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Numero do processo: 13227.720257/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008
NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL - É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26).
Preliminares rejeitadas
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.560
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e , no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocado), Ewan Teles Aguiar (Suplente Convocado), Vinicius Magni Verçoza (Suplente Convocado).
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007, 2008 NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL - É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26). Preliminares rejeitadas Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e , no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocado), Ewan Teles Aguiar (Suplente Convocado), Vinicius Magni Verçoza (Suplente Convocado).
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QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.Recurso provido em parte (Súmula CARF no.26). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 02 57 /2 01 2- 11 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Preliminares rejeitadas Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e , no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocado), Ewan Teles Aguiar (Suplente Convocado), Vinicius Magni Verçoza (Suplente Convocado). Fl. 276DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13227.720257/201211 Acórdão n.º 2202002.560 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Contra a contribuinte, MARIA LUCIA MOURA GUIMARÃES, foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, referente ao exercício 2009, anocalendário 2008, por AFRF da DRF/JIPARANÁ/RO. A ciência do lançamento ocorreu em 23/03/2010, fl.126. O valor do crédito tributário apurado está assim constituído: (em Reais) Anocalendário 2008 Imposto de Renda (sujeito à multa de ofício) R$ 278.614,50 Multa de ofício (passível de redução) R$ 208.960,87 Juros de Mora (calculados até 29/02/2012) R$ 77.538,41 Total do Crédito Tributário R$ 565.113,78 De acordo com o Auto de Infração, fls. 123/137, os motivos da autuação foram: OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA De acordo com o Relatório Fiscal, fls.130/137: No curso do procedimento fiscal sobre o contribuinte João Duarte Guimarães, CPF 096.343.71787, observouse que o mesmo mantinha a contacorrente n° 1729089 da Agência 05296 do HSBC Bank Brasil S/A em conjunto com a ora fiscalizada Maria Lúcia Moura Guimarães, CPF 136.693.542 04. A existência de contascorrentes conjuntas implica na necessidade de intimar todos os cotitulares das contas bancárias para comprovar a origem dos depósitos nelas efetuados, conforme determina o art. 42 da Lei n° 9.430/96. Por essa razão, houve abertura de procedimento fiscal sobre a contribuinte Maria Lúcia Moura Guimarães, CPF 136.693.542 03, titular em conjunto com João Duarte Guimarães, CPF 096.343.71787, da contacorrente n° 1729089 da Agência 05296 do HSBC Bank Brasil S/A. A fiscalizada foi cientificada pessoalmente do Termo de Início de Procedimento Fiscal em 19/07/2011. O referido termo intimava o sujeito passivo a comprovar, no prazo de 20 (vinte) dias, a origem dos recursos lançados a crédito durante o ano calendário de 2008 na contacorrente de n° 1729089, Agência 05296 do HSBC BANK BRASIL S/A, mantida em conjunto com o João Duarte Guimarães, CPF 096.343.71787, através de documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores. Os créditos a serem justificados pela fiscalizada Maria Lúcia Moura Guimarães, encontramse relacionados individualmente no Anexo ao Termo de Início do Procedimento Fiscal e somam R$ 4.905.882,16. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Cabe destacar que o extrato da contacorrente n° 1729089 da Agência 05296 do HSBC BANK BRASIL S/A foi entregue à Fiscalização pelo contribuinte João Duarte Guimarães, CPF 096.343.71787, no curso de procedimento fiscal sobre o mesmo. Dando continuidade ao procedimento fiscal, foram lavrados ainda três Termos de Ciência e Continuação do Procedimento Fiscal de números 036/2011, 050/2011 e 009/2012, sendo o sujeito passivo cientificado pessoalmente dos mesmos em 31/10/2011, 16/12/2011 e 07/02/2011, respectivamente. Não havendo qualquer outra manifestação por parte do sujeito passivo, seja ela no sentido de solicitar novo prazo ou de apresentar qualquer outro elemento, passouse à análise da documentação apresentada e apuração dos valores devidos a título de Imposto de Renda Pessoa Física. Conforme determina a própria Lei 9.430 de 27 de dezembro de 1996, no §3 de seu Art. 42, determina que para determinação da receita omitida, os créditos serão analisados de forma individualizada, ou seja, a comprovação da origem dos valores creditados deverá ser feita crédito a crédito. Ainda no §6 do Art. 42 da Lei 9.430 de 27 de dezembro de 1996, fica previsto que na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, os recursos nelas depositados, na hipótese de não comprovados, serão imputados a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Não houve por parte do sujeito passivo a juntada de qualquer documento ou informação tendente a justificar o valor dos créditos efetuados em sua conta corrente, ficando as comprovações restritas àquelas apresentadas pelo seu cotitular João Duarte Guimarães, CPF 096.343.71787. Do montante de R$ 4.905.882,16 constante inicialmente no Termo de Início de Procedimento Fiscal, foram comprovados pelo seu cotitular a importância de R$ 2.843.307,47. Assim sendo, restaram como depósitos de origem não comprovada aimportância de R$ 2.062.574,69, dos quais foram divididos 50% para cada um dos cotitulares. A contribuinte apresenta sua impugnação em 25/04/2012, fls.145/194, alegando o seguinte: A exigência consagrada pelo lançamento não merece guarida, por falta de amparo legal, por ausência de pressupostos válidos para a exigência do lançamento do credito tributário, haja vista que não houve acréscimo de seu patrimônio e por não incidir nas regras matrizes de hipótese de incidência tributária, por ausência de prova do lançamento, por não considerar a escrituração e o caixa rural como válidos, além das notas fiscais juntadas que foram desprezadas quase em sua totalidade embora sejam os documentos idôneos. Pede a juntada dos dois processos administrativos n. 13227.720258/201265 c/ processo n. 13227.720257/201211, por ambos tratarem sobre os mesmos lançamentos. Ao longo da fiscalização, já havia se manifestado de forma clara, quanto a exigência sobre a entrega dos extratos bancários, que somente parte fora entregue e os demais não foram entregues ao contribuinte que sentiuse prejudicado com o seu não Fl. 278DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13227.720257/201211 Acórdão n.º 2202002.560 S2C2T2 Fl. 4 5 atendimento em tempo hábil, vez que as instituições financeiras nunca atendem as solicitações realizadas pelos seus correntistas. Contudo destacase o fato de sempre haver respondido a todas as intimações que recebera da Receita Federal, no entanto, a forma com que a Receita Federal obtém as informações, contraria todos os dispositivos legais, considerados válidos em nosso ordenamento pátrio. Desnecessário todo o aparato administrativo para sujeitar o contribuinte recorrente a prestar informações para em seguida comproválas A fiscalização não comprova de forma válida e eficiente qual foi a omissão de receita, pois não consegue provar o aumento patrimonial ou até mesmo ganho auferido, simplesmente distorcem os extratos bancários e deduzem tudo de forma contrária e ainda arbitram o imposto, lançam multa de ofício para dar legalidade ao auto de infração. Os ilustres auditores, totalmente despreparados e que não demonstram conhecimento com a região em que se encontram, principalmente com as atividades rurais, iniciase a fiscalização, sem aterse para os atos formais e materiais, do mencionado decreto. Solicitou a comprovação de receitas já de posse dos extratos bancários (inversamente ou seja detrás para frente). Todavia, observase de plano, as patentes nulidades dos lançamentos, á medida que o fisco não solicitou preliminarmente esclarecimento específicos a propósito da matéria lançada, ainda assim, pois tudo que fora solicitado quanto a comprovação da receita foi devidamente provado com robustos documentos de sua atividade rural, que foi desconsiderada, e não buscou outras informações que pudessem subsidiar o auto de infração, além de não cumprir com as formalidades, consoante determina o artigo 24, parágrafo único, do decreto n. 7.574/2011. A prova se dá pelas próprias palavras do auditor fiscal, no seu relatório fiscal e na paginas anexas ao auto de infração, nas diligencias realizadas junto aos bancos, tudo o que foi denunciado espontaneamente na declaração do imposto de renda de 2008, foi devidamente comprovado e esta a disposição desta douta delegacia de julgamento de BelémPA. As provas juntadas causaram uma "confusão" no auditor fiscal, que demonstrou uma falta de conhecimento sobre a matéria a ser aplicada. Confusa é a planilha e a tabela utilizada como demonstrativo de apuração de omissão de receita. O auto de infração apresenta vícios que acarretam sua nulidade. O ilustre auditor, tomou conhecimento dos valores existentes nas contas bancarias do sujeito passivo de forma ilegal e criminosa. Independente de que dispõe o decreto n° 70.235/72 e o decreto n°7.574/2011, o processo administrativo tributário deve se submeter às disposições constitucionais. Antes de se conformar com a lei, e o referido decreto nem é lei, tem força de lei apenas relativa e não absoluta, além de ter sido editado sob a égide de Fl. 279DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 ordem constitucional diversa (antiga e revogada), o processo administrativo teve adequarse ao texto supremo. Qualquer ofensa a garantia individual do particular caracteriza frontal mácula ao interesse público, motivo pelo qual, eiva o processo de nulidade absoluta e insanável. Houve total cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo. N processo de obtenção de informações junto ao contribuinte e aos fornecedores, sem ao menos verificar junto a contabilidade se tais informações estavam ou não dentro da contabilidade da empresa, que alicerçam a presente exação e que renderam ensejo à lavratura do auto de infração e imposição de multa a um patamar de 75%, não foi assegurada qualquer possibilidade de manifestação do autuado. O próprio auditor pediu ao contribuinte que juntasse os documentos que faltassem ao recurso logo após a lavratura do auto de infração, deixando a fiscalização ao lavrar o auto de infração, sob o argumento que o recorrente, caso este sentisse prejudicado, que juntasse os documentos restantes na apresentação deste recurso, sabendo que a fiscalização teve todo tempo necessário para perquirir provas, juntar documentos, circularizar as informações junto aos fornecedores e compradores, solicitar ao contribuinte os esclarecimentos específicos a propósito da matéria, tornou ilegais as provas obtidas e não dando ciência ao contribuinte, como recomenda a legislação de regência, revestiuse o instrumento do lançamento "exofício"de vício insanável. O auditor ao arbitrar o lançamento do credito tributário ao impugnante tornouo omisso de suas próprias receitas que advieram somente de uma atividade como pecuarista, tornou alvo de uma devassa fiscal sem justo motivo, sem justa causa, basta verificar os extratos que por sir trazem a verdade real dos fatos . A partir de analises contidas no corpo do relatório fiscal, que iniciaram as duvidas e incertezas ou propriamente dito as confusões ensejando a lavratura do auto de infração. Pois ora aceita os argumentos e mais a frente não os aceita. Perguntase? onde está o ganho de capital, ou pelo menos a hipótese de incidência do credito tributário, a movimentação financeira, não traz com clareza quais os depósitos que ficaram em sua conta corrente, e o que esta na declaração do imposto de renda pessoa física de 2008, inexiste, foi fantasiado, os créditos apenas saiam do HSBC para conta corrente da JICRED cooperativa de credito, contas do mesmo titular, que muitas vezes se utilizava para pagar as despesas constantes do caixa rural. Simples indícios não servem como prova. A falta de conhecimento do ilustre auditor é tanta que o mesmo fez confusão em uma planilha simples de regras simples ou seja o que fez na verdade foi recusar os documentos apresentados no qual alguns documentos que já estavam no livro considerou alguns e outros não, neste caso foi fácil lavrar o auto de infração. Falta a efetivação e prova do fato descrito na autuação, constituindose em ofensa irremediável ao lançamento, ferindo em definitivo o art. 142 do Código Tributário Nacional LEI Nº 5.172, DE 25 DE OUTUBRO DE 1966, que exige a respeito. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13227.720257/201211 Acórdão n.º 2202002.560 S2C2T2 Fl. 5 7 Não houve omissão de receitas. somente ocorreu transição de valores sem percepção de lucro ou dividendos ou suposto ganho de capital. Há falta de embasamento fático e legal da autuação, com o digno autuante substituindo a prova pela sua palavra de fé pública absoluta que ele imagina ter de ser capaz inclusive de justificar os erros de interpretação cometidos e os erros de cálculos dos impostos, pois não se sabe qual o valor real devido, nem tampouco os cálculos das planilhas, confusas são alíquotas também utilizadas (pelo lucro real, lucro presumido ou lucro arbitrado), não se sabe???. Todos os depósitos foram de banco para outro banco da mesma titularidade (do HSBC para a cooperativa de credito JICRED) e foram "conciliados" entre outras palavras foram adotados como base calculo e apurou o imposto. O direito ao contraditório significa o direito de uma parte conhecer todos os fatos e todas as provas apresentadas pela outra parte e sobre eles poder se manifestar e apresentar novas provas. Tal garantia também significa que deverá participar, ou ser intimada a participar, de todas as provas que serão produzidas no decorrer do processo, pois como poderá refutar algo que foi produzido sem a sua participação. Após amplamente debatida, tendo restado vencidos os ministros Joaquim Barbosa, Ellen Grace e Marco Aurélio, o STF, em sessão plenária, aprovou a súmula vinculante de 29, nos seguintes termos: Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no artigo 10, inciso 1, da lei 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo". Embora os fundamentos da criação da nova súmula sejam um tanto concorrentes, como a falta de condição de procedibilidade e ausência de elemento normativo para o tipo penal, o stf deixa claro a partir de agora que não deverá haver ação penal sem o definitivo lançamento tributário. Requer a improcedência da exigência, cancelandose o respectivo lançamento, por absoluta e manifesta falta de amparo legal, técnica e fático, inclusive com erro de interpretação legal por parte do fisco, e total ausência de relação de causa e efeito, e por não haver omissões de receitas ou ganho de capital, que não foi comprovado pelo ilustre auditor A DRJ julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2009 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.V PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n° 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante Fl. 281DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera argumentos da impugnação. Da pedido de juntada de processos administrativos; Da nulidade dos lançamentos; Dos rendimentos da atividade rural como origem; Dos extratos bancários sem autorização judicial. É o relatório. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13227.720257/201211 Acórdão n.º 2202002.560 S2C2T2 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Julgamento em Conjunto Ainda que seja compreensível o pedido da recorrente para julgamento em conjunto, o fato é que o processo foi formulado individualmente e apresenta todos os elementos necessários para a formação da convicção deste julgador. Não há previsão legal e não vejo neste caso a necessidade de julgamento em conjunto. Da Preliminar de Nulidade Nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja anulado, como bem discorreu a autoridade recorrida, os vícios capazes de anular o processo são os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declarados se importarem em prejuízo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. A autoridade fiscal ao constatar infração tributária tem o dever de ofício de constituir o lançamento. Constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e no correspondente Relatório de Procedimento Fiscal, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. As razões para não se aceitar os argumentos do recorrente estão claramente demonstrados tanto no Termo de Verificação do Auto de Infração como na Decisão recorrida. Entendo que não procede a alegação de que a defesa teria sido prejudicada. Uma vez que isso não impediu que o contribuinte apresentase ampla defesa suscitando vários pontos. Na realidade no caso concreto não se percebe qualquer nulidade que comprometa a validade do procedimento adotado. Diante disso, é evidente que tal preliminar carece de sustentação fática, merecendo, portanto, a rejeição por parte deste Egrégio Colegiado. Da Presunção baseada em Depósitos Bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato Fl. 283DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Notase portanto a coerência do arrazoado da autoridade recorrida, afastando os argumentos que a recorrente suscitou na impugnação e que agora no recurso reitera mais uma vez. Ainda que a recorrente tenha argumentado que a origem dos recursos seriam de atividades rurais ou empresariais, cabe a recorrente demonstrar o que alega. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda Fl. 284DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13227.720257/201211 Acórdão n.º 2202002.560 S2C2T2 Fl. 7 11 representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Das Provas Apresentadas É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. A recorrente apresenta argumentos que são verossímeis, entretanto não logrou comprovar individualizadamente os depósitos realizados, caberia a mesma apresentar provas conclusiva que firmassem a convicção no julgador. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Da Impossibilidade de Quebra do Sigilo Bancário O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Apesar de existir intermináveis discussões quanto à natureza do sigilo bancário, entendo que tal garantia, inserese na esfera do direito à privacidade, traduzido no artigo 5°, inciso X, da Constituição Federal. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Por outro lado, entendo que o direito à privacidade não é ilimitado, tendo em vista o princípio da convivência de liberdades. Assim, não se pode, sob o manto da privacidade, pretender acobertar indistintamente qualquer irregularidade que seja objeto de apuração pelo fisco, ou seja, os direitos e garantias individuais previstos na Constituição Federal não se prestam a servir de manto protetor a comportamentos abusivos, e nem tampouco devem prevalecer diante de fatos que possam constituir crimes. Sejam eles crimes tributários ou não. Não restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. O sigilo bancário será quebrado sempre que houver processo instaurado e a autoridade fiscalizadora considerar necessário, pois é sabido que os estabelecimentos vinculados ao sistema bancário não poderá eximirse de fornecer à fiscalização, em cada caso especificado pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, cópias das contas correntes de seus depositantes ou de outras pessoas que tenham relações com tais estabelecimentos, nem de prestar informações ou quaisquer esclarecimentos solicitados, se a autoridade fiscal assim o julgar necessário, tendo em vista a instrução de processo para qual essas informações são requeridas. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Da Multa Aplicada Consoante relatado no Termo de Descrição dos Fatos não foi alicada multa qualificada, de modo que não procedem os argumento do recorrente quanto a sua invalidade. A multa de ofício aplicado é aquela prevista na legislação. Ante ao exposto, voto por REJEITAR as preliminares e , no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 286DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13227.720257/201211 Acórdão n.º 2202002.560 S2C2T2 Fl. 8 13 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10950.907736/2011-96
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 3803-005.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 77 36 /2 01 1- 96 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907736/201196 Acórdão n.º 3803005.167 S3TE03 Fl. 106 2 decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, devidamente atualizado com base na taxa Selic, alegando que o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Segundo o então Manifestante, tratarseia, o presente caso, de tributação incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, rubricas essas não abarcadas pelo conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório, do PER, da DCOMP e de planilhas por ele elaboradas. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/10/2002 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO PELO STF. Até que haja a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, sobre matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo STF ou pelo STJ, nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, aplicase, ao caso, a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, relativamente à ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que, ainda que se superasse a questão de direito, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos e/ou livros fiscais e contábeis que Fl. 106DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907736/201196 Acórdão n.º 3803005.167 S3TE03 Fl. 107 3 demonstrassem a efetiva base de cálculo da contribuição, bem como as receitas que deveriam ser excluídas em razão da alegada inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado da decisão em 12 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, alegando que o indébito decorreria da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir expostos. Com base no relatório supra, constatase que, diferentemente do alegado na Manifestação de Inconformidade, quando se apontou a origem do indébito como sendo a tributação indevida incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, em desacordo com a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, em sede de recurso, o contribuinte passa a fundamentar seu direito na indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. Vale destacar que, na primeira instância, o ora Recorrente não fez qualquer referência à alegada incidência indevida da contribuição sobre o ICMS. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907736/201196 Acórdão n.º 3803005.167 S3TE03 Fl. 108 4 tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. [A] preclusão deve ser compreendida como um instituto que envolve a impossibilidade, por regra, de, a partir de determinado momento, serem suscitadas matérias no processo, tanto pelas partes como pelo próprio juiz, visandose precipuamente à aceleração e à simplificação do procedimento. Integra sempre o objeto da preclusão, portanto, um ônus processual das partes ou um poder do juiz; ou seja, a preclusão é um fenômeno que se relaciona com as decisões judiciais (tanto interlocutória como final) e as faculdades conferidas às partes com prazo definido de exercício, atuando nos limites do processo em que se verificou. 3 Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo as inovações ser afastadas por se referirem a matéria não impugnada no momento processual devido. Além disso, mesmo que a preclusão não tivesse ocorrido neste processo, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois nenhum documento hábil e idôneo foi apresentado para comprovar o direito argüido. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória se desenvolve nos limites do pedido formulado pelo sujeito passivo. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, não cabendo em processos da espécie a inversão do ônus da prova. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. 3 RUBIN, Fernando. A prevalência da justiça estatal e a importância do fenômeno preclusivo. Disponível em: http://www.ambito_juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 16 abr 2013. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907736/201196 Acórdão n.º 3803005.167 S3TE03 Fl. 109 5 Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. Dessa forma, mesmo que preclusão não houvesse, não se poderia reconhecer o direito creditório pleiteado por total ausência de prova de sua existência. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003206/2006-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2001
IPI. DECADÊNCIA.
A Administração Pública dispõe do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato jurídico tributário, para realizar o lançamento de ofício para a exigência do IPI, conforme determina o art.150, §4o do Código Tributário Nacional.
Nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo de decadência para o lançamento de oficio deve ser contado pela regra do art. 173, I do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3201-001.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2001 IPI. DECADÊNCIA. A Administração Pública dispõe do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato jurídico tributário, para realizar o lançamento de ofício para a exigência do IPI, conforme determina o art.150, §4o do Código Tributário Nacional. Nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo de decadência para o lançamento de oficio deve ser contado pela regra do art. 173, I do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 32 06 /2 00 6- 13 Fl. 935DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino. Relatório Tratase de auto de infração para a cobrança de IPI, fls. 336/338, lavrado em 26/02/2007, com ciência na mesma data, relativo ao período de janeiro a junho de 2001, por erro de classificação fiscal e alíquota a menor do imposto. A Recorrente classificou na NCM 3004.90.99 o produto denominado "Proderm Emulsão 150 ml", alíquota de 0%, destinado a medicamentos, quando o correto, segundo a fiscalização, seria o código tarifário NCM3304.99.10, relativo a preparações para conservação, proteção e hidratação da pele, com alíquota de 20%. A fiscalização aplicou à Recorrente a multa qualificada de 150%, entendendo que a contribuinte já possuía consulta sobre produto semelhante indicando a classificação defendida pela fiscalização, e que, deliberadamente, teria dado saída aos produtos com classificação fiscal errada e alíquota menor. A decisão da autoridade administrativa a quo julgou procedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2001 IPI. DECADÊNCIA. Caracterizado o lançamento por homologação, de iniciativa do sujeito passivo, e escoado o lapso qüinqüenal, as ocorrências fáticas são abrangidas pelo fenômeno jurídico da decadência. Inexistindo o lançamento por homologação, e nos casos de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo de decadência para o lançamento de oficio deve ser contado pela regra do art. 173, I do CTN. Lançamento Improcedente É a síntese do necessário. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Fl. 936DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19515.003206/200613 Acórdão n.º 3201011.363 S3C2T1 Fl. 94 3 O presente recurso de ofício preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Não há reparos há reparos serem feitos à decisão recorrida. Com efeito, considerandose que a autuação referese a fatos geradores ocorridos entre 01/01/2001 a 30/06/2001, e que a ciência da Recorrente apenas se deu em 26/02/2007, dúvidas não restam de que se operou a decadência, ainda que se cogitasse da aplicação da regra do art.173, I do Código Tributário Nacional, considerandose a aplicação da multa qualificada de 150%. Em face do exposto, nego provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 937DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10950.002723/2005-81
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 18/02/2005
Ementa:
DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. POSSIBILIDADE- O atraso pelo contribuinte na entrega da declaração além do prazo estipulado pela Receita Federal, em razão do congestionamento de dados em seu site, não acarreta a aplicação da multa prevista na legislação de regência, tendo em vista o Ato Declaratório SRF n° 24, de 08 de abril de 2005, que prorrogou o prazo estabelecido para a entrega da DCTF relativa ao 4° trimestre de 2004.
Numero da decisão: 9101-001.767
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por maioria dos votos, NEGAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
(documento assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(documento assinado digitalmente)
VALMIR SANDRI
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes e João Carlos de Lima Júnior. Ausente justificadamente as Conselheiras Suzy Gomes Hoffmann e Karem Jureidini Dias, sendo substituídas pelos Conselheiros Moises Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 18/02/2005 Ementa: DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS — DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. POSSIBILIDADE O atraso pelo contribuinte na entrega da declaração além do prazo estipulado pela Receita Federal, em razão do congestionamento de dados em seu site, não acarreta a aplicação da multa prevista na legislação de regência, tendo em vista o Ato Declaratório SRF n° 24, de 08 de abril de 2005, que prorrogou o prazo estabelecido para a entrega da DCTF relativa ao 4° trimestre de 2004. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por maioria dos votos, NEGAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) VALMIR SANDRI Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 27 23 /2 00 5- 81 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.002723/200581 Acórdão n.º 9101001.767 CSRFT1 Fl. 3 2 Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes e João Carlos de Lima Júnior. Ausente justificadamente as Conselheiras Suzy Gomes Hoffmann e Karem Jureidini Dias, sendo substituídas pelos Conselheiros Moises Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Insigne Procurador da Fazenda Nacional, contra a decisão da Terceira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, consubstanciada no Acórdão n° 30335.188, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso e cancelou a penalidade imposta ao contribuinte por atraso na entrega da DCTF, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/02/2005 DCTF. DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS FEDERAIS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ATRASO NA ENTREGA. PROBLEMAS TÉCNICOS NOS SISTEMAS ELETRÔNICOS DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. Tendo em vista o Ato Declaratório SRF n° 24, de 08 de abril de 2005, que prorrogou o prazo estabelecido para a entrega da DCTF relativa ao 4° trimestre de 2004, considerando válidas as declarações entregues até 18/02/2005 e, tendo em vista que a publicidade do ato somente ocorreu no dia 12/04/2005, deve ser considerada tempestiva a entrega da DCTF no dia 24/02/2005. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO A recorrente indicou como paradigma o nº Acórdão 30338.631, que traz a seguinte ementa: Assunto. Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2004 Ementa: DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS — DCTF MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. POSSIBILIDADE. O atraso pelo contribuinte na entrega da declaração além do prazo estipulado pela Receita Federal, em razão do congestionamento de dados em seu site, acarreta a aplicação da multa prevista na legislação de regência. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. O recurso foi admitido pela Presidente da 3ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.002723/200581 Acórdão n.º 9101001.767 CSRFT1 Fl. 4 3 A interessada apresentou contrarazões afirmando inexistir identidade fática entre os julgados confrontados. Protesta pela manutenção do acórdão recorrido invocando o princípio da eficiência da Administração Pública. Ressalta que em caso idêntico, julgado pela mesma Terceira Câmara, por unanimidade de votos foi dado provimento ao recurso, e a Procuradoria não recorreu, o que fere o princípio da igualdade. Menciona orientação do órgão local da SRF para aguardar orientação oficial para a transmissão. Diz que até a data de 24/02/2005 em que foi entregue a DCTF, não havia nenhuma orientação nem mesmo para os agentes públicos sobre o procedimento a ser tomado tanto pela Receita Federal, como pelos contribuintes. E que a tão esperada orientação que se aguardava da Receita Federal só veio a concretizarse em data de 08/04/2002, através do ADE publicado no Diário oficial apenas em 12/04/2005, ou seja, quase dois meses depois do problema técnico ocorrido, ferindo frontalmente o Princípio da Publicidade dos atos administrativos. Invoca o Acórdão 30334.989, proferido para caso idêntico, e no qual o colegiado acolheu a proposta do relator e deu provimento ao recurso voluntário, para com base no disposto no art.108 c/c o art.112, do CTN, aplicar neste caso juízo de equidade e proporcionalidade e cancelar a multa lançada. É o relatório. Voto Conselheiro VALMIR SANDRI, Relator. A divergência de entendimentos está perfeitamente caracterizada. O contribuinte alega falta de identidade fática, postulando a não admissibilidade do especial. Todavia, existe a identidade fática, pois se trata da mesma infração (atraso na entrega da DCTF), relativa ao mesmo período, nas mesmas circunstâncias (nos últimos dias do prazo para entrega ocorreram problemas no sistema de transmissão eletrônica). O acórdão motivou sua decisão no fato de o Ato Declaratório Executivo SRF n.° 24, que estendeu o prazo anteriormente estabelecido para a entrega da DCTF relativa ao 4° trimestre de 2004, e declarou válidas as declarações entregues até 18/02/2005, só ter sido publicado no dia 12/04/2005, ou seja, após a data para entrega da declaração. Ponderou que a eficácia do ato estava condicionada ao Princípio da Publicidade, e como essa ocorreu após a entrega da DCTF, deve ser considerada tempestiva a declaração entregue em 24/02/2005. Pelos vários casos análogos ao presente trazidos a esta Câmara Superior, muitos dos quais com cópia de informação prestada pelo agente público da CAC/Maringá narrando os fatos (entre outros, processos nº10950.002736/200550 e 10950.002500/200513), observo não haver prova de que a administração tenha orientado os contribuintes a não transmitirem suas declarações enquanto não viesse orientação oficial. Ao analisar aqueles processos pude verificar que o servidor da CAC/Maringá atesta que pelo menos uma semana antes do prazo final da entrega os contribuintes reclamaram dos problemas no sistema, que aquele órgão tentou obter autorização para receber as DCTFs impressas, mas não foi autorizado, que as autoridades administrativas deixaram a repartição aberta até às 20 horas para que os contribuintes tentassem enviar a declarações pelo auto atendimento, que os contribuintes foram informados que deveriam enviar o mais cedo possível, Fl. 97DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.002723/200581 Acórdão n.º 9101001.767 CSRFT1 Fl. 5 4 porque a multa não poderia deixar de ser aplicada, pois o prazo seria até às 20 horas do dia 15, que eles não sabiam que o prazo seria prorrogado. Em síntese, temse que ocorreu problema técnico no sistema de transmissão das declarações à Receita Federal, que esses problemas se manifestaram nos últimos dias do prazo, como atesta o CAC/Maringá, que em função disso a Secretaria da Receita Federal, em 08 de abril, baixou um ato declarando que as declarações transmitidas até o dia 18 de fevereiro seriam tidas como tempestivas, que o contribuinte transmitiu sua declaração apenas no dia 28 de fevereiro, portanto fora do prazo admitido pela Receita. O ADE SRF nº 24, de 08/04/2005, foi editado para sanar e esclarecer todas as consequências decorrentes dos problemas técnicos verificados no sistema de transmissão da DCTF em 15/02/2005. O ato traduz o reconhecimento, pela administração, da insuficiência do sistema eletrônico para que os contribuintes pudessem apresentar as declarações no prazo estipulados. O acórdão cuja reforma postula a PFN argumenta que, de acordo com o Princípio da Publicidade, a eficácia dos atos administrativos está condicionada à sua publicidade, e conclui que, como a transmissão da DCTF ocorreu antes da publicação do Ato Declaratório 24/2005, não ocorreu à mora. Ora, O Ato Declaratório emitido pela Secretaria da Receita Federal deve ser entendido dentro dos limites de sua competência, conferida pelo art. 16 da Lei 9.779/1999, o qual foi editado para reconhecer (declarar) uma situação já acontecida, e afastar os efeitos por ela produzidos, prejudiciais aos administrados até o momento de sua edição, não podendo, portanto, afastar a penalidade em decorrência da insuficiência do sistema eletrônico apenas até o dia 18, mas sim, até a data de sua publicação, prestigiandose aqui a necessidade de transparência e generalidade do ato administrativo. Isto posto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 17 de outubro de 2013. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri, Relator. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.002723/200581 Acórdão n.º 9101001.767 CSRFT1 Fl. 6 5 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 10945.900836/2012-41
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 08 36 /2 01 2- 41 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10945.900836/201241 Acórdão n.º 3801002.617 S3TE01 Fl. 63 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10945.900836/201241 Acórdão n.º 3801002.617 S3TE01 Fl. 64 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo do Pedido de Restituição – PER nº 32389.17278.120307.1.2.040793 por meio do qual a contribuinte solicita o crédito no valor de R$ 4.584,80, relativo ao DARF de PIS (código de receita 8109), no valor de R$ 17.498,57, recolhido em 15/05/2002.. Em 01/08/2012 (Rastreamento nº 029227417) o pedido de restituição foi indeferido, pelo fato de que o DARF discriminado na PER acima identificada estava integralmente utilizado para quitação do débito de PIS do período de apuração de abril02, não restando saldo de crédito disponível para o reconhecimento do crédito solicitado. Uma vez cientificada do despacho decisório a contribuinte apresentou em 03/09/2012 a Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. Após um breve relato dos fatos, a interessada alega o direito à restituição pleiteada em face do entendimento, adotado em algumas sentenças judiciais, de que o ICMS não integra a base de cálculo do PIS e da Cofins. Sustenta que o ICMS não integra o conceito de faturamento (receita bruta), uma vez que tratase de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual. Argumenta que o Supremo Tribunal Federal STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo das contribuições (PIS e Cofins) e transcreve, para fundamentar sua tese, parte do voto do ministro relator proferido no RE 2407852/ MG. Diz, também, que a inclusão do ICMS na base dessas contribuições é ilegal, posto que o mesmo não representa riqueza da contribuinte. Diante do exposto, requer a interessada o acolhimento da manifestação para o fim de deferir integralmente o pedido de restituição. Pede adicionalmente, que os valores a serem restituídos sejam acrescidos da taxa Selic. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 INCONSTITUCIONALIDADE Fl. 64DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10945.900836/201241 Acórdão n.º 3801002.617 S3TE01 Fl. 65 4 Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa as razões apresentadas por ocasião da impugnação. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10945.900836/201241 Acórdão n.º 3801002.617 S3TE01 Fl. 66 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme asseverado no presente recurso, a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Por conta da suspensão dos julgamentos determinada pelo STF, os processos envolvendo a mesma matéria, pendentes de serem examinados por este Conselho, ficaram também suspensos, em sintonia com o disposto nos §§ 1º e 2º do artigo 62A1 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/07/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, e na Portaria CARF nº 01, de 3/01/2012. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos do aludido artigo, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10945.900836/201241 Acórdão n.º 3801002.617 S3TE01 Fl. 67 6 Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. A recorrente alega ainda a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, inclusive colacionando entendimento expresso no voto do eminente Relator do RE nº 240.7852/MG em julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ocorre que as alegações acerca da inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal Fl. 67DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10945.900836/201241 Acórdão n.º 3801002.617 S3TE01 Fl. 68 7 para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador. A alegação de inconstitucionalidade de lei também é objeto da abaixo transcrita súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros, por força do disposto no art. 72, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009: Súmula CARF nº 2 (D.O.U de 22/12/2009, Seção 1) O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, acima transcrito. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 68DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES
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Numero do processo: 10783.901595/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
CRÉDITO PRESUMIDO. IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. EXCLUSÃO.
O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluídos, em sua base de cálculo, os valores dos serviços de industrialização por encomenda.
Numero da decisão: 3201-001.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s FÁBIA REGINA FREITAS, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAÚJO e LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO.
JOEL MIYAZAKI - Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Redator designado.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. EXCLUSÃO. O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluídos, em sua base de cálculo, os valores dos serviços de industrialização por encomenda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s FÁBIA REGINA FREITAS, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAÚJO e LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO. JOEL MIYAZAKI Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Redator designado. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 15 95 /2 00 8- 71 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E S ILVA PINTO, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10783.901595/200871 Acórdão n.º 3201001.280 S3C2T1 Fl. 229 2 Por intermédio do PER nº 12925.44083.270104.1.1.011947, o contribuinte em epígrafe pleiteou, em 27/01/2004, o ressarcimento do IPI atinente ao 4º trimestre/2003, no montante de R$ 219.397,93, composto pelo crédito presumido apurado no período (fl. 61). Vinculadas ao citado PER transmitiu as DCOMPs relacionadas na tela do sistema de controle da SRF anexada, nesta data, à fl. 142. A análise da petição do interessado resultou no Termo de Verificação Fiscal de fls. 143/147, na planilha Demonstrativo da Composição da Base de Cálculo do Crédito Presumido (fl. 148), no Demonstrativo das Notas Fiscais Glosadas constantes da Relação de Insumos (fls. 149/156) anexados nesta data aos autos e disponibilizados ao contribuinte no site da RFB juntamente com o Despacho Decisório, em anexo ao Detalhamento do Crédito (https://www.receita.fazenda.gov.br/Aplicacoes/SSL/ATRCE/SC C/detalhamentoCredito.asp? nr=804812491). Da leitura do citado TVF é possível se extrair as seguintes constatações: => a empresa dedicase à industrialização de rochas ornamentais,mormente mármores e granitos; => de posse dos documentos apresentados pelo contribuinte1 verificouse a materialidade e procedência dos créditos pleiteados e procedeuse ao levantamento do quantum devido relativamente aos trimestres 3º e 4º/2003, especificamente quanto aos itens a seguir: => Receita Operacional Bruta: foram consideradas, na apuração, as vendas de produtos industrializados pela empresa para os mercados interno e externo, tendo sido apurado o montante de R$ 17.726.254,94 [sic], conforme demonstrado na planilha “Demonstrativo de Composição da Base de Cálculo do Crédito Presumido da Lei 9.363/96”; => Receita de Exportação: a conferência da relação das exportações efetuadas pela empresa com os dados constantes do SISCOMEX não revelou nenhuma divergência, tendo sido considerado na composição do cálculo do crédito presumido a Receita de Exportação no montante de R$ 17.288.955,37, constante da planilha “Demonstrativo de Composição da Base de Cálculo do Crédito Presumido da Lei 9.363/96”; => Insumos: apesar da regularidade dos dados informados no livro Registro de Entradas comparativamente aos dados do 1 Balancetes de verificação, notas fiscais de entrada e saída de mercadorias, livros de apuração do IPI, livros de entrada e saída de mercadorias, livro registro de utilização de documentos fiscais , livro registro de inventário, planilhas de cálculo da Receita Operacional Bruta e Receita de Exportação, planilha contendo a relação das mercadorias destinadas à exportação, planilhas contendo a relação de mercadorias adquiridas com a finalidade de utilização no processo produtivo Fl. 229DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E S ILVA PINTO, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10783.901595/200871 Acórdão n.º 3201001.280 S3C2T1 Fl. 230 3 Registro de Apuração do IPI foram glosados os seguintes valores: Relativos às notas fiscais de entradas com os CFOP 5.124, 5.125, 6.124 e 6.125, referentes a industrialização por encomenda (decorrentes do valor cobrado nos trabalhos de industrialização/beneficiamento efetuado por terceiros em matériasprimas remetidas pela empresa, tais como a serragem e o polimento de chapas de granito e também o valor cobrado pelos serviços de manutenção realizados em serras diamantadas), caracterizada como simples prestação de serviço, não se tratando, pois, de aquisição de MP, PI ou ME; Relativos às notas fiscais de entrada com CFOPs 5.101, 5.102 e 6.101, atinentes ao valor do IPI incidente nas respectivas aquisições, indevidamente adicionado ao valor total das mercadorias, tornandose necessária a exclusão do valor do IPI; Relativos às notas fiscais de entrada com o CFOP 5.403, por se tratar de mercadoria (rolamentos/retentor) que não se enquadram no conceito de MP, PI e ME, pois não entram em contato com o produto industrializado; => ressaltouse que todos os valores objeto de glosa e respectivo motivo, dentre outras informações, encontramse discriminados na planilha “Demonstrativo das Notas Fiscais Glosadas constantes da Relação de Insumos” [fls. 149/156]; => para composição dos valores dos insumos utilizados no cálculo do crédito presumido foram considerados os valores obtidos do DCP, através da soma do Estoque Inicial com as Compras com direito ao crédito presumido e subtraindo o valor do Estoque Final e as Glosas Efetuadas em relação às aquisições de MP, PI e ME; => o cálculo do Crédito Presumido foi elaborado mediante planilha “Demonstrativo de Composição da Base de Cálculo do Crédito Presumido da Lei 9.363/96” [fls. 148], tendo sido apurado o crédito a que o contribuinte faz jus no montante de R$ 207.763,70 (R$ 68.937,06 + R$ 61.908,52 + R$ 76.918,12) e R$ 124.432,07 (R$ 68.090,50 + R$ 54.249,23 + R$ 2.092,34) para os trimestres 3º e 4º/2003, respectivamente, resultando, portanto, na glosa de R$ 33.887,61 e R$ 103.309,00 de crédito presumido para os respectivos trimestres. Alimentado o Sistema SCC (Sistema de Controle de Créditos e Compensações) – que tem por objetivo tratar os documentos eletrônicos PER/DCOMP transmitidos pelos contribuintes – e elaborado o DEMONSTRATIVO DE CRÉDITOS E DÉBITOS (RESSARCIMENTO DE IPI) e o DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RESSARCÍVEL (ambos anexados à fl. 16) tomandose por base os valores dos créditos presumidos apurados conforme o Demonstrativo de fl. 148 relativamente aos meses de outubro, novembro e dezembro/2003 concluiuse pela apuração do saldo credor de R$ 116.088,93 ao final do 4º trimestre/2003 e pela procedência do saldo credor de Fl. 230DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E S ILVA PINTO, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10783.901595/200871 Acórdão n.º 3201001.280 S3C2T1 Fl. 231 4 R$ 114.006,16 (menor saldo credor apurado no RAIPI após o período do ressarcimento), utilizado como lastro das DCOMP vinculadas ao crédito sob análise (listadas à fl. 142). Na seqüência foi emitido o Despacho Decisório eletrônico de fl. 15, que reconheceu a procedência do direito creditório no montante de R$ 114.006,16 e homologou integralmente a compensação declarada por meio da DCOMP nº 13587.33522.280104.1.3.012019, homologou parcialmente a DCOMP nº 20385.26943.100204.1.3.018577 e não homologou as demais DCOMPs listadas à fl. 142. Cientificado do Despacho Decisório e Intimado a providenciar o recolhimento do crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, em 17/11/2008 (AR fl. 18) manifestou a contribuinte a sua inconformidade em 15/12/2008 por intermédio do arrazoado de fls. 01/14, no qual, em síntese: ¨ argui,em preliminar, o cerceamento do direito de defesa, sob o argumento de que “as informações complementares anexas ao despacho decisório informam apenas os valores glosados sem esclarecer detidamente quais insumos foram excluídos”; ¨ esclarece que declinará do direito de ofertar manifestação de inconformidade quanto à glosa do valor do IPI atinente às notas fiscais de entrada com CFOPs 5.101, 5.102 e 6.101, incidente nas respectivas aquisições, indevidamente adicionado ao valor total dos insumos utilizados no processo de industrialização; ¨ expressa que a inconformidade se dá apenas quanto à Receita Operacional Bruta e à Glosa na Relação de Insumos decorrente da Industrialização por Encomenda; ¨ quanto à Receita Operacional Bruta alega: o montante por ela apurado sofreu ajuste em face da inclusão dos valores de revenda de produtos importados, remessa de produtos de terceiros p/ exportação e revenda de produtos no conceito de receita bruta, especificada pelo Fisco em R$ 17.726.254,94, conceito esse que conflita com aquele definido no §12 do art. 3º da Portaria MF nº 64/2003 no sentido de que considerase Receita Operacional Bruta “o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora exportadora”; ¨ sobre a Glosa dos Valores Decorrentes da Industrialização por Encomenda: pondera que “remeteu blocos de granito para industrialização por encomenda, tendo recebido chapas brutas serradas. Após, promoveu industrialização sobre tais produtos, consubstanciados em beneficiamento, polimento e acondicionamento para exportação, o que faculta a usufruir do benefício em comento”; Fl. 231DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E S ILVA PINTO, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10783.901595/200871 Acórdão n.º 3201001.280 S3C2T1 Fl. 232 5 sustenta que a industrialização por encomenda equivale à aquisição de MP, PI e ME, suficientes para integrar a base de cálculo do crédito presumido do IPI apurado na forma da Lei nº 9.363/96; para corroborar seu entendimento reproduz julgados do Conselho de Contribuintes no sentido de que o beneficiamento realizado por terceiro é operação necessária à utilização do insumo na fabricação dos produtos, devendo o seu custo ser considerado como custo da matériaprima, uma vez que “se a empresa adquirisse o insumo beneficiado, todo o valor por ele pago deveria fazer parte da base de cálculo do crédito presumido, como custo para aquisição de matériaprima”; ¨ requer, ao final, a insubsistência do despacho decisório e a homologação do pedido de ressarcimento e das compensações declaradas por meio das DCOMP a ele vinculadas. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora/MG deferiu parcialmente o pleito do recorrente, conforme Decisão DRJ/JFA n.º 31.093, de 20/08/2010: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. É válido o Despacho Decisório quando nele estão perfeitamente identificadas as irregularidades que ensejaram o deferimento parcial do pedido de ressarcimento, fornecendo suporte material suficiente para que o interessado possa conhecêlas e formular sua reclamação. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. Evidenciada a apuração da Receita Operacional Bruta em conformidade com a legislação de regência, notadamente o §12, do art. 3º, da Portaria MF nº 64/2003, pelo cômputo apenas das vendas de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora exportadora, é de se concluir pela pertinência dos valores tomados pela Fiscalização para apuração da base de cálculo do crédito presumido. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Os serviços prestados por terceiros na industrialização por encomenda não podem ser enquadrados como matériaprima, material de embalagem ou produto intermediário, não sendo Fl. 232DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E S ILVA PINTO, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10783.901595/200871 Acórdão n.º 3201001.280 S3C2T1 Fl. 233 6 possível, portanto, a sua adição à base de cálculo do crédito presumido apurado nos termos da Lei nº 9.363/96. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Em face da decisão, o contribuinte é intimado, interpondo recurso voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Discutese no recurso interposto unicamente se as industrializações por encomenda realizadas a pedido da recorrente podem ser incluídas na base de cálculo do crédito presumido de IPI para ressarcimento de PIS e COFINS, nos moldes da Lei n.º 9.363/96. A referida norma assim dispõe: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (...) O serviço de beneficiamento/industrialização por encomenda não pode ser individualizado e desintegrado do processo final de produção do produto destinado ao comércio da mercadoria em questão, sem o qual restará inviabilizada a exportação, com o benefício fiscal. Na mesma linha, o beneficiamento da matéria prima em estado bruto está sujeito ao pagamento de PIS/COFINS, de molde a influir no custo final do produto e tal parcela deve ser embutida no referencial de cálculo do incentivo previsto na Lei nº 9.363/96. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E S ILVA PINTO, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10783.901595/200871 Acórdão n.º 3201001.280 S3C2T1 Fl. 234 7 Norma esta, digase, cujo intuito foi justamente o de desonerar o custo das exportações, incentivandoas ao máximo com o intuito de maximizar o ingresso de divisas em moeda estrangeira, em nada afetando se a operação de beneficiamento, etapa do processo produtivo, é realizada integralmente ou parcialmente na recorrente. Este é o entendimento da CSRF: IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO RELATIVO AO PIS/COFINS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos exportados pelo encomendante agregase ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto na Lei nº 9.363/96. Recurso especial negado. (CSRF/0201.905, Rel. Cons. Dalton César Cordeira de Miranda, d.j 12/04/2005) IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Os custos referentes à matéria prima beneficiada por terceiros e utilizada no produto final exportado deve ser incluído na base de cálculo do incentivo criado pela Lei nº 9.363/96. Recurso negado. (CSRF/0201.857, Rel. Cons. Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva, d.j. 11/04/2005) RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RELATIVO AO PIS/COFINS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR TERCEIROS. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos exportados pelo encomendante agregase ao seu custo de aquisição para o efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto na Lei nº 9.363/96. 6 (...) Recurso negado. (CSRF/0201.754, Rel. Cons. para acórdão Rogério Gustavo Dreyer, d.j 14/09/2004) Este também é o entendimento do STJ: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. MATÉRIAPRIMA. BENEFICIAMENTO POR Fl. 234DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E S ILVA PINTO, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10783.901595/200871 Acórdão n.º 3201001.280 S3C2T1 Fl. 235 8 TERCEIROS. INCLUSÃO. CUSTOS RELATIVOS A ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. PRESCRIÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. DECRETO 20.910/32. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA Nº 1.129.971 BA. 1. Ao analisar o artigo 1º da Lei 9.363/96, esta Corte considerou que o benefício fiscal consistente no crédito presumido do IPI é calculado com base nos custos decorrentes da aquisição dos insumos utilizados no processo de produção da mercadoria final destinada à exportação, não havendo restrição à concessão do crédito pelo fato de o beneficiamento do insumo ter sido efetuado por terceira empresa, por meio de encomenda. Precedentes: REsp 752.888/RS, Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 25/09/2009; AgRg no REsp 1230702/RS, Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 24/03/2011; AgRg no REsp 1082770/RS, Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 13/11/2009. (...) 4. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido e agravo regimental da contribuinte conhecido em parte e, nessa parte, não provido. (STJ – 1ª Turma AgRg no REsp 1267805/RS – Rel. Min. Benedito Gonçalves – Dje 22/11/2011) Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Sala das Sessões, em 20 de maio de 2013 LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto – Redator designado Com todo o respeito à posição externada pelo eminente relator, peço vênia para dele discordar, para adotar o entendimento da ilustre Conselheira Josefa Maria Coelho Marques, expendidos no voto proferido quando do julgamento do Recurso n° 202118.591, na sessão plenária da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cujo teor foi o seguinte: SERVIÇOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA Outra questão é que diz respeito à inclusão, na base de cálculo do incentivo, do valor pago pela recorrente pelos serviços de industrialização prestados em regime de encomenda. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E S ILVA PINTO, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10783.901595/200871 Acórdão n.º 3201001.280 S3C2T1 Fl. 236 9 De fato, é inadmissível a inclusão dos serviços de industrialização por encomendas na base de cálculo do incentivo. A matériaprima, na remessa para industrialização, não sofre alteração de valor. No processo de industrialização, o valor da prestação de serviços se incorpora ao valor do produto acabado e não ao da matériaprima. Embora se possa alegar que sobre o serviço incidem as contribuições que deram origem ao incentivo, não se trata de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, cujos valores são os únicos a integrarem a base de cálculo do crédito presumido, por expressa disposição legal. Não se trata de matéria a ser resolvida por interpretação extensiva, uma vez que a lei é claríssima ao definir as aquisições que dão direito ao incentivo. Nem, tampouco, é admissível a integração por aplicação de analogia, uma vez que a questão está claramente regulada por lei, que definiu de forma clara e inequívoca o direito ao crédito. Portanto, considerar que se outra hipótese de fato houvesse ocorrido, em vez da que realmente ocorreu, para concluir que se trata de situações equivalentes equivale a tomar o lugar do legislador, para estender o benefício a situação claramente não contemplada na lei, o que é completamente inadmissível. Assim, com estas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Fl. 236DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E S ILVA PINTO, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Numero do processo: 10940.903180/2009-63
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/11/2002
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. ROL TAXATIVO DA LEI 9.718/98.
Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na Lei 9.718/98, assim o ICMS inclui-se na base de cálculo da contribuição.
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS.
O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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(NOVA DENOMINAÇÃO DE CARNELOS COMÉRCIO DE FERRAMENTAS LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/11/2002 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. ROL TAXATIVO DA LEI 9.718/98. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na Lei 9.718/98, assim o ICMS incluise na base de cálculo da contribuição. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 31 80 /2 00 9- 63 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903180/200963 Acórdão n.º 3801002.609 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adoto parcialmente o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que narra bem os fatos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF em Ponta Grossa/PR, que não homologou a compensação informada no Per/Dcomp nº 05576.94449.141106.1.7.049994 devido à inexistência de crédito de R$ 338,00 para efetuar a compensação pretendida de R$ 849,73, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (código 8109), efetuado em 14/11/2002, teria sido integralmente utilizado para quitação de débito próprio. Cientificada em 01/06/2009, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da incidência do PIS e da Cofins sobre o ICMS. Ressalta que pela nova sistemática de apuração dessas contribuições (Lei nº 9.718, de 1998, para o sistema cumulativo e Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, para o nãocumulativo) mantiveram a obrigatoriedade da inclusão do ICMS em suas bases de cálculo, em contradição à Constituição Federal, isso porque os valores pagos a tal título, inclusos nas operações por ela realizadas, não correspondem a faturamento, nem tampouco à receita. Cita entendimento de ministros do Supremo Tribunal Federal e lição de doutrinadores, a respeito. A DRJ em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo: BASE DE CÁLCULO. ICMS. O valor do ICMS compõe a base de cálculo da Cofins, podendo, a partir de fevereiro de 1999, ser excluído da base de cálculo da contribuição somente quando cobrado pelo vendedor de bens ou serviços, na condição de substituto tributário. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade. Por fim, requereu que fosse reconhecido o seu direito à compensação, referente aos indevidos pagamentos a título da contribuição, em virtude da não dedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais Fl. 65DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903180/200963 Acórdão n.º 3801002.609 S3TE01 Fl. 12 3 incorridas em cada mês de competência, decorrentes das suas atividades, bem como, não haja a incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea (sic). É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903180/200963 Acórdão n.º 3801002.609 S3TE01 Fl. 13 4 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomo conhecimento. De imediato desconsiderase o pedido da recorrente que é dissociado da fundamentação do recurso voluntário. O recurso voluntário tem por objeto a exclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, enquanto o pedido faz referência ao direito de deduzir da base de cálculo da contribuição a totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência. Em atenção ao amplo direito de defesa e do contraditório apreciase as razões do recurso voluntário. Como relatado, o litígio tem como controvérsia a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Para o período de apuração em discussão, segundo o código de receita do pagamento a maior, 2172 ou 8109, aplicavamse os dispositivos da Lei da Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) Como apresentado nos recursos da recorrente, as exclusões e deduções da base cálculo estão discriminadas no §2º e seguintes do art. 3º da Lei 9.718/98: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo Fl. 67DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903180/200963 Acórdão n.º 3801002.609 S3TE01 Fl. 14 5 valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; .(Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. V a receita decorrente da transferência onerosa, a outros contribuintes do ICMS, de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 451, de 2008) (Produção de efeito) § 3º Nas operações realizadas em mercados futuros, considera se receita bruta o resultado positivo dos ajustes diários ocorridos no mês. (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) § 4º Nas operações de câmbio, realizadas por instituição autorizada pelo Banco Central do Brasil, considerase receita bruta a diferença positiva entre o preço de venda e o preço de compra da moeda estrangeira. § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6o Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 68DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903180/200963 Acórdão n.º 3801002.609 S3TE01 Fl. 15 6 c) deságio na colocação de títulos; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) § 7o As exclusões previstas nos incisos III e IV do § 6o restringemse aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 8o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, poderão ser deduzidas as despesas de captação de recursos incorridas pelas pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de créditos: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I imobiliários, nos termos da Lei no 9.514, de 20 de novembro de 1997; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II financeiros, observada regulamentação editada pelo Conselho Monetário Nacional. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III agrícolas, conforme ato do Conselho Monetário Nacional. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 69DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903180/200963 Acórdão n.º 3801002.609 S3TE01 Fl. 16 7 II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (...) Grifouse Com efeito, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na lei e para as pessoas jurídicas em geral o ICMS não faz parte desse rol, logo não pode ser excluído da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre o faturamento e não prevê esta exclusão. Quanto às argumentações referentes ao conceito de faturamento com base nas regras estabelecidas nos artigos 195 e 239 da Constituição Federal, é importante consignar que a autoridade julgadora tem que observar o princípio da legalidade, não podendo negar aplicação à norma, de sorte que a restituição/compensação postulada carece de previsão legal. Além disso, a esfera administrativa não pode apreciar eventual inconstitucionalidade de Lei, tendo em vista que o controle de constitucionalidade de normas é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle concentrado ou difuso. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmulas 2 do 1º e 2º CC Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Cabe, mais, acrescentar que a Lei estabelece que a exclusão do ICMS somente é permitida quando ele é cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A propósito, o Superior Tribunal de Justiça também consolidou esse entendimento nos termos da Súmulas 68 e 94. Súmula 68 A parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. (Súmula 68, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 15/12/1992, DJ 04/02/1993 p. 775) Súmula 94 A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do Finsocial. (Súmula 94, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/1994, DJ 28/02/1994) Fl. 70DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903180/200963 Acórdão n.º 3801002.609 S3TE01 Fl. 17 8 Registrese, por oportuno, que o Supremo Tribunal Federal está apreciando está matéria na ADC nº 18, no RE nº 240.785 e no RE nº 574.706/PR (sistemática de repercussão geral), salientando que não há uma decisão em definitivo sobre a questão. De modo que, ao contrário do alegado, não há que se falar em direito à restituição/compensação dos valores de PIS e Cofins, visto que o ICMS integra a base de cálculo da contribuição em referência. No que tange ao pedido, assinalese desprovido de fundamentação, de não incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea, é importante .assinalar, ainda, que, na legislação tributária, a multa de mora sempre esteve integrada para inibir o pagamento de tributos com atraso, conforme os seguintes dispositivos: art. 74 da Lei nº 7.799, de 1989; art. 3º da Lei nº 8.218, de 1991; art. 59º da Lei nº 8.383, de 1991; art. 84 da Lei nº 8.981, de 1995 e o vigente art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.” (Grifouse) Como visto, o legislador ordinário estabeleceu como acréscimo legal a multa de mora para o recolhimento espontâneo após o vencimento do prazo legal. Não se tem notícia de que este dispositivo tenha sido declarado inconstitucional, ainda, que de forma parcial, ou mesmo, tenha ocorrido uma declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto. A propósito, o Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento em sede de recurso repetitivo de controvérsia de que se o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360∕STJ. 1. Nos termos da Súmula 360∕STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08∕08. (REsp 962379, DJe 28/10/2010) Fl. 71DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903180/200963 Acórdão n.º 3801002.609 S3TE01 Fl. 18 9 Além do mais, na situação em comento não há que se alegar o benefício da denúncia espontânea porque não há notícia do pagamento dos débitos compensados, assim, se não há pagamento a destempo não é possível aplicar o instituto da denúncia espontânea. Tenhase presente que de acordo com o § 6º do art. 74 da Lei nº 9430/1996 a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Por tais razões, nos cálculos dos débitos pagos fora do prazo de vencimento devem incidir as multas de mora. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Fl. 72DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10715.005185/2009-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/05/2009
MULTA REGULAMENTAR. REGIME DE EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA PARA APERFEIÇOAMENTO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO REQUISITOS. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO PENDENTE DE REGULARIZAÇÃO.
Aplica-se multa de cinco por cento do preço normal da mercadoria submetida ao regime de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo, pelo descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação do regime.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva(Presidente); Gileno Gurjão Barreto (vice presidente); Alexandre Gomes; Fabíola Cassiano Keramidas; Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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REGIME DE EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA PARA APERFEIÇOAMENTO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO REQUISITOS. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO PENDENTE DE REGULARIZAÇÃO. Aplicase multa de cinco por cento do preço normal da mercadoria submetida ao regime de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo, pelo descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação do regime. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente); Gileno Gurjão Barreto (vice presidente); Alexandre Gomes; Fabíola Cassiano Keramidas; Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 51 85 /2 00 9- 92 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Por bem relatar os fatos, assumo o relatório do acórdão ora recorrido até a fase da impugnação: “Trata o presente processo de auto de infração de fls. 01 a 06, lavrado para a cobrança de crédito tributário no valor de R$ 21.010,64, referente à multa prevista no artigo 72, inciso II, da Lei n° 10.833, de 2003, regulamentada no artigo 724 do Decreto n° 6.759, de 2009 (RA/09), concernente ao descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para a aplicação do Regime de Exportação Temporária para Aperfeiçoamento Passivo. A autoridade lançadora fundamenta a exigência no descumprimento do prazo concedido para o retorno dos bens exportados temporariamente para reparo, ao amparado da nota fiscal n° 086302, emitida em 09.11.2006, da declaração de exportação (DDE) n° 2061480905/3 e do registro de exportação (RE) n° 06/191025900, uma vez que até 01.02.2009, data em que os bens estavam autorizados a permanecer no exterior, não se constatou seu retorno ou o cumprimento das formalidades legais para extinção do regime. Salienta a fiscalização que tempestivamente a beneficiária informou que mencionadas mercadorias não mais retornariam ao país, apresentando, para tanto, o RE n° 08/1950931001, no entanto, pendente de efetivação pela Secex; razão pela qual foi lavrado, em 05.03.2009, o ‘Termo de Intimação GDEXP n° 717700/00036/09’, para que a beneficiária apresentasse, no prazo de cinco dias, a documentação necessária para regularização o citado registro, possibilitando, com isso, a transformação da operação de exportação temporária para exportação definitiva, por ser uma das modalidades de extinção regular do regime. Nesse passo, em 31.03.2009, a beneficiária pleiteou a dilação do prazo para atendimento da intimação, o que foi deferido (Notificação GDEXP n° 024/2009), deslocandose o prazo até 29.05.2009.. No entanto, pretendida regularização não se efetivou, ensejando, por conseguinte, a constituição da presente exigência fiscal. Cientificada do auto de infração em 10.08.2009(fls. 12/13), a contribuinte protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto n° 70.235, de 1972, em 09.09.2009, de fls. 15 a 22, acompanhada dos documentos de fls. 23 a 55, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do referido Decreto a impugnante alegou resumidamente que o inciso I do artigo 15 da IN/SRF n° 285/2003 aplicase perfeitamente na hipótese em tela, pois cumpriu com um dos requisitos para a extinção do Regime Aduaneiro de Exportação Temporária, que é a reexportação. Razão pela qual entende que deve ser declarado nulo o Fl. 148DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10715.005185/200992 Acórdão n.º 3302002.331 S3C3T2 Fl. 148 3 lançamento, por estar embasado em dados que não condizem com a realidade dos fatos. Por fim protesta, com amparo no principio da ampla defesa e do contraditório, pela produção de prova documental superveniente. Diante do exposto, pugna pelo cancelamento do auto de infração e conseqüente extinção do respectivo crédito tributário.”. A 2ª Turma da DRJ/FNS, por meio do ACÓRDÃO 0727.105, proferido em 13 de janeiro de 2012, decide, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, consoante se demonstra pela ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/05/2009 REGISTRO DE EXPORTAÇÃO PENDENTE DE REGULARIZAÇÃO. EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA. DESCUMPRIMENTO REQUISITOS. MULTA REGULAMENTAR. APLICABILIDADE. Cabível o lançamento, mediante auto de infração, de multa por descumprimento de requisitos ao regime especial de exportação temporária quando se constata que a beneficiária não logrou extinguilo regularmente, no prazo de vigência, uma vez que o registro de exportação pendente de regularização não é documento apto a permitir a conclusão da operação de exportação definitiva. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” A contribuinte foi cientificada do referido Acórdão em 07/02/2012 (AR à fl. 92) e inconformada apresenta, em 08/03/2012, recurso voluntário no qual refuta os argumentos da decisão por meio dos seguintes itens de argumentação: 1 DA TEMPESTIVIDADE 2 DOS FATOS, DO AUTO DE INFRAÇÃO E DA DECISÃO RECORRIDA 3 DO INDEFERIMENTO DA PROVA DOCUMENTAL SUPERVENIENTE E DA IMPOSSIBILIDADE DA DOCUMENTAÇÃO EXIGIDA 4 DA CORRETA INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO REFERENCIADA NA DECISÃO RECORRIDA 5 DA NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA BASEADA EM DADOS NÃO CONDIZENTES COM A VERDADE MATERIAL DOS FATOS Fl. 149DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 6 CONCLUSÃO Nos termos regimentais, o processo foi a mim distribuído. É o Relatório. Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Passase, assim, ao voto, considerandose os itens de argumentação apresentados pela recorrente, que serão, porém, analisados na ordem a seguir disposta, levandose em conta tratarse de questões preliminar ou de mérito: DA PRELIMINAR DO INDEFERIMENTO DA PROVA DOCUMENTAL SUPERVENIENTE E DA IMPOSSIBILIDADE DA DOCUMENTAÇÃO EXIGIDA Neste item de recurso, a contribuinte discorda da decisão proferida que indeferiu a solicitação de diligência para produção de provas supervenientes por entendêla ser prescindível com base no disposto no art. 18 do decreto nº 70.235/72, sob o argumento de que tal prescindibilidade não se aplica ao caso, posto que o não fornecimento da documentação exigida pela autoridade alfandegária se deu por culpa exclusiva da empresa estrangeira que recebeu as peças para reparo no exterior e a qual se nega a emitir a documentação, ficando a Recorrente impossibilitada de cumprir a exigência legal da Alfândega. Citando doutrina e jurisprudência acerca de instrução probatória ressalta o seu direito de provar os fatos alegados por todos os meios de prova admitidos em lei em face do princípio da ampla defesa e, assim, reitera seu protesto pela produção de prova documental superveniente, solicitando à autoridade julgadora para que baixe o julgamento em diligência com a finalidade de notificar a empresa estrangeira para que apresente a documentação exigida pela Alfândega. Sem razão a recorrente. Como é sabido, a autoridade julgadora, para formar sua convicção, pode entender prescindível a produção de novas provas, fundamentando sua decisão, em perfeita harmonia com o que dispõe o art. 28 do Decreto no 70.235/72. Foi exatamente o que aconteceu no presente caso, cuja autoridade julgadora de 1ª instância administrativa, sobre a mencionada solicitação, assim pronunciouse: “A diligência para produção de prova, por representar, um instrumento que tem por escopo aperfeiçoar o convencimento do julgador, poderá ser justificadamente negada por este, não representando, pois, um direito subjetivo da impugnante. No caso presente, conforme se verá no mérito, é prescindível a realização de qualquer providência tendente a esclarecer quaisquer fatos, posto que os elementos que constam dos autos possibilita conhecer integralmente a matéria litigada. Por esse Fl. 150DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10715.005185/200992 Acórdão n.º 3302002.331 S3C3T2 Fl. 149 5 motivo, não há razão para a produção de novas provas conforme aventa a impugnante.” Corroboro com as razões e os mesmos fundamentos da decisão recorrida, posto que os elementos constantes dos autos são suficientes para formar a convicção do julgador sobre o mérito do litígio. Ademais, é ônus da contribuinte a apresentação de documentos hábeis a efetivar o despacho aduaneiro que só se concretiza com a devida averbação no SISCOMEX, consoante ressaltou a autoridade julgadora de 1ª instância quando da análise do mérito, sendo, portanto, indevida a intenção desta de inverter o ônus da prova, quando requer a realização de diligência com a finalidade de a autoridade administrativa notificar a empresa estrangeira para que essa apresente a documentação exigida pela Alfândega. No caso, caberia à contribuinte efetuar gestão junto à empresa estrangeira que recebeu as peças para reparo no exterior e que, segundo suas alegações é a responsável pelo o seu descumprimento quanto à apresentação da documentação exigida, no sentido de adquirir desta a referida documentação necessária para cumprir a exigência legal da Alfândega. DA NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA BASEADA EM DADOS NÃO CONDIZENTES COM A VERDADE MATERIAL DOS FATOS. Reprisando os argumentos apresentados na impugnação, insiste a contribuinte na alegação de ser imperiosa a busca pela verdade material em detrimento da verdade formal, e, portanto, necessário investigar com profundidade todos os aspectos que norteiam a obrigação tributária, inclusive o alcance das definições do fato gerador e de sua correspondente base de cálculo, sob pena de não o fazendo, tornar sem efeito a exigência fiscal e que, sendo assim, todo e qualquer argumento jurídico, fato, indício ou prova pode, e deve, ser trazido ao conhecimento dos julgadores em qualquer fase processual, vez que a prioridade é a busca da verdade material que, logicamente, tem amparo nas garantias constitucionais ao contraditório e a ampla defesa. Cita doutrina e jurisprudência do CARF no sentido de que “a apresentação de prova documental, após o decurso do prazo de impugnação, pode ser admitida excepcionalmente, a fim de que a decisão não contrarie os princípios da legalidade e da verdade material.” Insiste na nulidade do lançamento sob a alegação de que não se pode admitir a segurança de um prognóstico efetuado sem qualquer critério sistemático e minucioso, tudo em atenção ao Princípio da Verdade Material. E aduz que, se a empresa estrangeira localizada no exterior se nega a fornecer a documentação exigida indiretamente pela autoridade Alfandegária, impossibilitando a averbação do despacho de exportação definitiva perante o SISCOMEX, a recorrente, empresa nacional, não pode ser penalizada. Portanto, argúi que as suas alegações, quanto à comprovação da exportação definitiva devem ser consideradas como verdadeiras em consideração ao princípio da verdade material e da boa fé objetiva, sob pena de penalizála, sem que houvesse incorrido em qualquer infração. Requer, assim, a reforma da decisão ora recorrida. Não obstante o título do item de argumentação acima transcrito fazer referência à nulidade da decisão recorrida, verificase dos seus argumentos de defesa, que a contribuinte, na verdade, tal qual se deu em sua impugnação, busca a decretação da nulidade do lançamento sob o argumento de que o mesmo foi realizado contrariamente aos princípios que regem o contencioso administrativo e em desacordo com o artigo 142 do CTN, desejando ver a decisão recorrida ser reformulada neste sentido. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Constatase que a fiscalização, em procedimento de controle do cumprimento de prazos e demais obrigações acessórias do Regime Aduaneiro de Exportação Temporária, apurou que não houve registro de retorno das mercadorias exportadas temporariamente ou o devido cumprimento das formalidades para a extinção do regime, descrevendo os fatos ensejadores da penalidade lançada e fundamentando o lançamento nas regras legais específicas, cuja assunção dos fatos à legislação será analisada no mérito. Tal como devidamente decidido pela autoridade julgadora de 1ª instância administrativa, é de se concluir, portanto, que o lançamento não contém imprecisão que conduza à decretação de sua nulidade, quer no tocante ao levantamento da base de cálculo da penalidade aplicada, quer quanto à fundamentação legal adotada, quer quanto à alíquota aplicada, ou ao montante do crédito tributário apurado, posto que elaborado em conformidade com as regras legais processuais aplicáveis ao processo administrativo tributário. Sobre a alegação de seu direito de poder trazer aos autos, em qualquer fase processual, todo e qualquer argumento jurídico, fato, indício ou prova, para proporcionar aos julgadores o devido conhecimento da verdade material, afastando assim a questão da preclusão, fazse necessário efetuar breve comentários acerca de provas, ônus da prova e princípios informadores do Processo Administrativo Fiscal PAF. Vejamos: É sabido que o PAF utilizase da aplicação subsidiária do Código de Processo Civil e da Lei n.o 9.784/1999, principalmente, em questões de prova, haja vista a pouca regulação da matéria no Decreto 70.235/72. Pois bem, o artigo 333 do CPC, que trata do ônus da prova, estipula: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. [...]” Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Conforme bem destaca o Auditor Fiscal Gilson Wessler Michels, em seus comentários e anotações ao Decreto nº 70.235/721: “Esta formulação foi trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída tanto ao autor do procedimento, a autoridade fiscal (parte final do caput do artigo 9.º do Decreto n.º 70.235/1972: os autos de infração e notificações de lançamento “deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”), quanto ao contribuinte que contesta o lançamento (“Art. 16. A impugnação mencionará : [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir.”)”. Por sua vez, a Lei nº 9.784/1999 igualmente traz importante regra em matéria probatória em seu artigo 36: 1 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Comentários e Anotações ao Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972. Versão 17 Atualizada até 31/Agosto/2011. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10715.005185/200992 Acórdão n.º 3302002.331 S3C3T2 Fl. 150 7 “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei.” No caso específico, por se tratar de lançamento de penalidade por descumprimento de obrigações acessórias, à contribuinte caberia carrear aos autos todas as provas de suas alegações no prazo limitado por lei, tendo em conta que a impugnação ou manifestação de inconformidade do contribuinte estabelece os limites do litígio, não podendo haver inovação em sede de recurso voluntário e seria naquela fase que deveria carrear aos autos as provas de suas alegações. Ressaltandose que provar significa contextualizar elementos relevantes e não somente anexar documentos. E, ainda, que as provas são todas aquelas admitidas em lei, exceto as ilícitas, e cujo interesse de constituílas deveria ser da própria contribuinte, visando o atendimento da exigência legal. Tal ressalva se faz, em face da alegação da contribuinte de que não pode ser penalizada pelo o fato de a empresa estrangeira localizada no exterior se negar a fornecer a documentação exigida indiretamente pela autoridade Alfandegária, impossibilitando a averbação do despacho de exportação definitiva perante o SISCOMEX. A juntada de documentos e provas em momento posterior à impugnação é vedada pelos parágrafos 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, salvo nas hipóteses descritas no parágrafo 4º mencionado2. No caso em questão, a contribuinte não fez referência à qualquer uma dessas hipóteses, ressalvando, para o devido esclarecimento, que “força maior” é um acontecimento relacionado a fatos externos, independentes da vontade humana, que impedem o cumprimento das obrigações. Esses fatos externos podem ser: ordem de autoridades (fato do príncipe), fenômenos naturais (raios, terremotos, inundações, etc.) e ocorrências políticas (guerras, revoluções, etc.). (consoante art.. 393 do Código Civil), não abrangendo, pois, a alegação específica da contribuinte. Entretanto, tal limitação tem sido alvo de divergências no âmbito dos órgãos julgadores administrativos, haja vista a corrente de defesa de que tal limitação fere os princípios da ampla defesa, do contraditório e da verdade material, além da responsabilidade de os agentes públicos zelarem pela legalidade dos atos administrativos. De fato, no processo Administrativo Fiscal não se pode se ater apenas à verdade formal. Mas, a busca da verdade material não deve, também, ultrapassar os limites do rito processual, sob pena de, igualmente, ferir outros princípios informadores do PAF, tais 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...). III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993). (...). § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Todo o parágrafo 4.o incluído pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) Fl. 153DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 8 quais o da duração razoável do processo, o da necessidade de estabilização das relações jurídicas, etc., principalmente quando o ônus da prova cabe à contribuinte, como se dá no presente caso. Tendo em conta, porém, a questão do zelo pela legalidade do ato administrativo litigado, poderseia defender a análise de provas preclusas de alegações já efetuadas na impugnação. Entretanto, tal possibilidade, a meu ver, só deve ocorrer, no caso em que as provas sejam hábeis, por si só, a comprovar concludente e definitivamente as alegações, sem necessidade de desdobramentos processuais complementares para a sua análise, posto que assim, atrasaria de modo desmesurado o julgamento. Em caso contrário, para acatar as provas preclusas, necessitaria a demonstração, por parte da contribuinte, da ocorrência de uma das circunstâncias excepcionais previstas no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso dos autos, a contribuinte não trouxe, contudo, em seu recurso voluntário, nenhuma nova prova que possibilite demonstrar a alteração dos fatos que ensejaram o lançamento ora sob litígio e cujo mérito será analisado adiante. A contribuinte efetua apenas alegações genéricas desprovidas de provas e genericamente defende a produção de novas provas. De fato, os elementos de prova constantes dos autos, desde o lançamento, e, portanto, já submetidos à análise das autoridades lançadora e julgadora de 1ª instância administrativa são: 1. efl. 9 Nota Fiscal de Saída nº 086302, de 29/11/2006, CFOP 7949, que operacionalizou a exportação temporária de produtos ali mencionados para submetêlos à reparos; 2. Fls. 03 a 10 do processo nº 10715.005867/200652, a este apensado – Extrato do Siscomex atinente ao RE n° 06/191025900, de 06/12/2006; 3. Fls. 21, 23, 25, 27, 29, 31, 33 do processo nº 10715.005867/2006 52, a este apensado – Ofícios GIGZD nº 099/06; 096/06; 097/06; 098/06; 095/06; 102/06; 094/06, da contribuinte, emitidos em 30/11/2006, por meio do engenheiro devidamente registrado no CREA, identificando a classificação e peça para aeronave enviada aos EUA no regime de exportação temporária para reparo em garantia; 4. Fl. 43 do processo nº 10715.005867/200652, a este apensado – Comunicação efetuada pela contribuinte, em 10 de dezembro de 2008, sobre a transformação do regime temporário de exportação em exportação definitiva pela R.E. 08/1950931001, ainda aguardando a efetivação junto ao SECEX; 5. Fls. 44 a 50 do processo nº 10715.005867/200652, a este apensado – Extrato do Siscomex atinente ao RE n° 08/1950931001, de 08/12/2008, pendente de efetivação. Assim, diante do que foi acima exposto, não há motivos para se declarar a nulidade do lançamento e/ou da decisão recorrida. DO MÉRITO Fl. 154DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10715.005185/200992 Acórdão n.º 3302002.331 S3C3T2 Fl. 151 9 DA CORRETA INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO REFERENCIADA NA DECISÃO RECORRIDA Como dito alhures, a autuação deuse pela ausência de cumprimento dos requisitos legais para a regularização do regime de exportação temporária, dentro do prazo de vigência, seja pelo retorno dos bens ao país, seja pela transformação do regime para a exportação definitiva. Conforme se constata dos autos e consoante consta do relatório, a fiscalização salientou que tempestivamente a contribuinte teria informado no processo nº 10715.005867/200652, formalizado para a concessão do regime de exportação temporária e a este apensado, que as mercadorias relacionadas no RE 6/191025900, referente a tal regime de exportação temporária, não mais retornariam ao pais, apresentando, para tanto, requerimento tempestivo em 10/12/2008 (fl. 43 daquele processo) solicitando a transformação para o regime de exportação definitiva e novo RE nº 08/1950931001, este, no entanto, pendente de efetivação pela Secretaria de Comércio Exterior (SECEX); consoante se denota nos termos proferidos no item “26Mensagem de advertência”, proferidos pelo SECEX (fl. 50, também daquele processo), razão pela qual foi lavrado, em 05/03/2009, o ‘Termo de Intimação GDEXP n° 0036/09’ (fl. 53 do Processo nº 10715.005867/200652), para que a contribuinte apresentasse, no prazo de cinco dias (este dilatado até 29.05.2009, em atendimento ao pleito da contribuinte, conforme efl 97) “o extrato do Registro de Exportação RE n° 08/1950931001 efetivado com a codificação especifica da transformação de Exportação Temporária em Definitiva do(s) bem(ns) que não retornou(aram), conforme dispõe o art. 454, inciso do Regulamento Aduaneiro, com base no Decreto n.° 6.759/2009, segundo os preceitos legais contidos na Instrução Normativa SRF n° 443/04 e §3° do art. 181 da Portaria SECEX n.° 25/2008, relativamente ao Regime de Exportação Temporária dos bens desembaraçados pela DDE n° 61480905/3 (RE n.° 06/1910259001), processo n ° 10715.005867/200652, cujo prazo autorizado de permanência no exterior se encerrou em 11/12/2008.”, documentação esta necessária para regularização do citado registro, possibilitando, com isso, a transformação da operação de exportação temporária para exportação definitiva, por ser, uma das modalidades de extinção regular do regime. No entanto, a pretendida regularização não foi providenciada, o que ensejou a constituição da presente exigência fiscal, nos termos previsto no art. 724 do Decreto nº 6.759/2009 REGULAMENTO ADUANEIRO, que assim dispõe: “Art.724. Aplicase a multa de cinco por cento do preço normal da mercadoria submetida ao regime aduaneiro especial de exportação temporária, ou de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo, pelo descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação do regime (Lei nº 10.833, de 2003, art. 72, inciso II). §1oO valor da multa referida no caput será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior (Lei nº 10.833, de 2003, art. 72, §1º). §2oA aplicação da multa a que se refere o caput não prejudica a exigência dos impostos incidentes, a aplicação de outras penalidades cabíveis e a representação fiscal para fins penais, quando for o caso (Lei nº 10.833, de 2003, art. 72, §2º).” Fl. 155DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 10 A controvérsia estabelecida nos termos da impugnação apresentada cingese à. alegada conversão tempestiva do regime de exportação temporária em regime de exportação definitiva, sob o argumento de que tal transformação teria ocorrido antes do término do prazo de permanência das respectivas mercadorias no exterior, encerrado em 11.12.2008, consoante o RE nº 08/1950931001 (fls. 44 a 50 do processo nº 10715.005867/200652). Em seu recurso voluntário, visando reformar a decisão de primeira instância administrativa, a contribuinte alega que a decisão recorrida é absolutamente carente de fundamentação plausível, posto que, em suas palavras, apenas transcreve dispositivos legais que entende serem aplicáveis ao caso em tela, quais sejam, arts. 92 e 93 do DecretoLei n° 37, de 1966; arts. 449, 450, 454 a 457 do Decreto 6.759 de 2009; IN SRF 443/2004 alterada pela IN SRF 684/2006; IN SRF 28/94; Portaria SECEX 25/2008, sem explanar as razões desta aplicabilidade, refutandoa por entender que a mesma ofenderia os princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e da motivação dos atos administrativos e ratificando o seu entendimento esposado na sua peça de Impugnação. Não merece guarida tais alegações, que mais soam como meramente protelatórias, haja vista que a autoridade julgadora de primeira instância não só transcreveu todos os artigos da legislação pertinente ao caso sob litígio acima citados, como também motivou o seu entendimento, efetuado com base na legislação reproduzida, com o qual corroboro, no sentido de que a multa questionada é aplicável aos casos em que não são adotadas as providências legais para a extinção regular do regime concedido às mercadorias beneficiadas, inclusive quanto à sua exportação definitiva e que, para produzir os efeitos esperados, a exportação definitiva tem que ser realizada na forma da legislação de regência, cujas normas3 exigem, dentre outras providências, a averbação, como ato final do despacho de 3 A Instrução Normativa SRF nº 443, de 12 de agosto de 2004, que trata sobre o despacho de exportação de bens que saíram do Pais ao amparo do regime de exportação temporária, alterada pela IN SRF nº 684, de 16 de outubro de 2006, dispõe: Art 1º O despacho aduaneiro de exportação de bens que se encontrem no exterior em regime de exportação temporária, inclusive no caso de veículos de transporte comercial brasileiro, aéreo ou marítimo, que se encontrem no exterior ao amparo do inciso III do art 394 do Decreto no 4.543, de 26 de dezembro de 2002 – Regulamento Aduaneiro, observará o disposto nesta Instrução Normativa. Art 2 2 0 despacho aduaneiro será processado com base em declaração de exportação registrada no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), instruída com a fatura comercial respectiva ou qualquer outro documento que comprove a tradição de propriedade do bem no exterior, bem assim da primeira via da Nota Fiscal. Parágrafo único. (.) Art. 6º Relativamente à mercadoria objeto do despacho de exportação, o procedimento de que trata esta Instrução Normativa: (Redação dada pela IN SRF nº 684, de 16/10/2006) (...); Parágrafo único:O procedimento de que trata esta Instrução Normativa também será aplicado para fins de extinção do regime de exportação temporária para aperfeiçoamento passivo. (Incluído pela IN SRF nº 684, de 16/10/2006) Art. 7º Aplicase ao despacho aduaneiro dos bens de que trata esta Instrução Normativa, subsidiariamente, o disposto na Instrução Normativa SRFn° 28, de 27 de abril de 1994, e alterações posteriores, que disciplina o despacho aduaneiro de exportação. Art. 8º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. A Instrução Normativa SRF n° 28, de 27 de abril de 1994, que disciplina o despacho aduaneiro de mercadorias destinadas à exportação, dispõe: AVERBAÇÃO DE EMBARQUE E DE TRANSPOSIÇÃO DE FRONTEIRA Art 46. A averbação é o ato final do despacho de exportação e consiste na confirmação, pela fiscalização aduaneira, do embarque ou da transposição de fronteira da mercadoria. COMPROVANTE DA EXPORTAÇÃO Fl. 156DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10715.005185/200992 Acórdão n.º 3302002.331 S3C3T2 Fl. 152 11 exportação e requisito para ser considerada concluída a operação de exportação de saída definitiva do Pais dos bens submetidos anteriormente a despacho aduaneiro de exportação temporária, ainda que referida providência se dê de forma automaticamente no SISCOMEX. A autoridade julgadora de 1ª instância devidamente efetuou o esclarecimento abaixo transcrito, cujos fundamentos adoto e ratifico com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99: “Para que mencionada averbação se efetive regularmente, é necessário o prévio desembaraço aduaneiro para exportação, que será realizado à vista da declaração de exportação (DDE) e dos demais documentos apresentados pelo exportador, dentre eles o registro de exportação (RE) isento de qualquer pendência, pois enquanto apresentar quaisquer divergências referido registro de exportação não estará juridicamente apto a instruir a respectiva declaração de exportação (DDE), não havendo, por conseguinte, o que se averbar, posto que nestas circunstâncias, sequer as normas autorizam a efetivação do desembaraço aduaneiro dos respectivos bens. Portanto, não obstante o silêncio da impugnante, convém ressaltar que o RE n° 08/1950931001 (fls. 43 a 49 do processo n° 10715.005867/200652), não tem o atributo de permitir a conclusão da operação de exportação definitiva, posto que dependente de averbação no sistema, oportunidade em que será fornecido ao exportador, se solicitado, o documento comprobatório da exportação, emitido pelo SISCOMEX.. Ademais, a legislação supra transcrita esclarece que ‘somente será considerada exportada, para fins fiscais e de controle cambial, a mercadoria cujo despacho de exportação estiver averbado, no SISCOMEX’, sendo ‘irrelevante...a simples apresentação de documentos fiscais e de embarque, não registrados no Sistema’ não bastando, por conseguinte, que a beneficiária tenha providenciado o registro de exportação (RE) especifico para exportação definitiva antes do prazo de extinção do regime exportação temporária, se esse documento é impróprio para o fim que se destina, posto que, conforme se depreende dos autos, ainda se encontra pendente de efetivação pelo órgão anuente (Secex), não obstante as oportunidades Art. 50. Concluída a operação de exportação, com a sua averbação, no Sistema,será fornecido ao exportador, quando solicitado, o documento comprobatório .da exportação, emitido pelo SISCOMEX , Parágrafo único. Nos casos em que a unidade da SRF de despacho for diferente da unidade de embarque, caberá a primeira emitir a documento de que trata este artigo. Art 51. Somente será considerada exportada para fins fiscais e de controle cambial, a mercadoria cujo despacho de exportação estiver averbado, no SISCOMEX, nos termos dos arts. 46 a 49. Parágrafo único: É irrelevante, para os feitos deste artigo: I a simples apresentação de documentos fiscais e de embarque, não registrados no Sistema, mesmo que visados pela fiscalização aduaneira; e, II a inexistência do comprovante de exportação, desde que sejam fornecidos aos órgãos e entidades; competentes para efetuar a fiscalização e o controle dessas operações, os dados necessários à identificação do despacho averbado , no Sistema. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 12 ofertadas pela fiscalização aduaneira no sentido de a interessada regularizar respectivas operações de exportação (fls, 51 e seguintes do processo n° 10715.005867/200652)” Desta forma, resta demonstrado ser descabida a acusação da recorrente de que a decisão recorrida ofenderia os princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e da motivação dos atos administrativos. Também, não tem fundamento o entendimento esposado pela contribuinte em sua peça de impugnação e ratificado no recurso ora sob análise, no sentido de que providenciou a extinção regular do regime aduaneiro de exportação temporária ao efetuar a reexportação dos bens conforme disposição contida no inciso I do artigo 15 da IN/SRF nº 285, de 2003, haja vista que, conforme já ressaltado pela autoridade julgadora de 1ª instância, referida instrução normativa “referese ao regime aduaneiro especial de admissão temporária, aquele que permite a permanência de bens estrangeiros no Pais por prazo determinado com suspensão de tributos ou com pagamento proporcional ao tempo de permanência, ou seja, o oposto do que subsidia o regime sob apreço”, caracterizando, portanto, um equivoco da contribuinte ao pretender a equiparação da norma aventada ao caso sob exame. Portanto, confirmado nos autos que não houve o registro de retorno das mercadorias exportadas temporariamente ou o devido cumprimento das formalidades para a extinção do regime, fazse pertinente o lançamento referente à multa regulamentar, com incidência da alíquota de 5% (inciso II do artigo 72 da Lei n° 10.833, de 29 de Dezembro de 2003) sobre o preço normal da mercadoria submetida ao regime aduaneiro especial de exportação temporária, conforme consta do Auto de Infração. CONCLUSÃO Em face das fundamentações acima postas, conduzo o meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 158DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 36266.013416/2006-18
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/1994 a 01/12/2004
MPF. EXTINTO ANTES DO INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. MPF MERO ATO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO. MPF COMPLEMENTAR. AUSÊNCIA DE RECEBIMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. VERIFICAÇÃO DE VALIDADE VIA INTERNET. SITUAÇÃO DETERMINADA PELA LEGISLAÇÃO. NORMALIDADE. RADA RELATÓRIO QUE DEMONSTRA A APROPRIAÇÃO NO CRÉDITO. REGULARIDADE. PAF. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA DE POSSIBILIDADE DE OCORRER RECONSIDERAÇÃO PELA DRJ. VEDAÇÃO LEGAL EXPRESSA. NOVA FASE PROCESSUAL. RECURSO AO SEGUNDO GRAU. INTIMAÇÃO PARA DEFESA ORAL. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DESNECESSIDADE.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Terceira Turma Especial da Segunda Seção, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, a fim de determinar que a autoridade local verifique o porquê do provável não aproveitamento de uma GPS, para a competência 07/2003, listada no RDA, fls. 28, com total de R$ 96.179,60, para a competência, mas que no RADA, de fls. 51, não se encontra registrada, o qual aponta como total de R$ 95.919,56, ou seja, uma diferença de R$ 260,04 justamente o valor da primeira GPS listada no RDA, para a competência, tudo isso em razão do estabelecimento CNPJ 05.281.319/0001-56. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior que votam em converter o julgamento em diligência.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente SS ADMINISTRADORA DE FRIGORÍFICOS LTDA E OUTROS. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/1994 a 01/12/2004 MPF. EXTINTO ANTES DO INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. MPF MERO ATO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO. MPF COMPLEMENTAR. AUSÊNCIA DE RECEBIMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. VERIFICAÇÃO DE VALIDADE VIA INTERNET. SITUAÇÃO DETERMINADA PELA LEGISLAÇÃO. NORMALIDADE. RADA RELATÓRIO QUE DEMONSTRA A APROPRIAÇÃO NO CRÉDITO. REGULARIDADE. PAF. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA DE POSSIBILIDADE DE OCORRER RECONSIDERAÇÃO PELA DRJ. VEDAÇÃO LEGAL EXPRESSA. NOVA FASE PROCESSUAL. RECURSO AO SEGUNDO GRAU. INTIMAÇÃO PARA DEFESA ORAL. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DESNECESSIDADE. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Terceira Turma Especial da Segunda Seção, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, a fim de determinar que a autoridade local verifique o porquê do provável não aproveitamento de uma GPS, para a competência 07/2003, listada no RDA, fls. 28, com total de R$ 96.179,60, para a competência, mas que no RADA, de fls. 51, não se encontra registrada, o qual aponta como total de R$ 95.919,56, ou seja, uma diferença de R$ 260,04 justamente o valor da primeira GPS listada no RDA, para a competência, tudo isso em razão do estabelecimento CNPJ 05.281.319/000156. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior que votam em converter o julgamento em diligência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 26 6. 01 34 16 /2 00 6- 18 Fl. 2299DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36266.013416/200618 Acórdão n.º 2803002.976 S2TE03 Fl. 2.291 2 (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 2300DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36266.013416/200618 Acórdão n.º 2803002.976 S2TE03 Fl. 2.292 3 Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD – DEBCAD 37.038.8348, tem como objeto o lançamento das contribuições sociais previdenciárias incidente sobre a folha de salários, parte patronal e SAT, incluído a devida a outras entidades e fundos terceiros conforme discriminado no Relatório Discriminativo de Débito – DAD, de fls. 04 a 13, e no Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – REFISC – NFLD, de fls. 71 a 81. Os sujeitos passivos foram cientificados da notificação e da constituição do grupo econômico, conforme AR`s, de fls. 1.206 a 1.215 e 1.217, sendo a fiscalizada notificada, em 11/12/2006, fls. 1208. A empresa SS Administradora de Frigoríficos Ltda apresentou impugnação, as fls. 1.159 a 1.204. A solidária em razão do grupo econômico Cia. União Empreendimentos e Participações, também apresentou defesa, fls. 1.219 a 1.236, acompanhada dos documentos, de fls. 1.237 a 1.317. O órgão julgador de primeiro grau emitiu a DecisãoNotificação N° 21.402.4/0142/2007, fls. 1.330 a 1.352. Na qual o lançamento foi considerado procedente O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 02/07/2007, AR`s, de fls. 1.353 e 1.354. O contribuinte por intermédio de representante do escritório de Advocacia que o representa NB – Advogados – Najjarian Batista, conforme documento, de fls. 1.358, teve vistas dos autos e obteve cópia reprográfica deste, segundo seu requerimento, de fls. 1.359 e 1.360. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, em 01/08/2007, as fls. 1.361 a 1.368. A recorrente alega em síntese no recurso. No mérito. · que o contribuinte não foi cientificado de forma válida e regular dos procedimentos da ação fiscal, uma vez que não notificado dos MPF’s complementares, bem como cientificado após o final da validade do MPF inicial; · que a recorrente submetese ao regime da retenção dos 11% em razão da prestação de serviço para depois compensálos em suas obrigações correntes, porém no presente não se verifica o aproveitamento destes créditos; Fl. 2301DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36266.013416/200618 Acórdão n.º 2803002.976 S2TE03 Fl. 2.293 4 · que o RADA deste crédito e da NFLD 37.038.8348, não demonstram a devida apropriação dos valores, sendo um equivoco do fisco apenas aproveitar os valores retidos e recolhidos pelos tomadores de serviços, uma vez que o crédito do prestador se efetiva com a mera retenção; · que a notificação está maculada pela incerteza de sua valor, pois não é claro em sua apropriações das GPS 2631 e pelo não utilização de retenção realizada, mas não recolhida pelos tomadores; · em considerações finais que não há impedimento para que o fisco reveja as apropriações realizadas e utilize as que restaram; que o primeiro grau acolha o recurso e anule sua decisão, pelo não atendimento das formalidades, bem como pela nítida iliquidez e incerteza da notificação, pois nem todas as faturas com retenção foram usadas para abater o presente débito, cita a Lei 9.784/99; · que caso a primeira instância mantenha sua decisão que o CC faça justiça extirpando a notificação do mundo jurídico; · que tem interesse na realização de sustentação oral, postulando pelo sua intimação para tanto; · Postula, pelo levantamento dos valores não apropriados e sua utilização adequada para amortização da notificação; · Por fim pede: a) que a autuação seja julgada improcedente, pois há vícios que a tornam nula. O recurso foi considerado tempestivo, fls. 1.370. Contudo, o contribuinte não apresentou depósito recursal, fls 1.370. O Serviço de Orientação da Recuperação de Créditos Previdenciários SEREC, as fls. 1.373, informa que a empresa esta amparada por liminar em MS para ter processado o recurso sem o depósito. O presente foi remetido ao Segundo Conselho de Contribuintes, fls. 1.373. Na sessão de 07/02/2011 pela Resolução Nº 2803.000.022, de fls. 2.247 a 2.250, converti o julgamento em diligência para que a DRF – origem esclarecesse o que ali solicitado. A diligência supostamente foi cumprida pelo Relatório Fiscal de Diligência, de fls. 2.273 a 2.275, que se faz acompanhar dos documentos, de fls. 2.260 a 2.272. Devido a devolução das correspondências remetidas ao interessado, fls. 2.280, a DRF publicou o Edital de Intimação, fls. 2.286. Os autos foram devolvidos ao CARF, fls. 2.287 e 2.288. É o Relatório. Fl. 2302DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36266.013416/200618 Acórdão n.º 2803002.976 S2TE03 Fl. 2.294 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira – Relator. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Quanto ao depósito recursal, ainda, que necessário a época da impetração, hoje este não mais vige, uma vez que revogado pela MP 413/2008, convertida na Lei 11.727/2008. Ainda, que se alegue que tal condição deva ser averiguada tendo como marco a data da interposição do recurso, tenho para mim que tal exigência estava com os dias contados, basta ver a ADIN 19767, que exclui do Decreto 70.235/72, tal exigência, acrescentada pela Lei 10.522/2002. Neste diapasão temos, também, a Súmula Vinculante n° 21 do STF, ou seja, se não tivesse sido revogado tal depósito na seara previdenciária, fatalmente este acabaria declarado inconstitucional, sendo inexigível desde a origem. Não fosse esses argumentos suficientes o Regimento Interno do CARF Portaria MF 256/2009, em seu artigo 62, parágrafo único, inciso I, do Anexo II, estabelece que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Assim, temos no caso a possibilidade do afastamento desta exigência, uma vez que em RE, conforme abaixo transcrito o STF já havia reconhecido a inconstitucionalidade do artigo 126, §§ 1° e 2°, da LEI 8.213/91, senão vejamos: RECURSO ADMINISTRATIVO DEPÓSITO §§ 1º E 2º DO ARTIGO 126 DA LEI Nº 8.213/1991 INCONSTITUCIONALIDADE. A garantia constitucional da ampla defesa afasta a exigência do depósito como pressuposto de admissibilidade de recurso administrativo. (RE 389383, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 28/03/2007, DJe047 DIVULG 28062007 PUBLIC 29062007 DJ 29062007 PP00031 EMENT VOL 0228208 PP01625 RDDT n. 144, 2007, p. 235236. (grifo nosso). Fl. 2303DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36266.013416/200618 Acórdão n.º 2803002.976 S2TE03 Fl. 2.295 6 Tal decisão transitou em julgado em 14/09/2007, conforme resumo de andamento do processo, consultado no site do STF. Desta forma, e tendo em vista os princípios da isonomia e da segurança jurídica admito o presente recurso. E por fim, a empresa recorrente está amparada por liminar em MS 2007.61.00.0232071, fls. 1.373; 1.374 e 1.376 a 1.378. Inicialmente, cumpre esclarecer que a empresa fiscalizada foi cientificada desta fiscalização pelo MPF 09208724, acostado, as fls. 159, expedido, em 08/12/2004, com validade para 07/04/2005, e, recebido pela recorrente, em 09/12/2004, porém com a alteração da composição da equipe fiscal, novo MPF foi emitido. O fato do MPF 09278338F00, fls. 60 e 2.260, inicial estar vencido no ato do recebimento não implica em nulidade alguma dos procedimentos fiscalizatórios, basta ver as decisões colacionadas, abaixo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR EXERCÍCIO: 2002 NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA AS HIPÓTESES DE NULIDADE DO PROCEDIMENTO SÃO AS ELENCADAS NO ARTIGO 59 DO DECRETO 70.235, DE 1972, NÃO HAVENDO QUE SE FALAR EM NULIDADE POR OUTRAS RAZÕES.PRELIMINAR MANDADO DE. PROCEDIMENTO FISCAL NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. AS NORMAS QUE REGULAMENTAM A EMISSÃO DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF DIZEM RESPEITO AO CONTROLE INTERNO DAS ATIVIDADES DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL, PORTANTO EVENTUAIS VÍCIOS NA SUA EMISSÃO E EXECUÇÃO NÃO AFETAM A VALIDADE DO LANÇAMENTO, ITR IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREA DE. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. SOMENTE PODE SER CONSIDERADA ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA, SEM APLICAÇÃO DE ÍNDICES DE RENDIMENTO POR PRODUTO, A ÁREA DO IMÓVEL RURAL EXPLORADA COM PRODUTOS VEGETAIS EXTRATIVOS, MEDIANTE PLANO DE MANEJO SUSTENTADO APROVADO PELO IBAMA ATÉ O DIA 31 DE DEZEMBRO DO ANO ANTERIOR AO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO ITR, E CUJO CRONOGRAMA ESTEJA SENDO CUMPRIDO PELO CONTRIBUINTE.ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF NÃO É COMPETENTE PARA SE PRONUNCIAR SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA (SÚMULA CARF Nº 2). RECURSO NEGADO.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NEGAR PROVIMENTO, AO RECURSO NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR Conselho.Administrativo.Recursos.Fiscais; Seção.Julgamento.2;Câmara.2;Turma.Ordinária.2: Proc: 10980.003886/200612 Acórdão:20100512; 220200509. Fl. 2304DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36266.013416/200618 Acórdão n.º 2803002.976 S2TE03 Fl. 2.296 7 TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CSLL. IMPOSSIBILIDADE. TÍTULO DA DÍVIDA ATIVA LÍQUIDO E CERTO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. A Apelante alega que o ano de 1999 não poderia ter sido fiscalizado pela autoridade administrativa, por não se encontrar descrito no Mandado de Procedimento Fiscal que impulsionou a fiscalização fazendária; 2. O lançamento tributário é obrigação da autoridade fiscal, ao detectar infração à legislação tributária, pois se trata de atividade administrativa vinculada, sob pena, inclusive, de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, do CTN; 3. Impossibilidade de se vincular lançamento tributário a outro ato de cunho meramente administrativo; 4. Inexistência de mácula no Procedimento Administrativo Fiscal, que obedeceu plenamente aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa, e possui todos os demais elementos essenciais de validade. Apelação improvida.(AC 200585000058685, Desembargador Federal Élio Wanderley de Siqueira Filho, TRF5 Terceira Turma, DJ Data::31/07/2008 Página::426 Nº::146.) (os grifos são meus) Aliás, o artigo 16, do Decreto 3.969/2001, espanca qualquer dúvida sobre o assunto ao dizer, o que a seguir transcrevo. Art. 15. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13. Art. 16. A hipótese de que trata o inciso II do art. 15 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. (destaque meu). O MPF 09278338C01, de fls. 62, expedido, em 04/04/2006, com validade para 03/06/2006, e, recebido pela recorrente, em 13/04/2006, conforme AR, de fls. 61, apenas deu efetividade ao que contido no diploma legal supracitado. Ademais a autoridade fiscal esclareceu em sua diligência, fls. 2.273 a 2.275, item 2.3, que as prorrogações deixaram de ser feitas via formulário e passaram a ser feitas pela internet, bastando ser entregue ao contribuinte o Demonstrativo de Emissão e Prorrogações, fls. 67. O vício argüido pelo recorrente da falta de atributo do ato deve ser por este provado, pois o ato nasce com a presunção de sua legitimidade. Observese as palavras do Mestre Hely Lopes Meirelles, 1, onde diz: A presunção de legitimidade autoriza a imediata execução ou operatividade dos atos administrativos, mesmo que arguidos de vícios ou defeitos que os levem à invalidade. 1 Direito administrativo Brasileiro, Editoria Malheiros, 27ª Edição, pagina 154. Fl. 2305DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36266.013416/200618 Acórdão n.º 2803002.976 S2TE03 Fl. 2.297 8 Outra consequência da presunção de legitimidade é a transferência do ônus pa prova de invalidade do ato administrativo para que a invoca. O procedimento fiscalizatório que culminou com o ato administrativo atacado, ou seja, o lançamento foi realizado dentro dos cânones determinados pela legislação, ou seja, precedido de Mandado de Procedimento Fiscal MPF, por agente fiscal competente, visando certa finalidade, para atingir motivação determinada em lei, observando a forma legal e, ainda, com certo objeto. Assim sendo, rejeito esta alegação, pois não há vício a determinar a anulação ou nulidade da notificação fiscal em razão da cientificação do contribuinte, que foi realizada regularmente. A Lei 9.711/98 criou a retenção sobre a cessão e mão de obra, trazendo rol exemplificativo e deixando ao regulamento a atribuição de listar os demais. O Regulamento da Previdência Social – RPS, apenso ao Decreto 3.048/99, no artigo 219, § 2°, inciso V, traz – “digitação e preparação de dados para processamento”, sendo assim evidente a submissão do fato a norma. A retenção é técnica de arrecadação amplamente aceita pelo Supremo Tribunal Federal – STF , conforme abaixo transcrito. E M E N T A: RECURSO EXTRAORDINÁRIO VALIDADE JURÍDICOCONSTITUCIONAL DO ARTIGO 31 DA LEI Nº 8.212/91, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 9.711/98 LEGITIMIDADE DA RETENÇÃO, PELO TOMADOR DE SERVIÇO, PARA FINS DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA, DO PERCENTUAL DE 11% SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU DA FATURA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PRECEDENTE (PLENÁRIO) – RECURSO IMPROVIDO. (REAgR 438856, CELSO DE MELLO, STF) EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Admissibilidade. Contribuição previdenciária. Retenção de 11% sobre o valor das notas fiscais ou faturas de prestação de serviço. Constitucionalidade do art. 31 da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.711/98. Jurisprudência assentada. Ausência de razões novas. Decisão mantida. Agravo regimental improvido. Negase provimento a agravo regimental tendente a impugnar, sem razões novas, decisão fundada em jurisprudência assente na Corte. 2. RECURSO. Agravo. Regimental. Jurisprudência assentada sobre a matéria. Caráter meramente abusivo. Litigância de máfé. Imposição de multa. Aplicação do art. 557, § 2º, cc. arts. 14, II e III, e 17, VII, do CPC. Quando abusiva a interposição de agravo, manifestamente inadmissível ou infundado, deve o Tribunal condenar o agravante a pagar multa ao agravado. (AIAgR 486127, CEZAR PELUSO, STF) EMENTA: Contribuição previdenciária: retenção do percentual de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços pela tomadora do serviço executado mediante cessão de mão de obra, nos termos do art. Fl. 2306DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36266.013416/200618 Acórdão n.º 2803002.976 S2TE03 Fl. 2.298 9 31 da L. 8.212/91, com a redação dada pela L. 9.711/98: legitimidade, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento do RE 393.946, 3.11.2004, Velloso, Inf./STF 368 (REAgR 435566, SEPÚLVEDA PERTENCE, STF) E M E N T A: AGRAVO DE INSTRUMENTO VALIDADE JURÍDICO CONSTITUCIONAL DO ARTIGO 31 DA LEI Nº 8.212/91, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 9.711/98 LEGITIMIDADE DA RETENÇÃO, PELO TOMADOR DE SERVIÇO, PARA FINS DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA, DO PERCENTUAL DE 11% SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU DA FATURA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PRECEDENTE (PLENÁRIO) RECURSO IMPROVIDO. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 393.946/MG, Rel. Min. CARLOS VELLOSO, confirmou a validade jurídicoconstitucional do art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.711/98, reputando legítima a retenção, por parte do tomador do serviço, do percentual de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou da fatura de prestação de serviços para fins de contribuição previdenciária. A EXISTÊNCIA DE PRECEDENTE FIRMADO PELO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL AUTORIZA O JULGAMENTO IMEDIATO DE CAUSAS QUE VERSEM O MESMO TEMA. A ausência de publicação do acórdão que firmou o precedente no "leading case" não constitui obstáculo processual ao imediato julgamento monocrático da causa, por seu Relator, desde que se trate do mesmo litígio já apreciado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal.Precedentes (AIAgR 484418, CELSO DE MELLO, STF) No Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA, de fls. 51, demonstra a apropriação no crédito em questão e não em todos os créditos lançados na mesma ação fiscal para isso cada qual contém o seu próprio relatório e no presente crédito as competências 07/2003; 01/2004 e 09/2004, tiveram valores apropriadas as demais não, pois certamente os recolhimentos foram consumidos em outros créditos ou documentos de exclusão como consta do próprio RADA. Todavia, necessário se faz registrar que para a competência 07/2003, o RDA, fls. 28, registra 15 GPS – código recolhimento 2631, com total de R$ 96.179,60, mas o RADA, de fls. 51, registra apenas 14 GPS código recolhimento 2631, com total de R$ 95.919,56, ou seja, uma diferença de R$ 260,04 justamente o valor da primeira GPS listada no RDA, para a competência, tudo isso em razão do estabelecimento CNPJ 05.281.319/000156. Dessa forma, deve a DRF verificar o motivo do não aproveitamento da citada GPS e em sendo confirmada tal situação, deve o valor ser aproveitado em favor do contribuinte recorrente. O equivoco é da recorrente pois este crédito e a NFLD 37.038.8348 são os mesmos documentos, todos os valores listados no RDA foram devidamente aproveitados, salvo a exceção esclarecida, acima, bem como o contribuinte não identificou os supostos valores destacados em nota fiscal e declarados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Fl. 2307DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36266.013416/200618 Acórdão n.º 2803002.976 S2TE03 Fl. 2.299 10 Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP que não foram aproveitados pelo fisco, cabendo a este nos termos do artigo 16, parágrafo 4º, do Decreto 70.235/72 c/c o artigo 333, II, da Lei 5.869/73. O Processo Administrativo Fiscal – PAF existe justamente para se expurgar do crédito qualquer impropriedade com que este possa ter nascido, pois o crédito só conta com a presunção de certeza e liquidez, após inscrição em dívida ativa, artigo 204 do CTN e artigo 3° da lei 6.830/80, contudo tal presunção é apenas relativa. Aliás, a correção do crédito pode ocorrer, ainda, na fase judicial, conforme a Lei 6.830/80 não existindo base para a alegação de que ou tudo deve estar certo ou tudo está errado. Nos termos dos artigo 145 e a 149, da Lei 5.172/66 o PAF é meio adequado para a alteração ou revisão do lançamento, caso isso se faça necessário, ou seja, o lançamento pode ser corrigido se alguma falha for detectada, não havendo razão para o seu cancelamento, anulação ou qualquer outra atitude radial, pois a correção do crédito, se e quando necessário é possível e admitida pela lei. O artigo 36, do Decreto 70.235/72 diz que não cabe pedido de reconsideração de decisão a quo, assim, fica evidente que após proferir o Acórdão aquele órgão não mais pode se pronunciar sobre o crédito. O pedido de intimação para a apresentação de defesa oral não tem amparo legal e assim deve ser indeferido, pois o Portaria MF 256/2009 Regimento Interno do CARF em seu artigo 55, parágrafo único, diz que a pauta será publicada no DOU e no sítio do CARF com dez dias de antecedência da sessão. Assim, cabe ao interessado diligenciar sobre o assunto. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por CONHECER DO RECURSO para no mérito DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, a fim de determinar que a autoridade local verifique o porquê do provável não aproveitamento de uma GPS, para a competência 07/2003, listada no RDA, fls. 28, com total de R$ 96.179,60, para a competência, mas que no RADA, de fls. 51, não se encontra registrada, o qual aponta como total de R$ 95.919,56, ou seja, uma diferença de R$ 260,04 justamente o valor da primeira GPS listada no RDA, para a competência, tudo isso em razão do estabelecimento CNPJ 05.281.319/000156, promovendo o aproveitamento do valor caso devido. (Assinado digitalmente).23 de janeiro de 2014 Eduardo de Oliveira. Fl. 2308DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36266.013416/200618 Acórdão n.º 2803002.976 S2TE03 Fl. 2.300 11 Fl. 2309DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10580.728063/2009-41
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63.
Rendimentos que não sejam proventos de aposentadoria, como os de natureza salarial, ainda que recebidos no momento em o que o beneficiário já se encontre aposentado, por motivo de invalidez, não são isentos do imposto de renda.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, é o teor da Súmula CARF nº 63.
ALTERAÇÃO DA DIRPF APÓS A NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. CONHECIMENTO DE OFÍCIO.
Tendo em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitam-se ao lançamento por homologação, o § 1º do art. 147 do CTN tem sido invocado e aplicado por analogia para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar livremente suas declarações. O § 1º simplesmente retira do contribuinte a possibilidade de tornar, por ato próprio, insubsistente a sua declaração originária, quando já notificado o lançamento. Não compromete, porém, os direitos de petição e de acesso ao Judiciário. Poderá o contribuinte, pois, a qualquer tempo, enquanto não decaído seu direito, peticionar administrativamente noticiando os equívocos e solicitando a revisão de ofício pela autoridade, forte no art. 149 do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para acatar dedução de despesas médicas, no valor de R$ 9.860,84, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ISENÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. Rendimentos que não sejam proventos de aposentadoria, como os de natureza salarial, ainda que recebidos no momento em o que o beneficiário já se encontre aposentado, por motivo de invalidez, não são isentos do imposto de renda. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, é o teor da Súmula CARF nº 63. ALTERAÇÃO DA DIRPF APÓS A NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. CONHECIMENTO DE OFÍCIO. Tendo em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitamse ao lançamento por homologação, o § 1º do art. 147 do CTN tem sido invocado e aplicado por analogia para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar livremente suas declarações. O § 1º simplesmente retira do contribuinte a possibilidade de tornar, por ato próprio, insubsistente a sua declaração originária, quando já notificado o lançamento. Não compromete, porém, os direitos de petição e de acesso ao Judiciário. Poderá o contribuinte, pois, a qualquer tempo, enquanto não decaído seu direito, peticionar administrativamente noticiando os equívocos e solicitando a revisão de ofício pela autoridade, forte no art. 149 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 80 63 /2 00 9- 41 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10580.728063/200941 Acórdão n.º 2801003.346 S2TE01 Fl. 88 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para acatar dedução de despesas médicas, no valor de R$ 9.860,84, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Em desfavor do contribuinte recorrente foi lavrada, em 10/08/2009, Notificação de Lançamento (fl. 11) relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas, relativo ao exercício de 2008, anocalendário de 2007. Observase que no demonstrativo do crédito tributário existia o imposto de renda da pessoa física – suplementar de R$ 20.814,10, com multa de ofício de 75%, no importe de R$ 15.610,57, e juros de mora, calculados pela taxa Selic. Verificase, das infrações apontadas, que a autoridade fiscal que procedeu à apuração e lançamento do crédito tributário, consignou, em suma, que confrontando os valores dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em DIRF, constatou a omissão de rendimentos no valor de R$ 117.940,39, recebidos de três fontes pagadoras que lista, conforme folha 12. Recebida em 31/08/2009 a Notificação de Lançamento, foi efetuada uma Solicitação de Retificação do Lançamento (SRL), indeferida pela Delegacia da Receita Federal responsável, sob a alegação de que o contribuinte não apresentou o laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios (fl. 18). Inconformado, o contribuinte apresentou Impugnação ao lançamento, que foi recebida nos termos do Despacho de fl. 19 e conhecida e tratada pela DRJ/Salvador nos seguintes e resumidos termos: Fl. 88DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10580.728063/200941 Acórdão n.º 2801003.346 S2TE01 Fl. 89 3 O lançamento foi motivado por omissão de rendimentos recebidos da Cooperativa de Serviços e Recursos Próprios dos Médicos e do Sistema Unimed – Unihosp (R$88.782,44), da Sociedade Mantenedora de Educação Superior (R$7.971,25) e da Fundação Petrobrás de Seguridade Social Petros (R$21.186,70), no total de R$117.940,39. Sobre os rendimentos omitidos da Petros fora compensado de ofício o respectivo imposto de renda retido na fonte (R$364,32). (...) O contribuinte impugna então o lançamento, ratificando o argumento de ser isento do imposto de renda por ser portador de moléstia grave desde 1994, conforme laudo médico pericial do INSS, que junta à fl.9. Refere preencher os requisitos para a isenção pleiteada, pelo que requer a improcedência da autuação e a restituição calculada a partir da isenção a que tem direito (fls.2 a 8). No Voto condutor do Acórdão de 1ª instância, pondera o Julgador que: O laudo médico pericial à fl.9 comprova ser o interessado portador de moléstia grave no ano revisado. Como os rendimentos percebidos da Petros no ano de 2007 se referiam a proventos de aposentadoria, conforme extrato MPAS/INSS de fl.40, enquadrase o contribuinte no direito à isenção do imposto de renda sobre tais rendimentos, descaracterizando a omissão apontada para essa fonte pagadora. Em relação à Cooperativa de Serviços e Recursos Próprios dos Médicos e do Sistema Unimed – Unihosp (R$88.782,44), e à Sociedade Mantenedora de Educação Superior (R$7.971,25), o próprio contribuinte já reconhece a natureza tributável dos rendimentos percebidos dessas fontes, quando os indica em campo próprio na minuta de declaração retificadora que propõe junto à SRL. Registrese, entretanto, que nesse momento processual não pode ser acatado o pleito de incluir novas deduções, como proposto pelo contribuinte na SRL. Essa inclusão implicaria retificação da declaração de ajuste anual para reduzir tributo, o que é vedado expressamente pela legislação tributária após a notificação do lançamento, como dispõe o art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN):o art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 147 (...). § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifouse) (...) Fl. 89DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10580.728063/200941 Acórdão n.º 2801003.346 S2TE01 Fl. 90 4 Isso posto, voto pela procedência parcial da impugnação, para exonerar o Contribuinte do valor de R$5.826,34 e manter o imposto suplementar, no valor de R$14.987,76 e a multa de ofício respectiva, com os acréscimos legais pertinentes. E assim deuse o resultado do Julgamento recorrido, para dar provimento parcial à Impugnação apresentada, nos termos do Voto do Relator. Não satisfeito, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde não questiona a omissão de rendimentos tributáveis, ante as modificações e considerações trazidas pelo Acórdão recorrido, mas sustentase na questão da admissão ou não de deduções que não foram originalmente declaradas e, posteriormente, deseja incluir no cálculo do imposto devido. Vejamos que diz o recurso: que a 3ª Turma da DRJ/SDR julgou parcialmente procedente o lançamento guerreado para reconhecer o direito à isenção sobre proventos da aposentadoria do contribuinte. Por outro lado, deixou de reconhecer as deduções apontadas na Declaração de Ajuste Anual Retificadora, mantendo a exigência do imposto suplementar com multa e juros; que tratase de equívoco do contribuinte quando do preenchimento da DIRPF original, que não implica omissão de receitas ou quaisquer outras infrações; que essa informação fora fruto de um erro material quando da elaboração da DIRPF, somente percebido pelo Impugnante posteriormente; que assim procedeu à declaração retificadora demonstrando despesas as quais deveriam ser deduzidas, inexistindo qualquer imposto suplementar; defende a possibilidade de retificação da Declaração após a Notificação de Lançamento regularmente cientificada, em nome do princípio da verdade material, afirmando que não se pode negarlhe a faculdade de retificar a declaração feita anteriormente, aliás, diz que a inclusão de dedução previstas em lei não é uma faculdade, mas um direito; Assim, requer que sejam reconhecidas as deduções legais do IR sendo recalculado o valor devido a título do imposto e, apurandose restituição, que seja procedida. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. A ciência do Acórdão de 1ª instância se deu em 01/10/2011 (fl. 84) e o recurso voluntário foi protocolado, dentro do prazo legal, em 25/10/2011 (fl. 74). O recurso é tempestivo e, obedecidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. Não se identificando questões preliminares a serem tratadas, mencionando en passant o recurso sobre “completo equívoco nos critérios jurídicos adotados” pelo Julgador a Fl. 90DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10580.728063/200941 Acórdão n.º 2801003.346 S2TE01 Fl. 91 5 quo e “nulidade da referida notificação” mas sem apontar qualquer fundamento para tal, vamos direto ao mérito. Bem, o lançamento fiscal apontou omissão de rendimentos recebidos de fontes pagadoras pessoas jurídicas, conforme relatado. O contribuinte não as declarou e nos autos justificase dizendose isento, por ser portador de moléstia grave (cardiopatia grave). Ocorre que existem duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstia grave definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: uma é ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios e outra é os rendimentos serem provenientes de aposentadoria ou reforma. Lei nº 7.713/1988 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: ... XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; Vale transcrever também o teor da Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Assim, rendimentos que não sejam proventos de aposentadoria, como os de natureza salarial, ainda que recebidos no momento em o que o beneficiário já se encontre aposentado, por motivo de invalidez, não são isentos do imposto de renda. Nesse aspecto, registrese, o contribuinte não traz qualquer subsidio para questionar a decisão de 1ª instância, que manteve o lançamento relativo à omissão de rendimentos recebidos da Cooperativa dos Médicos Sistema Unimed, que não trata de rendimentos provenientes de aposentadoria, conforme comprova o documento de fl. 45, e quanto à Sociedade Mantenedora de Educação da Bahia. Destaco do Voto da decisão recorrida, na folha 70/71: “Em relação à Cooperativa de Serviços e Recursos Próprios dos Médicos e do Sistema Unimed – Unihosp (R$88.782,44), e à Fl. 91DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10580.728063/200941 Acórdão n.º 2801003.346 S2TE01 Fl. 92 6 Sociedade Mantenedora de Educação Superior (R$7.971,25), o próprio contribuinte já reconhece a natureza tributável dos rendimentos percebidos dessas fontes, quando os indica em campo próprio na minuta de declaração retificadora que propõe junto à SRL.” ... “Isso posto, voto pela procedência parcial da impugnação, para exonerar o Contribuinte do valor de R$5.826,34 e manter o imposto suplementar, no valor de R$14.987,76 e a multa de ofício respectiva, com os acréscimos legais pertinentes”. Até aqui, portanto, é de ser mantido o status quo ante. O recurso, como relatado, se concentra em pleitear que sejam reconhecidas deduções legais, não declaradas pelo contribuinte em DIRPF. Alega que houve “erro material”. A existência da obrigação acessória de prestar declarações ao Fisco raramente diz respeito a um lançamento por declaração. Não é sua existência que define a modalidade de lançamento, mas quem efetua os cálculos e define o montante a pagar. Assim, o IR é tributo sujeito a lançamento por homologação e não por declaração. Tendo em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitamse ao lançamento por homologação, o § 1º do art. 147 do CTN tem sido invocado e aplicado por analogia para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar livremente suas declarações, com eficácia imediata. Considerando que a decisão administrativa de 1ª instância baseouse no § 1º do art. 147 do CTN para negar que sejam consideradas deduções legalmente previstas, é de se citar LEANDRO PAULSEN: “... O § 1º simplesmente retira do contribuinte a possibilidade de tornar, por ato próprio, insubsistente a sua declaração originária, quando já notificado o lançamento...Não compromete, porém, os direitos de petição e de acesso ao Judiciário. Poderá o contribuinte, pois, a qualquer tempo, enquanto não decaído seu direito, peticionar administrativamente noticiando os equívocos e solicitando a revisão de ofício pela autoridade, forte no art. 149 do CTN. Poderá também ajuizar ação no sentido de ver anulado lançamento e cancelada inscrição indevidos...” (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.1054) O STJ já reconheceu a possibilidade do contribuinte socorrerse da via judicial para anular crédito oriundo de lançamento eventualmente fundado em erro de fato, em que o contribuinte declarou base de cálculo superior à realmente devida para a cobrança de imposto. (STJ, 2ª T. Resp 1015623/GO, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, maio/2009). Assim, estando em aberto discussão administrativa sobre lançamento que se baseia na DIRPF/2008 do contribuinte, considerando o art. 145, III, e o art. 149, VIII, todos do Fl. 92DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10580.728063/200941 Acórdão n.º 2801003.346 S2TE01 Fl. 93 7 CTN, com o fito de evitar uma desnecessária demanda judicial e também em homenagem ao princípio da verdade material, conheço dos documentos acostados aos autos, apresentados juntamente com a impugnação, e passo a analisálos, esclarecendo que não cabe a realização de qualquer diligência para dilação probatória, uma vez que a verdade material deve ser aplicada juntamente com outros princípios, como o da oficialidade. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão, lembrandose do artigo 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972. Desta feita, o direito da parte à produção de provas posteriores à apresentação da Impugnação, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais. DA DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. Na DIRPF o contribuinte não pleiteou qualquer dedução. Posteriormente anexa documentos. Pretende que se reconheça o valor de R$ 10.310,84 (fl. 67). Conforme art. 80 do Decreto nº 3.000 de 26 de março de 1999, RIR/1999: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (sublinhei) Na folha 50 consta uma despesa com serviços odontológicos no valor de R$ 150,00; na folha 52 uma consulta cardiológica no valor de R$ 100,00; nas folhas 53, 54, 55 Notas Fiscais de aplicação de vacina no valor de R$ 150,00, cada, somando, portanto, R$ Fl. 93DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10580.728063/200941 Acórdão n.º 2801003.346 S2TE01 Fl. 94 8 450,00. Na folha 56 consta declaração do Plano Bradesco Saúde sobre o pagamento de mensalidades em 2007 no valor de R$ 9.610,84, tendo como beneficiário o próprio declarante. No caso das vacinas, o valor do medicamento não encontra albergue como dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual, conforme dispositivo legal acima transcrito. Portanto, identificase uma dedução possível, com despesas médicas, no montante de R$ 9.860,84. DA DEDUÇÃO COM PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI O contribuinte pleiteia uma dedução de R$ 10.051,44 a título de previdência privada/FAPI. Novamente do RIR/1999, extraímos: Art. 74. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderão ser deduzidas (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, incisos IV e V )( grifei) I as contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; II as contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social. § 1º A dedução permitida pelo inciso II aplicase exclusivamente à base de cálculo relativa a rendimentos do trabalho com vínculo empregatício ou de administradores, assegurada, nos demais casos, a dedução dos valores pagos a esse título, por ocasião da apuração da base de cálculo do imposto devido no anocalendário (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, parágrafo único). § 2º A dedução a que se refere o inciso II deste artigo, somada à dedução prevista no art. 82, fica limitada a doze por cento do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos (Lei nº 9.532, de 1997, art. 11). Entretanto, nos comprovantes de rendimentos anexados aos autos, não identifico que haja o valor de R$ 10.051,44, pago a título de previdência privada, a ser deduzido dos rendimentos tributáveis. DESPESAS COM INSTRUÇÃO O contribuinte pleiteia dedução de despesas com instrução no montante de R$ 2.480,66. A possibilidade de deduzir despesas com instrução também é regulamentada pelo RIR 1999 e deve referirse ás despesas efetuadas com a instrução do próprio declarante e/ou de seus dependentes. Vejamos Fl. 94DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10580.728063/200941 Acórdão n.º 2801003.346 S2TE01 Fl. 95 9 Art. 81. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes,.... O único dependente declarado é Lucas Lembrança Pinheiro, CPF 018.794.83564, que já foi considerado dedutível, na Notificação de Lançamento, o que deve ser mantido considerando a impossibilidade da reformatio in pejus, neste julgamento. Primeiro, não há nada no processo que confirme a relação de dependência, nos termos do regulamento aplicável; segundo não há documentos comprobatórios do efetivo pagamento das despesas pleiteadas como “instrução”. Assim, não restando comprovadas documentalmente as despesas com instrução do declarante ou de seu dependente, impossível considerar sua dedução. DA DEDUÇÃO COM PENSÃO ALIMENTÍCIA O contribuinte requer que seja reconhecida a importância de R$ 33.600,00, como dedução a título de pensão alimentícia, supostamente paga a LÍGIA MOISÉS DE OLIVEIRA (v. fls 48 e 67). A única referência que consta dos autos a tal pagamento é uma planilha de “comprovantes de pagamentos ano 2007” elaborada pelo próprio declarante, conforme fl. 48. Não existem anexados documentos que comprovem a efetividade dos pagamentos (recibos, TED, etc) tampouco decisão ou acordo judicial homologado, nos termos da legislação aplicável, determinandoos. Basta ler o artigo 78 do RIR/1999 para verificar a impossibilidade de reconhecer tal dedução, nestes autos: Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II).(grifei) CONCLUSÃO Face ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para considerar, na apuração da base de cálculo do imposto devido, calculado conforme decisão de 1ª instância (fl. 71), o valor de R$ 9.860,84 (nove mil, oitocentos e sessenta reais e oitenta e quatro centavos), como dedução a título de despesas médicas. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 95DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10580.728063/200941 Acórdão n.º 2801003.346 S2TE01 Fl. 96 10 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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