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Numero do processo: 15374.000481/00-83
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1995 a 01/06/1999
PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA 468 DO STJ. SÚMULA 15 DO CARF.
Até fevereiro de 1996 (período anterior ao início da vigência da MP 1.212/1995), a base de cálculo do PIS corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, nos termos do parágrafo único do art. 6º da LC nº 7/70, devendo ser cancelada a cobrança via auto de infração que tomou base de cálculo equivocada, qual seja, o faturamento do mês do próprio fato gerador.
Recurso especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-007.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1995 a 01/06/1999 PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA 468 DO STJ. SÚMULA 15 DO CARF. Até fevereiro de 1996 (período anterior ao início da vigência da MP 1.212/1995), a base de cálculo do PIS corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, nos termos do parágrafo único do art. 6º da LC nº 7/70, devendo ser cancelada a cobrança via auto de infração que tomou base de cálculo equivocada, qual seja, o faturamento do mês do próprio fato gerador. Recurso especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1995 a 01/06/1999 PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA 468 DO STJ. SÚMULA 15 DO CARF. Até fevereiro de 1996 (período anterior ao início da vigência da MP 1.212/1995), a base de cálculo do PIS corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, nos termos do parágrafo único do art. 6º da LC nº 7/70, devendo ser cancelada a cobrança via auto de infração que tomou base de cálculo equivocada, qual seja, o faturamento do mês do próprio fato gerador. Recurso especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 04 81 /0 0- 83 Fl. 928DF CARF MF Processo nº 15374.000481/0083 Acórdão n.º 9303007.722 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial do Procurador (fls. 888/893), admitido pelo despacho de fls. 896/898. Insurgese contra o Acórdão 3402004.188 (fls. 881/886), de 25/05/2017, o qual foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA 468 DO STJ. SÚMULA 15 DO CARF. Até fevereiro de 1996 (período anterior ao início da vigência da MP 1.212/1995), a base de cálculo do PIS corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, nos termos do parágrafo único do art. 6º da LC nº 7/70, devendo ser cancelada a cobrança via auto de infração que tomou base de cálculo equivocada, qual seja, o faturamento do mês do próprio fato gerador. Recurso voluntário provido em parte. Em suma, o especial, nos termos do aresto paradigma 330100.191, entende que o lançamento, na parte provida, deve ser recalculado tendo como base imponível o faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador sem correção monetária, e não ser cancelado, como restou decidido pelo aresto recorrido. Intimado do especial (fls. 901/903), o contribuinte quedouse silente. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso nos termos em que foi processado. O lançamento (fls. 556 e segs.), referente ao período de apuração 01/1995 a 06/1999, foi levado a efeito porque o contribuinte "não logrou comprovar na forma da legislação à época a que título foram efetuadas as exclusões da base de cálculo do PIS". Impugnado aquele, a DRJ RJ (fls. 651 e segs.), em 06/01/2005, manteve o mesmo sob o fundamento de que a contribuição para o PIS devida pelo comércio varejista de tinta (caso da autuada) devia ser apurada com base nos arts. 3º e 2º da MP nº 1.212/95 (de 03/96 até 02/96) e 3º da Lei 9.718, de 02/99 em diante, não se aplicando o regime de substituição tributária. Em recurso contra a decisão de piso, alegou a empresa que a fiscalização não tomou por base imponível o faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador, que a seu juízo mantevese incólume até a MP 1.215/95, passando então a ser o faturamento do próprio mês do fato gerador (fls. 708/709), colacionando jurisprudência nesse sentido. Fl. 929DF CARF MF Processo nº 15374.000481/0083 Acórdão n.º 9303007.722 CSRFT3 Fl. 4 3 Em 03/09/2009, a então 4ª Turma do 2º CC (fls. 859/860) converteu o julgamento em diligência para que a unidade local da então RFB informasse "circunstanciadamente se a base de cálculo utilizada na exação foi o faturamento do mês do fato gerador ou aquele correspondente ao sexto mês anterior ao mês da ocorrência do fato gerador". A informação fiscal (fls. 875/876) assentou que "a base de cálculo utilizada no auto de infração se refere ao faturamento do mês do fato gerador", ocasião em que não levou a cabo qualquer retificação no lançamento. Em face de tal, o recorrido cancelou parcialmente o lançamento referente aos meses de 01/1995 a 02/1996, em julgamento do qual participei, e cuja decisão entendo que não merece reparos. O fato é que a decisão ao entender que o lançamento tomou como base imponível um valor contrário a legislação, que deveria ser o faturamento do sexto mês anterior sem correção monetária e não o do próprio mês do fato gerador, entendeu que o lançamento estava maculado e que no período referido deveria ser cancelado. Ora se a própria fiscalização reconheceu que o lançamento estava viciado em seu quantum debeatur, tendo, inclusive, oportunidade de retificálo quando da diligência, não vejo como o julgador possa substituir a fiscalização nesse mister. Se há vício deve ser sanado por quem tem competência para lançar e não por órgão julgadores. Demais disso, a r. decisão o fez com arrimo na Súmula 15 deste CARF, de natureza vinculante, cujo enunciado tem a seguinte dicção: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Em consequência, entendo que não merece reparos o recorrido. DISPOSITIVO Em face do exposto, conheço do recurso especial do Procurador e negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 930DF CARF MF Processo nº 15374.000481/0083 Acórdão n.º 9303007.722 CSRFT3 Fl. 5 4 Fl. 931DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.901256/2016-87
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO.
De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo.
Numero da decisão: 3002-000.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO. De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo.
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DIREITO LÍQUIDO CERTO. De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 12 56 /2 01 6- 87 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10882.901256/201687 Acórdão n.º 3002000.440 S3C0T2 Fl. 3 2 Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 37/46 dos autos: " DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório com número de rastreamento 114601192, emitido eletronicamente em 10/05/2016, referente ao PER/DCOMP nº 21843.81950.271115.1.3.044010. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, Código de Receita 2172, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 23/12/2010, no valor de R$ 25.904,48. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: PRIMEIRA NULIDADE • O despacho é nulo porque pretende cobrar R$ 5.632,42 a título de multa. • A cobrança é improcedente por três razões: 1) não está prevista em Lei; 2) o valor cobrado está incorreto: q a multa está limitada a 20% do principal; q o principal é R$ 25.904,48; q 20 % de R$ 25.904,48 é igual a R$ 5.180,90, e não R$ 5.632,42;3) o despacho não traz a fundamentação legal da multa. 3) o despacho não traz a fundamentação legal da multa. SEGUNDA NULIDADE Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10882.901256/201687 Acórdão n.º 3002000.440 S3C0T2 Fl. 4 3 O despacho é nulo porque pretende cobrar R$ 1.813,64 a título de juros § o termo inicial da contagem dos juros é a data da transmissão da DCOMP, 27/11/2015; § o termo final da contagem dos juros é da data do despacho decisório, 10/05/2016; § aplicandose a SELIC do referido período sobre o valor total de R$25.904,48, apurase juros em valor menor do que o exigido. MÉRITO • 1) O DARF estava disponível para ser compensado no sítio da própria Receita Federal. § Os sistemas de verificação impedem a transmissão da DCOMP quando o crédito não existe. § A DCOMP transmitida foi devidamente recepcionada. § Se a DCOMP transmitida foi aceita, o DARF estava disponível para compensação e o crédito é válido. • 2) O crédito decorre de pagamento a maior de COFINS. Isso se deu em virtude da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo. A exclusão do ICMS da base de cálculo é matéria analisada segundo o rito dos recursos repetitivos pelo STJ. • 3) O despacho deixou de indicar o dispositivo legal infringido. PEDIDO Diante do exposto, pedese posterior juntada de prova, anulação do despacho decisório e homologação do PER/DCOMP.". Resumindo, o contribuinte em 27/11/2015 protocolou pedido de compensação em razão de suposto pagamento indevido de COFINS (21843.81950.271115.1.3.044010) (fls. 24/29) no valor de R$ 25.904,48. O contribuinte teve negado sua homologação em razão "das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." (fls. 30). O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 04/09) requerendo a nulidade do despacho decisório em virtude de vicio formal insanável um vez que "o próprio Despacho Decisório não traz em seu bojo o fundamento legal de tal exigência" bem como, a "suposta multa de mora ... traz valor a maior" ou seja, do valor de R$ 25.904,48 "vinte por cento disso dá o valor de R$ 5.180,89 e não o valor de R$ 5.632,42" prosseguiu argumentando que, "como o próprio Despacho Decisório de data de a 10 de maio de 2016, diz, a data inicial da contagem dos juros é a data de transmissão da DCOMP, novembro de 2015. A SELIC acumulada de novembro de 2015 a maio de 2016 é de 6,50%, conforme tabela da Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10882.901256/201687 Acórdão n.º 3002000.440 S3C0T2 Fl. 5 4 Receita Federal que ora anexamos. Desta forma se pegarmos o principal R$ 25.904,48 e aplicarmos a SELIC do período, 6,50%, temos a quantia de R$ 1.683,79 e não a quantia do Despacho Decisório, que é de R$ 1.813,64." A DRJ/BHE proferiu o Acórdão nº 0273.584 (fls. 37/46) por meio do qual decidiu pela improcedência em relação às alegações na manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte e indeferiu o pedido de posterior juntada, rejeitando a preliminar de nulidade e, no mérito, não conheceu do direito creditório postulado, bem como deixou de homologar as compensações do pedido apresentado. O acórdão foi assim ementado: "DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo." Cientificado da decisão, o contribuinte, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 52/65) requerendo a reforma do Acórdão recorrido, tendo em vista: a) nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa e, ainda, em razão da infringência ao art. 142 do CTN e b) "porque tratase de pagamento indevido de COFINS, uma vez que o Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional a inclusão do ICMS base de cálculo da COFINS.". É o relatório Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão em análise consiste em saber se o contribuinte em razão de suposto pagamento indevido de COFINS tinha ou não crédito para realizar compensação com tributo da mesma espécie. Preliminar Nulidade Importante ressaltar que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, "in verbis": "Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10882.901256/201687 Acórdão n.º 3002000.440 S3C0T2 Fl. 6 5 § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir lhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 1993.)." Alega o contribuinte que "há, no presente caso, preterição do direito de defesa, ensejando a anulação do Despacho Decisório" tendo em vista que não lhe foi dado oportunidade de autoregularização na análise do PER/DCOMP. Não é esta, porém, a conclusão que eu chego na análise da presente demanda. Isso porque, é dever do contribuinte demonstrar qual a origem do recolhimento indevido para se valer da compensação. Entretanto, se houver discordância da análise preliminar disponibilizada e a retificação não for cabível, o contribuinte não deve, como resposta à oportunidade de autorregularização, apresentar justificativas ou documentos comprobatórios, devendo sim aguardar o recebimento do despacho decisório e, dentro do prazo legal, poderá, então, apresentar manifestação de inconformidade instruída com os documentos comprobatórios que julgar pertinentes. Portanto inocorreu o alegado cerceamento de defesa eis que, ao contrário do que aduz, o contribuinte teve toda a oportunidade no curso do presente processo administrativo para demonstrar a origem, quantificação e liquidez e certeza do crédito restituendo, com as respectivas retificações nos autolançamentos anteriores, até agora não demonstrados. Já em relação à nulidade em razão da infringência ao art. 142 do CTN como alegado pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário, ou seja, afirmando que "desta forma vemos que, para que haja a legítima cobrança de tributos, é necessária a clara descrição dos fatos e da disposição legal infringida". Pois, bem, notese que no despacho decisório (fls. 30) a fiscalização foi explicita e dispôs de forma clara o enquadramento legal nos seguintes termos: "Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996.". Sendo assim, entendo que não assiste razão as alegações feitas pelo contribuinte. Dessa forma, rejeito as preliminares apresentadas pelo contribuinte. Mérito Ventiladas as considerações preliminares, passo à analise do tema em si. O Acórdão da DRJ aduz que "o fundamento de fato para a não homologação é a inexistência do crédito utilizado na compensação". Sendo assim, o contribuinte deixou de apresentar nos autos a prova dos fatos alegados, ou seja, "o sujeito passivo vinculou ao débito declarado o DARF identificado no PER/DCOMP em questão. A DCTF tem a natureza jurídica de confissão de dívida e é instrumento hábil e suficiente para a exigência do débito nela confessado." e, ainda, por fim, "a apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo, apresentado antes da Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10882.901256/201687 Acórdão n.º 3002000.440 S3C0T2 Fl. 7 6 ciência do Despacho Decisório, também não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior." Importante esclarecer que, o ônus da prova quanto à existência do crédito no caso de pedido de compensação é do contribuinte. Dispõe o art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, que o ônus da prova incumbe ao autor (no caso em tela ao contribuinte que iniciou o processo de compensação), quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido para fins de homologação da compensação). É o que se infere da transcrição a seguir: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Portanto, como é condição indispensável para a homologação da compensação pretendida, que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo, é evidente a indispensabilidade da demonstração da liquidez e certeza do suposto crédito restituendo (origem e quantificação) que, como demonstrado e expressamente dispõe o art. 373, I da lei adjetiva (aplicável subsidiariamente ao PAF), incumbe ao autor do PER, assim como as respectivas retificações dos auto lançamentos e dos respectivos registros fiscais (DCTF, Dacon etc), razões pelas quais, entendo que não merece reparo a decisão recorrida, cuja fundamentação se baseia na inexistência do suposto crédito exatamente pela ausência da demonstração ou comprovação do direito creditório alegado. Assim, embora não se ignore os efeitos da recente declaração de inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS pelo STF (RE n. 574706) que, em tese podem aproveitar ao contribuinte, também não se pode ignorar que estes efeitos somente se viabilizam mediante a demonstração da liquidez e certeza do suposto crédito restituendo cujo ônus incumbe ao contribuinte (art. 170 do CTN c/c art. 373, I do CPC), inocorrente no caso concreto Pelo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10882.901256/201687 Acórdão n.º 3002000.440 S3C0T2 Fl. 8 7 Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001401/2006-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103.
A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício.
Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15521.000284/2009-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15521.000284/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 01 /2 00 6- 38 Fl. 336DF CARF MF Processo nº 16327.001401/200638 Acórdão n.º 1402003.532 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Trata de Recurso de Ofício oposto em face do cancelamento de exações sofridas pela Contribuinte, promovido pela DRJ a quo, dando provimento às razões de Impugnação opostas contra o lançamento de ofício procedido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.484, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15521.000284/2009 79, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.484): "Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, constatase que tal apelo foi tirado de v. Acórdão que exonerou débito tributário (considerando, aqui, principal e multas) em monta inferior ao atual valor de alçada que propiciaria seu manejo e consequente conhecimento por este E. CARF. Posto isso, tal montante está abaixo do mínimo de R$ 2.500.000,00 fixados pela Portaria MF nº 63/2017, acarretando no seu não conhecimento, considerandose definitivamente exonerado tal crédito fiscal, nos precisos termos e limites da r. decisão da DRJ a quo. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 16327.001401/200638 Acórdão n.º 1402003.532 S1C4T2 Fl. 4 3 Tais circunstâncias e ocorrência também atraem a incidência da Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Como se extrai de tal entendimento sumular plenamente vigente deste E. Conselho, ainda que quando da prolatação do v. Acórdão recorrido a monta do débito cancelado enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador de 2ª Instância administrativa. In casu, como mencionado, tal evento ocorre após a vigência Portaria MF nº 63/2017, não havendo mais justificativa e motivação para o conhecimento recursal. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 338DF CARF MF
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Numero do processo: 15868.001501/2009-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
OMISSÃO DE RECEITAS.
Ficando comprovada a prática da contribuinte de emitir notas fiscais com valores menores do que a efetiva venda, para clientes diferentes dos reais, configura-se o dolo e não se altera o lançamento.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
NULIDADE.
Tratando-se de auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não cabe o acatamento da preliminar de nulidade.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. INSS.
Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
INCONSTITUCIONALIDADE.
É competência atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário pela Constituição Federal, manifestar-se sobre a constitucionalidade das leis, cabendo à esfera administrativa zelar pelo seu cumprimento.
Numero da decisão: 1402-003.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Marco Rogerio Borges, Paulo Mateus Ciccone (Presidente), Eduardo Morgado Rodrigues e Edgar Braganca Bazhuni (Suplentes Convocados).
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. Ficando comprovada a prática da contribuinte de emitir notas fiscais com valores menores do que a efetiva venda, para clientes diferentes dos reais, configura-se o dolo e não se altera o lançamento. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE. Tratando-se de auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não cabe o acatamento da preliminar de nulidade. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. INSS. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE. É competência atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário pela Constituição Federal, manifestar-se sobre a constitucionalidade das leis, cabendo à esfera administrativa zelar pelo seu cumprimento.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1664; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 6.284 1 6.283 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15868.001501/200927 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.422 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de setembro de 2018 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente MIGUEL PEDRO INDUSTRIA E COMERCIO LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. Ficando comprovada a prática da contribuinte de emitir notas fiscais com valores menores do que a efetiva venda, para clientes diferentes dos reais, configurase o dolo e não se altera o lançamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE. Tratandose de auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não cabe o acatamento da preliminar de nulidade. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. INSS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE. É competência atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário pela Constituição Federal, manifestarse sobre a constitucionalidade das leis, cabendo à esfera administrativa zelar pelo seu cumprimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 00 15 01 /2 00 9- 27 Fl. 6284DF CARF MF Processo nº 15868.001501/200927 Acórdão n.º 1402003.422 S1C4T2 Fl. 6.285 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Marco Rogerio Borges, Paulo Mateus Ciccone (Presidente), Eduardo Morgado Rodrigues e Edgar Braganca Bazhuni (Suplentes Convocados). Fl. 6285DF CARF MF Processo nº 15868.001501/200927 Acórdão n.º 1402003.422 S1C4T2 Fl. 6.286 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP). Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Impugnação nº 14 28.077 3ª Turma da DRJ/RPO, complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. "Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foram apuradas as seguintes infrações: 1) Omissão de receitas, no anocalendário de 2004, proveniente de subfaturamento de suas vendas, por meio de emissão de notas fiscais com valores menores do que a efetiva venda, para outros clientes que não os reais adquirentes. 2) Insuficiência de recolhimento, referente às receitas declaradas, tendo em vista que com a omissão de receita as alíquotas do Simples a serem utilizadas deveriam ser outras. Conseqüentemente, foram lavrados os seguintes autos de infração: 1 – Imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ) – Simples – fls. 318 a 327; 381 a 395. Imposto: R$ 5.195,28 Juros de mora: R$ 3.281,61 Multa Proporcional: R$ 7.356,97 Total: R$ 15.833,86 Enquadramento legal do imposto: Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 24; Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, arts. 2º, § 2º, art. 3º, § 1º, a, art. 5º e 7º, § 1º, 18; Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998, art. 3º; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, (Regulamento do Imposto de Renda – RIR, de 1999), arts. 186, 188 e 199. 2 – Contribuição para o PIS – Simples– fls. 328 a 337. Contribuição: R$ 5.195,28 Juros de mora: R$ 3.281,61 Multa Proporcional: R$ 7.356,97 Total: R$ 15.833,86 Enquadramento legal da contribuição: Lei Complementar (LC) nº 7, de 7 de setembro de 1970, art. 3°, b; LC nº 17, de 1973, art. 1º, parágrafo único; Fl. 6286DF CARF MF Processo nº 15868.001501/200927 Acórdão n.º 1402003.422 S1C4T2 Fl. 6.287 4 Medida Provisória (MP) nº 1.249 e reedições, de 1995, art. 2º, I, 3º e 9º; Lei nº 9.317, de 1996, arts. 2º, § 2º, art. 3º, § 1º, b, art. 5º e 7º, § 1º, 18; Lei nº 9.732, de 1998, art. 3º. 3 – Contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) – Simples – fls. 338 a 347: Contribuição: R$ 9.520,38 Juros de mora: R$ 6.120,25 Multa Proporcional: R$ 13.562,73 Total: R$ 29.203,36 Enquadramento legal da contribuição: Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 1°; Lei nº 9.317, de 1996, arts. 2º, § 2º, art. 3º, § 1º, c, art. 5º e 7º, § 1º, 18; Lei nº 9.732, de 1998, art. 3º. 4 – Contribuição para a Seguridade Social (Cofins) – Simples – fls. 348 a 357. Contribuição: R$ 19.040,77 Juros de mora: R$ 12.240,64 Multa Proporcional: R$ 27.125,57 Total: R$ 58.406,98 Enquadramento legal da contribuição: Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, art. 1°; Lei nº 9.317, de 1996, arts. 2º, § 2º, art. 3º, § 1º, d, art. 5º e 7º, § 1º, 18; Lei nº 9.732, de 1998, art. 3º. 5 – Imposto sobre Produtos Industrializados – Simples – fls. 358 a 367: Imposto: R$ 4.760,19 Juros de mora: R$ 3.060,08 Multa Proporcional: R$ 6.781,31 Total: R$ 14.601,58 Enquadramento legal do imposto: Lei nº 9.317, de 1996, arts. 2º, § 2º, art. 3º, § 1º, e, art. 5º, § 2º, 7º, § 1º e 18; Lei nº 9.732, de 11 de 1998, art. 3º; Regulamento do Imposto de Renda (RIPI), de 2002, arts. 2º, 3º, 34, 35, 122 e 127. 6 – Contribuição para Seguridade Social – INSS – Simples – fls. 368 a 377: Contribuição: R$ 32.612,15 Juros de mora: R$ 20.681,17 Multa Proporcional: R$ 46.253,28 Total: R$ 99.546,60 Enquadramento legal da contribuição: Lei nº 9.317, de 1996, arts. 2º, § 2º, art. 3º, § 1º, f, art. 5º e 7º, § 1º, 18; Lei nº 9.732, de 1998, art. 3º. Fl. 6287DF CARF MF Processo nº 15868.001501/200927 Acórdão n.º 1402003.422 S1C4T2 Fl. 6.288 5 7 – Multa Regulamentar – Fls. 378 a 380. Multa: R$ 11.717,03 Enquadramento legal: Lei nº 9.317, de 1996, arts. 13, II, e 21. Notificada desse lançamento em 04/09/2009, a contribuinte, representada pelo sócio Eduardo Miguel Pedro (fls. 408 a 413), ingressou com a impugnação de fls. 402 a 407, alegando: · Preliminarmente, nulidade do auto de infração e de sua intimação, pois juntamente com o auto de infração não foram enviadas cópias dos documentos que teriam servido para a análise e apurações pelo Fisco e o termo de constatação e a planilha de receitas omitidas não preenchem todos os requisitos necessários; · Portanto, diante da falta de documentos que deveriam ser acostados e fazerem parte do auto de infração, a intimação afigurase nula, devendo ser determinada a realização de outra intimação, a qual deverá contar com todos os documentos que foram objeto de fiscalização e apuração, pois simples relatos ou referência no auto ou em planilhas não suprem tal exigência, especialmente em relação às notas fiscais que são ditas como sendo objeto de subfaturamento; · Em relação a vários períodos (meses), quando da lavratura do auto de infração, já havia ocorrido a prescrição e decadência; · Fica impugnado o valor de R$ 117.170,20, pois além de parte ter sido atingida pela decadência e prescrição, entende que as multas aplicadas são inconstitucionais por seu intuito confiscatório, com flagrante desvio de finalidade da penalidade; · A representação fiscal para fins penais fere de morte os princípios constitucionais do devido processo legal, do direito a ampla defesa e de que ninguém pode ser considerado culpado sem que haja decisão judicial com trânsito em julgado; · Somente depois de esgotados todos os recursos inerentes à fase administrativa, com a manutenção do auto de infração, é que se justifica a representação e a exclusão do Simples, pelo que essas medidas devem ficar suspensas até decisão de última instância a ser proferida nesse procedimento; · No mérito, este recurso há de ser provido. Esclarece que sempre trabalhou dentro das normas e das condições que lhe foram exigidas. Assim, em relação à C& A Modas Ltda., o que fez foi a pedido desta, especialmente em razão do preço do produto que se via praticamente obrigada a vender à referida empresa. Em momento algum agiu com dolo, ou seja, com vontade deliberada de sonegar, mas sim em face da necessidade de sobreviver e, especialmente, em manter seu quadro de empregados, ou seja, nunca teve proveito algum de eventual tributo não recolhido. Se não recolheu tributos é porque não tinha dinheiro; Fl. 6288DF CARF MF Processo nº 15868.001501/200927 Acórdão n.º 1402003.422 S1C4T2 Fl. 6.289 6 · Os lançamentos não estão calcados em prova segura da ocorrência dos fatos imputados à recorrente, que é indispensável à validação do crédito tributário; · Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente por prova testemunhal e pericial. Posteriormente à impugnação, em 22/01/2010, foi anexado ao presente o processo nº 15868.001519/200929 (fls. 418 a 1005), relativo à exclusão da empresa da sistemática do Simples e ao lançamento do IRPJ, PIS, Cofins e CSLL, dos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, tendo em vista a omissão de receita, apurada por meio de prática de emissão de notas fiscais subfaturadas. Foram lavrados autos de infração nos seguintes valores: 1 – Imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ) – fls. 874 a 886. Imposto: R$ 98.444,36 Juros de mora: R$ 31.637,95 Multa Proporcional: R$ 109.252,89 Total: R$ 239.335,20 Enquadramento legal do imposto: Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, (Regulamento do Imposto de Renda – RIR, de 1999), arts. 283 e 528. 2 – Contribuição para o PIS fls. 887 a 900. Contribuição: R$ 49.388,39 Juros de mora: R$ 16.680,13 Multa Proporcional: R$ 55.748,11 Total: R$ 121.816,63 Enquadramento legal da contribuição: Lei Complementar (LC) nº 7, de 7 de setembro de 1970, arts. 1º e 3°; Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 24, § 2º; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, I, a, e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91. 3 – Contribuição para a Seguridade Social (Cofins) – fls. 901 a 914. Contribuição: R$ 227.947,02 Juros de mora: R$ 76.986,03 Multa Proporcional: R$ 257.300,03 Total: R$ 562.233,08 Enquadramento legal da contribuição: Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, II, parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91. Fl. 6289DF CARF MF Processo nº 15868.001501/200927 Acórdão n.º 1402003.422 S1C4T2 Fl. 6.290 7 4 – Contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) fls. 915 a 928: Contribuição: R$ 82.060,94 Juros de mora: R$ 26.752,37 Multa Proporcional: R$ 92.628,02 Total: R$ 201.441,33 Enquadramento legal da contribuição: Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, arts. 2° e §§; Lei nº 9.249, de 1995, art. 24; Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 29; Lei nº 10.637, de 2002, art. 37. Notificada dessa autuação em 14/01/2010, a contribuinte, representada pelo sócio Eduardo Miguel Pedro, ingressou com a impugnação de fls. 1006 a 1011, alegando: · Preliminarmente, nulidade do auto de infração e de sua intimação, pois juntamente com o auto de infração não foram enviadas cópias dos documentos que teriam servido para a análise e apurações pelo Fisco e o termo de constatação e a planilha de receitas omitidas não preenchem todos os requisitos necessários; · Portanto, diante da falta de documentos que deveriam ser acostados e fazerem parte do auto de infração, a intimação afigurase nula, devendo ser determinada a realização de outra intimação, a qual deverá contar com todos os documentos que foram objeto de fiscalização e apuração, pois simples relatos ou referência no auto ou em planilhas não suprem tal exigência, especialmente em relação a notas fiscais que são ditas como sendo objeto de subfaturamento; · Todo o período correspondente ao auto de infração ora impugnado está com a exigibilidade suspensa, nos termos da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, pois parcelou os tributos e está efetuando os pagamentos em dia; · Fica impugnado o valor de R$ 1.273.870,26, pois entende que as multas aplicadas são inconstitucionais por seu intuito confiscatório, com flagrante desvio de finalidade da penalidade; · A representação fiscal para fins penais fere de morte os princípios constitucionais do devido processo legal, do direito a ampla defesa e de que ninguém pode ser considerado culpado sem que haja decisão judicial com trânsito em julgado; · Somente depois de esgotados todos os recursos inerentes à fase administrativa, com a manutenção do auto de infração, é que se justifica a representação e a exclusão do Simples, pelo que essas medidas devem ficar suspensas até decisão de última instância a ser proferida nesse procedimento; · No mérito, este recurso há de ser provido. Esclarece que sempre trabalhou dentro das normas e das condições que lhe forma exigidas. Assim, em relação à C& A Modas Ltda., o que fez foi a pedido desta, especialmente em razão Fl. 6290DF CARF MF Processo nº 15868.001501/200927 Acórdão n.º 1402003.422 S1C4T2 Fl. 6.291 8 do preço do produto que se via praticamente obrigada a vender à referida empresa. Em momento algum agiu com dolo, ou seja, com vontade deliberada de sonegar, mas sim em face da necessidade de sobreviver e, especialmente, em manter seu quadro de empregados, ou seja, nunca teve proveito algum de eventual tributo não recolhido. Se não recolheu tributos é porque não tinha dinheiro; · Ademais, os lançamentos não estão calcados em prova segura da ocorrência dos fatos imputados à recorrente, que é indispensável à validação do crédito tributário; · Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente por prova testemunhal e pericial. É o relatório." O Acórdão de Impugnação nº 1428.077 3ª Turma da DRJ/RPO julgou a impugnação procedente em parte e manteve em parte o crédito tributário, conforme a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. Ficando comprovada a prática da contribuinte de emitir notas fiscais com valores menores do que a efetiva venda, para clientes diferentes dos reais, configurase o dolo e não se altera o lançamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE. Tratandose de auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não cabe o acatamento da preliminar de nulidade. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia ou diligência que deixe de atender os requisitos legais. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. PROVA TESTEMUNHAL. Inexiste previsão legal para oitiva de testemunhas no julgamento administrativo em primeira instância. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. INSS. Fl. 6291DF CARF MF Processo nº 15868.001501/200927 Acórdão n.º 1402003.422 S1C4T2 Fl. 6.292 9 Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. O direito de a Fazenda Pública rever o lançamento por homologação extinguese no prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador, no caso de haver pagamento antecipado do tributo, contandose o prazo, no caso de dolo, fraude ou simulação, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. INCONSTITUCIONALIDADE. É competência atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário pela Constituição Federal, manifestarse sobre a constitucionalidade das leis, cabendo à esfera administrativa zelar pelo seu cumprimento. A decisão de 1ª reconheceu a decadência com relação aos fatos geradores ocorridos de abril até agosto de 2004 (fls. 384 a 389), para os quais houve a aplicação da multa de 75% (fls. 321/322, 331/332, 341/342, 351/352, 361/362, 371/372), e que poderiam ser exigidos dentro do próprio anocalendário. O prazo decadencial iniciouse no primeiro dia dos meses de maio, junho, julho, agosto e setembro de 2004 e teve seu termo final em 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009 e 31/08/2009, respectivamente. Tendo a ciência do auto de infração ocorrido em 04/09/2009, conforme consta nos autos de infração, deve ser acatada a preliminar de decadência do direito de lançar os tributos desses períodos. Diante do acima exposto, foi reconhecido parcialmente a preliminar de decadência, cancelando os seguintes valores: FATO GERADOR IRPJ CSLL PIS COFINS IPI INSS 30/04/2004 9,00 34,61 9,00 69,22 17,31 78,91 31/05/2004 19,23 49,31 19,23 98,61 24,65 119,32 30/06/2004 10,00 25,64 10,00 51,29 12,82 62,06 31/07/2004 31,54 60,65 31,54 121,30 30,32 155,26 31/08/2004 73,70 113,39 73,70 226,77 56,69 351,49 TOTAL 143,47 283,60 143,47 567,19 141,79 767,04 Fl. 6292DF CARF MF Processo nº 15868.001501/200927 Acórdão n.º 1402003.422 S1C4T2 Fl. 6.293 10 Recurso Voluntário Notificada do Acórdão de 1ª Instância, a Recorrente, representada pelo sócio Eduardo Miguel Pedro, ingressou com a Recurso Voluntário (fls. 2090 a 2094, reiterando todas as alegações constantes da impugnação, a fim de que sejam revistos todos os pontos impugnados, ora recorridos, em especial a suspensão destes autos, por força de pedido de parcelamento formulado. Alega que quanto à suspensão da exigibilidade do parcelamento por força da Lei n° 11.941/2009, diferentemente do que alega a recorrida, As fls. 1023, de que não consta parcelamento algum em nome da requerente, esta discorda plenamente uma vez que procedeu ao parcelamento e, inclusive, este encontrase rigorosamente em dia, conforme atestam os recibos de pedido de parcelamento de números: 00044099899992381970; 0004409989992381920 e 00044099899992381890, conforme atestam os inclusos documentos. Fl. 6293DF CARF MF Processo nº 15868.001501/200927 Acórdão n.º 1402003.422 S1C4T2 Fl. 6.294 11 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. Preliminares Da alegação de nulidade do auto, por não ter sido acompanhado de cópias dos documentos A recorrente alega nulidade do auto e de sua intimação porque o com referido auto de infração não acompanhou cópias dos documentos que teriam servidos de analises e apurações pelo agente fiscal, em seu entendimento ante a falta de documentos que deveriam ser acostados e fazer parte do presente auto de infração, a intimação afigurase nula, devendo, em conseqüência, ser determinado a realização de outra intimação, a qual deverá contar com todos os documentos. Não se verifica qualquer ocorrência de prejuízo à recorrente, pois todas as notas fiscais e documentos que deram suporte ao lançamento estão anexadas ao processo e ficaram, desde o lançamento, à disposição da contribuinte para consulta e solicitação de cópia. Ressaltase que a recorrente foi cientificada dos autos de infração, que foram lavrados cumprindose as formalidades legais essenciais, informando a origem da autuação, os dispositivos legais infringidos, a multa aplicada e correspondente fundamento legal, atendendo todas as normativos sobre a matéria. Os autos foram acompanhados dos Termos de Constatação Fiscal de fls. 314 a 317, 870 a 872 e dos demonstrativos de fls. 311 a 313 e 858 a 869, que especificaram as infrações apuradas e os cálculos feitos pela autoridade fiscal. Da alegação de exigibilidade do crédito tributário A recorrente alega que quanto à suspensão da exigibilidade do parcelamento por força da Lei n° 11.941/2009, diferentemente do que alega a recorrida, as fls. 1023, de que não consta parcelamento algum em nome desta, discorda plenamente uma vez que procedeu ao parcelamento e, inclusive, este encontrase rigorosamente em dia, conforme atestam os recibos de pedido de parcelamento de números: 00044099899992381970; 0004409989992381920 e 00044099899992381890, conforme atestam os inclusos documentos, reproduzidos a seguir. Fl. 6294DF CARF MF Processo nº 15868.001501/200927 Acórdão n.º 1402003.422 S1C4T2 Fl. 6.295 12 Fl. 6295DF CARF MF Processo nº 15868.001501/200927 Acórdão n.º 1402003.422 S1C4T2 Fl. 6.296 13 Caberia à recorrente trazer aos autos as provas de sua alegação, nos termos do PAF, art. 16, III, com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1o, e § 4o, introduzido pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, transcrito a seguir: Art. 16 – A impugnação mencionará : (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. (redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93). Notase que a recorrente apresentou unicamente recibos de pedido de parcelamento da lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Estes recibos são datados de 05/11/2009, posterior à data da ciência dos autos de infração, em 04/09/2009. Não foram apresentados quaisquer documentos que comprovam que foram incluídos em parcelamento os valores dos lançamentos dos autos de infração dos anos calendários de 2004, 2005, 2006 e 2007, inclusive com juros e multa. Fl. 6296DF CARF MF Processo nº 15868.001501/200927 Acórdão n.º 1402003.422 S1C4T2 Fl. 6.297 14 Da alegação de inconstitucionalidade das multas aplicadas A recorrente alega que as multas aplicadas são manifestamente inconstitucionais dado seu intuito meramente confiscatório, com flagrante desvio de finalidade da penalidade. Esclarecese que a autoridade administrativa não tem competência para analisar tais questões, pois essa competência foi atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário. Neste sentido o CARF em decisões reiteradas pronunciouse, conforme súmula nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Da alegação de suspensão da exclusão do SIMPLES e da Representação Fiscal A recorrente alega que somente depois de esgotados todos os recursos inerentes a fase administrativa, com a manutenção do auto de infração, é que se justificará a representação e a exclusão do SIMPLES, pelo que essas medidas devem ficar suspensas até decisão de ultima instância a ser proferida neste procedimento. Verificase correto o entendimento exposto na decisão da DRJ que Tais questões estão fora do escopo do presente julgamento, que deve analisar tãosomente o litígio representado pela inconformidade da contribuinte com relação aos tributos lançados. A análise da representação fiscal está fora do alcance da competência do CARF e quanto á exclusão do Simples, o recorrente não apresentou manifestação de inconformidade quanto à tal ato. Do Mérito Da omissão de receitas A recorrente alega que sempre trabalhou dentro das normas e das condições que lhe foram exigidas, assim, em relação a empresa C & A MODAS LTDA., o que fez foi a pedido desta, especialmente em razão do preço do produto que se via praticamente obrigada a vender à referida empresa. Assim, em momento algum agiu com dolo, ou seja, com a vontade deliberada de sonegar, mas "sim em face da necessidade de sobreviver e, especialmente, em manter seu quadro de empregados, ou seja, a recorrente nunca teve proveito algum de eventual tributo ou contribuição que tenha ficado sem ser recolhida. A recorrente argumenta que, se não houve recolhimento foi porque não teve condição de fazêlo, não tinha dinheiro, de modo que em momento algum tirou qualquer proveito financeiro em relação aos fatos que lhe são imputados pelo Auto de Infração. Tratase a impugnante de empresa que exerce atividade licita, constitucionalmente garantida, sendo que no presente caso deve ser observado o principio da razoabilidade. Por fim, entende a recorrente que os lançamentos não estão calçados em prova segura da ocorrência dos fatos imputados a impugnante, que é indispensável à validação do crédito tributário. Fl. 6297DF CARF MF Processo nº 15868.001501/200927 Acórdão n.º 1402003.422 S1C4T2 Fl. 6.298 15 Analisando todos os argumentos da recorrente verificase que não foram produzidos no processo quaisquer elementos de prova para ilidir a exigência, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. Ao contrário do que alega a recorrente, os lançamentos estão calcados em prova segura da ocorrência de omissão de receitas, apurada por meio de documentos (notas fiscais fornecidas pela contribuinte e pelos clientes e comprovantes de pagamentos) que comprovam a prática da contribuinte de emitir notas fiscais com valores menores do que a efetiva venda, para outros clientes que não os reais adquirentes. Transcrevese a seguir trechos do Termo de Constatação Fiscal que descrevem estes fatos. As vias das notas fiscais apresentadas pelo sujeito passivo apresentam valores menores e destinatários diferentes daqueles registrados nas vias dos adquirentes intimados.Em algumas vias das notas fiscais apresentadas pelo sujeito passivo consta o recebimento pela C&A Modas ou pela Marisa Lojas Varejistas, apesar do destinatário constante na via ser outro. Também, em algumas vias apresentadas pelo contribuinte, além do valor subfaturado, o sujeito passivo registrou como natureza da operação "simples remessa para mostruário" ou "distribuição de cesta básica", operações não tributadas. As empresas intimadas, adquirentes de mercadorias do sujeito passivo, apresentaram comprovação dos pagamentos dos valores constantes nas vias das notas fiscais por elas apresentadas, o que evidencia que tais valores correspondem aos valores das operações efetivamente realizadas e que o sujeito passivo procedeu à prática de subfaturamento de suas vendas. Cabe registrar que os valores das notas fiscais subfaturadas foram os registrados nos Livros de Saída de Mercadorias do sujeito passivo. Constatase que a prática de subfaturamento de suas vendas, por meio da emissão de notas fiscais com valores menores do que a efetiva venda, para outros clientes que não os reais adquirentes, caracteriza omissão da efetiva receita, conforme disposto nos artigos 199 e 283 do RIR/99. Da multa qualificada Ressaltase que a recorrente omitiu receitas, por meio de emissão e registro de notas fiscais subfaturadas, durante todo o período fiscalizado, de 2004 a 2007. Em vista da prática reiterada de emissão de nota fiscal subfaturada, foi aplicada, de forma correta, a multa qualificada, prevista no artigo 44, inciso I, §1º, da Lei 9.430/96, sobre os valores devidos em decorrência da omissão. Sobre os valores devidos em função da insuficiência de valores recolhidos, calculados no Auto de Infração, foi aplicada a multa prevista no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/96. Portanto não há reparos a fazer na aplicação da multa pela autoridade fiscal. Conclusão Fl. 6298DF CARF MF Processo nº 15868.001501/200927 Acórdão n.º 1402003.422 S1C4T2 Fl. 6.299 16 Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 6299DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17613.720802/2014-38
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos.
Numero da decisão: 2002-000.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (relatora) que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Virgílio Cansino Gil.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente JANE BARBOSA RODRIGUES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (relatora) que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Virgílio Cansino Gil. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 61 3. 72 08 02 /2 01 4- 38 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 17613.720802/201438 Acórdão n.º 2002000.383 S2C0T2 Fl. 142 2 Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 6/10), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2011. Essa alteração implicou na redução do imposto a restituir de R$6.383,20 para R$305,70. Como já lhe fora restituído o valor de R$660,39, a autuação exige da contribuinte imposto suplementar no valor de R$354,69. A notificação noticia a dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$22.100,00, consignando que, intimada, a contribuinte não apresentou comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas listadas. Impugnação Cientificada à contribuinte em (fl.48), a NL foi objeto de impugnação, em 1/7/2014, à fl. 2/32 dos autos, assim sintetizada na decisão de piso: de início, afirma que já havia apresentado os documentos probatórios correspondentes e que teve direito à restituição, conforme Notificação de Compensação de Ofício de Malha de Débito; acrescenta que, como teve que apresentar uma declaração retificadora para ajustes de valores pagos pela Fundação Vale do Rio Doce de Seguridade Social, a Receita Federal voltou a desconsiderar os recibos apresentados em malha anterior, glosando as despesas médicas declaradas e comprovadas anteriormente; por fim, consigna a anexação dos documentos probatórios correspondentes e requer o acolhimento da impugnação. Em declaração de fl. 5, a requerente afirma que efetuou os pagamentos das despesas em espécie e que, por isso, não apresentou os comprovantes solicitados no Termo de Notificação de Lançamento. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente, em decisão assim ementada (fls. 57/60): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A dedução a título de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, e comprovados por documentos hábeis e Fl. 142DF CARF MF Processo nº 17613.720802/201438 Acórdão n.º 2002000.383 S2C0T2 Fl. 143 3 idôneos, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 23/12/2015 (fl. 65), a contribuinte, em 21/1/2016 (fl. 67), apresentou recurso voluntário, às fls. 67/137, no qual alega que, ao protocolar sua impugnação, teria sido orientada a não anexar extratos. Agora, em seu recurso, anexa esses documentos, de forma a demonstrar os saques efetuados para pagamento das despesas médicas glosadas. Requer o cancelamento do débito fiscal. Voto Vencido Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Procedimento anterior Esclarecimento A recorrente aponta que já teria apresentado provas das deduções nos autos do processo administrativo 10783.400174/201070, vindo a ser novamente intimada após ter retificado sua declaração em 2013. Tal alegação não se sustenta, visto que o ano protocolo do processo indicado é 2010 e a Declaração objeto destes autos, relativa ao exercício 2011, só veio a ser recebida pela RFB a partir de março de 2011. Portanto, o processo indicado não recaiu sobre a Declaração de Ajuste do exercício 2011. Por seu turno, como bem esclarecido pela decisão de piso, a liberação/compensação do saldo de imposto a restituir apurado na Declaração objeto destes autos, noticiada por meio da Notificação de Compensação de Ofício da Malha Débito, não impede que a autoridade fiscal proceda à intimação da contribuinte para comprovação dos valores declarados, observado o prazo decadencial. Mérito O litígio recai sobre despesas médicas declaradas pela recorrente. No curso da ação fiscal, a contribuinte foi intimada a comprovar o efetivo pagamento de despesas realizadas com quatro profissionais, tendo apresentado somente os recibos emitidos. Na impugnação, juntou declarações e recibos emitidos pelos profissionais (fls.14/24), aduzindo que os documentos seriam hábeis a fazer a prova das despesas declaradas. O colegiado de primeira instância manteve a autuação, registrando: Fl. 143DF CARF MF Processo nº 17613.720802/201438 Acórdão n.º 2002000.383 S2C0T2 Fl. 144 4 Do exposto, constatase que, para que as despesas médicas constituam dedução, fazse necessária a comprovação mediante documentação hábil e idônea da prestação dos serviços e da efetividade das despesas, limitandose a pagamentos especificados e comprovados, a juízo da autoridade lançadora. O primeiro item a ser comprovado pelo contribuinte, segundo expressa disposição legal (pagamentos efetuados), é exatamente o pagamento das despesas médicas. Comumente é aceito, para comprovar o pagamento das despesas médicas, o recibo firmado pelo profissional da área médica, quando o serviço for prestado por pessoa física, ou a Nota Fiscal, se por pessoa jurídica. Porém, mesmo que o contribuinte tenha apresentado os recibos ou notas fiscais dos serviços e declarações firmadas pelos profissionais, é licito à autoridade exigir, a seu critério, elementos de provas adicionais, caso não fique convencido da efetividade da prestação dos serviços ou do respectivo pagamento. ... Como prova da realização das despesas declaradas, a interessada limitouse a apresentar recibos e declarações emitidas pelos profissionais de saúde (fls. 14/24), os quais, porém, não são suficientes para comprovar seu efetivo pagamento. Por outro lado, em declaração de fl. 5, a requerente afirma que efetuou os pagamentos das despesas em espécie e que, por isso, não apresentou os comprovantes solicitados no Termo de Notificação de Lançamento. Ocorre que, fundamentado o lançamento na falta de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas, caberia à contribuinte demonstrar a vinculação dos recibos apresentados com os respectivos pagamentos, o que poderia ser feito mediante a apresentação de extratos bancários, com demonstração de saques em valores e datas compatíveis com os dispêndios declarados. Porém, a interessada não apresentou nenhum documento relacionado ao desembolso das despesas. Logo, como não foram sanadas as razões da glosa, ela deve ser mantida. Correta a decisão de piso, uma vez que os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução, sendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento, como forma de cumprir sua atribuição legal de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias pelos contribuintes. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 17613.720802/201438 Acórdão n.º 2002000.383 S2C0T2 Fl. 145 5 Em seu recurso, a recorrente limitase a indicar a juntada de seus extratos bancários, sem fazer a correlação entre os documentos bancários e os pagamentos informados nas declarações firmadas às fls.14, 18, 22 e 24. Neste ponto, registro que o ônus probatório é da contribuinte, não podendo ela simplesmente juntar documentos e esperar que o julgador faça a ligação entre as diversas despesas e os extratos. Não obstante, verifico que para um profissional teria sido paga mensalmente a quantia de R$700,00 (fl.18), para outro R$500,00 (fl.14) e um terceiro recebia pagamentos de duas a cinco parcelas de R$250,00 mensalmente (fl.24). Considerando que a recorrente informou ter efetuado os pagamentos em espécie (fl.5), não vislumbro nos extratos juntados operações que dêem respaldo aos mencionados recibos. Por fim, é de se esclarecer que a sua eventual capacidade econômica e financeira não serve para justificar as despesas em comento, uma vez que lhe foi exigida a comprovação do efetivo pagamento de cada uma delas. Assim, na ausência da comprovação exigida, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Voto Vencedor Conselheiro Virgílio Cansino Gil Redator À partida, peço vênia a Ilustre Conselheira Relatora Dra. Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez para adotar seu minudente relatório. No mérito, merece prosperar o apelo da contribuinte pois as declarações e recibos emitidos pelos profissionais (fls.14/24), comprovam as despesas médicas da recorrente no ano de 2010, estando em conformidade que o artigo 80, § 1º, III, do RIR/99. É bem de ver que o artigo suso citado exige a despesa médica seja comprovada através de recibo e/ou declaração que conste nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, e na ausência de referidos documentos, o contribuinte tem o direito de provar a despesa através de indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento, sendo certo que na hipótese dos autos as declarações e recibos preenchem todas as exigências cumulativas da legislação. Pelo exposto, conheço do Recurso e no mérito dou provimento para expungir a glosa com despesas médicas no valor total de R$ 22.100,00. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 17613.720802/201438 Acórdão n.º 2002000.383 S2C0T2 Fl. 146 6 (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001834/2007-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. VERDADE MATERIAL.
O Processo Administrativo fiscal deve buscar a verdade material afeita ao lançamento.
SIMULAÇÃO. DISCREPÂNCIA ENTRE A VONTADE E O ATO
Configura-se a simulação diante da manifesta discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade.
PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO. SIMULAÇÃO.
A simulação existe quando a vontade declarada no negócio jurídico não se coaduna com a realidade do negócio firmado. O fato gerador decorre da identificação da realidade e dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos, e não de vontades formalmente declaradas pelas partes contratantes.
CONTRATO DE MÚTUO. COMPROVAÇÃO.
A comprovação de contrato de mútuo deve ser feita com documentação hábil e idônea com indicativo da data da realização comprovado por registro público e também da transferência dos valores à época do empréstimo, bem como sua devolução. No caso dos autos, não ficou comprovado que a transferência dos valores do mutuante para o mutuário tinha como objeto o mútuo, e os contratos não contém qualquer registro público ou indicação oficial da data em que teriam sido produzidos.
MULTA DE OFÍCIO. NÃO CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 2202-004.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Martin da Silva Gesto.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sáteles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa de Moraes Chieregatto, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia, Wilderson Botto (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. VERDADE MATERIAL. O Processo Administrativo fiscal deve buscar a verdade material afeita ao lançamento. SIMULAÇÃO. DISCREPÂNCIA ENTRE A VONTADE E O ATO Configura-se a simulação diante da manifesta discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO. SIMULAÇÃO. A simulação existe quando a vontade declarada no negócio jurídico não se coaduna com a realidade do negócio firmado. O fato gerador decorre da identificação da realidade e dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos, e não de vontades formalmente declaradas pelas partes contratantes. CONTRATO DE MÚTUO. COMPROVAÇÃO. A comprovação de contrato de mútuo deve ser feita com documentação hábil e idônea com indicativo da data da realização comprovado por registro público e também da transferência dos valores à época do empréstimo, bem como sua devolução. No caso dos autos, não ficou comprovado que a transferência dos valores do mutuante para o mutuário tinha como objeto o mútuo, e os contratos não contém qualquer registro público ou indicação oficial da data em que teriam sido produzidos. MULTA DE OFÍCIO. NÃO CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
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LANÇAMENTO. VERDADE MATERIAL. O Processo Administrativo fiscal deve buscar a verdade material afeita ao lançamento. SIMULAÇÃO. DISCREPÂNCIA ENTRE A VONTADE E O ATO Configurase a simulação diante da manifesta discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO. SIMULAÇÃO. A simulação existe quando a vontade declarada no negócio jurídico não se coaduna com a realidade do negócio firmado. O fato gerador decorre da identificação da realidade e dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos, e não de vontades formalmente declaradas pelas partes contratantes. CONTRATO DE MÚTUO. COMPROVAÇÃO. A comprovação de contrato de mútuo deve ser feita com documentação hábil e idônea com indicativo da data da realização comprovado por registro público e também da transferência dos valores à época do empréstimo, bem como sua devolução. No caso dos autos, não ficou comprovado que a transferência dos valores do mutuante para o mutuário tinha como objeto o mútuo, e os contratos não contém qualquer registro público ou indicação oficial da data em que teriam sido produzidos. MULTA DE OFÍCIO. NÃO CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 18 34 /2 00 7- 36 Fl. 322DF CARF MF 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Martin da Silva Gesto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa de Moraes Chieregatto, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia, Wilderson Botto (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 1325.233, proferido pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro RJ (DRJ/RJOII) que julgou procedente o lançamento, mantendo a cobrança do crédito tributário. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: Contra a pessoa física em epígrafe foi instaurado procedimento fiscal mediante Mandado (MPF) nº 07.1.90.002006013699 (fls. 01 a 03), datado de 14/09/2006 e submetido a prorrogações posteriores, que delimitou a atuação fiscal em relação ao imposto sobre a renda relativo ao período compreendido entre 01/2000 a 12/2004, decorrente de atendimento à solicitação levada a efeito pela 2ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro para apuração de regularidade fiscal dos pagamentos feitos ao contribuinte pelo CLUBE DE REGATAS DO FLAMENGO quando da rescisão do contrato laboral. Em cumprimento ao MPF expedido foi aberto Termo de Início de Fiscalização (fl. 08), no qual o interessado foi intimado a apresentar, com relação aos anoscalendário em análise: comprovantes de rendimentos e recursos percebidos a qualquer título especificados mensalmente; documentação comprobatória da aquisição de imóvel localizado à Rua Dulcídio Cardoso, bem como de dois veículos de sua propriedade. Os termos deste ato foram reiterados à fl 38, e, em resposta, o contribuinte apensou escritura pública de compra e venda de imóvel e instrumento Fl. 323DF CARF MF Processo nº 18471.001834/200736 Acórdão n.º 2202004.859 S2C2T2 Fl. 323 3 particular de mútuo celebrado com a pessoa jurídica PLAYER EMPREENDIMENTOS ESPORTIVOS E CULTURAIS LTDA, além de cópia de feitos judiciais (fls 10 a 37). Em 14/11/2006 e 01/12/2006, a fiscalização expediu intimações ao contribuinte (fl 40) na tentativa de obter certeza sobre a concessão de mútuo. Da análise deste elemento probatório, foram identificados diversos créditos em conta corrente no transcurso do ano de 2001, do que decorreu a intimação para informar quais deles referiamse ao mútuo contratado com a empresa PLAYER EMPREENDIMENTOS ESPORTIVOS E CULTURAIS LTDA (fl 52 e 53), ordem que foi estendida ao ano de 2002. No mesmo ato foi ainda determinado ao contribuinte à comprovação de pagamento da dívida assim assumida. Em resposta (fls 55 a 59), esclareceu o inquirido que somente um dos créditos em conta ocorrido em 2001 relacionavase ao mútuo (R$ 55.000,00 em 26/11/2001), reconhecidos os demais como verbas salariais pagas pelo Clube Flamengo. Aditou ter percebido recurso pelo mútuo neste ano utilizados para pagamento de imóvel à Rua Dulcídio Cardoso e que a liquidação parcial da obrigação mutuária foi adimplida pela via de Operações de Fechamento de Câmbio. Motivado por intimações posteriores (fls 60, 64, 86, 87, 90, 91), apensou o fiscalizado Termos Aditivos ao Instrumento particular de mútuo e extratos bancários relativos ao anocalendário de 2002 com escopo de demonstrar os valores percebidos neste período a título de mútuo (fls 66 a 87), identificando às fls 93 a 99, a origem e natureza de cada crédito bancário. Diante dos elementos probatórios assim colecionados, foi lavrado em 27/11/2007 Auto de Infração de fls. 106 a 109, consubstanciado no Termo de Constatação Fiscal às fls. 100 a 105, com apuração de OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA, no valor de R$ 2.183.162,00 para o anocalendário de 2002. Sobre a parcela de imposto suplementar apurado incidiu multa de ofício no percentual de 150% e juros de mora, perfazendo crédito tributário total no montante de R$ 1.921.842,66. Cientificado do lançamento em referência por Edital à fl 173, o interessado apresentou impugnação de fls. 178 a 192 em 28/12/2007, na qual: a) Informa ter cedido seu direito de imagem nacional à sociedade PLAYER EMPREENDIMENTOS ESPORTIVOS E CULTURAIS LTDA, via instrumentos particulares datados de 03/01/2000 e 04/01/2000, pelo valor de U$ 100.000,00, passando esta sociedade a ser responsável pela elaboração de quaisquer contratos que versassem sobre a disposição deste direito; b) Afirma que “a partir daquele momento, o impugnante devidamente autorizado pela empresa PLAYER, ajustou instrumentos relacionados ao direito sobre o uso de sua imagem Fl. 324DF CARF MF 4 com o Clube de Regatas Flamengo, sendo que os pagamentos sobre o uso da referida imagem foram pagos à empresa PLAYER, detentora de tal direito, (...)” . Logo, defende ter ajustado dois contratos distintos com o Clube de Regatas do Flamengo, um regido pela lei civil relativo a cessão do direito de sua imagem, devidamente autorizado pela pessoa jurídica detentora deste PLAYER EMPREENDIMENTOS ESPORTIVOS E CULTURAIS LTDA; e o outro, regido pela leis trabalhistas. c) Noticia que, devido à relação de amizade com integrantes da pessoa jurídica PLAYER EMPREENDIMENTOS ESPORTIVOS E CULTURAIS LTDA, obteve mútuo no valor de R$ 2.500.000,00, em 01/02/2000, para transferência de recursos em até 24 parcelas contadas a partir da data de assinatura do instrumento particular correspondente, e que, a cada liberação de numerário, correspondeu um aditamento a ao contrato firmado. Aditou ainda que a obrigação de restituir a quantia emprestada foi adimplida mediante realização de operações de câmbio em total de R$ 705.878,13, e que as Declarações de Ajuste Anual entregues a este órgão bem refletem as operações aqui descritas. d) Defende que a autuação distanciase da verdade material ao emprestar aos fatos interpretação meramente econômica, desconsiderando institutos de direito privado e direitos fundamentais como a liberdade de contratar e a estrita legalidade. Neste contexto, ataca a validade do lançamento atrelandose a entendimento emanado do Conselho de Contribuintes. e) Assevera faltar razoabilidade e consistência às presunções de simulação estabelecidas pelo Fisco, que não se sustentam diante das provas constantes dos autos, reafirmando que o valor correspondente a R$ 2.183.162,00 pago pelo clube Flamengo a PLAYER EMPREENDIMENTOS ESPORTIVOS E CULTURAIS LTDA é fruto oriundo da exploração de imagem do atleta, e o valor de R$ 972.161,00 transferidos desta ao atleta em 2002 referemse ao mútuo contratado por ambos. f) Apegase ao disposto nos arts 109 e 110 da Lei nº 5.172, 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN) para lembrar que a legislação tributária merece respeito aos institutos de direito privado. g) Solicita a revisão do lançamento, por entender que a persistir a visão do Ente Fiscal deveria ser penalizado o Clube de Regatas do Flamengo, e não o impugnante, pois na qualidade de fonte pagadora, em virtude da pretensa relação empregatícia, seria este o beneficiário exclusivo em caso de simulação. h) Por fim, defende o caráter confiscatório da multa de ofício fazendo menção a julgados proferidos por diferentes instâncias. Digase por fim que constam dos autos documentos correlatos à fiscalização levada a efeito sob a sociedade PLAYER EMPREENDIMENTOS ESPORTIVOS E CULTURAIS LTDA em agosto/2004, período anterior ao início da fiscalização da pessoa física supramencionada, a saber: 1) instrumento particular de licença de imagem – fls 113 e 114; 2) registro contábil e notas Fl. 325DF CARF MF Processo nº 18471.001834/200736 Acórdão n.º 2202004.859 S2C2T2 Fl. 324 5 fiscais – fls 115 a 125; 3) livrocaixa – fls 128 a 159, além de representação à Polícia Federal realizada pelo CLUBE DE REGATAS DO FLAMENGO (fls 160 a 165) e instrumento particular de acordo entre a mencionada agremiação e contribuinte (fls 166 a 171). A impugnação foi julgada improcedente pela DRJ//RJOII. A decisão teve a seguinte ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. VERDADE MATERIAL. O Processo Administrativo fiscal deve buscar a verdade material afeita ao lançamento. SIMULAÇÃO. DISCREPÂNCIA ENTRE A VONTADE E O ATO Configurase a simulação diante da manifesta discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade. MULTA QUALIFICADA. Comprovado o evidente intuito de fraude, por meio de conduta dolosa reiterada é cabível a aplicação de multa em percentual de 150% do imposto devido. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 22/03/2010 (efls. 282/294), repisando os termos da impugnação, tendo acrescentado os seguintes argumentos, em apertada síntese: pelo simples exame dos documentos que provam as devoluções dos empréstimos efetuados pelo Recorrente, resta comprovada a fragilidade das presunções estabelecidas pela fiscalização onde se constata que jamais houve simulação do contrato de mútuo, que, aliás, tais devoluções sequer foram abordadas no julgamento pelo Fisco; repitase, o empréstimo efetivado entre a empresa Player e o Recorrente encontrase consubstanciado em um contrato de mútuo com legitimidade jurídica, onde se constatam os repasses à título de empréstimo de valores ao Recorrente, bem como, a devolução de valores pelo Recorrente, devidamente comprovados, por remessa do numerário pelo sistema bancário conforme tabela abaixo e documentos cedidos pela Empresa Player e devidamente anexos; a alegação do órgão fiscalizador de que a empresa Player não possuía caixa suficiente para arcar com o compromisso assumido perante o Recorrente não procede, uma vez que a disponibilização de valores por meio de empréstimo ao Recorrente somente se daria se a Empresa Player dispusesse de recursos, os quais poderiam advir não só em razão do pagamento feito pelo Flamengo, mas também pela negociação da imagem do Recorrente junto a empresas de materiais esportivos ou outras quaisquer empresas que se interessassem pela vinculação do Recorrente à sua marca; e a multa de ofício no percentual de 150% é confiscatória, logo é inconstitucional. Fl. 326DF CARF MF 6 É o relatório. Voto Marcelo de Sousa Sáteles Relator O recurso foi apresentada tempestivamente, atendendo também aos demais requisitos de admissibilidade previstos nos artigos 15 e 16 do Decreto 70.235/1972, portanto, dela tomo conhecimento. O lançamento referese omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 2.183.162,00, anocalendário de 2002. Sobre a parcela de imposto suplementar apurado incidiu multa de ofício no percentual de 150% e juros de mora. Colacionamos parte do Termo de Constatação Fiscal (efls. 112), que melhor detalha a infração constatada: (...) O contribuinte declara em sua DIRPF retificadora ND 07/34.085.303, no campo 08 "Dívida e Ônus Reais" um acréscimo de R$ 1.034.161,00 em sua dívida com a empresa Plaver, em razão do declarado mútuo. O livro Caixa da empresa Player abaixo transcrito apresenta entradas do Clube de Regatas Flamengo num total de R$ 2.183.162,00 com a emissão das respectivas notas fiscais e saídas para o Sr. Djean Petkovic de R$ 972.161,00. O conta corrente do Clube acima mencionado registra saídas de R$ 2.183.162,00 para o Sr. Djean Petkovic tendo como fornecedor a empresa Player. Com base nos documentos anexos, Livro Caixa da empresa Player, conta corrente do Clube de Regatas Flamengo; notas fiscais emitidas pela Player, Instrumento Particular de licença sobre o Uso de Direitos de Imagem e Marketing Esportivo, celebrado entre a empresa Player e o Sr. Djean Petkovic e Instrumento Particular de Acordo e Outras Avenças celebrado entre o Sr. Djean Petkovic e o Clube do Flamengo, entendemos que os recursos declarados pelo Clube de Regatas do Flamengo e apontados no livro Caixa da empresa Player como recebidos,bem como a emissão das respectivas notas fiscais, no valor R$ 2.183.162,00 na verdade se referem a rendimento do trabalho e que não foram tributados, e que toda a operação tratouse de uma simulação, com o intuito de não oferecer a tributação os recursos provenientes do trabalho (rescisão contratual). Como ficou demonstrado o Clube repassou recursos a empresa Player em favor do contribuinte Djean Petkovic no valor de R$ 2.183.162,00, embora só tenhamos registros da transferência de recursos da empresa Player para o contribuinte Djan Petkovic no valor de R$ 972.161,00 o restante dos recursos ou seja a diferença de R$ 1.211.001,00 são recursos advindos da rescisão contratual do Clube com o contribuinte Sr. Djean Petkovic o responsável de direito pelo recolhimento dos tributos pela aquisição de disponibilidade econômica.(...) Fl. 327DF CARF MF Processo nº 18471.001834/200736 Acórdão n.º 2202004.859 S2C2T2 Fl. 325 7 O Recorrente alega que os valores tidos como omitidos, tratase, na verdade, de valores pagos pelo clube Flamengo a empresa PLAYER EMPREENDIMENTOS ESPORTIVOS E CULTURAIS LTDA, a qual detém a exploração de imagem do atleta, e o valor de R$ 972.161,00 transferidos desta ao atleta em 2002 referemse ao mútuo contratado por ambos. Por anuir com os seguintes fundamentos do julgador a quo, adotoos como razões de decidir: Afronta à legalidade e tipicidade. Interpretação econômica de fatos. Análise do fato jurídico definido como hipótese de incidência. Direito Tributário e os institutos do Direito Civil. O recorrente amparase na premissa de que o Fisco deu interpretação meramente econômica aos fatos indo de encontro do princípio da legalidade e da tipicidade tributária, bem como fazendo tábua rasa do fato gerador do imposto de renda, haja vista não restar configurada a auferição de renda. Aduz ainda que norma contida nos arts 109 e 110 da Lei nº 5.172, 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN) determina a obrigatoriedade de respeito da legislação tributária aos institutos de direito privado. Imperioso dizer que à Administração Tributária imbuiuse o dever de definir com precisão a ocorrência no mundo fático da hipótese de incidência legalmente estabelecida com identificação perfeita de quem a tenha concretizado, tal como preceituam os arts. 45 e 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Para tanto, o procedimento fiscal deve perseguir a verdade material que circunscreve a situação fática em análise com escopo de trazer ao Auto de Infração a realidade tributária. Enfatizase que tal postura não é estranha ao Direito, haja vista o próprio Código Civil, estatuto maior de proteção aos interesses de particulares, estar calcado em princípios como a função social do contrato, limitador da autonomia de contratar, na prevalência da intenção sobre a forma e na boafé objetiva, corolário da Constituição Federal, com explícito objetivo lançar um novo olhar sobre as relações entre particulares para preservar os interesses de terceiros, aí incluída a coletividade. Diante desta verdadeira publicização do Direito Civil, não se pode admitir que o Direito Tributário, espécie do gênero direito público, permaneça satisfeito com a mera forma dos negócios jurídicos. Por isso mesmo é que o CTN possui artigos como o 118, no qual está dito que a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou de seus efeitos. Em razão da prevalência do conteúdo econômico sobre a forma jurídica é que se entende por que o art. 4º do CTN determinou Fl. 328DF CARF MF 8 que “A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificála: I – a denominação e demais características formais adotadas pela lei; II – a destinação legal do produto da sua arrecadação”.[...] Logo, apesar de estar preso aos ditames da lei, não pode o Direito Tributário ficar adstrito a velhas fórmulas para interpretála, crendo a liberdade de contratar e os instrumentos privados como entes isolados de uma realidade fática, como dogmas absolutos, se nem mesmo o Diploma Civilista os trata assim atualmente. Digase, por fim, que a leitura do Código Tributário Nacional (CTN) realizada pelo recorrente não pode prosperar, haja vista que esta codificação não veda à lei tributária de alterar os institutos, conceitos e formas do Direito Civil, em regra, a não ser que, esta modificação repercuta de maneira direta ou indireta nas atribuições de competência, pois este papel é exclusivo da Constituição Federal. Logo, concluo carecer de fundamentos a argumentação despendida pela parte. Contrato de Trabalho e Contrato de Cessão. Simulação. Reitera o contribuinte ter efetivado dois instrumentos contratuais distintos com o Clube de Regatas do Flamengo, quais sejam, um contrato de trabalho, outro contrato de cessão de direito de imagem, cada qual regulado por legislação própria. Explica que a lide versa sobre a percepção de valores oriundos deste último instrumento, o que justifica serem tais valores tributados na pessoa jurídica do cessionário. Concordo plenamente com o impugnante tanto sobre a existência de alicerces jurídicos diferentes a embasar cada um dos instrumentos contratuais referidos, bem como pela faculdade dada pelo ordenamento jurídico pátrio para cessão do direito pessoal à imagem de alguém, instituto este deveras utilizado pelas pessoas afamadas como jogadores de futebol. Porém, é igualmente conhecida a má utilização dos instrumentos ofertados pelo Direito neste ramo de atuação, o que avulta o conteúdo do inciso VII do art. 149 do Código Tributário Nacional (CTN), que prevê lançamento de ofício nos casos de simulação. No Direito brasileiro, o conceito de simulação encontrase positivado no art 167 do Código Civil: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; Fl. 329DF CARF MF Processo nº 18471.001834/200736 Acórdão n.º 2202004.859 S2C2T2 Fl. 326 9 III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. § 2o Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. A doutrina brasileira, na voz de Marcos Bernardes de Mello (Teoria do fato jurídico: plano de validade, 1ª ed., São Paulo: Saraiva, 1995, p. 153), esforçouse para dar precisão ao instituto como abaixo se destaca: Simular significa, na linguagem comum, aparentar, fingir, disfarçar. Simulação é o resultado do ato de aparentar, produto do fingimento, da hipocrisia, do disfarce. O que caracteriza a simulação é, precisamente, o não ser verdadeira, intencionalmente, a manifestação de vontade. Na simulação querse o que não aparece, não se querendo o que efetivamente aparece. Ostentase o que não se quis; e deixase, inostensivo, aquilo que se quis. Do ponto de vista jurídico, no entanto, a simulação somente constitui defeito invalidante do ato jurídico quando praticada com a intenção de prejudicar terceiros, mesmo quando não havendo máfé, efetivamente lhes cause dano. À base do ato simulado estão o seu caráter mentiroso e sua natureza danosa a terceiros. Alberto Xavier também oferece uma grande contribuição, tendo em vista a sua precisão ao explicar a simulação (Tipicidade da tributação, simulação e norma antielisiva): Simulação é um caso de divergência entre a vontade (vontade real) e a declaração (vontade declarada) procedente de acordo entre o declarante e o declaratário e determinada pelo intuito de enganar terceiros. Como visto, no ato simulado ocorre divergência entre a declaração exteriorizada pelos sujeitos e a vontade ou declaração interna, que pretendem seja a vigente entre elas, declaração essa necessária para que tenha eficácia a real intenção das partes, escondida por trás da declaração aparente. Estáse, portanto, diante de verdadeira deformação da declaração de vontade das partes, conscientemente desejada, com o objetivo de induzir terceiros, aí incluído o Fisco, ao erro ou engano. Na esfera tributária, a simulação se utiliza a forma para galgar o real objetivo das partes, qual seja, descaracterizar o fato gerador ou tornar dúbia a sua existência através do véu da aparente licitude dos negócios jurídicos simulados, os quais somente são denunciados pela verdadeira e oculta intenção das partes. Todavia, como dito anteriormente, ao Direito Tributário importa investigar a realidade adstrita ao fato gerador da obrigação, e, assim sendo, cabe ressaltar alguns pontos, senão vejamos. No presente caso, percebese que os instrumentos acostados aos autos (fls 208 a 211), carecem de registro pelo órgão competente. Fl. 330DF CARF MF 10 Nos termos do art. 221 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, Código Civil, o instrumento particular, feito e assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público competente. Logo, vislumbrase limitada a sua força probante. Segundo o recorrente, a motivação do atleta profissional ao celebrar ato negocial de cessão está assentada na possibilidade de vender os direitos de uso de sua imagem sem correr riscos inerentes a tais atividades, recebendo o preço ajustado desde logo, independentemente da situação do clube. Porém, no contrato que ora se analisa esta motivação não persiste (fl 209), pois nos termos da cláusula quarta 'o CEDENTE comprometese em realizar todos os atos necessários à cobrança de eventuais valores em favor dela' (cessionária). Ou seja, o atleta cedeu bem personalíssimo mantendo as preocupações advindas de sua exploração consigo. Acrescentese as palavras do doutrinador Luiz Antônio Grisard (Considerações sobre a relação entre contrato de trabalho de atleta profissional de futebol e contrato de licença de uso de imagem no sítio da Internet <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=3490>), ao tecer comentários sobre características intrínsecas aos contratos de cessão de imagem. Os atletas, ao firmarem seus contratos, podem, se assim lhes convier, licenciar o direito de exploração de sua imagem à agremiação para a qual irão atuar. [...] O aumento do interesse econômico sobre este direito personalíssimo permite ao seu titular a maximização de receitas, desde que tomadas as medidas adequadas e escolhido o instrumento contratual apropriado. Em existindo a intenção de permitir a exploração de sua imagem, as partes celebram um contrato, que pode ser a título gratuito ou oneroso, devendo, sempre, respeitar a forma escrita. Ainda, deve, explicitamente, ajustar quais os limites do acordo, estipulando o prazo de validade, a finalidade, a remuneração e a exclusividade. Dentre as cautelas abordadas pelo autor: limites; finalidade; remuneração; prazo de validade e exclusividade; as três primeiras são dignas de especial atenção em face de o objeto transacionado (imagem) consistir em direito personalíssimo protegido pelo ordenamento pátrio. No entanto, percebese que, não obstante o vulto do atleta, o instrumento particular (fls 113 e 114, 208 e 209) não acorda sobre: 1) limites ou forma de exploração do bem em voga, apesar de serem inúmeros os casos de má utilização da imagem de pessoas famosas a acarretar dano moral; 2) a onerosidade ou não do negócio jurídico, muito embora a cessionária tenha pago, segundo o recorrente, montante de U$ 100.000,00 pelo direito; 3) percentuais de participação do atleta em futura comercialização de seu direito. Decerto que o supracitado contrato foi, nos termos do recorrente, “aditado” pelo termo às fls 210 e 211. Ora, aditar significa acrescer e, do confronto entre o instrumento anterior e aquele resultante do aditamento, inferese pela ocorrência de efetiva Fl. 331DF CARF MF Processo nº 18471.001834/200736 Acórdão n.º 2202004.859 S2C2T2 Fl. 327 11 alteração contratual, que se por um lado continuou a não preservar a pessoa do atleta de mau uso de sua imagem, de outro, aboliu a exclusividade da exploração, permitindo que o cedente transacionasse por si só o seu direito de imagem, sem que a cessionária abrisse mão dos valores daí advindos. Ou seja, o atleta virou verdadeiro intermediário comercial de si mesmo tudo em prol da pessoa jurídica. Ademais, o mesmo aditamento retirou do atleta participações percentuais futuras no montante obtido com a comercialização de sua imagem, substituindo tal direito pelo pagamento do correspondente a R$ 175.630,00, valor irrisório se comparado ao total da pretensa negociação do direito de imagem (fl 167) com o Clube de Regatas do Flamengo (R$ 6.083.583,53) ou mesmo ao valor efetivamente pago por este clube, reconhecido pelo impugnante (R$ 2.183.162,00). Salta aos olhos a emissão de notas fiscais de serviço (fls 116 a 122) com escopo de respaldar os pagamentos efetuados pela agremiação a título de exploração de direito de imagem. Ora, se tal como defende o impugnante, seu direito de imagem foi cedido ao clube para que a este fosse facultado dar proveito econômico, com repasse de spread combinado, estabeleceuse vínculo civil, que não se coaduna com a comercialização de serviços representada pela nota fiscal. Digase que, até os mais árduos defensores da livre contratação do direito de imagem, como o Tributarista Felipe Ferreira Silva (<http://www.investnews.com.br/IN_Print.aspx?Parms=2412116 ,25,50,1,1,1>) são unânimes no entender de que a emissão de notas fiscais não se presta a dar forma à Licença de Uso de Imagem visto que nunca foi e nunca será serviço. O advogado assevera: Se o atleta emite nota de prestação de serviço da sua pessoa jurídica, no que se refere à sua Licença de Imagem, ele reconhece que aquilo não é uma Licença de Imagem, mas sim um serviço prestado. E se ele tem um contrato de trabalho, é justificativa para a quebra desse contrato para Licença de Imagem, já que se é serviço, é remunerado por um contrato de trabalho. Por fim, a própria rescisão da pretensa licença de uso de imagem é contraditória em si mesma. Se é cediço que a imagem de um atleta profissional vale ouro, vide as cifras envolvidas em suas contratações, se o clube passava por necessidades financeiras como afirmado em item B do Instrumento Particular à fl 166, por que não tornou efetivo o aproveitamento de sua imagem, até então, resguardada da concorrência dos demais times? Preferiu se gerar mais uma dívida. De outro turno, consulta aos sistemas informatizados deste órgão (fls 241 a 243) denotam que o impugnante percebeu rendimentos do trabalho assalariado da fonte pagadora Clube de Regatas do Flamengo até o mês de 04/2002, fato conclusivo sobre a ruptura do vínculo laboral. Digase que tal informação já constava à fl 161 do inquérito policial. Fl. 332DF CARF MF 12 É sabido que tanto o art 479 do Decretolei nº 5.452, de 1º de maio de 1943 – Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), como a legislação específica para o desporto, art 31, § 3º da Lei nº 9.615, de 24 de março de 1998 – Lei Pelé, ou mesmo cláusulas contratuais próprias, protegem o desportista de eventual demissão arbitrária na forma de multa rescisória. Não obstante, a Declaração de Ajuste Anual entregue pelo fiscalizado silencia sobre a percepção da verba rescisória cuja prenotação deveria constar do Quadro 4 do formulário (fl 05). Por todas as inconsistências aqui apuradas, creio merecer guarida a conclusão chegada pelo Ente Fiscal sobre a simulação engendrada com fins de dissimular verdadeiro liame trabalhista. Até por que, este fecho está mais condizente tanto com a escrituração contábil acostada à fl 115, que denomina a operação como TERCEIRIZAÇÃO, bem como com a identificação das partes contida no instrumento às fls 166 a 171, onde o recorrente não é identificado como CEDENTE, mas sim como ATLETA. Acrescento à decisão do juizo a quo que, no presente caso concreto tornase mais relevante ressaltar a necessidade do registro pelo órgão competente, tanto do Instrumento Particular de Licença sobre Uso de Direito de Imagem e Marketing Esportivo (efls. 218/219), como de seu aditivo (efls. 220/221), para sua força probante perante terceiros, como no caso da Receita Federal do Brasil. Caso existente o registro público, tal fato constituiria um reforço para a sua credibilidade, além de constituir prova, no mínimo, quanto à data em que foi efetivamente firmado. De acordo com a cláusula 2ª, parágrafo único, desse Instrumento Particular, incluiuse no seu objeto a elaboração de contratos de cessão de imagem parcial ou total do cedente, para vínculo junto a terceiros com os quais a cessionária mantivesse relacionamento, ficando a cessionária responsável pela negociação de valores e posterior repasse de percentuais decorrentes dos contratos em favor do cedente, tendo sido o instrumento particular assinado em 03 de janeiro de 2000 (efls. 218/219) Em termo aditivo datado de 04/01/2000, um dia após a assinatura do instrumento particular, cancelouse os repasses previstos, diante da aquisição dos direitos sobre o uso da imagem pelo valor de US$ 100.000,00 (cem mil dólares americanos). O que levaria uma modificação tão substancial em uma cessão de uso de imagem, com apenas um dia de diferença e por valor que parece insignificante diante dos montantes envolvidos nas negociações de direito de imagem de atleta de futebol de renome??? Nesse sentido é a decisão a quo, como se verifica do seguinte trecho: Ademais, o mesmo aditamento retirou do atleta participações percentuais futuras no montante obtido com a comercialização de sua imagem, substituindo tal direito pelo pagamento do correspondente a R$ 175.630,00, valor irrisório se comparado ao total da pretensa negociação do direito de imagem (fl 167) com o Clube de Regatas do Flamengo (R$ 6.083.583,53) ou mesmo ao valor efetivamente pago por este clube, reconhecido pelo impugnante (R$ 2.183.162,00). Outro ponto que merece destaque é que a DIRPF 2003, anocalendário 2002, do Recorrente, o campo de indenizações por rescisão de contrato de trabalho está zerado. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 18471.001834/200736 Acórdão n.º 2202004.859 S2C2T2 Fl. 328 13 Contudo, em documento emitido pelo próprio Recorrente (efls. 101) só de verbas rescisórias o mesmo teria recebido líquido R$ 366.023,00, em 11/04/2002, do Clube Regata Flamengo, em sua conta bancária, valor este não declarado. Ademais, o próprio Clube Regata do Flamengo questiona a natureza jurídica dos créditos depositados por eles para empresa Player Empreendimentos Esportivos e Culturais LTDA, conforme inquérito policial (efls. 168/174), cujos seguintes trechos ressalto: (...)O Clube de Regatas do Flamengo e o jogador de futebol Dejan Petkovic celebraram, em 1° de abril do ano em curso, na forma do incluso instrumento particular, acordo para liquidação de supostas dívidas do clube com o atleta. No referido pacto, o Clube de Regatas do Flamengo reconhece que deve ao citado jogador de futebol a astronômica quantia de RS 6.083.583,53, equivalente, na data da assinatura do acordo, a USS 2.619.975,68 referente a alegadas obrigações contratuais não cumpridas, cuja desconstituição o Flamengo postulará no juízo próprio. Nesse passo, a empresa Player Empreendimentos Esportivos e Culturais Ltda., com sede na Av. Nove de Julho, n° 912, sala 3 A, Centro, Poá, São Paulo, SP, recebeu mais de RS 2.700.000,00 por conta de créditos do jogador, de acordo com nota fiscal e comprovante contábil anexos que, segundo informações, registra lançamentos de depósitos realizados em conta bancária da empresa que se recusou a fornecer as respectivas notas fiscais correspondentes a esses depósitos. Ora, por que se comprometeu o então Presidente do Clube de Regatas do Flamengo a pagar a pessoa jurídica indicada pelo jogador e não ao próprio atleta? Será que o propósito dessa substituição de credor de pessoa física para jurídica é o de sonegar tributos? Tudo leva a crer que sim, porque o desconto do imposto de renda retido na fonte é significativamente maior quando se paga à pessoa física do que à pessoa jurídica.(...) Não bastasse, a jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho (TST) é farta no sentido de que a verba paga pelo clube ao atleta profissional a título de cessão do uso do direito de imagem possui natureza remuneratória, ligada diretamente ao contrato de trabalho, porque decorre fundamentalmente do desempenho de suas atividades na entidade desportiva. É o que se depreende dos seguintes julgados: [...] RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELO RECLAMANTE. DIREITO DE IMAGEM. NATUREZA SALARIAL. INTEGRAÇÃO À REMUNERAÇÃO. Nos termos do atual entendimento jurisprudencial desta Corte superior, é salarial a renda auferida pelo atleta profissional de futebol a título de direito de imagem, por tratarse de verba paga por força do contrato de emprego. Precedentes. Recurso de revista conhecido e provido. [...] (RR880058.2004.5.04.0028, 1ª Fl. 334DF CARF MF 14 Turma, Rel. Desembargador Convocado José Maria Quadros de Alencar, DJ de 8/11/2013. RECURSO DE REVISTA DIREITO DE IMAGEM NATUREZA JURÍDICA INTEGRAÇÃO À REMUNERAÇÃO. A renda auferida pelo atleta profissional de futebol pelo uso de sua imagem por parte do clube que o emprega possui natureza salarial e deve ser integrada à sua remuneração para todos os fins. Isso porque constitui uma das formas de remunerar o jogador pela participação nos eventos desportivos disputados pela referida entidade, decorrendo, pois, do trabalho desenvolvido pelo empregado. Precedentes deste Tribunal. Recurso de revista conhecido e provido. (RR60800 81.2007.5.04.0011, 1ª Turma, Rel. Min. Vieira de Mello Filho, DJ de 13/5/2011). [...] DIREITO DE IMAGEM. NATUREZA JURÍDICA. O Tribunal Regional declarou que o direito de imagem detém evidente natureza trabalhista, que lhe é inerente, em se tratando de pagamento oriundo da relação empregatícia. Sob tal premissa, a Corte de origem decidiu negar provimento ao recurso ordinário interposto pelo Reclamado e manter a sentença na parte em que se reconheceu a natureza remuneratória do direito de imagem e se impôs condenação ao pagamento de diferenças a esse título. No recurso de revista, o Reclamado afirma que o direito de imagem possui caráter indenizatório, porque foi pactuado em contrato civil, totalmente alheio ao contrato de trabalho. Esta Corte Superior tem decidido que a verba paga pela entidade desportiva ao atleta a título de cessão do uso do direito de imagem possui natureza remuneratória, porque a imagem do atleta decorre diretamente do desempenho de suas atividades profissionais. Portanto, a decisão recorrida está de acordo com a jurisprudência desta Corte Superior e não merece reforma. Recurso de revista de que se conhece, ante a demonstração de divergência jurisprudencial, e a que se nega provimento, no mérito. (RR716100 50.2008.5.09.0028, 4ª Turma, Rel. Min. Fernando Eizo Ono, DJ de 15/3/2013) [...] DIFERENÇAS SALARIAIS. DIREITO DE IMAGEM. NATUREZA JURÍDICA DA PARCELA. O eg. TRT considerou que a parcela paga como contraprestação pelo uso da imagem do reclamante, de forma fixa, mensal e no decorrer do contrato de trabalho, detém natureza jurídica salarial, razão por que deve integrar a remuneração do autor. Não se trata, no caso dos autos, de ofensa ao direito de imagem garantido constitucionalmente, passível de reparação moral e material, mas de remuneração pela utilização da imagem do autor, em razão do contrato de trabalho firmado entre as partes. Conquanto decorra de direito personalíssimo de natureza civil, no caso concreto a parcela está ligada diretamente do contrato de trabalho e remunera o profissional pela participação em partidas disputadas em favor do clube reclamado. Portanto, a parcela detém natureza salarial, devendo integrar a remuneração para todos os fins. Precedentes. Recurso de revista conhecido e desprovido. [...] (RR99047.2011.5.09.0028, 6ª Turma, Rel. Min. Aloysio Corrêa da Veiga, DJ de 13/12/2013) Fl. 335DF CARF MF Processo nº 18471.001834/200736 Acórdão n.º 2202004.859 S2C2T2 Fl. 329 15 AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. 1. VÍNCULO DE EMPREGO CONFIGURADO. PROFISSIONAL CONTRATADO MEDIANTE PEJOTIZAÇÃO (LEI Nº 11.196/2005, ART. 129). ELEMENTOS DA RELAÇÃO DE EMPREGO EVIDENCIADOS. PREVALÊNCIA DA RELAÇÃO EMPREGATÍCIA. A relação empregatícia é a principal fórmula de conexão de trabalhadores ao sistema socioeconômico existente, sendo, desse modo, presumida sua existência, desde que incontroversa a prestação de serviços (Súmula 212, TST). A Constituição da República, a propósito, elogia e estimula a relação empregatícia, ao reportar a ela, direta ou indiretamente, várias dezenas de princípios, regras e institutos jurídicos. Em consequência, possuem caráter manifestamente excetivo fórmulas alternativas de prestação de serviços a alguém por pessoas naturais, como, ilustrativamente, contratos de estágio, vínculos autônomos ou eventuais, relações cooperativadas, além da fórmula apelidada de pejotização. Em qualquer desses casos além de outros , estando presentes os elementos da relação de emprego, esta prepondera, impõese e deve ser cumprida. No caso da fórmula do art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, somente prevalecerá se o profissional pejotizado tratarse de efetivo trabalhador autônomo ou eventual, não prevalecendo a figura jurídica como mero simulacro ou artifício para impedir a aplicação da Constituição da República, do Direito do Trabalho e dos direitos sociais e individuais fundamentais trabalhistas. Trabalhando a Obreira cotidianamente no estabelecimento empresarial e em viagens a serviço, com todos os elementos fáticojurídicos da relação empregatícia, deve o vínculo de emprego ser reconhecido (art. 2º, caput, e 3º, caput, CLT), com todos os seus consectários pertinentes. Notese que o TRT deixa claro, a propósito, a presença da subordinação jurídica em todas as suas três dimensões (uma só já bastaria, como se sabe), ou seja, a tradicional, a objetiva e a estrutural. 2. VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECONHECIDO EM JUÍZO. FÉRIAS EM DOBRO. DECISÃO DENEGATÓRIA. MANUTENÇÃO. É devido o pagamento em dobro das férias vencidas, ainda que o vínculo de emprego somente tenha sido reconhecido em Juízo (exegese do art. 137 da CLT). Precedentes. Sendo assim, não há como assegurar o processamento do recurso de revista quando o agravo de instrumento interposto não desconstitui os fundamentos da decisão denegatória, que subsiste por seus próprios fundamentos. Agravo de instrumento desprovido. (AIRR 639 35.2010.5.02.0083, 3ª Turma, Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado, Data de Publicação: 21/06/2013). No voto vencedor do Recurso Ordinário nº 0004920082.2009.5.01.0009, do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (Acórdão publicado em 29/07/2011), cuja decisão foi mantida pelo TST, o Desembargador Jorge F. Gonçalves da Fonte assim se pronunciou sobre essa matéria: [...] A prática de pagamento de salários por fora é uma característica negativa desse ramo profissional. As agremiações desportivas que difundem a maior paixão nacional remuneram Fl. 336DF CARF MF 16 seus atletas com altos salários e, com raras exceções, esquecem se de aprovisionar recursos para honrar seus compromissos sociais e tributários, isto sem levar em consideração os constantes atrasos no pagamento dos próprios salários dos jogadores. Criouse, então, esse sofisma de direito de imagem, entabulado em instrumento normalmente firmado por empresa constituída pelos respectivos atletas, indiscutível pacto adjeto do contrato de trabalho, que , em resumo, era proveitoso para as duas partes. O clube entende que fica imune aos encargos sociais, mormente em relação ao FGTS que deixa de incidir sobre a cessão do direito de imagem, enquanto que o jogador, sob o abrigo de uma pessoa jurídica, recebe significativa vantagem no que tange ao imposto de renda, com alíquota mais baixa comparada ao percentual atribuído a qualquer pessoa física que aufere rendimentos por seu trabalho.[...] Diante de todo exposto, mantenho a decisão de origem no que se refere à simulação do contrato de cessão de direito de imagem entre o Recorrente e a empresa Player Empreendimentos Esportivos e Culturais Ltda, pois tratase, em verdade, de rendimento do trabalho, com intuito de não oferecer à tributação os recursos provenientes de sua rescisão contratual com o Clube de Regatas Flamengo, como bem delimitado no Termo de Constatação Fiscal. (efls. 110/113). DO CONTRATO DE MÚTUO A parte recorrente atribui os repasses levados a efeito pela pessoa jurídica PLAYER EMPREENDIMENTOS ESPORTIVOS E CULTURAIS LTDA ao contrato de mútuo estabelecido entre referida empresa e o impugnante. Apensa instrumentos particulares, contratos de câmbio e de devolução de valores por meio do sistema bancário, que em seu entender comprovariam, respectivamente, o empréstimo e o parcial adimplemento da obrigação. Empréstimos são negócios jurídicos que pressupõem a devolução do bem fungível tomado emprestado. O caráter essencial do empréstimo é sua temporariedade, que deve estar consignada no contrato para a devida caracterização do negócio subjacente. No caso dos contratos de mútuo, é imprescindível: (1) estar comprovado, por meio de documentação hábil e idônea, a sua contratação Para serem oponíveis a terceiros, mormente quando este terceiro é a Fazenda Pública e a finalidade é a comprovação de operação sobre a qual não incide tributos, os contratos de empréstimos devem ser registrados. É o que dispõe o 221 do Código Civil Brasileiro( Lei n.° 10.406, de 10 de janeiro de 2002): Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. O Código Civil também disciplina o limite da presunção de veracidade dos documentos particulares e seus efeitos sobre terceiros: Fl. 337DF CARF MF Processo nº 18471.001834/200736 Acórdão n.º 2202004.859 S2C2T2 Fl. 330 17 Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. As cautelas adotadas pela lei justificamse por razões de variada ordem, estando entre elas, por certo, as intenções de dar publicidade a determinados atos e a de evitar que terceiros sejam prejudicados por simulações negociais. Afinal, fácil seria a produção de instrumentos nos quais os elementos da transação data, valores, atribuição de responsabilidades, etc. , ou mesmo o conteúdo precípuo da própria transação, fossem, a qualquer tempo, modificados pelos contratantes. Ademais, em razão de, na pessoa física, o recebimento de empréstimo não ser considerado como rendimento do beneficiário, o Fisco deve tomar certas precauções e exigir provas confirmatórias do empréstimo alegado, tornandose crucial a demonstração do fluxo financeiro dos recursos, pois seria muito fácil para o contribuinte receber diversos rendimentos sujeitos à tributação e declarálos como oriundos de mútuo com intuito de elidir a cobrança do imposto. O instrumento Particular de Mútuo (efls. 31/33), o Segundo Termo Aditivo ao Instrumento Particular de Mútuo (efls. 34), o Terceiro Termo Aditivo ao Instrumento Particular de Mútuo (efls. 35), o Quinto Termo Aditivo ao Instrumento Particular de Mútuo (efls. 36), não foram registrados à época devida, tendo os mesmos sido registrados, em 19 de outubro 2006, posterior ao início do procedimento administrativo de fiscalização (Termo de Início de Fiscalização, em 10/10/2016, efls. 11/12) Caso tivessem sido realizados os registros devidos à época própria, tal fato constituiria um reforço para a credibilidade das operações, além de conferir certeza, no mínimo, à data em que foram efetivamente firmados. Constatase então que o primeiro requisito não foi atendido (2) estarem consignados tempestivamente nas declarações de imposto de renda do mutuante e do mutuário O Termo de Constatação Fiscal (efls. 110) esclarece que somente após a abertura de procedimento fiscal na empresa Player o Recorrente retificou suas DIRPF referentes aos anoscalendário 2000, 2001, 2002, fazendo constar a compra de um imóvel a vista em moeda corrente do país no valor de R$ 700.000,00 e contrato de mútuo com a empresa Player de forma a justificar a origem para suas despesas. Portanto, o segundo requisito também não foi alcançado. (3) que o mutuante tenha disponibilidade financeira Neste ponto a decisão a quo demonstra que a empresa Player não detinha faturamento suficiente para celebrar o contrato de mútuo em questão com o ora Recorrente, vejamos: Fl. 338DF CARF MF 18 Da análise de documentos contábeis acostados às fls 129 a 159, atestase que a pessoa jurídica PLAYER EMPREENDIMENTOS ESPORTIVOS E CULTURAIS LTDA tem nos aportes efetivados pelo CLUBE DE REGATAS DO FLAMENGO sua praticamente exclusiva fonte de faturamento, associação desportiva empregadora do recorrente. Ousamos até a afirmar que sem o time, a sociedade não teria condições financeiras de se manter. Denotase ainda que para se realizar mútuo de um bem, concorda o senso comum que é preciso, primeiramente, ter o bem. No entanto, a pessoa jurídica que, por amizade ao recorrente comprometeuse em R$ 2.500.000,00, o fez completamente distanciada de sua realidade contábil, haja vista seu modestíssimo faturamento. Quanto à alegação do Recorrente que a empresa Player poderia ter recursos disponíveis ao implemento do contrato de mútuo, em razão de negociação da imagem do Recorrente junto à empresas de materiais esportivos ou outras quaisquer empresas que se interessassem pela vinculação do Recorrente à sua marca; não merece prosperar. Um, porque a decisão de piso ressalta que o modestíssimo faturamento da empresa Player tinha como fonte quase exclusiva o Clube de Regatas do Flamengo, após análise dos documento contábeis da empresa (efls. 270). Dois, não foi apresentado pela defesa nenhum documento que demonstre nenhum contrato de imagem do Recorrente com nenhuma suposta empresa interessada que não o Clube de Regatas Flamengo. É regra geral no Direito que o ônus da prova é uma conseqüência do ônus de afirmar e, portanto, cabe a quem alega. Nesse caso, o Recorrente apenas alegou e nada provou e, segundo brocardo jurídico por demais conhecido, "alegar e não provar é o mesmo que não alegar". O artigo 373 do Novo Código de Processo Civil (NCPC) art. 333 do antigo CPC estabelece as regras gerais relativas ao ônus da prova, partindo da premissa básica de que cabe a quem alega provar a veracidade do fato. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Portanto, não prospera a alegação do Recorrente, uma vez que não se desincumbiu de seu ônus processual. (4) que seja comprovada a efetiva transferência do numerário entre credor e devedor (na tomada do empréstimo), com indicação de valor e data coincidentes como previsto no contrato firmado Analisando tanto o Instrumento Particular de Mútuo (efls. 31/33) bem como seus aditivos (efls.34/36 e 75/77), não é possível fazer nenhuma vinculação entre os dados constantes nesses instrumentos (relativamente a data da transferência do montante e ao seu valor), com os depósitos efetivamente realizados, conforme passaremos a expor. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 18471.001834/200736 Acórdão n.º 2202004.859 S2C2T2 Fl. 331 19 De acordo com o Instrumento Particular de Mútuo (efls. 31/33), o objeto do contrato é: (...) CLÁUSULA PRIMEIRA: A MUTUANTE transfere ao MUTUÁRIO, a quantia de R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), em moeda corrente do país, que o MUTUÁRIO expressamente reconhece tomado por empréstimo. PARÁGRAFO ÚNICO: O repasse do valor acima descrito ao MUTUÁRIO será realizado em até 24 (vinte e quatro) meses da data da assinatura do presente instrumento. Isto posto, fica a MUTUANTE autorizada à realizar quantos aditamentos forem necessários a cada liberação de numerário que conceder ao MUTUÁRIO, sendo que a periodicidade destes repasses ocorrerão de comum acordo entre as partes, respeitando, no entanto, a previsão financeira da MUTUANTE. (...) (grifouse) Na verdade, os repasses não seguiram nenhuma previsão financeira da mutuante, os aditamentos ao instrumento particular de mútuo, o qual daria o suporte financeiro a liberação de recursos ao Recorrente são pósdatados, ou seja, não foram realizados a cada liberação de capital, mas sim se referem a períodos e, como explicitamente revelam, têm como objetivo “formalizar a liberação” de capital ao mutuário. Para melhor compreensão, citamos como exemplo parte do Sétimo Termo Aditivo ao Instrumento Particular de Mútuo (efls. 67), in verbis: Como bem destacado pela decisão de origem, cada período de retiradas pelo mutuário, a exemplo daquele compreendido entre 16/02/2000 a 15/08/2002, é sempre antecedido por depósitos realizados pelo Clube de Regatas do Flamengo, no exemplo aqueles realizados em 12/06/2002 (R$ 985.000,00) e 15/08/2002 (R$ 198.804,00) às efls 140 e 149. Logo, o referido requisito do contrato de mútuo não foi atendido. Fl. 340DF CARF MF 20 (5) expirado o prazo contratual, a comprovação da quitação do empréstimo ou de aditivo contratual alterando a data do vencimento; Neste ponto também não ficou demonstrada a devolução do suposto empréstimo pelo Recorrente, no prazo previsto no Quarto Aditamento ao Instrumento Particular de Mútuo (efls. 230/231), datado de 28/12/2001, vejamos: Tendo em vista, que tal aditamento teria sido assinado em 28/12/2001, contandose o prazo estipulado de sessenta meses, o Recorrente deveria ter quitado seu suposto débito até dezembro de 2016. Conforme documentos juntados pelo Recorrente para demonstrar a quitação do empréstimo, tais pagamentos teriam ocorrido conforme tabela abaixo, totalmente fora do prazo estipulado para a devolução do capital principal pelo Mutuário. DATA VALOR (em reais) 11/06/07 R$90.000,00 12/06/07 R$90.000,00 12/06/07 R$7.500,00 13/07/07 R$45.000,00 30/08/07 R$90.000,00 03/09/07 R$90.000,00 18/09/07 R$30.000,00 23/11/07 R$34.000,00 28/11/07 R$32.361,00 13/12/07 R$54.000,00 27/12/07 R$50.000,00 25/06/08 R$175.000,00 26/06/08 R$25.000,00 Ainda que todos os pagamentos estivessem sido feitos dentro do prazo estipulado no suposto contrato de mútuo, tal fato por si só não comprovaria o contrato de mútuo alegado pelo Recorrente, pois seria apenas um dos requisitos listados acima, sendo que, para o reconhecimento da existência de um contrato de mútuo regular, os cinco requisitos listados são cumulativos. Tendo em vista as circunstâncias aqui relatadas, entendemos que, o mútuo acaba por ser mais um elemento favorável à conclusão pela simulação, com fim de mascarar a relação de trabalho e os efeitos de sua decorrente rescisão, visando tão somente evadirse de uma tributação mais gravosa. MULTA DE OFÍCIO E CONFISCO Em relação ao pretenso aspecto confiscatório da multa lançada, com fundamento no inciso IV do art. 150 da CRFB/1988 que positivou o princípio do não confisco, Fl. 341DF CARF MF Processo nº 18471.001834/200736 Acórdão n.º 2202004.859 S2C2T2 Fl. 332 21 melhor sorte não socorre ao Recorrente, pois a vedação ao confisco contida na Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, a multa foi aplicada em observância aos normativos legais que regem a matéria. Como estampado no art. 3° do Código Tributário Nacional (CTN), tributo é toda prestação pecuniária compulsória, que não constitua sanção de ato ilícito. A sanção de ato ilícito tem na multa pecuniária uma de suas espécies. Assim, tratandose de multa pecuniária, não há que falar em princípio do nãoconfisco. Vêse, claramente, que o CTN extrema os conceitos de tributo e de multa, não havendo identidade entre eles. O princípio do nãoconfisco (art. 150, IV) somente se aplica a tributos. Ademais, a este Conselho não é dado se pronunciar sobre ilegalidade e inconstitucionalidade de Lei em plena vigência, ou deixar de aplicála, nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2, que consignam: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONCLUSÃO EX POSITIS, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator Fl. 342DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722193/2013-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA. FLUXO FINANCEIRO. TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS CONTÁBEIS.
O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado, mensalmente, considerando-se todos os ingressos e dispêndios realizados no mês, pelo contribuinte. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível (tributada, não tributada ou tributada exclusivamente na fonte).
Meras transferências entre contas contábeis não se caracterizam como novos dispêndios e não devem compor o fluxo financeiro do contribuinte para a análise de eventual acréscimo patrimonial a descoberto.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. MESMO MEIO DE PROVA UTILIZADO PELA FISCALIZAÇÃO.
Não pode a fiscalização utilizar o meio de prova apenas quando lhe convém e desprezá-lo em relação a outras informações neles contidas sem uma razão sólida e convincente para tanto.
Deve-se acatar as razões do contribuinte quando o mesmo documento que embasou a lançamento atestar que não ocorreram os dispêndios, sem a necessidade de comprovação mediante outros meios, haja vista que a fiscalização atestou a idoneidade de tal documento (mesmo que tacitamente) ao utiliza-lo como meio de prova para a elaboração do fluxo financeiro do contribuinte.
Numero da decisão: 2201-004.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Recorrente SALUSTIANO COSTA LIMA DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA. FLUXO FINANCEIRO. TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS CONTÁBEIS. O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado, mensalmente, considerandose todos os ingressos e dispêndios realizados no mês, pelo contribuinte. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível (tributada, não tributada ou tributada exclusivamente na fonte). Meras transferências entre contas contábeis não se caracterizam como novos dispêndios e não devem compor o fluxo financeiro do contribuinte para a análise de eventual acréscimo patrimonial a descoberto. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. MESMO MEIO DE PROVA UTILIZADO PELA FISCALIZAÇÃO. Não pode a fiscalização utilizar o meio de prova apenas quando lhe convém e desprezálo em relação a outras informações neles contidas sem uma razão sólida e convincente para tanto. Devese acatar as razões do contribuinte quando o mesmo documento que embasou a lançamento atestar que não ocorreram os dispêndios, sem a necessidade de comprovação mediante outros meios, haja vista que a fiscalização atestou a idoneidade de tal documento (mesmo que tacitamente) ao utilizalo como meio de prova para a elaboração do fluxo financeiro do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 21 93 /2 01 3- 12 Fl. 3631DF CARF MF Processo nº 19515.722193/201312 Acórdão n.º 2201004.782 S2C2T1 Fl. 3.632 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Cuidase de recurso voluntário de fls. 3611/3627, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 3568/3575, a qual julgou procedente o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 3128/3135, lavrado em 11/10/2013, relativo ao ano calendário de 2008, com ciência do RECORRENTE em 16/10/2013, conforme AR de fls. 3137. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado em função de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, no valor histórico de R$ 1.658.849,46 já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. Conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls 3100/3110, atribuiuse ao contribuinte a infração de omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial à descoberto, por excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos compatíveis declarados. A autoridade fiscal afirma que, da análise da documentação fornecida pelo RECORRENTE, assim como das informações constantes no banco de dados da RFB e na Declaração de Ajuste do próprio contribuinte, foi elaborado o demonstrativo do fluxo financeiro tendo sido constatado que o contribuinte apresentou APD conforme abaixo: A análise comparativa da evolução patrimonial do RECORRENTE foi compilada na tabela de fls. 3111/3112, com suporte nas tabelas anexas de fls. 3113/3127. De acordo com o TVF, na confecção do demonstrativo da evolução patrimonial foram utilizados os critérios descritos às fls. 3101/3110, dos quais destacase: “(...) Fl. 3632DF CARF MF Processo nº 19515.722193/201312 Acórdão n.º 2201004.782 S2C2T1 Fl. 3.633 3 VIII) Empréstimos recebidos/concedidos pessoas jurídicas: Considerados valores conforme Livro Diário n° 38 relativo ao ano calendário 2008 da empresa Agro Pecuária Quatro A. Ltda CNPJ 50.666.817/000171 registrado na JUCESP em 02/09/2013 e Razão (Conta 22211) apresentados pelo contribuinte. Cabe informar: que conforme informação constante do Sistema da Receita Federal do Brasil a empresa Agro Pecuária Quatro A. Ltda é tributada pelo Lucro Real desde 1999. que conforme informação do contribuinte confirmada pelo Livro Diário ano calendário 2008 o valor lançado na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) entregue pelo contribuinte em época própria no item Declaração de Bens e Direitos a titulo de crédito em conta corrente junto à Agro Pecuária Quatro A está incorreto onde consta saldo inicial R$ 1.056.170,95 e saldo final R$ 3.283.312,97 o valor correto seria saldo inicial ( R$ 3.020.160,57) e saldo final R$ 2.579.133,58, conforme consta na' Contabilidade. que conforme informação do contribuinte parte dos valores lançados em 01/01 na conta 22211 relativa ao ano calendário 2008 se referem conforme histórico à transferências entre contas Consolidação de saldos isto é não envolvendo movimentação de numerário em 2008 já que as transferências de numerário ocorreram em outros anos calendário (1998 a 2007). que conforme copia do Termos de Abertura dos Livros Diário apresentados pelo contribuinte 'constatamos as seguintes situações: Ano calendário 1998 sem registro na JUCESP Ano calendário 2005 registrado na JUCESP em 2010; Ano calendário 2006, 2007 e 2008 registrados na JUCESP em 02/09/2013, isto é após o Início do procedimento Fiscal. O contribuinte foi intimado em 11/09/2013 a comprovar os lançamentos relativos à transferências entre contas Consolidação de saldos, porém os documentos apresentados (Planilhas de posição da Conta 22221 acompanhadas de copias de Termo de abertura e encerramento de Livros Diário e de fls. do Livro Diário onde constam os lançamentos) não foram suficientes para comprovar a ocorrência destas transferências pois os Livros Diário não foram registrados em época própria. Assim a fiscalização considerou na Analise todos os valores lançados na contabilidade conta 22211. (...)” Da Impugnação Fl. 3633DF CARF MF Processo nº 19515.722193/201312 Acórdão n.º 2201004.782 S2C2T1 Fl. 3.634 4 O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 3141/3154 em 13/11/2013. Assim pode ser resumida a impugnação: · O RECORRENTE entende que o fato que originou o lançamento decorreriam de apuração feita pela fiscalização descrita no tópico VIII do relatório fiscal (“Empréstimos recebidos/concedidos pessoas jurídicas”), precisamente na desconsideração da consolidação de mútuos com empresa Agropecuária Quatro “A” Ltda. (doravante referida como Empresa) da qual o contribuinte é sócio e que, tributada pelo lucro real desde 1999, somente registrou os livros diário referentes aos anoscalendário 2006, 2007 e 2008 na Jucesp em 02/09/2013, após o início do procedimento fiscal. · Conforme a própria fiscalização admite (e o contribuinte reconhece), a DIRPF apresentada pelo RECORRENTE, relativa ao anocalendário 2008, contém incorreções. Assim, a autoridade fiscal usou documentos da Empresa da qual o interessado é sócio para verificar os emprestimos concedidos/recebidos em conta corrente junto à Empresa e lavrar o Auto de Infração. · Neste sentido, o RECORRENTE apresentou à fiscalização cópia do Livro Diário do período de 01/01/2008 a 31/12/2009 das contas contábeis nº 222117, nº 222121, nº 222140, nº 222155, nº 222193, nº 222206, nº 222210 e nº 222225 (fls. 3185/3470) assim como Livro razão constando todas as mencionadas contas (fls. 3471/3498). · Afirma que foi com base no mencionado Livro Razão que a fiscalização verificou a dívida do RECORRENTE com a Empresa, no valor de R$ 3.020.160,57 (saldo de 31/12/2007), conforme valor lançado na conta contábil nº 22211 em 01/01/2008. De igual forma, a autoridade fiscal alegou que o RECORRENTE prestoulhe informações acerca da existência de valores lançados nesta mesma conta 22211, referentes à transferências entre contas para consolidação do saldo do empréstimo (no valor de R$ 3.037.354,00), não envolvendo movimentação de numerário em 2008 já que as transferências de numerário do RECORRENTE para a Empresa ocorreram em outros anos calendário (1998 a 2007). · Contudo, a autoridade fiscal entendeu que o RECORRENTE não comprovou devidamente a existência de créditos em seu favor, de forma que os valores lançados a título de pagamentos realizados à empresa (no total de R$ 3.037.354,00) foram considerados como patrimônio novo, gerando, em janeiro de 2008, um saldo a descoberto no importe de R$ 1.986.851,03. · Ou seja, o RECORRENTE alega que de fato existia a dívida Fl. 3634DF CARF MF Processo nº 19515.722193/201312 Acórdão n.º 2201004.782 S2C2T1 Fl. 3.635 5 com a Empresa de R$ 3.020.160,57 em 01/01/2008, relativa a empréstimos por ele recebidos até 31/12/2007 (ou seja, não foi empréstimo recebido em janeiro/2008), conforme apontam os livros contábeis da empresa. Contudo, o que o RECORRENTE não concorda é que a fiscalização considerou que houve amortização dessa dívida (emprestimo concedido/pagamento pelo RECORRENTE, ou seja, dispêndios) em janeiro/2008 no importe de R$ 3.037.354,00, pois afirma que tal valor foi sendo pago até o ano de 2007 através de outras contas contábies da empresa (nº 222121, nº 222140, nº 222155, nº 222193, nº 222206, nº 222210 e nº 222225); ocorreu que em janeiro/2008 os valores correspondentes ao crédito de R$ 3.037.354,00 foram todos transferidos para a conta 222117, como soma do crédito escriturado em outras contas, através de lançamentos contábeis a fim de unificar/consolidar a conta corrente em nome do RECORRENTE perante a Empresa. Afirma que não houve a transferência de tal montante em janeiro/2008. · Com isso, afirma que não existiu o dispêndio de R$ 3.037.354,00 em janeiro/2008, pois na realidade tal valor é um reflexo, uma consolidação, dos dispêndios realizados pelo RECORRENTE em outras contas contábeis nos últimos anos, e representavam valores que o RECORRENTE tinha a receber da Empresa até 31/12/2007. · O RECORRENTE alega que a atuação da Auditora Fiscal foi contraditória, por ora aceitar, ora negar os valores vinculados à contabilidade da empresa. Alegou que, se assumida a perspectiva de aceitar como verdadeiras as transferências entre as contas analisadas (também o saldo das outras contas) não haveria patrimônio a descoberto, mas sim saldo positivo de R$ 17.194,24. · Justifica tal premissa a partir do raciocínio de que a Auditora Fiscal, diante da mesma documentação, reconheceu como verdadeira a soma relativa ao crédito da Empresa com o interessado (R$ 3.020.160,57), mas não reconheceu os créditos do RECORRENTE com a Empresa (R$ 3.037.354,00), a partir do que desconsiderou a compensação entre os créditos e débitos do contribuinte e da empresa. · Entendeu ser imotivada e injustificada a desconsideração das informações lançadas nos livros diários por não terem estes sido autenticados em época própria. Ademais, alega não haver motivo para a fiscalização considerar os livros em uma situação e desconsiderálos em outra. Afirma que não houve qualquer argumento que colocasse em dúvida as informações constantes dos livros diário. · Somado a isso, argumenta que a Fiscalização teria aceito Fl. 3635DF CARF MF Processo nº 19515.722193/201312 Acórdão n.º 2201004.782 S2C2T1 Fl. 3.636 6 diversos valores constantes da contabilidade da Empresa. · Afirma também que o documento de fl. 3552 comprovaria que houve incorreção no lançamento de aplicação financeira de R$ 2.000.000,00 em fevereiro/2008, ao passo que, em sentido diverso, teria havido duas aplicações, cada uma com 50% do valor, tendo ocorrido uma em janeiro e outra em fevereiro. Da Decisão da DRJ A DRJ de origem julgou procedente o lançamento, conforme acórdão de fl. 3568/3575, com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2008 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. OPERAÇÕES DE MÚTUO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A alegação da existência de empréstimos contraídos perante terceiros, ou a eles concedidos, deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência dos numerários emprestados ou devolvidos, não bastando a simples informação nas declarações de bens do credor e do devedor. Inexistindo nos autos comprovação das transferências de numerário resultantes das supostas operações de mútuo entre o contribuinte e a empresa da qual é sócio, o que prejudica a caracterização das operações de mútuo, há que se manter a desconsideração do respectivo valor consolidado, como recurso, na Análise de Evolução Patrimonial Mensal. LIVRO DIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE ACEITAÇÃO QUANDO REGISTRADO APÓS A DATA PARA ENTREGA DA DIPJ. Para fins de apuração do lucro real, poderá ser aceita, pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal, a escrituração do livro "Diário" autenticado em data posterior ao movimento das operações nele lançadas, desde que o registro e a autenticação tenham sido promovidos até a data prevista para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos do correspondente exercício financeiro. Impugnação Improcedente Fl. 3636DF CARF MF Processo nº 19515.722193/201312 Acórdão n.º 2201004.782 S2C2T1 Fl. 3.637 7 Crédito Tributário Mantido” A DRJ de origem, de logo, esclareceu que, quanto ao argumento da incerteza do momento em que 50% do valor de R$ 2.000.000,00 investido em fevereiro/2008 havia saído se no último dia útil de janeiro ou no primeiro dia útil de fevereiro , aplicouse o entendimento mais favorável ao contribuinte. No caso, em sendo uma saída de valores, foi considerada em fevereiro, não merecendo prosperar a insatisfação levantada. No que se refere ao ponto da impugnação que trata da ausência de motivação e justificativa para que a Fiscalização não considerasse o livro diário, a acórdão da DRJ aponta a Instrução Normativa SRF nº 16, de 01 de março de 1984, a qual expõe o impedimento de se considerar, na fiscalização, o livro diário em razão da data de sua autenticação. Alegou que o contribuinte tenta fazer crer que diversos valores lançados teriam se originado de mútuos com a sociedade da qual é sócio e, para tanto, apresenta os livros diários da Empresa, dos anos 1998 a 2007, sendo que, desses, o livro diário de 1998 não foi registrado na JUCESP e os de 2005 a 2008 foram registrados intempestivamente, conforme já esclarecido no Termo de Verificação Fiscal e como admite o contribuinte em sua impugnação. No acórdão, fica esclarecido que, diante da intempestividade, os livros diários de 2005 a 2008 não poderiam ser considerados pela fiscalização e que as informações sobre empréstimos ou suas devoluções, contidas em declarações de ajuste anual, não fazem prova dos mútuos efetuados. Na existência de mútuos, tornase imprescindível a comprovação do ingresso dos recursos oriundos de empréstimos supostamente contraídos pelo contribuinte ou de devoluções de empréstimos supostamente por ele concedidos. Desta forma, o RECORRENTE não comprovou suas alegações. No tocante à impugnação de alguns valores constantes da contabilidade da Empresa aceitos pela Fiscalização, argumenta a DRJ que, no caso do valor de R$ 85.862,48, tais documento seriam referentes a 31/12/2006 (fl. 3523), cujo livro diário foi registrado antes do início da fiscalização, em 2010, e no caso do valor de R$ 50.000,00, este foi corroborado por documento do Banco Itaú (fl. 3545). Pelo fato de estarem documentados é que os valores foram aceitos pela fiscalização. Entendeu que o contribuinte não apresentou documentos hábeis a afastar o lançamento, limitandose a apresentar os livros diários da empresa da qual é sócio. Nesses termos, foi mantido integralmente o crédito tributário lançado e julgada improcedente a impugnação. Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 17/02/2016, conforme AR de fls. 3579, apresentou Recurso voluntário de fls. 3611/3627 em 18/03/2016. Em 10/03/2016, apresentou pedido de dilação de prazo por estar enfrentando dificuldades para ter acesso aos autos, tendo em vista problemas no funcionamento do sistema eCAC, fato que restou cerceando seu direito de defesa. Fl. 3637DF CARF MF Processo nº 19515.722193/201312 Acórdão n.º 2201004.782 S2C2T1 Fl. 3.638 8 Em suas razões recursais foram apresentados os temas a seguir descritos em tópicos, através do qual, basicamente, reiterou o raciocínio de defesa expresso em sua impugnação: I) O LivroDiário da Agropecuária Quatro A é instrumento hábil a comprovar os fatos ocorridos em janeiro e fevereiro de 2008, pois: · Pugnou pela inaplicabilidade da IN 16/1984, na medida em que o livrodiário não está sendo utilizando como prova para fins de apuração do lucro real, mas, sim, como prova da natureza dos próprios valores nele lançados; · Afirmou que o desprezo da contabilidade da AGROPECUÁRIA QUATRO A LTDA. somente seria possível como medida extrema, em que os registros não fossem confiáveis, e não quando supostamente lhe faltem meras formalidades; · O Auto de Infração e o Acórdão cometem a mesma contradição ao aceitarem o livrorazão para a finalidade que lhes “aproveita” e ao inadmitilo, como prova, quando beneficia o Recorrente; · A validade, como prova, de todas as informações anotadas no livro diário da AGROPECUÁRIA QUATRO A LTDA. que sejam anteriores a 01.01.08, na medida em que foram aprovadas em fiscalização e/ou porque transcorrido o prazo do parágrafo único do art. 195 do CTN; · eventual falha formal nos livros da AGROPECUÁRIA QUATRO A LTDA. não devem ser prejudicar o Recorrente, sob pena de transferir para este a pena por um ato que não seja de sua responsabilidade; II) Consolidação das contas de mútuo e a absoluta inexistência de novos empréstimos em 01/01/2008: · Ao contrário do que defendeu a fiscalização e manteve o Acórdão recorrido, os R$ 3.037.965,69 não decorrem de novos mútuos, mas mera transferência entre contas contábeis realizada pela AGROPECUÁRIA; · Tratandose de simples movimentação contábil, fazse absolutamente inaplicável exigir do Recorrente provas tais como se fossem novos mútuos; · Evidentemente, mera movimentação contábil é incapaz de atrair a incidência do Imposto de Renda no caso presente, seja porque não é a hipótese de incidência, seja porque inexiste a alegada “Acréscimo Patrimonial a Descoberto”; III) Ainda fossem considerados mútuos, improcede a acusação fiscal de acréscimo patrimonial a descoberto, pois deveria ser computada como Fl. 3638DF CARF MF Processo nº 19515.722193/201312 Acórdão n.º 2201004.782 S2C2T1 Fl. 3.639 9 origem em janeiro/2008 o valor de R$ 3.020.160,57 relativo ao crédito do RECORRENTE perante a AGROPECUÁRIA QUATRO A LTDA. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. A DRJ em São Paulo/SP entendeu pela manutenção do auto de infração quanto ao levantamento de acréscimo patrimonial não justificado e consequente configuração de omissão de rendimentos. Devese esclarecer que a Lei 7.713/1988, art. 3º, § 1º é expressa ao caracterizar o acréscimo patrimonial injustificado como receita omitida. Vejase. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. Necessário notar que, no presente caso, o acréscimo patrimonial é configurado por aplicações/dispêndios notadamente superiores à disponibilidade financeira declarada pelo RECORRENTE, diante do que, por um silogismo simples e clara disposição legal, temse caracterizada a omissão de receita. Fazse essencial destacar, também, que o Fisco fica dispensado de provar, vide a presunção legalmente estabelecida, a omissão de rendimentos, visto que há o deslocamento do ônus da prova para o contribuinte quando a lei assim o determina. Sobre o tema: “VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO PROVA DOS RECURSOS – O afastamento da variação patrimonial a descoberto somente é possível se há prova inequívoca do ingresso dos recursos. " (Ac. 10612203, sessão de 19/09/2001) Fl. 3639DF CARF MF Processo nº 19515.722193/201312 Acórdão n.º 2201004.782 S2C2T1 Fl. 3.640 10 "IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – A tributação de acréscimo patrimonial não compatível com os rendimentos declarados, tríbutáveis ou não, só pode ser elidida' mediante prova em contrário. ” (Ac. 10242582, sessão de 12/12/1997) "PROVA A prova da origem do acréscimo patrimonial deve ser adequada ou hábil para o fim a que se destina, isto é, sujeitarse à forma prevista em lei para a sua produção, sendo inaceitável a sua substituição por outra forma, salvo motivo relevante que *impeça a produção adequada.” (Ac. CSRF 010145/81) Nesta toada, visando justificar seu acréscimo patrimonial, o contribuinte juntou ao processo o livro diário da empresa Agropecuária Quatro A Ltda., da qual é sócio, como forma de comprovar que as movimentações financeiras autuadas são, em verdade, contratos de mútuo firmados entre ele e a pessoa jurídica mencionada. Passamos, portanto, a analisar as alegações do contribuinte. I. Da impossibilidade de utilização do Livro Caixa O RECORRENTE defende que o registro do empréstimo é válido na medida em que foi escriturado no livrodiário da empresa, sendo a credibilidade das informações constantes neste livro desconsiderada pela fiscalização. Defende, para isso: (i) a inaplicabilidade da IN SRF nº 16/1984 sobre o presente caso; (ii) faz menção ao princípio da verdade material; (iii) busca descaracterizar a inutilização das referidas informações ao mencionar que a Fiscalização se utilizou das informações no livrorazão apenas quando a favor do Fisco; (iv) que as informações anotadas no livrocaixa anteriores a 01/01/2008 devam ser admitidas, vez que transcorrido o prazo previsto no parágrafo único, art.195 do CTN; e, por fim, (v) que, por se tratar de falha da empresa, não deveria ser responsabilizado pela ausência de autenticação do livro contábil. Ocorre que não merecem prosperar os argumentos supramencionados, conforme será esclarecido. A Instrução Normativa SRF nº 16, de 01 de março de 1984, dispõe, de forma expressa, sobre a necessidade da autenticação do livro diário ser realizada em momento em que ainda seja tempestiva a entrega da declaração de rendimentos do exercício financeiro correspondente, não restando dúvidas sobre a possibilidade de sua aplicação ao presente caso. Note que a questão não é voltada somente para fins de apuração do Lucro da Pessoa Jurídica, mas reside na imprestabilidade do próprio livro em si como meio de prova, mormente quando o contribuinte é sócio da pessoa jurídica proprietário do livro diário. Ao contrário do que alega o contribuinte, os requisitos da Instrução Normativa nº 16/84 não se restringem à utilização do livro diário para apuração do IRPJ, mas também devem ser observados quando se queira utilizar tais livros para qualquer outra finalidade de atestar a veracidade das informações contábeis, conforme trecho do acórdão abaixo transcrito, em que se admitiu as informações constantes em livro diário para comprovar a distribuição de lucros, pois foram cumpridos os requisitos da Instrução Normativa n. 16/84: Fl. 3640DF CARF MF Processo nº 19515.722193/201312 Acórdão n.º 2201004.782 S2C2T1 Fl. 3.641 11 “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2008 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. SÓCIOS. PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA COM BASE NO LUCRO PRESUMIDO. COMPROVAÇÃO POR MEIO DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. Quando cumpridas todas as formalidades previstas na Instrução Normativa n. 16/84 quanto ao Livro Diário, devidamente registrado e autenticado pelo órgão competente, e quando a contribuinte demonstra por meio de demonstrativo de mutação patrimonial da empresa, por ocasião do encerramento do exercício, que já possuía lucros acumulados passíveis de distribuição, aplicase aos rendimentos a isenção do imposto de renda distribuídos à pessoa física. (...) (acórdão nº 2101002.318 de 15/10/2013)” Portanto, correta a decisão da DRJ. Em tópico seguinte, o RECORRENTE afirma que “o desprezo da contabilidade da AGROPECUÁRIA QUATRO A LTDA. somente seria possível como medida extrema, em que os registros não fossem confiáveis, e não quando supostamente lhe faltam meras formalidades de registro e autenticação”. Embasa sua defesa em diversos julgados do CARF e conclui que a desclassificação da escrita contábil é procedimento que somente deve ser aplicado quando o contribuinte, intimado de forma clara e objetiva, deixa de regularizar a sua escrita; e que tal entendimento resulta do princípio da verdade material, que deve ser aplicado ao presente caso. Ocorre que os julgados apresentados pelo RECORRENTE são de casos em que se discute o arbitramento do lucro de pessoas jurídicas. As ementas de acórdãos apresentadas pelo RECORRENTE convergem para o entendimento de que a ausência do registro do Livro Diário não é causa suficiente para justificar o arbitramento do lucro quando a empresa possui escrituração contábil contendo elementos necessários para a apuração do tributo. Este não é o caso em questão. No presente processo, não houve arbitramento de lucro nem a autoridade lançadora desprezou a escrita contábil da AGROPECUÁRIA QUATRO A LTDA. A fiscalização não aceitou o Livro Diário como meio de prova por falta de sua autenticação e registro tempestivo. A invocação de princípios como o da boafé, da verdade material e do “in dubio pro contribuinte” esbarra, portanto, no princípio da legalidade, visto que há norma específica que expressamente dispõe sobre um requisito formal. Portanto, insubsistente também esses argumentos. O RECORRENTE pleiteia, também, a impossibilidade de o Fisco contestar informações dispostas nos livros contábeis anteriores a janeiro/2008, por essas já terem sido Fl. 3641DF CARF MF Processo nº 19515.722193/201312 Acórdão n.º 2201004.782 S2C2T1 Fl. 3.642 12 alcançadas pela decadência. Alega que tal documentação já foi alvo de fiscalização anterior em que foi analisado o registro contábil da empresa (fls. 3499/3521) e, ao final, encerrada sem apuração de crédito tributário (fl. 3510). No entanto, conforme fl. 3500 e 3510, o período analisado pelo Fisco à época foi o anocalendário 2005, ao passo que o período objeto da presente autuação é o anocalendário 2008. Ainda no mesmo tópico, afirma que a transcorreu o prazo decadencial para conservar os livros obrigatórios e escrituração comercial e fiscal, nos termos do art. 195, parágrafo único do CTN. Neste sentido, a documentação da empresa não poderia ser utilizada. Ocorre que os livros contábeis verificados pela fiscalização no presente caso são relativos ao anocalendário 2008, sendo assim não transcorreu o prazo decadencial para a análise desses livros pela autoridade fiscal, já que o RECORRENTE teve ciência do lançamento em 16/10/2013. Portanto, pelos motivos acima expostos, entendo que o livrocaixa apresentado não se presta como documentação hábil para comprovar a validade do contrato de mútuo firmado entre o RECORRENTE e a pessoa jurídica Agropecuária Quatro A. II. Do Acréscimo Patrimonial a Descoberto: Alegação de Consolidação das contas de mútuo e inexistência de novos empréstimos em 01/01/2008 Mesmo sem a possibilidade de utilizar o Livro Diário, entendo que assiste razão ao RECORRENTE no mérito da questão envolvendo a inexistência do APD. Pelo o que consta do Termo de Verificação Fiscal, os documentos apresentados pelo RECORRENTE “não foram suficientes para comprovar a ocorrência destas transferências pois os Livros Diário não foram registrados em época própria. Assim a fiscalização considerou, na Análise do APD, todos os valores lançados na contabilidade conta 22211”. Com base nessas alegações, entendo que, a despeito da impossibilidade de utilização do livro diário, a autoridade fiscal considerou como válidas as demais escritas contábeis da Pessoa Jurídica, tanto que utilizou, expressamente, os valores lançados na conta contábil 22211 para a construção do fluxo financeiro do RECORRENTE Diante da não utilização do livro diário, entendo que tais valores foram extraídos do livro razão de fls. 3472/3483. Analisando este documento combinado com a planilha de análise da evolução patrimonial (fls. 3111/3112) verificase que os valores dos empréstimos (tanto os créditos como os débitos no livro razão, respectivamente dispêndios e origens do RECORRENTE) foram acatados indistintamente pela fiscalização sem a necessidade de comprovação das transferências. Ou seja, os lançamentos no livro razão foram utilizados tanto para compor as origens do recorrente como também os seus dispêndios. Se a fiscalização aceitou os valores expressos na conta 22211 do livro razão, é porque verificou a sua validade. Assim, entendo que seria de rigor aceitar também o histórico das informações de cada lançamento, e não somente acatar os dados que convém à autoridade fiscal. Ao aceitar que os lançamentos a crédito na conta 22211 em 01/01/2008 seriam novos mútuos fornecidos pelo RECORRENTE à Empresa, desprezando o histórico de cada lançamento que informava serem tais valores transferências de outras contas, a autoridade Fl. 3642DF CARF MF Processo nº 19515.722193/201312 Acórdão n.º 2201004.782 S2C2T1 Fl. 3.643 13 fiscal jogou para o contribuinte o ônus de realizar uma prova negativa, ou “prova diabólica”, pois exigiu que o mesmo comprovasse através de outros documentos que não efetuou aqueles empréstimos naquela data. A conta 22211 (em que se baseou a fiscalização para compor os valores da evolução patrimonial do RECORRENTE) apresentava em 01/01/2008 saldo de R$ 3.020.160,57 a débito, o que significa que a Empresa era credora do RECORRENTE naquele momento. Neste sentido, verificase que, conforme aponta o RECORRENTE, os primeiros lançamentos a crédito na conta 22211 representam nitidamente uma transferência de valores de outras contas contábeis para a conta 22211. E nessas outras contas contábeis, os saldos eram credores, o que significa que a empresa era devedora naqueles valores. Segue quadro elaborado pelo contribuinte em seu recurso, onde demonstra os valores transferidos para a conta 22211 e as contas de origem (fl. 3622): Portanto, o que foi feito, seguindo a análise estrita do livro razão (sem adentrar na análise do livro diário), foi a mera transferência dos saldos credores de outras contas contábeis para abater o saldo devedor da conta 22211. Ou seja, não foi um aporte financeiro novo, um desembolso, feito naquele momento pelo RECORRENTE pessoa física, mas sim uma transferência de outras contas do passivo (cujos saldos eram credores, ou seja, representavam dívidas da Empresa) para concentrar tudo na conta 22211, também do passivo (que estava com saldo devedor, o que representava crédito da Empresa em face do RECORRENTE). O mesmo livro razão adotado pela fiscalização para elaborar o fluxo financeiro do RECORRENTE aponta que os lançamentos a crédito na conta 22211 em 01/01/2008 tiveram origem em transferência de outras contas, conforme pode ser verificado à fl. 3473 (conta 22211), fl. 3477 (contas nº 22212, nº 22214, nº 22215, nº 22219 e nº 22220) e fl. 3478 (contas nº 22221 e nº 22222). Assim, os mútuos entre o RECORRENTE e a empresa a partir de jan/2008 passaram a ser controlados somente na conta 22211, conforme assimilou a própria fiscalização e como pode ser observado do próprio livro razão, em que a única movimentação das outras contas em 2008 somente foi feita para transferir o saldo credor para a conta 22211, o que zerou o saldo das demais contas. Resta saber se essas outras contas também serviam para controlar valores entre a Empresa e o RECORRENTE. Conforme constatado pela fiscalização, era por meio da conta nº 22211 que o RECORRENTE e a Empresa controlavam os mútuos realizados entre si. Porém, como bem Fl. 3643DF CARF MF Processo nº 19515.722193/201312 Acórdão n.º 2201004.782 S2C2T1 Fl. 3.644 14 afirma o RECORRENTE, é possível constatar a existência de diversas contas que controlavam valores pagos pela Empresa ao RECORRENTE, e viceversa. E foram nessas contas que apurouse saldo credor (dívida da empresa perante o contribuinte), cujos montantes foram transferidos para a conta nº 22211 a fim de consolidar a dívida existente entre o RECORRENTE e a Empresa. Esta constatação pode ser feita sem a análise do livro diário, que foi rejeitado em decorrência de seu registro e autenticação intempestivo. A partir da análise do Livro Razão, verificase que a conta 22211 era denominada “Salustiano Costa Lima da Silva” (nome do RECORRENTE). As demais contas em que o RECORRENTE alega terem sido controlados valores circulados entre ele e a Empresa possuem as seguintes denominações: · conta nº 22212: SCLS – Edifício Cal Center II; · conta nº 22214: SCLS – Imóvel; · conta nº 22215: SCLS – Morro Azul; · conta nº 22219: SCLS – CBPO; · conta nº 22220: SCLS – Vila Lobos; · conta nº 22221: Mútuo de ações – CVRD; e · conta nº 22222: Mútuo de ações – Itaú. Noto que a maioria das contas possuem a sigla SCLS, que, na minha análise, representa as iniciais do nome do RECORRENTE (Salustiano Costa Lima da Silva). Ademais, todas as mencionadas contas fazem parte de um mesmo grupo contábil, como se pode observar de suas numerações no plano de contas, conforme abaixo demonstrado, de acordo com informações extraídas do próprio livro razão (fls. 3473/3478) · Conta nº 22211 equivale no plano de contas ao nº 2.2.02.01.001.00 · conta nº 22212 equivale no plano de contas ao nº 2.2.02.01.002.00; · conta nº 22214 equivale no plano de contas ao nº 2.2.02.01.004.00; · conta nº 22215 equivale no plano de contas ao nº 2.2.02.01.005.00; · conta nº 22219 equivale no plano de contas ao nº 2.2.02.01.009.00; · conta nº 22220 equivale no plano de contas ao nº 2.2.02.01.010.00; · conta nº 22221 equivale no plano de contas ao nº 2.2.02.01.011.00; e · conta nº 22222 equivale no plano de contas ao nº 2.2.02.01.012.00. Ou seja, de acordo com a numeração do plano de contas, as mencionadas contas contábeis acima estão em um mesmo grupo e se diferenciam por apenas um nível (o Fl. 3644DF CARF MF Processo nº 19515.722193/201312 Acórdão n.º 2201004.782 S2C2T1 Fl. 3.645 15 último), o que demonstra serem da mesma natureza. Em outras palavras: se a fiscalização entendeu que a conta nº 22211 representa os lançamentos onde são controlados os empréstimos firmados entre o RECORRENTE e a Empresa, devese subentender que as demais contas acima também têm por objeto controlar empréstimos firmados pela empresa. As duas primeiras numerações das contas (“2.2.”) representa os seus dois primeiros níveis, ou seja, que é uma conta do passivo (2.x), mais precisamente do passivo não circulante (2.2). A partir do terceiro nível do plano de contas é onde são demonstradas as contas que evidenciem os grupos a que se referem (por exemplo: Débitos, Empréstimos, etc.). No caso das contas estudadas, todas são representadas pelo número “02” no terceiro nível, o que pode representar o grupo onde a Empresa controla seus empréstimos, partindo da premissa que, como exposto, a própria fiscalização constatou que a conta 22211 (ou 2.2.02.01.001.00) controla os empréstimos firmados entre o RECORRENTE e a Empresa. Mais adiante, no quarto nível, todas as contas possuem o número “01”. Como há um quinto nível, onde são representadas as subcontas, as quais evidenciam e especificam o tipo de registro contabilizado, é possível interpretar que este quarto nível representa mais um grupo de contas que discriminam o nível superior (Empréstimos). Ou seja, nesse nível podem ser discriminados, por exemplo, os Empréstimos Bancários, Empréstimos de pessoas jurídicas, Empréstimos de pessoas físicas, empréstimos de factorings, etc. Como todas as contas possuem o mesmo número até o quarto nível (“2.2.02.01.xxx”), constatase que elas são de um mesmo grupo e se diferenciam apenas nas subcontas, que são aquelas denominações já citadas acima. Portanto, se em uma dessas contas há saldo credor, isso representa uma dívida da empresa, a contração de um empréstimo. Na medida que as contas possuem as iniciais do RECORRENTE, é verossímil aceitar que são empréstimos contraídos junto ao RECORRENTE e que tiveram um propósito específico (o “Edifício Cal Center II”, o “Vila Lobos”, o “Imóvel”, o “Morro Azul”, etc.). Mediante a análise do Livro Razão de 2005 (fls. 3512/3519) e de 2012 (fls. 3520/3521) é possível constatar que as mencionadas contas controlam valores entre o RECORRENTE e a Empresa. Por exemplo, da análise do histórico dos lançamentos da conta 22212 (2.2.02.01.02.00), denominada “SCLS – Edifício Cal Center II”, em 2005 constatase que, de fato, a mesma era utilizada para controlar diversos valores pagos pela Empresa em nome do RECORRENTE, assim como valores pagos pelo RECORRENTE em nome da Empresa. O mesmo ocorre para as contas 22214 (fl. 3515), 22215 (fls. 3516/3517), 22219 (fl. 3520), 22221 (fl. 3521). Inclusive as contas 22212 e 22215 possuíam, já naquela época, saldo credor idêntico ao valor transferido para a conta 22211 em 01/01/2008. Portanto, é plenamente possível a transferência desses saldos credores em contas diversas para controlar toda a dívida entre a Empresa e o RECORRENTE em apenas uma conta (a de nº 22211), já que, como visto, elas são todas da mesma natureza e controlam valores pagos pela Empresa em nome do RECORRENTE e viceversa. Fl. 3645DF CARF MF Processo nº 19515.722193/201312 Acórdão n.º 2201004.782 S2C2T1 Fl. 3.646 16 Neste sentido, partindo da premissa adotada pela fiscalização, de que a conta 22211 (ou 2.2.02.01.001.00) controla os empréstimos firmados entre o RECORRENTE e a Empresa, e tendo em vista que a autoridade fiscal acatou indistintamente os valores de créditos e débitos expostos no livro razão, sem a comprovação das transferências, para montar o fluxo financeiro do RECORRENTE, entendo que o valor de R$ 3.037.354,81 não foi aporte novo feito pelo RECORRENTE na empresa em 01/01/2008, mas decorreu de transferências de saldos credores de outras contas de empréstimos firmados entre o RECORRENTE e a Empresa. Sendo assim, tal valor não pode ser utilizado como dispêndio na Análise de sua evolução patrimonial para apuração do APD de fls. 3111/3112. Com isso, eliminandose o valor de R$ 3.037.354,81 contido na rubrica “EMPRESTIMOS CONCEDIDOS AGROPECUÁRIA QUATRO A LTDA” em janeiro/2008, não ocorrerá o APD no mês, pois haverá sobras da ordem de R$ 1.050.503,78. Também não ocorre o APD em fevereiro/2008, pois ao transportar o saldo positivo de janeiro/2008 (R$ 1.050.503,78) este é suficiente para cobrir o APD detectado pela fiscalização, que foi da ordem de R$ 830.209,92. Nestes termos, merece prosperar o Recurso Voluntário. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por DAR PROVIMENTO do Recurso Voluntário, nos termos do voto em epígrafe. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator Fl. 3646DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.004988/2007-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CRÉDITO PRESUMIDO.
A legislação que permite pedido de ressarcimento ou compensação dos créditos presumidos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, estipula termos a quo para a sua realização. Impossível a retroatividade para pedidos realizados anteriormente à vigência daquela própria legislação, por violação aos termos por ela estipulados.
Numero da decisão: 9303-007.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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A legislação que permite pedido de ressarcimento ou compensação dos créditos presumidos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, estipula termos a quo para a sua realização. Impossível a retroatividade para pedidos realizados anteriormente à vigência daquela própria legislação, por violação aos termos por ela estipulados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 49 88 /2 00 7- 54 Fl. 1448DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento/restituição, efetuado em 27/04/2007, às efls. 02 a 05 e 1077 a 1080, pelo qual a contribuinte pretende reaver valores de Cofins de incidência não cumulativa na exportação, do 2º trimestre de 2006, no montante de R$ 2.750.240,52. O DRF de Foz do Iguaçu, no despacho decisório de efls. 1220 a 1226, em 28/07/2008, reconheceu em parte o direito creditório, no montante de R$ 1.869.528,00 e deferiu os pedidos de ressarcimento até o limite do crédito reconhecido. Irresignada, em 22/12/2008, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às efls. 1318 a 1342. A 3ª Turma da DRJ/CTA, apreciou a manifestação em 19/05/2010, e no acórdão nº 0626.659, às efls. 1345 a 1351, considerou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório em litígio. Ainda inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, às efls. 1356 a 1370, em 08/06/2010. Naquela peça argumentou, em resumo: a) é incorreta a interpretação do fisco, no ADI SRF 015/2005 de que o crédito presumido, como benefício ao exportador, tem sua existência vinculada ao art. 8º da Lei nº 10.925/2004, podendo apenas ser utilizado para compensação com a própria Cofins, pois as disposições constitucionais e o arcabouço normativo vigente ainda permitem o direito ao ressarcimento além da compensação desses créditos; b) o STF já se posicionou quanto à inconstitucionalidade da vedação da tomada desses créditos; e c) há violação ao princípio da isonomia entre contribuintes exportadores e aqueles dedicados ao mercado interno quanto à utilização desses créditos presumidos. A 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento apreciou o recurso na sessão de 24/04/2013, resultando no acórdão de nº 3102001.831, às e fls. 1372 a 1379, o qual teve a seguinte ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. NÃO CUMULATIVIDADE. FORMA DE UTILIZAÇÃO. PEDIDO REALIZADO ANTES DA LEI Nº 12.058/2009. O fato do pedido de ressarcimento ser realizado antes da lei nº 12.058/2009 não obsta o ressarcimento ou compensação do crédito com outros tributos ou contribuições administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O acórdão foi assim lavrado: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. A Procuradoria da Fazenda Nacional foi intimada do acórdão nº 3102 001.831 em 09/08/2013 (efl. 1381), e contra ele manejou embargos de declaração em 10/09/2013, às efls. 1382 a 1387. A Procuradora aponta contradição entre os fundamentos da decisão a decisão, assim como omissão. Fl. 1449DF CARF MF Processo nº 10945.004988/200754 Acórdão n.º 9303007.508 CSRFT3 Fl. 1.449 3 O Presidente da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, analisou os embargos no despacho de efls. 1390 a 1396, em 30/06/2016, negandolhe seguimento, Recurso especial da Fazenda Em 25/11/2016, foi dada ciência à Procuradoria da Fazenda Nacional (efl. 1397) do despacho de efls. 1390 a 1396 a qual interpôs recurso especial de divergência ao acórdão nº 3102001.831, em 12/12/2016, às efls. 1398 a 1417. A procuradora aponta divergência entre o acórdão a quo e os paradigmas de nº 3302000.597 e nº 3403003.166. No acórdão recorrido, entendeuse ser possível o ressarcimento ou compensação dos saldos dos créditos presumidos em discussão com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, em razão do advento da Lei nº 12.058/2009. Já nos paradigmas, aplicouse, corretamente, a legislação vigente no momento do encontro de contas, ou seja, da apresentação dos pedidos de compensação, não sendo aplicada a nova legislação aos casos concretos, pois as condições ali impostas para autorizar o ressarcimento e a compensação do referido crédito não foram verificadas, dado que os pleitos foram apresentados antes mesmo da publicação desses diplomas. Já no acórdão recorrido, O Presidente da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF apreciou o recurso especial de divergência da contribuinte em 16/03/2017, no despacho de e fls. 1419 a 1423, com base nos arts. 67 e 68 Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento. Contrarrazões da contribuinte A contribuinte teve ciência do acórdão 3102001.831 , do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho da sua admissibilidade de efls. 1419 a 1423, em 26/06/2017 (efl. 1426), tendo oferecido suas contrarrazões, em 04/07/2017 (efl. 1427), às efls. 1429 a 1445. Em seu contrarrazoado, resumidamente, refaz parte da argumentação de seu recurso voluntário no tocante a inaplicabilidade do ADI SRF nº 15/2005 e invoca a possibilidade de aplicação retroativa do art. 36 da Lei nº 12.058/2009, com base no art. 106 do CTN reforçada por entendimentos havidos em julgados do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência do Procurador é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e por isso dele conheço. Fl. 1450DF CARF MF 4 Com a vigência da Lei nº 10.925 de 23/07/2004, a partir de agosto daquele ano, a legislação deixa de possibilitar a compensação ou o ressarcimento de créditos presumidos de agroindústria de PIS ou Cofins de operações de exportação, podendo apenas servir para abater o PIS ou Cofins devido na sistemática da não cumulatividade. Ou seja, o valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925/2004, art. 8º, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS ou Cofins apurado no regime de incidência não cumulativa. O pedido de ressarcimento, aqui em litígio, foi efetuado em 27/04/2007, relativamente a créditos de 2006. Entendo que a legislação vigente à época, conforme interpretação do ADI SRF nº 15/2005, não permitia tal ressarcimento em face da lei acima citada. Tal entendimento, do ADI nº 15/2005, foi acatado no voto do acórdão a quo que argumentou inclusive sobre sua aceitação pelo STJ. Contudo, o relator do acórdão altera a solução para o caso em razão de legislação superveniente, a Lei nº 12.058 de 13/10/2009, a qual, em seu artigo 36, incisos I e II, com efeito a partir de novembro de 2009, possibilitava a compensação com quaisquer outros tributos, vencidos ou vincendos, administrados pelo RFB, ou ainda o ressarcimento em espécie, conforme abaixo se observa: Art. 36. O saldo de créditos presumidos apurados na forma do§ 3odo art. 8o da Lei no10.925, de 23 de julho de 2004, relativo aos bens classificados nos códigos 01.02, 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 da NCM, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria; II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 1o O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput deste artigo somente poderá ser efetuado: I relativamente aos créditos apurados nos anoscalendário de 2004 a 2007, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao de publicação desta Lei; II relativamente aos créditos apurados no anocalendário de 2008 e no período compreendido entre janeiro de 2009 e o mês de publicação desta Lei, a partir de 1o de janeiro de 2010. § 2o O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos§§ 8ºe 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e§§ 8ºe9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 1451DF CARF MF Processo nº 10945.004988/200754 Acórdão n.º 9303007.508 CSRFT3 Fl. 1.450 5 Já a contribuinte em contrarrazões, invocando o alcance retroativo das leis, com base no art. 106 do CTN, adiciona mais um argumento, decorrente agora da Lei nº 12.350 de 20/12/2010, em seus artigos 56A e 56B, os quais abaixo transcrevo: Art. 56A. O saldo de créditos presumidos apurados a partir do anocalendário de 2006 na forma do § 3o do art. 8o da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes na data de publicação desta Lei, poderá:(Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). I ser compensado com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria;(Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). § 1o O pedido de ressarcimento ou de compensação dos créditos presumidos de que trata o caput somente poderá ser efetuado:(Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). I relativamente aos créditos apurados nos anoscalendário de 2006 a 2008, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao da publicação desta Lei;(Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). II relativamente aos créditos apurados no anocalendário de 2009 e no período compreendido entre janeiro de 2010 e o mês de publicação desta Lei, a partir de 1o de janeiro de 2012.(Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). § 2o O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8o e 9odo art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.(Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Art. 56B. A pessoa jurídica, inclusive cooperativa, que até o final de cada trimestrecalendário, não conseguir utilizar os créditos presumidos apurados na forma do inciso II do § 3o do art. 8o da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, poderá:(Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). I efetuar sua compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria;(Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). II solicitar seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Parágrafo único. O disposto no caput aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita auferida com a venda Fl. 1452DF CARF MF 6 no mercado interno ou com a exportação de farelo de soja classificado na posição 23.04 da NCM, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8o e 9o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.(Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Assim, a questão em discussão neste recurso especial de divergência, prende se apenas à aplicação das normas acima transcritas. Primeiramente, saliento que a Lei nº 10.925/2010, foi trazida como reforço em sede de contrarrazões pela contribuinte, haja vista que não fazia parte nem do acórdão recorrido nem do recurso especial da Procuradora. Grifei nas normas transcritas o que me parece essencial para evidenciar a razão do meu posicionamento, e este é simples: tanto o § 1º do art. 36 da Lei nº 12.058/2009, quanto o § 1º do art. 56A da Lei nº 12.350, de redações idênticas, contém a palavra "somente", que sublinhei e esta alcança os dois incisos de cada um daqueles parágrafos. Assim, somente a partir do momento apontado pelos incisos, os respectivos créditos dos anos indicados em cada um deles poderia ser compensado. § 1o O pedido de ressarcimento... dos créditos presumidos... de que trata o caput... somente poderá ser efetuado: I ... a partir do primeiro dia do mês subsequente ao da publicação desta Lei; Logo, não há como fazer a norma retroagir em relação aos pedidos feitos anteriormente a ela quando especificamente faz remissões não só ao créditos, mas também ao momento para a execução dos pedidos. Ao mesmo tempo que amplia as possibilidades para aproveitamento dos créditos, estipula termo a quo para a realização dos pedidos. No caso concreto, entendo que a retroação implicaria violação da própria lei. Assim, pela literalidade da lei, e por razões de lógica, só podem ser aceitos os pedidos posteriores à sua vigência. Já o art. 56B, invocado pela contribuinte, não tem qualquer relação com o processo, pois seria aplicável somente a custos ou despesas vinculados com a venda de farelo de soja e a contribuinte não indicou quaisquer vendas desse produto em sua argumentação e nos autos, não conseguimos encontrar qualquer registro de venda que não se prenda a produtos de origem animal no trimestre. Dessarte, entendo que em face da literalidade da lei, não se pode acatar o pedido de ressarcimento da contribuinte e por isso deve ser mantida a decisão de piso da DRJ. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1453DF CARF MF Processo nº 10945.004988/200754 Acórdão n.º 9303007.508 CSRFT3 Fl. 1.451 7 Fl. 1454DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13826.000170/2005-45
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
COFINS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO.
Aplica-se à cooperativa de crédito a legislação da COFINS relativa às instituições financeiras. Irrelevante, portanto, a distinção entre atos cooperativos e não cooperativos.
Nos termos da Lei n° 9.718/98 e da Medida Provisória n° 1.807, de 28/01/1999, atual MP n° 2.158-35/2001, a partir de fevereiro de 1999 as cooperativas de credito, na condição de instituição financeira, passaram a recolher a COFINS sobre o faturamento ou receita operacional, com as deduções especificas estabelecidas na leis 9.701 e 9.718, de 1998.
Recurso Especial do contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-007.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Julgamento iniciado na reunião de 09/2018 e concluído na sessão de 16/10/2018.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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COOPERATIVAS DE CRÉDITO. Aplicase à cooperativa de crédito a legislação da COFINS relativa às instituições financeiras. Irrelevante, portanto, a distinção entre atos cooperativos e não cooperativos. Nos termos da Lei n° 9.718/98 e da Medida Provisória n° 1.807, de 28/01/1999, atual MP n° 2.15835/2001, a partir de fevereiro de 1999 as cooperativas de credito, na condição de instituição financeira, passaram a recolher a COFINS sobre o faturamento ou receita operacional, com as deduções especificas estabelecidas na leis 9.701 e 9.718, de 1998. Recurso Especial do contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Julgamento iniciado na reunião de 09/2018 e concluído na sessão de 16/10/2018. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 6. 00 01 70 /2 00 5- 45 Fl. 890DF CARF MF Processo nº 13826.000170/200545 Acórdão n.º 9303007.490 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência do contribuinte (fls. 740/765), admitido pelo despacho de fls. 863/865, que se insurge contra o Acórdão 3102001.587 (fls. 719/726), de 21/08/2012, o qual negou provimento ao recurso voluntário, e cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 COFINS. COOPERATIVA DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA. Nos termos da Lei n° 9.718/98 e da Medida Provisória n° 1.807, de 28/01/1999, atual MP n° 2.15835/2001, a partir de fevereiro de 1999 as cooperativas de crédito, na condição de instituição financeira, passaram a recolher a COFINS sobre o faturamento ou receita operacional, com as deduções específicas estabelecidas na leis nº 9.701 e 9.718, de 1998. Recurso Voluntário Negado Em suma, alega que seu pedido de repetição de indébito (11/99 a 11/2004), cumulado com DCOMP, foi sobre as receitas decorrentes de atos cooperativos, sob o fundamento de que "as sociedades cooperativas de crédito, por praticarem somente atos cooperativos, gozam da não incidência da contribuição COFINS sobre suas operações, e, ao final, declarando o indébito tributário, e homologando as compensações realizadas." A Fazenda Nacional, em contrarrazões (fls. 867/874), pugna pelo improvimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso nos termos em que admitido, uma vez que os paradigmas envolviam mérito semelhante em relação à cooperativas de crédito. Assim, devolvido ao nosso conhecimento a questão quanto à tributação de receitas operacionais de entidades financeiras cooperativas. Fl. 891DF CARF MF Processo nº 13826.000170/200545 Acórdão n.º 9303007.490 CSRFT3 Fl. 4 3 A natureza das cooperativas de crédito tem matriz constitucional. E a redação antiga e a atual (dada pela EC 40/2003) do art. 192, deixam isso expresso: Art. 192. O sistema financeiro nacional, estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir aos interesses da coletividade, será regulado em lei complementar, que disporá, inclusive, sobre: VIII o funcionamento das cooperativas de crédito e os requisitos para que possam ter condições de operacionalidade e estruturação próprias das instituições financeiras. Redação dada pela EC 40/2003: "Art. 192. O sistema financeiro nacional, estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir aos interesses da coletividade, em todas as partes que o compõem, abrangendo as cooperativas de crédito, será regulado por leis complementares que disporão, inclusive, sobre a participação do capital estrangeiro nas instituições que o integram." Dúvida não resta, por conseguinte, que as cooperativas de crédito tem natureza de instituição financeira nos termos da Lei que regula o sistema financeiro nacional (Lei 4595/64), conforme dispõe seus art. 7º, I, 16, e arts. 17, § 1º do art. 18 e art. 40, abaixo transcritos: SEÇÃO IV Das instituições financeiras privadas Art. 7º Junto ao Conselho Monetário Nacional funcionarão as seguintes Comissões Consultivas: I Bancárias, constituída de representantes: ... 16 das Cooperativas que operam em crédito. Capítulo IV Das Instituições Financeiras Seção I Da caracterização e subordinação Art. 17. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros. Parágrafo único. Para os efeitos desta lei e da legislação em vigor, equiparamse às instituições financeiras as pessoas físicas que exerçam qualquer das atividades referidas neste artigo, de forma permanente ou eventual. Fl. 892DF CARF MF Processo nº 13826.000170/200545 Acórdão n.º 9303007.490 CSRFT3 Fl. 5 4 Art. 18. As instituições financeiras somente poderão funcionar no País mediante prévia autorização do Banco Central da República do Brasil ou decreto do Poder Executivo, quando forem estrangeiras. § 1º Além dos estabelecimentos bancários oficiais ou privados, das sociedades de crédito, financiamento e investimentos, das caixas econômicas e das cooperativas de crédito ou a seção de crédito das cooperativas que a tenham, também se subordinam às disposições e disciplina desta lei no que for aplicável, as bolsas de valores, companhias de seguros e de capitalização, as sociedades que efetuam distribuição de prêmios em imóveis, mercadorias ou dinheiro, mediante sorteio de títulos de sua emissão ou por qualquer forma, e as pessoas físicas ou jurídicas que exerçam, por conta própria ou de terceiros, atividade relacionada com a compra e venda de ações e outros quaisquer títulos, realizando nos mercados financeiros e de capitais operações ou serviços de natureza dos executados pelas instituições financeiras. Art. 40. As cooperativas de crédito não poderão conceder empréstimos senão a seus cooperados com mais de 30 dias de inscrição. Parágrafo único. Aplicase às seções de crédito das cooperativas, em qualquer tipo o disposto neste artigo.” Como toda instituição financeiras, seus atos são regulados pelo Banco Central do Brasil, em especial a Resolução CMN/BACEN nº 3.321, de 2005. De outro turno, as instituições financeiras, portanto as sociedades cooperativas de crédito, foram expressamente erigidas à condição de contribuinte por força do art. 72 do ADCT. "Art. 72. Integram o Fundo Social de Emergência: (Incluído pela Emenda Constitucional de Revisão 1/1994) III a parcela do produto da arrecadação resultante da elevação da alíquota da contribuição social sobre o lucro dos contribuintes a que se refere o § 1º do Art. 22 da Lei nº 8.212. de 24 de julho de 1991, a qual, nos exercícios financeiros de 1994 e 1995, bem assim no período de 1 2 de janeiro de 1996 a 30 de junho de 1997, passa a ser de trinta por cento, sujeita a alteração por lei ordinária, mantidas as demais normas da Lei n 2 7.689, de 15 de dezembro de 1988; (Redação dada pela Emenda Constitucional n2 10. de 1996) (..) V a parcela do produto da arrecadação da contribuição de que trata a Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, devida pelas pessoas jurídicas a que se refere o inciso III deste artigo, a qual será calculada, nos exercícios financeiros de 1994 a 1995, bem assim nos períodos de 1º de janeiro de 1996 a 30 de junho de 1997 e de 1º de julho de 1997 a 31 de dezembro de Fl. 893DF CARF MF Processo nº 13826.000170/200545 Acórdão n.º 9303007.490 CSRFT3 Fl. 6 5 1999, mediante a aplicação da alíquota de setenta e cinco centésimos por cento, sujeita a alteração por lei ordinária posterior, sobre a receita bruta operacional, como definida na legislação do imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 17, de 1997)" A norma constitucional prevê, assim, claramente a incidência do PIS sobre a receita operacional das pessoas jurídicas elencadas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8212/1991, dentre as quais figuram as cooperativas de crédito, tal como se lê abaixo: "Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada A Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... § 1º No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, e devida a contribuição adicional de 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por cento) sobre a base de cálculo definida no inciso I deste artigo. 11 O sujeito passivo, como nos vários casos em que me debrucei, restringese a vetusta alegação de que os atos cooperativos não são tributados, e ponto, como se todas as cooperativas tivessem a mesma natureza, independentemente de provar quais atos são e quais não são cooperativos. Mas não concordo com essa tese, pois assim como o legislador constituinte, também o ordinário delas tratou sua tributação de forma distinta das demais cooperativas. Portanto, a sociedade cooperativa de crédito é considerada instituição financeira. Resta analisar o que a legislação especifica quanto à contribuição para o PIS e Cofins das instituições financeiras, no período objeto do lançamento. A Lei 9.701 de 17.11.1998 assim estabeleceu em seu art. 1º: “Art. 1º Para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o inciso V do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, poderão efetuar as seguintes exclusões ou deduções da receita bruta operacional auferida no mês: (......)” Fl. 894DF CARF MF Processo nº 13826.000170/200545 Acórdão n.º 9303007.490 CSRFT3 Fl. 7 6 Em relação ao cálculo da contribuição em foco, a MP nº 1617/1997 e reedições, convertidas na Lei nº 9.701/1998, por seu turno, estabeleceu as seguintes exclusões: Art. 1º. Para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o inciso V do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, as pessoas jurídicas referidas no § 1 2 do art. 22 da Lei n 2 8.212, de 24 de julho de 1991, poderão efetuar as seguintes exclusões ou deduções da receita bruta operacional auferida no mês: I reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como prejuízo, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio liquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; II valores correspondentes a diferenças positivas decorrentes de variações nos ativos objetos dos contratos, no caso de operações de "swap" ainda não liquidadas; III no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de credito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas de captação em operações realizadas no mercado interfinanceiro, inclusive com títulos públicos; b) encargos com obrigações por refinanciamentos, empréstimos e repasses de recursos de órgãos e instituições oficiais; c) despesas de câmbio; d) despesas de arrendamento mercantil, restritas a empresas e instituições arrendadoras; e) despesas de operações especiais por conta e ordem do Tesouro Nacional As normas do ordenamento jurídico anterior, que estabeleciam a incidência do PIS na alíquota de 1 % sobre a folha de salários (atos praticados com associados) e na alíquota de 0,65 % da receita operacional bruta (atos praticados com nãoassociados), tornaramse inaplicáveis no período de vigência das regras estabelecidas pelo Fundo Social de Emergência. Como se observa, com a promulgação das Emendas Constitucionais nº 01/1994, 10/1996 e 17/1997, o legislador deliberou criar o Fundo Social de Emergência, uma situação atípica e contingencial, como o próprio nome diz, estabelecendo, em caráter temporário, a incidência do PIS sobre a receita bruta operacional das cooperativas de crédito e demais instituições financeiras. Dessa forma, a legislação anterior não foi recepcionada pelas Fl. 895DF CARF MF Processo nº 13826.000170/200545 Acórdão n.º 9303007.490 CSRFT3 Fl. 8 7 novas regras constitucionais, por incompatível com as alterações promovidas pelas Emendas Constitucionais n° 01, de 1994, 10, de 1996 e 17, de 1997. Desse modo, no tocante às cooperativas de crédito, a ECR n° 01, de 1994 instituiu, para os fatos geradores ocorridos a partir de julho de 1994, a incidência do PIS na alíquota de 0,75 % da receita bruta operacional, revogando, de forma tácita, durante a vigência do Fundo Social de Emergência, a incidência do PIS sobre a folha de salários na alíquota de 1%, estabelecida pela legislação anterior. Essa alteração foi ratificada com a publicação da MP n° 1.212, de 28 de novembro de 1995, que, ao estabelecer as hipóteses de incidência do PIS para as pessoas jurídicas em geral, excluiu expressamente de seu alcance, em seu art. 12, as instituições financeiras (aí incluídas as cooperativas de crédito), remetendoas à legislação específica (EC n°01/94): Art. 12. O disposto nesta Medida Provisória não se aplica às pessoas jurídicas de que trata o § 1º do art. 22 da Lei n°8.212, de 24 de julho de 1991, que para fins de determinação da contribuição para o PIS/PASEP observarão legislação específica. A citada MP nº 1.212, de 1995, editada em consequência da suspensão pelo Senado Federal dos Decretoslei nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, foi reeditada sucessivamente até sua conversão na Lei nº 9.715, de 1998. De sua feita, as cooperativas de crédito, assim como as demais instituições financeiras estavam isentas de COFINS, nos moldes do art. 6º da LC 70/91. Entretanto, o conceito de faturamento foi alterado a partir da vigência da Lei nº 9.718/1998, ampliando o campo de incidência do PIS/PASEP e da Cofins. De acordo com os arts. 2° e 3° da Lei 9.718/99, abaixo transcrito, o conceito de receita bruta passou a englobar a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada. Assim, a partir de 01/02/1999, a base de cálculo dessas contribuições passou a ser a totalidade das receitas auferidas, independentemente desta ser oriunda de ato cooperativo, sendo, contudo, permitidas algumas exclusões e deduções (§ 2 do art. 3°). Vejase o teor das referidas normas; Art 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COF1NS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art.3° Q faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. ... § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no §1 2 do art. 22 da Lei n2 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, Fl. 896DF CARF MF Processo nº 13826.000170/200545 Acórdão n.º 9303007.490 CSRFT3 Fl. 9 8 para os efeitos da COF1NS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6°1 Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1° do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no parágrafo anterior, poderão excluir ou deduzir: 1 no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operação de hedge; Acrescentese que, no caso específico das sociedades cooperativas de crédito, e demais instituições financeiras, há autorização para dedução de outros valores da receita bruta mensal para a determinação a base de cálculo das contribuições (§ 5° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998), que está regulamentado pelos artigos 10 e 26 do Decreto n°4.524, de 17 de dezembro de 2002. Assim, em virtude das alterações introduzidas pela Lei nº 9.718/1998, na apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins, as Sociedades Cooperativas de Crédito passaram a recolher as citadas contribuições sobre a sua receita bruta, independentemente de ser oriunda de ato cooperativo ou não cooperativo. Donde conclui se que a sociedade cooperativa de crédito, na condição de instituição financeira, é contribuinte da contribuição para o PIS e da Cofins, nos moldes determinados expressamente pela legislação referenciada. Portanto, resta prejudicada a análise quanto a não tributação sobre os atos cooperativos. Na verdade, é irrelevante para as sociedades cooperativas de crédito, a distinção entre atos cooperativos e não cooperativos, para fins de tributação do PIS/COFINS, face a legislação vigente. E o entendimento ora esposado não dissente da antiga jurisprudência desta Turma. 1 A MP 1807, de 29/01/1999, que alterou a legislação do PIS/COFINS reduziu a alíquota da contribuição para 0,65% e acrescentou o § 6º ao art. 3º da Lei 9.718/98. Fl. 897DF CARF MF Processo nº 13826.000170/200545 Acórdão n.º 9303007.490 CSRFT3 Fl. 10 9 Acórdão nº 9303003.270 COFINS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. PERÍODOS DE APURAÇÃO A PARTIR DE FEVEREIRO DE 1999. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. INCIDÊNCIA. EXCLUSÕES NA BASE DE CÁLCULO. A isenção da COFINS relativa às cooperativas de crédito, concedida pelo parágrafo único do art. 11 da Lei Complementar nº 70/91, foi revogada tacitamente pela Lei nº 9.718/98, com efeitos a partir de fevereiro de 1999, mês a partir do qual Contribuição passou a incidir sobre o faturamento ou receita bruta definido pelo art. 3º da referida Lei, com as deduções específicas estabelecidas no § 6º desse artigo. Nos termos da Lei nº 10.676/2003, também poderão ser deduzidas da base de cálculo, a partir de novembro de 1999, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, limitadas ao valor destinado para a constituição do Fundo de Reserva (FATES) e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (RATES), previstos no art. 28 da Lei nº 5.764/71. Recurso Especial do Contribuinte Negado. (Redator Conselheiro Henrique Pinheiro Torres j. 04/02/2015) Frente ao exposto, máxima vênia, divirjo do eminente Conselheiro Demes Brito, que no Acórdão 9303005.786, de 20/09/2017, aplicou à sociedade cooperativa naqueles autos (PA 01/01/2002 a 31/12/2004) o entendimento expresso nos Recursos Especiais 1.164.716 e 1.141.667, julgados sob o rito dos recursos repetitivos. Com o devido respeito, entendo que eles não se aplicam tratandose de sociedade cooperativa de crédito, mormente no período objeto da exação. Ressaltese que o STF no RE 599.362RJ, no rito de repercussão geral, manifestouse sobre a possibilidade de tributação dos atos cooperativos em relação às contribuições sociais, embora o caso em si verse sobre cooperativas de trabalho. Transcrevo a ementa desse julgado: Recurso extraordinário. Repercussão geral. Artigo 146, III, c, da Constituição Federal. Adequado tratamento tributário. Inexistência de imunidade ou de não incidência com relação ao ato cooperativo. Lei nº 5.764/71. Recepção como lei ordinária. PIS/PASEP. Incidência. MP nº 2.15835/ 2001. Afronta ao princípio da isonomia. Inexistência. 1. O adequado tratamento tributário referido no art. 146, III, c, CF é dirigido ao ato cooperativo. A norma constitucional concerne à tributação do ato cooperativo, e não aos tributos dos quais as cooperativas possam vir a ser contribuintes. 2. O art. 146, III, c, CF pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo ao dispor que a lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. O texto constitucional a ele não garante imunidade ou mesmo não incidência de tributos, tampouco decorre diretamente da Constituição direito subjetivo das cooperativas à isenção. Fl. 898DF CARF MF Processo nº 13826.000170/200545 Acórdão n.º 9303007.490 CSRFT3 Fl. 11 10 3. A definição do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo se insere na órbita da opção política do legislador. Até que sobrevenha a lei complementar que definirá esse adequado tratamento, a legislação ordinária relativa a cada espécie tributária deve, com relação a ele, garantir a neutralidade e a transparência, evitando tratamento gravoso ou prejudicial ao ato cooperativo e respeitando, ademais, as peculiaridades das cooperativas com relação às demais sociedades de pessoas e de capitais. 4. A Lei nº 5.764/71 foi recepcionada pela Constituição de 1988 com natureza de lei ordinária e o seu art. 79 apenas define o que é ato cooperativo, sem nada referir quanto ao regime de tributação. Se essa definição repercutirá ou não na materialidade de cada espécie tributária, só a análise da subsunção do fato na norma de incidência específica, em cada caso concreto, dirá. 5. Na hipótese dos autos, a cooperativa de trabalho, na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores associados. 6. Cooperativa é pessoa jurídica que, nas suas relações com terceiros, tem faturamento, constituindo seus resultados positivos receita tributável. 7. Não se pode inferir, no que tange ao financiamento da seguridade social, que tinha o constituinte a intenção de conferir às cooperativas de trabalho tratamento tributário privilegiado, uma vez que está expressamente consignado na Constituição que a seguridade social “será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei” (art. 195, caput, da CF/88). 8. Inexiste ofensa ao postulado da isonomia na sistemática de créditos conferida pelo art. 15 da Medida Provisória 2.15835/ 2001. Eventual insuficiência de normas concedendo exclusões e deduções de receitas da base de cálculo da contribuição ao PIS não pode ser tida como violadora do mínimo garantido pelo texto constitucional. 9. É possível, senão necessário, estabeleceremse diferenciações entre as cooperativas, de acordo com as características de cada segmento do cooperativismo e com a maior ou a menor necessidade de fomento dessa ou daquela atividade econômica. O que não se admite são as diferenciações arbitrárias, o que não ocorreu no caso concreto. 10. Recurso extraordinário ao qual o Supremo Tribunal Federal dá provimento para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração Fl. 899DF CARF MF Processo nº 13826.000170/200545 Acórdão n.º 9303007.490 CSRFT3 Fl. 12 11 Esse julgamento do STF ocorreu em 06/11/2014, e, de forma hialina, assentou que não é inconstitucional tributar ato cooperativo. Os repetitivos a que aludiu o i. Conselheiro Demes Brito, que fiz menção alhures, concluiu que os atos cooperativos típicos, mais especificamente aqueles submetidos ao julgamento, não poderiam ser tributados porque na hipótese seria caso de não incidência tributária por força de lei. Observo que no RE 1164716 MG, o caso tratavase da "Cooperativa dos Instrutores de Formação Profissional e Promoção Social Rural Ltda COOPIFOR", e no RE 1141667 a parte era "Cooperativa dos Citricultores Ecológicos do Vale do Caé Ltda ECOCITRUS". O tipo dessas cooperativas em nada se assemelham a uma cooperativa de crédito, pois sabemos que estas últimas tem toda uma regulamentação diferenciada, inclusive em nível de Constituição Federal, bem como em nível infraconstitucional regramento e fiscalização como instituição financeira pelo Banco Central. Em pesquisa ao sítio do STJ, reparei existirem algumas decisões proferidas após esses repetitivos. Na pesquisa de jurisprudência de repetitivos no sítio do STJ tem um link com o seguinte título "Acórdãos posteriores ao Repetitivo". Nessa pesquisa depareime com o seguinte julgado: AgInt nos EDcl no RE nos EDcl no AgRg no REsp 686511 / RS, julgado em 29/06/2018: AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. ATO COOPERATIVO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. TEMAS 516 E 536/STF. SOBRESTAMENTO. 1. A agravante entende que a hipótese dos autos não se amolda ao precedente afetado à sistemática de repercussão geral, por entender que o Tema 516/STF aborda apenas atos das cooperativas de trabalho, enquanto, na hipótese, trata de "cooperativa de crédito". 2. Contudo, conforme consignado quando do julgamento dos embargos de declaração, não se pode inferir do Tema 516/STF que sua aplicabilidade se restringe às cooperativas de trabalho, pois o acórdão que afetou o tema fala de "valores recebidos pelas cooperativas", sem nenhuma mitigação. 3. Aliás, quanto ao tema da incidência de contribuições sociais sobre as atividades das cooperativas, há, em verdade, dois precedentes afetados. 4. O Plenário do STF reconheceu a existência de repercussão geral no RE 672.215RG/CE, oportunidade em que será decidida a questão da "incidência de COFINS, PIS e CSLL sobre o produto de ato cooperado ou cooperativo" (Tema 536/STF), e no RE 597.315RG/RJ, ocasião em que será solucionada a "Sujeição passiva das cooperativas à contribuição para o financiamento da seguridade social COFINS" (Tema 516/STF), controvérsias que se assemelham ao presente caso. Fl. 900DF CARF MF Processo nº 13826.000170/200545 Acórdão n.º 9303007.490 CSRFT3 Fl. 13 12 5. A incidência dos referidos temas às cooperativas de crédito é referendado por precedentes do STF: RE 965.113 EDAgR, Rel. Min. Dias Toffoli, Segunda Turma, julgado em 6/10/2017, publicado em 31/10/2017; RE 594.695 AgRAgR, Rel. Min. Marco Aurélio, Primeira Turma, julgado em 5/5/2015, publicado em 25/5/2015). 6. "Destacase que no referido tema 536, o Pleno da Corte voltará a analisar, em sede de repercussão geral, a matéria da tributação das cooperativas em geral, considerados os conceitos constitucionais de 'ato cooperativo', 'receita de atividade cooperativa' e 'cooperado'" (RE 1.082.173, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 27/10/2017, publicado em 6/11/2017.). 7. Inexiste, portanto a alegada restrição do entendimento a outras cooperativas que não sejam as de crédito. 8. A toda evidência, o único equívoco da decisão agravada é quando determina o sobrestamento apenas pelo Tema 516, quando o correto é o sobrestamento por ambos os temas (516 e 536). Agravo interno improvido. Assim, o que se constata é que quando a discussão que chega ao STJ é sobre a tributação de Cooperativas de Crédito, aquela Corte está sobrestando os processos para aguardar o que o STF vai decidir no julgamento dos temas 516 e 536. Ou seja, não estão aplicando o que decidiram nos repetitivos aos quais o Dr. Demes Brito se reporta quando a cooperativa seja de crédito. Portanto, não há qualquer vinculação aos repetitivos nos Recursos Especiais 1.164.716 e 1.141.667 em se tratando de cooperativas de crédito. Dessarte, deve ser mantido o aresto recorrido. DISPOSITIVO Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 901DF CARF MF Processo nº 13826.000170/200545 Acórdão n.º 9303007.490 CSRFT3 Fl. 14 13 Fl. 902DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.905889/2008-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001
EMENTA
COFINS. NORMA DE EFICÁCIA CONTIDA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. A norma inserida no artigo 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98 (revogada posteriormente pela Medida Provisória nº 1991-18/2000), previa que a exclusão de crédito tributário estava vinculada a edição de norma regulamentadora pelo Executivo. Embora vigente, tal exclusão não teve eficácia no mundo jurídico, uma vez não editado o decreto regulamentador. Em decorrência da ausência de regulamentação, não há de se reconhecer direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de COFINS. Precedentes: STJ-AgRg no REsp 1132743/RS, CARF-Acórdão 202-18928, proferido pela Segunda Câmara do Segundo Conselho, em 09.04.2008, nos autos do processo nº 13821.000005/2003-71; e CARF-Acórdão 203-08986, proferido pela Terceira Câmara do Segundo Conselho, em 11.06.2003, nos autos do processo nº 13520.000068/2002-31.
Numero da decisão: 3001-000.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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Recorrente MÁQUINAS BECKER LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2001 EMENTA COFINS. NORMA DE EFICÁCIA CONTIDA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. A norma inserida no artigo 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98 (revogada posteriormente pela Medida Provisória nº 199118/2000), previa que a exclusão de crédito tributário estava vinculada a edição de norma regulamentadora pelo Executivo. Embora vigente, tal exclusão não teve eficácia no mundo jurídico, uma vez não editado o decreto regulamentador. Em decorrência da ausência de regulamentação, não há de se reconhecer direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de COFINS. Precedentes: STJAgRg no REsp 1132743/RS, CARFAcórdão 20218928, proferido pela Segunda Câmara do Segundo Conselho, em 09.04.2008, nos autos do processo nº 13821.000005/200371; e CARFAcórdão 20308986, proferido pela Terceira Câmara do Segundo Conselho, em 11.06.2003, nos autos do processo nº 13520.000068/200231. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 58 89 /2 00 8- 41 Fl. 66DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório O Contribuinte, Máquinas Becker Ltda., apresentou Pedido de Ressarcimento ou Restituição, acompanhado de Declaração de Compensação, pelo recolhimento a maior a título de COFINS, visto que não observou a alteração da base de cálculo. Por meio de Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRFB Porto Alegre não homologou a compensação declarada, por ausência de direito creditório oponível ao Fisco. Na Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte reafirma o direito de compensação. Para tanto, alega que efetuou pagamento de valores devidos a título de PIS e Cofins com a utilização de base de cálculo errônea, utilizando forma de cálculo diversa da disposta na Lei n° 9.718/1998. Afirma, ainda, que deixou de implementar as deduções previstas no art. 3°, § 2° da Lei n° 9.718/1998, especialmente aquela prevista no inciso III do § 2° do art.3° da referida norma, deixando de excluir da base de cálculo da contribuição valores repassados a terceiros. No julgamento da Manifestação de Inconformidade, em sessão realizada em 09 de janeiro de 2009, a 2ª Turma da DRJ/POA não homologou a compensação, cujo fundamento central está retratado no seguinte excerto das razões do voto formulado pelo Relator (fls. 34), a saber: Dessa forma, é de se negar provimento à pretensão da impugnante de conferir eficácia ao dispositivo legal que, não tendo o atributo da autoexecutoriedade, foi revogado pela Medida Provisória n° 1.99118, de 2000, não produzindo efeitos no curso de sua vigência, por não ter sido regulamentado pelo Poder Executivo. Regularmente intimado da decisão de 1ª instância, conforme AR recebido no dia 29.01.2009, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, em 10.02.2009. Alega, síntese, que “as contribuições ao PIS e COFINS incidiam sobre o faturamento das empresas. Esta situação perdurou até o advento da Lei 9.718/98, que perfectibilizou profundas alterações na natureza jurídica das referidas contribuições, especialmente no que diz respeito às suas bases de cálculo. Esta nova norma, que revogou parte das Leis Complementares 07/70 e 70/91 elegeu como base imponível das contribuições a receita bruta das empresas, que foi equiparada ao faturamento para fins de incidência dos tributos” (fls. 40). É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 67DF CARF MF Processo nº 11065.905889/200841 Acórdão n.º 3001000.571 S3C0T1 Fl. 3 3 Conforme relatado, tratase de recurso voluntário interposto por MÁQUINAS BECKER LTDA em face de Acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/POA. Regularmente intimado da decisão de 1ª instância, conforme AR recebido no dia 29.01.2009, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, em 10.02.2009, subscrito por procurador habilitado, e atendidos os demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão n° 3001000.563, de 20 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 11065.905879/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Nos termos regimentais, transcrevese aqui os argumentos que fundamentaram mencionada Resolução que determinou o retorno à DRJ recorrida, quanto segue. Em síntese, a 1ª Instância não homologou o pedido de compensação por dois fundamentos distintos: (i) ressaltou que não consta dos autos documentação comprobatória do crédito alegado; e, (ii) a alteração da base de cálculo da contribuição de que trata o art. 2º da Lei 9.718/1998 estava com a eficácia condicionada à regulamentação pelo Poder Executivo, para fins de exclusão dos valores transferidos a outras pessoas jurídicas da base de cálculo da contribuição. No Recurso Voluntário, quanto ao primeiro aspecto, o Contribuinte assinala que “os Darfs e planilhas anexadas ao processo administrativo comprovam a existência de crédito”. No que tange ao outro fundamento, conforme já relatado, assevera que: “As contribuições ao PIS e COFINS incidiam sobre o faturamento das empresas. Esta situação perdurou até o advento da Lei 9.718/98, que perfectibilizou profundas alterações na natureza jurídica das referidas contribuições, especialmente no que diz respeito às suas bases de cálculo. Esta nova norma, que revogou parte das Leis Complementares 07/70 e 70/91 elegeu como base imponível das contribuições a receita bruta das empresas, que foi equiparada ao faturamento para fins de incidência dos tributos. (...) A leitura do dispositivo legal em comento permite concluir com absoluta clareza, que para obter a base de cálculo das referidas contribuições se faz necessário seguir os passos do artigo 3º e parágrafos da norma, que podem ser resumidos para fins didáticos em dois momentos: 1° Apurar a totalidade da receita auferida pela empresa (art. 3º. § l°); 2° Efetuar as deduções previstas nos incisos I, II, III e IV do parágrafo 2° da Lei 9.718/98, onde destacase as exclusões de todas as receitas tidas como próprias e transferidas para outras pessoas jurídicas (inciso III). A controvérsia que origina a presente demanda decorre do fato da Recorrente pretender cobrar o tributo com base na totalidade das receitas, sem permitir as deduções previstas na Lei. Afirmam os Agentes do fisco que a aplicação do inciso III é impossível, visto que não foram editadas as normas regulamentadoras previstas no texto legal. Ora, nenhuma norma regulamentadora pode dispor sobre a base de cálculo das contribuições, visto que esta matéria é reservada à lei, não podendo ser tratada por regulamentos”. Fl. 68DF CARF MF 4 Conquanto a controvérsia tenha motivado acalorados debates a partir da publicação da suposta alteração da base de cálculo da contribuição, já há muito se pacificou entendimento de que a aplicação das deduções dependia de regulamentação, via decreto, pelo Poder Executivo, o que não ocorreu. Nesse sentido trilha a jurisprudência, em âmbito judicial, representada por acórdão proferido pela Primeira Turma do STJ, nos autos do AgRg no REsp 1132743/RS, em que atuou, como Relator, o Ministro LUIZ FUX, em julgamento ocorrido em 16.12.2010, publicado no DJe 21.02.2011, cujos trechos que interessam ao presente caso seguem abaixoreproduzidos: 'PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS/COFINS. COMPENSAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. (RECURSO REPETITIVO RESP 1.002.932SP). PIS E COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE RECEITAS TRANSFERIDAS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. LEI N.º 9.718/91, ART. 3º, § 2º, III. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. 1. As normas jurídicotributárias admitem a dicotomia entre as cognominadas leis de eficácia limitada ou condicionada. Consoante a doutrina do tema, "as normas de eficácia limitada são de aplicabilidade indireta, mediata e reduzida, porque somente incidem totalmente sobre esses interesses após uma normatividade ulterior que lhes desenvolva a eficácia.". Isto porque, "não revestem dos meios de ação essenciais ao seu exercício os direitos, que outorgam, ou os encargos, que impõem: estabelecem competências, atribuições, poderes, cujo uso tem de aguardar que a Legislatura, segundo o seu critério, os habilite a se exercerem". 2. A lei 9.718/91, art. 3º, § 2º, III, optou por delegar ao Poder Executivo a missão de regulamentar a aplicabilidade desta norma. Destarte, o Poder Executivo, competente para a expedição do respectivo decreto, quedouse inerte, sendo certo que, exercendo sua atividade legislativa constitucional, houve por bem retirar a referida disposição do universo jurídico, através da Medida Provisória 199118/2000, numa manifestação inequívoca de aferição de sua inconveniência tributária. 3. Conquanto o art. 3º, § 2º, III, da Lei supracitada tenha ostentado vigência, careceu de eficácia, ante a ausência de sua imprescindível regulamentação. Assim, é cediço na Turma que "se o comando legal inserto no artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 previa que a exclusão de crédito tributário ali prevista dependia de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, é certo que, embora vigente, não teve eficácia no mundo jurídico, já que não editado o decreto regulamentador, a citada norma foi expressamente revogada com a edição de MP 199118/2000". 4. Deveras, é lícito ao legislador, ao outorgar qualquer benefício tributário, condicionar o seu gozo. Tendo o legislador optado Fl. 69DF CARF MF Processo nº 11065.905889/200841 Acórdão n.º 3001000.571 S3C0T1 Fl. 4 5 por delegar ao Poder Executivo a tarefa de estabelecer os contornos da isenção concedida, também essa decisão encontra amparo na sua autonomia legislativa. 5. Conseqüentemente, "não comete violação ao artigo 97, IV, do Código Tributário Nacional o decisório que em decorrência deste fato, não reconhece o direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de contribuição para o PIS e a COFINS. "In casu", o legislador não pretendeu a aplicação imediata e genérica da lei, sem que lhe fossem dados outros contornos como pretende a recorrente, caso contrário, não teria limitado seu poder de abrangência." 6. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva.' Nessa mesma linha, vejamos como vem caminhando a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, verbis. 'Ementa: COFINS. NORMA DE EFICÁCIA CONTIDA. Se o comando legal inserto no artigo 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98, revogada posteriormente pela edição da MP 199118/2000, previa que a exclusão de crédito tributário ali prevista dependia de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, é certo que, embora vigente, não teve eficácia no mundo jurídico, já que não editado o decreto regulamentador. Em decorrência deste fato, não há de se reconhecer direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de COFINS. Precedente do STJ – Recurso Especial nº 445.452 RS Nº 2002∕00836607 ( Processo: 19515.002905/200301 Nº Acórdão Nº 20310404, proferido em 13.09.2005).' No mesmo sentido, citamse ainda os acórdãos: (a) 20218928, proferido pela Segunda Câmara do Segundo Conselho, em 09.04.2008, nos autos do processo nº 13821.000005/200371; e, (b) 20308986, proferido pela Terceira Câmara do Segundo Conselho, em 11.06.2003, nos autos do processo nº 13520.000068/200231. Desta forma, voto no sentido de tomar conhecimento para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do congtribuinte. Diante da decisão paradigma proferida nos autos do processo número 11065.905879/200813, em que figura a mesma Recorrente, MÁQUINAS BECKER LTDA., conforme Acórdão nº 3001000.563, de 20.11.2018, aplicável ao presente processo em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, também nesta oportunidade VOTO no sentido de conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. (assinado digitalmente) Fl. 70DF CARF MF 6 Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante – Relator. Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
