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Numero do processo: 14333.000282/2007-72
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 06/11/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. DEFINITIVIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Tendo o contribuinte optado pelo parcelamento dos créditos, resta configurada a renúncia, devendo ser declarada a definitividade do crédito, ficando restabelecido a lançamento em seu estado original.
Numero da decisão: 9202-006.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário, em face da desistência do recurso pelo sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 06/11/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. DEFINITIVIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Tendo o contribuinte optado pelo parcelamento dos créditos, resta configurada a renúncia, devendo ser declarada a definitividade do crédito, ficando restabelecido a lançamento em seu estado original.
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AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. DEFINITIVIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Tendo o contribuinte optado pelo parcelamento dos créditos, resta configurada a renúncia, devendo ser declarada a definitividade do crédito, ficando restabelecido a lançamento em seu estado original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário, em face da desistência do recurso pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 33 3. 00 02 82 /2 00 7- 72 Fl. 347DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Auto de Infração, DEBCAD: 35.526.0743, lavrado contra o contribuinte identificado acima, consolidado em 25/05/2010, no valor de R$ 17.354,25 (Dezessete mil, trezentos e cinquenta e quatro reais, e vinte e cinco centavos), em razão da empresa ter infrigido o dispositivo previsto no artigo 32, inciso IV, parágrafos 3º e 5º da Lei nº 8.212/91, cumulado com o art. 225, inciso IV e parágrafo 4º do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. O crédito tributário constituído no Auto de Infração em tela referese a todas as competências abrangidas no período de 12/2003 a 12/2005 e tem por objeto a apresentação, pela empresa, de GFIP’s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, já que não informou a remuneração de segurados empregados referentes ao 13º salário de 2003, 2004 e 2005 (código de fundamentação legal 68) A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ julgado o lançamento procedente, mantendo o crédito tributário na sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 17/10/2012, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2401002.731 (fls. 247/265), com o seguinte resultado: " ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso, de modo que se aplique a multa mais benéfica ao contribuinte, a qual terá como limite o valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzidas as multas aplicadas sobre contribuições previdenciárias na(s) NFLD correlata (s), vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Walter Murilo elo de Andrade e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator), que davam provimento parcial em maior proporção, recalculando o valor da multa de acordo com o art. 32A da Lei nº 8.212/91. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 01/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, §5º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações À Previdência Social – GFIP com omissão de fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Fl. 348DF CARF MF Processo nº 14333.000282/200772 Acórdão n.º 9202006.180 CSRFT2 Fl. 3 3 RELEVAÇÃO DE MULTA. INAPLICABILIDADE. CORREÇÃO DA INFRAÇÃO FORA DO PRAZO PREVISTO NA LEGISLAÇÃO. Com fulcro no artigo 291, §1º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 (redação original), somente será relevada a multa aplicada quando corrigida a infração, com pedido dentro do prazo de defesa, sendo o contribuinte primário e inexistindo circunstância agravante. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA NORMA SUPERVENIENTE. Tendo havido alteração na legislação que instituiu sistemática de cálculo da penalidade por descumprimento de obrigação acessória, devese aplicar a norma superveniente aos processos pendentes de julgamento, se mais benéfica ao sujeito passivo. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONSTRIBUIÇÕES. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa é única e aplicada com esteio no art. 35A da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 13/12/2012, para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 18/12/2012, o presente Recurso Especial (fls. 266/327). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400488/2013, da 4ª Câmara, de 23/04/2013 (fls.328/331). O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (arts. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Cientificado do Acórdão nº 2401002.731, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN em 25/08/2013, o contribuinte apresentou, tempestivamente, em 19/11/2013, requerimento (fls.335/342) onde solicita o cancelamento da intimação que recebeu informando o resultado do julgamento do processo no CARF, do RESP da Fazenda Nacional e do Exame de Admissibilidade do Resp da PGFN, devido a sua adesão à Lei nº 11.941/2009, pela opção da totalidade dos débitos. É o relatório. Fl. 349DF CARF MF 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende, em principio, aos demais pressupostos de admissibilidade. Preliminares ao Mérito Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, assim requer o recorrente: "Nessa linha de raciocínio, a NFLD e o Auto de Infração devem ser mantidos, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da MP 449." Contudo, após a realização do exame de admissibilidade do recurso apresentado pela Fazenda Nacional em 23/04/2013, o sujeito passivo apresentou tempestivamente, em 19/11/2013, requerimento (fls.335/342) onde solicita o cancelamento da intimação que recebeu informando o resultado do julgamento do processo no CARF, do RESP da Fazenda Nacional e do Exame de Admissibilidade do Resp da PGFN, devido a sua adesão à Lei nº 11.941/2009, pela opção da totalidade dos débitos. Esse fato, enseja renúncia de todas as alegações de direito sobre as quais se funda, conforme disposto no art. 78 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 343, de 09/06/2015. senão vejamos: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 14333.000282/200772 Acórdão n.º 9202006.180 CSRFT2 Fl. 4 5 § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Diante disto, não há mais litígio em questão, uma vez que o contribuinte renunciou ao seu direito de discutir o lançamento efetuado com pedido de parcelamento do débito. Assim, devese declarar a definitividade do crédito tributário nos moldes fixados no auto de infração. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO E DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda para declarar a definitividade do crédito tributário em face da desistência do recurso pelo pedido de parcelamento. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 351DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.904986/2012-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DACON RETIFICADORA E DARF. AUSÊNCIA DE DCTF. PROVAS INSUFICIENTES. RECURSO DESPROVIDO.
Em sede de pedido de restituição cabe ao contribuinte fazer prova do seu alegado direito, conforme artigo 36, da Lei 9.874/98 c/c artigo 333, I do CPC/73 (vigente à época dos fatos), atual artigo 373, I, do CPC/2015.
A Recorrente apresentou DACON retificadora e DARF do suposto pagamento indevido, todavia, não se mostraram provas mínimas para o fim desejado, revelando-se provas precárias, insuficientes.
Numero da decisão: 3401-004.215
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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APRESENTAÇÃO DE DACON RETIFICADORA E DARF. AUSÊNCIA DE DCTF. PROVAS INSUFICIENTES. RECURSO DESPROVIDO. Em sede de pedido de restituição cabe ao contribuinte fazer prova do seu alegado direito, conforme artigo 36, da Lei 9.874/98 c/c artigo 333, I do CPC/73 (vigente à época dos fatos), atual artigo 373, I, do CPC/2015. A Recorrente apresentou DACON retificadora e DARF do suposto pagamento indevido, todavia, não se mostraram provas mínimas para o fim desejado, revelandose provas precárias, insuficientes. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versam os autos sobre recurso voluntário, oriundo de processo de PER/DCOMP, no qual o sujeito passivo indicou suposto crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição apurado sob o regime da nãocumulatividade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 49 86 /2 01 2- 62 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10925.904986/201262 Acórdão n.º 3401004.215 S3C4T1 Fl. 3 2 O pedido da recorrente foi indeferido através do Despacho Decisório Eletrônico que instrui os autos, onde informouse que o pagamento indicado estava totalmente utilizado para a quitação de débitos da Contribuinte, não restando crédito disponível. Irresignada, apresentou manifestação de inconformidade defendendo que recolheu contribuições indevidamente, vez que não tinha efetuado exclusões da base de cálculo da referida contribuição, previstas em lei. Apresentou DACON retificadora onde apura saldo credor, de modo que o recolhimento feito anteriormente, mostrase indevido, logo, passível de restituição. Asseverou que, por um lapso, deixou de retificar tal informação em DCTF e que a informação em DACON é suficiente para demonstrar seu direito. Defende que a circunstância de não retificar a DCTF não inviabiliza a restituição de valores comprovadamente indevidos. Sobreveio acórdão nº 07030.967 da DRJ/FNS, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, de acordo com a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Regularmente cientificada desta decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, onde essencialmente repisa os argumentos da manifestação de inconformidade, afirmando possuir o direito pleiteado e citando o Acórdão nº 3302002.104 do CARF como jurisprudência que entende amparar seu pleito. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.207, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.904977/201271, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10925.904986/201262 Acórdão n.º 3401004.215 S3C4T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.207): "I. Do conhecimento e admissibilidade dos recursos voluntário O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente fora cientificada da decisão da DRJ, em 21/05/2013 (efl. 64), vindo a ser interposto recurso voluntário, 19/06/2013. Assim, preenchidos os requisitos formais de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II. Do mérito O julgamento deste processo servirá de paradigma aos demais processos vinculados, seguindo, portanto, a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Como se viu do Relatório acima, entende a Recorrente que faz jus a compensação da contribuição para o PIS, referente ao mês de abril 2005, vez que teria o recolhido indevidamente, não excluindo de sua base de cálculo parcelas autorizadas pela legislação de regência. Para dar azo ao seu suposto direito, em 21/08/2009, apresentou DACON retificador. O artigo 16 do Decreto 70.235/72 exige que o contribuinte apresente provas documentais no momento da impugnação, porém, este E. Tribunal tem flexibilizado em razão do princípio da verdade material, possibilitando que o sujeito passivo produza provas em momento posterior. Em casos em que o contribuinte não traz qualquer prova DARF, DCTF, Livros contábeis, etc), este CARF tem entendido que tal ônus é da parte que pleiteia o crédito, dentre outros, acórdão 3401003.652, referente ao processo 13888.900243/201467, de minha relatoria, o qual também serviu de paradigma. Diz a Recorrente que tentou fazer sua DCTF retificadora logo após o despacho decisório, porém recebera informação "... (mensagem de erro) de que o prazo para a retificação de informações havia expirado." (efl. 68), porém, não há nos autos tal prova. Defende que seus créditos são advindos de ter deixado de excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS, parcelas legalmente admitidas pela legislação de regência (artigo 15 da Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10925.904986/201262 Acórdão n.º 3401004.215 S3C4T1 Fl. 5 4 MPV 2.158351; artigo 17, da Lei 10.684/20032 e artigo 1° da Lei 10.676/20033. As hipóteses de exclusão contidas nas legislações referidas são variadas, porém, a Recorrente apenas trouxe a prova no DACON, o qual não traz a origem destes créditos, ou seja, o nexo causal da retificação com a real existências destes tais créditos, ou qualquer explicação ou elemento de prova que indique com precisão o valor do pleito à restituir; e o DARF, do recolhimento supostamente indevido. Como se sabe, em sede de pedido de restituição e/ou compensação, o ônus da prova cabe ao contribuinte, por força do artigo 36, da Lei 9.874/98 c/c artigo 333, I, do CPC/1973 (vigência à época dos fatos), atual artigo 373, I, do CPC/2015, o 1 Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § 1o Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2o Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. 2 Art. 17. Sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e no art. 1o da Medida Provisória no 101, de 30 de dezembro de 2002, as sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. Parágrafo único. O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999. 3 Art. 1º As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1o As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. § 2o Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. § 3o O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10925.904986/201262 Acórdão n.º 3401004.215 S3C4T1 Fl. 6 5 que, no caso dos autos, no entender deste relator, não fora feito pela Recorrente. O DACON e DARF juntados pela Recorrente não são provas suficientes para comprovar, minimamente, o direito à restituição perseguido, revelandose provas precárias para este fim. Dispositivo Com estas considerações, conheço do recurso voluntário e lhe nego provimento." Registrese que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, a recorrente trouxe como provas de seu suposto crédito, apenas a DACON retificadora e DARF, sendo estes, consoante entendimento exposto, elementos insuficientes para comprovar o direito à restituição. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.723097/2014-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
NULIDADES. OMISSÃO DE RECEITAS. ERRO DE CAPITULAÇÃO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. VÍCIO NA INTIMAÇÃO. NÃO CABIMENTO.
Sendo lavrado auto de infração com correto enquadramento legal relacionado a omissão de receitas, atendendo a todos os requisitos exigidos pela legislação fiscal, não há que prosperar a alegação de erro de capitulação, recaindo, neste caso, ônus da prova sobre o contribuinte. Menos cabível a alegação de erro na identificação do sujeito passivo quando suficientemente comprovado nos autos que a conta bancária fiscalizada pertence ao sujeito passivo autuado. Não há vício na intimação quando o Fisco formaliza tal ato respeitando todos os trâmites legais.
SIGILO BANCÁRIO. OMISSÕES DE RECEITAS. ACESSO LEGITIMADO.
As informações bancárias obtidas pela fiscalização por intermédio da requisição de movimentação financeira junto a instituição financeira são idôneas e protegidas pelo sigilo fiscal. A Lei Complementar nº 105/2001 legitima o fornecimento de informações relacionadas ao sujeito passivo sob fiscalização, quando a autoridade fiscal entender que o exame de tais informações é indispensável para o deslinde da controvérsia,afastando, portanto, a alegação de quebra de sigilo bancário.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO EVIDENTE.
Não basta para caracterizar a responsabilidade tributária solidária dos sócios, que estes meramente estejam exercendo função sócio-administrativa na pessoa jurídica autuada. O dolo evidente de infringir a lei ou estatuto empresarial deve restar robustamente comprovado nos autos para que tal responsabilização surta efeitos justos.
DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PAGAMENTO. NÃO IDENTIFICADO. NÃO INCIDÊNCIA.
Tratando-se justamente de lançamento de "Omissão de Receita", não podendo ser identificados nos autos prova de pagamento do tributo exigido, ainda que parcial, não é possível a aplicação do artigo 150, §4º, do CTN. Sendo cabível a contagem decadencial proporcionada pelo artigo 173, do mesmo diploma fiscal.
MULTA QUALIFICADA. MULTA AGRAVADA. NÃO CABIMENTO.
Não comprovado o dolo evidente capaz de ensejar a qualificação da multa por intermédio de fraude, sonegação ou conluio, tampouco havendo embaraço a fiscalização, não devem prosperar a qualificação e agravamento da multa.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. CABIMENTO.
A incidência da taxa de juros SELIC sobre os juros moratórios que recaem sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal é legítima. Pauta-se o afirmado pela Súmula CARF nº 4. Ressalte-se que, quanto à alegação de que não haveria incidência de juros sobre a multa de ofício, tal fato não decorre da autuação, mas sim do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante do auto de infração, no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o computo de juros sobre a multa.
Numero da decisão: 1402-002.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75% e dar provimento aos recursos voluntários dos coobrigados para excluí-los da relação jurídico-tributária.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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OMISSÃO DE RECEITAS. ERRO DE CAPITULAÇÃO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. VÍCIO NA INTIMAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Sendo lavrado auto de infração com correto enquadramento legal relacionado a omissão de receitas, atendendo a todos os requisitos exigidos pela legislação fiscal, não há que prosperar a alegação de erro de capitulação, recaindo, neste caso, ônus da prova sobre o contribuinte. Menos cabível a alegação de erro na identificação do sujeito passivo quando suficientemente comprovado nos autos que a conta bancária fiscalizada pertence ao sujeito passivo autuado. Não há vício na intimação quando o Fisco formaliza tal ato respeitando todos os trâmites legais. SIGILO BANCÁRIO. OMISSÕES DE RECEITAS. ACESSO LEGITIMADO. As informações bancárias obtidas pela fiscalização por intermédio da requisição de movimentação financeira junto a instituição financeira são idôneas e protegidas pelo sigilo fiscal. 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Ressaltese que, quanto à alegação de que não haveria incidência de juros sobre a multa de ofício, tal fato não decorre da autuação, mas sim do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante do auto de infração, no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o computo de juros sobre a multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75% e dar provimento aos recursos voluntários dos coobrigados para excluílos da relação jurídicotributária. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 5205DF CARF MF Processo nº 10825.723097/201496 Acórdão n.º 1402002.745 S1C4T2 Fl. 5.205 3 Relatório Por sua completude, adoto integralmente o relatório apresentado no Acórdão nº 1461.392 1ª Turma da DRJ/RPO, julgado em 24 de junho de 2016 , complementandoo ao final com as atualizações processuais pertinentes. Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados em 21/11/2014 os autos de infração (ciência em 24/11/2014) exigindolhe, em relação ao anocalendário de 2009, o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 1.574.015,31 e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 573.125,51, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 1.150.267,42, Contribuição para o PIS de R$ 249.729,10, acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 150%, perfazendo o crédito tributário de R$ 10.646.669,56 (fl. 2). Foram relacionados como responsáveis solidários MARTINO MONDELLI – CPF 023.393.74804, ANTONIO MONDELLI – CPF 374.870.27872, CONSTANTINO MONDELLI – CPF 436.768.98834, JOSÉ MONDELLI – CPF 012.553.12815, BRAZ MONDELLI –CPF 362.799.86853 e GENNARO MONDELLI FILHO – CPF 044.220.278 40. Conforme consta no Auto de Infração a exigência tributária decorreu da constatação de “Valores creditados na conta corrente nº 7351 da agência 0075 do Banco Itaú, no anocalendário de 2009, em nome de Frigorífico Vangélio Mondelli Ltda. alterada a razão social para Mondelli Indústria de Alimentos S.A., que não foram contabilizados, na forma dos documentos e informações obtidas durante a ação fiscal, e cuja origem dos recursos financeiros restou incomprovada após intimado, caracterizandose a presunção de omissão de receita na forma do art. 42 da Lei n°9430/1996, de acordo com o Termo de Verificação e Anexo I que fazem parte integrante do Auto de Infração”. 1 DO PROCEDIMENTO FISCAL Em procedimento de diligência, amparado pelo MPF nº 08.1.03.002012 010700, a empresa MONDELLI INDÚSTRIA DE ALIMENTOS S/A (CNPJ 45.007.630/000479) foi intimada (fls. 122) e reintimada (fls. 126 e 130) a comprovar, mediante documentos hábeis e idôneos, a origem do crédito de R$ 1.270.000,00 recebido por meio de TED. Em resposta (fl. 134), a empresa, por meio de seu advogado Dr. Ageu Libonati Júnior (Procuração à fl. 166 outorgada por Constantino Mondelli Filho), prestou os esclarecimentos de fls. 134/135 e 166/167. Após, foram expedidas outras intimações (fls. 217, 229, 418), tendo sido prestados os esclarecimentos de fls. 221 e 423. Todas as intimações de fls. 122, 126, 130, 217 e 229 e 418 com Aviso de Recebimento em 15/10/2012, 09/11/2012, 27/12/2012, 11/04/2013, 22/05/2013 e 16/03/2013 (fl. 124, 128, 132, 219 e 233 e 421) foram endereçadas ao domicílio do sujeito passivo (Av. Rosa Malandrino Mondelli, s/nº, em Bauru/SP) e recebidas por Gilma R.dos Santos. Posteriormente, em cumprimento ao MPF nº 08.1.03.002014000087, foi expedido o Termo de Início de Fiscalização de fls. 436/437 (ciência 17/01/2014 – AR de fl. 438) junto à empresa MONDELLI INDÚSTRIA DE ALIMENTOS S/A CNPJ Fl. 5206DF CARF MF 4 45.007.630/000479 – por meio do qual foi a empresa (filial) intimada a apresentar os extratos bancários das contas relacionadas no mesmo termo (fl. 436). Foi esclarecido que o sujeito passivo poderia verificar a autenticidade do MPF através de consulta na Internet, www.receita.fazenda.gov.br utilizando o CNPJ e o código de acesso 10403383. Em 06/02/2014 a empresa apresentou o expediente de fl. 440 informando que estava apresentando alguns extratos bancários e solicitou prorrogação de prazo para apresentar outros extratos, juntando cópia de pedidos junto às instituições financeiras em 31/01/2014 assinados por Charles Jean Marc Henri Leguille. Em 06/02/2014 foram apresentados os extratos de fls. 445/1162 e em 20/02/2014 os extratos de fls. 1164 e seguintes. Em 07/03/2014 foi dado início ao procedimento fiscal (Termo de Início fls. 1193/1197) junto ao estabelecimento matriz (CNPJ 45.007.630/000126), amparado pelo MPF nº 08.1.65.002014005855. Por meio do mesmo Termo foi esclarecido à empresa que estavam convalidados os atos praticados ao amparo do primeiro MPF, em relação aos quais a contribuinte espontaneamente atendeu ao solicitado. Por meio do Termo de Início foi a empresa intimada, com a ciência na pessoa do Gestor Charles Jean Marc Henri Leguille, CPF 231.669.50869, a apresentar os extratos bancários das contas relacionadas na intimação, relativamente ao período de 2009 e 2010, apresentar cópia dos cheques relacionados, extrato da conta nº 0001254 do Banco Safra do mês de outubro de 2009 e esclarecimentos a respeito do crédito efetuado no Banco Itaú S/A – c/c 68.0009 em 27/10/2010, relativo à conta contábil 23010201007 – Reserva para Futuro Aumento de Capital no valor de R$ 20.500.000,00. Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 100/110), em 28/03/2014 a empresa apresentou os extratos do Banco Safra referente à Outubro de 2009, cópia de cheques do Banco Bradesco, solicitação de cópias de cheques aos bancos do Brasil, Bradesco e Itaú e de instrumento de procuração; no dia 22/04/2014 apresentou cópias de cheques do Banco Bradesco, Nossa Caixa, Mercantil e Itaú; em 05/05/2014 apresentou os documentos referentes ao item 03 do Termo de Início do Procedimento Fiscal (crédito efetuado no Banco Itaú S/A – c/c 68.0009 em 27/10/2010), e em 22/05/2014 apresentou cópia do cheque do Banco Safra. Consta dos autos (fls. 1198) o Mandado de Intimação expedido em 14/08/2013 pela Juíza de Direito Auxiliar da Primeira Vara Cível da Comarca de Bauru/SP aos administradores da empresa MONDELLI INDÚSTRIA DE ALIMENTOS S/A, quais são MARTINO MONDELLI – CPF 023.393.74804, ANTONIO MONDELLI – CPF 374.870.27872, CONSTANTINO MONDELLI FILHO – CPF 222.797.45836, JOSÉ MONDELLI – CPF 012.553.12815, CONSTANTINO MONDELLI – CPF 436.768.98834, BRAZ MONDELLI – CPF 362.799.86853, JOSÉ ROBERTO DALLA COLETTA CPF 706.645.95801, comunicandoos dos respectivos afastamentos da empresa MONDELLI INDÚSTRIA DE ALIMENTOS S/A e da nomeação como gestora a empresa HAPI COMÉRCIO ALIMENTÍCIOS LTDA – CNPJ 07.319.683/000193. Em 28/03/2014 foi protocolado pelo gestor indicado pelo juízo em decisão judicial de 14/08/2013 nos autos do processo de Recuperação Judicial nº 0004265 12.2012.8.26.0071, por meio de seu advogado e procurador, Dr. Leonardo Massami Pavão Miyahara, o pedido de prorrogação de prazo para atendimento da solicitação contida no Termo de Início, juntando parte dos documentos solicitados (fls. 1231/1247). Posteriormente, após solicitação de prorrogação de prazo (fl. 1248), foram apresentados outros documentos (fls. 1253/1312). Fl. 5207DF CARF MF Processo nº 10825.723097/201496 Acórdão n.º 1402002.745 S1C4T2 Fl. 5.206 5 Consta também dos autos (fls. 1214) Procuração “ET EXTRA”, datada em 27/03/2014, pela qual MONDELLI INDÚSTRIA DE ALIMENTOS S/A, representada pela gestora HAPI COMÉRCIO ALIMENTÍCIOS LTDA, esta, por sua vez, representada por CHARLES JEAN MARC HENRI LEGUILLE, CPF 231.669.50869, nomeia e constitui sua bastante procuradora a sociedade MAIA E CAVALHEIRO SOCIEDADE DE ADVOGADOS, representada pelos sócios ali relacionados, entre eles Dr. Leonardo Massami Pavão Miyahara, para representar interesses da outorgante nos autos do processo administrativo instaurado através do MPF nº 08.1.65.002014005855 perante à Receita Federal do Brasil. Posteriormente, por meio da Intimação Fiscal nº 1 (fls. 1313) foi a contribuinte intimada em 30/07/2014 a apresentar os extratos da conta bancária nº 7351 do Banco Itaú, agência 0075, relativo ao período de 01/01/2009 a 31/12/2010. Em 18/08/2014 a contribuinte atendeu a intimação nº 01. Por meio da Intimação Fiscal nº 2 (fls. 1577) foi a empresa intimada em 01/09/2014, na pessoa de Charles Jean Marc Henri Leguille, a informar em qual conta contábil registrou a movimentação financeira realizada através da conta bancária nº 7351 do Banco Itaú, relativo ao período de 01/01/2009 a 31/12/2010. Em 04/09/2014 a empresa, por intermédio de seu procurador Gustavo Tabaré Goyen Normey, apresentou o expediente de fls. 1579/1580 informando, entre outros, que com relação a referida conta bancária “há a constatação e informação de que a empresa não registrou nenhum lançamento contábil oriundo desta conta corrente no período de janeiro de 2005 até outubro de 2011. Ou seja, a diretoria destituída, passou a reconhecer a movimentação da referida conta corrente na contabilidade da empresa somente após o mês de outubro de 2001”. Em 01/10/2014, por meio do Termo de Intimação nº 03 (fl. 1581), a empresa foi intimada, na pessoa de Charles Jean Marc Henri Leguille a apresentar, entre outros documentos, a comprovação da origem dos recursos financeiros creditados no anocalendário de 2009 na conta corrente nº 7351 da agência 0075 do banco Itaú, conforme relação anexa denominada “Extrato de Crédito – A comprovar” (fls. 1583/1623). No Termo de Verificação Fiscal consta que em 29/10/2014, com expediente datado de 27 de outubro de 2014, os documentos solicitados foram entregues nos termos do ofício expedido pela 1ª Vara Cível da comarca de Bauru/SP e que o ofício supramencionado foi protocolizado na DRF Bauru em 22/10/2014, nos autos da Recuperação Judicial da empresa acima identificada, no qual foram apresentados, dentre outros, declaração e extratos de duas contas corrente declaradas como não contabilizadas pelo atual contador, responsável técnico de Mondelli Indústria de Alimentos S. A., quais sejam: · Banco Itaú – Agência 0075 – Conta Corrente 007351 Período de 01/01/2005 a 01/10/2011 · Nova América Fomento Mercantil – Conta Corrente 003864 Período de 20/01/2011 até 19/05/2014 À fl. 1624 consta Ofício do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo ao Delegado da DRF de Bauru/SP encaminhando cópia do Relatório e documentação apresentada pelo Administrador Judicial nomeado Dr. Fernando José Ramos Borges nos autos da Recuperação Judicial (fls. 1626 e seguintes). Fl. 5208DF CARF MF 6 A fiscalização elaborou às fls. 3868/3908 o Anexo I (Relação dos “Créditos Bancários a Examinar/Comprovar”); às fls. 3909/3911 a relação dos “Créditos Bancários Excluídos”; às fls. 3912/3952 o Demonstrativo de “Créditos de Origem não Comprovada” relativamente ao período de 02/01/2009 a 31/12/2009, no total anual de R$ 1.100.608,68; às fls. 3953/3955 o Anexo II (“Demonstrativo de Valores Expurgados”). A fiscalização assim justificou o lançamento: Enfim, os elementos de prova juntados aos autos demonstram que os valores creditados na conta corrente nº 7351 do Banco Itaú, agência 0075, relativo ao período de 01/01/2009 a 31/12/2009, na forma dos documentos e informações obtidas durante a ação fiscal, em conjunto com as informações judiciais, abaixo parcialmente transcritas, não foram contabilizados pelo contribuinte acima identificado. (...) Diante da falta de comprovação dos depósitos bancários não contabilizados, os valores discriminados no demonstrativo denominado Anexo I (Fls. 3912/3952) constituem omissão de receitas, por presunção legal, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Referida lei autoriza o lançamento dos tributos e contribuintes correspondentes, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Resta, assim, exteriorizada a omissão de receita na apuração do lucro real, da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP, nos montantes mensais abaixo relacionados, creditados na conta corrente nº 7351 do Banco Itaú, agência 0075, de titularidade de Frigorífico Vangélio Mondelli Ltda., no período de 01/01/2009 a 31/12/2009: Sobre os valores dos tributos apurados foi aplicada a multa qualificada de 150%, com fulcro no art. 44, I, e §1º, da Lei nº 9.430, de 1996, assim justificada: Com este procedimento, não contabilização de movimentação financeira aliado ao que afirmou o administrador judicial, venda sem nota, exteriorizada a intenção dolosa de ocultar características de fatos, omitindo receitas, reduzindo o lucro real e a base de cálculo Fl. 5209DF CARF MF Processo nº 10825.723097/201496 Acórdão n.º 1402002.745 S1C4T2 Fl. 5.207 7 da CSLL, tendo por objetivo a diminuição dos saldos a pagar dos tributos e contribuições, caracterizando, assim, a hipótese de incidência da multa prevista no inciso II do Artigo 957 do Decreto nº 3.000/99 RIR. A respeito da responsabilidade tributária solidária assim justificou a autoridade fiscal: De acordo com pesquisas junto ao órgão de registro JUCESP – Junta Comercial do Estado de São Paulo (Pesquisas cadastrais Frigorífico Vangélio Mondelli Ltda. transformada em Mondelli Indústria de Alimentos S. A. em 15/04/2011), esta sociedade, constituída em 30/06/1970, tinha por sócios administradores no anocalendário de 2009: MARTINO MONDELLI – CPF 023.393.74804 (SócioAdministrador, capital R$ 2.250.000,00), ANTONIO MONDELLI – CPF 374.870.27872 (SócioAdministrador, capital R$ 1.500.000,00), CONSTANTINO MONDELLI – CPF 436.768.98834 (SócioAdministrador, capital R$ 1.325.000,00), JOSÉ MONDELLI – CPF 012.553.12815 (SócioAdministrador, capital R$ 700.000,00) e BRAZ MONDELLI – CPF 362.799.86853 (SócioAdministrador, capital R$ 600.000,0). Dentre os documentos apresentados encontrase a procuração abaixo, parcialmente reproduzida, em nome de Gennaro Mondelli Filho, CPF 044.220.278 40, juntamente com a qual incluímos, a título de exemplo, uma nota promissória por ele assinada, comprovando sua atuação como mandatário da pessoa jurídica: (...) Tendo em conta que a informação em DIPJ (Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica) de receita bruta não considerou o valor correspondente às receitas omitidas e, como consequência, a apuração, declaração e recolhimento de tributos e contribuições em importâncias inferiores às devidas, constituem a prática de atos com infração de lei, serão arroladas como pessoalmente responsáveis pelo crédito tributário constituído por Auto de Infração as pessoas físicas acima identificadas, ao amparo do que dispõe o Artigo 135, incisos II e III, da Lei nº 5.172/66CTN.. (...) Conforme consignado nos documentos analisados e no relato supra, constam as seguintes pessoas físicas como tendo sido seus administradores no anocalendário de 2009: · MARTINO MONDELLI, CPF: 023.393.74804. · ANTONIO MONDELLI, CPF: 374.870.27872. · CONSTANTINO MONDELLI, CPF: 436.768.98834. · JOSE MONDELLI, CPF: 012.553.12815. · BRAZ MONDELLI, CPF: 362.799.86853. Fl. 5210DF CARF MF 8 De acordo com documentos apresentados e na condição de procurador da pessoa jurídica desde 25 de julho de 2001, com poderes de gerir os interesses da outorgante, deve ser incluído, ainda, o seguinte administrador: · GENNARO MONDELLI FILHO, CPF 044.220.27840. Estes administradores praticaram atos com infração de lei, relativamente à omissão de receita correspondente a recursos creditados em conta de depósito, de origem não comprovada, tornandose responsáveis solidários pelo crédito tributário apurado junto à sociedade Frigorífico Vangélio Mondelli Ltda. alterada a razão social para Mondelli Indústria de Alimentos S. A., correspondente ao anocalendário de 2009. 2 – DAS IMPUGNAÇÕES 2.1 – IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELA EMPRESA MONDELLI INDÚSTRIA DE ALIMENTOS S/A e por seus Conselheiros JOSÉ SP RIBEIRAO PRETO DRJ Fl. 4822 MONDELLI, BRAZ MONDELLI, CONSTANTINO MONDELLI e ANTONIO MONDELLI. A empresa MONDELLI INDÚSTRIA DE ALIMENTOS S/A, empresa em recuperação, e seus Conselheiros JOSÉ MONDELLI, BRAZ MONDELLI, CONSTANTINO MONDELLI e ANTONIO MONDELLI, por intermédio de seus advogados Ageu Libonati Junior e Alex Libonati (Procurações de fls. 4048/4050), ingressaram com a impugnação de fls. 3991/4050 na qual, inicialmente, relataram o que denominaram de “Reais Acontecimentos”, afirmando que em 29/05/2014 foi apresentada uma petição subscrita pelo Administrador Judicial, FERNANDO JOSÉ RAMOS BORGES FILHO, e pelo Perito Contador, MISAEL CORREIA DE ALBUQUERQUE, afirmando que os Srs. Constantino Mondelli, José Mondelli, Braz Mondelli, Antonio Mondelli e Constantino Mondelli Filho teriam cometido "fatos supervenientes" que exigiriam "imediata", consistente em (1) crimes falimentares, (2) de sonegação fiscal, no âmbito estadual e federal, (3) evasão de divisas, (4) etc. e, naquela oportunidade, já havia sido devassado o sigilo bancário do contribuinte e dos acionistas. Segundo suas alegações, o relatório do administrador judicial fez referência à fatos supervenientes que dizem respeito a período anterior à recuperação, que vai de 2005 a meados de 2011, sem qualquer relação com o processo de recuperação, ou seja, nenhum dos fatos supervenientes "identificados" no relatório do administrador judicial ocorreram na gestão de Constantino Mondelli Filho, ou dos senhores Constantino Mondelli, Braz Mondelli, Antonio Mondelli e José Mondelli. E sequer os acionistas atuais tinham qualquer responsabilidade pelos “pseudos” fatos, pois no período de 2005 até fevereiro de 2008, a administração era exercida pelo falecido Genaro Mondelli, e no período de fevereiro de 2008 até outubro de 2010, pelo espólio de Genaro Mondelli e Martinho Mondelli, que outorgaram procuração a Antonio Mondelli, com o intuito de representar os majoritários, pois o espólio e Martinho Mondelli detinham 55% das quotas patrimoniais. Alegaram também que houve a quebra do sigilo bancário por Fernando José Ramos Borges e Misael Correia Albuquerque para fabricar indícios fraudulentos / da fraude processual a medida que utilizouse de informações bancárias sigilosas referente as pessoas dos sócios para forjar um suposto esquema onde a omissão de receita (já objeto de autuação pelos fiscos estadual e federal) seria para favorecer credores (pecuaristas). No referido relatório, segundo a impugnante, encontramse os dados bancários sigilosos, dos requerentes, que foram obtidos de forma ilegal e fraudulenta, pois sem qualquer ordem judicial para exibilos. É através de um suposto crime contra a ordem tributária Fl. 5211DF CARF MF Processo nº 10825.723097/201496 Acórdão n.º 1402002.745 S1C4T2 Fl. 5.208 9 caixa dois/contabilidade paralela), que o administrador judicial passou a vislumbrar que poderia existir um favorecimento dos acionistas com alguns credores, e em face disso a empresa Mondelli Indústria de Alimentos S/A teria que ir para a bancarrota. A criação de indícios, supostas omissões, visaram perpetrar CHARLES HENRI MARC LEGUILLE, gestor Judicial da empresa Mondelli Indústria de Alimento S/A, na direção da empresa. Asseveram que, em 29 de maio de 2014, após todos os indícios criados falsamente pelo administrador judicial Fernando José Ramos Borges terem sidos desmistificados pela autoridade policial nos autos do Inquérito Policial n. 175/2013, restando claro a fraude processual que estava cometendo, este protocolou petição direcionada para a juiza Rossana Teresa Curioni Mergulhão, afirmando que havia descoberto crimes falimentares, crime contra a ordem tributária e suposto benefício a diversos credores da empresa recuperanda, deixando claro que a empresa deveria falir e colocar no comando o gestor nomeado Charles Marc Henri Legulle. Argumentam que se existiu omissão de receita, esta ocorreu antes da entrada da empresa em Recuperação Judicial, em 31/01/2012, e referida omissão é da antiga administração e gestão (Genraro Mondelli até fevereiro de 2008 e espólio de Genaro Mondelli e Martino Mondelli até outubro de 2010), da qual os requerentes não participaram. Em relação ao processo administrativo, ora em análise, os impugnantes argüiram nulidade do auto de infração pelas razões a seguir sintetizadas. 1 Preliminar. Da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. Alegaram que ocorreu a quebra do sigilo bancário do contribuinte e dos acionistas sem ordem judicial e não se pode admitir que o Administrador Judicial quebre o sigilo bancário. E, relativamente à pessoa jurídica, os extratos bancários foram devassados sem ordem judicial, como se pode observar a data de impressão que é de abril de 2014, referente as operações anteriores a 2012, quanto do pleito de recuperação judicial, pois o administrador judicial só pode ter acesso aos mesmos durante o processo de recuperação para acompanhar a saúde financeira da empresa. 2 Preliminar. Nulidade das Intimações do MPF. Alegaram que o gestor judicial não detém poderes para representar a sociedade, e muito menos para receber intimações fiscais e quebrar o sigilo bancário dos acionistas e do Conselho Administrativo, pois os acionistas jamais deixaram de ser os verdadeiros proprietários da empresa MONDELLI INDÚSTRIA DE ALIMENTOS S/A e o Conselho de Administração não foi afastado, que é o órgão que pode deliberar sobre qualquer matéria. Concluiram que CHARLES HENRI MARC LEGUILLE (na condição de gestor da empresa HAPI) não pode representar a sociedade em atos sujeitos ao sigilo fiscal, nem pode exercer sequer a função de gestor judicial. 3 Preliminar. Decadência do lançamento apurado trimestralmente. Alegaram que em relação ao IRPJ e CSL o fato gerador ocorre trimestralmente e, assim, parte do lançamento estaria decaído nos termos da legislação que estabelece apuração trimestral. 4 Preliminar de Nulidade do A.l. Erro na Capitulação Legal da Infração (1) Alegaram a impossibilidade de aplicação da presunção legal sobre os depósitos, já que o contribuinte não foi regularmente intimado. Prosseguem alegando que tais receitas possuem tratamento tributário próprio para apuração no lucro trimestral, não cabendo desta forma, ao Sr. Fl. 5212DF CARF MF 10 Auditor Fiscal, com base na recomposição dos dados bancários da ora Impugnante, presumir que tais receitas sejam fruto de renda não comprovada. Concluíram que diante da manifesta ausência de correspondência entre a realidade fática do caso e a legislação que rege a tributação das empresas de construção no lucro real trimestral, mostrase totalmente descabida a aplicabilidade da presunção, fato que eiva de nulidade qualquer procedimento tendente a ratear pretensos créditos bancários de origem não comprovada proporcionalmente a receitas da atividade, que tenham sido efetivamente auferidas no período sob fiscalização, sendo insubsistente a adoção deste critério para o arbitramento dos rendimentos rurais tributáveis, face a total ausência de amparo legal. Acrescentaram que a Fiscalização deveria identificar, positivamente, qual preceito o Impugnante descumpriu, ou melhor, caberia relacionar, por exemplo, a previsão legal da infração cometida, aplicando a penalidade nela prevista, caso isso, de fato, tenha ocorrido. O que, na verdade, não se concretizou. 5 Preliminar de Nulidade do AI Erro na Capitulação Legal da Infração (2) Alegaram que, em momento algum, a Auditoria Fiscal procurou identificar a fonte das receitas que o impugnante realiza, quando consta nos seus dados a existência de um frigorífico de abate e com produção rural de engorda, e que não cabe desta forma, com base na recomposição dos dados da CPMF do ora Impugnante, presumir que tais receitas sejam fruto de atividade rural, mostrandose o montante tributável apurado por ele através do arbitramento, um ato subjetivo e de mera liberalidade. Com efeito, o comando introduzido pelo art. 18 da Lei n.° 9.250/95, dispõe sobre a obrigatoriedade de se comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor da operação e a data da operação, fato que, afasta a pretensão de presumirse que estas receitas provém da atividade rural. Acrescentou que, mesmo que se admitisse a ocorrência de infração, nunca poderia ter sido efetuado o lançamento com base no fundamento adotado, dado que os dispositivos legais que amparam a autuação não correspondem, mesmo que hipoteticamente, a realidade dos fatos. 6 Preliminar de Nulidade do A.l. Erro na Identificação do sujeito Passivo. No Termo de Verificação Fiscal que instruí o processo, o Sr. Auditor Fiscal reconhece a existência de recebimento dos recursos pelo fiscalizado tendo origem em suas atividades comerciais, ao passo que deixa ao largo as atividades de cunho rural, em aludidas fazendas, já que o contribuinte, não tendo sido regularmente notificado, não pode informar. Tal constatação torna indiscutível a ocorrência de erro na identificação do sujeito passivo, visto que o reconhecimento da origem dos recursos nas atividades comerciais, industriais e rurais do impugnante descaracteriza a tributação dos créditos bancários em desfavor de sua pessoa jurídica, por ser nítida a prática de diversas atividades comerciais, por ser inegável e patente a prática habitual de tais operações comerciais, como, por exemplo, o comércio de animais. Com efeito, sendo claro e incontroverso o erro na identificação do sujeito passivo que compõe a presente relação, face a todas as provas trazidas a colação, que comprovam a origem dos recursos que transitaram nas contas correntes do Impugnante e que foram, devidamente, reconhecidas pelo Auditor Fiscal, como ele por inúmeras vezes o fez, Fl. 5213DF CARF MF Processo nº 10825.723097/201496 Acórdão n.º 1402002.745 S1C4T2 Fl. 5.209 11 requer seja cancelada a presente autuação, diante da impossibilidade de se atribuir ao Impugnante (pessoa jurídica) o resultado da fiscalização das operações financeiras que existe com pessoas físicas Sociedade de Fato (pessoas físicas) constituída entre a impugnante e seus acionistas, visando a produção de gado para abate na indústria. 7 Preliminar de Nulidade do A. I. Falta de intimação regular do titular legal da conta corrente para identificar os lançamentos Alegaram que nenhum dos representantes legais da empresa foi regularmente intimado, que sequer puderam demonstrar as atividades agrícolas, industrias e comerciais, uma vez que existia uma sociedade de fato entre a impugnante pessoa jurídica e as pessoas físicas dos acionistas que era fomentada a produzir gado para abate. Assim teria ocorrido cerceamento de defesa por não ter ocorrida a intimação na pessoa do titular da conta corrente, ou seja, na pessoa do representante legal. Ora, como se vê da descrição dos fatos, o gestor judicial, ilegal e impedido, não apresentou a documentação que comprovasse a origem dos recursos de diversos depósitos, de forma a justificar um grande auto de infração visando levar a empresa a bancarrota. Concluiu que, em relação ao aspecto formal e material, o auto é nulo, pois não ocorreu a intimação regular do titular da conta mantida em depósito em conta junto a instituição financeira. Do Mérito 1 Da Suposta Omissão de Rendimentos. Reiteraram a alegação de não ter ocorrido regular intimação do contribuinte e nenhum dos MPF foram encaminhados aos verdadeiros representante legais do contribuinte e que a Auditoria Fiscal não procurou identificar a fonte das receitas do impugnante, quando consta de seus dados a existência de um frigorífico de abate e com produção rural de engorda, o que contamina de incerteza todo o lançamento. 2 Da Origem dos Recursos e da Inaplicabilidade do art. 42 da Lei 9.430/96. Alegaram que a fiscalização não observou o que dispõe o art. 18 da Lei 9.250/95, que dispõe sobre a obrigatoriedade de se comprovar a veracidade das receitas e das despesas, e, conforme se pode verificar nos autos, não ocorreu oportunidade dos verdadeiros representante legais do titular da conta de prestar informações às solicitações dos recursos que transitaram nas contas correntes de sua titularidade, o que é causa de cerceamento de defesa. Ressaltaram, que “relativamente a esse tipo de operação, por não se tratar de depósito, de recebimento de algum crédito ou de cobrança de algum valor, não se pode cogitar que o ingresso dos recursos nas contas correntes seja de origem desconhecida, mas sim um adiantamento, com rendimento nele impregnado, caso haja, não tendo seu fato gerador ocorrido no momento do seu desconto, mas sim na data do efetivo vencimento da cártula, ou em sendo empréstimo, nem rendimento será.”. Prosseguem alegando que diante de tais constatações, as operações aqui fiscalizadas e autuadas não estão alcançadas pelas disposições do art. 42 da Lei 9. 430/96, por não ser possível estabelecer, precisamente, a data do fato gerador do pretenso rendimento, quando não ocorre a intimação regular do representante legal do contribuinte. Fl. 5214DF CARF MF 12 Sustentaram que os documentos apresentados na fase da fiscalização provam o recebimento dos recursos pelo fiscalizado, tendo origem, salvo prova em contrário, em suas atividades comerciais, não podendo, conseqüentemente, submetêlos a tributação se de origem não comprovada. 3 – Invalidade do Lançamento com Base em Quebra de Sigilo Bancário. Alegaram nulidade no lançamento por vicio material na colheita das informações bancárias sem prévia ordem judicial, em violação ao já decidido pelo STF, e que os dados bancários não foram entregues pelo titular ou pelo seu representante legal, portanto, segundo entendem o lançamento não pode subsistir. 4 Impossibilidade de Responsabilização por Sujeição Passiva Solidária. Alegaram que os fatos descritos no Termo de Verificação Fiscal dizem respeito a período anterior ao pedido de recuperação fiscal, relativos aos anos de 2005 a meados de 2011, período que sequer os atuais acionistas exerceram qualquer gestão, pois até a morte de Genaro Mondelli, a administração era exercida exclusivamente por este, e após em conjunto pelo espólio de Genaro Mondelli e Martino Mondelli, quando entregaram o cargo de administradores da companhia em 7/10/2010, consoante documentação anexada. Dessa forma, o termo de sujeição passiva solidárias deve restringirse as pessoas de MARTINO MONDELLI CPF 023.393.74804, e GENNARO MONDELLI FILHO CPF 044.220.27840, que exerceram a administração da companhia nesse período. 5 Impossibilidade de Aplicação da Multa Agravada de 150% Reiterou a alegação de que nenhum dos representantes legais da empresa foi regularmente intimado, que sequer puderam demonstrar as atividades agrícolas, industrias e comerciais e, assim, teria ocorrido cerceamento de defesa, sendo nulo o lançamento, o que impossibilita o lançamento de multa agravada dada a falta de oportunidade dos representantes legais da empresa terem sidos intimados. Acrescentou que, além de não haver razão para aplicação da multa de 150%, pois não há registros de documentos inidôneos ou fraudes em registros contábeis ou de qualquer natureza, ou seja, não há que se falar em fraude à lei ou dolo, pelo motivo que uma das contas não estavam conciliadas. 6 Efeito Confiscatório da Multa Alegou que a multa de 75% afronta, não só o princípio da vedação da instituição de tributo com efeito confiscatório, como também o direito de propriedade. Insurgiu contra a forma de cálculo dos juros moratórios alegando que ela é disciplinada pelo Código Tributário Nacional e, assim, não pode uma lei ordinária revogar, nem estabelecer normas em relação à uma lei complementar. Concluiu ser incontestável o seu direito à utilização de juros de mora de 1 % ao mês para a atualização de seus débitos. 2.2 IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR MONDELLI INDÚSTRIA DE ALIMENTOS S/A, REPRESENTADA PELA GESTORA INDICADA PELO JUÍZO. Inicialmente, a impugnante informou que a atual Gestora foi nomeada pelo juízo onde se processa a recuperação judicial e representa os interesses do contribuinte judicial e extrajudicialmente em atos de gestão e que durante a instrução processual, sempre colaborou com a fiscalização, fornecendo todos os documentos e informações de que dispunha, sendo de Fl. 5215DF CARF MF Processo nº 10825.723097/201496 Acórdão n.º 1402002.745 S1C4T2 Fl. 5.210 13 interesse da companhia e da própria Gestora, a apuração e transparência de todos os atos pretéritos que contribuíram para a deletéria situação financeira vivenciada. Que a fiscalização concluiu que a pessoa jurídica MONDELLI INDUSTRIA DE ALIMENTOS S/A, teria movimentado valores creditados na conta corrente n° 7351, agência 0075, do Banco Itaú, no anocalendário de 2009 que não foram contabilizados, e daí os autos de infração, correspondente ao IPRJ, CESLL, COFINS e PIS e sobre os valores apurados foi aplicada a multa de 150%. Contestando o lançamento aduziu como razões de defesa o seguinte. 1 Da Verdade Real Alegou que a busca pela verdade real ou verdade material deve ser o fim almejado pelos órgãos responsáveis pelos processos decisórios, com vistas a garantir a efetividade da aplicação da justiça e, em última análise, assegurar a pacificação social. Assim, a simples movimentação bancária, embora destituída de sua contabilização, não atesta, de pronto, omissão de receita para fins de incidência tributária, por se tratar de mera presunção legal, passível de mudança. Outrossim, eventual desídia na contabilização não atrai, por si, o agravamento da multa para o percentual de 150%, sequer atesta o fato como ação dolosa! 2 Lançamento de Imposto com Base em "Renda Presumida" A movimentação bancária do contribuinte, levantada por meio de extratos, foi considerada como disponibilidade econômica ou jurídica para fins de lançamento de imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Esses dados, contudo, por si não demonstram nenhuma exteriorização de riqueza que permita a incidência do gravame fiscal, pelo menos em relação à Pessoa Jurídica que, ao revés, encontravase até a atual gestão, em franco declínio. Ao lado da movimentação dos valores na conta corrente do contribuinte, é igualmente necessário que se faça a comprovação da utilização dos valores depositados, de forma a evidenciar aumento de patrimônio e os chamados "sinais exteriores de riqueza", vez que os simples depósitos bancários são tidos como meros indícios. Acrescentese que o fato de se comparar a renda declarada pelo contribuinte com o montante dos depósitos não tem o condão de revelar a hipótese de incidência prevista no art. 43 do CTN. Assim, os depósitos bancários, embora possam refletir indícios de auferimento de renda, não caracterizam, per si, disponibilidade de rendimentos, razão pela qual não podem ser considerados como "aplicações" no fluxo de "entradas" e "saídas" para apuração de variação patrimonial. Cabe à fiscalização aprofundar seu poder de investigação para demonstrar que os depósitos representaram, efetivamente, gastos suportados pelo contribuinte. Fl. 5216DF CARF MF 14 É nesse sentido a jurisprudência maciça e pacífica tanto do antigo Conselho de Contribuintes, quanto da Câmara Superior de Recursos Fiscais e ainda do Superior Tribunal de Justiça. No caso, tratase da presunção de que a falta de escrituração dos valores movimentados na conta corrente e não contabilizados, per si, caracterizam, também, omissão de receita, notadamente quando a própria fiscalização informa que houve transferência de valores entre conta bancárias da mesma titularidade. A existência dessa presunção, no caso, não foi suficiente para liberar o Fisco do encargo de provar o fato tributado, em situação que se assemelha à aqui tratada. Deve a Autoridade fiscal de maneira direta, e não apenas fundandose na presunção, provar a existência do fato sob pena de nulidade do lançamento por ausência de prova. Por outro lado, se o lançamento estiver devidamente embasado em prova, ao contribuinte é passado o ônus de apresentar prova para desconstituir a situação que goza de presunção legal. 3 Da Multa Punitiva de 150%. 3.1 Dos Princípios da Razoabilidade Proporcionalidade e as Multas Fiscais. Alegou que a fixação de multa no patamar de 150% sobre o valor do tributo que deixou de ser pago desvirtua o seu objetivo de neutralizar o efeito tributário e reprimir condutas dolosas que provocam lesão ao Fisco. Com isso, não pode haver distorção entre a medida estabelecida em lei e o fim por ela objetivado, determinando que o modo de combater e punir os ilícitos fiscais deve ser disposto com penalidades que guardem adequação dos meios e dos fins, sob pena de violação ao princípio da razoabilidade e da proporcionalidade. Na análise deste princípio aplicado a multas fiscais, vislumbrase que uma lei que estabeleça uma multa elevada para combater a sonegação fiscal deve ser graduada em percentual proporcional ao seu objetivo de punir e reprimir o ato ilícito. A questão ainda é importante, em vista de que a não observância do princípio da proporcionalidade na imposição das multas pode violar o direito à propriedade. 3.2 Das Multas Fiscais e o Princípio do NãoConfisco em Matéria Tributaria. Apesar da Constituição, em seu artigo 150, IV, veda a utilização do tributo com efeito de confisco, a mesma regra há de ser aplicada às obrigações acessórias. A multa decorrente do descumprimento da obrigação tributária também se submete a esses patamares constitucionais válidos para a tributação, pois a pena não deve ser igual ao gravame, mesmo que ela seja primordialmente repreensiva e sancionatória. Dessa forma, verificase que a multa incidente sobre o principal, enseja, assim, a possibilidade de declaração de inconstitucionalidade por violação expressa ao art. 1 50, IV, da CF/SB. Devese notar que o efeito confiscatório tem ínsita relação, quando tratado em matéria tributária, com o princípio da capacidade contributiva. A capacidade econômica é a Fl. 5217DF CARF MF Processo nº 10825.723097/201496 Acórdão n.º 1402002.745 S1C4T2 Fl. 5.211 15 condição básica para a incidência de uma exação fiscal. A incidência dessas multas fiscais confiscatórias afetará a capacidade contributiva. 3.3 Dos Efeitos Confiscatórios da Multa Aplicada Com apoio no art. 150, IV, da Constituição Federal, alegou que, por todos os prismas analisados e pelo bom direito, a conclusão irreparável é de que a multa lançada no valor de 150% tem efeito confiscatório, impondo a sua necessária exclusão. 3.4 Princípio da Boa Fé no Direito Tributário É exatamente com fundamento no princípio da boafé, e, portanto, pela exclusão de culpa, que não pode o contribuinte ser punido pela multa agravada. Toda e qualquer infração pressupõe um mínimo de culpabilidade. Se não há culpa, obviamente, não há sanção. Além do mais, a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao suposto acusado. A boa fé é um princípio geral ou cláusula geral de exceção de dolo (exceptio doli generalis) que joga um importante papel na interpretação e aplicação do direito, especialmente quando em questão uma norma penal. Ela recorta o campo normativo da norma penal para excluir a culpabilidade na medida em que o infrator de boa fé não quis produzir um resultado com dolo e tomou as devidas cautelas que são incompatíveis com as idéias de negligência, imprudência e imperícia. De fato aquele que procura agir conforme o direito não quer violálo e, por isso, não age de forma culposa para legitimar a aplicação da norma penal. 3.5 Do Pedido No final requereu que seja julgada PROCEDENTE a impugnação para o fim de declarar a INSUBSISTÊNCIA e NULIDADE de todos AUTOS DE INFRAÇÃO oriundos do presente processo administrativo, notadamente em relação ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, pela ausência de comprovação de que a simples movimentação bancária não contabilizada constitui receita ou disponibilidade econômica e jurídica para atrair a incidência dos respectivos tributos. Subsidiariamente, na hipótese de persistir a cobrança, requereu a REDUÇÃO da multa punitiva de 150% prevista no art. 44, I, e §1°, da Lei 9.430/96 para a multa moratória de 20% prevista no art. 61 do mesmo diploma legal, uma vez que a manutenção da multa punitiva atenta contra o princípio da razoabilidade e proporcionalidade, além de afetar a própria capacidade contributiva da empresa. 2.3 – IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR MARTINO MONDELLI MARTINO MONDELLI contestou o lançamento e também a sujeição passiva alegando o seguinte: 1 Da Ausência de Poder de Gerência do Impugnante. Contestando o Termo de Sujeição Passiva Solidária, o impugnante alegou que a responsabilidade que lhe fora atribuída é equivocada, visto que, para a configuração da responsabilidade dos sócios, é necessária, inicialmente a intenção lesiva (dolo) quando da gerência da empresa, ou seja, praticar atos de fraude no curso da administração, o que não Fl. 5218DF CARF MF 16 ocorreu no presente caso, uma vez que o Impugnante, embora integrante do quadro societário, não detinha qualquer poder administrativo, tão pouco de decisão, exercendo o mesmo (à época dos fatos) o cargo de diretor industrial, não possuindo, acesso aos negócios relacionados à administração e gerência dos negócios, sendo que a administração dos negócios era concentrada diretamente na pessoa do Sr. Gennaro Mondelli, sócio que, efetivamente detinha o "poder de administração". Alegou que sempre foi impedido de participar da administração da Autuada, e até mesmo de ter ciência da maioria das decisões da administração, no entanto quando convocado para deliberações onde o mesmo não concordava, teve que socorrerse do Poder Judiciário, para fazer valer sua participação na Sociedade. E mais, após o ingresso da ação judicial em 2007 (002978802.2007.8.26.0071), a harmonia entre os sócios restou comprometida, e o Impugnante, que já vinha sendo afastado pelos demais sócios, acabou por ser impedido de tomar ciência dos atos administrativos da Sociedade, que resultou em sua retirada do quadro Societário em 08/10/2010, momento que a empresa encontravase em situação regular para com o Fisco. Segundo o impugnante, matéria idêntica já foi analisada pelo Tribunal Regional Federal da 3a Região que decidiu pela necessidade da comprovação do poder de gerência (tomar decisões em nome da empresa) e, no presente caso, o Impugnante, não recebia sequer a participação nos lucros, restringindo suas receitas, a retirada de prólabore, além de não ter tido conhecimento das supostas práticas apontadas como ilegais, que por ora, justifica a lavratura do auto de infração, visto que, estava alijado da administração da Sociedade, e quando tentou ter acesso as informações administrativas, encontrou óbice, o que justificou o ingresso das ações judiciais anteriormente mencionadas. Argumentou que o simples fato do Impugnante ser sócio quando dos fatos geradores das exações não gera, necessariamente, a responsabilidade solidária e, no caso em questão, não há prova de que o Impugnante, pessoa física, tenha agido com excesso de poder ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa, tão pouco que o mesmo possuía (à época dos fatos) qualquer poder de gerência, tendo sido incluído no presente feito, pelo simples fato de ser sócio em 2009. Questionou como poderia o Impugnante praticar atos contrários ao contrato social, se nem ao menos possui poder de gerência? 2 Da Quebra do Sigilo Fiscal. Alegou que, conforme consta dos autos, a Empresa Fiscalizada foi intimada a apresentar diversos documentos, em especial os relativos a movimentações financeiras, os quais, o Impugnante não teve ciência, tão pouco foi intimado a apresentar, e como já ressaltado, nunca participou dos decisões administrativas da pessoa jurídica em questão. Segundo o impugnante, após as respostas da Autuada, o Auditor entendeu por bem expedir Requisição de Movimentação Financeira, que foi atendida em 01/07/2014, configurando, assim, a obtenção indevida e ilegal de informações bancárias. Ainda, segundo suas alegações, não há informação de que o acesso a tais informações foi precedida de autorização judicial que, expressamente, tenha determinado a remessa de dados sigilosos à fiscalização, o que evidencia uma ilegalidade, que jamais poderá ser convalidada, mormente no presente caso, pois não é possível a quebra do sigilo bancário e financeiro sem a prévia e necessária intervenção do Poder Judiciário, já que tal ato incorre em manifesta violação aos incisos X, XII, LIV e LV do art. 5, o inciso IV do § 4º do art. 60, todos da CF/88. Fl. 5219DF CARF MF Processo nº 10825.723097/201496 Acórdão n.º 1402002.745 S1C4T2 Fl. 5.212 17 Concluiu pela nulidade absoluta do ato praticado pela fiscalização a amparar o crédito tributário precipitadamente constituído. 3 Da Qualificação da Multa Contestou a aplicação da multa qualificada de 150% e procurou apoio nas Súmulas do CARF números 14 e 25 com relação ao agravamento da multa nos casos de simples apuração ou presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos: Súmula CARF n° 14. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (gn). Súmula CARF n° 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Alegou que a presunção de omissão de receita decorrente da falta de comprovação dos depósitos bancários não contabilizados e, assim, somente qualificaria a multa se ficasse comprovado o evidente intuito de fraude – dolo, e, no caso, a fiscalização sequer justificou a majoração, e mais, o fato de o contribuinte eventualmente não ter apresentado declaração que reflita os registros observados em seus extratos bancários não corresponde automaticamente à conduta cujo tipo está previsto nos dispositivos acima mencionados, pois o fato gerador permanece devidamente exposto em seus extratos; isto é, não se escondeu ou omitiu. No entendimento do impugnante, para promover o lançamento de ofício deve ser desconsiderado o auto lançamento, então é evidente que a verificação da ocorrência do fato gerador não ocorre com a análise da declaração do contribuinte que nada mais é do que o suporte para o seu auto lançamento, mas sim com a análise dos documentos que deram suporte à declaração. Os extratos bancários de todas as contas cadastradas em nome da Fiscalizada, bem como respondidas todas as intimações enviadas, ou seja, não houve qualquer tentativa em esconder do fisco a ocorrência do fato gerador. Da mesma forma, a contenda estabelecida em torno da titularidade dos depósitos efetuados na conta bancária que motivou o lançamento nada escondeu ou omitiu quanto ao fato gerador da obrigação tributária. Ademais, a palavra dolosa faz grande diferença na interpretação desse dispositivo, pois ainda que se entenda que do ato ou omissão do contribuinte decorra, de algum modo, a diminuição total ou parcial do tributo, ou ainda seu diferimento indevido deve ser demonstrada a intenção do agente nesse sentido. Assim, é imprescindível que reste demonstrado que o contribuinte agiu dolosamente, sob pena de não ser caracterizada sua atitude como passível da multa do art. 44, II, da Lei 9.430/96. Alegou não ter ficado demonstrado nos autos que o Impugnante/Autuada agiu com evidente intuito de fraude para ensejar à aplicação da multa agravada; o intuito doloso deve estar plenamente demonstrado, sob pena de não restarem evidenciados os elementos ardilosos característicos da fraude, indispensáveis para ensejar o lançamento da multa qualificada. Não ficou configurada a conduta ou a intenção dolosa na qual o agente sabe estar praticando o delito e o deseja, a exemplo da adulteração de notas fiscais (notas frias ou calçadas). Fl. 5220DF CARF MF 18 Concluiu que não há razão válida para o agravamento da multa, por absoluta falta de comprovação do dolo específico, condição essencial à imputação de evidente intuito de fraude. 4 Do Caráter Confiscatório da Multa Imposta no Auto de Infração Alegou que a multa imposta no Auto de Infração, embora prevista em legislação federal, ainda está a caracterizarse em, indubitavelmente, verdadeiro confisco, o que é vedado pela Constituição Federal de 1988, artigo 5º, inciso LIV, não devendo, pois, ultrapassar o valor plausível ao seu conceito corretivo. 5 Da Inconstitucionalidade da Taxa Selic para Apuração de Juros Moratórios em Débitos Tributários Alegou que a Receita Federal do Brasil ao calcular os juros utilizou como índice a taxa SELIC, quando esta não pode ser aplicada para fins tributários, em respeito aos princípios da igualdade e da tipicidade, devendo ser cobrado os juros definido pelo Código Tributário Nacional (art. 161, §1°), de 1% (um por cento) ao mês, que, acumulada, atinge 12% (doze por cento) ao ano. Teceu várias considerações para sustentar sua tese, afirmando que da simples leitura da norma imposta pelo art. 161, §1° do CTN "se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são CALCULADOS à taxa de 1% (um por cento) ao mês", inferese que apenas com disposição expressa de lei ordinária acerca do CÁLCULO dos juros moratórios incidentes em obrigações tributárias, este poderá ser superior à taxa de 1% ao mês. Finalizou afirmando que não teve oportunidade de se defender, vez que sequer foi intimado a se manifestar; que não restou demonstrado o poder de gerência do Impugnante, que, em tese, justificaria sua responsabilidade; que nunca se beneficiou de eventual irregularidade; que não foram produzidas provas convincentes que comprove que as supostas movimentações bancárias foram "omitidas" de forma dolosa, o que em tese, caracterizaria a qualificação da multa para 150%. 6 – Pedido de Perícia Solicitou com fundamento no art. 16 do Decreto 70.235/72 diligência a fim de corroborar/comprovar que o Impugnante jamais foi administrador da Empresa Autuada, bem como nunca teve proveito de eventuais vantagens obtidas pela Sociedade, restringindo suas retiradas aos valores referentes a prólabore. Elaborou os seguintes quesitos: Esclarece o Sr. Perito se quando da participação no quadro Societário o Impugnante obteve algum rendimento diferente do prólabore; Pela análise das documentações acostas nos autos, é possível concluir que o Impugnante mantinha poder de decisão junto a Autuada; Elucide o Sr. Perito se nos autos consta algum levantamento específico que comprove o Poder de Gerência do Impugnante, que justifique sua inclusão no presente feito; ter sido escondido do Impugnante. Para tanto o Impugnante indicou como perito o Sr. Ivair Donizeti Primo, contador, (CRC 1SP 1651610/2) residente na Rua Célio Daibem, n° 777, Vila Nova Santa Clara, na Cidade de Bauru, Estado de São Paulo, CEP: 17014280, fone: 1432067255, e endereço eletrônico (email) l.d.primo@uol.com.br Fl. 5221DF CARF MF Processo nº 10825.723097/201496 Acórdão n.º 1402002.745 S1C4T2 Fl. 5.213 19 Requereu, ainda, a juntada de documentos novos, nos termos do art. 16, §4°, "a", consistentes nas peças e documentos constantes nos autos dos processos 0029788 02.2007.8.26.0071 e 000809156.2006.8.26.0071, visto a impossibilidade de apresentação imediata, ante o fato dos mesmos estarem arquivados. 7 Do Pedido Final No final requereu: a) o recebimento e processamento da presente impugnação administrativa, vez que tempestiva; (b) que seja dado total provimento à Impugnação a fim de cancelar o Termo de Sujeição Passiva; (c) que seja dado total provimento à Impugnação a fim de cancelar o auto de infração; (d) que seja deferido o pedido para produção de provas, em especial a perícia técnica contábil nos moldes em que requerida, bem como pela juntada de documentos novos. 2.4 IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR GENARO MONDELLI FILHO GENARO MONDELLI FILHO, por intermédio de seu procurador, Dr. Obed de Lima Cardoso, apresentou impugnação (fls. 4708/4744) para contestar o lançamento e a sujeição passiva aduzindo como razões de defesa o seguinte: 1 Inexistência da Responsabilidade Tributária Passiva Atribuída Inicialmente, alegou que a Sra. Auditora embasou referida extensão e solidariedade, na suposição que o Sr. Genaro Filho, seria administrador da empresa, com base em uma procuração lavrada pelo Genitor do mesmo, enquanto vivo e sócio da empresa, nos idos do ano de 2001, bem como em uma suposta Nota Promissória assinada pelo Impugnante. O impugnante visando esclarecer sua relação com a empresa autuada afirmou que apesar de filho de sócio e fundador da empresa fiscalizada, nunca participou da gestão da mesma, nem mesmo assumiu Diretoria e ou Gerencia, ou foi admitido da condição de sócio; que na verdade fora mero funcionário da empresa, regularmente registrado, na função/cargo de COMPRADOR no ano de 1994, conforme faz prova cópia da fls 11 de sua CTPS (doc. Anexo), e que desenvolveu tal cargo/função ostensivamente até pouco tempo posterior ao falecimento de seu pai, ocorrido em 01/fevereiro/2008 (doc. Anexo), quando o fato de ser filho/herdeiro do sócio falecido passou a incomodar os gestores da Empresa (Tios), terminando por ser demitido em 30/outubro/2010 (TCRC anexo), ocasião em que suas funções profissionais e inerentes ao cargo de comprador, já estavam seriamente restringidas pela gestão contemporânea. Segundo o impugnante, referida Procuração outorgada pelo seu genitor, enquanto ainda vivo, o foi para representar a empresa nas funções inerentes a seu cargo funcional de Comprador e somente vigorou, nas raras ocorrências de absoluta necessidade, para fins de efetivar a compra de gado, sendo a mesma revogada tacitamente, com o infortúnio falecimento do pai, mas em nenhum momento foi Administrador e ou Sócio da empresa autuada e muito menos responsável pela operação, determinações e decisões da mesma, nem mesmo assumiu a condição de Inventariante do Espólio em razão do falecimento do pai, nem mesmo o Espólio de Genaro Mondelli (pai) figura na sociedade da empresa fiscalizada. Alegou que a responsabilidade atribuída com fulcro no art. 135 do CTN não tem razão de ser, primeiro porque para a tipificação exige que haja ato, comissão, atitude; e, segundo, exige que esta ação (ato) seja, com excesso de poderes ou infração da lei, contrato social ou estatuto. Segundo o impugnante, ao exigir ato e dolo, evidente que este deve ser Fl. 5222DF CARF MF 20 claramente indicado e provado e não há a indicação, nem mesmo prova de que o Impugnante tenha praticado qualquer ato que leve a presunção fiscal de responsabilidade. Sustentou que a simples juntada da Procuração nada prova e nem mesmo indica qualquer ato ou ação do Impugnante, e a assinatura do Impugnante no que se identificou como sendo uma Nota Promissória não pode ser entendida como uma ação inerente ao tipo incurso, pois não se presta a indicar abuso de poder, pois pelo contrário, eis que a margem da mesma consta, tratarse de aquisição de gado, portanto inserto na atividade da empresa. Acrescentou que não ficou caracterizado, nem provado, o ato, o dolo ou mesmo a má fé do Impugnante, no caso vertente, razão pela qual deve ser determinada a Improcedência da alocação e inclusão do Impugnante no polo passivo tributário, sendo manifesta a sua ilegitimidade passiva ad causam no caso vertente, não cabendo inverterse o ônus probandi de demonstrar a existência das circunstâncias ensejadoras da responsabilidade do Impugnante. Segundo o impugnante, a Auditora Fiscal, ao deixar de instaurar procedimento prévio e intimar os "responsáveis solidários" somente ao final da lavratura dos autos de infração, violou de forma clara e agressiva, todo e qualquer princípio de ampla defesa, do devido processo legal e do contraditório, na medida em que a ciência dos "responsáveis solidários" se deu, via postal, exclusivamente para adimplemento da obrigação constituída nos lançamentos combatidos. 2 Nulidade dos Autos de Infração Falta de Intimação de todos os Interessados. Ainda, em preliminar, argüiu nulidade dos autos de infração sob a alegação de que a Sra. AFRF deixou de intimar, pessoal e individualmente, TODOS os que indicou como "Responsáveis Solidários", sócios integrantes do quadro societário do sujeito passivo, e ainda, os que não faziam, como é o caso do Impugnante, e que jamais poderia encerrar o seu trabalho fiscal, ainda que parcialmente, com a lavratura de Autos de Infração, enquanto não intimasse, além do representante legal da PESSOA JURÍDICA, a cada um, individualmente, dos tidos como "RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS", na medida em que, segundo a própria ação fiscal, os atos de gestão praticados por estes (dirigentes e ou administradores, ou não) estão jungidos aos "mesmos fatos ensejadores da incidência tributária", quais sejam, supostos "depósitos bancários não contabilizados e sem comprovação da origem", como consta na autuação. 3 Aplicação da Verdade Material De inicio, alegou que a existência da Conta Bancária indicada e a sua não contabilização são fatos estranhos ao Impugnante, pois nenhuma gestão exercia o Impugnante na empresa fiscalizada, não estando em sua alçada tomar partido quanto a estes. Afirmou que não se respeitou, no procedimento, o princípio mais importante que regula o processo administrativo fiscal, ou seja, o princípio da verdade real ou verdade material, posto que a Sra. Auditora Fiscal, fez referência a depósitos bancários, sem qualquer nexo causal entre estes e eventual receita omitida ou auferida, utilizando o impróprio e repugnante critério da "presunção", sendo que a jurisprudência exige que haja um nexo causal entre a alegada omissão de rendas e o fato gerador da obrigação tributária. Em estrita observância ao princípio da busca da verdade real ou material, a agente fiscal deveria ter efetuado diligências para comprovar suas alegações e nunca transferir ao Impugnante, ou a Fl. 5223DF CARF MF Processo nº 10825.723097/201496 Acórdão n.º 1402002.745 S1C4T2 Fl. 5.214 21 Autuada o ônus da prova, mesmo porque a nossa Constituição Federal consagra o direito de ficar calado, ou seja, de não confessar eventual irregularidade cometida (CF, art. 5º, LXIII). Alegou que o lançamento se operou exclusivamente por mera presunção, procedimento execrado pela Justiça, pelos Julgadores administrativos e pela doutrina, que entendem prevalecer, no processo administrativo, o PRINCÍPIO DA VERDADE REAL ou MATERIAL e nunca o princípio da verdade ficta ou presumida. A constatação de omissão de receitas pela pessoa jurídica, deve ser devidamente comprovada pela fiscalização, através da realização das verificações necessárias à obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à validação do crédito tributário. 4 Inocorrência do Fato Gerador Segundo o impugnante, não ocorreu o fato gerador da obrigação tributária, não havendo, por isso, justa causa para o lançamento, já que a Sra. Auditora Fiscal não comprovou a efetividade da existência de receita, apenas há referência a compras e depósitos. Em outras palavras, não houve o fenômeno chamado subsunção do fato à norma, mesmo porque não ocorreu, no mundo fenoménico, o fato (omissão de receita) mencionado nos autos, pois, simples depósitos bancários, sem aprofundamento da auditoria fiscal não autorizam o arbitramento do lucro. Insurgiu contra a legitimidade dos documentos juntados aos autos, fornecido por terceiros, visto que não se respeitou o princípio do contraditório. Por fim, concluiu que não há prova da ocorrência do fato gerador, pois os extratos bancários, por si nada provam, e sequer se provou que a Autuada e os Responsáveis Solidários tenham auferido RECEITAS/RENDAS, pois nem mesmo houve prova de qualquer acréscimo patrimonial, devendo, por isso, o Auto de Infração ser considerado nulo e a mesma sina deve ter a tributação reflexa, relativamente às contribuições sociais exigidas (PIS, COFINS e CSLL), ressaltando que a legislação e a jurisprudência não autorizam o fisco considerar fatos geradores das referidas contribuições, a mera presunção de "omissão de receita da atividade". 5 Inaplicabilidade da Multa Qualificada Contestou a aplicação da multa qualificada alegando, em síntese, que para ser aplicada a multa de 150% é necessário que haja descrição e inconteste comprovação da ação ou omissão dolosa, na qual fique evidente o intuito de sonegação, fraude ou conluio, e acrescentou que “punir contribuintes com multas qualificadas, com lastro em juízo discricionário da fiscalização, é verdadeiro atentado à ordem jurídica, aos princípios da proteção da confiança, da razoabilidade, da proporcionalidade, da proibição de excesso, da boafé, da presunção da inocência e, acima de tudo, da justiça”. 6 Pedido Final No final, requereu: (a) que se receba, aprecie e julgue PROCEDENTE a presente IMPUGNAÇÃO apresentada contra os Autos de Infração que se encontram neste processo, determinando, por via de conseqüência, a ANULAÇÃO dos referidos Autos de Infração; (b) o CANCELAMENTO do Crédito Tributário neles consubstanciados, abrangendo Fl. 5224DF CARF MF 22 o lançamento, a multa punitiva, os juros de mora e demais acréscimos; (c) Subsidiariamente, na remota hipótese de subsistência dos Autos de Infração, a exclusão do Impugnante, GENARO MONDELLI FILHO, nos termos aqui relatados; (d) a apresentação de provas em qualquer fase processual, inclusive pericial, consoante jurisprudência pacificada do CARF; (e) por fim a notificação e intimação do decisório e eventuais despachos interlocutórios, também ao patrono do Impugnante, subscritor da presente impugnação, em seu endereço, conforme constante no timbre, sob pena de nulidade do ato, nos termos da legislação legal, sobretudo o Estatuto da Advocacia. Passo, agora, a complementar o relatório acima colacionado. As impugnações foram julgadas totalmente improcedentes pela DRJ/RPO, tendo sido inclusive mantidas as responsabilidades solidárias atribuídas aos sócios administradores. Tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. As garantias do contraditório e da ampla defesa somente se manifestam com a instauração da fase litigiosa, ressalvados os procedimentos fiscais para os quais lei assim exija. Comprovado que tanto o sujeito passivo quanto os responsáveis solidários tomaram conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do lançamento, e que lhe foi oferecido prazo para defesa, não há como prosperar a tese de nulidade por cerceamento do direito ao contraditório e da a ampla defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. ENTENDIMENTO ADMINISTRATIVO. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. As alegações de inconstitucionalidade ou de ilegalidade somente são apreciadas nos julgamentos administrativos quando houver expressa autorização. SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, a par de amparada legalmente, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de ofício. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. Fl. 5225DF CARF MF Processo nº 10825.723097/201496 Acórdão n.º 1402002.745 S1C4T2 Fl. 5.215 23 Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicála, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA QUALIFICADA DE 150% Falta de escrituração de depósitos bancários e de pagamento dos tributos devidos caracterizam a conduta dolosa da contribuinte ensejadora da qualificação da multa. LANÇAMENTOS REFLEXOS (CSLL, PIS, COFINS) A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, implicam na obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inc. I do CTN, contandose o prazo a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Sendo os documentos acostados aos autos claros, permitindo um adequado julgamento, tornase prescindível a realização de perícia ou diligência para a solução da controvérsia. PROTESTO PELA JUNTADA DE TODAS AS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO. As provas documentais devem ser apresentadas por ocasião da impugnação, sob pena de preclusão processual, exceto nas situações previstas no art. 16, § 4º do PAF. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. INDEFERIMENTO. Fl. 5226DF CARF MF 24 O domicílio tributário do sujeito passivo é endereço, postal, eletrônico ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil (RFB) para fins cadastrais. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. Inconformados, os responsáveis solidários interpuseram Recursos Voluntários: Genaro Mondelli Filho (efl. 5.148); Mondelli Indústria de Alimentos S/A e José Mondelli, Braz Mondelli, Cosntantino Mondelli e Antonio Mondelli (efl. 4.885); Espólio de Martino Mondelli; representado por seu inventariante Vangélio Mondelli Neto (efl. 4.952). Ainda no tocante ao trâmite processual, registrese que não há Contrarrazões por parte da PGFN, até o momento. Diante da total improcedência das impugnações, também não há Recurso de Ofício a ser apreciado. É o relatório. Fl. 5227DF CARF MF Processo nº 10825.723097/201496 Acórdão n.º 1402002.745 S1C4T2 Fl. 5.216 25 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator Inicialmente, ressalto que não há recurso de ofício. Há, contudo, três recursos voluntários que, à vista da incongruência de posições dos recorrentes, serão tratados individualmente no presente voto, notadamente em relação aos reais administradores da contribuinte no período fiscalizado 2009. Síntese fáticaprocessual Em suma, temse que, a fiscalização levada a termo no contribuinte redundou na lavratura de auto de infração de IRPJ, em razão de ter sido constatada omissão de receitas, uma vez que o contribuinte, durante o período de fiscalização, não ter tido êxito em esclarecer a origem de depósitos realizados em contacorrente (7351) mantida pela empresa em agência (0075) no Banco Itaú, além dos tributos decorrentes (CSLL, PIS e COFINS), conforme se denota no Termo de Verificação Fiscal de fls. 106 a 117. A partir do trabalho da fiscalização, planilha com o apontamento dos depósitos não identificados foi elaborada e os valores apontados serviram de base para a apuração do IRPJ devido por omissão de receitas, nos termos do art. 42, da Lei 9.430/96, bem como para o cálculo dos tributos decorrentes: CSLL, PIS e COFINS. A Recorrente aponta, ainda, supostas nulidades na autuação, as quais serão tratadas neste voto e os demais Recorrentes além de defenderem sua ilegitimidade para figurarem como responsáveis solidários, também questionaram pontos específicos vinculados ao mérito das autuações (quebra de sigilo bancário, qualificação da multa, cerceamento de defesa, confisco, decadência). Recursos Voluntários: Recorrente + Responsáveis Solidários: Constantino. Antonio. José. Braz (fls. 4885 a 4943). O recurso voluntário da Recorrente, apresentado em conjunto com os acionistas e administradores Constantino Mondelli, Antonio Mondelli, José Mondelli e Braz Mondelli, é iniciado com a assertiva que os administradores estão sendo vítimas do administrador judicial. Independentemente das atitudes do administrador judicial, o fato é que, uma vez aberta a fiscalização, não tendo a Recorrente apresentado os extratos bancários solicitados, foram os mesmos obtidos através de Requisição de Movimentação Financeira junto ao Banco Itaú, que disponibilizou extrato da conta bancária nª 7351, agência 0075, no período de janeiro/09 a dezembro/10. Fl. 5228DF CARF MF 26 De posse desse extrato, obtido de forma legal, inexistindo qualquer situação que pudesse caracterizar indevida quebra de sigilo bancário, constatou a fiscalização que os valores movimentados no ano de 2009, na referida conta bancária, não tinha sido escriturados na contabilidade da Recorrente. Frente à evidente omissão de receitas, pela inexistência de escrituração contábil, procedeu a fiscalização nos termos do art. 42, da Lei 9.430/96, relacionando os depósitos sem origem e intimando o contribuinte para esclarecer e comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos financeiros em questão. Ante a ausência de comprovação por parte da Recorrente, foram lançados os créditos tributários de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Em adição, foram lavrados termos de sujeição passiva solidária para os administradores da Recorrente no ano de 2009, relacionados pela fiscalização a partir de informações obtidas junto a Junta Comercial do Estado de São Paulo. Os sócios Antonio, José, Braz e Constantino Mondelli, através de seu procurador signatário do recurso voluntário, informaram que no ano de 2009 a administração da Recorrente estaria a cargo do espólio de Genaro Mondelli e de Martinho Mondelli, que outorgaram procuração a Antonio Mondelli para a representação dos sócios majoritários na administração da empresa. Os Recorrentes não negam a possível existência de omissão de receita, mas, segundo eles, tal ato nunca foi de responsabilidade dos atuais acionistas, eximindose da responsabilidade solidária que lhes foi imputada pela fiscalização à vista da constatação de omissão de receitas pela empresa Recorrente. Em seguida, passam a desqualificar o administrador judicial e o contador que lhe assessora, no intuito de demonstrar que as atitudes deles são contrárias à lei e, desta forma, a quebra de sigilo bancário pelos mesmos afetaria a prova produzida, inclusive neste procedimento administrativo, notadamente porque o contribuinte, segundo alegam os Recorrentes, não teve ciência de nenhum ato do presente procedimento fiscal. Com a devida vênia, as informações bancárias, obtidas pela fiscalização através de requisição de movimentação financeira junto ao Banco Itaú são idôneas e protegidas pelo sigilo fiscal, de tal forma que não foram usadas indevidamente dentro deste processo administrativo. Inclusive, a Lei Complementar nº 105/2001 legitima o fornecimento de informações pelas instituições financeiras sobre a movimentação do sujeito passivo sob fiscalização, quando a autoridade fiscal entender que o exame de tais informações é indispensável para o deslinde da controvérsia,afastando, portanto, a alegação de quebra de sigilo bancário. Da mesma forma, a fiscalização direcionou todas as intimações fiscais emitidas no âmbito deste processo administrativo à Recorrente, em seu endereço junto ao CNPJ, de tal forma que os atos são válidos. Se, em razão de questões internas, decorrentes da recuperação judicial, os sócios não tiveram acesso a alguma informação prévia à instalação da fase contenciosa, não se está diante de qualquer nulidade capaz de mudar o curso do presente feito, exceto no tocante à responsabilidade solidária. Quanto às nulidades, atesto que não há erro de capitulação legal, pois a autuação está fundamentada no art. 42, da Lei 9.430/96, que se trata de uma presunção legal de omissão de receita por falta de comprovação de origem de depósito bancário. O ônus da prova, nesse caso, é do contribuinte. Não se desincumbindo de comprovar a origem dos recursos, o Fl. 5229DF CARF MF Processo nº 10825.723097/201496 Acórdão n.º 1402002.745 S1C4T2 Fl. 5.217 27 reconhecimento da receita omitida e a constituição dos créditos tributários é apenas decorrência. Ademais, não houve erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que a conta bancária em análise pertence à Recorrente. Pelo mesmo motivo, também não houve qualquer vício na intimação da Recorrente, uma vez que as intimações foram encaminhadas para o seu domicílio tributário e regularmente recebidas. Problemas internos, decorrentes de questões vinculadas à recuperação judicial não podem ser opostas ao fisco, notadamente quando este seguiu as regras para a intimação do contribuinte. A responsabilização por sujeição passiva solidária dos sócios administradores da contribuinte, no período de 2009, decorre, segundo a fiscalização, do reconhecimento da conduta dolosa em omitirse as receitas movimentadas na conta 7351, do Banco Itaú, de titularidade da Recorrente. Ou seja, no entendimento da fiscalização, a fraude foi constatada pela conduta dolosa dos responsáveis solidários. Porém, no que pese a alegação de fraude levantada pela autoridade fiscal, necessário destacar que o requisito necessário para a incidência de tal instituto e de sua penalidade a multa qualificada, em termos estritamente fiscais qual seja, o dolo, deverá restar robustamente comprovado nos autos, ou seja, deve ser um dolo evidente, que não deixe margem alguma de dúvidas. Isto não ocorre no presente processo. Fortalece tal entendimento, a previsão expressa no CTN, mais especificamente no artigo 112, no qual consta a segurança de que a lei tributária que trata de infrações ou penalidades deverá ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado em caso de dúvidas quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos (inciso II). Percebase que tal disposição não visa coibir, ou mesmo mitigar, a prerrogativa de livre convencimento do julgador. Pelo contrário. Em verdade, o auxilia nos momentos em que o mais justo, ou a maior segurança jurídica é concretizada pela humildade do julgador em não forçar a instrução probatória a um resultado tendencioso/parcial, mas sim, em admitir que diante de uma instrução probatória precária e tratandose de penalidades o melhor a se fazer é interpretar a lei de forma menos gravosa ao sujeito autuado. Com base no exposto, afasto a responsabilidade solidária de todos os responsáveis intitulados neste tópico do voto. Devese afastar também o agravamento da multa imposta, posto que a Recorrente correspondeu devidamente todas as intimações da fiscalização, não causando embaraço algum, bem como, não restou comprovada a fraude. Os argumentos de efeito confiscatório da multa estão embasados em princípio constitucional. Este Julgador está adstrito à legislação vigente, não podendo deixar de aplicar a lei, exceto nos casos de declaração de inconstitucionalidade pelo STF com efeitos erga omnes, o que não é o caso no presente feito. A utilização da Taxa Selic para fins de correção dos créditos tributários constituídos também decorre de lei e é matéria pacífica no âmbito desta Turma Julgadora, razão pela qual está correto o procedimento da fiscalização no presente processo administrativo. Fl. 5230DF CARF MF 28 Recurso Voluntário: Genaro Mondelli Filho (fls. 5148 a 5200). Em suma, o Recorrente em questão alega que não tinha qualquer poder de gerência no período fiscalizado e que a procuração apresentada, embora lhe concedesse amplos poderes, perdeu a validade com a morte do outorgante. Em verdade, este Julgador repisa os argumentos utilizados para afastar a responsabilidade solidária anteriormente neste voto, pois entende que o Recorrente, mesmo tendo uma procuração com amplos poderes, pode não ter tido a possibilidade de praticar atos de gestão em relação aos valores movimentados na conta bancária 7351, do Banco Itaú. Ou seja, há dúvidas e insuficiente comprovação do dolo fraudulento. Muito menos deve prosperar, então, a multa qualificada, posto que seus requisitos de incidência, como a fraude, a sonegação e o conluio não se manifestaram no presente caso. Recurso Voluntário: Martino Mondelli (fls. 4952 a 5016). Em suma, o Recorrente em questão alega que não tinha qualquer poder de gerência no período fiscalizado e que inclusive litigava contra os gestores, apresentando comprovação das demandas judiciais protocoladas, inclusive para fins de prestação de contas dos gestores, obtendo, inclusive, decisão judicial que afasta a sua responsabilidade, exceto se houver prova em contrário. Assim, considerando que o Recorrente, ainda que constasse no contrato social como sócio administrador, não exercia, de fato, a gerência ou a gestão dos negócios da empresa no período da autuação, devidamente comprovado pelas diversas ações judiciais ajuizadas em face dos gestores da empresa, afasto a responsabilidade passiva solidária do Recorrente em questão. Em relação aos argumentos referentes à quebra do sigilo bancário, qualificação da multa, cerceamento do direito de defesa e confisco, reitero que a fiscalização não quebrou o sigilo bancário para a formalização da autuação; apenas teve acesso às informações da conta bancária 7351 do Banco Itaú em razão de requisição de movimentação financeira, regularmente expedida para a referida instituição financeira, permanecendo as informações obtidas legalmente sob sigilo fiscal. Novamente, no tocante a qualificação da multa, necessário frisar que, conforme a súmula CARF nº 14, a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Por este motivo e pelo já justificado neste voto em relação a qualificação da multa, afasto tal enquadramento. Tão pouco houve cerceamento do direito de defesa, nem da empresa Recorrente, nem dos responsáveis solidários, pois todos tiveram a possibilidade de apresentar impugnação administrativa, recurso voluntário e juntar aos autos todos os elementos de prova que dispusessem para corroborar suas alegações; por fim, o argumento de confisco tem viés constitucional e, como já exposto acima, a esfera administrativa não está autorizada a reconhecer inconstitucionalidades, exceto quando decorrentes de decisões do STF, com efeito erga omnes, que não é caso. Fl. 5231DF CARF MF Processo nº 10825.723097/201496 Acórdão n.º 1402002.745 S1C4T2 Fl. 5.218 29 Da Decadência Defendendo a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, os recorrentes ressaltam à efolha 4.919 que: "Quer o sujeito passivo tenha apurado ou não imposto a pagar; quer o contribuinte tenha pago ou não o tributo que eventualmente tenha apurado, o prazo decadencial para o lançamento em face de eventuais omissões sempre terá como marco a data da ocorrência do fato gerador." Não merece prosperar a afirmação dos recorrentes, posto que totalmente em descompasso com a jurisprudência deste Conselho. Havendo pagamento, mesmo que parcial, incidirá sim o artigo 150, § 4º do CTN. Contudo, sem prova nos autos de que o pagamento de fato ocorreu, sendo tal informação inclusive obscurecida pelos recorrentes, incide o artigo 173, do CTN, não tendo, portanto, decaído o direito do fisco de autuar o sujeito passivo, posto que os recorrentes foram cientificados da autuação em novembro/14 e a competência mais antiga é março/2009, o início do prazo decadencial deuse em 01.01.2010 e finalizou em31.12.2014, de tal forma que não há decadência a ser reconhecida no caso concreto. Por todo o exposto, excluo todos os sócios administradores Antonio Mondelli, Constantino Mondelli, José Mondelli, Braz Mondelli, Gennaro Mondelli Filho e Martino Mondelli, do pólo passivo, dando total provimento aos seus recursos voluntários, bem como afasto a qualificação da multa de ofício e agravada. É o voto (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 5232DF CARF MF
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Numero do processo: 16095.000317/2006-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2001
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE DO MESMO MPF QUE DEU ORIGEM A AUTO DE INFRAÇÃO DE IRPJ
Tendo havido o lançamento de CSLL, decorrente de auto de infração de IRPJ oriundos dos mesmo MPF, o julgamento dado ao processo de IRPJ deve também ser aplicado ao processo de CSLL.
DECADÊNCIA. PENALIDADE.
A exigência de multa isolada e os efeitos da decadência do lançamento tributário, por se tratar de penalidade e não falta de recolhimento de tributo, sujeita-se às disposições inseridas no artigo 173 do CTN, que disciplina a decadência de créditos tributários em geral.
DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO/DECLARAÇÃO DE DÉBITO.
O lapso temporal para se averiguar a decadência da exigência fiscal no caso de contribuinte que não procedeu a recolhimento do tributo lançado, ou informou débito em DCTF, deve ser contado de acordo com o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. PREPOSTO. VALIDADE.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Súmula nº 09 do CARF) MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE
Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionalidade não foi reconhecida pelo STF.(Súmula nº 02 do CARF)
JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula nº 04 do CARF)
Numero da decisão: 1401-000.728
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE DO MESMO MPF QUE DEU ORIGEM A AUTO DE INFRAÇÃO DE IRPJ Tendo havido o lançamento de CSLL, decorrente de auto de infração de IRPJ oriundos dos mesmo MPF, o julgamento dado ao processo de IRPJ deve também ser aplicado ao processo de CSLL. DECADÊNCIA. PENALIDADE. A exigência de multa isolada e os efeitos da decadência do lançamento tributário, por se tratar de penalidade e não falta de recolhimento de tributo, sujeita-se às disposições inseridas no artigo 173 do CTN, que disciplina a decadência de créditos tributários em geral. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO/DECLARAÇÃO DE DÉBITO. O lapso temporal para se averiguar a decadência da exigência fiscal no caso de contribuinte que não procedeu a recolhimento do tributo lançado, ou informou débito em DCTF, deve ser contado de acordo com o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. PREPOSTO. VALIDADE. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Súmula nº 09 do CARF) MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionalidade não foi reconhecida pelo STF.(Súmula nº 02 do CARF) JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula nº 04 do CARF)
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LANÇAMENTO DECORRENTE DO MESMO MPF QUE DEU ORIGEM A AUTO DE INFRAÇÃO DE IRPJ Tendo havido o lançamento de CSLL, decorrente de auto de infração de IRPJ oriundos dos mesmo MPF, o julgamento dado ao processo de IRPJ deve também ser aplicado ao processo de CSLL. DECADÊNCIA. PENALIDADE. A exigência de multa isolada e os efeitos da decadência do lançamento tributário, por se tratar de penalidade e não falta de recolhimento de tributo, sujeitase às disposições inseridas no artigo 173 do CTN, que disciplina a decadência de créditos tributários em geral. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO/DECLARAÇÃO DE DÉBITO. O lapso temporal para se averiguar a decadência da exigência fiscal no caso de contribuinte que não procedeu a recolhimento do tributo lançado, ou informou débito em DCTF, deve ser contado de acordo com o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. PREPOSTO. VALIDADE. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Súmula nº 09 do CARF) MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionalidade não foi reconhecida pelo STF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 03 17 /2 00 6- 78 Fl. 213DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0218.16532.UXLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 (Súmula nº 02 do CARF) JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula nº 04 do CARF) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire Da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias Fl. 214DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0218.16532.UXLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16095.000317/200678 Acórdão n.º 1401000.728 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente feito de CSLL, decorrente do auto de infração de IRPJ, cuja legalidade foi objeto de julgamento no processo nº 16095.000318/200612. Em se tratando de auto de infração decorrente, adoto e transcrevo o relatório do acórdão nº 180100.725, julgado pela 1ª Turma Especial da 1ª Seção, a saber: Nos trabalhos de auditoria fiscal constatouse que a empresa não recolheu o IRPJ relativo ao anocalendário de 2001, cujo valor foi informado na DIPJ/02, nem procedeu aos recolhimentos das estimativas mensais a que se sujeitava relativas aos meses de agosto, novembro e dezembro de 2001, consoante Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades e Autos de Infração de fls. 61 a 69. Aproveito trechos do relatório do Acórdão nº 0525.737/09, prolatado pela Terceira Turma de Julgamento da DRJ em Campinas, fls. 129 e ss, para resumir as alegações de defesa da autuada: “Cientificada da exigência em 14/11/2006, em 12/12/2006 a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 76/96 , na qual alega em síntese: a impugnação apresentada suspende a exigibilidade do crédito tributário e da penalidade exigidos no auto de infração, nos termos do art. 151, do Código Tributário Nacional (CTN); ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nos termos do §4° do art. 150 do CTN, independentemente de recolhimento antecipado do imposto, tendo em vista que o IRPJ é tributo lançado por homologação; se o entendimento for pela aplicação da regra inscrita no inciso I do art. 173 do CTN, na fixação do intervalo decadencial, devese considerar o anocalendário e não o ano civil na contagem do prazo; em período anterior, a impugnante foi alvo de fiscalização do IRPJ, tendo a auditoria atestado a regularidade e encerrado o procedimento sem qualquer autuação, como atestam os documentos juntados aos autos; nesse contexto, o Fisco não poderia fiscalizar novamente o que já foi fiscalizado, por caracterizar bis in idem, violar o princípio da segurança jurídica e o ato jurídico perfeito; a empresa não informou os valores na DCTF, pelo fato da mesma ter sido preenchida erroneamente, razão pela qual não se faz necessário autuar, bastando apenas a receita notificar a autuada para retificar a DCTF, com os valores corretos, pois tratase de uma obrigação acessória, perfeitamente possível fazer a sua retificação, sem a incidência de aplicação de auto de infração; desta forma, deverá o auto de infração ser anulado, por não preencher os requisitos legais, ao invés da fiscalização autuar, antes deveria notificar a empresa para que se alguma irregularidade existir, as mesmas serem sanadas, autuar não é a solução, tendo em vista a elevada carga tributária Brasileira, imposta às empresas; as multas aplicadas aos valores principais devidos sofreram ainda a incidência de juros moratórios, configurando indevida capitalização e onerosidade ilícita; Fl. 215DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0218.16532.UXLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 a multa aplicada assume feição de confisco; seu percentual deveria limitarse a 2%; os juros de mora são elevados, ferem o princípio da capacidade contributiva, devendo limitarse a 1% ao mês.” Aquela turma julgadora manteve integralmente os lançamentos tributários. Assim restou ementado o aresto: “CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Na hipótese em que o recolhimento não ocorre, o prazo decadencial de cinco anos tem inicio no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de oficio poderia haver sido realizado. Mantémse o lançamento fiscal que tenha respeitado esse interregno. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. CONDIÇÕES. A constituição de oficio do crédito tributário por meio de Auto de Infração somente é passível de anulação se efetuada por agente incompetente. A discussão de matéria de mérito não provoca a anulação do lançamento. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO. Constatada a falta de recolhimento do tributo e das estimativas devidas, correta a exigência do crédito tributário inadimplido e das correspondentes multas de oficio isoladas e acompanhando o principal. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. JUROS DE MORA. SELIC. LEGALIDADE. O percentual da multa de oficio, assim como o índice usado para cálculo dos juros de mora decorrem de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastálos.” Tempestivamente, a empresa interpôs o Recurso de fls. 140 e ss reprisando os termos da defesa inicial, em suma: I) requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário; II) nulidade da autuação com fulcro no art. 245 do Código de Processo Civil – CPC, visto que o Auto de Infração foi enviado via correio, não tomando a ciência formal os representantes da pessoa jurídica; a intimação do ato sendo irregular prejudica o exercício do livre direito de defesa e provandose a irregularidade no processo administrativo fiscal, a inscrição na dívida ativa padece de vício e isto atingirá a ação executiva; III) as multas aplicadas e os juros são ilegais; os valores impostos “...são reveladores da integral incapacidade de pagamento, quer pelo patrimônio empresarial, quer pelo patrimônio pessoal, enfatizando a prática, vedada pela Constituição Federal, de ofensa aos direitos dos contribuintes e ainda, de defesa do consumidor, o que não foi reconhecido”; IV) inaplicável a cominação dos juros calculados à taxa Selic; V) prescrição do crédito tributário; VI) evidente que ocorreu dupla fiscalização, havendo juntado aos autos comprovação deste fato. É o suficiente para o relatório. Passo à análise das razões recursais. É o relatório Fl. 216DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0218.16532.UXLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16095.000317/200678 Acórdão n.º 1401000.728 S1C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Relator: O recurso é tempestivo e, atendidos os demais requisitos legais, dele conheço. Por se tratar de lançamento decorrente de mesmo MPF, em que se lavrou auto de infração de IRPJ e CSLL, devese dar à contribuição o mesmo resultado de julgamento aplicado ao IRPJ. Com isso, adoto e transcrevo as razões de decidir do processo relativo ao IRPJ, de lavra da Conselheira Ana de Barros Fernandes, in verbis: I) Das preliminares I.a) Nulidades do processo administrativo fiscal – intimações Não há qualquer nulidade a ser invocada quanto à forma de intimação via postal que fulmine a ciência do lançamento tributário consubstanciado no Auto de Infração objeto desta lide. O processo administrativo fiscal é disciplinado pelo Decreto nº 70.235/72 – PAF, o qual dispõe em seu artigo 23, incisos e parágrafos: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Redação do inc. III dada pelo art. 113 da Lei n.º 11.196/2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo, a intimação poderá ser feita por edital publicado: [...] § 2.º. Considerase feita a intimação: [...] II – no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação;(Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997)(grifos não pertencem ao original) Cumpre esclarecer, ainda, que o CPC somente é utilizado subsidiariamente nas lacunas do PAF, quando houverem, não se aplicando ao vertente caso o artigo 245 do CPC. Ademais, em face a inúmeros julgados relativos a esta matéria, foi consolidada de forma mansa e pacífica a jurisprudência administrativa, resultante na edição da Súmula nº 9 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Fl. 217DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0218.16532.UXLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Destarte, tratandose de matéria sumulada por este órgão, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. I.b) Decadência do lançamento tributário A empresa foi autuada por duas infrações totalmente distintas, pelo que analisarseá o prazo decadencial em duas etapas, condizentes com os ilícitos tributários constatados em auditoria fiscal. Houve falta de recolhimento do IRPJ relativo ao ajuste anual e ausência de confissão em DCTF, considerandose como fato gerador a data de 31/12/2001. Relevante neste aspecto é o fato de a empresa não ter efetuado o pagamento de IRPJ no anocalendário em questão, ou mesmo haver declarado em DCTF qualquer débito a este título. Nesta situação não se pode aplicar as disposições do artigo 150 do Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172/66) ao caso em concreto. Reza o referido artigo: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifos não pertencem ao original) Por regra basilar de interpretação das normas legais, não se pode dissociar o texto do parágrafo 4º do caput do artigo, mesmo porque ao fazêlo perde a lógica que o legislador imprimiu ao dispositivo legal. Não se discute que os tributos federais em quase sua totalidade são tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Todavia a homologação, seja tácita ou expressa, se refere, inequivocamente a ato do contribuinte, conforme disposição expressa do próprio dispositivo legal. O que é homologado não é o fato gerador, pois este não está suscetível a qualquer homologação. É fato, ocorre, nasce. Independe de reconhecimento. Do dicionário Michaelis: Homologar ho.mo.lo.gar(homólogo+ar2) vtd 1 Confirmar por sentença ou autoridade judicial ou administrativa; aprovar. 2 Conformarse com: "...procurava homologar o que dissera" (Júlio Ribeiro). Do dicionário Houaiss: Homologa 1. tornar oficial... 2. reconhecer oficialmente... 3. reconhecer como legítimo; validar... (grifos não pertencem ao original) Fl. 218DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0218.16532.UXLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16095.000317/200678 Acórdão n.º 1401000.728 S1C4T1 Fl. 5 7 Como se depreende é uma questão até de se utilizar propriamente o vernáculo. O que se homologa, se aprova, valida ou se reconhece como legítimo, seja expressamente ou tacitamente (no caso da inércia do Estado), é o pagamento realizado pelo contribuinte no caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. O termo ‘homologação’ utilizado no caput do artigo 150, referese, gramaticalmente ao pagamento antecipado efetuado pelo contribuinte. Desta forma, após fisco tomar conhecimento da atividade do contribuinte, pela realização do ato do pagamento, cabe homologálo expressamente ou têlo como homologado, de forma tácita, após cinco anos do conhecimento da atividade do contribuinte. Ora, se no presente caso, a contribuinte: 1) não realizou qualquer pagamento; e , acresço, 2) não confessou qualquer débito a título do tributo em questão em DCTF; Como poderia o fisco ter conhecimento da atividade da contribuinte? Daí que impossível, juridicamente tratando, de aplicarse o artigo 150 e começar a contagem do prazo decadencial da ocorrência do fato gerador, cujo conhecimento não chegou ao fisco. Se houvesse, ao menos, pagamento parcial ou confissão do débito ao fisco, concordaria que chegou a seu conhecimento a ocorrência de fatos geradores da obrigação tributária, devendo, por força do artigo 150, §4º, do CTN agir no prazo legal de cinco anos, não o fazendo, abre mão de exigir o tributo devido, por inércia. Mas, não havendo como conhecer a existência do fato gerador, não há o que homologar, perdendo totalmente o sentido legiferante ao aplicarse o prazo decadencial previsto no artigo 150. Ainda mais porque não é a única previsão legal contida no Código Tributário Nacional sobre o instituto da decadência incidente sobre os tributos. Há a regra geral, condizente aos créditos tributários, esculpida no artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal. Neste tocante, é de aplicarse ao caso in concreto o prazo decadencial na forma prescrita no artigo 173, inciso I, do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Porquanto, considerando que a autuação reportase a fato gerador ocorrido em 31/12/2001, ao aplicar o retro transcrito art. 173, inciso I, o prazo quinquenal começa a fluir em janeiro de 2003 e termina em janeiro de 2008. Tendo em vista que o lançamento tributário se efetivou com a ciência da contribuinte datada em 14/11/2006 afastada, pois, a alegação de decadência. Por derradeiro, recentemente o Superior Tribunal de Justiça, em recurso representativo de controvérsia, cujo entendimento estendese aos ministros da Primeira Seção, aos Tribunais Regionais Federais, bem como aos Tribunais de Justiça dos Estados decidiu – (Data de Publicação: 18/09/2009): Recurso Especial nº 973.733/SC (2007./01769940) Relator: Min Luiz Fux PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 219DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0218.16532.UXLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.055/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007 [...]) 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase reguladas por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). [...] Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.(grifos pertencem ao original) E, ainda que se considerasse, por hipótese, as disposições do artigo 150, § 4º, o termo decadencial para exigência de tributo cujo fato gerador é 31/12/2001, estabelecese em dezembro de 2006. Como a ciência ocorreu em novembro de 2006, também afastada esta argumentação. No que respeita à segunda infração constatada – ausência de recolhimento das estimativas mensais pertinentes ao anocalendário de 2001, no caso, agosto, novembro e dezembro, cumpre salientar que a autuação presente não está a exigir recolhimento de tributo em atraso, mas sim aplicando a penalidade legal pelo não cumprimento da obrigação de fazer a que o contribuinte se sujeitava em antecipar os pagamentos, com fulcro nas bases estimadas (presumidas), mas não o fez. A penalidade – multa pela ausência dos recolhimentos das estimativas – é imposta porque o contribuinte “não fez” os adiantamentos de caixa ao Tesouro, conforme se comprometera. Não entendo as estimativas como meras antecipações de tributo, que caso não se confirmem ao final do período, não serão geradas sanções ao contribuinte faltoso. O artigo 44, inciso I, c/c o §1º, inciso IV, da Lei nº 9.436/96, estabelecia originalmente: Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] Fl. 220DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0218.16532.UXLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16095.000317/200678 Acórdão n.º 1401000.728 S1C4T1 Fl. 6 9 IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; (grifos não pertencem ao original) Posteriormente, a redação desse artigo foi explicitada da seguinte forma, grifandose o trecho concernente à matéria: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) (grifos não pertencem ao original) À época da autuação já vigorava este texto, por força da Medida Provisória nº 303/06, tendo sido aplicado o percentual reduzido de 50% sobre as bases de cálculo estimadas. Indiscutível que o legislador reduziu o percentual de 75% para 50%, mas a infração tributária continua sendo penalizada e, data venia, as teses que vêm sendo tecidas sobre o assunto, não se trata de ocorrência de fato gerador de obrigação tributária principal, mas medida coercitiva para que a norma tributária preceituada o artigo 2º da mesma lei não se torne inócua: Pagamento por Estimativa Art. 2º A pessoa juridica sujeita a tributacao com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de calculo estimada, mediante a aplicacao, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9249, de 1995, observado o disposto nos paragrafos 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9065, de 20 de junho de 1995. Paragrafo 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo sera determinado mediante a aplicacao, sobre a base de calculo, da alíquota de quinze por cento.(grifos não pertencem ao original) E estabelece o artigo 3º, caput: Art. 3º A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opção pela forma do art. 2º será irretratável para todo o anocalendário. (grifos não pertencem ao original) Desta forma, pois, não se está a tratar de exigência de tributo (art. 150 do CTN), mas de exigência de penalidade tributária, que por ser um crédito tributário está sujeito às disposições inseridas no artigo 173, I, do CTN acima transcrito. As multas referemse a agosto, novembro e dezembro de 2001, repriso, e o termo a quo para contagem do prazo qüinqüenal, como explicitado acima, é o primeiro dia do exercício financeiro àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como as referidas penalidades só podem ser lançadas após o encerramento do período (31/12), no presente caso, a data inicial para contagem do prazo em apreço também reportase a janeiro de 2003, não se configurando a decadência da constituição do crédito tributário. I.c) Dupla tributação A recorrente somente alega que já sofreu anteriormente fiscalização e que os fatos já foram verificados e os valores autuados anteriormente. Fl. 221DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0218.16532.UXLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 Não junta à impugnação ou ao recurso qualquer prova do que alega, razão pela qual afastase esta argumentação. II. Do mérito II.a) Da natureza confiscatória da multa de ofício e dos juros moratórios calculados à taxa Selic No que respeita às argüições de inconstitucionalidade das normas tributárias em vigência, é defeso a este colegiado administrativo de julgamento se pronunciar sobre o assunto, sendo mansa e pacífica a jurisprudência firmada neste sentido, conforme se depreende da Súmula n. 02 editada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Especificamente tratandose dos juros – Selic, o CARF editou a Súmula nº 04: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Tratandose de matérias sumuladas por este órgão, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09), acima reportado. No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto, em preliminar, em afastar as nulidades suscitadas pela recorrente e a decadência do lançamento tributário e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos deste voto. Pelo exposto, voto afastar as nulidades suscitadas e a decadência do lançamento tributário e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 222DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.0218.16532.UXLJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA em 08/10/2012 17:37:28. Documento autenticado digitalmente por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA em 08/10/2012. Documento assinado digitalmente por: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA em 20/11/2012 e ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA em 08/10/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 08/02/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP08.0218.16532.UXLJ Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 92340B735F374C03363500F1990BB0DCD4A3A693 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 16095.000317/2006-78. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13851.902207/2009-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO
O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92
A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 22 07 /2 00 9- 98 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13851.902207/200998 Acórdão n.º 1302002.512 S1C3T2 Fl. 3 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito(s) (PIS/PASEP) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que se equivocou no preenchimento da DCTF e que a existência do crédito tem fundamento na Solução de Divergência n° 14, de 07/08/2003, que reduziu o percentual de 32% para 16% sobre a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido, bastandose comparar os valores apresentados na DIPJ retificadora (Declaração de Informações EconômicoFiscais) com a guia de recolhimento do tributo. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. [...] Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o decisum, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que é dever do Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13851.902207/200998 Acórdão n.º 1302002.512 S1C3T2 Fl. 4 3 Fisco analisar os pedidos de compensação, quer pela garantia que a RFB deve ter em relação a valores, quer em relação a defesa do interesse público envolvido, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP e DIPJ, as quais apresentam presunção de legitimidade, valendose apenas e tão somente da informação prestada em DCTF para promover a cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. A controvérsia instaurada devese a pedido de compensação de débito(s) de responsabilidade da interessada com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.403, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 13851.902171/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.403): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No caso em tela, a contribuinte restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, essencialmente, por intermédio de sua DIPJretificadora e cópia do documento de arrecadação federal. Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. Nesse sentido, cumpre observar que a DIPJ, desde o ano calendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13851.902207/200998 Acórdão n.º 1302002.512 S1C3T2 Fl. 5 4 1998, que extinguiu, em seu art. 6°, inciso I, a DIRPJ Declaração .de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 10, a DIPJ — Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar, cabendo apenas a DCTF está função. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 92: “A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.” Feitas essas considerações, passaremos a análise do presente caso. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. O Decreto nº 70.235/72 (art. 32) que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal fala o seguinte sobre as inexatidões materiais: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Logo, por inexatidões materiais, no preenchimento dos PER/DCOMP primitivos ou originais, entendese serem os lapsos manifestos que se percebem primo ictu oculi; que, de plano, se verifica não traduzirem o pensamento ou vontade do contribuinte; consistem, em suma, em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13851.902207/200998 Acórdão n.º 1302002.512 S1C3T2 Fl. 6 5 Assim, são exemplos de inexatidões materiais: inversão ou troca da ordem dos dígitos, equívoco de datas, erros ortográficos de digitação, troca de campos no preenchimento etc. A pretensão da recorrente, como já dito, não se trata de mera correção de inexatidão material, mas, sim, de inovação (retificação de DCTF para disponibilização do seu direito creditório almejado), exigindose, quanto à compensação dos débitos em aberto, a apresentação de DCTF retificador, situação que não ocorreu no presente caso. Como bem defendido no acórdão recorrido, é vedada a retificação de DCTF após o decurso do prazo de 5 anos, sendo este o prazo que tem direito o contribuinte para proceder à retificação da DCTF, no que se refere às alterações e retificações pertinentes aos impostos e contribuições federais. Dessa forma, evidenciase que a DCTForiginal, reportada na manifestação de inconformidade da contribuinte, fora transmitida em 13/11/2001. Portanto já transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador correlato ao IRPJ, código de receita: 2089, inerente ao 3° trimestre de 2001, encontrase formalmente homologada e definitivamente extinta perante a Fazenda Nacional, em conformidade com os termos do art. 150, § 4° do CTN. Noutra senda, tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte já foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior. Por fim, verificase que a recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a prolação do despacho decisório, bem como em relação a decisão proferida em primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13851.902207/200998 Acórdão n.º 1302002.512 S1C3T2 Fl. 7 6 Para esse Relator, fica claro que a recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão n.°2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 51DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.002236/2006-49
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
ARL - ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
A averbação de área não tributável na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a falta de apresentação do ADA - Ato Declaratório Ambiental.
Numero da decisão: 9202-006.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 ARL - ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A averbação de área não tributável na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a falta de apresentação do ADA - Ato Declaratório Ambiental.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1333; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 192 1 191 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13971.002236/200649 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.043 – 2ª Turma Sessão de 28 de setembro de 2017 Matéria ITR. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PEDRO CLAUDINO DOS SANTOS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ARL ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A averbação de área não tributável na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a falta de apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 22 36 /2 00 6- 49 Fl. 192DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o Contribuinte e por meio do qual exigese a diferença do Imposto Territorial Rural ITR relativo ao exercício de 2002. O lançamento concluiu pela glosa da área declarada como de Preservação Permanente no total de 190,0ha e de Utilização Limitada no tal de 290,0ha, haja a ausência de apresentação do Ato Declaratório Ambiental. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 28/32 a autoridade fiscal explica: A área total do imóvel é composta pelo imóvel constante na matricula n° 848, medindo 950 hectares. Verificandose os dados constantes da matricula do imóvel, observamos que consta na mesma a averbação 5848, que grava como area de preservação permanente uma area correspondente a 190 hectares, não se encontrando nenhuma referência a área de 290 hectares declarada como de utilização limitada. A luz da legislação do ITR, só poderemos considerar como passíveis de ser consideradas áreas isentas do tributo por serem áreas de Reserva Legal aquelas que já se encontravam averbadas quando do fato gerador do mesmo. Assim, a principio, teríamos como isentas apenas os 190 hectares de preservação permanente, visto não haver comprovação documental dos 290 hectares supostamente de utilização limitada. Entretanto, o contribuinte em tela não logrou apresentar o Ato Declaratório Ambiental — ADA, conforme dispõe a Lei n° 9393, de 1996 e IN/SRF n° 43/97 com redação dada pelo art. 1° da IN/SRF n° 67/97, ambas de 1997, outro requisito legal para podermos considerar áreas como isentas. Intimado o contribuinte apresentou impugnação de fls. 36/38, e documentos. Afirma, entre outros argumentos, que pelas características do imóvel é possível constatar a existência de área de preservação permanente, afinal tratase região de Mata Atlântica, destacou a existência de averbação de área de proteção ambiental em total correspondente a 20% do imóvel e afirmou ter havido erro no preenchimento da DITR, pois a área de 190,0ha informada como de APP corresponde na verdade à área de ARL averbada. A Delegacia de Julgamento (fls. 70/72), manteve o lançamento sob a fundamentação de ser o ADA — Ato Declaratório Ambiental requisito essencial para que as áreas de utilização limitada e preservação permanente sejam excluídas da tributação do ITR, por expressa determinação legal prevista no § 1° do artigo 170 da Lei 6938/81, com a redação dada pela lei 10.165/2000. Ao julgar o Recurso Voluntário (fls. 79/80), a 1ª Turma Especializada da Segunda Seção de Julgamento, reformou em parte o lançamento para restabelecer o montante Fl. 193DF CARF MF Processo nº 13971.002236/200649 Acórdão n.º 9202006.043 CSRFT2 Fl. 193 3 de 190,0 ha a título de Área de Preservação Permanente, pois averbado em data anterior ao fato gerador. O acórdão nº 2801.00.423 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para que o contribuinte possa se beneficiar da isenção do ITR é necessária a comprovação das informações constantes de sua DITR. Recurso Voluntário Provido em Parte. Citando como paradigma o acórdão nº 30238.844, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência por meio do qual defende que a apresentação de ADA tempestivo é requisito indispensável para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal da área tributável do ITR. Intimado o Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Conforme exposto no relatório, o objeto do recurso é a discussão acerca dos requisitos necessários para que o contribuinte tenha direito a exclusão de áreas classificadas como de preservação permanente do cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, requisitos para aplicação da exoneração prevista no art. 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96, que até 1º de janeiro de 2013, possuía a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: Fl. 194DF CARF MF 4 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) Sabese que o ITR, previsto no art. 153, VI da Constituição Federal e no art. 29 do CTN, é imposto de apuração anual que possui como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana de município, em 1º de janeiro de cada ano. Analisando as característica da base de cálculo eleita pelo legislador conjuntamente com o teor do art. 10 da Lei nº 9.393/96 é possível concluir fato que coaduna com a característica extrafiscal do ITR, que somente há interesse da União que sejam tributadas áreas tidas como produtivas/aproveitáveis, havendo ainda uma preocupação em se 'compensar' aqueles que um vez tolhidos do exercício pleno de sua propriedade sejam ainda mais onerados pela incidência de um tributo. As áreas caracterizadas como de preservação permanente e de reserva legal diante das limitações que lhe são impostas, por expressa determinação legal são excluídas do cômputo do VTN – Valor da Terra Nua, montante utilizado para a obtenção da base de cálculo do ITR. Por essa razão, no entendimento desta Relatora, o inciso II acima citado ao conceituar “área tributável” não prevê uma isenção, ele nos traz na verdade uma hipótese de não incidência do ITR. Entretanto, para que a propriedade, o domínio útil ou a posse dessas áreas não caracterize fato gerador do imposto é necessário que o imóvel rural preencha as condições, no presente caso, previstas na então vigente Lei nº 4.771/65. As características da Área de Preservação Permanente e da Área de Reserva Legal estavam descritas, respectivamente no art. 2º (com redação dada pela Lei nº 7.803/89) e 16 (com redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) do Código Florestal de 1965: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; Fl. 195DF CARF MF Processo nº 13971.002236/200649 Acórdão n.º 9202006.043 CSRFT2 Fl. 194 5 b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. i) nas áreas metropolitanas definidas em lei. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, obervarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. (...) Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Fl. 196DF CARF MF 6 IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I o plano de bacia hidrográfica; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II o plano diretor municipal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III o zoneamento ecológicoeconômico; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IV outras categorias de zoneamento ambiental; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166 67, de 2001) § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Fl. 197DF CARF MF Processo nº 13971.002236/200649 Acórdão n.º 9202006.043 CSRFT2 Fl. 195 7 Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o Fl. 198DF CARF MF 8 percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Interpretando os dispositivos percebemos além de diferenças ecológicas existentes entre uma APP e uma ARL, diferença formal/procedimental na constituição dessas áreas. Em relação a Área de Preservação Permanente, salvo as hipóteses previstas no art. 3º da Lei nº 4.771/65 as quais requerem declaração do Poder Público para sua caracterização, nos demais casos estando área pleiteada localizada nos espaços selecionados pelo legislador, caracterizada estava pelo só efeito da lei, sem necessidade de cumprimento de qualquer outro requisito uma APP. Em contrapartida, por força dos §§4º, 8º e 10 do art. 16 para caracterização de Área de Reserva Legal, além dos requisitos ecológicos, exigiase i) aprovação prévia do Poder Público quanto a localização da área limitada e ainda ii) que essa área definida fosse devidamente averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, averbação essa que era substituída por Termo de Ajustamento de Conduta nos casos em que o Contribuinte fosse apenas possuidor do bem. Faziase necessária a realização desses esclarecimentos, pois as diferenças formais apontadas traz impactos diretos no estudo dos requisitos para aplicação da não incidência do ITR especificamente acerca da necessidade de averbação prévia e apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao IBAMA. No presente caso, considerando a abordagem feita pelo acórdão recorrido, nos interessa discutir acerca dos requisitos que devem ser cumpridos pelo Contribuinte para que reste caracterizada a não incidência do ITR sobre área informada como não tributada. Do requisito da averbação: Considerando a redação da Lei nº 4.771/65 afirmase que o ato de averbação em nada afeta a constituição de uma área de preservação permanente a qual existe é pode ser comprovada por qualquer meio capaz de demonstrar que aquele imóvel ou parte dele está localizado em áreas com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas. Por outro lado a necessidade de averbação ou celebração de Termo de Ajustamento de Conduta, se for o caso, das áreas de Reserva Legal é exigência prevista na própria Lei nº 4.771/65, razão pela qual filiome a corrente cujo entendimento é no sentido de serem averbação e termo requisito requisitos constitutivos da referida área. A averbação ou o termo são condição imprescindível para a existência da Área de Reserva Legal, sendo que tal fato nos leva a conclusão lógica de que para fins de cálculo do ITR o cumprimento desse requisito deve ser anteriore à ocorrência do fato gerador. O Superior Tribunal de Justiça já pacificou o citado entendimento, valendo citar parte do voto proferido pelo Ministro Benedito Gonçalves, no RESP nº 1.125.632PR: Fl. 199DF CARF MF Processo nº 13971.002236/200649 Acórdão n.º 9202006.043 CSRFT2 Fl. 196 9 Ao contrário da área de preservação permanente, para as áreas de reserva legal a legislação traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal. Assim, somente com a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é que se poderia saber, com certeza, qual parte do imóvel deveria receber a proteção do art. 16, § 8º, do Código Florestal (...) Assim, considerado que a norma de apuração do ITR prevista no art. 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96 a qual nos remete aos conceitos e requisitos da então nº Lei nº 4.771/65 podemos afirmar que para fim de não incidência do ITR a averbação no registro do imóvel ou a celebração de termo com o Poder Público em data anterior a ocorrência do fato gerador é requisito indispensável ao reconhecimento da Área de Reserva Legal. Do Ato Declaratório Ambiental ADA: A discussão quanto a necessidade de apresentação do ADA para fins da não incidência do ITR sobre áreas de Preservação Permanente e também Reserva Legal, é um pouco mais polêmica, isso porque tratase de exigência inicialmente prevista por meio de norma infralegal, valendo citar a IN SRF nº 67/97. Nem a Lei nº 9.393/96, nem a Lei nº 4.771/65 exigiam o ADA para fins constituição das respectivas áreas ou para fins de apuração do imposto. Por tal razão, após amplo debate concluise que para os fatos geradores ocorridos até o ano de 2000, era dispensável a apresentação do ADA, conclusão que pode ser ilustrada pela seguinte ementa do STJ : PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ISENÇÃO. EXIGÊNCIA CONTIDA NA IN SRF Nº 67/97. IMPOSSIBILIDADE. (...) 2. De acordo com a jurisprudência do STJ, é prescindível a apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental para que se reconheça o direito à isenção do ITR, mormente quando essa exigência estava prevista apenas em instrução normativa da Receita Federal (IN nº 67/97). Ato normativo infralegal não é capaz de restringir o direito à isenção do ITR, disciplinada nos termos da Lei nº 9.393/96 e da Lei 4.771/65. 3. Na hipótese, discutese a exigibilidade de tributo declarado em 1997, isto é, antes da entrada em vigor da Lei 10.165/00, que acrescentou o § 1º ao art. 17O da Lei 6.938/81. Logo, é evidente que esse dispositivo não incide na espécie, assim como também não há necessidade de se examinar a aplicabilidade do art. 106, Fl. 200DF CARF MF 10 I, do CTN, em virtude da nova redação atribuída ao § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96 pela MP nº 2.16667/01. 4. Recurso especial não provido. (REsp 1.283.326/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 8/11/2011, DJe 22/11/2011.) Tal entendimento fundamentase na regra de que a norma jurídica que regulamenta o conteúdo de uma lei é veículo secundário e infralegal e, portanto, seu conteúdo e alcance deve se restringir aos comandos impostos pela lei em função da qual foi expedida. Neste sentido uma instrução normativa não poderia prever condição não exigida pela norma originária, mormente quando tal condição dependia de manifestação de órgão cuja atuação não se vinculava com o objetivo da norma desoneração tributária. Tal discussão assume um novo viés com a criação do art. 17O da Lei nº 6.938/81. Em 29.01.2000 foi editada a Lei nº 9.960/00 que acrescentou o citado art. 17 O à Lei nº 6.938/81, nesta oportunidade, por meio do §1º, o legislador expressamente previu que a utilização do ADA para efeito de redução do valor do ITR era opcional. Ocorre que tal previsão não produziu efeitos, pois antes mesmo da ocorrência de um novo fato gerador do ITR o referido artigo foi radicalmente modificado pela Lei nº 10.165, publicada em 27 de dezembro de 2000, a qual tornou o ADA instrumento obrigatório para fins de ITR: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do IBAMA.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 3o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 4o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente Fl. 201DF CARF MF Processo nº 13971.002236/200649 Acórdão n.º 9202006.043 CSRFT2 Fl. 197 11 levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Diante desta alteração normativa discutese se lei posterior teria o condão de condicionar a aplicação de norma específica de não incidência tributária à realização de dever extra fiscal. Se diz extra fiscal porque como conceituado pelo próprio órgão o ADA nada mais é que um documento de cadastro das áreas do imóvel junto ao IBAMA. Destacase: a função do ADA é apenas informar ao IBAMA a existência de área de interesse ambiental em propriedade, posse ou domínio de particular área essa reconhecida seja pela própria lei no caso de APP, ou por meio da averbação no caso da ARL. É documento meramente informativo de uma área já existente, ou seja, o ADA não é requisito para constituição de áreas não consideradas pelo legislador quando da delimitação do fato gerador do ITR. É por essa razão que compartilho do entendimento de que o ADA não tem reflexos sobre a regra matriz de incidência do ITR, a ausência de documento informativo ou sua apresentação intempestiva não pode gerar como efeito a desconsideração de área reconhecidamente classificada como não tributada pelo legislador. Assim, é notável o conflito existente entre o art. 10, §1º, II da Lei nº 9.393/96 e o art. 17O da Lei nº 6.938/81, antinomia que deve ser solucionada pela aplicação do critério da especialidade, devendo prevalecer neste sentido a norma que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, qual a Lei nº 9.393/96. Destaco que, embora essa Relatora tenha o entendimento de que o ADA é requisito dispensável para fins de desoneração do ITR em qualquer circunstância APP e ARL, o entendimento da maioria deste Colegiado é no sentido de se reconhecer ao Contribuinte o direito a isenção: 1) à Área de Preservação Permanente devidamente comprovada nos autos e cujo ADA foi apresentado antes do início da ação fiscal, e 2) à Área de Reserva Legal devidamente averbada à margem do registro do imóvel antes da ocorrência do fato gerador. Para a maioria o cumprimento desses requisitos formais supre a necessidade de apresentação do ADA. Por fim, embora utilizandose de outros fundamentos, é importante mencionar que o Poder Judiciário, por meio do Superior Tribunal de Justiça tem firmado jurisprudência no sentido de que o ADA nunca foi, mesmo com a criação do art. 17O, requisito para desoneração do ITR, desoneração essa entendida pelos Ministros como isenção. Essa orientação do STJ foi reconhecida pela própria Fazenda Nacional por meio do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1329/2016 que atualizou o Item 1.25 da Lista de Dispensa de Contestar e Recorrer prevista no art.2º, V, VII e §§ 3º a 8º, da Portaria PGFN Nº 502/2016. Pela relevância, peço vênia para transcreve parte do parecer: a) Área de reserva legal e área de preservação permanente (NOVO) Fl. 202DF CARF MF 12 * Data da alteração da redação do resumo e da Observação 1, bem como da inclusão da Observação 2: 05/09/2016 Precedentes: AgRg no Ag 1360788/MG, REsp 1027051/SC, REsp 1060886/PR, REsp 1125632/PR, REsp 969091/SC, REsp 665123/PR e AgRg no REsp 753469/SP. Resumo: O STJ entendeu que, por se tratar de imposto sujeito a lançamento que se dá por homologação, dispensase a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis e a apresentação do Ato Declaratório Ambiental pelo Ibama para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas à concessão de isenção do ITR. Dispensase também, para a área de reserva legal, a prova da sua averbação (mas não a averbação em si) no registro de imóveis, no momento da declaração tributária. Em qualquer desses casos, se comprovada a irregularidade da declaração do contribuinte, ficará este responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa. OBSERVAÇÃO: Caso a matéria discutida nos autos envolva a prescindibilidade de averbação da reserva legal no registro do imóvel para fins de gozo da isenção fiscal, de maneira que este registro seria ou não constitutivo do direito à isenção do ITR, devese continuar a contestar e recorrer. Com feito, o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Tal hipótese não se confunde com a necessidade ou não de comprovação do registro, visto que a prova da averbação é dispensada, mas não a existência da averbação em si. OBSERVAÇÃO 2: A dispensa contida neste item não se aplica para as demandas relativas a fatos geradores posteriores à vigência da Lei nº 12.651, de 2012 (novo Código Florestal). PARECER PGFN/CRJ/No 1329/2016 Documento público. Averbação e prova da Área de Reserva Legal e da Área de Preservação Permanente. Natureza jurídica do registro. Ato Declaratório Ambiental. Isenção do Imposto Territorial Rural. Item 1.25, “a”, da Lista de dispensa de contestar e recorrer. Art. 10, II, “a”, e § 7º da Lei nº 9.393, de 1996. Lei nº 12.651, de 2012. Lei 10.165, de 2000. (...) II.1 Exame da jurisprudência sobre o questionamento feito à luz da legislação anterior à Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000 que deu nova redação ao art. 17O da Lei nº 6.938, de 27 de dezembro de 2000 e à Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 Novo Código Florestal (...) 12. Após as considerações acima, restam incontroversas, no âmbito da Corte de Justiça, à luz da legislação aplicável ao questionamento, as posições abaixo: (i) é indispensável a preexistência de averbação da reserva legal no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, tendo aquela, para fins tributários, eficácia constitutiva; (ii) a prova da averbação da reserva legal não é condição para a concessão da isenção do ITR, por se tratar de tributo sujeito à lançamento por homologação, Fl. 203DF CARF MF Processo nº 13971.002236/200649 Acórdão n.º 9202006.043 CSRFT2 Fl. 198 13 sendo, portanto, dispensada no momento de entrega de declaração, bastando apenas que o contribuinte informe a área de reserva legal; (iii) é desnecessária a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, pois tal área se localiza a olho nu; e (iv) é desnecessária a apresentação do ADA para que se reconheça o direito à isenção do ITR. (...) II.2 Considerações relacionadas ao questionamento à luz da legislação anterior à Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 Novo Código Florestal. (...) 21. Em que pese tal possibilidade de interpretação, o STJ utilizouse do teor do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, para reforçar a tese de que o ADA é inexigível, tendo, ao que tudo indica, desprezado o conteúdo do art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 2000, pois não foram encontradas decisões enfrentando esse regramento. Além disso, registrou que, como o dispositivo é norma interpretativa mais benéfica ao contribuinte, deveria retroagir. 22. Essa argumentação consta no inteiro teor dos acórdãos vencedores que trataram do tema, bem como na ementa do REsp nº 587.429/AL, senão vejamos: Trecho do voto da Ministra Eliana Calmon, Relatora do REsp nº 665.123/PR: Como reforço do meu argumento, destaco que a Medida Provisória 2.166 67, de 24/08/2001, ainda vigente, mas não prequestionada no caso dos autos, fez inserir o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96 para deslindar finalmente a controvérsia, dispensando o Ato Declaratório Ambiental nas hipótese de áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de cálculo do ITR [...] Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp nº 1.112.283/PB: Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõese a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp nº 1.108.019/SP: Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõese a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE DE ATO Fl. 204DF CARF MF 14 DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP.2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106, DO CTN. RETROOPERÂNCIA DA LEX MITIOR. 1. Recorrente autuada pelo fato objetivo de ter excluído da base de cálculo do ITR área de preservação permanente, sem prévio ato declaratório do IBAMA, consoante autorização da norma interpretativa de eficácia ex tunc consistente na Lei 9.393/96. 2. A MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001, ao inserir § 7º ao art.10, da lei 9.393/96, dispensando a apresentação, pelo contribuinte, de ato declaratório do IBAMA, com a finalidade de excluir da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal, é de cunho interpretativo, podendo, de acordo com o permissivo do art. 106, I, do CTN, aplicarse a fator pretéritos, pelo que indevido o lançamento complementar, ressalvada a possibilidade da Administração demonstrar a falta de veracidade da declaração contribuinte. 3. Consectariamente, forçoso concluir que a MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante § 7º, do art. 10, da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art.106, do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior. 4. Recurso especial improvido." (REsp 587.429/AL, Rel. Ministro Luiz Fux, PRIMEIRA TURMA, DJe de 2/8/2004) 23. A partir das colocações postas, concluise que, mesmo com a vigência do art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, até a entrada em vigor da Lei nº 12.651, de 2012, o STJ continuou a rechaçar a exigência do ADA com base no teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. 24. Consequentemente, caso a ação envolva fato gerador de ITR, ocorrido antes da vigência da Lei nº 12.651, de 2012, não há motivo para discutir em juízo a obrigação de o contribuinte apresentar o ADA para o gozo de isenção do ITR, diante da pacificação da jurisprudência. (...) No caso concreto, embora o acórdão recorrido tenha classificado a área como de Preservação Permanente, é importante destacar que a averbação de compromisso de preservação ambiental no registro do imóvel é formalidade que caracteriza a área como de Reserva Legal, neste mesmo sentido foi a manifestação da Delegacia de Julgamento (fls. 71): A inversão sugerida pelo contribuinte não obstante se verifique, pois, a averbação à margem do registro imobiliário embora mencione área de preservação permanente, a fundamentação foi de reserva legal conforme se pode observar em fls. 35 v, mas, a área também não foi aceita para efeito de exclusão do ITR por falta de entrega da declaração junto ao IBAMA do ADA — Ato Declaratório Ambiental, conforme determina a lei acima citada. Assim, mesmo na ausência do ADA, considerando a existência de averbação de área de reserva legal no respectivo registro de imóvel datada de 07/12/1979, data anterior a ocorrência do fato gerador, devese reconhecer a não incidência do ITR sobre a respectiva área comprovada. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 13971.002236/200649 Acórdão n.º 9202006.043 CSRFT2 Fl. 199 15 Diante do exposto, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional para excluir da base tributável do ITR a área devidamente averbada de 190,0ha. (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 206DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.725126/2014-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Dec 26 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1001-000.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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PERÍODO: 01/06/2010 a 30/06/2010 A exclusão do contribuinte da sistemática do Simples Nacional se dá com efeito retroativo, razão pela qual são devidas as multas por atraso na entrega das declarações apresentadas fora do prazo legal previsto na legislação relativa ao tributo. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, consoante a Súmula CARF nº 49. Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 51 26 /2 01 4- 16 Fl. 36DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra notificação de Lançamento de Multa por Atraso na Entrega da DCTF, do mês de JUNHO de 2010, no valor de R$6.608,92 (com redução, pela entrega espontânea da Declaração). A DCTF do mês de JUNHO de 2010 foi entregue em 17/09/2014, quando o prazo para entrega da referida declaração expirara em 20/08/2010. O contribuinte apresentou a impugnação do lançamento, tempestivamente, tendo a DRJ julgado improcedentes os argumentos, consoante o relatório, abaixo transcrito: A exclusão do contribuinte da sistemática do Simples Nacional se dá com efeito retroativo, razão pela qual são devidas as multas por atraso na entrega das declarações apresentadas fora do prazo legal previsto na legislação relativa ao tributo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Voto Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. A recorrente alega, em sua defesa, que foi excluída do Simples Nacional, retroativamente, ou seja, à época da entrega da DCTF não estava obrigada a entregála. A alegação não procede, tendo em vista que a exclusão do Simples Nacional tem efeitos retroativos, conforme a legislação em vigor, que reproduzo a seguir: LC 123/2006, no § 6º do art. 3º e art. 32, Art. 3º. (...) § 6º Na hipótese de a microempresa ou empresa de pequeno porte incorrerem alguma das situações previstas nos incisos do § 4º, será excluída do 3 tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, bem como do regime de que trata o art. 12, com efeitos a partir do mês seguinte ao que incorrida a situação impeditiva. Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10845.725126/201416 Acórdão n.º 1001000.063 S1C0T1 Fl. 3 3 Assim, no presente caso, uma vez excluído do Simples a recorrente passou a sujeitarse (efeito ex tunc) às regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive no que diz respeito às obrigações acessórias, observados os prazos legais originais. Portanto, considero irretocável a decisão da DRJ. Adicionalmente, no presente RV, a recorrente menciona o acórdão número 1803002.256, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, que excluí multa por atraso na entrega da DCTF pela denúncia espontânea por parte da empresa, alegando ainda o artigo 138, do Código Tributário Nacional. O assunto já foi objeto de súmula por este egrégio Conselho, súmula n°49, como versa: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Assim, não assiste razão a recorrente e, portanto, nego provimento ao presente Recurso Voluntário e mantenho o crédito tributário apurado. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 38DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13854.000336/99-69
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1989
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TENTATIVA DE REQUALIFICAÇÃO DE PEÇA PROCESSUAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA.
Tendo o pedido de restituição sido deferido, e a contribuinte cientificada da decisão, inclusive do quantum reconhecido, e não se manifestado, consumou-se a preclusão processual. Eventual petição, protocolada mais de dois anos depois da ciência, denominada "pedido de restituição" visando provocar nova discussão sobre o quantum reconhecido, constitui-se em tentativa de dar uma requalificação à impugnação que deveria ter sido apresentada tempestivamente.
Numero da decisão: 9101-003.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1989 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TENTATIVA DE REQUALIFICAÇÃO DE PEÇA PROCESSUAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Tendo o pedido de restituição sido deferido, e a contribuinte cientificada da decisão, inclusive do quantum reconhecido, e não se manifestado, consumou-se a preclusão processual. Eventual petição, protocolada mais de dois anos depois da ciência, denominada "pedido de restituição" visando provocar nova discussão sobre o quantum reconhecido, constitui-se em tentativa de dar uma requalificação à impugnação que deveria ter sido apresentada tempestivamente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício).
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TENTATIVA DE REQUALIFICAÇÃO DE PEÇA PROCESSUAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Tendo o pedido de restituição sido deferido, e a contribuinte cientificada da decisão, inclusive do quantum reconhecido, e não se manifestado, consumou se a preclusão processual. Eventual petição, protocolada mais de dois anos depois da ciência, denominada "pedido de restituição" visando provocar nova discussão sobre o quantum reconhecido, constituise em tentativa de dar uma requalificação à impugnação que deveria ter sido apresentada tempestivamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 03 36 /9 9- 69 Fl. 238DF CARF MF Processo nº 13854.000336/9969 Acórdão n.º 9101003.127 CSRFT1 Fl. 239 2 Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial (efls. 175/195) interposto pela COINBRA FRUTESP S/A ("Contribuinte") em face da decisão proferida no Acórdão nº 1401001.530 (e fls. 166/168), pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 02/02/2016, no qual não foi conhecido o recurso voluntário. A situação tratada nos presentes autos tem início em outro processo administrativo, de nº 13854.000063/9574 (cópia às efls. 35/45), no qual a Contribuinte pleiteou o pagamento de restituição do IRPJ/90. Na ocasião, foi deferida a restituição, no valor de R$29.796,13. Foi dada ciência da decisão à Contribuinte (efl. 41) em 20/05/1997 (conforme informação da Contribuinte à efl. 53). Como haviam débitos da pessoa jurídica em aberto, a unidade da Receita Federal efetuou a compensação de ofício. Despacho da Receita Federal (efl. 44) atesta que, como após a ciência não houve manifestação da Contribuinte, o processo foi arquivado. Nos presentes autos (nº 13854.000336/9969), apresenta a Contribuinte pedido de restituição (efl. 1/14), no qual aduz que, no pedido de restituição dos autos de nº 13854.000063/9574, a Receita Federal teria omitido a correção monetária relativa aos índices inflacionários compreendidos no período de fevereiro a dezembro de 1991, e sobre o valor em reais, apurado em 1º de janeiro de 1996, não teria considerado a incidência de juros pela taxa SELIC. Os atos processuais subsequentes estão bem descritos pelo relatório da decisão recorrida (efls. 167/168): (...) Nas fls. 4647 (eprocesso), a autoridade local analisou o pedido, mas o considerou prejudicado em razão da perda de prazo para questionar o valor a se restituir. Às fls. 5053 (e processo), o interessado apresentou manifestação de inconformidade. Por meio da decisão de fls. 6165, a DRJ analisou a reclamação e decidiu determinar à autoridade local analisar o mérito do pedido por meio de novo despacho decisório. O novo despacho foi proferido às fls. 8690 (eprocesso) e, no mérito (na verdade, em preliminar de mérito), negou o pedido por considerar decaído o direito de pleitear o valor. O interessado apresenta nova manifestação de inconformidade, às fls. 93105 (eprocesso). Em nova decisão, às fls. 113119 (eprocesso), a DRJ nega o pleito pela mesma razão do despacho recorrido: decadência do direito à restituição. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 13854.000336/9969 Acórdão n.º 9101003.127 CSRFT1 Fl. 240 3 Às fls. 122135 (eprocesso), o interessado apresenta recurso voluntário, em que formula as seguintes razões: a) a premissa da decisão estaria errada, pois o pedido não se refere ao crédito de 1989 (este já foi reconhecido), mas sim da sua correção devida no período; b) o seu direito de crédito não teria surgido no momento do pagamento, mas sim no momento do cálculo errado promovido pela autoridade fazendária; c) apresenta acórdão nº 10195.023, em que o Conselho reconheceu o direito de o contribuinte pleitear a diferença de crédito, quando realizada compensação de ofício; direito esse que pode ser exercido num prazo de cinco anos a contar da compensação; d) tem o direito de restituir o valor integral em razão do princípio da moralidade; e) parecer da AGU pelo reconhecimento da correção monetária no período anterior à lei 8.383/91; f) tem direito à aplicação da SELIC de janeiro de 1996 até abril de 1997, mais 1% referente a maio de 1997. Ao apreciar o recurso voluntário interposto pela Contribuinte, a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 02/02/2016, por meio do Acórdão nº 1401001.530 (efls. 166/168), decidiu não conhecer do recurso, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1989 COMPETÊNCIA RESTITUIÇÃO DE JUROS Não é da competência do CARF julgar reclamação dirigida a questionar exclusivamente o cálculo dos juros sobre indébito tributário já reconhecido administrativamente, pois não é franqueado ao órgão julgador de segunda instância controlar todas as atividades exercidas pela Receita Federal. A Contribuinte interpôs recurso especial (efls. 175/195), no qual aponta com paradigma o Acórdão nº 10195.023, que ao apreciar situação semelhante a dos presentes autos teria proferido entendimento diverso da decisão recorrida. No mérito, repisa os argumentos aduzidos no recurso voluntário. Requer pela reforma da decisão recorrida e pelo deferimento do pleito em sua integralidade, e, subsidiariamente, que seja declarada nula a decisão recorrida e determinada a prolação de uma nova decisão que conheça e analise o mérito recursal. O despacho de exame de admissibilidade de efls. 229/232 deu seguimento ao recurso. A PGFN apresentou contrarrazões (efls. 234/236), no qual protesta pelo não conhecimento do recurso especial por não ter sido apontada a legislação tributária interpretada Fl. 240DF CARF MF Processo nº 13854.000336/9969 Acórdão n.º 9101003.127 CSRFT1 Fl. 241 4 de maneira divergente, e no mérito adota os fundamentos da decisão recorrida para requerer o não provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Em relação à admissibilidade, aduz a PGFN em contrarrazões que não teria sido apontada a legislação tributária apta a demonstrar a divergência na interpretação entre decisão recorrida e paradigma. Não entendo ser o caso. A decisão paradigma trata de situação da mesma contribuinte, relativo a anocalendário anterior ao dos presentes autos. Tratase de pedido de restituição, aduzindo apuração incorreta de pedido de restituição pleiteado em outros autos, nos qual não teriam sido considerados a correção monetária de fevereiro a dezembro de 1991 e os juros segundo a taxa SELIC no valor do crédito reconhecido que foi aproveitado em compensação efetuada de ofício. Como se observa, o mesmo caso dos presentes autos. E o entendimento proferido pelo Colegiado foi divergente, vez que conheceu do recurso e entendeu que quando a administração tributária utiliza crédito do contribuinte para extinguir débitos mediante compensação de ofício em processo final de cobrança nasce o direito de pleitear a restituição de valor utilizado a maior, direito que pode ser exercido no prazo de cinco anos a contar da ciência da compensação de ofício. Nesse contexto, observo que não há reparos a fazer no Despacho de Admissibilidade de efls. 229/232. Assim, voto no sentido de conhecer do recurso especial da Contribuinte. Passo ao exame do mérito. Não obstante a substanciosa tese do acórdão paradigma, peço vênia para discordar. Conforme descrito no relatório, no processo administrativo nº 13854.000063/9574, a Contribuinte efetuou pedido de restituição relativo ao anocalendário de 1989, ocasião em que foi deferida a restituição. A decisão proferida por meio de despacho foi cientificada para a Contribuinte, em 20/05/1997. Tendo em vista que a administração tributária identificou a existência de débitos não adimplidos pela Contribuinte, efetuou a compensação de ofício, conforme determina a legislação. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 13854.000336/9969 Acórdão n.º 9101003.127 CSRFT1 Fl. 242 5 Observase que a Contribuinte foi cientificada do valor do crédito reconhecido, de que seria efetuada compensação de ofício (art. 6º, § 4º, da IN SRF nº 21, de 1997), e não se manifestou. Por isso, o processo foi arquivado (efl. 44). Nos presentes autos, consta "pedido de restituição", protocolado em 17/12/1999, mais de dois anos depois da ciência do despacho do processo nº 13854.000063/9574. E o pedido referese a protesto em relação ao montante do direito creditório reconhecido nos autos do processo nº 13854.000063/9574, no sentido de que a delegacia da Receita Federal teria sido omitido a correção monetária relativa aos índices inflacionários compreendidos no período de fevereiro a dezembro de 1991, e sobre o valor em reais, apurado em 1º de janeiro de 1996, não teria considerado a incidência de juros pela taxa SELIC. Ora, o "pedido de restituição" em debate nos presentes autos (de 17/12/1999) protocolado mais de dois anos depois do prazo legal, na realidade, é uma tentativa de a Contribuinte requalificar a impugnação que deveria ter sido apresentada no prazo de trinta dias a contar da ciência do despacho decisório (que foi dada em 20/05/1997), que deferiu o pedido de restituição realizado nos autos do processo nº 13854.000063/9574. O direito creditório já foi discutido nos autos do processo nº 13854.000063/9574. A Contribuinte foi devidamente cientificada do quantum que foi deferido pela administração tributária, e não se manifestou sobre a decisão. O momento de se insurgir contra a decisão, inclusive o quantum do crédito reconhecido, extinguiuse com a fluência do prazo de trinta dias contados a partir da ciência da Contribuinte. Repito: dizer que a ciência do despacho decisório fixou o termo inicial para a contagem de um novo pedido de restituição, de cinco anos, porque a administração tributária efetuou a compensação de ofício (por um dever legal, vez que a Contribuinte tinha débitos fiscais em aberto), não tem nenhum amparo na legislação. Independente de o crédito reconhecido ter sido utilizado para extinguir débitos numa compensação de ofício, ou de ter sido restituído diretamente na conta bancária do contribuinte, o fato é que, a partir do momento em que se toma ciência de despacho decisório, informando sobre o reconhecimento do direito creditório, detalhandose com clareza o quantum a ser restituído, e não há manifestação em contrário, consumase a preclusão. Trata se de decisão transitada em julgado na seara administrativa. Nesse contexto, entendo ter sido acertada a decisão recorrida, ao afirmar que a matéria deve ser tratada em sede de execução. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 242DF CARF MF Processo nº 13854.000336/9969 Acórdão n.º 9101003.127 CSRFT1 Fl. 243 6 Fl. 243DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.720900/2012-88
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO.
Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional.
ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02
Aplicação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1001-000.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02 Aplicação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 72 09 00 /2 01 2- 88 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10735.720900/201288 Acórdão n.º 1001000.177 S1C0T1 Fl. 61 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 13ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), mediante o Acórdão nº 1254.083, de 25/03/2013 (efls. 41/45), objetivando a reforma do referido julgado. Em 02/01/2012, a empresa fez a opção pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional, que foi indeferida, mediante o “Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional”, de 15/02/2012 (efl. 23), sob o fundamento de que a pessoa jurídica incorreu, naquele momento, na(s) seguinte(s) situação(ões) impeditiva(s): Débito com a Secretaria da Receita Federal de natureza previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa na data limite. Lista de Débitos: 1) Débito 368025322 2) Débito 368025330 3) Débito 368128687 4) Débito 392987104 5) Débito 000000001 6) Débito 000000002 A interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento da sua opção pelo Simples Nacional, requerendo a concessão de prazo para análise dos débitos eventualmente existentes e, na hipótese de aceitação, requerendo a concessão de parcelamento e discorreu sobre a possibilidade de parcelamento pelas microempresas e EPP, bem como sobre a ilegalidade do art. 20 da Resolução nº 4 do CGSN. A DRJ considerou procedente o Termo de Indeferimento de Opção ao Simples Nacional e proferiu acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. DÉBITO EXIGÍVEL. INCLUSÃO NÃO ADMITIDA. A existência de débito exigível para com a Receita Federal do Brasil impede a opção pelo Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10735.720900/201288 Acórdão n.º 1001000.177 S1C0T1 Fl. 62 3 Ciente da decisão de primeira instância em 07/10/2013, conforme Aviso de Recebimento à efl. 49, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 06/11/2013 (efls. 50/57), conforme carimbo aposto à efl. 50. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator. O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, em virtude dos referidos débitos não pagos no prazo legal, ou cuja exigibilidade não estava suspensa. A base legal do indeferimento foi o art. 17, inciso V, da Lei Complementar 123/2006, verbis: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (grifo não consta do original) Nesse particular, mediante o art 6º, §§1º e 2º, da Resolução CGSN nº 94/2011, o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN), assim dispôs sobre a forma de ingresso no regime especial: DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10735.720900/201288 Acórdão n.º 1001000.177 S1C0T1 Fl. 63 4 não as regularize até o término desse prazo; (grifos não pertencem ao original) No recurso interposto, a recorrente apresenta a seguinte argumentação, verbis: Sinteticamente reclama a obediência ao princípio constitucional da Isonomia, bem como do tratamento diferenciado a ser dispensado as Micro e Pequenas Empresas, aliado a decisões do STF que impedem ao FISCO utilizase de mecanismos coercitivos para obrigar o pequeno a pagar (ainda que sem meios) os impostos e contribuições de períodos dos quais não teve capacidade contributiva, sendo certo que repisamos todos os argumentos ali originalmente expendidos. Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever excertos, a seguir, do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999: Da análise dos elementos de convicção trazidos aos autos restou evidenciado que a empresa não conseguiu regularizar as pendências que a impediam de optar pelo Simples Nacional, no anocalendário 2012, dentro do prazo fatal que terminou em 31/01/2012. 9. A legislação de regência é clara: todas as pendências devem ser regularizadas enquanto não vencido o prazo para opção. 10. No caso em exame, observase por meio de consulta aos sistemas informatizados da RFB que o interessado é optante pelo parcelamento da Lei nº 11.941/09, no qual incluiu os créditos previdenciários identificados pelos debcad nº 36.802.5322, 36.802.5330, 36.812.8687 e 39.298.7104. Todavia, não houve pagamento ou parcelamento das diferenças decorrentes do batimento GFIPxGPS, incluídas nas IP nº 000000001 e 000000002, bem como não houve parcelamento ou pagamento do crédito tributário objeto do processo nº 46334.004669/200601, com execução fiscal ajuizada pela PGFN. (...) Outrossim, igualmente ineptos são os pedidos que tenham por fundamento a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo que discipline a cobrança dos tributos ou acréscimos legais devidos, bem como a concessão de parcelamento, na medida em que sua apreciação é expressamente vedada pelo art. 26A do Decreto nº 70.235/72, acrescentado pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Como acertadamente consignou a decisão recorrida em relação às supostas inconstitucionalidades alegadas, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula CARF nº. 02: Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10735.720900/201288 Acórdão n.º 1001000.177 S1C0T1 Fl. 64 5 Súmula CARF nº. 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. A autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, como bem assinalou a decisão recorrida, seja pelo artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Assim, a partir do momento em que a norma é inserida em nosso sistema legislativo, é obrigação da autoridade administrativa a sua aplicação, não cabendo ao julgador administrativo expressar seu juízo de valor por eventuais injustiças que esta norma tenha causado, papel este incumbido aos tribunais competentes. A hipótese colocada, sem dúvida alguma, configura aquela a situação prevista na Súmula acima mencionada, desta forma, entendo que a decisão recorrida não merece ser reformada quanto aos pontos alegados pela recorrente. Por todo o exposto, face à comprovada existência de débitos não suspensos perante a Fazenda Nacional na data limite para a opção, voto por negar provimento ao recurso voluntário mantendose o indeferimento da opção pelo Simples Nacional. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.904311/2009-57
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. ADMISSIBILIDADE. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo de IRPJ decorrente do ajuste anual. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente.
Numero da decisão: 1801-000.913
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para se pronunciar sobre o valor do direito creditório pleiteado e a respeito dos pedidos de compensação dos débitos, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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SALDO NEGATIVO. ADMISSIBILIDADE. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo de IRPJ decorrente do ajuste anual. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para se pronunciar sobre o valor do direito creditório pleiteado e a respeito dos pedidos de compensação dos débitos, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Fl. 203DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.904311/200957 Acórdão n.º 180100.913 S1TE01 Fl. 89 2 Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 05.01.2004, fls. 0813, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior no valor total de R$6.980,30 de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), determinado sobre a base de cálculo estimada, código nº 2362, efetuado em 31.07.2002. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 37, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. Cientificada em 05.05.2008, fl. 56, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 04.06.2008, fls. 0104, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que apurou os saldos negativos de IRPJ nos anoscalendário de 2002 e 2004 nos valores de R$327.539,24 e de R$306.100,61, respectivamente, indicando que foram integralmente extintos mediante pagamentos com DARF. Por conseguinte, requer que seu direito creditório seja reconhecido e a compensação homologada, porque se originam de valores regularmente escriturados, recolhidos e declarados. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BSA/DF nº 0341.440, de 28.01.2011, fls. 5864:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado Assunto: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 28/06/2002 ESTIMATIVA. SALDO DE IMPOSTO A PAGAR OU A COMPENSAR. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. CIÊNCIA DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. ESTABILIDADE DA LIDE. ALTERAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.904311/200957 Acórdão n.º 180100.913 S1TE01 Fl. 90 3 Uma vez apreciado o pedido de compensação pela autoridade administrativa, não há previsão para alteração no direito creditório, o que torna inadmissível a retificação da DCOMP. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Uma vez que o crédito apontado não é passível de restituição, não há que se falar em sua utilização para compensação de débitos, devendo, por conseguinte, não ser homologada a compensação. Notificada em 19.04.2011, fl. 65verso, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 17.05.2011, fls. 6772, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta que apresentou a Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) retificadora indicando o saldo negativo correto. Reitera que o erro escusável nos dados declarados não tem o condão de extinguir seu direito, de modo que a realização de diligência é imprescindível. Assim novamente requer que seu direito creditório seja reconhecido e a compensação homologada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita que a Per/DComp deve ser deferida. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. O regime de tributação com base no lucro real anual, prevê que a pessoa jurídica que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal pode utilizálo ao final do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza. A partir de 30.11.2009, foi expressamente afastada a vedação de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL, para fins de compensação com débitos tributários, cuja matéria é tratada em sede de norma complementar. Sobre a retroatividade de seus efeitos, vale ressaltar que a legislação tributária abrange as normas complementares que incluem os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas superiores, necessários à perfeita execução das Fl. 205DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.904311/200957 Acórdão n.º 180100.913 S1TE01 Fl. 91 4 leis. Como têm caráter meramente elucidativo e explicitador, apresentam nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir fatos anteriores ao seu advento. Assim, em relação à compensação tributária, temse que o permissivo regulamentar de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL alcança o Per/DComp formalizado antes da sua vigência.1 Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 2. A presente 1ª Turma Especial da 1º Seção do CARF examinando esta mesma questão de direito, pacificou o entendimento, de acordo com o Acórdão nº 180100.597 proferido pela Conselheira Relatora Maria de Lourdes Ramirez na sessão de julgamento de 28.06.2011 no processo nº 19647.010657/200610, no seguinte sentido: A questão que se coloca para análise nestes autos se refere à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais no curso do ano calendário e, havendo tal possibilidade, se isto geraria um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Nesse sentido registro que a questão é tormentosa e não se encontra pacificada neste Órgão Colegiado. Muito longe disso, há divergências inúmeras acerca da questão. Há aqueles que comungam do entendimento esposado pelas autoridades administrativas da DRF e DRJ, consignado nas decisões proferidas nestes autos, no sentido de que para as pessoas jurídicas tributadas com base nas regras do lucro real, o crédito ou o débito decorrente do confronto do pagamento das estimativas, de que trata o artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996, com o valor devido a título de IRPJ e CSLL, só seria apurado em 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009, Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 2 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.904311/200957 Acórdão n.º 180100.913 S1TE01 Fl. 92 5 31 de dezembro de cada anocalendário. Antes do encerramento do anocalendário não haveria, pois, que se falar em tributo a restituir, já que até o último momento poderiam ocorrer eventos que viriam a alterar o quantum devido a título de IRPJ e CSLL. Assim, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real somente se concretizaria no final de cada anocalendário, seria a partir deste evento que se encontraria o saldo do imposto a pagar ou a recuperar, nos termos do artigo 6º, § 1°, I e II, da Lei nº. 9.430, de 1996: Art. 6° .... § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Por conta dessa interpretação não haveria que se falar em fluência de juros a partir do recolhimento indevido da estimativa, mas, somente a partir do mês subseqüente do ano calendário seguinte, dado que a geração do indébito somente ocorreria em 31/12 de cada ano, com o surgimento do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL. A interpretação é válida e encontra robustos fundamentos. Ao afastar entendimentos contrários no sentido de que o artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, que regula a compensação, ao se referir as vedações, não dispôs expressamente acerca de qualquer restrição à compensação de estimativas pagas a maior ou indevidamente, essa corrente teoriza o entendimento de que não haveria necessidade de se inserir dispositivo específico nessa sentido, pois se estaria a registrar o óbvio já previsto na própria legislação que regulamenta a apuração e o pagamento de estimativas mensais. Nesse contexto, em relação às críticas quanto às restrições contidas em atos normativos infralegais, como por exemplo, o discutido artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005 (também previsto na IN SRF n° 460, de 2004), destacam que tais normas administrativas não se prestariam a criar, modificar ou extinguir direitos, mas sim disciplinar ou regulamentar o exercício de prerrogativas previstas em Lei, esta em sentido formal. Seria possível, assim, fazer referência a um ato administrativo subseqüente em relação à situação pretérita, desde que a situação fosse prevista em lei. Esta relatora por muito tempo comungou desse entendimento. Entretanto, surgem interpretações em outros sentidos, também apoiadas em fortes e sólidos argumentos. Depois de refletir sobre o assunto e sobre os posicionamentos doutrinários estudados, passo a fazer minhas considerações. Nesse sentido Fl. 207DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.904311/200957 Acórdão n.º 180100.913 S1TE01 Fl. 93 6 peço permissão para reproduzir as palavras da Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, proferidas em recentes julgados nesta 1a. Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que há muito tempo vem estudando o tema com profundidade. Cumpre ressaltar, assim, que é certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº. 9.430/96, pela Medida Provisória nº. 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº. 11.051/2004: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº. 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que se verifica ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Poderia se cogitar de tal possibilidade em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na Fl. 208DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.904311/200957 Acórdão n.º 180100.913 S1TE01 Fl. 94 7 vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição. Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa Fl. 209DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.904311/200957 Acórdão n.º 180100.913 S1TE01 Fl. 95 8 referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e Fl. 210DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.904311/200957 Acórdão n.º 180100.913 S1TE01 Fl. 96 9 VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. [...] É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; Fl. 211DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.904311/200957 Acórdão n.º 180100.913 S1TE01 Fl. 97 10 III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual da CSLL/IRPJ – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, posto que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluise que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito Fl. 212DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.904311/200957 Acórdão n.º 180100.913 S1TE01 Fl. 98 11 o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto Fl. 213DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.904311/200957 Acórdão n.º 180100.913 S1TE01 Fl. 99 12 devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, Fl. 214DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.904311/200957 Acórdão n.º 180100.913 S1TE01 Fl. 100 13 desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzilos por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.904311/200957 Acórdão n.º 180100.913 S1TE01 Fl. 101 14 Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Aproveito, ainda, o desfecho do retro mencionado Acórdão, adotandoo neste voto, mutatis mutandis, em virtude de ser outro o valor da estimativa ora discutido nos autos: Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito [...] e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação da CSLL devida no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Tem cabimento, portanto, o exame da situação fática. A Recorrente apresentou a DIPJ original em que nenhuma dedução foi informada a título de IRPJ mensal paga por estimativa, a despeito do fato de, como alega, ter confessado os referidos débitos indicando que foram integralmente extintos mediante pagamentos com DARF, em conformidade com os valores constantes na Tabela 1. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.904311/200957 Acórdão n.º 180100.913 S1TE01 Fl. 102 15 Tabela 1 Cálculo na IRPJ informado na DIPJ original do anocalendário de 2002 Descrição R$ Ficha 11 – Cálculo da IRPJ por Estimativa Janeiro 23.872,46 Fevereiro 34.613,13 Março 35.989,97 Abril 35.989,97 Maio 52.219,33 Junho 58.570,75 Julho 57.221,12 Agosto 63.434,64 Setembro 64.707,74 Outubro 68.125,55 Novembro 67.069,90 Dezembro 0,00 Total 561.814,56 Ficha 12A – Cálculo da IRPJ Cálculo da IRPJ 234.275,32 IRPJ Mensal Paga por Estimativa 0,00 IRPJ a Pagar 234.275,32 Tendo em vista a verificação do erro no preenchimento, a Recorrente diz apresentar a DIPJ retificadora apurando saldo negativo de IRPJ, que considera correto. Em relação à matéria, vale esclarecer que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos de restituição, em função da data de sua entrega3. Deste modo, os dados constantes no documento retificador (DIPJ) devem ser considerados para análise da Per/DComp. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, nos termos do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor 3 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.904311/200957 Acórdão n.º 180100.913 S1TE01 Fl. 103 16 indevido, impõe, pois, o retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser examinados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso4. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2002, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em Per/DComp, inclusive no que diz respeito à juntada por anexação dos processos administrativos, cujas declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentado sem datas distintas, se for o caso. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 4 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 16/03/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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