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Numero do processo: 10680.928387/2011-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO.
As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ.
Numero da decisão: 1401-002.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 83 87 /2 01 1- 73 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10680.928387/201173 Acórdão n.º 1401002.455 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/BHE que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve o despacho decisório. O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente referente a PER/DCOMP. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a CSLL, recolhido em 24/04/2001 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade, alegando o que se segue: O crédito pleiteado tem como origem pagamento de CSLL, referente ao período de apuração de maio de 1997, realizado em razão da apuração por estimativa do regime de tributação pelo Lucro Real. Ao final do ano, apurou o saldo negativo e os valores recolhidos tornaramse indevidos e passíveis de compensação. Afirma que sua DIPJ foi homologada pela RFB, ficando evidente que a apuração do saldo negativo de CSLL abrangeu todos os recolhimentos por estimativa realizados. Acrescenta que a apuração de saldo negativo, por si só, gera o direito à compensação realizada, razão pela qual deve ela ser totalmente homologada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente uma vez que os recolhimentos foram efetuados exatamente nos valores dos débitos apurados, não caracterizando a existência de pagamento indevido ou a maior. Inconformada apresentou Recurso Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado para o reconhecimento do seu saldo creditório de CSLL. É o relatório do essencial. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10680.928387/201173 Acórdão n.º 1401002.455 S1C4T1 Fl. 4 3 Tabela do plano Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.433, de 13/04/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.907763/201196, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento indevido de CSLL estimativa mensal, referente ao período de apuração de setembro/1997, para compensação com débitos do contribuinte. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido de CSLL estimativa mensal, do período de apuração de maio de 1997, com débitos do contribuinte. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.433): "O recurso é tempestivo e apresentam os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. O Acórdão DRJ entendeu que não houve, em relação ao pedido de restituição original, a homologação tácita do direito creditório nele envolvido, como sustenta a Impugnante. Isso porque não existe para o pedido de restituição nenhum prazo legal para a homologação do correspondente crédito, por parte da Fazenda Pública. O que se tem, no § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996 (com redação da Lei n° 10.833, de 2003), é que: “o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. Ou seja, a lei prevê prazo de homologação para a compensação, e não para o crédito objeto de pedido de restituição. Vale lembrar, nesse sentido, que somente a lei é quem pode determinar prazo limite para que o interessado (seja contribuinte ou fisco) aja, por si só, no sentido de constituir o seu direito. E, como já se viu, o que há é o prazo legal para que o sujeito passivo exerça o seu direito de pleitear restituição de suposto crédito (art. 168, do CTN), mas não para que a fazenda o homologue expressamente. Entretanto, como contraponto disso, a lei impôs à Fazenda Pública o prazo de 5 (cinco) anos para homologar, ou não, expressamente a compensação declarada pelo sujeito passivo. Ocorreu, então, que o contribuinte, valendose do mesmo crédito que suponha possuir, enviou, 2007, DCOMP, para quitar débitos. Logo, o prazo de homologação dessa compensação contra a Fazenda Pública teve início em 2007; e o termo final seria em 2012. Portanto, em data posterior à do despacho decisório. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10680.928387/201173 Acórdão n.º 1401002.455 S1C4T1 Fl. 5 4 Preliminar homologação tácita. A princípio, esclareço que, no que diz respeito possibilidade da ocorrência de homologação tácita de Declaração de Compensação protocolizada em 30/03/2001, portanto anterior a Lei 10.833/03, adoto os fundamentos de precedente recente da 3a. Turma da CSRF, no sentido de que nos pedidos de compensação pendentes de apreciação pela Autoridade Administrativa, convertidos em declarações de compensação, por força da Lei nº 10.637/2002, a ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos, a contar da data da entrega da declaração de compensação. De maneira que, tendo transcorrido este prazo, homologase tacitamente a compensação declarada, sendo definitivamente extintos os débitos tributários ali contemplados, independentemente da existência ou suficiência dos direitos creditórios. Referido Acórdão n. 9303003.900, proferido em 19/05/2016, restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 EMENTA: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Estabelecese como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerandose pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Recurso Especial do Procurador Negado. Contudo, no caso em questão, os requisitos para reconhecimento da homologação tácita, não encontramse preenchidos, pois conforme descrito minuciosamente conforme relatado. Mérito. Quanto ao mérito, o acórdão DRJ restou fundamentado na inexistência de crédito recolhido indevidamente ou a maior a ser compensado. Na sua manifestação de inconformidade, o contribuinte alega, genericamente, que o seu crédito originouse de um pagamento a maior realizado em 24/04/2001, referente à CSLL (cód. 2484), cujo período de apuração era 01/09/1997. Por sua vez, a Declaração de Compensação aqui analisada indica, como origem do crédito, pagamento indevido ou a maior, discriminando DARF utilizado no recolhimento de estimativa Como se verifica, os recolhimentos foram Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10680.928387/201173 Acórdão n.º 1401002.455 S1C4T1 Fl. 6 5 efetuados exatamente nos valores dos débitos apurados (o suposto crédito postulado no presente processo referese ao período de apuração 01/09/1997). Portanto, não se caracterizou a existência de pagamento indevido ou a maior. Inexiste, pois, direito creditório a ser reconhecido para o contribuinte, como pagamento indevido ou maior, uma vez que o pagamento da estimativa foi exatamente igual ao débito apurado. Durante o recurso voluntário, afirma que encerrou o ano de 1997 com prejuízo, contudo ser oferecer maiores elementos em relação esse processo. Por isso, nego provimento ao Recurso. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.003942/2008-99
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2003 a 30/11/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-07-05T18:00:52Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-07-05T18:00:52Z; Last-Modified: 2018-07-05T18:00:52Z; dcterms:modified: 2018-07-05T18:00:52Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:8d5502c0-8fd2-4657-90aa-6a86dc77ebfe; Last-Save-Date: 2018-07-05T18:00:52Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-07-05T18:00:52Z; meta:save-date: 2018-07-05T18:00:52Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-07-05T18:00:52Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-07-05T18:00:52Z; created: 2018-07-05T18:00:52Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2018-07-05T18:00:52Z; pdf:charsPerPage: 1842; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-07-05T18:00:52Z | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10865.003942/200899 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.752 – 2ª Turma Sessão de 19 de abril de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INDUSTRIA SANTA ELIZA LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 30/11/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 39 42 /2 00 8- 99 Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10865.003942/200899 Acórdão n.º 9202006.752 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10865.003942/200899 Acórdão n.º 9202006.752 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10865.003942/200899 Acórdão n.º 9202006.752 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10865.003942/200899 Acórdão n.º 9202006.752 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10865.003942/200899 Acórdão n.º 9202006.752 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10865.003942/200899 Acórdão n.º 9202006.752 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10865.003942/200899 Acórdão n.º 9202006.752 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10865.003942/200899 Acórdão n.º 9202006.752 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 270DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13836.720016/2012-01
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 6. 72 00 16 /2 01 2- 01 Fl. 162DF CARF MF 2 Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2010, anocalendário de 2009, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 28.073,91, por falta de comprovação de pagamento, gerando um saldo de imposto de renda suplementar de R$7.192,71, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação de fls 02 e ss, juntando documentos para evidenciar as despesas. Alega, em síntese, que se trata de despesa própria e dependentes, consigna a anexação dos documentos probatórios correspondentes e requer o acolhimento da impugnação. Salienta que é sócio da empresa, que lhe paga prólabore e lucros, dos quais são retidos os valores pagos ao plano de saúde; A DRJ Brasília, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não comprovam que a despesa com o plano de saúde Porto Seguro foi ônus de fato do impugnante. Em sede de Recurso Voluntário, junta a contribuinte todos os demais documentos necessários para tentar comprovar o quanto alegado. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. bLei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13836.720016/201201 Acórdão n.º 2001000.531 S2C0T1 Fl. 3 3 (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou os todos os documentos necessários a comprovar as despesas médicas incorridas por ele relativos a plano de saúde . Salientese que demonstrou atitude colaborativa com as demandas das autoridades fiscais desde sempre. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas , nos seguintes termos: “[...] Do exposto, constatase que, para que as despesas médicas constituam dedução, fazse necessária a comprovação mediante documentação hábil e idônea da prestação dos serviços e da efetividade das despesas, limitandose a pagamentos especificados e comprovados. Para tanto, é necessário que o documento comprobatório da despesa contenha a indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de seu emitente, bem como a pessoa beneficiária e a discriminação do tipo de serviço prestado. Cabe ressaltar que é necessária a identificação dos beneficiários das despesas médicas, visto que somente são dedutíveis as despesas médicas próprias e dos dependentes. Para comprovar que os valores pagos ao plano de saúde eram retidos do contribuinte pela Vídeo Comunicações do Brasil Ltda., foi apresentado o Comprovante de Rendimentos de fls. 14, o qual indica que o titular reembolsou a empresa nos seguintes valores a título de Plano de saúde: Beneficiários Vlr R$ Titular 9.225,81 Nice Baumstein 11.699,45 Alex Baumstein 7.148,65 Em que pese o contribuinte tenha juntado o documento de fls. 14, como ele é sócio dessa fonte pagadora, entendo que essa prova não é suficiente para comprovar que o ônus das despesas médicas foi, de fato, do impugnante. Fl. 164DF CARF MF 4 Seria necessário que constasse dos autos a comprovação efetiva do reembolso realizado pelo contribuinte à empresa, como, por exemplo, os registros contábeis da empresa demonstrando que os descontos foram realizados dos rendimentos do interessado. Assim, entendo que permanece a razão da glosa, e, portanto, deve ser mantido o lançamento. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal entende que a documentação apresentada não foi suficiente para comprovar as despesas posto que não foi formada a convicção livre da autoridade fiscal. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13836.720016/201201 Acórdão n.º 2001000.531 S2C0T1 Fl. 4 5 Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na comprovação documental vasta para fins de comprovação de que a despesa médica foi ônus do contribuinte (livro caixa, informe de rendimentos, comprovantes de pagamento), entendo que deve ser DADO provimento ao pedido do Contribuinte e portanto acatada a despesa médica em questão (Porto Seguro – Seguro Saúde S/A. R$ 28.073,91). CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16707.006597/2009-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/10/2006
NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA.
O julgador não é obrigado a rebater alegações ou analisar documentos não relacionados à matéria da autuação.
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
A autoridade julgadora pode indeferir a perícia que considerar prescindível, e as diligências desnecessárias.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 2202-004.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2006 a 31/10/2006 NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA. O julgador não é obrigado a rebater alegações ou analisar documentos não relacionados à matéria da autuação. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora pode indeferir a perícia que considerar prescindível, e as diligências desnecessárias. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo.
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INEXISTÊNCIA. O julgador não é obrigado a rebater alegações ou analisar documentos não relacionados à matéria da autuação. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora pode indeferir a perícia que considerar prescindível, e as diligências desnecessárias. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 65 97 /2 00 9- 25 Fl. 225DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 1135.328, proferido pela 7a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE, que julgou procedente o lançamento, mantendo a cobrança do crédito tributário. Pela clareza, reproduzo o relatório do acórdão recorrido, na parte anterior à decisão da DRJ/REC: Temse em discussão. Auto de Infração AI lavrado para imposição de penalidade por descumprimento da obrigação prevista no art. 33, §§ 2o e 3o, da Lei 8.212/1991, com redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, c/c o art. 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Segundo o relatório de fls. 2, após constatar que as Notas Fiscais n° 001701, 001749 e 001751 não constavam no Livro de Prestação de Serviço, o auditor autuante intimou o contribuinte autuado a apresentálas, contudo, até o final do procedimento fiscal, não houve a exibição delas. O autuado também deixou de apresentar as seguintes folhas de pagamento: CEI 50.01488346/75: 01/0005 a 12/2005 (incluindo décimo terceiro salário); CEI 50.01958931/76: 08/0005 a 12/2005 (incluindo décimo terceiro salário); CEI 50.02077490/74: 11/0005 a 12/2005 (incluindo décimo terceiro salário); e CEI 50.02037627/79: 10/0005 a 12/2005 (incluindo décimo terceiro salário). A multa foi aplicada nos termos dos arts. 92 e 102, da Lei 8.212/1991, c/c os arts. 283, inciso II, alínea "j", e 373 do RPS. 0 autuado apresentou impugnação, fls. 82/136, arguindo, em síntese, que a penalidade aplicada decorre, exclusivamente, do julgamento da procedência do processo 16707.006588/200934, pelo que transcreve a impugnação deste processo, na qual afirma: I IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. BASES DE CÁLCULO NÂO RELACIONADAS AOS FATOS GERADORES. INCERTEZA E ILIQUIDEZ DO LANÇAMENTO. FATOS Fl. 226DF CARF MF Processo nº 16707.006597/200925 Acórdão n.º 2202004.554 S2C2T2 Fl. 226 3 GERADORES EQUIVOCADOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE AMPLA DEFESA As três notas fiscais citadas pelo autuante foram contabilizadas. A falta de contabilização das folhas de pagamentos referida é apenas para o ano de 2005, estando, portanto, o ano de 2006 em ordem, sendo descabido, para este ano, o arbitramento. Não foram explicitados no Relatório Fiscal os percentuais e a natureza das bases de cálculo arbitradas, não havendo indicação dos percentuais utilizados para cada obra, bem como dos documentos fiscais que embasaram o arbitramento. Requer, em preliminar, que seja determinada a elaboração de demonstrativos nos quais fiquem evidenciadas, obra a obra, a natureza de cada base de cálculo, a documentação pertinente e as alíquotas aplicadas. Só foram levados em consideração os créditos de determinada obra (cita como exemplo a obra 50.019.64708/77) do mês em que houve lançamento, desprezando os demais créditos, requerendo a revisão do lançamento em relação a todas as obras neste aspecto. A fiscalização apontou a não contabilização das folhas de pagamento das obras MS002, RJ033, RJ035 e RJ034 apenas no ano de 2005, pelo que se pode afirmar que somente existiram irregularidades nessas obras e no ano de 2005, requerendo a improcedência do arbitramento para as demais obras, no ano de 2005, e em relação a todo ano de 2006. As receitas devem ser contabilizadas quando o serviço for prestado, independentemente, de ter sido ou não emitida a nota fiscal respectiva. A fiscalização aponta os fatos geradores as receitas dos meses 09/2005, 12/2005, 01/2006 e 12/2006, enquanto, por exemplo, as NF 001674 e 001677, emitidas em 09/2005, os serviços foram prestados em janeiro/2005 e em fevereiro/2005 (cita também as NF 1702, 1703, 1704, 1705, 1706, 1707, 1708, 1709, 1710, 1719, 1718, 1750, 1797), contrariando o regime de competência. II IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO RELATIVO ÀS DIFERENÇAS ENTRE GFIP E CONTABILIZAÇÃO DOS SALÁRIOS. Não existem as diferenças consignadas pela auditoria fiscal, pois não foi levado em consideração o fato de que, nas rescisões de contrato de trabalho, existem verbas sobre as quais não incide contribuição previdenciária. Conforme documentos anexos (Obra 50.00400328/71, DOC n° 01 Obra 50.01695806/75, DOC n° 02 Obra 50.019647008/77, DOC n° 03 Obra 50.02340802/70, DOC n° 04 Obra 50.02077490/74, DOC n° 05 Obra 50.02358653/78, DOC n° 06 Obra 50.01958931/76, DOC n° 07 Obra 50.016917/76, DOC n° 09), verificase que existem verbas (saláriofamília, férias Fl. 227DF CARF MF 4 indenizadas e respectivo 1/3 constitucional) não sujeitas à contribuição previdenciária. Quanto à obra 50.02037627/79, RJ034, (sic) registrou a Auditora: CÓDIGO 50.020.37627/79 SC 011 Não conseguimos entender essa incorreção, porquanto a matrícula n° 50.02037627/79 se refere às OBRA RJ034. E, em relação à Rf033. não existem as diferenças citadas no Relatório da Auditora, às fl. 1J6, conforme planilha, fichas do Razão, Folhas de pagamento, rescisões contratuais. GPS, todas anexadas (DOC. N°08). III IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. ACRÉSCIMOS LEGAIS INDEVIDOS. A auditoria fiscal, em seu relatório, apontou que as GPS de código 263 1 tinham, no campo de incidência, data diversa da real, conforme demonstrativo, tendo recolhido o principal, mas, em função do erro das datas, sem os acréscimos devidos. Não há qualquer irregularidade, em relação a estas datas, como pode ser comprovado através dos registros do Livro Diário, anexos. Requer realização de diligência. IV IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. CORRETA CONTABILIZAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS. Houve a contabilização das NF 22939 (folha 237 do Diário, no valor de RS 661,86), 18892 (folha 237 do Diário, no valor de R$ 609,23) e 094 (folha 478 do Diário, no valor de R$ 14.734,00. Em relação à NF 18982, citada como sendo de R$ 14.734,00, é, na verdade, NF de prestação de serviço de corte e dobra de ferro, no valor de R$ 609,23, não sujeita a retenção. V COBRANÇA INDEVIDA. ITEM 7, FLS. 121/122. Houve retenção e recolhimento, em relação a (sic): CASAMATA COM. SER. LTDA: Através da NF 115, emitida em 1/4/2005, foi retida a quantia de RS 209,00. cujo recolhimento se verificou mediante GPS. N Fiscal e GPS esteio sendo anexadas, como prova; MENDONÇA E MENDONÇA: Sobre a Nota Fiscal n" 257, emitida em 21/3/2005, não foi efetuada retenção de INSS. Aquela empresa pagou à previdência social, sobre o valor dessa Nota. U B MOTA FILHO: estamos anexando a GPS, no código 2631, de RS 206.80. relativa ao INSS incidente sobre a NP' que ora juntamos como prova. Estamos anexando a documentação retro referenciada (DOC. N° 11). Requer a exclusão das quantias lançadas de forma indevida. Vi IMPROCEDÊNCIA COBRANÇA INSS SOBRE FATURAS UNIMED. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 16707.006597/200925 Acórdão n.º 2202004.554 S2C2T2 Fl. 227 5 A cobrança de 15% de INSS sobre valor de serviços prestados por cooperativa (UNIMED) é indevida, pois que a esta não é cooperativa de trabalho. VII FALTA DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS NO "RADA" REFERENTE AO ESTABELECIMENTO 08.323.347/000187. Em relação ao estabelecimento 08.323.347/000187, a fiscalização listou GPS pagas com valores incorretamente apurados, conforme quadro de fls. 113/114 e 115, pelo que requer a retificação. VIII AUSÊNCIA DE DETALHAMENTO DAS ORIGENS DAS BASES DE CÁLCULO DO LEVANTAMENTO CON SALÁRIOS ADMINISTRATIVOS DO ESTABELECIMENTO 08.323.347/000187. As diferenças apontadas entre os valores dos livros Diário 2005 e 2006 e não se referem ao estabelecimento 08.323.347/000187, pois que nenhuma foi solicitada no TIF n° 3. Ainda assim, no DD e no RL surgem cobranças no levantamento CON em relação ao dito estabelecimento, pelo que requer o saneamento do jeito, com o detalhamento dos valores lançados, a confrontação com a documentação anexada e a emissão de relatório conclusivo, conforme art. 60, parágrafo único, do Decreto 70.235/72, a fim de se estabelecer o contraditório e a ampla defesa. Anexa documentação comprobatória em relação ao estabelecimento 08.323.347/000187 (DOC n° 12). IX FALTA DE APROPRIAÇÃO DE INSS RETIDO PELA FONTE PAGADORA. A fiscalização deixou de computar no RADA créditos correspondentes aos valores do INSS retidos pela fonte pagadora, bem como sobre serviços de subempreiteiros, relativamente aos CEI: 50.02077490/74; 50.02037627/79;50.01958931/76; 50.02358653/78; 50.01695806/75; 50.02340802/70; 50.01693906/71; e 50.01964708/77. Ressalta, ainda, em relação ao CEI 50.01958931/76, que, na competência 10/2006, houve lançamento com base de cálculo no valor de R$ 95.485,28, contudo, não existiria nota fiscal emitida nesta competência relativa a esta obra. Em relação aos CEI 50.02358653/78, 50.01695806/75, deixaram de ser computados os recolhimentos referentes ao décimo terceiro salário. Foram incluídos, indevidamente, na competência 12/2005, relativamente ao CEÍ 50.01964708/77 (obra PR 033), as quantias de R$ 87.831,17; R$ 187.506,70; R$ 116.096,94; R$ 123.512,15; e R$ 129.495,20, os quais se referem à obra PR 032. Fl. 229DF CARF MF 6 X IMPROCEDÊNCIA DA COBRANÇA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE A ALIMENTAÇÃO FORNECIDA AOS EMPREGADOS. Contesta cobrança de contribuição previdenciária incidente sobre a alimentação fornecida aos funcionários, pois que a jurisprudência afasta tal incidência (transcreve texto doutrinário), bem como a Lei 6.321 não condiciona o direito (sic) à isenção ao atendimento da formalidade de inscrição no PAT. Também contesta, sem dizer o motivo, a forma de apuração das bases de cálculo das contribuições incidentes sobre tais verbas. XI CABE AO ÓRGÃO PAGADOR A CULPA PELO FATO DE ERRO NO RECOLHIMENTO QUE MOTIVOU A GLOSA DE COMPENSAÇÃO. XII IMPOSSIBILIDADE DE DEFESA EM RELAÇÃO AOS CEI 70.00125497/70 E 70.00125522/75. Não há dados mínimos indispensáveis à defesa. No DD, existem apenas valores, sem referência aos documentos que embasaram a tributação, nem aos percentuais adotados. XIII DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGENCIA. Requer a realização de diligência, em função de (sic): 1 Os Autos de Infração lavrados pela fiscalização contêm obscuridade, dúvida e omissão na determinação dos valores lançados, impossibilitando à empresa, o exercido do direito constitucional de ampla defesa, o que somente poderei esclarecido com a realização de diligência; Foram cometidos inúmeros equívocos, por parte da Auditora autuante, que somente poderão ser identificados com a realização da diligência; Créditos foram omitidos do lançamento, fato a ser resolvido com a diligência; A grande quantidade de documentos anexados implica no aprofundamento de sua análise, a cargo do diligenciante. Ainda, indicou quesitos a serem respondidos, a saber (sic): Quesito n° 01: Está correio afirmarse que a fiscalização apontou, como não contabilizadas, apenas, as folhas das Obras MS002. RJ033, RJ034 e lil035 e com relação, apenas, ao ano de 1995? Caso negativo, evidenciar o registro. Quesito n° 02: Relativamente ao ano de 2006, indicar em qual obra não houve a contabilização da folha? Se positivo, indicar asfls. do processo, em que foram consignados. Quesito n° 03: No item 9, contesta a empresa que a fiscalização não expôs, de forma clara, como foram apurados, os valores lançados, ref MOO. Elaborar demonstrativo detalhado, a respeito, indicandose, inclusive, sobre quais fatos foram Fl. 230DF CARF MF Processo nº 16707.006597/200925 Acórdão n.º 2202004.554 S2C2T2 Fl. 228 7 quantificadas as bases de cálculo, quais as deduções, quais as alíquotas aplicadas, obra por obra; Quesito n" 04: o respeito nos intes (sic) 17o 20, verificar a ocorrência c/esses fatos, obra por obra, quantificando os valores não computados e emitir parecer conclusivo, a respeito dos procedimentos da fiscalização, se corretos ou incorretos, justificando a resposta. Quesito n° 05: No tópico II, a empresa contestou as diferenças entre valores contabilizados e GFIPs, anexando vasta documentação comprobatória. Requerse sejam os documentos analisados e elaborado demonstrativo detalhado a respeito da procedência ou não das alegações da defendente, por obra, por cada rescisão e referente a cada documento juntado. Quesito n°06: No DOC. N° 12, a empresa juntou vasta documentação referente a créditos, não computados nos lançamentos, relativos ao Estabelecimento n° 08.323.347/0001 87. Pedese para conferir se os números do quadro do item ¡08 estão corretos ? Se houver alguma divergência, apontálas. detalhadamente. Emitir parecer conclusivo, a respeito do direito da empresa. Quesito n° 07: O mesmo questionamento deve ser efetuado, com relação ao contido no item III. Quesito n° 08: No tópico 1711. a empresa se insurge contra a falta de detalhamento dos valores lançados no titulo CON SALÁRIOS ADMINIS IR. Está correto o acima referido. Em caso negativo, apontar em quais jls. do processo se encontra tal detalhamento. Quesito n° 09: Nos tópicos IX. X. XI XII, XIII XIV, XV, e XVI, a empresa juntou vasta documentação comprobatória sobre os créditos, não computados pela fiscalização, no lançamento relativos a cada obra. Solicitase: a) conferir as planilhas e suas diferenças, através da documentação anexada; b) emitir parecer conclusivo, a respeito do direito da defendente; c) elaborar quadro demonstrativo desses créditos; Quesito n" 10: em relação ao quesito n° 09, pedese sejam elaborados quadros demonstrativos, nos quais fiquem evidenciados, por obra, esses créditos e seus meses de competência; Após realização da diligência, Requer seja cientificada dos seus resultados, para que se estabeleça o contraditório e a ampla defesa. A impugnação da recorrente foi julgada improcedente pela DRJ/REC, cuja decisão teve a seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2006 a 31/10/2006 Fl. 231DF CARF MF 8 AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE APRESENTAR DOCUMENTOS. CONEXÃO AO PROCESSO 16707.006588/200934. INEXISTÊNCIA. No processo ¡6707.006588/200934, são apuradas contribuições devidas à seguridade social, utilizandose método de aferição indireta, sem ter, contudo, como fundamento a infração de deixar de matricular obra de construção civil, pelo que o julgamento daquele não refletirá neste e vice e versa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi cientificada do Acórdão da DRJ/REC em 22/03/2011. Inconformada com a decisão, postou Recurso Voluntário em 20/04/2014 (fls. 160), repisando os argumentos da impugnação, e ainda nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa. É o relatório. Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Das preliminares Da nulidade do acórdão recorrido. Inocorrência Ao longo de todo o recurso voluntário a recorrente alega que teve seu direito de defesa cerceado porque a autoridade julgadora deixou de analisar documentos juntados à impugnação, e por não haver pronunciamento sobre os quesitos apresentados em impugnação. Verifico nos autos que a defesa apenas reproduziu no Recurso Voluntário as alegações apresentadas ao processo nº 16707.006588/200934. Por ter feito o mesmo em relação à impugnação, o julgador a quo entendeu que essas alegações não se aplicariam aos fatos e fundamentos que gerou a infração aqui discutida. Portanto, não vislumbro a alegada nulidade nem cerceamento de direito de defesa. Sem entrar no mérito do acerto ou não das razões do julgador de primeira instância, o acórdão recorrido contém o fundamento necessário que embasou sua decisão, pois aquele ao entender não haver alegações à infração em debate, não teria porque analisar documentos não relacionados à autuação. Da diligência. Perícia A recorrente solicita a realização de diligência, apresentando quesitos. Entretanto, não vejo necessidade para o deferimento. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 16707.006597/200925 Acórdão n.º 2202004.554 S2C2T2 Fl. 229 9 Os relatórios da infração, de aplicação da multa e seus anexos (fls. 2/5) detalham de forma clara os critérios considerados para a autuação e cálculo da multa, o que deu à recorrente todas as condições para contestar o lançamento. Por isso, o Auto de Infração apresenta os elementos para formação da convicção do julgador, sendo desnecessária a diligência nesta fase, razão pela qual indefiro o pedido por entendêlo prescindível à solução do litígio. Do mérito Há que se observar que o auto de infração foi lavrado em função de a recorrente ter deixado de apresentar as notas fiscais mencionadas pela auditoria assim como folhas de pagamento das obras. Verificase no recurso voluntário que a recorrente assevera que o julgamento deste processo depende do resultado do julgamento do processo nº 16707.006588/200934, transcrevendo o inteiro teor da impugnação apresentada aquele processo. Primeiramente, adoto como minhas as razões de decidir do acórdão recorrido quanto à inexistência de dependência entre este e o processo citado pela recorrente: [...] a alegação do autuado de que a penalidade aplicada decorre, exclusivamente, do julgamento da procedência do processo 16707.006588/200934, não prospera, haja vista que, no dito processo, também cientificado ao autuado junto com este Al em comentário (vide AR de fls. 76), são apuradas contribuições devidas à seguridade social, utilizandose método de aferição indireta, contudo, sem ter como um de seus fundamentos os fatos descritos na infração em testilha. Não há, portanto, que se falar em dependência do julgamento de um processo ao outro. Ocorre que neste recurso, a defesa não trouxe qualquer alegação em relação ao narrado pelo autuante, quer seja demonstrando ter apresentado os documentos solicitados, quer justificando a não apresentação deles, nem sequer contestou o demonstrativo de folhas de pagamento não contabilizadas, acostadas pela fiscalização (fls. 3/4). Nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal no âmbito da União, consolidase administrativamente a matéria que não tenha sido expressamente impugnada, operandose em relação a ela a preclusão processual: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Em consequência, as matérias que deixaram de ser expressamente questionadas na impugnação não serão objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 233DF CARF MF 10 (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias. Fl. 234DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.722693/2016-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
IRPF. DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA. FORMALISMO MODERADO.
Admite-se a dedução na Declaração de Ajuste Anual da pensão alimentícia cuja obrigação foi homologada judicialmente, sendo o valor confirmado em comprovante de rendimentos pagos e retenção de IRF, emitido pela fonte pagadora.
Numero da decisão: 2202-004.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias e Waltir de Carvalho.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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PENSÃO ALIMENTÍCIA Recorrente ANTÔNIO CARLOS LIMA DA COSTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 IRPF. DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA. FORMALISMO MODERADO. Admitese a dedução na Declaração de Ajuste Anual da pensão alimentícia cuja obrigação foi homologada judicialmente, sendo o valor confirmado em comprovante de rendimentos pagos e retenção de IRF, emitido pela fonte pagadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias e Waltir de Carvalho. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 26 93 /2 01 6- 97 Fl. 146DF CARF MF 2 Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2014, ano calendário 2013, tendo em vista a dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública no valor de R$21.963,54. O contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese: a) O valor contestado seria referente a pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais, conforme normas do Direito de Família, em decorrência de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública, em caso de divórcio consensual (fls. 02). b) Juntou documentação a fim de corroborar suas alegações, sendo ela composta por: parecer médico (fls. 03), atestado médico (fls. 04), carteira de identidade (fls. 05), comprovante de rendimentos (fls. 06/11), recibos simples (fls. 12/13) e certidão judicial (fls. 14). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) negou provimento à Impugnação (fls. 39), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. As deduções devem ser comprovadas com documentação hábil e idônea. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls. 49/137), no qual requer a juntada, em fase recursal, dos seguintes documentos: a) certidão de objeto e pé no processo judicial referente a ação de alimentos ajuizada por sua ex companheira, mãe de seus três filhos (fls. 53); b) cópia integral da ação de alimentos (fls. 54/137). É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10380.722693/201697 Acórdão n.º 2202004.545 S2C2T2 Fl. 147 3 O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A dedução tributária dos gastos incorridos com pensão alimentícia despesas médicas é tratado pelo art. 8º, II, f da Lei nº 9.250/1995, nos seguintes termos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos àtributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil;(Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) A decisão recorrida manteve a glosa das despesas pagas à título de pensão alimentícia com base nos seguintes fundamentos: Os comprovantes de rendimentos do INSS e da Petros apresentados pelo impugnante (fls. 06 e 10) comprovam apenas a pensão alimentícia de R$ 8.863,47, já acatada pela fiscalização. Apresenta ainda cópia de recibos emitidos por dois de seus filhos, nos valores de R$ 11.985,54 e R$ 11.785,54 (fls. 12/13). Mas o ofício judicial que apresenta (fls. 14) se refere apenas ao desconto da pensão em folha de pagamento. Não foi comprovado assim que os valores atestados em recibos decorrem de sentença, acordo homologado judicialmente ou escritura pública, condição indispensável para a dedutibilidade da pensão no imposto de renda. Considerando que apenas apresentou ofício judicial de 2002 com ordem para o desconto em folha, seria indispensável também que apresentasse certidão de objeto e pé da ação judicial para comprovar quais os beneficiários e qual o valor da pensão em 2013. Por estas razões, voto pela improcedência da impugnação. (grifamos) Do trecho acima transcrito depreendese que o parâmetro basilar da manutenção da glosa em face do Recorrente foi a ausência de comprovação de que “que os valores atestados em recibos decorrem de sentença, acordo homologado judicialmente ou escritura pública, condição indispensável para a dedutibilidade da pensão no imposto de renda”. É bem verdade que tal entendimento se alinha ao que determina a Súmula/CARF 98, qual seja: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Fl. 148DF CARF MF 4 Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Para comprovar a legitimidade das deduções realizadas sob a rubrica de pensão alimentícia o Recorrente apresentou ,em sede recursal, os seguintes documentos: a) Homologação, por sentença, do acordo entabulado livremente pelo Recorrente e sua excompanheira, Diuvan Abreu Sousa (fls. 100), no qual restou pactuado que aquele pagaria o montante correspondente a 30% de seus vencimentos e vantagens “aos autores”, se referindo o magistrado aos três filhos do recorrente, conforme a petição inicial da ação de alimentos (fls. 56), então representados genitora Diuvan. b) Ofício nº 032/2012 (fls.113), de 23/03/2012 do Juízo de Direito da 8a. Vara de Família de Fortaleza/CE, endereçado ao Chefe da Divisão de Benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS , referente à ação de Alimentos dos Requerentes Antônio Carlos Lima da Costa Filho, Lívia Maria Abreu da Costa e Clóvis Sebastião Bessa da Costa Neto, em que são solicitadas providências no sentido de descontar da folha de pagamento do Recorrente o valor correspondente a 30% de seus ganhos líquidos, a título de pensão alimentícia em favor dos aludidos Requerentes, filhos do Recorrente. O artigo 16 §4º do Decreto 70.235/72 determina que "a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Todavia, esse Conselho, em razão do princípio do formalismo moderado, aplicável aos processos administrativos, tem admitido a juntada de provas em fase recursal como se verifica pelas ementas abaixo transcritas: "IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AUTUAÇÃO POR DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO IDÔNEA EM FASE RECURSAL. ADMITIDA EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO.Comprovada idoneamente, por demonstrativos de pagamentos de rendimentos, a retenção de imposto na fonte, ainda que em fase recursal, são de se admitir os comprovantes apresentados a destempo, com fundamento no princípio do formalismo moderado, não subsistindo o lançamento quanto aeste aspecto. Recurso provido" (Ac 2802001.637, 2ª Turma Especial, 2ª Seção, Sessão 18/04/2012). "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O art. 16 do Decreto n. 70.235/72 deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, especialmente instrumentalidade das formas e formalismo moderado. O controle da legalidade do ato de lançamento e busca da “verdade material” alçada como princípio pela jurisprudência dessa Corte impõem flexibilidade na interpretação de regras relativas à instrução da causa, tanto no tocante à iniciativa quanto ao momento da produção da prova. Recurso voluntário Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10380.722693/201697 Acórdão n.º 2202004.545 S2C2T2 Fl. 148 5 provido para anular decisão de primeira instância." (Ac 1102 000.859, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 09/04/2013). "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO / DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE.O art. 16 do Decreto n. 70.235/72, que determina que a prova documental deva ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de se fazêlo em outro momento processual, deve ser interpretado com temperamento em decorrência dos demais princípios que informam o processo administrativo fiscal, tais como o formalismo moderado e a busca da “verdade material”. A apresentação de provas após a decisão de primeira instância, no caso, é resultado da marcha natural do processo, pois, não tendo a decisão de piso considerado suficientes os documentos apresentados pelo contribuinte para a comprovação do seu direito creditório, trouxe ele novas provas, em sede de recurso, para reforçar o seu direito". (Ac 1102001.148, 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, Sessão 29/04/2014). Conforme se verifica pela DIRPF (fls. 19) o valor total recebido pelo Recorrente corresponde à R$ 102.756,17. Sendo assim, de acordo com a decisão judicial o valor pago à título de pensão alimentícia corresponderia à R$ 30.827,01. De acordo com a decisão recorrida a autoridade fiscal teria reconhecido à dedutibilidade de R$ 8.863,47, motivo pelo qual, efetou a glosa do valor de R$ 21.963,54 (fls. 23). A comprovação dos valores glosados constariam dos recibos no valor de Apresenta ainda cópia de recibos emitidos por dois de seus filhos, nos valores de R$ 11.985,54 e R$ 11.785,54 (fls. 12/13). A a soma dos recibos (R$ 23.771,08) superam os valores glosados. No entanto, verificase que o valor deduzido à título de pensão alimentícia em sua DIRPF (fls.19) se limitaram à 30% do total dos seus vencimentos. Sendo assim, uma vez que os valores deduzidos à título de pensão alimentícia não desbordam do montante determinado judicialmente entendo satisfatoriamente comprovada a dedução das despesas com pensão alimentícia. Em face do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 150DF CARF MF 6 Fl. 151DF CARF MF
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Numero do processo: 13951.720365/2012-07
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Omissão de rendimentos de aluguéis não contestada.
TRIBUTAÇÃO NA FONTE PAGADORA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS ISETOS.
Rendimentos declarados como isentos na Declaração de Ajuste Anual. Valores recebidos acumuladamente não incluídos na base de cálculo da DAA por terem sidos tributados na fonte pagadora. Omissão de rendimentos não constatada porque comprovada a tributação na origem dos recebimentos. Não se considera omissão de rendimentos quando tributados na fonte calculado mês-a-mês e retido o imposto pela fonte pagadora.
Numero da decisão: 2001-000.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir do crédito tributário o valor correspondente a R$ 3.808,52 (três mil oitocentos e oito reais e cinquenta e dois centavos), permanecendo o lançamento da parte incontroversa no valor de R$ 1.130,38 (hum mil cento e trinta reais e trinta e oito centavos).
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Omissão de rendimentos de aluguéis não contestada. TRIBUTAÇÃO NA FONTE PAGADORA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS ISETOS. Rendimentos declarados como isentos na Declaração de Ajuste Anual. Valores recebidos acumuladamente não incluídos na base de cálculo da DAA por terem sidos tributados na fonte pagadora. Omissão de rendimentos não constatada porque comprovada a tributação na origem dos recebimentos. Não se considera omissão de rendimentos quando tributados na fonte calculado mêsamês e retido o imposto pela fonte pagadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir do crédito tributário o valor correspondente a R$ 3.808,52 (três mil oitocentos e oito reais e cinquenta e dois centavos), permanecendo o lançamento da parte incontroversa no valor de R$ 1.130,38 (hum mil cento e trinta reais e trinta e oito centavos). (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 95 1. 72 03 65 /2 01 2- 07 Fl. 195DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por omissão de rendimentos de aluguéis e rendimentos tributados na fonte e declarados como isentos na DAA. O Lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 4.938,90, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e, juros moratórios, referente ao anocalendário de 2009. A justificação do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento motivador da lavratura o fato de que o Recorrente deveria ter informado na declaração de ajuste os valores recebidos de aluguéis, os recebidos em virtude de reclamatória trabalhista e a compensação de imposto retido na fonte de forma exclusiva. A constituição do acórdão recorrido segue a linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à omissão de rendimentos e sua falta de informação ao Fisco na forma regular e a compensação de imposto retido na fonte pagadora, como segue: Trata o presente lançamento de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrente de ação trabalhista (Proc. nº 615/1997), contra o Banco do Brasil S/A, no valor de R$ 13.849,16, de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas – aluguéis e outros no valor de R$ 4.110,48 e de compensação indevida de IRRF de R$ 3.108,94, este último, se refere à diferença entre o valor retido e o valor declarado. Conforme descrito no lançamento, as infrações à legislação foram verificadas no ano calendário 2009. Refiro inicialmente ter o contribuinte deixado de contestar à omissão de rendimentos relativa aos aluguéis recebidos de pessoas físicas, declarados em DIMOB pela administradora Investfoz Assessoria Imobiliária Ltda, no valor de R$ R$ 4.110,48. Em razão da ausência de litígio, consolidase administrativamente o crédito tributário na forma disposta no artigo 17, do Decreto n° 70.235/1972, relativamente a este item do lançamento. No tocante ao valor apontado como omitido no lançamento de R$ 13.849,16, originário da ação trabalhista referida anteriormente, entendo que não assiste razão ao contribuinte. A partir dos documentos constantes nos autos, extraídos do processo judicial (cópias), verifico que o valor apontado como omitido teve por origem a ação de reclamação trabalhista, por meio da qual o contribuinte postulou o pagamento de verbas por parte do Banco do Brasil S/A (reclamado), relativas ao período de 09/1987 até o seu desligamento ocorrido em 01/10/1996 (fls. 40). Conforme verifico, o contribuinte na petição inicial do processo judicial, anexada às autos às fls. 09, no item intitulado “Contrato de Trabalho e Rescisão”, assim refere: Fl. 196DF CARF MF Processo nº 13951.720365/201207 Acórdão n.º 2001000.432 S2C0T1 Fl. 196 3 O Reclamante foi contratado para prestar serviços ao Reclamado em "13 de fevereiro de 1.976", ocasião em que manifestou a opção pelo regime do Fundo de Garantia do Tempo do Serviço (FGTS), tendo seu desligamento ocorrido, por aposentadoria p/ invalidez, no dia "01 de outubro de 1.996". Por ocasião de seu desligamento, ficou pendente do pagamento de vários de seus direitos trabalhistas, sobre os quais passaremos o discorrer nos itens seguintes, razão pela qual vem em busca da tutela jurisdicional para vêlos satisfeitos. (...) Os valores postulados pelo notificado e reconhecidos na decisão se referem às verbas identificadas nos cálculos de liquidação de débitos trabalhistas (fls. 115/144). Cabe referir que por força do disposto no art. 56 do RIR/99, aprovado pelo Dec. 3.000/99, os rendimentos recebidos acumuladamente, como é o caso dos autos, devem ser oferecidos à tributação, incluindo o valor dos juros e a atualização monetária. No entanto, o tributo será excepcionalmente afastado sobre o valor dos juros de mora, quando estes foram originários do recebimento em atraso de verbas trabalhistas decorrentes da perda do emprego, independente da natureza destas (se remuneratórias ou indenizatórias), pagas no contexto da Rescisão do Contrato de Trabalho. Esta exceção está descrita no item 03 da Nota PGFN/CRJ nº 1582/2012. (...) Do exposto, considerando que os rendimentos em questão foram pagos em razão de aposentadoria por invalidez, conforme descrito na petição inicial do processo judicial, no item intitulado “Contrato de Trabalho e Rescisão”, às fls.09 dos autos, que é causa de suspensão do contrato de trabalho, nos termos estabelecidos na CLT Consolidação das Leis do Trabalho; Considerando que o art. 56 do RIR/99, excetua a não incidência do imposto de renda sobre o valor dos juros moratórios recebidos na Rescisão de Contrato do Trabalho, no caso dos autos tendo ocorrido a suspensão do contrato, o valor dos juros não deve ser afastado da tributação. Assim, o presente lançamento não merece reparo em razão de não se encaixar na exceção prevista na legislação citada. Relativamente à compensação de IRRF, no valor de R$ 3.108,94, conforme informado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, por se referir ao valor do imposto incidente sobre o décimo terceiro salário, cuja tributação é exclusiva na fonte, não pode ser considerada no ajuste anual. Assim, em razão da compensação ter sido efetuada indevidamente, fica mantida a glosa realizada pela fiscalização. Nesses termos, voto por considerar improcedente a impugnação apresentada e por manter o crédito tributário exigido no presente lançamento. Fl. 197DF CARF MF 4 Assim, conclui a decisão de piso pela improcedência da impugnação para manter a exigência do crédito tributário nos termos do Lançamento. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, a Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentos que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: O contribuinte foi autuado em 22 de outubro de 2.012, no montante de R$ 14.401,03, relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Física referente ao ano calendário de 2.009. De acordo com a Descrição do Fatos e Enquadramento Legal, parte integrante da notificação de lançamento ao norte, foi autuado por Omissão de Rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 13.849,16, além de omissão de rendimentos de alugueres no valor de R$ 4.110,48, além de ter consignado Imposto de Renda Retido na Fonte em valor maior que o realmente descontado, no valor de R$ 3.108,94. (...) De observar que, com exceção dos rendimentos oriundos de alugueis, toda a base em que se apoiou o auditor fiscal para o lançamento do imposto de renda suplementar foi uma ação trabalhista. De número 615/1997, que já foi regularmente enviada durante o procedimento da malha fiscal, e que reenviamos agora. Conforme pode ser observado às fls. 421 do processo trabalhista, que foi autuado na Vara do Trabalho de Campo Mourão, consta, de forma sintética os valores principais das verbas trabalhistas obtidas, o valor dos juros incidentes sobre essas verbas e o valor relativo ao imposto de renda incidente sobre o resultado da ação. Conforme se observa no item “4) Principal” da fl. 421 já citada, o valor inicial da ação era de R$ 41.514,98. Também nesse mesmo item, “4) Principal”, encontrase o montante relativo aos juros, no valor de R$ 63.046,68. Neste mesmo item, em campo denominado “observação” consta o valor do Imposto de Renda para desconto, no valor total de R$ 16.513,33. Todos esses valores foram considerados pelo auditor fiscal para fins de obtenção dos valores representativos de verbas que sofreriam tributação exclusiva na fonte e para cálculo da verba advocatícia dedutível. Cuidase a presente impugnação da tributação indevida dos juros indenizatórios obtidos na ação trabalhista. Os juros moratórios, de acordo com o contido na Portaria PGFM Nº 294/2010, já se incluem entre as situações de dispensa de recurso por parte da União nas ações judiciais de repetição de indébito ou outra que visem a desconstituição de lançamento efetuado tendo como fato imponível essas verbas. Tal procedimento vem sendo tomado tendo em vista o julgamento pelo STJ, do RESP 1.227.133/RS, concluído em 23/11/2011. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 13951.720365/201207 Acórdão n.º 2001000.432 S2C0T1 Fl. 197 5 Ora, se a própria Procuradoria Geral da Fazenda Nacional já vem dispensando recursos judiciais contra decisões judiciais que vem dando, reiteradamente, ganho de causa aos contribuintes, não pode a Secretaria da Receita Federal insistir na tributação desses juros já reconhecidos como indenizatórios. Essa persistência, além de acarretar despesas financeiras aos contribuintes, causa tumulto na Justiça Federal, pela busca necessária que fazem os contribuintes por esse direito, e dano financeiro à União, pelas necessárias verbas de sucumbência. Neste sentido, busca o contribuinte seja revisto o cálculo constante na página 03 (“folha de continuação da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”), considerando, como rendimentos tributáveis e tributáveis exclusivamente na fonte, os oriundos da aplicação dos percentuais ali consignados sobre o VALOR PRINCIPAL na data do ajuizamento da ação, ou seja, o valor de R$ 41.514,98. Vem buscar, também, o contribuinte, seja considerado como não tributável, além das verbas relativas ao FGTS (já considerados), os valores relativos aos juros indenizatórios. Por todas as razões expostas, pela convicção de vivermos em um estado de direito, pela boa fé e responsabilidade do Estado em tributar de forma equânime e equilibrada cada contribuinte, vem, 0 impugnante, requerer sejam considerados os pedidos de recálculo da apuração do “aumento patrimonial a descoberto”, e por consequência seja totalmente extinto o crédito tributário constituído por falta de base imponível. Como visto, o contribuinte solicitou, especificamente a exclusão dos juros de mora, por entender serem verbas indenizatórias, e, como tal, fora da base de cálculo do imposto sobre a renda das pessoas físicas. (...) Por todas essas razões de direito, vem o contribuinte solicitar a revisão do referido Acórdão, no sentido de excluir da base de cálculo do imposto de renda devido pelo contribuinte, juros de mora incidentes sobre as verbas trabalhistas pagas em atraso, conforme decisão judicial transitada em julgado, parte integrante do presente processo. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Fl. 199DF CARF MF 6 Alega o Recorrente questões legais e constitucionais, com argumentos e citação de doutrina sobre a matéria relativa aos valores recebidos acumuladamente. Todavia, a demanda de questões de legalidade e constitucionalidade é competência do Poder Judiciário, portando matéria alheia a esta esfera administrativa de julgamento. Neste sentido, cabe ressaltar a existência da Súmula CARF nº 2. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A lide trata, nesta fase do processo administrativo tributário sobre o não oferecimento à tributação dos valores recebidos no anocalendário de 2009, a título de aluguéis no valor de R$ 4.110,48; por rendimentos recebidos em razão de reclamatória trabalhista exitosa no valor tributável de R$ 13.849,16; e compensação indevida de R$ 3.108,94, por se tratar de retenção de tributação exclusiva na fonte. Temse no referente à omissão de recebimentos de aluguéis a não controvérsia, por absoluta falta de contestação do Recorrente, o que se considera como crédito tributário reconhecido pelo Contribuinte, como se vê nos textos seguintes: NOS TERMOS DO FISCO Refiro inicialmente ter o contribuinte deixado de contestar à omissão de rendimentos relativa aos aluguéis recebidos de pessoas físicas, declarados em DIMOB pela administradora Investfoz Assessoria Imobiliária Ltda, no valor de R$ R$ 4.110,48. Em razão da ausência de litígio, consolidase administrativamente o crédito tributário na forma disposta no artigo 17, do Decreto n° 70.235/1972, relativamente a este item do lançamento. NA FALTA DE CONTESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE De observar que, com exceção dos rendimentos oriundos de alugueis, toda a base em que se apoiou o auditor fiscal para o lançamento do imposto de renda suplementar foi uma ação trabalhista. Neste sentido, como o Recorrente se limitou a citar a omissão de aluguéis sem qualquer contestação ou justificação, a divergência estabelecida na lide se limita a classificação dos recursos recebidos em razão da ação trabalhista e sua tributação na fonte pagadora, bem como eventual creditamento indevido, para efeito de compensação, do imposto retido na fonte por tributação exclusiva. Quanto ao pedido que se refere ao cálculo da tributação na modalidade de recebimento de forma cumulativa cabe registrar que a tributação na origem do estabelecimento do direito ao recebimento dos valores da reclamatória, pelos cálculos efetuados no TRT, já foi considerada a particularidade requerida, nos dizeres da decisão daquela Corte de Julgamento, como a seguir se apresenta (fl. 112): Descontos Fiscais (...) Determinese que as deduções à previdência social sejam feitas mês amês, tanto no que tange à cota patronal quanto à do empregado, com observância as épocas e tabelas próprias, limites de contribuição e incidência sobre as verbas devidas. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 13951.720365/201207 Acórdão n.º 2001000.432 S2C0T1 Fl. 198 7 De igual modo, em atenção ao princípio da capacidade econômica do contribuinte (art. 145, III, parágrafo 1º, da CF), determinase a dedução do imposto de renda nos créditos devidos, calculados mêsa mês, mediante as alíquotas vigentes em cada época, permitindo as deduções legais e excluídas as verbas de natureza indenizatória e previdenciária. Quanto ao que diz respeito á classificação dos valores de rendimentos pagos como resultado da reclamatória trabalhista temse que, no caso em contestação, são alcançados pela tributação em vista de que correspondem a atualizações de valores calculados sobre o valor inicial da demanda, não se tratando, portanto, de juros moratórios por atraso de pagamentos. A tributação ocorreu na origem do recebimento dos valores, naquele órgão julgador do trabalho, não tendo classificado que parte dele correspondesse a pagamento de caráter indenizatório por verbas não recebidas anteriormente. Assim, o reconhecimento decisório pelo TRT, do direito à percepção dos rendimentos por parte do Recorrente teve sua tributação realizada na integralidade dos valores pertinentes, excluído o valor referente à FGTS e incluído o valor referente a décimo terceiro salário. De qualquer forma a lembrança de que “Tal procedimento vem sendo tomado tendo em vista o julgamento pelo STJ, do RESP 1.227.133/RS, concluído em 23/11/2011” (fl. 174), aqui não se aplica em vista de que aquela decisão abarca tão somente a hipótese definida como demissão ou perda de emprego, caso em que a circunstância requer a proteção do trabalhador em razão da situação sócioeconômica desfavorável pela cessação de remuneração contínua anteriormente vivenciada pelo demitido. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133 – RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR. (...) 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda Fl. 201DF CARF MF 8 do emprego), daí a incidência do art. 6º, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp. n.º 1.227.133 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel.p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). (grifei) Todavia, a situação é outra e diverso deve ser o enfoque da questão, inclusive considerando o pedido do Recorrente quanto à tributação dos valores por ocasião do recebimento, na esteira da decisão proferida pelo TRT sobre a ação trabalhista empreendida pelo Contribuinte contra o Banco do Brasil S/A. Pede o Recorrente a revisão do Lançamento para considerar os rendimentos tributáveis exclusivamente na fonte, como realmente o foram, resultando numa retenção de R$ 16.825,52. (fl. 91 e 146), incluído o valor correspondente ao décimo terceiro salário e excluído o valor de FGTS, conforme planilhas de cálculos do perito contador designado pelo juiz e resumo da atualização de cálculos da Vara do Trabalho de Campo Mourão (fls. 118 a 144). A regra de tributação no caso de rendimentos recebidos acumuladamente está disposta no art. 12A, da Lei nº 7.713/88, nos seguintes termos: Art. 12A. Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (grifei) § 1o O imposto será retido pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. (grifei) (...) § 5o O total dos rendimentos de que trata o caput, observado o disposto no § 2o, poderá integrar a base de cálculo do Imposto sobre a Renda na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário do recebimento, à opção irretratável do contribuinte. (grifei) A sistemática de tributação para os rendimentos desta natureza é de classificalos com tributados exclusivamente na fonte, como de fato aconteceu, tendo sido calculados na forma do caput do art. 12A, quando foi efetuada retenção do valor correspondente ao imposto apurado nos termos do § 1º e, conforme se observa na DAA apresentada. Neste sentido, o Recorrente optou por não fazer integrar a base de cálculo do imposto sobre a renda na Declaração de Ajuste Anual aqueles valores recebidos, em consonância com o disposto no § 5º, da legislação antes citada. Ressaltese a evidência do procedimento do Recorrente que ao não incluir os valores recebidos na base de cálculo do imposto e fazer constar na DAA o valor do principal como rendimento isento, segue, na verdade, a opção apontada no § 5º. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 13951.720365/201207 Acórdão n.º 2001000.432 S2C0T1 Fl. 199 9 Este regramento na modalidade de tributação dos valores recebidos acumuladamente foi introduzido na legislação do imposto sobre a renda pela Medida Provisória 497/10 e se consolidou pela Lei nº 12.350/10. O fato da lide tratar do imposto referente ao exercício de 2010, tendo como anocalendário 2009, não desampara o pleito do Recorrente que tem em seu favor o benefício assegurado na disposição da alínea b, inciso II, art. 106, do CTN, que diz: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; (grifei) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A retroatividade benigna está positivada no Código Tributário Nacional e estipula três casos de possível ocorrência em benefício do Contribuinte, no caso em análise a que corresponde à alínea b: “quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo”. Aduzse, por oportuno, que o dispositivo não oferece empecilho ao ordenamento constitucional, vez que só é proibida a retroatividade da lei que agrave a situação em ônus para o contribuinte. Tomase como suporte para a retroatividade benigna aplicável ao caso em lide, decisões do STJ que versam sobre tema similar em matéria de direito do contribuinte, no que diz respeito ao enquadramento na situação mais favorável ao contribuinte em razão de situação mais gravosa antes acontecida. Senão vejamos: RECURSO ESPECIAL Nº 639.223 MG (2004/00144281) TRIBUTÁRIO – ESTABELECIMENTO DE ENSINO – OPÇÃO PELO SIMPLES – LEI 9.317/96 – CONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF – LEI 10.684/2003 – APLICAÇÃO RETROATIVA – SÚMULA 456/STF E ART. 106, II, "b" DO CTN. 1. O STF, no julgamento da ADIn 1.6431/DF, concluiu pela constitucionalidade do art. 9º, XIII da Lei 9.317/96, que excluiu da opção pelo sistema SIMPLES as pessoas jurídicas que menciona, dentre elas a que preste serviços de professor. 2. As instituições de ensino que não contam com professor no seu quadro societário também se enquadram na exceção, porque a atividadefim desenvolvida está diretamente ligada à profissão de professor. 3. A Lei 10.684/2003 retirou da exclusão as creches, préescolas e estabelecimentos de ensino fundamental, possibilitando sua adesão ao SIMPLES. Fl. 203DF CARF MF 10 4. Norma superveniente que, embora não prequestionada, pode ser aplicada ao caso concreto em atenção à Súmula 456/STF (porque conhecido o especial por outro fundamento) e ao art. 106, II, "b" do CTN, que admite a aplicação retroativa da lei aos fatos pendentes quando ela deixa de tratar o ato ou o fato "como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento do tributo". Precedente da Primeira Turma (EDREsp 603.451/PE). (grifei) 5. Na hipótese dos autos, porém, a recorrente dedicase às atividades de ensino fundamental e médio, esta última não contemplada na exceção prevista no art. 1º, I e II, da Lei 10.034/200. 6. Recurso especial improvido. Salientese que embora improvido o Recurso Especial, ficou confirmado o reconhecimento da retroatividade benigna para o caso em que for atendida a condição estabelecida na lei e preenchidos os requisitos de enquadramento, naquele caso. Assim, pela similaridade das decisões do gênero ocorridas na Corte Superior podese aplicar a simetria com esse caso, razão pela qual entendo perfeitamente compatível o enquadramento na retroatividade benigna, com base no que dispõe a alínea b, inciso II, art. 106, da Lei nº 5.172/66 – CTN. Entender de forma diferente resultaria em causar ônus mais pesado ao contribuinte e incorrerseia em exigir tributo de forma diferente do que preceitua a legislação tributária, vez que consistiria procedimento contrário aquele adotado na formulação dos cálculos aplicado em obediência à decisão judicial trabalhista (fl. 112), como segue: De igual modo, em atenção ao princípio da capacidade econômica do contribuinte (art. 145, III, parágrafo 1º da CF), determinase a dedução do imposto de renda nos créditos devidos, calculados mêsa mês, mediante as alíquotas vigentes em cada época, permitidas as deduções legais e excluídas as verbas de natureza indenizatória e previdenciária. Isso porque os cálculos foram feitos na forma do decidido pela 1ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho, no Acórdão AC.18.552/2000, mêsamês, mediante as alíquotas vigentes em cada período mensal e, se agora, como pretende o Fisco através do Lançamento contestado, cobrar mais imposto de renda seguindo cálculos que resultaram na suposta omissão de rendimentos no valor de R$ 13.849,16, resultaria em frontal contrariedade com a decisão daquele E. Tribunal, porque sem a devida correspondência com a mensalidade de cálculo determinada no referido Acórdão do Tribunal do Trabalho. Além disso, nos cálculos para a determinação do imposto suplementar foi excluído o valor correspondente ao FGTS (porque isento) e o 13º salário (porque com característica de tributação exclusiva na fonte), porém não foi excluído o valor correspondente à verba previdenciária, conforme determinado na decisão do TRT (... permitidas as deduções legais e excluídas as verbas de natureza indenizatória e previdenciária). A falta de exclusão das verbas previdenciárias torna o valor da base de cálculo do imposto suplementar inconsistente e o crédito tributário insubsistente, nesta parte do Lançamento, por que em desatendimento do art. 142 do CTN. No que se refere à compensação de IRRF, no valor de R$ 3.108,94, conforme informado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Lançamento, por se referir ao valor do imposto incidente sobre o décimo terceiro salário, cuja tributação é exclusiva na fonte, Fl. 204DF CARF MF Processo nº 13951.720365/201207 Acórdão n.º 2001000.432 S2C0T1 Fl. 200 11 e por isso não pode ser considerada no ajuste anual, entendo irrelevante a questão levantada, de vez que em não muda na determinação do resultado final. O resultado da tributação efetiva será o mesmo, se por um lado englobamse todos os valores recebidos e deduzemse todas as retenções ou, de outro lado, promove se a separação retirando o valor pago correspondente ao 13º salário e a correspondente retenção na fonte. Todo o imposto foi retido na fonte. O Recorrente não se creditou do imposto retido na fonte, quando do recebimento dos valores da ação trabalhista, de R$ 16.825,52, valor em que está incluída parte referente ao imposto retido sobre 13º salário, assim como não incluiu na base de cálculo da DAA, por opção, como antes discorrido. Assim, em razão de eventual compensação junto ou apartada de outros valores, motivo não há para a glosa do que não foi compensado pelo Contribuinte na sua DAA. Por fim, no exame da documentação acostada ao processo, verificase que o Recorrente apresentou a documentação comprobatória dos valores recebidos e da tributação efetuada ato contínuo do recebimento dos valores referentes à reclamatória trabalhista, nada mais devendo lhe ser exigido porque tributado na fonte, concluindose pela inexistência de omissão de rendimentos, a esse título. Contudo, cabe ressaltar que permanece a exigência do crédito tributário em relação à omissão de rendimentos de aluguéis no valor de R$ 4.110,48, não oferecidos a tributação na DAA e, embora citados na peça de defesa recursal, nada foi dito em seu favor. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PARCIAL PROVIMENTO, para excluir do crédito tributário o valor correspondente a R$ 3.808,52, permanecendo o Lançamento da parte incontroversa no valor de R$ 1.130,38. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 205DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.731465/2012-54
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Carece de fundamento a alegação de cerceamento do direito de defesa, na medida em que, tanto na fase fiscalizatória (procedimental), regida pelo princípio inquisitório, quanto na fase impugnatória (processual), ocasião em que foi inaugurada a fase do contraditório, o contribuinte teve ampla oportunidade de exercer o seu direito de defesa.
MATÉRIA NÃO CONTESTADA.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
Numero da decisão: 1003-000.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2007 PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Carece de fundamento a alegação de cerceamento do direito de defesa, na medida em que, tanto na fase fiscalizatória (procedimental), regida pelo princípio inquisitório, quanto na fase impugnatória (processual), ocasião em que foi inaugurada a fase do contraditório, o contribuinte teve ampla oportunidade de exercer o seu direito de defesa. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
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NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Carece de fundamento a alegação de cerceamento do direito de defesa, na medida em que, tanto na fase fiscalizatória (procedimental), regida pelo princípio inquisitório, quanto na fase impugnatória (processual), ocasião em que foi inaugurada a fase do contraditório, o contribuinte teve ampla oportunidade de exercer o seu direito de defesa. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 73 14 65 /2 01 2- 54 Fl. 431DF CARF MF Processo nº 15504.731465/201254 Acórdão n.º 1003000.039 S1C0T3 Fl. 432 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 291/2012, o qual determinou a exclusão da empresa do Simples Nacional a partir de 01 de janeiro de 2007, com fundamento na disposição contida no inciso V, § 4º, do art. 3º e inciso XII, do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006, tendo em vista sócio do interessado ser administrador de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, cuja receita global ultrapassa o limite permitido pela legislação, e interessado omitir de forma reiterada da folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária, trabalhista ou tributária, segurado empregado, trabalhador avulso ou contribuinte individual que lhe preste serviço. A recorrente, em síntese, alega: I Que houve cerceamento do direito de defesa, pois não foram informados à contribuinte as razões e motivos que resultaram em sua exclusão do Simples, tendo havido acusações absolutamente genéricas o que ensejaria nulidade do ADE em questão; II Que Despacho da 8ª Turma da DRJ/RJ1 determinou envio à contribuinte, concedendolhe novo prazo para impugnação, da Representação Interna para Exclusão do Simples Nacional e de seu anexo I, documentos que detalham os fatos constatados pela fiscalização, uma vez que o referido ADE apenas fazia menção ao número processo administrativo em que se encontravam tais documentos, tendo sido, desta forma, reconhecida falha no ADE que resultou, mais uma vez, em cerceamento de seu direito de defesa; III Que o referido Despacho da 8ª Turma da DRJ/RJ1 não foi encaminhado à contribuinte, que somente conseguiu obtêlo após incansáveis diligências junto à DRF em Belo Horizonte, e que tal Despacho é absolutamente essencial à compreensão, pela contribuinte, dos fatos que levaram a DRJ/RJ1 a entender pela concessão de novo prazo para impugnação, bem como da constatação, pela referida DRJ, quanto ao cerceamento do direito de defesa da contribuinte quando do recebimento inicial do ADE, não havendo como a contribuinte se manifestar através de "nova impugnação", vez que não foi facultado conhecimento ao despacho que trouxe as razões que levaram à abertura de novo prazo para a mencionada impugnação, tendo havido, mais uma vez, cerceamento de seu direito de defesa; IV Que, por todo o ocorrido, há que ser declarada e reconhecida a ciência da contribuinte quanto a sua exclusão do Simples no momento de sua intimação e recebimento dos documentos cuja remessa foi determinada pela DRJ/RJ1, ou seja, em 25/04/2014, devendo tal ciência produzir a partir daí seus efeitos, em especial no que se refere à contagem do prazo decadencial para lançamentos relativos ao período em questão; V Que a DRJ/RJ1, veio, de forma irônica e jocosa, desprezar a importância dos documentos os quais ela própria entendeu necessários a ponto de determinar a reintimação da contribuinte, não tendo havido "saneamento" de falha processual, mas uma nova intimação, apenas a partir da qual a contribuinte teve acesso a conhecer integralmente o que à mesma era imputado, e assim se defender de forma apropriada; sendo que, se não fosse indispensável a Fl. 432DF CARF MF Processo nº 15504.731465/201254 Acórdão n.º 1003000.039 S1C0T3 Fl. 433 3 intimação da contribuinte determinada pela DRJ/RJ1, não haveria razão para esta não julgar o feito naquela oportunidade É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Preliminarmente, em relação ao alegado cerceamento do direito de defesa, é importante registrar algumas considerações. A recorrente tomou ciência do ADE em questão em 20/12/2012, conforme AR à folha 390, momento em que se encontrava sob o procedimento de fiscalização de MPF nº 06.1.01.002012003000, conforme relatado na Representação Interna para Exclusão do Simples Nacional (folhas 02 a 11). A Representação Interna para Exclusão do Simples Nacional consiste em uma comunicação do AuditorFiscal responsável pela ação fiscal para o setor da unidade da RFB responsável pela emissão dos ADE. Em tal documento estão relatados os fatos ocorridos durante a ação fiscal, elencada a documentação coletada e apresentadas as conclusões no que se refere, no caso, à exclusão da fiscalizada do Simples Nacional. Ou seja, é um documento que reproduz as informações obtidas no curso da ação fiscal para fundamentar a emissão do ADE por parte de outro setor da unidade da RFB. Não há, na referida representação, informação que não conste da ação fiscal então em curso. Além disso, do referido ADE consta referência ao número do presente processo, ao qual a representação está anexa desde 06/12/2012. Desta forma, observase que, estando sob o procedimento de fiscalização que motivou a exclusão e, diante da informação constante do ADE do número do presente processo, a contribuinte já tinha conhecimento prévio dos motivos de sua exclusão, e teve facultado pleno acesso à Representação Interna para Exclusão do Simples Nacional mediante vistas ao presente processo. Cabe registrar que é usual a emissão de ADE também fora de procedimento de fiscalização, derivada de cruzamento de informações em sistemas, e que, nestes casos, sequer há representação interna, ou seja, as contribuintes são cientificadas de sua exclusão mediante apenas o ADE, sem qualquer outro documento explicativo. A ciência da fiscalizada ao ADE no curso do procedimento fiscal é procedimento corriqueiro e, usualmente, não é dada ciência específica à contribuinte da representação que fundamentou o ADE, à qual esta tem acesso mediante vista ao processo. No presente caso, a 8ª Turma da DRJ/RJ1 entendeu por bem formalizar ciência da referida representação à contribuinte e reabrirlhe o prazo para oferecimento de manifestação de inconformidade, procedimento que entendo desnecessário, pelo já relatado, mas que acabou por dirimir quaisquer eventuais dúvidas acerca do conhecimento do teor do documento pela contribuinte. Fl. 433DF CARF MF Processo nº 15504.731465/201254 Acórdão n.º 1003000.039 S1C0T3 Fl. 434 4 A decisão da 8ª Turma da DRJ/RJ1 de dar ciência específica da representação interna à contribuinte e reabrirlhe o prazo impugnatório foi prolatada mediante o despacho às folhas 395/396, anexo ao presente processo em 08/04/2014. A ciência à referida representação ocorreu em 25/04/2014, conforme AR às folhas 399/400, mediante o "ofício" à folha 398, que menciona o Despacho da DRJ/RJ1, o número do presente processo, a determinação contida no despacho de dar ciência dos referidos documentos e novo o prazo impugnatório. Mais uma vez, observase que o documento que a contribuinte alega terlhe sido sonegado (neste caso, o despacho da DRJ/RJ1) foi devidamente mencionado, juntamente com a parte mais relevante de seu teor, na comunicação a ela enviada, encontravase disponível para consulta no presente processo já anteriormente à ciência da referida comunicação e, por fim, não possui conteúdo relevante que não tenha sido transcrito na referida comunicação, tampouco teor que venha a acrescentar razões para sua exclusão e influenciar em sua defesa. Assim, entendo que a ciência à exclusão do Simples se deu regularmente por meio do ADE DRF/BHE nº 291/2012 em 20/12/2012, que todas as informações complementares relativas à exclusão encontravamse disponíveis para consulta da contribuinte já naquela data, e que a contribuinte já tinha ciência de tais informações, por estar, naquela data, sob o procedimento fiscal que ensejou a referida exclusão. Não vislumbro, portanto, ter ocorrido cerceamento de defesa em nenhum momento, nem reconheço fundamento em considerar a recorrente cientificada do referido ADE apenas em 25/04/2014, como requer. Afasto, portanto, a preliminar de nulidade suscitada. No mérito, a recorrente não contestou as razões que fundamentaram sua exclusão do Simples Nacional, expressas no referido ADE. É, portanto, matéria não impugnada, conforme estabelece o art. 17 do PAF. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 434DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.003645/2008-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM FORMULÁRIO DE PAPEL. INOBSERVÂNCIA DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS. INDEFERIMENTO DO PEDIDO SUJEITO À MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RITO DO DECRETO Nº 70.235/1972.
O pedido de restituição entregue em formulário, em descordo com as normas previstas nas instruções normativas para o caso, são passíveis de indeferimento sumário e sujeitos à manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 3302-005.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em devolver os autos à DRJ para que se profira nova decisão, a partir do conhecimento das alegações realizadas em manifestação de inconformidade relativas ao pedido de restituição considerado não formulado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM FORMULÁRIO DE PAPEL. INOBSERVÂNCIA DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS. INDEFERIMENTO DO PEDIDO SUJEITO À MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RITO DO DECRETO Nº 70.235/1972. O pedido de restituição entregue em formulário, em descordo com as normas previstas nas instruções normativas para o caso, são passíveis de indeferimento sumário e sujeitos à manifestação de inconformidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em devolver os autos à DRJ para que se profira nova decisão, a partir do conhecimento das alegações realizadas em manifestação de inconformidade relativas ao pedido de restituição considerado não formulado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM FORMULÁRIO DE PAPEL. INOBSERVÂNCIA DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS. INDEFERIMENTO DO PEDIDO SUJEITO À MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RITO DO DECRETO Nº 70.235/1972. O pedido de restituição entregue em formulário, em descordo com as normas previstas nas instruções normativas para o caso, são passíveis de indeferimento sumário e sujeitos à manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em devolver os autos à DRJ para que se profira nova decisão, a partir do conhecimento das alegações realizadas em manifestação de inconformidade relativas ao pedido de restituição considerado não formulado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 36 45 /2 00 8- 49 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11543.003645/200849 Acórdão n.º 3302005.706 S3C3T2 Fl. 165 2 Trata o presente de pedido de restituição entregue em papel cumulado com declarações de compensação entregues eletronicamente, relativo a pagamentos indevidos ou a maior, em virtude da inconstitucionalidade do alargamento de base de cálculo de que tratou o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. A recorrente protocolou em papel alegando exceção prevista no §1º do artigo 3º da IN SRF nº 600/2005, ou seja, impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP. A unidade de origem considerou o pedido de restituição não formulado e, consequentemente, as declarações de compensação não homologadas por ausência de direito creditório, em razão de a recorrente ter se utilizado o formulário em papel, indevidamente, uma vez que a restrição do programa PERDCOMP ocorreu devido ao fato de a recorrente pleitear restituição de tributos em prazo superior a cinco anos da data do pagamento, infringindo o artigo 168 do CTN e que esta situação não configura a impossibilidade de que trata o §1º do artigo 3º da IN SRF nº 600/2005. A unidade informou ainda no despacho decisório (efls. 52/59) que as compensações nãohomologadas ficam sujeitas à manifestação de inconformidade, porém este recurso não se aplicava ao pedido de restituição considerado não formulado. Em manifestação de inconformidade, a recorrente pugnou pela nulidade do despacho decisório por erro de direito, uma vez que não se poderia declarar não formulado se o programa PERDCOMP não aceita a trasmissão de indébitos tributários recolhidos há mais de cinco anos. Continuando, pugnou pela aplicação do prazo decadencial para pleitear a restituição de cinco anos a partir da data de publicação da Resolução do Senado Federal. Por sua vez, a DRJ não conheceu das alegações referentes ao pedido de restituição não formulado e considerou a manifestação de inconformidade improcedente, em razão de o crédito informado nas declarações de compensação terem origem em pedido de restituição considerado não formulado e, portanto, sem direito creditório reconhecido pela RFB, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 Não cabe manifestação de inconformidade contra a decisão que considerou não formulado o pedido de restituição. Nesta hipótese, o recurso cabível não é a manifestação de inconformidade, regida processualmente pelos ditames do Decreto nº 70.235/1972, mas pelo recurso administrativo disciplinado pela Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ELETRÔNICA. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Considerado não formulado o pedido de restituição efetuado em meio papel, não são homologadas as compensações declaradas eletronicamente, cujos créditos estejam demonstrados naquele pedido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11543.003645/200849 Acórdão n.º 3302005.706 S3C3T2 Fl. 166 3 Inconformada, a recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário, reiterando as razões aduzidas em manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A recorrente reiterou em recurso voluntário as razões aduzidas em manifestação de inconformidade, mais precisamente que caberia manifestação de inconformidade sobre a consideração de não formulação do pedido de restituição, pugnando neste ponto pela nulidade do despacho decisório, e, no mérito, deduziu pela aplicação do prazo decadencial de cinco anos após a data de publicação da Resolução pelo Senado Federal para apresentação do pedido de restituição. Notase que tais matérias são atinentes ao pedido de restituição, que fora considerado não formulado e, nos termos do despacho decisório, sujeito apenas a recurso administrativo de que trata o artigo 56 da Lei nº 9.784/1999, razão pela qual o colegiado a quo não conheceu das referidas alegações. No caso, o pedido de restituição fora formulado em papel, sob alegação do §1º do artigo 3º da IN SRF nº 600/2005, a seguir transcrito: Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: [...] § 1º A restituição de que trata o inciso I será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Pedido de Restituição constante do Anexo I, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório.. A restrição alegada pela recorrente foi a impossibilidade de se transmitir pedidos de restituição de pagamentos indevidos ou a maior ocorridos há mais de cinco anos da data do pedido, o que não caracterizou impossibilidade nos termos do artigo 761 da IN SRF nº 1 Art. 76. Ficam aprovados os formulários Pedido de Restituição, Pedido de Cancelamento ou de Retificação de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito, Pedido de Ressarcimento de IPI Missões Diplomáticas e Repartições Consulares, Declaração de Compensação e Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado constantes, respectivamente, dos Anexos I, II, III, IV e V. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11543.003645/200849 Acórdão n.º 3302005.706 S3C3T2 Fl. 167 4 600/2005, conforme considerado pelo despacho decisório, que considerou, então, o pedido não formulado, conforme o artigo 31 da referida instrução normativa: Art. 31. A autoridade competente da SRF considerará não formulado o pedido de restituição ou de ressarcimento e não declarada a compensação quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2º a 4º do art. 77, não tenha utilizado o Programa PER/DCOMP para formular pedido de restituição ou de ressarcimento ou para declarar compensação. Tendo sido considerado não formulado, o despacho decisório deixou consignado a não sujeição do indeferimento do pedido de restituição, nesta situação, ao rito do PAF, conforme §2º do artigo 31 e artigo 48, abaixo transcritos: Art. 31. A autoridade competente da SRF considerará não formulado o pedido de restituição ou de ressarcimento e não declarada a compensação quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2º a 4º do art. 76, não tenha utilizado o Programa PER/DCOMP para formular pedido de restituição ou de ressarcimento ou para declarar compensação [...] § 2º Às hipóteses a que se refere o caput e o § 1º não se aplica o disposto nos §§ 2º e 4º do art. 26 e nos arts. 29, 30 e 48. [...] Art. 48. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contado da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição ou de ressarcimento ou, ainda, da data da ciência do despacho que nãohomologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o nãoreconhecimento do direito creditório ou a nãohomologação da compensação. Constatase que a referida instrução normativa dispunha que o pedido de restituição entregue em formulário, em desacordo com as normas do artigo 76, deveria ser considerado não formulado, não se sujeitando à manifestação de inconformidade de que tratava § 1º A SRF disponibilizará, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br, os formulários a que se refere o caput. § 2º Os formulários a que se refere o caput somente poderão ser utilizados pelo sujeito passivo nas hipóteses em que a restituição, o ressarcimento ou a compensação de seu crédito para com a Fazenda Nacional não possa ser requerida ou declarada eletronicamente à SRF mediante utilização do Programa PER/DCOMP. § 3º A SRF caracterizará como impossibilidade de utilização do Programa PER/DCOMP, para fins do disposto no § 2º, no § 1º do art. 3º, no § 3º do art. 16, no § 1º do art. 22 e no § 1º do art. 26, a ausência de previsão da hipótese de restituição, de ressarcimento ou de compensação no aludido Programa, bem como a existência de falha no Programa que impeça a geração do Pedido Eletrônico de Restituição, do Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou da Declaração de Compensação. § 4º A falha a que se refere o § 3º deverá ser demonstrada pelo sujeito passivo à SRF no momento da entrega do formulário, sob pena do enquadramento do documento por ele apresentado no disposto no art. 31. § 5º Aos formulários a que se refere o caput deverá ser anexada documentação comprobatória do direito creditório. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11543.003645/200849 Acórdão n.º 3302005.706 S3C3T2 Fl. 168 5 o artigo 48, silenciando quanto a que recurso administrativo estaria sujeita a decisão. Assim, o pedido não formulado significava um não conhecimento do pedido de restituição e não, propriamente, um indeferimento de um pedido conhecido. Tal consideração de pedido não formulado esteve presente desde a IN SRF nº 360/2003 e constou da IN SRF nº 460/2004 e IN RFB nº 900/2008. Esta distinção, porém, foi afastada na IN RFB nº 1.300/2012, que inseriu este caso de entrega em formulário em desacordo com as condições estabelecidas no próprio ato, como pedido de restituição passível de indeferimento sumário, nos termos dos artigos 77, 111 e 113 da referida instrução normativa: IN RFB nº 1.300/2012: Art. 111. Será indeferido sumariamente o pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2º a 5º do art. 113, não tenha utilizado o programa PER/DCOMP para formular o pedido. Art. 113. Ficam aprovados os formulários: [...] § 2º Os formulários a que se refere o caput poderão ser utilizados pelo sujeito passivo somente nas hipóteses em que a restituição, o ressarcimento, o reembolso ou a compensação de seu crédito para com a Fazenda Nacional não possa ser requerido ou declarado eletronicamente à RFB mediante utilização do programa PER/DCOMP. § 3º A RFB caracterizará como impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, para fins do disposto no § 2º deste artigo, no § 2º do art. 3º, no § 6º do art. 21, no caput do art. 32 e no § 1º do art. 41, a ausência de previsão da hipótese de restituição, de ressarcimento, de reembolso ou de compensação no aludido programa, bem como a existência de falha no programa que impeça a geração do Pedido Eletrônico de Restituição, do Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou da Declaração de Compensação. § 3º A RFB caracterizará como impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP a ausência de previsão da hipótese de restituição, de ressarcimento, de reembolso ou de compensação no aludido programa, bem como a existência de falha no programa que impeça a geração do Pedido Eletrônico de Restituição, do Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou da Declaração de Compensação. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1425, de 19 de dezembro de 2013) § 4º A falha a que se refere o § 3º deverá ser demonstrada pelo sujeito passivo à RFB no momento da entrega do formulário, sob pena do enquadramento do documento por ele apresentado no disposto no § 1º do art. 46 ou no art. 111. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11543.003645/200849 Acórdão n.º 3302005.706 S3C3T2 Fl. 169 6 § 5º Aplicase o disposto no § 1º do art. 46 e no art. 111, quando a impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP decorrer de restrição nele incorporada em cumprimento ao disposto na legislação tributária. Assim, o caso tratado neste processo passou a ser inserido na condição de pedido de restituição passível de indeferimento sumário, afastando a condição de pedido não formulado de que tratavam as instruções anteriores e sujeito, portanto, à manifestação de inconformidade, conforme o artigo 77 da IN RFB nº 1.300/2012: Art. 77. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso ou, ainda, da data da ciência do despacho que não homologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação. [...] Verificase que o § 8º não dispunha sobre o não cabimento da manifestação de inconformidade para o caso aqui tratado, restando esta situação restrita às compensações nãodeclaradas, conforme abaixo: § 8º Não cabe manifestação de inconformidade contra a decisão que considerou não declarada a compensação, sem prejuízo da aplicação do art. 56 da Lei nº 9.784, de 1999. Concluise que o pedido de restituição entregue em formulário, em descordo com as normas previstas no artigo 113 da IN RFB nº 1.300/2012, são passíveis de indeferimento sumário, mas sujeitos à manifestação de inconformidade, de acordo com o artigo 77 da referida instrução. Este rito processual está de acordo com o Parecer PGFN/CAT nº 163/2007 que tratou de situação semelhante nos seguintes termos: 2. A SRF enumera objetivamente as questões surgidas em decisões administrativas de suas projeções, bem como do debate interno entre as superintendências e a unidade central. A primeira questão é a seguinte: “15.1) nos despachos decisórios que apreciam pedidos de compensação, que não se converteram em Dcomp, por não atenderem as condições da Lei nº 9.430, de 1996, devem os pedidos ser considerados como não conhecidos; devese indeferir os pedidos ou devem ter outro resultado?” (grifos não originais) 3. Entendemos que a melhor técnica jurídica aponta que os pedidos devem ser indeferidos. (grifos não originais) 4. Conforme já definido no Parecer PGFN/CAT/CDA nº 1.499/2005, estes expedientes devem ser vistos como Fl. 169DF CARF MF Processo nº 11543.003645/200849 Acórdão n.º 3302005.706 S3C3T2 Fl. 170 7 petições endereçadas ao poder público. Dessa forma, devem ser tratadas sob a proteção do Direito de Petição, presente na Constituição Federal de 1988, dentre os direitos e garantias dos cidadãos – art. 5º, inciso XXXIV, alínea “a”. Segundo José Afonso da Silva “o direito de petição não pode ser destituído de eficácia. Não pode a autoridade a quem é dirigida escusar pronunciarse sobre a petição, quer para acolhêla quer para desacolhêla com a devida motivação”. O “não conhecimento” se aplica, salvo alguma exceção expressa na legislação, aos recursos – uma vez que estes podem ser limitados pela legislação e possuem uma via estreita de cabimento – lembrando que o duplo grau de jurisdição não é direito fundamental expresso na CF. 5. Pelo que noticia a SRF, há projeções buscando no Código de Processo Civil a fundamentação jurídica para julgar estes pedidos ineptos por considerar os pedidos juridicamente impossíveis. Não nos parece necessária tal dilação, primeiro porque a relação processual judicial (partes opostas e juiz imparcial) em muito se difere da relação administrativa (Particular / Poder Público). E em um segundo ponto se o pedido não se encontra adequado a todos os requisitos da própria lei tributária já há fundamentação suficiente para seu indeferimento, atendendo ao princípio da legalidade aplicado à Administração Pública. (...) 12. A seguir, a SRF questiona: “15.3) nos despachos decisórios que apreciam pedidos de restituição de receitas não administradas pela SRF, devese não conhecer do pedido ou indeferir o pedido de restituição?” 13. Seguindo o raciocínio acima exposto, orientamos que se deve indeferir o pedido. Isto porque há a obrigação da Administração Pública emitir decisão nos processos administrativos. Ademais é direito de o administrado ter todos os elementos que fundamentam a recusa do Poder Público em atender um pedido que entende ser razoável. (Grifo original) Tal rito processual se repetiu na vigente IN RFB nº 1.717/2017, em seus artigos 135, 164, 165 e 166 e também está em consonância com o Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta os processos administrativos no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que nos artigos 119 a 122 tratou dos recursos em face de indeferimentos de pedidos de restituição, decisão de não homologação ou de não declaração de compensações entregues pelos contribuintes, nos seguintes termos: Seção IV Fl. 170DF CARF MF Processo nº 11543.003645/200849 Acórdão n.º 3302005.706 S3C3T2 Fl. 171 8 Dos Recursos Subseção I Dos Recursos Contra a Não Homologação Art. 119. É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no art. 110, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 9o, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17). § 1o Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 10, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17; Decreto no 70.235, de 1972, art. 25, inciso II, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). § 2o A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 1o obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 1972 (Título II deste Regulamento), e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 11, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17). Subseção IA (Incluído pelo Decreto nº 8.853, de 2016) Dos Recursos Contra a Decisão que Considerar a Compensação Não Declarada Art. 119A. É facultado ao sujeito passivo, nos termos do art. 56 ao art. 65 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, apresentar recurso, no prazo de dez dias, contado da data da ciência, contra a decisão que considerar a compensação não declarada. (Incluído pelo Decreto nº 8.853, de 2016) Parágrafo único. O recurso de que trata o caput: (Incluído pelo Decreto nº 8.853, de 2016) I não terá efeito suspensivo, não se enquadrando no disposto no inciso III do caput do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação; e (Incluído pelo Decreto nº 8.853, de 2016) II será decidido em última instância pelo titular da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil, com jurisdição sobre o domicílio tributário do recorrente. (Incluído pelo Decreto nº 8.853, de 2016) Subseção II Dos Recursos Contra o Indeferimento dos Pedidos de Restituição, Ressarcimento e Reembolso Fl. 171DF CARF MF Processo nº 11543.003645/200849 Acórdão n.º 3302005.706 S3C3T2 Fl. 172 9 Art. 120. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso, apresentar manifestação de inconformidade, junto à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento competente, contra o não reconhecimento do direito creditório (Lei no 8.748, de 1993, art. 3o, inciso II; Lei no 9.019, de 1995, art. 7o, §§ 1o e 5o). Parágrafo único. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade, caberá recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Art. 121. Compete ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, observada sua competência por matéria, julgar recurso voluntário de decisão de primeira instância nos processos relativos a restituição, ressarcimento e reembolso de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (Decreto no 70.235, de 1972, art. 25, inciso II, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009). Subseção III Disposições Complementares Art. 122. A Secretaria da Receita Federal do Brasil disciplinará o disposto nesta Seção, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de reembolso (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 14, com a redação dada pela Lei no 11.051, de 2004, art. 4o). Verificase que o decreto regulamentador não discrimina o tipo de indeferimento de pedido de restituição, inserindo, de forma genérica, os indeferimentos na sujeição à manifestação de inconformidade e ao rito do PAF. Assim, defluise que, sendo as instruções normativas atos infralegais de regulamentação ou normatização de atos legais, é de se reconhecer que os atos posteriores à IN RFB 900/2008, especialmente a IN RFB 1.300/2012 e o Decreto nº 7.574/2011 nada mais fizeram que corrigir a impropriedade da IN RFB 900/2008 e anteriores, que estabeleceram distinção entre indeferimento por não formulação e indeferimento em outros casos, sem suporte legal, uma vez que o artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 estabeleceu distinção apenas entre compensação nãohomologada e compensação nãodeclarada, em seus §§ 12 e 13. Diante do exposto, voto por devolver os autos à DRJ para que se profira nova decisão, a partir do conhecimento das alegações realizadas em manifestação de inconformidade relativas ao pedido de restituição considerado não formulado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 172DF CARF MF Processo nº 11543.003645/200849 Acórdão n.º 3302005.706 S3C3T2 Fl. 173 10 Fl. 173DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.003142/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 02/01/2003 a 04/11/2003
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PERFUMES (EXTRATOS). ÁGUASDECOLÔNIA. CONCENTRAÇÃO ODORÍFERA. NOTA COANA/COTEC/DINOM nº 253/2002. VIGÊNCIA.
Antes e depois do período ao longo do qual vigeu a Nota Coana/Cotec/Dinom nº 253/2002, identificavam-se e classificavam-se como extratos/perfumes os produtos constituídos pela solução ou dispersão de uma composição aromática em concentração mínima de 10% (dez por cento) e máxima de 30% (trinta por cento).
As mercadorias referidas como águasdecolônia no código 3303.00.20 da NCM, compreendem os produtos com um teor de composição aromática de até 15% (quinze por cento), de acordo com a Nota Coana/Cotec/Dinom nº 253/2002, em vigor até sua reformulação pela Nota Coana/Cotec/Dinom nº 344/2006, de 13/12/2006.
Numero da decisão: 3302-005.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os montantes relativos aos produtos importados com concentração odorífera igual ou inferior a 15%, conforme laudos que fundamentaram o lançamento, vencido o Conselheiro Jorge Lima Abud (relator) que dava provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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PERFUMES (EXTRATOS). ÁGUASDECOLÔNIA. CONCENTRAÇÃO ODORÍFERA. NOTA COANA/COTEC/DINOM nº 253/2002. VIGÊNCIA. Antes e depois do período ao longo do qual vigeu a Nota Coana/Cotec/Dinom nº 253/2002, identificavamse e classificavamse como “extratos/perfumes” os produtos constituídos pela solução ou dispersão de uma composição aromática em concentração mínima de 10% (dez por cento) e máxima de 30% (trinta por cento). As mercadorias referidas como “águasdecolônia” no código 3303.00.20 da NCM, compreendem os produtos com um teor de composição aromática de até 15% (quinze por cento), de acordo com a Nota Coana/Cotec/Dinom nº 253/2002, em vigor até sua reformulação pela Nota Coana/Cotec/Dinom nº 344/2006, de 13/12/2006. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os montantes relativos aos produtos importados com concentração odorífera igual ou inferior a 15%, conforme laudos que fundamentaram o lançamento, vencido o Conselheiro Jorge Lima Abud (relator) que dava provimento integral. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 31 42 /2 00 7- 15 Fl. 3668DF CARF MF 2 Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède. Relatório O presente auto de infração foi lavrado em 21/09/2007, sendo referente à exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados acrescido de multa de ofício e juros de mora, além de multa do controle aduaneiro, multa proporcional ao valor aduaneiro (1%) e multa regulamentar, no valor de R$ 3.144.498,16. No exercício das funções do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal, atendendo a determinação do Registro de Procedimento Fiscal Fiscalização Interna n* 07.2.76.002007008024, promoveuse a REVISÃO ADUANEIRA prevista no artigo 570 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, em relação às Declarações de Importação arroladas no corpo do Auto de Infração. Por ocasião da conferência física dessas declarações, foram retiradas amostras dos produtos em questão (ver termos de retenção de amostras junto aos seus respectivos laudos às fls 142 a 461 ). As amostras foram enviadas ao Laboratório Nacional de Análises Luiz Anqerami, e suas análises resultaram em laudos técnicos. Esses laudos concluíram que os produtos citados se tratam de "perfume", constituído de solução HidroAlcoólica e Substâncias Odoríferas, na forma líquida acondicionada em embalagem própria para venda a retalho". Sobre o assunto, foi editado o Decreto n° 79.094, de 05/01/1977, que trata do "Sistema de Vigilância Sanitária dos Medicamentos, Insuraos Farmacêuticos, Drogas, Correlatos, Cosméticos, Produtos de Higiene, Saneantes e Outros". O importador classificou as mercadorias descritas no código NCM 3303.00.20, que é específico para água de colônia, estando tal posição sujeita a alíquota de 10% de IPI, mas através da análise do resultado dos laudos supracitados e da aplicação da Regra Geral para a Interpretação do Sistema Harmonizado n° 1, a fiscalização concluiu que os produtos objeto de tais laudos deveriam ter sido classificados no código NCM 3303.00.10, que é a posição específica para PERFUMES. Face ao exposto foi lavrado o presente auto de infração a fim de exigir os créditos tributários decorrentes da desclassificação fiscal das mercadorias em questão no Fl. 3669DF CARF MF Processo nº 12466.003142/200715 Acórdão n.º 3302005.483 S3C3T2 Fl. 3.641 3 código NCM 3303.00.10, onde tais mercadorias estariam sujeitas à aliquota de 40% de I.P.I. e alíquota de 19,5% de II. O importador depositou administrativamente os valores discutidos, a fim de obter a liberação das mercadorias. Cientificado da lavratura do Auto de Infração, pessoalmente, em 22/10/2007, o autuado apresentou sua impugnação de folhas 1.492 a 1.520. Foi alegado que: ü Da imprecisão dos laudos laboratoriais: nos laudos não foi feita a correta medição do teor de composição aromática, já que o mesmo foi apurado por diferença, ou seja, não houve medição precisa da composição aromática e sim apuração aritmética de um percentual obtido após a exclusão da água e do álcool. Esta imprecisão foi apontada pela DINOM por meio da informação n.° 421/2006 (transcreve às fls. 1498/1499); ü Da necessidade de o Laboratório de Análises indicar as fontes bibliográficas citadas; ü Da duplicidade na cobrança do IPI na importação: a impugnante alega que algumas DI’s já foram objeto de autuação anterior. São os seguintes processos: 12466.003878/200360 (DI’s n.°s 03/07613466 e 03/07706944) e 12466.001156/200371 (Dl n.° 03/01640089); ü Da iliquidez do lançamento: demonstra através dos demonstrativos de folhas 1740/1804 a divergência nos cálculos; ü Da utilização de laudo que não corresponde ao produto importado: o laudo n.° 3023.03 referese ao produto Champs Elysees Eau de Parfum, no entanto o produto importado é um Eau de Toilette, com concentração odorífera menor que aquele, não podendo ser usado como prova emprestada para estas importações. No mérito: ü A ANVISA é órgão competente para classificar os produtos em questão. E Ela classificou água perfumada como água de colônia e não como perfume como pretende a fiscalização. Todos estes produtos foram classificados pela ANVISA como água de colônia. Cita acórdão proferido pelo Conselho de Contribuintes que trata da matéria; ü Deve ser considerada no exame do produto a variação de temperatura no ambiente pois isto acarreta uma majoração na concentração da composição aromática. Outro aspecto é o fato de que a apuração deste percentual de concentração foi feita por diferença, sem critérios precisos; Fl. 3670DF CARF MF 4 ü Nos laudos foi identificada a presença de água, o que implica que os produtos não podem ser classificados como perfumes, pois estes não podem conter água, somente óleo e álcool. Traz uma consulta formulada à ANVISA que trata sobre a classificação de extrato e perfume. Discorre sobre este assunto, afirmando que por isso os produtos, que não sejam, extratos ou essências, devem ser classificados como água de colônia; ü Tendo em vista o acerto da classificação fiscal efetuada pela impugnante as exigências do 1PI e das multas não podem prosperar; ü Alega que as autuações atentam contra a segurança jurídica e ainda ofende ao princípio da moralidade administrativa; Em 12 de setembro de 2008, através do Acórdão n° 0713.951, a 2a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis, por maioria de votos, considerou PROCEDENTES EM PARTE os lançamentos consubstanciados nos autos de infração, excluindo os seguintes valores: Ø R$56.059,83 de IPI, juntamente com a multa de ofício no valor de R$42.044,88 e os juros de mora correspondentes, referentes às Declarações de Importação lançadas em duplicidade; Ø R$694.893,30 de multa do controle administrativo (art. 633, II, a, Decreto n.° 4.543/2002); Ø R$2.12434 de multa proporcional por classificação incorreta (art, 84, MP n.° 2.15835/2001) referentes às DI’s lançadas em duplicidade. A impugnante foi cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento (folhas 3.523), pessoalmente, em 04/11/2008. Em 04/12/2008, ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, apresentando suas razões de folhas 3.535 a 3.581. O Recorrente alegou basicamente os mesmos pontos levantados na impugnação. Em 11 de dezembro de 2014, a 2a Turma Ordinária, da 1a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, através da Resolução n° 3102000.331, baixou os autos em diligência para que a Unidade Preparadora determinasse a complementação dos Laudos periciais nos quais baseouse a autuação. O Laboratório deverá indicar com precisão qual o teor de substâncias odoríferas das mercadorias acima relacionadas, levando em consideração não somente a água e o álcool, mas também todos os outros elementos não aromáticos presentes no líquido. Em resposta o Instituto de Química da UNICANP esclareceu que: Em resposta à sua solicitação, informamos que as contraprovas das análises realizadas no âmbito do Contrato de Prestação de Fl. 3671DF CARF MF Processo nº 12466.003142/200715 Acórdão n.º 3302005.483 S3C3T2 Fl. 3.642 5 Serviços Técnicos Especializados firmado entre a União Federal/Receita Federal com o IQUNICANP/Funcamp ficaram em posse da própria Receita, quando do encerramento do vínculo contratual, ocorrido há mais de 10 (dez) anos. Sendo assim, considerando os fatos acima narrados, entendemos que, para atendimento da determinação do CARF, compete ao Laboratório atualmente credenciado/contratado a complementação dos laudos elaborados pelo IQ Unicamp/Funcamp. Complementação que dependerá do prévio envio das contraprovas que ficaram em posse da Receita Federal, no entanto, em função do longo tempo (mais de dez anos) as amostras certamente sofreram alterações pelo fato de apresentarem em sua composição substâncias voláteis além de poder sofres decomposição, alterando a composição inicial. Considerando que a composição básica de um perfume/água de colônia seria uma mistura de água, álcool (Etanol), Substâncias odoríferas e Fixadores, portanto ao determinarmos a quantidade de água e álcool (etanol) o restante será composto pelas substâncias odoríferas e fixadores, para totalizar o 100% do conteúdo. Dada a negativa da diligência, a Fiscalização requereu concordância daquele Instituto relativamente à outras respostas dadas a esse E. Colegiado, em outros casos similares: Os mesmos questionamentos sobre o método já foram feitos pelo CARF em outros processos. O gerente do outro laboratório credenciado nos esclareceu pontos importantes que seguem: Só há método de análise por diferença (...) Quanto a realizar novos ensaios/laudos com amostras de perfumes de 2001 a 2003 a que foram analisados neste período, para comparação e confirmação de resultados, acreditamos que não seja viável em função do tempo decorrido. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Lima Abud Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância, pessoalmente, em 04 de novembro de 2008, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário apresentando a recorrente recurso voluntário em 04 de dezembro de 2008. Da controvérsia. Fl. 3672DF CARF MF 6 A Recorrente submeteu a Despacho Aduaneiro para consumo lote de “águas de colônia", recebendo classificação tributária no código NCM 3303.00.20 “águasdecolônia". É pretendida a alteração da classificação tributária pela fiscaização para o código NCM 3303.00.10 "perfume". Os códigos NCM vigente à época da importação: 3303.00.10 Perfumes (extratos) 3303.00.20 Águasdecolônia Do Mérito. Iniciase a presente análise com a transcrição do seguinte fragmento do Relatório de Procedimento Fiscal, às folhas 7 e 8 do processo digital: (...) Estes laudos concluíram que os produtos citados se tratam de "perfume", constituído de solução HidroAlcoólica e Substâncias Odoríferas, na forma líquida acondicionada em embalagem própria para venda a retalho". Sobre o assunto, foi editado o Decreto n° 79.094, de 05/01/1977, que trata do "Sistema de Vigilância Sanitária dos Medicamentos, Insumos Farmacêuticos, Drogas, Correlatos, Çpsméticos, Produtos de Higiene, Saneantes e Outros". Seu artigo 49, inciso II, que trata dos Perfumes, apresenta as seguintes definições: "II Perfumes: a) Extratos constituídos pela solução ou dispersão de uma composição aromática em concentração mínima de 10% (dez por cento) e máxima de 30% (trinta por cento). b) Águas perfumadas, águas de colônia, loções e similares constituídos pela dissolução até 10% (dez por cento) de composição aromática em álcool de diversas graduações, não podendo ser nas formas sólidas nem na de bastão." Como se observa, o critério de diferenciação entre os "extratos" e as "águas perfumadas, águasdecolônia, loções e similares", encontrase definido de forma objetiva na legislação pátria, atendendo ao desdobramento da posição 3303 efetuado no País, ao nível dos itens relativos aos "Perfumes (extratos)" e às "Águasdecoiônía". (Grifo e negrito nossos) O seguinte fragmento é retirado do Acórdão n° 0713.951, de 12/09/2008, proferido pela 2a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis, por maioria de votos, considerou PROCEDENTES EM PARTE os lançamentos consubstanciados nos autos de infração. Há que se ressaltar que a improcedência parcial se deveu à duplicidade de lançamentos (retirado da folha 3.517 do processo digital): Essa observação explica o motivo pelo qual as NESH da posição 3303, embora indique existência de “Perfumes (extratos)” e “Águasdccolônia”, Fl. 3673DF CARF MF Processo nº 12466.003142/200715 Acórdão n.º 3302005.483 S3C3T2 Fl. 3.643 7 não estabeleceram os critérios merceológicos de diferenciação dessas categorias, pois tal desdobramento não existe no Sistema Harmonizado. Nesse contexto, a interpretação sistemática e teleológica da legislação tributária relativa ao comércio exterior leva à conclusão de que, sendo a diferenciação dos itens “Perfumes (extratos)” e “Aguasdecolônia” válida somente para o País, é certo que os critérios de distinção desses conceitos deve ser inferida a partir da legislação nacional específica do setor. Sobre o assunto, foi editado o Decreto n° 79.094, de 05/01/1977, que trata do “Sistema de Vigilância Sanitária dos Medicamentos, Insumos Farmacêuticos, Drogas, Correlatos, Cosméticos, Produtos de Higiene, San cantes e Outros”. Seu artigo 49, inciso II, que trata dos Perfumes, apresenta as seguintes definições: II Perfumes: a) Extratos constituídos pela solução ou dispersão de uma composição aromática em concentração mínima de 10% (dez por cento) e máxima de 30% (trinta por cento). b) Aguas perfumadas, águas de colônia, loções e similares — constituídos pela dissolução até 10% (dez por cento) de composição aromática em álcool de diversas graduações, não podendo ser nas formas sólidas nem na de bastão. Como se observa, o critério de diferenciação entre os “extratos” e as “águas perfumadas, águasdecolônia, loções e similares”, encontrase definido de forma objetiva na legislação pátria, atendendo ao desdobramento da posição 3303 efetuado no País, ao nível dos itens relativos aos “Perfumes (extratos)” e às “Aguasdecolônia”. Diante da exposição acima se depreende que na NCM existem dois desdobramentos apenas para perfumes (extratos) e águas de colônias. Na legislação competente para diferenciar estas mercadorias, o Decreto n" 79.094, de 05/01/1977, foi especificado que águas de colônia e águas perfumadas só poderíam conter até 10% de concentração de composição aromática. Acima deste percentual seriam classificadas como extratos. Correta está a reclassificação feita pela fiscalização, haja vista que todos os produtos analisados tiveram um percentual de concentração odorífera de mais de 10%, excluindoos do código 3303.00.20 (água de colônia) como queria a importadora para localizálos no código 3303,0010 (perfumesextratos). Por esses dois fragmentos, é nítido que tanto a ação fiscal quanto a decisão da Delegacia Regional de Julgamento se pautaram no critério do percentual de concentração odorífera, determinado pelo artigo 49, inciso II, do o Decreto n° 79.094, de 05/01/1977. A própria Ementa do Acórdão n° 0713.951, de 12/09/2008, faz essa referência: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 02/01/2003 a 04/11/2003 DESCLASSIFICAÇÃO FISCAL. Fl. 3674DF CARF MF 8 COMPROVAÇÃO. Mantémse a desclassificação fiscal realizada com base em Laudo Técnico que contenha elementos suficientes para comprovar que o produto examinado se enquadra, inequivocamente, na classificação fiscal determinada pela autoridade lançadora. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. PERFUMES. Produtos de perfumaria que possuem concentração de substâncias odoríferas entre 10% e 30% são considerados “Perfumes (extratos)”, classificandose no código NCM 3303.00.10. (Grifo e negrito nossos) Da NOTA TÉCNICA N° 74/2013/GGCOS/ANVISA Referente à solicitação do Ministério da Fazenda Subsecretária de Aduana e Relações Internacionais, por meio do Ofício 1057/2013REB/GABIN/SUARI, acerca da Definição de “perfumes (extrato) e água de colônia, foi informado pela NOTA TÉCNICA N° 74/2013/GGCOS/ANVISA (folhas 3.643 do processo digital): Em função dos avanços tecnológicos a cada dia os fabricantes de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes buscam utilizar fragrâncias que sejam menos alergênicas e/ou irritantes. 2. A RDC n° 03/2012, contempla substâncias utilizadas em fragrâncias que contém limites estabelecidos e se ultrapassarem esses limites deverão informar na rotulagem a indicação do ingrediente. 3. A informação técnica que continha no artigo 49 do Decreto n° 79.094/77 (revogado), atualmente e do ponto de vista técnico não tinha fundamentação científica que respaldasse tal exigência. Talvez, em 1977 quando foram estabelecidas aquelas concentrações existisse alguma literatura técnica que justificasse, e não haviam estudos que comprovassem a alergenicidade causada pelos ingredientes que compõe uma fragrância. Considerando não existir literatura técnicocientifica que justifique e comprove a diferenciação de nomenclatura de perfumes e água de colônia em função da concentração da fragância, do ponto de vista sanitário não há como estabelecer critérios para tais categorias. Concluise, portanto, que para a Anvisa o importante é que o produto seja sempre seguro para o uso e não causar.danos à população independente de ser água de colônia ou perfumes e a concentração dá fragrância. Da reforma do entendimento expresso na Nota Coana/Cotac/Dinom n° 253/2002 Em Despacho de 04 de novembro de 2015, a CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana) assim se manifestou: O presente processo solicita a esta CoordenaçãoGcral de Administração Aduaneira (Coana) o envio de cópias das Notas Coana/Cotac/Dinom 253/2002 e 344/2006. que a prestaram esclarecimentos quanto à classificação fiscal de “perfumes*" e "águasdecolônia” na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Fl. 3675DF CARF MF Processo nº 12466.003142/200715 Acórdão n.º 3302005.483 S3C3T2 Fl. 3.644 9 Destaquese. primeiramente. que o entendimento expresso na Nota Coana/Cotac/Dinom n" 253/2002 foi reformado pela Nota Coana/Cotac/Dinom n° 344/2006. Por sua vez. a Nota Coana/Cotac/Dinom n° 344/2006 invocou, como fundamento, o Decreto n" 79.094/77. art. 49. inciso II. que categorizava os perfumes com base na concentração de sua composição aromática. Ocorre que o citado decreto foi revogado pelo Decreto n° 8.077. de 14 de agosto de 2013. que não faz qualquer menção à definição ou ao alcance dos "perfumes", "águasdecolônia" ou congêneres. Ademais, após consulta efetuada pela RFB. a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) declarou, por meio da Nota Técnica n° 74/2013/CGCOS/AN VISA, "não existir literatura técnicocientífica que justifique e comprove a diferenciação de nomenclatura de perfumes e água de colônia em função da concentração da fragrância". Face ao exposto, informamos que a Nota Coana/Cotac/Dinom n° 344/2006 foi tacitamente revogada quando da publicação do Decreto n° 8.077. de 14 de agosto de 2013. cujo texto pode ser visualizado no seguinte link: http://www.planalto.gov.br/ecivii_03/_Ato20112014/2013/Decreto/D8077.h tm Em que pesem as Notas não estarem mais vigentes, envio, por meio deste processo, as cópias solicitadas. (Grifo e negrito nossos) Cito ainda dois Acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que estou divergindo: Acórdão: 3101001.203 Número do Processo: 12466.004376/200607 Data de Publicação: 05/03/2013 Contribuinte: INDUSTRIA E COMERCIO QUIMETAL SA Relator(a): LUIZ ROBERTO DOMINGO Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 04/01/2002 a 23/11/2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PERFUMES. ÁGUAS DE COLONIAS. As mercadorias mencionadas no código 3303.00.20 da NCM, referidas como “águas de colônias” englobam os produtos com teor de concentração de essência de 10 a 15%, nos termos da NOTA COANA/COTEC/DINOM no. 253/2002, em vigor até 13 de dezembro de 2006, quando foi expe Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer como água de colônia os produtos com até 15% de essência odorífera, importados até 13 de dezembro de 2006, e afastar a multa por falta de LI e a multa de ofício para fatos ocorridos até 11 de setembro de 2002. Acórdão: 30335.394 Fl. 3676DF CARF MF 10 Número do Processo: 12466.000604/200238 Data de Publicação: 18/02/2012 Contribuinte: HPRCOMERCIO EXTERIOR LTDA Relator(a): Nanci Gama Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 28/07/2000 a 14/09/2001 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IPI. Produtos NOBILE, ACCENTI, ENVY e RUSH devem ser classificados sob código 3303.00.20, eis que se tratam de "águas de colônia" e não de "perfumes (extratos)". A Nota Coana/Cotac/Dinom n.° 253/2002 prevê que, para que as mercadorias sejam consideradas como "perfumes (extratos)", as mesmas devem po Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, afastar a preliminar de diligência suscitada pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, vencidos também os Conselheiros Celso Lopes Pereira Neto e Anelise Daudt Prieto. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro e Celso Lopes Pereira Neto, que negaram provimento. Em destaque, as datas de publicação dos dois Acórdãos: 18/02/2012 e 05/03/2013 que são anteriores à NOTA TÉCNICA N° 74/2013/GGCOS/ANVISA e ao Despacho de 04 de novembro de 2015, da Coana. Está aqui se delineando, no entender deste Relator, um autêntico conflito entre o Direito Natural e o Direito Positivado. O artigo 49 do Decreto n° 79.094/77 foi revogado. Isso é um fato! A Administração Pública pode e deve rever seus atos quando maculados pela ausência de fundamentação. Invocarseia, em uma relação jurídico tributária habitual, o artigo 144 do Código Tributário Nacional para explicitar que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Contudo, entendese que não está a se lidar com um conflito de normas tributárias no tempo. A questão a ser enfrentada é de maior amplitude. O órgão federal com competência para tal, emitiu uma nota técnica admitindo que a informação técnica que continha no artigo 49 do Decreto n° 79.094/77 (revogado), atualmente e do ponto de vista técnico não tinha fundamentação científica que respaldasse tal exigência. Mais sensato do que a aplicação do Direito Positivado à época, vem a ser o expresso reconhecimento de que o critério que regeu a exigência que propiciou a subsunção do fato à norma era desprovido de fundamentação. Logo, o critério adotado, que lastreou a ação fiscal, percentual de concentração odorífera é imprestável, portanto reprovável, que só gerou iniquidade. É contra essa iniquidade impor uma exigência tributária injusta, a partir de um critério desprovido de fundamentação que se levanta este Relator para acolher as razões do RECURSO VOLUNTÁRIO. Diante de tudo que foi exposto, VOTO no sentido de dar provimento ao Recurso do Contribuinte. Fl. 3677DF CARF MF Processo nº 12466.003142/200715 Acórdão n.º 3302005.483 S3C3T2 Fl. 3.645 11 É como voto. Jorge Lima Abud Voto Vencedor Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Redator Designado. Com as vênias de praxe, dissinto do entendimento do eminente Relator no sentido de dar provimento integral ao recurso voluntário apresentado. Nesse ponto, pela perfeita adequação do presente caso, formalizado por meio do PAF nº 12466.003142/200715 (02/01/2003 a 04/11/2003), ao precedente julgado nos autos do PAF nº 12466.001083/200741 (17/04/2002 a 27/12/2002), sobre fatos absolutamente semelhantes, envolvendo o mesmo contribuinte e períodos de apurações imediatamente anteriores, adoto como minhas as razões de decidir no recurso especial do Acórdão nº 9303006.006, de 29/11/2017, in verbis: "No mérito, pela clareza e precisão com que aborda a matéria, adoto, no que couber, o voto do i. Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, acórdão nº 9303005.498, de 15 de agosto de 2017, que a seguir transcrevo. O recurso interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, tratase de decisão por maioria (nãounânime), proferida antes de 30/06/2009, e foi admitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Quanto à alegada contrariedade à lei ou à evidência da prova entendo como procedente. A decisão recorrida, afastou a aplicação do art. 49, II, do Decreto nº 79.094/77, que, ao tratar do sistema de vigilância sanitária a que se submetem medicamentos, insumos farmacêuticos, drogas, correlatos, cosméticos, produtos de higiene, saneantes e outros, diferenciava "extratos" de "águas de colônia". Segundo o referido dispositivo regulamentar, os primeiros eram constituídos pela solução de uma composição aromática em concentração mínima de 10% e máxima de 30%; já as águas de colônia eram constituídas pela dissolução até 10% de composição aromática em álcool de diversas graduações, não podendo ser nas formas sólidas. Na hipótese em análise, verificouse, segundo os laudos periciais presentes nos autos, que os produtos classificados apresentam concentrações de essências em percentuais de 10,4%, 12,7%, 12,3% e 11,3%. Portanto, todas as concentrações de substâncias odoríferas eram superiores a 10%, configurando os produtos como “perfumes (extratos)”. No caso, a, decisão recorrida não considerou o resultado dos laudos periciais presentes nos autos, por não concordar com o método "por diferença" utilizado, bem como não observou o percentual máximo de 10% de substâncias odoríferas, optando por considerar um percentual limite 15%, conforme interpretação advinda da Nota Coana/Cotac/Dinom n°253/2002. Diante da comprovação da contrariedade à evidência da prova, e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Fl. 3678DF CARF MF 12 Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão da classificação fiscal dos produtos relacionados no relatório supra, e do método utilizado para aferir o percentual de substâncias odoríferas com a finalidade de classificar os produtos. A questão em análise já foi apreciada por esta turma julgadora da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que concluiu pela validade do método utilizado nos laudos e pela classificação dos produtos no código NCM 3303.00.10 (perfume). Tratase do Acórdão nº 9303001.732, com voto condutor da lavra do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, cujos excertos transcrevo abaixo e adoto seus fundamentos como razão de decidir: “Inicialmente, devese enfrentar os argumentos de defesa contrários ao laudo técnico. Neste ponto, insurgiuse a autuada contra o método utilizado nos Laudos de Análise, mediante a apuração da quantidade de substâncias odoríferas por diferença, sob a alegação de que os produtos analisados possuiriam "outros componentes" que não teriam sido detectados nos exames em questão. Para proceder a reclassificação fiscal das mercadorias ora sob exame, a fiscalização utilizou os Laudos de Análise n° 1383.03 e 1383.09 (fls. 38 a 41), que tratam do exame dos mesmos produtos "Amarige de Givenchy Eau de Toilette" e "Organza de Givenchy Eau de Parfum",mimportados por meio de outra DI, de n° 01/08635311 (fl. 120). De outro lado, ambas as DIs versam sobre importação de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação, com isso, como bem asseverou a decisão de primeira instância, é legítima, nesse caso, a utilização da prova emprestada, uma vez comprovado o atendimento dos quesitos estabelecidos no art. 30, § 3°, letra 'a' do Decreto n° 70.235/72. Ressaltese, por oportuno que preditos laudos foram emitidos pelo Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami, órgão público federal que integra o Ministério da Fazenda, e que detém a competência específica para proceder à análise laboratorial dos produtos importados. Assim, nos termos do disposto no caput desse artigo, esses laudos devem ser adotados em seus aspectos técnicos, salvo se demonstrada sua improcedência, o que não é o caso sob exame, vez que recorrente, em momento algum, juntou outro laudo que contrapusesse os resultados constantes do Laudo em discussão. [...] Ressaltese que os Laudos de Análise, ora em exame, indicam que o teor dos componentes dos produtos analisados foi identificado mediante o teste de Cromatografia Gasosa, atendendo, ao disposto, ao disposto no art. 36, inciso I da IN SRF n° 157/1998, acrescido pela IN SRF n° 152/2002. De outro lado, à quantificação por diferença é método cientificamente válido, posto que se os componentes de determinada substância são conhecidos, identificandose a proporção individual de cada um deles temse a do todo. Assim, por exemplo, se uma substância X é composta dos elementos A, B e C, a soma desses elementos vai representar o todo, pois A + B + C = X. Partindose dessa equação, podese Fl. 3679DF CARF MF Processo nº 12466.003142/200715 Acórdão n.º 3302005.483 S3C3T2 Fl. 3.646 13 encontrar a quantidade de qualquer um dos elementos. Se A, B e X são conhecidos, para se encontrar o valor de C, basta armar a equação: C = X – A – B. O 4resultado se obtém com a resolução de uma simples equação de primeiro grau. Aliás, esse método é simples e seguro. No caso dos autos, segundo o Laudo de Análise, fl. 38, o perfume é constituído de solução Hidro Alcoólica e de substâncias odoríficas. Os exames apontaram que o teor de álcool representava 76,8%, e o de água 4,4%. Utilizandose o método da diferença, temse que: Produto (100%) = 76,8 % Álcool + 4,4 % água + X % substância odoríferas. 100% = 76,8% 4,4% + X% => X = 100 – 76,8 – 4,4 => X = 18,8. Como se vê, o método da diferença é simples e matematicamente irrefutável.” Dessa forma, concluo pela plena validade do método utilizado nos laudos técnicos emitidos pelo Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami. Reproduzo, novamente, tabela com os percentuais de substância odorífera em cada produto, aferido pelos laudos, cujos percentuais variaram entre 10,4% a 12,7%: PRODUTO %SUB.O DOR. LAUDO GUCCI NOBILLE 10,4 1481.01 GUCCI ACCENTI 12,7 1481.02 GUCCI ENVY 12,3 1481.03 GUCCI RUSH 11,3 1481.04 Ultrapassada a questão da metodologia adotada no laudo de análise acima aludido, passase, à questão da classificação fiscal os produtos mencionados. A posição NCM/SH 3303 é dividida em 3303.00.10 para perfumes (“extratos”) e 3303.00.20 para águas de colônia. O Sistema Integrado de Designação e Codificação de Mercadorias é formado por posições de quatro dígitos, que são subdivididos em subposições de 1º nível (5º dígito) e subposições de 2º nível (6º dígito). De acordo com a mencionada Convenção, cada parte contratante pode criar, no âmbito de sua nomenclatura, subdivisões para a classificação de mercadorias em nível mais detalhado que o Sistema Harmonizado, utilizando subdivisões ao nível de item (7° digito) e subitem (8º dígito). No caso da posição 3303, resta claro que o desdobramento nas espécies ʺperfumes (extratos)ʺ e ʺáguas de colôniaʺ foi criado ao nível de item (7° digito), o que Fl. 3680DF CARF MF 14 demonstra que se trata de uma abertura válida somente para o Brasil, eis que o 7º dígito não compõe o código do Sistema Harmonizado. Essa observação explica o motivo pelo qual as NESH da posição 3303, embora apontem a existência de ʺPerfumes (extratos)ʺ e ʺÁguas de colôniaʺ, não estabeleceram os critérios merceológicos de diferenciação dessas categorias, pois tal desdobramento não existe no Sistema Harmonizado. Nesse contexto, conforme destacado no Acórdão 9303001.732, “a interpretação sistemática e teleológica da legislação tributária relativa aocomércio exterior leva à conclusão de que, sendo a diferenciação dos itens "Perfumes (extratos)" e "Águas de colónia" válida somente para o País, é certo que os critérios de distinção desses conceitos deve ser inferida a partir da legislação nacional específica do setor”. Sobre o assunto, foi editado o Decreto n° 79.094, de 05/01/1977, que trata do "Sistema de Vigilância Sanitária dos Medicamentos, Insumos Farmacêuticos, Drogas Correlatos, Cosméticos, Produtos de Higiene, Saneantes e Outros". Seu artigo 49, inciso II, que trata dos Perfumes, apresenta as seguintes definições: 11 — Perfumes: a) Extratos — constituídos pela solução ou dispersão de uma composição aromática em concentração mínima de 10% (dez por cento) e máxima de 30% (trinta por cento). b) Águas perfumadas, águas de colônia, loções e similares — constituídos pela dissolução até 10% (dez por cento) de composição aromática em álcool de diversas graduações, não podendo ser nas formas sólidas nem na de bastão. Constatase que o critério de diferenciação entre os "extratos" e as "águas perfumadas, águas de colônia, loções e similares", encontravase definido à época dos fatos, de forma objetiva, na legislação pátria. Partindo da idoneidade dos laudos técnicos e da plena validade do método utilizado, passando pela constatação dos percentuais de concentração aromática que variaram entre 10,4% a 12,7%, concluise que os produtos analisados são considerados "Perfumes (extratos)", já que os percentuais apurados excedem o limite de 10 % definido na legislação específica para classificálos como água de colônia. Uma vez identificado o produto, se perfume ou se água perfumada, e essa identificação é feita de acordo com a concentração estabelecida nesse dispositivo legal, para se proceder a codificação desses produtos na NCM/SH, na TEC ou na TIPI, basta seguir as regras de classificação de mercadorias, como corretamente procedeu a Fiscalização e o órgão julgador de primeira instância, concluindo pelo código NCM 3303.00.10. A decisão recorrida considerou também o disposto na Nota Coana/Cotac/Dinom nº 253, de 1/8/2002, que teria se manifestado acerca dos critérios adotados para classificar uma preparação odorífera como "perfume" ou "extrato", ou como "água de colônia" na Nomenclatura Comum do Mercosul, nestes termos: 7.1 "Essência ou extrato" é o perfume em sua concentração mais alta, sendo que a percentagem varia, conforme a marca, de 15% a Fl. 3681DF CARF MF Processo nº 12466.003142/200715 Acórdão n.º 3302005.483 S3C3T2 Fl. 3.647 15 30% de essência diluída em álcool de 90" GayLussac (GL). É o tipo mais caro de perfume e, por não serem adequados ao clima tropical, são difíceis de serem encontrados em razão da pouca comerciabilidade. O fixador (por exemplo, gordura de origem animal reproduzida em laboratório) tem um poderoso efeito de fixação que pode se prolongar por até 24 horas. 7.2 "Eau de parfum" é um perfume com menor concentração de essência, de 10% a 15%, diluída em álcool etílico de 90° GL, cujo efeito de fixação chega a ultrapassar as 12 horas. 7.3 "Eau de toileite" tem concentração de essência entre 5% e 10%, diluída habitualmente em álcool de 85" GL. Seus índices de fixação não passam das 8 horas em temperaturas mais altas. 7.4 "Águadecolônia" ou "eau de cologne" é a fragrância cuja percentagem de essência varia entre 3% e 5% e seu grau alcoólico fica entre 70° e 80"GL. Sua fixação não é maior do que 5 horas e seria, a priori, o ideal para o nosso clima. 7.5 "Eau fratche"é a "água refrescante", perfumada quase sempre com pouquíssima essência cítrica (limão ou tangerina). Por isto, muitas vezes é chamada de "eau de sport". Tem uma baixa percentagem de essência, de 1% a 3%, e vem quase sempre diluída em álcool de 70° ou 80° GL, havendo poucas variantes de "eau fraiche" que não empregam álcooL Sua taxa de fixação é mínima, de 2 a 4 horas. 8. Tendose em mente o exposto e considerando as NESH pode se afirmar que os "perfumes ou extratos", citados no código 3303.00.10 da NCM, compreendem apenas as essências ou extratos (subitem 7.1). 9. Já as mercadorias mencionadas no código 3303.00.20 da NCM, referidas como "águasdecolônia" englobam as chamadas "eau de patfum", "eau de toilette", "eau de cologne" e "cais fraiche" (subitem 7.2 a 7.5). Desta forma, na vigência da Nota Coana/Cotac/Dinom nº 253, de1º/8/2002, para efeitos de classificação fiscal, consideravase o produto como "água de colônia" quando o teor de essência fosse inferior a 15%. O mesmo órgão reviu seu posicionamento por meio da Nota Coana/Cotac/Dinom nº 344, 13/12/2006, adotando entendimento em consonância com o Decreto n° 79.094, de forma que, a partir dessa alteração, passaram a ser classificadas no código 3303.00.10 da NCM as mercadorias constituídas pela solução ou dispersão de uma composição aromática em concentração superior a 10% e no código 3303.00.20 as mercadorias constituídas pela dissolução de uma composição aromática em concentração inferior ou igual a 10%, em álcool de diversas graduações. (grifei) Constatase, entretanto, que as importações ora tributadas foram formalizadas em período anterior à vigência da NOTA COANA/COTEC/DINOM nº 253/2002, de 1/8/2002 a 13/12/2006. Dessa forma, não há que se considerar o disposto na referida nota, mostrandose correta a classificação determinada pela Autoridade Fiscal, em obediência ao disposto no Decreto n° 79.094, de 5/1/1977. Ainda que o referido Decreto tenha sido posteriormente revogado pelo Decreto n° 8.077/2013, à época dos fatos estava plenamente em vigor. Fl. 3682DF CARF MF 16 Restaurando o lançamento efetuado relativo ao principal, também devem ser restauradas as penalidades incidentes sobre as infrações, conforme decisão de primeira instância. Cumpre destacar que o voto do i. Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas não analisa circunstâncias fáticas idênticas as de que aqui tratamos. Neste, nem todas as importações foram registradas em data anterior à NOTA COANA/COTEC/DINOM nº 253/2002, do que decorre que a constatação do penúltimo parágrafo do voto não se aplica in totum no vertente caso. Inobstante, o dispositivo deste acórdão é claro em prover apenas parcialmente o recurso, decisão que está em perfeita sintonia com os fundamentos do voto proferido no acórdão nº 9303005.498." Com estas considerações, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os montantes relativos aos produtos importados com concentração odorífera igual ou inferior a 15%, conforme laudos que fundamentaram o lançamento. Fenelon Moscoso de Almeida. Fl. 3683DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.724302/2016-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011
DECADÊNCIA.CONTAGEM DO PRAZO.IRPJ.LUCRO REAL TRIMESTRAL.
O prazo para constituir o crédito tributário referente ao IRPJ extingue-se em 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador, que no caso do lucro real trimestral é ao final de cada trimestre. Com a ciência da autuação em 12/09/2016, alcançou dentro dos 5 anos os fatos ocorridos em 06/07/2011.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA
Não se vislumbrando excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135,III, não cabe a imputação da responsabilidade solidária.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011
GANHO DE CAPITAL. DIFERIMENTO.
A possibilidade de diferimento da tributação do ganho de capital na proporção da parcela do preço recebida somente se aplica aos contribuintes sujeitos à tributação com base no lucro real, e no caso de recebimento após o término do ano-calendário seguinte ao da contratação.
PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. GANHO DE CAPITAL. DESLOCAMENTO DO GANHO PARA OS SÓCIOS DA PESSOA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é dado à pessoa jurídica que aliena participação societária fazer deslocar o respectivo ganho de capital auferido no negócio para as pessoas físicas que figuram como sócios da pessoa jurídica.
FRAUDE. MULTA QUALIFICADA.
O resgate de ações com posterior pagamento em ações de outra empresa, já negociadas para venda, de forma a deslocar o ganho de capital para as pessoas físicas que figuram como sócios evidencia a conduta dolosa com objetivo de evitar o pagamento do tributo devido. Por estar caracterizada a fraude, é cabível a aplicação da multa qualificada.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011
COMPENSAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS JURÍDICOS. SUJEITO PASSIVO DA OPERAÇÃO.
Ocorrida a desconsideração dos atos jurídicos, cabe o aproveitamento e respectiva compensação do que foi pago na pretensão original dos envolvidos na operação autuada. No caso, o Imposto de Renda sobre o ganho de capital recolhido nas pessoas físicas deve ser compensado com o apurado no auto de infração na pessoa jurídica.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011
CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE.
Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes.
Numero da decisão: 1402-003.121
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, i) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto à infração apontada pelo Fisco e quanto à multa qualificada, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca e Demetrius Nichelle Macei, que davam provimento ao voluntário acerca destes dois itens; ii) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para determinar à unidade de origem que promova a compensação do Imposto de Renda sobre o ganho de capital recolhido pelas pessoas físicas, devendo ser compensado com o apurado no Auto de Infração, no montante de R$ 16.692.869,72 (comprovantes de arrecadação de fls. 763 a 765). O conselheiro Demetrius Nichele Macei fará declaração de voto em relação à multa qualificada e sua correlação com o artigo 112, do CTN.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 DECADÊNCIA.CONTAGEM DO PRAZO.IRPJ.LUCRO REAL TRIMESTRAL. O prazo para constituir o crédito tributário referente ao IRPJ extingue-se em 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador, que no caso do lucro real trimestral é ao final de cada trimestre. Com a ciência da autuação em 12/09/2016, alcançou dentro dos 5 anos os fatos ocorridos em 06/07/2011. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Não se vislumbrando excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135,III, não cabe a imputação da responsabilidade solidária. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 GANHO DE CAPITAL. DIFERIMENTO. A possibilidade de diferimento da tributação do ganho de capital na proporção da parcela do preço recebida somente se aplica aos contribuintes sujeitos à tributação com base no lucro real, e no caso de recebimento após o término do ano-calendário seguinte ao da contratação. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. GANHO DE CAPITAL. DESLOCAMENTO DO GANHO PARA OS SÓCIOS DA PESSOA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE. Não é dado à pessoa jurídica que aliena participação societária fazer deslocar o respectivo ganho de capital auferido no negócio para as pessoas físicas que figuram como sócios da pessoa jurídica. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. O resgate de ações com posterior pagamento em ações de outra empresa, já negociadas para venda, de forma a deslocar o ganho de capital para as pessoas físicas que figuram como sócios evidencia a conduta dolosa com objetivo de evitar o pagamento do tributo devido. Por estar caracterizada a fraude, é cabível a aplicação da multa qualificada. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 COMPENSAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS JURÍDICOS. SUJEITO PASSIVO DA OPERAÇÃO. Ocorrida a desconsideração dos atos jurídicos, cabe o aproveitamento e respectiva compensação do que foi pago na pretensão original dos envolvidos na operação autuada. No caso, o Imposto de Renda sobre o ganho de capital recolhido nas pessoas físicas deve ser compensado com o apurado no auto de infração na pessoa jurídica. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, i) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto à infração apontada pelo Fisco e quanto à multa qualificada, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca e Demetrius Nichelle Macei, que davam provimento ao voluntário acerca destes dois itens; ii) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para determinar à unidade de origem que promova a compensação do Imposto de Renda sobre o ganho de capital recolhido pelas pessoas físicas, devendo ser compensado com o apurado no Auto de Infração, no montante de R$ 16.692.869,72 (comprovantes de arrecadação de fls. 763 a 765). O conselheiro Demetrius Nichele Macei fará declaração de voto em relação à multa qualificada e sua correlação com o artigo 112, do CTN. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 DECADÊNCIA.CONTAGEM DO PRAZO.IRPJ.LUCRO REAL TRIMESTRAL. O prazo para constituir o crédito tributário referente ao IRPJ extinguese em 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador, que no caso do lucro real trimestral é ao final de cada trimestre. Com a ciência da autuação em 12/09/2016, alcançou dentro dos 5 anos os fatos ocorridos em 06/07/2011. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Não se vislumbrando excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135,III, não cabe a imputação da responsabilidade solidária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 GANHO DE CAPITAL. DIFERIMENTO. A possibilidade de diferimento da tributação do ganho de capital na proporção da parcela do preço recebida somente se aplica aos contribuintes sujeitos à tributação com base no lucro real, e no caso de recebimento após o término do anocalendário seguinte ao da contratação. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. GANHO DE CAPITAL. DESLOCAMENTO DO GANHO PARA OS SÓCIOS DA PESSOA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE. Não é dado à pessoa jurídica que aliena participação societária fazer deslocar o respectivo ganho de capital auferido no negócio para as pessoas físicas que figuram como sócios da pessoa jurídica. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 43 02 /2 01 6- 18 Fl. 1155DF CARF MF 2 O resgate de ações com posterior pagamento em ações de outra empresa, já negociadas para venda, de forma a deslocar o ganho de capital para as pessoas físicas que figuram como sócios evidencia a conduta dolosa com objetivo de evitar o pagamento do tributo devido. Por estar caracterizada a fraude, é cabível a aplicação da multa qualificada. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 COMPENSAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS JURÍDICOS. SUJEITO PASSIVO DA OPERAÇÃO. Ocorrida a desconsideração dos atos jurídicos, cabe o aproveitamento e respectiva compensação do que foi pago na pretensão original dos envolvidos na operação autuada. No caso, o Imposto de Renda sobre o ganho de capital recolhido nas pessoas físicas deve ser compensado com o apurado no auto de infração na pessoa jurídica. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, i) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto à infração apontada pelo Fisco e quanto à multa qualificada, divergindo os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca e Demetrius Nichelle Macei, que davam provimento ao voluntário acerca destes dois itens; ii) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para determinar à unidade de origem que promova a compensação do Imposto de Renda sobre o ganho de capital recolhido pelas pessoas físicas, devendo ser compensado com o apurado no Auto de Infração, no montante de R$ 16.692.869,72 (comprovantes de arrecadação de fls. 763 a 765). O conselheiro Demetrius Nichele Macei fará declaração de voto em relação à multa qualificada e sua correlação com o artigo 112, do CTN. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 10980.724302/201618 Acórdão n.º 1402003.121 S1C4T2 Fl. 1.156 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 1157DF CARF MF 4 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 12a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) que julgou IMPROCEDENTE, em parte, a impugnação da agora recorrente. Da autuação: O presente processo versa sobre autos de infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, referente a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2011. Envolve o montante autuado de R$ 109.819.419,68, corrigidos até setembro/2016, assim discriminado: Tributo Principal Juros Multa (75%) Total IRPJ 26.396.391,07 13.377.690,99 39.594.586,60 79.368.668,66 CSLL 10.127.295,14 5.132.513,17 15.190.942,71 30.450.751,02 Total 36.523.686,21 18.510.204,16 54.785.529,31 109.819.419,68 Em R$ 1,00 (juros corrigidos até dezembro/2016) A fundamentação da autuação envolve a operação de venda de ações da pessoa jurídica TCP Terminal de Contêineres de Paranaguá S/A CNPJ 03.020.098/000137, em que a recorrente figurou como interveniente garantidora, juntamente com a TUC Participações Portuárias S/A. Nesta operação, que gerou ganho de capital para a recorrente, houve uma reorganização societária e transferência das ações para os sócios, objetivando apurar o ganho na pessoa física dos seus sócios, e não na pessoa jurídica, em virtude das diferenças das alíquotas da tributação aplicável. Conforme descrição transcrita abaixo, as quais reproduzo da decisão a quo, para fundamentar a autuação que consta no termo de verificação e constatação fiscal: O Relatório Fiscal (fls. 573/626) apurou que: O Procedimento Fiscal fez uso de informações obtidas do Procedimento Fiscal nº 0900100.2016.000038, instaurado em face de TCP TERMINAL DE CONTÊINERES DE PARANAGUÁ S/A CNPJ 12.919.786/000124. Conforme informações disponibilizadas em atendimento ao TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL Nº 01, no dia 21/12/2010, foi assinado o CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES E OUTRAS AVENÇAS, onde a FISCALIZADA figurou como interveniente garantidora, juntamente com a TUC PARTICIPAÇÕES PORTUÁRIAS S/A. Neste CONTRATO, figuraram como VENDEDORES: · JOSÉ MARIA RIBAS MULLER (CPF 033.210.29987); Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 10980.724302/201618 Acórdão n.º 1402003.121 S1C4T2 Fl. 1.157 5 · JOÃO ACHILLES GRENIER GLUCK (CPF 164.295.91972); · SALOMÃO SOIFER (CPF 000.476.51920); · PATTAC EMPRENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A; · GRUP MARTIN TCB SL; e · GALIGRAIN S/A; As pessoas de JOSÉ MARIA e JOÃO AQUILLES foram designadas no CONTRATO como “Vendedores TUC”. As empresas TCB e GALIGRAIN são sediadas na Espanha. No outro polo, como COMPRADORAS da participação societária, constavam as seguintes empresas: ü TERMINAL PORTUÁRIO MOVIMENTAÇÃO E ARMAZENAGEM PARTICIPAÇÕES S/A CNPJ 12.919.786/000124: também referida neste Relatório apenas como TCP 12 (em referência ao início de seu CNPJ, de forma a diferenciálo do TCP 03); ü PARANAGUÁ MOVIMENTAÇÃO DE CONTÊINERES PARTICIPAÇÕES S/A; ü PORTOS E SERVIÇOS LOGÍSTICOS ADJACENTES PARTICIPAÇÕES S/A. Estas 03 empresas eram controladas indiretamente pela ADVENT INTERNATIONAL, fundo de investimento sediado nos EUA. Assim, vemos que para a aquisição de parte das ações do TCP 03, a ADVENT criou estas 03 empresas, o TCP 12, a PARANAGUÁ PARTICIPAÇÕES e a PORTOS E SERVIÇOS PARTICIPAÇÕES. Registrese que, até 29/07/2010, ou seja, cerca de 5 meses antes da assinatura do CONTRATO, a pessoa de SALOMÃO SOIFER não era acionista direto do TCP 03. Até então, a SOIFER detinha 32,5% das ações do TCP 03. Conforme INSTRUMENTO PARTICULAR DE DAÇÃO EM PAGAMENTO, a SOIFER acordou com o acionista SALOMÃO, que do total de dividendos a receber, no valor de R$ 10.262.931,51, quitaria R$ 8.814.274,20 mediante a entrega de 689.940 ações do TCP 03. Ou seja, somente após esta data é que SALOMÃO passou a ser acionista direto do TCP 03, o que viabilizou sua participação formal no CONTRATO (21/12/2010), quando 50% das ações do TCP 03 foram alienadas à ADVENT. Por fim, relativamente a este CONTRATO, cabe destacar que o mesmo previu condições suspensivas para sua implementação. Ou seja, apesar de assinado em 21/12/2010, o CONTRATO somente seria eficaz após o cumprimento das condições, o que se efetivou em 06/07/2011, quando inclusive o pagamento do preço foi realizado pelos COMPRADORES. Citam decisões no sentido de que, existindo condição suspensiva, o fato gerador ocorre somente na data em que as transações estiverem definitivamente constituídas. Fl. 1159DF CARF MF 6 Além disso, o TERMO DE FECHAMENTO E OUTRAS AVENÇAS define 06/07/2011 como a Data de Fechamento referida no CONTRATO, representando o marco temporal do implemento das condições suspensivas ali estipuladas. Somente nesta data é que o CONTRATO se tornou eficaz. A intenção do planejamento foi não apurar ganho na pessoa jurídica e sim na pessoa física, em virtude da diferença das alíquotas para a tributação. SOCIOS QUOTAS VALOR R$ % Simone Soifer 53.331.200 53.331.200,00 33,332 David Soifer 53.331.200 53.331.200,00 33,332 Suzanne Soifer 53.331.200 53.331.200,00 33,332 Salomão Soifer 6.400 6.400,00 0,004 Total 160.000.000 160.000.000,00 100,000 Apesar da diminuta participação, SALOMÃO detinha o usufruto de 93.393.600 quotas dos outros três sócios (34.131.200 de cada), conforme cláusula 6ª do Contrato Social. Um dia antes desta 17ª Alteração, ou seja, no dia 29/07/2010, a SOIFER, como já relatado acima, formalizou com o sócio SALOMÃO uma DAÇÃO EM PAGAMENTO, na qual entregou 689.940 ações do TCP 03 como forma de quitação dos dividendos a receber de SALOMÃO. Do total devido, R$ 10.262.931,51, a SOIFER quitou R$ 8.814.274,20 com estas ações do TCP 03, passando SALOMÃO, desde então, a ser acionista direto do TCP 03. Cumpre lembrar que tudo isto ocorreu 05 meses antes da assinatura do CONTRATO (21/12/2010), quando 50% das ações do TCP 03 foram alienadas à ADVENT. É desnecessário demonstrar que uma negociação do porte como a analisada neste Relatório, acerca da alienação de participação societária envolvendo a cifra de R$ 670.000.000,00, requer um prazo razoável para as tratativas, de forma a fechar todas as condições e especificidades envolvidas. Assim, certo é que a negociação em tela teve início, no mínimo, alguns meses antes do dia 21/12/2010, denotando claramente que foi a pessoa jurídica da FISCALIZADA a efetiva negociadora das ações do TCP 03, objetos da alienação. A participação da pessoa de SALOMÃO nestas tratativas deuse como representantes da SOIFER, e não como alienante direto das ações do TCP 03. Intimados a apresentar contrato preliminar, précontrato, correios eletrônicos, entre outros documentos eventualmente lavrados antes da assinatura do contrato, os vendedores responderam que não possuíam tal documentação e o representante do comprador ADVENT informou que o início das tratativas ocorreu em 09/07/2010, tendo encaminhado, inclusive, a cópia da proposta então formalizada. Acrescenta que a proposta anterior de 10/12/2009 resultou infrutífera. Para o caso em tela, de se destacar que a data indicada pela ADVENT como de início das negociações, 09/07/2010, é anterior à data da assinatura da DAÇÃO EM PAGAMENTO entre a SOIFER e SALOMÃO. O que motivo esta dação em pagamento? Claro está que foi a possibilidade, indevida, de pagar menos tributo, passando este encargo para a pessoa física, com regras menos onerosas. Notícias de 11/2010 informaram sobre a possível mudança societária. Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 10980.724302/201618 Acórdão n.º 1402003.121 S1C4T2 Fl. 1.158 7 O subitem 4.2.23 do contrato aborda a condução dos negócios pelo TCP 03, desde 01/07/2010. O que denota a existência, já nesta época, das tratativas para a consecução do acordo. Assim, da mesma forma que a TUC, que também transferiu as ações a serem alienadas para seus sócios JOSÉ MARIA e JOÃO ACHILLES, através da Dação em Pagamento, a SOIFER transferiu a SALOMÃO a eventual responsabilidade de apurar ganho de capital. Mas o que podemos extrair disso para o caso em tela é o fato de que, desde julho de 2010, a negociação com a ADVENT já se desenvolvia, e com alguns aspectos, como a quantidade de ações a negociar já estipulada. E isto se torna relevante no presente caso, uma vez que seria muita coincidência a entrega das ações do TCP 03 aos sócios JOSÉ MARIA e JOÃO ACHILLES, e a imediata alienação, no mesmo dia 21/12/2010, desta mesma quantidade de ações, e da mesma forma, a entrega das ações a SALOMÃO por parte da FISCALIZADA. Vejase que o Grupo ADVENT adquiriu 50% das ações da COMPANHIA, e este percentual exato também não é mera coincidência. Havia um interesse da adquirente em ser o sócio majoritário do TCP 03, e isto somente se confirmaria com a aquisição deste volume de ações. Será que estas ações, as quais foram transferidas pela TUC também no dia 21/12/2010, coincidentemente completaram o percentual de 50%? Claro que não! O volume das ações a serem alienadas e o percentual de cada um dos alienantes já estavam acordados desde julho de 2010. Foi assinado contrato com o Santander, em 31/05/2010, com o objetivo de assessorar na condução das negociações finais com os Potenciais Investidores, dentre outros. O contrato foi assinado pelos controladores do TCP 03 à época, ou seja, TUCUMANN, a SOIFER, a PATTAC, a GALIGRAINS e o TCB. Desde 31/05/2010, os controladores tinham a intenção de alienar o investimento no TCP 03, e dentre estes controladores figuravam apenas as pessoas jurídicas, e não seus sócios. A ADVENT não adquiriu diretamente as ações do TCP 03, tendo se utilizado para tanto, de 03 empresas, quais sejam, o TCP 12, a PORTOS E SERVIÇOS PARTICIPAÇÕES e a PARANAGUÁ MOVIMENTAÇÃO que tinham como controladoras outras 03 e acima delas 03 fundos de investimentos. Estas 06 empresas e mais os 03 fundos tiveram seus atos formalizados antes de 21/12/2010, conforme abaixo: · TCP 12 17/11/2010 · PORTOS E SERVIÇOS PARTICIPAÇÕES 17/11/2010 · PARANAGUÁ PARTICIPAÇÕES 17/11/2010 · REEFERS PARTICIPAÇÕES 17/11/2010 · INFRAESTRUTURA PARTICIPAÇÕES 17/11/2010 · PARANÁ PARTICIPAÇÕES 10/11/2010 · FIP 1 19/08/2010 · FIP 2 26/10/2010 · FIP 3 26/10/2010 Fl. 1161DF CARF MF 8 O que procuramos demonstrar acima é que toda a negociação para a alienação das ações do TCP 03, detidas formalmente pela SOIFER até 29/07/2010, foi desenvolvida por SALOMÃO enquanto administrador da SOIFER, ensejando que a verdadeira alienante das ações foi a SOIFER e não seu acionista. E mais, à época da transferência das ações do TCP 03 para o acionista da FISCALIZADA, as condições da operação de aquisição já estavam perfeitamente alinhavadas. SALOMÃO entrou no negócio apenas para a consecução do objetivo maior, pagar menos tributo. Destaquese que a Clausula 7.4.1 estipula percentuais de indenização em percentuais iguais aquele detido pela SOIFER antes da Dação em Pagamento. Outra cláusula que merece destaque é a 2.3, que aborda questão relativa ao ajuste positivo no preço de aquisição, no caso de ser obtida a extensão do prazo de vigência do Contrato de Arrendamento com o Porto de Paranaguá. Os percentuais de ajuste são os seguintes: SALOMÃO 32,5% JOSE MARIA 14,525% JOÃO ACHILES 2,975% PATTAC 17,50% TCB 21,127 % GALIGRAIN 11,373% Observese que os percentuais representam o quantitativo de ações da TUC e da SOIFER antes da entrega de parte das ações a serem alienadas a seus sócios. Nas clausulas 4.1 e 4.2 do contrato, a SOIFER e a TUC constam como garantidoras em solidariedade com Salomão, Jose Maria e João Achiles. A clausula 6.2.1 assim dispõe: “A Soifer comparece nesse ato como garantidora e principal pagadora de todas as obrigações assumidas por Salomão neste contrato...” Para fins de apuração dos tributos devidos, cumpre inicialmente lembrarmos, conforme já explicitado neste Relatório, que o fato gerador do ganho de capital em questão se deu em 06/07/2011, com o implemento das condições suspensivas do CONTRATO. De outro lado, vimos também que o pagamento do preço foi realizado em 02 etapas, uma no próprio dia 06/07/2011, com valores atinentes às Parcelas à Vista e Adicional, e a segunda etapa em 28/10/2011, relativa ao complemento da Parcela Adicional. O fato gerador do ganho de capital se deu em 06/07/2011, com o implemento das condições suspensivas co contrato. O preço foi realizado em duas etapas, uma no próprio dia 06/07/2011, com valores atinentes às Parcelas à Vista e Adicional, e a segunda etapa em 28/10/2011, relativa ao complemento da Parcela Adicional. A possibilidade de diferimento da tributação somente se aplica quando o pagamento ocorre após o término do anocalendário seguinte ao da contratação, o que não é o caso dos autos. Eventual custo de aquisição apurado pelo sócio SALOMÃO nesta operação deve ser descartado, uma vez que ela inexistiu de fato, tendo servido unicamente para transferir, indevidamente, as ações a serem alienadas para as regras da pessoa física. Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 10980.724302/201618 Acórdão n.º 1402003.121 S1C4T2 Fl. 1.159 9 Questão relevante para a apuração reside na necessidade ou não de se efetivar a compensação de ofício de eventual imposto de renda da pessoa física (IRPF) recolhido pelo sócio SALOMÃO. Neste aspecto cumpre registrar que, apesar plausibilidade de tal compensação, de se observar que não há previsão legal para tanto. Explicitando melhor, o ordenamento jurídico não contempla previsão de compensação de ofício por parte desta Fiscalização, entre tributos e contribuintes diferentes. Além disso, eventual compensação com o IRPF pago pelo sócio deveria estar respaldada por expressa autorização por parte do mesmo. Desta forma, considerando a atividade plenamente vinculada a que está submetida esta Fiscalização, não será realizada, no presente lançamento, a compensação em tela, ressalvandose o direito da CONTRIBUINTE, com a devida autorização do sócio, de solicitar esta compensação em desejando quitar o crédito tributário. O contribuinte, ao simular a alienação de participações societária como se tivesse sido realizada por seu sócio, no intuito de fugir da tributação mais onerosa do IRPJ, praticou, de forma inequívoca, uma ação dolosa, ou seja, intencional e consciente, a qual retardou o conhecimento dos fatos por parte do Fisco, além das reais circunstâncias materiais do fato gerador. Ademais, houve a modificação de característica essencial do fato gerador, uma vez que os montantes de IRPJ e CSLL devidos foram reduzidos substancialmente. Considerando que as operações foram conduzidas e avalizadas por alguns de seus dirigentes, foi imputada a responsabilidade tributária solidária relativamente aos valores do art. 135, inciso III, do CTN. A eleição dos responsáveis solidários foi baseada nas atribuições exercidas na empresa quando da ocorrência dos fatos geradores do IRPJ e da CSLL aqui lançados de ofício, o que ensejou a responsabilização do administrador DAVID SOIFER e do sócio SALOMÃO SOIFER. O primeiro porque era o responsável pela FISCALIZADA à época do fato gerador do IRPJ e da CSLL, e o segundo porque participou efetivamente na operação que mascarou o real alienante das ações do TCP 03. É sedimentado o entendimento de que a Fiscalização deve incluir no lançamento de ofício todos os responsáveis, nos termos do art. 135 do CTN, de que tiver condições de comprovar o vínculo, pois o Parecer PGFN CRJ/CAT nº 55/200926 não refuta esse entendimento, tendo em vista que corresponde a uma orientação adotada pela PGFN no sentido da tese utilizada nos Tribunais. Quanto à natureza dessa responsabilidade, nos termos do Parecer acima citado e da jurisprudência do STJ, não há dúvida tratarse de responsabilidade solidária. No que diz respeito ao elemento subjetivo, o item 59 do Parecer afirma que a jurisprudência maciça do STJ caminha no sentido de que é o dolo gênero, e não dolo espécie. Logo, envolve dolo ou culpa. Os precedentes que ensejaram a Súmula 435 do STJ afirmam que compete ao sóciogerente demonstrar que não agiu com dolo, culpa, fraude ou excesso de poderes. Em razão desses argumentos, a Fiscalização pode enquadrar os sujeitos passivos nas hipóteses tratadas pelo artigo ainda que não consiga demonstrar o dolo. Quanto ao fato gerador, este pode ser anterior à infração à lei. A Súmula 435 corrobora este entendimento. Observase assim que, se há multa qualificada, há responsabilidade pelo art. 135 do CTN, trazendo à responsabilidade os sócios do tempo do fato gerador. Passamos então à qualificação de cada um dos administradores sobre os quais deve recair a responsabilidade solidária, com a descrição dos respectivos cargos Fl. 1163DF CARF MF 10 ocupados e das suas participações nas operações e/ou na indevida dedução de despesas: a) DAVID SOIFER CPF 317.844.29953: i) Administrador da SOIFER quando da ocorrência do Fato Gerador do IRPJ e da CSLL objeto do presente lançamento de ofício (30/09/2011 3º trimestre); ii) Signatário e/ou Participante dos seguintes atos (como Administrador da SOIFER): ü CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES E OUTRAS AVENÇAS, instrumento que formalizou a alienação das ações do TCP 03 ao Grupo ADVENT; ü Instrumento de Dação em Pagamento de 29/07/2010, onde foi formalizada transferência ao sócio SALOMÃO das ações do TCP 03; b) SALOMÃO SOIFER CPF 000.476.51920: i) Administrador da SOIFER até 30/07/2010, quando já havia contrato preliminar celebrado com a ADVENT para a consecução da venda de 50% das ações do TCP 03; ii) Signatário e/ou Participante dos seguintes atos (como DiretorPresidente da TUC): ü CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES E OUTRAS AVENÇAS, instrumento que formalizou a alienação das ações do TCP 03 ao Grupo ADVENT; ü Instrumento de Dação em Pagamento de 29/07/2010, onde foi formalizada transferência ao sócio SALOMÃO das ações do TCP 03; ü Contrato com o Banco Santander (Anexo 4.1.7 ao CONTRATO), como representante da SOIFER; Da Impugnação: Por bem descrever os termos da peça impugnatória, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: O contribuinte foi cientificado em 12/09/2016 (fl. 657) e apresentou impugnação em 11/10/2016 (fls. 666/729) alegando em síntese: 1. Da Nulidade Material: Dos Inúmeros vícios materiais que maculam o auto de infração 1.1 A fundamentação do auto de infração se baseia em condutas de outros contribuintes A autoridade fiscal fundamenta a desconsideração dos negócios jurídicos em condutas praticadas por outras empresas, especialmente a TUC. Fica evidente que a motivação é nula pois totalmente dissociada da SOIFER e seus sócios. Fl. 1164DF CARF MF Processo nº 10980.724302/201618 Acórdão n.º 1402003.121 S1C4T2 Fl. 1.160 11 1.2. Da inexistência de previsão legal que permita à autoridade fiscal a desconsideração de negócios jurídicos. A desconsideração de um negócio jurídico (no caso concreto a DAÇÃO EM PAGAMENTO) somente pode ser adotado pela fiscalização mediante expressa autorização legal. A falta de indicação do embasamento legal que autoriza a fiscalização a desconsiderar a validade de um negocio jurídico macula de nulidade material o auto de infração. 1.3 Erro grosseiro na apuração do tributo: o auto desconsidera o regime trimestral de apuração do IRPJ e do CSLL A fiscalização tributa no 3º trimestre a parte relativa aos valores recebidos no 4º trimestre, o que viola a sistemática de apuração trimestral e torna nula a autuação. 1.4 Erro grosseiro na apuração do tributo: a base de cálculo utilizada para a CSLL não foi o ganho de capital, mas sim o preço total recebido pela venda. O vício material revela que o fiscal elegeu a base de cálculo errada para cálculo da CSLL, erro grosseiro que torna nulo o auto de infração lavrado. 1.5 Nulidade: Os sócios considerados devedores solidários não foram intimados para a fase de fiscalização, nem para apresentar esclarecimentos A autoridade fiscal em momento algum os intimou para que participassem do procedimento de fiscalização, ou apresentassem esclarecimentos. O fiscal deixou de intimar para defesa prévia o real alienante das ações (que praticou o fato gerador do IR) 2. Da Decadência 2.1. Marco inicial: Transferência das açõesDação em pagamento (29/07/2010) Se a autoridade tributária entende que houve infração tributária, essa infração ocorreu no momento da dação em pagamento: ou teria ocorrido subavaliação das ações na dação em pagamento ou teria ocorrido distribuição disfarçada de lucros, e em ambos os casos, a suposta irregularidade teria se configurado na data da dação em pagamento, em 29/07/2010 Se a autoridade tributária considera que foi inválida a dação em pagamento ocorrida em 29/07/2010, logo, é a partir deste fato que teve início a pretensão fiscal de invalidação do negócio jurídico. E, portanto, a decadência se configura independentemente da norma de contagem que se adote. 2.2. Marco inicial: formalização do contrato de venda das ações (21/12/2010) Se é esse o contrato cujos efeitos fiscais a autoridade fiscal pretende aplicar na pessoa jurídica, desconsiderando os seus reais efeitos sobre a pessoa física, só poderia ser ( não fosse o próprio ato da dação em pagamento das ações) a partir daí o início do prazo decadencial para tentar desconstituir os seus efeitos fiscais. Neste caso, a decadência se configura independentemente da norma de contagem que se adote. 2.3. Recebimento do preço pela alienação das ações (06/07/2011) Fl. 1165DF CARF MF 12 Se o fato gerador ocorreu em 06/07/2011, este deve ser o termo inicial do prazo decadencial de cinco anos para a constituição do crédito tributário, de acordo com o art. 150, §4º do CTN. Não se aplica o art. 173, I porque houve antecipação do pagamento pelo Sr. Salomão. Da mesma forma, houve recolhimento antecipado do IRPJ e CSLL por parte da SOIFER. Portanto, estão decaídos os créditos relativos ao fato gerador ocorrido em 06/07/2011. 3. Do mérito: Da improcedência do auto de infração – Da validade dos negócios praticados pela Soifer e seus sócio. 3.1 Da dação em pagamento envolvendo as ações do TCP O Sr. Salomão possuía um crédito perante a empresa de dividendos a receber no valor de R$ 10.262.931,51. A existência dessa dívida não é contestada pela autoridade fiscal. Uma parte foi paga por meio de dação em pagamento em 07/2010 e outra parte em espécie. Os demais acionistas foram notificados para exercer o direito de preferência na compra das ações, conforme clausula 1ª do acordo de acionistas do TCP. Todos manifestaram renúncia ao direito de preferência. As demais acionistas do TCP (PATTAC, TUCUMANN, TCB e GALIGRAIN) não são empresas controladas ou coligadas da SOIFER, e nem pertencem ao mesmo grupo empresarial, se a negociação das ações do TCP ao Sr. Salomão tivesse condições privilegiadas, certamente as demais acionistas exerceriam o direito de compra. Isso só comprova a efetividade e regularidade do negócio. A justificativa econômica para que a operação assim acontecesse foi o objetivo de provocar o menor ônus possível a SOIFER, evitando uma excessiva descapitalização da empresa. O Sr. Salomão participava ativamente da gestão do TCP, não sendo mero possuidor de ações da companhia. 3.2 – Do interesse na venda de participações societárias do TCP contrato de assessoria financeira celebrado com o Banco Santander. Em maio de 2010, as empresas sócias do TCP contrataram o Banco Santander para prospectar potenciais e eventuais investidores em adquirir participações do TCP. O escopo do trabalho do Santander deixa claro que a venda de participações do TCP não estava nem perto de ser confirmada. Havia apenas uma intenção de venda de parte das ações da companhia. A remuneração de sucesso estabelecida foi de 1,272 milhão de Euros, mais um percentual de no mínimo 1,10 % do valor de transação. No contrato se reconhece que há negociações em andamento com alguns investidores, o que demonstra indefinição da operação, já que a venda não foi fechada com nenhum dos interessados. 3.3 Da venda das ações do TCP aos investidores apresentados pela ADVENT DO BRASIL Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 10980.724302/201618 Acórdão n.º 1402003.121 S1C4T2 Fl. 1.161 13 Em 09/07/2010, isto é, 40 dias após assinado o Contrato de Assessoria Financeira, o grupo Advent do Brasil encaminhou ao Banco Santander uma “proposta indicativa (não vinculativa) para aquisição de ações do TCP. No momento da dação em pagamento (julho de 2010) a negociação estava apenas no início, o negócio não estava nem próximo de um fechamento. Se é verdade que uma negociação deste porte “requer um prazo razoável para as tratativas”, cai por terra a tese fiscal de que, no intervalo de 20 dias, a venda das ações do TCP para os investidores apresentados pela Advent já estivesse praticamente confirmada. Tanto isso é verdade que, após o envio da proposta indicativa pela Advent, foi necessária longa negociação que se estendeu por seis meses. O contrato de compra e venda das ações só foi firmado em 21/12/2010, e ainda com condições muito diferentes daquelas apresentadas na Proposta Indicativa da Advent em 09/07/2010. Mesmo no momento de formalização do contrato, não se tinha certeza absoluta de venda das ações, pois estava vinculada a “Condições suspensivas”. As condições suspensivas foram atingidas em 06/07/2011, quase um ano após a dação em pagamento. O Sr. Salomão adquiriu as referidas ações do TCP em 29/07/2010, mas só as alienou definitivamente em 06/07/2011, ou seja, o Sr. Salomão foi acionista do TCP por praticamente doze meses. 3.4 Do recolhimento do Imposto de Renda incidente sobre o ganho de capital pelo Sr. Salomão. Da informação do negócio na DIRPF. O Sr. Salomão recolheu o Imposto de Renda incidente sobre o ganho de capital na alienação de suas ações do TCP e informou a operação na Declaração. 3.5 O valor recebido pelo Sr. Salomão, não retornou a SOIFER. O montante recebido na alienação das ações do TCP permaneceu na propriedade do Sr. Salomão, que não praticou qualquer ato de reinvestimento desses valores na SOIFER, o que confirma de modo cabal que o real alienante das ações do TCP foi o Sr. Salomão. Se as ações pertencessem verdadeiramente à SOIFER o mínimo que se deveria provar é que os recursos obtidos com essa venda retornaram aos cofres da SOIFER. 4. Da distorção dos fatos pela autoridade fiscal A TUC é empresa autônoma, sem qualquer relação com a SOIFER, senão o fato que ambas possuem participações acionárias no TCP. A autoridade fiscal não apresenta uma única prova de que a SOIFER e a TUC teriam planejado conjuntamente uma operação de venda das participações do TCP por meio das pessoas físicas de seus sócios visando a economia de tributos. Embora a Advent tenha apresentado uma proposta em 12/2009, ela foi rejeitada pelos acionistas. Depois disso, o Santander foi contatado para prospectar outros investidores. As notícias de imprensa só confirmam o que já está nos documentos. Fl. 1167DF CARF MF 14 A criação das empresas pela Advent somente contradiz as premissas da autoridade fiscal, já que no momento da dação em pagamento (julho), não haveria qualquer possibilidade de venda das ações, já que as empresas adquirentes só foram constituídas em momento posterior ( a partir de agosto). A exigência de uma garantia por uma pessoa jurídica tratase de uma exigência razoável, tendo em vista que a operação tem um valor de R$ 670 milhões. Mesmo assim, Sr. Salomão assumiu risco relevante na operação, obrigandose a arcar eventual indenização aos compradores no valor de R$ 65 milhões. O negócio não foi efêmero, como normalmente ocorre nos planejamentos abusivos ou operações artificiais referidos pela autoridade fiscal. Cita acórdão do CARF Nº 1402002.150. Não há norma que autorize a fiscalização a desconsiderar atos praticados pelos particulares, nem há norma que condicione a validade dos negócios jurídicos à existência de propósito negocial. Cita decisões judiciais e administrativas. Da multa qualificada A Soifer e o Sr. Salomão não praticaram as condutas de sonegação, fraude ou conluio, devendo ser afastada a aplicação da multa agravada no caso concreto. Não houve falseamento de documentos ou declarações e todos os atos praticados foram públicos, lícitos e efetivos, além disso, a impugnante forneceu à autoridade fiscal todos os documentos exigidos. Da apuração Apresenta autorização do sócio para compensação do valor recolhido pela pessoa física com o valor apurado pela pessoa jurídica, caso a decisão administrativa final confirme a exigência do IRPJ e da CSLL pela empresa. A base de cálculo utilizada para a CSLL não foi o ganho de capital, mas sim o preço total recebido pela venda. O valor do custo de aquisição a ser utilizado deveria ser o preço pago na aquisição pelo Sr. Salomão que foi de R$ 8.814.274,20. Deve ser excluída a parcela recebida em 31/10/2011 porque integram o 4º trimestre e não o terceiro. Acrescenta que deve ser afastada a exigência dos juros de mora incidentes sobre as multas. Os responsáveis solidários foram cientificados em 12/09/2016 (fls. 658/659) e apresentaram impugnação conjunta (fls. 895/913) em 11/10/2016 alegando, em síntese: A fim de evitar uma desnecessária repetição, desde já requerse que todos os fundamentos e pedidos deduzidos pela SOIFER em sua impugnação sejam considerados também em favor dos ora impugnantes (pessoas físicas), para todos os efeitos, exatamente como se fossem nesta peça apresentados e requeridos. · Nulidade material do procedimento em virtude da ausência de intimação dos impugnantes para a fase de fiscalização ou para prestar esclarecimentos. · Nulidade material por erro na identificação do sujeito passivo já que o art. 135 do CTN trata de responsabilidade pessoal, assim, tendo sido o Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 10980.724302/201618 Acórdão n.º 1402003.121 S1C4T2 Fl. 1.162 15 lançamento realizado em face da SOIFER não caberia a imputação de responsabilidade aos Srs. Salomão e David, o que configura erro na identificação do sujeito passivo, causa de nulidade material do auto de infração, por evidente desrespeito ao artigo 142 do CTN; · A SOIFER apresenta vastos argumentos pela não aplicação da multa qualificada de 150% , se afastada a multa, deve ser afastada a responsabilidade; · Não ocorreram as hipóteses previstas no art. 135 do CTN, já que a dação em pagamento foi uma operação válida, lícita, pública e motivada por propósito econômico; não houve simulação, fraude a lei, excesso de poderes ou qualquer conduta antijurídica. · Não havia um contrato preliminar com a Advent, e sim uma proposta indicativa; · Quando da ocorrência do fato gerador, o Sr. Salomão não era mais diretor, gerente ou representante da SOIFER; · Cita decisão do CARF no sentido de que o art. 135 só encontra aplicação nos casos de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. · O art. 135 somente atinge créditos tributários que sejam resultantes da conduta infracional; · O crédito tributário somente está definitivamente constituído ao final do processo administrativo, portanto o arrolamento deve ficar suspenso. · Como o sujeito passivo é a SOIFER e esta tem patrimônio suficiente, não é necessário o arrolamento das pessoas físicas. · A representação fiscal para fins penais deve ficar suspensa durante a tramitação do processo administrativo; · O Sr. Salomão confirma que autoriza, caso isso seja necessário, a compensação dos valores por ele pagos, e apresenta também uma autorização, anexa a impugnação; Encerra a impugnação, requerendo: 1. a nulidade material do auto de infração, por cerceamento do direito de defesa, ante a ausência de intimação dos impugnantes para que participassem da fiscalização; 2. a nulidade material do ato de infração por erro na identificação do sujeito passivo, em razão da manutenção dos impugnantes na autuação fiscal ao mesmo tempo que a SOIFER; ou ao menos, 3. ilegitimidade passiva dos impugnantes, uma vez que não estão presentes as hipóteses do art. 135 III do CTN; 4. a suspensão do arrolamento e da representação fiscal para fins penais Fl. 1169DF CARF MF 16 5. caso seja mantida a exigência, requer a compensação com o imposto pago pelo Sr. Salvador. Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, houve por bem NEGAR, em parte, a impugnação da recorrente, por unanimidade. A parte exonerada da autuação fiscal envolve o montante (principal + multa) de R$ 1.561.487,85 da CSLL, por erro na sua apuração. O valor autuado foi o de venda, e não o ganho de capital. Com isso, a apuração da CSLL apurada passa de R$ 10.127.295,14 para R$ 9.502.700,79. A ementa da decisão é a seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 FATO GERADOR. NEGÓCIO JURÍDICO. CONDIÇÕES SUPENSIVAS. Somente quando a condição suspensiva do negócio jurídico se cumpre o contrato se torna exeqüível. Portanto, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos, tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos do direito aplicável. DECADÊNCIA. DOLO. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Comprovadas as hipóteses de dolo, fraude ou simulação; contase o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Comprovado que o sócio administrador teve participação direta e incisiva na conduta considerada fraudulenta que resultou em falta de pagamento do tributo, é cabível a imputação de responsabilidade tributária solidária, nos termos do art. 135, III, do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 GANHO DE CAPITAL. DIFERIMENTO. A possibilidade de diferimento da tributação do ganho de capital na proporção da parcela do preço recebida somente se aplica aos contribuintes sujeitos à tributação com base no lucro real, e no caso de recebimento após o término do anocalendário seguinte ao da contratação. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. SOCIEDADE DO TIPO HOLDING. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. GANHO DE CAPITAL. DESLOCAMENTO DO GANHO PARA OS SÓCIOS DA PESSOA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE. Não é dado à pessoa jurídica que aliena participação societária fazer deslocar o respectivo ganho de capital auferido no negócio para as pessoas físicas que figuram como sócios da pessoa jurídica, mormente porque, in casu, tratase de sociedade do tipo “holding”, cujo precípuo objeto social consiste em fruir Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 10980.724302/201618 Acórdão n.º 1402003.121 S1C4T2 Fl. 1.163 17 dos benefícios advindos das participações societárias, neles incluídos os ganhos havidos na sua alienação. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. O pagamento de dividendos por meio de ações de outra empresa, já em negociação para venda, de forma a deslocar o ganho de capital para as pessoas físicas que figuram como sócios evidencia a conduta dolosa com objetivo de evitar o pagamento do tributo devido. Por estar caracterizada a fraude, é cabível a aplicação da multa qualificada. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. VEDAÇÃO LEGAL. Vedada a dedução do imposto de renda recolhido relativo ao ganho de capital da pessoa física com o imposto de renda da pessoa jurídica apurado em procedimento de ofício, por expressa disposição legal que não permite a compensação de créditos de terceiros. JUROS. MULTA DE OFÍCIO. Considerando que entre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, se incluem a multa de lançamento de ofício, esta fica sujeita à incidência de juros moratórios se não for recolhida em seu termo, ou seja, depois de trinta dias da notificação do sujeito passivo do lançamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. Não possuem eficácia normativa as decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros, vez que não integrantes da legislação tributária a que se referem os arts. 96 e 100 do CTN. ARROLAMENTO DE BENS. A apreciação do procedimento de arrolamento efetivado pela autoridade lançadora não se insere no âmbito de competência das Delegacias de Julgamento. AÇÃO FISCAL. FASE INVESTIGATÓRIA. Desnecessário intimar o responsável solidário para acompanhar a ação fiscal na fase investigatória por se tratar de fase que antecede a fase contenciosa do procedimento. ERRO. BASE DE CALCULO. Verificado o erro de transcrição na informação do valor da base de cálculo, deve ser efetuada nova apuração, tornando improcedente o valor cobrado indevidamente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 Fl. 1171DF CARF MF 18 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL (IRPJ). Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: das alegações de nulidade, rebateas, dizendo que as condutas foram da recorrente e seus sócios administradores. Alega que inexiste previsão legal para a desconsideração de negócios jurídicos (o contrato de dação em pagamento), mas ocorre que o caso em julgamento é de abuso de direito e de fraude à lei e sua prática, ao configurar um ilícito, contamina o planejamento tributário; quanto a alegação de que foi incluído indevidamente receita do 4º trimestre na autuação do 3º trimestre, não procede, pois a possibilidade de diferimento da tributação do ganho de capital só se aplica à tributação com base no lucro real, conforme art. 421 do RIR/99; houve erro na apuração da CSLL, pois o valor autuado foi o de venda, e não o ganho de capital. Com isso, a apuração da CSLL apurada passa de R$ 10.127.295,14 para R$ 9.502.700,79; alega que os sócios solidários não foram intimados durante o procedimento fiscal, o que é desnecessário do ponto de vista legal, e não houve o cerceamento de defesa, pois houve lavratura e ciência do termo de sujeição passiva, assim como os autos de infração; o momento do fato gerador é do implemento das condições suspensivas do contrato, nos termos do inciso II do art. 116 e art. 117 do CTN, bem como a remissão ao Código Civil, nos seus artigos 121, 122 e 125. Nesta imputação legal, a ocorrência do fato gerador só se deu em 06/07/2011. Destarte, comprovada a caracterização de dolo, fraude e simulação, o prazo decadencial é determinado pelo art. 173, I, do CTN, iniciandose a contagem a partir de 01/01/2012, e encerrase em 31/12/2016, e considerando que a ciência ocorreu em 12/09/2016, não há que se falar em decadência; quanto o mérito, a operação decorreu de abuso de direito. Desde de maio/2010 já havia a intenção de venda das ações da TCP, e a negociação se iniciou em 09/07/2010, sendo a recorrente nesta data a proprietária das ações, ou seja, as negociações se iniciaram pela mesma. Após o início das negociações que as ações foram passadas para o sócio Salomão por meio de dação em pagamento, o que corrobora que não houve propósito negocial; a fraude à lei caracterizouse pela inobservância da norma impositiva que previa a incidência de IRPJ (alíquota de 15% e adicional de 10%) e CSLL (alíquota de 9%) na venda de bem do ativo permanente por pessoa jurídica (norma contornada), tendo os impugnantes montado uma seqüência de operações de modo a enquadrar a operação como venda de bem por pessoa física (norma de contorno); Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 10980.724302/201618 Acórdão n.º 1402003.121 S1C4T2 Fl. 1.164 19 quanto a alegação de inaplicabilidade da multa qualificada, não procede, pois houve toda uma comprovação nos autos que a recorrente, mediante a concatenação de atos e eventos societários, deslocou indevidamente o ganho de capital auferido para a pessoa física sócia da pessoa jurídica, o que caracteriza a sonegação e fraude nos termos do art. 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964; os valores pagos pelos sócios de IRPFGanho de Capital, não foram compensados na autuação, por conta da vedação em efetuar a compensação de débitos de terceiros, conforme legislação aplicável; da alegação da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício, por falta de previsão legal, não procede, pois se esta decorre de um tributo, caracterizado um crédito tributário, e devendo ser corrigido, nos termos dos art. 43 e 61 da Lei nº 9.430/1996; quanto ao impugnado pela exclusão dos responsáveis solidários, não procede, já que são sócios que atuarem efetivamente e ativamente nas situações ocorridas e aos atos praticados durante sua gestão ou administração. Do Recurso Voluntário: Tomando ciência da decisão a quo em 21/03/2017, a recorrente apresentou recurso voluntário em 17/04/2017, repisando praticamente os mesmos elementos e argumentos da sua peça impugnatória, quais sejam, em apertada síntese: nulidade : as condutas baseadas para autuação fiscal foram praticadas por outras empresas; inexistência de previsão legal que permita à autoridade fiscal a desconsideração de negócios jurídicos; desconsideração do regime trimestral de apuração do IRPJ e da CSLL (lucro real trimestral); a base de cálculo utilizada para a CSLL não foi o ganho de capital, mas sim o preço total recebido pela venda, o que o acórdão reconheceu e deveria ter sido declarado nulo; os sócios considerados devedores solidários não foram intimados para a fase de fiscalização, nem para apresentar esclarecimentos; há decadência do crédito tributário, independente do momento que se defina o marco inicial. Os momentos são os seguintes: 1. Transferência das ações Dação em pagamento (29/07/2010); 2. Formalização do contrato de venda das ações (21/12/2010); 3. Recebimento do preço pela alienação das ações (06/07/2011): se o fato gerador ocorreu em 06/07/2011, este deve ser o termo inicial do prazo decadencial de cinco anos para a constituição do crédito tributário, de acordo com o art. 150, §4º do CTN. Não se aplica o art. 173, I porque houve antecipação do pagamento pelo Sr. Salomão. Da mesma forma, houve recolhimento antecipado do IRPJ e CSLL por parte da SOIFER. Portanto, estão decaídos os créditos relativos ao fato gerador ocorrido em 06/07/2011; Fl. 1173DF CARF MF 20 3. Do mérito: Da improcedência do auto de infração – Da validade dos negócios praticados pela Soifer e seus sócio: . Da dação em pagamento envolvendo as ações do TCP o Sr. Salomão possuía um crédito perante a empresa de dividendos a receber no valor de R$ 10.262.931,51. A existência dessa dívida não é contestada pela autoridade fiscal. Uma parte foi paga por meio de dação em pagamento em 07/2010 e outra parte em espécie. Os demais acionistas foram notificados para exercer o direito de preferência na compra das ações, conforme clausula 1ª do acordo de acionistas do TCP. Todos manifestaram renúncia ao direito de preferência. As demais acionistas do TCP (PATTAC, TUCUMANN, TCB e GALIGRAIN) não são empresas controladas ou coligadas da SOIFER, e nem pertencem ao mesmo grupo empresarial, se a negociação das ações do TCP ao Sr. Salomão tivesse condições privilegiadas, certamente as demais acionistas exerceriam o direito de compra. Isso só comprova a efetividade e regularidade do negócio. A justificativa econômica para que a operação assim acontecesse foi o objetivo de provocar o menor ônus possível a SOIFER, evitando uma excessiva descapitalização da empresa. O Sr. Salomão participava ativamente da gestão do TCP, não sendo mero possuidor de ações da companhia. . Do interesse na venda de participações societárias do TCP contrato de assessoria financeira celebrado com o Banco Santander. Em maio de 2010, as empresas sócias do TCP contrataram o Banco Santander para prospectar potenciais e eventuais investidores em adquirir participações do TCP. O escopo do trabalho do Santander deixa claro que a venda de participações do TCP não estava nem perto de ser confirmada. Havia apenas uma intenção de venda de parte das ações da companhia. A remuneração de sucesso estabelecida foi de 1,272 milhão de Euros, mais um percentual de no mínimo 1,10 % do valor de transação. No contrato se reconhece que há negociações em andamento com alguns investidores, o que demonstra indefinição da operação, já que a venda não foi fechada com nenhum dos interessados. . Da venda das ações do TCP aos investidores apresentados pela ADVENT DO BRASIL Em 09/07/2010, isto é, 40 dias após assinado o Contrato de Assessoria Financeira, o grupo Advent do Brasil encaminhou ao Banco Santander uma “proposta indicativa (não vinculativa)" para aquisição de ações do TCP. No momento da dação em pagamento (julho de 2010) a negociação estava apenas no início, o negócio não estava nem próximo de um fechamento. Se é verdade que uma negociação deste porte “requer um prazo razoável para as tratativas”, cai por terra a tese fiscal de que, no intervalo de 20 dias, a venda das ações do TCP para os investidores apresentados pela Advent já estivesse praticamente confirmada. Tanto isso é verdade que, após o envio da proposta indicativa pela Advent, foi necessária longa negociação que se estendeu por seis meses. O contrato de compra e venda das ações só foi firmado em 21/12/2010, e ainda com condições muito diferentes daquelas apresentadas na Proposta Indicativa da Advent em 09/07/2010. Mesmo no momento de formalização do contrato, não se tinha certeza absoluta de venda das ações, pois estava vinculada a “Condições suspensivas”. As condições suspensivas foram atingidas em 06/07/2011, quase um ano após a dação em pagamento. O Sr. Salomão adquiriu as referidas ações do TCP em 29/07/2010, mas só as alienou definitivamente em 06/07/2011, ou seja, o Sr. Salomão foi acionista do TCP por praticamente doze meses. . Do recolhimento do Imposto de Renda incidente sobre o ganho de capital pelo Sr. Salomão. Da informação do negócio na DIRPF O Sr. Salomão recolheu o Imposto de Renda incidente sobre o ganho de capital na alienação de suas ações do TCP e informou a operação na Declaração. Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 10980.724302/201618 Acórdão n.º 1402003.121 S1C4T2 Fl. 1.165 21 . O valor recebido pelo Sr. Salomão, não retornou a SOIFER. O montante recebido na alienação das ações do TCP permaneceu na propriedade do Sr. Salomão, que não praticou qualquer ato de reinvestimento desses valores na SOIFER, o que confirma de modo cabal que o real alienante das ações do TCP foi o Sr. Salomão. Se as ações pertencessem verdadeiramente à SOIFER o mínimo que se deveria provar é que os recursos obtidos com essa venda retornaram aos cofres da SOIFER. houve distorção dos fatos pela autoridade fiscal e pelo v. acórdão recorrido Irrelevância dos fatos envolvendo a empresa TUC e seus sócios; não é verdade que o negócio de venda de ações do TCP teve início em 2009; as notícias de imprensa mencionadas só confirmam o que já está nos documentos apresentados, e contradizem a tese fiscal; o fato da recorrente ser uma holding não altera em nada o caso concreto; há fatos não contestados pelo acórdão recorrido a dação em pagamento teve propósito negocial de saldar dívida com o Sr. Salomão, sem a necessidade de fazer um desembolso de caixa tão expressivo; o Sr. Salomão foi acionista da TCP durante um ano, participando de diversos atos próprios da condição de acionista; a dação em pagamento foi válida, efetiva, lícita e sem a certeza da venda posterior das ações do TCP impossibilidade de desconsideração do negócio jurídico; comprovação da inexistência de simulação, abuso de direito e fraude à lei; afastamento da multa agravada de 150% ausência de dolo, fraude ou simulação; necessária compensação do imposto de renda pago pelo Sr. Salomão; deve ser excluída do cálculo fiscal a parcela recebida em 31/10/2011; não incide juros de mora sobre a multa de ofício; Do pedido: IV DO PEDIDO Diante do exposto, requer a Recorrente dignemse V.Sas, a julgar totalmente procedente o presente Recurso Voluntário, para o fim de reformar o Acórdão recorrido e reconhecer a nulidade material, a decadência ou a total improcedência do Auto de Infração lavrado contra a Recorrente, pelas razões já expostas. Ad argumentandum, na remota hipótese de não serem acolhidos os fundamentos pela nulidade material, decadência ou total improcedência do Auto de Infração, requer dignemse V. Sas. a: a. afastar a aplicação da multa agravada de 150% prevista no art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, uma vez que não restam configuradas as hipótese de sonegação, fraude ou conluio no caso concreto; Fl. 1175DF CARF MF 22 b. admitir a compensação do Imposto de Renda pago pelo Sr. SALOMÃO, no valor de R$ 16.692.869,72, o qual deve ser abatido do valor histórico do tributo principal, de modo a produzir o necessário reflexo no cálculo dos juros e da multa aplicada; c. determinar que seja excluída do cálculo fiscal a parcela recebida em 28/10/2011, pois tais valores não integram o 3° trimestre de 2011, que foi o período considerado pela Autoridade Fiscal em seu cálculo; e d. afastar a incidência de juros sobre as multas de ofício aplicadas. . RECURSO VOLUNTÁRIO DOS SOLIDÁRIOS Tomando, ambos, Srs. David Soifer e Salomão Soifer, ciência da decisão a quo no dia 17/03/2017, apresentaram recurso voluntário em conjunto no dia 17/04/2017. Nela expõe os seguintes argumentos, repisando praticamente os mesmos da sua peça impugnatória: requerem que todos os fundamentos e pedidos deduzidos pela SOIFER em sua peça recursal sejam considerados também em favor dos ora recorrentes (pessoas físicas), para todos os efeitos, exatamente como se fossem nesta peça apresentados e requeridos. · Nulidade material do procedimento em virtude da ausência de intimação dos impugnantes para a fase de fiscalização ou para prestar esclarecimentos. · Nulidade material por erro na identificação do sujeito passivo já que o art. 135 do CTN trata de responsabilidade pessoal, assim, tendo sido o lançamento realizado em face da SOIFER não caberia a imputação de responsabilidade aos Srs. Salomão e David, o que configura erro na identificação do sujeito passivo, causa de nulidade material do auto de infração, por evidente desrespeito ao artigo 142 do CTN; · Não ocorreram as hipóteses previstas no art. 135 do CTN, já que a dação em pagamento foi uma operação válida, lícita, pública e motivada por propósito econômico; não houve simulação, fraude a lei, excesso de poderes ou qualquer conduta antijurídica. · Não havia um contrato preliminar com a Advent, e sim uma proposta indicativa; · Quando da ocorrência do fato gerador, o Sr. Salomão não era mais diretor, gerente ou representante da SOIFER; · Cita decisão do CARF no sentido de que o art. 135 só encontra aplicação nos casos de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 10980.724302/201618 Acórdão n.º 1402003.121 S1C4T2 Fl. 1.166 23 · O art. 135 somente atinge créditos tributários que sejam resultantes da conduta infracional; A representação fiscal para fins penais deve ficar suspensa durante a tramitação do processo administrativo; · O Sr. Salomão confirma que autoriza, caso isso seja necessário, a compensação dos valores por ele pagos, e apresenta também uma autorização, anexa a impugnação; do pedido: V DO PEDIDO Diante do exposto, caso não sejam acolhidas as razões e pedidos de nulidade material, decadência ou a total improcedência do Auto de Infração apresentados pela SOIFER em seu Recurso Voluntário (razões e pedidos estes que requerse sejam aproveitados inteiramente aos Recorrentes, para todos os efeitos), requer dignemse V.Sas, a reformar o Acórdão recorrido, dando provimento ao presente Recurso Voluntário, para o fim de reconhecer: (a) a nulidade material do auto de infração, por cerceamento do direito de defesa, ante a ausência de intimação dos Recorrentes para que participassem da Fiscalização; (b) a nulidade material do auto de infração, por erro na identificação do sujeito passivo, em razão da manutenção dos Recorrentes na autuação fiscal ao mesmo tempo que a SOIFER; ou, ao menos, (c) a ilegitimidade passiva dos Recorrentes, uma vez que não estão presentes as hipóteses do artigo 135, III, do CTN. Em qualquer hipótese, pugnase também pela suspensão da representação fiscal para fins penais durante a tramitação do presente processo administrativo fiscal. Por fim, caso seja mantida a exigência de eventuais débitos em face da SOIFER (o que definitivamente não se espera), requer seja compensado o Imposto de Renda pago pelo Sr. SALOMÃO, no valor de R$ 16.692.869,72, o qual deve ser abatido do valor histórico do tributo principal, de modo a produzir o necessário reflexo no cálculo dos juros e da multa aplicada. A PGFN apresentou a contrarrazões de folhas 1094 a 1125. É o relatório. Fl. 1177DF CARF MF 24 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Da síntese dos fatos A presente autuação fiscal envolve a operação de venda de ações da pessoa jurídica TCP Terminal de Contêineres de Paranaguá S/A CNPJ 03.020.098/000137, em que a recorrente figurou alienante, juntamente com a TUC Participações Portuárias S/A. Apesar de não ter figurado como alienante nesta operação, era a real detentora das ações do TCP, que foram objeto da alienação. Nesta operação, que gerou ganho de capital para a recorrente, houve, nas palavras da autuação fiscal, planejamento tributário abusivo, objetivando apurar o ganho na pessoa física dos seus sócios, e não na pessoa jurídica, em virtude das diferenças das alíquotas da tributação aplicável. Na sua impugnação contesta todos os pontos que entende inválidos da autuação fiscal, contudo, houve manutenção integral da autuação na decisão a quo, excluindo o erro da base de cálculo da CSLL, que foi exonerado, a qual agora a recorrente se insurge. Na sua peça recursal mantém praticamente o mesmo teor e argumentos da sua peça impugnatória. Dos fatos motivadores da autuação fiscal: Antes de adentrar na análise dos elementos suscitados na peça recursal, cabe uma análise dos fatos envolvidos que motivaram a ação fiscal. O ganho de capital é decorrente da venda de 50% das ações da TCP Terminal de Contêneires de Paranaguá S/A. No contrato firmado de compra e venda, datado de 21/12/2010, a recorrente figura como interveniente garantidora, juntamente com a Tuc Participações S/A. Referido contrato previa condições suspensivas para sua implementação, que se aperfeiçoaram apenas em 06/07/2011. Há 3 compradores envolvidos, que foram criados especificamente para esta aquisição e eram controlados indiretamente pela Advent International, fundo de investimento sediado nos Estados Unidos. Há 6 vendedores envolvidos, sendo que dentre eles, a pessoa física do Sr. Salomão Soifer. O Sr. Salomão só passou a figurar como acionista da TCP em 29/07/2010, passando a deter 32% das ações da TCP, que anteriormente eram da recorrente. Esta transferência de ações se deu através de instrumento particular de dação em pagamento, em que a recorrente entregou ao Sr. Salomão 689.940 ações da TCP pelo valor Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 10980.724302/201618 Acórdão n.º 1402003.121 S1C4T2 Fl. 1.167 25 de R$ 8.814.274,20, em pagamento de dividendos, cuja montante a ser pago era de R$ 10.262.931,51. A fiscalização alega que as tratativas do negócio celebrado tiveram início meses antes de 21/12/2010, considerando a cifra envolvida na alienação da participação societária total R$ 670.000.000,00, o que deve ter exigido uma preparação prévia antes de formalizar o negócio. A própria Advent informou que o início das tratativas ocorreu em 09/07/2010, através de proposta formalizada. E houve proposta anterior, de 10/12/2009, que restou infrutífera. Dados os eventos acima elencados, restou evidenciado para autoridade fiscal que quando ocorreu a dação em pagamento (29/07/2010), o Sr. Salomão já tinha ciência do negócio que logo seria celebrado, e passou a agir para ter economia tributária na operação de ganho de capital. Passamos à análise dos itens da peça recursal. Preliminares: Alega a recorrente que houve várias nulidade na autuação fiscal: a) as condutas baseadas para autuação fiscal foram praticadas por outras empresas, em especial, a TUC. Analisando todo o contexto apresentado, a TUC é citada regularmente no auto de infração, pois participa da operação também, sendo uma das vendedoras da TCP para o grupo Advent, através de seus sócios, situação que ensejou autuação fiscal também, já analisado por esta colegiado. A descrição dos fatos no relatório fiscal, apesar de citar várias empresas é sobre a recorrente, a Soifer Participações Societárias Ltda., e sobre ela é imputada o auto de infração. Descrever as condutas de outras empresas foi um recurso necessário à autoridade fiscal, dada a quantidade envolvida de vendedores, compradores e intervenientes. Contudo, há clara e substancial fundamentação inerente aos atos da recorrente e seu sócio. O v. acórdão recorrido até se ateve em citar trechos das condutas praticadas pela recorrente, dos quais entendo não ser necessário aqui reproduzir. Dito o acima, entendo improcedente este pleito da recorrente. b) inexistência de previsão legal que permita à autoridade fiscal a desconsideração de negócios jurídicos. Fl. 1179DF CARF MF 26 Alega a recorrente que o auto de infração não menciona em local algum o embasamento legal utilizado pela Fiscalização para desconsiderar o negócio praticado entre as partes e não o menciona pelo simples fato de que não existe embasamento para tanto no ordenamento jurídico brasileiro. Contudo, divirjo da recorrente, pois no auto de infração há o enquadramento legal necessário para enquadrar a situação constatada pela autoridade fiscal. Os demais elementos que analisa os fatos inerentes à operação real ocorrida e pretendida pela recorrida estão na descrição dos fatos, típico do relatório fiscal. O que houve foi um desvirtuamento da operação que culminou na alteração do detentor das ações da TCP, saindo da propriedade da recorrente e indo para a propriedade do seu sócio, a qual foi realizada com o único propósito de economia tributária. Há nisto um desrespeito ao propósito negocial da empresa. Sua autoorganização não pode ser unicamente permeada pela intenção de reduzir a carga tributária. Tal situação fica apurada e demonstrada pela autoridade fiscal no seu relatório fiscal, o que fica nítido pela sua descrição de um abuso de direito e fraude a lei por parte da recorrente, como exposto pelo v. acórdão recorrido. A validade de negócios jurídicos, vistos isoladamente, não lhe dá a virtude jurídica necessária, quando se analisa o contexto e fundamento. Assim, não procede de razão quando a recorrente evoca na sua peça recursal a necessidade de uma expressa autorização legal para desconsiderar um negócio jurídico. A ofensa ao direito pode se dar também por vício na origem de atos jurídicos lícitos, que foram simulados. Nestes casos, procedente e necessário à autoridade fiscal recusar no âmbito tributário os efeitos destes atos jurídicos abusivos, e dar os efeitos tributários reais à situação constatada. De resto, acompanho os fundamentos expostos no v. acórdão recorrido sobre o alegado, que vão ao encontro do que acima discorro a respeito. Dito o acima, entendo improcedente este pleito da recorrente. c) desconsideração do regime trimestral de apuração do IRPJ e da CSLL (lucro real trimestral). Alega a recorrente que houve nulidade no momento da apuração do ganho de capital, no que tange à parcela (segunda e última) do 4º trimestre de 2011, recebida em 28/10/2011. Sua forma de tributação, lucro real trimestral, permitelhe diferir o ganho de capital, conforme leitura que faz do art. 421 do RIR/1999, utilizado pelo v. acórdão para contestar tal pleito. Contudo, como apontado no relatório fiscal que deu suporte à autuação fiscal, há na redação do art. 421 do RIR/1999 uma dúvida quanto à abrangência da expressão "exercício social", já que a recorrente é optante do regime trimestral. Vejamos a redação do art. 421 do RIR/1999: Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 10980.724302/201618 Acórdão n.º 1402003.121 S1C4T2 Fl. 1.168 27 Art. 421. Nas vendas de bens do ativo permanente para recebimento do preço, no todo ou em parte, após o término do anocalendário seguinte ao da contratação, o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, reconhecer o lucro na proporção da parcela do preço recebida em cada período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31, § 2º). (grifo meu) Ou seja, pela leitura do art. 421 do RIR/1999, o diferimento do ganho de capital só se aplicaria quando recebido após o termo do anocalendário seguinte ao da contratação, o que não seria o caso em foco. Não poderíamos considerar cada trimestre como um exercício social, e mesmo assim, nas palavras do relatório fiscal: E mais, mesmo se considerássemos cada trimestre como sendo um exercício social, não caberia o diferimento no caso da FISCALIZADA, uma vez que a parcela adicional foi recebida no trimestre seguinte (4º trimestre de 2011) ao da contratação (3º trimestre de 2011), e não após o término do trimestre seguinte ao da contratação (1º trimestre de 2012). Ou seja, os pagamentos ocorreram no mesmo anocalendário, não se enquadrando nas hipóteses previstas do art. 421. Dito o acima, entendo improcedente este pleito da recorrente. d) a base de cálculo utilizada para a CSLL não foi o ganho de capital, mas sim o preço total recebido pela venda, o que o acórdão reconheceu e deveria ter sido declarado nulo. Alega a recorrente que a ocorrência do erro material quando da apuração da base de cálculo da CSLL eivaria de nulidade a autuação fiscal. Contudo, analisandose o relatório fiscal sobre este item, fica nítido que a intenção era correta, mas ocorreu um erro de transcrição, que não poderia suscitar a nulidade alegada. Em todo o relatório, há menção do ganho de capital de R$ 113.160.134,96, que seria utilizado como base de cálculo para a apuração do IRPJ e CSLL, mas quando transcreveu o valor da CSLL, não considerou o custo registrado pela recorrente. Ou seja, no relatório fiscal há todo o raciocínio e apuração corretos, mas no auto de infração, que envolvem os cálculos, houve a transcrição do valor erroneamente. No v. acórdão há uma análise pertinente ao caso, e houve a reapuração do valor devido de CSLL, com a exoneração devida de valor do autuado. Com isso, o valor da CSLL apurada passou de R$ 10.127.295,14 para R$ 9.502.700,79 quando identificado este erro no v. acórdão. De qualquer forma, não é caso de nulidade, pois não houve verdadeiro erro na base de cálculo. Esta foi corretamente detalhada e calculada quando exposto o raciocínio Fl. 1181DF CARF MF 28 (no relatório fiscal), mas no momento de gerar seus valores (auto de infração) houve um erro de preenchimento, tanto que foi facilmente identificado pela recorrente já na sua peça impugnatória, e acatada pela instância a quo. Não é motivo de nulidade, e sim de exoneração do valor indevido. Dito o acima, entendo improcedente este pleito da recorrente. e) os sócios considerados devedores solidários não foram intimados para a fase de fiscalização, nem para apresentar esclarecimentos. Alega a recorrente que os devedores solidários, Srs. Salomão e David Soifer não foram intimados para que participassem do procedimento de fiscalização, ou apresentassem esclarecimentos quanto aos fatos que motivaram a autuação fiscal. Como bem destacado no v. acórdão recorrido, não há previsão legal desta intimação. Durante o procedimento fiscal, que envolve a auditoriafiscal, até o momento da autuação fiscal ser cientificada, não há que se falar necessariamente em contraditório ou ampla defesa. O procedimento fiscal envolve a investigação e colheita de informações e elementos de prova para formação da convicção da autoridade fiscal, quando procede a uma análise de provável infração tributária. Tendo a convicção, a autoridade fiscal, que já tem todos os elementos de prova necessários, nada obsta que seja já realizado a autuação fiscal. Eventuais erros de julgamento no procedimento fiscal suscitarão as discordâncias na fase litigiosa. Contudo, não é o que se vislumbra no presente caso. A autoridade fiscal faz toda uma análise no relatório fiscal dos elementos que colheu durante o procedimento fiscal, onde formou convicção da sujeição passiva solidária, inclusive com tópico próprio no seu relatório fiscal. Entendeu não necessário fazer nenhuma intimação aos solidários, pessoas físicas dos Srs. Salomão e David Soifer, e esta decisão não eiva de nulidade a presente autuação fiscal. Dito o acima, entendo improcedente este pleito da recorrente. Por conseguinte, NEGO TODAS AS PRELIMINARES SUSCITADAS PELA RECORRENTE. Da alegada decadência suscitada pela recorrente Entende a recorrente, que independente do momento que se entenda o marco inicial da decadência do operação em foco, a decadência se configuraria em qualquer deles. Partido desta premissa, passa a demonstrar na sua peça recursal, que o crédito tributário estaria decaído, tanto que se considere o momento da dação em pagamento Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 10980.724302/201618 Acórdão n.º 1402003.121 S1C4T2 Fl. 1.169 29 (29/07/2010), a formalização do contrato de venda de ações (21/12/2010) ou o recebimento do preço pela alienação das ações (06/07/2011). Em relação ao momento da dação em pagamento, ocorrida em 29/07/2010, não está sendo considerado o fato gerador do ganho de capital pretendida de quando da autuação fiscal. A autuação fiscal foi sobre o ganho de capital. A data do início do alteração da propriedade das ações, eivadas de vício, apenas demonstra o início temporal da intenção de pagar menos tributos da recorrente, não tendo relação direta com o fato gerador em litígio. O contrato assinado em 21/12/2010 (contrato de compra e venda de ações e outras avenças), previu condições suspensivas para sua implementação, conforme cláusulas 2.1, 3.2 e 3.3, onde se destaca que estas estabelecem condições para sua eficácia. Até o cumprimento destas condições, há cláusulas suspendendo o contrato, e inclusive, não houve nenhum pagamento até a sua plena eficácia, o que só ocorreu em 06/07/2011. Ou seja, fica nítido pelas circunstâncias evocadas na autuação fiscal, a qual não há contestação fática da recorrente, que houve sim uma condição suspensiva, e se não se confirmasse, caberia penalidades à recorrente como emanados comumente em contratos privados. No caso, há a nítida aplicação dos arts. 116 e 117, do CTN: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. (...) Art. 117. Para os efeitos do inciso II do artigo anterior e salvo disposição de lei em contrário, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputamse perfeitos e acabados: I sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento; II sendo resolutória a condição, desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio. As condições suspensivas são assim chamadas por suspender os efeitos jurídicos de determinada circunstância jurídica. Apenas após serem elididas, que termos um contrato eficaz e exequível. E o direito tributário estabelece os efeitos tributários de forma bem clara nestas circunstâncias, conforme supramencionados arts. 116 e 117 do CTN. Fl. 1183DF CARF MF 30 Destarte, o fato gerador é no momento da implementação das condições suspensivas, e estas deixaram de existir, inclusive com a concordância da compradora, pois efetuou o pagamento acordado, ou seja, foi no dia 06/07/2011. A recorrente é optante pelo regime do lucro real trimestral. No caso concreto, a ocorrência dos fatos autuado foi em 06/07/2011, ou seja, o 3º trimestre de 2011, o que levaria seu fato gerador para o último dia do trimestre, dia 30/09/2011. Só se falaria em decadência, independente dos vários aspectos inerentes ao tema, ao final do 3º trimestre de 2016, dia 30/09/2016, 5 anos após o fato gerador. Como a ciência se deu em 12/09/2016, não haveria que se falar em decadência neste momento, independente da caracterização de dolo, fraude e simulação. Destarte, NEGO PROVIMENTO quanto a este ponto. Da validade dos negócios praticadas pela recorrente e seu sócio Alega a recorrente que a dação em pagamento envolvendo as ações da TCP foi regular e legal, pois havia uma dívida anterior que precisava ser quitada. Houve a justificativa econômica para a operação, que seria provocar o menor ônus possível à recorrente, evitando a sua descapitalização. Ademais, o Sr. Salomão participava ativamente da gestão da TCP, não sendo mero possuidor de ações da companhia. Continua na sua peça recursal alegando que quando ocorreu a contratação do Banco Santander, em maio de 2010, a venda de participações na TCP não estava nem perto de ser confirmada. Quando da proposta da Advent em 09/07/2010, abriuse a negociação, então, quando da dação em pagamento, ocorrida em 29/07/2010, as negociações estavam apenas no início, sendo firmado em 21/12/2010, e como condições suspensivas, só atingidas em 06/07/2011. Ou seja, há neste ínterim quase um ano desde a dação em pagamento, sendo o Sr. Salomão acionista da TCP por todo este período de praticamente doze meses. Continua alegando que o Sr. Salomão apurou IRPF da operação, e recolheu, e o valor recebido na operação não retornou à recorrente, permanecendo em sua propriedade. Isto confirmaria que o real alienante das ações da TCP foi o Sr. Salomão. A dação em pagamento foi válida, efetiva, lícita e sem a certeza da venda posterior das ações da TCP. Contudo, analisandose todo o contexto envolvido e trazido aos autos, há nítido encadeamento de ações da recorrente e seu sócio, abusando do direito aplicável. O que fica demonstrado cabalmente nos autos pela autoridade fiscal é que: em 31/05/2010, a recorrente, antes da dação em pagamento, e conjuntamente com outros proprietários da TCP à época, assinaram um contrato com o Santander para assessorar na condução das negociações finais com potenciais investidores; em 09/07/2010, segundo a Advent, que representava o comprador, iniciou se as tratativas de negociação das ações da TCP; em 29/07/2010, ocorreu a dação em pagamento, em que a recorrente entregou ao Sr. Salomão ações da TCP para quitar dividendos a receber. A partir de então, a propriedade destas ações, que antes eram da recorrente, se deslocam para a pessoa física do Sr. Salomão; Fl. 1184DF CARF MF Processo nº 10980.724302/201618 Acórdão n.º 1402003.121 S1C4T2 Fl. 1.170 31 no período de agosto a novembro de 2010, a Advent cria empresas e fundos que forma o grupo que adquire a TCP; em 21/12/2010 foi assinada a venda das ações da TCP. Assim, fica demonstrado, de forma cabal, pelo relato cronológico acima, que desde maio de 2010 já havia a intenção de venda das ações da TCP. Quando da assinatura do contrato com a adquirente, em 09/07/2010, a recorrente era a proprietária das ações. As negociações se iniciaram por ela, e a transferência das ações da ações ocorre para a pessoa física do Sr. Salomão posteriormente. Tudo isso demonstra que estes eventos foram executados sem propósito negocial, ou seja, sem o devido substrato material. Há uma formalidade aos negócios implementados, mas realizados com abuso de direito. No caso concreto, houve operações que cumprem os requisitos formais da sua licitude, mas materialmente, objetivaram modificar a sujeição passiva tributária, e diminuir o quantum dos tributos a pagar. Foram formalmente lícitos, mas materialmente nulos. A operação de deslocamento da propriedade das ações quando já iniciadas tratativas finais de aquisição das mesmas, só objetivou diminuir a incidência tributária do ganho de capital, a qual na pessoa física seria menos onerosa que na pessoa jurídica. Não se vislumbra uma elisão fiscal, legítima, mas sim artimanhas revestidas de atos e contratos formalmente válidos, ou seja, algo dissimulado da realidade. Elementos suscitados pela recorrente como a dívida preexistente de dividendos a pagar, não procede, pois se trocou uma dívida quitada de R$ 8.814.274,20, por ações que foram vendidas poucos meses depois por mais de R$ 100 milhões. Ou seja, isto afasta as condições independentes e regulares do mercado para o negócio. E o fato do dinheiro da venda não ter retornado à recorrente só demonstra o quanto a pessoa física e pessoa jurídica se entrecruzam no processo decisório. No caso, as circunstâncias negociais surgiram com a recorrente, e para modificar isso, para fins tributários, teriam que acontecer outros elementos além da economia tributária envolvida. De qualquer forma, se a recorrente realizasse a operação, o que seria normal, os recursos poderiam recair na propriedade do Sr. Salomão, através de dividendos distribuídos, o que seria o esperado em circunstâncias normais de formalização de negócios. Contudo, ao se ver que haveria uma diminuição do valor total do ganho, por conta da tributação mais onerosa na pessoa jurídica, começase a o processo de transferência da titularidade das ações. Ficar aguardando o pagamento por quase um ano do valor da negociação não traveste a operação de regularidade, pois estava praticamente definida que seria realizada, quando implementadas as condições suspensivas. O importante é o momento inicial, que azo a toda preparação para ocorrer ônus tributário mais benéfico. E o fato do Sr. Salomão ter apurado Imposto de Renda na Pessoa Física do ganho de capital em nenhum momento afasta o vício da operação, pois era normal que quisesse realizar todos os aspectos que dessem ares de normal e com propósito ao negócio. Fl. 1185DF CARF MF 32 Destarte, NEGO PROVIMENTO quanto a este ponto. Das alegações para afastamento da multa qualificada Alega a recorrente que todos os atos praticados foram válidos, públicos, lícitos e efetivos. Que a transação teve propósito econômico relevante. Destarte, seria descabido a aplicação da multa qualificada. Contextualizando, a multa de ofício qualificada estipula a duplicação da multa de mora (de 75%), nos casos previstos nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, que envolve as figuras da sonegação, fraude e conluio. A autoridade fiscal entendeu que houve a conduta dos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/19641, ou seja, sonegação e fraude. Preliminarmente, cabe destacar que a multa de ofício simples (75%) tem o seu contexto de aplicação nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, nos termos do art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996 (com alteração dada pela Lei nº 11.488/2007). Notese que não há condições de enquadramento direto em nenhuma destas hipóteses, para os atos da recorrente que objetivaram deslocar, indevidamente, o ganho de capital auferido para a pessoa física do seu sócio. Não haveria, aqui, em se falar em falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e no de declaração inexata. Há uma conduta da recorrente, nitidamente dolosa, que objetivou o impedimento da real ocorrência do fato gerador, modificandoo. O elemento dolo, um tanto subjetivo, não há de ser extraído da mente do seu autor, mas sim das circunstâncias que envolvem os fatos a serem analisados. No caso concreto, pelo todo o quanto aqui exposto, resta claro que a recorrente conscientemente agiu para distorcer os fatos, com a precípua finalidade de modificar as características do fato gerador, o que levou à redução da base tributável do ganho de capital envolvido na operação. O fato de não ter ocorrido nenhuma ilegalidade nos seus atos, e estarem todos registrados não exclui a modificação pretendida. Os atos formais, individualmente, até podem ser juridicamente válidos, mas não há substrato material, pois não refletem a realidade ocorrida. Os atos formais deveriam espelhar a realidade, o mundo real. 1 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 1186DF CARF MF Processo nº 10980.724302/201618 Acórdão n.º 1402003.121 S1C4T2 Fl. 1.171 33 Inevitavelmente, haverá a intenção de dar ares de validade aos atos e contratos ocorridos, escriturando e documentando toda a operação adulterada. Naturalmente, se houver a fiscalização, não deverá ocorrer o acobertamento dos atos, e se tentará deslocar a discussão para o pólo jurídico. Acontece que todo o preparo documental da situação, não tendo amparo material, foi colocado para evitar a fiscalização e tentar demonstrar uma situação válida da modificação pretendida das circunstâncias do fato gerador. Apenas com uma fiscalização, e um aprofundamento da análise documental é que se poderia ver os vícios contidos neste aporte documental. Ou seja, não há condições de se alegar a transparência e licitude dos seus atos, pois estão eivados de vício material, que procuraram demonstrar outra realidade às obrigações para com o erário, só identificáveis após certa investigação. Para concluir, no caso concreto, não haveria em se falar de duas situações lícitas, das quais a recorrente optou pela menos onerosa. Uma das opções foi criada artificialmente pela recorrente, conforme já exposto. Destarte, NEGO PROVIMENTO quanto a este ponto. Da compensação dos valores recolhidos pelas pessoas físicas Alega a recorrente da necessidade da compensação dos valores recolhido pela pessoas física do Sr. Salomão, pois ocorrendo a pretensa reclassificação do fato jurídico tributário em litígio, caberia o aproveitamento dos pagamentos efetuados na situação anterior, ou seja, o IRPF recolhido. De tudo o que já foi relatado neste voto, podese concluir que somente existiu uma única operação, que foi a venda das ações da TCP pela a recorrente, efetivada em 06/07/2011, raciocínio que compartilho. Conforme descrito na sua peça recursal, que remete ao doc. 03 apresentado na peça impugnatória, houve o recolhimento a título de IRPF no montante de R$ 16.692.869,72 (fls. 763 a 765). Envolvem 2 comprovantes de arrecadação efetuados pelos Sr. Salomão Soifer, no código de arrecadação 4600 IRPF Ganho de Capital na Alienação de Bens Duráveis, cujo período de apuração se referem a 06/07/2011. Inafastável se tratarem referente à operação de venda das ações da TCP. Assim, apesar de não haver previsão legal como alegado para autoridade autuante e pelo v. acórdão recorrido, o que acontece com o presente voto é a desconsideração dos atos jurídicos identificados na operação da recorrente, considerando o fato gerador ocorrido perante a recorrente. Neste caso, como apõem a sua anuência nos seus recursos voluntários dos sócios, entendo válido considerar estes pagamentos efetuados para diminuir o montante autuado. Destarte, DOU PROVIMENTO quanto à compensação do o Imposto de Renda sobre o ganho de capital recolhido pelas pessoas físicas, devendo ser compensado com o Fl. 1187DF CARF MF 34 apurado no Auto de Infração, no montante de R$ 16.692.869,72 (comprovantes de arrecadação de fls. 763 a 765). quanto a alegação que não incide juros de mora sobre a multa de ofício O presente tema da incidência de juros sobre a multa de ofício, que não deveria prosperar por falta de previsão legal não é novo no CARF. Ocorre que uma análise mais sistemática do CTN, percebese que os juros são devidos sobre o valor da multa, uma vez que o crédito tributário engloba tanto o tributo quanto a multa. Como dispõe o art. 161 do CTN: Art. 161. O credito não integralmente pago no vencimento e acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados a taxa de um por cento ao mês. O art. 113, § 1o do CTN preceitua que a obrigação principal tem por objeto o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, donde se observa que o critério utilizado pelo Código Tributário Nacional para distinguir obrigação acessória de obrigação principal e o conteúdo pecuniário. A obrigação acessória consiste em um fazer ou não fazer, enquanto que a obrigação principal implica em obrigação de dar dinheiro. Neste passo, resta evidente que a multa tem natureza de obrigação principal, visto é que incontestável o seu conteúdo pecuniário. O conceito de credito tributário esta esculpido no art. 139 do CTN, nos seguintes termos: o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Desta forma, por ser a multa, indubitavelmente obrigação principal, não se pode chegar a outra conclusão senão a de que o credito tributário engloba o tributo e a multa. Logo, tanto sobre o tributo (principal) quanto sobre a multa devem incidir juros, como determina o § 1o do art. 161 do Código Tributário Nacional. Pelos motivos elencados, entendo devam ser mantidas os juros sobre a multa de ofício imposta e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste aspecto. Dos solidários: Ambos os responsáveis solidários arrolados na autuação fiscal, e mantido no v. acórdão recorrido, apresentaram recurso voluntário em conjunto, em que contestam tal condição, pois no seu entender a eleição dos responsáveis solidários com base no art. 135 do CTN somente se aplica em caso de prática de ato com excesso de poderes ou infração à lei, contrato ou estatuto, à revelia da empresa, e essa responsabilidade é pessoal e não solidária. Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 10980.724302/201618 Acórdão n.º 1402003.121 S1C4T2 Fl. 1.172 35 Antes de qualquer mérito a respeito, requerem os solidários que seja aplicada a nulidade por constarem indevidamente na sujeição passiva. Contudo, não vislumbro situação de nulidade, e sim de mera exoneração de responsabilidade. Verificando a motivação no relatório fiscal para considerar os Srs. Salomão e David Soifer como solidários, entendo não ter ocorrido os requisitos essenciais e necessários constantes do art. 135, III do CTN. Pela descrição no relatório fiscal, a responsabilidade foi atribuída terem sido administradores e terem assinados contratos, mas não se vislumbrou nenhum excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. O art. 135, III é adequado à responsabilização dos sócios administradores, desde que traga consigo conjunto probatório robusto e preciso para permitir a transposição da personalidade jurídica do contribuinte, penetrando na esfera patrimonial de seu gestor e titular. A aplicação do art. 135 do CTN não pode ser objetiva e automática. O caso concreto aparentou mais como uma mera consequencia de responsabilização com base na qualificação da multa. Destarte, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário neste aspecto. Conclusão: Em face do exposto, REJEITO as preliminares, e VOTO no sentido de ACOLHER EM PARTE as razões de mérito dos recursos voluntários apresentados para: · EXONERAR a parcela do IRPJ autuado no valor de R$ 16.692.869,72, por conta do aproveitamento do IRPF recolhido inerente à operação em discussão; · EXCLUSÃO da responsabilidade solidária os Srs. David Soifer e Salomão Soifer; · NEGAR todas as demais alegações apresentados no recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 1189DF CARF MF 36 Declaração de Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Com a máxima vênia, registro a presente declaração de voto em relação a manutenção da multa qualificada pelo voto de qualidade. A multa qualificada, prevista no artigo 44, inciso I, e § 1º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07, tem natureza sancionadora, ou seja, é penalidade tributária imposta aos casos em que comprovada a fraude, sonegação ou conluio previstos na Lei nº 4.502/64. A comprovação da ocorrência das práticas delituosas acima mencionadas, deve ser, portanto, composta de provas concretas que demonstrem a subsunção perfeita do fato a norma, como por exemplo, a utilização de documentos falsos, não sendo válidas ou eficazes meras alegações sobre a existência de dolo para economia fiscal, sendo que este existe e é necessário até mesmo nos casos de elisão fiscal, posto que intenção/vontade de economizar gastos com tributos é o pressuposto para qualquer planejamento tributário. Destas premissas, portanto, é correto dizer que, diante da análise do caso concreto, uma das duas opções abaixo poderá ocorrer no tocante as penalidades: a qualificação da multa será mantida, por ter se caracterizado indubitavelmente a sonegação, a fraude ou o conluio, no caso concreto; ou a qualificadora da multa de ofício será afastada pela inocorrência comprovada de tais práticas dolosas; Contudo, há ainda outra opção, trazida pelo Código Tributário Nacional, que afeta diretamente a situação do sujeito passivo no tocante as penalidades, inclusive nos casos de qualificação da multa de ofício. Tratase do artigo 112, do CTN, que dispõe o seguinte: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. (Grifos meus) Da leitura do artigo retromencionado, podese concluir que, em havendo dúvida quanto à aplicação de penalidades tributárias, devese interpretar a lei tributária que Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 10980.724302/201618 Acórdão n.º 1402003.121 S1C4T2 Fl. 1.173 37 trata das infrações da maneira mais favorável ao suposto infrator, ou seja, via de regra, devese afastar a imputação da sanção fiscal. É evidentemente instituto derivado do direito sancionador (penal), consistente na máxima do "in dubio pro reo". Entendo que o mesmo se aplica para o caso deste E. Conselho quando uma decisão referente a penalidades resulta em empate. Se a composição da turma envolve oito conselheiros e o empate se configura, significa, em termos práticos, que quatro conselheiros entendem correta a imputação da penalidade e que, os outros quatro entendem a manutenção da penalidade como indevida. Em casos como este, fica cristalino que há dúvida do "colegiado" (pois a certeza individual resta suplantada, em qualquer caso) quanto à matéria relativa as penalidades e, diante do empate, ao ver deste julgador, o voto de qualidade pode ser instrumento hábil para solucionar a controvérsia, se aplicado à luz dos ditames constitucionais. Isto significa, que não se quer impedir a ocorrência do voto de qualidade, todavia, sua aplicação não pode ocorrer nos moldes em que vem sendo utilizado, ou seja, como mera repetição de voto de mérito por parte do presidente de turma, um "voto duplicado". Do contrário, o voto de qualidade se mostra como ferramenta útil se resultar em manifestação de ofício do presidente da Turma para aplicar o artigo 112, do CTN, nos casos de dúvida/empate do colegiado quanto às matérias relativas a penalidades, ou para que, eventualmente, se coloque o assunto em nova votação. Percebase que quando o voto de qualidade representa um voto duplicado, em termos práticos, o que se está permitindo é que um dos conselheiros tenha o poder de voto maior do que dos outros; violase a igualdade quanto ao poder de voto dos conselheiros. Isto é um problema, posto que, tal poder pode se manifestar até o ponto de se modificar completamente o resultado da opinião expressa pelos conselheiros. É por isso que, no caso de empate é razoável que se aplique, mediante o voto de qualidade, o artigo 112, do CTN, ou seja, que seja empregada a interpretação mais favorável ao contribuinte, não devendo haver mera réplica do voto já emitido pelo Presidente. Ressaltese, ainda, a ADI nº 5.731 ajuizada pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil – CFOAB ao STF, em junho de 2017, que questiona justamente a expressão “que, em caso de empate, terão o voto de qualidade”, contida no artigo 25, §9º do Decreto n° 70235, de 1972, com redação conferida pelo art. 25 da Lei n° 11941, de 27 de maio de 2009. Percebase que o posicionamento exarado na ADI corrobora com a visão deste julgador: “Conforme será abordado de forma mais detalhada adiante, o texto legal supracitado confronta princípios constitucionais, como o da isonomia, da razoabilidade e da proporcionalidade, bem como está em franca contrariedade ao artigo 112 do Código Tributário Nacional CTN. Desse modo, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, como legitimado universal para a propositura de Ação Direta de Inconstitucionalidade, no exercício Fl. 1191DF CARF MF 38 de sua competência legal de defensor da cidadania e da Constituição (Artigo 44, inciso I, da Lei 8.906/94), propõe a presente ação, visando a declaração de inconstitucionalidade da expressão contida no § 9º do art. 25 do Decreto n. 70.235/72, “que, em caso de empate, terão o voto de qualidade. (...) Ocorre que, em afronta a princípios constitucionais, como o da isonomia, da razoabilidade, da proporcionalidade e, inclusive, em contrariedade às finalidades institucionais do próprio Conselho, o dispositivo impugnado confere ao Presidente de Turma, por força do já citado artigo 25, § 9º do Decreto n. 70.235/72, a prerrogativa de proferir, além do voto ordinário, o voto de qualidade. Assim, valendose desta prerrogativa, os Presidentes de Turma (necessariamente representantes da Fazenda Nacional) têm proferido voto e, em um segundo momento, revertido o resultado do julgamento com novo voto (outro), quase sempre em desfavor dos contribuintes. Essa afirmação é corroborada pelos dados apresentados em matéria publicada recentemente pelo jornal Valor Econômico2. Segundo a reportagem, dos processos julgados entre janeiro e maio deste ano, 95% dos casos submetidos ao voto de qualidade foram decididos de modo desfavorável aos contribuintes, isto é, dos 110 acórdãos publicados, apenas seis foram desempatados de forma contrária aos interesses do fisco nacional. Ao adotar a sistemática de voto duplo para o não provimento de recurso interposto pelo contribuinte ou provimento de recurso de ofício interposto pela Fazenda Nacional, o tribunal administrativo deixa de atender aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade (art. 5º, LXXVIII, CF/88), na medida em que se utiliza de procedimentos discriminatórios e arbitrários para proferir seu julgamento. Como de conhecimento, a constitucionalização do princípio do devido processo legal (due process of law) tem por finalidade resguardar a garantia fundamental de todo cidadão de que o poder estatal, no exercício de suas funções e manifestações, respeitará, obrigatoriamente, a proporcionalidade e razoabilidade entre os meios adotados e os fins almejados, de maneira a resguardar os direitos e garantias fundamentais. Todavia, não é que se verifica na disposição em apreço. A duplicidade do voto proferido pelo Conselheiro Presidente, sobretudo levandose em conta ser ele representante do Fisco, coloca em xeque a missão da instituição, qual seja, julgar, de forma imparcial e justa, os litígios administrativos fiscais que tenham por objeto a apuração da incidência de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil (dentre eles, os autos de infração, os processos de restituição e compensação, os recursos voluntários, de ofício e especiais). Outrossim, resta evidentemente questionável a constitucionalidade dessa previsão, uma vez que o voto duplo do Conselheiro Presidente, representante da Fazenda Nacional, passa a servir aos desígnios de uma das partes, ou seja, o Fisco. (...) (Grifos meus) 2 Valor Econômico, Legislação e Tributos, Justiça cancela julgamentos com voto de qualidade, São Paulo, 15 de julho de 2016. Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 10980.724302/201618 Acórdão n.º 1402003.121 S1C4T2 Fl. 1.174 39 Assim, no que pese ainda estar em trâmite a análise da ADI nº 5.731, e tratar do tema sob ponto de vista constitucional, pontuo que sua simples propositura fortalece minha convicção e demonstra que a inconformidade com o modo como se dá o voto de qualidade atualmente dentro deste E. Conselho, não é somente minha. À luz do exposto, registro aqui minha declaração para constar que o voto de qualidade para manter a multa isolada, no presente processo, ao meu entender, é inválido, posto que por haver dúvida no colegiado quanto ao assunto, a penalidade deveria ser afastada, com fulcro no artigo 112, do CTN. É a declaração de voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 1193DF CARF MF
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