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Numero do processo: 10860.900402/2009-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO PENDENTE DE JULGAMENTO. PEDIDO DE SOBRESTAMENTO. NÃO CABIMENTO
Apenas se justifica o sobrestamento de feito, quando o resultado de determinado processo implique no resultado de um outro processo. Ainda que os créditos discutidos nos dois processos sejam responsáveis pela formação do direito creditório pleiteado nestes autos, eles não são suficientes para transformar débito (imposto a pagar) em crédito (saldo negativo).
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Tratando-se de indébito oriundo de saldo negativo de IRPJ, comprovado em diligência que o contribuinte possui imposto a pagar no respectivo ano-calendário, não deve ser homologada a compensação pleiteada, pois inexistente o crédito informado na respectiva declaração.
Numero da decisão: 1301-002.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. O Conselheiro Roberto Silva Junior acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO PENDENTE DE JULGAMENTO. PEDIDO DE SOBRESTAMENTO. NÃO CABIMENTO Apenas se justifica o sobrestamento de feito, quando o resultado de determinado processo implique no resultado de um outro processo. Ainda que os créditos discutidos nos dois processos sejam responsáveis pela formação do direito creditório pleiteado nestes autos, eles não são suficientes para transformar débito (imposto a pagar) em crédito (saldo negativo). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Tratando-se de indébito oriundo de saldo negativo de IRPJ, comprovado em diligência que o contribuinte possui imposto a pagar no respectivo ano-calendário, não deve ser homologada a compensação pleiteada, pois inexistente o crédito informado na respectiva declaração.
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PEDIDO DE SOBRESTAMENTO. NÃO CABIMENTO Apenas se justifica o sobrestamento de feito, quando o resultado de determinado processo implique no resultado de um outro processo. Ainda que os créditos discutidos nos dois processos sejam responsáveis pela formação do direito creditório pleiteado nestes autos, eles não são suficientes para transformar débito (imposto a pagar) em crédito (saldo negativo). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Tratandose de indébito oriundo de saldo negativo de IRPJ, comprovado em diligência que o contribuinte possui imposto a pagar no respectivo ano calendário, não deve ser homologada a compensação pleiteada, pois inexistente o crédito informado na respectiva declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. O Conselheiro Roberto Silva Junior acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 04 02 /2 00 9- 86 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10860.900402/200986 Acórdão n.º 1301002.686 S1C3T1 Fl. 155 2 José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 0539.034, proferido pela 4ª Turma da DRJ/CPS, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por unanimidade de votos, julgála improcedente. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório proferido por ocasião do julgamento da primeira instância, a seguir transcrito: Trata o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP nº 41150.03979.300507.1.7.047520, retificadora da DCOMP nº 11465.12537.310505.1.3.040626, por meio da qual a contribuinte em epígrafe buscou extinguir débito de IRPJ, código 23621, referente ao período de apuração abril de 2005, cujo valor seria R$ 389.906,12, valendose de crédito referente a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, arrecadado em 30/11/2004, na parcela original de R$ 356.828,15, integrante de DARF recolhido no valor de R$ 603.023,01. Nos sistemas informatizados da RFB verificase que, em 31/08/2006, foi emitida intimação (nº de rastreamento 621681835) de fls. 11, vinculada à DCOMP referida, nos termos abaixo: O DARF indicado abaixo não foi localizado nos Sistemas da Secretaria da Receita Federal. Verifique se todos os dados da Ficha DARF informados no PER/DCOMP conferem com os dados do DARF original. A data de arrecadação é a data em que o pagamento foi realizado, que consta da autenticação bancária. DARF informado: Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10860.900402/200986 Acórdão n.º 1301002.686 S1C3T1 Fl. 156 3 Se houver qualquer divergência, solicitase transmitir o PER/DCOMP retificador. Caso contrario, compareça à unidade da Secretaria da Receita Federal de sua Jurisdição com esta Intimação e o(s) DARF original(ls), no prazo Indicado. Nada sendo feito e subsistindo tais inconsistências, foi emitido, em 18/02/2009, despacho decisório nº de rastreamento 821070176 pela DRF Taubaté NÃO HOMOLOGANDO a compensação, tendo em conta a não localização do DARF indicado na PER/DCOMP nº 41150.03979.300507.1.7.047520. Cientificada do ato de não homologação da compensação, em 03/03/2009, e discordando da cobrança dos débitos compensados, em 02/04/2009 a contribuinte, por meio de seus advogados e bastante procuradores, apresenta a manifestação de inconformidade de fls. 15/14, afirmando ter incorrido em equívoco quando da apresentação da DCOMP em comento. Alega a contribuinte que a DCOMP apresentada, na verdade, objetivava compensar débitos de estimativas de IRPJ de março de 2005 com crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2004, no valor de R$ 1.843.663,97, disponível para utilização a partir de janeiro de 2005. Defende a Manifestante que o erro de fato constante na Declaração Eletrônica de Compensação apresentada pela Recorrente, é facilmente identificado, bastando para tanto, analisar simultaneamente tal Declaração com a DIPJ apresentada, para se concluir que não se trata de saldo credor decorrente de pagamento indevido, mas de saldo negativo de IRPJ. Encerra requerendo a improcedência do despacho decisório combatido, sendo homologada a compensação em análise. Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada, conforme sintetizado pela seguinte Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10860.900402/200986 Acórdão n.º 1301002.686 S1C3T1 Fl. 157 4 A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NA INDICAÇÃO DOS CRÉDITOS. NÃO RETIFICAÇÃO. EXAME ORIGINÁRIO PELA DRJ. IMPOSSIBILIDADE. A correção de erro na DCOMP quanto à natureza do crédito deve se dar mediante apresentação de declaração retificadora, a qual não pode ser apreciada originariamente pela DRJ, que se manifesta apenas em grau de recurso, reexaminando decisão de mérito proferida pelo órgão de origem. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não deve ser homologada a compensação quando inexistente o crédito informado na respectiva declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, através de patrono legitimamente constituído, pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. Iniciado o julgamento do referido recurso voluntário, este Colegiado entendeu converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem recepcionasse o pedido do contribuinte como saldo negativo, e verificasse a certeza e liquidez do direito creditório apresentado, e o fez através da Resolução nº 1301000.249. Em resposta à diligência, a DRF/Taubaté prestou a Informação Fiscal, no sentido de propor a nãohomologação do crédito pleiteado, por não existir saldo negativo a compensar no anocalendário de 2004, e, sim, imposto a pagar. Na oportunidade, noticiou que, em consulta, verificou que este mesmo crédito (saldo negativo IRPJ do anocalendário de 2004), é suscitado pelo contribuinte em outros processos em julgamento pela DRJ e CARF, recomendando sejam analisados concomitantemente. Segue a lista de processos mencionados: Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10860.900402/200986 Acórdão n.º 1301002.686 S1C3T1 Fl. 158 5 Na verificação de regularidade do recurso proposto e ao tomar conhecimento da informação fiscal acima, por despacho, foi determinada a intimação da Recorrente para se manifestar sobre as conclusões da diligência fiscal. Devidamente intimada, a recorrente alega equívoco da autoridade diligenciante, no que tange às conclusões acerca da quantificação do crédito, sustentando i) ilegalidade da cobrança de débitos de estimativa de IRPJ de abril de 2004; ii) sustação do presente processo, em face da discussão do crédito utilizado nos autos do processo nº 10860.900348/200898; e, iii) liquidação da estimativa do mês de maio de 2004, em dezembro de 2014, em razão de sua adesão às condições especiais oferecidas pela Lei 12.996/2014, informando, inclusive, que peticionou nos autos do processo nº 16048.000007/200881. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais, portanto, dele conheço. DA ANÁLISE DO RECURSO. Tenho adotado o entendimento de que no caso de divergência entre a DIPJ e DCOMP, deve a autoridade prolatora do despacho decisório, anteriormente a esta decisão, proceder a intimação do contribuinte para retificar uma das declarações, de modo que a exigência prevista no artigo 170A do CTN, no que se refere à exigência de certeza e liquidez do direito creditório apresentado, não seja desnaturado para impedir a apreciação material do pleito formulado pelo contribuinte. Entendo não ser legítimo afastarse uma declaração de compensação ao fundamento puramente formal de que não se teria correspondência entre os saldos negativos indicados em distintos documentos, na hipótese de ser apontado equivocadamente a origem do crédito, considerando "pagamento indevido" de estimativa mensal, quando na verdade o direito creditório resulta de saldo negativo formado pelo somatório destas mesmas estimativas. Não há como negarlhe o direito ao crédito, quando se constata que o valor foi efetivamente pago em excesso, e por isso entendo haver maior relevância neste fato do que nos procedimentos formais de restituição, ressarcimento e compensação dirigidos pela Receita Federal do Brasil. No caso concreto, o contribuinte foi intimado a sanar a irregularidade, no prazo assinalado no respectivo termo de intimação, e não tomou nenhuma providência. Em decorrência, não se homologou a compensação pleiteada. Porém, mesmo assim, decidiu este Colegiado, nos termos da Resolução nº 1301000.249, determinar a realização de diligência, de forma que o crédito fosse recepcionado como saldo negativo, para que, na ocasião, fosse verificada a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10860.900402/200986 Acórdão n.º 1301002.686 S1C3T1 Fl. 159 6 Porém, realizada a diligência, verificouse inexistir saldo negativo a compensar no anocalendário de 2004, concluindose pela existência de imposto a pagar no valor de R$ 768.007,67 (valor já retificado ver processo nº10860.900401/200931). De acordo com a autoridade diligenciante, glosouse parcela do crédito, relativa às estimativas dos meses de abril e maio, por falta de liquidez e certeza, em face da constatação de que o valor utilizado para quitálas encontravase em discussão administrativa, em julgamento de recurso voluntário. A estimativa abril declarada e compensada foi no valor de R$ 52.572,14, sendo objeto do processo nº 10860.900348/200898; e, a estimativa maio declarada e compensada foi no valor de R$ 577.964,90, sendo objeto do processo nº 16048.000007/2008 81. Segue tabela abaixo elaborada pela autoridade fiscal: Consultando o sitio do CARF, constatei que o processo nº 10860.900348/200898 foi julgado em 15 de maio de 2017 por este Colegiado, no sentido de negar provimento ao recurso, por unanimidade de votos. No que se refere ao processo nº 16048.000007/200881, verificase que ele, embora se encontre no CARF, não foi distribuído (data da consulta: 11/10/2017), inexistindo assim julgamento do recurso voluntário Em sua manifestação sobre a diligência realizada, o contribuinte aduz que o presente processo deveria ser sobrestado, de tal sorte que se aguardasse o julgamento definitivo do processo nº 10860.900348/200898, além sustentar que o crédito pleiteado no processo nº 16048.000007/200881 deveria ser considerado para a composição do saldo negativo de IRPJ, AC 2004, tendo em vista o pagamento efetuado nas condições da Lei 12.996/2014. Entendo que apenas se justifica o sobrestamento de feito, quando o resultado de determinado processo implique no resultado de um outro processo, ou melhor, quando a decisão que se há de proferir aqui depende fundamentalmente do que for decidido lá. Não é esse o caso dos autos, pois, ainda que os créditos nos dois processos sejam responsáveis pela formação do direito creditório discutido nestes autos, eles não são suficientes para transformar débito (imposto a pagar) em crédito (saldo negativo). De fato, na realização da diligência, a autoridade responsável concluiu que o contribuinte teria naquele anocalendário imposto de renda a pagar, no valor já ajustado de R$ 768.007,67. Portanto, ainda que se aguarde final decisão administrativa, e suponhase que ela seja favorável ao contribuinte, não será possível reconhecer o direito creditório e homologar a compensação pleiteada. Desta forma, rejeitase o pedido de sobrestamento, como também entendese desnecessário eventual conversão do presente julgamento em diligência, para fins de buscar autenticidade no DARF recolhido no valor de R$ 956.147,56, para fins de composição do saldo negativo do IRPJ, AC 2004. Por fim, também não há como prosperar sua alegação de ilegalidade da cobrança de débitos de estimativa de IRPJ de abril de 2004 sustentandose na tese de que a estimativa compensada revestese de liquidez e certeza ao ser alvo, futuramente, de cobrança Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10860.900402/200986 Acórdão n.º 1301002.686 S1C3T1 Fl. 160 7 judicial. Primeiro, tal alegação não possui, caso prospere, o condão de alterar o resultado do julgamento, pois, como se viu, a parcela do crédito que compõe tal estimativa não é suficiente para amparar o direito creditório discutido nestes autos. Em segundo lugar, a tese em si não prospera, pois crédito algum possui liquidez e certeza pelo simples fato da possibilidade de cobrança posterior de débito que o compõe. Não se deve reconhecer indébito, se o valor correspondente efetivamente não ingressou nos cofres do credor. Acrescese a isso o fato de que estimativa é mera antecipação de imposto a ser devido no final do encerramento do período de apuração, e a depender da situação, há casos de não haver sequer imposto a ser cobrado, quando da hipótese, por exemplo, de apuração de eventual prejuízo fiscal. Logo, não se sustenta a assertiva de que a estimativa vai ser inscrita em Dívida e exigida, mediante ação executiva, futuramente, pois tudo vai depender do que ocorrer no encerramento do período de apuração do imposto. Além do que, após o predito encerramento, não deve mais se falar em antecipação, e por conseguinte, em estimativa exigida. Aliás, no que pertine à discussão, valhome da transcrição de trecho do voto do Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, na ocasião do julgamento do processo nº 10680.903324/201376: De toda forma, saliento que a tese de que a estimativa compensada será cobrada de qualquer forma não prospera, uma vez que após o encerramento do período de apuração não há mais que se cobrar estimativas, e, até mesmo, pode até não haver sequer imposto a se cobrar no ajuste, quer pela apuração de prejuízo fiscal, quer pela apuração de valor de imposto de renda na fonte superior ao montante de imposto devido. Tal entendimento é corroborado pelos Pareceres PGFN/CAT nº 193/2013 e nº 88/2014. Em relação a esse último, assim conclui o órgão responsável pela possível cobrança judicial dos tributos federais: 34. Conclusivamente, os valores mensalmente apurados por estimativa, a título de antecipação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, e não pagos, ainda que objetos de Declaração de Compensação não homologada, não podem ser inscritos em Dívida Ativa da União e, consequentemente, cobrados de per si. Em tais pronunciamentos, a PGFN chega a afirmar que eventuais parcelamentos de estimativas deveriam ser cancelados se, ao final do exercício, restasse demonstrado que o contribuinte auferiu prejuízos fiscais. Conclui ainda a PGFN que não é possível a cobrança de estimativas após o encerramento do período de apuração. Se for o caso, devese proceder a cobrança de eventual saldo de imposto a recolher. Assim, não havendo saldo de imposto a recolher, as estimativas declaradas e não extintas, quer por pagamento, quer por compensação, como no caso concreto, jamais serão alvo de cobrança, o que demonstra ainda mais a ausência de certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado pela Recorrente. Ora, se a própria PGFN não permite que as estimativas sejam inscritas em dívida ativa, cai de vez por terra o argumento de que estimativas compensadas devem ser consideradas na composição de saldo negativo ainda que tais compensações não sejam homologadas, uma vez que tais débitos não serão alvo de cobrança por parte da União. Assim, a pretensão deduzida no recurso voluntário deve ser indeferida. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10860.900402/200986 Acórdão n.º 1301002.686 S1C3T1 Fl. 161 8 Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para no mérito negarlhe provimento. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 161DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.724408/2014-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
REQUALIFICAÇÃO JURÍDICA DO SUJEITO PASSIVO. POSSIBILIDADE.
Uma vez comprovado que as partes alocaram receitas de titularidade de empresa sujeita ao lucro real para outra empresa do grupo sujeita ao lucro presumido, o fisco é competente para, após identificar o correto sujeito passivo, cobrar a diferença dos tributos que deixaram de ser recolhidos com multa e juros.
SERVIÇOS DE CORRESPONDENTE BANCÁRIO E OUTROS. TITULARIDADE DAS RECEITAS.
A empresa contratada como correspondente bancário é a titular das receitas provenientes da prestação dos serviços financeiros, sendo vedado o substabelecimento do contrato sem a observância dos requisitos previstos em norma regulamentar específica (Resolução Bacen nº 3.954/2011).
A mera cessão da remuneração dos serviços contratados para outra empresa não afasta a obrigação da empresa prestadora escriturar e tributar as respectivas receitas.
SIMULAÇÃO. REQUALIFICAÇÃO DOS FATOS. ABATIMENTO DOS TRIBUTOS RECOLHIDOS NA OPERAÇÃO.
Havendo o reenquadramento jurídico dos fatos, e uma vez reconhecida que a tributação deveria recair sobre outra pessoa ou de outra maneira, deve-se, por decorrência lógica, também requalificar os tributos já pagos na operação desconsiderada, os quais devem ser abatidos por ocasião da constituição dos créditos tributários apurados.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DOLO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Uma vez ausente a figura do dolo, no seu aspecto subjetivo (intenção) ou objetivo (prática de um ato ilícito), a multa qualificada deve ser afastada.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO. ART. 135 DO CTN. MOTIVAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. IMPROCEDÊNCIA.
A simples qualificação de sócio, por si só, é insuficiente para a aplicação do artigo 135 do CTN. Inexistindo motivação ou prova de que a pessoa praticou conduta dolosa que caracterize excesso de poderes ou infração a lei, contrato social ou estatutos, não há que se falar em responsabilidade tributária pessoal.
IRPJ. ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA.
Do ano-calendário 2007 em diante, se não efetuado o pagamento da estimativa mensal, cabe a imputação de multa isolada, sobre a totalidade ou diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do ano-calendário, mesmo que lançada a multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA SELIC. INCIDÊNCIA.
Sobre a multa de ofício lançada incidem juros de mora à taxa SELIC. Precedentes do STJ e da CSRF.
IRPJ. REFLEXOS.
O decidido quanto ao IRPJ deve ser aplicado à tributação reflexa (CSLL, PIS e COFINS) decorrente dos mesmos elementos e fatos.
Numero da decisão: 1201-001.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento aos Recursos Voluntários para: (i) que os valores recolhidos de IRPJ e Reflexos pela JM SETE, incidentes sobre as receitas consideradas omitidas nos presentes lançamentos, sejam abatidos dos valores de IRPJ e Reflexos ora exigidos; (ii) reduzir a multa qualificada de 150% para 75% e (iii) afastar a responsabilidade solidária do sócio. Vencidos os Conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli (Relator) e Eduardo Morgado Rodrigues, que davam parcial provimento aos recursos, em maior extensão, para afastar a multa isolada, e o Conselheiro Rafael Gasparello Lima, que os acompanhou nos tópicos precedentes e também afastava a incidência de juros sobre a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. REQUALIFICAÇÃO JURÍDICA DO SUJEITO PASSIVO. POSSIBILIDADE. Uma vez comprovado que as partes alocaram receitas de titularidade de empresa sujeita ao lucro real para outra empresa do grupo sujeita ao lucro presumido, o fisco é competente para, após identificar o correto sujeito passivo, cobrar a diferença dos tributos que deixaram de ser recolhidos com multa e juros. SERVIÇOS DE CORRESPONDENTE BANCÁRIO E OUTROS. TITULARIDADE DAS RECEITAS. A empresa contratada como correspondente bancário é a titular das receitas provenientes da prestação dos serviços financeiros, sendo vedado o substabelecimento do contrato sem a observância dos requisitos previstos em norma regulamentar específica (Resolução Bacen nº 3.954/2011). A mera cessão da remuneração dos serviços contratados para outra empresa não afasta a obrigação da empresa prestadora escriturar e tributar as respectivas receitas. SIMULAÇÃO. REQUALIFICAÇÃO DOS FATOS. ABATIMENTO DOS TRIBUTOS RECOLHIDOS NA OPERAÇÃO. Havendo o reenquadramento jurídico dos fatos, e uma vez reconhecida que a tributação deveria recair sobre outra pessoa ou de outra maneira, devese, por decorrência lógica, também requalificar os tributos já pagos na operação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 44 08 /2 01 4- 49 Fl. 3867DF CARF MF 2 desconsiderada, os quais devem ser abatidos por ocasião da constituição dos créditos tributários apurados. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DOLO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Uma vez ausente a figura do dolo, no seu aspecto subjetivo (intenção) ou objetivo (prática de um ato ilícito), a multa qualificada deve ser afastada. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO. ART. 135 DO CTN. MOTIVAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. IMPROCEDÊNCIA. A simples qualificação de sócio, por si só, é insuficiente para a aplicação do artigo 135 do CTN. Inexistindo motivação ou prova de que a pessoa praticou conduta dolosa que caracterize excesso de poderes ou infração a lei, contrato social ou estatutos, não há que se falar em responsabilidade tributária pessoal. IRPJ. ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. Do anocalendário 2007 em diante, se não efetuado o pagamento da estimativa mensal, cabe a imputação de multa isolada, sobre a totalidade ou diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do anocalendário, mesmo que lançada a multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA SELIC. INCIDÊNCIA. Sobre a multa de ofício lançada incidem juros de mora à taxa SELIC. Precedentes do STJ e da CSRF. IRPJ. REFLEXOS. O decidido quanto ao IRPJ deve ser aplicado à tributação reflexa (CSLL, PIS e COFINS) decorrente dos mesmos elementos e fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento aos Recursos Voluntários para: (i) que os valores recolhidos de IRPJ e Reflexos pela JM SETE, incidentes sobre as receitas consideradas omitidas nos presentes lançamentos, sejam abatidos dos valores de IRPJ e Reflexos ora exigidos; (ii) reduzir a multa qualificada de 150% para 75% e (iii) afastar a responsabilidade solidária do sócio. Vencidos os Conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli (Relator) e Eduardo Morgado Rodrigues, que davam parcial provimento aos recursos, em maior extensão, para afastar a multa isolada, e o Conselheiro Rafael Gasparello Lima, que os acompanhou nos tópicos precedentes e também afastava a incidência de juros sobre a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator (assinado digitalmente) Fl. 3868DF CARF MF Processo nº 13971.724408/201449 Acórdão n.º 1201001.925 S1C2T1 Fl. 3 3 Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração que exigem Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o PIS/Pasep (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), referentes aos anos calendários de 2010 e 2011, acrescidos de juros, multa isolada sobre estimativas de IRPJ e CSLL apuradas e multa qualificada de 150%. Em síntese, a fiscalização alega que a contribuinte, concessionária de veículos Peugeot, omitiu determinadas receitas decorrentes de serviços prestados pela intermediação de vendas dos automóveis, receitas estas cujos valores foram indevidamente transferidos para a contabilidade da empresa JM Sete Administradora de Bens Ltda., sociedade empresária que pertence aos mesmos sócios, possui sede no mesmo endereço da contribuinte e optante por tributação mais vantajosa (lucro presumido). Nas palavras da autoridade fiscal responsável pelos lançamentos (TVF de fls. 2.073/2.081: A SANTA PAULINA STRASBOURG VEÍCULOS LTDA., concessionária Peugeot, aufere receitas de várias fontes por serviços prestados pela intermediação de vendas (despachantes, fornecedores de bancos de couro, instituições financeiras, etc.) além dos serviços próprios de uma concessionária (manutenção de veículos). Ocorre que a remuneração daqueles serviços de intermediação não está escriturada em sua contabilidade, mas na contabilidade da JM SETE ADMINISTRADORA DE BENS LTDA., por uma questão de economia tributária, se é que a conduta adotada pode ser assim denominada. Explico: a receita "repassada" para a JM Sete não vai acompanhada dos dispêndios para auferila (posto que a empresa funciona no mesmo endereço da fiscalizada, utiliza as mesmas instalações físicas e estrutura, inclusive de pessoal pois não funcionaria com um único empregado); como a JM Sete adota o lucro presumido como forma de tributação de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, tem apenas parte de seu montante como base dos tributos, enquanto que, se fosse tributada na fiscalizada, seria adicionada diretamente aos lucros (considerando que os custos e despesas já estão apropriados por ela). Vamos aos fatos Fl. 3869DF CARF MF 4 Intimada a apresentar os contratos que deram causa aos pagamentos recebidos, a JM Sete apresentou contratos firmados pelos pagadores com a fiscalizada. A JM Sete figura como beneficiária da remuneração, mas os financiamentos são liberados para a Santa Paulina Strasbourg Veículos Ltda.. [apresenta imagens exemplificativas de alguns contratos] Com isso, fica bem ilustrado o modus operandi da fiscalizada. No entanto, a cessão da renda não exime a fiscalizada de sua tributação. Como foram identificadas outras receitas declaradas pela JM Sete como suas, mas oriundas de outras empresas dos mesmos sócios, a JM Sete foi intimada a informar a origem de suas receitas por mês: 1 . DISTRIBUIÇÃO DAS RECEITAS AUFERIDAS DE ACORDO COM A EMPRESA VENDEDORA DO BEM A QUE A RECEITA SE REFERE, MENSALMENTE. Assim respondido: DISTRIBUIÇÃO RECEITA REF. 2010 SANTA PAULINA CHERY JMJ CJM TOTAL >° jan/10 220,335,83 ‐ 220.335,83 i , fev/10 276.002,43 276,002,43 (<a mar/10 316.229,29 316.229,29 abr/10 262.804,96 262.804,96 mal/10 344.969,27 320,00 345.289,27 n ]un/10 331.653,63 1.674,50 333,328,13 jul/10 305.586,72 2,310,04 307.896,76 ago/10 373.249,41 9.095,80 382.345,21 ‐•• set/10 417.908,32 352,63 418.260,95 ... out/10 554.526,14 5.490,14 560.016,28 nov/10 492.815,45 3.638,36 1.682,40 498,136,21 'A. dez/10 728.667,24 1.633,52 730.300,76 ,(,.. DISTRIBUIÇÃO RECEITA REF. 2011 SANTA PAULINA CHERY JMJ CJM TOTAL jan/11 486,205,85 7,012,66 1.040,00 494.258,51 fev/11 344.395,74 2.392,55 2,524,96 349.313,25 mar/11 249.868,36 3.863,00 1.535,61 255.266,97 ;r abr/11 329,721,80 3.953,39 1.925,67 335.600,86 mai/11 342,222,58 650,10 1.020,00 343.892,68 Jun/11 482,863,34 5.511,86 918,00 4.058,20 493.351,40 jul/11 316.683,32 6,094,78 1.047,60 3.509,55 327.335,25 ago/11 444.517,74 2,295,70 4.702,50 5,306,62 456.822,56 set/11 405.981,01 1,369,45 20.451,05 4.291,50 432.093,01 out/11 416.808,65 1.540,00 14,537,12 3,700,00 436.585,77 nov/11 416.886,88 80,00 6.314,07 5.576,50 428,857,45 dez/11 525.785,71 17,434,56 3.670,42 546,890,69 Assim, as receitas da coluna SANTA PAULINA foram omitidas da apuração de tributos da fiscalizada, nem constaram de sua contabilidade, e foram lançadas como base de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, com multa de 150%, por sonegação (ver tópico MULTAS). [...] Por entender, então, que essa transferência indevida de receitas teria gerado economia ilícita de tributos, a autoridade autuante, além de exigir a multa isolada sobre as Fl. 3870DF CARF MF Processo nº 13971.724408/201449 Acórdão n.º 1201001.925 S1C2T1 Fl. 4 5 estimativas que deixaram de ser recolhidas, caracterizou a conduta como fraudulenta, o que a levou a qualificar a multa e imputar responsabilidade solidária ao sócio John Alexandre de Zutter. Mais precisamente, a cobrança das multas e a aplicação da responsabilidade solidária foram assim motivadas no TVF: 4.1 Multas Isoladas IRPJ E CSLL A tabela 5 resume os valores das multas isoladas pela falta de recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL. [...] 4.2 Multas de ofício A multa proporcional de ofício cabível sobre os valores dos tributos para a infração descrita no item 3.1 é de 150%, qualificada com base no parágrafo primeiro do artigo 44 da Lei ne 9.430/96, em razão do intuito de sonegação e fraude, nos termos dos artigos 71 e 72 da Lei n9 4.502/64. O fato do contribuinte transferir parte da receita auferida para outra empresa no intuito de reduzir tributos, caracteriza a intenção dolosa de sonegação mediante fraude, configurando, assim, a vontade conscientemente dirigida com o fim de obter o resultado. [transcreve os dispositivos legais citados] 5 Considerações finais [...] Fica o contribuinte cientificado de que os fatos narrados no item 3.1 do presente termo configuram, em tese, crime contra a ordem tributária, nos termos do art. I9, inciso II, da Lei 8.137/90. A REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS está formalizada no processo administrativo 13971.724346/201475 com base na Portaria RFB n9 2.439, de 21/12/2010. De acordo com o art. 34 da Lei 9.249/95, extinguese a punibilidade do crime quando o agente promover o pagamento do tributo ou contribuição social, antes do recebimento da denúncia. Houve responsabilização solidária passiva do sócio administrador relativamente aos créditos tributários lançados neste processo, com base no art. 135 do CTN. Após intimados dos Autos de infração, tanto a contribuinte quanto o solidário apresentaram defesas (fls. 2.102/2.111 e 2.238/2.273). O solidário, em linhas gerais, afirma inexistir qualquer prova da prática dos atos veiculados no artigo 135 do CTN, não havendo respaldo para a responsabilidade tributária ser apenas presumida. Fl. 3871DF CARF MF 6 A devedora principal, por sua vez, pede, em preliminar, a nulidade dos Autos de Infração em face de ausência de provas acerca da infração, que foi caracterizada mediante emprego indevido de presunção simples; e porque o fisco jamais poderia, sem autorização judicial, ter desconsiderado a existência e os negócios celebrados pela empresa JM SETE. No mérito, sustenta que: (i) não é titular das receitas consideradas omitidas, que foram tributadas corretamente pela JM SETE, empresa esta independente e existente de fato e de direito; (ii) não há provas de que ambas as empresas, na verdade, seriam uma só; e (iii) a contabilidade da JM SETE faz prova favorável e não poderia ter sido desprezada. Quanto às multas, aduz que a qualificação é indevida em face da ausência de motivação, não caracterização de dolo e diante do que expõe a Súmula CARF nº 14. Já a multa isolada, por ter sido aplicada em concomitância com a multa de ofício qualificada, carece de fundamento. Subsidiariamente, pede que os valores de IRPJ e reflexos recolhidos no lucro presumido ao menos sejam abatidos dos montantes ora exigidos e o afastamento de juros sobre a multa de ofício. As defesas, por unanimidade de votos, foram julgadas improcedentes por meio de decisão de primeira instância que recebeu a seguinte ementa (fls. 3.581/3.620): NULIDADE. Somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, bem como os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. SUJEITO PASSIVO. CARACTERIZAÇÃO. Constatado erro quanto ao contribuinte na escrituração das receitas, resta autorizado o Fisco a identificar o correto sujeito passivo da obrigação tributária, desde que obtenha êxito em demonstrar a inconsistência do procedimento realizado pelo autuado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA, ADMINISTRADORES. São pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, nos termos do artigo 71, I, da Lei n° 4.502/64 e artigo 135, III, do CTN. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. AUSÊNCIA DE DUPLICIDADE DE INCIDÊNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. A falta de recolhimento mensal do IRPJ e da CSLL calculados por estimativa sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada. Como são distintas e autônomas as hipóteses de incidência, as bases de cálculo e os fatos sobre os quais incidem a multa isolada de 50%, por falta de recolhimento das estimativas mensais, e a multa de ofício de 75%, por falta de pagamento do IRPJ e CSLL devidos no Ajuste Anual, não se caracteriza a duplicidade de penalidade sobre o mesmo fato. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Deve ser mantida a multa qualificada pelo evidente intuito de fraude quando comprovadas as ações ou omissões dolosas tendentes a impedir Fl. 3872DF CARF MF Processo nº 13971.724408/201449 Acórdão n.º 1201001.925 S1C2T1 Fl. 5 7 ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; e das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS COM BASE NO MESMO FATO E MATÉRIA TRIBUTÁVEL. O decidido em relação ao IRPJ estendese aos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, vez que formalizados com base nos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. Irresignados com o teor da decisão de piso, o devedor principal apresentou recurso voluntário às fls. 3.736/3.777 e o solidário às fls. 3.778/3.789. Reiteram os argumentos invocados na defesa, questionam a interpretação da DRJ quanto à ausência de conduta dolosa e pedem provimento aos recursos. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Os recursos voluntários interpostos pelo devedor principal e responsável solidário atendem os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual deles conheço e passo a apreciálos. Nulidade Do ponto de vista do processo administrativo fiscal federal, o Decreto nº 70.235/72 indica os casos de nulidade nos artigos 10º e 59, in verbis: “Artigo 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula”. “Artigo 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 3873DF CARF MF 8 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. Não verifico, nesse caso concreto, violação a nenhum dos dispositivos em questão, razão pela qual não há que se falar em nulidade formal. Também não vislumbro nenhuma hipótese de nulidade material. Isso porque os Autos de Infração ora em debate foram emitidos com observância de seus requisitos essenciais, em cumprimento ao que dispõe o artigo 142 do Código Tributário Nacional, verbis. “Artigo 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. Tal como determinado nesse dispositivo, os lançamentos têm como motivação o relato constante do TVF, além das diligências e documentos colhidos durante todo o detalhado trabalho fiscal. E todos esses elementos demonstram que a autoridade fiscal autuante, no exercício legítimo de sua função, se deparou com uma tributação por sujeito passivo equivocado. Nesses termos, entendeu o fisco que as receitas de prestação de serviços em geral (essencialmente de intermediação financeira prestada no bojo de contratos de correspondentes) deveriam ter sido tributadas pela Recorrente, por ser esta a verdadeira empresa titular (ou seja, o correto sujeito passivo da obrigação tributária), e não pela empresa ligada JM SETE, que figurou na operação apenas para propiciar uma vantagem tributária ilícita, afinal se valeu do lucro presumido (e não do lucro real, como a Recorrente). Ao contrário do que quer fazer crer a contribuinte, a fiscalização não desconsiderou a personalidade jurídica da JM SETE, muito menos se valeu de tributação por presunção simples. Pelo contrário, a partir de provas diretas (e não por presunções), representadas essencialmente pelos contratos que embasaram tais pagamentos, o fisco buscou identificar o sujeito passivo correto, exigindo dele o tributo que entendeu ser devido. Vale dizer, os Autos de infração estão fundamentados na omissão de receitas de intermediação de negócios, tendo em vista que a prestação dos serviços teria sido firmada e efetuada pela contribuinte, mas equivocadamente contabilizada e tributada por empresa distinta e sujeita ao método de tributação menos oneroso. Essa constatação foi exposta de forma clara também no Auto de Infração (fls. 2.012). Veja: Fl. 3874DF CARF MF Processo nº 13971.724408/201449 Acórdão n.º 1201001.925 S1C2T1 Fl. 6 9 Como se percebe, o fisco pugna, na verdade, pela superação da escrituração efetuada pelas partes, exigindo que a tributação seja compatível com a substância dos atos praticados, os quais demonstram que a Recorrente possui relação pessoal e direta com o fato gerador, sendo ela o verdadeiro sujeito passivo. Como bem observado pela DRJ, a autoridade autuante não considera inexistir a empresa JM SETE, sendo desnecessária a sua baixa do CNPJ. No caso, repitase, não intentou a fiscalização desconstituir uma pessoa jurídica, mas buscou demonstrar não ser ela a titular das receitas. Já os apontamentos relativos ao compartilhamento de endereço, identidade de sócio, ausência de empregados próprios e a manutenção de todas as despesas relativas à prestação dos serviços na contabilidade da Recorrente (que repassou somente as receitas à empresa JM SETE), estes foram inseridos na peça acusatória, na verdade, como indícios adicionais, na tentativa de comprovar que os referidos serviços sequer teriam sido prestados pela JM SETE, mas sim pela Recorrente. Ademais, no que diz respeito ao pedido subsidiário quanto à necessidade de recompor o lucro em razão das glosas realizadas nas despesas, a meu ver tratase de pleito estranho à lide, razão pela qual dispensa maiores considerações. Nesse contexto, entendo que a constituição do crédito tributário ora em debate não apresenta nenhum vício formal ou material, uma vez que a fiscalização realizou as diligências que julgou necessárias, apresentou os elementos de prova acerca da infração que apurou e expôs os motivos de fato e de direito da autuação de forma clara, explícita e congruente. Não se vislumbra dos autos nenhum prejuízo ao contribuinte, que notoriamente compreendeu a imputação que lhe foi imposta, demonstrou pleno conhecimento da lide e pôde exercer seu direito ao contraditório de forma plena. Quanto ao fundamento legal, entendo correta a indicação do artigo 288, dispositivo este que é claro ao prescrever que "verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão." Afasto, portanto, os vícios de nulidade apontados. Da omissão de receitas Fl. 3875DF CARF MF 10 O cerne da discussão gira em torno da legitimidade ou não da “transferência”, por parte da Recorrente a outra empresa do grupo, das receitas auferidas com a prestação de determinados serviços. Como apurado pela fiscalização, e ratificado pela decisão de piso, a Recorrente celebrou contratos de intermediação de financiamentos na qualidade de correspondente bancário, instalação e reparação de acessórios em couro e de despachantes, todos firmados em seu próprio nome (fls. 957/971 e 981/1.286), tendo cedido por atos particulares a remuneração desses serviços para a empresa JM SETE. O tema ora em análise, portanto, não diz respeito propriamente ao direito de segregar atividades entre empresas do mesmo grupo. A matéria de fundo é outra. Consiste, antes de tudo, em verificar se, do ponto de vista jurídico, a Recorrente poderia ou não ter alocado as receitas da prestação desses serviços para outra empresa. As receitas consideradas omitidas correspondem principalmente às comissões incidentes sobre a intermediação de financiamentos de veículos diretamente relacionados aos contratos de correspondente firmados entre a Recorrente e determinadas instituições financeiras. A possibilidade de contratação de correspondentes no País por instituições financeiras não é algo novo no ordenamento jurídico brasileiro. Foi autorizada inicialmente em 1973, estando a matéria regulamentada atualmente pela Resolução Bacen nº 3.954/2011. Os correspondentes bancários são empresas contratadas por instituições financeiras e autorizadas a funcionar pelo Banco Central para prestar serviços bancários à população, representandoas. Como exemplo de correspondentes bancários temos, dentre outras sociedades, as lotéricas, os bancos postais, farmácias e as concessionárias de veículos (caso da Recorrente). A regra geral é a de que os direitos e as obrigações inerentes aos contratos de correspondente são intransferíveis. Dizemos como regra geral porque a própria norma estabelece, no seu artigo 7º (sétimo), que: Art. 7º Admitese o substabelecimento do contrato de correspondente, em um único nível, desde que o contrato inicial preveja essa possibilidade e as condições para sua efetivação, entre as quais a anuência da instituição contratante. § 1º A instituição contratante, para anuir ao substabelecimento, deve assegurar o cumprimento das disposições desta resolução, inclusive quanto às entidades passíveis de contratação na forma do art. 3º. § 2º É vedado o substabelecimento do contrato no tocante às atividades de atendimento em operações de câmbio. Como se percebe, existe regra expressa que permite o substabelecimento (parcial ou total) do contrato de correspondente, mas desde que (i) o contrato inicial possua cláusula expressa nesse sentido; e (ii) haja anuência da instituição financeira contratante, a quem compete assegurar o cumprimento das demais disposições previstas na mencionada Resolução. Fl. 3876DF CARF MF Processo nº 13971.724408/201449 Acórdão n.º 1201001.925 S1C2T1 Fl. 7 11 A norma regulamentadora, portanto, admite o substabelecimento do contrato de correspondente, mas impõe requisitos jurídicos essenciais para que isso ocorra. É justamente para esse “detalhe” que a Recorrente parece não ter se atentado. Nesse caso concreto, a Recorrente nunca alegou e não logrou êxito em comprovar a eventual celebração de contrato de substabelecimento com os referidos Bancos contratantes, o que significa dizer que a exigência em questão não foi cumprida. Ocorre, porém, que a anuência expressa das instituições financeiras contratantes em contrato específico de substabelecimento é pressuposto essencial para a cessão (parcial ou integral) das atividades de correspondente bancário. A solenidade requerida pelo artigo 7º da Resolução integra a própria substância do ato1. A participação das instituições financeiras para efeito de substabelecimento contratual não constitui formalidade inócua, mas é integrativa do próprio ato em si, como condição de sua eficácia. Isso porque as instituições financeiras contratantes devem assegurar o cumprimento das disposições daquela Resolução, inclusive quanto às entidades passíveis de “subcontratação”, razão pela qual a sua vinculação solene e formal é pressuposto de validade e eficácia da cessão contratual. O correspondente atua pessoalmente nesse tipo de relação jurídica, afinal atua por conta e sob as diretrizes da instituição financeira contratante, que assume inteira responsabilidade pelo atendimento prestado aos clientes e usuários por meio do contratado, à qual cabe garantir a integridade, a confiabilidade, a segurança e o sigilo das transações realizadas por meio do contratado, bem como o cumprimento da legislação e da regulamentação relativa a essas transações. A exigência de vinculação direta do capital social da concessionária para a liberação dos financiamentos, conforme previstos nos contratos e normas, ademais, é outro fator que sustenta que a relação jurídica sempre se deu com a Recorrente, e não com a JM SETE. O mesmo racional se aplica à tentativa de cessão dos contratos de despachantes e reparo em couro, os quais também sempre competiram à Recorrente. Outro fato que chama atenção é o de que a receita "repassada" para a JM SETE, conforme constatado pela autoridade autuante, sequer foi "acompanhada" dos dispêndios para auferila, posto que a empresa funciona no mesmo endereço da fiscalizada, utiliza as mesmas instalações físicas e estrutura, inclusive de pessoal pois não funcionaria com um único empregado. O princípio da competência, todavia, pressupõe a simultaneidade da confrontação de receitas e despesas correlatas, o que assegura mais ainda a convicção de que as receitas definitivamente deveriam ter sido escrituradas e tributadas pela Recorrente. E nem se diga que a contabilidade da JM SETE constitui prova absoluta capaz de afastar a pretensão fiscal. A contabilidade em questão apenas atesta que as receitas que deveriam ter sido escrituradas e tributadas pela Recorrente foram, na verdade, escrituradas 1 Segundo o artigo 167, IV, do Código Civil, é nulo o negócio jurídico quando não revestir a forma prescrita em lei. Fl. 3877DF CARF MF 12 por outra empresa ligada que se valeu de tributação mais benéfica. Nada diz, no entanto, sobre a sua causa e efetivo titular. Por bem enfrentar a controvérsia, trago à baila o seguinte trecho da decisão recorrida, do qual também acolho como razões de decidir: Diante dos diversos documentos trazidos aos autos, comprovase que tanto as receitas foram auferidas pela SANTA PAULINA, que foi necessário introduzir no contrato uma cessão de direito de remuneração, para que o pagamento correspondente fosse feito a JM SETE. Entretanto, o direito à remuneração original sempre foi da SANTA PAULINA, que intermediou as operações financeiras, providenciou a contratação dos prestadores de serviços, efetuou o pagamento pelos serviços prestados, e somente repassou ou cedeu seu direito à remuneração à JM SETE. Por óbvio, não há como transferir o que não se possui. Portanto, o direito fora adquirido pela empresa Santa Paulina, considerandose realizada a receita, dando causa ao fato gerador do IRPJ e demais tributos. Cumpre esclarecer que a receita é considerada realizada ou auferida no momento em que há a venda de bens e direitos da entidade (entendida a palavra "bem" em sentido amplo, incluindo toda sorte de mercadorias, produtos e serviços). Nessa ocasião, considerase ocorrido o fato gerador da obrigação tributária, sendo, então, definidos os elementos componentes da referida obrigação. A Resolução n° 774, de 1994, do Conselho Federal de Contabilidade, ao discorrer sobre o princípio da competência, diz: § 3°As receitas consideramse realizadas: I nas transações com terceiros, quando estes efetuarem o pagamento ou assumirem compromisso firme de efetiválo, quer pela investidura na propriedade de bens anteriormente pertencentes à entidade, quer pela fruição de serviços por esta prestados; Assim, na caracterização de receita, há uma relação direta entre os bens e serviços da entidade e terceiros com os quais entra em relação externa a ela própria. A empresa, em sua relação com o mundo exterior, oferece estes bens e serviços e, uma vez aceita essa oferta por terceiros, é remunerada. No presente caso, quando houve a prestação do serviço, auferida fora a receita, dando ensejo à tributação sobre ela incidente. [...] Nos autos, o Fisco não nega a existência da empresa JM SETE. A questão posta relacionase, na verdade, à titularidade das receitas auferidas, amplamente comprovada pela fiscalização. Mesmo os serviços sendo contratados com a empresa SANTA PAULINA, quem os escritura é a empresa JM SETE, gerando valores a pagar à Fazenda Pública muito inferiores aos Fl. 3878DF CARF MF Processo nº 13971.724408/201449 Acórdão n.º 1201001.925 S1C2T1 Fl. 8 13 efetivamente devidos, caso corretamente tributados na sistemática do Lucro Real. Nesse sentido, restou comprovado que foi a Recorrente quem assumiu o ônus dos contratos firmados com as fontes pagadoras, bem como que foi ela a empresa que detinha a capacidade operacional para atender os compromissos contratuais assumidos. Diante do conjunto probatório trazido aos autos, resta patente que a Recorrente possui relação pessoal e direta com a situação que constituiu o fato gerador, sendo a verdadeira titular das remunerações transferidas por meio de instrumentos inválidos e ineficazes. Correta, contudo, a caracterização de omissão de receitas. Do abatimento dos tributos recolhidos pelas empresas interpostas A Recorrente alega que a fiscalização deveria ter abatido/deduzido, da exigência lançada, o valor dos tributos recolhidos pela JM SETE sobre as receitas consideradas omitidas. Já a decisão de primeiro grau aduz que esse pedido não é possível por falta de previsão legal, cabendo à empresa JM SETE ingressar com pedido de restituição ou compensação para reaver tais montantes. De plano, informo que tenho percebido que esse abatimento pleiteado pela Recorrente constitui prática inerente à metodologia de cálculo que vem sendo adotada em algumas autuações ligadas ao tema de planejamento fiscal considerado ilícito, mas não a todas. Parece, e a discussão que ora se trata confirma isso, que há uma divergência de interpretação sobre o direito ou não ao abatimento dos tributos pagos em operações consideradas simuladas ou qualificadas com erro não só na jurisprudência, mas também entre os auditores alocados à fiscalização. A dúvida que existe, na verdade, é a seguinte: ao requalificar os fatos – o que, nesse caso concreto, gerou a constatação de erro de sujeição passiva , os tributos já recolhidos na operação, ainda que em nome do "laranja" ou de pessoa diversa da empresa autuada, devem ser levados em conta para fins de apuração do montante passível de cobrança ou constituem pagamento indevido ou a maior, cuja única via para recuperação seria a restituição/compensação? Segundo penso, havendo o reenquadramento jurídico do negócio aparente praticado, isto é, reconhecido que a tributação deveria recair sobre outra pessoa ou de outra maneira, devese, por decorrência lógica, também requalificar os tributos pagos sob o manto daquele negócio aparente. A partir do momento em que o próprio fisco descortina dada operação caracterizada simulada ou equivocada, é mister aferir qual foi a economia tributária obtida de fato, assim entendida como a diferença entre o montante dos tributos considerados devidos na operação dissimulada e o montante dos tributos que foram pagos a menor na operação considerada equivocada ou simulada. O que buscamos demonstrar é que, nessas hipóteses de requalificação jurídica de algum dos aspectos da regra matriz de incidência, no caso o aspecto pessoal, o Fl. 3879DF CARF MF 14 limite para a cobrança é a economia tida por ilícita, e nada mais. É, portanto, a diferença do que deixou de ser recolhido e o que de fato foi recolhido, no contexto do planejamento tributário questionado, o valor máximo passível de exigência em autuações assim formuladas. Esse direito ao abatimento do que foi pago na operação desconsiderada (ou requalificada), ressaltese, não deve ser confundido com o instituto da compensação em seu sentido técnico. A compensação, como se sabe, pressupõe a liquidação de determinado débito (vencido ou vincendo) com crédito líquido e certo decorrente de pagamento a maior ou indevido. Já o aproveitamento dos tributos recolhidos no bojo de uma relação requalificada, isto é, o "abatimento", este é inerente à metodologia de apuração tributária de ofício (quantum debeatur) que deve ser compatível com a valoração jurídica que foi conferida. Sobre o tema, transcrevo a seguinte passagem do voto condutor, do I. Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Acórdão nº110200.659): Assim, na esteira também dos precedentes citados pela recorrente, entendo que, ao se restabelecer a verdade dos fatos, devese fazêlo de modo integral, permitindo a compensação de tributos comprovadamente recolhidos, e que não precisariam sê lo, de sorte que a exigência da submissão desta compensação à apresentação de DCOMP por parte da recorrente, como pontuou a decisão recorrida, não se justifica em casos como este. Do mesmo modo, as eventuais imprecisões ou desencontros quanto aos períodos de apuração constantes nas DIRF e DCTF, frente aos comprovantes DARF de pagamento, ainda que com incorreção no código do tributo, não constituem óbice à compensação do imposto (...) Nesse caso concreto, a fiscalização sustenta que a operação foi estruturada de forma fraudulenta apenas para recolher menos tributos aos cofres públicos. Ao assim conduzir a autuação, a fiscalização admite que o ilícito está limitado ao montante que deixou de ser pago pelas partes como um todo, isto é, a economia tributada gerada. É justamente para o lançamento permanecer fiel à sua causa jurídica que o abatimento constitui direito do contribuinte. Ora, ao mesmo tempo em que planejamentos tributários abusivos devem ser combatidos, também devese combater uma tributação formalizada em excesso. A não dedução dos tributos já recolhidos na operação questionada por ocasião da quantificação da exigência, além de caracterizar conduta contraditória com a tese acusatória, viola o princípio da moralidade administrativa e, ainda, caracteriza enriquecimento sem causa da Fazenda. No âmbito do CARF, ressaltese que há precedentes da 1ª Seção do CARF, tanto nas Câmara baixas, assim como na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Vejase: IMPOSTO PAGO PELA PESSOA FÍSICA. REQUALIFICAÇÃO. Requalificada juridicamente, por abusiva, a operação de alienação das ações da BM&F pela contribuinte a seu sócio majoritário S.A., devese requalificar também o imposto de renda efetivamente pago pela pessoa física do sócio naquela operação. (Acórdão nº 1201001.359. Sessão de 04/02/2016.) Fl. 3880DF CARF MF Processo nº 13971.724408/201449 Acórdão n.º 1201001.925 S1C2T1 Fl. 9 15 MULTA QUALIFICADA. NECESSIDADE DA RECONSTITUIÇÃO DE EFEITOS VERDADEIROS. Comprovado o artificialismo na terceirização de serviços a empresas controladas, cujo objetivo foi reduzir a carga tributária da recorrente mediante tributação de relevante parcela de seu resultado pelo lucro presumido nas prestadoras de serviços, correto o procedimento de desconsiderar as despesas correspondentes. Todavia, se ao engendrar as operações artificiais, a empresa que pretensamente prestou os serviços sofreu tributação, ainda que de tributos diversos, há de se recompor a verdade material, compensandose todos os tributos já recolhidos. (Acórdão nº 1102000.820). APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. Devem ser aproveitados na apuração de crédito tributário os valores arrecadados sob o código de tributos exigidos da pessoa jurídica cuja receita foi imputada à pessoa física, base de cálculo do lançamento de ofício. (Acórdão nº 9202002.451. Sessão de 23/11/2012). APROVEITAMENTO PELA PESSOA JURÍDICA DO IMPOSTO PAGO PELA PESSOA FÍSICA NA REQUALIFICAÇÃO DOS FATOS Considerando que a fiscalização requalificou uma operação, deslocando o ganho de capital do sócio pessoa física, em função do qual havia recolhido o imposto, para a pessoa jurídica, devese tomar em conta os valores pagos por aquele, enquanto responsável solidário, na determinação do montante então apurado a título de IRPJ, não se estando diante de uma compensação, a qual naturalmente deveria seguir os ritos legais previstos para a espécie. (Acórdão nº 9101002.609. Sessão de 15/03/2017). Em consonância com a jurisprudência acima referida, entendo que os valores dos tributos (IRPJ e Reflexos) pagos pela empresa JM SETE sobre as receitas consideradas omitidas nos presentes lançamentos, devem ser abatidos dos tributos (IRPJ e Reflexos) ora exigidos. Da multa qualificada de 150% A aplicação da multa qualificada de 150% foi assim motivada no TVF: O fato do contribuinte transferir parte da receita auferida para outra empresa no intuito de reduzir tributos, caracteriza a intenção dolosa de sonegação mediante fraude, configurando, assim, a vontade conscientemente dirigida com o fim de obter o resultado. Da leitura do relatório fiscal, verificase, de plano, que a multa qualificada de 150% foi aplicada sem explicitação das suas razões concretas motivadoras, notadamente no que diz respeito à figura do dolo. Para que se possa cogitar o agravamento da multa (de 75% para 150%), mister que a autoridade fiscal identifique a exata ação ou omissão dolosa, tanto no seu aspecto objetivo (prática de ato ilícito) quanto no aspecto subjetivo (vontade de lesar o fisco). Fl. 3881DF CARF MF 16 Para esse labor, devese diferenciar as hipóteses de contraste hermenêutico das hipóteses em que o contribuinte busca atuar sobre o material fático, com vistas a intencionalmente ocultar ou dificultar o reconhecimento do fato gerador. Nesses termos, é bem possível que o contribuinte venha a adotar entendimento diverso daquele empregado pelo fisco. Nestas situações, ainda que o sujeito passivo tenha fundamentado sua prática na experiência, em opiniões legais e ou em decisões administrativas e judiciais, pode – aos olhos da fiscalização – surgir ilícito tributário que seja objeto de autuação. Isso, porém, em nada se aproxima daquelas situações em que o sujeito passivo comete um ilícito tributário de forma consciente, isto é, dolosa, visando justamente a não recolher tributo que sabe ser devido. Somente essa segunda hipótese, normalmente identificada pelo uso de meios inidôneos para acobertar fatos que dão origem ao crédito tributário ou pela imposição de medidas que induzam a erro o trabalho da fiscalização, é que dá azo à aplicação dos artigos art. 71 a 73 da Lei 4.502/64, os quais corretamente repudiam as situações de sonegação, fraude ou conluio. Com efeito, o ilícito tributário pode compreender apenas um ou dois elementos: (i) o elemento objetivo, que corresponde propriamente ao ilícito tributário (não pagamento, pagamento a menor ou postergação de pagamento de tributo); e (ii) elemento subjetivo, identificado pelo conhecimento prévio de utilização de atos ou negócios ilícitos para reduzir ou não pagar tributos, isto é, dolo específico. Todo lançamento pressupõe um ilícito tributário (elemento objetivo). Contudo, somente o ilícito praticado em evidente intenção de fraudar o fisco apresentará o dolo (elemento subjetivo). Não se pode, portanto, jamais colocar na mesma vala a ocorrência de um ilícito com a intenção em praticálo. São coisas distintas. Nesse sentido caminhou a jurisprudência do CARF, conforme se extrai da inteligência das Súmulas nºs 14 e 25, a seguir transcritas: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Consolidouse, portanto, o entendimento de que a omissão de receita decorrente de uma conduta não dolosa não é causa de multa qualificada. E foi exatamente isso que ocorreu nessa situação particular: uma omissão de receitas em face da sua transferência equivocada para tributação mais vantajosa. Os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, citados genericamente como base legal da multa qualificada – ao trazer a conduta típica denominada de fraude, sonegação ou conluio têm como pressuposto a inequívoca constatação de dolo. A sonegação, fraude ou conluio não se presumem, devendo ser cabalmente comprovadas pelo fisco. Fl. 3882DF CARF MF Processo nº 13971.724408/201449 Acórdão n.º 1201001.925 S1C2T1 Fl. 10 17 E nesse ponto, nem se diga que a mera indicação de que o contribuinte pretendeu, com a transferência das receitas, apenas reduzir a tributação constitui prova de fraude. Faltalhe, a toda evidência, a comprovação do elemento subjetivo inerente à qualificação da multa: a intenção das partes de praticar um ato ilícito. A multa qualificada, aliás, costuma ser afastada em razão da ausência de comprovação dos elementos do dolo. Vejase a ementa do seguinte julgado da CSRF: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência de fraude ou do evidente intuito desta caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada. (Acórdão 910101.402. Sessão de 17 de julho de 2012). Em julgado mais recente, também a CSRF já deu sinais de acatar a tese do chamado “erro de proibição”. Vale dizer, caso fique demonstrado que o sujeito passivo teve a convicção de ter agido conforme uma leitura possível que fez da legislação tributária, ausente o dolo e, conseqüentemente, inaplicável a qualificação da penalidade. Veja a ementa do seguinte julgado: MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA A existência de correntes doutrinárias divergentes, além de precedentes jurisprudenciais favoráveis ao negócio jurídico praticado pelo contribuinte, demonstra, na verdade, uma hipótese de erro de proibição. Não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, quando se percebe dos autos a convicção do recorrente no sentido de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios. (Acórdão nº 9202005.237. Sessão de 17/02/2017). O erro de proibição tem por base a noção de relevação de pena do Direito Penal e se faz presente, em linhas gerais, quando não é possível conhecer, de antemão, o caráter ilícito de uma conduta. Situação bastante diferente do erro de proibição é aquela em que o sujeito passivo está ciente da sua obrigação com o fisco, mas, em sentido oposto a lei, age de forma consciente com o objetivo de lesar o Erário. Em situações nas quais agem com dolo, normalmente os contribuintes se valem de documentação adulterada, apresentação de informações falsas, contabilidade paralela, conta bancária não escriturada (“caixa 2”), interposta pessoa etc., tudo na tentativa de conscientemente iludir a autoridade fiscal. Nessa situação particular, entretanto, não há nenhum registro ou indício de utilização de qualquer tipo de medida fraudulenta por parte dos Recorrentes. Fl. 3883DF CARF MF 18 Pelo contrário, os valores considerados como omissão de receitas foram lançados em contas contábeis da empresa ligada JM SETE e foram devidamente informados ao fisco. A Recorrente atendeu todas as intimações no prazo e cooperou durante todo o procedimento de fiscalização. Foi, aliás, a partir da contabilidade entregue e demais documentos colhidos que a fiscalização constatou a irregularidade que imputou à empresa. Em nenhum momento a Recorrente negou a transferência das receitas para outra empresa do grupo. Entendeu, embora de forma equivocada, que os “arranjos contratuais” que celebrou permitiriam assim proceder. Ainda que a contribuinte tenha realizado um negócio jurídico inválido para alocar receitas próprias para outra empresa do grupo e, consequentemente, recolher menos tributo, tal procedimento não é fruto de conduta fraudulenta, sonegação ou conluio, mas, quando muito, de uma prática equivocada ou mero erro de proibição causado por uma interpretação errônea acerca dos limites do planejamento tributário lícito. Não custa repetir que foi a partir das informações colhidas da Recorrente que a fiscalização tomou conhecimento dos fatos e lançou os tributos que considerou devidos. Não há dúvidas de que o contribuinte buscou, por meio da alocação das receitas consideradas omitidas, obter economia tributária, mas daí a se afirmar que restaria caracterizada sonegação, fraude ou conluio, com a devida vênia, existe um abismo. A aplicação da multa qualificada de 150%, portanto, não se sustenta nesse caso concreto. Da multa isolada A discussão sobre a legitimidade ou não da cobrança cumulativa de multa isolada e multa de ofício não é recente, mas é tema que ainda demanda atenção. Com a aprovação da Súmula CARF nº 105, restou sedimentado que: “a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.” Na prática, a Súmula aplicase indubitavelmente para os fatos compreendidos até 31/12/2006. Dizemos indubitavelmente porque há corrente doutrinária e jurisprudencial que sustenta que, após a nova redação dada pela Lei nº 11.488/2007 ao art. 44 da Lei nº 9.430/96 (que passou a produzir efeitos a partir de 2007), não haveria mais espaço para interpretação diversa daquela que afirma a possibilidade da exigência de multa isolada, mesmo nos casos em que houver sido imposta a multa de ofício pela falta de pagamento anual do IRPJ e da CSLL. Vejamos, então, o que dispõe o art. 44 da Lei 9.430/96, com a redadação dada pela Lei nº 11.488/2007: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 3884DF CARF MF Processo nº 13971.724408/201449 Acórdão n.º 1201001.925 S1C2T1 Fl. 11 19 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Da leitura desses dispositivos, verificase que a multa do inciso I é aplicável nos casos de totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. A multa prevista no inciso II, porém, é passível de exigência sobre o valor do pagamento mensal de estimativa que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física e ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Adotando uma interpretação sistemática, me parece que o mais razoável é não admitir a cumulação das multas, devendo a infração prevista no inciso II ser absorvida quando o caso concreto também se enquadrar na hipótese de multa mais onerosa (inciso I). Com efeito, aplicar a multa de ofício de 75% sobre o valor apurado de IRPJ, juntamente com o principal, e, ao mesmo tempo, pretender exigir a multa de 50% sobre o IRPJ não antecipado no mesmo período de apuração, representa uma violação à razoabilidade e proporcionalidade. Vale dizer, a cobrança de multa de ofício de 75% sobre o tributo não pago supre a exigência da multa isolada de 50% sobre eventual estimativa (antecipação do tributo devido) não recolhida. Admitir o contrário permite que duas penalidades incidam sobre uma mesma base de cálculo (bis in idem), o que é vedado no sistema jurídico. Ao analisar essa matéria, destacase a seguinte passagem do voto condutor proferido pelo Sr. Ministro Humberto Martins, da 2ª Turma do STJ (Resp 1.496.354PR. Dje 24/03/2015): Fl. 3885DF CARF MF 20 “Sistematicamente, notase que a multa do inciso II do referido artigo somente poderá ser aplicada quando não possível a multa do inciso I. Destacase que o inadimplemento das antecipações mensais do imposto de renda não implicam, por si só, a ilação de que haverá tributo devido. Os recolhimentos mensais , ainda que configurem obrigações a pagar, não representam, no sentido técnico, o tributo em si. Este apenas será apurado ao final do ano calendário, quando ocorrer o fato gerador. As hipóteses do inciso II, “a” e “b”, em regra, não trazem novas hipóteses de cabimento de multa. A melhor exegese revela que não são multas distintas, mas apenas formas distintas de aplicação da multa do art. 44, em consequência de, nos casos ali decritos, não haver nada a ser cobrado a título de obrigação tributária principal. As chamadas “multas isoladas”, portanto, apenas servem aos casos em que não possam ser exigidas juntamente com o tributo devido (inciso I), na medida em que são elas apenas formas de exigência das multas descritas no caput. Esse entendimento é corolário da lógica do sistema normativo tributário que pretende prevenir e sancionar o descumprimento de obrigações tributárias. De fato, a infração que se pretende repreender com a exigência isolada da multa (ausência de recolhimento mensal do IRPJ e CSLL por estimativa) é completamente abrangida por eventual infração que acarrete, ao final do ano calendário, o recolhimento a menor dos tributos, e que dê azo, assim, à cobrança da multa de forma conjunta.” Em decisão mais recente, a C. 2ª Turma do STJ ratificou seu posicionamento, conforme atesta a ementa do seguinte julgado: “TRIBUTÁRIO. [...]. CUMULAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO E ISOLADA. IMPOSSIBILIDADE. [...] 2. Nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos casos de declaração inexata, seria cabível a multa de ofício ou no percentual de 75% (inciso I), ou aumentada de metade (parágrafo 2º), não se cogitando da sua cumulação.” (Resp 1.567.289RS. Dje 27/05/2016). Na linha desses precedentes jurisprudenciais, afasto a aplicação da multa isolada. Da responsabilidade atribuída ao sócio A motivação para enquadramento do sócio como responsável solidário no TVF foi ainda mais singela. Vejase: Houve responsabilização solidária passiva do sócio administrador relativamente aos créditos tributários lançados neste processo, com base no art. 135 do CTN. Fl. 3886DF CARF MF Processo nº 13971.724408/201449 Acórdão n.º 1201001.925 S1C2T1 Fl. 12 21 O artigo 135 do CTN dispõe que: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. De uma rápida leitura do artigo 135 acima transcrito – base legal invocada pela fiscalização para imputar a responsabilidade solidária , percebese que a responsabilização ali referida depende de comprovação de conduta (i) com excesso de poderes ou (ii) infração de lei, contrato social ou estatuto. A responsabilidade de que trata o artigo 135, portanto, é composta por 2 (dois) elementos: o elemento pessoal, que diz respeito à pessoa que praticou a conduta, e o elemento fático, que diz respeito ao exercício de ato com excesso de poder ou com infração à lei, contrato social ou estatuto da empresa. Ainda segundo o CTN, a conduta que enseja a responsabilidade de terceiros deve estar intimamente ligada ao fato gerador do tributo, como prescreve o artigo 128 do CTN: Artigo 128 Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Dessa forma, o TVF deve demonstrar que a pessoa qualificada como responsável pessoal agiu em infração a lei, ou em contrariedade aos limites do desempenho de sua função de sócio, e, mais ainda, que desta conduta é que teria resultado o ilícito. Quer a autoridade fiscal ver prevalecer o Termo de Sujeição Passiva Solidária, mister que ela comprove a participação direta e consciente do administrador na realização dos atos alegadamente simulados ou fraudulentos. Já foi reconhecido e consolidado pelo STJ, por meio da súmula 430, que o inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente. Tal entendimento foi ratificado em recurso julgado sob o rito do art. 543C do CPC (sistemática de recursos repetitivos), cuja ementa foi assim redigida: [...] 2. É igualmente pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da Fl. 3887DF CARF MF 22 empresa (EREsp 374.139/RS, 1ªSeção, DJ de 28.02.2005).[...]” (Resp 1.101.728/SP, julgado. Dje 23/03/2009). Verificase, assim, que a jurisprudência está consolidada no sentido de que o não pagamento do tributo pela sociedade não é causa suficiente para que seus representantes se tornem responsáveis pelos débitos fiscais. Também a mera qualificação de sócio, diretor, gerente ou representante da empresa autuada, por si só, não é suficiente para ensejar a responsabilidade pessoal. Nesse ponto, vale assinalar que o STF julgou inconstitucional o artigo 13 da Lei nº 8.620/93, dispositivo este que pretendeu vincular à simples condição de sócio a obrigação por débitos previdenciários de sociedades limitadas. Transcrevo abaixo o seguinte trecho da ementa do referido julgado: DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. ART 146, III, DA CF. ART. 135, III. [...] 6. O art. 13 da Lei 8.620/93 não se limitou a repetir ou detalhar a regra de responsabilidade constante do art. 135 do CTN, tampouco cuidou de uma nova hipótese específica e distinta. Ao vincular à simples condição de sócio a obrigação de responder solidariamente pelos débitos da sociedade limitada perante a Seguridade Social, tratou a mesma situação genérica regulada pelo art. 135, III, do CTN, mas de modo diverso, incorrendo em inconstitucionalidade por violação ao art. 146, III, da CF. (STF. RE 562.276. Plenário, 03/11/2010) A partir dessas decisões dos Tribunais Superiores, notase que a responsabilização pessoal depende de comprovação de que a pessoa, a partir de ato doloso, praticou conduta tendente a impedir artificialmente a ocorrência do fato gerador. O ordenamento jurídico não admite a responsabilização solidária por presunção simples. É o que se observa de recentes acórdãos do CARF, conforme atestam as ementas a seguir expostas: “Os necessários elementos à caracterização da responsabilidade prevista no art. 135 do CTN são: a figura do administrador da sociedade, com poderes de gestão e as condutas reveladoras de excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, com a imprescindível demonstração do dolo” (Acórdão n. 3301003.160. Sessão de 25/01/17) “É imprescindível, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa. Porém, o autuante não imputou qualquer ato ilícito a cada um dos sócios, não individualizando as condutas, restando flagrante a ilegitimidade passiva pelo prisma desse dispositivo (135 do CTN)” (Acórdão n. 1401001.785. Sessão de 14/02/17) A atribuição de solidariedade passiva tributária não constitui expediente que possa ser utilizado “por atacado” ou no “modo piloto automático”. Enquanto ato administrativo vinculado, o enquadramento do caso concreto à hipótese normativa de responsabilidade deve ser motivado, permitindo o pleno conhecimento das circunstâncias fáticas e das provas produzida, bem como a devida compreensão das razões de direito que nortearam a imputação. Fl. 3888DF CARF MF Processo nº 13971.724408/201449 Acórdão n.º 1201001.925 S1C2T1 Fl. 13 23 A mera indicação do dispositivo legal ou alegação genérica sem comprovação fática dos motivos que levaram a inclusão do sócio no polo passivo não é suficiente para ensejar a responsabilidade tributária em questão. E foi exatamente isso o que aconteceu nessa situação particular: a imprescindível demonstração da infração a lei ou ao contrato social não existiu. Também nenhum eventual ato de gestão ou conduta com “excesso de poderes” relacionados com a infração foi mencionado. O TVF não tipificou em qual situação a responsabilidade tributária teria sido exatamente enquadrada. Não há qualquer relato objetivo de fatos passíveis de enquadramento de “excesso de poderes” ou “infração a lei” ou “violação ao contrato social”. Fazendo um certo esforço, é possível extrair que o Recorrente poderia ter sido responsabilizado pelo fato dele ser sócio da empresa autuada, como se fosse possível esta confusão de pessoas. Ora, não é porque o Recorrente solidário é sócio que ele participou dolosamente de operação fraudulenta. A mera qualificação jurídica de sócio não é suficiente para a responsabilização por crédito tributário, conforme decisão do STF apontada acima. A autoridade fiscal responsável pelo lançamento, pois, confundiu a previsão abstrata inerente ao poder de representação com o seu efetivo exercício. Não há nenhuma ata societária ou qualquer outro documento que possa indicar o conhecimento da ilegalidade pelo sócio tal como sustentada pela fiscalização, muito menos indícios de que a pretensa fraude teria de fato sido arquitetada pelo Recorrente. Na verdade, o único elemento que poderia vincular o Recorrente à responsabilidade imputada seria a multa qualificada que foi exigida. Parece, então, que o silogismo empregado pela autoridade autuante foi o seguinte: como o agravamento da multa pressupõe a prática de ato doloso contra o direito tributário, e sendo este ato decorrente de ato de gestão, logo deve ser atribuída a autoria do ilícito àquele que ocupa a função de sócio ou administrador da empresa. Não concordo, porém, com esse racional. Admitir tal argumento significa atropelar a autonomia da pessoa jurídica e estabelecer uma presunção de confusão patrimonial entre sócio e empresa que não possui fundamento legal. Nesse ponto, o seguinte trecho do precedente do STF2 acima referido cai como uma luva: “não é dado ao legislador estabelecer confusão entre os patrimônios das pessoas física e jurídica, o que, além de impor desconsideração ex lege e objetiva da personalidade jurídica, descaracterizando as sociedades limitadas, implica irrazoabilidade e inibe a iniciativa privada”. Ademais, considerando que votei por afastar a aplicação da multa qualificada pela ausência de caracterização de fraude ou dolo, definitivamente não há que se falar nos pressupostos para a aplicação da responsabilidade pessoal do sócio. 2 STF. RE 562.276. Plenário, 03/11/2010. Fl. 3889DF CARF MF 24 Nesse sentido também já se posicionou o CARF, conforme atestam as ementas abaixo. “Ora, são necessários dois elementos, para a caracterização da previsão legal do artigo 135 do CTN: a) a prática de ato ilegal; b) doloso, isto é, com a finalidade de deixar de pagar tributo. A responsabilidade tem natureza jurídica subjetiva, não objetiva. Como já dito no item anterior à qualificação da penalidade, o elemento dolo não restou provado e, por essa razão, deve ser excluída a responsabilidade pessoal do recorrentesolidário.” (Acórdão nº 1103001.197. Sessão de 24/03/15) SUJEIÇÃO PASSIVA. AUSÊNCIA DE DOLO. RESPONSABILIDADE ATRIBUÍDA A ADMINISTRADOR DA PESSOA JURÍDICA. ART. 135, III, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. A exoneração da penalidade qualificada afasta conduta dolosa que denote sonegação, fraude ou conluio, impossibilitando a responsabilização dos administradores da pessoa jurídica com base no art. 135, III, do CTN.” (Acórdão nº 1402002.148. Sessão de 05/04/16) Por todo o exposto, afasto a imputação da responsabilidade solidária do sócio administrador, Sr. Raimundo Aidar Junior. Da incidência de juros Selic sobre a multa de ofício A previsão de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício está configurada no bojo do artigo 161, do CTN: “Artigo 161 O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” A análise desse dispositivo, notadamente a palavra “crédito”, deve ser feita levando em conta que o lançamento é ato que formaliza a exigência do valor do principal, juros e multa de ofício, passando esses valores a compor a obrigação tributária. O crédito tributário, pois, tem por objeto o pagamento de tributos e penalidades pecuniárias. Isso não significa dizer que a referida norma equipare tributo a multa, afinal, por definição, tributo não tem natureza de sanção. A circunstância de o contribuinte ser imputado ao pagamento de multa não dispensa o pagamento do tributo apurado. Tanto o tributo quanto a multa decorrem de fatos previstos na lei e, por integrarem o crédito, estão sujeitos aos juros de mora. Esse é também o entendimento das duas Turmas do STJ, conforme se observa das ementas transcritas a seguir. “TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Fl. 3890DF CARF MF Processo nº 13971.724408/201449 Acórdão n.º 1201001.925 S1C2T1 Fl. 14 25 2. Recurso especial provido.” (STJ. 2ª Turma. REsp 1.129.990/PR. Dje 01/09/09). “TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO PARA TRIBUTOS ESTADUAIS DIANTE DA EXISTÊNCIA DE LEI AUTORIZADORA. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 879844/MG, DJE DE 25/11/2009, JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. ESPECIAL EFICÁCIA VINCULATIVA DESSE PRECEDENTE (CPC, ART. 543C, § 7º), QUE IMPÕE A ADOÇÃO EM CASOS ANÁLOGOS. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. PRECEDENTE DA 2ª TURMA DO STJ. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO.” (STJ. 1ª Turma. REsp 834.681/MG. Dje 02/06/10). Nesse sentido, é pacífica a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A título ilustrativo, veja os seguintes julgados: “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.” (Acórdão CSRF 9101000.539. Sessão de 02/07/14). “Juros de mora sobre multa de ofício. A melhor exegese da remissão feita pelo caput do art. 30 aos débitos referidos no art. 29, ambos da Lei n° 10.522/02, leva à conclusão que alcança todos os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, inclusive os relativos à multa de ofício”. (Acórdão CSRF 9101001.474 Sessão de 26/09/12). “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento (Acórdão CSRF 9303002.399. Sessão de 15/08/13). Adotando essa linha jurisprudencial, considero legal a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício com base na taxa SELIC, conforme artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96. Conclusão Por todo o exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO AOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS, para que: (i) seja afastada a responsabilidade solidária da pessoa física; (ii) os valores recolhidos de IRPJ e Reflexos pela JM SETE, incidentes sobre as receitas consideradas omitidas nos presentes lançamentos, sejam abatidos dos valores de IRPJ e Reflexos ora exigidos; (iii) a multa qualificada seja reduzida de 150% para 75%; e (iv) a multa isolada seja afastada. É como voto. Fl. 3891DF CARF MF 26 (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 3892DF CARF MF Processo nº 13971.724408/201449 Acórdão n.º 1201001.925 S1C2T1 Fl. 15 27 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Redator designado. Peço vênia para discordar do nobre relator com relação aos termos do seu voto, no que tange às multas isoladas. No caso de insuficiência de pagamento mensal do tributo por estimativa, do anocalendário 2007 em diante é aplicável o disposto no artigo 44, inciso I, alínea "b" da Lei nº 9.430/96 (redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Grifo acrescido). Conforme se vê da legislação acima transcrita, caso não efetuado o pagamento do tributo devido mensalmente por estimativa, cabe a imputação de multa isolada, sobre a totalidade (caso em que não se pagou nenhum valor a título de estimativa mensal) ou a diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do respectivo anocalendário. A legislação dispõe que é cabível a aplicação da referida multa, ainda que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL ao final do período de apuração. E a nova redação dada ao dispositivo legal, aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir de 22 de janeiro de 2007, afastou qualquer dúvida sobre a possibilidade de aplicação concomitante das multas de ofício e das multas isoladas por insuficiência de estimativa mensal. As hipóteses de incidência que ensejam a imposição das penalidades da multa de ofício e da multa isolada em razão da falta de pagamento da estimativa são distintas, cada qual tratada em inciso próprio no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. Observase que os incisos I e II do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, tratam de suportes fáticos distintos e autônomos, com diferenças claras na temporalidade da apuração Fl. 3893DF CARF MF 28 que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoase ao final do anocalendário. Por sua vez, a multa isolada é apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou, ainda, mediante receita bruta acumulada mensalmente. Ou seja, são materialidades independentes, não havendo que se falar em concomitância. Assim, voto no sentido de manter a multa isolada decorrente dos valores apurados de estimativas mensais. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 3894DF CARF MF
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Numero do processo: 13840.720174/2015-37
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL ANOCALENDÁRIO 2015 A existência de débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cuja exigibilidade não esteja suspensa, é hipótese de indeferimento da inclusão no Simples Nacional, nos termos do inciso V do artigo 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 0. 72 01 74 /2 01 5- 37 Fl. 42DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão 12081.614, proferido pela 4ª Turma da DRJ/RJO, a qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débitos inscritos em Dívida Ativa da União, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. Foi expedido o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional devido à existência de débitos para com a Fazenda Nacional, a, ora recorrente, impugnou e a DRJ proferiu a seguinte decisão: Relatório Tratase de Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, onde consta que a interessada incorreu na situação abaixo descrita, que impediu a opção pelo referido sistema, tendo em vista as disposições da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, artigo17, inciso V: Débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil de natureza não previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa. Inconformada, a interessada apresenta sua manifestação, alegando que: Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13840.720174/201537 Acórdão n.º 1001000.173 S1C0T1 Fl. 3 3 a) os débitos discriminados foram liquidados, conforme cópia anexa; b) tentou, durante o mês de janeiro, sanar as pendências em foco; c) não pode ser prejudicada pela falta de estrutura de atendimento da RFB, que impossibilitou o desejado saneamento; e d) tem crédito junto à RFB de PIS de faturamento do mês de dez/2014, com recebimento em 2015. É O RELATÓRIO. Voto A manifestação de inconformidade é tempestiva e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, portanto dela conheço. Inicialmente, cabe observar as disposições contidas nos atos normativos que regem a matéria. Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011 Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; II efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. § 3º O disposto no § 2º não se aplica às empresas em início de atividade. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) – (grifouse) De acordo com o art.6º da Resolução CGSN nº 94/2011, a opção pelo Simples Nacional deve ser realizada até o último dia útil do mês de janeiro, produzindo efeitos a Fl. 44DF CARF MF 4 partir do primeiro dia do anocalendário (§ 1º), tendo a pessoa jurídica o direito de regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, enquanto não vencido oprazo para solicitação da opção (§ 1º, I). Excepcionalmente, para o ano de 2015, o prazo para eventuais pendências impeditivas à opção pelo Simples Nacional foi estendido até 06/02/2015, conforme Nota Técnica Codac nº 001/2015, de 25/03/2015. O que se tem de concreto, neste caso, é que a interessada já efetuara, em 30/12/2014 (pesquisas de fls.19/22), com atraso, os pagamentos a seguir discriminados, mas que não quitaram totalmente os débitos em foco, em face de terem sido recolhidos sem os acréscimos legais devidos. ... Entretanto, se a interessada tivesse quitado esses saldos devedores até 06/02/2015, sua situação poderia ter sido considerada como regularizada. Ocorre que os sistemas da RFB apontam um único recolhimento, efetuado pela interessada, no período de 01/01/2015 a 06/02/2015, relativo ao código 8109 (Pis Faturamento), que se refere ao PA dez/2014, como a seguir reproduzido: Assim sendo, podese afirmar que a possível regularização da(s) pendência(s) impeditiva(s) ao ingresso do Simples Nacional não foi(ram) efetuada(s) dentro do prazo regulamentar. CONCLUSÃO Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13840.720174/201537 Acórdão n.º 1001000.173 S1C0T1 Fl. 4 5 Em face do exposto, VOTO no sentido de não acolher as razões manifestação de inconformidade, mantendo o Termo de Indeferimento em lide. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. A recorrente alegou que (reproduzo) Observase que nenhum fato novo foi acrescentado em seu recurso voluntário. Portanto, é de se manter a decisão da DRJ, muito bem fundamentada e irretocável, posto que a existência de débitos, sem a exigibilidade suspensa, impede a opção pelo Simples Nacional, nos termos do inciso V, art. 17, da Lei Complementar 123/2006. Portanto, nego provimento ao Recurso Voluntário, sem crédito tributário em litígio. Fl. 46DF CARF MF 6 É como voto. (assinado digitalmente) Jose Roberto Adelino da Silva Fl. 47DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10070.001054/2002-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 70 .0 01 05 4/ 20 02 -9 2 Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10070.001054/200292 Resolução nº 2401000.614 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Nesta oportunidade, por bem descrever a matéria tratada nos presentes autos, adoto o relatório produzido pela respeitável decisão recorrida, apresentado nos termos seguintes: Cuidase de Recurso Voluntário interposto por Hematologistas Associados S/C LTDA. em face de acórdão proferido pela DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO NO RIO DE JANEIRO – RJ assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Anocalendário: 1997 AUDITORIA INTERNA. DCTF. PAGAMENTO NÃO COMPROVADO Deve ser mantido o auto de infração lavrado após auditoria interna de DCTF e em decorrência da não localização de pagamento vinculado a débito informado na referida declaração, se o contribuinte não comprova a existência do pagamento na fase impugnatória. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O caso foi relatado pela Delegacia Regional de Julgamentos recorrida, verbis: Versa este processo sobre o auto de infração de fls. 07 a 13, lavrado no âmbito da antiga DEFIC/RJO, para a exigência de IRRF, no valor de R$ 46.558,09, com multa de 75% e juros de mora. O lançamento decorre da apuração pelo Fisco, em procedimento de auditoria interna na DCTF do 2° trimestre de 1997, de falta de recolhimento de tributo nela informado, conforme descrição e enquadramento legal constantes à. fl. 08. Cientificada do auto de infração, a contribuinte, inconformada, apresentou a impugnação de fls. 01 a 04, acompanhada de documentos (fls. 05 a 67). Alegou, em preliminar que: o auto de infração seria nulo, em face da falta de clareza na descrição dos fatos e na indicação do dispositivo legal infringido, e, além disso, contrariaria o art. 842 do RIR, por não ter sido precedido por intimações, seria nula a forma de intimação feita com base nas IN SRF nº 45 e 77, de 1998, inexistindo previsão legal para o Fisco efetuar intimações via internet, em desacordo, aliás, com o art. 992 do RIR e com o art. 23 do Decreto nº 70.235/1972; em razão de possuir endereço certo, o Fisco deveria ter solicitado as Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10070.001054/200292 Resolução nº 2401000.614 S2C4T1 Fl. 4 3 informações necessárias para esclarecer os pontos levantados na auditoria, em vez de publicar editais ou divulgar listas pela internet. No mérito, asseverou que a DCTF referente ao 2° semestre de 1997 teria sido entregue com erros e que ela teria apresentado DCTF retificadora para esclarecer as divergências entre as informações e os recolhimentos. Ponderou que juntou à impugnação cópia da DCTF retificadora (fls. 14 a 27) e das guias de recolhimento (35 a 60) e, ao final, protestou pela produção de provas documentais e periciais. Recebida a impugnação, o processo foi encaminhado à Derat/RJO, onde foi promovida a revisão de oficio do lançamento, na forma do despacho intitulado "Revisão de Lançamento n° 51/2011 (fls. 76/77), que reduziu o valor do principal de R$ 46.558,09 para RS 1.948,81 e determinou ‘o prosseguimento da exigência dos créditos tributários procedentes e o cancelamento dos créditos tributários improcedentes, conforme Demonstrativo de fls. 71 a 75’. Cientificada do Despacho, em 23/02/2011, a interessada aditou razões de defesa à sua impugnação, na forma da petição de fls. 80 a 85, alegando, em suma, que: as diferenças remanescentes após a revisão de oficio corresponderiam a erros de informação na DCTF, que teriam sido objeto de solicitação de retificação de DCTF, nos termos da IN SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998, que demonstraria claramente a improcedência do lançamento; o lançamento do IRRF referente ao período de abril a julho de 1997 teria se dado em 22/02/2002; a impugnação teria sido apresentada em 18/04/2002 e a revisão de ofício teria ocorrido em 16/02/2011, com ciência em 01/03/2001, ou seja, 14 anos após o fato gerador e 8 anos após a apresentação da impugnação; teria havido a prescrição intercorrente, levandose em conta que a RFB somente teria se pronunciado a respeito da sua impugnação após quase nove anos; a solicitação de retificação de DCTF, realizada nos termos da IN SRF n° 126/1998, teria se sujeitado aos efeitos homologatórios a teor do art. 899 do RIR; após cinco anos teria havido a homologação do seu pedido; o art. 156 do CTN determinaria que o crédito tributário se extinguiria pela decadência e prescrição; as retificações previstas em requerimentos administrativos teriam previsão legal específica quanto ao prazo de homologação (Lei n° 9.430/1996, art. 74, § 5°), que seria de cinco anos contados da entrega da declaração; como já mencionado na impugnação, ao perceber o engano cometido no preenchimento da DCTF, teria solicitado retificação do documento, nos termos da IN SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998, cujo inc. III do art. 8° previa a ‘solicitação, em processo administrativo’; Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10070.001054/200292 Resolução nº 2401000.614 S2C4T1 Fl. 5 4 a solicitação de retificação de DCTF teria sido apresentada no dia 18 de abril de 2002, por meio de processo legal, que até então não se encontraria julgado; a autoridade que procedeu à revisão de ofício teria mantido a cobrança dos valores impugnados por meio da retificação de DCTF, sob o argumento de que seria vedada a apreciação de DCTF que visasse reduzir os débitos, citando redação de texto encontrado na IN SRF n°255, de 11/12/2002; a manutenção da cobrança do valor remanescente teria se fundamentado em norma com vigência posterior ao ato praticado, uma vez que o pedido de retificação da DCTF teria sido apresentado em 18/4/2002, sob a égide da IN SRF n° 126, de 30/10/1998; o Estado não poderia cobrar do contribuinte valores indevidos, ligados a um pedido de retificação de DCTF pendente de apreciação. O acórdão acima ementado considerou insubsistente a impugnação e procedente o lançamento do crédito tributário revisto de ofício, no valor de R$1.948,81, além da multa de 75% e dos acréscimos moratórios. Inicialmente, o acórdão da Delegacia Regional de Julgamentos entendeu precluído o protesto por apresentação de prova documental, diante da ausência de comprovação de alguma das hipóteses do §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, assim como prescindível a produção de prova pericial, uma vez que a interessada, além de não ter indicado perito ou quesitos da perícia, apresentou alegações passíveis de demonstração nos autos, cuja matéria não exigiria o pronunciamento de técnico especializado no assunto. Em sede de preliminar, o acórdão asseverou que não houve nulidade do auto de infração, uma vez que o lançamento teria sido lavrado em atenção aos preceitos do art. 142 do CTN e apresentando todos os requisitos enumerados no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, especialmente a descrição dos fatos e o enquadramento legal, que permitiram à ora Recorrente conhecer perfeitamente a infração que lhe estava sendo imputada e se defender sem dificuldade. O acórdão asseverou, também, que a contribuinte foi devidamente intimada do auto de infração por via postal (fl. 70), em conformidade com o Decreto nº 70.235/1972, não sendo cabíveis os questionamentos referentes a intimações por edital ou internet, bem como que a contribuinte pode impugnar livremente o auto de infração, não subsistindo a alegação de que a falta de intimação prévia para esclarecimentos macularia o lançamento levado a efeito. Ainda, em preliminar, o acórdão entendeu que não há que se falar em prescrição intercorrente no processo administrativo, destacando, quanto aos fatos geradores referentes aos créditos tributários remanescentes após a revisão de ofício, que o lançamento se deu antes do término do prazo decadencial (art. 150, §4º, do CTN) e que a impugnação tempestiva suspendeu a exigibilidade do crédito tributário lançado. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10070.001054/200292 Resolução nº 2401000.614 S2C4T1 Fl. 6 5 No mérito, o acórdão negou provimento à impugnação ao argumento de que a retificação da DCTF, para ser admitida, teria de ser anterior ao lançamento (art. 147 do CTN), ao contrário do que ocorreu. Ademais, a contribuinte não apresentou qualquer documento comprobatório de seu alegado equívoco no preenchimento da DCTF tanto em 2002 (ao impugnar o auto de infração e solicitar retificação de DCTF) como em 2011 (ao aditar razões de defesa à impugnação, após a revisão de ofício), não obstante caberlhe essa providência, nos termos do inciso III e §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972. Cientificada da decisão acima referida, por via postal, em 16/04/2013, Aviso de Recebimento (AR), fl. 128, a contribuinte apresentou, em 26/04/2013, recurso voluntário, fls. 131/137, trazendo as seguintes alegações. Preliminarmente, alega prescrição intercorrente no processo administrativo, uma vez que o auto de infração foi lavrado em 22/02/2002 e entregue à contribuinte em 21/03/2002, que apresentou impugnação em 18/04/2002, julgada apenas em 01/03/2011, com um decurso de prazo, portanto, de quase 9 anos da impugnação e 14 anos do fato gerador; No mérito, alega que solicitou retificação de sua DCTF em 18/04/2002, com fundamento na IN SRF nº 126, de 30/10/1998, cujo art. 8º permitiria a alteração mediante solicitação em processo administrativo próprio e que não havia sido julgado até então. Ao analisar o Recurso Voluntário, este egrégio Conselho, por intermédio do voto condutor da eminente Conselheira Lívia Vilas Boas e Silva (Relatora à época), rejeitaram a preliminar de prescrição intercorrente, e, no mérito, converteu o julgamento em diligência, para que sejam juntadas aos autos cópia integral do processo administrativo protocolado em 18 de abril e 2002, e, caso não seja identificado, orientase a juntada de todos os processos administrativos protocolados em abril de 2002, haja vista a relevância dessas informações para a análise do mérito. Em seguida, foram anexados os documentos de fls. 150/266 (cópias dos Processos nº 10070.000049/0075 e 10070.002304/200210). É o relatório. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10070.001054/200292 Resolução nº 2401000.614 S2C4T1 Fl. 7 6 VOTO Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DO MÉRITO 2.1 Da necessidade de diligência Consoante se observa, cuidase de retorno de diligência solicitada por este Conselho Administrativo. Em cumprimento à determinação, a Secretaria da Receita Federal do Brasil anexou os documentos de fls. 150/266. Todavia, o contribuinte interessado não foi intimado a se manifestar sobre os referidos documentos. Assim, com o objetivo de evitar futura alegação de cerceamento de defesa, devese oportunizar à Recorrente, prazo para, querendo, manifestarse sobre as cópias dos processos de fls. 150/266. Após, retornem os autos para inclusão em pauta de julgamento. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado diretamente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 273DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11853.001473/2007-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 14/07/2006
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 14/07/2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 85 3. 00 14 73 /2 00 7- 94 Fl. 430DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 11853.001473/200794 Acórdão n.º 2202004.224 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 432DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003139/2004-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 31 39 /2 00 4- 17 Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11065.003139/200417 Acórdão n.º 9303005.307 CSRFT3 Fl. 188 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, interposto pelo contribuinte, contra o Acórdão 280300.142, proferido pela 3ª Turma Especial da Segunda Seção, que traz a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP. TRIBUTAÇÃO. Os valores auferidos com a cessão de créditos do ICMS estão sujeitos à incidência da Contribuição. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. Por expressa vedação legal não incide correção monetária e juros sobre os créditos de PIS e de COFINS objetos de ressarcimento. Inteligência dos artigos 13 e 15 da Lei n°. 10.833/2003. Recurso negado. O contribuinte requer a reforma do acórdão no que tange à cessão à terceiros do crédito do ICMS, advindos da compra de insumos utilizados em mercadorias exportadas, ao argumento de que não é receita passível de incidência do PIS e da Cofins e que se trata de recuperação de valor que originalmente incidiu sobre insumos, não constituindo receita. Alega, ainda, que a transferência de ICMS a terceiros é apenas um “ressarcimento” daquilo que foi, por força de legislação estadual, alcançado para o ente federativo, e que nada mais é do que a recuperação daquilo que foi alcançado ao fornecedor (que por sua vez, pagou ao Estado). Mediante Despacho do Presidente da Câmara competente, foi dado seguimento ao recurso interposto. Cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram cumpridos e foram respeitadas as formalidades regimentalmente previstas. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 11065.003139/200417 Acórdão n.º 9303005.307 CSRFT3 Fl. 189 3 A matéria tratada no presente litígio restringese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, na seguinte decisão: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11065.003139/200417 Acórdão n.º 9303005.307 CSRFT3 Fl. 190 4 empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deuse em 05/12/2013. Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11065.003139/200417 Acórdão n.º 9303005.307 CSRFT3 Fl. 191 5 Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 191DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13887.000030/2003-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ ANO-CALENDÁRIO: 2000 IRPJ. SALDO NEGATIVO. PROVA DO INDÉBITO. O reconhecimento de direito creditório a titulo de saldo negativo de IRPJ reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa ou das retenções na fonte pagadora, a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções, a comprovação contábil e fiscal do valor do tributo apurado no ano-calendário e que referido saldo negativo não tenha sido utilizado para compensar o imposto devido nos períodos posteriores àquele abrangido no pedido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Numero da decisão: 1401-000.331
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Maurício Pereira Faro
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ ANO-CALENDÁRIO: 2000 IRPJ. SALDO NEGATIVO. PROVA DO INDÉBITO. O reconhecimento de direito creditório a titulo de saldo negativo de IRPJ reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa ou das retenções na fonte pagadora, a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções, a comprovação contábil e fiscal do valor do tributo apurado no ano-calendário e que referido saldo negativo não tenha sido utilizado para compensar o imposto devido nos períodos posteriores àquele abrangido no pedido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1367; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13887.000030/200391 Recurso nº 168562 Voluntário Acórdão nº 140100331 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 02.09.2010 Matéria IRPJ Recorrente MECÂNICA BONFANTI S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ ANOCALENDÁRIO: 2000 IRPJ. SALDO NEGATIVO. PROVA DO INDÉBITO. O reconhecimento de direito creditório a titulo de saldo negativo de IRPJ reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa ou das retenções na fonte pagadora, a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções, a comprovação contábil e fiscal do valor do tributo apurado no anocalendário e que referido saldo negativo não tenha sido utilizado para compensar o imposto devido nos períodos posteriores àquele abrangido no pedido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente (Assinado digitalmente) Maurício Pereira Faro Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13887.000030/200391 Acórdão n.º 140100331 S1C4T1 Fl. 2 2 Participaram do julgamento os conselheiros Viviane Vidal Wagner (Presidente), Antonio Bezerra Neto, Alexei Macorin Vivan, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro. Relatório Por analisar bem a questão, reproduzo o relatório elaborado pelo órgão julgador a quo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foram apreciadas as Declarações de Compensação, por intermédio da qual pretendia compensar débitos próprios com crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido efetuado no decorrer do ano calendário de 1998. Posteriormente, a contribuinte informou não se tratar o seu crédito de pagamento a maior ou indevido, mas sim de Saldo Negativo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, relativo ao anocalendário de 2000 (fls. 255/257). Referido crédito foi objeto de declaração de compensação nos processos administrativos n° 13887.000046/200301, 13887.000064/200385, 13887.000076/200318, 13887.000097/200325, 13887.000133/200351 e 13887.000142/200341, ratão pela qual foram apensados a este processo. Por intermédio do despacho decisório de fls. 342/347, a solicitação da contribuinte foi deferida em parte pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Limeira, homologandose as declarações de compensação até o limite do crédito reconhecido, ao fundamento de que o valor total do imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 83.421,00, declarado na DIPJ/2001, não estaria plenamente comprovado, vez que o total do imposto de renda retido na fonte, anobase 2000, em nome da interessada, corresponderia, em realidade, ao montante de R$ 72.386,62. Além disso, a autoridade fiscal verificou que não foram incluídas na base de cálculo do imposto as receitas financeiras relativas às operações de juros sobre capital próprio e de aplicações financeiras de renda variável, restando, assim, confirmado, a titulo de 1RRF, o valor de R$ 71.726,77. Em derradeiro, a autoridade fiscal constatou, ainda, que a contribuinte utilizouse do saldo negativo de 1RPJ do ano calendário de 2000, no valor de R$ 9.313,76, para compensar o IRPJ devido por estimativa no mês de dezembro de 2001, o que resultou no reconhecimento de crédito, a titulo de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000, no montante de R$ 63.771,73. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls.374/380, acompanhada dos documentos de fls. 381/399 e 402/442, na qual alega, em síntese, que: a) tem a presente manifestação de inconformidade o escopo de atacar as decisões proferidas por Auditor Fiscal da Receita Federal que Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13887.000030/200391 Acórdão n.º 140100331 S1C4T1 Fl. 3 3 indeferiu parcialmente os pedidos de compensação formulados nos processos 13887.000030/200391, 13887.000107/200322 e 10865.000076/200894; b) a autoridade fiscal reconheceu o direito creditório no valor de R$ 100.449,57, a título de imposto de renda retido na fonte sobre aplicações financeiras, relativas ao anocalendário de 1998, exercício 1999, ao invés de considerar o valor efetivamente retido no período no montante de R$ 132.599,43; c) para o anocalendário de 2000, a fiscalização reconheceu a cifra de R$ 71.726,77 ao invés de R$ 83.421,00; d) como se verifica, a autoridade fiscal utilizouse para cálculo das compensações importância a menor nos valores de R$32.149,86, relativo ao anocalendário de 1998, e R$ 11.694,23, relativos ao anocalendário de 2000, totalizando uma diferença no saldo credor passível de compensação a cifra de 2$43.844,09; e) apresenta, para cada anocalendário, os valores de IRRF por instituição 410 financeira (fl. 376/379): f) para o anocalendário de 1998, a fiscalização considerou uma aliquota fixa de 15% sobre o montante de R$ 669.632,82, que engloba o resultado da contabilização das receitas das aplicações no período, declarado na DIPJ/99; g) no entanto, essa receita não pode ser utilizada como base, pois o resultado da contabilização das receitas das aplicações financeiras do período, observa o regime de competência; h) como se verifica no anexo 15 — resumo das aplicações financeiras de 1998, todos os percentuais de retenção ultrapassaram os 15%, não cabendo o critério utilizado pela fiscalização em aplicar 15% sobre os rendimentos do período; i) no caso do anocalendário 2000, os comprovantes de retenção (anexos 7 a 14) compõem exatamente o valor retido utilizado pela requerente; j) considerando o direito creditório da requerente, no valor de R$ 43.844,09, mais suas atualizações monetárias, fica definitivamente demonstrada a improcedência dos débitos apresentados à requerente para pagamento. Ao final, requer que seja reformada a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal, para homologação integral das compensações declaradas pela requerente. Analisando a questão, entendeu o órgão julgador a quo por julgar improcedente o pedido de restituição, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ ANOCALENDÁRIO: 2000 IRPJ. SALDO NEGATIVO. PROVA DO INDÉBITO. O reconhecimento de direito creditório a titulo de saldo negativo de IRPJ reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa ou das retenções na fonte pagadora, a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções, a comprovação contábil e fiscal do valor do tributo apurado no anocalendário e que referido saldo negativo não tenha sido utilizado para compensar o imposto devido nos períodos posteriores àquele abrangido no pedido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANO CALENDÁRIO: 2000 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13887.000030/200391 Acórdão n.º 140100331 S1C4T1 Fl. 4 4 A matéria submetida a glosa em análise de pedido de restituição de saldo negativo de 1RPJ, não contestada na manifestação de inconformidade, é reputada como incontroversa c é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subseqüente. Irresignado em face do precitado julgamento interpôs o contribuinte o recurso voluntário ora analisado reiterando os argumentos expostos anteriormente. É o relatório. Voto O valor do indébito com o qual a contribuinte declarou as compensações objeto deste processo e dos processos de n° 13887.000076/200318, 13887.000064/200385, 13887.000046/200301, 13887.000097/200325, 13887.000142/200341 e 13887.000133/200351 seria originário da dedução do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF' incidente sobre rendimentos de aplicações financeiras que integraram o lucro real com o imposto de renda devido no encerramento do anocalendário de 2000, informado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ/2001. Observese que esta sistemática de tributação nas hipóteses dos ganhos auferidos com aplicações financeiras de renda fixa e variável passou a viger a partir de 1° de janeiro de 1995, por força da Lei n° 8.981/95, art. 76, com a redação dada pelo art. 1° da Lei 9.065/95: "Art. 76. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, ou pago sobre os ganhos liquidas mensais, será: 1 deduzido do apurado no encerramento do período ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real; § 2" Os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável e os ganhos líquidos produzidas a partir de I de janeiro de 1995 integrarão o lucro real." Assim, neste caso, o objeto da restituição não é o (RAF, mas o saldo negativo do IRPJ verificado ao final do período de apuração. Tendo em vista que o IRRF incidente sobre as aplicações financeiras foi aproveitado pela contribuinte para deduzir o IRPJ devido no anocalendário de 2000 e, assim, contribuiu para a formação do saldo negativo de IRPJ, há de se verificar se aquele foi corretamente apurado. A legislação impõe duas condições para que o IRRF possa ser utilizado para a dedução do IR a pagar: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13887.000030/200391 Acórdão n.º 140100331 S1C4T1 Fl. 5 5 a) atender ao previsto no artigo 55 da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, que disciplina a compensação do IRRF incidente sobre rendimentos computados na declaração, condicionandose o procedimento à apresentação dos respectivos comprovantes de retenção: "Art. 55. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos". b) atender ao disposto no § 2° do artigo 76 da Lei tf 8.981/95, o qual estabelece que a dedução do IR com o IRRF será permitida caso as receitas correlatas tenham sido oferecidos à tributação na forma de composição da base de cálculo do imposto. Portanto, a dedutibilidade do IRRF do imposto de renda devido, bem como a sua legítima composição em eventual saldo negativo apurado na declaração de rendimentos está condicionada ao atendimento das condições acima apontadas. A Recorrente questiona a decisão que não reconheceu em sua integralidade o saldo negativo de IRPJ, demonstrado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ/2001), cuja cópia está acostada à fl. 268. Conforme consta de referida DIPJ, a Recorrente efetuou o recolhimento mensal do imposto com base em balanço ou balancete de redução e suspensão, apurandose ao final do ano o lucro real. O saldo negativo demonstrado pela contribuinte, Ficha 12A da DIP.1/2001, é de R$ 83.421,00 e seria originário do resultado da dedução do imposto de renda retido na fonte(R$ 83.421,00) e do pagamento por estimativa (R$ 83.922,02) sobre o imposto calculado sobre o lucro real (R$ 83.922,02). Conforme disposição do art. 815 do RIR/1999, fundamentado no art. 13, § 3°, da Lei n° 4.154, de 1962, e art. 64 da Lei n° 9.430, de 1996, a pessoa jurídica que, em sua declaração de rendimentos, efetuar compensação de imposto de renda retido na fonte, deverá comprovar a retenção correspondente com uma das vias do documento fornecido pela fonte pagadora. Igualmente, verificase que o parágrafo 2° do artigo 943, § 2°, do RIR/1999, determina que o imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de rendimentos, se a contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Como se verifica, por expressa determinação da Lei, um dos requisitos para o IRRF ser compensado e assim gerar o direito à restituição é a contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. E tal comprovante, tratandose de IRRF decorrente de aplicações financeiras, é o Informe de Rendimentos Financeiros, cujas normas para emissão encontramse estabelecidas na Instrução Normativa SRF n° 79, de 01 de agosto de 2000. A diferença de IRRF reconhecida a menor pela autoridade fiscal no despacho decisório de fls. 342/347 corresponde à cifra de R$ 11.694,23, ou seja, com base na DIRF (Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte), a DRF Limeira reconheceu como IRRF, do anocalendário de 2000, o montante de R$ 71.726,77, enquanto que a contribuinte, por sua vez, compensouse do montante de R$ 83.421,00. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13887.000030/200391 Acórdão n.º 140100331 S1C4T1 Fl. 6 6 Essa diferença se deu em razão do não reconhecimento do IRRF, no montante de R$ 14.249,83, decorrente de aplicações financeiras na Caixa Econômica Federal. em razão de sua não declaração em DIRF, bem como do não reconhecimento do IRRF decorrente de juros sobre o capital próprio e de aplicações financeiras de renda variável, no valor total de R$242,80, uma vez que os rendimentos correspondentes a estas fontes não foram oferecidos à tributação, e, finalmente, do reconhecimento pela autoridade fiscal do IRRF declarado em DIRF, na cifra de R$ 3.109,15, decorrente de aplicações financeiras do Banco Banespa, não compensado pela interessada em sua DIPJ/2001. A questão do presente processo resumese à aceitação ou não da comprovação de retenção de imposto de renda pela fonte pagadora, correspondente a aplicações em operações financeiras da interessada durante o anocalendário de 2000, mais especificamente no Banco Caixa Econômica Federal. Pois bem, a recorrente juntou os informes de rendimento de fls. 402/424, fornecido pela fonte pagadora que atesta ter havido retenção do imposto de renda, no montante de R$ 14.249,83, correspondente a aplicações em operações financeiras da interessada no Banco Caixa Econômica Federal. Nesse sentido, a compensação do IRRF incidente sobre rendimentos computados na declaração tem como uma das condicionantes a apresentação dos respectivos comprovantes de retenção emitido em nome da beneficiária pela fonte pagadora dos rendimentos Contudo, em que pese a observação acima, o enfoque que devemos dar aos autos, como já visto, é de determinação do saldo negativo de IRPJ apurado no final de cada período, uma vez que toda retenção na fonte (IRRF) é considerada, em realidade, antecipação do imposto devido (IRPJ). Em tema de restituição e compensação de saldo negativo de IRPJ com outros tributos, ou com o próprio, incumbe o atendimento de quatro premissas: 1°) a constatação dos pagamentos ou das retenções; 2a) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções, em face do artigo 37, § 3 0, "c" da Lei n° 8.981, de 20/01/1995; 3') a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado e, 4') a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em autocompensações. Dessa forma, no pedido de restituição/compensação, não basta ao recorrente somente comprovar a retenção do imposto de renda na fonte, mas também deve comprovar a efetiva apuração de saldo negativo de IRPJ ao final de cada período e, para tanto, deve demonstrar que as receitas sobre as quais incidiram as retenções foram acrescidas à base de cálculo do imposto de renda, condição sine nua non para que o IRRF possa ser aproveitado na compensação do imposto de renda apurado no final do período, originando, se for o caso, o saldo negativo de IRPJ. Neste passo, tenhase presente que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoo com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente e análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o montante de tributo devido e comparase ao pagamento efetuado. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13887.000030/200391 Acórdão n.º 140100331 S1C4T1 Fl. 7 7 A certeza e liquidez de crédito a titulo de saldo negativo de IRPJ, para fins de repetição tributária, não se apura em razão do quantum do tributo declarado como devido no ano calendário, mas sim em relação ao quantum mostrado pela contabilidade e outros documentos fiscais, conjuntamente, sendo a declaração de rendimentos e os eventuais pagamentos por estimativa e ainda os informes de retenções apenas elementos da composição. Ademais, no que concerne ao reconhecimento do direito creditório, no caso especifico de saldo negativo de IRPJ, este podia, até 01/10/2002, à opção da contribuinte, ser compensado com resultados positivos de IRPJ de períodos subseqüentes, independentemente de autorização da Administração Tributária, desde que utilizados para quitação de tributos da mesma espécie e destinação constitucional, e atendidas as formalidades legais pertinentes ao ato. No que tange ao exercício da livre escolha de como aproveitar o saldo disponível de 1RPJ apurado no anocalendário de 2000, é primordial que o valor apropriado em conta de ativo, a titulo de imposto de renda a recuperar e objeto do pedido de restituição em exame, não tenha sido utilizado em períodos subseqüentes. Cumpre observar que dos documentos juntados aos autos não se pode identificar a disponibilidade na escrituração contábil da peticionária do valor do saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2000, porventura existente no momento do pedido de restituição. A contribuinte apresentou compensações de IRPJ, sem processo, durante o anocalendário de 2001, utilizandose para tanto de sal o negativo do anocalendário de 2000, fato este nem contestado pela recorrente. E na época contribuinte realmente poderia proceder à autocompensação (sem requerimento à autoridade fiscal), desde que envolvidos tributos da mesma espécie e os débitos fossem posteriores aos indébitos, dai, portanto, a necessidade de que aos autos venham as provas, notadamente, contábeis. É máxima do Direito que o ônus probante incumbe àquele que alega determinado fato e tal regra encontrase insculpida no inciso 1 do art. 333 do Código de Processo Civil. Por essas razões, nego provimento ao recurso voluntário interposto. Mauricio Pereira Faro – Relator Fl. 7DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO
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Numero do processo: 11080.727364/2012-56
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008, 2010
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. ERRO NA EMENTA DO ACÓRDÃO.
Cabem os embargos inominados para retificar a ementa do acórdão resultante do julgamento do recurso especial, que abordava o seu mérito, enquanto o colegiado não o conheceu, de modo que se deve alterar a ementa do acórdão embargado para tratar tão somente das questões de admissibilidade.
Numero da decisão: 9101-003.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados, para re-ratificar o Acórdão n. 9101-002-609, de 17/03/2017, mantendo inalterado o resultado do julgamento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados, para re-ratificar o Acórdão n. 9101-002-609, de 17/03/2017, mantendo inalterado o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
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Embargante Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Interessado DLEGEND LOCACÕES LTDA ROGERIO CAZZULO DIRANI (Responsável solidário) CARMEN LIA GUARITA DIRANI (Responsável solidária) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2010 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. ERRO NA EMENTA DO ACÓRDÃO. Cabem os embargos inominados para retificar a ementa do acórdão resultante do julgamento do recurso especial, que abordava o seu mérito, enquanto o colegiado não o conheceu, de modo que se deve alterar a ementa do acórdão embargado para tratar tão somente das questões de admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados, para reratificar o Acórdão n. 9101002609, de 17/03/2017, mantendo inalterado o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 73 64 /2 01 2- 56 Fl. 5657DF CARF MF Processo nº 11080.727364/201256 Acórdão n.º 9101003.091 CSRFT1 Fl. 430 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratamse de Embargos Inominados opostos em face de uma inexatidão material no Acórdão n. 9101002.609, de minha relatoria, resultante do julgamento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional no processo em referência, em que se decidiu pela impossibilidade de seu conhecimento, em função de não se ter vislumbrado aproximação entre as situações fácticas apresentadas nos acórdãos recorrido e paradigmas, tampouco e por via de consequência, paralelo que pudesse ser estabelecido entre as soluções conferidas aos casos, a demonstrar, ao final, a divergência requerida. Nesse sentido desenvolveramse todas as razões de decidir consignadas no voto, como se pode observar a seguir: “Conhecimento do Recurso Especial O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, (1) na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (i) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (ii) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; (iii) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF; ou (2) de sua interposição, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente. Fl. 5658DF CARF MF Processo nº 11080.727364/201256 Acórdão n.º 9101003.091 CSRFT1 Fl. 431 3 Pois bem, voltandose ao caso concreto, o presente Recurso Especial tem como objeto a afirmação da Fazenda Nacional sobre a existência de decisões divergentes em torno da possibilidade de compensação tributária no âmbito do lançamento de ofício, alegando ofender o princípio da legalidade e o disposto no artigo 170 do CTN e também não se enquadrar em quaisquer da formas de compensação previstas no ordenamento jurídico, que inclusive segragaria a tributação das pessoas física e jurídica e só permitiria que fosse efetuada com débitos próprios. Com efeito, tratase de autuação que requalificou os fatos da operação realizada pela DLEGEND LOCAÇÕES LTDA, por entendêlos simulatórios, deslocando a apuração do ganho de capital apurado e comprovadamente pago pelo sócio pessoa física para exigilo no presente lançamento de ofício da pessoa jurídica. Apesar de a autoridade lançadora não ter procedido ao abatimento dos valores recolhidos pelo Sr. Rogerio Dirani, a decisão da DRJ determinou que tais valores fossem considerados na apuração do IRPJ, porque, enquanto responsável solidário, aplicarseia a regra do artigo 4o. da Portaria RFB 2.284/2010, que determina que o pagamento de um aproveita aos demais. Vejase tudo o que consignado sobre o assunto: ‘O caput do art. 4º da Portaria RFB 2.284/10 consagra a regra geral do instituto da solidariedade, de que o pagamento de um aproveita aos demais. Por isso, os valores pagos a título de ganho de capital por Rogério Dirani devem ser aproveitados para reduzir a exigência tributária, conforme solicitado em impugnação. Com isso, é possível reconhecer a redução do IRPJ lançado para o período correspondente ao segundo trimestre de 2007, de R$ 4.194.831,00, para R$ 191.422,35, conforme se demonstra a seguir: Tabela (…) Diante do exposto, voto pela procedência parcial das impugnações, no sentido de manter os créditos lançados, salvo quanto ao IRPJ relativo ao segundo trimestre de 2007, que fica reduzido para R$ 191.422,35 no seu valor principal, acompanhado do decréscimo dos respectivos consectários legais.’ (destacase) Exatamente nos mesmos termos foi o acórdão do colegiado a quo ao julgar o recurso de ofício, inclusive transcrevendose a decisão acima, leiase: ‘A matéria devolvida trata do aproveitamento dos valores pagos a título de ganho de capital pessoa física efetuados por Rogério Dirani, para abater do valores de ofício lançados de IRPJ, em autuação fiscal no qual restou descaracterizada a incidência de ganho de capital apurado pelas pessoas físicas, que, na realidade, deveria ter sido oferecido à tributação pela pessoa jurídica. Entendo que não cabe qualquer reparo no entendimento da DRJ/Porto Alegre sobre o assunto (fl. 4959), cujas conclusões transcrevo a seguir: Fl. 5659DF CARF MF Processo nº 11080.727364/201256 Acórdão n.º 9101003.091 CSRFT1 Fl. 432 4 ‘O caput do art. 4º da Portaria RFB 2.284/10 consagra a regra geral do instituto da solidariedade, de que o pagamento de um aproveita aos demais. Por isso, os valores pagos a título de ganho de capital por Rogério Dirani devem ser aproveitados para reduzir a exigência tributária, conforme solicitado em impugnação. Com isso, é possível reconhecer a redução do IRPJ lançado para o período correspondente ao segundo trimestre de 2007, de R$4.194.831,00, para R$ 191.422,35, conforme se demonstra a seguir: (...)’ Nesse sentido, deve ser negado provimento ao recurso de ofício.’ Como se verifica, o acórdão recorrido foi favorável ao aproveitamento pela pessoa juridica dos valores pagos pela pessoa física na formacão da base tributável exigida no lançamento de ofício objeto deste processo, fundamentandose exclusivamente na regra geral da solidariedade, ora consagrada pelo artigo 4o. da Portaria RFB 2.284/2010, que determina que o pagamento de um aproveita aos demais. O ponto que merece ser constatato é que, muito embora o acórdão recorrido tenha se limitado a fundamentar a possibilidade de aproveitamento pela pessoa juridica dos valores recolhidos pelo sócio na regra de que o pagamento de um débito pelo responsável solidário aplicase aos demais – sem entrar em qualquer questão de compensação –, o recurso especial da PGFN girou todo o tempo em torno deste instituto, defendendose a ofensa ao princípio da legalidade e ao artigo 170 do CTN, não enquadramento nas formas de compensação, segregação da tributação das pessoas físicas e jurídica e vedação à utilização de débitos de terceiros. E a fim de demonstrar a divergência, colacionou como primeiro paradigma apresentado, o Acórdão n. 20312277, que teve como realidade fáctica a exigência de Contribuição ao PIS e COFINS sobre variações cambiais ativas e um pagamento declarado a maior, pretendido compensado no lançamento. Sobre esse tema, considerandoo um pedido de compensação pelos meios impróprios, o voto deduziu exatamente o trecho abaixo, transcrito em sua integralidade quanto a esse assunto: ‘Nos termos dos arts. 9° da Lei n° 9.718198 e 30 da MP n° 2.158 35/2001, as variações cambiais ativas são incluídas na base de cálculo da Cofins e do PIS/Faturamento a partir de fevereiro de 1999; devendo ser apropriadas pelo regime de caixa ou de competência, à opção do contribuinte e desde que adotado o mesmo regime para a Cofins, o IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro. Por fim, a questão do valor declarado a maior em janeiro de 2003. Entendo acertado, mais uma vez, o entendimento da primeira instância. Se comprovado o pagamento indevido, deve este ser aproveitado pela contribuinte por meio do procedimento próprio, inclusive restituição, se for o caso. Não pode o recolhimento a maior servir para redução do lançamento no período de apuração de dezembro de 2002, como pretende a recorrente. É que não compete à Fiscalização proceder de ofício ao encontro de contas, deduzindo dos valores a lançar eventuais recolhimentos a maior. Acaso assim procedesse estaria substituindo o contribuinte, a quem cabe decidir o Fl. 5660DF CARF MF Processo nº 11080.727364/201256 Acórdão n.º 9101003.091 CSRFT1 Fl. 433 5 momento e a oportunidade de utilizer eventuais créditos apurados em seu favor. Neste ponto cabe mencionar que o reconhecimento do direito creditório acontece em sede própria, que é a dos processos de restituição ou compensação. Assim, os pedidos de repetição de indébito devem inicialmente ser apresentados à Delegacia ou Inspetoria da Receita Federal do domicílio do contribuinte, conforme já deixou claro a decisão recorrida. Somente após análise por parte do órgão de origem, seguida de manifestação de inconformidade e de posterior recurso voluntário, quando for o caso, é que compete a este Conselho de Contribuintes apreciálo, nos termos dos §§ 90, 10 e 11, do art. 74 da Lei n° 9.430/96, alterado pelas Leis n's 10.637/2002 e 10.833/2003.’ Já o segundo paradigma, Acórdão n. 10421.954, teve como plano de fundo a autuação de jogador de futebol sobre os rendimentos recebidos por serviços personalíssimos, desconsiderando a cessão de uso de imagem a pessoa jurídica. Entendeuse, também, incabível a imputação de valores pagos pela pessoa jurídica para aproveitamento pela física: ‘O recorrente pleiteia, caso for mantida a autuação na pessoa física, a compensação dos tributos e contribuições pagos pela empresa. Improcedente o pedido, porque o valor tributado foi aquele efetivamente recebido sob a rubrica de lucros distribuídos e não de receita da empresa. Depois, porque a acusação é de que os pagamentos feitos pela GOL Consultoria foram apenas uma forma simulada de o Contratante, por intermédio de uma interposta pessoa, remunerar o ora recorrente pelos serviços prestados. Ora, a pessoa física, em seu nome, não pode pleitear os impostos apurados, lançados e recolhidos, mesmo que indevidamente, pela pessoa jurídica, a única entidade competente para pleitear a restituição deste indébito é a própria Pessoa Jurídica, na forma da legislação e por meio de seus representantes, falando em nome da pessoa juridica, uma vez que não teve receita auferida. É responsabilidade da fonte pagadora de reter e recolher aos cofres públicos o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, na forma aplicável às pessoas físicas, entretanto, considerando que os valores recebidos do Clube e repassados ao jogador, suplicante em epigrafe, o foram a titulo de distribuição de lucros, não houve retenção de Imposto de Renda sobre os rendimentos pagos à pessoa física. Portanto, é incabível o pedido de que, na apuração dos valores eventualmente devidos, que fossem descontados os valores já pagos pela GOL a título de Imposto de Renda, pois, eventual recolhimento de Imposto de Renda foi feito em nome da pessoa Jurídica, e não da física.’ A primeira consideração, manifestandose sobre algumas alegações das contrarrazões dos autuados, é que não se entende determinante a identidade dos tributos tratados nos acórdãos recorrido e paradigma para se poder conhecer o recurso, desde que a sua natureza não interfira na similitude, a exemplo do que ocorre quando a questão é de normas gerais de direito tributário. Como no presente caso se trata dos efeitos da responsabilidade Fl. 5661DF CARF MF Processo nº 11080.727364/201256 Acórdão n.º 9101003.091 CSRFT1 Fl. 434 6 solidária e extinção do crédito, a priori, não seria a diferença de natureza dos tributos que implicaria um impedimento. Isso significa, ainda, que não interferiria na análise do conhecimento do recurso o fato de os paradigmas apresentados serem anteriores ao dipositivo indicado pelo acórdão recorrido (artigo 4o. da Portaria RFB 2.284/2010), porque se coloca que tal artigo consagra a regra geral da solidariedade, que também se entende que transcenderia a portaria, muito embora até se acredite que o fato de estar positivada por ato da RFB dê peso funcional à sua aplicação. Reconhecese, também, a total inexistência de similitude fática, não só em função do objeto das autuações se referirem, no primeiro acórdão, à exigência de Contribuição ao PIS e COFINS sobre variações cambiais ativas e no segundo IRPF sobre rendiments decorrentes de serviços personalíssimos, o que também talvez pudesse ser superado se não influenciasse na delimitação da divergência jurídica e se houvesse identidade naquilo que realmente importa à matéria recorrida. No primeiro caso, tratouse de um pagamento declaradao a maior que se pretendia compensado no lançamento de ofício; no segundo caso, valor pago pela pessoa jurídica que se pretendia aproveitado pela pessoa física, na desconsideração da operação, sendo que todo recurso especial foi tratado considerando o instituto da compensação e as regras previstas no ordenamento para a sua realização, como se tivesse sido autorizada no acórdão recorrido e rejeitada nos paradigmas, sobretudo por inadequação do meio. Ocorre que no acórdão recorrido os fatos, apesar de num primeiro momento, com menos atenção, poderem indicar a imputação ou até compensação de valores, jamais foram considerados dessa forma. Relendose as decisões da DRJ e do acórdão recorrido, que a ratificou, vêse que se decidiu tão somente que o valor pago por um responsável solidário aproveitase aos demais devedores, no caso, a pessoa jurídica. Não se tratou, substancialmente, de compensação e nem a compensação foi tratada no acórdão recorrido, o que confirma a ausência de similitude fáctica e impede a configuração da divergência necessária ao conhecimento do recurso especial. Assim, concluise que não se vislumbra nem aproximação entre as situações fácticas, tampouco e por via de consequência, paralelo que possa ser estabelecido entre as soluções conferidas nos dois casos, de modo que os acórdãos n. 20312277 e n. 10421.95410194095 não se prestam como paradigmas para a fixação de divergência com a decisão recorrida a ser dirimida por este colegiado. Portanto, por esses motivos, VOTASE POR NÃO CONHECER o Recurso Especial da Fazenda Nacional.” Fl. 5662DF CARF MF Processo nº 11080.727364/201256 Acórdão n.º 9101003.091 CSRFT1 Fl. 435 7 Esse conteúdo refletiuse no resultado do julgamento registrado na respectiva ata da sessão e também na introdução do acórdão, ao final de sua ementa. Veja se: “Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo, que conheceu do recurso. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.” (destacouse) Ocorre que a ementa do acórdão embargado não tratou da questão do conhecimento, mas do tema central de mérito do recurso, que não foi objeto de julgamento, como se pode conferir de sua reprodução: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2007, 2008, 2010 APROVEITAMENTO PELA PESSOA JURÍDICA DO IMPOSTO PAGO PELA PESSOA FÍSICA NA REQUALIFICAÇÃO DOS FATOS Considerando que a fiscalização requalificou uma operação, deslocando o ganho de capital do sócio pessoa física, em função do qual havia recolhido o imposto, para a pessoa jurídica, devese tomar em conta os valores pagos por aquele, enquanto responsável solidário, na determinação do montante então apurado a título de IRPJ, não se estando diante de uma compensação, a qual naturalmente deveria seguir os ritos legais previstos para a espécie.” É o relatório. Voto Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora. Conforme relatado, a ementa do acórdão trouxe um lapso manifesto desta relatora, pois, no lugar de se restringir à questão do conhecimento, tratou do tema central de mérito do recurso, que viria a ser julgado caso este fosse conhecido, mas não o foi. Fl. 5663DF CARF MF Processo nº 11080.727364/201256 Acórdão n.º 9101003.091 CSRFT1 Fl. 436 8 Por essa razão, entendese necessário o acolhimento dos presentes Embargos Inominados, nos termos do artigo 66 do Regimento Interno do CARF, para que se corrija a inexatidão apontada, substituindose o trecho da ementa erroneamente publicado pela seguinte redação: NECESSIDADE DE SIMILITUDE FÁCTICA PARA CONFIGURAÇÃO DA DIVERGÊNCIA E CONHECIMENTO DO RECURSO. A divergência imposta ao conhecimento do recurso especial requer a similitude fáctica entre as situações subjacentes aos acórdãos recorrido e paradigmas apresentados que permita a identificação da atribuição de soluções diversas a hipóteses aproximadas, o que não restou configurado no presente recurso, uma vez que trouxe como objeto a impossibilidade de compensação tributária no âmbito do lançamento de ofício, e nesse sentido juntou os respectivos paradigmas, enquanto o acórdão recorrido tratou do aproveitamento pela pessoa jurídica de imposto pago pela pessoa física, na requalificação das operações, fundamentado no vínculo de solidariedade existente entre elas, seguindo a regra de que os tributos recolhidos por um devedor aproveitase aos demais para fins de extinção do crédito constituído. Nesses termos, para fins de sanear o lapso manifesto verificado, opõese os presente embargos inominados para apreciação do colegiado, a fim de proporcionar a substituição de suas ementas, sem que se altere o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio – Relatora e Embargante Fl. 5664DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002273/2007-00
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2002
IR-FONTE SOBRE PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN.
Cada fato gerador de IR-fonte (cada pagamento efetuado pela fonte pagadora a um beneficiário) é um fato gerador próprio, completo, autônomo, individual, que não se comunica com outras retenções relativas a outros pagamentos feitos pela fonte pagadora (outros fatos geradores). O fato gerador do IR-fonte é um típico fato gerador instantâneo. Não há nesse caso a figura do fato gerador complexivo (periódico), como se dá com o IRPJ e a CSLL. Se cada fato gerador de IR-fonte é único, não há como falar em pagamento parcial de tributo. Não há como utilizar recolhimentos de IR-fonte referentes a outras retenções (outros fatos geradores), independentemente do código de recolhimento, da rubrica, etc., para fins de deslocar a contagem da decadência para a regra do art. 150 do CTN. O deslocamento da regra decadencial só seria possível se o contribuinte apresentasse recolhimento parcial de IR-fonte para uma determinada retenção feita por ele, o que é difícil de acontecer, e também não é o caso dos autos. Ainda assim, o deslocamento só abrangeria esse específico fato gerador, e não serviria para antecipar a contagem da decadência para todos os demais fatos geradores de IR-fonte ocorridos na mesma semana, no mesmo decêndio, na mesma quinzena, no mesmo mês, no mesmo trimestre, no mesmo ano, etc.
Numero da decisão: 9101-003.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002 IRFONTE SOBRE PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN. Cada fato gerador de IRfonte (cada pagamento efetuado pela fonte pagadora a um beneficiário) é um fato gerador próprio, completo, autônomo, individual, que não se comunica com outras retenções relativas a outros pagamentos feitos pela fonte pagadora (outros fatos geradores). O fato gerador do IRfonte é um típico fato gerador instantâneo. Não há nesse caso a figura do fato gerador complexivo (periódico), como se dá com o IRPJ e a CSLL. Se cada fato gerador de IRfonte é único, não há como falar em pagamento parcial de tributo. Não há como utilizar recolhimentos de IRfonte referentes a outras retenções (outros fatos geradores), independentemente do código de recolhimento, da rubrica, etc., para fins de deslocar a contagem da decadência para a regra do art. 150 do CTN. O deslocamento da regra decadencial só seria possível se o contribuinte apresentasse recolhimento parcial de IRfonte para uma determinada retenção feita por ele, o que é difícil de acontecer, e também não é o caso dos autos. Ainda assim, o deslocamento só abrangeria esse específico fato gerador, e não serviria para antecipar a contagem da decadência para todos os demais fatos geradores de IRfonte ocorridos na mesma semana, no mesmo decêndio, na mesma quinzena, no mesmo mês, no mesmo trimestre, no mesmo ano, etc. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 22 73 /2 00 7- 00 Fl. 2202DF CARF MF Processo nº 19515.002273/200700 Acórdão n.º 9101003.231 CSRFT1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente à contagem de prazo decadencial para constituição de crédito tributário. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 1301001.598, de 31/07/2014, por meio do qual a 1a Turma Ordinária da 3a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, deu provimento a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de reconhecer a decadência de parte do lançamento a título de IRFonte sobre pagamento a beneficiários não identificados (fatos geradores ocorridos no período de janeiro a setembro de 2002), com base no art. 150, §4º, do CTN. O acórdão recorrido contém a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. CONFIGURAÇÃO. Nos termos da pacífica jurisprudência do Colendo STJ (REsp 973.733SC, Recurso Especial representativo de controvérsia), nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, exigese que o contribuinte tenha promovido pagamento (mesmo que parcial) do crédito tributário no exercício para que a contagem do prazo quinquenal de decadência tenha início a partir da data da ocorrência do fato gerador (Art. 150, par. 4º do CTN). Inexistindo este (o pagamento) ou nos casos de configuração de dolo, fraude ou simulação, aplicamse as disposições do Art. 173, inciso I do CTN. A comprovação do pagamento, por certo, não exige que se trate de fatos geradores de mesma natureza, mas apenas que o pagamento se referida ao mesmo tributo fiscalizado. Restando comprovado nos autos que a contribuinte, no período fiscalizado, promoveu o recolhimento do IRRF devido em decorrência dos pagamentos Fl. 2203DF CARF MF Processo nº 19515.002273/200700 Acórdão n.º 9101003.231 CSRFT1 Fl. 4 3 efetivados a seus funcionários, regular se apresenta a consideração da decadência a partir da aplicação das disposições do Art. 150, par. 4º do CTN. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quanto à contagem do prazo decadencial para o lançamento de IRFonte. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: o acórdão recorrido entendeu, primeiramente, pela aplicabilidade do art. 150, §4º, do CTN, no caso de lançamento de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados, com base no art. 674 do RIR/1999. Além disso, o entendimento vencedor afirmou que os pagamentos eventualmente existentes não precisam se relacionar com verbas da mesma natureza daquelas sobre as quais o IRRF é devido. Nessa linha, fez incidir o Art. 150, §4º, do CTN na espécie; contudo, o acórdão da Colenda Turma merece reforma, conforme se passa a demonstrar, tendo em conta que ambos os entendimentos contrariam a jurisprudência consolidada da Câmara Superior de Recursos Fiscais; DA PRIMEIRA DIVERGÊNCIA – DA INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN, NO CASO DE IRRF INCIDENTE SOBRE PAGAMENTO SEM CAUSA no caso concreto, a decisão recorrida, proferida pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, está em evidente divergência com decisão da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cuja ementa segue abaixo integralmente transcrita, verbis: ACÓRDÃO Nº 910100.773 – 1ª TURMA/CSRF “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO EFETUADO COM BASE EM FATOS APURADOS EM AÇÃO FISCAL. No caso de lançamento de ofício resultante de ação desenvolvida por iniciativa fiscal em que dos levantamentos e investigações realizadas emergiram fatos imputáveis que de outra forma não teriam vindo à lume, a contagem do prazo decadencial é deslocado para a regra geral do artigo 173, inciso I do CTN, sendo incabível, in casu, falarse em homologação de pagamento antecipado de tributo ou da ação envidada pelo sujeito passivo para demonstrálo inexistente, mesmo porque outra não fora a acusação fiscal senão a de que a autuada, dissimuladamente, tudo fizera para dele se eximir.” (Processo nº 16095.000147/200621, Recurso nº 160.207 – Especial do Procurador, Acórdão nº 910100.773 – 1ª Turma, Sessão de 14 de dezembro de 2010, Matéria: IRPJ Decadência, Recorrente: Fazenda Nacional, Interessado: V V Editora Ltda.) Fl. 2204DF CARF MF Processo nº 19515.002273/200700 Acórdão n.º 9101003.231 CSRFT1 Fl. 5 4 não obstante não se consiga vislumbrar, prima facie, a divergência jurisprudencial pela ementa do acórdão paradigma no tocante à contagem do prazo decadencial do IRRF com fundamento em “pagamentos se causa”, ela efetivamente existe, conforme se demonstrará com uma análise criteriosa do voto condutor do acórdão paradigma; o acórdão recorrido, em que pese reconhecer a existência de divergência no âmbito do CARF, considerou improcedentes todos os lançamentos referentes ao IRRF cujos fatos geradores tenham ocorrido no período compreendido de janeiro a setembro de 2002, haja vista a incidência do prazo decadencial de 5 (cinco) anos, na forma do art. 150, § 4º, do CTN; desse modo, o acórdão recorrido considerou que o IRRF incidente sobre pagamentos sem causa sujeitase a lançamento por homologação; entendimento divergente, porém, foi proferido pelo acórdão paradigma, da Colenda 1ª Turma do CSRF, que entendeu que o IRRF incidente sobre pagamentos sem causa não se submete a lançamento por homologação, haja vista inexistir dever legal de antecipação de pagamento, sendo o prazo decadencial regido pelo art. 173, I, do CTN, conforme entendimento do STJ exarado no REsp 973.733; de acordo com o STJ, não havendo previsão legal de antecipação de pagamento, o prazo decadencial contase na forma do art. 173, I, do CTN; foi exatamente a essa conclusão a que chegou o acórdão paradigma, pois considerou que, no caso de IRRF incidente sobre pagamentos sem causa, inexistia o dever legal de antecipação de pagamento; a fim de se demonstrar a divergência jurisprudencial, vejase trecho do voto condutor do acórdão paradigma, verbis: [...]; desse modo, o acórdão paradigma entendeu que o IRRF incidente sobre pagamentos sem causa não se submetia a lançamento por homologação, mas sim a do lançamento de ofício, haja vista a necessidade de iniciativa do Fisco para se apurar o ilícito tributário e este se verificar exatamente em uma omissão do contribuinte (demonstrar a causa do pagamento); havendo divergência no tocante à modalidade de lançamento a que se submete a exação (por homologação ou de ofício), por óbvio haverá interferência na contagem do prazo decadencial; confirase, ainda, o segundo paradigma (Acórdão nº 220201.975, de 15/08/2012), cuja ementa e voto seguem abaixo transcritos: ACÓRDÃO Nº 220201.975 – 2ª TURMA ORDINÁRIA DA 2ª CÂMARA DA 2ª SEÇÃO “Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2002 Ementa: DECADÊNCIA. PAGAMENTO SEM CAUSA. Fl. 2205DF CARF MF Processo nº 19515.002273/200700 Acórdão n.º 9101003.231 CSRFT1 Fl. 6 5 A aplicação do disposto no art. 61 da Lei nº. 8.981/95 (art. 674 do RIR/99) decorre, sempre, de procedimentos investigatórios levados a efeito pela Administração Tributária, não sendo razoável supor que o contribuinte, espontaneamente, promova pagamentos sem explicitação da causa ou a beneficiários não identificados e, em razão disso, antecipe o pagamento do imposto à alíquota de 35%, reajustando a respectiva base de cálculo. A incidência em referência sustentase na presunção (da lei) de que os pagamentos foram utilizados em operação, passível de tributação, em que, em virtude do desconhecimento do beneficiário ou da sua natureza, desloca se a responsabilidade pelo recolhimento do tributo correspondente para quem efetuou o pagamento. No caso, a constituição do crédito tributário correspondente só pode ser efetivada com base no art. 149, I, do Código Tributário Nacional, sendo a decadência do direito de se promover tal procedimento disciplinada pelo disposto no art. 173 do mesmo diploma. Recurso de ofício negado.” (Processo nº 16832.000154/200812 Recurso nº 920.912 – De Ofício , Acórdão nº 220201.975 – 2ª Turma, Sessão de 15 de agosto de 2012, Matéria: IRRF, Recorrente: VILA PROMOTORA DE CRÉDITOS E VENDAS LTDA) sendo assim, diante das teses firmadas nas decisões paradigmas, fica patente a divergência jurisprudencial quanto à modalidade de lançamento a que se submete o IRRF incidente sobre pagamentos sem causa, encontrandose presentes, portanto, os requisitos de admissibilidade do recurso especial, nos termos da legislação de regência (Decreto nº 70.235/72, art. 37, § 2º, II, c/c art. 67 e §§, do RICARF); há, portanto, clara divergência jurisprudencial acerca da interpretação dos arts. 150, §4º, e 173, inciso I, do CTN, arts. 149 e 150 do mesmo diploma legal, e, ainda, do art. 61 da Lei nº 8.981/95; DA SEGUNDA DIVERGÊNCIA – DA NECESSIDADE DE QUE OS PAGAMENTOS EVENTUALMENTE EXISTENTES SE RELACIONEM COM VERBAS DA MESMA NATUREZA DAQUELAS SOBRE AS QUAIS O IRRF É DEVIDO. o acórdão recorrido entendeu que os pagamentos eventualmente existentes não precisam se relacionar com verbas da mesma natureza daquelas sobre as quais o IRRF é devido. Nessa linha, fez incidir o Art. 150, §4º, do CTN na espécie; em clara divergência ao decidido pelo colegiado recorrido, a e. Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais concluiu no sentido de que não é possível em tais casos se admitir que outros pagamentos efetuados com base em rendimentos sujeitos a ajuste anual se aproveitem para trazer a regra de decadência para o art. 150, §4º, do CTN. Segue transcrita integralmente a ementa do acórdão paradigma nº 920202.113: Acórdão nº 920202.113 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Anocalendário: 1999 Fl. 2206DF CARF MF Processo nº 19515.002273/200700 Acórdão n.º 9101003.231 CSRFT1 Fl. 7 6 DECADÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. TRIBUTO LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN. Devese verificar se um tributo como um todo se enquadra na modalidade de lançamento por homologação, o que ocorrerá quando a legislação atribuir ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. O fato do tributo precisar ser lançado de ofício não altera sua natureza. Até mesmo porque a autoridade tributária somente pode constituir o crédito tributário apurado em ação fiscal de ofício. O Imposto de Renda na Fonte sobre pagamentos feitos a beneficiários não identificados se enquadra na modalidade de lançamento por homologação. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp n° 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4º, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações. No presente caso, não há que se falar em ocorrência de pagamento antecipado, por se tratar de tributo com incidência exclusiva na fonte, que não está sujeito à tributação no ajuste, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que fixa o marco inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Desta forma, como se trata de tributo com fato gerador ocorrido na data dos pagamentos efetuados e pela autuação envolver pagamentos entre 06 de janeiro e 1° de dezembro de 1999, o primeiro dia do exercício em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 1/1/2000, quando se inicia a contagem do prazo decadencial, terminando em 31/12/2004. Tendo a ciência do lançamento ocorrido em 29/12/2004, o crédito tributário não havia sido fulminado pela decadência. Recurso Especial provido.” (grifei) no Voto condutor do aresto apontado como paradigma, o Conselheiro relator consigna que: “Neste processo, não há que se falar em ocorrência de pagamento antecipado, por se tratar de tributo com incidência exclusiva na fonte, que não está sujeito à tributação no ajuste. Desta forma, não é possível se admitir que outros pagamentos efetuados com base em rendimentos sujeitos ajuste anual se aproveitem para trazer a regra de decadência para o art. 150, § 4º, do CTN. Assim, para os rendimentos tributados exclusivamente na fonte, aplicase a regra do art. 173, inciso I, do CTN, iniciandose a Fl. 2207DF CARF MF Processo nº 19515.002273/200700 Acórdão n.º 9101003.231 CSRFT1 Fl. 8 7 contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” segundo o acórdão paradigma, não existindo comprovação do pagamento de IRRF sobre fatos geradores da mesma natureza, o prazo decadencial a ser observado é o previsto no art. 173, inc. I do CTN. Há, portanto, clara divergência jurisprudencial acerca da interpretação dos arts. 150, §4º e 173, I, do CTN; assim, demonstrada a divergência jurisprudencial sobre a matéria, encontramse presentes os requisitos de admissibilidade do recurso especial, pelo que se passa à análise do mérito; MÉRITO o acórdão recorrido, fundamentadose basicamente na redação do § 2º do art. 61 da Lei nº 8.981/95, considerou que a legislação submeteu o IRRF incidente sobre pagamentos sem causa a lançamento por homologação, aplicando o prazo decadencial de acordo com as regras que são próprias para esse tipo de lançamento (CTN, art. 150, § 4º), por ter havido pagamento antecipado; porém, ao declarar a decadência dos créditos tributários, por considerar que a exação se submetia lançamento por homologação, o acórdão recorrido incorreu em evidente equívoco; é que o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de que “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito” (REsp 973.733); em resumo, não prevendo a lei o dever do contribuinte de apurar o crédito e antecipar o pagamento, o regime jurídico do prazo decadencial é o do art. 173, I, do CTN; resta claro, a partir do trecho da ementa transcrita, que é necessário haver uma conduta objetiva a ser homologada, sob pena de a contagem do prazo decadencial ser orientada pelo disposto no art. 173 do CTN; mas, no presente caso, em se tratando de incidência de IRRF sobre pagamentos sem causa, não há o que se falar em conduta do sujeito passivo a ser homologada. A providência determinada no art. 61 da Lei nº 8.981/95 pressupõe, justamente, a sua omissão em demonstrar a operação realizada e a sua sujeição às normas de tributação, isenção, imunidade ou não incidência; em verdade, nas hipóteses de aplicação deste dispositivo, a lei não atribuiu ao sujeito passivo o dever de apurar e pagar o IRRF devido, antes de qualquer procedimento de ofício, mas, pelo contrário, atribuiu ao Fisco o dever de efetuar o lançamento de ofício, quando apurada qualquer daquelas hipóteses de incidência descritas na norma jurídica; neste contexto, a apuração de pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa constituise em indício de irregularidades, alçado ao status de presunção legal Fl. 2208DF CARF MF Processo nº 19515.002273/200700 Acórdão n.º 9101003.231 CSRFT1 Fl. 9 8 que permite concluir que, até prova em contrário, os pagamentos se encontram no campo de incidência do IRRF, configurandose claramente como hipóteses de incidência de tributo, sujeitas a lançamento de ofício, e não a lançamento por homologação, sendo aplicável o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN, tendo por termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; assim, é irrelevante o fato de o contribuinte, em outros pagamentos, ter procedido à regular identificação dos beneficiários e à retenção do imposto de renda por eles devido em razão da natureza dos rendimentos pagos; cada pagamento constitui um fato gerador independente, de forma que a homologação tácita prevista no art. 150, §4º, do CTN, somente se opera sobre os fatos regularmente classificados pelo contribuinte como tributáveis, isentos, imunes ou não tributáveis, providência da qual a contribuinte não se desincumbiu relativamente aos pagamentos em tela; logo, se a sua omissão na identificação da causa do pagamento é o motivo para exigência do IRRF, deve ser afastada de plano a aplicação do art. 150, §4º do CTN, declarandose possível o lançamento enquanto não expirado o prazo do art. 173, I do CTN; inclusive, a Colenda 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF já decidiu nesse sentido, verbis: “PAGAMENTOS NÃO COMPROVADOS NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. DECADÊNCIA. Nas hipóteses de incidência de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa, não se sustenta a aplicação do prazo decadencial do § 4º do art. 150 do CTN, visto que a lei não atribuiu ao sujeito passivo o dever de apurar e pagar o IRRF devido, antes de qualquer procedimento de ofício, mas, pelo contrário, atribuiu ao Fisco o dever de efetuar o lançamento de ofício, quando apurada qualquer daquelas hipóteses de incidência descritas na norma jurídica.” (ACÓRDÃO Nº 110100.622 – 1ª CÂMARA /1ª TURMA ORDINÁRIA) sendo assim, o acórdão recorrido merece ser reformado para que seja aplicado o entendimento, firmado no precedente acima transcrito e no acórdão paradigma, de que o IRRF incidente sobre pagamentos sem causa não se submete a lançamento por homologação, mas sim a lançamento de ofício, sendo a decadência do crédito tributário regida pelo art. 173, I, do CTN; de acordo com o art. 61 da Lei nº 8.981/95, a entidade que realizar pagamento e não conseguir comprovar a sua causa ou beneficiário figurará como responsável tributária pelo pagamento de imposto de renda cujo contribuinte é o beneficiário pelo pagamento cuja causa não se conseguiu comprovar; ao contrário do que consta da r. decisão recorrida, o crédito tributário a ser constituído com base no último dispositivo transcrito é incompatível com o lançamento por homologação, na medida em que expressamente demanda a comprovação da operação ou do beneficiário, o que somente ocorre no momento em que a entidade se encontra sob fiscalização; Fl. 2209DF CARF MF Processo nº 19515.002273/200700 Acórdão n.º 9101003.231 CSRFT1 Fl. 10 9 outrossim, não pode o sujeito passivo, nessa situação, identificarse como tal, apurar a ocorrência do fato gerador, o valor devido, e o pagar antes de qualquer manifestação da autoridade fiscal, elementos que caracterizam o lançamento por homologação; como visto, o art. 150 do CTN somente admite o lançamento por homologação quando a lei expressamente atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o que não se verifica no lançamento em tela baseado no art. 61 da Lei nº 8.931/95, eis que ocorrerá quando a entidade estiver sob fiscalização e quando não for comprovada a causa da operação ou seu beneficiário. Logo, expressa está na lei a necessidade do lançamento de oficio; somente após intimação do sujeito passivo em que se oportunize a comprovação dos pagamentos que o fiscal suspeita serem sem causa poderá ser realizado o lançamento de ofício do imposto de renda exclusivamente na fonte, sendo impossível a antecipação do pagamento pelo sujeito passivo; não faz sentido o sujeito passivo contabilizar um pagamento, atribuirlhe uma causa e, no mesmo dia, alterar os registros contábeis para retirarlhe a causa e recolher IR Fonte. Também não faz sentido uma entidade realizar um pagamento sem identificar o seu beneficiário; verificada pela entidade um pagamento sem causa por ela realizado, o caminho natural a seguir é a correção dos registros contábeis que espelhem a prática de atos que tenham por desiderato a recuperação dos valores indevidamente subtraídos de seu patrimônio, e nunca o pagamento de IRFonte por esse pagamento indevido; o art. 61 da Lei nº 8.981/95 não se aplica a situações ordinárias da atividade empresarial, mas a situações extraordinárias em que o fisco contesta a realização de supostos pagamentos promovidos pela entidade para a consecução de seus fins; a entidade é intimada para comprovar o beneficiário ou a causa do pagamento. Não havendo comprovação, tornase sujeito passivo de IRFonte na posição de responsável tributário. O pagamento sem causa está relacionado a situações de funcionamento anômalo da entidade e constitui indício de máfé; diante dessas constatações, e da interpretação conjugada dos dispositivos legais mencionados, deve prevalecer o entendimento de que o lançamento de imposto de renda retido exclusivamente na fonte por constatação de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado somente pode se dar de ofício. E, tratandose de lançamento de ofício, o prazo decadencial deve ser o estabelecido no art. 173, inciso I, do CTN; na hipótese em tela, a despeito da contribuinte ter trazido prova de recolhimento de IRRF sobre rendimentos do trabalho assalariado durante o período sob exame, o fato é que, na circunstância do lançamento do IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados, a aferição da existência de recolhimento, ainda que parcial, deve ser feita em relação à fatos geradores da mesma natureza, uma vez que não sendo identificados os beneficiários não há como vinculálos ao IRRF recolhido a título de retenção sobre rendimentos de trabalho assalariado; Fl. 2210DF CARF MF Processo nº 19515.002273/200700 Acórdão n.º 9101003.231 CSRFT1 Fl. 11 10 assim, não existindo comprovação do pagamento de IRRF sobre fatos geradores da mesma natureza o prazo decadencial a ser observado é o previsto no art. 173, inc. I do CTN; desta feita, tendo os fatos geradores do imposto entre 07/01/2002 e 25/09/2002, o primeiro dia do exercício em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 1/1/2003, quando tem início a contagem do prazo decadencial que terminaria em 31/12/2007. Tendo a ciência do lançamento ocorrido em 28/09/2007, resta hígido o crédito tributário lançado; as razões apresentadas nos votos acima transcritos são mais do que suficientes para a reforma do julgado atacado. Dessa maneira, é de se reformar o referido julgado, merecendo reprimenda a conclusão aplicada ao caso concreto. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da PGFN, a Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 08/12/2015, deu seguimento ao recurso com base na seguinte análise sobre a divergência suscitada: a) DA INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN, NO CASO DE IRRF INCIDENTE SOBRE PAGAMENTO SEM CAUSA [...] Da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, evidenciase que a recorrente logrou êxito ao demonstrar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial. Isso porque ambas as decisões tratam de decadência de IRRF lançado de ofício sobre pagamentos a beneficiários não identificados, sendo que no paradigma se concluiu que o fato de o pagamento a beneficiário não identificado ter sido apurado mediante ação fiscal, sem a qual "os fatos imputados não teriam vindo à lume", "desloca a contagem do prazo decadencial para a regra geral do artigo 173, inciso I do CTN", entendimento que não é esposado no recorrido, no qual se admite a possibilidade de se aplicar o prazo decadencial previsto no art. 150, §4º, do CTN, nesses casos. Vejase que, como assinalou a recorrente, o acórdão recorrido veiculou dois entendimentos, sendo que o primeiro deles, estampado no voto vencido, foi corroborado pelo voto vencedor, que por sua vez agregou o segundo entendimento, restando o entendimento que estabelece a divergência apontada no presente tópico registrado no voto vencido nos seguintes termos (sublinhouse): [...] Assinalese, também, que, como revela o excerto antes transcrito, o dissídio jurisprudencial sobre o tema sob exame é reconhecido no acórdão recorrido. Uma vez confirmada a divergência jurisprudencial em relação ao primeiro paradigma, despisciendo o exame em relação ao segundo. Fl. 2211DF CARF MF Processo nº 19515.002273/200700 Acórdão n.º 9101003.231 CSRFT1 Fl. 12 11 b) DA NECESSIDADE DE QUE OS PAGAMENTOS EVENTUALMENTE EXISTENTES SE RELACIONEM COM VERBAS DA MESMA NATUREZA DAQUELAS SOBRE AS QUAIS O IRRF É DEVIDO [...] Também aqui o cotejo dos julgados confirma a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial. Com efeito, o acórdão paradigma, que igualmente trata de decadência de IRRF lançado de ofício sobre pagamentos a beneficiários não identificados, e, da mesma forma que o recorrido, aplica o decidido pelo STJ na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil no REsp n° 973.733 SC, deixa assentado que "não há que se falar em ocorrência de pagamento antecipado, por se tratar de tributo com incidência exclusiva na fonte, que não está sujeito à tributação no ajuste, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que fixa o marco inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". Tal entendimento diverge do sufragado no acórdão ora guerreado, na medida que no recorrido se conclui (voto vencedor) que "a comprovação do pagamento, por certo, não exige que se trate de fatos geradores de mesma natureza, mas apenas que o pagamento se referida ao mesmo tributo fiscalizado", e que, "restando comprovado nos autos que a contribuinte, no período fiscalizado, promoveu o recolhimento do IRRF devido em decorrência dos pagamentos efetivados a seus funcionários", sujeito ao ajuste anual, "regular se apresenta a consideração da decadência a partir da aplicação das disposições do Art. 150, par. 4º do CTN". Ante ao exposto, neste juízo de cognição sumária, concluo pela caracterização da divergência de interpretação suscitada e opino no sentido de dar seguimento ao presente recurso especial. Em 19/01/2016, a contribuinte foi considerada intimada do Acórdão nº 1301 001.598, do recurso especial da PGFN, e do despacho que admitiu esse recurso. Tempestivamente, em 03/02/2016, ela apresentou as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: A MATÉRIA EM ANÁLISE JÁ FOI DECIDIDA PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, SOB O RITO DO ART. 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL o recurso especial ora contrarrazoado sequer deve ser admitido, eis que os acórdãos paradigmas mencionados pela Recorrente divergem do entendimento já pacificado pela 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça, em recurso especial submetido ao rito dos recursos repetitivos, previsto no art. 543C do Código de Processo Civil; nos termos do Regimento Interno do CARF em vigor desde antes do protocolo do recurso especial aqui tratado, tal recurso é incabível, por força do seu art. 67, §12, II, abaixo transcrito: [...]; Fl. 2212DF CARF MF Processo nº 19515.002273/200700 Acórdão n.º 9101003.231 CSRFT1 Fl. 13 12 aliás, até mesmo o regimento interno anterior (aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF n° 586/2010) já cuidava dos efeitos das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, no rito dos recursos repetitivos; de fato, seu art. 62A determinava que as decisões do Superior Tribunal de Justiça, proferidas à luz do art. 543C do Código de Processo Civil, deviam ser observadas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Confirase: [...]; isso significa assim dizer que, na remota hipótese de o recurso especial ser conhecido, deve lhe ser negado provimento, visto que o acórdão recorrido, ao aplicar a decisão de mérito prolatada pelo Superior Tribunal de Justiça, no rito dos recursos repetitivos, apenas observou o Regimento Interno do CARF; passase agora a demonstrar a improcedência do recurso especial, caso se entenda que o recurso especial interposto pela Recorrente seria cabível; AS RAZÕES PARA O NÃO PROVIMENTO DO RECURSO ESPECIAL em síntese, a Recorrente, no recurso especial ora contrarrazoado, alega que, neste processo administrativo, deveria ser aplicado o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do Código Tributário Nacional (ao invés daquele previsto pelo art. 150, §4º, do mesmo diploma legal), uma vez que: (i) o IRRF sobre pagamentos a beneficiários sem causa não estaria sujeito a lançamento por homologação, pois não haveria conduta objetiva a ser homologada, bem como não disporia sobre o dever do contribuinte de apurar o crédito e antecipar o pagamento, nos termos do art. 61 da Lei n° 8.981/1995; e (ii) a comprovação de antecipação do imposto deveria ser feita em relação a fatos geradores de mesma natureza, o que não teria sido feito na hipótese dos autos, já que a Recorrida apresentou existência de recolhimento de IRRF sobre rendimentos de trabalho assalariado e não sobre pagamento a beneficiários não identificados. ocorre que, apesar do inconformismo da Recorrente, o referido acórdão não merece reforma; o IRRF é tributo sujeito ao lançamento por homologação e, dessa forma, o próprio contribuinte deve proceder ao recolhimento da obrigação tributária, sem depender de manifestação prévia da Administração Tributária; de acordo com a Recorrente, a interpretação do art. 61 da Lei n° 8.981/1995 resultaria no reconhecimento de que o IRRF incidente sobre beneficiários não identificados ou pagamentos efetuados sem causa estaria sujeito unicamente ao lançamento de ofício, ao invés do lançamento por homologação, e, por isso, o prazo decadencial aplicável seria aquele disposto no art. 173, I, do Código Tributário Nacional; no entanto, não é esse o entendimento da doutrina, nem da jurisprudência majoritárias. O fato de tais verbas serem tributadas exclusivamente na fonte não retira a natureza de tributo lançado por homologação; Fl. 2213DF CARF MF Processo nº 19515.002273/200700 Acórdão n.º 9101003.231 CSRFT1 Fl. 14 13 o fato de o tributo ter sido lançado de ofício não é indicativo de alteração de sua natureza, uma vez que a autoridade somente poderia constituir o crédito tributário realizando ação fiscal de ofício, como o fez no auto de infração que deu origem a este processo administrativo; não merece prosperar o argumento da Recorrente, no sentido de que o tributo em comento não estaria sujeito à aplicação do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional, por se tratar de entendimento contrário à lei e à jurisprudência; aliás, a maior evidência de que o acórdão recorrido, de fato, foi fundamentado na jurisprudência aplicável à hipótese dos autos, é a expressa menção ao acórdão do Superior Tribunal de Justiça, ao apreciar o Recurso Especial n° 973.733/SC (1ª Seção, Relator: Ministro Luiz Fux, DJe 18.09.2009), o qual transitou em julgado, em 22.10.2009 (doc. n° 3); em tal julgado, proferido sob o rito dos recursos repetitivos (previsto no art. 534C do Código de Processo Civil), ficou entendido que o prazo previsto no § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional deve ser aplicado às situações de tributos sujeitos à homologação, em que tenha ocorrido pagamento antecipado, ainda que parcial, de forma que tal entendimento, por já estar pacificado no âmbito da Corte Superior, foi corretamente acompanhado pelo CARF, ao proferir o acórdão recorrido (conforme demonstrado na Seção III desta petição), e deverá ser referendado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais; ora, i. Conselheiros, o entendimento firmado pela 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n° 973.733/SC, foi no sentido de que: (i) a aplicação do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional, para o cômputo do prazo decadencial, depende da comprovação de existência de pagamento, mesmo que não seja integral, pelo contribuinte (e a Recorrida comprovou, nestes autos, o pagamento de IRRF, no período ainda objeto de questionamento); e (ii) não há necessidade de se comprovar os fatos geradores que teriam sido utilizados para a sua quantificação do pagamento antecipado realizado, para fins de aplicação do art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional, porque a mera existência da prova de pagamento do tributo, no exercício sob fiscalização, já atrai a aplicação desse dispositivo legal. ressaltese, inclusive, que essa foi a interpretação dada pelo voto vencedor do Acórdão n° 1301001.598, quanto ao referido julgamento da 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça, conforme evidencia a transcrição dos seguintes trechos: "Pelo que assentado, a aplicação ou não das disposições do art. 150, § 4o do CTN, passam, agora, a depender da verificação da existência de pagamento pelo contribuinte, no período respectivo, do tributo sujeito à fiscalização, não importando ser ele suficiente ou não para o adimplemento do crédito tributário no exercício, sendo certo que, inexistente qualquer pagamento, aplicamse, então, as disposições do mencionado art. 173, I do CTN. A discussão nestes autos, com toda a certeza, não se desenvolve sobre a aplicação ou não desse entendimento, mas sim, especificamente, sobre a verificação da existência ou inexistência de 'pagamento', exigido como requisito para a aplicação das disposições do art. 150, par. 4º do CTN. Fl. 2214DF CARF MF Processo nº 19515.002273/200700 Acórdão n.º 9101003.231 CSRFT1 Fl. 15 14 No judicioso voto do ilustre Sr. Relator, por ele especificamente se encontra destacado que a contribuinte, em seu Recurso Voluntário, apresenta prova objetiva de recolhimento do IRRF no período fiscalizado, sendo, entretanto, rejeitado o acolhimento dessa comprovação, tendo em vista que os pagamentos a que ali se referem não se relacionam segundo entende com verbas da mesma natureza daquelas sobre as quais o IRRF é devido nos presentes autos, mantendo, assim, a aplicação das disposições do art. 173, inciso I do CTN na espécie. Em que pese todas as razões apresentadas pelo ilustre Sr. Relator, inclusive com robustos fundamentos, penso que a solução correta na espécie não pode ser esta por ele proposta. Senão, vejamos. Conforme se verifica na análise do inteiro teor do acórdão proferido pelo Colendo STJ quando do julgamento do referido REsp 973.733SC que, como visto, hoje orienta toda a hermenêutica em volta da aplicação das disposições do art. 150, par. 4º do CTN, o que restou destacado por aquela Colenda Corte foi a identificação da existência de pagamento, pelo contribuinte, de parcela devida do tributo discutido ao longo do período fiscalizado, não se exigindo obviamente, que esse pagamento tenha sido total, e, nem tampouco, fazendo qualquer referência aos fatos geradores que teriam sido utilizados para a sua quantificação. Nesse ponto, relevante observar que o que se busca, exclusivamente, é a existência de pagamento do tributo no período, e nunca que seja 'pagamento do tributo incidente sobre fatos análogos' àqueles eventualmente discutidos. Nessa linha, pedindo respeitosas vênias àqueles que pensam de forma diversa, creio que da jurisprudência do Colendo STJ não se extrai essa limitação restritiva de aplicação dos comandos daquele julgado, sendo certo que, existindo prova de pagamento do tributo no exercício sob fiscalização, aplicáveis se mostram as disposições do art. 150, par. 4° do CTN, sendo, nesse caso, completamente irrelevante a pretensão de estabelecimento de uma correlação ou mesmo uma similitude entre os fatos geradores que teriam fundamentado o pagamento e aquele que se submete à fiscalização. Nesses termos, restando assentado, nos presentes autos, que pela contribuinte, de fato, existiu pagamento (parcial) do IRRF no período fiscalizado, perfeitamente regular se apresenta a aplicação das disposições do art. 150, par. 4° do CTN, impondo, destarte, o reconhecimento da decadência em relação aos fatos geradores tratados nestes autos ocorrido no período de janeiro a setembro de 2002. Em face dessas considerações, reiterando aqui o pedido de respeitosas vênias ao relator e àqueles que o acompanham, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, e, nesses termos, reconhecer a aplicação da decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no período compreendido de janeiro a setembro de 2002, nos termos, inclusive, especificamente ali apontados e pretendidos." Fl. 2215DF CARF MF Processo nº 19515.002273/200700 Acórdão n.º 9101003.231 CSRFT1 Fl. 16 15 notese, ainda, que o entendimento jurisprudencial acima apresentado vem sendo adotado em outros julgamentos mais recentes do próprio Superior Tribunal de Justiça: [...]; a Recorrida juntou aos autos comprovantes de pagamento de IRRF durante o período ainda objeto de controvérsia (isto é, de janeiro a setembro de 2002), caracterizando, portanto, o pagamento antecipado exigido pela jurisprudência, para a aplicação do prazo decadencial de cinco anos contados a partir da data do fato gerador (art. 150, §4° do Código Tributário Nacional); assim, transcorrido o prazo decadencial de cinco anos da ocorrência do fato gerador, considerase homologado tacitamente o recolhimento antecipado pelo contribuinte, vedandose, a partir deste momento, a cobrança do suposto crédito tributário; de fato, é exatamente essa a determinação contida no §4° do art. 150, combinado com o inciso V do art. 156, ambos do Código Tributário Nacional, abaixo transcritos: [...]; nestes autos, não há qualquer divergência quanto à data de intimação da Recorrida em relação ao auto de infração: 28.09.2007. Sendo assim, da aplicação do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional, contatase que apenas poderiam ter sido constituídos os créditos tributários correspondentes aos fatos geradores ocorridos no período de cinco anos anteriores, ou seja, após o dia 28.09.2002; porém, foram lançados créditos de IRRF abrangidos pelo período entre 07.01.2002 e 25.09.2002, os quais, por estarem alcançados pela decadência, devem ser extintos; assim sendo, não deve prevalecer o argumento fazendário de que o IRRF em questão não estaria sujeito ao prazo decadencial para o lançamento por homologação previsto no art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional, tampouco o argumento de que os comprovantes acostados pela Recorrida não deveriam ser considerados para o fim de atrair a aplicação do referido dispositivo a este caso, eis que, da sua redação, é fácil verificar que basta a comprovação do pagamento antecipado do tributo para que tal dispositivo legal seja aplicado; aliás, como visto, essa foi a interpretação dada a esse dispositivo, pela 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça, quando do julgamento de Recurso Especial n° 973.733/SC, o qual, frisese, foi proferido sob o rito dos recursos repetitivos e já transitou em julgado, devendo, portanto, ser utilizado como fundamento e base para o julgamento de causas análogas, como a presente, pelos Tribunais, inclusive pelo CARF; portanto, o acórdão recorrido, ao reconhecer a decadência dos valores relativos ao período de janeiro a setembro de 2002, está em perfeita consonância com a legislação e com a atual jurisprudência, não assistindo razão à Recorrente; OS PEDIDOS à vista das razões de fato e direito expostas nesta petição, a Recorrida requer seja negado seguimento ao recurso especial, por ter o acórdão recorrido observado o Fl. 2216DF CARF MF Processo nº 19515.002273/200700 Acórdão n.º 9101003.231 CSRFT1 Fl. 17 16 entendimento da 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n° 973.733/SC, submetido ao rito previsto no art. 543C do Código de Processo Civil; de forma subsidiária, na remota hipótese de seguimento do recurso aqui contrarrazoado — o que aqui se admite apenas para fins de argumentação —, requerse seja negado provimento ao recurso especial interposto pela Recorrente, com a manutenção do Acórdão n° 1301001.598. É o relatório. Fl. 2217DF CARF MF Processo nº 19515.002273/200700 Acórdão n.º 9101003.231 CSRFT1 Fl. 18 17 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento para constituição de crédito tributário a título de IRPJ, CSLL e IRfonte sobre pagamento a beneficiário não identificado, com fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2002 e 2003. A autuação decorreu de glosa de despesas com pagamentos efetuados à empresa INCENTIVE HOUSE SA, que teriam a finalidade de pagamentos de prêmios em dinheiro aos funcionários da recorrente. A motivação da glosa foi a não identificação dos beneficiários desses pagamentos. Os valores glosados repercutiram na apuração do IRPJ e da CSLL, mediante a redução do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa apurados pela contribuinte. Foram lançados ainda valores a título de IRRF sobre pagamento a beneficiário não identificado, com base nos art. 674 e 725 do RIR/1999. O lançamento foi mantido pela decisão de primeira instância administrativa. Na fase de recurso voluntário, a contribuinte informou que incluiu parcialmente o débito exigido neste processo (IRfonte), correspondente ao período de outubro de 2002 a dezembro de 2003, na anistia prevista na Lei nº 11.941/2009, fazendo pagamento em parcela única. Nesse contexto, a decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido) só tratou dos débitos de IRfonte com fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a setembro de 2002. O acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário da contribuinte, para fins de reconhecer a decadência dos débitos de IRfonte no referido período. Com a apresentação do recurso especial sob exame, a PGFN procura afastar a decadência. Em sede de contrarrazões, a contribuinte apresenta preliminar de não conhecimento do recurso. Ela alega que os acórdãos paradigmas mencionados pela PGFN divergem de entendimento já pacificado pela 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça, em recurso especial submetido ao rito dos recursos repetitivos, previsto no art. 543C do Código de Processo Civil (Resp n° 973.733/SC), o que ensejaria a aplicação da regra prevista no art. 67, §12, II, do RICARF: Art. 67 [...] § 12. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: Fl. 2218DF CARF MF Processo nº 19515.002273/200700 Acórdão n.º 9101003.231 CSRFT1 Fl. 19 18 II decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil; e (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) A preliminar de não conhecimento é improcedente. Não se trata de uma simples aplicação do que foi decidido pelo STJ no julgamento do REsp n° 973.733/SC. No que toca à presente controvérsia, há espaço para interpretação desse julgado, tanto assim que ele serviu de fundamento não só para o voto vencedor que orientou o acórdão recorrido, mas também para o voto vencido constante desse mesmo acórdão, e para um dos paradigmas apresentados, os quais, destacando essa mesma decisão do STJ, chegaram à conclusão oposta ao acórdão recorrido, ou seja, de que não havia decadência. O conteúdo do próprio acórdão recorrido é revelador de que no âmbito do CARF, mesmo após o referido posicionamento do STJ (decisão transitada em julgado em 22/10/2009), ainda há controvérsia quanto ao prazo de decadência que deve ser aplicado ao lançamento de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados, com base no art. 674 do RIR/1999. O voto vencido constante do acórdão recorrido informa que essa própria Câmara Superior, ao proferir o Acórdão nº 920202.113, em 09/05/2012, fazendo citação expressa de que o art. 62A do RICARF obrigava a utilização da regra do REsp n° 973.733/SC, concluiu que não havia decadência em situação bastante parecida com a destes autos. Nestes termos, não há como alegar que os paradigmas contrariam decisão definitiva do STJ em sede de julgamento de recursos repetitivos (CPC, art. 543C), de modo que a preliminar deve ser rejeitada. Quanto ao mérito, sigo, em certa medida, os primeiros passos do voto vencido constante do acórdão recorrido, quando ele afirma que, em princípio, o IRfonte em questão pode se enquadrar na modalidade do lançamento por homologação: Embora exista controvérsia jurisprudencial quanto ao prazo decadência que deva ser aplicado ao lançamento de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados, com base no art. 674 do RIR/1999, se aquele previsto no § 4º do art. 150 do CTN (lançamento por homologação) ou o do art. 173, inc. I do CTN (lançamento de ofício), entendo que, em princípio, deve ser observado o prazo previsto no art. 150, §4º do CTN. De fato, não vislumbro nestes casos nenhum impedimento para que o sujeito passivo ao invés de reter o IRRF sobre determinado pagamento, identificando o beneficiário, opte por não identificálo e faça o recolhimento do IRRF com base no art. 674 do RIR/1999, assumindo, assim, o ônus do imposto. Embora seja incomum tal situação, pois na maior parte dos casos o IRRF nesses moldes é exigido pelo Fisco mediante a sua constituição por lançamento de ofício, entendo que ela se amolda perfeitamente ao Fl. 2219DF CARF MF Processo nº 19515.002273/200700 Acórdão n.º 9101003.231 CSRFT1 Fl. 20 19 lançamento por homologação, mediante o qual o sujeito passivo apura e recolhe o imposto, sujeitandose à ulterior homologação do Fisco. Acrescento que o fato de a tributação se dar de forma exclusiva na fonte, por si só, não afasta a possibilidade do lançamento por homologação. Realmente, não é nada comum o próprio contribuinte, antes de qualquer procedimento de fiscalização, efetuar recolhimento de IRfonte sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa. Considero relevantes todas as considerações feitas pela PGFN em relação à aplicação do art. 61 da Lei nº 8.981/95. De acordo com a PGFN, sendo "verificada pela entidade um pagamento sem causa por ela realizado, o caminho natural a seguir é a correção dos registros contábeis que espelhem a prática de atos que tenham por desiderato a recuperação dos valores indevidamente subtraídos de seu patrimônio, e nunca o pagamento de IRFonte por esse pagamento indevido". Mas penso, por hipótese, que não podemos defender uma interpretação que coloque o contribuinte em situação de permanente infração, de infração irreversível. Não vislumbro uma situação de simples opção do contribuinte, como está sugerido na transcrição acima. Mas se o contribuinte, por exemplo, tem documentos extraviados, ou por alguma outra razão não tem como contabilizar precisamente algum pagamento (impossibilidade de identificar o beneficiário ou a causa), não se pode negar a ele a oportunidade de regularizar essa situação, ao menos do ponto de vista fiscal, recolhendo o IR fonte por sua própria iniciativa, antes de uma autuação fiscal. É nesse contexto que novamente defendo a idéia de que, em princípio, o IR fonte em questão pode se enquadrar na modalidade do lançamento por homologação. Acompanho também o voto vencido do acórdão recorrido, em sua segunda parte, quando ele defende que, apesar de o IRfonte em questão poder, em princípio, se enquadrar na modalidade do lançamento por homologação, não caberia aqui a aplicação do art. 150, §4º, do CTN. Entretanto, sustento essa conclusão em outras bases, e não propriamente no fato de que não há pagamento de IRRF sobre fatos geradores de mesma natureza daqueles que foram objeto de autuação. Na linha do que foi defendido pelo voto vencedor do acórdão recorrido, mas também em certa medida, penso que o exame da decadência depende da existência de pagamento do tributo em determinado período de apuração, independentemente de esse pagamento se referir a fatos análogos àqueles eventualmente discutidos, da rubrica a que ele se refere, do código de recolhimento utilizado, etc. O que importa é verificar se há uma conexão entre o pagamento de tributo realizado pelo contribuinte e o "fato gerador" autuado, mas, para tanto, é fundamental levar em conta os aspectos material e temporal do tributo. Ocorre que cada fato gerador de IRfonte (cada pagamento efetuado pela fonte pagadora a um beneficiário) é um fato gerador próprio, completo, autônomo, individual, Fl. 2220DF CARF MF Processo nº 19515.002273/200700 Acórdão n.º 9101003.231 CSRFT1 Fl. 21 20 que não se comunica com outras retenções relativas a outros pagamentos feitos pela fonte pagadora (outros fatos geradores). O fato gerador do IRfonte é um típico fato gerador instantâneo. Não há nesse caso a figura do fato gerador complexivo (periódico), como se dá com o IRPJ e a CSLL. Não desconheço que a legislação, em relação ao IRfonte, prevê prazo para recolhimento de um conjunto de retenções efetuadas em um determinado período de tempo (semana, decêndio, quinzena, etc.), mas isso não significa que esse recolhimento, que engloba várias retenções efetuadas pela fonte pagadora, corresponde a um fato gerador complexivo. É interessante observar que o IRfonte tem “prazo de recolhimento”, mas não tem “período de apuração”. Basta verificar o conteúdo do MANUAL DO IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE MAFON editado pela Receita Federal, que se confirma isso. Não tem período de apuração porque os fatos geradores são independentes uns dos outros, não se comunicam, são totalmente autônomos. E se cada fato gerador é único, não há como falar em pagamento parcial de tributo, no sentido defendido pelo acórdão recorrido. É esse contexto que, a meu ver, justifica o entendimento de que a contagem da decadência deve se dar pela regra do art. 173 do CTN, pois não houve nenhum pagamento parcial para os fatos geradores autuados. Não há como utilizar recolhimentos de IRfonte referentes a outras retenções (outros fatos geradores), independentemente do código de recolhimento, da rubrica, etc., para fins de deslocar a contagem da decadência para a regra do art. 150 do CTN. O deslocamento da regra decadencial só seria possível se o contribuinte apresentasse recolhimento parcial de IRfonte para uma determinada retenção feita por ele, o que é difícil de acontecer, e também não é o caso dos autos. Ainda assim, o deslocamento só abrangeria esse específico fato gerador, e não serviria para antecipar a contagem da decadência para todos os demais fatos geradores de IRfonte ocorridos na mesma semana, no mesmo decêndio, na mesma quinzena, no mesmo mês, no mesmo trimestre, no mesmo ano, etc. Novamente, destaco que o fato gerador do IRfonte é um típico fato gerador instantâneo, completo, autônomo, individual. Não houve, portanto, nenhum pagamento parcial para os fatos geradores autuados, de modo que a contagem da decadência deve se dar pela regra do art. 173, I, do CTN. Assim, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da PGFN, afastando a decadência para os débitos de IRfonte sobre pagamento a beneficiário não identificado. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 2221DF CARF MF Processo nº 19515.002273/200700 Acórdão n.º 9101003.231 CSRFT1 Fl. 22 21 Fl. 2222DF CARF MF
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Numero do processo: 14041.000465/2007-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS.
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN).
OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. IRREGULARIDADES NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. CUSTO UNITÁRIO BÁSICO- CUB.
Quando a escrituração contábil não registra o movimento real de remuneração dos segurados empregados em obra de construção civil ou existam discrepâncias que comprometam a confiabilidade desses registros, o lançamento pode ser realizado por arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias com uso da tabela do custo unitário básico da região.
Numero da decisão: 2201-003.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente.
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Assinado digitalmente. Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. IRREGULARIDADES NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. CUSTO UNITÁRIO BÁSICO CUB. Quando a escrituração contábil não registra o movimento real de remuneração dos segurados empregados em obra de construção civil ou existam discrepâncias que comprometam a confiabilidade desses registros, o lançamento pode ser realizado por arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias com uso da tabela do custo unitário básico da região. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Carlos Henrique de Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 04 65 /2 00 7- 73 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 14041.000465/200773 Acórdão n.º 2201003.878 S2C2T1 Fl. 163 2 Assinado digitalmente. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão da DRJ Brasília, que julgou improcedente a impugnação apresentada. Os principais aspectos do lançamento estão delineados de forma clara e elucidativa no relatório da decisão de primeira instância (processo nº 14041.000458/200771), o qual reproduzimos por se tratar de matéria idêntica, nos seguintes termos: Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra PALLISSANDER ENGENHARIA LTDA., através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD 37.085.8808)cujo montante consolidado em 27/06/2007 é de R$ 334.839,82, cientificado o contribuinte em 29/06/2007. Conforme o Relatório Fiscal da Notificação, às fls. 30/39, o notificante informa em síntese: que o objeto do lançamento são as contribuições sociais relativas à parte patronal, devidas pela empresa e não recolhidas em época própria, correspondentes ao emprego de mãodeobra na execução de obra ou de serviços de construção civil, as contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, as contribuições dos segurados empregados não descontadas pela empresa e as destinadas a outras Entidades e Fundos. que constitui fato gerador do crédito tributário ora lançado, a prestação de serviços remunerados pelos segurados empregados, contribuinte individual e cooperado intermediado por cooperativa de trabalho na execução de obra ou serviço de construção civil; que foram solicitados por meio do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD em anexo), de 15 de janeiro de 2007 (data de ciência pelo contribuinte), todos os documentos relativos às obras de construção civil, sendo que a empresa apresentou as folhas de pagamento em relação à matrícula CEI fiscalizada (23.001.00094/75), com as seguintes ocorrências: Fl. 163DF CARF MF Processo nº 14041.000465/200773 Acórdão n.º 2201003.878 S2C2T1 Fl. 164 3 A empresa apresentou as folhas de pagamento de 1997, porém foram apresentadas apenas as totalizações ou resumos mensais não discriminando os nomes dos segurados e não indicando cargo, função ou serviço prestado; Apresentou as folhas de pagamento de 1998, porém foram apresentadas apenas as totalizações ou resumos mensais não discriminando os nomes dos segurados e não indicando cargo, função ou serviço prestado; A empresa apresentou as folhas de pagamento 1999, porém faltando as 13/1999, sendo que foram apresentadas apenas as totalizações ou resumos mensais não discriminando os nomes dos segurados e não indicando cargo, função ou serviço prestado; A empresa apresentou as folhas de pagamento 2000 até a competência 10/2000, porém para as competências 01/2000 e 02/2000 foram apresentadas apenas as totalizações ou resumos mensais não discriminando os nomes dos segurados e não indicando cargo, função ou serviço prestado; Foi emitido um novo TIAD (em anexo), em 23 de janeiro de 2007, reiterando o pedido das folhas de pagamentos, sendo que a empresa apresentou um documento, em anexo, informando que toda a documentação referente às obras já havia sido entregue na ocasião do primeiro TIAD, motivo pelo qual foram emitidos os AutosdeInffação n. 37.085.8760 e n. 37.085.8778. que em relação aos Registros Contábeis, mais especifícamente os Livros Diário e Razão foi verificado que em diversas matrículas CEI de obras de construção civil, apesar de a empresa ter apresentado diversas folhas de pagamentos, a empresa deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; que foram emitidos dois TIADs, ambos em anexo, de 14 de fevereiro de 2007 e 2 de março de 2007, solicitando informações específicas sobre o número do Livro Diário, bem como os números das contas e das páginas dos registros contábeis de 1997 até 2006 dos fatos geradores de todas as contribuições sociais a cargo da empresa, as contribuições sociais previdenciárias descontadas dos segurados, as decorrentes de subrogação, as retenções, bem como os totais recolhidos para as obras de construção civil matriculadas no CEIs ns° 230010018073, 369400072574, 230010016976 e 2300100171 75, sendo que a empresa apresentou documentos, em anexo, declarando não ser possível identificar as solicitações; que por ser a escrituração contábil indivisível, conforme art. 380 do Código de Processo Civil, uma vez constatado que parte da contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, esta será desconsiderada na sua totalidade e utilizada como meio de prova do não cumprimento Fl. 164DF CARF MF Processo nº 14041.000465/200773 Acórdão n.º 2201003.878 S2C2T1 Fl. 165 4 da obrigação acessória prevista no II, do art. 32 da Lei n. 8.212/91, combinado com o inciso II do § 13 do art. 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06 de maio de 1999, por isso a contabilidade foi desconsiderada para todas as obras nos exercícios de 1997 até 2006, motivo pelo qual foi lavrado o Auto de Infração n. 37.085.8786. que diante da apresentação deficiente da documentação relativa à obra e da conseqüente falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil, bem como da constatação pela fiscalização de que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço referente à essas obras, fezse necessário a utilização do procedimento da Aferição Indireta para apuração da base de cálculo das contribuições sociais, como preconiza os §§ 3o, 4o e 6o do art. 33 da Lei n. 8.212/91; que segundo informações prestadas pela Pallissander, as obras dos lotes 05 e 06 não foram executadas pela empresa, apesar de constarem na respectiva matrícula CEI, como a empresa não apresentou as alterações na matrícula CEI, o procedimento foi feito de ofício, passando a constar no cadastro apenas o Lote 07, Blocos “A” e “B” com a sua respectiva área; que tratase da construção de dois Edifícios Residenciais (Blocos “A” e “B” com área total de 8.045,04 m2, conforme Alvará de Construção, que foi considerado como início da obra 29 de março de 19996 (Nota Fiscal de aquisição de concreto usinado vinculada à obra) e quanto ao término da obra a empresa apresentou o Habitese Parcial do Bloco “A”, com área de 6.984,72 m2; que foi verificado a conclusão de 6.984,72 m2 através das Cartas de Habitese parcial (Bloco “A”), logo o enquadramento foi feito pela área total do projeto, submetida à aplicação de redutores, apurandose as contribuições proporcionalmente à área já construída, constantes dos habitese parciais entregues pela empresa, em consonância com o art. 464 da IN SRP n. 03 que o enquadramento da obra foi realizado de acordo com os procedimentos descritos nos arts. 436, 437, 438, 439, 440 e 441 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Previdenciária (SRP) n. 03, de 14 de julho de 2005. que o Custo Global da Obra foi obtido a partir do enquadramento e mediante a multiplicação do CUB Custo Unitário Básico, correspondente ao tipo de obra, pela sua área total, submetida à aplicação de redutores, conforme previsto no art. 449 da IN SRP n. 03. Ressaltouse que foi utilizada a tabela CUB divulgada pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal, publicadas no mês da apuração do débito, referentes ao CUB obtido para o mês anterior. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 14041.000465/200773 Acórdão n.º 2201003.878 S2C2T1 Fl. 166 5 que no cálculo da área construída, que equivale à área total submetida à aplicação de redutores, foi aplicado o redutor (50% áreas cobertas) para área de Subsolo (1.409,10 m2 Bloco “A” e 390,9 m2 Bloco “B”), conforme discriminado no Alvará de Construção; que a Remuneração da MãodeObra (RMT) despendida na obra foi calculada mediante a aplicação dos percentuais definidos no art. 443 da IN SRP n. 03 na proporção do escalonamento por área, sobre o Custo Global da Obra, e somando os resultados obtidos em cada etapa; que foram observadas as determinações contidas no arts. 446 e 447 da IN SRP n. 03, em relação às contribuições recolhidas com vinculação inequívoca à obra, para a conversão da remuneração relativa ao recolhimento em área regularizada; que para a conversão da remuneração em área regularizada foi verificada a existência de NFLD ou LDC, relativos à obra, de valor pago a cooperativa de trabalho, cuja nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviço esteja vinculado inequivocamente à obra, bem como de nota fiscal ou fatura de aquisição de concreto usinado, de massa asfáltica ou de argamassa usinada, utilizados inequivocamente na obra, conforme preconiza o art. 448 da IN SRP n. 03, de 14 de julho de 2005. que os quadros demonstrativos das remunerações consideradas para conversão em área regularizada encontramse anexos ao relatório; que os cálculos da área a regularizar e da área regularizada foram feitos através do sistema informatizado DRO, conforme ARO, em anexo; que como o débito foi apurado por aferição indireta, não ficou constatada a retenção pela empresa da contribuição dos segurados, não se configurando, portanto, o crime de apropriação indébita; DA IMPUGNAÇÃO Cientificada em 29 de junho de 2007, a notificada, em 24 de julhó de 2007, tempestivamente, contestou o lançamento, por meio do instrumento constante às folhas 130 a 133, alegando, em síntese que: . que foram fornecidos ao auditor a tempo e hora, tudo que foi solicitado, de maneira íntegra e decente; que esclarece terem sido emitidos TIADs, sendo que nas correspondentes respostas aos mesmo a empresa alegou a impossibilidade de identificar as solicitações feitas nestas solicitações, deuse não por ato furtivo, muito menos por falta de interesse por parte da empresa, mas simplesmente pelo fato de que os documentos através dos quais, se extrairía o esclarecimento das informações Fl. 166DF CARF MF Processo nº 14041.000465/200773 Acórdão n.º 2201003.878 S2C2T1 Fl. 167 6 solicitadas já estavam de posse da Auditoria, restando assim a impossibilidade real da empresa em atender a demanda requerida; que a fiscalização optou pelo Sistema de Aferição Indireta para realizar o Levantamento dos Diferenciais, sendo que dentro desse próprio levantamento, para tanto, a fiscalização apropriouse de Notas Fiscais, Documentos e Recolhimentos dentro da correspondente competência. Sendo assim, não resta dúvida que, para o cumprimento do Princípio da Justiça, entende ser necessária a aplicação da competência no saldo de contribuições remanescentes, sendo que a forma como foi feito o levantamento penaliza sobremaneira a empresa; que caso não seja devidamente desconsiderada e nula a presente NFLD, solicita que sejam feitos novos cálculos, respeitandose a Competência. Esse cálculo deve apresentar a divisão da Área a Regularizar pelos meses de construção para depois multiplicar se o CUB do mês pela quantidade de metros quadrados; tv que os imóveis construídos foram sob Regime de Cooperativa destinados à rede de funcionários públicos e profissionais liberais, optouse por um acabamento de menor custo, o que caracteriza dentro da tabela SINDUSCON, enquadramento ao nível baixo; que foram efetivamente construídos pela Construtora somente uma área de 6.984,72 m2 correspondente ao Bloco “A” do Alvará de Construção, sendo que o Bloco “B” teve sua área de terreno vendida, portanto a área de 1.060,32 é de responsabilidade do Adquirente do terreno e não da Construtora; por fim requer nulidade e desconsideração total da NFLD, tendo em vista a fragilidade dos trabalhos feitos pela fiscalização, uma vez que existem fatos concretos de que não foram apropriados todos os valores que foram recolhidos e que a sistemática, em si, já fere de morte o princípio constitucional da ampla defesa. A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo: OBRA DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA JURÍDICA AFERIÇÃO INDIRETA. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil é obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao interessado o ônus da prova em contrário. Na aferição indireta, para a apuração do valor da mãodeobra empregada na execução de obra de construção civil, em se tratando de edificação, serão utilizadas as tabelas do Custo Unitário Básico (CUB), divulgadas mensalmente na Internet ou na imprensa de Fl. 167DF CARF MF Processo nº 14041.000465/200773 Acórdão n.º 2201003.878 S2C2T1 Fl. 168 7 circulação regular, pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil. Cientificado do inteiro teor da decisão em 30/06/2008 (fl. 157), o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário, tempestivamente, em 29/07/2008 (fls. 227/257), alegando, em síntese, que: 1) Preliminarmente Não ocorreu o fato gerador; A decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário. 2) No mérito relata o procedimento de aferição indireta efetuado para ao final requerer o provimento do recurso. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Prejudicial de mérito Decadência Após a Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal STF, que declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4° do CTN, o CARF sumulou o entendimento acerca do que se entende por pagamento parcial para fins de aplicação da regra decadencial. De acordo com a Súmula nº 99, considerase que houve pagamento parcial ainda quando os recolhimentos efetuados não se refiram à parcela remuneratória objeto do lançamento: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 14041.000465/200773 Acórdão n.º 2201003.878 S2C2T1 Fl. 169 8 De acordo com o Aviso de Regularização da Obra ARO de fls. 51/52 e documentos que servemlhe de fundamento, a obra de construção civil vertente teve início em 01/01/1996 e foi finalizada em 29/09/2000. Referido documento aponta a existência de 12 recolhimentos, com regularização parcial da obra. Todavia, não se constatou recolhimento parcial dentro de uma mesma competência, atraindo a incidência do prazo de contagem estabelecido pelo art. 173, I, do CTN. A ciência do presente lançamento se deu em 29/06/2007 (fl.02). Assim, todo o período do lançamento está decadente. Destarte, o recurso voluntário merece provimento, reconhecendose a decadência do crédito tributário Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para darlhe provimento, reconhecendo a decadência do crédito tributário. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 169DF CARF MF
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