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Numero do processo: 13986.000122/2002-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1997
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPENSAÇÃO VIA DCTF. NÃO COMPROVAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
Correto o lançamento de ofício de débitos informados em DCTF, como de exigibilidade suspensa, sem informação ou comprovação de que foram compensados com créditos decorrentes de ação judicial com trânsito em julgado.
Numero da decisão: 3301-005.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1997 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPENSAÇÃO VIA DCTF. NÃO COMPROVAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Correto o lançamento de ofício de débitos informados em DCTF, como de exigibilidade suspensa, sem informação ou comprovação de que foram compensados com créditos decorrentes de ação judicial com trânsito em julgado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1997 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPENSAÇÃO VIA DCTF. NÃO COMPROVAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Correto o lançamento de ofício de débitos informados em DCTF, como de exigibilidade suspensa, sem informação ou comprovação de que foram compensados com créditos decorrentes de ação judicial com trânsito em julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 6. 00 01 22 /2 00 2- 71 Fl. 395DF CARF MF Processo nº 13986.000122/200271 Acórdão n.º 3301005.007 S3C3T1 Fl. 1.686 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante da decisão recorrida, Acórdão nº 0729.954 4ª Turma da DRJ/FNS (fls. 95 e seguintes): Trata o presente processo de exigência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, mediante Auto de Infração nº 000701, de 7 de maio de 2002, no valor de R$ 83.227,23, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo aos períodos de apuração de junho a dezembro de 1997. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal (is) e Anexo I – Demonstrativo dos créditos vinculados não confirmados, verificase que a autuação é decorrente de irregularidade no crédito vinculado ao débito informado em DCTF, ou seja, que o processo judicial nº 95.70000228 não comprova a exigibilidade suspensa do crédito tributário. Inconformada com a exigência, a contribuinte alega a improcedência do auto de infração, em razão da existência de processo judicial transitado em julgado assegurando o direito à compensação. Explica a contribuinte que, por equívoco, em relação aos períodos autuados – junho a dezembro de 1997 – declarou em DCTF que a exigibilidade do crédito tributário estaria suspensa, quando na verdade efetuou a compensação com crédito na Ação Ordinária Declaratória de Inexistência de Obrigação Cumulada com Condenatória de Restituição ou Compensação, sob nº 95.70000228, com objetivo de ver ressarcidos indébitos de Finsocial. A contribuinte relata o andamento do processo judicial argumentando que, de acordo com a decisão judicial transitada em julgado, apurou créditos decorrentes de pagamentos de Finsocial, correspondendo em 31 de dezembro de 1995 a R$ 141.940,61, que atualizado até o início das compensações, totalizou R$ 192.130,81, conforme planilha que anexa. Por fim, a contribuinte alega que os créditos assegurados pela decisão judicial foram suficientes para acobertar as compensações realizadas relativas aos períodos de apuração de junho a dezembro de 1997, da Cofins, remanescendo, ainda, créditos passíveis de compensação com débitos a partir de fevereiro de 1998, no montante de R$ 122.101,03. Diante da argumentação da contribuinte, a DRF de Joaçaba informa, à folha 94, que da análise da documentação realizada conforme Nota Técnica Conjunta Corat/Cofis/Cosit nº 32, de 19 de dezembro de 2002, verificou tratarse de auto de infração de vinculações de “exigibilidade suspensa por medida judicial”, conforme disposto no item 2.3 da referida NT. Fl. 396DF CARF MF Processo nº 13986.000122/200271 Acórdão n.º 3301005.007 S3C3T1 Fl. 1.687 3 A 4ªTurma da DRJ em Florianópolis, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. O Acórdão DRJ/FNS nª 0729.954, de 28 de setembro de 2012, recebeu a seguinte ementa (fl. 95): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1997 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPENSAÇÃO VIA DCTF. NÃO COMPROVAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Correto o lançamento de ofício de débitos informados em DCTF, como de exigibilidade suspensa, sem informação ou comprovação de que foram compensados com créditos decorrentes de ação judicial com trânsito em julgado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão da DRJ em Florianópolis, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual repisa os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade. Na análise do Recurso Voluntário pela 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decidiuse por unanimidade de votos, por meio da Resolução nº 3101000.362 (fls. 202 e seguintes), converter o julgamento da lide em diligência. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A lide no presente caso relacionase a autuação decorrente de irregularidade no crédito vinculado ao débito informado em DCTF, ou seja, que o processo judicial nº 95.70000228 não comprova a exigibilidade suspensa do crédito tributário Cumpre colacionar trecho Resolução nº 3101000.362 (fls. 202 e seguintes), que converteu o julgamento da lide em diligência: A recorrente alega que incorreu em equívoco em sua DCTF, declarando que os débitos de COFINS estavam com sua exigibilidade suspensa, quando na verdade teria compensado os débitos da Cofins, relativos aos períodos de apuração de junho a dezembro de 1997, com crédito decorrente dos pagamentos indevidos de Finsocial, reconhecidos via Ação Ordinária Fl. 397DF CARF MF Processo nº 13986.000122/200271 Acórdão n.º 3301005.007 S3C3T1 Fl. 1.688 4 Declaratória de Inexistência de Obrigação Cumulada com Condenatória de Restituição ou Compensação. Sua defesa afirma que tal equívoco não enseja a cobrança dos tributos, visto que já teriam sido extintos mediante compensações realizadas em sua escrita fiscal, conforme cópias dos livros apresentados (fls.167 a 188). Sendo assim, ainda que não tenha informado em DCTF, efetivamente efetuou as compensações em sua escrita contábil, não resultando em saldo a ser exigido mediante lançamento. À vista do alegado pela recorrente, entendo que o presente processo não se encontra em condições de ser julgado por esse colegiado, tendo em vista a insuficiência de seu conjunto probatório, especialmente a análise fiscal da compensação alegadamente efetuada na contabilidade da recorrente. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora verifique a existência de saldo residual de COFINS referente ao período de apuração em questão, e se o saldo compensado na contabilidade a título de FINSOCIAL foi objeto de pedido de ressarcimento/compensação em outro processo e o seu resultado. Na informação fiscal deverá constar obrigatoriamente as seguintes informações: (i) se os débitos constantes do auto de infração correspondem aos débitos extintos por compensação; (ii) se a compensação encontrase devidamente escriturada nos livros fiscais e contábeis da recorrente; (iii) se a compensação estava acobertada por decisão judicial já transitada em julgado favorável à recorrente e se foi efetuada com observância dos termos da referida decisão; (iv) se o crédito originado pela decisão transitada em julgado foi objeto de pedido de ressarcimento/compensação, informando, em caso positivo, o número do processo administrativo e a sua situação atual. Na diligência, conforme Informação Fiscal às fls. 315 e seguintes, as conclusões foram: a) o crédito de FINSOCIAL apurado pela contribuinte é suficiente para a extinção dos débitos de COFINS controlados no processo administrativo em epígrafe; b) quanto aos débitos dos períodos de apuração junho/1997, julho/1997 e agosto/1997, a contribuinte não respeitou o comando das decisões judiciais proferidas na ação judicial nº 95.70000228, tendo efetuado as compensações antes do trânsito em julgado, que ocorreu no dia 02/09/1997; c) houve a escrituração das compensações nos livros contábeis; Fl. 398DF CARF MF Processo nº 13986.000122/200271 Acórdão n.º 3301005.007 S3C3T1 Fl. 1.689 5 d) não foram localizados processos administrativos de compensação vinculados ao crédito de FINSOCIAL. O crédito apenas foi aproveitado para compensação dos débitos de COFINS de períodos de apuração posteriores àqueles que são tratados neste processo administrativo. Em sua manifestação sobre a Informação Fiscal, a Recorrente alega haver erro material no cálculo constante da Informação Fiscal (fls. 371/372): Acontece que, para os meses de setembro/1989 a dezembro/1989 o Fisco intimou a Contribuinte a comprovar os valores de faturamento, com o que, foram apresentadas cópias em formato digital das páginas do Livro Diário nº 17 com as referidas informações, bem como, demonstrativo de consolidação dos lançamentos contábeis (fls. 253 a 324). Entretanto, ao utilizar os valores das bases de cálculo desse período, a Autoridade Fiscal considerou apenas os lançamentos efetuados a crédito, desconsiderando equivocadamente os lançamentos a débito referentes às devoluções no período: (...) Além disso, também incorreu em equívoco a DRF de Joaçaba – SC ao não considerar na linha “Crédito Atualizado até 31/12/1995” os valores dos meses de set/89 a dez/89. Tal afirmação pode ser melhor visualizada no cálculo abaixo: (...) Como se vê, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba – SC calculou o montante de R$ 137.038,53 em 31/12/1995 (fl. 345), contudo, ao efetuar a soma da coluna do crédito atualizado mensalmente, chegase ao valor de R$ 147.026,43. Para melhor entendimento segue tabela explicativa: (...) Pelos fatos expostos, requer a Contribuinte o saneamento dos erros contidos no cálculo apresentado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba – SC para reconhecer o crédito no montante de R$ 147.016,78 atualizado até 31/12/1995. Observase que a Recorrente contesta os cálculos constantes da Informação Fiscal, sem apresentar fundamentos para suas afirmações. Em relação à compensação antes do trânsito em julgado da decisão judicial afirma a Recorrente que não há vedação, que o art. 170A somente foi inserido posteriormente à situação em pauta e que a Lei nº 8.383/91 não condiciona a compensação a existência de prévia decisão judicial e nem ao trânsito em julgado dela. Faculta, outrossim, ao contribuinte a apuração dos requisitos exigidos para a compensação. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 13986.000122/200271 Acórdão n.º 3301005.007 S3C3T1 Fl. 1.690 6 Cumpre observar que a utilização de crédito ainda pendente de decisão judicial definitiva já encontrava na época vedação no art. 170 do CTN e no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, os quais transcrevemos: Código Tributário Nacional Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifouse) Lei nº 9.430, de 1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (...) II em que o crédito: (...) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; (grifouse) Dessa forma, a decisão de primeira instância não merece retoques, pelo que faço dela minha razão de decidir, com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/98 e § 3° da Portaria MF n° 343/15 (RICARF) e, desta forma, proponho manter a decisão por seus próprios fundamentos. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 400DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000687/2007-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/08/2006
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Declarou-se impedido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2003 a 31/08/2006 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Declarou-se impedido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1617; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11634.000687/200728 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 2402006.373 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de julho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JORGE RUDNEY ATALLA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/08/2006 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Declarouse impedido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 06 87 /2 00 7- 28 Fl. 124DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4 ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 – 4 ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 – 4 ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4 ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11634.000687/200728 Acórdão n.º 2402006.373 S2C4T2 Fl. 3 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I – exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II – deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 126DF CARF MF 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.907508/2008-02
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/03/1996
PER/DCOMP. FALTA DE PROVA DE RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF NÃO LOCALIZADO.
Nega-se o ressarcimento do crédito e, por consequência, a compensação do débito confessado quando não provada a existência do crédito, em face da inexistência da respectiva guia Darf, a que se refere a Per/Dcomp.
Numero da decisão: 3001-000.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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S/C Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1996 a 31/03/1996 PER/DCOMP. FALTA DE PROVA DE RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF NÃO LOCALIZADO. Negase o ressarcimento do crédito e, por consequência, a compensação do débito confessado quando não provada a existência do crédito, em face da inexistência da respectiva guia Darf, a que se refere a Per/Dcomp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1131.529, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife DRJ/REC que, em sessão de julgamento realizada no dia 21.10.2010, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado no Per/Dcomp 26657.00367.300408.1.7.043265. Da síntese dos fatos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 75 08 /2 00 8- 02 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10480.907508/200802 Acórdão n.º 3001000.505 S3C0T1 Fl. 137 2 Em síntese, temse que o presente processo trata de Per/Dcomp transmitida em 30.04.2008 (fls. 01 a 04), em que o sujeito passivo declarou a compensação de débito referente ao PIS, apurado pela sistemática da não cumulatividade, no período de apuração de 07/2004, no montante original de R$ 817,16, com suposto crédito decorrente de pagamento indevido, realizado em 19.12.2000, relativo ao período de apuração de 03.03.1996, que, conforme a linha "Nº do PER/DCOMP Inicial" do presente Per/Dcomp, já havia sido informado no Per/Dcomp 29326.09601.140504.1.3.041958. Inferese também do presente Per/Dcomp que o valor da parcela do pretenso crédito nele aproveitado foi da ordem de R$ 427,55 (fl. 02). Do despacho decisório Do Despacho Decisório (fl. 05) inferese que o direito creditório pleiteado foi indeferido pela DRF/Recife, com fundamento nos artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25.10.1966 CTN e no artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27.12.1996, porque, compulsandose os sistemas informatizados da RFB, não foi localizado o Darf indicado pelo sujeito passivo no presente Per/Dcomp. Da manifestação de inconformidade O Contribuinte apresenta manifestação de inconformidade (fls.13 a 20), que após solicitar a suspensão da exigibilidade do débito apresentado para compensação alega, em apertada síntese, que o crédito já havia sido reconhecido em decisão judicial e administrativa, mas que a RFB não teria observado tal circunstância. Para tanto, providenciou a juntada, dentre outros, (i) da petição inicial e das decisões judiciais proferidas no MS nº 2001.83.00.0000557 (fls. 31 a 72), (ii) da certidão de trânsito em julgado (fl. 73), (iii) do pedido de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado (fl. 79) e, por fim, (iv) do próprio despacho decisório (fls. 81/82). Da documentação acostada pela instância a quo Conforme "Termo de Juntada (fl. 103), o relator do voto condutor do acórdão recorrido providenciou a juntada de extratos emitidos pelos sistemas informatizados da RFB, a saber: (i) CNPJ (fl. 99), (ii) SIEF/PERDCOMP (fl. 100) e (iii) "Termo de Intimação" Nº de Rastreamento 65459555 e "AR" (fls. 101/102). Da ementa da decisão recorrida A 2ª Turma da DRJ/REC, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o já citado acórdão de manifestação de inconformidade, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. MATÉRIA ESTRANHA. NÃO CONHECIMENTO. Deve ser nãoconhecida a manifestação de inconformidade em relação à matéria estranha ao despacho decisório e ao pleito original o que se refere. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10480.907508/200802 Acórdão n.º 3001000.505 S3C0T1 Fl. 138 3 Direito Creditório Não Reconhecido Do recurso voluntário Após tomar ciência da decisão vergastada, o recorrente comparece uma vez mais aos presentes autos para, em sede de recurso voluntário, pleitear a reforma do acórdão de primeira instância, com as alegações a seguir sintetizadas, que: (i) com a declaração de inconstitucionalidade dos decretosleis nº 2.445 e nº 2.449, ambos de 1988, os recolhimentos do PIS com alíquota de 0,75% passou a ser considerado a maior e o Recorrente teve direito ao ressarcimento reconhecido em ação judicial; (ii) já havia sido protocolado o pedido de habilitação de crédito no qual referido crédito foi devidamente reconhecido; (iii) como o crédito já foi reconhecido judicial e administrativamente é direito do Recorrente aproveitálo para compensar com débitos; (iv) o acórdão de primeira instância descumpriu uma decisão judicial e feriu a coisa julgada; (v) a primeira instância exigiu a apresentação de Darf no valor de R$ 5.595,35. Mas , todavia, o valor referente ao período de operação de março de 1996 a que se pretende o ressarcimento é de R$ 348,88; (vi) não alegou, em sede de manifestação de inconformidade, que pretendia o crédito no valor de R$ 17.678,03, conforme informou o acórdão da primeira instância; (vii) inexistiu a alegada inovação dos fatos e do direito na manifestação de inconformidade; (viii) tem direito líquido e certo ao crédito desde o pagamento indevido; Por fim, o Recorrente requer o provimento do recurso voluntário, para que seja reformado o acórdão da DRJ, determinandose seja homologada “as compensações efetuadas pela Recorrente nos autos do processo administrativo nº 19647.006794/200641". Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao Carf em 14.09.2012 (efl. 135), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro o processamento do presente feito. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10480.907508/200802 Acórdão n.º 3001000.505 S3C0T1 Fl. 139 4 Da competência para julgamento do feito Observo que, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017, este colegiado é competente para apreciar o presente feito. Da tempestividade O contribuinte foi intimado do acórdão da DRJ, por meio de Aviso de Recebimento "AR", em 29.03.2011 (fl. 111) e interpôs recurso voluntário, conforme depreendese do carimbo aposto em sua "folha de rosto", em 29.04.2011 (fls. 112 a 129); portanto, a petição recursal é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dela conheço. Do mérito Temos na espécie em trato que o Recorrente intenta aproveitar de suposto crédito para fins de utilizálo na compensação de débito do PIS. No entanto, a DRF/Recife, ao exarar o respectivo Despacho Decisório (fl. 05) sustenta o indeferimento do pleito na não localização do Darf indicado no Per/Dcomp 26657.00367.300408.1.7.043265 e o Contribuinte afirma que referido crédito originase de ação judicial MS nº 2001.83.00.0000557 (fls. 31 a 72). Neste termos, temse que o cerne do litígio repousa na questão consistente em saber se o crédito pleiteado pelo Recorrente é efetivamente aquele que foi reconhecido pelo Poder Judiciário, mais ainda, se ele efetivamente é existente. No entanto, ao compulsarse os presentes autos, concluise, sem margem para dúvida, que o Per/Dcomp apresentado não se refere aos alegados créditos reconhecidos judicialmente. Explicase: Às fls. 01 a 04 deste autos está presente o Per/Dcomp retificador e nele consta textualmente que o respectivo crédito decorre de “pagamento indevido ou a maior”. Prosseguindo, na linha na qual se preenche se o crédito é originário de decisão judicial, a resposta é “não”. Mais ainda, o Recorrente alega que os créditos já foram objeto de processo de pedido de habilitação de crédito. Não obstante, na linha do Per/Dcomp que impõese mencionar se o processo do crédito foi “informado em processo administrativo anterior” a resposta também é “não”. Atentese que essas mesmas informações estão presentes na página 4 do referido Per/Dcomp. Outra divergência observada surge ao comparar o Per/Dcomp com o pedido de habilitação, ou seja, enquanto no Per/Dcomp o valor original do crédito inicial é R$ 6.353,08, no pedido de habilitação o valor do crédito reconhecido judicialmente é R$ 17.678.03. Por fim, mas não menos elucidativo, no presente Recurso Voluntário, o Recorrente pede a homologação da compensação do processo nº 19647.006794/200641, enquanto estamos apreciando, por óbvio, os autos do processo nº 10480.907508/200802. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10480.907508/200802 Acórdão n.º 3001000.505 S3C0T1 Fl. 140 5 Desta feita, impõe declarar que, em verdade, o Recorrente confunde os processos, pois o Per/Dcomp dos presentes autos, à evidência, não se refere aos créditos judiciais objeto do MS nº 2001.83.00.0000557, conforme alega. Neste sentido, se o objetivo do Recorrente era efetivamente o aproveitamento dos prefalados créditos judicialmente reconhecidos, equivocouse ao preencher o Per/Dcomp 26657.00367.300408.1.7.043265, importando na impossibilidade de se analisar respectivo direito creditório. Demais disso, como em nenhum momento o Recorrente demonstrou a existência do Darf do recolhimento indevido, outra solução não resta senão o indeferimento do seu pleito. Da conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004064/2007-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 01/02/2003, 01/05/2003, 01/08/2003, 01/11/2003, 01/02/2004, 01/05/2004, 01/08/2004
RECURSO DE OFICIO. CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA.
Não deve ser conhecido o recurso de oficio em que o crédito tributário exonerado não atinge o limite de alçada.
O recurso de ofício interposto não deve ser conhecido, quando o valor exonerado está aquém do limite fixado pelo Ministro da Fazenda, nos termos da Súmula CARF nº 103.
RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. MASSA FALIDA. IRREGULARIDADE DE REPRESENTAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Decretada a falência, o falido fica sem o poder de representação em face dos interesses da massa, passando a legitimidade a ser ostentada pelo síndico ou administrador judicial.
RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. SÓCIOS.
Além de não possuírem poderes de representação da massa falida, os sócios da empresa falida não detém legitimidade para interposição de recurso, quando sequer integram o polo passivo da demanda fiscal.
Numero da decisão: 3201-004.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Recursos de Ofício e Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 01/02/2003, 01/05/2003, 01/08/2003, 01/11/2003, 01/02/2004, 01/05/2004, 01/08/2004 RECURSO DE OFICIO. CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. Não deve ser conhecido o recurso de oficio em que o crédito tributário exonerado não atinge o limite de alçada. O recurso de ofício interposto não deve ser conhecido, quando o valor exonerado está aquém do limite fixado pelo Ministro da Fazenda, nos termos da Súmula CARF nº 103. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. MASSA FALIDA. IRREGULARIDADE DE REPRESENTAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Decretada a falência, o falido fica sem o poder de representação em face dos interesses da massa, passando a legitimidade a ser ostentada pelo síndico ou administrador judicial. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. SÓCIOS. Além de não possuírem poderes de representação da massa falida, os sócios da empresa falida não detém legitimidade para interposição de recurso, quando sequer integram o polo passivo da demanda fiscal.
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CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. Não deve ser conhecido o recurso de oficio em que o crédito tributário exonerado não atinge o limite de alçada. O recurso de ofício interposto não deve ser conhecido, quando o valor exonerado está aquém do limite fixado pelo Ministro da Fazenda, nos termos da Súmula CARF nº 103. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. MASSA FALIDA. IRREGULARIDADE DE REPRESENTAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Decretada a falência, o falido fica sem o poder de representação em face dos interesses da massa, passando a legitimidade a ser ostentada pelo síndico ou administrador judicial. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. SÓCIOS. Além de não possuírem poderes de representação da massa falida, os sócios da empresa falida não detém legitimidade para interposição de recurso, quando sequer integram o polo passivo da demanda fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Recursos de Ofício e Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 40 64 /2 00 7- 92 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 19515.004064/200792 Acórdão n.º 3201004.123 S3C2T1 Fl. 118 2 (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Contra a empresa epigrafada foi lavrado o auto de infração de fls. 25/28, que se prestou a exigir crédito tributário relativo a multa regulamentar (código de arrecadação: 3199), aplicada em razão do descumprimento de obrigação acessória prescrita na Instrução Normativa (IN) SRF n° 71, de 24 de agosto de 2001, que instituiu a Declaração Especial de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIFPapel Imune). O crédito tributário consolidado no referido auto de infração, referentes aos fatos geradores relativos ao 4° trimestre de 2002 e o 2° trimestre de 2004, atingiu o montante de R$ 1.715.000,00. O lançamento fundamentouse nas disposições contidas nos seguintes comandos normativos: arts. 212 e 505 do Decreto n° 4.544/2002 (RIPI/02); art. 1° e 10 da Instrução Normativa (IN) SRF n° 71/2001. A ação fiscal foi realizada conforme determinação contida no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 08190.002004 028430 (fl. 01), tendo a fiscalizada sido inicialmente intimada a regularizar sua situação fiscal em relação às entregas das DIF s Papel lmune ou apresentar os comprovantes de entrega das declarações relativas ao período acima mencionado (fl. 14). Entretanto, a correspondência que se prestou a encaminhar referida intimação retomou dos Correios sem que tenha sido entregue à fiscalizada (fl. 15). A este respeito. assim se manifesta a autoridade fiscal em seu Termo de Verificação Fiscal TVF de fls. 21/22: De fato, consultada a situação do contribuinte perante o CNPJ verificamos que está INAPTA Omissão não Localizada. E como não havia provas de que as declarações tivessem sido entregues, a autoridade fiscal procedeu o lançamento das multas pela falta de entrega, calculadas por mês de atraso, conforme demonstrado no TVF, cuja ciência, assim como do auto de Fl. 118DF CARF MF Processo nº 19515.004064/200792 Acórdão n.º 3201004.123 S3C2T1 Fl. 119 3 infração. foi procedida por meio de Edital. em face à constatação da situação cadastral da empresa perante o CNPJ e também o retorno da correspondência, já referido. Referido Edital foi afixado em 10/12/2007 e desafixado em 26/12/2007, nas dependências do Órgão fiscalizador, e agora encontrase acostado à fl. 30. Também foi procedida a ciência pessoal do sócio majoritário do sujeito passivo, conforme correspondência encaminhada com Aviso de Recebimento para o seu endereço particular (fls. 31/32), a qual foi recebida em 13/12/2007 (fl. 29). A impugnação ao lançamento foi protocolada em 09/01/2008, conforme peça de fls. 34/43 (firmada por procurador regularmente estabelecido, fls. 56/57), e anexos que a seguem, na qual aduz, em síntese, que: a) não entregou as declarações objetos do procedimento fiscal porquanto, no período fiscalizado, “a empresa não exercia suas atividades e encontravase em processo de falência”, que não foi informada ao fisco federal “por um 1apso”; b) referida falência foi decretada em 23/06/2003, conforme “processo n° 000.02.1803045 (cópia anexa), em trâmite perante a 37ª Vara Cível do Foro Central da Comarca da Capital em São Paulo”, em relação a qual foi nomeado como síndico “o Dr. Alexandre Alberto Carmona”. E “no inquérito judicial, foi apurado que os sócios da falida não praticaram nenhum ato fraudulento ou criminoso, razão pela qual foi determinado o apensamento dos autos à falência”; c) sua inatividade foi declarada à Receita Federal conforme “declaração simplificada de pessoa jurídica (doc. Incluso)”; d) a noticiada falência e a inexistência da atividade devem implicar no “afastamento da aplicação de multa imposta ao contribuinte”, isto porque “não existia mais o que ser declarado, uma vez que a empresa não conseguia mais abarcar trabalhos em razão da situação de quebra estabelecida”; e) em razão da falência, “quem representa a Pinus é o síndico da massa falida. Dr. Alexandre Alberto Carmona, com endereço na certidão anexa. o qual deve ser intimado para responder à presente"; f) a aplicação de multas que superam a cifra dos R$ 1,7 milhões “afrontam diretamente os princípios constitucionais tributários da Razoabilidade, Proporcionalidade, Capacidade Contributiva e Vedação ao Confisco”. E os tribunais federais “têm reconhecido a necessidade de aplicação do NãoConfisco. Razoabilidade e Capacidade Contributiva nas multas tributárias”. “Ademais, em consagrada jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, foi reconhecido e aplicando o princípio da razoabilidade e proporcionalidade na relação Fisco x Contribuinte”; Fl. 119DF CARF MF Processo nº 19515.004064/200792 Acórdão n.º 3201004.123 S3C2T1 Fl. 120 4 g) desde o ano de 2002, quando já se encontrava “em situação de falência”, “o contribuinte não possuía mais capacidade contributiva, ou seja, não obtinha mais meios econômicos e operacionais para cumprir a determinação imposta pelo fisco, como a entrega da declaração do (sic) DIFPapel Imune”; h) “com a prolação do auto de infração pela Secretaria da Receita Federal e a aplicação da multa, temse certeza que não foram apreciados os princípios norteadores do direito constitucional tributário"; i) “o Fisco na apuração do auto de infração, não tomou as medidas de precaução necessárias para verificar realmente a verdade dos fatos descritos”. Ademais, “o próprio órgão fiscalizador já havia decretado a inaptidão da empresa ora autuada"; j) “essas multas continuadas, provocam uma situação insustentável, inadmissível, em fim (sic) inaceitável”, o que implica em punir o contribuinte “com mais rigor do que se tivesse sonegado tributos”; k) “não se pode esperar acumular tamanho vulto em multas. para depois se fazer a cobrança”. “uma vez que essas sanções poderiam ser aplicadas logo após o período do qual o contribuinte devesse apresentar a declaração”. Conclui a impugnante requerendo o cancelamento do auto de infração, “sob pena de serem tomadas as medidas judiciais cabíveis pelo contribuinte. inclusive ação de indenização por danos morais e materiais”." A decisão recorrida julgou improcedente a impugnação, mas exonerou ex officio parcela majoritária do crédito tributário lançado, reduzindoo para R$ 35.000,00 (trinta e cinco mil reais) em razão da aplicação da retroatividade benigna da lei nova, que comina penalidade menos severa. Aludida decisão apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: 0BRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/02/2003, 01/05/2003, 01/08/2003. 01/11/2003, 01/02/2004. 01/05/2004, 01/08/2004 DIFPAPEL IMUNE. FALTA OU ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A nãoapresentação. ou a apresentação da DIFPapel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração. sujeita o contribuinte à imposição da multa atualmente prevista no artigo 1°, § 4°, inc. II, da Lei n° 11.945. de 04/06/2009. DIPPAPEL IMUNE. INSCRIÇÃO NQ REGlSTRO ESPECIAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. FALÊNCIA. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 19515.004064/200792 Acórdão n.º 3201004.123 S3C2T1 Fl. 121 5 A pessoa jurídica possuidora de estabelecimento inscrito no Registro Especial está obrigada a apresentar a DIF Papel imune, independentemente de ter havido ou não operação com papel imune no período, inclusive no que se refere à obrigatoriedade de apresentação da declaração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/02/2003. 01/05/2003. 01/08/2003, 01/11/2003.01/02/2004. 01/05/2004, 01/08/2004 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Às instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 01/02/2003, 01/05/2003, 01/08/2003, 01/11/2003, 01/02/2004. 01/05/2004. 01/08/2004 APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TR1BUTÁR1A. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de ato não definitivamente julgado aplicase retroativamente a lei nova quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo do lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte" O Recurso Voluntário foi interposto pelos sócios falidos da empresa autuada, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) a multa não poderia ter sido aplicada contra a empresa em razão de sua ilegitimidade, pois teve sua falência decretada; (ii) a massa falida é quem deveria figurar como sujeito passivo; (iii) mesmo que se diga não ter aviso formal ao Fisco da situação falimentar, essa pode ser presumida, sendo que a própria Receita Federal havia dado por inapto o CNPJ da empresa PINUS, que fora apontada como responsável pela multa aplicada; (iv) a massa falida responde pela declaração e não mais a empresa contribuinte e muito menos os sócios, por não terem concorrido como provado em fraude ou crime falimentar; (v) inexistência de prejuízo ao Fisco; (vi) inconstitucionalidade e ilegalidade da sanção. É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 19515.004064/200792 Acórdão n.º 3201004.123 S3C2T1 Fl. 122 6 Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator Do não conhecimento do Recurso de Ofício valor de alçada Preliminarmente, é de se consignar que a decisão recorrida é irretocável e espelha o entendimento do CARF em relação à matéria, pois aplicou o disposto na Lei n° 11.945, de 04/06/2009, que passou a prescrever penalidade menos severa. No entanto, no caso concreto, é preciso verificar os pressupostos de admissibilidade do Recurso de Ofício, o qual possui previsão no art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72. Aludido dispositivo está ementado nos seguintes termos: "Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda." O valor a ser fixado para o Recurso de Ofício está previsto no art 1º da Portaria MF n° 63/2017, in verbis: "Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais)." Apesar da Portaria MF nº 63/2017, ter sido editada em 10 de fevereiro de 2017, em razão de tratarse de matéria processual, entendo ser a regra de aplicação para todos os casos ainda pendentes de julgamento. Na situação em apreço, o valor exonerado pela decisão de 1ª instância, atingiu o montante de 1.680.000,00, inferior, portanto, ao limite previsto na Portaria MF nº 63/2017. Ainda, tem aplicação o contido na Súmula nº 103 do CARF, assim redigida: "Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância." Assim, voto por não conhecer do Recurso de Ofício. Do não conhecimento do Recurso Voluntário Fl. 122DF CARF MF Processo nº 19515.004064/200792 Acórdão n.º 3201004.123 S3C2T1 Fl. 123 7 O Recurso Voluntário foi interposto pelos sócios da empresa autuada, Srs. Luis Eduardo Brettas e Maria José Surian Brettas. Não houve interposição de recurso por parte da Massa Falida, através do síndico, mesmo tendo sido regularmente intimado através da Intimação nº 312/2010 e comprovante de Aviso de Recebimento AR, acostado aos autos. Conforme noticiado no processo, a empresa autuada teve sua falência decretada em 23/06/2003. A Impugnação interposta e julgada em 1ª instância já havia sido formulada pelos sócios falidos, o que acarretaria o seu não conhecimento pela irregularidade de representação. No entanto, diligentemente, a Unidade de Origem através de Intimação nº 3119/2003, intimou o síndico para que ratificasse a peça impugnatória apresentada, conforme a seguir transcrito: "Tendo em vista que os sócios da empresa acima identificada, Luiz Eduardo Surian Brettas e Maria José Suriau Brettas, apresentaram impugnação ao lançamento consignado no processo em referência, fica o Síndico Dativo, intimado a ratificar expressamente o ato impugnatório, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, contados a partir do recebimento desta (data da assinatura do `AR`). O não atendimento da presente poderá implicar em não conhecimento da impugnação e prosseguimento da cobrança do crédito tributário. É facultado vista ao processo, no órgão emitente, ao interessado, ou pessoa por ele legalmente habilitada." Interposto o Recurso Voluntário pelo sócios falidos, novamente, foi procedida intimação (INTIMAÇÃO N ° 08.180/ 1561 /2010) para que fosse regularizada a representação processual, nos seguintes termos: "A representação processual e a documentação societária apresentadas para permitir o seguimento do Recurso Voluntário interposto estão irregulares/desatualizadas. Para regularização, fica o contribuinte intimado a apresentar. no prazo de 5 (cinco) dias a contar do seu recebimento (data do AR), no endereço indicado no rodapé: 1. Contrato social consolidado e atualizado vigente atualmente. 2. Instrumento de mandato com firma(s) reconhecida(s) e. rigorosamente, consoante com o disposto no Código Civil e no contrato social com a nomeação dos representantes legais para interpor recurso voluntário contra a decisão de 1ª Instância Administrativa. A procuração deve validar ato já praticado em 09 de março de 2010. 3. Documento com foto de identificação dos signatários do Recurso Voluntário. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 19515.004064/200792 Acórdão n.º 3201004.123 S3C2T1 Fl. 124 8 O pleno atendimento à presente intimação e posterior seguimento do Recurso Voluntário fica condicionado a análise de conformidade com os documentos apresentados. O não atendimento à presente, no prazo supracitado, poderá ensejar as medidas necessárias ã cobrança final. Esclarecimentos sobre a documentação a ser entregue poderão ser obtidos pelo contribuinte ou seu representante legal nesta Delegacia. Caso seja necessário maior prazo para atender a presente intimação, fazer pedido formal. por escrito e fundamentado, o qual será analisado." Em 10/08/2010, o sócio administrador através de petição anexou aos autos (i) última alteração contratual e (ii) cópia da carteira profissional dos advogados subscritores do recurso e requereu prazo para a juntada do instrumento de mandato. Foi certificado que as informações de legitimidade de representação processual foram prejudicadas pelo não atendimento da intimação de fl. 97. É sabido que decretada a falência, o falido fica sem o poder de representação em face dos interesses da massa, passando a legitimidade a ser ostentada pelo síndico ou administrador judicial. A representação processual constitui o meio legal para que alguém possa agir, extrajudicialmente ou judicialmente, em nome alheio, erigindo a regularidade de representação da parte como pressuposto processual de constituição e desenvolvimento válido e regular do processo. Partindose desse pressuposto, para a parte postular em sede recursal e ter seu pedido analisado em sede meritória, deve ser validamente representada, no caso pelo síndico nomeado ou administrador judicial regularmente constituído. À época de interposição do Recurso, assim dispunha o Código de Processo Civil, o qual tem aplicação subsidiária ao caso: "Art. 12 Serão representados em juízo, ativa e passivamente: (...) III a massa falida, pelo síndico;" O atual diploma processual em seu art. 75 assim pontua: "Art. 75. Serão representados em juízo, ativa e passivamente: (...) V a massa falida, pelo administrador judicial;" Por sua vez, a Lei 11.101/2005 (Lei de Falências), dispõe que: "Art. 22. Ao administrador judicial compete, sob a fiscalização do juiz e do Comitê, além de outros deveres que esta Lei lhe impõe: Fl. 124DF CARF MF Processo nº 19515.004064/200792 Acórdão n.º 3201004.123 S3C2T1 Fl. 125 9 (...) III na falência: (...) l) praticar todos os atos conservatórios de direitos e ações, diligenciar a cobrança de dívidas e dar a respectiva quitação; (...) o) requerer todas as medidas e diligências que forem necessárias para o cumprimento desta Lei, a proteção da massa ou a eficiência da administração;" Ademais, os sócios recorrentes sequer integram a relação jurídico tributária, pois não foram autuados, o que enseja a falta de legitimidade para interposição de recurso. Assim, o Recurso Voluntário não merece ser conhecido em razão de os sócios não possuírem legitimidade recursal, pois (i) sequer são sujeitos passivos do Auto de Infração e (ii) não possuem legitimidade de representação da massa falida da empresa Pinus Editora e Serviços Ltda. Diante do exposto, voto por não conhecer dos Recursos de Ofício e Voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.722236/2017-38
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS.
Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
Numero da decisão: 2001-000.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1547; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.722236/201738 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.637 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 28 de agosto de 2018 Matéria IRPF: PENSÃO ALIMENTICIA Recorrente CARLOS ROBERTO FERES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2015 PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. Da legislação de regência, extraise que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 22 36 /2 01 7- 38 Fl. 127DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2015, anocalendário de 2014. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foi apurada a glosa sobre as deduções indevidamente realizadas pelo sujeito passivo a título de pensão alimentícia judicial/por escritura pública, no valor de R$ 53.600,00, em razão do fato de comprovação de pagamento. Regularmente cientificado da Notificação, o contribuinte apresentou impugnação administrativa ao lançamento fiscal, alegando, em síntese, que tanto a comprovação da obrigação alimentar por decisão judicial/escritura pública, como os comprovantes de pagamentos encontramse nos autos. Cita jurisprudência e doutrina para corroborar os seus argumentos. A DRJ Juiz de Fora, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que o contribuinte logrou êxito parcial em comprovar o seu direito a dedução da pensão, vale dizer, no que se refere ao pagamento da pensão a sua ex esposa, foi dado provimento ao pedido de dedução, mas no que se refere ao pagamento de sua filha maior, não foi dado provimento, eis que o entendimento da DRJ é no sentido claro de que filhos maiores não ensejam dedução de despesas com pensão alimentícia. Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte as mesmas razões aventadas na Impugnação e traz argumentos claros e válidos para sustentar o seu pleito.. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Pensão alimentícia O presente lançamento decorre de glosa efetuada pela autoridade tributária em função de informação equivocada de dedução de pensão alimentícia na declaração do imposto de renda pessoa física, entregue pelo contribuinte, relativo ao exercício de 2015. Nesta senda, merece trazer a baila o que dispõe a legislação no que se refere à pensão alimentícia. Vejamos o que está previsto no art. 8º, II, “f”, da Lei nº 9.250/1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10830.722236/201738 Acórdão n.º 2001000.637 S2C0T1 Fl. 3 3 II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Ressaltese que a alínea “f” do inciso II do artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995, passou a ter nova redação com o advento da Lei n.º 11.727, de 23 de junho de 2008, redação esta que, nos termos do art. 21 desta Lei, entrou em vigor na data da publicação da Lei nº 11.441, de 4 de janeiro de 2007. Eis a nova redação: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou deescritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Conforme verificase da legislação acima transcrita, são requisitos para a dedução: a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; que o pagamento tenha a natureza de alimentos; que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do anocalendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. No caso em comento discutese a dedução das despesas com pensão alimentícia a filhos maiores. Entendo que são dedutíveis do Imposto de Renda os valores pagos a título de pensão alimentícia para filho, ainda que maior de 21 anos, em acordo homologado pelo Poder Judiciário. Ainda mais que, em sede de Recurso Voluntário , fica evidente que a decisão judicial que determinou a obrigação do pagamento da pensão ainda estava vigente em 2015, os pagamentos foram confirmados pela ex esposa, e filha. Na jurisprudência encontramos antecedente favorável à dedução de pensão paga a filhos maiores. Esse foi o entendimento aplicado pela 8ª Turma Recursal do Juizado Especial Federal da 3ª Região para determinar que a Receita Federal deixe de tributar os valores pagos por um contribuinte a seu filho maior. Neste processo, (processo 0008852 75.2015.4.03.6302), após ser cobrado pela Receita, o contribuinte ingressou com ação pedindo a anulação do débito fiscal. Em primeira instância, o pedido foi julgado parcialmente procedente, tendo o juiz determinado que a Receita desfaça o lançamento tributário. Inconformada, a Receita recorreu alegando que não há previsão em lei para a dedução de pensão alimentícia paga por mera liberalidade. Sendo assim, poderia o valor ser tributado. Ao julgar o caso, o relator, juiz federal ressaltou que "independentemente da iniciativa em relação aos alimentos, a partir do estabelecimento de um acordo de pensão e da comprovada percepção dos valores pelo alimentado, a orientação legal converge de modo a que o alimentante preserve seus direitos de não ser tributado por essa parcela de seus vencimentos". Fl. 129DF CARF MF 4 Seguindo o voto do relator, a 8ª Turma Recursal manteve a sentença, determinando que fosse deduzido do Imposto de Renda as despesas mensais de pensão alimentícia. É fundamental esclarecer que o alimentante tem direito de realizar a dedução integral dos valores que pagar a título de pensão alimentícia. Porém, para que a dedução seja admitida, é preciso que os alimentos prestados sejam decorrentes de decisão judicial ou, ainda, de acordo homologado judicialmente ou lavrado por escritura pública (a que se refere o artigo 1.124Ado Código de Processo Civil Cumpre observar que não se admite que a pensão alimentícia de filhos com idade inferior a 18 anos seja estabelecida por acordo lavrado por escritura pública. Sendo assim, aludida possibilidade restringese aos casos em que o dever de prestar alimentos estendase além da maioridade dos filhos. A jurisprudência tem admitido, inclusive, que se mantenha o dever de prestar alimentos até a conclusão de curso em estabelecimento de ensino superior pelo filho. Nessa circunstância, caso os pais do jovem venham a se divorciar, nada impede que, por escritura pública, seja estabelecida pensão alimentícia ao filho maior de idade. Neste diapasão, verificando a boa fé, o respaldo em decisão judicial e os argumentos trazidos pelo contribuinte, além das efetivas provas de comprovação do pagamento dos valores a título de pensão, entendo serem dedutíveis as despesas de pensão alimentícia incorridas pelo contribuinte. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 130DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.910481/2012-57
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/05/2007
NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO.
Correta a não homologação de declaração de compensação quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas.
Numero da decisão: 1002-000.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 04 81 /2 01 2- 57 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10680.910481/201257 Acórdão n.º 1002000.419 S1C0T2 Fl. 161 2 Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/BHE: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 024894325 emitido eletronicamente em 03/07/2012, referente ao PER/DCOMP nº 25735.67199.311009.1.3.040001. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente ao SIMPLES – Código de Receita 6106, no valor original na data de transmissão de R$ 193,87, representado por Darf recolhido em 20/06/2007 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificado do Despacho Decisório em 13/07/2012 (fl. 104), o interessado apresenta, em 31/07/2012 (fls. 02/03), manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que, no período de jan/2007 a jun/2007, adotou a tributação pelo Simples Federal, entregando Declaração Simplificada, porém, por tratarse de empresa cuja atividade – Representação Comercial – era vedada pela legislação, elaborou Pedido de Exclusão Retroativa do Simples Federal, referente a esse período, em 07/06/2010 (processo nº 13609.000759/201075). Nesse sentido, aduz ter direito aos créditos relativos aos pagamentos efetuados do SIMPLES no período de jan/2007 a jun/2007, a que se refere o pedido de exclusão do Simples Federal. Explica que, mediante a solicitação de exclusão, houve cálculo de todos os impostos inerentes à Tributação pelo Lucro Real, relativo àquele período (jan/2007 a jun/2007), que foram compensados mediante PER/Dcomp com os recolhimentos do SIMPLES. Acrescenta, ainda, que tentou transmitir DIPJ com apuração pelo Lucro Real, referente ao ano de 2007, mas ocorreu erro no Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10680.910481/201257 Acórdão n.º 1002000.419 S1C0T2 Fl. 162 3 validador, constando que o CNPJ era optante do SIMPLES, e que transmitiu DCTF e Dacon relativos ao período de jul/2007 a dez/2007. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/BHE, conforme acórdão n. 0250.879, de 30 de outubro de 2013 (efl. 109), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 31/05/2007 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE SIMPLES. PEDIDO DE EXCLUSÃO INDEFERIDO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Correta a decisão que não homologou a compensação de crédito de pagamento de Simples, quando o Pedido de Exclusão Retroativa do Simples Nacional foi indeferido e houve vinculação do pagamento a débito de Simples, o que implica reconhecer a inexistência do crédito. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 116), no qual, oferece os argumentos abaixo sintetizados. Registra que "No ano de 2007 foi verificado equívocos na tributação adotada pela empresa: 1. Janeiro a Junho de 2007: Atividade da empresa vedada opção pelo Simples Federal, foi pedido a Exclusão Retroativa do Simples Federal e recolhidos impostos e contribuições inerentes a tributação do Lucro Real. 2. Julho a dezembro de 2007: Foi entregue DIPJ Lucro Presumido, mas a opção pelo Lucro Real foi manifestada com o pagamento da primeira quota do imposto devido correspondente ao período de apuração ( 3o trimestre de 2007). Foram recolhidos impostos e contribuições inerentes a tributação do Lucro Real. 3. Janeiro a dezembro de 2007 tributado pelo Lucro Real: recolhimentos foram realizados através de Perd/comps, conforme Darfs recolhidos do Simples Federal, e usufruindo da anistia da Lei 11.941/2009". Como preliminar, sustenta que (sic) "Considerando o indeferimento RFB da exclusão retroativa do Simples no período janeiro a junho de 2007, impossibilitando a alteração da forma de tributação para Lucro Real. Não ocorrendo assim, conforme PERDCOMP, pagamentos indevidos de Simples e a inexistência de débitos de tributos e contribuições inerentes à apuração pelo Lucro Real". No mérito, sintetiza "os pontos de discordância apontados neste Recurso: a)Impossibilidade de alteração da forma de tributação: de Simples para Lucro Real b) Inexistência do débito Imposto de Renda Pessoa Jurídica cód.5993 relativo ao período 04/2007 no valor de R$ 266,56". Ao final, requer o provimento do presente Recurso Voluntário. É o relatório do necessário. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10680.910481/201257 Acórdão n.º 1002000.419 S1C0T2 Fl. 163 4 Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O ora Recorrente não teve homologado o PER/DCOMP de nº 25735.67199.311009.1.3.040001 transmitido em 31/10/2009, sob a alegação de que o crédito de R$ 193,87 nele informado já havia sido utilizado integralmente no pagamento do débito do tributo de código 6106 (Simples), do período de apuração de 31/05/2007, conforme mostra o excerto do Despacho Decisório Eletrônico abaixo (texto manuscrito consta do original): De plano, constatase que o Recurso Voluntário não traz novos argumentos, provas ou fundamentos de fato e de direito tendentes a infirmar a decisão de indeferimento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação do PER/DCOMP proferida pela instância de origem. Apenas contém uma descrição sumariada dos fatos ocorridos segundo o entendimento do próprio Recorrente. Após analisar os fatos e as circunstâncias do processo e diante da constatação de ausência de novos argumentos ou elementos de prova no Recurso Voluntário, corroboro com a decisão recorrida, no sentido de considerar como correta a não homologação do PER/DCOMP nº 25735.67199.311009.1.3.040001 pelo Despacho Decisório Eletrônico, pedindo vênia para adotar os trechos extraídos do voto condutor do acórdão recorrido abaixo transcritos como razões de decidir, alicerçado no §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57, do RICARF: À luz do relato feito e da análise do presente processo, constata se que o indeferimento do pedido pela DRF de origem foi motivado pelo fato de o recolhimento informado no Per/Dcomp Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10680.910481/201257 Acórdão n.º 1002000.419 S1C0T2 Fl. 164 5 ter sido utilizado integralmente na quitação de débito do próprio SIMPLES do período de apuração correspondente, qual seja, maio de 2007, uma vez que o contribuinte entregou Declaração Anual Simplificada para o período de 01/01/2007 a 30/06/2007. Por sua vez, alega que estava impedido de optar pelo SIMPLES no período e que teria ocorrido a sua exclusão retroativa, mediante pedido apresentado à RFB em 07/06/2010. No entanto, essa informação não se confirma, conforme se explica a seguir. De acordo com o Cadastro da empresa na RFB (telas às fls. 106), a contribuinte foi excluída do SIMPLES, por decisão administrativa, somente a partir de 30 de junho de 2007 (evento 321). E, de acordo com o Despacho Decisório nº 056/2011, de 02/02/2011, proferido pela DRF em Sete Lagoas, no processo nº 13609.000759/201075, o pedido de exclusão do Simples Federal no período de janeiro a junho de 2007 foi indeferido (fls. 107/108). Assim, no período de apuração de que trata o alegado crédito da contribuinte (maio de 2007), a empresa não se encontrava excluída do SIMPLES. Desta forma, não há que se falar em pagamento indevido do SIMPLES naquele período. Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade apresentada, para não reconhecer o direito creditório e não homologar a compensação em litígio. A análise acima descrita bem reflete o posicionamento deste julgador quanto ao tema ora examinado, porquanto seus fundamentos estão em consonância com a legislação regente da matéria e porque a circunstância fática que motivou o indeferimento do PER/DCOMP foi inequivocamente comprovada nos autos, qual seja: a utilização anterior do crédito pleiteado no pagamento de tributo de código 6106 (Simples), período de apuração de 31/05/2007. Tal fato configura ausência do requisito de liquidez e certeza do crédito pleiteado, inviabilizando a homologação do pedido de compensação, a teor do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN (grifos nossos): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Aduzo que o Despacho Decisório Eletrônico foi emitido com base em informações constantes da base de dados da RFB e extraídas de declarações válidas prestadas pelo próprio Recorrente. Assim, considerando que o artigo 170 do CTN só autoriza a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública; que o crédito de R$ 193,87 constante do PER/DCOMP de nº 25735.67199.311009.1.3.04 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10680.910481/201257 Acórdão n.º 1002000.419 S1C0T2 Fl. 165 6 0001, transmitido em 31/10/2009, fora integralmente utilizado na quitação de débitos de tributo do código 6106 (Simples) de período de apuração de 31/05/2007; e, ainda, que o Recorrente não traz nenhum elemento de prova adicional capaz de infirmar os fatos aqui narrados, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, mantendo integralmente a decisão de piso. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 165DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.721063/2009-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte.
Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço.
FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS SEMI-ELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS.
A transferência de matérias-primas extraídas das minas para as fábricas constitui-se em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostra-se imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa - frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindo-se no conceito de insumo.
Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias-primas), produtos semi-elaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização.
Nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS não-cumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria.
Numero da decisão: 9303-007.077
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO. FRETE NO TRANSPORTE DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GALVANI INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS SEMIELABORADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. A transferência de matériasprimas extraídas das minas para as fábricas constituise em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostrase imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindose no conceito de insumo. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias primas), produtos semielaborados e produtos acabados entre AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 10 63 /2 00 9- 21 Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10830.721063/200921 Acórdão n.º 9303007.077 CSRFT3 Fl. 3 2 estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização. Nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10830.721063/200921 Acórdão n.º 9303007.077 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3302002.969 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento. Na parte de interesse ao presente julgamento, o colegiado a quo reconheceu o direito de crédito da contribuição sobre o frete pago no transporte de insumos entre estabelecimentos da empresa. A Fazenda Nacional alega divergência com relação ao entendimento adotado no acórdão recorrido de que existe previsão legal para crédito de PIS e COFINS nãocumulativos sobre valores de fretes pagos, pelo transporte entre estabelecimentos do mesmo proprietário, de insumos minérios extraídos de minas e enviados a complexos industriais. Sustenta existir direito ao crédito somente com relação ao frete na operação de venda, e quando o ônus for suportado pelo vendedor. Foi dado seguimento ao recurso especial mediante despacho de admissibilidade proferido pelo Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por se ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial postulando a negativa de provimento. É o Relatório. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10830.721063/200921 Acórdão n.º 9303007.077 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.071, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 10830.721056/200929, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.071): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito A discussão principal posta nos autos referese ao conceito de insumos para determinação se pode ser utilizado pela Contribuinte como crédito de PIS e COFINS não cumulativos os gastos incorridos com o pagamento de frete de insumos (minério e matéria prima) entre seus estabelecimentos industriais. A priori, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10830.721063/200921 Acórdão n.º 9303007.077 CSRFT3 Fl. 6 5 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10830.721063/200921 Acórdão n.º 9303007.077 CSRFT3 Fl. 7 6 de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10830.721063/200921 Acórdão n.º 9303007.077 CSRFT3 Fl. 8 7 tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10830.721063/200921 Acórdão n.º 9303007.077 CSRFT3 Fl. 9 8 se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõe se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. A controvérsia em exame gravita em torno da possibilidade de ser considerados como insumos os gastos decorrentes da contratação de fretes de matériasprimas entre estabelecimentos da mesma empresa, de fretes de insumos e de produtos em elaboração para transferência entre estabelecimentos da Contribuinte. Os minerais, principal insumo da produção dos fertilizantes, são extraídos pela Recorrida de minas distantes do complexo industrial, havendo a necessidade de seu transporte, por meio de frete pago a terceira pessoa jurídica, até o local da produção do fertilizante. A Contribuinte sustenta desenvolver atividade econômica em toda a cadeia de produção de fertilizantes, sendo responsável não só pela fabricação do mesmo, como também pela extração dos minerais e o beneficiamento de uma parte dos insumos utilizados no processo produtivo. Por isso, defende que as despesas com frete contratado na aquisição dos insumos, bem como para a realização das transferências de matériasprimas dos estabelecimentos mineradores para as unidades industriais são essenciais para o processo produtivo e confecção do produto fertilizantes. No caso dos autos, temse que a extração dos minerais ocorre em minas da própria Contribuinte que é a produtora dos fertilizantes, sendo que o principal insumo para a fabricação do seu produto são os minerais, portanto, necessários e essenciais à atividade da empresa. Para a movimentação da matériaprima até o estabelecimento onde é produzido o fertilizante, é preciso contratar frete pago a terceira pessoa jurídica. Tal frete, por estar diretamente ligado ao processo produtivo/fabril, deve ser considerado como insumo. Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10830.721063/200921 Acórdão n.º 9303007.077 CSRFT3 Fl. 10 9 Conforme se verifica da descrição do processo produtivo efetuada pela Recorrida, a mesma atua em toda a cadeia de produção de fertilizantes, sendo responsável pela fabricação do mesmo e também pela extração e beneficiamento de parte dos insumos utilizados no processo produtivo. Traz como exemplo, o concentrado de fosfático pó, que [...] é gerado e encaminhado de sua unidade de Lagamar, em Minas Gerais, para o Complexo Industrial da Paulínia, em São Paulo, onde, agregado a outros insumos, alguns dos quais adquiridos de terceiros, dá origem ao fertilizante, produto final daquela. A transferência de matériasprimas extraídas das minas para as fábricas constituise em etapa essencial do ciclo produtivo, ainda mais quando se considera a distância que separa as unidades mineradoras dos complexos industriais e a diversidade de locais onde as minas estão situadas. Além disso, é característica da atividade da Recorrida a produção do próprio insumo, até mesmo como forma de ter a segurança de não interrupção do processo produtivo dos fertilizantes. Nesse cenário, portanto, mostrase imprescindível a contratação do frete junto à terceira pessoa jurídica para transferência entre estabelecimentos da mesma empresa frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local onde é produzido o fertilizante, inserindose no conceito de insumo. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de insumos (matérias primas), produtos semielaborados e produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em insumos essenciais no seu processo de industrialização. No mesmo sentido, já se pronunciou essa 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no julgamento que resultou no Acórdão n.º 9303005.156, de relatoria da nobre conselheira Tatiana Midori Migiyama: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIASPRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matériasprimas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10830.721063/200921 Acórdão n.º 9303007.077 CSRFT3 Fl. 11 10 Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. Por fim, nos termos do §8º, do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, importa consignar ser o entendimento da maioria do Colegiado, que acompanhou a Relatora pelas conclusões, que o conceito de insumo é mais restritivo, podendo ser reconhecido o direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos quando o bem ou serviço a ser considerado como insumo estiver estritamente vinculado à produção da mercadoria. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 298DF CARF MF
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Numero do processo: 10111.000229/2005-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 26/04/2005
AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. SÚMULA CARF Nº 01.
A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto deste importa em renúncia à instância administrativa na parte sub judice, sendo cabível a apreciação apenas da matéria não suscitada no processo judicial.
PROCEDIMENTOS FISCAIS DIVERSOS. ART. 146 DO CTN. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE.
Para que haja a alteração de critérios jurídicos adotados no lançamento, vedada pelo art. 146 do CTN, deve ter havido um lançamento de ofício anterior em relação aos mesmos fatos geradores cujo posicionamento se pretende alterar.
Eventuais conclusões de procedimentos fiscais anteriores efetuados em face da contribuinte e seus atos decorrentes (glosas, lançamento ou decisão motivada de não lançar), ainda que em decisão administrativa definitiva, não vinculam a autoridade fiscal em ações fiscais posteriores, relativas a outros fatos geradores.
Recurso voluntário negado na parte conhecida
Numero da decisão: 3402-005.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário. Na parte conhecida, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne que dava provimento ao Recurso por entender que houve violação ao art. 146, CTN, sendo aplicável a decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferida para o mesmo contribuinte.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 26/04/2005 AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. SÚMULA CARF Nº 01. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto deste importa em renúncia à instância administrativa na parte sub judice, sendo cabível a apreciação apenas da matéria não suscitada no processo judicial. PROCEDIMENTOS FISCAIS DIVERSOS. ART. 146 DO CTN. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE. Para que haja a alteração de critérios jurídicos adotados no lançamento, vedada pelo art. 146 do CTN, deve ter havido um lançamento de ofício anterior em relação aos mesmos fatos geradores cujo posicionamento se pretende alterar. Eventuais conclusões de procedimentos fiscais anteriores efetuados em face da contribuinte e seus atos decorrentes (glosas, lançamento ou decisão motivada de não lançar), ainda que em decisão administrativa definitiva, não vinculam a autoridade fiscal em ações fiscais posteriores, relativas a outros fatos geradores. Recurso voluntário negado na parte conhecida
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PROPOSITURA. EFEITOS. SÚMULA CARF Nº 01. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto deste importa em renúncia à instância administrativa na parte sub judice, sendo cabível a apreciação apenas da matéria não suscitada no processo judicial. PROCEDIMENTOS FISCAIS DIVERSOS. ART. 146 DO CTN. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE. Para que haja a alteração de critérios jurídicos adotados no lançamento, vedada pelo art. 146 do CTN, deve ter havido um lançamento de ofício anterior em relação aos mesmos fatos geradores cujo posicionamento se pretende alterar. Eventuais conclusões de procedimentos fiscais anteriores efetuados em face da contribuinte e seus atos decorrentes (glosas, lançamento ou decisão motivada de não lançar), ainda que em decisão administrativa definitiva, não vinculam a autoridade fiscal em ações fiscais posteriores, relativas a outros fatos geradores. Recurso voluntário negado na parte conhecida Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário. Na parte conhecida, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne que dava provimento ao Recurso por entender que houve violação ao art. 146, CTN, sendo aplicável a decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferida para o mesmo contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 02 29 /2 00 5- 63 Fl. 1133DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Fortaleza que julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Versa o processo sobre autos de infração referentes às diferenças de tributos em face da reclassificação fiscal de mercadoria importada mediante a Declaração de Importação (DI) nº 05/04238790, multas de ofícios correspondentes e multa administrativa por erro de classificação fiscal. Entendeu a fiscalização que a classificação adequada para a mercadoria seria no código NCM/SH 8526.91.00, com fundamento no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 221, de 23 de agosto de 2004, e também no Acórdão da 1ª Turma da DRJ nº 6607, de 23 de abril de 2004, rejeitando a classificação adotada pela contribuinte na DI (NCM/SH 8525.20.13) para o produto descrito como máquina móvel para sistema de controle e acesso dos serviços móveis de processamento de texto e posicionamento de veículos. A interessada impugnou o lançamento, alegando e requerendo, em síntese: a) nulidade do auto de infração por inépcia; b) a função predominante da "máquina móvel" é a de telecomunicações, e não de radionavegação (acessória); c) seguiu as orientações constantes na Seção XVI da NCM, em especial, as Notas 3, 4 e 5; d) inaplicabilidade do Ato Declaratório Interpretativo 14/20032; e) laudo técnico apresentado confirma o enquadramento tarifário 1 Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 22, de 20 de agosto de 2004 DOU de 23.8.2004 Dispõe sobre a classificação fiscal dos aparelhos denominados receptores GPS, que desempenham a função de autolocalização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, por meio de sinais de rádio emitidos por uma constelação de satélites. O SECRETARIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF no 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o que consta no processo no 10168.002623/200408, declara: Art. 1º Aparelhos receptores GPS (Global Positioning System Sistema de Posicionamento Global), que desempenham a função de autolocalização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, por meio de sinais de rádio emitidos por uma constelação de satélites (radionavegação), para quaisquer usos, classificamse no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul. Art. 2° Fica Revogado o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 14, de 2 de setembro de 2003. 2 Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 14, de 02 de setembro de 2003 DOU de 4.9.2003 Dispõe sobre a classificação fiscal dos aparelhos e equipamentos que fazem uso do Sistema de Posicionamento Global (Global Positioning System GPS) na Nomenclatura Comum do Mercosul. Revogado pelo ADI SRF Nº 22, de 20 de agosto de 2004. Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 10111.000229/200563 Acórdão n.º 3402005.586 S3C4T2 Fl. 11.312 3 adotado pelo importador; f) argumentos de natureza econômica também confirmam a função principal do MCT (Terminal de Comunicação Móvel); e, g) por fim, requer o afastamento das penalidades e encargos moratórios, em conformidade com o disposto no incido III e no parágrafo único do art. 100 do CTN. A Delegacia de Julgamento converteu o julgamento em diligência para a verificação de eventual concomitância com a via judicial, tendo a fiscalização apresentado suas informações e a impugnante sua manifestação. Após, foi proferida decisão desfavorável à impugnante sob os seguintes fundamentos principais: Com base nos elementos trazidos aos autos por ambas as partes, o indício de concomitância com a via judicial foi afastado, vez que a classificação fiscal do MCT não está sendo discutida em nenhuma das ações judiciais em que se identificou tal possibilidade. Um aspecto crucial não foi devidamente valorado na definição da função mais importante do MCT. Tratase da FINALIDADE ESPECÍFICA que levou à criação dele e que ainda hoje é o PRINCIPAL OBJETIVO desse tipo de equipamento: possibilitar a supervisão em movimento do veículo onde ele é instalado. A função de comunicação é importante, mas atua como MEIO para atingir os fins a que o aparelho se destina. Sendo o MCT caracterizado como uma combinação de máquinas para realizar diferentes funções e a autolocalização via GPS, considerada a função mais importante, é na classificação fiscal referente ao dispositivo que desempenha essa função que o equipamento como um todo deve ser enquadrado. Não é relevante o fato de o MCT poder ser utilizado sem esse aparelho, ainda mais quando se sabe que, mesmo assim, ele ainda poderia desempenhar a referida função, como deixou claro o laudo técnico apresentado pela impugnante. Diferentemente do que alega a impugnante, tanto seu Estatuto Social como a Autorização da Anatel, na realidade, comprovam a importância da função de autolocalização geográfica, que é desempenhada pela placa GPS, mas que o MCT também seria capaz de realizar mesmo sem essa placa, de acordo com os laudos técnicos trazidos pela própria impugnante. Conforme demonstrado, todas as Soluções de Consulta suscitadas pela defesa confirmam que a principal função dos equipamentos analisados é o rastreamento dos veículos em que eles são instalados. A definição de código para enquadramento diferente do adotado pela fiscalização devese a peculiaridades próprias dos aparelhos examinados ou das decisões. Ademais, nenhum dos aparelhos objeto das consultas trazidas pela impugnante foi considerado como uma combinação de máquinas, como é o caso do MCT. O SECRETARIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o que consta da Nota Coana/Cotac/Dinom n° 244, de 27 de agosto de 2003, declara: Artigo único. Os aparelhos e equipamentos que fazem uso do Sistema de Posicionamento Global (Global Positioning System GPS), desempenhando a função de autolocalização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, classificamse como aparelhos de radionavegação no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul. Fl. 1135DF CARF MF 4 A impugnante apresentou laudos técnicos emitidos pela Universidade de Brasília (UnB) que, embora concluam que a função principal do MCT é a de comunicação, trazem informação que reforçam o entendimento quanto à relevância de função de autolocalização. Ambos os pareceres afirmam que, mesmo sem a placa receptora GPS, o equipamento ainda seria capaz de fornecer a localização do veículo, conforme reproduzido a seguir. Ou seja, essa placa até pode ser um acessório, mas o mesmo não pode ser dito sobre a função de autolocalização. Independentemente da análise quanto à efetiva caracterização do costume jurídico em relação às importações do MCT anteriores ao ADI SRF nº 14/2003, fica evidente a inocorrência desse instituto para as operações realizadas após a edição desse Ato, como é o caso ora examinado. Portanto, indeferese o pedido da impugnante para dispensa das penalidades e encargos moratórios. Cientificada pela via postal em 15/05/2013, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 13/06/2013, suscitando as seguintes preliminares: i) impossibilidade de juntada tardia de documentos pela autoridade preparadora; ii) necessidade de desconsideração dos documentos em idioma estrangeiro; e iii) ilegalidade na referência à opinião da OMA. No mérito, as alegações da recorrente foram assim resumidas por ela: 1. Não se pode conceber a utilização de documentos juntados tardiamente pela fiscalização, em idioma estrangeiro e, ainda, que a autuação utilize como fundamento informações em site inexistente ou que tenham que ser traduzidos pelo contribuinte, via Google, do lituano para o português. Assim, havendo outros fundamentos não viciados para a autuação, apenas esses devem ser levados em consideração. 2. O MCT é equipamento que permite o envio e recebimento de mensagens alfanuméricas entre central e frota, ou a partir de pontos fixos distantes (ilhas, estações em florestas, etc), consulta a banco de dados (relevante para secretarias de segurança, empresas de energia elétricas, etc), telemetria, e localização. No conceito genérico de rastreamento (que não guarda real precisão técnica) incluise toda essa gama de atividades, que possuem como base a comunicação. A telecomunicação, por excelência, é sempre um meio, um canal, para permitir a comunicação entre dois pontos distantes entre si, razão pela qual o argumento do v. acórdão referenda o aqui alegado. 3. Essas funcionalidades, inclusive a localização (que é função acessória), não caracterizam radionavegação. O MCT não indica rota e direção para o motorista de um veículo. E tampouco permite, em termos práticos, sua utilização para a radionavegação nem mesmo com o auxílio à distância de um operador na central. Cogitarse isso é desconhecer o funcionamento técnico do equipamento, a função para o qual foi projetado e, especialmente, a sua utilização prática. 4. Por essa razão, casos idênticos ao presente, envolvendo a Recorrente, já foram apreciados pelo Conselho de Contribuintes, atual CARF. A Egrégia Segunda Câmara do antigo Conselho de Contribuintes, por seis votos a um, e a Câmara Superior de Recursos Fiscais, à unanimidade e quanto ao mérito, entenderam como correta a classificação fiscal do MCT utilizada pela Recorrente no Recurso n° 130.748 (Recurso Especial n° 302130.748). E a Egrégia 2a Turma da 1a Câmara da 3a Seção do CARF, também à unanimidade e sobre o mérito, entendeu da mesma forma quando do julgamento dos Recursos Voluntários n.s 143.883; 143.902; 143.903 e 143.905; 5. A Receita Federal já reconheceu, em Solução de Consulta relativa a equipamento em tudo semelhante ao MCT, como correta a classificação adotada pela Recorrente. E referida Solução de Consulta foi proferida posteriormente ao recebimento da opinião da OMA alegadamente sobre assunto idêntico; 6. Em equipamentos com função de localização praticamente idêntica à do MCT e sem nenhuma função de comunicação a Receita Federal também Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 10111.000229/200563 Acórdão n.º 3402005.586 S3C4T2 Fl. 11.313 5 reconheceu, em Soluções de Consulta, que a classificação não é de radionavegação, aplicando enquadramentos semelhantes, com os devidos ajustes, ao utilizado pela Recorrente. Isso porque localização e radionavegação são distintos; 7. Por mais que se esforce o v. acórdão em distorcer a lógica adotada pelas Soluções de Consulta, as conclusões destas foram pela classificação dos equipamentos similares como de comunicação. É inverídico que a Solução de Consulta baseada no laudo do ITUFES mencionado no acórdão mas não trazido aos autos, e que simplesmente informa que o equipamento é de rastreamento, conceito absolutamente distinto de radionavegação concluiu que a finalidade do equipamento seria localização. 8. Para a Anatel e para os Estados, os serviços prestados por meio do MCT são de comunicação de dados, estando portanto sujeitos aos tributos daí decorrentes; 9. Conforme laudo técnico da Universidade de Brasília, a ser considerado nos termos do artigo 30 do Decreto n° 70.235/72, o MCT deve ser enquadrado nas posições 8525.20.13 (anterior à Resolução CAMEX n° 43/2006) ou 8517.62.71, por adequarse, palavra por palavra, na descrição da NCM; 9.1 O laudo técnico atesta que a função principal do MCT é a de comunicação, e que o posicionamento ou localização do veículo constitui função acessória; 9.2 Para tanto, atesta que a comunicação funciona independentemente da existência da placa GPS (localização), mas que a função de posicionamento ou localização tornase inoperante sem a função de comunicação; 9.3 O laudo conclui, ainda, que o MCT não possui função de radionavegação; 9.4 Não possui qualquer fundamento lógico ou técnico a tentativa do v. acórdão de valerse de resposta do laudo para fundamentar sua tese. O MCT tão somente permite uma outra forma de localização, sem o uso do GPS, que não é utilizada em termos práticos e não significa em absoluto maior relevância da função de localização. Caso se queira trilhar essa linha irrelevante de argumentação, em realidade a Recorrente oferece redundância tripla e com utilização prática para a comunicação, o que denotaria então uma maior importância da comunicação pela lógica do v. acórdão. 10. Ainda que ultrapassados os óbices que impedem seja levada em consideração a opinião da OMA quando do julgamento deste Recurso, temse que aquela não é suficiente para abalar o direito da Recorrente à classificação fiscal adotada; 11. A opinião da OMA não foi extraída no âmbito de procedimento vinculativo aos países membros e tampouco foi internalizada no ordenamento pátrio, não estando inserida no anexo à Instrução Normativa SRF n° 873/08. Logo, a mera opinião pode, sim, ser desconsiderada pelas autoridades alfandegárias e pelas autoridades julgadoras; 12. A consulta de 10 linhas formulada à OMA pela COANA seria considerada ineficaz se apreciada no âmbito da IN SRF n° 740/07, uma vez que não continha os elementos mínimos que permitissem uma completa análise do equipamento. É possível que a forma lacônica da consulta e as informações contidas no site cujo conteúdo se desconhece tenham induzido a OMA a erro quanto à correta classificação do equipamento 11. Financeiramente, a receita de comunicação gerada pelo MCT no ano da primeira autuação, idêntica à presente, foi de 88,2967% contra 11,7033% da receita de localização (com uso do GPS). Assim, a comunicação é a função principal do equipamento não só tecnicamente, mas também do ponto de vista econômico e de utilização pelo cliente. O v. acórdão nada dispõe sobre esse fundamento; 12. O GPS corresponde a tão somente cerca de 4,5% do custo total do MCT, o que demonstra a inviabilidade comercial deste caso se tratasse de equipamento cuja Fl. 1137DF CARF MF 6 função principal fosse a localização. O v. acórdão também nada dispõe sobre esse fundamento. Em 31/03/2015 foi juntada petição pela recorrente mediante a qual se aponta a "concomitância quanto ao mérito da demanda e requerse o prosseguimento do feito administrativo no que diz respeito às mencionadas violações ao artigo 146 e ao artigo 100 do Código Tributário Nacional, ensejadoras, respectivamente, do cancelamento do auto ou ao menos do afastamento de multa e juros". É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Após a interposição do recurso voluntário, a interessada apresentou petição noticiando da propositura de ação judicial com os seguintes pedidos: Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 10111.000229/200563 Acórdão n.º 3402005.586 S3C4T2 Fl. 11.314 7 (...) Conforme determina o § 2º do art. 1º do Decretolei nº 1.737/1979, a "propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto". Também o art. 38 da Lei nº 6.830/80 traz a mesma determinação em relação às ações judiciais de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida. Nessa linha, o CARF aprovou o enunciado de Súmula CARF nº 01, publicada no DOU de 22/12/2009, no sentido de que "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". O art. 87 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, no mesmo sentido, assim regulamentou a matéria: Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Dessa forma, tendo em vista que a matéria central discutida no presente processo, acerca da classificação fiscal, é objeto da ação ordinária nº 0047878 47.2014.4.01.3400, não se pode aqui conhecer da referida matéria. O mesmo acontece em relação ao requerimento de afastamento da penalidades como base no art. 76, II, "a" da Lei nº 4.502/64, que não deve ser conhecido no âmbito deste recurso voluntário. Conhecese, no entanto, o recurso voluntário na parte relativa às alegações de nulidades do auto de infração e de violações aos arts. 100 e 146 do CTN. As alegações de nulidade não prosperam acerca da juntada tardia de Parecer da OMA em idioma estrangeiro, já que tal Parecer não tem caráter vinculante e a interessada pode se manifestar sobre ele, em observância ao princípio do contraditório. Fl. 1139DF CARF MF 8 As decisões anteriores prolatadas pelo CARF não possuem caráter vinculante para a Receita Federal em relação a outros lançamentos, ainda que em relação ao mesmo sujeito passivo, eis que não se trata de decisões para as quais a lei tenha atribuído eficácia normativa, nos termos do art. 100, II do CTN, nem tampouco de práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas (inciso III). Ademais, para que haja a alteração de critérios jurídicos adotados no lançamento, vedada pelo art. 146 do CTN, deve ter havido um lançamento de ofício anterior em relação aos mesmos fatos geradores cujo posicionamento se pretende alterar. Eventuais conclusões de procedimentos fiscais anteriores efetuados em face da contribuinte e seus atos decorrentes (glosas, lançamento ou decisão motivada de não lançar), ainda que em decisão administrativa definitiva, não vinculam a autoridade fiscal em ações fiscais posteriores, relativas a outros fatos geradores. Assim, pelo exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente o recurso voluntário, e nessa parte, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 1140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10630.001253/2005-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 12 53 /2 00 5- 51 Fl. 88DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0919.175, da 1ª Turma da DRJ/JFA, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, devido à prática de atividade vedada. A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, conforme o relatório, a seguir: Relatório Em Representação Administrativa elaborada por AuditorFiscal da Previdência Social, às fls. 05/06, foi relatado que a contribuinte prestou serviço de cessão de mãodeobra, conforme contrato realizado com a COVEPE Comércio de Veículos Pesados Ltda. Em análise realizada pela Delegacia da Receita Federal em Governador Valadares/MG, às fls. 01/03, foi proposta a exclusão da contribuinte do Simples. Em conseqüência, foi emitido o Ato Declaratório Executivo (ADE) n.° 39/2005 (fl. 26), efetivando a exclusão do Simples “em razão da constatação de situação incluída nas hipóteses de vedação a opção pela sistemática tributária em questão, no caso, locação de mãodeobra, por força do artigo 9°, inciso XII. alínea "f" da Lei n.° 9.317/96'”, com efeitos a partir de 1°/0l/2002. de acordo com o disposto no artigo 24, § 1°, inciso II, da IN SRF n° 608/2006, A contribuinte manifestou sua inconformidade às fls. 34/35, pedindo para que seja mantida no Simples, em resumo, sob os seguintes argumentos: a) A empresa Presta serviços exclusivos de lanternagem e pintura b) A empresa não utiliza, na execução de serviços, nenhuma engenharia mecânica. c) A empresa presta todos os seus serviços em sua área de instalação. d) A empresa obedece os demais critérios de enquadramento do SIMPLES. É o relatório Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso voluntário, a recorrente apresenta os mesmo argumentos já reportados no relatório acima e pugna (repetindo a manifestação de inconformidade): · A tempo e modo, a recorrente apresentou. impugnação demonstrando que a empresa presta serviços de lanternagem e pintura, não loca de mãodeobra e nem serviços de engenharia mecânica. · a recorrente foi constituída em 1999, pela união dos sócios: Paulo Antonio Mendonça e Renaldo do Carmo, com o objetivo de prestar Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10630.001253/200551 Acórdão n.º 1001000.726 S1C0T1 Fl. 3 3 serviços de manutenção e reparo de caminhões, ônibus e outros veículos; · ao mesmo ano, locou parte do estabelecimento da empresa Covepe Comercio de Veiculos Pesados Ltda, inscrita no CNPJ 20628.285/000206, para exercer seu objetivo social; · doravante, a recorrente e a Covepe firmaram um contrato de prestação de serviços de lanternagem, tendo por objetivo a realização, pela recorrente, de lanternagem e pintura nos veículos da Covepe; · sendo assim, a empresa em questão nada mais é do que uma oficina mecânica que firmou, por um certo período de tempo, um contrato de exclusividade com a Covepe, consoante regra clara do art. 170 da Constituição Federal que permite a livre iniciativa dos cidadãos e indivíduos; · alega o instituto da verdade material (cita decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais acórdão 0304.371; · não se pode, assim, simplesmente “interpretar" um contrato e dizer que as suas cláusulas foram executadas e que essas execuções foram de maneira contrária ao texto da lei. · ademais, o AuditorFiscal previdenciário deveria demonstrar que a recorrente contratava funcionários e cedia essa mãodeobra para realizar serviços à Covepe; · não se pode, assim, simplesmente “interpretar” um contrato e dizer que foram “cedidos funcionários", conforme diz determinada cláusula. · noutro giro, o AuditorFiscal e a 1° Turma do DRJ/JFA não podem tirar a eficácia da Lei 10.964/2004, segundo a qual as oficinas mecânicas podem optar pelo Simples; · afirma que a recorrente é uma oficina mecânica e que não foi provado pelos fiscais que a recorrente cedia mãodeobra; · requer: Em face do exposto, recebido e autuado o presente Recurso Voluntário pede a esse egrégio Conselho de Contribuintes, por uma de suas Turmas que seja dado provimento ao Recurso Voluntário para reformar o Acórdão proferido pela 1” Turma da DRJIJFA para manter a recorrente como optante do Simples, tornando sem efeitos o Ato Declaratório Executivo 39/2005, que excluíra a recorrente do Simples. · Requer provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos na forma prevista no art. 16 III §4° e art. 18 do Decreto 70.235, em especial a prova documental que ora apresenta e a produção de prova pericial e testemunhal. Fl. 90DF CARF MF 4 · Requer, a teor do art. 16 e 33 do Decreto 70.235, seja o recorrente intimado pessoalmente da decisão a ser proferida por esse egrégio Conselho, bem como dos demais atos a serem lavrados com a instauração do processo tributário administrativo. Na realidade, a exclusão da recorrente não se deu, única e exclusivamente, por conta de uma interpretação do contrato de exclusividade, como alega a recorrente, muito embora, o objeto deste deixa muito claro que o objeto é a locação/cessão de mãodeobra: Constitui o objeto ,do Contrato os serviços de lantenagem em caminhões, ônibus, tratores, veículos de passeio, utilitários e afins, os quais a CONTRATADA se obriga a prestar á CONTRATANTE, no endereço, sito à av. Cristiano Ferreira Varella n°59,Vila Isa, em Governador Valadares MG. Parágrafo Primeiro: Exercer controle sistemático de visitas periódicas de supervisores e/ou assemelhados no intuito de obter alto padrão de execução de serviços. . Parágrafo Segundo: Substituir de imediato, independentemente de apresentação de motivos e sempre que exigido pela CONTRATANTE qualquer profissional cuja atuação ou comportamento seja julgado prejudicial, inconveniente ou insatisfatório á disciplina ou ao interesse do serviço. Parágrafo Terceiro: Arcar com o pagamento de todos os encargos de natureza social e tributária que incidam ou venha a incidir sobre a prestação de serviço ora pactuado, devendo a CONTRATADA prestar mensalmente á CONTRATANTE, anexando aos documentos de cobrança do serviços, comprovantes de.quitação de todas as obrigações de âmbito Federal, Estadual e Municipal ( trabalhistas, tributárias e sociais, etc) inerentes ao mês anterior. ParágrafoSexto: Fazer identificação dos funcionários por intermédio de crachá, com todos os dados pessoais do empregado (nome, cargo, data de admissão, etc), para cumprimento de normas do Ministério do Trabalho. CLÁUSULA SEGUNDA CARGA HORÁRIA _ Os serviços a serem executados, terão de obedecer ao horário estabelecido pela CONTRATANTE, que atualmente é de 07:42 às 11:30 horas e de 13:00 ás 18:00, podendo ser modificado caso seja necessário, já que a CONTRATADA executa tais serviços nas dependências da CONTRATANTE. E, por fim, a cláusula terceira estabelece que haja a retenção de 11% do valor bruto da Nota Fiscal, para atendimento às regras da Seguridade Social (OS 203/99), a qual trata justamente do assunto, como segue: Estabelece procedimentos para arrecadação e fiscalização das contribuições incidentes sobre a remuneração decorrente da prestação de serviços através de empreitada de mãodeobra e/ou mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário e de cooperativa de trabalho Na representação administrativa (fl 6), foram anexados documentos probantes, dentre eles, notas fiscais de prestação de serviços. Na NF 15, fica clara a retenção de 11%, como acima citado, o que contraria as alegações da recorrente e constitui prova de que a empresa faturava por locação/cessão de mâodeobra.. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10630.001253/200551 Acórdão n.º 1001000.726 S1C0T1 Fl. 4 5 Assim, peço a devida vênia para adotar a decisão da DRJ, a qual reproduzido, parcialmente, o voto: À luz do precitado Parecer, dada a similaridade entre os conceitos de locação de mãodeobra, cessão de mãodeobra e empreitada exclusivamente de mãodeobra. e' vedada a opção pelo Simples às pessoas jurídicas que realizem operações que tenham por objeto esses serviços. O referido Parecer conclui também pela vedação à opção às pessoas jurídicas que estabelecem contratos de prestação de serviços relativos à empreitada e subempreitada de mãodeobra, aplicados à construção civil, independentemente do fornecimento de material (Lci n” 9.528/97, art. 4°). Observo que tal vedação decorre do fato de que as atividades em questão implicam uso intensivo de mãodeobra. Assim, permitir que pessoas jurídicas que exerçam tais atividades possam ingressar no Simples pode acarretar sérias perdas a seguridade social. No caso, restou caracterizada a cessão de maodeobra, nos termos definidos pelo art. 31, § 3°, da Lei n.° 8.212/91. Isto porque pelo “Contrato de Prestação de Serviço de Lanternagem” realizado entre a contribuinte (contratada) e a COVEPE z Comercio de Veiculos Pesados Ltda (contratante) houve a colocação de funcionários da contratada a disposição da contratante nas dependências desta e a prestação de serviços contínuos. Tal contrato visou à terceirização de serviços de lanternagem a serem prestados a clientes da contratante. As cláusulas primeira e segunda estabelecem que os serviços serão prestados nas dependências da contratante. Ha inclusive previsão que a contratada comunique à contratante para que esta disponibilize sua sede em caso de serviços a serem realizados nos sábados. domingos e feriados. Interessante notar que no contrato supraeitado o endereço de ambas é praticamente o mesmo, diferindo apenas por conter o da contribuinte a informação “sala 1”. Já a continuidade do serviço está caracterizada pela cláusula sexta: que estabelece prazo de vigência indeterminado para 0 contrato. Por fim, observo que, de acordo com a cláusula terceira e as notas fiscais acostadas aos autos, houve a retenção de 11% de INSS nos termos prescritos no art. 31 da Lei n.° 8.212/91. Ante o exposto, voto por indeferir a solicitação da contribuinte, mantendo a exclusão do Simples efetuada pelo Ato Declaratório Executivo n°39/2005 Quanto aos requerimentos da recorrente, quanto a prova documental que ora apresenta e a produção de prova testemunhal, temse que nenhuma outra prova nova foi anexada ao recurso e desnecessário inquiri testemunhas para o caso em tela. Fl. 92DF CARF MF 6 Requer, também, que a recorrente seja intimada pessoalmente da decisão deste CARF, bem como dos demais atos a serem lavrados. A ciência das decisões é dada de acordo com as normas em vigor: via postal, edital (na falta de êxito da via postal) e via eletrônica (quando aplicável essa opção). Conseqüentemente, nego provimento ao presente recurso, sem crédito tributário em litígio. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12045.000449/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
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VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 04 49 /2 00 7- 15 Fl. 1717DF CARF MF Processo nº 12045.000449/200715 Acórdão n.º 2402006.375 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 1718DF CARF MF Processo nº 12045.000449/200715 Acórdão n.º 2402006.375 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 1719DF CARF MF Processo nº 12045.000449/200715 Acórdão n.º 2402006.375 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 1720DF CARF MF
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