Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,275)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,621)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,034)
- Primeira Turma Ordinária (15,998)
- Primeira Turma Ordinária (15,960)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,348)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,399)
- Quarta Câmara (84,588)
- Terceira Câmara (66,999)
- Segunda Câmara (55,305)
- Primeira Câmara (19,845)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,258)
- 1ª SEÇÃO (6,816)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (123,995)
- Segunda Seção de Julgamen (114,032)
- Primeira Seção de Julgame (76,215)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,956)
- Câmara Superior de Recurs (37,845)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,019)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,619)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,373)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,717)
- HELCIO LAFETA REIS (3,595)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,216)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,679)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,468)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 13558.000722/2003-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1998
LANÇAMENTO FISCAL. DÉBITO INFORMADO EM DCTF.
Constatado que a exigência fiscal decorre de falta de recolhimento dos valores declarados em DCTF, não tendo o contribuinte apresentado elementos que afastem o direito do Fisco de constituir o crédito tributário, há de se manter o lançamento.
Numero da decisão: 2201-004.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1998 LANÇAMENTO FISCAL. DÉBITO INFORMADO EM DCTF. Constatado que a exigência fiscal decorre de falta de recolhimento dos valores declarados em DCTF, não tendo o contribuinte apresentado elementos que afastem o direito do Fisco de constituir o crédito tributário, há de se manter o lançamento.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13558.000722/2003-61
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5878158
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.607
nome_arquivo_s : Decisao_13558000722200361.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
nome_arquivo_pdf_s : 13558000722200361_5878158.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
id : 7359931
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589131177984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1724; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 400 1 399 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13558.000722/200361 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.607 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de julho de 2018 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO DCTF Recorrente COOPERATIVA DE CREDITO RURAL GRAPIUNA LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1998 LANÇAMENTO FISCAL. DÉBITO INFORMADO EM DCTF. Constatado que a exigência fiscal decorre de falta de recolhimento dos valores declarados em DCTF, não tendo o contribuinte apresentado elementos que afastem o direito do Fisco de constituir o crédito tributário, há de se manter o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Relatório Trata o presente do Auto de Infração nº 0000415, fl. 179 a 195, oriundo de Auditoria Interna em Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, apresentadas em 12/08/1998 e 21/01/1999, correspondentes aos segundo e quarto trimestre de 1998. Os créditos tributários lançados são relativos a Imposto de Renda Retido na Fonte e seus acréscimos legais, inclusive penalidade isolada por falta ou insuficiência de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 00 07 22 /2 00 3- 61 Fl. 400DF CARF MF Processo nº 13558.000722/200361 Acórdão n.º 2201004.607 S2C2T1 Fl. 401 2 recolhimento de multa e/ou juros de mora, alcançando um montante consolidado, na data do lançamento, de R$ 1.067.088,57. Cientificado da autuação em 29 de julho de 2003, conforme AR de fl. 200, não concordando com seus termos, o contribuinte apresentou, em 25 de agosto de 2003, a impugnação de fl. 02 e 04, em que requer o cancelamento total da exigência, basicamente afirmando que os valores cobrados teriam sido recolhidos em tempo hábil, não havendo insuficiência de recolhimento de multa e juros a justificar a aplicação de multa isolada. Para corroborar seus argumentos, apresenta uma série de planilhas e comprovantes de recolhimentos. Encaminhado à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA, fl. 209, o processo retornou à unidade de origem para tratamento nos termos da Nota Técnica Conjunta Corat/Cosit nº 32/2002, em particular para avaliação prévia, em sede de revisão de ofício, dos documentos apresentados pelo contribuinte, fl. 210, o que foi levado a termo pelo Despacho de Revisão de Lançamento de fl. 276, que concluiu pela revisão do valor lançado nos seguintes termos: Debruçada sobre os termos da Impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA consideroua parcialmente procedente, nos termos do Acórdão de fl. 286 a 289, cujas conclusões podem ser assim resumidas: Diante do exposto, aplicandose o art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN, exonero o crédito tributário relativo à multa isolada incidente sobre os tributos recolhidos em atraso sem o pagamento da multa de mora. Quanto às demais infrações, a impugnação se restringiu à apresentação dos DARF, as 03/174, não tendo sido apresentada qualquer prova ou alegação de que os fatos geradores ocorreram em períodos de apurações diferentes dos declarados nas DCTF. Desta forma, considerando que os referidos DARF foram aproveitados na revisão de oficio, às fls.244/252, mantenho os saldos remanescentes do imposto, acompanhado da multa de oficio no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e dos juros de mora, a multa de mora isolada, e os juros de mora isolados. Cientificado do Acórdão da DRJ em 25 de fevereiro de 2008, conforme AR de fl. 302, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fl. 304/306, em que apresenta as razões que amparam seu pleito de improcedência da exigência fiscal. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 13558.000722/200361 Acórdão n.º 2201004.607 S2C2T1 Fl. 402 3 Submetido ao Colegiado de 2ª Instância, esta 1ª Turma Ordinária exarou o Acórdão de fl. 357 a 362, cuja parte dispositiva restou assim expressa: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso para afastar a exigência em relação ao imposto lançado em DCTF e à multa vinculada, sem prejuízo da posterior cobrança dos valores informados na DCTF, com os acréscimos legais devidos; e manter a exigência da multa isolada e dos juros isolados, nos valores, respectivamente, de R$ 10.864,81 e R$ 1.313,07. Cientificada da Decisão citada no parágrafo precedente, a Procuradoria da Fazenda Nacional formulou o Recurso Especial de fl. 365 a 372, por entender que a manutenção do lançamento é medida que se impõe, não somente porque satisfaz a legislação vigente, como também inibe potencial prejuízo fiscal em relação ao erário. O citado Recurso Especial foi admitido, nos termos do Despacho de fl. 374 a 378, e julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que exarou o Acórdão de fl. 384 a 393, cujo dispositivo é o que se segue: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para afastar a nulidade do lançamento, devendo os autos retornarem ao colegiado a quo, para apreciação das demais questões do Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior (Relator), que votou por negar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Gustavo Lian Haddad para redação do voto vencedor. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. De início, relevante ressaltar que, tendo em vista o entendimento majoritário manifestado reiteradamente nesta Turma, que avalia com severa restrição a possibilidade de alterar entendimentos expressos por Colegiado formalmente instituído e soberano no âmbito ordinário de 2ª Instância, é indispensável que haja clara limitação dos temas ainda possíveis de serem analisados pelo presente voto. Para tanto, mister reeditar sinteticamente as alegações recursais, bem assim alguns excertos da primeira decisão desta Turma Ordinária, em particular naquilo que não foi objeto do Recurso Especial. São os argumentos da defesa: Fl. 402DF CARF MF Processo nº 13558.000722/200361 Acórdão n.º 2201004.607 S2C2T1 Fl. 403 4 o lançamento de IRRF no valor de R$ 24.337,12 não ocorreu, consoante DCTF dos 2º, 3º e 4º Trimestre de 1998; não houve a constituição do crédito tributário em tela, do que resulta descabida a exigência da comprovação de seu recolhimento; que a planilha que fundamenta o Acórdão recorrido encontrase maculada por incorreções, notadamente no que diz respeito aos períodos de apuração do IRRF e seus respectivos vencimentos; que os dados constantes do Demonstrativo de Débito, em que pese terem sido tratados como saldos remanescentes, em nenhum momento foram mencionados no Auto de Infração, de modo que sua origem é totalmente desconhecida pela recorrente, inclusive porque não declarada em DCTF dos períodos equivalentes; que não havendo saldo remanescente de IRRF, não há que se falar em acréscimos legais; que a inexistência de dados claros e precisos acerca do débito acaba cerceamento seu direito de defesa; que não sendo julgada a insubsistência do lançamento, que seja instaurada perícia contábil para comprovar a origem do crédito em cobrança. O Voto condutor do Acórdão de fl. 357 a 362 pode ser sintetizados pelos excertos abaixo: Assim, em conclusão, penso que deve ser cancelada a exigência formalizada por meio do Auto de Infração, preservandose a DCTF como instrumento hábil e suficiente à formalização da exigência e eventual inscrição do débito em Dívida Ativa da União. Observase, entretanto, que, além do imposto declarado e supostamente não pago, exigido com multa de ofício regulamentar, foi exigido multa de mora e juros de mora, isoladamente, pelo pagamento com atraso, sem os acréscimos. Com relação a estes itens, está correto o lançamento. O art. 43 da Lei nº 9.430, de 1996 expressamente autoriza a formalização da exigência de multa e de juros, isoladamente, sem tributo. E no caso de pagamento com atraso, sem acréscimos legais, é devida a exigência desses encargos, conforme explicitado nos fundamentos da autuação. E como o Contribuinte não logrou comprovar o recolhimento tempestivos, até porque os relatórios da revisão de ofício às fls. 245/252 demonstram detalhadamente as datas dos vencimentos e os respectivos pagamentos, restando caracterizados os pagamentos com atraso. (...) Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para afastar a exigência em relação ao imposto lançado em DCTF e à multa vinculada, sem prejuízo da posterior cobrança dos valores informados na DCTF, com os Fl. 403DF CARF MF Processo nº 13558.000722/200361 Acórdão n.º 2201004.607 S2C2T1 Fl. 404 5 acréscimos legais devidos; e manter a exigência da multa de mora isolada e dos juros isolados, nos valores, respectivamente, de R$ 10.864,81 e R$ 1.313,07. Portanto, afastada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais as conclusões quanto ao cancelamento da exigência por meio de Auto de Infração de valores declarados em DCTF, restam inalteradas as conclusões da Câmara baixa sobre a procedência do lançamento de multa e juros de mora exigidos isoladamente. Com isso, a presente análise fica restrita às alegações recursais que não tangenciem as matérias já decididas. Em relação à alegação de cerceamento do direito de defesa em razão da inexistência de dados claros e precisos acerca do débito, a análise do Auto de Infração e seus anexos, contido em fl. 179 e seguintes, não deixa a menor dúvida quanto à suficiência e clareza das informações para que o contribuinte promovesse sua defesa, o que, ressaltese, foi feito com significativo resultado, reduzindose o montante principal do tributo lançado para pouco mais de 6% do valor originalmente exigido. Assim, não identifico a mácula apontada pela defesa, o que impõe sua rejeição. Sobre o alegado desconhecimento do contribuinte do valor lançado de IRRF de R$ 24.337,12, não tem razão a defesa, já que este representa o somatório dos saldos remanescentes apurados após o procedimento que considerou os recolhimentos efetuados pelo contribuinte. Em fl. 283, constam expressamente os saldos remanescentes principais, relativos ao código de receita 2932, de R$ 543,42, R$ 3.268,05, R$ 20.440,15 e R$ 85,50, todos com indicação das respectivas datas de vencimento. Portanto, é do somatório de tais parcelas que deriva o valor alegadamente desconhecido pelo contribuinte. Quanto à efetiva constituição do crédito tributário em tela, como já descrito acima, é tema que foi tratado pela Câmara Superior que concluiu pela sua regularidade, não comportando considerações adicionais. Eventuais erros em planilha alegados pela defesa deveriam ser, por ela, pontualmente indicados, já que é seu o ônus de apontar elementos modificativos, impeditivos ou extintivos do direito exercido pelo Fisco de constituição do crédito tributário. Ademais, os sistemas da RFB estão ajustados para as datas de vencimento de cada período de apuração, de acordo com a agenda tributária mensal, o que torna improvável a ocorrência de erros dessa natureza, sendo bastante comuns erros cometidos pelos próprios contribuintes ao declararem seus débitos. Somase a tudo isso, o fato de que os recolhimentos apresentados pelo contribuinte foram todos acatados, não tendo sido apontado pela recorrente um único valor que, comprovado, não tenha sido utilizado para extinguir o montante declarado. Assim, nego provimento ao recurso voluntário. Por fim, o recorrente requer que seja instaurada perícia contábil para comprovar a origem do crédito em cobrança. Ora, a origem é o valor declarado pelo Fl. 404DF CARF MF Processo nº 13558.000722/200361 Acórdão n.º 2201004.607 S2C2T1 Fl. 405 6 contribuinte em sua DCTF. A título meramente exemplificativo, na análise da planilha de fl. 283, notase que o maior saldo remanescente lançado, que é de R$ 20.440,15, corresponde a uma parcela do débito de R$ 212.357,58, exatamente conforme declarado pelo contribuinte em sua DCTF, fl. 338, cuja cópia foi juntada em anexo ao recurso voluntário. Assim, considerando tal providência desnecessária, indefiro o pedido de perícia nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/72. Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais que integram o presente, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 405DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720190/2015-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013
NULIDADE. DECISÃO DA DRJ QUE INOVA NA FUNDAMENTAÇÃO. SUPERAÇÃO.
É nula a decisão da DRJ que mantém a autuação com base em fundamento que não constou do auto de infração, por operar em cerceamento do direito de defesa da contribuinte. Todavia, tal nulidade pode ser superada nos termos do §3o do artigo 59 do Decreto 70.235/1972, o qual prevê que "quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta".
ÁGIO. REQUISITOS LEGAIS. EMPRESA VEÍCULO. NECESSÁRIA INVESTIGAÇÃO SOBRE A EFETIVA EXISTÊNCIA DA ADQUIRENTE.
A acusação de empresa-veículo depende de prova de que as pessoas jurídicas existiriam apenas no papel, ou seja, de que elas efetivamente nunca atuaram como pessoas jurídicas, sujeitos de deveres e obrigações. Mesmo uma holding pura requer um mínimo de elementos materiais que a caracterizem como sociedade empresária, para além de um registro na Junta Comercial e um número no CNPJ. Não subsiste a acusação de que se tratou de empresa-veículo quando a autoridade fiscal sequer investiga tais elementos, partindo da premissa de que se tratou de empresas veículo exclusivamente em razão da sequência de operações realizadas.
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. DETERMINAÇÃO.
Na aquisição de investimento em empresa com passivo a descoberto, o ágio limita-se ao valor pago pela investidora.
MULTA DE OFÍCIO. DESPROPORÇÃO.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS SOBRE MULTAS.
É legítima a incidência de juros de mora sobre multas fiscais, as quais integram o crédito tributário.
Numero da decisão: 1401-002.685
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, superar as arguições de nulidade. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto à glosa com despesas de ágio decorrentes de erro de cálculo. Vencidos os Conselheiros Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Por maioria de votos, i) dar provimento ao recurso no tocante à glosa de despesas com ágio incorrido na aquisição das empresas ditas "veículo" pela Fiscalização. Vencido o Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano; ii) negar provimento ao recurso no que diz respeito à incidência de juros sobre a multa de ofício. Vencida a Conselheira Letícia Domingos Costa Braga. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
(assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 NULIDADE. DECISÃO DA DRJ QUE INOVA NA FUNDAMENTAÇÃO. SUPERAÇÃO. É nula a decisão da DRJ que mantém a autuação com base em fundamento que não constou do auto de infração, por operar em cerceamento do direito de defesa da contribuinte. Todavia, tal nulidade pode ser superada nos termos do §3o do artigo 59 do Decreto 70.235/1972, o qual prevê que "quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta". ÁGIO. REQUISITOS LEGAIS. EMPRESA VEÍCULO. NECESSÁRIA INVESTIGAÇÃO SOBRE A EFETIVA EXISTÊNCIA DA ADQUIRENTE. A acusação de empresa-veículo depende de prova de que as pessoas jurídicas existiriam apenas no papel, ou seja, de que elas efetivamente nunca atuaram como pessoas jurídicas, sujeitos de deveres e obrigações. Mesmo uma holding pura requer um mínimo de elementos materiais que a caracterizem como sociedade empresária, para além de um registro na Junta Comercial e um número no CNPJ. Não subsiste a acusação de que se tratou de empresa-veículo quando a autoridade fiscal sequer investiga tais elementos, partindo da premissa de que se tratou de empresas veículo exclusivamente em razão da sequência de operações realizadas. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. DETERMINAÇÃO. Na aquisição de investimento em empresa com passivo a descoberto, o ágio limita-se ao valor pago pela investidora. MULTA DE OFÍCIO. DESPROPORÇÃO. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS SOBRE MULTAS. É legítima a incidência de juros de mora sobre multas fiscais, as quais integram o crédito tributário.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16561.720190/2015-54
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5893544
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.685
nome_arquivo_s : Decisao_16561720190201554.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LIVIA DE CARLI GERMANO
nome_arquivo_pdf_s : 16561720190201554_5893544.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, superar as arguições de nulidade. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto à glosa com despesas de ágio decorrentes de erro de cálculo. Vencidos os Conselheiros Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Por maioria de votos, i) dar provimento ao recurso no tocante à glosa de despesas com ágio incorrido na aquisição das empresas ditas "veículo" pela Fiscalização. Vencido o Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano; ii) negar provimento ao recurso no que diz respeito à incidência de juros sobre a multa de ofício. Vencida a Conselheira Letícia Domingos Costa Braga. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7398062
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589145858048
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-07-17T13:24:06Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-07-17T02:23:02Z; Last-Modified: 2018-07-17T13:24:06Z; dcterms:modified: 2018-07-17T13:24:06Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:01a0ad86-bcd8-4916-bf82-345e4ea2c765; Last-Save-Date: 2018-07-17T13:24:06Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-07-17T13:24:06Z; meta:save-date: 2018-07-17T13:24:06Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-07-17T13:24:06Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-07-17T02:23:02Z; created: 2018-07-17T02:23:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; Creation-Date: 2018-07-17T02:23:02Z; pdf:charsPerPage: 2137; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-07-17T02:23:02Z | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 6.626 1 6.625 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720190/201554 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.685 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de junho de 2018 Matéria ÁGIO. PL NEGATIVO.EMPRESA VEÍCULO Recorrente ZATIX TECNOLOGIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 NULIDADE. DECISÃO DA DRJ QUE INOVA NA FUNDAMENTAÇÃO. SUPERAÇÃO. É nula a decisão da DRJ que mantém a autuação com base em fundamento que não constou do auto de infração, por operar em cerceamento do direito de defesa da contribuinte. Todavia, tal nulidade pode ser superada nos termos do §3o do artigo 59 do Decreto 70.235/1972, o qual prevê que "quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta". ÁGIO. REQUISITOS LEGAIS. EMPRESA VEÍCULO. NECESSÁRIA INVESTIGAÇÃO SOBRE A EFETIVA EXISTÊNCIA DA ADQUIRENTE. A acusação de empresaveículo depende de prova de que as pessoas jurídicas existiriam apenas no papel, ou seja, de que elas efetivamente nunca atuaram como pessoas jurídicas, sujeitos de deveres e obrigações. Mesmo uma holding pura requer um mínimo de elementos materiais que a caracterizem como sociedade empresária, para além de um registro na Junta Comercial e um número no CNPJ. Não subsiste a acusação de que se tratou de empresa veículo quando a autoridade fiscal sequer investiga tais elementos, partindo da premissa de que se tratou de empresas veículo exclusivamente em razão da sequência de operações realizadas. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. DETERMINAÇÃO. Na aquisição de investimento em empresa com passivo a descoberto, o ágio limitase ao valor pago pela investidora. MULTA DE OFÍCIO. DESPROPORÇÃO. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 90 /2 01 5- 54 Fl. 6626DF CARF MF 2 JUROS SOBRE MULTAS. É legítima a incidência de juros de mora sobre multas fiscais, as quais integram o crédito tributário. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, superar as arguições de nulidade. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto à glosa com despesas de ágio decorrentes de erro de cálculo. Vencidos os Conselheiros Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Por maioria de votos, i) dar provimento ao recurso no tocante à glosa de despesas com ágio incorrido na aquisição das empresas ditas "veículo" pela Fiscalização. Vencido o Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano; ii) negar provimento ao recurso no que diz respeito à incidência de juros sobre a multa de ofício. Vencida a Conselheira Letícia Domingos Costa Braga. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Tratase de autos de infração para a cobrança de IRPJ e CSLL referentes aos anoscalendário de 2009 (último trimestre), 2010, 2011, 2012 e 2013, em razão de glosas de despesas não comprovadas e de amortizações de ágio consideradas indedutíveis, tendo havido qualificação da multa com relação a estas últimas. As sociedades envolvidas e respectivas denominações que foram utilizadas na narrativa do acórdão recorrido são apresentadas conforme quadro resumo abaixo: Fl. 6627DF CARF MF Processo nº 16561.720190/201554 Acórdão n.º 1401002.685 S1C4T1 Fl. 6.627 3 Conforme observou a decisão recorrida, o Termo de Verificação Fiscal aponta a síntese das operações que geraram os ágios, por empresa envolvida: Quanto à TELEMATICS: ∙ Constituição da pessoa jurídica TAZZARINE ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA, de Capital Social de R$ 500,00, dividido em 500 cotas de R$ 1,00 cada, em 31/07/2007, cuja razão social foi alterada posteriormente para TELEMATICS INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA; ∙ Cessão e transferência da totalidade das cotas dos sócios Welson Nelson da Costa e Douglas Antônio da Silva Pereira para Luiz Otávio do Reis Magalhães e CISR (empresaveículo utilizada pelo grupo FIP Pátria) em 26/09/2007, com alteração nessa mesma data da denominação para TELEMATICS PARTICIPAÇÕES E INVESTIMENTOS LTDA, do endereço da sede para Avenida Brigadeiro Faria Lima nº 2.055, 6º andar, sala J, do objeto social que passou a ser a participação em sociedades, na qualidade de sócia ou acionista, no Brasil ou no Exterior e aumento do capital social de R$ 500,00 para R$ 1.000,00, sendo que as novas cotas foram todas subscritas e integralizadas em moeda pela CISR; ∙ Aumento de capital social de R$ 1.000,00 para R$ 4.070.000,00, mediante a subscrição de 4.069.000 cotas pela CISR em 01/10/2007, com previsão de integralização em moeda até 31/12/2007; ∙ Assim a composição societária passou a ser: Fl. 6628DF CARF MF 4 Na mesma data (01/10/2007) a CISR adquiriu 4.000 ações Ordinárias Nominativas (ON) detidas por Gilson Roizman e 4.000 ações ON detidas por Eduardo Silva, todas da ZATIX TECNOLOGIA, pelo valor de R$ 500,00, dando origem à primeira parte do ágio posteriormente amortizado pela fiscalizada; ∙ Aumento do capital social de R$ 4.070.000,00 para R$ 15.070.000,00 (acréscimo de R$ 11.000.000,00) com a criação de 11.000.000 novas cotas de R$ 1,00 cada, subscritas pela CISR, dando origem à segunda parte do ágio posteriormente amortizado pela fiscalizada; ∙ Incorporação da TELEMATICS pela ZATIX TECNOLOGIA em 30/04/2008, que passou a amortizar o ágio que havia sido gerado nas operações descritas acima. Assim, o valor total do ágio contabilizado relativo à TELEMATICS foi de R$ 6.819.710,42, conforme discriminado a seguir: Quanto à CISR ∙ Constituição da empresaveículo COMPANHIA DE INVESTIMENTO EM SERVIÇOS DE RASTREAMENTO (CISR) em 14/09/2007, na forma de sociedade anônima de capital fechado, com capital social de R$ 1.000,00, dividido em 1.000 ações de R$ 1,00, e principal acionista o Grupo Pátria com 997 ações, com a Pátria Investimentos S/A; ∙ Aprovação em 26/09/2007, com registro em Ata da Reunião do Conselho de Administração (ARCA), de aquisição da TELEMATICS, passando a CISR a deter 99,9% das cotas; ∙ Em 28/09/2007, conforme consta do Livro de Transferências de Ações nominativas, a Pátria Investimentos, então sócia majoritária da CISR, transferiu todas as suas 997 cotas para o FIPRastreamento; ∙ Em 01/10/2007, conforme Ata da Reunião do Conselho de Administração (ARCA) realizada nesta data, a CISR realizou investimento de R$ 40.000.000,00 (quarenta milhões de reais) em ZATIX TECNOLOGIA, mediante a subscrição de 80.000 (oitenta mil) novas ações ordinárias ao preço de R$ 500,00 (quinhentos reais) cada uma. O valor subscrito deveria ser integralizado em moeda sendo R$ 20.000.000,00 até 31/12/2007 e R$ 20.000.000,00 até 31/12/2008. Nesta operação foi originada a primeira parte do ágio que posteriormente será amortizado. Ato contínuo foi aprovada também a aquisição pela TELEMATICS, então subsidiária da CISR, de mais 8.000 (oito mil) ações ordinárias nominativas pelo preço de R$ 500,00 cada Fl. 6629DF CARF MF Processo nº 16561.720190/201554 Acórdão n.º 1401002.685 S1C4T1 Fl. 6.628 5 uma, totalizando R$4.000.000,00 (quatro milhões de reais) para pagamento à vista. Nesta operação nasce a 2ª parte do ágio posteriormente amortizado; ∙ Também em 01/10/2007, por meio da AGE realizada nesta mesmíssima data, foi aprovado o aumento de Capital Social da CISR de R$ 1.000,00 (um mil reais) para R$ 16.634.000,00 (dezesseis milhões, seiscentos e trinta e quatro mil reais), mediante emissão de 16.633.000 novas ações ON com valor de R$ 1,00 (um real) cada, com subscrição de 15.343.000 pelo FIP Rastreamento, integralizado com conferência de 20.000 ON detidas pelo FIPRastreamento em ZATIX TECNOLOGIA pelo valor de R$ 10.000.000,00 e R$ 5.343.000,00 em moeda até 31/12/2007. Nesta operação nasce a 3ª parte do ágio amortizado posteriormente. As 1.290.000 novas ON restantes foram subscritas pelo FIPPátria Economia Real, a serem integralizadas em moeda até 31/12/2007. ∙ Ainda em 01/10/2007, conforme já relatado (item 4.1 do TVF), por meio da Segunda Alteração e Consolidação do Contrato Social da TELEMATICS, os sócios deliberaram aumentar o seu Capital Social da TELEMATICS de R$ 1.000,00 para R$ 4.070.000,00, mediante a subscrição de 4.069.000 cotas pela sócia CISR, devendo estas cotas ser integralizadas em moeda até 31/12/2007; ∙ Em 12/12/2007, por meio de AGE, foi aumentado o Capital Social de R$ 16.634.000,00 para R$ 43.170.000,00, mediante aumento de R$ 25.536.000,00, com emissão de 25.536.000 de novas ações ON pelo valor de R$ 1,00, subscritas por Pátria Brazilian Private Equity Fund III – FIP, a ser integralizados em moeda em 31/12/2008; ∙ Em 20/12/2007, conforme consta do Livro de Registro de Transferências de Ações foi realizada a venda de 18.000 ações ON detidas por CISR na ZATIX TECNOLOGIA para a TELEMATICS; ∙ Também em 20/12/2007, por meio da Terceira Alteração e Consolidação do Contrato Social da TELEMATICS, deliberaram os sócios aumentar o Capital Social da TELEMATICS de R$ 4.070.000,00 para R$ 15.070.000,00, com um aumento, portanto de R$ 11.000.000,00 mediante a criação de 11.000.000 de novas cotas no valor de R$ 1,00 cada uma, as quais foram totalmente subscritas pela CISR sendo R$ 2.000.000,00 através de conferência de 4.000 ações ON detidas pela CISR em ZATIX TECNOLOGIA e os R$ 9.000.000,00 restantes em moeda até 31/01/2008; ∙ Em 25/03/2008, por meio de AGE, deliberaram os sócios aumentar o Capital Social de R$ 43.170.000,00 para R$ 100.000.000,00, mediante aumento de R$ 58.830.000,00, com emissão de 58.830.000 de novas ações ON; ∙ Em 30/07/2008, por meio de AGE da ZATIX TECNOLOGIA, foi deliberado aumento de Capital Social desta empresa de R$ Fl. 6630DF CARF MF 6 45.992.993,84 para R$ 69.492.933,84 (aumento de R$ 23.500.000,00), com emissão de 43.796 novas ON com valor de R$ 536,5786 cada, integralmente subscritas por CISR, integralizados em moeda nacional na mesma data em moeda corrente, dando origem à 4ª parte do ágio desta operação; o valor total do ágio contabilizado pela fiscalizada para amortização foi de R$ 22.729.128,89. Quanto à MOBISAT: ∙ Fundada no ano 2000, até 2003 denominada AGRO ONE BRASIL S/A, com objeto social de “serviço de pulverização e controle de pragas agrícolas, representantes comerciais e agentes do comércio de mercadorias em geral não especializado, comércio varejista de outros artigos de uso doméstico não especificados anteriormente, holdings de instituições não financeiras e outras atividades de publicidade não especificadas anteriormente”; de 2003 a 2008 já havia alterado a denominação para MOBISAT SISTEMAS DE RASTREAMENTO S/A, com objeto social alterado para “representantes comerciais e agentes do comércio de medicamentos, cosméticos e produtos de perfumaria, transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, intermunicipal, interestadual e internacional, transporte rodoviário de produtos perigosos e transporte rodoviário de mudanças”; alterado a partir do ano 2008 para “comércio varejista de outros produtos não especificados anteriormente e outras sociedades de participação, exceto holdings”; ∙ Em 22/07/2008, por meio da AGE da MOBISAT, os acionistas deliberaram aumentar o Capital Social de R$ 14.860.289,00 para R$ 29.175.543,00, mediante emissão de 14.315.254 novas ações ON, ao preço de R$ 14.315.254,00 sendo estas ações totalmente subscritas e integralizadas pela acionista ZATIX PARTICIPAÇÕES, em moeda corrente, sendo 13.544.274 ações integralizadas naquela mesma data e 770.980 ações a serem integralizadas em até 120 dias; ∙ Em 17/08/2008, por meio de AGE da MOBISAT, foi deliberado aumento de Capital Social de R$ 29.175.543,00 para R$ 30.536.473,00, mediante emissão de 7.210.116 novas ações ON pelo preço total de R$ 1.360.930,68, subscritas por CEG EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A., integralizadas mediante conferência de 51.965 ações detidas pela CEG em ZATIX TECNOLOGIA. Estas ações foram avaliadas por Laudo emitido por Apsis Consultoria por valor de até R$ 16.181.747,75; ∙ Em 24/09/2008, por meio de AGE da MOBISAT, foi deliberado aumento de Capital Social de R$ 30.536.473,00 para R$ 162.288.940,00, com um aumento, portanto de R$ 131.752.467,00 mediante emissão de 21.965.428 novas ações ON perfazendo um preço total de R$ 131.752.467,00 subscritas e integralizadas mediante conferência de 100.000.000 de ações ON detidas pelos 3 FIP em CISR, da seguinte forma: Fl. 6631DF CARF MF Processo nº 16561.720190/201554 Acórdão n.º 1401002.685 S1C4T1 Fl. 6.629 7 ∙ As ações da CISR conferidas na integralização de Capital Social da MOBISAT foram avaliadas por Laudo da Apsis Consultoria e nesta operação foi gerado um ágio de R$ 73.721.494,46, que posteriormente foi amortizado pela fiscalizada; ∙ Em 03/11/2008, conforme o Livro de registro de Transferências de Ações, os FIP´s Pátria transferiram suas ações da MOBISAT para a CEG. Posteriormente em 08/11/2008, conforme AGE da MOBISAT, foi aprovado aumento de Capital Social de R$ 162.288.940,00 para R$ 205.536.473,00, um aumento de R$ 43.247.533,00, mediante emissão de 7.210.116 novas ações ON, subscritas e integralizadas por CEG PARTICIPAÇÕES, a serem integralizadas em 40 dias daquela data em moeda corrente; em 04/06/2009, conforme AGE da ZATIX TECNOLOGIA, a MOBISAT foi incorporada pela ZATIX TECNOLOGIA. O patrimônio líquido da MOBISAT, que foi avaliado por meio de Laudo emitido por SVW Auditoria e Consultoria Empresarial em R$ 127.551.407,56, foi vertido para a incorporadora e os acionistas da MOBISAT receberam ações da ZATIX TECNOLOGIA. ∙ O valor total do ágio contabilizado pela fiscalizada para amortização foi de R$ 73.721.494,46; Quanto à CONTROLLOC: ∙ Em 20/03/2008 (Instrumento particular de compra e venda), a Omnilink (Zatix Tecnologia) adquire 100% da participação na Controlloc Tecnologia em Rastreamento de Veículos. O valor total da aquisição, após descontos da venda e consultoria, foi de R$ 38.489.880,00. No cálculo do ágio, foi acrescido o passivo a descoberto da Controlloc, em 31/03/2008, no valor de R$ 9.622.797,97, e reduzido o resultado do período (1º trimestre de 2008), no valor de R$ 64.996,19. Assim, o total do ágio chegou a R$ 48.047.681,78. ∙ Em 09/10/2008, a CONTROLLOC foi incorporada por Omnilink (Zatix Tecnologia), a qual passou a amortizar o ágio. ∙ O valor total do ágio contabilizado pela fiscalizada para amortização foi de R$ 48.047.681,78; Quanto à CEG: ∙ CEG Empreendimento e Participação foi constituída em 29/01/2008, sob a denominação de Z.P.P.S.P.E. EMPREENDIMENTOS E PARTICIPACOES S.A., com Capital Social de R$ 500,00; ∙ Em 17/06/2008, por meio de AGE, foi deliberada a alteração da denominação para CEG Empreendimentos e Participações S.A., a alteração do endereço da sede para a Alameda Surubiju, 1.930, mesmo endereço da ZATIX TECNOLOGIA. Foi Fl. 6632DF CARF MF 8 deliberado também um aumento de Capital Social de R$ 500,00 para R$ 52.465,00 com um aumento de R$ 51.965,00, mediante emissão de 51.965 novas ações ON que foram subscritas por Cileneu Perez Nunes, Eduardo José Gonçalves da Silva e Gilson Roizman. Estas ações foram integralizadas com conferência de 51.965 ações detidas por estas três pessoas físicas em ZATIX TECNOLOGIA; ∙ Em 03/11/2008, por meio de AGE, foi deliberado o aumento de Capital Social em R$ 212.298,00 mediante a emissão de 212.298 novas ações ON ao preço de emissão de R$ 824,312994, perfazendo um preço total de emissão de R$ 175.000.000,00. Destes, R$ 212.298,00 destinado ao aumento do Capital Social e R$ 174.787.702,00 destinados à Reserva de Capital. Estas ações foram subscritas pelos FIP´s e integralizadas parcialmente em moeda e parcialmente com conferência de ações da MOBISAT, as quais foram avaliadas por laudo emitido pela Apsis Consultoria Empresarial Ltda. As novas ações foram subscritas e integralizadas conforme tabela a seguir: ∙ Em 30/12/2008, por meio de AGE, foi deliberado aumento de Capital de R$ 264.763,00 para R$ 191.818.811,67 mediante a capitalização de R$ 191.554.048,67, sendo R$ 174.787.702,00 provenientes da Reserva de Capital e R$ 16.766.346,67 proveniente da Reserva de Lucros, com emissão de 264.763 novas ações ON as quais foram atribuídas aos acionistas da CEG na proporção de suas ações, conforme Anexo I da AGE a seguir: ∙ Em 31/07/2009, por meio de AGE, foi deliberada a redução do Capital Social de R$ 11.293.542,17, passando o Capital para R$ 180.525.269,50; ∙ Em 30/11/2009, por meio de AGE, foi deliberada a incorporação da CEG pela ZATIX TECNOLOGIA, mediante aprovação do Protocolo de Incorporação e Justificação firmado em 30/10/2009 entre a CEG e ZATIX TECNOLOGIA. ∙ O valor total do ágio contabilizado pela fiscalizada para amortização foi de R$ 78.081.399,43. Fl. 6633DF CARF MF Processo nº 16561.720190/201554 Acórdão n.º 1401002.685 S1C4T1 Fl. 6.630 9 Quanto à ZATIX PARTICIPAÇÕES: ∙ Em 21/12/2007 foi constituída a ZATIX PARTICIPAÇÕES, sob a denominação de AZTECA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A., com Capital Social de R$ 100,00; ∙ Em 13/06/2008, por meio de AGE, foi deliberado um aumento de Capital Social de R$ 100,00 para R$ 12.290.150,00, mediante emissão de 12.290.050 novas ações ON que foram subscritas e integralizadas por Maniza Empreendimentos e Participações S.A., mediante conferência da totalidade de ações de MOBISAT; ∙ Em 22/07/2008, por meio de AGE, foi deliberado o aumento de Capital Social em R$ 14.315.254,00 mediante a emissão de 14.315.254 novas ações ON perfazendo o preço total de emissão de R$ 14.315.254,00. Estas ações foram integralmente subscritas pela acionista Maniza Empreendimentos e Participações S.A. e integralizadas em moeda corrente sendo 13.544.274 na data da AGE e 770.980 a serem integralizadas em até 120 dias; ∙ Em 30/12/2008, por meio de AGE, foi aprovado o Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações de emissão da CEG Empreendimentos e Participações S.A. , celebrado naquela data entre os administradores da CEG e da Zatix Participações. Naquela AGE foi aprovada a contratação da Apsis Consultoria para proceder à avaliação das ações de emissão da CEG a serem incorporadas pela Zatix Paricipações. O laudo foi apresentado no mesmo dia e neste as ações da CEG foram avaliadas em até R$ 287.003.349,95 pela Apsis e foram incorporadas pela Zatix Participações pelo valor de R$ 218.247.533,00. A incorporação de ações foi definitivamente aprovada, convertendose a CEG em subsidiária integral da Zatix Participações. Nesta mesma AGE foi autorizado o aumento do Capital Social, mediante a emissão de 33.182.020 novas ações ON pelo preço total de R$ 218.247.533,00. Destes, foram destinados R$ 33.182.020,00 ao Capital Social e R$ 185.065.513,00 à formação de Reserva de Capital, passando o Capital Social da Zatix Participações de R$ 26.605.404,00 para R$59.787.424,00. E assim continua o relatório da decisão recorrida: O Termo de Verificação Fiscal apresenta quadro societário da OMNILINK/ZATIX TECNOLOGIA antes e depois de passar por grande processo de reorganização societária, apontando que os sócios CILINEU, GILSON e EDUARDO reduziram suas participações, a sócia JAG retirouse da empresa, enquanto os FIP PÁTRIA I, FIP PÁTRIA II e FIP PÁTRIA III e a MANIZA tornaramse sócios da OMNILINK/ZATIX TECNOLOGIA: Fl. 6634DF CARF MF 10 Conclui que, na essência, o negócio foi a venda de ações da OMNILINK/ZATIX TECNOLOGIA para FIP PÁTRIA I, FIP PÁTRIA II e FIP PÁTRIA III; e, por parte da nova sócia MANIZA, a permuta de ações da MOBISAT por ações da OMNILINK/ZATIX TECNOLOGIA, porém, pelo complexo caminho conforme quadro abaixo: Além da mudança em seu quadro societário, na reorganização societária da qual foi o centro, a OMNILINK/ZATIX TECNOLOGIA comprou e incorporou as empresas TELETRIM, CONTROLSAT, CONTROLLOC e RODOSIS. A enorme quantidade de subscrições e aportes realizados nas muitas empresas envolvidas na reorganização societária, exemplificada no quadro a seguir, também mostra a alta complexidade do caminho escolhido pelos atores desta história: Fl. 6635DF CARF MF Processo nº 16561.720190/201554 Acórdão n.º 1401002.685 S1C4T1 Fl. 6.631 11 Em vez de aportar recursos diretamente na OMNILINK/ZATIX TECNOLOGIA, os FIPs PÁTRIA I, II e III fizeram primeiro aportes nas pessoas jurídicas interpostas CISR e TELEMATICS, as quais em seguida realizaram aportes na OMNILINK/ZATIX TECNOLOGIA, de forma que os reais adquirentes de ações da OMNILINK/ZATIX TECNOLOGIA foram os FIP PÁTRIA I, FIP PÁTRIA II e FIP PÁTRIA III, e não a CISR e a TELEMATICS, empresas que funcionaram como simples canais de passagem dos recursos aportados pelos fundos. A MANIZA aportou ações de sua controlada MOBISAT na empresa interposta ZATIX PARTICIPAÇÕES, a qual entregou essas ações aos FIPs PÁTRIA I, II e III, os quais em seguida entregaram essas ações para a pessoa jurídica interposta CEG, a qual, algum tempo depois, foi incorporada pela OMNILINK/ZATIX TECNOLOGIA. Aqui também não é preciso se esforçar para perceber que a real permutadora das ações da MOBISAT por ações da OMNILINK/ZATIX TECNOLOGIA, foi a MANIZA e não a ZATIX PARTICIPAÇÕES, a qual foi uma simples empresaveículo para ações e recursos da MANIZA. Com base em uma quantidade muito grande de informações, planilhas e documentos, verificouse que, ao longo da reorganização societária, foram praticadas, entre outras, as etapas ilustradas nas fls. 5.129 a 5.144. Após todo esse processo e de incorporar a maior parte das empresas envolvidas na reorganização societária, a OMNILINK/ZATIX TECNOLOGIA passou a amortizar os ágios descritos na tabela abaixo: Fl. 6636DF CARF MF 12 O resultado prático da amortização fiscal de tantos ágios, que totalizam elevado valor, foi que a OMNILINK/ZATIX TECNOLOGIA não pagou mais IRPJ e CSLL nos últimos cinco anos. Levando isso em conta, concluiuse que a série de operações e reorganizações criaram situações artificiais para se conseguir redução tributária indevida. Tevese por entendimento que a legislação tributária brasileira permite que o ágio seja aproveitado tributariamente nas situações em que ele faz parte do custo para cálculo do ganho de capital na alienação da participação societária avaliada pelo Patrimônio Líquido e nos casos de absorção do patrimônio de outra pessoa jurídica, mediante incorporação, fusão ou cisão. Assevera que na reorganização societária colocada em curso no presente caso, as empresas TELEMATICS, CISR, CEG e ZATIX PARTICIPAÇÕES foram utilizadas como simples empresas veículo ou canais de passagem de recursos financeiros e ações aportados por suas controladoras, os FIPs PÁTRIA I, II e III e MANIZA, situação que não possibilita a amortização tributária dos ágios assim calculados, visto que os patrimônios dos reais aportadores dos recursos para aquisições das participações não se confundiram com os patrimônios das empresas cujas ações foram adquiridas ou permutadas. Aponta que a solução encontrada pelos novos e antigos sócios da OMNILINK/ZATIX TECNOLOGIA para contornar as condições previstas nas normas que permitem a amortização tributária de ágio foi a utilização da CISR, TELEMATICS, CEG e ZATIX PARTICIPAÇÕES como empresasveículo ou canais de passagem para os recursos e ações que pretendiam alienar ou permutar e que tal conduta é fiscalmente inaceitável, tendo sido oportunizada a comprovação de que CISR, TELEMATICS, CEG e ZATIX PARTICIPAÇÕES não foram utilizadas como simples canais de passagem para recursos financeiros e ações de propriedade de seus controladores, mediante intimação: Demonstrar, com riqueza de detalhes, que as empresas relacionadas na tabela abaixo não foram simples veículos para transferências, para outras empresas,dos ágios que foram formados em operações realizadas por elas. Devese demonstrar, inclusive, que essas empresas tiveram consistência econômica, ou seja, que foram efetivamente empresas com funções operacionais (atividades comerciais, prestações de serviço, etc.). A Fiscalizada respondeu que as empresas tinham como objeto social a participação em outras sociedades, conforme previsto Fl. 6637DF CARF MF Processo nº 16561.720190/201554 Acórdão n.º 1401002.685 S1C4T1 Fl. 6.632 13 no artigo 2º, §3º, da Lei 6.404, de 15.12.1976, o qual dispõe: “a companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades; ainda que não prevista no estatuto, a participação é facultada como meio de realizar o objeto social, ou para beneficiarse de incentivos fiscais”, não tendo sido criadas para transferir ágios. Portanto, não se trata de empresasveículo, mas sim de sociedades holdings que tinham como objeto deter investimentos em outras sociedades. Essas sociedades possuíam diretores e administradores, devidamente eleitos, a fim de exercer a sua atividade principal. (fls. 5146 e 5147). Reporta que a Fiscalizada respondeu que as empresas tinham como objeto social a participação em outras sociedades, conforme previsto no artigo 2º, §3º, da Lei 6.404, de 15.12.1976, o qual dispõe: “a companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades; ainda que não prevista no estatuto, a participação é facultada como meio de realizar o objeto social, ou para beneficiarse de incentivos fiscais, não tendo sido criadas para transferir ágios. Portanto, não se trata de empresasveículo, mas sim de sociedades holdings que tinham como objeto deter investimentos em outras sociedades. Essas sociedades possuíam diretores e administradores, devidamente eleitos, a fim de exercer a sua atividade principal”. Nessa linha, também foi questionada a razão dos aportes de capital não terem sido realizados diretamente nas empresas operacionais ao que foi respondido que não se trata de empresasveículo e que os aportes foram realizados em conformidade com a legislação aplicável à época dos fatos e cada operação estruturada de acordo com a estratégia de investimento idealizada, mas que a empresa não conseguiu demonstrar que a CISR, a TELEMATICS, a CEG e a ZATIX PARTICIPAÇÕES não foram utilizadas como simples veículos de recursos financeiros e ações na estratégia adotada pelos antigos e novos sócios da OMNILINK/ZATIX TECNOLOGIA, concluindo que do ponto de vista tributário essa conduta não permite amortização de ágios apurados em virtude de interposição de empresas entre os reais compradores, vendedores e permutadores de ações. Ainda, questionando, concluiu que o patrimônio da ZATIX TECNOLOGIA não se confundiu com os patrimônios de seus novos sócios, reais proprietários dos recursos financeiros e ações da MOBISAT que a ela chegaram depois de passar pelas empresasveículo CISR, TELEMATICS, CEG e ZATIX PARTICIPAÇÕES. Não havendo, portanto, possibilidade alguma de serem tributariamente aproveitados os ágios indevidamente formados apenas em virtude de ter havido a interposição dessas quatro empresas entre os FIPs PÁTRIA I, II, III, a MANIZA e a OMNILINK/ZATIX TECNOLOGIA. Ao longo dos trabalhos de Auditoria, a ZATIX TECNOLOGIA foi ainda intimada a apresentar todos os comprovantes de pagamento de participações societárias que dão suporte às amortizações de ágios aproveitadas tributariamente por ela a partir do anocalendário 2009 (tabela resumo dos Fl. 6638DF CARF MF 14 demonstrativos às fls. 5.148 a 5.150). A relação de pagamentos e documentos apresentados demonstra que houve realmente desembolsos relativos a pagamentos das aquisições, com ágio, das empresas TELETRIM, CONTROLLOC, RODOSIS e CONTROLSAT. Os aportes realizados pela CISR e pela TELEMATICS na Fiscalizada por si só não suportam o aproveitamento tributário dos ágios contabilizados por essas duas empresas, pois, não houve confusão dos patrimônios dos reais adquirentes das participações (FIPs PÁTRIA I, II e III) com o patrimônio da OMINILINK/ZATIX TECNOLOGIA. Da mesma forma, o aporte de R$ 43.247.533,00 realizado pela CEG na MOBISAT não dá suporte para aproveitamento tributário de ágio, vez que, na verdade, se tratou de aporte indireto dos FIPs PÁTRIA I, II e III, reais proprietários do dinheiro, na MOBISAT, sem ter havido confusão de seus patrimônios. Há a ressalva de que não foram encontradas irregularidades nos ágios seguintes: Que o ágio relativo à aquisição da CONROLLOC foi apurado com erro de cálculo. Considerando que a empresa, quando foi adquirida, tinha passivo a descoberto (patrimônio líquido negativo), valor que deve ser descontado do valor do ágio apurado em virtude de não ter sido efetivamente pago, o cálculo correto do ágio é mostrado na planilha abaixo: O resultado negativo da equivalência patrimonial não pode exceder o valor pelo qual o investimento está contabilizado, de modo a resultar em ativo com saldo negativo. A variação negativa do patrimônio da investida pode, no máximo, anular o investimento contabilizado. Admitir que um investimento apresente valor contábil negativo significa reconhecer a responsabilidade da investidora pelas dívidas da investida para além do capital social nela aplicado, obrigação que não é imputada aos sócios/acionistas de uma sociedade de capital. Assim, somente o preço efetivamente pago pode ser considerado para a formação do ágio. Por conseguinte, o valor do passivo a descoberto, R$ 9.557.801,78, foi tributado no Auto de Infração anexo como despesa não comprovada. Os valores dos ágios listados na tabela a seguir foram tributados: Fl. 6639DF CARF MF Processo nº 16561.720190/201554 Acórdão n.º 1401002.685 S1C4T1 Fl. 6.633 15 Assevera que a Fiscalizada fez parte de um intrincado e tortuoso mecanismo desenvolvido para, por meio da utilização de várias empresasveículo, interpostas entre os reais alienantes e adquirentes de participações societárias, criar situações artificiais para simular que tivesse cumprido as condições necessárias para aproveitamento tributário de ágios calculados. Reduziu, assim, indevidamente seu lucro real e sua base de cálculo da CSLL. Essa conduta do sujeito passivo, além de não cumprir condição essencial prevista no artigo 386 do RIR/99 para possibilitar amortização tributária de ágios, qual seja, a confusão dos patrimônios das reais adquirentes de participações e das empresas adquiridas, enquadrase nas situações previstas no artigo 72 da Lei nº 4.502/1964. Conseqüentemente, as glosas de ágios apurados nas operações que envolveram as empresas CISR, TELEMATICS, CEG, ZATIX PARTICIPAÇÕES e MOBISAT foram penalizadas com a multa qualificada de 150%. Em 24 de agosto de 2017 a DRJ em Salvador BA julgou a impugnação improcedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Constatada a ocorrência dolo, fraude ou simulação não se considera homologado o lançamento e, conseqüentemente, não se considera extinto o crédito tributário, ainda que haja pagamento antecipado. DECADÊNCIA. FRAUDE. PRAZO. Constatada a ocorrência de dolo, fraude, ou simulação o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, vinculase à regra do art. 173, I do CTN, extinguindose em cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. Os juros de mora são devidos sobre os tributos e a multa de ofício desde o seu lançamento. FATOS CONTABILIZADOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. DECADÊNCIA. Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na contabilidade, mas sim, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado relativo à ocorrência dos fatos geradores em que esse evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido. CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção da exigência fiscal decorrente dos mesmos fatos. Fl. 6640DF CARF MF 16 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 ÁGIO ARTIFICIAL. AMORTIZAÇÃO. GLOSA. LANÇAMENTO. Correta a glosa de despesas de amortização de ágio, na situação em que referido ágio decorre de reorganizações societárias levadas a efeito dentro de um mesmo grupo empresarial, direta ou indiretamente, sem propósito negocial ou efeito societário a não ser a redução da carga tributária ou sem que se tenha verificado qualquer pagamento ou outro sacrifício patrimonial capaz de validar a alegada maisvalia. LUCRO REAL. LUCRO LÍQUIDO. ÁGIO. FATO ECONÔMICO. EFEITOS FISCAIS. PRINCÍPIOS CONTÁBEIS. APURAÇÃO DOS RESULTADOS CONTÁBEIS E FISCAIS. Os resultados tributáveis das pessoas jurídicas, apurados com base no Lucro Real, têm como ponto de partida o lucro líquido apurado na escrituração comercial, regida pela Lei n° 6.404/1976, conforme estabelecido pelo Decretolei n° 1.598, de 1977. O ágio é fato econômico, cujos efeitos fiscais foram regulados pela lei tributária com substrato nos princípios contábeis geralmente aceitos. Assim, os princípios contábeis geralmente aceitos e as normas emanadas dos órgãos fiscalizadores e reguladores, como Conselho Federal de Contabilidade e Comissão de Valores Mobiliários, têm pertinência e devem ser observadas na apuração dos resultados contábeis e fiscais. CONJUNTO PROBATÓRIO. ATOS FORMAIS. REAL INTENÇÃO. GERAÇÃO DE ÁGIO. SIMULAÇÃO. OBJETIVO REAL. Se o conjunto probatório evidencia que os atos formais praticados (reorganização societária) divergiam da real intenção subjacente (geração artificial de ágio para redução da carga tributária), caracterizase a simulação, cujo elemento principal não é a ocultação do objetivo real, mas sim a existência de objetivo diverso daquele configurado pelos atos praticados, seja ele claro ou oculto. TRANSAÇÕES. PONTO DE VISTA FORMAL. LEGITIMIDADE. OBJETIVO DIVERSO. O fato de cada uma das transações isoladamente e do ponto de vista formal ostentar legalidade não garante a legitimidade do conjunto de operações quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. Constatada a prática de fraude por simulação, perpetrada mediante a articulação de operações com o intuito de evitar a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, é cabível a exigência do tributo, acrescido de multa qualificada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 LANÇAMENTOS. MESMOS PRESSUPOSTOS FÁTICOS. IRPJ. DECORRÊNCIA. Em se tratando de lançamentos decorrentes dos mesmos pressupostos fáticos que serviram de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, em razão da relação de causa e efeito, no que couber, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Impugnação Improcedente Fl. 6641DF CARF MF Processo nº 16561.720190/201554 Acórdão n.º 1401002.685 S1C4T1 Fl. 6.634 17 Crédito Tributário Mantido Cientificada em 1o de setembro de 2017, uma sextafeira (fl. 6.482), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 3 de outubro de 2017 (fl. 6.483), alegando, em síntese: (i) nulidade da decisão de primeira instância, tendo em vista ela ter concluído pela existência de ágio interno quando esta acusação não constou do TVF, o qual está baseado na existência de empresasveículo. Subsidiariamente, pleiteia a desconsideração da alegação de “ágio interno”, visto esta não constar do TVF. Ainda subsidiariamente, alega ser descabida tal acusação. (ii) no mérito, sustenta: a) foram preenchidos todos os requisitos legais previstos para a dedução das despesas de ágio; b) irrelevância da discussão quanto à (in)existência de “empresaveículo”, pois não há nenhuma base legal para desconsiderar ágios gerados em estruturas que tenham utuilizado "empresasveículo" (o que, alega, não foi o caso). c) é infundada a alegação de empresaveículo na medida em que o ordenamento jurídico Brasileiro prevê especificamente a possibilidade de utilização das chamadas sociedades holdings puras, ou seja, aquelas que existem, não para terem empregados ou atividades próprias, mas apenas para deter participações societárias, não existindo qualquer exigência legal de que tais sociedades holdings tenham empregados ou outros ativos próprios para serem consideradas legítimas; d) irrelevância da discussão quanto ao propósito negocial da estrutura; e) existência de propósito negocial no caso, já que todas as transações objeto do presente processo administrativo foram feitas entre partes independentes e nãorelacionadas, a valores justos de mercado, com base em Laudos de Avaliação elaborados por empresas terceiras e especializadas, no contexto da entrada do Grupo Pátria Investimentos no capital da Omnilink e na posterior associação entre o Grupo Omnilink e o Grupo Graber, com o único e exclusivo propósito de formar a Zatix, uma das maiores e mais completas empresas de tecnologia e soluções para rastreamento de veículos do Brasil e da América Latina; f) possibilidade de apuração de ágio sobre patrimônio líquido negativo uma vez que uma vez que, além de a legislação ser silente sobre a questão, as regras que disciplinam a avaliação de investimento relevante pelo método da equivalência patrimonial apresentam um critério puramente aritmético para determinação desse valor. Ademais, a CVM endereçou a questão de forma expressa no OficioCircular 1/04, concluindo que a parcela negativa do patrimônio líquido deve ser considerada para fins do registro inicial do ágio pago na aquisição de participação societária; g) deve ser reconhecida a decadência do direito de a fiscalização questionar, em 2015, valores de ágio formados e passíveis de amortização fiscal desde os anoscalendário de 2008 e 2009 e, subsidiariamente, deve ser reconhecida a decadência referente ao período de 2009, na medida em que não houve fraude, dolo ou simulação nas operações discutidas no presente caso; e a fiscalização sequer considerou que houve fraude, dolo ou simulação em relação à amortização fiscal do ágio gerado na aquisição da ControlLoc; h) não aplicação da multa agravada; i) desproporção da multa de 75% aplicada em relação ao ágio da ControlLoc face à sua conduta; j) não aplicação dos juros Selic sobre as multas. Recebi o processo em distribuição realizada em 17 de maio de 2018. Fl. 6642DF CARF MF 18 Voto Vencido Conselheira Relatora Livia De Carli Germano O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. A autuação fiscal está baseada em basicamente duas acusações, das quais passo a tratar separadamente. Ágio CONTROLLOC (erro de cálculo) Em primeiro lugar, a fiscalização validou o ágio relativo à empresa ControlLoc, no entanto apontou erro no cálculo de seu valor, já que este teria considerado também o valor do passivo a descoberto. Nas palavras da autoridade autuante: O resultado negativo da equivalência patrimonial não pode exceder o valor pelo qual o investimento está contabilizado, de modo a resultar em ativo com saldo negativo. A variação negativa do patrimônio da investida pode, no máximo, anular o investimento contabilizado. Admitir que um investimento apresente valor contábil negativo significa reconhecer a responsabilidade da investidora pelas dívidas da investida para além do capital social nela aplicado, obrigação que não é imputada aos sócios/acionistas de uma sociedade de capital. Assim, somente o preço efetivamente pago pode ser considerado para a formação do ágio. Por conseguinte, o valor do passivo a descoberto, R$ 9.557.801,78, foi tributado no Auto de Infração anexo como despesa não comprovada. A decisão recorrida reiterou tais fundamentos, afirmando, assim, que somente o preço efetivamente pago pode ser considerado para a formação do ágio. Ora, o ágio é resultado de uma operação aritmética: valor pago menos o valor do patrimônio líquido da investida. Quando todo ou parte do valor de patrimônio líquido é negativo, aritmeticamente, de fato o que se tem é uma soma e não uma subtração. Neste sentido, a Recorrente lembra que a CVM determinou expressamente, por meio do OfícioCircular CVM/SNC/SEP n° 1/2004 que, nos casos envolvendo aquisição de sociedade com patrimônio líquido negativo, o saldo inicial da equivalência patrimonial deve ser negativo, com o ágio representando a diferença entre esse resultado e o custo de aquisição, ou seja, devese proceder à soma algébrica do valor do investimento efetivo e da parcela negativa do patrimônio líquido. Assim, defende que "como a Recorrente, ao adquirir o investimento na ControlLoc, assumiu a responsabilidade pela quitação do passivo “a descoberto” como condição precedente à própria materialização da rentabilidade futura, esse valor passou a representar um custo adicional em relação ao seu investimento." É verdade que, de fato, os sócios somente são responsáveis na medida do capital social, de maneira que a investidora, ao adquirir participação societária de empresa com PL negativo, não se torna ela própria devedora de tais passivos os passivos permanecem sendo da investida. Ocorre que, até que o PL se torne positivo, a sociedade investida não Fl. 6643DF CARF MF Processo nº 16561.720190/201554 Acórdão n.º 1401002.685 S1C4T1 Fl. 6.635 19 poderá distribuir lucros a seus sócios/acionistas, de maneira que a aquisição de empresa com PL negativo gera, sim, no momento da aquisição, um ônus para o investidor: o de não receber lucros até aquele montante. Por isso é que se afirma que "ao adquirir esse tipo de investimento o investidor paga parte do preço ao vendedor e parte aos antigos credores da investida, mediante abstenção de parte dos lucros gerados pelo negócio." (BLANCO, André Almeida; GUERRA, Gerson Macedo. Aquisição de Investimento em Sociedade com Passivo a Descoberto: Apuração do Ágio por Rentabilidade Futura, In PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FARO, Maurício Pereira (coords.). Análise de casos sobre aproveitamento de ágio: IRPJ e CSLL à luz da jurisprudência do CARF — Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. São Paulo: MP Editora, 2016. p.) Assim, deve ser considerado como "custo" da participação societária adquirida tanto o valor pago ao vendedor quanto o valor dos passivos assumidos quando se adquire tal participação. Neste sentido, o valor do passivo a descoberto pode, sim, ser considerado como custo de aquisição para fins de cálculo do ágio a ser amortizado fiscalmente. Conforme observa a doutrina especializada: “[...] apesar de a legislação tributária brasileira conferir expresso tratamento fiscal ao ágio na aquisição de participações societárias [...], não há um tratamento específico para a situação em que o valor do patrimônio líquido apurado pelo método de equivalência patrimonial seja negativo, mencionando apenas que, para fins de apuração do ágio, devese considerar a diferença entre o patrimônio líquido da controlada ou coligada e o custo de aquisição. Assim sendo, se a equivalência patrimonial da sociedade investida indica a existência de patrimônio líquido negativo (passivo a descoberto), entendemos que esse montante deve ser considerado para fins de cálculo do ágio na aquisição de tal investimento.” (MOSQUERA, Roberto Quiroga; BARRETO, Ana Paula Lui; FREITAS, Rodrigo de. Aspectos práticos e polêmicos na amortização do ágio e a jurisprudência do CARF. In ROCHA, Valdir de Oliveira (coord). Grandes Questões Atuais do Direito Tributário. São Paulo: Dialética, 2012. vol. 16. p. 346, grifamos) Ante o exposto oriento meu voto para dar provimento ao recurso voluntário quanto à diferença de ágio relativa à ControlLoc. Em votação na Turma restei vencida quanto à questão acima, razão porque passo a tratar dos argumentos relativos à desproporção da multa de 75% aplicada em relação ao ágio da ControlLoc face à sua conduta, bem como à incidência de juros sobre multa. O argumento acerca da desproporção da multa passa pela análise da constitucionalidade do percentual previsto em lei, discussão que é vedada a este CARF nos termos do enunciado da Súmula CARF n. 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 6644DF CARF MF 20 Quanto à incidência de juros de mora sobre as multas tributárias aplicadas, entendo que basta observar o disposto nos artigos 113, 139 e 161 do CTN para se chegar à conclusão de que os juros moratórios não apenas incidem sobre o principal, mas também sobre a multa de ofício proporcional, já que ambos compõem o crédito tributário constituído, in verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...) Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (...) Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §1 Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. §2 O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Não por outra razão, a Lei 9.430/1996, ao tratar da formalização da exigência de crédito tributário composto exclusivamente por multa ou juros de mora afirma, expressamente, a possibilidade de tal incidência: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ademais, o entendimento de se considerar legítima a incidência de juros de mora sobre a multa fiscal encontra sustentação na jurisprudência da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012), que reiterou o entendimento no sentido de ser “legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário”, seguindo a linha já adotada pela Segunda Turma do mesmo Tribunal (REsp nº 1.129.990/PR, em 1/9/2009). Ante o exposto, tendo restado vencida quanto ao mérito do ágio ControlLoc, entendo que é de ser mantida a multa de 75% aplicada, sobre a qual incidem juros Selic. Fl. 6645DF CARF MF Processo nº 16561.720190/201554 Acórdão n.º 1401002.685 S1C4T1 Fl. 6.636 21 Ágios CISR, TELEMATICS, CEG, ZATIX PARTICIPAÇÕES e MOBISAT A segunda acusação é referente aos ágios apurados na aquisição das empresas CISR, TELEMATICS, CEG, ZATIX PARTICIPAÇÕES e MOBISAT. Quanto a estes, a fiscalização questiona a necessidade da complexa reorganização societária realizada já que a operação poderia ser feita de maneira bem mais simples, in verbis (fl. 5.125): Essa reorganização societária poderia ter sido feita de uma forma muito simples: os antigos sócios poderiam ter vendido ações para os novos sócios FIPs PÁTRIA I, II e III; e a nova sócia MANIZA, empresa que em 2008 foi dona da MOBISAT, a qual veio a ser incorporada pela Fiscalizada, poderia ter acordado uma permuta de ações da MOBISAT por ações de sua sucessora OMNILINK/ZATIX TECNOLOGIA. Em outras palavras, a essência do negócio foi: a venda de ações da OMNILINK/ZATIX TECNOLOGIA para seus novos sócios FIPs PÁTRIA I, II e III; e, por parte da nova sócia MANIZA, a permuta de ações da MOBISAT por ações da OMNILINK/ZATIX TECNOLOGIA. Tudo, portanto, poderia ter sido feito de maneira bastante simples e pouco trabalhosa. Contudo, as partes envolvidas optaram por um caminho muito tortuoso, complexo e trabalhoso, (...) Desse modo, acusa que foram utilizadas empresas como "canais de passagem" ou "empresa veículo", nos seguintes termos: (...) Não é preciso nenhum esforço para perceber que os reais adquirentes de ações da OMNILINK/ZATIX TECNOLOGIA foram os FIPs PÁTRIA I, II e III, e não a CISR e a TELEMATICS, empresas que funcionaram como simples canais de passagem dos recursos aportados pelos fundos. (fl. 5.127) (...)não é preciso se esforçar para perceber que a real permutadora das ações da MOBISAT por ações da OMNILINK/ZATIX TECNOLOGIA, foi a MANIZA e não a ZATIX PARTICIPAÇÕES, a qual foi uma simples empresa veículo para ações e recursos da MANIZA. (fl. 5.128) Então, após analisar legislação relativa ao registro e amortização de ágio, o TVF afirma (fl. 5.146): (...) se o patrimônio da real adquirente da participação societária e o patrimônio da adquirida não se confundirem através de incorporação ou fusão, não é permitida dedução tributária do ágio que tenha sido apurado na operação. Por conseguinte, situações artificiais como a utilização de empresas como simples veículos para transferir recursos financeiros e/ou participações societárias para a empresa que será adquirida não Fl. 6646DF CARF MF 22 possibilitam a dedução tributária dos ágios eventualmente apurados dessa forma. Na reorganização societária colocada em curso no presente caso, as empresas TELEMATICS, CISR, CEG e ZATIX PARTICIPAÇÕES foram utilizadas como simples empresas veículo ou canais de passagem de recursos financeiros e ações aportados por suas controladoras, os FIPs PÁTRIA I, II e III e MANIZA, situação que não possibilita a amortização tributária dos ágios assim calculados, visto que os patrimônios dos reais aportadores dos recursos para aquisições das participações não se confundiram com os patrimônios das empresas cujas ações foram adquiridas ou permutadas. Em razão disso, a fiscalização observa que intimou as empresas a comprovar que CISR, TELEMATICS, CEG e ZATIX PARTICIPAÇÕES "não foram simples veículos para transferências, para outras empresas, dos ágios que foram formados em operações realizadas por elas". As empresas responderam que se tratava de holdings puras e, em seguida, o TVF concluiu que "A Fiscalizada não conseguiu demonstrar que a CSIR, a TELEMATICS, a CEG e a ZATIX PARTICIPAÇÕES tiveram consistência econômica. A lei das SAs permite que uma holding participe de outras sociedades, ainda que para beneficiarse de incentivos fiscais. Porém, a legislação tributária prevê condições necessárias para que possa haver dedução tributária de ágio. Entre essas condições está a necessidade de confusão dos patrimônios da empresa cuja a participação foi adquirida e da real adquirente dessa participação." (fl. 5.147). Resta claro, portanto, que a acusação fiscal foi de que o ágio não poderia ser amortizado porque foi apurado mediante a interposição de empresasveículo, ou seja, porque a real aquisição foi realizada não por TELEMATICS, CISR, CEG, ZATIX PARTICIPAÇÕES e MOBISAT, mas FIPs PÁTRIA I, II e III e Maniza. É por isso que o TVF conclui que não ocorreu a confusão patrimonial entre investidora e investida porque se considera como investidora não as adquirentes diretas (tidas como "empresasveículo") mas seus controladores (os FIPs PÁTRIA I, II e III e Maniza). Diante disso, entendo que assiste razão à Recorrente quando sustenta que a decisão recorrida é nula. De fato, o artigo 59 do Decreto 70.235/1972 estabelece que são nulas as decisões proferidas com cerceamento ao direito de defesa e foi isso o que ocorreu quando a decisão recorrida manteve a autuação sob fundamento diverso do que norteou o auto de infração. O fundamento da autuação está claro, conforme analisado acima. Vale ressaltar que o TVF em nenhum momento utiliza o termo "ágio interno" nem sequer contém a palavra "interno" em nenhuma de suas 86 páginas. Da mesma forma, a palavra "grupo" somente é utilizada para se referir ao grupo de FIPs (Pátria I, II e III). Não obstante, toda a fundamentação da decisão recorrida remonta à impossibilidade de se apurar ágio dentro de um mesmo grupo empresarial, para o que ela cita normas editadas pela CVM e pelo Conselho Federal de Contabilidade acerca de "ágio em operações internas" e "transações com o mundo exterior". Ressalto as seguintes passagens da decisão recorrida que deixam claro que respectivamente a delimitação da lide e a conclusão estão baseadas no conceito de ágio interno: Fl. 6647DF CARF MF Processo nº 16561.720190/201554 Acórdão n.º 1401002.685 S1C4T1 Fl. 6.637 23 A matéria central desta lide, diz respeito a amortização de despesas com a conseqüente redução do lucro líquido, decorrentes do ágio fundamentado na expectativa de rentabilidade futura, gerado após movimentações societárias realizadas dentro do mesmo grupo empresarial, fato econômico que a doutrina e os tribunais administrativos hoje denominam de "ágio artificial", ou seja, aquele gerado por via de reorganizações societárias de caráter transitório dentro de um mesmo grupo econômico, sem o efetivo pagamento por uma nova riqueza ou maisvalia gerada, com o exclusivo objetivo de economia tributária. (fl. 6402) A Fiscalização, ao concatenar todas as operações realizadas, na forma registrada no Termo de Verificação Fiscal e reproduzida em síntese no Relatório que antecede esse voto, deixou patente e irrefutável todo o artifício jurídico formal levado a termo pelo sujeito passivo para o aproveitamento do ágio artificialmente gerado, quanto aos aspectos temporais e pessoais: TELEMATICS; CISR; MOBISAT; CEG; e ZATIX PARTICIPAÇÕES. A criação do ágio não envolveu desembolso ou obrigação que não retornasse para o mesmo grupo; nos momentos da geração dos ágios as empresas se submetiam a um controle comum, direta ou indiretamente, afastando qualquer possibilidade de independência entre as partes. Disto decorre que não houve sacrifício financeiro verdadeiro. Do exposto, a conclusão que se extrai, é que o ágio gerado sem ônus verdadeiro, sem substância econômica, com utilização deliberada de artifícios societários estranhos às normas contábeis e às recomendações da Comissão de Valores Mobiliários – CVM, decorrente de uma operação societária entre partes dependentes, em relação à qual não se pode atribuir nenhum custo de aquisição, padece de ilegitimidade em sua origem, não possuindo, por conseqüência, capacidade de promover qualquer alteração do lucro líquido do exercício, ponto de partida para delimitação da base tributável do IRPJ. (fl. 6412) Ora, as acusações são completamente diferentes. Uma coisa é ser acusado de ter realizado as aquisições mediante a interposição de empresasveículo (portanto mediante simulação de pessoas jurídicas, que existiriam apenas "no papel"). A outra é a acusação de ágio interno, a qual envolve questionamentos técnicos relacionados à formação do ágio, devendose analisar se existe "preço" ou "mais valia" e, consequentemente, ágio, em transações realizadas entre partes relacionadas/dependentes. Ressaltese que a única passagem da decisão recorrida que trata do argumento da interposição de empresasveículo é de certa forma desvirtuado de maneira que leve à conclusão pela inadmissibilidade do ágio interno, vejase: Sobre o tema vale ressaltar, a inexistência de um conceito jurídico do que seria uma "empresaveículo" para fins de planejamento tributário, como apontado na defesa. A citada Fl. 6648DF CARF MF 24 definição resulta de uma construção e de constatação de uma situação de fato, não de um conceito jurídico, e que se insere como um item na análise da existência ou não de propósito negocial em uma determinada transação, vinculandose especificamente à função exercida na geração do ágio, inclusive, não se restringido às empresas que nunca foram operacionais, nunca atuaram efetivamente, nunca exerceram seu objetivo social e que tiveram vida útil curta. Apesar do esforço da defesa de tentar demonstrar uma razão negocial como reunião de sinergias entre empresas, propósito esse que não se questiona, ficou patente que as operações societárias foram engendradas com objetivo específico de se criar condições artificiais que viabilizassem a amortização do ágio e ausente a necessária e indispensável independência entre as partes, vez que todas faziam parte direta ou indiretamente do mesmo grupo empresarial nos momentos específicos de geração dos ágios como exaustivamente demonstrado seqüencial, cronológica e esquematicamente no Termo de Verificação Fiscal. (...) (fl. 6411) Ante o exposto, oriento meu voto para considerar nula a decisão recorrida, por ter mantido a autuação com base em fundamento não constante do auto de infração e, assim, operado em cerceamento do direito de defesa da contribuinte. Não obstante, entendo também que a nulidade acima pode ser superada para que se analise o mérito, com fundamento no §3o do artigo 59 do Decreto 70.235/1972. Esse dispositivo estabelece que quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. De fato, muito provavelmente a decisão recorrida manteve a autuação por fundamento diverso do exposto no TVF porque a acusação constante do TVF é deveras insuficiente. Muito embora toda a investigação tenha sido orientada para a averiguação sobre se as ditas pessoas jurídicas eram mesmo "empresasveículo", a fiscalização não logrou comprovar que as empresas de fato não existiam. Com efeito, não houve sequer investigação sobre a materialidade das pessoas jurídicas ditas "veículo". A acusação quanto a essa circunstância está fundada exclusivamente na sequência de operações societárias realizadas, sem que tenha havido qualquer análise documental de tais empresas individualmente. Ora, a acusação de empresaveículo depende de prova de que as pessoas jurídicas existiriam apenas no papel, ou seja, de que elas efetivamente nunca atuaram como pessoas jurídicas, sujeitos de deveres e obrigações (ou de que apenas assim atuaram com relação à operação societária que se pretende descaracterizar, no caso, a aquisições que deram origem aos ágios). Em sociedades ditas operacionais a prova de que as pessoas efetivamente existiram é, digamos, mais palpável, pois a fabricação e/ou as saídas de bens ou de serviços deixam um rastro material e/ou documental. Fl. 6649DF CARF MF Processo nº 16561.720190/201554 Acórdão n.º 1401002.685 S1C4T1 Fl. 6.638 25 Há porém sociedades que têm por objeto exclusivamente participar de outras sociedades a Lei das S.A. (Lei 6.404/1976) prevê tal possibilidade em seu artigo 2º, § 3º, observando, ademais, que tal participação pode ocorrer ainda que não prevista no estatuto, seja como meio de realizar o objeto social seja para beneficiarse de incentivos fiscais(*). (*) Art. 2º Pode ser objeto da companhia qualquer empresa de fim lucrativo, não contrário à lei, à ordem pública e aos bons costumes. (...) § 3º A companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades; ainda que não prevista no estatuto, a participação é facultada como meio de realizar o objeto social, ou para beneficiarse de incentivos fiscais. De qualquer forma, mesmo uma holding "pura" não prescinde de um conteúdo material mínimo não se exige, por óbvio, atividades operacionais, nem necessariamente a contratação de empregados, mas toda empresa tem um endereço sede (imóvel ou virtual), alguém que lhe prepare a contabilidade, alguém que assine por ela e lhe "presente" perante terceiros (Pontes de Miranda), custos com registros de seus atos societários, e tudo isso envolve um mínimo de despesas que, se não são arcadas diretamente por ela, são pagas por alguém em nome dela, e de um modo ou de outro devem, pelo menos, constar de seus registros patrimoniais e contábeis. A ausência de qualquer tipo de despesa, aliada à inexistência de quaisquer outros bens ou direitos que não a participação societária que se adquiriu com ágio, é o que robustece a acusação de que a pessoa jurídica não existiu de fato mas apenas formalmente ou "no papel". Que fique claro: quando dizemos "efetiva existência da pessoa jurídica" estamos nos referindo à existência da pessoa jurídica como "sociedade" ou "empresa", e não como um mero registro formal. O contrato de sociedade é assim conceituado pelo artigo 981 do Código Civil (Lei 10.406/2002): Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados. Como se sabe, o Direito Brasileiro atual simpatiza com a teoria dos perfis da empresa de Asquini, a qual trata a empresa como "fenômeno poliédrico que assume, sob o aspecto jurídico, em relação ao diferentes elementos nele concorrentes, não um mas diversos perfis: subjetivo, como empresário; funcional, como atividade; objetivo, como patrimônio; corporativo, como instituição” (Exposição de Motivos Complementar apresentada pelo Prof. Sylvio Marcondes responsável pela elaboração do Livro II — “Direito da Empresa” no anteprojeto do Código Civil/2002). Assim, só há que se falar em "sociedade" ou "empresa" na presença de "atividade econômica organizada de produção e circulação de bens e serviços para o mercado, exercida pelo empresário, em caráter profissional, através de um complexo de bens" (BULGARELLI, Waldírio. Tratado de Direito Empresarial, 2ª ed., São Paulo: Atlas, 1995, p.100). No Direito Tributário isso fica claro em diversas passagens. A noção jurídica de empresa está disposta, por exemplo, no caput do art. 132 do Código Tributário Nacional, que dispõe sobre a responsabilidade da pessoa jurídica que resulta da fusão, transformação ou incorporação, pelos tributos devidos pelos antecessores. Segundo este dispositivo, existe uma figura jurídica associada a uma empresa mas, caso tal figura jurídica desapareça, o Fl. 6650DF CARF MF 26 desaparecimento não causa a “morte” da empresa, que continua como entidade autônoma, com vida jurídica própria, respondendo por atos pretéritos. Ressaltese que o acima é apenas um exemplo ilustrativo mas, no caso em questão, nem era preciso ir tão longe. Em resumo, para que a acusação de "empresaveículo" prevalecesse seria necessário que o auto de infração provasse a existência meramente formal das holdings em questão no momento da geração do ágio. Só assim poderia se chegar à conclusão de que não houve a necessária liquidação do investimento e que, portanto, estava ausente um dos requisitos legais para a dedução das despesas com amortização de ágio. No caso, todavia, entendo que a fiscalização não se desincumbiu desse ônus. Pelo contrário, ela parece ter tomado isso como premissa quando constatou a sequência de reorganizações societárias, presunção esta ilegal. Dispositivo Ante o exposto, oriento meu voto para (i) quanto ao erro de cálculo (diferença de ágio relativa à ControlLoc), dar provimento ao recurso voluntário e, porque vencida, manter a multa de ofício e os juros Selic; (ii) quanto aos demais ágios glosados, superar a preliminar de nulidade da decisão recorrida para, no mérito, dar integral provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 6651DF CARF MF Processo nº 16561.720190/201554 Acórdão n.º 1401002.685 S1C4T1 Fl. 6.639 27 Voto Vencedor Claudio de Andrade Camerano Redator Designado De se destacar que o presente voto vencedor referese apenas à glosa de despesa com amortização de ágio (Ágio 3), relativo à aquisição da CONTROL LOC, pela Recorrente. Neste item, por maioria de votos, foi negado provimento ao Recurso Voluntário, vencida a Relatora. As demais despesas de amortizações de ágios referentes a outras aquisições, então glosadas pela Fiscalização, tiveram, por maioria de votos, a sua dedutibilidade restabelecida nos termos do relatório e voto da Relatora. Assim, de se acatar o que foi decidido pela Relatora e ratificado por esta Turma Ordinária, relativamente às preliminares trazidas no Recurso Voluntário e as demais despesas de amortização de ágios, com exceção do Ágio 3, objeto deste voto vencedor. Oportuno relembrar a situação que motivou a glosa fiscal (Ágio 3), trazendo excertos do Termo de Verificação Fiscal: 5.3 DO ÁGIO CONSTITUÍDO COM ERRO DE CÁLCULO O ágio relativo à aquisição da CONROL LOC foi apurado com erro de cálculo. Considerando que a empresa, quando foi adquirida, tinha passivo a descoberto (patrimônio líquido negativo), valor que deve ser descontado do valor do ágio apurado em virtude de não ter sido efetivamente pago, o cálculo correto do ágio é mostrado na planilha abaixo. Denominação Empresa Descrição Valor (R$) ÁGIO 3 CONTROLLOC Valor Contabilizado e Amortizado (1) 48.047.681,78 ÁGIO 3 CONTROLLOC Passivo a Descoberto (2) 9.557.801,78 ÁGIO 3 CONTROLLOC Valor Dedutível (Correto) (1) (2) 38.489.880,00 Ora, o resultado negativo da equivalência patrimonial não pode exceder o valor pelo qual o investimento está contabilizado, de modo a resultar em ativo com saldo negativo. A variação negativa do patrimônio da investida pode, no máximo, anular o investimento contabilizado. Admitir que um investimento apresente valor contábil negativo significa reconhecer a responsabilidade da investidora pelas dívidas da investida para além do capital social nela aplicado, obrigação que não é imputada aos sócios/acionistas de uma Fl. 6652DF CARF MF 28 sociedade de capital. Assim, somente o preço efetivamente pago pode ser consideração para a formação do ágio. Por conseguinte, o valor do passivo a descoberto, R$ 9.557.801,78, foi tributado no Auto de Infração anexo como despesa não comprovada. Em que pese o articulado voto da Ilustre Relatora, ora vencido neste item específico, a maioria desta Turma entende que a mensuração de ágio na aquisição de participação societária em empresa que apresente patrimônio líquido negativo, não se dá por meio da simples operação aritmética estabelecida no art.385 do RIR/99: Desdobramento do Custo de Aquisição Art.385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art.20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte;e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. [...] Ora, uma eventual aquisição de participação societária em sociedade que apresente patrimônio líquido (PL) negativo (passivo a descoberto), não se subsume à operação aritmética supra, pelo fato de que tal dispositivo contempla situações em que o patrimônio líquido da sociedade investida seja positivo. O Patrimônio Líquido representa aquilo (Recursos) que pertence aos sócios, sendo seu valor a diferença positiva entre o valor do Ativo e o valor do Passivo. Se o valor do Passivo for superior ao valor do Ativo, estáse diante de um Passivo a Descoberto, não havendo que se cogitar da existência de um patrimônio líquido negativo, apesar de assim poder constar denominado em Balanços Patrimoniais. A aplicação do método de equivalência patrimonial (MEP) na aquisição inicial de sociedade com PL negativo resultaria em uma contabilização (na Investidora) de um investimento negativo, o que contraria as regras de aplicação da equivalência e apuração de ágio. A Recorrente e a Relatora lembram do disposto no OfícioCircular CVM/SNC/SEP n. 1/2005 (e não de 2004, como citado), que, aparentemente trata da questão de outra forma (favorável a tese da Recorrente). Este entendimento, inserido no referido Ofício de título Assunto: Orientação sobre a Elaboração de Informações Contábeis pelas Companhias Abertas traduz uma sinalização do que as entidades podem fazer neste sentido, da qual não concordo, mas para fins fiscais, a situação deve ser colocada conforme bem assinalado pela autoridade fiscal e que ora se ratifica neste Voto Vencedor. Fl. 6653DF CARF MF Processo nº 16561.720190/201554 Acórdão n.º 1401002.685 S1C4T1 Fl. 6.640 29 De forma que em situações como a ora vista nos autos, o investimento da Investidora fica reduzido a zero, sendo que o que foi efetivamente pago por ele é que se considera ágio, daí que não se pode, como fez a Recorrente, de, para fins de apurar o ágio, somar o PL negativo ao valor pago na aquisição da CONTROL LOC. Tal situação já foi abordada pelo CARF, conforme julgado no Acórdão n.110100.766, de 05/06/2012, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção: AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. DETERMINAÇÃO. Na aquisição de investimento em empresa com passivo a descoberto, o ágio limitase ao valor pago pela investidora. Mantido, portanto, o lançamento naquilo que se refere à glosa das despesas conforme consta no Auto de Infração item CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS INFRAÇÃO: DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Assim, ficam mantidas as exigências de IRPJ e de CSLL, então apuradas com a multa de ofício de 75%. (assinado digitalmente) Claudio de Andrade Camerano Fl. 6654DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16306.000058/2010-39
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ANÁLISE DO DÉBITO DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. ESTIMATIVA MENSAL ANTECIPAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL. SÚMULA CARF 82.
O ato de homologação de uma declaração de compensação abrange a análise do débito confessado pelo contribuinte, inclusive de fatos supervenientes que modifiquem a sua existência.
A extinção do IRPJ devido ao final do exercício impede a exigência da estimativa mensal. Aplicação da Súmula CARF 82: "Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas."
Numero da decisão: 9101-003.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência suscitada pela conselheira Cristiane Silva Costa, vencidos também os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que votaram pela conversão em diligência. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rêgo (relatora), André Mendes de Moura e Rafael Vidal de Araújo, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro André Mendes de Moura.
Julgamento iniciado na reunião de 03/2018.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente e Relatora
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ANÁLISE DO DÉBITO DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. ESTIMATIVA MENSAL ANTECIPAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL. SÚMULA CARF 82. O ato de homologação de uma declaração de compensação abrange a análise do débito confessado pelo contribuinte, inclusive de fatos supervenientes que modifiquem a sua existência. A extinção do IRPJ devido ao final do exercício impede a exigência da estimativa mensal. Aplicação da Súmula CARF 82: "Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas."
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16306.000058/2010-39
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5881429
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9101-003.494
nome_arquivo_s : Decisao_16306000058201039.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ADRIANA GOMES REGO
nome_arquivo_pdf_s : 16306000058201039_5881429.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência suscitada pela conselheira Cristiane Silva Costa, vencidos também os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que votaram pela conversão em diligência. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rêgo (relatora), André Mendes de Moura e Rafael Vidal de Araújo, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro André Mendes de Moura. Julgamento iniciado na reunião de 03/2018. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente e Relatora (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa - Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7364986
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589155295232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1927; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 549 1 548 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16306.000058/201039 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101003.494 – 1ª Turma Sessão de 3 de abril de 2018 Matéria DCOMP CANCELAMENTO DO DÉBITO Recorrente CLARO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ANÁLISE DO DÉBITO DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. ESTIMATIVA MENSAL ANTECIPAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL. SÚMULA CARF 82. O ato de homologação de uma declaração de compensação abrange a análise do débito confessado pelo contribuinte, inclusive de fatos supervenientes que modifiquem a sua existência. A extinção do IRPJ devido ao final do exercício impede a exigência da estimativa mensal. Aplicação da Súmula CARF 82: "Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência suscitada pela conselheira Cristiane Silva Costa, vencidos também os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que votaram pela conversão em diligência. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rêgo (relatora), André Mendes de Moura e Rafael Vidal de Araújo, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro André Mendes de Moura. Julgamento iniciado na reunião de 03/2018. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 30 6. 00 00 58 /2 01 0- 39 Fl. 549DF CARF MF Processo nº 16306.000058/201039 Acórdão n.º 9101003.494 CSRFT1 Fl. 550 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório CLARO S/A recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls. 361 e ss., contra o Acórdão nº 1101000.972 (efls. 272 e ss.), de 09/10/2013, por meio do qual foi negado provimento ao seu recurso voluntário. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS INDICADOS DE ESTIMATIVAS DE IRPJ E CSLL DE 2008, PERÍODO EM QUE NÃO SE APUROU NEM IRPJ NEM CSLL DEVIDOS AO FINAL DO CORRELATO ANOCALENDÁRIO (LUCRO REAL NEGATIVO E CSLL RECOLHIDA EM DARF SUPERIOR À CONTRIBUIÇÃO APURADA AO FINAL DO ANO CALENDÁRIO). CANCELAMENTO DA COBRANÇA DO DÉBITO CONFESSADO. LINDES DO PROCESSO ADMINISTRATIVO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O contribuinte argumenta que. a despeito do não reconhecimento do direito creditório, deveria a cobrança dos débitos de estimativa de IRPJ e CSLL de 2008 ser cancelada, eis que não se apurou qualquer tributo devido no período e que a jurisprudência administrativa se consolidou no sentido da impossibilidade de cobrança de estimativas após o término do respectivo anocalendário. A questão atinente a cobrança dos débitos confessados por alegadamente serem indevidos não integra os estritos limites do Processo Administrativo Fiscal de compensação, cujo objeto cingese à análise da higidez dos créditos apontados e da sua suficiência para a amortização dos débitos indicados espontaneamente pelo contribuinte. Existência de instrumentos Fl. 550DF CARF MF Processo nº 16306.000058/201039 Acórdão n.º 9101003.494 CSRFT1 Fl. 551 3 eficazes para ilidir cobrança indevida, a despeito de confessada, mas em sede própria. A contribuinte apresentou à Receita Federal do Brasil três declarações de compensação (fls. 2), todas apontando, como crédito, alegado saldo negativo de CSLL no ano 2007, composto de CSLL mensal paga por estimativa (R$ 29.196.425,95). A Administração Tributária reconheceu parcialmente o crédito (9.740.786,11), levando à homologação parcial das declarações de compensação, nos termos do despacho decisório de efls. 41 e ss. Instaurado o contencioso administrativo, a DRJ em São Paulo considerou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 1626.831 (efls. 183 e ss.). A contribuinte apresentou recurso voluntário em que requereu que fosse reconhecido todo o crédito demonstrado e, subsidiariamente, ainda que esse crédito não fosse reconhecido, requereu o cancelamento dos débitos relativos a estimativas do ano 2008, considerando que não havia imposto a pagar naquele ano (efls. 201 e ss.). Antes do julgamento desse recurso, o contribuinte apresentou sua desistência parcial, efetuando o parcelamento dos débitos que pretendia extinguir por compensação, à exceção dos débitos de estimativa. Assim, o objeto da lide passou a ser, exclusivamente, o cancelamento desses débitos, conforme solicitado na petição do recurso. O Acórdão nº 1101000.972, ora recorrido, negou provimento ao recurso voluntário, adotando o entendimento de que o pedido extrapola os limites do processo administrativo fiscal de compensação, cujo objeto prendese à análise da higidez do crédito apontado e da sua suficiência para a amortização dos débitos indicados, nos seguintes termos (efls. 506): Consoante narrado acima, a controvérsia vertente limitase ao pedido do contribuinte, no sentido de que. a despeito de ter aberto mão da discussão sobre a pertinência do crédito que indicara, devem ser canceladas as cobranças atinentes às estimativas de IRPJ e CSLL do anocalendário 2008. que foram compensadas com o pretenso Saldo Negativo de IRPJ de 2007, ante a inexistência de IRPJ ou CSLL devidos ao final de 2008 e a jurisprudência no sentido da impossibilidade de cobrança de estimativas após o término do respectivo exercício, temse que igualmente não deve ser o pleito acatado. De fato. os lindes do processo administrativo derivado de não homologação de Declaração de Compensação não comportam tal análise: aqui. cabe aos julgadores unicamente se pronunciar sobre a higidez dos créditos e sobre a sua suficiência para a amortização dos débitos confessados. Em seguida, a contribuinte apresentou o presente recurso especial de divergência (efls. 361 e ss.), por entender que a decisão recorrida diverge da interpretação da legislação tributária adotada nos acórdãos paradigmas nº 180300.664 e nº 180300.530, cujas ementas seguem transcritas, respectivamente: Fl. 551DF CARF MF Processo nº 16306.000058/201039 Acórdão n.º 9101003.494 CSRFT1 Fl. 552 4 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS DECLARADOS. Dado o caráter de confissão de dívida, sujeitamse à apreciação de liquidez e certeza os débitos declarados em DCOMP, pois não se admite a exigência de tributo indevido, rechaçada a teoria do solve et repete. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP. ERRO DE FATO. Dado o caráter de confissão de dívida dos débitos constantes da DCOMP, deve a autoridade julgadora apreciar as alegações pertinentes aos créditos e débitos compensados, cancelandose eventual exigência indevida por erro de fato contido na Declaração de Compensação. O recurso foi admitido por meio do despacho de efls. 716 e ss. Em contrarrazões (efls. 535 e ss.), a Fazenda Nacional não questiona a admissão do recurso e, no mérito, repisa os argumentos adotados no voto condutor da decisão recorrida, requerendo a sua manutenção. Deve ser salientado que o presente processo está sendo julgado em conjunto com os processos de compensação nº 16306.000053/201014 e nº 16306.000037/201013, em razão de conexão. O saldo negativo utilizado como crédito no presente processo é composto, em parte, por estimativas quitadas por compensação em apreço no processo nº 16306.000037/201013. O mesmo ocorrendo com o processo nº 16306.000053/201014. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora O recurso é tempestivo, foi apresentado por pessoa hábil a representar a parte e os demais requisitos de admissibilidade foram atendidos, conforme apontado no despacho de admissibilidade de efls. 527 e ss., pelo que conheço do recurso. Uma única questão é trazida para o conhecimento deste Colegiado, atinente à possibilidade de a autoridade julgadora do processo administrativo de compensação apreciar o débito e determinar o cancelamento daquele débito referente a estimativas, o qual se pretendia, inicialmente, extinguir por compensação. Em outras palavras, a contribuinte, no tempo correto, liquidou obrigação de estimativa mensal mediante a apresentação de declaração de compensação. Em seguida, parcelou alguns débitos que não foram reconhecidos pelas decisões anteriores, e agora pleiteia tão somente o cancelamento dos débitos relativos às estimativas, ao argumento de que o imposto a pagar ao término no anocalendário foi zero. A decisão recorrida negou o pedido de cancelamento do débito de estimativa, adotando o entendimento que este extrapola os limites da lide, uma vez que a análise da Fl. 552DF CARF MF Processo nº 16306.000058/201039 Acórdão n.º 9101003.494 CSRFT1 Fl. 553 5 compensação, no âmbito do contencioso administrativo, deve se limitar à análise da higidez do crédito apontado e da sua suficiência para a amortização dos débitos indicados. Todavia, a recorrente apontou decisões de outra Turma de Julgamento do CARF que adotou entendimento diverso, franqueando a análise de débito declarado. Ora, a atividade de homologação de uma declaração de compensação exige a análise tanto do crédito (pagamento indevido ou a maior), quanto do débito (obrigação tributária), nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, de onde destacase os seguintes trechos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no §1o: I omissis II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e É que essa Lei exige, expressamente, certas características do débito a ser compensado: que seja próprio do declarante (caput), que seja administrado pela RFB (caput), que não seja devido em razão de importação (§3º, II); que não esteja inscrito em Dívida Ativa da União (§3º, III); que não esteja incluído em programa de parcelamento (§3º, IV) e que não tenha sido objeto de outra compensação não homologada (§3º, V). Com isso, a atividade de homologação de uma declaração de compensação deve incluir a apreciação do débito, pelo menos nos aspectos acima apontados, em razão de comando legal. Aliás, a verificação do débito é ainda mais ampla, em razão da necessidade de se concretizar o princípio da verdade material frente às alegações do contribuinte quando Fl. 553DF CARF MF Processo nº 16306.000058/201039 Acórdão n.º 9101003.494 CSRFT1 Fl. 554 6 argumenta, por exemplo: que o débito não existe, que o débito foi declarado em duplicidade, que o débito foi declarado a maior, que o débito já foi extinto etc.. Assim, o presente dissídio jurisprudencial deve ser resolvido nos termos dos paradigmas, os quais apontam para a possibilidade de análise do débito declarado, para que seja afastado o entendimento adotado na decisão recorrida, pelo qual o deslinde do processo estaria adstrito à análise do crédito declarado. Todavia, o resultado dessa atividade não comporta o cancelamento de uma obrigação tributária devida, ainda que tenha se tornado inexigível em razão de fato superveniente, conforme os seguintes fundamentos. É que a contribuinte não alega qualquer erro na sua declaração ou vício na constituição do crédito tributário. Apresenta argumentos em torno da natureza dos débitos de estimativas, que não poderiam ser exigidas após o término do anocalendário dada a sua natureza, motivo pelo qual defende a aplicação da lógica da Súmula CARF nº 82, conforme o seguinte excerto (efls. 390 e ss.): Não bastasse a clareza do enunciado sumular, da jurisprudência do E. CARF e do entendimento da PGFN sobre o tema. importa ressaltar consoante já foi amplamente demonstrado nos autos do presente processo administrativo e. inclusive, reconhecido pelo acórdão recorrido que a Recorrente não apurou IRPJ e CSLL a pagar no anocalendário de 2008, consoante evidenciado na petição protocolada em 07/11/2012. Quanto à apuração de IRPJ relativo ao anocalendário de 2008. a Recorrente demonstrou ter apurado lucro real negativo. No tocante à CSLL, restou demonstrado que. conquanto tenha sido apurada contribuição a pagar no valor de R$ 397.655,42, os pagamentos efetuados ao longo do referido ano superaram o referido valor, razão pela qual tampouco há qualquer valor complementar de contribuição a recolher. Desse modo. concluise que qualquer recolhimento que venha a ser feito, no presente momento, pela Recorrente, a título de estimativa mensal de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2008 se transformará inexoravelmente em saldo negativo, ou seja, em um crédito. Ora, não faz sentido algum exigir que a Recorrente efetue o recolhimento da estimativa para que depois lhe seja devolvida. Tal procedimento implicaria custos tanto à Recorrente quanto à Administração Pública. Todavia, os débitos objetos de análise no presente processo, no estado em que se encontram, têm origem em obrigações tributárias de antecipar tributo devido (estimativas). Assim, não há qualquer dúvida sobre a existência do débito e da possibilidade de sua compensação na época em que foi apresentada a correspondente declaração. A lógica da contribuinte para aplicação da Súmula CARF 82, aliás, decorre de um fato superveniente, qual seja, a apuração do tributo no final do correspondente exercício, resultando em valor zero, o que tornaria inexigíveis as supracitadas antecipações mensais, conforme o seguinte excerto (efls. 387): Fl. 554DF CARF MF Processo nº 16306.000058/201039 Acórdão n.º 9101003.494 CSRFT1 Fl. 555 7 Ou seja. após o término do anocalendário, as estimativas porventura não pagas já não poderão ser cobradas. A jurisprudência do E. CARF pacificou este entendimento através da aprovação da Súmula n° 82: "Súmula CARF n° 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas." O conteúdo do enunciado sumular é. neste sentido, claríssimo no sentido de corroborar com todo o exposto. Em virtude de já se encontrar encenado o anocalendário de 2008. improcede a cobrança das estimativas de IRPJ e CSLL relativas aos meses de fevereiro e marco. Srs. Conselheiros, destaquese que este entendimento não deve ser aplicado apenas às hipóteses em que as estimativas são cobradas mediante lançamento de ofício, mas. igualmente, nos casos envolvendo compensação tributária de débitos de estimativas mensais regularmente confessadas pelo contribuinte em DCTF e PER/DCOMP. Isto porque, tanto na compensação tributaria quanto no lançamento de ofício o que não se admite, nos termos da jurisprudência do E. CARF. é a exigência de estimativas não recolhidas uma vez encenado o anocalendário já que elas não poderão representar logicamente qualquer "antecipação" de imposto ou contribuição a ser futuramente apurada. Ocorre que, como muito bem fundamentado na declaração de voto da ex Conselheira Edeli Pereira Bessa, o caso em apreço, não é de simples aplicação da Súmula CARF nº 82, porque sequer de lançamento de ofício estamos tratando. Aliás, como ela bem enfatizou, todos os paradigmas dessa súmula tratavam de atos de constituição do crédito tributário promovidos de ofício, nos casos de estimativas não recolhidas. Nesses casos, a própria Instrução Normativa da Receita Federal nº 93, de 1997, vigente ao tempo dos fatos, já estabelecia que findo o anocalendário, cobrase multa pela falta de recolhimento da estimativa, e o imposto devido na apuração anual, verbis: Art. 15. O lançamento de ofício, caso a pessoa jurídica tenha optado pelo pagamento do imposto por estimativa, restringirse á à multa de ofício sobre os valores não recolhidos. § 1o As infrações relativas às regras de determinação do lucro real, verificadas nos procedimentos de redução ou suspensão do imposto devido em determinado mês, ensejarão a aplicação da multa de que trata o "caput" sobre o valor indevidamente reduzido ou suspenso. § 2o Na falta de atendimento à intimação de que trata o § 2o do artigo anterior, no prazo nela consignado, o AuditorFiscal do Tesouro Nacional procederá à aplicação da multa de que trata o "caput" sobre o valor apurado com base nas regras dos arts. 3o a 6o, ressalvado o disposto no § 3o do artigo anterior. Fl. 555DF CARF MF Processo nº 16306.000058/201039 Acórdão n.º 9101003.494 CSRFT1 Fl. 556 8 § 3o A não escrituração do livro Diário e do LALUR, até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês, implicará a desconsideração do balanço ou balancete para efeito da suspensão ou redução de que trata o art. 10, aplicandose o disposto no § 1o. Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: I a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. No entanto, ao teor do art. 6º da Lei nº 9.430, de 1996, se o imposto a pagar ao final do anocalendário for negativo, o sujeito passivo pode requerer a restituição do indébito. Por oportuno, transcrevese a redação vigente na época dos fatos: Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. E transcrevese, também, a redação atual: § 1o O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro receberá o seguinte tratamento: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I se positivo, será pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subsequente, observado o disposto no § 2o; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II se negativo, poderá ser objeto de restituição ou de compensação nos termos do art. 74. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Logo, não pode esta CSRF cancelar um débito que é devido, no âmbito de um processo de homologação de compensação desse débito, ao argumento de que um fato superveniente ensejaria um indébito tributário. Em razão do exposto, devese indeferir o pedido do sujeito passivo de cancelamento das estimativas declaradas relativas ao AC 2008. Fl. 556DF CARF MF Processo nº 16306.000058/201039 Acórdão n.º 9101003.494 CSRFT1 Fl. 557 9 Com isso, votase por conhecer do recurso especial do contribuinte e negar o seu provimento. Diante dos fundamentos expostos, entendo desnecessária a realização da diligência suscitada durante a sessão de julgamento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Voto Vencedor Conselheira Cristiane Silva Costa Redatora Designada Com a devida vênia à Ilustre Relatora, formalizo o presente voto vencedor por divergir com relação aos efeitos de fato superveniente com relação à compensação apresentada pelo contribuinte, tendo sido acompanhada pela maioria do Colegiado. Pondero que estou plenamente de acordo com a D. Relatora a respeito da possibilidade de apreciação do débito confessado em PER/DCOMP, adotando suas razões neste ponto, conforme trecho a seguir colacionado: Ora, a atividade de homologação de uma declaração de compensação exige a análise tanto do crédito (pagamento indevido ou a maior), quanto do débito (obrigação tributária), nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, de onde destacase os seguintes trechos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no §1o: I omissis II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; Fl. 557DF CARF MF Processo nº 16306.000058/201039 Acórdão n.º 9101003.494 CSRFT1 Fl. 558 10 IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e É que essa Lei exige, expressamente, certas características do débito a ser compensado: que seja próprio do declarante (caput), que seja administrado pela RFB (caput), que não seja devido em razão de importação (§3º, II); que não esteja inscrito em Dívida Ativa da União (§3º, III); que não esteja incluído em programa de parcelamento (§3º, IV) e que não tenha sido objeto de outra compensação não homologada (§3º, V). Com isso, a atividade de homologação de uma declaração de compensação deve incluir a apreciação do débito, pelo menos nos aspectos acima apontados, em razão de comando legal. A despeito de concordar com a possibilidade de apreciação do débito confessado, divirjo quanto à possibilidade de apreciação de fatos supervenientes que modifiquem o débito originalmente declarado. Vale lembrar que as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL como as declaradas pelo contribuinte nestes autos não configuram obrigação tributária autônoma, mas mera técnica de arrecadação. A respeito das estimativas mensais, destaquese artigo 231, do RIR/1999 (Decreto 3.000/1999), que estabelece a compensação dos valores antecipados a título de estimativa mensal ao final do ano: Art. 231. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, § 4º): (...) IV do imposto pago na forma dos arts. 222 a 230. (grifamos) De acordo com o dispositivo do Regulamento do Imposto de Renda, a pessoa jurídica que tenha recolhido estimativas poderá, ao final do anocalendário, deduzilas do saldo a pagar do IRPJ. Tal mecanismo demonstra a relação inafastável entre as estimativas mensais e a apuração ao final do período, confirmando que não se tratam de relações jurídicas tributárias autônomas, mas apenas uma técnica de arrecadação. Considerando a natureza de mera antecipação da estimativa, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais consolidou entendimento sobre a impossibilidade de sua cobrança após o encerramento do ano calendário, conforme Enunciado n. 82 de sua Súmula: Súmula CARF 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Fl. 558DF CARF MF Processo nº 16306.000058/201039 Acórdão n.º 9101003.494 CSRFT1 Fl. 559 11 O E. Superior Tribunal de Justiça também decidiu que as estimativas mensais são meras antecipações do fato gerador, que ocorre ao final do período de apuração, verbis: É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de calculo do IRPJ e da CSLL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2º da Lei nº 9.430/96. (Superior Tribunal de Justiça, AgRg no Resp 694.278, Rel. Min. Humberto Martins, DJ de 03/08/2006) São precisas as considerações de Paulo de Barros Carvalho tratando da relação indissociável entre o tributo pago ao final do ano e a estimativa mensal: Prescreve o art. 2º da Lei n. 9.430/969 que a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento dos tributos, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada. Feita essa opção, temse recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa, em que os valores devidos a título de imposto e de contribuição são determinados mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais previstos em lei. Essa opção não exclui, contudo, a obrigação de calcular a renda e o lucro líquido no final do anocalendário, e de efetuar o pagamento dos tributos sobre ele incidentes. O §3º do dispositivo acima transcrito não deixa dúvidas a respeito do assunto (...). E o §4º segue a mesma linha de raciocínio, ao estipular que o tributo pago no regime de estimativa deve ser deduzido para fins de determinação do saldo de tributo a pagar. Em sentido semelhante, também, é a disposição do art. 6º da Lei n. 9.430/96, a qual permite entrever a indissociabilidade do tributo pago no regime de estimativa e aquele devido ao final do anocalendário. (...) Os referidos preceitos legais nos levam a concluir que o regime de estimativa não veicula tributos distintos do IRPJ e da CSLL anuais. Tratase de técnica de tributação que implica antecipação do recolhimento de valores presumidamente devidos em 31 de dezembro de cada ano. Por isso, na apuração dos tributos no último dia do anocalendário (critério temporal do IRPJ e da CSLL) devem ser consideradas as quantias antecipadas e, ainda, se estas forem superiores ao débito efetivo, cabe sua restituição. (Derivação e Positivação no Direito Tributário, Volume 1, 2ª edição, São Paulo, Noeses, 2014, fl. 289/290) O caso dos autos trata de débitos (do contribuinte) de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, declarados em PER/DCOMP, para fins de compensação com créditos então identificados pelo contribuinte. Alega o contribuinte que os débitos (de estimativa mensal) teriam sido extinto pelo pagamento (REFIS IV) do IRPJ devido ao final do anocalendário. O contribuinte tem razão em seu pedido, tanto por reconhecimento do pagamento do tributo ao final do anocalendário inclusive no Programa REFIS IV , que é Fl. 559DF CARF MF Processo nº 16306.000058/201039 Acórdão n.º 9101003.494 CSRFT1 Fl. 560 12 forma de extinção do crédito tributário (IRPJ e CSLL devidos ao final do período e, por consequência, os débitos de estimativas mensais indicados pelo contribuinte em suas PER/DCOMPs), nos termos do artigo 156, do Código Tributário Nacional; como pela natureza antecipatória da estimativa mensal, como tratado anteriormente. Diante disso, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Declaração de Voto Conselheiro André Mendes de Moura A declaração de voto é para registrar, com a devida vênia ao substancioso voto da I. Relatora, discordância sobre entendimento de que no processo administrativo fiscal (normatizado pelo PAF) de reconhecimento de direito creditório, teria o presente Colegiado atribuição para apreciar tanto o crédito informado quanto o débito confessado na declaração. Isso porque entendo que a competência do julgador na fase contenciosa do processo administrativo fiscal, relativo à declaração de compensação, encontrase adstrita ao exame do crédito informado. Observase que o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 (com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) conferiu aos débitos informados na declaração de compensação efeito de confissão de dívida: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Grifei) Há que se segregar, na declaração de compensação, dois elementos: (1) o crédito pleiteado, e (2) o débito (ou os débitos) sobre o qual se pretende a extinção, com fulcro no art. 156, inciso II do CTN. Fl. 560DF CARF MF Processo nº 16306.000058/201039 Acórdão n.º 9101003.494 CSRFT1 Fl. 561 13 Fato é que, a partir do momento em que se confere ao débito objeto de declaração de compensação o efeito de confissão de dívida, escapa da fase contenciosa administrativa tributária a competência para eventual apreciação. A confissão de dívida implica na superação da fase de conhecimento do processo, e passa a ser objeto de fase de execução. A execução do débito já não é mais discutida no âmbito do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Uma vez confessado, o débito é inicialmente objeto de cobrança amigável pela Receita Federal. Caso a obrigação não seja adimplida, o débito é inscrito na Dívida Ativa da União, sob competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. A partir desse momento, em fase de execução, a discussão passa a ser de competência do Poder Judiciário. Não existem expressões inúteis na lei: declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Entender ao contrário esvazia, por completo, o efeito de confissão de dívida conferido pela legislação tributária. O que se abre para discussão na fase contenciosa é o crédito pleiteado na declaração de compensação. Verificase a liquidez e certeza do direito creditório. Atendidas as condições, o débito é extinto nos termos do art. 156, inciso II do CTN. Caso o Fisco não efetue a verificação no prazo previsto pela legislação, consumase a homologação tácita, ou seja, perdese o direito de se verificar a liquidez e certeza do direito creditório e, por consequência, o débito resta extinto. Por outro lado, em relação ao débito, tendo a declaração de compensação efeito de confissão de dívida, tratase de apreciação consumada no presente momento processual. Tanto que, caso o crédito não tenha os atributos de liquidez e certeza, ou seja, a declaração não seja homologada, ainda assim não há óbices para a cobrança do débito, vez que se trata de confissão de dívida, precisamente norma prevista no § 6º, art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Enfim, as condições estabelecidas no § 3º, art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, devem ser entendidas como requisitos para a admissibilidade de declaração de compensação. Ora, determinar que determinadas espécies de débito não podem ser objeto de declaração de compensação não tem como desdobramento ampliar o escopo da apreciação do mérito de uma declaração de compensação: o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Primeiro, iniciase exame de admissibilidade da declaração de compensação, mediante verificação de requisitos específicos, inclusive os dispostos no § 3º, art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Por exemplo, não resta admitida declaração de compensação cujos débitos já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União (débitos já em fase de execução), ou que já restem consolidados em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF (débitos objeto de parcelamento tem efeito de confissão de dívida), ou que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa (se já foi objeto de outra compensação, são débitos confessados). O que se observa é que a declaração de compensação não é admitida por perda de objeto, vez que versa sobre débitos previamente confessados. Fl. 561DF CARF MF Processo nº 16306.000058/201039 Acórdão n.º 9101003.494 CSRFT1 Fl. 562 14 Superado o exame de admissibilidade, passase para a segunda etapa, a apreciação do mérito da declaração de compensação, momento em que se verifica apenas o crédito pleiteado, já que o débito, como já dito, encontrase confessado. Nesse sentido, tenho firme convicção que a discussão do débito em processo de compensação não é de competência da fase contenciosa administrativa tributária normatizada pelo PAF. Assim, não há como se acatar a pretensão da recorrente em discutir o débito nos presentes autos. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 562DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.915418/2009-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigmas só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Numero da decisão: 9303-006.821
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Vanessa Marini Cecconello, que conheceu do recurso. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigmas só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.915418/2009-17
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5874108
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.821
nome_arquivo_s : Decisao_16327915418200917.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 16327915418200917_5874108.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Vanessa Marini Cecconello, que conheceu do recurso. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
id : 7350292
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589200384000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2022; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.915418/200917 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.821 – 3ª Turma Sessão de 17 de maio de 2018 Matéria CPMF. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. Recorrente ITAÚ UNIBANCO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigmas só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Vanessa Marini Cecconello, que conheceu do recurso. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 54 18 /2 00 9- 17 Fl. 2400DF CARF MF Processo nº 16327.915418/200917 Acórdão n.º 9303006.821 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo Sujeito Passivo ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão CARF nº 3802003.696, que negou provimento ao recurso voluntário. O acórdão recorrido possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: CPMF. PER/DCOMP. MODIFICAÇÃO DO OBJETO DO PLEITO. INADMISSIBILIDADE. O pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação. (...) Cientificada do referido acórdão a Contribuinte interpõe Recurso Especial apontando dissídio interpretativo em relação aos acórdãos nºs 1102001.125 e 10808.805. Em seguida, o então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF deu seguimento ao recurso. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.827, de Fl. 2401DF CARF MF Processo nº 16327.915418/200917 Acórdão n.º 9303006.821 CSRFT3 Fl. 4 3 17/05/2018, proferido no julgamento do processo 16327.915399/200929, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.827): "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie. Passo ao julgamento. A controvérsia suscitada pela Contribuinte referese a ocorrência de erro de preenchimento de PER/COMP e a possibilidade de retificação do direito creditório pleiteado em razão das provas trazidas aos autos. In caso, a decisão recorrida decidiu por negar provimento ao recurso voluntário, sob o entendimento de que a declaração de compensação só poderia ser retificada até a data da expedição do respectivo despacho decisório que decidiu acerca da homologação ou não da compensação. Vejamos fragmentos do aresto: Consta dos autos que em 14/10/2009 fora transmitida pela internet DCTF retificadora, portanto em data posterior à emissão do Despacho Decisório, ocorrido em 07/10/2009. Na mencionada retificadora foi declarado débito no valor total de R$ 10.467.312,78, constando como créditos o pagamento através de DARF no valor de R$ 3.386.779,85 e, como compensação de pagamento indevido ou a maior R$ 7.080.532,93. Analisando todo o acima exposto, o CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, decidindo no sentido de que a compensação fosse novamente apreciada, havendo entendido que a apresentação da DCTF retificadora, alterando o valor do débito ao qual fora vinculado o pagamento indicado como feito a maior, desconstituiria a causa original da não homologação, impondose o novo exame do feito. Nesse contexto, assim se posicionou a decisão a quo, a respeito da compensação tratada na DCOMP nº 42618.66449.240608.1.3.040833: Fl. 2402DF CARF MF Processo nº 16327.915418/200917 Acórdão n.º 9303006.821 CSRFT3 Fl. 5 4 (...) Como relatado, os autos retornam a esta Delegacia de Julgamento por força de acórdão prolatado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que determinou novo exame da compensação declarada pela contribuinte. Entendeu aquele colegiado que a apresentação de DCTF retificadora teria alterado a situação jurídica na qual se baseara o despacho decisório de não homologação, devendose reexaminar a existência do direito creditório. Em novo despacho decisório, a unidade de origem reconheceu a existência de pagamento a maior. Porém, não haveria como homologar a presente declaração de compensação já que o direito de crédito estaria integralmente comprometido na absorção de débito declarado em outra DCOMP. Ressaltese que no recurso apresentado pelo Recorrente na época, bem como no Acórdão proferido pelo CARF, em nenhum momento foi noticiado a questão do alegado equívoco no preenchimento do PER/DECOMP. Naquela oportunidade, restringiase ao erro no preenchimento da DCTF e da retificadora. O Recorrente, em seu recurso, reafirma a existência de pagamento a maior e admite equívoco no preenchimento do PER/DCOMP nº 18652.39612.120406.1.7.04.3183 e da DCTF, havendo erro na indicação nas características do documento de arrecadação pelo qual teria sido feito o pagamento a maior. Notese que o pedido de compensação foi analisado pela autoridade administrativa concernente ao reclamado pagamento a maior ou indevido indicado na DCOMP, com respeito ao qual referida autoridade concluiu inexistir o direito alegado. Instaurado o litígio, não pode a recorrente afirmar que seu crédito seria outro, referente a uma outra compensação, questão completamente alheia ao objeto do litígio, cuja aceitação representaria, também, violação aos princípios do contraditório e da estabilidade da demanda. Com efeito, como é cediço, a compensação que, nos termos do art. 170 do CTN, pressupõe liquidez e certeza dos créditos, é levada a efeito por meio de declaração capaz de extinguir o débito tributário sob condição da sua ulterior homologação, nos termos dos parágrafos 1º e 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme a redação que lhes foi fornecida pela Lei nº 10.637, de 2002. Portanto, cabe ao Fisco analisar se cabe ou não homologar uma compensação declarada. Noutro giro, os parágrafos sétimo a nono do mesmo art. 74 da mesma Lei nº 9.430, de 1996, incluídos pela Lei nº 10.833, de 20033, indicam as conseqüências da não homologação da DCOMP, bem assim o objeto do litígio instaurado em razão da apresentação de manifestação de inconformidade. Focado nesses parâmetros, entendo que o pleito do sujeito passivo não merece acolhida, pois não cabe a este Colegiado ir além da análise do ato de não homologação da Declaração de Compensação e tal ato, como decidido pelo acórdão recorrido, não merece reparo. Observase vários julgados desta Corte que no caso do preenchimento dos dados do PER/DCOMP, cuja finalidade é a comunicação à administração tributária de um crédito e de um débito, os quais se extinguirão mutuamente, o erro na discriminação de qualquer um dos dois é claramente substancial, não podendo ser considerado simples erro material. Para comprovar a divergência jurisprudencial, a Contribuinte apresentou os acórdãos paradigmas de nºs 1102001.125 e 10808.805. Transcrevese parte do trecho da parte que interessa do Acórdão nº 1102001.125: Anocalendário: 2010 COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP. Fl. 2403DF CARF MF Processo nº 16327.915418/200917 Acórdão n.º 9303006.821 CSRFT3 Fl. 6 5 INDICAÇÃO DE SALDO NEGATIVO NO LUGAR DE PAGAMENTO A MAIOR. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. Quando, em sede de recurso, o contribuinte demonstra ter preenchido a DCOMP de forma incorreta, indicando como crédito saldo negativo quando o correto seria pagamento a maior do imposto referente ao mesmo período, é possível a retificação de ofício pela autoridade julgadora, que determinará a análise do pedido com base no crédito efetivamente existente. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Pelo confronto entre a ementa do acórdão recorrido e a ementa e excerto do voto condutor do primeiro paradigma, não se comprova divergência. Como visto, os autos foram remetidos a unidade de jurisdição da Contribuinte, em comprimento ao Acórdão nº 330201.504 (fls. 58/63), o qual foi emitido um novo despacho decisório onde relata: "o interessado não comprovou crédito de pagamento indevido ou a maior [...]mas transmitiu, utilizando este crédito, declarações de compensação em um valor original total de R$ 109.726,28 [...]Na PER/DCOMP nº 28883.84622.220206.1.3.049350, com informação do crédito relativo a PER/DCOMP nº 42618.66449.240608.1.3.040833, objeto deste processo, foi informado um crédito de R$ 18,08, totalmente utilizado na própria PER/DCOMP. Não havendo crédito disponível, propomos a não homologação da PER/DCOMP nº 42618.66449.240608.1.3.040833". Do retorno dos autos, sobreveio o acórdão nº 3802003.658, ora guerreado, com a negativa de provimento ao Recurso, no esteio de que o pedido de compensação foi analisado pela autoridade administrativa concernente ao reclamado pagamento a maior ou indevido indicado na DCOMP, ao qual referida autoridade concluiu inexistir o direito alegado. Por sua vez, o acórdão paradigma entendeu que em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado. Não existe qualquer divergência, a decisão recorrida remeteu os autos para análise do direito creditório, emitindo um novo despacho decisório, o qual restou comprovado a inexistência de crédito, por sua vez, o acórdão paradigma firmou entendimento do retorno dos autos para que abertura de um novo contencioso administrativo. A Contribuinte não pretende a uniformização de teses jurídicas, objetivo primordial do Recurso Especial. A ampla defesa foi exercida em sua plenitude. Nestes autos, não existe direito creditório Fl. 2404DF CARF MF Processo nº 16327.915418/200917 Acórdão n.º 9303006.821 CSRFT3 Fl. 7 6 Neste sentido, não tomo conhecimento do Recurso Interposto, esta E. Câmara Superior não há espaço para rediscussão de matéria fáticoprobatória, exaustivamente discutida na 1º Instância Administrativa. Quanto ao acórdão nº 10808.805, pelo confronto entre a ementa do acórdão recorrido e a ementa e excerto do voto condutor, também não se comprova divergência. Transcrevo fragmentos do aresto: Exercício: 1998 Ementa: IRPJ – PREJUÍZO FISCAL – COMPENSAÇÃO – ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. Compensação de IRPJ recolhido por estimativa em exercício cujo resultado foi prejuízo fiscal, deve ser admitida, não obstante erro de fato no preenchimento da declaração, que não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos. Prevalência do princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido. Com efeito, a decisão recorrida consignou que: "o pedido de compensação foi analisado pela autoridade administrativa concernente ao reclamado pagamento a maior ou indevido indicado na DCOMP, com respeito ao qual referida autoridade concluiu inexistir o direito alegado. Instaurado o litígio, não pode a recorrente afirmar que seu crédito seria outro, referente a uma outra compensação, questão completamente alheia ao objeto do litígio, cuja aceitação representaria, também, violação aos princípios do contraditório e da estabilidade da demanda". Por sua vez, o acórdão paradigma fixou o seguinte entendimento: "não obstante erro de fato no preenchimento da declaração, que não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos. Prevalência do princípio da verdade material". Como se vê, a Contribuinte insiste na rediscussão fática, o acórdão paradigma entende que caso ocorra erro no preenchimento da declaração, não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos. Ora, o Contencioso foi estendido a Contribuinte, não foi invalidado o procedimento de um suposto erro, foi proferido um novo despacho decisório, o qual foi confirmada a inexistência de crédito. Deste modo, as dessemelhanças fáticas e normativas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. Em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Fl. 2405DF CARF MF Processo nº 16327.915418/200917 Acórdão n.º 9303006.821 CSRFT3 Fl. 8 7 Diante de tudo que foi exposto, em razão das dessemelhanças fáticas e normativas que impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 2406DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.722014/2013-31
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Os recibos não fazem prova absoluta da ocorrência do pagamento, devendo ser apresentados outros elementos de comprovação, quando solicitados pela autoridade fiscal.
Não sendo comprovada a despesa, mediante documentação idônea, justifica-se a glosa do valor indevidamente deduzido a título de despesa médica.
Numero da decisão: 2001-000.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal, que lhes deram provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Os recibos não fazem prova absoluta da ocorrência do pagamento, devendo ser apresentados outros elementos de comprovação, quando solicitados pela autoridade fiscal. Não sendo comprovada a despesa, mediante documentação idônea, justifica-se a glosa do valor indevidamente deduzido a título de despesa médica.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 12448.722014/2013-31
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5874931
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2001-000.025
nome_arquivo_s : Decisao_12448722014201331.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE RICARDO MOREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 12448722014201331_5874931.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal, que lhes deram provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
dt_sessao_tdt : Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
id : 7352686
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589210869760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1598; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.722014/201331 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.025 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 27 de outubro de 2017 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física Recorrente EDUARDO LEVIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Os recibos não fazem prova absoluta da ocorrência do pagamento, devendo ser apresentados outros elementos de comprovação, quando solicitados pela autoridade fiscal. Não sendo comprovada a despesa, mediante documentação idônea, justifica se a glosa do valor indevidamente deduzido a título de despesa médica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal, que lhes deram provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 20 14 /2 01 3- 31 Fl. 66DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (f. 7/11), relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2011, anocalendário de 2010, onde foram glosadas deduções de despesas médicas no valor de R$ 21.320,00, por ausência de comprovação do efetivo pagamento. O contribuinte apresentou impugnação (f. 1), que foi julgada procedente em parte (foi afastada a glosa sobre R$ 3.920,00), mediante Acórdão da DRJ RIO DE JANEIRO de f. 34/40. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 50/55. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Discorda da glosa das despesas médicas representadas pelos recibos emitidos por Helena Levis, sua irmã, alegando que não há impedimento legal para que um contribuinte seja atendido por um parente. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigado a apresentar seus exames médicos e laboratoriais. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte.. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O lançamento cingese à glosa de despesas médicas. O interessado, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende o recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 12448.722014/201331 Acórdão n.º 2001000.025 S2C0T1 Fl. 3 3 Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. De fato, não existe impedimento legal para que o contribuinte seja atendido profissional de sua família. Ocorre, entretanto, que esta situação, por si só, já justifica a solicitação de informações complementares acerca da efetividade da despesa. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. Desta forma, adoto a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. Fl. 68DF CARF MF 4 CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000517/2007-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. IN SRF 21/1997. PROCESSO DE RECONHECIMENTO DO CRÉDITO E HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES. PROCESSO DE COBRANÇA. MATÉRIAS DISTINTAS.
A IN SRF n. 21/1997 estabeleceu sistemática aplicável aos pedidos de compensação de débitos com créditos de terceiro, pela qual o pedido é protocolizado em duas vias, uma na unidade da RFB que jurisdiciona o cedente e outra na unidade que jurisdiciona o cessionário (esta com exclusivo caráter de comunicado). A competência para analisar o pedido é da unidade de jurisdição do titular do crédito (cedente), em processo específico, que não se confunde com o processo de cobrança administrativa, interno da RFB, prévio à inscrição em Dívida Ativa.
Numero da decisão: 3401-005.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça apresentada a título de recurso voluntário, retornando os autos à unidade preparadora, para seguimento da cobrança, diante da atual inexistência de restrição judicial.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. IN SRF 21/1997. PROCESSO DE RECONHECIMENTO DO CRÉDITO E HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES. PROCESSO DE COBRANÇA. MATÉRIAS DISTINTAS. A IN SRF n. 21/1997 estabeleceu sistemática aplicável aos pedidos de compensação de débitos com créditos de terceiro, pela qual o pedido é protocolizado em duas vias, uma na unidade da RFB que jurisdiciona o cedente e outra na unidade que jurisdiciona o cessionário (esta com exclusivo caráter de comunicado). A competência para analisar o pedido é da unidade de jurisdição do titular do crédito (cedente), em processo específico, que não se confunde com o processo de cobrança administrativa, interno da RFB, prévio à inscrição em Dívida Ativa.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16349.000517/2007-82
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5874980
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-005.067
nome_arquivo_s : Decisao_16349000517200782.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 16349000517200782_5874980.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça apresentada a título de recurso voluntário, retornando os autos à unidade preparadora, para seguimento da cobrança, diante da atual inexistência de restrição judicial. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
dt_sessao_tdt : Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7352735
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589216112640
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1851; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 427 1 426 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16349.000517/200782 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.067 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de maio de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO CRÉDITO DE TERCEIRO Recorrente DATAMEC SISTEMAS E PROCESSAMENTO DE DADOS (incorporada por UNISYS BRASIL LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. IN SRF 21/1997. PROCESSO DE RECONHECIMENTO DO CRÉDITO E HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES. PROCESSO DE COBRANÇA. MATÉRIAS DISTINTAS. A IN SRF n. 21/1997 estabeleceu sistemática aplicável aos “pedidos de compensação” de débitos com créditos de terceiro, pela qual o pedido é protocolizado em duas vias, uma na unidade da RFB que jurisdiciona o cedente e outra na unidade que jurisdiciona o cessionário (esta com exclusivo caráter de comunicado). A competência para analisar o “pedido” é da unidade de jurisdição do titular do crédito (cedente), em processo específico, que não se confunde com o processo de cobrança administrativa, interno da RFB, prévio à inscrição em Dívida Ativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça apresentada a título de recurso voluntário, retornando os autos à unidade preparadora, para seguimento da cobrança, diante da atual inexistência de restrição judicial. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 05 17 /2 00 7- 82 Fl. 427DF CARF MF 2 Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros de fl. 31, apresentado em 15/02/2000, referente a ressarcimento demandado no processo administrativo no 13811.003186/9923, invocando crédito advindo da empresa “Metron L. Indústria Eletrônica LTDA”, para abater débitos no montante de R$ 68.146,07 (cód. 8109, ref. Jan/2000) e R$ 45.682,92 (cód. 2172, ref. Jan/2000). No Despacho Decisório emitido no referido processo de no 13811.003186/9923 (fls. 6 a 13), em 05/12/2007, o pedido de ressarcimento é indeferido por ausência de comprovação do direito de crédito, e por se referir a crédito de terceiro, sem previsão normativa de amparo, com fundamento no Parecer PGFN/CDA/CAT no 1.499, de 28/09/2005, não tendo o pedido sido convertido em declaração de compensação. Os débitos foram, então, encaminhados para cobrança (fls. 14 a 16), sendo a recorrente cientificada da cobrança em 22/04/2010 (AR À fl. 16). Em 24/05/2010, a recorrente apresenta peça intitulada de Manifestação de Inconformidade (fls. 21 a 40), argumentando, em síntese, que: (a) a empresa “Metron L. Indústria Eletrônica LTDA” apresentou pedidos de ressarcimento de IPI referentes a aquisição de insumos utilizados na fabricação de bens de informática e automação, dando origem ao processo de no 13811.003186/9923; (b) em 15/02/2000, tal empresa solicitou compensação de créditos seus com débitos da recorrente, com fundamento na IN SRF no 21/1997,vigente à época; (c) é incorreta a parte do despacho decisório em que se afirma não ter havido conversão do pedido em declaração de compensação, pois norma infralegal não pode afastar o comando do art. 74, § 4o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002, tendo havido homologação tácita das compensações, conforme § 5o do mesmo artigo 74; (d) a apresentação da peça recursal suspende a exigibilidade do crédito correspondente; e (e) há decadência do direito de lançar os tributos correspondentes, que não estavam confessados, pois a atribuição de confissão de dívida às DCOMP adveio com a Lei no 10.833/2003. À fl. 89 esclarecese que o presente processo versa sobre cobrança, e não sobre o ressarcimento tratado no processo de no 13811.003186/9923, demandandose o envio à PGFN. À fl. 91, noticiase a existência de medida judicial de caráter liminar, exclusivamente para atribuir efeito suspensivo à manifestação de inconformidade apresentada nestes autos (cópias de peças às fls. 98 a 109, e 142 a 174). Encaminhado o processo à DRJ, informase (fls. 110 a 112) que, segundo o que dispunha a IN SRF no 21/1997, a unidade competente para apreciação do pedido era a que jurisdicionava a empresa que detém o crédito, sendo meramente informativo o protocolo do pedido na unidade que jurisdiciona a empresa que recebeu os créditos. Indeferido o direito de crédito pela unidade competente, o procedimento a cargo da unidade que jurisdiciona o titular do débito é apenas o de cobrança. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 428DF CARF MF Processo nº 16349.000517/200782 Acórdão n.º 3401005.067 S3C4T1 Fl. 428 3 Assim, a peça apresentada a título de manifestação de inconformidade só seguiu adiante por força de decisão judicial que lhe atribuía, sob condições, efeito suspensivo, tendo sido tal decisão revertida em agravo, retornando o processo a seu status anterior (de cobrança). Cientificada a recorrente em 15/08/2011 (fl. 115), esta encaminha Ofício do Poder Judiciário (fls. 117 a 123) contendo cópia de sentença que concede segurança no MS no 0002018.39.2011.4025101 (2011.51010020180), assegurando efeito suspensivo à peça apresentada como manifestação de inconformidade, e determinando que não se efetue cobrança antes de proferida decisão administrativa em relação a tal peça, nem se impeça a expedição de certidão positiva com feito de negativa. Enviado o processo à DRJ, a decisão de primeira instância é proferida em 28/10/2011 (fls. 124 a 129), acordandose unanimemente que: (a) as discussões relativas à legitimidade da requerente para apresentação de manifestação de inconformidade e a consequente atribuição de efeito suspensivo foram retiradas da esfera administrativa, em função da unidade de jurisdição; e (b) os pedidos de compensação de créditos com débitos de terceiros, pendentes de apreciação pela autoridade administrativa à época do advento da Lei no 10.637/2002 não encontram amparo legal para serem considerados declaração de compensação. Ciente da decisão em 13/12/2012 (AR à fl. 177), a empresa apresenta peça intitulada de recurso voluntário em 28/12/2012 (fls. 179 a 193), basicamente reiterando o exposto na peça recursal anterior. O processo foi encaminhado ao CARF pelo despacho de fl. 357, que atestou a tempestividade da peça recursal, e a mim distribuído, por sorteio, em outubro de 2017. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator Cabe, de início, discutir se este colegiado deve conhecer da peça recursal interposta, em que pese a unidade local da RFB ter atestado sua tempestividade, e em que pese ter o julgador de piso entendido que tal questão de conhecer ou não da peça estaria sob a tutela do Poder Judiciário. Esclareçase, ainda preliminarmente, que o presente processo trata de cobrança administrativa, pois o crédito invocado foi indeferido em processo administrativo distinto, de no 13811.003186/9923. Em consulta ao sistema eprocessos a tal número, não houve retorno de registro, provavelmente por não estarem digitalizados aqueles autos. De qualquer forma, há, nestes autos, cópia do despacho decisório proferido naquele processo, em que é solicitante a empresa “Metron L. Indústria Eletrônica LTDA” (fls. 6 a 13), dando conta de que o pedido de ressarcimento se referia a IPI na aquisição de insumos Fl. 429DF CARF MF 4 utilizados na fabricação de bens de informática e automação, e esclarecendo o que lá se demandava (fl. 7), inclusive com compensações em processos distintos: Ou seja, o pedido de compensação de que trata o presente processo de cobrança foi apreciado no despacho decisório (item 6). Aberto o procedimento fiscal para verificar a regularidade dos créditos, a empresa “Metron L. Indústria Eletrônica LTDA” não apresentou documentos, mesmo diante de reiteradas intimações (fl. 8): Fl. 430DF CARF MF Processo nº 16349.000517/200782 Acórdão n.º 3401005.067 S3C4T1 Fl. 429 5 Ocorre que a autoridade fiscal, mesmo diante da reiterada negativa de comprovação da certeza e liquidez do crédito invocado em 2000, por ter a empresa que alegava ser detentora do crédito deixado de atender intimações em fevereiro de 2001, abril de 2001, maio de 2001 e julho de 2001, só foi indeferir o direito em 2007. Ninguém explica nos autos o que aconteceu com o processo de julho de 2001 até 2007, e porque o crédito não foi imediatamente negado, diante de diversas intimações não atendidas para produção de prova por parte da demandante, a quem incumbe o ônus probatório em processos de ressarcimento/compensação. O pedido de compensação foi analisado apenas em 2007, após o decurso do prazo de cinco anos dos pedidos efetuados. Por isso, reconheceu a autoridade fiscal no despacho decisório, a homologação tácita em relação às compensações com débitos próprios da “Metron L. Indústria Eletrônica LTDA”, ainda que expressamente os entendesse indevidos e não comprovados. Eis um exemplo clássico de como o descontrole em relação ao processo, por parte da RFB, prejudica o Erário. Sobre tal descontrole, deveria a RFB adotar medidas internas próprias. Mas não é esse o propósito deste processo administrativo. O citado despacho decisório, no entanto, em relação às compensações com débitos de terceiros, entre os quais o que foi objeto de cobrança no presente processo, afirmou, com fundamento no Parecer PGFN/CDA/CAT no 1.499, de 28/09/2005, que os respectivos pedidos não foram convertidos em declarações de compensação (fl. 9): Ao final do despacho, o indeferimento das compensações aqui mencionadas no relatório é expresso (fl. 13): À empresa “Metron L. Indústria Eletrônica LTDA” foi facultada a apresentação de manifestação de inconformidade. Afinal de contas, o crédito invocado era dela própria, apesar de a empresa ter deixado reiteradamente de comproválo (fl. 13). Fl. 431DF CARF MF 6 Entretanto, não consta nesses autos que tenha havido manifestação da “Metron L. Indústria Eletrônica LTDA” sobre o indeferimento. Reparese, ainda, que o mesmo despacho esclarece que não restava matéria contenciosa aos cessionários do crédito. Aliás, não haveria como tais empresas fazerem prova da certeza e da liquidez, necessárias à compensação. Daí a recorrente (que é cessionária do crédito), ao ser comunicada da cobrança, em 22/04/2010, ter apresentado peça que denominou de “manifestação de inconformidade”, em 24/05/2010, e, diante da inércia da RFB em relação à peça, ter se socorrido do Poder Judiciário, em 17/02/2011, para obstar a cobrança administrativa efetuada no presente processo. Veja o que demandou a recorrente no MS no 2011.51010020180 (fls. 166/167): Fl. 432DF CARF MF Processo nº 16349.000517/200782 Acórdão n.º 3401005.067 S3C4T1 Fl. 430 7 E o Poder Judiciário, inicialmente, assegurou o efeito suspensivo, com as seguintes condições (fl. 142), em 21/02/2010: A decisão, enfatizese, não é para que a RFB analise o pedido, mas para que atribua efeito suspensivo à peça recursal apresentada, ainda que viesse a não conhecer de seu teor. Isso resta claro do parágrafo seguinte ao aqui transcrito, na decisão judicial (fls. 142/143): O TRF da 2ª Região atribui efeito suspensivo ao agravo da União, em 13/04/2011, permitindo o prosseguimento da cobrança administrativa (fls. 98 a 105). É nesse cenário que a DRJ se manifesta pela primeira vez, em 01/07/2011, determinando o imediato prosseguimento da cobrança (fls. 110/111): “O PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIROS foi formalizado em 15/02/2000, portanto na vigência da Instrução Normativa (IN) SRF n° 21/97. Fl. 433DF CARF MF 8 Nos termos da mencionada IN tal pedido deveria ser formulado em duas vias, uma para a unidade que jurisdicionasse o contribuinte titular do crédito e outra para a unidade do titular do débito, tendo este último caráter exclusivo de comunicado, ou seja, toda a discussão atinente á compensação se daria no processo formalizado para acompanhar o requerimento do titular do crédito (o de n° 13811.003186/9923). Assim, a autoridade com competência para análise do requerido seria a unidade que jurisdiciona o contribuinte titular do crédito, como determina também a IN SRFn 21/97 em seu artigo 12, § 9o. No presente caso a autoridade competente para apreciação do pedido era o titular da então Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo. Em 05/12/2007 foi proferida, no processo 13811.003186/9923, a decisão de fls. 05/08 que indeferiu o pedido de ressarcimento e, por consequência, indeferiu o pedido de compensação da Datamec S/A . Como consequência do indeferimento, a unidade que jurisdiciona o titular do débito, corretamente, realizou a cobrança amigável dos débitos já citados. (...) Da decisão acima transcrita foi interposto, pela Procuradoria da Fazenda Nacional, agravo de instrumento com vistas a sua cassação. Em 13/04/2011 foi proferida, pelo relator do agravo, decisão deferindo a atribuição de efeito suspensivo ao agravo (fls. 71/76). Esta decisão faz com que a situação jurídica deste processo retorne ao seu status anterior, devendo ser dado imediato prosseguimento à cobrança.” No entanto, na sequência, o juízo de primeiro grau proferiu sentença no MS, em 30/08/2012, com o seguinte teor (fl. 121): Sobre a solicitação à fiscalização que informasse a respeito de eventual não conhecimento da peça recursal, a magistrada aguardou, in albis, por mais um ano (fls. 120/121): Fl. 434DF CARF MF Processo nº 16349.000517/200782 Acórdão n.º 3401005.067 S3C4T1 Fl. 431 9 Percebase que o efeito da decisão da DRJ que envia o processo a cobrança, em 01/07/2011, equivale ao não conhecimento da peça recursal apresentada. No entanto, não consta que o juízo dela tenha sido comunicado. Analisando o andamento do processo judicial, no TRF da 2ª Região, percebe se que a sentença de primeiro grau foi reformada, em 05/01/2014: “EMENTA: 1 Não há previsão legal autorizando a utilização de créditos de terceiros para quitação de débitos da apelante. Pelo contrário, a teor do art. 74 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 10.637/2002, há expressa menção que os créditos apurados perante à Secretaria da Receita Federal poderão ser utilizados na compensação de débitos próprios, e não de terceiros. 2 A atual redação do art. 74 da Lei 9.430/96 veda expressamente a utilização de créditos de terceiros, considerando como não apresentada a declaração de compensação em que os créditos sejam de terceiros (art. 74, § 12, II, "a", na redação dada pela Lei 11.051/2004). 3 No caso, a manifestação de inconformidade foi apresentada em maio de 2010, quando já se encontravam em vigor as limitações impostas pela Lei nº 9.430/96, com a redação conferida pela Lei nº 11.051/2004, razão pela qual essas limitações merecem ser aplicadas à situação dos autos. 4 Mesmo que as alterações promovidas pela Lei nº 11.051/2004 à Lei nº 9.430/96 fossem consideradas não aplicadas à hipótese dos autos, em razão de ter entrado em vigor após as declarações de compensação apresentadas pela apelante, ainda assim a compensação com créditos de terceiros é considerada não permitida, uma vez que a legislação em vigor à época das aludidas declarações só permitia a compensação de créditos do contribuinte com seus próprios débitos. 5 Remessa necessária e apelação providas. (Resultado de Sessão de Julgamento – Julgado Em 05/11/2014 19:00 Julgamento Reformada a Sentença EM 05.11.2014 RELATOR: Fl. 435DF CARF MF 10 DESEMBARGADOR FEDERAL LUIZ ANTONIO SOARES VOTANTES: DES.FED. LUIZ ANTONIO SOARES DES.FED. FERREIRA NEVES DES.FED. LETICIA MELLO *** DECISÃO *** A Turma, por unanimidade, deu provimento ao recurso e à remessa necessária, nos termos do voto do(a) Relator(a).” (Acórdão disponibilizado no DJE 17/11/2014)” (grifo nosso) Vejase que a decisão não se limita a negar efeito suspensivo às peças apresentadas, e textualmente afirma, v.g., que “Não há previsão legal autorizando a utilização de créditos de terceiros para quitação de débitos da apelante”. Os embargos de declaração interpostos foram negados, por unanimidade, em 08/04/2015, e o recurso especial não foi admitido (24/05/2016), constando baixa definitiva em 13/01/2017, e remessa interna ao STJ do Agravo no REsp (autuado como AREsp no 1269596/RJ (2018/00705237) em 03/04/2018. Apresentada a síntese da demanda judicial, não vislumbro em nenhuma decisão do juízo comando que obrigue o julgador administrativo a conhecer das peças recursais apresentadas. Pelo contrário, vejo várias menções a um eventual não conhecimento. Ademais, não vigora, no atual momento, como exposto, nenhum impedimento ao seguimento da cobrança administrativa, que é a matéria sobre a qual versa o presente processo. Divirjo, assim, do julgador de piso, que entendeu que a admissibilidade das peças recursais estaria submetida ao Poder Judiciário, e reitero que o juízo jamais, em nenhuma decisão, obrigou o julgador administrativo a conhecer e apreciar as peças recursais da cessionária do crédito, em um processo de cobrança. Entendo que este tribunal administrativo, assim como a DRJ, é livre, no presente caso, para entender pelo não conhecimento da peça apresentada a título de recurso voluntário. Aliás, assim o fez, inicialmente, a DRJ, encaminhando o processo para cobrança, em situação idêntica à qual ele se encontra neste momento. Pelo exposto, entendo que o contencioso em relação ao crédito e às compensações foi travado no processo administrativo no 13811.003186/9923, sendo incabível a inauguração de novo contencioso nestes autos, relativos a cobrança, para discutir questões atinentes àquele processo. Assim, voto por não conhecer da peça apresentada a título de recurso voluntário, retornando os autos à unidade preparadora, para seguimento da cobrança, diante da atual inexistência de restrição judicial. Rosaldo Trevisan Fl. 436DF CARF MF Processo nº 16349.000517/200782 Acórdão n.º 3401005.067 S3C4T1 Fl. 432 11 Fl. 437DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.720588/2011-82
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à Súmula CARF nº 98. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos da Súmula, sem outros condicionantes.
Numero da decisão: 2001-000.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à Súmula CARF nº 98. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos da Súmula, sem outros condicionantes.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10820.720588/2011-82
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5893847
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2001-000.505
nome_arquivo_s : Decisao_10820720588201182.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10820720588201182_5893847.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7399050
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589243375616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1398; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 63 1 62 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10820.720588/201182 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.505 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 21 de junho de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO PENSÃO ALIMENTÍCIA Recorrente JOSÉ CARLOS PESUTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à Súmula CARF nº 98. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos da Súmula, sem outros condicionantes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 72 05 88 /2 01 1- 82 Fl. 63DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de dedução de pensão alimentícia judicial. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 4.360,45, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2009. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura do lançamento, o fato de que o Recorrente não poderia ter utilizado como dedução do imposto de renda a pagar o valor de pensão alimentícia judicial em razão da idade dos filhos. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à idade dos filhos, mesmo que definido em decisão judicial que o término da obrigação se daria com a conclusão de curso superior, nos termos que segue: Trata o presente processo de impugnação a notificação de lançamento de fls. 17 a 20, na qual é exigido imposto de renda pessoa físicasuplementar no valor de R$4.360,45 acrescido de multa de ofício e de juros de mora, relativo ao anocalendário 2009, em decorrência de dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública. Sobre a dedução de pensão judicial, o art. 78 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999, dispõe que poderá ser deduzida da base de cálculo a pensão judicial, nos seguintes termos: (...) São, portanto, requisitos para a dedutibilidade: 1. que o pagamento tenha a natureza de alimentos; 2. que sejam fixados em decorrências das normas do Direito de Família; 3. que seu pagamento decorra do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública (Código Civil, artigo 1.124A). De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal foi efetuada a glosa do valor de R$ 23.853,86 a título de pensão alimentícia judicial, com o seguinte fundamento: (...) Os filhos Carlos Gustavo (nascido em 05/06/1978) e Gláucia (nascida em 31/05/1983) tinham, no ano em questão, mais de 25 anos. Com relação ao filho Gabriel (nascido em 01/12/1987), se houvesse a comprovação de que o mesmo estava cursando ensino superior ou escola técnica, o valor poderia ser deduzido. No entanto, o contribuinte não apresentou nenhum documento comprovando que Gabriel frequentava ensino superior ou escola técnica. No caso, os valores pagos aos filhos não podem ser aceitos como proveniente de pensão alimentícia judicial devida em face das normas Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10820.720588/201182 Acórdão n.º 2001000.505 S2C0T1 Fl. 64 3 de Direito de Família, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda. Observase que a pensão homologada judicialmente para os filhos foi até eles completarem a maioridade civil ou concluírem curso universitário. (...) A possibilidade de deduzir pensão alimentícia deve ser analisada tendose como referência os mesmos requisitos necessários para a relação de dependência estabelecida na legislação do imposto de renda. A Lei nº 9.250/1995, assim dispõe em seu art. 35, base legal do art. 77, do RIR/1999, em relação à figura dos dependentes: (...) A pensão estabelecida para o excônjuge foi de 10% dos rendimentos líquidos após o término da pensão para os filhos. A legislação transcrita é clara ao dispor que a dedução de pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia somente abrangerá os valores determinados ou homologados em juízo. Assim, valores que eventualmente tenham sido pagos sem a devida homologação judicial configuram mera liberalidade do contribuinte, não podendo ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda, por falta de previsão legal. Deve ser observado que o valor da pensão alimentícia que, por determinação judicial, houver sido descontada do 13º salário, não pode ser considerado como dedução na Declaração de Ajuste Anual. Como o imposto devido em razão do pagamento do 13º salário (ou gratificação natalina) é exclusivo na fonte, a Instrução Normativa SRF nº 15, de 6 de fevereiro de 2001, prevê em seu art. 7º que qualquer dedução que tenha sido utilizada na sua apuração não poderá ser novamente considerada para a determinação da base de cálculo de quaisquer outros rendimentos, inclusive os tributados na declaração anual, in verbis: Art. 7º Para efeito da apuração do imposto de renda na fonte, a gratificação natalina (13º salário) é integralmente tributada quando de sua quitação, com base na tabela do mês de dezembro ou do mês da rescisão do contrato de trabalho. (...) § 9º Na determinação da base de cálculo do 13º salário devem ser observados os seguintes procedimentos: I os valores relativos à pensão alimentícia e à contribuição previdenciária podem ser deduzidos, desde que correspondentes a esse rendimento, não podendo ser utilizados para a determinação da base de cálculo de quaisquer outros rendimentos;” Assim, está correta a glosa efetuada a título de pensão alimentícia judicial deduzida indevidamente, constante da notificação de lançamento. Fl. 65DF CARF MF 4 Diante do exposto, voto por julgar improcedente a impugnação. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a exigência do Lançamento em R$ 4.360,45, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Entretanto, apresenta sua total irresignação quanto a manutenção da glosa de dedução de pensão alimentícia judicial aos filhos Carlos Gustavo, Gláucia e Gabriel, ordenada por acordo e decisão judicial transitada em julgado, ficando totalmente impugnado, aguardando seja o presente Recurso Voluntário acolhido, julgado procedente e determinado o cancelamento do lançamento efetuado e seu arquivamento. Cm efeito. Está correta a dedução da pensão alimentícia judicial pactuada em acordo judicial devidamente homologado e transitado em julgado e devida aos filhos Carlos Gustavo, Gláucia e Gabriel, já que, descontados em folha de pagamento através de ofício e ordem judicial e depósito em conta bancária, sem qualquer participação do contribuinte que apenas cumpriu ordem judicial. (as fontes pagadoras da aposentadoria do contribuinte – deduziu os valores da pensão determinada aos filhos e os depositou em suas contas correntes bancárias – sem qualquer participação do contribuinte). Consoante o já exposto na impugnação anterior, o contribuinte declarou como pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia a seus filhos Carlos Gustavo, Gláucia e Gabriel, totalizando o valor declarado de R$ 19.475,38, cujos valores foram deduzidos de seus rendimentos pelas fontes pagadoras Fundação Cesp, item 4, pensão alimentícia, e, pelo INSS, item 4,conforme comprovado pelas declarações de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras e constantes de fls. 09 e 10, totalizando o valor declarado de R$ 19.475,38. Também está comprovado, de forma cabal, que o pagamento de pensão alimentícia aos filhos, com dedução em folha de pagamento, foi feito pelas fontes pagadoras, em comprimento a ofício e ordem judicial de desconto e crédito em conta corrente dos mesmos, sem qualquer ingerência e ou participação do contribuinte, de forma que não há que se falar em glosa, estando correto o lançamento e a declaração efetuada, já que, repitase, cumpriuse ordem judicial. Urge salientar que essa decisão já está transitada em julgado, fazendose, assim, o pactuado, acolhido pelo judiciário, lei entre partes, devendo, portanto, ser respeitado e cumprido indistintamente, inclusive pelo Fisco, já que se trata de decisão judicial homologada e transitada em julgado. Ademais, de se ressaltar que inciso II, do artigo 10, da Lei 8.383/91, estabelece que “importâncias pagas a título de pensão ou alimentos, por força de acordo ou decisão judicial, podem ser deduzidas da base de cálculo sujeita ao imposto de renda”. Tratase de imperativo legal. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10820.720588/201182 Acórdão n.º 2001000.505 S2C0T1 Fl. 65 5 Também restou cristalino que há prova inequívoca do efetivo pagamento, conforme se constata através das declarações fornecidas pela fonte pagadora, Fundação Cesp, fls. 009 e, INSS, fls. 010, cujos valores descontados foram depositados diretamente em conta bancária dos beneficiários da pensão, independentemente de qualquer participação do contribuinte. Disso não há qualquer dúvida e, assim, está cumprido integralmente o imperativo legal acima referido, qual seja, decorre de acordo e sentença judicial homologado, bem como, do efetivo pagamento, pelas fontes pagadoras, através de depósito em conta corrente bancária dos beneficiários. Ressalta, por derradeiro, que para deixar de efetuar o pagamento da pensão aos filhos, com desconto por ordem judicial em sua folha de pagamento, foi obrigado a ingressar com ação de exoneração de pensão de alimentos, Processo nº 0576/2010, e que através de decisão judicial exarada em 02.06.2010, foi exonerado e desobrigado da prestação de alimentos aos filhos e consequente desconto pelos empregadores, sendo expedido ofício às fontes pagadoras para que cessem os descontos, conforme comprovam os documentos em anexo. Aí sim, somente a partir desse momento é que deixou de existir ordem judicial e, via de consequência, ficou desobrigado ao pagamento. Nobres Conselheiros e D. Relator, estando devidamente comprovados pelos documentos já acostados e que fazem parte do processo e os demais ora anexados, a licitude da declaração, com o integral cumprimento do acordo e decisão homologado judicialmente, os descontos efetuados pelas fontes pagadoras e os depósitos em conta corrente bancária dos filhos beneficiários, aguarda o recorrente que seja acolhido o presente recurso voluntário, julgandoo procedente, validando, assim, a declaração de ajuste anual apresentada no exercício de 2010 e referente ao anocalendário 2009, por ser medida da mais cristalina justiça. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A divergência no presente processo para decisão colegiada de segundo grau administrativo se refere à pensão alimentícia judicial paga aos dois filhos do Recorrente, Carlos e Gláucia, no anocalendário de 2009. A contenda é que de um lado há o rigor na interpretação restritiva da legislação pela Autoridade Fiscalizadora, e de outro, a busca do direito, pelo Contribuinte, de ver reconhecido o que foi prolatado na decisão judicial. Fl. 67DF CARF MF 6 O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, art. 4º e alínea “f” inciso II, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados no art. 78 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, como segue: Lei nº 9.250/95. Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). III a quantia, por dependente, de: (Redação dada pela Lei nº 11.482, de 2007). (...) Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) c) à quantia, por dependente, de: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (...) Decreto nº 3.000/99 Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10820.720588/201182 Acórdão n.º 2001000.505 S2C0T1 Fl. 66 7 § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. A autoridade fiscal fundamentou a recusa da dedução do valor da pensão dos filhos do Recorrente em razão, tão somente, de suas idades, conforme se constata do texto do Acórdão vergastado. Ocorre aqui uma interpretação equivocada da legislação que disciplina a matéria, visto que o limite de idade para dedução referese à dedução com dependente e seus gastos com despesas médicas e de instrução, cujos limites estão reportados em outros dispositivos porque dizem respeito à outra situação. A condição de dependente é tratada em item diverso da legislação e, as possibilidades de dedução estão restritas a menores de 21 anos ou até 24 anos de idade se os dependentes estiverem cursando estabelecimentos de ensino superior ou escola técnica de segundo grau, o que não é o caso aqui em julgamento. Improcedente o paralelo traçado nos termos do Acórdão vergastado porque as hipóteses de dedução são distintas e incomparáveis nas suas características definidoras. Vejamos o que diz a interpretação da Autoridade Fiscalizadora: A possibilidade de deduzir pensão alimentícia deve ser analisada tendose como referência os mesmos requisitos necessários para a relação de dependência estabelecida na legislação do imposto de renda. A Lei nº 9.250/1995, assim dispõe em seu art. 35, base legal do art. 77, do RIR/1999, em relação à figura dos dependentes: A lei não equipara a condição de filho dependente com a de beneficiário de pensão alimentícia. No primeiro caso as condições para obtenção do benefício da dedução estão expostas na legislação e no caso de pensão alimentícia as condições são aquelas apontadas na decisão judicial ou no acordo homologado judicialmente. Não há correlação de igualdade de tratamento justamente porque no segundo caso há uma decisão judicial que define os critérios, nos termos decisórios e, ressaltese, que decisão judicial deve ser cumprida. Tratase neste caso do benefício da dedução com pagamentos de pensão alimentícia, que não obedece a critério de idade, como pode ser observado no texto legal. No caso, a exigência fica restrita à condição de ter sido objeto de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, conforme inciso II, art. 4º, da Lei nº 9.250/95 e art. 78 do Decreto nº 3.000/99. Os termos do acordo judicial, fls. 24 a 26, homologado pelo Juiz, fl. 27, fixa as condições e o tempo para a fruição do pagamento da pensão dos filhos, estabelecendo que a obrigação do Recorrente deva acontecer até o implemento da maioridade civil dos filhos e conclusão do curso universitário, conforme texto que segue: Completada a maioridade civil dos filhos e conclusão de curso universitário, cessando a pensão alimentícia, convencionam, também, que a partir destas condições, o primeiro requerente passará a contribuir em favor da segunda requerente, se esta necessitar, com 10% (dez por cento) de seus vencimentos líquidos. Ressaltese, por importante, o conteúdo como um todo do item condicional do acordo judicial que em seu miolo contém a expressão “... que a partir destas condições ...”, Fl. 69DF CARF MF 8 fazendose claro na proposição do condicionamento da ocorrência das duas situações. Ou seja, maior idade e conclusão do curso superior. Digno de nota também a condição conjuntiva de maioridade e conclusão do curso universitário, constante no acordo homologado judicialmente como pressuposto condicional para a cessação do pagamento. É sabido que normalmente a conclusão do curso superior somente acontece em idade superior à maioridade civil e como garantia de manutenção dos recursos para esse fim às partes do acordo judicial fizeram constar como limite máximo de tempo à colação de grau universitário dos filhos, e assim foi homologado judicialmente. Pelos termos do acordo o cessar da pensão judicial aos filhos não se dá tão somente com o atingimento da maioridade civil. A obediência à decisão judicial deve ser por inteiro, ou seja, até que atingidas todas as condições para sua cessação, como se sabe de fato aconteceu por pedido do Recorrente junto ao Poder Judiciário para que fizesse cessar a obrigação do desconto mensal do valor referente à pensão judicial antes concedida, visto ter ocorrido o término do dever alimentar em relação aos seus dois filhos. Por fim, a Súmula CARF nº 98 determina que seja permitida a dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, na condição de que tenha decorrido de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e quando comprovado seu efetivo pagamento. Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Carece de evidência que outros valores eventualmente tenham sido repassados aos beneficiários que não aqueles constantes dos termos do acordo homologado judicialmente, especialmente pela forma simplificada pela qual foi feita a apuração do valor determinado como base para o crédito tributário lançado, como se observa a seguir, conforme os termos do Acórdão: No caso, conforme informado na declaração de ajuste anual, o contribuinte recebeu rendimentos tributáveis no valor de R$69.063,66 tendo sofrido os descontos da previdência oficial no valor de R$449,62 e imposto de renda na fonte de R$797,07. Considerando os rendimentos líquidos no valor de R$67.816,97 a pensão estipulada para o anocalendário 2009 foi de R$6.781,69 (10% de R$67.816,97), valor considerado no lançamento. Também, pelo acima exposto, não se vê configurado nos autos eventual duplicidade de utilização de dedução referente a “valor pensão alimentícia que, por determinação judicial, houver sido descontada do 13º”. Entendese que quando cumprida a ordem judicial para realização do desconto da pensão alimentícia na fonte pagadora, esta o fez de forma a atender a IN SRF nº15 de 06/02/2001, em especial no que se refere ao art. 7º e 15. Assim que, no exame da documentação acostada ao processo, verificase que o Recorrente apresentou a documentação comprobatória do acordo judicial e a comprovação do desconto da pensão a que se comprometeu judicialmente e, em razão da legislação tributária Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10820.720588/201182 Acórdão n.º 2001000.505 S2C0T1 Fl. 67 9 não estabelecer para esse caso idade limite para a utilização do benefício da dedução do imposto a esse título, fazse imperioso que se proceda ao direito pleiteado pelo Recorrente, dando provimento ao recurso. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose as deduções e excluindose o crédito tributário lançado na sua integralidade. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16024.000222/2007-79
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio, oportunidade em foram observados os princípios do devido processo legal, contraditório e ampla defesa.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS NÃO ESCRITURADAS.
Caracteriza-se como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal.
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL.
Verifica-se que o transcurso do prazo legal de caducidade das exigências tem como o início da contagem de cinco anos: (a) do fato gerador (§ 4º do art. 150 do CTN) no caso em que há receita declarada com efeito de confissão de dívida e aplicação da multa de ofício proporcional de 75% e (b) do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que os lançamentos poderiam ter sido efetuados (inciso I do art. 173 do CTN) evidenciado pela prática de falta de emissão de nota fiscal, falta de escrituração e declaração das receitas correspondentes, comprovando, de plano, da conduta dolosa, que é a vontade livre e consciente de o agente praticar um fato ilícito tributário.
São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977e os artigos45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1003-000.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer a decadência dos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a setembro do ano-calendário de 2002.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio, oportunidade em foram observados os princípios do devido processo legal, contraditório e ampla defesa. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS NÃO ESCRITURADAS. Caracteriza-se como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Verifica-se que o transcurso do prazo legal de caducidade das exigências tem como o início da contagem de cinco anos: (a) do fato gerador (§ 4º do art. 150 do CTN) no caso em que há receita declarada com efeito de confissão de dívida e aplicação da multa de ofício proporcional de 75% e (b) do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que os lançamentos poderiam ter sido efetuados (inciso I do art. 173 do CTN) evidenciado pela prática de falta de emissão de nota fiscal, falta de escrituração e declaração das receitas correspondentes, comprovando, de plano, da conduta dolosa, que é a vontade livre e consciente de o agente praticar um fato ilícito tributário. São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977e os artigos45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16024.000222/2007-79
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5895301
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1003-000.071
nome_arquivo_s : Decisao_16024000222200779.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 16024000222200779_5895301.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer a decadência dos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a setembro do ano-calendário de 2002. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7405239
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589251764224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2061; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 764 1 763 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16024.000222/200779 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.071 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 05 de julho de 2018 Matéria SIMPLES Recorrente NAÇÕES UNIDAS AGÊNCIA DE VIAGENS E TURISMO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio, oportunidade em foram observados os princípios do devido processo legal, contraditório e ampla defesa. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS NÃO ESCRITURADAS. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 02 22 /2 00 7- 79 Fl. 764DF CARF MF Processo nº 16024.000222/200779 Acórdão n.º 1003000.071 S1C0T3 Fl. 765 2 pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Verificase que o transcurso do prazo legal de caducidade das exigências tem como o início da contagem de cinco anos: (a) do fato gerador (§ 4º do art. 150 do CTN) no caso em que há receita declarada com efeito de confissão de dívida e aplicação da multa de ofício proporcional de 75% e (b) do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que os lançamentos poderiam ter sido efetuados (inciso I do art. 173 do CTN) evidenciado pela prática de falta de emissão de nota fiscal, falta de escrituração e declaração das receitas correspondentes, comprovando, de plano, da conduta dolosa, que é a vontade livre e consciente de o agente praticar um fato ilícito tributário. São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977e os artigos45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer a decadência dos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a setembro do anocalendário de 2002. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 630634, com a exigência do crédito tributário no valor de R$208,99, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora, multa de ofício proporcional e multa de ofício proporcional qualificada, apurado no regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), referente ao anocalendário de 2002. Fl. 765DF CARF MF Processo nº 16024.000222/200779 Acórdão n.º 1003000.071 S1C0T3 Fl. 766 3 Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS RECEITAS NÃO ESCRITURADAS [...] Multa (%) 150,00 [...] Art. 24 da Lei nº 9.249/95; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "a", 5º, 7º, § 1º, 18, da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. Arts. 186, 188 e 199, do RIR/99. 002 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGENS NÃO COMPROVADAS [...] Multa (%) 75,00 [...] Art. 24 da Lei nº 9.249/95; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "a", 5º, 7º, § 1º, 18, da Lei nº 9.317/96; art. 42 da Lei nº 9.430/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. Arts. 186, 188 e 199, do RIR/99. 003 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO [...] Multa (%) 75,00 [...] Insuficiência de valor recolhido apurada conforme Termo de Constatação anexo. [...] Art. 5º da Lei nº 9.317/96 c/c art. 3º da Lei nº 9.732/98. Arts. 186 e 188, do RIR/99. Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 635641 com a exigência do crédito tributário no valor de R$208,99 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora, multa de ofício proporcional e multa de ofício proporcional qualificada. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS RECEITAS NÃO ESCRITURADAS [...] Multa (%) 150,00 [...] Art. 3º, alínea "b" da Lei Complementar nº 7/70 c/c art. 1º, parágrafo único, da Lei Complementar nº 17/73 e arts. 2º, inciso I, 3º e 9º, da Medida Provisória nº 1.249/95 e suas reedições; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "b", 5º, 7º, § 1º, 18, da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. 002 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGENS NÃO COMPROVADAS [...] Multa (%) 75,00 [...] Art. 3º, alínea "b" da Lei Complementar nº 7/70 c/c art. 1º, parágrafo único, da Lei Complementar nº 17/73 e arts. 2º, inciso I, 3º e 9º, da Medida Provisória nº 1.249/95 e suas reedições; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "b", 5º, 7º, § 1º, 18, da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. 003 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO [...] Multa (%) 75,00 [...] Fl. 766DF CARF MF Processo nº 16024.000222/200779 Acórdão n.º 1003000.071 S1C0T3 Fl. 767 4 Insuficiência de valor recolhido apurada conforme Termo de Constatação anexo. [...] Art. 3º, alínea "b" da Lei Complementar nº 7/70 c/c art.1º, parágrafo único da Lei Complementar nº 17/73 e arts. 2º, inciso I, 3º e 9º, da Medida Provisória nº 1.249/95 e suas reedições; art. 5º da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. III – O Auto de Infração às fls. 643647 com a exigência do crédito tributário no valor de R$2.987,48 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora, multa de ofício proporcional e multa de ofício proporcional qualificada. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS RECEITAS NÃO ESCRITURADAS [...] Multa (%) 150,00 [...] Art. 1º da Lei nº 7.689/88; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "c", 5º, 7º, § 1º, 18, da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. 002 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGENS NÃO COMPROVADAS [...] Multa (%) 75,00 [...] Art. 1º da Lei nº 7.689/88; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "c", 5º, 7º, § 1º, 18, da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. 003 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO [...] Multa (%) 75,00 [...] Insuficiência de valor recolhido apurada conforme Termo de Constatação anexo. [...] Art. 1º da Lei nº 7.689/88; art. 5º da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. IV – O Auto de Infração às fls. 648658 com a exigência do crédito tributário no valor de R$9.164,89 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora, multa de ofício proporcional e multa de ofício proporcional qualificada. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS RECEITAS NÃO ESCRITURADAS [...] Multa (%) 150,00 [...] Arts. 1º e 2º da Lei Complementar nº 70/91; arts. 2º,§ 2º, 3º, § 1º, alínea "d", 5º, 7º, § 1º, e 18 da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. 002 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGENS NÃO COMPROVADAS [...] Multa (%) 75,00 [...] Arts. 1º e 2º da Lei Complementar nº 70/91; arts. 2º,§ 2º, 3º, § 1º, alínea "d", 5º, 7º, § 1º, e 18 da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. Fl. 767DF CARF MF Processo nº 16024.000222/200779 Acórdão n.º 1003000.071 S1C0T3 Fl. 768 5 003 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO [...] Multa (%) 75,00 [...] Insuficiência de valor recolhido apurada conforme Termo de Constatação anexo. [...] Art. 1º da Lei Complementar nº 70/91; art. 5º da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. V O Auto de Infração às fls. 659665 com a exigência do crédito tributário no valor de R$8.326,40 a título de Contribuição para a Seguridade Social (INSS), juros de mora, multa de ofício proporcional e multa de ofício proporcional qualificada. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS RECEITAS NÃO ESCRITURADAS [...] Multa (%) 150,00 [...] Arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "f", 5º, 7º, § 1º, e 18, da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. 002 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGENS NÃO COMPROVADAS [...] Multa (%) 75,00 [...] Arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "f", 5º, 7º, § 1º, e 18, da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. 003 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO [...] Multa (%) 75,00 [...] Insuficiência de valor recolhido apurada conforme Termo de Constatação anexo. [...] Art. 5º da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação. Está registrado como ementa do Acórdão da 5ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1418.890, de 07.03.2008, fls. 727730: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Apurada a falta ou insuficiência de recolhimento do Simples é devida a cobrança da diferença apurada. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. Fl. 768DF CARF MF Processo nº 16024.000222/200779 Acórdão n.º 1003000.071 S1C0T3 Fl. 769 6 A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário). Cabe ao Fisco simplesmente provar a ocorrência do fato indiciário; e ao contribuinte cumpre provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. LANÇAMENTOS DE OFÍCIO DOS TRIBUTOS RECOLHIDOS PELO SISTEMA SIMPLES: IRPJ, CSL, PIS, COFINS E INSS. Verificada omissão de receita na pessoa jurídica optante pelo Simples, devem ser lavrados os lançamentos correspondentes aos tributos que o compõem, respeitada a partilha prevista na lei. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Por força do artigo 17 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, não inaugura contencioso administrativo matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Lançamento Procedente Notificada em 12.08.2008, fl. 739, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 1.09.2008, fls. 740742, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Pertinente à documentação apresentada em face do lançamento aduz que: Chamada a esclarecer sobre créditos em sua conta bancária a empresa apresentou farta documentação quer comprovando a entrada de recursos, que comprovando a saídas de recursos. De se observar que todos os documentos apresentados dizem respeito à atividade da empresa "Agência de Viagens e Turismo". Não há um documento sequer que permita a conclusão de que outra atividade foi desenvolvida, e nesse sentido, nunca foi afastada a afirmação de que todos os créditos bancários foram oriundos da atividade regular da empresa. Entretanto, somente sobre alguns créditos, o fiscalizador acatou como oriundos da atividade da empresa e, em razão da sua atividade, tributou porcentagem calculada sobre os depósitos como base de pagamento de imposto, baseado unicamente nas informações prestadas por nossa empresa. Quanto a outros créditos, alegando origem desconhecida, tributou a totalidade dos depósitos como base de pagamento de impostos, desconsiderando as mesmas informações prestadas por nossa empresa de mesmo caráter e linha de conduta exercida por nossa empresa, acatada por ele em situações exatamente iguais. Isto posto, este RECURSO se norteia, principalmente, na falta de critério utilizado pelo fiscalizador. Nesse momento, solicito ao senhor conselheiro análise dos documentos acostados aos autos, com especial atenção às respostas às intimações apresentadas por nossa empresa, bem como à Impugnação por nós apresentada, para a qual solicitamos, pela narrativa dos fatos e exemplos ali constantes, seja considerada como parte desta pega Recursal, uma vez que seria repetitivo reescrevêlos. Fl. 769DF CARF MF Processo nº 16024.000222/200779 Acórdão n.º 1003000.071 S1C0T3 Fl. 770 7 No que concerne à violação do direito a ampla defesa suscita que: Sem nos afastarmos da apresentação de diversos documentos e esclarecimentos, a fiscalização desde o inicio foi informada das particularidades que envolvem nossa atividade, bem como das dificuldades que estávamos enfrentando em obter respostas junto a clientes, companhias aéreas e instituições bancárias que pudessem comprovar as movimentações de recursos (ver nossas respostas às intimações datadas de 11/04/2007 e 10/07/2007). Nesse sentido, solicitamos na oportunidade ao senhor fiscal que com os recursos legais disponíveis à Receita Federal colhesse informações junto a esses terceiros. Eis que, em total desrespeito ao direito ampla defesa, nenhuma providência nesse sentido foi tomada pelo fiscal. E, olhe que estamos falando em presunção de receita. Bastava uma simples intimação, ou até mesmo uma ligação telefônica, por exemplo, para as diversas pessoas físicas nossas clientes e citadas em nossas respostas, e ele teria informações que comprovariam nossas afirmações. Com certeza, essas pessoas físicas confirmariam que pagaram ou depositaram "x" valor para nossa empresa, estando incluso nesse montante valores destinados a pagamento de passagem aérea, cursos de idiomas, hospedagem no exterior e seguros saúde/viagem entre outros, sendo receita da empresa apenas pequena porcentagem do que foi pago. Entretanto, ficamos a ver navios, nenhuma providência nesse sentido foi tomada, preferindo o fiscal o caminho mais curto, imputando uma tributação desproporcional para nossa empresa, em detrimento de ser o órgão público vinculado à justiça social e a verdade dos fatos. Nesse sentido, veja uma pergunta que o fiscal faz em seu termo de constatação final, a saber: 1) ... como um pai, mãe ou responsável que tem recursos e esclarecimentos suficientes para viabilizar uma viagem do filho ao exterior, paga a comissão, custo da escola, passagens aéreas, estes e demais encargos, para uma agência de viagens, sem assinar uma contrato ou documento equivalente? Ora, sobre isso, vejamos se não faltou aprofundamento na análise dos fatos. Se ele tinha dúvidas no final de seu trabalho, era muito para ele ter intimado ou ligado para, um pai, mãe ou responsável para saber a resposta? Em diversos documentos que juntamos contam nomes de pais, mães ou responsáveis. Atinente à tributação pelo Simples Federal argui que: Em que pese a empresa ter entregado a declaração no ano de 2002 pelo SIMPLES e estar assim cadastrada na Receita Federal, ela estava irregular perante a lei, uma vez que a atividade de "Agência de Viagens e Turismo" só foi permitida no SIMPLES a partir de 2003. Assim, deveria o fiscal, em observância à lei, ter desconsiderado a opção da empresa, visto ser essa opção contrária à lei na época. Deveria ter tributado a empresa como as outras empresas que não estão incluídas no SIMPLES. Perguntase. Se fosse uma instituição bancária, que de forma errada como nossa empresa, tivesse entregado declaração do SIMPLES, e também de forma contrária à lei estivesse cadastrada no SIMPLES, o senhor fiscal tributaria a receita por ele apurada dessa instituição bancária no SIMPLES, ou teria outra atitude? Fl. 770DF CARF MF Processo nº 16024.000222/200779 Acórdão n.º 1003000.071 S1C0T3 Fl. 771 8 Fique claro aqui que não se trata de torpeza, apenas buscase a reflexão de que uma fiscalização deve se nortear pelos ditames da lei. A legalidade deve prosperar. Se houver outro entendimento pela forma de tributação, que seja a empresa tributada pelos SIMPLES, afinal, foi uma opção nossa. Entretanto, nossa empresa não poderia se furtar a trazer aos autos tal situação, não observada pelo senhor fiscal. Respeitante à decadência sustenta que: Tendo sido o auto de infração lavrado em setembro de 2007, os impostos que dizem respeito até o mês de agosto de 2002, não podem ser cobrados visto que ocorreu o fenômeno da Decadência. No que concerne ao pedido conclui que: Assim, finalizamos nosso RECURSO, pleiteando: a) Que, de forma uniforme, todos os depósitos sejam reconhecidos como oriundos da atividade regular da empresa, e que, conseqüentemente, seja tributado apenas o percentual recebido a titulo de comissão (conforme assim procedeu o Sr. Auditor Fiscal em 2 (duas) situações citadas ria impugnação). b) Não acatado o acima, seja cancelado o auto de infração, por erro na tipificação legal, uma vez que não se tratam de depósito de origem não comprovada e sim de valores ingressados na conta bancária da empresa em razão da sua atividade regular. c) Seja cancelado o auto de infração por desrespeito ao instituto da ampla defesa, conforme acima esclarecido. d) Seja considerada a decadência para os impostos até o mês de agosto de 2002. e) Seja cancelado o auto de infração, uma vez que empresas de Viagens e Turismo estavam impedidas de ser assim tributadas no ano de 2002, não podendo o ente fiscalizador abonar erro do contribuinte e agir contrariamente ao que manda a lei. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta Fl. 771DF CARF MF Processo nº 16024.000222/200779 Acórdão n.º 1003000.071 S1C0T3 Fl. 772 9 atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos3. A autoridade fiscal agiu em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. Fl. 772DF CARF MF Processo nº 16024.000222/200779 Acórdão n.º 1003000.071 S1C0T3 Fl. 773 10 finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 4 A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional5. Assim, os Autos de Infração, fls. 630665 e o Acórdão da 5ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1418.890, de 07.03.2008, fls. 727730, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal, contraditório e ampla defesa. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pelas defendentes, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos6. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. No Termo de Constatação, fls. 601620, está evidenciado que a Recorrente foi reiteradamente intimada a apresentar documentos hábeis e idôneos a comprovar os fatos fiscalizados, cujas respostas e elementos de prova foram minuciosamente examinados. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida na peça recursal, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda do lançamento argumentando que foram alcançados pela decadência. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a 4 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 6 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 773DF CARF MF Processo nº 16024.000222/200779 Acórdão n.º 1003000.071 S1C0T3 Fl. 774 11 que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Fica sujeita a todas as presunções de omissão de receitas existentes na legislação tributária a pessoa jurídica optante pelo Simples. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. É determinado pela aplicação do percentual correspondente ao valor acumulado mensalmente da receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Abrange o IRPJ, Pis, CSLL, Cofins, INSS e IPI, se for estabelecimento industrial. Está dispensada de escrituração comercial desde que mantenha o Livro Caixa, no qual deve estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, o Livro de Registro de Inventário, no qual deve constar registrados os estoques existentes no término de cada anocalendário, bem como todos os documentos e demais papéis que serviram de base para sua a escrituração7. Caracterizase omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente8. Também resta evidenciada a omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, de acordo com a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente 7 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 2º e art. 5º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 8 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 2º e art. 5º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 774DF CARF MF Processo nº 16024.000222/200779 Acórdão n.º 1003000.071 S1C0T3 Fl. 775 12 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Positivada em uma norma com os atributos de ser abstrata, geral, imperativa e impessoal, há presunção de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que afasta a obrigatoriedade de a Fazenda Pública comprovar a relação de causalidade entre o fato e o ilícito tributário. A Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, determina: Art. 18º Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. Cabe à pessoa jurídica o ônus de provar a veracidade de fatos registrados na sua escrituração de modo a desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida. Assim, se o ônus da prova, por presunção legal, é da Recorrente, cabe a ela comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. É determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que deve ser analisado de forma individual, observando que os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. A sua titularidade, via de regra, pertence à pessoa jurídica indicada nos dados cadastrais. Podem ser excluídos, mediante demonstração inequívoca, os créditos decorrentes de transferências de outras contas do própria pessoa jurídica, de mútuos destinados a fins econômicos, de cheques objeto de devolução e de resgates de aplicações financeiras. Assim, é regular o procedimento de fiscalização que, após a análise da sua escrituração, examina os documentos referentes à sua movimentação financeira para verificar a compatibilidade entre as informações. Ademais, a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Erário de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada, conformidade com as Súmulas CARF, cujos enunciados devem ser observados pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF9: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. 9 Fundamentação legal: 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Fl. 775DF CARF MF Processo nº 16024.000222/200779 Acórdão n.º 1003000.071 S1C0T3 Fl. 776 13 Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Súmula CARF nº 30: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes e a titularidade pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais. Constatada a disparidade a pessoa jurídica é intimado a demonstrar a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito. Os valores, em relação aos quais não foram evidenciadas as origens, presumem receitas omitidas, o que dispensa a autoridade administrativa de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada10. Em relação à possibilidade jurídica de obtenção dos dados bancários pela autoridade tributária da RFB temse que no caso em que há processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso o agente fiscal pode examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que tais exames sejam considerados indispensáveis. É certo que o resultado dos exames, as informações e os documentos devem ser conservados em sigilo11. Prevalece o entendimento de que o sigilo bancário, fundado constitucionalmente no direito à privacidade12, não se reveste de caráter absoluto, possibilitando a lei o seu afastamento em determinadas hipóteses. Não há que se confundir quebra de sigilo bancário com solicitação de informações cadastrais lastreada em processo administrativo fiscal regularmente instaurado e subscrita por autoridade administrativa competente. 10 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 2º, art. 5º e art. 18 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e Súmulas CARF nºs 06, 30, 32 e 61. 11 Fundamentação legal: art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 e janeiro de 2001. 12 Fundamentação Legal: incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal. Fl. 776DF CARF MF Processo nº 16024.000222/200779 Acórdão n.º 1003000.071 S1C0T3 Fl. 777 14 Ainda atinente a matéria, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou o Recurso Extraordinário com Repercussão Geral RE 60131413 com trânsito em julgado em 11.10.2016, cuja decisão definitiva de mérito deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF14: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o 13 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em Recurso Extraordinário nº 601314/SP. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. Relator: Ministro Edson Fachin. Julgado em 24 fev. 2016. Publicado no DJe em 16 set. 2016. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28RE%24%2ESCLA%2E+E+601314 %2ENUME%2E%29+OU+%28RE%2EACMS%2E+ADJ2+601314%2EACMS%2E%29&base=baseAcordaos& url=http://tinyurl.com/a97p879>. Acesso em 27 mai. 2018. 14 Fundamentação legal: 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Fl. 777DF CARF MF Processo nº 16024.000222/200779 Acórdão n.º 1003000.071 S1C0T3 Fl. 778 15 direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Ressaltese que o exame dos dados financeiros afigurase como medida necessária e não afeta esfera de privacidade da pessoa jurídica, mormente quando há previsão legal permissiva expressa e esta se destina a identificar a materialidade do ilícito tributário. Além disso esses dados devem ser mantidos em sigilo pela autoridade fiscal. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consta no Termo de Constatação, fls. 601620, cujos fundamentos de fato e de direito são adotados nesta segunda instância de julgamento: III INFRAÇÕES 1 OMISSÃO DE RECEITAS RECEITAS NÃO ESCRITURADAS Ao ser intimado para comprovar as origens dos depósitos bancários, o contribuinte apresentou diversos documentos, esclarecendo as origens de alguns depósitos. As origens foram os pagamentos efetuados pelos clientes, relativos As viagens ao exterior. Parte de cada um desses depósitos de origens comprovadas contém a comissão (receita) da empresa. 0 valor da comissão foi indicado pelo fiscalizado nos documentos apresentados em 31/05/2007 e 31/07/2007, conforme descrito acima nos itens IIB e IIC. O fiscalizado também apontou as comissões nos documentos de fls. 460/465. Elaboramos a planilha de fl. 596, demonstrando as comissões contidas em cada depósito, as somas mensais das comissões e correlacionamos a comissão e o depósito com os diversos subitens dos itens IIB e IIC. Os valores discutidos no referido processo judicial n° 3807/02 referemse a pagamentos de clientes que teriam sido apropriados indevidamente pelo exsócio da fiscalizada.São pagamentos que também contêm comissões embutidas. Os valores Fl. 778DF CARF MF Processo nº 16024.000222/200779 Acórdão n.º 1003000.071 S1C0T3 Fl. 779 16 que o exsócio foi condenado a pagar em primeira instância não discriminam a comissão da empresa, e os elementos do processo também não identificam as receitas. O fiscalizado, contudo, elaborou o demonstrativo de fl. 459, apontando as comissões pagas pelos clientes respectivos. As comissões relacionadas na fl. 459 resultam nas seguintes somas mensais: R$ 676,52 em abril/2002, R$ 248,32 em maio/2002 e R$ 184,28 em julho/2002. Tanto as comissões contidas nos depósitos bancários das contas da empresa, quanto as comissões contidas nos pagamentos identificados no processo judicial deixaram de ser escrituradas no Livro Caixa (cópias as fls. 80/93) e no Livro de Prestação de Serviços (cópias às fls. 94/107). As notas fiscais também deixaram de ser emitidas e os valores não foram informados na Declaração Simplificada de fls. 05/08. Uma vez não declarados, os tributos também deixaram de ser pagos, o que motivou a inclusão dos valores correspondentes nos autos de infração, por omissão de receitas. 2 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGENS NÃO COMPROVADAS A fiscalização teve inicio em 27/02/2007, quando o contribuinte foi intimado a apresentar, entre outros documentos, os extratos bancários de suas contas. Após a exibição de todos os extratos, foram solicitadas as comprovações das origens dos depósitos bancários, conforme intimação de 05/04/2007 (ciência via postal em 11/04/2007). Os depósitos foram relacionados nas fls. 135/136. Após pedido de prorrogação de prazo concedido pela fiscalização, o intimado apresentou os documentos em 31/05/2007. Dois meses depois, em 31/07/2007, o fiscalizado, atendendo A intimação de 15/07/2007 (ciência via postal em 10/07/2007), exibiu mais documentos, afirmando que tinha então apresentado todos os elementos que possuía. Suas tentativas de comprovação das origens dos depósitos estariam esgotadas. Diante disso, os depósitos, cujas origens não foram comprovadas, são considerados como receitas omitidas. Os depósitos não foram escriturados no Livro Caixa da empresa. A planilha de fls. 594/595 demonstra os depósitos de origens comprovadas e não comprovadas, correlacionando os mesmos com os diversos subitens dos itens IIB e IIC. A planilha de fls. 597/598 demonstra os depósitos de origens não comprovadas, suas somas mensais e a correlação com os diversos subitens dos itens IIB e IIC. 3 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Em face das omissões das receitas, as bases de cálculo dos tributos declaradas pelo contribuinte, mês a mês, ficaram sujeitas a alíquotas maiores que as calculadas na declaração. Isso gerou diferenças de recolhimento entre o "SIMPLES" constante da declaração (fl. 06) e o devido de acordo com as alíquotas corretas (alíquotas consideradas após o cômputo das receitas omitidas). 0 artigo 5° da Lei n° 9.317/96 discrimina as alíquotas, de acordo com as receitas. IV QUALIFICAÇÃO DA MULTA A infração descrita no item III1, relativa As receitas de comissões omitidas, foi dolosamente cometida pela fiscalizada. Fl. 779DF CARF MF Processo nº 16024.000222/200779 Acórdão n.º 1003000.071 S1C0T3 Fl. 780 17 Quando deixou de emitir nota fiscal e deixou de escriturar e declarar a receita tributável, a empresa impediu a autoridade fazendária de tomar conhecimento da ocorrência do fato gerador dos tributos devidos no "SIMPLES". A conduta do sujeito passivo foi intencional, fruto de sua vontade, e teve como objetivo eximirse do pagamento do tributo através da sonegação, conforme definida no art. 71 da Lei n° 4.502 de 31/11/1964. Pelo exposto, aplicamos a multa proporcional qualificada de 150% sobre os tributos apurados em vista da infração descrita no item III1 (Omissão de Receitas — Receitas Não Escrituradas). Em virtude de o fato descrito configurar, em tese, crime contra a ordem tributária nacional, como definido no art. 1°, inciso I, da Lei n° 8.137/90, estamos procedendo A, formalização de processo administrativo de representação fiscal para fins penais, atendendo ao disposto na Portaria SRF n° 326, de 15/03/2005. Tem cabimento esclarecer as especificidades dos lançamentos originais conforme Tabela 1. Tabela 1 Lançamentos originais especificados de acordo com o tributo, fato gerador e a multa de ofício aplicada Tributo Auto de Infração Fls. Omissão Receitas Não Escrituradas Multa de Ofício Proporcional Qualificada (150%) Item 01 Omissão de Receitas de Depósitos Bancários Multa de Ofício Proporcional (75%) Item 02 Insuficiência de Recolhimento Multa de Ofício Proporcional (75%) Item 03 IRPJ 630634 Fato Gerador: outubro a dezembro de 2002 Fato Gerador: outubro a dezembro de 2002 Fato Gerador: novembro e dezembro de 2002 PIS 635641 Fato Gerador: outubro a dezembro de 2002 Fato Gerador: outubro a dezembro de 2002 Fato Gerador: novembro e dezembro de 2002 CSLL 643647 Fato Gerador: junho a dezembro de 2002 Fato Gerador: junho a dezembro de 2002 Fato Gerador: junho a dezembro de 2002 Cofins 548658 Fato Gerador: abril a dezembro de 2002 Fato Gerador: março a dezembro de 2002 Fato Gerador: janeiro a dezembro de 2002 INSS 659665 Fato Gerador: abril a dezembro de 2002 Fato Gerador: março a dezembro de 2002 Fato Gerador: janeiro a dezembro de 2002 Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o os valores apurados quando do lançamento de ofício estão corretos no período de janeiro a dezembro do anocalendário de 2002, fl. 621, conforme Tabela 2. Tabela 2 – Valores das receita omitida no período de janeiro a dezembro de 2002 AnoCalendário 2002 Mês (A) Receita Bruta Declarada R$ (B) Diferença s Apuradas R$ (C) Fl. 780DF CARF MF Processo nº 16024.000222/200779 Acórdão n.º 1003000.071 S1C0T3 Fl. 781 18 Janeiro 50,10 0,00 Fevereiro 111,35 0,00 Março 204,52 20.000,00 Abril 327,66 4.605,30 Maio 657,10 13.286,41 Junho 181,73 28.089,95 Julho 863,11 14.799,94 Agosto 485,17 20.424,87 Setembro 118,48 13.673,00 Outubro 582,80 12.388,78 Novembro 794,41 14.665,94 Dezembro 569,39 37.485,18 Ocorre porém que compete analisar a objeção de decadência por ser matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. Este instituto pode ser definido como a perda do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento, tendo em vista decurso do lapso temporal de cinco anos previsto em lei. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso em que o sujeito passivo efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador. Por seu turno, comprovada a conduta qualificada pelo dolo, pela fraude, pela interposta pessoa ou pela simulação, bem como se verificada a inexistência do pagamento antecipado, o prazo de cinco anos se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O Código Tributário Nacional determina: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. [...] Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Ainda atinente a matéria, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial Representativo da Controvérsia REsp nº 973.733/SC15, cujo trânsito em julgado 15 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em Recurso Especial Representativo da Controvésia nº 973733/SC. Órgão Julgador: Primeira Seção. Relator: Ministro Luiz Fux. Julgado em 12 ago. 2009. Publicado no DJe em 18 set. 2009. Disponível em: Fl. 781DF CARF MF Processo nº 16024.000222/200779 Acórdão n.º 1003000.071 S1C0T3 Fl. 782 19 ocorreu em 22.10.2009, cuja decisão definitiva de mérito deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF16: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4°, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1.1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3a ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4°, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário <https://ww2.stj.jus.br/processo/pesquisa/?tipoPesquisa=tipoPesquisaNumeroRegistro&termo=200701769940>. Acesso em 27 mai. 2018. 16 Fundamentação legal: 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Fl. 782DF CARF MF Processo nº 16024.000222/200779 Acórdão n.º 1003000.071 S1C0T3 Fl. 783 20 Brasileiro", 3a ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10a ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3a ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7.7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Vale mencionar a Súmula STJ nº 55517, de 09.12.2015, em cujo enunciado consta: Súmula nº 555. Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Ademais, no presente caso, tem aplicação imediata da Súmula CARF, cujo enunciado deve ser observado pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF18: Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Em relação à aplicação do § 4º do art. 150 e inciso I do art. 173 do CTN à contribuições instituídas para o financiamento da seguridade social, o Supremo Tribunal Federal (STF) editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada no DJe em 20.06.2008, com o seguinte enunciado (art. 103A da Constituição Federal): São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. 17 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Enunciado de Súmula nº 555. Órgão Julgador: Primeira Seção. Julgado em 09 fev. 2015. Publicado no DJe em 15 dez.2015. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/sumulas/toc.jsp?livre=555&&b=SUMU&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 27 mai. 2018. 18 Fundamentação legal: 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Fl. 783DF CARF MF Processo nº 16024.000222/200779 Acórdão n.º 1003000.071 S1C0T3 Fl. 784 21 Desse modo que verificase que o transcurso do prazo legal de caducidade das exigências tem como o início da contagem de cinco anos: (a) do fato gerador (§ 4º do art. 150 do CTN) em relação aos ilícitos de depósitos bancários de origem não comprovadas e insuficiência de recolhimentos, dado que houve receita declarada com efeito de confissão de dívida e aplicação da multa de ofício proporcional de 75%; (b) do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que os lançamentos poderiam ter sido efetuados (inciso I do art. 173 do CTN) atinente ao ilícito de omissão de receitas não escrituradas uma vez que foi comprovado o dolo pela prática de falta de emissão de nota fiscal, falta de escrituração e declaração das receitas correspondentes, comprovando, de plano, da conduta dolosa, que é a vontade livre e consciente de o agente praticar um fato ilícito tributário As notificações dos Autos de Infração referentes ao anocalendário de 2002 foram efetivadas em 17.09.2007, fls. 620, 632, 637, 644, 653, 662 e 666. Tem cabimento esclarecer as parcelas dos lançamentos de ofício alcançadas pela decadência pela aplicação da Súmula Vinculante STF nº 8, conforme Tabela 3. Tabela 3 Lançamentos originais especificados por fato gerador alcançados pela decadência de acordo com o tributo, fato gerador e a multa de ofício aplicada Tributo Auto de Infração Fls. Omissão Receitas Não Escrituradas Multa de Ofício Proporcional Qualificada (150%) Item 01 Omissão de Receitas de Depósitos Bancários Multa de Ofício Proporcional (75%) Item 02 Insuficiência de Recolhimento Multa de Ofício Proporcional (75%) Item 03 IRPJ 630634 PIS 635641 CSLL 643647 Fato Gerador: junho a setembro de 2002 Fato Gerador: junho a setembro de 2002 Cofins 548658 Fato Gerador: março a setembro de 2002 Fato Gerador: janeiro a setembro de 2002 INSS 659665 Fato Gerador: março a setembro de 2002 Fato Gerador: janeiro a setembro de 2002 A decadência deve ser reconhecida em relação aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a setembro do anocalendário de 2002, a saber: 1. Item 02 do Auto de Infração Omissão de Receitas Depósitos Bancários: 1.1. CSLL fatos geradores ocorridos de junho a setembro do anocalendário de 2002; 1.2. Cofins fatos geradores ocorridos de março a setembro do anocalendário de 2002; 1.3 . INSS fatos geradores ocorridos de março a setembro do anocalendário de 2002; e 2. Item 03 do Auto de Infração Insuficiência de Recolhimento: 2.1. CSLL fatos geradores ocorridos de junho a setembro do anocalendário de 2002; 2.2. Cofins fatos geradores ocorridos de janeiro a setembro do anocalendário de 2002; 2.3. INSS fatos Fl. 784DF CARF MF Processo nº 16024.000222/200779 Acórdão n.º 1003000.071 S1C0T3 Fl. 785 22 geradores ocorridos de janeiro a setembro do anocalendário de 2002. Destarte, a afirmação da Recorrente é pertinente em parte. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). A proposição afirmada na peça recursal, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 19. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto em acatar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer a decadência dos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a setembro do anocalendário de 2002. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 19 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 785DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.911147/2011-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO.
As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ.
Numero da decisão: 1401-002.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1997 COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10680.911147/2011-30
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5874631
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.441
nome_arquivo_s : Decisao_10680911147201130.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 10680911147201130_5874631.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7352609
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589275881472
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1591; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 11 SS11CC44TT11 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA FFAAZZEENNDDAA CCOONNSSEELLHHOO AADDMMIINNIISSTTRRAATTIIVVOO DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS PPRRIIMMEEIIRRAA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO PPrroocceessssoo nnºº 10680.911147/201130 RReeccuurrssoo nnºº 1 Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 1401002.441 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 13 de abril de 2018 MMaattéérriiaa CSLL RReeccoorrrreennttee GARAN PARTICIPACOES LTDA RReeccoorrrriiddaa FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997 COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. As quantias recolhidas a título de tributo administrados pela RFB, na hipótese de pagamento indevido ou a maior, são restituíveis ou compensáveis. Todavia, não se caracteriza como pagamento indevido o recolhimento de estimativa mensal efetuado no exato valor do débito apurado na DIRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 11 47 /2 01 1- 30 Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10680.911147/201130 Acórdão n.º 1401002.441 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/BHE que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e manteve o despacho decisório. O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente referente a PER/DCOMP. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a CSLL, recolhido em 24/04/2001 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade, alegando o que se segue: O crédito pleiteado tem como origem pagamento de CSLL, referente ao período de apuração de abril de 1997, realizado em razão da apuração por estimativa do regime de tributação pelo Lucro Real. Ao final do ano, apurou o saldo negativo e os valores recolhidos tornaramse indevidos e passíveis de compensação. Afirma que sua DIPJ foi homologada pela RFB, ficando evidente que a apuração do saldo negativo de CSLL abrangeu todos os recolhimentos por estimativa realizados. Acrescenta que a apuração de saldo negativo, por si só, gera o direito à compensação realizada, razão pela qual deve ela ser totalmente homologada. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente uma vez que os recolhimentos foram efetuados exatamente nos valores dos débitos apurados, não caracterizando a existência de pagamento indevido ou a maior. Inconformada apresentou Recurso Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado para o reconhecimento do seu saldo creditório de CSLL. É o relatório do essencial. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10680.911147/201130 Acórdão n.º 1401002.441 S1C4T1 Fl. 4 3 Tabela do plano Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.433, de 13/04/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.907763/201196, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento indevido de CSLL estimativa mensal, referente ao período de apuração de setembro/1997, para compensação com débitos do contribuinte. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido de CSLL estimativa mensal, do período de apuração de abril de 1997, com débitos do contribuinte. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.433): "O recurso é tempestivo e apresentam os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. O Acórdão DRJ entendeu que não houve, em relação ao pedido de restituição original, a homologação tácita do direito creditório nele envolvido, como sustenta a Impugnante. Isso porque não existe para o pedido de restituição nenhum prazo legal para a homologação do correspondente crédito, por parte da Fazenda Pública. O que se tem, no § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996 (com redação da Lei n° 10.833, de 2003), é que: “o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. Ou seja, a lei prevê prazo de homologação para a compensação, e não para o crédito objeto de pedido de restituição. Vale lembrar, nesse sentido, que somente a lei é quem pode determinar prazo limite para que o interessado (seja contribuinte ou fisco) aja, por si só, no sentido de constituir o seu direito. E, como já se viu, o que há é o prazo legal para que o sujeito passivo exerça o seu direito de pleitear restituição de suposto crédito (art. 168, do CTN), mas não para que a fazenda o homologue expressamente. Entretanto, como contraponto disso, a lei impôs à Fazenda Pública o prazo de 5 (cinco) anos para homologar, ou não, expressamente a compensação declarada pelo sujeito passivo. Ocorreu, então, que o contribuinte, valendose do mesmo crédito que suponha possuir, enviou, 2007, DCOMP, para quitar débitos. Logo, o prazo de homologação dessa compensação contra a Fazenda Pública teve início em 2007; e o termo final seria em 2012. Portanto, em data posterior à do despacho decisório. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10680.911147/201130 Acórdão n.º 1401002.441 S1C4T1 Fl. 5 4 Preliminar homologação tácita. A princípio, esclareço que, no que diz respeito possibilidade da ocorrência de homologação tácita de Declaração de Compensação protocolizada em 30/03/2001, portanto anterior a Lei 10.833/03, adoto os fundamentos de precedente recente da 3a. Turma da CSRF, no sentido de que nos pedidos de compensação pendentes de apreciação pela Autoridade Administrativa, convertidos em declarações de compensação, por força da Lei nº 10.637/2002, a ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos, a contar da data da entrega da declaração de compensação. De maneira que, tendo transcorrido este prazo, homologase tacitamente a compensação declarada, sendo definitivamente extintos os débitos tributários ali contemplados, independentemente da existência ou suficiência dos direitos creditórios. Referido Acórdão n. 9303003.900, proferido em 19/05/2016, restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 EMENTA: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Estabelecese como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerandose pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Recurso Especial do Procurador Negado. Contudo, no caso em questão, os requisitos para reconhecimento da homologação tácita, não encontramse preenchidos, pois conforme descrito minuciosamente conforme relatado. Mérito. Quanto ao mérito, o acórdão DRJ restou fundamentado na inexistência de crédito recolhido indevidamente ou a maior a ser compensado. Na sua manifestação de inconformidade, o contribuinte alega, genericamente, que o seu crédito originouse de um pagamento a maior realizado em 24/04/2001, referente à CSLL (cód. 2484), cujo período de apuração era 01/09/1997. Por sua vez, a Declaração de Compensação aqui analisada indica, como origem do crédito, pagamento indevido ou a maior, discriminando DARF utilizado no recolhimento de estimativa Como se verifica, os recolhimentos foram Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10680.911147/201130 Acórdão n.º 1401002.441 S1C4T1 Fl. 6 5 efetuados exatamente nos valores dos débitos apurados (o suposto crédito postulado no presente processo referese ao período de apuração 01/09/1997). Portanto, não se caracterizou a existência de pagamento indevido ou a maior. Inexiste, pois, direito creditório a ser reconhecido para o contribuinte, como pagamento indevido ou maior, uma vez que o pagamento da estimativa foi exatamente igual ao débito apurado. Durante o recurso voluntário, afirma que encerrou o ano de 1997 com prejuízo, contudo ser oferecer maiores elementos em relação esse processo. Por isso, nego provimento ao Recurso. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 186DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000180/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
Numero da decisão: 2202-004.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10932.000180/2009-17
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5892974
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2202-004.386
nome_arquivo_s : Decisao_10932000180200917.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RONNIE SOARES ANDERSON
nome_arquivo_pdf_s : 10932000180200917_5892974.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
dt_sessao_tdt : Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
id : 7395356
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050589293707264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1588; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10932.000180/200917 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 2202004.386 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente EMPARSANCO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetivase a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 01 80 /2 00 9- 17 Fl. 1055DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10932.000179/200984, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou a impugnação improcedente. Conforme Relatório Fiscal, a fiscalização foi comandada para fins de verificação da regularidade do recolhimento das contribuições previdenciárias e devidas a outras entidades e fundos. Após intimada e reintimada a apresentar a Contabilidade por Centro de Custo/individualizada por obra, a empresa não a apresentou, o que levou a auditoria a efetuar o lançamento por aferição indireta nos termos do art. 33, §6º, da Lei nº 8.212/91 e do art. 473 da IN 03/2005 e alterações posteriores. Os autos de Infração lavrados no procedimento fiscal foram discriminados pela fiscalização na seguinte planilha: DEBCAD N° LEVANTAMENTO REFERENTE REF. AO ESTABELECIMENTO 37.227.3645 Auto de Infração por falta de Matrícula CEI 56.473.317/000108 37.227.3653 Auto de Infração por Deixar de contabilizar em Títulos próprios 56.473.317/000108 37.227.3661 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.367 0 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3688 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3696 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3700 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3718 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3726 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3734 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3742 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Oora 232 50.022.27644/77 37.227.3750 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3769 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3777 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3785 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 234 50.025.43828/73 37.227.3793 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3807 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3815 Auto de Infração de Emp/RAT reforente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3823 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3831 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3840 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3858 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3866 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3874 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.388 2 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 10932.000180/200917 Acórdão n.º 2202004.386 S2C2T2 Fl. 3 3 37.227.3890 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 37.227.3904 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 251G 50.022.22636/70 37.227.3912 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3920 Auto de Infração tíc Terceiros referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3939 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.231.6220 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6239 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.621/ Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6255 Auto de Infração dc Segurados referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6263 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6271 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6280 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 256 50.025.43742/79 37.231.6298 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6301 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6310 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6328 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 3/.231.6336 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6344 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6352 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6360 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6379 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6387 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6395 Auto de In'ração de Terceiros referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6409 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6417 Auto de Infração de Segurados referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6425 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 3/.231.6433 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6441 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 37.231.6450 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 Cientificado da autuação a recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese, a improcedência e incorreção da aferição indireta. Diante das alegações da recorrente a autoridade julgadora de primeira instância, converteu o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização se pronunciasse sobre os argumentos levantados pela defesa. No resultado da diligência a fiscalização se manifestou sobre todos os processos gerados no procedimento fiscal, listando os seguintes: 10932.000171/200918 10932.000187/200921 10932.000205/200974 10932.000172/200962 10932.000190/200944 10932.000206/200919 10932.000173/200915 10932.000192/200933 10932.000207/200963 10932.000174/200951 10932.000189/200910 10932.000208/200916 10932.000175/200904 10932.000191/200999 10932.000209/200952 10932.000177/200995 10932.000193/200988 10932.000210/200987 10932.000176/200941 10932.000194/200922 10932.000211/200921 10932.000178/200930 10932.000197/200966 10932.000212/200976 Fl. 1057DF CARF MF 4 10932.000180/200917 10932.000200/200941 10932.000213/200911 10932.000179/200984 10932.000195/200977 10932.000214/200965 10932.000181/200953 10932.000196/200911 10932.000215/200918 10932.000183/200942 10932.000198/200919 10932.000217/200907 10932.000182/200906 10932.000199/200955 10932.000218/200943 10932.000184/200997 10932.000202/200931 10932.000219/200998 10932.000186/200986 10932.000204/200920 10932.000220/200912 10932.000185/200931 10932.000201/200996 10932.000221/200967 10932.000188/200975 10932.000203/200985 10932.000222/200910 10932.000223/200956 A auditoria reafirmou a procedência do lançamento por aferição indireta, de cujo Termo de Constatação extraio os seguintes trechos: “Ora, se a empresa possui controles analíticos de salários, se possui controles contábeis para identificação individual dos lançamentos dos encargos previdenciários, isto não foi demonstrado nem no momento da fiscalização e muito menos na documentação anexada como meio de prova, nesta fase de defesa administrativa, Todos os documentos apresentados nesta fase se referem a VALORES GLOBAIS, como o resumo da folha de pagamento GERAL e os tais relatórios de composição contábil, como detalharemos mais abaixo. Portanto, em nenhum momento desta defesa, o contribuinte conseguiu provar a contabilização em títulos próprios, por obra de construção civil, dos fatos geradores previdenciários, conforme prega o art. 32 da lei 8.212/91.” A recorrente apresentou contrarrazões ao resultado da diligência, reafirmando a improcedência do lançamento. A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, cujo resultado foi levado à ciência da recorrente por meio da disponibilização na Caixa Postal, Módulo eCAC do Site da Receita Federal. Após ciência por meio da abertura dos arquivos disponibilizados, via Termo de Abertura de Documento, não houve manifestação dentro do prazo que teria para apresentação de Recurso Voluntário. Diante disso, lavrouse o respectivo Termo de Perempção e o processo foi encaminhado à PGFN. Nessa fase, passados mais de 100 (cem) dias desde a data da ciência do Acórdão da DRJ, pelo contribuinte, este protocolizou recurso voluntário em face da Decisão de 1ª Instância Administrativa. O processo, então, retornou à fase administrativa para apreciação do recurso interposto, no qual se alega, em síntese: · Tempestividade. Admissibilidade do recurso. · Alteração da forma de intimação de meio papel para digital sem autorização do recorrente. · Falta de comprovação da intimação do resultado do julgamento de primeira instância. · Vícios do procedimento fiscal e vícios da autuação. Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 10932.000180/200917 Acórdão n.º 2202004.386 S2C2T2 Fl. 4 5 Por fim, requereu o Recorrente o cancelamento da inscrição em dívida ativa e o retorno ao trâmite administrativo, para declaração de nulidade do auto de infração. É o relatório." Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n° 10932.000179/200984, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pela Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, digna relatora da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso Voluntário é intempestivo, o que prejudica sua admissibilidade. Primeiramente, informo que a matéria tratada nos autos é a mesma discutida nos processos nº 10932.000187/200921, 10932.000190/200944, 10932.000192/200933, originados do mesmo procedimento fiscal, conforme relatado anteriormente, e que já foram julgados pelo CARF em 08/03/2016, tendo sido exarados os acórdãos nº 2201002.966, 2201002.965, 2201 002.964, respectivamente. Conforme relatórios constantes nos acórdãos citados, os processos foram baixados em diligência, a fim de que fosse comprovada a opção do recorrente pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), conforme trecho extraído do Acórdão nº 2201 002.966 (processo 10932.000187/200921): “O processo baixou em diligência para comprovar a opção do contribuinte pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE, apresentar as normas e condições de sua utilização e confirmar a data de entrada do Recurso Voluntário na Receita Federal. A DERAT/SP informou que a empresa realizou a opção pelo DTE em 13/01/2012 e em 27/08/2012, anexou tela com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC e confirmou o de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal em 05/08/2013. Fl. 1059DF CARF MF 6 Conforme fl. 1368 foi solicitada Apuração Especial pelo SERPRO, cujo resultado encontrase nas fls. 13691373 e comprova que o contribuinte de CNPJ 56.473.317/00001 08 (NI logado e NI papel) realizou a opção pelo DTE no dia 13/01/2012 e no dia 27/08/2012. De acordo com o despacho do SETEC, fl. 1366, foi anexada a tela na fl. 1365 com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC Considerandose na fl. 1336 (última do Recurso Voluntário) a menção ao recebimento dos documentos naquela data, cujo carimbo está na fl. 1262 (primeira do Recurso Voluntário), além da Tela do Histórico de eventos no SICOB, na JL1374 (campo data do Evento Recurso Voluntário), compreendese que a data de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal foi em 05/08/2013.” Restou comprovado, por meio de diligência naqueles processos, que a recorrente fez opção pelo DTE, o que levou o Colegiado de segunda instância a não conhecer dos recursos, conforme dispositivos dos acórdãos citados: "ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.". Diante da informação exarada nos acórdãos citados, a qual aproveito para análise do presente processo, entendo que a ciência do resultado do julgamento de primeira instância se deu pela Abertura dos Arquivos correspondentes no link Processo Digital, disponibilizados no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção Consulta Comunicados/Intimações, conforme Termo de Abertura de Documentos, nos termos da alínea "b" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235/72 (PAF): “Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Grifei).” Registrese, por relevante, que, mesmo que se adotasse o critério de ciência do contribuinte por decurso de prazo, previsto na Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 10932.000180/200917 Acórdão n.º 2202004.386 S2C2T2 Fl. 5 7 alínea "a" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, ainda assim o recurso voluntário interposto pelo Sujeito Passivo permaneceria infectado pelo vício da intempestividade, eis que, na data de sua interposição, o prazo recursal já se haveria exaurido há, pelo menos, dois meses. Portanto, como o Recurso Voluntário foi apresentado após o limite estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72, ele é extemporâneo. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Ana Maria Bandeira." Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 1061DF CARF MF
score : 1.0
