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Numero do processo: 11080.724699/2012-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009
Ementa:
MATÉRIA NÃO ARTICULADA NA IMPUGNAÇÃO. INOVAÇÃO NA LIDE. NÃO CONHECIMENTO.
Não deve ser conhecida a matéria que não foi objeto da impugnação, eis que isto fere o principio do contraditório, ampla defesa implicando em supressão de instância.
GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. CUSTO DE AQUISIÇÃO
Cabe ao contribuinte comprovar com documentação hábil e idônea os dispêndios incorridos para que o valor possa ser considerado custo de aquisição.Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Numero da decisão: 2402-006.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008, 2009 Ementa: MATÉRIA NÃO ARTICULADA NA IMPUGNAÇÃO. INOVAÇÃO NA LIDE. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecida a matéria que não foi objeto da impugnação, eis que isto fere o principio do contraditório, ampla defesa implicando em supressão de instância. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. CUSTO DE AQUISIÇÃO Cabe ao contribuinte comprovar com documentação hábil e idônea os dispêndios incorridos para que o valor possa ser considerado custo de aquisição.Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
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INOVAÇÃO NA LIDE. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecida a matéria que não foi objeto da impugnação, eis que isto fere o principio do contraditório, ampla defesa implicando em supressão de instância. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. CUSTO DE AQUISIÇÃO Cabe ao contribuinte comprovar com documentação hábil e idônea os dispêndios incorridos para que o valor possa ser considerado custo de aquisição.Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 46 99 /2 01 2- 12 Fl. 765DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 766DF CARF MF Processo nº 11080.724699/201212 Acórdão n.º 2402006.207 S2C4T2 Fl. 766 3 Relatório Temse Recurso Voluntário de fls. 754/759, tomado contra Acórdão da 7ª Turma de Julgamento da DRJ/BSB, que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a Impugnação de fls. 647/653, mantendo o imposto no valor de R$ 226.072,21 no anocalendário 2009 e R$ 5.984,55 no ano calendário 2009, a ser acrescido de multa e juros. Por bem delinear a controvérsia até o momento da interposição do apelo, reproduzo o relatório da decisão guerreada: Contra o contribuinte qualificado foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF de fls. 02/25, referente ao exercício 2009 e 2010, anocalendário de 2008 e 2009, em 24/04/2012, que lhe exige o recolhimento de crédito tributário conforme demonstrativo abaixo (em Reais): Imposto263.418,15 Juros de Mora – calculados até 04/201296.485,85 Multa Proporcional (passível de redução)197.563,62 Valor do crédito tributário apurado557.467,62 O referido lançamento teve origem na constatação da seguinte infração: 001 – Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos – Omissão/Apuração Incorreta de Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos Adquiridos em Reais Fato geradorValor Apurado (R$)Multa (%) 11/03/2008198.261,5975,00 11/04/2008201.147,1975,00 21/05/2008288.934,0075,00 09/06/2008201.039,4475,00 22/11/20081.243.209,6075,00 05/02/200943.538,0075,00 Em sua peça recursal, aduz o contribuinte que d. DRJ, ao considerar os documentos juntos aos autos como “inidôneos”, agiu de forma incorreta, uma fez que não teria apontado neles nenhum tipo de “fraude”. Acrescenta que as despesas lançadas estariam protegidas pela “estabilidade jurídica”, uma vez que o lançamento teria sido feito corretamente, bem como que alguns Fl. 767DF CARF MF 4 valores teriam sido, inclusive, lançados em patamar inferior ao que determinado pela tabela de Custo Unitário Básico – da SINDUSCON. Assim, aventa que, apesar de terem sido os documentos carreados ignorados, tais como comprovantes de compra de materiais e recibos de mãodeobra, o parâmetro CUB não poderia ser afastado, eis que seria “índice idôneo a comprovar o custo de aquisição, pois um simples cálculo aritmético com base neste indicador comprova a veracidade das declarações. ” (sic fls. 758). Em seguida, complementa que a questão cerne do presente recurso é que o arbitramento feito pelo Fisco não pode ser feito sem parâmetro, registrando que o Custo Unitário Básico é meio idôneo para comprovar os gastos despendidos, de acordo com o art. 17 da Instrução Normativa 84/2001. Aponta que “é legítimo o procedimento de lançamento por arbitramento (aferição indireta), dede que haja um balizador para sustentar e nortear os valores lançados, sob pena de NULIDADE DO LANÇAMENTO” (palavra por palavra, fls. 758). Assenta também que a OS INSS/DAF nº 116/94, que regulamenta o art. 33§ 4º da Lei nº 8.212/91 adota a tabela CUB no cálculo por aferição indireta do valor da mãode obra, sendo fornecida pelo SINDUSCON de cada Estado da Federação, sendo aplicada também no cálculo de contribuições previdenciárias. Direciona que “padrão do imóvel” e “tipo do imóvel” são conceitos distintos. O primeiro referenciase à classificação do imóvel de “padrão baixo, normal/médio ou alto”, e o segundo conceito classifica a destinação do imóvel, a saber, residencial, comercial e/ou industrial. Por derradeiro, requer que seja dado provimento ao recurso para que seja anulado o auto de infração, uma vez que haveria falta de critério objetivo para escorar a autuação. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 768DF CARF MF Processo nº 11080.724699/201212 Acórdão n.º 2402006.207 S2C4T2 Fl. 767 5 Voto Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1 Admissibilidade. O recurso, tempestivo, preenche alguns requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade recursal insculpidos no Decreto nº 70.235/72, entretanto, uma questão possivelmente impeditiva do seu conhecimento necessita ser avaliada. Ao confrontar a peça inicial e a manifestação recursal, percebese que o Recorrente articulou os mesmos fatos, entretanto, ao tratar do direito, fundamentos, pontos de discordância e provas, adotou linhas diversas. No presente caso, na impugnação, o contribuinte se insurge contra o lançamento indicando a decadência como ponto de discordância e fundamentos de direito aptos a anular o mesmo. Já em sua peça recursal, relata as mesmas questões de fato, porém, fundamenta sua tese apenas na adoção da Tabela CUB como elemento para definição do custo de aquisição do imóvel, por consequência, pede a anulação do lançamento. Apesar de ambas as manifestações terem por pleito a anulação do lançamento, a razão essencial para isso é completamente diversa, o que, em nosso sentir, representa inovação na lide. Vejamos o que dispõe do Decreto 70.235/72: "Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." No presente caso, não caberia a aplicação do princípio da verdade material uma vez que a verdade material não tem relação com o disposto no Art.16 e 17 do Decreto 70.235/72. Ao buscar superar o óbice referido com base em tal princípio encontraríamos dificuldade, eis que a nova matéria articulada não é de fato, mas de direito. Buscar superar a questão rumo ao conhecimento da matéria com suporte em tal princípio, numa situação que não tem natureza probatória, mas sim procedimental e de direito implicaria em supressão de instância ferindo em contraditório, eis que o fisco, sobre tais argumentos, não pode se manifestar. A aceitação da Tabela CUB na determinação de custos presumidos da construção é tema recorrente e que conta com divergências no âmbito do CARF. Em que pese Fl. 769DF CARF MF 6 tratarse de prova indiciária de tais custos, sua aceitação demanda discussão de direito mais ampla e que não foi oportunizada por omissão do Recorrente em primeira instância. Em decorrência disso, a matéria ventilada em recurso deve limitarse àquela abordada pelo Recorrente em sua Impugnação, não podendo a parte contrária ser surpreendida com novos argumentos em sede recursal, por violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa, supressão de instância, bem como ao da lealdade processual, que deve preponderar entre as partes e ser incentivada e supervisionada pelo órgão julgador, conforme estabelece a legislação que rege a matéria. Por todo exposto, voto por não conhecer dos argumentos recursais que tratam da Tabela CUB eis que os mesmos não integravam a impugnação. Merece conhecimento, entretanto, a confrontação de cálculos realizados pelo contribuinte e Agente Fiscal, frente aos documentos carreados aos autos, eis que tais elementos foram tratados na peça impugnatória. 2 No Mérito. Em sua manifestação recursal contra o Acórdão de nº 0369.026 proferido pela 7ª Turma da DRJ/BSB, o recorrente não tratou de decadência e centrou sua manifestação de inconformidade na confrontação dos cálculos fiscais e na existência de parâmetros indiciários capazes de infirmar a base utilizada para definir os custos de aquisição dos imóveis alienados. A decisão obstada promoveu uma revisão do lançamento ao verificar que o Ilustre Agente fiscal deixou de aplicar as hipóteses redutoras de base de calculo prevista na legislação, refazendo o calculo, implicando em redução do valor originário da autuação. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, foi por julgar procedente em parte a impugnação, para manter imposto suplementar no valor de R$ 226.072,21 no ano calendário 2008 e R$ 5.984,55 no anocalendário 2009, todos os valores a serem acrescidos de multa de ofício e juros de mora, nos termos da legislação vigente. Ainda inconformado com a solução vestibular da lide, interpôs o presente recurso pretendendo ver totalmente fulminado o auto de infração, sob o argumento de total inexistência de ganho de capital no presente caso, eis que não foi considerada a Tabela CUB do Sinduscon na determinação da base de calculo, uma vez que não é dada ao Agente Fiscal o arbitramento desprovido de qualquer parâmetro. Analisando os dados utilizados na apuração do ganho de capital feita pelo contribuinte frente aqueles adotados pela Autoridade Lançadora, resta claro que a divergência existente está centrada no custo de aquisição considerado para cada um dos imóveis e também a data de aquisição do terreno no município de Cachoeirinha. Apenas como curiosidade probabilística, salta aos olhos o fato dos custos de aquisição dos imóveis localizados no Loteamento Novo Sarandi, ai incluídos os de construção, terem ao ser consolidados, exatos R$ 300 mil. Isto é bem incomum, eis que estamos tratando de obras, onde, como o próprio Recorrente lembrou na impugnação, apresentam variações. Notem que, sendo as tabelas de calculo apresentas pelo Recorrente em sua peça, tais imóveis foram vendidos pelos mesmos R$ 300 mil, não havendo que se falar em ganho de capital, eis que a diferença entre valor de aquisição com obras e o valor de alienação é igual a zero. Fl. 770DF CARF MF Processo nº 11080.724699/201212 Acórdão n.º 2402006.207 S2C4T2 Fl. 768 7 O Recorrente alega que houve arbitramento ilegal do custo de aquisição sem qualquer parâmetro, entretanto, ao nosso sentir, não houve arbitramento. O que de fato ocorreu, como acertadamente já asseverou a decisão recorrida, foi a utilização exclusiva de documentos hábeis e idôneos, bem como a desconsideração daqueles que não apresentavam tais características ou impossibilitavam a leitura. Vejamos o que registrou o voto vendedor: "Em relação aos Depósitos 07, 21 e 22 (e respectivos boxes de estacionamento), consta da intimação de fls. 143 que a autoridade fiscal elaborou demonstrativos com as despesas efetivamente comprovadas, anexadas às fls. 160/161 (ano calendário 2007), 260 (anocalendário 2008) e 496/498 (ano calendário 2006), sobre as quais o contribuinte foi intimado a se manifestar e apresentar documentação complementar. No mesmo documento há ainda informação de que “Dentre os documentos apresentados, encontramse simples pedidos e orçamentos que, assim como os documentos ilegíveis, são impróprios à comprovação de despesas”. Tivemos o trabalho de verificar tais documentos e o registro do Agente Fiscal e do Relator da decisão recorrida refletem a realidade probatória do caso e revelam que tato o auto de infração quanto a decisão recorrida, ao desconsiderar documentos divergentes, orçamentos, simples pedidos e documentos ilegíveis, foram as mais acertadas não merecendo retoques. Quanto a adoção da Tabela CUB na definição dos custos de construção, tal argumento não será conhecido, pelas razões já expostas na analise de admissibilidade. Conclusão Ante ao exposto voto por conhecer em parte o recurso para, no mérito, negar lhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 771DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.915950/2008-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001
PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições para o PIS e Cofins, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Numero da decisão: 9303-006.403
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que não conheceram do recurso e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições para o PIS e Cofins, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que não conheceram do recurso e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1620; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.915950/200891 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.403 – 3ª Turma Sessão de 13 de março de 2018 Matéria PIS/COFINS. INCIDÊNCIA. VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. Recorrente SPECTRUM BRANDS BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições para o PIS e Cofins, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que não conheceram do recurso e, no mérito, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 50 /2 00 8- 91 Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10880.915950/200891 Acórdão n.º 9303006.403 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pelo Contribuinte contra o Acórdão nº 3803004.512, de 24/09/2013, proferido pela 3ª Turma Especial da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que negou provimento ao recurso voluntário. No Recurso Especial, o contribuinte insurgiuse contra o não reconhecimento da isenção/imunidade das receitas decorrentes de vendas para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus (ZFM) ao pagamento da contribuição, alegando, em síntese, que as vendas realizadas para empresas localizadas naquela Zona Franca, para todos os efeitos fiscais, se equiparam a exportações e, por forca do disposto no art. 4º, do Decretolei nº 288/1967, c/c o art. 40 do ADCT da CF/1988, e, portanto, são isentas do PIS, nos termos do art. 14, II, c/ o § 1º da Medida Provisória nº 2.15835/2001, desde fevereiro de 1999. Por meio de despacho de exame de admissibilidade, o Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção deu seguimento ao recurso especial do contribuinte. Intimada do recurso especial do contribuinte e do despacho de sua admissibilidade, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.390, de 13/03/2018, proferido no julgamento do processo 10880.915948/200812, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.390): "O recurso apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10880.915950/200891 Acórdão n.º 9303006.403 CSRFT3 Fl. 4 3 Consoante o acórdão recorrido, o recurso voluntário do contribuinte foi improvido sob dois fundamentos a saber: i) falta de comprovação da certeza e liquidez do indébito reclamado, ou seja, não apresentou as notas fiscais (cópias) das vendas de mercadorias para empresas localizadas na ZFM nem documentos de suas internações naquela Zona Franca; e, ii) o não reconhecimento da isenção/imunidade das receitas de vendas de mercadorias para aquela Zona Franca ao pagamento do PIS e da Cofins. No entanto, o contribuinte, em seu recurso especial, suscitou divergência apenas em relação ao fundamento II: o não reconhecimento da isenção do PIS e da Cofins sobre as receitas de vendas à ZFM. Este fato, por si só, implicaria o não conhecimento do presente recurso, tendo em vista que apenas um dos fundamentos é suficiente para o indeferimento do ressarcimento pleiteado e, consequentemente, a não homologação da Dcomp em discussão. Contudo, por força do princípio da ampla defesa, entendo que o recurso deve ser conhecido. Como se trata de matéria recorrente nesta 3ª Turma da CSRF, adoto como fundamento para decidir, com base no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/1999, o Acórdão de nº 9303004.932, que proferi nos autos do processo nº 10380.008890/200202, na sessão realizada em 10 de abril de 2017, reproduzido a seguir: "O Sujeito Passivo sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Entendo que esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Deste modo, em relação ao período de apuração objeto do presente processo, o art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999 que passou a disciplinar os casos de isenção da contribuição cumulativa dispõe, in verbis: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas de sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10880.915950/200891 Acórdão n.º 9303006.403 CSRFT3 Fl. 5 4 IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronave em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtor/vendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas e vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992. (grifouse) Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo Tribunal Federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10880.915950/200891 Acórdão n.º 9303006.403 CSRFT3 Fl. 6 5 Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Vale lembrar que esse status somente foi modificado pela Medida Provisória nº 202/2004, publicada em 26/7/2004, convertida na Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2º Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Tal matéria já foi objeto de discussão neste Colegiado, razão pela qual adoto como fundamentos para decidir, com base no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784, de 1999, o entendimento aplicado no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, no qual foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, proferido pela CSRF no julgamento do processo 10650.902444/201141, conforme reproduzido abaixo: A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10880.915950/200891 Acórdão n.º 9303006.403 CSRFT3 Fl. 7 6 da MP nº 2.03724/ 00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/ 2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/ 2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais, nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10880.915950/200891 Acórdão n.º 9303006.403 CSRFT3 Fl. 8 7 vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia –pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decreto lei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10880.915950/200891 Acórdão n.º 9303006.403 CSRFT3 Fl. 9 8 algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10880.915950/200891 Acórdão n.º 9303006.403 CSRFT3 Fl. 10 9 entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10880.915950/200891 Acórdão n.º 9303006.403 CSRFT3 Fl. 11 10 E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10880.915950/200891 Acórdão n.º 9303006.403 CSRFT3 Fl. 12 11 o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte." Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir. Como visto, com a edição da Medida Provisória nº 202/2004, publicada em 26/7/2004, convertida na Lei nº 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, o legislador, de forma acertada, reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu o Sujeito Passivo. Assim, até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada nos termos da legislação de regência." À luz do exposto, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, negolhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido mas, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 257DF CARF MF
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Numero do processo: 10240.720336/2010-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2007
NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Constatando-se que a empresa foi devidamente intimada e que teve acesso aos autos do processo apresentando recursos no prazo legal, entende-se pela inexistência de cerceamento do direito de defesa.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL.
A Lei n° 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. LOCAL DE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO.
O auto de infração deve ser lavrado no local de apuração da irregularidade, não se configurando hipótese de nulidade o fato de o mesmo ter sido lançado na repartição fiscal.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA PROPORCIONALIDADE E HIPOSSUFICIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. INAPLICÁVEL.
Não cabe ao CARF a análise de princípios constitucionais que são dirigidos ao legislador e não à administração tributária.
MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA.
Evidente Intuito de Fraude Declarando significativamente a menor suas receitas, a contribuinte tentou impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal.
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do Ano-calendário,será determinado com base nos critérios do LUCRO ARBITRADO, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa. É inócua a posterior apresentação de livros e documentos, com o intuito de mostrar base de cálculo menor que a apurada pelo fisco, utilizando-se de forma de tributação que, apesar de reiteradamente intimado, não mostrou tê-la adotado no tempo devido. I Conselho de Contribuintes / la. Câmara / ACÓRDÃO 10195.056 em 17.06.2005. Publicado no DOU em: 08.09.2005.
Numero da decisão: 1401-002.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: Abel Nunes de Oliveira Neto
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2007 NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Constatando-se que a empresa foi devidamente intimada e que teve acesso aos autos do processo apresentando recursos no prazo legal, entende-se pela inexistência de cerceamento do direito de defesa. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n° 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. NULIDADE DO LANÇAMENTO. LOCAL DE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. O auto de infração deve ser lavrado no local de apuração da irregularidade, não se configurando hipótese de nulidade o fato de o mesmo ter sido lançado na repartição fiscal. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA PROPORCIONALIDADE E HIPOSSUFICIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. INAPLICÁVEL. Não cabe ao CARF a análise de princípios constitucionais que são dirigidos ao legislador e não à administração tributária. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Evidente Intuito de Fraude Declarando significativamente a menor suas receitas, a contribuinte tentou impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do Ano-calendário,será determinado com base nos critérios do LUCRO ARBITRADO, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa. É inócua a posterior apresentação de livros e documentos, com o intuito de mostrar base de cálculo menor que a apurada pelo fisco, utilizando-se de forma de tributação que, apesar de reiteradamente intimado, não mostrou tê-la adotado no tempo devido. I Conselho de Contribuintes / la. Câmara / ACÓRDÃO 10195.056 em 17.06.2005. Publicado no DOU em: 08.09.2005.
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INOCORRÊNCIA. Constatandose que a empresa foi devidamente intimada e que teve acesso aos autos do processo apresentando recursos no prazo legal, entendese pela inexistência de cerceamento do direito de defesa. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n° 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. NULIDADE DO LANÇAMENTO. LOCAL DE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. O auto de infração deve ser lavrado no local de apuração da irregularidade, não se configurando hipótese de nulidade o fato de o mesmo ter sido lançado na repartição fiscal. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA PROPORCIONALIDADE E HIPOSSUFICIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. INAPLICÁVEL. Não cabe ao CARF a análise de princípios constitucionais que são dirigidos ao legislador e não à administração tributária. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Evidente Intuito de Fraude Declarando significativamente a menor suas receitas, a contribuinte tentou impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. ARBITRAMENTO DO LUCRO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 03 36 /2 01 0- 01 Fl. 1489DF CARF MF 2 O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do Anocalendário,será determinado com base nos critérios do LUCRO ARBITRADO, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa. É inócua a posterior apresentação de livros e documentos, com o intuito de mostrar base de cálculo menor que a apurada pelo fisco, utilizandose de forma de tributação que, apesar de reiteradamente intimado, não mostrou têla adotado no tempo devido. I Conselho de Contribuintes / la. Câmara / ACÓRDÃO 10195.056 em 17.06.2005. Publicado no DOU em: 08.09.2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Peço a venia aos colegas de turma para transcrever o relatório da Decisão de Piso sobre o caso. 1.Trata o processo de lançamentos (fls. 01/99), com ciência em 06/09/2010 (fls. 100/101), decorrentes do: 2.SIMPLES: (Io Semestre do anocalendário 2007) de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, PIS, CSLL, Cofíns e Contribuição para a Seguridade Social, no montante de R$ 2.162.286,71, fls.03/46, já acrescidos de multa de ofício e juros de mora calculados até 30/07/2010. 3.LUCRO ARBITRADO: (2o Semestre do anocalendário 2007) de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, PIS, CSLL, Cofíns e Contribuição para a Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 10240.720336/201001 Acórdão n.º 1401002.745 S1C4T1 Fl. 1.489 3 Seguridade Social, no montante de R$1.317.163,80, fls.60/87, já acrescidos de multa de ofício e juros de mora calculados até 30/07/2010. 4.De acordo com o Termo de Verificação de Infração Fiscal, fls.48/57, o contribuinte optou pelo SIMPLES no l°Semestre de 2007, e por este motivo teve o cálculo do tributo a pagar obedecendo a sistemática deste modelo de tributação. 5.Quanto ao 2o Semestre, continua relatando o Termo de Verificação de Infração Fiscal, fls.48/57, como o contribuinte não optou pelo SIMPLES, assim como sua escrituração revelou evidentes indícios de fraude, ou conteve vícios, erros ou deficiências que a tornaram imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, o imposto devido trimestralmente foi determinado com base nos critérios do lucro arbitrado. Amparouse a fiscalização no que diz o art.530, II, a) do Decreto n° 3.000 de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto] de* Renda, [...] 6.Segundo Termo de Verificação de Infração Fiscal, fls.48/57, a imputação fundamentouse na Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários de Origem não Comprovada. 7.Inconformado com a autuação o contribuinte apresentou sua impugnação em 22/10/2010, fls.525/564, alegando o seguinte: 7.1 Pede a juntada de todos os autos de infração em um só processo; 7.2 houve quebra de sigilo bancário sem autorização judicial; 7.3 O fisco não solicitou preliminarmente esclarecimentos específicos a propósito da matéria lançada. Não foi oportunizada a prestar esclarecimentos específicos sobre a matéria; O auditor deveria ter solicitado explicações melhores sobre a matéria a ser lançada'. 7.4 Promoveu o lançamento fora do local da falta, contrariando o art. 10 do Decreto 70.235 de 6 de Março de 1972; 7.5 Deveria ter sido desenquadrada por via Diário Oficial da União, abrindo se prazo para interposição de recurso e logo após iniciase todos os procedimentos para homologação e constituição do crédito tributário; 7.6 Deveria ser aplicada uma tributação com base no lucro presumido; 7.7Não foram considerados os impostos efetuados, os memorandos de exportações e os pagamentos/depósitos que são utilizados para pagamento dos planos de manejos sustentáveis para extração das madeiras para depois ocorrer venda da madeira. Fl. 1491DF CARF MF 4 7.8Não levou em consideração as Notas Fiscais de Entradas de Mercadoria e os Livros Fiscais existentes, pois os depósitos bancários se substanciam não somente na compra e venda de madeiras e sim de suas matériasprimas antecipada que são os projetos de manejos florestais, que tudo devem ser preparados 1 ano antecipadamente e no período do verão, sob pena de não se consolidarem as vendas ao mercado exterior. 7.9Não houve incorporação de nenhum valor ao patrimônio da empresa recorrente, somente quando houver a liberação/das licenças ambientais e que poderão expor a venda e a partir daí efetuar o pagamento dos impostos e demais encargos. 7.10.Todos os depósitos creditados na conta corrente da recorrente, havia uma destinação própria para cada projeto de manejo, que não objeto de questionamento por parte do fisco federal, (doc. em anexo), não ocorrendo qualquer lucro ou acréscimo patrimonial na empresa, ao contrário, somente decréscimos (dívidas); 7.11. Encontrou dificuldade de conseguir todos os extratos bancários solicitados; 7.12. As multas tem efeito de confisco e expropriação; 7.13. Os auditores não sabem informar com mais clareza o quanto o sujeito passivo deve, pois o seu arbitramento é confuso, os valores expressos nas planilhas estão incorretos. 7.14Todos os depósitos não foram considerados como válidos e estão devidamente comprovados e admitidos pelo próprio auditor. 7.15 Deve ser obedecida a súmula vinculante n°29 do STF; 7.16 Protesta por todos os meios de provas que se fizerem necessários e a juntada posterior de outros documentos que possam trazer a verdade dos fatos com mais clareza em favor da recorrente. 7.17 Requer a improcedência total do Auto de Infração e seu arquivamento. A decisão recorrida está assim ementada: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n° 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. NULIDADE DO LANÇAMENTO. LOCAL DE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO O auto de infração deve ser lavrado no local de apuração da irregularidade, não se configurando hipótese de nulidade o fato de o mesmo ter sido lançado na repartição fiscal. Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 10240.720336/201001 Acórdão n.º 1401002.745 S1C4T1 Fl. 1.490 5 MULTA QUALIFICADA Evidente Intuito de Fraude Declarando significativamente a menor suas receitas, a contribuinte tentou impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do Anocalendário,será determinado com base nos critérios do LUCRO ARBITRADO, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa. É inócua a posterior apresentação de livros e documentos, com o intuito de mostrar base de cálculo menor que a apurada pelo fisco, utilizandose de forma de tributação que, apesar de reiteradamente intimado, não mostrou têla adotado no tempo devido. I Conselho de Contribuintes / la. Câmara / ACÓRDÃO 10195.056 em 17.06.2005. Publicado no DOU em: 08.09.2005. Impugnação Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reforça as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. Chegando a este CARF o processo teve o seu julgamento sobrestado até o pronunciamento final por parte do STF com relação à possibilidade de quebra do sigilo bancário por requisição da administração tributária. Concluído o julgamento no STF, decidindose pela legalidade do procedimento, o processo retornou à análise. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 1493DF CARF MF 6 Passando à análise dos argumentos aduzidos no recurso, temos o seguinte: Inicia com a análise da autuação e aponta o modo de proceder da fiscalização como irregularidades de procedimento. Apresenta extensa argumentação mas não apresenta pedido específico a respeito. Apenas irresignações quanto ao procedimento adotado pela fiscalização. Princípio da Proporcionalidade na aplicação de penalidades ao contribuinte. Neste ponto apresenta entendimento do STF e preceitos da Constituição sem, igualmente, apresentar pedidos específicos. Alega cerceamento do direito de defesa com ação realizada pela fiscalização. Alega que a fiscalização não solicitou esclarecimento ao contribuinte, tendo por consequência o cerceamento do direito de defesa que causaria a nulidade da autuação. Alega ainda que a s multas seriam confiscatórias. Mérito Cerceamento do direito de defesa. Neste ponto traz a única alegação fática de que os depósitos nas contas se refeririam a adiantamentos de fornecedores para posterior fornecimento de madeira. Alega que estes depósitos serviriam para custeio dos projetos de manejo. Alega que não se caracterizou a omissão alegada pela fiscalização. Alega que a empresa é hipossuficiente em sua relação com o fisco e que o julgamento pela DRJ foi parcial. Que o lançamento não verificou a capacidade econômica do contribuinte. Pede a nulidade total do lançamento. Do cerceamento do direito de defesa e dos procedimentos adotados pela fiscalização. Analisando a peça recursal verificamos, de início a exímia capacidade técnica dos patronos do recorrente na análise acurada dos dispositivos legais e constitucionais, além das opiniões doutrinárias sobre o assunto. Entretanto, apesar do esmero na contestação teórica da autuação e das diversas irresignações contra os procedimentos adotados pela fiscalização, a argumentação fática restringese, unicamente, à alegação de que os valores depositados em contacorrente e caracterizados pela fiscalização como omissão de receitas seriam oriundos de adiantamentos de clientes para realização do manejo florestal para posterior fornecimento de madeira. Passando a nossa análise sobre a documentação acostada ao processo verificamos que não houve irregularidades no procedimento realizado pela fiscalização. Foram realizadas as intimações de praxe e, diante do não atendimento às requisições dos extratos bancários, foram emitidas as requisições de movimentação financeira aos bancos e solicitados os extratos da movimentação da empresa. Mais ainda, após o recebimento dos extratos bancários das instituições financeiras a fiscalização, atendendo ao procedimento correto, intimou a empresa a justificar os depósitos verificados em suas contascorrentes. Referida intimação teve, como resposta a apresentação das Guias informadas à Secretaria da Fazenda do Estado comprovando as vendas realizadas no período. Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 10240.720336/201001 Acórdão n.º 1401002.745 S1C4T1 Fl. 1.491 7 Ocorre, que foram a apresentação destas guias, a empresa não apresentou nenhuma justificativa dos depósito, nem ao menos fez qualquer conciliação entre os valores das notas fiscais e os valores depositados em suas contascorrente. A título de teste, verifiquei diretamente o valor de três notas fiscais de emissão do contribuinte do mês de setembro de 2007 e procuramos localizar o valor na relação de depósitos solicitados pela fiscalização. Verificando os meses de setembro, outubro e novembro, não localizamos nenhum valor relativo a estas três notas fiscais. Com este teste simples, pudemos confirmar que a fiscalização apresentou a análise correta acerca do fato que a empresa não atendeu à fiscalização no tocante à apresentar as justificativas da origem dos depósitos realizados em suas contascorrentes. O que se demonstra das verificações realizadas neste momento é que, apesar de a empresa apresentar alegações acerca de um possível cerceamento do direito de defesa, de que haveria justificativa para o ingresso de recursos nas contas da empresa que seriam de possíveis adiantamentos recebidos de clientes, verificamos que, em verdade, os fatos processualmente apresentados não foram os alegados pela fiscalização. Não ocorreu cerceamento do direito de defesa vez que a empresa foi devidamente intimada e teve oportunidade de falar e de fazer provas em seu favor. No entanto deste ônus a empresa não se desvencilhou. Não apresentou provas, não conciliou valores, não trouxe justificativas acompanhadas das provas respectivas. Apenas apresentou, já em sede de impugnação inúmeros documentos como notas fiscais, documentos de exportação, etc. Entretanto, sem nenhuma vinculação destes valores e justificativa, ao menos exemplificativa dos fatos ocorridos, a simples apresentação de documentos não tem o condão de infirmar as alegações apresentadas pela fiscalização. Da Quebra do Sigilo bancário por emissão de RMF Resultado da inação da empresa é que a legislação prevê, em benefício do fisco, a inversão do ônus da prova. Intimada a empresa a identificar a origem das transações em contacorrente que lhe foram creditadas, passou a ser seu ônus apresentar a comprovação das mesmas e não do fisco. Se a empresa é a detentora da contacorrente e dos registros, nada mais normal do que esta pudesse apresentar a comprovação e informações. Ao não se desincumbir de seu ônus processual, aplicase à hipótese a presunção legal estabelecida pela norma Depósitos Bancários Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 1495DF CARF MF 8 § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) Assim é que não procede a alegação de nulidade pela presunção, posto que a presunção realizada com vistas a imputar as infrações obedeceram todos os requisitos determinados pela norma com a prévia intimação da empresa. Ademais, com o julgamento definitivo do RE 601.314 pelo STF, em 24/02/2016, com repercussão geral reconhecida, foi fixado o entendimento acerca da constitucionalidade da LC 105/2001, bem como sua aplicação retroativa, sendo de aplicação obrigatória pelos membros deste colegiado, nos termos do § 2º do art. 62 do RICARF (Portaria MF 343/2015). RE 601.314 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 10240.720336/201001 Acórdão n.º 1401002.745 S1C4T1 Fl. 1.492 9 jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Também, as Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da LC 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. O recorrente intimado a fornecer os seus extratos bancários, não os apresentou, cabendo à fiscalização a emissão de RMF diretamente à instituição financeira. Tal procedimento transcorreu dentro dos limites legais, não se identificando no lançamento qualquer irregularidade na quebra do sigilo bancário da recorrente. Desta forma, não assiste razão ao recorrente. Do Cumprimento das Normas do SIMPLES e do Arbitramento do Lucro. Do Local da Lavratura do Auto de Infração Em relação ao cumprimento das normas legais para a emissão dos autos de infração do SIMPLES e do Lucro arbitrado, não merecem ressalvas os termos do voto proferido pela Delegacia de Julgamento. O lançamento pelo SIMPLES, relativo ao 1º semestre de 2007, baseouse no excesso de receita bruta durante o ano e aplicou as alíquotas do SIMPLES. Fl. 1497DF CARF MF 10 O lançamento do lucro arbitrado relativo ao 2º semestre de 2007 baseouse na inexistência de opção do contribuinte em relação ao SIMPLES NACIONAL, sistemática nova que incluia os tributos estaduais e municipais. Assim, não havendo opção por parte do contribuinte e inexistindo escrituração contábil e fiscal de forma a possibilitar a apuração sob a sistemática do Lucro Real, não era possível a aplicação do Lucro Presumido, da forma pretendida pela empresa, posto não existir opção para tanto. Tornase obrigatório, nestes casos a apuração do lucro por Arbitramento com base na receita bruta, da forma como executado pela fiscalização. Pelo exposto, não havendo irregularidade procedimental, não assiste razão ao recorrente. Caracterização da Omissão de Rendimentos Em relação à omissão de receitas que o recorrente alega não ter sido caracterizada e que levou o fiscal a considerar ilícita uma conduta lícita, peguemos, em primeiro lugar, as normas legais atinentes ao assunto. Depósitos Bancários Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) ....... § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 10240.720336/201001 Acórdão n.º 1401002.745 S1C4T1 Fl. 1.493 11 relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Ora, verificandose a legislação em questão, comprovase que após a análise dos extratos bancários da empresa junto às instituições financeiras, foram elaborados demonstrativos dos lançamentos individualizados e devidamente intimado o contribuinte para apresentar justificativas da origem dos depósitos em questão. A empresa, devidamente cientificada, não apresentou justificativas, item a item da origem dos valores depositados. Limitouse a apresentar argumentação genérica de que poderiam ser originados em antecipações de fornecedores, ou apresentou notas fiscais diversas que, conforme nossa análise e da fiscalização, sequer puderam ser confirmadas por amostragem. Não procedem, desta maneira, as argumentações apresentadas pelo recorrente. A omissão foi comprovada de acordo com os estritos termos da Lei. Diante dos fatos, comprovados de acordo com as normas legais, não encontram guarida argumentos genéricos que não levam à infirmar a acusação de omissão. Em sendo assim, não devem ser acolhidas as alegações do recorrente neste ponto. Preceitos Constitucionais e Princípio da Proporcionalidade. Hipossuficiência do contribuinte. Com relação a estas alegações, discorridas em extensa argumentação, devemos ter em mente que as normas constitucionais aventadas devem ser observadas pelo Poder Legislativo quando da edição de normas infraconstitucionais, Assim, em nossa Carta Magna encontramse os limites de atuação dos entes públicos, responsáveis pela edição de leis instituidoras de tributos. Sendo as Leis instituidoras editadas seguindo o devido processo legislativo, presumemse constitucionais não cabendo aos órgãos da administração tributária interpretar ou não estas normas de acordo com os princípios constitucionais. Pelo contrário, a administração tributária tem o poderdever de aplicar as normas tributárias postas, o seu descumprimento é causa de infração funcional. Ao contribuinte, como no caso do recorrente, que entende que alguma das normas aplicadas ofenderiam os preceitos constitucionais cabe o direito de acionar o Poder Judiciário no sentido de questionar a constitucionalidade das normas e sustar a sua aplicação. Não cabe à administração tributária esta análise. Mais não é cabível, nem ao menos permitida, posto que a análise da constitucionalidade das normas é tarefa exclusiva do Poder Judiciário dentro do sistema de freios e contrapesos que sustenta os sistemas jurídicos modernos. A esse respeito vige a Súmula 02 do CARF, nos seguintes termos. Fl. 1499DF CARF MF 12 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 103 21568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 203 09298, de 05/11/2003 Acórdão nº 20177691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 204 00115, de 17/05/2005 Pelo exposto, em relação a estes pontos, voto no sentido de negar provimento ao recurso neste ponto. Nulidade do Lançamento Em relação às diversas alegações de nulidade do lançamento, verificada a análise já procedida neste voto, conforme os termos acima apresentados, não se verifica a ocorrência de nenhuma das hipóteses do Decreto nº 70.235/82 no que trata de nulidades. Vejamos o texto da norma no que trata das nulidades no processo administrativofiscal da União. CAPÍTULO III Das Nulidades Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Consoante o vislumbrado nas normas acima, da análise dos argumentos do contribuinte e do auto de infração não estão presentes nenhum dos requisitos a autorizar a Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 10240.720336/201001 Acórdão n.º 1401002.745 S1C4T1 Fl. 1.494 13 aplicação da nulidade no referido processo, visto não existir incompetência da autoridade lançadora nem cerceamento ao devido direito de defesa da parte. Do exposto, também neste ponto entendo não assistir razão ao contribuinte. Multa Qualificada Finalmente, em relação à qualificação da multa, iremos tratar deste ponto apesar de não haver, na extensa petição do recurso, nenhum pedido relativo à sua revisão. Entretanto, para evitar embargos por omissão, entende este relator que o tema deve ser tratado neste voto. Para analisar o tema, transcrevemos as condutas apontadas pela fiscalização para a aplicação da qualificação. Normalmente me posiciono no sentido de excluir a qualificação quando paira alguma dúvida sobre o procedimento adotado pela empresa. No presente caso, de outro modo, vemos que a empresa declarou à Receita Federal a inexistência de receitas tributáveis, ao passo que, ao fisco estadual, declarou a existência de receitas em valores significativos, que montaram em mais de R$ 10 milhões no ano. Assim procedendo evidentemente a empresa detinha conhecimento e, mais ainda, demonstra a real intenção de omitir do fisco federal os valores de receitas sujeitos à tributação quando os declarou ao fisco estadual. Ou seja, praticou atos tipificados nos art, 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 que sujeitam o contribuinte à qualificação da multa. Pelo exposto, em relação à constatação de elementos da qualificadora, entendo assistir razão à fiscalização, devendo ser mantida a qualificação da multa aplicada. Fl. 1501DF CARF MF 14 Por todo o exposto e apresentado voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário mantendo a autuação da forma decidida pela Decisão de Piso. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 1502DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.002137/2003-30
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 27/05/2003
RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICO-JURÍDICO. INADMISSIBILIDADE.
A admissão do recurso especial exige a demonstração do dissenso jurisprudencial. Para tanto, é essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fático-jurídica entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigma, impossível reconhecer a divergência na interpretação da legislação tributária.
Numero da decisão: 9303-006.842
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICOJURÍDICO. INADMISSIBILIDADE. A admissão do recurso especial exige a demonstração do dissenso jurisprudencial. Para tanto, é essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fáticojurídica entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigma, impossível reconhecer a divergência na interpretação da legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 21 37 /2 00 3- 30 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11128.002137/200330 Acórdão n.º 9303006.842 CSRFT3 Fl. 152 2 (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 320200.184, de 30 de setembro de 2010 (fls. 120 a 125 do processo eletrônico), proferido Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário para excluir a responsabilidade da empresa Exccel Freight Transportes Internacionais Ltda. A discussão dos presentes autos tem origem na Notificação de Lançamento, fls. 01/09, lavrado contra o Contribuinte acima qualificado, com a exigência do Imposto de Importação e Multa Regulamentar, no valor de R$4.271,96, pelas razões a seguir expostas. A empresa Coopers Brasil Ltda. importou mercadoria acondicionada em 250 baldes com otimizador das condições ambientais em criadouros avícolas, contidos em 3 estrados, amparada pelo Conhecimento de Transporte Internacional MAR008973, objeto de Termo de Avaria n° 28546 do recinto alfandegado, fls. 17, por se apresentarem com indícios de avaria e/ou falta de conteúdo, requereu, fls.22, a realização de Vistoria Aduaneira. Designada a vistoria para apuração dos fatos, o auditor fiscal concluiu pela ocorrência da avaria em parte da carga, imputando a responsabilidade tributária ao transportador, ora designado Contribuinte. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11128.002137/200330 Acórdão n.º 9303006.842 CSRFT3 Fl. 153 3 O Contribuinte foi intimado e cientificado, fls.60, tendo apresentando sua Impugnação, tempestivamente às fls. 43 e 44. Em sua alegação o contribuinte alega que: I o responsável pelo crédito tributário é o transportador que lhe deu causa, a empresa Shipco Transport Inc., representado no Brasil por Unicarrier Transportes Ltda, com fundamento nos art. 103, inciso I e 581 do Decreto n" 4.543/2002 — Regulamento Aduaneiro; II não se pode cobrar o imposto do agente consolidador, mero intermediário que tem a responsabilidade de contratar os agentes de transporte, mas que não figura na lei nem como contribuinte nem como responsável tributário; III não ocorreu o fato gerador, já que a mercadoria foi rejeitada pelos agentes de aduana, e deverá ser repatriada pelo transportador, único responsável pelas avarias verificadas. Por fim, requer o cancelamento do lançamento. A DRJ em São Paulo/SP julgou improcedente a Impugnação e decidiu manter o lançamento. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃOli Data do fato gerador: 27/05/2003 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. VISTORIA ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE POR AVARIA. SUJEIÇÃO PASSIVA. NVOCC "Non Vessel Operator Common Carrier". A sujeição passiva é matéria rígida e que não comporta interpretação extensiva, sendo descabida a imputação de responsabilidade a pessoa que não esteja expressamente Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11128.002137/200330 Acórdão n.º 9303006.842 CSRFT3 Fl. 154 4 indicada nos arts. 104 e 105 do RA/2002. Para efeitos de apuração de responsabilidade quanto a extravio e avarias, há que se considerar como transportadora a empresa emissora do conhecimento de carga internacional e não a empresa considerada como NVOCC indicada como consignatária nesse conhecimento, e que atua como agente consolidador/desconsolidador de cargas. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 128 a 134) em face do acordão recorrido que deu provimento ao recurso do contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito à responsabilidade do “agente desconsolidador” da importação. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma o acórdão de número 310200.442. A comprovação do julgado firmouse pela transcrição da ementa do acórdão no corpo da peça recursal. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls.136 a 138 sob o argumento que restou configurada divergência em relação a atribuição de responsabilidade em relação ao "agente desconsolidador" de carga: o Acórdão recorrido entendeu que não é possível atribuir a este a responsabilidade. De outro lado, no Acórdão paradigma entendeuse o "agente desconsolidador" poderia responder pelo por dano ou extravio de mercadoria importada durante procedimento de transporte. O Contribuinte foi cientificado para apresentar contrarrazões, conforme se verifica às fls. 150 e não se manifestou. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Fl. 154DF CARF MF Processo nº 11128.002137/200330 Acórdão n.º 9303006.842 CSRFT3 Fl. 155 5 Da Admissibilidade O recurso interposto pela PGFN é tempestivo, porém não deve ser conhecido por não cumprir com os requisitos essenciais à admissibilidade ditados pelo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, consoante demonstrase a seguir. Segundo o Acordão Recorrido, em decorrência de uma vistoria aduaneira, a empresa EXCCEL FREIGHT TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA. foi responsabilizada pela avaria parcial da carga transportada pela empresa SHIPCO TRANSPORT INC., representada no Brasil por UNICARRIER TRANSPORTES LTDA. Mercadoria esta importada pela Coopers Brasil Ltda. Conforme fls. 20 a 23 conhecimento de carga ("COMBINED TRANSPORT BILL OF LADING") foi emitido por "CAVALIER MARITIME INC". Já o transporte internacional foi efetivamente executado pela empresa transportadora "SHIPCO TRANSPORT INC", conforme conhecimento de carga nº SSZ1242208 por ela emitido que faz referencia ao conhecimento nº MAR008973 e indica a "CAVALIER" como expedidora e a EXCCEL FREIGHT TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA como consignatória. No caso em exame o conhecimento trazido aos autos demonstra que o transporte internacional marítimo foi efetuado por empresa diversa transportador estrangeiro , e no processo não consta conhecimento de carga emitido pela EXCCEL FREIGHT TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA. Vale ressaltar, ainda, que em procedimento de vistoria aduaneira foi apurada a responsabilidade do transportador, mas essa responsabilidade foi imputada a recorrida, que não é transportadora. Então com base no art. 32, inc. I do Decreto Lei 37/66, com a redação dada pelo DecretoLei 2472/88, exigiu se o imposto do sujeito passivo na condição de transportador: " Art . 32. É responsável pelo imposto: I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11128.002137/200330 Acórdão n.º 9303006.842 CSRFT3 Fl. 156 6 II o depositário, assim considerada qualquer pessoa incubida da custódia de mercadoria sob controle aduaneiro. Parágrafo único. É responsável solidário: a) o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; b) o representante, no País, do transportador estrangeiro." Analisando os autos, verificase que o laudo pericial apontou como causa provável da avaria o empilhamento dos baldes um sobre os outros com peso excessivo. O Contribuinte informa que atuou como agente consolidador de carga e fez a seguinte argumentação em impugnação: “3. Nesta notificação, na parte da Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais, ficou reconhecido que a responsabilidade pelas avarias nas mercadorias foi do transportador, por haver empilhado os baldes, provocando assim amassados e fissuras nos mesmos, o que ficou registrado por Termo de Avaria com ciência das partes.” “7. Uma vez constatado e reconhecido por Termo que o transportador foi o responsável pelas avarias, não se pode cobrar o imposto do agente consolidador, mero intermediário que tem a responsabilidade de contratar os agentes de transporte, mas, que não figura na lei nem como contribuinte nem como responsável tributário.” A DRJ, conforme folhas 75, manteve o lançamento considerando a Excell como o transportador (NVOCC) com os seguintes argumentos: “Ocorre que os fatos demonstram que o interessado contratou o transporte da mercadoria com a empresa autuada, que se identifica como o NVOCC, os chamados armadores sem navio, posto que adquirem parte da área do navio diretamente do dono da embarcação. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11128.002137/200330 Acórdão n.º 9303006.842 CSRFT3 Fl. 157 7 0 armador apenas transporta a mercadoria, por contrato comercial com o NVOCC, por sua conta e ordem, não com o importador/exportador que, por sua vez têm um contrato de transporte com o NVOCC, a quem deverão pagar pelo transporte no porto de destino, no caso, a Exccel Feight Transporte Intl.Ltda., com quem existe uma relação jurídica.” E no recurso voluntário o Colegiado por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso, conforme acórdão assim ementado in verbis: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. VISTORIA ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE POR AVARIA. SUJEIÇÃO PASSIVA. NVOCC "Non Vessel Operator Common Carrier". A sujeição passiva é matéria rígida e que não comporta interpretação extensiva, sendo descabida a imputação de responsabilidade a pessoa que não esteja expressamente indicada nos arts. 104 e 105 do RAJ2002. Para efeitos de apuração de responsabilidade quanto a extravio e avarias, há que se considerar como transportadora a empresa emissora do conhecimento de carga internacional e não a empresa considerada como NVOCC indicada como consignatária nesse conhecimento, e que atua como agente consolidador/desconsolidador de cargas. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. No entanto, analisando o acordão paradigma n.º 310200.442 a responsabilidade foi atribuída com base no parágrafo único, inc. II do art. 32 do Decreto nº 37/66, ou seja, o Contribuinte foi autuado como responsável solidário, por ser representante do transportador estrangeiro, senão vejamos: “Examinando os autos, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo II (SP) julgou procedente o lançamento, por entender que "o agente desconsolidador é o representante, no país importador, do agente consolidador constituído no país de exportação, que é responsável pelo transporte da mercadoria" (fl. 55), no caso, a empresa CAF Transportes Internacionais. Por sua vez, o representante do transportador estrangeiro Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11128.002137/200330 Acórdão n.º 9303006.842 CSRFT3 Fl. 158 8 seria considerado solidário pelo pagamento do imposto de importação, consoante Decreto n° 37/66, art. 32, parágrafo único, II.” No acordão Recorrido foi exigido do Contribuinte o imposto do sujeito passivo na condição de transportador, com base no art. 32, inc. I do Decreto Lei 37/66, com a redação dada pelo DecretoLei 2472/88. Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso, mantendo em todos os seus termos a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.902297/2015-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2011
SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA DE 12%. NECESSIDADE DE ATENDIMENTO INTEGRAL DAS NORMAS DA ANVISA. AUSÊNCIA DE ALVARÁ DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA.
A ausência do alvará de Vigilância Sanitária pressupõe que o contribuinte não atende integralmente as normas da ANVISA, descumprindo requisito previsto na Lei n. 9.249/95 para gozo da alíquota reduzida de 12%.
O atendimento à tais normas da Anvisa somente pode ser comprovado através da apresentação do alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal, vigente à época do fato gerador do tributo, não sendo possível acolher alvará emitido em exercício posterior.
Numero da decisão: 1201-002.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA DE 12%. NECESSIDADE DE ATENDIMENTO INTEGRAL DAS NORMAS DA ANVISA. AUSÊNCIA DE ALVARÁ DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA. A ausência do alvará de Vigilância Sanitária pressupõe que o contribuinte não atende integralmente as normas da ANVISA, descumprindo requisito previsto na Lei n. 9.249/95 para gozo da alíquota reduzida de 12%. O atendimento à tais normas da Anvisa somente pode ser comprovado através da apresentação do alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal, vigente à época do fato gerador do tributo, não sendo possível acolher alvará emitido em exercício posterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 90 22 97 /2 01 5- 36 Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13005.902297/201536 Acórdão n.º 1201002.183 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo gerado para tratamento manual, a partir de Representação do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil na qual relata que fora apresentada pelo Contribuinte pedido indevido de restituição de CSLL. Como conseqüência, foi emitido Despacho Decisório com o seguinte teor: 20. Logo, o pedido de restituição há que ser indeferido por inexistência de pagamento indevido de CSLL para o 2º trimestre/2011, eis que o contribuinte não se sujeita ao percentual favorecido incidente sobre a receita bruta de 12% para apuração da base de cálculo da CSLL por não atender as normas da Anvisa em vista de não apresentar alvará sanitário vigente no período de apuração em seu nome e endereço cadastral. [...] 22. No uso da competência delegada pelo artigo 2°, inciso IV, da Portaria DRF/SCS nº 17, de 10 de abril de 2014, e da competência atribuída pelos artigos 241, inciso I, 302, inciso VI, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 203, de 14 de maio de 2012, na forma da fundamentação, DECIDO: (I) NÃO RECONHECER o direito creditório do contribuinte frente à Fazenda Pública da União a título de pagamento indevido de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL relativo ao 2º trimestre de 2011, para INDEFERIR o pedido eletrônico de restituição 28174.63813.030915.1.2.046904. O contribuinte foi cientificado do referido despacho decisório e apresentou manifestação de inconformidade, contrapondose contra o Despacho Decisório DRF/SCS/Saort com base nos fundamentos a seguir sintetizados. A Manifestante é uma sociedade de responsabilidade limitada, segundo se vê no seu Contrato Social (doc. 01), estabelecida junto ao Hospital Santa Cruz, com o objetivo social de prestação de “serviços de análises clínicas”. Isto é, a Manifestante nasceu para prestar serviços de análises clínicas junto ao órgão hospitalar. Desde a sua constituição está em exercício regular de sua atividade e está adequada às regras da vigilância sanitária. Desta forma, entende ter havido grave equívoco por parte da Autoridade Fiscalizadora, e pede a desconstituição do Despacho Decisório da DRF/SCS/Saort. Do Enquadramento da Manifestante como atividade de prestação de serviço hospitalar. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13005.902297/201536 Acórdão n.º 1201002.183 S1C2T1 Fl. 4 3 Alega a manifestante que a própria Receita Federal em seu Despacho Decisório reconheceu o seu enquadramento exerce atividade de prestação de serviço hospitalar. Quanto ao requisito de enquadramento da atividade exercida não carece de maiores digressões em vista da literal disposição legislativa. Quanto ao requisito de estar constituída sob a forma de sociedade empresária, analisandose o contrato social e alterações, vêse que o contribuinte consta como sociedade empresária desde a sua constituição. Assim, resta claro que atende os preceitos normativos para exercer atividade de prestação de serviço hospitalar, reconhecida pela própria Receita Federal em sua análise. Da Regularidade da Manifestante. Preocupada com a situação, mesmo que tenha cumprido com a solicitação da Receita Federal de apresentar seu Contrato Social e a sua Regularidade de funcionamento, a Manifestante procurou a Prefeitura local e requereu a expedição do Alvará de Saúde, que atestasse não só sua regularidade no atendimento às normas de saúde, mas também a aptidão para exercer sua atividade. Em virtude de o alvará ter sido expedido após o término do prazo do requerimento da Receita Federal, não foi possível anexálo naquele momento. Entende que foi equivocado o posicionamento da fiscalização. A Lei Federal nº 9.249/95, em seu art. 20 estabelece que a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devido pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral, sob o regime do Lucro Presumido, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1º do art. 15, cujo percentual corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). Contudo, o artigo 15, § 1º, inciso III, alínea "a" (redação alterada pela Lei 11.727/08), previu uma exceção ao percentual de 32% exatamente para os serviços hospitalares, caso da Manifestante, em que a base da CSLL será de 12%, desde que seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa. Vejase, a parte final da redação da alínea ‘a’, estabelece como requisito para que os contribuintes sejam tributados pela CSLL sobre a base de 12% da receita bruta desde que atendam às normas da Vigilância Sanitária. O dispositivo é claro, não estabelece como critério, que para os contribuintes terem o direito ao beneficio de serem tributados pela CSLL sobre a base de 12% da receita bruta, somente com a apresentação do “alvará de saúde”, mas sim que atendam às suas normas. E nesse sentido, assim que requerido pela Receita Federal, a Manifestante imediatamente apresentou sua regularidade de funcionamento. Aliás, nesse aspecto não foi apontada nenhuma irregularidade por parte da Receita Federal. Se a Manifestante não estivesse cumprindo com as normas de saúde, não lhe seria expedido o alvará de regularidade de funcionamento. Ainda, para dirimir qualquer dúvida Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13005.902297/201536 Acórdão n.º 1201002.183 S1C2T1 Fl. 5 4 de que efetivamente estava regular perante a vigilância sanitária, foilhe expedido o Alvará de Saúde atestando o cumprimento das normas por parte da Manifestante desde sua constituição. Ademais, seria impossível à Manifestante não atender as normas de saúde previstas na Legislação, isso porque, realiza suas atividades junto ao Hospital Santa Cruz, local periodicamente analisado, seja por meio de órgão federal, estadual ou municipal. Portanto, não é legítimo, por parte da Fiscalização, não reconhecer que a Manifestante atende às normas de saúde, uma vez que está em exercício regular de sua atividade, fato esse atestado por meio da Secretaria da Saúde, através da expedição do Alvará de saúde. Nesse sentido, os nossos Tribunais em diversos julgados, rechaçam as exigências da Fiscalização que vão além do preceituado pelo Legislador Ordinário. O que importa é que o serviço prestado seja de natureza hospitalar, pois foi apenas essa a circunstância imposta pela Lei. Foi esse o entendimento do STJ no REsp nº 1.116.399, julgado pelo rito do Recurso Repetitivo, ao julgar a aplicação da alíquota de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido aos contribuintes prestadores de Serviços Hospitalares, oportunidade na qual consignou que os regulamentos emanados da Receita Federal não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei para a obtenção do benefício. Decisão da DRJ A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, conforme ementa abaixo: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 CSLL. SERVIÇOS HOSPITALARES. ALÍQUOTA DE 12%. LUCRO PRESUMIDO. NECESSIDADE DE ALVARÁ DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA. 1. Para utilizaação da alíquota no percentual de 12%, para apuração da base de cálculo sobre o lucro presumido da CSLL, é necessário que a empresa que presta serviços hospitalares seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa. 2. Como atendimento às normas da Anvisa deve ser entendido, dentre outros requisitos, que os serviços sejam prestados em ambientes desenvolvidos de acordo com a Resolução de Diretoria Colegiada Anvisa nº 50, de 2002, cuja comprovação deve ser feita mediante alvará expedido pelo órgão de vigilância sanitária competente." Recurso Voluntário Inconformada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual ratifica seu termos de defesa apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 13005.902297/201536 Acórdão n.º 1201002.183 S1C2T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.174, de 11/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13005.720774/2016 28, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou o direito creditório do contribuinte decorrente de pagamento indevido de IRPJ Lucro Presumido Código de Receita 2089, relativo a trimestres de apuração dos anoscalendário de 2011, 2012, 2013 e 2014. O presente processo referese à análise de direito creditório com origem em pagamento indevido de CSLL, relativo ao 2º trimestre/2011. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.174): "Admissibilidade O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos previstos legais, assim, merece ser apreciado. Mérito Em apertada síntese, o tema aqui tratado referese à possibilidade do Alvará da Vigilância Sanitária ou sua ausência definir a alíquota do IRPJ do Lucro Presumido a ser utilizada pelo contribuinte que presta serviços hospitalares, se de 8% ou 32%. A DRJ decidiu no sentido de que a ausência do citado alvará pressupõe que o contribuinte não atende as normas da ANVISA o que é um requisito previsto na Lei n. 9.249/95 para gozo da alíquota reduzida de 8%. O entendimento da DRJ me parece razoável. Contudo, seus efeitos devem ser avaliados. Conforme mencionado no relatório, no julgamento do Resp. nº 1.081.441, a 2ª Turma do STJ definiu o que são “serviços hospitalares” para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, in verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. ART. 15, § 1º, III, "A" DA LEI Nº 9.249/95. RADIOLOGIA, ULTRASSONOGRAFIA E DIAGNÓSTICO DE IMAGENS. INCLUSÃO NO Fl. 226DF CARF MF Processo nº 13005.902297/201536 Acórdão n.º 1201002.183 S1C2T1 Fl. 7 6 CONCEITO DE SERVIÇO HOSPITALAR. PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como "serviços hospitalares" aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. Precedente da Primeira Seção. 6. No caso, tratase de entidade que presta serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico por imagens dentro do Hospital Geral pertencente à Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande, que não possui esses serviços e, portanto, os terceiriza à recorrente. Não se está diante de simples consulta médica, mas de atividade que se insere, indubitavelmente, no conceito de "serviços hospitalares, já que demanda maquinário específico, geralmente adquirido por hospitais ou clínicas de grande porte. 7. A redução da base de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente hospitalar desempenhada pela recorrente especificamente a prestação de serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico de imagens excluídas as simples consultas e atividades de cunho administrativo. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 13005.902297/201536 Acórdão n.º 1201002.183 S1C2T1 Fl. 8 7 8. Recurso especial provido em parte. Em apertada síntese, decidiram os ministros do STJ que os serviços hospitalares são aqueles relacionados ás atividades desenvolvidas pelos hospitais e que tenham por finalidade a promoção da saúde da população. Posteriormente, a RFB publicou a IN n.1.234/12 que assim define os serviços hospitalares: “Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que dispõem de estrutura material e de pessoal destinados a atender à internação de pacientes humanos, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente humano, durante 24 (vinte e quatro) horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos.” Mais adiante, já no ano de 2015, foi publicada a Instrução Normativa n. 1.540/15 que assim dispõe: “Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde que desenvolvem as atividades previstas nas atribuições 1 a 4 da Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, da Anvisa” (NR) A Resolução RDC n. 50 da Anvisa, dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. Na mencionada resolução é possível perceber que o item 3 trata do Dimensionamento, Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes da Parte II Programação FísicoFuncional dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde da Resolução RDC nº 50/12. O atendimento à tais normas da Anvisa somente pode ser comprovado através da apresentação do alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal. No caso em tela, além de evidenciar a ora Recorrente que, de fato, presta serviços hospitalares, trouxe também documento que julgo de extrema importância e que já fora analisado pela DRJ que é o Alvará de Saúde emitido pela Secretaria Municipal Fl. 228DF CARF MF Processo nº 13005.902297/201536 Acórdão n.º 1201002.183 S1C2T1 Fl. 9 8 de Santa Cruz do Sul que comprova a regularidade de sua situação e por consequência o atendimento às normas da Anvisa: Contudo, a DRJ entendeu que não poderia acolher tal documento como elemento de prova, dado que foi emitido em 04/02/2016, posteriormente ao fato gerador em análise, ao passo que a Lei Estadual RS n° 6.503/1972 estabelece no §1º do art. 43 que o alvará a que se refere este artigo só terá validade durante o ano civil de sua concessão. É neste ponto que entendo que a Contribuinte perde seu argumento. Isso porque, ainda que defenda que do ponto de vista de essência já vinha prestando serviços hospitalares e que não o podia fazer se não estivesse regularizada, temos que do ponto de vista formal, a interpretação conjunta das normas acima mencionadas nos leva à conclusão de que a evidência de cumprimento das normas da Anvisa somente poderia ser feita por meio do respectivo alvará de vigilância sanitária e que o alvará apresentado é datado de 2016, produzindo efeitos, portanto, somente para este ano segundo a mencionada lei estadual. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 13005.902297/201536 Acórdão n.º 1201002.183 S1C2T1 Fl. 10 9 Aliás, o próprio alvará acima apresentado traz a previsão expressa de validade de 01 ano (válido até 03/02/17). Assim, entendo que para os anosbase não cobertos pelo alvará apresentado pelo Contribuinte, ora Recorrente, não há que se falar em alíquota presumida de 8% uma vez que não foram preenchidos os requisitos legais e formais para gozo de tal benefício, especificamente, o atendimento às normas da Anvisa cuja evidência restou falha em razão da ausência de alvará de vigilância sanitária para os anos ora em discussão. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto!" Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 230DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.906942/2009-53
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005
DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO.
A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindo-se em indício da certeza e liquidez do crédito tributário.
COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DE ERRO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Em pedido de compensação, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todos os documentos probatórios, para que a autoridade fiscal competente, ao examiná-los, lhe conferem liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3001-000.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora, juntamente com os documentos trazidos nestes autos a fim de lhe conferir liquidez e certeza à compensação requerida. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Renato de Avila Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães, Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindo-se em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DE ERRO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todos os documentos probatórios, para que a autoridade fiscal competente, ao examiná-los, lhe conferem liquidez e certeza do crédito pleiteado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora, juntamente com os documentos trazidos nestes autos a fim de lhe conferir liquidez e certeza à compensação requerida. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente. (assinado digitalmente) Renato de Avila Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães, Francisco Martins Leite Cavalcante.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindose em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DE ERRO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todos os documentos probatórios, para que a autoridade fiscal competente, ao examinálos, lhe conferem liquidez e certeza do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora, juntamente com os documentos trazidos nestes autos a fim de lhe conferir liquidez e certeza à compensação requerida. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 69 42 /2 00 9- 53 Fl. 122DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Renato de Avila Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães, Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Despacho Decisório Tratase de Dcomp apresentada com o fim de ver legitimada a compensação de crédito decorrente de pagamento a maior. Ao ser analisado, verificouse que os pagamentos localizados serviram de quitação para débitos regularmente constituídos pelo contribuinte. Desta forma, a compensação não foi homologada, cientificandose a contribuinte, que apresentou suas razões de inconformidade. Manifestação de Inconformidade Em sua defesa, a recorrente reconstruiu os eventos ocorridos, dentre os quais, merecem destaque, a origem do crédito posto em compensação e os meios de sua comprovação. Sinteticamente, houve a narrativa no sentido de configurar pagamento em duplicidade, no que se refere às retenções das contribuições (Pis, Cofins e Csl). Em que pese não ter realizado o destaque das retenções no momento da emissão da nota fiscal, a tomadora dos serviços efetivou as retenções devidas. Elaborou planilha explicativa da evolução do saldo credor a seu favor, demonstrando o pagamento em duplicidade dos valores devidos a título de retenção. Argumenta que retificou DCTF e DACON. Em preliminar, argumentou pela nulidade do Despacho Decisório, em face da ausência de motivação na denegação da compensação. Esta falta de fundamentação teria acarretado, segundo consta, restrição ao seu direito de defesa. No mérito, argumenta pela legalidade da compensação levada a efeito, em especial no artigo 170 do CTN. DRJ/BHE A defesa apresentada pela recorrente foi recebida pela mencionada Turma de Julgamento a qual procedeu à análise do caso conforme a ementa a seguir transcrita: Acórdão 0253.440 2 ª Turma ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13888.906942/200953 Acórdão n.º 3001000.431 S3C0T1 Fl. 123 3 Data do fato gerador: 31/08/2005 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Deve ser rejeitada a preliminar de nulidade, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar as fases ocorridas até o momento deste processo administrativo, é transcrito abaixo: DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 842069947 emitido eletronicamente em 09/06/2009, referente ao PER/DCOMP nº 33325.59699.270206.1.3.043001. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de COFINS, Código de Receita 2172, no valor original na data de transmissão de R$312,38, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 19/09/2005. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), Fl. 124DF CARF MF 4 art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório por meio de edital, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 11/09/2009, alegando que, no exercício fiscal de 2005, houve duplicidade de recolhimentos do PIS, Cofins e CSLL, uma vez que teria emitido nota fiscal sem destacar a retenção dos 4,65 % de impostos sobre prestação de serviços e o tomador de serviço – IPEF Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais – efetuou a retenção dos 4,65% referentes aos mencionados tributos. Após perceber o ocorrido, procedeu à regularização de acordo com o informe de rendimentos em anexo da IPEF e com a entrega da DCTF e PER/DCOMP. Alega que, segundo orientação do plantão fiscal, não mais poderia retificar o PER/DCOMP, e toda e qualquer alteração poderia ser feita mediante retificação da DCTF para alocação dos valores efetivamente corretos, líquidos e certos recolhidos aos cofres públicos em duplicidade. Assevera que foi elaborada planilha detalhando os pagamentos de PIS, Cofins e CSLL, tendo sido feita a inserção dos valores na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) referente ao anocalendário de 2005. O Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais Dacon do período foi retificado, o que corrobora com a assertiva do manifestante em ressaltar que esta quite com suas obrigações fiscais. Em preliminar, fazendo referência ao princípio da ampla defesa, salienta que, baseada na imposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) ao proceder ao Despacho Decisório impondo ao contribuinte cobrança de impostos sem expor o fundamento de seu débito, ou a não adequação ao PER/DCOMP em virtude de não haver em sua conta corrente saldo a ser compensado, tornouse nulo o ato administrativo praticado pelo Auditor Fiscal. No mérito, cita legislação pertinente à compensação de tributos. Ao final, requer total provimento da impugnação apresentada, para o fim de cancelar o despacho decisório e o débito fiscal reclamado. Requer ainda lhe seja fornecido o extrato da conta corrente da empresa para fins de elucidar possíveis créditos em sua conta corrente. Após o resumo fático, extraise, do corpo do voto, trechos que demonstram a fundamentação da improcedência da defesa em primeira instância administrativa, consubstanciada, resumidamente, em deficiência probatória por parte da defesa da contribuinte. A seguir: o direito ao aproveitamento do valor retido na fonte depende da comprovação de que a receita correspondente integrou a base de cálculo do tributo. Nesse ponto, a planilha elaborada pelo contribuinte e as retificações da DCTF e do Dacon não são suficientes para atestar que na base de cálculo declarada foi incluída a receita auferida pelo contribuinte pela prestação de serviços ao IPEF Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13888.906942/200953 Acórdão n.º 3001000.431 S3C0T1 Fl. 124 5 Recurso Voluntário Em sua defesa, a recorrente repisou o histórico apresentado na sua manifestação de inconformidade, em especial, o fato de ter realizado pagamento em duplicidade referente aos valores retidos a título de Pis, Cofins e CSL. Isto porque, não destacou, na emissão de suas notas fiscais, os valores a serem retidos por sua tomadora de serviços e, mesmo assim, esta reteve, corretamente, os valores a seu encargo. Provas Sob a alegação de insuficiência probante da documentação acostadas neste processo administrativo, alega que as notas fiscais foram juntadas no momento da apresentação de sua manifestação de inconformidade, mas que, não foram localizadas. Por este motivo, atribuído à Administração Pública requer a juntada da documentação. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator O presente recurso voluntário insurgese em face da não homologação da compensação. Em sua defesa, trouxe o argumento da ocorrência de pagamento a maior, em função do recolhimento em duplicidade dos valores devidos a título de retenções do Pis e Cofins. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos: pagamento em duplicidade das retenções. Admissibilidade do Recurso O recurso é tempestivo. Sobre os argumentos trazidos no recurso, tomo conhecimento total. Declaro parte não contestada da decisão guerreada, os trechos referente à nulidade do despacho decisório por deficiência na fundamentação do ato administrativo, excluindo da análise, portanto, o argumento do cerceamento ao direito defesa. Fundamentos Legais Invocados IN 482/04 Dispõe sobre a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Fl. 126DF CARF MF 6 Art. 9º Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna Da Retificação da DCTF Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração DOS FATOS O crédito decorre, segundo argumenta, do pagamento em duplicidade dos valores devidos a título de retenção, pelo tomador de serviços, de suas prestadora, no caso, a recorrente. Isto porque, a contribuinte declara não ter havido, em suas notas fiscais, as devidas retenções dos tributos aqui discutidos. Desta forma, ao apurar os tributos daquela competência, incluiu o valor total de emissão de nota fiscal, sem considerar as retenções que, de fato, reduziu sua receita. Isto pelo fato de, ao mesmo tempo, a tomadora dos serviços, em que pese a ausência de destaque das retenções, no momento de emissão da documentação fiscal, efetivou, corretamente, o pagamento dos préstimos com o desconto das devidas retenções. Desta forma, extinguiu a obrigação tributária sobre o valor retido. Em tendo a contribuinte, inadvertidamente, incluído em sua base de cálculo, a totalidade das receitas, conforme as notas fiscais emitidas, incorre, sem dúvidas, no pagamento em duplicidade. Temse dos autos, que o fato gerador, conforme informações constante na Dcomp fls. 20, cuja data de ocorrência é maio de 2005 Na ocorrida seqüência fática, a contribuinte relata ter reavaliado apuração dos tributos, verificando a indevida inclusão na base de cálculo, dos valores anteriormente retidos. Mister salientar ser incontroverso o recolhimento da parte retida à autoridade fazendária, conforme extrato retirado do corpo do acórdão prolatado em primeira instância (fls. 31) Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13888.906942/200953 Acórdão n.º 3001000.431 S3C0T1 Fl. 125 7 Certo da indevida inclusão dos valores recolhidos, em 2006, efetivou a mencionada Dcomp. Consoante relatado, houve emissão de despacho decisório eletrônico cujo conteúdo houve por bem indeferir o pedido de compensação efetivado. O motivo, foi a constatação, através da verificação de seus controles internos, a existência e vinculação de débito devidamente informado pela própria contribunte em DCTF originária. Isto posto, conforme se denota da relação de DCTF´s ativas, canceladas, originais e retificadoras, constante em fls. 17 destes autos, a recorrente, logo após a ciência do Despacho Decisório, emitiu a DCTF retificadora. Neste diapasão, não custa relembrar a decisão ora guerreada, fundamentada na ausência de comprovação, vez que julgou pela ausência de capacidade probatória, a planilha acostada em fls. 14, cujo motivo de existência, é demonstrar a evolução dos saldos a seu favor, em decorrência do já mencionado pagamento indevido. Por este motivo, a recorrente trouxe aos autos conjunto de notas fiscais sem o destaque das retenções realmente efetivadas, indicando forte indício da ocorrência do erro material alegado. DA NULIDADE DO JULGAMENTO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA Encontrase assente nesta turma extraordinária, o entendimento no qual a DCTF retificadora, e seus correspondentes fundamentos documentais, sob força do princípio da busca pela verdade material, devem ser analisados por força do artigo 9.º da IN 482/04, que dispõe sobre as regras aplicáveis à DCTF. Fl. 128DF CARF MF 8 Ao indicar o comando regulatório que prevê a necessidade de auditoria interna, nos dados constantes em DCTF, expressamente determina a vinculação da entidade fazendária, a verificar os dados transmitidos da DCTF retificadora de forma minuciosa, a fim de verificar a efetiva ocorrência do erro. Ao que se denota, do acórdão em primeira instância, limitase o colegiado a repudiar a capacidade comprobatória da DCTF retificadora,vez que sua tarefa, seria verificar tal planilha a fim de lhe conferir liquidez. A orientação trazida com o julgamento nesta Turma Extraordinária cujo resultado foi o acórdão 3001000.209, com ementa a seguir transcrita, indica a possibilidade de apresentação de DCTF após a prolação do competente despacho decisório, sendo que, uma vez constatado o erro material, develhe ser oportunizado o exames de todos os documentos comprobatórios. Seguese: DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindose em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DE ERRO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todos os documentos probatórios, para que a autoridade fiscal competente, ao examinálos, lhe conferem liquidez e certeza do crédito pleiteado. É salutar trazer a tona, trechos do voto vencedor do Conselheiro Cássio Schappo, que, em caso análogo, demonstra a necessidade das informações prestadas em sede de DCTF retificara passarem pelo crivo de autoridade competente: Me parece, apesar de dupla retificação de DCTF, diante de todos os argumentos e provas carreadas aos autos, que não foram objeto de análise pela unidade de origem, por prudência serem auditados por autoridade fiscal competente. Na seqüência, conclui o voto vencedor, cuja didática e precisão, ao argumentar pela essencialidade de apreciação das informações prestadas em DCTF, sob pena de indevida supressão de instância, torna obrigatória a transcrição: o princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, na busca da verdade real no processo administrativo tributário, é cabível oportunizar à Recorrente uma melhor análise pela unidade de origem quanto ao crédito pleiteado. Ademais, não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: "Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". De se observar que procedimento algum fora realizado em relação à apuração dos valores da compensação, sejam débitos ou créditos. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13888.906942/200953 Acórdão n.º 3001000.431 S3C0T1 Fl. 126 9 Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que a unidade de origem aprecie as DCTFs retificadoras, juntamente com os demais documentos e provas carreadas aos autos e lhe confira liquidez e certeza para a realização da compensação requerida. Salientase, ainda, a existência do precedente CSRF no acórdão nº 9303005.396, DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindose em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. Tendo sido o único motivo de indeferimento da compensação e ignorados os seus efeitos pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, há de ser acolhida e determinado novo exame da compensação pela Autoridade Fiscal. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer totalmente do recurso, e no mérito dar lhe parcial provimento, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora, juntamente com os documentos trazidos nestes autos a fim de lhe conferir liquidez e certeza à compensação requerida. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13804.002073/99-27
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC.
Não existe previsão legal para incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da correção monetária com base na taxa Selic só é possível em face das decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao aproveitamento de referidos créditos.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL.
A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência.
Numero da decisão: 9303-006.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para determinar a incidência da Taxa Selic a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento posteriores ao Despacho Decisório, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Não existe previsão legal para incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da correção monetária com base na taxa Selic só é possível em face das decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao aproveitamento de referidos créditos. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para determinar a incidência da Taxa Selic a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento posteriores ao Despacho Decisório, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Não existe previsão legal para incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da correção monetária com base na taxa Selic só é possível em face das decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao aproveitamento de referidos créditos. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para determinar a incidência da Taxa Selic a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento posteriores ao Despacho Decisório, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 20 73 /9 9- 27 Fl. 717DF CARF MF Processo nº 13804.002073/9927 Acórdão n.º 9303006.995 CSRFT3 Fl. 3 2 vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto Fazenda Nacional contra decisão tomada no Acórdão nº 3201002.028, de 29 de janeiro de 2016 (efolhas 630 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS. E COOPERATIVAS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, por força do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. A aquisição de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem de pessoas físicas e cooperativas integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363/96. No ressarcimento/compensação do crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização Fl. 718DF CARF MF Processo nº 13804.002073/9927 Acórdão n.º 9303006.995 CSRFT3 Fl. 4 3 monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido. Sentença proferida no Superior Tribunal de Justiça em 13/12/2010, no REsp 993164, julgado nos termos do art. 543C do CPC. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RELAÇÃO PERCENTUAL ENTRE RECEITA DE EXPORTAÇÃO SOBRE RECEITA OPERACIONAL BRUTA. VENDAS PARA O EXTERIOR DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS. INCLUSÃO. É lícita a inclusão na receita de exportação, das vendas para o exterior de mercadorias nacionais adquiridas de terceiros. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. A opção pela apuração centralizada do Crédito Presumido de IPI, no estabelecimento matriz, deve incluir nos cálculos do beneficio a receita operacional bruta e a receita de exportação de todos os estabelecimentos da empresa, no período em questão. Recurso Voluntário Provido A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 643 e segs) diz respeito à incidência da Taxa de juros Selic sobre o valor do pedido de ressarcimento do Crédito Presumido do IPI. Requer (i) seja afastada a incidência da Taxa Selic sobre pedido de ressarcimento; ou caso assim não se entenda, (ii) seja rejeitada a incidência da Taxa Selic no período anterior à data da ciência do primeiro ato administrativo de oposição estatal ao pleito do contribuinte, ou ainda seja considerado como parâmetro a data de emissão desse ato; (iii) não prosperando as teses anteriores, seja aplicada a Taxa Selic a partir do término do prazo de 360 dias contados da data do protocolo do pedido de ressarcimento sobre os valores que foram objeto de indeferimento por ilegítima oposição estatal constante da IN/SRF nº 23/1997; (iv) que a incidência da Selic seja restrita aos créditos que foram objeto de Fl. 719DF CARF MF Processo nº 13804.002073/9927 Acórdão n.º 9303006.995 CSRFT3 Fl. 5 4 oposição injustificada pelo Fisco, configurada apenas em relação ao crédito relativo às aquisições de insumos a pessoas físicas e cooperativas. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 660 e segs. Contrarrazões do contribuinte às efolhas 671 e segs. Defende a manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. Mérito A questão da atualização monetária, pela Taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, tem rendido inúmeras discussões, tanto na esfera administrativa como judicial. A verdade é que não há previsão legal para o seu reconhecimento na análise dos pedidos administrativos. Vêse que, no âmbito das turmas de julgamento do CARF, tem se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, nos REsp nº 1.035.847 e no REsp nº 993.164. Ambos julgados estabeleceram que é devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco. Portanto, sem dúvida, o reconhecimento da incidência da aplicação da Taxa Selic nos processos de ressarcimento decorre de uma construção jurisprudencial e não por disposição expressa da Lei. Vêse que o STJ nos dois julgados acima citados reconhece expressamente a falta de previsão legal a autorizar tal incidência. Vejamos o que dispuseram referidos julgados: Fl. 720DF CARF MF Processo nº 13804.002073/9927 Acórdão n.º 9303006.995 CSRFT3 Fl. 6 5 REsp 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. REsp nº 993.164: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA Fl. 721DF CARF MF Processo nº 13804.002073/9927 Acórdão n.º 9303006.995 CSRFT3 Fl. 7 6 VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Concluise que a oposição ilegítima por parte do Fisco, ao aproveitamento de referidos créditos, permite que seja reconhecida a incidência da correção monetária pela aplicação da Taxa Selic. Porém, da leitura que se faz, para a incidência da correção que se pretende, há que existir necessariamente o ato de oposição estatal que foi reconhecido como ilegítimo. Fl. 722DF CARF MF Processo nº 13804.002073/9927 Acórdão n.º 9303006.995 CSRFT3 Fl. 8 7 No âmbito do processo administrativo de pedidos de ressarcimento tem se que estes atos administrativos só se tornam ilegítimos caso seu entendimento seja revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Portanto somente sobre a parcela do pedido de ressarcimento que foi inicialmente indeferida e depois revertida é que é possível o reconhecimento da incidência da Taxa Selic. Tudo isso por força do efeito vinculante das decisões do STJ acima citadas e transcritas. Porém resta uma discussão quanto ao prazo inicial da incidênca da Taxa Selic. No CARF, a grande maioria das decisões dividemse em duas vertentes. A primeira que a aplicação da correção darseia somente a partir da edição do Despacho Decisório, pela autoridade administrativa da DRF de origem, que teria denegado parte ou integralmente o pedido. A justificativa desta primeira tese seria no sentido de que só a partir daí é que teria nascido o ato ilegítimo a permitir a aplicação dos repetitivos do STJ. A segunda vertente é reconhecer a aplicação da correção monetária desde a data do protocolo do pedido, hipótese que até então estava sendo adotada por este relator e pela própria CSRF. Entretanto, refletindo melhor sobre a matéria, penso que não existe base legal e nem comando vinculante de nossos tribunais a autorizar nenhuma dessas duas hipóteses, sobretudo a segunda, referente à incidência da correção monetária desde a data do protocolo do pedido. Essa hipótese permite uma correção monetária integral que nunca foi permitida do ponto de vista legal e, smj, nem pela interpretação dos referidos julgados. Entendo que a melhor interpretação está vinculada ao que dispôs o próprio STJ, também em sede de recurso repetitivo, no REsp nº 1.138.206, abaixo transcrito com destaques: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a Fl. 723DF CARF MF Processo nº 13804.002073/9927 Acórdão n.º 9303006.995 CSRFT3 Fl. 9 8 todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, DJe 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; REsp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.º 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do Fl. 724DF CARF MF Processo nº 13804.002073/9927 Acórdão n.º 9303006.995 CSRFT3 Fl. 10 9 protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Concluise da leitura acima, que o STJ determinou a aplicação do art. 24 da Lei nº 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência. Assim, manifestouse de forma vinculante que o prazo razoável para duração do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, e não há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado na lei. Importante ressaltar que referido julgado não dispõe absolutamente nada sobre incidência de correção monetária ou aplicação da taxa Selic nos processos de ressarcimento. Portanto, como não há previsão legal para incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento, o seu reconhecimento em sede dos julgados administrativos deve ser erigido a partir da interpretação do que se construiu nos julgados do STJ com efeitos vinculantes. Fl. 725DF CARF MF Processo nº 13804.002073/9927 Acórdão n.º 9303006.995 CSRFT3 Fl. 11 10 Portanto, para reconhecimento da incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento de IPI, devemos partir de duas premissas: 1) existe ato administrativo que indeferiu de forma ilegítima parcial ou integralmente o pedido? e 2) o trânsito em julgado da decisão administrativa ultrapassou os 360 dias? A resposta positiva para as duas premissas importa em reconhecer a incidência da taxa Selic somente para os créditos indeferidos de forma ilegítima, cujo termo inicial da incidência da correção somente poderá ser contado a partir dos 360 dias do protocolo do pedido. Esta conclusão coadunase com a aplicação do princípio da igualdade. Veja que se o processo for deferido em 359 dias, o contribuinte não receberá qualquer ajuste monetário e caso seja deferido em 361 dias haveria incidência integral desta correção. Parece me um casuísmo não pretendido, a justificar a interpretação de que esta correção monetária só seria aplicada a partir de 360 dias do protocolo do pedido e, desde que exista um ato administrativo que teria sido considerado ilegítimo, assim considerado aquele cujo entendimento foi revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Neste sentido, voto por dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para determinar a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento posteriores ao Despacho Decisório. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 726DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11624.720209/2012-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008, 2009, 2010
Ementa:
ITR. VTN. NÃO COMPROVAÇÃO.
Constatada - pelo Fisco - a flagrante subavaliação do VTN utilizado pelo contribuinte, a este cabe a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica - ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, com vistas a contrapor o valor obtido no SIPT.
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. APRESENTADO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL
É valido para comprovação das APP, o ADA apresentado intempestivamente, desde que protocolizado antes de o inicio da ação fiscal.
ITR. RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO.
Uma vez comprovada a existência, sua averbação à margem do registro do imóvel na data do fato gerador, bem como sua informação em ADA apresentado tempestivamente, há de se autorizar o aproveitamento, como dedução, da reserva legal declarada na respectiva DITR.
Numero da decisão: 2402-006.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para restabelecer as deduções das áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente. Vencido Denny Medeiros da Silveira que deu provimento parcial somente para restabelecer a dedução das Áreas de Reserva Legal nas DITR/2009 e DITR/2010.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2008, 2009, 2010 Ementa: ITR. VTN. NÃO COMPROVAÇÃO. Constatada - pelo Fisco - a flagrante subavaliação do VTN utilizado pelo contribuinte, a este cabe a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica - ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, com vistas a contrapor o valor obtido no SIPT. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. APRESENTADO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL É valido para comprovação das APP, o ADA apresentado intempestivamente, desde que protocolizado antes de o inicio da ação fiscal. ITR. RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. Uma vez comprovada a existência, sua averbação à margem do registro do imóvel na data do fato gerador, bem como sua informação em ADA apresentado tempestivamente, há de se autorizar o aproveitamento, como dedução, da reserva legal declarada na respectiva DITR.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para restabelecer as deduções das áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente. Vencido Denny Medeiros da Silveira que deu provimento parcial somente para restabelecer a dedução das Áreas de Reserva Legal nas DITR/2009 e DITR/2010. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
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VTN. NÃO COMPROVAÇÃO. Constatada pelo Fisco a flagrante subavaliação do VTN utilizado pelo contribuinte, a este cabe a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, com vistas a contrapor o valor obtido no SIPT. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. APRESENTADO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL É valido para comprovação das APP, o ADA apresentado intempestivamente, desde que protocolizado antes de o inicio da ação fiscal. ITR. RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. Uma vez comprovada a existência, sua averbação à margem do registro do imóvel na data do fato gerador, bem como sua informação em ADA apresentado tempestivamente, há de se autorizar o aproveitamento, como dedução, da reserva legal declarada na respectiva DITR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para restabelecer as deduções das áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente. Vencido Denny Medeiros da Silveira que deu provimento parcial somente para restabelecer a dedução das Áreas de Reserva Legal nas DITR/2009 e DITR/2010. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 62 4. 72 02 09 /2 01 2- 14 Fl. 170DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra o contribuinte (espólio) foi lavrado Auto de Infração para constituição do ITR, exercícios 2008, 2009 e 2010 no valor principal de R$ 124.031,48, R$ 169.139,04 e R$ 123.962,64, respectivamente, acrescidos de multa de ofício (75%) e juros legais (Selic), relativo ao NIRF 0.337.0445 FAZENDA CANOA FURADA. Foram apuradas as seguintes infrações em ambos os exercícios: 1 Área de Preservação Permanente não comprovada; 2 Área de Reserva Legal não comprovada; 3 VTN declarado não comprovado; e 4 Áreas Ocupadas com Benfeitorias e Produtos Vegetais não comprovadas. Regulamente intimado do lançamento, apresentou Impugnação, que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ fls. 123/129. Em seu Recurso Voluntário de fls. 140/164 aduz, em resumo: 1 Que o laudo técnico apresentado demonstra a existência de ARL e APP no imóvel em questão. Não obstante, teria sido desconsiderado pela autoridade autuante, vez que não teria apresentado elementos hábeis que demonstrassem a metodologia aplicada na determinação destas áreas. No entanto, não teria dito qual é a metodologia a ser utilizada, limitandose a mencionar a Resolução Conama nº 303/2002, e alínea "e" do art. 2º da Lei nº 4.77165. Que a área do imóvel estaria integralmente inserida na APA de Guaratuba localizada na Serra do Mar, que foi criada pelo Decreto Estadual PR n° 1234 de 27 de março de 1992 e que também está dentro do Parque Marumbi ou Área de Especial Interesse Turístico do Marumbi, criada através da Lei Estadual PR n” 7389 de 12 de novembro de 1980 e, sendo assim, referidas áreas estariam protegidas, posto que não poderiam ser exploradas a não ser com fins de preservação ambiental e turística; e Fl. 171DF CARF MF Processo nº 11624.720209/201214 Acórdão n.º 2402006.225 S2C4T2 Fl. 3 3 2 Que o VTN considerado no lançamento, infundado e inconseqüente, decorreu de uma valor de terras que é varias vezes maior do que o negociado quando da aquisição do imóvel. Que não se trataria de terras mistas inaproveitáveis e si de área de preservação formada por manguezais, morros, serras, montanhas, enfim topografia exageradamente acidentada, servindo de abrigo de animais silvestres e florestal protegidos pela legislação comercial e que não em valor comercial, apenas preservação natural e permanente. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 06.08.2014 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 22.08.2014. Observados os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. Consoante se denota do demonstrativo de apuração do ITR devido, a Fiscalização promoveu alterações na DITR do contribuinte no que toca às áreas: de preservação permanente, de reserva legal, ocupadas por Produtos Vegetais e com Benfeitorias, além de no valor total do imóvel e sobre tais assuntos se desenvolverá a análise a seguir. Vejamos: As alterações promovidas de ofício pelo lançamento trazem repercussão direta na base imponível e alíquota do tributo. Fl. 172DF CARF MF 4 Glosa das Áreas de Preservação Permanente APP e Reserva Legal ARL. Prosseguindo na análise, o § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, que deve ser aplicado em sua literalidade por força do artigo 111 do CTN1, elenca as áreas que podem ser deduzidas da área tributável para fins de apuração do ITR. Vejamos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal.(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) 1 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. (...) Fl. 173DF CARF MF Processo nº 11624.720209/201214 Acórdão n.º 2402006.225 S2C4T2 Fl. 4 5 As áreas de preservação permanente APP, consoante definidas na Lei 4.771/65, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas, podem ser classificadas como legais (art. 2º) e administrativas (art. 3º). Quanto às primeiras, as legais, temos as florestas e demais formas de vegetação natural situadas próximas a fontes de recursos hídricos e a relevos com importância a preservação dos eco sistemas, tais como: i) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal; ii) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; iii) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; iv) no topo de morros, montes, montanhas e serras; v) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; e vi) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues. Por sua vez, as APP administrativas, declaradas por ato do poder público, são as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. Percebese que há uma evidente diferença entre as duas espécies de APP. Enquanto que para as legais, já determinadas no diploma legal, a finalidade é intrínseca ao que se propõe a lei; para as administrativas, a finalidade a ser alcançada pelo administrador público está textualmente prevista nas alíneas daquele artigo 3º. Assim, indubitavelmente, a ação do poder público tornase imprescindível para a constituição dessas APP administrativas. Frisese que a supressão total ou parcial dessas áreas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Por seu turno, ainda de acordo com o diploma encimado, as reservas legais são áreas localizadas no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessárias ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção Fl. 174DF CARF MF 6 de fauna e flora nativas, cuja vegetação não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos. Devem ser averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, após aprovada sua localização pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada (§ § 4º e 8º do artigo 16 da Lei 4.771/65). A obrigatoriedade da aprovação acima citada foi introduzida na lei de regência, por conta da MP 2.16667/2001. Veja, a obrigatoriedade de se ter aprovada a localização da ARL pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada está diretamente relacionada à vedação a que se constitua reserva legal sobre área de preservação permanente, já dedutível, observadas as exigências legais, na apuração do imposto. Com isso, tendese a evitar a utilização da mesma área, por mais de uma vez, como dedução do ITR. Assim, podese resumir: APP Pode haver a supressão, quando assim determinar o interesse público; ARL Não pode haver a supressão, mas somente sua utilização em regime de manejo florestal sustentável. E, por fim, naquilo que interessa ao caso, temos as áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que, destacase: ampliem as restrições de uso previstas para as APP e ARL. Em outras palavras: ainda que haja ato do poder público que declare determinada área como de interesse ecológico, caso não haja a imposição de efetivas restrições de uso que ampliem aquelas previstas para as APP e ARL, ou seja, restrições além do manejo sustentável, tenho que sua dedução, da área tributável pelo ITR, não possui suporte legal. Confirase. ITR ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DECLARADA DE INTERESSE ECOLÓGICO NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Para que não se tribute pelo Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR a área de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, deve ser comprovada a ampliação às restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e reserva legal, ou seja, restrições além do manejo sustentável. Acórdão nº 9202003.051 – Sessão de 12 de fevereiro de 2014 ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. Para que as Áreas de Interesse Ecológico para a proteção dos ecossistemas sejam isentas do ITR, é necessário que sejam assim declaradas por ato específico do órgão competente, federal ou estadual, e que estejam sujeitas a restrições de uso superiores àquelas previstas para as áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente. O Fl. 175DF CARF MF Processo nº 11624.720209/201214 Acórdão n.º 2402006.225 S2C4T2 Fl. 5 7 fato de o imóvel rural encontrarse inserido em zoneamento ecológico, por si só, não gera direito à isenção ora tratada. Acórdão nº 9202004.576 – Sessão de 24 de novembro de 2016 Reforçase: para efeito de exclusão do ITR, a Área de Interesse Ecológico deve ser assim declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. Quer dizer com isso, que a área declarada em caráter geral não satisfaz, por si só, a condição legal para sua dedutibilidade. Portanto, se o imóvel rural estiver dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. O reconhecimento dessas áreas depende de ato específico, por imóvel, expedido pelo Ibama (Ato Declaratório Ambiental – ADA). Prosseguindo, a alínea "e" do inciso II, § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, com a redação dada pela lei 11.428/2006, autorizou a dedução, a partir de 01.01.2007, das áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração. Notese que áreas cobertas por florestas nativas secundárias em estágio inicial de regeneração não foram contempladas pelo dispositivo.2 Malgrada a digressão acima, seja qual for a área que, ao amparo do inciso II, do § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, se pretenda expurgar daquela tributável pelo ITR, o fato é que ela deve constar consignada no competente Ato Declaratório Ambiental ADA, conforme preconiza o artigo 17O da Lei 6.938/81, com a redação dada pela Lei 10.165/2000. Confirase. Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. Por sua vez, o Ato Declaratório Ambiental – ADA é um instrumento legal que possibilita ao Proprietário Rural uma redução do Imposto Territorial Rural – ITR, em até 100%, sobre a área efetivamente protegida, quando declarar no Documento de Informação e 2 http://www.fundacaofia.com.br/gdusm/florestas_estagios.htm Fl. 176DF CARF MF 8 Apuração DIAT/ITR, Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural, Interesse Ecológico, Servidão Florestal ou Ambiental, áreas cobertas por Floresta Nativa e áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas. É documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sobre estas últimas. Deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis rurais obrigados à apresentação do ITR. O texto legal encimado evidencia uma atuação conjunta de órgãos autônomos no sentido de manter o controle em relação à desoneração tributária. Ademais, prevê a necessidade de pagamento de uma taxa de vistoria, a qual, em sendo realizada, e não se confirmando a existência das áreas excluídas de tributação, poderá ensejar o lançamento de ofício do tributo, sendo inequívoco que o ADA é obrigatório para aqueles que desejam se beneficiar da redução do tributo devido a título de ITR. É dizer: é instrumento eleito pelo legislador para controle, integração de órgãos e fonte de custeio da atividade de vistoria, questões absolutamente indispensáveis ao acompanhamento do cumprimento dos preceitos da legislação relativos à limitação da utilização de tais áreas, bem assim da correção no gozo da benesse fiscal. Nesse contexto, o legislador estabeleceu a forma que entendeu adequada para promover tal controle e fiscalização, não sendo possível a este Conselho deixar de aplicar comando legal válido e vigente apenas pela eventual convicção de que tal atividade poderia ser levada a termo de outra forma. Reprisese. Não há esforço interpretativo que, a partir da literalidade da frase "a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória", possa ser capaz de concluir pela desnecessidade da obrigação imposta pelo legislador. É entendimento corrente neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, com o advento da lei 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/00, é obrigatória a apresentação do ADA protocolado junto ao IBAMA. Situação diversa da verificada em períodos anteriores ao ano de 2001, como se depreende da Súmula Carf. nº 41, segundo a qual, “a não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. No caso em tela, o que se vê é a utilização da função extrafiscal do tributo, mediante sua aplicação como instrumento de política ambiental, estimulando a preservação ou recuperação da fauna e da flora em contrapartida a uma redução do valor devido a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Contudo, a legislação impõe requisitos para gozo de tais benefícios, os quais variam de acordo com a natureza de cada hipótese de exclusão do campo de incidência do tributo e das limitações que cada situação impõe ao direito de propriedade. Voltando às reservas legais, caso de fato existentes, há que se observar, cumulativamente, o preenchimento dos dois requisitos a seguir: sua averbação junto à matrícula do imóvel previamente ao exercício em que dela se pretenda usufruir, após aprovação do local pelo órgão ambiental e sua informação no ADA protocolizado no IBAMA, no prazo estabelecido em norma regulamentar. 3 3 Artigo 9º, § 3º, I da IN SRF 256/2002. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 11624.720209/201214 Acórdão n.º 2402006.225 S2C4T2 Fl. 6 9 Em suma: a existência das ARL, APP, áreas cobertas pro floresta nativa ou qualquer outra especificada naquele inciso II, § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96, por si só não assegura ao contribuinte a não tributação das áreas s que se refere. Há de se cumprir as exigências legais. Notem por sua vez, que os prazos acima destacados não se tratam de mera formalidade ou desprovidos de propósito razoável. Vejamos: Se por um lado é indubitável que as ARL devem ser averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, por outro, o que se questiona é se tal providência pode ser efetivada a qualquer tempo. Tenho que não. Tal averbação é condição legal para que o sujeito passivo possa, a rigor, se valer de tal isenção e não ter contra si constituído o crédito tributário a ela relacionada. Logo, todas as circunstâncias constitutivas 4 e fatos devem estar perfeitamente configurados à data do fato gerador da obrigação principal. E mais, a averbação em registro próprio possibilita a determinação dos limites e localização das ARL, viabiliza o efetivo controle de sua manutenção pelo poder público, além de dar publicidade de seus contornos à eventuais adquirentes da propriedade. Seria, a grosso modo, uma via de mão dupla. Assim dispõe o § 1º do artigo 12 do Decreto 4.382/2002, de obediência obrigatória por este colegiado: Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal; § 1º Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. Já no que toca ao prazo para o protocolo do ADA, da mesma forma de evidente obrigatoriedade legal, veja que está relacionado á viabilidade do exercício do poder de polícia a cargo do IBAMA. Admitir o protocolo a qualquer tempo conduzira, por óbvio, ao inegável prejuízo no exercício da atividade estatal, já que poderia não mais dispor de tempo hábil à tomada de eventuais providências no âmbito do lançamento de oficio do ITR. Esvaziaria, assim entendido, o propósito legal. Na mesma linha, o inciso I do § 3º do artigo 10 daquele Decreto 4.382/2002 estabelece: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente; II de reserva legal; 4 o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Fl. 178DF CARF MF 10 III de reserva particular do patrimônio natural; IV de servidão florestal; V de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput deste artigo; VI comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual.. § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo; E II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. § 4º O IBAMA realizará vistoria por amostragem nos imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos previstos no § 3º e, caso os dados constantes no Ato não coincidam com os efetivamente levantados por seus técnicos, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, que apurará o ITR efetivamente devido e efetuará, de ofício, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis. Nesse diapasão, em atenção à parte final daquele inciso I do parágrafo 3º acima, a Instrução Normativa SRF nº 256/2002, que é, na forma do artigo 100 do CTN, norma complementar das leis e, portando, de observância obrigatória por todos os contribuintes, estabelece em seu artigo 9º, o prazo para a apresentação do referido ADA, para fins do seu aproveitamento em matéria tributária. Reforçase: não se trata de criar tributo ou mesmo restringir/limitar o exercício do direito do contribuinte, que se deu por força da lei 9.393/96 e artigo 17O da Lei 6.938/81, mas sim de regulamentar seu exercício. Em outras palavras: para se valer dessa isenção condicionada, seu cumprimento deve se dar de forma a efetivamente Fl. 179DF CARF MF Processo nº 11624.720209/201214 Acórdão n.º 2402006.225 S2C4T2 Fl. 7 11 assegurar ao Estado, por meio de seu órgão ambiental, a possibilidade de se aferir o escorreito enquadramento da área a ele declarada e que pretende ver excluída da apuração do ITR. Assim, não resta dúvida que para fins de exclusão da área tributável, aquelas áreas deverão ser obrigatoriamente informadas em ADA, protocolado pelo sujeito passivo no IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo. É o que exige o Decreto 4.382/2002, de observância obrigatória por este colegiado, a teor do artigo 62 do RICARF. Conforme se extrai do excerto abaixo, que constou do voto vencedor no acórdão 9202005753, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a jurisprudência neste Conselho consolidouse no sentido de aceitar o ADA protocolizado até o início da ação fiscal. Confirase: É certo que, no caso da Área de Preservação Permanente (APP), tratase de acidentes geográficos já existentes na natureza, porém a exclusão da tributação desta área ambiental não está condicionada à criação da área e sim da sua preservação, como a própria denominação está a indicar. Como o lançamento se reporta à data de ocorrência do fato gerador do tributo (art. 144 do CTN) e, no que tange ao ITR, este foi fixado em 1º de janeiro (art. 1º da Lei nº. 9.393, de 1996), é claro que a fruição do benefício está condicionada à preservação à época do fato gerador. Nesse passo, a Receita Federal, utilizandose da prerrogativa de regulamentar a forma e os prazos para cumprimento de obrigações acessórias, estabeleceu o prazo de seis meses após a data de entrega da DITR, para que o Contribuinte providencie o protocolo do ADA. E tratandose de declarar algo que a priori já existiria na natureza, este Colegiado consolidou a jurisprudência no sentido de aceitarse o ADA protocolado antes do início da ação fiscal, em respeito à espontaneidade do Contribuinte. Não retrata, com a devida venia, o entendimento deste relator. Não seria razoável imaginar que tal informação pudesse ser prestada em data, por exemplo, próxima a da ação fiscal, porquanto a potencial vistoria pelo órgão ambiental não observaria, decerto, o lustro legal para a constituição do imposto, fosse o caso. Da mesma forma, supor que a atividade de polícia, legalmente exigida e que traria certa segurança ao considerar isentas aquelas áreas, possa ser substituída pela exclusiva atuação privada (por meio de laudos técnicos), não me parece atender ao interesse público. No mesmo sentido, como bem destacado no voto acima parcialmente colacionado, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas, conforme estabelece a lei, em determinados locais do imóvel, são de PRESERVAÇÃO PERMANENTE existentes a época do fato gerador do tributo, consoante preceitua o inciso II do § 3º do artigo 10 do Decreto 4.382/2002. Vale dizer: as florestas e demais formas de vegetação natural devem estar em permanente preservação, sobretudo na data do fato gerador. Dito isso, como se aferir tal Fl. 180DF CARF MF 12 circunstância pelo órgão de controle ambiental, admitindose a apresentação do ADA em data significativamente distante da do fato gerador do tributo ? Em outras palavras, haveria como o IBAMA empreender alguma vistoria eficaz a partir de um ADA apresentado após 4 anos do exercício a que se referem as informações nele prestadas, ainda que tenha sido entregue antes de o início da ação fiscal ? Não basta que no imóvel exista rios ou qualquer outro curso d´água, lagoas ou reservatórios de d´ água naturais ou artificiais, topo de morros, montes ou serra, fazse necessário, aí sim, que nesses locais efetivamente haja floresta ou demais formas de vegetação natural permanentemente preservadas. Da mesma forma, não se pode imaginar que a dispensa à prévia comprovação, por parte do declarante, no que toca às APP e ARL declaradas para fins de isenção do ITR, consoante estabelece o § 7º do artigo 10 da L. 9.393/96, o estaria desincumbindo da obrigação legal imposta pelo § 1º do artigo 17O da Lei 6.938/81. Longe disso. Uma coisa é a desnecessidade da prévia apresentação da comprovação das áreas quando da entrega da DITR; outra, a obrigatoriedade de que tais informações sejam prestadas tempestivamente ao IBAMA, por meio do competente ADA e ao Fisco, quando intimado por autoridade competente no exercício de seu dever funcional. E veja, o parágrafo 7º encimado foi originalmente introduzido ao artigo 10 da Lei 9.393/96 por meio da Medida Provisória 1.95650/2000, de 26.05.2000, ao passo que aquele que impõe a obrigatoriedade do ADA, por meio da posterior Lei 10.165/2000 de 27.12.2000. Com isso, considerando o período em que ambos vigeram não há, a meu ver, como entender que aquele primeiro desobrigou a apresentação do ADA. Não há, no meu entender, qualquer antinomia entre os dispositivos, na medida em que tratam de diferentes circunstâncias. Voltando ao prazo para apresentação do ADA, a IN SRF 256/2002, em sua redação original, o estabelecia como sendo "de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR". Com a entrada em vigor da obrigatoriedade de sua apresentação anual, o órgão ambiental o estabeleceu como sendo de 1º de janeiro a 30 de setembro. .5 Daí a alteração naquela IN SRF 256/2002, que passou a estabelecer, a partir da IN RFB 861, de 17 de julho de 2008, ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), observada a legislação pertinente." Em resumo, podese dizer, no que toca à dedução das áreas elencadas nos inciso I ao VI do artigo 10 do Decreto nº 4.382/2002, que além dos requisitos de ordem formal previstos na legislação, há de se comprovar, quando intimado, sua efetiva existência, a teor do inciso II do parágrafo 3º retro citado, por meio de laudo técnico que deve, de forma clara, especificar, detalhar, dimensionar e localizar cada uma das áreas eventualmente existente à época do fato gerador. Voltando ao caso sob análise, notase dos autos do processo 10980.725974/201047, também de minha relatoria, que há dois ADA apresentados pelo recorrente relativos aos exercícios 2009 e 2010, relacionados ao mesmo imóvel e contribuinte, e transmitidos nas datas de 30.09.2009 e 30.09.2010. A ação fiscal iniciouse em 31.08.2012. 5 http://www.ibama.gov.br/imovelrural/atodeclaratorioambientalada/oqueeoada Fl. 181DF CARF MF Processo nº 11624.720209/201214 Acórdão n.º 2402006.225 S2C4T2 Fl. 8 13 Fl. 182DF CARF MF 14 Como se depreende das cópias colacionadas, os ADA, para aqueles exercícios, teriam sido apresentados tempestivamente. Nesse sentido, entendo por suprida a exigência de apresentação do tempestivo ADA para os exercícios de 2009 e 2010, aqui também tratados. Quanto à ARL, constato sua averbação à margem da matrícula do imóvel em 07.10.2003, consoante se denota de fls. 68: Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11624.720209/201214 Acórdão n.º 2402006.225 S2C4T2 Fl. 9 15 Nesse ponto, entendo por cabível o aproveitamento da ARL de 262,0 ha na DITR/09 e DITR/10 do recorrente. Consta às fls. 38/50, laudo técnico datado de 29.09.2012 e subscrito pelo Engenheiro Florestal Helio Loch, CREA PR 30.046/D, apresentado em atenção à intimação fiscal. Há ainda às fls. 71, ART em nome do referido engenheiro, no qual é feito constar a data de início dos trabalhos em 01.10.2012 e em 01.02.2013, o da sua conclusão. Logo, em período posterior à data do referido laudo. Veja, como já dito alhures, o laudo técnico, para que cumpra seu desiderato, deve, de forma clara, especificar, detalhar, dimensionar e localizar cada uma das APP eventualmente existente à época do fato gerador (não sobrepostas às ARL porventura existentes), elencadas nas alíneas "a" a "h" do artigo 2º da Lei 4.771/65. Confirase: Florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura: Fl. 184DF CARF MF 16 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura: 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura: 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura: d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Prosseguindo quanto ao laudo acostado, entendo que pode ser resumido a partir dos excertos a seguir colacionados: Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11624.720209/201214 Acórdão n.º 2402006.225 S2C4T2 Fl. 10 17 Da leitura dos tópicos acima, não fui capaz de concluir pela correta extensão das eventuais APP. No item intitulado "ocupação", afirmase terem sido encontrados 260,49 ha de Floresta Nativa distribuídos por toda a área, assim como a área de mata ciliar ao longo do leito dos rios existentes. O restante da área da propriedade seria composto por mata nativa primária e secundária em vários estágios de regeneração. As áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração podem ser, a partir do exercício 2007, excluídas da área tributável, desde que tal informação tenha constado no correspondente ADA e, quando intimado, demonstrada por meio de laudo técnico. Assim, por exemplo, se as áreas ocupadas por essas florestas estiverem situadas nos locais apontados no artigo 2º da Lei 4.771/65, estarão abrigadas em função das restrições de uso relacionadas às APP daquele artigo. Nesse sentido, o laudo deveria, a meu ver, especificar, detalhar, dimensionar e localizar os tipos de Floresta Nativa identificada. Ou seja: Se primária ou se secundária; quais Fl. 186DF CARF MF 18 seriam aqueles locais do artigo 2º e onde estariam, ainda que sucintamente, localizados na propriedade e em que extensão; Se forem florestas secundárias, em qual estágio de regeneração. Note que, com relação às florestas nativas secundárias, a lei não autoriza a dedução daquelas áreas por elas cobertas em estágio inicial de regeneração, mas apenas aquelas em estágio médio ou avançado e, nesse ponto, o laudo é categórico ao afirmar a existência de floresta secundária em vários estágios de regeneração, sem ao menos especificálos (os estágios) e dimensionálas (as áreas). Há áreas utilizadas com Produtos Vegetais, conforme declarado no ADA e nas DITR, ou sua totalidade é composta por florestas nativas primárias e secundárias ? As APP são de 260,49 ou de 1.049,31 ha ? De outro lado, não lhe socorre a alegação de que a área do imóvel estaria integralmente inserida na APA de Guaratuba localizada na Serra do Mar, que foi criada pelo Decreto Estadual PR n° 1234 de 27 de março de 1992 e que também está dentro do Parque Marumbi ou Área de Especial Interesse Turístico do Marumbi, criada através da Lei Estadual PR n” 7389 de 12 de novembro de 1980 e, sendo assim, referidas áreas estariam protegidas, posto que não poderiam ser exploradas a não ser com fins de preservação ambiental e turística. Vejase: referida área, tida pelo recorrente como "declarada de interesse ecológico", não constou informada em qualquer daqueles dois ADA supracitados, tampouco foi declarada nos DIAT/DITR dos exercícios envolvidos. Assim, além de não compor o litígio original, eis que não foi objeto da atuação fiscal, não foi cumprida a exigência legal para a sua utilização como benesse fiscal. Ademais, como já dito alhures, ainda que haja ato do poder público que declare determinada área como de interesse ecológico, caso não haja a imposição de efetivas restrições de uso que ampliem aquelas previstas para as APP e ARL, ou seja, restrições além do manejo sustentável, tenho que sua dedução, da área tributável pelo ITR, não é legalmente possível.É o que se denota da parte final da alínea "b", II, § 1º do artigo 10 da Lei 9.393/96. "....mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior;" Nesse sentido, à luz do disposto no artigo 5º daquele Decreto 1.234/92, infra reproduzido, não me afigura que referido ato tenha, conforme sugerido no recurso do contribuinte, "proibida toda e qualquer atividade nessas áreas", ampliando, desta forma e indiscutivelmente, as restrições de uso que se tem nas ARL e APP. Ao contrário, tratou o ato, a meu ver, de estabelecer condutas negativas mínimas para a preservação ambiental. Confirase: Art. 5° Na APA DE GUARATUBA ficam proibidas ou restringidas: I A implantação de atividades industriais potencialmente poluidoras, capazes de afetar mananciais de água e complexo estuarino da baia; Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11624.720209/201214 Acórdão n.º 2402006.225 S2C4T2 Fl. 11 19 II a realização de obras de terraplenagem e a abertura de canais, quando estas iniciativas importarem em sensível alteração das condições ecológicas; III o exercício de atividades capazes de provocar acelerada erosão das terras ou assoreamento das coleções hídricas; IV o uso de biocidas, quando indiscriminado ou em desacordo com as recomendações técnicas e normas vigentes. E perceba, o próprio contribuinte declarou em suas DITR, Área de 0,8 ha e 1,6ha ocupada com benfeitorias e área com 500, hs utilizada por produtos vegetais ou por área de descanso. No que toca às glosas das áreas supostamente utilizadas com benfeitoras e por produtos vegetais, o recorrente já não se insurgiu contra elas em sua Impugnação. Alteração no VTN. No que se refere ao VTN atribuído pela Fiscalização, o recorrente alega que o considerado no lançamento decorreu de uma valor de terras que é varias vezes maior do que o negociado quando da aquisição do imóvel. Todavia, no curso da ação fiscal, o autuado foi intimado a apresentar o "laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados.". E mais, foi feito constar na intimação que a falta de apresentação do laudo de avaliação ensejaria o arbitramento do VTN, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT, da RFB. Não obstante, o contribuinte não atendeu a intimação fiscal com vistas a infirmar o valor eleito pela Fiscalização. Prestouse, no entanto, a apresentar um Laudo Técnico fls. 36 que, ao final, assim se pronunciou quanto à avaliação do imóvel. Como informado pela Fiscalização, foram utilizados os valores médios por hectare relativos a "terras mistas inaproveitáveis", de R$ 1.100,00 (2008 e 2010) e R$ 1.500,00 (2009). Fl. 188DF CARF MF 20 O tipo de terra segue a conceituação adiante:6 INAPROVEITÁVEIS São áreas totalmente inaproveitáveis para atividades agropecuárias, constituídas de solos pedregosos, muito rasos ou inundáveis periodicamente, despenhadeiro, pirambeira, penhascos, etc., com relevo íngreme ou reserva de preservação permanente, podendo servir apenas como abrigo e proteção de fauna e flora silvestre, como ambiente para recreação ou para fins de armazenamento de água. Note, o valor médio, por hectare, utilizado pelo autuado, correspondeu a apenas e aproximadamente, 12,50%, 10,00 % e 17,00% daquele verificado no SIPT para os imóveis no município de Morretes/PR, não deixando a menor dúvida quanto à sua potencial subavaliação. Por sua vez, o SIPT, aprovado pela Portaria 447/2002, é alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores de terra nua da base de declarações do ITR. Com isso, entendo que na falta de um valor de mercado apresentado por meio de um Laudo de Avaliação, na forma de como constou na intimação, o valor extraído do SIPT, embora, reconheçase, estimado, é, além de uma alternativa legal (art. 14 da L. 9.393/96), uma razoável opção no caso em tela. Alegação de erro de fato no preenchimento da DITR. Por fim, no que se refere à alegação de que o lançamento realizado seria ilegal, eis que teria supostamente se afastado do conteúdo da obrigação tributária definida em lei, para pretender fundamento apenas na declaração equivocada prestada pelo recorrente, com a devida venia, dela não compartilho. A ação fiscal foi desenvolvida e concluída a partir das informações prestadas/declaradas pelo contribuinte em sua DITR. Perceba que o lançamento do ITR regese pela sistemática legal, por meio da qual sujeito passivo tem o dever de apurar e antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Assim procedendo o contribuinte, a autoridade fazendária, observado o lustro legal, expressamente homologará ou não, sua atividade. O não acatamento das informações que constaram em seu DIAT/DITR será, caso regularmente questionado em recurso, objeto do contencioso administrativo. Esse é, a meu ver e como regra, o limite da lide e sobre o quê se pronunciará as instâncias julgadoras. Contudo, caso efetivamente demonstrado o patente erro de fato no preenchimento da respectiva DITR, em função do equívoco na informação, seja por sua omissão, seja por sua incorreção, entendo admissível, em sede de contencioso administrativo e à luz do princípio da verdade material, a retificação das informações originalmente prestadas naquela declaração, bem como a alteração do lançamento naquilo que dele decorreu. No caso em exame, pelo todo fundamentado, entendo pelo não acatamento do pleito do contribuinte quanto à retificação das informações em sua DITR. 6 site: http://www.agricultura.pr.gov.br/arquivos/File/deral/Metodologia_atual.pdf Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11624.720209/201214 Acórdão n.º 2402006.225 S2C4T2 Fl. 12 21 Não obstante meu entendimento pessoal quanto à necessidade da apresentação do ADA tempestivamente, segundo o acima fundamentado, curvome ao entendimento desta turma, exposto no julgamento do processo 11624.720072201389, nesta mesma sessão, no sentido do aproveitamento do ADA, como comprovação, para fins de dedução das APP, desde que apresentado antes de o início da ação fiscal. Frente ao exposto, voto por CONHECER do recurso e, no mérito, DARLHE PARCIAL provimento, para restabelecer as deduções das áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.720059/2007-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
A Administração Tributária dispõe do prazo de 5 (cinco) anos, contados da transmissão do Pedido de Ressarcimento ou da Declaração de Compensação, para averiguar a legitimidade de todo o crédito pleiteado, nos termos do art. 74, §5º da Lei nº 9.430/96.
RESSARCIMENTO VINCULADO À EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE.
Verificado que não há efetiva exportação de serviços, é inviável o deferimento de pedido de ressarcimento de créditos vinculados à exportação.
Numero da decisão: 3201-003.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso. Vencido o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que lhe dava parcial provimento, para considerar como exportação de serviços a porcentagem das operações que não foram repassadas pela Petrobras.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A Administração Tributária dispõe do prazo de 5 (cinco) anos, contados da transmissão do Pedido de Ressarcimento ou da Declaração de Compensação, para averiguar a legitimidade de todo o crédito pleiteado, nos termos do art. 74, §5º da Lei nº 9.430/96. RESSARCIMENTO VINCULADO À EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE. Verificado que não há efetiva exportação de serviços, é inviável o deferimento de pedido de ressarcimento de créditos vinculados à exportação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A Administração Tributária dispõe do prazo de 5 (cinco) anos, contados da transmissão do Pedido de Ressarcimento ou da Declaração de Compensação, para averiguar a legitimidade de todo o crédito pleiteado, nos termos do art. 74, §5º da Lei nº 9.430/96. RESSARCIMENTO VINCULADO À EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE. Verificado que não há efetiva exportação de serviços, é inviável o deferimento de pedido de ressarcimento de créditos vinculados à exportação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso. Vencido o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que lhe dava parcial provimento, para considerar como exportação de serviços a porcentagem das operações que não foram repassadas pela Petrobras. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 00 59 /2 00 7- 81 Fl. 3239DF CARF MF Processo nº 10725.720059/200781 Acórdão n.º 3201003.928 S3C2T1 Fl. 3.840 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 1249.455, proferido pela 17ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (SP), que assim relatou o feito: A contribuinte, qualificada em epígrafe, apresentou PER (pedido de ressarcimento) nº 18268.82826.101007.1.5.096291, cujo crédito no valor original de R$ 2.451.663,39 (dois milhões, quatrocentos e cinquenta e um mil, seiscentos e sessenta e três reais, e trinta e nove centavos) referente à COFINS não Cumulativa (Exportação) do 1º trimestre de 2006, fls. 27/29. Após, transmitiu Declarações de Compensação – DCOMP (fls. 23/26 e 30/40) para utilizar o o crédito informado. A autoridade fiscal decidiu pela improcedência do pedido e pela não homologação das compensações declaradas, conforme Despacho Decisório de fls. 2891 e seguintes, aduzindo, em síntese, que: com base em autuações anteriores, que culminaram com lançamentos por omissão de receita e desconfiguraram o saldo negativo do período e supostos créditos de PIS/COFINS, buscouse verificar a existência do mesmo modus operandi no exercício 2007 (AC 2006); nos processos nº 15521.000124/200504 e nº 15521.000127/200963, a empresa foi autuada por não recolhimento de PIS/COFINS; no resumo da DIRF em que a Noble do Brasil consta como declarante, fls. 2.837/2.841 fora verificado um total de 816 beneficiários (653 PF e 163 PJ), tendo a empresa desembolsado o montante de R$ 101.804.841,85 e retido R$ 6.794.207,17; tendo uma receita declarada de serviços prestados à Petrobras de R$ 45.203.738,343, a empresa novamente teve que se socorrer de recursos de suas controladas/coligadas no exterior para fazer jus aos seus compromissos; esses recursos normalmente retornam em forma de reembolso de despesas, mas são contabilizados como “receita de exportação; em todos os contratos de prestação de serviços, firmados entre a Petrobrás com a Noble do Brasil LTDA, haviam cláusulas de interveniência e de vinculação com o Fl. 3240DF CARF MF Processo nº 10725.720059/200781 Acórdão n.º 3201003.928 S3C2T1 Fl. 3.841 3 contrato de afretamento, prevendo que a Contratada e a Interveniente (nesse caso, Noble Drilling Nederland BV) seriam solidariamente responsáveis pelo cumprimento do acordo; nos contratos de afretamento constam cláusulas de responsabilidade, colocando a Noble do Brasil como solidária de obrigações da Noble Drilling Nederland BV; contribui para a confirmação de prestação única de serviço para a Petrobrás o fato de que em vários contratos o mesmo representante assina em nome da Noble do Brasil LTDA e da Noble Drilling Nederland BV; depreendese da leitura dos contratos que os de afretamento são remunerados da mesma forma que os contratos de prestação de serviços, embora as atividades possuam objetos e natureza completamente distintos; esta sistemática de remuneração, fundada unicamente nas horas trabalhadas, fornece fortes razões para crer que o que se pretende remunerar é a prestação de serviço e não o afretamento que na prática comercial independe das horas efetivamente trabalhadas; sabendo o contribuinte da distorção financeira dos contratos, deveria por obrigação legal reconhecer como suas as receitas pela prestação de serviços à Petrobrás, contidas nos pagamentos feitos por esta última à controladora no exterior, afastando assim qualquer penalidade tributária e promovendo o correto tratamento tributário adequado à prestação dos serviços que executa em favor da Petrobrás, à bordo de naviossonda, plataformas e embarcações; a Noble do Brasil LTDA seria um braço no Brasil do Grupo NOBLE (ou seu escritório no exterior), do qual pertence Noble Drilling Nederland BV, que de fato existiria um único contrato de prestação de serviços celebrado entre Grupo NOBLE e a Petrobrás; com objetivo de dar suporte à reclassificação contábil e novo entendimento acerca dos serviços que a empresa Noble do Brasil LTDA presta nos contratos de afretamento, que seriam de responsabilidade da Noble Drilling Nederland BV, foi assinado, em 2007, entre estas empresas contrato denominado “Master Service”, fls. 1.741/1.751; a empresa apresentou planilha relacionando as receitas submetidas à não cumulatividade em 2006, fls. 1.752/1.755, onde se verifica que do total de receitas de R$ 189.284.302,87, R$ 146.021.537,27 correspondem à reembolsos de despesas e exportação de serviço; Fl. 3241DF CARF MF Processo nº 10725.720059/200781 Acórdão n.º 3201003.928 S3C2T1 Fl. 3.842 4 foram apresentados contratos de câmbio que seriam referentes a valores recebidos a título de exportação de serviços, fls. 1.744/1.904; todos os contratos de câmbio têm como natureza da operação “transferências relativas a gastos com despesas administrativas” (código 45388), conforme Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais – RMCCI (BACEN)7; tais contratos não servem como prova de receita de exportação, que deveria ser informada em código específico, como por exemplo (45649– “serviços de assistência técnica”); as receitas no total de R$ 46.000.000,00, excluídas do cálculo da Cofins na Dacon por serem classificadas pela empresa como receitas de exportação, entraram no Brasil como reembolso de despesas; de acordo com sua Dirf (fl. 2.836), o contribuinte no anocalendário 2006 recebeu receita de prestação de serviços para a Petrobras no montante de R$ 45.203.738,34; os contratos firmados pela empresa brasileira representam 10% do total prestação dos serviços à bordo de naviossonda, plataformas e embarcações, concluise que este total de receitas no anocalendário 2006 – sendo artificialmente dividido em dois contratos – é de R$ 452.037.383,40; As receitas omitidas podem chegar a R$ 406.833.645,06 (90%); O contribuinte tem sede em território brasileiro, presta serviços a uma empresa brasileira dentro do território nacional, apenas com a conveniente interveniência de empresas controladoras e pessoas jurídicas ligadas residentes no exterior, de forma que, na realidade, a sua receita decorre de Receita de Serviços prestados no Território Nacional; Caso a “receita de exportação”, excluída da base de cálculo da Cofins do 1º trimestre de 2006, fosse levada à tributação (à alíquota de 7,6%) não poderíamos mais falar em créditos de Cofins a ressarcir/compensar; o fato de a forma de contabilização adotada pela empresa ser totalmente divergente da realidade fática de suas operações por si só já é suficiente para inviabilizar a compensação em razão da ausência de certeza e liquidez do crédito informado. Devidamente cientificada, em 27/12/2011, conforme AR à fl. 2908, a interessada apresentou, à fl. 2920 e seguintes, a Fl. 3242DF CARF MF Processo nº 10725.720059/200781 Acórdão n.º 3201003.928 S3C2T1 Fl. 3.843 5 correspondente Manifestação de Inconformidade, na qual alegou basicamente que: 1. aplicandose o art. 150, §4º do CTN, verificase que restou decorrido o prazo de cinco anos reservado ao Fisco para glosar as informações prestadas pelo contribuinte; 2. a impugnante recebe há muito tempo ingressos do exterior, sendo que até 2005 tratava tais ingressos como reembolsos de despesas incorridas em favor da Noble B.V., esta na condição de fretadora, ou em favor de outras pessoas jurídicas do Grupo; 3. em 2000 fora fiscalizada pela RFB, tendo sido esta informada que tais ingressos referiamse a despesas incorridas em favor de outras pessoas jurídicas do Grupo, mas nada foi questionado e, assim, continuou a dar o mesmo tratamento a tais ingressos; 4. em 2005, a RFB concluiu que, na verdade, a impugnante prestava serviço as suas coligadas, assim tais ingressos deveriam transitar pelo Resultado do Exercício, lavrando autos de infração; 5. houve, então, por bem mudar o tratamento dado a tais ingressos a fim de se ajustar ao entendimento da RFB, retificando declarações, e escrita contábil, pagando os tributos com acréscimos e celebrando contrato com Noble B.V para ratificar todos os serviços com a nova qualificação dada pela RFB; 6. agora a RFB entende que tais ingressos não são “receitas de exportação”, não se traduzem em prestação de serviços, ao contrário do que antes afirmava, em flagrante ofensa aos princípios da Segurança Jurídica e da Moralidade da Administração Pública; 7. a autoridade Fiscal não poderia aplicar seu novo entendimento a fatos pretéritos, sob pena de ofensa ao Princípio da Proteção à Confiança (art. 146 do CTN); 8. o objeto principal dos contratos entre o impugnante e a Petrobrás é a prestação de serviços de perfuração, avaliação, completação e “workover”, mas nos referidos contratos há também um rol de obrigações que se traduz em prestação de serviços, os quais devem ser assumidos pelo impugnante; 9. além dos serviços prestados no âmbito dos contratos firmados com a Petrobrás, seja por meio de prestação de serviço direta a esta ou por intermediação dos serviços inerentes aos contratos de afretamento, a Noble do Brasil também gerencia e intermedeia reformas das embarcações, de propriedade de outras empresas do Grupo, em estaleiros brasileiros, devendo ser ressaltado que tais serviços não guardam qualquer relação com os Fl. 3243DF CARF MF Processo nº 10725.720059/200781 Acórdão n.º 3201003.928 S3C2T1 Fl. 3.844 6 serviços prestados no âmbito dos contratos com a Petrobrás, tratandose, de fato, de reformas e melhorias dos navios sonda, as quais a administração do Grupo Noble julgou conveniente realizar no Brasil, mas que poderiam ter sido realizadas em qualquer outra parte do mundo; 10. a execução e contratação de serviços para as afiliadas estrangeiras, fretadoras para a Petrobrás, pode ser constatada também pela análise dos custos incorridos no período em que os navios sonda ficaram em reforma, sem vinculo aos contratos; 11. os recursos oriundos da afiliada estrangeira foram regularmente tributadas pelo IRPJ e CSLL, todavia, no que tange ao PIS e à Cofins, a legislação tributária prevê a isenção dessas contribuições para as receitas auferidas em decorrência da prestação de serviços para o exterior; 12. depreendese dos dispositivos legais e em consonância com decisões administrativas, que há somente dois requisitos para a isenção: (i) o adquirente seja pessoa estrangeira; e (ii) o ingresso de divisas no País, e, uma vez que os serviços prestados pelo impugnante para afiliadas estrangeiras preenchem os requisitos previstos em lei, o direito à isenção lhe assiste, do mesmo modo como também lhe assiste o direito de se apropriar de créditos de PIS e Cofins; 13. a utilização de contrato de câmbio com a natureza da operação “45388 – Serv. Div. Out. Administrativos” é suficiente para comprovar o ingresso de divisas, não cabendo a autoridade fiscal determinar qual seria a natureza da operação; 14. a autoridade fiscal não foi capaz de comprovar qualquer conduta da Impugnante que pudesse ensejar a evasão de divisas; 15. o despacho decisório deve ser cancelado, na medida em que adota presunções não autorizadas por lei; 16. não há razão para a unificação dos contratos de afretamento e da prestação de serviços, assim, o despacho decisório deve ser reformado. A impugnante cita a legislação, a doutrina e a jurisprudência, requerendo, ao final, reconhecimento do direito creditório pleiteado e homologação das DCOMP correspondentes. Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 Fl. 3244DF CARF MF Processo nº 10725.720059/200781 Acórdão n.º 3201003.928 S3C2T1 Fl. 3.845 7 Nulidade. Não reconhecida. Pressupostos. Não atendidos. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 Decadência. PIS/Cofins. CTN. A decadência prevista no § 4º, do art. 150, do CTN não se aplica a caso de pedido de reconhecimento de direito crédito, ainda que fundamentado no regime da não cumulatividade do PIS/Cofins e nos registros do Dacon. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PIS/Cofins. Isenção. Pressupostos. Não Comprovados. Na ausência de comprovação da existência de serviços prestados à pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, não se cogita da isenção prevista no regime da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados, postulando pela (i) homologação tácita do crédito de PIS e COFINS / decadência do direito à reclassificação das receitas; (ii) violação aos princípios da segurança jurídica, da moralidade e da proteção à confiança em decorrência de alteração do critério jurídico pelo acórdão recorrido; e defende (iii) o prenchimento das condições legais para isenção do PIS e da COFINS na exportação de serviços e, por último, (iv) que houve uma inadequada presunção fiscal na descaracterização do negócio jurídico, (v) sendo legítima a bipartição dos contratos de afretamento e de prestação de serviços. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. Os autos foram inicialmente sobrestados em razão de saneamento necessário no processo conexo nº 10725.72005791. Concluído o saneamento, os autos retornaram para julgamento. É o relatório. Fl. 3245DF CARF MF Processo nº 10725.720059/200781 Acórdão n.º 3201003.928 S3C2T1 Fl. 3.846 8 Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora O Recurso é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS e COFINS apurados no regime da não cumulatividade e vinculados a receitas de exportação de serviços obtidas pela Recorrente. O presente despacho decisório foi proferido em decorrência da lavratura dos Autos de Infração nº 15521.000124/200504 e 15521.000127/200963, relativos a exercícios anteriores, "que culminaram com lançamentos por omissão de receita e desconfiguraram o saldo negativo do período e supostos créditos de PIS/COFINS". Assim, diante de referida constatação, buscouse verificar se, no exercício de 2007 (ano calendário 2006), a Recorrente adotava a mesma prática objeto das autuações anteriores. Entendeu a Fiscalização que os ingressos contabilizados pela Recorrente como sendo "receita de exportação de serviços", em realidade seriam ingressos decorrentes de "reembolso de despesas" efetuados pelas empresas controladoras, sediadas no exterior. Os recursos são originários de contratos de prestação de serviços de prospecção, perfuração, avaliação complementação e "workover" firmados com a Petrobras. São firmados 2 (dois) contratos distintos: um de afretamento marítimo com empresa estrangeira, no caso, controladora da empresa autuada, e um segundo contrato com a empresa nacional controlada (Recorrente) exclusivo para a prestação de serviços, excluído o afretamento. Do total pago pela Petrobras por ambos os contratos, cerca de 90% pertence à empresa estrangeira (controladora) e é pago diretamente à ela, no exterior e, 10%, à empresa nacional, Recorrente. Não obstante, é a Recorrente que arca com a totalidade das despesas incorridas, seja no que se refere aos custos do seu contrato, seja no que se refere aos contratos firmados com a sua controladora. Assim, de todas as despesas incorridas, 90% era reembolsada por sua controladora. Ocorre que tais receitas não eram contabilizadas pela Recorrente como sendo "reembolso de despesas", mas, sim, como "receitas de exportação". O que afirma a Fiscalização, portanto, é que, na medida em que contabilizou receitas de exportação, a Recorrente deveria ter meios de comprovar que efetivamente prestou serviços ao exterior, o que não ocorreu. Além disso, como visto, demonstra que tais receitas tratamse, em fato, de reembolso de despesas. Essa é a situação fática desenhada pela Fiscalização Fl. 3246DF CARF MF Processo nº 10725.720059/200781 Acórdão n.º 3201003.928 S3C2T1 Fl. 3.847 9 No que se refere exclusivamente a presentes autos, como dito, estáse diante de Pedido de Ressarcimento de COFINS, apurados no regime da não cumulatividade, sob o argumento de que as despesas geradores de tais créditos estão vinculadas a receitas de exportação de serviços, nos termos do art. 6º, inciso II, §§ 2º e 3º da Lei nº 10.833/03. O indeferimento do pedido de ressarcimento se deu pelo fato de que entendeu a Fiscalização que a Recorrente não comprovou que efetivamente prestou serviços ao exterior, não sendo possível, desse modo o ressarcimento de crédito. É essa a lide posta. Conforme relatado, as razões recursais resumemse em 3 (três) aspectos essenciais, que passam a ser analisados. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA / DECADÊNCIA A Recorrente aduz ter ocorrido a "homologação tácita" do Pedido de Ressarcimento apresentado, uma vez que, estando o PIS e a COFINS sujeitos ao lançamento por homologação, é de 5 anos o prazo decadencial de que dispõe a Fazenda Nacional, contados do fato gerdor, "para analisar e, sendo o caso, questionar e glosar informações prestadas pelo contribuinte". Equivocase, contudo, a Recorrente. Na hipótese dos autos não se está diante de Auto de Infração para a cobrança de valores apurados a título de PIS e COFINS, hipótese na qual estarseia falando em prazo decadencial, seja nos termos do art. 150, §4º ou 173 do CTN. Tratase de Pedido de Ressarcimento em sede do qual a Fiscalização está averiguando a existência ou não do crédito postulado pelo contribuinte. Assim, o prazo para a homologação tácita do ressarcimento / compensação, é contado da data da transmissão do pedido, nos termos do §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 5oO prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Tal prazo foi devidamente respeitado pela Fiscalização, uma vez que as Declarações foram transmitidas no ano de 2007 e, em 2011, proferidos os despachos decisórios. Por óbvio que, referindose o Pedido de Ressarcimento a fatos geradores ocorridos nos 5 anos anteriores à sua apresentação (prazo prescricional), todo este período está sujeito à verificação e validação pela Autoridade Administrativa. Se assim não o fosse, bastaria Fl. 3247DF CARF MF Processo nº 10725.720059/200781 Acórdão n.º 3201003.928 S3C2T1 Fl. 3.848 10 que o contribuinte transmitisse seus Pedidos de Ressarcimento sempre no último dia do prazo de 5 anos contados do "fato gerador" do crédito postulado de modo que a Fiscalização jamais pudesse averiguar a sua legitimidade. Seria uma situação irrazoável e, até mesmo, injusta. Desse modo, absolutamente correto o posicionamento adotado pela DRJ: O caso em exame se refere a Pedido de Ressarcimento e Declarações de Compensação (vide especificações à fl. 2891), impertinente, portanto, a alegação de decadência. Poderseia cogitar de homologação tácita quanto às Dcomp. Mas esta não ocorreu, pois a primeira Dcomp transmitida ora analisada data de 20/12/2007 (fl. 30), e a contribuinte fora cientificada em 27/12/2011, conforme AR à fl. 2908, antes do prazo de cinco anos concedido à Administração para apreciação das compensações declaradas, segundo dispõe o art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96: § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Assim, as compensações declaradas de que trata o presente processo administrativo não podem ser consideradas tacitamente homologadas. Ademais, não há falar de decadência do direito de verificar ou glosar o crédito declarado pela contribuinte com base no art. 150, §4º do CTN. Pelo exposto, não merece acolhida o pleito da Recorrente nesse aspecto. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO NO LANÇAMENTO A Recorrente alega que o entendimento firmado no presente lançamento (reembolso de despesas) é contraditório ao entendimento que suportou o Auto de Infração nº 15521.000124/200504, que considerou a mesma receita percebida como prestação de serviços ao exterior, tributável pelo IRPJ. Afirma, assim, ter ocorrido alteração de critério jurídico e violação aos princípios da segurança jurídica, da moralidade e da proteção à confiança. Alega que "há muito recebe ingressos do exterior sendo que, até 2005, tratava tais ingressos como mero reembolso de despesas incorridas" em favor de empresas estrangeiras proprietárias das embarcações e que, portanto, "nem os ingressos nem as despesas efetuadas transitavam pelo resultado da Recorrente". Afirma que no ano de 2000 foi fiscalizada relativamente ao ano calendário de 1997 e que nada foi questionado quanto a tal procedimento. Já em 2005, teria ocorrido nova fiscalização (15521.000124/200504), quando concluiuse que "na verdade, a Recorrente prestava serviço as suas coligadas, devendo os ingressos recebidos destas transitarem pelo resultado da Recorrente". Fl. 3248DF CARF MF Processo nº 10725.720059/200781 Acórdão n.º 3201003.928 S3C2T1 Fl. 3.849 11 No Termo de Verificação Fiscal lavrado pela Autoridade competente nos autos do citado Auto de Infração nº 15521.000124/200504 (IRPJ / CSLL / PIS / COFINS). Pela sua leitura, depreendese que o entendimento da Fiscalização não é contraditório. Na autuação realizada em 2005 foi identificada uma simulação dos negócios jurídicos realizados, na medida em que, dos contratos firmados com a Petrobrás pela controlada e sua controladora, podese depreender que todo o serviço é prestado no Brasil, embora 90% da receita seja remetida ao exterior, como se parte desse serviço fosse advindo da empresa controladora. A Fiscalização, naquela oportunidade, não afirma que os valores recebidos como recuperação de custos seria, em verdade, decorrente da prestação de serviços da controlada para a controladora. O que afirma é que, na medida em que a controladora reembolsa sua controlada pelo custeio dos serviços prestados no Brasil à Petrobrás, resta comprovado que não houve, efetivamente, prestação de serviços pela controladora (exterior), mas, exclusivamente, pela controlada (nacional) dentro do território nacional. Ou seja, a prestação de serviços considerada naquela oportunidade foi da controlada para a Petrobras, e não da controlada para a controladora. Os valores contabilizados como recuperação de custos foram utilizados como base de cálculo para a incidência dos tributos devidos (e não o valor pago pela Petrobrás à controladora) em razão do fato desta parcela remetida ao exterior não ser passível de fiscalização no Brasil. Vejase a afirmação fiscal às. fls. 2828/2829: Assim, entendo que não há qualquer contradição entre as ações fiscais mencionadas, afastando as alegações recursais apresentadas. ISENÇÃO DO PIS E DA COFINS NA EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS Nesse tópico a Recorrente busca demonstrar a natureza das atividades por ela desempenhadas no sentido de demonstrar que, efetivamente, realiza a exportação de serviços. Esclarece que a empresa controladora, sediada no exterior, firma com a Petrobrás contrato de afretamento marítimo. Tais embarcações afretadas necessitam de manutenção constante, consoante contrato firmado entre a controladora e a Petrobrás. Assim, a Recorrente nada mais seria do que a empresa contratada para realizar tais serviços de manutenção (seja por conta própria, seja por terceirização), sendo esta, portanto, a origem da prestação de serviços aos exterior, que justifica o ingresso em sua contabilidade. Fl. 3249DF CARF MF Processo nº 10725.720059/200781 Acórdão n.º 3201003.928 S3C2T1 Fl. 3.850 12 Nesse sentido, defende a isenção de tais receitas relativamente ao PIS e à COFINS, com o conseqüente direito ao ressarcimento dos créditos vinculados, nos termos da Lei nº 10.833/03: Art. 6oA COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de:(Produção de efeito) (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; A Recorrente, então, afirma que os dois únicos requisitos exigidos pela legislação para usufruir da não incidência da COFINS sobre a exportação de serviços foram devidamente cumpridos: (i) o pagamento foi recebido de pessoa domiciliada no exterior e (ii) houve o ingresso de divisas, comprovados pelos contratos de câmbio. No caso, portanto, os contratos de câmbio apresentados destinamse exclusivamente a comprovar o ingresso das dividas e não se prestam para definir a natureza da operação subjacente. Não obstante, a Fiscalização afirma que não houve sequer operação de "prestação de serviços" entre a empresa controlada (nacional) e sua controladora (estrangeira), que a única prestação de serviços existentes é entre a empresa controlada e a Petrobrás. Ou seja, é uma afirmação advinda da desconsideração de um negócio jurídico anterior, qual seja a bipartição dos contratos de afretamento e prestação de serviços firmado entre Petrobrás, a controladora sediada no exterior e a controlada nacional. A conclusão do acórdão recorrido é no seguinte sentido: Concluise, em consonância ao que esta Turma reiteradamente decidiu, em casos anteriores mencionados, ser devido PIS/Cofins sobre as receitas auferidas porque, ao contrário do afirmado pela manifestante, não se referem a serviços prestados à pessoa jurídica domiciliada no exterior, mas à Petrobrás no Brasil, não sendo isentas dos referidos tributos. Com efeito, entendo que para a solução da lide, não basta analisar tão somente o cumprimento dos requisitos impostos pela legislação da COFINS (recebimento do exterior com ingresso de divisas). Estes, de fato, estão presentes na hipótese. É necessário verificar todo o contexto do lançamento fiscal e não apenas uma "perna" da operação. Nessa linha, tenho que a conclusão do feito depende essencialmente da verificação do negócio jurídico anterior: (i) se válida a contratação da empresa estrangeira mediante a bipartição contratual, é legítima a subcontratação de empresa nacional para a prestação de serviços de manutenção nas embarcações localizadas em território nacional, com a consequente exportação de serviços nos termos em que definido pela legislação da COFINS. (ii) se desconsiderada a contratação da empresa estrangeira, entendendo que, de fato, foi a empresa nacional contratada para a realização de todos os serviços, não há falar Fl. 3250DF CARF MF Processo nº 10725.720059/200781 Acórdão n.º 3201003.928 S3C2T1 Fl. 3.851 13 em exportação de serviços, já que a figura da empresa estrangeira deixa de existir no negócio jurídico real. Como ja mencionado, os elementos dos autos demonstram se tratar de uma operação complexa, firmada por meio de 2 (dois) contratos distintos: (i) locação de embarcações (afretamento) e (ii) prestação de serviços de perfuração e/ou avaliação e/ou completação e/ou "workover". Nada impede que os 2 (dois) contratos sejam firmados por pessoas jurídicas distintas, no caso, controlada (nacional) e controladora (estrangeira) Na hipótese dos autos, o contrato de locação foi firmado com a empresa estrangeira e os valores correspondentes diretamente remetidos a esta. Já o contrato de prestação de serviços é firmado pela empresa nacional. Assim, do valor total pago pelos dois contratos, 90% é remetido ao exterior exclusivamente em razão do afretamento e, 10%, permanece no país pela prestação de serviços da empresa nacional, sendo normalmente tributado nessa condição. Nesse sentido, afirma que a proporção 90% e 10% é fictícia, uma vez que o valor obtido exclusivamente a título de afretamento é irreal. Segundo a Fiscalização, se, de fato, 90% se destinasse exclusivamente ao afretamento e não aos serviços, seria mais vantajoso à Petrobrás comprar as embarcações e apenas contratar os serviços representados por 10% do valor global. Logo, seria simulada a operação que destina 90% do custo global ao exterior a título de afretamento e apenas 10% pela prestação de serviços por empresa nacional. Nesse aspecto, insta esclarecer que legitimidade da bipartição da operação em dois contratos já foi objeto de diversas decisões deste CARF, inclusive desta Turma. Cito, a exemplo, o acórdão nº 3201003.150, de relatoria do Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, acrescido de declaração de voto do Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. A conclusão obtida naquela oportunidade é no sentido de não haver, per si, qualquer irregularidade na bipartição contratual, desde que obedecidos os parâmetros legais (art. 1º da Lei nº 9.481/1997) podendo, contudo, a Fiscalização, mediante lastro probatório, demonstrar que esta bipartição ocorreu de modo artificial. E é nesse sentido que caminhou a Fiscalização, afirmando que "a NOBLE DO BRASIL LTDA seria um braço no Brasil do Grupo NOBLE (ou seu escritório no exterior), do qual pertence NOBLE DRILLING NEDERLAND BV, sendo que o que de fato existiria seria um único contrato de prestação de serviços celebrado entre Grupo NOBLE e a PETROBRAS." Os argumentos para caracterizar a artificialidade na bipartição são os seguintes: (i) "da análise da legislação4 e dos contratos juntados aos autos, não há como se concluir que havia a imposição de haver dois contratos com empresas distintas, uma estrangeira e outra brasileira, ligadas ao mesmo grupo" (ii) "EM TODOS os contratos de prestação de serviços, firmados entre a PETROBRÁS com a NOBLE DO BRASIL LTDA, haviam cláusulas de interveniência e de vinculação com o contrato de afretamento, prevendo que a Contratada e a Interveniente (nesse Fl. 3251DF CARF MF Processo nº 10725.720059/200781 Acórdão n.º 3201003.928 S3C2T1 Fl. 3.852 14 caso, NOBLE DRILLING NEDERLAND BV) seriam solidariamente responsáveis pelo cumprimento do acordo. Nos contratos de Afretamento constam cláusulas de responsabilidade, colocando a NOBLE DO BRASIL como solidária de obrigações da NOBLE DRILLING NEDERLAND BV. (iii) "em vários contratos o mesmo representante assina em nome da NOBLE DO BRASIL LTDA e da NOBLE DRILLING NEDERLAND BV." (iv) "Depreendese da leitura dos contratos que os de afretamento são remunerados da mesma forma que os contratos de prestação de serviços, embora as atividades possuam objetos e natureza completamente distintos. Esta sistemática de remuneração, fundada unicamente nas horas trabalhadas, fornece fortes razões para crer que o que se pretende remunerar é a prestação de serviço e não o afretamento que na prática comercial independe das horas efetivamente trabalhadas." Em sua defesa, afirma a Recorrente que efetivamente presta serviços de manutenção das embarcações afretadas. Alega que, sendo obrigação da empresa estrangeira manter as embarcações em perfeitas condições de uso, esta contrata a Recorrente para prestar esses serviços de manutenção, a remunerando por isto. Ainda defende que os serviços de manutenção "exportados" foram prestados inclusive em embarcações diversas (não afretadas à Petrobrás) ou, ainda, em embarcações que sequer estavam afretadas no momento da prestação do serviço. Além disso, defende a legalidade na bipartição dos contratos, afirmando que a Fiscalização utilizouse de uma presunção ao afirmar que "a Noble do Brasil Ltda. seria um braço no Brasil do Grupo Noble, do qual pertence Noble Drilling Nederland BV". Ainda argumenta que a Recorrente sequer poderia figurar como afretadora, uma vez que não é proprietária das embarcações e que, para usufruir do benefício fiscal do REPETRO, o bem afretado deve necessariamente ser de propriedade de empresa estrangeira. Por fim, afirma que "a empresa à qual a Petrobrás efetua o pagamento pelo afretamento das embarcações NÃO É CONTROLADORA DA MANIFESTANTE!" Não obstante, esta defesa não é capaz de infirmar qualquer uma das alegações da Fiscalização no sentido de realização de um negócio jurídico simulado, de que a bipartição dos contratos ocorreu de modo artificial, fraudulento, consoante fundamentos transcritos acima. Diversamente do que afirma a Recorrente, não houve uma presunção fiscal, mas uma constatação devidamente fundamentada e lastreada. Nem mesmo a alegação de que não haveria relação de controle entre as empresas, trazida de modo veemente, e de fácil produção de prova em contrário, foi a Fl. 3252DF CARF MF Processo nº 10725.720059/200781 Acórdão n.º 3201003.928 S3C2T1 Fl. 3.853 15 Recorrente capaz de refutar. Ademais, ainda que não exista uma relação de controle, é fato incontroverso nos autos tratarse de empresas interligadas. Não se nega ser, em tese, possível a configuração do negócio jurídico tal como delineado pela Recorrente: a contratação, pela empresa estrangeira, de uma empresa nacional para realizar a manutenção de suas embarcações, localizadas em território nacional. Todavia, cabia à Recorrente demonstrar a efetiva concretização dessa operação, ou, mais do que isso, a independência ou a autonomia de ambas as empresas, o que, como exposto, não se verificou. Concluo, assim, que, inexistente prova em contrário produzida pelo contribuinte, mantêmse o entendimento fiscal, devidamente fundamentado, no sentido de ter se verificado, na hipótese dos autos, uma bipartição artificial para a caracterização de atividades distintas de afretamento e prestação de serviços, além de não ter sido comprovada a efetiva prestação de serviços entre a Recorrente e sua controladora estrangeira. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 3253DF CARF MF
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Numero do processo: 16707.003699/2007-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. LEGITIMIDADE PARA INTERVIR NO
PROCESSO.
São partes legítimas para intervir no processo administrativo fiscal não apenas o contribuinte, mas também as pessoas apontadas pelo Fisco como responsáveis tributários.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOS DE FATO. ADMINISTRADORES.
A responsabilidade tributária de que trata o art. 135 do CTN é também atribuída aos administradores e mandatários da sociedade,
independentemente de sua condição de sócios ou não, desde que comprovado que tenham exorbitado de suas atribuições estatutárias ou dos limites legais e que dos atos assim praticados tenham resultado obrigações tributárias. No caso concreto, ao restar comprovado que as pessoas físicas indicadas como responsáveis solidários praticaram atos de gestão mercantil e financeira que
permitiram que a pessoa jurídica movimentasse vultosos recursos à margem da tributação, além de se utilizar de interpostas pessoas em seu nome à frente da sociedade, deve ser mantida a responsabilidade.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CONTINUAÇÃO DA EXPLORAÇÃO DA ATIVIDADE POR TERCEIROS.
A responsabilidade tributária de que trata o art. 132, parágrafo único, do CTN é aplicável quando a atividade anteriormente explorada pela empresa original, agora extinta, continua a ser explorada, ainda que sob outra razão social. No caso concreto, diante dos fatos descritos e comprovados nos autos e não tendo sido aduzidos argumentos e provas específicos em contrário,
deve ser mantida a responsabilidade.
Numero da decisão: 1301-000.475
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a
preliminar de não conhecimento do recurso suscitada pelo Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Valmir Sandri. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Waldir Viega Rocha
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LEGITIMIDADE PARA INTERVIR NO PROCESSO. São partes legítimas para intervir no processo administrativo fiscal não apenas o contribuinte, mas também as pessoas apontadas pelo Fisco como responsáveis tributários. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOS DE FATO. ADMINISTRADORES. A responsabilidade tributária de que trata o art. 135 do CTN é também atribuída aos administradores e mandatários da sociedade, independentemente de sua condição de sócios ou não, desde que comprovado que tenham exorbitado de suas atribuições estatutárias ou dos limites legais e que dos atos assim praticados tenham resultado obrigações tributárias. No caso concreto, ao restar comprovado que as pessoas físicas indicadas como responsáveis solidários praticaram atos de gestão mercantil e financeira que permitiram que a pessoa jurídica movimentasse vultosos recursos à margem da tributação, além de se utilizar de interpostas pessoas em seu nome à frente da sociedade, deve ser mantida a responsabilidade. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CONTINUAÇÃO DA EXPLORAÇÃO DA ATIVIDADE POR TERCEIROS. A responsabilidade tributária de que trata o art. 132, parágrafo único, do CTN é aplicável quando a atividade anteriormente explorada pela empresa Fl. 1DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/01/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 original, agora extinta, continua a ser explorada, ainda que sob outra razão social. No caso concreto, diante dos fatos descritos e comprovados nos autos e não tendo sido aduzidos argumentos e provas específicos em contrário, deve ser mantida a responsabilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de não conhecimento do recurso suscitada pelo Conselheiro Leonardo de Andrade Couto. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Valmir Sandri. Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Guilherme Polastri Gomes da Silva, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto. Relatório RN TRIGO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. (CNPJ 06.154.250/0001-62), CECÍLIO MESQUITA DE OLIVEIRA LOPES NETO (CPF 06.154.250/0001-04) e DENISE RAQUEL FERNANDES (CPF 513.270.584-72), já qualificados nestes autos, inconformados com o Acórdão n° 11-22.158, de 09/05/2008, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, recorrem voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Em procedimento fiscal instaurado em face do contribuinte PARNATRIGO COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA., CNPJ 05.460.072/0001-35, o Fisco apurou que a empresa auferiu receita bruta de R$ 1.247.496,60 em apenas cinco meses de operação no ano- calendário 2003, ano de início de atividades da empresa. Em decorrência, foi expedido o Ato Declaratório Executivo nº 25, de 24/07/2007 (fl. 168), mediante o qual a empresa foi excluída do SIMPLES com efeitos a partir de 01/01/2003. Não consta do processo qualquer manifestação contrária ao referido Ato Declaratório. A seguir, foram lavrados autos de infração para constituição de crédito tributário de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ – fl. 287), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL – fl. 304), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS – fls. 319) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS – fl. 341), por fatos geradores ocorridos nos anos-calendário 2003, 2004, 2005 e 2006. O total da exação alcançou Fl. 2DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/01/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16707.003699/2007-27 Acórdão n.º 1301-00.475 S1-C3T1 Fl. 493 3 R$ 5.055.954,36, aí incluídos juros de mora e multa de ofício de 225%, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo à fl. 286. No Termo de Encerramento de fls. 361/373, o Auditor-Fiscal encarregado do procedimento descreve com detalhes os fatos por ele apurados. Considero oportuna a transcrição dos seguintes excertos: Em 23/05/2007 1 , procuramos a empresa em epígrafe para cientificá-la do Mandado de Procedimento Fiscal e do Termo de Início de Fiscalização. Chegando lá, perguntamos pela dona Luíza, que consta do contrato social da empresa como sócia administradora, a alguns empregados que se encontravam no depósito, carregando uma caminhonete com sacas de farinha de trigo, mas nenhum deles sabia quem era a Dona Luíza, quando dissemos que queríamos falar com os donos da empresa, eles nos informaram que era a dona Denise e apontaram a sala onde ela se encontrava. Ali fomos recebidos pela dona Denise e pelo Sr. Cecílio, marido de dona Denise, que disse ser o gerente da empresa e que tinha procuração para representá-la, mas como havia deixado a procuração em casa, ficou certo de comparecer no dia seguinte à Receita Federal, com a procuração, para tomar ciência do Termo de Início de Fiscalização. Quando lhe perguntamos pela Dona Luíza, ele respondeu que ela estava viajando. Entretanto, no dia seguinte, 24/05/2007, compareceu a esta Seção de Fiscalização um outro procurador da empresa, o Sr. Carlos Batista Pegado, que assinou o Mandado de Procedimento Fiscal e o Termo de Início de Fiscalização, docs. de fls. 1 e 4, respectivamente, e recebeu uma via de cada documento, deixando cópias da procuração e da carteira de habilitação, docs. de fls. 5/6. Através do Termo de Início de Fiscalização, o contribuinte foi intimado a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias os elementos abaixo especificados, referentes aos anos-calendário de 2003 a 2005: [...] Vencido o prazo para atendimento do Termo de Início de Fiscalização, sem nenhuma manifestação por parte da empresa, encaminhamos, em 18/06/2007, o Termo de Reintimação Fiscal de fls. 57, que o contribuinte foi cientificado em 22/06/2007, conforme aviso de recebimento - AR, doc. de fls. 59, intimando-o a apresentar os mesmos livros e documentos solicitados no Termo de Início de Fiscalização de fls. 4. Em 21/06/2007, encaminhamos o Termo de Intimação Fiscal, doc. de fls. 58, para Luíza Bento da Silva, que consta do contrato social da empresa como sócia, intimando-a a comparecer a esta Seção de Fiscalização, para prestar esclarecimentos sobre as operações realizadas pela empresa. Entretanto a intimação foi devolvida pelos Correios, com a informação de endereço desconhecido, conforme doc. de fls. 170, embora seja aquele o endereço constante do cadastro da contribuinte na Receita Federal. Na tentativa de encontrar a Dona Luíza Bento da Silva, encontramos o seu irmão que nos levou até a residência dela, uma casa bem simples, conforme foto às fls. 171, situada à Rua José Fabrício Monteiro, s/n, Parnamirim/RN, onde ela nos prestou as declarações constantes do Termo de Declaração Fiscal de fls. 60/62, que transcrevemos abaixo: 1 No Termo de Encerramento consta, por lapso manifesto, a data de 23/05/2005. A data foi corrigida para 23/05/2007 na transcrição ora efetuada Fl. 3DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/01/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 1 - Perguntada se era sócia da empresa Parnatrigo Comércio e Distribuição Ltda, respondeu que na verdade assinou um papel, a pedido do Sr. Cecílio, e, posteriormente, ele lhe disse que o documento que ela assinou era para ela receber um salário mínimo todo mês, e que, de fato, o seu marido, Luís Francisco do Nascimento, vai todo mês à Parnatrigo receber a quantia de R$ 380,00 (trezentos e oitenta reais), mas sabe que consta o seu nome como sócia da empresa, mas não tem nada, não sabe nada sobre a empresa; 2 - Perguntada se conhece a outra sócia da empresa, a senhora Marluce, respondeu que não conhece; 3 - Perguntada se conhece o Sr. Cecílio, respondeu que o conheceu havia pouco tempo antes de assinar o documento, através do Sr. Erione, que namorava com sua filha Ana, e que prestava serviços ao Sr. Cecílio; 4 - Perguntada se conhecia o contador da Parnatrigo, respondeu que não conhece; 5 - Perguntada onde trabalha, respondeu que está desempregada há mais de 5 (cinco) anos e que antes trabalhou na prefeitura de Parnamirim/RN, no cargo de Gari, durante três anos e três meses; 6 - Perguntada se já trabalhou para a Parnatrigo, respondeu que não, assim como não trabalhou para o Sr. Cecílio; 7 - Perguntada se seu marido trabalha na Parnatrigo, respondeu que não, nunca trabalhou para essa empresa e que atualmente está desempregado, vivendo de bico; 8 - Perguntada sobre quem paga a ela o salário na Parnatrigo, ela perguntou ao marido que respondeu que é a secretária do Sr. Cecílio, cujo nome acha que é Catarina. Em 25/06/2007, a empresa apresentou um livro contendo o Diário, Razão e Balancetes e outro contendo o Registro de Entrada, Registro de Saída e Registro de Apuração do ICMS, todos do ano de 2005 e todos sem assinatura dos sócios e sem o devido registro nos órgãos competentes, conforme cópia dos termos de abertura e de encerramento dos livros em referência, às fls. 85/97. Para nos certificarmos sobre os verdadeiros donos da empresa, encaminhamos ofícios aos cartórios de Parnamirim/RN, solicitando cópia de procurações outorgadas pela Parnatrigo e/ou pelas sócias da empresa, conforme docs. de fls. 63/64, e obtivemos resposta do 2° Ofício de Notas, que nos encaminhou 3 (três) cópias de procurações outorgadas pela Parnatrigo, sendo 2 (duas) para CECÍLIO MESQUITA DE OLIVEIRA LOPES, NETO, CPF 307.392.924-04 e 1 (uma) para DENISE RAQUEL FERNANDES, CPF 513.270.584-72, conferindo a ambos os mais amplos e gerais poderes para o fim especial de gerir e administrar a firma outorgante, podendo representá-la em juízo ou fora dele ou aonde com a procuração se apresentar e tratar de todos os assuntos e interesses da empresa, perante qualquer repartição pública federal, estadual e municipal, em quaisquer instituições financeiras, e em qualquer agência bancária, podendo abrir, movimentar contas correntes, emitir e endossar cheques, requisitar talões, requerer Cartão de Crédito, solicitar saldos e extratos de contas, requerer cartão magnético, fazer empréstimos, praticar todo e qualquer ato inerente às atividades da outorgante, agindo mormente na administração de seus negócios, nos tratos com fornecedores e clientes, bem como em toda relação trabalhista, dentre outros poderes, conforme cópias das procurações às fls. 70/72. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/01/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16707.003699/2007-27 Acórdão n.º 1301-00.475 S1-C3T1 Fl. 494 5 Encaminhamos em 04/07/2007, Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira ao Banco do Brasil S/A., à Caixa Econômica Federal, ao Banco Santander Meridional S/A. e ao Banco do Estado de São Paulo S/A., solicitando dados da ficha cadastral da Parnatrigo e cópias dos respectivos documentos comprobatórios, assim como instrumento de procuração outorgando poderes para terceiros movimentarem a conta corrente da empresa, conforme docs. de fls. 76/79 e avisos de recebimento - AR de fls. 80/83. Em respostas às requisições referidas acima os bancos responderam conforme discriminado abaixo: O Banco Santander S/A. nos encaminhou os documentos de fls. 109, 166/167 e 227/243, onde informa o n° da conta corrente da Parnatrigo, doc. de fls. 166, e apresenta a cópia da procuração dando poderes ao Sr. Cecilio Mesquita de Oliveira Lopes Neto para movimentá-la, doc. de fls. 167, e cópia do contrato social da empresa e alterações, informações do faturamento mensal da empresa, no período 2003 a 2004, docs. de fls. 227/243, e informa ainda que não localizou conta da empresa no antigo Banco Santander Meridional S/A., doc. de fls. 109. A Caixa Econômica Federal nos encaminhou os documentos de fls. 110/165, onde informa o n° de duas contas correntes da Parnatrigo, doc. de fls. 110, e apresenta a cópia da ficha de abertura e autógrafos, onde aparecem os autógrafos de DENISE RAQUEL FERNANDES, doc. de fls. 111, cópia da procuração dando poderes à Sra. Denise para movimentá-la, doc. de fls. 130, cópia do contrato social da empresa e alterações, informações do faturamento mensal da empresa, no período 08/2005 a 07/2006, doc. de fls. 158, cópia dos documentos pessoais de Denise Raquel Fernandes, Luíza Bento da Silva e do ex-sócio José de Anchieta de Carvalho, assim como suas respectivas fichas cadastro pessoa física, e a ficha cadastro pessoa jurídica da empresa. O Banco do Brasil nos encaminhou os documentos de fls. 179/199 e 202/221, onde informa o n° da conta corrente da Parnatrigo, doc. de fls. 181v, e apresenta a cópia da procuração dando poderes à Sra. Denise para movimentá-la, doc. de fls. 203, cópia do contrato social da empresa e alterações, docs. de fls. 185/197, informações do faturamento mensal da empresa, no período 10/2005 a 09/2006, doc. de fls. 208, cópia dos documentos pessoais de Denise Raquel Fernandes, das sócias Luiza Bento da Silva e Marluce Lopes de Azevedo Lima, e do ex-sócio Jose de Anchieta de Carvalho, contas de energia elétrica de Marluce e Denise. Consultando os sistemas de consulta sobre vínculos empregatícios do trabalhador, do Cadastro Nacional de Informações Sociais, constatamos que o Sr. Cecílio e Dona Denise nunca tiveram vínculo empregatício com a Parnatrigo, conforme telas de fls. 98/107. Analisando os sistemas de informação da Receita Federal e as declarações do contribuinte, constatamos que: a) Em relação ao ano-calendário de 2003, a empresa apresentou a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica - SIMPLES, doc. de fls. 12/29, apresentando receita bruta anual igual a zero, embora tenha declarado à Secretaria de Estado de Tributação do Rio Grande do Norte uma receita bruta de R$ 1.247.496,60 (hum milhão, duzentos e quarenta e sete mil, quatrocentos e noventa e seis reais e sessenta centavos), valor superior ao limite permitido para a empresa permanecer no SIMPLES, como empresa de pequeno porte, conforme doc. de fls. 7; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/01/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 b) No ano-calendário de 2004 - a empresa apresentou Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica - SIMPLES, doc. de fls. 30/47, apresentando receita bruta anual igual a zero, embora tenha declarado à Secretaria de Estado de Tributação do Rio Grande do Norte uma receita bruta de R$ 3.125.038,20 (três milhões, cento e vinte e cinco mil e trinta e oito reais e vinte centavos), valor superior ao limite permitido para a empresa permanecer no SIMPLES, como empresa de pequeno porte, conforme doc. de fls. 8; c) No ano-calendário de 2005 - a empresa apresentou Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ, doc. de fls. 48/59, com base na tributação pelo lucro presumido, apresentando receita bruta anual igual a zero, embora tenha declarado à Secretaria de Estado de Tributação do Rio Grande do Norte uma receita bruta de R$ 7.640.539,96 (sete milhões, seiscentos e quarenta mil, quinhentos e trinta e nove reais e noventa e seis centavos), conforme doc. de fls. 9; e efetuou apenas um pagamento do imposto de renda da pessoa jurídica, referente ao primeiro trimestre, no código 0220, o que caracteriza a opção pela tributação com base no lucro real trimestral, para aquele ano-calendário; d) Em relação ao ano-calendário de 2006, não consta, até o momento, a apresentação da declaração do imposto de renda da pessoa jurídica pela empresa, embora tenha declarado à Secretaria de Estado de Tributação do Rio Grande do Norte uma receita bruta de R$ 9.460.695,87 (nove milhões, quatrocentos e sessenta mil, seiscentos e noventa e cinco reais e oitenta e sete centavos), conforme doc. de fls. 10. Como o contribuinte não atendia aos requisitos necessários para permanecer no SIMPLES no ano-calendário de 2003 e não comunicou o fato à Receita Federal, para a exclusão do SIMPLES por opção, e ainda apresentou Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica - SIMPLES, no ano-calendário de 2004, encaminhamos, ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Natal/RN, a Representação Fiscal para fins de Exclusão do SIMPLES, doc. de fls. 2/3, e foi editado o Ato Declaratório Executivo DRF/NAT n° 25, de 24/07/2007, doc. de fls. 168, declarando a empresa excluída do SIMPLES, com efeitos a partir de 01/01/2003. Em 24/07/2007, encaminhamos o Ato Declaratório Executivo DRF/NAT n° 25, de 24/07/2007, para ciência do contribuinte, e em 25/07/2007 encaminhamos o Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, doc de fls. 172/174, sendo ambos os documentos devolvidos pelos Correios, com a informação de mudança de endereço de contribuinte, conforme docs. de fls. 175/176. Assim, a ciência desses documentos foi dada ao contribuinte, através do Edital de Intimação n° 29, de 08/08/2007, doc. de fls. 177. Na tentativa de encontrar a outra sócia da empresa, a Sra. Marluce Lopes de Azevedo Lima, CPF 324.114.304-00, obtivemos o endereço constante de conta de energia elétrica, do mês de junho de 2006, em seu nome, através de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira ao Banco do Brasil, Rua José Serafim Nunes, 28, Vale do Sol - Parnarmirim/RN, uma casa simples, como se vê na foto constante de fls. 254, onde fizemos uma visita em 10/08/2007. Lá encontramos um casal, que nos informou ter alugado aquela casa, há cerca de 2 (dois) meses, através de contrato verbal com a Dona Marluce, e que não sabia onde a Dona Marluce poderia ser encontrada, mas que, talvez, a Dona Ana, vizinha do lado, pudesse dar alguma informação, porque as duas eram amigas. Em seguida fomos à casa de Dona Ana, a quem perguntamos onde poderiamos encontrar a Dona Marluce, em resposta ela nos disse que não sabia, porque Dona Marluce mudou-se de surpresa, há cerca de 3 (três) meses, deixando apenas o recado de que posteriormente lhe telefonaria, mas até então, não havia Fl. 6DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/01/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16707.003699/2007-27 Acórdão n.º 1301-00.475 S1-C3T1 Fl. 495 7 telefonado. Entretanto, informou que na rua do lado, morava a Dona Cida, que é babá do neto da Dona Marluce, e que poderia dar alguma informação. A Dona Cida também não soube informar exatamente o novo endereço da Dona Marluce, mas disse que ela se mudara, há cerca de 3 (três) meses, para uma casa alugada, que fica no térreo de um prédio de dois andares, próximo ao cemitério de Parnamirim/RN, tendo alugado sua casa para um casal que morava, antes, na casa ao lado da sua. Entretanto, disse que quem poderia informar era a filha da Dona Marluce, Alexandra, que é mãe do garoto que fica aos seus cuidados, a qual trabalha numa empresa que comercializa trigo, em Parnamirim/RN, que Alexandra, geralmente, almoçava com a mãe, aos domingos, e que às 19:00 h, passaria ali em sua casa para pegar o seu filho. Ao voltarmos, percebemos que havia uma carreta descarregando mercadoria no prédio onde funcionava a Parnatrigo e fomos lá verificar. Quando chegamos lá, encontramos no escritório a Sra Alexandra, que trabalhava na Parnatrigo, e que nos informou que a Parnatrigo fechou e que ali funciona agora a RN Trigo. Quando perguntamos pela Dona Marluce, ela nos respondeu que não sabia do pessoal da Parnatrigo. Perguntamos em seguida: ela não é a sua mãe? E ela, surpresa, respondeu que sim, mas que não sabia do novo endereço dela. Durante a conversa, Alexandra admitiu que sabia onde morava sua mãe, mas precisava prepará-la, porque ela é nervosa e poderia ficar chocada com a nossa abordagem. Ficou, então, de entrar em contato conosco, posteriormente, para marcar um contato com a Dona Marluce. Em 14/08/2007, o contador da Parnatrigo, o Sr. Júnior Aladim, ligou para esta Fiscalização, para dizer que é o contador da Parnatrigo, que a empresa fechou, e soube que nós estávamos procurando a dona da empresa, que ela arranjou um emprego no Paraná, depois que a empresa fechou, mas que ela estava para vir a Natal, e acertaria para ela vir à Receita Federal, para o contato conosco, e que ainda naquele dia daria uma posição com mais detalhes. Mas tarde, no mesmo dia, ligou novamente, para dizer que a Dona Marluce estaria chegando segunda-feira da próxima semana, 20/08/2007, em definitivo, e que poderia vir à Receita Federal na terça-feira, dia 21/08/2007. Em 17/08/2007, uma sexta-feira, a Dona Marluce ligou para esta Seção de Fiscalização para dizer que estava muito preocupada e que queria contar tudo o mais rápido possível, marcando para segunda-feira, dia 20/08/2007, a exposição de seus esclarecimentos para esta fiscalização, o que se concretizou com a presença dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil, José de Anchieta Cabral Figueiredo e José Guilherme Cazumba Parente, em sua residência, onde foi lavrado o Termo de Constatação Fiscal de fls. 251/253, em que ela esclarece conforme descrição abaixo: 1 - Perguntada como se deu o início de sua participação no quadro societário da Parnatrigo, respondeu que, em visita a sua filha Alexandra, que trabalha na empresa, foi convidada pelo Sr. Cecilio e Sra Denise para entrar no quadro societário da empresa, pois, segundo o Sr. Cecílio, uma pessoa tinha pedido para sair, que não tinha nenhum problema para ela, que ela não iria se prejudicar; 2 - Perguntada se recebia algum dinheiro, respondeu que o Sr. Cecílio lhe pagava um salário mínimo por mês; 3 - Perguntada se conhece a Sra Luiza Bento e José de Anchieta de Carvalho, respondeu que não; Fl. 7DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/01/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 4 - Perguntada sobre quem lhe efetuava o pagamento, respondeu que empregados do Sr. Cecilio e da Sra Denise vinham a sua residência lhe entregar, outras vezes, sua filha Alexandra lhe entregava; 5 - Perguntada se conhece o Contador da empresa, o Sr. Junior Aladim, respondeu que não; 6 - Perguntada se trabalhou no Estado do Paraná, respondeu que não; 7 - Perguntada sobre quem, de fato, praticava os atos na empresa, como compra, venda, etc., respondeu que eram o Sr. Cecilio e a Sra Denise; 8 - Perguntada por que mudou de residência, respondeu que um motorista do Sr. Cecilio chegou em sua residência com um caminhão, à noite, e fizeram sua mudança. Antes disso, pela manhã, a Sra Denise, quando soube que a Receita Federal tinha localizado a Sra Luiza Bento, a outra sócia, foi à sua residência dizendo que ela, Sra Marluce, tinha que se mudar urgente, para um lugar onde fosse difícil localizar, tipo nos fundos de uma residência, assim ela, Sra Marluce, encontrou esse imóvel onde reside atualmente; 9 - Perguntada quem pagava o aluguel do imóvel, respondeu que o primeiro mês foi pago pela Sra Denise, os demais foram pagos pela própria Marluce; 10 - Perguntada sobre quem trazia os documentos para ela assinar, respondeu que era o Sr. Wilson, que é uma pessoa de confiança do Sr. Cecilio; 11 - Perguntada sobre o seu grau de instrução, respondeu que mal sabe ler; 12 - Perguntada sobre sua situação financeira atual, respondeu que vive em depressão, cuidando de sua outra filha, que é deficiente, a qual recebe uma pensão do INSS; 13 - Perguntada se tinha conhecimento dos documentos que assinava, respondeu que não sabia do que se tratava, pois é semi-analfabeta; 14 - Perguntada se ainda recebia o dinheiro do Sr. Cecilio, respondeu que até o dia 05/08/07, pois dia 06/08/07, o Sr. Wilson chegou com um papel para ela assinar, tendo ela recusado e dito que não queria mais receber esse dinheiro. Procuramos também encontrar o sócio que saiu antes da entrada da Dona Marluce no quadro societário da Parnatrigo, o Sr. JOSÉ DE ANCHIETA DE CARVALHO, CPF 512.373.424-49, que também não reside no endereço constante do cadastro de contribuintes da Receita Federal. Através da Intimação Fiscal de fls. 178, conseguimos com a BR Moto Peça e Serviço Ltda, conforme docs. de fls. 223/225, o endereço dele, constante do cadastro de clientes daquela empresa, localizado à AV. GETÚLIO VARGAS, 528, PASSAGEM DE AREIA, PARNAMIRIM/RN, onde fomos procurá-lo no dia 17/08/2007. Ao chegarmos lá, encontramos a casa fechada, mas perguntando ao vizinho pelo Sr. José de Anchieta, ele nos respondeu que o mesmo não morava mais naquela casa, mas trabalhava num Lava-Jato, no Posto Bonzão, em Parnamirim/RN. Partimos então para o Posto Bonzão, onde encontramos o Sr. José de Anchieta de Carvalho, que, espontaneamente, prestou os esclarecimentos constantes do Termo de Constatação Fiscal de fls. 246/249, conforme transcrito abaixo: 1 - Perguntado se foi sócio da empresa Parnatrigo Comércio e Distribuição Ltda., respondeu que foi procurado pelo Sr. Erione Alves de Oliveira, que lhe disse que um rapaz queria abrir uma firma e precisava dos seus documentos e que para isso lhe pagaria um salário mínimo por mês. Em seguida procurou o rapaz que queria abrir a firma, o Sr. Cecilio, para se certificar do negócio, se não teria nenhum Fl. 8DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/01/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16707.003699/2007-27 Acórdão n.º 1301-00.475 S1-C3T1 Fl. 496 9 problema, tendo o mesmo respondido que não tinha nenhum problema, e que lhe pagaria um salário mínimo por mês; 2 - Perguntado quem lhe efetuava o pagamento, respondeu que, às vezes era a Alexandra, às vezes era a Sra Denise e outras vezes era o próprio Cecilio; 3 - Perguntado se conhece as sócias da empresa, a Sra Luiza Benta da Silva e a Sra Marluce Lopes de Azevedo Lima, respondeu que não conhece nenhum das duas; 4 - Perguntado se conhece o contador da empresa, respondeu que não; 5 - Perguntado se trabalha com carteira assinada, respondeu que não, que trabalha como autônomo num Lava-Jato, no Posto Bonzão, há cerca de seis anos, e que, antes disso, trabalhava como moto-taxista; 6 - Perguntado se exerceu alguma função na Parnatrigo, respondeu que não, mas que, eventualmente, o Sr. Cecilio mandava alguns papéis para ele assinar; 7 - Perguntado qual o motivo de sua saída da empresa, respondeu que pediu ao Sr. Cecilio para tirar o seu nome da empresa, porque estava inscrito no Movimento dos Sem Terra, e com o nome vinculado a uma empresa poderia trazer dificuldade para conseguir algum pedaço de terra; 8 - Perguntado onde reside atualmente, respondeu que mora num loteamento, no Bairro Passagem de Areia, conhecido como Bela Vista, na cidade de Parnamirim/RN; 9 - Perguntado como recebe suas correspondências, respondeu que é no endereço onde morava anteriormente, à Av. Getúlio Vargas, 528, Passagem de,Areia, Parnamirim/RN. Diante dos fatos acima expostos, constatamos que os sócios de fato da empresa são o Sr. Cecilio Mesquita de Oliveira Lopes Neto e a Sra. Denise Raquel Fernandes, para os quais encaminhamos Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, docs. de fls. 255/262, onde: 1 - detalhamos os fatos ocorridos no decorrer desta fiscalização; II - intimamo-los a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, a esta fiscalização, os elementos abaixo discriminados, referentes à empresa PARNATRIGO COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA, CNPJ 05.460.072/0001-35 (RELATIVOS AOS ANOS-CALENDÁRIO DE 2003 A 2006): 1 - Manifestação, por escrito, referente às. constatações do item I, e quanto aos depoimentos das sócias e do ex-sócio da empresa, que seguem anexados a este termo; [...] 14- Esclarecer as divergências entre as receitas informadas para a Secretaria de Estado da Tributação do RN e para, a Receita Federal; III - Informamo-los que o não atendimento daquele termo de intimação dentro do prazo implicaria no lançamento de oficio dos débitos, com base no arbitramento do lucro da empresa, com os dados de que dispúnhamos, cujos débitos seriam imputados aos sócios de fato da empresa; Fl. 9DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/01/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 IV - encaminhamos em anexo, para ciência, cópia dos documentos abaixo relacionados: [...] O Sr. Cecílio e a Sra. Denise tomaram ciência do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, referido acima, em 10/09/2007, conforme aviso de recebimento - AR de fls. 263/264, tendo vencido o prazo sem que nenhum dos dois se manifestasse. Encaminhamos, em 10/10/2007, o ofício n° 493/DRF/NAT/SAFIS, doc. de fls. 265, ao Cartório do 1º Ofício de Notas de Parnamirim/RN, solicitando informações sobre a existência de registros de bens imóveis naquele cartório em nome do Sr. Cecílio, da Sra. Denise, da Parnatrigo e da RN TRIGO. Em resposta o cartório nos encaminhou o oficio de fls. 266/269, com as certidões de registro de imóvel, sendo um em nome do Sr. Cecilio e outro em nome da Sra. Denise. Confrontando as certidões de fls. 267/269 com a FICHA DO IMÓVEL, doc. de fls. 271, que nos foi encaminhada pela Secretaria Municipal de Tributação de Parnamirim/RN, em resposta ao ofício n° 516/DRF/NAT/SAFIS, doc. de fls. 270, constatamos que o imóvel do Sr. Cecilio é a sede, de fato, da RN TRIGO, à AV. SÍLVIA BANDEIRA DE MELO N° 13, PARQUE DE EXPOSIÇÕES, PARNAMIRIM/RN, onde funcionou a PARNATRIGO até há cerca de três meses, embora o n° do imóvel fosse 95, quando funcionava a Parnatrigo, e hoje seja o n° 13, tendo alterado apenas o número, mas o imóvel é o mesmo. Em 22/10/2007, visitamos a RN TRIGO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA., à Av. Silvia Bandeira de Melo, 13, Parque de Exposições, Parnamirim/RN, onde entregamos o Termo de Intimação Fiscal, de 18/10/2007, doc. de fls. 272/273, e o Termo de Constatação Fiscal, de 22/10/2007, doc. de fls. 274, e nos foram fornecidas uma nota fiscal de entrada e outra de saída, doc. de fls. 275/276, em que verificamos que o endereço da RN TRIGO impresso na nota fiscal de saída é: R. Raimundo Barros Cavalcante, 132, Monte Castelo, Parnamirim/RN, CEP 59146-275, e que, embora seja esse o endereço constante do seu cadastro na Receita Federal, ela não tem ali nenhuma atividade, visto que ali funciona uma loja de vídeo-games, conforme Termo de Constatação de fls. 277. Visitamos a RN Trigo, em 22/10/2007, e constatamos, conforme Termo de Constatação Fiscal de fls. 274, os fatos listados abaixo: 1 - Que comparecemos ao endereço AV. SILVIA BANDEIRA DE MELO, 13, PARQUE DE EXPOSIÇÕES, PARNAMIRIM/RN, em 22/10/2007, , e fomos informados pela Sra. Alexandra Catarina de Azevedo, Secretária da RN TRIGO, que neste endereço funcionava a empresa PARNATRIGO, e que há aproximadamente três meses passou a funcionar a empresa RN TRIGO; 2 - Que a Sra. Alexandra foi funcionária da Parnatrigo, no cargo de Secretária, desde 2001 até ela fechar; 3 - Que, quando a empresa Parnatrigo estava em funcionamento, no mesmo local, o número do imóvel na rua era 95 (noventa e cinco) e hoje é 13 (treze); 4 - Que, segundo a Sra. Alexandra, está sendo providenciada a atualização do endereço da RN TRIGO, pois nos documentos fiscais ainda consta o endereço Rua Raimundo Barros Cavalcante, 132, Bairro Monte Castelo, CEP 59146-275, Parnamirim/RN; 5 - Que não há mais a placa de identificação da PARNATRIGO, e também não há placa de identificação da RN TRIGO; Fl. 10DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/01/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16707.003699/2007-27 Acórdão n.º 1301-00.475 S1-C3T1 Fl. 497 11 6 - Que foi fornecida pela Sra. Alexandra, cópia de uma nota fiscal de entrada e uma de saída da RN TRIGO, ainda com o endereço antigo. Tendo em vista o exposto acima, utilizamos os dados obtidos da Secretaria de Estado da Tributação do Rio Grande do Norte, através do sistema de Consulta ao Movimento Econômico Tributário, doc. de fls. 7/10, que foram encaminhados aos sócios de fato da empresa, Sr. Cecílio Mesquita de Oliveira Lopes Neto e Sra. Denise Raquel Fernandes, para conhecimento e para manifestação, e onde identificamos as receitas informadas pela empresa àquela Secretaria, referentes aos meses de janeiro a dezembro dos anos-calendário de 2003 a 2006 e efetuamos o lançamento de ofício abaixo, com base no lucro arbitrado, tendo em vista a negativa do contribuinte de apresentar os livros e documentos de sua escrituração, depois de 3 (três) intimações para a empresa e 1 (uma) para os sócios de fato, com sujeição passiva solidária dos sócios de fato da empresa, Sr. Cecílio Mesquita de Oliveira Lopes Neto, CPF 307.392.924-04 e Sra. Denise Raquel Fernandes, CPF 513.270.584-72, e da empresa RN TRIGO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA., CNPJ 06.154.250/0001-62 de propriedade dos sócios de fato da fiscalizada, e substituta da fiscalizada, no mesmo endereço e nas mesmas atividades, conforme art. 124 e 132, parágrafo único do CTN (Lei n° 5.172/66). [...] Considerando que a conduta praticada pelo contribuinte se constitui, em tese, crime contra a ordem tributária, e que ele se negou seguidamente a atender às intimações desta fiscalização, formalizamos o processo administrativo n 10469- 720.475/2007-57, com a lavratura da representação fiscal para fins penais, de que trata o art. 1º da Portaria SRF n° 326, de 15 de março de 2005, e qualificamos a multa de lançamento de ofício nos termos do art. 44, inciso II e § 2° da Lei n° 9.430/96, que, com as alterações impostas pelo art. 14 da Lei 11.488/07, passa a ser art. 44, §§ 1° e 2° da Lei 9.430/96. O contribuinte teve, então, seus lucros arbitrados nos períodos fiscalizados, com base no art. 530, inciso III, do RIR/99. Os fatos apurados levaram o Fisco à conclusão da responsabilidade tributária das seguintes pessoas: a) RN TRIGO COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA., CNPJ 06.154.250/0001-62, Termo de Sujeição Passiva Solidária às fls. 394/403, responsabilidade atribuída com base no art. 132, parágrafo único, do CTN. b) CECÍLIO MESQUITA DE OLIVEIRA LOPES FILHO, CPF 307.392.924-04, Termo de Sujeição Passiva Solidária às fls. 374/383, responsabilidade atribuída com base nos arts. 124 e 135 do CTN. c) DENISE RAQUEL FERNANDES, CPF 513.270.584-72, Termo de Sujeição Passiva Solidária às fls. 384/393, responsabilidade atribuída com base nos arts. 124 e 135 do CTN. Tanto a pessoa jurídica PARNATRIGO COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA., na qualidade de contribuinte, quanto a pessoa jurídica RN TRIGO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. e as pessoas físicas Sr. CECÍLIO MESQUITA DE OLIVEIRA LOPES NETO e Sra. DENISE RAQUEL FERNANDES, na qualidade de responsáveis, foram cientificados da exigência. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/01/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 12 A contribuinte PARNATRIGO COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA. não apresentou impugnação. RN TRIGO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. apresentou a impugnação de fls. 424/436. O Sr. CECÍLIO MESQUITA DE OLIVEIRA LOPES NETO e a Sra. DENISE RAQUEL FERNANDES apresentaram, em conjunto, a impugnação de fls. 411/423. As duas peças impugnatórias possuem idêntico conteúdo, o qual foi assim resumido pelo relator do processo por ocasião do julgamento em primeira instância: - Destaca que em nenhum momento do presente processo as pessoas físicas foram intimadas, assim, não puderam apresentar os documentos pertinentes. Ressaltam que os sócios respondem solidariamente pelo imposto devido pela pessoa jurídica, porém não existe a figura do sócio de fato, não podendo a fiscalização responsabilizar outro contribuinte pelo simples fato de existir uma procuração em seu nome. - Cita os artigos 124 e 135 do Código Tributário Nacional e afirma expressamente: “Ora, não resta comprovado nos autos nenhum ato dos requerentes/contribuintes que gerassem impostos para a empresa PARNATRIGO, de modo, que fazendo valer o que reza o artigo acima citado, jamais poderia ser responsabilizados de forma solidária”. - Efetua em seguida explicações a respeito do art. 135 do Código Tributário Nacional e conclui que a responsabilidade ali atribuída não é objetiva. - Requer a nulidade dos autos de infração do presente processo por três motivos básicos: 1 – “O funcionário do fisco não atentou para a forma de confecção do auto de infração, ou seja, não distinguiu na constituição do suposto crédito tributário o pagamento de penalidade e tributo, destoando da responsabilidade tributária do contribuinte”.; 2 –“Houve cerceamento do direito de defesa quando não mais foi colocado a disposição da pessoa física dos recorrentes/impugnantes, prazo para apresentar a documentação pertinente a matéria vestibular, bem como o modo e as razões que os fatos ocorreram; 3 – Não houve no caso em comento a caracterização da regra contida nos artigos 124 e 135 do CTN, de modo que nem de longe se pode falar em sucessão e/ou responsabilidade passiva solidária dos recorrentes.” - Contesta que os contribuintes não obtiveram lucro com a Parnatrigo. - Volta a se referir genericamente em vícios dos autos de infração do presente processo e requer a nulidade dos autos e dos termos de sujeição passiva. - Requer que caso não seja aceito o pedido de nulidade seja reaberto o prazo para que os contribuintes, pessoas físicas, possam apresentar, ainda em sede de início de fiscalização, toda a documentação necessária. A 4ª Turma da DRJ em Recife/PE analisou a impugnação apresentada pelos responsáveis solidários e, por via do Acórdão nº 11-22.158, de 09/05/2008 (fls. 446/458), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Ano-calendário: 2003 EXCLUSÃO DO SIMPLES. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/01/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16707.003699/2007-27 Acórdão n.º 1301-00.475 S1-C3T1 Fl. 498 13 Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFÍCIO - IRPJ - CSLL- COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS COMO DEMAIS PESSOAS JURÍDICAS. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. MATÉRIA NÃO CONTESTADA - ARBITRAMENTO DO LUCRO - BASE DE CÁLCULO DO ARBITRAMENTO. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. O órgão preparador buscou, sem sucesso, dar ciência dessa decisão ao contribuinte PARNATRIGO COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA. por via postal (fl. 465), sendo a correspondência devolvida ao remetente. O mesmo ocorreu com a correspondência enviada ao endereço da Sra. Luiza Bento da Silva (fl. 475), que consta no cadastro da SRF como responsável pela pessoa jurídica. Finalmente, a ciência se fez por via do Edital de fl. 476. Não consta do processo que tenha sido interposto recurso voluntário pelo contribuinte PARNATRIGO. As pessoas jurídica e físicas apontadas no lançamento como responsáveis solidários, a saber, RN TRIGO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA., CECÍLIO MESQUITA DE OLIVEIRA LOPES NETO e DENISE RAQUEL FERNANDES, tomaram ciência da decisão de primeira instância por via postal, respectivamente em 06/06/2008, 05/06/2008 e 05/06/2008 (AR às fls. 469, 471 e 473) e apresentaram recurso voluntário em conjunto em 02/07/2008 conforme carimbo de recepção à folha 477. No recurso interposto (fls. 478/490) repetem, com as mesmas palavras, os argumentos anteriormente trazidos na peça impugnatória. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Fl. 13DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/01/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 14 O recurso apresentado em conjunto por RN TRIGO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. (CNPJ 06.154.250/0001-62), CECÍLIO MESQUITA DE OLIVEIRA LOPES NETO (CPF 06.154.250/0001-04) e DENISE RAQUEL FERNANDES (CPF 513.270.584-72), apontados no lançamento como responsáveis solidários, é tempestivo. Passo a verificar sua admissibilidade. Inicialmente, ressalto que a pessoa jurídica PARNATRIGO COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA., relacionada no momento do lançamento no polo passivo da obrigação jurídico-tributária na qualidade de contribuinte (CTN, art. 121, I), não apresentou recurso voluntário. O recurso acima mencionado foi interposto pela pessoa jurídica e pelas duas pessoas físicas arroladas no polo passivo na qualidade de responsáveis (CTN, 121, II), responsabilidade esta atribuída com fundamento nos arts. 132, parágrafo único (no caso da pessoa jurídica) e 124 e 135 (no caso das pessoas físicas), todos do mesmo código. Ainda sem entrar no mérito da responsabilidade imputada, entendo que agiu corretamente o Fisco ao, com base nos elementos de que dispunha e nos fatos que apurou, trazer para o polo passivo da relação jurídico-tributária as pessoas físicas e jurídica que considerou responsáveis tributários. O art. 142 do CTN assim dispõe (grifo não consta do original): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Observe-se que a obrigação de constituir o crédito tributário pelo lançamento, imposta à autoridade administrativa, tem como um de seus aspectos a identificação do sujeito passivo. O mesmo diploma legal, em seu artigo 121, caracteriza o sujeito passivo da obrigação tributária como gênero, do qual define duas espécies: o contribuinte e o responsável. Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz- se: I - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Desta forma, repito, andou bem o Fisco ao relacionar no polo passivo não apenas o contribuinte (a pessoa jurídica PARNATRIGO COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA.), mas também aqueles sobre os quais entendeu recair a responsabilidade tributária. Quanto à legitimidade para intervir no processo daqueles tidos como responsáveis, entendo que essa legitimidade em tudo se equipara àquela reconhecida ao Fl. 14DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/01/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16707.003699/2007-27 Acórdão n.º 1301-00.475 S1-C3T1 Fl. 499 15 contribuinte. O impugnante em primeira instância, ou o recorrente em segunda instância, é aquele contra quem foi lavrado o auto de infração, de quem se exigiu o pagamento do crédito tributário constituído ou, se inconformado, a reclamação correspondente. Em outras palavras, é tanto o contribuinte quanto o responsável. Negar àquele apontado como responsável a possibilidade de aduzir provas e razões contrárias não apenas à sua responsabilização, mas também contra o lançamento, em si, constituiria grave equívoco e causa de nulidade, por cercear o direito ao contraditório e à ampla defesa, garantido pela Constituição Federal. Na esteira dessa linha de raciocínio, e por não tratar especificamente do assunto o Decreto nº 70.235/1972, considero plenamente aplicáveis as disposições dos arts. 9º e 58 da Lei nº 9.784/1999: Art. 9o São legitimados como interessados no processo administrativo: I - pessoas físicas ou jurídicas que o iniciem como titulares de direitos ou interesses individuais ou no exercício do direito de representação; II - aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada; [...] Art. 58. Têm legitimidade para interpor recurso administrativo: I - os titulares de direitos e interesses que forem parte no processo; II - aqueles cujos direitos ou interesses forem indiretamente afetados pela decisão recorrida; [...] No mesmo sentido já se manifestou a douta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no Parecer/PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009, do qual transcrevo os excertos abaixo: [...] 96. A conseqüência jurídica principal da conclusão de que o administrador que comete ato ilícito, no exercício da gerência, responde solidariamente com a pessoa jurídica pelo crédito tributário, sem benefício de ordem, é a de que ele, nesse caso, deve ser considerado “sujeito passivo” e “devedor” para efeito de aplicação da legislação tributária em geral. É ele “sujeito passivo” porque, por força do art. 121, parágrafo único, II, do CTN, todo responsável é sujeito passivo tributário. É ele “devedor” em razão de que a pretensão do Fisco para com ele é exigível independentemente da solvabilidade da pessoa jurídica. 97. Assim, o responsável solidário pode sofrer, individualmente, auto de infração, com forte no art. 142 do CTN, sendo, nesse ato, declarado o ato ilícito que praticou o administrador no exercício da gerência e imputada a responsabilidade a esse infrator. Sendo, porém, sua responsabilidade autônoma da obrigação do contribuinte quanto ao nascimento e à natureza, não está obrigada a Administração Tributária a declarar sua responsabilidade ao mesmo tempo em que constitui o crédito tributário de que é devedora a pessoa jurídica. A responsabilidade do terceiro Fl. 15DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/01/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 16 pode ser declarada a qualquer tempo, na esfera administrativa ou judicial, desde que subsista a obrigação do contribuinte. [...] 102. Noutros termos, podemos afirmar que o responsável pode participar do processo administrativo fiscal em que se discute o crédito tributário na posição de terceiro interessado; trata-se de faculdade sua. Não é obrigatória, porém, sua presença e sequer sua intimação para tanto, justamente porque ele, no PAF em questão, é meramente terceiro interessado. Distintamente, em processo administrativo em que se apura sua responsabilidade “pessoal” decorrente de ato ilícito, sua presença é indispensável, obviamente. Pelo exposto, considero partes legítimas no presente processo administrativo fiscal a pessoa jurídica RN TRIGO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA., o Sr. CECÍLIO MESQUITA DE OLIVEIRA LOPES NETO e a Sra. DENISE RAQUEL FERNANDES, e conheço do recurso por eles apresentado. Passo, então, a apreciar os argumentos dos recorrentes. De plano, devo destacar que não procedem as reclamações dos recorrentes de que as pessoas físicas não teriam sido intimadas e, por esse motivo, não puderam apresentar os documentos solicitados pelo Fisco. Às fls. 255/262 encontro o Termo e Constatação e de Intimação Fiscal a eles dirigido, mediante o qual o Fisco lhes dá ciência do andamento e do quanto apurado pela Fiscalização até aquele momento. Pelo mesmo instrumento, a Sra. Denise e o Sr. Cecílio são intimados a se manifestar sobre os depoimentos prestados pelos sócios e ex- sócios e a apresentar os livros e documentos fiscais indispensáveis ao prosseguimento dos trabalhos de auditoria fiscal. A ciência se deu por via postal, em 10/09/2007 (AR às fls. 263/264), não tendo havido qualquer manifestação dos interessados. Observo que isso ocorreu bem antes da lavratura dos autos de infração (em 01/11/2007) e que referido Termo não se confunde com diversas outras intimações anteriores dirigidas à pessoa jurídica fiscalizada e/ou aos sócios que constavam do contrato social. Ainda que assim não fosse, o que admito apenas como hipótese argumentativa, após a lavratura dos autos de infração e dos Termos de Sujeição Passiva Solidária as pessoas apontadas como responsáveis teriam plenas condições, se assim o desejassem, de apresentar os argumentos e provas, inclusive livros e documentos contábeis e fiscais, hábeis a desconstituir o lançamento tributário. Se não o fizeram, nem por ocasião do procedimento de fiscalização, nem posteriormente, após a instauração do contencioso administrativo, certamente não foi por falta de oportunidade nem de conhecimento. Não vislumbro, pois, qualquer cerceamento ao direito dos recorrentes à ampla defesa e ao contraditório, pelo que rejeito qualquer arguição de nulidade nesse sentido, bem assim o pedido de reabertura de prazo para apresentação de documentação, por absolutamente descabido e desprovido de previsão legal. Passando a tratar especificamente da responsabilidade tributária, impõe-se analisar separadamente a responsabilização tributária imposta à pessoa jurídica e às pessoas físicas, visto que as bases legais e o contexto fático é distinto em se tratando de uma ou de outra situação. No que toca ao Sr. CECÍLIO MESQUITA DE OLIVEIRA LOPES NETO e à Sra. DENISE RAQUEL FERNANDES, o fundamento legal empregado foram os arts. 124 e Fl. 16DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/01/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16707.003699/2007-27 Acórdão n.º 1301-00.475 S1-C3T1 Fl. 500 17 135 do CTN, a seguir transcritos, conforme consta dos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária (fls. 374/383 e 384/393) e do Termo de Encerramento (fls. 361/373). Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II - as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. [...] Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] II - os mandatários, prepostos e empregados; III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Reclamam as referidas pessoas físicas que a fiscalização não poderia responsabilizar outro contribuinte (eles, no caso) pelo simples fato de existir uma procuração em seu nome. Acrescentam que não existiria comprovado nos autos “nenhum ato dos requerentes/contribuintes que gerassem impostos para a empresa PARNATRIGO, de modo, que [...] jamais poderia ser responsabilizados de forma solidária”. O exame dos autos revela muito além do que os recorrentes consideram tratar-se de uma “simples procuração”. Além das procurações públicas (fls. 70/72) com amplos poderes outorgadas aos recorrentes para gerir os negócios da PARNATRIGO e administrar e movimentar suas contas-correntes bancárias, tais poderes foram efetivamente exercidos, como comprovam os documentos bancários enviados ao Fisco pelo Banco Santander S/A, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil. Todo um amplo leque de vinculações entre o Sr. Cecílio, a Sra. Denise, e as atividades e negócios da PARNATRIGO foram apurados e minuciosamente descritos pelo Fisco, sem que houvessem sido satisfatoriamente refutados pelos interessados, inclusive os depoimentos dos sócios e ex-sócios de direito, nos quais a todo momento, não por acaso, surgem os nomes do Sr. Cecílio e da Sra. Denise. Não há qualquer evidência de que agissem como meros procuradores, por ordem de terceiros (administradores ou sócios da empresa), nem de que seus atos estivessem sujeitos a posterior convalidação. A conclusão é bem em sentido contrário, em face da constatada hipossuficiência econômica e da falta de capacitação daqueles que constavam do contrato social para administrar um empreendimento dessa envergadura. Relevante, também, o fato de que o Sr. Cecílio é proprietário do imóvel onde se situava a fiscalizada PARNATRIGO e, posteriormente, a RN TRIGO. Finalmente, quanto à relação entre o comportamento daqueles tidos por responsáveis e a obrigação tributária, todo o conjunto dos fatos, depoimentos e declarações levantados pelo Fisco evidencia que as operações da PARNATRIGO foram intencionalmente Fl. 17DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/01/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 18 ocultadas do Fisco Federal, com o fim de permitir que a atividade econômica fosse exercida sem o pagamento dos tributos correspondentes. Os sócios de direito, claramente interpostas pessoas, desconheciam a própria condição de sócios, recebendo por seu papel um salário mínimo mensal dos sócios de fato, além de se demonstrarem pessoas humildes, em alguns casos semi-analfabetas. Nessas condições, correto o entendimento de que aqueles que, em última análise e de fato, geriam o empreendimento, praticando as operações mercantis e administrando os recursos financeiros, mantendo-os à margem da tributação, sejam considerados como responsáveis pelo crédito tributário lançado. Pelo exposto, mantenho a responsabilidade tributária atribuída ao Sr. CECÍLIO MESQUITA DE OLIVEIRA LOPES NETO e à Sra. DENISE RAQUEL FERNANDES. Por outro giro, a responsabilidade tributária imputada à pessoa jurídica RN TRIGO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. o foi com fulcro no art. 132, parágrafo único, do CTN, o qual transcrevo abaixo, para maior clareza. Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. Os fatos descritos e comprovados pelo Fisco (vide Termo de Encerramento, fls. 361/373, e Termo de Sujeição Passiva Solidária, fls. 394/403) se amoldam perfeitamente às disposições legais acima. A recorrente RN TRIGO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA., pertencente ao Sr. Cecílio Mesquita de Oliveira Lopes Neto e Sra. Denise Raquel Fernandes, mesmos sócios de fato da contribuinte PARNATRIGO COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA, prosseguiu na exploração das mesmas atividades econômicas antes exercidas por esta última, após o encerramento de suas atividades, no mesmo endereço e instalações. Considerando, ainda, a inexistência de argumentos e provas específicas em sentido contrário, tenho por correta a responsabilidade tributária imputada à pessoa jurídica RN TRIGO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. Os recorrentes alegam, ainda, a nulidade dos autos de infração porque não teriam sido distinguidos, na constituição do crédito tributário, o pagamento de penalidade e tributo, “destoando da responsabilidade tributária do contribuinte” (fl. 483, item 16.1). Ao contrário, constato que tributo, penalidades e juros moratórios se encontram perfeitamente discriminados no lançamento (consolidação à fl. 286 e demonstrativos que acompanham cada um dos autos de infração). Ainda que assim não fosse, os recorrentes não explicam quais os motivos que levariam à nulidade do lançamento, pelo que esse argumento não pode prosperar. O mesmo ocorre com os alegados “vícios dos autos de infração”, referidos de forma genérica. Também não se há de acolher a alegação de que “os contribuintes não obtiveram lucro com a Parnatrigo”. O arbitramento dos lucros, forma de tributação empregada pelo Fisco diante da ausência dos livros e documentos obrigatórios e da impossibilidade de apuração do lucro real, é feito mediante a aplicação dos percentuais determinados em lei sobre a receita bruta auferida. Se o contribuinte, de fato, não auferiu lucros em sua atividade, caberia Fl. 18DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/01/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16707.003699/2007-27 Acórdão n.º 1301-00.475 S1-C3T1 Fl. 501 19 a ele optar tempestivamente pela tributação com base no lucro real (facultada a qualquer contribuinte) e escriturar e manter os livros e documentos exigidos para tanto. Finalmente, é de se esclarecer que inexistem questionamentos quanto ao arbitramento do lucro, nem quanto às bases de cálculo utilizadas, nem quanto às multas agravadas e qualificadas, pelo que não há litígio quanto ao mérito do lançamento, propriamente. Por todo o exposto, em conclusão, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto conjuntamente por RN TRIGO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA., CECÍLIO MESQUITA DE OLIVEIRA LOPES NETO e DENISE RAQUEL FERNANDES. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 19DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 28/01/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 22/03/2011 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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