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Numero do processo: 10410.720193/2011-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 29/04/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Numero da decisão: 3401-005.002
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 29/04/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
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ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 01 93 /2 01 1- 10 Fl. 59252DF CARF MF Processo nº 10410.720193/201110 Acórdão n.º 3401005.002 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra decisão da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte contra Despacho Decisório que indeferiu totalmente o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, relativo a contribuições não cumulativas, face a ausência de comprovação dos créditos pleiteados. O Despacho Decisório adotou as razões exaradas em Parecer Fiscal resultante de diligência havida em cumprimento ao provimento judicial contido no Mandado de Segurança nº 000020560.210.4.05.8000, da 1ª Vara da Justiça Federal de Alagoas e ao MPF – Mandado de Procedimento Fiscal nº 0440100 004622010. Cientificada desta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que sustenta a legitimidade de seus créditos, pugna pela aplicação do princípio da verdade material, afirma que atendeu as solicitações do Fisco no curso da fiscalização e solicita que os autos sejam novamente baixados em diligência para apurar o valor que a autoridade administrativa entende ser devido. Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA indeferiu o pedido de diligência e julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Entendeu este colegiado que é ônus do contribuinte a comprovação da existência de seu direito creditório e que há de se indeferir solicitação que objetive transferir esta obrigação à autoridade administrativa. Irresignada, a recorrente interpôs seu recurso voluntário tempestivo, requerendo em preliminar a nulidade do presente processo, pois tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão. No mérito, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 59253DF CARF MF Processo nº 10410.720193/201110 Acórdão n.º 3401005.002 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.972, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10410.720043/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.972): "O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 11/05/2015 (efl. 59.145), interpondo seu voluntário em 09/06/2015 (efls. 59.146/59.147), logo, dele tomo conhecimento. O ponto nodal diz respeito ao reconhecimento de créditos fiscais do PIS e da COFINS nãocumulativas, no ramo de laticínios leite e seus derivados , acumulados mensalmente, decorrentes das aquisições de matériasprimas, embalagens, materiais intermediários, dentre outros, os quais restaram indeferidos totalmente pela autoridade fiscal, por meio de despacho decisório em sede de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso PER. Notese que a questão cingese à formação, instrução, cognição da prova, e esta, quando se trata de PER/DCOMP um pedido de iniciativa do sujeito passivo , a ele cabe tal ônus. Por mais longínquo e penoso tenha sido o percurso judicial e administrativo percorrido pela Recorrente no caso concreto, a conclusão é de que o contribuinte há de fazer esta prova. Antes de adentrar neste assunto de mérito, necessário tratar da preliminar de nulidade. Entende a Recorrente que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão, asseverando que este teve como nascedouro o mesmo mandado de procedimento fiscal. A lógica é respeitável, porém, como se trata de Pedido de Restituição, a prova dos créditos diz respeito a cada um dos PER, para os quais, dependendo de sua instrução e prova cabal, logrará ou não êxito o Pleiteante. Fl. 59254DF CARF MF Processo nº 10410.720193/201110 Acórdão n.º 3401005.002 S3C4T1 Fl. 5 4 Portanto, afasto a nulidade arguida. Volvendo a questão meritória, destacamse trechos do Termo de Encerramento de Diligência 0001 (efl. 9 e ss.): No dia 18/02/2010, o contribuinte entregou basicamente os livros contábeis e fiscais e alguns arquivos magnéticos contendo memórias de cálculo. Constatamos após examinar os primeiros arquivos entregues, que os mesmo possuíam erros formais e tivemos que solicitar que os arquivos fossem refeitos. Este fato demonstrou que o contribuinte não possuía memória de cálculo dos valores informados na DACON e conseqüentemente dos PER/DCOMP. A partir desta data começou um processo inverso. A Receita Federal que estava com o prazo fixado para apreciar os PER/DCOMP, teve que pedir prorrogações de prazo ao Judiciário, não para fazer o trabalho, mas para que o contribuinte pudesse apresentar os documentos e elementos necessários ao exame dos PER/DCOMP. Foram solicitadas e concedidas duas prorrogações de prazo. Uma de 250 dias em 10/05/2010 e outra de 180 em 02/08/2010. Desde a data da entrega dos primeiros arquivos, até 27/10/2010, data do último arquivo entregue, diversos contatos telefônicos, 02 reintimações fiscais e cerca de 30 e mails foram enviados e recebidos, cobrando as informações e recebendo arquivos magnéticos. Em 18/06/2010, através da Reintimação Fiscal nº0001, foi feito um resumo do que havia sido entregue e o que estava pendente. Podese verificar que passados quase 5 meses do termo de diligência fiscal/solicitação de documentos, apenas 4 itens haviam sido entregues, faltavam 12 itens. Mais uma vez o contribuinte apresentou pedido de prorrogação para entrega dos documentos. Em 08/07/2010 o contribuinte entregou a maior parte das informações restantes. Faltando ainda o arquivo do almoxarifado e da depreciação. (...) Estes mesmos arquivos de saída de mercadorias, no campo "tributação", onde informa se o produto vendido é tributado a alíquota zero ou é tributado a alíquota positiva, foram fornecidos com essa informação totalmente equivocada. Produtos que na época da emissão da nota fiscal eram tributados, foram considerados como alíquota zero e vice versa. Assim, tivemos que refazer esta informação, produto a produto, nota fiscal a nota fiscal obedecendo à legislação vigente, no intuito de aproveitar o arquivo para confronto com a DACON. Após finalizar, formatar e totalizar mensalmente os arquivos. Fomos fazer o confronto com os valores Fl. 59255DF CARF MF Processo nº 10410.720193/201110 Acórdão n.º 3401005.002 S3C4T1 Fl. 6 5 informados na DACON, para então passar para a segunda etapa do trabalho que é a auditoria propriamente dita, ou seja, fazer os devidos ajustes na ótica da Receita Federal, apurar os créditos devidos e confrontar com os respectivos PER/DCOMP. (...) Constatamos uma total divergência de valores. Nas rubricas acima relacionada, não houve um mês em que houvesse coincidência de valores entre os constantes na DACON e os valores constantes nos arquivos fornecidos. Elaboramos as planilhas denominadas: Demonstrativo das diferenças entre os valores constantes da DACON e arquivos magnéticos fornecidos como memória de cálculo I, II e III, os quais evidenciam as divergências encontradas. (...) CONCLUSÃO O ônus da prova dos créditos pleiteados é do contribuinte, assim deve haver uma correspondência entre os valores constantes no documentário fiscal, esses com os arquivos magnéticos, esses com a DACON, que é base de apuração dos créditos, e por final, a DACON com os PER/DCOMP, para que então possamos examinar, fazer os ajustes necessários de acordo com a legislação e deferir os eventuais créditos que o contribuinte esteja pleiteando. O fato de entregar uma série de arquivos magnéticos, livros fiscais e documentos, não fazem prova dos créditos. É preciso que os mesmos guardem estrita correlação com o valor exato do crédito pedido. Não se pode pedir um crédito de um determinado valor e tentar comprovar outro. No caso em tela, ao longo de 10 meses e muito esforço envidado para obtenção das informações e execução do trabalho, restou demonstrado que o contribuinte não possuía memória de cálculu dos créditos solicitados, foi fazendo durante a execução do trabalho e os elementos e documentos fornecidos, não guardam nenhuma correlação com os valores dos créditos pleiteados nos PED/COMP. Desta forma, face à falta de comprovação, não se revela possível deferir os créditos solicitados pelos motivos acima expostos. A partir de sua manifestação de inconformidade, juntou a Recorrente mais de 5.000 documentos, a partir da efl. 66 e seguintes, num total de 49 (quarenta e nove) Anexos, na realidade, planilhas, informando, em síntese, número das notas fiscais, CFOP, tipo de tributação (alíquota zero, isento e tributado), descrição do material, montante, etc. Fl. 59256DF CARF MF Processo nº 10410.720193/201110 Acórdão n.º 3401005.002 S3C4T1 Fl. 7 6 Enfatiza a decisão da DRJ/CTA (efl. 59.137) que o direito creditório deve estar lastreado em documentação comprobatória (artigo 1.179 do CC c/c artigos 3°, 34 e 65, todos da IN/RFB 900/2008), asseverando ainda (efl. 59.138): Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. No presente processo, salientase que a unidade de origem não indeferiu o pleito com base na falta da escrituração contábil, pois, como bem acentuou a interessada, a fiscalização não encontrou nenhuma anormalidade formal nos arquivos da contabilidade. O crédito não foi concedido, simplesmente, porque a interessada, mesmo diante dos inúmeros demonstrativos e documentos apresentados, não logrou êxito em comprovar a origem dos valores solicitados. Ao que se viu, durante muitos meses fora oportunizado o direito de a Recorrente fazer prova de seus hipotéticos créditos, porém, embora juntando muitos documentos, faltou comprovação da origem de seus valores, e por conseguinte, o quantum respectivo para fins de restituição. Noutro falar, há se ter uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros, não bastando os apresentar, mas também indicar, de forma específica que os documentos estão associados aos respectivos registros; natureza da operação escriturada/documentada, a fim de caracterizar ou não o direito ao crédito. Dispõe o artigo 373, I do CPC/2015, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal PAF (Decreto 70.235/72): "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;" A propósito, neste sentido entende o CARF: DCOMP. CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação eficaz desses atributos Fl. 59257DF CARF MF Processo nº 10410.720193/201110 Acórdão n.º 3401005.002 S3C4T1 Fl. 8 7 impossibilita à homologação. (Acórdão 3802003.395, v.u., para negar provimento ao recurso voluntário). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. (Acórdão 3301003.192, v. u. para negar provimento ao recurso voluntário). Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 59258DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000469/2008-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1803-000.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o presente processo, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o presente processo, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes - Presidente. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o presente processo, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório. Tratase, o presente feito de auto de infração para cobrança de IRPJ, PIS, COFINS, CSLL, IPI, INSS, do sistema SIMPLES, acrescidos de juros mora e multa de ofício de 225%. O procedimento fiscal iniciouse por meio do qual a recorrente foi intimada a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 80 88 .0 00 46 9/ 20 08 -5 7 Fl. 919DF CARF MF Processo nº 18088.000469/200857 Resolução nº 1803000.059 S1TE03 Fl. 11 2 apresentar, entre outros documentos, os livros Diários, relação de todas as contas bancárias e os respectivos extratos, tudo relativamente aos anoscalendário de 2003 a 2005. Não atendida a intimação no prazo concedido, foi a contribuinte novamente intimada, desta vez para apresentar o livro Caixa, tendo em vista que a contribuinte, na condição de optante pelo Simples, estava obrigada a escrituração do referido livro. Na mesma data foi cientificada do Termo de Reratificação do Termo de Início de Fiscalização. Em resposta, a contribuinte informou que deixava de apresentar os livros Caixa por não estarem escriturados e que já havia solicitado aos Bancos os extratos bancários. A contribuinte foi novamente intimada a apresentar os documentos solicitados nas intimações anteriores. Apesar de ter solicitado prorrogação por mais 60 (sessenta) dias, a mesma não atendeu a intimação no prazo pleiteado, o que levou a fiscalização a requisitar a movimentação financeira da contribuinte junto às instituições financeiras (fls. 97/116) e, na mesma data, intimou a contribuinte a providenciar, no prazo de 20 (vinte) dias, o Livro Caixa com toda a movimentação financeira, inclusive bancária, Registro de Inventário e todos os documentos que serviram de base para a escrituração, esclarecendo que o não atendimento poderia implicar, entre outros, no agravamento de multa. A contribuinte solicitou o prazo adicional de 20 (vinte) dias para atendimento à intimação. Não atendida a intimação no prazo, a fiscalização novamente intimou a contribuinte a apresentar os documentos anteriormente solicitados, tendo a mesma permanecido inerte. Em 08/08/2008 foi lavrado o Termo de Intimação de fls. 139/141 para a recorrente comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes, conforme constam no Anexo 1, abrangendo os anoscalendário de 2003 a 2005, bem assim apresentar os documentos anteriormente solicitados nas intimações. Foi salientado que a não comprovação implicaria em considerar os valores dos depósitos como receita omitida, nos termos do art. 849 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Foram fornecidos à contribuinte, alem do Anexo 1 (relação individualizada dos depósitos bancários), também cópia dos extratos bancários para que pudesse subsidiar a análise e a verificação dos depósitos. Não atendida a intimação, foi a empresa novamente intimada e esta apresentou pedido de prorrogação de prazo, o qual foi indeferido. Em razão da não comprovação da origem dos valores depositados em suas contas correntes, foram lavrados autos de infração para exigir os impostos e contribuições relativamente ao ano calendário de 2003, decorrentes da tributação da receita omitida caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Na autuação foi levada em consideração a opção da contribuinte pelo Simples. Foram excluídos da relação dos depósitos os valores inferiores a R$ 999,99, os estornos, cheques devolvidos, financiamentos, empréstimos, financiamento para capital de giro, valores cobrados a maior, etc., enfim, todos os valores que tiveram como fonte a instituição financeira e os relativos à recuperação de valores lançados a débitos, bem como os valores correspondentes à transferência entre contas do mesmo titular. Da relação dos depósitos anteriormente cientificada à contribuinte, a autoridade fiscal ainda excluiu outros valores, relacionados no Termo de Descrição, de forma que o montante dos depósitos ficou reduzido de R$ 2.610.623,69 para R$ 2.566.307,50 relacionados, mês a mês, na coluna "Valores a serem lançados" da tabela de fl. 11, os quais foram acrescidos aos valores informados pela recorrente para fins de composição dos cálculos mensais. Fl. 920DF CARF MF Processo nº 18088.000469/200857 Resolução nº 1803000.059 S1TE03 Fl. 12 3 Sobre os impostos e contribuições foi aplicada a multa de 225%, por entender que a empresa, além de ter omitido receita com evidente intuito doloso, o que justificaria a multa qualificada de 150%, também deixou de atender às intimações, o que justificaria o agravamento da multa em 50%, passando, dessa forma, ao patamar de 225%. Após a lavratura dos autos de infração, o autor do procedimento fiscal lavrou a representação de fls. 505/506 propondo a emissão de Ato Declaratório de Exclusão da empresa do Simples, com efeitos a partir de janeiro de 2004, em razão de seu faturamento no ano calendário de 2003 ter superado o limite de R$ 1.200.000,00, posto que a receita declarada (R$ 622.685,21), acrescida da omissão (R$ 2.566.307,50) totalizava R$ 3.188.992,71. O Ato Declaratório de Exclusão foi acatado e emitido pela autoridade competente. Devidamente cientificada, a empresa recorrente apresenta impugnação de forma tempestiva, alegando de forma sintética o que segue. Preliminarmente a empresa recorrente alega cerceamento do direito de defesa, haja vista não ter sido encaminho a mesma, juntamente com o auto de infração, planilha que demonstrasse todos os depósitos bancários que foram tributados, em presunção, como omissão de receita. Refere que a obtenção dos extratos bancários, sem autorização judicial, constitui prova ilícita, o que torna nulo todo o procedimento administrativo. Já no que diz respeito à omissão de receita, a recorrente alega que não basta a simples presunção ad hominis, levantada pela fiscalização, de que houve omissão de receita para dar fundamento ao lançamento, pois é preciso que a fiscalização demonstre, com elementos seguros a omissão de receita, o que não teria sido feito. Insurgiu contra a tributação com base em depósitos bancários alegando, em síntese, que os depósitos não representam aquisição efetiva de disponibilidade econômica ou jurídica, a que se reporta o art. 43 do Código tributário Nacional, não podendo dar margem para a manutenção do lançamento. Ademais, deveriam ser excluídos do lançamento os valores pagos pelo Simples. Com relação ao PIS e a COFINS alegou que são insubsistentes as exigências por terem se pautado em base de cálculo alargada e alíquota aumentada por lei inconstitucional e ilegal, sendo indevidas as exigências sobre as receitas financeiras (variações cambiais). Acrescenta, ainda, serem indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo dessas contribuições e relativamente ao PIS alega que permanece inalterada a regra de apuração do valor a recolher mediante a aplicação da alíquota de 0,75% do total do faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador. Em ato contínuo, insurgese contra a incidência da taxa Selic, posto entender não encontrar respaldo jurídico. Ademais, refere que qualquer exigência de juros em descompasso com o art. 161 do CTN seria totalmente improcedente. Protestou também contra a multa de 225%, alegando que ela ofende aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade e da proibição ao confisco devendo ser reduzida, no mínimo, ao patamar de 20%, uma vez que não houve qualquer prática de conduta por meio de fraude, eis que se embasou em convicções jurídicas de ampla discussão, sem realizar qualquer fraude e que o simples fato de interpretar uma legislação tributária de forma diferente não tem o condão de sustentar uma prática fraudulenta. Contra o Ato Declaratório de Exclusão do Simples a recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, alegando que é fruto de mera presunção de omissão de receita, sem embasamento em provas, não podendo o mesmo prevalecer. Aduz que as provas Fl. 921DF CARF MF Processo nº 18088.000469/200857 Resolução nº 1803000.059 S1TE03 Fl. 13 4 contra a impugnante seriam ilícitas, uma vez que os extratos bancários foram obtidos sem autorização judicial. Argumentou que os depósitos bancários não representam renda não podendo dar margem para manutenção do lançamento e que nem tudo que entra no caixa da empresa pode ser considerado faturamento. Alega a recorrente que o ordenamento jurídico pátrio não contempla que os efeitos da exclusão do Simples venham a retroagir, devendo os efeitos valer a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão, ou seja, a partir de 23/09/2008 e não a partir de 01/01/2004, nos termos do art. 3° da Lei n° 9.732, de 1998, que modificou o art. 15, II, da Lei n° 9.317, de 1996. Segundo a empresa, o art. 24, II, da Instrução Normativa n° 250, de 2002, que permitiu a cobrança retroativa, por dispor de forma diferente da lei seria ela inconstitucional e ilegal. Posteriormente, a contribuinte requereu a juntada de cópia de um outro auto de infração do processo de n° 18088.000633/200826 com o fim de demonstrar que naquele processo foi apresentado demonstrativo pela fiscalização, especificando, um a um, os depósitos bancários, procedimento este que não ocorreu nos presentes autos com violação ao devido processo legal. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter o lançamento sob o argumento de que as alegações da recorrente não procedem. Refere que não houve cerceamento do direito de defesa da recorrente, posto que empresa foi intimada a justificar a origem dos valores depositados, tendo acompanhado a intimação um demonstrativo relacionando cada depósito bancário questionado. Aduz a autoridade que a contribuinte foi cientificada não apenas dos autos de infração, mas também do termo de descrição complementar detalhada dos fatos, no qual foram relacionados os valores dos depósitos que foram desconsiderados para fins de tributação. Por essa razão, entende que a recorrente teve total conhecimento de quais depósitos cujos valores foram levados à tributação, sendo improcedente a alegação de que teve sua defesa prejudicada. Relata a autoridade julgadora a quo que da omissão de receita caracterizada por depósitos não escriturados e de origem não comprovada, temse que uma vez verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto de renda a ser lançado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Assim, em sendo a empresa inscrita no Simples e não havendo sua exclusão do referido sistema no ano fiscalizado (2003), os valores devidos mensalmente pela empresa autuada devem ser determinados mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos percentuais definidos na Lei, que foi exatamente o procedimento seguido pela fiscalização, na presente autuação. Portanto, descabida as alegações da empresa de que não procede a tributação efetuada no auto de infração. Ademais, a Lei n° 9.317, de 1996, dispõe que as pessoas jurídicas optantes do Simples ficam obrigadas a apresentar, além dos livros de escrituração comercial, a Declaração Anual Simplificada. Quanto à possibilidade de tais pessoas jurídicas serem dispensadas da escrituração exigida, a citada Lei estabelece que a empresa optante pelo Simples, dentro do prazo decadencial (cinco anos), tem a obrigação legal de manter a escrituração do livro caixa constando toda a sua movimentação bancária com os respectivos documentos que serviram de base. À luz, portanto, dos dispositivos legais supracitados, concluiu, a autoridade, que são aplicáveis à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata a lei Fl. 922DF CARF MF Processo nº 18088.000469/200857 Resolução nº 1803000.059 S1TE03 Fl. 14 5 do Simples, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas as pessoas jurídicas optantes do referido regime de tributação (Lei n° 9.317/96, art. 18), e especificamente a prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, com a alteração da Lei n° 9.481, de 1997. O julgador cita as normas que disciplinam a matéria e refere que as referidas previsões legais determinam que a existência de depósitos não escriturados ou de origens não comprovadas possibilita que se vislumbre uma nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas que veio se juntar ao elenco já existente; com isso, atenuouse a carga probatória atribuída ao fisco, o qual precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada para satisfazer o onus probandi a seu cargo. E prossegue aduzindo que, sempre que o titular de conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, está o fisco autorizado/obrigado a proceder ao lançamento do imposto correspondente, não mais havendo a obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tão somente a inquestionável observância do novo diploma. Prossegue referindo que, ao fazer uso de uma presunção legal, o fisco está dispensado de provar no caso concreto a omissão. Tratase da presunção juris tantun, segundo o artigo 334 do CPC. Cita doutrina a esse respeito e o artigo 281 do RIR/99, bem como jurisprudência desse Egrégio Conselho de Contribuintes. Salienta que não se está tributando o depósito bancário ou que este seja o fato gerador do imposto de renda. O que se está tributando é uma importância financeira de propriedade da recorrente que, pelo fato de não estar escriturada, declarada ou justificada, deve ser considerada receita omitida, segundo a legislação acima referida, que presume que este montante na verdade se origina de receita tributável auferida e não declarada. Diante desta presunção legal o ônus da prova se inverte e passa à autuada, que tem a obrigação legal de comprovar a origem dos recursos. Quanto à inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário, o julgador refere que a alegação da recorrente de que, pelo fato do Fisco ter conseguido os extratos bancários diretamente das instituições financeiras, sem autorização judicial, caracterizaria prova ilícita e, por conseguinte, tornaria nulo o auto de infração e que, em síntese, alegou que a Lei Complementar n° 105/2001, ao estabelecer a quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, violou o art. 5°, X e XII, da Constituição, é de competência exclusiva do Poder Judiciário, sendo defeso aos órgãos administrativos jurisdicionais, de forma original reconhecer a alegada inconstitucionalidade da lei. A autoridade faz um levantamento da lei que lastreou o lançamento a respeito da Lei Complementar 105/2001 e conclui ser equivocada a interpretação da recorrente, posto que a quebra do sigilo bancário pela Receita Federal sem a apreciação do Poder Judiciário foi devidamente autorizada pela Lei Complementar 105, de 10/01/2001, regulamentada pelo Decreto n° 3.724, de 10/01/2001, conforme discriminado nas Requisições de Informações sobre Movimentação financeira (RMF), dirigidas às Instituições Bancárias, além do que as informações bancárias obtidas regularmente e usadas reservadamente, no processo, pelos agentes do Fisco, não caracterizam violação do sigilo bancário, e estão contempladas pelo ordenamento jurídico vigente, pelo que não podem ser obstadas. Fl. 923DF CARF MF Processo nº 18088.000469/200857 Resolução nº 1803000.059 S1TE03 Fl. 15 6 Já no que tange à exclusão dos valores pagos na modalidade do Simples, pleiteadas pela recorrente, observa o julgador que tal providência já foi tomada pela autoridade fiscal, conforme se pode ver nos Demonstrativos de Apuração dos Valores não Recolhidos nos quais constam discriminadamente os valores calculados de cada tributo e/ou contribuição sujeito ao Simples, bem assim os valores pagos sob o mesmo título. Referindose à tributação reflexa, o julgador de primeira instância atenta para o fato de que a recorrente alegou que os lançamentos relativos ao PIS e a COFINS são insubsistentes por terem se pautado em base de cálculo alargada e alíquota aumentada por lei inconstitucional e ilegal, sendo indevidas as exigências sobre as receitas financeiras (variações cambiais), além de ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo dessas contribuições e, ainda, relativamente ao PIS alegou que permanece inalterada a regra de apuração do valor a recolher mediante a aplicação da alíquota de 0,75% do total do faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador, pois não poderia uma lei ordinária alterar a base de cálculo do PIS, que é expressamente prevista por Lei Complementar. Salienta que as irresignações contra dispositivo legal que define base de cálculo do PIS e da Cofins, bem assim as alíquotas, não podem ser apreciadas pelas autoridades julgadoras administrativas. A estas cabe apenas examinar a conformidade do ato de lançamento em face das normas fiscais de regência, já que lhes carecem poderes para apreciar pretensos vícios de leis, prerrogativa esta exclusiva do Poder Judiciário. E, no caso, tanto as base de cálculo quanto as alíquotas foram calculadas em conformidade com a legislação de regência (Lei n° 9.317, de 1996, e legislação superveniente). O julgador discorre sobre a opção pelo Simples e sua tributação, citando as normas referentes ao assunto. E aduz que não pode o contribuinte querer se submeter ora às normas próprias do regime jurídico do Simples, ora às normas do regime geral de tributação, pois, se assim o fizer, estará criando um novo regime jurídico sem base legal. A base de cálculo é única para todos os tributos e contribuições, não podendo, como pretende a contribuinte, excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, por falta de previsão legal, bem assim aplicar alíquotas para o PIS e COFINS diversas daquelas previstas para os optantes pelo SIMPLES, ou ainda querer tomar como base de cálculo do PIS o faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador. Quanto à insuficiência de recolhimento, afere a autoridade julgadora que em razão da mudança de faixas de receita bruta acumulada provocadas pela constatação de omissão de receitas os valores declarados pela recorrente sofreram mudanças de alíquotas, gerando insuficiência de recolhimento, sendo portanto exigidas de oficio. Mas, observa que os valores de recolhimentos foram considerados na apuração. Quanto à taxa Selic e juros de mora, refere o julgador que as alegações da recorrente são descabidas, vez que os juros de mora são devidos nos termos do artigo 161 do CTN, o qual é taxativo ao determinar que o crédito não pago no vencimento é acrescido de juros de mora. Completa a autoridade salientando que os juros moratórios estão regulados pelo artigo 161 do CTN, acima transcrito. O parágrafo primeiro do citado artigo determina que os juros moratórios serão de 1%(um) por cento ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que, valendose da faculdade legal, o legislador ordinário, por intermédio da Lei n° 9.065/1995, artigo 13, determinou que os juros de mora seriam equivalentes à taxa SELIC. Cita jurisprudência do STJ. Fl. 924DF CARF MF Processo nº 18088.000469/200857 Resolução nº 1803000.059 S1TE03 Fl. 16 7 No tocante à multa aplicada, a decisão a quo foi no sentido de que a autoridade fiscal justificou a aplicação da multa qualificada de 150% por entender que a disparidade entre as receitas informadas em DIPJ e as omitidas no ano calendário de 2003, cuja disparidade também se verificou preliminarmente nos anos de 2004 e 2005, caracterizaria a tentativa da contribuinte em impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias, ou seja, estaria a configurar a situação fática que se subsume ao tipo previsto no art. 71, I, e o art. 72 da Lei n° 4.502, de 1964. Além disso, a autoridade fiscal agravou a multa de 150% para 225% pela falta de atendimento às intimações. A contribuinte, por outro lado, alegou que, além de ser a multa confiscatória, não teria ficado comprovada a conduta que pudesse ser qualificada como de evidente intuito de fraude, não podendo agravar a multa por mera presunção ou indício, e quando muito deveria aplicar a multa de 20% prevista na Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°. Quanto às alegações de que as multas aplicadas têm caráter confiscatório cabe, mais uma vez, ressaltar que a apreciação dessa matéria escapa à competência da Turma Julgadora. Assim, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, em franca ofensa à vinculação a que se encontra submetida a instância administrativa (art. 142, parágrafo único, do CTN), como a contraposição a princípios constitucionais, somente podem ser reconhecidos pela via competente, o Poder Judiciário. Em ato contínuo, entende que também a pretensão da recorrente em ver reduzida a multa para 20% é totalmente improcedente, pois esta referese à multa de mora prevista para os casos de pagamentos espontâneos, porém fora do prazo, enquanto a penalidade em discussão referese aos procedimentos de oficio nos quais verificase infração à legislação tributária, sendo portanto inerente ao lançamento de oficio. Contudo, afere que para aplicar a multa qualificada/agravada não basta simples indícios, é necessário o elemento fundamental de caracterização que é o evidente intuito de fraudar ou de sonegar, cuja prova deve ser produzida com acuidade, apta a demonstrar a indelével intenção de cometer um dos três ilícitos descritos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502 de 1964. Cita doutrina, identifica o conceito de fraude. Ressalta que, qualquer conduta fraudulenta do sujeito passivo, com vistas a reduzir ou suprimir tributo, estará sempre enquadrada em uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Portanto, é irrelevante distinguir se a conduta fraudulenta se configurou em sonegação, fraude ou conluio, bastando apenas que a conduta fraudulenta se enquadre em qualquer um dos tipos infracionais definidos na citada lei. Entende que esse "animus", vontade de querer o resultado, ou assumir o risco de produzilo, ficou evidenciado e provado nos autos, pois, a contribuinte deixou de escriturar a sua movimentação bancária, oferecendo à tributação apenas parte de sua receita, de forma contumaz e durante longo período de tempo. O procedimento adotado pela contribuinte não pode ser considerado mero erro, de ordem meramente material, sem a caracterização de qualquer intuito fraudulento. Mas não é o caso, posto que não se trata de atos isolados, mas reiteradamente praticados pela autuada em todos os meses do período fiscalizado, nos quais deixou de escriturar sua movimentação bancária. Fl. 925DF CARF MF Processo nº 18088.000469/200857 Resolução nº 1803000.059 S1TE03 Fl. 17 8 Em sã consciência, diante dos elementos de convicção acostados aos autos, o julgador afere não ter dúvida da intenção da recorrente em reduzir os tributos devidos e se beneficiar, indevidamente, do Simples, uma vez que se a totalidade de suas receitas fosse declarada superaria o limite para usufruir o referido sistema. Portanto, correto o procedimento da fiscalização em aplicar a multa qualificada prevista no art. 44, §1°, da Lei n° 9.430 de 1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007. Contudo, no seu entendimento e no que concerne ao agravamento da multa por falta de atendimento à intimação para prestar esclarecimentos salienta ser improcedente o agravamento, posto que não se pode dizer que a recorrente deixou de prestar esclarecimentos nos termos do artigo 44, §20, I da Lei 9.430/96, pois ao ser intimada a apresentar o Livro Caixa e os extratos bancários, esclareceu que deixava de apresentar o livro Caixa porque o mesmo não havia sido escriturado e, com relação aos extratos bancários informou que já havia solicitado às instituições financeiras cópia dos extratos. Completa afirmando que a inexistência e/ou falta de apresentação do livro Caixa deu ensejo ao arbitramento do lucro, mas tal fato não caracteriza desatendimento no prazo à intimação para prestar esclarecimentos, previsão legal que autoriza a majoração da multa. A não comprovação da origem dos recursos depositados em conta corrente implicou em considerar os valores dos depósitos como receita omitida, mas também não pode ser causa da majoração da multa em 50%. Na verdade, deixou a interessada de aproveitar a oportunidade para demonstrar fatos e apresentar documentos capazes de comprovar a inocorrência da infração. Assim, resta descaracterizada a motivação do agravamento da penalidade, devendo ser reduzido percentual da multa de 225% para 150%. No tocante ao pedido de diligência/perícia, a autoridade a quo indeferiu sob o argumento de que a diligência e a perícia são provas de caráter especial, cabíveis nos casos em que a interpretação dos fatos demanda parecer técnico específico, para o qual o julgador não tenha o conhecimento ou não esteja capacitado ou um procedimento com o objetivo de esclarecer algum ponto obscuro na autuação ou preencher alguma lacuna na descrição dos fatos, o que não é o caso no presente feito. Refere que o ônus da prova é do contribuinte, que teve oportunidade, durante todo o período, desde o início do procedimento fiscal até a fase impugnatória, de trazer aos autos os documentos probatórios necessários e não se desincumbiu a contento. Assim, conclui afirmando que por considerar munido de todas as informações e documentos necessários e suficientes da convicção para julgar o presente processo, indefere o pedido de diligência e perícia solicitado. Cita doutrina e jurisprudência. Por fim, o julgador aprecia o ato declaratório de Exclusão do Simples, referindo que as alegações de defesa da recorrente a respeito da omissão de receita e provas (depósito bancários) já foram devidamente analisadas. Assim resta analisar quando surtirá efeito a exclusão do Simples. Observa que a exclusão se deu em virtude da empresa, na condição de empresa de pequeno porte, ter auferido no anocalendário de 2003 receita bruta superior ao limite de R$ 1.200.000,00, com fundamento no art. 192 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/94), aprovado pelo Decreto n°3000, de 26/03/1999 (base legal: art. 90, II, da Lei n°9.317, de 1996). Fl. 926DF CARF MF Processo nº 18088.000469/200857 Resolução nº 1803000.059 S1TE03 Fl. 18 9 Segundo a Lei 9.317/96, vigente à época dos fatos, a empresa, em determinado anocalendário, ultrapassar o limite estabelecido para permanência no Simples, deverá solicitar a sua exclusão do referido sistema e não o fazendo ficará sujeita a exclusão de oficio, cujo efeito darseá a partir do anocalendário subsequente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido. Dessa forma, tendo a empresa no caso concreto auferido receita (receita declarada + receita omitida) no anocalendário de 2003 superior ao limite estabelecido, os efeitos da exclusão operamse a partir de 01/01/2004. Portanto, nenhum reparo carece o Ato Declaratório, pois o mesmo encontrase em perfeita consonância com a legislação de regência. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância a recorrente interpõe recurso voluntário, de forma tempestiva, argüindo sinteticamente o que o auto de infração foi lavrado calcado sob mera presunção de omissão, não tendo, a autoridade fiscalizadora, demonstrado os elementos que deram ensejo a ocorrência do fato gerador. Refere que as notas fiscais deveriam constar do processo sob pena de imprestabilidade da prova e absurda presunção. Aduz ser evidente a necessidade de realização de perícia, posto que em tais condições não seria possível a autoridade administrativa, por meras conjecturas, lavrar auto de infração contra a recorrente. Isso porque a autoridade administrativa preferiu, ao seu livre talante, em detrimento da ordem jurídica, adotar presunção "ad hominis", que nem mesmo é legal. Cita doutrina a respeito. Prossegue salientando que é preciso que a fiscalização apresente elementos comprobatórios seguros da suposta omissão de receitas, o que não foi feito. Aduz tratarse de um caso em que as autoridades fiscalizadoras buscaram recurso na presunção para fundamentar a autuação imposta à recorrente, o que é arbitrário, inadmissível e ilegal. Pugna pela presunção, caso admitida, que seja a relativa. Prossegue insurgindose e alegando a quebra do sigilo bancário. Frisa que as provas contra a recorrente encontram respaldo na Lei Complementar 105/2001, regulamentada pelo Decreto 3.724/2001, ambos voltados à abertura do sigilo bancário dos contribuintes, como instrumento de "caça aos sonegadores" (no demagógico discurso governista). Tais informações são protegidas pela garantia constitucional do sigilo de dados, estampada no art. 5°, inciso XII, da Constituição da República, razão pela qual se mostra evidente a violação direito da recorrente, pois está se valendo o Fisco de dados, resguardados por sigilo constitucional, de terceira pessoa, para, assim, atingir o recorrente. Cita normatização e doutrina a respeito do tema. Por fim refere que a ordem judicial que é o único instrumento legítimo, imparcial e confiável na avaliação das circunstâncias concretas ensejadoras de uma possível quebra do sigilo bancário. Entende a recorrente ser cristalina a ordem constitucional que erigiu ao patamar de cláusulas pétreas a inviolabilidade do domicilio (inclusive a do domicílio empresarial); o direito à intimidade de dados; a garantia da expropriação de bens só pela via do devido processo legal; bem como a garantia de ineficácia das provas obtidas por meios ilícitos. Em ato contínuo, que todo o procedimento fiscal já nasceu nulo de pleno direito porque inobservou direitos constitucionais básicos inerentes ao cidadão. Desse modo, requer a nulidade do processo fiscal em epígrafe, já que se valendo de dados obtidos, de forma ilegal, lavrou auto de infração contra à recorrente, tratandose de evidente utilização de prova ilícita, que no seu sentir contamina todas as demais provas e atos decorrentes. Fl. 927DF CARF MF Processo nº 18088.000469/200857 Resolução nº 1803000.059 S1TE03 Fl. 19 10 Explica a recorrente que os valores indicados em extrato bancário correspondem, sempre, à movimentação do dinheiro, e não à "renda" efetivamente percebida. Tratase da "fotografia" estática de uma situação, que não guarda qualquer correspondência com a identificação da "renda" do correntista. Cita jurisprudência deste Egrégio Conselho que não admite depósito bancário como suposto indicativo de omissão de rendimentos. Passa a recorrente a discorrer sobre a distinção entre meros ingressos e receita, salientando que mera entrada ou ingresso não se confunde com receita bruta para efeitos da base de cálculo, uma vez que algumas entradas não são definitivas, apenas transitam pelo caixa da empresa para posteriormente serem repassadas para terceiros (detentores jurídicos dos ingressos da impugnante). Cita doutrina sobre o tema e jurisprudência. Quanto aos efeitos da exclusão do Simples, aduz que na atual sistemática, os efeitos passam a vales a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão. Cita o artigo 15, II, da Lei 9.317/96. Afere que a Lei 9.732198 que, alterou o art. 15, II, da Lei 9.317/96 está em plena validade, o que nos permite afirmar que os efeitos da exclusão do Simples somente se operam a partir do mês subseqüente à aludida exclusão, ou seja, a partir de 23/19/2008 e não a partir de 01/01/2004. Ademais, as situações jurídicas anteriores ao Ato Declaratório não podem infringir o principio da irretroatividade das normas. Neste sentido, é imperiosa a aplicação do princípio da irretroatividade da norma, estampado nó art. 150, II, a, da Constituição Federal. Por fim, requer a nulidade do auto de infração. É o relatório. VOTO. Conselheira Meigan Sack Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Tratase o presente feito de auto de infração para cobrança de IRPJ, PIS, COFINS, CSLL, IPI, INSS, do sistema SIMPLES, acrescidos de juros mora e multa de ofício de 225%. Insurgese a recorrente sobre a inconstitucional e ilegal quebra de seu sigilo bancário realizado pela autoridade fiscal sem amparo em autorização judicial. O art. 62A do Regimento Interno do CARF dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 928DF CARF MF Processo nº 18088.000469/200857 Resolução nº 1803000.059 S1TE03 Fl. 20 11 § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Desse modo, fundado nos parágrafos 1º e 2ºe considerando o reconhecimento de repercussão geral, por parte do Egrégio Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE nº 601.314/MG, bem como pela determinação de sobrestamento contida no RE 765.714/SP e alegação de quebra ilegal e inconstitucional do sigilo bancário contida no recurso voluntário, VOTO no sentido de sobrestar o presente processo. (assinatura digital) Meigan Sack Rodrigues relatora Fl. 929DF CARF MF
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Numero do processo: 19311.720069/2015-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/05/2011, 01/07/2011 a 31/12/2011
RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS
Correta a imputação de responsabilidade tributária aos sócios administradores da pessoa jurídica por terem agido com infração à legislação tributária, visando reduzir o pagamento das contribuições devidas, mediante a apresentação de DCTF com valores irrisórios, em relação aos efetivamente devidos e escriturados na contabilidade.
AQUISIÇÕES DE BENS PARA REVENDA. REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO.
Inexiste amparo legal para se apurar créditos básicos da contribuição sobre os custos de aquisições de mercadorias para revenda, submetidos ao regime de tributação monofásico e tributados à alíquota de 0,00 % (zero por cento) na revenda.
GLOSAS. CRÉDITOS. DESPESAS COM ALUGUEIS. PESSOAS FÍSICAS. APROVEITAMENTO.
As despesas com alugueis de imóveis, pagas a pessoas físicas não geram créditos da contribuição descontáveis do valor apurado sobre o faturamento mensal.
GLOSAS. CRÉDITOS. DESPESAS COM ALUGUEIS. PESSOAS JURÍDICAS. RESTABELECIMENTO. PROVA.
O restabelecimento de valores glosados pela autoridade fiscal, decorrentes de créditos apurados sobre alugues de imóveis, depende da comprovação de que foram pagos a pessoas jurídicas, mediante documento fiscal hábil, ou seja, nota fiscal de prestação de serviços, emitida pelo prestador
MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.
A apresentação ao Fisco, de forma reiterada, de DCTFs, declarando débitos tributários, em valores irrisórios, em relação aos realmente devidos e apurados pelo próprio contribuinte, nos Dacons e na contabilidade, revela sua intenção de ocultar e/ ou retardar o conhecimento, pela autoridade administrativa, da ocorrência do fato gerador e/ ou da redução dos reais valores das contribuições devidas, implicando a qualificação da multa de oficio.
JUROS DE MORA À TAXA SELIC.
A exigência de juros de mora à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais está de conformidade com a legislação tributária vigente.
Numero da decisão: 3302-005.579
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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AQUISIÇÕES DE BENS PARA REVENDA. REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. Inexiste amparo legal para se apurar créditos básicos da contribuição sobre os custos de aquisições de mercadorias para revenda, submetidos ao regime de tributação monofásico e tributados à alíquota de 0,00 % (zero por cento) na revenda. GLOSAS. CRÉDITOS. DESPESAS COM ALUGUEIS. PESSOAS FÍSICAS. APROVEITAMENTO. As despesas com alugueis de imóveis, pagas a pessoas físicas não geram créditos da contribuição descontáveis do valor apurado sobre o faturamento mensal. GLOSAS. CRÉDITOS. DESPESAS COM ALUGUEIS. PESSOAS JURÍDICAS. RESTABELECIMENTO. PROVA. O restabelecimento de valores glosados pela autoridade fiscal, decorrentes de créditos apurados sobre alugues de imóveis, depende da comprovação de que foram pagos a pessoas jurídicas, mediante documento fiscal hábil, ou seja, nota fiscal de prestação de serviços, emitida pelo prestador MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 00 69 /2 01 5- 62 Fl. 2143DF CARF MF 2 A apresentação ao Fisco, de forma reiterada, de DCTFs, declarando débitos tributários, em valores irrisórios, em relação aos realmente devidos e apurados pelo próprio contribuinte, nos Dacons e na contabilidade, revela sua intenção de ocultar e/ ou retardar o conhecimento, pela autoridade administrativa, da ocorrência do fato gerador e/ ou da redução dos reais valores das contribuições devidas, implicando a qualificação da multa de oficio. JUROS DE MORA À TAXA SELIC. A exigência de juros de mora à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais está de conformidade com a legislação tributária vigente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède. Relatório Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 09/04/2015, formalizando a exigência de Contribuições referentes ao PIS e da COFINS não cumulativos, acrescidos de multa de ofício qualificada (150%) e juros de mora, no valor de R$ 3.159.439,92. Com relação ao ano de 2011, a despeito de a contribuinte fiscalizada ter apurado em DACON valores médios mensais devidos de PIS (R$ 20.943,91) e de COFINS (R$ 96.200,33), e de ter contabilizado tais valores, declarou débitos irrisórios na DCTF, tendo repetido a conduta com relação ao IRPJ e CSLL devidos sobre os lucros trimestrais contabilizados e escriturados no LALUR. Vale dizer, portanto, que a fiscalizada reiteradamente declarou débitos bem inferiores aos que sabia ser devidos, não cabendo alegação de erro ou de desconhecimento. Fl. 2144DF CARF MF Processo nº 19311.720069/201562 Acórdão n.º 3302005.579 S3C3T2 Fl. 1.359 3 Cumpre ainda acrescentar que, com relação ao ano anterior ao fiscalizado (2010), a contribuinte foi autuada por insuficiência de recolhimento do IRPJ e da CSLL em procedimento de revisão de declaração (processo n° 19311.720.240/201452). Vêse, portanto, que a conduta da contribuinte fiscalizada enquadrase, em tese, nos crimes contra a ordem tributária, previstos nos artigos 1° e 2° da Lei n° 8.137/90. Conforme a 42a alteração de contrato social da fiscalizada, datada de 01/09/2010, em 2011, eram sócias da empresa DEMAC Produtos Farmacêuticos Ltda.: · Espírito Santo Gestão de Participações Societárias Ltda., CNPJ 09.534.953/000104, com 99% das quotas; e · Alexandre Della Coletta, CPF 116.840.79829, com 1%. Consta na cláusula décima da referida alteração, a que a sociedade era administrada pelos sócios, Espírito Santo Gestão de Participações Societárias Ltda., representada pelos seus administradores e pelo sócio Alexandre Della Coletta, em conjunto ou individualmente, com poderes a atribuições de administradores. A ficha cadastral da Espírito Santo Gestão de Participações Societárias Ltda., CNPJ 09.534.953/000104, aponta que eram seus representantes e administradores que assinavam pela empresa: · Marcos Della Coletta, CPF 100.767.05846, com 76% das quotas; e · Alexandre Della Coletta, CPF 116.840.79829, com 24%. Eram, portanto, representantes e administradores da DEMAC Produtos Farmacêuticos Ltda., no período de 01/01/2011 a 31/12/2011, Marcos Della Coletta e Alexandre Della Coletta. Alexandre Della Coletta consta, ainda, como representante da fiscalizada nas seguintes declarações: DACON, DIPJ e DCTF. Nos termos do artigo 135 da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional), os administradores representantes das pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos decorrentes de obrigações tributárias resultantes de infração à lei. A empresa DEMAC PRODUTOS FARMACEUTICOS LTDA foi cientificada do presente auto de infração, em 16/05/2015 (folhas 80). O Sr. Alexandre Della Coletta foi cientificado do presente auto de infração, em 15/05/2015 (folhas 82). O Sr. Marcos Della Coletta foi cientificado do presente auto de infração, em 16/05/2015 (folhas 84). A empresa DEMAC PRODUTOS FARMACEUTICOS LTDA e o Sr. Marcos Della Coletta apresentaram cada qual sua impugnação. Alegaram em síntese: Fl. 2145DF CARF MF 4 ü No caso dos autos, os fiscais deixaram de ser aplicadores da legislação e passaram à condição de verdadeiros legisladores, criando suas próprias regras de tributação (criação de nova base de cálculo e nova metodologia de apuração); ü Procedimento fiscal, como o adotado no caso em questão, viola os princípios da estrita legalidade e da tipicidade fechada, haja vista que a exigência tributária só se verifica com a existência concreta do fato gerador previsto em lei. embasada na estrita competência constitucional; ü A base de cálculo do tributo crida por metodologia aleatória, sem qualquer base legal é absolutamente nula. A modificação da base de cálculo equiparase à majoração do tributo (§ 1°, do art. 97. do CTN), subordinandose ao princípio da legalidade; ü Verificase também que a glosa do crédito oriunda de aluguéis não merece prosperar. A fiscalização não logrou comprovar o erro do contribuinte no aproveitamento dos créditos oriundo de aluguéis; ü No caso dos autos cabería ao fiscal diligenciar especificamente sobre os outros 37 contratos e os referidos imóveis, pois implicaram diretamente no lançamento mediante auto de infração, sendo ônus da fiscalização; ü O princípio da razoabilidade, nos termos em que concebido, relacionase à moralidade, à segurança jurídica, à ordem e, em última análise, à justiça. Em matéria de penalidades pecuniárias, entre elas a multa de ofício aplicada nos lançamentos fazendários, o princípio deve ser observado. ü Por fim. também se revela incabível e ilegítima a aplicação da multa em comento, diante da flagrante violação que esta representa ao princípio constitucional da vedação do confisco; ü Em que pese a existência de Súmula do CARF que convalida a aplicação, nos lançamentos de ofício, de juros de mora com base na taxa SELIC, o Requerente pede vênia para se manifestar em contrário, inclusive para efetuar o indispensável pré questionamento da matéria, em caso de futura discussão desse tema perante o Poder Judiciário. ü O Sr. Marcos Della Coletta manifesta sua discordância quanto à sua inclusão no polo passivo do processo, como responsável solidário e pugna pela inexistência de fraude ou simulação. Em 28 de junho de 2016, através do Acórdão n° 1461.648, a 4a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto, por unanimidade de votos, julgou a impugnação improcedente. Entendeu a Turma que: ü Do exame do Termo de Verificação Fiscal, parte integrante dos autos de infração de PIS e Cofins, ora contestados, verificase que as diferenças de contribuições lançadas e exigidas (diferenças) foram Fl. 2146DF CARF MF Processo nº 19311.720069/201562 Acórdão n.º 3302005.579 S3C3T2 Fl. 1.360 5 apuradas de conformidade com os dispositivos legais citados e transcritos acima (Leis n°s. 10.647/2002; 10.833/2003, e 10.147/2000). Naquele termos, estão detalhadas as apurações das bases de cálculos dos créditos descontados das contribuições devidas, as despesas de aluguéis não comprovadas, as apurações das bases de cálculo das contribuições devidas sobre a receita bruta mensal e os fundamentos das glosas. ü As glosas dos créditos aproveitados indevidamente sobre os custos com aquisições de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal tiveram como fundamento a alínea "b" do inciso I dos arts. 3° das Leis n° 10.637, de 2002, e n° 10.833, de 2003, citados e transcritos. As bases de cálculo dos créditos aproveitados pela autuante tiveram como fundamento os arts. 3°, daquelas leis, e as bases de cálculo das contribuições devidas, os art. 1°, das mesmas leis. As base de cálculos mensais dos créditos aproveitados foram apuradas a partir das notas fiscais eletrônicas (NF e), baixadas do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED); já as base de cálculos mensais das contribuições devidas (receitas de vendas) foram apuradas a partir do Livro de Apuração do ICMS. ü Como apenas parte da receitas do interessado está sujeita à incidência não cumulativa das contribuições para o PIS e Cofins e, considerando que não adotou contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração contábil, a autuante, com base nos §§ 7° a 9° dos arts. 3°, das Leis n° 10.637, de 2002, e n° 10.833, de 2003, citados e transcritos anteriormente, apurou os créditos sobre os custos das mercadorias adquiridas para revenda pelo método do rateio proporcional. Também, em relação às receitas, considerando que, intimado a apresentar os arquivos digitais das notas fiscais de saídas e dos cupons fiscais de vendas, o interessado não atendeu à intimação, a autuante utilizou o mesmo método de rateio para apurar as receitas tributadas a alíquotas positivas e as receitas sujeitas à alíquota zero (de produtos monofásicos), conforme planilhas constantes do Termo de Verificação Fiscal, parte integrante de ambos os autos de infração impugnados. A empresa DEMAC PRODUTOS FARMACEUTICOS LTDA foi cientificada do Acórdão n° 1461.648, por via eletrônica, em 12/09/2016 (folhas 1905). O Sr. Alexandre Della Coletta foi cientificado do Acórdão n° 1461.648, em 23/09/2016 (folhas 1.909). O Sr. Marcos Della Coletta foi cientificado do Acórdão n° 1461.648, em 23/09/2013 (folhas 1.913). A empresa Demac Produtos Farmaceuticos Ltda, o Sr. Alexandre Della Coletta e o Sr. Marcos Della Coletta apresentaram Recurso Voluntário. Reiteram os argumentos de defesa expendidos na impugnação. Fl. 2147DF CARF MF 6 É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço dos Recursos Voluntários tempestivamente interpostos pelos contribuintes, considerando que: ü A empresa DEMAC PRODUTOS FARMACEUTICOS LTDA foi cientificada do Acórdão n° 1461.648, por via eletrônica, em 12/09/2016 (folhas 1905); ü O Sr. Alexandre Della Coletta foi cientificado do Acórdão n° 14 61.648, em 23/09/2016 (folhas 1.909); e ü O Sr. Marcos Della Coletta foi cientificado do Acórdão n° 14 61.648, em 23/09/2013 (folhas 1.913). Nessas datas respectivas, iniciou a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação dos Recursos Voluntários. A empresa DEMAC PRODUTOS FARMACEUTICOS LTDA apresentou o seu Recurso Voluntário em 13/10/2016. O Sr. Alexandre Della Coletta e o Sr. Marcos Della Coletta apresentaram Recurso Voluntário conjunto também em 13/10/2016. Embora tempestivos, há de se salientar que o autuado Sr. Alexandre Della Coletta – não apresentou impugnação, o que implica para esse autuado suportar os efeitos da preclusão tempestiva, a luz do artigo 17 do Decreto n° 70.235/72. Da controvérsia. ü A exigência das diferenças entre os valores das contribuições, declarados nas respectivas Declarações de Créditos e Tributos Federais (DCTFs) e os efetivamente devidos, apurados a partir da escrita contábil, pelo fato de o interessado ter aproveitado e descontado créditos de PIS e Cofins, apurados sobre mercadorias sujeitas ao regime monofásico e tributados à alíquota zero na revenda e sobre despesas com aluguéis, por falta de comprovação destas despesas e/ ou por terem sido pagas a pessoas físicas, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal, parte integrante de cada um dos autos de infração; ü A responsabilização solidaria do sócio, Sr. Marcos Della Coletta, nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional, sob o argumento de ter agido com excesso de poderes, infringido lei tributária e o contrato social, cometendo crimes contra a ordem tributária, conforme previsto nos arts. 1° e 2° da Lei n° 8.137, de 1990. Fl. 2148DF CARF MF Processo nº 19311.720069/201562 Acórdão n.º 3302005.579 S3C3T2 Fl. 1.361 7 Do mérito. Tomase como ponto de partida da presente análise a transcrição da legislação aplicável ao caso: Lei n° 10.637, de 30/12/2002: Art. 1 A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; [...]. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3o do art. 1 desta Lei; e b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; [...]; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; [...]. § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004) (Vide Lei n° 11.727, de 2008) (Vigência) dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no ‘mês; dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; Fl. 2149DF CARF MF 8 [...] § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica será aplicado consistentemente por todo o anocalendário, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal (Grifo e negrito nossos) Lei n° 10.833, de 29/12/2003: "Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I – isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); [...]. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 2150DF CARF MF Processo nº 19311.720069/201562 Acórdão n.º 3302005.579 S3C3T2 Fl. 1.362 9 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; [...]; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; [...]. § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; [...]. § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal [...]." Lei n° 10.147, de 21/12/2000: Fl. 2151DF CARF MF 10 Art. 1o A Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01; 30.03, exceto no código 3003.90.56; 30.04, exceto no código 3004.90.46; e 3303.00 a 33.07, exceto na posição 33.06; nos itens 3002.10.1; 3002.10.2; 3002.10.3; 3002.20.1; 3002.20.2; 3006.30.1 e 3006.30.2; e nos códigos 3002.90.20; 3002.90.92; 3002.90.99; 3005.10.10; 3006.60.00; 3401.11.90, exceto 3401.11.90 Ex 01; 3401.20.10; e 9603.21.00; todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 7.660, de 23 de dezembro de 2011, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: I incidente sobre a receita bruta decorrente da venda de: a) produtos farmacêuticos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00: 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento); b) produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, classificados nas posições 33.03 a 33.07, exceto na posição 33.06, e nos códigos 3401.11.90, exceto 3401.11.90 Ex 01, 3401.20.10 e 96.03.21.00: 2,2% (dois inteiros e dois décimos por cento) e 10,3% (dez inteiros e três décimos por cento); e II sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente das demais atividades. 1o Para os.fins desta Lei, aplicase o conceito de industrialização estabelecido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI. [...]. Art. 2o São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1o, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às pessoas jurídicas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples." ¨ DAS CONTRIBUIÇÕES REFERENTES AO PIS E DA COFINS NÃO CUMULATIVAS Fl. 2152DF CARF MF Processo nº 19311.720069/201562 Acórdão n.º 3302005.579 S3C3T2 Fl. 1.363 11 A contribuição ao PIS/PASEP incidência nãocumulativa foi instituída pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e entrou em vigor a partir de 01 dezembro de 2002. A Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, instituiu a cobrança não cumulativa da COFINS a partir de 1° de fevereiro de 2004. A base de cálculo das Contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, com incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Alíquotas Ø PIS/PASEP cobrança nãocumulativa : 1,65% Código 6912 Ø COFINS cobrança nãocumulativa : 7,6% Código 5856 Apuração do valor do crédito O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota de 1,65% e 7,6% sobre o valor: a) dos bens adquiridos para revenda; b) dos bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; c) da energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; d) dos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, incorridos no mês; e) das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo SIMPLES; f) dos encargos de depreciação e amortização de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao Ativo Imobilizado adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. g) dos encargos de depreciação e amortização de edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros utilizados nas atividades da empresa; h) das devoluções de mercadorias cuja receita tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada na modalidade não cumulativa; Fl. 2153DF CARF MF 12 i) armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. É vedado utilizar o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica. Direito ao crédito O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação a: I. bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II. custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; Não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física e a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero (0), isentos ou não alcançados pela contribuição (art.21 e 37, da Lei n° 10.865/2004). As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações (art. 17, da Lei n° 11.033, de 21/12/2004) Não cumulatividade proporcional cálculo do crédito Na hipótese de a pessoa jurídica, sujeitarse à incidência não cumulativa das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS em relação a apenas parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. O crédito será determinado a critério da pessoa jurídica, pelo método de : a) apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração ; ou b) rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. (Art. 3° § 8°, da Lei n° 10.833/2003). O método eleito pela pessoa jurídica para a determinação do crédito, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário (Art. 3° § 9° da Lei n° 10.833/2003). O valor dos créditos apurados, não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. (Art. 3° § 10, da Lei n° 10.833/2003). Fl. 2154DF CARF MF Processo nº 19311.720069/201562 Acórdão n.º 3302005.579 S3C3T2 Fl. 1.364 13 Contabilização do PIS/PASEP e COFINS Em cada período de apuração, a pessoa jurídica deverá efetuar as apropriações para o pagamento das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, na modalidade nãocumulativa. Das Glosas Referente às aquisições de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, as glosas dos créditos tiveram como fundamento a alínea "b" do inciso I dos arts. 3° das Leis n° 10.637, de 2002, e n° 10.833, de 2003. Os fatos que embasam a presente ação fiscal apontam que: 1. Apenas parte das receitas do interessado está sujeita à incidência não cumulativa das contribuições para o PIS e COFINS; 2. A empresa DEMAC não adotou contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração contábil, com base nos §§ 7° a 9° dos arts. 3°, das Leis n° 10.637, de 2002, e n° 10.833, de 2003; 3. A empresa DEMAC apurou os créditos sobre os custos das mercadorias adquiridas para revenda pelo método do rateio proporcional; 4. Intimada a apresentar os arquivos digitais das notas fiscais de saídas e dos cupons fiscais de vendas, a empresa DEMAC não atendeu à intimação; 5. A empresa DEMAC utilizou o mesmo método de rateio para apurar as receitas tributadas a alíquotas positivas e as receitas sujeitas à alíquota zero (de produtos monofásicos), conforme planilhas constantes do Termo de Verificação Fiscal. Portanto, por proceder em desacordo com a legislação aplicável, PROCEDEM as glosas efetuadas pela fiscalização. Glosas de Aluguéis. Por determinação expressa do inciso IV dos art. 3° das Leis n° 10.637, de 2002, e n° 10.833, de 2003, somente os pagamentos efetuados de despesas de aluguéis a pessoas jurídicas geram créditos. No caso em análise, foram glosados os créditos apurados sobre as despesas de aluguéis: 1. Em sete contratos, por pagamentos feitos à pessoas físicas; 2. Em trinta e sete contratos, por falta de comprovação de que os contratos foram realizados com pessoas jurídicas. Fl. 2155DF CARF MF 14 Apesar de intimada pela fiscalização a apresentar as provas concernentes á regularidade do procedimento, a empresa DEMAC quedouse inerte. É alegado às folhas 08 do Recurso Voluntário da empresa DEMAC: Todavia, não é o que se verifica nos autos. Conforme salientado, os fiscais deixaram de ser aplicadores da legislação e passaram à condição de verdadeiros legisladores, criando suas próprias regras de tributação (criação de nova base de cálculo e nova metodologia de apuração). No corpo do auto de infração de COFINS e PIS a auditora responsável pelo feito limitase a afirmar que teria havido recolhimento insuficiente das duas contribuições em causa, sem maiores explicações ou esclarecimentos. Já no Termo de Verificação Fiscal, a AFRF descreve uma metodologia por ela adotada no objetivo de identificar os créditos passíveis de aproveitamento, para cálculo do PIS e da COFINS e os que foram glosados no trabalho de auditoria. Ainda alega às folhas 10 do Recurso Voluntário: Procedimento fiscal, como o adotado no caso em questão, viola os princípios da estrita legalidade e da tipicidade fechada, haja vista que a exigência tributária só se verifica com a existência concreta do fato gerador previsto em lei, embasada na estrita competência constitucional. A base de cálculo do tributo criada por metodologia aleatória, sem qualquer base legal é absolutamente nula. A modificação da base de cálculo equiparase à majoração do tributo (§ 1°, do art. 97, do CTN), subordinandose ao princípio da legalidade. A Recorrente, empresa DEMAC, se vale de argumentos sem a apresentação de qualquer suporte fático. Como demonstrado os fatos trazidos pela fiscalização encontram adequada ressonância na legislação aplicável, aqui transcrita. De igual sorte, a Recorrente não traz números para contestar a metodologia de cálculo formatada pela fiscalização. Especificamente, quanto à glosa de aluguéis, alega a empresa DEMAC às folhas 11 do Recurso Voluntário: Verificase também que a glosa do crédito oriunda de aluguéis não merece prosperar. A fiscalização não logrou comprovar o erro do contribuinte no aproveitamento dos créditos oriundo de aluguéis, nos termos da ementa abaixo: Não procede a argumentação em sua tentativa de inverter o ônus da prova. Como já salientado, intimada pela fiscalização a apresentar as provas concernentes á regularidade do procedimento, a empresa DEMAC quedouse inerte. O alcance da responsabilidade dos sócios. É alegado às folhas 09 do Recurso Voluntário do Sr. Marcos Della Coletta: Fl. 2156DF CARF MF Processo nº 19311.720069/201562 Acórdão n.º 3302005.579 S3C3T2 Fl. 1.365 15 Dito isso, nas situações em que mais de um sujeito tenha interesse comum no fato descrito como hipótese de incidência tributária, poderseá atribuirlhes, em caráter solidário, o dever de adimplir a obrigação tributária. É o que determina o inciso I do art. 124 do CTN. Por todo o exposto, revelase desprovida de quaisquer fundamentos fático probatórios e jurídicos a desastrada iniciativa da Fiscalização, visando a imputar a outros Contribuintes o ônus de responsabilidade tributária solidária, quanto ao crédito tributário constituído no presente processo, pelo que se faz imperativa a exclusão da Impugnante, quanto ao referido auto de infração. (Grifo e negrito nossos) Sem razão ao Recorrente. O instituto a ser considerado não é o da solidariedade, mas o da responsabilidade pessoal tributária a luz do artigo 135 do Código Tributário Nacional. É certo que os sócios, ao constituírem a sociedade na forma disciplinada no Código Civil, fundamentados no direito societário, limitam sua responsabilidade aos aportes que realizam para a formação do capital, seja em quotas ou ações objetivando restringir sua participação no pagamento dos débitos sociais, desde que não pratiquem atos com excesso de mandato, violação da lei ou do contrato social. A determinação do sujeito passivo da obrigação tributária principal é determinada pelo artigo 121 do Código Tributário Nacional: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I – contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II – responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. O artigo 135 do Código Tributário Nacional determina que a responsabilidade dos sócios somente ocorrerá quando demonstrado o fato de os sócios haverem agido com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – as pessoas referidas no artigo anterior; II – os mandatários, prepostos e empregados; III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 2157DF CARF MF 16 (Grifo Nosso) Isto significa que, se o empresário ou administrador agir dentro da lei e do contrato social ou estatuto e, por circunstâncias do mercado, a empresa da qual é sócio ou administrador não cumprir com suas obrigações tributárias seus bens particulares não respondem pela dívida tributária. Não é o caso. A ação fiscal se apóia na seguinte constatação: a declaração dos débitos das contribuições, nas respectivas DCTFs, em valores irrisórios, em relação aos valores apurados nos Dacons e escriturados em sua contabilidade, de forma reiterada. Essa conduta se coaduna com a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, o que corresponde à SONEGAÇÃO, na forma do artigo 71 da Lei nº 4.502/1964. Se configurada a infração de Lei, por determinação expressa do caput do artigo 135 do Código Tributário Nacional, a responsabilidade pela exação tributária atinge a pessoa dos os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Multa de ofício. Previsão legal e percentual (150%). O litigante investe contra a aplicação da multa qualificada de 150%, que diz ser confiscatória e injustificada. O dispositivo aplicado, conforme indicado no auto de infração, foi o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que, expressa e objetivamente, prevê: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide MEDIDA PROVISÓRIA Nº 351 DE 22 DE JANEIRO DE 2007 DOU DE 22/1/2007 Edição extra) Alterada pela LEI Nº 11.488 DE 15 DE JUNHO DE 2007 DOU DE 15/5/2007 Edição extra I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Grifouse.) o Lei nº 4.502/1964: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 2158DF CARF MF Processo nº 19311.720069/201562 Acórdão n.º 3302005.579 S3C3T2 Fl. 1.366 17 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. O agravamento da multa de ofício tem por suporte fático a declaração dos débitos das contribuições, nas respectivas DCTFs, em valores irrisórios, em relação aos valores apurados nos Dacons e escriturados em sua contabilidade, de forma reiterada. Essa conduta se coaduna com a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, o que corresponde à SONEGAÇÃO. A multa de ofício calculada sobre o valor do imposto cuja falta de recolhimento se apurou, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual 150 % o legalmente previsto para a situação descrita no Termo de Verificação Fiscal, não se podendo, em âmbito administrativo, reduzilo ou alterálo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. Considerações sobre a graduação da penalidade, no caso, não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei, não dando margem a conjecturas atinentes à ocorrência de efeito confiscatório ou de ofensa ao princípio da capacidade contributiva. Nesse sentido, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, em franca ofensa à vinculação a que se encontra submetida a instância administrativa (art. 142, parágrafo único, do CTN), como a contraposição a princípios constitucionais, somente podem ser reconhecidos pela via competente, o Poder Judiciário. Desse modo, devese considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício ao percentual de 150%, definido em lei, sobre os valores do imposto não recolhido, rejeitandose a contestação de que não haveria previsão legal para tanto. Taxa Selic. Sobre o assunto, o art. 161, § 1º, do CTN, abaixo reproduzido, outorga à lei a faculdade de estabelecer os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento, fixando o percentual de 1% na hipótese de a lei não dispor de forma diversa. Art. 161 O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante Fl. 2159DF CARF MF 18 da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária”. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. Em atenção a tal dispositivo, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 61, § 3º, estabeleceu expressamente, para o cálculo dos juros de mora, a aplicação da taxa Selic. Oportuno registrar, conforme reconhecido pela interessada, que, sobre o assunto, já existe Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (antiga súmula do Conselho de Contribuintes, renumerada pela Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009), como segue: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, estando a exigência devidamente fundamentada, conforme já anteriormente mencionado, não cabe a este órgão administrativo perquirir da legalidade ou inconstitucionalidade dessa norma, uma vez que, enquanto esta não é declarada inconstitucional pelos órgãos competentes do Poder Judiciário e não é expungida do sistema normativo, tem presunção de validade, presunção esta que é vinculante para a administração pública. Portanto, é defeso aos órgãos administrativos jurisdicionais, de forma original, reconhecer alegação de ilegalidade ou inconstitucionalidade de disposições que fundamentam o lançamento, ainda que sob o pretexto de deixar de aplicálas ao caso concreto. Nesse mesmo sentido, está, como já citado, o art. 26A do Decreto nº 70.235/72. Confirmando este posicionamento, já foi editada Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (antiga súmula do Conselho de Contribuintes, renumerada pela Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009), dispondo, in verbis: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acrescentese que o dever de observância abrange também as normas complementares editadas no âmbito da Receita Federal, expresso em atos tributários e aduaneiros, conforme expressa disposição da Portaria do Ministro da Fazenda nº 58, de 17 de março de 2006, nos seguintes termos: Art. 7º O julgador deve observar o disposto no art. 116, III da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, bem assim o entendimento da Secretaria da Receita Federal (SRF) expresso em atos normativos. Dessa maneira, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Fl. 2160DF CARF MF Processo nº 19311.720069/201562 Acórdão n.º 3302005.579 S3C3T2 Fl. 1.367 19 Não há, portanto, como acatar o afastamento da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recursos dos Contribuintes. É como voto. Jorge Lima Abud. Fl. 2161DF CARF MF
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Numero do processo: 10650.001065/2005-94
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001
LUCRO INFLACIONÁRIO. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 11.
Conforme determina a Súmula Carf nº 11, o prazo decadencial para
constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos.
REALIZAÇÃO INCENTIVADA. PAGAMENTO. INTERPRETAÇÃO LITERAL.
O artigo 111, I do (TN estabelece que se deve interpretar literalmente a legislação tributária que disponha sobre exclusão de crédito tributário. O artigo 9 0 da Lei n° 9.532/1997 permitiu a quitação do total do saldo existente do lucro inflacionário com o pagamento de parcela correspondente a 10% do seu valor, não permitindo a extensão de tal beneficio a outras formas de extinção do crédito tributário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 1301-000.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma decidem, por unanimidade, afastar a preliminar de decadência suscitada, para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido o Conselheiro Valmir Sandri.
Nome do relator: Guilherme Pollastri Gomes da Silva
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DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 11. Conforme determina a Súmula Carf nº 11, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. REALIZAÇÃO INCENTIVADA. PAGAMENTO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. O artigo 111, I do (TN estabelece que se deve interpretar literalmente a legislação tributária que disponha sobre exclusão de crédito tributário. O artigo 9 0 da Lei n° 9.532/1997 permitiu a quitação do total do saldo existente do lucro inflacionário com o pagamento de parcela correspondente a 10% do seu valor, não permitindo a extensão de tal beneficio a outras formas de extinção do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma decidem, por unanimidade, afastar a preliminar de decadência suscitada, para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido o Conselheiro Valmir Sandri. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Redator Fl. 97DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Paulo Jackson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior Fl. 98DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10650.001065/200594 Acórdão n.º 1301000.643 S1C3T1 Fl. 2 3 Relatório O presente Auto de Infração originouse da revisão da DIPJ apresentada pelo contribuinte. No procedimento da revisão foi constatada a existência das seguintes irregularidades: ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO REALIZAÇÃO MINIMA ausência de adição ao lucro liquido do período, na determinação do lucro real apurado na DIPJ, do lucro inflacionário realizado sem observância do percentual de realização mínima previsto na legislação de regência. em análise eletrônica da Malha PJ dos exercícios 2001 e 2002 verificouse que o mesmo declarou a menor o lucro inflacionário realizado para os AC 2000 e 2001, não obedecendo a limitação mínima de 10, conforme art. 449 do RIR/99. tal divergência motivou a emissão do TERMO DE INTIMAÇÃO E REVISÃO DIPJ. Em sua resposta, o contribuinte informou haver realizado na DIPJ 1999, anocalendário 1998, o valor de R$ 1.821.206,51, correspondente a 10% do saldo do lucro inflacionário em 31/12/1995, como se pode verificar na ficha 08, linhas 15 e 17 de sua declaração restando um saldo no valor de R$ 12.748.445,66. Informou também ter realizado integralmente o saldo do lucro inflacionário em 28/02/1999, a aliquota beneficiada de 10% através do instituto da COMPENSAÇÃO com saldo do imposto de Renda recolhido a maior em 1998. o art. 455 do RIR/99, com fulcro no art. 9 ° da Lei 9.532 de 1997, facultava à pessoa jurídica a realização integral beneficiada do saldo do lucro inflacionário existente no último dia útil dos meses de novembro e dezembro de 1997, tributado á aliquota de 10%, condicionando tal realização, conforme § 2 ° deste mesmo artigo, á opção pelo beneficio até 31 de dezembro de 1998, de maneira irretratável e manifestada mediante o PAGAMENTO do imposto, em quota única, na data da opção conforme previsto no art. 111 o CTN, deve ser interpretada literalmente a previsão legal que venha a tratar sobre beneficio fiscal, afastandose, desta forma, outras formas de extinção do crédito tributário que não o pagamento. portanto, o procedimento adotado pelo contribuinte, em suma, a compensação, em 28/02/1999, do imposto devido com recolhimento a maior do anocalendário de 1998, está em desacordo com o art. 455, § 2 ° do RIR/99, ficando não caracterizada a opção, até a data limite fixada em lei, pela tributação favorecida da realização integral do saldo do lucro inflacionário salientese também que a DIPJ do exercício de 1999 não registra em sua ficha 08, linhas 13 e 14, esta realização, mas sim a realização mínima obrigatória, conforme se verifica na linha 17. Fl. 99DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 do exposto, concluise que o valor de R$ 1.821.206,52, relativo A realização mínima de 10% do saldo do lucro inflacionário existente em 31/12/1995, deve ser adicionado ao Lucro Real apurado em 31/12/2000 e 31/12/2001. como no anocalendário de 2000 a empresa obteve prejuízo fiscal, esta deve reajustar o LALUR, para que o saldo de prejuízo das atividades em geral deste anocalendário possa ser utilizado em períodos posteriores. para efeitos de esclarecimento, na intimação inicial, o valor de R$1.676.578,49 comunicado ao contribuinte como Valor Calculado pelo sistema da Malha PJ, difere do valor lançado (R$ 1.821.206,52), devido a uma divergência entre o saldo do lucro inflacionário constante do sistema de Malha PJ, com o saldo do lucro inflacionário da DIPJ e do LALUR do contribuinte, ao qual tivemos acesso através de cópia constante do processo de N ° 10650.001802/200478. Foi então lavrado o Auto de Infração de IRPJ, no valor de R$ 757.162,04, relativo aos anos calendário de 2000 e 2001, sendo: R$ 318.711,14 de imposto; R$ 199.417,55 de juros de mora e R$ 239.033,35 de multa proporcional. Intimado do auto em 29 de agosto de 2005 a contribuinte apresentou impugnação em 27 de setembro de 2005 onde requer em síntese o seguinte: preliminarmente, o reconhecimento da decadência do direito da Fazenda de lançar em virtude da opção da tributação incentivada ter ocorrido em fevereiro de 1999. assim, aplicandose a regra do art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional, a decadência do direito do Fisco Federal efetuar o lançamento da exação deve iniciar sua contagem em fevereiro de 1999, data em que a Impugnante realizou integralmente o lucro inflacionário, não devendo se contar o prazo decadencial a partir do encerramento do períodobase da pretendida realização minima do lucro inflacionário (dezembro de 1999). tendo sido lavrado o presente auto tão somente em 25/08/2005, teria se operado a decadência desde de fevereiro de 2004. neste sentido é a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, que entende que o fato gerador do lucro inflacionário ocorre com a realização (e não apuração), correndo, a partir desta data, o prazo para o Fisco valorar o tributo apurado. Junta jurisprudência. Pelas decisões juntadas vêse que, aplicandose a regra do art. 150, §4°, do CTN, a decadência do direito da Fiscalização de efetuar o lançamento da exação deve iniciar sua contagem em fevereiro de 1999, data em que a Impugnante optou pela realização integral do lucro inflacionário, mesmo para a hipótese de inexistência de declaração da referida realização na DIPJ. o Decreto 3.000/99, sob o pretexto de "regulamentar" a realização incentivada do lucro inflacionário, criou condição, qual seja, a estipulação de prazo para a opção do contribuinte, que não estava previamente fixada na Lei n.° 9.532/97. ao impor condições restritivas do direito de opção pela realização integral do lucro inflacionário, em manifesta afronta ao principio da legalidade. na ausência de disposição especifica em lei, deveria ter sido observado o prazo genérico para pagamento do imposto de renda apurado no encerramento do período de apuração, previsto no Fl. 100DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10650.001065/200594 Acórdão n.º 1301000.643 S1C3T1 Fl. 3 5 art. 6°, §1°, inciso I da Lei n° 9.430/962 , qual seja, o último dia do mês de março do ano subseqüente. Junta jurisprudência. a opção realizada pela Impugnante, em 28/02/1999, deve ser validada, tendo em vista que a regulamentação do art. 9° da Lei n.° 9.532/97 impôs condição (prazo) inexistente na referida legislação, prejudicando de modo injustificado a ora Impugnante de fazer jus à realização incentivada do saldo de lucro inflacionário. conforme mencionado anteriormente, a Impugnante formalizou a opção pela realização incentivada do saldo de lucro inflacionário por meio da compensação de saldo negativo de imposto de renda apurado no anocalendário de 1998, justamente por se tratar diante de uma das formas de extinção do crédito tributário previstas no art. 156 do CTN, assim como o pagamento. Com efeito, tendo a ora Impugnante realizado integralmente o saldo do lucro inflacionário através da compensação com saldo do imposto de renda recolhidos a maior em 1998, agiu em conformidade com a própria orientação a Receita Federal (art. 14 da IN SRF 21/97), não acarretando, desse modo, qualquer prejuízo para o Fisco. mesmo que se entenda que a Impugnante realizou lucro inflacionário em valores superiores ao mínimo permitido por lei, jamais poderia ter desconsiderado a realização efetuada como redutora do saldo de 1995. por conta disso, a falta de apresentação de pedido de compensação não é suficiente para desconsiderar a realização efetuada pela Impugnante, devendo ser imputada ao saldo de lucro inflacionário. Mesmo porque, por se tratar de compensação de tributo de mesma espécie. no caso houve a realização integral do lucro inflacionário, sendo que a omissão desta informação deveria ser objeto de reparação de oficio pela autoridade fiscal que deve corrigir o erro de oficio, cobrando ou restituindo o imposto quando for o caso. por respeito à Verdade Material, é completamente descabida a cobrança do crédito tributário aqui discutido, uma vez que o crédito tributário apurado pela fiscalização decorre exclusivamente de erro de preenchimento da DIPJ do anobase de 2000 e 2001. A 1ª Turma da DRJ/MG por unanimidade de votos manteve o lançamento fiscal, em síntese, pelos seguintes argumentos: inicialmente destaca que a matéria foi objeto do processo 10650.001802/200478, que se refere ao auto de infração do IRPJ lavrado contra a contribuinte em relação ao anocalendário de 1999. o lançamento consubstanciado naquele processo foi considerado improcedente por esta Turma de Julgamento, conforme ementa do Acórdão DRJ/JFA n.° 11.810, de 29 de novembro de 2005. ocorre que tal decisão não chegou a produzir efeitos. Isto porque, em observância ao disposto no art. 34 do Decreto n.° 70.235/72 e na Portaria MF n.° 375/2001 daquela decisão foi interposto recurso de oficio, o qual foi provido em julgamento realizado pelo então 1° Conselho de Contribuintes. Portanto, foi restabelecido o crédito tributário constante do Fl. 101DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 processo 10650.001802/200478, consoante se vê na ementa do Acórdão 1° CC n.° 101 96.148. 1° Conselho de Contribuintes / la. Camara / ACÓRDÃO 10196.148 em 23.05.2007 IRPJ Ex(s): 2000 LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZAÇÃO INCENTIVADA PAGAMENTO — INTERPRETAÇÃO LITERAL. 0 artigo 111, I do CTN estabelece que se deve interpretar literalmente a legislação tributária que disponha sobre exclusão de crédito tributário. 0 artigo 9° da Lei n° 9.532/1997 permitiu a quitação do total do saldo existente do lucro inflacionário com o pagamento de parcela correspondente a 10% do seu valor, não permitindo a extensão de tal beneficio aoutras formas de extinção do crédito tributário. Recurso de Oficio Provido. Pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de conversão do julgamento em diligência e dar provimento ao recurso de oficio. Vencidos os Conselheiros Sandra Maria Faroni (Relatora), Paulo Roberto Cortez, Joao Carlos de Lima Júnior e José Ricardo da Silva. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Caio Marcos Cândido. Sendo assim, por uma questão de coesão, o entendimento adotado no processo 10650.001802/200478 para o anocalendário de 1999 de que não houve a realização integral do saldo remanescente do lucro inflacionário constante da DIPJ do anocalendário de 1998 deve ser também adotado para os anoscalendário de 2000 e 2001, tratados no auto de infração constante deste processo. portanto, não houve a realização integral do saldo remanescente do lucro inflacionário, facultada pela opção de tributação incentivada versada no art. 9° da Lei no 9.532/97 2, tendo em vista não ter havido o pagamento do imposto em cota única, na data da opção. na esteira desse raciocínio, também não assiste razão à contribuinte quanto preliminar de "decadência do direito de lançar em virtude da opção da tributação incentivada ocorrida em fevereiro de 1999". Como já visto, essa matéria foi tratada no processo 10650.001802/200478, no qual restou definido que não foi exercida na forma da lei a opção pela realização incentivada do saldo remanescente do lucro inflacionário acumulado. como contraponto aos acórdãos do então 1° Conselho de Contribuintes trazidos na impugnação, transcrevo enunciado da Súmula n.° 11, daquele colegiado, que trata da matéria em foco: "O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucroinflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais ". Grifei partindo então da premissa de que não houve a efetiva realização do lucro inflacionário, tendo em vista a falta de pagamento do imposto correspondente em cota única, importa saber, neste caso concreto, se o lançamento foi efetuado em tempo hábil em relação aos períodos em que deveriam ter sido efetuadas as realizações mínimas para fins de tributação do IRPJ. Fl. 102DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10650.001065/200594 Acórdão n.º 1301000.643 S1C3T1 Fl. 4 7 o crédito tributário ora em litígio referese aos fatos geradores ocorridos em 31/12/2000 e 31/12/2001. Como a ciência do lançamento ocorreu em 29/8/2005, antes do interregno de cinco anos que o Fisco possui para constituir o crédito tributário, não prospera a tese de decadência levantada. por fim, também não pode ser acatada a desconsideração a realização incentivada, "a imputação do imposto efetivamente compensado para apurar novo saldo para lançamento da realização minima". primeiro, porque. uma vez rejeitada a realização incentivada, o fato de ter havido ou não quitação do imposto no valor de R$ 1.274.844,57 por compensação em fevereiro de 1999 em nada interfere na realização mínima de 10% do lucro inflacionário, efetuada pela fiscalização nos anoscalendário de 2000 e 2001. isto porque a realização minima é calculada pela aplicação do percentual de 10% sobre o saldo do lucro inflacionário existente em 31/12/95, o qual, no caso, era de RS 18.212.065.22. Sendo assim. a realização minima nos anos de 2000 e 2001 corresponde a um valor de R$ 3.642.413.04 (2 x 1.821.206.52). Por conseguinte, ainda que se considere que houve uma realização não incentivada de lucro inflacionário proporcional ao valor do imposto compensado na parte B do Lalur. de R$ 1.274.844,57, os saldos remanescentes de lucro inflacionário a realizar nos anos de 2000 e 2001 comportariam os valores de realização mínima. segundo porque o imposto informado como compensado não se sujeita ao ajuste no final do período, uma vez que o lucro inflacionário realizado na forma incentivada não compõe o lucro real. o fato de não ter sido aceita a realização incentivada do lucro inflacionário intentada pela contribuinte, não transfigura o imposto porventura compensado com esse intuito, que tem a natureza de tributação exclusiva, em imposto sujeito ao ajuste. Tampouco autoriza a realização do lucro inflacionário proporcionalmente ao imposto compensado. Esse fato implica apenas o surgimento de um direito creditório em favor da contribuinte e a não realização de lucro inflacionário. o direito credit6rio surgido em favor da contribuinte só seria hábil a cancelar o lançamento se a impugnante tivesse realizado a compensação dos débitos ora em questão de forma espontânea, ou sei a, antes do inicio do procedimento fiscal, e dentro do prazo legal para tanto. Sendo a compensação considerada incorreta, o contribuinte deve arcar com as consequências de seu procedimento, que no caso repercutiu sobre exercícios posteriores, acarretando lançamentos de oficio supervenientes. Intimado da decisão da DRJ em 08 de janeiro de 2010 a Contribuinte apresentou recurso voluntário, tempestivo em 09 de fevereiro de 2010, se utilizando basicamente de todos os argumentos utilizados em sede de impugnação. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, por isso dele conheço. Em relação a preliminar de decadência alegada pela Contribuinte, não há como prosperar uma vez que a jurisprudência é pacífica em sentido contrário tendo o CARF inclusive editado a Súmula CARF nº 10 que determina: “Súmula CARF nº 10 O prazo decadencial para a constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos.” Portanto, não há como se acatar a tese aventada uma vez que o crédito se refere aos fatos geradores ocorridos em 31/12/2000 e 31/12/2001 e como a ciência do lançamento se deu em 29/08/2005 não há que se falar em decadência. O requerimento da Contribuinte de que caso seja desconsiderada a realização incentivada a imputação do imposto efetivamente compensado para apurar novo saldo para lançamento da realização mínima ou possibilidade de recomposição do crédito do IRPJ para compensação com outros tributos federais também não pode ser acatado, pois o imposto informado como compensado não se sujeita ao ajuste no final do período, uma vez que o lucro inflacionário realizado na forma incentivada não compõe o lucro real. Houvesse a Contribuinte declarado em sua DIPJ a realização incentivada, os valores ali contidos seriam zerados e em nada iria alterar a apuração do lucro real, no qual já estava embutido à realização mínima do lucro inflacionário. A possibilidade aventada de recomposição do crédito do IRPJ apurado para compensação com outros tributos é estranha à competência deste colegiado. No mérito, a matéria ora em exame é sobre a possibilidade de utilização da alíquota beneficiada de 10% para quitação, mediante compensação, do saldo do lucro inflacionário acumulado. Como muito bem explicado no voto vencedor do ilustre conselheiro Caio Marcos Cândido, no caso em tela não há possibilidade de utilização da alíquota beneficiada de 10% para quitação do saldo do lucro inflacionário acumulado, utilizandose do instituto da compensação, uma vez que a previsão legal determina o pagamento integral do valor à vista. O artigo 111, I do CTN estabelece que a legislação tributária que dispõe sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, deve interpretar literalmente, não havendo possibilidade de, nestes casos, entender que a norma quis dizer mais do que disse. Quando o artigo 9° da Lei n° 9.532/1997, permitiu a quitação do total do saldo existente do lucro inflacionário, com o pagamento de parcela correspondente a 10% do seu valor, abrindo mão da parcela restante do crédito tributário correspondente, indicou ao sujeito Fl. 104DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10650.001065/200594 Acórdão n.º 1301000.643 S1C3T1 Fl. 5 9 passivo a forma a ser adotada para que se beneficiasse da exclusão de parcela do seu débito, o pagamento integral à vista em 31 de dezembro daquele ano, não abrindo margem para que tal se desse pelas outras formas de extinção do crédito tributário, no caso à compensação. No caso presente, o sujeito passivo não efetivou tal pagamento, portanto, não houve a realização integral do saldo remanescente do lucro inflacionário, facultada pela opção de tributação incentivada versada do art. 9° da citada lei, tendo em vista não ter havido o pagamento do imposto em cota única, na data da opção, conforme determinado. Não vejo também razão para suspender o julgamento deste processo até que seja julgado o PAT nº 10650.001802/200478, conforme solicitado pela Contribuinte. Sendo assim voto no sentido de conhecer e rejeitar a preliminar de decadência, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário para manter o presente lançamento. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 105DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/09/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13603.904372/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 22/12/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP. DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO.
A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
Numero da decisão: 2401-005.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de votar o conselheiro Matheus Soares Leite.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado em substituição ao impedimento do conselheiro Matheus Soares Leite) e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de votar o conselheiro Matheus Soares Leite. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 43 72 /2 00 9- 14 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13603.904372/200914 Acórdão n.º 2401005.620 S2C4T1 Fl. 105 2 José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado em substituição ao impedimento do conselheiro Matheus Soares Leite) e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório que NÃO HOMOLOGOU compensação utilizando pretenso "Pagamento Indevido/a Maior" no valor de R$ 617,78 (cód 0561, PA 12/12/2004), veiculado na PER/DCOMP 05526.83884.2505.1.3.041040, em razão de o pagamento ter sido utilizado na extinção de débitos declarados em DCTF. A seguir, transcrevo alguns excertos do Acórdão de piso: (...) COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL As informações prestadas pelo sujeito passivo, até prova em contrário, são consideradas verdadeiras, e não podem ser desconsideradas mediante simples alegações; para que estas informações sejam alteradas, dando origem a um indébito, deverá o contribuinte comprovar inequivocadamente o alegado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para sua utilização. (...) Relatório (...) a manifestação de inconformidade (...) resumidamente alega: 4.1 A tempestividade (...). 4.2 O não reconhecimento do crédito utilizado é decorrente de “mero equívoco nas informações prestadas em DCTF”. Esclarece que “a impugnante quitou, a título de IRRF, a cifra de R$ 820.084,52”, relativa ao período de apuração 18/12/2004. Acrescenta que posteriormente “constatou que o montante por ela recolhido a título de IRRF do período de apuração 18/12/2004 foi superior àquele efetivamente devido” no importe de R$ 627,18, dos quais foram utilizados R$ 617,78 na DCOMP em litígio neste processo. 4.2.1 Informa que o indébito não foi confirmado pelo fisco em decorrência das informações prestadas em DCTF e que "esse equívoco foi sanado pela impugnante via DCTF retificadora". Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13603.904372/200914 Acórdão n.º 2401005.620 S2C4T1 Fl. 106 3 4.3 Defende a observância do princípio da verdade material, transcrevendo excertos de James Marins, Alberto Xavier e acórdão do Conselho de Contribuintes. 4.4 Para amparar sua argumentação anexa ao processo o DARF recolhido, a DCTF original e a DCTF retificadora, apresentada em 24/07/2009. 4.5 Por fim, propugna pela homologação da compensação. (...) Voto (...) 14. As informações acerca do IRF12/12/2004 foram prestadas pelo próprio contribuinte, tanto na DCTF original quando na DCTF retificadora. O crédito utilizado na DCOMP não foi reconhecido pela DRF em função das informações prestadas na DCTF original. O contribuinte retifica a informação apresentada somente em 24/07/2009 (fl. 58), após o recebimento do Despacho Decisório emitido pela DRF. 14.1 A IN RFB n° 903, de 30 de dezembro de 2008 vigente na data da apresentação da DCTFRetificadora assim prescreve, acerca da retificação da DCTF: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. (...) § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. 14.2 Vale dizer, a declaração retificadora apresentada pelo contribuinte não produz os efeitos pretendidos, considerando o inciso III do § 2° do art. 11 acima transcrito. Contudo, ainda que assim seja, os dados constantes do presente documento poderiam ser acatados, desde que acompanhados da comprovação documental da alteração efetuada. Esta comprovação não foi apresentada pelo impugnante. (...) o contribuinte não apresentou qualquer comprovação da alteração efetuada, de modo que não há como validar o pretenso direito de crédito utilizado pelo contribuinte na DCOMP em litígio neste processo. (...)16. Considerando a inexistência de liquidez e certeza do pretenso indébito utilizado pelo contribuinte, a princípio, não há como homologar a compensação em litígio neste processo. Cientificado do Acórdão em 26/08/2010, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em 27/09/2010, alegando, em síntese: a) Tempestividade. Recepcionada a intimação postal em 26/08/2010 (quinta feira), o prazo para recurso se encerrar em 27/09/2010 (segundafeira) por força do art. 5 , parágrafo único, do Decreto n 70.235, de 1972. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13603.904372/200914 Acórdão n.º 2401005.620 S2C4T1 Fl. 107 4 b) No período de apuração 12/12/2004, a Recorrente realizou o pagamento de R$ 820.084,52 a título de IRRF, quando 819.457,34 era devido. Por equívoco, informou na DCTF originária R$ 820.084,52. Contudo, o erro restou sanado por DCTF retificadora (doc. 08 da Manifestação de Inconformidade). c) Nula a decisão que deixar de apreciar demonstrativos documentais relacionados com a matéria em discussão. d) Em face do princípio da verdade material, não há dúvida acerca da liquidez e certeza do direito creditório, devendo o Acórdão da DRJ ser reformado. Pesa sobre a Administração judicante, como conseqüência da legalidade tributária, o dever de busca da verdade material, para cuja estrutura processual é indispensável o princípio inquisitório. A doutrina e a jurisprudência do Conselho de Contribuintes respaldam o imperativo de observância dos princípios da legalidade e da verdade material. e) Rechaça o entendimento constante do Acórdão de a DCTF retificadora apresentada posteriormente ao recebimento do Despacho Decisório não produzir efeitos. Isto porque, independentemente do momento da retificação da mencionada declaração, o direito da Recorrente à repetição do indébito tributário não pode ser comprometido: este, é cediço, nasce do (e no momento do) recolhimento indevido; não depende, para existir, do cumprimento de meras obrigações tributárias acessórias. Logo, devem ser apreciados os fatos e documentos constantes dos autos, a demonstrar a existência do crédito. e) Pedido. Requer o conhecimento e provimento do Recurso Voluntário para a reforma integral do Acórdão atacado, com o consequente reconhecimento do crédito e a homologação integral da compensação. É o Relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Tempestividade. O contribuinte sustenta a tempestividade do recurso. O recurso apresentado em 27/09/2010 (segundafeira), é tempestivo em face da intimação postal do Acórdão operada em 26/08/2010 (quintafeira) e do disposto no parágrafo único do art. 5 do Decreto n 70.235, de 1972. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Da preliminar. O contribuinte sustenta que a decisão de primeira instância administrativa deixou de apreciar os documentos carreados aos autos com a impugnação (DARF recolhido, DCTF original e DCTF retificadora). A simples leitura do Acórdão atacado revela que tais documentos foram considerados, mas não de modo a alicerçar as alegações do contribuinte. Logo, afastase a alegação de nulidade por não apreciação de tais documentos. Do mérito. O contribuinte sustenta que a decisão de primeira instância administrativa não observou os princípios inquisitório e da verdade material, decorrentes do princípio constitucional da legalidade, eis que teria desconsiderado os documentos carreados Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13603.904372/200914 Acórdão n.º 2401005.620 S2C4T1 Fl. 108 5 aos autos com a impugnação, a demonstrar a liquidez e certeza do crédito. Além disso, argumenta ser irrelevante o momento da retificação da DCTF, pois a configuração do recolhimento indevido/a maior não dependeria de obrigação acessória. A DRJ não negou o recolhimento comprovado por DARF e nem a retificação da DCTF após a emissão do Despacho Decisório. Ponderou, contudo, que a simples retificação da DCTF não tem o condão de qualificar o recolhimento como indevido/a maior. Assim, invocando o disposto no art. 11, §2°, III, da IN RFB n° 903, de 2008, considerou que a retificação não produz efeitos quando tem por objetivo alterar débitos em relação ao qual exista procedimento fiscal, no caso a apreciação fiscal veiculada no Despacho Decisório, a demandar prova do cabimento da retificação, ônus do contribuinte. No presente caso, o Despacho Decisório não homologou a compensação em razão de o crédito a ser compensado estar alocado como pagamento de débito confessado na DCTF original. Após a emissão do Despacho Decisório, a DCTF foi retificada para se excluir tal débito e se caracterizar o recolhimento em questão como indevido/a maior. A apresentação de DCTF constituise em obrigação acessória. Entretanto, uma vez apresentada, o contribuinte comunica a existência de crédito tributário, confessando a dívida (DecretoLei n° 2.124, de 1984, art. 5°, § 1°)1. Destarte, o Despacho Decisório foi validamente emitido, eis que havia débito confessado correspondente ao valor recolhido em DARF. Resta perquirir se sua eficácia permanece, em face da posterior retificação da DCTF. Ao apresentar a DCTF retificadora após a emissão do Despacho Decisório, o contribuinte pretende corrigir pretenso erro de preenchimento da DCTF original, conforme expressamente consignado na manifestação de inconformidade e nas razões do recurso. A simples apresentação das DCTFs original e retificadora, ainda que acompanhadas de DARF, não se constitui em prova do alegado erro de fato. A retificação da DCTF é ineficaz, pois cabe ao contribuinte o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame das DCTFs (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II2; e IN RFB n° 903, de 2008, art. 11, §2°, III). 1 DecretoLei n° 2.124, de 1984. Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. 2 Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Lei n° 5.869, de 1973 Código de Processo Civil REVOGADO Art. 333. O ônus da prova incumbe: II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Lei n° 13.105, de 2015 Código de Processo Civil VIGENTE Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Art. 373. O ônus da prova incumbe: II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13603.904372/200914 Acórdão n.º 2401005.620 S2C4T1 Fl. 109 6 A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais adota o entendimento aqui esposado, conforme revelam as seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Processo n° 15374.903703/200886; Acórdão nº 2201004.420 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; Sessão de 04 de abril de 2018) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2010 MERA ALEGAÇÃO DE ERRO MATERIAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A alegação de que houve erro material no preenchimento da DCTF, mesmo que posteriormente retificada, e que determinado débito de IRRF teria sido pago a maior, não é suficiente para assegurar que tenha sido, de fato, maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, de modo a justificar a existência de direito creditório. É imprescindível a apresentação de prova cabal e inconteste do alegado erro material. (Processo n° 16327.910429/200919; Acórdão nº 2201004.442 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; Sessão de 04 de abril de 2018) Destarte, em procedimento de análise da compensação do crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo. Não existe nos autos qualquer prova a demonstrar a efetiva ocorrência de erro na apuração que ensejou o pagamento constante de DARF e o preenchimento da DCTF original. A prova da retificação da DCTF após o Despacho Decisório não é indício suficiente para se justificar, com lastro nos princípios inquisitório (inquisitivo ou da majoração dos poderes do julgador) e da verdade material, a conversão do julgamento em diligência. Os princípios inquisitório e da verdade material não podem ser invocados para se afastar o dever de a empresa instruir a manifestação de inconformidade com provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11). Impõese, por conseguinte, a aplicação do ônus da prova, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13603.904372/200914 Acórdão n.º 2401005.620 S2C4T1 Fl. 110 7 Além disso, o presente colegiado é incompetente para declarar a inconstitucionalidade ou ilegalidade das normas aplicáveis ao caso concreto3 sob a alegação de ofensa a princípios constitucionais ou legais4. A doutrina e jurisprudência invocadas pelo recorrente não têm o condão de influir no presente julgamento, restando, por todo o exposto, não caracterizada a existência de liquidez e certeza do pretenso indébito utilizado pelo contribuinte, não havendo como se homologar a compensação pretendida. Isso posto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator 3 CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II; Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §4°; Lei n° 9.430, art. 74, §11; e IN RFB n° 903, de 2008, art. 11, §2°, III. 4 Decreto n° 70.235, de 1972, art. 32A; Portaria RFB n° 10.875, de 2007, art. 18; e Lei n° 9.430, art. 74, §11. Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.934227/2008-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL.
Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91)
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.508
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.914320/2010-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.914320/2010-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
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PRESCRIÇÃO. Recorrente AUTO PECAS PORTO EIXO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.914320/201014, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 42 27 /2 00 8- 10 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.934227/200810 Acórdão n.º 3302005.508 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que, analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF nele discriminado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese: · Em preliminar, a falta de eficácia da intimação e sua validade, acarretando nulidade da notificação do despacho decisório; · No mérito, a Inconstitucionalidade das disposições da Lei n 9.718/98, sobre a COFINS e dos DecretosLei 2.445/98 e 2.449/98 quanto ao PIS; · Sobre a prescrição, o prazo prescricional para repetição do indébito tributário é de 5 (cinco) anos da homologação e como normalmente esta ocorre tacitamente somada mais com 5 (cinco) anos, a manifestante tem 10 (dez) anos do pagamento para restituir o que foi pago indevidamente; · Requer a reforma do Despacho Decisório, e que se mantenha vinculada a compensação ao processo, nos moldes da MP 135/03 transformada na Lei 10833/03, em seu Art. 17º § 11 (sic), e deste modo, os valores compensados estarão suspensos. A decisão de primeira instância foi pelo não provimento da manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 16034.252. Após ciência ao acórdão de primeira instância, apresentou recurso voluntário , em essência, reprisando a manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.934227/200810 Acórdão n.º 3302005.508 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.493, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.914320/201014, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.493): "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase Declaração de Compensação DCOMP nº 01594.54905.270906.1.3.049320 (fls. 01/05), transmitida, em 27/09/2006, para a compensação de débitos de IRPJ lucro presumido (PA 06/2006) com créditos tributários (PA 04/1999) relativos à COFINS cumulativa, de que trata a Lei nº 9.718/98. PRELIMINAR Reitera a ora recorrente que a intimação para instaurar processo administrativo foi recebido e assinado por pessoa não credenciada e não habilitada para receber qualquer correspondência da empresa manifestante e sendo seu sócio gerente seu representante legal, somente ele poderia ter recebido a correspondência. Direito ao ponto, pela perfeita subsunção dos fatos alegados ao enunciado da Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Não há de se falar em retroação dos efeitos do supracitado enunciado, visto, simplesmente consolidar jurisprudência1, antiga e pacífica, nos antigos Conselhos de Contribuintes e no atual CARF, baseadas na legalidade, especificamente do art. 23, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, justificada que a ênfase dada pelo caput a que a intimação seja provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, não tem o rigor que suponha necessária a pessoalidade do ato, sendo que a maioria das notificações e das intimações administrativas são promovidas por via postal, 1 Acórdãos nºs 20168026, de 20/05/1992; 20209572, de 14/10/1997; 20171773, de 02/06/1998; 20306545, de 09/05/2000; 10707076, de 20/03/2003; 20208457, de 21/05/2003; 10807562, de 16/10/2003; 10614266, de 21/10/2003; 10246574, de 01/12/2004; 10420408, de 26/01/2005. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.934227/200810 Acórdão n.º 3302005.508 S3C3T2 Fl. 5 4 com prova de recebimento (AR) e que a entrega da intimação no domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo é o quanto basta para que a relação processual se tenha completado, sendo irrelevante se o recibo foi assinado por quem não era representante legal do contribuinte. Tida como válida a ciência, por conveniente, refuto, também, a alegação de ter sido rasgada as regras dos princípios constitucionais e administrativos, como sugere o recorrente, haja vista a definição das normas impostas pelo Decreto nº 70.235/72, não havendo porque afastarse a aplicação ou deixar de observar leis válidas, estando, mesmo, vedado aos Conselheiros do CARF fazê lo, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 62, da Portaria MF nº 343 de 09/06/15RICARF/15), no mesmo sentido do enunciado da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face de todo o exposto, voto por não acatar as preliminares argüidas. MÉRITO A ora recorrente, manifestou inconformidade ao não reconhecimento do direito creditório, defendendo que efetuou recolhimentos a maior em DARF, em razão das ilegalidade e inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo e majoração da alíquota, de 2% à 3%, da COFINS, pela Lei nº 9.718/98. Diante desses argumentos, entendeu a decisão recorrida, improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar prescrito o direito de pleitear a repetição do indébito; e por entender não socorrer o interessado eventuais efeitos da declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. Quanto ao fundamento do indébito estar em possíveis inconstitucionalidades da Lei nº 9.718/98, entendo não ser papel dos órgão julgadores administrativos discorrer sobre direitos em tese, visto não existir nos autos uma única prova sequer da natureza do indébito, limitandose a ora recorrente a protestar pela posterior juntada de outros documentos e demonstrativos que comprovariam o direito alegado, desnecessários pelos efeitos da patente questão prejudicial de mérito (prescrição) que segue. Quanto à prescrição, o crédito tributário pleiteado via DCOMP nº 01594.54905.270906.1.3.049320 (fls. 02/05), transmitida em 27/09/2006, diz respeito à COFINS cumulativa do Período de Apuração PA 04/1999. Notase, nas informações constantes da DCOMP, que o interessado informou data de arrecadação em 30/04/2002 (fls. 02), porém, conforme consta no DARF (fl. 40), o recolhimento foi efetuado em 10/05/1999. Sobre a repetição de indébito tributário, o Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), assim dispõe: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.934227/200810 Acórdão n.º 3302005.508 S3C3T2 Fl. 6 5 ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3º da LCp nº 118, de 2005) Sobre o prazo para repetição de indébito tributário, o Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do RE 566.621/RS, com fundamento na sistemática da repercussão geral, do art. 543B, do CPC, firmou o seguinte entendimento: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.934227/200810 Acórdão n.º 3302005.508 S3C3T2 Fl. 7 6 pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Tratandose de DCOMP transmitida em 27/09/2006 e inexistindo medida judicial, prévia à 09/06/2005, individualizando a garantia do direito ao interessado, aplicase o prazo reduzido para repetição ou compensação de indébitos, fixado pela LC nº 118/2005, prescrevendo o direito de pleitear administrativamente a restituição de valores recolhidos indevidamente, em 5(cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, conforme inciso I, do artigo 165, do CTN, e entendimentos firmados pelo RE 566.621/RS e pelo enunciado da Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10(dez) anos, contado do fato gerador. Portanto, conforme consta no DARF (fl. 40), ao recolhimento efetuado em 10/05/1999, encontravase prescrito o direito à repetição do alegado indébito, pedido via DCOMP transmitida em 27/09/2006, por força do inciso I, do artigo 165, do CTN, do RE 566.621/RS e da Súmula CARF nº 91. Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.003140/2011-05
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. MATÉRIAS ESTRANHAS À LIDE.
Diante dos princípios da Administração Pública e desde que devidamente comprovados, a autoridade julgadora pode, com a devida cautela, autorizar pedidos de retificação da declaração.
O pedido de retificação desacompanhado de provas não pode ser acolhido, devendo ser direcionado para a Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte, a quem compete a análise desses pleitos.
Numero da decisão: 2002-000.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil, que não o conheceu. No mérito, acordam, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. MATÉRIAS ESTRANHAS À LIDE. Diante dos princípios da Administração Pública e desde que devidamente comprovados, a autoridade julgadora pode, com a devida cautela, autorizar pedidos de retificação da declaração. O pedido de retificação desacompanhado de provas não pode ser acolhido, devendo ser direcionado para a Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte, a quem compete a análise desses pleitos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil, que não o conheceu. No mérito, acordam, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. RETIFICAÇÃO. Recorrente VANIA DE FATIMA RAMOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. MATÉRIAS ESTRANHAS À LIDE. Diante dos princípios da Administração Pública e desde que devidamente comprovados, a autoridade julgadora pode, com a devida cautela, autorizar pedidos de retificação da declaração. O pedido de retificação desacompanhado de provas não pode ser acolhido, devendo ser direcionado para a Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte, a quem compete a análise desses pleitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil, que não o conheceu. No mérito, acordam, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 31 40 /2 01 1- 05 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 15504.003140/201105 Acórdão n.º 2002000.161 S2C0T2 Fl. 70 2 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2008, ano calendário 2007, tendo em vista a apuração de dedução indevida de despesas médicas. A contribuinte apresentou impugnação (fls.3/21), contestando parcialmente a autuação e indicando a juntada de documentação comprobatória das despesas médicas. Em conformidade com o disposto no artigo 6oA da IN RFB nº 958/2009, com a redação dada pela IN RFB nº 1.061/2010, a autoridade autuante procedeu à revisão do lançamento efetuado, emitindo o despacho decisório de fl. 37, com base no Termo Circunstanciado de fls. 33/35, acolhendo em parte os argumentos da contribuinte. Cientificada dessa decisão, a contribuinte não se manifestou. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) manteve o lançamento na forma efetuada pela revisão de ofício(fls. 53/57), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 PROVAS. Cabe ao contribuinte comprovar suas alegações de que preencheu corretamente a Declaração de Ajuste Anual, com base em documentação. Cientificada dessa decisão em 24/2/2016 (fl.61), a contribuinte interpôs, em 28/3/2016 (fl.64), seu Recurso Voluntário (fls. 64/66), apresentando as alegações a seguir sintetizadas: ao solicitar cópia do processo, teria se dado conta de grave equívoco cometido no preenchimento da Declaração de Ajuste em exame. a teor do recurso repetitivo do STJ, tema 366, os valores recebidos a título de pensão por morte ou aposentadoria complementar, relativos a aportes feitos na vigência da Lei nº 7.713, de 1988, seriam isentos de IR. a complementação da pensão recebida por ela, da Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social, no montante de R$17.739,47, estaria enquadrada nessa hipótese e deveria ser excluída dos rendimentos tributáveis informados. Ao final, requer, na hipótese de não acatamento do seu pedido, o cálculo do imposto devido em ambas as formas previstas em lei, "detalhada e simplificada". Fl. 70DF CARF MF Processo nº 15504.003140/201105 Acórdão n.º 2002000.161 S2C0T2 Fl. 71 3 Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.59). É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 15504.003140/201105 Acórdão n.º 2002000.161 S2C0T2 Fl. 72 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito A autuação recaiu sobre despesas médicas informadas pela recorrente. Entretanto, em seu recurso, ela requer a alteração dos rendimentos declarados por ela. Os rendimentos informados na Declaração de Ajuste não foram alterados pela autoridade fiscal e, portanto, não integram o litígio. Não obstante, entendo que, em observância de princípios da Administração Pública, os princípios da finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, interesse público e eficiência, e quando os elementos trazidos sejam evidentes, a autoridade julgadora pode, com a devida cautela, atender a pedidos de retificação efetuados em sede de impugnação e recurso. Cumpre frisar que se trata de medida excepcional, que entendo possível em casos em que a prova seja robusta e não paire qualquer dúvida acerca do direito do contribuinte ao que está sendo pleiteado. Isto porque, no caso, uma eventual alteração do montante dos rendimentos tributáveis tem reflexo direto na base de cálculo do imposto devido e, indiretamente, na necessidade de comprovação ou justificação das deduções, objeto da autuação. A contribuinte alega que os rendimentos recebidos da Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social seriam isentos por força de decisão proferida pelo STJ em recurso repetitivo. Depreendese que a recorrente faz referência ao posicionamento do STJ, no AgRg no REsp nº 792.843/RS: “(...) Em se tratando de contribuições recolhidas à entidade de previdência privada no período de vigência da Lei nº 7.713/88, não tem cabimento a cobrança de imposto de renda sobre ulterior resgate ou recebimento do benefício, até o limite do que foi recolhido pelo beneficiário sob a égide daquele diploma legal, uma vez que naquele período (janeiro de 1989 a dezembro de 1995) o tributo incidiu sobre as contribuições recolhidas em favor das entidades e novo desconto caracterizaria evidente bis in idem. (...).” O entendimento jurisprudencial citado tem como premissa o fato de que parte do benefício (complementação) de aposentadoria, recebido pelo beneficiário do plano de Fl. 72DF CARF MF Processo nº 15504.003140/201105 Acórdão n.º 2002000.161 S2C0T2 Fl. 73 5 previdência complementar (complementações recebidas a partir de 1º de janeiro de 1996), já havia sofrido tributação na pessoa física à época do aporte de recursos (as contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário, em favor das entidades, no período de 1989 a 1995, não podiam ser deduzidas da base de cálculo do IRPF). Assim, tal parcela não poderia ser novamente tributada na fonte (art. 33 da Lei nº 9.250/1995), quando da concessão do benefício de aposentadoria complementar, sob pena de caracterizar dupla tributação. Entretanto, equivocase à contribuinte quando defende que todo o benefício recebido por ela seria isento. A decisão do STJ recai somente sobre os valores pagos correspondentes às contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 1/1/89 a 31/12/95. Diante disso e considerando que a contribuinte juntou aos autos somente a cópia do comprovante de rendimentos de fl.65, não há como atender a seu pleito, uma vez que não está comprovado nos autos se e qual a parcela dos rendimentos seria isenta de IR. Registrese que a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) editou a IN RFB nº1.343, de 2013, que estabelece normas e procedimentos a serem adotados no tocante a esses rendimentos, devendo à recorrente buscar esclarecimentos, caso queira, junto a Unidade da RFB de seu domicílio tributário. Por fim, quanto ao pleito para cálculo do imposto devido utilizando os dois modelos de declaração, simplificado e completo, cabe esclarecer à contribuinte que existe vedação expressa à mudança de modelo de entrega da declaração de ajuste após o prazo final previsto para sua apresentação (artigo 7, §3º, da IN RFB nº 820, de 2008, que dispôs sobre a apresentação da Declaração de Ajuste para o anocalendário em análise), devendo prevalecer o modelo escolhido por ela por ocasião da entrega da Declaração de Ajuste. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 73DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.100417/2009-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. LAPSO MANIFESTO.
Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão, contradição ou lapso manifesto, deve-se retificar o Acórdão embargado.
Numero da decisão: 3401-005.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e, no mérito, acolher os embargos opostos, para que se proceda à correção do erro material apontado, de forma a: (i) no cabeçalho, onde se lê "Processo nº 11065.001696/2009-08", passar a constar "Processo nº 11065.100417/2009-80"; e (ii) nas razões do acórdão, onde se lê "2º trimestre de 2009", passar a constar "4º trimestre de 2008", em conformidade com o indicado na ementa.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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OMISSÃO. LAPSO MANIFESTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão, contradição ou lapso manifesto, devese retificar o Acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e, no mérito, acolher os embargos opostos, para que se proceda à correção do erro material apontado, de forma a: (i) no cabeçalho, onde se lê "Processo nº 11065.001696/200908", passar a constar "Processo nº 11065.100417/200980"; e (ii) nas razões do acórdão, onde se lê "2º trimestre de 2009", passar a constar "4º trimestre de 2008", em conformidade com o indicado na ementa. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 04 17 /2 00 9- 80 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11065.100417/200980 Acórdão n.º 3401005.172 S3C4T1 Fl. 190 2 Relatório 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, situados 181 a 182, nos seguintes termos: A UNIÃO, por seu Procurador da Fazenda Nacional, vem, dentro do prazo legal, opor EMBARGOS DE DECLARAÇÃO contra o Acórdão de nº 3401‑ 002.262 dos autos acima epigrafados, em razão de erro material e obscuridade verificados em seu conteúdo, tal como se demonstrará a seguir: Analisando o acórdão de nº 3401002.262, observa‑ se que ele se refere a processo distinto, de nº 11065.001696/200908. Há, por este motivo, obscuridade e erro material, pois, em que pese se tratar da mesma parte, não se pode concluir com certeza se as decisões proferidas nos processos são realmente iguais. De toda a sorte, em princípio, o acórdão juntado aos autos e remetido à Fazenda Nacional para intimação diz respeito a outro processo, havendo, portanto, evidente erro material a ser sanado por meios dos presentes aclaratórios. Faz‑ se necessário, assim, que esta Eg. Turma julgadora junte aos autos o acórdão efetivamente proferido no processo em tela. 2. Em 13/03/2017, foi lavrado despacho de admissibilidade dos embargos opostos, pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan, nos seguintes termos: A FAZENDA NACIONAL invocou o art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, para interpor Embargos de Declaração contra o Acórdão nº 3401002.262, de 23 de maio de 2013, fls. 158 a 1621, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 DESPACHO DECISÓRIO QUE DESCONSIDEROU NEGÓCIO JURÍDICO PRATICADO PELO CONTRIBUINTE. FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. NULIDADE. É nulo o despacho decisório que desconsidera negócio jurídico praticado pelo contribuinte sem apontar o fundamento legal. Consta do acórdão da decisão: Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11065.100417/200980 Acórdão n.º 3401005.172 S3C4T1 Fl. 191 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento para anular o processo a partir do despacho decisório, inclusive. Vencidos os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis e Robson José Bayerl (Suplente). O arrazoado de fls. 164 a 165, após síntese dos fatos relacionados com a lide, acusa a decisão incorrer em de erro material, na medida em que o Acórdão de nº 3401002.262 referese a processo distinto, de nº 11065.001696/200908. São esses os fatos. Passo à análise dos pressupostos de admissibilidade do apelo. Nos termos do art. 65 do RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, e poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada, no prazo de cinco dias contados da ciência do acórdão. Já o art. 66 do Regimento Interno do CARF, que tem matriz legal no art. 32 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, regula os chamados embargos inominados nos seguintes termos: "Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. (...)"Os autos digitais foram encaminhados à PGFN para ciência da decisão embargada, em 22/08/2013 (fls. 163). Assim sendo, considerandose o prazo estabelecido no § 3º do art. 7º da Portaria MF nº 527, de 9 de novembro de 2010, o recurso, apresentado em 20/09/2013 (fls. 166), é francamente tempestivo. Liminarmente, compulsando a decisão recorrida, constato que, na sua folha de rosto, há referência ao processo nº 11065.001696/200908, e não ao dos autos, nº 11065.100417/200980. Ademais, enquanto a decisão trata de pedido de ressarcimento da COFINS nãocumulativa do segundo trimestre de 2009, o Despacho Decisório de fls. 75 trata do pedido referente ao 4º trimestre de 2008. Conclusão Com essas considerações, para os fins previstos no § 7° do art. 65 do RICARF, com a redação que lhe foi dada pela Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, acolho os embargos interpostos pela Fazenda Nacional, para que uma nova decisão seja prolatada, em boa forma. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11065.100417/200980 Acórdão n.º 3401005.172 S3C4T1 Fl. 192 4 Considerando tratarse o relator de conselheiro que não integra os quadros atuais da 1ª TO, incluase o presente processo em lote a ser sorteado no âmbito deste Colegiado. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 3. Os embargos de declaração são tempestivos e preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 4. De fato, como apontam as razões recursais, o acórdão embargado faz referência, em seu cabeçalho, ao Processo nº 11065.001696/200908, enquanto que o processo em apreço se trata do Processo nº 11065.100417/200980. 5. De outro lado, equivocase também quanto ao período de apuração, apontando para pedido de ressarcimento da COFINS nãocumulativa referente ao segundo trimestre de 2009, enquanto que o Despacho Decisório de fl. 75 se refere ao 4º trimestre de 2008. 6. Ao se compulsarem os autos, percebese que as razões de decidir do acórdão embargado se encontram em consonância com a matéria recorrida, havendo decisão cuja matéria não é devolvida ao conhecimento do presente colegiado. 7. Por outro lado, ao se buscar informação desinente do Processo nº 11065.001696/200908, verificase ter sido julgado em sessão de 23/05/2013, mesma data do julgamento embargado pelo mesmo relator na mesma oportunidade, tendo sido lavrado o Acórdão CARF nº 3401002.260, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 DESPACHO DECISÓRIO QUE DESCONSIDEROU NEGÓCIO JURÍDICO PRATICADO PELO CONTRIBUINTE. FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. NULIDADE. É nulo o despacho decisório que desconsidera negócio jurídico praticado pelo contribuinte sem apontar o fundamento legal. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 11065.100417/200980 Acórdão n.º 3401005.172 S3C4T1 Fl. 193 5 8. As menções, igualmente equivocadas, ao "2º trimestre de 2009", enquanto que o processo se refere ao "4º trimestre de 2008", são igualmente atribuídas ao aproveitamento de modelo idêntico provavelmente utilizado pelo relator do Acórdão embargado a partir do processo acima referenciado sem a devida revisão, ainda que, por critério de razoabilidade, nos termos do art. 2º, caput, da Lei nº 9.784/1999, não seja suficiente para inquinálo de nulidade, não se vislumbrando, ainda, no caso em apreço, nenhuma das hipóteses do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. 9. Concluise, assim, pela existência de claro erro de formalização no acórdão embargado que, ainda que não o macule com o manto da nulidade, por ser perfeitamente passível de correção e saneamento na corrente assentada, implica o provimento dos embargos, uma vez que merece correção. 10. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, acolher aos embargos opostos para que se proceda à correção do erro material apontado, de forma a: (i) no cabeçalho, onde se lê "Processo nº 11065.001696/200908", passar a constar "Processo nº 11065.100417/200980"; (ii) nas razões do acórdão, onde se lê "2º trimestre de 2009", passar a constar "4º trimestre de 2008", em conformidade com o quanto indicado na ementa. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 193DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.720837/2016-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
INCONSTITUCIONALIDADE DE ALÍQUOTA DE MULTA. O CARF NÃO É COMPETENTE PARA ANALISAR A INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS, INCLUSIVE DE ALÍQUOTA DE MULTA.
É vedado ao CARF apreciar eventual inconstitucionalidade, ilegalidade, desproporcionalidade, excessividade, onerosidade, irrazoabilidade ou mesmo aptidão para causar a destruição econômica do contribuinte de multa prevista na legislação em vigor, eis que a Súmula CARF n. 02 veda estas análises assim dispondo: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." o que aliás está em consonância com o artigo 26-A da Lei 11.941/2009, segundo o qual "No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade."
AUTO DE INFRAÇÃO. POSSIBILIDADE DA LAVRATURA DURANTE O PROCESSO ADMINISTRATIVO.
É possível a lavratura de Auto de Infração antes ou durante o processo administrativo, sendo que a interposição do recurso suspende a exigibilidade do crédito na forma do artigo 151, III do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3302-005.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus Paulo, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 INCONSTITUCIONALIDADE DE ALÍQUOTA DE MULTA. O CARF NÃO É COMPETENTE PARA ANALISAR A INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS, INCLUSIVE DE ALÍQUOTA DE MULTA. É vedado ao CARF apreciar eventual inconstitucionalidade, ilegalidade, desproporcionalidade, excessividade, onerosidade, irrazoabilidade ou mesmo aptidão para causar a destruição econômica do contribuinte de multa prevista na legislação em vigor, eis que a Súmula CARF n. 02 veda estas análises assim dispondo: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." o que aliás está em consonância com o artigo 26A da Lei 11.941/2009, segundo o qual "No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." AUTO DE INFRAÇÃO. POSSIBILIDADE DA LAVRATURA DURANTE O PROCESSO ADMINISTRATIVO. É possível a lavratura de Auto de Infração antes ou durante o processo administrativo, sendo que a interposição do recurso suspende a exigibilidade do crédito na forma do artigo 151, III do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 08 37 /2 01 6- 64 Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10314.720837/201664 Acórdão n.º 3302005.419 S3C3T2 Fl. 3 2 Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus Paulo, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Relatório Tratase de pessoa jurídica de direito privado que segundo o seu contrato social (fls. 12), dedicase a indústria, importação, montagem e distribuição de produtos eletrônicos de áudio e vídeo (fls. 61). O Contrato Social da empresa (fls. 09 e seguintes) demonstra tratarse de uma companhia sediada em localidade de buraquinho, Município “Lauro de Freitas”, Bahia, que tem como dois únicos sócios (i) a empresa United Internacional Holding, situada em Hong Kong, representada pelo Sr. Jacky Gert Kirsch Schnell, natural da Bolívia (fls. 81) e residente em Alto da Boa Vista, São Paulo, e (ii) o próprio Sr. Jacky Gert Kirsch Schnell. Sinteticamente a autuação decorreu do fato da autuada haver promovido a saída de produtos de estabelecimento caracterizado como equiparado a industrial sem o lançamento de IPI, o que resultou no lançamento de ofício do tributo não apontado, acrescidos de juros de mora e multa de 75%. Em sua defesa (fls. 59 e seguintes) a Recorrente invocou (i) a presunção de boafé, (ii) o devido processo legal, “demais princípios” e, finalmente, (iii) que a multa foi excessiva e desproporcional e, por estas razões, atentatórias à Constituição da República. Finalmente, justificou que por dificuldades para interpretar a legislação tributária (fls. 62) entendeu que não seria necessário o recolhimento do tributo quando da saída dos produtos do estabelecimento localizado na Bahia com destino ao estabelecimento situado em São Paulo e que tal omissão constitui tão somente obrigação acessória. Estas foram as teses jurídicas alegadas na Impugnação. Tendo sido a questão submetida ao crivo da DRJ, por unanimidade prevaleceu o entendimento de que o saldo tributário, apurado entre janeiro e dezembro de 2012 é devido, e que o fato praticado realmente enseja a imposição da multa de 75%, conforme decisão de fls. 88 e seguintes. “Dito isso, cumpre esclarecer que, se a produção da matriz saiu desse estabelecimento com suspensão do IPI, para o estabelecimento interessado, conforme autorização do art. 43, X, do Decreto no 7.212, de 15 de junho de 2010, Regulamento do IPI (RIPI), de 2010, as saídas subsequentes, promovidas por este Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10314.720837/201664 Acórdão n.º 3302005.419 S3C3T2 Fl. 4 3 último, a título de comercialização, estavam sujeitas ao lançamento do referido imposto, por força da equiparação definida no art. 9º, III, do mesmo regulamento, e geraram saldos devedores. À vista disso, cabia ao estabelecimento autuado efetivamente recolher os saldos devedores do IPI apurados na escrita fiscal de janeiro a dezembro de 2012, o que não aconteceu e legitimou a exigência de ofício ora discutida. Notese que a responsabilidade por infrações, em regra, é objetiva, independendo da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme parágrafo único do art. 548 do RIPI de 2010 (art. 136 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional). Impunhase, então, formalizar não apenas a exigência do principal, mas também dos juros de mora, conforme previsto no art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e da multa de 75%, por falta de recolhimento do IPI, cominada pelo art. 80, caput, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação que lhe foi dada pelo art. 13 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, formalização que, de fato, ocorreu e está correta.” Em seu Recurso Voluntário de fls. 104 e seguintes o Recorrente teceu preliminar de nulidade (item II.1) no sentido de que o crédito tributário somente poderia ter sido constituído após o processo administrativo, e não durante o seu curso. No mérito a Recorrente alegou (item II.25) que a multa de 75% que lhe foi aplicada é desproporcional e representa confisco tributário. A Recorrente afirmou ainda (item II.2.6) que a obrigação tributária não pode aniquilar ou destruir economicamente o contribuinte. A Recorrente sustentou (item. II.2.8) que o CARF “... vem julgando pela redução das multas em observância o princípio pelo qual a tributação não pode destruir economicamente o contribuinte, inclusive invocando a Súmula CARF n. 105. A Recorrente evocou o direito de petição (item. II.2.9) pelo qual entende ter “... o direito constitucional de peticionar aos órgãos públicos sem ser constrangido com sanções e multas desproporcionais.” A Recorrente alega ainda (item. II.2.11) que a multa “... inviabiliza o pagamento do crédito tributário demonstrando excesso, desproporcionalidade e totalmente desprovida de qualquer razoabilidade.” A Recorrente argumenta (item. II.2.12) que as sanções impostas ao contribuinte poderão, em ultima análise, por em risco a própria subsistência da empresa, com a demissão de empregados e outros efeitos maléficos. A Recorrente sustenta (item. II.2.13) que a multa aplicada não razoável nem proporcional. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10314.720837/201664 Acórdão n.º 3302005.419 S3C3T2 Fl. 5 4 A Recorrente argui (item. II.2.14) a possibilidade do CARF apreciar a inconstitucionalidade da punição aplicada, sob o argumento que tratandose de administração pública, possui o dever de também controlar a constitucionalidade dos atos administrativos. A Recorrente alega (item. II.2.15) que a multa aplicada é confiscatória. É o relatório. Voto Conselheiro Raphael Madeira Abad. 1. Admissibilidade do Recurso O presente Recurso é tempestivo e atende os demais pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 2. Preliminar de nulidade no procedimento fiscal. Antes de adentrar no mérito da questão em debate é necessário analisar a matéria preliminar arguida pela recorrente. Segundo o entendimento do Recorrente todo o procedimento é nulo pois o crédito tributário somente poderia haver sido constituído após o transito em julgado do processo administrativo por meio do qual é apurado, e até por presunção de inocência jamais antes, como argumenta que ocorreu no caso concreto. A tese apresentada pela Recorrente está parcialmente correta pois efetivamente o crédito tributário somente pode ser definitivamente constituído com o término do processo administrativo. Contudo, o início da constituição do crédito tributário se dá com o lançamento, disciplinado pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional, e é suspenso com o recebimento das reclamações e recursos, como previsto no artigo 151, III do mesmo diploma. No caso concreto, muito embora assista razão ao Recorrente no que diz respeito aos fundamentos teóricos de sua preliminar, no plano fático sua pretensão não merece prosperar, pois apesar de ter ocorrido lançamento tributário quando da apuração dos fatos geradores concretos (Fatos Imponíveis), o crédito foi devidamente suspenso com a apresentação das impugnações e recursos, aliás, como se encontra até a data de hoje. Desta forma todos os direitos constitucionalmente assegurados à Recorrente restaram imaculados, não tendo sido adotada qualquer medida atentatória ao rol de garantias que indubitavelmente ela é detentora. Por esta razão rejeito a preliminar de nulidade. 3. Mérito Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10314.720837/201664 Acórdão n.º 3302005.419 S3C3T2 Fl. 6 5 No mérito a Recorrente alegou (itens II.25, II.2.6, II.2.8, II.2.11, II.2.12, II.2.13 e item. II.2.15) que a multa de 75% a ela aplicada é desproporcional, excessiva, irrazoável e inviabiliza o seu pagamento, causando destruição econômica do contribuinte, com as maléficas consequências dela advindas, o que no seu entendimento é vedado pela Constituição, dando como exemplo a Súmula CARF n. 105. A confiscatoriedade dos tributos e das sanções decorrentes de infrações à legislação tributária é indubitavelmente tormentosa e tem sido objeto de constantes debates jurídicos, inclusive pelo Supremo Tribunal Federal. Entre 2006 e 2013 os Ministros Celso de Mello (ADI 1.075 MC), Ricardo Lewandowski (AI 482.281 AgR), Teori Zavascki (RE 400.927 Ag.R) e Joaquim Barbosa (RE 523.471 AgR) tiveram a oportunidade de se manifestar acerca do fato de que não apenas os tributos, mas até mesmo as multas devem sujeitarse ao princípio da razoabilidade, o que significa que não podem representar confisco sem, contudo, tangenciar o valor ou o percentual a partir do qual restaria configurado o confisco ou a irrazoabilidade. A partir de tais julgados foi estabelecido o paradigma de que a cláusula do não confisco se aplica não apenas aos tributos mas também às multas. Importante destacar que posição contrária possuía Eros Grau, que entendia (RE 590.754 AgR) que as multas, enquanto punições, não se sujeitariam à cláusula do não confisco. Neste mesmo período, analisando casos concretos o STF começou a fixar balizas em relação ao que seria confiscatório e o que não seria. Foi quando Joaquim Barbosa (RE 523.471 AgR) e Luiz Fux (ARE 637.717 AgR) admitiram que multas de 20 e 30 por cento não são confiscatórias, embora tenham admitido que o mero percentual não seria um critério suficiente para aferir a proporcionalidade da pena, verbis: “Conforme orientação fixada pelo STF, o princípio da vedação ao efeito de confisco aplicase às multas. Esta Corte já teve a oportunidade de considerar multas de 20% a 30% do valor do débito como adequadas à luz do princípio da vedação do confisco. Caso em que o Tribunal de origem reduziu a multa de 60% para 30%. A mera alusão à mora, pontual e isoladamente considerada, é insuficiente para estabelecer a relação de calibração e ponderação necessárias entre a gravidade da conduta e o peso da punição. É ônus da parte interessada apontar peculiaridades e idiossincrasias do quadro que permitiriam sustentar a proporcionalidade da pena almejada. [RE 523.471 AgR, rel. min. Joaquim Barbosa, j. 642010, 2ª T, DJE de 2342010.] = ARE 637.717 AgR, rel. min. Luiz Fux, j. 1332012, 1ª T, DJE de 3032012 Em 2013, quando do julgamento do ARE 712.285 AgR, o Ministro Celso de Mello, alicerçado nas lições de Antônio Roberto Sampaio Doria, teve a oportunidade de ressaltar, em seu voto, que o termo “não confisco” insculpido no artigo 150, IV, da Constituição Federal é um conceito jurídico indeterminado, que carece de concretização e que deve ser apreciado com prudência pelo juiz, verbis: Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10314.720837/201664 Acórdão n.º 3302005.419 S3C3T2 Fl. 7 6 (...) a norma inscrita no art. 150, IV, da Constituição encerra uma cláusula aberta, veiculadora de conceito jurídico indeterminado, reclamando, em consequência, que os Tribunais, na ausência de "uma diretriz objetiva e genérica, aplicável a todas as circunstâncias" ( DÓRIA, Antônio Roberto Sampaio. Direito Constitucional Tributário e Due Process of Law. 2. ed. Forense, 1986. p. 196, item 62) – e tendo em consideração as limitações que derivam do princípio da proporcionalidade –, procedam à avaliação dos excessos eventualmente praticados pelo Estado. (...) não há uma definição constitucional de confisco em matéria tributária. Tratase, na realidade, de um conceito aberto, a ser utilizado pelo juiz, com apoio em seu prudente critério, quando chamado a resolver os conflitos entre o poder público e os contribuintes. [ARE 712.285 AgR, voto do rel. min. Celso de Mello, j. 2342013, 2ª T, DJE de 2862013.] Posteriormente, quando do julgamento do AI 851.038 AgR, e principalmente do AgReg no AI n. 727.872, o Ministro Roberto Barroso teve a oportunidade de manifestar o seu entendimento no sentido de que o limite para as multas moratórias é de 20% enquanto o limite para as multas punitivas é de 100% do valor do tributo. Como a multa aplicada foi de 75%, encontrase perfeitamente inserida na amplitude gizada pela ainda vacilante jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que tem entendido, repitase, ainda de forma hesitante, que o limite das multas punitivas equivale ao valor do tributo, merecendo destaque o fato de que a competência de analisar a constitucionalidade das normas jurídicas é estranha a este colegiado. A Recorrente evocou o direito de petição (item. II.2.9) pelo qual entende ter “... o direito constitucional de peticionar aos órgãos públicos sem ser constrangido com sanções e multas desproporcionais.” Em relação ao direito de petição, à Recorrente também não assiste razão, eis que pela minuciosa análise de todos os documentos que integram os autos do presente processo administrativo, não há qualquer indício de violação de direito de petição. Muito pelo contrário, após o lançamento do tributo e das multas que a Autoridade fiscal entendeu devidos, com a apresentação da impugnação por parte da Recorrente foi suspensa a exigibilidade de todos os créditos tributários, como efetivamente até hoje se encontram, aguardando a irrecorribilidade da decisão administrativa que declarará a validade ou não do lançamento. Desta forma, não há de se falar em qualquer violação a direito de petição. A Recorrente argui (item. II.2.14) a possibilidade do CARF apreciar a inconstitucionalidade da punição aplicada sob o argumento que, tratandose de administração pública, possui o dever de também controlar a constitucionalidade dos atos administrativos. A Recorrente argumenta que ao CARF efetivamente compete apreciar a inconstitucionalidade da punição que a ela foi aplicada. A tese apresentada pela Recorrente é deveras sedutora, uma vez que existe uma linha de pensamento no sentido de que a Administração Pública, no caso concreto o Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10314.720837/201664 Acórdão n.º 3302005.419 S3C3T2 Fl. 8 7 CARF, possuiria o dever de controlar a validade de todos os atos administrativos à luz da Constituição. Contudo há entendimento diverso, que advoga a tese no sentido de que à administração pública caberia apenas “administrar” as normas jurídicas instituídas por outro poder, o Poder Legislativo, a quem caberia criar as leis e, finalmente, que a análise da legalidade das mesmas competiria ao terceiro e último poder, o Judiciário, naquilo que se chama de repartição de poderes. Como já afirmado são duas linhas de raciocínio e, no âmbito do CARF, após diversos anos de saudáveis discussões, prevaleceu esta última, cristalizada na Súmula 02, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 4. Conclusão Por todo o exposto, é de se afastar a preliminar de nulidade para conhecer o recurso mas negarlhe provimento. Raphael Madeira Abad. Relator Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10314.720837/201664 Acórdão n.º 3302005.419 S3C3T2 Fl. 9 8 Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.720417/2013-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA
Os elementos e os motivos da autuação encontram-se claramente descritos, o que permite a perfeita compreensão da apuração do crédito tributário. Não há que se falar em nulidade quando procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, o contribuinte foi devidamente intimado para apresentar os documentos de seu interesse, e o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal para a apuração do crédito tributário, da forma como estabelecida no art. 142 do CTN. Preliminar afastada.
COMPENSAÇÃO. GLOSA
É certo que o contribuinte pode exercer a faculdade legal de compensar valores pagos indevidamente, no entanto, cabe ao fisco a verificação da liquidez e certeza do crédito tributário oferecido à compensação, conforme estabelece o artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Tendo em vista que o contribuinte não prestou todos os esclarecimentos e não apresentou as provas para que a autoridade fiscal procedesse a análise do procedimento de compensação, correta a glosa perfectibilizada pelo sujeito passivo.
DIFERENÇA DE FOLHAS
Dessa forma, deve ser mantido o lançamento, posto que realizado em sintonia com a legislação em vigor, e de acordo com o disposto no artigo 142 do CTN.
NÃO CONFISCO. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE
A Súmula nº 2 determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PEDIDO DE PERÍCIA
A perícia tem por finalidade a elucidação de questões técnicas ou fáticas que suscitem dúvidas ao julgador, o qual cabe avaliar a necessidade da produção da prova técnica que exige conhecimento especial. Não necessidade.
Numero da decisão: 2401-005.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA Os elementos e os motivos da autuação encontram-se claramente descritos, o que permite a perfeita compreensão da apuração do crédito tributário. Não há que se falar em nulidade quando procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, o contribuinte foi devidamente intimado para apresentar os documentos de seu interesse, e o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal para a apuração do crédito tributário, da forma como estabelecida no art. 142 do CTN. Preliminar afastada. COMPENSAÇÃO. GLOSA É certo que o contribuinte pode exercer a faculdade legal de compensar valores pagos indevidamente, no entanto, cabe ao fisco a verificação da liquidez e certeza do crédito tributário oferecido à compensação, conforme estabelece o artigo 170 do Código Tributário Nacional. Tendo em vista que o contribuinte não prestou todos os esclarecimentos e não apresentou as provas para que a autoridade fiscal procedesse a análise do procedimento de compensação, correta a glosa perfectibilizada pelo sujeito passivo. DIFERENÇA DE FOLHAS Dessa forma, deve ser mantido o lançamento, posto que realizado em sintonia com a legislação em vigor, e de acordo com o disposto no artigo 142 do CTN. NÃO CONFISCO. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE A Súmula nº 2 determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PEDIDO DE PERÍCIA A perícia tem por finalidade a elucidação de questões técnicas ou fáticas que suscitem dúvidas ao julgador, o qual cabe avaliar a necessidade da produção da prova técnica que exige conhecimento especial. Não necessidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2056; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.720417/201315 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.607 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de julho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente PREFEITURA MUNICIPAL DE ANGRA DOS REIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA Os elementos e os motivos da autuação encontramse claramente descritos, o que permite a perfeita compreensão da apuração do crédito tributário. Não há que se falar em nulidade quando procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, o contribuinte foi devidamente intimado para apresentar os documentos de seu interesse, e o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal para a apuração do crédito tributário, da forma como estabelecida no art. 142 do CTN. Preliminar afastada. COMPENSAÇÃO. GLOSA É certo que o contribuinte pode exercer a faculdade legal de compensar valores pagos indevidamente, no entanto, cabe ao fisco a verificação da liquidez e certeza do crédito tributário oferecido à compensação, conforme estabelece o artigo 170 do Código Tributário Nacional. Tendo em vista que o contribuinte não prestou todos os esclarecimentos e não apresentou as provas para que a autoridade fiscal procedesse a análise do procedimento de compensação, correta a glosa perfectibilizada pelo sujeito passivo. DIFERENÇA DE FOLHAS Dessa forma, deve ser mantido o lançamento, posto que realizado em sintonia com a legislação em vigor, e de acordo com o disposto no artigo 142 do CTN. NÃO CONFISCO. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE A Súmula nº 2 determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 04 17 /2 01 3- 15 Fl. 2218DF CARF MF 2 PEDIDO DE PERÍCIA A perícia tem por finalidade a elucidação de questões técnicas ou fáticas que suscitem dúvidas ao julgador, o qual cabe avaliar a necessidade da produção da prova técnica que exige conhecimento especial. Não necessidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ (DRJ/RJ1), que, por unanimidade de votos, decidiu NEGAR provimento à impugnação do AI nº 51.034.9161, MANTENDO o crédito tributário, no valor de R$ 182.132,47, acrescido de juros e multa, e, em DAR provimento à impugnação do AI nº 51.034.9153 julgandoo improcedente, conforme ementa do Acórdão nº 1259.888 (fls. 2076/2083): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DIVERGÊNCIA GFIP x FP. DIFERENÇAS APURADAS. LANÇAMENTO. Constatada a existência de divergência entre as contribuições contidas nas folhas de pagamentos e as declaradas em GFIP, cumpre à fiscalização realizar o lançamento das diferenças apuradas. Fl. 2219DF CARF MF Processo nº 10073.720417/201315 Acórdão n.º 2401005.607 S2C4T1 Fl. 3 3 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FPM. RETENÇÃO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. GLOSA. É procedente a glosa de compensação quando o sujeito passivo deixa de cumprir os requisitos previstos na legislação aplicável à espécie, ou deixa de apresentar documentos e informações que permitam ao fisco a verificação da regularidade do procedimento. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GFIP. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. DOLO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Ainda que haja compensação indevida, é improcedente a aplicação de multa isolada, sem que a autoridade lançadora comprove, com provas robustas, a falsidade da declaração e o dolo específico. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O presente processo trata de dois Autos de Infração lavrados em 01/04/2013: 1. DEBCAD nº 51.034.9161, referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados que prestaram serviços à Contribuinte, não recolhidas em época própria, devido à realização de compensação indevida, na competência 01/2009, bem como diferenças apuradas no confronto das folhas de pagamentos com as GFIP do período de 01 a 12/2009 (fls. 12/20); 2. DEBCAD nº 51.034.9153, referente à multa isolada, no percentual de 150% das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga aos segurados que prestaram serviços à Contribuinte, devido à realização de compensação indevida, na competência 01/2009, declarada em GFIP com falsidade (fls. 07/11). De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 21/25): 1. O presente processo teve por objeto: a. O lançamento das contribuições decorrentes da glosa de compensação que considerou indevida, na competência 01/2009, diante da recusa do contribuinte em apresentar a documentação necessária para verificação do direito e exatidão da compensação; b. O lançamento de contribuições oriundas de diferenças apuradas no confronto das folhas de pagamentos e termos de rescisão de contrato de trabalho com as declarações em GFIP, para tanto elaborou planilha demonstrativa da apuração; Fl. 2220DF CARF MF 4 2. Foi aplicada multa de 150% do valor das contribuições que deixou de recolher em razão da compensação, pois considerou que houve declaração de crédito inexistente em GFIP; 3. Aduz que devido ao não lançamento em GFIP e ao não recolhimento em época própria das contribuições devidas à Seguridade Social, será formalizada uma Representação Fiscal para Fins Penais. Em 02/04/2013 a Contribuinte tomou ciência dos Autos de Infração lavrados (fl. 12 e 07) e, em 02/05/2013, tempestivamente, apresentou sua impugnação de fls. 1807 a 1832, instruída com os documentos de fls. 1833 a 2071. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/RJ1 para julgamento, onde, através do Acórdão nº 1259.888, em 24/09/2013 a 12ª Turma, resolveu NEGAR provimento à impugnação do AI nº 51.034.9161, MANTENDO o crédito tributário, no valor de R$ 182.132,47, acrescido de juros e multa, e, DAR provimento à impugnação do AI nº 51.034.9153, julgando improcedente o crédito tributário, no valor de R$ 101.635,49. Em 12/11/2013 a Contribuinte tomou ciência do Acórdão (AR – fl. 2085) e, em 11/12/2013, interpôs seu Recurso Voluntário de fls. 2087 a 2101, instruído com os documentos de folhas 2103 a 2215, onde faz um breve relato dos fatos para, em seguida argumentar sobre: 1. A necessidade de anulação do lançamento do Auto de Infração (fls. 2090/2096); 2. A violação ao Princípio do NãoConfisco na fixação dos juros de mora, da multa de ofício e da multa de mora (fls. 2096/2100); 3. A necessidade de produção de prova pericial (fls. 2100/2101) Conclui o RV requerendo que o seu provimento com a consequente anulação do lançamento do Auto de Infração e o deferimento da produção de prova documental suplementar superveniente e prova pericialcontábil. É o relatório Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 2221DF CARF MF Processo nº 10073.720417/201315 Acórdão n.º 2401005.607 S2C4T1 Fl. 4 5 Preliminar de Nulidade do Lançamento O Recorrente se insurge contra o lançamento e pleiteia a sua nulidade por entender que não consta a informação expressa de todos os dispositivos legais aplicados para o cálculo dos juros, multa de ofício e de mora, e cálculo da contribuição previdenciária devida. Consoante se verifica dos presentes autos, o Auto de Infração foi devidamente acompanhado do Discriminativo do Débito, Fundamentos Legais, Relatório de Lançamentos, descrição dos fatos, enquadramento legal, e toda a documentação em que se lastreou, inclusive as intimações para o contribuinte justificar e apresentar documentos relacionados à compensação e apuração do tributo devido. Com efeito, todos os elementos e os motivos da autuação encontramse claramente descritos, o que permite a perfeita compreensão da apuração do crédito tributário, inclusive a aplicação da multa e juros. Nesse diapasão, não há que se falar em nulidade quando procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, o contribuinte foi devidamente intimado para apresentar os documentos de seu interesse, e o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal e apurado da forma como estabelecida no art. 142 do CTN. Assim, afasto a preliminar suscitada. Da compensação A Recorrente se insurge contra a glosa da compensação efetuada na competência 01/2009, afirmando que compensou os valores retidos a maior do Fundo de Participação dos Municípios e que exibiu todos os documentos e livros relacionados às contribuições previdenciárias devidas. Ab initio, mister se faz esclarecer que o lançamento foi motivado pelo fato do sujeito passivo não ter apresentado todos os elementos necessários para a verificação da regularidade da compensação efetuada, não obstante as intimações realizadas durante todo o procedimento de fiscalização. Conforme se infere no Termo de Intimação Fiscal nº 06 (fls. 1885/1887), o sujeito passivo foi intimado a apresentar a folha de pagamento (normal e suplementares) dos empregados do regime geral da previdência social relativa à competência 11/2008, recibos de pagamentos de autônomos das competências 11/2008 e 01/2009 a 12/2009, além da movimentação de empenho referente ao pagamento às pessoas físicas prestadoras de serviços da competência 11/2008 e contratos de prestação de serviços das empresas relacionadas na Intimação nº 06 das competências 01 a 12/2009, objetivando a aferição do montante devido e a regularidade da compensação. A fiscalização lavrou o Termo de Constatação Fiscal nº 02 (fl. 1761), em que afirma no item 05 que o valor compensado na competência 01/2009 foi considerado indevido, tendo em vista que o contribuinte deixou de apresentar os documentos comprobatórios solicitados através do TIF nº 06, sendo que foi apresentado somente um resumo da folha de Fl. 2222DF CARF MF 6 pagamento da competência 11/2008 o qual foi insuficiente para a perfeita análise do valor devido na competência. Dessa forma, não foi possível à fiscalização a verificar a exatidão dos valores que poderiam ter sido compensados, justamente em virtude da falta de elementos necessários ao procedimento de compensação. É certo que o contribuinte pode exercer a faculdade legal de compensar valores pagos indevidamente, no entanto, cabe ao fisco a verificação da liquidez e certeza do crédito tributário oferecido à compensação, conforme estabelece o artigo 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Nesse diapasão, a Lei nº 8.212/91 estabelece em seu artigo 89 que a compensação efetuada deve obedecer às condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Vejamos: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 8o Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005). § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Nesse sentido, tendo em vista que o sujeito passivo não prestou todos os esclarecimentos e não apresentou as provas para que a autoridade fiscal procedesse à análise do procedimento de compensação, entendo como correta a glosa perfectibilizada no lançamento. Diferenças de folhas No que concerne às diferenças de contribuição decorrentes do confronto das bases de cálculo apuradas nas folhas de pagamentos e termos de rescisão em confronto com as declaradas em GFIP, o Recorrente limitouse apenas a afirmar que referidas diferenças não existem, sem apresentar razões de defesa consistentes ou provas, a teor do que dispõe o artigo 16, III, do Decreto 70.235/72. Dessa forma, deve ser mantido o lançamento, posto que realizado em sintonia com a legislação em vigor, e de acordo com o disposto no artigo 142 do CTN. Fl. 2223DF CARF MF Processo nº 10073.720417/201315 Acórdão n.º 2401005.607 S2C4T1 Fl. 5 7 Do Princípio do não confisco da razoabilidade e da proporcionalidade Assevera na peça recursal que a multa e os juros aplicados ultrapassam os limites da razoabilidade, da proporcionalidade, configurando um confisco por ser exorbitante e ilegítima. No entanto, tendo em vista que o lançamento configura uma atividade vinculada e obrigatória, é dever da Autoridade Lançadora constituir o crédito tributário com a aplicação das penalidades estabelecidas em Lei. Destaquese ainda que a aplicação da multa e juros encontra adequada previsão nos dispositivos da legislação tributária explicitada nos fundamentos legais do auto de infração. A multa de ofício tem fundamento no dispositivo estabelecido pelo artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. Ademais, a Súmula nº 2 determina que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, não merece prosperar os argumentos apresentados pelo contribuinte. Pedido de perícia Postula ainda o Recorrente pela realização de perícia, requerendo a reforma da decisão de primeira instância que entendeu prescindível a sua realização. Cumpre nesse ponto destacar que a perícia tem por finalidade a elucidação de questões técnicas ou fáticas que suscitem dúvidas ao julgador, o qual cabe avaliar a necessidade da produção da prova técnica que exige conhecimento especial. No presente caso, o Relatório Fiscal e seus anexos detalham os critérios utilizados pela fiscalização na forma de apuração do crédito tributário, o que, na visão do julgador, já seriam suficientes para a formação da convicção. Ademais, o Decreto 70.235/1972 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, estabelece que a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Portanto, diferente do que foi suscitado pela recorrente, entendo que o indeferimento do seu pleito quanto ao pedido de perícia não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. No mesmo sentido, entendo ser prescindível a produção de prova pericial suscitada pela parte. Fl. 2224DF CARF MF 8 Em face de todo o exposto, mantenho o lançamento nos termos dos fundamentos ora explanados. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, rejeito a preliminar apontada e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 2225DF CARF MF
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