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Numero do processo: 10540.001064/2007-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 28/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 28/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. RELATÓRIO Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Fortaleza: Cuidase de autuação fiscal, com base no art. 3º, parágrafo único, do Decretolei nº 399/1968, na redação dada pela Lei nº 10.833/2003, pela não observância das medidas de controle fiscal, devido à posse, por Valdívio Aragão Pires, de 80.250 maços de cigarros de procedência estrangeira, desacompanhados de documentação fiscal, apreendidos pela Polícia Rodoviária Federal em Vitória da Conquista após vistoria no ÔNIBUS, marca SCANIA, modelo K112 33S, com RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 40 .0 01 06 4/ 20 07 -5 9 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10540.001064/200759 Resolução nº 3302000.367 S3C3T2 Fl. 168 2 placa nacional ADC6993/ BA, chassi 9BSKC4X2ZG3455046, ano de fabricação 1987, código RENAVAM 520316436, de cor predominantemente CINZA e entregue à Delegacia da Receita Federal em Vitória da Conquista/BA, em 19/11/2004. O veículo em questão estava registrado em nome da pessoa jurídica WASHINGTUR VIAGENS E EXCURSÕES LTDA, CNPJ n° 03.750.622/000125. No intuito de preservar os interesses da Fazenda Nacional, e buscando esclarecer e determinar o responsável pela infração constatada, foram lavrados, contra o suposto proprietário do veículo transportador, TERMO DE RETENÇÃO FISCAL, MANDADO PROCEDIMENTO FISCAL DILIGÊNCIA e, TERMO DE CONSTATAÇÃO E DE INTIMAÇÃO FISCAL. Através dos documentos citados, permitiuse ao contribuinte apresentar documentos hábeis comprobatórios da aquisição e importação regular das mercadorias transportadas, bem como abriuse prazo para prestação de esclarecimentos e/ou apresentação de documentos excludentes da responsabilidade do proprietário quanto ao transporte e propriedade, posse ou detenção das citadas mercadorias estrangeiras introduzidas clandestinamente no país ou importadas fraudulentamente. A pessoa jurídica WASHINGTUR VIAGENS E EXCURSÕES LTDA, através de seu Representante Legal afirmou que o veículo transportador, em questão, não mais lhe pertencia, meses antes da apreensão. Para comprovar suas alegações apresentou cheque do Banco do Brasil, emitido por Valdívio Aragão Pires, que teria sido dado em pagamento pela compra do referido veículo. O contribuinte, Valdívio Aragão Pires, após ser intimado e reintimado a se manifestar, não apresentou defesa, levando a Autoridade autuante a concluir que o veículo transportador das mercadorias apreendidas era de sua propriedade. Com isso, e baseado no que, sobejamente, dispõem os instrumentos legais que regem a matéria, lavrou contra o contribuinte Auto de Infração – Multa Regulamentar no montante de R$ 160.500,00 (cento e sessenta mil e quinhentos reais) e Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal. O Auditor Fiscal, conforme auto de infração, e com base na legislação apropriada, relaciona as medidas de controle fiscal transgredidas pelo autuado, entre elas: 1. Falta de requerimento, à unidade da SRF Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição, do Registro Especial, a ser confirmado pela SRF, e também o fornecimento dos Selos Especiais de Controle (no requerimento deve haver, ainda, informações cadastrais do fabricante no exterior, bem como da mercadoria, no que diz respeito a quantidade de vintenas, além do preço no país de origem, excluídos os tributos incidentes sobre o produto); 2. Falta, no desembaraço de cigarros importados, de verificação se as vintenas importadas correspondiam à marca comercial divulgada, a quantidade autorizada e se estavam devidamente seladas com o Selo de Controle emitido pela SRF; Fl. 168DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10540.001064/200759 Resolução nº 3302000.367 S3C3T2 Fl. 169 3 3. Descumprimento das normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, responsável pelo controle e a fiscalização de produtos e serviços que envolvem riscos à saúde pública. Importante destacar também no auto de infração, as determinações legais a respeito das responsabilidades do transportador: Expõe o Auditor Fiscal, que: “Nos termos do artigo 60 da Lei n.° 4.502/64, regulamentado através do artigo 262 do RIPI Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n° 4.544/2002, os transportadores somente podem aceitar despachos ou efetuar o transporte de produtos que estejam acompanhados dos documentos fiscais definidos no citado Regulamento. A norma legal determina, ainda, as seguintes responsabilidades aos transportadores (artigos 262, parágrafo único, 263 e 264 do RIPI): 1. A obrigação legal de verificar se os volumes nos quais as mercadorias estão acondicionas correspondem com sua discriminação nos documentos fiscais; 2. Não devem receber para transporte produtos cuja documentação fiscal não conste a discriminação dos volumes, ou quando tal discriminação estiver incompleta, impossibilitando ou dificultando sua identificação; 3. Não receber para transporte produtos cuja documentação fiscal não constar o nome e endereço do remetente e do destinatário; 4. A responsabilidade pessoal do transportador pelo extravio de documentos que lhe tenham sido entregues pelo remetente dos produtos; 5. Em caso de suspeita de irregularidade quanto às mercadorias que estiver transportando, deve comunicar o fato à unidade da SRF de destino.” Acrescenta: “Ademais, a legislação estabelece ainda as seguintes disposições quanto ao transporte coletivo de passageiros: 1 Determina que os comprovantes dos volumes transportados, tanto no bagageiro quanto no porta embrulhos, sejam obrigatoriamente vinculados ao bilhete de passagem e à ficha de identificação do passageiro (art. 74 da Lei n° 10.833/2003); 2 Presume de propriedade do transportador, para efeitos fiscais, as mercadorias transportadas sem a identificação do respectivo proprietário(art. 74, § 3 o , da Lei n° 10 . 833/2003) .” Em sintonia com tal entendimento, dispõe a art. 747 da lei 10.406/2002 que ‘o transportador deverá obrigatoriamente recusar a coisa, cujo transporte ou comercialização não sejam permitidos, ou que venha desacompanhada dos documentos exigidos por lei ou regulamento’.” Fl. 169DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10540.001064/200759 Resolução nº 3302000.367 S3C3T2 Fl. 170 4 Com base no exposto, a Autoridade autuante concluiu que foi inequívoca a ocorrência do transporte de mercadorias de origem e procedência estrangeiras sem lastro nos documentos exigidos por lei e que tais mercadorias possuíam destinação comercial. “Também foi evidente que o transportador não observou às disposições legais que regulamentam a sua atividade, em especial, quanto ao preceito de que os produtos transportados estejam acompanhados dos documentos fiscais previstos na legislação aplicável. O transportador não observou os demais requisitos exigidos pela legislação brasileira para a internalização e o transporte das mercadorias. Nessas condições, não pode ser desconhecida a responsabilidade de quem quer que, de qualquer forma, concorra para a prática da infração, em face do disposto no inc. I do artigo 603 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002”: "Art. 603 Respondem pela infração (DL 37/66, art. 95): I Conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie. II Conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo,quanto à que decorra do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes." Quanto à responsabilidade pela infração o Auditor Fiscal, no auto de infração destaca: “(...) temse que, se o proprietário das mercadorias transportadas não for conhecido ou identificado, considerarseá como tal o possuidor ou detentor das mercadorias, sendo que, no presente caso, o detentor das mercadorias estrangeiras apreendidas é o proprietário do veículo transportador, uma vez que não foram apresentados à Fiscalização Aduaneira da DRF/VITÓRIA DA CONQUISTA quaisquer tipos de documentos (devendo ser hábeis e idôneos) que comprovassem a efetiva propriedade das referidas mercadorias por parte de terceiros. Noutro ponto, devese destacar que o proprietário do veículo não adotou as precauções mínimas esperáveis para o transporte de mercadorias, pelo contrário, colocouse em situação de ignorância conveniente para a situação, na tentativa de eximirse da responsabilidade pelo transporte e circulação de mercadorias estrangeiras desacompanhadas de documentação fiscal, de modo a ser lhe facultado alegar, quando oportuno, inteiro desconhecimento da situação, o que não condiz com as circunstâncias ora relatadas, haja vista a previsão medidas legais de observância obrigatória por parte do transportador, de tal forma que o descumprimento de tais medidas implica a responsabilidade deste pela prática de infração fiscal, nos termos da legislação aplicável.” “É corrente que o proprietário do veículo transportador busque afastarse das cominações decorrentes da prática dos delitos de contrabando e descaminho e que, para tanto, empenhese para demonstrar seu desconhecimento dos fatos mediante a indicação, na sua maioria, de um negócio jurídico inexistente. Sob o argumento de ignorar a natureza e a procedência do material transportado, e em algumas ocasiões até sob proteção de contratos de fretamento ou de Fl. 170DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10540.001064/200759 Resolução nº 3302000.367 S3C3T2 Fl. 171 5 locação simulados, o proprietário do veículo busca escapar das punições administrativas e penais, intentando obter, através de artifícios fraudulentos, uma espécie de imunidade fiscal e penal. Mediante tal ardileza, procurase burlar a lei e perpetuarse, sob pretextos falsos, no exercício de uma prática delituosa que é demasiadamente nefasta à sociedade, uma vez que não apenas inviabiliza o pagamento dos tributos devidos, como também desrespeitam as normas ambientais, as normas de segurança, as de saúde pública e de direito de propriedade industrial.” “Destarte, fica claramente demonstrado que o transportador não prestava meramente um serviço de transporte de passageiros, sob regime de fretamento eventual, uma vez que, de acordo com o disposto pelo artigo 36, em seu § 1°, do Decreto n° 2.521/98, o prestador de tal serviço (fretamento eventual) não pode transportar mercadorias que são destinados a PRÁTICA DO COMÉRCIO.” O contribuinte, Valdívio Aragão Pires, cientificado do lançamento, em 16/08/2007, insurgiuse contra a Autuação, em 12/09/2007, apresentando as razões a seguir: 1 – “Inexistência de provas no sentido de atestar a participação do impugnante na aquisição/comercialização das mercadorias cujo trânsito foi obstado pela fiscalização tributária, muito menos no sentido de que o veículo transportador é de sua propriedade”. Que “o impugnante desconhece a compra do referido ônibus, uma vez que nunca comprou qualquer ônibus que seja, muito menos fez qualquer negócio junto à pessoa jurídica Washingtur Viagens e Excursões Ltda.” Sobre o cheque emitido, afirma: “É oportuno esclarecer que o cheque de n. 850347, agência n. 0730, Banco do Brasil, de titularidade do Impugnante, foi emitido no inicio do ano de 2004, para pagamento de cinqüenta bezerros, comprados do Sr. Antônio Carlos da Silva Gomes, residente na Lagoa do Assento no município de Brumado. O referido contrato foi celebrado verbalmente entre as partes, onde foi entregue pelo Sr. Antonio, o gado objeto do contrato, e pelo Impugnante o referido cheque como pagamento.” Acrescenta ainda que, “No caso em tela, o cheque no momento da sua emissão não foi nominal ao Sr. Antonio Carlos da Silva Gomes, a quem inicialmente foi entregue, assim este passou a ser ao portador”. O impugnante relaciona o valor do cheque, supostamente emitido para a compra o ônibus, e o seu valor de mercado, ao declarar que “Além do mais, é oportuno esclarecer que o valor do cheque de titularidade do Impugnante, qual seja, R$ 24.800,00(vinte e quatro mil e oitocentos reais), apresentado pela pessoa jurídica Washingtur Viagens e Excursões Ltda, não guarda nenhuma relação com o veículo em questão, uma vez que o valor de mercado do referido veículo, em 28.06.07, após três anos da alegada venda é de R$ 27.200,00(vinte e sete mil e duzentos reais), cotação esta realizada pela própria Receita Federal(doc. em anexo).” Com relação aos passageiros do ônibus, ressalta: “Vale informar que o Ofício de n. 095.2004.DLPRE de Vitória da Conquista, emitido em 19.11.2004, juntado aos autos às fls.31 dos autos em epígrafe, consta como passageiro do referido ônibus no momento da apreensão o Sr. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10540.001064/200759 Resolução nº 3302000.367 S3C3T2 Fl. 172 6 Antônio Carlos da Silva. Assim, os passageiros acima mencionados que seriam as pessoas mais indicadas para poder esclarecer quem é o verdadeiro proprietário do veículo em questão, e das mercadorias apreendidas.” Continua sua defesa, citando o artigo 134 do Código de Trânsito Brasileiro–CTB que determina; "Art. 134 No caso de transferência de propriedade, o proprietário antigo, deverá encaminhar ao órgão executivo de trânsito do Estado, dentro de um prazo de trinta dias, cópia autenticada do comprovante de transferência de propriedade, devidamente assinado e datado, sob pena de ter que se responsabilizar solidariamente pelas penalidades impostas e suas reincidências até a data da comunicação". Prossegue, questionando a propriedade do veículo transportador e cola Jurisprudência do TRF 2ª Região, da Ministra Eliana Calmon no Recurso Especial 2004/00561679 de 06/12/2005, onde se lê: “Alienado veículo automotor sem que se faça o registro, ou ao menos a comunicação da venda, estabelecese, entre o novo e o antigo proprietário, vínculo de solidariedade pelas infrações cometidas, só afastadas quando é o Detran comunicado da alienação, com a indicação do nome e endereço do novo adquirente. Recurso especial improvido”. Ainda, com relação à propriedade do veículo, acrescenta o seguinte: “Ponderemos! No caso em tela, a pessoa jurídica Washingtur Viagens Excursões Ltda, no momento da venda deixou de preencher o DUT no nome do novo adquirente do veículo, e agora após o acontecimento de problemas com o veículo em questão, quer imputar ao Impugnante a propriedade do mesmo, sem que este tenha realizado qualquer negócio que seja com esta empresa.” 2 – “Em face do quanto disposto no artigo 137, I do CTN e artigo 3o, § único do Decreto n.° 399/68 (com a redação dada pela lei n.° 10.833/03), a aplicação da penalidade ora em discussão destinase ao agente executor do crime de contrabando/descaminho e não a um suposto proprietário do veículo transportador;” 3 – “A aplicação da penalidade, revelandose em montante superior à própria mercadoria apreendida e ao valor atribuído ao veículo transportador, implica em ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade e do não;confisco;” 4 – “Em face do princípio da tipicidade dos ilícitos fiscais, mostrase inviável a aplicação cumulativa de penas decorrentes de um mesmo fato;” 5 – “Caso se entenda pela exigibilidade da multa ora questionada, evidenciase erro material em sua quantificação, visto que,conforme auto de prisão em flagrante delito anexo ao auto de infração, a quantidade de mercadoria apreendida foi de 8.045 maços de cigarro e não 80.250 (patamar utilizado pelo Auto de Infração).” Fl. 172DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10540.001064/200759 Resolução nº 3302000.367 S3C3T2 Fl. 173 7 6 – Por fim, “requer que o Auto de Infração seja julgado totalmente improcedente e afastada a sanção aplicada.” A par dos argumentos lançados na Impugnação apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a defesa em decisão que assim ficou ementada: Assunto:Obrigações Acessórias Data do Fato Gerador : 19/11/2004 INFRAÇÃO ÀS MEDIDAS DE CONTROLE FISCAL RELATIVAS A FUMO, CIGARRO, CHARUTO DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. APLICAÇÃO DA PENA DE MULTA Caracteriza infração à legislação aduaneira, sujeita a multa, a inobservância das medidas de controle fiscal relativas a cigarros de procedência estrangeira. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada É o relatório. VOTO Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório acima transcrito, tratase de auto de infração que impõe ao Recorrente a multa regulamentar em razão da apreensão de mercadorias de procedência estrangeira sem nota fiscal. Não sendo verificado o real proprietário das mercadorias, responsabilizouse o transportador nos termos da legislação de regência. Em consulta ao DETRAN verificouse que a propriedade do veículo apreendido era de WASHINGTUR VIAGENS E EXCURSÕES LTDA, que intimado afirmou que o veículo em questão havia sido alienado, e, portanto, não era de sua responsabilidade. Afirmou que o veículo pertencia ao Sr. VALDÍVIO ARAGÃO PIRES, juntado copia microfilamada do cheque que comprovaria a negociação. O Recorrente por sua vez, negou a propriedade do veículo, alegando que o cheque apresentado foi na verdade utilizado para compra de bezerros do Sr. ao Sr. Antonio Carlos da Silva Gomes, que por sinal era um dos passageiros do ônibus quando de sua apreensão. A Autoridade fiscal promoveu a intimação do Recorrente para se manifestar sobre as afirmações da empresa WASHINGTUR, e não ausência de resposta, considerou verdadeira as afirmações aduzidas contra ele. Destacase que quando da apreensão do veículo, nele se encontravam três pessoas, quais sejam: José Teles da Silva que conduzia o ônibus e os Srs. Edílson Nunes Barros Fl. 173DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10540.001064/200759 Resolução nº 3302000.367 S3C3T2 Fl. 174 8 e Antonio Carlos da Silva. Não foram tomadas declarações dos três passageiros quanto a propriedade do veículo. A única prova trazida aos autos para corroborar a tese de que o Recorrente é o real proprietário foi o cheque, micro filmado, que representaria o valor pago pela aquisição do ônibus. O Código Brasileiro de Transito, assim normatiza as transferências de propriedade: Art. 134. No caso de transferência de propriedade, o proprietário antigo deverá encaminhar ao órgão executivo de trânsito do Estado dentro de um prazo de trinta dias, cópia autenticada do comprovante de transferência de propriedade, devidamente assinado e datado, sob pena de ter que se responsabilizar solidariamente pelas penalidades impostas e suas reincidências até a data da comunicação. Ou seja, a ausência de informação ao DETRAN faz nascer no antigo proprietário a solidariedade pelas penalidades impostas até a data da efetiva comunicação. E a responsabilidade somente é elidida com a comunicação efetiva ao órgão de transito. De outro lado, o artigo 142 do CTN impõe a autoridade administrativa o dever de apurar a efetiva sujeição passiva, nos seguintes termos: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. No presente caso, entendo que a sujeição passiva não está devidamente caracterizada, uma vez que pairam dúvidas sobre a propriedade do veículo apreendido. Também não foram adotadas todas as medidas possíveis para a constituição regular do responsável pela infração. Neste contexto entendo por necessário, baixar o presente processo em diligencia para determinar que a autoridade fiscal: a) intime os três passageiros listados no termo de apreensão para que estes identifiquem o proprietário do veículo e a existência de vinculo comercial ou de emprego de qualquer espécie com a empresa WASHINGTUR VIAGENS E EXCURSÕES LTDA ou com o Sr. VALDÍVIO ARAGÃO PIRES na data da apreensão ou em qualquer outra data, anterior ou posterior aos fatos narrados; b) intime a empresa WASHINGTUR VIAGENS E EXCURSÕES LTDA para que esta responda sobre a existência de vinculo comercial ou de trabalho com o José Teles da Silva, Edílson Nunes Barros e Antonio Carlos da Silva, na data da apreensão ou em qualquer outra data, anterior ou posterior aos fatos narrados; Fl. 174DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10540.001064/200759 Resolução nº 3302000.367 S3C3T2 Fl. 175 9 c) intime a empresa WASHINGTUR VIAGENS E EXCURSÕES LTDA apresente do Documento de Transferência (DUT) do veiculo em questão; c) verifique a existência de outros autos de infração similares ao aqui tratado em nome da empresa WASHINGTUR VIAGENS E EXCURSÕES LTDA, ou dos Srs. Valdívio Aração Pires, José Teles da Silva e os Srs. Edílson Nunes Barros e Antonio Carlos da Silva; e, d) traga aos autos, outros dados que entenda relevantes para o deslinde do presente processo. Vêse, portanto, que a comunicação ao Detran não se presta como prova de venda de bem do ativo imobilizado da Recorrente. Deixou a Recorrente de trazer aos autos, mesmo sendo intimada para tanto, a prova de que recebeu o preço da suposta venda e que o registrou em sua contabilidade. Além disso, poderia ter a Recorrente trazido a copia da nota fiscal da venda do ônibus, que deveria estar registrado em seu ativo permanente. Após o cumprimento da diligencia, a Recorrente deve ser intimada a se manifestar. Após, retornem o autos para a continuidade do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES – Relator Fl. 175DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13855.723390/2011-41
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009,2010,2011
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracteriza-se como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA.
A multa de ofício proporcional qualificada é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta dolosa.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1803-002.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA. A multa de ofício proporcional qualificada é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta dolosa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 33 90 /2 01 1- 41 Fl. 721DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 722 2 Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0443, com a exigência do crédito tributário no valor de R$166.517,57 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido referente aos quatro trimestres dos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010. O lançamento se fundamenta na omissão de receitas de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores constantes nas Declarações de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) a título de receita bruta de venda de veículos, fls. 113 155, e aqueles informados pelas fontes pagadoras instituições financeiras nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), fls. 222254, bem como com as Notas Fiscais de Entrada e Notas Fiscais de Saída escrituradas no Livro Caixa, já que não foram considerados os valores recebidos a título de receita bruta de comissões de prestação de serviços, fls. 178218, em conformidade com o Relatório Fiscal, fls. 94112. Para fins de apuração do lucro presumido, a receita bruta de venda de veículos o coeficiente é de 8% e a receita bruta de comissões de prestação de serviços o coeficiente é de 32%. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 723 3 Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e art. 518 e art. 519, do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II – O Auto de Infração às fls. 4454 com a exigência do crédito tributário no valor de R$145.695,41 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, art. 2º, art. 3º, e art. 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 24 da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 41 da Lei nº 11.196, de 21.11.2005 e art. 2º da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. III – O Auto de Infração às fls. 5583 a exigência do crédito tributário no valor de R$139.427,80 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990, art. 24 da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 22 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 17 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008. IV O Auto de Infração às fls. 8493 com a exigência do crédito tributário no valor de R$31.567,39 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 2º, art. 8º e art. 9º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 2º e art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 648658, com as alegações abaixo transcritas. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que o lançamento é nulo: Com o devido respeito NULO é o AUTO DE INFRAÇÃO ora impugnado, em face da sua manifesta impropriedade, especialmente por INEXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA para a sua lavratura contra a impugnante, ante a inocorrência de qualquer ilicitude, muito menos a acusação contida na peça em exame. Na verdade, é da Constituição Pátria, a garantia dos cidadãos que além do exercício ao sagrado direito de defesa, tanto na fase administrativa como na judicial, não podem ser submetidos a investidas ilegais. [...] Portanto, na inexistência de justa causa para a lavratura do auto de infração sob impugnação, ilegítimo e nulo se apresenta a proposta de lançamento, cuja pretensão está eivada de NULIDADE ABSOLUTA, imprestável, desta feita, a exação fiscal. A impugnante não vulnerou os dispositivos legais inseridos no AUTO DE INFRAÇÃO, que deve ser ANULADO desde seu nascedouro em face da sua impropriedade como lançamento. Ora, a impropriedade é notável já que no período de 2008, 2009 e 2010 apresentou notas fiscais de entradas e saídas e cópia da DIPJ, manifestando assim as atividades exercidas pela empresa. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 724 4 Desta feita, com fundamento na mencionada assertiva, competia àquela Autoridade Fiscal, apurar e comprovar que a documentação apresentada não correspondia à totalidade das atividades praticadas pela empresa, e que o fato de receber em seu nome comissões de instituições financeiras conforme documentação apresentada por elas (informadas em DIRF) não sustenta que obrigatoriamente sejam percebimento de receita tributável, no entanto, nada disso se verifica dos autos, mormente porque a lavratura do AUTO DE INFRAÇÃO se deu com base em seus próprios argumentos e fundamentos, ou seja, UNILATERALMENTE examinou e interpretou a tese de defesa da autuada ao seu "modo" c a seu "favor". Não teve a CAUTELA necessária para apurar, inclusive junto aos Bancos e Financeiras, que de fato os valores "lançados" na(s) conta(s) corrente(s) da autuada não lhe pertenciam em sua totalidade, mormente porque ali existem repasses em sua integralidade, ou seja, 100% (cem por cento). Ora, se "HÁ EM DETERMINADO LANÇAMENTO UM REPASSE TOTAL, NÃO HÁ SE FALAR, NESTE CASO, EM RECEITA OU LUCRO, por esta mesma razão NÃO HÁ SE FALAR EM OMISSÃO DE RECEITA", como entendeu a Autoridade Fiscal, visto que, NÃO TEVE O CUIDADO E A CAUTELA NECESSÁRIA PARA APURAR A REALIDADE DA ATIVIDADE DA AUTUADA, o que resultou em todo esse desconforto. Ora, a mera passagem de recursos pela contabilidade e/ou conta corrente bancária da autuada, em face de certo contrato, no caso com Bancos e Financeiras, não tem o condão de se caracterizar PERCEBIMENTO DE RECEITA TRIBUTÁVEL na empresa autuada. O confronto entre a movimentação bancária contabilizada e a receita auferida, principalmente no caso da autuada quando reconhecidamente existe o "CHAMADO REPASSE INTEGRAL" para atendimento à clientela, quer seja, pessoa física ou pessoa jurídica, NÃO E SUFICIENTE para caracterizar o DESVIO DE RECEITA, sendo necessário MAIOR APROFUNDAMENTO na investigação PARA COMPROVAÇÃO da OMISSÃO, sob PENA de a TRIBUTAÇÃO ocorrer MERAMENTE SOBRE DEPÓSITOS BANCÁRIOS, e não necessariamente SOBRE A EFETIVA RECEITA, o que se verifica no presente caso. Inaceitável, portanto, o procedimento fiscal, posto que, redundou em uma VERDADEIRA INCOERÊNCIA E INJUSTIÇA, sem considerar o DANO/PREJUÍZO DE DIFÍCIL REPARAÇÃO, digase. Assim, em síntese, para se chegar aos valores contidos no AUTO DE INFRAÇÃO, a titulo de SUPOSTA OMISSÃO DE RECEITA, necessário se faz uma apuração detalhada, minuciosa, sem atropelos, o que NADA DISSO SE VIU da autuação, MORMENTE PORQUE a Autoridade Fiscal AGIU DE FORMA TOTALMENTE CONTRÁRIA, assim, também por esse prisma, marca de NULIDADE ABSOLUTA a pretensão punitiva, digase. NULA é, portanto, a exação, não há como prosperar, desta feita, a pretensão da Autoridade Fiscal, que pela AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA para a instauração da ação fiscal, quer, sobretudo, pela IMPROPRIEDADE de que está revestido o ato formal, que direcionado no sentido da exigência, desamparada da indispensável GARANTIA LEGAL. No caso, pela ilegitimidade da lavratura do AUTO DE INFRAÇÃO, cuja irrogação de conduta ilícita, não passa de equívocos de interpretação, cujos dispositivos oferecidos não possibilitam o entendimento esposado na exação, tampouco abre espaço ou possibilidade para o apenamento pretendido, temse como ILEGÍTIMA A AUTUAÇÃO, devendo por isso, ser DECLARADA NULA PARA TODOS OS FINS, dandose baixa dos registros Fl. 724DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 725 5 pertinentes, com o consequente ARQUIVAMENTO DO PROCESSO, que lhe propiciou origem. No que se refere ao mérito aduz que: A imaginária infração que teria cometido a autuada estaria apoiada nos artigos 1o e 2o, da Lei 8.137, de 27 de dezembro de 1990. Do mesmo modo apoiouse a fiscalização para impor à autuada sanções previstas no RIR, Dec. 3.000, de 26 de março de 1999. Optamos pelo nosso sagrado direito à ampla defesa como preconizado pela Carta Magna, posto que, data venia, discordamos da ação fiscal. DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS Caracterizase OMISSÃO DE RECEITA ou de RENDIMENTOS, inclusive ganhos de capital, a falta de emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, no momento da efetivação das operações de venda de mercadorias, prestação de serviços, operações de alienação de bens móveis, locação de bens móveis e imóveis ou quaisquer outras transações realizadas com bens ou serviços, bem como a sua emissão com valor inferior ao da operação. Entretanto, não só no caso dos autos, como em vários outros, o que se verifica, são Abusos da Autoridade Fiscalizadora, ao extrapolar os critérios previstos na legislação para proceder ao lançamento. É assente o entendimento de que improcede a autuação com base em OMISSÃO DE RECEITAS por existência de depósitos bancários não contabilizados quando a fiscalização não logra demonstrar cabalmente a existência da omissão. Ou seja, não cabe autuação baseada em meros indícios. Para efeito de determinação da receita omitida, neste caso, os créditos devem ser analisados individualmente, observado que não serão considerados os decorrentes de transferência de outras contas da própria pessoa jurídica. Como anteriormente salientado, competia à Autoridade Fiscal, apurar e comprovar que a documentação apresentada da impugnante não correspondia à verdade dos fatos. Sabese que a lavratura do AUTO DE INFRAÇÃO se deu com base em seus próprios argumentos e fundamentos, ou seja, UNILATERALMENTE examinou e interpretou a tese de defesa da autuada ao seu "modo" e a seu "favor", ou seja, não teve a CAUTELA necessária para apurar, inclusive junto aos Bancos e Financeiras, que de fato os valores "lançados" na(s) conta(s) corrente(s) da autuada não lhe pertenciam em sua totalidade, mormente porque ali existiam repasses em sua integralidade, ou seja, 100% (cem por cento). Ora, se "HÀ EM DETERMINADO LANÇAMENTO UM REPASSE TOTAL, NÃO HÁ SE FALAR, NESTE CASO, EM RECEITA OU LUCRO, por esta mesma razão NÃO HÁ SE FALAR EM OMISSÃO DE RECEITA", como entendeu a Autoridade Fiscal, visto que, ao se utilizar desta argumentação, tornase perceptível que, NÃO TEVE O CUIDADO E CAUTELA NECESSÁRIA PARA APURAR A REALIDADE DA ATIVIDADE DA AUTUADA, o que resultou em todo esse desconforto. Repisese, que, especialmente no presente caso, a mera passagem de recursos pela contabilidade e/ou conta corrente bancária da autuada, em face de certo contrato, no caso com Bancos e Financeiras, não haveria de se caracterizar PERCEBIMENTO DE RECEITA TRIBUTÁVEL na empresa autuada. É de ser observado que o confronto entre a movimentação bancária contabilizada e a receita auferida, principalmente no caso da autuada quando reconhecidamente existe o "CHAMADO REPASSE INTEGRAL" para atendimento à clientela, quer seja, pessoa física ou pessoa jurídica, NÃO É SUFICIENTE para caracterizar o DESVIO DE RECEITA, sendo necessário MAIOR APROFUNDAMENTO na investigação Fl. 725DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 726 6 PARA COMPROVAÇÃO da OMISSÃO, sob PENA de a TRIBUTAÇÃO ocorrer MERAMENTE SOBRE DEPÓSITOS BANCÁRIOS, e não necessariamente SOBRE A EFETIVA RECEITA, o que se verifica no presente caso. Ou seja, uma VERDADEIRA INCOERÊNCIA E INJUSTIÇA, sem considerar o DANO, e o PREJUÍZO DE DIFÍCIL REPARAÇÃO, digase. [...] A exegese que se extrai dos autos, não oferece nenhuma dúvida, que a defendente cumpriu com suas obrigações tanto que os valores TRANSITARAM por suas contas bancárias, embora nem todos lhe pertencesse, A mera passagem de recursos pela contabilidade e/ou conta corrente bancária, em face de certo contrato, nó caso com Bancos e Financeiras, não pode, data venia, caracterizar PERCEBIMENTO DE RECEITA TRIBUTÁVEL na empresa autuada. O confronto entre a movimentação bancária contabilizada e a receita auferida, quando reconhecidamente existente o "CHAMADO REPASSE INTEGRAL" para atendimento à clientela,' quer seja, pessoa física ou pessoa jurídica, NÃO E SUFICIENTE para caracterizar o DESVIO ou OMISSÃO de RECEITA, sendo necessário MAIOR APROFUNDAMENTO na investigação PARA COMPROVAÇÃO DA SUPOSTA OMISSÃO, sob PENA de a TRIBUTAÇÃO ocorrer MERAMENTE SOBRE DEPÓSITO BANCÁRIOS, e não necessariamente SOBRE A EFETIVA RECEITA, o que se verifica nos autos. Ou seja, uma VERDADEIRA INCOERÊNCIA E INJUSTIÇA, sem considerar o DANO, e o PREJUÍZO DE DIFÍCIL REPARAÇÃO, digase! No que pertine à suposta OMISSÃO DE RECEITA apurada e referida na Ação Fiscal, escapou da obrigação da empresa e passou a ser obrigação da Autoridade Fiscal a APURAÇÃO MINUCIOSA da suposta RECEITA OMITIDA. Apuração essa que deveria ser realizada de forma PORMENORIZADA junto à contabilidade da autuada e das Instituições Bancárias e Financeiras, em DEMONSTRATIVOS MINUCIOSOS pela Autoridade Fiscal elaborados, dandose ciência da referida apuração à impugnante e aos terceiros, para sua concordância, para poder produzir a prova material do alegado, no entanto, não é o que se vê. Nessa apuração da RECEITA OMITIDA terseia que obrigatoriamente mencionar a COMPOSIÇÃO DOS VALORES INTEGRANTES DA MOVIMENTAÇÃO CONTÁBIL/BANCÁRIA/FINANCEIRA, da autuada, com discriminação, e especificação que permitisse a perfeita identificação das SUPOSTAS RECEITAS OMITIDAS. Ressaltese que essa especificação exigida para se apurar a LUCROS/RECEITAS/LUCROS, também se exige para dar validade legal aos LANÇAMENTOS FISCAIS. Pois bem. O fato é, que tudo isso, da maneira como se realizou, tornouse obra do acaso, ficta, imaginária da Autoridade Fiscal da RECEITA FEDERAL DO BRASIL, eis que não foram procedidos os REAIS E VERDADEIROS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS/BANCÁRIOS da autuada, para dar sustentação de validade (PROVA MATERIAL) aos DEMONSTRATIVOS que acompanham a AÇÃO FISCAL; e, na inexistência dessa apuração, NÃO SE PODE DAR VALOR LEGAL À AÇÃO FISCAL. Com efeito, a Autoridade ao oferecer as INCERTEZAS de que trata o Auto de Infração sob exame, MACULOU sua pretensa obra, porquanto da forma como foi realizada, não enseja a autuada a chegar a um RACIOCÍNIO LÓGICO DA SUPOSTA INFRAÇÃO COMETIDA, porquanto, referida Ação Fiscal, realizouse de forma EQUIVOCADA, eis que os DEMONSTRATIVOS que poderiam oferecer suporte ao Auto de Infração nenhuma validade jurídica possuem. [...] Fl. 726DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 727 7 Embora sendo incontestável a obrigatoriedade do lançamento de ofício, nos termos do parágrafo único, do art. 142, do CTN, essa obrigação ; legal indiscutível há de estar regrada pelos princípios da legalidade, moralidade é eficiência, como disciplinados no caput do art. 37, da Constituição Pátria. Não vulnerou a autuada quaisquer normas da legislação tributária federal, muito menos cometeu atos irregulares, para sujeitarse às cominações que se lhe venha impingir o Auto de Infração em referência, como já sobejamente demonstrado, pela INVALIDADE de como se deu a referida Ação Fiscal. Toda ação fiscal há de ser instaurada em consonância com os princípios da moralidade , legalidade e eficiência, que devem reger os atos da administração pública direta, indireta e fundacional, nos termos estabelecidos no capul do art. 37, do Pacto Fundamental, respeitando os direitos individuais, toda matéria tributária traçada pela Constituição Federal. Nesse ponto também equivocouse a Autoridade Fiscal, por falta da demonstração da ocorrência do fato gerador que viesse permitir referida exigência. É conhecido que o feto gerador do IRPJ e TRIBUTOS REFLEXOS ocorre no momento da obtenção da "RENDA", como o próprio nome sugere "IMPOSTO SOBRE A RENDA". Somente nessa hipótese, ou seja, na ocorrência da RENDA, há que ser falar em TRIBUTAÇÃO, jamais na hipótese descrita nos LANÇAMENTOS, ou seja, com base na MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA da autuada, em face da precariedade das DEMONSTRAÇÕES anexadas ao Auto de Infração, que é peça de nenhum valor jurídico. O lançamento que ora se impugna, quer impor apenamento indevido, portanto, à revelia da lei. Neste caso, dúvida não existe quanto à inexistência de prática ilícita. Não há como oferecer sustentação ao Auto de Infração, que não tem alicerce na legislação, e que não poderia, como não pode, dissociarse da Carta Magna e suas demais leis complementares hierarquicamente superiores. No caso exsurge a necessidade jurídica oporse à ilegalidade que macula os direitos das pessoas, especialmente quando essa ilegalidade procede de um agente do poder público. Não pode o ente subordinado curvarse ante à ilegalidade, sob pena de não merecer as garantias individuais da Carta Magna na Nação. A Autoridade Fiscal dos levantamentos fiscais que dão suporte ao lançamento de ofício, negou vigência também ao artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN. Mais erros registrados no lançamento de ofício que invalida a propositura fiscal. [...] Conclusão insofismável há de ser no sentido de padecer de amparo, a qualquer título, a pretensão da Autoridade Fiscal, máxime pela exegese, emergente do artigo 112 do Código Tributário Nacional [...] Em consonância com a legislação de regência, acoplandose aos fatos ocorridos na sua inteireza e legitimidade, não há como deixar de aplicar a benigna ampliada, ainda que se pretenda dar equiparação das leis fiscais às legis odiosae, costumeiramente mencionados pelos doutrinadores do passado. Em relação ao excesso de exação informa que: Assevera a melhor doutrina a respeito do excesso de exação: "O artigo 316, § 1o, do Código Penal estabelece que, 'se o funcionário exige tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber indevido, ou, quando devido, emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso, que a lei não autoriza', resta caracterizado o crime de excesso de exação, [...]. As lesões aos direitos da autuada serão regiamente reivindicados pela via própria, nos termos do art. 5o, inciso XXXV, da Constituição Federal, por estar sendo obrigada a defenderse de uma infração que não cometeu. Assim, não se pode Fl. 727DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 728 8 falar em violação da obrigação tributária sem que a mesma seja confirmada através de apreciação pelo judiciário, onde obviamente será dada a o mais amplo direito de defesa, com todos os tipos de provas em direito admitidos. Cabe registrar que nenhum ato administrativo irregular ou viciado, como é o caso da Ação Fiscal que se impugna, escapa da apreciação jurisdicional. Essa é uma norma na sua origem constitucional, de defesa dos direitos. Sobretudo uma norma que, como princípio visa resguardar a ordem jurídica e a proteção do administrado. Abrange, assim, desde logo, todos aqueles atos de autoridade capazes de causar lesão flagrante produzida ou por produzir pela administração. Um órgão da administração pública não pode a pretexto do seu poder de polícia, atuar ao arrepio da lei e do ordenamento jurídico, agindo com paixão de seus dirigentes para, extrapolando as disposições da Lei Maior do País, impor sanções que se convertam em ABUSO DE AUTORIDADE, EXCESSO DE EXAÇÃO, eivando sua conduta de NULIDADE RELATIVA, quando não ABSOLUTA, PARCIAL, quando não TOTAL de nenhum efeito na ordem jurídica tornando tais atos passíveis de decretação de NULIDADE pelo Poder Judiciário. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Assim colocada a questão e, cm síntese,considerando: i) a falta de comprovação material o ilícito fiscal constante do auto de infração; ii) a imprevalência do crédito tributário pretendido, por inocorrente e incomprovada a ilicitude indicada na autuação sob hostilidade; iii) a comprovada condição de ilegitimidade da autuação, através da qual a Autoridade quer receber tributos sem o fato gerador que justifique seu nascedouro como sobejamente demonstrado e esclarecido no decorrer da impugnação; iv) a indevida instauração da Ação Fiscal, já que INEXISTENTE a OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, o apenamento fundamentado nos artigos l° e 2ª, da Lei 8.137, de 27 de dezembro de 1990, não tem qualquer valor. Há que se tornar NULO ou INSUBSISTENTE o AUTO DE INFRAÇÃO que ora se ataca, tornandose SEM EFEITO o IMPOSTO EXIGIDO, bem assim a MULTA AGRAVADA/MAJORADA pretendida, com a competente baixa dos seus registros nesse órgão, por não estar legitimada a pretensão da Autoridade Fiscal. Requer, outrossim, a realização de diligências, aquelas necessárias à plena elucidação das questões ora suscitadas, inclusive a realização de perícias, para a qual protesta pela indicação do seu perito assistente, formulação de quesitos, e suplementação de provas; ou, até mesmo, que o julgador, diante das circunstâncias, com amparo no RIR, de ofício determine a diligência ou perícia, que, porventura julgar necessária. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/CGE/MS nº 0431.629, de 07.05.2013, fls. 689692: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado: Fl. 728DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 729 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. Devidamente comprovada a omissão de receitas praticada pelo contribuinte, com as informações constantes dos sistemas da SRF e confirmadas pelas fontes pagadoras, cabe o lançamento por esse fato, com a correspondente qualificação da multa, quando caracterizada a infração continuada que evidencia a sonegação com o evidente intuito de fraude na forma da legislação vigente. As contribuições sociais lançadas decorrem do auto de infração de IRPJ e seguem os mesmos critérios. Notificada em 27.05.2013, fl. 700, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 25.06.2013, fls. 702717, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge reiterando os argumentos apresentados na impugnação. Faz um relato sobre a ação fiscal, que o recurso voluntário é apresentado tempestivamente e suscita que o lançamento é nulo e acrescenta que: Por ocasião da IMPUGNAÇÃO fora ventilada e concomitantemente demonstrada questão da NULIDADE do AUTO DE INFRAÇÃO, em face da sua manifesta impropriedade, mormente pela INEXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA para a sua lavratura contra a recorrente, ante a inocorrência de qualquer ilicitude, muito menos a acusação contida na peça em referência. Na verdade, é da Constituição Pátria, a garantia dos cidadãos que além do exercício ao sagrado direito de defesa, tanto na fase administrativa como na judicial, não podem ser submetidos a investidas ilegais. [...] Assentado, portanto, que na inexistência de justa causa para a lavratura de um AUTO DE INFRAÇÃO, ilegítimo e nulo se apresenta a proposta de lançamento, cuja pretensão encontrase eivada de NULIDADE ABSOLUTA, imprestável, desta feita, a exação fiscal. A recorrente não vulnerou os dispositivos legais inseridos no AUTO DE INFRAÇÃO, assim sendo, com o devido respeito, deve ser DECLARADO NULO a contar de seu nascedouro, ante a sua impropriedade como lançamento. Neste diapasão, com fundamento na mencionada assertiva, competia àquela Autoridade Fiscal, apurar e comprovar que os argumentos da recorrente não correspondiam à verdade dos fatos, no entanto, nada disso se apurou, mormente porque a lavratura do AUTO DE INFRAÇÃO se deu com base em seus próprios argumentos e fundamentos, ou seja, UNILATERALMENTE examinou e interpretou a tese de DEFESA da recorrente ao seu "modo" e a seu "favor". Não teve a CAUTELA necessária para apurar, inclusive junto aos Bancos e Financeiras, que de fato os valores "lançados" na(s) conta(s) corrente(s) da autuada não lhe pertenciam em sua totalidade, mormente porque ali existem repasses em sua integralidade, ou seja, 100% (cem por cento). Ora, se "HÁ EM DETERMINADO LANÇAMENTO UM REPASSE TOTAL, NÃO HÁ SE FALAR, NESTE CASO, EM RECEITA OU LUCRO, por esta mesma razão NÃO HÁ SE FALAR EM OMISSÃO DE RECEITA", como entendeu a Autoridade Fiscal, visto que, NÃO TEVE O CUIDADO E A CAUTELA NECESSÁRIA PARA APURAR A REALIDADE DA ATIVIDADE DA RECORRENTE, o que resultou em todo esse desconforto. Fl. 729DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 730 10 Ora, a mera passagem de recursos pela contabilidade e/ou conta corrente bancária da recorrente, em face de certo contrato, no caso com Bancos e Financeiras, não tem o condão de se caracterizar RECEBIMENTO DE RECEITA TRIBUTÁVEL na empresa recorrente. O confronto entre a movimentação bancária contabilizada e a receita auferida, principalmente no caso desta quando reconhecidamente existe o "CHAMADO REPASSE INTEGRAL" para atendimento à clientela, quer seja, pessoa física ou pessoa jurídica, NÃO É SUFICIENTE para caracterizar o DESVIO DE RECEITA, sendo necessário MAIOR APROFUNDAMENTO na investigação PARA COMPROVAÇÃO da OMISSÃO, sob PENA de a TRIBUTAÇÃO ocorrer MERAMENTE SOBRE DEPÓSITOS BANCÁRIOS, e não necessariamente SOBRE A EFETIVA RECEITA, o que se verificou no caso em estudo. Inaceitável, portanto, o procedimento fiscal, posto que, redundou em uma VERDADEIRA INCOERÊNCIA E INJUSTIÇA, sem considerar o DANO/PREJUÍZO DE DIFÍCIL REPARAÇÃO, digase. Assim, em síntese, para se chegar aos valores contidos no AUTO DE INFRAÇÃO, a titulo de SUPOSTA OMISSÃO DE RECEITA, necessário que se fizesse uma apuração detalhada, minuciosa, sem atropelos, o que NADA DISSO SE VIU da autuação, MORMENTE PORQUE a Autoridade Fiscal AGIU DE FORMA TOTALMENTE CONTRÁRIA, assim, também por esse prisma, marca de NULIDADE ABSOLUTA a pretensão punitiva, digase. Sendo NULA a exação, não há como prosperar, a pretensão da Autoridade Fiscal, que pela AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA para a instauração da ação fiscal, quer, sobretudo, pela IMPROPRIEDADE de que está revestido o ato formal, que direcionado no sentido da exigência, desamparada da indispensável GARANTIA LEGAL. No caso, pela ilegitimidade da lavratura do AUTO DE INFRAÇÃO, cuja irrogação de conduta ilícita, não passa de equívocos de interpretação, cujos dispositivos oferecidos não possibilitam o entendimento esposado na exação, tampouco abre espaço ou possibilidade para o apenamento pretendido, temse como ILEGÍTIMA A AUTUAÇÃO, devendo por isso, por ocasião do reexame da matéria por meio do presente RECURSO VOLUNTÁRIO, ser DECLARADA NULA PARA TODOS OS FINS, dandose baixa dos registros pertinentes, com o consequente ARQUIVAMENTO DO PROCESSO, que lhe propiciou origem. No que se refere ao mérito aduz que: Neste ensejo temse que a imaginária infração cometida pela recorrente estaria apoiada nos artigos 1o e 2o, da Lei 8.137, de 27 de dezembro de 1990. Do mesmo modo apoiouse a fiscalização para impor à recorrente sanções previstas no RIR, Dec. 3.000, de 26 de março de 1999. Optamos pelo nosso sagrado direito à ampla defesa como preconizado pela Carta Magna, posto que, data venia, discordamos da ação fiscal. DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS Caracterizase OMISSÃO DE RECEITA ou de RENDIMENTOS, inclusive ganhos de capital, a falta de emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, no momento da efetivação das operações de venda de mercadorias, prestação de serviços, operações de alienação de bens móveis, locação de bens móveis e imóveis ou quaisquer outras transações realizadas com bens ou serviços, bem como a sua emissão com valor inferior ao da operação. Entretanto, não só no caso dos autos, como em vários outros, o que se verifica, são Abusos da Autoridade Fl. 730DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 731 11 Fiscalizadora, ao extrapolar os critérios previstos na legislação para proceder ao lançamento. É assente o entendimento de que improcede a autuação com base em OMISSÃO DE RECEITAS por existência de depósitos bancários não contabilizados quando a fiscalização não logra demonstrar cabalmente a existência da omissão. Ou seja, não cabe autuação baseada em meros indícios. Para efeito de determinação da receita omitida, neste caso, os créditos devem ser analisados individualmente, observado que não serão considerados os decorrentes de transferência de outras contas da própria pessoa jurídica. Como salientado, inclusive por ocasião da IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA, competia à Autoridade Fiscal, apurar e comprovar que o argumento da recorrente não correspondia à verdade dos fatos. Sabese que a lavratura do AUTO DE INFRAÇÃO se deu com base em seus próprios argumentos e fundamentos, ou seja, UNILATERALMENTE examinou e interpretou a tese de defesa da recorrente ao seu "modo" e a seu "favor", ou seja, não teve a CAUTELA necessária para apurar, inclusive junto aos Bancos e Financeiras, que de fato os valores "lançados" na(s) conta(s) corrente(s) da autuada não lhe pertenciam em sua totalidade, mormente porque ali existiam repasses em sua integralidade, ou seja, 100% (cem por cento). Ora, se "HÁ EM DETERMINADO LANÇAMENTO UM REPASSE TOTAL, NÃO HÁ SE FALAR, NESTE CASO, EM RECEITA OU LUCRO, por esta mesma razão NÃO HÁ SE FALAR EM OMISSÃO DE RECEITA", como entendeu a Autoridade Fiscal, visto que, ao se utilizar desta argumentação, tornase perceptível que, NÃO TEVE O CUIDADO E A CAUTELA NECESSÁRIA PARA APURAR A REALIDADE DA ATIVIDADE DA AUTUADA, o que resultou em todo esse desconforto. Repisese, que, a mera passagem de recursos pela contabilidade e/ou conta corrente bancária da recorrente, em face de certo contrato, no caso com Bancos e Financeiras, não haveria de se caracterizar RECEBIMENTO DE RECEITA TRIBUTÁVEL na empresa. E de ser observado que o confronto entre a movimentação bancária contabilizada e a receita auferida, principalmente no caso da recorrente quando reconhecidamente existe o "CHAMADO REPASSE INTEGRAL" para atendimento à clientela, quer seja, pessoa física ou pessoa jurídica, NÃO E SUFICIENTE para caracterizar o DESVIO DE RECEITA, sendo necessário MAIOR APROFUNDAMENTO na investigação PARA COMPROVAÇÃO da OMISSÃO, sob PENA de a TRIBUTAÇÃO ocorrer MERAMENTE SOBRE DEPÓSITOS BANCÁRIOS, e não necessariamente SOBRE A EFETIVA RECEITADO que se verifica no presente caso. Ou seja, uma VERDADEIRA INCOERÊNCIA E INJUSTIÇA, sem considerar o DANO, e o PREJUÍZO DE DIFÍCIL REPARAÇÃO, digase. [...] A exegese que se extrai, não oferece nenhuma dúvida, que a recorrente cumpriu com suas obrigações tanto que os valores TRANSITARAM por suas contas bancárias, embora nem todos lhe pertencessem, A mera passagem de recursos pela contabilidade e/ou conta corrente bancária, em face de certo contrato, no caso com Bancos e Financeiras, não pode, data venia, caracterizar RECEBIMENTO DE RECEITA TRIBUTÁVEL na empresa recorrente. O confronto entre a movimentação bancária contabilizada e a receita auferida, quando reconhecidamente existente o "CHAMADO REPASSE INTEGRAL" para atendimento à clientela, quer seja, pessoa física ou pessoa jurídica, NÃO É SUFICIENTE para caracterizar o DESVIO ou OMISSÃO de RECEITA, sendo necessário MAIOR APROFUNDAMENTO na investigação PARA COMPROVAÇÃO DA SUPOSTA OMISSÃO, sob PENA de a TRIBUTAÇÃO ocorrer MERAMENTE SOBRE Fl. 731DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 732 12 DEPÓSITOS BANCÁRIOS, e não necessariamente SOBRE A EFETIVA RECEITA, o que não restou devidamente apreciado. Quanto à suposta OMISSÃO DE RECEITA apurada e referida na Ação Fiscal, escapou da obrigação da recorrente e passou a ser obrigação da Autoridade Fiscal a APURAÇÃO MINUCIOSA da suposta RECEITA OMITIDA. Apuração essa que deveria ser realizada de forma PORMENORIZADA junto à contabilidade da recorrente e das Instituições Bancárias e Financeiras, em DEMONSTRATIVOS MINUCIOSOS peia Autoridade Fiscal elaborados, dandose ciência da referida apuração à recorrente e aos terceiros, para sua concordância, para poder produzir a prova material do alegado, no entanto, não é o que se viu. Nessa apuração da RECEITA OMITIDA terseia que obrigatoriamente mencionar a COMPOSIÇÃO DOS VALORES INTEGRANTES DA MOVIMENTAÇÃO CONTÁBIL/BANCÁRIA/FINANCEIRA, da recorrente, com discriminação, e especificação que permitisse a perfeita identificação das SUPOSTAS RECEITAS OMITIDAS. Ressaltese que essa especificação exigida para se apurar LUCROS/RECEITAS/LUCROS, também se exige para dar validade legal aos LANÇAMENTOS FISCAIS. Pois bem. O fato é, que tudo isso, da maneira como se realizou, tornouse obra do acaso, ficta, imaginária da Autoridade Fiscal da RECEITA FEDERAL DO BRASIL, eis que não foram procedidos os REAIS E VERDADEIROS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS/BANCÁRIOS da recorrente, para dar sustentação de validade (PROVA MATERIAL) aos DEMONSTRATIVOS que acompanham a AÇÃO FISCAL, e, na inexistência dessa apuração, NÃO SE PODE DAR VALOR LEGAL À AÇÃO FISCAL. Com efeito, a Autoridade ao oferecer as INCERTEZAS de que trata o Auto de Infração sob exame, MACULOU sua pretensa obra, porquanto da forma como foi realizada, não enseja a recorrente a chegar a um RACIOCÍNIO LÓGICO DA SUPOSTA INFRAÇÃO COMETIDA, porquanto, referida Ação Fiscal, realizouse de forma EQUIVOCADA, eis que os DEMONSTRATIVOS que poderiam oferecer suporte ao Auto de Infração nenhuma validade jurídica possuem. [...] Tratouse inclusive, por ocasião da IMPUGNAÇÃO FISCAL que, embora sendo incontestável a obrigatoriedade do lançamento de ofício, nos termos do parágrafo único, do art. 142, do CTN, essa obrigação legal indiscutível há de estar regrada pelos princípios da legalidade, moralidade e eficiência, como disciplinados no caput do art. 37, da Constituição Pátria. Não vulnerou a autuada quaisquer normas da legislação tributária federal, muito menos cometeu atos irregulares, para sujeitarse às cominações que se lhe venha impingir o Auto de Infração em referência, como já sobejamente demonstrado, pela INVALIDADE de como se deu a referida Ação Fiscal. Toda ação fiscal há de ser instaurada em consonância com os princípios da moralidade , legalidade e eficiência, que devem reger os atos da administração pública direta, indireta e fundacional, nos termos estabelecidos no caput do art. 37, do Pacto Fundamental, respeitando os direitos individuais, toda matéria tributária traçada pela Constituição Federal. Nesse ponto também equivocouse a Autoridade Fiscal, por falta da demonstração da ocorrência do fato gerador que viesse permitir referida exigência. E conhecido que o fato gerador do IRPJ e TRIBUTOS REFLEXOS ocorre no momento da obtenção da "RENDA", como o próprio nome sugere "IMPOSTO SOBRE A RENDA". Somente nessa hipótese, ou seja. na ocorrência da RENDA, há que se falar em TRIBUTAÇÃO, jamais na hipótese descrita nos LANÇAMENTOS, ou seja, com base na MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA da recorrente, em face da precariedade das Fl. 732DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 733 13 DEMONSTRAÇÕES anexadas ao Auto de Infração, que é peça de nenhum valor jurídico. A autuação que ora se recorre, quer impor apenamento indevido, portanto, à revelia da lei. Neste caso, dúvida não existe quanto à inexistência de prática ilícita. Não há como oferecer sustentação ao Auto de Infração, que não tem alicerce na legislação, e que não poderia, como não pode, dissociarse da Carta Magna e suas demais leis complementares hierarquicamente superiores. No caso exsurge a necessidade jurídica oporse à ilegalidade que macula os direitos das pessoas, especialmente quando essa ilegalidade procede de um agente do poder público. Não pode o ente subordinado curvarse ante à ilegalidade, sob pena de não merecer as garantias individuais da Carta Magna na Nação. A Autoridade Fiscal dos levantamentos fiscais que dão suporte ao lançamento de ofício, negou vigência também ao artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN. Mais erros registrados no lançamento de ofício que invalida a propositura fiscal. [...] Conclusão insofismável há de ser no sentido de padecer de amparo, a qualquer título, a pretensão da Autoridade Fiscal, máxime pela exegese emergente do artigo 112 do Código Tributário Nacional [...]. Em consonância com a legislação de regência, acoplandose aos fatos ocorridos na sua inteireza e legitimidade, não há como deixar de aplicar a benigna ampliada, ainda que se pretenda dar equiparação das leis fiscais às legis odiosae costumeiramente mencionados pelos doutrinadores do passado. Por último, com o devido respeito temse que o arbitramento por "omissão de receita", é abusivo por parte da autoridade fiscalizadora, ao extrapolar os critérios previstos na legislação para proceder ao lançamento. Ou seja, improcede a autuação com base em omissão de receitas, por exemplo, em razão da existência de depósitos bancários não contabilizados quando a fiscalização não logra demonstrar cabalmente a existência da omissão. Não cabe autuação baseada em meros indícios. Para efeito de determinação da receita omitida, neste caso, os créditos devem analisados individualizadamente, observado que não serão considerados os decorrentes de transferência de outras contas da própria pessoa jurídica. Em relação ao excesso de exação informa que: A doutrina pátria consagrouse, quanto ao tema, no sentido de que: "O artigo 316, § 1o, do Código Penal estabelece que, 'se o funcionário exige tributo ou contribuição social que sabe ou deveria saber indevido, ou, quando devido, emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso, que a lei não autoriza', resta caracterizado o crime de excesso de exação, [...]. Salientou também, que, as lesões aos direitos da recorrente serão regiamente reivindicados pela via própria, nos termos do art. 5o, inciso XXXV, da Constituição Federal, por estar sendo obrigada a defenderse de uma infração que não cometeu. Assim, não se pode falar em violação da obrigação tributária sem que a mesma seja confirmada através de apreciação pelo judiciário, onde obviamente será dada a o mais amplo direito de defesa, com todos os tipos de provas em direito admitidos. Cabe registrar que nenhum ato administrativo irregular ou viciado, como é o caso da Ação Fiscal de que se recorre, escapa da apreciação jurisdicional. Essa é uma norma na sua origem constitucional, de defesa dos direitos. Sobretudo uma norma que, como princípio visa resguardar a ordem jurídica e a proteção do administrado. Abrange, assim, desde logo, todos aqueles atos de autoridade capazes de causar lesão flagrante produzida ou por produzir pela administração. Um órgão da administração pública não pode a pretexto do seu poder de polícia, atuar ao arrepio Fl. 733DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 734 14 da lei e do ordenamento jurídico, agindo com paixão de seus dirigentes para, extrapolando as disposições da Lei Maior do País, impor sanções que se convertam em ABUSO DE AUTORIDADE, EXCESSO DE EXAÇÃO, eivando sua conduta de NULIDADE RELATIVA, quando não ABSOLUTA, PARCIAL, quando não TOTAL de nenhum efeito na ordem jurídica tornando tais atos passíveis de decretação de NULIDADE pelo Poder Judiciário. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da Ação Fiscal, espera e requer a recorrente sejam acolhidas as RAZÕES DO RECURSO VOLUNTÁRIO para o fim de assim ser decidido, CANCELANDOSE O DÉBITO FISCAL RECLAMADO. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos e que o lançamento não poderia ter sido formalizado. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, Fl. 734DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 735 15 deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. Por essa razão não restaram caracterizados o abuso de autoridade tampouco o excesso de exação. Não restam dúvidas de que o lançamento se fundamenta na omissão de receitas de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores constantes nas Declarações de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) a título de receita bruta de venda de veículos, fls. 113155, e aqueles informados pelas fontes pagadoras instituições financeiras nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), fls. 222254, bem como com as Notas Fiscais de Entrada e Notas Fiscais de Saída escrituradas no Livro Caixa, já que não foram considerados os valores recebidos a título de receita bruta de comissões de prestação de serviços, fls. 178218, em conformidade com o Relatório Fiscal, fls. 94112. Para fins de apuração do lucro presumido, a receita bruta de venda de veículos o coeficiente é de 8% e a receita bruta de comissões de prestação de serviços o coeficiente é de 32%. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos2. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo (Termo de Início de Ação Fiscal, fls. 156158, Termos de Intimação, fls. 159163, Intimações , 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 736 16 fls. 680681 e Intimação do Resultado do Julgamento, fls. 694700) a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. O regime de tributação com base no lucro presumido trimestral é uma opção da pessoa jurídica para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada com o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. É determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia incluído o ICMS. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. A pessoa jurídica deve manter o Livro Registro de Inventário, bem como a escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ressalvada a hipótese, neste caso, de escriturar o Livro Caixa, incluindo toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o Fl. 736DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 737 17 valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente3. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. O lançamento se fundamenta na omissão de receitas de receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores constantes nas Declarações de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) a título de receita bruta de venda de veículos, fls. 113 155, e aqueles informados pelas fontes pagadoras instituições financeiras nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), fls. 222254, bem como com as Notas Fiscais de Entrada e Notas Fiscais de Saída escrituradas no Livro Caixa, já que não foram considerados os valores recebidos a título de receita bruta de comissões de prestação de serviços, fls. 178218, em conformidade com o Relatório Fiscal, fls. 94112. O crédito tributário está regularmente constituído com base em provas diretas e não a partir de presunção como quer defender a Recorrente. Para fins de apuração do lucro presumido, a receita bruta de venda de veículos o coeficiente é de 8% e a receita bruta de comissões de prestação de serviços o coeficiente é de 32%, em conformidade com os valores discriminados na Tabela 1. Tabela 1 – Demonstrativo dos valores omitidos nos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010 Períodos (A) Valores Informados nas DIPJ Receita Bruta de Venda de Veículos Lucro Presumido – Coeficiente de 8% R$ (B) Valores Informados nas DIRF, Notas Fiscais de Entrada e Notas Fiscais de Saída (Livro Caixa) Receita Bruta de Comissões de Prestação de Serviços Lucro Presumido – Coeficiente de 32% R$ (C) 1º Trimestre de 2008 800,00 199.676,86 2º Trimestre de 2008 1.400,00 212.711,23 3º Trimestre de 2008 5.100,00 150.209,69 4º Trimestre de 2008 2.800,00 95.733,51 1º Trimestre de 2009 1.600,00 150.831,00 2º Trimestre de 2009 2.700,00 91.725,54 3º Trimestre de 2009 2.100,00 129.475,50 4º Trimestre de 2009 3.000,00 173.002,99 1º Trimestre de 2010 600,00 151.420,44 2º Trimestre de 2010 700,00 122.188,17 3º Trimestre de 2010 1.200,00 129.803,37 4º Trimestre de 2010 1.600,00 163.096,14 3 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 738 18 Está registrado no Relatório Fiscal, fls. 94112, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: As empresas que declararam pagamentos a ANA CELIA DA COSTA JACINTO VEÍCULOS CNPJ:06.103.814/000138 foram intimadas a comprovarem as informações prestadas em DIRF Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte. [...] O Banco Bradesco Financiamento S/A, sucessor do Banco Finasa, apresentou cópias de comprovantes de remessas de DOC referentes a liquidações financeiras das comissão pagas à contribuinte, pelos dois bancos. O Banco BMG S.A apresentou planilha com pagamentos efetuados a Ana Célia da Costa Jacinto Veículos Ltda, bem como os respectivos comprovantes referentes as comissões por serviços prestados. O Banco Daycoval S/A apresentou cópias de comprovantes de pagamentos. O Banco Itaucard apresentou planilha com pagamentos efetuados e comprovantes de rendimentos pagos ou creditados a empresa objeto do presente Termo. No mesmo molde foi a resposta do Banco Itauleasing S.A. O Banco Paulista S.A declarou ter realizado pagamentos de serviços tomados da empresa Ana Célia da Costa Jacinto Veículos, conforme informado em sua DIRF. Anexou ainda TED's. O Banco Pecúnia S/A informou que tomou e pagou serviços de corretagem/comissões a empresa ora fiscalizada mo anocalendário de 2010. A BFB Leasing S.A. Apresentou planilha com todos pagamentos efetuados a contribuinte Ana Célia da Costa Jacinto Veículos. Apresentou ainda comprovantes de pagamentos dos anoscalendário de 2008 e 2009. BMG Leasing Arrendamento Mercantil também apresentou planilha de pagamentos e respectivos comprovantes, relativos ao anocalendário de 2008, referentes as comissões pelos serviços prestados. BV Leasing Arrendamento Mercantil S/A e BV Financeira S/A confirmaram os pagamentos efetuados à contribuinte, referentes a comissões. Credifibra S/A apresentou razão contábil relativos aos pagamentos de comissão do contribuinte identificado pela fiscalização. Omni S/A Crédito, Financiamento e Investimento apresentou relatório de 2008 que demonstra OS valores devidos e liquidados pela prestação dos serviços. Santander Leasing S/A apresentou relatório que demonstra os valores devidos e liquidados pela prestação dos serviços. Banco Santander respondeu apresentando valores liquidados em seu nome e em nome de Panamericano Arrendamento Mercantil. IV DA AUDITORIA Da documentação apresentada pelo contribuinte, das Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte apresentadas por bancos e financeiras, pelas respostas destes bancos e financeiras passouse a auditoria das informações. Fl. 738DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 739 19 Em primeiro lugar, do cruzamento das informações constantes em DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica com as notas fiscais de entrada e saída apresentadas verifcase que o Contribuinte tributou somente OS valores referentes as vendas de veículos. O contribuinte não tributou absolutamente nada dos valores recebidos a título de comissões por prestação de serviços. Intimado a justificar as diferenças encontradas entre o declarado em DIRF por terceiros e as receitas pelo contribuinte declaradas, este não logrou êxito. [...] O cruzamento das informações prestadas pelas fontes pagadoras, com fundamento no artigo 929, § 2° , do RIR/1999, com as receitas declaradas pelo contribuinte, caracteriza indícios suficientes para que se configure a omissão de receitas. Ressaltese que o sistema informatizado "Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf Resumo do Beneficiário Detalhamento Mensal" da SRF é alimentado a partir da Declaração de Imposto de Renda na Fonte (DIRF) apresentada pelas fontes pagadoras por força da legislação tributária, constituindo, desse modo, meio válido para alicerçar o lançamento[...]. Considerando que o contribuinte não se manifestou sobre as diferenças entre o que foi declarado em DIRF por terceiros há que se efetuar lançamento de omissão de receitas, uma vez que há que se considerar como prova os valores informados em DIRF por terceiros, não vinculados ao procedimento de fiscalização, uma vez que estes se responsabilizam pelas informações prestadas em DIRF e são cobrados pelos valores de imposto de renda na fonte indicados nesta declaração. A fiscalização não se contentou com os dados constantes nas DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras. Todas elas foram intimadas a apresentar documentação relativa aos pagamentos efetuados a contribuinte Ana Célia da Costa Veículos. Com exceção do Banco Panamericano S/A, da Panamericano Arrendamento Mercantil S A, da Aymoré Crédito e Financiamento S/A, Santander Leasing S/A, que não responderam às intimações e ao Banco Credibel S/A que não foi encontrado, todos os demais confirmaram os pagamentos efetuados ao contribuinte, não restando dúvidas quanto às informações prestadas nas Dirfs. No presente caso, o contribuinte não apresentou qualquer prova de que as informações prestadas pelas fontes pagadoras seriam incorretas. O interessado nem sequer demonstra os valores das receitas auferidas mês a mês, em relação a cada fonte pagadora. As informações recebidas das fontes pagadoras bem como as informações coletadas na própria Secretaria da Receita Federal do Brasil constam do processo administrativo fiscal. Assim, dada a inexistência de elementos capazes de descaracterizar as informações prestadas por intermédio da DIRF, foi apurada omissão de receita por parte do contribuinte conforme nas planilhas "Receita Bruta Recebida pela Intermediação de Negócios Comissões" e "Diferença entre Receita Bruta Declarada Alíquota 32% Lucro Presumido e a Recebida de Bancos e Financeiras" que são parte integrantes do Auto de Infração. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto, não Fl. 739DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 740 20 restando caracterizada a falta de comprovação do ilícito fiscal. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional qualificada. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária, penalidade que tem como fonte a lei, é imposta em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional qualificada pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta dolosa, que é a vontade livre e consciente de o agente praticar um fato ilícito, ainda que por erro, mas desde de evidenciada a máfé, da qual decorre prejuízo a outrem. Caracterizase pela sonegação, que é a ação ou omissão dolosa do agente de encobrir fatos tributários da Administração Pública, pela fraude, que é a ação ou omissão dolosa de não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo ou pelo conluio, que é o ajuste doloso entre pessoas, seja para encobrir fatos tributários da Administração Pública, seja para não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo. Há que se perquirir se houve simulação, vício ou falsificação de documentos ou a escrituração de livros fiscais ou comerciais, ou utilização de documentos falsos para iludir a fiscalização ou fugir ao pagamento do imposto. A mesma conduta reprovável deve ser reiterada, ou continuada, assim entendida em relação à qual tenham sido lavrados diversos autos ou representações4. Restou comprovado que nos quatro trimestres dos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010 a Recorrente reiteradamente omitiu receitas da atividade, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores constantes nas Declarações de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) a título de receita bruta de venda de veículos, fls. 113155, e aqueles informados pelas fontes pagadoras instituições financeiras nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), fls. 222254, bem como com as Notas Fiscais de Entrada e Notas Fiscais de Saída escrituradas no Livro Caixa, já que não foram considerados os valores recebidos a título de receita bruta de comissões de prestação de serviços, fls. 178218, em conformidade com o Relatório Fiscal, fls. 94112. Para fins de apuração do lucro presumido, a receita bruta de venda de veículos o coeficiente é de 8% e a receita bruta de comissões de prestação de serviços o coeficiente é de 32%. Está registrado no Relatório Fiscal, fls. 94112, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Nos Demonstrativos de Multa e Juros de Mora há aplicação da multa qualificada de 150%, relativamente à infração Imposto de Renda na Fonte sobre 4 Fundamentação legal: art. 142 e art. 149 do Código Tributário Nacional, art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 68, art. 70, art. 71, art. 72, art. 73, art. 74 e art. 85 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 13 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 20 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Fl. 740DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 741 21 Pagamentos sem Causa/Beneficiário Não Identificado. A fiscalização entende, neste caso, que houve, a partir de UMA INFRAÇÃO CONTINUADA, sonegação e evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei ns 4.502, de 30 de novembro de 1964, o que justifica a aplicação da multa qualificada de 150%, conforme enunciado no art. 44, inciso l e §1S, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488, de 15 de junho de 2007, in verbis: Art. 44 Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença do tributo ou contribuição: (...) cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Esclareçase que a nova redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007 ao art. 44 da Lei n5 9.430, de 1996 alterou a exigência para o caso em tela. Os arts. 71, 72 e 73, da Lei ns 4.502, de 1996, têm a seguinte redação: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. No caso, a fiscalização entende que ouve, a partir de um conluio entre PJ e PF, sonegação e evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, o que justifica a aplicação da multa qualificada de 150%, conforme enunciado no art. 44, inciso I e §1e, da Lei ns 9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488, de 15 de junho de 2007. O procedimento adotado pelo contribuinte Ana Célia da Costa Jacinto Veículos, deixando de pagar, de maneira continuada, tributos devidos, com o objetivo único de sonegar o fisco denota o elemento subjetivo do dolo e enseja a aplicação da multa agravada pela vinculação dos fatos reais à norma jurídica abstrata prevista nos art. 71, 72 e 73 da Lei n5 4.502/1964. Há que se lembrar que a mesma empresa foi objeto de lançamento de tributos por omissão de receitas recebidas de terceiros comissões, conforme processo administrativo fiscal 13855.003388/200857, da qual tomou ciência, através de procurador, em 20/10/2008. Assim, a fiscalizada omitiu receitas sujeitas à tributação nos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007 conforme apurado no processo citado, e reiteradamente e de Fl. 741DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 742 22 forma consecutiva, nos anocalendário de 2008, 2009 e 2010, período sob fiscalização, incidindo na tipificação descrita no art. 44 da Lei 9.430/96. O componente doloso, que caracteriza o ilícito praticado pelo contribuinte, prejudica o direito, na medida que altera a verdade sobre o fato tributável (receita auferida) pelo IRPJ Imposto de Renda Pessoa Jurídica e seus reflexos. Necessário se faz a responsabilidade objetiva do contribuinte, ou seja, a intenção de impedir o conhecimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil da ocorrência do fato gerador, que no presente caso é demonstrada pelo padrão de conduta do contribuinte de não declarar as receitas oriundas de recebimentos de comissões. Considerando que tal conduta permanece por vários anos, mesmo depois de a Receita Federal do Brasil lavrar auto de infração sobre o mesmo assunto, impossível se falar em erro escusável. O intuito doloso é então caracterizado pela prática reiterada de uma única infração: omissão de receitas da atividade, culminando com o não recolhimento do IRPJ e seus reflexos. Portanto, é devida a multa de ofício qualificada no lançamento em análise. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional qualificada pela conduta reiterada de omissão de receitas e ainda por declaração inexata por ter omitido os rendimentos de sua escrituração contábil nos quatro trimestres dos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso5. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade6. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam 5 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 6 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.723390/201141 Acórdão n.º 1803002.169 S1TE03 Fl. 743 23 relativos ao mesmo sujeito passivo 7. Os lançamentos PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 7 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 743DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/05/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10660.905859/2011-58
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 59 /2 01 1- 58 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905859/201158 Acórdão n.º 3803006.021 S3TE03 Fl. 165 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, no valor de R$ 32.128,04. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, bem como o deferimento da restituição pleiteada, alegando que o indébito reclamado decorria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Reportandose aos princípios da verdade material e da moralidade administrativa, requereu a realização de diligências e perícias, para fins de se confirmar o crédito pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação, assim como cópias do despacho decisório, do DARF e de planilha por ele elaborada. A DRJ Juiz de Fora/MG não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na inaplicabilidade, no presente caso, da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em sede de recurso extraordinário, (ii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre ofensa a princípios constitucionais, (iii) na ausência de eficácia normativa da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial colacionadas na peça recursal, (iv) na ausência de nulidade no despacho decisório e (v) na desnecessidade de realização de diligências e perícias. Constou, ainda, do voto condutor da decisão recorrida que, “no presente caso, não foram trazidos ao processo, quaisquer elementos que viessem a comprovar o direito alegado e mais, a legislação tributária, determina que juntamente com a manifestação de inconformidade devem ser apresentadas as provas que fundamentem de modo concreto e veemente a discordância da contribuinte do entendimento adotado pela administração, precluindo seu direito de fazêlo em outro momento processual”. Cientificado do acórdão da DRJ Juiz de Fora/MG em 23 de dezembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de janeiro de 2014, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório e de deferimento integral da restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. Aduziu, ainda, o ora Recorrente, que a Delegacia de Julgamento deveria ter avançado na matéria fática e convertido o julgamento em diligência para que fossem prestados esclarecimentos e apresentada a documentação comprobatória do crédito pleiteado, sem o que tevese por configurado cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905859/201158 Acórdão n.º 3803006.021 S3TE03 Fl. 166 3 Ressaltou, também, que a inobservância da inconstitucionalidade declarada pelo STF acerca do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, “representa inegável afronta à Constituição Federal e negativa de prestação administrativa”. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Juiz de Fora/MG. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do DARF e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Destaquese que, na planilha trazida aos autos pelo contribuinte na primeira instância administrativa, não são identificadas as outras receitas, além do faturamento, que teriam ensejado a tributação indevida decorrente da inconstitucionalidade do preceptivo legal. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905859/201158 Acórdão n.º 3803006.021 S3TE03 Fl. 167 4 Em processos da espécie ao ora analisado, a falta da devida instrução dos autos por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por diligência à repartição de origem, dada a inexistência de um início de prova que convença o julgador quanto à probabilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância. Bastaria que o interessado tivesse trazido aos autos cópias da escrituração contábilfiscal abrangendo o período sob análise, observandose as formalidades exigidas pela legislação tributária, para que se tivesse por configurado o início de prova requerido para justificar a realização de diligência ou perícia destinada à confirmação do crédito pleiteado. Uma simples planilha elaborada pelo próprio interessado não supre a necessidade de apresentação da documentação fiscal apta a comprovar os fatos alegados. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 167DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905859/201158 Acórdão n.º 3803006.021 S3TE03 Fl. 168 5 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 168DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 11070.000465/2007-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por maioria, convertido o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos. Ausente justificadamente o Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça
(assinado digitalmente)
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso De Almeida, Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por maioria, convertido o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos. Ausente justificadamente o Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça (assinado digitalmente) JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso De Almeida, Angela Sartori.
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Acordam os membros do colegiado: Por maioria, convertido o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Júlio Ramos. Ausente justificadamente o Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça (assinado digitalmente) JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso De Almeida, Angela Sartori. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte Kepler Weber Industrial S.A. contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, assim ementado: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 70 .0 00 46 5/ 20 07 -3 8 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 11070.000465/200738 Resolução nº 3401000.781 S3C4T1 Fl. 263 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Ementa: PEDIDO DE PERÍCIA. O deferimento do pedido de perícia não se justifica se os elementos trazidos aos autos são suficientes para o deslinde da questão, sobretudo quando o pedido deixar de atender os requisitos legais para sua formalização. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. LEI n° 9.779/99 (ART.11). INFRAÇÕES APURADAS EM OUTRO PROCESSO. SALDO CREDOR ALTERADO DE OFÍCIO. Tratandose o presente processo de pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI fulcrado no artigo 11 da Lei no 9.779/99, cujo montante total pleiteado sofreu modificação para menos em decorrência de Auto de Infração lavrado contra a requerente por infrações apuradas em outro processo, a solução do litígio prendese ao decidido para o lançamento face A estreita vinculação existente entre os processos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade fls. 138/158, contra despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo Ângelo/RS, fls.130/131, que reconheceu parcialmente direito ao ressarcimento ao crédito de IPI pleiteado no valor de R$ 613.122,75, autorizado pela Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999, relativamente ao 10 trimestre de 2005, e homologou as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido no valor de R$ 66.866,29. A glosa no valor de R$ 546.256,46, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 80/84, é decorrente da reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, 92, pelas seguintes infrações: "1 Crédito indevido de IPI — Nota Fiscal de Devolução/Retorno de Produtos O contribuinte creditouse indevidamente do IPI, em relação as notas fiscais de entradas de produtos, sem que aqueles produtos tivessem efetivamente entrado no estabelecimento da empresa. As operações em que houve o creditamento indevido são: Devoluções e retornos de remessas referentes a vendas para entrega futura p/ refaturamento (CFOP 1.949, 2.949) Devoluções de produtos do estabelecimento p/ refaturamento (CFOP 1.201 ,2.201) Devolução de produto do estabelecimento (CFOP 2.949) Outras entradas (CFOP 2.949) Fl. 263DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 11070.000465/200738 Resolução nº 3401000.781 S3C4T1 Fl. 264 3 Nestas operações não houve a efetiva entrada do produto no estabelecimento da empresa..." Tais infrações apuradas resultaram na reconstituição da escrita da contribuinte no período em apreço, cujo desfecho redundou em crédito tributário constituído de oficio Auto de Infração n° 11070.001443/200876, bem como na redução dos saldos credores relativos aos períodos de apuração que a requerente entende fazer jus para ressarcimento em conformidade com o disposto no artigo 11 da Lei n° 9.779, de 1999. Em sua inconformidade sustentou, em resumo, que a glosa do crédito por entrada de mercadorias devolvidas e refaturadas não foi suficientemente motivada pela Autoridade Fiscal. Pugna pela aplicação dos artigos 164, 190, 191, 323, 359 e 378 do RIPI, não observados pela Autoridade Fiscal, e que no seu entender dão suporte para escrituração do crédito em operações que não representam o efetivo ingresso de mercadorias no estabelecimento. Argumenta que atendeu o estabelecido em Regulamento, pois a comprovação da entrada dos produtos devolvidos é documental, feita por intermédio do registro da operação no livro registro de Entrada (modelo 1) e no livro Registro de Controle da Produção e do Estoque (modelo 3). Na sequência pugna pelo cumprimento do principio da não cumulatividade do IPI, cita decisões do Conselho que entende favoráveis aos seus argumentos. Ao final, requer produção de prova pericial. Julgada improcedente a manifestação de inconformidade, a contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo, em apertado escorço, que o presente feito é correlato ao Processo nº 11070.001443/200876, por ser este “principal em relação aos presentes autos, se aguarde o julgamento, esperando que seja reformada a decisão guerreada o acórdão 10.23.063 Terceira Turma da DRJ POA , reconhecendo o equivoco da Autoridade quando concluiu por adotar glosa de créditos de IPI por entradas em devolução, e tributação de saídas da mesma mercadoria. Provido o recurso voluntário apresentado nos autos do processo principal 11070.001443/200876, restará afastada a reconstituição da escrita fiscal, e dela fazendo surgir reflexos no saldo credor apurado em cada período, mantendose saldo credor apurado pelo contribuinte, assim a confirmação da procedência do saldo apurado. Assim como a decisão recorrida reportouse as razões e fundamentos proferidos no acórdão do processo tido por principal, as razões de recurso são também ora deduzidas com apoio no recurso voluntário apresentado no processo principal número 11070.001443/200876.” É a síntese do necessário Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte DA ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos de sua admissibilidade, razão pela qual dele eu conheço. DA NECESSIDADE DE REMESSA DO FEITO À 3ª TURMA Fl. 264DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 11070.000465/200738 Resolução nº 3401000.781 S3C4T1 Fl. 265 4 Analisando as razões recursais apresentadas pela contribuinte, observase que esta afirma, reiteradamente, que o presente feito é decorrente do Processo nº 11070.001443/200876, decorrente de auto de infração e, por consectário, vinculante do processo ora apreciado. Ademais, a própria contribuinte afirma aludida vinculação (fls. 215/216) “Naquele processo principal de número 11070.001443/200876 foram alterados créditos e débitos, com a reconstituição da escrita, dela resultando diferenças que foram então, e obedientes ao principio da não cumulatividade, utilizadas pela Fiscalização a fim de encontrar o novo saldo, ao final de cada período de apuração. Decorrência da reconstituição da escrita, ao final dos períodos de apuração restou acolhido a maior parte do pedido de restituição. Porém parte do saldo a restituir restou prejudicado na apreciação do presente processo, justamente em função do Auto de Infração guerreado no processo n. 11070.001443/200876. Eis que os autos do presente processo que originalmente tratava de restituição, acaba sendo reflexo daquilo que restou, e restará (ou não) acolhido no processo principal. Resta pois admitir a dependência do presente processo em relação a outro em fase de julgamento, a qual decorre do fato de que o Auto de Infração que restou impugnado, dando origem ao processo de número 11070.001443/200876 que objeto do Acórdão 1023.063 da Terceira Turma da DRJPOA, contra o qual foi deduzido Recurso Voluntário a fim de encontrar a improcedência. Assim, a glosa do crédito do IPI na entrada e a manutenção do IPI na saída resultaram na reconstituição da escrita, e os novos saldos credor ou devedor ao final de cada período de apuração tiveram fundamento na mesma e única ação fiscal. A repercussão do mesmo procedimento fiscal material assim se realizou pela mesma reconstituição da escrita de créditos e débitos, de um mesmo período, dela decorrendo a insuficiência de créditos identificada neste processo. Sendo a insuficiência de crédito resultado das alterações impostas pelo Auto de Infração que foi impugnado, e gerou outro processo administrativo, identificado pelo número 11070.001443/200876, e encontrando esse último em fase de • julgamento do recurso voluntário interposto pelo contribuinte ora recorrente, não é possível alcançar outra solução, que não a dedução do presente recurso voluntário, amparado nas matérias discutidas no processo principal.” Outro não foi o entendimento da DRJ, vislumbrando a existência de vinculação entre os processos e observando que o deslinde do presente feito depende do julgamento do processo nº 11070.001443/200876, tanto que os processos foram julgados em conjunto e no acórdão ora guerreado utilizouse as razões de decidir do processo principal. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 11070.000465/200738 Resolução nº 3401000.781 S3C4T1 Fl. 266 5 “Conforme relatado, trata o presente processo de pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI com base no artigo 11 da Lei n° 9.779, de 1999, cujo montante total pleiteado sofreu modificação para menos em decorrência de Auto de Infração formalizado no processo 11070.001443/200876, lavrado contra a requerente por infrações apuradas em outro processo. O auto de infração que deu origem à reconstituição da escrita fiscal da contribuinte foi julgado procedente por meio do Acórdão n° 1023.064 — 3a Turma da DRJ/POA, de 04 de dezembro de 2009 (fls. 168/170). Reconheço que a solução do litígio no presente processo está vinculada decisão de mérito do Auto de Infração acima referido, dada a relação de causa e efeito entre ambos, pois a confirmação da autuação é conseqüência do reconhecimento de que os débitos apurados pela Fiscalização estão corretos e da reconstituição da escrita fiscal restou para o período apenas o saldo credor de R$ 66.866,29. Mostrase desnecessário aqui reproduzir todas as razões minuciosamente expendidas naquele acórdão como sustentáculo para a manutenção do crédito tributário constituído de oficio, uma vez que a cópia do acórdão proferido no processo de auto de infração encontrase presente nos autos e se presta a instruir o posicionamento adotado nesse voto, que é pelo indeferimento da manifestação de inconformidade e manutenção do despacho decisório da DRF/Santo Ângelo de fls. 130/131. Consultando o sítio virtual deste Conselho, observase que o processo principal foi distribuído ao Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, da 3ª Turma da 4ª Câmara desta Terceira Seção. Assim, com o escopo de evitar julgamentos divergentes e por estar o presente feito diretamente relacionado com o Processo nº 11070.001443/200876, entendo que estes autos devam ser encaminhados ao mencionado Conselheiro. Relator Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 266DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 7/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 13052.000268/2002-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/1996 a 31/12/1996, 31/10/1997 a 31/12/1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Cabem embargos de declaração para sanar omissão sobre matéria não enfrentada no acórdão recorrido, imprescindível à solução do litígio.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3301-002.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional, conferindo-lhes efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional, conferindo-lhes efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1805; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 1.308 1 1.307 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13052.000268/200258 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3301002.212 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2014 Matéria PIS/COMPENSAÇÃO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado COOP. REGIONAL DE ELETRIFICAÇÃO RURAL DE TEUTÔNIA LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/1996 a 31/12/1996, 31/10/1997 a 31/12/1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Cabem embargos de declaração para sanar omissão sobre matéria não enfrentada no acórdão recorrido, imprescindível à solução do litígio. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional, conferindolhes efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 2. 00 02 68 /2 00 2- 58 Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Tratase de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 330100.336, proferido por esta Turma Ordinária, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário do interessado. Segundo a embargante, o acórdão embargado foi omisso pelo fato de o Colegiado não ter se pronunciado sobre os precatórios expedidos para pagamentos dos honorários advocatícios e do montante dos indébitos utilizados nas compensações efetuadas pelo interessado, cujo direito lhe foi reconhecido perante o Poder Judiciário, mediante as ações judiciais nºs 95.00.166585 e 96.00.057400. Assim, em face da emissão dos precatórios e da execução da sentença as compensações não poderão ser convalidadas, conforme disposto no art. 17 da IN SRF nº 21, de 1997. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais Os embargos de declaração interpostos atendem aos requisitos de admissibilidade. Assim, deles conheço. No acórdão embargado, esta Turma reconheceu o direito de o interessado efetuar a compensação dos débitos em discussão, neste processo administrativo, com créditos financeiros decorrentes de pagamentos do PIS, efetuados a maior, nos termos dos Decretosleis nº 2.445 e nº 2.449, ambos de 1988, em relação à contribuição devida nos termos das LC nº 7, de 1970, e nº 17, de 1973, cujo direito à repetição/compensação lhe foi reconhecido na esfera judicial, mediante os processos nº 95.00.166585 e 96.00.057400, com decisões transitadas em julgado em 22/06/2004 e 22/08/2001, respectivamente. No entanto, conforme demonstrado nos embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, o interessado, apesar de ter efetuado compensação do crédito financeiro que lhe foi reconhecido na esfera judicial, executou a sentença, conforme provam os extratos da consulta processual ao sítio do Portal da Justiça Federal às fls. 1.296/1300 e às fls. 1.302/1.306. No extrato às fls. 1.296/1.300, referente ao processo nº 95.00.166585, mais especificamente às fls. 1.300 (fls. 647 proc. papel), consta o despacho determinando a expedição do alvará da verba honorária, em nome da sociedade de advogado; já no de fls. 1.302/1.306, referente ao processo nº 96.00.057400, mais especificamente às fls. 1.306 (fls. 650 proc. papel), o de expedição do alvará/autorização de saque, esta datado de 06/03/2006. Assim, demonstrado que o interessado repetiu o crédito financeiro reclamado, naqueles processos judiciais, cujo direito de repetição lhe foi reconhecido na esfera judicial, não há que se falar em convalidação das compensações, objeto deste processo administrativo. A convalidação das compensações, por parte da autoridade administrativa implicaria duplicidade de repetição do crédito financeiro. Quanto à suscitada decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários correspondente aos respectivos débitos, também não assiste razão ao interessado. Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13052.000268/200258 Acórdão n.º 3301002.212 S3C3T1 Fl. 1.309 3 O crédito financeiro utilizado nas compensações em discussão decorreu das ações judiciais nº 95.00.166585 e 96.00.057400. Segundo a Certidão de Objeto e Pé às fls. 03/ a primeira ação tinha como objetivo: “ (1) declaração de inexistência de relação jurídica que determinasse o recolhimento do PIS nos moldes previstos nos Decretoslei n° 2.445/88 e 2.449/88 e (2) condenação da Unido a aceitar a compensação dos valores pagos a esse titulo, corrigidos monetariamente (pela BTN, IPC, INPC e UFIR, sucessivamente), com o próprio PIS ou com a COFINS”; já a segunda tinha como objeto: “ (1) declaração de inexistência de relação jurídica que determinasse o recolhimento do PIS nos moldes previstos nos Decretoslei n° 2.445/88 e 2.449/88 e (2) condenação da União a aceitar a compensação dos valores pagos a esse titulo, corrigidos monetariamente (pela BTN, IPC, INPC e UFIR, sucessivamente), com o próprio PIS, cumulando, todavia, pedido de compensação com a contribuição social sobre o lucro”. No julgamento das ações, levandose em conta que no processo nº 96.00.057400, o interessado repetiu o pedido declaratório de inexistência de relação jurídica tributária, quanto à exigência do PIS, nos termos dos DLs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, bem como a compensação dos recolhimentos indevidos com os débitos do próprio PIS, cumulando, todavia, pedido de compensação com a contribuição social sobre o lucro, o MM Juiz Federal, por meio da sentença às fls. 778/787, assim decidiu: “Ante o exposto, julgo: a) parcialmente procedente a ação ordinária n° 95.00166585: a.1) declarando a inexistência de relação jurídica que obrigue a autora ao recolhimento do PIS, na forma instituída pelos aludidos Decretosleis; a.2) declarando o direito da autora de. compensar os valores pagos a maior, a esse título, com parcelas devidas corrigidos monetariamente na forma explicitada na fundamentação; a.3.) condeno, ainda, a ré nas despesas processuais e em honorários advocatícios, fixados em dez por cento sobre o valor da causa. Deixo de condenar a autora em honorários advocatícios, tendo em vista ter decaído em parte mínima do pedido b) improcedente a ação ordinária n° 96.00057400, condenando a autora nas despesas processuais• e em honorários advocatícios, fiados em dez por cento sobre o valor da causa.” (grifo não original) Os autos subiram ao TRF da 4ª Região em face da remessa ex officio e das apelações interpostas pelo interessado e pela União (fls. 790/796). No julgamento, a Primeira Turma daquele Tribunal, por unanimidade de votos, deu parcial provimento à remessa oficial e ao recurso da União e deu provimento ao recurso da autora, nos termos da seguinte ementa e acórdão: “TRIBUTÁRIO – PRESCRIÇÃO. SÚMULA 28/TF4ªR COMPENSAÇÃO CORREÇÃO MONETÁRIA – TAXA. A perda do direito de pleitear a compensação, nos casos de tributo objeto de lançamento por homologação, se dá após o Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 transcurso do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, acrescido de mais cinco anos contados daquela data em que se deu a homologação tácita. ‘São inconstitucionais as alterações introduzidas no Programa de Integração Social (PIS) pelos DecretosLeis 2.445/88 e 2449/88’ (Súmula 28TRF/4ªR). As disposições da Lei n° 5.764/71, art. 111, que consideram como renda tributável das sociedades cooperativas os resultados positivos obtidos em operações com nãoassociados, não se aplicam à contribuição para o PIS, coma entidades de fins não lucrativos, porque a legislação própria do Programa, como visto, não distingue a prática dessas operações e dos atos cooperativos. Desnecessidade, portanto, de comprovação de que as guias DARF's juntadas refiramse a atos cooperativos. A Lei 8.333/91 permite a compensação de importâncias pagas indevidamente ou a maior com valores a serem recolhidos no futuro, desde que se faça entre tributos e contribuições da mesma espécie, isto 6, que possuam a mesma destinação orçamentária. Aplicação da Simula 37 deste Regional e do índice do 1NPC, no período de março a. dezembro de 1991, no cálculo da correção monetária. A partir de 01.01.96, devem incidir sobre o indébito apenas juros equivalentes à. taxa SELIC ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a egrégia. Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 4 Região, por unanimidade, dar parcial provimento A remessa oficial e ao recurso da União e don provimento no recurso da autora, na forma do relatório, votos e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a egrégia Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, dar parcial provimento A remessa oficial e ao recurso da União e don provimento no recurso da autora, na forma do relatório, votos e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre, 08 de setembro de 1999 (data do julgamento).” O interessado interpôs embargos de declaração (fls. 798/802) que foram acolhidos e lhes dado provimento apenas para retificar a ementa, retirando dela o parágrafo terceiro que trata Lei n° 5.764/1971, ou seja, de atos cooperativos porque esta matéria não foi suscitada tanto na primeira instância como na segunda. O recurso especial interposto pelo interessado não foi admitido e o agravo interposto contra sua inadmissão foi rejeitado (fls. 808/809). Já o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, insurgindo contra a compensação do PIS com a Cofins, foi admitido e julgado favorável a ela, vedando tal compensação, conforme relatório, voto e acórdão, datado de 16 de março de 2004, às fls. 812/818, sob a seguinte ementa: “TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS – INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOSLEIS 2.445/88 E 2.449/88 DECLARADA PELO STF (148.754RJ) – Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13052.000268/200258 Acórdão n.º 3301002.212 S3C3T1 Fl. 1.310 5 COMPENSAÇÃO – COFINS – IMPOSSIBILIDADE – PRECEDENTES. A Contribuição para o Programa de Integração Social instituída pela L.C. nº 07/1970, alterada pelos Decretosleis 2.445 e 2.449, ambos de 1988, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (RE 148.75RJ) Os valores recolhidos a esse título são compensáveis apenas com aqueles devidos a titulo do próprio PIS, não com aqueles devidos a título de Cofins, CSSL, Imposto de Renda, Contribuição do Empregador sobre Folha de Salários ou Finsocial. Recurso conhecido e provido.” Esta decisão transitou em julgado na data de 22 de junho de 2004. Conforme demonstrado anteriormente, o interessado efetuou compensações de débitos de PIS, vencidos entre as datas de 15/07/1996 e 15/01/1998, com o crédito financeiro em discussão nas referidas ações judiciais ainda pendentes de trânsito em julgado. Dessa forma, a autoridade administrativa somente poderia analisar e convalidar ou não as alegadas compensações depois de ocorrido o trânsito em julgado da ação judicial que lhe reconheceu o crédito financeiro utilizado, o que ocorreu em 22/06/2004. Até então, não tinha amparo para convalidar as compensações alegadas e/ ou cobrar os débitos, em face da decisão judicial vigente. A análise das compensações e suas não convalidações se deram por meio do Despacho Decisório DRF/SCS nº 059/2007, datado de 08/10/2007, às fls. 1.036, do qual o interessado foi intimado na data de 15/10/2007, conforme prova o AR às fls. 1.042. Portanto, ao contrário do seu entendimento, a análise e a não convalidação das compensações se deram dentro do prazo quinquenal de 5 (cinco) anos, contados a partir da data do trânsito em julgado da ação judicial, de que a Fazenda Pública dispunha para cobrar os débitos cujas compensações não foram convalidadas. A data limite para suas cobranças expiraria em 22 de junho de 2009. Como foi intimada do despacho decisório, na data de 15 de outubro de 2007, não há que se falar em decadência (de fato prescrição) do direito de a Fazenda cobrar os débitos cujas compensações não serão convalidadas. Portanto, demonstrado que a recorrente executou a sentença que lhe reconheceu o direito de repetir/compensar os indébitos tributários do PIS decorrentes dos pagamentos indevidos nos termos dos Decretosleis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988, todas as compensações dos débitos tributários efetuados com aqueles indébitos não poderão ser homologadas. Em face do exposto, acolho os embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, conferindolhes efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 15374.004266/2001-40
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2001
COFINS. VENDAS INADIMPLIDAS. INCIDÊNCIA. RE 586.482/RS-RG.
Incide a COFINS sobre o valor das vendas inadimplidas, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 586.482/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62-A de seu Regimento Interno.
Numero da decisão: 3403-003.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Sustentou pela recorrente o Dr. Oscar Sant'anna de Freitas e Castro, OAB/RJ no 32.641.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2001 COFINS. VENDAS INADIMPLIDAS. INCIDÊNCIA. RE 586.482/RS-RG. Incide a COFINS sobre o valor das vendas inadimplidas, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 586.482/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62-A de seu Regimento Interno.
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AGOSTINI S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2001 COFINS. VENDAS INADIMPLIDAS. INCIDÊNCIA. RE 586.482/RSRG. Incide a COFINS sobre o valor das vendas inadimplidas, conforme decidiu definitivamente o pleno do STF no RE no 586.482/RS, de reconhecida repercussão geral, decisão esta que deve ser reproduzida por este CARF, em respeito ao disposto no art. 62A de seu Regimento Interno. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Sustentou pela recorrente o Dr. Oscar Sant'anna de Freitas e Castro, OAB/RJ no 32.641. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 42 66 /2 00 1- 40 Fl. 545DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Versa o presente processo sobre Auto de Infração (lavrado em 03/10/2001 fls. 112 a 1181) para exigência de créditos tributários referentes à COFINS, relativos a fatos geradores de 28/02/1999 a 31/05/2000, acrescidos de juros de mora (crédito com exigibilidade suspensa em virtude de medida liminar concedida nos autos do processo no 99.00157834), em total de R$ 1.026.828,27. A motivação expressa na descrição dos fatos da autuação é a seguinte: “durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências conforme termo de intimação fiscal de 19092001”. Em tal termo (fl. 12), informase que a empresa recolheu a COFINS de fevereiro de 1999 a julho de 2001 pela alíquota de 2%, e ainda não incluindo na base de cálculo do tributo outras receitas auferidas, na forma da Lei no 9.718/1998, cabendo destacar que a empresa declarou em DCTF somente os valores efetivamente pagos. Cientificada da autuação em 16/10/2001 (fl. 112), a empresa apresenta sua impugnação em 14/11/2001 (fls. 123 a 129), alegando, em síntese, que: (a) as razões de defesa que apresenta são matéria diferenciada daquela submetida à apreciação do Poder Judiciário; (b) impetrou mandado de segurança no 99.00157834 em 25/06/1999, visando a declaração do seu direito líquido e certo de não ser compelida ao pagamento da COFINS à alíquota de 3% bem como com a base de cálculo majorada pela Lei no 9.718/1998 (abarcando todas as receitas); e (c) a base de cálculo utilizada na autuação, além de incompatível coma Lei Complementar no 70/1991, está majorada por quantias que sequer constituem receitas, mesmo diante da Lei no 9.718/1998 (v.g. quantias que não são recebidas de fato, em virtude de inadimplência de seus clientes). Por fim, requer perícia contábil para identificar as notas fiscais/faturas emitidas mas não recebidas durante o período lançado, e anexa “cópias das contabilizações dos valores a receber” (fls. 138 a 160). Em 12/04/2002, antes do julgamento em primeira instância, a empresa apresenta a petição de fls. 162/163), anexando demonstrativo da base de cálculo da COFINS relativo ao período lançado, informando as receitas “não recebidas” (duplicatas vencidas e não pagas fl. 164). Em 12/12/2002, ainda antes do julgamento de piso, a empresa apresenta nova petição (fls. 165/166), informando que em razão do entendimento proferido pelo STF acerca da constitucionalidade da Lei no 9.718/1998, optou por desistir da referida ação judicial, efetuando o recolhimento da contribuição, acrescido de juros de mora, nos termos do art. 14 da MP no 75/2002, combinado com o art. 63 da Lei no 9.430/1996, cf. documentos/DARF de fls. 167 a 208. Pede assim a exclusão de tais valores do presente processo. No julgamento de primeira instância, efetuado em 16/03/2006 (fls. 244 a 251), acordase unanimemente pela improcedência da impugnação, sob os fundamentos de que: (a) verificando os DARF apresentados, percebese que os montantes a título de principal nos meses 01/2000 e 11/2000 são menores que os lançados na autuação, e que os juros de mora referentes a 02/1999 e 07/1999 também são inferiores aos exigidos no auto de infração (ainda que desconsiderada a diferença de datas); (b) a diligência/perícia proposta é irrelevante à lide; (c) a COFINS deve ser apurada pelo regime de competência, sendo o regime das mutações patrimoniais o de competência, conforme art. 177 da Lei no 6.404/1976; (d) refeita auferida é 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 546DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15374.004266/200140 Acórdão n.º 3403003.087 S3C4T3 Fl. 546 3 aquela obtida, ganha, realizada, independente de seu efetivo recebimento, o que se confirma pela leitura do art. 3o, I e do art. 7o da Lei no 9.718/1998; e (e) quanto aos recolhimentos, deve a Delegacia de origem, depois de confirmar sua validade, efetuar a imputação aos créditos tributários lançados na autuação. Em 23/08/2006, a empresa foi intimada (fl. 252) a apresentar cópias de petições, sentenças, acórdãos e certidão de objeto e pé atualizada em relação ao processo judicial, e justificativa para os recolhimentos por DARF. Após a resposta da empresa (fls. 253/254) e a análise dos documentos por ela anexados, a unidade local se manifesta em 22/12/2006 (fl. 372) informando que a ação judicial teve a liminar deferida, mas na sentença o pedido foi julgado improcedente, resultado mantido pelo TRF2a Região, tendo ainda a solicitação de desistência da ação sido negado pelo Poder Judiciário, tendo em justa já haver julgamento de mérito. Assim, transitou em julgado a ação com decisão desfavorável ao contribuinte. Cientificada do resultado do julgamento em 10/02/2011 (cf. doc. de fl. 516), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 04/03/2011 (fls. 520 a 527), alegando que: (a) requereu que os autos tivessem sido encaminhados à unidade local para exoneração dos débitos em função do disposto no art. 156, I do CTN, mas apesar disso eles foram enviados a julgamento; (b) a DRJ julgou procedente o lançamento a despeito dos valores recolhidos em relação aos períodos lançados, de acordo com as normas vigentes (art. 21 da MP no 66/2002 e art. 14 da MP no 75/2002); e (c) ainda que eventualmente os valores recolhidos tenham sido insuficientes, deveriam ser remetidos os autos à unidade local para imputação dos pagamentos, devendo ser cobrado eventual saldo devedor. Por fim, reitera a argumentação exposta na impugnação sobre quantias não recebidas efetivamente em razão de inadimplência dos clientes. O processo foi objeto de julgamento na 1a Turma Ordinária da Quarta Câmara do CARF, em 28/06/2012 (Resolução no 3401000.525, fls. 538 a 543), sob a relatoria do Cons. Odassi Guerzoni Filho, que não faz mais parte deste colegiado, tendo sido acordado unanimemente pelo sobrestamento do julgamento tendo em vista a reconhecida repercussão geral no RE no 586.482/RS, e o disposto no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256/2009 (com a redação dada pela Portaria MF no 586/2010), no que se refere à “exigibilidade do PIS e da COFINS sobre os valores das vendas a prazo inadimplidas” (Tema no 87). Com o advento da Portaria MF no 545, de 18/11/2013, que revogou os §§ 1o e 2o do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, o presente processo volta a ser distribuído, para apreciação pelo colegiado, independente da decisão definitiva a ser proferida pelo STF no RE no 606.107/RS. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Fl. 547DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Resta pouco a decidir no presente processo. A questão referente ao tema submetido ao Poder Judiciário (pagamento da COFINS à alíquota de 3%, e com base de cálculo majorada pela Lei no 9.718/1998, abarcando todas as receitas) sequer foi objeto do contencioso administrativo, como a recorrente deixa claro em suas peças de defesa. Assim, procedente a autuação efetuada com destaque de exigibilidade suspensa, neste aspecto. Com o trânsito em julgado da ação judicial, de forma contrária aos interesses da empresa, e com os DARF de recolhimentos apresentados, basta à unidade local finalmente efetuar a imputação tão solicitada ao longo do processo, à luz da legislação então vigente, e cobrar eventuais diferenças. Vejase que a referida imputação não é prejudicial ao presente julgamento, pois a matéria não faz parte do contencioso, mas sim da liquidação dos débitos (total ou parcial). E destaquese que a solicitação de desistência da ação judicial foi protocolizada em 02/12/2002 (fl. 167), e reiterada em 10/12/2002 (fl. 368), com pagamentos efetuados em 29/11/2002 (fls. 167 a 208). Assim, a priori, restariam cumpridos os prazos estabelecidos no art. 21 da MP no 66/2002, combinado com o art. 14 da MP no 75/2002 (pagamento até último dia útil de novembro, e comprovação da desistência). A União inclusive concordou com o pedido de desistência em 01/04/2003 (fl. 369). Ocorre que o processo havia sido objeto de julgamento em 29/10/2002 (fls. 275 a 280), e, por óbvio, não foi objeto de recurso (pois havia solicitação de desistência), havendo informação manuscrita à fl. 273 atestando o trânsito em julgado em 06/05/2003, e informando que naquele momento já descabia a desistência. Não é preciso muito esforço, contudo, para perceber que ao tempo do protocolo da desistência efetivamente havia ação judicial ainda em trâmite, e foram efetuados pagamentos (que devem ser imputados na forma da legislação então vigente). Sem embargo, reiterese que a imputação e a manifestação sobre o cumprimento dos requisitos das Medidas Provisórias é matéria afeta à liquidação, e de competência da unidade local, seguindo rito próprio, e não deve se misturar com os temas tratados no presente contencioso. Destaquese que o motivo de este processo ainda não ter sido apreciado conclusivamente por este CARF foi a pendência em relação ao único tema discutido administrativamente: o cabimento da exigência de COFINS sobre quantias não recebidas efetivamente em razão de inadimplência dos clientes (vendas inadimplidas). Detectou o relator da Resolução que determinou o sobrestamento a existência de repercussão geral em relação à matéria no STF (RE no 586.482/RS Tema no 87), motivação suficiente à época, pelo regimento do CARF, para deter o julgamento administrativo. Contudo, dois eventos posteriores possibilitam (em verdade, obrigam) o retorno da análise, agora de forma definitiva, por este CARF. O primeiro é a revogação dos §§ 1o e 2o do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, pela Portaria MF no 545, de 18/11/2013, que permitia o sobrestamento administrativo dos processos sobre as matérias com repercussão geral Fl. 548DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15374.004266/200140 Acórdão n.º 3403003.087 S3C4T3 Fl. 547 5 reconhecida pelo STF, ainda não julgadas definitivamente pela corte suprema. Permaneceu vigente no referido art. 62A somente o comando do caput: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” (grifo nosso) O segundo evento é exatamente a decisão definitiva, pelo STF, em relação à matéria. Em 23/11/2011 (com publicação em 19/06/2012) o pleno da corte julgou o RE no 586.482/RS, acordando, por maioria de votos (vencidos os Min. Marco Aurélio e Celso de Mello), que: “EMENTA TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS. ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO COM AS HIPÓTESES DE CANCELAMENTO DA VENDA. 1. O Sistema Tributário Nacional fixou o regime de competência como regra geral para a apuração dos resultados da empresa, e não o regime de caixa. (art. 177 da Lei nº 6.404/¨76). 2. Quanto ao aspecto temporal da hipótese de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS, portanto, temos que o fato gerador da obrigação ocorre com o aperfeiçoamento do contrato de compra e venda (entrega do produto), e não com o recebimento do preço acordado. O resultado da venda, na esteira da jurisprudência da Corte, apurado segundo o regime legal de competência, constitui o faturamento da pessoa jurídica, compondo o aspecto material da hipótese de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, consistindo situação hábil ao nascimento da obrigação tributária. O inadimplemento é evento posterior que não compõe o critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. 3. No âmbito legislativo, não há disposição permitindo a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições em questão. As situações posteriores ao nascimento da obrigação tributária, que se constituem como excludentes do crédito tributário, contempladas na legislação do PIS e da COFINS, ocorrem apenas quando fato superveniente venha a anular o fato gerador do tributo, nunca quando o fato gerador subsista perfeito e acabado, como ocorre com as vendas inadimplidas. 4. Nas hipóteses de cancelamento da venda, a própria lei exclui da tributação valores que, por não constituírem efetivos ingressos de novas receitas para a pessoa jurídica, não são dotados de capacidade contributiva. 5. As vendas canceladas não podem ser equiparadas às vendas inadimplidas porque, diferentemente dos casos de cancelamento de vendas, em que o negócio jurídico é desfeito, extinguindose, assim, as obrigações do credor e do devedor, as vendas inadimplidas a despeito de poderem resultar no cancelamento das vendas e na Fl. 549DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 consequente devolução da mercadoria , enquanto não sejam efetivamente canceladas, importam em crédito para o vendedor oponível ao comprador. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento.(RE 586482, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 23/11/2011, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe119 DIVULG 18062012 PUBLIC 19062012 RDDT n. 204, 2012 , p. 149157 RT v. 101, n. 923, 2012, p. 691706) (grifo nosso) Em consulta ao sítio web do STF, atestase que tal acórdão transitou em julgado em 06/08/2012. Aplicável, assim, o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, devendo esta corte administrativa reproduzir a decisão definitiva de mérito proferida pelo STF na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil. Improcedente, assim, nesse tópico, o recurso voluntário. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Fl. 550DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10073.902043/2009-78
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
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Numero da decisão: 3802-003.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. Bem como o contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 20 43 /2 00 9- 78 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ. Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica, cujo suposto crédito pleiteado é oriundo de pagamento a maior, a título de PIS/COFINS, referente ao período de apuração indicado. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRF Volta Redonda, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada alega em sede de manifestação de inconformidade que: A Empresa apurou créditos de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior a qual se utilizou dos benefícios legais e que no momento do procedimento das compensações — PER/DCOMP informou corretamente todos os dados constantes no DARF como também o crédito, já identificado no despacho decisório. Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório, nos seguintes termos: INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA.PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902043/200978 Acórdão n.º 3802003.101 S3TE02 Fl. 125 3 Portanto, o julgamento foi no sentido de não acolher a pretensão pela falta de liquidez e certeza do aludido crédito de compensação. Consta a informação que tendo em vista a greve dos correiosETC, não foi possível precisar data do AR, pois o mesmo foi extraviado, dessa forma fica o recurso voluntário aceito. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, a recorrente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, já que o alegado recolhimento indevido não fora suficiente. O cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, ou seja, submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. A não homologação, não obstante, localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado totalmente para a quitação do débito indicado. Portanto, a análise das declarações prestadas à Receita Federal mostra que o crédito utilizado na compensação declarada não é suficiente. Não havendo saldo disponível para suporte de uma nova extinção, por meio de compensação. Não há a disponibilidade, tampouco suficiência de tal direito creditório, muito menos a efetividade e regularidade da compensação alegada, por meio da apresentação da escrituração contábil e fiscal. Observase, portanto, que a Receita Federal em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Assim sendo, o Despacho Decisório foi lançado perfeitamente, com base nas informações disponíveis à Receita Federal. Como sabido, a Lei nº 9.430/96 prevê que somente os créditos passíveis de restituição e compensação poderão ser utilizados na compensação tributária. Quanto à retificação da DCTF, como argumenta a recorrente, mesmo que tivesse sido efetuada, não dispensa o dever de comprovar a origem do crédito alegado na PerdComp. Este dever está vinculado a quem solicita, inclusive com prova contábilfiscal robusta para suportar sua alegação, o que não ocorreu ao caso. Esta turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, desde que acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. São exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, dentre outros. Assim sendo, é ônus do recorrente de comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. A recorrente não comprova a alegação. Não junta aos autos qualquer documento contábilfiscal que pudesse corroborar o direito alegado. Para que o alegado direito a crédito fosse comprovado, a contribuinte deveria ter trazido aos autos o demonstrativo de apuração das contribuições acompanhado da escrituração contábil e fiscal que pudesse lastrear as informações nele contidas. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. No que tange à prova, é de se observar o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): “Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Essa conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos , mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter Fl. 126DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902043/200978 Acórdão n.º 3802003.101 S3TE02 Fl. 126 5 oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Grifado) Por essa razão, não se pode aceitar a compensação em discussão, com base nas alegações da recorrente sem documentação necessária à comprovação da consistência dos créditos, que pretende compensar. Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 127DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10640.907664/2009-66
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Nos autos do processo de compensação tributária, o contribuite é autor do pedido de compensação tributária.
O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito creditório (CPC, art. 333, I).
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Os requisitos ou atributos de liquidez e certeza do crédito objetado contra a Fazenda Pública devem estar presentes, satisfeitos na data de transmissão da DCOMP, que é a data da compensação tributária, sob condição resolutória.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os débitos e os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1802-002.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira.
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Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Nos autos do processo de compensação tributária, o contribuite é autor do pedido de compensação tributária. O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito creditório (CPC, art. 333, I). Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Os requisitos ou atributos de liquidez e certeza do crédito objetado contra a Fazenda Pública devem estar presentes, satisfeitos na data de transmissão da DCOMP, que é a data da compensação tributária, sob condição resolutória. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os débitos e os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
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ÔNUS DA PROVA. Nos autos do processo de compensação tributária, o contribuite é autor do pedido de compensação tributária. O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito creditório (CPC, art. 333, I). Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Os requisitos ou atributos de liquidez e certeza do crédito objetado contra a Fazenda Pública devem estar presentes, satisfeitos na data de transmissão da DCOMP, que é a data da compensação tributária, sob condição resolutória. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os débitos e os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 76 64 /2 00 9- 66 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10640.907664/200966 Acórdão n.º 1802002.162 S1TE02 Fl. 120 2 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira. . Fl. 120DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10640.907664/200966 Acórdão n.º 1802002.162 S1TE02 Fl. 121 3 Relatório Cuidam os autos de Recurso Voluntário de efls.52/55 contra decisão da 2ª Turma da DRJ/Juiz de Fora (efls. 31/34) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 21/12/2007, a Contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 26707.36685.211207.1.3.044005 (efls. 10/17 e 58/64), informando compensação tributária: débitos informados: a) IRPJ, código de receita 2089 – regime Lucro Presumido, período de apuração 4º trimestre/2007, data de vencimento 31/01/2008, valor R$ 1.237,07; b) – CSLL, código de receita 2372 – regime Lucro Presumido, período de apuração 4º trimestre/2007, data de vencimento 31/01/2008, valor R$ 4.768,96; c) Cofins, código de receita 2172, PA novembro/2007, data de vencimento 20/12/2007, valor R$ 8. 816,18 (R$ 7.790,48 – principal; e multa de mora R$ 25,70); d) PIS, código de receita 8109, PA novembro/2007, data de vencimento 20/12/2007, valor R$ 1.693,51 (R$ 1.687,94 –principal; e multa de mora R$ 5,57); e) IRRF, código de receita 1708, PA novembro/2007, data de vencimento 10/12/2007, valor R$ 104,22 (R$ 100,57 – principal; e multa de mora R$ 3,65); f) IRRF, código de receita 0561, PA novembro/2007, data de vencimento 10/12/2007, valor R$ 806,26 (R$ 778,02 – principal; e multa de mora R$ 28,24). crédito utilizado (valor original na data da transmissão): R$ 9.663,01: que o direito creditório pleiteado decorreu de pagamento indevido ou a maior do IRPJ do período de apuração 31/03/2003 (1º trimestre/2003 – 1º cota), código de receita 2089 (regime de apuração Lucro Presumido), data de arrecadação 30/04/2003, valor do DARF R$ 10.073,46. Cópia do DARF (efl. 05). Em 07/10/2009, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico), efl. 04, pela DRF/Juiz de Fora, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) Fl. 121DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10640.907664/200966 Acórdão n.º 1802002.162 S1TE02 Fl. 122 4 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 10.073,46. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitagão de débitos do contribuinte, não restando crédito disponivel para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...). Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Ciente dessa decisão em 20/10/2009 (efls. 21/22), a Contribuinte, em 17/11/2009, apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.02/03), juntando ainda documentos de efls. 04/17, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que efetuou pagamento do IRPJ no valor de R$ 10.073,46, do PA 31/03/2003, data de recolhimento 30/04/2003 (1ª cota), código de receita 2089; que verificou, posteriormente, que o pagamento deuse indevidamente; que, em 30/05/2008, transmitiu eletronicamente a DIPJ Retificadora, em relação à DIPJ 2004 (anocalendário 2003), apresentando saldo negativo quanto ao 1º treimestre, pois os recolhimentos de IRRF foram maiores do que o IRPJ apurado, e ainda houve apuração de saldo negativo quanto aos demais trimestres (efls. 07/09); que, em 31/07/2009, transmitiu eletronicamente a DCTF Retificadora, zerando (R$ 0,00) o débito do IRPJ do PA 31/03/2003, em relação à DCTF primitiva do 1º trimestre/2003, conforme recibo de entrega (efl. 06); que, em 21/12/2007, transmitiu o PER/DCOMP objeto dos autos, utilizando o crédito de pagamento indevido do PA 31/03/2003; que tem direito à utilização do crédito pleiteado na compensação informada PER/DCOMP.. A 2ª Turma da DRJ/Juiz de Fora, não acatando a DCTF retificadora que excluiu o débito confessado na DCTF primitiva e não acatando a DIPJ Retificadora que mudou o coeficiente de presunção do lucro, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, Fl. 122DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10640.907664/200966 Acórdão n.º 1802002.162 S1TE02 Fl. 123 5 não reconhecendo o crédito pleiteado, conforme Acórdão, de 21/11/2011, cuja ementa transcrevo a seguir (efl. 31), in verbis: (...) ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. A homologação da extinção de débitos mediante compensação somente é possível se o crédito confirmase líquido e certo à data da apresentação da DCOMP, o que não ocorre se o percentual de receita bruta é alterado pela interessada posteriormente à utilização do crédito em DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 06/03/2012 (efl. 46), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (efls. 53/55) em 29/03/2012, juntando ainda os documentos de e fls.56/101, reiterando as razões já aduzidas na instância a quo; porém, ainda acrescentou: que a DCTF Retificadora, de 31/07/2009 (efls. 103/114) e a DIPJ Retificadora, de 30/05/2008 (efls. 65/101), foram apresentadas, transmitidas eletronicamente, para remoção, correção do erro de fato ocorrido nas respectivas declarações primititivas (preenchidas com dados incorretos), pela inexistência de débito a pagar quanto ao PA 31/03/2003; que houve pagamento indevido do imposto relativo ao citado período de competência; que, diversamente do entendimento da decisão a quo, a questão é apenas de alocação de valores, certos e líquidos, do efetivo pagamento indevido para extinção dos débitos confessados na DCOMP; que, caso o direito creditório não seja reconhecido (compensação não homologada), estará sendo penalizada, castigada (a Recorrente), pois terá que pagar os débitos confessados na DCOMP e, ainda, não poderá pleitear o direito creditório denegado em novo PER/DCOMP em face do prazo prescricional. Por fim, antes essas razões, a Recorrente pediu o reconhecimento do direito creditório pleiteado e a extinção dos débitos pela homologação da compensação. É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10640.907664/200966 Acórdão n.º 1802002.162 S1TE02 Fl. 124 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado. Logo, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de declação de compensação tributária. Nesse sentido, a Contribuinte transmitiu eletronicamente em 21/12/2007 a declaração de compensação, mediante utilização do programa gerador – PER/DCOMP, informando compensação tributária, sob condição resolutória, onde consta a) crédito (utilizou): pleiteou aproveitamento de crédito de pagamento indevido do IRPJ, no valor de R$ R$ 9.663,01 (valor original), quanto ao PA 1º trimestre/2003, regime do Lucro Presumido, código de receita 2089, data de recolhimento (1ª cota) – Comprovante de Pagamento DARF de 30/04/2003, R$ 10.073,46 – valor orignal (efls. 05, 10/17 e 58/64); b) débitos (confessados) para serem quitados pelo aproveitamento do crédito acima demandado: os débitos estão discriminados, já identificados no relatório. Nesta instância recursal, a Recorrente, nas razões do recurso manejado, rebelase contra a decisão a quo, que denegou o crédito pleiteado e não homologou a compensação informada (não extinguiu os débitos confessados na DCOMP), argumentando, em síntese, quanto à origem do crédito demandado: que apurou e informou na DIPJ primitiva (transmitida em 28/06/2004) – e fls. 25/31 e confessou na DCTF primitiva, quanto ao PA 31/03/2003 (1º trimestre/2003), débito do IRPJ a pagar, apurado com base no lucro presumido, no valor de R$ 29.945,94; que pagou a 1ª cota do IRPJ do 1º trimestre/2003, em 30/04/2003, no valor de R$ 10.073,48, conforme cópia do comprovante de pagamento DARF (efl.05); que, entretanto, em 30/05/2008 (efls. 07/09), apresentou DIPJ Retificadora (anocalendário 2003), alterando IRPJ a pagar de R$ 29.945,94 para saldo negativo de IRPJ ( R$ 1.482,82) quanto ao 1º trimestre/2003, conforme Ficha 14A Apuração do Imposto de Renda sobre o Lucro Presumido; que a entrega DIPJ retificadora foi necessária para corrigir, suprimir, o erro de fato que cometera na apuração do imposto na DIPJ primitiva, quando aplicara, indevidamente, o coeficiente de presunção do lucro de 32%, quando o correto é a utilização do coeficiente de presunção do lucro de 8% sobre a receita bruta de serviços; que, em 31/07/2009, transmitiu eletronicamente a DCTF retificadora, excluindo integralmente o débito do IRPJ confessado na DCTF primitiva, quanto ao PA 1º trimestre/2003, ajustando a situação à DIPJ retificadora (efl. 06). Fl. 124DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10640.907664/200966 Acórdão n.º 1802002.162 S1TE02 Fl. 125 7 que, então, entende ter demonstrado a origem do crédito utilizado na DCOMP, ou seja, o pagamento indevido do IRPJ quanto ao 1º trimestre/2003 que entende, ainda, ser simples a resolução da lide, ou seja, para quitação dos débitos confessados na DCOMP basta ao fisco fazer a alocação de valores, líquidos e certos, do pagamento efetuado indevidamente do IRPJ (crédito pleiteado). Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo à análise do mérito da lide. No mérito, a irresignação da Recorrente não merece prosperar. A Contribuinte não comprovou nos autos o alegado erro de fato na apuração do IRPJ do 1º trimestre/2003 que teria implicado pagamento indevido do imposto. Ora, a mera menção ou alusão, nas razões do recurso, de que o imposto deveria ter sido apurado com coeficiente de presunção do lucro de 8% sobre a receita bruta de serviços e não pelo coeficiente de 32% nada está a comprovar em seu favor, não justificando a DIPJ retificadora e a DCTF retificadora. Não autos não consta elemento de prova, cabal, da razão pela pela qual a Recorrente alterou, ao seu alvedrio, a apuração do IRPJ do 1º trimestre/2003 e sequintes, reduzindo o coeficiente de presunção do lucro de 32% sobre a receita bruta de serviços para 8% na DIPJ retificadora e na DCTF retificadora, se tal coeficiente de presunção de lucro reduzido é aplicado para comércio e indústria, e não para prestação de serviços em geral (Lei nº 9.249/95, art. 15, caput). Como visto, o alegado erro de fato na apuração do IRPJ do 1º trimestre/2003 não restou comprovado nos autos, pois a Recorrente não comprou a origem, natureza, de suas receitas de serviços para para fazer jus à aplicação do coeficiente de presunção do lucro de 8% sobre a receita bruta de serviços. Não juntou cópia dos livros de sua escrituração contábil/fiscal (livros Caixa, Diário, Razão, Lalur etc) e documentos de suporte dos lançaamentos contábeis e autorização para funcionamento. Não comprovado o alegado erro de fato, que teria implicado utilização indevida de coeficiente de presunção do lucro e apuração a maior de IRPJ a pagar (declarados na DIPJ primitiva e na DCTF primitiva), não há como acolher as DIPJ e DCTF refificadoras,.para ajuste da apuração do imposto, com adoção de coeficiente de presunção do lucro de 8% sobre a receita bruta de serviços. Não comprovado o alegado erro de fato, não há crédito a ser deferido, pela falta de certeza e liquidez. No regime do Lucro Presumido, quanto à escrituação contábil/fiscal, estatui o art. 527 do RIR/99, in verbis: Art. 527. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1985, art. 45): I – escrituração contábil nos termos da legislação comercial; Fl. 125DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10640.907664/200966 Acórdão n.º 1802002.162 S1TE02 Fl. 126 8 II – Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do ano caaalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único.O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). Em relação ao valor probante da escituração do contribuinte, o RIR/99 (art. 923) estabelece: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decretos Lei nº 1.598, de 1977, art.9º, § 1º). Ainda, cabe lembrar que no processo de compensação tributária, a Contribuinte é autora de demanda contra o fisco, ou seja, pedido de aproveitamento de crédito, mediante apresentação de PER/DCOMP. A compensação tributária somente é autorizada entre débitos do próprio do contribuinte e crédito próprio, líquido e certo na data da compensação, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (...) Nesse sentido é também a Lei nº 9.430/96 (art. 74), in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010)(Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013). Fl. 126DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10640.907664/200966 Acórdão n.º 1802002.162 S1TE02 Fl. 127 9 § 1oA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2oA compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) É cediço que, ao peticionar, cabe ao autor comprovar o fato constitutivo do direito de crédito que alega ter. Nesse sentido, dispõe o art. 333, I, do Código de processso Civil Brasileiro – CPC: "Art. 333. O ônus da prova incumbe: 1 ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – (...) Quanto ao momento da produção das provas, dipõem os artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I – (....) II – (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) Nesta instância recursal, como já dito a Contribuinte também não comprovou o suposto erro de fato que pudesse justificar, comprovar a necessidade de apresentação de DIPJretificadora e de DCTFretificadora para redução do IRPJ a pagar do 1º trimestre/2003, informado na DIPJ primitiva e confessado na DCTF primitiva, relativo ao citado PA. Por fim, como razão de decidir, ainda adoto os fundamentos do voto condutor da decisão recorrida (efls. 33/34): (...) A empresa alega que apurou saldo negativo para o 1° trimestre do anocalendário de 2003, que deve ser considerado como correto, ficando assim homologada a compensação. Tal Fl. 127DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10640.907664/200966 Acórdão n.º 1802002.162 S1TE02 Fl. 128 10 alegação não merece prosperar pelos motivos explicitados a seguir. Com fulcro no parágrafo 14°, do artigo 74 da Lei 9.430/1996, que prevê que "a Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação", foi emitida a Instrução Normativa SRF n° 210/2002, cujo artigo 28 estabelece que "na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação" (grifei). Tal Instrução Normativa foi revogada pela de n° 460/2004, que por sua vez foi revogada pela de n° 600/2005, que mantêm a mesma determinação também no artigo 28. Portanto não resta dúvidas de que a compensação se dá na data da transmissão da DCOMP. De fato, a homologação da extinção de débitos mediante compensação somente é possível se o crédito confirmase líquido e certo à. data da apresentação da DCOMP, o que não ocorre se o percentual de receita bruta (coefieciente de presunção do lucro presumido) é alterado pela interessada, posteriormente à utilização do crédito em DCOMP, fato que gerou o saldo negativo do IRPJ para o 1° trimestre de 2003, conforme telas do sistema IRPJCONS, anexadas às fls. 24/30. No caso, temos que quando da transmissão da DCOMP o crédito não estava disponível para compensação, visto que o pagamento foi corretamente alocado ao débito declarado em DCTF e na DIPJ. (...) Correta a fundamentação da decisão recorrida pelo não reconhecimento do crédito pleiteado, pois, quando da transmissão da DCOMP, já nessa data, o citado crédito reclamado não atendia aos atributos de certeza e liquidez, e não podia ser utilizado/deferido. O crédito deve atender os atributos de certeza e liquidez na data da transmissão da DCOMP, pois nessa data dáse a compensação sob condição resolutória. Senão vejamos: A DCOMP foi transmitida pela internet em 21/12/2007 (efls. 10/17 e 58/64). Em 30/05/2008, a Contribuinte transmitiu eletronicamente a DIPJ Retificadora, em relação à DIPJ 2004 (anocalendário 2003), apresentando saldo negativo quanto ao 1º treimestre, pois os recolhimentos de IRRF foram maiores do que o IRPJ apurado, e ainda houve apuração de saldo negativo quanto aos demais trimestres (efls. 07/09); Em 31/07/2009, transmitiu eletronicamente a DCTF Retificadora, zerando (R$ 0,00) o débito do IRPJ do PA 31/03/2003, em relação à DCTF primitiva do 1º trimestre/2003, conforme recibo de entrega (efl. 06). Fl. 128DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10640.907664/200966 Acórdão n.º 1802002.162 S1TE02 Fl. 129 11 Ora, como demonstrado, a DIPJ retificadora e a DCTF – retificadora foram transmitidas, entregues à RFB muito tempo após a entrega da DCOMP (apenas no ano seguinte ou anos seguintes). Logo, já na data de transmissão da DCOMP não havia crédito disponível, líquido e certo, para utilização para compensação tributária, pois o pagamento do IRPJ do PA 1º trimestre/2003 estava validamente alocado, integralmente, ao débito informado na DIPJ primitiva e confessado na DCTF primtitiva. Até a data da transmissão da DCOMP não havia transmissão da DIPJ retificadora e da DCTF retificadora corrigindo eventual erro de fato na apuração do imposto, pois o suposto erro de fato na apuração do imposto é uma questão levantada pela Recorrente após, muito tempo após, a transmissão ou entrega da DCOMP. De qualquer forma, ainda que o alegado erro de fato na apuração do imposto tivesse sido comprovado nos presentes autos, que não é o caso (pois não restou comprovado), a Contribuinte ainda assim não teria melhor sorte, pois o alegado erro de fato, sendo uma questão constatada e agitada pela Contribuinte tãosomente após a entrega da DCOMP, implica na inferência, iniludível, de que o crédito utilizado na DCOMP, na data de sua transmissão não atendia aos requisitos de liquidez e certeza. O atendimento de liquidez e certeza do crédito são atributos que devem estar presentes na data de transmissão da DCOMP (data em que se efetiva a compensação sob condição resolutória). E, no caso, na data de transmissão da DCOMP não havia crédito disponível, pois o pagamento, recolhimento, já estava integralmente alocado ao débito do imposto validamente informado na DIPJ primitiva e confessado na DCTF primititiva. E a questão do pretenso erro de fato, até então, sequer era conhecida, para gerar o crédito pleiteado na DCOMP. Tanto é verdade que até agora a Recorrente não comprovou, nos presentes autos, o alegado erro de fato na apuração do IRPJ do 1º trimestre/2003 que pudesse justificar a transmissão das declarações retificadoras. Ademais, a Recorrente, inclusive nesta instância recursal, em momento algum trouxe à discussão qual a razão, o motivo, que a levou a alterar o coeficiente de presunção do lucro presumido de 32% (DIPJ primitiva e DCTF primitiva) para 8% (DIPJ – retificadora e DCTF retificadora) para as receitas de sua atividade exclusivamente de prestação de serviços, pois sequer comprou a origem, a natureza de sua atividade e das receitas de prestação de serviços. A mera alegação, após a entrega da DCOMP, de suposto erro de fato na apuração do imposto do PA – 1º trimestre/2003 e que teria, por conseguinte, implicado pagamento indevido do imposto (origem do pretenso crédito pleiteado), não tem o condão de afastar a aplicação da regra geral, ou seja, do coeficiente de presunção do lucro de 32% sobre as receitas de prestação de serviços do anocalendário 2003, pois a Recorrente: a) não comprovou a razão ou o motivo para fazer jus à aplicação do coeficiente de presunção do lucro de 8% e não 32%; b) não comprovou a a origem das receitas, nem a natureza da prestação de serviços; Fl. 129DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10640.907664/200966 Acórdão n.º 1802002.162 S1TE02 Fl. 130 12 c) não juntou cópia de livros de sua escrituração contábil/fiscal (livros Diário, Razão, Caixa, Inventário e Lalur) e documentos de suporte; d) não juntou prova de que tinha, na época, autorização do Poder Público para funcionamento, exercício de atividade específica, contemplada ou sujeita à apuração do imposto com coeficiente reduzido de presunção do lucro. Além disso, mesmo que o alegado erro de fato fosse comprovado nos presentes autos, que não é o caso (pois não restou comprovado), o crédito não poderia ter sido utilizado na DCOMP (crédito foi utilizado indevidamente), pois, já na data da transmissão da DCOMP, não atendia aos requisitos de certeza e liquidez. Tanto é verdade que a DIPJ retiticadora e a DCTF retificadora foram apresentadas, transmitidas, entregues ao fisco, no ano seguinte ou nos anos seguintes à transmissão da DCOMP e, além de tudo, persiste sem comprovação, até o momento, o alegado erro de fato que pudesse justificar as declarações retificadoras apresenadas pela Contribuinte. Logo, as citadas declarações retificadoras da DIPJ e da DCTF não podem ser acatadas. Por conseguinte, não restou comprovado o crédito pleiteado. Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 130DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 11020.720063/2007-49
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 9303-000.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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score : 1.0
Numero do processo: 18470.730998/2011-61
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO NULIDADE. RESPONSABILIDADE PESSOAL. ERRO NA QUALIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INOCORRÊNCIA.
Correto é o lançamento de tributos e multas efetuado em desfavor de sócio com poderes de administração da sociedade por seus atos praticados com infração de lei, em virtude de sua responsabilidade pessoal.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.
A não comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento, após regular intimação, autoriza o lançamento do imposto correspondente, por presunção legal de omissão de rendimentos, transferindo o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada.
ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Deve ser arbitrado o lucro quando a escrituração mantida pelo contribuinte for considerada imprestável para a determinação do lucro real, em decorrência da apuração de omissão de receitas em depósitos de origem não comprovada.
TRIBUTOS REFLEXOS. DECORRÊNCIA. PIS, COFINS E CSLL.
Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das contribuições sociais, o que foi decidido em relação àquele é aproveitado nos lançamentos destas.
Numero da decisão: 1802-002.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e no mérito em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO NULIDADE. RESPONSABILIDADE PESSOAL. ERRO NA QUALIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INOCORRÊNCIA. Correto é o lançamento de tributos e multas efetuado em desfavor de sócio com poderes de administração da sociedade por seus atos praticados com infração de lei, em virtude de sua responsabilidade pessoal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A não comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento, após regular intimação, autoriza o lançamento do imposto correspondente, por presunção legal de omissão de rendimentos, transferindo o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Deve ser arbitrado o lucro quando a escrituração mantida pelo contribuinte for considerada imprestável para a determinação do lucro real, em decorrência da apuração de omissão de receitas em depósitos de origem não comprovada. TRIBUTOS REFLEXOS. DECORRÊNCIA. PIS, COFINS E CSLL. Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das contribuições sociais, o que foi decidido em relação àquele é aproveitado nos lançamentos destas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e no mérito em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
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RESPONSABILIDADE PESSOAL. ERRO NA QUALIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INOCORRÊNCIA. Correto é o lançamento de tributos e multas efetuado em desfavor de sócio com poderes de administração da sociedade por seus atos praticados com infração de lei, em virtude de sua responsabilidade pessoal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A não comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento, após regular intimação, autoriza o lançamento do imposto correspondente, por presunção legal de omissão de rendimentos, transferindo o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Deve ser arbitrado o lucro quando a escrituração mantida pelo contribuinte for considerada imprestável para a determinação do lucro real, em decorrência da apuração de omissão de receitas em depósitos de origem não comprovada. TRIBUTOS REFLEXOS. DECORRÊNCIA. PIS, COFINS E CSLL. Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das contribuições sociais, o que foi decidido em relação àquele é aproveitado nos lançamentos destas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 73 09 98 /2 01 1- 61 Fl. 1681DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 18470.730998/201161 Acórdão n.º 1802002.199 S1TE02 Fl. 37 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade e no mérito em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 1682DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 18470.730998/201161 Acórdão n.º 1802002.199 S1TE02 Fl. 38 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Impugnação apresentada pela contribuinte, mantendo o crédito lançado de IRPJ, a CSLL, o PIS e a Cofins, todos acrescidos com multa de ofício qualificada e o juros de mora. Por economia processual, passamos a adotar o relatório da DRJ: “Trata o presente processo do auto de infração de fls. 260 a 291, lavrado pela DEFIS/RJO, no qual consta a exigência de: • Imposto de renda da pessoa jurídica – IRPJ, cód. 2917, no valor de R$ 23.437,96, multa de ofício no percentual de 75 % no valor de R$ 2.134,74, multa de ofício qualificada no percentual de 150 % no valor de R$ 30.887,44, e juros de mora; • Contribuição para o programa integração social – PIS, cód. 2986, no valor de R$ 7.201,89, multa de ofício qualificada no percentual de 150 % e juros de mora; • Contribuição para financiamento da seguridade social – COFINS, cód. 2960, no valor de R$ 33.239,55, multa de ofício qualificada no percentual de 150 % e juros de mora; • Contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, cód. 2973, no valor de R$ 32.934,65, multa de ofício no percentual de 75 % no valor de R$ 768,51, multa de ofício qualificada no percentual de 150 % no valor de R$ 47.864,95, e juros de mora. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 1276 e 1277 e do termo de constatação e verificação fiscal de fls. 1298 a 1305, os lançamentos se devem a apuração da omissão de receitas da atividade da pessoa jurídica BH Serviços de Cobrança S/C Ltda. ME, CNPJ nº 06.911.752/000190, em razão da existência de depósitos de origem não comprovada no período de dezembro de 2007, mediante arbitramento do lucro por ter sido considerada a escrituração mantida pela fiscalizada imprestável para a determinação do lucro real, bem como, no caso do lançamento do IRPJ, do Fl. 1683DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 18470.730998/201161 Acórdão n.º 1802002.199 S1TE02 Fl. 39 4 arbitramento do lucro sobre a receita bruta conhecida, não oferecida a tributação. A autuação foi lavrada em desfavor do sóciogerente da PJ, em virtude da mesma não mais possuir personalidade jurídica, haja vista que teve sua atividade encerrada, razão pela qual o seu CNPJ foi baixado, bem como da alegada responsabilidade pessoal do adminstrador, por ter praticado ato com infração a lei, ao utilizarse de interpostas pessoas para figurarem como titulares das contas correntes da fiscalizada. Cientificado em 28/11/2011 (AR de fl. 1312), o interessado apresentou em 22/12/2011 impugnação de fls. 1482 a 1496, acompanhada dos documentos de fls. 1497 a 1633, na qual, alega, em síntese: Preliminarmente a nulidade da autuação por erro na identificação do sujeito passivo, por inocorrência da hipótese de responsabilidade tributária do sóciogerente, e no mérito, pela impossibilidade do arbitramento em razão de que escrituração fiscal apresentada a fiscalização fora emitida com observância das disposições legais, além do fato de que teria comprovado a origem dos créditos bancários com a apresentação do livros razão e diário, da planilha com a identificação dos créditos bancários e dos contratos de prestação de serviço, elidindo, assim, a presunção legal de omissão de receitas. Insurgese contra a forma de apuração do valor tributável, sob alegação de que as receitas teriam sido presumidas pela autoridade fiscal, sem o devido respaldo legal, requerendo que seja feita a compensação do imposto pago, declarados na DIPJ; bem como quanto a aplicação da multa qualificada, afirmando que a utilização de conta de terceiros pela pessoa jurídica, não seria proibida pela legislação, e que estaria devidamente contabilizada a sua movimentação financeira, não estando assim comprovado pela autoridade fiscal o evidente intuito de fraude. Requer a realização de diligência para o exame de livros e confirmação de registros e dos resultados contábeis apurados pela pessoa jurídica que administrava, bem como a ciência da data de realização do julgamento, a fim de possibilitar a sua participação direta, com a entrega de memoriais e sustentação oral, e, por fim, o cancelamento da autuação. É o relatório.” Fl. 1684DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 18470.730998/201161 Acórdão n.º 1802002.199 S1TE02 Fl. 40 5 A DRJ do Rio de Janeiro (RJ) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 NULIDADE. RESPONSABILIDADE PESSOAL. ERRO NA QUALIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INOCORRÊNCIA. Correto é o lançamento de tributos e multas efetuado em desfavor de sócio com poderes de administração da sociedade por seus atos praticados com infração de lei, em virtude de sua responsabilidade pessoal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A não comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento, após regular intimação, autoriza o lançamento do imposto correspondente, por presunção legal de omissão de rendimentos, transferindo o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Deve ser arbitrado o lucro quando a escrituração mantida pelo contribuinte for considerada imprestável para a determinação do lucro real, em decorrência da apuração de omissão de receitas em depósitos de origem não comprovada. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS e COFINS Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 18470.730998/201161 Acórdão n.º 1802002.199 S1TE02 Fl. 41 6 Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 16/04/2013, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 15/05/2013, onde reitera todas as alegações feitas por ocasião de sua impugnação e juntando novos julgados para ao fim requerer o cancelamento do auto de infração e a ciência da data o julgamento. Este é o Relatório. Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 18470.730998/201161 Acórdão n.º 1802002.199 S1TE02 Fl. 42 7 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase o processo decorrente de autos de infração onde a autoridade administrativa lançou o montante de R$ 277.173,28 decorrente apuração da omissão de receitas da atividade da pessoa jurídica BH Serviços de Cobrança S/C Ltda. ME, CNPJ nº 06.911.752/000190, em razão da existência de depósitos de origem não comprovada no período de dezembro de 2007, mediante arbitramento do lucro por ter sido considerada a escrituração mantida pela fiscalizada imprestável para a determinação do lucro real, bem como, no caso do lançamento do IRPJ, do arbitramento do lucro sobre a receita bruta conhecida, não oferecida a tributação. Em virtude da pessoa jurídica ter sua atividade encerrada, com a baixa do CNPJ, e ter sido constatada a utilização de interpostas pessoas para figurarem como titulares das contas correntes da fiscalizada, o auto foi lavrado em desfavor do seu antigo sóciogerente. A partir daí cabe a análise da lide através dos pontos de defesa do Sr. Carlos Henrique Cunha Fridman, antigo sóciogerente da pessoa jurídica. I – QUANTO A PRELIMINAR DE NULIDADE Alega a Recorrente a nulidade da autuação por erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que não estaria presente a hipótese de responsabilidade pessoal do sóciogerente, prevista no caput do art. 135, do CTN, vez que teria feito utilização de contas bancárias de terceiras pessoas, respaldadas por contratos de mútuo, com a finalidade única de obter situação cadastral mais favorável perante as instituições financeiras, e que tal fato não constituise em infração a lei, posto que a movimentação financeira relativa a tais contas haviam sido devidamente contabilizadas na escrituração da pessoa jurídica. Quanto a essa alegação cabe a análise da Lei nº 9.430/96, art. 42 (com os acréscimos produzidos pela Lei nº 10.637/02, art. 58, in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação ao quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 18470.730998/201161 Acórdão n.º 1802002.199 S1TE02 Fl. 43 8 § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Pela leitura da legislação resta claro que nas situações em que se comprove ser a conta corrente movimentada por terceiro e não aquele cujo nome aparece como titular há possibilidade de tributar o terceiro, na condição de interposta pessoa. A interposição vem sob a forma de confissão, tanto na impugnação quanto no recurso voluntário, quando o Recorrente afirma que o fez para a obtenção de condições mais favoráveis, respaldando ainda tal procedimento com a apresentação de contratos de mútuo firmados pelos titulares das contas correntes, aos quais seriam remunerados em 0,5% dos valores depositados em suas contas, porém cujo pagamento jamais foi realizado, conforme declaração de fl. 473. O Livro Diário apresentado pela Recorrente (fls. 890 a 901) não pode servir como prova, eis que não é dotado do pressuposto de veracidade conforme determina a legislação vigente. Para tanto seria imprescindível a autenticação no cartório de registro de títulos e documentos, conforme prescrito na legislação vigente, senão vejamos: DecretoLei nº 486/69: “Art 5º Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de livro Diário, encadernado com fôlhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade mercantil, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial do comerciante. (…) § 2º Os Livros ou fichas do Diário deverão conter têrmos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação do órgão competente do Registro do Comércio.” Também foi apurado pela autoridade fiscal que o Livro diário onde teriam sido contabilizados parte dos depósitos efetuados nas contas de terceiros, foi emitido em 31/12/2009, data posterior a ciência da primeira intimação que deu origem a ação fiscal, constante de fl. 353, ocorrida em 05/11/2009 (AR de fl. 354). Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 18470.730998/201161 Acórdão n.º 1802002.199 S1TE02 Fl. 44 9 Somase a esses fatos a não apresentação das notas fiscais de prestação de serviço de cobrança pelo Recorrente que dariam suporte aos lançamentos contábeis apresentados a fiscalização, embora reiteradamente intimado. Assim conforme já contextualizado pela DRJ, a documentação apresentada pelo impugnante não se presta a elidir a irregularidade da utilização de contas corrente de terceiros pela pessoa jurídica fiscalizada, com base em contratos de validade duvidosa, pois não é razoável a cessão de direito de uso contas correntes de pessoas físicas a uma pessoa jurídica, com base em contrato de mútuos cuja remuneração dos cedentes jamais foi adimplida, e sem suporte em notas fiscais, documentos de emissão obrigatória, o que demonstra a ocorrência de simulação. Vale mencionar que a Recorrente por ocasião da dissolução da sociedade fez declaração de inexistência de ativo e passivo (alínea “c” do Distrato Social da BH Serviços de Cobranças S/C Ltda, (fls. 843 e 844), condição legalmente exigida para a baixa da inscrição do CNPJ, informação comprovadamente inexata haja vista a existência de passivo mantido com os mutuantes. A pessoa jurídica manteve movimentação financeira, ainda que utilizando contas correntes de pessoas interpostas, mesmo após a sua dissolução, em 17/09/2007, sendo inclusive objeto da autuação, o que demonstra cabalmente a dissolução irregular da sociedade, hipótese autorizativa da responsabilização pessoal do sóciogerente. Assim, resta evidente a prática de infração a lei por parte do administrador da sociedade, na medida em que utilizouse de pessoas interpostas para movimentar recursos da sociedade, bem como em razão da dissolução irregular da mesma, não merecendo reparo a responsabilização pessoal do sóciogerente. Sendo assim entendo que a preliminar de nulidade do auto deve ser afastada. II – QUANTO AO PEDIDO DE DILIGÊNCIA Requer o impugnante a realização de diligência para o exame dos seus livros contábeis e confirmação dos registros e dos resultados contábeis apurados. A diligência serve para a formação da convicção da(s) autoridade(s) julgadora(s), sendo sua indicação uma mera sugestão pelas partes. O julgador deve ter livre convicção quanto as provas apresentadas e fatos alegados. O processo deve seguir o princípio da verdade material, princípio este que determina que a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos, e, se necessário for, determinar a realização de diligência para formar a sua convicção. Nesse sentido estipula o Processo Administrativo Fiscal (PAF): “Decreto nº 70.235/72: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 18470.730998/201161 Acórdão n.º 1802002.199 S1TE02 Fl. 45 10 Entendo que o presente caso não seria de diligência, de modo que na forma do Decreto nº 70.235/72, art. 16, § 1º considero o pedido de diligência como não formulado, por deixar de atender os requisitos do inciso IV do mesmo artigo. III DA BASE DE CÁLCULO ARBITRADA De acordo com o auto de infração (fl. 1276), a autoridade fiscal efetuou o arbitramento do lucro no último trimestre de 2007, por considerar a escrituração mantida pelo contribuinte imprestável para a determinação do lucro real, em decorrência da apuração de omissão de receitas em depósitos de origem não comprovada, com base no inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 do art. 530, bem como a incidente na receita bruta conhecida, pela prestação de serviços, com base no art. 532, do RIR/99. Insurgese a Recorrente quanto a esse arbitramento ao afirmar que sua escrituração contábil estaria de acordo com o previsto no art. 251 e parágrafo único do RIR/99, e por isso faz prova em seu favor conforme determina o art. 26 do Decreto nº 7.514/2011. Ao longo da fiscalização, a Recorrente apresentou o demonstrativo de resultado do exercícío, o balanço patrimonial, emitidos em 31/12/2007, o razão contábil, emitido em 31/12/2009, contratos de prestação de serviço de cobrança de duplicatas, cheques notas promissórias e outros títulos, e contratos de mútuo, mantidos pela fiscalizada com os titulares das contas correntes por ela movimentada. Embora regularmente intimado, deixou de apresentar notas fiscais relativas aos serviços que teria prestado aos contratantes, documentos de emissão obrigatória e aos quais dão suporte aos registros contábeis por ele apresentados. Segundo o art. 8º do DecretoLei nº 486, de 3 de março de 1969, os livros e fichas da escrituração mercantil somente fazem prova a favor do contribuinte quando mantidos com as formalidades legais, e exige, na forma do § 2º, do art. 5º do mesmo diploma legal, a autenticação do órgão competente do livro ou fichas do diário. Senão vejamos: Art 5º Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de livro Diário, encadernado com fôlhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade mercantil, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial do comerciante. § 1º O comerciante que empregar escrituração mecanizada, poderá substituir o Diário e os livros facultativos ou auxiliares por fichas seguidamente numeradas, mecânica ou tipogràficamente. § 2º Os Livros ou fichas do Diário deverão conter têrmos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação do órgão competente do Registro do Comércio. § 3º Admitese a escrituracão resumida do Diário, por totais que não excedam o período de um mês, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares para Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 18470.730998/201161 Acórdão n.º 1802002.199 S1TE02 Fl. 46 11 registro individuado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação. (...) Art 8º Os livros e fichas de escrituração mercantil sòmente provam a favor do comerciante quando mantidos com observância das formalidades legais. Conforme anteriormente mencionado, as fichas do diário apresentadas não possuem a autenticação do órgão competente de registro, formalidade essencial para que contasse com a presunção de veracidade, na forma da lei, as fichas do razão foram emitidas dois anos após o final do exercício, jamais foram apresentadas pela fiscalizada as notas fiscais que dão suporte aos registros contábeis contidos naquela fichas. Pelo exposto o arbitramento efetuado não merece qualquer reparo. IV DA OMISSÃO DE RECEITAS A Recorrente alega que a escrituração contábil, através dos livros diário e razão apresentados durante a ação fiscal, assim como a planilha com identificação dos créditos bancários e os contratos de prestação de serviços comprovam a origem dos créditos e elidem a presunção de omissão de receitas, bem como a forma de apuração do tributo. A esse respeito reza Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 18470.730998/201161 Acórdão n.º 1802002.199 S1TE02 Fl. 47 12 calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (grifos nossos) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.” Tratase de hipótese de presunção legal de omissão de receitas, a qual inverte o ônus probatório ao contribuinte de provar a inocorrência do fato gerador dos tributos objetos da fiscalização. Durante a auditoria fiscal, a Contribuinte foi intimada e reintimada a comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, e, não o fazendo, incorreu na presunção legal de omissão de receitas, que deu base às autuações ora combatidas. Apesar de reiteradamente intimada, a interessada não logrou êxito em demonstrar de forma clara e inquestionável que a movimentação bancária, de fato, não se tratava de suas receitas, o que poderia ser feito com a apresentação das notas fiscais de sua emissão. Assim, a fiscalização, por falta da devida comprovação documental e contábil, considerou todos os ingressos de recursos nas contas correntes de titularidade de Leoberto Lenga de Goldberg e Leonardo Szczerb como operações da impugnante, estando esta movimentação, a exceção da efetuada através da conta corrente nº 1131541, da agência 1050 do Unibanco, sujeita à tributação como omissão de receita, nos termos do art. 42 da lei nº 9.430/96. É oportuno registrar que, realmente, antes da introdução do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 (acima transcrito), era maior o ônus da prova que incumbia à Fiscalização para autuação com base em depósitos bancários. No caso do IRPJ, por exemplo, para que eles configurassem renda tributável, era necessário que fosse comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, por meio de aplicações em imóveis, carros e outros bens próprios, ou em beneficio pessoal do contribuinte. A tributação com fulcro na Lei nº 8.021/1990, de fato, exigia necessários esforços por parte da Fiscalização, capazes de transformar uma presunção em definitiva Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 18470.730998/201161 Acórdão n.º 1802002.199 S1TE02 Fl. 48 13 certeza. Isto porque, até então, os depósitos bancários apenas retratavam indício de omissão, não tendo o condão de caracterizar, por si só, a omissão de receitas. Todavia, a partir da Lei nº 9.430/96, caso o Contribuinte, regularmente intimado para tanto, não comprove com documentação hábil e idônea a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, este fato, por si só, já basta para caracterizar omissão de receita, por força da presunção legal. É importante registrar que nos trabalhos de auditoria sobre movimentação financeira, a Fiscalização analisa os extratos bancários, e com base nas informações constantes nestes extratos é que intima o Contribuinte a comprovar a origem dos depósitos, após o expurgo de valores cuja origem já resta comprovada pelo próprio extrato (transferências entre contas de mesma titularidade, rendimentos de aplicações financeiras, empréstimos, etc), e que não representam receitas. A comprovação de origem dos demais valores constantes dos extratos, por sua vez, já configura um segundo passo durante o procedimento fiscal, a cargo do Contribuinte, comprovação essa que deve ser feita a partir de seus livros e de documentos que justifiquem os registros realizados e indiquem a origem dos valores depositados em suas contas bancárias (notas fiscais, contratos, etc.). Nestes termos, o dever de apresentação destes outros documentos, que trazem informações que vão além das contidas nos documentos bancários, incumbe à Contribuinte, e seu descumprimento não pode definitivamente ser imputado à Fiscalização, nem mesmo em razão do art. 43 c/c o art. 142 do CTN. Com efeito, é a Contribuinte que deve de antemão saber a origem dos valores que ingressaram em suas contas bancárias, e que, na lógica normal das coisas, representam acréscimo patrimonial via auferimento de receitas, tanto que, por meio de lei, estes valores passaram a ser validamente considerados como base para a presunção de omissão de receitas. A jurisprudência mencionada pela impugnante para fundamentar seu inconformismo com a autuação não guardam relação direta com o presente caso, posto que, naqueles foi afastado o emprego da presunção legal, pela apresentação da origem de todos os depósitos bancários pelo sujeito passivo. A interessada não apresentou junto a impugnação a escrituração contábil que desse suporte as suas alegações, de modo a afastar a autuação por omissão de receitas. Assim, o lançamento merece ser mantido, neste aspecto, nos seus exatos termos. Quanto a suposta não compensação do imposto pago conforme informação prestada na DIPJSimples da fiscalizada, quando da apuração dos tributos e contribuições lançados no auto de infração, deixo de acolher o pedido, posto que tal nformação é inverídica, uma vez que foi excluída da base de cálculo do montante do tributo devido a receita bruta declarada, conforme demonstrativo de cálculo, anexo ao auto de infração, de fl. 1311. Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 18470.730998/201161 Acórdão n.º 1802002.199 S1TE02 Fl. 49 14 V DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A autoridade fiscal aplicou a multa qualificada no percentual de 150%, em razão de que a fiscalizada teria se utilizado interpostas pessoas para figurarem como titulares de contas correntes pelas quais transitavam valores resultantes de suas atividades comerciais, deixando de comprovar a origem dos depósitos efetuados nestas contas ao longo do ano calendário 2007, a exceção dos depósitos efetuados na conta nº 1131451, da agência 1050, do Unibanco. O impugnante se defende da autuação afirmando que a utilização de contas de pessoas físicas com as quais não possuía vínculos societários se deu em função de condições cadastrais mais favoráveis dos titulares das contas junto às instituições financeiras e que tais operações estariam devidamente contabilizadas nos livros da empresa. A aplicação da multa de ofício no percentual de 150 % está assim prevista na Lei nº 9.430/96, in verbis: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Os citados artigos da Lei nº 4.502/64, estão a seguir transcritos: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 18470.730998/201161 Acórdão n.º 1802002.199 S1TE02 Fl. 50 15 Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. A utilização de contas de terceiros, para o recebimento de pagamentos resultantes da atividade de cobrança de títulos, sem a devida emissão de notas fiscais de prestação de serviço, e sem o pagamento aos titulares das contas, na forma prevista nos contratos de mútuo apresentados a fiscalização, evidencia o intuito de fraude com vista a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador do tributo. Incumbe, no presente caso, a fiscalizada comprovar o recolhimento dos valores devidos, decorrentes de sua atividade, uma vez que a documentação apresentada não se presta a comprovar a origem dos recursos depositados nas contas por ela utilizada, o que se daria tão somente pela apresentação das notas fiscais por ela regularmente emitidas. A ausência da apresentação das notas fiscais por parte da fiscalizada, embora tenha sido várias vezes intimada para tanto, caracteriza a ausência de sua emissão, em desconformidade com o previsto na legislação tributária, o que configura o intuito doloso da sonegação. Esse fato também encontrase sumulado nesse Conselho: Súmula CARF nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas.SÚMULAS VINCULANTES Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010. Isto posto, mantenho a aplicação da multa de ofício no percentual de 150%. VI TRIBUTOS REFLEXOS Mantido o crédito tributário no tocante ao IRPJ, devem ser mantidos os créditos referentes a CSLL, PIS/PASEP e COFINS, , uma vez que efetuado o lançamento pelas mesmas razões, e com os mesmos fundamentos, os quais foram considerados, neste voto, procedentes. Assim sendo voto no sentido de afastar a preliminar invocada e no mérito em NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 18470.730998/201161 Acórdão n.º 1802002.199 S1TE02 Fl. 51 16 Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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