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Numero do processo: 10907.720606/2013-38
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
AGENTE MARÍTIMO. ALEGAÇÃO ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA.
O Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, responde pelas penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira, em razão de expressa determinação legal.
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA.
Encontra-se eivado de vício insanável o Acórdão que se fundamenta em situação diversa da realidade fática dos autos.
Numero da decisão: 3002-000.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário e determinar a devolução do processo à instância "a quo" para que profira novo julgamento. Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 AGENTE MARÍTIMO. ALEGAÇÃO ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, responde pelas penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira, em razão de expressa determinação legal. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA. Encontra-se eivado de vício insanável o Acórdão que se fundamenta em situação diversa da realidade fática dos autos.
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ALEGAÇÃO ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O Agente Marítimo, por ser o representante do transportador estrangeiro no País, responde pelas penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira, em razão de expressa determinação legal. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA. Encontrase eivado de vício insanável o Acórdão que se fundamenta em situação diversa da realidade fática dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário e determinar a devolução do processo à instância "a quo" para que profira novo julgamento. Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 06 06 /2 01 3- 38 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10907.720606/201338 Acórdão n.º 3002000.480 S3C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1294.838 da DRJ/RJO, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre carga transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, conforme relatório da 4ª Turma da DRJ/RJO (fls. 42/46), exarado nos seguintes termos: "Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Os fundamentos para esse tipo de autuação nesse conjunto de processos administrativos fiscais são os seguintes: As empresas responsáveis pela desconsolidação da carga lançaram a destempo o conhecimento eletrônico, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Caso não se concluindo nesse prazo é aplicável a multa. Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que de fato as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira.". Analisando os argumentos do contribuinte, a DRJ/RJO julgou improcedente a Impugnação (fls. 21/31), deixando "de acolher as preliminares trazidas pela interessada, eis que as argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade não estão afetas ao julgador administrativo", por considerar que o Agente Marítimo é o legitimo representante do transportador estrangeiro no País, ou seja, "alegação acerca de ausência de tipicidade e motivação também devem cair por terra, ou mesmo sobre ilegitimidade passiva" portanto responde pela a infração, que deve ser mantida a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003 e, por fim, não pode ser aplicado o instituto da denúncia espontânea, por Acórdão dispensado de ementa, de acordo com a Portaria RFB nº 2.724/2017. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10907.720606/201338 Acórdão n.º 3002000.480 S3C0T2 Fl. 4 3 O contribuinte cientificado da decisão, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 56/66) requerendo a reforma do Acórdão recorrido, tendo em vista: a) "a violação ao art. 9º do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, ante a ausência de elementos fundamentais à Recorrente no tocante a indicação das rubricas sobre as quais a fiscalização visualizou os atos infratores, posto que deixou de juntar auto de infração os documentos que comprovariam tais ocorrências" b) a "ausência de responsabilidade pela prestação das informações" alegando que "não agiu em nome próprio, mas na qualidade de mandatária (representante) internacional do agente de carga no exterior", c) que "não poderia ser autuada com base em legislação que ainda não tinha entrado em vigência" d) invocou o art. 112 do CTN, informando que "dúvida não existe quanto à inexistência de prática infratora" e, por fim, e) invocou os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão em análise consiste em saber se o contribuinte poderia sofrer a penalidade aplicada pela fiscalização de acordo com o art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966. Nulidade da Decisão de Primeira Instância Alega o contribuinte em sua Impugnação (fls. 21/31) a "ausência de elementos fundamentais à Recorrente no tocante a indicação das rubricas sobre as quais a fiscalização visualizou os atos infratores, posto que deixou de juntar auto de infração os documentos que comprovariam tais ocorrências" violando assim, o artigo 9º do Decreto nº 70.235, de 1972 , ausência de responsabilidade, alegando que "não agiu em nome próprio, mas na qualidade de mandatária (representante) internacional do agente de carga", denúncia espontânea, que "não poderia ser autuada com base em legislação que ainda não tinha entrado em vigência", invocou o art. 112 do CTN, informando que "dúvida não existe quanto à inexistência de prática infratora" e, por fim, os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Da leitura do voto proferido pela DRJ nos leva à conclusão de omissão sobre questões relevantes trazidas pela recorrente, quais sejam, a obrigatoriedade dos prazos contido na IN SRF nº 899/2008 a partir de 1º de abril de 2009 e sobre a aplicação da interpretação mais favorável ao contribuinte. Sendo assim, concluo que o Acórdão recorrido deixou de analisar fundamentos específicos e peculiares ao presente caso, essenciais à solução da contenda. No meu entender, portanto, a decisão recorrida revestese de vício intransponível de motivação, apta a configurar a preterição do direito de defesa do contribuinte, nos moldes do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10907.720606/201338 Acórdão n.º 3002000.480 S3C0T2 Fl. 5 4 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). (grifado). Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a nulidade do Acórdão recorrido, determinando a devolução do processo à instância "a quo" para que profira novo julgamento. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.720965/2010-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2005
NULIDADE. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA CONFIGURAR VÍNCULO EMPREGATÍCIO. NORMAS PREVIDENCIÁRIOS. INCIDÊNCIA.
O agente fiscal é competente para verificar a relação fática jurídica no que a análise de vinculo de emprego para fins das normas previdenciárias, em especial no que diz respeito ao no inciso I, alínea "a", do art. 12, da Lei nº 8.212, de 1991.
Assim, verifica da as circunstâncias definidas pela legislação como necessárias e suficientes a sua ocorrência, deve o fiscal proceder ao lançamento correspondente ao fato gerador identificado, cumprindo com o exigido em lei no que tange aos lançamentos efetuados.
FATO GERADOR DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. CONFIGURAÇÃO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE.
Constatando a Autoridade lançadora os requisitos determinados na alínea a, do inciso I, do artigo 9º, do Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, que aprova o Regulamento da Previdência Social RPS, que elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto tomador de serviços e o tido prestador de serviços, deverá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, consoante o artigo 229, do , § 2º, do Regulamento da Previdência Social - RPS.
A autoridade fiscal tem o poder-dever de desconsiderar os contratos pactuados das pessoas jurídicas envolvidas com a contribuinte de fato, e que são realizados por pessoas físicas, médicos, identificadas como sócios e com exclusividade, utilizando o princípio da primazia da realidade, quando identificado os elementos caracterizadores do vinculo empregatício nas legislação previdenciária.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF N.º 119.
Nos termos da Súmula CARF n.º 119, para as multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-005.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares,e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Junior.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2005 NULIDADE. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA CONFIGURAR VÍNCULO EMPREGATÍCIO. NORMAS PREVIDENCIÁRIOS. INCIDÊNCIA. O agente fiscal é competente para verificar a relação fática jurídica no que a análise de vinculo de emprego para fins das normas previdenciárias, em especial no que diz respeito ao no inciso I, alínea "a", do art. 12, da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, verifica da as circunstâncias definidas pela legislação como necessárias e suficientes a sua ocorrência, deve o fiscal proceder ao lançamento correspondente ao fato gerador identificado, cumprindo com o exigido em lei no que tange aos lançamentos efetuados. FATO GERADOR DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. CONFIGURAÇÃO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. Constatando a Autoridade lançadora os requisitos determinados na alínea a, do inciso I, do artigo 9º, do Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, que aprova o Regulamento da Previdência Social RPS, que elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto tomador de serviços e o tido prestador de serviços, deverá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, consoante o artigo 229, do , § 2º, do Regulamento da Previdência Social - RPS. A autoridade fiscal tem o poder-dever de desconsiderar os contratos pactuados das pessoas jurídicas envolvidas com a contribuinte de fato, e que são realizados por pessoas físicas, médicos, identificadas como sócios e com exclusividade, utilizando o princípio da primazia da realidade, quando identificado os elementos caracterizadores do vinculo empregatício nas legislação previdenciária. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF N.º 119. Nos termos da Súmula CARF n.º 119, para as multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares,e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2249; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 344 1 343 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.720965/201068 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.581 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de setembro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente SM ASSESSORIA EMPRESARIAL E GESTÃO HOSPITALAR LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 31/12/2005 NULIDADE. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA CONFIGURAR VÍNCULO EMPREGATÍCIO. NORMAS PREVIDENCIÁRIOS. INCIDÊNCIA. O agente fiscal é competente para verificar a relação fática jurídica no que a análise de vinculo de emprego para fins das normas previdenciárias, em especial no que diz respeito ao no inciso I, alínea "a", do art. 12, da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, verifica da as circunstâncias definidas pela legislação como necessárias e suficientes a sua ocorrência, deve o fiscal proceder ao lançamento correspondente ao fato gerador identificado, cumprindo com o exigido em lei no que tange aos lançamentos efetuados. FATO GERADOR DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. CONFIGURAÇÃO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. Constatando a Autoridade lançadora os requisitos determinados na alínea “a”, do inciso I, do artigo 9º, do Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, que aprova o Regulamento da Previdência Social RPS, que elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e o tido “prestador de serviços”, deverá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, consoante o artigo 229, do , § 2º, do Regulamento da Previdência Social RPS. A autoridade fiscal tem o poderdever de desconsiderar os contratos pactuados das pessoas jurídicas envolvidas com a contribuinte de fato, e que são realizados por pessoas físicas, médicos, identificadas como sócios e com exclusividade, utilizando o princípio da primazia da realidade, quando identificado os elementos caracterizadores do vinculo empregatício nas legislação previdenciária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 09 65 /2 01 0- 68 Fl. 3666DF CARF MF 2 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF N.º 119. Nos termos da Súmula CARF n.º 119, para as multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares,e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Bellini Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela SM ASSESSORIA EMPRESARIAL E GESTÃO HOSPITALAR LTDA., contra o Acórdão de Julgamento proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento Salvador BA (6ª Turma da DRJ/SDR), que julgou parcialmente procedente impugnação e manteve as demais disposições do crédito tributário lançado. Conforme relatório fiscal (fls. 19 e seguintes do eprocesso,) o Auto de Infração, identificado pelo DEBCAD nº 37.264.2012, lavrado em nome da empresa SM ASSESSORIA EMPRESARIAL E GESTÃO HOSPITAL LTDA, para a cobrança de contribuições previdenciárias relativas à parte dos segurados devida no período de fevereiro de 2005 a maio de 2005, inclusive 13º de 2005, com valor atualizado de R$73.603,26 (setenta e três mil seiscentos e três reais e vinte e seis centavos), acrescido de juros, multa de mora. Fl. 3667DF CARF MF Processo nº 10530.720965/201068 Acórdão n.º 2301005.581 S2C3T1 Fl. 345 3 O relatório do Acórdão recorrido (fls. 3.573, e seguintes do eprocesso), descreve o seguinte: "De acordo com o Relatório Fiscal, foram encontradas divergências de Base de Cálculo e desconto de segurados entre os resumos de folhas de pagamento apresentadas em meio papel confrontadas com os valores Declarados em GFIP. Anexa planilha Divergências FOPAG X GFIP, Anexo III – FOPAG X GFIP. O Relatório informa que foram encontrados ainda, pagamentos a contribuintes individuais (prestadores de serviços diversos) nos Livro Razão 09 (pag. 89 e 112), 15 (pág. 138) e 17 (pág. 117), Conta 4.1.03.010.0001 003991 SERVIÇOS PRESTADOS PF, sem terem sidos oferecidos à tributação, sem constar em folha de pagamento e GFIP, bem como sem o respectivo desconto (Livro Razão 15 e 17) da "parte segurados", prevista na Lei obrigação acessória. A contribuição dos contribuintes individuais prevista na Lei nº10.666/2003 foi calculada à alíquota de 11%. O Relatório fiscal informa que a empresa não possuía convênios com Outras Entidades, entretanto, face aos mandados de seguranças impetrados contra o INSS, vinha informando as GFIP's e recolhendo da seguinte forma: A empresa informou nas GFIP's competência 01/2005, 02/2005, 04/2005 a 11/2005, código de terceiros (0049 FNDE, SENAC e SESC), competências 03/2005 e 13/2005 , código de terceiros (113 FNDE, SENAC, SESC e SEBRAE) e competência 12/2005 código de terceiros (115 FNDE, SENAC, SESC , SEBRAE e INCRA). Tais diferenças foram cobradas em débito separado constituído nesta ação fiscal Foram considerados no procedimento fiscal, todos os pagamentos feitos em época própria através de GPS Guia da Previdência Social cód. 2100, 2119, 2631 e 2640. Foram considerados ainda os valores de compensação e dedução salário família e maternidade declarados em GFIP. Os créditos foram apropriados no levantamento FP FOPAG DECLARADA, PL PROLABORE DECLARADO e CT COOPERATIVA DE TRABALHO DECLARADA. As sobras de GPS por competência foram apropriadas nos demais levantamentos objeto da ação fiscal. O RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados demonstra todas as apropriações realizadas, inclusive as presentes em levantamento e competências de Valores Declarados em GFIP, não considerados neste débito. Foram aplicadas as seguintes alíquotas: 2,5% Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE): Art. 212 § 5° da Constituição Federal; Leis ns. 9.424, de 24/12/1996 e 9.766, de 18/12/1998, e Decreto n°. 3.142, de 16/08/1999, com a redação dada pelo Decreto n°. 4.943, de 30/12/2003, e Decreto n°. 6.003, de 28/12/2006; Fl. 3668DF CARF MF 4 0,2% Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA): Lei n°. 2.613, de 23/09/1955 e DecretosLeis ns. 1.146, de 31/12/1970 e 1.989, de 28/12/1982; Alíquota 1,0% Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC): DecretosLeis ns. 8.621 e 8.622, de 10/01/1946; Alíquota 1,5% Serviço Social do Comércio (SESC): DecretoLei n°. 9.853, de 13/09/1946 e Decreto n°. 60.466, de 14/03/1967; Alíquota 0,6% Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (SEBRAE): Decreto n°. 90.414, de 07/11/1984; Lei n°. 8.029, de 12/04/1990, com a redação dada pela Lei n°. 11.080, de 30/12/2004 e Decreto n°. 99.570, de 09/10/1990; O Relatório informa que a empresa enquadrase no FPAS 5150, Terceiros 115 e ainda CNAE Fiscal Código Nacional de Atividades Econômicas 7020400 e CNAE 7416.0, que não foram recolhidas em época própria, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados. O crédito foi apurado através dos seguintes levantamentos: FN FOPAG NÃO DECLARADA, que corresponde aos valores pagos aos empregados, apurados a partir das folhas de pagamento, efetivamente apresentadas, não declarados em GFIP. CA CARACTERIZAÇÃO SEGURADO EMPREGADO que corresponde à remuneração aferida por pessoas caracterizadas como segurados empregados, através da análise dos contratos de prestação de serviços por pessoa jurídica" (CONTRATADOS), onde se evidencia a utilização simulatória da roupagem da pessoa jurídica para encobrir prestação efetiva de serviços por uma específica pessoa física (sócio da empresa). Para justificar a caracterização de segurado empregado, o auditor explica que as provas sinalizam no sentido de que houve uma contratação, em verdade, da pessoa física de médicos, fisioterapeutas, dentistas, assessores e gestores, radiologistas, técnico de segurança do trabalho inclusive com pessoalidade. Diz que a constituição e contratação por intermédio da pessoa jurídica operouse unicamente com o intuito de fraudar a legislação trabalhista, tendo sido a contratação efetivada, em verdade, em virtude da pessoa física do prestador. Ressalta que a prestação pessoa jurídica tinha por certa a prestação dos serviços pela pessoa física. Tanto assim que, realizada a contratação, o nome dos sócios constavam nos Boletins de Medição dos serviços prestados, ora prestando plantões, recebendo produtividade médica, diárias, ficando de sobreaviso, substituindo outro profissional, autorizando pagamentos pela empresa, passagem de enfermaria, enfim atividades típicas de funcionários empregados. O Relatório transcreve cláusulas contratuais para demonstrar que a empresa contratante, SM Assessoria tinha ingerência direta na contratada. Fl. 3669DF CARF MF Processo nº 10530.720965/201068 Acórdão n.º 2301005.581 S2C3T1 Fl. 346 5 CLÁUSULA TERCEIRA DAS OBRIGAÇÕES DA CONTRATADA São obrigações da CONTRATADA: c) fornecer relação nominal dos profissionais a serem utilizados na prestação dos serviços, indicando a especialidade e juntando o respectivo currículo; o) guardar sigilo absoluto inclusive através de seus sócios, empregados e prepostos, de toda e qualquer informação e/ou documento que tiver conhecimento em razão da execução do objeto do presente Contrato, sendo vedada a sua divulgação ou reprodução total ou parcial sob qualquer pretexto ou objetivo, sem a prévia autorização da CONTRATANTE; r) informar à CONTRATANTE, qualquer modificação na sua composição social Diz que isso acentua a necessidade que tinha, a CONTRATANTE, de que o prestador pessoa física e ele, pessoalmente, comparecesse para prestar o serviço. Afirma que o contrato era feito para que aquele determinado médico ou profissional, com aquela determinada qualificação, cumprisse, pessoalmente, o contrato firmado. Não poderia ele mandar outro médico ou profissional qualquer em seu lugar, à medida que precisava avaliar o curriculum antes. Para demonstrar a não eventualidade, fala da responsabilidade de comparecimento em determinado dia da semana para um plantão de 24 horas, prestação habitual de serviço. As notas fiscais demonstram que os contratados recebia, mensalmente, uma quantia equivalente ao trabalho prestado à contratante, ou seja, uma remuneração. Para demonstrar a subordinação argumenta que a CONTRATANTE administra hospitais na realização dos serviços médicos, administrativos e de enfermagem. Diz que a função do hospital é promover serviços de saúde e que no desempenhar dessa atividade , a empresa precisa de médicos e profissionais de saúde trabalhando. O auditor diz ter constatado não haver médicos com carteira assinada trabalhando para a contratante. Diz que os médicos ora são cooperativados ora são contratados através de pessoas jurídicas e que a noção de subordinação objetiva encaixase com perfeição à hipótese em exame. Argumenta que não se questiona, aqui, a sujeição à pessoa do empregado, mas que o hospital tinha ingerência sobre o modo como a sua atividade fim seria realizada, sobretudo porque nenhum daqueles prestadores era, em tese, seu empregado, todos seguiam o mesmo modus operandi para a consecução da atividade fim do contratante. Transcreve a Cláusula Terceira Das Obrigações da Contratada: São obrigações da CONTRATADA: i) cumprir e lazer cumprir por si, seus sócios, empregados c prepostos, os princípios éticos profissionais as normas e Fl. 3670DF CARF MF 6 procedimentos da CONTRATANTE, da SESAB e do SUS; Diz que sob essa ótica objetivista, não resta dúvida de que o CONTRATADO estava subordinado às ordens da CONTRATANTE, na forma de consecução do contrato firmado, quando teria de informar qualquer modificação no quadro societário da empresa. A subordinação, não estava ligada à pessoa do empregado, mas ao próprio objeto do contrato. Tanto assim, que a CONTRATANTE não possuía qualquer médico que fosse seu empregado. Era necessário, então, que todos os prestadores seguissem um mesmo modo de realização do objeto do contrato, modo este dirigido, coordenado, pela CONTRATANTE. e, ainda, com exclusividade, conforme planilhas anexas com a relação de notas fiscais emitidas pelos CONTRATADOS, com numeração sequenciada para o CONTRATANTE. Transcreve o art. 442 da CLT e afirma que o contrato de trabalho é um contrato realidade, assim, caracterizada a existência dos requisitos da relação de emprego (subordinação, nãoeventualidade, pessoalidade e remuneração) restam nulos os atos praticados com o objetivo de desvirtuálo. Diz que a existência de contrato de sociedade, ou simples contrato de serviço, que mascaram essa realidade, podem ser ignorados sempre que a fiscalização disponha de elementos que comprovam a existência do contrato de trabalho. Afirma que as decisões judiciais da Justiça do Trabalho Tribunal Regional da 5ª. Região, referente a Reclamatórias Trabalhistas, nas quais a SM ASSESSORIA figura como reclamada e como reclamante figuram sócios pessoas físicas que simularam pessoas jurídicas, corroboram o exposto acima pois, as decisões diante do conjunto probatório, e com fundamentação detalhada nas linhas anteriores, aponta para a fraude à legislação trabalhista e, consequentemente, o reconhecimento da relação de emprego entre as partes. Reconhecem o vínculo empregatício e condenam a SM ASSESSORIA a pagar as parcelas decorrentes do vínculo e parcelas rescisórias, anexando cópia das decisões dos processos: 00068.2007.561.05.007, 00067.2007.561.05.002 e 00066.2007.561.05.008. Pelos motivos acima explicitados a fiscalização procedeu ao enquadramento como segurado empregado, tomando como base o art. 229 § 2º do Decreto 3.048/99 e aplicou a alíquota mínima com fundamento na Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de2009. A aferição foi feita conforme Lei nº. 8.212, de 24/07/1991, art. 33 e § 3°, 5° e 6° e Decreto nº. 3.048, de 06/05/1999, arts. 233 e 235 e alterações posteriores. A discriminação clara e precisa dos fatos geradores, bases de cálculo, a discriminação por rubricas, a origem do débito e competências das contribuições apuradas para estes levantamentos, bem como as alíquotas empregadas, bem como as deduções feitas constam no Relatório de Lançamentos RL e o Fl. 3671DF CARF MF Processo nº 10530.720965/201068 Acórdão n.º 2301005.581 S2C3T1 Fl. 347 7 montante apurado por competência, bem como o montante para o período de lançamento do débito, inclusive com juros SELIC e multa constam no relatório Discriminativo do Débito DD, também anexo. Foram aplicadas a alíquota de 8%. A fim de instruir o processo administrativo junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) foram juntadas planilhas demonstrativas, com a relação das pessoas caracterizadas segurados empregados, contratos de prestação de serviços da CONTRATANTE, Notas fiscais de prestação de CONTRATADOS, movimento financeiro, boletim de medição de serviços de CONTRATADOS, documentos comprobatórios do Gestor da SM ASSESSORIA, cópias de processos de decisões da Justiça do Trabalho, que comprovam os fatos mencionados em cada levantamento. Após seus argumentos em sede de impugnação terem sidos acolhidos parcialmente, a recorrente apresenta Recurso Voluntário nas fls. 4.586 e seguintes do e processo, aduzindo o seguinte: Preliminarmente, a incompetência do agente fiscal para declarar a existência da relação de trabalho, que seria exclusiva da "justiça do trabalho". No mérito alega: a improcedência do auto de infração, em razão da não ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias sociais, uma vez que não haveria elementos caracterizadores para a caracterização de vinculo empregatícios, trazendo uma série de argumentos contrários à decisão de primeira instância quanto a aplicação da legislação previdenciária, e consequemente não haveria tributo a ser recolhido. erro na base de cálculo. aplicação da multa mais benéfica. Diante dos fatos narrados, é o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso voluntário apresentado está revestido do quesito formal da tempestividade e é de competência desse colegiado. Portanto, dele o conheço. DA PRELIMINAR DA COMPETÊNCIA DO AGENTE FISCAL A recorrente alega incompetência do agente fiscal em caracterizar vínculos empregatícios, referente a prestadores de serviços que mantiveram relações jurídicas com a contribuinte. Fl. 3672DF CARF MF 8 Nesse tópico, a preliminar arguida de nulidade guarda relação em dispositivo específicos no PAF. No processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59, do Decreto 70.235, de 1972: "Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.)". Grifei. Nesse quesito, a recorrente alega que o fiscal não seria competente para declarar a relação de vinculo empregatício em relação à seara trabalhista entre a recorrente e seus prestadores de serviços. Na realidade, o agente fiscal não declarou irregular o vinculo empregatício em relação ao direito trabalhista, mas sim perante a norma previdenciária entre as partes envolvidas, tendo em vista que descaracterizou uma operação jurídica que configura em si a possibilidade de incidência da norma tributária. Nesse sentido, o § 2°, do art. 229 do Decreto n° 3.048/1999, dispõe o seguinte: "§ 2o Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado". Com isso, o segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social RGPS qualificado com “segurado empregado” não é aquele definido no art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, mas, sim, a pessoa física especificamente conceituada para fins previdenciários no inciso I, do art. 12, da Lei nº 8.212, de 1991, assim descritas: "Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Fl. 3673DF CARF MF Processo nº 10530.720965/201068 Acórdão n.º 2301005.581 S2C3T1 Fl. 348 9 Portanto, sem razão a recorrente, uma vez que a fiscalização detém competência para analisar a situação fática jurídica de cada caso, baseada em provas e indícios, e determinar, conforme as normas vigentes, a relação de vínculo empregatício para fins de incidência tributária, e tão somente para esse fim, não havendo correlação com a esfera judicial, salvo se essa segunda determinar situação diversa do entendimento fiscal. DO MÉRITO DA INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS A presente autuação referese à fiscalização seletiva com o objetivo de analisar contribuições incidentes sobre as remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais (prestadores de serviços diversos), no período de 01/2005 a 12/2005. Com isso a autuação, que foi julgada parcialmente procedente, gira em torno de possível ocorrência de vínculo empregatício entre a recorrente e os prestadores de serviços, pessoas físicas revestidas por pessoas jurídicas, e estariam caracterizados com os elementos de vínculos impostos pela CLT: pessoalidade, onerosidade, subordinação e não eventualidade. Com visto acima o art. 12, inciso I, item "a", da Lei nº 8.212, de 1991, incide os seguintes requisitos para caracterizar para fins da legislação previdenciária, sendo aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado. Imperioso, portanto, o princípio da primazia da realidade. A fiscalização desconsiderou os contratos de prestação de serviços firmados, asseverando que os serviços foram prestados pelas pessoas físicas com os requisitos característicos da relação e emprego. Cumpre esclarecer que, em seu recurso a recorrente aborda o tema partindo da premissa de que nem toda "atividade meio" teria a característica da "atividade fim". Para que seja analisado de forma adequada sua alegação, é importante reportar ao núcleo principal da atividade da empresa. Conforme se constata do contrato social da contribuinte (página. 3.424), na clausula 2ª: "a sociedade tem por objeto social a prestação de serviços de assessoria empresarial, gestão hospitalar, serviços médicos, bem como a promoção, administração, e desenvolvimento de entidades na área da saúde". Em seu recurso, a recorrente alega o seguinte: "57. Logo, alguns serviços, justamente por serem especializados, a exemplo dos serviços médicos, de enfermagem, de laboratório, radiologia e planejamento, foram contratados de empresas especializadas em cada ramo de atividade em razão do (art. 982"). Fl. 3674DF CARF MF 10 Com isso, constatase que a própria recorrente alega que os serviços contratados foram para justamente atuar conforme o próprio contrato social da empresa., ou seja: para a atividade fim da sociedade empresarial. Nesse sentido, analisando os contratos trazidos pela fiscalização podese concluir, sem dúvida alguma, que todos eles atendiam às "atividades fim" da empresa recorrente. Notase que, não foram juntados, pela fiscalização na autuação, contratos de atividade meio com a descrição acima, a exemplo de um serviço de copeiro, atendente, segurança (guarda), ou outra atividade que pudesse ser considerada "atividade meio" em relação ao objeto social da empresa autuada. Todos contratos celebrados e utilizados pelo fisco foram específicos na área da saúde para serviços médicos. Portanto, diferente do que argumenta o sujeito passivo, os contratos analisados possuem correlação direta com a situação de atividade fim da empresa recorrente. DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A par dos conceitos trazidos pela fiscalização ou pela recorrente, o que realmente importa é ter a caracterização dos elementos de sujeição e dependência pelos prestadores de serviço. Nesse contexto, quanto à subordinação, entendo não ter relevância predominante de qual é o melhor conceito jurídico adotado para definir o que vem a ser subordinação, tanto por quem acusa (fiscalização) quanto por quem se defende (contribuinte). O que, ao meu ver, é mais importante e necessário são as provas que possam formar a convicção do julgador ao presente caso e que vão caracterizar, aí sim, a subordinação pelas partes envolvidos no contrato pactuado e trazido aos autos. Nesse sentido, a fiscalização diz que (fls. 31 e seguintes): "Constatase nas ação fiscal que “não há médicos com carteira assinada trabalhando para a CONTRATANTE, ora são cooperativados ou contratados através de pessoas jurídicas”. (...) Tanto assim, repisese, que as CONTRATANTE não possuía qualquer médico que fossem seu empregado. Era necessário, então, que todos estes prestadores seguissem um mesmo modo de realização do objeto do contrato, modo este dirigido, coordenado, pela CONTRATANTE. E ainda com exclusividade, conforme planilhas anexas com as relação de notas fiscais emitidas pelos CONTRATADOS, com numeração seqüenciada para o CONTRATANTE". Já a recorrente alega que: "76. Dessa forma, resta comprovado também que a simples padronização dos contratos de prestação de serviços não são suficientes para caracterizar o vínculo empregatício, e, portanto, não prospera a fundamentação de que "os contratos celebrados pela impugnante com as prestadoras são contratos padrões" para a caracterização de tal vínculo". Fl. 3675DF CARF MF Processo nº 10530.720965/201068 Acórdão n.º 2301005.581 S2C3T1 Fl. 349 11 Nesse ponto, no quesito subordinação, compreendo que a recorrente não obrou afastar a acusação do fisco em seu recurso. De fato, somente a padronização do contrato não tem o condão de por si só configurar o vínculo empregatício, mas é um forte indício de que os profissionais que entravam no "setor médico", na qual prestavam serviços na atividade fim da empresa, eram consequente contratados por meio de pessoas jurídicas, e que deveriam reportar obediência à recorrente. Os contratos previam que os contratados deveriam informar lista com currículos para Isso porque, poderia sim a recorrente ter algum tipo de contrato terceirizado, mas o que chamou atenção do fisco foi que nenhum especialista na área médica era contratado por meio da CLT, podendo disfarçar a possível ocorrência do fato gerador do tributo. No que diz respeito à pessoalidade, o fisco constatou que todos, ou grande parte dos contratados, seriam executados pelos próprios sócios das pessoas jurídicas. Os que não foram considerados assim, tiveram afastadas da autuação a caracterização de vinculo empregatício. Nesse sentido, verifico que a recorrente não apontou outros elementos ou obrou afastar a acusação de que um profissional sozinho prestava serviço por meio da pessoa jurídica, e somente ele. Por exemplo, poderia a recorrente trazer ao feito notas fiscais de alguns prestadores de serviços para outras empresas que não a recorrente. Seria ao menos uma prova que pudesse afastar o quesito "exclusividade". Já quanto à onerosidade, ficou constatado que os serviços prestados diretamente pelas pessoas físicas eram remunerados de maneira mensal. Isso pode ser verificado nos contratos juntados pelo fisco, pois na sua grande maioria o período de pagamento era acertado em média por 12 (doze) meses, podendo ser renovado a critério das partes, mas que exigia que toda e troca de profissional fosse comunicado à contratante e que fosse submetido currículo de novo profissional á contratante. Fato esse que, além de configurar uma possível subordinação, exigia de forma indireta que as pessoas físicas que estivessem no contrato da pessoa jurídica fossem as únicas a prestarem os serviços, e que numa eventual substituição dessas pessoas a recorrente deveria ter ciência, não havendo liberdade dos contratados de direcionar ao serviço o profissional que fosse de sua preferência. Alias, não ficou sequer provado que haveriam outros profissionais direcionados aos serviços contratados pelas empresas jurídicas, constatandose que a onerosidade do labor realizado era direcionado à pessoa física de forma indireta. Não há também informações de distribuição de lucros dessas empresas para seus sócios, o que é mais uma prova do elemento onerosidade. A não eventualidade também foi objeto de debate nos autos. Nesse sentido o REFISC alega que: "decerto esse trabalho, com a responsabilidade de comparecimento especificamente em determinado dia da semana para um plantão de longas 24 horas, não pode ser considerado eventual. Tratase de prestação habitual de serviço, que, de tão óbvia, dispensa maiores ilações". Com isso, a não eventualidade pode ser observada através dos lançamentos contábeis e do contrato para prestação de serviços, pois nesses casos pode ser Fl. 3676DF CARF MF 12 observado o repasse financeiro as empresa contratadas de valores fixos (independente do número de dias trabalhados ou tarefas realizadas) e permanentes ao longo do tempo, com os pagamentos mensais. Isso, também, diz respeito aos contratos feitos junto às as empresas de medicina do trabalho, segurança do trabalho, assessorias e consultorias, que prestam serviços ao estabelecimento como empregados. A contribuinte somente alegou ocorrer visitas eventuais desses profissionais, o que não foi constatado pela fiscalização que apontou a permanência ou "circulação" desses de forma constante nas dependências da recorrente. Caberia então à recorrente fazer prova de que esse profissional seria contratado de forma eventual, por meio de algum tipo de contrato diferente do que foi juntado aos autos, a exemplo do Técnico em segurança do trabalho, que visa diminuir os riscos de acidente de trabalho, e que ao que se constou dos autos a contribuinte mantém esse profissional em seus quadros de trabalhadores para que seja atingindo o fim específico de sua atuação. Nesse sentido, a recorrente não obrou dizer para qual fim foi contratado esse profissional, somente alegou que "é absurdo enquadrar este como sendo seu empregado", para fins previdenciário. Ora, se a fiscalização lançou como sendo passível de tributação, o ônus de prova passou a ser do contribuinte, que deveria explicar o porque esse agente foi contratado, para que fim estava laborando na empresa contratante, e como ele atuava perante a sociedade autuada. Fato esse que não foi devidamente detalhado pela contribuinte, e, tampouco, provado. Já em relação às ações judiciais, onde se constatou de fato o vínculo empregatício, a recorrente para rebater a essa prova traz aos autos outra ação com numeração e partes diferentes das apontadas pela fiscalização, ajuizada, inclusive, por pessoa terceira pessoa contra terceirizada (constando no pólo passivo outra empresa e a própria autuada), em relação a mais uma empresa que intermediou a contratação da reclamante para laborar atividades nas dependências da recorrente, e que no meu entender não são suficientes não afasta as informações da fiscalização. Alias essa alegação também não foi afastada pela decisão a quo. Ficou claro que nas ações mencionadas pela fiscalização que houve sim vinculo empregatício para fins da interpretação previdenciária, e que esses constavam da relação das pessoas da autuação lançada. Não há decisão somente de primeira instância. Alias, a recorrente não obrou trazer cópia de alguma decisão contrária relativo aos processos mencionados pela fiscalização, mas sim de processo de outra situação ocasionada por vinculo empregatício de também empresa contratada pela recorrente para prestar serviços médicos. Só que esses não foram objetos da autuação. Portanto, mais uma vez não obrou comprovar por meio de provas idôneas que a fiscalização teria se equivocado na sua interpretação. Assim, o princípio da primazia da realidade se sobrepôs aos contratos pactuados, devendo ser mantida a autuação. QUANTO ÁS DIFERENÇAS DECLARADAS EM FOPAG A recorrente alega situação já analisada e excluída pela DRJ de origem, uma vez que o Auto de infração contém a cobrança de contribuições destinadas a outras Entidades e Fundos, incidentes sobre FOPAG não declarada e Caracterização de segurado empregado. Analisando a decisão de primeira instância, essas verbas que foram lançadas a maior já foram devidamente corrigias pela decisão a quo. Portanto, não há o que se manifestar quanto ao referido pedido. Fl. 3677DF CARF MF Processo nº 10530.720965/201068 Acórdão n.º 2301005.581 S2C3T1 Fl. 350 13 DA BASE DE CÁLCULO A contribuição dos contribuintes individuais prevista na Lei 10666/2003 foi calculada à alíquota de 11%, referente às notas fiscais da prestação de serviço identificado. A quantia do percentual da base de cálculo, no direito tributário, é definido em lei, conforme determinação do art. 97, inciso IV, do CTN, e não por "ordem de serviço", como aduz a recorrente que gostaria de ver aplicada o limite total de 40% do pagamento realizado, e não sobre o valor bruto da nota fiscal referente aos serviços prestados. Portanto, não assiste razão a recorrente no que diz respeito ao tema da base de cálculo. MULTA E RETROATIVIDADE BENIGNA A autoridade fiscal, ao aplicar a multa assim descreveu: A nova Súmula CARF determina nº 119, assim dispõe: "No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996". Com isso, o novo mandamento põe fim à discussão da multa e retroatividade benigna, sendo, portanto, aplicada ao presente caso. Fl. 3678DF CARF MF 14 CONCLUSÃO Nessas circunstâncias, voto por conhecer do recurso para não acolher as preliminares no mérito NEGAR PROVIMENTO, mantendose a exigência fiscal. É como voto. (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Fl. 3679DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.902399/2010-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217.
De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'."
SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES.
Enquadram-se como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ - Recursos Repetitivos.
Numero da decisão: 1301-003.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, superando-se a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF - Portaria MF 343/2015. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10469.901675/2010-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES. Enquadramse como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ Recursos Repetitivos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, superandose a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF Portaria MF 343/2015. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 23 99 /2 01 0- 00 Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10469.902399/201000 Acórdão n.º 1301003.461 S1C3T1 Fl. 3 2 complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10469.901675/201012, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que homologou parcialmente as compensações pleiteadas, em razão da insuficiência de crédito para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento a maior de IRPJ, com base no lucro presumido calculados inicialmente a 32%, sendo alterada, posteriormente, para 8%, nos termos do arts. 15, III, e 20, da Lei 9.249/95. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas restantes. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que a legitimidade dos seus créditos decorre da redução da base de cálculo do IRPJ para sociedades que desenvolvem atividades hospitalares (de 32% para 8%), e que a RFB, através do ADI 18/2003 estabeleceu que são considerados serviços hospitalares os prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde com determinadas características, dentre as quais: 1) a prestação de serviços pelos sócios e por outros profissionais que não compunham os quadros da sociedade; 2) os que não se refiram exclusivamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza eminentemente científica. Ademais, discorre acerca do art. 23 da IN 306/2003, que para fins de equiparação de alguns serviços às atividades hospitalares, para fins tributários, devem ser atendidas exigências tais como: a) a prestação direta de serviços de atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma ou várias atividades previstas em Portaria do Ministério da Saúde; b) o exercício de ações básicas de saúde, como o Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10469.902399/201000 Acórdão n.º 1301003.461 S1C3T1 Fl. 4 3 primeiro atendimento, a prevenção de doenças, ações de educação, etc; c) prestação de atendimento imediato de assistência à saúde como a triagem para atendimentos, o atendimento em si, inclusive de urgência, procedimentos de enfermagem, a observação do paciente, a execução de diagnósticos e terapêuticos (por 24 horas, se for o caso); d) realização de procedimentos cirúrgicos, como o desenvolvimento de atividades de reabilitação em pacientes (externos e internos), dentre outras. Afirma também, que apenas não procedeu na retificação das DCTFs por impossibilidade técnica, já que o sistema da RFB não permitiu diante do prazo. O Acórdão recorrido entendeu não haver dúvidas de que as receitas provenientes de serviços hospitalares passou a incidir o percentual de presunção de 8%, excepcionandose tais receitas da regra geral de 32%, no entanto entendeu que diante da não apresentação de documentação por parte do contribuinte não seria possível concluir que de fato prestou tais serviços, assim, julgou a manifestação improcedente. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente reforça os argumentos já apresentados, defendendo que não há controvérsia acerca do crédito, sendo ele legítimo. Houve a constatação do erro formal, em razão da aplicação de percentual diverso na apuração do lucro estimado, requerendo o seu direito de compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.458, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10469.901675/2010 12, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.458): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pagos a maior, em razão da alteração do percentual de 32% para 8% sobre a receita bruta, em razão da sua atividade. Alega a recorrente que presta serviços de radiologia, diagnósticos médicos por imagem, ultrassonografia e outros, atividades essas ligadas diretamente à promoção da saúde, que demandam maquinário específico e ambiente hospitalar ou assemelhado. E que sobre a matéria não pende mais discussão Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10469.902399/201000 Acórdão n.º 1301003.461 S1C3T1 Fl. 5 4 diante do Resp 1.116.399/BA, que foi decidido sob o rito dos recursos repetitivos. Tanto o despacho decisório quanto o acórdão recorrido entenderam que a atividade prestada pela recorrente não era de serviço hospitalar, já que não prestada num ambiente hospitalar e diante disso, não faria jus à redução do percentual. A lei 9.249/95, em seu artigo 15, III trata da questão: Lei 9.249, de 26/12/1995, artigo (art.) 15 § 1º inciso III, alínea “a”: “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n.º 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1.º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será e: (...) III–trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;” Lei 11.727, de 23/06/2008, arts. 29 e 41, VI: Segue abaixo a Ementa do citado julgado do STJ: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10469.902399/201000 Acórdão n.º 1301003.461 S1C3T1 Fl. 6 5 que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. Matéria, conforme acima, acerca do se trata como serviços hospitalares: são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10469.902399/201000 Acórdão n.º 1301003.461 S1C3T1 Fl. 7 6 partir de 1º de janeiro de 2009, segundo a qual o percentual reduzido será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Anvisa. E como verificamos, por se tratar de fatos relativos a período anterior, inaplicável aqui. Desta feita, considerando que em momento algum o recorrente foi intimado para comprovar o efetivo crédito, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao recorrente a possibilidade de apresentação de documentos, superandose a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF Portaria MF 343/2015. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, superandose a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF Portaria MF 343/2015. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe.. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 50DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.978914/2012-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 06/12/2004
MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Diante da existência de decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, configura-se a denúncia espontânea do art. 138 do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-005.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado, homologando-se as compensações até o limite do direito creditório reconhecido.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 06/12/2004 MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Diante da existência de decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, configura-se a denúncia espontânea do art. 138 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado, homologando-se as compensações até o limite do direito creditório reconhecido. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/12/2004 MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Diante da existência de decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, configurase a denúncia espontânea do art. 138 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado, homologandose as compensações até o limite do direito creditório reconhecido. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 89 14 /2 01 2- 15 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.978914/201215 Acórdão n.º 3302005.963 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição (PER) formulado, em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou que fazia jus à restituição pleiteada pelo fato de que o crédito informado era proveniente de recolhimento de multa de mora indevida, em razão da denúncia espontânea, tendo em vista o recolhimento espontâneo do tributo devido, nos termos do art. 138 do CTN. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14053.297, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que o instituto da denúncia espontânea não exclui a multa de mora estipulada na legislação tributária, porquanto o seu pagamento é expressamente previsto para os casos em que o recolhimento do tributo ocorre espontaneamente após o vencimento da obrigação, sendo irrelevante à questão a distinção doutrinária entre caráter indenizatório ou punitivo da sua exigência. Ressaltou, ainda, o julgador de piso, que as autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos normativos regularmente editados. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reafirmou as razões de defesa suscitadas na Manifestação de Inconformidade, enfatizando o instituto da denúncia espontânea, especialmente o seu reconhecimento pelo CARF e pelo STJ em sede de Recurso Repetitivo. É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.978914/201215 Acórdão n.º 3302005.963 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302005.954, de 26/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.978899/201213, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302005.954): 1. Admissibilidade O presente Recurso Voluntário é tempestivo, eis que a Recorrente tomou ciência da decisão em 21.03.2016 (efls. 71) e apresentou o Recurso em 20.04.2016 (efls.72), portanto dentro do prazo de 30 dias de que trata o artigo 33 do Decreto n. 70.235/72. A matéria é de competência deste Colegiado e o recurso revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual dele conheço. 2. Mérito. Não tendo sido arguidas preliminares, é de se analisar o mérito recursal. 2.1. Denúncia Espontânea. Em relação ao instituto da denúncia espontânea e a sua atual disciplina no âmbito do Poder Judiciário e no CARF, tal entendimento encontra respaldo na jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais que no processo 10980.004263/200730 foi proferido o Acórdão n. 9303005.874, na sessão de 18 de outubro de 2017, cuja ementa, de Relatoria do I. Conselheiro Rodrigo Pôssas é abaixo transcrita: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, por considerar, que, nestes casos, configurase a denúncia espontânea do art. 138 do CTN, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental.." Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.978914/201215 Acórdão n.º 3302005.963 S3C3T2 Fl. 5 4 Quando da prolação da referida decisão, em sede de Recurso Especial, a Câmara Superior de Recursos Fiscais salientou que em razão da existência de Recurso Especial em sistemática dos Recursos Repetitivos no STJ, a matéria sequer pode ser apreciada pelo CARF. "A matéria tratada no presente recurso referese somente ao cabimento ou não da cobrança da multa moratória nos casos de pagamento a destempo, mas feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual se confessou o respectivo débito, e antes do início de qualquer procedimento fiscal. O tema não é mais passível de discussão no CARF haja vista que o Superior Tribunal de Justiça já decidiu a questão posta, sob a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. O Recurso Especial nº 1.149.022/SP, que trata da matéria, foi interposto pela autora, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que entendeu que não se configurava a denúncia espontânea o deliberado pagamento a destempo do tributo, não discutido judicialmente, cujo lançamento deve por ele ser efetuado." Tratandose de Recurso Repetitivo submetido à norma do artigo 543C do CPC, aplicase a Portaria MF n. 343/2015, art. 62 § 2º que determina a aplicação da decisão, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Quando da discussão da controvérsia no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no bojo do já mencionado Recurso Especial, o Ilmo. Conselheiro Rodrigo Pôssas salientou que o referido entendimento vincula as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, verbis: "Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA PGFN/CRJ/Nº 1114/2012 (...) (...) 5. ... em resposta à consulta da RFB, segue em lista anexa a esta Nota a delimitação dos julgados proferidos pelo STF e STJ, relacionados pela RFB, para efeitos de que aquele órgãoproceda ao cumprimento, no seu âmbito,do quanto disposto no Parecer PGFN 2025/2011. (...) 45 RESP 1.149.022/SP (...) Resumo: 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.978914/201215 Acórdão n.º 3302005.963 S3C3T2 Fl. 6 5 lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente." No caso concreto a Recorrente realizou uma compensação tributária e, independente de qualquer atuação estatal, posteriormente identificou o erro, recolheu a diferença e emitiu nova DCTF (...) Imperioso destacar que pela análise da documentação trazida aos autos a nova DCTF foi apresentada APÓS o recolhimento da diferença do tributo, que se deu independente de qualquer atuação por parte da Administração Pública, razão pela qual a Recorrente entende não serem devidos juros moratórios. Efetivamente, é de se constatar que o caso ora submetido a análise deste Colegiado amoldase com perfeição à jurisprudência deste Colegiado, aliás de observância compulsória, razão mais que suficiente para que seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado, cabendo à unidade administrativa efetuar a compensação até o limite do crédito. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito pleiteado, cabendo à unidade administrativa efetuar a compensação até o limite do crédito. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13836.720408/2012-62
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART 173 DO CTN.
A Fazenda Pública tem direito de constituir o crédito tributário considerando a extinção após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme estabelecido no art. 173 do CTN.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação.
ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SUMULA CARF N 4.
Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais..
Numero da decisão: 2001-000.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e no mérito em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART 173 DO CTN. A Fazenda Pública tem direito de constituir o crédito tributário considerando a extinção após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme estabelecido no art. 173 do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SUMULA CARF N 4. Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais..
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e no mérito em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
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APLICAÇÃO DO ART 173 DO CTN. A Fazenda Pública tem direito de constituir o crédito tributário considerando a extinção após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme estabelecido no art. 173 do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SUMULA CARF N 4. Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e no mérito em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 6. 72 04 08 /2 01 2- 62 Fl. 75DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2010, anocalendário de 2009, por meio da qual foi constatada omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, decorrentes de ação judicial, no valor de R$ 60.444,05. O interessado foi cientificado da notificação, apresentou impugnação e alega, em síntese, que em 2009, recebeu da CEF o montante de R$ 60.444,05, decorrente de ação de revisão de benefício previdenciário e cobrança de diferenças em atraso, em face do INSS, todavia, tais rendimentos não podem ser incluídos de uma única vez. Alega que de acordo com a jurisprudência pacífica do STJ, ao tributar tais rendimentos, o Fisco deve observar os valores recebidos mensalmente e não alocar em um único período todo o montante auferido acumuladamente. Acrescenta que mesmo que os rendimentos fossem tributados na forma que determina o STJ, os mesmos estariam alcançados pela decadência, nos termos do §4º, art. 150, do CTN e que do montante recebido, o valor de R$ 25.659,87, referese à despesa com honorários advocatícios. Assim, apenas devem integrar a base de cálculo o total de R$ 34.784,18. A DRJ São Paulo, no decorrer da análise dos fatos, deixa claro que o contribuinte não logrou êxito em comprovar as suas alegações, pelos motivos expostos no acórdão, de forma detalhada e fundamentada. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte repisa novamente nas mesmas questões levantadas na impugnação, levanta preliminares sem fundamentos e repete os mesmos argumentos. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Da decadência Preliminar Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13836.720408/201262 Acórdão n.º 2001000.712 S2C0T1 Fl. 3 3 Mais uma vez, em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte repisa o tema da decadência, o qual fora amplamente explicado e colocado pelo órgão a quo. Pois bem. Repitamos o que muito bem frisou a DRJ São Paulo, já que o contribuinte insiste em repisar as mesmas razões. Em decorrência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, o imposto de renda das pessoas físicas passou a ser devido mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital são percebidos. Contudo, o art. 2º da Lei 8.134, de 27 de dezembro de 1990, introduziu a necessidade do ajuste anual. Ou seja, as normas de incidência do imposto de renda delineiam, atualmente, um sistema híbrido de tributação, em que o imposto é devido à medida que os rendimentos e ganhos de capital são percebidos, porém são considerados mera antecipação da obrigação tributária definitiva, que ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário, quando se completa o suporte fático da incidência. Ocorrendo omissão de rendimentos, e caracterizada inexatidão na Declaração de Ajuste Anual, o lançamento subsumese ao inciso V do artigo 149 do CTN, que determina o lançamento de ofício, ou mesmo a revisão de ofício de qualquer modalidade de lançamento. Como colocou a DRJ, a renda tributada pelo Fisco no presente lançamento, em princípio, fora omitida e, obviamente, com relação à mesma, não se verifica qualquer antecipação de pagamento de imposto por parte do contribuinte. Este fato permite concluir que não há qualquer procedimento, ou atividade mencionada no art. 150 do CTN pelo obrigado, nem o respectivo pagamento do tributo sobre a identificada renda omitida, que deva ser homologado. Com efeito, só se homologa – expressa ou tacitamente – aquilo que foi levado ao conhecimento da autoridade homologadora. Assim, em relação aos fatos tributáveis ocultados do Fisco, cujo imposto correspondente não tenha sido apurado nem pago pelo contribuinte, não realizou este a atividade de que trata o art. 150, § 1°, do CTN, ou seja, não realizou a atividade sobre a qual recairia a homologação. Portanto, não há como se falar em lançamento por homologação para renda omitida, não se aplicando o disposto no §4º do citado dispositivo, independentemente da ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A Fazenda Pública tem direito de constituir o crédito tributário considerando a extinção após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme estabelecido no art. 173 do CTN. Como foi claramente e objetivamente explicitado pelo orgão a quo, o exercício em que o lançamento pode ser efetuado, no caso do imposto de renda das pessoas físicas, é o ano em que se instaura a possibilidade de o Fisco lançar. Ou seja, para proceder ao lançamento referente à omissão de rendimentos ocorrida no ano calendário de 2009, o Fisco deveria esperar a entrega da Declaração de Ajuste correspondente, cujo prazo final para apresentação se deu em 30/04/2010. Portanto o lançamento da omissão de rendimentos só Fl. 77DF CARF MF 4 poderia ter sido efetuado a partir de 30/04/2010, sendo 01/01/2011 o termo inicial do prazo decadencial, primeiro dia do exercício seguinte ao que o Auto de Infração poderia ter sido lavrado, e 31/12/2016 o termo final. Como a ciência do Auto de Infração foi em 30/10/2012 (fl. 30), constatase que não ocorreu o instituto da decadência quanto ao direito de lançar relativo ao fato gerador em questão. Preliminar Da aplicação da decisão do STJ No que se refere a esta preliminar guerreada pelo contribuinte, entendo qe a análise se confunde com o mérito, o qual será, mais uma vez, abordado de forma clara e objetiva ao longo desta decisão. Mérito Omissão de rendimentos RRA Conforme mencionado no relatório acima, o lançamento foi efetuado com base no fato de ter o contribuinte omitido rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de ação judicial. De acordo com o que fora amplamente exposto ao decorrer deste processo administrativo, fica claro que o contribuinte recebeu os rendimentos acumulados, oriundos de ação judicial federal . Verificase, no entanto, através da leitura do relatório e do acórdão da DRJ, que o contribuinte não contesta o valor de rendimento omitido a ele imputado, mas sim a forma de tributação aplicada (ajuste anual). Na verdade também questiona a dedutibilidade dos honorários, ponto que será enfrentado também, mais uma vez, nesta decisão. A regra geral era de se levar ao ajuste anual os rendimentos recebidos acumuladamente (RRA). Esta regra vigorou até o advento da Medida Provisória n° 497, de 27 de julho de 2010, que inseriu o art. 12A na Lei n° 7.713, de 1988, instituindo forma de cálculo que prestigia parâmetro de cálculo mensal e não global, mediante a utilização de “tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos”. Esta opção de tributação de tabela progressiva deveria ser clara e só poderia ser exercida mediante cumprimento dos requisitos estabelecidos em lei. Assim, os rendimentos referentes a anos anteriores, recebidos por força de decisão judicial, devem ser oferecidos à tributação no mês do seu recebimento com incidência sobre a totalidade dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária, podendo ser deduzido o valor das despesas com a ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Dessa forma, incabível realizar o cálculo nos moldes propostos pelo recorrente, restando correto o procedimento realizado pela fiscalização. Através de leitura das leis que regem a matéria, salientadas na decisão a quo, resta claro que a Lei se aplica aos fatos geradores posteriores à sua publicação, excepcionando se o ano calendário de 2010. Regulamentando o assunto, a RFB publicou a Instrução Normativa RFB n.º 1.127, de 07 de fevereiro de 2011, que dispõe sobre a apuração e tributação de rendimentos recebidos acumuladamente de que trata o art. 12A da Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13836.720408/201262 Acórdão n.º 2001000.712 S2C0T1 Fl. 4 5 Desta feita, fica claro que não pode ser aplicada ao caso, a tributação exclusiva na fonte sobre os rendimentos recebidos acumuladamente no ano de 2009, uma vez que a alteração na forma de tributação se deu em 28/07/2010, não alcançando rendimentos recebidos acumuladamente anteriormente à publicação da MP 497, de 27/07/2010. Mérito Dos honorários advocatícios e do IRRF O recorrente sustenta que o valor correto que deveria integrar a base de cálculo seria R$ 34.784,18. Para tal, como se vê à fl. 08, o impugnante excluiu dos rendimentos recebidos da CEF (R$ 60.444,05), a quantia de R$ 25.659,87 referente aos honorários advocatícios. Quanto à dedução dos honorários advocatícios, o § único do art. 56 do Decreto n.º 3.000, de 26/03/1999 (RIR) regulamenta a questão, permitindo a dedutibilidade. No entanto a declaração de Anis Sleiman deixa claro que recebeu, em 13/02/2009, diretamente da pessoa jurídica Caixa Econômica Federal – CEF, o valor bruto de R$ 25.659,87, referente aos honorários advocatícios contratuais que foram destacados judicialmente do valor da condenação que coube ao impugnante nos autos do processo 2001.61.04.0021251. Ademais, o recorrente informa ter recebido da CEF o valor de R$60.444,05. Mais uma vez repetese, se os honorários advocatícios foram pagos diretamente da CEF ao advogado, resta claro que não estavam inclusos nos R$ 60.444,05 pagos ao impugnante. Dessa forma, não é possível deduzilos da parcela recebida vez que desta já fora anteriormente descontada a quantia referente aos honorários advocatícios. A fiscalização já compensou o IRRF, no valor de R$ 1.813,32, como se vê à fl. 19. Da incidência de acréscimos moratórios sobre a multa de ofício O impugnante insurgese ainda contra a aplicação da taxa referencial SELIC, sobre a multa de ofício, alegando que a disposição do art. 61 da lei 9.430/96 não permite tal interpretação. Para ser muito breve neste ponto, hpá que se invocar o entendimento firmado e consolidado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual deve ser respeitado , inclusive para se manter a coerência e segurança jurídica acerca das decisões daa jurisprudência administrativa. Vejamos o que estabelece a Súmula nº 04 deste Egrégio Colegiado: “Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.”. Fl. 79DF CARF MF 6 Portanto, não há que se prosperar o pleito repetitivo do contribuinte neste aspecto. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e no mérito CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726054/2017-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
OMISSÃO. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. INOCORRÊNCIA
Não restou configurada qualquer omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, razão porque não deve prevalecer as alterações contidas no lançamento.
RRA. RECEBIMENTO EM PARCELAS.
No caso de RRA recebido em diversas parcelas, o número de meses total da ação deve ser proporcionalizado entre as parcelas em igual proporção do valor parcial recebido em cada uma delas.
Numero da decisão: 2401-005.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a infração por omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora). Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite, que davam provimento ao recurso. Vencidos em primeira votação os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada).
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente)
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. INOCORRÊNCIA Não restou configurada qualquer omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, razão porque não deve prevalecer as alterações contidas no lançamento. RRA. RECEBIMENTO EM PARCELAS. No caso de RRA recebido em diversas parcelas, o número de meses total da ação deve ser proporcionalizado entre as parcelas em igual proporção do valor parcial recebido em cada uma delas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a infração por omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora). Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite, que davam provimento ao recurso. Vencidos em primeira votação os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 60 54 /2 01 7- 25 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10580.726054/201725 Acórdão n.º 2401005.780 S2C4T1 Fl. 191 2 (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília – DF (DRJ/BSB) que julgou procedente em parte a impugnação, nos termos do relatório e voto do Acórdão nº 0377.363 de fls. 157 a 166. O presente processo trata de Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) referente ao Exercício 2015, anocalendário 2014 (fls. 142/152), lavrada em 19/06/2017, por meio da qual foi apurado crédito tributário no montante total de R$ 377.025,87, conforme descrito abaixo: · Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar: R$ 185.983,56; · Multa de Ofício (75%), passível de redução: R$ 139.487,67; · Juros de Mora, calculados até 30/06/2017: R$ 51.554,64. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 144/147), a fiscalização afirma que da análise das informações e documentos apresentados pelo Contribuinte e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse: 1. Omissão de Rendimentos recebidos acumuladamente – Tributação exclusiva, no valor de R$ 298.496,59, sem retenção de imposto na fonte; 2. Que em fevereiro de 2014, o Contribuinte recebeu o valor bruto de R$ 2.020.979,74, pagou de honorários advocatícios Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10580.726054/201725 Acórdão n.º 2401005.780 S2C4T1 Fl. 192 3 R$ 404.195,95; cálculos contábeis de R$ 40.419,59, restando o valor tributável de R$ 1.576.364,20; 3. Em outubro de 2014, o Contribuinte recebeu o valor bruto de R$ 226.316,07, pagou de honorários advocatícios R$ 45.263,21, de cálculos contábeis R$ 4.526,32, restando o valor tributável de R$ 176.526,54; 4. Alteração no número de meses referente a rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente de 177, para 99, para os rendimentos recebidos em fevereiro de 2014 e de 177, para 11, para os rendimentos recebidos em outubro de 2014; Em 28/06/2017 o Contribuinte tomou ciência, via postal, da Notificação de Lançamento (AR fl. 153) e, em 26/07/2017, tempestivamente, apresentou sua Impugnação de fls. 04 a 15, instruída com os documentos nas fls. 16 a 140. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/BSB para julgamento, onde, através do Acórdão nº 0377.363, em 17/10/2017 a 3ª Turma, resolveu julgar procedente em parte a impugnação, para reduzir a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente para R$ 163.991,27 e alterar o número de meses relativo a RRA de 99, para 103 meses, nos cálculos do imposto relativo à primeira parcela de RRA e de 11, para 19 meses, nos cálculos do imposto relativo à segunda parcela de RRA, o que implicou na manutenção de imposto suplementar no valor de R$139.081,06, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros moratórios. Em 22/11/2017 o Contribuinte tomou ciência do Acórdão (AR – fl. 169) e, em 18/12/2017, tempestivamente, interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 172 a 184, com as seguintes razões de defesa: 1. O Autuado não é responsável tributário pelo imposto exigido relativo aos Rendimentos Recebidos Acumuladamente (RRA) que sujeitamse à tributação exclusiva na fonte que detém a responsabilidade de reter e recolher o imposto sobre a renda (Art. 45 do CTN, Art. 46 da Lei nº 8.541/92; Art. 19, inciso XXI, da Instrução Normativa da RFB nº 1.500/2014 e o Art. 24 desta mesma IN); 2. No curso do processo judicial trabalhista houveram vários levantamentos de valores, mas todos decorrentes da mesma condenação e do mesmo crédito trabalhista; 3. Em 17/11/2011 houve o primeiro levantamento, decorrente de valores incontroversos, onde foi deduzido e recolhido à título de IRRF o valor de R$ 93.685,83 em 26/04/2012 (fls. 28), fato este que a autuação deixou de informar; 4. A Justiça do Trabalho entendeu que o valor do IRRF recolhido no primeiro levantamento foi feito a maior, ensejando um crédito de R$ 51.835,32 para posterior abatimento, conforme cálculo da 15ª Vara do Trabalho realizado em 15/10/2013 (fl. 34) e reiterado no cálculo elaborado em 14/04/2014 (fl. 57); Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10580.726054/201725 Acórdão n.º 2401005.780 S2C4T1 Fl. 193 4 5. Com relação ao valor recebido em 02/2014, o Contribuinte considerou como base de cálculo do imposto o valor de R$ 1.277.867,61 constante no cálculo da Justiça do Trabalho (fl. 69); 6. A autuação está equivocada ao considerar como base de cálculo do imposto de renda sobre o levantamento ocorrido em 02/2014 o valor de R$ 1.576.364,20; 7. Da mesma forma está equivocada a decisão da DRJ/BSB que determinou a integração do IRRF na base de cálculo, encontrando a quantia de R$ 1.441.858,88, uma vez que se trata de cálculo obtido em decisão judicial, sendo a base de cálculo o montante do próprio crédito excluídas as parcelas indenizatórias; 8. Nos levantamentos ocorridos em 02/2014 e 10/2014 o Contribuinte considerou como números de meses o total de 177 meses conforme informado também no cálculo da Justiça do Trabalho (fl. 74); 9. A condenação decorreu de verbas devidas desde fevereiro de 1996 e que não houve aplicação da prescrição quinquenal, razão pela qual não há qualquer justificativa para a autuação considerar o total de 110 meses; 10. Como se trata de crédito único, não existe qualquer justificativa para o procedimento de rateio da quantidade de meses entre os pagamentos realizados; 11. As informações lançadas pelo Contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual foram todas obtidas nos cálculos da Justiça do Trabalho, responsável legal pela apuração e recolhimento do IRRF, não podendo lhe ser imputada a responsabilidade tributária; 12. Segundo levantamento realizado pela Justiça do Trabalho, em 02/2014 foi recolhido a título de IRRF a importância de R$ 151.844,81, resultado do imposto devido em decorrência do RRA no valor de R$ 205.184,64 descontado o crédito de R$ 51.835,32 do primeiro levantamento; 13. Mesmo assim, demonstrando sua boafé, o Contribuinte procedeu espontaneamente a declaração do imposto devido em decorrência do RRA no total de R$ 205.184,64 através de Declaração Retificadora apresentada em 31/08/2015, onde apurou junto com os demais dados da declaração um imposto a recolher de R$ 47.708,28 pagos em 8 parcelas (DARFs – fls. 98/101); 14. A decisão da DRJ/BSB deixou de observar que houve recolhimento a maior do Imposto de Renda, já que o Contribuinte faz jus à isenção por força do Art. 6º, inciso I da IN RFB 1.500/2014; Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10580.726054/201725 Acórdão n.º 2401005.780 S2C4T1 Fl. 194 5 15. Procedeu apenas na forma e no limite delimitado pelo próprio Poder Judiciário e por essa razão não pode ser penalizado com a multa de 75%. Apresenta jurisprudências nesse sentido. Conclui seu Recurso requerendo seu provimento para, inicialmente, declarar a ausência de responsabilidade do Contribuinte pelo crédito tributário exigido e, alternativamente, que seja julgado improcedente a autuação diante do correto recolhimento do IRRF, não havendo diferenças a serem recolhidas. Por último, na possibilidade da manutenção da autuação, requer que sejam excluídas do crédito tributário a multa e os encargos moratórios. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Responsabilidade tributária O Recorrente assevera que a responsabilidade pelo imposto devido por rendimentos recebidos acumuladamente seria exclusivamente da fonte pagadora, razão porque pleiteia a sua ilegitimidade passiva. Na DIRPF do contribuinte acostada às fls. 102/111, verificase que os rendimentos recebidos acumuladamente foram declarados com opção de tributação exclusivamente na fonte, na forma do art. 12A da Lei nº 7.713/1988, consoante redação à época dos fatos geradores. Com efeito, tratandose de rendimentos recebidos acumuladamente, concernentes a anoscalendário anteriores ao crédito ou recebimento, em regra, a tributação é exclusiva na fonte e a retenção é de responsabilidade da fonte pagadora, sendo que a inocorrência ou insuficiência na retenção tem como consequência a constituição do crédito tributário contra a fonte pagadora ou instituição financeira depositária do crédito. A exceção a essa regra ocorre no caso do contribuinte optar por integrar os rendimentos recebidos na base de cálculo anual do imposto de renda na DAA, em que a retenção efetuada pela fonte pagadora será considerada antecipação do imposto. Outra situação Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10580.726054/201725 Acórdão n.º 2401005.780 S2C4T1 Fl. 195 6 é quando resta constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual. Pois bem. É inequívoca a responsabilidade tributária da fonte pagadora quanto à retenção e recolhimento do imposto, na condição de sujeito passivo responsável (Parecer Normativo Cosit nº 1/2002), o que não exclui a responsabilidade do beneficiário do respectivo rendimento em oferecêlo à tributação e proceder a sua informação. No presente caso, a autoridade administrativa autuante entendeu que ocorreu omissão de rendimentos. Nesse caso, caberia a autuação contra o beneficiário (Súmula CARF nº 12). Se ocorreu equívoco no lançamento, essa análise será procedida por ocasião do julgamento do mérito. Mérito Conforme se verifica no presente caso, os valores em questão tratam de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente com tributação exclusiva, no valor de R$298.496,59, sem retenção de imposto na fonte, decorrentes de processo judicial trabalhista recebidos pelo contribuinte a título de complementação de aposentadoria em face de entidade de previdência particular. De acordo com a Notificação de Lançamento, a omissão de rendimentos lavrada em 19/06/2017, se refere ao ano calendário 2014, exercício de 2015 (data da entrega da Declaração retificadora: 31/08/2015). A fiscalização procedeu a alteração no número de meses referente a rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, proporcionalizando de acordo com o valor recebido. Ocorre que o contribuinte informou na sua DIRPF os valores de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto de renda retido e a parcela isenta, de acordo com o que foi determinado pela Justiça do Trabalho à fl. 70 dos presentes autos. No que concerne ao montante da segunda parcela recebida pelo contribuinte, objeto do presente lançamento, a diferença existente entre o valor tributável encontrado pelo fiscal – R$ 1.576.364,20 (fl. 145) e o valor declarado pelo Recorrente na DIRPF – R$ 1.277.867,61 (fl. 132), a título de RRA, se refere a parcelas indenizatórias declaradas como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis no item 24 – Outros R$ 298.496,64 (fl. 131). Conforme se observa do lançamento, o fiscal exige a cobrança da diferença de R$ 298.496,64, sem explicitar porque as informações apresentadas pela Justiça para o cálculo do tributo devido estariam equivocadas e sem esclarecer as razões de considerar esse valor como parte do rendimento tributável recebido acumuladamente. Diante das informações contidas no documento apresentado pela Justiça do Trabalho de fl. 70, o que dá para presumir é que a diferença encontrada de R$ 298.496,64 é rendimento isento, conforme declarado pelo contribuinte, tendo em vista que não foi incluída na parcela tributável do cálculo efetuado pela Justiça, por não fazer parte do RRA. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10580.726054/201725 Acórdão n.º 2401005.780 S2C4T1 Fl. 196 7 A decisão de piso deduziu que o contribuinte não inclui no montante recebido tributável o imposto de renda retido na fonte, no valor de R$151.844,91, de modo que o valor tributável recebido na segunda parcela seria de R$1.441.858,88, reduzindo a omissão de rendimentos decorrentes de RRA de R$298.496,59, para R$163.991,27. No entanto, as informações prestadas pelo Recorrente são exatamente as constantes nas informações fornecidas pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (fls. 70/74), através da qual resta demonstrado que foi incluído no montante tributável o valor do imposto de renda retido na fonte, conforme se vê: Dessa forma, não restou configurada qualquer omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, razão porque não deve prevalecer as alterações contidas no lançamento. No que tange ao número de meses relativos aos rendimentos recebidos acumuladamente, considerado indevidamente declarado pelo fiscal, de acordo com a descrição dos fatos da Notificação de Lançamento, foi justificado nos seguintes termos (fl. 146): Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse informação inexata do número de meses referentes a rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, pelo titular e/ou dependentes, relativos à(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) Rateando, proporcionalmente, a quantidade de 110 meses, em função do valor bruto recebido, teremos, para os dois pagamentos, os respectivos números de 99 e 11 meses. Como se observa do texto destacado, a acusação fiscal motivou a alteração da quantidade de meses na informação inexata apresentada pelo contribuinte. Ocorre que os documentos adunados aos autos, em especial os de fls. 22/25, 55, 69, 74/78, demonstram que os documentos considerados insuficientes pela autoridade lançadora comprovam que corresponde a 177 o número dos meses a que se referem os rendimentos recebidos acumuladamente. Assim, diante dos documentos carreados aos autos, assiste razão ao Recorrente quando afirma ocorrida referida comprovação da quantidade de meses conforme apresentado em sua declaração. Dessa forma, entendo que a autoridade fiscal não fez a correta apuração do crédito tributário, nos termos do art. 142 do CTN, razão pela qual considero ser insubsistente o lançamento, devendo ser afastada a exigência nele contida. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10580.726054/201725 Acórdão n.º 2401005.780 S2C4T1 Fl. 197 8 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e DOULHE PROVIMENTO para julgar insubsistente o lançamento. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora Designada Com a maxima venia, divirjo da i. relatora in totum. Não obstante, fui designada para elaboração do voto vencedor somente no tocante ao número de meses associados aos rendimentos recebidos acumuladamente. Nesse sentido, o recorrente informa que a ação judicial objeto dos autos acarretou o levantamento de diversos valores. A teor da legislação aplicável, consignada na autuação e na decisão de piso, não se mostra correto o entendimento do sujeito passivo e da i. relatora, de aplicar a cada um dos levantamentos o número de meses total da ação. A legislação estabelece critério lógico de apuração do imposto devido sobre rendimentos recebidos acumuladamente em mais de um parcela, o qual deve ser observado pelos contribuintes. É o que dispõe o artigo 45 da IN RFB nº 1.500, de 2014: Art. 45. Para efeitos de apuração do imposto de que trata o art. 37, no caso de parcelas de RRA pagas: I em meses distintos, a quantidade de meses relativa a cada parcela será obtida pela multiplicação da quantidade de meses total pelo resultado da divisão entre o valor da parcela e a soma dos valores de todas as parcelas, arredondandose com uma casa decimal, se for o caso; II em um mesmo mês: a) ao valor da parcela atual será acrescentado o total dos valores das parcelas anteriores apurandose nova base de cálculo e o respectivo imposto; Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10580.726054/201725 Acórdão n.º 2401005.780 S2C4T1 Fl. 198 9 b) do imposto de que trata a alínea “a” será deduzido o total do imposto retido relativo às parcelas anteriores. Parágrafo único. O arredondamento do algarismo da casa decimal de que trata o inciso I do caput será efetuado levandose em consideração o algarismo relativo à 2ª (segunda) casa decimal, do modo a seguir: I menor que 5 (cinco), permanecerá o algarismo da 1ª (primeira) casa decimal; II maior que 5 (cinco), será acrescentada uma unidade ao algarismo da 1ª (primeira) casa decimal; e III igual a 5 (cinco), deverá ser analisada a 3ª (terceira) casa decimal, da seguinte maneira: a) quando o algarismo estiver compreendido entre 0 (zero) e 4 (quatro), permanecerá o algarismo da 1ª (primeira) casa decimal; e b) quando o algarismo estiver compreendido entre 5 (cinco) e 9 (nove), será acrescentada uma unidade ao algarismo da 1ª (primeira) casa decimal. Portanto, nesse tocante, não há reparos a se fazer à decisão de piso, sendo de se manter o procedimento de proporcionalizar os 177 meses entre os levantamentos efetuados pelo recorrente, cabendo levar em conta o cancelamento da omissão, decidido pela maioria deste Colegiado. É como voto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 198DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.002698/2005-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/1999
PEDIDO DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (o anterior Código de Processo Civil), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar n.º 118, de 2005 (9/6/2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos cinco mais cinco (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009).
Numero da decisão: 3201-004.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão aqui decidida, aprecie o mérito do litígio.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RESTITUIÇÃO Recorrente ARCEL S/A EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/1999 PEDIDO DE HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (o anterior Código de Processo Civil), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar n.º 118, de 2005 (9/6/2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão aqui decidida, aprecie o mérito do litígio. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 26 98 /2 00 5- 00 Fl. 145DF CARF MF 2 Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de restituição de PIS, com origem nos períodos de apuração de fevereiro a setembro de 1999. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Tratase de Pedido de Restituição de fl. 01, protocolado em 08/06/2005, no valor de R$ 70.133,79, correspondente a recolhimentos feitos a título de Contribuição para o PIS, relativos aos períodos de apuração de fevereiro de 1999 a setembro de 1999, conforme DARF de fls.02/09. A DRF em Campinas emitiu o Despacho Decisório de fls. 28/32, indeferindo o pedido de restituição, sob a fundamentação de que: • estava extinto o direito de repetição de indébito dos recolhimentos efetuados antes de 08/06/2000, nos termos do artigo 168 do Código Tributário Nacional, do Ato Declaratório SRF n° 96/99 e da Lei Complementar n° 118/2005; • não houve comprovação e demonstração inequívoca que os recolhimentos foram indevidos, pois a contribuinte não comprova os motivos que autorizam a julgar tais recolhimentos como passíveis de restituição. Cientificada desse despacho em 14/06/2007 (fl. 33), a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 11/07/2007 (fls. 34/41), na qual alega, em síntese: • conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a extinção do crédito tributário operase com a homologação do lançamento, o que na prática resulta num prazo de dez anos: cinco para a homologação tácita e mais cinco para o exercício do direito à restituição de recolhimento indevido; • o art.3° da Lei Complementar n° 118/2005 não é norma interpretativa, pois inova a ordem jurídica em decorrência da interpretação firmada pelo STJ, podendo ser aplicada somente a débitos posteriores a sua vigência (08/06/2005); • os recolhimentos indevidos se originam das disposições contidas na Lei n° 9.718/98, as quais foram julgadas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10830.002698/200500 Acórdão n.º 3201004.469 S3C2T1 Fl. 146 3 A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/CPS n.º 0521.215, de 22/02/2008 (fls. 110 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/1999 RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO DE CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO. É a atividade onde se examina a validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco, sem perscrutar da legalidade ou constitucionalidade dos fundamentos daqueles atos. Solicitação Indeferida Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 119 e ss., cujas razões de defesa não serão relatadas em face do que exporá no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. Em litígio, o prazo de extinção do direito de se pleitear a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação, que, no entender consubstanciado na decisão recorrida, é de cinco anos contados do pagamento antecipado. No caso ora em exame, o PIS que se alega indevido referese aos períodos de apuração de fevereiro a novembro de 1999. E o pedido foi protocolado em 08/06/2005 (ver fl. 02). Ocorre, porém, que esta matéria encontrase hoje pacificada. Tendo a Recorrente protocolado o seu pedido antes de 09/06/2005 (apenas um dias antes!), o prazo prescricional aplicável ao caso é de dez a contar da ocorrência do fato gerador, conforme decisão do Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recurso repetitivos ((REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009), e orientação encartada no Verbete de jurisprudência nº 91 do CARF: “Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, Fl. 147DF CARF MF 4 contado do fato gerador” (vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão aqui decidida, aprecie o mérito do litígio. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 148DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.000977/2004-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
IRRETROATIVIDADE DA LEI. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA AO RECURSO ADMINISTRATIVO.
A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renuncia às instancias administrativas. O STF decidiu na forma do tema 225: a) Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Tal tema foi objeto de repercussão geral no RE 601314 SP julgado em 24/02/2016.
DECADÊNCIA. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF 38.
O direito de a Fazenda lançar o imposto de renda, pessoa física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Contribuinte que não comprovou o recolhimento do tributo devido para aplicação da contagem do art. 150§ 4º do CTN.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF Nº2
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.
AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A prova documental e pericial será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF 25.
Não configurada a existência de dolo, fraude ou simulação, ou uma das hipóteses previstas na legislação de regência, sendo que o fundamento da qualificação da multa é baseada apenas na presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a sua qualificação, impondo a manutenção apenas da multa de ofício.
Numero da decisão: 2201-004.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a qualificação da penalidade de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 IRRETROATIVIDADE DA LEI. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA AO RECURSO ADMINISTRATIVO. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renuncia às instancias administrativas. O STF decidiu na forma do tema 225: a) Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Tal tema foi objeto de repercussão geral no RE 601314 SP julgado em 24/02/2016. DECADÊNCIA. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF 38. O direito de a Fazenda lançar o imposto de renda, pessoa física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Contribuinte que não comprovou o recolhimento do tributo devido para aplicação da contagem do art. 150§ 4º do CTN. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF Nº2 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A prova documental e pericial será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF 25. Não configurada a existência de dolo, fraude ou simulação, ou uma das hipóteses previstas na legislação de regência, sendo que o fundamento da qualificação da multa é baseada apenas na presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a sua qualificação, impondo a manutenção apenas da multa de ofício.
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OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA AO RECURSO ADMINISTRATIVO. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renuncia às instancias administrativas. O STF decidiu na forma do tema 225: a) Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Tal tema foi objeto de repercussão geral no RE 601314 SP julgado em 24/02/2016. DECADÊNCIA. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF 38. O direito de a Fazenda lançar o imposto de renda, pessoa física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Contribuinte que não comprovou o recolhimento do tributo devido para aplicação da contagem do art. 150§ 4º do CTN. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 09 77 /2 00 4- 91 Fl. 693DF CARF MF 2 As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF Nº2 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A prova documental e pericial será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF 25. Não configurada a existência de dolo, fraude ou simulação, ou uma das hipóteses previstas na legislação de regência, sendo que o fundamento da qualificação da multa é baseada apenas na presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a sua qualificação, impondo a manutenção apenas da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a qualificação da penalidade de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10925.000977/200491 Acórdão n.º 2201004.821 S2C2T1 Fl. 694 3 1 Adoto como relatório o da decisão recorrida às fls. 522/550 do EFLS, por bem relatar os fatos ora questionados: Mediante Auto de Infração de fls. 15 a 19, integrado pelos demonstrativos de fls. 8 a 14 e pelo Relatório da Atividade Fiscal de fls. 22 a 30, exigese do interessado o Imposto de Renda Pessoa Física de R$1.793.196,12, acrescido da multa de ofício de 150% e juros de mora. A fundamentação legal consta do referido Auto de Infração e o lançamento deuse em razão de a autoridade fiscal haver apurado omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósitos ou de investimento, mantidas junto ao Banco Bradesco, CEF e à Cooperativa de Crédito Rural Alto Uruguai Catarinense (Crediauc), em todos os meses dos anoscalendário de 1998, 1999, 2000 , em março de 2001 e maio de 2002, nos montantes de R$2.401.709,67, R$3.578.617,08, R$502.311,52, R$55.567,40 e R$45.900,00, respectivamente, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A ação fiscal foi instaurada mediante MPF n° 09.2.03.002003 003853 (v. fl. 1). Encerrado o trabalho fiscal, e concluindo as AFRF autuantes ter ocorrido, em tese, a prática de crime contra a ordem tributária, foi elaborada a Representação Fiscal para Fins Penais, protocolizada sob o n° 10925.000978/200435, nos termos do disposto no art. I da Portaria SRF n° 2.752, de 11 de outubro de 2001, com as alterações introduzidas pela Portaria SRF n° 1.279, de 13/11/2002. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 364 a 405 , na qual expõe suas razões. Argúi, de início, que a autuação não merece prosperar "porque movimentação bancária nunca foi considerada fato gerador de imposto de renda, nem é válida qualquer presunção neste sentido, mesmo que esteja estabelecida em lei". Invocando o artigo 150, § 4o , do Código Tributário Nacional, levanta a preliminar de decadência para os fatos geradores ocorridos anteriormente a 24/06/1999. Cita, em sua defesa, Acórdãos do Conselho de Contribuintes e do TRF 4 a Região e menciona tributaristas. Sob o título "Prova Ilícita Nulidade", argúi o contribuinte que a partir dos dados da CPMF, nos termos da Lei n° 10.174/01, a autoridade administrativa procedeu à quebra do seu sigilo bancário, c om base no art. 6 o da Lei Complementar n° 105/01, ato contra o qual impetrou mandado de segurança. Fl. 695DF CARF MF 4 Aduz que em primeira instância o pleito foi indeferido, porém o Tribunal Regional Federal da 4 a Região, na apelação n° 2003.72.03.001722 8 , em julgamento ocorrido no dia 25/05/2004, um mês antes da autuação fiscal, decidiu que a fiscalização não poderia utilizarse retroativamente do instrumento veiculado na Lei n° 10.174/01. Assim, conclui que o lançamento referente ao período de 01/01/1998 a 09/01/2001 é nulo, por embasarse em provas colhidas ilicitamente, contrariando o art. 3 0 da Lei n° 9.784/99, e por desrespeitar decisão judicial. Pede, caso não se reconheça a nulidade, que seja SUSPENSO o presente processo até decisão final no Poder Judiciário a respeito do assunto, caso contrário, estarseá em desacordo com o disposto no art. 2 o da Lei n° 9.784/99. Cita doutrina, Acórdãos do CC e do TRF/2a Região sobre prova ilícita. Sob o título "Irretroatividade da Lei Tributária", argúi, em síntese, que, independentemente da decisão judicial, é ilegal o lançamento, uma vez que os instrumentos fornecidos pela Lei n° 10.174/01 e Lei Complementar 105/01 não podem retroagir para alcançar fatos geradores anteriores à sua promulgação, devendo ser consideradas ilícitas as provas colhidas. Invoca, em defesa de sua argumentação, o art. 6 o da LICC, o art. 144 do CTN, cita Acórdãos do CC e julgado do TRF 4 a Região. Passando ao título "DO MÉRITO", o contribuinte argúi a ilegalidade do art. 42 da Lei n° 9.430/1996, por violar os artigos 4 3 , 110 e 148 do CTN, bem como o princípio consagrado na Lei n° 9.784/99 do due process of law e no inciso L IV do art. 5 o da Constituição Federal. No subirem "1.1) Violação do art. 43 e incisos do CTN", cita doutrina, acórdãos do Conselho de Contribuintes, julgados dos TRF das 2 a e 3 a Regiões, a Súmula 182 do extinto TFR, o Decreto 2.471, de 1988, art. 9 o , VII, e argumenta que: a doutrina e jurisprudência, ao interpretarem o art. 4 3 do CTN, entendem pacificamente que a mera disponibilidade financeira, correspondente ao ingresso de dinheiro no patrimônio particular, nem sempre constitui fato gerador do imposto; a presunção prevista no art. 4 2 da Lei n° 9.430/96 determina a tributação dos depósitos bancários como se fossem acréscimos, o que na realidade não são; a presunção deveria estar embasada em indícios outros (sinais exteriores de riqueza, por exemplo), de modo a evidenciar o "fluxo tributável", até porque movimentação bancária nunca foi, nem será considerada fato gerador do imposto de renda; o próprio legislador ordinário j á manifestou entendimento favorável quanto ao fato do depósito bancário não representar renda ou provento, tanto que foi promulgado o art. 9o , VII, do Decretolei n° 2.471/88; Fl. 696DF CARF MF Processo nº 10925.000977/200491 Acórdão n.º 2201004.821 S2C2T1 Fl. 695 5 consubstancia exigência esdrúxula a comprovação da origem de depósitos bancários com documentação, primeiro porque depósitos bancários sequer podem significar sinal presuntivo de renda ou provento, segundo porque não há qualquer obrigação legal do contribuinte pessoa física à escrituração contábil de sua movimentação bancária, terceiro porque é humanamente impossível a comprovação integral dos depósitos bancários pela passagem do tempo, quarto porque conduz o contribuinte à irremediável autuação, vez que retira quase por completo suas chances de provas, induzindoo, inclusive, à autoincriminação; assim, o art. 4 2 da Lei n° 9.430/96, ao determinar a tributação de depósitos bancários pelo IRPF, como se fossem rendas ou proventos, com os quais reconhecidamente não se confunde, contraria o disposto no art. 4 3 e incisos do CTN. No subitem "1.2) Violação do art. 110 do CTN", discorre sobre presunção, citando Alfredo Augusto Becker e Leonardo Sperb de Paola, para concluir que a presunção legal estabelecido pelo art. 4 2 da Lei n° 9.430/96 colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais, pois não há ligação entre o depósitos bancário e o rendimento omitido. Repisa que a movimentação bancária não corporifica fato gerador do Imposto de Renda. Em linguagem econômica, depósito bancário é estoque e não fluxo e só este tem a conotação de acréscimo patrimonial. Cita acórdão da CSRF. Diz que na área judicial, consoante a Súmula n° 182, do extinto TFR, restou averbado ser ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários, fato confirmado pelo próprio legislador ao elaborar o art. 9 o , VII, do Decretolei 2.471/88, que cancelou todos os lançamentos fundados unicamente em depósitos bancários. Cita Acórdão do CC. Argumenta ainda que nem se pode dizer que depósitos bancários refletem sinais exteriores de riqueza, a ponto de justificar uma presunção. Cita doutrinadores e Ministro do STF. Aduz que, considerando que a doutrina, jurisprudência e legislação sempre entenderam que a movimentação bancária (depósitos) não é sinal presuntivo de riqueza, nem pode ser considerado fato gerador do imposto de renda, percebese que o art. 42 da Lei 9.430/96 não criou uma presunção, mas sim uma ficção, em total descompasso com o disposto no art. 110 do CTN. Cita ensinamento de Rubens Gomes de Souza sobre diferenças entre presunções e ficcções. No subitem "1.3) Ofensa ao Devido Processo Legal", argúi que o art. 4 2 da Lei n° 9.430/96 promove duas ofensas ao Due Process ofLaw. a primeira de ordem legislativa e a segunda de ordem prática. Fl. 697DF CARF MF 6 Argumenta que o instituto da presunção foi distorcido, tendo em vista a transformação de ficção em presunção, ao arrepio dos institutos consagrados pelo Direito consubstanciando conduta desarrazoada. Cita o Ministro Celso de Mello, do STF, sobre o due process oflaw. Invoca o art. 2 o da Lei n° 9.784/99 e, arguindo que o art. 4 2 da Lei n° 9.430/96 é norma irracional, desarrazoada, desproporcional, que distorce institutos jurídicos com o fim único de incrementar a arrecadação, diz que convém ao julgador deixar de aplicála, se assim não fizer, estarseá abonando uma ilegalidade flagrante, contrária ao CTN e ao próprio Direito. Aduz que sendo o art. 42 da Lei n° 9.430/96 norma manifestamente ilegal, o lançamento realizado com base na mesma é um ato nulo, devendo a administração proceder à sua anulação, com base nas Súmulas n°s 346 e 473 do STF. Caso pretenda manter a tributação por omissão de receitas, deve constituir prova capaz, em atenção ao due process of law. Cita, em sua defesa, acórdãos do I o CC sobre a prova a cargo da fiscalização. No item "2) Cálculo da Receita Omitida Interpretação do art. 42 da Lei n° 9.430/96", argúi que caso não sejam aceitas as considerações expostas acerca da ilegalidade do art. 4 2 da Lei n° 9.430/96, mantendose firme o arbitramento da base de cálculo do IR, mesmo que ausentes os pressupostos do art. 148 do CTN, importante se faz, pelo menos, a correta interpretação da norma presuntiva, sem literalidades, mas sim embasada na sistemática do Direito. Cita ensinamento de Carlos Maximiliano sobre no que consiste o método sistemático de interpretação. Transcreve o art. 849 do RIR/99 e argúi que o mesmo somente "caracteriza" uma presunção de omissão de receitas, em momento algum disponibiliza critérios de determinação do valor da receita omitida. Cita comentário ao art. 287 do RIR/99 de Edmar Oliveira Andrade Filho. Aduz que a interpretação literal e crua do art. 4 2 da Lei n° 9.430/96 pode levar ao absurdo de se tributar todos os depósitos bancários, fato que geralmente eleva a autuação a montantes estratosféricos, completamente distorcidos da realidade, atentando contra o princípio do nãoconfisco. Assim, a norma deve ser interpretada em conjunto com outras aplicáveis à hipótese, em respeito à sistemática do ordenamento jurídico e à própria regra do art. 108, I, do CTN, que permite o emprego da analogia na ausência de disposição expressa. Cita ensinamento de Maria Helena Diniz sobre analogia. Argúi o contribuinte que é produtor rural, cuja receita bruta é constituída pelo montante das vendas dos seus produtos. Sua atividade básica é a comercialização de suínos. Pelo que se presume da conduta fiscal, as receitas omitidas, então, tiveram origem em vendas de suínos realizadas sem o recolhimento do imposto de renda sobre o lucro conseqüente. Conclui que, sendo as atividades dos produtores rurais muito semelhantes aos de uma firma individual, encontrase em Fl. 698DF CARF MF Processo nº 10925.000977/200491 Acórdão n.º 2201004.821 S2C2T1 Fl. 696 7 situação análoga às pessoas jurídicas, devendo a ele ser aplicado o disposto no art. 2 8 4 do RIR/99, dispositivo próprio para a definição do montante tributável em casos de omissão de receitas praticadas por pessoas jurídicas. Aduz que para se chegar a um rendimento tributável ajustado à realidade e em consonância com o art. 4 3 do CTN, convém à autoridade fiscal a interpretação sugerida, sem criar base de cálculo unicamente com supedâneo na movimentação bancária, a qual não passa de um "indício" e nada mais. Prossegue, arguindo que, da interpretação sistemática da legislação do imposto de renda, aplicandose princípios básicos de Direito, temse que a utilização do somatório dos depósitos bancários como base de cálculo do IR não encontra guarida no ordenamento jurídico, vez que o art. 8 4 9 do RIR/99 estabelece tãosomente uma hipótese de presunção amparada em um indício, encontrandose os critérios para determinação dos valores omitidos no art. 2 8 4 do RIR/99, analogicamente aplicado ao caso, com base no art. 108, I, do CTN e no próprio princípio da legalidade. No item "3) Receita e Renda: conceitos distintos", diz que caso não seja aceita a aplicação analógica do art. 2 8 4 do RIR/99, ainda assim não cabe ao fisco considerar o somatório dos depósitos bancários como base de cálculo do Imposto de Renda. Alega que o resultado financeiro proveniente da atividade rural denominase receita e que o conceito desta se distingue do de renda (ou lucro), e nem todos os recursos obtidos representam renda/lucro tributável. Aduz que considerando que o produtor rural aufere receitas provenientes de operações de circulação de mercadorias, como se pessoa jurídica fosse, devese buscar a tributação pelo imposto de renda tãosomente do lucro proveniente da atividade, o qual, por ser de difícil reconhecimento, presumese que seja correspondente ao percentual de 50% do montante total da receita omitida, conforme dispõe o § 6 o do art. 8 o do Decreto lei n° 1.648/78, e consagra a jurisprudência do STJ. Alega, ainda, que encontrandose a sua escritura em regular estado, tendo a autoridade fiscal aceitado o LivroCaixa, não há subsídios para proceder ao arbitramento da base de cálculo do IR, vez que tal conduta é contrária ao disposto no art. 148 do CTN, nem se justifica perante um sistema que prima pela uniformidade da justiça fiscal. Cita julgado do STJ. No item "4) A Origem dos Depósitos", o contribuinte argúi que é produtor rural, porém, nem sempre os seus rendimentos advém da compra e venda de seus próprios suínos. Por possuir vasto conhecimento sobre o assunto, em auxílio aos pequenos produtores rurais, faz as vezes de mediador na agilização de negócios entre terceiros. Como é pessoa de extrema confiança Fl. 699DF CARF MF 8 destes terceiros, além da intermediação, procede também ao transporte das mercadorias, e recebe os valores respectivos em sua própria conta bancária, dos quais retira pequena parcela a título de comissão, e repassa o restante ao produtor que vendeu os suínos. Assim, os depósitos bancários constatados nas contas do contribuinte são, em sua grande maioria, valores pertencentes a terceiros, que não ingressaram em seu patrimônio. Prossegue alegando que como a atividade de intermediação não se caracteriza como atividade rural não é escriturada em Livro Caixa, e assim tornase impossível a comprovação dos rendimentos, nem por outros documentos, vez que a emissão das notas respectivas sai em nome de terceiros. Reconhece o contribuinte que sua conduta não reflete legalidade, mas acha que pode ser empregada como prova para desconstituir a presunção, a qual taxa de desarrazoada, vez que exige tributo sobre rendimento inexistente, e caso haja o adimplemento, terá que sangrar seu patrimônio para arcar com a obrigação, ao arrepio do art. 150, IV da C F e em detrimento de sua capacidade protegida pelo § I o do art. 145 da CF. Fala que não tem capacidade para a criação de suínos em quantidade tal que possibilitasse vendas com os lucros presumidos pela fiscalização, fato que poderia ser atestado por um perícia. Assim, além da intermediação, outro tanto dos depósitos encontrados seriam referentes a "operações de descontos de títulos, financiamentos, empréstimos para capital de giro, transferências entre contas próprias, operações estas que, reconhecidamente, não serão totalmente comprovadas, até pela manifesta impossibilidade de tal ato, mas, mediante uma perícia contábil, certamente será comprovada a existência das mesmas, as quais não representam rendimento passível de tributação, e sim, ativos do contribuinte, bem como permitem a dúvida quanto à presunção apontada, e em caso de dúvida, aplicase o princípio do in dúbio pro contribuinte". E prossegue o impugnante: Inclusive, comprovarseá mediante documentos que a situação financeira do contribuinte não era boa, tanto que foi protestado várias vezes, bem como recorreu a financiamentos bancários para saldar seus débitos, fato que, por si só, já derruba a presunção de receitas omitidas. Neste contexto, necessárias se fazem duas perícias: a primeira para se conhecer da possibilidade do contribuinte ter produzido tudo que os depósitos bancários refletem; e a segunda para demonstrar a existência de operações não tributáveis, que supostamente foram consideradas como receitas tributáveis. Contesta, também, a multa aplicada, de 150%, pleiteando a sua redução para 75%, arguindo que a fraude não pode ser embasada tãosomente em uma presunção de omissão de receitas, sem qualquer prova substancial que confirme o seu Fl. 700DF CARF MF Processo nº 10925.000977/200491 Acórdão n.º 2201004.821 S2C2T1 Fl. 697 9 evidente intuito. Cita, em defesa de seu argumento, Acórdãos do Conselho de Contribuintes. a) seja acatada a preliminar de decadência, deduzindose do lançamento os valores referentes aos depósitos bancários realizados durante o ano de 1998 até o dia 2 4 de junho de 1999; b) seja acatada a preliminar de prova ilícita, seja pela decisão judicial favorável, seja pela própria interpretação da legislação tributária, deduzindose do lançamento os valores cujos fatos geradores supostamente ocorreram nos anos de 1998, 1999 e 2 0 0 0 até 09/0 1/2001; c) seja acatada a preliminar de irretroatividade das leis, deduzindose do lançamento os valores obtidos mediante a utilização dos instrumentos previstos na Lei n° 10.174/01 e Lei Complementar n° 105/01, de modo que a exigência fiscal continue, tãosomente, sobre os valores apurados após a data de 09/01/2001; f) alternativamente, que a base de cálculo do tributo supostamente devido seja obtida mediante o emprego do art. 2 8 4 do RIR/99; g) seja reduzida em 5 0% a base de cálculo empregada, seja a obtida pelo critério do art. 2 8 4 do RIR/99 ou a proveniente do somatório de todos os depósitos, conforme o disposto no § 6 o do art. 8 o do Decretolei n° 1.648/78; Requer, por fim, em síntese: d) no mérito, seja reconhecida a ilegalidade do art. 4 2 da Lei n° 9.430/96; e) seja cancelado o auto de infração por embasarse em norma ilegal; h) a redução da multa para 75%; i) a produção de prova pericial, cujos profissionais e quesitos estão indicados às fls. 407 e 408 ; j ) a produção de prova testemunhal, cujas testemunhas estão arroladas à fl. 409; k) a produção de prova documental e prazo para juntada, dos documentos também arrolados à fl. 409. 2 – Com isso houve análise do caso pela DRJ que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, conforme decisão assim ementada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1998 a 24/06/1999 Fl. 701DF CARF MF 10 Ementa: DECADÊNCIA. IRPF. AJUSTE ANUAL. O direito de a Fazenda lançar o imposto de renda, pessoa física, devido no ajuste anual só decai após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos de procedimento doloso. DECISÃO JUDICIAL. EFEITOS SOBRE O LANÇAMENTO. Não há nos autos decisão judicial favorável ao contribuinte que possa obstaculizar a ação da Fazenda Nacional. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. HIPÓTESES DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. O crédito tributário regularmente constituído tem sua exigibilidade suspensa nos casos expressamente previstos no artigo 151 do Código Tributário Nacional. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1998 a 09/01/2001 Ementa: IRRETROATIVIDADE DA LEI. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA AO RECURSO ADMINISTRATIVO. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renuncia às instancias administrativas. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Fl. 702DF CARF MF Processo nº 10925.000977/200491 Acórdão n.º 2201004.821 S2C2T1 Fl. 698 11 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. O conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostramse como meras alegações, processualmente inacatáveis. PERÍCIA. LIMITES OBJETIVOS. Destinamse as perícias à formação da convicção do julgador, devendo limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas j á incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também já incluídos nos autos, jamais podendo ser estendidas à produção de novas provas ou à reabertura, por via indireta, da ação fiscal. JUNTADA DE PROVAS. LIMITE TEMPORAL. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Configurada a existência de dolo, impõese ao infrator a multa qualificada prevista na legislação de regência. Lançamento Procedente 3 – Seguiuse embargos de declaração da contribuinte às fls. 556/560 em face da decisão da DRJ que foi afastada e recurso voluntário do contribuinte às fls. 575/612 trazendo praticamente os mesmos argumentos da impugnação com considerações a respeito da decisão de piso. Fl. 703DF CARF MF 12 4 – O processo foi distribuído para a 6ª Câmara do vetusto 1º Conselho de Contribuintes em que por decisão de 07/07/2005 a Turma entendeu por sobrestar o feito em decorrência de pendência judicial nos autos do Mandado de Segurança acima identificado com vistas a impedir a utilização pelo fisco de informações relacionadas com a administração da CPMF, retroatividade à publicação da Lei 10.174/2001. 5 – Às fls. 677/688 existem as decisões judiciais quanto ao presente caso proposto pela contribuinte em que ficou consignado a aplicação do Tema STF nº 225 “ a) Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência.” . Portanto foi aplicada a decisão do STF pela Presidência do E. TRF4ª Região que negou seguimento ao recurso da contribuinte em 27/09/16. 6 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 7 –O recurso é tempestivo e portanto o conheço. 8 – Quanto as matérias indicadas nos itens “a” e “b” do recurso voluntário: as alegações quanto a necessidade de prova testemunhal, pericial e documental restam não conhecidas na medida em que ambas não foram objeto da impugnação e não tratadas na decisão de piso e por corresponder em inovação da matéria recursal em contrariedade ao disposto dos art. 16, III e IV do Decreto 70.235/72 que reza: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a Fl. 704DF CARF MF Processo nº 10925.000977/200491 Acórdão n.º 2201004.821 S2C2T1 Fl. 699 13 formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) 9 – Logo, em vista das razões acima afasto tais apontamentos. 10 – Em relação à decadência e a multa de ofício irei analisar após o mérito. 11 – Como bem delineado no relatório a fundamentação legal consta do referido Auto de Infração e o lançamento deuse em razão de a autoridade fiscal haver apurado omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósitos ou de investimento, mantidas junto ao Banco Bradesco, CEF e à Cooperativa de Crédito Rural Alto Uruguai Catarinense (Crediauc), em todos os meses dos anoscalendário de 1998, 1999, 2 0 0 0 , em março de 2001 e maio de 2002, nos montantes de R$2.401.709,67, R$3.578.617,08, R$502.311,52, R$55.567,40 e R$45.900,00, respectivamente, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Logo estamos diante dos termos do art. 42 da Lei 9.430/96. 12 – A matéria quanto a irretroatividade da Lei do item “d”, decisão judicial do item “e” e “f” prova ilícita, deixo de conhecêlas, posto que foram objeto, e tangenciam, os argumentos contidos no mandado de segurança impetrado pela contribuinte, já decidido na esfera judicial em que o STF decidiu na forma do tema 225: a) Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Tal tema foi objeto de repercussão geral no RE 601314 SP julgado em 24/02/2016. 13 – Quanto a aplicação dos termos do art. 42 da Lei 9.430/96 o contribuinte insiste na discussão de sua inconstitucionalidade por mais que a decisão de piso tenha deixado claro que esse assunto foge à competência das autoridades administrativas de julgamento. 14 – Segue os termos do recurso nesse sentido: Argumentase no v. acórdão de I a instância que as alegações desenvolvidas pelo contribuinte acerca da inconstitucionalidade ou ilegalidade da legislação tributária foge à alçada das Fl. 705DF CARF MF 14 autoridades administrativas de qualquer instância, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Porém, não se trata apenas da declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Que referido dispositivo é inconstitucional não se tenha dúvida. Cria uma ficção com a denominação de presunção ao instituir uma obrigação para o contribuinte contrária a todos os precedentes doutrinários, jurisprudenciais e legais que afirmam não serem os depósitos bancários indícios de rendimentos, nem sinais de riqueza. Não bastasse, obriga o contribuinte a se autoincriminar, pois dificilmente o mesmo terá sua movimentação bancária 100% documentada, e assim haverá lançamento com a conseqüente representação penal. É o confisco institucionalizado e o juízo de exceção instaurado. Considerando, assim, que o art. 42 da Lei n° 9.430/96 representa uma ameaça aos institutos jurídicos, e às garantias constitucionais e legais conferidas aos contribuintes, o mínimo que se pede, e que se insere na competências das autoridades administrativas, é que a interpretação e aplicação do dispositivo legal esteja em sintonia com o ordenamento jurídico hierarquicamente superior, tão como atenda ao pensamento consolidado de que depósitos bancários não representam indícios de rendimentos omitidos. Não se pretende que a autoridade fiscal deixe de aplicar a lei, como chegou a comentar o julgador a quo, até porque é do conhecimento do recorrente que sua atividade é vinculada, mas sim, tão somente, que apliquea com olhos nos demais preceitos que compõem o ordenamento jurídico nacional. 15 – Ora, além de questionar a constitucionalidade da Lei, tangenciando o assunto apenas de forma genérica os argumentos trazidos pelo contribuinte em nada auxiliam para o deslinde da presente ação fiscal. 16 – O contribuinte não nega em nenhum momento que houve os depósitos em sua conta corrente, apenas traz razões argumentativas que na análise desse relator em nada auxilia para afastar a presunção legal contida nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96 cujo ônus da prova é do contribuinte para elidila. 17 – As disposições do art. 42 da Lei 9.430/96 são claras no sentido de prever que a identificação de depósitos bancários, de origem não comprovada pelo contribuinte, autoriza a Administração Tributária a constituir créditos tributários de Imposto de Renda, incidente sobre o valor total dos depósitos, configurada a presunção legal de omissão de rendimentos: Fl. 706DF CARF MF Processo nº 10925.000977/200491 Acórdão n.º 2201004.821 S2C2T1 Fl. 700 15 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 18 Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96, há de se ter em mente que o legislador, ao estabelecer a presunção de existência de receitas ou rendimentos omitidos a partir da apuração de depósitos de origem não identificada, oportuniza ao titular da conta em que encontrados os valores, a demonstração da sua procedência, mediante documentação hábil e idônea, o que evidencia tratarse de presunção legal relativa. 19 Serve a presunção, assim, unicamente como técnica para aliviar o ônus probatório do fisco quanto à existência de receitas ou rendimentos omitidos, tornando praticável e garantindo a efetividade da legislação tributária, portanto, não há nenhuma ilegalidade quanto a questão arguida pelo recorrente em relação à não configuração de rendimento tributável. Portanto nada a prover nesse ponto. 20 – Quanto a argüição da nulidade do lançamento em decorrência da necessidade de mudança da base de cálculo tendo em vista a alegação de que o contribuinte não teve a oportunidade de provar a sua atividade rural, nada a prover tomando por razões de decidir os termos da decisão de piso que diz: Como se vê, o lançamento não é decorrente da simples transcrição dos extratos bancários, mas de criterioso e diligente trabalho investigativo efetuado pela autoridade fiscal, que intimou e reintimou a contribuinte a apresentar os extratos de suas contas bancárias e a documentação comprobatória da origem dos recursos depositados. À vista dos extratos de fls. 168 a 359, a autoridade fiscal apurou depósitos, nos anoscalendário 1998, 1999, 2000, 2001 e 2002, da ordem de R$2.401.709,67, R$3.645.362,52, R$503.911,52, R$62.271,90 e R$59.414,06, respectivamente, consolidados no demonstrativo de fl. 88. Encaminhou à contribuinte, juntamente com as planilhas de fls. 97 a 112, listando os créditos (depósitos), em cada mês e cada ano, em cada banco, através da Intimação Fiscal n° 88, de 12/03/2004 (v. fl. 87 e 8 8 ) , para a comprovação dos mesmos. A Fiscalização, mesmo sem que a contribuinte indicasse, tendo de um lado os valores das receitas da atividade rural escrituradas no livrocaixa em nome de seu marido e, de outro, os valores dos depósitos bancários em seu próprio nome, realizou cruzamento de dados e listou aqueles que eram coincidentes em data e valor, elaborando a planilha de fl. 37, na qual apurou depósitos com origem comprovada na atividade Fl. 707DF CARF MF 16 rural nos anocalendário 1999 e 2000, nos valores de R $ 6 6 . 7 4 5 , 4 4 e R$1.600,00, respectivamente. Como se pode inferir, o dispositivo legal que embasou o lançamento (Lei n° 9.430/1996), ao mesmo tempo em que define que a responsabilidade do fisco é tãosomente a de evidenciar a existência de depósitos bancários com origem não comprovada, determina que cabe ao contribuinte, para afastar a presunção, justificar, de forma minudente e individualizada, e por meio de documentos hábeis, os ingressos em suas contas bancárias. Ora, diante deste quadro legal, há que se reconhecer que a autoridade lançadora nada mais fez que subordinarse à lei: apenas aquilo que restou individualizadamente comprovado acabou acatado. É assim que a alegação da contribuinte de que valores incluídos em suas contas bancárias representariam quantias depois repassadas a terceiros, em razão da intermediação de negócios com suínos, não pode ser acatada pelo simples fato de que não está acompanhada de documentos que, de forma individualizada, identifique que depósito bancário está associado a que negócio em nome de terceiro. Tratase de meras alegações sem qualquer valor probante. Sem a prova específica, a presunção legal de omissão de rendimentos permanece incólume. Ressaltase que em se tratando de omissão de rendimentos, decorrente de depósitos bancários não justificados, o ônus da prova é do contribuinte. É necessário, portanto, que a impugnante apresente provas irrefutáveis que permita identificar o efetivo ingresso dos recursos a fim de serem excluídos do montante apurado. Dos créditos apurados foram descontados os correspondentes à atividade rural. A diferença, não comprovada pela contribuinte, após intimada e reintimada, com todo o empenho da autoridade fiscal, foi lançada, conforme determinação do art. 4 2 da Lei n° 9.430/1996. Ressaltese, por oportuno, o Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, regulador do processo administrativo fiscal, que dispõe: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (Grifos acrescidos) Esclareçase, por oportuno, que o fato das movimentações bancárias não gerarem acréscimo patrimonial na Declaração de Ajuste Anual da contribuinte não significa que a omissão de rendimentos decorrente de depósitos sem origem comprovada não possa ser tributada. A variação patrimonial (§ I o do art. 3 o da Lei n° 7.713/1988) e os depósitos bancários (art. 42 da Lei n° Fl. 708DF CARF MF Processo nº 10925.000977/200491 Acórdão n.º 2201004.821 S2C2T1 Fl. 701 17 9.430/1996) são formas distintas de presunção de omissão de rendimentos e, portanto, não se confundem. Ressaltese, que o fato gerador e a base de cálculo do imposto de renda, como se viu, estão previstos em lei. A legislação vigente não prevê a tributação apenas da diferença entre o que o contribuinte recebeu durante o ano e tudo o que gastou, ou seja, apenas sobre as sobras. Se assim fosse, não pagaria imposto aquele que gastasse tudo o que percebesse, independente de valores. A impugnante equivocase, também, ao invocar o art. 148 do CTN, uma vez que não houve na ação fiscal em pauta arbitramento de valor ou preço de bens e direitos, mas sim apuração de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Em relação à Súmula 182 do extinto TFR, cabe esclarecer que se reporta a lançamentos efetuados com base em legislação anterior à Lei n° 9.430, de 1996, base legal do auto de infração ora analisado. Logo, não serve como parâmetro para balizar decisões a serem proferidas em face desta nova realidade jurídica. Sabendose que o principal objetivo do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996 foi conferir base legal sólida para lançamentos alicerçados em depósitos bancários, não é possível equiparar lançamentos fundamentados nessa lei a outros anteriores a ela, e que foram invalidados exatamente pela inexistência da base legal que ela veio a outorgar. Cabe ressaltar, quanto ao art. 849 do RIR/1999, que tem por base o art. 42 da Lei n° 9.430/1996, ao contrário do alegado, determina claramente que a omissão de receita ou de rendimentos, determinada pelos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, com as exclusões previstas, é a própria base de cálculo do imposto. Equivocase a impugnante quando presume que a autoridade fiscal concluiu que os rendimentos omitidos provinham de sua atividade rural, ao contrário, a origem não foi comprovada por isso os depósitos foram lançados com base no art. 42 da Lei n° 9.430/96. Quanto à alegação de que as atividades dos produtores rurais são semelhante à de firma individual, devendose lhe aplicar o art. 284 do RIR/99, que trata do arbitramento da receita por indícios de omissão na pessoa jurídica, cabe ressaltar, mais uma vez, que não houve nos presentes autos lançamento referente à atividade rural. A documentação referente a essa atividade foi integralmente aceita pela autoridade fiscal e considerada na declaração do marido da impugnante, conforme opção exercida pelo casal. A intermediação na venda de suínos entre terceiros, como bem sabe a impugnante, não é considerada atividade rural, e mesmo Fl. 709DF CARF MF 18 que comprovada a atividade, o que não foi, não equipara a contribuinte à pessoa jurídica. 21 – Pelo exposto acima, nada a prover. 22 – Quanto a multa de ofício qualificada e a decadência serão tratadas nesse momento. O contribuinte argui o afastamento da aplicação da multa de ofício qualificada por não estarem presentes os requisitos legais quanto a sua aplicação. 23 – Quanto a multa, entendo que cabe razão ao contribuinte, pois analisando os termos do relatório fiscal em que há a fundamentação para a qualificação da multa de ofício a autoridade lançadora assim discorre: 9. DAS PENALIDADES As penalidades aplicáveis estão previstas no artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. O inciso II especifica em que circunstâncias seria aplicável a multa de 150%: "nos casos de evidente intuito de fraude". A respeito dessa matéria, a Lei n° 4.502, de 30/11/1964, mencionada no referido dispositivo, assim dispõe: Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: 1 da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fl. 710DF CARF MF Processo nº 10925.000977/200491 Acórdão n.º 2201004.821 S2C2T1 Fl. 702 19 Analisese, agora, o demonstrativo abaixo. Observase, de pronto, que a contribuinte, ao longo dos cinco anos examinados, omitiu de forma sistemática, ano após ano, mais de 75% de sua receita tributável, chegando a apresentar a expressiva omissão de 99,9% no ano de 1998. Apenas uma pequena parcela, que no cômputo geral representa apenas 0,7%, foi oferecida à tributação. Ao declarar como receita tributável somente parte de seus rendimentos, a contribuinte retardou o conhecimento por parte da Fazenda Nacional das circunstâncias materiais da obrigação tributária principal. A prática desta omissão fez parte da rotina da contribuinte durante os anos examinados, o que evidencia que sua intenção sempre foi a de reduzir os tributos devidos. (...) omissis A conduta da contribuinte, evidenciada pelo demonstrativo acima, configura, em tese, intuito de fraude, não restando à Fiscalização outro caminho senão o de aplicar a multa qualificada de 150% sobre o tributo incidente, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996. 24 – Verificase que o fundamento para a qualificação da multa foi a própria omissão do contribuinte, contudo, de acordo com os termos da Súmula CARF nº 25 descabe a qualificadora com base nesse fundamento, verbis: Súmula CARF nº 25 A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Fl. 711DF CARF MF 20 25 – Portanto, com base na respectiva súmula, dou provimento ao recurso nesse tópico para afastar a qualificadora da multa e mantendo apenas a multa de ofício. 26 – Quanto a decadência, levanta a contribuinte a preliminar de decadência do prazo para constituição do crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 24/06/1999, invocando o art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. 27 Afastando a ocorrência de fraude, dolo ou simulação, seria aplicável os termos do art. 150§ 4º do CTN, contudo, verificando as DIRPF do exercício de 1999 ano calendário 1998 juntadas às fls. 46/49 não houve recolhimento de imposto a pagar e portanto, não podemos considerar que houve recolhimento antecipado na forma do § 4º do art. 150 do CTN. 28 – Nos demais anos às fls. 50/54 DIRPF 2000/1999 (retificada e apresentada após o início da ação fiscal) com valor de IR a pagar no valor de R$ 156,00, contudo não há comprovação de recolhimento e às fls. 55/58 DIRPF 2001/2000 (retificada e apresentada após o início da ação fiscal) com valor de IR a pagar no valor de R$ 72,12, contudo não há comprovação de recolhimento, e às fls. 59/62 DIRPF 2002/2001 (retificada e apresentada após o início da ação fiscal) com valor de IR a pagar no valor de R$ 72,12 e às fls. 63/68 DIRPF 2003/2002 (retificada e apresentada após o início da ação fiscal) sem valor de IR a pagar. 29 – No caso, não há comprovação de recolhimento do tributo, e mesmo que assim fosse, a contagem do prazo decadencial não seria mensal nesse caso a partir do fato gerador, mas apurada ao final do exercício, conforme interpretação da Súmula CARF nº 38, que assim diz: Súmula CARF nº 38 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). 30 – Pelo exposto, por mais que tenha ocorrido o afastamento do dolo, fraude ou simulação no presente caso, e mesmo com a aplicação do art. 150, § 4º do CTN vemos pela análise acima que o crédito do período anteriormente a 24/06/1999 arguido pela recorrente não se encontra decaído e portanto, afasto a decadência alegada. Conclusão Fl. 712DF CARF MF Processo nº 10925.000977/200491 Acórdão n.º 2201004.821 S2C2T1 Fl. 703 21 31 Diante do exposto, conheço do recurso para DARLHE parcial provimento apenas para excluir a qualificadora da multa de ofício aplicada, reduzindoa ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 713DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.720377/2010-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005, 2006
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL.
O direito de utilizar o crédito do PIS/Pasep e da Cofins no regime não cumulativo não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim específico de exportação, ficando vedada, nessa hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005, 2006 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL. O direito de utilizar o crédito do PIS/Pasep e da Cofins no regime não cumulativo não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim específico de exportação, ficando vedada, nessa hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL. O direito de utilizar o crédito do PIS/Pasep e da Cofins no regime não cumulativo não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim específico de exportação, ficando vedada, nessa hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 03 77 /2 01 0- 67 Fl. 839DF CARF MF Processo nº 10480.720377/201067 Acórdão n.º 3301005.376 S3C3T1 Fl. 3 2 decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Ressarcimento e de não homologação da compensação declarada. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou a ocorrência de decadência e arguiu que a hipótese em que o crédito não poderia ser utilizado se restringiria àquela em que uma empresa exportadora adquire mercadorias com o fim de vendêlas a outra empresa comercial exportadora, com fim específico de exportação, hipótese essa não verificada no presente caso, razão pela qual o indeferimento era indevido. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 09055.806, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão da repartição de origem. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegou nulidade da decisão de piso por preterição do direito de defesa e repisou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.364, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 10480.720351/201019, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.364): O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, face a decisão consubstanciada no Acórdão nº 0955.793, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A decisão ora recorrida ficou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005, 2006 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. COMERCIAL EXPORTADORA. VEDAÇÃO LEGAL. O direito de utilizar o crédito do PIS/Pasep e da Cofins no regime não cumulativo não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim específico de exportação, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Preliminarmente o Contribuinte aduz pela nulidade da decisão por entender que a Manifestação de Inconformidade foi julgada em diversos Acórdãos, de mesmo teor, cada um referente a um processo administrativo, Fl. 840DF CARF MF Processo nº 10480.720377/201067 Acórdão n.º 3301005.376 S3C3T1 Fl. 4 3 violando o art. 31 do Decreto nº 70.235/1972, bem como, o art. 59 do referido Decreto. O fato da Manifestação de Inconformidade contemplar treze processos administrativos e a autoridade administrativa ter proferido treze acórdãos sobre os PER/Dcomps, que estão sendo julgados a partir do presente processo na condição de paradigma, não implica em violação do art. 31 do Decreto nº 70.235/1972 que assim dispõe: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. Assim considerado, nego provimento a preliminar por entender que não há nenhuma ofensa ao disposto no art. 31 citado e, com isso, não cabe a nulidade prevista no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972 por preterição do direito de defesa como alegado pelo Contribuinte em seu recurso. O Contribuinte alega, ainda em preliminar, que como se trata de lançamento por homologação, ocorreu a decadência do direito da administração fiscal de recalcular as bases apuradas de acordo com o previsto no art. 150, § 4º, do CTN. Assim expressa (fls. 827 e 828): (...) Esta segunda preliminar foi bem enfrentada já na decisão ora recorrida e a cito como razões para decidir (fls. 810 e 811): A manifestante alega que “considerando que os fatos geradores dos créditos objeto de pedidos de ressarcimento/compensação ocorreram nos anos de 2005 e 2006, o prazo decadencial para questionamento dessas apurações se encerrou em 2011, sendo vedado ao Fisco proceder, como fez, ao lançamento no ano de 2012, Fl. 841DF CARF MF Processo nº 10480.720377/201067 Acórdão n.º 3301005.376 S3C3T1 Fl. 5 4 buscando revolver as bases de créditos tributários gerados em 2005 e 2006. Assim, de rigor o reconhecimento da decadência dos tributos exigidos no termo de intimação fiscal ora açoitado”. (grifei) Cumpre ressaltar que o presente processo trata da análise de Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação transmitidos pela empresa, portanto, não há que se falar em decadência visto que nele não existe lançamento de crédito tributário. Os débitos que estão sendo cobrados, ou os tributos exigidos no termo de intimação fiscal ora açoitado na fala da manifestante, são aqueles declarados pela empresa nas respectivas Dcomps, e assim são regulados pelos §§ 5º e 6º do art. 74 da Lei 9.430/96, cujo teor transcrevo: § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Portanto, como a decisão do Despacho decisório se deu antes de decorridos cinco anos da transmissão da Dcomp em questão, também não há que se falar em homologação tácita dos débitos nela declarados. Portanto, acerca desta preliminar, voto por negar provimento ao recurso. A questão de mérito diz respeito a possibilidade ou não de se apurar créditos no que tange ao PIS/COFINS referentes a despesas da atividade da recorrente, serviços prestados por terminais portuários, vinculadas à exportação de mercadorias. Neste sentido cito trecho do recurso para que se elucidem os argumentos trazidos pelo Contribuinte (fls. 830 e seguintes): (...) (...) Fl. 842DF CARF MF Processo nº 10480.720377/201067 Acórdão n.º 3301005.376 S3C3T1 Fl. 6 5 No que tange o mérito da questão, considero relevante trazer o entendimento consubstanciado no voto do Acórdão ora recorrido como forma de elucidar o entendimento da DRJ/JFA e que servem como razões para decidir (fls. 811 a 813): Como se vê no Relatório de Fiscalização que deu origem ao despacho decisório em análise, a autoridade fiscal analisou detalhadamente os créditos informados pela empresa no Dacon respectivo e apurou “créditos vinculados ao mercado interno MI, demonstrados no Anexo I, que decorreram dos custos e despesas necessárias à obtenção das receitas sujeitas à incidência nãocumulativa das contribuições, onde foi aplicado sobre os gastos comuns às receitas vinculadas ao mercado interno (Ml) e ao mercado externo (ME) o rateio proporcional descrito no item anterior”. Esses créditos não constam do PER analisado conforme esclarece o citado Relatório de Fiscalização: “Os saldos credores (vinculados ao mercado externo ME) utilizados nos pedidos de ressarcimento decorreram dos custos com serviços prestados pelas empresas TEAG Terminal de Exportação de Açúcar do Guarujá Ltda. e COSAN S/A Industria e Comércio, relativos a recepção, pesagem, análise, estocagem e carregamento do açúcar nos navios transportadores. Estes serviços estão diretamente vinculados ao produto exportado e conseqüentemente à receita de sua exportação, logo, não devem compor a base de cálculo dos créditos das contribuições sociais por expressa vedação contida no art. 6º, § 4º e art. 15 da Lei n° 10.833/2003 e art. 21, § 2º da IN SRF n° 600/2005. Indevida, portanto, a utilização dos saldos nos referidos pedidos”. (grifei) Os citados arts. 6º e 15 da Lei n° 10.833/2003 estabelecem: Fl. 843DF CARF MF Processo nº 10480.720377/201067 Acórdão n.º 3301005.376 S3C3T1 Fl. 7 6 Art. 6ºA COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas;(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1ºNa hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2ºA pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3ºO disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9ºdo art. 3º. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) III nos §§ 3º e 4º do art. 6º desta Lei; A manifestante alega que “a hipótese em que o crédito não pode ser utilizado é aquela em que uma empresa exportadora adquire mercadorias com o fim de vendêlas a outra empresa comercial exportadora, com fim específico de exportação, sendo que a contribuinte não incorreu nessa hipótese, razão pela qual o indeferimento foi indevido”. A argumentação da empresa, carente de razoabilidade, não pode prosperar tendo em vista que o dispositivo legal é bastante claro ao afirmar que o direito de utilizar o crédito não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput. Que fim que está previsto nesse inciso? O fim específico de exportação. Ora, a empresa é comercial exportadora, nos termos DecretoLei n° 1.248/72 e os custos que deram origem aos supostos créditos, ora pleiteados, estão diretamente vinculados ao produto exportado e conseqüentemente à receita de sua exportação, como esclarece a autoridade fiscal. Assim, fica vedada a apuração e apropriação destes créditos pela empresa, como se constata da legislação acima transcrita. Pelo exposto, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade e pela manutenção dos termos do Despacho Decisório. De fato, em que pese os argumentos trazidos pelo Contribuinte em seu recurso, entendo correto o processo de subsunção legal com a aplicação do disposto no art. 6º, inciso III e do art. 15 da Lei nº 10.833/2003. Fl. 844DF CARF MF Processo nº 10480.720377/201067 Acórdão n.º 3301005.376 S3C3T1 Fl. 8 7 Portanto, tendo em vista a legislação aplicável ao caso e os autos do processo, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS, importando registrar, também, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 845DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.007553/2006-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
RESSARCIMENTO IPI. CORREÇÃO PELA TAXA SELIC. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA DE OPOSIÇÃO ESTATAL.
Conforme o decidido pelo STJ no julgamento do REsp º 1.035.847/RS, submetido à sistemática do art. 543C (Recursos Repetitivos) do antigo CPC, somente é devida a correção pela taxa SELIC dos créditos de IPI passíveis de ressarcimento, quando existe oposição estatal ilegítima à sua utilização.
No caso concreto, não existiu oposição estatal ilegítima, logo, descabida a correção pretendida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 RESSARCIMENTO IPI. CORREÇÃO PELA TAXA SELIC. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA DE OPOSIÇÃO ESTATAL. Conforme o decidido pelo STJ no julgamento do REsp º 1.035.847/RS, submetido à sistemática do art. 543C (Recursos Repetitivos) do antigo CPC, somente é devida a correção pela taxa SELIC dos créditos de IPI passíveis de ressarcimento, quando existe oposição estatal ilegítima à sua utilização. No caso concreto, não existiu oposição estatal ilegítima, logo, descabida a correção pretendida. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1376; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 158 1 157 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.007553/200610 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.417 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 16 de outubro de 2018 Matéria PEDIDO DE RESSARCIMENTO IPI/ DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Recorrente GRÁFICA A ÚNICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 RESSARCIMENTO IPI. CORREÇÃO PELA TAXA SELIC. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA DE OPOSIÇÃO ESTATAL. Conforme o decidido pelo STJ no julgamento do REsp º 1.035.847/RS, submetido à sistemática do art. 543C (Recursos Repetitivos) do antigo CPC, somente é devida a correção pela taxa SELIC dos créditos de IPI passíveis de ressarcimento, quando existe oposição estatal ilegítima à sua utilização. No caso concreto, não existiu oposição estatal ilegítima, logo, descabida a correção pretendida. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 75 53 /2 00 6- 10 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 19647.007553/200610 Acórdão n.º 3002000.417 S3C0T2 Fl. 159 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de Pedido de Ressarcimento do IPI, referente ao 2º trimestre de 2003, e de Declarações de Compensação decorrentes, lastreado em créditos que se originariam da sistemática da não cumulatividade do imposto. A partir desse ponto, transcrevo o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Tratase de "Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER" (fls. 01/20) de IPI, no valor de R$ 5.022,50, relativo ao 2° trimestre de 2003, transmitido em 14/01/2004, cujo crédito a contribuinte pretende compensar com débito da Cofins, conforme "Declaração de Compensação Eletrônica — DCOMP" às folhas 21/24, transmitida na mesma data. Encaminhado o processo para a realização de diligência, após anexação das folhas 25/73, o auditor apresentou suas conclusões no Termo de Informação Fiscal de folhas 74/88. Desta forma, foi proferido o Despacho Decisório de folha 91, indeferindo o pedido de ressarcimento e não homologando a compensação. Em 24/01/2007 (Aviso de Recebimento — AR à folha 101), a contribuinte foi • cientificada do referido Despacho Decisório, apresentando em 22/02/2007 a Manifestação de Inconformidade de folhas 102/108, sendo essas as suas razões, em síntese: • Inicialmente, requer a suspensão da exigibilidade dos débitos, nos termos dos parágrafos 9° ao 11 do art. 74 da Lei n°9.430, de 1996; • A previsão legal para aplicação da taxa SELIC na compensação e restituição encontrase no § 4° do art. 39 da Lei n° 9.250, de 1995, que em momento algum especifica que somente incidirá sobre a compensação de valores recolhidos indevidamente ou a maior; • A SELIC deve ser aplicada ante a demora da Receita Federal em apreciar o seu pedido de compensação, transcrevendo ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes que entende corroborar seus argumentos. Em face da transferência de competência para julgamento prevista no anexo V da Portaria SRF n° 179, de 13 de fevereiro Fl. 159DF CARF MF Processo nº 19647.007553/200610 Acórdão n.º 3002000.417 S3C0T2 Fl. 160 3 de 2007, o presente processo foi encaminhado a esta Delegacia de Julgamento." Em seqüência, analisando as argumentações apresentadas pela contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador DRJ/SDR julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 14/01/2004 CRÉDITOS BÁSICOS. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Incabível atualização monetária ou juros de mora incidentes sobre o eventual valor a ser objeto de ressarcimento, por ausência de previsão legal. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 141/144), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, em linhas gerais, repisando argumentos já apresentados. Posteriormente, em 09/03/2016, a recorrente apresentou petição (fl. 149/144) informando que o Tribunal Regional Federal da 5ª Região teria proferido sentença favorável ao seu entendimento sobre o cabimento da correção pela taxa Selic no Mandato de Segurança nº 2001.83.00.0119305. Tal decisão, segundo a recorrente, teria sido mantida pelo Superior Tribunal de Justiça. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 19647.007553/200610 Acórdão n.º 3002000.417 S3C0T2 Fl. 161 4 A questão fundamental posta em discussão na presente lide se refere ao suposto direito à correção dos créditos escriturais de IPI pela taxa Selic, quando do seu pedido de ressarcimento. Com efeito, esta Turma já teve oportunidade de se pronunciar sobre o assunto em julgamento recentemente realizado em processo do mesmo contribuinte. Naquela oportunidade, o Acórdão 3002000.291, da lavra da I. Relatora Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 14/07/2004 CRÉDITOS BÁSICOS. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Nos termos da súmula 411 do STJ, é devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Não é esta, contudo, a hipótese dos presentes autos, em que fora pleiteada a incidência da taxa SELIC desde a data de entrada do insumo até o momento da apresentação do processo. Como restou consignado no Acórdão citado, o Superior Tribunal de Justiça já manifestou entendimento no sentido de que não cabe a correção monetária sobre os créditos escriturais de IPI por ausência de previsão legal, contudo, ocorrendo oposição estatal ilegítima à utilização desses créditos, nasce a necessidade da correção, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Tal tese jurídica foi esposada no julgamento do REsp 1.035. 847/RS, submetido à sistemática do art. 543C (Recursos Repetitivos) do antigo CPC: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 19647.007553/200610 Acórdão n.º 3002000.417 S3C0T2 Fl. 162 5 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp nº 1.035.847/RS, Relator Min. Luiz Fux, Dje: 03/08/2009) Ademais, em decorrência da posição recorrentemente assentada naquela Corte Superior, foi editada a Súmula STJ nº 411, que possui a seguinte ementa: É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Portanto, em se tratando de créditos escriturais de IPI, via de regra, não incide a correção monetária, contudo, existindo oposição ilegítima por parte do Estado à sua efetiva utilização pelo contribuinte, é devida a correção pela taxa Selic. No caso em tela, não se verifica tal oposição ilegítima por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Em realidade, a ora recorrente pretendeu corrigir monetariamente seu crédito desde o momento da entrada dos insumos em seu estabelecimento, como se o Estado estivesse em mora desde sempre, isto é, o pleito se refere à correção monetária de créditos que somente se encontravam em sua escrituração contábil há época e, como já visto, por falta de previsão legal, não incide correção sobre créditos escriturais. A fim de se comprovar os limites da demanda, se transcreve excerto do Termo de Informação Fiscal (fl. 82): Fl. 162DF CARF MF Processo nº 19647.007553/200610 Acórdão n.º 3002000.417 S3C0T2 Fl. 163 6 "Antes de iniciar a demonstração da correta reconstituição da escrita fiscal do IPI, cabe destacar que o contribuinte indevidamente pleiteou em seus processos juros compensatórios, a título da taxa SELIC, como se tivesse havido restituição (nos casos de pagamento indevido ou a maior). O contribuinte, apesar de não ter se creditado de tais juros compensatórios na sua escrita fiscal, ao apresentar o processo incluiu tal acréscimo sobre o valor de cada crédito original, como se a Fazenda Nacional estivesse em mora com ele desde a data de entrada do insumo industrial." (grifo nosso) Dessa forma, impõese reconhecer indevida a correção pretendida e ratificar o Despacho Decisório da unidade de origem, assim como a decisão no Acórdão recorrido. Por fim, quanto ao noticiado posteriormente pela recorrente, a decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região na ação mandamental nº 2001.83.00.0119305, não assiste razão à recorrente, pois o decisum daquela Corte em nada se opõe ao desenvolvimento lógicojurídico apresentado ao longo deste voto, como se comprova pelo trecho da respectiva ementa abaixo transcrito: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE DA SENTENÇA. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. CRÉDITO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTADO, ISENTO OU SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. LEI Nº 9.779/99. BENEFÍCIO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO A OPERAÇÕES ANTERIORES AO SEU ADVENTO E A SITUAÇÕES NÃO PREVISTAS EM SEUS DISPOSITIVOS. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. RESSALVA DO ENTENDIMENTO PESSOAL DO RELATOR. COMPENSAÇÃO COM TRIBUTOS DE MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO DE TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. (...) É devida a correção monetária dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos e matériaprima utilizados na fabricação de produtos sujeitos à alíquota zero, isentos ou não tributados, quando o ente público impõe resistência ao aproveitamento dos créditos. ......................................................................................................... (grifo nosso) Fl. 163DF CARF MF Processo nº 19647.007553/200610 Acórdão n.º 3002000.417 S3C0T2 Fl. 164 7 Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 164DF CARF MF
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