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Numero do processo: 13896.001145/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2000 a 30/10/2000
VÍCIOS DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO QUE AMPARA O LANÇAMENTO.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE.
É inaplicável ao processo administrativo fiscal a prescrição intercorrente, uma vez que esta pressupõe uma pretensão exigível, somente verificável quando da constituição definitiva do crédito tributário, consumada pelo exaurimento do contencioso administrativo tributário.
LANÇAMENTO. SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. INTERESSE COMUM QUANTO AOS FATOS GERADORES. PERTINÊNCIA DA LEGITIMAÇÃO.
Configuram-se hipóteses de responsabilidade solidária, de forma independente ou conjunta, a constatação da existência de grupo econômico de fato e a verificação de flagrante interesse comum entre um contribuinte e outro constituído como de fachada em relação aos fatos geradores formalmente praticados por este último.
ATIVIDADE EMPRESÁRIA. IRREGULARIDADES DE CONSTITUIÇÃO DE FATO. AUSÊNCIA DE AUTONOMIA FINANCEIRA, ADMINISTRATIVA E OPERACIONAL POR TERCEIROS. CONFIGURAÇÃO DA HIPÓTESE DE EMPRESA DE FACHADA.
A atividade empresária pressupõe a autonomia administrativa, financeira e operacional da conjugação dos fatores da produção, não se admitindo a ingerência indevida de terceiros neste âmago de atuação. A verificação de que uma pessoa jurídica, embora sob o aspecto formal validamente constituída, não subsiste como tal no plano dos fatos, servindo somente como roupagem formal à atuação de outra empresa, no interesse desta, configura a empresa interposta como empresa de fachada, atribuindo as responsabilidades desta à empresa efetiva, que a gerencia, controla, administra e financia.
AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA GFIP. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. CABIMENTO.
Constitui infração, passível de aplicação de multa pecuniária, a não informação na Guia de Recolhimento ao FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, notadamente, a comercialização de produção rural feita, utilizando-se pessoa jurídica existente apenas formalmente (empresa de fachada).
Numero da decisão: 2301-005.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, para, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada), Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e João Bellini Júnior (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro João Maurício Vital.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. É inaplicável ao processo administrativo fiscal a prescrição intercorrente, uma vez que esta pressupõe uma pretensão exigível, somente verificável quando da constituição definitiva do crédito tributário, consumada pelo exaurimento do contencioso administrativo tributário. LANÇAMENTO. SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. INTERESSE COMUM QUANTO AOS FATOS GERADORES. PERTINÊNCIA DA LEGITIMAÇÃO. Configuramse hipóteses de responsabilidade solidária, de forma independente ou conjunta, a constatação da existência de grupo econômico de fato e a verificação de flagrante interesse comum entre um contribuinte e outro constituído como “de fachada” em relação aos fatos geradores formalmente praticados por este último. ATIVIDADE EMPRESÁRIA. IRREGULARIDADES DE CONSTITUIÇÃO DE FATO. AUSÊNCIA DE AUTONOMIA FINANCEIRA, ADMINISTRATIVA E OPERACIONAL POR TERCEIROS. CONFIGURAÇÃO DA HIPÓTESE DE “EMPRESA DE FACHADA”. A atividade empresária pressupõe a autonomia administrativa, financeira e operacional da conjugação dos fatores da produção, não se admitindo a ingerência indevida de terceiros neste âmago de atuação. A verificação de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 11 45 /2 00 7- 17 Fl. 718DF CARF MF 2 que uma pessoa jurídica, embora sob o aspecto formal validamente constituída, não subsiste como tal no plano dos fatos, servindo somente como roupagem formal à atuação de outra empresa, no interesse desta, configura a empresa interposta como “empresa de fachada”, atribuindo as responsabilidades desta à empresa efetiva, que a gerencia, controla, administra e financia. AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA GFIP. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. CABIMENTO. Constitui infração, passível de aplicação de multa pecuniária, a não informação na Guia de Recolhimento ao FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, notadamente, a comercialização de produção rural feita, utilizandose pessoa jurídica existente apenas formalmente (empresa de fachada). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, para, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada), Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e João Bellini Júnior (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro João Maurício Vital. Relatório Tratase de lançamento de crédito tributário previdenciário abrangendo imposição de penalidade pecuniária consubstanciada no Auto de Infração DEBCAD nº 35.166.2650. A fiscalização, com fundamento no artigo 33 da Lei nº 8.212/91, e do artigo 293 da Regulamento, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, lavrou o Auto de Infração relativo ao descumprimento da obrigação acessória relativa à apresentação da GFIP com todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme previsto no artigo 32, inciso IV, Fl. 719DF CARF MF Processo nº 13896.001145/200717 Acórdão n.º 2301005.421 S2C3T1 Fl. 3 3 parágrafo 52 da Lei nº 8.212191 c/c o artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Segundo a fiscalização, a empresa Flamingo Alimentos Ltda, CNPJ 02.291.563/000101, foi autuada por infração ao disposto no artigo 32, inciso IV, parágrafo 5º da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.528/97, pelo fato de não ter declarado no campo 20 da GFIP da filial (CNPJ 02.291.563/000292), situada em São Jose dos Quatro Marcos/MT, o valor da comercialização dos produtos rurais adquiridos de pessoas físicas (compra de bovinos), para as competências 01/99 a 06/99. O Auto de Infração foi lavrado na firma Frigorifico Quatro Marcos Ltda, empresa realmente existente, uma vez que esta, através de seus sócios e diretores, administrava financeiramente e gerencialmente a empresa Frigolider Ind. Com . de Alimentos Ltda. Diante disso, o Auto de Infração foi lavrado nos termos do instituto da solidariedade. Todos os fatos que comprovam a existência do Grupo Quatro Marcos foram relatados no Relatório Geral. Esclarece que o fato da empresa Frigolider ter deixado de inscrever o segurado no RGPS, caracteriza intenção de burlar a Fazenda Pública, uma vez que o segurado não inscrito emprestou o seu nome para aparecer como sócio laranja na firma Amazonas Com. Ind. Imp. e Exportação Ltda. Ainda, afirma que em ações fiscais anteriores, foi lavrado o Auto de Infração nº 32.344.9816 de 28/11/96, na empresa Frigolider Ind. Con. de Alimentos Ltda, por infração ao artigo 31, parágrafo 2o da Lei nº 8.212/91, com decisão administrativa de procedência da autuação, que se tornou definitiva em 20/05/97, sendo a autuada, portanto, reincidente. A fiscalização traz um longo e farto trabalho sobre os fatos e circunstâncias verificados no procedimento fiscal, seja em relação ao sujeito passivo autuado, seja em relação às empresas a ele ligadas, denominandoo de Relatório Geral. Este Relatório (fls. 25/57), contém o contexto de fato em relação ao qual se apurou os institutos do lançamento por solidariedade e afastamento do fenômeno da personificação jurídica. Assim se manifesta a fiscalização: TÓPICO “INTRODUÇÃO” Ficou constatado através de provas documentais que as empresas envolvidas constituem entre si grupo econômico de fato. Há, porém, duas particularidades: a primeira diz respeito à constituição de empresas de "fachada" (ou fantasmas); e a segunda diz respeito aos sócios "laranja" das empresas de fachada. Os trabalhos foram desenvolvidos nos estabelecimentos das empresas que estavam em atividades comercias, que são: Frigorífico Quatro Marcos Ltda, Frialto Ind. E Comércio de Alimentos Ltda (encerrou suas atividades de fato em 05/2000), Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda e O.C.A. Comercial Ltda. No município de Vila Rica, apesar da empresa Frigorífico Vila Rica Ltda ter paralisado suas atividades, a sua documentação em parte foi apresentada aos Auditor Fiscal da Previdência Social AFPS. As demais empresas situadas nos Municípios de São José dos Quatro Marcos, Alta Floresta, Colider, Cuiabá e Vila Rica desapareceram misteriosamente sem deixar qualquer paradeiro da sua documentação, juntamente com os seus respectivos sócios. Fl. 720DF CARF MF 4 Houve a apreensão, pelos Auditores da Secretaria da Fazenda do Mato Grosso, de vários documentos das empresas Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, Flamingo Alimentos Ltda e Amazonas Comércio Ind. Imp. e Exportação Ltda. Foram constatados, também, durante as ações fiscais, os fatos abaixo elencados: a) empresas de fachada e seus respectivos sócios "laranja"; b) diretor empregado sem registro; e, c) segurados empregados e sócio de empresa ao mesmo tempo. TÓPICO “CONSTATAÇÃO DO GRUPO QUATRO MARCOS” Da análise de vários documentos encontrados em poder dos Fiscais de Tributos EstadualFTE/MT e de outros documentos posteriormente apreendidos e verificados pela fiscalização previdenciária, esta última afirma os seguintes aspectos relativos ao funcionamento de um "esquema" montado pelo Grupo Quatro Marcos: O Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier, conhecido como Sr. Douglas, é sócio gerente do Frigorífico Quatro Marcos Ltda e o Sr. Luis Olavo Sabino dos Santos (conhecido como "Sr. Luís Olavo"), pessoa de sua inteira confiança, é empregado do Frigorífico Quatro Marcos Ltda na função de Diretor, conforme constatação documental e in loco através de várias diligências fiscais realizadas pelos AuditoresFiscais da Previdência Social AFPS. O Sr. Sebastião Bueno Xavier, conhecido na região como "SR. CHICO", é pai de Sebastião Douglas Sorge Xavier e fundador do Frigorífico Quatro Marcos Ltda; a família "BIRTCHE" exerce suas atividades comerciais exclusivamente nos Municípios de Colider/MT e de Alta Floresta/MT, por intermédio do Sr. Creudevaldo Birtche, conhecido na região como “TUCURA". O "esquema" do Grupo Quatro Marcos assim funcionava, segundo a fiscalização: a) Preliminarmente, os sócios e diretores do FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA escolheram quatro Municípios do Estado de Mato Grosso, provavelmente onde existia uma grande concentração de rebanho de bovinos, sendo eles os Municípios de Alta Floresta, Colider, Vila Rica e São José dos Quatros Marcos; posteriormente, em cada local desses, constituíam uma unidade frigorífica (empresa), normalmente tendo como sóciogerente efetivo o Sr. Douglas e/ou Sr. Luis Olavo Sabino dos Santos. Estas empresas são denominadas pela fiscalização de empresas "quentes", ou seja, empresas que realmente existiram ou existem tanto de fato como de direito. b) Ao mesmo tempo, o Grupo Quatro Marcos constituía paralelamente as essas unidades frigoríficas outras empresas que atuavam no ramo de frigorífico, sem, no entanto, possuir qualquer instalação frigorífica nem capital de giro e financeiro para a prática comercial de suas atividades. A fiscalização chama estas empresas como empresas de "fachada" ou "fantasmas". Estas empresas "de fachada" simulam um contrato de arrendamento com as empresas que realmente construíram as unidades frigoríficas, as quais estão em nome do Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier e/ou do Sr. Luís Olavo Sabino dos Santos. c) Entretanto, os sócios das empresas "de fachada" (ou fantasmas) são pessoas que apenas emprestam o nome para fazerem parte do contrato social, denominados pela fiscalização de sócios "laranjas", sem jamais exercerem qualquer atividade de gestão, Fl. 721DF CARF MF Processo nº 13896.001145/200717 Acórdão n.º 2301005.421 S2C3T1 Fl. 4 5 comercial ou administrativa nestas empresas. Constatouse que geralmente os sócios "laranjas" são empregados de outra empresa do Grupo Quatro Marcos. Além disso, os supostos sócios (laranjas) residem em localidade diversa da sede (ou estabelecimento) das empresas de fachada (ou fantasmas), na maioria dos casos verificados. d) A administração e a direção das empresas de "fachada" (ou fantasmas), na realidade, eram exercidas pelos sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, com a ajuda de uma empresa no Estado de São Paulo, a Phoenix Administração e Participações Ltda, onde o Sr. Luiz Carlos Caldereli Nanni enviava instruções de operação para todas as empresas do Grupo Quatro Marcos, tanto "as de fachadas" (ou fantasmas) como as verdadeiras (quentes), indistintamente. Com essa forma de funcionamento, as operações que geravam fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias eram realizadas pelas empresas de fachada que, após qualquer procedimento de fiscalização, encerravam de fato suas atividades e seus sócios desapareciam misteriosamente, bem como sua documentação fiscal. Observa a fiscalização o curioso fato de que, tão logo encerrada a atividade da empresa, imediatamente era constituída outra empresa de fachada, com o mesmo objeto mercantil de atividade, mesmo quadro pessoal, mesma administração e gerência da empresa de fachada anterior, inclusive instalada no mesmo local. Este procedimento tornava inviável e infrutífera qualquer tentativa de satisfação do débito tributário. Cita o exemplo da empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, CNPJ 00.897.034/000120, que firmou um parcelamento junto ao INSS em 1996, decorrente da NFLD n° 32.344.9883, e, após a fiscalização iniciar seus procedimentos de auditoria fiscal, a empresa desapareceu misteriosamente, consequentemente a partir da competência 09/1999 até o momento de conclusão dos trabalhos não pagou mais nenhuma parcela daquele parcelamento. O Cartório de Registro de Imóveis em Colider/MT, este informou que não existia Registro de imóveis em nome de Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda. O Grupo Quatro Marcos utilizouse das empresas de fachadas (ou fantasmas) com o intuito de efetivar a supressão ou redução dos tributos, então arrecadados pelo INSS, principalmente a contribuição social decorrente da comercialização dos produtos rurais referente à subrogação, usandose de ações ou omissões desonestas e contrárias às leis de regência, ou seja, tinha a vontade ou a consciente aceitação de lesar, total ou parcialmente, o Erário, ludibriando a Administração Tributária (INSS) e a fé pública, através da falta da verdade em declarações, documentos e atos, como, por exemplo, as figuras dos sócios "laranjas". Tal fato tinha o intuito de sonegar informações de conteúdo econômico, e, portanto, esconder da fiscalização o verdadeiro responsável pelos atos e fatos sujeito à incidência de normas de tributação, até mesmo mediante falsificação e alteração de documentos, como ocorreu na adulteração das formalidades extrínsecas de Livros Contábeis na empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda (Livro Diário) verificado pelas fiscalizações anteriores do INSS (NFLD n° 32.345.3368/1996). TÓPICO “COMPOSIÇÃO DO GRUPO QUATRO MARCOS” A fiscalização traz a seguinte composição geral do Grupo Quatro Marcos: · FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA – FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA CNPJ 01.311.661/000109; Fl. 722DF CARF MF 6 · AMAZONAS COM. IND. IMP. E EXPORTAÇÃO LTDA – CNPJ 00.923.654/000197; · FLAMINGO ALIMENTOS LTDA FILIAL 1 CNPJ 02.291.563/000292; · FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA FILIAL – CNPJ 01.311.661/000605; · PHOENIX ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA – CNPJ 62.400.247/000152; · FLAMINGO ALIMENTOS LTDA FILIAL 2 CNPJ 02.291.563/000454; · FLAMINGO ALIMENTOS LTDA – MATRIZ CNPJ 00.291.563/000101; · ALTA FLORESTA IND. FRIGORÍFICA LTDA – CNPJ 01.994.076/000142; · FRIALTO IND. E COM. DE ALIMENTOS LTDA – CNPJ 02.630.132/000122; · IND. FRIGORÍFICA NORTE COLIDENSE LTDA FILIAL 1 – CNPJ 02.974.627/000250; · FRIGORÍFICO COLIDER LTDA CNPJ 00.135.198/000110; · FRIGOLIDER IND. E COM. DE ALIMENTOS LTDA – CNPJ 00.897.034/000120; · IND. FRIGORÍFICA NORTE COLIDENSE LTDA – CNPJ 02.974.627/000179; · VILA RICA ALIMENTOS LTDA CNPJ 02.399.553/000194; · FRIGORÍFICO VILA RICA LTDA CNPJ 02.977.200/000124. TÓPICO “DAS AÇÕES FISCAIS” FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA (FRIGORÍFICO QUENTE) Após análise da documentação da empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA foi constatado pela fiscalização que esta empresa vinha praticando atos de sonegação de tributos, ao criar no Município de São José Dos Quatro Marcos/MT duas empresas fantasmas: Flamingo Alimentos Ltda e Amazonas Comércio Ind. Imp. e Exportação Ltda, que funcionavam na realidade com suas atividades comerciais paralelas à empresa FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA, constituído, tecnicamente na gíria contábil, um caixa "2" do FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA. Para confirmar tal fato, a fiscalização procedeu a várias diligências fiscais nesse Município (São José dos Quatro Marcos), onde se situavam as empresas fantasmas, conforme Contrato Social, e, em nenhum momento, conseguiu detectar os sócios das supostas empresas Flamingo Alimentos Ltda e Amazona Comércio Ind. Imp. e Exportação Ltda, sendo Fl. 723DF CARF MF Processo nº 13896.001145/200717 Acórdão n.º 2301005.421 S2C3T1 Fl. 5 7 que no endereço do Contrato Social os vizinhos informaram que jamais funcionaram tais empresas, inclusive, uma boa parte da população desse Município nos informou que as empresas procuradas pela fiscalização funcionaram dentro da unidade frigorífica da empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Além do mais, os vários depoimentos (Termo de Declaração) prestados aos Ministérios Públicos de Mato Grosso, Federal e Estadual, por exempregados e outras pessoas ligadas ao Grupo Quatro Marcos, confirmam o entendimento da fiscalização. Verificouse também que os sócios dessas empresas fantasmas eram geralmente empregados de uma das empresas do Grupo Quatro Marcos. Outro fato marcante é que as empresas fantasmas exerciam suas atividades comerciais apenas por um lapso de tempo muito curto, em torno de 2 (dois) anos, sem nenhuma instalação frigorífica para realização de abate dos animais, firmando apenas um contrato de prestação de serviço entre as empresas fantasmas e a empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Ademais, os sócios laranjas jamais promoveram a dissolução de direito das empresas fantasmas perante a Junta Comercial nem comunicaram ao INSS a paralisação das empresas. Existiam outras empresas "fantasmas" (de fachada) estabelecidas no Município de São José dos Quatro Marcos/MT, que foram verificadas pela ação fiscal desenvolvida pelo INSS, ano 1996, ensejando inclusive um crédito tributário, o qual foi objeto da lavratura NFLD n° 32.345.3368, lançada no próprio Frigorífico Quatro Marcos Ltda, CNPJ 01.311.661/000109. As empresas Flamingo Alimentos e Amazonas, assim como as empresas fantasmas antecedentes, foram constituídas para funcionarem apenas por um período de tempo, onde uma substituía a outra, e com a finalidade exclusiva de burlar a arrecadação e a fiscalização do INSS. Portanto, a empresa fantasma que aparentemente estava em atividade comercial, de acordo com cada período de tempo, forjava a operação de compra de bovinos e venda de sua respectiva carne, e, posteriormente, depois de praticar a sonegação dos tributos, desaparecia misteriosamente sem deixar qualquer paradeiro da documentação contábil ou de seus sócios. Diante disso, a carga tributária incidente sobre a produção rural, decorrente da sub rogação das contribuições sociais devidas à Seguridade Social e as destinadas aos terceiros, incidentes sobre a comercialização do produto rural proveniente do produtor rural pessoa física e, na época, do produtor rural pessoa jurídica, era parcialmente sonegada, já que a empresa fantasma realizava um recolhimento pequeno para o INSS, apenas para constar nos arquivos do conta corrente desta instituição e, com esse expediente, não deixava qualquer suspeita de procedimento que ensejasse uma fiscalização. Coincidentemente as empresas fantasmas constituídas no Município de São José dos Quatro Marcos possuíam o mesmo objeto mercantil da empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda e não possuíam capital de giro (conforme Contrato Social), no mínimo, condizente que respaldasse a grande movimentação de abate que empreenderam na sua curta existência, verificada nas Notas Fiscais de Simples Remessas e nos registros do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso INDEA/MT (Guia de Trânsito de Animais GTA). TÓPICO “PROVAS E FATOS QUE COMPROVAM OS RELATOS EXPOSTOS NESTE RELATÓRIO GERAL NO MUNICÍPIO DE SÃO JOÃO Q. MARCOS” a) o abate dos animais das empresas fantasmas era feito com exclusividade nas instalações do Frigorífico Quatro Marcos Ltda; Fl. 724DF CARF MF 8 b) as autorizações para a emissão de cheques da Flamingo Alimentos, Amazonas e do Frigorífico Quatro Marcos Ltda são idênticas, pois todas essas empresas utilizam documentos de controle idênticos, além do mais eram assinados pelas mesmas pessoas, sendo pelo "DIRETOR" Sr. Luís Olavo Sabino dos Santos e pelo "FINANCEIRO" Sr. Vanderlei Roberto Stropp Martin, ficando evidenciado que as empresas eram administradas financeira e gerencialmente pelos mesmos diretores do SX Frigorífico Quatro Marcos LTDA. c) as despesas da empresa Flamingo Alimentos Ltda são autorizadas também pelo Sr. Varderlei Roberto Stropp Martin e pelo Sr. Luis Olavo Sabino dos Santos, que são diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, inclusive os pagamentos das despesas relativas à remuneração dos empregados, do pro labore dos sócios, dos fornecedores etc. d) em 28/07/97, o Sr. Vanderlei Roberto Stropp Martin e o Sr. Luis Olavo Sabino dos Santos, respectivamente, gerente financeiro e diretor do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, autorizaram o pagamento de despesa da empresa Amazonas, referente aos serviços do Sr. Franklin, no valor de R$ 900,00. e) as testemunhas que aparecem nos contratos (contrato social e alterações; contrato de locação de imóveis) firmados pelas empresas Flamingo Alimentos Ltda e Amazonas são empregados do Frigorífico Quatro Marcos Ltda: Sr. Dalmo Macedo Chaves, Sr. Nilton Carvalho Júnior, Sr. Luis Olavo Sabino dos Santos e Sr. Vanderlei Roberto Stropp Martin. f) o Sr. Nilton de Carvalho Júnior era procurador da empresa Amazonas e, ao mesmo tempo, era empregado do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. g) o Sr. Vagner Alberto Gouveia era procurador da empresa Flamingo Alimentos Ltda e, ao mesmo tempo, era empregado do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. h) as empresas fantasmas não possuem quaisquer bens imobilizados para realização de suas atividades. i) tanto a Flamingo Alimentos quanto a Amazonas, sempre estiveram com endereços ignorados, conforme diligências realizadas in loco e nos órgãos públicos municipais e estaduais. j) as duas empresas fantasmas sempre utilizavam as instalações físicas do Frigorífico Quatro Marcos Ltda para a realização de seus próprios atos comerciais, inclusive para a compra de bovinos. k) o Sr. Luís Olavo Sabino dos Santos, diretorempregado do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, assinou notas promissórias rurais da empresa fantasma Flamingo Alimentos Ltda, e era, ao mesmo tempo, a pessoa que tomava as decisões comerciais em nome Frigorífico Quatro Marcos Ltda. l) em 09/04/99, o Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier, sóciogerente do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, apôs sua assinatura em documento com o logotipo (emblema; marca) da empresa Flamingo Alimentos Ltda, autorizando inclusive um desconto no preço da carne. m) o Sr. Nilton Carvalho Júnior era quem também fazia as vendas das mercadorias (carnes) relacionadas com a Amazonas Comércio Ind. Imp. e Exportação, inclusive utilizandose do telefone do Frigorífico Quatro Marcos Ltda 2511201. Fl. 725DF CARF MF Processo nº 13896.001145/200717 Acórdão n.º 2301005.421 S2C3T1 Fl. 6 9 n) o capital social integralizado de constituição das empresas fantasmas é imensamente desproporcional para o volume de compras de animais realizados mensalmente, caracterizando um fato contábil muito vultoso em relação ao seu próprio capital de giro, ficando evidenciado que tanto a Flamingo Alimentos Ltda como a Amazonas Comércio Ind. Imp. e Exportação Ltda não possuíam patrimônio mínimo que lhes permitissem desenvolver as suas atividades. o) as empresas fantasmas não possuíam bens imobilizados para realização de suas atividades, nem ao menos um veículo, um telefone etc, tendo utilizado todos os bens imobilizados do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. p) as duas empresas fantasmas utilizavam sempre as instalações físicas do Frigorífico Quatro Marcos Ltda para a realização de seus próprios atos comerciais, inclusive para a compra de bovinos e venda de carnes; q) os supostos empregados da empresa fantasma Flamingo Alimentos Ltda, Sr. José Zagui e Sr. Jadir José de Oliveira, recebiam salário indireto Cesta Básica – do próprio Frigorífico Quatro Marcos Ltda. r) o sócio "laranja" da empresa fantasma Amazonas Comércio Ind. Imp. E Exportação Ltda, Sr. Pedro Olinto Ribeiro, era na realidade empregado de outras empresas do Grupo Quatro Marcos, na cidade de Colider/MT. s) em depoimento prestado ao Ministério Público Estadual (Termo de Declarações), datado de 05/04/00, a Sra. Rosa Pianezzer Ribeiro, que é esposa do Sr. Pedro Olinto Ribeiro, declarou desconhecer completamente que seu marido era sócio da empresa Amazonas, sendo que a empresa esteve formalmente ativa por mais de dois anos. t) em 06/12/96, a empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, ao apresentar contestação da NFLD n° 32.344.9816, lançada pelos auditores fiscais do INSS, explica o fato do "sumiço" de documentos da empresa, afirmando a função de motorista do Sr. Pedro Olinto Ribeiro. u) em Termo de Declarações, a Sra. Rosimar Hoesker, expatroa do outro proprietário da firma Amazonas (Sr. Nelson Francisco Barbieri), declarou que ele foi seu funcionário por aproximadamente um ano e recebia um salário em torno de R$ 500,00; e no início de 1998 deixou a empresa. Afirmou, ainda, que conhece o Sr. Nelson Francisco Barbieri desde criança e que sua atual esposa trabalhava para ela como empregada doméstica; disse ainda que nunca tomou conhecimento que o Sr. Nelson tivesse sido proprietário de um Frigorífico, mas sim que ele tinha sido empregado de um Frigorífico; sabe, no entanto, que ele leva uma vida modesta e não tem bens em seu nome. v) foi constatado pela fiscalização que no período de 1997, quando o Sr. Nelson Francisco Barbieri trabalhava para Sra. Rosimar Hoesker, a empresa que estava em seu nome, Amazonas, fez a maior movimentação de compra de bovinos. Constatação verificada nas Notas Fiscais de simples remessa para o Frigorífico Quatro Marcos Ltda: v.1) em 31/01/2000, a empresa Atlântica Brasil Industrial Ltda, CNPJ 60.398.914/000184, compradora de carne do Grupo Quatro Marcos, informou ao Ministério Público Federal e Estadual de Mato Grosso que o responsável pelos contatos para compra de carnes das empresas Amazonas era o Sr. Luis Olavo Sabino dos Santos, diretorempregado do Fl. 726DF CARF MF 10 Frigorífico Quatro Marcos Ltda, e o telefone de contato era 251 1201, também de propriedade do Frigorífico Quatro Marcos Ltda; v.2) em 20/08/97, o Sr. Luiz Nanni, controlador das empresas do Grupo Quatro Marcos, enviou um Relatório Preliminar ao Sr. Douglas (sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda) e ao Sr. Luís Olavo S. dos Santos (diretor do Frigorífico Quatro Marcos Ltda), mencionando claramente o movimento de caixa da empresa Amazonas AM, com seus respectivos relatos da conciliação bancária, explicitando inclusive as contas movimentadas pela Amazonas. Neste mesmo documento, também, contém instruções de procedimentos para o Frigorífico Quatro Marcos Ltda; v.3) em 07/03/97, o Sr. Luiz Nanni, administrador e controlador do Grupo Quatro Marcos, enviou ao Sr. Vanderlei, diretor financeiro do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, uma solicitação de um boletim financeiro completo, incluindo claramente as empresas: Amazonas e Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Este mesmo documento foi enviado por cópia para o Sr. Douglas Direção SP, sóciogerente do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Os fatos narrados demonstram que as relações comerciais entre as empresas Amazonas Com. Ind. Imp. e Exportação Ltda, Flamingo Alimentos Ltda e Frigorífico Quatro Marcos Ltda possuem a essência, de fato, de um Grupo Econômico, onde as duas primeiras possuem dependência econômica fática em relação ao Frigorífico Quatro Marcos Ltda, dependência esta observada em diversos campos: dependência física/operacional, financeira e de recursos humanos, compreendidas as pessoas responsáveis pela administração, principalmente na pessoa do Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier, mantendo ligação administrativa umas com as outras, vinculandose aos negócios e aos interesses em comum das empresas envolvidas. TÓPICO “ALTA FLORESTA IND. FRIGORÍFICA LTDA (EMPRESA QUE TEM COMO SÓCIO O SR, DOUGLAS); E FRIALTO IND. E COM. DE ALIMENTOS LTDA (EMPRESA DE FACHADA)” Foi constituída, no Município de Alta Floresta/MT, a empresa Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda, em 24/07/97, como uma unidade frigorífica para o abate de bovinos e, paralelamente, em 01/06/98, foi constituída uma empresa de fachada, a Frialto Ind. E Comércio de Alimentos Ltda. Esta firmou um contrato de arrendamento de toda a unidade frigorífica daquela. A empresa Alta Floresta jamais exerceu a atividade do objeto mercantil estabelecido no Contrato Social e assim que a empresa terminou a construção civil da obra da sua unidade frigorífica, surgiu imediatamente uma outra empresa (Frialto), com o mesmo objetivo mercantil, com o mesmo endereço e sob administração financeira e gerencial do Grupo Quatro Marcos. Diante disso, a fiscalização verificou que, na realidade, a Frialto foi constituída para servir de anteparo para a empresa Alta Floresta, ou seja, aquela era apenas uma empresa de fachada, com a finalidade exclusiva de burlar a fiscalização, ao chamar a carga tributária sobre si e desaparecendo posteriormente. Nesse contexto, apresenta os seguintes elementos de provas: 1) na empresa Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda consta no seu contrato social, como um dos sócios fundadores, o Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier (sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda). 2) apesar de existir um contrato de arrendamento somente das unidades frigoríficas, a firma Frialto é quem paga as várias despesas da Alta Floresta, evidenciando que na realidade eram uma única empresa, administrada pelos sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Fl. 727DF CARF MF Processo nº 13896.001145/200717 Acórdão n.º 2301005.421 S2C3T1 Fl. 7 11 3) em Romaneio de Abate, 30/11/98, da empresa Frialto, houve simulação de venda de 357 cabeças de bovinos para o Sr. Newton Vieira Barbosa; porém, o pagamento foi feito ao Sr. Luiz Olavo Sabino dos Santos (diretor do Frigorífico Quatro Marcos Ltda), como adiantamento de R$ 47.946,40 e ao Sr. Sebastião Bueno Xavier, Sr. Chico (pai do Sr. Douglas, sóciogerente do Frigorífico Quatro Marcos Ltda), no valor de R$ 57.558,58. Esse é outro fato que evidencia a dependência da Frialto com o Frigorífico Quatro Marcos Ltda, intitulada nas pessoas do seu diretor e do seu sócio. 4) na administração da empresa fantasma Frialto o Grupo Quatro Marcos tinha a ajuda do Sr. Clodiomar Birtche (conhecido na região como "KOI"), que aparece ao mesmo tempo como sócio no contrato social da Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda. Diante disso, constatouse que a empresa Frialto Ind. e Com. de Alimentos Ltda faz parte de um grupo econômico de fato (Grupo Quatro Marcos), no qual há a lesão aos cofres públicos, utilizandose da criação de empresas de "fachada" ("fantasmas"), juntamente com os seus respectivos sócios "laranjas", com o fim exclusivo de servir de anteparo para a incidência de tributos e que após algum tempo se esvaem misteriosamente sem arcar com as contribuições sociais devidas à União. TÓPICO “O.C.A. COMERCIAL LTDA (NOVA DENOMINAÇÃO SOCIAL DO FRIGORÍFICO COLIDER LTDA), EMPRESA EM NOME DO DIRETOR E SÓCIO DO FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA; FRIGOLIDER IND. E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA (EMPRESA DE FACHADA); IND. FRIGORÍFICA NORTE COLIDENSE LTDA (EMPRESA DE FACHADA)” A empresa Frigorífico Colider Ltda foi constituída no Município de Colider/MT, em 04/08/94, como uma unidade frigorífica para o abate de bovinos e, paralelamente, em 01/12/95, foi constituída uma outra empresa de fachada a Frigolider Ind. E Comércio de Alimentos Ltda. A primeira empresa firmou um contrato de arrendamento de toda a sua unidade frigorífica com a segunda. A empresa Frigorífico Colider Ltda jamais exerceu a atividade do objeto mercantil estabelecido no seu contrato social e assim que a empresa terminou a construção civil da obra da unidade frigorífica, surgiu imediatamente a empresa de fachada (Frigolider) com o mesmo objetivo mercantil, com o mesmo endereço e sobre administração financeira e gerencial do Grupo Quatro Marcos. Na realidade, a Frigolider foi constituída para servir de anteparo ao Frigorífico Colider Ltda e ao Frigorífico Quatro Marcos Ltda, com a finalidade exclusiva de burlar a fiscalização. No Município de Colider, assim que começaram a desenvolver as ações fiscais da Secretaria de Fazenda, acompanhadas pelo Ministério Público Estadual de Mato Grosso, no Grupo Quatro Marcos, em 04/99, a empresa de fachada Frigolider desapareceu imediatamente, juntamente com os seus sócios laranjas, sem deixar qualquer paradeiro, surgindo imediatamente outra empresa de fachada, a Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda Fricol, com mesmo objeto mercantil, mesmo endereço, mesmo quadro pessoal de empregados e com os mesmos diretores e administradores das anteriores, ou seja, o Grupo Quatro Marcos, com a ajuda da família "Birtche" (Sr. Creudevaldo Birtche), era quem administrava financeira e gerencialmente a Frigolider e a Fricol. Apresenta as seguintes provas sobre os fatos: 1) no período de 12/95 a 03/99 atuava uma empresa de fachada, Frigolider Indústria e Com. de Alimentos Ltda, que desapareceu misteriosamente, juntamente com os sócios, após o início dos trabalhos do fisco estadual SEFAZ/MT. O seu sócio laranja, Sr. Fl. 728DF CARF MF 12 Edson Carlos Padilha, continuou recebendo remuneração (salário e cesta básica) da firma Fricol. 2) de 04/99 em diante, após o desaparecimento da Frigolider Ind. e Com de Alimentos Ltda, surgiu imediatamente uma outra empresa de fachada, a Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda Fricol sendo que os seus sócios fazem parte da família Birtche que pelos elementos levantados, podese considerálos como "testa de ferro" do Grupo Quatro Marcos. 3) o Sr. Pedro Olinto Ribeiro, sócio laranja da empresa fantasma Amazonas, que funcionou como um "CAIXA 2" do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, sempre recebeu, no Município de Colider, remuneração das duas empresas de fachada do Grupo Quatro Marcos, quais sejam: Frigolider e Fricol. 4) as despesas do Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier, sóciogerente do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, referente à Fazenda Santa Laura eram pagas pela empresa de fachada Fricol. 5) o Sr. Carlos Roberto Dutra Bandeira, que desapareceu misteriosamente com a documentação da Frigolider, na qual era sócio laranja, recebeu dinheiro da Fricol referente à venda de bovinos. Os bovinos são de propriedades de outras pessoas, alternando entre pessoa física e jurídica, mas quem recebe o dinheiro é o Sr. Carlos Roberto Dutra Bandeira. 6) Em 27/09/99, o Sr. Carlos R. D. Bandeira recebeu R$ 22.566,03 da firma Fricol, referente à venda de bovinos de propriedade da Agropecuária Vale Carapa Ltda. 7) Em 27/09/99, o Sr. Carlos R. D. Bandeira recebeu R$ 3.648,97 da firma Fricol, referente à venda de bovinos de propriedade do Sr. Roberto Calozari e outros. 8) Em 06/01/00, novamente o Sr. Carlos R. D. Bandeira recebeu R$ 5.000,00 da firma Fricol, referente à venda de bovinos de propriedade do Sr. Oscar Nunes da Silva. Após verificação dos documentos da Frialto Ind. e Com. de Alimentos Ltda, encontrouse um "cartão" da empresa “Círculo Quatro Compra e Transporte de Bovinos” onde se percebe que o Sr. Carlos Roberto Dutra Bandeira mora no mesmo endereço da Sra. Cleonice Birtche Bandeira. O mesmo foi um comprador de bovinos na região de Colider, provavelmente do Grupo Quatro Marcos, e jamais dono de qualquer Frigorífico. A firma Fricol, ao pagar os fornecedores de bovinos, deposita o dinheiro diretamente na conta do Sr. Luís Olavo Sabino Santos, diretor do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, caracterizando simulação do Grupo Quatro Marcos, pois uma pessoa empresta o nome para aparecer na nota fiscal e outra recebe o dinheiro. Estes documentos constatados pela fiscalização totalizaram um valor de R$ 183.964,36 depositados diretamente na conta do Sr. Luís Olavo. Novamente, a firma Fricol, ao pagar os fornecedores de bovinos, deposita o dinheiro diretamente na conta do Sr. Sebastião Bueno Xavier, pai do Sr. Douglas sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Em 04/10/99, a firma Fricol pagou as despesas de carne do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, filial de Jandira/SP, depositando o dinheiro diretamente na conta do Sr. Tupanangil Tricai Magalhães, na época Diretor desta filial. Em 09/11/99, a firma Fricol, realizou novo pagamento de despesas diversas do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, filial Jandira/SP, depositando o dinheiro diretamente na conta corrente do Sr. Tupanangil Tricai Magalhães, na época Diretor desta filial. Estes dois documentos (doc. 6.2.g e doc. 6.2.h) Fl. 729DF CARF MF Processo nº 13896.001145/200717 Acórdão n.º 2301005.421 S2C3T1 Fl. 8 13 evidenciam claramente que os diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, além de exercerem um controle na parte gerencial, também exerciam um controle na parte financeira das empresas de fachada. Ademais, esses documentos também comprovam que a contabilidade do Frigorífico Quatro Marcos Ltda jamais espelhou a realidade, pois o fato do dinheiro ser depositado diretamente na conta corrente do diretor e não na conta corrente da empresa, evidencia um fato completamente contrário à legislação fiscal e comercial, constituindo motivo de desconsideração da contabilidade do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, como deflui do § 6º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91, e do art. 235 do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. A firma Fricol, em 15/07/99, efetuou o pagamento de despesas de locomoção à cidade de SINOP/MT para o Escritório Universal, relacionando todas as empresas do Grupo Quatro Marcos no Município de Colider/MT, inclusive pagando despesas de todas elas indistintamente. Em diligência fiscal realizada em 05/04/2000, juntamente com os Fiscais de Tributos Estadual FTE/MT, encontrouse nas dependências da empresa Fricol vários documentos referentes aos Certificados de Registros e Licenciamentos de Veículos das Sras. Susete Jorge Xavier e Rosana Jorge Xavier e do Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier, sócios dos Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Em 09/09/99, o Sr. Luiz Olavo Sabino dos Santos, diretor do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, determinou ao Sr. Tucura (Creudevaldo Birtche), um dos sócios da Fricol, que este efetuasse o depósito na conta corrente do Sr. Pedro Bernardo dos Santos, o mais rápido possível. Para explicar o fato de que uma empresa precede a outra, no caso em tela, a firma Fricol sucede à Frigolider; as despesas desta, referente ao mês de abril, foram pagas pela primeira. O fato comprovado nestes documentos é que as empresas de fachada foram constituídas para funcionarem apenas por um lapso de tempo e desaparecem misteriosamente, surgindo imediatamente outra empresa de fachada. Exemplificando, no início do mês abril/99 de fato a Frigolider deixou de exercer suas atividades comerciais e surge a Fricol, no mesmo endereço, mesmo objeto mercantil, mesmo quadro pessoal e administrada pelos sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Em 07/04/99, a firma Fricol depositou diretamente na conta corrente do Sr. Nilton do Amaral, empregado do Grupo Quatro Marcos, o valor de R$ 1.080,00 referente à despesa de manutenção do P.A.B.X. realizada pela empresa Telefonia Engenharia de Telecomunicações Ltda, comprovando que o Sr. Nilton do Amaral pagava as despesas das empresas de fachada na cidade de Cuiabá/MT e, posteriormente, prestava conta ao controlador do Grupo Quatro Marcos (Sr. Luiz Nanni) que autorizava o ressarcimento. No período de 16/09/99 a 30/09/99, os empregados do Grupo Quatro Marco dos Municípios de São Paulo e Alta Floresta prestaram serviços em Colider/MT, na firma Fricol. Este fato demonstra de maneira clara que se trata de um grupo econômico de fato, pois os empregados de uma localidade são deslocados para prestar serviços em outra unidade frigorífica, no setor de desossa. Alerta a fiscalização que a firma Fricol iniciou suas atividades comerciais a partir do mês 04/99 e o documento demonstra que os empregados foram admitidos no ano de 1998. Fl. 730DF CARF MF 14 O Sr. Ronaldo A. dos Santos da Rocha, empregado do Frigorífico Colider Ltda (posteriormente denominado de O.C.A. Comercial Ltda) enviou documentos da firma Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda Fricol para o Sr. Paulo Medeiros, o Sr. Gerson Medeiros e Audicontabil Auditores Independentes S/C, respectivamente, advogados e prestador de serviço da Fricol, caracterizando mais uma vez que tanto a Fricol como a O.C.A. Comercial Ltda pertencem aos mesmos sócios. A empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos foi constituída em nome de sócios laranjas, ou seja, pessoas físicas que emprestaram o nome para fazer parte do contrato social da empresa, quando, na realidade, eram apenas empregados da própria Frigolider ou de outra empresa do Grupo Quatro Marcos. O suposto sócio Sr. Edson Carlos Padilha sempre foi empregado do Grupo Quatro Marcos. No notebook (máquina de informática) apreendido pelos Fiscais de Tributos Estadual MT existem arquivos onde pode se ver claramente que as suas despesas de remuneração (salários) estão registradas junto com os demais empregados da empresa; neste mesmo arquivo também existem registros específicos de pro labore para o Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier juntamente com o seu pai Sr. Sebastião Bueno Xavier (Sr. Chico), que, de fato, eram sócios do Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda. Em 01/04/1996, o suposto sócio, Sr. Edson Carlos Padilha, foi admitido na empresa Frigolider com uma remuneração mensal de R$ 395,87, e em 02/12/1996 aparece como sócio dessa mesma empresa, onde, observando o princípio da primazia da realidade, verificase como sócio "laranja". Ademais, no período de 05/1993 até 02/1996 esse sócio "laranja" trabalhou na empresa Indústria de Móveis 3 Irmãos, CNPJ 82.767.641/000130, como empregado na função de auxiliar de produção e de lustrador, sendo que o seu último salário foi de R$ 314,60 mensais. Outro fato marcante foi a constatação de que após a paralisação de fato da empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, o Sr. Edson Carlos Padilha continuou recebendo remuneração (salário em pecúnia e salário indireto) de outra empresa de fachada, Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda – Fricol, como segurado não inscrito no Regime Geral de Previdência Social RGPS, utilizando o artifício de "FRICOL U", sendo que na competência 12/1999 recebeu R$ 1.035,00 e apôs sua assinatura no recibo de pagamento; os salários indiretos foram constatados na listagem do sacolão (cesta básica) onde também apôs sua assinatura. Os sócios efetivos das empresas relatadas no Tópico VI do Relatório Geral são: o Sr. Sebastião Bueno Xavier, o Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier e o Sr. Creudevaldo Birtche. Diante disso, conclui a fiscalização que as empresas Frigorífico Colider Ltda (hoje O.C.A. Comercial Ltda), Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda e a Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda (Fricol) fazem parte de um mesmo grupo econômico de fato (Grupo Quatro Marcos), no qual há a lesão os cofres públicos, utilizandose de empresas de "fachada" ("fantasmas"), juntamente com os seus respectivos sócios "laranjas". TÓPICO “VILA RICA ALIMENTOS LTDA (EMPRESA QUE TEM COMO UM DOS SÓCIOS O SR. DOUGLAS) E FRIGORÍFICO VILA RICA LTDA (EMPRESA DE FACHADA)” Fl. 731DF CARF MF Processo nº 13896.001145/200717 Acórdão n.º 2301005.421 S2C3T1 Fl. 9 15 Foi constituída no Município de Vila Rica/MT a empresa Vila Rica Alimentos Ltda, em 01/01/98, como uma unidade frigorífica para o abate de bovinos e, paralelamente, em 10/02/99, foi constituída a empresa de fachada Frigorífico Vila Rica. Aquela empresa firmou um contrato de arrendamento de toda sua unidade frigorífica com esta. A empresa Vila Rica Alimentos Ltda jamais exerceu a atividade do objeto mercantil estabelecido no contrato social e, assim que a empresa terminou a construção civil da obra da sua unidade frigorífica, surgiu imediatamente a empresa de fachada (Frigorífico Vila Rica Ltda), com o mesmo objetivo mercantil, com o mesmo endereço e sobre administração financeira e gerencial do Grupo Quatro Marcos. Diante disso, a fiscalização verificou que na realidade a empresa Frigorífico Vila Rica Ltda foi constituída para servir de anteparo à Vila Rica Alimentos Ltda, com a finalidade exclusiva de burlar a fiscalização, já que aquela não tem qualquer bem econômico registrado em seu nome para pagar os tributos sonegados. Constatouse, através de diligência fiscal realizada no Município de Vila Rica/MT, que a empresa Vila Rica Alimentos Ltda nunca funcionou no endereço do seu contrato social. O proprietário do imóvel (Sr. José Manoel Garcia, RG: 11.636.844 SSP/SP) onde deveria funcionar a empresa informou "que apenas manteve um contato com os proprietários desta empresa em 1998, mas jamais a mesma funcionou neste endereço: Avenida Brasil 38 A, Centro, Vila Rica/MT, nem em outro endereço dentro da cidade de Vila Rica". TÓPICO “PROVAS GERAIS DO GRUPO QUATRO MARCOS” Depois de várias diligências fiscais nos Municípios de atuação do Grupo Quatro Marcos, arrecadouse diversos documentos que comprovam, de maneira lúcida e transparente, o envolvimento dos sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, com as empresas de fachadas (ou fantasmas) Amazonas, Frigolider, Flamingo, Fricol, Frialto e Frigorifico Vila Rica. Além disso, existem diversos documentos apreendidos pelos Fiscais de Tributos Estadual de Mato Grosso FTE/MT, aos quais teve acesso a fiscalização do INSS, que confirmam os fatos relatados no Relatório Geral. A fiscalização lista as seguintes provas: 1) As despesas de manutenção das empresas de fachada (ou fantasmas) eram administradas pelo Sr. Luis Nanni (controlador do Grupo Quatro Marcos). Em documento aprendido pelos FTE/MT (doc. 8.1), o Sr. Nilton do Amaral, empregado do Grupo Quatro Marcos, apresenta ao Sr. Luiz Nanni Relação de Prestação de Contas, mês 05/99, das despesas que teriam sido efetuadas com as seguintes empresas: Flamingo: aluguel da sala 403, R$ 500,00 (05/05/99); pagamento de telefone, R$ 449,93 (10/05/99); Frigolider: pagamento de telefone, R$ 42,42 (10/05/99); Amazonas: aluguel da sala, R$ 301,59 (03/05/99); Sr. Douglas, sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda: pagamento de registro de arma, R$ 686,00 (14/05/99); Sra. Rosana Jorge Xavier: despesas de sedex, R$ 14,70 (14/05/99). Nesta mesma relação de prestação de contas há a provisão de pagamento dos salários da Sra. Sandra e Sra. Celiane, respectivamente, empregadas da Flamingo e Frigolider, e também provisão do pagamento de energia elétrica das empresas Amazonas, Flamingo e Frigolider, e também da energia do Edifício Marselha, onde o Sr Sebastião Douglas Sorge Xavier reside. 2) A empresa Phoenix, através do controlador Sr. Luiz Nanni, envia aos empregados do Grupo Quatro Marcos, o Sr. Vanderlei (na época diretor financeiro do Frigorífico Quatro Marcos Ltda) e o Sr. Nilton do Amaral (na época empregado na função de Contador do Frigorífico Colider Ltda), instruções de procedimentos às firmas Amazonas e Frigolider, ambas empresas de fachada (ou fantasmas). Assim, considerando que o Sr. Nilton Fl. 732DF CARF MF 16 do Amaral era empregado do Frigorífico Colider Ltda, não há como entender o fato dele receber instruções do Sr. Luiz Nanni orientando na elaboração de Relatórios Financeiros e de Vendas (doc. 8.2.a e doc. 8.2.b) da firma Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, com a qual o Sr. Nilton do Amaral não possuía qualquer vínculo empregatício. Em 24/02/97, o Sr. Luiz Nanni enviou carta ao Sr. Vanderlei e ao Sr . Nilton do Amaral, contendo instruções de como proceder na elaboração de Boletim Financeiro. No rodapé do documento consta a observação de que foi enviada cópia ao Sr. Douglas Direção SP, sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda (doc. 8.2.a.). Salta aos olhos da fiscalização que a empresa Frigolider recebe instruções de preenchimento de documentos da Phoenix de São Paulo, porém não está constituída em nome do Sr. Douglas ou qualquer outra pessoa de sua família. Diante disso, só existiria uma explicação : a Frigolider é uma empresa de fachada, sendo efetivamente administrada pelo Sr. Douglas. Em 07/03/97, o Sr. Luiz Nanni enviou carta ao Sr. Vanderlei Chefia de Escritório FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA contendo instruções de como proceder na elaboração de Boletim Financeiro, solicitando inclusive que a separação deve englobar as empresas Frigorífico Quatro Marcos Ltda e Amazonas. No rodapé consta a informação de que foi enviada cópia ao Sr. Douglas Direção –SP (doc. 8.2.b.). Em carta datada de 01/04/97, proveniente da empresa Phoenix de Jandira/SP, consta o seguinte: "DE: Luiz Nanni Administração SP" para "Srs. Vanderlei Ger. Adm. Financeira FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA/AM e Newton – Depto Contabilidade Frigolider", envia instruções de como proceder no Relatório de Vendas. Em anexo a essa carta, o Sr. Luiz Nanni envia um modelo contendo as vendas do dia 29/03/97 da firma Amazonas. Neste documento (doc. 8.2.c), além de instruir a firma de fachada Frigolider, a Phoenix passa instruções para a Amazonas, representada pelo Sr. Vanderlei Roberto Stropp Martin, Diretor e Gerente Financeiro do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Novamente, no rodapé consta a informação de que foi enviada cópia para o Sr. Douglas. Em 09/07/97, o Sr. Vanderlei enviou ao Sr. Luiz Nanni um documento, através de facsímile, com uma minuta de contrato a ser firmado com o Carrefour e, em letra manuscrita, escreveu um bilhete "A/C Sr. LUIZ NANNI FAVOR VERIFICAR SE DEVE SER ASSINADO ENTRE AMAZONAS X CARREFOUR" (constatação do Sr. Vanderlei pela assinatura). Em outro bilhete apenso, manuscrito e assinado pelo Sr. Luiz Nanni, a resposta: "VANDERLEI: ASSINAR 10/07 Douglas autorizou". Em suma, o Diretor e Gerente Financeiro do Frigorífico Quatro Marcos Ltda pergunta ao Controlador do Grupo Quatro Marcos se a Amazonas deve assinar o Contrato com Carrefour (doc. 8.2.d.). 3) A extelefonista da Frigolider e exsecretária da Flamingo, Sra. Adriana Guedes, afirmou que os sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, juntamente com a família Birtche (Sr. Creudevaldo Birtche), administravam efetivamente as empresas de fachada e confirmou também a relação com o Sr. Luiz Nanni (doc. 8.3). 4) A exsecretária da Frigolider, Sra. Celiane da Costa Bispo, afirma em Termo de Declaração que o Sr. Nilton do Amaral administrava a Frigolider e a Flamingo (doc. 8.4). O Sr. Nilton do Amaral é funcionário contratado pelas empresas do Grupo Quatro Marcos. 5) O Sr. Napoleão Mendes Neto, empregado da Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, CNPJ 00.897.034/000120, afirmou em Termo de Declarações também o Fl. 733DF CARF MF Processo nº 13896.001145/200717 Acórdão n.º 2301005.421 S2C3T1 Fl. 10 17 envolvimento do Sr. Sebastião Xavier ("Chico"), Sr. Douglas e da família Birtche com as empresas de fachada. 6) Em vários depoimentos constantes nos Termos de Declarações, prestados ao Ministério Público Estadual, os Srs. Antonio Claudemir Zirondi, Jose Alves Barbosa, Ricardo Rezende e Maria Ester da Paz Silva confirmam a constatação e composição do Grupo Quatro Marcos. Também afirmam nos Termos de Declarações quem são os efetivos proprietários das empresas de fachada (doc. 8.6). 7) Os contatos para compra de carnes das empresas que fazem parte do Grupo Quatro Marcos, ou seja, os clientes do grupo, eram feitos através de sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Em diligência fiscal realizada na firma Frigorífico Quatro Marcos Ltda, constatouse na documentação contábil da empresa que o telefone (011) 7929 3588 pertencia à firma Phoenix Adm. e Participações Ltda, que tem como sócias as irmãs do Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier (sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda). Porém, as despesas desse telefone são pagas pela filial do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, em Jandira/SP. Em ofício datado de 17/12/99, a COOP Cooperativa de Consumo, CNPJ 57.508.426/000144, afirmou que o contato para compra de carnes do Grupo Quatro Marcos, do qual fariam parte os seguintes frigoríficos: Frigorífico Quatro Marcos Ltda, Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, Amazonas Com. Ind. Imp. e Exportação Ltda, Pontal do Araguaia Alim. Ltda, Flamingo Alimentos Ltda, Frialto Ind. Com. de Alimentos Ltda, Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda e Frigorífico Vila Rica Ltda, era efetuado com o Sr. Tupanangil Tricai Magalhães (conhecido como "Tupã" ou "Tupã Magalhães"), que era Diretor da filial do Frigorífico Quatro Marcos Ltda em Jandira/SP e, ao tempo da fiscalização, Diretor da matriz Frigorífico Quatro Marcos Ltda, no telefone (011) 79293588 (doc. 8.7.a). Em ofício datado de 25/02/2000, a empresa Saito & Saito Supermercado Ltda afirma que as compras de carne tanto da Flamingo como da Frigolider eram realizadas com o vendedor Sr. Tupanangil Magalhães (fone: 011 79293588) (doc.8.7.b). Em ofício de 28/02/2000, a empresa Ralimar Distribuidora de Miúdos Ltda atesta que as compras de carne das firmas Fricol, Frigolider e Frigorífico Quatro Marcos Ltda eram realizadas no mesmo telefone (011 79293588), com as seguintes pessoas: Cláudia, Davilson e Tupã (doc. 8.7.c). A empresa Carrefour atestou que o próprio Sr, Sebastião Douglas Sorge Xavier (sóciogerente do Frigorífico Quatro Marcos Ltda) era o contato para as compras de carne que realizou com as firmas Amazonas, Frigolider e Frigorífico Quatro Marcos Ltda, no telefone (011) 79293588. Já as compras do Flamingo Alimentos e as algumas do Frigorífico Quatro Marcos Ltda foram realizadas com Sr. Tupã, no mesmo telefone (doc.8.7.d). Em 09/03/2000, a firma Espetinho Churra Bom Ltda atestou que o entreposto das empresas Frigorífico Quatro Marcos Ltda, Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, Frialto Ind. Com. Alimentos Ltda e Amazonas Com. Ind. Imp. Exp. Ltda era realizado no mesmo endereço (Rua Pureza Marques de Oliveira, 83 Distrito Industrial Pres. Wilson, Jandira/SP) (doc. 8.7.e). Este endereço é o da filial do Frigorífico Quatro Marcos Ltda e o mesmo endereço onde funcionou uma filial da firma Flamingo Alimentos Ltda. Em 29/02/2000, a firma Olhos D'Agua Ind. e Comércio de Carnes Ltda atestou que as compras de carne dos Frigoríficos: Guaray Comércio Ind. Exp. e Imp. Ltda, Frigorífico Quatro Marcos Ltda, Flamingo Alimentos Ltda, Amazonas Com. Ind. Imp. E Exportação Ltda, Frigolider Industria Comércio de Alimentos Ltda, Frialto Ind. e Comércio de Alimentos Ltda, Fricol Industria Frigorífica Norte Colidense Ltda e Frigorífico Vila Rica Fl. 734DF CARF MF 18 Ltda eram efetuadas diretamente no frigorífico em seu escritório em São Paulo através do telefone (11) 79293588 com as seguintes pessoas: Claudia, Jose Roberto, Douglas, Freitas, Dante e Tupã (doc 8.7.f). 8) Em carta datada de 27/05/98, o Sr. Luiz Nanni (controlador do Grupo Quatro Marcos) afirmou para o Sr. Vanderlei Gerente Administrativo e financeiro GAF do FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA que estava enviandolhe a alteração contratual da empresa Guaray novo endereço feita na JUCEMAT. (doc. 8.8). A Guaray (CNPJ 74.075.268/000129) é empresa fantasma antecessora da Amazonas que também desapareceu misteriosamente após a fiscalização do INSS em 1996 (NFLD DEBCAD nº 32.345.3368). É inexplicável o fato do Sr. Vanderlei e do Sr Douglas receberem alteração contratual original de empresa que está com suas atividades de fato encerradas, não tendo nenhum vinculo com Frigorífico Quatro Marcos Ltda. No rodapé desta carta consta que foi enviada cópia para arquivo (Sr. Douglas). 9) A confusão entre as empresas que compõem o Grupo Quatro Marcos era tão grande que o Frigorífico Colider, CNPJ 00.135.198/000110, identificase com o CNPJ da Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda (CNPJ 00.897.034/000120), ao apresentar demonstrativos contábeis para a obtenção de Certidão Negativa de Débitos CND junto ao INSS. (doc. 8.9). Neste mesmo documento o Sr. Nilton do Amaral assina como contador do Frigorífico Colider Ltda. 10) Em ofício de 04/07/2000, o Sr. Franklin Nogueira Hoyer, Cmt. Do CINDACTA I, atestou que a aeronave PTWSX de propriedade do Frigorífico Quatro Marcos Ltda realizou vários vôos para Alta Floresta/MT, no período de 01/01/97 a 31/12/99 (doc. 8.10). A aeronave era utilizada pelo Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier (sóciogerente do Frigorífico Quatro Marcos Ltda) para a realização das visitas e vistorias das empresas de fachada nos Municípios de Alta Floresta/MT e Colider/MT. Neste Município não há aeroporto para pouso de aeronaves, por isso que no relatório do CINDACTAI não o consta. Ficou evidenciado que no mínimo uma ou duas vezes o Sr. Douglas e/ou algum Diretor do Frigorífico Quatro Marcos Ltda iam a Alta Floresta e Colider. Corroborando este entendimento a respeito do uso da aeronave, o Sr. Napoleão Mendes Neto afirmou em Termo de Declarações (doc. 8.5) que: o Sr. Douglas e o Sr. Chico vinha para esta cidade (Colider) de avião. 11) A Sra. Adna Pereira da Silva, exsecretária do Sr. Paulo Pitaluga e ex empregada da Flamingos Alimentos Ltda, afirma em Termo de Declaração que "...a empresa Flamingo aparentemente não desenvolvia nenhuma atividade comercial, pois não vendia nada e nem comprava, não recebia mercadoria e nem despachava...” (doc. 7.11). Neste mesmo documento a Sra. Adna Pereira da Silva afirmou que a empresa Flamingo era de propriedade do Frigorífico Quatro Marcos Ltda e que o Sr. Luiz Nanni trabalhava junto com o Sr. Douglas e por vezes vinha ao escritório em Cuiabá. Também afirmou que o Sr. Paulo Pitaluga, Sr. Nilton do Amaral e o Sr. Luiz Nanni diziam claramente que o proprietário de todas as empresas era o Sr. Douglas juntamente com o seu pai conhecido por "Chico". 12) A imobiliária Âncora Locação de Imóveis Ltda, representada pelo Sr. Marco Antônio Tolentino de Barros, afirmou que a funcionária da Flamingo era quem fazia o pagamento do aluguel da Amazonas e da Frigolider. Em depoimento à Delegacia Especializada de Polícia Fazendária, o gerente de locação da Imobiliária Ancora declara que os aluguéis da sala da Amazonas e outros problemas eram resolvidos com a funcionária da Flamingo Alimentos Ltda, Sra. Adriana, e que era ela também que mantinha contato sobre qualquer Fl. 735DF CARF MF Processo nº 13896.001145/200717 Acórdão n.º 2301005.421 S2C3T1 Fl. 11 19 problema com a sala alugada para a empresa Frigolider (doc.8.12). Neste mesmo documento, o referido gerente declarou, ainda, que quem procurou a Âncora para alugar uma sala para funcionamento da firma Amazonas foi Sr. Paulo Pitaluga e que jamais conheceu os seus respectivos sócios, como também não conheceu os sócios da Frigolider. 13) Vários boletins financeiros, cartas e atas de reuniões, aprendidos pelos Fiscais de Tributos Estadual/MT, comprovam o relacionamento do Sr. Luiz Nanni na controladoria do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, bem como o seu relacionamento direto com Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier no controle do Grupo Quatro Marcos (doc 8.13). 14) Outro fato que deixa transparente a formação do Grupo Quatro Marcos grupo econômico de fato foram dois fax urgentes enviados pela empresa Audicontábil, datados de 08/08/97 e 13/08/97, para a empresa Frigorífico Colider Ltda, à atenção do Sr. Nilton do Amaral Contabilidade, que era empregado da Ind. de Couros e Insumos Colider Ltda, onde o mesmo recebeu informações sigilosas referente aos projetos da SUDAM tanto do Frigorífico Quatro Marcos Ltda como também do Frigorífico Colider Ltda (doc. 8.14). 15) Em fiscalização realizada pelo INSS na empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, ano 1996, NFLD DEBCAD no 32.344.9883, o Sr. Nilton do Amaral já informava a dependência e o envolvimento desta empresa com Frigorífico Quatro Marcos Ltda, quando no Relatório Fiscal os Srs. Auditores Fiscais discorrem: "...entramos em contato com o Sr. Nilton do Amaral e este nos informou de que iria contactar com o Frigorífico Quatro Marcos para saber quem havia retirado tais documentos e onde estavam." (doc. 8.15). 16) Durante diligência fiscal desenvolvida pelos Fiscais de Tributos Estadual FTE/MT, realizada em 27/05/99, o Sr. Nilton do Amaral foi flagrado tentando fugir com documentos das empresas Amazonas, Frigolider e Flamingo. A FTE Sra. Wilce flagrou o Sr. Nilton do Amaral, acompanhado de outra pessoa não identificada, tentando fugir com diversos documentos que já estavam no porta malas do carro que se encontrava no estacionamento ao lado do Edifício Master Center, onde a Amazonas alugava uma sala. Estranhamente, havia documentos de 03 firmas, aparentemente distintas, Amazonas, Frigolider e Flamingo (doc. 8.16). 17) Durante diligência fiscal realizada em 25/05/99 pela fiscalização estadual MT, na sala alugada pela firma Flamingo, também foi feita a apreensão de uma máquina de informática (notebook), que estava em poder do Sr. Nilton do Amaral, a qual tinha um programa específico para a contabilidade da empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda (doc. 8.17). 18) As empresas que compõem o Grupo Quatro Marcos utilizam o mesmo modus operandi para dar sumiço misteriosamente em sua documentação fiscal. Em 30/07/1996, o Sr. Carlos Eduardo de Oliveira Sebim registrou um Boletim de Ocorrência afirmando que toda a documentação da Amazonas foi furtada de um veículo, sendo que este era de propriedade do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. É inexplicável o fato da documentação estar dentro de um veículo do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. (doc. 8.18). Fl. 736DF CARF MF 20 Em 11/05/99, o Sr. José Zagui compareceu ao Departamento de Polícia Militar DPM de São José dos Q. Marcos e relatou que todos os documentos da Flamingo foram furtados de um veículo. (doc. 8.18). No Relatório Fiscal da NFLD DEBCAD no 32.344.9883, os Srs. Auditores Fiscais relatam que a firma Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda também não apresentou qualquer documentação fiscal (doc. 8.15). Em 20/12/96, a firma Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda tornou público, em Diário Oficial de Mato Grosso, que foram furtados do interior de um veículo vários documentos fiscais e contábeis (doc. 8.18). Em 21/01/91, o Sr. Moisés Ferreira Borges, empregado do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, compareceu à Delegacia de Polícia de São J. Q. Marcos e registrou uma Ocorrência Policial n° 20/91. Na época, afirmou que os documentos da empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda tinham sido destruídos em acidente de veículo, seguido de incêndio (doc. 8.18). 19) Corroborando ainda mais com entendimento de que os diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda também administravam as empresas de fachada (ou fantasmas), em 28/10/98, a Sra. Adriana "DRI", exsecretária da firma Flamingo, mandou um bilhete ao Sr. Vanderlei (diretor financeiro do FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA), para que o mesmo providenciasse o pagamento da energia elétrica da firma Amazonas (doc. 8.19). 20) A participação do Sr. Douglas (sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda), no comando das empresas de fachada do Grupo Quatro Marcos, é tão evidente que, em 18/12/97, o Fundo de Aperfeiçoamento dos Serviços Jurídicos da Procuradoria Geral do Estado de Mato Grosso FUNJUS ao receber a importância de R$ 50,00 da firma Frigolider Ind. Com. de Alimentos Ltda, incluiu também claramente o nome do Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier e da sua irmã Sra. Rosana Jorge Xavier (doc. 8.20). 21) Os elementos que comprovam o grupo econômico de fato (Grupo Quatro Marcos) são tão evidentes, que a firma Fricol chega a pagar as despesas de estadas do Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier (sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda) e do Sr. Francisco Sérgio B. Figueiredo (suposto sócio do Frigorífico Vila Rica Ltda) na cidade de Colider, quando estes vão administrar as unidades frigoríficas da região. Inclusive, no movimento de caixa (Banco c/c 06384), aparece de maneira expressa o débito dessas despesas (Saídas) referente às Despesas Adm. Viagens e Estadas, lançamento 6147 (doc. 8.21.a). Em 02/10/99, a firma Fricol pagou as despesas de estadas do Sr. Douglas (sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda), referente aos dias: 26 a 27/08/99 e 23 a 24/09/99; neste mesmo dia também pagou as despesas de estadas do Sr. Francisco S. B. Figueiredo (Frigorífico Vila Rica Ltda) referente aos dias 21 a 22/09/99 (doc. 8.21.b). Este documento demonstra uma agravante, uma vez que referente as despesas de estadas do Sr. Douglas passaram corretivo (tipo liquid paper) em cima do campo hóspede Palace Hotel para ocultar e alterar o seu nome, mas se colocar o documento em visualização sobre a luz percebese que está escrito "SR. DOUGLAS". Esta prática de ato é contrária aos princípios fundamentais da contabilidade e a legislação fiscal. 22) As despesas do Sr. Aguiar Coelho do Amaral (piloto do Frigorífico Quatro Marcos Ltda), como da aeronave PTVKW, referente aos vôos para cidade de Colider, levando o Sr. Douglas (sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda), também são pagas pela firma Fl. 737DF CARF MF Processo nº 13896.001145/200717 Acórdão n.º 2301005.421 S2C3T1 Fl. 12 21 Fricol. Em 20/09/99, a firma Fricol pagou as despesas de combustíveis (doc. 8.22.a) e de táxi aéreo (doc. 8.22.b) da aeronave PTVKW de propriedade do Frigorífico Colider Ltda, pilotada pelo Sr. Aguiar C. Amaral, em viagens do Sr. Douglas. Em 27/09/99, a firma Fricol pagou as despesas de combustíveis da aeronave PTVKW de propriedade do Frigorífico Colider (O.C.A. Comercial Ltda), pilotada pelo Sr. Aguiar C. Amaral em viagem do Sr. Douglas (doc. 8.22.c). Em 03/02/00, a firma Fricol pagou as despesas com alimentação do Piloto Sr. Aguiar Coelho do Amaral referente à Nota Fiscal 7615 Churrascaria Kaskata's (doc. 8.22.d). Em 27/09/99, a Fricol pagou as despesas de combustíveis da aeronave PTVKW no valor de R$ 539,97 (doc. 8.22.e). Em 17/12/99, novamente a firma Fricol pagou as despesas de combustíveis da aeronave PTVKW de propriedade da O.C.A. Comercial Ltda, a qual era pilotada pelo Sr. Aguiar Coelho do Amaral (piloto do Frigorífico Quatro Marcos Ltda) (doc. 8.22.f). 23) As despesas de combustíveis em vôos realizados pela aeronave PTVKW, em viagens do Sr. Luís Olavo Sabino dos Santos (diretor geral do Frigorífico Quatro Marcos Ltda) à cidade de Colider, também foram pagas pela firma Fricol (doc. 8.23), caracterizando mais uma vez que se trata de um grupo econômico de fato (Grupo Quatro Marcos), que administra a empresa Fricol. 24) As despesas aéreas do Sr. Nilton do Amaral, que sempre foi contador do Grupo Quatro Marcos, também são pagas pela firma Fricol. Em 12/11/99, a firma Fricol pagou as passagens aéreas do Sr. Nilton do Amaral, cujo itinerário foi: SINOP/Cuiabá e Cuiabá/Sinop (doc. 8.24). Neste documento a firma, na pessoa dos seus responsáveis, cometeu um ilícito ao passar corretivo (tipo liquid paper) sobre o "nome" do boleto da empresa Passaredo e, por sua vez, alterando e ocultando o nome do Sr. Nilton do Amaral. Colocando este documento sobre a visualização da luz, percebese claramente o seguinte nome "AMARAL/NILTON". Esta prática de ato é contrária aos princípios fundamentais de contabilidade e a legislação fiscal. 25) Em 19/10/99, a firma Fricol recebeu dos fornecedores a matériaprima bovinos, e, ao realizarlhes o pagamento, depositou o valor pecuniário diretamente na conta corrente da empresa de fachada Frialto (docs. 8.25), caracterizando uma permuta do credor e evidenciando a composição de um grupo econômico de fato (Grupo Quatro Marcos), pois tal ato depende no mínimo de uma autorização expressa. 26) A situação é tão confusa que uma empresa de fachada chegou a pagar a sua despesa referente ao Frigorífico Quatro Marcos Ltda em outra firma de fachada. Em 04/10/99, a firma Fricol, ao pagar despesas de fornecedores, referente ao Frigorífico Quatro Marcos Ltda (SP), depositou o dinheiro diretamente na conta da firma Frialto (doc. 8.26). Este ato é contrário aos Princípios Fundamentais de Contabilidade (princípio da entidade e princípio da competência Resolução n° 750/93CRC) e, também, contrário à própria legislação fiscal e à comercial. 27) Outro fato que deixa transparecer a composição do Grupo Quatro Marcos é um depósito em dinheiro, realizado pela firma Fricol, diretamente na conta corrente da Ind. de Couros Insumos Colider Ltda, uma vez que aquela é quem fornece os couros (matéria prima) para esta. Diante disso, evidencia que a segunda também faz parte das empresas que compõe o Grupo Quatro Marcos (doc. 8.27). 28) O Sr. Milton Zana Corbalan, que se diz sócio das empresas de fachada Frialto Ind. e Com. de Alimentos Ltda e do Frigorífico Vila Rica Ltda, as quais fazem parte do Fl. 738DF CARF MF 22 Grupo Quatro Marcos, foi empregado sempre no setor de construção civil em outras empresas do Grupo Quatro Marcos, a seguir detalhado: período de 06/96 a 09/97 no Frigorífico Colider Ltda, onde a maior remuneração mensal recebida foi em 08/96 no valor de R$ 717,25 (docs. 8.28.a); no período de 03/98 a 05/98 na Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda, onde a maior remuneração mensal recebida foi em 05/98 no valor de R$ 596,74 (docs. 8.28.b). Estas duas últimas empresas onde o Sr. Milton Zana Corbalan trabalhou tinha como sócio o Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier (sóciogerente do Frigorífico Quatro Marcos Ltda). Diante disso, percebese claramente que o Sr. Milton Zana Corbalan é mais uma pessoa que apenas emprestou o nome para fazer parte no contrato social das empresas de fachada explicitadas no item 8.28 do Relatório Geral. Durante a diligência fiscal realizada no município de Vila Rica, na empresa Frigorífico Vila Rica Ltda, o próprio empregado Sr. Willian (departamento pessoal do Frigorífico) não conhecia o seu Sr. Milton Zana Corbalan. Além disso, nos documentos analisados, não se encontrou qualquer documento de ato do comércio assinado pelo mesmo (docs. 8.28.c), sendo que o contrato social dispõe na cláusula VIII que: "A sociedade será administrada pelo sócio Milton Zana Corbalan, na qualidade de gerente o qual assinará todos os atos relativos aos interesses da sociedade ..." (doc. 8.28.d). Dentre os fatos evidenciados e relatados, fica evidenciado que se trata de um grupo econômico de fato Grupo Quatro Marcos , o qual foi articulado e montado pelos sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Assim, o próprio Código Tributário Nacional CTN (Lei n° 5.172/66) estabelece, nos incisos I e II do seu art. 124, que existe responsabilidade solidária entre pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Além disso, a Lei de Custeio da Seguridade Social – Lei n° 8.212/91, em seu inciso IX do art. 30, também prevê expressamente a solidariedade entre si das empresas componentes de Grupo Econômico, sendo lícito ao Fisco cobrar de qualquer delas. Portanto, o Fisco, baseado no instituto da solidariedade, tem o direito de cobrar o crédito fiscal (crédito previdenciário) de qualquer pessoa que compõe o "Grupo Quatro Marcos", uma vez que na seara das obrigações tributárias não se comporta benefício de ordem. TÓPICO “CONCLUSÃO DO ESQUEMA DE FUNCIONAMENTO DO GRUPO QUATRO MARCOS" O Grupo Quatro Marcos, pelas evidências apresentadas, vem sonegando contribuições sociais à Fazenda Pública ao longo dos últimos anos, pois abre uma empresa "fantasma" ou de "fachada" (empresas que não existem de fato) em cada Município, onde já possui as suas unidades frigoríficas "quentes" (empresas em nome dos sócios ou dos diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda) e, após um determinado lapso de tempo de funcionamento comercial, a empresa de fachada (ou fantasma) desaparece, repentinamente, sem deixar qualquer paradeiro. Portanto, o esquema de sonegação fiscal funciona com a simulação da criação de uma empresa de fachada (ou fantasma), onde os empregados das empresas do Grupo Quatro Marcos, às vezes registrados em livro ou fichas de registro de empregados, ou não, são levados a emprestar seus nomes e passam a figurar como supostamente sóciosproprietários do frigorífico de fachada (ou fantasma), mas nunca praticam qualquer ato de gerência ou administração nesta empresa. Na realidade este ato é realizado pelos diretores e sócios do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Ocorre que a empresa de fachada (ou fantasma) geralmente recolhe apenas um valor simbólico dos tributos, passando então a praticar a sonegação e, a mesmo tempo, utilizandose de meios fraudulentos para a realização de tal intento, uma vez que essas empresas na realidade constituem um verdadeiro "CAIXA 2" do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, o qual possui uma movimentação financeira diferente da contabilidade apresentada ao fisco. Fl. 739DF CARF MF Processo nº 13896.001145/200717 Acórdão n.º 2301005.421 S2C3T1 Fl. 13 23 De um modo geral, as empresas de fachada (ou fantasmas) funcionam ativamente em torno de 02 (dois) anos e, após este lapso de tempo, desaparecem, inclusive seus sócios, e imediatamente são substituídas por outras empresas de fachada (ou fantasmas), mudando a razão social e o CNPJ. Consequentemente aparecem novos sócios. Outro fato marcante é que, quando a fiscalização inicia seus trabalhos, geralmente a empresa de "fachada" (ou fantasma) desaparece, seus sócios não são encontrados e todos os documentos e livros contábeis são misteriosamente furtados ou queimados. Portanto, fica caracterizado que duas ou mais pessoas, no intuito de enganar o fisco, recorrem a um ato simulado, quer para esconder um outro negócio que se pretende dissimular, com a criação de empresas de fachada (ou fantasmas), quer para fingir de uma relação jurídica com o fato gerador da obrigação tributária, com a criação de sócios laranja. Tratase, portanto, de burla intencionalmente construída em conluio pelas partes que almejam disfarçar a realidade, enganando a Fazenda Pública e fraudando a legislação fiscal. Portanto, o Grupo Quatro Marcos utilizase de condutas dolosas e fraudulentas com fito específico de driblar a arrecadação dos Tributos (contribuição social), lesando simultaneamente a fé pública e a Administração Tributária desenvolvida pelo INSS. TÓPICO “NOTAS GERAIS” A empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda sofreu anteriormente ações fiscais pelo INSS, abrangendo até a competência 07/1996, no qual foram levantados débitos correlacionados com as empresas: Guaray Com. Ind. de Exp. e Importação Ltda, CNPJ 74.075.268/000129; e Amazonas Com. Ind. Imp. e Exportação Ltda, CNPJ 00.923.654/0001 97. Porém, este levantamento feito pela fiscalização encontrase consolidado no DEBCAD no 32.345.3368/1996. Também foi verificado pela fiscalização anterior do INSS os mesmos fatos explicitados nos itens 4.1, 4.2, 4.3, 4.4 e 4.7 do Relatório Geral. Corroborando com o entendimento desta fiscalização, que se trata de um grupo econômico de fato (Grupo Quatro Marcos) constituído com fim específico de burlar à Fazenda Pública, é que as empresas de fachada (ou fantasmas), que têm como sócios a figura dos laranjas, jamais apresentaram os Livros Contábeis (Livros Diário e Livros Razão) à fiscalização, sendo que as empresas são obrigadas a têlos, já que pagam o Imposto de Renda com base no lucro real. As empresas de fachada (ou fantasmas) Amazonas Com. Ind. Imp. E Exportação Ltda, Flamingo Alimentos Ltda e a Frigolider Ind. Com. de Alimentos Ltda, que desapareceram misteriosamente sem deixar qualquer paradeiro da documentação fiscal e comercial, sempre alegam a mesma desculpa de que os Livros Contábeis e sua respectiva documentação foram furtados ou roubados de um veículo. As empresas de fachada Frialto Ind. e Com. de Alimentos Ltda, Frigorífico Vila Rica Ltda e a Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda Fricol , também não apresentaram os Livros Contábeis (Livro Razão e Livro Diário), sempre com as mesmas alegações de que tiveram algum problema na informática ou que estão apontandoos e brevemente vão entregálos. Tendo apenas uma única exceção, a empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda, que também compõe o Grupo Quatro Marcos, foi a única a apresentar a contabilidade (Livro Razão e Livro Diário), porém, esta não espelha a realidade financeira nem contábil da empresa, já que existem várias irregularidades em seus documentos fiscais, conforme alguns relatos no Fl. 740DF CARF MF 24 Relatório Geral e conforme constatação de diligência fiscal anterior, realizada pelo INSS em 11/09/98, que na época evidenciaram a adulteração nas formalidades extrínsecas dos Livros Contábeis (Livros Diários) n° 24, 25, 26 e 27 do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, os quais foram encobertos com tinta corretora (tipo liquid paper) (doc. 11.1.a). O Laudo de Exame Documentoscópio n° 437/98 Departamento de Polícia Federal/MJ Instituto Nacional de Criminalística Seção de Criminalística/MT, confirmou as adulterações explicitadas anteriormente nos Livros Contábeis (doc. l l . l .b). A seguir, apresenta notas estatísticas referentes à unidade frigorífica de São Jose dos Quatro Marcos, quais sejam: 1) Aumento expressivo dos valores das contribuições sociais rural ocorridas após o início das ações fiscais desenvolvidas pelos Fiscais de Tributos Estadual FTE/MT , em 04/99. Constatouse através da análise do gráfico que as contribuições decorrentes da subrogação (comercialização de produtos rurais por pessoa física) efetuadas mensalmente no período de 01/99 a 04/99 não ultrapassam a casa dos R$ 17.000,00 (dezessete mil reais) de contribuições, e, a partir da competência 05/99 a 12/99, os valores das contribuições chegaram a ultrapassar a casa dos R$ 119.000,00 (cento e dezenove mil reais) mensais, havendo, portanto, um acréscimo de 700 % no mês 12/99. Diante disso, a empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda utilizandose praticamente do mesmo número de empregados (na média), setor de matança, onde no período de 08/96 a 05/00 observase uma constante de 76 empregados e as mesmas instalações, aumentou sua capacidade de abate repentinamente na escala em que foi constatado. 2) Através de dados levantados na própria empresa, no mês 07/99, foi constatado que foram abatidos 19.669 (dezenove mil seiscentos e sessenta e nove) cabeças de bovinos, o que dá uma média diária de 819 (oitocentos de dezenove) animais abatidos, no caso em tela, considerando a semana de 06 (seis) dias, como foi constatado in loco durante as ações fiscais desenvolvidas na empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Em suma, a capacidade de abate de bovinos na unidade frigorífica do Frigorífico Quatro Marcos Ltda é em torno de 800 a 900 cabeças diariamente. 3) Fazendo um cotejamento no ano de 2000, até a competência 05/00, a menor contribuição ocorreu no mês 02/2000, onde o valor de R$ 71.726,77 (setenta um mil, setecentos e vinte e seis reais e setenta e sete centavos) foi recolhido ao INSS decorrente da contribuição social referente à subrogação da comercialização dos bovinos por pessoa física, com um volume de comercialização (compra de bovinos de pessoas físicas feita pelo Frigorífico Quatro Marcos Ltda) na ordem de R$ 3.260.307,72 (três Milhões, duzentos e sessenta mil e trezentos e sete reais e setenta e dois centavos), foram abatidos 7.484 cabeças, sendo 6.224 cabeças decorrente da compra à pessoa física e 1.260 de pessoa jurídica; e, em tempo, no mês 05/2000 foram recolhidos R$ 119.242,03 (cento dezenove mil, duzentos e quarenta e dois reais e três centavos) com um volume de comercialização (compra de bovinos de pessoa física feita pelo Frigorífico Quatro Marcos Ltda) na ordem de R$ 5.420.092,27 (cinco milhões, quatrocentos e vinte mil, noventa e dois reais e vinte e sete centavos), foram abatidos 14.541 cabeças, sendo 11.271 cabeças compra de pessoa física e 3.270 compra de pessoa jurídica. 4) Constatouse também que no período de 08/96 a 04/99, a maior contribuição social rural da empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda ocorreu no mês 10/98, no valor de R$ 19.694,40 (dezenove mil, seiscentos e noventa e quatro reais e quarenta centavos), com um volume de comercialização (compra de bovinos de pessoa física feita pelo Frigorífico Quatro Marcos Ltda) na ordem de R$ 865.199,79 (oitocentos e sessenta e cinco mil, cento e dezenove reais e setenta e nove centavos), neste mês foram abatidos 2.172 cabeças Fl. 741DF CARF MF Processo nº 13896.001145/200717 Acórdão n.º 2301005.421 S2C3T1 Fl. 14 25 (compras exclusivamente de pessoa física), o que corresponde ao abate diário de 91 cabeças de bovinos. Neste período (08/96 a 04/99), o número de empregados do setor de matança é semelhante ao número de empregados dos meses 05/99 a 05/00, os quais foram constatados durante as ações fiscais. Além disso, na competência 07/99, maior mês de abate de bovinos verificado pela fiscalização (19.669 animais abatidos), o número de empregados do setor matança é praticamente igual ao número de empregados do mês 05/97, menor mês de abate de bovinos constatado pela fiscalização (419 animais abatidos) (doc. 12.e.). 5) No período de 04/96 a 02/98, há participação de uma empresa considerada e constatada pela fiscalização como de fachada (ou fantasma) Amazonas Ind. Com. Imp. e Exportação Ltda, constituída pelo Frigorífico Quatro Marcos Ltda. A firma Amazonas alega que se utiliza os serviços do próprio Frigorífico Quatro Marcos Ltda no abate de animais. Mas a realidade é outra, sabendo muito bem disfarçar o verdadeiro objetivo para o qual foi constituída, objetivo este que é o de ludibriar à Fazenda Pública, recolhendo apenas parte dos valores devidos para que o conta corrente do mesmo, ao ser analisado, não denunciasse qualquer procedimento de fiscalização, no entanto, o verdadeiro volume de comercialização era outro. Ao analisarse os números de animais abatidos pela firma Amazonas (doc. 12.f), no período de 04/96 a 02/98 (período de sua existência), constatouse que o maior volume de abate de animais ocorreu no mês 12/97, onde 6.201 (Seis mil duzentos e um) animais foram abatidos, o que dá uma média de 258 animais abatidos por dia; no mesmo mês, o número de abate do Frigorífico Quatro Marcos Ltda foi de 1.331 (512 pessoa física e 819 pessoa jurídica), o que dá uma média diária de 55 animais. Portanto, no mês 12/97 no total foram abatidos 7.532 animais, dentro das instalações do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, o que corresponde a uma média diária de abate de 314 animais. 5.1) Ao se trabalhar com estes dados em relação aos abates de animais feitos dentro das instalações do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, onde este já chegou a abater no mês 07/99 a quantia de 19.669 animais, percebese claramente que do potencial de abate existente, apenas parte dele foi utilizado, ficando grande parte dos equipamentos em ociosidade, o que acreditase não ter ocorrido, e, portanto, conferindo maior segurança quanto ao levantamento do crédito fiscal com base nas informações do órgão oficial que controla o trânsito de animais que são encaminhados ao abate para o Frigorífico Quatro Marcos Ltda, no caso, o Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso INDEA/MT (doc. 12.h). 6) Outra empresa que foi criada após a paralisação ou sumiço da Amazonas foi a Flamingo Alimentos Ltda, cujo início de atividade é 03/98, coincidência ou não, foi constituída com os mesmos prérequisitos da Amazonas e teve sua paralisação em torno do mês 05/99. O modus operandi da Flamingo foi idêntico ao utilizado pela Amazonas, ou seja, compra de bovinos em seu nome e o abate feito sob a forma de prestação de serviço pelo Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Forma esta que desde o início, quando detectados pela fiscalização do INSS em ações fiscais realizadas no ano de 1996, não foi aceita e veementemente repudiada naquela ocasião. No período em que a Flamingo esteve em atividade 03/98 a 06/99 (doc. 12.g), ela afirma que o maior número de abate de animais ocorreu no mês 02/99, onde foram abatidos 9.304 (nove mil trezentos e quatro), média diária de 388 animais; no mesmo mês, o Frigorífico Quatro Marcos Ltda afirma que só abateu, decorrente de sua compra, 2.361 (dois mil trezentos e sessenta e um) animais, média diária de 98. Portanto, no mês 02/99 foram abatidos 11.665 animais, com uma média diária de 486 bovinos abatidos. Diante disso, aparentemente o Frigorífico Quatro Marcos Ltda estava com boa parte dos seus equipamentos e mãodeobra (setor matança) em ociosidade e com isso Fl. 742DF CARF MF 26 causando prejuízo para o mesmo, consideração lógica se analisarmos a capacidade dos equipamentos na demonstração da movimentação ocorrida a partir do mês 05/99. O contribuinte apresentou impugnação inicial (fls. 104/106), ainda sob a égide da Secretaria da Receita Previdenciária, aduzindo, em síntese: 1) Foi indevida a descaracterização da personalidade jurídica das empresas, pois manteve com elas relações temporárias estritamente comerciais. 2) Solicitou às empresas citadas providências necessárias junto a esse Órgão; 3) Todos os documentos contábeis e fiscais foram apreendidos e remetidos para o MPF e MPE em Cuiabá, em atendimento aos Mandados de Busca e Apreensão emitido pelo Juízo da 2a Vara da Justiça Federal do Mato grosso, nos autos dos processos 1999.36.00.0043865 (15/06/1999 MT) e 1999.36.00.00051937 (13/06/1999SP); 4) Os documentos foram disponibilizados de forma totalmente desorganizada e misturados entre si, praticamente impossibilitando sua conferência e reorganização. Porém foi detectada a falta de vários documentos, que ficaram sob a guarda do MPF/MPE, os quais segundo informações preliminares estariam extraviados. 5) Postulou pela suspensão da exigibilidade da exação; reabertura do prazo de defesa, depois de decorridos 90 dias da efetiva devolução dos documentos apreendidos; e, produção de prova pericial. Processado o feito, sobreveio o julgamento pela procedência do lançamento, consubstanciado na DecisãoNotificação nº 10.104.4/0193/2001, de fls. 256/260. Contudo, sobreveio a sentença n° 801/2002, exarada pelo julgamento da ação de Mandado de Segurança nº 2002.36.00.0020087, cujo objeto era a nulidade dos processos administrativos fiscais, em razão de cerceamento de defesa. Referido ato judicial assim determinou: Ante o exposto, CONCEDO A SEGURANÇA, declarando a nulidade dos processos administrativos fiscais... 35.166.2650, 35.166.2677, 35.166.2618, 35.166.2596, 35.166.2626, 35.011.3734, 35.166.2553, 35.166.2642, 35.011.3742, 35.166.2669, 35.011.3777, 35.011.3769, 35.011.3750, 35.166.2570, 35.166.2685, 35.166.2634, 35.166.2588, 35.166.2600 ... Caso os documentos já tenham sido devolvidos, o Impetrado poderá reiniciar de pronto os processos administrativos fiscais ora anulados, caso não, deverá aguardar tal devolução. Para evitar futuras nulidades, a data da devolução deve ser comprovada nos processos administrativos pela juntada da certidão emitida pela 2a. Vara de Justiça Federal, a qual estão afetos os processos de busca e apreensão que originaram a presente lide. Interposto recurso de apelação pelo INSS, ao mesmo foi negado provimento. Os autos, que se encontravam inscritos em Dívida Ativa da União, então, retornaram à fase administrativa em 11/01/2007, para que o processo administrativo fosse reiniciado, tendo em vista a ausência de condições para o exercício do contraditório e da ampla defesa, atendendo a determinação judicial, a fim de que seja concedido o prazo legal de defesa/impugnação ao devedor. A Seção de Contencioso Administrativo em Cuiabá/MT, encaminhou os autos referenciados no Mandado de Segurança 2002.36.00.0020087 à Seção de Contencioso Fl. 743DF CARF MF Processo nº 13896.001145/200717 Acórdão n.º 2301005.421 S2C3T1 Fl. 15 27 Administrativo, em Osasco, tendo em vista a mudança do estabelecimento centralizador do sujeito passivo para o CNPJ 01.311.661/000605, localizado à Rua Pureza Marques de Oliveira, 83, Jandira/SP; A Delegacia da Receita Previdenciária DRP, em Osasco reabriu o prazo para apresentação de defesa. O contribuinte apresentou impugnação em 15/05/2007, onde informa que “os documentos administrativos, contábeis e fiscais, apreendidos, ainda não foram devolvidos”. Requer, ainda, que a impugnação seja admitida com efeito suspensivo “e, na sequência, a anulação das intimações questionadas e a devolução do prazo integral previsto em lei para a futura defesa de mérito, uma vez decorridos os 90 dias da efetiva entrega pelo MPF/DPF de todos os documentos de sua propriedade, prazo este imprescindível para a conferência, tentativa de reorganização e de análise dos mesmos, objetivando o oferecimento da Impugnação cabível.” Conforme Despacho, emitido pela 10a Turma de Julgamento DRJSPOII, em 07/01/2008, os autos retomaram à DRF jurisdicionante “para providenciar o cumprimento da ordem judicial e demais providencias.” Em 28/07/2011, os autos retornaram a DRJ Campinas. A então competente 7a. Turma de Julgamento exarou a Resolução de fls. 358/363, devolvendo os autos à DRF de origem e determinando que: Visto que, por força de sentença judicial, o lançamento fiscal está em fase de ciência ao contribuinte e, este procedimento só poderá ocorrer quando todos os documentos apreendidos forem devolvidos à empresa autuada; a DRF, em Osasco, por dever de ofício, deverá promover a devolução desses documentos à empresa, quer seja solicitando diligência fiscal ao Juízo 3a Vara da Seção Judiciária do Estado de Mato Grosso, quer seja acionando a Procuradoria da Fazenda Nacional PGFN. Após a ciência do lançamento ao contribuinte, na forma da sentença prolatada pelo Juízo da 3a Vara da Seção Judiciária do Estado de Mato Grosso nos autos do Mandado de Segurança 2002.36.00.0020087, os autos deverão retornar à DRJ em Campinas somente quando estiver comprovado nos autos que os documentos foram totalmente devolvidos e findo o novo prazo concedido à empresa para a impugnação, reitero, após ela estar com a posse dos documentos apreendidos. Ainda, atendidas as solicitações do parágrafo anterior, deverão ser cientificadas as empresas componentes do referido grupo econômico, sendolhes concedido prazo regular para impugnar este lançamento. (grifos no original) Aos autos foram juntados os elementos de fls. 401/413, consubstanciados em cópias dos elementos constantes dos autos dos processos judiciais nº 99.51937, ação cautelar preparatória de busca e apreensão em trâmite pela 2a Vara Federal da Seção Judiciária da Justiça Federal do Mato Grosso, e, 1999.36.00.0051937, ação penal em curso perante a 5a. Vara Federal da mesma Seção Judiciária. Ao contribuinte e devedor solidário foi dada nova ciência quanto ao lançamento, agora sob a égide da Receita Federal do Brasil, concedendolhe prazo de 30 dias para apresentação de impugnação administrativa, na forma do Decreto nº 70.235/72. Somente o autuado compareceu aos autos pelo instrumento de fls. 473/480, aduzindo, em síntese: Fl. 744DF CARF MF 28 Da Prescrição Intercorrente no Âmbito Administrativo A prescrição pode ser conceituada como “a perda do direito da Fazenda Pública de ajuizar ação de cobrança, mais propriamente execução fiscal, relativamente a crédito não pago, pelo decurso do tempo". No caso em tela, verificase que os créditos ora impugnados são originários do Auto de Infração n° 35.166.2677, datado de 02/10/2000, cujos fatos geradores referemse aos períodos de 06/99 a 12/99. Ocorre que estes créditos foram objetos de Ação Mandamental n° 2002.36.00.0020087, a qual pleiteava a nulidade de procedimentos administrativos fiscais, em razão de cerceamento de defesa. Menciona que em 15/10/2002 foi proferida sentença nos autos do Mandado de Segurança, sendo concedida a segurança, declarando a nulidade dos processos administrativos fiscais. A decisão foi questionada, por meio de recurso de apelação, o qual teve seu provimento negado. Salienta que em 13/09/2006 ocorreu o trânsito em julgado da decisão, oportunidade esta em que o INSS deveria aguardar a devolução integral dos documentos apreendidos e posteriormente, iniciar o processo administrativo, notificando o contribuinte do lançamento e oportunizando o contraditório e a ampla defesa. Ocorre que somente no corrente ano, por meio do Edital 18/2015, foi reiniciado o procedimento, administrativo, conforme determinou sentença proferida nos autos da Ação Mandamental n° 2002:36.00.0020087, com trânsito em julgado em 13/09/2006. Desta forma vislumbrase a existência da prescrição do crédito ora impugnado, uma vez que o fisco autuante deixou transcorrer o lapso temporal superior a cinco anos, contados da data do trânsito em julgado da Ação Mandamental, ou seja, 13/09/2006, até a expedição do Edital n° 108/2015, o qual determina a reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para impugnação ou pagamento do Auto de Infração. Logo, caracterizado o desinteresse do autuante pela demanda. Conforme acima descrito, resta comprovado que o processo permaneceu pelo prazo superior a cinco anos aguardando diligência do fisco para ser reiniciar toda a fase administrativa, porquanto, consumada está a prescrição. Do Mérito Da Suposta Formação de Grupo Econômico e da Ilegitimidade Passiva Primeiramente, cumpre esclarecer que no caso em tela a fiscalização autuou a impugnante por fato supostamente cometido pela empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda. Alegando suposta solidariedade ante a formação de grupo econômico o fisco pretendeu ver a impugnante responsável pela quitação dos débitos. No entanto, nos autos não possuem provas robustas capazes de comprovar a formação deste suposto grupo, logo, os atos praticados pela empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, não podem ser imputados à empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Ademais, o instituto da solidariedade prescinde da concorrência de dois ou mais devedores ou dois ou mais credores na mesma obrigação. No caso em tela, a impugnante Fl. 745DF CARF MF Processo nº 13896.001145/200717 Acórdão n.º 2301005.421 S2C3T1 Fl. 16 29 não detinha a mesma obrigação vinculada a empresa que supostamente cometeu o ilícito motivo pelo qual não pode ser considerada responsável solidária pelo débito. Assim ante a ilegitimidade passiva da impugnante deve o Auto de Infração ser anulado. Quanto à Aplicação da Multa Exigida A multa aplicada mediante o indigitado Auto de Infração não pode prosperar. Nossos tribunais têm reconhecido a impossibilidade de cobrança de multas que se apresentem desproporcionais em relação ao valor do tributo. A título ilustrativo, transcreve julgado rechaçando a cobrança de multa acima de 60% (sessenta por cento), por ser confiscatória e desproporcional. Sendo assim, não pode subsistir a cobrança da multa em aplicada na autuação, por esta possuir caráter confiscatório. Mas ainda que se assim não se entenda, o percentual da multa deve ser reduzido para, no máximo, 2%. A jurisprudência de nossos tribunais não mais vem admitindo a imposição de multas em percentual exorbitante. Temse fixado que a multa a ser paga pelo contribuinte/responsável tributário não deverá ser superior a 2% (dois por cento). Nesse sentido, transcreve decisão proferida pelo MM. Juiz da 2a Vara Cível da Comarca de Ijuí, nos autos dos Embargos à Execução no 62.935/2000. Portanto, a seguir a corrente jurisprudencial, cujo entendimento se encontra consolidado na decisão anteriormente transcrita, não deve prevalecer o percentual de multa imposto à ora impugnante, sendo imperiosa a sua redução a, no máximo, 2%. Em suma, por todos os caminhos e a todos os títulos fica patenteada a improcedência da autuação, impondo se, por conseguinte, seu cancelamento. O Acórdão 1459.184 (fls. 554) julgou a impugnação improcedente, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2000 a 30/10/2000 LANÇAMENTO. INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Confirmado nos autos que ao contribuinte foram concedidas várias oportunidades para recuperação de documentos apreendidos pela Justiça Federal, de forma a produzir, em tempo hábil, a instrução de seu instrumento de impugnação, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA DOCUMENTAL. OPORTUNIDADE DA SUA PRODUÇÃO. PRECLUSÃO. Caracteriza a preclusão temporal o decurso do prazo previsto em ato normativo para que o contribuinte junte aos autos os documentos que entender cabíveis, não havendo que se falar, fora das hipóteses previstas no Fl. 746DF CARF MF 30 Decreto no 70.235/72, na concessão de nova oportunidade para o cumprimento tardio de seu ônus probatório. A preclusão é confirmada pela verificação, a partir de elementos dos autos, de que o contribuinte teve oportunidade de resgatar os documentos apreendidos, deixandoos serem destruídos pela Justiça Federal. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. MOROSIDADE NA SUA INSTAURAÇÃO. FATO ALHEIO À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. IRRELEVÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não configura hipótese de nulidade a morosidade na instauração de novo processo administrativo fiscal quando esta demora seja decorrente de atos e fatos externos, alheios à responsabilidade da Administração Pública Fazendária. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. É inaplicável ao processo administrativo fiscal a prescrição intercorrente, uma vez que esta pressupõe uma pretensão exigível, somente verificável quando da constituição definitiva do crédito tributário, consumada pelo exaurimento do contencioso administrativo tributário. LANÇAMENTO. SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. INTERESSE COMUM QUANTO AOS FATOS GERADORES. PERTINÊNCIA DA LEGITIMAÇÃO. Configuramse hipóteses de responsabilidade solidária, de forma independente ou conjunta, a constatação da existência de grupo econômico de fato e a verificação de flagrante interesse comum entre um contribuinte e outro constituído como “de fachada” em relação aos fatos geradores formalmente praticados por este último. ATIVIDADE EMPRESÁRIA. IRREGULARIDADES DE CONSTITUIÇÃO DE FATO. AUSÊNCIA DE AUTONOMIA FINANCEIRA, ADMINISTRATIVA E OPERACIONAL POR TERCEIROS. CONFIGURAÇÃO DA HIPÓTESE DE “EMPRESA DE FACHADA”. A atividade empresária pressupõe a autonomia administrativa, financeira e operacional da conjugação dos fatores da produção, não se admitindo a ingerência indevida de terceiros neste âmago de atuação. A verificação de que uma pessoa jurídica, embora sob o aspecto formal validamente constituída, não subsiste como tal no plano dos fatos, servindo somente como roupagem formal à atuação de outra empresa, no interesse desta, configura a empresa interposta como “empresa de fachada”, atribuindo as responsabilidades desta à empresa efetiva, que a gerencia, controla, administra e financia. AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA GFIP. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. CABIMENTO. Constitui infração, passível de aplicação de multa pecuniária, a não informação na Guia de Recolhimento ao FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, Fl. 747DF CARF MF Processo nº 13896.001145/200717 Acórdão n.º 2301005.421 S2C3T1 Fl. 17 31 notadamente, a comercialização de produção rural feita, utilizandose pessoa jurídica existente apenas formalmente (empresa de fachada). CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI FEDERAL. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Descabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal em vigor, posto que tal mister incumbe tão somente aos órgãos do Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO APLICADA AO AUTO DE INFRAÇÃO. MOMENTO DA AUTUAÇÃO. PENALIDADE PREVISTA EM REGULAMENTO. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. Em se tratando de descumprimento de obrigação acessória, a multa a ser aplicada é a vigente ao tempo da lavratura do Auto de Infração, ainda que a infração se refira a período anterior. Não há ilegalidade da previsão de multas e detalhamentos de obrigações acessórias por Regulamento, uma vez que o mesmo integra a “legislação tributária” e não visa prever comportamentos não constantes da lei em vigor ao tempo dos fatos Lei nº 8.212/91. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA. NÃO ATENDIMENTO DOS REQUISITOS. INDEFERIMENTO. É passível de indeferimento o requerimento de perícia que não atende ao disposto no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 4 de dezembro de 2015, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos trazidos na impugnação, isto é: (i) prescrição do crédito tributário; (ii) inexistência de prova de formação de grupo econômico; (iii) inconstitucionalidade da multa aplicada; e (v) inconstitucionalidade das contribuições previstas no artigo 25, I e II, da Lei n. 8.212/91. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 748DF CARF MF 32 O recurso voluntário é tempestivo, no entanto, o Recorrente argui a inconstitucionalidade da multa aplicada e das contribuições previstas no artigo 25, I e II, da Lei n. 8.212/91. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, conheço em parte do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade supramencionadas. Da Questão da Prescrição Intercorrente A Recorrente argumenta que teria ocorrido a prescrição no âmbito do processo administrativo fiscal, uma vez que decorreu o prazo de cinco anos entre a data do trânsito em julgado da ação de mandado de segurança no. 2002.36.00.0020087 (13/09/2006) e a data da intimação para apresentar novo instrumento de impugnação, após anulação do processo administrativo anterior pela referida ação mandamental. A prescrição consiste no decurso do tempo em relação ao exercício do direito de ação em face da pretensão titularizada pelo sujeito passivo. No âmbito tributário, a pretensão sobre a qual recai a prescrição consiste na execução do crédito tributário, promovendose a sua inscrição em Dívida Ativa da União. Nesse sentido, o contribuinte, em face de peculiaridades ocorridas em ações fiscais múltiplas às quais esteve sujeito, impetrou mandado de segurança, gerando o processo judicial nº 2002.36.00.0020087. Nesta ação, o contribuinte obteve provimento jurisdicional favorável, determinando a nulidade dos processos administrativos fiscais instaurados pelo então competente INSS, e, dentre tais, o processo administrativo anteriormente instaurado em face da exigência tributária contida nos presentes autos. Nesse sentido, eis as palavras da decisão: Ante o exposto, CONCEDO A SEGURANÇA, declarando a nulidade dos processos administrativos fiscais 35.166.2570, 35.166.2588, 35.166.2553, 35.166.2685, 35.166.2642, 35.166.2618, 35.166.2626, 35.166.2600, 35.166.2596, 35.166.2634, 35.166.2669, 35.166.2677, 35.166.2650, 35.011.3750, 35.011.3785, 35.011.3734, 35.011.3742, 35011.3793 35.011.3777 e 3576171 determinando ao Impetrado que reinicie esses processos, desta feita concedendo o prazo legal de defesa/impugnação APÓS a devolução integral dos documentos que foram apreendidos. Caso os documentos já tenham sido devolvidos, o Impetrado poderá reiniciar de pronto os processos administrativos fiscais ora anulados, caso não, deverá aguardar tal devolução. Para evitar futuras nulidades, a data da devolução deve ser comprovada nos processos administrativos pela juntada da certidão emitida pela 2° Vara da Justiça Federal, a qual estão afetos os processos de busca e apreensão que originaram a presente lide. É importante observar que a decisão não anulou o lançamento do crédito tributário em si mesmo, mas, somente, o processo administrativo instaurado a partir da ciência do contribuinte quanto ao próprio lançamento, justamente pelo fato de que o contribuinte não dispunha, à época, dos elementos materiais necessários ao pleno exercício de sua ampla defesa e contraditório. Fl. 749DF CARF MF Processo nº 13896.001145/200717 Acórdão n.º 2301005.421 S2C3T1 Fl. 18 33 Assim, a decisão não subordinou a instauração de novo processo administrativo em face do mesmo lançamento à observância de qualquer interregno temporal; ao contrário, condicionou a sua instauração à demonstração efetiva da devolução dos documentos ao contribuinte. De outro lado, a demora quanto à nova intimação para apresentação de novo instrumento de impugnação não deve ser oposta à Administração Tributária. Com efeito, ao longo dos anos, vários foram os expedientes enviados à Justiça Federal como forma de se saber se houve ou não a devolução integral ao contribuinte dos documentos apreendidos. A certeza quanto a esta devolução somente veio ao conhecimento da Administração Fazendária em 01/10/2014, conforme elementos fls 1.937, de forma que somente a partir de então o Fisco poderia dar andamento ao processo administrativo, como o fez. Por fim, de rigor reconhecerse que a prescrição intercorrente não tem cabimento no âmbito do processo administrativo por duas razões. A primeira de ordem legal, no sentido de que não há previsão normativa de qualquer espécie que permita a sua adoção. A segunda, de ordem lógica, pois, a prescrição pressupõe a definitividade do lançamento do crédito tributário e enquanto pendente a esfera administrativa, não há esta definitividade, de forma que não há que se falar sequer da possibilidade de ajuizamento da execução fiscal, daí advindo a impossibilidade de transcurso do prazo prescricional. Este entendimento tem seu fundamento no artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional – CTN que prevê a suspensão da exigibilidade (na verdade, inexistência preliminar dela) quando pendente recurso administrativo: Diante da ausência de exigibilidade do crédito tributário, uma vez que ainda não constituído definitivamente, não há que se falar em pretensão do Fisco, e, dessa forma, não se pode cogitar da prescrição, sequer sob a forma intercorrente. Vale citar ainda a Súmula CARF n. 11 que estabelece que a prescrição intercorrente não é aplicável no processo administrativo fiscal, conforme pode ser observado abaixo: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Ante o exposto, não carece razão à Recorrente no tocante à prescrição intercorrente. Da Questão do Grupo Econômico Ainda que a questão contida nestes autos de processo administrativo não se refira diretamente à existência do grupo econômico de fato, em relação ao qual o contribuinte notificado configura nítido administrador e gerenciador de todas as empresas de fachada, mas sim à condição de segurado empregado do Sr. Pedro Olinto Ribeiro, o contexto no qual restou apurada a condição deste depende da colação das circunstâncias que levaram a fiscalização a entender que o Sr. Pedro Olinto Ribeiro é, na verdade, empregado do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Assim, trago os argumentos já apresentados nos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745, com as referências de páginas daqueles autos. Fl. 750DF CARF MF 34 Assim, a grande questão que se põe nos autos consiste em saber se os fatos narrados pela fiscalização encontram respaldo em elementos de prova nele constantes, de forma a caracterizar a situação de grupo econômico de fato entre o antigo Frigorífico Quatro Marcos, atual Quatro Marcos Ltda, e as empresas indicadas pela fiscalização, em torno do qual gravitam praticamente todas as lavraturas fiscais, enquanto um contexto de abuso da personalidade jurídica de empresas criadas com o fim específico de afastamento dos efeitos tributários em relação aos fatos geradores praticados por elas. A par das considerações feitas pela fiscalização em relação a cada documento de constituição de crédito fiscal (Notificações Fiscais de Lançamento de Débito – NFLD e Autos de Infração – AI) a fiscalização apresentou Relatório Geral onde traz, de uma forma geral, todos os fatos e fundamentos pertinentes à conclusão pelo reconhecimento de grupo econômico de fato entre o contribuinte Quatro Marcos Ltda e empresas por ele criadas, algumas com atividade comercial efetiva, mas sob administração exclusiva do próprio contribuinte; outras, com existência apenas no plano formal. Segundo a fiscalização, as empresas envolvidas nas operações do Grupo Quatro Marcos são estas: Tal qual exposto no Acórdão da DRJ, é importante notar que a Recorrente não traz qualquer elemento de convicção em seu favor. Ao contrário, limitouse a aduzir cerceamento ao seu direito de defesa, diante da impossibilidade de acesso aos documentos apreendidos. Ocorre, contudo, que o contexto dos autos permite uma conclusão mais abrangente. Ainda que a Justiça Federal tenha possibilitado ao contribuinte, desde 24/10/2000, ou seja, pouco tempo após a lavratura fiscal, datada de 02/10/2000, inúmeras oportunidades de acesso e retirada dos documentos apreendidos, verificase que o contribuinte, que seria o maior interessado naqueles elementos apreendidos, simplesmente remanesceu inerte diante do seu direito de retirada e permite, pela omissão, que os mesmos sejam destruídos pelo Poder Judiciário. No presente caso, cumpre ressaltar que a fiscalização traz longo e exaustivo arrazoado em relação a cada empresa verificada, vinculando as suas constatações a documentos nos autos. Assim, a fiscalização aponta a ausência de autonomia financeira e administrativa das empresas de fachada. Fl. 751DF CARF MF Processo nº 13896.001145/200717 Acórdão n.º 2301005.421 S2C3T1 Fl. 19 35 Com relação às empresas AMAZONAS E FLAMINGO, verificase que os autos estão recheados de elementos que permitem concluir pela absoluta ausência de autonomia financeira e administrativa das empresas integrantes do Grupo Quatro Marcos. Com efeito, conforme elementos de fls. 1.195/1.211 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 as autorizações para a emissão de cheques da Flamingo Alimentos, Amazonas e do Frigorífico Quatro Marcos Ltda são idênticas, pois todas essas empresas utilizam documentos de controle idênticos. Em tais casos, as autorizações foram assinados pelas mesmas pessoas, o Sr. Luis Olavo Sabino Santos, na qualidade de diretor, e pelo Sr. Vanderlei Roberto Stropp, na qualidade de gerente administrativo, ambos do Frigorífico Quatro Marcos. Às fls. 1.158/1.159 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 constam documentos comprobatórios de pagamentos de despesas da empresa Amazonas firmados pelos mesmos sujeitos vinculados ao Frigorífico Quatro Marcos (Sr. Luis Olavo Sabino Santos e Sr. Vanderlei Roberto Stropp). À fl. 1.161/1.162 consta autorização de pagamento emitida assinada pelos Srs. Luis Olavo Sabino Santos e Vanderlei Roberto Stropp quanto ao depósito relativo ao FGTS de dois segurados vinculados à empresa Flamingo Alimentos Ltda (R$ 104,00 – José Sagui e Jadir José de Oliveira – competência 04/1999). Às fls. 1.163/1.164 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta autorização de pagamento subscrita pelos mesmos Sr. Luis Olavo Sabino Santos e Sr. Vanderlei Roberto Stropp relativamente ao pagamento de salário do Sr. Jadir José de Oliveira, na função de auxiliar administrativo da empresa Flamingo Alimentos Ltda, na competência 04/1999. Ainda em relação aos Srs. Jadir José de Oliveira e José Sagui, às fls. 1.129/1.130 constam documentos que demonstram inequivocamente que os referidos segurados, que eram vinculados à empresa Flamingo, receberam do Frigorífico Quatro Marcos, cestas básicas em várias competências entre 1996 a 2000. O mesmo fato transparece em relação às despesas da empresa Flamingo Alimentos Ltda, autorizadas também pelo Sr. Vanderlei Roberto Stropp Martin e pelo Sr. Luis Olavo Sabino dos Santos, inclusive os pagamentos das despesas de remuneração dos empregados, do prólabore dos sócios, dos fornecedores etc, conforme elementos juntados às fls. 1.166/1.193 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745. Neste mesmo plexo documental, consta que em 28/07/97, o Sr. Vanderlei Roberto Stropp Martin e o Sr. Luis Olavo Sabino dos Santos, autorizaram o pagamento de despesa da empresa Amazonas. Assim, por estes fatos comprovados, resta induvidoso que as empresas tinham sua administração financeira nas mãos de pessoas físicas vinculadas ao Frigorífico Quatro Marcos. Ademais, conforme os elementos juntados às fls. 1.147/1.156 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745, as testemunhas que aparecem nos contratos social e alterações e contrato de locação de imóveis firmados pelas empresas Flamingo Alimentos Ltda e Amazonas são empregados do Frigorífico Quatro Marcos. Efetivamente, são elas: Sr. Dalmo Macedo Chaves, Sr. Nilton Carvalho Júnior, Sr. Luis Olavo Sabino dos Santos e Sr. Vanderlei Roberto Stropp Martin. À fl. 1.143 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745, consta instrumento público de outorga de mandato (procuração) constituindo o Sr. Nilton de Carvalho Junior como procurador da empresa Amazonas, não obstante o mesmo ser empregado do Frigorífico Quatro Marcos. O mesmo Sr. Nilton consta Fl. 752DF CARF MF 36 como testemunha em contrato social da empresa Flamingo (fls. 1.142/1.152 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). O mesmo aconteceu em relação ao Sr. Vagner Alberto Gouveia, empregado não registrado no Frigorífico Quatro Marcos, recebendo outorga de poderes para agir em nome da empresa Flamingo (fls. 1.144/1.145 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). À fl. 1.138 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta solicitação de desconto emitida em papel timbrado da Flamingo, constando manualmente o nome do Sr. Vanderlei, como vinculado à referida empresa, destinada ao Sr. Julio Borges e ao Sr. Douglas. Às fls. 1.132/1.133 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta relação de empresas fornecedoras de carne para a empresa Proquimio Produtos Químicos Opoterápicos Ltda. No anexo a esta informação enviada ao Ministério Público do Estado do Mato Grosso, consta o nome das empresas fornecedoras e os contatos a elas respectivos. As empresas Amazonas e Flamingo aparecem na relação, vinculadas ao nome do Sr. Nilton Carvalho Junior com telefone de contato (065) 251.1201. À fl. 1.136 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta a fatura relativa ao número indicado, e à fls. 1.135 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta lançamentos contábeis de despesas relativas a telefonia do Frigorífico Quatro Marcos, e, embora com relativo prejuízo de leitura, o décimo primeiro lançamento corresponde ao valor da fatura constante à fl. 1.136, ou seja, R$ 2.952,45. No tocante às empresas FRIALTO IND. E COM. DE ALIMENTOS LTDA E ALTA FLORESTA, verificase que a empresa Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda tem em seu quadro social, como um dos sócios, o Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier, que também é sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda (fls. 1.251/1.253 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). Às fls. 1.217/1.249 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 fica demonstrado que empresa firma Frialto Ind. e Com. de Alimentos Ltda era a responsável pelo pagamento de várias despesas da empresa Alta Floresta, evidenciando que na realidade eram uma única empresa, administrada pelos sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Às fls. 1.214/1.215 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta documento denominado de “romaneio de abate”, datado de 30/11/98, onde há a simulação de compra de cabeças de gado do Sr. Newton Vieira Barbosa, na qualidade de pecuarista. Ocorre que no mesmo documento há manuscritos relativos a pagamentos feito, na realidade, ao Sr. Luis Olavo em 14/12/98, a título de adiantamento, no valor de R$ 47.946,40, e outro saldo de R$ 57.558,58 ao Sr. Chico, alcunha atribuída ao Sr. Sebastião Bueno Xavier, sendo que ao Sr. Newton, somente seria devido o valor de R$ 6.523,45, de um total de R$ 105.504,98. Ora, em primeiro lugar a data de “adiantamento” ao Sr. Luis Olavo encontrase dissociada da data do próprio documento, datado de 30/11/98. Além disso, não há explicação minimamente plausível que uma compra de cabeças de gado de uma pessoa, seja paga quase que 93,82 % a outras duas pessoas distintas (45,44 % ao Sr. Luis Olavo – sócio do Frigorífico Colider Ltda entre 03/08/1994 a 09/02/1998 e do Frigorífico Quatro Marcos Ltda entre 02/03/1993 a 23/08/1993 e 54,56 % ao Sr. Sebastião Bueno Xavier – sócio do Frigorífico Quatro Marcos desde 01/12/1985, sócio da empresa Quatro Marcos Adm. E Particip. Ltda desde 23/12/1992, sócio da empresa Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda entre 15/01/1997 a 02/08/1999, e sócio do Frigorífico Colider Ltda entre 10/02/1998 a 03/08/1999), e, somente 6,18 % àquele que supostamente seria o vendedor das cabeças de gado (Sr. Newton Vieira Barbosa). Outrossim, em relação à mesma operação, a cópia de cheque constante da fl. Fl. 753DF CARF MF Processo nº 13896.001145/200717 Acórdão n.º 2301005.421 S2C3T1 Fl. 20 37 1.215 demonstra que o lançamento a ser feito na contabilidade seria em nome de Newton Vieira Barbosa, no valor de R$ 57.558,59, quando o favorecido pelo cheque nº 639093 contra o então existente Banco Bamerindus foi “Bras Factoring”, supostamente uma empresa de fomento mercantil. Com relação às empresas FRIGOLIDER IND. E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA E IND. FRIGORÍFICA NORTE COLIDENSE LTDA, notase que as relações das empresas de fachada se relacionam com o Frigorífico Colider Ltda, cuja razão social foi posteriormente alterada para OCA Comercial Ltda. Inicialmente, os documentos de fls. 1.404/1.413 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 demonstram que o sócio laranja, Sr. Edson Carlos Padilha, continuou recebendo remuneração (salário e cesta básica) da firma Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda FRICOL. A Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda FRICOL – é composta por sócios que fazem parte da mesma família (família “Birtche”), estando vinculados ao Frigorífico Quatro Marcos. Conforme elementos de fls. 1.377/1.385 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745, o Sr. Carlos Roberto Dutra Bandeira, recebeu quantias da empresa Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda FRICOL relativamente à compra de bovinos, muito embora os documentos demonstrem que as rezes, em realidade, eram adquiridas de outras pessoas físicas e jurídicas, citandose como exemplo: (i) em 27/09/99, o Sr. Carlos R.D. Bandeira recebeu R$ 22.566,03 da firma FRICOL, referente à compra de bovinos de propriedade da Agropecuária Vale Carapa Ltda.; (ii) em 27/09/99, ocorreu outro recebimento da mesma empresa, no valor de R$ 3.648,97, referente à compra de bovinos de propriedade do Sr. Roberto Calozari e outros; e (iii) em 06/01/00, novo pagamento ao Sr. Carlos R. D. Bandeira, no valor de R$ 5.000,00, relativamente à compra de cabeças de gado do Sr. Oscar Nunes da Silva. À fl. 1.385 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta pagamento no valor de R$ 4.715,98 feito pela empresa Frialto Ind. e Com. de Alimentos Ltda a Cleonice Birtche Bandeira ME. Ao lado do pagamento consta um controle de fretes. À fl. 1.383, consta um "cartão" da empresa CÍRCULO QUATRO COMPRA E TRANSPORTE DE BOVINOS, encontrado dentre os documentos da empresa Frialto Ind. e Com. de Alimentos Ltda. A fiscalização apurou que o Sr. Carlos Roberto Dutra Bandeira mora no mesmo endereço da Sra. Cleonice Birtche Bandeira. O Sr. Carlos Roberto Dutra Bandeira foi um comprador de bovinos na região de Colider e jamais dono de qualquer Frigorífico. Ademais, há diversos documentos nos autos demonstrando que a empresa Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda – FRICOL, ao pagar os fornecedores de bovinos, deposita o dinheiro diretamente na conta do Sr. Luís Olavo Sabino Santos, diretor do Frigorífico Quatro Marcos, caracterizando mais uma simulação do Grupo Quatro Marcos, de forma que uma pessoa empresta o nome para aparecer na Nota Fiscal e a outra recebe o dinheiro (fls. 1.330/1356, 1.358/1.376 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). Nestes documentos tornase flagrante os desvios de recursos que, embora formalmente sejam devidos aos pecuaristas que alienam suas cabeças de gado (Sr. Hygino H. Pitelli Junior, Newton Vieira Barbosa, Lenicio Pacheco Ferrira, Carlos A. Rios da Cruz), na Fl. 754DF CARF MF 38 verdade, são destinados a pessoas físicas integrantes do Frigorífico Quatro Marcos Ltda (Sr. Sebastião Bueno Xavier). Os autos também demonstram a existência de vários pagamentos feitos pela empresa Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda – FRICOL relativamente a despesas do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, pagamentos estes feitos diretamente na conta do Sr. Tupanangil Tricai Magalhães, então diretor da unidade de Jandira – SP (fls. 1.323/1.328 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745), evidenciando uma completa ingerência administrativa e uma forte vinculação financeira entre as unidades que faziam com que seus recursos circulassem entre si, sem atenção à independência contábil e financeira de cada uma, demonstrandose, evidentemente, que a FRICOL nada mais era do que uma extensão administrativa do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Cumpre notar ainda outro aspecto interessante, que consiste nos documentos juntados às fls. 1.320/1.321 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745. Efetivamente, a Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda – FRICOL, em 15/07/99, realizou o pagamento de despesas de locomoção à cidade de SINOP/MT para o Escritório Universal, relacionando todas as empresas do Grupo Quatro Marcos no Município de Colider/MT, inclusive pagando todas as despesas indistintamente. A fiscalização informa que em diligência fiscal realizada em 05/04/2000, juntamente com a fiscalização estadual, foram encontrados nas dependências da empresa Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda – FRICOL vários Certificados de Registros e Licenciamentos de Veículos das Sras. Susete Jorge Xavier e Rosana Jorge Xavier e do Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier, sócios do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Estes documentos foram juntados aos autos às fls. 1.309/1.318 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745, comprovando a utilização das pessoas físicas de veículos cujas despesas eram custeadas pelo Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Mais um elemento que afasta a existência de autonomia gerencial da empresa Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda – FRICOL é o fato de, em 09/09/99, o Sr. Luiz Olavo Sabino dos Santos, diretor do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, determinar ao Sr. Creudevaldo Birtche, cuja alcunha atribuída é de “Tucunha”, um dos sócios da FRICOL, que efetuasse um depósito na conta corrente do Sr. Pedro Bernardo dos Santos, o mais rápido possível (fls. 1.304/1.307 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). Ora, se a empresa Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda – FRICOL fosse efetivamente independente quanto ao seu gerenciamento operacional, não haveria como um terceiro, absolutamente estranho ao quadro social, e, ao contrário, expressamente vinculado ao Frigorífico Quatro Marcos Ltda, determinar que a primeira pagasse diferença de frete. É dizer, quem teria sido o contratante efetivo do frete: a empresa Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda – FRICOL ou o Frigorífico Quatro Marcos Ltda? Pelo contexto dos autos, resta induvidoso que este último utilizouse da formal constituição da empresa Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda – FRICOL para as operações inerentes ao seu objeto social, administrando e gerindo financeiramente a pessoa jurídica somente existente no plano formal. Ainda, há que se ter em mente que a empresa Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda – FRICOL é sucessora da empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda., isto resta demonstrado às fls. 1.266/1.274 e 1.283/1.302 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 onde a firma FRICOL realizou os pagamentos de despesas da empresa Frigolider. Fl. 755DF CARF MF Processo nº 13896.001145/200717 Acórdão n.º 2301005.421 S2C3T1 Fl. 21 39 Os documentos de fls. 1.279/1.281 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 demonstram que no período de 16/09/99 a 30/09/99, os empregados do Grupo Quatro Marco dos Municípios de São Paulo e Alta Floresta prestaram serviço em Colider/MT, na empresa Fricol, demonstrando de maneira clara a existência de um grupo econômico de fato, pois os empregados de uma localidade são deslocados para prestar serviços em outra unidade frigorífica, no setor de desossa. Contudo, a firma Fricol somente suas atividades comerciais a partir de 04/99 e os documentos demonstram que os empregados foram admitidos no ano de 1998, ou seja, perante o Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Outrossim, o documento de fl. 1.258 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745, qual seja, página 169 do Razão Analítico da empresa Frigolider, demonstra que o Sr. Edson Carlos Padilha percebeu remuneração salarial na competência 12/1998. No mesmo documento ainda consta o pagamento de remuneração aos Srs. Cleonir Birtche (R$ 3.000,00), Creudevaldo Birtche (R$ 3.000,00) e Cláudio Birtche (R$ 1.200,00). Ocorre, contudo, que (a) o Sr. Cláudio Birtche foi sócio da empresa Frigolider somente até 02/12/1996; (b) o Sr. Cleonir Birtche, em 12/1998, era sócio das empresas Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda e Frigorífico Quatro Marcos Ltda; e, (c) o Sr. Creudevaldo Birtche, na competência seguinte ao pagamento, ou seja, em 01/1999, passou a integrar os quadros sociais da empresa Frialto Ind. e Com. de Alimentos Ltda, e, em 10/02/1999, os quadros sociais da empresa Ind. Frigorífica Norte Colidense LTDA – FRICOL. E mais interessante ainda é o fato do documento de fl. 1.255 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 (página 005 do Razão Analítico da empresa Frigolider Ind. e Com. de Alimentos Ltda) registrar, nas competências 01 a 04/1999 vários pagamentos de retirada pro labore ao Sr. Sebastião Douglas S. Xavier. Ocorre que, como se vê do quadro abaixo, o Sr. Sebastião era sócio de várias outras “empresas” no período, mas não da empresa Frigolider: Diante do exposto, notase flagrante comunhão de participações das empresas, de forma a não se respeitar a distinção adequada entre vínculos de emprego e societário, havendo uma absoluta confusão quanto às responsabilidades pelos pagamentos. É dizer, qualquer empresa formalmente constituída realiza pagamentos a pessoas físicas, sem qualquer atenção se o favorecido é seu empregado, seu sócio, ou empregado ou sócio de outra empresa, de forma a provar que, na verdade, todas não passam de uma empresa só, formalmente separada por razões sociais e CNPJ tão somente no plano formal. Ademais, os elementos carreados aos autos (fls. 1.392/1.402 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745) demonstram que após a paralisação de fato da empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, o Sr. Edson Carlos Padilha continuou recebendo remuneração, seja sob a forma de salário em pecúnia, seja sob a forma de salário indireto (cestas básicas) de outra empresa de fachada, qual seja, a Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda – Fricol, de forma a se reconhecer o mesmo na condição de segurado não Fl. 756DF CARF MF 40 inscrito no Regime Geral de Previdência Social RGPS, utilizando o “código” de "FRICOL U", tendo recebido, na competência 12/1999, a quantia de R$ 1.035,00, e, ainda, salário indireto consubstanciado em cestas básicas, conforme assinatura aposta em controles de retiradas feita pela empresa. Diante disso, resta evidente que empresas Frigorífico Colider Ltda (posteriormente alterada sua razão social para OCA Comercial Ltda), Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda e a Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda – Fricol, constituem nítido grupo econômico de fato, denominado Grupo Quatro Marcos, tendo se utilizado de empresas formalmente constituídas, mas sem existência real no mundo dos fatos. Os autos contam com vários outros elementos de prova que demonstram claramente a relação indistinta entre as empresas integrantes do Grupo Quatro Marcos, de forma a validar as conclusões fiscais, ou seja: 1) Às fls. 1.666/1.671 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745, constam várias despesas de manutenção das empresas de fachada, administradas pelo Sr. Luis Nanni (controlador do Grupo Quatro Marcos). Pois: (i) o Sr. Nilton do Amaral, que sempre foi empregado do Grupo Quatro Marcos, em 05/99, apresenta ao Sr. Luiz Nanni Relação de Prestação de Contas, mês 05/99, das despesas que teriam sido efetuadas com as seguintes empresas: Flamingo: aluguel da sala 403, R$ 500,00 (05/05/99); pagamento de telefone, R$ 449,93 (10/05/99); Frigolider: pagamento de telefone, R$ 42,42 (10/05/99); Amazonas: aluguel da sala, R$ 301,59 (03/05/99); Sr. Douglas, sócio do FQM: pagamento de registro de arma, R$ 686,00 (14/05/99); Sra. Rosana Jorge Xavier: despesas de sedex, R$ 14,70 (14/05/99). Nesta mesma Relação de Prestação de Contas relaciona inclusive a provisão de pagamento dos salários da Sra. Sandra e Sra. Celiane, que são respectivamente empregadas da Flamingo e Frigolider, e também provisão do pagamento de energia elétrica das empresas Amazonas, Flamingo e Frigolider, e também da energia do Edifício Marselha, onde o Sr Sebastião Douglas Sorge Xavier reside. 2) A empresa Phoenix, através do controlador Sr. Luiz Nanni, enviou aos empregados do Grupo Quatro Marcos, o Sr. Varderlei (na época diretor financeiro do Frigorífico Quatro Marcos) e o Sr. Nilton do Amaral (na época empregado na função de Contador do Frigorífico Colider Ltda), instruções de procedimentos às firmas Amazonas e Frigolider, ambas empresas de fachada conforme documentos juntados às fls. 1.662/1.664 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745. Assim, considerando que o Sr. Nilton do Amaral era empregado do Frigorífico Colider Ltda, não se pode compreender o fato dele receber instruções do Sr. Luiz Nanni orientando na elaboração de Relatórios Financeiros e de Vendas da firma Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, com a qual o Sr. Nilton do Amaral não possuía qualquer vínculo empregatício. Em 24/02/97, o Sr. Luiz Nanni enviou carta ao Sr. Vanderlei e ao Sr. Nilton do Amaral contendo instruções de como proceder na elaboração de Boletim Financeiro. No rodapé do documento consta a observação de que foi enviado cópia ao Sr. Douglas DIREÇÃO SP (sócio do Frigorífico Quatro Marcos). Em 07/03/97, o Sr. Luiz Nanni enviou carta ao Sr. Vanderlei CHEFIA DE ESCRITÓRIO FQM contendo instruções de como proceder na elaboração de Boletim Financeiro, solicitando inclusive que a separação deve englobar as empresas FQM e AMAZONAS. No rodapé consta a informação de que foi enviada cópia ao Sr. DOUGLAS DIREÇÃO –SP. Fica claro que a empresa Frigolider recebe instruções de preenchimento de documentos da Phoenix de São Paulo. 3) Em carta datada de 01/04/97, a empresa Phoenix de Jandira/SP assim se manifesta: "DE: Luiz Nanni ADMINISTRAÇÃO SP" para "Srs. VANDERLEI GER.ADM.FINANCEIRA FQM/AM e NEWTON DEPTO CONTABILIDADE Fl. 757DF CARF MF Processo nº 13896.001145/200717 Acórdão n.º 2301005.421 S2C3T1 Fl. 22 41 FRIGOLIDER", enviando instruções de como proceder no Relatório de Vendas. Em anexo a essa carta, o Sr. Luiz Nanni envia um modelo contendo as vendas do dia 29/03/97 da firma Amazonas. Neste documento, além de instruir a firma de fachada Frigolider, a Phoenix passa instruções para a Amazonas, representada pelo Sr. Vanderlei Roberto Stropp Martin, Diretor e Gerente Financeiro do Frigorífico Quatro Marcos. Novamente, no rodapé consta a informação de que foi enviada cópia para o Sr. Douglas (fls. 1.659/1.660 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). 4) Às fls. 1.654/1.657 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta fac símile datado de 09/07/97, onde o Sr. Vanderlei envia ao Sr. Luiz Nanni uma minuta de contrato a ser firmado com o Carrefour e, em letra manuscrita, escreve um bilhete "A/C Sr. LUIZ NANNI FAVOR VERIFICAR SE DEVE SER ASSINADO ENTRE AMAZONAS X CARREFOUR" (constatação do Sr. Vanderlei pela assinatura). Em outro bilhete apenso, manuscrito e assinado pelo Sr. Luiz Nanni, a resposta: "VANDERLEI: ASSINAR 10/07 Douglas autorizou". Em suma, o Diretor e Gerente Financeiro do Frigorífico Quatro Marcos pergunta ao Controlador do Grupo Quatro Marcos se a Amazonas deve assinar o Contrato com CARREFOUR. 5) Às fls. 1.643/1.646 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta depoimento prestado à polícia do estado do Mato Grosso da ex telefonista da Frigolider e exsecretária da Flamingo, Sra. Adriana Guedes, afirmando que os sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos, juntamente com a família Birtche (Sr. Creudevaldo Birtche) administravam efetivamente as empresas de fachada e confirmou também a relação com o Sr. Luiz Nanni. 6) A exsecretária da Frigolider, Sra. Celiane da Costa Bispo, afirma em Termo de Declaração prestada à polícia do estado do Mato Grosso (fls 1.650/1.651 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745) que o Sr. Nilton do Amaral administrava a Frigolider e a Flamingo. 7) O Sr. Napoleão Mendes Neto, empregado da Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, CNPJ 00.897.034/000120, afirmou em Termo de Declarações (fls. 1.624/1.636 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745) o envolvimento do Sr. Sebastião Xavier (" Chico "), Sr. Douglas e da família Birtche com as empresas do Grupo Quatro Marcos. 8) Em vários depoimentos constantes nos Termos de Declarações de fls. 1.626/1.632 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745, prestados ao Ministério Público Estadual do Mato Grosso, os Srs.: Antonio Claudemir Zirondi, Jose Alves Barbosa, Ricardo Rezende e Maria Ester da Paz Silva confirmam de maneira lúcida a constatação e composição do Grupo Quatro Marcos. Também afirmam nos Termos de Declarações quem são os efetivos proprietários das empresas de fachada e evidenciam a presença de sócios laranjas. 9) Às fls. 1.623/1.624 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta ofício datado de 17/12/99 pela COOP Cooperativa de Consumo, CNPJ 57.508.426/000144, afirmando que o contato para compra de carnes do Grupo Quatro Marcos, do qual faria parte os seguintes frigoríficos: Frigorífico Quatro Marcos Ltda, Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, Amazonas Com. Ind. Imp. e Exportação Ltda, Pontal do Araguaia Alim Ltda, Flamingo Alimentos Ltda, Frialto Ind. Com. De Alimentos Ltda, Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda e Frigorífico Vila Rica Ltda, era Fl. 758DF CARF MF 42 efetuado com o Sr. Tupanangil Tricai Magalhães (conhecido como "Tupã" ou "Tupã Magalhães"), que era Diretor da filial Frigorífico Quatro Marcos em Jandira/SP e Diretor da matriz do mesmo frigorífico, no telefone (011) 79293588. 10) Às fls. 1.616/1617 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 a empresa Carrefour atesta que o Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier (sóciogerente do Frigorífico Quatro Marcos) era o contato para as compras de carne que realizou com as firmas Amazonas, Frigolider e Frigorífico Quatro Marcos, no telefone 011 79293588. Já as compras da Flamingo Alimentos e as algumas do Frigorífico Quatro Marcos eram realizadas com Sr. Tupã, no mesmo telefone. 11) Às fls. 1.609/1.614 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta correspondência datada de 09/03/2000, pela firma Espetinho Churra Bom Ltda atesta que o entreposto das empresas: Frigorífico Quatro Marcos, Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, Frialto Ind. Com. Alimentos Ltda e Amazonas Com. Ind. Imp. Exp. Ltda era realizado no mesmo endereço (Rua Pureza Marques de Oliveira, 83 Distrito Industrial Pres. Wilson, Jandira/SP). Este endereço acima explicitado é o da filial do Frigorífico Quatro Marcos e o mesmo endereço onde funcionou uma filial da firma Flamingo Alimentos Ltda. 12) À fl. 1.607 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/2007 45 consta correspondência firmada em 29/02/2000 pela firma Olhos D'Agua Ind. e Comércio de Carnes Ltda atesta que as compras de carne dos Frigoríficos: Guaray Comércio Ind. Exp. E Imp. Ltda, Frigorífico Quatro Marcos Ltda, Flamingo Alimentos Ltda, Amazonas Com. Ind. Imp. e Exportação Ltda, Frigolider Industria Comércio de Alimentos Ltda, Frialto Ind. e Comércio de Alimentos Ltda, Fricol Industria Frigorífica Norte Colidense Ltda e Frigorífico Vila Rica Ltda eram efetuadas diretamente no frigorífico em seu escritório em São Paulo através do telefone 11 79293588 com as seguintes pessoas: Claudia, Jose Roberto, Douglas, Freitas, Dante e Tupã. 13) À fl. 1.605 consta carta datada de 27/05/98 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745, onde o Sr. Luiz Nanni (controlador do Grupo Quatro Marcos) afirma para o Sr. Vanderlei Gerente Administrativo e financeiro GAF do FQM que lhe está enviando a alteração contratual da empresa Guaray novo endereço feita na JUCEMAT. Inclusive, neste mesmo documento (rodapé) consta o seguinte: com anexo original. A Guaray (CNPJ 74.075.268/000129) é empresa fantasma antecessora da Amazonas que também desapareceu misteriosamente após a fiscalização do INSS em 1996. No rodapé desta carta consta que foi enviada cópia para arquivo (Sr. Douglas). 14) O depoimento de fls. 1.590/1.591 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745, prestado pela Sra. Adna Pereira da Silva, exsecretária do Sr. Paulo Pitaluga e exempregada da Flamingos Alimentos Ltda, afirmou que "... a empresa Flamingo aparentemente não desenvolvia nenhuma atividade comercial, pois não vendia nada e nem comprava, não recebia mercadoria e nem despachava”. No mesmo depoimento a Sra. Adna Pereira da Silva afirma que a empresa Flamingo era de propriedade do FQM e que o Sr. Luiz Nanni trabalhava junto com o Sr. Douglas e por vezes vinha ao escritório em Cuiabá. Também afirmou que o Sr. Paulo Pitaluga, Sr. Nilton do Amaral e o Sr. Luiz Nanni diziam claramente que o proprietário de todas as empresas era o Sr. Douglas juntamente com o seu pai conhecido por "Chico". 15) Depoimento de fls. 15.86/1.588 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745, prestado à Polícia Fazendária do Mato Grosso por Marco Antônio Tolentino de Barros, representando a imobiliária Âncora Locação de Imóveis Ltda, afirmando Fl. 759DF CARF MF Processo nº 13896.001145/200717 Acórdão n.º 2301005.421 S2C3T1 Fl. 23 43 que a funcionária da Flamingo, Sra. Adriana, era quem fazia o pagamento do aluguel da Amazonas e da Frigolider e resolvia todas as questões. Ainda, quem procurou a imobiliária para alugar a sala da Amazonas foi o Sr. Paulo Putaluga, não tendo conhecido os sócios da Frigolider. 16) Informação dirigida para o Sr. Nilton do Amaral informando sobre o envolvimento de várias empresas em projetos de incentivos fiscais (Frigorífico Colider e Frigorífico Quatro Marcos) (fls. 1.553/1.557 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). 17) Demonstrativo manuscrito de fls. 1.510/1.511 com carimbo da empresa Flamingo Alimentos Ltda, demonstrando valores devidos a título de energia da empresa Amazonas. Ainda, consta a apuração da então vigente, CPMF devida, no percentual de 0,20 % sobre o valor da conta. Ora, a CPMF era devida por quem realizada uma movimentação financeira, neste conceito incluído o pagamento de uma conta. Assim, na medida em que a Flamingo apura a CPMF devida sobre uma conta, e adicionalhe o resultado, reconhece ser o sujeito responsável pelo pagamento da conta de outra empresa. 18) Vários pagamentos de despesas com uso da aeronave PTVKW, e despesas de estada, decorrentes de viagens realizadas pelo Sr. Douglas (sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda), pagas pela empresa Fricol (fls. 1.475/1.506 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). 19) Pagamento de despesas de combustíveis em vôos realizados pela aeronave PTVKW, em viagens do Sr. Luís Olavo Sabino dos Santos (diretor geral do FQM) à cidade de Colider, pela firma Fricol (fls 1.468/1.473 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). 20) Pagamento de despesas aéreas do Sr. Nilton do Amaral, contador do Grupo Quatro Marcos, pagas pela firma Fricol (fls. 1.465/1466 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). 21) Pagamento, realizado em 04/10/99, pela Fricol (carimbo aposto na cópia do cheque) relativamente a despesas de fornecedor (Frigorífico Quatro Marcos Ltda) da empresa Frialto (fl. 1.453). O mesmo acontece em pagamento realizado em 19/10/99, relativamente a despesas de aquisição de bovinos de pecuaristas pessoas físicas (fl. 1.455/1.461 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). 22) Depósito em dinheiro, realizado pela firma Fricol, diretamente na conta corrente da Ind. de Couros Insumos Colider Ltda, uma vez que esta fornece os couros (matéria prima) àquela, ambas constituindo empresas do mesmo grupo econômico (fl. 1.451 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). 23) O Sr. Milton Zana Corbalan, suposto sócio das empresas de fachada Frialto Ind. e Com. de Alimentos Ltda e do Frigorífico Vila Rica Ltda, integrantes do Grupo Quatro Marcos, foi empregado sempre no setor de construção civil em outras empresas do Grupo Quatro Marcos: período de 06/96 a 09/97 no Frigorífico Colider Ltda, onde a maior remuneração mensal recebida foi em 08/96 no valor de R$ 717,25; no período de 03/98 a 05/98 na Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda, onde a maior remuneração mensal recebida foi em 05/98 no valor de R$ 596,74. Na empresa Frigorífico Vila Rica Ltda, o empregado Sr. Willian (departamento pessoal do Frigorífico) não conhecia o seu Sr. Milton Zana Corbalan, apesar de Fl. 760DF CARF MF 44 constar vários recibos de retiradas pro labore em nome do suposto sócio (fls. 1.439/1.449 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745). Em arremate, convém transcrever a manifestação da Fiscalização do Estado do Mato Grosso (fls. 1.531/1.546 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/2007 45) quanto ao contexto verificado: Em 25.05.99, em cumprimento ao estabelecido no Termo de Compromisso firmado com a Procuradoria da República e o Ministério Público Estadual, comparecemos à sala n° 403, do Edifício Conjunto Nacional, situada a Av. Isaac Póvoas, 1.177, no Centro de Cuiabá, endereço este que constava do SIC Sistema de Informações Cadastrais da Secretaria de Fazenda/SEFAZ, como sendo o da Matriz da firma FLAMINGO ALIMENTOS LTDA, Inscrição Estadual n° 13.178.9970. Nesse endereço fomos atendidas pelo Sr. NILTON DO AMARAL, que se apresentou como prestador autônomo de serviços de assessoria e auditoria. No local encontramos documentos que se referiam a diversas outras empresas, além da FLAMINGO ALIMENTOS, quais sejam: FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA, FRIGORÍFICO COLÍDER LTDA, PHOENIX ADM E PARTICIPAÇÕES LTDA, FRIALTO IND COM ALIMENTOS LTDA, IND COUROS E INSUMOS COLÍDER LTDA, IND FRIGORÍFICA NORTE COLIDENSE LTDA, FRIGOLÍDER IND COM DE ALIMENTOS LTDA, VILA RICA ALIMENTOS LTDA, FRIGORÍFICO VILA RICA LTDA, ALTA FLORESTA IND FRIGORÍFICA LTDA e AMAZONAS COM IND IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Em um primeiro momento, não compreendemos a razão de tais documentos se encontrarem no interior do escritório da FLAMINGO ALIMENTOS vez que, no Cadastro da SEFAZ, elas pertenciam a pessoas distintas e, aparentemente, não possuíam qualquer relação entre si, a não ser o fato de possuírem o mesmo ramo de atividade. No entanto, encontramos documentos que provavam que os donos do FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA é que bancavam as despesas da FLAMINGO ALIMENTOS, da FRIGOLÍDER e da AMAZONAS, muito embora, seus nomes não constassem do Contrato Social de nenhuma delas. A partir da análise dessa documentação, pudemos constatar que a FLAMINGO ALIMENTOS era uma empresa fictícia ("fantasma"), de fachada, constituída em nome de terceiros para burlar a fiscalização. Descobrimos, também, que ela não era a primeira: outras firmas fantasmas a precederam e sumiram misteriosamente, bem como, a sua documentação. Todas do ramo de frigoríficos e, de alguma forma, relacionadas com o FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA. Apesar disso, o FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS alegou manter apenas uma relação contratual de prestação de serviços de abate com essas empresas. Mas, estranhamente, todas as firmas com quem ele havia mantido Contrato de Prestação de Serviços de Abate sumiam, ninguém encontrava os donos, ninguém conseguia ver os documentos fiscais... Fl. 761DF CARF MF Processo nº 13896.001145/200717 Acórdão n.º 2301005.421 S2C3T1 Fl. 24 45 ... omissis ... I – DO ESQUEMA DE FUNCIONAMENTO DO GRUPO: O esquema de sonegação do Grupo funciona da seguinte forma: O FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA constitui uma firma fantasma, que só existe no papel, em nome de terceiros. Regra geral, esses terceiros são funcionários de um dos Frigoríficos do Grupo que se prestam a isso , muito provavelmente, para não perder o emprego. Como, para a constituição de um frigorífico (ou de qualquer outra empresa), não é necessária a comprovação de propriedade de bens, da existência de Unidade Frigorífica, ou algo compatível com essa atividade, fica muito fácil criar empresas que só existem no papel e cujos sócios não têm condição econômicafinanceira para serem seus proprietários. De posse do Instrumento de Contrato da empresa fantasma e de uma providencial procuração com amplos poderes em favor de uma pessoa de confiança do Grupo, passada pelo suposto proprietário da firma, o FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS firma um também fictício Contrato de Prestação de Serviços de Abate. A partir de então, a maior parte do abate realizado nas dependências do FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS é tratado como mera prestação de serviço e a carne resultante desse abate passa a ser comercializada com os documentos fiscais da firma fantasma. Ocorre que a firma fantasma recolhe, aproximadamente, 10% do imposto que deve ao Estado, praticando altíssimos índices de sonegação e utilizando se de artifícios fraudulentos para a realização desse intento. Este é o caso da AMAZONAS COM IND IMP EXP LTDA. Quando a Fiscalização dá inicio aos seus trabalhos, a firma fantasma desaparece, seus sócios não são mais encontrados e todos os documentos fiscais são misteriosamente "roubados". Essas empresas fantasmas atuam por aproximadamente 02 anos. Após o seu desaparecimento, são imediatamente substituídas por outras e, assim, o esquema continua sem que o Estado nunca consiga se ressarcir dos tributos sonegados. ... omissis ... No entanto, os documentos apreendidos nos mostram que as despesas de manutenção da AMAZONAS COM IND IMP EXP LTDA (tais como despesas de aluguel, condomínio do 'prédio onde está situada a sala da firma, conta de telefone, ...) são pagas pelo mesmo "caixa" que paga as despesas pessoais do Sr. DOUGLAS e suas irmãs, ROSANA e SUSETE. Fl. 762DF CARF MF 46 O Sr. SEBASTIÃO DOUGLAS SORGE XAVIER, mais conhecido como DOUGLAS é sócio proprietário do FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA e suas irmãs (ROSANA e SUSETE), são sócias dele em outras empresas, também ligadas a esse FRIGORÍFICO. Esse esquema não funciona apenas com o FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS, mas com todos os outros Frigoríficos do Grupo que existem em Mato Grosso (nos Município de São José dos Quatro Marcos, Colíder, Alta Floresta e Vila Rica): todos eles possuem uma firmafantasma paralela, para acobertar a saída da carne sem pagamento de imposto, como veremos mais adiante. Dessa forma, há manifesta ingerência administrativa e financeira do contribuinte, por intermédio das pessoas físicas que nele atuam, sobre as atividades das demais empresas. Assim, a questão que se demonstra impede que se reconheça a autonomia administrativa das pessoas jurídicas, porquanto suprimidas pela atuação de pessoa externa. Ora, como já afirmado, o fenômeno da personificação assume relevância no contexto moderno justamente por conferir personalidade e distinção de existência ao ente formado a partir da convergência de interesses entre pessoas que celebram contrato de sociedade. Assim, se estas pessoas decidem unirse para a exploração de uma atividade empresária, tornase implícito que somente elas, as pessoas que celebram contrato de sociedade, possam gerir, dentro de seus interesses, como se dará a atividade empresária. Dessa forma, a outorga ou mesmo a permissão tácita de que pessoa alheia aos quadros sociais, não revestida da condição de administrador, passe a interferir nos negócios e atividades da pessoa jurídica, demonstra que, à margem do aspecto formal do contrato social, há uma ingerência de fato que contraria em essência o princípio da personificação a partir da inexistência de autonomia administrativa da própria pessoa jurídica. É dizer, partindose da premissa de que as pessoas que a compõem se constituem em sujeitos que atuam em nome e por conta da pessoa jurídica, representandoa, admitirse que terceiro a ela estranho o faça, sem a devida formalização efetiva destes poderes, é afirmar que, em realidade, o quadro social da pessoa jurídica não demonstra a realidade dos interesses nela depositados por aqueles que o compõem, mas sim, de terceiros, que buscam na pessoa jurídica apenas um acobertamento formal da sua efetiva responsabilidade patrimonial. Admitir que uma pessoa jurídica seja dirigida ou atue de acordo com os comandos de pessoas vinculadas a outra pessoa jurídica é suprimir por completo a autonomia administrativa da primeira, de forma a impedir que, no plano dos fatos, haja efetividade da personificação, disto decorrendo, como corolário, que a imputação da responsabilidade pelos atos praticados pela pessoa existente meramente no plano formal seja feita na pessoa que efetivamente praticam os atos. O mesmo se diga quanto à assunção, por parte de outra pessoa jurídica, da responsabilidade por diversos pagamentos de despesas realizadas pela pessoa jurídica constituída como empresa sob o plano meramente formal. Ora, revelase sobremaneira relevante que a pessoa jurídica tenha idoneidade e capacidade financeira para honrar as despesas por ela assumidas, pois isto revela justamente a autonomia financeira quanto ao exercício da atividade empresária de forma independente. É ilógico e absurdo admitirse que uma pessoa jurídica que se considere como tal no plano dos fatos, isto é, uma pessoa jurídica independente, tenha sua atuação financeira dependente de outra. Quanto ao aspecto das atividades das empresas constituídas os fatos narrados pela fiscalização chamam a atenção pela sua estranheza. Explico. Fl. 763DF CARF MF Processo nº 13896.001145/200717 Acórdão n.º 2301005.421 S2C3T1 Fl. 25 47 O exercício de uma atividade empresária pressupõe em sua essência a organização dos fatores da produção, de forma habitual e com intuito especulativo. Assim, lhe é inato que o objeto social seja por ela exercido em seu estabelecimento. A fiscalização informa que as empresas constituídas não tinham qualquer patrimônio capaz de permitir o exercício das suas atividades, fato este comprovado pelos inúmeros aportes financeiros de outras empresas nas despesas das empresas de fachada. Dessa maneira, na medida em que o empresário pessoa jurídica não dispõe dos mínimos atributos materiais capazes de desempenhar seu objeto social, fazendoo, ainda que em seu próprio nome, nas dependências físicas de outrem, sem qualquer relação comercial que legitime este comportamento, resta induvidoso que à empresa falta a autonomia produtiva, enquanto esta se verifique impossibilitada faticamente de concretizar seu objeto social. A ausência de um patrimônio e uma estrutura mínima à consecução do objeto social retira da empresa validamente constituída sob o ponto de vista formal a sua real essência, transformandoa em nada mais do que uma mera repartição administrativa de outra, da qual depende. A isto se soma os aspectos já abordados e devidamente provados pela fiscalização quanto à ingerência administrativa e financeira de terceiros na condução da empresa constituída com idêntico objeto. Os depoimentos colhidos extraautos pelas autoridades do Ministério Público e da polícia deixam claro que as empresas nada mais eram do que meras fachadas para a realização do efetivo objeto social do contribuinte, que, adotando várias empresas normalmente constituídas com idêntico objeto social ao constante de seu contrato social, simplesmente atuavam como pessoas interpostas na qualidade de unidades administrativas de um conglomerado empresarial muito maior, este sim, o real sujeito passivo quanto aos fatos geradores praticados pelas empresas constituídas. Os relatos da fiscalização no sentido do inexplicável desaparecimento das empresas após curto período de constituição, a inexistência de bens rastreáveis em nome delas, e, ainda, os vários eventos de desaparecimento de documentação e contabilidade tornam a questão muito mais evidente. Ora, não é crível que (i) empresas nitidamente vinculadas a outra simplesmente desapareçam em circunstâncias tão parecidas, e (ii) que sempre haja a perda da documentação contábil e fiscal a ela pertinente. O encerramento de atividade de uma empresa pode acontecer, sem sombra de dúvida, pelos mais variados motivos, até porque o insucesso de uma atividade econômica constitui o próprio risco do negócio; mas aceitar como normal que em vários casos, ligados a um mesmo grupo de empresas, este fato se torne corriqueiro é absolutamente inadmissível. Por exemplo, no município de São José dos Quatro Martos – MT, a empresa efetiva era o Frigorífico Quatro Marcos Ltda – FQM – CNPJ 01.311.661/000109. Nesta localidade, foram constituídas duas empresas: Amazonas Com. Ind. Imp. e Exportação Ltda CNPJ 00.923.654/000197 (constituída formalmente em 01/11/95 mas sem atividade), tendo atuado efetivamente de 03/1996 a 02/1998. Curiosamente, cessadas as atividades da Amazonas, começou a realizar as atividades do objeto social do Grupo Quatro Marcos a empresa Flamingo Alimentos Ltda – CNPJ 02.291.563/000292 que, embora criada formalmente em 01/11/1997, tem suas atividades materialmente realizadas de 03/1998 a 06/1999. No município de Jandira – SP o mesmo acontece. Nesta localidade existe a empresa efetiva Frigorífico Quatro Marcos Ltda Filial CNPJ 01.311.661/000605, Fl. 764DF CARF MF 48 constituída em 23/02/1999, com início de atividade em 05/1999, justamente a ocasião onde começou as atividades da empresa Flamingo Alimentos Ltda – Filial 2 – CNPJ 02.291.563/000454, apesar desta já estar constituída desde 23/12/1997. Interessante que no município de Alta Floresta – MT também ocorreu isto, ou seja, a empresa Frialto Ind. e Com. De Alimentos Ltda CNPJ 02.630.132/000122, embora constituída desde 06/1998, iniciou suas atividades em 10/1998 e as encerrou em 05/2000, justamente na oportunidade em que foi constituída a empresa Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda – Filial 1, constituída formalmente em 10/05/2000 e com início de suas atividades em 01/06/2000. No município de Colíder – MT, o Frigorífico Colider Ltda – CNPJ 00.135.198/000110, constituído formalmente em 01/08/1994, teve sua razão social alterada para O.C.A. Comercial Ltda em 25/08/1999, justamente a empresa que incorporou, por sua filial, no município de Alta Floresta, a empresa Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda. Ainda, a empresa Frigolider Ind.e Com. de Alimentos Ltda CNPJ 00.897.034/000120, constituída formalmente em 01/12/1995, encerrou suas atividades em 03/1999, justamente quando do início de atividade da empresa Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda, em 04/1999, tendo sido esta constituída formalmente em 10/02/1999. Assim, o Grupo Quatro Marcos se utilizou de várias outras pessoas jurídicas para a prática do objeto social, seja constituindoas sucessivamente ao encerramento das atividades das anteriores, seja utilizandose de ente formalmente já criado em momento anterior. Com relação aos sucessivos sinistros em relação à escrita contábil e fiscal e outros documentos, a fiscalização junta aos autos (fls. 1.513/1.527 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745) vários atos policiais que registram o relato dos sinistros. 1) 17/07/1996 –Boletim de Ocorrência 076/96 – Sinistro relatado: furto de documentos na Rua 15 de junho – São José dos Quatro Marcos – MT. Não consta descrição da res furtiva. 2) 10/05/1999 – Boletim de Ocorrência 095/99 – Sinistro relatado: furto em estabelecimento comercial Av. Mato Grosso, 999 – Centro. Empresa: Flamingo Alimentos Ltda. Objetos subtraídos: notas fiscais de 03/1998 a 08/05/99, livros fiscais. 3) 21/01/91 – Boletim de Ocorrência 020/91 –Sinistro relatado: capotamento de veículo e incêndio. Empresa: Frigorífico Quatro Marcos. Cumpre salientar, tal qual bem exposto no Acórdão da DRJ, o seguinte trecho: Em primeiro lugar, é sabido que a comunicação de um fato à autoridade policial não prova a efetiva ocorrência do mesmo, mas somente que alguém fez a comunicação à autoridade policial. Assim, em que pese a validade dos atos oficiais emanados da autoridade policial, os mesmos não têm qualquer cunho probatório quanto aos fatos nele narrados, até porque, a vingar entendimento contrário, terseia a produção de uma prova pela própria parte sem qualquer lastro em outros elementos. Em segundo lugar, os fatos são curiosos. Efetivamente, indivíduos afeiçoados ao patrimônio alheio não se interessam, na esmagadora maioria dos casos, Fl. 765DF CARF MF Processo nº 13896.001145/200717 Acórdão n.º 2301005.421 S2C3T1 Fl. 26 49 em subtrair livros contábeis e fiscais e talões de notas, pois, convenhamos, não há qualquer utilidade nestes documentos ao fim a que se destina a atividade criminosa. Há, sim, interesse por equipamentos que podem ser alienados ou trocados, em flagrante proveito da empreitada criminosa, mas não consta que estes tenham sido subtraídos. Em terceiro lugar, neste contexto “criminoso” em relação ao qual as empresas foram “vítimas”, é bastante interessante um relato feito pela fiscalização estadual do estado do Mato Grosso, o qual se reproduz (fls. 1.532/1.533 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/2007 45): Dentre a documentação apreendida no escritório da FLAMINGO em Cuiabá, havia um comprovante de pagamento de aluguel de uma sala no Edifício Master Center, em nome de uma firma chamada AMAZONAS COM IND IMP E EXP LTDA. Como suspeitávamos que a documentação da FLAMINGO ALIMENTOS iria desaparecer, resolvemos investigar esse endereço que seria da AMAZONAS, pois os documentos poderiam estar escondidos nesse local e então nos dirigimos para lá no dia 27/05/99, no período da manhã, tendo encontrado esse escritório fechado". Nesse mesmo dia, aproximadamente às 11:00 horas, atendemos uma ligação telefônica de uma pessoa que se identificou como Dr. HUMBERTO de tal, Advogado da FLAMINGO ALIMENTOS nos pediu um prazo para entregar os documentos fiscais da FLAMINGO , os quais já estavam vindo de São José dos Quatro Marcos. Concordamos em aguardar, mas, entre nós, resolvemos continuar com nossas diligências, pois não acreditamos no que havia dito o Advogado. Decidimos, então, voltar às 14:30 horas, na sala que era alugada para a firma AMAZONAS. Ao chegar ao local, minutos antes do combinado, a FTE WILCE flagrou o Sr. NILTON DO AMARAL saindo do prédio, acompanhado de uma pessoa que não foi identificada, carregando algumas caixas de documentos e colocandoas no portamalas de um veiculo que se encontrava no estacionamento ao lado. Imediatamente, a FTE WILCE abordou o Sr. NILTON sobre que documentos eram aqueles e o que ele pretendia levando os para o carro, ao que o Sr. NILTON e a pessoa que o acompanhava fugiram correndo, a pé, do local, abandonando o carro com chave e tudo, bem como, as caixas que carregavam. Contactamos, então a Promotora, Dra. Ana Cristina que acionou a Delegacia Especializada da Fazenda. Fl. 766DF CARF MF 50 As caixas continham documentos das firmas FRIGOLÍDER, alguns da FLAMINGO ALIMENTOS e grande quantidade de Notas Fiscais ,e os Livros da AMAZONAS. Os fatos narrados pela fiscalização do Estado do Mato Grosso são dignos de risos. Ora, se a fiscalização não chegasse a tempo, talvez fosse relatado à autoridade policial outro “furto de documentos”. Assim, percebese que o comportamento do contribuinte em relação às empresas que compõe o grupo econômico Quatro Marcos é flagrantemente de se subtrair a todos os efeitos tributários decorrentes das atividades empresárias, seja constituindo pessoas jurídicas que somente existem formalmente, seja sumindo com livros e documentos e depois alegando meros sinistros, como se fosse crível que criminosos tivessem interesses nestes elementos. O que se percebe nitidamente é que o proveito econômico auferido com o “empreendimento” das empresas de fachada é manifestamente proveitoso a quem dele se utiliza. Vale ressaltar que há outros fatos que merecem ser considerados. Às fls. 1.674/1.677 dos autos do processo administrativo nº 13896.001171/200745 consta Laudo de Exame Documentoscópico no 437/98, emitido pelo Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal. Neste laudo as autoridades policiais concluem ter ocorrido adulteração nos seguintes livros periciados: Livro Diário 23, Livro Diário 24, Livro Diário 25 e Livro Diário 26. Em cada um destes Livros a autoridade policial relata fatos que demonstram que os livros não conferem à realidade que a princípio se espera de um livro de tamanha importância como o Livro Diário de uma empresa. Assim, os autos demonstram: (i) os supostos sinistros em documentação fiscal e contábil de empresas do Grupo Quatro Marcos; (ii) o desaparecimento misterioso das empresas, sem que se tenha bens à garantia de seus deveres; (iii) o flagrante, pela fiscalização estadual, de tentativa de subtração velada de documentação; (iv) a adulteração de Livros Diários; e, (iv) o farto conjunto de provas que demonstram a inexistência de autonomia administrativa, operacional e financeira das empresas de fachada. Estes aspectos já constituem elementos suficientes a formar a convicção no sentido de que o contribuinte efetivamente adotou um grupo de empresas de fachada como forma de se subtrair aos efeitos da lei, objetivando lograr benefício próprio mediante a adoção de expedientes destinados a impedir que as Administrações Fazendárias (federal e estadual) pudessem efetivamente apurar sua regularidade tributária. Por fim, a partir da análise da composição societária das empresas que integram o grupo, é possível observar que há nítida confusão societária entre as pessoas físicas sócias das empresas, principalmente, no que tange às pessoas integrantes da família Birtche (Cláudio, Claudenir, Cleonir, Clodiomar, Creudevaldo e Manoel), de forma que cada qual deles aparece como sócio de mais de uma empresa no período considerado, no todo ou em parte. É interessante observar o plexo de vínculos societários mantidos pelo Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier (comumente chamado de Sr. Douglas), figurando como sócio do contribuinte autuado e de outras três empresas vinculadas ao grupo no mesmo período entre 1992 a 1999 (Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda, Vila Rica Alimentos Ltda e Frigorífico Colider Ltda – OCA Comercial Ltda). Diante de todo o exposto, fica clara a existência de grupo econômico, sendo que nos termos do artigo 124, II, do Código Tributário Nacional, a solidariedade tributária pode decorrer de lei, tal qual acontece na regra de solidariedade das empresas que integram o mesmo grupo econômico prevista no artigo 30, IX, da Lei n. 8.212/91. Da Questão da Nulidade da Multa prevista no Regulamento da Previdência Social Fl. 767DF CARF MF Processo nº 13896.001145/200717 Acórdão n.º 2301005.421 S2C3T1 Fl. 27 51 A Recorrente argumenta que o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no. 3.048/99 não seria aplicável à espécie, vez que os fatos geradores ocorreram anteriormente à sua entrada em vigência. O Decreto no. 3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social – RPS, foi publicado no Diário Oficial da União em 07/05/1999, entrando em vigor nesta mesma data. Assim, a princípio, para os fatos geradores anteriores a esta data, pareceria correto alegar a sua inaplicabilidade. Ocorre, contudo, que a questão não pode ser vista com tamanha superficialidade. A obrigação de prestar informações relacionadas aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outros dados de interesse do INSS – Instituto Nacional do Seguro Social – foi instituída pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997. O documento a ser utilizado para prestar estas informações – GFIP – foi definido pelo Decreto nº 2.803, de 20/10/1998, e corroborado pelo Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999 e alterações posteriores. Decreto nº 2.803/98 – Regulamenta o artigo 32 da Lei nº 8.212/91. Art. 1º A empresa é obrigada a informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto. ... omissis ... § 3º As informações prestadas na GFIP servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo INSS, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do nãorecolhimento. § 4º Os valores das contribuições incluídos na GFIP, não recolhidos ou não parcelados, serão inscritos na Dívida Ativa do INSS, dispensandose o processo administrativo de natureza contenciosa. § 5º A entrega da GFIP deverá ser efetuada em meio magnético, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, ou mediante formulário, na rede bancária, até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. § 6º A GFIP será exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. § 7º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da GFIP são de inteira responsabilidade da empresa. ... omissis .... Fl. 768DF CARF MF 52 Art. 2º A infração ao disposto no artigo anterior sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 106 do ROCSS, em função do número de segurados, pela não apresentação da GFIP, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: ... omissis ... II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso anterior, pela apresentação da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores; III cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 106 do ROCSS, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do auto de infração. Art. 3º Para efeito do disposto no art. 33 do ROCSS, a pessoa jurídica apresentará, ainda, os recibos de entrega da GFIP. Neste decreto há previsão da aplicação da multa idêntica ao Decreto nº 3.048/99. Com efeito, o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no. 3.048/99, em seus artigos 225 (previsão de obrigações acessórias) e 283 a 289 (previsão das multas fixas para tipo de penalidade), apenas trouxeram a regulamentação das obrigações e penalidades já previstas na Lei nº 8.212/91. Nesse sentido, o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no. 3.048/99, possui seu fundamento de validade na Lei nº 8.212 (lei de custeio). Cita se: Lei nº 8.212 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (CFL 67, 68, 69 e 81) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do Fl. 769DF CARF MF Processo nº 13896.001145/200717 Acórdão n.º 2301005.421 S2C3T1 Fl. 28 53 documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/99: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: (...) II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso anterior, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores; e Assim, o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/99, nada mais fez do que disciplinar em caráter regulamentar, função esta permitida ao regulamento no direito brasileiro, as obrigações acessórias já devidamente previstas em lei formal, no caso, a lei de custeio (Lei nº 8.212/91), consistindo no instrumento normativo vigente à data de lavratura do Auto de Infração, devendo ser o fundamento legal a embasar o lançamento, vez que possui aplicabilidade imediata e estava em vigência ao tempo da lavratura fiscal. Ou seja, não foi o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/99 que previu a infração, mas a própria lei de custeio ou a de benefício, conferindo ao Regulamento da Previdência Social – Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/99, a mera função de disciplina pormenorizada da sua ocorrência. Fl. 770DF CARF MF 54 Com relação à penalidade, o entendimento do contribuinte não merece melhor sorte. Com efeito, a Lei nº 8.212/91 é taxativa ao prever: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Ora, vêse que a Lei nº 8.212/91 expressamente determinou a aplicação de penalidades às previsões contidas em Regulamento, cabendo a este graduar, conforme a infração, o valor aplicável. Outrossim, a atualização dos valores das penalidades foi devidamente autorizada pela Lei nº 8.213/91, que assim se posicionou: Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Assim previa a própria Lei nº 8.212/91: Art. 102. Os valores expressos em cruzeiros nesta Lei serão reajustados, a partir de abril de 1991, à exceção do disposto nos arts. 20, 21, 28, § 5º e 29, nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social, neste período. E o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no. 3.048/99: Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Assim, não se pode pretender a inaplicabilidade de uma penalidade expressamente prevista no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/99, quando validamente determinado pela Lei nº 8.212/91 que, ao prever as obrigações acessórias e suas respectivas infrações, sujeitou a previsão da penalidade a instrumento normativo hierarquicamente inferior, mas com força normativa suficiente para tal finalidade. Portanto, em que pese os fatos constados se referirem a momento anterior à vigência do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/99, de rigor verificarse que a violação da obrigação acessória já contava com previsão na Lei nº 8.212/91, de forma que não há violação ao princípio da legalidade tributária. Outrossim, quanto ao valor da multa aplicada em relação ao momento de ocorrência dos fatos geradores, o pensamento do contribuinte não assume procedência. Com efeito, a penalidade aplicável no caso de descumprimento de obrigações acessórias é aquela prevista no momento da constatação do seu descumprimento pela autoridade fiscal, ou seja, no momento da lavratura do Auto de Infração, não havendo ligação quanto ao momento da ocorrência dos fatos geradores das obrigações principais. Conclusão Fl. 771DF CARF MF Processo nº 13896.001145/200717 Acórdão n.º 2301005.421 S2C3T1 Fl. 29 55 Com base no exposto, voto por conhecer em parte do Recurso Voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, e na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 772DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.900383/2008-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) confirme se os valores de faturamento, tidos como base de cálculo para a contribuição no período analisado, contidos nos registros contábeis do contribuinte correspondem aos valores declarados ao fisco em DACON e DIPJ; (ii) confronte os débitos referentes à contribuição apurados com a base de cálculo conferida no item "i" e sob a alíquota aplicável ao regime tributário da recorrente, com os pagamentos efetuados em DARF referentes à contribuição, no período; e (iii) após o confronto do item "ii", identifique a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP e elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifeste-se no prazo de 30 dias.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1956; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11060.900383/200895 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.417 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de julho de 2018 Assunto DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO PIS/PASEP Recorrente VIANNA EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) confirme se os valores de faturamento, tidos como base de cálculo para a contribuição no período analisado, contidos nos registros contábeis do contribuinte correspondem aos valores declarados ao fisco em DACON e DIPJ; (ii) confronte os débitos referentes à contribuição apurados com a base de cálculo conferida no item "i" e sob a alíquota aplicável ao regime tributário da recorrente, com os pagamentos efetuados em DARF referentes à contribuição, no período; e (iii) após o confronto do item "ii", identifique a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP e elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/POA, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 60 .9 00 38 3/ 20 08 -9 5 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11060.900383/200895 Resolução nº 3401001.417 S3C4T1 Fl. 3 2 Dos Fatos O Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 07478.70378.'050204.1.3.040576 a compensação de débito de CSLL (cód.2372) do período de apuração 4º Trim./2003 no valor de R$ 342,12 acrescido de multa R$ 5,64 e juros R$ 3,42 totalizando R$ 351,18 com crédito de PIS/PASEP (cód.6912) por recolhimento a maior que o devido no valor de R$ 343,39 do período de apuração 11/2003, data de arrecadação 15/12/2003, no valor de R$ 566,59. Do Despacho Decisório A DRF de Santa Maria/RS em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 24/04/2008, rastreamento nº 757800395 (efls.7), pela não homologação da compensação pretendida, em face da inexistência do crédito, pois o valor do DARF foi integralmente utilizado para quitação do PIS declarado para o período de apuração 11/2003. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta do fisco, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.11), contendo apenas, em seu texto, o seguinte: “... demonstrar através de documentos e planilhas em anexo, como foram realizadas as compensações via per/dcomp, feita a verificação, entendemos que houve erro no preenchimento da ficha DÉBITO CSLL. Por outro lado, a referida empresa encontrase em situação regular perante a este órgão conforme se comprova na solicitação de pesquisa em anexo, com exceção de uma da parcela de n.2 do parcelamento n. 13047.000.287/200768, que segundo informações junto a Agência em Cachoeira do Sul, foi motivado pelo intervalo entre a formalização do parcelamento e do envio para a instituição financeira para débito em conta e outro pequeno valor de R$ 96,99. Ambos serão liquidados em breve”. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 2ª Turma da DRJ/POA, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2003 DCTF. PREENCHIMENTO EQUIVOCADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DO ERRO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. No final do voto o julgador faz menção à DIPJ da Contribuinte, que essa tem caráter meramente informativo e não se configura confissão de dívida, valendose para esse fim a DCTF, instituída pela IN SRF nº 129 de 1986. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls.40) contra a decisão de primeiro grau, pedindo sua reforma e homologação da compensação procedida, argumentando: (i) que efetuou pagamentos de valores a maior que o devido de Contribuição para o PIS/PASEP; (ii) que a empresa apurou o PIS/PASEP utilizando a alíquota Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11060.900383/200895 Resolução nº 3401001.417 S3C4T1 Fl. 4 3 de 1,65% e não a alíquota correta para aquele período de 0,65% e seu regime de tributação era o Lucro Presumido; (iii) faz juntada a título de prova cópia do Livro Diário, Razão, planilha demonstrativa dos créditos apurados correspondentes as diferenças entre alíquotas e cópia dos DARFs pagos; Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. A questão central desses autos está voltada para a ausência de DCTF retificadora, de forma a evidenciar o crédito que a contribuinte alega ter, pelo recolhimento de valores de PIS/PASEP a maior que o devido, valendose de alíquota não apropriada para o regime de tributação adotado no ano de 2003. Sobre esse fato é esclarecedora a planilha produzida às fls.91: Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11060.900383/200895 Resolução nº 3401001.417 S3C4T1 Fl. 5 4 Por outro lado foi juntado no processo cópia dos livros, Diário e Razão, com o intuito de provar a procedência do crédito declarado, através de seus registros contábeis. O acórdão recorrido faz referência a DIPJ que tem caráter meramente informativo e não para confissão de dívida, mas por ser de caráter informativo serve para confrontar dados com as demais declarações (DACON/DCTF). Quanto a citação de jurisprudência de negativa do indébito por falta de prova, não podendo a União ser condenada à restituição dos valores postulados, sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa, contrário senso, havendo o pagamento de tributo em valor a maior que o devido, a sua negativa traria enriquecimento sem causa ao erário. Por ser singelos os argumentos da contribuinte ao se manifestar nos autos, não lhe retira o direito de uma melhor apuração dos fatos diante das provas documentais carreadas ao processo, bem como de outras acessíveis ao fisco a esclarecer de forma convincente sobre a realidade dos créditos pleiteados. Quanto a forma de analisar os pedidos do contribuinte em Declaração de Compensação, reproduzo parte com destaque dos fundamentos do acórdão nº 9303005.095, de 16/05/2017, proferido em Recurso Especial pela 3ª Turma da CSRF: A análise da compensação operada pelo contribuinte da qual resulta o despacho decisório, bem poderia conformarse ao mesmo modelo do procedimento de determinação e exigência de crédito tributário, caso fosse precedido de Termo de Verificação Fiscal, em procedimento manual, em que ficassem evidenciados os erros em que incorrera o contribuinte e a forma e providências necessárias que deveria suprir para elidir a apuração fiscal. É evidente que o despacho decisório eletrônico não cumpre esse desiderato, sendo sintética a formatação da decisão e o teor da sua intimação para a apresentação de defesa, não fornece ao contribuinte todos os elementos de que deve o interessado valerse, e exigíveis pela Administração, para subsidiála. Somente na decisão de primeira instância é que o julgador levanta a exigência das provas, por vezes apenas de forma genérica, diferentemente do que se deu no acórdão ora recorrido, que especificou ser este respaldo a escrita contábil/fiscal. Desse modo, o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado com parcimônia para este modelo de rito processual administrativo, sobretudo quando o conteúdo da sua letra “c” permite o enquadramento desta situação, quando sobreleva o risco de cerceamento da ampla defesa do contribuinte, quando irrelevase o princípio da verdade material, que informa o PAF, e o da moralidade, que rege os atos da Administração, a impedir a exigência de tributo já quitado ou não repetir o indébito. A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11060.900383/200895 Resolução nº 3401001.417 S3C4T1 Fl. 6 5 1 confirme se os valores de faturamento, tidos como base de cálculo para a contribuição no período analisado, contidos nos registros contábeis do contribuinte corresponde aos valores declarados ao fisco em DACON e DIPJ; 2 confronte os débitos referentes à contribuição apurados com a base de cálculo conferida no item "i" e sob a alíquota aplicável ao regime tributário da recorrente, com os pagamentos efetuados em DARF referentes à contribuição, no período; 3 após o confronto do item "ii", identifique a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP e elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, cientificando a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. Esgotado o prazo para manifestação, seja providenciado o retorno dos autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721362/2015-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA E DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL.
Não se vislumbra a existência de divergência jurisprudencial apta a ensejar o conhecimento do Recurso, quando o acórdão paradigma trata de situação fática distinta da situação consignada no acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9202-007.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA E DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Não se vislumbra a existência de divergência jurisprudencial apta a ensejar o conhecimento do Recurso, quando o acórdão paradigma trata de situação fática distinta da situação consignada no acórdão recorrido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA E DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Não se vislumbra a existência de divergência jurisprudencial apta a ensejar o conhecimento do Recurso, quando o acórdão paradigma trata de situação fática distinta da situação consignada no acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 13 62 /2 01 5- 01 Fl. 156DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2201003.829 proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 9 de agosto de 2017, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 68: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA. INTELIGÊNCIA DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. O STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, firmou entendimento que não incide IRPF sobre os valores percebidos a título de juros de mora decorrentes de reclamatória trabalhista. Inteligência do REsp n° 1.227.133/RS, que firmou a seguinte tese: "Não incide Imposto de Renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial" (Tema 470). O Recurso Especial referido anteriormente, fls. 79 a 85, foi admitido, por meio do Despacho de fls. 101 a 103, para rediscutir a decisão recorrida no tocante à incidência do imposto de renda sobre os juros moratórios decorrentes de verbas recebidas em reclamatória trabalhista. Aduz a Procuradoria da Fazenda, em síntese, que: a) em relação à incidência do imposto de renda sobre juros de mora, as recentes decisões do STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, restringiram o entendimento de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo apenas em relação as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva; b) da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, resta claro que apenas são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”; c) trazendo tais premissas para o caso em tela, deve ser restaurada a incidência de IRPF sobre os juros incidentes sobre as verbas salariais recebidas pelo contribuinte na reclamação trabalhista. Intimada, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, fls. 109 a 132, nas quais sustenta, em síntese: a) o Recurso interposto não deve ser admitido, pois utilizou como acórdão paradigma uma decisão que, em verdade, reforça a tese do recorrido; Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10580.721362/201501 Acórdão n.º 9202007.187 CSRFT2 Fl. 3 3 b) através do cotejo da decisão proferida em sede de recurso voluntário e a decisão utilizada como paradigma pela Procuradoria da Fazenda, é impossível encontrar uma divergência; c) o acórdão recorrido afirma que não incide IRPF sobre os valores percebidos a título de juros de mora decorrentes da reclamatória trabalhista e o acórdão utilizado como paradigma defende que os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda; d) o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp n.º 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento acerca da não incidência do imposto de renda sobre os juros moratórios legais; e) as decisões administrativas devem acatar a jurisprudência consolidada acerca de determinada matéria, objetivando unificar a aplicação e o entendimento sobre uma matéria no caso concreto; f) a tributação dos juros de mora pagos na reclamatória trabalhista, desnatura o perfil constitucional do imposto de renda, pois a variação em comento não aumenta ou acresce o patrimônio do contribuinte; g) deve ser negado provimento ao recurso especial, mantendose integralmente o acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora 1. Do conhecimento Mostramse relevantes, no presente caso, algumas. considerações sobre a admissibilidade do recurso especial sob análise. Conforme narrado, a divergência suscitada pela Recorrente trata da incidência do imposto de renda sobre os juros moratórios decorrentes de verbas recebidas em reclamatória trabalhista. A Procuradoria da Fazenda Nacional, a fim de demonstrar a divergência jurisprudencial, utilizouse do Acórdão paradigma n.º 9002004.246, no qual consta a seguinte ementa: Fl. 158DF CARF MF 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. MAGISTRADOS DA BAHIA. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988. Recurso Especial do Procurador Provido Em consulta ao inteiro teor do referido paradigma, observase que nele restou consignado o entendimento a respeito da incidência do imposto de renda sobre os juros de mora em razão da ausência da natureza indenizatória da verba, tendo como parâmetro a verba principal que é, naquele caso, a diferença de URV. Assim, não se está diante de uma rescisão do contrato de trabalho, razão pela qual não há similitude fática entre o Acórdão Paradigma Acórdão Recorrido. Além disso, pelo que se extrai da fundamentação do voto, diante da aplicação do REsp 1.227.133/RS, é possível inferir que o colegiado recorrido teria, em tese, entendimento semelhante ao decidido no acórdão vergastado, na hipótese de se tratar do contexto de rescisão do contrato de trabalho, já que tal entendimento faz parte do teor do repetitivo do Superior Tribunal de Justiça. Desse modo, por ausência de similitude fática entre o Acórdão Recorrido e o Acórdão paradigma, e, por conseqüência, por ausência de divergência jurisprudencial, não conheço do recurso interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11051.000729/2006-09
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 27/11/2006
MULTA.. CLASSIFICAÇÃO FISCAL EQUIVOCADA. CABIMENTO.
A escolha por codificação 9999 - outros, cuja consequencia é a não submissão no licenciamento obrigatório, em detrimento da julgada correta, qual seja, a '0001 - alimentos', e, portanto, submetida ao licenciamento obrigatório, implica em arcar com a multa prevista
MULTA. CONTROLE ADMINISTRATIVO. AUSÊNCIA DE LICENCIAMENTO. CABIMENTO.
A ausência de licenciamento, decorrente da classificação incorreta praticada pela importadora, deve implicar em pagamento da multa pela importação desamparada de licença como consequência lógica.
Numero da decisão: 3001-000.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 27/11/2006 MULTA.. CLASSIFICAÇÃO FISCAL EQUIVOCADA. CABIMENTO. A escolha por codificação 9999 - outros, cuja consequencia é a não submissão no licenciamento obrigatório, em detrimento da julgada correta, qual seja, a '0001 - alimentos', e, portanto, submetida ao licenciamento obrigatório, implica em arcar com a multa prevista MULTA. CONTROLE ADMINISTRATIVO. AUSÊNCIA DE LICENCIAMENTO. CABIMENTO. A ausência de licenciamento, decorrente da classificação incorreta praticada pela importadora, deve implicar em pagamento da multa pela importação desamparada de licença como consequência lógica.
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL EQUIVOCADA. CABIMENTO. A escolha por codificação 9999 outros, cuja consequencia é a não submissão no licenciamento obrigatório, em detrimento da julgada correta, qual seja, a '0001 alimentos', e, portanto, submetida ao licenciamento obrigatório, implica em arcar com a multa prevista MULTA. CONTROLE ADMINISTRATIVO. AUSÊNCIA DE LICENCIAMENTO. CABIMENTO. A ausência de licenciamento, decorrente da classificação incorreta praticada pela importadora, deve implicar em pagamento da multa pela importação desamparada de licença como consequência lógica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 1. 00 07 29 /2 00 6- 09 Fl. 125DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Auto de Infração Trata se de auto de infração decorrente de importação desamparada de licença de importação, ou documento equivalente, conforme informações transmitidas com o envio e registro da Declaração de Importação n° 06/14364455, de 27/11/2006. A referida D.I. trata da importação de 'PRÉFORMAS DE GARRAFAS PET', cuja classificação fiscal, em seu entender, ficou na posição da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM 3923.30.00. Ausência de licenciamento Tal mercadoria deve ser submetida à anuência do Ministério da Saúde através da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) , por ser utilizada na indústria alimentícia, conforme determinam os Comunicado DECEX 23/1998 (pág. 28) e Resolução RDC ANVISA 350/2005. Frisese que a própria empresa importadora reconhece a utilização das garrafas "para água mineral" (pág. 21) e que a própria ANVISA no seu oficio n° 32, de 12/12/2006, ratifica a necessidade da inspeção pela autoridade sanitária (pág. 32). Classificação Incorreta Restou incorreta classificação fiscal por que a informação dos atributos/características da mercadoria, conforme a Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística NVE tem quatro atributos a serem informados quando na classificação na NVE. Houve divergência no atributo 'AD' (utilização), uma vez que foi informado o código de especificação 9999 outros quando deveria ter sido informado 0001 para alimentos inclusive conforme declaração do importador e, também, referente à Descrição da mercadoria, vez que não foi informado, na adição, o "EX" tarifário especifico da mercadoria, pois o "EX" em questão é especifico para esse tipo de mercadoria, cujo desenho técnico da fábrica está neste processo. Impugnação A Impugnante relatou que foi autuada pela Receita Federal através do Auto de Infração com base no MPF 1011200/37060/06, da Delegacia da Receia Federal no Chui/RS, de 18 de dezembro de 2006. O Demonstrativo do Crédito Tributário se destaca como originário das seguintes infrações: a) Multa de Controle Administrativo; b) Multa Regulamentar. multa de controle administrativo A multa de controle administrativo se originou do entendimento fiscal que a importação consumouse ao desamparo de licença de importação. A multa regulamentar, Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11051.000729/200609 Acórdão n.º 3001000.518 S3C0T1 Fl. 126 3 afirma o auto de infração, decorreu de que a mercadoria importada "préformas de garrafas pet" apresentou descrição incorreta em dois pontos. 'código 9999 outros' VERSUS 'código 0001 — alimentos' 0 primeiro porque a Impugnante teria informado que a utilização teria o código 9999, outros e não o código 0001 — alimentos; 0 outro ponto seria a falta de descrição do "ex tarifário" especifico da mercadoria — ex 01. RDC 350 2005 conceituação de alimentos e correlatos o produto importado naã se subsume ao conceito legal de alimento proposto na Resolução RDC n° 350 não estando equivocado seu enquadramento no código de especificação 9999 — outros, ao contrário do que preconizou a autuação. Ainda na seara das definições concriadas e disciplinadas pela ANVISA, na Resolução RDC n° 350, o produto não se caracteriza como embalagem alimentar as embalagens disciplinadas pela ANVISA. Dispensa de licenciamento O anexo à Portaria 35, na redação atualizada existente no sitio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, consta o rol dos produtos de licenciamento automático, licenciamento não automático conforme o artigo 7°, parágrafo único, XIV. No mencionado rol, anexado à Portaria n° 35/2006 SECEX, conforme sitio www.desenvolvimento.qov.br , não inclui o produto importado em tela como de licenciamento automático. DRJ/FNS Tendo sido o acórdão sob vergasta dispensado da formulação de ementa, importa transcrever o relatório, a fim de transparecer o correto desenrolar dos fatos: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 22.510,92, referente a multa do controle administrativo (importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente) e, multa proporcional ao valor aduaneiro (1 %, classificação incorreta). A interessada por meio da declaração de importação (DI) n° 06/14364455 (fls. 10 a 21) submeteu a despacho mercadorias descritas como "PREFORMAS DE PET COR CRISTAL, PESANDO 48 GRS.", classificando no código da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) 3923.30.00, utilizando a aliquota prevista no Extarifário 001, não informando tal situação em campo apropriado da DI, e indicando ainda que a mercadoria em apreço esta enquadrada no subitem 9999 — "Outros" da Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística (NVE) para o Fl. 127DF CARF MF 4 subitem relacionado à utilização (AD). Em relação ao "destaque", a interessada indicou 999. Considerando que a mercadoria é destinada para indústria alimentícia (garrafas para água mineral) — declaração da própria interessada à folhas 21, e que nestes casos a mercadoria esta sujeita a licença de importação com anuência da ANVISA, a fiscalização concluiu que a mercadoria deve ser enquadrada no Extarifário 001, NVE 0001 e "destaque" 030 — "Utilizados na Industria Alimentícia" (fl. 28). Considerando que a interessada no informou corretamente os dados acima, bem como não apresentou descrições corretas da mercadoria importada, a fiscalização aplicou a multa por considerar a importação desamparada de guia ou documento equivalente. Foi aplicada também a multa por ter sido a mercadoria classificada incorretamente nas nomenclaturas complementares e em outros detalhamentos instituidos na Nomenclatura Comum do Mercosul. Regularmente cientificada (pessoalmente, fl. 01), a interessada apresentou impugnação de folhas 37 a 46, anexando os documentos de folhas 47 a 72. Em síntese, traz as seguintes alegações: Que, o produto importado não é alimento nem se tipifica como embalagem pronta, não estando equivocado seu enquadramento no código especificado como 9999 —outros; Que, a mercadoria importada é dispensada de licenciamento, a Portaria SECEX n° 35/2006, em seu anexo, não incluiu o produto importado em tela como de licenciamento automático, não estando incluso também na lista de produtos com licenciamento não automático, dado que o enquadramento "utilizados na indústria alimentícia" somente faz sentido acaso se reporte à outros insumos diferentes de embalagens, porque essa está mencionada em outra posição; As menções sobre os fundamentos do voto condutor serão apresentadas em item posterior. Recurso Voluntário Após reproduzir os fatos ocorridos, a defesa acrescente, através de seu recurso voluntário Considerações acerca da controvérsia A controvérsia prendese, à parte da autuação que trata da ausência de prévia autorização de importação da ANVISA porque haveria expresso enquadramento por parte da Vigilância Sanitária a exigir tal procedimento não satisfeito pela Recorrente na sua condição de importadora do seguinte produto classificado na NCM na posição 39.23.30.00, Aponta como trecho atacado da decisão de primeira instância que o produto Ex 01 Esboços de garrafas de plástico, fechados em uma extremidade e com a outra aberta e munida de uma rosca sobre a qual irá adaptarse uma tampa roscada, devendo a parte abaixo da rosca ser transformada, Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11051.000729/200609 Acórdão n.º 3001000.518 S3C0T1 Fl. 127 5 posteriormente, para se obter a dimensáo e forma desejadas, importado pela recorrente deveria ter prévia anuência da AN VISA. Segundo afirma, consta do Oficio enviado Delegacia da RFB de Chui à ANVISA (fl. 30, dos autos), com o seguinte questionamento: "5. Isto exposto, resta a seguinte dúvida: (..) estas préformas estão dispensadas da Licença de Importação?". Com base no Oficio da ANVISA, fl. 32, dos autos, a Receita Federal entendeu dissipada sua incerteza, lavrando o auto de infração, embasandose: "que a própria ANVISA no seu oficio n° 32, de 12/12/2006, ratifica a necessidade da inspeção pela autoridade sanitária. Questionou, ainda, a validade formal e material do Oficio n° 32, quanto a sua aptidão para determinar a obrigatoriedade de prévia anuência de importação de preformas. Insurgese através do argumento no qual "garrafas são embalagens de agua; préformas nada embalam". Licenciamento Contesta, também, pela interpretação sistemática da Resolução n° 350, que demonstraria a ausência da preforma no conceito de embalagem de alimento. Seguese: assim, que o produto importado não se subsume ao conceito legal de alimento proposto na Resolução — RDC n° 350 não estando equivocado seu enquadramento no código de especificação 9999 — outros, ao contrário do que preconizou a autuação. Ainda na seara das definições concriadas e disciplinadas pela ANVISA, na Resolução — ROC n° 350, o produto não se caracteriza como embalagem Por não se enquadrar no conceito de alimento, ou embalagem para alimento, a recorrente aponta, em sua defesa, o rol dos produtos de licenciamento automático, licenciamento não automático. Pelo artigo 7°, parágrafo único, XIV, do mencionado Ato, as importações não relacionadas nos caso de licenciamento automático ou não automático estão dispensadas de licenciamento. No mencionado rol, anexado à Portaria n° 35/2006 SECEX, conforme sitio www.desenvolvimento.qov.br , coloca em evidencia que não inclui o produto importado em tela como de licenciamento automático, Classificação incorreta A importadora do produto classificado na NCM na posição 39.23.30.00, Ex 01, de seguinte descrição: Ex 01 Esboços de garrafas de plástico, fechados em uma extremidade e com a outra aberta e munida de uma rosca sobre a qual irá adaptarse uma tampa roscada, devendo a parte abaixo da rosca ser transformada, posteriormente, para se obter a dimensAo e forma desejadas. Falta de Descrição do Ex tarifario É o relatório. Fl. 129DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos: preponderância do código 9999 outros e descabimento das multas. Admissibilidade do Recurso O recurso é tempestivo. Sobre os argumentos trazidos no recurso, tomo conhecimento total. DOS FATOS Tratase de recursos voluntário interposto com o fim de insurgirse contra a cobrança do crédito tributário decorrente da aplicação de multa pelo controle administrativo e multa por classificação incorreta. A acusação de Mercadoria importada ao desamparo de Licença de Importação, ou documento equivalente, busca suporte nas declaração enviadas pela contribuinte conforme registra a Declaração de Importação n° 06/14364455, de 27/11/2006. A referida D.I. trata da importação de 'PRÉFORMAS DE GARRAFAS PET' (pág. 13), cuja classificação fiscal, Nomenclatura Comum do Mercosul NCM é 3923.30.00. Ofício n.º 419/06/DRF/CHUI/Gabinete. O ofício posto em destaque, acostados nestes autos sob. fls. 36, e devidamente encaminhado à ANVISA, busca construir base para a aplicação da RDC 350/2005 a respeito da competência para discorrer sobre a licença de importação. Ocorre que a fiscalização intercedeu a ponto de sinalizar pela discordância do critério adotado pela recorrente, oficiando, conforme documento de fls. 36, questionando sobre a dispensabilidade das pre formas ao licenciamento. Ofício 32/GGPAF/CVSPAF/PFC/RS/ANVISA Em resposta, sobreveio o documento acostado em fls. 38, no sentido de estabelecer as definições e prestar os esclarecimentos formulados. Mencionou. conforme destaque negritado do texto, que conforme definido no anexo I da Resolução RDC 350/05. toda a mercadoria importada como produto semi elaborado, estão sob a vigilância sanitária. Assim, deixou exposto que a referida mercadoria está sujeita ao licenciamento de importação perante a autoridade sanitária. A multa pelo controle administrativo foi imposta em razão de ausência de licenciamento para importação, enquanto que a multa pela classificação da contribuinte, ocorreu porque foi informado o código de especificação 9999 outros, enquanto que a classificação fazendária entende que deveria ser informado . 0001 para alimentos. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11051.000729/200609 Acórdão n.º 3001000.518 S3C0T1 Fl. 128 7 Fundamento Legal Multa pela falta de licenciamento Decreto Lei 37/66 Art.169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978) I importar mercadorias do exterior b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: (Incluída pela Lei nº 6.562, de 1978) Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. Decreto 4.543/02 Do Licenciamento de Importação Art. 490. A importação de mercadoria está sujeita, na forma da legislação específica, a licenciamento, que ocorrerá de forma automática ou nãoautomática, por meio do Siscomex. § 1o A manifestação de outros órgãos, cujo controle a mercadoria importada estiver sujeita, também ocorrerá por meio do Siscomex Art. 633. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 84): I classificada incorretamente na Nomenclatura MÉRITO O recurso voluntário, após capitular as infrações descritas no auto de infração, inicia sua narrativa pelas informações incorretas relativas à importação de préformas defesa garrafas pet, ressaltando que houve divergência de entendimento a respeito da utilização do código '9999 outros' ou '0001 alimentos'. Decorre desta discussão, a obrigatoriedade, ou não, do licenciamento prévio, com fim a autorizar a importação. Caso fosse entendido que a codificação correta fosse 9999 outros, desnecessário o licenciamento, caso entendido pelo código 0001 alimentos, necessário o licenciamento, e, por via direta, as conseqüências abaixo consideradas. uma vez portanto, definido a codificação correta pela código 0001 alimentos, a descrição do Ex tarifário descrição: Ex 01 Esboços de garrafas de plástico, fechados em uma extremidade e com a outra aberta e munida de uma rosca sobre a qual irá adaptarse uma tampa roscada, devendo a parte abaixo da rosca ser transformada,: posteriormente, para se obter a dimensAo e forma desejadas. Fl. 131DF CARF MF 8 diferença entre preforma PET e embalagem para água Faz parte da tese central da defesa, o argumento pelo qual não haveria de se utilizar o código 0001 alimentos, e, portanto, não estaria submetida, a importação, à obrigatoriedade de licenciamento prévio. Isto porque, importar preformas, é, de fato, diverso de importar embalagem para água, isto, conforme muito bem explicado, haverá um beneficiamento industrial a fim de transformar a natureza do item, tornando uma embalagem para água. A discussão trazida pelo recurso voluntário, a tal respeito, utilizase como base argumentativa que poderia muito bem, ser resumida no trecho pinçado do Recurso Voluntário apresentado, conforme adiante: garrafas são embalagens de agua; préformas nada embalam. A partir deste raciocínio central, logra contestar a tese fazendária, no qual prevalece o entendimento que a utilização mais adequada seria a codificação '0001 alimentos', desconstruindo o Ofício n.º 419/06/DRF/CHUI/Gabinete, e o . Ofício 32/GGPAF/CVSPAF/PFC/RS/ANVISA, ambos relativos à necessidade de licenciamento, conforme respondido pela autoridade sanitária. Sua argumentativa põe em dúvida, a competência da autoridade sanitária para interpretar o marco regulatório representado pela RDC 350. Todavia, essa convicção nem sempre fez parte do entendimento da Fiscalização Aduaneira, haja vista, que previamente à lavratura do auto de infração predominavam incertezas quando à exigência de prévia anuência por parte da ANVISA para importação de préformas de pet. Seguindo adiante, a tese de defesa rebate a aproximação conceitual dos fundamentos regulamentares da RDC 350, anexo 01 cujo escopo é determinar a terminologia básica, e, a defesa, mediante a análise destes conceitos trazidos pela ANVISA de mercadoria importada, matéria prima alimentar, alimento, embalagem, etc. Após o sólido sentido gerado à norma, conclui, ao final, que o produto importado não se subsume ao conceito legal de alimento proposto na Resolução — RDC n° 350 não estando equivocado seu enquadramento no código de especificação 9999 — outros, ao contrário do que preconizou a autuação. Ainda na seara das definições concriadas e disciplinadas pela ANVISA, na Resolução — ROC n° 350, o produto não se caracteriza como embalagem Razões de decidir Neste ponto, passo adotar as razões de decidir da sólida decisão de primeira em que pese a louvável argumentação trazida pela recorrente, no sentido de descaracterizar a legitimidade do auto de infração, através do astuto raciocínio empreendido, no qual, por se tratar de preformas, ou seja, insumos a serem transformados, e, a partir daí, convertidos em embalagem, e, sob este ponto de vista, dispensados do Licenciamento para sua importação. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 11051.000729/200609 Acórdão n.º 3001000.518 S3C0T1 Fl. 129 9 O ponto de venia, com a respeitável tese empreendida pela defesa, decorre da exposição encontrada ao longo do texto do voto condutor do venerado acórdão de base. A definição do 'código 0001 alimentos', definitivamente, o correto a ser utilizado no caso trazido à baila, encontra fundamento nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), regulamentadas pelo Decreto n° 435/1992 que assim dispõem sobre as mercadorias que devem estar inseridas na posição 3923. A interessada por meio da declaração de importação (DI) n° 06/14364455 (fls. 10 a 21) submeteu a despacho mercadorias descritas como "PREFORMAS DE PET COR CRISTAL, PESANDO 48 GRS.", classificando no código da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) 3923.30.0 as mercadorias em apreço tratamse de "Préformas de garrafas pet". As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), regulamentadas pelo Decreto n° 435/1992 assim dispõem sobre as mercadorias que devem estar inseridas na posição 3923: A presente posição abrange os artigos de plásticos que sirvam correntemente para embalagem ou transporte de qualquer tipo de produtos. Entre eles, podem citarse: a)Os recipientes tais como caixas, caixotes, engradados, sacos (incluídos os de pequeno porte, os cartuchos e sacos de lixo), tambores, garrafóes, bidões, garrafas e frascos. A este respeito, incluemse igualmente nesta posição: 2 os esboços de garrafas de plástico, que silo produtos intermediários de forma tubular, fechados em uma extremidade e com a outra aberta e munida de uma rosca sobre a qual irá adaptarse uma tampa roscada, devendo a parte abaixo da rosca ser transformada, posteriormente, para se obter a dimensão e forma desejadas. Portanto, correta a análise empreendida pela autoridade administrativa de primeira instância, na qual as mercadorias inseridas na posição 3923 abrange os artigos de plásticos que sirvam para embalagem ou transporte de qualquer tipo de produtos, incluindose, nessa posição, os esboços de garrafas de plástico, tido como produto intermediário de forma tubular, fechados em uma extremidade e com a outra aberta e munida de uma rosca sobre a qual irá adaptarse uma tampa roscada, devendo a parte abaixo da rosca a ser transformada, posteriormente, para se obter a dimensão e forma desejadas. Como se observa do desenho técnico acostados aos autos e colacionado adiante, tratase de um esboço de garrafa que será transformado para se obter a dimensão e forma desejadas. Como muito bem se observa, a regra trazida pela decisão de primeira instância tem seu fundamento, visível pelo desenho, que a transformação sofrida pela esboço da garrafa, não retira a qualidade, desde já, de um recipiente que, após sofrer a transformação, receberá em seu interior, água para consumo humano, e, justamente por isso, deverá ser codificado sob item 0001 alimentos. Fl. 133DF CARF MF 10 Desta forma, passase à análise a respeito da correção da aplicação das multas. Multa pela Classificação Incorreta Entretanto, claro está que as As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), regulamentadas pelo Decreto n° 435/1992, equiparam as mercadorias que devem estar inseridas na posição 3923. No caso em apreço, os esboços de garrafas de plástico, importados, são produtos intermediários de forma tubular, fechados em uma extremidade e com a outra aberta e munida de uma rosca sobre a qual irá adaptarse uma tampa roscada, devendo a parte abaixo da rosca ser transformada, que, posteriormente, sofrerão mudanças para se obter a dimensão e forma desejadas. Mesmo assim, pelo desenho técnico acostado aos autos, verificase que tal transformaçao, não modifica sua natureza, enquanto pre forma de PET, de um recipiente que receberá água para consumo humano. Reparase, que o lançamento fiscal, para se perfectibilizar, não se sustenta, apenas, no ofício trocado entre ANVISA e Aduana, mas pela correta integração do ordenamento jurídico aduaneiro, buscando solidificar o entendimento nas NESH. Desta forma, encontrase correto o entendimento da equivocada classificação, vez que o código correto deveria ser o 0001 alimentos. Multa por ausência de licença de importação Uma vez configurada a certeza da aplicação da multa decorrente da incorreta classificação, uma vez que o código correto deveria ser 0001 alimento, e, não o utilizado pela Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11051.000729/200609 Acórdão n.º 3001000.518 S3C0T1 Fl. 130 11 contribuinte, qual seja, o 9999 outros, decorre a clara obrigação de, conforme os fundamentos da decisão de piso, a obrigatoriedade de licenciamento. Desta forma, deve ser considerada correta a aplicação da multa decorrente do controle aduaneiro, por corretamente se subsumir ao regimento regulamentar: Acórdão nº 3402 005.479 MULTA. TRATAMENTO ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES.FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. PENALIDADE. CABIMENTO É cabível a multa por falta de Licença para Importação (LI) quando resta demonstrado que a mercadoria efetivamente importada estava sujeita a licenciamento no órgão competente para apresentação tempestiva por ocasião do despacho aduaneiro, mas deixou de fazêlo, em razão da não indicação do código devido destaque de NCM. Acórdão : 3403003.426 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ERRO. PENALIDADES APLICÁVEIS. O erro na indicação da classificação fiscal na DI, máxime quando a descrição empregada é capaz de provocar erro por parte do agente do Fisco, é declaração inexata que enseja a aplicação da multa proporcional ao valor do imposto que deixou de ser recolhido em decorrência do erros; da multa regulamentar de um por cento do valor aduaneiro, em razão do referido erro, e; da multa por infração ao controle administrativo das importações, em razão da falta de licenciamento para a importação da mercadoria efetivamente importada, discrepante da descrita na DI respectiva CONCLUSÃO Diante do exposto, conheço do recurso para negarlhe provimento. Renato Vieira de Avila (assinado digitalmente) Fl. 135DF CARF MF 12 Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18183.720045/2018-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2010
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE MANTER ATUALIZADO LAUDO TÉCNICO COM REFERÊNCIA AOS AGENTES NOCIVOS NO AMBIENTE DO TRABALHO.
Constitui infração à legislação previdenciária, deixar a empresa de manter laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos no ambiente de trabalho.
Numero da decisão: 2301-005.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2010 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE MANTER ATUALIZADO LAUDO TÉCNICO COM REFERÊNCIA AOS AGENTES NOCIVOS NO AMBIENTE DO TRABALHO. Constitui infração à legislação previdenciária, deixar a empresa de manter laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos no ambiente de trabalho.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente).
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AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE MANTER ATUALIZADO LAUDO TÉCNICO COM REFERÊNCIA AOS AGENTES NOCIVOS NO AMBIENTE DO TRABALHO. Constitui infração à legislação previdenciária, deixar a empresa de manter laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos no ambiente de trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 3. 72 00 45 /2 01 8- 04 Fl. 124DF CARF MF 2 O presente processo inicialmente foi autuado com o nº 10630.001634/2010 05, sendo, conjuntamente outros processos da mesma recorrente, juntado por anexação ao processo principal 10630.001638/201085 (efls. 1400 a 3009 do processo 10630.001638/201085); com isso, tal processo perdeu sua identidade processual, do que decorreu a impossibilidade de indicálo para a pauta; tal fato motivou o despacho de saneamento das efls. 3018 a 3021 do processo 10630.001638/201085, do que decorreu a nova numeração, a fim de possibilitar seu julgamento nesta instância. Passo à sua análise. Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0230.205, exarado pela 8ª Turma da DRJ em Belo Horizonte (efls. 99 a 103), do qual utilizo o relatório fiscal: Tratase de infração ao artigo 58, § 3.° da Lei n.° 8.213, de 24/07/91, c/c artigo 68, § 4.° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 060/05/99, por ter o órgão público deixado de manter laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no ambiente do trabalho, conforme discriminado no Relatório Fiscal da Infração de fl.05. A Prefeitura Municipal de Carangola apresentou à fiscalização somente o LTCAT completo relativo ao exercício de 2005. Apresentou Declaração firmada pela Diretora de Recursos Humanos informando que em 2006 não foi confeccionado novo laudo. Conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl.07), a penalidade no valor de R$14.317,78 foi aplicada com base nos artigos 133 e 134 da Lei n.° 8.213/91, c/c o artigo 283, inciso II, alínea "n", e artigo 373, do RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99 e atualizada pela Portaria MPS/MF 333 de 29/06/2010. A interessada foi cientificada do presente Auto de Infração AI em 27/07/2010, conforme cópia de Aviso de Recebimento AR de fl.30, e apresentou impugnação, em 27/08/2010 (fls. 33/38). Em suma: alega que não há obrigatoriedade de elaboração do LTCAT anualmente, podendo permanecer o mesmo enquanto não houver alterações nas instalações, nos meios de produção, nos insumos ou na estrutura organizacional; aduz que desde a elaboração do laudo em 2005 as condições na estrutura organizacional permaneceram imutáveis e afirma que não há nos autos qualquer prova capaz de demonstrar que o laudo está desatualizado; argumenta que não existe qualquer menção da fiscalização acerca de alterações nas condições no ambiente de trabalho capaz de ilegitimar o laudo de 2005, o que permite inferir que a aplicação da multa se deu tão somente com base em mera presunção de que o laudo está desatualizado; assevera que o Fiscal não é dotado de capacidade técnica na área de engenharia de segurança do trabalho e que para embasar e dar veracidade à autuação seria necessário designar perito especialista para elaboração de laudo técnico que pudesse descrever as características do ambiente de trabalho. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 18183.720045/201804 Acórdão n.º 2301005.573 S2C3T1 Fl. 3 3 A DRJ julgou a impugnação improcedente, em acórdão que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/05/2010 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS. Apresentar GFIP com informações incorretas ou omissas constitui infração à legislação previdenciária. A ciência dessa decisão ocorreu em 25/03/2011 (efl. 106). Em 15/04/2011 (efl. 121), foi apresentado recurso voluntário (efls. 107 a 115), sendo repetidas as razões da impugnação. O pedido consiste em se julgar improcedente o auto de infração. Em 30/04/2015, despacho da Secretaria da 3ª Câmara desta 2ª Seção do Carf, informou que (efl. 3010 do processo 10630.001638/201085): O processo indicado acima teve Recurso Voluntário julgado em 14/05/2013, conforme Acórdão 2803002.328 (fls. 1.369/1.380). Encaminhado para ciência do representante da Fazenda Nacional, retornou ao Carf e foi à unidade de origem da Receita Federal do Brasil para ciência do Recorrente. Em 07/04/2015 o processo retornou ao Carf com o seguinte despacho (fl. 1.399): "Após entendimento telefônico, devolvemos o presente processo ao CARF/DF/MF para prosseguimento. Ressaltamos que após análise dos processos anexados a este, todos os processos deverão retornar juntos a esta ARF/MAN tendo em vista o sistema só permite movimentar o processo principal." De fato, há um termo de juntada por anexação (fl. 1.367) dos processos 10630.001632/201016, 10630.001633/201052, 10630.001634/201005, 10630.001636/201096, 10630.001637/201031, 10630.001638/201085 e 10630.001639/201020. No entanto, no momento do julgamento, em 14/05/2014, não estavam juntados aos autos do 10630.001631/201063. Assim, como a juntada por anexação já existia de direito, conforme o termo (fl. 1.367), mas não estava consolidada de fato, fizemos nesta data a juntada dos demais autos de infração referentes aos processos 10630.001632/201016, 10630.001633/201052, 10630.001634/2010 05, 10630.001636/201096, 10630.001637/201031, 10630.001638/201085 e 10630.001639/201020 e devolvo ao Relator para prosseguimento. (Grifouse.) Fl. 126DF CARF MF 4 O despacho de admissibilidade de embargos do conselheiro das efls. 3015 a 3017 (processo 10630.001631/201063) determinou o julgamento dos processos 10630.001632/201016, 10630.001633/201052, 10630.001634/2010 05, 10630.001636/2010 96, 10630.001637/201031, 10630.001638/201085 e 10630.001639/201020. Como já referido, como decorrência do despacho de saneamento das efls. 3018 a 3021 do processo 10630.001638/201085, tal processo foi numerado, a fim de possibilitar seu julgamento nesta instância. É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior – Relator O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DA MULTA APLICADA Por espelhar meu entendimento, assumo, mutatis mutandis, as razões do acórdão recorrido, que transcrevo: A Prefeitura Municipal de Carangola foi autuada porque deixou de manter laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no ambiente do trabalho. Tal fato corresponde à infração ao disposto no artigo 58, § 3.° da Lei n.° 8.213/91 c/c artigo 68, §4° do RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99. Ao exigir a atualização do LTCAT, a Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil nada mais fez do que cumprir a legislação a respeito. As Instruções Normativas, baixadas pelos órgãos competentes, visam, entre outros, detalhar a atuação da fiscalização e, no caso específico da fiscalização inerente aos Riscos Ambientais do Trabalham dispõem que: Instrução Normativa INSS/DC n" 100, de 18/12/2003 Art. 400. Para fins da cobrança da contribuição prevista no inciso II do art. 22 da Lei n" 8.212, de 1991, da contribuição adicional prevista no § 6º do art. 57 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, da contribuição adicional e do percentual adicional de retenção previstos nos §§ 1º e 2º do art. Iº e no art. 6º da Lei nº 10.666, de 2003, respectivamente, o INSS, por intermédio de sua fiscalização, verificará: I a regularidade e a conformidade das demonstrações ambientais de que trata o art. 404; II os controles internos da empresa relativos ao gerenciamento dos riscos ocupacionais; Fl. 127DF CARF MF Processo nº 18183.720045/201804 Acórdão n.º 2301005.573 S2C3T1 Fl. 4 5 III a veracidade das informações declaradas em GFIP; VI o cumprimento das obrigações relativas ao acidente de trabalho; V o cumprimento das demais disposições previstas nos arts. 19, 57, 58, 120 e 121 da Lei n" 8.213, de 24 de julho de 1991. (...) Instrução Normativa MPS/SRP n° 03, de 14/07/2005 Art. 376. A SRP verificará, por intermédio de sua fiscalização, a regularidade e a conformidade das demonstrações ambientais de que trata o art. 381, os controles internos da empresa relativos ao gerenciamento dos riscos ocupacionais, em especial o embasamento para a declaração de informações em GFIP, bem como o cumprimento das obrigações relativas ao acidente de trabalho, previstas nos arts. 19 a 23 da Lei n" 8.213, de 1991, e das demais disposições previstas nos arts. 57, 58, 120 e 121, todos da Lei n" 8.213, de 1991. (...) Instrução Normativa RFB 971, de 13/11/2009: Art. 288. A RFB verificará, por intermédio de sua fiscalização, a regularidade e a conformidade das demonstrações ambientais de que trata o art. 291, os controles internos da empresa relativos ao gerenciamento dos riscos ocupacionais, em especial o embasamento para a declaração de informações em GFIP, de acordo com as disposições previstas nos arts. 57 e 58 da Lei n" 8.213, de 1991. Dos dispositivos transcritos podese constatar que o trabalho da fiscalização da Receita Federal do Brasil não se confunde com o trabalho da fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (Fiscal ou Médico / Engenheiro do Trabalho), porque o trabalho da fiscalização é de verificar, diante dos documentos exigidos pela legislação previdenciária, se a empresa gerencia adequadamente o ambiente de trabalho eliminando e controlando os agentes nocivos à saúde e à integridade física dos trabalhadores, afim de garantir o custeio da aposentadoria especial e inibir os benefícios indevidos. Portanto, não há que se falar em incompetência da fiscalização da Receita Federal do Brasil. A Impugnante argumenta que não há prazo previsto na legislação para a atualização do LTCAT e que tal providência só seria exigível quando houvesse a modificação dos riscos ambientais. Alega, ainda, que a fiscalização deveria demonstrar a existência de alterações para exigir a sua atualização. Contudo, a atualização do LTCAT está prevista no artigo 236 da Instrução Normativa n° 70/2002, abaixo transcrito, cuja periodicidade ficou estabelecida em 01 ano, caso não houvesse modificação do ambiente de trabalho em prazo inferior a este: Fl. 128DF CARF MF 6 Instrução Normativa n" 70/2002 Art. 236. O LTCAT, conforme definido no § 4º do art. 234, deverá ser atualizado pelo menos uma vez ao ano, ou sempre que ocorrer qualquer alteração no ambiente de trabalho, em especial aquela decorrente de mudança de layout, do alcance dos níveis de ação estabelecidos no item 9.3.6 da NR09, aprovada pela Portaria nº 3.214, de 1978, do MTE, da substituição de máquinas ou de equipamentos, da extinção do pagamento do adicional de insalubridade, ou sempre que se adotar tecnologia de proteção coletiva, (grifos nossos) § 1º Considerase atualizado o LTCAT que corresponda às condições ambientais presentes e às alterações referidas no caput, no momento da auditoria fiscal. § 2º A empresa que não apresentar LTCAT ou apresentálo com dados divergentes ou desatualizados em relação às condições ambientais existentes ou que emitir PPP em desacordo com o LTCAT estará sujeita à autuação, nos termos do § 3º do art. 58 da Lei n° 8.213, de 1991. A norma não exige que o agente demonstre a modificação das condições ambientais, a fim de considerálo desatualizado. Quando o texto diz "pelo menos uma vez ao ano " significa que este é o intervalo máximo a ser observado pela empresa para a elaboração de novo LTCAT, pois, mesmo que considere não ter havido alteração nas condições ambientais, a avaliação tem que ser feita anualmente, ou em intervalo inferior, sempre que necessário, ou seja, a cada alteração do ambiente, inclusive, mais de uma vez no mesmo ano. A elaboração anual do LTCAT indica que a empresa avaliou as condições ambientais de trabalho e, mesmo que estas permaneçam inalteradas, encontramse atualizados se emitidos naquele ano. Por outro lado, ao deixar de elaborar o LTCAT incorre na falta de atualização, porque deixou de registrar a avaliação das condições ambientais de trabalho, que vão determinar a manutenção ou implementação de iniciativas da empresa voltadas à preservação da saúde e integridade do trabalhador. O LTCAT é a base para o preenchimento do formulário ou PPP, documento imprescindível para que o trabalhador submetido aos fatores de risco obtenha a sua aposentadoria especial. Assim, ao revés do que entendeu a Impugnante, o LTCAT de 2005 não se presta para dispensar a elaboração dos anos seguintes, sob o argumento de que as condições permaneceram inalteradas, pois, contraria frontalmente a legislação atinente à matéria. Por outro lado, a Instrução Normativa n° 99, de 10/12/2003 (e Instruções Normativas que a substituíram), facultou a substituição do LTCAT pelo PPRA. Logo, havendo a elaboração do PPRA para os anos em que não houve o LTCAT, restaria afastada a aplicação de penalidade. Contudo a elaboração de tal laudo também deve, no mínimo, anual: Art. 177. A partir da publicação desta IN, para as empresas obrigadas ao cumprimento das Normas Regulamentadoras do Fl. 129DF CARF MF Processo nº 18183.720045/201804 Acórdão n.º 2301005.573 S2C3T1 Fl. 5 7 MTE, nos termos do item 1.1 da NR01 do MTE, o LTCAT será substituído pelos programas de prevenção PPRA, PGR e PCMAT. § 1" As demais empresas poderão optar pela implementação dos programas referidos no caput, em substituição ao LTCAT. § 2º Os documentos referidos no caput deverão ser atualizados pelo menos uma vez ao ano, quando da avaliação global, ou sempre que ocorrer qualquer alteração no ambiente de trabalho ou em sua organização, por força dos itens 9.2.1.1 da NR09, 18.3.1.1 da NR18 e da alínea "g" do item 22.3.7.1 e do item 22.3.7.1.3, todas do MTE. (grifos nossos) Art. 179. Considerase o LTCAT atualizado aquele que corresponda às condições ambientais do período a que se refere, observado o disposto no parágrafo 2" do artigo 177 e inciso VII do artigo 178. Em suma, ficou evidenciado, com o auxílio da legislação citada, que o LTCAT deve ser atualizado anualmente ou sempre que houver mudança nas condições ambientais de trabalho, sendo admitido que o PPRA, atualizado e elaborado de acordo com as formalidades exigidas, seja apresentado em substituição ao LTCAT. Porém, deixar de elaborar o LTCAT ou apresentar o PPRA desatualizado ou sem as formalidades exigidas não supre a falta do LTCAT e justifica a aplicação da penalidade. Pelo exposto, voto pela improcedência da impugnação e pela manutenção do crédito tributário apurado no presente Auto de Infração. Conclusão Voto, portanto, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.723622/2013-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos.
Acordam os membros deste colegiado em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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Acordam os membros deste colegiado em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Os Autos de Infração referemse a glosa de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público – (PIS/Pasep), não cumulativas, indevidamente descontados em Dacon nas competências janeiro a abril de 2009, e a lançamento de valores dessas contribuições que não foram declarados, correspondentes a fatos geradores ocorridos entre 31/01/2009 a 30/06/2009. Do procedimento fiscal Os procedimentos levados a efeito junto à contribuinte fazem parte da verificação de ofício da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como dos PER/Dcomp apresentados pela contribuinte, no período entre 2006 e 2010. Os procedimentos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 23 62 2/ 20 13 -4 9 Fl. 8909DF CARF MF Processo nº 11516.723622/201349 Resolução nº 3301000.790 S3C3T1 Fl. 8.910 2 relativos aos anos de 2006, 2007 e 2008 já foram encerrados anteriormente e o presente processo referese à apuração de janeiro a junho de 2009. Em relação aos períodos em que o sujeito passivo apresentou saldos credores e entregou PER/Dcomp, 1º e 2º trimestres de 2009, a análise de ofício dos créditos foi feita diretamente no despacho decisório dos pedidos de ressarcimento e compensação, cópias inseridas às folhas 3677 a 3987. Já a análise dos créditos dos períodos para os quais não há PER/Dcomp, assim como a análise dos débitos de todos os períodos foi feita dentro do procedimento de fiscalização, tendo sido lavrados os competentes autos de infração, objeto do presente processo, para a formalização das glosas de créditos e lançamentos de débitos. Do quadro DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração de Cofins consta: (i) a infração descrita como: 0001 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA PADRÃO / OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À COFINS para o período de apuração de 31/01/2009 a 30/06/2009, no montante de R$ 21.031.986,81; (ii) a infração descrita como: 0002 GLOSA DE CRÉDITOS / CRÉDITO DE AQUISIÇÃO NO MERCADO INTERNO CONSTITUÍDO INDEVIDAMENTE para os períodos de apuração 31/01/2009 e 30/04/2009, nos valores R$ 31.412.442,32 e R$ 683.229,07, respectivamente. Do quadro DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração de Contribuição para o PIS/Pasep consta: (i) a infração descrita como: 0001 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA PADRÃO / OMISSÃO DE RECEITA SUJEITA À CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP para o período de apuração de 31/01/2009 a 30/06/2009, no montante de R$ 4.566.155,04; (ii) a infração descrita como: 0002 GLOSA DE CRÉDITOS / CRÉDITO DE AQUISIÇÃO NO MERCADO INTERNO CONSTITUÍDO INDEVIDAMENTE para os períodos de apuração 31/01/2009 e 30/04/2009, nos valores R$ 6.071.133,63 e R$ 167.561,61, respectivamente. Dos quadros DEMONSTRATIVO DE APROVEITAMENTO DE OFÍCIO DE CRÉDITOS DO REGIME NÃOCUMULATIVO, constam os valores dos créditos das contribuições, vinculados às receitas tributáveis e não tributáveis de aquisições no mercado interno, deduzidos dos valores apurados das infrações. Glosa de créditos Em relação aos créditos glosados, os quais foram descontados/compensados ou foram objeto de pedidos de ressarcimento, parte deles era oriunda do patrimônio de empresas incorporadas nesse período e parte era decorrente da atividade da própria BRF Brasil Foods. Dos créditos das incorporadas Nos Dacon de janeiro de 2009 foram incluídos créditos transferidos pelas empresas incorporadas MAROCA & RUSSO INDUSTRIA E COMERCIO LTDA, CNPJ 24.161.853/000173, BATAVIA S/A INDUSTRIA DE ALIMENTOS, CNPJ 02.332.390/000122 e PERDIGAO AGROINDUSTRIAL MATO GROSSO LTDA, CNPJ 02.521.635/000160. Ainda, consta no mês de abril de 2009 a inclusão de créditos Fl. 8910DF CARF MF Processo nº 11516.723622/201349 Resolução nº 3301000.790 S3C3T1 Fl. 8.911 3 transferidos pela empresa incorporada PERDIGAO AGROINDUSTRIAL S/A, CNPJ 86.547.619/000136. Os períodos de apuração dos créditos transferidos foram objeto de análise pela fiscalização, sofrendo alterações relativas a glosas devidamente especificadas em cada processo individualmente. No procedimento fiscal a que se refere o presente processo foram consolidados os trabalhos feitos nos procedimentos anteriores, de forma a levar em conta na apuração de ofício das contribuições da BRF de 2009 e períodos posteriores tão somente os créditos que foram confirmados nas fiscalizações anteriores, nos termos dos correspondentes despachos decisórios cujas cópias foram trazidas aos presentes autos. Dos Créditos da Própria Interessada Os créditos apurados em Dacon foram glosados e reclassificados de ofício conforme os despachos decisórios acostados aos processos números 11516.721878/201150, 11516.721887/201141, 10983.911351/201146, 10983.911350/201100, 10983.911361/2011 81, 10983.911354/201180, 10983.911357/201113 e 10983.911356/201179; as cópias dos despachos decisórios foram inseridas às folhas 3677 a 3987. Os saldos remanescentes desses procedimentos estão sendo aproveitados de ofício nos autos de infração; todo o saldo de todos os tipos de créditos gerados no trimestre, à exceção dos vinculados à receita de exportação e à receita não tributada no mercado interno, foi consumido para quitação das contribuições apuradas no período. Valores Incluídos na Base de Cálculo das Contribuições Das Receitas de Créditos Presumidos de ICMS A autoridade fiscal relata que conforme os balancetes de folhas 4249 a 4843, extraídos do SPED Contábil (recibos de entrega de livro digital a fls. 4844 a 4849 e requisição de cópia de escrituração digital a fls. 4850 a 4851), a contribuinte auferiu receita de créditos presumidos de ICMS, conforme escriturado nas contas contábeis informadas de acordo com o mês, e que tais receitas não foram somadas nas linhas 02.Demais Receitas Alíquota de 1,65% da Ficha 07A e 02.Demais Receitas Alíquota de 7,6% da Ficha 17A, conforme as memórias de cálculo apresentadas em atendimento ao item 14 da Intimação 002/00236, relativas à linha 2 da ficha 07A. Uma vez que tais receitas não foram tributadas, foi realizado o lançamento para a constituição do crédito tributário devido. Das Receitas de Exportação não Comprovadas A autoridade fiscal relata que, ao examinar os Dacon apresentados pela contribuinte no período fiscalizado, constatou que a BRF S/A exclui parte significativa de sua receita da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, a título de receita de exportação. Verificou que os montantes informados na linha 07 (Receita Sem Incidência da Contribuição Exportação) das fichas 07A (PIS) e 17A (COFINS) do Dacon, R$ 149.551.532,66 para janeiro e R$ 131.229.515,29 para fevereiro, não são compatíveis com os registrados na contabilidade, extraída do SPED contábil, conta VENDAS NO MERCADO EXTERNO, conforme folhas 4289 e 4343, no caso, R$ 90.270.505,00 para janeiro e R$ 56.658.394,16. Informa que, entretanto, a fiscalizada não realizou operações de exportação em nome próprio em janeiro e fevereiro, conforme informações do sistema DWAduaneiro. Constatado tal fato, passou à verificação da ocorrência de vendas com fim específico de exportação, o que também possibilitaria o lançamento na linha 7 das fichas 7A e 17A. Fl. 8911DF CARF MF Processo nº 11516.723622/201349 Resolução nº 3301000.790 S3C3T1 Fl. 8.912 4 Em relação a estas, informa que a interessada não comprovou o fim específico de exportação nas saídas com CFOP 5501/6501 para a filial 108 da Perdigão Agroindustrial S/A, pelo que tais vendas foram consideradas como receitas tributáveis auferidas no mercado interno. Do relato do auditor fiscal, consideradas as informações prestadas pela fiscalizada em resposta à intimação fiscal, verificase que : (1) a BRF, entre 01 e 02/2009, entregava as mercadorias em estabelecimentos não alfandegados e de uso público (não exclusivo) indicados pela Perdigão Agroindustrial S/A (as notas de saídas eram destinadas à filial 108 da adquirente, situada em Itajaí/SC) e que, portanto, não se configuraria o embarque direto para exportação ou o regime de entreposto aduaneiro; (2) que também não se configuraria o regime de entreposto aduaneiro extraordinário, mesmo que a Perdigão Agroindustrial S/A fosse trading company, pois, para tanto, os recintos teriam de ser de uso privativo, aos quais fosse concedido o regime de entreposto na exportação, o que não ocorreu no presente caso; (3) que a Perdigão Agroindustrial S/A (adquirente), em seu próprio nome, adquiria as mercadorias da fiscalizada, "estufava" os contêineres em armazéns de terceiros e realizava as exportações, pelo que, as vendas da BRF para esta consistiram de vendas normais no mercado interno. A Fiscalização conclui que, no período de 01 a 02/2009 (até 10/02/2009), tendo em vista a incorporação da Perdigão Agroindustrial S/A pela BRF ocorrida no dia 11/02/2009, conforme Protocolo de Incorporação e atas de fls. 4041 e seguintes), a contribuinte não fazia jus à exclusão, da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, das saídas de mercadorias feitas em desacordo com as regras que outorgam a isenção às “vendas para empresa comercial exportadora com fim específico de exportação”. Da manifestação de inconformidade Das Preliminares Da Necessidade de Apreciação em Conjunto com os Processos Administrativos Correlatos Inicialmente, a recorrente, considerando trataremse das mesmas matérias fáticas, defende a necessidade de que a presente impugnação seja julgada em conjunto com as manifestações de inconformidade apresentadas nos autos dos Processos Administrativos de números 11516.721878/201150, 11516.721887/201141, 10983.911351/201146, 10983.911350/201100, 10983.911361/201181, 10983.911354/201180, 10983.911357/2011 13 e 10983.911356/201179, bem como com as impugnações relativas aos Processos Administrativos de números 11516.723929/201340, 11516.723931/201319, 11516.7239301201374 e 11516.723933/201316. Destaca que todos esses processos administrativos possuem origem no mesmo MPF, instituído com o fim de verificar a existência e higidez de diversos créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, apurados na sistemática não cumulativa, no período compreendido entre 2006 e 2010. E, considerando que o que restar decidido nos autos de um processo administrativo terá efeitos diretos nos demais casos em discussão, defende que, para que seja dado um melhor tratamento à questão, todos os processos devem ser apreciados pelo mesmo órgão julgador dessa Delegacia de Julgamento. Nulidade Da Superficialidade do Trabalho Fiscal / Ofensa ao Princípio da Verdade Material Fl. 8912DF CARF MF Processo nº 11516.723622/201349 Resolução nº 3301000.790 S3C3T1 Fl. 8.913 5 Suscita a nulidade do procedimento fiscal alegando que a “superficialidade da análise das informações necessárias para a apuração dos créditos tributários” fere os princípios que regem a Administração Pública, dentre os quais destaca o da motivação, da legalidade, e da verdade material. Nesse sentido, aduz, em síntese, que “diante da obscuridade e dificuldade de provar certas circunstância” caberia à fiscalização “analisar todos esses fatos para fins de verificação da existência, ou não, de exportações procedidas pela Impugnante” e não “baseandose apenas no que consta no DW Aduaneiro, afirmar que a Impugnante, uma as maiores exportadoras de produtos alimentícios do Brasil, não realizou sequer uma exportação no período compreendido entre janeiro e fevereiro de 2009”. Conclui que, por não ter a Fiscalização buscado a verdade material e nem tampouco apresentado motivação para tanto, o presente lançamento fiscal não pode subsistir, devendo ser cancelado. Do mérito Das Glosas de Créditos em Processos das Empresas Incorporadas Diante da existência de discussões administrativas pendentes quanto às glosas de créditos nas empresas incorporadas, o que, segundo alega, as torna incertas, deve a DRJ afastar a desconsideração desses créditos realizada pelas Autoridades Fiscais, restabelecendoos como legítimos, para a apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Alega 34. De mais a mais, eventual decisão favorável proferida nos autos dos mencionados processos administrativos impactará diretamente o presente lançamento, pois o montante do direito creditório reconhecido será maior do que o aqui utilizado para o cômputo das Contribuições supostamente devidas. Ou seja, nessa hipótese, haverá, em desfavor da Impugnante, uma dissociação entre os créditos de Contribuição ao PIS e COFINS reconhecidos e aquele montante que fundou o presente lançamento . 35. Diante desse fato, é falsa a afirmação das Autoridades Fiscais de que "independentemente do teor das decisões que forem tomadas nos processos que os regem, seus destinos foram transferidos para aqueles processos, não sendo objeto de qualquer glosa neste processo" (página 05). 36. Na verdade, como demonstrado, eventual decisão favorável influenciará o destino do presente processo administrativo, pois significará a redução do montante lançado. Acrescenta que, caso a autoridade julgadora assim não entendam deve, ao menos, aguardar o julgamento dos mencionados processos administrativos, de modo a não haver qualquer discrepância entre o decidido naqueles processos e nos presentes autos. Dos Créditos Presumidos de ICMS A impugnante alega que os créditos presumidos de ICMS não compõem a base tributável dos tributos lançados por não consistirem de receita da empresa e que, para tanto, tais ingressos deveriam resultar no efetivo aumento do patrimônio líquido e decorrer de negócios jurídicos por ela praticados, o que não é o caso. Afirma: que o crédito presumido de ICMS é uma subvenção de custeio, destinada à recuperação dos custos incorridos em respeito ao princípio da não cumulatividade; tratandose de uma técnica legislativa de outorga de créditos para a implementação da não cumulatividade, mediante a recuperação dos custos, não há que se falar em efetivo aumento do Fl. 8913DF CARF MF Processo nº 11516.723622/201349 Resolução nº 3301000.790 S3C3T1 Fl. 8.914 6 patrimônio líquido e, muito menos, que tais créditos decorrem de um negócio jurídico praticado pelo contribuinte. Cita julgados do STJ e do CARF. Acrescenta que a inclusão do crédito presumido de ICMS na base de cálculo de referidas Contribuições fere o princípio da não cumulatividade, pois, segundo alega, se de um lado o legislador outorga o crédito fiscal, e de outro, as Autoridades Fiscais o adicionam à base de cálculo das Contribuições, o crédito presumido de ICMS perde sua utilidade, pois acaba desonerando e onerando, ao mesmo tempo, a cadeia produtiva. Em outras palavras, diz que o crédito presumido de ICMS tornase inútil para os fins que lhe foram designados pelo legislador. Conclui que, seja pelo fato de os créditos presumidos de ICMS não se configurarem como receita, seja por sua adição à base de cálculo das contribuições ferir o princípio da não cumulatividade, o lançamento realizado deve ser cancelado. Das Receitas de Exportações Em sua impugnação, a contribuinte inicialmente informa: declarou, nos meses de janeiro e fevereiro do ano de 2009 como "Receita sem incidência da contribuição — exportação", os valores de R$ 149.551.532,66 e R$ 131.229.515,29, respectivamente; a Fiscalização, a partir de informação extraída do SPED Contábil, atribuiu o valor de R$ 90.270.505,00 e R$ 56.658.394,16, respectivamente, como sendo relacionados às receitas auferidas por meio de exportação realizada por intermédio de Empresas Comerciais Exportadoras. A partir daí insurgese: conta o fato de o Fisco ter desconsiderado parte das exportações realizadas por intermédio das comerciais exportadoras, nos valores de R$ 80.381.029,79, para o mês de janeiro e R$ 20.352.530,62, relativos ao mês de fevereiro, por entender que as mercadorias destinadas à exportação não foram armazenadas em locais alfandegados; contra o fato de a Fiscalização ter desconsiderado a totalidade das exportações por ela efetuadas diretamente, sob a justificativa de que "segundo o sistema DW Aduaneiro, não há qualquer exportação da BRF diretamente para o exterior em janeiro e fevereiro de 2009". Das exportações diretas Contra a desconsideração pelo Fisco dos valores das exportações diretas, inicialmente coloca que quando do lançamento de ofício do crédito tributário, nos termos do art. 142 do CTN, é dever da Autoridade Fiscal “identificar perfeitamente o fato gerador do tributo, de modo a conferir certeza e liquidez ao crédito tributário”. Alega, então, que não poderia a Autoridade Fiscal, de “forma displicente e descomprometida com a verdade dos fatos, deduzir que houve omissão de receitas por parte da Requerente” pelo simples cruzamento de Dacon com SPED Contábil e DW Aduaneiro, “sem, efetivamente, comprovar que as receitas informadas em DACON foram auferidas e não se referem a exportações”. Afirma que a “D. Fiscalização deixou de cumprir com o seu dever de determinar a matéria tributável ao desconsiderar as exportações diretas realizadas pela Impugnante”. Dessa forma, afirma que os autos de infração padecem de nulidade, por conter “erro da determinação da matéria tributável e por não observar o princípio da verdade material”. Exportações Realizadas por Meio de Empresas Comerciais Exportadoras A impugnante defende que a receita da comercialização dos produtos por intermédio de empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, Fl. 8914DF CARF MF Processo nº 11516.723622/201349 Resolução nº 3301000.790 S3C3T1 Fl. 8.915 7 conforme definido art. 1º, do Decreto Lei nº 1.2481/72, não está sujeita às Contribuições em tela. Alega que o simples fato de o local onde os produtos remetidos à Paranaguá foram armazenados não possuir status de “alfandegado” não é suficiente, como entendeu a Fiscalização, para desconsiderar que a receita da venda de tais mercadorias, que corresponde, em verdade, a uma receita de exportação, não estaria sujeita à norma que afasta a incidência das Contribuições em tela. Diz ser importante mencionar que, à época dos fatos, não havia, no Porto de Itajaí, locais alfandegados aptos e disponíveis para armazenar os produtos da Impugnante (aqueles que existiam estavam com capacidade esgotada). E ressalta que os produtos comercializados pela Impugnante são perecíveis e, portanto, requerem cuidados especiais no armazenamento (por exemplo, locais refrigerados, ao abrigo de luz e odores), o que limita ainda mais as opções de recintos para sua guarda e posterior exportação. Aduz que a previsão disposta no art. 6º, inciso III, da Lei n.° 10.833/2003 foi instituída com o intuito de concretizar a imunidade de que trata o art. 149, § 2º, inciso I, da CF e defende que em se tratando de norma que institui imunidade tributária, sua interpretação deve pautarse pelo método finalístico e não pelo método de interpretação restritiva ou literal, como pretendeu a Fiscalização ao realizar lançamento fiscal sobre receitas de mercadorias efetivamente exportadas, “ainda que brevemente armazenadas em local não alfadegado”. Observa que o STF alinhase ao entendimento segundo o qual a interpretação relativa às imunidades tributárias deve ser ampla, no sentido de pesquisar a finalidade da norma de imunidade; alega ser inaplicável ao caso o art. nº 111 do CTN. Aduz que mais do que comprovar o "fim específico de exportação" — o que é feito por meio do armazenamento da mercadoria em local alfandegado — “é necessário demonstrar que as mercadorias vendidas à trading foram realmente exportadas”, o que, segundo alega, resta plenamente comprovado pelas planilhas que seguem anexas (doc.04 e 05). Explica que: conforme se vê na primeira planilha anexa (vide doc. 04), os produtos eram remetidos das Unidades Produtoras ("UP"), acompanhados das devidas Notas Fiscais de Remessa (“NF REM”); de acordo com a segunda planilha de acompanhamento (vide doc. 05), os produtos eram exportadas pela trading a diversos países do mundo. Conclui que, assim, não resta dúvidas acerca da efetiva exportação dos produtos por ela vendidos, o que observa ter sido reconhecido pela Fiscalização, conforme trecho do TVF à fls 5058 que, assim, transcreve: “Em verdade, era a Perdigão Agroindustrial S/A, em seu próprio nome, que adquiria as mercadorias da fiscalizada, 'estufava' os contêineres em armazéns de terceiros e realizava as exportações. Dessarte, as vendas da BRF para a Perdigão Agroindustrial S/A eram vendas normais no mercado interno." (g.n.) Do pedido de perícia Nos termos do art. 16, inc. IV, do Decreto n° 70.235/72, a Impugnante requer a realização de perícia, para que se esclareçam os seguintes quesitos: (a) Queira o Sr. Perito esclarecer se a Impugnante efetivamente realizou as exportações, via empresa comercial exportadora, que a Fiscalização entendeu não terem fim específico de exportação, nos meses de janeiro e fevereiro de 2009; e (b) Queira o Sr. Perito apontar quais os montantes exportados em operações diretas e indiretas (via empresa comercial exportadora), bem como o motivo para a divergência entre os valores constantes do DACON e do SPED nos meses de janeiro e fevereiro de 2009. Fl. 8915DF CARF MF Processo nº 11516.723622/201349 Resolução nº 3301000.790 S3C3T1 Fl. 8.916 8 Segundo alega, a perícia se justificaria pela necessidade de não haver qualquer dúvida para esta C. Turma Julgadora que as exportações objeto de autuação efetivamente ocorreram e, portanto, fazem jus à imunidade da Contribuição ao PIS e COFINS. Pugna também pela realização de diligência para o atendimento do seguinte quesito: (i) Queira o Sr. Fiscal esclarecer se as exportações por intermédio de empresa comercial exportadora que a Fiscalização entendeu não terem fim específico de exportação ocorreram ou não. Isto é, as mercadorias foram efetivamente exportadas?; Segundo alega, a diligência se justificaria pela por ser fundamental que esta C. Turma Julgador constate que as exportações em questão efetivamente ocorreram, motivo pelo qual a Impugnante faz jus à imunidade das contribuições em tela. Pugna pelo integral provimento da presente Impugnação e cancelamento dos autos de infração. É o relatório." A DRJ em Florianópolis (SC) julgou a impugnação improcedente e o Acórdão n° 0735.246, de 30/07/14, foi assim ementado: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2009 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2009 MATÉRIA INCONTESTE. EFEITO. O julgador administrativo fica impedido de pronunciarse em relação a matéria que não tenham sido expressamente contestada pelo contribuinte, pelo que resta definitivo, na esfera administrativa, o conteúdo do feito fiscal com ela relacionado. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessário e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindíveis são as diligências e perícias requeridas pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferilas. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. COMPROVAÇÃO À CARGO DO CONTRIBUINTE. Fl. 8916DF CARF MF Processo nº 11516.723622/201349 Resolução nº 3301000.790 S3C3T1 Fl. 8.917 9 Para efeito de confirmação da base de cálculo do tributo devido, conforme declarado ao Fisco, cabe ao contribuinte comprovar a natureza dos valores desta excluídos. DACON. CONTABILIDADE. RECEITAS NÃO TRIBUTÁVEIS. INCONSISTÊNCIA. Em existindo inconsistência entre os valores informados em Dacon pelo contribuinte a título de receitas não tributáveis e os valores registrados em sua contabilidade sob o mesmo título, cabelhe comprovar que os valores do Dacon e não os seus registros contábeis estariam corretos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2009 PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. ISENÇÃO. VENDA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Para que a operação de venda se enquadre na definição de fim específico de exportação e faça jus à isenção da contribuição o produtorvendedor deve remeter os produtos vendidos a empresa exportadora diretamente para embarque de exportação, por conta e ordem do exportador, ou para recinto alfandegado. PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CARACTERÍSTICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. INCIDÊNCIA. No regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS, valores decorrentes de subvenção, inclusive na forma de crédito presumido de ICMS, constituem receita tributável, devendo integrar a base de cálculo dessas contribuições, ressalvada a hipótese da subvenção para investimento, a partir da Lei nº 11.941 de 27 de maio de 2009, desde que comprovado os requisitos estabelecidos na legislação tributária que a caracterizem. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2009 COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. ISENÇÃO. VENDA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Para que a operação de venda se enquadre na definição de fim específico de exportação e faça jus à isenção da contribuição o produtorvendedor deve remeter os produtos vendidos a empresa exportadora diretamente para embarque de exportação, por conta e ordem do exportador, ou para recinto alfandegado. COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CARACTERÍSTICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. INCIDÊNCIA. Fl. 8917DF CARF MF Processo nº 11516.723622/201349 Resolução nº 3301000.790 S3C3T1 Fl. 8.918 10 No regime de apuração não cumulativa da Cofins, valores decorrentes de subvenção, inclusive na forma de crédito presumido de ICMS, constituem, em regra, receita tributável, devendo integrar a base de cálculo dessas contribuições, ressalvada a hipótese da subvenção para investimento, a partir da Lei nº 11.941 de 27 de maio de 2009, desde que comprovado os requisitos estabelecidos na legislação tributária que a caracterizem. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que, basicamente, repete as alegações contidas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de auto de infração, para cobrança de diferenças de PIS e COFINS, derivados de glosas de créditos efetuadas em outros processos administrativos e da não inclusão nas bases de cálculo de receitas consideradas como tributáveis pela fiscalização. Trago para turma proposta de conversão deste julgamento em diligência, pelas razões que adiante exponho. Dentre as razões de merito, no tópico "III.1 Das Glosas de Créditos em Processos das Empresas Incorporadas", a recorrente traz as seguintes informações e, por fim, pedidos: "35. Verificase nas páginas 4 e seguintes do TVF, que a fiscalização houve por bem proceder as glosas sobre parte dos créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS transferidos para a Recorrentente em razão da incorporação das seguintes empresas: Maroca & Russo Indústria e Comércio Ltda. (CNPJ n° 24.161.8531000173); Batavia S/A Industria de Alimentos (CNPJ n° 02.332.3901000122); Perdigão Agroindustrial Mato Grosso Ltda. (CNPJ n° 02.521.6351000160); e Perdigão Agroindustrial S/A (CNPJ n° 86.547.619/000136). 36. Segundo as Autoridades Fiscais, essa glosa objetiva "consolidar o trabalho feito nos procedimentos anteriores, de forma a levar em conta na apuração de ofício das contribuições da BRF de 2009 e períodos posteriores tão somente os créditos que foram confirmados nas fiscalizações anteriores." (página 04). 37. Assim, apenas os créditos já reconhecidos nas fiscalizações anteriores das incorporadas foram considerados no presente lançamento. Por sua vez, os créditos indeferidos por despachos decisórios ou autos de infração mas que ainda se encontram em discussão na esfera administrativa — não foram considerados nos autos de infração ora atacados. Fl. 8918DF CARF MF Processo nº 11516.723622/201349 Resolução nº 3301000.790 S3C3T1 Fl. 8.919 11 38. Todavia, é importante mencionar que a glosa de parte dos créditos objeto dos despachos decisórios e autos de infração acima, primeiramente, é improcedente , tal como se comprova das defesas administrativas ora anexadas (doc. 03) e, ainda, não é definitiva , razão pela qual não poderia a D. Fiscalização simplesmente desconsiderar a totalidade dos créditos apurados pela Recorrente. (. . .) Destarte, diante da existência de discussões administrativas pendentes quanto às glosas de créditos nas empresas incorporadas, o que as torna incertas, deve esse E. CARF afastar a desconsideração desses créditos realizada pelas Autoridades Fiscais, restabelecendoos como legítimos para a apuração da Contribuição ao PIS e COFINS da Impugnante. 40. Por fim, caso assim não se entenda, o que se admite apenas para argumentar, deve esse E. CARF, ao menos, aguardar o julgamento dos mencionados processos administrativos, de modo a não haver qualquer discrepância entre o decidido naqueles processos e nos presentes autos." Com leitura do Termo de Verificação Fiscal (fls. 5.005 e 5.031) e consulta ao sítio virtual desta corte, confirmei as informações da recorrente. Há diversos processos administrativos que tratam de glosas de créditos (processos sobre PER ou autos de infração), os quais se encontram em diferentes estágios, tais como: i) ainda não se encontram no CARF; ou ii) não foram distribuídos; ou iii) os julgamentos ainda não ocorreram ou não foram concluídos (ex: embargos de declaração, recurso especial etc.); ou iv) o julgamento foi convertido em diligência. Isto posto, proponho que este julgamento seja convertido em diligência, para que o presente processo retorne para a unidade de origem, para aguardar o desfecho de todos os processos listados nas fls. 5.005 a 5.031. Em seguida, deve ser verificada a necessidade de serem efetuados ajustes nos cálculos dos lançamentos de ofício de PIS e COFINS, trabalho que deve ser objeto de emissão de relatório conclusivo, do qual deve ser dado conhecimento às partes e aberto prazo para manifestação. Por fim, vencidas as referidas etapas, deve retornar ao CARF, para conclusão do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 8919DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.902676/2013-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO EM DIPJ. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE.
Comprovado mediante documentação e informações da DIPJ da empresa, apresentada antes do envio do PER/DCOMP, que os valores de apuração do IRPJ e/ou CSLL foram recolhidos em montante superior ao efetivamente devido, há de reconhecer a existência dos créditos e homologadas as compensações, mesmo não tendo sido retificada a tempo a DCTF da empresa, em atendimento aos princípios da Verdade Material e da Informalidade que regem o processo administrativo.
Numero da decisão: 1401-002.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Acordam os membros do colegiado, os conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO EM DIPJ. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Comprovado mediante documentação e informações da DIPJ da empresa, apresentada antes do envio do PER/DCOMP, que os valores de apuração do IRPJ e/ou CSLL foram recolhidos em montante superior ao efetivamente devido, há de reconhecer a existência dos créditos e homologadas as compensações, mesmo não tendo sido retificada a tempo a DCTF da empresa, em atendimento aos princípios da Verdade Material e da Informalidade que regem o processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Acordam os membros do colegiado, os conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 26 76 /2 01 3- 61 Fl. 709DF CARF MF Processo nº 10480.902676/201361 Acórdão n.º 1401002.941 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP relativo a pagamento a maior realizado pela empresa. O PER/DCOMP foi indeferido por meio de análise automática do PER/DCOMP em função de, quando da análise eletrônica do pedido a DCTF do contribuinte informar como valor do débito o valor integral do DARF recolhido não existindo, desta maneira, valor disponível para restituição. Cientificado do indeferimento o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade por meio da qual alegou que errou ao não ter retificado previamente a declaração (DCTF) mas que, no entanto, havia providenciado a retificação da declaração (DIPJ) relativa à apuração do crédito antes da apresentação do PER/DCOMP e, em tais declarações consta o valor correto do débito do período que confirma a existência do pagamento a maior. Analisando a manifestação apresentada a Delegacia de Julgamento restringiu sua análise ao fato de a DCTF não ter sido retificada previamente à apresentação do PER/DCOMP e, em esta sendo confissão de dívida, restar comprovado que não existe crédito disponível em benefício da empresa. Não foram aceitas as alegações acerca da apresentação de outras declarações nas quais a empresa demonstrou o real valor devido do tributo e período de apuração relativo ao DARF solicitado. Cientificado da Decisão de Piso, na qual foi considerada improcedente a manifestação de inconformidade o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual alega, novamente, que a análise do crédito não pode se limitar unicamente à informação da DCTF existente à época do pedido. Há de se aferir o real valor devido do débito para se constatar a existência ou não do crédito. O processo chegou então a este CARF para análise do recurso. É o relatório. Fl. 710DF CARF MF Processo nº 10480.902676/201361 Acórdão n.º 1401002.941 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.932, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10480.902672/2013 82, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.932): O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Inicialmente e antes da análise do mérito do recurso, há de se fazer algumas considerações acerca da sistemática de processamento dos PER/DCOMP e sua análise diante das informações apresentadas pelo contribuinte em suas declarações. Desde a época em que foi criado o programa gerador das declarações de compensação muitas dúvidas surgiram acerca da forma de análise a ser adotada pelos sistemas informatizados. Tratandose de pagamento a maior ou indevido haviam duas correntes de pensamento: a primeira se declinava no sentido de que a análise deveria ficar restrita à comparação com a DCTF, por esta ser a declaração de confissão de débitos, e a segunda pendia no sentido de que além da DCTF fosse realizado o batimento com os valores de apuração das diversas declarações que o contribuinte deveria apresentar ao fisco (DACON, DIPJ, DIRF, etc). Como resta claro na análise do relatório deste processo, a primeira corrente prevaleceu, até mesmo em função da maior agilidade de processamento. Resultado, foram geradas milhares de decisões automáticas com o mesmo teor da deste processo. Não havendo retificação da DCTF da empresa antes da apresentação do PER/DCOMP e o DARF estando a ela vinculado, indeferese o crédito, sem qualquer outra consideração. Esse procedimento, ressalvando o fato de não ser ilegal em essência, impede a formação de qualquer contraditório sobre o fato de confirmação do crédito do contribuinte contra a Fazenda Nacional apresentado nas outras declarações ao fisco e a existência efetiva de seu direito. Mais ainda quando, pela pouca clareza da decisão, os contribuintes, como o do presente processo, tentam se defender procurando demonstrar que o valor Fl. 711DF CARF MF Processo nº 10480.902676/201361 Acórdão n.º 1401002.941 S1C4T1 Fl. 5 4 confessado na DCTF estaria incorreto e, assim, há de se verificar as demais declarações por ele apresentadas. Essa forma de procedimento é, inclusive, condenada por colegas desta Turma do CARF quando entendem que ocorre cerceamento do direito de defesa na medida em que o indeferimento do crédito é realizado sem nenhuma prévia intimação ao contribuinte. Em minha opinião não creio na existência de um cerceamento do direito de defesa pela simples inexistência de intimação prévia, no entanto, discordo que toda a análise seja feita pela simples conferência com a DCTF. Ora, se o contribuinte cumpre obrigações acessórias sujeitas à penalidades por meio da entrega de DIPJ, DACON, DIRF, etc, não entendo ser possível em grau de recurso, diante da alegação da existência de outras declarações infirmando os valores dos débitos confessados na DCTF, que não se realize nenhum ato de conferência do valor efetivamente devido e de apuração do efetivo valor do crédito,s e acaso for existente. Ora, é bom esclarecer para os que não compreendam o sistema de funcionamento das declarações, que a DCTF, mercê de ser a declaração onde o contribuinte confessa seus débitos perante o fisco, é a declaração mais sujeita a erros de informação. Explico: a DCTF é declaração obrigatória de confissão na qual o contribuinte não informa nenhum valor de apuração dos débitos. Simplesmente informa o valor devido dos tributos e a forma como extinguiu os mesmo. Essa declaração é exigida no mais curto espaço de tempo possível, por exigência do fisco, a fim de propiciar a mais rápida cobrança do crédito tributário. Só que essa agilidade (passando há muito tempo a ser mensal a entrega) milita contra o próprio contribuinte ao passo em que o obriga a informar débitos sem uma adequada revisão dos valores de apuração dos tributos. Vejase que a demais declarações (DIPJ, DACON, DIRF, etc) são apresentadas bem posteriormente, já após o fechamento de balanços, auditorias, etc. Assim, no meu entender, a análise dos PER/DCOMP deveria realizar o batimento de todas as declarações apresentadas pelo contribuinte relativas ao débitos em questão informados no PER/DCOMP. Tal prática é semelhante à que a própria receita federal realiza nos sistemas de revisão interna quando, a partir das divergências entre a DCTF, DIPJ, DIRF e DACON, realiza intimações ao contribuinte a fim de escoimar as divergências. Por isso é que sempre entendi que desta mesma forma adotada pela Receita Federal para a conferência dos débitos declarados, deveria atuar o fisco na apuração dos créditos solicitados pelos contribuintes. Infelizmente apenas a pouco tempo foi adotada a sistemática de intimação prévia ao contribuinte, no entanto, resta um enorme estoque de processos, Fl. 712DF CARF MF Processo nº 10480.902676/201361 Acórdão n.º 1401002.941 S1C4T1 Fl. 6 5 como este, que foi analisado sem maior aprofundamento da análise das demais declarações da empresa. Diante deste entendimento e verificando que existem diversos indícios em favor do contribuinte, passo à análise do mérito do direito de crédito do recorrente, a fim de verificar a existência de fato dos créditos em obediência ao princípio da verdade material e o da informalidade. Para tanto, fizemos juntar ao processo os seguintes documentos: DIPJ, DACON e extratos de pagamentos. Com base nestes documentos realizaremos o confronto entre os valores dos débitos informados na DIPJ/DACON, se as declarações haviam sido apresentadas antes da emissão do despacho decisório e o confronto com os valores efetivamente pagos a fim de se demonstrar a apuração do crédito previamente ao despacho decisório e o montante, se existente, destes créditos. DOS PROCESSOS REPETITIVOS VINCULADOS A análise deste processo prendese apenas a um PER/DCOMP vinculado a um DARF específico, entretanto, outros processos relativos a pagamentos indevidos do mesmo contribuinte encontramse vinculados a este processo sob a sistemática de recursos repetitivos. Assim, entendemos por bem, a fim de facilitar o entendimento do contribuinte/recorrente e das unidades preparadoras e submetemos à apreciação deste colegiado que esta decisão seja reproduzida para todos os processos identificados na tabela abaixo a fim de que o resultado de cada processo seja específico e as compensações sejam tratadas individualmente quando do retorno à delegacia de origem. Desta forma, apresentamos a tabela abaixo na qual consta a análise do crédito de cada PER/DCOMP e o valor do crédito apurado após o confronto entre o valor do débito apurado em DIPJ e o valor efetivamente pago pela empresa, destacandose que foram analisadas apenas as declarações enviadas pela empresa antes da emissão do despacho decisório. Período de Tipo de Valor informado Data de Valor na Valor pago Valor do Processo Apuração Tributo em DIPJ Entrega DCTF em DARF Crédito Vinculado mar/10 CSLL 72.328,23 29/06/2011 98.599,23 97.623,00 25.294,77 10480902.674/201371 mar/10 CSLL 72.328,23 29/06/2011 103.968,49 97.623,00 25.294,77 10480902.675/201316 mar/10 CSLL 72.328,23 29/06/2011 97.623,00 97.623,00 25.294,77 10480902.673/201327 dez/10 CSLL 136.577,85 29/06/2011 210.299,67 210.299,67 73.721,82 10480902.676/201361 mar/10 IRPJ 194.089,87 29/06/2011 279.739,28 262.666,00 68.576,13 10480902.669/201369 mar/10 IRPJ 194.089,87 29/06/2011 265.292,66 262.666,00 68.576,13 10480902.668/201314 mar/10 IRPJ 194.089,87 29/06/2011 262.666,00 262.666,00 68.576,13 10480902.667/201370 mar/11 IRPJ 249.808,89 29/06/2012 477.067,58 472.344,14 222.535,25 10480902.671/201338 mar/11 IRPJ 249.808,89 29/06/2012 481.743,78 472.344,14 222.535,25 10480902.672/201382 mar/11 IRPJ 249.808,89 29/06/2012 472.344,14 472.344,14 222.535,25 10480902.670/201393 Assim, conforme demonstrado na tabela acima, após o confronto entre os valores informados pelo contribuinte nas Fl. 713DF CARF MF Processo nº 10480.902676/201361 Acórdão n.º 1401002.941 S1C4T1 Fl. 7 6 declarações que demonstram a apuração dos tributos devidos, no caso DIPJ e DCTF, e os valores dos recolhimentos realizados entendo que, em razão do princípio da verdade material e da informalidade, há de se realizar a apuração dos créditos a que faz jus a empresa a partir dos montantes apurados nas declarações apresentadas pela empresa além de apenas a DCTF, mais ainda, quando no presente caso verificase que os valores apurados foram obtidos das declarações originalmente entregues e sem se constatar inconsistências destas. À vista de todo o exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário a fim reconhecer o direito de crédito da empresa nos seguintes valores e processos, homologando as compensações a eles vinculadas. Valor do Processo Crédito Vinculado 25.294,77 10480902.674/201371 25.294,77 10480902.675/201316 25.294,77 10480902.673/201327 73.721,82 10480902.676/201361 68.576,13 10480902.669/201369 68.576,13 10480902.668/201314 68.576,13 10480902.667/201370 222.535,25 10480902.671/201338 222.535,25 10480902.672/201382 222.535,25 10480902.670/201393 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 714DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001482/2010-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2009
AÇÃO JUDICIAL COM MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois da instauração do processo administrativo fiscal, com o mesmo objeto deste, cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da controvertida no processo judicial. Súmula CARF nº 01.
LANÇAMENTO INDEVIDO. EXONERAÇÃO
Uma vez constatado erro na constituição dos créditos tributários, cabe a revisão do lançamento para exoneração do valor indevido.
MULTA ISOLADA. COBRANÇA APÓS O EXERCÍCIO. CABIMENTO
A legislação tributária determina o lançamento de multa isolada pela falta de pagamento da estimativa após o encerramento do período, e ainda tenha sido apurado prejuízo fiscal (IRPJ) ou base negativa (CSLL).
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO.
A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício cominada pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do ano-calendário.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF nº 108
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 1302-003.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer as matérias acerca da (i) compensação de base negativas da CSLL, (ii) abusividade da multa de ofício aplicada e (iii) inaplicabilidade dos juros SELIC para créditos tributários, em face da existência de concomitância com ação judicial, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para exonerar somente a multa isolada da CSLL do mês de dezembro/2007, no valor de R$ 262.899,80 e, por maioria, em negar provimento quanto a alegação de concomitância das multas isoladas de estimativas, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias, e quanto à exigência de multa isolada após o encerramento do exercício, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Flávio Machado Vilhena Dias e ainda, por unanimidade, em negar provimento quanto a exigência de juros Selic sobre a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lucia Miceli - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2009 AÇÃO JUDICIAL COM MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois da instauração do processo administrativo fiscal, com o mesmo objeto deste, cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da controvertida no processo judicial. Súmula CARF nº 01. LANÇAMENTO INDEVIDO. EXONERAÇÃO Uma vez constatado erro na constituição dos créditos tributários, cabe a revisão do lançamento para exoneração do valor indevido. MULTA ISOLADA. COBRANÇA APÓS O EXERCÍCIO. CABIMENTO A legislação tributária determina o lançamento de multa isolada pela falta de pagamento da estimativa após o encerramento do período, e ainda tenha sido apurado prejuízo fiscal (IRPJ) ou base negativa (CSLL). MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício cominada pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do ano-calendário. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer as matérias acerca da (i) compensação de base negativas da CSLL, (ii) abusividade da multa de ofício aplicada e (iii) inaplicabilidade dos juros SELIC para créditos tributários, em face da existência de concomitância com ação judicial, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para exonerar somente a multa isolada da CSLL do mês de dezembro/2007, no valor de R$ 262.899,80 e, por maioria, em negar provimento quanto a alegação de concomitância das multas isoladas de estimativas, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias, e quanto à exigência de multa isolada após o encerramento do exercício, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Flávio Machado Vilhena Dias e ainda, por unanimidade, em negar provimento quanto a exigência de juros Selic sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA.ESTIMATIVA IRPJ E CSLL Recorrente BANCO GMAC SA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2009 AÇÃO JUDICIAL COM MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois da instauração do processo administrativo fiscal, com o mesmo objeto deste, cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da controvertida no processo judicial. Súmula CARF nº 01. LANÇAMENTO INDEVIDO. EXONERAÇÃO Uma vez constatado erro na constituição dos créditos tributários, cabe a revisão do lançamento para exoneração do valor indevido. MULTA ISOLADA. COBRANÇA APÓS O EXERCÍCIO. CABIMENTO A legislação tributária determina o lançamento de multa isolada pela falta de pagamento da estimativa após o encerramento do período, e ainda tenha sido apurado prejuízo fiscal (IRPJ) ou base negativa (CSLL). MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício cominada pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do anocalendário. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF nº 108 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 82 /2 01 0- 52 Fl. 1687DF CARF MF 2 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer as matérias acerca da (i) compensação de base negativas da CSLL, (ii) abusividade da multa de ofício aplicada e (iii) inaplicabilidade dos juros SELIC para créditos tributários, em face da existência de concomitância com ação judicial, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para exonerar somente a multa isolada da CSLL do mês de dezembro/2007, no valor de R$ 262.899,80 e, por maioria, em negar provimento quanto a alegação de concomitância das multas isoladas de estimativas, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias, e quanto à exigência de multa isolada após o encerramento do exercício, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Flávio Machado Vilhena Dias e ainda, por unanimidade, em negar provimento quanto a exigência de juros Selic sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos no processo, reproduzo o Relatório Fiscal de fls. 1394/1397: 1. O presente processo administrativo fiscal trata de débitos de IRPJ e CSLL, anoscalendário 2005 a 2009, lançados em Auto de Infração (AI) de fls. 381403, que glosou as despesas mensais de ágio deduzidas indevidamente pelo contribuinte, bem como os valores resultantes de compensação indevida da base negativa de CSLL. Adicionalmente, lançouse multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativas. 2. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação, julgada em acórdão n° 1237.900 da 5a Turma da DRJ/RJl, que manteve integralmente o lançamento. Em suma, ratificouse a glosa das despesas com amortização de ágio e, consequentemente, confirmouse que as alterações para maior das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL tornaram a Fl. 1688DF CARF MF Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1302003.098 S1C3T2 Fl. 1.686 3 compensação das bases negativas de CSLL indevidas. Ademais, concluiuse pela procedência da aplicação da multa isolada, inclusive após o término do anocalendário. Quanto aos juros de mora com base na taxa SELIC, a DRJ abstevese de julgamento, tendo em vista a ausência de competência para se pronunciar a respeito da conformidade de lei, atribuindose tal função ao Judiciário. Por fim, considerou que, restando comprovada a procedência da glosa das despesas de ágio, também confirmou se a falta de recolhimento das estimativas, conforme indicado nos autos de infração. 3. Recurso Voluntário foi interposto às fls. 9891086, questionando: (I) a dedução de despesas de amortização de ágio, (II) a compensação de base de cálculo negativa de períodos anteriores e (III) a inadequação da multa e dos juros aplicados. Este último item desdobrouse nas seguintes alegações: (IIIa) abusividade da multa de ofício aplicada, (IIIb) erro de cálculo relativo à multa isolada de 2007, (IIIc) abusividade da exigência concomitante de multa isolada e de ofício, (IIId) impossibilidade de lançamento de multa isolada por estimativa após o término do anocalendário, (e) juros SELIC, (IIIf) impossibilidade de incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício. 4. Em 11/06/2013, acórdão n° 1301001.224 da 3a Câmara / Ia turma Ordinária do CARF deu provimento ao recurso, no sentido de rejeitar as preliminares de decadência e nulidade, mas reconhecer a legítima dedutibilidade das despesas com amortização de ágio. Os demais aspectos (itens II e III) não foram analisados, pois decorreram da glosa das despesas de ágio (fls. 11941222). 5. Em seguida, Recurso Especial da Procuradora foi integralmente provido em Acórdão n° 9101002.805 da 1a Turma da CSRF (fls. 13551389), que restabeleceu os lançamentos, por entender que nos casos em que o ágio ocorre no bojo das transações entre entidades sob o mesmo controle, este não apresenta consistência econômica ou contábil, devendo expurgarse a amortização do resultado do exercício. Por fim, determinou o retorno dos autos para análise tão somente dos temas não discutidos no acórdão do recurso voluntário, quais sejam: compensação das bases negativas e inadequação da multa e juros aplicados, correspondentes aos itens II e III do parágrafo 3° deste despacho Conclusão Em face a todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para restabelecer os lançamentos. Contudo, tendo em vista que as demais razões de defesa deduzidas no Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo não foram apreciadas pelo colegiado a quo, por ter exonerado totalmente as exigências, deverão os autos retomar àquele colegiado para se pronunciar sobre essas razões de Fl. 1689DF CARF MF 4 defesa e que se referem a: (i) compensação das bases negativas da CSLL, (ii) inadequação da multa e juros aplicados, itens "VII" e "VIII" do Recurso Voluntário. Portanto, resta encerrada administrativamente a discussão quanto a dedutibilidade da amortização do ágio produzido por meio de operações societárias entre empresas do mesmo grupo econômico (item I), tornando estes valores plenamente exigíveis. Os demais valores lançados devem retornar ao CARF para apreciação dos respectivos temas. A recorrente ainda apresentou Embargos de Declaração em face ao Acórdão nº 9101002.805, fls. 1403/1413, cuja admissão foi rejeitada conforme Decisão de fls. 1469/1476. Ainda foi apresentada petição intitulada de Embargos de Declaração em face à decisão que não admitiu o embargo anterior, fls. 1481/1486, indeferida pela DEINF Delegacia Especial de Instituições Financeiras, por meio de despacho de fls. 1551. Em 26/03/2018, a recorrente apresentou petição, fls. 1578/1579, onde informa que ajuizou Ação Anulatória nº 500662631.2018.4.03.6100 para discutir judicialmente a questão específica quanto à cobrança do valor principal de IRPJ e CSLL relativo à dedução do ágio. Finaliza requerendo o retorno do processo administrativo a este colegiado para julgamento das questões pendentes, uma vez que não houve renúncia à esfera administrativa para estes pontos. A seguir, transcrevo trechos do pedido inicial: 3. Por esse motivo, a presente ação anulatória referese somente à discussão acerca da exigibilidade dos valores de IRPJ e CSL decorrentes da glosa de despesas de amortização fiscal de ágio que foram deduzidas pelo Autor nos anos calendários de 2005 a 2009, com os respectivos juros de mora e multa de 75%. O Autor não renunciou à discussão administrativa no que diz respeito aos valores relativos aos juros sobre a multa de 75% e à multa isolada, que ainda aguardam julgamento pelo CARF Assim, reproduzo a seguir as alegações que ainda devem ser apreciadas por este colegiado, relativas aos itens VII e VIII do recurso voluntário: VII. COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS DA CSLL uma vez demonstrada a total improcedência da glosa das despesas anuais de ágio da recorrente, fica também comprovado que as compensações de bases negativas de CSLL efetuadas em todo o período examinado foram válidas e legítimas, não cabendo à fiscalização exigir da recorrente qualquer ajuste em seus saldos de bases negativas de CSLL e de Prejuízos Acumulados. VIII. A INADEQUAÇÃO DA MULTA E JUROS APLICADOS a) A abusividade da multa de oficio aplicada alega que há exagero na exigência de uma multa de ofício de 75% sobre o pretenso débito. nos termos do artigo 142 do CTN, a autoridade administrativa deverá propor a aplicação da penalidade cabível apenas se e quando for o caso. no caso destes autos, ainda que a autuação pudesse ser considerada procedente, a recorrente demonstrou que agiu em conformidade com a legislação societária e fiscal em vigor, de forma que não seria justo atribuirlhe uma penalidade de 75% sobre o valor Fl. 1690DF CARF MF Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1302003.098 S1C3T2 Fl. 1.687 5 do suposto crédito tributário, que ultrapassa os limites da razoabilidade e proporcionalidade, devendo ser prontamente reduzida, citando jurisprudência na esfera judicial. (b) Erro de cálculo relativo à multa isolada de 2007 em sua Impugnação, a Recorrente destacou a ocorrência de um erro de cálculo relativamente à multa isolada aplicada pela D. Fiscalização no mês de dezembro de 2007. Isso porque, mesmo após a recomposição das bases negativas de CSL da Recorrente pela D. Fiscalização, no mês de dezembro de 2007 seria ainda apurada uma situação de prejuízo, de modo que não cabia a aplicação de multa isolada em relação a este mês. conforme a DIPJ 2007/2008, ficha 16, linha 01 dos meses de novembro e dezembro, a base de cálculo do mês de dezembro de 2007 de CSL foi negativa em R$ 37.493.568,65. (acumulado de dezembro menos o acumulado de novembro R$ 82.962.264,42 R$ 120.455.833,07). com a desconsideração da dedutibilidade do ágio daquele mês, a base negativa diminuiu para R$31.651.350,91, ou seja, continuava a não haver estimativa a ser recolhida no mês, de tal forma que não há multa isolada a ser aplicada, já que não houve necessidade de antecipação no mês. Confirase: o art. 44, inc. II, b, da Lei 9.430/96 determina a aplicação da multa isolada de 50% sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado. Ora, se não houve pagamento mensal com ou sem a despesa glosada, não há que se falar em aplicação dessa multa. (c) A abusividade da exigência concomitante de multa isolada e de oficio se admitíssemos a possibilidade de cobrança da multa no caso em tela, tem se que a mesma somente poderia ser exigida uma única vez e não duas, como proposto na r. decisão recorrida. o parágrafo 1º do artigo 44 da Lei 9.430/96 é claro ao estabelecer que a multa isolada somente pode ser exigida quando a pessoa jurídica, sujeita ao pagamento do imposto por estimativa deixar de fazêlo, mesmo que essa pessoa jurídica tenha prejuízo fiscal/base negativa de CSL no período ou que já tenha recolhido o tributo. Nesse caso, por não existir valor de principal exigível, em princípio, poderia ser exigida a multa isolada. entretanto, quando houver tributo a ser pago, o referido artigo é claro ao estabelecer que a multa punitiva deverá ser cobrada juntamente com o valor do principal. É importante notar que, nesse caso, não teria cabimento a exigência da multa isolada, pois a mesma, como visto, somente pode ser exigida, em princípio, quando não existe valor de principal a ser exigido. a autoridade julgadora pretende justificar a manutenção das multas de ofício e isolada sob a tortuosa argumentação de que o momento do pagamento (anual e mensal, Fl. 1691DF CARF MF 6 respectivamente), teria o condão de caracterizar duas hipóteses de incidência tributária distintas. tal raciocínio, além de equivocado, se mostra completamente em desacordo com o próprio conceito de obrigação tributária previsto pelo artigo 113, §1° do CTN, posto que o tempo do pagamento não se confunde com a obrigação tributária. não restam dúvidas de que as bases de cálculo, fatos geradores, sujeitos envolvidos são os mesmos, e, conseqüentemente, a obrigação tributária também o é, ao contrário do que foi proposto pela decisão recorrida. o valor da multa deve ser exigido somente uma única vez, e sobre uma única base de cálculo, qual seja, o tributo supostamente não pago, sob de contrariar o artigo 44 da Lei 9.430/96. a exigência da multa no caso em análise, é certo que a mesma não poderia ser cobrada duas vezes, já que só ocorreu uma suposta irregularidade, qual seja, o não pagamento do tributo. resta demonstrada, portanto, a improcedência do presente lançamento que pretende aplicar, simultaneamente, a multa de ofício em razão da suposta redução indevida da base de cálculo do IRPJ e da CSL; e da multa isolada pelo não recolhimento das estimativas mensais. (d) Impossibilidade de lançamento de multa isolada por estimativa após o término do anocalendário mesmo que as multas aplicadas a título de falta de pagamento mensais de IRPJ e de CSLL por estimativa fossem de fato exigíveis, o que se admite apenas para argumentar, elas sequer poderiam ser cobradas da recorrente. os pagamentos mensais antecipados pelo contribuinte a título de IRPJ (estimativas) não têm o condão de extinguir de imediato o crédito tributário em questão, o que só ocorrerá quando encerrado o exercício fiscal, quando ocorre o fato gerador do tributo. uma vez encerrado o período de apuração anual da contribuição sobre o lucro e tendo a recorrente entregue a DIPJ, não pode mais ser exigido, como ocorre no presente caso, o pagamento mensal por estimativa referente aos meses entre janeiro de 2007 e novembro de 2009, devendo prevalecer o valor do tributo efetivamente devido no final do anocalendário e regularmente recolhido pela recorrente. desse modo, constatandose eventual insuficiência da estimativa do imposto, a fiscalização apenas poderia apurar o tributo devido após o encerramento dos períodosbase e constituir eventual diferença do crédito tributário. cita jurisprudência administrativa neste sentido. notase, portanto, que o ordenamento jurídicotributário atual veda a exigência de estimativa após o encerramento do anobase. Assim, tendo em vista que este é oriundo da incorreta aplicação da lei à situação fática, todos são indevidos, pois, se o principal não poderia ter sido lançado, tampouco poderiam seus acréscimos. diante disso, não há que se falar em multa isolada ou falta de pagamento de IRPJ ou de CSL por estimativa, após o encerramento do períodobase com a devida apuração da base de cálculo do IRPJ (lucro real). (e) Os juros SELIC ressalta que a jurisprudência tem reconhecido inaplicabilidade da taxa SELIC aos créditos tributários, uma vez que essa taxa não foi criada para fins tributários. Fl. 1692DF CARF MF Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1302003.098 S1C3T2 Fl. 1.688 7 não obstante a posição sumulada do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, e tendo em vista a real possibilidade de a taxa SELIC via a ser considerada inconstitucional para fins tributário pelo Poder Judiciário, a recorrente contesta sua aplicação e requer sua desconsideração no cômputo do crédito tributário principal. não se pretende questionar a constitucionalidade da aplicação dos juros calculados com base na taxa SELIC, mas apenar requerer sua desconsideração com base na jurisprudência. (f) A impossibilidade de incidência de juros SELIC sobre a multa de oficio ainda que estejam sendo cobrados juros de mora apenas sobre o valor dos tributos lançados, vem esclarecer, para se precaver de eventual desfecho desfavorável, que há impossibilidade de incidência de juros Selic sobre a multa de ofício. a multa configura penalidade e não tem natureza tributária, não havendo razão para ser aplicada a taxa de juros SELIC sobre o seu valor, sob pena de ser caracterizado o agravamento da sanção, o que é inaceitável. a Lei n° 9.250, de 26.12.1995, que instituiu a taxa SELIC como parâmetro para correção de débitos tributários, somente é aplicável ao valor principal, isto é, tributos e contribuições propriamente ditos. multa é penalidade e, como tal, não há lei que autorize sua correção pela taxa SELIC. o artigo 43 da Lei nº 9.430/96 autoriza a aplicação dos juros SELIC quando a multa é lançada isoladamente, sem tributo principal devido. dessa forma, resta evidente a impossibilidade de cobrança de juros à taxa SELIC sobre a multa aplicada no presente caso. É o relatório. Voto Conselheira Maria Lucia Miceli Relatora Os requisitos de admissibilidade já foram verificados quando do julgamento do recurso voluntário na sessão de 11/06/2013, acórdão n° 1301001.224 da 3a Câmara / 1a turma Ordinária do CARF. Como visto, em sede de julgamento de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deu provimento integral, restabelecendo os lançamentos, que tiveram origem em glosa de despesas com ágio interno. Nesta toada, o processo retornou a este colegiado a fim de que fossem apreciadas as demais matérias não discutidas no acórdão do recurso voluntário, a saber: Item VII Compensação de base negativa de períodos anteriores; Item VIII Inadequação da multa e dos juros aplicados. Fl. 1693DF CARF MF 8 a) abusividade da multa de ofício aplicada; b) erro de cálculo relativo à multa isolada de 2007; c) abusividade da exigência concomitante de multa isolada e de ofício; d) impossibilidade de lançamento de multa isolada por estimativa após o término do anocalendário; e) inaplicabilidade dos juros SELIC para créditos tributários; f) impossibilidade de incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício. Da Ação Anulatória nº 500662631.2018.4.03.6100 A recorrente informa que ajuizou Ação Anulatória nº 5006626 31.2018.4.03.6100, afirmando que não haveria interferência no julgamento das questões pendentes de julgamento no CARF. Está anexado aos autos o pedido inicial, fls. 1580/1642, onde consta que o objeto da demanda seria apenas com relação à exigência dos valores principais exigidos nestes autos, do IRPJ e CSLL. Naquele pedido, consta a afirmação de que não houve renúncia à discussão administrativa no que diz respeito aos valores relativos aos juros sobre a multa de 75% e à multa isolada. Ocorre que, compulsando o pedido inicial, a recorrente, autora da ação, traz a baila matérias que estão pendentes de julgamento por este Colegiado, e utilizando os mesmos argumentos. A seguir, trago os trechos do pedido inicial acerca destas questões: • As compensações de bases negativas de CSL 101. No lançamento a partir do qual se originou o processo 16327.001.482/201052, o Fisco também alega que o Autor teria compensado bases negativas de CSL além do permitido nos anoscalendários de 2006 a 2009. Entretanto, como essa alegação é resultado da própria glosa das despesas de amortização de ágio válidas e legítimas, como visto nos tópicos acima fica comprovado, consequentemente, que as compensações em questão foram válidas e são cabíveis quaisquer ajustes nas bases negativas de CSL e de prejuízos acumulados do Autor. • Improcedência da multa de ofício (75%) e juros moratórios (SELIC) 102. Ainda que fosse admitida a exigência do principal neste caso, o que se admite apenas para argumentar, devese ressaltar que a penalidade de ofício de 75% é claramente descabida, por ser uma exigência desproporcional e abusiva, especialmente se considerado o disposto no artigo 142 do CTN: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a Fl. 1694DF CARF MF Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1302003.098 S1C3T2 Fl. 1.689 9 matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível." (não destacado no original) Como se vê, o CTN deixa claro que, apenas se e quando for o caso, a autoridade administrativa deverá propor a aplicação da penalidade cabível. A cobrança de multa em valores tão elevados já foi objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal ("STF") nos autos da ADI 5511/600RJ e de diversos outros precedentes, como o RE 81.550/75 MG, o RE 91.707 MG, o AgRg no RE 523.471/MG e o RE 754.554/GO. Nesse último julgado, o Tribunal considerou que a aplicação de multa de 25% já violaria os princípios do nãoconfisco, da proporcionalidade e da razoabilidade. No presente caso, há sólidos elementos que corroboram a validade do ágio há uma decisão administrativa exonerando completamente o débito lançado e três Pareceres confirmando a legitimidade desses valores sob as perspectivas contábil, jurídicotributária e regulatória (docs. n°s 10, 11 e 23, acima). 105 O próprio fato de haver uma decisão integralmente favorável ao Autor no Processo Administrativo 16327.001.482/201052 apenas confirma que, no mínimo, há uma dúvida razoável quanto à qualificação dos fatos, o que, de acordo com o artigo 112 do CTN, leva ao afastamento de qualquer penalidade: "Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos (...)" (não destacado no original) 106. E mesmo na hipótese de serem mantidos quaisquer valores a título de principal ou multa o que também se coloca somente para argumentar não há razão para ser aplicada a taxa de juros SELIC, na medida em que essa taxa não foi criada por lei para fins tributários, como já decidiu o STJ nos autos do Recurso Especial n° 450.422/PR, julgado em 28.6.2004.(grifei) (...) Ademais, o Autor requer seja JULGADA INTEGRALMENTE PROCEDENTE a presente ação para o fim de que sejam totalmente cancelados os débitos de IRPJ e CSL (principal, juros de mora e multa de 75%) consubstanciados no Auto de Infração relacionado ao Processo Administrativo 16327.001.482/2010 52, com o consequente restabelecimento das compensações de bases negativas de CSL nos anoscalendários de 2006 a 2009. Requer ainda a condenação da União Federal (Fazenda Fl. 1695DF CARF MF 10 Nacional) ao pagamento das custas e despesas processuais e honorários advocatícios a que der causa, na proporção prevista no artigo 85, §3°, do CPC. (grifei) Assim, entendo que, a despeito de a recorrente afirmar que não teria renunciado na esfera administrativa, é necessário observar a aplicação da Súmula CARF nº 1, já que algumas matérias estão em discussão na esfera judicial, ainda que seja uma consequência da demanda principal, que seria o cancelamento da autuação: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Neste sentido, concluo que deverá ser aplicada a Súmula CARF nº 1 para as seguintes matérias: VII compensação de base negativas da CSLL VIII.a) abusividade da multa de ofício aplicada VIII.e) inaplicabilidade dos juros SELIC para créditos tributários A seguir, passo ao julgamento das demais questões. VIII. A INADEQUAÇÃO DA MULTA E JUROS APLICADOS (b) Erro de cálculo relativo à multa isolada de 2007 A recorrente alega que houve erro de cálculo relativo à multa isolada de 2007: Afirma que, mesmo após a recomposição das bases negativas de CSLL, ainda teria prejuízo, de modo que não caberia a cobrança da multa neste mês. Segundo a recorrente, a base de cálculo do mês de dezembro foi negativa em R$ 37.493.568,65. Esclarece, ainda, que este valor a diferença entre o acumulado do mês de dezembro (R$ 82.962.264,42 ) e o acumulado no mês de novembro (R$ 120.455.833,07). Para demonstrar o erro, apresentou a seguinte planilha: Assiste razão à recorrente. Tendo por base planilha (fls. 367) elaborada pelo próprio auditor fiscal para determinação da multa isolada da CSLL, constatase que, para o mês de dezembro/2007 não há estimativa devida: Fl. 1696DF CARF MF Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1302003.098 S1C3T2 Fl. 1.690 11 Entretanto, no extrato do processo é possível verificar o lançamento da multa isolada para o mês de dezembro/2007 no valor de R$ 262.899,80: Comprovado o erro, voto por dar provimento ao recurso voluntário para excluir do lançamento a cobrança da multa isolada da CSLL, do mês de dezembro/2007, no valor de R$ 262.899,80. (c) A abusividade da exigência concomitante de multa isolada e de oficio A recorrente ainda se insurge contra a cobrança da multa isolada e a multa de ofício, alegando a concomitância, não aceita na jurisprudência. Afirma que as multas possuem a mesma base de cálculo, fatos geradores, sujeito passivo, sendo incabível a aplicação simultânea. Entendo que não assiste razão à recorrente, ressaltando que as multas isoladas foram aplicadas para os anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, ou seja, após as alterações da MP nº 351/2007. A multa de ofício, cujo fundamento legal é o já citado artigo 44, inciso I da Lei nº 9.430/96, penaliza o contribuinte que omite rendimentos. Já a multa isolada, prevista no artigo 44, inciso II, alínea "b", visa penalizar o contribuinte que não cumpre a sistemática de recolhimento mensal do IRPJ e CSLL. A seguir, os citados dispositivos legais: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo Fl. 1697DF CARF MF 12 negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Neste contexto, não há a alegada concomitância, uma vez que estamos diante de duas infrações distintas. E, em que pese a jurisprudência trazida pela recorrente, importante frisar que, com a alteração da redação do artigo 44 pela Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, a jurisprudência deste CARF tem sido em considerar legítima a aplicação cumulativa das duas multas. Neste sentido, trago ementa de Acórdão nº 9101002.438, proferido pelo Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário: 2008, 2009 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente. No caso em apreço, não tem aplicação a Súmula CARF nº 105, eis que a penalidade isolada foi exigida após alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Concluo, portanto, ser cabível a cobrança da multa isolada e da multa de ofício, nos termos da legislação tributária já citada. (d) Impossibilidade de lançamento de multa isolada por estimativa após o término do anocalendário A recorrente afirma que, após o término do anocalendário, só é possível cobrar o tributo devido apurado no final do período. Suas alegações não encontram respaldo na legislação, pois o dispositivo legal que fundamenta a multa isolada é claro e não possui qualquer condicionante. É claro que o lançamento de multa isolada só tem aplicação após o encerramento do período, e ainda tenha sido apurado prejuízo fiscal (IRPJ) ou base negativa (CSLL). Do contrário, se for constatada, durante o anocalendário, falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa, o lançamento deverá constituir o crédito tributário em sua totalidade principal, multa de ofício e juros de mora, para cobrança da estimativa devida. (f) A impossibilidade de incidência de juros SELIC sobre a multa de oficio Fl. 1698DF CARF MF Processo nº 16327.001482/201052 Acórdão n.º 1302003.098 S1C3T2 Fl. 1.691 13 Por fim, a recorrente contesta a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício. Ocorre que esta matéria já se encontra sumulada pelo CARF, devendo esta conselheira observála: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Logo, na determinação do crédito tributário devido, os juros de mora deverão incidir sobre a multa de ofício, e calculados tendo por base a taxa SELIC. Logo, nego provimento ao recurso voluntário neste ponto. CONCLUSÃO Por todo acima exposto, voto por: 1) não conhecer das seguintes em razão da aplicação da Súmula CARF nº 1 (i) compensação de base negativas da CSLL, (ii) abusividade da multa de ofício aplicada e (iii) inaplicabilidade dos juros SELIC para créditos tributários, em face da existência de concomitância e necessidade de aplicação da Súmula CARF nº 01. 2) dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar somente a multa isolada da CSLL do mês de dezembro/2007, no valor de R$ 262.899,80. Maria Lucia Miceli Relatora Fl. 1699DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.000120/2007-76
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA.
Não é admitido recurso especial com relação a acórdão paradigma que analise norma não aplicada pelo acórdão recorrido.
CONHECIMENTO. SIMILITUDE FÁTICA. DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA. RECURSO ESPECIAL.
É conhecido recurso especial quanto a acórdão paradigma tratando dos mesmos dispositivos do Decreto nº 70.235/1972, cabendo, no mérito, avaliar se houve ou não devida aplicação destas regras.
PRECLUSÃO. MATÉRIA ENFRENTADA EM IMPUGNAÇÃO.
É negado provimento ao recurso especial quando o tema foi devidamente enfrentado em razões de impugnação, sendo inaplicável a restrição dos artigos 16 e 17, do Decreto nº 70.235/1972.
RECURSO ESPECIAL. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL. IN 243. INAPLICABILIDADE NO ANO DE 2002.
A Instrução Normativa SRF nº 243, publicada em 13 de novembro de 2002, é obrigatória apenas quanto aos anos subsequentes. Inaplicável, portanto, quanto aos fatos ocorridos no ano de 2002.
Numero da decisão: 9101-003.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Viviane Vidal Wagner, substituída pelo conselheiro Nelso Kichel.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Nelso Kichel (suplente convocado, em substituição à Conselheira Viviane Vidal Wagner), Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Adriana Gomes Rego (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA. Não é admitido recurso especial com relação a acórdão paradigma que analise norma não aplicada pelo acórdão recorrido. CONHECIMENTO. SIMILITUDE FÁTICA. DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA. RECURSO ESPECIAL. É conhecido recurso especial quanto a acórdão paradigma tratando dos mesmos dispositivos do Decreto nº 70.235/1972, cabendo, no mérito, avaliar se houve ou não devida aplicação destas regras. PRECLUSÃO. MATÉRIA ENFRENTADA EM IMPUGNAÇÃO. É negado provimento ao recurso especial quando o tema foi devidamente enfrentado em razões de impugnação, sendo inaplicável a restrição dos artigos 16 e 17, do Decreto nº 70.235/1972. RECURSO ESPECIAL. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL. IN 243. INAPLICABILIDADE NO ANO DE 2002. A Instrução Normativa SRF nº 243, publicada em 13 de novembro de 2002, é obrigatória apenas quanto aos anos subsequentes. Inaplicável, portanto, quanto aos fatos ocorridos no ano de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 01 20 /2 00 7- 76 Fl. 9158DF CARF MF 2 mérito, em darlhe provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Viviane Vidal Wagner, substituída pelo conselheiro Nelso Kichel. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Nelso Kichel (suplente convocado, em substituição à Conselheira Viviane Vidal Wagner), Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Adriana Gomes Rego (Presidente). Relatório Tratase de processo originado por auto de infração de IRPJ e CSLL quanto ao ano de 2002, identificandose equívoco na apuração de preços de transferência, com imposição de multa de 75%. (fls. 2264, volume 11, pdf 108). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo decidiu manter em parte o lançamento (fls. 8.395, volume 42, pdf 3), conforme acórdão do qual se transcreve a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. APURAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. Sendo os documentos apresentados pela contribuinte insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço de transferência, a fiscalização poderá determinálo com base em outros documentos de que dispuser, aplicando um dos métodos previstos na legislação. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Sendo prescindível, indeferese a perícia solicitada. Fl. 9159DF CARF MF Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 9101003.816 CSRFT1 Fl. 9.159 3 DESQUALIFICAÇÃO DO MÉTODO PRL20%. AGREGAÇÃO DE VALOR. O método de Preço de Renda menos Lucro (PRL) mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento não pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no País, agregação de valor aos custos dos bens, não configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos. DESQUALIFICAÇÃO DO MÉTODO PIC. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não logrou o contribuinte êxito em comprovar materialmente cálculos de ajustes segundo o método PIC (Preços Independentes Comparados), correta a sua desqualificação pela fiscalização. DESQUALIFICAÇÃO DO MÉTODO CPL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não logrou o contribuinte êxito em comprovar materialmente cálculos de ajustes segundo o método CPL (Custo Produção mais Lucro), correta a sua desqualificação pela fiscalização. CÁLCULO DO PREÇO PRATICADO. ESTOQUE INICIAL. O preço praticado (média ponderada) deve ser utilizado para o cálculo dos ajustes relativos a todas as unidades consumidas no ano, independentemente de haverem sido importadas nesse ano ou em anos anteriores. Desconsiderandose, dessa forma, a segregação efetuada pela fiscalização – em “ajuste do estoque inicial” e “ajuste das importações do ano” – recalculase o ajuste total e exonerase parcialmente a exigência. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS. EXONERAÇÃO PARCIAL. Exonerandose parcialmente a tributação a título de preços de transferência, exonerase parcialmente a exigência a título de compensação indevida de prejuízos. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à tributação dele decorrente. Lançamento procedente em parte. Em síntese, a DRJ entendeu equivocado o lançamento porque “a fiscalização se equivocou ao utilizar o preço praticado do ano anterior para apurar o ajuste do estoque inicial separadamente das importações do período” e “apesar de a impugnante trazer esse argumento apenas com relação aos itens importados de códigos 114483, 128368, 154786, 155253 e 170864 (objeto de desqualificação do método PIC) esse equívoco da fiscalização ocorreu com relação a todos os itens objeto de ajuste, e será considerado nesta decisão” (trecho em conclusão do voto condutor, fls. 8.441, pdf. 48, volume 42). Fl. 9160DF CARF MF 4 Assim, o processo foi julgado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção deste Conselho, quando foi negado provimento ao recurso de ofício e dado parcial provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado (acórdão nº 1402 001.808, fls. 8.558): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. APURAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. Sendo os documentos apresentados pela contribuinte insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço de transferência, a fiscalização poderá determinálo com base em outros documentos de que dispuser, aplicando um dos métodos previstos na legislação. APLICAÇÃO DO MÉTODO PRL20%. REACONDICIONAMENTO/FRACIONAMENTO. POSSIBILIDADE. O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no País, simples reacondicioamento em embalagens apropriadas à revenda dos mesmos produtos no Brasil. DESQUALIFICAÇÃO DO MÉTODO PIC. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não logrou a contribuinte êxito em comprovar materialmente cálculos de ajustes segundo o método PIC (Preços Independentes Comparados), correta a sua desqualificação pela fiscalização. DESQUALIFICAÇÃO DO MÉTODO CPL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não logrou a contribuinte êxito em comprovar materialmente cálculos de ajustes segundo o método CPL (Custo de Produção mais Lucro), correta a sua desqualificação pela fiscalização. CÁLCULO DO PREÇO PRATICADO. ESTOQUE INICIAL. O preço praticado (média ponderada) deve ser utilizado para o cálculo dos ajustes relativos a todas as unidades consumidas no ano, independentemente de haverem sido importadas nesse ano ou em anos anteriores. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS. EXONERAÇÃO PARCIAL. Exonerandose parcialmente a tributação a título de preços de transferência, exonerase parcialmente a exigência a título de compensação indevida de prejuízos. CSLL. DECORRÊNCIA. Fl. 9161DF CARF MF Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 9101003.816 CSRFT1 Fl. 9.160 5 O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente. A Procuradoria, intimada em 09/12/2014 (fls. 8.612), opôs embargos de declaração na mesma data (fls. 8.613), identificando omissões no acórdão, entendendo que haveria preclusão no questionamento de alguns itens importados. Assim, requereu pronunciamento da Turma a quo sobre o artigo 16, II e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972. Os embargos foram admitidos, decidindo o Colegiado a quo por sanar omissão mencionada pela Procuradoria, conforme acórdão nº 1402001.966 (fls. 8.670). A Procuradoria, intimada do acórdão de embargos em 06/01/2016 (fls. 8.676), interpôs recurso especial em 02/02/2016 (fls. 8.677). No recurso alega divergência na interpretação da lei tributária a respeito dos seguintes temas: (i) preclusão, nos termos dos artigos 16, II e 17, do Decreto nº 70.235/1972, apontando como acórdãos paradigmas o de nº 2301003.469 (processo administrativo nº 13864.000511/201093) e 1401000.805 (processo administrativo nº 10218.000512/200769); (ii) nulidade por vício formal, com paradigmas 240100.018 (processo administrativo nº 13971.001934/200716) e 30131.801 (processo administrativo nº 10715.001961/9726). (iii) Aplicação do método PRL 60%, constando os seguintes acórdãos paradigmas: 1301000.451 (processo administrativo nº 16561.000076/2008 85). O Presidente da 4ª Câmara (Conselheiro Rafael Vidal de Araújo) admitiu o recurso especial apenas quanto à primeira matéria (fls. 8.723) No exercício da competência estabelecida no inciso III do art. 18 do Anexo II do RICARF/2015, DOU SEGUIMENTO PARCIAL ao recurso especial da Fazenda Nacional, somente em relação à matéria "impossibilidade de apreciação de matéria não impugnada que não seja de ordem pública", pois sobre tal assunto foi comprovada a alegada divergência de interpretação da legislação tributária. A respeito das outras duas matérias tratadas no recurso especial ("efeitos da constatação de vício formal no lançamento tributário" e "impossibilidade de aplicação do método PRL20 em caso de fracionamento do item importado"), entendo que não foram comprovadas as divergências jurisprudenciais requeridas pelo art. 67 do Anexo II do RICARF/2015, motivo pelo qual é negado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional em relação a estas partes. Sendo intimada em 08/08/2016 (fls. 8.725), a Procuradoria apresentou agravo na mesma data (fls. 8.726). Fl. 9162DF CARF MF 6 O Presidente da CSRF (fls. 8.732) confirmou a decisão do Presidente de Câmara, negando seguimento às duas matérias acima referidas. A Procuradoria foi regularmente cientificada desta decisão (fls. 8.739). O contribuinte apresentou embargos de declaração em 08/05/2017 (fls. 8.744), alegando omissões e contradição no acórdão do Colegiado de origem. Os embargos não foram admitidos (fls. 8.941). O contribuinte, ainda, apresentou contrarrazões ao recurso especial, pleiteando (fls. 9.055), em síntese: (i) O não conhecimento do recurso especial, na medida em que não haveria similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas. Segundo o contribuinte, os paradigmas tratariam de situação em que não houve questionamento de matéria em impugnação, situação distinta da relatada nestes autos. (ii) No mérito, pede a manutenção do acórdão recorrido. O contribuinte, intimado em 08/08/2017 (fls. 8.950), também interpôs recurso especial em 22/08/2017 (fls. 8.953). No recurso, alega divergência na interpretação da lei tributária a respeito de: (i) Impossibilidade de aplicação da IN 243 quanto ao ano de 2002, constando como paradigma o acórdão nº 120100.658 e 9101002.839; (ii) Ilegalidade da IN 243, matéria tratada pelo paradigma nº 1202000.970. O Presidente da 4ª Câmara apenas admitiu o recurso especial do contribuinte quanto à primeira matéria (fls. 9.086). O contribuinte foi intimado quanto a esta decisão em 18/09/2017 (fls. 9.096). A unidade de origem, assim, transferiu os débitos definitivamente julgados para o processo nº 16151.720284/201717 (fls. 9.092). A Procuradoria apresentou contrarrazões ao recurso especial do contribuinte, pedindo seja negado provimento ao recurso. Por fim, o contribuinte pediu preferência no julgamento deste processo (fls. 9.148), diante do valor envolvido É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Conhecimento Recurso Especial da Procuradoria O recurso especial da Procuradoria foi admitido quanto à matéria preclusão, com relação a ambos os paradigmas indicados (2301003.469 e 1401000.805). Fl. 9163DF CARF MF Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 9101003.816 CSRFT1 Fl. 9.161 7 O contribuinte questiona o conhecimento do recurso quanto a ambos os paradigmas. O primeiro paradigma tem o seguinte contexto fático descrito em seu relatório (2301003.469): Trata se de Auto de Infração de Descumprimento de Obrigação Acessória lavrado em face de TIVIT TERCEIRIZAÇÃO DE PROCESSOS, SERVIÇOS E TECNOLOGIA S/A, por ter a empresa apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP de forma inexata, incompleta ou omissa, nos dados não correspondentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme se infere do Relatório Fiscal. Nos termos do Relatório Fiscal, a Recorrente (a) informou código FPAS – Fundo de Previdência e Assistência Social 566, quando deveria ter sido 515; (b) informou código de outras entidades 0099, quando o correto seria 0115; (c) omitiu informação de código e data de transferência dos segurados da incorporada Telefutura Centrais Telefônicas S/A, bem como código e data de movimentação de segurados acidentados com período de afastamento inferior a 15 dias e, por fim, (e) informou erroneamente valores retidos em decorrência de prestações de serviços conforme verificado nas Notas Fiscais de Serviço. Em virtude de ter infringido o art. 32, IV, §§ 3º e 6º da Lei nº 8.212/1991, combinado com o art. 225, IV, § 4º do Decreto nº 3.048/1999, foi aplicada à Recorrente multa no montante de R$ 143.179,00 (cento e quarenta e três mil cento e setenta e nove reais), com fulcro no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/1991 e arts. 284, III e 373, do Decreto nº 3.048/1999. Diante deste panorama, decidiu a Turma no primeiro paradigma (2301 003.469): Preclusão sobre matérias não impugnadas A penalidade decorrente do Auto de Infração recorrido foi aplicada, ainda, em decorrência da omissão de informação de código e data de transferência dos segurados da incorporada Telefutura Centrais Telefônicas S/A, bem como código e data de movimentação de segurados acidentados com período de afastamento inferior a 15 dias e, por fim, de informação errônea dos valores retidos em decorrência de prestações de serviços. Da leitura das razões recursais em apreço, verificase que a Recorrente sequer se defendeu quanto ao mérito da questão acima exposta, já que em nenhum momento faz referência às infrações em apreço, especificadas às fls. 60 do Relatório Fiscal, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário do afirmado pela fiscalização. Fl. 9164DF CARF MF 8 Pois bem. A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta feita, concluise, do acima exposto, que se reputa não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Entendo que não há divergência na interpretação da lei tributária, eis que este primeiro acórdão paradigma trata de norma não analisada nos presentes autos (art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004). Assim, não conheço o recurso especial da Procuradoria quanto ao primeiro paradigma (2301003.469). Passo à análise do segundo paradigma, nº 1401000805, lembrando o que consta de seu relatório: Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e complementando em sua defesa da seguinte forma: Que seja anulado o auto de infração em virtude de nulidades formais e materiais envolvendo o MPF conforme exposto nos itens 4 e 5 do recurso. Em resumo, a Recorrente alega que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPFC, para o PIS, teria sido expedido a destempo sem darlhe ciência do mesmo obstando assim a espontaneidade prevista no art. 47 da Lei n. 9.43096. Que seja reconhecido o excesso de exação por incluir os impostos que não constitui faturamento, na receita tributável; Que sejam ajustados os créditos considerados na apuração fazendo prevalecer os dados informados nos balancetes atendendose ao disposto no art. 3º da Lei nº 10.637/2002; Por fim, que seja reaberto o prazo de 20(vinte) dias para que o contribuinte pague os valores devidos de PIS/PASEP sem a multa punitiva de 75%. Fl. 9165DF CARF MF Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 9101003.816 CSRFT1 Fl. 9.162 9 Diante deste contexto fático, decidiu a Turma no segundo acórdão paradigma (1401000.805): PRECLUSÃO Conforme relatado a Recorrente somente em fase recursal traz à baila matéria não inaugurada na fase impugnatória, qual seja, requer que seja reconhecido o excesso de exação por incluir os impostos que não constitui faturamento, na receita tributável. Não sendo matéria de ordem pública, a qual a autoridade julgadora poderia apreciála até de oficio, a ausência da instauração de controvérsia na impugnação tem o condão de fazer incidir os efeitos da preclusão administrativa sobre a matéria somente agitada no recurso voluntário, tornando o ponto incontroverso. Essa é a inteligência inclusive do artigo 16, §4°, do Decreto n°70.235/72, verbis(...) Portanto, considero preclusa referida matéria O contribuinte pede não seja conhecido o recurso quanto ao segundo paradigma, pelas razões seguintes: Da leitura das duas ementas dos acórdãos paradigmas, vêse que ambos tratam de casos em que foi reconhecida a preclusão diante da não contestação pelo contribuinte de determinada matéria objeto dos processos discutidos. No entanto, não é essa a situação que se vê nos presentes autos, uma vez que a Recorrida questionou expressamente a desqualificação do método PIC, o que fora, inclusive, ratificado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção quando do julgamento dos Embargos de Declaração opostos pela própria Fazenda Entendo que o pleito do contribuinte não merece acolhida. Afinal, definir o que foi – ou não – contestado pelo contribuinte é exatamente o mérito do recurso especial, para, interpretando o caso dos autos e dispositivos do Decreto nº 70.235/1972, decidir pela manutenção ou reforma do acórdão recorrido. Assim, conheço o recurso especial com relação ao segundo paradigma (acórdão 1401000.805). Mérito Recurso do Contribuinte – Aplicação da IN 243 no ano de 2002 Adoto as razões da Presidente de Câmara para conhecimento do recurso especial do contribuinte quanto à única matéria admitida (aplicação da IN 243 no ano de 2002), nos termos do artigo 59, §1º, da Lei nº 9.784/1999. Fl. 9166DF CARF MF 10 Esta Turma da CSRF já analisou esta matéria, decidindo no acórdão nº 9101 002.839 – um dos acórdãos identificados como paradigmas pela impossibilidade de aplicação desta Instrução Normativa SRF no ano de 2002: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 EFEITOS DA IN 243/2002 AO PRÓPRIO ANO DE SUA EDIÇÃO. PRINCÍPIOS DA ANTERIORIDADE, IRRETROATIVIDADE E PROTEÇÃO DA CONFIANÇA LEGÍTIMA. A IN 243, editada em 13 de novembro de 2002, apenas passou a surtir efeitos a partir de 2013, em face do necessário respeito aos princípios da anterioridade, irretroatividade e proteção da confiança legítima. Destaco, ainda, manifestação da COSIT em Processo de Consulta também mencionado no acórdão 9101002.839, explicitando inexistir obrigatoriedade na aplicação da IN 243 no ano de 2002 pelo contribuinte: Processo de Consulta n° 2/08 Órgão: Coordenação Geral do Sistema de Tributação COSIT Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ementa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PREÇO PARÂMETRO DE INSUMOS IMPORTADOS. Na determinação do preço parâmetro pelo método PRL, com margem de sessenta por cento, na metodologia de cálculo, devese deduzir o valor agregado, ao bem produzido no país, na apuração da margem de lucro de 60%, e, também, do preço líquido de venda na apuração final do preço parâmetro. Esta metodologia deverá ser utilizada a partir do início do ano calendário de 2003 e, opcionalmente, em 2002, pela empresa interessada, em função da publicação de novo procedimento pela Instrução Normativa SRF n° 243, de 2002. A interessada, no entanto, poderseá utilizar, nos anos de 2000, 2001 e, opcionalmente, em 2002 das disposições que constam da Instrução Normativa SRF então vigente (IN SRF n° 32, de 2001), nas quais, não contemplam a retirada do valor agregado na composição final do preço parâmetro pelo método PRL 60%. DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 146 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN); art. 18 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e § 11 do art. 12 da Instrução Normativa SRF n°243, de 11 de novembro de 2002. OTHONIEL LUCAS DE SOUSA JÚNIOR Coordenador Geral — Substituto (Data da Decisão: 23.01.2008 25.01.2008) Com efeito, até a publicação da Instrução Normativa SRF 243, em 13 de novembro de 2002, , vigia a IN SRF 32, que é interpretada como norma complementar em matéria tributária, em conformidade com o artigo 100, I, do Código Tributário Nacional: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: Fl. 9167DF CARF MF Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 9101003.816 CSRFT1 Fl. 9.163 11 I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. A alteração na interpretação da Receita Federal, explicitada pela Instrução Normativa SRF 243, em novembro de 2002, assim, não poderia implicar na aplicação deste novo entendimento quanto aos fatos ocorridos do curso do ano de 2002, no curso deste ano. Apenas quanto aos anoscalendários subsequentes é exigida a aplicaçãoda IN 243, inclusive em respeito ao artigo 146, do Código Tributário Nacional: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Assim, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, afastando a aplicação da IN 243 no ano de 2002. Mérito Recurso Especial da Procuradoria Preclusão A preclusão foi enfrentada pelo Colegiado a quo após a apresentação de embargos pela Procuradoria, conforme acórdão 1402.001.966. Destacamse razões do Conselheiro Relator: Entretanto, argumenta a embargante que a contribuinte, em sua impugnação, se limitara a trazer esse argumento apenas com relação aos itens importados de códigos 114483, 128368, 154786, 155253 e 170864 (objeto de desqualificação do método PIC), e a decisão embargada, assim como a decisão recorrida, considerou que o equívoco da fiscalização teria ocorrido em caráter geral, com relação a todos os itens objeto de ajuste. Nessa esteira, a questão levantada pela embargante diz respeito à omissão, no voto condutor do acórdão embargado, assim como no acórdão recorrido, quanto à explicitação dos pressupostos e motivos que fundamentaram a apreciação do tema em caráter geral, já que esse não configuraria matéria de ordem pública e Fl. 9168DF CARF MF 12 tampouco teria sido questionado tempestivamente pelo contribuinte. Com efeito, entendo caber razão à embargante quanto à existência da omissão a ser sanada, pelo que acolho os embargos e passo à análise do seu mérito. (...) Considero que o equívoco cometido pelo Fisco, no caso em análise, diz respeito ao procedimento adotado ao utilizar o preço praticado do ano anterior para apurar o ajuste do estoque inicial separadamente das importações do período. A defesa, por sua vez, questiona tal procedimento em sua impugnação, vejase o excerto da parte da impugnação. “... Além disso, em relação ao ajuste efetuado pela fiscalização, foi utilizado o preço praticado do ano anterior para apurar o ajuste do estoque inicial separadamente das importações do período, sendo que o correto seria utilizar o preço praticado médio em todo cálculo e não apenas para as importações do período. ..." Embora o faça apenas no bojo de seus argumentos para os itens importados. ...” Embora o faça apenas no bojo de seus argumentos para os itens importados de códigos 114483, 128368, 154786, 155253 e 170864 (objeto de desqualificação do método PIC), não entendo que tal questionamento esteja adstrito tãosomente àqueles itens. Há, no caso, uma regra errada que se expressa em vários itens do lançamento. O fato de a defesa ter detectado, e questionado, tal regra apenas em algumas de suas expressões não elide o fato de que a defesa, efetivamente, questionou tal regra. Assim, ao considerar que houve o questionamento tempestivo, por parte da defesa, do procedimento adotado pelo Fisco, considero sanada a omissão aventada pela embargante. Caracterizada a omissão aventada, Voto no sentido de acolher os embargos de declaração para, no mérito, uma vez sanada a omissão, ratificar os termos do acórdão embargado. Em seu recurso especial, a Procuradoria sustenta em seu recurso especial que: A contribuinte questionou o procedimento do Fisco apenas para os itens importados de códigos 114483, 128368, 154786, 155253 e 170864. Contudo, a e. 2ª Turma Ordinária cancelou também o procedimento fiscal voltado para outros itens não impugnados. Portanto, a e. Turma a quo divergiu do entendimento de outras Câmaras do Conselho, que proibiram a apreciação de matéria que não se enquadra como de ordem pública e que não foi tempestivamente e expressamente questionada. Com efeito, preveem os artigos 16 e 17, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 9169DF CARF MF Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 9101003.816 CSRFT1 Fl. 9.164 13 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Com efeito, à ocasião da apresentação de impugnação administrativa, o contribuinte deve expor as razões de sua defesa, restando preclusa a discussão de temas não enfrentados. No entanto, no caso dos autos, o contribuinte apresentou impugnação tratando expressamente do equívoco na apuração do Método PIC – Preços Independentes Comparados em arrazoado de 5 folhas (fls. 2.304 a 2.309, pdf 130, volume 11). Neste arrazoado, um dos fundamentos de defesa (equívoco na apuração do estoque inicial) não tem qualquer referência a produtos, como bem indicado pelo acórdão recorrido: Além disso, em relação ao ajuste efetuado pela fiscalização, foi utilizado o preço praticado do ano anterior para apurar o ajuste do estoque inicial separadamente das importações do período, sendo que o correto seria utilizar o preço praticado médio em todo cálculo e não apenas para as importações do período. Antes disso, o contribuinte também aponta impugna a apuração do Método PIC no lançamento tributário, quando aponta que “a amostragem realizada ... restou prejudicada”. Nesse ponto, menciona os itens importados de códigos 114483, 128368, 154786, 155253 e 170864, verbis: Em relação ao método de preços independentes comparados, a r. Auditora Fiscal concluiu que não foi possível formar convicção quanto ao preço parâmetro apurado pela Impugnante em relação aos produtos (...), pois nesses casos a amostragem realizada supostamente restou prejudicada, uma vez que (....) Ora, com base nos documentos apresentados já é possível constatar que os preços pelos quais os bens são importados não diferem dos preços praticados pelo exportador em operações com terceiros no mercado argentino (...) Assim, entendo que a impugnação administrativa expressamente tratou da apuração do Método PIC, questionando indistintamente o equívoco na apuração do estoque inicial. Portanto, entendo que o acórdão recorrido não merece reparos, razão pela qual nego provimento ao recurso da Procuradoria. Conclusão: Diante de tais razões, concluo por: (i) conhecer do recurso especial do contribuinte, nos termos da decisão do Presidente de Câmara, e lhe dar provimento, devendo ser analisado as repercussões em relação ao saldo de prejuízo pela unidade de origem; Fl. 9170DF CARF MF 14 (ii) conhecer do recurso especial da Procuradoria quanto a um dos paradigmas, no mérito negandolhe provimento. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 9171DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10437.721372/2015-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário:2010,2011
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. ORIGEM IDENTIFICADA. NÃO COMPROVAÇÃO DE QUE OS RECURSOS PROVÊM DO CONTRATO DE MÚTUO.
Far-se-á o lançamento de ofício fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios.
IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26).
TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.(Súmula CARF nº 4)
Numero da decisão: 2202-004.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson (Presidente)
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ORIGEM IDENTIFICADA. NÃO COMPROVAÇÃO DE QUE OS RECURSOS PROVÊM DO CONTRATO DE MÚTUO. Farseá o lançamento de ofício fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios. IRPF. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.(Súmula CARF nº 4) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 7. 72 13 72 /2 01 5- 91 Fl. 405DF CARF MF 2 Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson (Presidente) Relatório Tratam os presentes autos de lançamento de ofício (Auto de Infração fls. 221/232), nos termos dos arts. 904 e 926 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), em face da apuração das seguintes infrações: a) Omissão de Rendimentos recebidos de pessoas jurídicas; b) Omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada. O contribuinte foi intimado a apresentar documentos e esclarecimentos referentes à movimentação financeira junto aos Bancos BVA S.A. e Bradesco do ano calendário de 2010. Em 25/11/2014, 03/02/2015 e 24/02/2015 o contribuinte, através de seu representante legal, apresentou os extratos bancários mensais da conta 0040388 1, agencia 0103, do Banco Bradesco e da conta 8173601, agência 0004, do Banco BVA S.A. Em 03/03/2015, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal n° 01/2015, intimando o contribuinte a comprovar, mediante apresentação de documentação bancária (comprovantes de depósito bancário, cheques nominais, DOC, etc) e documentação complementar hábil, e idônea (contratos, recibos, contracheques, etc), a origem dos recursos creditadas nas mencionadas contas bancárias. Nesse mesmo documento o contribuinte foi notificado do procedimento do lançamento de oficio, a titulo de omissão de receita ou de rendimento, dos valores cuja origem não fosse comprovada, conforme disposto no artigo 42 da Lei 9.430/96, alterado pelo artigo 4º da lei 9.481/97 e artigo 58 da Lei 10.637/02 e artigos 841, 845 e 926 do Decreto ns 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99). Em resposta ao referido termo de intimação, o contribuinte apresentou sucessivos pedidos de prorrogações de prazo (em 07/04/2015, 12/05/2015, 23/0672015 e 14/07/2015) para atendimento dos esclarecimentos formulados. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10437.721372/201591 Acórdão n.º 2202004.811 S2C2T2 Fl. 406 3 Em 22/09/2015, 06/10/2015 e 26/10/2015 o contribuinte, por intermédio de seu representante legal, compareceu a esta Repartição Fiscal para apresentação de documentos e esclarecimentos complementares correspondentes a movimentação financeira ocorrida na conta 8173601, agencia 0004, do Banco BVA S.A. Em 20/10/2015, a fiscalização lavrou Termo de Constatação Fiscal cientificando o contribuinte ora fiscalizado de que os documentos apresentados em 11/08/2015 também subsidiariam a ação fiscal relativamente ao anocalendário de 2010, período incluído em 20/10/2015 Diante da documentação apresentada, a fiscalização concluiu: 1) Quanto ao Banco BVA, conta 81736013 agência 0004: A) "DOC/TED Eletrônico Ever Electric Al C V Ltda, CNPJ 06.104,010/000353” e “DOC/TED Eletrônico Ever.Electric Appliances Industria e, CNPJ 06.194.010/000191": Visando comprovar a origem dos lançamentos efetuados a crédito, na conta 8173601, durante todo o ano de 2011, cujo histórico referese a "DOC/TED Eletrônico Ever Electric Al C V Ltda, CNPJ 06.194.010/000353" e "DOC/TED Eletrônico Ever Electric Appliances Industria e, CNPJ 06.194.010/000191", o contribuinte anexou cópia do "Instrumento Particular de Solução de Mútuos. Cessão de Direitos e Outras Avenças", datado de setembro/2010, celebrado entre as empresas Super Mart Ltda e Ever Electric Appliances Indústria e Comercio de Veículos Ltda, constante de 06 (seis) folhas. Analisando o Instrumento Particular apresentado, constatamos, em resumo, que as partes contratantes eram as empresas Super Mart Ltda, CNPJ 04.683.818/000107 e Ever Electric Appliances Indústria e Comércio de Veículos Ltda, CNPJ 06.194.010/0001 91. Que a empresa Ever Electric tinha a obrigação contratual, dentre outras, de pagar a Super Mart o valor de R$ 24.000.000,00, cm 16 prestações mensais, corrigidas pela SELIC. Que tais prestações deveriam pagas através de depósitos bancários efetuados mensalmente na conta 8173601, agencia 0004, do Banco BVA S/A, conta esta de titularidade pessoal do sócio da empresa Super Mart, Sr. Aroldo Messias Barros da Cunha. Que. excepcionalmente, os pagamentos poderiam ser efetuados pessoalmente junto a empresa Super Mart Ltda, CNPJ 04.683.818/000107, contra recibo. Assim, verificamos que os lançamentos efetuados a crédito na conta 8173601, durante todo o ano de 2011, cujo histórico referese a "DOC/TED Eletrônico Ever Electric Al C V Ltda, CNPJ 06.194.010/000353" e "DOC/TED Eletrônico Ever Electric Appliances Industria e, CNPJ 06.194.010/000191" são compatíveis com o disposto no Instrumento Particular supra citado. B) "RESGATE LCI/LCA Fl. 407DF CARF MF 4 Visando comprovar a origem dos lançamentos efetuados a credito nesta conta, no período de 18/02/2011 a 23/02/2011, cujo histórico referese a "Resgate LCI e LCA", o contribuinte apresentou cópia do extrato mensal, do período de 30/09/2010 a 30/12/2010, do Banco BVA, da conta 8173601, agência 0004, constante de 02 (duas) folhas. Assim, ficou comprovado que a origem dos recursos resgatados das aplicações em LCI e LCA, no período de 18/02/2011 a 23/02/2011, é proveniente de depósitos ocorridos e aplicados nesta conta entre 30/09/2010 e 30/12/2010, adicionado dos respectivos rendimentos. C) "DEPÓSITO DE CHEQUE" 01/03/2011: Concluindo a análise a respeito do Banco BVA, temos a relatar que, em 06/10/2015 o contribuinte, através de seu representante legal, apresentou um email datado de 23/09/2015 enviado pelo SAC Banco BVA <sac@bancobva.com.br, com esclarecimento sobre os valores debitados da conta 8173601, agencia 0004, do Banco BVA S/A abaixo relacionados: Através do Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 04/2015, intimamos o contribuinte a apresentar documentação bancária complementar a fim de comprovar que as operações acima estavam interligadas, sendo que o contribuinte apresentou tais documentos em 26/10/2015. Analisando o extrato da conta, bem como a documentação apresentada pelo contribuinte em 06/10/2015 e 26/10/2015 constatamos que em 23/02/2011 e 28/02/2011 foram emitidos cheques administrativos, tendo como favorecido o próprio contribuinte. Posteriormente, em 01/03/2011, tais cheques foram novamente depositados na conta 8173601, agencia 0004, do Banco BVA S/A. Assim sendo, ficou comprovado que os depósitos ocorridos em 01/03/2011 têm sua origem nos cheques administrativos anteriormente emitidos. 2) Quanto ao Banco Bradesco, conta 00103881, agência 0103 Para alguns créditos efetuados na nesta conta, não foram anexados quaisquer documentos e/ou esclarecimentos a respeito. Tais ocorrências foram listadas no "Demonstrativo de Valores Creditados Não Comprovado 2011 Banco Bradesco, conta corrente 00403881, agência 0103", elaborado por esta fiscalização, com a observação "sem documentos/esclarecimentos". Visando comprovar a origem de diversos lançamentos efetuados a crédito nesta conta, o contribuinte apresentou, em 11/08/2015, 22 (vinte e duas) folhas contendo comprovantes denominados "Segunda Via de Comprovante de Depósito/Transferência" Preliminarmente cabe destacar que tais folhas foram apresentadas como supostamente emitidas pelo Banco Bradesco. Entretanto, verificamos que as informações não estão impressas em papel timbrado do Banco, que não consta nenhuma assinatura do responsável pela emissão de tais informações ou documento oficial do Banco (Oficio, Carta, Comunicação) encaminhando tais folhas. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10437.721372/201591 Acórdão n.º 2202004.811 S2C2T2 Fl. 407 5 Analisando as "Segunda Via de Comprovante de Depósito/Transferência", constatamos que as mesmas não identificam o respectivo remetente de cada recurso. O contribuinte não anexou documentos e/ou esclarecimentos complementares, coincidente em datas e valores, que efetivamente comprovassem a que título tais recursos foram recebidos Assim sendo, tais ocorrências foram listadas no "Demonstrativo de Valores Creditados Não Comprovados 2011 Banco Bradesco, contacorrente 0040388 1, agência 0103", elaborado por esta fiscalização, com a observação "Segunda Via do Depósito/Transferência. 3.2) Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica: Conforme já relatado, o contribuinte apresentou cópia do "Instrumento Particular de Solução de Mútuos, Cessão de Direitos e Outras Avenças", datado de setembro/2010, celebrado entre as empresas Super Mart Ltda e Ever Electric Appliances Indústria e Comercio de Veículos Ltda, constante de 06 (seis) folhas. Analisando o Instrumento Particular apresentado, constatamos, em resumo, que as partes contratantes eram as empresas Super Mart Ltda, CNPJ 04.683.818/000107 e Ever Electric Appliances Indústria e Comércio de Veículos Ltda, CNPJ 06.194.010/0001 91. Que a empresa Ever Electric tinha a obrigação contratual, dentre outras, de pagar a Super Mart o valor de R$ 24.000.000,00, em 16 prestações mensais, corrigidas pela SELIC. Que tais prestações deveriam pagas através de depósitos bancários efetuados mensalmente na conta 8173601. agência 0004, do Banco BVA S/A, conta esta de titularidade pessoal do sócio da empresa Super Mart, Sr. Aroldo Messias Barros da Cunha. Que, excepcionalmente, os pagamentos poderiam ser efetuados pessoalmente junto a empresa Super Mart Ltda, CNPJ 04.683.818/0001 07, contra recibo. Em 18/08/2015, lavramos o Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 03/2015, intimando o contribuinte a apresentar documentação complementar hábil e idônea que pudesse comprovar que os recursos creditados em sua conta pessoal, por força do disposto na cláusula quarta, inciso IV do referido Instrumento Particular, foram devidamente e integralmente repassados a empresa Super Mart Ltda. Em 22/09/2015 o contribuinte apresentou esclarecimento por escrito, datado de 21/09/2015 e assinado pelo próprio contribuinte, informando que os recursos em questão foram depositados em sua conta pessoal tendo em vista que, naquela época, a conta pessoa jurídica estava com problemas, não sendo possível sua utilização. Informou, ainda, que não efetuou as transferências dos recursos para empresa Super Mart Ltda, pois o Banco BVA S.A, faliu e os valores em questão ficaram retidos. As alegações do contribuinte, entretanto, não podem prosperar. O contribuinte não especificou que tipo de problema a conta Fl. 409DF CARF MF 6 pessoa jurídica tinha, nem tão pouco anexou documentos hábeis e idôneos pertinentes. Não anexou documentos referentes aos montantes que foram retidos pelo Banco BVA e em que data tais retenções teriam ocorrido. Consultando o site oficial do Banco Central do Brasil (BACEN), constatamos que a intervenção do BACEN no Banco BVA S/A iniciou em 19/10/2012. Entretanto, os recursos ora questionados foram depositados entre setembro/2010 e novembro/2011, ou seja, bem antes da intervenção. O contribuinte não apresentou documentação hábil e idônea que pudesse comprovar que os recursos em questão foram devidamente e integralmente repassados a empresa Super Mart Ltda nos anocalendário de 2010 e 2011. Ainda, não constam das respectivas Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física do contribuinte ora fiscalizado quaisquer lançamentos referentes a operação em questão, a saber: o contribuinte não informou os saldos, em 31/12/2010 e 31/12/2011, da conta 8173601, agência 0004 do Banco BVA, nem das aplicações financeiras a ela vinculadas; o contribuinte não informou o valor dos rendimentos auferidos, durante os anoscalendário de 2010 e 2011, provenientes das aplicações financeiras vinculadas a conta 8173601, agencia 0004 do Banco BVA; o contribuinte não informou quaisquer valores recebidos da empresa Super Mart Ltda, seja a titulo de rendimentos tributáveis (exemplo: rendimentos do trabalho assalariado ou não), rendimentos isentos (exemplo: lucros distribuídos) e/ou dívidas/empréstimos. Adicionalmente, não constam lançados nas Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) da empresa Super Mart Ltda, CNPJ 04.683.818/000107, dos anos calendário de 2010 e 2011, valores compatíveis e condizentes com a operação descrita no Instrumento Particular apresentado. Assim sendo, consideramos que o contribuinte ora fiscalizado foi o real beneficiário de tais recursos, tendo em vista que: 1) aplicou sistematicamente os valores recebidos nos anos calendário de 2010 e 2011 da empresa Ever Electric, em aplicações financeiras, que por sua vez produziram rendimentos, vinculadas a sua conta pessoal 8173255, agencia 0004, do Banco BVA; 2) não comprovou o repasse dos valores recebidos nos anos calendário de 2010 e 2011 para a empresa Super Mart Ltda; Pelo exposto, os lançamentos efetuados a crédito, na conta 8173601, durante os anos de 2010 c 2011, cujo histórico refere se a "DOC/TED Eletrônico Ever Electric Al C V Ltda, CNPJ 06.194.010/000353" e "DOC/TED eletrônico Ever Electric Appliances Industria e, CNPJ 06.194.010/000191" serão Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10437.721372/201591 Acórdão n.º 2202004.811 S2C2T2 Fl. 408 7 tributados como Omissão de Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica, com respaldo nos artigos 1º a 3º da Lei 7.713/88 e nos artigos 37, 38 e 45 do Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). O contribuinte apresentou impugnação de fls. 238/241, na qual alegou, resumidamente que: a) Os valores não caracterizam, receita ou rendimentos, posto que são de origem do contribuinte e a este retomou; b) os valores pertenciam à empresa Super Marte Ltda, foram escriturados e só não transitaram pela conta da empresa, pois esta possuía impedimentos legais que impossibilitavam abertura de conta corrente em seu nome; c) Como o rendimento pertencia à pessoa jurídica, mesmo que tributável, deveria ser como lucro e não em seu principal; d) apesar do Auditor Fiscal reconhecer que foram depositados dois cheques administrativos os quais saíram e voltaram pelo mesmo instrumento e titularidade, mesmo assim os enquadrou como depósito sem comprovação de origem; A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza negou provimento ao recurso em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010, 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. ORIGEM IDENTIFICADA. NÃO COMPROVAÇÃO DE QUE OS RECURSOS PROVÊM DO CONTRATO DE MÚTUO. Farseá o lançamento de ofício fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidas junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS E OITIVA DE TESTEMUNHA. INDEFERIMENTO. DOCUMENTOS Fl. 411DF CARF MF 8 ANEXADOS AOS AUTOS SUFICIENTES PARA FORMAR A LIVRE CONVICÇÃO DO JULGADOR. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No que tange ao pedido de apresentação de provas testemunhais, há que se esclarecer que não há previsão legal para este tipo de prova no Processo Administrativo Fiscal, a não ser nas formas de declarações firmadas pelas testemunhas, apresentadas pela defesa, ou na forma de depoimentos tomados pelas autoridades preparadoras, quando entenderem necessárias, no decorrer das investigações, ou atendendo a pedido de diligência dos órgãos julgadores. Cientificado (AR fls. 290) o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 293/300, no qual reitera as alegações suscitadas. É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço 1) PRELIMINARES 1.1) DA NULIDADE DO LANÇAMENTO EM RAZÃO DO INDEFERIMENTO DA PROVA PERICIAL, TESTEMUNHAL E DA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. O contribuinte alega, novamente, como preliminar a nulidade do lançamento em razão da necessidade de provas periciais e oitivas de testemunha. Tratase de protesto genérico sem qualquer fundamentação. Correto, portanto, seu indeferimento pela decisão recorrida. O artigo 16 do Decreto 70.235/72 não deixa dúvida sobre a necessidade motivação do pedido de perícia. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10437.721372/201591 Acórdão n.º 2202004.811 S2C2T2 Fl. 409 9 II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (grifamos) Da mesma forma, o pedido de realização de produção de prova testemunhal e oitiva de testemunhas carece de motivação, motivo pelo, devem ser igualmente indeferidos. Improcedentes as preliminares suscitadas. 1.2) ILEGALIDADE DA MULTA DE OFÍCIO E DA TAXA SELIC Alega o Recorrente que "a multa não pode ou deve ser arbitrada" e a ilegalidade da taxa SELIC. Não houve qualquer arbitramento da multa. Aliás, não existe previsão de arbitramento de multa. Essas estão taxativamente previstas em lei. Igualmente improcedente a alegação do Recorrente quanto à ilegalidade da taxa SELIC. A aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários é matéria pacificada no âmbito deste conselho conforme se verifica pela Súmula 4 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 2) MÉRITO 2.1) DA ILEGALIDADE DO ARBITRAMENTO DE LUCROS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DESTINO DOS VALORES Alega do Recorrente ser ilegal o arbitramento de lucros efetuados com base nos depósitos bancários, bem como o lançamento sem a comprovação do destino dos valores depositados. Em primeiro lugar, é importante registrar que, em momento algum, houve a tributação do lucro, uma vez que tratase de lançamento de imposto de renda pessoa física. Fl. 413DF CARF MF 10 É pacífico que uso de presunções em matéria tributária é admitido, desde que tais presunções sejam relativas, como é o caso da presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, o qual dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase,portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Ademais, a legitimidade da inversão do ônus da prova, no caso em questão, é matéria que já se encontra sumulada pela jurisprudência do CARF, conforme se constata pela Súmula nº 26 abaixo transcrita: Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10437.721372/201591 Acórdão n.º 2202004.811 S2C2T2 Fl. 410 11 Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada 2.2) OMISSÃO DOS VALORES RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Novamente o Recorrente desenvolve alegações genéricas quanto ao lançamento relativo a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Alega os valores depositados na conta 8176013, agência 0004 do Banco BVA, referiase a um contrato de mútuo comprovado por Instrumento Particular de Solução de Mútuos, Cessão de Direitos e Outras Avenças (fls. 71/76). Todavia, como bem observado pela decisão recorrida, da análide da referida documentação restou comprovado que: · as partes contratantes eram as empresas Super Mart Ltda e Ever Electric Appliances Indústria e Comércio de Veículos Ltda; · a empresa Ever Electric Appliances Indústria e Comércio de Veículos Ltda tinha a obrigação contratual de pagar a empresa Super Mart Ltda o valor de R$ 24.000.000,00, em 16 prestações mensais, corrigidas pela SELIC; · tais prestações deveriam ser pagas através de depósitos bancários efetuados mensalmente na conta 8173601, agencia 0004, do Banco BVA S/A;e, excepcionalmente, os pagamentos poderiam ser efetuados pessoalmente junto à empresa Super Mart Ltda, mediante recibo. · esta conta era de titularidade do sócio da empresa Super Mart, o próprio contribuinte; (...) A defesa ainda alegou que toda a movimentação e lançamentos estavam amparados pelo contrato de mútuo e que embora figurasse duas personalidades jurídicas, os valores foram depositados em nome do contribuinte, uma vez que este era proprietário de uma delas empresas. Disse ainda que cedeu os valores objetos daquele Contrato de Mutuo. Nesse ponto reside o cerne da questão, pois o contrato de Mútuo poderia explicar e resolver a lide. No entanto, como afirmado nos parágrafos acima deste voto, o contribuinte não justificou inúmeras questões que confirmassem suas alegações, vejamos: a) Intimado a explicar porque os rendimentos foram depositados em sua conta particular, o contribuinte limitouse a afirmar que a conta da empresa apresentava problemas. No entanto, dos autos verificase que o impugnante não especifica, nem comprova qual foi o problema que a empresa teria tido e nem tão pouco anexou documentos capazes de provar suas alegações. b) Intimado a explicar por quais razões não fez o repasse para a empresa Super Mart Ltda, a defesa afirmou que o banco havia falido (liquidação da Instituição Financeira). No entanto, nos autos resta demonstrado cabalmente que os depósitos ocorreram Fl. 415DF CARF MF 12 bem antes da intervenção, fato este que ocorreu em 19/10/2012. Cumpre destacar que a defesa não anexou quaisquer documentos que comprovassem o quantum foi retido pelo Banco BVA e em que data tais retenções teriam ocorrido. c) Não foram lançados nas Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) da empresa Super Mart Ltda, dos anoscalendário de 2010 e 2011, valores compatíveis e condizentes com a operação descrita no Instrumento Particular de Solução de Mútuos, Cessão de Direitos e Outras Avencas . Improcedentes, portanto, as alegações do contribuinte. |3) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 416DF CARF MF
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