efetivo transporte, ingresso, e do efetivo pagamento das mesmas. Cumpre ressaltar que a presente glosa se dá, não apenas pelo fato da inexistência da comprovação do pagamento, em virtude das alegações de "trata se de pagamento em dinheiro", e sim pela somatória de indícios descritos no presente, acrescidos da fragilidade na comprovação da operação, por parte da fiscalizada.(destaque não é do original). Salienta ainda a Fiscalização que a auditoria fiscal empreendida não se limitou a utilizarse das conclusões do Fisco Estadual, tampouco ao limite das decisões do Poder Judiciário, que manteve a tributação apenas em relação aos documentos fiscais emitidos em datas posteriores à publicação dos atos declaratórios emitidos pela Fazenda Estadual. Procurouse a comprovação da efetiva ocorrência da operação. Como exemplo de diligência adicional, consta que a Fiscalização procedeu diligência junto à indústria Primo Schincariol S/A, fabricante das mercadorias revendidas à fiscalizada pelos supostos “fornecedores inidôneos”. Buscando identificar se houve a aquisição da mercadoria pelos fornecedores da Fiscalizada, intimouse o fabricante das mercadorias a informar se havia realizado vendas a tais empresas, tendo sido informado que não houve operações de vendas a quaisquer das empresas indicadas. Os autos de infração foram cientificados à Interessada em 22/12/2004 (fls. 06 e 10). A Interessada apresentou impugnação de fls. 298312 em 19/01/2005. A decisão recorrida bem resume os argumentos entabulados pela empresa: Relata o procedimento fiscal, que examinando os Livros Diário, Razão e La1ur, Registros de Entradas e de Apuração de ICMS, as Declarações de Imposto de Renda e DCTF's além de verificações nos procedimentos de escrituração fiscal e comercial lavrou os autos de infração constantes deste processo, glosando "custo/despesa não comprovada" com relação apenas ao exercício de 1999. Afirma que atendeu todas as exigências da fiscalização, apresentou todos os documentos requeridos com os respectivos comprovantes de pagamento, por meio de duplicatas quitadas por cheques nominais ou em espécie, assim como comprovou a escrituração das notas fiscais nos livros apropriados e que não Fl. 717DF CARF MF Impresso em 20/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.015794/200490 Acórdão n.º 1402001.527 S1C4T2 Fl. 718 6 pode ser responsabilizada por atos de terceiros, no caso, fornecedores com pendências fiscais. Informa que as mesmas notas fiscais indicadas nos autos foram objeto de fiscalização estadual, eis que por meio de Atos Declaratórios o Estado as declarou inidôneas e/ou falsas por ausência de declarações de seus emitentes ao Estado, ou pelo fato deles não haverem sido localizados (fl. 298), e, que instaurado Procedimento Tributário Administrativo (PTA) foi lavrado um Auto de Infração, no qual era exigido da fiscalizada o tributo (ICMS) devido por aqueles fornecedores supostamente "desaparecidos". Informa ainda que em Ação Anulatória de Débito Fiscal em face da Fazenda Estadual, a fiscalizada comprovou através de vasta documentação e, sobretudo, através de perícia técnica que os negócios jurídicos foram efetivamente realizados e que os Atos Declaratórios da Fazenda Pública Estadual não poderiam alcançálos e, tampouco, anulálos, tendo sido o recurso provido e excluído do PTA as notas fiscais em questão. E, que mesmo assim, algumas destas notas fiscais agora constituem fato gerador do IRPJ e CSLL exigidos pela União, apresentando inclusive cópia do laudo referido que corroborou com a decisão judicial a seu favor. Assegura que o fisco só entendeu por corretas as operações cujas notas fiscais foram pagas por duplicatas mediante cheques, desclassificando aquelas pagas em espécie, o que entende ser absurdo, mormente no caso em que 99% de seus recebimento são nesta modalidade. Afirma que além das notas fiscais que foram excluídas por meio da ação anulatória já referida, foram glosadas outras onde as operações e pagamentos ocorreram por via de duplicatas e quitadas em espécie. Descrevendo o feito fiscal assegura que a glosa dos custos foi motivada pelas pendências fiscais dos fornecedores que à época se encontravam em situação regular perante a Receita Federal, eis que apresentadas as DIPJ, cabendo tão somente ao fisco certificarse da regularidade fiscal e, se necessário, exigir o tributo devido. Discorda do procedimento fiscal que responsabiliza a impugnante por omissões constatadas nas operações realizadas pelos fornecedores, e, que ao atribuir à fiscalizada responsabilidade por atos de terceiros fica patente a arbitrariedade cometida, mesmo porque os documentos emitidos pelos fornecedores apresentam aparência de regularidade, caracterizando sua boa fé. Aduz que todos os comprovantes, hábeis e idôneos, da real entrada das mercadorias e dos respectivos pagamentos foram apresentados ao fisco, não se justificando a alegada inexistência de comprovação de pagamento e que o fisco ao sustentar os lançamentos por “uma somatória de indícios” e fragilidade da escrituração, sem especificálas, impede o direito ao contraditório. E, por fim, questiona: “como iria o juízo estadual julgar procedente uma Ação Anulatória se não lhe fossem apresentados os comprovantes idôneos das operações?” E, conclui que o Auto de Infração carece de fundamentação jurídica sólida eis que lavrado com base em mera suspeita uma presunção amparada em indícios com total desrespeito ao ordenamento jurídico e ignorando a credibilidade dos documentos apresentados. E, mais, que o auto de infração foi Fl. 718DF CARF MF Impresso em 20/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.015794/200490 Acórdão n.º 1402001.527 S1C4T2 Fl. 719 7 lavrado apenas para evitar a decadência, eis que foi efetuada uma única autuação no ano calendário de 1999, não obstante o período fiscalizado ter abrangido até o exercício de 2003. Do Pedido Requer que sejam julgadas hábeis e idôneas as cópias dos documentos juntados aos autos eis que os originais encontramse nos processos em fase de recurso junto ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais e que sejam consideradas representativas de documentos hábeis e idôneos (notas fiscais, duplicatas de quitação e respectivas cópias de cheques já apresentadas à fiscalização e ora anexadas) para sustentar as operações mercantis e, conseqüentemente, a anulação dos Autos de Infração IRPJ e CSLL. Na hipótese de serem impugnadas as cópias dos documentos anexadas, que seja realizada nova diligência nos livros fiscais e comerciais assim como nas declarações já fornecidas à SRF, bem como abertura de prazo para apresentação das vias originais, porventura necessárias. A impugnação foi julgada improcedente, tendo ementa da decisão recebido a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 GLOSA DE CUSTOS. São indedutíveis os custos de mercadorias escriturados e não apoiados em documentação hábil e idônea que comprove sua efetividade e necessidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL ANOCALENDÁRIO: 1999 Observada a legislação de regência da CSLL, aplicase ao lançamento reflexo o mesmo procedimento adotado para o IRPJ, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 22 de março de 2007 (fl. 438) e apresentou recurso voluntário em 19 de abril de 2004 (fls. 444454), revolvendo seus argumentos da impugnação e arguindo nulidade da decisão recorrida por suposto cerceamento do direito de defesa no indeferimento de pedido de diligência para nova verificação de seus livros e declarações ante a juntada de provas realizadas na impugnação. O processo foi distribuído para a então 4ª Turma Especial sob a relatoria da Conselheira Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira. Pautado para a sessão de 26 de maio de 2009, o Colegiado resolveu converter o julgamento em diligência, solicitando inúmeras confirmações de ordem formal sobre a escrituração das indigitadas notas fiscais em livros contábeis e fiscais (fls. 460465). Do resultado da diligência, a autoridade fiscal elaborou o relatório de fls. 702710. Em resumo, a empresa não mais se encontrava em atividade. Intimados os sócios da Recorrente, respondeuse que não mais dispunham das notas fiscais. Em relação à escrituração das referidas notas, concluiu o Auditor Fiscal que todas as notas fiscais estavam devidamente registradas nos livros contábeis e fiscais examinados. Os sócios da empresa foram intimados a se manifestar sobre o teor do relatório que lhes foi dado ciência. Não consta dos autos qualquer expediente adicional. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 20/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.015794/200490 Acórdão n.º 1402001.527 S1C4T2 Fl. 720 8 É o relatório. Fl. 720DF CARF MF Impresso em 20/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.015794/200490 Acórdão n.º 1402001.527 S1C4T2 Fl. 721 9 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. O recurso voluntário já foi alvo de conhecimento quando da resolução do julgamento em diligência. 1 ARGUIÇÃO DE NULIDADE A Recorrente argui nulidade da decisão recorrida em razão do não enfrentamento do seguinte pedido: Requer ainda, na miserável hipótese de serem impugnadas as cópias dos documentos anexadas, ao teor do que dispõe o artigo 16, IV, do Decreto 70.235/72, seja realizada nova diligencia nos Livros Fiscais e Comerciais, assim como nas declarações já fornecidas à SRF, bem como seja fornecido prazo para juntada das vias originais, porventura necessárias. Para tanto, informa que referidos livros encontramse à disposição no endereço da fiscalizada, na Rua Jacuí, 8000, bairro São Gabriel, neste município. Não assiste razão à Recorrente. Vejase excerto inicial do voto da decisão recorrida: De início, acatase a solicitação da impugnante para que as cópias xerografadas apresentadas na peça de defesa sejam aceitas como originais eis que estas se encontram juntadas a processo em fase de recurso no TJMG. Conseqüentemente, fica sem objeto a realização de diligência nos livros fiscais e comerciais assim como nas declarações já fornecidas à SRF, e abertura de prazo para apresentação das vias originais. Ora, se foram aceitas as cópias anexadas, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa da Recorrente. A nulidade no processo administrativo fiscal é regulada pelos arts. 59 a 61 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e alterações posteriores, abaixo transcritos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 20/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.015794/200490 Acórdão n.º 1402001.527 S1C4T2 Fl. 722 10 § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. O procedimento fiscal é a atividade investigatória desenvolvida pelo Estado visando à identificação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo e aplicação da penalidade cabível (artigo 142 do Código Tributário Nacional). Nessa fase, a autoridade fiscal tem ampla liberdade investigatória e probatória, inerente à função estatal, fundamentalmente no poder de polícia que ao Estado compete exercer com discricionariedade, autoexecutoriedade e coercibilidade. Ao identificar a desobediência a alguma norma da legislação tributária, a autoridade fiscal fica obrigada a lavrar o correspondente auto de infração, sob pena de ser responsabilizado pessoalmente. Para a lavratura de um auto de infração, o Código Tributário Nacional (art. 142) e o Decreto nº 70.235/1972, (art. 10), exigem certas formalidades: autoridade administrativa competente (AuditorFiscal); a verificação da ocorrência do fato gerador; identificação do sujeito passivo; determinação da matéria tributável; o calculo do montante do tributo e das penalidades devidas; a indicação das disposições legais infringidas; a cientificação; a intimação para pagamento ou impugnação da exigência no prazo de 30 (trinta) dias e a identificação ao auditor autuante. Sobre esses aspectos os lançamentos estão perfeitos, todas as formalidades foram cumpridas. Portanto, no caso em concreto, não há que se falar em cerceamento de defesa, logo, a decisão recorrida não padece de nulidade. 2 MÉRITO À época dos fatos geradores, a Recorrente era tributada com base no lucro real. A controvérsia diz respeito a glosa de custos referentes a notas fiscais cujas operações não restariam comprovadas, uma vez que realizadas junto a empresas inexistentes ou sem operação. As notas glosadas se resumiram àquelas em que a Recorrente sequer conseguiu comprovar o efetivo pagamento pelas aquisições, alegando ter realizado a quitação em espécie. A Recorrente alega que ter apresentado à fiscalização toda a documentação, inclusive Laudo Pericial, para comprovar as efetivas entradas das mercadorias e os efetivos pagamentos das notas fiscais solicitadas, por meio de duplicatas quitadas por cheques nominais ou em espécie, assim como comprovou que todas as operações foram escrituradas em livros apropriados; que foi autuada por pendências fiscais dos fornecedores pelas quais ela não pode Fl. 722DF CARF MF Impresso em 20/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.015794/200490 Acórdão n.º 1402001.527 S1C4T2 Fl. 723 11 ser responsabilizada e pelo fato de a fiscalização não aceitar como comprovante de pagamento as duplicatas quitadas em dinheiro. Amparada em laudo pericial elaborado no bojo de Ação Anulatória em face de autos de infração lavrados pelo Fisco Estadual, a então Relatora dos presentes autos, com a concordância dos demais conselheiros da então 4ª Turma Especial, resolveu converter o julgamento em diligência para averiguação da correição da contabilização e registros fiscais das aquisições a que se refere o litígio. Na diligência realizada, não se constatou irregularidade formal quanto ao registro de tais notas fiscais. Pois bem, em primeiro lugar, cumpre ressaltar que a Recorrente não obteve sucesso em seu pleito judicial. No julgamento do reexame necessário, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais reformou a sentença, restabelecendo a integralidade da autuação fiscal. Eis a ementa do julgado: Número 1.0024.01.5503030/001 Numeração – 5503030 Relator: Des.(a) Nilson Reis Relator do Acórdão: Des.(a) Nilson Reis Data do Julgamento: 03/05/2005 Data da Publicação: 25/05/2005 EMENTA: Ação anulatória. Débito fiscal. Autuação Fiscal. Irregularidade. 1 Verificada a regularidade apontada pelo fisco, em sua autuação procedida junto a devedora, tornase patente a prevalência do respectivo auto de infração. 2 Sentença reformada, em reexame necessário. Prejudicados os recursos voluntários, principal e adesivo. APELAÇÃO CÍVEL/REEXAME NECESSÁRIO Nº 1.0024.01.550303 0/001 COMARCA DE BELO HORIZONTE REMETENTE: JD DA 2ª VARA DE FEITOS TRIBUTÁRIOS DO ESTADO COMARCA DE BELO HORIZONTE, APELANTE(S): FAZENDA PÚBLICA DO ESTADO DE MINAS GERAIS, ADESIVO: BIG STOK LTDA. APELADO(A)(S): OS MESMOS RELATOR:EXMO. SR. DES. NILSON REIS ACÓRDÃO Vistos etc., acorda, em Turma, a SEGUNDA CÂMARA CÍVEL do Tribunal deJustiça do Estado de Minas Gerais, incorporando neste o relatório de fls., na conformidade da ata dos julgamentos e das notas taquigráficas, à unanimidade de votos, EM REEXAME NECESSÁRIO, REFORMAR A SENTENÇA, PREJUDICADOS OS RECURSOS VOLUNTÁRIOS. Belo Horizonte, 03 de maio de 2005. DES. NILSON REIS Relator Fl. 723DF CARF MF Impresso em 20/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.015794/200490 Acórdão n.º 1402001.527 S1C4T2 Fl. 724 12 Salientese excerto do voto condutor do aresto em questão: Ora, ficou caracterizada a irregularidade apontada pelo fisco, uma vez que as mercadorias supostamente adquiridas pela apelante se deram através de empresas que tiveram seus documentos fiscais declarados inidôneos, de forma a tornar inconteste o respectivo auto de infração. E, em decorrência deste procedimento pretendeu a autora ter aproveitamento de créditos de ICMS, que resultou no pagamento a menor do imposto que era devido até então. E, o simples fato da autora ter registrado em seus livros a entrada das mercadorias representadas pelas notas fiscais inidôneas, por si só, não caracteriza a sua boafé, já que já se encontrava a operação, no seu nascedouro, irregular.[grifo nosso] Portanto, as questões levantadas no laudo pericial não foram suficientes para o cancelamento da exigência do Fisco Estadual, realizada, inclusive, em maior extensão que a empreendida pela Receita Federal. E nem poderiam ser diferentes as conclusões do Tribunal de Justiça, pois as questões tratadas nos laudos, e retratadas na diligência fiscal em razão da aludida Resolução, abarcam somente questões formais atinentes aos registros das notas fiscais, não possuindo o condão de comprovar as operações realizadas. No mais, transcrevo os fundamentos da decisão recorrida, os quais adoto como razão de decidir: A motivação do auto de infração consignada no TVF, fls. 12/16, já transcrita no Relatório, tem como fundamento fático a não comprovação da efetiva operação indicada nas notas fiscais escrituradas, pois sua dedutibilidade, para fins de imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido, está intrinsecamente ligada a sua comprovação e sua necessidade. O Autor do feito, em busca da verdade material, efetuou diversos procedimentos para que ficasse evidenciada nos autos, inequivocamente, a existência das operações de compra de mercadorias constante da escrituração contábil e fiscal, intimando tanto a fiscalizada quanto as empresas fornecedoras (DOMINAR COMERCIO E REP. LTDA, KENNU COMÉRCIO E REP. LTDA, PE ELE COMERCIO E DISTRIBUIDORA. LTDA e GRANACAFITA COMERCIO LTDA) a prestar informações a respeito das referidas operações. A impugnante foi intimada a apresentar, fls. 17 e 44: a relação, original e cópia das notas fiscais, identificando data de emissão, número do documento, valor, data e forma do pagamento; o efetivo pagamento das mesmas, apresentando cópias dos cheques, recibos, extratos e outros documentos que demonstrem a efetiva movimentação dos recursos da fiscalizada para os fornecedores; o efetivo ingresso das mercadorias descritas nas notas fiscais relacionadas, nas dependências da empresa, apresentando conhecimento de transporte, recibo de fretes, requisições internas, controles de estoque e outros documentos. Ao mesmo tempo a empresa Primo Schincariol Ind de Cervejas e Ref S A, fl. 19/20, foi intimada a apresentar informações sobre as mesmas empresas, ora clientes, quanto às notas fiscais emitidas, valores Fl. 724DF CARF MF Impresso em 20/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.015794/200490 Acórdão n.º 1402001.527 S1C4T2 Fl. 725 13 recebidos, cópias de cheques, recibos, extratos e outros documentos, que comprovasse a saída das mercadorias de suas dependências, apresentando conhecimento de transporte, recibo de fretes, requisições internas, controles de estoque e outros documentos. Em resposta, fl 23, informa que não efetuou operações com as empresas relacionadas, pois, suas vendas foram iniciadas em maio/2000. Também, as empresas emitentes das notas fiscais glosadas foram intimadas a apresentar as mesmas informações, tendo sido os respectivos termos de intimação devolvidos com indicação “mudouse” ou “desconhecido”, fls. 24/39. Em diligência no local indicado no cadastro fiscal, foram lavrados termos de constatação fiscal apontando que as empresas não funcionam no local indicado no cadastro fiscal e que, questionada, a vizinhança nada informou quanto ao paradeiro e existência das referidas empresas, fls. 40/43. Durante o procedimento fiscal, a impugnante apenas comprovou o efetivo pagamento de parte das notas fiscais relacionadas, com a apresentação das respectivas cópias de cheques nominais (valores estes que não compõem o auto de infração), deixando de fazêlo para as demais notas fiscais (que compõem o valor tributado no auto de infração). Apresentou ainda cópia da decisão exarada no processo 024.01.550.3030 que trata da autuação do fisco estadual, onde na sentença, a autoridade julgadora cancela parte do lançamento efetuado, prevalecendo apenas aquela que se refere às notas fiscais emitidas posteriormente a data de publicação dos respectivos atos declaratórios e cópia do Laudo Pericial relativo ao processo acima referido, onde em resposta aos quesitos da autora e da ré a Perita Dra. Ângela Maria de Almeida, Contadora, CRCMG /69.408, apresenta seu relatório. Observase, que não foi possível comprovar, pelo lado dos respectivos emitentes, o fornecimento da mercadoria, tampouco pelo lado da fiscalizada, carecendo de comprovação o efetivo ingresso da mercadoria no estabelecimento. Diante de todo o procedimento fiscal, está claro que o motivo do auto de infração foi a não comprovação inequívoca, por parte da impugnante, da existência real das operações descritas nas notas fiscais glosadas e registradas em sua contabilidade. De acordo com o artigo 251, do RIR/94, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, desde que comprovados por documentos hábeis e idôneos. As alegações da impugnante em sua peça de defesa e nos documentos acostados aos autos, fls. 366/400, em nada modificam as conclusões do Autor do feito. A apresentação de algumas cópias de cheques contábeis, ditos utilizados para pagamento de mercadoria e simples alegações de que a fiscalização não acata como pagamentos comprovados aqueles realizados em dinheiro e contabilizados, não são suficientes para comprovar a entrada da mercadoria no estabelecimento. Não foram apresentados documentos, emitidos por terceiros, que poderiam indicar a entrada no estabelecimento das mercadorias constante das notas fiscais ora em exame. Por exemplo, as notas fiscais Fl. 725DF CARF MF Impresso em 20/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.015794/200490 Acórdão n.º 1402001.527 S1C4T2 Fl. 726 14 indicam o transportador da mercadoria, porém, a impugnante não juntou ao processo o “conhecimento de transporte”, valor do frete, ou qualquer documento que indicasse a entrada no estabelecimento da mercadoria (assim como sua escrituração), como intimado pelo Autor do feito. Considerandose a impossibilidade de comprovação, pelo lado dos fornecedores e da impugnante, da efetiva existência das operações descritas nas notas fiscais; que todos os emitentes das notas fiscais glosadas encontramse em endereço desconhecido e todas as notas fiscais emitidas por eles, a partir de 2000 foram consideradas inidôneas, com a publicação dos correspondentes atos declaratórios; que a decisão proferida pelo TJMG assim como o relatório do Laudo Pericial não contradiz o presente auto de infração, eis que não enfrentaram a questão de dedutibilidade de custos para apuração do lucro real; que a escrituração do pagamento da mercadoria em dinheiro, sem qualquer outro comprovante, não vincula inequivocamente a operação realizada eis que a escrituração somente faz prova a favor do contribuinte se lastreada em documentos hábeis e idôneos, concluise que as argumentações e os documentos acostados aos autos pela impugnante não foram suficientes para invalidar o procedimento fiscal. Não restando comprovadas inequivocamente as operações descritas nas notas fiscais, os seus valores devem ser adicionados ao lucro líquido para a apuração do lucro real. 3 LANÇAMENTO DECORRENTE – CSLL O lançamento de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL foi lavrado em decorrência da mesma infração que ensejou a exigência de IRPJ. Assim, considerandose que o lançamento de IRPJ foi mantido, e não tendo fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa, há de se manter também a exigência correspondente de CSLL, ante a íntima relação e causa e efeito. Diante do exposto, o lançamento reflexo deve ser mantido. 4 CONCLUSÃO Isso posto, voto por rejeitar a arguição de nulidade, e, no mérito, por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 726DF CARF MF Impresso em 20/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10680.015794/200490 Acórdão n.º 1402001.527 S1C4T2 Fl. 727 15 Fl. 727DF CARF MF Impresso em 20/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10950.907727/2011-03
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 3803-005.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 77 27 /2 01 1- 03 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907727/201103 Acórdão n.º 3803005.158 S3TE03 Fl. 78 2 decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, devidamente atualizado com base na taxa Selic, alegando que o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Segundo o então Manifestante, tratarseia, o presente caso, de tributação incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, rubricas essas não abarcadas pelo conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório, do PER, da DCOMP e de planilhas por ele elaboradas. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/12/2001 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO PELO STF. Até que haja a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, sobre matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo STF ou pelo STJ, nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, aplicase, ao caso, a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, relativamente à ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que, ainda que se superasse a questão de direito, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos e/ou livros fiscais e contábeis que Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907727/201103 Acórdão n.º 3803005.158 S3TE03 Fl. 79 3 demonstrassem a efetiva base de cálculo da contribuição, bem como as receitas que deveriam ser excluídas em razão da alegada inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado da decisão em 12 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, alegando que o indébito decorreria da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir expostos. Com base no relatório supra, constatase que, diferentemente do alegado na Manifestação de Inconformidade, quando se apontou a origem do indébito como sendo a tributação indevida incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, em desacordo com a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, em sede de recurso, o contribuinte passa a fundamentar seu direito na indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. Vale destacar que, na primeira instância, o ora Recorrente não fez qualquer referência à alegada incidência indevida da contribuição sobre o ICMS. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907727/201103 Acórdão n.º 3803005.158 S3TE03 Fl. 80 4 tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. [A] preclusão deve ser compreendida como um instituto que envolve a impossibilidade, por regra, de, a partir de determinado momento, serem suscitadas matérias no processo, tanto pelas partes como pelo próprio juiz, visandose precipuamente à aceleração e à simplificação do procedimento. Integra sempre o objeto da preclusão, portanto, um ônus processual das partes ou um poder do juiz; ou seja, a preclusão é um fenômeno que se relaciona com as decisões judiciais (tanto interlocutória como final) e as faculdades conferidas às partes com prazo definido de exercício, atuando nos limites do processo em que se verificou. 3 Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo as inovações ser afastadas por se referirem a matéria não impugnada no momento processual devido. Além disso, mesmo que a preclusão não tivesse ocorrido neste processo, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois nenhum documento hábil e idôneo foi apresentado para comprovar o direito argüido. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória se desenvolve nos limites do pedido formulado pelo sujeito passivo. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, não cabendo em processos da espécie a inversão do ônus da prova. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. 3 RUBIN, Fernando. A prevalência da justiça estatal e a importância do fenômeno preclusivo. Disponível em: http://www.ambito_juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 16 abr 2013. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907727/201103 Acórdão n.º 3803005.158 S3TE03 Fl. 81 5 Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. Dessa forma, mesmo que preclusão não houvesse, não se poderia reconhecer o direito creditório pleiteado por total ausência de prova de sua existência. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 13161.001202/2004-18
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
MULTA QUALIFICADA
Constatada a existência de fraude, cuja consequência é a redução ou omissão do pagamento de tributos, mormente quando incidem também as figuras da sonegação e do conluio, aplica-se a multa qualificada de 150%.
Recurso Especial do Procurador
Numero da decisão: 9101-001.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar propvimento ao recurspo. Vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Meigan Sack Rodrigues (suplente convocada) e Paulo Roberto Cortez (suplente convocado).
(assinado eletronicamente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente - Substituto
(assinado eletronicamente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
EDITADO EM: 05/12/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HENRIQUE PINHEIRO TORRES (Presidente - Substituto), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, JOSÉ RICARDO DA SILVA, FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, KAREM JUREIDINI DIAS, VALMAR FONSECA DE MENEZES, VALMIR SANDRI, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, PAULO ROBERTO CORTEZ (suplente convocado), MEIGAN SACK RODRIGUES (suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheira SUSY GOMES HOFFMANN, sendo substituída pelo Conselheiro PAULO ROBERTO CORTEZ (suplente convocado) e o Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, sendo substituído pela Conselheira MEIGAN SACK RODRIGUES (suplente convocada).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 MULTA QUALIFICADA Constatada a existência de fraude, cuja consequência é a redução ou omissão do pagamento de tributos, mormente quando incidem também as figuras da sonegação e do conluio, aplica-se a multa qualificada de 150%. Recurso Especial do Procurador
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar propvimento ao recurspo. Vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Meigan Sack Rodrigues (suplente convocada) e Paulo Roberto Cortez (suplente convocado). (assinado eletronicamente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente - Substituto (assinado eletronicamente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator. EDITADO EM: 05/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HENRIQUE PINHEIRO TORRES (Presidente - Substituto), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, JOSÉ RICARDO DA SILVA, FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, KAREM JUREIDINI DIAS, VALMAR FONSECA DE MENEZES, VALMIR SANDRI, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, PAULO ROBERTO CORTEZ (suplente convocado), MEIGAN SACK RODRIGUES (suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheira SUSY GOMES HOFFMANN, sendo substituída pelo Conselheiro PAULO ROBERTO CORTEZ (suplente convocado) e o Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, sendo substituído pela Conselheira MEIGAN SACK RODRIGUES (suplente convocada).
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Recurso Especial do Procurador Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar propvimento ao recurspo. Vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Meigan Sack Rodrigues (suplente convocada) e Paulo Roberto Cortez (suplente convocado). (assinado eletronicamente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente Substituto (assinado eletronicamente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. EDITADO EM: 05/12/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 12 02 /2 00 4- 18Fl. 1740DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HENRIQUE PINHEIRO TORRES (Presidente Substituto), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, JOSÉ RICARDO DA SILVA, FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, KAREM JUREIDINI DIAS, VALMAR FONSECA DE MENEZES, VALMIR SANDRI, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, PAULO ROBERTO CORTEZ (suplente convocado), MEIGAN SACK RODRIGUES (suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheira SUSY GOMES HOFFMANN, sendo substituída pelo Conselheiro PAULO ROBERTO CORTEZ (suplente convocado) e o Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, sendo substituído pela Conselheira MEIGAN SACK RODRIGUES (suplente convocada). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório do acórdão recorrido: JATOBÁ AGRICULTURA, PECUÁRIA E INDÚSTRIA S.A., já qualificada nos autos, recorre a este Egrégio Conselho de Contribuintes, de decisão que JULGOU procedente os lançamentos contra si efetuados. De acordo com a autoridade administrativa, as autuações tiveram origem em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, na qual foram constatadas omissões de receitas (receitas não contabilizadas) relativas à venda de gado à empresa coligada MuralhaPlanej. E Proj. de Eng. Ltda., nos terceiros e quarto trimestres de 2000 e nos primeiro, terceiro e quartos trimestres de 2001 (infração n° 01). Constataram, ainda, a omissão de receitas de juros remuneratórios e compensatórios recebidos do Tesouro Nacional, provenientes de Títulos da Dívida Agrária (TDAs) adquiridos de terceiros (infração n° 02), além da dedução indevida na base de cálculo do IRPJ e da CSLL de encargos e despesas desnecessárias à atividade da empresa e à manutenção da correlata fonte produtora (infração n° 03). Dessa forma, foram lavrados os Autos de Infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ, fls. 06/13) no valor de R$ 3.634.737,58, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL, fls. 22/29) no valor de R$ 1.621.032,86, à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS, fls. 34/38) no valor de R$ 376.873,56, à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS, fls. 42/46) no valor de R$ 81.655,75, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 5.714.299,75, já incluídos os acréscimos legais. Cientificada dos lançamentos em 30.12.2004, a Contribuinte apresentou, tempestivamente, em 31.01.2005, impugnação de fls. 902/989, juntando, ainda, os documentos de fls. 994/1156, alegando em síntese o que se segue: Fl. 1741DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 13161.001202/200418 Acórdão n.º 9101001.833 CSRFT1 Fl. 1.858 3 (i) Após breve relato dos fatos e fundamentos que deram origem ao presente processo, esclarece que a empresa ora autuada e a empresa Muralha Planejamento, Projeto e Engenharia Ltda., são empresas do mesmo grupo econômico (coligadas), que atuam no ramo de agropecuária, razão pela qual a contribuinte acredita ser desnecessário promover o lançamento das notas fiscais emitidas por conta das transferências realizadas aquela empresa. (ii) Prossegue afirmando que embora tenha ocorrido a emissão das correspondentes notas fiscais que serviram de base para o cálculo efetuado pela fiscalização, a transferência de gado, efetivamente realizada a empresa Muralha Planejamento, Projeto e Engenharia Ltda., deixou de ser registrada na sua contabilidade. Dessa forma, objetivando regularizar a situação, a contribuinte efetivamente baixou do seu estoque o registro de gados que foram transferidos para a empresa Muralha Planejamento, Projeto e Engenharia Ltda. (iii) Ressalta que para fins de apuração da receita envolvida na operação, foi considerado o preço de venda padronizado, o chamado "Preço de Pauta". Restaria, portanto, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, o cômputo do efetivo lucro (ou renda) obtido pela contribuinte. (iv) Aduz que nos termos do art. 153, III e do art. 195, I, "c", ambos da CF/88 e do art. 43 do CTN, o IRPJ e a CSLL incidem sobre o acréscimo patrimonial, não havendo que se falar em tributação simplesmente por conta da receita auferida. (v) Ainda nesse sentido, afirma que no momento em que seu estoque foi realizado, com a "alienação' à empresa Muralha Planejamento, Projeto e Engenharia Ltda, os valores decorrentes de tal realização não importaram, necessariamente, em lucro ou renda; pois não representaram por si só acréscimo patrimonial. (vi) Destaca que a apuração somente seria possível se, conjuntamente com a receita auferida, fossem considerados os custos decorrentes da criação e manutenção do gado objeto da operação em análise. (vii) Alega que as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, ao contrário do que entendeu o fiscal autuante, não correspondem ao somatório dos valores das notas fiscais que foram emitidas por conta da operação de transferência, uma vez que, se assim fosse, todos os custos inerentes à produção/criação dos gados estariam sendo desconsiderados. Sendo assim, requer o cancelamento dos autos de infração lavrados, ou caso assim não entendam os julgadores, seja determinada a revisão das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (viii) Insurgese também face à aplicação da multa qualificada no percentual de 150%, pois além de considerála confiscatória, afirma que esta multa prevista no art. 44, II da Lei n° 9.430/96, somente pode ser aplicada no caso de evidente intuito de fraude, Fl. 1742DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 4 o que não se verificou nos presentes autos, tendo em vista que a contribuinte sempre agiu de boafé. (ix) Ressalta, que quando da autuação, possuía no seu objeto social a produção, a industrialização e a comercialização de produtos agropecuários (dentre os quais destaca a inseminação artificial), a extração, a industrialização e a venda de madeiras, o florestamento e reflorestamento, tendo somente em 2000, adequado seu estatuto social às atividades que efetivamente vinha realizando desde 1998. Dessa forma, seu objeto social, uma vez consolidado, passou a ser de forma expressa e formalmente, a consecução da atividade de agricultura, pecuária e locação de bens imóveis. (x) Esclarece que no período fiscalização, possuía três sedes onde desempenhava a consecução da atividade de agricultura, pecuária e locação de bens imóveis, conforme expressam seu contrato social, sendo estas (i) a Fazenda Jatobá, situada no Município da Paranhos MS, unidade matriz onde são realizadas as atividades de plantio e de pecuária; (ii) Fazenda Baunilha, situada no Município de Itaquiraí MS, filial, onde também são realizadas as atividades de plantio e de pecuária; (111) Filial situada no Município de CuritibaPR, onde os diretores e gerentes realizam o trabalho de administração e consolidação das informações prestadas por seus agentes nas demais sedes, inclusive das demais atividades por ela exercidas, tal como a locação de bens imóveis. Ressalta que atualmente a matriz é na sede de Curitiba—PR. (xi) Destaca que passou a atuar no ramo imobiliário, especificamente no que tange a locação de bens imóveis, a partir de 1998, quando adquiriu bens imóveis, dentre outros, no Município de CuritibaPR (Ed. Centro Empresarial Incepa, atual Centro Empresarial Jatobá) e em São PauloSP (Ed. Margarida Igel), conforme faz prova a título exemplificativo os contratos de locação anexos. (xii) Afirma que as deduções efetuadas estão em absoluta consonância com o conceito de gastos necessários, tendo em vista que além de essenciais, referidas despesas são habituais ao tipo de atividade por ela desenvolvida. (xiii) Destaca que ao contrário do que entendeu a fiscalização, os veículos Ford Mondeo e o Jeep Cherokee Sport são efetivamente utilizados pelos seus administradores no desempenho das atividades a ela inerentes, seja na representação seja na apresentação da empresa perante terceiros e clientes, não cabendo ao Fisco a escolha dos veículos utilizados pela contribuinte. (xiv) Afirma que a pequena receita auferida no período em referência não pode ser considerada para concluir pela incompatibilidade entre os gastos com a manutenção e a depreciação de veículos, uma vez que estes podem ser depreciados em cinco anos, período total a ser considerado. (xv) Ressalta que o valor dos terrenos não foi utilizado para fins de apuração do montante de depreciação, mas somente o das edificações. Fl. 1743DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 13161.001202/200418 Acórdão n.º 9101001.833 CSRFT1 Fl. 1.859 5 (xvi) Alega que as despesas decorrentes dos imóveis locados, além de intrinsecamente relacionados à atividade da empresa, são necessárias à manutenção da fonte produtora, sendo certo que a legislação permite que sejam deduzidas as despesas necessárias ao desempenho da atividade. (xvii) Conclui a esse respeito afirmando que toda a receita de locação de bens imóveis foi integralmente tributada, razão pela qual as despesas operacionais correspondentes poderiam, como de fato foram, ser deduzidas das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. (xviii) Destaca que atendeu a todos os requerimentos formulados pela autoridade fazendária e entregou, para que fossem juntados aos autos todos os documentos que já possuía ou a que obteve acesso. (xix) Afirma que os 1.390.911 Títulos da Dívida Agrária — TDA, devidamente registrados em custódia junto ao HSBC Bamerindus S.A., agência RJ, na conformidade do que consta na petição inicial do Mandado de Segurança n° 5.386, além das cartelas anexas, compõese de título e cupons de juros custodiados na conta CETIP do HSBC e CEF. E os cupons de juros compensatórios são parte integrantes dos Títulos da Dívida Agrária, daí alguns também considerálos como títulos. (xx) Esclarece, ainda, através do Oficio n° 2085 da STN/MF, a origem dos TDAs e, também, no comprovante de depósito apresentado pelo Tesouro Nacional, consta que o pagamento de juros de TDA se deu em cumprimento aos Mandados de Segurança n° 1.110 e 1.729, tendo nestes a sua origem. (xxi) Destaca que no Mandado de Segurança impetrado perante o STJ, autuado sob o n° 1.110, foi requerida a concessão de expurgos inflacionários e juros, e, tendo sido demonstrada a origem e a propriedade dos títulos apresentados, foi pedida, também, a não incidência de . tributos. Sendo prolatada decisão pelo STJ nos seguintes termos: "Incide a atualização monetária no reajuste de títulos da dívida agrária como previsto no texto constitucional. Tratandose do próprio expropriado não há incidência de impostos sobre os títulos a serem resgatados e são devidos juros moratórios de 6% ao ano." Decisão esta que transitou em julgado em 5 de março de 1992. Não tendo sido ajuizada ação rescisória. (xxii) Dessa forma, afirma que o reconhecimento da não incidência tributária sobre os TDAs resgatados em virtude da decisão judicial proferida no mandado de segurança (n° 1.110) é definitivo e imperativo. Sendo inconstitucional a abertura de processo fiscalizatório em relação à tributação daqueles TDAs da Jatobá, por estarem protegidos pela coisa julgada. Conseqüentemente, afirma que este mesmo entendimento é aplicável aos TDAs arrolados no Mandado de Segurança n° 1.729/DF. Fl. 1744DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 6 (xxiii) Salienta que tendo havido decisão transitada em julgado reconhecendo o direito à não incidência de tributos sobre os TDAs, o objeto do novo mandado de segurança (1.729), não poderia repetir o pedido já apreciado no Mandado de Segurança n° 1.110/DF. Assim, nesse novo mandado de segurança pleiteou se tão somente o novo índice correspondente a diferença de inflação de janeiro de 1991 (13,89%), bem como os juros moratórios de 6% e compensatórios de 6%, até o efetivo resgate: (xxiv) Prossegue afirmando que a legislação tributária estabelece que o IRPJ, a CSLL, a contribuição para o PIS e COFINS constituem tributos lançados por homologação, em relação aos quais o direito da Fazenda Pública de efetuar o lançamento expira com o decurso do prazo de cinco anos (decadência), contado da data do fato gerador que, no caso dos autos, ocorreu em 1992 e 1995. Dessa forma, tendo em vista que a notificação relativa aos presentes autos de infração (IRPJ e CSLL) ocorreu somente em 30 de dezembro de 2004, já se encontrava consumada a decadência em virtude do decurso de mais de cinco anos contados da data do fato gerador de eventual tributo que se pudesse entender devido. (xxv) Destaca que o valor de R$ 3.469.885,11, recebido pela contribuinte em 06.10.1999, decorreu das decisões proferidas nos autos dos Mandados de Segurança n° 1.110 e n°1.729, que compeliram a União a pagar à contribuinte as diferenças de juros e correção sobre o valor originário das desapropriações realizadas. Decisões estas que transitaram em julgado respectivamente nos dias 05.03.1992 e 16.06.1995, conferindo lhe o direito líquido e certo de receber os expurgos inflacionários e os juros moratórios e compensatórios deferidos expressamente nos referidos mandados de segurança. (xxvi) Sendo assim, aduz que com o trânsito em julgado de tais decisões, passou a ter direito ao recebimento do valor de R$ 3,47 milhões, à época representados por títulos da dívida agrária TDAMs e TDALs, que, então, foram resgatados, ou seja, realizados pecuniariamente, parte em 1997 e parte em 1999. (xxvii) Resta claro, portanto, que a disponibilidade jurídica da renda não surgiu com a realização pecuniária em 1999, mas sim com o trânsito em julgado das decisões dos Mandados de Segurança, em 5 de março de 1992 e em 16 de junho de 1995, momento em que se deu a incidência tributária. Esclarece que o fato de não ter reconhecido contabilmente os TDAs em conta de resultado antes de seu resgate não desloca o fato gerador do tributo que teria sido gerado com o direito líquido e certo ao recebimento dos títulos. (xxviii) Ainda que se admita que os TDAs fossem tributáveis e que apenas o dinheiro tem liquidez e certeza, o fato gerador de tais tributos teria ocorrido quando do recebimento do dinheiro, ou seja, em 06.10.1999, e não em 31.12.2004. (xxix) Afirma que os títulos da dívida agrária emitidos em favor da Jatobá, em decorrência dos Mandados de Segurança, equivalem ao precatório, e o prazo de resgate protrairseá no tempo, vencendo juros e correção, fato que não retira o caráter Fl. 1745DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 13161.001202/200418 Acórdão n.º 9101001.833 CSRFT1 Fl. 1.860 7 de liquidez e certeza, quer do precatório, quer dos títulos da dívida agrária emitidos quando da sentença judicial. (xxx) Alega que o regime que se impõe ao caso é o da competência, porquanto as sentenças eram líquidas e certas, foram "quitadas" com TDAs que, pela natureza constitucional expropriatória, têm seu resgate postergado no tempo e têm cláusula de garantia de valor, constituindose em "moedaforte". (xxxi) Relativamente à contribuição para o PIS e COFINS, destaca que é aplicável o mesmo regime de apropriação de receitas aplicável ao IRPJ e à CSLL, ou seja, o regime de competência, e o fato gerador dessas contribuições é o faturamento, assim compreendido a "receita bruta", verificando se assim que a essas contribuições são aplicáveis as constatações efetuadas nos tópicos relativos ao IRPJ e à CSLL. Dessa forma, afirma que relativamente à contribuição para o PIS e à COFINS, o auto de infração lavrado não merece prosperar por já ter se consumado a decadência do direito de lançar. (xxxii) Salienta que tendo em vista que os juros compensatórios e expurgos inflacionários integram o próprio título, estes devem seguir a mesma sorte dele. É a aplicação do princípio do acessório segue a sorte do principal, motivo pelo qual os valores recebidos pela contribuinte não sofreram qualquer incidência do IRRF. (xxxiii) Aduz que os TDAs devem representar justa indenização, em valor real e, por tal motivo, não podem ser considerados passíveis de incidência tributária sob pena de violar seu valor real e a cláusula de garantia a eles inerentes por determinação constitucional e de frustrar a justa indenização. (xxxiv) Alega que não se deve fazer acepção ao fato do TDA ser próprio ou de terceiro, visto que o valor da indenização deve ser preservado. Eventual imputação sobre a indenização acarretaria maior deságio para aquele que se vê obrigado a vender seus títulos para obter recursos necessários à manutenção de sua atividade. Conclui nesse sentido, afirmando que a imunidade constitucional deve ser respeitada e interpretada de forma ampla, constituindo violação à cláusula de preservação de seu valor real a incidência tributária. (xxxv) Esclarece que os TDAs recebidos em outubro de 1999 estão relacionados em documento oficial da Secretaria do Tesouro Nacional, às fls. 504 e seguintes dos autos, havendo nesse documento, um campo discriminado como " detentor original", sendo em todos eles a contribuinte o detentor original. (xxxvi) Caso eventualmente venha a ser emitido como devido qualquer valor a título de CSLL e COFINS, entende a contribuinte que devem ser deduzidos do montante devido a título de CSLL os valores correspondentes a um terço do valor apurado a título de COFINS, deduzindose, pois, do valor a Fl. 1746DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 8 pagar a título de CSLL não só essa parcela como também a parcela correspondente à multa e aos juros de mora. (xxxvii) Também, caso venha a ser considerado devido qualquer valor a título de contribuição para o PIS e de COFINS, é mister que o referido valor, acrescido dos juros de mora, seja considerado dedutível na base de cálculo do IRPJ. (xxxviii) Finalmente, requer seja conhecida e provida à impugnação apresentada, cancelandose as exigências formuladas. À vista da Impugnação, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande MS, julgou procedentes os lançamentos efetuados. Como razões de decidir, inicialmente, consignaram que não obstante a contribuinte não tenha expressamente alegado a preliminar de inconstitucionalidade em diversos momentos argumenta que houve afronta a princípios constitucionais. Dessa forma, esclareceram os julgadores que não compete à instância administrativa fazer tal análise nos ternos do Parecer Normativo CST/SRF nº 329/1970, Parecer PGFN/CRF n° 439/1996 e Súmula n° 02 do Primeiro Conselho de Contribuintes. Quanto à omissão de receitas decorrente da transferência de gado à empresa coligada Muralha, verificaram que apesar da contribuinte alegar em sua defesa que os custos e despesas relativos ao gado transferido à coligada não foram efetivamente apropriados, não restou comprovado nos autos por meio de demonstrativos, documentos e livros suas afirmações. Ademais, a contribuinte deveria possuir escrituração fiscal e contábil de acordo com a legislação tributária e fiscal, não merecendo, portanto, qualquer reparo nesse sentido à autuação. Destacaram, ainda, que a contribuinte não contestou em nenhum momento a descrição do procedimento adotado pela empresa em relação a essas operações e aos registros pertinentes feito pelo fiscal autuante, fls. 08. Quanto à glosa efetuada a título de despesas desnecessárias à atividade da empresa, após mencionar o art. 47 da Lei n° 4.506/1965 e art. 25 da IN/SRF n° 11/96, bem como transcrever o art. 13 da Lei n° 9.249/1995, entenderam os julgadores que não restou comprovado que os veículos são intrinsecamente relacionadas com a produção ou comercialização das mercadorias da contribuinte (geração de receitas). Dessa forma, mantiveram a autuação nesse sentido. Em relação à atividade de locação de imóveis, consignaram os julgadores que apesar da contribuinte afirmar que já vinha desenvolvendo essa atividade desde 1998, apesar de somente ter alterado seu estatuto em 2000, conforme contratos de locação anexos à impugnação, tais argumentos não merecem ser acolhidos, uma vez que somente a inclusão da atividade no estatuto comprova a intenção da empresa em desenvolver determinada atividade. Fl. 1747DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 13161.001202/200418 Acórdão n.º 9101001.833 CSRFT1 Fl. 1.861 9 Dessa forma, destacaram que tanto em relação aos veículos quanto aos imóveis devese aplicar o art. 25 da IN/SRF n° 11/96, não podendo ser ampliado pelo julgador administrativo, o conceito de dedutibilidade de bens intrinsecamente relacionados com a geração de receitas (produção ou comercialização), já que claramente exaurido no mencionado artigo. Tendo em vista que a indedutibilidade das referidas despesas é estendida à base de cálculo da CSLL, nos termos da legislação invocada, verificaram que igual sorte deve colher o julgamento da referida contribuição. Destacaram que a origem dos TDAs relativos aos Mandado de Segurança n° 1110/DF, é uma importante questão a ser vencida. Nesse sentido, verificaram que na impugnação, fls. 935, a contribuinte afirma que "no Mandado de Segurança n° 1.110/DF (fls. 135), após comprovar se tratava do próprio expropriado e relacionar pormenorizadamente cada um dos TDAs de sua propriedade a Jatobá requereu...", não induz ao raciocínio de que todas as TDAs relacionadas são decorrentes ou tiveram origem em desapropriação de imóvel próprio. A expressão "após comprovar se tratava do próprio expropriado" utilizada, apenas aponta para o fato de que já houve desapropriação na qual o expropriado foi a impugnante. Isso está, segundo os julgadores, perfeitamente comprovado desde o início do processo fiscalizatório. E o complemento "e relacionar pormenorizadamente cada um dos TDAs de sua propriedade" demonstra que foram relacionados TDAs de que a impugnante era a proprietária. Ocorre que não há como se inferir ' pelas expressões utilizadas, que os TDAs relacionados são todos decorrentes da expropriação sofrida pela contribuinte. Da mesma maneira, entenderam que o citado Oficio n° 2.085 da STN/MF, não tem condão de comprovar a origem, relativamente a quem foi o expropriado original, dos TDAs que ensejaram os pagamentos efetuados pelo Tesouro Nacional em 1999. Consignaram, também, que de fato, a contribuinte era a detentora dos direitos creditórios e que estes decorreram de TDAs originados de área expropriada, esta, não necessariamente, de propriedade da contribuinte. Quanto aos Mandados de Segurança, estes, sem qualquer dúvida, foram impetrados pela. contribuinte. Não bastasse os argumento até aqui apresentados que já seriam suficientes para afastar a afirmação da contribuinte de que os TDAs relacionados nos mandados de segurança seriam todos decorrentes de recebimento de indenização por conta de desapropriação de imóvel da própria impetrante, os julgadores transcreveram, ainda, parte do "Relatório Fiscal", em que fica comprovado após troca de correspondências entre a Delegacia da Receita Federal em Dourados e a Secretaria do Tesouro Nacional e entre aquela e o INCRA (fls. 280/298), que os direitos recebidos em 1999 foram decorrentes de TDAs, entretanto muitas delas emitidas para outras pessoas (físicas ou jurídicas). Fl. 1748DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 10 Verificase que a grande maioria dos títulos relacionados nos autos dos referidos mandados de segurança não são decorrentes de desapropriação do imóvel rural localizado em Paranhos MS. Quanto à afirmação constante no documento de fls. 504/519 que o detentor original dos TDAs era a Jatobá, observaram que o Tesouro Nacional não possuía, como não possui, condições de fazer tal ateste, a menos que isso signifique somente quem é o detentor no momento da apresentação dos títulos a CETIP; nunca que se refira a quem recebeu originariamente tais títulos. Tal impossibilidade pode ser facilmente verificada no documento de fl.466. Em relação ao alcance dos acórdãos do STJ proferidos nos autos dos mandados de segurança, esclareceram que não se cogita aqui na afronta ao princípio constitucional da coisa julgada, mas apenas na interpretação dos referidos acórdãos. Nesse sentido, verificaram que no Parecer do Ministério Público consta que a contribuinte resgatou 185.560 Títulos, enquanto na exordial está consignado que não teria havido ainda nenhum resgate. Ainda a esse respeito, entenderam os julgadores que não merece ser acolhido o argumento apresentado pela contribuinte de que o acórdão proferido tem o condão de asseverar que todos os títulos relacionados nos autos da ação judicial (MS n° 1.110/DF) são decorrentes de desapropriação de imóvel próprio e, por conseqüência, que os resgates e os demais recebimentos deles decorrentes (juros e expurgos inflacionários) estão imunizados. Não pode ser outra a interpretação do acórdão, sob pena de os cumpridores da decisão estarem indo além do que foi concedido pelo acórdão proferido no "writ of mandamus". Ante o exposto, restam prejudicadas todas as legações relativas aos embargos de declaração a ação rescisória que poderiam ter sido ajuizadas mas não o foi, por absoluta desnecessidade. Ainda, dandose ao acórdão o alcance que pretende a contribuinte (reconhecimento da imunidade a todos os TDAs relacionados nos autos do processo judicial), a imunidade ocorreria somente em relação ao IRPJ, não se aplicando à CSLL, à contribuição para o PIS e à COFINS, ante ao que nele consta: "não há incidência de impostos sobre os títulos a serem resgatados". Quanto ao momento em que ocorreu a disponibilidade jurídica da receita, ressaltaram os julgadores que não obstante em muitos casos ocorra com o trânsito em julgado de ações judiciais, como pretende demonstrar a contribuinte em seu recurso ao mencionar a Solução de Divergência COSIT n° 19/2003, existem algumas ressalvas quanto às situações que não se subsumem a ele, como por exemplo no caso de sentenças ilíquidas. Sendo assim, não obstante não restem dúvidas de que, em muitos casos, a disponibilidade jurídica da receita ocorra com o trânsito em julgado de ações judiciais, no presente caso, as sentenças proferidas nos autos do mandado de segurança não tinham o atributo da liquidez, em especial quanto ao fato de que os cálculos só foram efetuados muito tempo depois, por meio de Fl. 1749DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 13161.001202/200418 Acórdão n.º 9101001.833 CSRFT1 Fl. 1.862 11 operações complexas corno reconhece a própria contribuinte. Como visto, quanto aos juros, cujo recebimento foi o fato ensejador da autuação em tela, "sequer havia instrumentos operacionais para apurálos". Ressaltaram que as planilhas de cálculos relativas à composição do recebimento dos R$ 3.47 milhões apresentada pela contribuinte em sua impugnação, não podem ser admitidas para o efeito que pretender dar a eles. Salientaram que a contribuinte equivocase ao entender que o que existe de verdade, é a expedição de título de crédito em lugar do precatório, assim, se não fosse reconhecida à liquidez da sentença no momento do seu trânsito em julgado, na pior das hipóteses, a liquidez surgiria na data da emissão dos títulos. Isto porque, os valores dos títulos cadastrados na CETIP, mesmo em se considerando todos os expurgos (o que deu origem aos TDAM, TDAL, etc) não representa, de maneira alguma, a expressão do crédito em tela. Sendo assim, verificaram que a disponibilidade jurídica ocorreu quando do efetivo recebimento dos juros em 1999, razão pela qual foi considerada a data do fato gerador do IRPJ e da CSLL o dia 31.12.1999, e para as demais contribuições, o dia 31.10.1999. Quanto à alegação de decadência do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao recebimento dos juros de TDAs, registraram que, de acordo com o art. 43 do CTN e art. 344 do RIR/99, a apuração foi efetuada aplicandose o regime de competência. Entretanto, independentemente do regime que se aplique, os julgadores chegaram a uma mesma conclusão, qual seja, por afastar a alegação de decadência, uma vez que se aplica no caso em tela o disposto no art. 45, I da Lei 8.212/91, que fixa o prazo decadencial de 10 anos para a constituição dos créditos tributários relativos às contribuições para a seguridade social. Quanto aos lançamentos de IRPJ e CSLL, destacaram que mesmo admitindo o critério mais rigoroso para a Fazenda Pública, os lançamentos foram efetuados dentro do prazo, não tendo ocorrido à decadência. Tratandose as contribuições de PIS e COFINS de lançamentos reflexos, como reconhece a própria autuada em sua impugnação, aplicaram o mesmo entendimento referente ao IRPJ e para a CSLL. Quanto à alegação de ampla imunidade relativa aos TDAs, os julgadores transcreveram o disposto no art. 184, § 5° da CF/88, bem como o art. 250 do RIR/99, para então esclarecer que tal imunidade cingese aos casos em que o próprio expropriado é o detentor do título resgatado ou do qual originou os juros ou outros rendimentos, não se estendendo a terceiros a imunidade. Nesse mesmo sentido é o entendimento do STF (Recurso Extraordinário 169.628/DF). Fl. 1750DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 12 Quanto ao Parecer da Consultoria Geral da República, cujo entendimento foi transcrito em parte pela contribuinte (fls. 980/981), verificaram que nele não consta menção a terceiros, não podendo a contribuinte valerse de tal entendimento, uma vez demonstrado que os títulos ensejadores dos juros recebidos em 1999 não têm origem na desapropriação do imóvel em Paranhos/MS. Verificaram os julgadores que a alegação da contribuinte de que seria passível de tributação apenas eventual ganho de capital ocorrido em virtude da suposta negociação dos títulos, carece de sustentação ante o lançamento ter ocorrido em face do recebimento de juros remuneratórios, não abrangidos pela imunidade como já mencionado. Quanto a dedutibilidade de tributos para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, entenderam que esse direito só pode ser exercido em relação aos valores constantes na escrituração contábil e, ainda, desde que devidamente declarados pelo contribuinte, não se adequando, portanto, às situações de lançamento decorrente de ação fiscal. Na verdade é condição para dedutibilidade de tributos na apuração do lucro líquido que eles tenham sido previamente provisionados na contabilidade. Corroborado esse entendimento transcreveram jurisprudência do Conselho dos Contribuintes. Sendo assim, concluíram que não é cabível a retificação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL de modo a se considerar a dedutibilidade de contribuições lançadas de oficio. Quanto à aplicação da multa qualificada, prevista no art. 44, II da Lei n° 9.430/96, aplicada sobre a infração relativa à omissão de receitas provenientes da venda de gado a empresa coligada, consignaram que restou comprovado nos autos o evidente intuito de fraude da contribuinte que dolosamente e reiteradamente praticou o delito, razão pela qual mantiveram a multa no percentual de 150%, não podendo a administração pública deixar de aplicar tal dispositivo sob a alegação de efeito confiscatório, competência esta exclusiva do Poder Judiciário. Em relação aos lançamentos reflexos, no que couberem, os julgadores aplicaram as mesmas razões de decidir do lançamento principal. Pelas razões acima expostas é que a 2ª . Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande MS, rejeitou as preliminares de inconstitucional idade e decadência e, no mérito, julgou procedentes os lançamentos efetuados. Intimada da decisão de primeira instância em 09.07.2007, fl. 1206, a contribuinte recorreu a este E. Conselho de Contribuintes em 07.08.2007, tempestivamente, às fls. 1209/1296, alegando em síntese o que se segue: Após breve relato dos fatos e fundamentos que deram origem ao presente processo, destaca que o seguimento do presente recurso voluntário independe do arrolamento de bens e direitos de acordo com decisão proferida pelo STF na Adin n° 1976, que Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 13161.001202/200418 Acórdão n.º 9101001.833 CSRFT1 Fl. 1.863 13 declarou a inconstitucionalidade do art. 33, §2° do Decreto n° 70.235/72. Prossegue afirmando que em respeito ao art. 34, §1° do novo Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, bem como para evitar decisões divergentes sobre a mesma matéria para o mesmo contribuinte, fazse necessário que o recurso voluntário ora apresentado seja julgado pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, tendo em vista que esta Câmara já prolatou decisão nos autos do Processo n° 13161.000772/2004 82, ou caso assim não entendam, seja julgado pela Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes que julgou o Processo Administrativo n° 13161.000281/200431. Quanto à suposta omissão de receita decorrente da venda de gado para empresa coligada, esclarece que a empresa ora autuada e a empresa Muralha Planejamento, Projeto e Engenharia Ltda., são empresas do mesmo grupo econômico (coligadas), que atuam no ramo de agropecuária e que as operações efetuadas entre elas tiveram cunho eminentemente gratuito, sem visar à obtenção de qualquer receita, a qualquer título, somente sendo acompanhada de nota fiscal, considerando o chamado Preço de Pauta, em função da exigência do Estado do Mato Grasso do Sul quanto à questão fitosanitário. Prossegue afirmando que nos termos do art. 153, III e do art. 195, I, "c", ambos da CF/88 e do art. 43 do CTN, o IRPJ e a CSLL incidem sobre o acréscimo patrimonial, não havendo que se falar em tributação simplesmente por contada receita auferida. Ademais, destaca que não houve qualquer entrada de recursos decorrentes destas operações, o que como visto é fato preponderante para a incidência dos tributos exigidos. Nesse sentido, requer a realização de diligência para confirmar as suas alegações. Insurgese, ainda, face à aplicação da multa qualificada no percentual de 150% incidente sobre a omissão de receita referente a venda de gado para empresa coligada, pois além de considerála confiscatória, afirma que esta multa prevista no art. 44, II da Lei n° 9.430/96, somente pode ser aplicada no caso de evidente intuito de fraude, o que não se verificou nos presentes autos, tendo em vista que a contribuinte sempre agiu de boafé. Caso se entenda que as transferências de gado para a empresa coligada geraram receita tributável, o que a contribuinte admite apenas para argumentar, afirma que nunca houve fraude nestas operações, estando todas as transferências respaldadas através de notas fiscais. Nesse sentido, alega que se houve algum erro foi o de não ter oferecido a tributação à suposta "receita" da transferência do gado, e não o cometimento de fraude. Não acarretando a aplicação da multa no percentual de 150% a simples omissão de receita, conforme jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes. Além de que a fraude não se presume, razão pela qual requer seja imediatamente cancelada a Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 14 multa aplicada no percentual de 150%. Quanto à suposta omissão de receita decorrente das despesas consideradas desnecessárias para a atividade da empresa pela fiscalização, ressalta a contribuinte que esta meteria já foi apreciada pelo E. Conselho de Contribuinte (Processo n° 13161.000281/2004 31), sendo proferida decisão favorável a empresa, fls. 1455. Dessa forma, requer a aplicação da decisão consignada no acórdão nº 10708.400, sob pena de haver decisões administrativas distintas sobre a mesma matéria. Não obstante a necessária aplicação integral da decisão proferida nos autos. do referido processo administrativo, a contribuinte reafirma os argumentos apresentados quando de sua impugnação para afastar a glosa referente à omissão de receita decorrente dos valores recebidos da locação de bens imóveis. Dessa forma, ressalta que quando da autuação, possuía no seu objeto social a produção, a industrialização e a comercialização de produtos agropecuários (dentre os quais destaca a inseminação artificial), a extração, a industrialização e a venda de madeiras, o florestamento e reflorestamento, tendo somente em 2000, adequado seu estatuto social às atividades que efetivamente vinha realizando desde 1998. Ou seja, seu objeto social, uma vez consolidado, passou a ser de forma expressa e formalmente, a consecução da atividade de agricultura, pecuária e locação de bens imóveis. Esclarece que no período fiscalizado, possuía três sedes onde desempenhava a consecução da atividade de agricultura, pecuária e locação de bens imóveis, conforme expresso em seu contrato social, sendo estas (i) a Fazenda Jatobá, situada no Município de ParanhosMS, unidade matriz onde são realizadas as atividades de plantio e de pecuária; (ii) Fazenda Baunilha, situada no Município de ItaquiraíMS, filial, onde também são realizadas as atividades de plantio e de pecuária; (iii) filial situada no Município de CuritibaPR, onde os diretores e gerentes realizam o trabalho de administração e consolidação das informações prestadas por seus agentes nas demais sedes, inclusive das demais atividades por ela exercidas, tal como a locação de bens imóveis. Ressalta que atualmente a matriz é na sede de Curitiba—PR. Destaca que passou a atuar no ramo imobiliário, especificamente no que tange a locação de bens imóveis, a partir de 1998, quando adquiriu bens imóveis, dentre outros, no Município de CuritibaPR (Ed. Centro Empresarial Incepa, atual Centro Empresarial Jatobá) e em São PauloSP (Ed. Margarida Igel), conforme faz prova a título exemplificativo os contratos de locação anexos. Afirma, portanto, que as deduções efetuadas estão em absoluta consonância com o conceito de gastos necessários, tendo em vista que além de essenciais, referidas despesas são habituais ao tipo de atividade por ela desenvolvida. Quanto às despesas inerentes aos veículos Ford Mondeo e o Jeep Cherokee Sport, destaca que ao contrário do que entendeu Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 13161.001202/200418 Acórdão n.º 9101001.833 CSRFT1 Fl. 1.864 15 a fiscalização, os referidos veículos são efetivamente utilizados pelos seus administradores no desempenho das atividades a ela inerentes, seja na representação seja na apresentação da empresa perante terceiros e clientes, não cabendo ao Fisco a escolha dos veículos utilizados pela contribuinte. Afirma que não obstante os julgadores de primeira instância tenham reconhecido que os veículos são utilizados em atividades administrativas, considerou equivocadamente que o rol do art. 25 da IN/SRF n° 11/96 é taxativo, admitindo apenas a dedução de despesas intrinsecamente relacionados com a geração de receitas. Sendo assim, requer à reforma da decisão, uma vez que à utilização dos referidos veículos proporcionam receitas, além de não ser o rol do art. 25 da IN/SRF n° 11/96 taxativo, conforme inclusive expresso na decisão proferida pela Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes no Julgamento do Recurso Voluntário n° 144.720 interposto pela própria contribuinte (Processo n° 13 161.000281/200431). Quanto às despesas inerentes a locação de bens imóveis, afirma que apesar de ter incluído em seu contrato social essa atividade somente em 2000, desde 1998 já desempenhava tal atividade, conforme faz prova os contratos juntados aos autos quando da sua impugnação, não podendo a fiscalização desconsiderar a verdade material dos fatos, nos ternos do art. 118 do CTN. Ressalta que a decisão recorrida é contraditória, pois ao mesmo tempo em que considera devido para fins de incidência do IRPJ e da CSLL os valores referentes à locação dos bens imóveis, os desconsidera para fins de dedução das despesas operacionais correspondentes. Observa, ainda, que os imóveis locados em 1998 permanecem locados desde aquela época, razão pela qual não merece prosperar a alegação dos julgadores de primeira instância de que a contribuinte poderia estar apenas aproveitando o bom preço para posterior revenda e não ter a efetiva intenção em realização a atividade de locação de bens imóveis. Conclui nesse sentido, afirmando que as despesas operacionais poderiam, como de fato o foram, ser deduzidas das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, tendo em vista que (i) a contribuinte desenvolve a atividade de locação de bens imóveis desde 1998; (ii) que a legislação permite que sejam deduzidas as despesas necessárias ao desempenho da atividade; (iii) que toda a receita da locação dos bens imóveis foi integralmente tributada. Entendimento este acolhido pela Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes no julgamento do Recurso Voluntário n° 144.720 (Processo n° 13161.000281/20043 1). Fl. 1754DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 16 Antes de adentrar no mérito da questão relacionada aos TDAs, demonstrando que não são passíveis de tributação os valores recebidos a título de correção monetária e juros decorrentes dos TDAs por ela detidos, decorrentes da desapropriação de terras de sua propriedade na década de setenta, a contribuinte traça um esboço fático sobre a origem dos TDAs e das respectivas recomposições monetárias. Esclarece que os valores recebidos tiveram origem nos Mandados de Segurança n°s 1.110/DF e 1.729/DF impetrados por ela. Nesse sentido, afirma que no Mandado de Segurança n° 1.110, foi requerida a concessão de expurgos inflacionários e juros, e, tendo sido demonstrada a origem e a propriedade dos títulos apresentados, foi pedido, também, a não incidência de tributos. Sendo prolatada decisão pelo STJ nos seguintes tenros: "Incide a atualização monetária no reajuste de títulos da dívida agrária como previsto no texto constitucional. Tratandose do próprio expropriado não há incidência de impostos sobre os títulos a serem resgatados e são devidos juros moratórios de 6% ao ano." Decisão esta que transitou em julgado em 5 de março de 1992. Já, no Mandado de Segurança n° 1.729/DF, fls. 159, pleiteouse tão somente o novo índice correspondente à diferença de inflação de janeiro de 1991 (13,89%), bem como os juros moratórios de 6% e compensatórios de 6%, até o efetivo resgate, sendo seu pedido concedido em 23.03.1993, com trânsito em julgado em 16.06.1995. Sendo assim, reafirma que o valor de R$ 3.469.885,11, recebido em 06.10.1999, decorreu das decisões proferidas nos autos dos Mandados de Segurança n° 1.110 e n° 1.729, que compeliram a União a pagar à contribuinte as diferenças de juros e correção sobre o valor originário das desapropriações realizadas; decisões estas que como já dito transitaram em julgado respectivamente nos dias 05.03.1992 e 16.06.1995, conferindo lhe o direito líquido e certo de receber os expurgos inflacionários e os juros moratórios e compensatórios deferidos expressamente nos referidos mandados de segurança. Alega que o presente Processo e o Processo Administrativo n° 13161.000772/200482, possuem os mesmos pressupostos fáticos e de direito, sendo o único diferencial a competência dos tributos exigidos. Ressalta que nos autos do referido processo administrativo, a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, entendeu não serem passíveis de tributação os valores recebidos a título de correção monetária e juros de mora dos TDAs vinculados aos Mandados de Segurança n°s 1.110/DF e 1.729/DF, em razão do transcurso do prazo decadencial, ou seja, pelo lapso temporal superior a 5 anos contados do trânsito em julgado das decisões proferidas nos referidos mandados de segurança. Em razão da segurança jurídica e para evitar que sejam proferidas decisões conflitantes sobre o mesmo tema, requer seja mantido aqui o mesmo entendimento. Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 13161.001202/200418 Acórdão n.º 9101001.833 CSRFT1 Fl. 1.865 17 Destaca que proferida a decisão judicial nos autos do mandado de segurança reconhecendo a não incidência de tributos sobre os TDAs a serem resgatados, transitada em julgado, sem qualquer questionamento, temse a eficácia preclusiva da decisão, nos termos do art. 474 do CPC, sendo, portanto a decisão definitiva e imperativa. Uma vez reconhecida a não tributação sobre as TDAs arroladas no Mandado de Segurança n° 1.110/DF, já protegida pela coisa julgada, via de conseqüência, o mesmo se aplica aos TDAs arrolados no Mandado de Segurança n° 1.729/DF, pois são rigorosamente os mesmos. Prossegue afirmando que a legislação tributária estabelece que o IRPJ, a CSLL, a contribuição para o PIS e COFINS constituem tributos lançados por homologação, em relação aos quais o direito da Fazenda Pública em efetuar o lançamento expira core o decurso do prazo de cinco anos (decadência), contado da data do fato gerador, nos termos do art. 150, §4° do CTN, que, no caso dos autos, ocorreu em 1992 e 1995. Não merecendo prosperar o entendimento dos julgadores de primeira instância que aplicaram o prazo decenal do art. 45 da Lei n° 8212/91 para a COFINS e o PIS. Dessa forma, tendo em vista que a notificação relativa aos presentes autos de infração (IRPJ e CSLL) ocorreu somente em 30 de dezembro de 2004, nessa época já se encontrava consumada a decadência em virtude do decurso de mais de cinco anos contados da data do fato gerador de eventual tributo que se pudesse entender devido. Sendo está questão, inclusive, já decidida nos autos do Processo n° 13161.000772/200482. Aduz que com o trânsito em julgado das decisões proferidas nos mandados de segurança passou a ter direito ao recebimento do valor de R$ 3,47 milhões, à época representados por títulos da dívida agrária TDAMs e TDALs, que, então, foram resgatados, ou seja, realizados pecuniariamente, parte em 1997 e parte em 1999. Entende, portanto, que a disponibilidade jurídica da renda não surgiu com a realização pecuniária em 1999, mas sim com o trânsito em julgado das decisões dos Mandados de Segurança, em 5 de março de 1992 e em 16 de junho de 1995, momento em que se deu a incidência tributária. Esclarece que o fato de não ter reconhecido contabilmente os TDAs em conta de resultado antes de seu resgate não desloca o fato gerador do tributo que teria sido gerado com o direito líquido e certo ao recebimento dos títulos. Esclarece, ainda, que ao contrário do que entenderam os julgadores de primeira instância, as decisões proferidas nos mandados de segurança são líquidas, pois prescindem de liquidação e de execução de sentença. Afirma que os títulos da dívida agrária emitidos em favor da Jatobá, em decorrência dos Mandados de Segurança, equivalem Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 18 ao precatório, e o prazo de resgate protrairseá no tempo, vencendo juros e correção, fato que não retira o caráter de liquidez e certeza, quer do precatório, quer dos títulos da dívida agrária emitidos quando da sentença judicial. Ainda que se admita que os TDAs fossem tributáveis e que apenas o dinheiro tem liquidez e certeza, o fato gerador de tais tributos teria ocorrido quando do recebimento do dinheiro, ou seja, em 06.10.1999, e não em 31.12.2004, tendo, portanto, mesma nessa hipótese decaído o direito da Fazenda em constituir o crédito tributário. Alega que o regime que se impõe ao caso é o da competência, porquanto as sentenças eram líquidas e certas, foram "quitadas" com TDAs que, pela natureza constitucional expropriatória, têm seu resgate postergado no tempo e têm cláusula de garantia de valor, constituindose em "moedaforte". Quanto à contribuição para o PIS e à COFINS, destaca que é aplicável o mesmo regime de apropriação de receitas aplicável ao IRPJ e à CSLL, ou seja, o regime de competência, e o fato gerador dessas contribuições é o faturamento, assim compreendida a "receita bruta", verificandose assim que a essas contribuições são aplicáveis as constatações efetuadas nos tópicos relativos ao IRPJ e à CSLL. Dessa forma, afirma que relativamente à contribuição para o PIS e à COFINS o auto de infração lavrado não merece prosperar por já ter se consumado a decadência do direito de lançar. Salienta que tendo em vista que os juros compensatórios e expurgos inflacionários integram o próprio título, estes devem seguir a mesma sorte deles. É a aplicação do princípio do acessório segue a sorte do principal, motivo pelo qual os valores recebidos pela contribuinte não sofreram qualquer incidência do IRRF. Aduz que os TDAs devem representar justa indenização, em valor real e, por tal motivo, não podem ser considerados passíveis de incidência tributária sob pena de violar seu valor real e a cláusula de garantia a eles inerentes por determinação constitucional e de frustrar ajusta indenização. Nesse sentido, transcreve excertos do Parecer Normativo n° 27/91, da Consultoria Geral da República, bem coro jurisprudência do STJ. Alega que não se deve fazer acepção ao fato do TDA ser próprio ou de terceiro, visto que o valor da indenização deve ser preservado. Eventual imputação sobre a indenização acarretaria maior deságio para aquele que se vê obrigado a vender seus títulos para obter recursos necessários à manutenção de sua atividade. Conclui nesse sentido, afirmando que a imunidade constitucional deve ser respeitada e interpretada de forma ampla, constituindo violação à cláusula de preservação de seu valor real a incidência tributária. Caso eventualmente venha a ser entendido como devido qualquer valor a título de CSLL e COFINS, entende a contribuinte que devem ser deduzidos do montante devido a título de CSLL os valores correspondentes a um terço do valor Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 13161.001202/200418 Acórdão n.º 9101001.833 CSRFT1 Fl. 1.866 19 apurado a título de COFINS, deduzindose, pois, do valor a pagar a título de CSLL não só essa parcela como também a parcela correspondente à multa e aos juros de mora, nos termos da legislação vigente à época (art. 8% §1° da Lei n° 9.718/98). Também, caso venha a ser considerado devido qualquer valor a título de contribuição para o PIS e de COFINS, é mister que o referido valor, acrescido dos juros de mora seja considerado dedutível na base de cálculo tanto do IRPJ e da CSLL, nos termos do art. 299 do RIR/99. Ao final destaca que a dedutibilidade do PIS e da COFINS na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, é também relevante no caso da suposta alienação de gado, caso venhase a entender que havia alguma receita a ser tributada naquele caso. Pelas razões expostas, requer seja reformada a decisão de primeira instância, julgando improcedente os autos de infração lavrados, ou caso assim não entendam os julgadores, seja determinada a realização de diligência. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000 e 2001 Ementa: DESPESAS NÃO LIGADAS À ATIVIDADE DA CONTRIBUINTE As despesas e os encargos não relacionados à atividade empresarial e à manutenção da fonte produtora não podem ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ. MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE Não tendo sido demonstrado nos autos que a contribuinte agiu com o evidente intuito de fraude, de modo a omitirse do pagamento do tributo , não há como imporlhe a qualificação da multa de 150 %, devendo, portanto, a multa ser reduzida para 75%. IRPJ LUCRO REAL REGIME DE RECONHECIMENTO DE RECEITAS COMPETÊNCIA Pelo regime de competência, as receitas devem ser escrituradas contabilmente quando "ganhas", independentemente de sua realização em moeda, devendo, pois, ser reconhecida no resultado da pessoa jurídica e computada na base de cálculo do tributo a partir do momento que tal ganho já for certo, líquido e o correspondente valor já possa ser exigido por qualquer meio jurídico, eis que a sua incidência, ao teor do disposto no artigo 43 do Código Tributário Nacional — CTN , se dá quando a pessoa jurídica adquiri a disponibilidade econômica ou jurídica da renda. PRAZO DECADENCIAL PARA O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO — Nos casos de lançamento por homologação , o prazo decadencial para o fisco constituir o crédito tributário via lançamento de oficio , começa a fluir a Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 20 partir da data do fato gerador da obrigação tributária , salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, caso em que o prazo começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. IRPJ CUSTO, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS Comprovado nos autos que os custos e as despesas glosados estavam intrinsecamente relacionados com as atividades da recorrente, não têm aplicação ao caso concreto às restrições constantes do art. 13, I e II, da Lei n° 9.249/95. O rol de hipóteses insertas no parágrafo único do art. 25, da IN SRF n° 11/96 não é exaustivo. LANÇAMENTOS DECORRENTES CSLL PIS COFINS A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. INCONSTITUCIONALIDADE A apreciação de inconstitucionalidade de norma tributária é matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário, conforme entendimento consolidado através da Súmula n° 02 do Primeiro Conselho de Contribuintes. TRIBUTAÇÃO REFLEXA — CSLL, PIS e COFINS Devido à relação de causa e efeito a que se vinculam ao lançamento principal, o mesmo procedimento deverá ser adotado com relação aos lançamentos reflexos, em virtude da sua decorrência. Inconformada com a decisão que por maioria de votos proveu parcialmente o recurso voluntário para desqualificar a multa de ofício aplicada no percentual de 150%, reduzindoa para 75%, a Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 1.550/1.556) interpôs recurso especial por contrariedade à lei, valendose no disposto no inciso I do art. 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, à época em vigor. O recurso foi admitido pelo presidente da 1ª Câmara da 1ª SEJUL (fls. 1.558). Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 1.572/1.585) ao recurso especial da Procuradoria, e seu próprio recurso especial (fls. 1.614/1.637), o qual foi rejeitado pelo presidente da 1ª Câmara da 1ª SEJUL (fls. 1.841/1.842) e, submetido a reexame, foilhe novamente negado seguimento por meio de despacho do presidente da CSRF (fls. 1.843). Às fls. 1.844/1.847, a contribuinte apresenta desistência parcial dos débitos objeto de recurso neste processo administrativo fiscal, tendo a autoridade fiscal deslembrado o processo para apartar tais valores (fls. 1.854) e mantendo a parte não desistida neste processo a fim ser julgado o recurso da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 13161.001202/200418 Acórdão n.º 9101001.833 CSRFT1 Fl. 1.867 21 Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão Entendo que o recurso especial é tempestivo e preenche os requisitos de admissibidliade, por isto dele conheço. Antes de entrar no mérito da questão é necessário que se esclareça que a parte que foi mantida no acórdão recorrido foi objeto de pedido de desistência (fls. 1.844 1.847), mas "apenas e tão somente em relação à exigência mantida pela 1a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, qual seja, exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre a suposta omissão de receitas provenientes da venda de gado, conforme autoriza o art. 13, § 4o,, da Portaria Conjunta PGFN/RFB", e lista os débitos, para se beneficiar do Parcelamento Especial previsto na Lei n° 11.941/09. Os débitos reconhecidos foram transferidos para outro processo (14486.000012120110), conforme Termo de Transferência de Crédito Tributário (fls. 1.853 1853). Assim o que se discute é apenas qualificação da multa e o montante decorrente da mesma, visto que o contribuinte não desistiu desta parte, conforme os documentos acima referidos. Vamos ao mérito. Os fatos que originam a discordância objeto do recurso especial são decorrentes de que o acórdão recorrido afastou a qualificadora da multa em 150% aplicada sobre as operações de venda de gado, e o recorrente entende que a multa deve ser mantida. Neste sentido o relator assim se manifestou em seu voto: De fato, conforme se depreende dos autos, nos anoscalendários em questão 2000 e 2001 , para acobertar as alienações de gado à empresa coligada Muralha Planejamento, Projeto e Engenharia Ltda., a Recorrente adotou o procedimento de registrar ditas vendas como se fossem transferências de estoques entre filiais, só vindo a escriturar corretamente corno receitas as referidas vendas de gados, tão somente a partir do ano calendário de 2002, não subsistindo, portanto, suas alegações de que as operações naqueles anos (2000 e 2001), tiveram cunho eminentemente gratuito, sem visar a obtenção de receita, a qualquer título. Estes fatos, são portanto incontroversos. Contudo o acórdão recorrido entende que: Entretanto, a despeito do procedimento acima adotado pela Recorrente, entendo que não há como subsistir a qualificação da multa de oficio de 150%, tendo em vista que não ficou caracterizado, ao meu sentir, o evidente intuito de fraude o fato de a Recorrente lançar na sua escrita contábil as vendas efetuadas a sua coligada como se transferências fossem, eis que todas as transferências encontravamse respaldadas por notas fiscais emitidas pela contribuinte, ou seja, não ficou cabalmente comprovado nos autos que a atitude da contribuinte foi realizada de forma deliberada a esconder da administração fazendária o fato gerador da obrigação tributária, ou mesmo de um erro por Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 22 ela cometido, razão porque, sou pela desqualificação da multa de oficio, reduzindoa, portanto, para o percentual de 75%. No acórdão recorrido é somente esta a fundamentação. Já a recorrente argumenta que há intuito de fraude evidente, e que "Percebe se que a contribuinte omitiu os rendimentos com a venda de gado de alta linhagem, diferenciada, utilizandose de artifícios contábeis durante reiterados anoscalendário (2000 e 2001). E tais artifícios revelam o verdadeiro intuito de burlar a tributação, utilizandose a contribuinte de empresa coligada para tanto, em verdadeiro conluio e visando os efeitos dos arts. 71/72 da Lei 4502/64, data venia." Para corroborar a tese do conluio cita o seguinte trecho do voto da DRJ: Por fim, vale ressaltar o conluio evidente entre as empresas. As "transferências" contábeis encontram correspondentes assentos nos livros da beneficiária, de modo a dar melhor veracidade a toda farsa (fls. 971101). Assim também, a movimentação real dos bovinos (NFs) foi omitida em sua contabilidade. Por fim, sustenta que o contribuinte incorreu em todas as condutas dos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964., e pede a manutenção da qualificação da multa. Em suas contrarrazões o contribuinte alega que as operações em comento tiveram "cunho eminentemente gratuito, sem visar a obtenção de receita, a qualquer título, fato que fica claro ao passo em que não houve e nunca haverá entrada de recursos na Recorrida em razão de tais operações, conforme demonstrado na Impugnação, no Recurso Voluntário e também no Recurso Especial interposto pela ora Recorrida." Alega que usou preço de pauta e emitiu as NFs por exigência da legislação do estado de MT, e que foram registradas na contabilidade. Argumenta também que a empresa Muralha depois efetivamente vendeu o gado e pagou os impostos. Refuta então o evidente intuito de fraude ou manifesta intenção (dolo). Combate a tese da Fazenda e cita legislação e alega que não houve conluio (art. 73 da Lei n. 4.502/1964). Diz não ficou demonstrada a intenção de cometer fraude. Reitera argumentos à exaustão e diz que agiu de boa fé e cita jurisprudência do CC, inclusive de multa agravada (não objeto do recurso). Ao final, reitera que "além de ser ônus do autuante a comprovação da fraude, é necessário que haja a verdadeira intenção de fraudar (o que não ocorre no presente caso)." e pede não provimento do especial da Fazenda. Primeiramente destaquese que há a concordância que as vendas de gado efetivamente ocorreram, é o que se deflui do acórdão recorrido. Se ocorreram e foram escriturados como transferência, sem o devido débito na conta caixa e baixa do estoque, há fraude fiscal. O contribuinte alega que houve transferência gratuita (que não foi), não deu prejuízo ao fisco, pois o tributo teria sido pago pela empresa Muralha quando vendeu o gado. Ocorre que são duas empresas diferentes, com contabilidades diferentes, estrutura de custos, etc diferentes, com resultados diferentes. Não se pode permitir uma contabilidade do grupo econômico apurada de maneira global, pelo menos não no sistema vigente à época., mas nunca para efeitos tributários. Tal situação fática, por si só, no meu entender configura fraude fiscal e contábil, situação que se agrava pela prática reiterada ao longo de dois anos, pois a reiteração do comportamento confirma o dolo. A intenção de não pagar os tributos pela venda do gado é evidente, e o escamoteamento da operação feito de maneira a iludir à vigilância da Administração Tributária foi o meio utilizado. A acusação é de fato de " contumaz intuito de fraude" (TVF de fls. 36). Assim, por estes motivos, entendo haver sonegação e fraude, como definidas nos artigos 71 e 72 da Lei 4.502/1964. Não é preciso demonstrar a intenção de cometer fraude, basta provar que existe (ou existiu) a fraude, pois não existe fraude culposa, o dolo é especifico e intrínseco, e a fraude, no caso, é reiterada, o que, no meu ponto de vista foi Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 13161.001202/200418 Acórdão n.º 9101001.833 CSRFT1 Fl. 1.868 23 provada com a documentação acostada aos autos e conforme demonstrada pelas autoridades fiscais autuantes. Aliás, não entender esse aspecto leva ao afastamento da multa onde há efetivamente fraude mas não houve a demonstração de teria havido "evidente intuito de fraude". Seria como ser multado por estar a 80 km/h em uma via de 60 km/h e não ser multado quando se está a 200 km/h (talvez porque seja tão rápido que não foi registrado pelo sensor eletrônico). Ocorre que o julgador não é um sensor eletrônico, e o comportamento mais grave, deve resultar, no mínimo, na mesma pena do comportamento menos grave quando houver punição para este (no caso a multa qualificada). A fraude em si será depois objeto de análise em sede ação judicial penal própria, se for o caso. O art. 44, inciso II da Lei 9.430/1996, com a redação vigente à épóca, do fato gerador estatui: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Como foi dito, "com fraude", é mais grave que "com evidente intuito de fraude". É neste sentido que a lei admite a qualificação mesmo sem se provar a fraude, basta provar que haja "evidente intuito" de cometêla. Assim se existe fraude, muito mais se justifica a qualificação. Entendese que houve sonegação, pois houve, de fato, ação dolosa tendente a impedir o conhecimento por parte da autoridade a fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza e circunstâncias materiais. Observese que a reiteração é também elemento a tipificar a qualificadora em casos que tais, conforme decisões abaixo: ACÓRDÃO CSRF n. 0105.810 (de 14/04/ 2008) Ementa: MULTA QUALIFICADA. CONDUTA CONTINUADA A escrituração e a declaração sistemática de receita menor que a real, provada nos autos, demonstra a intenção, de impedir ou retardar, parcialmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da autoridade fazendária e enquadrase perfeitamente na norma hipotética contida do artigo 71 da Lei 4.502/64, justificando a aplicação da multa qualificada”. E: ACÓRDÃO 1o CC n. 10320.469/00 MULTA MAJORADA. OMISSÃO SISTEMÁTICA E REITERADA NA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DE RECEITAS Fl. 1762DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 24 OPERACIONAIS TRIBUTÁVEIS. PERTINÊNCIA ACUSATÓRIA. Restando provada a manifesta intenção de se ocultar a ocorrência doi fato gerador dos tributos com o objetivo de se obter vantagens indevidas em matéria tirbutária, mormente quando se omite nos elementos formais acessórios receitas tributáveos de foirma sistemática e reiterada ao longo de vários exercícios sociais, sob o primado e ao sabor da clandestinidade, impõese a multa majorada consentânea com a tipicidade que se apresenta viciada. Além disto, concordase com a argumentação da recorrente, forte nos argumentos da DRJ, de que houve conluio. Assim, aplicase a multa qualificada prevista ano art. 44, II, da Lei n. 9.430/199, vigente à época. Isto posto, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES
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Numero do processo: 14367.000064/2010-46
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2005
INFORMAR FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP.
Deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há cerceamento de defesa, quando demonstrado nos autos que foi ofertada várias oportunidades para cumprir o solicitado, não havendo prejuízo à defesa da parte, nos termos do art. 5º, IV, da Constituição Federal.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF.
O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-002.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2005 INFORMAR FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP. Deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa, quando demonstrado nos autos que foi ofertada várias oportunidades para cumprir o solicitado, não havendo prejuízo à defesa da parte, nos termos do art. 5º, IV, da Constituição Federal. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
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Deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa, quando demonstrado nos autos que foi ofertada várias oportunidades para cumprir o solicitado, não havendo prejuízo à defesa da parte, nos termos do art. 5º, IV, da Constituição Federal. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 36 7. 00 00 64 /2 01 0- 46 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14367.000064/201046 Acórdão n.º 2803002.878 S2TE03 Fl. 105 2 (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14367.000064/201046 Acórdão n.º 2803002.878 S2TE03 Fl. 106 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão que manteve crédito tributário de obrigação acessória por deixar informar em GFIP fatos geradores de contribuições previdenciárias (art. 32, IV, da Lei n. 8.212/1991), no período de 01/2005 a 13/2005. A auto de infração foi cientificado em 26.03.2010. Em recurso voluntário, tempestivo, apenas recorre alegando cerceamento de defesa, pois os documentos objeto do lançamento estão estavam em poder da Polícia Federal, por ordem judicial, intempestividade do lançamento em relação ao Mandado de Procedimento Fiscal, decadência dos fatos geradores dos créditos, orientação contrária a jurisprudência e confiscatoriedade da multa. Os autos vieram à turma especial. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14367.000064/201046 Acórdão n.º 2803002.878 S2TE03 Fl. 107 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Primeiramente, não houve qualquer apontamento de nulidade do procedimento fiscal, apenas alegações genéricas. Inclusive, é pacífico na jurisprudência que extemporaneidade de Mandado de Procedimento Fiscal não afeta a validade ou gera invalidade do lançamento por si só. Não houve cerceamento de defesa, pois inclusive, como demonstrado nos autos foi ofertada várias oportunidades para cumprir o solicitado, não havendo prejuízo à defesa da parte, nos termos do art. 5º, IV, da Constituição Federal. Assim, está correto Auto de Infração, a obrigação de informar em GFIP todos as informações referentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, está prevista no art. 32, IV, da Lei n. 8.212/1991. Obrigação essa que tem natureza instrumental (art. 113, do CTN), como forma de auxiliar o controle e arrecadação tributária, mas é autônoma do cumprimento das demais obrigações. Quanto à suposta inconstitucionalidade de tal aplicação da sanção em face do principio de vedação ao confisco, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A do Regimento Interno do CARFMF. Ainda, a contribuinte não trouxe aos autos quaisquer elementos que indicassem o cumprimento, mesmo que tardio da obrigação de informar os fatos geradores em GIFP. Também, não informa e nem comprova por quais motivos a empresa não realizou tal informação. Tudo como oportuniza o art. 16, do Dec. 70235. Isso posto, voto para conhecer recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 14367.000064/201046 Acórdão n.º 2803002.878 S2TE03 Fl. 108 5 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10508.000807/2009-31
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2803-000.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora confirme que o presente processo é o objeto do pedido de desistência protocolizado dia 26.03.2013, intimando a parte para manifestar-se em 30(trinta) dias. Em caso positivo, que a desistência seja considerada válida e hábil a produzir seus efeitos, e tomem-se as devidas providências em face a mesma. Em caso negativo, que os autos retornem à presente turma especial para julgamento.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Fábio Pallaretti Calcini, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora confirme que o presente processo é o objeto do pedido de desistência protocolizado dia 26.03.2013, intimando a parte para manifestar-se em 30(trinta) dias. Em caso positivo, que a desistência seja considerada válida e hábil a produzir seus efeitos, e tomem-se as devidas providências em face a mesma. Em caso negativo, que os autos retornem à presente turma especial para julgamento. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Fábio Pallaretti Calcini, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora confirme que o presente processo é o objeto do pedido de desistência protocolizado dia 26.03.2013, intimando a parte para manifestarse em 30(trinta) dias. Em caso positivo, que a desistência seja considerada válida e hábil a produzir seus efeitos, e tomemse as devidas providências em face a mesma. Em caso negativo, que os autos retornem à presente turma especial para julgamento. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Fábio Pallaretti Calcini, Amilcar Barca Teixeira Júnior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 08 .0 00 80 7/ 20 09 -3 1 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10508.000807/200931 Resolução nº 2803000.202 S2TE03 Fl. 127 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ que manteve o lançamento de crédito tributário oriundo da incidência de contribuições previdenciárias patronais retidas mas não retidas pelo Recorrente, no período de 01/01/2009 a 31/05/2009. O recurso voluntário foi protocolizado tempestivo e veio à presente Turma Especial para apreciação. Contudo, ao ser indicado para pauta de julgamento de 30.12.2011, o nome da Recorrente foi publicado errado sem indicação de que se tratava de um Município, inclusive em desconformidade com o Cadastro Nacional de Pessoas Jurídica. Assim, os julgamento foi convertido em diligência para , solicitar à Secretaria da 3a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF/MF para que tome as devidas providências de correção do nome do Recorrente nos cadastros competentes à publicação da pauta de sessão de julgamento, de forma que a publicação seja feita com o nome correto da Recorrente: MUNICÍPIO DE WENCESLAU GUIMARÃES PREFEITURA MUNICIPAL. Realizado o solicitado, os autos retornaram para julgamento, contudo houve a juntada de pedido de desistência do recurso em razão de parcelamento concedido pela Medida Provisória n. 589/2012, protocolizado no dia 26.03.2013, mas sem qualquer indicação clara dos autos os quais são objetos do pedido de parcelamento e desidência. É o relatório. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10508.000807/200931 Resolução nº 2803000.202 S2TE03 Fl. 128 3 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato Relator Observase que houve a protocolo de pedido de desistência do recurso em razão de parcelamento concedido pela Medida Provisória n. 589/2012, no dia 26.03.2013, mas sem qualquer indicação clara dos autos do contencioso administrativo tributário que são objetos do pedido de parcelamento e desidência. A desistência do contencioso administrativo é direito subjetivo do contribuinte, contudo, a falta de indicação clara de quais processos está desistindo, pode ser uma ameaça ao seu direito. Isso posto, converto o seguinte julgamento em diligência para que a autoridade preparadora confirme que o presente processo é o objeto do pedido de desistência protocolizado dia 26.03.2013, intimando a parte para manifestarse em 30(trinta) dias. Em caso positivo, que a desistência seja considerada válida e hábil a produzir seus efeitos, e tomemse as devidas providências em face a mesma. Em caso negativo, que os autos retornem à presente turma especial para julgamento. É como voto. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910783/2008-92
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/04/2001
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/04/2001 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2001 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 83 /2 00 8- 92 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 65): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador30/09/2002 DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. ALTERAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO HOMOLOGADO TACITAMENTE. IMPOSSIBILIDADE. Crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento, em virtude do transcurso do lustro previsto no § 4º, art. 150 do CTN, não é passível de alteração pelo Contribuinte e nem pela Administração Tributária. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação PER/DCOMP como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Embora o contribuinte tenha retificando a Dctf após o despacho decisório, a DRJ não a admitiu, porquanto ocorrida após cinco anos do fato jurídico tributário, quando já operada a homologação tácita do pagamento. Entendeu ainda que o Darf indicado no PER/Dcomp como origem do crédito teria sido utilizado para quitar o débito confessado em Dctf; e que o contribuinte não logrou provar que a verdade material seria outra. O Recorrente, nas razões de fls. 75 e ss., alega que, após revisar os seus lançamento contábeis e declarações, verificou que o saldo devedor a título de PIS seria inferior ao que foi recolhido. Sustenta ter retificado a Dctf para que esta refletisse as informações que Fl. 204DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.910783/200892 Acórdão n.º 3802002.027 S3TE02 Fl. 204 3 constavam de seus livros fiscais. Aduz ter direito à compensação, porquanto a Dctf seria apenas um obrigação acessória imposta para a declaração dos tributos pagos; que eventuais formalidades no preenchimento de documentos fiscais não devem prejudicar a compensação; que os atos anteriores a não homologação da compensação não influem na obrigação tributária. Requer, assim, diante da liquidez e da certeza do direito de crédito, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 23/01/2012 (fls. 74), interpondo recurso tempestivo em 22/02/2012 (fls. 75). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. No presente feito, consoante destacado, a compensação não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). “COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto Fl. 206DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.910783/200892 Acórdão n.º 3802002.027 S3TE02 Fl. 205 5 nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) Fl. 207DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 No presente caso, o contribuinte limitouse a retificar a Dctf, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 208DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11030.903172/2010-86
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-001.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Solon Sehn, Paulo Sergio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Participou, em substituição, o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 31 72 /2 01 0- 86 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Solon Sehn, Paulo Sergio Celani e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Participou, em substituição, o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão n° 10 33.345, lavrado pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre, em que foi julgada improcedente a Manifestação de Inconformidade da interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. A Recorrente apresentou tempestivamente a sua Manifestação de inconformidade, ocasião em que esta alegou que a entrada em vigor da Lei 9.718/98 alterou profundamente as bases de cálculo do PIS e da COFINS, e que, dentre as principais alterações da nova lei está a majoração da alíquota da COFINS. Afirma a recorrente que suas atividades mercantis são tributadas pela COFINS, ocorrendo seu recolhimento entre fevereiro de 1999 e dezembro de 2003 com a alíquota majorada a 3%, conforme disposição da Lei 9.718/98. Alega a recorrente ainda que, antes do advento da referida norma, as contribuições eram exigidas com base na LC 70/91 (COFINS) e 07/70(PIS). Ambas incidiam sobre o faturamento das empresas, termo este entendido como o somatório das vendas de serviços, mercadorias ou da combinação de ambos (art 2º da Lei Complementar 70/91). No entanto, afirma que, além de tal majoração ser totalmente inconstitucional, pois fere os princípios constitucionais, pondera também que a Lei 9.718/98 estabeleceu nova base de cálculo para a COFINS, o que somente poderia ser feito, segundo a Constituição Federal, por meio de Lei Complementar. Ao analisar a manifestação de inconformidade, a 2ª Turma da DRJ de Porto Alegre (DRJ/POA) entendeu por unanimidade pela sua improcedência, considerando que, não havendo comprovação de pagamento indevido, não há como homologar a compensação declarada, e que a autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a inconstitucionalidade dos atos baixados pelos poderes legislativo e executivo. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS Processo nº 11030.903172/201086 Acórdão n.º 3802001.853 S3TE02 Fl. 112 3 Em seu Recurso Voluntário que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, ratificando os argumentos da sua Manifestação de Inconformidade e aduziu, ainda, que a lei 9.718/98 introduziu alterações na base de cálculo da contribuição ao PIS e que antes a contribuição era exigida com base na LC 07/70 (PIS), sendo que esta incidia sobre o faturamento do sexto mês anterior ao recolhimento. Além disso, afirma ainda a recorrente que o Governo Federal, através dos DecretosLei nº 2445/88 e nº 2449/88, modificou as alíquotas, fatos geradores e prazo de recolhimento, modificações essas prejudiciais ao contribuinte. Afirma também a recorrente que tais decretos são inconstitucionais. A Recorrente pede pela procedência de seu recurso para efetuar a compensação do montante que lhe foi indevidamente exigido pela Autoridade Fazendária, com parcelas vincendas da própria contribuição. Os autos então seguiram ao CARF para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Por intermédio de seu Recurso Voluntário, o Recorrente busca desconstituir as razões de negativa de sua manifestação de inconformidade pela instância originária, em decisão que teve como principal fundamento a ausência de comprovação do direito creditório pelo sujeito passivo. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS 4 Desde sua manifestação de inconformidade, há longa digressão acerca de inconstitucionalidades na cobrança da COFINS. Abstraindo mesmo da inovação de argumentos em sede recursal, que teriam o contraponto de ter ocorrido julgamento pelo STF em sede de repercussão geral (como os decretos 2445 e 2449), ou mesmo de repercussão geral já julgada (como o caso do aumento da base de cálculo da COFINS pela lei 9718), entendo que o recurso não deve ser provido. Isso porque, desde sua origem, o Recorrente não comprova a materialidade de seus créditos. Há, de fato, extensa e confusa argumentação sobre diversas irregularidades na cobrança da COFINS, todavia o sujeito passivo não logrou demonstrar que efetivamente efetuou recolhimentos com base em tais cobranças. A questão se mostra ainda mais nítida a partir do momento em que o Recorrente foi instado a se manifestar sobre o assunto pela DRJ, pois esta foi a razão pela negativa de acolhida à sua manifestação de inconformidade. A resposta apresentada em sede recursal para isso, ao invés de ser a apresentação do material probante, foi a suposta desnecessidade de prova, e mesmo a irregularidade das normas administrativas que exigem a demonstração de prova para compensação. Segundo o Recorrente, bastaria a apresentação da DCOMP para que a compensação se efetivasse, como se pode verificar dos seguintes excertos de seu recurso: E arremata afirmando: Fl. 57DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS Processo nº 11030.903172/201086 Acórdão n.º 3802001.853 S3TE02 Fl. 113 5 Ora, não somente as normas administrativas existem para regulamentar as leis e garantir sua fiel execução no caso dos decretos (art. 84, IV, da CRFB e art. 99 do CTN), como também o próprio CTN reconhece em atos normativos administrativos a função de norma complementar à legislação tributária (art. 100, I), como também o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao instituto da compensação, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza, na forma do art. 170, do CTN. Neste espeque, o Recorrente, mesmo instado a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que houve de fato (i) o pagamento dos DARF’s indicados no PER/DCOMP, ou (ii) mesmo que esse pagamento se deu em decorrência da inconstitucionalidade A ou B, indicada em sede de manifestação de inconformidade ou em seu Recurso Voluntário. A rigor, o mero fato de a linha argumentativa do sujeito passivo ser sinuosa, com argumentações distintas para o suposto crédito a ser compensado, já denota ausência de liquidez e certeza do crédito, a teor do art. 170 do CTN – lei complementar que dispõe sobre normas gerais em matéria de legislação tributária. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de compensação ou ressarcimento, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser compensado no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a compensação pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 58DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS 6 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROS O RIOS
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Numero do processo: 12782.000006/2010-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3201-000.418
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por UNANIMIDADE de votos, em converter os autos em diligência.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por UNANIMIDADE de votos, em converter os autos em diligência. JOEL MIYAZAKI Presidente CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Adriana Oliveira e Ribeiro e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Ausente, justificadamente, o conselheiro Daniel Mariz Gudino. RELATÓRIO e VOTO Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo baixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 1.460.676,09 (hum milhão quatrocentos e sessenta mil seiscentos e setenta e seis reais e nove centavos) referente a multa prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/2007. De acordo com a descrição dos fatos do Auto de Infração este procedimento fiscal (que teve como foco as importações registradas pela empresa ABC INDUSTRIAL DA BAHIA LTDA, ora impugnante, nas operações identificadas, de fato, como realizadas por conta e ordem da empresa MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA, CNPJ RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 27 82 .0 00 00 6/ 20 10 -9 6 Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 12782.000006/201096 Resolução nº 3201000.418 S3C2T1 Fl. 1.805 2 04.867.975/0001721, beneficiando o Grupo MUDE/CISCO) teve início como resultado nas investigações propiciadas pelo Procedimento Criminal Diverso n° 2005.61.0092851, em curso na Quarta Vara Federal Criminal na Ia Subseção Judiciária de São PauloSP, através do qual os Escritórios de Pesquisa e Investigação da 5a e 8a Regiões Fiscais da Receita Federal do Brasil designaram servidores para atuar na investigação criminal. Consta que o grupo MUDE/CISCO usava informar à Receita Federal, por intermédio de importadoras "interpostas", que os equipamentos de telecomunicações importados (hardwares) estavam desprovidos de softwares. Entretanto, documentos e planilhas encontrados (controles dos processos de importação), como também laudo pericial elaborado pela Polícia Federal (ANEXO 02), demonstram que os softwares acompanhavam os hardwares e que os valores dos mesmos não eram declarados nos documentos instrutivos da importação. Destacou a fiscalização que os valores inicialmente declarados (subfaturados) pelo importador nos itens identificados como subfaturados não correspondiam àqueles efetivamente praticados, reduzidos mediante fraude. Passou à apuração da diferença de valor ocultada pelo subfaturamento, adicionando tal diferença aos valores das transações inicialmente declarados. O resultado desta adição é a base e cálculo para a aplicação da referida multa. Cabe, para fiquem bem esclarecidos os fatos, a descrição de parte do Relatório de Auditoria Fiscal Volume I: "Os elementos analisados nesta fiscalização são decorrentes, em sua maior parte, de documentos e arquivos magnéticos aprendidos em 16 de Outubro de 2007 pela Polícia Federal, em cumprimento de diversos Mandados de Buscas e Apreensões (MBA) emitidos pela Justiça Federal motivados por investigação, realizada pela Receita Federal em conjunto com a Polícia Federal, de uma organização dedicada à prática de diversas fraudes, inclusive em operações de comércio exterior. Os procedimentos de investigação conduzidos sob a denominação de "OPERAÇÃO PERSONA " iniciaramse em 2006 e culminaram com a deflagração de uma grande operação ostensiva em vários endereços comerciais e residenciais em diversos estados. .../... O presente procedimento fiscal teve como foco as importações pela empresa ABC INDUSTRIAL DA BAHIA LTDA, CNPJ 05.110.380/000130, nas operações identificadas, de fato, como realizadas por conta e ordem da empresa MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA, CNPJ 04.867.975/000172, beneficiando o Grupo MUDE/CISCO. .../... Com o objetivo de reduzir a base de cálculo do imposto de importação, o grupo simulava efetuar a separação dos hardwares de seus Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 12782.000006/201096 Resolução nº 3201000.418 S3C2T1 Fl. 1.806 3 softwares, visando recolher menos tributos vinculados à Importação de Mercadorias Estrangeiras. A análise dos documentos permitiu a identificação e quantificação das operações realizadas, bem como a perfeita caracterização dos elementos de fato das reais operações comerciais. .../... Assim, a presente auditoria tratou de proceder à vinculação das operações de importação registradas no SISCOMEX (Sistema Integrado de Comércio Exterior, utilizado pela Receita Federal do Brasil) com as efetivas compras efetuadas pelo Grupo MUDE/CISCO, apropriandose àquelas os elementos de fato das operações comerciais. Dessa forma, o presente trabalho de auditoria seguiu as etapas abaixo discriminadas: Recuperação das Declarações de Importação (DI) registradas no SISCOMEX em nome da empresa ABC INDUSTRIAL DA BAHIA LTDA, nas operações que identificamos como realizadas por conta e ordem da empresa MUDE COMERCIO E SERVIÇOS LTDA, em beneficio do Grupo MUDE/CISCO, a partir da vigência da multa prevista no art. 33 da Lei 11.488/2007; Identificação dos elementos de prova de subfaturamento vinculando as operações efetuadas pela empresa ABC INDUSTRIAL DA BAHIA LTDA com a real adquirente MUDE COMERCIO E SERVIÇOS LTDA; Apuração dos preços efetivamente praticados, a partir das invoices emitidas pela empresa CISCO, no exterior; Determinação da base de cálculo para aplicação da multa prevista no art. 33 da Lei 11.488/2007; Caracterização da solidariedade entre importador efetivo e demais responsáveis pessoas físicas.” O GRUPO K/E é comandado por CID GUARDIA FILHO, CPF n° 037.619.00864, conhecido como "KIKO" e ERNÂNI BERTINO MACIEL, CPF 239.033.84704, Auditor Fiscal da Receia Federal do Brasil AFRFB, aposentado. Pelo material obtido em interceptação autorizada judicialmente, é possível constatar o controle, por este GRUPO, de diversas pessoas jurídicas. O GRUPO K/E era responsável pelas IMPORTADORAS E DISTRIBUIDORAS INTERPOSTAS sediadas no Brasil. Estas empresas tinham como função (I) ocultar o REAL ADQUIRENTE (MUDE LTDA) e o BENEFICIÁRIO (CISCO BRASIL), (II) propiciar redução ilícita do recolhimento de tributos, notadamente o IPI e o ICMS. Tendo em vista o disposto no art. 124,1 da Lei n° 5.172 de 1966 (Código Tributário Nacional), foi declarada a responsabilidade solidária das seguintes pessoas: CID GUARDIA FILHO CPF 037.619.00864; ERNÂNI BERTINO MACIEL CPF 239.033.84704. Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 12782.000006/201096 Resolução nº 3201000.418 S3C2T1 Fl. 1.807 4 DA IMPUGNAÇÃO DA EMPRESA ABC INDUSTRIAL DA BAHIA LTDA. Intimada do Auto de Infração em 20/05/20101 (fl. 2), em 21/06/2010, a interessada apresentou a impugnação de fls. 1127/1143, onde alegou: no procedimento administrativo tendente à apuração de supostos ilícitos fiscais, é vedado à Administração Fiscal basearse exclusivamente em elementos de prova colhidos no âmbito do procedimento criminal, como ocorre no caso sob análise, cita decisão do STJ; a utilização de dados obtidos mediante interceptação telefônica e telemática (quebra de sigilo dos envolvidos) deve observar o disposto na Lei n° 9.296/96, que regulamenta o artigo 5o , XII, parte final, da Constituição Federal, que limita a sua utilização ao âmbito do procedimento penal; é nulo o procedimento fiscal por violação aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório; a fiscalização pretende imputar aos elementos probatórios extraídos do processo penal um caráter de verdade absoluta que não lhe é próprio, na medida em que ainda não foram submetidos ao regular contraditório no âmbito do procedimento criminal; não há, no Relatório Fiscal, uma única linha sequer abordando especificamente as operações de importação das mercadorias às quais a Fiscalização pretende exigir diferenças de tributos sobre o valor supostamente não declarado; não se pode presumir a ocorrência de determinado fato simplesmente porque em outra ocasião ele se verificou, utilizandose da chamada "prova emprestada"; não houve qualquer antecipação de recursos para a realização, pela Impugnante, das operações em tela, não se caracterizando a operação por conta e ordem de terceiros, conforme acusa a Fiscalização; o traço fundamental que distingue entre os dois tipos de operação (por conta própria e por conta e ordem) está na titularidade dos recursos empregados na operação de comércio exterior, como se verifica do disposto na Lei n° 10.637/02 que estabelece "a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001". (destacamos); a própria Fiscalização parece não se aperceber do fato de que as transferências bancárias por ela referidas nada mais são pagamentos por mercadorias devidamente entregues aos seus adquirentes. Vejase, por exemplo, o trecho do Relatório Fiscal, em que a Fiscalização afirma que "a conta da TECNOSUL é alimentada exclusivamente, por recursos oriundos da MUDE decorrentes de notas fiscais emitidos contra a mesma, sendo tão logo, transferidos para o exportador, que irá providenciar o fechamento do câmbio "; (grifou) Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 12782.000006/201096 Resolução nº 3201000.418 S3C2T1 Fl. 1.808 5 tratase de regular negócio de compra e venda de mercadorias. Sendo assim, os recursos legitimamente pertenciam à empresa vendedora das mercadorias, que deles poderia se utilizar inclusive para o fechamento do contrato de câmbio, que normalmente ocorre em momento posterior à entrega dos produtos no mercado interno; a multa prevista no art. 33 da Lei n° 11.488/2007 foi calculada pela fiscalização sobre o valor das operações declaradas ao Fisco, bem como sobre os montantes que teriam sido supostamente subfaturados; caso não seja a multa imposta integralmente cancelada, o que se admite apenas para argumentar, quando menos deverá ser determinado o seu redimensionamento, a fim de que seja excluído o valor relacionado ao suposto subfaturamento, na medida em que, além de ter sido presumido com base em provas emprestadas, o que não pode ser admitido, a Impugnante não teve qualquer participação nos atos que teriam acarretado a diminuição fraudulenta do valor das operações; as alegações da Fiscalização quanto ao suposto subfaturamento baseiamse na Declaração de Importação DI n° 07/13031594, registrada pela empresa Brastec Tecnologia e Informática Ltda., conforme fl. 149/279. Do mesmo modo, a perícia técnica que teria comprovado o "split" entre hardware e software foi realizada nas mercadorias que se encontravam no EADI de Salvador (cf. fls. 212/279), pertencentes a outra empresa, que não a Impugnante; concluise, portanto, que a Fiscalização tomou e empréstimo considerações referentes a mercadorias que não são objeto doe Auto de Infração ora impugnado. Tratase, inequivocadamente, de presunção baseada em provas emprestadas de outras operações, o que, como visto no item 3 supra, é manifestamente ilegítimo, não servindo para fundamentar a acusação de subfaturamento. Deve ser excluído do cálculo da multa, portanto, o valor equivalente ao suposto subfaturamento; todos os indícios apontados pela Fiscalização como indicadores do subfaturamento referemse, exclusivamente, à MUDE e a CISCO; além da multa objeto do auto de infração ora impugnado, a Fiscalização cominou pelo lançamento, sobre parte das operações de outras duas multas em face da ora Impugnante (processo administrativo n° 12782.000010/201054) a multa majorada de 150% sobre as diferenças de tributos supostamente devidas (art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96) cumulada com a multa de 100% sobre as supostas diferenças entre o preço declarado e o efetivamente praticado na importação (art. 88, § único, da MP n° 2.15835/01); a Fiscalização impõe várias sanções ou multas em face da Impugnante, ambas decorrentes do mesmo alegado ato ilícito. Pretende, dessa maneira, penalizar com várias penas, uma única suposta infração, configurando, sem dúvida, inaceitável, "bis in idem", aplicado às obrigações acessórias; Fl. 1809DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 12782.000006/201096 Resolução nº 3201000.418 S3C2T1 Fl. 1.809 6 as infrações, juntas, representam quase 350% do valor do suposto débito tributário. A exigência de penalidades não pode atingir proporções tão absurda; requer seja acolhida a impugnação. DA IMPUGNAÇÃO DE ERNÂNI BERTINO MACIEL Intimada do Auto de Infração em 20/05/2010 (fl.287), em 21/06/2010, a interessada apresentou a impugnação de fls. 1243/1264, onde alegou: deve ser cancelado o Termo de Sujeição Passiva Solidária, por falta de adequada motivação para a inclusão de pessoa física no pólo passivo do auto de infração; ainda que o Impugnante pudesse vir a ser considerado como "sócio de fato" da empresa autuada, o que se admite exclusivamente para efeito de argumentação, de qualquer maneira não poderia prosseguir a exigência. Isso porque o auto de infração não contempla qualquer motivação que pudesse demonstrar o preenchimento dos requisitos mínimos que autorizariam a responsabilização solidária de pessoa física por infração alegadamente cometida pela pessoa jurídica; a atribuição de responsabilidade solidária a pessoa física, em decorrência de fatos praticados pela pessoa jurídica do qual é sócio, depende da demonstração, pelo fisco, da ocorrência de uma situação de fato capaz de ensejar o interesse comum da situação que constitui o fato jurídico tributário; não consta do Relatório Fiscal, uma única linha sequer comprovando o interesse jurídico que poderia ter o Impugnante na situação ensejadora do fato jurídico tributário, o que seria essencial para fundamentar a sua inclusão no pólo passivo do auto de infração; no caso do procedimento administrativo tendente à apuração de supostos ilícitos fiscais, é vedado à Administração Fiscal basearse exclusivamente em elementos de prova colhidos no âmbito do procedimento criminal, como ocorre no caso sob análise; deve ser declarado nulo o Termo de Sujeição Passiva Solidária por violação aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório; a Fiscalização pretende imputar aos elementos probatórios extraídos do processo penal um caráter de verdade absoluta que não lhe é próprio, na medida em que ainda não foram submetidos ao regular contraditório no âmbito do procedimento criminal; verificase, ainda, que a exigência fiscal não teria condições de prosseguir, na medida em que todas as alegações da Fiscalização são genéricas, não possuindo nenhuma pertinência com as operações que são objeto do auto de infração lavrado originariamente contra a empresa ABC Industrial; o simples fato de todos os elementos probatórios colacionados pela Fiscalização não serem específicos para as operações objeto da autuação tornaos imprestáveis para a comprovação das alegações que constam do Termo de Sujeição Passiva Solidária; Fl. 1810DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 12782.000006/201096 Resolução nº 3201000.418 S3C2T1 Fl. 1.810 7 a fiscalização, sem demonstrar a mínima preocupação de apontar indícios específicos relacionados às operações em tela, optou por presumir a existência de um "modus operandi" e de um "esquema de importações fraudulentas" (nas palavras da própria Fiscalização), e, sob tal presunção, concluiu pela responsabilização solidária do ora Impugnante pelos valores imputados à empresa ABC Industrial nas operações por ela realizadas no mercado interno; não foi demonstrada a suposta vinculação do ora Impugnante especificamente com as operações objeto da autuação originaria, o que em tese poderia caracterizar hipótese de responsabilização solidária; não se pode presumir a ocorrência de determinado fato simplesmente porque em outra ocasião ele se verificou, utilizandose da chamada "prova emprestada"; a acusação é de que o Impugnante participaria do suposto esquema no pólo da importação. O termo de Sujeição Passiva Solidária ora impugnado referese a imposições relacionadas ao comércio exterior multa prevista no art. 33 d Lei n° 11.488/2007, IPI, PIS e COFINS incidentes na importação, além de multa administrativa em decorrência de alegado subfaturamento; ocorre, que a própria Fiscalização já imputou ao Impugnante a responsabilização solidária por multa regulamentar e IPI incidentes nas operações de mercado interno; de fato, em relação ao período abrangido pelo auto de infração impugnado (operações realizadas no ano de 2007), a Fiscalização lançou, em face da Mude Comércio e Serviços Ltda. (sujeito passivo) o auto de infração que deu origem ao processo administrativo n° 10803.000071/200967, por meio do qual são exigidos a multa regulamentar por entrega a consumo de mercadorias importadas irregularmente, além do IPI incidente nas operações de saída das mercadorias da MUDE com destino ao consumidor, acrescido de multa majorada (doe. 03); naquela ocasião, o Impugnante foi responsabilizado solidariamente pelos encargos impostos à MUDE em decorrência de supostas irregularidades verificadas nas operações de mercado interno (conforme Termo de Sujeição Passiva doe. 03); em outras palavras, o Impugnante foi responsabilizado solidariamente, em um primeiro momento, sob a acusação de que teria atuado conjuntamente com a MUDE nas operações de mercado interno que destinaram os produtos ao consumidor. Na sequência, o Impugnante vem a ser responsabilizado solidariamente pelas multas e tributos supostamente incidentes nas operações de importação; parece, assim, que nem a própria Fiscalização conseguiu concluir qual seria o suposto papel do Impugnante nas operações autuadas. Mesmo analisando hipoteticamente a questão, uma vez que o Impugnante não admite, em hipótese alguma, as acusações fiscais, a conclusão é uma só: ou bem ele poderia em tese ser equiparada ao importador, ou bem ele poderia em tese ser responsável pelas Fl. 1811DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 12782.000006/201096 Resolução nº 3201000.418 S3C2T1 Fl. 1.811 8 operações internas que destinaram as mercadorias ao consumidor final; o que não se pode admitir é que a ele seja imputada a responsabilidade solidária pelas multas regulamentares e pelas exigências tributárias incidentes em ambos os pólos da operação, como pretende fazer a Fiscalização; todas as alegações da Fiscalização baseiamse em meros indícios e presunções, que não emprestam sustentação às conclusões fiscais; a Fiscalização reportase a arquivos magnéticos apreendidos na sede da empresa Cider Assessoria Empresarial. Alega a Fiscalização que tais documentos demonstrariam que o Impugnante teria "controle das importações" realizadas por diversas empresas; no entanto, a própria Fiscalização reconhece que a empresa Cider Assessoria Empresarial, da qual o Impugnante é sócio, presta serviços de assessoria a diversas empresas, entre elas Brastec, Prime e ABC (conforme referido expressamente no relatório do Termo de Sujeição Passiva Solidária, em face de Ernâni Bertino Maciel). Justificase, dentro do contexto da relação existente entre as pessoas jurídicas, a existência de arquivos magnéticos de controle das operações de importação realizadas pelas contratadas, bem como de documentos envolvendo a situação jurídica das empresas. Ora, a mera prestação de serviços de assessoria, que envolvem assessoria financeira, tributária, aduaneira, planejamento, coordenação, programação, organização empresarial e controle da produção industrial" (cf. contratos juntados pela própria Fiscalização), não sustenta a conclusão da Fiscalização de que teria havido importações fraudulentas, a justificar a responsabilização solidária do ora impugnante como pretende a Fiscalização; com base em arquivos magnéticos, alega a Fiscalização que a empresa Tecnosul Distribuidora de Produtos Eletroeletrônicos Ltda, seria utilizada "para suprir o caixa da LIVON (empresa da qual são sócios ERNÂNI BERTINO MACIEL, CID GUARDIÃ FILHO e JOSE CARLOS MENDES PIRES)", sugerindo que " rendimentos auferidos pelas atividades da TECNOSUL são transferidos para que a empresa LIVON os utilizasse em suas atividades" (cf. Termo de Sujeição Passiva); caso a Fiscalização cumprido minimamente com seu dever e busca da verdade material dos fatos, como lhe determina o art. 142, do CTN, teria verificado que, ao contrário do quanto afirmou, tratase de empresas que possuem relação comercial absolutamente transparente e idônea, conforme se verifica, exemplificativamente, das notas fiscais anexas e folhas do Livro Razão da empresa Livon Indústria e Tecnologia de Eletrônico Ltda (doe. 04); quanto à empresa WKR Brasil Ltda., a qual afirma a Fiscalização "aparentemente não possuir qualquer relação comercial com a empresa "TECNOSUL", foi colacionado arquivo magnético em que constam transferências que seriam "provavelmente retiradas deste para capitalizar a sua empresa WKR", o que daria "forte indicação" de que "a empresa TECNOSUL pertence de fato ao grupo K/E, de Fl. 1812DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 12782.000006/201096 Resolução nº 3201000.418 S3C2T1 Fl. 1.812 9 propriedade de CID GUARDIA FILHO e ERNÂNI BERTINO MACIEL" (fl. Termo de Sujeição Passiva); verificase que os aportes destacados na referida planilha referemse ao pagamento de parcelas (3x R$ 30.000,00) relativas à venda de materiais da empresa WKR para a Tecnosul, como demonstra a Nota Fiscal, cuja cópia, a exemplo de outras, segue anexa (doc. 05); como se não bastasse tamanha desídia, há, ainda, transcrições de comunicações telemáticas absolutamente irrelevantes para o caso, muito embora a elas pretenda a Fiscalização emprestar a qualidade de elemento probatório da responsabilidade solidária do Impugnante; os indícios apontados pela Fiscalização, além de genéricos (não relacionados especificamente às operações autuadas) não são claros, precisos e concordantes, sendo imprestáveis para sustentar a presunção fiscal no sentido da ocorrência de interposição fraudulenta nas importações; a hipótese fática que enseja a aplicação da multa prevista no art. 33 da Lei n° 11.488/2007 somente pode ser realizada por pessoa jurídica; a Fiscalização se esforça para demonstrar que a MUDE seria a destinatária das mercadorias importadas. Entretanto, a mera presença de comprador predeterminado não caracteriza a importação por conta e ordem, conforme veio a reconhecer o artigo 11 da Lei n° 11.280/2006; os indícios reunidos pela Fiscalização não se revestem dos requisitos de gravidade, precisão e concordância, porquanto não possibilitam convencimento seguro de que as operações eram por conta e ordem da empresa autuada (MUDE) admitindo conclusões diferentes, como se demonstrou, sendo, destarte, frágeis e imprestáveis para os fins a que se destinam; requer a improcedência da exigência que lhe é imputada. DA IMPUGNAÇÃO DE CID GUARDIA FILHO Intimada do Auto de Infração em 20/05/2010 (fl.287), em 21/06/2010, a interessada apresentou a impugnação de fls. 1380/1401, onde alegou: deve ser cancelado o Termo de Sujeição Passiva Solidária, por falta de adequada motivação para a inclusão de pessoa física no pólo passivo do auto de infração; ainda que o Impugnante pudesse vir a ser considerado como "sócio de fato" da empresa autuada, o que se admite exclusivamente para efeito de argumentação, de qualquer maneira não poderia prosseguir a exigência. Isso porque o auto de infração não contempla qualquer motivação que pudesse demonstrar o preenchimento dos requisitos mínimos que autorizariam a responsabilização solidária de pessoa física por infração alegadamente cometida pela pessoa jurídica; a atribuição de responsabilidade solidária a pessoa física, em decorrência de fatos praticados pela pessoa jurídica do qual é sócio, depende da demonstração, pelo fisco, da ocorrência de uma situação Fl. 1813DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 12782.000006/201096 Resolução nº 3201000.418 S3C2T1 Fl. 1.813 10 de fato capaz de ensejar o interesse comum da sição que constitui o fato jurídico tributário; não consta do Relatório Fiscal, uma única linha sequer comprovando o interesse jurídico que poderia ter o Impugnante na situação ensejadora do fato jurídico tributário, o que seria essencial para fundamentar a sua inclusão no pólo passivo do auto de infração; no caso do procedimento administrativo tendente à apuração de supostos ilícitos fiscais, é vedado à Administração Fiscal basearse exclusivamente em elementos de prova colhidos no âmbito do procedimento criminal, como ocorre no caso sob análise; deve ser declarado nulo o Termo de Sujeição Passiva Solidária por violação aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório; a Fiscalização pretende imputar aos elementos probatórios extraídos do processo penal um caráter de verdade absoluta que não lhe é próprio, na medida em que ainda não foram submetidos ao regular contraditório no âmbito do procedimento criminal; verificase, ainda, que a exigência fiscal não teria condições de prosseguir, na medida em que todas as alegações da Fiscalização são genéricas, não possuindo nenhuma pertinência com as operações que são objeto do auto de infração lavrado originariamente contra a empresa ABC Industrial; o simples fato de todos os elementos probatórios colacionados pela Fiscalização não serem específicos para as operações objeto da autuação tornaos imprestáveis para a comprovação das alegações que constam do Termo de Sujeição Passiva Solidária; a fiscalização, sem demonstrar a mínima preocupação de apontar indícios relacionados às operações em tela, optou por presumir a existência de um "modus operandi" e de um "esquema de importações fraudulentas" (nas palavras da própria Fiscalização), e, sob tal presunção, concluiu pela responsabilização solidária do ora Impugnante pelos valores imputados à empresa ABC Industrial nas operações por ela realizadas no mercado interno; não foi demonstrada a suposta vinculação do ora Impugnante especificamente com as operações objeto da autuação originaria, o que em tese poderia caracterizar hipótese de responsabilização solidária; não se pode presumir a ocorrência de determinado fato simplesmente porque em outra ocasião ele se verificou, utilizandose da chamada "prova emprestada"; a acusação é de que o Impugnante participaria do suposto esquema no pólo da importação. O termo de Sujeição Passiva Solidária ora impugnado referese a imposições relacionadas ao comércio exterior multa prevista no art. 33 d Lei n° 11.488/2007, IPI, PIS e COFINS incidentes na importação, além de multa administrativa em decorrência de alegado subfaturamento; Fl. 1814DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 12782.000006/201096 Resolução nº 3201000.418 S3C2T1 Fl. 1.814 11 ocorre, que a própria Fiscalização já imputou ao Impugnante a responsabilização solidária por multa regulamentar e IPI incidentes nas operações de mercado interno; de fato, em relação ao período abrangido pelo auto de infração impugnado (operações realizadas no ano de 2007), a Fiscalização lançou, em face da Mude Comércio e Serviços Ltda. (sujeito passivo) o auto de infração que deu origem ao processo administrativo n° 10803.000071/200967, por meio do qual são exigidos a multa regulamentar por entrega a consumo de mercadorias importadas irregularmente, além do IPI incidente nas operações de saída das mercadorias da MUDE com destino ao consumidor, acrescido de multa majorada (doe. 03); naquela ocasião, o Impugnante foi responsabilizado solidariamente pelos encargos impostos à MUDE em decorrência de supostas irregularidades verificadas nas operações de mercado interno (conforme Termo de Sujeição Passiva doe. 03); em outras palavras, o Impugnante foi responsabilizado solidariamente, em um primeiro momento, sob a acusação de que teria atuado conjuntamente com a MUDE nas operações de mercado interno que destinaram os produtos ao consumidor. Na sequência, o Impugnante vem a ser responsabilizado solidariamente pelas multas e tributos supostamente incidentes nas operações de importação; parece, assim, que nem a própria Fiscalização conseguiu concluir qual seria o suposto papel do Impugnante nas operações autuadas. Mesmo analisando hipoteticamente a questão, uma vez que o Impugnante não admite, em hipótese alguma, as acusações fiscais, a conclusão é uma só: ou bem ele poderia em tese ser equiparada ao importador, ou bem ele poderia em tese ser responsável pelas operações internas que destinaram as mercadorias ao consumidor final; o que não se pode admitir é que a ele seja imputada a responsabilidade solidária pelas multas regulamentares e pelas exigências tributárias incidentes em ambos os pólos da operação, como pretende fazer a Fiscalização; todas as alegações da Fiscalização baseiamse em meros indícios e presunções, que não emprestam sustentação às conclusões fiscais; a Fiscalização reportase a arquivos magnéticos apreendidos na sede da empresa Cider Assessoria Empresarial. Alega a Fiscalização que tais documentos demonstrariam que o Impugnante teria "controle das importações" realizadas or diversas empresas; a própria Fiscalização reconhece que a empresa Cider Assessoria Empresarial, da qual o Impugnante é sócio, presta serviços de assessoria a diversas empresas, entre elas a ABC (conforme referido expressamente no relatório do Termo de Sujeição Passiva Solidária). Justificase, dentro do contexto da relação existente entre as pessoas jurídicas, a existência de arquivos magnéticos de controle das operações de importação realizadas pelas contratadas, bem como de documentos envolvendo a situação jurídica das empresas. Ora, a mera Fl. 1815DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 12782.000006/201096 Resolução nº 3201000.418 S3C2T1 Fl. 1.815 12 prestação de serviços de assessoria, que envolvem assessoria financeira, tributária, aduaneira, planejamento, coordenação, programação, organização empresarial e controle da produção industrial" (cf. contratos juntados pela própria Fiscalização), não sustenta a conclusão da Fiscalização de que teria havido importações fraudulentas, a justificar a responsabilização solidária do ora impugnante como pretende a Fiscalização; com base em arquivos magnéticos, alega a Fiscalização que a empresa Tecnosul Distribuidora de Produtos Eletroeletrônicos Ltda, seria utilizada "para suprir o caixa da LIVON (empresa da qual são sócios ERNÂNI BERTINO MACIEL, CID GUARDIÃ FILHO e JOSE CARLOS MENDES PIRES)" , sugerindo que "rendimentos auferidos pelas atividades da TECNOSUL são transferidos para que a empresa LIVON os utilizasse em suas atividades" (cf. Termo de Sujeição Passiva); caso a Fiscalização cumprido minimamente com seu dever e busca da verdade material dos fatos, como lhe determina o art. 142, do CTN, teria verificado que, ao contrário do quanto afirmou, tratase de empresas que possuem relação comercial absolutamente transparente e idônea, conforme se verifica, exemplificativamente, das notas fiscais anexas e folhas do Livro Razão da empresa Livon Indústria e Tecnologia de Eletrônico Ltda (doe. 04); quanto à empresa WKR Brasil Ltda., a qual afirma a Fiscalização "aparentemente não possuir qualquer relação comercial com a empresa "TECNOSUL", foi colacionado arquivo magnético em que constam transferências que seriam "provavelmente retiradas deste para capitalizar a sua empresa WKR", o que daria "forte indicação" de que "a empresa TECNOSUL pertence de fato ao grupo K/E, de propriedade de CID GUARDIA FILHO e ERNÂNI BERTINO MACIEL" (fl. Termo de Sujeição Passiva); verifícase que os aportes destacados na referida planilha referemse ao pagamento de parcelas (3x R$ 30.000,00) relativas à venda de materiais da empresa WKR para a Tecnosul, como demonstra a Nota Fiscal, cuja cópia, a exemplo de outras, segue anexa (doe. 05); como se não bastasse tamanha desídia, há, ainda, transcrições de comunicações telemáticas absolutamente irrelevantes para o caso, muito embora a elas pretenda a Fiscalização emprestar a qualidade de elemento probatório da responsabilidade solidária do Impugnante; os indícios apontados pela Fiscalização, além de genéricos (não relacionados especificamente às operações autuadas) não são claros, precisos e concordantes, sendo imprestáveis para sustentar a presunção fiscal no sentido da ocorrência de interposição fraudulenta nas importações; a hipótese fática que enseja a aplicação da multa prevista no art. 33 da Lei n° 11.488/2007 somente pode ser realizada por pessoa jurídica; a Fiscalização se esforça para demonstrar que a MUDE seria a destinatária das mercadorias importadas. Entretanto, a mera presença de comprador predeterminado não caracteriza a importação por conta Fl. 1816DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 12782.000006/201096 Resolução nº 3201000.418 S3C2T1 Fl. 1.816 13 e ordem, conforme veio a reconhecer o artigo 11 da Lei n° 11.280/2006; os indícios reunidos pela Fiscalização não se revestem dos requisitos de gravidade, precisão e concordância, porquanto não possibilitam convencimento seguro de que as operações eram por conta e ordem da empresa autuada (MUDE) admitindo conclusões diferentes, como se demonstrou, sendo, destarte, frágeis e imprestáveis para os fins a que se destinam; requer a improcedência da exigência que lhe é imputada. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em.São Paulo II, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 04/02/2010 Ementa DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE INQUISITÓRIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória, não se sujeitando, necessariamente, ao contraditório os atos lavrados nessa fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. SOLIDARIEDADE Segundo a legislação do Comércio Exterior, respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os responsáveis solidários CID GUARDIA FILHO e ERNÂNI BERTINO MACIEL, inconformados com a decisão, apresentaram, tempestivamente, recurso voluntário. Na oportunidade, reiteraram os argumentos colacionados em suas impugnações. A empresa ABC INDUSTRIAL DA BAHIA LTDA foi cientificada desta decisão por correspondência encaminhada para o endereço “Rua Silvanir F. Chaves, 528, Lauro de Freitas, Bahia”. O recurso voluntário foi apresentado pela contribuinte intempestivamente. A contribuinte, contudo, sustenta sua tempestividade, pois o acórdão recorrido teria sido encaminhado para o antigo endereço de sua sede, e o novo endereço já teria sido comunicado previamente à RFB. Fl. 1817DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 12782.000006/201096 Resolução nº 3201000.418 S3C2T1 Fl. 1.817 14 Anexa, para comprovar o alegado, protocolo de transmissão da FCPJ, solicitando a alteração de endereço entre municípios do mesmo estado, datado de 6/5/2010. Em sendo esta a situação constante dos autos, e tendo em vista que o acórdão recorrido foi enviado pela RFB em 3/8/2011, para a decisão sobre a tempestividade do recurso voluntário mostrase necessário confirmar junto à RFB a regularidade da suscitada alteração de endereço por parte da contribuinte. Desta forma, em respeito ao princípio do contraditório, voto para que se CONVERTA O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que unidade de origem informe sobre a regularidade da solicitação de alteração de dados cadastrais anexada a fls. 1803 deste processo, bem como esclareça em qual endereço a empresa ABC INDUSTRIAL DA BAHIA LTDA se declarava sediada à RFB em 3/8/2011. Após prestadas as informações acima, abrase vistas as recorrentes para que se manifestem no prazo de 10 (dez) dias, se entenderem necessário, bem como intimese a douta Procuradoria da Fazenda Nacional para que se manifeste no prazo de 10 (dez) dias, sobre o resultado desta diligência. Por fim, devem os autos retornar a este Conselheiro para prosseguimento no julgamento. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator Fl. 1818DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 28/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JOEL MIYAZAKI
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