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Numero do processo: 13962.000237/2001-53
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do Anexo II do RICARF).
Numero da decisão: 9303-006.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do Anexo II do RICARF).
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CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Recorrente BUETTNER S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do Anexo II do RICARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 2. 00 02 37 /2 00 1- 53 Fl. 2707DF CARF MF Processo nº 13962.000237/200153 Acórdão n.º 9303006.776 CSRFT3 Fl. 2.708 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 2.524 a 2.574), interposto pelo contribuinte contra o Acórdão 330200.408, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 2.460 a 2.477), que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. Não integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI, na exportação, as aquisições de energia elétrica e de combustíveis, nos termos do art. 2º da Lei nº 9.363/96, por força da Súmula nº 13 do Conselho de Contribuintes. CRÉDITO PRESUMIDO DE PIS E COFINS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Somente as aquisições de insumos de contribuintes da Cofins e do PIS geram direito ao crédito presumido concedido como ressarcimento das referidas contribuições, pagas no mercado interno. Recurso voluntário negado Em Exame (fls. 2.690 a 2.693) e Reexame (fls. 2.694 e 2.695) de Admissibilidade, foi dado seguimento parcial ao Recurso Especial, somente no que tange às aquisições de não contribuintes do PIS/Cofins. A PGFN não apresentou Contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Observados os requisitos e preenchidas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial, na parte admitida, qual seja, a inclusão ou não na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e as cooperativas. O tema não é mais passível do discussão no CARF, pois há decisão do STJ admitindo estes créditos, em Acórdão submetido ao regime do art 543C do Antigo CPC (Recursos Repetitivos), no REsp nº 993.164/MG, de Relatoria do Ministro Luiz Fux, publicado em 17/12/2010. Fl. 2708DF CARF MF Processo nº 13962.000237/200153 Acórdão n.º 9303006.776 CSRFT3 Fl. 2.709 3 Transcrevo excerto da Ementa do referido Acórdão, no que interessa à discussão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. Por força regimental Portaria MF nº 343/2015, art. 62, § 2º, a decisão deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda que: 1) Existe Súmula do STJ a respeito, publicada em 13/08/2012: Súmula 494: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. 2) Antes disso já havia sido editado o Ato Declaratório nº 14/2011 da PGFN, nos seguintes termos: A PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida ..., DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da ilegalidade da IN/SRF 23/1997, que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, extrapolou os limites do art. 1º da Lei n. 9.363/1996”. Fl. 2709DF CARF MF Processo nº 13962.000237/200153 Acórdão n.º 9303006.776 CSRFT3 Fl. 2.710 4 JURISPRUDÊNCIA: AGREsp 913433/ES, REsp 627.941/CE, REsp 840.056/CE REsp 995285/PE, REsp 1008021/CE, REsp 921397/CE, REsp 840056/CE, REsp 767617/CE, todas do STJ. 3) Na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, mas em razão da manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.155/2012 (...) Em complementação à Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que delimitou a matéria decidida nos julgamentos submetidos à sistemática dos artigos 543B e 543C, do Código de Processo Civil, ... encaminhase a presente nota na qual se acrescenta o item 84 da lista do art. 1º, V, da Portaria PGFN nº 294/2010, correspondente ao Recurso Especial nº 993.164/MG, acrescentado a esta lista na sua última atualização realizada no dia 10 de agosto de 2012. 2. Em razão de o referido julgado ter repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, encaminhase o item relativo à delimitação do tema para fins de complementação do anexo da Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, com a seguinte redação: 84 – REsp 993.164/MG Relator: Min. Luiz Fux (...) Resumo: o tribunal julgou ilegal a IN RFB Nº 23/97, por ter ela extrapolado os limites da Lei 9.363/96, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matéria prima e de insumos de fornecedores não sujeitos à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. À vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte, para reconhecer o crédito relativo às aquisições de não contribuintes do PIS/Cofins, como pessoas físicas e cooperativas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 2710DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.000004/2006-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2003 EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE VEDADA. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS EM ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ÁGUA. O exercício de atividade que pressupõe o domínio de conhecimento técnico- científico próprio de profissional da engenharia, tal como a manutenção de máquinas e equipamentos hidráulicos em estações de tratamento de água, é circunstância que impede o ingresso ou a permanência no Simples. Inaplicáveis as exceções de que trata o art. 4º da Lei nº 10.964/2004, com a redação da Lei nº 11.051/2004.
Numero da decisão: 1301-000.596
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Relator
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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DE CAMARGO ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2003 EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE VEDADA. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS EM ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ÁGUA. O exercício de atividade que pressupõe o domínio de conhecimento técnico científico próprio de profissional da engenharia, tal como a manutenção de máquinas e equipamentos hidráulicos em estações de tratamento de água, é circunstância que impede o ingresso ou a permanência no Simples. Inaplicáveis as exceções de que trata o art. 4º da Lei nº 10.964/2004, com a redação da Lei nº 11.051/2004. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Fl. 65DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10805.000004/200680 Acórdão n.º 130100.596 S1C3T1 Fl. 57 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório LUCIMAR T. DE CAMARGO ME, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0518.902, de 17/08/2007, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Trata o processo de exclusão da sistemática do Simples, por meio do Ato Declaratório 474.126, de 07 de agosto de 2003 (fl.11), em virtude de o contribuinte exercer atividade econômica não permitida – Código CNAE 74306/00 (Ensaios de materiais e de produtos; análise de qualidade). A Delegacia da Receita Federal em Santo André indeferiu a Solicitação de Revisão de Exclusão do contribuinte (fl. 08), justificando que embora o contribuinte tenha alegado erro na indicação do CNAE, as atividades da empresa são características de profissional habilitado ou assemelhado, e que o contribuinte questionou matéria de direito, cuja competência de análise é da DRJ. Cientificado do indeferimento da SRS em 08/12/2005 (fl. 30), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 02/01/2006 (fls. 01/06), alegando, em síntese, ser seu ramo de atividade “Serviços Administrativos para Terceiros”, tendo ocorrido erro de fato na indicação do CNAE. Aduz ter intenção inequívoca em aderir ao Simples; a Receita Federal deferiu sua opção pela sistemática; e que a manutenção da exclusão lhe acarretará graves prejuízos. A 1ª Turma da DRJ em Campinas/SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0518.902, de 17/08/2007 (fls. 34/36v), indeferiu a solicitação com a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Anocalendário: 2002 CIRCUNSTÂNCIAS IMPEDITIVAS DE INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES. O exercício de atividade que pressupõe o domínio de conhecimento técnicocientífico próprio de profissional da engenharia é circunstância que impede o ingresso ou a permanência no Simples. Fl. 66DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10805.000004/200680 Acórdão n.º 130100.596 S1C3T1 Fl. 58 3 Ciente da decisão de primeira instância em 27/09/2007, conforme Aviso de Recebimento à fl. 38, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 26/10/2007 conforme carimbo de recepção à folha 39. No recurso interposto (fls. 40/46), a interessada afirma preliminarmente que “o inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317 de 5 de dezembro de 1996 que regulamentava a matéria, e, em particular com relação à recorrente, único fundamento do acórdão recorrido, foi revogado pelo artigo 4º da Lei nº 10.964 de 28 de outubro de 2004, com as alterações introduzidas pelo artigo 15º da Lei n° 11.051 de 29 de dezembro de 2004”. Por sua ótica, a “habilitação técnica, condição que até então vinculava a Turma Julgadora a seguir a direção adotada no acórdão recorrido, não tem eficácia com a vigência da nova norma jurídica”. Essa nova norma garantiria, inclusive, o efeito retroativo de suas disposições à data da opção da empresa pelo SIMPLES. No mérito, a recorrente informa que teria iniciado suas atividades em 12/03/2002 com o arquivamento na JUCESP de seus atos constitutivos, sendo certo que dos objetivos sociais constava: “ensaios de materiais e de produtos; análise de qualidade manutenção e reparação de outras máquinas e equipamentos de uso geral outros serviços prestados principalmente às empresas”. Teria optado pelo SIMPLES na codificação CNAE 74306/00. A interessada afirma que, anteriormente ao ato declaratório que a excluiu do sistema simplificado de pagamentos, teria sido “orientada pela própria fiscalização, em razão dos fatos, a alterar os objetivos sociais em 17 de setembro de 2003, ocasionando a codificação junto à Secretaria da Receita Federal CNAE 29912/02”. Sustenta, ainda, que tal orientação teria sido equivocada. A contribuinte invoca as lições de Celso Antônio Bandeira de Mello, e conclui que não se há de censurar sua conduta, mesmo porque, “também a fiscalização não se mostrou segura quanto aos seus argumentos para obstacularizar os legítimos interesses do contribuinte”. Ao final, requer o provimento de seu recurso e a reforma da decisão recorrida. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Gira a lide em torno da exclusão do contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, por exercício de atividade vedada. Fl. 67DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10805.000004/200680 Acórdão n.º 130100.596 S1C3T1 Fl. 59 4 O fundamento legal da exclusão se encontra no Ato Declaratório Executivo à fl. 11, e, entre outros dispositivos, de especial interesse o art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/1996, verbis: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (Vide Lei 10.034, de 24.10.2000) O principal argumento da ora recorrente é de que tal dispositivo legal, base também para a decisão de primeira instância, teria sido revogado pelo art. 4º da Lei nº 10.964/2004, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 11.051/2004, a seguir transcrito: Art. 4o Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I – serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus e outros veículos pesados; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) II – serviços de instalação, manutenção e reparação de acessórios para veículos automotores;(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) III – serviços de manutenção e reparação de motocicletas, motonetas e bicicletas; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV – serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V – serviços de manutenção e reparação de aparelhos eletrodomésticos. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o Fica assegurada a permanência no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, com efeitos retroativos à data de opção da empresa, das pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham feito a opção pelo sistema em data anterior à publicação desta Lei, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 68DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10805.000004/200680 Acórdão n.º 130100.596 S1C3T1 Fl. 60 5 § 2o As pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham sido excluídas do SIMPLES exclusivamente em decorrência do disposto no inciso XIII do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, poderão solicitar o retorno ao sistema, com efeitos retroativos à data de opção desta, nos termos, prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal – SRF, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 3o Na hipótese de a exclusão de que trata o § 2o deste artigo ter ocorrido durante o anocalendário de 2004 e antes da publicação desta Lei, a Secretaria da Receita Federal – SRF promoverá a reinclusão de ofício dessas pessoas jurídicas retroativamente à data de opção da empresa. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 4o Aplicase o disposto no art. 2o da Lei no 10.034, de 24 de outubro de 2000, a partir de 1o de janeiro de 2004. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) De se ver, então, se a atividade exercida pela recorrente se encontra entre aquelas de que trata o texto legal acima. À fl. 12 encontro cópia de Requerimento de Empresário, datado de 04/03/2002. O objeto/atividade econômica que ali consta é: Comércio, assistência técnica, gerenciamento em manutenção de máquinas e equipamentos hidráulicos, estações de tratamento de águas em geral e normas de qualidade, posteriormente modificada, em 25/08/2004 (fl. 05), para: Comércio de máquinas e equipamentos hidráulicos em estações de tratamento de águas, datilografia, expediente, secretaria em geral, processamento de dados e gerenciamento. À fl. 14 encontro contrato de prestação de serviços firmado com Chenclean Química, Comércio e Serviços Ltda., cujo objeto é: assistência técnica, gerenciamento em manutenção de máquinas e equipamentos hidráulicos, estações de tratamento de águas em geral e normas de qualidade. Ao longo do cumprimento do contrato, foram emitidas as Notas Fiscais de Serviço nº 0002, 0005, 0008, 0009, 0012, 0015 e 0018 (fls. 18/24), em cuja descrição consta: Serviços prestados referente a manutenção de equipamentos e máquinas. De se concluir, então, que a atividade, comprovada nos autos, exercida pela interessada é de manutenção de equipamentos e máquinas hidráulicos em estações de tratamento de águas, atividade essa que não se confunde com a manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus, acessórios para veículos automotores, motocicletas, motonetas, bicicletas, máquinas de escritório e de informática nem de aparelhos eletrodomésticos, estas últimas, sim objeto da Lei nº 10.964/2004. As exceções de que trata o texto legal não podem, pois, socorrer a interessada, como é sua pretensão. Seus demais argumentos são também insuficientes para provar que suas atividades não se incluem entre aquelas afeitas aos profissionais da Engenharia, seja à vista do que consta do Requerimento de Empresário, seja diante do contrato e das Notas Fiscais colacionadas aos autos. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10805.000004/200680 Acórdão n.º 130100.596 S1C3T1 Fl. 61 6 (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 70DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 04/07/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10980.913406/2009-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1402-003.232
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para reconhecer o indébito formado pelas estimativas recolhidas e determinar que a unidade de origem emita novo despacho decisório considerando os valores existentes e confirmados. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para reconhecer o indébito formado pelas estimativas recolhidas e determinar que a unidade de origem emita novo despacho decisório considerando os valores existentes e confirmados. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 34 06 /2 00 9- 68 Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10980.913406/200968 Acórdão n.º 1402003.232 S1C4T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10980.913406/200968 Acórdão n.º 1402003.232 S1C4T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR) assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA DE IRPJ. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA NA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 460, DE 2004. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Aplicase à declaração de compensação apresentada na vigência da IN SRF nº 460, de 2004, a obrigatoriedade de utilização da estimativa de IRPJ paga indevidamente ou a maior na dedução do imposto devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE IRPJ. VEDAÇÃO À UTILIZAÇÃO COMO DIREITO CREDITÓRIO. Havendo vedação à utilização de estimativa de IRPJ como direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior, é de se confirmar a não homologação da compensação declarada nos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O caso foi assim relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: "Trata o presente processo da compensação declarada por meio do PER/DCOMP [...], relativa à compensação do débito de R$ 12.077,55 de IRPJ devido por estimativa (código de receita 2362) no mês de março/2006, com utilização do direito creditório de R$ 11.792,18 oriundo do pagamento indevido ou a maior, em 24/02/2006, da estimativa de IRPJ de janeiro/2006 (R$ 373.374,62). 2. A DRF/Curitiba, por meio do Despacho Decisório proferido em 11/05/2009 [...], não homologou a compensação declarada em 28/04/2006 em face da improcedência do crédito indicado, haja vista o recolhimento indevido ou a maior de estimativa mensal somente poder ser utilizado na dedução do imposto anual ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período, conforme previsto no art. 10 da IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. 3. Regularmente cientificada em 18/05/2009 [...], a reclamante apresentou, em 02/06/2009, a tempestiva manifestação de inconformidade [...], instruída com os documentos [...], cujo teor é sintetizado a seguir: a) argúi que os contribuintes devem pagar tributos sobre suas operações ou atividades nos termos exatos da lei, e que os valores pagos acima do exigido devem ser a eles repetidos; Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10980.913406/200968 Acórdão n.º 1402003.232 S1C4T2 Fl. 5 4 b) que, tendo optado pela tributação com base no lucro real anual, recolheu antecipações do imposto calculadas por estimativa, com base na receita bruta, conforme determina o art. 2° da Lei nº 9.430, de 1996; que aplicou corretamente a legislação vigente e o valor compensado referese sim a recolhimento a maior que o devido e exigido; c) que a Lei nº 8.981, de 1995, permite a suspensão ou redução do pagamento do imposto devido, em cada mês, desde que se demonstre, por meio de balanços ou balancetes, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto devido no período em curso; d) que, da mesma forma que o imposto apurado por estimativa, os recolhimentos a maior ou indevidos são passíveis de compensação, pois a obrigação principal, calculada nos termos da lei, também já foi satisfeita; que a não homologação da compensação do valor pago a maior contraria a lei e acarreta exigência de tributo indevido; e) que o pagamento a maior, mesmo no caso de estimativas mensais, onde os valores recolhidos serão deduzidos do devido ao final do exercício, não deve ser considerado como antecipação; f) que o art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, permite a compensação, nos meses subseqüentes, de valores de tributos pagos a maior, como no presente caso; que o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, determina que o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal; g) que o pagamento a maior de estimativa não consta do rol dos créditos elencados no § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que não poderão ser objeto de declaração de compensação; cita julgados do Conselho de Contribuintes; h) ao final requer a revisão da decisão exarada por meio do despacho decisório da DRFCuritiba, e que seja suspenso o débito exigido, nos termos do art. 151 do CTN. 4. É o relatório." Inconformada com a decisão da Instância a quo, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual repisa os fundamentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10980.913406/200968 Acórdão n.º 1402003.232 S1C4T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.221, de 14/06/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10980.910369/200936 paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.221): "O recurso voluntário atende aos pressuposto de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. DOS FATOS A recorrente protocolou manifestação de inconformidade contra a decisão que indeferiu o pedido de compensação no processo administrativo em questão a qual entendeu que a contribuinte somente poderia utilizar o crédito na dedução do Imposto de Renda ou Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ao final do período de apuração. A instância a quo manteve a decisão impugnada sob o argumento de que prevalece o disposto no artigo 10 da Instrução Normativa SRF nº. 460 de outubro de 2004, sendo que a mesma determinação permaneceu na IN SRF 600 de dezembro de 2005. Tal entendimento somente veio a ser modificado através da IN SRF 900 de dezembro de 2008, contudo esse diploma legal somente produziu efeitos a partir de 01/01/2009, sob o que não cabe a aplicação do preceito do artigo 106 do CTN para fazer retroagir a norma mais favorável ao contribuinte, pois não se trata de norma estritamente interpretativa, pois, por se tratar de dispositivo que regula a compensação seria norma de natureza material, motivo pelo qual devem ser aplicadas as que estavam vigentes à época do encontro de contas. Declara ainda que o descumprimento do artigo 10 da IN 460 de 2004 caracterizaria violação ao preceito do artigo 170 do CTN o qual estabelece que o direito à compensação fica sujeito à condição e garantia que a lei estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribua à autoridade administrativa, tendo o §14 do artigo 74 da Lei 9430/96 estabelecido que a Secretaria da Receita Federal disciplinará a compensação de que trata esse artigo. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10980.913406/200968 Acórdão n.º 1402003.232 S1C4T2 Fl. 7 6 Diz também que a autoridade julgadora não pode descumprir o entendimento da própria Receita Federal. A recorrente inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, requerendo a reforma decisão recorrida, haja vista que não é este o entendimento do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (CARF), conforme reiteradas decisões colacionadas ao recurso. DO MÉRITO A discussão em relação à restituição ou compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa, tratase de matéria sobre a qual o CARF vem reiteradamente se posicionando pela sua possibilidade. Havendo inclusive a edição da Súmula CARF n 84, transcrita a seguir. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Citase nesse sentido, os acórdãos paradigmas: Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. O Acórdão n° 110100.329, da lavra da conselheira Edeli Pereira Bessa, segue a jurisprudência consolidada no âmbito do Carf, cujos argumentos, adotados na presente decisão, são transcritos a seguir: "É certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda RIR/ 99 (art 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5° incluído no art. 74 da Lei n° 9.430/96 pela Medida Provisória n° 66/2002, atualmente transportado para o § 1 4 desde a edição da Lei n° 11.051/2004: Art 74 O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão (Redação dada pela Lei n" 10 637, de 2002) [...] § 1 4 A Secretaria da Receita Federa SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10980.913406/200968 Acórdão n.º 1402003.232 S1C4T2 Fl. 8 7 restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais, Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, tem se a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que entendo se verificar ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não vejo como tratar a restrição inserta a partir da instrução Normativa SRF n° 460/2004 como procedimental. Não vislumbro espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Até cogito que tal seria possível em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição, como já verificado em outros litígios que relatei perante esta Turma. Concordo que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, como já conclui em voto anterior apresentado a esta Turma, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei n° 9.430/96, tenho que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB n° 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. Transcrevo, a seguir, minha manifestação acerca da matéria: Relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF n° 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB n° 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: (Omissis) As antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF n° 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10980.913406/200968 Acórdão n.º 1402003.232 S1C4T2 Fl. 9 8 De outro lado, porém, é possível interpretar que a Lei n° 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art 2°: (Omissis) Diante deste contexto, temse por formalmente correto o procedimento adotado pela recorrente: as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ, e o crédito dali decorrente, atualizado com juros à taxa SELIC a partir do recolhimento indevido, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, inclusive para liquidação do próprio IRPJ apurado no ajuste do mesmo anocalendário, mas, evidentemente sem a dedução daquelas parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis.Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não vejo, ante o contexto que expus, obstáculo legal ao pedido de restituição ou a compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4° da Lei 9.250/95 c/c art. 73 da Lei n° 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, ao interpretar que somente as estimativas devidas na forma da Lei n° 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluo que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, friso, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não admito que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10980.913406/200968 Acórdão n.º 1402003.232 S1C4T2 Fl. 10 9 apurar estimativas mensais com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. (Omissis) E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF n° 51, de 31 de outubro de 1995 especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: (Omissis) No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar a estimativa em balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, e assim apontou o indébito constituído em 31/01/2005 para compensações com outros tributos, posteriormente, inclusive, à apuração do ajuste anual em 31/12/2004. Destaco que a DIPJ originalmente apresentada em 2005 já apontava a apuração da estimativa de dezembro/2004 com base em balancete de suspensão/redução. Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido no balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, a sua adequação para a formação do indébito de RS 86.729.499,25, e a correspondente disponibilidade, mediante prova que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, ao contrário do que parece pretender a recorrente, o fato de o fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão em aspecto preliminar, qual seja, a possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta preliminar, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Registro, inclusive, o entendimento expresso pela maioria desta Turma Ordinária, no sentido de que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10980.913406/200968 Acórdão n.º 1402003.232 S1C4T2 Fl. 11 10 Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação." No uso da competência dada pelo § 14 do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, e por meio das INs SRF n° 460/2004 e 600/2005, cuja vigência ocorreu de 29/10/2004 a 30/12/2008, a Receita Federal do Brasil não admitiu a compensação imediata de recolhimentos indevidos de estimativas. Já com a IN RFB n° 900/2008, o Fisco alterou o entendimento e excluiu essa limitação de seu texto. A evolução da legislação administrativa a respeito do assunto foi a seguinte: O artigo 10 da Instrução Normativa n° 460/2004 não permitiu que indébitos oriundos de recolhimentos por estimativa fossem compensados de imediato, devendo compor o saldo de IRPJ e CSLL apurado ao final do período: "Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." A mesma redação foi mantida no artigo 10 da IN SRF n° 600/2005, in verbis: "Art. 10 A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." Já com a edição da Instrução Normativa RFB n° 900/2008, no seu artigo 11, o Fisco deixou de coibir a imediata compensação de recolhimentos indevidos de estimativas. "Art 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10980.913406/200968 Acórdão n.º 1402003.232 S1C4T2 Fl. 12 11 a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." Assiste, assim, razão à recorrente quando afirma que as regras contidas na IN RFB n° 900/2008 são perfeitamente aplicáveis ao caso em voga, pois alteraram o entendimento anteriormente expresso pelas INs 460/2004 e 600/2005, podendo ser computado como crédito o montante de estimativa recolhido indevidamente. A própria Receita Federal do Brasil já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por meio da Solução de Consulta 285 SRRF/9ª RF/Disit de 17/07/2009, assim ementada: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 1996, arts. 2° e 6°; Lei n° 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n° 3, de 2000; IN RFB n° 900, de 2008, arts. 2°a 4° e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 1996, arts. 2° e 6°; Lei n° 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n° 3, de 2000; IN RFB n° 900, de 2008, arts. 2°a 4° e 34." Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10980.913406/200968 Acórdão n.º 1402003.232 S1C4T2 Fl. 13 12 Porém, apenas em tese assiste razão à recorrente em suas alegações, haja vista que a análise efetivada pelo Despacho Decisório, que não homologou a compensação realizada, se restringiu apenas à preliminar da possibilidade do pedido, não abordando o mérito da veracidade do crédito apresentado para compensação, a sua existência, suficiência e disponibilidade, dando certeza e liquidez ao direito pretendido, devendo esse montante ser confirmado pela autoridade administrativa de origem. CONCLUSÃO Ante todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para admitir a possibilidade de formação de indébito em recolhimento por estimativa, não homologando de plano a compensação pretendida, em virtude da ausência de análise do mérito do pedido pelo Despacho Decisório, devendo ser verificada pela autoridade local da Receita Federal do Brasil a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito objeto da compensação. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial para reconhecer o indébito formado pelas estimativas recolhidas e determinar que a unidade de origem emita novo despacho decisório considerando os valores existentes e confirmados. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 357DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.000623/2009-32
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Data do fato gerador: 01/03/2009
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTO OBJETO DE DESCAMINHO.
A comercialização de mercadoria objeto de descaminho constitui motivo para exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional.
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTO OBJETO DE DESCAMINHO. PRODUÇÃO DE EFEITOS.
Com a impugnação ao ADE, este se tornará efetivo quando a decisão definitiva for desfavorável ao contribuinte, produzindo a exclusão, contudo, efeitos a partir do próprio mês em que incorrida a hipótese de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho.
Numero da decisão: 1003-000.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Data do fato gerador: 01/03/2009 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTO OBJETO DE DESCAMINHO. A comercialização de mercadoria objeto de descaminho constitui motivo para exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTO OBJETO DE DESCAMINHO. PRODUÇÃO DE EFEITOS. Com a impugnação ao ADE, este se tornará efetivo quando a decisão definitiva for desfavorável ao contribuinte, produzindo a exclusão, contudo, efeitos a partir do próprio mês em que incorrida a hipótese de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho.
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EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTO OBJETO DE DESCAMINHO. A comercialização de mercadoria objeto de descaminho constitui motivo para exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTO OBJETO DE DESCAMINHO. PRODUÇÃO DE EFEITOS. Com a impugnação ao ADE, este se tornará efetivo quando a decisão definitiva for desfavorável ao contribuinte, produzindo a exclusão, contudo, efeitos a partir do próprio mês em que incorrida a hipótese de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 06 23 /2 00 9- 32 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13888.000623/200932 Acórdão n.º 1003000.139 S1C0T3 Fl. 128 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o Ato Declaratório Executivo DRF/PCA nº 39, de 28 de agosto de 2009, o qual determinou a exclusão da empresa do Simples Nacional a partir de 01 de março de 2009, com fundamento na disposição contida no artigo 5º, VII da Resolução CGSN nº 15/2007 (correspondente ao artigo 29, VII da Lei Complementar nº 123/2006), tendo em vista a comercialização, pela empresa, de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. A recorrente alega, em síntese: I Que na exclusão do Simples devem ser observados os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade; II Que "não violou os princípios da Lei 11898 de 08 de janeiro de 2009, pois a legislação pertinente já estava em vigor, a falta de regulamentação da respectiva legislação é o que motivou a entrada dos produtos no estabelecimento"; III Que deve ser aplicado o princípio da insignificância tributário para o feito, acrescentando que recolheu os valores apurados de IPI e multa, não tendo sido a Fazenda onerada pelas irregularidades apontadas; IV Que o ADE não pode produzir efeitos retroativos a 01/03/2009, mas apenas após de assegurada a prévia manifestação da contribuinte e definitivamente apreciadas na instância administrativa todas as matérias de defesa apresentadas. É o relatório. Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. I Em relação à observância dos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, é necessário observar que a exclusão do Simples Nacional em tela decorre de estrito cumprimento de ditame legal, tendo sido aplicadas aos fatos nunca contestados pela recorrente as determinações constantes do artigo 5º, VII da Resolução CGSN nº 15/2007 (correspondente ao artigo 29, VII da Lei Complementar nº 123/2006), não sendo cabível em esfera administrativa a discussão acerca da ponderação de efeitos legais aos mencionados princípios constitucionais. II A recorrente faz menção genérica à Lei 11.898/2009, mas não se vislumbra relação entre a vigência de tal lei à época dos fatos que ensejaram a exclusão do Simples em análise, cuja capitulação legal, já exaustivamente mencionada, jamais foi afastada ou revogada pela referida lei. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13888.000623/200932 Acórdão n.º 1003000.139 S1C0T3 Fl. 129 3 III No que se refere à aplicação do princípio da insignificância aos fatos, cabe registrar não haver previsão legal ou normativa para tal. O princípio da insignificância "tributário" a que se refere a recorrente corresponde aos limites legais mínimos para a Fazenda Nacional proceder à execução da cobrança de créditos tributários devidos, não havendo autorização para mitigar os efeitos da violação legal que culminou na exclusão do Simples com base nestes limites. Além disso, tratandose, em tese, de crime de descaminho, de caráter aduaneiro, devese ter em mente a primazia do caráter regulatório das normas em detrimento do arrecadatório, tornandose imperioso afastar a aplicação de tal princípio ao caso. O recolhimento de IPI e multa apurados na autuação da qual derivou a exclusão em tela tampouco afastam seus efeitos, por absoluta falta de previsão legal. A incidência de imposto e multa e a exclusão do Simples são conseqüências concomitantes das irregularidades apuradas, não havendo previsão para afastar a exclusão pela quitação dos valores apurados. IV A produção de efeitos da exclusão a partir do próprio mês em que incorrida a hipótese de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho está expressamente prevista no § 1º do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006. No entanto, ao regulamentar o art. 39 da mesma lei, o § 3ºA do art. 4º da Resolução CGSN nº 15/2007, incluído pela Resolução CGSN nº 46, de 18 de novembro de 2008, esclarece que, com a impugnação ao ADE, este se tornará efetivo quando a decisão definitiva for desfavorável ao contribuinte, observandose, quanto aos efeitos da exclusão, o disposto no art. 6º, o qual, em seu inciso VI, estabelece a produção de efeitos da exclusão a partir do próprio mês em que incorrida a hipótese de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. Em outras palavras, os efeitos da exclusão retroagem a 01/03/2009, mas estão suspensos, eis que sua efetividade se dará apenas quando da definitividade da decisão administrativa desfavorável. Ressalvado, conforme Súmula CARF nº 77, o direito da Fazenda lançar de ofício eventuais créditos tributários devidos em face da exclusão, com vistas a prevenir a decadência, ficando tais créditos com sua exigibilidade suspensa até a decisão administrativa definitiva. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13706.001563/2005-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
MATÉRIA NÃO INCLUÍDA NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO
Não deve ser conhecida a matéria não incluída na manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 3301-004.748
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2000, 2001, 2002 MATÉRIA NÃO INCLUÍDA NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO Não deve ser conhecida a matéria não incluída na manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 15 63 /2 00 5- 32 Fl. 279DF CARF MF Processo nº 13706.001563/200532 Acórdão n.º 3301004.748 S3C3T1 Fl. 280 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "O processo versa sobre pedido de restituição (fls. 03/84) referente a pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep. 2. Inicialmente a Unidade Local considerou o pedido “não formulado” (fls. 113/115). Como tal decisão foi anulada pela SRRF/7ªRF (fls. 167/171), a Unidade Local proferiu novo despacho decisório (fls. 176/179) indeferindo o pleito com o seguinte fundamento: Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 185/193) contra o referido ato administrativo, alegando que: a) Como o recorrente (substituído) é o contribuinte da obrigação tributária, e o fabricante/montadora (substituto) apenas o responsável tributário, por expressa determinação legal, cediço que a exação é suportada pelo recorrente, tendo total legitimidade ativa para pleitear a sua compensação/restituição. Esse entendimento é pacificado nos Tribunais pátrios. O acórdão colacionado pelo órgão a quo é antigo (1996). Confirase posicionamento mais recente: EREsp 648.288/PE, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJU de 11/9/2006. b) As pessoas jurídicas fabricantes e importadoras de veículos, na qualidade de contribuintes substitutos, transferem o ônus financeiro do tributo para as concessionárias de veículos, por natureza repercutível, fato este que está a autorizar a restituição do indébito pelos comerciantes varejistas, a quem, repisese, se transladou o respectivo encargo tributário. c) É o Recorrente quem suporta a carga tributária advinda dos fabricantes e importadores de veículos, que ao recolherem a contribuição no início da cadeia, acabam por repassála aos comerciantes. Daí decorre a legitimidade do Recorrente em requerer a repetição do indébito. d) A suposta ilegitimidade ativa do substituído (impugnante) não foi declarada no acórdão exarado pela Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte. Em assim sendo, o despacho ora recorrido não pode fazer reforma em prejuízo do impugnante. e) Exigir contribuição (PIS/Pasep e Cofins) sobre imposto federal é ruir com todo o ordenamento legal e constitucional, uma vez que cria hipótese de incidência de contribuição ao alvedrio da lei, o que contraria a Constituição da República. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 13706.001563/200532 Acórdão n.º 3301004.748 S3C3T1 Fl. 281 3 f) Consectário natural, quando as contribuições (PIS/Pasep e Cofins) forem cobradas e recolhidas antecipadamente pelo vendedor dos bens na condição de substituto tributário, deverá excluir da base de cálculo destas contribuições o IPI. g) Sob pena de ferir o princípio da legalidade e da hierarquia das leis, é inadmissível que um ato do Secretário da Receita Federal [IN SRF 54, de 2000, art. 3°, § 1°], de envergadura jurídica menor, substitua o que está expresso na legislação ordinária e na medida provisória. h) O artigo 3º, § 2º, da Lei n° 9.718/98 dispôs sobre a base de cálculo com o único objetivo de assegurar aos contribuintes (de PIS/Pasep e Cofins) a aplicação de princípios constitucionais tributários, evitando a cobrança de tributo com efeito confiscatório, a fim de se fazer respeitar a capacidade financeira do contribuinte. Por fim, efetivou os seguintes pedidos: 4.1 Que seja reconhecido os cálculos efetuados pela Recorrente e, consequentemente, seja declarada a inexistência de saldo devedor. 4.2 Que seja reconhecida a homologação TOTAL dos pedidos de compensação consubstanciados nos PER/DCOMPs. 4.3 Ad Argumentandum, caso assim não entenda a Delegacia, que seja convertido o julgamento em diligência a fim que seja efetuado novo cálculo de atualização dos valores, nos moldes elaborados pela Recorrente e em atendimento aos artigos 28 c/c 72 da IN 1.300/2012. 5. É o relatório." A DRJ em Fortaleza (CE) julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 0834.504 foi assim ementado: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000, 2001, 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DE CONTESTAR. O requerente possui o ônus de controverter os motivos de fato e de direito que fundamentaram a denegação do pedido de restituição. Caso contrário, a manifestação de inconformidade não deve ser conhecida. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que, basicamente, repete os argumentos contidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 13706.001563/200532 Acórdão n.º 3301004.748 S3C3T1 Fl. 282 4 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator A DRF indeferiu Pedido de Restituição (PER), em razão de não ter sido apresentado por meio do Programa PER/DCOMP. A DRJ ratificou o posicionamento da fiscalização e não conheceu da manifestação de inconformidade, pois a recorrente não apresentou argumentos que justificassem a não utilização do Programa PER/DCOMP, apesar de o respectivo dispositivo legal já se encontrar à época vigente. No recurso voluntário, a recorrente limitouse a consignar que a legislação permitia a apresentação do PER "em papel" ou via PER/DCPM, que o agente da RFB que recebeu o PER deveria ter alertado a recorrente que não estava procedendo de forma correta e que a apresentação "em papel" em nada prejudicaria a realização da validação dos créditos. Tais alegações, contudo, se, por um lado, não devem ser conhecidas, pois preclusas, uma vez que não foram incluídas na manifestação de inconformidade (art. 17 do Decreto n° 70.235/72), por outro, à luz da legislação adiante mencionada, não se configuram como justificativa à não utilização do Programa PER/DCOMP. Não obstante, julgo conveniente transcrever excerto da decisão de piso, contendo a legislação aplicável à apresentação de PER e análise correspondente, o que demonstrará que, ainda que tais alegações não fossem consideradas como preclusas, não justificariam a entrega do PER/DCOMP "em papel": "JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE 6. Como a manifestação de inconformidade não preencheu os requisitos de admissibilidade, dela não se toma conhecimento. Explicase. 7. O despacho decisório de fls. 176/179 contém o seguinte teor: Fl. 282DF CARF MF Processo nº 13706.001563/200532 Acórdão n.º 3301004.748 S3C3T1 Fl. 283 5 8. Ou seja, conforme CONCLUSÃO do referido despacho (vide item 13), indeferiuse o pleito de restituição sob o fundamento de questão preliminar relativa à ausência de entrega do pedido de restituição mediante utilização do programa eletrônico PER/DCOMP, na forma do artigo 111 da IN RFB n° 1.300/2012. 9. Já os itens 11 e 12 do despacho contém outros fundamentos que, todavia, ficaram prejudicados pela citada questão preliminar. É dizer, tratase de alegações da autoridade fiscal apenas para reforço argumentativo (ad argumentandum tantum), prevenindose a hipótese de outro órgão julgador, administrativo ou judicial, venha a ultrapassar a questão prévia. 10. Prosseguindo no juízo de admissibilidade, eis o texto do citado artigo 111 que, por sua vez, menciona o artigo 113, §§2° a 5°: "Art. 111. Será indeferido sumariamente o pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2° a 5° do art. 113, não tenha utilizado o programa PER/DCOMP para formular o pedido. (...) Art. 113. Ficam aprovados os formulários: I Pedido de Restituição ou Ressarcimento Anexo I; (...) Fl. 283DF CARF MF Processo nº 13706.001563/200532 Acórdão n.º 3301004.748 S3C3T1 Fl. 284 6 § 2º Os formulários a que se refere o caput poderão ser utilizados pelo sujeito passivo somente nas hipóteses em que a restituição, o ressarcimento, o reembolso ou a compensação de seu crédito para com a Fazenda Nacional não possa ser requerido ou declarado eletronicamente à RFB mediante utilização do programa PER/DCOMP. § 3º A RFB caracterizará como impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP a ausência de previsão da hipótese de restituição, de ressarcimento, de reembolso ou de compensação no aludido programa, bem como a existência de falha no programa que impeça a geração do Pedido Eletrônico de Restituição, do Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou da Declaração de Compensação. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1425, de 19 de dezembro de 2013) § 4º A falha a que se refere o § 3º deverá ser demonstrada pelo sujeito passivo à RFB no momento da entrega do formulário, sob pena do enquadramento do documento por ele apresentado no disposto no § 1º do art. 46 ou no art. 111. § 5º Aplicase o disposto no § 1º do art. 46 e no art. 111, quando a impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP decorrer de restrição nele incorporada em cumprimento ao disposto na legislação tributária. 11. A regra geral de apresentar pedido de restituição, mediante programa eletrônico, não é nova na legislação tributária federal, pois desde a IN SRF 460/2004 (artigo 31) já assim dispunha. 12. O pedido de restituição foi interposto em 09/06/2005 (fl. 03/84) e, portanto, depois da publicação da regra de obrigatoriedade citada no parágrafo anterior. 13. Todavia, em sua manifestação de inconformidade, o administrado não combateu o fundamento eleito pela autoridade local para indeferir seu pleito, consistente na questão preliminar da ausência de entrega do pedido mediante programa eletrônico. Preferiu defender seu direito à restituição (mérito), sem atentar para a forma. 14. A IN RFB 1300/2012, acima transcrita, estipula algumas exceções para apresentação do pedido de restituição em formulário (papel): ausência de previsão da hipótese de restituição no programa PER/DCOMP; e a existência de falha no aludido programa que impeça a geração do Pedido Eletrônico de Restituição. Porém, o contribuinte não demonstrou se enquadrar em qualquer uma delas. 15. O artigo 74, § 14, da Lei n° 9.430, de 1996, 1 a Secretaria da Receita Federal disciplinará o procedimento de restituição e compensação. Portanto, não só o julgador administrativo como também o contribuinte devem obedecer às normas infralegais emitidas pelo titular do ente fiscal, como são exemplos as INs n° 460/2004, 600/2005, 900/2008 e 1.300/2012, todas prescrevendo a obrigatoriedade da entrega de pedido eletrônico de restituição. 16. Cumpre explicitar que a competência das DRJs limitase ao exame de inconformidade do administrado contra apreciação da Unidade Local em processos relativos a compensação, por força do Decreto nº 70.235, de 1972 (art. 25), da Lei nº 9.430, de 1996 (§ 11 do art. 74, incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) e do Regimento Interno da RFB (art. 233, IV e § 2°, da Portaria MF nº 203, de 14/05/2012), de modo que fica sem objeto o processo no qual o requerente não controverteu os fundamentos fáticos e jurídicos da denegação do pedido de restituição (arts. 15, 16, III e § 4º, e 17 do Decreto nº 70.235, de 1972): Fl. 284DF CARF MF Processo nº 13706.001563/200532 Acórdão n.º 3301004.748 S3C3T1 Fl. 285 7 "Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os MOTIVOS DE FATO E DE DIREITO EM QUE SE FUNDAMENTA, OS PONTOS DE DISCORDÂNCIA E AS RAZÕES e provas que possuir; (...) § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." (grifos nossos) 17. Como o fundamento utilizado pela Unidade Local para indeferir seu requerimento não foi contraditado pelo contribuinte, tal fundamento permanece válido e pleno a sustentar o despacho decisório de fls. 176/179, pelo que a manifestação de inconformidade não deve ser conhecida. As demais alegações do administrado ficaram prejudicadas." Com base no acima exposto, não conheço do recurso voluntário. E, em razão disto, deixo de apreciar os argumentos da recorrente que tinham como objetivo o de sustentar a legitimidade dos créditos objetos do PER. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 285DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19558.720210/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Ano-calendário: 2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. DANO AO ERÁRIO. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO. DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO. PROVA DE DANO AO ERÁRIO. DESNECESSIDADE.
Caracterizada a omissão no enfrentamento da matéria suscitada pelo sujeito passivo, integra-se o voto embargado para explicitar os fundamentos fáticos e legais, consistentes a amparar a demonstração do ilícito.
Prescinde de comprovação o dano ao erário para aplicar a pena prevista no § 1º, do art. 23 do Decreto-Lei nº 1.455/76, caso que se inclui a constatação de falsificação de documento necessário ao desembaraço aduaneiro de importação (art. 105, VI do DL 37/66).
Numero da decisão: 3201-004.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para assentar a tese da prescindibilidade da comprovação do dano ao erário para a aplicação da pena prevista no art. 23 do Decreto-Lei nº 1.455/76, no caso de falsificação de documento necessário ao desembaraço aduaneiro de importação. Vencido o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que entendeu pelo não conhecimento dos embargos
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Ano-calendário: 2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. DANO AO ERÁRIO. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO. DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO. PROVA DE DANO AO ERÁRIO. DESNECESSIDADE. Caracterizada a omissão no enfrentamento da matéria suscitada pelo sujeito passivo, integra-se o voto embargado para explicitar os fundamentos fáticos e legais, consistentes a amparar a demonstração do ilícito. Prescinde de comprovação o dano ao erário para aplicar a pena prevista no § 1º, do art. 23 do Decreto-Lei nº 1.455/76, caso que se inclui a constatação de falsificação de documento necessário ao desembaraço aduaneiro de importação (art. 105, VI do DL 37/66).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para assentar a tese da prescindibilidade da comprovação do dano ao erário para a aplicação da pena prevista no art. 23 do Decreto-Lei nº 1.455/76, no caso de falsificação de documento necessário ao desembaraço aduaneiro de importação. Vencido o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que entendeu pelo não conhecimento dos embargos (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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OMISSÃO. EXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. DANO AO ERÁRIO. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO. DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO. PROVA DE DANO AO ERÁRIO. DESNECESSIDADE. Caracterizada a omissão no enfrentamento da matéria suscitada pelo sujeito passivo, integrase o voto embargado para explicitar os fundamentos fáticos e legais, consistentes a amparar a demonstração do ilícito. Prescinde de comprovação o dano ao erário para aplicar a pena prevista no § 1º, do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76, caso que se inclui a constatação de falsificação de documento necessário ao desembaraço aduaneiro de importação (art. 105, VI do DL 37/66). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para assentar a tese da prescindibilidade da comprovação do dano ao erário para a aplicação da pena prevista no art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76, no caso de falsificação de documento necessário ao desembaraço aduaneiro de importação. Vencido o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que entendeu pelo não conhecimento dos embargos (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 55 8. 72 02 10 /2 01 2- 91 Fl. 457DF CARF MF Processo nº 19558.720210/201291 Acórdão n.º 3201004.009 S3C2T1 Fl. 458 2 Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o presente processo de embargos de declaração opostos pelo sujeito passivo, em face do Acórdão 3201003.086, prolatado por esta Turma na sessão de 29/08/2017. O acórdão embargado negou provimento ao Recurso Voluntário, cuja ementa foi assim redigida: Assunto: Imposto sobre a Importação II Anocalendário: 2011 DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO DA MERCADORIA. MULTA SUBSTITUTIVA. Conjunto probatório colhido de forma direita e indiciária demonstra a prática de atos que à luz da legislação aduaneira configuram infrações consideradas dano ao erário, sancionadas com a multa substitutiva da pena de perdimento, com fundamento nos arts. 105, VI do DL 37/66 e 23, §§ 1º e 3º do DL 1455/76. FALSIDADE DOCUMENTAL. PROVA INDICIÁRIA. Não demonstrada a regularidade dos preços declarados, a veracidade da documentação apresentada frente à análise merceológica do produto e à ausência de documentos (conhecimento de carga) instrutivos do despacho aduaneiro, e diante de provas irrefutáveis obtidas no curso do procedimento fiscal, legítima a acusação de falsificação material e ideológica das faturas comerciais e das declarações de importação. SUBFATURAMENTO. ARBITRAMENTO Legítimo o procedimento de arbitramento dos preços das mercadorias importadas, realizado com fundamento no art. 88 da MP 2.15835/01, após a constatação do subfaturamento, lastreado na utilização de faturas ideologicamente falsas na instrução do despacho. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTS. 124 E 135, II CTN. PRÁTICA ILICITUDE. BENEFÍCIOS AUFERIDOS. Atribuise a responsabilidade tributária, nos termos do art. 124 e 135, II do CTN, à pessoa física detentora de instrumento público que lhe confere amplos e ilimitados poderes de gestão de empresa estabelecida em sua própria residência, conquanto não Fl. 458DF CARF MF Processo nº 19558.720210/201291 Acórdão n.º 3201004.009 S3C2T1 Fl. 459 3 figura no quadro societário, mas que comanda operações ilícitas de comércio exterior. DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO DE MANUTENÇÃO DOS DOCUMENTOS INSTRUTIVOS DO DESPACHO. MULTA. O descumprimento da obrigação de manter em boa ordem e guarda os documentos instrutivos do despacho enseja a aplicação de multa de 5% do valor da transação. Tendo o autuado, regularmente intimado, descumprido a obrigação de apresentar os conhecimentos marítimos (BLs) referentes a operações de importação fiscalizadas, cabe a aplicação da sanção. Recurso Voluntário Negado. Cientificado da decisão, o sujeito passivo interpôs embargos de declaração, sustentando que a decisão recorrida contém omissões ao deixar de se manifestar acerca de "pontos" (argumentos) de defesa apresentados em recurso voluntário, os quais reputa essenciais ao julgamento do feito. Em síntese aduz: (i) Omissão quanto à fundamentação da ocorrência de dano ao Erário; (ii) Omissão quanto aos fundamentos da declaração de falsidade dos documentos fiscais apresentados e seu enfrentamento à luz do princípio da legalidade; (iii) Omissão quanto à análise de informações e circunstância que denotariam a idoneidade dos preços praticados; (iv) Omissão quanto à responsabilidade pessoal à luz dos artigos 134 e 135 do CTN; (v) Omissão quanto à análise dos documentos que comprovariam a duplicidade da autuação. No despacho de admissibilidade (fls. 447/450), atestouse a tempestividade da peça e, no mérito da análise, acolheu em parte os embargos, apenas em relação à omissão por ausência de apreciação de seus argumentos quanto à ausência de fundamentação da ocorrência de dano ao Erário, uma vez que somente em relação a tal matéria mostrouse procedente a alegação de omissão, restando improcedentes as demais arguições da embargante. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Admitidos os embargos por decisão do Presidente da Turma, o processo foi a mim distribuído, o qual incluí em pauta de julgamento. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 19558.720210/201291 Acórdão n.º 3201004.009 S3C2T1 Fl. 460 4 Conforme relatado, os embargos foram acolhidos exclusivamente em face da constatação de omissão na decisão recorrida quanto às razões de decidir para manter aos autuados a imputação de infração considerada dano ao erário que, segundo a embargante, não houve fundamentação da ocorrência do dano. Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF), cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. Em sede de embargos de declaração o sujeito passivo vem aduzir ausência de fundamentos para a caracterização do dano ao erário, não levados em consideração na decisão. Alega que não foi indicado na decisão recorrida os fundamentos que persuadiram o Redator designado à lavra do voto vencedor a concluir que a contribuinte incorreu em ato ilícito do qual resultou dano ao erário. Também pende a acusação de que não se esclareceu ou detalhou os motivos da incidência da respectiva sanção ao caso concreto, conforme explicitado no excerto do embargo: Presente esse contexto, impõese desse Órgão Julgador, sob pena de nulidade do acórdão por vício de fundamentação, que esclareça, pormenorizadamente, em que medida a conduta da aqui peticionante configurou danos ao erário e quais as tais provas irrefutáveis que corroboram e autorizam essa inferência. Cabe esclarecer inicialmente que o litígio apresentado a este Colegiado delimitouse à acusação de subfaturamento dos preços nas importações realizadas pela contribuinteimportadora, mediante a utilização/instrução no/do despacho aduaneiro de documentos eivados de falsidade material e ideológica, em especial, as próprias declarações de importação DIs, e as faturas comerciais, infração esta considerada dano ao erário, com fundamento no inciso VI, do art. 105 do DecretoLei nº 37/66. A embargante indaga "em que medida a conduta da aqui peticionante configurou danos ao erário". O fundamento para a caracterização do dano ao erário é legal e de tipificação cerrada. Uma vez demonstrada na autuação fiscal as práticas ilícitas, dentre as quais a falsificação material e ideológica do principal documento de apresentação obrigatória no despacho aduaneiro a fatura comercial, bem como da própria declaração de importação por conter informações inverídicas, temse, por decorrência jurídica, a subsunção do fato à norma. Ou seja, a lei considera dano ao erário a infração relativa à mercadoria estrangeira, na importação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado. Reproduzo os textos legais: DecretoLei nº 37/1966: Fl. 460DF CARF MF Processo nº 19558.720210/201291 Acórdão n.º 3201004.009 S3C2T1 Fl. 461 5 Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: (...) VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; DecretoLei nº 1.455/1976: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. (...) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Estes fundamentos encontramse abordados no voto vencedor do acórdão às folhas 402 e 403, os quais reproduzo excerto (grifei): Dos elementos apontados acima, podese concluir que não merecem fé as declarações prestadas pela Brazex e seu fornecedor Ideal Food (Yoyo), pois todas as constatações apresentadas e indícios levantados pela fiscalização refutam o preço praticado. O importador não demonstrou capacidade operacional e negocial para obter preços vantajosos com as reduções substanciais, vez que restou comprovado não possuir estrutura operacional, bem como não realizou compras expressivas em relação a outros importadores. Sua sede está localizada em um prédio de apartamento cujo morador é pessoa com amplos poderes para exercer a representação e sequer era sócio no período das importações auditadas. O conjunto de provas diretas e indiciárias não deixam dúvidas da falsidade material das faturas comerciais e do subfaturamento de preço, configurando fraude, nos termos do art. 72 da lei nº 4.502/64. Refutase a afirmação de que a autuação baseouse em mera estatísticas ou média de preços. Assentado nas fortes e irrefutáveis provas, legítima a acusação de falsificação material das faturas comerciais e do documento formal de importação a DI, ilícito caracterizado dano ao erário nos termos do art. 105, VI do DecretoLei nº 37/66 e sancionado com a pena de perdimento, nos termos do art. 23, §§ 1º e 3º do DecretoLei nº 1.455/76. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 19558.720210/201291 Acórdão n.º 3201004.009 S3C2T1 Fl. 462 6 O enunciado da ementa sintetiza em um só parágrafo os fundamentos fáticos e legais para a caracterização do ilícito considerado dano ao erário: DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO DA MERCADORIA. MULTA SUBSTITUTIVA. Conjunto probatório colhido de forma direita e indiciária demonstra a prática de atos que à luz da legislação aduaneira configuram infrações consideradas dano ao erário, sancionadas com a multa substitutiva da pena de perdimento, com fundamento nos arts. 105, VI do DL 37/66 e 23, §§ 1º e 3º do DL 1455/76. Por fim, indaga também a embargante " quais as tais provas irrefutáveis que corroboram e autorizam essa inferência". Pois bem. Nas folhas 400 a 402 do voto vencedor foram enumerados 24 (vinte e quatro) elementos comprobatórios, diretos ou indiciários, nos quais a fiscalização sustentou suas conclusões, os quais a maioria vencedora entendeu consistentes a amparar os ilícitos apontados. Transcrevo o excerto que alude e esclarece as provas colacionadas pela autoridade fiscal: "O conjunto probatório levantado pela fiscalização referese à operações comerciais de alho no mercado mundial, no país, e entre a recorrente e seu fornecedor; ao potencial comercial da recorrente e seu procurador; aos concorrentes; aos preços do alho chinês; e aos documentos, colhidos no despacho aduaneiro e outros obtidos (importadores). Seguem os elementos apresentados pela fiscalização que se constituem o suporte fático de suas conclusões que constam do presente processo, que entendo consistentes a amparar os ilícitos desnudados: 1. O valor declarado pelo impugnante, em torno de usd 250,00, representa apenas 35% do valor médio das importações brasileiras de alho chinês no de 2011: usd 708,58 (média anual das importações); 2. As transações ocorridas no mesmo mês da operação sob suspeição, teve valor declarado 40% do valor médio declarado no mês usd 617.44: 3. Três empresas responderam por 90% das importações, conforme tabelas apresentadas às fls. 56 e seguintes; 4. O peço médio praticado pela Brazex representa cerca de 31% do preço médio regional. 5. A Brasex não é o maior importador regional, este identificado como empresa "C" na tabela comparativa nas importações regionais por quantidade; 6. Os preços baixos declarados pela Brazex teriam sido observados também em suas importações junto a outros fornecedores chineses; Fl. 462DF CARF MF Processo nº 19558.720210/201291 Acórdão n.º 3201004.009 S3C2T1 Fl. 463 7 7. A empresa funciona na residência de seu administrador, em bairro de classe média alta na cidade de Fortaleza/CE, e não possui depósito próprio para armazenagem de estoques; 8. Das 29 transações da Brazex, entre 29/05/08 a 30/12/2011, o preço médio praticado foi de usd 311/ton, com desvio padrão de usd 24, tendo sido a única empresa a jamais experimentar qualquer variação sazonal no preço do produto, não obstante as profundas oscilações de preço verificadas no período; 9. No segundo semestre de 2010, período em que teriam sido praticados preços excepcionalmente altos no mercado internacional, em razão de quebra de safra na China, a Brazex registrou transações envolvendo três fornecedores distintos, com valores declarados de usd 325/ton, o que equivalia a menos de 15% do preço FOB médio do período. O menor valor FOB declarado por outros importadores do fornecedor Ideal Food nesse período foi de usd 2.200/ton; 10. O Certificado de Classificação do alho, emitido sob a égide normativa do Ministério da Agricultura Pecuária e do Abastecimento (MAPA), classificou o produto como EXTRA, tipo ROXO, subgrupo Nobre, 100% CLASSE 7, ou seja, tratavase de alho de qualidade superior; 11. Nas folhas 270/280 demonstramse substanciais diferenças na forma e no conteúdo das invoices emitidas pelo mesmo exportador para Brazex e a empresa "Verde", sendo relevante quanto ao padrão de impressão gráfica, à identificação da Ideal Food, aos valores praticados, à assinatura, ao formato de data adotado; 12. Em curto período de tempo 19 a 23 de junho de 2011 ou seja dos dois dias que antecederam o embarque até os dois dias seguintes, foram localizadas no Siscomex 54 exportações de alho para o Brasil com embarque no mesmo porto de Qingdao. O valor médio do alho embarcado seria de usd 900 ton. com desvio padrão de usd 204 ton. sendo o valor declarado pela Brazex o menor em todos os embarques: 13. No período de 11 a 15 de julho de 2011 (considerandose os dois dias que antecederam ao embarque da mercadoria e os dois dias seguintes), foram localizadas 94 operações de exportação de alho para o Brasil, ao preço médio de usd 661/ton, com desvio padrão de usd 225/ton. Destacase que o valor informado pela Brazex pareceu imune à sazonalidade do produto (diferentemente do que se observou nas transações dos demais importadores), e novamente, foi o menor valor observado nos registros do Siscomex; 14. As faturas objeto de comparação teriam sido emitidas na mesma data, pelo mesmo exportador, relativas ao mesmo produto (normal white garlic 6cm up), transacionado na mesma quantidade, com diferença de preço de 100% e 260 %, respectivamente; 15. Pessoa representante da Ideal Food Yoyo informou à empresa "Verde" que o preço do alho, na data de 09/01/2012, seria de usd 620/ton, acrescentando que o tipo de mercadoria e embalagem seria o mesmo transacionado pela Brazex. Informou ainda que a condição de pagamento seria 20% adiantados e o restante após 25 dias da data de emissão do BL, ou na entrega dos documentos originais (DP – Documents against Payment). Yoyo apontou que possuiria cinco clientes no Brasil que poderiam atestar a qualidade de seu produto; Fl. 463DF CARF MF Processo nº 19558.720210/201291 Acórdão n.º 3201004.009 S3C2T1 Fl. 464 8 16. A Brazex por sua vez informa que o pagamento fora integral antecipado, prática pouco comum em transações de comércio internacional, face aos riscos envolvidos; 17. As duas informações são contraditórias, ao menos uma delas é inverídica, colocando sob suspeita tanto Brazex como Yoyo/Ideal Food; 18. O preço informado pela Ideal Food (usd 620) seria compatível com o preço médio verificado no último quadrimestre de 20111 (usd 656/ton), próximo ao preço médio do mês de dezembro de 2011 (usd 617,44/ton); 19. Acrescentou a autoridade fiscal que em pesquisa na internet, o site http: chnagarhc.biz chinesegarlicprice., forneceria cotações de 90% das regiões produtoras de alho da China, e na data de 19/10/2011 o preço do alho (normal white garlic 6cm UP) seria de USS 700/ton. Nos outros dias de outubro o preço do alho teria variado entre usd 655 tnl e Usd 735/ton; 20. Na mesma data de embarque da Brazex, grande rede de supermercados do Nordeste embarcara o produto usd 905,96/ton, sendo o valor médio praticado no período (excluída a Brazex) de usd 657,09/ton, com desvio padrão de usd 118,80. Observase ainda que o menor valor declarado (excluída a Brazex) seria de usd 481,35/ton, ou seja, quase o dobro do declarado pela autuada; 21. No cotejamento das faturas apresentadas pela Brazex e aquelas fornecidas no momento do despacho aduaneiro, que deveriam ser as mesmas, há divergência quanto ao layout, preenchimentos e assinaturas. A comparação entre as faturas da empresa "Verde" também revelam diferenças; 22. Intimada a apresentar cópias das declarações de exportação do fornecedor, originais dos BLs a Brazex, não o fez; 23. O reconhecimento da assinatura do exportador foi por semelhança e por pessoa diversa da autorizada – Consul ou vicecônsul; 24. A declaração produzida pelo exportador afirma a veracidade dos preços, sem a comprovação com os documentos solicitados e em contradição da realidade dos preços praticados pela exportadora com outros importadores brasileiros; Cabe registrar que todos os esclarecimentos prestados pela autuada, no curso do procedimento fiscal, com vistas a demonstrar a regularidade dos preços declarados e a higidez da documentação apresentada foram rechaçados pela autoridade fiscal no Relatório Fiscal." Entendo que em verdade a dita omissão cingese à ausência de comprovação do dano como requisito para a aplicação da pena de perdimento não encontra esteio no texto legal. O caput do art. 23 aponta para as situações que são consideradas dano ao erário e estipula a sanção o perdimento das mercadorias , e o texto não demanda condição ou demonstração da ocorrência e qual a natureza do dano. Ou seja, há um silogismo lógico que implica raciocinar como segue: (i) as infrações relacionadas nos incisos do art. 23 são Fl. 464DF CARF MF Processo nº 19558.720210/201291 Acórdão n.º 3201004.009 S3C2T1 Fl. 465 9 consideradas dano ao erário, e (ii) o dano é punível com o perdimento, (iii) logo, a prática de situação descrita no art. 23 implica o perdimento. Assim, ocorrendo a situação fática prevista no inciso IV do art. 23 do DL nº 1.455/76 inarredável está a caracterização do dano ao Erário. No caso dos autos, a fiscalização entendeu comprovada a situação fática de falsificação dos documentos do despacho aduaneiro de importação (inciso VI do art. 105, do DL nº 37/66), infração esta que se aplica a pena de perdimento (§ 1º, art. 23, do DL 1.455/76). Conclusão Caracterizada a omissão no enfrentamento da matéria suscitada pelo sujeito passivo, integrase o voto embargado para explicitar os fundamentos fáticos e legal, bem como para assentar a tese da prescindibilidade da comprovação do dano ao erário, para aplicar a pena prevista no art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76, no caso falsificação de documento necessário ao desembaraço aduaneiro de importação. Por todo exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração interpostos, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 465DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13606.000156/2006-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2001
Ordem Escrita. Autorização para Reexame de Exercício.
Em relação ao mesmo exercício, é possível um segundo exame, desde que haja autorização formal da autoridade competente.
Lançamento. Servidor Competente.
O lançamento é válido, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo.
Numero da decisão: 1301-003.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2001 Ordem Escrita. Autorização para Reexame de Exercício. Em relação ao mesmo exercício, é possível um segundo exame, desde que haja autorização formal da autoridade competente. Lançamento. Servidor Competente. O lançamento é válido, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1409; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 491 1 490 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13606.000156/200617 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.170 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de junho de 2018 Matéria SIMPLES FEDERAL OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente BOM GOSTO ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2001 ORDEM ESCRITA. AUTORIZAÇÃO PARA REEXAME DE EXERCÍCIO. Em relação ao mesmo exercício, é possível um segundo exame, desde que haja autorização formal da autoridade competente. LANÇAMENTO. SERVIDOR COMPETENTE. O lançamento é válido, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 6. 00 01 56 /2 00 6- 17 Fl. 491DF CARF MF Processo nº 13606.000156/200617 Acórdão n.º 1301003.170 S1C3T1 Fl. 492 2 Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild. Relatório Tratase de recurso interposto por BOM GOSTO ALIMENTOS LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 0222.645, da 4ª Turma da DRJ Belo Horizonte, que negou provimento à impugnação da recorrente e manteve contra ela o lançamento que exigia crédito tributário no montante de R$ 46.294,48 relativo ao Simples Federal dos meses de novembro e dezembro de 2001. O lançamento, objeto do presente processo, colheu duas infrações. A primeira foi a omissão de receitas, que gerou diferenças de base de cálculo nos meses de novembro e dezembro de 2001. A segunda infração, consequência natural da primeira, é a insuficiência de recolhimento pela aplicação incorreta da alíquota do Simples. Contestado o lançamento, o processo foi remetido à DRJ BHE, que negou provimento à impugnação em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 COMPETÊNCIA Os procedimentos de fiscalização serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. A formalização da exigência, nestes termos, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer INÍCIO DE PROCEDIMENTO O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO E CONTRIBUIÇÕES DAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS SIMPLES LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O lançamento será efetuado de ofício quando o sujeito passivo não efetuar ou efetuar com inexatidão o pagamento do crédito tributário apurado pelo SIMPLES. Não resignada, BOM GOSTO ALIMENTOS recorreu. Na peça recursal, entretanto, foram atacadas as decisões proferidas pela 4ª Turma da DRJ BHE nos processos 13606.000153/200683, 13606.000154/200628 e 13606.000156/200617, que, embora tendo o mesmo sujeito passivo, envolviam fatos e períodos distintos. A recorrente alegou, em preliminar: a) Violação do princípio do contraditório e da ampla defesa, tendo em vista que as intimações não teriam sido remetidas para o domicílio da recorrente. b) Falta de autorização expressa da autoridade competente para reexame de período já fiscalizado e homologado. Aduziu que a autorização do Delegado da Receita Federal, para instauração de um novo procedimento fiscal, não pode ser substituída por despachos de outros funcionários públicos, sem a ciência à priori do sujeito passivo. Fl. 492DF CARF MF Processo nº 13606.000156/200617 Acórdão n.º 1301003.170 S1C3T1 Fl. 493 3 c) Falta de expedição de Mandado de Procedimento Fiscal MPF pela autoridade competente, considerando o atual domicílio tributário. No mérito, alegou que: a) deveriam ter sido excluídos os valores apurados pela autoridade fiscal em 2002; b) o lançamento colheu valores já incluídos no parcelamento especial previsto na Medida Provisória nº 303/2006; c) houve ilegalidade na forma de tributação adotada a partir de 2002, além de inaplicabilidade do arbitramento em 2002 e da opção do lucro real em 2003. Questionou, por fim, a multa de 75% para os débitos incluídos no parcelamento. No final, a recorrente assim resumiu suas alegações: As diferenças apuradas se resumem a: SIMPLES 2001 valores apurados pelos livros fiscais, contudo, ano já objeto de auditoria fiscal anterior. IRPJ Arbitramento do Lucro em 2002 em confronto com os valores apurados pelo contribuinte nos livros e oferecidos à tributação pelo Lucro Presumido, e desconsiderados os valores recolhidos espontaneamente e valores inseridos no PAEX. IRPJ Lucro Real em 2003 em confronto com os valores apurados pelo contribuinte nos livros e oferecidos à tributação pelo Lucro Presumido. PIS NÃO CUMULATIVO (1,65%) SOMENTE SOBRE VENDAS Tributação em 2003, contudo sem direito a crédito de compras de mercadorias, sendo que a opção do contribuinte foi como cumulativo (0,65%), e os valores incluídos no PAEX. COFINS CUMULATIVO (3%) SOMENTE SOBRE VENDAS Tributação em 2003, em igual valor incluído no PAEX. Com esses fundamentos, pugnou pelo provimento do recurso. É o relatório. Fl. 493DF CARF MF Processo nº 13606.000156/200617 Acórdão n.º 1301003.170 S1C3T1 Fl. 494 4 Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Como ficou consignado no relatório, o recurso engloba matérias pertinentes a três autuações distintas, envolvendo períodos e tributos também distintos. Porém, como o presente processo cingiuse ao lançamento de diferenças de bases de cálculo do Simples Federal, nos meses de novembro e dezembro de 2001, apenas alguns pontos suscitados no recurso têm aplicação ao caso em exame. Em primeiro lugar, não há nulidade pelo alegado envio de intimações a local que já não era domicílio da recorrente. Ainda que tal fato tivesse ocorrido, ele não impediu que a recorrente viesse aos autos impugnar o lançamento, nem frustrou o recurso contra a decisão de primeira instância. Portanto, ainda que vício existisse, dele não teria decorrido prejuízo ao direito de defesa e ao contraditório. Rejeitase, pois, a arguição de nulidade. A legislação vigente contempla a possibilidade de uma segunda fiscalização de período já fiscalizado, desde que, para tanto, haja autorização expressa da autoridade competente. É o que diz o art. 906 do Regulamento do Imposto de Renda RIR: Art. 906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal. No caso em tela, a exigência foi atendida, como se constata do documento de fl. 128, em que o Chefe da Seção de Programação, Avaliação e Controle de Atividade Fiscal Sapac, comunicando a existência de fato novo, solicitou autorização para proceder a novo exame de período já fiscalização. Eis o teor do documento: Ao: Sr. Delegado da Receita Federal em Belo Horizonte Ref.: Reexame de período já fiscalizado Em virtude do que preceitua o art. 906 do vigente Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99), solicitamos autorização para novo exame dos exercícios 2002 e 2003 (anoscalendário 2001 e 2002) da empresa Bom Gosto Alimentos, CNPJ 38.465.670/000156. A necessidade do reexame devese ao recebimento, por esta SAPAC, de informações de receitas de vendas, fornecidas pela Secretaria do Estado da Fazenda de Minas Gerais. Estas informações não foram objeto de análise na ação fiscal empreendida na empresa e não estavam disponíveis à época. (g.n.) (fl. 128) A autorização foi deferida, como se constata do próprio documento. Não há, portanto, nulidade decorrente dessa circunstância. Nesse sentido, existem várias decisões do CARF: MPF. ORDEM ESCRITA. AUTORIZAÇÃO PARA REEXAME DE EXERCÍCIO. Fl. 494DF CARF MF Processo nº 13606.000156/200617 Acórdão n.º 1301003.170 S1C3T1 Fl. 495 5 Em relação ao mesmo exercício, é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal. O Mandato de Procedimento Fiscal é instrumento que consubstancia a própria autorização, por se tratar de ordem escrita para exame do exercício. (Acórdão nº 1301002.111) REEXAME. MESMO EXERCÍCIO. Em relação ao mesmo exercício, é possível um segundo exame mediante ordem escrita da autoridade competente. (Acórdão nº 1402002.120) Quanto à expedição do MPF, o Delegado da DRF BHE era competente para fazêlo, considerando o disposto no Decreto nº 70.235/1972: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. (...) Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (...) § 2° Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7° serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. É importante lembrar que se tratava de reexame de período já fiscalizado pela DRF BHE; que as informações foram a ela remetidas pela Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais; e que a alteração de domicílio, como frisou a decisão recorrida, não havia sido formalmente comunicada à Receita Federal via DBE. A esse respeito, consta do Termo de Verificação Fiscal TVF: Inicialmente cabe salientar que a fiscalizada mudou seu estabelecimento para a cidade do Rio de Janeiro, conforme se comprova pela alteração do contrato social registrado na JUCEMG em 26/07/2006 sob o n° 3566455 (fls. 67 a 69). No entanto, somente em 05/10/2006 o contribuinte informou à Secretaria da Receita Federal, através do Documento Básico de Entrada do CNPJ, sua mudança de endereço (fl. 72). (fls. 40 e 41) Fl. 495DF CARF MF Processo nº 13606.000156/200617 Acórdão n.º 1301003.170 S1C3T1 Fl. 496 6 Em suma, a expedição do MPF não importou em vício que pudesse, de alguma forma, prejudicar a validade do lançamento. Por fim, cabe ressaltar que os valores pagos pela recorrente foram considerados quando da apuração do crédito tributário exigido no lançamento. Para constatálo, basta verificar os demonstrativos do auto de infração (fls. 5 a 39) e as planilhas de fls. 43 e 44. Além disso, o lançamento anterior não constituiu crédito relativo aos meses de novembro e dezembro de 2001. No mais, a adesão ao parcelamento previsto na MP 303/2006 não interfere na situação do processo, porquanto não foram incluídos os débitos de novembro e dezembro de 2001. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 496DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.900016/2008-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem faça uma análise mais aprofundada sobre o alegado direito creditório, realizando as verificações requeridas no voto condutor desta Resolução.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem faça uma análise mais aprofundada sobre o alegado direito creditório, realizando as verificações requeridas no voto condutor desta Resolução. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem faça uma análise mais aprofundada sobre o alegado direito creditório, realizando as verificações requeridas no voto condutor desta Resolução. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (DRJ/REC), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa. Conforme consta no relatório constante no acórdão da DRJ, a interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação – DCOMP, por meio da qual compensou crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ com débito de sua RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 00 01 6/ 20 08 -8 8 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10480.900016/200888 Resolução nº 1401000.573 S1C4T1 Fl. 3 2 responsabilidade. O crédito informado, no valor de R$ 6.677,64, seria decorrente de pagamento indevido ou a maior do imposto apurado no 2º trimestre do anocalendário 2001. Através do despacho emitido eletronicamente, a Delegacia da Receita Federal no Recife – DRF/Recife identificou integral utilização anterior do pagamento para quitação de débito do IRPJ, em face do que não homologou a compensação declarada. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que retificou sua Declaração de Informações DIPJ para demonstrar os créditos, porém não retificou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF ajustando os débitos. Argúi que a falha nesse procedimento não invalida a existência dos créditos, já que houve pagamento a maior, e que não há norma que exija a necessidade de retificação da DCTF para que o Fisco aceite a existência dos créditos. Requereu, ao final, a homologação da compensação. A DRJ, por meio do Acórdão 1130.645, de 04 de agosto de 2010, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa, conforme a seguinte ementa: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Cientificada da decisão da DRJ na data de 02/05/2011, e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário em 11/05/2011, repetindo os argumentos apresentados na impugnação. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10480.900016/200888 Resolução nº 1401000.573 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1401 000.570, de 16/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10480.900013/200844, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1401000.570): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não obstante o posicionamento da delegacia de julgamento, entendo que há relevantes indícios de que a recorrente possui o crédito pleiteado. Na DIPJ retificadora, que foi entregue antes do procedimento fiscal, a empresa informou o recolhimento de tributos e apuração de saldo negativo no final do anocalendário. Esta retificação se deveu em razão da falta de informação sobre imposto de renda retido na fonte e também sobre o valor de 1/3 da Cofins que teria sido utilizado para compensar a CSLL a pagar. Assim, em busca da verdade material, supero as razões da DRJ para analisar o crédito ora pleiteado. Com relação ao IRPJ, a empresa alega que possui créditos que tiveram origem em imposto de renda retido na fonte. Alega que a receita federal poderia verificar em sua base de dados que os valores foram efetivamente recolhidos. Junta uma planilha que informa os créditos decorrentes do IRRF e anexa notasfiscais de sua emissão no período abrangido pelo crédito pleiteado. Na análise das notasfiscais de serviços prestados pela recorrente, não vejo retenção na fonte sobre o imposto de renda incidente sobre a operação. Entretanto, na planilha que trata do valor do IR na fonte, do período de apuração alcançado pelo pedido de compensação que ora se discute, há, por exemplo, informação de retenção de IR por instituições financeiras e seguradoras. Quanto à análise do crédito da CSLL, o direito à compensação da CSLL com o pagamento de 1/3 da Cofins surgiu em decorrência do aumento da alíquota da Cofins, a partir do anocalendário de 1999, veja a redação da Lei 9.718/1998: Art. 8º Fica elevada para três por cento a alíquota da COFINS. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10480.900016/200888 Resolução nº 1401000.573 S1C4T1 Fl. 5 4 § 1° A pessoa jurídica poderá compensar, com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL devida em cada período de apuração trimestral ou anual, até um terço da COFINS efetivamente paga, calculada de conformidade com este artigo. § 2° A compensação referida no § 1°: I somente será admitida em relação à COFINS correspondente a mês compreendido no período de apuração da CSLL a ser compensada, limitada ao valor desta; II no caso de pessoas jurídicas tributadas pelo regime de lucro real anual, poderá ser efetuada com a CSLL determinada na forma dos arts. 28 a 30 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 3º Da aplicação do disposto neste artigo, não decorrerá, em nenhuma hipótese, saldo de COFINS ou CSLL a restituir ou a compensar com o devido em períodos de apuração subseqüentes. § 4º A parcela da COFINS compensada na forma deste artigo não será dedutível para fins de determinação do lucro real. Na DIPJ retificadora, há informações sobre Cofins a pagar durante o período abrangido pelo crédito de CSLL pleiteado. Ou seja, há fortes indícios do direito creditório da recorrente. Por outro lado, é de perceber que o caso ainda requer uma análise mais aprofundada sobre o suposto direito creditório. E esta análise deve ser feita pela autoridade fiscal, pois dispõe dos instrumentos necessários para tal mister. Diante disso, partindo da premissa de que a falta de retificação da DCTF não pode impedir a análise do direito creditório da ora recorrente, sugiro baixar o processo em diligência para que a Unidade de Origem verifique o que segue: 1) Verificar se o valor de IRRF utilizado para apuração do IRPJ no período em questão consta na DIRF ou, caso não conste, intimar a empresa a apresentar os Informes de Rendimentos ou outro documento comprobatório que comprovem o valor de IRRF. 2) Confirmar a tributação do valor dos rendimentos sujeitos à retenção de IR na fonte. Observo que a recorrente informou na DIPJ retificadora que apurou os tributos em seguimento ao regime de caixa. Logo, smj, há de haver coincidência temporal entre o reconhecimento da tributação e a retenção do IRRF. 3) Confirmar o pagamento de 1/3 da Cofins. 4) Verificar se o valor de 1/3 da Cofins, utilizado para quitar a CSLL devida, corresponde somente ao período objeto de restituição. 5) Se possível, verificar se efetivamente a recorrente optou por compensar 1/3 da Cofins com a CSLL do período. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10480.900016/200888 Resolução nº 1401000.573 S1C4T1 Fl. 6 5 6) Concluída a diligência, preparar Informação Fiscal com o resultado da diligência, que necessariamente deverá conter o crédito que poderá ser compensado, intimando a empresa para que se manifeste sobre o teor da Informação Fiscal, caso queira, no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da intimação, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.784/1999. 7) Após, favor retornar este processo ao CARF para seguimento de seu julgamento. É como voto! Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.905734/2008-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
Ementa:
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.
É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
Numero da decisão: 3402-005.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decretolei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 57 34 /2 00 8- 18 Fl. 450DF CARF MF 2 Relatório 1. Por bem retratar os fatos aqui analisados emprego como meu o Relatório desenvolvido por este Tribunal administrativo quando da resolução n. 3402000436 (fls. 159/161), da lavra do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, o qual adoto como meu nos termos abaixo: Tratase de processo de restituição/compensação em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que a origem de seus créditos tem amparo na Lei 10.485/2002, por se tratar de produtos monofásicos que teriam sido incluídos indevidamente nas bases de cálculo do PIS e da Cofins. A DRJ em Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que as alegações trazidas pela interessada constituem fatos que não foram apreciados pela autoridade originalmente competente, posto que resultam de retificação de DCTF feita somente após a ciência do despacho decisório, além de não ter sido trazida aos autos a comprovação da existência do direito creditório alegado de forma genérica na manifestação de inconformidade. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados anteriormente na manifestação de inconformidade, ressaltando que os fundamentos jurídicos que sustentam seu pleito derivam de sua atividade societária, comerciante de autopeças, cuja Lei nº 10.485/2002 reduziu a zero a alíquota a ser aplicada na receita bruta auferida na venda destes produtos. O Recurso Voluntário foi analisado e foi proposta uma resolução para fins de identificar o objeto da sociedade, o valor da receita auferida com a comercialização de produtos relacionados nos anexos I e II da Lei nº 10.485/2002, o valor da base de cálculo tributável e o valor dos recolhimentos efetuados pelo recorrente. O processo retornou da origem acompanhado por várias planilhas, além do contrato social. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba não produziu o termo final de diligência analisando os dados constantes nos documentos acostados aos autos pelo recorrente. (...). 2. Diante deste quadro, o processo foi novamente baixado em diligência por intermédio da resolução acima mencionada, determinado que a unidade preparadora Fl. 451DF CARF MF Processo nº 10980.905734/200818 Acórdão n.º 3402005.354 S3C4T2 Fl. 451 3 formulasse relatório fiscal com base nos documentos fiscais apresentados pelo contribuinte e, nesse sentido, indicasse a existência ou não de crédito a ser compensado. 3. Referida diligência foi cumprida, gerando o relatório fiscal de fls. 399/405, a respeito do qual o contribuinte apresentou manifestação. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. O Recurso voluntário é intempestivo, o que impede o seu conhecimento. 6. Como é sabido, o prazo para interposição de Recurso Voluntário no âmbito do processo administrativo federal é de 30 (trinta) dias, conforme prevê o art. 33, caput do Decretolei n. 70.235/72. 7. Não obstante, segundo o disposto no art. 5o. do sobredito Decretolei, os prazos no processo administrativo federal são contínuos e deverão ser contados excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Este também é o teor do art. 66 da lei n. 9.784/991. 8. Pois bem. No presente caso o Recorrente foi cientificado via postal da decisão guerreada, sendo o correspondente aviso de recebimento recebido em 20 (vinte) de abril de 2011 (quartafeira) (fl. 35). Logo, levando em consideração as disposições legais acima mencionadas, o termo inicial para a contagem do prazo recursal ocorreu em 21 (vinte e um) de abril de 2011 (quintafeira), vencendo, por sua vez, no dia 20 (vinte) de maio de 2011 (sexta feira). Acontece que o recurso em apreço só foi interposto em 24 (vinte e quatro) de abril de 2011 (fl. 36), ou seja, quando já transcorrido o prazo legal. 9. Patente está, portanto, a intempestividade do Recurso Voluntário em análise. 10. O fato desta questão ter passada desapercebida por este Tribunal quando da elaboração das resoluções indicadas no relatório do presente voto não impede que este Colegiado, neste momento processual, reconheça tal mácula, uma vez que a intempestividade é vício insanável e que impede a própria admissibilidade recursal por se tratar de pressuposto de validade. Dispositivo 11. Diante do exposto, deixo de conhecer o Recurso Voluntário interposto haja vista a sua intempestividade. 1 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento." Fl. 452DF CARF MF 4 12. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 453DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.002627/2008-97
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/05/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 19647.007683/2007-33, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 31/05/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 19647.007683/2007-33, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 19647.007683/200733, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 26 27 /2 00 8- 97 Fl. 1324DF CARF MF Processo nº 10380.002627/200897 Acórdão n.º 9202006.916 CSRFT2 Fl. 3 2 Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.915, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 19647.007683/200733, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9202006.915): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. Fl. 1325DF CARF MF Processo nº 10380.002627/200897 Acórdão n.º 9202006.916 CSRFT2 Fl. 4 3 A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 10380.002627/200897 Acórdão n.º 9202006.916 CSRFT2 Fl. 5 4 necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória nº 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5º, ambos da Lei nº 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5º, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei nº 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, Fl. 1327DF CARF MF Processo nº 10380.002627/200897 Acórdão n.º 9202006.916 CSRFT2 Fl. 6 5 descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarse á às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte: Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 10380.002627/200897 Acórdão n.º 9202006.916 CSRFT2 Fl. 7 6 “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;" Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 1329DF CARF MF Processo nº 10380.002627/200897 Acórdão n.º 9202006.916 CSRFT2 Fl. 8 7 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, Fl. 1330DF CARF MF Processo nº 10380.002627/200897 Acórdão n.º 9202006.916 CSRFT2 Fl. 9 8 a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a Fl. 1331DF CARF MF Processo nº 10380.002627/200897 Acórdão n.º 9202006.916 CSRFT2 Fl. 10 9 imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1332DF CARF MF
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