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Numero do processo: 16004.720027/2013-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier (Presidente). RELATÓRIO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de DEBCAD 37.374.8558 (fls. 3.524), que apurou o crédito tributário no montante de R$ 694.961,55 (seiscentos e noventa e quatro mil seiscentos e noventa e um reais e cinquenta e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 04 .7 20 02 7/ 20 13 -4 5 Fl. 3758DF CARF MF Processo nº 16004.720027/201345 Resolução nº 2401000.699 S2C4T1 Fl. 3 2 cinco centavos), consolidado em 10/04/2013, referente às contribuições sociais previstas no artigo 22, I, II e III da Lei nº 8.212/91 (Cota Patronal – 20%), e correspondente ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), em decorrência da exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, conforme Ato Declaratório Executivo nº 095 de 26/02/2013, relativo ao período de 01/2008 a 13/2008. De acordo com o Relatório Fiscal (Termo de Constatação fls. 3.534/3.549), a Fiscalização esclarece que para apuração do crédito tributário tomou como base os valores de remunerações declaradas pelo contribuinte constantes nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, as quais foram extraídas do banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB e encontramse anexas ao presente processo. Considera como fatos geradores das contribuições lançadas remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais discriminadas e declaradas na GFIP, em consonância com o artigo 28 da Lei nº 8.212/91, cujos valores encontramse relacionados no Relatório Fiscal, fl.3.536 e no Relatório de Lançamentos, fls. 3.532/3.533. Para o cálculo das contribuições devidas informa que aplicou as alíquotas previstas no artigo 22 da Lei nº 8.212/91. Esclarece a auditoria fiscal que em virtude do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, elaborou planilha comparativa, fl. 3.550, contendo os cálculos das multas, inclusive as decorrentes de descumprimento de obrigações acessórias, atendendo a legislação anterior a MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/209 e a legislação vigente a época do lançamento para de acordo com a competência levantada aplicar a situação mais benéfica ao contribuinte. DOS TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Relata a Auditoria que os sujeitos passivos solidários foram informados quanto aos fatos que ensejaram a imputação da responsabilidade solidária e intimados a se manifestar quanto a apresentação de documentação hábil e idônea que ilidisse a responsabilidade solidária, conforme Termo de Constatação e Intimação Fiscal datado de 27/12/2012. Informa que na resposta protocolada em 22012013, os responsáveis solidários não apresentaram documento, alegando não existir responsabilidade solidária. Diante do exposto a Auditoria lavrou Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome da pessoa Jurídica Equipamentos Rodrigues Ltda, bem como Termos de Sujeição Passiva Solidária na pessoa dos sócios Florindo Miguel Cajuela Rodrigues e José Antonio Cajuela Rodrigues. Ressalta que os documentos probatórios dos fatos que serviram de base para emissão do ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO N.095, 26/02/2013, encontramse juntados ao processo administrativo digital nº 16004.720053/201292, cujo acesso se tornou extensivo aos responsáveis solidários. Fl. 3759DF CARF MF Processo nº 16004.720027/201345 Resolução nº 2401000.699 S2C4T1 Fl. 4 3 DA SOLIDARIEDADE ENTRE EMPRESAS INTEGRANTES DE GRUPO ECONÔMICO Da análise do quadro societário das empresas abaixo listadas a Auditoria reconhece a solidariedade entre as empresas integrantes de um mesmo grupo econômico, para fins de recolhimento de contribuições previdenciárias, consoante os dispositivos legais a seguir relacionados: artigo 2º da CLT; inciso IX do artigo 30 da Lei do Custeio da Previdência Social n.° 8.212, de 24 de julho de 1.991, com redação alterada pela Lei nº 8.620/93; artigo 121, incisos I e II; artigo 124; artigo 128 e inciso III do artigo 135, do Código Tributário Nacional; artigo 265, parágrafo primeiro e segundo e artigo 267da Lei n. 6.404, de 15/12/1976, artigo 17 da Lei nº 8.884, de 11 de junho de 1994, Revogada pela lei n.12.529, de 30 de novembro de 2011, artigo 33 da Lei nº 12.529/2011 e artigo 222 do Regulamento aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. Informa que o presente crédito tributário foi lançado em nome de Galego Implementos para Transportes Ltda EPP "E OUTROS", tendo em vista que a documentação apreendida no estabelecimento da empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda e os documentos apresentados na ação fiscal demonstram que a empresa Galego Implementos para Transportes Ltda EPP, juntamente com outras pessoas jurídicas formam um grupo econômico de fato. Aduz que todos os fatos e documentos que caracterizam o grupo estão relatados na Representação Fiscal e juntados ao processo administrativo (nº 16004.720053/201292). DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS A Fiscalização, com amparo nos artigos 124, inciso I, e 135, inciso III do CTN, lavrou Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls 3.551/3.616), onde fundamenta a responsabilidade solidária dos sócios pela identificação do interesse comum no fato gerador com base nos documentos e constatações evidenciadas durante a ação fiscal que fazem parte do presente processo e que demonstram claramente, a administração comum, confusão patrimonial, socorros financeiros, ausência de contrato de comodato para uso de máquinas e equipamentos, conduta que traduz a simulação da contratação de empregados pela Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda posto que custeou a atividade da empresa Galego Implementos para Transportes Ltda, constituída por interpostas pessoas (procuradores da Equipamentos Rodoviários Rodrigues) como optante do SIMPLES e com o objetivo de afastar as contribuições patronais destinadas à seguridade social. DA APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO Em decorrência da conduta infracionária descrita acima conforme previsto nos artigos 71,72 e 73 da Lei nº 4.502/64, aplicou a multa de ofício em dobro no percentual de 150% (75% x 2) a partir da competência 12/2008 com fundamento no Art. 44, inciso I e § 1º da Lei nº 9.430/96, e considerou ser irrelevante distinguir se tal conduta se configurou em sonegação, fraude ou conluio já que demonstra infração a tipos definidos na citada lei. DAS IMPUGNAÇÕES DAS ALEGAÇÕES DA EMPRESA GALEGO IMPLEMENTOS PARA TRANSPORTES LTDA. Fl. 3760DF CARF MF Processo nº 16004.720027/201345 Resolução nº 2401000.699 S2C4T1 Fl. 5 4 Cientificada do lançamento por via postal, em 29/04/2013, conforme AR fl. 3.671, a empresa apresentou em 24/05/2013, impugnação ao citado Auto de Infração às fls. 3.646/3.668, acompanhada dos documentos às fls. 3.669/3.670 alegando, em apertada síntese que: (i) Da preliminar de cerceamento ao direito de defesa e do devido processo legal. Inicialmente, argumenta que houve inobservância ao que prescreve a Constituição Federal , artigo 5º, inciso LV e o artigo 2º da Lei nº 9.781/99 uma vez que considera que lhe está sendo exigido o pagamento de contribuições previdenciárias antes mesmo de apreciada a manifestação de inconformidade pela sua exclusão do SIMPLES Nacional. Cita ainda o artigo 23, Parágrafo único da Lei Complementar nº 123/2006 para fundamentar que lhe seja assegurado o contraditório, a ampla defesa e as determinações relativas ao processo administrativo fiscal consoante ao que determina o Decreto nº 70.235/1972; Sustenta que a efetividade da exclusão do SIMPLES ocorre quando o contribuinte perde qualquer dos requisitos estabelecidos na LC 123/2006, o que no caso ainda não se concretizou pelo fato de que a Manifestação de Inconformidade aguarda julgamento, ou seja, o ADE (Retificado) não é ainda uma decisão definitiva; Defende que o presente lançamento encontrase eivado de vício insanável, haja vista que o ADE n° 095/2012 e ADE 095 (retificado) de 26/02/2013 foi objeto de manifestação de inconformidade tempestiva, motivo pelo qual não há razões legais para que surta efeitos. (ii) Do mérito da exclusão do simples inexistência de motivo a justificar a exclusão da impugnante Demonstrou a insubsistência do ADE n° 095 RETIFICADO, cujo teor inovou ao ato originário, culminando em flagrante vício material que por certo leva à nulidade do referido ato; O Relatório do Despacho Decisório que determinou a exclusão da Impugnante do Simples Nacional, não têm relação com a realidade dos fatos, conforme já demonstrado pela Impugnante em manifestação de inconformidade e aditamento à manifestação de inconformidade apresentadas nos autos do processo administrativo que trata da exclusão; (iii) Da impossibilidade de efeitos retroativos ao ato declaratório executivo n° 095/2012 e n° 095 retificado de 26/02/2013 Argumenta que mesmo admitindo a possibilidade de lavratura de auto de infração antes de concluída definitivamente apreciação do ADE que determinou a exclusão da Impugnante do SIMPLES, (pelo princípio da eventualidade), o presente lançamento não merece prosperar pelo fato de que os efeitos do ADE não podem retroagir a situações anteriores. Cita o artigo 22, § 5º da IN/SRF nº 365/2003, como fundamento do seu pleito. Que não houve mudança na atividade da Impugnante, ou outro motivo qualquer que justificasse sua exclusão do SIMPLES, portanto entende que não há razão para Fl. 3761DF CARF MF Processo nº 16004.720027/201345 Resolução nº 2401000.699 S2C4T1 Fl. 6 5 prosperar a repercussão de efeitos retroativos do ADE para os períodos anteriores à ciência do mesmo. Cita jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça para justificar a sua tese de irretroatividade dos efeitos da exclusão do SIMPLES Nacional. (iv) Do erro material na apuração do crédito tributário alíquota aplicável Ao proceder a lavratura do auto de infração, bem como indicação do dispositivo legal a que se refere a alíquota aplicável, a Fiscalização não se ateve ao fato de que em 2003 foi editada a Lei n° 10.666, que trouxe significativa mudança no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n°. 3.048/999, que inseriu o artigo 216, § 26. Alega que não há motivo e/ou fundamento legal a suportar o dispositivo legal indicado pela Fiscalização para lhe exigir a responsabilização e recolhimento de 20% referente às contribuições patronais; Ademais, o lançamento ora combatido encontrase com a validade comprometida, haja vista o erro na indicação da alíquota aplicável, o que não se mostra passível mais de correção sob pena e aperfeiçoamento da quantia devida. Isto porque, a alteração na alíquota aplicável ao caso implica diretamente em alteração de um dos critérios jurídicos do lançamento, o que nesta fase processual implica direta violação ao contido no artigo 146 do CTN; Cita jurisprudência administrativa do CARF para fundamentar a sua tese de impossibilidade de aperfeiçoamento ou inovação do lançamento. (v) Da compensação entre os valores objeto do lançamento de oficio e os valores recolhidos pela impugnante no simples O presente lançamento não indica a compensação de valores, o que deveria ser realizado pela autoridade fiscal, no curso do procedimento fiscalizatório, deduzindo do débito que apurado em desfavor da Impugnante, o valor de eventuais créditos que a mesma possui contra a Fazenda Nacional; Acaso mantido o lançamento de ofício, deve ser compensado os valores recolhidos no SIMPLES com os valores objeto do presente lançamento, sob pena de cobrança de valores além dos supostamente devidos; Cita jurisprudência administrativa do CARF para justificar o pedido de compensação das contribuições recolhidas pela sistemática do SIMPLES, reduzindo assim o presente lançamento. (vi) Da inaplicabilidade de multa qualificada de 150% A multa qualificada aplicada está calcada em uma presunção abstraída em ADE n° 95/2012 e n° 095 RETIFICADO datado de 26/02/2013, o qual resta manifestamente improcedente pelas razões que se busca imputar à Impugnante, as quais foram rechaçadas em manifestação de inconformidade apresentada e pendente de apreciação; Fl. 3762DF CARF MF Processo nº 16004.720027/201345 Resolução nº 2401000.699 S2C4T1 Fl. 7 6 Também considera indevida a aplicação da multa no seu percentual duplicado (150%) por não estar caracterizado ou demonstrado qualquer prova de ilícito penal e prática de fraude prevista nos artigos 71,72 e 73 da Lei nº 4.502/64; De fato, para que se caracterize o vício do dolo em uma relação jurídica, não basta que uma das partes atue com a vontade de prejudicar outrem, é necessária, também, a prova cabal de que houve a malfadada intenção perniciosa; Defende que a jurisprudência administrativa já se consolidou no sentido de que a multa exacerbada de 150% somente terá lugar quando ficar comprovado e demonstrado a conduta capaz de ensejar a multa qualificada. Essa demonstração efetivamente não ficou consignada ou mesmo provada durante o procedimento de fiscalização; No caso em comento não há que se falar em qualquer fraude, conluio ou sonegação, uma vez que a Impugnante estava inserida no sistema do SIMPLES, pelo qual recolhia contribuição previdenciária juntamente com demais tributos em um único pagamento. Considera que nunca adotou conduta maliciosa a ludibriar o Fisco, tanto que defendese do ADE 95/2012 e n° 095 RETIFICADO (datado de 26/02/2013) que culminou na indicação de exclusão do SIMPLES, certa de que tal ato encontrase eivado de vícios, o que por certo espera ser corrigido a fim de manterse no SIMPLES; (vii) Da decadência. Em virtude da ciência do presente lançamento ter ocorrido por via postal em 29/04/2013 e por ter havido recolhimentos pela sistemática do SIMPLES, a contagem do prazo decadencial deve obedecer a regra prevista no art. 150, § 4º, do CTN. Devese portanto reconhecer a decadência para os fatos geradores anteriores a competência de 04/2008. Destaca que a decadência é matéria de ordem pública e que deve ser reconhecida em qualquer momento processual. Cita jurisprudência administrativa e judicial sobre o tema. (viii) Do descabimento da Taxa Selic. A Taxa Selic, na forma como calculada, jamais poderia ser utilizada como "juros moratórios", uma vez que possui natureza jurídica totalmente diferente da "mora" por parte do devedor, qual seja a remuneratória. A referida Taxa não foi criada e definida em lei, mas por Resoluções do Conselho Monetário Nacional e do Banco Central do Brasil, o que ofende ao princípio constitucional da legalidade, bem como ao disposto no artigo 161, § 1º, do Código Tributário Nacional. Considerandose a natureza remuneratória da taxa SELIC, a inconstitucionalidade de sua aplicação, bem como sua ilegalidade, não há que se admitir a utilização da mesma, no presente caso, com a natureza de juros de mora, razão pela qual deverá ser cancelada por essa autoridade Julgadora. (ix) Da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa Fl. 3763DF CARF MF Processo nº 16004.720027/201345 Resolução nº 2401000.699 S2C4T1 Fl. 8 7 Ainda que se entenda correta a utilização da taxa Selic para cobrança dos juros de mora incidentes sobre o tributo supostamente devido, é certo que os juros calculados com base nessa taxa não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal. O artigo 13 da Lei nº 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic, remete ao artigo 84 da Lei 8.981/95, que, por sua vez, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos. DAS ALEGAÇÕES DA EMPRESA EQUIPAMENTOS RODOVIÁRIOS RODRIGUES LTDA A impugnante se insurge contra o fato de ter sido arrolada como devedora solidária no presente Auto de Infração conforme Termo de Sujeição passiva solidária de fls. 3.551/3.616. alegando resumidamente em sua impugnação às fls. 3.671/3.677, apresentada em 24/05/2013 que: Os documentos acostados aos Autos demonstram não ser verdade que exerceu a administração e realizou o custeio de despesas da autuada; Os sócios da empresa Galego ingressaram na empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues, apenas a partir de fevereiro de 2011, em razão de cessão das quotas sociais da Sra. Izabel Cajuella Rodrigues que se retirou da sociedade; Funciona em endereço distinto do da autuada, com outros sócios (até a citada alteração), não tem interesse nos resultados das vendas efetuadas pela Galego Implementos, não havendo portanto motivo para seu enquadramento nos dispositivos do artigo 124, inciso I do CTN, durante o período a que se refere a autuação; Não vislumbra no caso concreto nenhum dos requisitos presentes na legislação indicada pelo Auditor para lhe impor sujeição passiva fundamentada nos artigos 124, inciso I e 135 do CTN; No caso em questão, não se verifica nenhum fato que leve a vinculação da Impugnante aos fatos geradores do crédito tributário lançado; Não há provas do "interesse comum" na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária principal; A impugnante jamais teve qualquer relação direta com a administração da autuada; A fiscalização deixou de apontar no termo qual a motivação específica para lhe imputar a solidariedade tributária; A fiscalização não provou qual seria seu "interesse comum" na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal (supostamente ocorrida). Diante do exposto requer que seja afastada sua sujeição passiva solidária. DAS ALEGAÇÕES DO SÓCIO FLORINDO MIGUEL CAJUELA RODRIGUES Fl. 3764DF CARF MF Processo nº 16004.720027/201345 Resolução nº 2401000.699 S2C4T1 Fl. 9 8 O impugnante se insurge contra o fato de ter sido arrolado como devedor solidário no presente Auto de Infração conforme Termo de Sujeição passiva solidária às fls. 3.551/3.616, alegando resumidamente em sua impugnação às fls. 3.680/3.686, apresentada em 24/05/2013 que: A Auditoria de forma arbitrária e ilegal lhe imputou responsabilidade solidária para pagamento de suposto crédito tributário; A Fiscalização parte da presunção de que as pessoas arroladas no relatório de coresponsáveis respondem pelo pagamento do eventual crédito, esquecendose de que as relações jurídicotributárias não se pautam por presunções, mas sim pela adequação do fato executado à norma legal vigente; Considera que não há adequação do caso concreto às hipóteses dos artigos 134 e 135 do CTN, portanto não há que se falar em responsabilidade solidária sob pena de ilegalidade e consequente inconstitucionalidade; Cabe apenas à autuada a responsabilidade pelo pagamento do crédito em questão, caso for considerado devido; Segundo entendimento do STF a responsabilidade pessoal está associada a ocorrência de conduta dolosa por parte das pessoas físicas, o que considera que não ocorreu no presente caso; Diante do exposto requer que seja afastada a sua sujeição passiva tendo em vista não incidir nos artigos 124, 134 e 135 do CTN. Cita jurisprudência administrativa e judicial para corroborar a sua tese. DAS ALEGAÇÕES DO SÓCIO JOSÉ ANTONIO CAJUELA RODRIGUES O impugnante se insurge contra o fato de ter sido arrolado como devedor solidário no presente Auto de Infração conforme Termo de Sujeição passiva solidária às fls. 3.551/3.616, alegando resumidamente em sua impugnação às fls. 3.688/3.694, apresentada em 24/05/2013, as mesmas argumentações apresentadas pelo Sr. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues, anteriormente transcritas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 0829.407 da 6ª Turma da DRJ/FOR, às fls. 3.700/3.723, julgando improcedentes as Impugnações apresentadas em face do lançamento, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 Ementa: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA Fl. 3765DF CARF MF Processo nº 16004.720027/201345 Resolução nº 2401000.699 S2C4T1 Fl. 10 9 Não ocorre cerceamento do direito de defesa quando os fatos descritos nos relatórios do Auto de Infração permitem a exata compreensão dos elementos que o compõem e dos valores apurados no cômputo da multa. ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA A ocorrência de dolo, fraude ou simulação afasta a possibilidade de homologação do pagamento de que trata o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional e remete a contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inciso I do mesmo diploma legal, tendo seu início no exercício seguinte àquele em que tenha havido a ciência pela autoridade tributária da ocorrência dos fatos geradores omitidos pelo sujeito passivo AUTO DE INFRAÇÃO. FORMALIDADES LEGAIS. Quando o Auto de Infração encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigidos nos termos da Lei. SIMPLES NACIONAL. CONSTITUIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTA PESSOA. É cabível a exclusão do regime simplificado quando ficar comprovada a utilização de interpostas pessoas na constituição e no funcionamento de pessoa jurídica, de modo a encobrir quem são os verdadeiros sócios administradores. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS A partir do momento em que operados os efeitos da exclusão, a pessoa jurídica excluída do Simples se sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PATRONAIS. Tendo a empresa remunerado segurados empregados e contribuintes individuais com verbas integrantes do saláriodecontribuição previdenciário, tornase obrigada ao recolhimento das contribuições patronais incidentes sobre tais valores, conforme determina o art. 22, I, II e III, da Lei 8.212/91. GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO. Os grupos econômicos podem ser de direito e de fato, podendo estes se dar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns, sob a forma horizontal (coordenação) ou sob a forma vertical (controle X subordinação), sendo que, neste último caso, Fl. 3766DF CARF MF Processo nº 16004.720027/201345 Resolução nº 2401000.699 S2C4T1 Fl. 11 10 até mesmo uma pessoa física pode exercer o controle, direção ou administração. SIMPLES. GUIAS DE RECOLHIMENTO. DARF/DAS. APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente para o SIMPLES. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, a Recorrente Galego Implemento para Transportes Ltda. EPP interpôs Recurso Voluntário às fls. 3.731/3.755, resumidamente nos seguintes termos: (i) Cerceamento de Defesa – Sustenta que a Constituição Federal de 1988 e a Lei nº 9.784/99 garantem além da obrigatoriedade de observância de um procedimento administrativo regular, garantem, igualmente, que durante o procedimento seja conferido aos administrados o contraditório e a ampla defesa, o que não teria sido observado na espécie, uma vez que, antes mesmo de decisão definitiva quanto ao ADE 095/2012 (original) e ADE 095 retificado de 26/02/2013, já foram lavrados autos de infrações em desfavor da recorrente, pelo qual se exigem contribuição previdenciária. Todavia, entende que a efetividade da exclusão do SIMPLES somente ocorre quando o contribuinte perde qualquer dos requisitos estabelecidos na Lei Complementar 123/2006, o que não ocorre no caso presente, pelo fato de que não se tem julgamento em definitivo do ADE retificado. Dessa forma entende que o presente lançamento se encontrase maculado de vício insanável, porquanto a premissa a que se vale não encontrase devidamente e legalmente constituída, uma vez que o ADE não definitivamente julgado. (ii) Inexistência de motivo a justificar a exclusão da recorrente. Alega que a Fiscalização deturpou a real situação fática da Recorrente, buscando maliciosamente unir duas empresas distintas, administradas por pessoas diferentes, com quadro de funcionários próprios. Argumenta que em nenhum momento os irmãos Florindo Rodrigues e José Antonio Rodrigues, sócios da Recorrente, participaram e/ou administraram a empresa Equipamentos Rodrigues. Fl. 3767DF CARF MF Processo nº 16004.720027/201345 Resolução nº 2401000.699 S2C4T1 Fl. 12 11 Defende que conforme demonstrado, o Sr. Florindo somente passou a ser sócio da empresa Equipamento Rodrigues em 2011, após o falecimento do seu genitor, ocasião em que a Recorrente deixou de integrar o Simples Nacional e passou a apurar lucro tributável através do Lucro Presumido. Finaliza argumentando que não incorreu em prática que justifique a atitude de sua exclusão do Simples Nacional. (iii) Da impossibilidade de efeitos retroativos ao Ato Declaratório Executivoº 095/2012. Sustenta que o lançamento não merece prosperar, uma vez que os efeitos do ADE não podem retroagir a situações anteriores. Nesse passo, defende que o entendimento adotado pela DRJ de origem vai na contramão do quanto dispõe o artigo 22, § 5º da Instrução Normativa SRF nº 355, de 2003. Colaciona jurisprudência do STJ para corroborar a sua tese. (iv) Da compensação entre os valores objeto do lançamento de ofício e os valores recolhidos pela Recorrente no SIMPLES. Caso mantido os valores do lançamento de ofício, estes devem ser compensados com os valores recolhidos pela Recorrente quando do sistema do Simples Nacional, sob pena de cobrança de valores além dos supostamente devidos. (v) Da inaplicabilidade da multa qualificada de 150%. Defende que jamais se utilizou de conduta maliciosa de modo a ludibriar o Fisco, e que não há nos autos elementos que justifiquem a aplicação da multa de 150%. Assim, requer seja determinada a exclusão da multa qualificada imposta, ou, caso não seja o entendimento, a sua redução ao patamar de 75%. (vi) Da decadência. Em virtude da ciência do presente lançamento ter ocorrido por via postal em 29/04/2013 e por ter havido recolhimentos pela sistemática do SIMPLES, a contagem do prazo decadencial deve obedecer a regra prevista no art. 150, § 4º, do CTN. Devese portanto reconhecer a decadência para os fatos geradores anteriores a competência de 04/2008. Destaca que a decadência é matéria de ordem pública e que deve ser reconhecida em qualquer momento processual. Cita jurisprudência administrativa e judicial sobre o tema. (vii) Do descabimento da Taxa Selic. Sustenta a ilegalidade e inconstitucionalidade da aplicação da Taxa Selic, em razão da sua natureza remuneratória. (viii) Da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. É o relatório. VOTO Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada do acórdão em 05/06/2014 (fls. 3.729) e interpôs o Recurso Voluntário, tempestivamente, em 02/07/2014, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. Fl. 3768DF CARF MF Processo nº 16004.720027/201345 Resolução nº 2401000.699 S2C4T1 Fl. 13 12 2. DO MÉRITO 2.1 Da necessidade de diligência De proêmio, resta incontroverso no caso presente, que a discussão travada no Auto de Infração em debate referese a exclusão da Recorrente, da sistemática de pagamento dos tributos e contribuições federais de que trata o artigo 3º da Lei Complementar nº 123/2006, denominada Simples Nacional, uma vez que estaria configurada a hipótese de exclusão pela constituição de empresa por interpostas pessoas, nos termos do artigo 29, inciso IV da referida lei, com todos os consectários daí emergentes. Compulsando os autos, verificase o Termo de Constatação e Intimação Fiscal (fls. 3.534), arrolou como sujeito passivo nº 1: a empresa Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda, CNPJ nº 45.164.753/000170, nº 2: o Sr. Florindo Miguel Cajuela Rodrigues, inscrito no CPF nº 824.792.24872 e nº 3: o Sr. José Antonio Cajuela Rodrigues, inscrito no CPF nº 452.585.89820, cujos endereços encontramse informados pela Fiscalização às fls.3.497. Observase, ainda, que as pessoas acima referidas foram devidamente intimadas conforme a seguir: Folha 3.634 Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda. Folha 3.632 Florindo Miguel Cajuela Rodrigues. Folha 3.633 José Antonio Cajuela Rodrigues. Na sequência, vislumbrase que ambos apresentaram Impugnação em separado, tendo a Recorrente Galego Implemento para Transportes Ltda EPP juntado sua defesa às fls. 3.646/3.668; Equipamentos Rodoviários Rodrigues Ltda. às fls. 3.671/3.677; Florindo Miguel Cajuela Rodrigues às fls. 3.680/3.686 e José Antonio Cajuela Rodrigues às fls. 3.688/3.694. Contudo, não obstante a cautela da egrégia 6ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza de determinar a intimação de “todos os interessados” (fls. 3.702), verifico que, do teor do Acórdão nº 0829.407, somente a empresa GALEGO IMPLEMENTO PARA TRANSPORTES LTDA EPP foi devidamente cientificada (fls. 3.729), não havendo notícia de intimação dos demais interessados. Ocorre que, nos termos do artigo 56, § 3º do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, “No caso de pluralidade de sujeitos passivos, caracterizados na formalização da exigência, todos deverão ser cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação”, estendendose aos recursos pertinentes. Assim, com o objetivo de cumprir o que anteriormente havia sido decidido, devem os autos retornar à origem para determinar a intimação/ciência dos demais interessados (sujeitos passivos), para, querendo, manifestemse, no prazo legal, sobre o teor do Acórdão nº 0829.406. Após, retornem os autos para inclusão em pauta de julgamento. Fl. 3769DF CARF MF Processo nº 16004.720027/201345 Resolução nº 2401000.699 S2C4T1 Fl. 14 13 É como voto. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 3770DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002142/2005-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 1999
LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. LEI Nº 9.532 DE 1997. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. ASPECTOS.
A teor do artigo 25, § 2º, III, da Lei nº 9.249/1995, havendo incorporação, com a extinção da incorporada, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora no Brasil no momento do referido evento, posto haver a adição compulsória dos lucros de todas as filiais, sucursais ou controladas em face da assunção da universalidade do seu ativo e passivo, com a sucessão em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica extinta.
LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. BASE DE CÁLCULO. TAXA DE CÂMBIO APLICÁVEL.
Nos termos da Súmula Vinculante CARF nº 94, os lucros auferidos no exterior por filial, sucursal, controlada ou coligada serão convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados tais lucros, inclusive a partir da vigência da MP nº 2.158-35, de 2001.
LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. TRATADO BRASIL-PORTUGAL DESTINADO A EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. NÃO OFENSA.
Não há incompatibilidade entre o dizeres do Tratado firmado pelo Brasil com Portugal e as disposições do art. 74 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, não sendo caso de aplicação do art. 98 do CTN, por inexistência de conflito.
CSLL. LUCROS NO EXTERIOR. LEI Nº 9.249/1995. ADSTRITA AO IRPJ. MP 1.858-6/99. INCIDÊNCIA PARA A CSLL. TERMO INICIAL. 1º DE OUTUBRO DE 1999.
A Lei nº 9.249, de 1995 implantou regime de universalidade de tributação dos lucros no exterior apenas para o IRPJ, razão pela qual continuou a CSLL submetida à sistemática da territorialidade, que só foi alterada para a contribuição social a partir da MP nº 1.858-6, de 1999, que passou a surtir efeitos a partir de 1º de outubro de 1999.
Numero da decisão: 1402-003.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em, i) rejeitar a preliminar de decadência; ii) no mérito, ii.i) dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar integralmente os lançamentos de CSLL; e, ii.ii) reduzir a base tributável de IRPJ, ajustando-a de acordo com a taxa de câmbio aplicável nas datas dos balanços, ou seja, 31/12/1996, 31/12/1997, 31/12/1998 e 31/12/1999, nos termos da Súmula CARF nº 94; iii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação à aplicação do Tratado Brasil/Portugal, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Breno do Carmo Moreira Vieira que davam provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996, 1997, 1998, 1999 LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. DISPONIBILIZAÇÃO. LEI Nº 9.532 DE 1997. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. ASPECTOS. A teor do artigo 25, § 2º, III, da Lei nº 9.249/1995, havendo incorporação, com a extinção da incorporada, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora no Brasil no momento do referido evento, posto haver a adição compulsória dos lucros de todas as filiais, sucursais ou controladas em face da assunção da universalidade do seu ativo e passivo, com a sucessão em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica extinta. LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. BASE DE CÁLCULO. TAXA DE CÂMBIO APLICÁVEL. Nos termos da Súmula Vinculante CARF nº 94, os lucros auferidos no exterior por filial, sucursal, controlada ou coligada serão convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados tais lucros, inclusive a partir da vigência da MP nº 2.15835, de 2001. LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. TRATADO BRASILPORTUGAL DESTINADO A EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. NÃO OFENSA. Não há incompatibilidade entre o dizeres do Tratado firmado pelo Brasil com Portugal e as disposições do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, não sendo caso de aplicação do art. 98 do CTN, por inexistência de conflito. CSLL. LUCROS NO EXTERIOR. LEI Nº 9.249/1995. ADSTRITA AO IRPJ. MP 1.8586/99. INCIDÊNCIA PARA A CSLL. TERMO INICIAL. 1º DE OUTUBRO DE 1999. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 21 42 /2 00 5- 81 Fl. 638DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 639 2 A Lei nº 9.249, de 1995 implantou regime de universalidade de tributação dos lucros no exterior apenas para o IRPJ, razão pela qual continuou a CSLL submetida à sistemática da territorialidade, que só foi alterada para a contribuição social a partir da MP nº 1.8586, de 1999, que passou a surtir efeitos a partir de 1º de outubro de 1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em, i) rejeitar a preliminar de decadência; ii) no mérito, ii.i) dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar integralmente os lançamentos de CSLL; e, ii.ii) reduzir a base tributável de IRPJ, ajustandoa de acordo com a taxa de câmbio aplicável nas datas dos balanços, ou seja, 31/12/1996, 31/12/1997, 31/12/1998 e 31/12/1999, nos termos da Súmula CARF nº 94; iii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação à aplicação do Tratado Brasil/Portugal, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Breno do Carmo Moreira Vieira que davam provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 639DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 640 3 Relatório Tratase de retorno dos autos em face de decisão exarada pela E. CSRF em 20/01/2016 (Ac. 9101002.179 – fls. 593/608) que analisou Recurso Especial manejado pela Procuradoria da Fazenda Nacional decidindo por ANULAR a decisão prolatada pela então 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Ac. 10196.783 – sessão de 30/03/2008 (fls. 476/484) que, no mérito, por maioria, havia dado provimento ao recurso voluntário para afastar os lançamentos1, determinando a devolução do processo à Turma a quo para novo julgamento. A decisão da Câmara Superior restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2000 NULIDADE DE ACÓRDÃO DA TURMA A QUO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. Com base no inciso IX do art. 93 da Constituição Republicana de 1988 e nos arts. 131, 165 e 458, II, do CPC, é nulo, por ausência de fundamentação, o Acórdão no qual a maioria dos conselheiros acolher apenas a conclusão do voto do relator e não estiverem escritos os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros, em declaração de voto ou por reprodução, pelo relator, no seu voto e na ementa do acórdão, desses fundamentos majoritários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão dos membros do colegiado: recurso conhecido por unanimidade de votos e no mérito, por maioria de votos, ANULAR a decisão recorrida, determinando o retorno dos autos à Turma a quo para novo julgamento. Excertos do voto condutor do Conselheiro Rafael Vidal de Araujo sintetizam o cenário (destaques são do original): “Suscito, de ofício, preliminar de nulidade da decisão recorrida, por se tratar de questão de ordem pública, nos termos do art. 267, IV e §3º, do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973) e com 1 IRPJ — LUCRO NO EXTERIOR — LEI N° 9.249/95 — DISPONIBILIZAÇÃO — Na vigência da Lei no 9.249/95, os lucros da controlada, ainda pendentes de deliberação para definição da sua destinação, não se incorporam ao patrimônio da controladora, inexistindo assim a disponibilidade jurídica ou econômica da controladora sobre eles. Eventual disponibilização futura deverá ser reconhecida e oferecida à tributação, no momento da sua ocorrência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da PRIMEIRA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Sandra Maria Faroni, Caio Marcos Cândido e Antonio Praga. A Conselheira Sandra Maria Faroni apresenta declaração de voto. Os conselheiros Valmir Sandri, João Carlos de Lima Júnior e Alexandre Lima da Fonte Filho acompanham pelas conclusões, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 640DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 641 4 lastro em jurisprudência desta Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). (...) Observase, portanto, que, embora a conclusão do voto do relator tenha sido vencedora ("Por todo o exposto, dou provimento ao recurso"), os fundamentos do seu voto não foram vencedores. O Relator adotou o entendimento do Conselheiro que o acompanhou integralmente, conforme se percebe de trecho do seu voto ("Peço licença para me valer da lucidez do Ilustre Conselheiro Aloísio, que ao apreciar caso semelhante julgado na 3ª Câmara, proferiu entendimento a seguir exposto" ...) e do seguinte parágrafo de seu voto: (...) Assim, não são conhecidos os fundamentos vencedores, tendo em vista que não houve apresentação de declaração de voto por parte de nenhum dos Conselheiros com o entendimento que prevaleceu (os Conselheiros da terceira coluna da tabela) e que não restou gravado na ementa a conclusão vencedora, que apenas expressou o entendimento do parágrafo acima transcrito, tampouco o relator reproduziu no seu voto os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. Com a devida vênia, discordo da posição do meu saudoso vice presidente, o eminente Conselheiro João Carlos de Lima Júnior, manifestada na sessão na qual se iniciou este julgamento, de que não se pode dizer que não há fundamento e sim que o fundamento é errado. A meu sentir, somente seria o caso de erro nos fundamentos se houvessem (se existissem) os fundamentos vencedores e esses tratassem de outra matéria fática; o que há, apenas, são os fundamentos vencidos e certos, pois tratam da matéria fática do processo. A Constituição da República de 1988 (CR88), a Constituição Cidadã, estabeleceu, em seu art. 93, inciso IX, que todas as decisões de julgamentos serão fundamentadas sob pena de nulidade. (...) Portanto, percebese que é inevitável reconhecer que sem fundamentos a decisão não atende aos seus requisitos essenciais nem expõe os motivos que formaram o convencimento dos julgadores. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), também exige fundamentação nas decisões, assim dispondo: (...) Já os arts. 2º e 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, obrigam à motivação, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando os atos administrativos decidirem recursos administrativos. Fl. 641DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 642 5 (...) Por fim, o Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em seu art. 63, § 9º, estabelece que na hipótese em que a maioria dos conselheiros acolher apenas a conclusão do voto do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros, algo que não ocorreu no caso concreto. Segue o citado dispositivo: (...) Sobre esse passo do voto, no qual, em sessão anterior, um Conselheiro observou que o presente julgamento ocorreu na vigência do Regimento Anterior da Câmara Superior e então, a princípio, a ele não se aplicaria este comando. De fato, este Conselheiro está com a razão ao dizer que o dispositivo inexistia à época, mas o meu entendimento não é que a formalização do voto se deu em desacordo com o Regimento e, portanto, a decisão é nula. Esse dispositivo do regimento não é o fundamento da minha decisão, o fundamento é a ausência de fundamentação. Na impossibilidade de conhecer dos fundamentos pelos quais foi dado provimento ao recurso voluntário, entendo que a decisão não está fundamentada; e, conseqüentemente, é nulo o Acórdão nº 10196.783, de 30/05/2008, forte no inciso IX do art. 93 da CR88 e nos arts. 131, 165 e 458, II, todos do CPC. Por fim, tudo isso que aconteceu aqui (e eventualmente pode ter ocorrido em outros casos) é conseqüência do descumprimento das disposições do art. 60 do regimento em vigor (o art. 30 do regimento anterior da CSRF apresentava mesma redação) que determina que: (...) Ressalto que a anulação que proponho pode ser declarada pela 1a Turma da CSRF, pois é a autoridade competente a julgar a legitimidade deste Acórdão, conforme o art. 61 do Decreto do PAF. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Ao caso não se aplica o § 3º do art. 59 do Decreto do PAF, tendo em vista que a subsunção a este dispositivo depende da declaração de nulidade aproveitar ao sujeito passivo e não à Fazenda Nacional, ou seja, o contrário do que ocorre aqui. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 642DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 643 6 Examino, ainda, a possibilidade de aplicação do princípio “pas de nullité sans grief” (não há nulidade sem prejuízo), encerrado no art. 563 do Código de Processo Penal, verbis: Art. 563. Nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para a acusação ou para a defesa. Por certo que não há, no processo administrativo fiscal, dispositivo específico que incorpore esse princípio, então sua adoção é objeto de julgamento. Passo a estudar a sua potencial aplicação a este processo. Por este princípio, a declaração de nulidade fica condicionada a apuração do prejuízo para ambas as partes. Costuma ser identificada com a capacidade da parte de abordar a contento os temas necessários no recurso ou nas contrarrazões (não apenas com o só fato de apresentar a peça jurídica). No presente processo podese vislumbrar que houve prejuízo na defesa da recorrente, tanto é que esta, em suas razões de recurso especial, mencionou alienação de ações de empresa sediada no exterior e não operação de incorporação de empresa brasileira realizada no Brasil, como se verifica do próprio Termo de Verificação Fiscal. Isto fez com que a recorrida levantasse uma preliminar de nãoconhecimento do recurso chamada de “efetiva operação em discussão” (esse não é o momento que examinarei esta preliminar, o farei adiante). Assim, o fato disso ter ocorrido mostra que essa nulidade gerou prejuízo à parte, o que é suficiente para deixar de aplicar o princípio francês, e, consequentemente, não convalidála. (...) Por todo o exposto, voto por ANULAR a decisão da Câmara a quo (Acórdão nº 10196.783, de 30/05/2008), determinando que os autos sejam novamente sorteados entre as Turmas Ordinárias da 1ª Seção de Julgamento (já que houve a extinção da 1ª Turma de 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF), para que seja proferida nova decisão a respeito do recurso voluntário, após ser dada ciência às partes dessa decisão”. Os autos foram redistribuídos a este Relator em razão da extinção da anterior Turma Julgadora (fls. 619). Reproduzida a decisão da CSRF que anulou o Acórdão nº 10196.783, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, passo à narrativa dos fatos incorporados nestes autos, principiando pela acusação fiscal. DA ACUSAÇÃO FISCAL Segundo o TVF (fls. 309/312), as irregularidades que levaram aos lançamentos de ofício estão assim resumidas: “1. A Alfa S.A. Participações Internacionais possuía duas controladas no exterior : RIHC Europa Serviços Ltda sediada na Ilha da Madeira, na qual detinha 100% de participação acionária, e a Ripar Securities Inc. sediada nas Fl. 643DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 644 7 Ilhas Cayman, na qual era detentora de 55,308% do capital, sendo os restantes 44,692% pertencentes à Vera Cruz S.A. Participações e Administração, antiga denominação da fiscalizada. 2. Tal situação perdurou até 24/10/2000, quando a Alfa S. A. foi incorporada pela Vera Cruz S.A. sua controladora no Brasil a qual, com base no Balanço de Encerramento da incorporada em 30/09/2000 assumiu a universalidade do seu ativo e passivo, sucedendoa em todos os direitos e obrigações, conforme consta em atas das Assembléias Gerais Extraordinárias, de ambas empresas, naquela mesma data. 3. A incorporação deuse de acordo com o previsto no artigo 235, §§ 3º e 7º do Regulamento do Imposto de Renda quanto à incorporada. Enquanto que, sendo as empresas citadas pertencentes ao mesmo grupo financeiro, a empresa incorporadora, ficou dispensada da apresentação de Declaração (DIPJ) conforme prevê o artigo 5° da Lei 9.959/2000. 4. A incorporada Alfa S. A. tinha como acionistas além da Vera Cruz S. A., a Administradora Fortaleza Ltda. e Representações e Administração Orion Ltda, pertencentes ao mesmo grupo financeiro. Assim, na AGE de 24/10/2000 da Vera Cruz S.A., após cancelar suas ações na incorporada, aprovou um aumento de seu capital no valor de R$ 27.350.329,93 cujas ações foram entregues, exclusivamente, às demais acionistas respeitados o percentual, seja em ações ordinárias, seja em ações preferenciais que tais empresas possuíam na incorporada. 5. Naquela mesma AGE da incorporadora, em 24/10/2000, foi aprovada a mudança do regime societário para sociedade comercial por cotas de responsabilidade limitada sob a denominação de Vera Cruz Participações e Administração Ltda, ocasião em que foi, também, consolidado seu Contrato Social. 6. A incorporação acima citada seguiu o critério de avaliação do patrimônio liquido contábil da incorporada Alfa S.A. conforme balanço de encerramento em 30/09/2000, correspondente a R$ 107.393.226,76 conforme Laudo de Avaliação anexo ao Protocolo de Justificação da Incorporação. Nessa data era de R$ 105.614.516,89 o total referente à participação da empresa incorporada na RIHC e de R$ 471.460,99 na Ripar. Tais valores, lançados às folhas 177 do Diário Geral de 31/10/2000 representavam 100% do patrimônio liquido da RIHC e 55,308% da Ripar, sendo que, nesta última, os restantes 44,692% já pertenciam à incorporadora, que passou a deter, também nesta controlada, a totalidade do seu capital. 7. Tais eventos foram sucedidos, em 14/12/2000, pelo Instrumento Particular de Alteração do Contrato Social da Vera Cruz Ltda., que em sua cláusula primeira decidiu pela adoção da atual razão social do contribuinte: Alfa Participações Internacionais Ltda. que, a partir daquela data, passou a ser a denominação da controladora no Brasil das empresas sediadas no exterior, as mencionadas RIHC e Ripar. 8. Ao realizar a incorporação da Alfa S.A. absorveu o total do seu patrimônio líquido, ai incluído os lucros acumulados de suas duas controladas no exterior. Este evento caracterizou a disponibilização destes mesmos lucros, até o último período encerrado em 31/12/1999, conforme previsto no art. 25, § 2°, item III Fl. 644DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 645 8 da lei 9249/95, bem como bem como no art.1°, § 2°, alínea b, item 4 da lei 9532/97. 9. Os valores apresentados a seguir representam o Resultado Liquido dos exercícios encerrados até a data da incorporação da Alfa S.A, fornecidos pelo contribuinte em suas moedas de origem estando, após a conversão de seus totais em reais, sujeitos à tributação do imposto de renda e contribuição social sobre o lucro liquido, com seus acréscimos legais. 10. Os valores acima apurados totalizam RS 47.742.488,11 e constituem a base de cálculo para o lançamento de oficio. 11. Em 31/12/2000, o contribuinte, já como Alfa Participações Internacionais Ltda, teve a sua participação na RIHC reduzida para 75,999% . Tal evento foi originado pela cisão da Itapar Europa Serviços Lda, sediada na Ilha da Madeira. Verificouse na ocasião que a Representações e Administradora Orion Ltda, possuía na cindida uma participação equivalente a 100% do patrimônio da Itapar Securities Inc. o qual foi então incorporado ao patrimônio da RIHC. Tal evento resultou em aumento de capital da RIHC no valor de US$ 18.119.926,60, correspondente, naquela data, a R$ 35.431.704,47 conforme plano de reestruturação de participações societárias do contribuinte”. Segundo o AI – IRPJ (fls. 301), a “descrição dos fatos” e o “enquadramento legal” foram assim definidos: Fl. 645DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 646 9 DA IMPUGNAÇÃO Em 19/01/2006, a contribuinte interpôs impugnação aos lançamentos (fls. 346/360), na qual, sintetizadamente, aduziu: Ø que a exigência deve ser totalmente cancelada seja porque o fundamento legal do auto de infração (art. 25, §2°, item III da Lei n° 9.249/95) não era aplicável à data da operação em causa (24 de novembro de 2000), seja porque a incorporação da sociedade investidora brasileira não configura disponibilização dos lucros simplesmente apurados no exterior por suas controladas, nos termos da legislação aplicável à época (art. I° da Lei n° 9.532/97). Ø que, não bastasse essa razão principal, os autos também devem ser cancelados: i) por terem tributado os lucros formados por sociedade domiciliada em Portugal (RIHC Europa Serviços Ltda.) nos anos de 1996, 1997, 1998 e 1999, o que não é possível em face da vedação expressa do art. VII do Tratado de 1971 celebrado entre o Brasil e Portugal para evitar a dupla tributação; ii) por terem feito incidir a CSLL sobre os lucros apurados em período anterior a outubro de 1999, ou seja, anteriormente a própria existência jurídica da tributação dos lucros no exterior pela referida contribuição; e iii) por terem cometido grave erro quanto a apuração dos valores dos lucros de 1996 a 1999, já que, nos termos da legislação, tais lucros devem ser convertidos para o Real em 31 de dezembro de cada ano, e não na data da incorporação. DA DECISÃO RECORRIDA Submetida a lide ao crivo da 3ª Turma da DRJ/SPOI, a Turma, por unanimidade, negou provimento à impugnação, em acórdão assim ementado: Fl. 646DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 647 10 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 Ementa: LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR Os lucros auferidos no exterior por intermédio de controladas devem ser adicionados ao lucro liquido para determinação do lucro real da empresa nacional, sendo o momento da adição diferido até a data em que tenham sido disponibilizados. TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. LUCRO DISPONIBILIZADO POR CONTROLADA NO EXTERIOR. PAGAMENTO DO LUCRO. EMPREGO DO LUCRO EM FAVOR DA BENEFICIÁRIA. TRANSFERÊNCIA DE CONTROLADA DIRETA NO EXTERIOR PARA PESSOA JURÍDICA CONTROLADORA DIRETA NO PAÍS. A incorporação de controlada detentora de outras controladas no exterior, que auferiram lucros, com a conseqüente absorção do acervo daquela pela controladora brasileira, caracteriza pagamento de lucro disponibilizado. TRATADO BRASILPORTUGAL. LUCROS DISPONIBILIZADOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. Deverão ser computados na determinação do lucro real da empresa domiciliada no Brasil, os lucros disponibilizados por empresa controlada de qualquer parte do território de Portugal, inclusive da Ilha da Madeira. DISPONIBILIZACÃO DE LUCROS. TAXA DE CÂMBIO APLICÁVEL. Inexistindo disposição de lei em contrário, a conversão para reais deve ser feita pela taxa de cambio da data da disponibilização dos lucros auferidos no exterior. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Anocalendário: 2000 Ementa: TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. DATA DO FATO GERADOR. LUCROS DISPONIBILIZADOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. A data do fato gerador do lucro disponibilizado não se confunde com a data do auferimento do lucro, sendo assim, na apuração da exigência fiscal, aplicase a legislação vigente à época da disponibilização dos lucros. AUTOS REFLEXOS. CSLL. Aplicase ao lançamento de CSLL o que foi decidido em relação ao lançamento matriz, devido à estreita relação de causa e efeito existente entre eles. Lançamento Procedente Irresignada, a contribuinte acostou recuso voluntário (fls. 414/438) no qual, depois de rebater a decisão recorrida, basicamente repetiu os argumentos antes expendidos na impugnação. Fl. 647DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 648 11 Subindo ao Colegiado de 2º Grau, o recurso voluntário foi provido por maioria, conforme Ac. 10196.783 da então 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – sessão de 30/03/2008 (fls. 476/484) e que acabou, posteriormente, por ser anulado pela CSRF em 20/01/2016 (Ac. 9101002.179 – fls. 593/608), determinandose um novo julgamento pela Turma a quo. Com a extinção da Turma originária, os autos foram redistribuídos a este Relator. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 648DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 649 12 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência da decisão recorrida em 21/08/2006 – fls. 407 – protocolização do RV em 20/09/2006 – fls. 414) a representação da recorrente está corretamente formalizada (fls. 362/374) e os demais pressupostos para sua admissibilidade foram atendidos, pelo que o recebo e dele conheço. Como visto, segundo a acusação fiscal, tratase de lançamentos de ofício em decorrência de “Ausência de adição ao lucro liquido do período, na determinação do lucro real, dos lucros auferidos no exterior por empresa incorporada pelo contribuinte envolvendo a totalidade de seu patrimônio líquido. A incorporada possuía controladas no exterior em países/dependências de tributação favorecida. Tal incorporação foi realizada pelo contribuinte em 24/10/2000, conforme detalhado em Termo de Verificação Fiscal o qual é parte integrante deste Auto de Infração”. Mais claramente, os eventos foram assim descritos no TVF: 1. Em 24/10/2000, a Alfa S. A. foi incorporada pela Vera Cruz S.A. sua controladora no Brasil (base Balanço de Encerramento da incorporada em 30/09/2000) quando assumiu a universalidade do seu ativo e passivo, sucedendoa em todos os direitos e obrigações, conforme consta em atas das Assembléias Gerais Extraordinárias, de ambas as empresas, naquela mesma data. 2. A incorporada Alfa S. A. tinha como acionistas além da Vera Cruz S. A., a Administradora Fortaleza Ltda. e Representações e Administração Orion Ltda, pertencentes ao mesmo grupo financeiro. Assim, na AGE de 24/10/2000 da Vera Cruz S.A., após cancelar suas ações na incorporada, aprovou um aumento de seu capital no valor de R$ 27.350.329,93 cujas ações foram entregues, exclusivamente, às demais acionistas respeitados o percentual, seja em ações ordinárias, seja em ações preferenciais que tais empresas possuíam na incorporada. 3. A incorporação acima citada seguiu o critério de avaliação do patrimônio liquido contábil da incorporada Alfa S.A. conforme balanço de encerramento em 30/09/2000, correspondente a R$ 107.393.226,76 conforme Laudo de Avaliação anexo ao Protocolo de Justificação da Incorporação. Nessa data era de R$ 105.614.516,89 o total referente à participação da empresa incorporada na RIHC e de R$ 471.460,99 na Ripar. Tais valores, lançados às folhas 177 do Diário Geral de 31/10/2000 representavam 100% do patrimônio liquido da RIHC e 55,308% da Ripar, sendo que, nesta última, os restantes 44,692% já pertenciam à incorporadora, que passou a deter, também nesta controlada, a totalidade do seu capital. Fl. 649DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 650 13 4. Tais eventos foram sucedidos, em 14/12/2000, pelo Instrumento Particular de Alteração do Contrato Social da Vera Cruz Ltda., que em sua cláusula primeira decidiu pela adoção da atual razão social do contribuinte: Alfa Participações Internacionais Ltda. (ora recorrente) que, a partir daquela data, passou a ser a denominação da controladora no Brasil das empresas sediadas no exterior, as mencionadas RIHC e Ripar. 5. Neste processo de incorporação da Alfa S.A. foi absorvida a totalidade de seu patrimônio líquido, ai incluído os lucros acumulados de suas duas controladas no exterior. Este evento caracterizou a disponibilização destes mesmos lucros, até o último período encerrado em 31/12/1999, conforme previsto no art. 25, § 2°, item III da lei 9.249/95, bem como bem como no art.1°, § 2°, alínea b, item 4 da lei 9.532/97. Os valores citados, em moeda alienígena e em reais, estão abaixo resumidos: Com isso, a base de cálculo para os lançamentos foi de RS 47.742.488,11, conforme consta dos AI: Em resumo, cuidase, inequivocamente, de lucros disponibilizados no exterior (real ou fictamente) em períodos antecedentes a 31/12/2000, mais especificamente, 1996, 1997, 1998 e 1999 (ver tabela acima) De outra banda, igualmente incontroverso que tais lucros, mercê do evento de incorporação havido foram “disponibilizados” à recorrente em 2000, o que, de plano, afasta qualquer alusão a possível “decadência”. Situação que a Fazenda Nacional destacou no RE manejado (fls. 496): “Enfim, o aspecto temporal do fato gerador é a data da efetiva disponibilização dos lucros, que foi, in casu, a alienação de participação societária de controlada no exterior. Fl. 650DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 651 14 Tratase, inclusive, de interpretação em conformidade ao art. 43 do CTN, na redação vigente até o advento da Lei Complementar n° 104/2001, eis que a doutrina afirma que o fato gerador do IRPJ deve ocorrer com a disponibilidade do lucro”. Que se alinha com o decidido no Ac. 10322.638, da 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuinte, verbis: “Pareceme claro que o destinatário do comando contido no caput do dispositivo examinado é, no caso concreto, a pessoa jurídica controladora, no Brasil. Ela é que aufere lucros, rendimentos ou ganhos de capital aqui tributados. Assim, o momento de ocorrência do fato gerador, da tributação, é aquele em que a controladora auferir lucro originário do exterior e não o da apuração do lucro pela controlada do exterior”. Mesma tese esposada pela PGFN que com ela textualmente perfila (fls. 496/497): “No caso em análise, tendo em vista que a disponibilização dos lucros apurados no exterior em 1996 e 1997 ocorreu tão somente em 2000, com a alienação da participação societária de empresa no exterior, inferese que o fato gerador do IRPJ e CSLL apenas foi concretizado em 31/12/2000, nos termos da legislação vigente à época”. No caso concreto, a recorrente, ao incorporar a Alfa S.A. (controladora anterior das empresas sediadas no exterior), adquiriu os direitos e os lucros em 2010, isto porque, como cediço, tais lucros têmse como disponibilizados inclusive em casos de aumento de capital ou incorporação, quando o patrimônio líquido da incorporada, incluindo lucros ali existentes, passam ao domínio da incorporadora, como nos autos. Em suma, ainda que possam – eventualmente dizer respeito a períodos de 1996 a 1999, os lucros (por incorporação) foram disponibilizados à recorrente em 2010, o que, afastada a decadência, poderia levar à sua tributação. Em contraponto, não se olvide que, no intervalo temporal entre os fatos ocorridos e o presente julgamento (2018), o tema ganhou discussões nos Tribunais, sendo, após exaustivos debates, prolatada decisão pela Suprema Corte em sede da ADIN nº 2.588, acerca da constitucionalidade do art. 74 da MP nº 2.15835/2001 nos seguintes termos e que trata exatamente de “lucros no exterior”: TRIBUTÁRIO. INTERNACIONAL. IMPOSTO DE RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. PARTICIPAÇÃO DE EMPRESA CONTROLADORA OU COLIGADA NACIONAL NOS LUCROS AUFERIDOS POR PESSOA JURÍDICA CONTROLADA OU COLIGADA SEDIADA NO EXTERIOR. LEGISLAÇÃO QUE CONSIDERA DISPONIBILIZADOS OS LUCROS NA DATA DO BALANÇO EM QUE TIVEREM SIDO APURADOS (“31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO”). ALEGADA VIOLAÇÃO DO CONCEITO CONSTITUCIONAL DE RENDA (ART. 143, III DA CONSTITUIÇÃO). APLICAÇÃO DA NOVA METODOLOGIA DE APURAÇÃO DO TRIBUTO PARA A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS APURADA EM 2001. Fl. 651DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 652 15 VIOLAÇÃO DAS REGRAS DA IRRETROATIVIDADE E DA ANTERIORIDADE. MP 2.15835/2001, ART. 74. LEI 5.720/1966, ART. 43, § 2º (LC 104/2000). 1. Ao examinar a constitucionalidade do art. 43, § 2º do CTN e do art. 74 da MP 2.158/2001, o Plenário desta Suprema Corte se dividiu em quatro resultados: 1.1. Inconstitucionalidade incondicional, já que o dia 31 de dezembro de cada ano está dissociado de qualquer ato jurídico ou econômico necessário ao pagamento de participação nos lucros; 1.2. Constitucionalidade incondicional, seja em razão do caráter antielisivo (impedir “planejamento tributário”) ou antievasivo (impedir sonegação) da normatização, ou devido à submissão obrigatória das empresas nacionais investidoras ao Método de Equivalência Patrimonial – MEP, previsto na Lei das Sociedades por Ações (Lei 6.404/1976, art. 248); 1.3. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade dos textos impugnados apenas em relação às empresas coligadas, porquanto as empresas nacionais controladoras teriam plena disponibilidade jurídica e econômica dos lucros auferidos pela empresa estrangeira controlada; 1.4. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade do texto impugnado para as empresas controladas ou coligadas sediadas em países de tributação normal, com o objetivo de preservar a função antievasiva da normatização. 2. Orientada pelos pontos comuns às opiniões majoritárias, a composição do resultado reconhece: 2.1. A inaplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais coligadas a pessoas jurídicas sediadas em países sem tributação favorecida, ou que não sejam “paraísos fiscais”; 2.2. A aplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835 às empresas nacionais controladoras de pessoas jurídicas sediadas em países de tributação favorecida, ou desprovidos de controles societários e fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei); 2.3. A inconstitucionalidade do art. 74 par. ún., da MP 2.158 35/2001, de modo que o texto impugnado não pode ser aplicado em relação aos lucros apurados até 31 de dezembro de 2001. (destaquei) Ação Direta de Inconstitucionalidade conhecida e julgada parcialmente procedente, para dar interpretação conforme ao art. 74 da MP 2.15835/2001, bem como para declarar a Fl. 652DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 653 16 inconstitucionalidade da cláusula de retroatividade prevista no art. 74, par. ún., da MP 2.158/2001. (sublinhei) Com essa decisão, ainda que outros pontos do questionamento levado à Suprema Corte tenham permanecido em compasso de espera de uma futura definição, inclusive no que tange ao caput do dispositivo, restou claro que o parágrafo único do artigo 74, da MP nº 2.158/2001 foi declarado INCONSTITUCIONAL, por isso não pode produzir quaisquer efeitos jurídicos. Para melhor visualização, vejase a reprodução do artigo 74 e de seu parágrafo único: Art.74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. (Vide ADI nº 2588) Nesse ponto significa que, SE os lucros, independentemente de terem sido auferidos por controlada ou por coligada, com localização em países com tributação favorecida ou não, decorrentes da atividade operacional ou assumidos mediante incorporação, tais lucros, apurados até 31/12/2001 e que não tenham sido efetivamente disponibilizados, sendo, por ficção, levados a ter o fato gerador em 31/12/2002, não mais tem tal conformação, por inconstitucionalidade da norma que impunha referido regramento. No caso tratado, claramente os lucros tomados pelo Fisco para consecução dos lançamentos pertencem a anoscalendário anteriores a 2001. A propósito, vejase o quadro acima, já reproduzido (TVF fls. 311), mas novamente trazido para melhor fixação: Nesse segmento, não houvesse a ocorrência, antes desta data (31/12/2002), de “qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor” (parágrafo único, in fine, do artigo 74, da MP nº 2.158/200135), induvidosamente os lançamentos aqui Fl. 653DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 654 17 tratados não se sustentariam, posto que, conforme decidido pelo STF, foi decretada a “A inconstitucionalidade do art. 74 par. ún., da MP 2.15835/2001, de modo que o texto impugnado não pode ser aplicado em relação aos lucros apurados até 31 de dezembro de 2001”. Todavia, diversamente de outros julgamentos havidos nesta Turma, alguns deles de minha própria Relatoria, no caso concreto, HOUVE disponibilização do lucro ANTES da data limite fixada na ADIN (31/12/2002), específica e comprovadamente, a data da incorporação da Alfa S. A. pela Vera Cruz S.A, digase, 24 de outubro de 2000. Em exprimir diferente, ANTES desse evento, os lucros auferidos em 1996, 1997, 1998 e 1999 pelas subsidiárias da empresa brasileira localizadas na Ilha da Madeira não se consideravam, sob o ângulo tributário, “disponibilizados” à sua controladora no Brasil (por isso, para que não ficasse indefinidamente neste compasso de espera, o artigo 74, da MP nº 2.158/200135 seguiu por um caminho de, fictamente, dizer que tal disponibilização darseia em 31/12/2002), isto com a ressalva de que DESDE QUE não ocorrida qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. Então, cabe a pergunta – QUAIS SERIAM TAIS HIPÓTESES (de disponibilização previstas na legislação)? A Lei nº 9.249/1995, responde: Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na apuração do lucro líquido das pessoas jurídicas com observância do seguinte: I os rendimentos e ganhos de capital serão convertidos em Reais de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que forem contabilizados no Brasil; II caso a moeda em que for auferido o rendimento ou ganho de capital não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais; § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; II os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real; III se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, até a data do balanço de encerramento; Concretamente, não há duvidas e isto é reconhecido pela própria recorrente , havia lucros desde 1996 e até 1999 nas subsidiárias no exterior, lucros estes que nem foram disponibilizados, nem foram pagos e nem foram tributados até 31/12/1999. Este ponto é incontestável. Fl. 654DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 655 18 Com isso, inocorrendo outro evento que levasse à afetiva disponibilização, econômica ou jurídica dos lucros, a regra seria a aplicação do artigo 74, parágrafo único, da MP nº 2.158/200135, já estampado, mas novamente reproduzido para melhor fixação: Art.74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. Nesse caminhar, em face da decretação de inconstitucionalidade do retro transcrito parágrafo único pela ADIN nº 2588, tais lucros estariam ao abrigo de qualquer tributação. PORÉM, e aí reside a variável que muda o quadro, houve a efetiva disponilibilização dos lucros de 1996 a 1999 quando do evento societário de incorporação (fato também inegável) em 24/10/2000. Foi neste instante, com a incorporação da Alfa pela Vera Cruz, sua controladora no Brasil (base Balanço de Encerramento da incorporada em 30/09/2000), tendo assumido a universalidade do seu ativo e passivo, sucedendoa em todos os direitos e obrigações, que os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas DEVERIAM TER SIDO ADICIONADOS AO LUCRO LÍQUIDO da pessoa jurídica extinta, tudo conforme preceitos do artigo 25, § 2º, inciso III, da Lei nº 9.249/1995: Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; II os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real; III se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido os lucros auferidos por Fl. 655DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 656 19 filiais, sucursais ou controladas, até a data do balanço de encerramento; Assim, não havendo dúvidas acerca do evento incorporativo e igualmente inexistindo qualquer questionamento no sentido de que uma empresa incorporada é extinta, resta presente o nascimento do fato gerador do tributo aqui tratado. Quadro que se completa com a conjunção legislativa do artigo 1º, §§ 1º “b” e 2º, “b”, item “4”, da Lei nº 9.532/1997 (hoje parcialmente revogado, mas plenamente vigente à época dos fatos): Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. § 2º Para efeito do disposto na alínea "b" do parágrafo anterior, considerase: b) pago o lucro, quando ocorrer: (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) 4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Em síntese final, como já tive oportunidade de relatar em casos assemelhados, não houvesse o fenômeno da incorporação presente nos autos, não seria possível levar à tributação os lucros de 1996 a 1999 porque não teriam sido disponibilizados e, assim, a regra levaria à subsunção do parágrafo único do artigo 74 da MP nº 2.158/2001, já citado, e que foi fulminado pelo Supremo. Entretanto, no momento em ocorre a incorporação retratada e a incorporada automaticamente se extingue, induvidoso que a tributação se estampou, pela compulsória adição aos seus lucros, dos lucros das suas filiais, sucursais ou controladas, impondo, neste momento, submetêlos à imposição do IRPJ e da CSLL. Assim não fosse, repitase, os lucros daquelas subsidiárias iriam ser considerados, por ficção, disponibilizados em 31/12/2002 e ali poderiam via a ser tributados, o que, como visto, acabaria por não ocorrer em razão da inconstitucionalidade do parágrafo único já referido. Em outras palavras, nada seria tributado porque esta ficção legal terminou por ser varrida do mundo jurídico pela Corte Suprema. Fl. 656DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 657 20 Contrariamente, como o lucro foi efetivamente disponibilizado no momento da incorporação2, o fato gerador restou consumado. Excertos do voto condutor do Acórdão nº 9101003.087 da CSRF, relatoria do Conselheiro André Mendes de Moura – Processo nº 16327.000823/200424, sessão de 13/09/2017, bem retrata o tema: “Por sua vez, o diploma [artigo 1 º da Lei nº 9.532, de 1997], ao tratar do aspecto temporal, discorre sobre o balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados, momento em que optou por positivar uma série de hipóteses, relacionadas nos §§ 1º e 2º do artigo em estudo. No caso de controladas e coligadas, a disponibilização ocorre na data (1) do pagamento ou (2) do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. Observase, portanto, que enquanto os lucros permanecerem na investida, sem utilização, não há que se falar em disponibilização. Utilizo o termo "utilização", vez que restou clara, pela redação dada pela norma, que a disponibilização não se restringe à remessa dos lucros para o Brasil, stricto sensu. Os termos "pagamento" ou "crédito" não foram adotados por acaso. A disponibilização, a realização do lucro, pode ser operacionalizar mediante diferentes situações. Precisamente nessa perspectiva, é fundamentar constatar que a quota ou ação da investidora (Contribuinte) na investida (FIQ) percebe uma valorização, auferida mediante o método de equivalência patrimonial (MEP), em razão do lucro auferido pela investida. E, em se tratando da data do pagamento, optou o legislador em positivar quatro hipóteses, do qual transcrevo na sequência: 1ª) o crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil; 2ª) a entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária; 3ª) a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça; 4ª) o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. As hipóteses de pagamento do lucro abrangem tanto atos de iniciativa da empresa investida quanto da investidora”. (destaques no original). Com isso, a tributação se impõe. DA CONVENÇÃO ENTRE BRASIL E PORTUGAL 2 Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. Fl. 657DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 658 21 Alega a impugnante que os lucros formados nos anos de 1996 a 1999 pela RIHC, domiciliada em Portugal, não podem ser tributados em virtude de expressa vedação do art. VII, do Tratado BrasilPortugal. O artigo VII do tratado, efetivamente, estabelece que os lucros de uma empresa pertencente a um dos estados contratantes só podem ser tributados neste estado, a não ser que parte dos lucros tenha sido obtido no outro estado contratante por meio dum estabelecimento estável. Uma vez que os lucros da controlada RIHC foram obtidos exclusivamente no território português, esses lucros poderiam ser tributados, em tese, apenas em Portugal. Contudo, o lançamento não exige nenhum tributo da empresa portuguesa, mas apenas da sociedade brasileira e na proporção do quinhão que lhe cabe por deter participação no capital de sua congênere portuguesa. O tratado veda a tributação do lucro na origem, mas não impede a tributação quando forem distribuídos ou postos à disposição dos sócios ou acionistas, ainda que estes sejam residentes do outro estado contratante. Duas outras disposições do próprio tratado revelam que não havia impedimento algum para nova tributação do lucro no destino, ainda que já tivesse havido incidência na origem (o que não se comprovou ser o caso). O item 6 do artigo VI dispõe que o fato de uma sociedade residente de um estado contratante controlar ou ser controlada por uma sociedade residente do outro estado contratante ou que exerce a sua atividade nesse outro estado contratante, quer seja através de um estabelecimento estável, quer de algum outro modo, não por si, bastante para fazer de qualquer dessas sociedades estabelecimento estável de outra. Ou seja, não obstante o vinculo existente entre elas, sociedades controlada e controladora devem ser tratadas como entidades independentes. DA TAXA DE CÂMBIO APLICÁVEL NA CONVERSÃO DOS LUCROS A matéria já se encontra consolidada neste Tribunal Administrativo, conforme Súmula CARF nº 94, verbis: Súmula CARF nº 94 Os lucros auferidos no exterior por filial, sucursal, controlada ou coligada serão convertidos em reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados tais lucros, inclusive a partir da vigência da MP nº 2.15835, de 2001. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018) Destaquese que, a teor do que dispõe a Portaria MF nº 277, de 07/06/20183, seus efeitos são vinculantes e de observância obrigatória pelos Conselheiros deste Colegiado. 3 PORTARIA Nº 277, DE 7 DE JUNHO DE 2018 Atribui a súmulas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF efeito vinculante em relação à administração tributária federal. O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições previstas no art. 87, parágrafo único, incisos I e II da Constituição Federal, e tendo em vista o disposto no art. 75 do Anexo II a Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, resolve: Fl. 658DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 659 22 Assim, sem mais delongas, o pleito da recorrente deve ser provido parcialmente neste aspecto, de forma que a base tributável de IRPJ se conforme às taxas de câmbio aplicáveis nas datas dos balanços, ou seja, 31/12/1996, 31/12/1997, 31/12/1998 e 31/12/1999, nos termos da citada Súmula. DOS LANÇAMENTOS DE CSLL Acerca da imposição de CSLL sobre os lucros auferidos no exterior, depois de inúmeros debates entre Fisco e contribuinte, a solução legislativa veio com a MP nº 1.858 6/1999 que expressamente previu tal incidência a partir de 01/10/1999. Foi nessa linha, inclusive, a decisão a quo ( DRJ. – fls. 403): “9.4. Assim, quando os lucros vieram a se tornar disponíveis, já estava plenamente em vigor a MP 1.8586/1999, a norma que previa a incidência da CSLL, visto que a data do fato gerador do lucro disponibilizado não se confunde com a data do auferimento do lucro”. Contrapondose, a recorrente assentou que, “ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a lei de regência aplicável à tributação em causa é aquela ao abrigo da qual ocorreu a apuração do lucro, ainda que a sua suposta disponibilização tenha se dado em momento posterior”; e complementou seu pensamento: “Significa dizer, tal como dito com relação ao imposto de renda (item II do presente recurso), que o elemento nuclear do fato gerador da CSLL é a apuração do lucro, razão pela qual a CSLL somente pode ser exigida sobre os lucros apurados a partir de 1° de outubro de 1999, data na qual passou a viger o art. 19 da MP n° 18586/99”. (RV – fls. 434) O tema já foi enfrentado outras vezes no CARF e a decisão estampada no Acórdão nº 9101003.087 da CSRF, relatoria do Conselheiro André Mendes de Moura (antes citado) bem resume o assunto, pelo que peço vênia para reproduzir excertos do seu substancioso voto, aqui adotado como razões de decidir (destaques constam do original): “... antes do art. 25 da Lei nº 9.249, de 27/12/1995, a tributação de lucros no exterior era regida pelo princípio da territorialidade, consagrado pelo art. 63 da Lei nº 4.506, de 1964: Art. 63. No caso de emprêsas cujos resultados provenham de atividades exercidas parte no País e parte no exterior, sòmente integrarão o lucro operacional os resultados produzidos no País. (...)(grifei) Com a edição do art. art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995, restou clara que a incidência dos lucros restringiuse ao IRPJ, vez que foi feita menção expressa ao lucro real. Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. (...) (Grifei) Art. 1º Fica atribuído às sumulas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, relacionadas no Anexo Único desta Portaria, efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Fl. 659DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 660 23 Na realidade, a partir da edição da Lei nº 9.249, de 27/12/1995, restaram, para fins de apuração de lucros no exterior, regimes distintos para o IRPJ e para a CSLL: (a), para o IRPJ, sob a égide do princípio da universalidade, os lucros das sucursais/filiais passaram a compor o resultado do lucro líquido em razão do art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995; (b) para a CSLL, sob a égide do princípio da territorialidade, continuou a se submeter à sistemática prevista nos arts. 6º, § 1º, do Decretolei nº 1.598, de 1977 e 63 da Lei nº 4.506, de 1964, qual seja, primeiro reduzindo o lucro operacional e posteriormente, sendo adicionados ao lucro operacional, de modo a evitar a repercussão dos resultados no exterior (das sucursais ou filiais) na matriz do Brasil. A situação para a CSLL só veio ser alterada com a edição do art. 19 da MP nº 1.8586, de 1999 (publicada no DOU de 30/06/1999): Art. 19. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitamse à incidência da CSLL, observadas as normas de tributação universal de que tratam os arts. 25 a 27 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os arts. 15 a 17 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e o art. 1º da Lei no 9.532, de 1997. (grifei) Ou seja, para a CSLL, passou a ser adotado o mesmo mecanismo para inclusão dos lucros no exterior na base tributável, com base no princípio da universalidade, nos mesmos moldes do IRPJ. Contudo, a incidência passa a valer apenas para os lucros no exterior auferidos a partir de 1º de outubro de 1999 (mediante aplicação da anterioridade nonagesimal). Não há que se falar que, como o fato gerador da CSLL aperfeiçoase apenas em 31 de dezembro, toda a materialidade ocorrida no decorrer do ano calendário estaria abrangida. Não é bem assim. A incidência diz respeito ao suporte fático, aos eventos qualificados como tributáveis, e a lei que passou a qualificálos passou a exercer efeitos no ordenamento jurídico apenas a partir de 1º de outubro de 1999. Ou seja, apenas as situações (auferimento de lucros no exterior) ocorridas a partir de 1º de outubro de 1999 passaram a ser qualificadas como fatos jurídicotributários. Não se deve confundir o regime de tributação, em que se estabelece um marco temporal (um mês, um trimestre, um ano), com termo inicial e final, dentro do qual se consolidam as ocorrências qualificadas pelo ordenamento jurídico, no qual se delimita o aspecto temporal, com a incidência do tributo, aspecto material. Uma coisa é lei dispondo sobre a hipótese de incidência do tributo, outra é o regime de tributação sobre o qual o tributo deve ser apurado. Fl. 660DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 661 24 Assim, se a Contribuinte é optante do lucro real anual, tal opção obriga a apuração da CSLL pelo regime anual, ou seja, cabe ao sujeito passivo verificar se as situações no decorrer do ano são qualificadas como fatos jurídico tributário. Por sua vez, se a lei que qualifica situações como fatos jurídico tributários passa a surtir efeitos apenas a partir de 1º de outubro, a materialidade alcançada diz respeito apenas aos lucros auferidos nos três últimos meses do ano”. Trazendo para o caso concreto aqui tratado, temse a seguinte posição fática: 1. os lucros auferidos em 1996, 1997 e 1998 estariam fora do alcance da tributação de CSLL, por falta de previsão legal; e, 2. os lucros apurados em 1999, pelo mesmo motivo, mas em ordem inversa, estariam submissos à imposição da contribuição. Entretanto, como bem salientado no voto acima reproduzido, “Não há que se falar que, como o fato gerador da CSLL aperfeiçoase apenas em 31 de dezembro, toda a materialidade ocorrida no decorrer do anocalendário estaria abrangida. Não é bem assim. A incidência diz respeito ao suporte fático, aos eventos qualificados como tributáveis, e a lei que passou a qualificálos passou a exercer efeitos no ordenamento jurídico apenas a partir de 1º de outubro de 1999 (...). Não se deve confundir o regime de tributação, em que se estabelece um marco temporal (um mês, um trimestre, um ano), com termo inicial e final, dentro do qual se consolidam as ocorrências qualificadas pelo ordenamento jurídico, no qual se delimita o aspecto temporal, com a incidência do tributo, aspecto material. (...) Por sua vez, se a lei que qualifica situações como fatos jurídicotributários passa a surtir efeitos apenas a partir de 1º de outubro, a materialidade alcançada diz respeito apenas aos lucros auferidos nos três últimos meses do ano”. (sublinhei). Ou seja, para o ano de 1999 haveria tributação de CSLL sobre os lucros auferidos no exterior por subsidiária de empresa brasileira somente em relação “aos lucros auferidos nos três últimos meses do ano”. Como o Fisco não fez este talho na contabilidade da recorrente, assumindo todo o lucro do ano, os lançamentos não se revestem da necessária consistência, posto se estar diante de tributo que se subsume ao chamado “fato gerador complexo”, digase, aperfeiçoase no interregno temporal de um ano, não sendo possível deslocar e concentrar em apenas um trimestre o resultado de um período inteiro. Cabe uma palavra final acerca do porquê da manutenção dos lançamentos de IRPJ (com os ajustes de base de cálculo referidos no tópico “da taxa de câmbio aplicável na conversão dos lucros”) e a não manutenção dos lançamentos de CSLL do mesmo período. É que, no caso do IRPJ, já havia previsão legal para a tributação dos lucros (Leis nºs 9.249/1995 e 9.532/1997, conforme longamente discorrido neste voto em tópico próprio), ficando tais resultados positivos apenas em “compasso de espera” até que um evento viesse a permitir sua tributação, o que, no caso, foi a incorporação da Alfa S. A. pela Vera Cruz S.A e que depois de uma sucessão de alterações societárias, terminou por assumir a denominação social de Alfa Participações Internacionais Ltda. (ora recorrente). Em outro exprimir, os lucros já tinham sido apurados e havia previsão legal para sua tributação, apenas aguardando sua “disponibilização” a favor da controladora brasileira para sua materialização, isso porque, enquanto os lucros permanecerem na investida, sem utilização, não há que se falar em disponibilização. Já no caso da CSLL, inexistia previsão legal para tal incidência, ou seja, os “lucros” apurados, disponibilizados ou não, não estavam sujeitos à imposição tributária, pouco importando que tal “disponibilização” se fizesse no ato da apuração do lucro ou depois Fl. 661DF CARF MF Processo nº 16327.002142/200581 Acórdão n.º 1402003.341 S1C4T2 Fl. 662 25 (como aqui se vê). Digase, quer no dia de sua apuração quer quando fossem – se fossem disponibilizados, os lucros estariam albergados da tributação pela CSLL, restando tributáveis apenas os três últimos meses de 1999 (tema já visto acima). Assim, voto por, i) afastar a preliminar de decadência e, ii) no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para, ii.i) afastar os lançamentos de CSLL; ii.ii) determinar que os montantes das bases de cálculo dos lançamentos IRPJ, aqui mantidos, sejam apurados de acordo com as taxas de câmbio aplicáveis para venda do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados tais lucros, nos termos da Súmula CARF nº 94. É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 662DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.720167/2007-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS.
Não existe previsão legal para a incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face de decisões do STJ na sistemática dos Recursos Repetitivos, quando existentes atos administrativos que indeferiram parcial ou totalmente os pedidos, e o entendimento neles consubstanciados foi revertido nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento.
Numero da decisão: 3302-006.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. Não existe previsão legal para a incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face de decisões do STJ na sistemática dos Recursos Repetitivos, quando existentes atos administrativos que indeferiram parcial ou totalmente os pedidos, e o entendimento neles consubstanciados foi revertido nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 01 67 /2 00 7- 00 Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10380.720167/200700 Acórdão n.º 3302006.027 S3C3T2 Fl. 514 2 Relatório Por bem descrever e retratar os fatos, adoto e transcrevo o relatório da Resolução nº 330200.245 de fls. 469473: No dia 12/05/2004 a empresa Recorrente, já qualificada nos autos, transmitiu PERDCOMP declarando compensações e pleiteando o ressarcimento de crédito presumido de IPI (Leis nº 9.363/96 e 10.276/01), relativo ao 3º trimestre de 2003. Após a realização das verificações fiscais no estabelecimento da recorrente, a DRF em Fortaleza CE reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, nos termos do Despacho Decisório de fls. 376/377. A autoridade competente efetuou as seguintes glosas, nas suas palavras: A análise do pedido foi feita por amostragem nas notas fiscais de aquisição de insumo, utilizados na industrialização dos produtos mencionados no parágrafo terceiro desta informação, e as notas fiscais examinadas não apresentaram infrações aos dispositivos legais objeto deste processo. Entretanto, os valores glosados são decorrentes da inclusão na base de cálculo do crédito presumido de insumos adquiridos no mercado externo e das transferências recebidas das filiais de Maracanaú e Sobral, tendo em vista que tais procedimentos contrariam dispositivo legais, ou seja, o artigo 1° da Lei 9.363, transcrito anteriormente e o artigo 9° da IN SRF 315, de 3 de abril de 2003 que determina que o pedido de ressarcimento seja centralizado na matriz. Não se conformando com a decisão acima, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade pleiteando: (i) o ressarcimento dos valores com o acréscimo da Taxa SELIC, contada a partir da data de geração do direito ao crédito presumido, ou, ao menos, sucessivamente, contada a partir da data do protocolo do Pedido de Ressarcimento; (ii) a manutenção da apuração do crédito presumido do IPI a ser ressarcido sem a exclusão dos valores relativos às compras de insumos de não contribuintes da COFINS e da Contribuição para o PIS, especialmente aquelas realizadas de pessoas físicas e cooperativas; (iii) a manutenção da apuração do crédito presumido do IPI a ser ressarcido sem a exclusão dos valores relativos as compras de matériaprima importada, não adquirida no mercado interno, de energia elétrica, sistema de comunicação e óleo combustível; (iv) a manutenção da apuração do crédito presumido do IPI a ser ressarcido considerando as notas fiscais de transferências de matériaprima, produtos químicos e material de embalagem para as filiais de Maracanaú e Sobral, bem como as que acobertaram devoluções de compras. A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 0112.535, de 18/11/2011, cuja ementa abaixo transcrevo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10380.720167/200700 Acórdão n.º 3302006.027 S3C3T2 Fl. 515 3 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos Conselhos de Contribuintes não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, sendo àquela objeto da decisão, na forma do artigo 100 do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃOCONTRIBUINTES. Incabível o ressarcimento do PIS/Pasep e da Cofins em relação a insumos adquiridos de pessoas físicas, cooperativas e importadores, que não suportaram o pagamento dessas contribuições. Ao determinar a forma de apuração do incentivo, a lei excluiu da base de cálculo do beneficio fiscal as aquisições que não sofreram incidência das contribuições ao PIS e à Cofins. IPI. DIREITO AO CRÉDITO. AÇÃO DIRETAMENTE EXERCIDA SOBRE 0 PRODUTO. Geram o direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, "strict° senso", e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou, viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam ser incluídos no ativo permanente. JUROS COMPENSATÓRIOS. RESSARCIMENTO Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. Desta decisão a empresa interessada tomou ciência no dia 31/12/2008, conforme AR de fl. 426, e, no dia 03/02/2009, ingressou com o recurso voluntário de fls. 427/443, no qual está pleiteando: (i) o ressarcimento dos valores com o acréscimo da Taxa SELIC, contada a partir da data de geração do direito ao crédito presumido, ou, ao menos, sucessivamente, contada a partir da data do protocolo do Pedido de Ressarcimento; (ii) a manutenção da apuração do crédito presumido do IPI a ser ressarcido sem a exclusão dos valores relativos às compras de insumos de não contribuintes da COFINS e da Contribuição para o PIS, especialmente aquelas realizadas de pessoas físicas e cooperativas; Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. É o relatório do essencial. Referida resolução foi motivada da seguinte forma: Como relatado, trata o presente processo de declaração de compensação vinculada a pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI do 3º trimestre de 2003, deferido parcialmente em face da glosa de créditos relativos a insumos importados e transferência de insumos recebidos de filiais da Recorrente. Na manifestação de inconformidade apresentada junto à DRJ a empresa Recorrente protesta: (i) pelo reconhecimento da incidência da taxa Selic no ressarcimento pleiteado; (ii) pela manutenção do crédito nas aquisições de insumos Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10380.720167/200700 Acórdão n.º 3302006.027 S3C3T2 Fl. 516 4 junto a pessoas físicas e cooperativas, nas aquisições de insumos no mercado externo e nas transferências de insumos recebidos de filiais suas. A decisão recorrida indeferiu o pleito da empresa Recorrente que veio a este Colegiado pleiteando somente o reconhecimento da incidência da taxa Selic no ressarcimento pleiteado e a manutenção do crédito nas aquisições de insumos junto a pessoas físicas e cooperativas. Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, transcrito no Relatório acima, foram efetuadas duas glosas: insumos recebidos por transferência de filiais e insumos adquiridos no mercado externo. Nenhuma dessas matérias foi objeto de contestação no Recurso Voluntário do contribuinte. No entretanto, a matéria “aquisição de insumos junto a pessoas físicas e cooperativa”, constante da manifestação de inconformidade, foi exaustivamente analisada pela decisão recorrida, embora não tenha sido expressamente citada no Termo de Verificação Fiscal de fls. 367/373. Isto posto, e: Considerando que mesmo não tendo sido citada no referido Termo de Verificação Fiscal, pode ter havido glosa de crédito relativo a insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas; Considerando que a empresa Recorrente não indicou quais insumos, e respectivos valores, foram adquiridos de pessoas físicas; Considerando que na Relação de Notas Fiscais de fls. 306/312 não consta aquisições de pessoas físicas. Considero imprescindível para o deslinde da questão que a empresa Recorrente identifique as aquisições de insumos junto a pessoas físicas e cooperativas que não foram consideradas pela Fiscalização no cálculo do crédito presumido pleiteado. VOTO no sentido de converter o julgamento em diligência à DRF em Fortaleza para as seguintes providências: 1) intimar a Recorrente a demonstrar as aquisições de insumos junto a pessoas físicas e cooperativas no período objeto do pedido, informando os mesmos dados constantes da Relação de Notas Fiscais de fls. 306/312, substituindo o CNPJ pelo CPF. 2)atendido a intimação acima e existindo aquisições de pessoas físicas ou de cooperativas, informar se as aquisições são de matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem empregados pela Recorrente na sua produção e se as notas fiscais foram regularmente escrituras; 3)atendido a intimação acima, refazer o cálculo do crédito presumido considerando o valor das aquisições acima referidas; 4) dar ciência à recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11. 5) conclusos, retornem os autos do processo a este CARF para prosseguir no julgamento do recurso voluntário. Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10380.720167/200700 Acórdão n.º 3302006.027 S3C3T2 Fl. 517 5 A Recorrente, após sua intimação, forneceu os documentos e prestou esclarecimentos propostas na resolução, conforme se verifica na petição e documentos de fls. 493498. Por sua vez, a fiscalização apresentou Relatório de Diligência Fiscal (fls.499502), com as seguintes informações: (...) 2. A diligência fiscal teve por objetivo recalcular o crédito presumido a que o interessado faz jus, relativamente ao 3º trimestre de 2003, sem excluir da base de cálculo do crédito as aquisições de insumos, utilizados no processo produtivo de bens exportados, sem incidência de PIS/PASEP e COFINS, conforme determinação da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em sua Resolução nº 3302 000.245 — 3a Câmara/2a Turma Ordinária (fls. 469/473). 3. Inicialmente, intimamos o interessado, através do Termo de Início de Diligência Fiscal de fls. 490/492, de 18/07/2014, a apresentar informações e documentos diversos necessários ao desenvolvimento do trabalho. 4. A documentação apresentada em resposta ao Termo de Início de Diligência Fiscal comprova (verificação por amostragem) as aquisições de insumos sem incidência de PIS/PASEP e COFINS nos montantes de R$ 874.467,09, R$ 929.203,40 e R$ 1.603.953,30, relativamente aos meses de julho, agosto e setembro de 2003, respectivamente. 5. Registrese, por oportuno, que os valores citados no item 4 retro não foram objeto de glosa pela fiscalização, conforme se infere da leitura do Termo de Verificação Fiscal de fls. 368/373. Na verdade, o contribuinte deixou de incluir tais valores na apuração do crédito presumido do 3° trimestre de 2003 por motivação própria, tendo informado ao fisco que "A origem de todos os créditos pleiteados, foram originários de aquisições de Pessoa Jurídica" (sic), como atesta o documento de fl. 262. 6. Apesar disso, cumprindo determinação da Resolução nº 3302000.245 — 3ª Câmara/2a Turma Ordinária, refizemos os QUADROS 2 e 5 de fls. 365 e 366, respectivamente. Para tanto, na coluna "CUSTO ACUMULADO" do QUADRO 2, adicionamos as importâncias acumuladas de R$ 874.467,09, R$ 1.803.670,49 (874.467,09 + 929.203,40) e R$ 3.407.623,79 (874.467,09 + 929.203,40 + 1.603.953,30), nos meses de julho, agosto e setembro, respectivamente. O CUSTO ACUMULADO em setembro (base de cálculo), no valor de R$ 194.652.191,23, foi então lançado no QUADRO 5, onde restou apurado um crédito presumido de R$ 8.590.506,98 relativo ao 3° trimestre de 2003. Os quadros refeitos foram acostados ao presente Relatório. 7. Comparando os quadros de fls. 365/366 com os anexos a este Relatório, observase que o crédito presumido do contribuinte, referente ao 3º trimestre de 2003, passa de R$ 8.115.179,59 para R$ 8.590.506,98, por força da já citada Resolução nQ. 3302000.245 — 3a Câmara/2a Turma Ordinária. Ou seja, uma diferença em favor do interessado de R$ 475.327,39 (8.590.506,98— 8.115.179,59). Intimada do citado relatório fiscal (fls.509), a Recorrente permaneceu silente, retornando, assim, os autos à este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10380.720167/200700 Acórdão n.º 3302006.027 S3C3T2 Fl. 518 6 Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Admissibilidade Recursal O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II. Do Recurso Voluntário Conforme exposto anteriormente, a Recorrente trouxe em suas razões recursais dois pleitos, um em relação ao direito de incidir taxa Selic no ressarcimento formulado e outro quanto a manutenção do crédito nas aquisições de insumos junto à pessoas físicas e cooperativas. No que diz respeito a questão envolvendo a manutenção do crédito nas aquisições de insumos junto a pessoas físicas e cooperativas, entendo que referida matéria é estranha aos autos, considerando que os valores glosados são decorrentes da inclusão na base de cálculo do crédito presumido de insumos adquiridos no mercado externo e das transferências recebidas das filiais de Maracanaú e Sobral. É o que se extrai do TVF (fls. 368 372) e do despacho decisório de fls.376377: A análise do pedido foi feita por amostragem nas notas fiscais de aquisição de insumo, utilizados na industrialização dos produtos mencionados no parágrafo terceiro desta informação, e as notas fiscais examinadas não apresentaram infrações aos dispositivos legais objeto deste processo. Entretanto, os valores glosados são decorrentes da inclusão na base de cálculo do crédito presumido de insumos adquiridos no mercado externo e das transferências recebidas das filiais de Maracanaú e Sobral, tendo em vista que tais procedimentos contrariam dispositivo legais, ou seja, o artigo 1° da Lei 9.363, transcrito anteriormente e o artigo 9° da IN SRF 315, de 3 de abril de 2003 que determina que o pedido de ressarcimento seja centralizado na matriz. O Relatório de Diligência também ressaltou inexistir nos autos discussão sobre glosa de crédito relacionado as aquisições de insumos junto a pessoas físicas e cooperativas. No presente caso, ao vez de analisar a matéria concernente ao crédito nas aquisições de insumos junto a pessoas físicas e cooperativas, entendo que DRJ deveria ter não conhecido da referida matéria. Contudo, tal fato não gera nulidade da decisão recorrida, considerando que houve análise da glosa motivada no despacho decisório, questão esta, que não foi trazida no recurso voluntário. Neste cenário, entendo que o não conhecimento da matéria sobre a glosa de crédito relacionado as aquisições de insumos junto a pessoas físicas e cooperativas é medida que se impõe. Fl. 518DF CARF MF Processo nº 10380.720167/200700 Acórdão n.º 3302006.027 S3C3T2 Fl. 519 7 Em relação a incidência da Taxa Selix, empresto o voto vencedor do Ilustre Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, no Acórdão nº 9303005.425, da 3ª Turma da CSRF para solução do litígio, a saber: A questão da atualização monetária, pela Taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, tem rendido inúmeras discussões, tanto na esfera administrativa como judicial. A verdade é que não há previsão legal para o seu reconhecimento na análise dos pedidos administrativos. Vêse que no âmbito das turmas de julgamento do CARF, tem se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp n° 1.035.847 e no REsp n° 993.164. Ambos julgados estabeleceram que é devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco. Portanto, sem dúvida, o reconhecimento da incidência da aplicação da Taxa Selic nos processos de ressarcimento decorrem de uma construção jurisprudencial e não por disposição expressa da Lei. Vêse que o STJ nos dois julgados acima citados reconhecem expressamente a falta de previsão legal a autorizar tal incidência. Vejamos o que dispôs referidos julgados: REsp 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10380.720167/200700 Acórdão n.º 3302006.027 S3C3T2 Fl. 520 8 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C,do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. REsp n° 993.164: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Concluise que a oposição ilegítima por parte do Fisco, ao aproveitamento de referidos créditos, permite que seja reconhecida a incidência da correção monetária pela aplicação da Taxa Selic. Porém da leitura que se faz, para a incidência da correção que se pretende, há que existir necessariamente o ato de oposição estatal que foi reconhecido como ilegítimo. Fl. 520DF CARF MF Processo nº 10380.720167/200700 Acórdão n.º 3302006.027 S3C3T2 Fl. 521 9 No âmbito do processo administrativo de pedidos de ressarcimento tem se que estes atos administrativos só se tornam ilegítimos caso seu entendimento seja revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Portanto somente sobre a parcela do pedido de ressarcimento que foi inicialmente indeferida e depois revertida é que é possível o reconhecimento da incidência da Taxa Selic. Tudo isso por força do efeito vinculante das decisões do STJ acima citadas e transcritas. Porém resta uma discussão quanto ao prazo inicial da incidência da Taxa Selic. No CARF a grande maioria das decisões dividemse em duas vertentes. A primeira que a aplicação da correção dariase somente a partir da edição do Despacho Decisório, pela autoridade administrativa da DRF de origem, que teria denegado parte ou integralmente o pedido. A justificativa desta primeira tese seria no sentido de que só a partir daí é que teria nascido o ato ilegítimo a permitir a aplicação dos repetitivos do STJ. A segunda vertente é reconhecer a aplicação da correção monetária desde a data do protocolo do pedido, hipótese que até então estava sendo adotada por este relator e pela própria CSRF. Entretanto, refletindo melhor sobre a matéria, penso que não existe base legal e nem comando vinculante de nossos tribunais a autorizar nenhuma dessas duas hipóteses, sobretudo a segunda, referente à incidência da correção monetária desde a data do protocolo do pedido. Essa hipótese permite uma correção monetária integral que nunca foi permitida do ponto de vista legal e, smj, nem pela interpretação dos referidos julgados. Entendo que a melhor interpretação está vinculada ao que dispôs o próprio STJ, também em sede de recurso repetitivo, no REsp n° 1.138.206, abaixo transcrito com destaques: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5°, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, Dje 26/06/2009; Resp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, Dje 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. MinistraMARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, Dje 07/11/2008; Resp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal, o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10380.720167/200700 Acórdão n.º 3302006.027 S3C3T2 Fl. 522 10 de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7°, § 2°, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7° O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Concluise da leitura acima, que o STJ determinou a aplicação do art. 24 da Lei n° 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência. Assim, manifestouse de forma Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10380.720167/200700 Acórdão n.º 3302006.027 S3C3T2 Fl. 523 11 vinculante que o prazo razoável para duração do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, e não há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado na lei. Importante ressaltar que referido julgado não dispõe absolutamente nada sobre incidência de correção monetária ou aplicação da taxa Selic nos processos de ressarcimento. Portanto, como não há previsão legal para incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento, o seu reconhecimento em sede dos julgados administrativos deve ser erigido a partir da interpretação do que se construiu nos julgados do STJ com efeitos vinculantes. Portanto, para reconhecimento da incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento de IPI, devemos partir de duas premissas: 1) existe ato administrativo que indeferiu de forma ilegítima parcial ou integralmente o pedido? e 2) o trânsito em julgado da decisão administrativa ultrapassou os 360 dias? A resposta positiva para as duas premissas importa em reconhecer a incidência da taxa Selic somente para os créditos indeferidos de forma ilegítima, cujo termo inicial da incidência da correção somente poderá ser contado a partir dos 360 dias do protocolo do pedido. Esta conclusão coadunase com a aplicação do princípio da igualdade. Veja que se o processo for deferido em 359 dias, o contribuinte não receberá qualquer ajuste monetário e caso seja deferido em 361 dias haveria incidência integral desta correção. Pareceme um casuísmo não pretendido, a justificar a interpretação de que esta correção monetária só seria aplicada a partir de 360 dias do protocolo do pedido e, desde que exista um ato administrativo que teria sido considerado ilegítimo, assim considerado aquele cujo entendimento foi revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Assim, no presente processo, tendo entendido a turma de julgamento, a despeito de voto contrário deste julgador, que é possível o aproveitamento de crédito presumido de IPI sobre os serviços de industrialização por encomenda, sobre esta parcela permitese a incidência da taxa Selic a ser aplicada a partir de 360 dias contados do protocolo do pedido de ressarcimento até a sua efetiva utilização. Somente a título de esclarecimento, contestase especificamente o argumento da ilustre relatora, em seu voto, de que seria aplicável à espécie o art. 39 da Lei nº 9.250/95, o qual, segundo o entendimento dela, deveria ser utilizado também para o fim de ressarcimento de tributos. O § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95 é aplicável à restituição do indébito (pagamento indevido ou a maior) e não ao ressarcimento, que é do que trata a Lei nº 9.363/96. Ao contrário do que muitos defendem, o ressarcimento não é "espécie do gênero restituição". São dois institutos completamente distintos (pois senão não Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10380.720167/200700 Acórdão n.º 3302006.027 S3C3T2 Fl. 524 12 faria qualquer sentido a discussão em tela sobre a atualização monetária, pois expressamente prevista em lei para a repetição do indébito). O direito à restituição é decorrência "automática" do pagamento indevido ou maior que o devido, conforme art. 165, I, do CTN. O ressarcimento tem que estar previsto em lei. Neste sentido, voto por dar parcial provimento ao recurso especial do contribuinte para estabelecer a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento. Considerando o entendimento esposado anteriormente, incumbe saber se houve oposição ilegítima estatal. No presente caso, o crédito glosado parcialmente pela unidade de origem não foi reconhecido/revertido pelas instâncias de julgamentos, inexistindo, assim, razão para aplicar a atualização monetária sobre essa parcela. No que diz respeito à parcela que foi eventualmente reconhecida logo de início (vide despacho decisório), sobre ela não cabe atualização monetária, por ausência de previsão legal e por total ausência de oposição estatal. III Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 524DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000934/2008-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 31/12/2002 a 31/12/2004
SIMPLES. ANULAÇÃO DO ATO DE EXCLUSÃO. EFEITOS.
Deve ser cancelada a exigência fiscal, quando motivada por exclusão do Simples Federal que deixou de produzir efeitos em virtude da decisão de cancelamento do Ato Declaratório de Exclusão.
Numero da decisão: 2201-004.683
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: os conselheiros Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 31/12/2002 a 31/12/2004 SIMPLES. ANULAÇÃO DO ATO DE EXCLUSÃO. EFEITOS. Deve ser cancelada a exigência fiscal, quando motivada por exclusão do Simples Federal que deixou de produzir efeitos em virtude da decisão de cancelamento do Ato Declaratório de Exclusão.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 31/12/2002 a 31/12/2004 SIMPLES. ANULAÇÃO DO ATO DE EXCLUSÃO. EFEITOS. Deve ser cancelada a exigência fiscal, quando motivada por exclusão do Simples Federal que deixou de produzir efeitos em virtude da decisão de cancelamento do Ato Declaratório de Exclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: os conselheiros Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 09 34 /2 00 8- 68 Fl. 276DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário (fls.215/239) apresentado em face do Acórdão nº 1729.965, da 10º Turma da DRJ/SPOII (fls. 181/207), que negou provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração pelo qual se exige crédito tributário relativo à contribuição previdenciária patronal e à contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho Gilrat, em função da exclusão da empresa do Simples Federal. Em suas razões recursais, a empresa alega a necessidade de se aguardar a decisão definitiva em relação ao Ato Declaratório que a excluiu da sistemática favorecida de tributação, a impossibilidade de que essa exclusão opere efeitos retroativos e a prescrição de parte do crédito exigido. Neste CARF, a 3ª Turma Especial desta 2ª Seção de Julgamento decidiu por converter o julgamento em diligência (Resolução nº 2803000.171, de 20 de junho de 2013 fls. 243/248) para que fossem adotadas providências no sentido de esclarecer se houve trânsito em julgado da decisão que excluiu a empresa do Simples (Processo nº 15.983.000573/200850) e, caso não tivesse ocorrido o trânsito, que o processo aguardasse esse evento. Na unidade de origem, a autoridade limitouse a juntar ao processo os documentos de fls. 251/259, com o que entendeu atendida a Resolução deste CARF (fl. 260). Retornando a este colegiado, em função da extinção do mandato da Relatora original, o processo compôs lote sorteado em sessão pública a esta Conselheira. Em uma primeira assentada, esta 1ª Turma Ordinária converteu novamente o julgamento em diligência para que a unidade de origem esclarecesse se houve trânsito em julgado do processo 15983.000573/200850, bem como se foi ou não mantida a exclusão do Simples Federal determinada pelo Ato Declaratório Executivo DRF/STS nº 38, de 02 de julho de 2008 (fls 262/263). Em resposta, foi prestado o seguinte esclarecimento pela unidade preparadora (fl. 273): O processo 15983.00573/200850 que se encontrava arquivado, e ainda era em meio papel, foi desarquivado, convertido em digital e apensado a este. Às fls. 86 a 90, a 1ª Turma da DRJ/CPS reconhece a Procedência da Manifestação de Inconformidade do contribuinte, determinando o cancelamento do ADE em questão. O interessado tomou conhecimento do acórdão em 05/04/2011, sendo posteriormente o processo arquivado. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 277DF CARF MF Processo nº 15983.000934/200868 Acórdão n.º 2201004.683 S2C2T1 Fl. 277 3 O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. O processo em análise compreende a exigência de contribuições previdenciárias decorrentes da exclusão do sujeito passivo do Simples Federal, pelo Ato Declaratório Executivo DRF/STS nº 38, de 03 de julho de 2008. Ocorre porém que, conforme atesta a autoridade preparadora, o Ato Declaratório de Exclusão foi cancelado pelo Acórdão nº 0532.996, da 1ª Turma da DRJ/CPS, decisão esta proferida no âmbito do processo 15983.000573/200850. Pelas razões expostas, impõese seja dado provimento ao recurso voluntário apresentado e cancelada a exigência consubstanciada neste processo. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer o recurso voluntário apresentado e lhe dar provimento. Dione Jesabel Wasilewski Fl. 278DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13205.720088/2016-09
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE PARCIAL.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para acatar as despesas médicas declaradas pela contribuinte em comento relativas ao ano calendário de 2014, no valor total de R$52.500,00.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE PARCIAL. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE PARCIAL. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para acatar as despesas médicas declaradas pela contribuinte em comento relativas ao ano calendário de 2014, no valor total de R$52.500,00. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 5. 72 00 88 /2 01 6- 09 Fl. 88DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento de fls. 11 e ss, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2015, anocalendário de 2014, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 60.000,00, por falta de comprovação de pagamento. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação de fls 2 e ss, juntando documentos. Alega, em síntese, que as despesas médicas referemse a sua companheira e dependente Bendita de Lourdes Lopes, a qual necessitou de UTI Aéreo para transporte de urgência, tendo em vista a precariedade comprovada do local que estavam e do quadro gravoso de sua companheira. A DRJ Fortaleza, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não seriam suficientes para comprovar as despesas, devendo, por essa razão, ser mantida a glosa das despesas médicas. Melhor dizendo, em verdade sustenta a DRJ que não se encontram nos autos documentos que comprovem que o contribuinte NÃO foi reembolsado pelo plano de saúde. Em sede de Recurso Voluntário, alega a contribuinte que não é possível manterse a glosa de despesa eis que foi reconhecido na decisão que tais despesas médicas foram devidamente comprovadas pelo contribuinte. Apenas o pagamento de uma parcela de R$7.500,00 não deveria ser aceita, de fato, nesta declaração, haja vista que foi paga em janeiro de 2015. Ou seja, as despesas médicas de R$52.500,00 estariam comprovadas para o ano calendário de 2014 e seria um absurdo negar provimento utilizando o argumento de que o contribuinte NÃO comprovou que NÃO foi reembolsado. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13205.720088/201609 Acórdão n.º 2001000.647 S2C0T1 Fl. 3 3 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou os extratos e relatórios emitidos pelo plano, comprovação da utilização da UTI aérea, tudo devidamente assinado e detalhado. Salientese que demonstrou atitude colaborativa com as demandas das autoridades fiscais desde sempre. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] Aos autos, o contribuinte anexou documentos que comprovam que sua esposa e dependente Benedita de Lourdes Lopes, estava enferma precisando de atendimento médico, em hospital com suporte de UTI, não existente onde a mesma residia. O contribuinte contratou serviços médicos e de UTI para transporte aeromédico para o transporte da paciente Benedita de Lourdes Lopes da cidade de Altamira/PA para a cidade de São José do Rio Preto/SP, em 08/11/2014, fls. 23 e 27. Anexou, Registros Médicos a Bordo e Registros de Enfermagem a Bordo, fls 24/26, onde consta a transferência via aérea, em 08/11/2014, da cidade de Altamira/PA –para São José do Rio Preto/SP, com os dados da paciente. Assim, o contribuinte comprovou que o avião alugado estava equipado com uma equipe de UTI, o aluguel do táxi aéreo poderia ser considerado como despesas médicas. Fl. 90DF CARF MF 4 Contudo, além disso foi solicitado o efetivo pagamento, e aos autos, o contribuinte anexou extratos de sua conta bancária, onde consta transferência bancária e compensação de cheques no valor de R$ 45.000,00, conforme informado pelo contribuinte, contudo, para este valor, não resta comprovado que a transferência e os cheques foram para o pagamento dos serviços prestados pela empresa Brasil Vida Táxi Aéreo. Para os R$ 15.000,00, restantes, pago através de cartão de crédito, resta comprovado o valor de R$ 7.500,00 para o mês de dezembro de 2014. O valor restante de R$ 7.500,00, efetivamente foi pago em janeiro de 2015, ano diferente da lide. Por fim, observase que não se encontram nos autos documentos que comprovem que o contribuinte não foi reembolsado pelo seu plano de saúde, do valor total pago, para o transporte de sua esposa, não suprindo dessa forma, a falha apontada na Notificação de Lançamento. Logo, não merece reparo o feito fiscal. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal entende que os documentos apresentados não foram suficientes para comprovar que o contribuinte não teve o reembolso do plano de saúde. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13205.720088/201609 Acórdão n.º 2001000.647 S2C0T1 Fl. 4 5 A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Merece ser esclarecido que entendo ser absolutamente desarrazoado o argumento utilizado pela DRJ para manter a glosa da despesa médica em questão: "Por fim, observase que não se encontram nos autos documentos que comprovem que o contribuinte não foi reembolsado pelo seu plano de saúde, do valor total pago, para o transporte de sua esposa, não suprindo dessa forma, a falha apontada na Notificação de Lançamento". Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na comprovação documental e fática trazida pelo contribuinte para evidenciar a existência das despesas declaradas, entendo que deve ser dado provimento PARCIAL ao pedido do Contribuinte para reformar a decisão a quo e portanto exonerado PARCIALMENTE o crédito fiscal lançado, mantendo a glosa apenas da parcela de R$7.500,00, a qual não se refere ai ano calendário em apreço (esta parcela foi paga apenas em janeiro do ano calendário de 2015). CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para acatar as despesas médicas declaradas pela contribuinte em comento relativas ao ano calendário de 2014, no valor total de R$52.500,00. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 92DF CARF MF 6 Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.001822/2009-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA
217.
De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'."
SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES.
Enquadram-se como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ - Recursos Repetitivos.
Numero da decisão: 1301-003.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES. Enquadram-se como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ - Recursos Repetitivos.
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PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES. Enquadramse como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ Recursos Repetitivos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 18 22 /2 00 9- 68 Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13888.001822/200968 Acórdão n.º 1301003.267 S1C3T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da insuficiência de crédito para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento a maior de IRPJ, com base no lucro presumido calculados inicialmente a 32%, sendo alterada, posteriormente, para 8%, nos termos do arts. 15, III, e 20, da Lei 9.249/95. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que suas atividades são desenvolvidas em unidade própria e são voltadas para a realização de exames radiográficos, ultrassonográficos, mamográficos, biópsias, punções e densiometria óssea para apoio a diagnósticos médicos. E que tais atividades fazem jus ao tratamento tributário diferenciado, na apuração do IRPJ e da CSLL, na modalidade de lucro presumido, mediante a aplicação do percentual de 8%, na forma da lei acima citada. O Acórdão recorrido afastou preliminar de nulidade da decisão proferida, e no mérito, afastou precedentes jurisprudenciais, e entendeu que a interessada, sendo sociedade civil de prestação de serviços de diagnóstico por imagem, não configura o conceito de "serviços hospitalares" para fazer jus ao benefício concedido pela norma. Baseou seu entendimento na Solução de Consulta 319/2011 SRF/8ª Região Fiscal e outras normas internas. Acrescenta, ainda, que somente a partir da vigência da Lei 11.727/2008 é que ela poderia ter direito à redução, mas não a fatos anteriores. Além disso, argumentou que para o ano calendário em questão, a interessada não apresentou nenhum elemento capaz de comprovar que prestava serviços hospitalares e que suas atividades se inseriam no conceito de atividade hospitalar definida nos normativos legais. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defende que não foi realizada pela autoridade fiscal nenhuma diligência para aferir se cumpria requisitos do Ministério da Saúde; bem como traz à tona que a matéria já se encontra pacificada nos tribunais superiores, nos termos do Resp 1.116.399/BA, que já dispensou a necessidade de Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13888.001822/200968 Acórdão n.º 1301003.267 S1C3T1 Fl. 4 3 verificação de existência de estrutura organizada para atendimento. Que a recorrente possui atividades voltadas para a prestação de serviços de diagnósticos por imagens, obtidas das mais diversas formas de energia, como Raio X, Ultrassom, Tomografia e outros, sendo atividade ligada diretamente à promoção da saúde, que demanda maquinário específico e ambiente hospitalar ou assemelhado. Desnecessária também, qualquer comprovação de estrutura nos termos da Lei 11.727/08, requerendo a homologação das compensações realizadas. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.264, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.001817/2009 55, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.264): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pagos a maior, em razão da alteração do percentual de 32% para 8% sobre a receita bruta, em razão da sua atividade. Alega a recorrente que presta serviços de diagnósticos por imagens, como Raio X, ultrassom, tomografia e outros, atividades essas ligadas diretamente à promoção da saúde, que demandam maquinário específico e ambiente hospitalar ou assemelhado. E que sobre a matéria não pende mais discussão diante do Resp 1.116.399/BA, que foi decidido sob o rito dos recursos repetitivos. Tanto o despacho decisório quanto o acórdão recorrido entenderam que a atividade prestada pela recorrente não era de serviço hospitalar, já que não prestada num ambiente hospitalar e diante disso, não faria jus à redução do percentual. A lei 9.249/95, em seu artigo 15, III trata da questão: Lei 9.249, de 26/12/1995, artigo (art.) 15, § 1º, inciso III, alínea “a”: “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n.º 8.981, de Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13888.001822/200968 Acórdão n.º 1301003.267 S1C3T1 Fl. 5 4 20 de janeiro de 1995. § 1.º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III – trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;” Lei 11.727, de 23/06/2008, arts. 29 e 41, VI: Segue abaixo a Ementa do citado julgado do STJ: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13888.001822/200968 Acórdão n.º 1301003.267 S1C3T1 Fl. 6 5 mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. Matéria, conforme acima, acerca do se trata como serviços hospitalares: são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no artº 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1ºde janeiro de 2009, segundo a qual o percentual reduzido será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Anvisa. E como verificamos, por se tratar de fatos relativos a período anterior, inaplicável aqui. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13888.001822/200968 Acórdão n.º 1301003.267 S1C3T1 Fl. 7 6 Desta feita, considerando que em momento algum o recorrente foi intimado para comprovar o efetivo crédito, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao recorrente a possibilidade de apresentação de documentos, superandose a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF Portaria MF 343/2015." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 222DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720667/2012-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora (art. 24 da LINDB).
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relatora
Participaram da sessão de julgamentos os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Letícia Domingues Costa Braga, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barboda, Daniel Ribeiro Silva e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da Relatora (art. 24 da LINDB). (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga - Relatora Participaram da sessão de julgamentos os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Letícia Domingues Costa Braga, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barboda, Daniel Ribeiro Silva e Cláudio de Andrade Camerano.
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(assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relatora Participaram da sessão de julgamentos os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Letícia Domingues Costa Braga, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barboda, Daniel Ribeiro Silva e Cláudio de Andrade Camerano. Relatório Cuidam os autos de novo julgamento de recurso voluntário anteriormente julgado pela 2ª Turma da 1ª Câmara dessa sessão (12/02/2014) em que, por maioria de votos, foi dado provimento parcial ao recurso voluntário, reduzindo a glosa de amortização de ágio e cancelando as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas mensais. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 20 66 7/ 20 12 -2 1 Fl. 1811DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Resolução nº 1401000.589 S1C4T1 Fl. 1.812 2 Trata o processo de Autos de Infração de IRPJ e de CSLL, com acréscimo de multa isolada, multa de ofício e juros. A infração principal lançada foi a de falta de adição ao lucro real, e à base de cálculo da CSLL, de despesas indedutíveis relativas à amortização de ágio, sendo que os lançamentos de janeiro a julho de 2007 se referem à empresa Banco Itaú Cartões S/A, pelos quais responde a interessada como sucessora, e os de agosto de 2007 a dezembro de 2008 se referem à própria interessada. A Fiscalização analisou os efeitos tributários relativos à reorganização societária ocorrida quando da aquisição de mais uma parte da operação de cartões de crédito da empresa Credicard pelo Grupo Itaú, que era de titularidade dos Grupos Itaú, Citibank e Unibanco. A acusação concluiu pela diferença entre um primeiro ágio, apurado em 2004 (item 3.3 do Termo de Verificação Fiscal), e um segundo, calculado em 2006 (item 3.8), apesar de serem do mesmo valor. Provas disso seriam a apuração de ganho de capital quando da capitalização da Finaustria, a impossibilidade da transferência de ágio na aquisição de investimento por realização de capital e a contratação de nova avaliação em 2006. Concluiu, também, não ser possível se admitir que o fundamento do primeiro ágio seja a rentabilidade futura, pois o laudo de avaliação que assim o classificou foi elaborado somente em 2006. Isso contrariaria “o mandamento expresso no §3° do art. 20 do DecretoLei n° 1.598/77, que determina a elaboração de uma demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante de escrituração, o que não foi realizado, uma vez que esta demonstração do laudo só foi produzida 2 anos depois da operação societária analisada, deixando de ser análise de rentabilidade futura, para ser um atestado do que efetivamente ocorreu. Já o segundo ágio também não poderia ter sua dedutibilidade admitida, por ter se dado entre sociedades ligadas, todas sob o comando do Grupo ITAÚ, configurandose assim, um ágio interno. O relator do voto a quo entendeu, primeiramente, que poderiam ser aceitos novos documentos, ainda que apresentados somente por ocasião de sustentação oral em sessão de julgamento do Recurso Voluntário (efls. 1.339/1.394). Consignou que não haveria impedimentos legais de que o laudo fosse apresentado posteriormente, desde que houvesse demonstração da rentabilidade futura em demonstrações contemporâneas ao surgimento do primeiro ágio de 2004 e, com base nas provas carreadas aos autos, julgou comprovado que o ágio de 2004 estava fundamentado na rentabilidade futura, afastando a autuação relativamente a essa parte. Desfez, ainda, outro fundamento da autuação que alegava diferença entre os ágios de 2004 e 2006. Assinalou tratarse do mesmo valor transferido pela conferência de capital do investimento adquirido com ágio. Aceitou que o propósito dessas operações societárias foi o de manter segregada a base de cartões de crédito oriunda da Credicard por certo tempo, para maximizar a precisão da avaliação de sua performance, afastando o último fundamento da autuação, que afirmava que o ágio de 2006 tinha sido criado artificialmente entre empresas do mesmo grupo, tratando se de “ágio interno”. Contudo, ainda que admitindo a validade das operações que permitiram o aproveitamento do ágio pelo Itaú Cartões, não concordou com a dedução em sua integralidade, Fl. 1812DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Resolução nº 1401000.589 S1C4T1 Fl. 1.813 3 pois entendeu não ser possível admitir que as operações societárias na parte em que “recriaram” o ágio de 2004 em sua integralidade, nele reincluindo a parcela já amortizada contabilmente pela Itaucard, lembrando que o ágio já amortizado contabilmente teve efeitos fiscais ao compor o custo de aquisição quando a Itaucard subscreveu o capital da Finaustria com o investimento da Tulipa evitando, assim, a ocorrência de ganho de capital tributável. Concluiu pela exclusão da parcela de R$ 132.148.674,46, chegandose a um ágio passível de amortização de R$ 564.635.245,01, em 60 parcelas mensais de R$ 9.410.587,42, reduzindo a glosa de amortização mensal de R$ 11.613.065,32 para R$ 2.202.477,90 (R$ 11.613.065,32 R$ 9.410.587,42), resultando na redução das infrações de IRPJ e CSLL. Em voto vencedor, o colegiado decidiu, ainda, pela exoneração das multas isoladas, por entender ser inaplicável a exigência concomitante de multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do anocalendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo ano calendário. Em Embargos de Declaração tempestivamente apresentados, a PFN apontou omissão do Acórdão de nº 1102001.018, que teria deixado de se pronunciar sobre a supressão de instância (efls. 1.396/1.397), vez que a juntada do Projeto Triatlo, elaborado supostamente em 18/02/2004, teria contrariado o princípio do efeito devolutivo dos recursos, já que esse documento não teria sido objeto de apreciação pela autoridade de primeira instância e, assim, também não poderia ser apreciado pela autoridade de segunda instância. Em despacho fundamentado (efls. 1.424/1.425), o Presidente da Turma rejeitou os aclaratórios, por considerar que a PFN teria apenas levantado, em suas contrarrazões ao Recurso Voluntário, o argumento da preclusão, e não o da supressão de instância e, que, de forma indireta, ao fazer referência ao art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, a decisão não teria incorrido em omissão. Manejado Recurso Especial pela PFN apontando divergência jurisprudencial em relação ao Acórdão nº 130100.058, que entendeu que a reorganização societária ocorrida entre as empresas do mesmo grupo econômico teve como intenção apenas forjar a existência de um ágio para reduzir o lucro tributável. Aponta outra divergência jurisprudencial, agora em relação à possibilidade de juntada posterior de documentos, pois isso implicaria na supressão de sua análise pelo órgão de julgamento inferior e, em caso de ser admitida, o processo deve ser remetido à instância inferior para apreciação, de modo que seja preservada sua atribuição e autoridade. Como último tema, aponta divergência jurisprudencial em relação à aplicação concomitante de multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas, em concomitância com a exigência de multa de ofício, no mesmo anocalendário. E, ainda, na hipótese de não ser aceito o entendimento contido no item anterior, passa a demonstrou que o acórdão recorrido, ao cancelar a multa isolada, também divergiu da jurisprudência do Conselho, que admite a aplicação da multa isolada prevista no art. 44, II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, em relação a período posterior ao advento da Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, considerando ser legítima, a partir do anocalendário 2007, a aplicação cumulativa de duas multas de ofício. Fl. 1813DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Resolução nº 1401000.589 S1C4T1 Fl. 1.814 4 Pelo despacho de admissibilidade de efls. 1.520/1.529, o Recurso Especial da PFN foi admitido pelo Presidente da Primeira Câmara da Primeira Seção do CARF, em relação a todas as matérias divergentes suscitadas, com exceção da matéria multa isolada, cuja divergência restou caracterizada, apenas, em relação à aplicação da multa a partir do ano calendário 2007. O sujeito passivo apresentou contrarrazões (efls. 1.559/1.600) A Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao apreciar o Recurso Especial da PFN, decidiu não conhecer do recurso no que respeita à matéria "ágio", por entender que as situações fáticas tratadas pelo acórdão do colegiado a quo e os paradigmas seriam distintas, o que impediria a caracterização da divergência jurisprudencial. Decidiu, ainda, declarar a nulidade da decisão do colegiado a quo, para que nova decisão fosse proferida, desconsiderando os documentos apresentados pelo sujeito passivo em sustentação oral. Cientificada dessa decisão e, contra ela, aviou Embargos de Declaração, imputando ao julgado o vício de omissão, pois não teria sido observado que os acórdãos, recorrido e paradigmas, tratam de situações que envolvem reorganização societária, grupo econômico, ausência de dispêndio econômico, operações realizadas sem propósito negocial. Foram rejeitados os embargos da Fazenda, retornando os autos a este colegiado para nova decisão considerando preclusa a prova apresentada por ocasião da sustentação oral. Colocado o processo em pauta nesta data, a Recorrente apresentou petição argumentando que a autuação deveria ser cancelada por força da Lei 13.655/2018, já que o procedimento por ela adotado se deu com base nas orientações da época, tendo sido pautado na jurisprudência majoritária do CARF. É o relatório do essencial. Voto Conselheira Letícia Domingues Costa Braga Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Em virtude da recente publicação da Lei 13.655, de 25 de abril de 2018, a Recorrente apresenta a este colegiado questão inédita, a qual deve ser admitida a discussão, tendo em vista ser relativa a fato ou direito superveniente. Referida lei incluiu o artigo 24 à Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro, de seguinte teor: Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas Fl. 1814DF CARF MF Processo nº 16327.720667/201221 Resolução nº 1401000.589 S1C4T1 Fl. 1.815 5 situações plenamente constituídas. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Aduz a Recorrente que a autuação decorre de análise de operação de aquisição de ativo com ágio e que, sobre a matéria, jurisprudência do CARF proferida nos anos de 2007 e 2012 era majoritariamente favorável ao contribuinte, citando ementas. Por se tratar de questão nova apresentada nesta data, entendo que é prudente baixar o processo em diligência a fim de oportunizar à Procuradoria da Fazenda Nacional a manifestação sobre a petição de fls. 1.805 a 1.810, garantindose assim a igualdade de tratamento às partes do processo. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 1815DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.727954/2013-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 79 54 /2 01 3- 53 Fl. 658DF CARF MF Processo nº 10980.727954/201353 Acórdão n.º 2402006.364 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 659DF CARF MF Processo nº 10980.727954/201353 Acórdão n.º 2402006.364 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 660DF CARF MF Processo nº 10980.727954/201353 Acórdão n.º 2402006.364 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 661DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16641.000032/2010-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
TRANSPORTE DE CARGA. SUBCONTRATAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. AUTO DE INFRAÇÃO.
A operação pela qual a transportadora contrata o serviço de transporte de carga com seu cliente, emite o conhecimento de transporte de carga e recebe em seu nome o valor total nele constante, caracteriza venda de serviço de transporte. A operação posterior, pela qual a transportadora repassa a terceiros valor inferior ao recebido, sem emissão de qualquer novo documento fiscal referente à exceção parcial do referido serviço, caracteriza subcontratação.
A empresa optante pelo SIMPLES, que exerce atividade de prestação de serviços de transporte, ainda que utilize subcontratados, não pode expurgar da base de cálculo dos tributos e contribuições recolhidos por essa sistemática valores pagos àqueles que subcontratou.
A receita bruta apuração dos tributos do SIMPLES é o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos.
Tendo a contribuinte declarado valores de receita bruta inferiores aos constantes do livro de apuração do ICMS, procede a cobrança dos impostos e contribuições componentes do SIMPLES calculados sobre a diferença não declarada. A omissão de receitas somente pode ser elidida mediante a produção de prova em contrário.
A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do componente auto de infração, para a constituição do crédito tributário.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicam-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal.
MULTA. AUSÊNCIA DE NATUREZA CONFISCATÓRIA
As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindo-se antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de consequência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. À administração tributária cabe aplicar a lei, efetuando o lançamento, de forma vinculada, com a ocorrência do fato gerador.
TAXA SELIC. APLICAÇÃO
Tratando-se de lançamentos de ofício, decorrentes de infração aos dispositivos legais efetuado pela administração em exercício de regular ação fiscalizadoras, é legítima a utilização da taxa Selic, cuja aplicação como juros de mora é decorrente de lei ordinária.
Cobra-se através de lançamento de ofício as diferenças apuradas relativas a recolhimentos ou valores declarados a menor em face de utilização de alíquota inferior.
PERÍCIA CONTÁBIL. PRESCINDIBILIDADE
Estando as infrações apuradas de acordo com a legislação e respaldadas em provas documentais e não havendo dúvidas quanto à tributação, não há que se falar em realização de perícia contábil.
Numero da decisão: 1302-002.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 TRANSPORTE DE CARGA. SUBCONTRATAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. AUTO DE INFRAÇÃO. A operação pela qual a transportadora contrata o serviço de transporte de carga com seu cliente, emite o conhecimento de transporte de carga e recebe em seu nome o valor total nele constante, caracteriza venda de serviço de transporte. A operação posterior, pela qual a transportadora repassa a terceiros valor inferior ao recebido, sem emissão de qualquer novo documento fiscal referente à exceção parcial do referido serviço, caracteriza subcontratação. A empresa optante pelo SIMPLES, que exerce atividade de prestação de serviços de transporte, ainda que utilize subcontratados, não pode expurgar da base de cálculo dos tributos e contribuições recolhidos por essa sistemática valores pagos àqueles que subcontratou. A receita bruta apuração dos tributos do SIMPLES é o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Tendo a contribuinte declarado valores de receita bruta inferiores aos constantes do livro de apuração do ICMS, procede a cobrança dos impostos e contribuições componentes do SIMPLES calculados sobre a diferença não declarada. A omissão de receitas somente pode ser elidida mediante a produção de prova em contrário. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do componente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicam-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal. MULTA. AUSÊNCIA DE NATUREZA CONFISCATÓRIA As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindo-se antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de consequência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. À administração tributária cabe aplicar a lei, efetuando o lançamento, de forma vinculada, com a ocorrência do fato gerador. TAXA SELIC. APLICAÇÃO Tratando-se de lançamentos de ofício, decorrentes de infração aos dispositivos legais efetuado pela administração em exercício de regular ação fiscalizadoras, é legítima a utilização da taxa Selic, cuja aplicação como juros de mora é decorrente de lei ordinária. Cobra-se através de lançamento de ofício as diferenças apuradas relativas a recolhimentos ou valores declarados a menor em face de utilização de alíquota inferior. PERÍCIA CONTÁBIL. PRESCINDIBILIDADE Estando as infrações apuradas de acordo com a legislação e respaldadas em provas documentais e não havendo dúvidas quanto à tributação, não há que se falar em realização de perícia contábil.
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SUBCONTRATAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. AUTO DE INFRAÇÃO. A operação pela qual a transportadora contrata o serviço de transporte de carga com seu cliente, emite o conhecimento de transporte de carga e recebe em seu nome o valor total nele constante, caracteriza venda de serviço de transporte. A operação posterior, pela qual a transportadora repassa a terceiros valor inferior ao recebido, sem emissão de qualquer novo documento fiscal referente à exceção parcial do referido serviço, caracteriza subcontratação. A empresa optante pelo SIMPLES, que exerce atividade de prestação de serviços de transporte, ainda que utilize subcontratados, não pode expurgar da base de cálculo dos tributos e contribuições recolhidos por essa sistemática valores pagos àqueles que subcontratou. A receita bruta apuração dos tributos do SIMPLES é o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Tendo a contribuinte declarado valores de receita bruta inferiores aos constantes do livro de apuração do ICMS, procede a cobrança dos impostos e contribuições componentes do SIMPLES calculados sobre a diferença não declarada. A omissão de receitas somente pode ser elidida mediante a produção de prova em contrário. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do componente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 1. 00 00 32 /2 01 0- 80 Fl. 2003DF CARF MF Processo nº 16641.000032/201080 Acórdão n.º 1302002.997 S1C3T2 Fl. 2.004 2 LANÇAMENTOS DECORRENTES. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicamse aos lançamentos reflexos o decidido no principal. MULTA. AUSÊNCIA DE NATUREZA CONFISCATÓRIA As multas de ofício não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de consequência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. À administração tributária cabe aplicar a lei, efetuando o lançamento, de forma vinculada, com a ocorrência do fato gerador. TAXA SELIC. APLICAÇÃO Tratandose de lançamentos de ofício, decorrentes de infração aos dispositivos legais efetuado pela administração em exercício de regular ação fiscalizadoras, é legítima a utilização da taxa Selic, cuja aplicação como juros de mora é decorrente de lei ordinária. Cobrase através de lançamento de ofício as diferenças apuradas relativas a recolhimentos ou valores declarados a menor em face de utilização de alíquota inferior. PERÍCIA CONTÁBIL. PRESCINDIBILIDADE Estando as infrações apuradas de acordo com a legislação e respaldadas em provas documentais e não havendo dúvidas quanto à tributação, não há que se falar em realização de perícia contábil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Fl. 2004DF CARF MF Processo nº 16641.000032/201080 Acórdão n.º 1302002.997 S1C3T2 Fl. 2.005 3 Para a devida síntese do processo, transcrevo o relatório da DRJ/POA, complementandoo ao final: Fl. 2005DF CARF MF Processo nº 16641.000032/201080 Acórdão n.º 1302002.997 S1C3T2 Fl. 2.006 4 Fl. 2006DF CARF MF Processo nº 16641.000032/201080 Acórdão n.º 1302002.997 S1C3T2 Fl. 2.007 5 Após análise da impugnação, a Turma Julgadora da DRJ, por unanimidade, julgoua improcedente, na conformidade da ementa do Acórdão n.º 10 33.692, a seguir reproduzida: Fl. 2007DF CARF MF Processo nº 16641.000032/201080 Acórdão n.º 1302002.997 S1C3T2 Fl. 2.008 6 Inconformada com a decisão retro, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, aduzindo em síntese: (i) preliminarmente, o cerceamento do direito de defesa, ante o indeferimento do pedido de perícia; no mérito, após discorrer sobre o conceito de “receita bruta, “faturamento” e “entrada”, afirma que a autuação deve ser extinta pois (ii) inclui em sua base de cálculo valores estranhos à receita bruta da empresa; (iii) sustenta a irregularidade da autuação pela inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS; (iv) sustenta a inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo destas contribuições; (v) defende a inconstitucionalidade da multa aplicada, com base nos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. O contribuinte teve ciência acerca da decisão de 1ª instância no dia 19/09/2011, e protocolou, tempestivamente, o Recurso Voluntário em 10/10/2011, conforme Extrato do Processo (fl. 1995). Portanto, presentes os requisitos de admissibilidade recursal, conheço do presente recurso. Não merecem provimento as razões constantes no recurso. Vejamos. Fl. 2008DF CARF MF Processo nº 16641.000032/201080 Acórdão n.º 1302002.997 S1C3T2 Fl. 2.009 7 Em sede preliminar, a recorrente pede a remessa dos autos de volta à 1ª instância para o atendimento ao pedido de perícia realizado pela Recorrente, eis que seu pedido poderia gerar a anulação de todo o processo administrativo. Na peça impugnatória, por sua vez, a perícia pleiteada perante a 1ª instância administrativa tinha como finalidade demonstrar, àquela Autoridade Julgadora, “que as bases de cálculo para apuração do débito não levaram em conta o real faturamento da empresa”. (fl. 218) Com efeito, o art. 18, do Decreto 70.235/72, prevê o seguinte: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (grifos) Detraise do dispositivo legal acima transcrito que a autoridade julgadora apenas determinará a realização de diligências quando entendêlas necessárias. Por outro lado, a Turma Julgadora a quo deixou bem claro a desnecessidade da realização da perícia requerida. O raciocínio expresso na decisão recorrida permitiu concluir que, mesmo se restasse comprovado que a base de cálculo da autuação não tivesse levado em conta o real faturamento da empresa, isto seria irrelevante para fins de tributação pelo regime do Simples, pois neste regime, a apuração do lucro é substituída pela aplicação percentual sobre a totalidade da receita bruta, sendo assim desprezadas todas as suas despesas, de acordo com o art. 5º da Lei nº 9.317/1996. (fl. 6, do Acórdão n.º 1033.692DRJ/POA) Sendo desnecessária a realização da perícia solicitada, portanto, é correta a decisão da Turma Julgadora. Na ausência de apresentação de novas razões capazes de infirmar o crédito discutido, adoto as razões de decidir da decisão a quo, conforme previsto no § 3º, do art. 57, do RICARF. As razões do Acórdão n.º 1033.692DRJ/POA passam a integrar o presente voto, e seguem reproduzidas abaixo: Fl. 2009DF CARF MF Processo nº 16641.000032/201080 Acórdão n.º 1302002.997 S1C3T2 Fl. 2.010 8 Fl. 2010DF CARF MF Processo nº 16641.000032/201080 Acórdão n.º 1302002.997 S1C3T2 Fl. 2.011 9 Fl. 2011DF CARF MF Processo nº 16641.000032/201080 Acórdão n.º 1302002.997 S1C3T2 Fl. 2.012 10 Fl. 2012DF CARF MF Processo nº 16641.000032/201080 Acórdão n.º 1302002.997 S1C3T2 Fl. 2.013 11 Fl. 2013DF CARF MF Processo nº 16641.000032/201080 Acórdão n.º 1302002.997 S1C3T2 Fl. 2.014 12 Conclusão Em face ao exposto, rejeito a preliminar aventada, para, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 2014DF CARF MF Processo nº 16641.000032/201080 Acórdão n.º 1302002.997 S1C3T2 Fl. 2.015 13 Fl. 2015DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.721563/2013-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso até que seja proferida decisão administrativa definitiva no processo nº 11065.000715/2010-12.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felicia Rothschild.
Relatório
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso até que seja proferida decisão administrativa definitiva no processo nº 11065.000715/201012. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felicia Rothschild. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .7 21 56 3/ 20 13 -2 0 Fl. 201DF CARF MF Processo nº 11065.721563/201320 Resolução nº 1301000.627 S1C3T1 Fl. 202 2 Relatório Cuidase do Recurso Voluntário de 05/10/2015 (efls. 179/184) em face do Acórdão da 1ª Turma da DRJ/Porto Alegre de efls. 170/173 que, ao julgar manifestação de inconformidade improcedente, não reconheceu a diferença de direito creditório que, anteriormente, também não fora reconhecida pela Unidade de origem da RFB, no caso DRF/Novo Hamburgo (efls. 116/120). Quanto aos fatos, consta: que, em 26/03/2012, a contribuinte apresentou, pela internet, Pedido de Restituição de saldo negativo da CSLL do anocalendário 2011, no valor de R$ 477.799,86, mediante PER eletrônico, utilizando o programa gerador PER/DCOMP nº 16284.83171.260312.1.2.034830 (efls.02/06). que o PER, inicialmente eletrônico, foi baixado para tratamento manual; que, em 29/04/2013, a DRF/Novo Hamburgo reconheceu, em parte, o crédito pleiteado, ou seja, deferiu R$ 259.470,05 (valor original), conforme conclusão do Despacho Decisório que transcrevo, in verbis: (...) Conclusão 25. Dessa maneira, concluise que o interessado faz jus de forma parcial ao direito creditório pleiteado, em razão de existência de parcela litigiosa, na qual não residem os atributos de liquidez e certeza, imprescindíveis ao crédito objeto de Pedido de Restituição, decorrente de Saldo Negativo de CSLL relativo ao anocalendário de 2011. 26. Ante o exposto, com base no artigo 302 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, publicada no DOU de 17 de maio de 2012, na Competência Delegada pela Portaria DRF/NHO nº 46, de 19 de julho de 2012, publicada no DOU de 23 de julho de 2012, nos termos dos artigos 165, 168 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), nos termos do § 14 do art. 74 da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996, nos termos dos artigos 2º, 3º, 4º da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, e com base na Legislação do Imposto de Renda, RECONHECESE EM PARTE O DIREITO CREDITÓRIO pleiteado a título de Saldo Negativo de CSLL, relativo ao anocalendário de 2011, por meio de PER/DCOMP nº 16284.83171.260312.1.2.034830, no valor original de R$ 259.470,05 (duzentos e cinquenta e nove mil quatrocentos e setenta reais e cinco centavos). (...) Consta da fundamentação do citado despacho decisório que a diferença de CSLL R$ 218.329,81 não foi deferida, pois os débitos de estimativas mensais da CSLL do Fl. 202DF CARF MF Processo nº 11065.721563/201320 Resolução nº 1301000.627 S1C3T1 Fl. 203 3 anocalendário 2011 (períodos de apuração março/2011 a agosto/2011) foram objeto de compensação tributária nos autos do processo nº 11065.000715/201012 e foram rejeitadas tanto pela unidade de origem, quanto pela DRJ (naquele processo); que, assim, os débitos desses PA estariam em aberto, não podendo gerar crédito na declaração de ajuste, ou seja, saldo negativo; que, ainda, referido processo subiu ao CARF em face de Recurso Voluntário. A seguir, transcrevo a fundamentação do despacho decisório deste processo (e fls. 116/120), in verbis: (...) 7. Foram realizadas consultas aos PER/DCOMP vinculados e efetivou se o seguinte levantamento da situação de cada débito compensado: 8. Com relação aos débitos relativos aos períodos de janeiro a agosto de 2011, o crédito relacionado foi objeto do Parecer Seort/DRF/NHO nº 16/2011, emitido pela Delegacia de origem, e do Acórdão nº 10 40.266/2012 proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre – DRJ/POA , o qual confirmou a decisão de nãohomologação dos débitos de março a agosto de 2011, conforme demonstrado acima (fls. 73, 74, 82, 89, 90, 93). Atualmente, o processo de crédito controlado sob nº 11065.000715/2010 12 aguarda julgamento do Recurso Voluntário interposto pelo interessado no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (fl. 113). (...) Ciente desse despacho decisório em 06/06/2013 por via postal, Aviso de Recebimento AR (efls. 134/135), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade ainda no mesmo dia, ou seja, em 06/06/2013 (efls. 137/141) cujas razões, em síntese, foram assim consignadas no relatório da decisão da DRJ (efls. 170/173), in verbis: Fl. 203DF CARF MF Processo nº 11065.721563/201320 Resolução nº 1301000.627 S1C3T1 Fl. 204 4 (...) A ciência da decisão administrativa ocorreu no dia 6 de junho de 2013 (fl. 135). O contribuinte, inconformado, apresentou manifestação de inconformidade no mesmo dia em que teve ciência da decisão administrativa (6 de junho de 2013 fl. 137). O interessado alegou descumprimento de ordem judicial por parte da autoridade administrativa, uma vez que o direito ao crédito presumido do IPI havia sido reconhecido pelo Poder Judiciário. Se o crédito foi reconhecido, as estimativas de CSLL foram quitadas, havendo direito à restituição integral do saldo negativo do CSLL apurado no ano calendário 2011. O recorrente alega que seus créditos fruto da quitação das estimativas de CSLL "são absolutamente "líquidos e certos", na medida em que decorrem de decisão judicial transitada em julgado" (fl. 140). Assim, se até a presente data a Receita Federal não realizou a baixa definitiva do processo administrativo n° 11065.000715/201012, isso não pode impor um prejuízo para o contribuinte. Requer, por fim, (1) o reconhecimento integral do seu crédito e (2) a baixa dos processos administrativos decorrentes da ação judicial n° 2005.71.08.0012695/RS. (...) Na sessão de 31/08/2015, a 1ª Turma da DRJ/Porto Alegre manteve a decisão da Unidade de origem da RFB; julgou a manifestação de inconformidade improcedente, não reconhecendo a diferença de saldo negativo da CSLL do anocalendário 2011 de R$ 218.329,81. Nesse sentido, transcrevo a ementa, dispositivo e voto da decisão recorrida (efl. 170/173), in verbis: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 RESTITUIÇÃO DO TRIBUTO APURADO ANUALMENTE. ESTIMATIVAS OBJETO DE COMPENSAÇÃO NÃOHOMOLOGADA. Estimativas não quitadas não incrementam o saldo negativo do CSLL, não ensejando qualquer restituição. A quitação das estimativas objeto de um processo não pode ser novamente apreciada em processo subseqüente que trata da restituição do saldo negativo do CSLL, uma vez que configurada a litispendência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo qualquer direito creditório em favor do contribuinte. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 11065.721563/201320 Resolução nº 1301000.627 S1C3T1 Fl. 205 5 (...) Voto O litígio proposto pelo contribuinte gira em torno do direito ao crédito presumido do IPI, reconhecido pelo Poder Judiciário. Essa questão é objeto do processo administrativo nº 11065.000715/201012. É inviável a nova apreciação em função da litispendência, nos termos do art. 301, V, § 3º, do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Em outras palavras, é incabível a repetição do litígio. (...) Consoante se verifica, a ação judicial teve natureza estritamente declaratória, ou seja, limitouse a declarar a existência de uma relação jurídica (art. 4º, I, do CPC). Não houve, portanto, a liquidação do direito do interessado. Em outras palavras, não houve a valoração desse direito. O interessado efetuou a compensação que entendeu cabível, sujeitandose à atuação do Fisco. Essa valoração e utilização se deu no âmbito do processo administrativo nº 11065.000715/2010 12. Assim, as estimativas não quitadas, consoante decidido no processo administrativo nº 11065.000715/201012, não podem formar saldo negativo (...) para fins de restituição. (...) Em 23/09/2015, a contribuinte tomou ciência desse decisum (efls. 176/178), e apresentou Recurso Voluntário em 05/10/2015 (efls. 179/184), pedindo a reforma da decisão a quo, cujas razões em síntese são as seguintes: que solicitou em março de 2012 a restituição do valor de R$ 477.799,86 decorrente de saldo negativo da CSLL do ano calendário de 2011; que a Delegacia da Receita Federal de origem analisou o pedido e deferiu parcialmente o crédito no valor original de R$ 259.470,05; que há uma diferença de crédito de R$ 218.329,81 (valor original) a ser reconhecida a título de saldo negativo da CSLL do anocalendário 2011; que, inconformada com o despacho decisório da unidade de origem, a ingressou com sua manifestação de inconformidade que, ao final, foi julgada improcedente pelos mesmos fundamentos da decisão anterior; que o acórdão recorrido, na mesma esteira do despacho decisório, entendeu que a diferença não restituída seria decorrente do fato dos débitos de estimativas da CSLL do ano de 2011 terem sido objeto de compensação com créditos não revestidos de "liquidez e certeza"; que, segundo a decisão recorrida, parte dos créditos judiciais, decorrente do trânsito em julgado do processo n° 2005.71.08.0012695 e utilizada nas compensações para quitar as estimativas, está sendo "discutida" em recurso administrativo pendente de julgamento perante o CARF, especificamente nos autos do processo administrativo 11065.000715/2010 12; Fl. 205DF CARF MF Processo nº 11065.721563/201320 Resolução nº 1301000.627 S1C3T1 Fl. 206 6 que, assim, consta da fundamentação do acórdão recorrido: (...) Consoante se verifica, a ação judicial teve natureza estritamente declaratória, ou seja, limitouse a declarar a existência de uma relação jurídica (art. 4º, I, do CPC). Não houve, portanto, a liquidação do direito do interessado. Em outras palavras, não houve a valoração desse direito. O interessado efetuou a compensação que entendeu cabível, sujeitandose à atuação do Fisco. Essa valoração e utilização se deu no âmbito do processo administrativo nº 11065.000715/2010 12. Assim, as estimativas não quitadas, consoante decidido no processo administrativo nº 11065.000715/201012, não podem formar saldo negativo (...) para fins de restituição. (...) que, entretanto, no processo administrativo nº 11065.000715/201012 utilizado pelo acórdão ora recorrido como fundamento para negar provimento à manifestação de inconformidade da ora recorrente, ainda que não esteja definitivamente encerrado, já se reconheceu (liquidou) praticamente 99,50% do crédito pleiteado pela empresa; que do total de R$ 3.584.026,97 de créditos pleiteados (valor já corrigido), apenas uma pequena parcela de R$ 17.237,49 pende de homologação e que está ainda sob análise perante o CARF nos autos do processo n° 11065.000715/201012, o que representa menos de 0,50% do total do credito habilitado; que para evitar futuro efeito "cascata" decorrente da não restituição integral do saldo negativo, pela não homologação das compensações não seria mais lógico e sensato apenas cobrar administrativamente ou judicialmente (mediante execução fiscal) apenas o valor da diferença de débito ainda não homologada de R$ 17.237,49 decorrente do crédito presumido de IPI ainda não reconhecido? que o acórdão recorrido deixa claro que somente as estimativas não quitadas não poderiam formar o saldo negativo da CSLL consoante o decidido no processo administrativo n° 11065.000715/201012; que 99,50% dos débitos de imposto (estimativas mensais) do anocalendário 2011 deveriam estar extintos pelas DCOMP, compensações, que utilizam o crédito presumido de IPI decorrente da ação judicial no processo conexo 11065.000715/201012, pois já restou reconhecido 99,50% dos créditos, ou seja, R$ 3.566.789,48 do total pleiteado (habilitado) de R$ 3.584.026,97; que a diferença de R$ 17.237,49 (débito?) poderia ser objeto de cobrança ou, simplesmente, abatida do saldo de R$ 234.004,92 ainda remanescente em prol da recorrente; que, assim, não se justifica a não homologação de DCOMP no processo conexo, quanto aos débitos do IRPJ estimativa mensal dos PA março a agosto/2011; que não é lícito ao Fisco, neste processo, glosar ou reduzir o crédito com origem em saldo negativo de IRPJ/CSLL pelo simples fato do mesmo ser originário de compensações que estão sob judice ou aguardando decisão do CARF, ainda mais quando 99,50% do crédito pleiteado já encontrase homologado ! Fl. 206DF CARF MF Processo nº 11065.721563/201320 Resolução nº 1301000.627 S1C3T1 Fl. 207 7 que o Fisco, ao assim agir, acaba por gerar um efeito "cascata" interminável e injustificável, principalmente no caso em questão onde quase 100% do crédito original já encontrase homologado; que o procedimento do Fisco, no caso presente, gerará uma cobrança de um mesmo valor em duplicidade; que, sob qualquer ótica, o débito do imposto estimativa mensal objeto de compensação homologada e/ou não homologada deverá ser sempre considerado para fins de composição do saldo negativo do IRPJ/CSLL; que se a compensação não for homologada, o Fisco tem os mecanismos para cobrança judicial dos débitos; que, por fim, pediu o deferimento da diferença de saldo negativo da CSLL do anocalendário 2011, ainda não reconhecido pelas decisões anteriores nestes autos. É o relatório. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 11065.721563/201320 Resolução nº 1301000.627 S1C3T1 Fl. 208 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade; por isso, dele conheço. A recorrente rebelase contra a decisão recorrida que denegou a diferença do direito creditório pleiteado de R$ 218.329,81 (valor original), a título de saldo negativo da CSLL do anocalendário 2011, ao manter o entendimento do despacho decisório da Unidade de origem da RFB que, também, não reconhecera referida diferença de crédito. Consta dos autos que essa diferença de saldo negativo da CSLL do anocalendário 2011 não foi deferida pelas decisões anteriores nestes autos, pois no processo conexo nº 11065.000715/201012 os débitos de estimativa mensais da CSLL dos PA março a agosto/2011 persistem em aberto, não foram quitadas, as quais foram objeto de compensações que restaram não homologadas. Logo, estimativas mensais não pagas não podem ser abatidas da apuração da CSLL devida (ajuste anual), não podem gerar crédito, ou seja, não podem ser deduzidas ou utilizadas na formação do saldo negativo da CSLL do anocalendário 2011. CONEXÃO PROCESSUAL POR PREJUDICIALIDADE Nas razões do recurso, a contribuinte pediu a reforma da decisão recorrida para que seja deferido o saldo remanescente do saldo negativo da CSLL do anocalendário 2011 (ainda não reconhecido pelas decisões anteriores neste processo), porém a resolução da lide objeto deste processo depende da sorte do que restar decidido, ao final, nos autos do processo conexo nº 11065.000715/201012. Na razões do recurso nos presentes autos, a recorrente argumenta: que, em face da decisão judicial transitada em julgado contra a União (Fazenda Nacional) em 05/05/2009, processo judicial nº 200571080012695/RS, é titular de crédito presumido do IPI, no valor de R$ 3.584.026,87 (valor atualizado), período 2000 a 2005 relativo a aquisições de insumos feitas a pessoas físicas, cooperativas e outros fornecedores não contribuintes do PIS e da COFINS, cujos insumos foram incorporados aos produtos vendidos para o mercado externo (exportações); que o Pedido de Habilitação do crédito presumido do IPI, cujo direito foi reconhecido judicialmente, por decisão transitada em julgado, foi objeto do Processo nº 13055.000085/200989; que utilizou nas DCOMP processo conexo crédito presumido atinente ao IPI, no valor de R$ 3.584.026,97 e restou reconhecido o valor de R$ 3.566.789,48; que, como se infere, há apenas uma diferença de R$ 17.237,49 equivalente a 0,5% que ainda não foi deferido no processo 11065.000715/201012 (conexo), a título de crédito presumido do IPI, cuja lide está no CARF, e face de recurso voluntário apresentado (processo ainda pendente de julgamento do recurso voluntário); que juntou cópia de Planilha, transcrita a seguir, contendo relação dos PER/DCOMP transmitidos, objeto daquele processo conexo, utilizando R$ 3.584.026,87 do crédito presumido do IPI, habilitado administrativamente (efl. 191): Fl. 208DF CARF MF Processo nº 11065.721563/201320 Resolução nº 1301000.627 S1C3T1 Fl. 209 9 Fl. 209DF CARF MF Processo nº 11065.721563/201320 Resolução nº 1301000.627 S1C3T1 Fl. 210 10 que os débitos, em aberto, de estimativa mensal da CSLL dos PA março/2011 a agosto/2011, são objeto dos PER/DCOMP da Planilha acima (constantes do processo conexo), especificamente os seguintes PER/DCOMP: a) 05775.63570.290411.1.3.577879 b) 28608.81528.310511.1.3.573177 c) 12143.89285.300611.1.3.574971 d) 25880.81441.290711.1.3.576055 e) 18313.84985.310811.1.3.576504 f) 18296.58375.300911.1.3.570910 que, nos presentes autos, a decisão recorrida, simplesmente, reportase ao processo conexo, onde os débitos de estimativas da CSLL dos PA março a agosto/2011 teriam restado não quitadas, DCOMP não homologadas por insuficiência do crédito presumido do IPI de origem judicial; que, entretanto, o crédito presumido do IPI já deferido naquele processo conexo seria suficiente, em sua maior parte, para extinguir os débitos de estimativa mensal da CSLL dos referidos PA março a agosto/2011, sendo insuficiente apenas em R$ 17.237,49 (crédito ainda não reconhecido, em torno de 0,5% do crédito presumido total do IPI, ou seja, 99,50% dos créditos já foram deferidos); que, assim, não se justificaria a denegação da diferença de saldo negativo da CSLL do anocalendário 2011 no valor de R$ 218.329,81 (valor original), neste processo. que o processo conexo encontrase no CARF, é objeto de recurso voluntário, mas ainda não distribuído. Pois bem. Primeiro, apenas para argumentar, diversamente do alegado pela recorrente, se no processo conexo já foi deferido 99,50% do crédito presumido do IPI (em face de decisão judicial que reconhecera o direito ao crédito presumido do IPI), isto não quer dizer que, necessariamente, 99,50% do débitos confessados nas DCOMP serão extintos. Os débitos confessados, caso maiores que o crédito, não terão lastro para serem extintos por compensação (homologação), tanto é que naquele processo conexo os débitos da CSLL estimativa mensal dos PA março a agosto/2011 restaram não quitados (DCOMP não homologadas) justamente por insuficiência do crédito utilizado. Claro, o acórdão de primeira instância naquele processo foi objeto de recurso voluntário ainda não julgado, logo a lide pende de apreciação pelo CARF (processo conexo). Existe litispendência. Diversamente do alegado pela recorrente, não há como deferir, nestes autos, o crédito pleiteado (diferença de saldo negativo da CSLL do anocalendário 2011), cujas Fl. 210DF CARF MF Processo nº 11065.721563/201320 Resolução nº 1301000.627 S1C3T1 Fl. 211 11 compensações de débitos de estimativas mensais do anocalendário 2011, são objeto daquele processo. Débitos de estimativa mensal da CSLL do anocalendário 2011 (março a agosto/2011), enquanto estiverem em aberto (compensações indeferidas por insuficiência de crédito), não geram crédito para dedução da CSLL devida anocalendário 2011 (ajuste anual), não podem ser utilizadas para formação de saldo negativo (não geram crédito). Como visto, há relação de conexão processual por prejudicialidade daquele processo em relação a este. Ou seja: a resolução da lide objeto do presente processo depende do que restar decidido nos autos do processo nº 11065.000715/201012. Assim, configurase a impossibilidade do presente processo ser julgado autonomamente. Além disso, como a contribuinte utilizou crédito de IPI nas compensações dos débitos de estimativa mensal da CSLL (débitos de março a agosto/2011), a competência para julgamento da referida lide, no processo conexo, é da 3ª (Terceira) Seção de Julgamento do CARF, nos termos do RICARF/2015, Portaria MF 343, de 2015, Anexo II, in verbis: (...) Art. 4º À 3ª (terceira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação referente a: I (...) II (...) III Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); (...) Art. 7º Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. (...) Consultando o e processo, consta despacho nos autos do Processo (conexo) 11065.000715/201012 , 3ª Seção de Julgamento do CARF, in verbis: (...) Data de Emissão: 09/09/2018 19:02:49 Distribuir / Sortear CLEUZA TAKAFUJI Fl. 211DF CARF MF Processo nº 11065.721563/201320 Resolução nº 1301000.627 S1C3T1 Fl. 212 12 2ª TO4ªCÂMARA3ªSEÇÃOCARFMFDF 4ª CÂMARA3ªSEÇÃOCARFMFDF 3ª SEÇÃOCARFMFDF DF CARF MF (...) Como visto, o processo (conexo), cuja lide tem relação de prejudicialidade do litígio objeto do presente processo, está em fase de distribuição/sorteio na 3ª Seção de Julgamento do CARF. Há necessidade de sobrestamento do julgamento do recurso deste processo. Assim, propugno pelo retorno dos autos deste processo à unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Novo Hamburgo, para aguardar decisão definitiva, irreformável na órbita administrativa, do processo nº 11065.000715/201012 (existência de relação de prejudicialidade daquele processo em relação ao à lide do presente processo). Diante do exposto, voto para sobrestar o julgamento do recurso do presente processo até que seja proferida decisão administrativa definitiva no processo nº 11065.000715/201012. É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 212DF CARF MF
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