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Numero do processo: 10830.002290/00-62
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1991
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA SUMULA CARF N. 91.
No caso de pedido administrativo de restituição formulado antes de 09 de junho de 2005, aplica-se o prazo decadencial de 10 (dez) conforme inteligência da Súmula CARF n. 91.
Numero da decisão: 9303-005.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para aplicar a Súmula CARF nº 91.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1991 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA SUMULA CARF N. 91. No caso de pedido administrativo de restituição formulado antes de 09 de junho de 2005, aplicase o prazo decadencial de 10 (dez) conforme inteligência da Súmula CARF n. 91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para aplicar a Súmula CARF nº 91. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 22 90 /0 0- 62 Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10830.002290/0062 Acórdão n.º 9303005.483 CSRFT3 Fl. 269 2 Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 30334.427 de 13 de junho de 2007 (fls. 229 a 233 do processo eletrônico), proferido pela Terceira Câmara do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, decisão que por maioria de votos, decidiu afastar a decadência do direito do Contribuinte pleitear a restituição da Contribuição para o FINSOCIAL paga a maior; e por unanimidade de votos, determinar a devolução do processo à autoridade julgadora de primeira instância competente para apreciar as demais questões de mérito. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de restituição protocolado pelo Contribuinte em 15.03.2000, justificando ter efetuado o pagamento indevido do FINSOCIAL na parte excedente a 0,5%, requereu a restituição/compensação da importância recolhida a maior, conforme os DARF'S juntados ao processo. Indeferido o pedido por parte da DRF Delegacia da Receita Federal de Campinas/SP, o Contribuinte apresentou sua impugnação para a DRFJ — Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP, que manteve o indeferimento, sob o fundamento de ter se esgotado o prazo fixado em lei para pleitear a restituição/compensação dos pagamentos efetuados. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, o Colegiado por maioria de votos, decidiu afastar a decadência do direito do contribuinte pleitear a restituição da Contribuição para o FINSOCIAL paga a maior; e por unanimidade de votos, determinar a devolução do processo à autoridade julgadora de primeira instância competente para apreciar as demais questões de mérito, , conforme acórdão assim ementado in verbis: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1991 . Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10830.002290/0062 Acórdão n.º 9303005.483 CSRFT3 Fl. 270 3 Ementa: FINSOCIAL. PRESCRIÇÃO AFASTADA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INÍCIO DE CONTAGEM DO PRAZO PRESCRICIONAL. MP N°1110/95. 1. Em análise à questão afeita ao critério para a contagem do prazo prescricional para o pedido de restituição declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, entendese que o prazo prescricional em pedidos que versem sobre restituição ou compensação de tributos e contribuições, diante da ausência de ato do Senado Federal (art. 52, X, da CF), fixase o termo a quo da prescrição da vigência de ato emitido pelo Poder Executivo com efeitos similares. Tocante ao FINSOCIAL, tal ato é representado pela Medida Provisória n° 1110/95. 2. Assim, o termo a quo da prescrição é a data da edição da MP n° 1110, de 30 de agosto de 1995, desde que o prazo de prescrição, pelas regras gerais do CTN, não se tenha consumado. 3. In casu, o pedido ocorreu na data de 15 de março de 2000, logo sem o vício da prescrição. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 239 a 248) em face do acordão recorrido que deu provimento ao recurso do contribuinte, requerendo a reforma do acórdão exarado, alegando, no que concerne decadência, contrariedade à legislação tributária, nos termos do art. 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147, publicado no DOU de 28/06/2007. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 250 e 251, sob o argumento que referente a contrariedade à legislação tributária, o recurso merece acolhimento, haja vista que a decisão de afastar a decadência foi prolatada por maioria de votos. O Contribuinte foi cientificado por edital para apresentar contrarrazões, conforme se verifica às fls. 262 e não se manifestou. É o relatório em síntese. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10830.002290/0062 Acórdão n.º 9303005.483 CSRFT3 Fl. 271 4 Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora O Recurso Especial é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso interposto pela Fazenda Nacional. O cerne da questão que se discute no presente feito é saber qual o termo inicial para a contagem do prazo que o contribuinte possui para pleitear a restituição do FINSOCIAL, que veio a ser declarado inconstitucional pelo Excelso Pretório, em controle difuso de constitucionalidade. A matéria quanto ao termo inicial e ao prazo para se pleitear a restituição/compensação, já está pacificada nos tribunais e nessa câmara superior, senão vejamos: A contagem do prazo para postularse restituição de quantias indevidamente recolhidas a título de tributo submetido à sistemática do lançamento por homologação, que tantos e tão acalorados debates já suscitou, encontrase inteiramente pacificada com o advento da decisão do colendo Supremo Tribunal Federal no julgamento do recurso extraordinário nº 566.621/RS, que reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC nº 118/05, consignando entendimento no sentido de que: (a) para os processos ajuizados após a entrada em vigor da LC nº 118/2005, em 09 de junho de 2005, o prazo para compensação/restituição do crédito tributário recolhido indevidamente ou a maior é de 05 (cinco) anos contados do pagamento indevido; (b) de outro lado, para as ações de restituição ajuizadas até a entrada em vigor da LC nº 118/2005, deve ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos contados do fato gerador, tese do 5 mais 5 (cinco anos para homologar o lançamento e mais 5 para repetir). A ementa do acórdão do RE nº 566.621/RS foi redigida nos seguintes termos: Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10830.002290/0062 Acórdão n.º 9303005.483 CSRFT3 Fl. 272 5 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10830.002290/0062 Acórdão n.º 9303005.483 CSRFT3 Fl. 273 6 não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. No que tange à discussão acerca do termo inicial a ser considerado para a contagem do prazo prescricional/decadencial. Vêse que tal matéria foi objeto de decisão do STJ sem sede de recursos repetitivos, na apreciação do REsp nº 1110578/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux (data do julgamento 12/05/2010). O que peço licença para transcrever a ementa (Grifos meus): “Ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009 AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10830.002290/0062 Acórdão n.º 9303005.483 CSRFT3 Fl. 274 7 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008". (Resp nº 1110578/SP, Rel. Min. Luiz Fux, data do julgamento 12052010, DJe de 21/05/2010; RT vol. 900 p. 204) (Negritos acrescentados)” Assim, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, disposição reproduzida no art. 62, §2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, as decisões proferidas em sede de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal são de observância obrigatória por este Conselho. Ademais, referido entendimento encontrase ainda consolidado por meio da Súmula CARF nº 91, de observância obrigatória conforme art. 72, Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, in verbis: Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10830.002290/0062 Acórdão n.º 9303005.483 CSRFT3 Fl. 275 8 Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Como relatado a discussão dos presentes autos tratam de pedido de restituição protocolizado em 15/03/2000, referentes aos períodos de apuração entre setembro de 1989 a outubro de 1991 (fls). Diante do exposto e ainda considerando o art. 45, inciso VI do Regimento Interno deste Conselho, deve ser reconhecida a prescrição do direito de restituição/compensação do contribuinte em relação aos fatos anteriores a março de 1990. Diante do exposto, dou provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 275DF CARF MF
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Numero do processo: 11618.000542/2005-63
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 30/04/2001 a 30/06/2004
SUBVENÇÕES ESTADUAIS. BENEFÍCIOS FISCAIS. NÃO CONFIGURAÇÃO DE RECEITA PARA FINS DE INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NO REGIME CUMULATIVO.
A base de cálculo da Cofins é o faturamento que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias, de serviços, mercadorias e serviços; o disposto no § 1°, do art. 3°, da Lei n° 9.718/98 foi afastado, por sentença transitada em julgado do STF. Logo, não incide PIS e COFINS sobre valores de créditos de ICMS, decorrentes de subvenção estadual.
CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS NO REGIME NÃO CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) o crédito presumido do ICMS não inclui a base de cálculo do PIS e da COFINS no regime não cumulativo por se configurar incentivo voltado á redução de custos.
Numero da decisão: 9303-005.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 30/04/2001 a 30/06/2004 SUBVENÇÕES ESTADUAIS. BENEFÍCIOS FISCAIS. NÃO CONFIGURAÇÃO DE RECEITA PARA FINS DE INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NO REGIME CUMULATIVO. A base de cálculo da Cofins é o faturamento que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias, de serviços, mercadorias e serviços; o disposto no § 1°, do art. 3°, da Lei n° 9.718/98 foi afastado, por sentença transitada em julgado do STF. Logo, não incide PIS e COFINS sobre valores de créditos de ICMS, decorrentes de subvenção estadual. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS NO REGIME NÃO CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) o crédito presumido do ICMS não inclui a base de cálculo do PIS e da COFINS no regime não cumulativo por se configurar incentivo voltado á redução de custos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento parcial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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BENEFÍCIOS FISCAIS. NÃO CONFIGURAÇÃO DE RECEITA PARA FINS DE INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NO REGIME CUMULATIVO. A base de cálculo da Cofins é o faturamento que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias, de serviços, mercadorias e serviços; o disposto no § 1°, do art. 3°, da Lei n° 9.718/98 foi afastado, por sentença transitada em julgado do STF. Logo, não incide PIS e COFINS sobre valores de créditos de ICMS, decorrentes de subvenção estadual. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS NO REGIME NÃO CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) o crédito presumido do ICMS não inclui a base de cálculo do PIS e da COFINS no regime não cumulativo por se configurar incentivo voltado á redução de custos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento parcial. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 8. 00 05 42 /2 00 5- 63 Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 11618.000542/200563 Acórdão n.º 9303005.503 CSRFT3 Fl. 1.787 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao acórdão nº 3401001.976, proferido pela 4º Câmara/ 1º Turma Ordinária da 3ª Seção de julgamento, que decidiu em dar provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar a exigência relacionada ao período em que vigorava o regime da cumulatividade para ambas as contribuições e parcial provimento ao recurso para cancelarse a exigência apenas quando a operacionalização do incentivo fiscal sob forma de "crédito presumido de ICMS". Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão da DRJ que manteve as autuações fiscais relacionadas à exigência do PIS/Pasep e da Cofins apurados e lançados, tanto sob o regime da comutatividade quanto sob o da nãocumulatividade, a partir dos valores escriturados a titulo de "Subvenção de Investimentos". Argumentou a Recorrente tratarse de empresa localizada no Estado da Paraíba, para cuja instalação recebera, por conta da relevância para o desenvolvimento da região e pelo pioneirismo e singularidade do empreendimento, incentivos fiscais exclusivos concedidos por aquele estado, o que se lhes daria a natureza de uma "subvenção para investimentos". Referidos incentivos, explicou, se deram sob duas modalidades: a primeira, na forma de recebimento de empréstimo com encargos subsidiados, em valor correspondente a 100% do valor do ICMS recolhido pela empresa junto ao Fundo de Apoio do Desenvolvimento Industrial — Fain, e a segunda, que, na verdade, substituiu a primeira, na forma de um crédito presumido correspondente a 75% do total do saldo devedor do ICMS do período correspondente, mediante lançamento do valor do crédito autorizado, no Livro Registro de Apuração de ICMS. O Acórdão recorrido, restou assim ementado: Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 11618.000542/200563 Acórdão n.º 9303005.503 CSRFT3 Fl. 1.788 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/04/2001 a 30/06/2004 REGIME DA CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCENTIVOS FISCAIS RECEBIDOS DO PODER PÚBLICO ESTADUAL. SUBVENÇÕES. FATURAMENTO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXISTÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Em sede de reafirmação de jurisprudência em repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou pela inconstitucionalidade do conteúdo do § 1° do art. 3º da Lei n° 9.718/98, conhecido como alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins. Assim, de se retirar da base de cálculo da contribuição quaisquer outras receitas que não as decorrentes do faturamento, por este compreendido apenas as receitas com as vendas de mercadorias e/ou de serviços. No caso, de se retirar da base de cálculo os valores recebidos a titulo de subvenção para investimento, na vigência da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998. NÃOCUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCENTIVO FISCAL ESTADUAL. REDUÇÃO NA APURAÇÃO DO ICMS DEVIDO. NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Co fins e do PIS, o valor do incentivo fiscal concedido pelo Estado sob a forma de crédito escriturai, para redução na apuração do ICMS devido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/04/2001 a 30/06/2004 REGIME DA CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCENTIVOS FISCAIS RECEBIDOS DO PODER PÚBLICO ESTADUAL SUBVENÇÕES. FATURAMENTO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL, EXISTÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Em sede de reafirmação de jurisprudência em repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou pela inconstitucionalidade do conteúdo do § I° do art. 3º da Lei n° 9.718/98, conhecido como alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins. Assim, de se retirar da base de cálculo da contribuição quaisquer outras receitas que não as decorrentes do faturamento, por este compreendido apenas as receitas com as vendas de mercadorias e/ou do serviços. No caso. de se retirar da base de cálculo os valores recebidos a titulo de subvenção para investimento, na vigência da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998. Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 11618.000542/200563 Acórdão n.º 9303005.503 CSRFT3 Fl. 1.789 4 NÃOCUMULATIVIDADE. BASE DE CALCULO. INCENTIVO FISCAL ESTADUAL. REDUÇÃO NA APURAÇÃO DO ICMS DEVIDO. NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins e do PIS, o valor do incentivo fiscal concedido pelo Estado sob a forma de crédito escritural, para redução na apuração do ICMS devido. Recurso Voluntário Provido em Parte. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, sustentando que crédito presumido de ICMS não se encontra listado como causa de exclusão da base de cálculo do PIS/COFINS, o qual, devese concluir pela correção do lançamento. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigmas, os Acórdãos nºs 20179.596 e 280300.087, ( Regime da cumulatividade) e, 330200.900, para o regime da não cumulatividade. Em seguida, por ter sido comprovada a divergência jurisprudência, por meio do Despacho de Admissibilidade de fls. 1728/1732, foi dado seguimento total ao Recurso. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões fls. 1747/1759, requerendo o improvimento do Recurso da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. As matérias divergentes posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito há duas controvérsias: (i) inclusão ou não do valor dos créditos presumidos de ICMS na base de cálculo das contribuições sociais cumulativas, e, (ii) inclusão do valor dos créditos presumidos de ICMS na base de cálculo das contribuições sociais não cumulativas. Tratase de Auto de infração lavrado para à exigência do PIS/Pasep e da Cofins, apurados e lançados, sob o regime cumulativo e não cumulativo, a partir de valores escriturados a título de "Subvenção de Investimentos". Com efeito, a Contribuinte esta localizada no Estado da Paraíba, para implementação de sua planta recebeu do Estado, "subvenção para investimentos". Os incentivos se deram sob duas modalidades: a primeira, na forma de recebimento de empréstimo com encargos subsidiados, em valor correspondente a 100% do valor do ICMS recolhido pela Contribuinte junto ao Fundo de Apoio do Desenvolvimento Industrial — Fain, e a segunda, Fl. 1789DF CARF MF Processo nº 11618.000542/200563 Acórdão n.º 9303005.503 CSRFT3 Fl. 1.790 5 que, na verdade, substituiu a primeira, na forma de um crédito presumido correspondente a 75% do total do saldo devedor do ICMS do período correspondente, mediante lançamento do valor do crédito autorizado, no Livro Registro de Apuração de ICMS. Em relação a primeira matéria, inclusão ou não do valor dos créditos presumidos de ICMS na base de cálculo das contribuições sociais cumulativas, já manifestei meu entendimento no que tange as subvenções, as quais classifico da seguinte forma: podem ser correntes para custeio e subvenção para investimento. A subvenção para investimento diferenciase da subvenção para custeio pelo fato daquela ter por objetivo capitalizar a empresa privada subvencionada, já subvenção para investimento não pressupõe a aplicação dos recursos recebidos no ativo permanente da pessoa jurídica e podem ser destinadas a aumentar o capital de giro da empresa. Quanto a incidência do PIS e da COFINS sobre benefícios Fiscais Estaduais, subvenções destinadas ao Fundo de Apoio do Desenvolvimento Industrial Fain, no meu sentir, penso que não devem ser tributadas, sendo inclusive irrelevantes sua classificação contábil adotada. Em relação ao período que engloba o regime de apuração no regime cumulativo do PIS e da COFINS, as contribuições têm por base de cálculo o faturamento, cujo conceito já está consolidado pelo STF no sentido de compreender apenas as receitas decorrentes da venda de mercadorias e serviços. Desse modo, as subvenções não se consubstanciam em entradas financeiras decorrentes da venda de mercadorias ou serviços, logo, esses benefícios concedidos não integram a base de cálculo do PIS/COFINS na sistemática cumulativa. É o que se extrai dos artigos 2° e 3°, caput e §1°, da Lei n° 9.718/1998, que assim prescrevem em relação à base de cálculo do PIS e da Cofins: "Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". Neste mesmo sentido, o STF ao julgar o Recurso Extraordinário nº 358.273, decidiu nos seguintes termos: "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindo as à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Fl. 1790DF CARF MF Processo nº 11618.000542/200563 Acórdão n.º 9303005.503 CSRFT3 Fl. 1.791 6 É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” Deste modo, a definição da base de cálculo das contribuições inseridas nas leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, a quais instituíram o regime diferenciado de apuração das contribuições do PIS/COFINS, determinam o seguinte: Lei nº 10.637/02 PIS Art. 1o A Contribuição para o PIS/Pasep, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica com os respectivos valores decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/03 COFINS Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica com os seus respectivos valores decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Conforme depreendese os dispositivos legais, a base sobre a qual incidem as contribuições correspondem a totalidade ou ao total das receitas auferidas, sendo irrelevante, a classificação contábil adotada, portanto, a base imponível esta expressamente definida em lei como receita. Em outras palavras, se a legislação define a base de cálculo do PIS e da COFINS, como sendo receita, o aspecto material da contribuição, confirmado por esta base de cálculo, é auferir receita, o que significa receber ou obter receita. No caso em espécie, os valores destinados ao desenvolvimento dos Estados, em especial, do Estado da Paraíba, não se trata de receita, para obter tais benefícios, a Contribuinte deve cumprir compromissos pactuados mediante ato concessório junto ao Estado, condicionados a investimentos na contratação de colaboradores, investimentos na planta Fl. 1791DF CARF MF Processo nº 11618.000542/200563 Acórdão n.º 9303005.503 CSRFT3 Fl. 1.792 7 industrial, fomento na economia local e demais investimentos que figurem a contraprestação do benefício oferecido pelos Estado. Nenhum Estado da Federação, vai conceder benefícios se não houver uma contraprestação, renunciar receita com qual objetivo?. Por outro lado, os Contribuintes sentem o verdadeiro efeito "ping pong", ou seja, o Estado concede benefícios fiscais, renuncia receita pactua um plano de investimentos, o contribuinte investe, modifica sua operação, sua planta industrial, e a União cobra os incentivos como se receita fosse. Sem embargo, verifico que o estímulo e investimento industrial, ao delimitar as subvenções como auxílios recebidos para fazer face às suas despesas, sua natureza esta estritamente ao ligada ao investimento não se relacionando diretamente com "receita" na acepção do vocábulo. Contudo, a Contribuinte faz jus ao estímulo de ICMS que beneficia as empresas instaladas no Ceará e Rio Grande do Norte. Portanto, os benefícios de ICMS advindo da submissão não são receitas de vendas de mercadorias ou receita de serviços, logo, não compõe a base de cálculo do PIS/COFINS. Quanto a segunda matéria, a inclusão do valor dos créditos presumidos de ICMS na base de cálculo das contribuições sociais não cumulativas, aproveito o intróito apresentado de modo global, e passo a esposar meu entendimento. Com efeito, ao delimitar as subvenções como auxílios recebidos para fazer face às suas despesas, sua natureza esta estritamente ligada ao ressarcimento de despesas tributárias não se relacionando diretamente com "receita" na acepção do vocábulo. Neste sentido, entendo que o benefício fiscal ofertado pelo Estado da Paraíba, modalidade "crédito presumido", na sistemática de obtenção de créditos, transcorre da escrituração da contabilidade fiscal da Contribuinte, para posterior utilização, considerando que os valores escriturados destes créditos não se consistemse em receitas, visto que, os créditos não utilizados são classificados como direitos, e não receitas. Dessa forma, reitero meu entendimento de que créditos presumidos de ICMS não constituem ingressos de recursos, não podendo ser assim avaliado de outro modo. Neste mesmo sentido, o Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do Recurso Especial n° 1.627.291 SC (2014/02800074) de 04 de abril de 2017, Relatado pela Ministra Regina Helena Costa, firmou entendimento de que o crédito presumido de ICMS, não integra a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Vejamos: RELATORA : MINISTRA REGINA HELENA COSTA AGRAVANTE : FAZENDA NACIONAL AGRAVADO : BJ CONFECÇÕES LTDA PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ, CSLL PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 83/STJ. Fl. 1792DF CARF MF Processo nº 11618.000542/200563 Acórdão n.º 9303005.503 CSRFT3 Fl. 1.793 8 ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. I Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplicase o Código de Processo Civil de 2015. II – A Corte de origem apreciou todas as questões relevantes apresentadas com fundamentos suficientes, mediante apreciação da disciplina normativa e cotejo ao posicionamento jurisprudencial aplicável à hipótese. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. III – É pacífico o entendimento no Superior Tribunal de Justiça segundo o qual o crédito presumido de ICMS não se inclui na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. IV – É firme o posicionamento entendimento desta Corte segundo o qual o crédito presumido de ICMS não integra a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. V – O recurso especial, interposto pelas alíneas a e/ou c do inciso III do art. 105 da Constituição da República, não merece prosperar quando o acórdão recorrido encontrase em sintonia com a jurisprudência desta Corte, a teor da Súmula n. 83/STJ. VI – A Agravante não apresenta, no agravo, argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. VII – Agravo Interno improvido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Gurgel de Faria, Napoleão Nunes Maia Filho, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina (Presidente)". Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 11618.000542/200563 Acórdão n.º 9303005.503 CSRFT3 Fl. 1.794 9 Fl. 1794DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.721372/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. COMPROVAÇÃO.
Não incide contribuições previdenciárias sobre os pagamentos comprovados de empréstimos em janeiro e julho de 2005 (Levantamento EMP) e quanto à compra de mercadoria comprovada no mês de janeiro de 2005 (Levantamento CTB).
ERRO MATERIAL. CORREÇÃO.
Verificada a ocorrência de erro material, o acórdão deve ser retificado; no caso em tela, mediante a alteração do valor de R$ 6.250,00 (fls. 6823) para R$ 6.520,00.
Numero da decisão: 2301-004.985
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos, para dar-lhe provimento sanando a contradição e o erro material apontados, rerratificando a ementa nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
EDITADO EM: 30/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Maria Anselma Croscato dos Santos (suplente convocada) e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. COMPROVAÇÃO. Não incide contribuições previdenciárias sobre os pagamentos comprovados de empréstimos em janeiro e julho de 2005 (Levantamento EMP) e quanto à compra de mercadoria comprovada no mês de janeiro de 2005 (Levantamento CTB). ERRO MATERIAL. CORREÇÃO. Verificada a ocorrência de erro material, o acórdão deve ser retificado; no caso em tela, mediante a alteração do valor de R$ 6.250,00 (fls. 6823) para R$ 6.520,00.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos, para dar-lhe provimento sanando a contradição e o erro material apontados, rerratificando a ementa nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator EDITADO EM: 30/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Maria Anselma Croscato dos Santos (suplente convocada) e Alexandre Evaristo Pinto.
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Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. COMPROVAÇÃO. Não incide contribuições previdenciárias sobre os pagamentos comprovados de empréstimos em janeiro e julho de 2005 (Levantamento EMP) e quanto à compra de mercadoria comprovada no mês de janeiro de 2005 (Levantamento CTB). ERRO MATERIAL. CORREÇÃO. Verificada a ocorrência de erro material, o acórdão deve ser retificado; no caso em tela, mediante a alteração do valor de R$ 6.250,00 (fls. 6823) para R$ 6.520,00. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos, para darlhe provimento sanando a contradição e o erro material apontados, rerratificando a ementa nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 13 72 /2 00 9- 81 Fl. 6842DF CARF MF 2 Alexandre Evaristo Pinto Relator EDITADO EM: 30/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Júlio César Vieira Gomes, Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Maria Anselma Croscato dos Santos (suplente convocada) e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Tratamse de Embargos de Declaração da Recorrente opostos contra o Acórdão nº 2301003.931 (fls. 68206824), proferido em 20/02/2014, pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2º Seção de Julgamento, que deu provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: " Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 VALORES PAGOS NO EMPRÉSTIMO Equivocadamente a Fiscalização autuou a Recorrente de valores pagos em parcelas de um empréstimo bancário, cujos contratos não foram juntados oportunamente, como se fossem pagamentos de rendimentos de trabalho. Decisão de piso que reconhecendo o empréstimo exclui parte do lançamento deixando valores que foram estornados deve ser reformada, eis que não se trata de exação. VENDA DE MERCADORIA INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Nos autos há comprovadamente notas fiscais emitidas pela Recorrente referente a compra de mercadoria. Não figurando assim, fato gerador. FALTA DE MOTIVAÇÃO PARA APLICAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. É fato que a incidência tributária previdenciária recai sobre o pagamento de natureza remuneratória ao trabalho. Diante da ocorrência dos fatos, comprovado pela Recorrente através de todos os documentos necessários para demonstrar a verdade material, não pode a Fiscalização achar que todo e qualquer pagamento e ou movimento financeiro incide a contribuição previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte" Fl. 6843DF CARF MF Processo nº 10166.721372/200981 Acórdão n.º 2301004.985 S2C3T1 Fl. 6.843 3 Em 28/07/2014, o embargante apresentou os presentes Embargos de Declaração (fls. 68326834) sustentando contradição, omissão e erro material no acórdão embargado nos seguintes termos: I. A CONTRADIÇÃO 1. A parte dispositiva do v. acórdão apresenta como conclusão "dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir do lançamento, no levantamento EMP, os valores de R$ 15.900,00 e R$ 6.520,00" (fl. 6862). 2. Nisto reflete com fidelidade o trecho final do voto que conclui por "dar provimento ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas nos levantamentos EMP e no CTB somente na competência 01/2005 (fl. 6865). 3. No entanto, consta do voto condutor do acórdão o entendimento de que "quanto ao pagamento de empréstimo comprovado no mês de janeiro de 2005 e compra de mercadoria não incide contribuição previdenciária" (fls. 6824), o que acaba por gerar dúvida quanto à abrangência da exclusão dos levantamentos "EMP" e "CTB". 4. A fundamentação do item I do voto, porém, deixa claro que a exclusão se refere à totalidade dos levantamentos "EMP" remanescentes, incluído o mês de julho de 2005 (R$ 6.250,00) e não apenas ao do mês de janeiro de 2005 (R$ 15.900,00). 5. Para evitar dúvida, no entanto, deve ser sanada a contradição para prevalecer a conclusão lógica do dispositivo do acórdão. II. A OMISSÃO 6. É patente a omissão do v. acórdão em enfrentar o fundamento de defesa apresentado pelo contribuinte de que houve falta de motivação válida capaz de sustentar o lançamento. 7. O ora embargante sustentou em seu recurso voluntário que o lançamento fiscal é baseado em presunções sem qualquer amparo legal, pois não coletou dados da realidade, decorrendo disso a nulidade do auto de infração como um todo. 8. Com efeito, a Fiscalização neste caso limitouse a presumir que todo e qualquer pagamento (e até recebimentos!!) do contribuinte teriam sido feitos a título de remuneração do trabalho a uma pessoa física mas a Fiscalização não demonstra a existência de tal fato. 9. Assim, bastou a Fiscalização não ficar satisfeita com as informações e as provas apresentadas pelo contribuinte em relação a estas operações para que se sentisse autorizada a presumir que se trataria de remuneração do trabalho paga a pessoa física, sem nada demonstrar nesse sentido. 10. Devese reconhecer a nulidade do auto de infração fruto de tal procedimento, firmandose a necessidade de o lançamento curcunstanciar os fatos concretos, demonstrando a efetiva Fl. 6844DF CARF MF 4 ocorrência de um fato concreto que corresponda à hipótese legal, sob pena de nulidade do lançamento ! como ocorre neste caso. 11. O item III do v. acórdão embargado, após relatar os argumentos recursais, limitase a dizer que "diante da ocorrência dos fatos, comprovado pela Recorrente através de todos os documentos necessários para demonstrar a verdade material, não pode a Fiscalização achar que todo e qualquer pagamento e ou movimento financeiro incide a contribuição previdenciária (fl. 6824). 12. Ora, assim entende neste casos neste caso (sic) que não houve a devida motivação quanto aos fatos, visto que a Fiscalização não colheu nem apresentou nestes autos elementos de prova ou declinou razões quanto aos fatos que demonstrassem a ocorrência do fato gerador. 13. Portanto, deixar de adequadamente enfrentar este tema viola de maneira grosseira o direito de defesa do contribuinte. III. O ERRO MATERIAL 14. Por fim, também deve ser corrigido o erro material consistente na indicação equivocada do valor indicado do levantamento "EMP", de modo que aonde constar R$ 6.250,00, leiase, R$ 6.520,00." Os embargos foram admitidos pelo presidente da 2ª Seção em 29/04/2015 (fls. 6837 a 6840), em decorrência da potencial existência da omissão, contradição e erro material. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Os embargos de declaração são tempestivos e, por cumprir com as demais formalidades legais, dele conheço. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, o cabimento dos embargos de declaração está disciplinado em seu art. 65, nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Alega a embargante que a decisão a quo contém contradição, omissão e erro material. Fl. 6845DF CARF MF Processo nº 10166.721372/200981 Acórdão n.º 2301004.985 S2C3T1 Fl. 6.844 5 No que tange à contradição sobre se a exclusão da competência 01/2005 deve alcançar tão somente o levantamento "CTB" ou deve alcançar os levantamentos "EMP" e "CTB", não resta dúvida a partir de uma interpretação sistemática que a exclusão específica e exclusiva para a competência 01/2005 deve alcançar tão somente o levantamento "CTB", conforme o trecho final do voto que conclui por "dar provimento ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas nos levantamentos EMP e no CTB somente na competência 01/2005 (fl. 6824). Todavia, é fundamental que se façam breves alterações no voto do relator para que fiquem demonstrados de forma expressa e clara os meses de competência dos valores de empréstimos e compra de mercadoria que deverão ser excluídos da incidência da contribuição previdenciária, uma vez que o recurso voluntário do contribuinte somente discutiu os seguintes valores: R$ 15.900,00 (valor de empréstimo relativo a competência de janeiro de 2005), R$ 6.520,00 (valor de empréstimo relativo à competência de julho de 2005) e R$ 139.144,33 (valor de compra de mercadoria relativo à competência de janeiro de 2005). No tocante à omissão, não há razões suficientes para que seja reconhecida a nulidade do lançamento, uma vez que há no voto a motivação de que houve um excesso por parte da Fiscalização, que considerou que diversos pagamentos e movimentações financeiras seriam passíveis de tributação pela contribuição previdenciária. Com relação ao erro material, não resta dúvida de que houve erro no valor de R$ 6.250,00 que consta no Acórdão da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF (fls. 6864), onde deveria constar o valor de R$ 6.520,00, que era o valor indicado inclusive no Acórdão da Delegacia Regional de Julgamento em Brasília (fls. 6791). Com base no exposto, voto por acolher parcialmente os embargos de declaração para retificar o voto do Relator do Acórdão nº 2301003.931, para correção do erro material, que se dará mediante a alteração do valor de R$ 6.250,00 (fls. 6823) para R$ 6.520,00, assim como para que fique clara a competência dos valores que não devem ser considerados para fins de incidência da contribuição previdenciária, de forma que o voto ficará com a seguinte redação: Texto Alterado a ser Transposto para o Voto (fls. 6823 e 6824): I VALORES PAGOS NO EMPRÉSTIMO (...) Sendo um no valor de R$ 6.520, 00 (julho de 2005) e R$ 15.900,00 (janeiro de 2005). No julgamento DRJ não os considerou em razão do estorno praticado pelo banco onde se movimenta a conta bancária da REcorrente, mantendo a exigência. (...) II VENDA DE MERCADORIA INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA (...) Fl. 6846DF CARF MF 6 Penso que houve algum equívoco cometido pela Fiscalização, porque é fato incontroverso, pois seguido de NF, que o valor de R$ 139.144,33 (competência de janeiro de 2005), referese a compra de mercadoria, cuja qual não há previsão de incidência tributária. (...) III FALTA DE MOTIVAÇÃO PARA APLICAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO (...) Então, quanto à compra de mercadoria comprovada no mês de janeiro de 2005 e aos pagamentos comprovados de empréstimos em janeiro e julho de 2005, não incidem contribuição previdenciária". É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 6847DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.721172/2009-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
IRPF. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. UNIÃO. LEGITIMIDADE.
A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo.
DIFERENÇAS SALARIAIS. ABONO URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda.
ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.
Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do imposto de renda (art.176 do CTN).
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12)
MULTA DE OFÍCIO.
Comprovado que a fonte pagadora induziu o contribuinte ao erro, deve ser excluída a multa de ofício (Súmula CARF nº 73).
IRPF. JUROS MORATÓRIOS. VERBAS TRABALHISTAS RECEBIDAS EM ATRASO.
Os juros moratórios decorrentes de rendimentos recebidos acumuladamente submetem-se à incidência do imposto sobre a renda da pessoa física, salvo se vinculados a hipóteses de despedida ou rescisão do contrato de trabalho ou nos casos em que a verba principal da qual decorram seja isenta ou esteja fora do campo de incidência desse tributo.
Numero da decisão: 2401-005.031
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar a preliminar. No mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial, para: a) recalcular o tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo contribuinte, levando-se em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada; e b) excluir a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 73. Vencidos o relator e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Redatora Designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
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Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 IRPF. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. UNIÃO. LEGITIMIDADE. A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo. DIFERENÇAS SALARIAIS. ABONO URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do imposto de renda (art.176 do CTN). IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12) MULTA DE OFÍCIO. Comprovado que a fonte pagadora induziu o contribuinte ao erro, deve ser excluída a multa de ofício (Súmula CARF nº 73). IRPF. JUROS MORATÓRIOS. VERBAS TRABALHISTAS RECEBIDAS EM ATRASO. Os juros moratórios decorrentes de rendimentos recebidos acumuladamente submetem-se à incidência do imposto sobre a renda da pessoa física, salvo se vinculados a hipóteses de despedida ou rescisão do contrato de trabalho ou nos casos em que a verba principal da qual decorram seja isenta ou esteja fora do campo de incidência desse tributo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar a preliminar. No mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial, para: a) recalcular o tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo contribuinte, levando-se em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada; e b) excluir a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 73. Vencidos o relator e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Redatora Designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. .
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COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. UNIÃO. LEGITIMIDADE. A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo. DIFERENÇAS SALARIAIS. ABONO URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do imposto de renda (art.176 do CTN). IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12) MULTA DE OFÍCIO. Comprovado que a fonte pagadora induziu o contribuinte ao erro, deve ser excluída a multa de ofício (Súmula CARF nº 73). IRPF. JUROS MORATÓRIOS. VERBAS TRABALHISTAS RECEBIDAS EM ATRASO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 11 72 /2 00 9- 37 Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10580.721172/200937 Acórdão n.º 2401005.031 S2C4T1 Fl. 197 2 Os juros moratórios decorrentes de rendimentos recebidos acumuladamente submetemse à incidência do imposto sobre a renda da pessoa física, salvo se vinculados a hipóteses de despedida ou rescisão do contrato de trabalho ou nos casos em que a verba principal da qual decorram seja isenta ou esteja fora do campo de incidência desse tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10580.721172/200937 Acórdão n.º 2401005.031 S2C4T1 Fl. 198 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar a preliminar. No mérito, por voto de qualidade, darlhe provimento parcial, para: a) recalcular o tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo contribuinte, levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada; e b) excluir a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 73. Vencidos o relator e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora Designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. . Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10580.721172/200937 Acórdão n.º 2401005.031 S2C4T1 Fl. 199 4 Relatório ANTONIO ROBERTO GONÇALVES, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 3a Turma da DRJ em Salvador/BA, Acórdão nº 1527.997/2011, às efls. 84/89, que julgou procedente o Auto de Infração exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da classificação indevida de rendimentos na DIRPF, em relação aos exercícios 2005, 2006 e 2007, conforme peça inaugural do feito, às efls. 02/12, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 27/04/2009 (AR. efl. 46), nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrentes do seguinte fato gerador: a) CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS DA DIRPF RENDIMENTOS CLASSIFICADOS INDEVIDAMENTE NA DIRPF. O Sujeito passivo classificou indevidamente como Isentos e Não Tributáveis na Declaração de Ajuste os rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, CNPJ 13.100.722/000160, a título de "Valores Indenizatórios de URV", a partir de informações a ele fornecidas pela fonte pagadora. Tais rendimentos decorem de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Ordinária do Estado da Bahia n° 8.730/2003. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 92/129, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, requerendo a improcedência do lançamento, pois o Acórdão de 1ª instância contraria o entendimento dos tribunais pátrios por: a) desconsiderar a natureza indenizatória da URV, já confirmada pelo STF; b) não ter levado em conta o caráter uno da justiça brasileira e c) manter a multa de 75% em desconsideração a Parecer do Ministro da Fazenda. Alega que a responsabilidade pela infração seria do Estado da Bahia que, ao lhe pagar os rendimentos, informou que se tratava de verba indenizatória isenta de Imposto de Renda. Seria, portanto, um erro escusável do contribuinte que seguiu as orientações da fonte pagadora, com uma lei estadual vigente, no mesmo sentido. Aduz que em resposta a consulta, efetuada no rito legal, pelo Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, o Ministro da Fazenda manifestouse pela inaplicabilidade da multa de oficio e essa consulta teria efeitos vinculantes. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10580.721172/200937 Acórdão n.º 2401005.031 S2C4T1 Fl. 200 5 Diz ter sido constituído o crédito tributário de forma inadequada, no que se refere a sua base de cálculo, isso porque a Fiscalização deveria ter refeito as três DIRPF do contribuinte para apurar o imposto devido, mês a mês, juntamente com os salários auferidos. Pugna pela não incidência do IR sobre os juros moratórios, sendo que a Fiscalização autuante levou em consideração o valor da diferença de URV mais juros e atualização, na constituição do crédito. Acrescenta que conforme despacho do Presidente do Conselho Nacional de Justiça, os juros da URV pagos em atraso teriam natureza indenizatória. Cita entendimentos vários sobre a natureza indenizatória da URV, entendendo esta tributação in casu fere o princípio da isonomia. Afirma que a União não é parte legítima para a exigência do imposto de renda em comento, uma vez que o produto da arrecadação pertence ao Estado da Bahia. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. Em 30 de Novembro de 2013, (Fls. 132 a 136) aprouve aos membros do Colegiado da egrégia 1° Turma Especial da Segunda Sessão de Julgamento, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, com base no disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, tendo em vista o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria. Retornando ao Tribunal após regular processamento do feito, em 15 de abril de 2014, a Turma encimada, entendeu por bem julgar procedente o recurso, exonerando o crédito tributário, anulando o lançamento pela existência de erro material na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da legislação, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 2801003.506/2014, de efls. 139/149, sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. URV BAHIA. MAGISTRADO. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. CÁLCULO DO IMPOSTO. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitandose, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10580.721172/200937 Acórdão n.º 2401005.031 S2C4T1 Fl. 201 6 tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Interpretação da lei conforme jurisprudência do STJ. Recurso Voluntário Provido. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão acima, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial, às efls. 151/164, pleiteando a manutenção do lançamento, e conseguinte reforma da Decisão. Por sua vez, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais entendeu por bem julgar procedente o recurso especial da fazenda para afastar a nulidade, com retorno dos autos à turma a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 9202004.192/2016, de efls. 174/186. Após regular processamento, os autos fora distribuídos a este Conselheiro, para relato e inclusão em pauta, o que fazemos nesta assentada. É o Relatório. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10580.721172/200937 Acórdão n.º 2401005.031 S2C4T1 Fl. 202 7 Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator. Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço dos recursos e passo ao exame das alegações recursais. DELIMITAÇÃO DA LIDE Tratase de retorno dos autos da Câmara Superior para análise das demais questões constantes do Recurso Voluntário não apreciadas na primeira oportunidade, tais como: ilegitimidade ativa da União, natureza da verba, manutenção da multa de ofício e não incidência de IR sobre os juros. PRELIMINAR ILEGITIMIDADE DA UNIÃO A competência tributária é o poder constitucionalmente atribuído aos entes federados para editar leis que instituam tributos. Compreende dois poderes: o poder de instituição de tributo e o poder de cobrança do mesmo. Para o imposto de renda, a competência tributária é estabelecida pela Constituição Federal/1988 no seu art. 153: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I importação de produtos estrangeiros; II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; [...] (grifamos) Assim, é da União a competência tributária plena para instituir, arrecadar, fiscalizar e executar o imposto de renda. Por sua vez, o art. 157, inciso I, da Constituição Federal de 1988, promove a repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados, determinando, no caso, que aos estados membros pertence o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza, incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem. Nesta seara, destacase o parágrafo único, do art. 6° do Código Tributário Nacional (CTN), in verbis: Art. 6º A atribuição constitucional de competência tributária compreende a competência legislativa plena, ressalvadas as limitações contidas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados e nas Leis Orgânicas do Distrito Federal e dos Municípios, e observado o disposto nesta Lei. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10580.721172/200937 Acórdão n.º 2401005.031 S2C4T1 Fl. 203 8 Parágrafo único. Os tributos cuja receita seja distribuída, no todo ou em parte, a outras pessoas jurídicas de direito público pertencerá à competência legislativa daquela a que tenham sido atribuídos. Assim, a repartição da receita em nada afeta a competência tributária do ente eleito pela Constituição como titular do poder de tributar relativo a determinado tributo. No caso do Imposto de Renda, a competência para instituir, arrecadar e fiscalizar o imposto sobre a renda é da União, a teor do que estabelece o art. 153, inciso III, da Constituição Federal. Por esta razão, rejeitase a alegação de ilegitimidade ativa da União reclamada pelo contribuinte MÉRITO Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, o contribuinte fora autuado, com arrimo nos artigos 1o a 3°, e §§, da Lei n° 7.713/1988, dentre outros, os quais contemplam a presunção de omissão de rendimentos caracterizada, in casu, pela classificação indevida de rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia como isentos e não tributáveis na DIRPF, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em relação aos exercícios 2004, 2005 e 2006. Com mais especificidade, relata a autoridade lançadora no Auto de Infração, às efls 03/12, que o Sujeito passivo classificou indevidamente como Isentos e Não Tributáveis na Declaração de Ajuste os rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, CNPJ 13.100.722/000160, a título de "Valores Indenizatórios de URV", a partir de informações a ele fornecidas pela fonte pagadora. Tais rendimentos decorem de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Ordinária do Estado da Bahia n° 8.730/2003. Ainda irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, ora objeto de análise, suscitando que são considerados isentos os valores recebidos a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria. A incidência do Imposto de Renda Pessoa Física encontrase regulamentada pelo artigo 43, incisos I e II, do Código Tributário Nacional, nos termos abaixo: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Porém o ponto chave da discussão é quanto a natureza dos valores recebidos e quanto a isenção da incidência sobre aludido valor recebido do Ministério Público do Estado Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10580.721172/200937 Acórdão n.º 2401005.031 S2C4T1 Fl. 204 9 da Bahia, neste sentido dispõe os artigos 2° e 3°, da Lei Estadual Complementar n° 20/2003 e os artigos 4° e 5° da Lei Estadual 8.730/03, vejamos: Lei Complementar 20/03 Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei. Lei n° 8.730/2003 Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias n° 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei.(grifamos) No mesmo sentido, o STF ao se posicionar sobre o abono variável pago aos magistrados da União, nos termos do artigo 2º, da Lei 10.474/2002, que compreendia as diferenças de URV, dentre outras verbas, manifestouse pela sua natureza indenizatória, conforme artigo 1º da Resolução 245/2002, que assim dispõe: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Conforme conclusões do STF nas decisões que ensejaram o nascimento da Resolução encimada, a regra de incidência tributária é excetuada quando a concessão do abono for "feita para reparação da supressão ou perda de direito, característica que lhe emprestaria o caráter de indenização", que foi, exatamente, o que ocorreu com o abono variável e provisório previsto pelo art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. Na ocasião, a PGFN se pronunciou por meio dos Pareceres 529/2003 e 923/2003, concluindo que, tal qual o abono pago aos membros da magistratura da União, o abono concedido aos membros do Ministério Público da União possui natureza indenizatória, conforme Resolução 245/2002, do STF. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10580.721172/200937 Acórdão n.º 2401005.031 S2C4T1 Fl. 205 10 Nesse contexto, considerando que o pagamento da diferença de URV tem o objetivo de reparação ou supressão de perda de direito, e esta característica lhe confere a natureza de verba indenizatória para os membros da magistratura e Ministério Público da União, entende este Conselheiro, que outra não pode ser sua natureza quando paga aos membros da Magistratura e Ministério Público Estadual. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas União e Estado da Bahia, e, terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Mais a mais, tratandose de hipótese de isenção e/ou não incidência, os artigos 111, inciso II e 176, do CTN, traduzem muito bem os limites que a legislação tributária impõe quando da subsunção da norma ao caso concreto, in verbis: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração. Extraise dos dispositivos legais supracitados que qualquer espécie de isenção e/ou hipótese de não incidência que o Poder Público pretenda conceder deve decorrer de lei disciplinadora, sendo sua interpretação literal, não podendo o contribuinte, o fisco ou o julgador impor ou afastar condições/requisitos que não decorrem da lei seca. Com efeito, não estamos fugindo da interpretação literal e não há um desrespeito ao que versa o art. 111 do CTN, estamos apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas "idênticas", uma simetria lógica. Neste diapasão, entendo dever ser afastada a incidência do imposto de renda da pessoa física em relação aos valores recebidos a título de diferenças de URV por ter natureza indenizatória, conforme encimado. Já em relação à incidência do IRPF sobre juros moratórios é importante destacar que o STJ, no RESP 1.227.133, fundamentado no artigo 543C, do antigo Código de Processo Civil, já se manifestou no seguinte sentido: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL NA EMENTA DO ACÓRDÃO EMBARGADO Havendo erro material na ementa do acórdão embargado, deve se acolher os declaratórios nessa parte, para que aquela melhor Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10580.721172/200937 Acórdão n.º 2401005.031 S2C4T1 Fl. 206 11 reflita o entendimento prevalente, bem como o objeto específico do recurso especial, passando a ter a seguinte redação : "RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido." Embargos de declaração acolhidos parcialmente Nesse contexto, tendo em vista a determinação contida no artigo 62, § 2º do RICARF, essa decisão deve ser aqui reproduzida, tendo em vista que, a meu ver, como a verba principal não é tributada pelo IRPF os juros sobre ela incidente também não o são. Quanto às demais alegações do contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em dissonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, para afastar a preliminar, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10580.721172/200937 Acórdão n.º 2401005.031 S2C4T1 Fl. 207 12 Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora Designada Com a devida vênia, divirjo do Conselheiro Relator, pois entendo que os valores recebidos acumuladamente sob a rubrica de diferenças de URV constituemse sim em rendimentos tributáveis, não importando a classificação do rendimento determinada por lei estadual. Observo que o Imposto de Renda é um tributo de competência federal e, portanto, não pode ser isento por lei estadual. Nesse sentido, conforme bem abordado pelo ilustre Relator, na análise da preliminar de ilegitimidade arguida pelo sujeito passivo, o fato de pertencer ao Estado o produto da arrecadação do IRRF não afasta a competência da União para fiscalizar, lançar e cobrar dos contribuintes beneficiários dos rendimentos sobre os quais devem incidir o imposto na fonte. Também não procede à alegação de que a União não poderia exigir o imposto pela falta de retenção do Estado da Bahia, pois o contribuinte, na qualidade de beneficiário dos rendimentos, não pode se furtar da tributação do imposto porque a fonte pagadora não procedeu à retenção. A lei ao disciplinar a elaboração da Declaração Anual de Ajuste expressamente determina a inclusão na base de cálculo do imposto de todos os rendimentos percebidos no ano, independentemente de ter ou não havido retenção do imposto na fonte (artigos 7º e 8º da Lei nº 9.250, de 26/12/1995). É neste sentido a Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Dessa forma, imprópria a tentativa de vincular a responsabilidade tributária ao Estado da Bahia. Quanto ao mérito, as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais ocorridas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real. Logo, as verbas recebidas visam recompor parte do salário e, neste sentido, configurase fato gerador do tributo, pois se trata de aquisição de disponibilidade econômica de renda, conforme prevê o artigo 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10580.721172/200937 Acórdão n.º 2401005.031 S2C4T1 Fl. 208 13 §1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Portanto, a definição prevista no artigo 43 do CTN se subsume ao caso em questão, isto porque as quantias percebidas pelo contribuinte de fato constitui produto do trabalho (salário). No tocante à Lei Complementar nº 20, de 2003, do Estado da Bahia, repisese que o imposto de renda é da competência da União e, via de consequência, os Estados não podem legislar acerca desse tributo. Quanto à Resolução nº 245, do Supremo Tribunal Federal, e ao Parecer PGFN nº529/2003, é de se esclarecer que tratam do abono concedido aos magistrados da União e aos membros do Ministério Público Federal, previstos nas Leis nos 9.655, de 1998, artigo 6º, e 10.474, de 2002, artigo 2º, não podendo se estender seus alcances para abonos concedidos posteriormente, por meio de outros atos que não os referidos, como é o caso desses autos, relativo a membro do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Sobre a quebra de isonomia, é de se destacar que compete a esta instância administrativa examinar se os atos praticados pelo Fisco estão de acordo com a lei e com os atos administrativos aplicáveis ao caso, não podendo extrapolar tais limites. Nesse sentido, falta competência a esta instância de julgamento administrativo se pronunciar acerca de conformidade de lei, validamente editada pelo Poder Legislativo, com os preceitos da Constituição. Sobre a multa de ofício, é de se acolher o pleito do contribuinte, uma vez que resta comprovado nesses autos que ele foi induzido a erro pela fonte pagadora, que tratou esses rendimentos como isentos, inclusive nos comprovantes fornecidos. Nesse sentido, dispõe a Súmula nº73 do CARF: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Relativamente ao regime de competência para a tributação dos valores recebidos, há que se adotar o definido em decisão de recurso repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça, em acordo com parágrafo 2º do artigo 62 da Portaria MF 343/2015 (RICARF), este conselho deve reproduzir as decisões de mérito definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça, quando em sede de Recurso Repetitivo ou de Repercussão Geral, conforme a seguir. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10580.721172/200937 Acórdão n.º 2401005.031 S2C4T1 Fl. 209 14 Assim, o crédito tributário decorrente de rendimentos recebidos acumuladamente deve ser tributado conforme a seguinte decisão em Recurso Repetitivo, do Superior Tribunal de Justiça. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (REsp 1118429/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2010, DJe 14/05/2010) Já no que tange a tributação dos juros de mora vinculados aos rendimentos acumulados recebidos, não se pode acolher o pleito do contribuinte. Sobre a tributação dos juros de mora incidentes sobre verbas trabalhistas, o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000 de 1999, trata da matéria nos artigos 43, §3°, art. 55, XIV, art. 56 e art. 640, conforme transcrição abaixo: Art.43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.769 55, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...) §3º Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único).(grifei) Art.55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, §2º, inciso IV, e 70, §3º, inciso I): (...) XIVos juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis;(grifei) Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10580.721172/200937 Acórdão n.º 2401005.031 S2C4T1 Fl. 210 15 Art.56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12). Art.640. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto na fonte incidirá sobre o total dos rendimentos pagos no mês, inclusive sua atualização monetária e juros (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12, e Lei nº 8.134, de 1990, art. 3º). Entretanto, é forçoso observar que a questão foi levada ao judiciário. Em 28/09/2011, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) julgou o Recurso Especial (REsp) nº 1.227.133/RS, sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973), o qual restou assim ementado: “RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CP, improvido”. Devido à identificação de erro material na ementa do acórdão, os embargos declaratórios apresentados pela Fazenda Nacional foram parcialmente acolhidos, retificandose a ementa para: “RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CP, improvido." A teor do disposto no artigo 62, §1º do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, tratase de decisão de aplicação obrigatória por este Colegiado. Posteriormente, em 10 de outubro de 2012, a 1ª Seção do STJ julgou o REsp nº 1.089.720/RS, oportunidade em que sedimentou e esclareceu a correta forma de aplicação da matéria decidida no REsp nº 1.227.133/RS. A decisão caminhou no sentido da incidência do IRPF sobre os juros moratórios como regra geral, apesar de sua natureza indenizatória e mesmo quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, pontuandose apenas duas exceções: 1) os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR; e 2) os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. A ementa do citado Recurso Especial trouxe a seguinte redação: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10580.721172/200937 Acórdão n.º 2401005.031 S2C4T1 Fl. 211 16 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N.1.227.133 – RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR”. 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel.p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". (grifei) (...) Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10580.721172/200937 Acórdão n.º 2401005.031 S2C4T1 Fl. 212 17 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido." Portanto, como regra, incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei nº 4.506, de 1964, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas. Entretanto, segundo a jurisprudência do STJ, ocorre a isenção do art. 6º, inciso V, da Lei nº 7.713, de 1988, quando houver a perda de emprego e a fixação das verbas respectivas, em juízo ou fora dele. Ocorrendo isso, a isenção abarca tanto os juros sobre as verbas indenizatórias e remuneratórias quando os juros incidentes sobre as verbas não isentas. No caso, como já apontado, tratase de verbas decorrentes de rendimentos recebidos acumuladamente e que estão sujeitos à incidência de IR. Assim, os juros vinculamse à regra de tributação incidente sobre o rendimento do qual são consectários, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei nº 4.506/64. Portanto, correta a exigência de IR sobre os juros moratórios vinculados aos rendimentos acumulados recebidos pela contribuinte. Desta forma, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo contribuinte seja realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Recorrente, e que seja excluída a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 73. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 212DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.009473/2009-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 01/10/2009
INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO.
O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada.
MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA.
O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, "e", do Decreto-Lei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico (no caso, CNPJ do Consignatário) não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificando-as posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva.
REVOGAÇÃO ART. 45, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N.º 800/2007.
Dispositivo normativo no qual se fundou a autuação, que trazia uma indevida extensão da determinação legal, foi expressamente revogado pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-004.460
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Jorge Olmiro Lock Freire.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/10/2009 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA. O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico (no caso, CNPJ do Consignatário) não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificandoas posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva. REVOGAÇÃO ART. 45, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N.º 800/2007. Dispositivo normativo no qual se fundou a autuação, que trazia uma indevida extensão da determinação legal, foi expressamente revogado pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 94 73 /2 00 9- 07 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11128.009473/200907 Acórdão n.º 3402004.460 S3C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Auto de infração lavrado contra a Recorrente, na condição de agência de navegação responsável pela importação, para exigir multa de R$ 5.000,00 com fulcro na previsão do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei nº 37/1966, passível de ser aplicada "por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Conforme indicado no relatório fiscal da autuação, o fato que ensejou a lavratura da autuação foi a retificação de ofício e a destempo, de informações do Conhecimento eletrônico na forma solicitada pela Recorrente. No entendimento da fiscalização, a retificação solicitada pela Recorrente foi realizada a destempo por ter sido registrada de oficio, em desconformidade com os artigos 45, §1º e 50 da Instrução Normativa n.º 800/2007. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada integralmente improcedente pelo Acórdão 08028.267da 2ª Turma da DRJ/FOR, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/10/2009 AGÊNCIA MARÍTIMA. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. A agência marítima que atue como representante, no País, do transportador estrangeiro, é legítima para figurar no polo passivo do auto de infração e responde, em igualdade de condições com aquele, pela infração decorrente do descumprimento da obrigação de prestar, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, informação sobre o veículo e sobre a carga nele transportada. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11128.009473/200907 Acórdão n.º 3402004.460 S3C4T2 Fl. 4 3 Data do fato gerador: 01/10/2009 VÍCIO FORMAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste vício formal e não se configura o cerceamento do direito de defesa quando o lançamento se reveste das formalidades legais essenciais e o autuado demonstra em sua impugnação haver compreendido as acusações a ele imputadas. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. EFEITO INTER PARTES. NÃO VINCULAÇÃO. As decisões judiciais proferidas com efeito meramente inter partes não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. CONTROLE ADUANEIRO. MOVIMENTAÇÃO DE EMBARCAÇÕES, CARGAS E UNIDADES DE CARGA NOS PORTOS ALFANDEGADOS. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES. DESCARACTERIZAÇÃO. Não configura pedido de retificação de conhecimento de carga o pedido que não atenda a pelo menos uma das condições estabelecidas no artigo 23 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/10/2009 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. O instituto da denúncia espontânea não se aplica à infração decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória. Impugnação Improcedente" Cientificada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo, reiterando suas razões de defesa, alegando em síntese: (i) preliminarmente: (i.1) a ilegitimidade passiva da Recorrente por ter atuado na condição de agente dos transportadores marítimos; e (i.2) a nulidade do Auto de Infração por não ser claro, possuindo uma confusa descrição dos fatos que impediu o ampla exercício de defesa; (ii) no mérito: (ii.1) ausência de tipicidade, sustentando a não caracterização da infração imposta vez que todas as informação de conhecimento do transportador foram oportunamente apresentadas, somente retificadas após pedido do importador; e (ii.2) a necessidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea, com fulcro na nova redação do art. 102, §2º, do Decretolei n.º 37/1966 dada pela Lei n.º 12.350/2010, vez que solicitada a retificação da documentação antes do início do procedimento fiscal. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11128.009473/200907 Acórdão n.º 3402004.460 S3C4T2 Fl. 5 4 É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.436, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.003078/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.436): "O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, adentrando em suas razões. Primeiramente, importante consignar que, na condição de agente de navegação, representante da transportadora internacional, como reconhecido pela própria Recorrente, não há que se falar na hipótese em ilegitimidade passiva. A fiscalização se respaldou na Instrução Normativa n.º 800/2007 (art. 4º1) para autuar a Recorrente como agente marítimo, por ter sido a responsável pela inserção das informações no SISCOMEX CARGA, disposição normativa fundada do Decretolei n.º 37/1966 (art. 37, §1º2) e no Regulamento Aduaneiro/2002, vigente à época dos fatos (art. 30, §2º3). 1 "Art. 4o A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1o Entendese por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2o A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3o Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador." 2 "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)" (grifei) 3 "Art. 30. O transportador prestará à Secretaria da Receita Federal as informações sobre as cargas transportadas, bem assim sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1o Ao prestar as informações, o transportador, se for o caso, comunicará a existência, no veículo, de mercadorias ou de pequenos volumes de fácil extravio. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11128.009473/200907 Acórdão n.º 3402004.460 S3C4T2 Fl. 6 5 Com efeito, quem teria cometido a irregularidade de prestação de informações no presente caso foi a Recorrente, responsável por inserir os dados da operação, navio e mercadorias no SISCOMEX em nome do transportador estrangeiro, ainda que sob sua orientação. Nesse sentido é a jurisprudência deste Conselho: "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/05/2008 AGENTE MARÍTIMO. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE. APLICABILIDADE. Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003." (Processo 11128.007671/200847 Data da Sessão 25/05/2017 Relatora Maria do Socorro Ferreira Aguiar Nº Acórdão 3302004.311 grifei) "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 06/02/2011 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Precedentes da Turma. Ilegitimidade passiva afastada. (...) Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido." (Processo 11684.720091/201139 Data da Sessão 27/11/2013 Relator Solon Sehn Nº Acórdão 3802 002.315) "Assunto: Obrigações Acessórias § 2o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, também deve prestar as informações sobre as operações que execute e sobre as respectivas cargas. § 3o Poderá ser exigido que as informações referidas neste artigo sejam emitidas, transmitidas e recepcionadas eletronicamente." Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11128.009473/200907 Acórdão n.º 3402004.460 S3C4T2 Fl. 7 6 Data do fato gerador: 03/11/2004, 04/11/2004, 08/11/2004, 12/11/2004, 15/11/2004, 18/11/2004, 23/11/2004, 26/11/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. OBRIGATORIEDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque marítimo, subsumese à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a respectiva multa regulamentar. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. PENALIDADE APLICADA CONTRA O AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada tem legitimidade para integrar o polo passivo da ação de cobrança da multa sancionadora da respectiva infração. Recurso Voluntário Negado." (Processo 11050.001776/200914 Relator Jose Fernandes do Nascimento Nº Acórdão 3802001.565 grifei) Assim, não há que se falar no caso em ilegitimidade passiva. Por outro lado, por entender que cabe ser provido o Recurso Voluntário no mérito, deixo de apreciar a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente em conformidade com o art. 59, §3º do Decreto n.º 70.235/724. Isso porque, confirmase no caso em tela a ausência de tipicidade, inexistindo subsunção dos fatos descritos e documentados pela fiscalização à norma do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei n.º 37/1966. Com efeito, como relatado, a autuação foi lavrada em razão de Pedido de Retificação apresentado pela Recorrente para modificar um dado do CE Mercante, qual seja, o número do CNPJ do Consignatário, indicado no CE mercante com o número 03.3403084/000109, mas que deveria ser alterado para o número 04.732138/000736. É o que se depreende do pedido de retificação anexado ao Auto de Infração (efl. 18): 4 "Art. 59. São nulos: (...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)" Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11128.009473/200907 Acórdão n.º 3402004.460 S3C4T2 Fl. 8 7 Contudo, como se depreende da expressão do art. 107, IV, "e", do Decretolei n.º 37/1966, essa penalidade somente será aplicada quando as informações relativas ao veículo ou cargas neles transportadas, ou quanto às operações realizadas, deixarem de serem prestadas à Secretaria da Receita Federal. Tratase, portanto, de um tipo que exige uma conduta omissiva por parte do agente: "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e" (grifei) Atentandose para o presente caso, observase que não ocorreu na hipótese o tipo "deixar de prestar informação", vez que todas as informações envolvendo a operação foram efetivamente prestadas no SISCOMEX. Somente um dado do CE foi retificado (CNPJ do Consignatário) conforme solicitação do importador formulada em 30/07/2008 (efl. 66), após a atracação do navio. Desta forma, inexiste a subsunção do fato descrito pela fiscalização (frisese, de uma forma efetivamente confusa e genérica, como mencionado pela Recorrente) com a norma imputada, devendo ser cancelada a autuação. Nesse exato sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11128.009473/200907 Acórdão n.º 3402004.460 S3C4T2 Fl. 9 8 Anocalendário: 1996, 1997, 1998 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Precedentes da Turma. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N.° 28/1994 (ART. 37). DECRETOLEI N° 37/1966 (ART. 107, IV, “E”). RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA. O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, “e, do DecretoLei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificandoas posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado." (Processo 11684.000246/201036 Data da Sessão 10/12/2014 Relator Solon Sehn Nº Acórdão 3802 003.962 Unânime grifei) Assim, inexistia respaldo legal para a exigência. Cumpre ainda acrescer que a autuação se fundamentava apenas em dispositivo infralegal do artigo 45, §1º da Instrução Normativa n.º 800/20075, que trazia uma extensão da aplicação do art. 107, IV, 'e' do Decretolei n.º 37/ para a "prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação". Contudo, além desta exigência não se respaldar na lei, como visto, ela foi expressamente revogada pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014. 5 "Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei no 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei no 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 1o Configurase também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 2o Não configuram prestação de informação fora do prazo as solicitações de retificação registradas no sistema até sete dias após o embarque, no caso dos manifestos e CE relativos a cargas destinadas a exportação, associados ou vinculados a LCE ou BCE. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014)" Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11128.009473/200907 Acórdão n.º 3402004.460 S3C4T2 Fl. 10 9 Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a exigência da penalidade também foi decorrente de retificação de dados no CE, ou seja, "não ocorreu na hipótese o tipo "deixar de prestar informação", vez que todas as informações envolvendo a operação foram efetivamente prestadas no SISCOMEX". Houve apenas a retificação de dado do CE após a atracação do navio. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 145DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.901189/2006-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO.
Cabe ao contribuinte o ônus de provar a existência e a qualidade do seu direito creditório.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-004.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Cabe ao contribuinte o ônus de provar a existência e a qualidade do seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, relativo ao 2º trimestre de 2003, cumulado com declaração de compensação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 11 89 /2 00 6- 80 Fl. 1731DF CARF MF Processo nº 10380.901189/200680 Acórdão n.º 3302004.634 S3C3T2 Fl. 1.732 2 Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese relatório da resolução de nº 3302000.249: "No dia 02/06/2004 a empresa CINA CIA NORDESTE DE AQUICULTURA E ALIMENTAÇÃO, já qualificada nos autos, apresentou PERDCOMP pleiteando o ressarcimento de crédito presumido de IPI (Portaria MF nº 38/97), relativo ao 2º trimestre de 2003, e declarando a compensação de débitos com o referido crédito. Após a realização das verificações fiscais, a DRF em Fortaleza/ CE não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou as compensações declaradas, nos termos do Despacho Decisório de fls.. 357/358. Para indeferir o pleito da Recorrente, a autoridade da RFB acolheu os fundamentos do Termo de Verificação Fiscal, resumidos pela decisão recorrida nos seguintes termos (fls.531/533): a) Analisando as notas fiscais de saída disponibilizadas pela empresa (ano 2003), aqui destacadas as NF de venda para o exterior (CFOP 7.11 e 7.101), verificamos inconsistências que comprometem a razão da empresa quando se apresenta no Pedido de Ressarcimento (através de PER/DCOMP) como produtora e exportadora. Foram relacionadas várias NF; b) Como pode ser constatado, o CFOP destas notas repetemse em 7.11 e 7.101, mas, segundo as informações escritas manualmente ou datilografadas no corpo da nota, quantidades improváveis de mercadorias exportadas não foram produzidas pela Interessada, Cina Cia Nordeste de Aqiiicultura e Alimentação, mas pelos seguintes estabelecimentos industriais, o que pode ser verificado na tabela e nas cópias das NF anexadas: Aqua Aquicultura Ltda CNPJ 04.634.110/000166 Maricultura do Maranhão Ltda CNPJ 00.017.358/000208 Camarões do Brasil Ltda CNPJ 03.681.729/000240 Fco. Ferreira Souto Filho CNPJ 08.248.957/000197 Aquarium Aquicultura do Brasil Ltda CNPJ 04.153.254/000109 c) Além do visto, a impossibilidade de quantificar o que foi efetivamente produzido e exportado pela Interessada, a documentação apresentada pela empresa não permite saber qual a relação comercial e/ou industrial que a mesma manteve no período com os cinco citados estabelecimentos produtores, o que impede tentativa de se chegar a alguma conclusão sobre que insumos foram efetivamente adquiridos e utilizados pela Cina da fabricação de produtos exportados, haja vista que, em relações que, (...), parecem tão próximas, ao ponto de a interessada responder intimamente, no corpo de suas notas fiscais, pela Fl. 1732DF CARF MF Processo nº 10380.901189/200680 Acórdão n.º 3302004.634 S3C3T2 Fl. 1.733 3 exportação de outras empresas, não é difícil ocorrerem trocas ou mesmo cessões informais de matériaprima, produto intermediário e/ou material de embalagem, especialmente considerando que todas as empresas envolvidas tiveram produtos industrializados pelo mesmo estabelecimento industrial, M.M.C Industrial Ltda, em Luis Correia, PI; d) Esse estabelecimento, acompanhado do Cominalli Com. Ind. de Alimentos Ltda, foram indicados pela empresa interessada como industrializadores por encomenda, o que justificaria a citação dos mesmos no corpo das notas fiscais quando isoladamente, sem referência a qualquer dos cinco estabelecimentos que tiveram produtos seus exportados pela Cina, no entanto, verificando as NF de saída oferecidas, somente a partir de 04.08.2003, surge a primeira nota de Remessa p/ Industrialização (NF 2102), no caso para a Cominalli Com Ind de Alimentos Ltda, que teria recebido camarões do Mar com Cabeça, sem classificação fiscal, 2.460kg, para processar, embalar e congelar, e, imaginando que tudo teria sido feito muito rápido, explicaria a emissão da NF 2085 Camarão sem Cabeça Congelado (Aqüicultura), classificação fiscal resumida aos dígitos 0306 (ver tabela), em 06.08.2003, CFOP 7.101, não fosse pela quantidade exportada, 2.704kg, superior ao que teria sido remetido para industrialização, e pela divergência quanto à origem do camarão (do mar x aquicultura); e) Aliás, sobre origem do camarão, a inconsistência é ainda maior, a empresa afirma que o camarão que adquire tem origem na aqüicultura, como pode ser verificado na Relação das MP, PI e ME Adquiridos, onde relaciona apenas Camarão de Fazenda, classificação fiscal 0306.23.00, origem que também pode ser verificada nas NF de Saída CFOP 7.11 ou 7.101, mas todo o camarão descrito nas poucas notas de Remessa para Industrialização tem origem no mar (Camarão do Mar c/ Cabeça e Camarão do Mar s/Cabeça); f) Adendo às inconsistências verificadas, salta aos olhos, nas NF 2103 e 2109 Remessa para Industrialização (para Cominalli Com e Ind de Alimentos Ltda), a descrição do que parecem ser materiais de embalagem (o que não é possível assegurar, haja vista que, como em todas as NF de saída da interessada, a classificação fiscal não está aposta ou assim não o foi corretamente), "Tampas Pirangi Cominalli" e "Cartões Pirangi Cominalli", haja vista ser estranho que um simples industrializador por encomenda dê nome ao produto do encomendante. g) No que se refere ao estabelecimento M.M.C Industrial Ltda, em Luis Correia, PI, a inconsistência ainda é maior, haja vista que em 15.05.2003 o mesmo já teria processado, embalado e congelado para a Interessada, quando, no entanto, somente em 28.08.2003, NF 2120, teria recebido a primeira remessa para industrialização, Camarão do mar c/ Cabeça e Camarão do Mar s/ Cabeça, seguida de outras (NF 2121, 08.09.2003, e 2125, 09.09.2003), que descrevem os mesmos insumos, e somente os Fl. 1733DF CARF MF Processo nº 10380.901189/200680 Acórdão n.º 3302004.634 S3C3T2 Fl. 1.734 4 mesmos, o que faz restar a pergunta: e o produto químico metabissulfito de sódio...? e os materiais de embalagem...? o industrializador adquiriu?; h) A indagação final não encontra resposta, como todas as outras referentes ao alegado processo de industrialização por encomenda, haja vista que a documentação oferecida Fiscalização não comprova absolutamente a efetividade de tal operação, o que demandaria a comprovação da saída dos insumos para o industrializador por encomenda (passando ou não pelo estabelecimento encomendante), o retorno do produto industrializado (acompanhado da devolução dos insumos) e a venda final, no caso, com fins de exportação. i) No caso exposto, uma última observação, tanto a MMC como a Cominalli teriam recebido da Interessada, como Remessa para Industrialização por Encomenda, Camarão c/ Cabeça e Camarão s/ Cabeça, mas quem teria realizado o processo industrial anterior, no caso do Camarão s/ Cabeça? Haja vista que, segundo o Memorial Descritivo da Produção (Industrialização por Encomenda), oferecido pela Cina, o descabeçamento do camarão faz parte do processo produtivo. j) Na relação das MP, PI e ME Adquiridos apresentados pela empresa, no que diz respeito a camarão, consta como já visto, apenas, Camarão de Fazenda, classificação fiscal 0306.23.00, Camarão s/ Cabeça (e do Mar), não está listado como matéria prima. Não se conformando com a decisão acima, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade, cujas alegações estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido às fls. 534/535, nos seguintes termos: Decadência • Que, a compensação realizada em 02.06.2004 completou cinco anos exatos, sem nenhuma notificação, em 02.06.2009, e que é evidente que a notificaçãonãocientificada, em sua plenitude, equivale, em sua plenitude, à notificaçãonenhuma, de sorte que o período de cinco anos, suficiente para decair a compensação realizada, cumpriuse em 02.06.2009. Cerceamento • Que, a fiscalização objeto do MPF n° 03.1.01.002008016310, iniciouse em 26.11.2008 (Doc. n° 1). Terseia encerrado em 28.05.2009, mas a rigor permanece, até hoje em aberto, uma vez que a manifestante jamais teve ciência do Termo de Verificação Fiscal que supostamente fundamenta as glosas, e que, é certo que o despacho da autoridade referencia o TVF, mas faltou o cuidado de conferir se o contribuinte fora notificado da peça fundamental, o TVF. Tratase da impossibilidade material de defenderse. Fl. 1734DF CARF MF Processo nº 10380.901189/200680 Acórdão n.º 3302004.634 S3C3T2 Fl. 1.735 5 * Que, sabese que a AUDITORIA, ciência exata, fundase em números. Inexiste isto de "em cerca", "em torno" e que tais Números. Mesmo porque, o disparate, se lido detrás para adiante, levará a um absurdo maior, uma vez que "algo em torno 15% jamais produzirá "cerca de 50%". Admitase, apenas em homenagem ao argumento que os cálculos estejam certos. E os outros 85%?! E os outros 50%?!; • Que, ante acusação tão imprecisa, impossível defenderse; • Que, é principio universal do Direito que compete, a quem acusa, a comprovação da acusação; • Que, o único elemento de prova, nos autos, é a nãonotificação do contribuinte do Termo de Verificação Fiscal. Mérito • Que, cumpre, em primeiro, esclarecer que o camarão inteiro congelado é produto tributado pelo IPI, com alíquota zero. De fato todos os crustáceos, sem distinção, têm essa classificação de alíquota zero; • Que, não há, como se demonstra, com a transcrição da TIPI vigente à época dos fatos (2003), qualquer linha "NT" para crustáceos. Uma definição legal, e pronto. Contudo, o auditor fiscal estranhou a tipologia "camarão do mar" para os produtos da aqüicultura; • Que, pior bateu o pé (no dia que compareceu para "encerrar"), garantido que os crustáceos exportados não seriam industrializados, porque produtos "in natura" • Que, a paralisação de suas atividades não desautorizou o incentivo fiscal. Este há de decorrer de condições objetivas: adquiriu industrializou exportou, e só. • Que, a manifestante é empresa de produção industrial, exportou produtos tributados de sua produção. A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão nº 0115.147, de 15/09/2009, cuja ementa abaixo se transcreve. COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃO OCORRÊNCIA. Consoante a legislação tributária vigente, o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da Declaração de Compensação. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCABIMENTO. Descabe alegação de cerceamento do direito de defesa quando ao contribuinte garantiuse o acesso aos atos praticados no Fl. 1735DF CARF MF Processo nº 10380.901189/200680 Acórdão n.º 3302004.634 S3C3T2 Fl. 1.736 6 processo, tendo o mesmo inclusive reproduzido e juntado aos autos o Termo de Verificação Fiscal que alega não ter tido ciência. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não constituem normas gerais, razão pela qual seus julgados não aproveitam a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. LIQUIDEZ E CERTEZA. O ressarcimento autorizado pelo art. 1º da Lei n° 9.363, de 1996, vinculase ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a matéria. Na ausência de provas nos autos que indiquem a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, impõese o indeferimento do pleito. Desta decisão a empresa interessada tomou ciência no dia 29/10/2009, conforme recibo aposto à fl. 540, e, no dia 10/11/2009, ingressou com o recurso voluntário de fls. 544/555, no qual: 1 discorre sobre a criação de camarão no nordeste brasileiro e que o referido produto, de água doce ou de água salgada, criado em cativeiro ou não, é produto tributado pelo IPI com alíquota zero; 2 alega que todos os livros fiscais e os respectivos documentos, inclusive de exportação, estão em perfeita ordem; 3 alega que o pedido não poderia ser indeferido com base em suposições, sem indicar os motivos. Não há referência a suposta idoneidade de nenhum documento que poderia contaminar a escrita; 4 discorre sobre a impossibilidade da autoridade fiscal “arbitrar a zero todas as operações fiscais, do ano inteiro, tal como neste processo” para requerer “a avaliação contraditória, sob o formato de diligência”, conforme autoriza o art. 61 do RICARF, e, desta forma, restabelecer a verdade material e “espancar o incerto e o duvidoso”; 5 defende que seria fundamental tivesse o lançamento (sic) “impugnado as notas fiscais “x” e “y” por razões “a” e “b”, e não glosálas todas, a pretexto de que "poderiam", como se o lançamento tributário pudesse ter como suporte o verbo no condicional”. 6 para reforçar os dados escriturais, com vistas à avaliação contraditória, a recorrente diz que traz a este egrégio Conselho, os seguintes dossiês: • Detalhamento do processo produtivo, tanto do camarão próprio como do adquirido de terceiros; Fl. 1736DF CARF MF Processo nº 10380.901189/200680 Acórdão n.º 3302004.634 S3C3T2 Fl. 1.737 7 • Detalhamento do DCP, à vista das notas fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, devidamente escrituradas nos livros de Entradas, Saídas, Estoque, Apuração do IPI e Guias de Exportação; • Relação das Notas Fiscais de compras para industrialização; • Relação das Notas Fiscais de Exportação; • Cópia das Notas Fiscais de entradas e saídas • Cópia dos livros fiscais 7 solicita a realização de diligência para fins de eliminar as inconsistências da auditoria/julgamento." Na sessão de 27/09/2012, o julgamento foi convertido em diligência mediante o Acórdão nº 3302000.249, para que fossem tomadas as seguintes providências: "1 Intimar a Recorrente a segregar, do camarão exportado, aquele que ela realizou todas as etapas de produção/beneficiamento, indicando, no mínimo, descrição do produto, quantidade, valor e nota fiscal de saída; 2 Intimar a Recorrente a segregar os insumos empregados na produção do camarão a que se refere o item 1, acima, indicando, no mínimo, produto, quantidade, valor e nota fiscal de entrada; 3 Intimar a Recorrente a segregar, do camarão exportado, aquele que ela mandou industrializar (industrialização por encomenda), indicando, no mínimo, produto, quantidade, valor, nota fiscal de entrada e industrializador; 4 Intimar a Recorrente a identificar os insumos (material de embalagem, camarão não beneficiado, metabissulfito e cloro) remetidos para o estabelecimento que efetuou a industrialização por encomenda a que se refere o item 3, indicando, no mínimo, insumo/material de embalagem, quantidade, valor e nota fiscal de saída; 5 Intimar a Recorrente a segregar, do camarão exportado, aquele adquirido no mercado interno para exportação (mesmo que a Recorrente tenha entregue as embalagens ao fornecedor), indicando, no mínimo, produto, quantidade, valor, nota fiscal de entrada e fornecedor; 6 Intimar a Recorrente a colocar à disposição do Fisco a documentação referida nos itens anteriores, bem como os competentes livros contábeis e fiscais; 7 Intimar a Recorrente a demonstrar o crédito presumido a que julga ter direito sobre a exportação de camarão de produção própria e de produção por encomenda devidamente comprovada. 8 Com base nos elementos acima, e em outros que julgar necessário, deve a Fiscalização demonstrar o crédito presumido que a Recorrente tem direito, se houver. Fl. 1737DF CARF MF Processo nº 10380.901189/200680 Acórdão n.º 3302004.634 S3C3T2 Fl. 1.738 8 9 dar ciência à recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11." Dando cumprimento à resolução, a autoridade fiscal lavrou Termo de Início de Ação Fiscal, cientificado mediante AR em 08/08/2014, sobre o qual a recorrente não se manifestou. Reintimada, o AR foi devolvido com a informação de "mudouse". Na forma regimentar, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A recorrente tratou de um único item em seu recurso voluntário, qual seja, o que denominou de avaliação contraditória, pedindo, ao final, a realização de diligência para fins de eliminar as inconsistências da auditoria e dar provimento à peça recursal. Argumentou que houve desencontros de natureza pessoal com o auditor responsável pela fiscalização, que entendia que fazenda de camarão não era estabelecimento industrial, que em termos de lançamento fiscal, os termos deveriam ser precisos e que termos vagos não deveriam conduzir a um arbitramento a valor zero, que há equívoco quanto ao entendimento da expressão "camarão do mar", a qual não significa tratar de camarão oriundo de pesca oceânica, mas de camarão cuja origem é oceânica em contraposição aos camarões de água doce, concluindo pela necessidade de diligência para provar seu direito. Destacase, de plano, que não houve arbitramento de valores a teor do artigo 148 do CTN1, mas sim glosa de créditos presumido de IPI por falta de comprovação do direito creditório. Frisese que em pedidos de ressarcimento, cabe ao contribuinte o ônus de provar o direito creditório alegado perante a Administração Tributária, como postulado no antigo Código de Processo Civil, instituído pela Lei n° 5.869, de 1973, vigente à época: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Tal ônus decorre do fato de que a iniciativa para o pedido de ressarcimento é do contribuinte, cabendo à fiscalização à apreciação de tal pedido, mediante a realização de diligências, se assim entender necessário, como previsto no artigo 17 da revogada IN SRF nº 210/2002, abaixo transcrito: 1 Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Fl. 1738DF CARF MF Processo nº 10380.901189/200680 Acórdão n.º 3302004.634 S3C3T2 Fl. 1.739 9 Art. 17. A autoridade da SRF competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento de créditos do IPI poderá determinar a realização de diligência fiscal no estabelecimento da pessoa jurídica a fim de que seja verificada a exatidão das informações prestadas. A legislação normativa do crédito presumido de IPI à época, Portaria MF nº 64/2003 e IN SRF nº 313/2003, previa o controle fiscal e contábil de MP, PI e ME utilizados no processo produtivo, como controlar a utilização destes insumos em produtos acabados e não acabados não vendidos, manter as memórias de cálculo do crédito presumido, controlar as relações de MP, PI e ME em estoque no final de cada período de apuração, as relações de notas fiscais de exportação direta e com o fim específico e outros. Ocorre que a fiscalização identificou inconsistências que impossibilitaram o deferimento do pedido, como indicação em notas fiscais de exportação de que os produtos foram adquiridos de outras empresas, que não as indicadas como industrializadores por encomenda (efls. 7/9) em datas anteriores (janeiro/2003 a junho/2003) à primeira nota fiscal de remessa para industrialização identificada, em 04/08/2003). Identificou, ainda, a remessa de embalagem para a encomendada, com marca da encomendada, o que poderia tratar de mera revenda, uma vez que se revela estranho o industrializador por encomenda apor sua marca em produto do encomendante. Em relação à encomendada M.M.C Industrial Ltda, a recorrente teria exportado em 15/05/2003, NF 1932, produto elaborado pela encomendada, porém, apenas em 28/08/2003, consta a primeira nota fiscal de remessa, NF 2120, o que poderia indicar apenas exportação de revenda e não industrialização por encomenda. Concluiu a fiscalização que a documentação apresentada não seria suficiente para comprovar as operações de industrialização por encomenda, pois deveria a recorrente comprovar as saídas dos insumos para o industrializador, o retorno do produto industrializado e sua exportação. A recorrente, por sua vez, na peça recursal não rebate especificamente os pontos inconsistentes, mas faz críticas quanto à postura do auditor e às expressões utilizadas no Termo de Verificação Fiscal, e, especialmente, ao equívoco quanto à expressão "camarão do mar", pedindo, ao final, a realização de diligência. Concernente à postura, afirma que o auditor declarara que "estava ali para anular todos os créditos porque fazenda de camarão não seria estabelecimento industrial". Ocorre que no Termo de Verificação Fiscal, em momento algum houve questionamento, em tese, do direito ao crédito presumido de IPI, mas, ao contrário, houve afirmação de que a recorrente poderia apurar crédito presumido, se houvesse comprovação suficiente. É o que depreendese do excerto abaixo: "Analisados os documentos e informações oferecidos, verificamos que o estabelecimento matriz, apenas, atenderia, em suas atividades, ao conceito de estabelecimento industrializador; e que os insumos que poderiam ser considerados para o cálculo do Crédito Presumido de IPI seriam camarão, materiais de emabalagem e o produto químico metabissulfito de sõdioSconservante), adquiridos, por compra [...] unicamente por Fl. 1739DF CARF MF Processo nº 10380.901189/200680 Acórdão n.º 3302004.634 S3C3T2 Fl. 1.740 10 este estabelecimento da empresa. As mercadorias produzidas 'pelo estabelecimento seriam Camarão Inteiro Congelado, Camarão Descascado Congelado e Camarão sem Cabeça Congelado (vide Relação de Produtos do Estabelecimento, em anexo), [...]". Percebese que o auditor utilizou os termos estabelecimento industrializador, insumos e mercadorias produzidas, referindose à atividade do estabelecimento fiscalizado. Porém, o pedido final da recorrente foi atendido pela Resolução nº 3302 000.249, a qual converteu o julgamento, para que, enfim, a recorrente pudesse comprovar seu direito creditório, esclarecendo que o não atendimento à diligência solicitada e deferida, poderia justificar o indeferimento total do pedido de ressarcimento, em razão das inconsistências confirmadas pelo próprio relator da resolução, como a não apresentação das notas fiscais de entrada e saída, como indicado no recurso voluntário, não demonstração da segregação entre os produtos exportados recebidos de terceiros para revenda, os recebidos por industrialização por encomenda e os exportados de sua própria produção, não apresentação das notas fiscais de remessa de insumos e de recebimento de produtos acabados e do pagamento de serviços de industrialização por encomenda. A diligência, em resumo, foi deferida para que a recorrente fosse intimada "a efetuar a segregação, em termos físico e monetário, da produção própria exportada; dos produtos industrializados por encomenda exportados; e dos produtos adquiridos de terceiros exportados, tudo devidamente comprovado por documentação hábil e idônea, devidamente escriturada" e "intimada a segregar os insumos adquiridos e consumidos no processo de produção/beneficiamento do camarão exportado, bem como dos insumos adquiridos e remetidos para terceiros, devidamente comprovado com documentação hábil e idônea, devidamente registrado da escrita contábil e fiscal." Contudo, intimada e reintimada a cumprir a diligência requerida por ela própria, simplesmente nada manifestou, demonstrando completo desinteresse no deslinde da questão, o que indica, em princípio que o recurso voluntário fora meramente protelatório. Assim, restou caracterizado que a recorrente não se desincumbiu do ônus que lhe cabia de provar o direito creditório pedido em ressarcimento, nos termos do artigo 333 do anterior Código de Processo Civil e do artigo 162 do Decreto nº 70.235/1972. 2 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Fl. 1740DF CARF MF Processo nº 10380.901189/200680 Acórdão n.º 3302004.634 S3C3T2 Fl. 1.741 11 Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1741DF CARF MF
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Numero do processo: 11075.720791/2011-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IRPF. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. CONHECIMENTO DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE E LEGITIMIDADE DO ESPÓLIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ANTERIOR À DATA DO FALECIMENTO.
1. A ausência de legitimidade deve ser conhecida independentemente de provocação das partes.
2. O Regulamento do Imposto de Renda prevê que o espólio é responsável pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão, sendo exatamente esta a hipótese dos autos, em que a obrigação tributária é anterior à data da morte (abertura da sucessão). Na mesma toada dispõe o art. 131, inc. III, do CTN.
3. Evidenciado o desconhecimento do fato pela autoridade lançadora, a afastar o erro de interpretação da regramatriz de incidência, estamos diante de um vício formal, a ensejar novo lançamento, consoante dispõe o artigo 173, II do CTN.
Numero da decisão: 2402-005.904
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso; por maioria de votos, em conhecer de ofício a existência de erro na identificação do sujeito passivo, vencidos os conselheiros Ronnie Soares Anderson, Mauricio Nogueira Righetti e Mário Pereira de Pinho Filho; pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular o lançamento por vício formal, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felícia Rothschild que votaram por cancelar o lançamento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(Assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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GANHO DE CAPITAL Recorrente EUFRASIA FERREIRA BICCA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 IRPF. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. CONHECIMENTO DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE E LEGITIMIDADE DO ESPÓLIO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ANTERIOR À DATA DO FALECIMENTO. 1. A ausência de legitimidade deve ser conhecida independentemente de provocação das partes. 2. O Regulamento do Imposto de Renda prevê que o espólio é responsável pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão, sendo exatamente esta a hipótese dos autos, em que a obrigação tributária é anterior à data da morte (abertura da sucessão). Na mesma toada dispõe o art. 131, inc. III, do CTN. 3. Evidenciado o desconhecimento do fato pela autoridade lançadora, a afastar o erro de interpretação da regramatriz de incidência, estamos diante de um vício formal, a ensejar novo lançamento, consoante dispõe o artigo 173, II do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 72 07 91 /2 01 1- 00 Fl. 123DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso; por maioria de votos, em conhecer de ofício a existência de erro na identificação do sujeito passivo, vencidos os conselheiros Ronnie Soares Anderson, Mauricio Nogueira Righetti e Mário Pereira de Pinho Filho; pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular o lançamento por vício formal, vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felícia Rothschild que votaram por cancelar o lançamento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (Assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felicia Rothschild. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11075.720791/201100 Acórdão n.º 2402005.904 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Contra a contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração de IRPF, ano calendário 2008, para a exigência de IRPF incidente sobre ganho de capital. Segundo se depreende do relatório fiscal e do relatório da decisão recorrida (fls. 90 e seguintes), que ora se reproduz, eis um resumo dos principais acontecimentos deste processo: A fiscalização cita que em 05/04/2011, o sujeito passivo foi cientificado via Correios, mediante Aviso de Recebimento, do Termo de Início do Procedimento Fiscal, de 31/03/2011, e intimado a apresentar esclarecimentos a respeito da data da aquisição de um imóvel, registrado com o nº 810, bem como memorial de cálculo do valor declarado de aquisição do imóvel. Informa que não houve qualquer resposta do contribuinte aos pedidos de esclarecimentos. Descreve que o sujeito passivo vendeu uma fazenda no ano calendário de 2008, apresentando em 2009 Declaração de Ajuste Anual com a informação da venda do imóvel e o valor desta venda. Cita que na planilha de ganho de capital, informou que a aquisição da referida propriedade se dera em 1967, fazendo jus a uma redução do ganho de capital na alienação dos bens de 100%. Informa que constatou que na Certidão do Registro de Imóveis a data da aquisição do imóvel matrícula nº 810 consta como sendo 18/06/1976 e referindose à uma Escritura Pública de Compra e Venda de 11/06/1976. Que desta forma resta comprovada a data de aquisição do imóvel, bem como seu valor de aquisição, também presente na certidão do registro de imóveis. De posse destes dados calculou o valor atualizado do imóvel, de acordo como estabelecido pela IN SRF 84 de 11/10/2001, artigo 7º e anexo único. [...] Conforme demonstrativo de apuração do ganho de capital acostado aos autos, fls. 15/17, o valor tributável, já considerado as reduções legais foi de R$ 637.993,35, o que resultou em um imposto no montante de R$ 95.699,00. O contribuinte apresenta impugnação, fls. 40/42, a qual em síntese apresenta os seguintes argumentos: Identificase como espólio de EUFRÁSIA FERREIRA BICCA, falecida em 13.07.2009, conforme certidão de óbito que anexa. Fl. 125DF CARF MF 4 O inventariante do espólio, Mário Ferreira Bicca, CPF 036.296.35091, cita que foi intimado do Auto de Infração no dia 28 de junho de 2011, sendo, portanto, tempestiva a impugnação. Alega que não concorda com o referido Auto de Infração, pelo motivos abaixo relacionados: Entende que, em virtude de já ter entregue a DIPF Exercício 2010, Ano Calendário 2009, já na condição de espólio, e conseqüentemente o Termo de Início do Procedimento Fiscal deveria ser remetido ao seu inventariante, cujos dados já constavam naquela DIPF entregue em 27.04.2010. Solicita a extinção do referido Auto de Infração, por não ter tido a oportunidade de fazer sua prévia defesa. Relata que não concorda com a data de aquisição do imóvel objeto do presente Termo descrito pela Auditora Fiscal, a qual se baseou na matricula 810 do CRI de São Borja como sendo 18.06.1976. Sustenta que o referido imóvel já tinha sido adquirido através de Contrato de Compra e Venda firmado anterior ao ano de 1972, ano este, do falecimento de seu cônjuge Crescêncio João Rodrigues Bicca, conforme Certidão de Óbito em anexo. Conseqüentemente o imóvel tem como data de aquisição a data do Contrato de Compra e Venda, firmado anteriormente ao falecimento de seu cônjuge. Cita que está solicitando o desarquivamento do processo de inventário de seu cônjuge Crescêncio João Rodrigues Bicca, junto a 2a Vara Cível do Fórum da Comarca de São BorjaRS, para solicitar cópia do referido Contrato de Compra e Venda, para posterior encaminhamento do referido documento à RFB. Informa que está anexando o Formal de Partilha e Esboço de Partilha no qual consta os direitos e ações sobre as referidas terras. A DRJ julgou a impugnação parcialmente procedente, conforme decisão assim ementada: GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO. Há incidência de Imposto de Renda sobre ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, sendo este considerado a diferença positiva entre o valor de alienação e o respectivo custo de aquisição dos bens ou direitos. O motivo que ensejou a parcial procedência da impugnação foi o seguinte (fl. 95): Observandose o disposto no artigo 23, parágrafo 1º do Decreto n.º 3000, de 26 de março de 1999 RIR/99, acima referenciado, quando apurada infração à legislação tributária praticada pelo de cujus (omissão de rendimentos de ganho de capital), mas com a ciência depois da abertura da sucessão, a multa a ser aplicada ao espólio por infração cometida pelo de cujus até a data da abertura da sucessão é de dez por cento sobre o imposto Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11075.720791/201100 Acórdão n.º 2402005.904 S2C4T2 Fl. 4 5 apurado, prevista no artigo 964, inciso I, alínea b do mesmo diploma legal. Portanto, entendo, no presente caso, que a multa de oficio de setenta e cinco por cento (75%) deve ser alterada para a multa de mora de dez por cento (10%). Todos os demais argumentos do sujeito passivo foram rechaçados pela decisão a quo. O montante exonerado não desafiou a interposição de recurso de ofício. O sujeito passivo foi intimado da decisão em 10/06/2015 (fls. 101 e 105) e interpôs recurso voluntário em 08 de julho daquele mesmo ano (fls. 107 e seguintes), no qual sustenta o seguinte: [...] os documentos ora juntados "Recibo Arras", a cópia do cheque nº 30/044601 do Banco Industrial e Comercial do Sul S.A. e a Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física, ano base 1972 Exercício 1973, [...] comprovam definitivamente o negócio jurídico consubstanciado na compra do referido imóvel. Sucessivamente, o sujeito passivo requereu o reconhecimento do termo da abertura da sucessão, em 20/12/1972, como sendo a data de aquisição do bem. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 127DF CARF MF 6 Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. A propósito, o CPC atual, de conformidade com o Código anterior, preleciona que o espólio é representado pelo seu inventariante, ao passo que a certidão de fl. 44 demonstra que o Sr. Mário Ferreira Bicca, signatário da impugnação e do recurso, é o inventariante do espólio da falecida Eufrásia Ferreira Bicca. 2 Do erro na identificação do sujeito passivo O erro na identificação do sujeito passivo é matéria que deve ser pronunciada de ofício. O CPC, em seu art. 337, § 5º, preleciona que a ausência de legitimidade deve ser conhecida independentemente de provocação das partes, sendo amplamente conhecida a aplicação subsidiária do Código aos processos administrativos, por força de seu art. 15. Neste caso concreto, observase que o Auto de Infração (fls. 03/08), o Relatório Fiscal (fls. 09/14) e o Aviso de Recebimento (fl. 39) trazem a incorreta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária em questão, uma vez que a Senhora Eufrásia Ferreira Bicca era préfalecida à lavratura e ciência do Auto, fato este já declarado à Receita Federal por intermédio da DIRPF de fl. 56. Vejase que o Auto foi lavrado em 24/06/2011 e comunicado em 28/06/2011, ao passo que a DIRPF do anocalendário 2009 já registrava o falecimento. Tal fato, ademais, é incontroverso no acórdão recorrido, que adotou a seguinte premissa fática equivocada (fl. 94) com destaques: Portanto, o lançamento, cuja lavratura ocorreu em 24/06/2011, está regularmente constituído, tendo como sujeito passivo o espólio de Eufrásia da Costa Ferreira. Ora, ao contrário do que afirmou o acórdão recorrido, não se vislumbra nem no Auto, nem no Relatório, tampouco no Aviso de Recebimento, a identificação do sujeito passivo como sendo o espólio. Conforme adiante se verá, a autuação deveria ter sido dirigida ao espólio, e não à pessoa física da falecida, como equivocadamente ocorreu; e de forma alguma o lançamento foi feito no nome do sujeito passivo legitimado. O Regulamento do Imposto de Renda prevê que o espólio é responsável pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão, sendo exatamente esta a Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11075.720791/201100 Acórdão n.º 2402005.904 S2C4T2 Fl. 5 7 hipótese dos autos, em que a obrigação tributária é anterior à data da morte (abertura da sucessão). Na mesma toada dispõe o art. 131, inc. III, do CTN. Em sendo assim, é indubitável que o lançamento deve ser cancelado, pois houve erro na identificação do sujeito passivo, convindo lembrar que o art. 142 do CTN impõe à autoridade administrativa a identificação do aludido sujeito da obrigação tributária. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER DE OFÍCIO do erro na identificação do sujeito passivo, para CANCELAR O LANÇAMENTO, nos termos do voto. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 129DF CARF MF 8 Voto Vencedor Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti Redator Designado Superada a questão relativa a se conhecer de oficio do equivoco cometido na identificação do sujeito passivo, o presente voto abordará, especificamente, o tema atinente à sua conseqüência na lavratura de novo Auto de Infração. A exata identificação do sujeito passivo é um dos requisitos para que se tenha aperfeiçoado o lançamento realizado pela autoridade competente, consoante estabelece o inciso I do artigo 10 do Decreto 70.235/76, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; No caso em exame, como bem relatado, no Auto de Infração, no Relatório Fiscal e no Aviso de Recebimento foi feito constar a falecida como contribuinte e não seu espólio como responsável tributário. Posta a situação, cumpre estabelecer se a nulidade em função do vício na identificação do sujeito passivo comportaria a lavratura de novo lançamento observada a regra do inciso I ou II do artigo 173 do CTN. É dizer, se nulo o lançamento por vício formal, aplica se a regra constante do inciso II; se material, a do inciso I. Nesse sentido, ganha relevo a identificação da natureza do vício. Como auxílio, sirvome da fundamentação da Solução de Consulta Interna COSIT nº 8/2013, cujo excerto reproduzo a seguir: O que os diferencia, basicamente, é se o vício está no instrumento de lançamento ou no próprio lançamento. O vício formal está no elemento forma do ato administrativo, enquanto o vício material está no objeto. Para ajudar na distinção entre vício formal e material, utilizase a base teórica de Eurico Marcos Diniz de Santi: Assim, o ato administrativo (processo) produz o ato administrativo (produto), ao passo que o ato legislativo (processo) produz a lei (produto) e o ato judicial (processo) produz a sentença (produto). (...) Assim, convencionaremos chamar atofato administrativo, ao ato da autoridade administrativa que configura o fato do exercício da competência administrativa, e atonorma administrativo, à norma individual e concreta produzida por esse atofato, deixando a expressão ato administrativo para designar o gênero que envolve essas duas espécies. (SANTI, Eurico Marcos Diniz. Decadência e Prescrição no Direito Tributário. 2ª ed. São Paulo: Max Limonad, 2000, p. 104 e 106) Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11075.720791/201100 Acórdão n.º 2402005.904 S2C4T2 Fl. 6 9 O vício formal ocorre no instrumento de lançamento (atofato administrativo). É quando o produto do lançamento está corretamente direcionado ao sujeito passivo, ou seja, está correto o critério pessoal da regramatriz de incidência. Contudo, há erro formal no instrumento de lançamento (auto de infração ou notificação de lançamento) que tem o condão de prejudicar o direito de defesa do autuado ou notificado. São os atos considerados anuláveis. (...) Num caso concreto, como verificar se o erro na identificação do sujeito passivo é procedimental? Analisandose se ocorreu um erro de fato. Mas uma adequada solução à presente consulta passa pela definição do que é erro de fato. Para Paulo de Barros Carvalho: (...) o erro de fato é um problema intranormativo, um desajuste interno na estrutura do enunciado, por insuficiência de dados lingüísticos informativos ou pelo uso indevido de construções de linguagem que fazem às vezes de prova. Esse vício na composição semântica do enunciado pode macular tanto a oração do fato jurídico tributário como aquela do conseqüente, em que se estabelece o vínculo relacional. Ambas residem no interior da norma e denunciam a presença do erro de fato. (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 22ª ed. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 485). O entendimento acima, com o qual me filio, conduz à conclusão de que em havendo erro na interpretação da regramatriz de incidência (ERRO DE DIREITO INTRÍNSECO AO LANÇAMENTO) no que concerne ao sujeito passivo da obrigação tributária (o que inclui tanto o contribuinte como o responsável tributário) gerará um lançamento nulo por vício material, não se aplicando a regra especial de contagem do prazo decadencial do art. 173, II, do CTN. Por sua vez, caso o erro tenha se dado por hipótese diversa da da valoração jurídica da norma, como, por exemplo, por desconhecer do fato à época do lançamento ou por mero erro procedimental (ERRO DE FATO EXTRÍNSECO AO LANÇAMENTO), gerará um lançamento nulo por vício formal, aplicandose a regra especial de contagem do prazo decadencial do art. 173, II, do CTN. Estipuladas as bases, tenho que a definição quanto à natureza do vício deve ser levada a efeito, caso a caso, investigandose, no que toca à identificação do sujeito passivo, a interpretação da norma conferida pela autoridade lançadora e expressa em seu Relatório Fiscal (ou equivalente) e Auto de Infração. Em outras palavras: se o AuditorFiscal, à vista da Certidão de Óbito do contribuinte e após confrontar as hipóteses possíveis para a identificação do autuado, (FALECIDO x ESPÓLIO x HERDEIROS), decidir por aquela que não encontra amparo na regramatriz de incidência (se, por exemplo, expusesse seu entendimento de que é o próprio de cujus, e não seu espólio, o responsável pelos tributos devidos até a data da abertura da sucessão), estaremos diante de um Erro de Direito, que acarretará a nulidade por vício material. Fl. 131DF CARF MF 10 Caso contrário, diante do desconhecimento do fato ou do mero erro de procedimento, estaremos diante de um Erro de Fato, que acarretará a nulidade do lançamento por vício formal. A título exemplificativo, trago à colação excerto daquela SCI COSIT nº 8/2013: "... se comprovado que o administrador de determinada sociedade deve ser responsabilizado por determinada infração, mas houve erro de quem era o administrador naquela época, houve erro de fato. Situação distinta seria se houvesse erro em identificar que o administrador (independentemente de quem fosse) deveria ou não ser o responsável, situação em que haveria um erro de direito." Compulsando os autos, notase que até a data da lavratura do Auto de Infração (24.06.2011), não constava notícia do falecimento da autuada, que se dera em 07/2009, em que pese o recebimento do Termo de Início de Fiscalização em seu endereço (fls. 21). Nesse sentido, evidenciado o desconhecimento do fato pela autoridade lançadora, a afastar o erro de interpretação da regramatriz de incidência, estamos diante de um vício formal. Forte no exposto, em função do reconhecimento do erro na identificação do sujeito passivo, VOTO por ANULAR o LANÇAMENTO, por vício formal, a teor do artigo 173, II do CTN. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13956.000279/2006-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/P ASEP
Período de apuração: 03/08/2004 a 31/08/2006
PIS não-cumulativo. Incidência Monofásica Aquisição para Revenda.
Credito Incabível.
Não é possível o crédito em relação à aquisição para revenda dos
combustíveis derivados de petróleo e de outros produtos submetidos à incidência monofásica da Contribuição para o PIS/P ASEP, constantes do§S 1° do artigo 2° da Lei nº 10.637/2002.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 25/10/2004 a 31/08/2006
Cofins não-cumulativo. Incidência Monofásica Aquisição para Revenda. Crédito Incabível.
Não é possível o crédito em relação à aquisição para revenda dos
combustíveis derivados de petróleo e de outros produtos submetidos A. incidência monofásica da COFINS, constantes do S 1° do artigo 2° da Lei nº 10.833/2003.
Numero da decisão: 3201-001.209
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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DE PETRÓLEO LTDA Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/P ASEP Período de apuração: 03/08/2004 a 31/08/2006 PIS não-cumulativo. Incidência Monofásica Aquisição para Revenda. Credito Incabível. Não é possível o crédito em relação à aquisição para revenda dos combustíveis derivados de petróleo e de outros produtos submetidos à incidência monofásica da Contribuição para o PIS/P ASEP, constantes do S 1° do artigo 2° da Lei nO10.637/2002. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 25/10/2004 a 31/08/2006 Cofins não-cumulativo. Incidência Monofásica Aquisição para Revenda. Crédito Incabível. Não é possível o crédito em relação à aquisição para revenda dos combustíveis derivados de petróleo e de outros produtos submetidos A. incidência monofásica da COFINS, constantes do S 1° do artigo 2° da Lei nO 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 4' . ACORDAM os membros da 2a Câmara / 1a Turma Ordinária da Terceira .. Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário . .: r~6drfLIO PEREIRA VAL \. AO - Presidente. í'~ .•. f\ /I 0VvCÁ-~ ~ !'w q ~O-J / W\RCELO RIBEIRO NOGUEIRA - ~ator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani (Suplente), Daniel Mariz Gudino e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente processo de pedido de restituição de créditos de PIS/Cofins, no valor de R$ 22.305.081,00, referente as operações realizadas com aliquota zero de produtos combustíveis. Instruem o processo o pedido de restituição de fls. 01/05, referente ao período de 08/2004 a 08/2006, além das planilhas de apuração de créditos de PIS/Cofins e as Notas Fiscais do período. A DRF de origem, por meio do despacho decisório de fls. 776/782, indeferiu a solicitação da contribuinte pela inexistência de direito creditório, por se tratar de tributação monofásica dos produtos e de expressa vedação legal. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou a impugnação As fls. 787/807, requerendo a reforma da decisão proferida pela DRF, para que seja autorizada a restituição dos créditos de PIS/Cofins, alegando, em resumo, o seguinte: 1. A empresa é distribuidora de combustíveis, adquirindo no mercado interno óleo diesel e gasolina para revender; 2. A contribuição ao PIS e a Cofins são recolhidas em operações monofásicas no Produtor/Importador e em cada operação de revenda subseqüente aplica-se o regime de alíquota zero; 3. A partir do regime não-cumulativo instituiu-se o direito de descontar créditos referentes As operações anteriores; " ' .. . ' 4. A Lei nO 11.033/04 dispôs sobre o direito de crédito sobre as vendas efetuadas com alíquota zero; 5. O entendimento da autoridade recorrida é equivocado, pois o legislador assegurou a não-cumulatividade para o PIS/Cofins, independente de ser o recolhimento monofásico ou plurijásico; 6. O constituinte objetivou instituir tratamento igualitário aos contribuintes, adotando a não-cumulatividade para todos, isonomicamente, admitindo exceção apenas quando não for 2 J õ' Processo n° 13956.000279/2006-88 Acórdão n.o 3201-01.209 S3-C2T1" FI. 2.049 possível atingir a finalidade de manutenção da capacidade contributiva; 7.A própria SRF, por meio da Solução de Consulta nO124/2005, reafirmou a manutenção dos créditos vinculados a operações de venda com alíquota zero. A contribuinte cita a legislação do PIS/Cofins e requer, aofinal, reforma da decisão recorrida. o presente processo foi encaminhado para julgamento nesta DRJ/RJ2 face ao disposto na Portaria RFB n° 340,publicada no DOU em 22/02/2008. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃOPARA OPIS/PASEP Período de apuração: 03/08/2004 a 31/08/2006 PIS não-cumulativo. Incidência Monofásica Aquisição para Revenda. Credito IncabíveL Não é possível o crédito em relação à aquisiçãopara revenda dos combustíveis derivados de petróleo e de outros produtos submetidos à incidência monofásica da Contribuição para o PIS/PASEP, constantes do 9 1° do artigo ]O da Lei nO 10.637/2002. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 25/10/2004 a 31/08/2006 Cofins não-cumulativo. Incidência Monofásica Aquisição para Revenda. Crédito Incabível. Não é possível o crédito em relação à aquisiçãopara revenda dos combustíveis derivados de petróleo e de outros produtos submetidos A. incidência monofásica da COFINS, constantes do 9 1°do artigo 2° da Lei nO10.833/2003. Solicitação indeferida. •É o Relatório. o contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância,' apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. ~. '" 3 • Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira Entendo que o recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. Para que se possa iniciar a análise da presente pretensão, entende a Fazenda Na~ional que não é possível nos afastarmos da premissa de que toda interpretação da legislação que institui o regime de apuração não-cumulativo do Pis e Cofins deve pautar-se de acordo cotn a determinação constitucional prevista no S 12 do artigo 195 da Constituição Federal. E na esteira desse raciocínio, é cediço que o perfil constitucional das corltribuições sociais sobre receitas não impõe a não-cumulatividade. Assim sendo, a pretensão de instituir uma sistemática não-cumulativa para o PISe para a COFINS está inteiramente dependente da existência de alguma norma legal "infracons.titucional que a prescreva, pois se trata de competência que o Constituinte cOl\.feriQ'ao legislador ordinário. . . . Coube, portanto, à lei ordinária a implementação da sistemática de apuração das' contribuições sociais, indicando quais as atividades econômicas sujeitas à não- cun.luiatividade, bem como a forma de concessão de créditos e como seriam aproveitados por meióide dedução. Percebe-se que a partir do momento em que a Constituição conferiu a possibilidade ao legislador infraconstitucional de instituir o regime de apuração não- cumulativo para o PIS e para a Cofins, é óbvio que o direito de crédito gerado por este regime não é absoluto, mas limitado às determinações constantes na legislação de regência. Nessa linha de pensamento, vejamos o que determinavam as Leis 10.637/02 e 10.833/03 sobre o tema, na redação vigente à época das aquisições de gasolina e óleo diesel para revenda: Lei 10.637/02 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) nos incisos 111e IV do 9 3°do art. 1° desta Lei; e b) no f ]O do art. 2° desta Lei; Lei 10.833/03e.. 4 Processo nO 13956.000279/2006-88 Acórdão n.o 3201-01.209 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aosprodutos referidos: a) nos incisos III e IV do 9 3º do art. 1º desta Lei; e b) no £]0 do art. 2° desta Lei; S3-C2Tl FI. 2.050 • ~ ••t- t,' ..:: Das normas acima referidas, retira-se que, como regra, os bens adquiridos para revenda geram créditos da não cumulatividade. Há, contudo, duas hipóteses que excepcionam tal regra. Como primeira exceção ao creditamento, tem-se a aquisição para revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária. Excepcionam-se também, não gerando créditos, as aquisições para revenda de produtos referidos no ~ 1° do art. 2° das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Vejamos então o que prevêem tais dispositivos: Lei 10.637/02 Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicar-se-á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimospor cento). 9 1º Excetua-se do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: I - nos incisos I a III do art. 4° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alteraçõesposteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo - GLP derivado depetróleo e de gás natural; Lei 10.833/03 Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicar-se-á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimospor cento). 9 1º Excetua-se do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotasprevistas: .' 5 I - nos incisos I a IJI do art. 4° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo - GLP derivado de petróleo e de gás natural; Conjugadas as normas acima transcritas, não há dúvidas de que o artigo 3°, I, "b", das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, ao fazer remissão ao art. 2°, S 1°, dessas mesmas leis, acabou por vedar, entre outras hipóteses, o creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação a gasolinas (exceto gasolina de aviação), óleo diesel e gás liquefeito de petróleo (GLP) derivado de petróleo e gás natural adquiridos para revenda. Essa impossibilidade de tomada de créditos relativamente às operações e produtos especificados guarda total lógica, seja econômica, seja jurídica, pois o revendedor, naqueles casos, não se apresenta como sujeito à tributação, já que esta ficou concentrada na operação anterior da cadeia econômica, realizando o revendedor operações sob alíquota zero e repassando os custos de aquisição para o preço dos produtos . • • Como já pacificado pelo STJ: ••, '. 'l.~ (...) a técnica do creditamento é incompatível com a incidência monofásica porque não há cumulatividade a ser evitada, razão maior da possibilidade de que o contribuinte deduza da base de cálculo destas contribuições (faturamento ou receita bruta) o valor da contribuição incidente na aquisição de bens, serviços e produtos relacionados à atividade do contribuinte. Permitir a possibilidade do creditamento destas contribuições na incidência monofásica, além de violar a lógica jurídica da adoção do direito à não-cumulatividade, implica em ofensa à isonomia e ao princípio da legalidade, que exige lei especifica (cf art. 150, 96° da CF/88) para a concessão de qualquer beneficio fiscal. E sem dúvida a permissão de creditamento de PIS e da COFINS em regime de incidência monofásica é concessão de beneficio fiscal. (REsp 1.140. 723/RS, Relatora Ministra Eliana Calmon) . De fato, no caso de tributo monofásico e de regime de alíquota zero é ilógico pen~ar-se em incidências múltiplas ao longo do ciclo econômico, o que é o pressuposto fático necessário para a adoção da técnica do creditamento no regime da não cumulatividade. Por outro lado, cumpre assentar que a submissão das empresas distribuidoras ao regime monofásico é matéria que já se encontra pacificada no âmbito do STJ e TRFs, não havendo nenhum respaldo na tese de que após o advento da Lei 10.865/2004, as vendas de gasolina e óleo diesel passaram ao regime de apuração plurifásico. Por todos, cite-se o AgRg no Resp 1.206.713/PR, da lavra do Ministro Herman Benjamin: PROCESSUAL CIVIL E TRiBUTARio. SÚMULA 284/STF. PIS E COFINS. COMBUSTÍVEIS DERiVADOS DE PETRÓLEO. 6 Processo nO 13956.000279/2006-88 Acórdão n.o 3201-01.209 INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. INVIABILIDADE. CREDITAMENTo. S3-C2Tl FI. 2.051 1. É incontroverso que a Lei 9.990/2000 fixou a incidência monofásica do PIS e da Cofins sobre combustíveis derivados de petróleo, onerando as refinarias. Por essa razão, as operações subseqüentes não são tributadas. 2. A agravante é distribuidora de combustíveis e defende que tem direito ao creditamento relativo a essas contribuições, por força das alteraçõespromovidas pela Lei 10.865/2004. 3. Impossível entender, pela leitura das peças recursais, como a contribuintepretende se creditar no regime monofásico ou como podem coexistir este regime em relação à refinaria e o plurifásico (com não-cumulatividade) para a distribuidora de combustível. Aplica-se, por analogia, o disposto na Súmula 284/STF. 4. Ademais, a jurisprudência pacífica do STJ reconhece a ilegitimidade ativa processual das distribuidoras por conta da incidência monofásica do PIS e da Cofins. Pela mesma razão, inviável o creditamento pretendido. 5. Agravo Regimental nãoprovido. (AgRg no REsp 1206713/PR, Rei. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 09/11/2010, DJe 03/02/2011). Noutro giro, convém esclarecer que o art. 17 da Lei 11.033/04 não respalda a pretensão da recorrente. Referida norma assim determina: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota O (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ao contrário do que possa parecer em uma leitura mais açodada, este artig~ não constitui permissão geral de creditamento nos casos de saída isenta ou com alíquota zer.ê~. sendo imprescindível proceder à leitura concomitante de seu comando com o disposto no ar( 16 da Lei n° 11.116/05, que impõe que o saldo credor das contribuições, acumulado em virt~C\@ do disposto no art. 17 da Lei 11.033, seja apurado na forma do art. 3° das Leis 10.637'~ rI';':' ,10.833. ,'~ ' Assim, é permitido o creditamento em análise, desde que atendidQs.~~~ pressupostos regrados no caput do art. 16 da Lei n° 11.116/05. Mais especificamente, de"s~~' que respeitada a forma de apuração regrada pelo art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.8~3/0j~ ,',". inclusive no que concerne às vedações ao creditamento lá destacadas. ;/~::'i .. ,;.• ' €? '~"l' >.:.~,:. ~ ", ~ . , " Ora, como a aquisição de gasolina e óleo diesel não gera créditos, nos termos do art. 3°, I, b, das Leis 10.637 e 10.833, na revenda com alíquota zero não há que se falar em subsunção do fato revenda de gasolina à norma do art. 17 da Lei 11.033. Data venia, ao mencionar a "manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados" às operações de vendas com isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS, o art. 17 está se referindo aos créditos relativos aos custos, encargos e despesas legalmente autorizados a gerar esses créditos das referidas contribuições, o que, repita-se, não acontece no caso sob julgamento. Finalmente, de se registrar que a jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça dá total respaldo ao quanto defendido nos presentes memoriais: RECURSO ESPECIAL. AGRA VO REGIMENTAL. TRIBUTARIo. PIS E COFINS. REGIME DE INCIDÊNCIA MONOFAsICA. CREDITAMENTo. IMPOSSIBILIDADE. ART 17 DA LEI 11.033/04. APLICAÇÃO A EMPRESAS INSERIDAS NO REGIME DE TRIBUTAÇÃO DENOMINADO REPORTO. 1. O aproveitamento de créditos pela entrada é incompatível com a incidência monojásica da contribuição ao PIS e à COFINS porque não há, nesse caso, cumulatividade a ser evitada. Precedentes. 2. O beneficio instituído no art. 17 da Lei 11.033/2004 somente é aplicável às empresas que se encontram inseridas no regime específico de tributação denominado Reporto. Precedentes. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1.241.354/RS, ReI. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/05/2012, DJe 10/05/2012); TRIBUTARIo. AGRA VO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. INCIDÊNCIA MONOFAsICA. CREDITAMENTo. IMPOSSIBILIDADE. ART 17 DA LEI 11.033/04. HONORARIOS ADVOCATÍCIOS. REDUÇÃO. NECESSIDADE DE REVOLVIMENTO FATICO PROBATÓRIO DOS AUTOS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Nos termos da jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, a incidência monojásica não se compatibiliza com a técnica do creditamento, bem como o beneficio instituído no art. 17 da Lei 11.033/2004 somente se aplica às empresas que se encontram inseridas no regime específico de tributação denominado Reporto, o que não é o caso dos autos. 3. Agrav.o regimental não provido. ~ 8 Processo nO 13956.000279/2006-88 Acórdão n.o 3201-01.209 (AgRg no REsp 1.256.107/PR, Rei. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/05/2012, DJe 10/05/2012); TRIBUTARIo. PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. PIS E COFINS. REGIME DE INCIDÊNCIA MONOFAsICA. CREDITAMENTo. IMPOSSIBILIDADE. ART. 17 DA LEI N 11.033/2004. APLICAÇÃO A EMPRESAS INSERIDAS NO REGIME DE TRIBUTAÇÃO - DENOMINADO REPORTO. 1 . 2. Nos termos da jurisprudência pacífica do STJ, a técnica do creditamento é incompatível com a incidência monofásica, porque não há cumulatividade a ser evitada. Permitir o creditamento das referidas contribuições nos casos de incidência monofásica viola o direito à não cumulatividade e implica ofensa aos princípios da isonomia e da legalidade estrita, que exigem lei específicapara a concessão de qualquer beneficiofiscal. 3. O art. 17 da Lei n. 11.033/2004 não é aplicável ao caso, pois este só abrange empresas submetidas ao sistema do REPORTO. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1.289.495/PR, Rei. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/03/2012,DJe 23/03/2012); TRIBUTARIo. PIS E COFINS. RECURSO ESPECIAL. REGIME DE INCIDÊNCIA MONOFAsICA. CREDITAMENTo. IMPOSSIBILIDADE. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. APLICAÇÃO A EMPRESAS INSERIDAS NO REGIME DE TRIBUTAÇÃO DENOMINADO REPORTO. SÚMULA 83/STJ 1. A Segunda Turma do STJ firmou o entendimento de que a incidência monofásica não se compatibiliza com a técnica do creditamento, e de que o beneficio instituído no art. 17 da Lei 11.033/2004 somente é aplicável às empresas que se encontram inseridas no regime específico de tributação denominado Reporto (Precedente: REsp 1.140.723/RS, Rei. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma,julgado em 2.9.2010, DJe 22.9.2010). 2. O STJjá decidiu que a técnica do creditamento é incompatível com a incidência monofásica porque não há cumulatividade a ser evitada, razão maior da possibilidade de o contribuinte deduzir da base de cálculo o valor da contribuição sobre a aquisição de bens, serviços e produtos relacionados à sua atividade. 3. Permitir o creditamento das referidas contribuições nos casos de incidência monofásica viola a lógica jurídica da adoção do direito à não-cumulatividade e implica ofensa aos princípios da isonomia e da legalidade, que exigem lei específica para a ~. S3-C2T1 FI. 2.05?t '. . 9 concessão de qualquer beneficio fiscal. Orientaçãofirmada no julgamento do REsp 1.140.723/RS,Rei. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma,julgado em 2.9.2010. 4. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 1.258. 583/RS, Rei. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA,julgado em 04/10/2011,DJe 17/10/2011); Também no âmbito do CARF há diversos julgados que adotaram o entendimento que ora se defende: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/03/2005 COFINS - REGIME MONOFAsICO - COMERCIANTE DE BEBIDAS - IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. Não possui direito ao aproveitamento de crédito de COFINS empresa comerciante de bebidas adquirente de produtos tributados pela sistemática do regime monofásico, por expressa vedação da alínea 'b' do inciso I do artigo 3° da Lei n° 10.833/2003. RECURSO VOLUNTARIO IMPROVIDO. (Acórdão 3101- 00.923, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Sessão de 10.11.2011); ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃOPARA OPIS/PASEP. Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. COMERCIANTE ATACADISTA OU VAREJISTA DE CERVEJAS, AGUAS E REFRIGERANTES. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por força da técnica legal de tributação concentrada nos fabricantes e importadores de cervejas, águas e refrigerantes, denominada de tributação monofásica, as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da revenda desses produtos, são submetidas à alíquota zero das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, sendo expressamente vedado, de outra parte, o aproveitamento de créditos em relação às aquisições dessesprodutos. Recurso Voluntário Negado. (Acórdão 3102-00.878, Relator Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Sessão de 10.12.2010); -e-. • 10 , Processo nO 13956.000279/2006-88 Acórdão n.o 3201-01.209 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 S3-C2T1 FI. 2.053 MATÉRIA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE. Descabe ao originalmente, em relação à matéria pressuposto a afastar a aplicação da lei. APRECIAÇÃO Carf manifestar-se, constitucional, como ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA E TRIBUTAÇÃO MONOFAsICA. PRODUTOS. A tributação monofásica é especíjica e distinta da incidência não cumulativa, que é geral, não havendo que se falar em créditos para a segunda decorrentes de entradas sujeitas à primeira. ALÍQUOTA ZERO E OUTRAS HIPÓTESES DESONERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. LEI No 11.033, DE 2004. A manutenção de créditos, que não se confunde com exclusões da base de cálculo, prevista na Lei n° 11.033, de 2004, refere-se às hipóteses desonerativas criadas pela própria Lei e não alteram o regime de tributação monofásico previsto em legislação anterior. Recurso Voluntário Negado (Acórdão 3302-000.952, Relator José Antonio Francisco, Sessão de 04.05.2011); Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 PIS E COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO APLICADO ÀS DISTRIBUIDORAS DE COMBUSTÍVEIS. IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. A previsão contida no art. 17da Lei nO 11.033/04 aplica-se aos casos de vendas desoneradas das contribuições, porém, em cuja aquisição haja sido pago PIS e Cofins. Os combustíveis em questão sujeitam-se ao regime de alíquotas diferenciadas (concentradas) ou tributação monofásica, estabelecendo-se o recolhimento dessas contribuições, de uma única vez pelas refinarias de petróleo, demais produtores e importadores, desonerando o recolhimento nas demais etapas da cadeia de comercialização. A inexistência de direito a crédito decorre de expressa vedação legal consoante o art. 3°, inciso I, alínea "b" e 9 2°, inciso 11, das Leis nO10.637/02 e 10.833/03, com a redação dada pela Lei nO10.865/04. 11 Recurso Voluntário Negado. (Acórdão 2102-00.083, Relator Conselheiro Mauricio Taveira e Silva, Sessão de 06.05.2009). , . . Diante de .todo o acima exposto, VOTO por conhecer o Recurso voluntár~. para negar-lhe mtegral proVImento. tSr .. jo ,. .~'.' ..., "~~uea~I\vo~~oJ ,', MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA - relatÓr , c' ,c I. 12 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012
score : 1.0
Numero do processo: 10715.000564/2010-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006
REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.
A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 05 64 /2 01 0- 20 Fl. 296DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Inconformada com a autuação, o Contribuinte apresentou Impugnação, que foi julgada parcialmente procedente pela DRJ, com a aplicação retroativa da IN SRF nº 1096/2010, que ampliou o prazo de apresentação de informações para 7 (sete) dias, para afastar a multa em todos os casos em que a informação se deu dentro deste prazo. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações ofertadas quando da impugnação, acrescentando que com a edição da Instrução Normativa n° 1.096/2010 deixouse de definir como infração a inserção de dados de embarque de mercadorias no Siscomex, quando realizada dentro do prazo de 07 dias e pleiteando ainda a aplicação do instituto da denúncia espontânea após a publicação da Lei nº 12.350/2010, a qual alterou o art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devendose aplicar ao caso o instituto da retroatividade benigna. disposto no art. 106. II. do Código Tributário Nacional. O Recurso Voluntário foi julgado de forma procedente ao Contribuinte. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. Ao julgar o caso, a 3ª Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF deu provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, afastando a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea às penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela SRF para a prestação de informações à administração aduaneira. Na mesma decisão, determinou que os autos fossem remetidos novamente às Câmaras Baixas para apreciação e deliberação dos demais argumentos apresentados pelo Contribuinte. O contribuinte opôs Embargos de Declaração cuja a admissibilidade foi negada por despacho do Presidente do CARF. Por fim, os autos foram distribuídos à turma 3402, para relatoria do feito. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10715.000564/201020 Acórdão n.º 3402004.305 S3C4T2 Fl. 3 3 Como se verifica no relatório, apenas o argumento relativo à aplicação da denúncia espontânea em relação a penalidades decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias foi enfrentado no acórdão proferido pela 3ª CSRF, justamente por ter sido o fio condutor do acórdão proferido na Câmara Baixa, que deixou de deliberar sobre os demais pontos, a despeito do I. Relator têlos enfrentado em seu acórdão. Desse modo, cabe a este Colegiado discutir, a despeito de concordância ou não com o mérito da decisão da CSRF, apenas os demais argumentos. A Recorrente alega: i) irrazoabilidade na aplicação da multa; e ii) atribui culpa às "constantes falhas do SISCOMEX" para o descumprimento da obrigação de registro das informações do embarque. Quanto ao primeiro fundamento, alega que a alteração dos prazos para registro foi realizado sem grande divulgação na mídia de massa, e que até 2005 não havia um prazo objetivo, mas a indicação de que o registro deveria ser imediatamente após o embarque. Ora, durante os fatos geradores abarcados pelo presente processo a IN SRF nº 510/2005 já estava vigente, e não pode ninguém se eximir do cumprimento da lei alegando desconhecêla, sobretudo aqueles que trabalham especificamente com determinado setor, como o de transporte de cargas. Além disso, quanto ao argumento de desproporcionalidade, a única possibilidade de não aplicação da multa seria pela declaração de inconstitucionalidade da mesma, o que é vedado expressamente pelo art. 26A do Decreto 70.235/72 e pela Súmula CARF nº 02. Quanto à alegação de constantes falhas no SISCOMEX, a Recorrente não faz qualquer prova a respeito, razão pela qual não há como se aferir se as informações por ela prestadas são verdadeiras ou sequer verossimilhantes. Alegar e não provar é o mesmo que não alegar, devendo o julgador observar as regras de distribuição do ônus probatório. Desse modo, os argumentos não devem prosperar, razão pela qual NEGO provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 298DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.722468/2013-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA.
O fato gerador do ganho de capital é a percepção de rendimentos oriundos da alienação de bens e direitos, sendo tributável a diferença positiva entre o valor da alienação e o custo de aquisição.
AUMENTO DE CAPITAL SOCIAL. CAPITALIZAÇÃO. INCORPORAÇÃO DE RESERVAS DE LUCROS SUSPENSOS. INEXISTÊNCIA. PERÍODO DE ISENÇÃO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. DECRETO-LEI N. 1.510/76. INCREMENTO DE CAPITAL SOCIAL APÓS O LAPSO TEMPORAL ISENTIVO. INEXISTÊNCIA DE QUOTAS DE BONIFICAÇÃO OU DE QUOTAS NOVAS.
Inexistindo aumento de capital social no período de isenção previsto no Decreto-Lei n. 1.510/76, reconhecido na via judicial, não há que se falar em quotas de bonificação decorrente de reservas de lucros suspensos ou até mesmo de novas quotas no cálculo do custo de aquisição para fins de apuração de ganho de capital na alienação de participação societária.
O aumento de capital social decorrente de reserva de correção monetária, reservas de lucro suspenso e integralização em dinheiro a partir de 01/01/1989 não se submete à isenção prevista no Decreto-Lei n. 1.510/76 reconhecida judicialmente no caso concreto.
CUSTO DE AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CAPITALIZAÇÃO DE RESERVAS E LUCROS. EFEITOS.
Somente o aumento de capital, mediante a incorporação de lucros ou de reservas constituídas com lucros, possibilita o incremento no custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente à parcela capitalizada dos lucros ou das reservas constituídas com esses lucros que corresponder à participação do sócio ou acionista na investida.
GANHO DE CAPITAL. BENS E DIREITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA.
Para fins de apuração do ganho de capital, o custo de aquisição do bem adquirido, até 31 de dezembro de 1995, poderá ser corrigido monetariamente até 31 de dezembro deste ano, tomando-se por base o valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996, não se lhe aplicando qualquer correção monetária a partir dessa data.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO
Incabível a multa qualificada quando não restar comprovado de forma firme e estreme de dúvidas o dolo específico, fraude ou simulação do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador, de excluir ou modificar as suas características principais
Numero da decisão: 2402-005.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindo-a ao patamar ordinário de 75% (setenta e cinco por cento).
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Fernanda Melo Leal e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. O fato gerador do ganho de capital é a percepção de rendimentos oriundos da alienação de bens e direitos, sendo tributável a diferença positiva entre o valor da alienação e o custo de aquisição. AUMENTO DE CAPITAL SOCIAL. CAPITALIZAÇÃO. INCORPORAÇÃO DE RESERVAS DE LUCROS SUSPENSOS. INEXISTÊNCIA. PERÍODO DE ISENÇÃO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. DECRETOLEI N. 1.510/76. INCREMENTO DE CAPITAL SOCIAL APÓS O LAPSO TEMPORAL ISENTIVO. INEXISTÊNCIA DE QUOTAS DE BONIFICAÇÃO OU DE QUOTAS NOVAS. Inexistindo aumento de capital social no período de isenção previsto no DecretoLei n. 1.510/76, reconhecido na via judicial, não há que se falar em quotas de bonificação decorrente de reservas de lucros suspensos ou até mesmo de novas quotas no cálculo do custo de aquisição para fins de apuração de ganho de capital na alienação de participação societária. O aumento de capital social decorrente de reserva de correção monetária, reservas de lucro suspenso e integralização em dinheiro a partir de 01/01/1989 não se submete à isenção prevista no DecretoLei n. 1.510/76 reconhecida judicialmente no caso concreto. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CAPITALIZAÇÃO DE RESERVAS E LUCROS. EFEITOS. Somente o aumento de capital, mediante a incorporação de lucros ou de reservas constituídas com lucros, possibilita o incremento no custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente à parcela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 24 68 /2 01 3- 60 Fl. 374DF CARF MF 2 capitalizada dos lucros ou das reservas constituídas com esses lucros que corresponder à participação do sócio ou acionista na investida. GANHO DE CAPITAL. BENS E DIREITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Para fins de apuração do ganho de capital, o custo de aquisição do bem adquirido, até 31 de dezembro de 1995, poderá ser corrigido monetariamente até 31 de dezembro deste ano, tomandose por base o valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996, não se lhe aplicando qualquer correção monetária a partir dessa data. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO Incabível a multa qualificada quando não restar comprovado de forma firme e estreme de dúvidas o dolo específico, fraude ou simulação do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador, de excluir ou modificar as suas características principais Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindoa ao patamar ordinário de 75% (setenta e cinco por cento). (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Fernanda Melo Leal e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11020.722468/201360 Acórdão n.º 2402005.953 S2C4T2 Fl. 102 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 335/355) em face do Acórdão n. 02 51.478 9ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE (fls. 321/330), que julgou improcedente a impugnação de fls. 268/308 e manteve o crédito tributário consignado no lançamento constituído mediante o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF AnoCalendário 2009 no montante de R$ 1.650.446,24 sendo R$ 582.782,76 de imposto (Cód. Receita 2904), R$ 193.489,33 de juros de mora calculados até 07/2013 e R$ 874.174,15 de multa proporcional calculada sobre o principal (fls. 240/247) com fulcro em apuração de omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de ações/quotas não negociadas em Bolsa de Valores, conforme Relatório Fiscal (fls. 248/260). Em decorrência, restou improcedente a impugnação de fls. 268/286 e mantido o crédito tributário lançado. De acordo com o Relatório Fiscal RF (fls. 248/260) a autoridade lançadora informa que em outubro de 2009 foi firmado Contrato de Cessão de Quotas de Pedreira Caxiense, por meio do qual Agostinho Luiz Menegotto, Eloy Menegotto, Ivo Menegotto e Plínio Menegotto alienaram sua participação societária a Fagundes Construção pelo valor total de R$ 22.459.274,69, ajustado pela primeira emenda contratual, a serem pagos em seis parcelas. O contribuinte entende que teria direito adquirido à isenção sobre a alienação das cotas que mantivesse desde cinco anos antes da revogação do DecretoLei n. 15/10/1976, ou seja, até o dia 31/12/1983. Com vistas ao reconhecimento do pretendido direito, o contribuinte impetrou o Mandado de Segurança (MS) n. 500200965.2010.404.7107, por meio do qual buscou o reconhecimento da isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital oriundo da alienação de participação societária adquirida e mantida por cinco anos ou mais até 31/12/1988. O Mandado de Segurança foi denegado (pedido improcedente), e, não obstante esse fato, o contribuinte optou por recolher apenas uma parte do tributo devido. O contribuinte não demonstrou, no Mandado de Segurança impetrado, como chegou ao cálculo da parcela isenta, limitandose a dizer que “tais discussões (cálculo da apuração do custo de aquisição) escapariam à via estreita do Mandado de Segurança”. Entretanto, a Fiscalização da RFB obteve o valor considerado isento pelo sujeito passivo e pelos outros exsócios analisar os tributos por ele recolhidos espontaneamente. Em virtude da alegação do contribuinte de que não dispunha da planilha com memória de apuração do ganho de capital, a Fiscalização da RFB optou por efetuar o cálculo por duas vertentes: i) considerando a Instrução Normativa SRF n. 84/2001 e ii) considerando as alterações contratuais. Os valores finais do calculo considerando os índices oficiais (Anexo Único da IN SRF n. 84/2001) e o do cálculo considerando as alterações sociais foram relativamente similares, a Fiscalização da RFB optou por considerar o primeiro (R$ 2.922,19 que corresponde a 19% das cotas existentes em 31/12/1983), em virtude de vícios detectados nos documentos que serviram de base para o cálculo com base nas alterações sociais (R$ 3.206,61). Fl. 376DF CARF MF 4 Assim, concluiuse que o valor correto sobre o qual o sujeito passivo está pleiteando, judicialmente, o direito à isenção é de uma parcela de R$ 2.922,19 cotas em 12/1983 corrigidas dentro das cotas por ele mantidas antes da alienação. Constatouse que o capital social da Pedreira Caxiense, de acordo com o Contrato Social no momento exatamente anterior à alienação, era de R$ 2.200.000,00, dividido entre os acionistas, cabendo ao contribuinte a participação de 23,46%, que corresponde a R$ 516.120,00. Em decorrência da impetração de Mandado de Segurança com vistas ao reconhecimento do direito à isenção do imposto de renda prevista no artigo 4º. do DecretoLei n. 1.510/76, posteriormente revogado pela Lei 7.713/88, na apuração do ganho de capital, ele a exemplo dos outros sócios, considerou parte do valor de suas cotas R$ 346.695,25 do capital social de R$ 516.120,00 como isenta, reduzindo, proporcionalmente, a tributação sobre o ganho de capital. O contribuinte teve reconhecida judicialmente a isenção nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação nos termos do artigo 4º., alínea “d” do DecretoLei n. 1.510/76. Após considerar o capital social em 31/12/1983 corrigido monetariamente no valor de R$ 2.922,19 e a ação judicial que reconheceu a isenção de quotas adquiridas até a referida data, a autoridade autuante entendeu que 0,56618% das quotas alienadas poderiam ser consideradas protegidas pela isenção e o restante ser objeto de tributação. Ou seja, considerando que o sujeito passivo tenha reconhecido o direito à isenção no ganho de capital das cotas mantidas em 31/12/1983, devese considerar que 0,56618% do ganho de capital total não será tributado. Como o valor pago ao sujeito passivo pela alienação foi de R$ 6.625.572,42, o ganho de capital tributável, num primeiro momento, é de R$ 6.109.452,42. Desse ganho de capital, com o reconhecimento do pleito do sujeito passivo pelo judiciário, aproximadamente 0,56618% serão isentos (ou R$ 34.590,76 de R$ 6.109.452,42). Sobre o restante, por conseguinte, não restam dúvidas quanto à incidência da tributação. Assim, há um ganho de capital indiscutivelmente tributável de R$ 6.074.861,66 e um ganho de capital de R$ 34.590,76 cuja isenção foi pleiteada pelo sujeito passivo. Eloy Valor de Alienação (A) R$ 6.625.572,42 Custo Total das Cotas (B) R$ 516.120,00 Ganho de Capital (C) = (A)(B) R$ 6.109.452,42 Porcentagem com isenção (D) 0,56618% Ganho de Capital com isenção (E) = (C) x (D) R$ 34.590,76 Ganho de Capital sem isenção (F) = (C) (E) R$ 6.074.861,66 IR devido considerando isenção (G) = (F) x 15% R$ 911.229,25 Nos termos do Contrato de Cessão de Cotas, o recorrente recebeu os pagamentos e o ganho de capital finalmente foi apurado. Sobre o imposto apurado foi aplicada a multa de ofício qualificada no percentual de 150% com fundamento nos artigos 72 e 73 da Lei 4.502/64, em razão da ação coordenada dos quatro sócios da Pedreira Caxiense. Segundo relata a autoridade autuante, para buscar judicialmente a isenção de parte do ganho de capital seria indispensável que o recorrente disponibilizasse os cálculos utilizados para corrigir monetariamente a sua participação societária mantida em 31/12/1983. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11020.722468/201360 Acórdão n.º 2402005.953 S2C4T2 Fl. 103 5 A autoridade fiscal afirma que durante a fiscalização o recorrente mesmo intimado a apresentar a planilha ou memória dos cálculos que permitiram a apuração da parcela isenta, limitouse a informar que não dispunha dos cálculos. Conclui que a forma de apuração adotada pelo contribuinte decorreu de simples arbitramento, desprovido de qualquer parâmetro lógico, visando somente a obtenção de vantagem indevida. A conduta do recorrente demonstra que não ocorreu erro, mas sim intenção de manipular os dados para reduzir a tributação do ganho de capital. Formalizouse Representação Fiscal para Fins Penais Processo n. 11020.722472/201328 visando noticiar ao Ministério Público Federal a ocorrência de fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária, definido nos arts. 1º. e 2º. da Lei n. 8.137/90. Cientificado do lançamento em 18/07/2013 (fls. 264/265), o contribuinte, inconformado, apresentou, em 16/08/2013, a impugnação de fls. 268/308, nos seguintes termos: 1. Salienta que ingressou com medida judicial visando o reconhecimento de seu direito à isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital decorrente das quotas adquiridas até dezembro de 1983 e mantidas em sua propriedade por cinco anos ou mais. 2. Aduz que apesar de a fiscalização ter reconhecido o direito à isenção, apurou de forma errada o ganho de capital, pois na recomposição do valor das cotas adquiridas e mantidas em 31/12/1983 considerou que todas as cotas recebidas em bonificação, mesmo as decorrentes das cotas mantidas até 31/12/1983 seriam cotas novas. 3. Ressalta que a análise fiscal das alterações contratuais com o fim de apurar o correto ganho de capital e a parcela isenta, considerou como cotas novas aquelas atribuídas ao contribuinte em decorrência de reserva de lucro em suspenso, independentemente delas serem decorrentes das adquiridas em período anterior a 31/12/1983. 4. Cita o artigo 169 da Lei 6.404/76 para afirmar que o aumento de capital ali previsto importa em mera troca entre contas do balanço patrimonial, não havendo qualquer desembolso por parte do cotista e ingresso de valor de bens ou valores na empresa. Não haveria aumento do patrimônio da empresa ou do cotista, pois ambos continuam iguais. 5. Com base em doutrina considera que nos termos da determinação legal, não há subscrição de novas cotas pelo impugnante, pelo simples fato de não ser necessário o recebimento de cotas em bonificação. A nova quantidade de quotas em decorrência da bonificação representa a mesma participação percentual sobre o mesmo patrimônio que detinha antes da operação. 6. Quanto à multa de ofício qualificada ao contrário do que afirma a fiscalização informa ter apresentado planilha e não é verdadeiro o argumento de falta de atendimento à intimação. Acrescenta ainda que a menção da ausência de livros contábeis decorre da falta de intimação para apresentálos. 7. Questiona onde estaria a ação dolosa de sua parte, já que foi apresentada planilha, mesmo não sendo o documento que a fiscalização desejava. Em nenhum Fl. 378DF CARF MF 6 momento ficou demonstrada e caracterizada a ação ou omissão que pudesse caracterizar a fraude. 8. Também refuta a existência de conluio com seus irmãos sob o fundamento de ação coordenada entre eles. 9. Ao final pugna pelo cancelamento da exigência fiscal. O crédito tributário foi mantido no julgamento de primeiro grau consubstanciada no Acórdão n. 0251.478 (fls. 321/330), que sumarizou seu entendimento conforme emenda abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. O fato gerador do ganho de capital é a percepção de rendimentos oriundos da alienação de bens e direitos, sendo tributável a diferença positiva entre o valor da alienação e o custo de aquisição. GANHO DE CAPITAL. BENS E DIREITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Para fins de apuração do ganho de capital, o custo de aquisição do bem adquirido, até 31 de dezembro de 1995, poderá ser corrigido monetariamente até 31 de dezembro deste ano, tomandose por base o valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996, não se lhe aplicando qualquer correção monetária a partir dessa data. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Demonstrada a intenção deliberada do contribuinte em prestar informações falsas na declaração de ajuste anual e durante o procedimento fiscal, tornase perfeitamente aplicável a multa qualificada de 150%. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado do Acórdão n. 0251.478 (fls. 321/330) em 09/12/2013 (fl. 333) e, irresignado, interpôs recurso voluntário em 20/12/2013 (fls. 335/355), tempestivo, portanto, no qual repisa, em linhas gerais, os mesmos argumentos apresentados na impugnação de fls. 268/308. É o relatório. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 11020.722468/201360 Acórdão n.º 2402005.953 S2C4T2 Fl. 104 7 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, Relator O Recurso Voluntário (fls. 335/355) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. Conforme relatado, o recorrente obteve judicialmente o reconhecimento da isenção nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação nos termos do artigo 4º., alínea “d” do DecretoLei n. 1.510/76, verbis: Art 4º Não incidirá o imposto de que trata o artigo 1º: (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) [...] d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. A decisão proferida em sede de apelação reconheceu o direito à isenção sobre a alienação de quotas mantidas desde cinco anos antes da revogação do referido artigo pela Lei n. 7.713/88, restando assim esta matéria fora do escopo da presente análise. Com base na decisão judicial a fiscalização efetuou os cálculos necessários à atualização até 31/12/1995 do capital social da empresa vigente em 31/12/1983, data limite para verificação do prazo de cinco anos de manutenção das participações societárias pelo contribuinte. Com efeito, assim dispõe o art. 17 da Lei n. 9.249/95 sobre correção monetária do custo de aquisição de bens e direitos: Art. 17. Para os fins de apuração do ganho de capital, as pessoas físicas e as pessoas jurídicas não tributadas com base no lucro real observarão os seguintes procedimentos: I tratandose de bens e direitos cuja aquisição tenha ocorrido até o final de 1995, o custo de aquisição poderá ser corrigido monetariamente até 31 de dezembro desse ano, tomandose por base o valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996, não se lhe aplicando qualquer correção monetária a partir dessa data; II tratandose de bens e direitos adquiridos após 31 de dezembro de 1995, ao custo de aquisição de bens e direitos não será atribuída qualquer correção monetária. A seu turno, a Instrução Normativa SRF n. 84/2001, que trata dos Ganhos de Capital na alienação de bens e direitos, assim dispõe: [...] Art. 7º No caso de bens ou direitos adquiridos ou de parcelas pagas até 31 de dezembro de 1991, não avaliados a valor de mercado, e dos bens e direitos adquiridos ou das parcelas pagas entre 1º de janeiro de 1992 e 31 de dezembro de 1995, o custo corresponde ao valor de aquisição ou das parcelas pagas até 31 de Fl. 380DF CARF MF 8 dezembro de 1995, atualizado mediante a utilização da Tabela de Atualização do Custo de Bens e Direitos, constante no Anexo Único. Art. 8º O custo dos bens e direitos adquiridos ou das parcelas pagas a partir de 1º de janeiro de 1996 não está sujeito a atualização. [...] A Lei n. 7.713/88, em seu art. 16, define o que será considerado como custo de aquisição dos bens e direitos para fins de apuração do ganho de capital: Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II o valor que tenha servido de base para o cálculo do Imposto de Importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; III o valor da avaliação do inventário ou arrolamento; IV o valor de transmissão, utilizado na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V seu valor corrente, na data da aquisição. § 1º O valor da contribuição de melhoria integra o custo do imóvel. § 2º O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e dos bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens. § 3º No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. (grifei) § 4º O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. (grifei) Assim, da leitura sistêmica da legislação acima reproduzida e considerando o criterioso trabalho desenvolvido no curso da ação fiscal, consubstanciado no RF (fls. 248/260), não há reparo a fazer nos procedimentos da Fiscalização da RFB no tocante à correção do custo de aquisição no valor original vigente em 31/12/2013, inclusive quanto à segregação da isenção judicialmente pleiteada. Resta evidenciado que o ponto central no qual se concentra a irresignação do recorrente é, sem dúvida, a não utilização das reservas de lucro em suspenso, bem assim o tratamento dado às cotas bonificadas como se novas fossem, uma vez sua repercussão na apuração do ganho de capital na alienação em apreço. Para enfrentálo, é oportuno destacar as evidências elencadas a seguir, extraídas dos autos: i) A Pedreira Caxiense não alterou o capital social no período de 29/11/1982 a 25/09/1989. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 11020.722468/201360 Acórdão n.º 2402005.953 S2C4T2 Fl. 105 9 ii) Houve aumento de capital da Pedreira Caxiense decorrente de reserva de correção monetária, reservas de lucro em suspenso e integralização em dinheiro na data de 26/09/1989, conforme consta da sétima alteração contratual (fls. 174/179). iii) Em 26/09/1989 já estava exaurido o prazo de cinco anos insculpido no art. 4º., alínea “d” do DecretoLei n. 1.510/76. iv) Inexistindo aumento de capital social no período de 31/12/1983 a 31/12/1988, ocorreu tãosomente a correção do capital com base em índices oficiais para fins de atualizar o custo de aquisição existente em 31/12/1983 para a moeda vigente (REAL) e, por consequência, apurar o ganho de capital tributável. v) Não há registro de qualquer incremento no capital social da Pedreira Caxiense no período de 31/12/1983 a 31/12/1988 decorrente das reservas de lucro. vi) Não há que se falar em quotas de bonificação decorrente de reserva de lucro suspenso ou até mesmo de novas quotas no cálculo do custo de aquisição para fins de apuração de ganho de capital na alienação de participação societária, vez que no período compreendido entre 31/12/1983 a 31/12/1988 nenhum aumento de capital social ocorreu na Pedreira Caxiense. vii) Foi identificada, de forma inequívoca, a parcela do custo de aquisição a ser alcançada pelo benefício fiscal da isenção. Os lucros em suspenso correspondem ao resultado positivo que, não tendo sido distribuído aos sócios, permanece retido em conta específica de retenção de lucros, conforme previsto no art. 196 da Lei n. 6.404/76. A sua distribuição é diferida para o futuro, vez que ainda sem destinação. A proposta de retenção de lucros é de responsabilidade da AssembléiaGeral. "Art. 196. A assembléiageral poderá, por proposta dos órgãos da administração, deliberar reter parcela do lucro líquido do exercício prevista em orçamento de capital por ela previamente aprovado. § 1º O orçamento, submetido pelos órgãos da administração com a justificação da retenção de lucros proposta, deverá compreender todas as fontes de recursos e aplicações de capital, fixo ou circulante, e poderá ter a duração de até 5 (cinco) exercícios, salvo no caso de execução, por prazo maior, de projeto de investimento. § 2o O orçamento poderá ser aprovado pela assembléiageral ordinária que deliberar sobre o balanço do exercício e revisado anualmente, quando tiver duração superior a um exercício social. (Redação dada pela Lei nº 10.303, de 2001)" No período compreendido entre 31/12/1983 a 31/12/1988, conforme demonstrado nos autos e denunciado no RF (fls. 248/260), não houve incorporação de reservas ao capital, muito menos a de retenção de lucros (lucros em suspenso). Na verdade, o evento contábil de aumento de capital mediante incorporação de reservas, consoante o art. 169 da Lei n. 6.404/76, só veio a ocorrer em 26/09/1989 (fls. 174/179), fora, portanto, do quinquênio isentivo conferido ao recorrente pelo Poder Judiciário. Fl. 382DF CARF MF 10 "Art. 169. O aumento mediante capitalização de lucros ou de reservas importará alteração do valor nominal das ações ou distribuições das ações novas, correspondentes ao aumento, entre acionistas, na proporção do número de ações que possuírem. § 1º Na companhia com ações sem valor nominal, a capitalização de lucros ou de reservas poderá ser efetivada sem modificação do número de ações. § 2º Às ações distribuídas de acordo com este artigo se estenderão, salvo cláusula em contrário dos instrumentos que os tenham constituído, o usufruto, o fideicomisso, a inalienabilidade e a incomunicabilidade que porventura gravarem as ações de que elas forem derivadas. § 3º As ações que não puderem ser atribuídas por inteiro a cada acionista serão vendidas em bolsa, dividindose o produto da venda, proporcionalmente, pelos titulares das frações; antes da venda, a companhia fixará prazo não inferior a 30 (trinta) dias, durante o qual os acionistas poderão transferir as frações de ação." É oportuno repisar que somente o aumento de capital mediante a incorporação de lucros ou de reservas constituídas com esses lucros possibilita o aumento do custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente à parcela capitalizada dos lucros ou das reservas que corresponder à participação do sócio ou acionista na investida, em conformidade com o disposto no art. 16, § 3°. da Lei n. 7.713/88; no art. 10 da Lei n. 9.249/95 e no art. 135 do DecretoLei n. 3.000/99 (RIR/99). Destarte, consideradas em seu conjunto, as evidências ora destacadas comprovadas nos autos e amparadas pela legislação tributária, contábil e fiscal afastam a hipótese de ocorrência de vício ou defeito no lançamento do crédito tributário consubstanciado no Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF (fls. 240/247), que, na sua constituição, amparouse na melhor leitura da Lei n. 9.249/95; da Lei n. 7.713/88; do Decreto Lei n. 3.000/99 e da Instrução Normativa SRF n. 84/2001, bem assim em critérios técnicos e contábeis sobejamente demonstrados nos autos, inclusive em planilhas específicas e minucioso detalhamento dos procedimentos adotados. Em relação à multa qualificada, o § 1º. do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei n. 11.488, de 15 de junho de 2007, estabelece que a multa de ofício a ser aplicada nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502, de 30 de novembro de 1964 é de 150%. As condutas previstas nos artigos em questão têm como pressuposto uma atuação ou omissão dolosa por parte do agente. Assim, para a qualificação da multa de ofício, é necessário a constatação, com elevado grau de probabilidade, de que determinado contribuinte tenha pautado sua conduta imbuído de dolo, ou seja, com a consciência da conduta, a consciência do resultado, a consciência do nexo causal entre a conduta e o resultado, e a vontade de atuar no sentido de provocar o resultado infringente das normas juridicotributárias. Também é preciso que não haja verossimilhança minimamente suficiente em eventuais justificativas que, alternativamente, poderiam dar amparo ao proceder do contribuinte sem implicar, necessariamente, em um agir doloso. Deve ser admitido, por outra via, que, quando verificada conduta de pessoa física infringente à legislação tributária, a comprovação do dolo a ela porventura associado é tarefa deveras árdua, face a muitas vezes limitada possibilidade de produção de um arcabouço probatório hábil e suficiente para tanto. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 11020.722468/201360 Acórdão n.º 2402005.953 S2C4T2 Fl. 106 11 Entretanto, não obstante o diligente trabalho desenvolvido pela Fiscalização da RFB, não foram coligidos elementos de prova suficientes e inequívocos com força bastante a amparar a imputação da qualificação da multa de ofício, vez que os fatos relatados no RF (fls. 248/260) no que se refere ao atendimento aos termos de intimação expedidos; ao teor dos documentos apresentados; e ao próprio entendimento do recorrente quanto à utilização das reservas de lucro em suspenso e existência/extensão de quotas bonificadas, não se mostram suficientes para o mister. Por fim, é relevante informar que não recai sobre os órgãos de julgamento, em qualquer instância administrativa, o ônus de aduzir fatos novos quando da apreciação da lide tributária, notadamente quando carreados aos autos todos os elementos necessários à formação da convicção do julgador, inclusive no sentido do reconhecimento parcial do pedido do recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (fls. 335/355) e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, restando afastada a qualificação da multa de ofício (150%) reduzindoa a 75%. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 384DF CARF MF
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