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Numero do processo: 10283.906389/2009-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.508
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 63 89 /2 00 9- 70 Fl. 387DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.906389/200970 Acórdão n.º 3202001.508 S3C2T2 Fl. 388 3 Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 389DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10783.903971/2008-62
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. ERRO DEMONSTRADO.
O Per/DComp somente pode ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Entretanto essa determinação deve ser temperada no caso em que restar comprovado que o sujeito passivo incorreu em erro efetivamente demonstrado tão somente do ano-calendário referente ao direito creditório pleiteado, tendo em vista o princípio da verdade material.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de erro na indicação do período do direito creditório pleiteado. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo.
Numero da decisão: 1803-002.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. ERRO DEMONSTRADO. O Per/DComp somente pode ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Entretanto essa determinação deve ser temperada no caso em que restar comprovado que o sujeito passivo incorreu em erro efetivamente demonstrado tão somente do ano-calendário referente ao direito creditório pleiteado, tendo em vista o princípio da verdade material. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de erro na indicação do período do direito creditório pleiteado. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo.
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RETIFICAÇÃO. ERRO DEMONSTRADO. O Per/DComp somente pode ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Entretanto essa determinação deve ser temperada no caso em que restar comprovado que o sujeito passivo incorreu em erro efetivamente demonstrado tão somente do anocalendário referente ao direito creditório pleiteado, tendo em vista o princípio da verdade material. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto preliminar de erro na indicação do período do direito creditório pleiteado. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 39 71 /2 00 8- 62 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 331 2 Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) nºs 32400.08351.151204.1.3.025572 em 14.12.2004, 12793.05020.291205.1.3.026300 em 29.12.2005, e 13578.22740.300505.1.3.025090, em 30.05.2005, utilizandose de saldo negativo de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$242.815,18 do anocalendário de 2003, apurado pelo regime do lucro real anual, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fls. 5154, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARC. CREDITO PAGAMENTOS SOMA PARC.CRED PER/DCOMP 242.815,18 242.815,18 CONFIRMADAS 242.815,18 242.815,18 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$242.815,18. Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$2.166.619,71 IRPJ devido: R$1.965.628,13 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 0,00 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP: 32400.08351.1512 04.1.3.015572 12793.05020.291205.1.3.026300: 13578.22740.300505.1.3.025090 [...] Fl. 349DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 332 3 Enquadramento Legal: Art. 168 da Lei no 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional),Inciso II do Parágrafo 1º do art. 6º da Lei 9.430, de 1996. Art. 5º da IN SRF 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 0218, com os argumentos a seguir discriminados: II DOS FATOS 2. A Manifestante realizou a compensação de débitos de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, através do envio de 3 (três) Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento/ Declarações de Compensação Per/DComp, discriminadas adiante. PER/DCOMP n°. 32400.08351.1512041.3.025572 3. 3. O primeiro pedido, protocolado sob o n°. 32400.08351.1512041.302 5572, utilizou como crédito o Saldo Negativo de Imposto de Renda, apurado no encerramento do anocalendário de 2003, no montante de R$242.815,18 [...], conforme evidenciado inequivocamente na ficha 12A , da respectiva declaração de rendimentos (vide p. f. doc. 2 — Saldo Negativo de 2003) . 4. Esse valor foi utilizado para a realização da quitação (compensação) de débitos de Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ (código 2362) relativo aos períodos de apuração de janeiro de 2004 (R$ 204.274,85 de principal e R$25.146,23 de juros) e março de 2004 (R$38.540,33 de principal e R$3.757,68 de juros). 5. A Autoridade Fiscal, ao avaliar o procedimento acima determinou através do Despacho Decisório ora impugnado a homologação, parcial, da compensação efetuada. Tal decisão baseouse, equivocadamente na alegação de que o valor das parcelas de crédito indicadas na DIPJ e o valor do débito apurado no mesmo período corresponderiam a iguais montantes, hipótese em que o resultado negativo seria igual a zero„ o que, de plano, pode ser afastado pela mera leitura da já citada ficha 12 A que aponta a existência e apuração do crédito utilizado para efeito das compensações indeferidas. 6. Tal equivoco, verificado no Despacho Decisório combatido decorreu, tão somente, da falta de compreensão das informações contidas na declaração de rendimentos e aquelas indicas na Per/DComp, o que, acredita a Manifestante, deverá ser superado por esta Autoridade Julgadora a partir dos documentos disponibilizados. 7. Digase, ainda, que a apuração do Imposto de Renda relativo ao ano calendário de 2003 foi corretamente realizada, evidenciando a composição de um Saldo Negativo de IRPJ legitimo, nos termos do artigo 231, do Regulamento do Imposto de Renda, conforme será demonstrado adiante, o que torna possível a realização de compensações nos termos do art. 74, da Lei n° 9.430/96 e a Instrução Normativa RFB n° 600, de 28.12.05. DIPJ 2005 e PER/DCOMP n°. 13578.22740.300505.1.3.5090 8. 8. A segunda compensação protocolada junto à Receita Federal do Brasil em 30.05.2005 utilizou um crédito relativo ao Saldo Negativo do Imposto de Renda apurado no anocalendário de 2004, conforme será evidenciado adiante. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 333 4 9. E cediço que a compensação de Saldo Negativo de IRPJ deve ser realizada através de Per/DComp, com a devida composição do montante total do crédito apurado no respectivo período de apuração. 10. Neste caso, entretanto, a Manifestante incorreu em mero erro material, através do preenchimento incorreto das declarações acima destacadas, quando pretendia realizar a evidenciação do crédito (DIPJ) e a respectiva compensação de alguns débitos (Per/DComp), informando equivocadamente o valor do crédito apurado e o respectivo período (o ano de 2003 ao invés do ano de 2004). O valor total do crédito informado foi de R$196.5 04,85. 11. Isto porque, na ocasião do preenchimento da DIPJ 2005 (anocalendário 2004), foi informado na Ficha 12A, daquela declaração de rendimentos, os valores das antecipações apuradas e recolhidas entre os meses de janeiro a dezembro (Ficha 11), juntamente com os recolhimentos indevidos (de IRPJ), efetuados no mesmo período. 11. Esclareçase, portanto, que no ano de 2004 houveram recolhimentos indevidos (a maior) de IRPJ, os quais foram interpretados pela Manifestante como antecipações, razão pela qual foram informados na composição do saldo negativo do ano, gerando, conseqüentemente, a inconsistência de informações e impedindo a homologação da compensação, eis que majorado indevidamente o Saldo Negativo do tributo. 12. Em que pese tal equivoco, não se pode perder de vista, no entanto, que a compensação efetuada pela Manifestante, embora maculada pela inconsistência de informação, não acarretou qualquer prejuízo para a Fazenda Pública, na medida em que todos os créditos utilizados perfaziam indébitos efetivamente apurados pela Manifestante, seja através das antecipações a maior efetuadas no ano de 2004, seja pelos recolhimentos indevidos no mesmo período. Então, a compensação realizada com base neste montante, limitouse aos créditos efetivamente existentes. 13. Os valores recolhidos indevidamente estão representados pelos respectivos documentos de recolhimento, cujas respectivas DCTF's serão devidamente retificadas pela Manifestante, a fim de evidenciar o valor total do indébito que em valores históricos monta à R$474.563,69, adiante conciliado. 14. Destacase que este fato se deu por erro no lançamento dos valores pertinentes a Ficha 12A 17 (Imposto de Renda Pago por Estimativa), indicando um montante incoerente com aquele efetivamente recolhido/deduzido/compensado, conforme será demonstrado adiante. 15. Desta forma, a Manifestante possuía efetivamente o direito ao crédito oriundo do Saldo Negativo do Imposto de Renda relativo ao anocalendário de 2004, cujo montante total apontava R$195.408,40 (valor original sem atualização), de acordo com a reconciliação dos saldos abaixo: 1 Antecipações (janeiro/dezembro 04) 4.354.766,52 2 Valor apurado no encerramento (dez 04) 4.829.280,21 3 Saldo Negativo Apurado (1 2) 195.408,40 4 Valor informado na DIPJ 2005 669.922,09 5 Diferença Apurada (3 4) 474.563,69 6 Valores Recolhidos a Maior 474.563,69 7 Diferença (crédito indevido) (5 6) 0 Fl. 351DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 334 5 16. Neste cenário, com a intenção de realizar a quitação do débito relativo a antecipação da estimativa mensal do Imposto de Renda das Pessoas jurídicas no período de apuração de abril de 2005, totalizando R$209.356,27 [...], a Manifestante enviou a Per/DComp n°. 13578.22740.300505.1.3.5090. 17. Desta forma, mesmo que se considere o erro material cometido pela Manifestante, é inquestionável, porém, a existência do crédito levado a efeito na compensação efetuada. Assim, considerando a impossibilidade de formalização de nova compensação para os respectivos valores, em face do indeferimento em questão, a Manifestante pugna pelo reconhecimento parcial do crédito compensado, até o limite do saldo negativo apurado no ano de 2004, e, adicionalmente, pela compensação de oficio dos demais créditos derivados do recolhimento indevido apurados também no ano de 2004, neste último caso com os respectivos acréscimos legais na forma da legislação aplicável. PER/DCOMP n°. 12793.05020.291205.1.3.026300 18. A PER/DCOMP n°. 12793.05020.291205.1.3.026300 foi formalizada perante a RFB com o intuito de compensar tributos federais valendose de um crédito constituído com base no Saldo Negativo do Imposto de Renda do ano calendário de 2004, apurado em um total de R$400.248,47 [...]. 19. Entretanto esta compensação foi preenchida incorretamente, e a Manifestante reconhece sua improcedência, não se obstando a quitação dos débitos a esta vinculados. Pugnando, entretanto, pela compensação de oficio dos débitos informados, com os créditos decorrentes dos recolhimentos indevidos efetuados no ano de 2004, mencionados no tópico anterior da presente Manifestação. III DO DIREITO III.1 Da composição dos créditos utilizados 20. Para afastar quaisquer dúvidas quanto à legitimidade da origem do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2004, (R$195.408,40), o qual foi utilizado para efeito das compensações declaradas e que foram indeferidas pela RFB, mister se faz enfocar o ponto através da demonstração da apuração do Imposto de Renda do anocalendário de 2004, bem como a evidenciação do Saldo Negativo do Imposto de Renda utilizado para a compensação instrumentalizada através da Per/DComp nº 13578.22740.300505.1.3.5090. 21. O ponto de partida para a presente sustentação deve ser a análise e a verificação da própria natureza do crédito tributário em tela, bem como a demonstração de sua composição, para que seja possível entender a sequência de procedimentos que conduziram ao Despacho Decisório que indeferiu as compensações pretendidas e, portanto, combater os argumentos trazidos pela Receita Federal do Brasil. 22. A Manifestante apurou Saldo Negativo de Imposto de Renda no exercício de 2005 (anocalendário 2004), conforme demonstrado em apuração do Lucro Real junto à DIPJ do respectivo período, em conformidade com legislação aplicável. 23. Nos termos da legislação aplicável, art. 231, do Regulamento do Imposto de Renda„ consideramse como pagos, a soma dos valores devidos pelo imposto, recolhidos mensalmente por meio de DARF, ao Imposto de Renda Retido na Fonte Fl. 352DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 335 6 IRRF sobre receitas ou rendimentos computados na determinação do Lucro Real do período em curso, inclusive o relativo aos juros sobre o capital próprio, ao imposto de renda pago sobre os ganhos líquidos, à compensação de pagamento indevido, A compensação do saldo negativo de IRPJ de anos anteriores, à compensação solicitada por meio de processo administrativo nos termos da IN n° SRF n° 21, de 1997, e alterações trazidas pela IN SRF n° 73, de 1997 (vigentes à época das compensações). 24. O Manual do Imposto de Renda, em seus itens 7.3 e 8.2.7.4, prescreve as hipóteses em que será possível a compensação do Saldo negativo do Imposto de Renda, [...] 25. Para fins de demonstração da composição do crédito, transcrevemse os valores abaixo e as informações destacadas na DIPJ 1999: IR à alíquota de 15% (Ficha 12A.1 ) R$2.701.336,51 IR à alíquota de 10% (Ficha 12A 3 ) R$1.776.891,01 Total devido: R$4.478.227,52 Operações de caráter cultural e artístico (Ficha 12A. 4) R$100.000,00 Fundos dos dir. da criança e do adolescente (Ficha 12A 8) R$23.461,00 Imposto de Renda Retido na Fonte (Ficha 13.13) R$195.408,40 IR mensal pago por estimativa (Ficha 13.16) R$4.829.280,21 Total do Imposto de Renda a pagar (Ficha 13.19) (R$669.922,09) 26. Conforme mencionado anteriormente, a Manifestante incorreu em erro material ao preencher os valores que integram a linha 17, da Ficha 12A da DIPJ 2005 (Imp. Renda Mensal Pago por Estimativa), indicando o montante de R$4.829.280,21, quando o correto seria R$4.354.766,52, correspondente ao total das antecipações efetuadas no período [...] 32. Insta ressaltar, que apesar do equivoco ao compor os valores do referido recolhimento de antecipação, e, consequente, majoração indevida do Saldo Negativo de IRPJ, a Manifestante apenas utilizou crédito realmente existente, ou seja, R$195.408,40. 33. Em suma, a Manifestante apresentou a Per/DComp n° 32400.08351.1512041.3.025572, indeferida pela autoridade, ainda que tenha sido comprovada corretamente a composição de Saldo Negativo de IRPJ referente ao anocalendário 2003. Posteriormente foi realizada nova compensação, através da Per/DComp n° 13578.22740.300505.1.3.5090, evidentemente, baseada no Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário 2004, onde por equivoco, preencheu incorretamente a referência do ano ao qual deveria ser vinculado o crédito, indicando erroneamente o exercício de 2004 (anocalendário de 2003). III. 2) Do Princípio da Verdade Material/Possibilidade de Retificação de Erro de Preenchimento de Declaração 34. Conforme é cediço, o processo administrativo tributário prima pela incansável busca da verdade material [...]. 38. Com base nesse principio de direito administrativo tributário, inferese que a Administração Tributária, quando da aplicação de um juízo de valor em fase contenciosa da regular constituição do crédito tributário, deve valerse da realização de novos exames, mediante a conversão do julgamento em diligência fiscal, sempre Fl. 353DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 336 7 que entender ser necessária a adoção desse procedimento, tendo em vista a complexidade dos assuntos envolvidos, agindo sempre em busca da verdade dos fato [...]. 40. Da assertiva acima se extrai, de plano, que o procedimento de análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte deverá ser pautado pela imparcialidade, sendo certo que a Autoridade Julgadora deverá, necessariamente, buscar os elementos de prova necessários formação de sua convicção, objetivando alcançar a verdade dos fatos, independente da forma pela qual tais elementos foram exteriorizados. 41. No caso em apreciação, temos que ocorreu equívoco no tocante ao preenchimento da referência do exercício ao qual o crédito da Per/DComp n° 13578.22740.300505.1.3.5090 realmente se baseava, indicando erroneamente o ano de 2004 (anocalendário 2003) quando baseouse nos valores de 2005 (ano calendário 2004), exaustivamente demonstrado na presente Manifestação de Inconformidade. [...] Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: 46. Por todo o exposto, protesta a Manifestante pela total procedência da presente Manifestação de Inconformidade, para que sejam acolhidas as razões ora aduzidas, a fim de cancelar os valores apontados como devidos no presente processo administrativo, com a conseqüente homologação dos procedimentos de compensação adotados pela Terminal de Vila Velha S.A, inclusive, quanto a compensação de oficio dos valores recolhidos indevidamente e que foram indicados na presente Manifestação, bem como, ao fim, seja determinado o arquivamento do feito, impondo o retorno a origem para que o departamento competente da RFB refaça todos os cálculos pertinentes as compensações em voga. 47. Outrossim, protesta por todos os meios de prova admitidos, mormente pela produção de prova documental para que seja apurada a veracidade dos fatos ora narrados, inclusive a conversão em diligência fiscal, se for julgado necessária e suficiente para demonstrar a verdade dos fatos e do direito. Está registrado como ementa e parte dispositiva do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 12040.519, de 20.09.2011, fls. 258271: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 PEDIDO DE DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de diligência e/ou perícia, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que forem consideradas prescindíveis ou impraticáveis. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 337 8 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Com o transcurso do prazo decadencial apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados, quando objeto de pedido de restituição ou compensação, para efeito de determinação de liquidez e certeza. VERIFICAÇÃO DA BASE DE CALCULO DO IRPJ. LANÇAMENTO VERSUS RECONHECIMENTO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. A verificação da base de cálculo do tributo não é cabível apenas para fundamentar lançamento de oficio, mas deve ser feita, também, no âmbito da análise das declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito, invocado pelo sujeito passivo, para extinção de outros débitos fiscais. RETIFICAÇÃO DA DCOMP. INEXATIDÃO MATERIAL. ANTERIORIDADE À DECISÃO ADMINISTRATIVA. A legislação tributária estabelece, entre outras restrições, que a retificação de DCOMP somente pode ser efetuada pelo sujeito passivo na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, e desde que a declaração ainda se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE. ERRO DE FATO NA() CONFIGURADO. Constatada a ocorrência de erro de fato no preenchimento da PER/DCOMP, e já havendo decisão proferida pela autoridade administrativa competente, cabe à Delegacia de Julgamento a sua correção de oficio ou a pedido do sujeito passivo. Não se confirmando a existência desse tipo de erro, prevalecerão os dados constantes do PER/DCOMP. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte [...] Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, ACORDAM, por unanimidade, os membros da turma, nos termos do relatório e voto, REJEITAR o pedido de realização de diligência e, no mérito: I) RECONHECER o direito creditório pleiteado através do PER/DCOMP n° 32400.08351.151204.1.3.025572, relativo ao saldo negativo de IRPJ do exercício de 2004 (AC 2003), apenas no valor de R$49.983,58, homologando as compensações declaradas no limite desse crédito reconhecido ; II) NÃO RECONHECER o direito creditório pleiteado através dos PER/DCOMP n's 13578.22740.300505.1.3.025090 e 12793.05020.291205.1.3.02 6300 ; Fl. 355DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 338 9 III) DETERMINAR o prosseguimento na cobrança dos débitos não compensados em função deste voto. Notificada em 17.10.2013, fl. 274, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 14.11.2013, fls. 276298, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que: III DO DIREITO III.a) Da Plena Comprovação da Existência do Crédito Saldo Negativo de IRPJ 2003/2004) DCOMP Final n° 5572. O ponto de partida para a presente sustentação não pode ser outro senão a confirmação da origem e formação do crédito tributário referente ao Saldo Negativo de IRPJ de 2003 (DIPJ 2004), o que permitirá que esses Ilustres Conselheiros avaliem a sua consistência, assegurandose, com isso, seu direito legítimo da ora Recorrente à compensação. Para afastar quaisquer dúvidas quanto à legitimidade do aludido crédito, veja se que, no anocalendário de 2003, a Recorrente optou pelo recolhimento do IRPJ com base no Lucro Real anual, apurando e recolhendo mensalmente o tributo sob a forma de estimativa, nos termos do artigo 2º da Lei n° 9.430/96. [...] Por conseguinte, os recolhimentos que compõem as antecipações do IRPJ Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF e Declarações de Compensação DCOMP devem corresponder exatamente aos valores devidos em cada mês, guardando correspondência com a respectiva base de apuração. Da mesma forma, o valor a ser informado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF também corresponderá àquele efetivamente apurado, vinculandose o pagamento até o limite declarado como devido. No caso em tela, as estimativas mensais apuradas ao longo do anocalendário de 2003, foram liquidadas mediante IR Retido na Fonte IRRF, DARF's pagos e DCOMP's instrumentalizadas. Tais parcelas compõem o Saldo Negativo de IRPJ 2003, [...] Composição do Crédito Saldo Negativo IRPJ 2003 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ Ficha 11 Coluna A DCTF Mensal Coluna B Total Recolhido Coluna C IRRF Coluna D DARF Cód 2362 Coluna E Compensação Coluna F Jan 77.606,92 77.606,92 77.606,92 77.606,92 Fev Mar 334.591,83 334.591,83 334.591,82 334.591,82 Abr 221.475,53 221.475,53 221.475,54 768,65 221.475,54 Mai 409.602,84 409.591,71 409.591,71 2.882,20 409.591,71 Jun 442.767,82 442.767,82 442.767,83 1.983,91 261.182,65 181.585,18 Jul Ago Set 53.546,30 53.546,30 53.354,21 5.931,62 45.337,26 8.209,04 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 339 10 Out 232.151,97 232.151,97 232.151,97 1.620,38 232.151,97 Nov 302.164,57 302.164,57 302.164,68 1.000,81 297.358,97 4.805,71 Dez Total 2.073.907,78 2.073.896,65 2.073.704,68 14.187,57 836.030,85 1.237.865,92 Demonstrativo da Apuração IRPJ 2003 IRPJ Apurado 1.923.804,53 Deduções 0,00 IR Retido na Fonte 78.523,93 Estimativas 2.088.095,70* A Pagar (242.815,18) * R$92.711,93 (estimativas referentes ao IRRF) + R$836.030,85 (DARF's) + R$1.237.865,92 (DCOMP's) A apuração acima se encontra devidamente declarada na DIPJ/2004, já acostadas aos autos. Assim, terseá o Saldo Negativo de IRPJ 2003 R$242.815,18 formado pelas seguintes parcelas: Imposto de Renda Retido na Fonte AnoCalendário 2003 CNPJ NOME CÓDIGO RECEITA REND. BRUTO IRFonte 00.394.460/035956 Alfândega do Porto de Vitória 6190 322.211,73 30.449,01 00.537.004/000103 Novo Rumo Serviço de Topografia Ltda. 1708 16.033,70 240,51 01.701.201/000189 HSBC Bank Brasil S/A Banco Múltiplo 3426 386.948,11 77.389,52 33.592.510/000154 Companhia Vale do Rio Doce 3426 76.612,86 15.322,25 60.394.079/000104 Bankboston Banco Múltiplo S/A 3426 21.770,95 4.354.19 TOTAL 127.755,48 [...] Estimativas Compensadas Per/DComp's Período de Apuração Valor R$ Nº DComp Compensação 2362 Janeiro/2003 77.606,92 15791.80124.02100.31302.1096 77.606,92 2362 Março/2003 334.591,83 15791.80124.02100.31302.1096 334.591,83 2362 Abril/2003 221.475,53 15791.80124.02100.31302.1096 221.475,53 2362 Maio/2003 409.591,71 15791.80124.02100.31302.1096 409.591,71 2362 Junho/2003 442.767,82 15791.80124.02100.31302.1096 181.585,18 2362 Setembro/2003 53.546,30 15791.80124.02100.31302.1096 8.209,04 2362 Novembro/2003 302.164,57 15791.80124.02100.31302.1096 4.805,71 Total 1.237.865,92* * Total Confirmado pela RFB de pagamentos: R$1.040.431,52 Não Reconhecida R$192.639,51 [...] Estimativas Pagas DARF's Fl. 357DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 340 11 Período de Apuração Estimativa R$ Principal Pago R$ 2362 Junho/2003 442.767,82 261.182,65 2362 Setembro/2003 53.546,30 45.337,26 2362 Outubro/2003 232.151,97 232.151,97 2362 Novembro/2003 302.164,57 297.358,97 Total 836.030,85 [...] Conforme análise das parcelas de crédito realizado pela Autoridade Fiscal, resta claro que a parte das parcelas que compõem o crédito já foram reconhecidas pela própria RFB quando proferido o acórdão, perfazendo uma glosa no valor de R$192.876,60 [...] que se fundamenta na desconsideração de informações referentes a pagamentos (R$192,06) e compensações (R$192.639,51) ocorridas ao longo do anocalendário de 2003. [...] As parcelas de créditos não reconhecidas pela Autoridade Fiscal tratamse, principalmente, de compensações corretamente instrumentalizadas e transmitidas a RFB, não existindo motivo algum para tais parcelas serem desconsideradas. [...] Neste sentido, com objetivo de dirimir qualquer dúvida acerca da composição do crédito, seguem abaixo os esclarecimentos que demonstram a inequívoca comprovação da existência do crédito referente à parcela não confirmada pela RFB. III.b) Da Plena Composição do Saldo Negativo de IRPJ 2003 Da correta estimativa compensada Não obstante o entendimento manifestado pela Autoridade Julgadora, a situação fática ora analisada possui contornos detalhados que requerem análise especifica, sendo certo que, após tal análise, restará imperiosa a conclusão de que a compensação instrumentalizada pelo Per/DComp n° 32400.08351.151204.1.3.02 5572 obedeceu estritamente à legislação de regência, devendo, portanto, ser homologada pela Autoridade Fiscal. Como visto, a diferença questionada pela Autoridade Fazendária decorreu da análise de 02 (dois) Per/DComp's, não confirmadas pela RFB, por motivo inadequado ao presente contexto, já que as compensações encontramse válidas e liquidaram as estimativas de IRPJ 2003. Em verdade, no anocalendário de 2003 as estimativas apuradas de IRPJ, para os meses de Janeiro, Março, Abril, Maio, Junho, Setembro e Novembro foram integralmente ou parte delas liquidadas via compensação, tendo a Recorrente instrumentalizado 03 (três) Per/DComp's com o fito de liquidar as referidas estimativas. Inoportunamente, a Autoridade Julgadora quando da análise das referidas parcelas não confirmou a integralidade das compensações, pois em alguns casos, tais DComp's apresentamse com Despacho Decisório, sendo cobrado na lide de origem parte do débito nela compensado. Assim, quando da análise do Despacho Decisório referente às DComp's finais 1096 e 1123, foi externado o entendimento de insuficiência do crédito, sendo a suposta diferença, apurada na referida compensação, cobrada do contribuinte naquele processo. [...] Situação Per/DComp Entregue Fl. 358DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 341 12 Transmissão Per/DComp Tipo de Documento Tipo de Crédito Situação Per/DComp 02/10/2003 15791.80124.02100.31302.1096 Declaração de Compensação Saldo Negativo de IRPJ Despacho Decisório Emitido Situação Per/DComp Entregue Transmissão Per/DComp Tipo de Documento Tipo de Crédito Situação Per/DComp 02/12/2003 10001.53149.031203.1.3.021123 Declaração de Compensação Saldo Negativo de IRPJ Em Análise Assim é que todas as compensações deveriam ter sido confirmadas pela Autoridade Fiscal, pois não é um simples Despacho Decisório ou ainda em análise que descaracteriza ou invalida uma parcela de crédito compensada, pelo contrário, o fato de existir a emissão de Despacho Decisório é a garantia que tal estimativa será liquidada. Neste cenário, verificase que a Autoridade Fiscal responsável pelo presente processo, incorreu em erro ao não validar tais compensações, sob a alegação de que as mesmas já haviam sido objeto de outros questionamentos e glosas por parte da RFB, entretanto, em verdade, a parcela glosada para o ano calendário de 2003 já é objeto de regular cobrança naquele processo administrativo. Admitir tal possibilidade tem um único propósito: a cobrança em duplicidade, o gue, com todo o respeito, não pode prevalecer. Fazse mister ressaltar que as DComp's finais 1096 e 1123, [...] não poderão ser desconsideradas na composição do saldo negativo de IRPJ 2003, pois, qualquer compensação, mesmo que não homologada ou em análise, não pode prejudicar a composição do crédito em relação ao período subsequente, de utilização do crédito fiscal. Isto se deve ao fato de que tal compensação é tratada em processo distinto, e, conforme disposto no artigo 74, § 7°, da Lei n° 9.430/96, os valores compensados devem ser cobrados individualizadamente, ou seja, atrelados ao DComp nele vinculado, e ainda, na falta de pagamento ou de apresentação de defesa, tais débitos serão encaminhados para inscrição em Dívida Ativa da União, com fundamento no § 8º, do artigo 73, da mesma Lei. Assim, glosar a parcela de crédito, neste momento, representa cobrar da Recorrente o mesmo débito em duplicidade, pois estará sendo exigido o alegado débito quando da instrumentalização do DComp, bem como sendo glosada a parcela de um crédito que já se encontra em cobrança. Logo, estarseia cobrando a mesma quantia através de duas vias diferentes e, ainda, com dois lançamentos diversos. Notese que, uma vez liquidado ou cancelado o alegado débito na DComp de composição de crédito, automaticamente estará confirmado o crédito utilizado neste processo. Ou seja, sendo o Per/DComp uma Declaração que representa a confissão divida, não há que se falar em não pagamento ou liquidação do débito, mas apenas, sendo o caso, a glosa das parcelas de crédito em sua origem. [...] Isso posto, temse como totalmente descabida a glosa da parcela do crédito representada pelos Per/DComp's final n°s 1096 e 1123 (no montante de Fl. 359DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 342 13 R$192.639,51), de discussão em processo específico, devendo tal parcela ser considerada na composição do crédito de Saldo Negativo da IRPJ 2003, ante a sua inequívoca comprovação. Em suma, se considerados todos os aspectos legais, e, principalmente, as informações já trazidas aos autos quando do protocolo da Manifestação de Inconformidade, resta inequivocamente comprovada à plena existência do crédito da ora Recorrente, descabendo qualquer glosa. Assim, não restam quaisquer dúvidas de que a Recorrente está sendo penalizada por um equívoco cometido pela Autoridade Julgadora, pois, como esclarecido, desde o início, a origem da diferença questionada se deu, essencialmente, em razão das inconsistências apresentadas na análise das parcelas de crédito. III.c) Da Plena Composição do Saldo Negativo de IRPJ 2004 Crédito Utilizado pelas DComp's final n° 5090 e 6300 No que se refere às compensações n°s 13578.22740.300505.1.3.025090 e 12793.05020.291205. 1.3.026300 é notório que se referem ao Saldo Negativo de IRPJ 2004 (DIPJ 2005), subsistindo tãosomente mero erro material quando do preenchimento das aludidas declarações. O objetivo da Recorrente era vincular o valor do crédito apurado e o respectivo período, ao anocalendário de 2004, entretanto acabou por vincular o ano calendário de 2003, fato que acarretou a não homologação das compensações, uma vez que para o referido período (SN IRPJ 2003) não há saldo suficiente para liquidar a totalidade dos débitos objeto de compensação. Denotase que o referido equívoco cometido pela Recorrente pode ser claramente confirmado se consideradas as outras informações evidenciadas nas DComp's n°s 13578.22740.300505.1.3.025090 e 12793.05020.291205. 1.3.02 6300, [...]. Neste sentido fica óbvio que o equívoco cometido decorreu da diferença existente no significado do temo exercício e anocalendário, pois quando a Recorrente informou nos referidos Per/DComp's o Exercício de 2004, ela estava se referindo ao Anocalendário de 2004 e não ao anocalendário de 2003, conforme reconhecido pelo sistema. O que não pode prevalecer é este simples equívoco ser considerado como fã. preponderante para a não homologação das referidas compensações. Todavia, este lapso por parte da Recorrente em nenhum momento prejudicou a existência do Saldo Negativo de IRPJ 2004, portanto, uma vez sendo reconhecido o mero erro material quando da instrumentalização dos referidos Per/DComp's prevalecerá a mais pura justiça e sapiência ao ser analisado o respectivo crédito (SN IRPJ 2004). Entendimento contrário será uma afronta ao princípio da verdade material, tão almejado e respeitado no processo administrativo tributário. Frisase que o pleito da Recorrente, ao contrário do entendimento da Autoridade Julgadora, é demonstrar através de fatos e provas a veracidade do crédito, se sobrepondo até mesmo ao próprio equivoco cometido, na busca pela mais pura justiça ao requer à análise do crédito referente ao saldo negativo de IRPJ 2004. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 343 14 Sendo assim, para afastar quaisquer dúvidas quanto à legitimidade da origem do Saldo Negativo de IRPJ 2004 (R$195.408,40), o qual foi utilizado para efeito das compensações declaradas e não homologadas pela RFB, mister se faz enfocar o ponto através da demonstração da apuração do Imposto de Renda do anocalendário de 2004, ora utilizado pelas compensações instrumentalizadas através dos Per/DComp's n°s 13578.22740.300505. 1.3.5090 e 12793.05020.291205. 1.3.02 6300. Tão logo, o ponto de partida para a presente sustentação, objetivando dirimir qualquer dúvida, deve ser à análise e a verificação da própria natureza do crédito tributário em tela, bem como a demonstração de sua composição que seja possível demonstrar a existência do crédito em comento (SN IRPJ 2004), assim como foi demonstrado em relação ao saldo negativo de IRPJ 2003. Seguindo a mesma linha de raciocínio já apresentada, conforme demonstrado na apuração do Lucro Real junto à DIPJ do respectivo período, e, em plena conformidade com legislação aplicável, a Recorrente apurou para o anocalendário de 2004 um Saldo Negativo de IRPJ no montante de R$669.922,09 [...]. Este Saldo Negativo de IRPJ 2004 é composto pelas estimativas mensais apuradas ao longo do anocalendário de 2004, as quais foram liquidadas mediante IRRF, DARF's pagos e DComp's instrumentalizadas. Tais parcelas, por sua vez, compõem o saldo negativo de IRPJ 2004, conforme pode ser verificado na planilha abaixo, [...] referente aos débitos declarados sob o Cód. 2362: Composição do Crédito Saldo Negativo IRPJ 2004 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ Ficha 11 Coluna A DCTF Mensal Coluna B Total Recolhido Coluna C IRRF Coluna D DARF Cód 2362 Coluna E Compensação Coluna F Jan 602.914,38 383.656,78 587.931,63 31.630,97 383.656,78 204.274,85 Fev 157.917,38 191.307,34 191.307,34 24.907,47 191.307,34 Mar 442.104,00 370.490,41 22.191,47 306.559,26 63.931,15 Abr 187.871,68 275.998,62 275.998,62 16.513,47 275.998,62 Mai 641.347,88 184.473,98 660.188,98 18.841,10 660.188,98 Jun 474.869,59 496.532,96 496.532,96 10.468,60 496.532,96 Jul 601.321,27 658.722,78 658.722,78 2.834,09 658.722,78 Ago 405.079,70 732.972,52 732.972,52 8.140,65 732.972,52 Set 636.500,57 636.500,56 275.503,13 360.997,43 Out Nov Dez 13.794,24 69.312,25 13.794,24 Total 4.149.926,45 2.937.459,22 4.610.645,80 204.840,07 3.995.236,61 629.203,43 Demonstrativo da Apuração IRPJ 2004 IRPJ Apurado 4.478.227,52 Deduções 123.461,00 IR Retido na Fonte 195.408,00 Estimativas 4.829.280,21 * A Pagar (669.922,09) * R$ 400.24,47 (estimativas referentes ao IRRF) + R$ 3.995.236,61 (DARF's) + R$ 629.203,43 (DComp's) Fl. 361DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 344 15 A apuração acima se encontra devidamente declarada na DIPJ/2004, já acostadas aos autos. Assim, terseá o Saldo Negativo de IRPJ 2004 R$669.922,09 formado pelas seguintes parcelas: Imposto de Renda Retido na Fonte AnoCalendário 2004 CNPJ NOME CÓDIGO RECEITA REND. BRUTO IRFonte 00.394.460/035956 Alfândega do Porto de Vitória 1708 339.170,24 15.466,16 01.701.201/000189 HSBC Bank Brasil S/A Banco Múltiplo 3426 744.219,90 148.843,47 33.592.510/000154 Companhia Vale do Rio Doce 3426 941.388,04 188.277,46 59.588.111/000103 Banco Votorantim S/A 3426 238.307,31 47.661,38 TOTAL 400.248,47 [...] Estimativas Compensadas Per/DComp's Período de Apuração Valor R$ Nº DComp Compensação 32400.08351.151204.1.3.025572 204.274,85 2362 Janeiro/2004 602.914,38 32400.08351.151204.1.3.025572 38.540,23 2362 Março/2004 442.104,00 32400.08351.151204.1.3.025572 25.390,92 2362 Setembro/2004 636.500,57 360.997,43 Total 629.203,43 [...] Estimativas Pagas DARF's Período de Apuração Estimativa R$ Principal Pago R$ 2362 Janeiro/2004 602.914,38 383.656,78 2362 Fevereiro/2004 157.917,38 191.307,34 2362 Março/2004 442.104,00 306.559,26 2362 Abril/2004 187.871,68 275.998,62 475.715,00 2362 Maio/2004 641.347,88 184.473,98 2362 Junho/2004 474.869,59 496.532,96 2362 Julho/2004 601.321,27 658.722,78 2362 Agosto/2004 405.079,70 732.972,52 2362 Setembro/2004 636.500,57 275.503,13 2362 Novembro/2004 383.656,78 Total 3.995.236,61 [...] Consolidados todos os créditos vinculados ao Imposto de Renda do ano calendário de 2004, calculase um total de R$5.024.688,61 [...], que somando as Deduções (R$123.461,00) e diminuindo IRPJ Devido (R$4.478.227,52), terseá um Fl. 362DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 345 16 Saldo Negativo de IRPJ suficiente para garantir à homologação das compensações em comento. Logo, a não consideração do referido Saldo Negativo de IRPJ 2004 como crédito utilizado pelos DComp's final n°s 5090 e 6300, em razão da inconsistência no preenchimento, não poderá se sobrepor a verdade material. Entendimento contrário será enriquecimento ilícito por parte do Fisco Federal. Importante ressaltar, ainda, que a Autoridade Julgadora, desconsiderou por completo a origem do crédito, já que se ateve nas informações maculadas em equivoco quando da emissão do Despacho Decisório. [...] Denotase, acima de tudo, que a composição do crédito encontrase comprovada, tendo sido demonstrado toda a composição do Saldo Negativo de IRPJ 2004, por força da documentação e informações já acostadas aos presentes autos, por ocasião do protocolo da Manifestação de Inconformidade e mesmo assim, caso seja necessário qualquer outro documento, a Recorrente estará à disposição. Diante de todo o exposto, é forçoso concluir que o crédito tributário utilizado nos referidos Per/DComp's n°s 13578.22740.300505.1.3.5090 e 12793.05020.291205.1.3.026300, ora objeto de apreciação, se encontra devidamente comprovado e evidenciado, devendo, por essa razão, ser reformada o R. Acórdão e homologadas integralmente as compensações em referência. III.d Do Princípio da Verdade Material Como é cediço, o processo administrativo tributário prima pela incansável busca da verdade material, assegurando não só o pleno exercício do direito à ampla defesa, irredutível sob qualquer pretexto, como também permitindo o adequado equilíbrio da relação jurídicotributária estabelecida entre o Ente Político, por meio da Administração Tributária, e os seus administrados (contribuintes). Com base nesse princípio de direito administrativo tributário, inferese que a Administração Tributária, quando da aplicação de um juízo de valor em fase contenciosa da regular constituição do crédito tributário, deve valerse da realização d «ovos exames, ainda que por intermédio da conversão do julgamento em diligência fiscal, agindo sempre em busca da verdade dos fatos. Ou seja, o procedimento de análise da Declaração de Compensação instrumentalizado pelo contribuinte em situações análogas deverá ser pautado pela imparcialidade, sendo certo que a Autoridade Julgadora deverá, necessariamente, buscar os elementos de prova necessários à formação de sua convicção, objetivando alcançar a verdade dos fatos, independente da forma pelas quais tais elementos foram exteriorizados. [...] Conforme :á explicitado, no caso em apreciação, temos que ocorreu mero equívoco no preenchimento nas compensações, seja na compensação final n° 5772, que, inicialmente, não indicou a totalidade da composição do crédito, ultrapassado está fase, no presente Recurso somente está sendo questionado a composição do crédito (Saldo Negativo de IRPJ 2003), seja nas DComp's final n°s 5090 e 6300, que não evidenciaram corretamente a origem do crédito, qual seja Saldo Negativo de IRPJ 2004. Cumpre esclarecer que ambos os créditos (Saldo Negativo de IRPJ 2003 e 2004) são líquidos e certos, o que demonstra que os erros nas DComp's são Fl. 363DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 346 17 extremamente irrelevante ao processo e, decerto, sanável em razão do Princípio da Verdade Material. Os fatos relatados deixam claro que em momento algum a Recorrente agiu de máfé ou com intuito de lesar o Erário Público, mas apenas equivocouse ao preencher as DComp's especificamente no que diz respeito à indicação e composição do crédito. Portanto, diante de tudo aqui exposto e devidamente comprovado, resta claro que não poderá prosperar a conclusão exarada na r. decisão recorrida e, consequentemente, a cobrança de valores já liquidados, por tratarse de entendimento equivocado por parte da à julgadora ao analisar as compensações que compunham o crédito, ou, ainda, pelo mero erro de preenchimento de obrigação acessória, haja vista que um simples equívoco procedimental não poderá se sobrepor à realidade dos fatos, qual seja, a efetiva liquidação dos débitos tributários. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Por todo o exposto, vem a ora Recorrente requerer o que segue: (a) seja admitido, processado e julgada o presente Recurso Voluntário, produzindo os efeitos que lhe são próprios, em estrita obediência ao disposto no artigo 119, do Decreto n° 7.574, de 29.09.2011; (b) sejam acolhidas as razões ora aduzidas, a fim de cancelar os valores apontados como devidos no presente processo administrativo, com a consequente homologação das Declarações de Compensação formalizado pelos Per/DComp's n°s 32400.08351.151204.1.3.025572 (SN IRPJ 2003), 13578.22740.300505.1.3.02 5090 e 12793.05020.291205.1.3.026300 (SN IRPJ 2004); Por fim, protesta a Recorrente, em homenagem ao Princípio da Verdade Material, pela posterior produção de todos os meios de prova admitidos em Direito, especialmente a prova documental suplementar, que ratificará a total improcedência do acórdão ora guerreado, bem como a eventual realização de diligência fiscal, caso V.Sas, reputem necessário para formar vosso convencimento sobre a matéria versada nestes autos. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Fl. 364DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 347 18 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os atos administrativos não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. O Despacho Decisório foi lavrado por servidores competentes com observância de todos os requisitos legais (art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos3. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 4 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. 4 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 348 19 A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional5. Assim, o Despacho Decisório, fl. 5154 e o Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 12040.519, de 20.09.2011, fls. 258271, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A tese protetora exposta ela defendente, assim sendo, não está demonstrada. A Recorrente suscita que devem ser analisados os meios de prova apresentados em sede de segunda instância de julgamento de modo a demonstrar seu direito líquido e certo e ainda requer a realização de diligência. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos6. Privilegiando o princípio da verdade material, em sede de segunda instância de julgamento, cabe apreciar os assentos contábeis produzidos pela Recorrente em relação à comprovação das supostas inexatidões materiais devidas a lapso manifesto constantes nos dados informados à RFB procurando evidenciar a liquidez e a certeza do valor de direito creditório pleiteado. Em relação ao pedido de realização dos meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova nesse particular. A Recorrente defende que o pedido de compensação foi alcançado pela homologação tácita. A pessoa jurídica que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 30.12.2003 ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação também fixou o prazo de cinco anos, contados da data da entrega da declaração, para que os débitos sejam homologados tacitamente, o que privilegia o princípio 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 6 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 349 20 da segurança jurídica, embora não se possa inferir que este instituto tenha o efeito de fazer nascer qualquer direito creditório7. No presente caso verificase que os Per/DComp foram formalizados em 14.12.2004, 29.12.2005 e 30.05.2005, fls. 5154, e a Recorrente foi notificada do Despacho Decisório Eletrônico em 06.11.2008, fl. 54. Dessa sorte não transcorreu o prazo de cinco anos e assim não há que se falar em homologação tácita das compensações dos débitos confessados no Per/DComp. Além disso, tem cabimento a aplicação do enunciado da Súmula CARF nº 11, que determina que "não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal". A pretensão da defendente, por esta razão, não tem cabimento. A Recorrente suscita que os Per/DComp devem ser deferidos. A pessoa jurídica que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 8. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais9. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. 7 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A Constituição Federal, art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 8 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 9 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 350 21 Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza10. Sobre a possibilidade jurídica de utilização do IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, objeto de extinção sob condição resolutória de ulterior homologação da compensação, para dedução do IRPJ devido no cálculo do saldo negativo apurado no encerramento do período, a Procuradoria da Fazenda Nacional mediante Parecer PGFN/CAT nº 88/2014 manifestouse no seguinte sentido: PARECER PGFN/CAT/Nº 88/2014 Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei nº 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. I OBJETO DA CONSULTA Tratase de consulta cuja origem remonta a Secretaria da Receita Federal do Brasil, tendo sido encaminhada para manifestação acerca da ratificação ou retificação dos Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 e 193/2013, os quais trataram da impossibilidade de inscrição em Dívida Ativa da União dos valores mensalmente apurados por estimativa, a título de antecipação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, e não pagos, ainda que objetos de Declaração de Compensação não homologada. 2. A consulta, realizada por meio da Nota Cosit nº 31, de 20 de novembro de 2013, propugna pela revisão dos Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 e 193/2013, nos seguintes termos: “a) dada a regra geral de que a estimativa não paga não é passível de cobrança, excepcionalmente a estimativa estaria sujeita a cobrança e inscrição em DAU, quando objeto de parcelamento inadimplido ou de compensação não homologada ou considerada não declarada; 10 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 351 22 b) se a lei permite a compensação de estimativa por meio de DComp, pode advir decisão administrativa de não homologação, com posterior manifestação de inconformidade, bem como de suspensão do débito; c) sendo possível, ao final da análise da DComp e do julgamento pela CRJ e pelo CARF, manterse não homologada a compensação de valores de estimativa, temse, por consequência lógica, a possibilidade de sua cobrança após o ajuste anual; d) se a lei especial admite o parcelamento de valores de estimativa informados em DComp não homologada, eventual inadimplência levará à sua cobrança e execução por parte da PGFN; e) do contrário, a manter o entendimento dos referidos pareceres, que se pronuncie quanto aos questionamentos constantes dos itens 48 e 52.” 3. A angústia dos consulentes reside na preocupação quanto ao fato de não saberem como proceder na hipótese de manutenção dos Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 e 193/2013, como pode ser percebido do item (e) acima, o qual faz referência aos itens 48 e 52, cujo teor transcrevemos: “48. Diante de todo o exposto, e tendo em vista que os valores de estimativas devidos foram confessados em DComp e que, após o encerramento do anocalendário, não há mais que se falar em estimativa, pois as antecipações passam a revestir o caráter de tributo, tanto que passam a compor o resultado apurado no final do anobase, questionase: a) Na hipótese de o contribuinte utilizar como dedução na apuração anual do tributo valores de estimativas que tenham sido confessadas em DComp, cuja compensação não tenha sido homologada, a RFB não pode efetuar a cobrança da diferença devida com base na DComp, cobrando esse valor como tributo e não mais como estimativa, mesmo que seja após a ocorrência do fato gerador (31 de dezembro)? b) Qual seria o marco para início da incidência dos acréscimos legais: (i) o vencimento da estimativa não paga (último dia útil do mês subsequente àquele a que se referir), ou (ii) o vencimento do tributo (último dia útil do mês de março do ano calendário subsequente ao ano base)? c) Qual seria o termo inicial do prazo de que a Fazenda disporia para efetuar a cobrança dos valores confessados e indevidamente deduzidos do ajuste anual? Seria a data da confissão do débito de estimativa em DComp, considerando, ainda, que o prazo prescricional não corre no período que medeia a entrega da DComp e a não homologação da compensação? d) Em se mantendo o entendimento de que as estimativas não são créditos tributários, por isso não podem ser cobradas com base Fl. 369DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 352 23 na DComp não homologada, mas devem ser objeto de lançamento de ofício, perguntase: não sendo crédito tributário, as estimativas poderiam ser compensadas, uma vez que a legislação sempre trata da compensação entre créditos tributários líquidos e certos? ...omissis... 52. Importante mencionar, todavia, que dos R$169 bilhões relativos aos créditos de saldos negativos, R$930 milhões (0,55%) referese a estimativas parceladas. Sendo assim, diante da existência de permissão legal, tanto que existente crédito tributário nessa situação, questionase: a RFB pode, por ato infralegal, restringir o direito do contribuinte, vedando a inclusão de tais antecipações no parcelamento simplificado, com base no argumento de que, ao final do anobase, as estimativas são substituídas pelo tributo apurado? E quando o parcelamento for de estimativas cuja compensação não foi homologada e se der depois de 31/12 do anocalendário a que correspondem as antecipações?” 4. A grande diferença das consultas anteriores é que essa ressalta o questionamento em relação aos valores da estimativa que foram contabilizados após o ajuste anual, ou seja, não seriam mais estimativas, mas valores que foram contabilizados no ajuste como tributos efetivamente pagos ou compensados, portanto, os valores seriam parte do tributo que teve sua compensação não homologada, como é possível constatar em trecho da Nota Técnica Cosit n.º 31/2013: “Entretanto, a PGFN não considerou a possibilidade de que as estimativas parceladas fossem aquelas objeto de compensação nãohomologada e, quase sempre, efetuado o parcelamento depois de anocalendário encerrado. Ou seja, as estimativas parceladas podem ser aquelas que compuseram o ajuste anual do imposto apurado e deste foi deduzido por compensação que veio a ser nãohomologada” 5. Desse modo, a consulta realizada em nada se assemelha as anteriores, em que foram tratadas as estimativas, ou seja, valores não consolidados no ajuste anual. Tanto o Parecer PGFN/CAT n.º 1.658/2011, quanto no Parecer PGFN/CAT n.º 193/2013 abordam os valores relativos a estimativa, não analisando a mudança de natureza que ocorre após o ajuste anual, portanto, não vislumbramos nenhuma razão para alteração dos pareceres anteriores, aos quais remetemos para questão das estimativas. II TRANSFORMAÇÃO DA ESTIMATIVA EM TRIBUTO 6. O imposto de renda tem sua matriz no Art. 153, Inciso III da Constituição Federal, estabelecendo princípios para sua regência no § 2º do mesmo artigo, além dos já previstos nos Arts. 150 e 151 da Carta Magna, porém, o delineamento do tributo consta no Código Tributário Nacional, ao definir o fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto de renda: Fl. 370DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 353 24 “Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Parágrafo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) § 2º Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Parágrafo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam.” 7. Não existe nenhuma dúvida quanto ao fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto sobre a renda, valendo trazer a lição a seguir a respeito do conceito de renda: “...o acréscimo de valor patrimonial, representativo da obtenção de produto, da ocorrência de fluxo de riqueza ou simples aumento do valor do patrimônio, de natureza material ou imaterial, acumulado ou consumido, que decorre ou não de uma fonte permanente, que decorre ou não de uma fonte produtiva, que não necessariamente esta realizado, que não necessariamente esta separado, que pode ou não ser periódico ou reprodutível, normalmente líquido, e que pode ser de índole monetária ou em espécie.” 8. Outro aspecto deve ser levando em consideração para aferir a renda, o interstício temporal, a partir da combinação de acréscimos e decréscimos patrimoniais relevantes, que vão apontar o ganho de renda do sujeito passivo num determinado período. Vejamos lição de Hugo de Brito Machado: “em se tratando de imposto de incidência anual, podese afirmar que o seu fato gerador é da espécie dos fatos continuados. E em virtude de ser a renda, ou o lucro, um resultado de um conjunto Fl. 371DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 354 25 de fatos que acontecem durante determinado período, é razoável dizerse também que se trata de fato gerador complexo” 9. Mesmo o fato que enseja à incidência do imposto de renda ocorrendo apenas ao final do ano, a legislação estabelece o pagamento de valores mensais, cujo valor real se apresentará apenas no ajuste anual, com a apuração do lucro real, a qual ocorrerá em 31 de dezembro, consoante definido no Art. 2º da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996: “Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (Regulamento) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo.” 10. Por sua vez, o Art. 6º da Lei n.º 9430, de 1996, também deixa bastante claro que o imposto será apurado em 31 de dezembro, estruturando o imposto de renda anual para o seu devido valor, superando as antecipações de recolhimento designadas como estimativa. Vejamos o dispositivo: Fl. 372DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 355 26 “Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subsequente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro receberá o seguinte tratamento: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I se positivo, será pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subsequente, observado o disposto no § 2o; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II se negativo, poderá ser objeto de restituição ou de compensação nos termos do art. 74. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 3º O prazo a que se refere o inciso I do § 1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subsequente.” 11. Esse pagamento a que nos referimos acima se assemelha a antecipação do imposto de renda por meio de retenção na fonte, a qual tem sua natureza abordada em nota na clássica obra de Aliomar Baleeiro: “Generalizouse a retenção do imposto de renda na fonte. Com o advento da Lei nº 7713/88, a partir de 01.01.1988, todos os rendimentos de pessoa física, recebidos de pessoas jurídicas, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte, mesmo quando pagos em juízo. Incluemse, portanto, no rol, os rendimentos pagos ao trabalho assalariado (salários, remunerações e despesas pagas pelo empregador), ao autônomo, aluguéis e outros. As exceções são os ganhos de capital, mesmo se pagos por pessoas jurídicas, os alimentos e pensões. ...omissis.. Originariamente, o imposto de renda (fonte) incidia apenas sobre os rendimentos ao portador e dos residentes e domiciliados no exterior. Surgiu, portanto, por razões de praticidade ou pelas limitações territoriais da lei brasileira, como incidência única e exclusiva, cabendo às fontes pagadores reter e recolher o tributo as repartições competentes. ...omissis... Posteriormente, estendeuse o imposto de fonte a outras hipóteses, até a ampla generalização que tem hoje. Não configura, em nenhum caso, tributo diferente do imposto de renda, mas, antes, deve ser analisado como mera antecipação de imposto que se presume devido. Se, ao final do anobase em que está periodizado (ver comentários seguintes, no tópico 13), o Fl. 373DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 356 27 imposto não for devido, em decorrência de saídasdespesas elevadas, deverá ser devolvido ao contribuinte.” 12. O entendimento quanto à natureza de antecipação do imposto foi tratada em decisões do Supremo Tribunal Federal, a seguir colacionadas: EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. PESSOA JURÍDICA. RETENÇÃO NA FONTE. PAGAMENTOS EFETUADOS PELO PODER PÚBLICO. CARÁTER INFRACONSTITUCIONAL DA DISCUSSÃO. INSUFICIÊNCIA DAS RAZÕES RECURSAIS. PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO MONOCRÁTICA. DISCUSSÃO ACERCA DE SEUS REQUISITOS. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. 1. Nos termos do art. 38 da Lei 8.038/1991 e do art. 21, § 1º do RISTF, cabe ao relator negar seguimento aos pedidos ou aos recursos manifestamente improcedentes. Nestes casos, devese preservar a possibilidade de recurso ao Colegiado, pela exposição precisa dos fundamentos da decisão monocrática. Requisito observado neste caso. 2. Considerada a sistemática de retenção na fonte como instrumento de antecipação do Imposto de Renda (realidade diversa da retenção na fonte como mecanismo de tributação definitiva), para que fosse possível bem compreender a alegada dimensão constitucional do debate, seria necessário examinar não apenas a norma de retenção, mas também a contramedida de compensação, destinada a reconduzir a carga tributária ao patamar autorizado pela Constituição e pela legislação. Ausente discussão sobre elemento essencial do modelo, as razões recursais são ineficazes para promover o debate constitucional da matéria. 3. Ademais, as razões recursais desviamse de outro elemento determinante para o controle da validade da tributação, que referese aos limites à mensuração da carga tributária que pode ser exigida em antecipação. Como há a previsão para o reequilíbrio da carga tributária com a compensação, a questão de fundo deixa de ser propriamente a violação imediata do conceito de renda, para se desdobrar em duas: (a) a razoabilidade e a proporcionalidade dos valores retidos, considerado o direito constitucional ao exercício de atividade econômica lícita e (b) a eficácia do mecanismo de compensação para reconduzir a carga tributária ao patamar permitido pela Constituição e pela legislação. Agravo regimental ao qual se nega provimento. (RE 628845 AgR, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 01/03/2011, DJe061 DIVULG 30032011 PUBLIC 31032011 EMENT VOL0249301 PP00194) EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE A RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA. PESSOA JURÍDICA. ANTECIPAÇÃO. “DUODÉCIMOS”. VALIDADE. PROCESSUAL CIVIL. FUNDAMENTAÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL. 1. O acórdão prolatado pelo Tribunal de origem está devidamente fundamentado, ainda que com sua conclusão não concorde a parteagravante. Ausência de violação do art. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 357 28 93, IX da Constituição. 2. A orientação firmada por esta Corte considera válida a cobrança do IRPJ pela modalidade de antecipação conhecida como “duodécimos” (DecretoLei 2.354/1987 e Lei 7.787/1989). A suposta violação do princípio da vedação do uso de tributo com efeito confiscatório depende do exame de provas específicas, relativas ao caso concreto. Ausente quadro probatório capaz de confirmar a alegação da parteagravante. Impossibilidade de revisão de fatos e provas (Súmula 279/STF). Agravo regimental ao qual se nega provimento. (RE 255379 AgR, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 08/02/2011, DJe060 DIVULG 29032011 PUBLIC 30032011 EMENT VOL02492 01 PP00043) 13. Ao final do período ocorre à substituição das estimativas pelo ajuste anual, não existindo liquidez e certeza na estimativa, razão pela qual é impossível a inscrição e cobrança das estimativas, conforme exposto no Parecer PGFN/CAT n.º 1.658/2011, do qual extraímos o trecho a seguir: 28. Ocorre que, como visto e reiterado, os valores do IRPJ e da CSLL apurados por estimativa não se qualificam como crédito tributário, mas como mera antecipação do pagamento deste. 29. Assim, ainda que a DCOMP se preste à confissão de dívida, tal confissão não tem o poder de transformar a antecipação do tributo (estimativa) em crédito tributário. 30. Disto decorre que, mesmo declarada esta antecipação do tributo como débito (e até confessada), em não sendo homologada a compensação ela é tida por inexistente, tendo como efeitos o não pagamento e a não extinção desta parte do crédito tributário, a teor do art. 156, inciso II, do Código Tributário Nacional. 31. Conclusivamente, o débito relativo à antecipação do IRPJ e da CSLL apurada por estimativa não constitui crédito tributário e assim não se converteu pelo fato de ter sido objeto de DCOMP, não se sustentando como líquido e certo, inclusive porque é necessário o ajuste, ao final, para apuração do saldo do imposto. 32. De fato, conforme preceitos do art. 2° c.c. art. 6º da Lei nº 9.430, de 1996, caso não recolhido ou pago a menor o valor da antecipação mensal dos tributos, é necessária a apuração destes ao final (31 de dezembro ou na data do encerramento das atividades ou dos demais eventos indicados na lei), com previsão de penalidade pecuniária, ainda que a pessoa jurídica venha a apurar prejuízo no balanço. 33. A propósito, não é desarrazoado prever a ocorrência de situação em que os valores antecipados sejam superiores ao valor do tributo devido, hipótese que reforça a conclusão de inexistência de certeza e liquidez das referidas antecipações. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 358 29 14. A mesma conclusão foi adotada no Parecer PGFN/CAT n.º 193/2013, conforme excerto a seguir: “12. A existência da compensação não implica em sua possibilidade de cobrança, afinal, ao ser concluído o exercício, a estimativa é substituída pelo imposto apurado, consoante exposto no Parecer PGFN/CAT nº 1.658/2011 e assim como é definido pela própria Receita Federal do Brasil no Art. 16 da Instrução Normativa SRF Nº 093, de 24 de Dezembro de 1997: Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: I a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto.” 15. O IRPJ e a CSLL substituem as estimativas, contudo, é possível que os valores relativos à estimativa tenham sido compensados e computados como pagamento no momento do ajuste anual, contudo, essa compensação pode não ser homologada, ocorrendo a decisão após a apuração do lucro real. Assim, tratarseiam de valores referentes a tributo consolidados com o ajuste anual, não mais de mera estimativa do imposto de renda e da contribuição sobre o lucro. 16. Esse entendimento já é aplicado pela Receita Federal do Brasil, vejamos trecho da Nota Cosit nº 31/2013, a qual serve de lastro à consulta: “Portanto, ao apurar, em 31 de dezembro, o valor total do imposto devido em todo o anocalendário, o sujeito passivo há de pagar esse valor, não havendo porque a RFB manter a cobrança de um débito (estimativa) que foi incorporado por outro (imposto a pagar). Isso é pacífico. A RFB não cobra estimativa não paga no anocalendário: aplica multa de ofício e cobra o imposto devido na forma de saldo a pagar.” 17. A leitura do trecho acima deixa claro que a RFB tem consciência da inviabilidade de cobrança das estimativas, pelo menos até a ocorrência do fato jurídico que enseja a incidência do IRPJ e CSLL na modalidade anual. 18. Ocorre que, após o ajuste, a estimativa é substituída pelo tributo, portanto, a estimativa extinta por meio de compensação foi incorporada ao ajuste, como explicado pela própria Receita Federal do Brasil na Nota Cosit n.º 31/2013: “21. Ocorre que não se está tratando de estimativa não paga no anocalendário, mas de estimativa extinta por meio da compensação, cujo efeito legal é o mesmo do pagamento, Fl. 376DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 359 30 conforme se depreende da leitura do art. 156, Incisos I e II, do CTN e do art. 6º da Lei nº 8.212, de 29 de agosto de 1991. 21.1. Por sua vez, a Lei n.º 9.430, de 1996, não previa – e não foi atualizada nesse ponto – a hipótese de que o valor devido fosse antecipado por forma diversa do pagamento, in casu, a compensação, cujas regras próprias possibilitam a contestação dessa antecipação por meio da nãohomologação, que ocorre, via de regra, apenas depois de 31 de dezembro, ou seja, depois de a Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) ser entregue e o imposto pago ou o saldo negativo apurado. 21.2. Ora, enquanto não homologada a compensação, extinto está o débito declarado a título de estimativa e, portanto, corretamente deduzido do total do imposto devido no ano e demonstrado no DIPJ. Essa extinção, entretanto, não é definitiva, mas se submete a condição resolutória de a RFB homologála ou não no prazo de cinco anos. 21.3 Assim, ao compor o imposto de renda apurado e devido ao final do anocalendário, e ser declarado extinto por meio de estimativa, temse que esse valor informado na DIPJ como compensado já não é mais estimativa, mas imposto sobre a renda, crédito tributário definitivamente constituído por apuração e confissão do sujeito passivo. Tal caráter de confissão tanto se encontra assentado na informação do valor estimado e compensado prestada na DCTF, como na DComp. 19. O entendimento que podemos extrair do excerto acima é de que tratamos de tributo em si, não mais de estimativas, cuja existência se encerra com o ajuste anual, consoante exposto nos Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 e 193/2013, razão pela qual podemos ter uma conclusão diferente daqueles constantes nos pareceres mencionados, contudo, sem modificarlhes em nenhum ponto, apenas por considerar que no caso estamos tratando de tributo propriamente dito. 20. A conclusão que podemos formular, a partir do questionamento da Receita Federal do Brasil, é pela legitimidade de cobrança de valores que sejam objeto de pedido de compensação não homologada oriundos de estimativa, uma vez que já se completou o fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto de renda, ocorrendo à substituição da estimativa pelo imposto de renda. 21. Devemos ressaltar, porém, que deverão ser realizados ajustes para que fique claro que os valores cobrados, quando da não homologação de compensação de estimativa, são, na verdade, IRPJ ou CSLL e não estimativa dos tributos, pois a confusão pode influenciar as chances de êxito da cobrança, pois a nomenclatura inadequada pode levar órgãos administrativos e judiciais a entenderem que a cobrança seria ilegal. III CONCLUSÃO Fl. 377DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 360 31 22. Em síntese, os questionamentos levantados na consulta oriunda da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem ser respondidos nos seguintes termos: a) Entendese pela possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; b) Propõese que sejam ajustados os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrança não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. (grifos acrescentados) Podese concluir que somente podem ser deduzidos na apuração do ajuste anual os valores de estimativa efetivamente pagos relativos ao anocalendário objeto da DIPJ. Considerase efetivamente pago por estimativa o crédito tributário extinto por meio de: dedução do tributo retido ou pago sobre as receitas que integram a base de cálculo, compensação solicitada por meio da Per/DComp ou de processo administrativo, compensação autorizada por medida judicial e valores pagos mediante Darf. Per/DComp nº 32400.08351.151204.1.3.025572 Direito Creditório Atinente ao Saldo Negativo do AnoCalendário de 2003 Para elucidar a questão vale transcrever excerto do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 12040.519, de 20.09.2011, fls. 258271: Das Compensações Efetuadas I) Relativamente ao PER/DCOMP n° 32400.08351.151204.1.3.025572 Através do Per/DComp de n° final 5572, a interessada declara compensações efetuadas com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ, do exercício de 2004 (ano calendário de 2003), no valor de R$242.815,18, indicando como origem apenas o pagamento efetuado a titulo de estimativa, do período de apuração de novembro/2003, no valor de R$297.358,97 (fl. 140). Conforme Despacho Decisório de f1. 37, o total das parcelas de crédito confirmadas totalizam exatamente R$242.815,18, enquanto que o IRPJ devido, no anocalendário de que se trata, é de R$1.923.804,53, ultrapassando, portanto, o mencionado total das parcelo confirmadas. A interessada argumenta, em sua manifestação, que a apuração do IRPJ foi corretamente realizada, evidenciando a composição de um saldo negativo legitimo. Compilandose os dados declarados pela interessada na Ficha 11 da sua DIPJ/2004 (AC 2003), transmitida em 29/06/2004 (fl. 175), e nas DCTF de 2003 temos, relativamente às estimativas de IRPJ, os seguintes valores: [...] Fl. 378DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 361 32 AC 2003 IRPJ Estimativa Mensal Código 2362 DCTF de 2003 (1º, 2º, 3º e 4º Trimestres) DIPJ/2003 Ficha 11 Compensação P.A. IRRF IRPJ IRPJ Apurado Pagamento com DARF Valor Nº da DComp Jan/03 77.606,92 77.606,92 77.606,92 15791.80124.021003.1.3.021096 Fev/03 46.838,42 Mar/03 334.591,83 334.591,82 334.591,82 15791.80124.021003.1.3.021096 Abr/03 768,65 221.475,53 221.475,53 221.475,53 15791.80124.021003.1.3.021096 Mai/03 2.882,20 409.602,84 409.591,71 409.591,71 15791.80124.021003.1.3.021096 Jun/03 1.983,91 442.767,82 442.767,83 261.182,65 181.585,18 15791.80124.021003.1.3.021096 Jul/03 418.580,12 Ago/03 311.063,20 Set/03 5.931,62 53.546,30 53.546,30 5.337,26 8.209,04 10001.53149.031203.1.3.021123 Out/03 1.620,81 232.151,97 232.151,97 232.151,97 Nov/03 1.000,81 302.164,57 302.164,68 297.358,97 4.805,71 29214.66447.090204.1.3.043523 Dez/03 164.291,25 [...] Analisandose esses dados, temse: 1°) Dos Pagamentos efetuados por DARF: Pesquisas efetuadas no sistema SIEF confirmam os seguintes recolhimentos/amortizações (fls.195/199): P.A. Valores recolhidos/amortizados Jun/03 261.182,65 Set/03 30.605,51 + 14.539,66 Out/03 232.151,97 Nov/03 297.358,97 Total 835.838,96 2°) Das Compensações Efetuadas Através de PER/DCOMP: a) Per/DComp de nos finais 1096 e 1123: essas compensações foram tratadas no Proc. n° 10783.900541/200627, já objeto de julgamento efetuado nesta sessão, no qual fui igualmente relatora; através do Per/DComp de n° final 1096, foi pleiteado o crédito de R$1.130.625,69, o qual, apesar de integralmente reconhecido não foi suficiente para guitar todas as compensações declaradas; entretanto, todas as compensações efetuadas foram homologadas, em face do reconhecimento da ocorrência de homologação tácita; como já mencionado nas Considerações Iniciais, o fato de ter ocorrido homologação tácita não implica no reconhecimento automático do saldo negativo apurado, formado a partir desses créditos; conforme consta no Acórdão proferido no Processo n° 10783.900541/2006 27 (cópia às fls. 214/219), os débitos a serem considerados efetivamente quitados, em vista do direito creditório pleiteado/reconhecido de R$1.130.625,69 são os seguintes: Fl. 379DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 362 33 Per/DComp de nºs Finais 1096 e 1123 P.A. Extinção por Compensação Jan/03 77.606,92 Fev/03 Mar/03 334.591,83 Abr/03 37.055,89 Mai/03 409.602,84 Jun/03 181.585,18 Jul/03 Ago/03 Set/03 Total 1.040.431,52 b) PER/DCOMP de no final 3523: Conforme pesquisas efetuadas no sistema SIEF (fls. 203/206), foi reconhecido integralmente o crédito pleiteado de R$4.760,84. 0 processo de cobrança do valor de R$4.805,70, correspondente a parte da estimativa de IRPJ de nov/2003, foi encerrado, podendose considerar amortizada a referida parcela (fl. 207). 3°) Do Imposto de Renda Retido na Fonte Utilizado como Dedução Na sua DIPJ/2004 (AC 2003) a interessada utiliza como dedução, nas Fichas 11 (fls. 176/183) e 12A (fls. 184/185), os seguintes valores a titulo de IRRF: [...] Por esses dados, podese constatar que os valores de IRRF deduzidos na DIPJ/2004 (R$14.188,00 e R$78.523,93) são compatíveis com as retenções efetuadas/declaradas pelas fontes pagadoras, assim como o valor declarado pela interessada como "Outras Receitas Financeiras" (Linha 24 da Ficha 06A, fl. 176), que foi de R$951.040,03. Em face desses elementos, a Ficha 12A da DIPJ/2004 passa a ter os seguintes valores: [...] Ficha 12A Cálculo do IR sobre o Lucro Real Ficha 12A Valores Apurados Imposto à alíquota de 15% 1.168.682,72 1.168.682,72 Adicional 755.121,81 755.121,81 Deduções () IR Retido na Fonte 78.523,93 78.523,93 () IR Mensal Pago por Estimativa 2.088.095,78 1.895.264,18 IR a Pagar 242.815,18 49.983,58 [...] Valor das Antecipações Totais a serem considerados na Apuração Anual Antecipações pagas por DARF 835.838,96 Antecipações Extintas por Compensação: Per/DComp n°s finais 1096 e 1123 1.040.431,52 Per/DComp n° final 3523 4.805,70 IRRF utilizado como dedução de estimativas 14.188,00 Total 1.895.264,18 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 363 34 Por todo o exposto, reconheço, quanto ao crédito pleiteado através do PER/DCOMP de n° final 5572, oriundo de saldo negativo de IRPJ, do exercício de 2004, o valor de R$49.983,58. Verificamse diferenças entre os valores pleiteados pela Recorrente e reconhecidos em sede de julgamento de primeira instância de julgamento, a saber: Descrição (A) Recurso Voluntário R$ (B) DRJ R$ (C) IRPJ Devido 1.923.804,53 1.923.804,53 IR Retido na Fonte (127.755,48) (92.711,93) IR Mensal Pago por Estimativa DARF (836.030,85) (835.838,96) IR Mensal Pago por Estimativa Compensado (1.237.865,92) (1.045.237,22) Em relação ao argumento da Recorrente de que os débitos de IRPJ determinados sobre a base de cálculo estimada dos períodos de apuração abril e setembro do anocalendário de 2003 no valor total originário de R$192.639,51 foram homologados mediante compensação na decisão proferida no processo n° 10783.900541/200627, temse que esses autos se encontram arquivados. Indica também diferenças de valores a título de IRRF e DARF. No processo n° 10783.900541/200627, que trata das DComp nºs 15791.80124.021003.1.3.021096 e 10001.53149.031203.1.3.021123 a Recorrente efetuou a compensação de débitos de estimativas de IRPJ do anocalendário de 2003 com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2002, no valor original de R$1.130.625,69., foi exarado o Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1240.518, de 20.09.2011, em cujo excerto do Voto condutor consta: Da Homologação Tácita 0 dispositivo legal que rege a matéria em foco, art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações legislativas supervenientes, [...] Em suma, no que tange ao julgamento de contenciosos administrativos de restituição/compensação, cabe As Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) a apreciação da Manifestação de Inconformidade contra o não reconhecimento de direito creditório e/ou a não homologação da compensação declarada, objeto de análise do processo em tela. No presente caso, foi reconhecido, através do Despacho Decisório de fl. 39, o direito creditório pleiteado no PER/DCOMP de n° final 1096, no valor nominal total de R$1.130.625,69, e homologadas, com base no crédito reconhecido, as compensações declaradas nos PER/DCOMP de nos finais 1096 e 1123. Entretanto, as compensações declaradas não foram homologadas na sua totalidade, tendo em vista que, conforme previsão expressa do §2° do art.74 já reproduzido, a declaração de compensação extingue o débito sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Dessa forma, cabe A autoridade fazendária intervir na compensação declarada, podendo não homologála, caso reste inexistente a certeza e liquidez do crédito utilizado, ou quando esse crédito seja insuficiente para a homologação de todas as compensações declaradas, com os acréscimos legais porventura cabíveis. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 364 35 A interessada argumenta que, entre os débitos compensados, encontrase o valor de R$221.475,54 (IRPJ, cód.2362, abr/2003), objeto da presente cobrança, que já havia sido declarado na DCTF do mês de abril de 2003. Ora, a declaração em DCTF constitui confissão de divida. Assim, ainda que a Declaração de Compensação só tenha passado a constituir confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados a partir de 31/10/2003, com a publicação da Medida Provisória 135/2003, o questionado débito de R$221.475,54, cuja compensação, datada de 02/10/2003, não foi homologada, poderia, em principio, ser exigido, independentemente de lançamento de oficio, em face da confissão efetuada por DCTF. Por outro lado, os débitos em foco não poderiam ser cobrados no caso de terem sido objeto de homologação tácita, conforme arguido, também, pela interessada. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação, conforme previsto pelo § 5° do art.74 da Lei n°9.430/1996 [...]. Os Per/DComp em lide, de nºs finais 1096 e 1123, foram transmitidos em, respectivamente, 02/10/2003 e 03/12/2003. Por sua vez, a ciência do Despacho Decisório de fl.39 somente ocorreu em 08/09/2009, data em que os débitos de que se trata já se encontravam extintos pela compensação tacitamente homologada, na forma da legislação vigente. Por essa razão, é de se reconhecer a homologação tácita dos débitos compensados através dos PER/DCOMP mencionados, razão pela qual a sua cobrança se torna incabível. Do Esclarecimento Acerca das Compensações a Serem Consideradas como Crédito em Possível Saldo Negativo Apurado A titulo de esclarecimento, vale destacar que, ainda que as compensações dos débitos de que se trata (estimativas de IRPJ do anocalendário de 2003) tenham sido homologadas tacitamente, e não possam mais ser exigidas, isso não significa que o órgão administrativo deva simplesmente "homologar" o saldo negativo de IRPJ porventura apurado no anocalendário de 2003, com a inclusão das referidas estimativas, sem que seja aferida a certeza e a liquidez dos indébitos tributários que o fundamentam. A Instrução Normativa RFB n° 210/2002, vigente à época da transmissão dos PER/DCOMP em foco, assim disciplina a compensação de créditos com débitos do contribuinte: [...]. No caso em análise, através dos Per/DComp de n°s finais 1096 e 1123, a interessada efetuou a compensação de crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2002, no valor original de R$1.130.625,69 (crédito efetivamente pleiteado), com os seguintes débitos: Fls. Per/DComp Nº Final Data Per/DComp Cód. Tributo/Contribuição Per. Apur. Vencimento Valor Originário Jan/03 28/02/03 77.606,92 04/03 1096 02/10/2003 2362 IRPJ Estimativa Mensal Mar/03 30/04/03 334.591,82 Fl. 382DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 365 36 Mai/03 30/06/03 409.591,71 Jun/03 31/06/03 181.585,18 Abr/03 31/05/03 221.475,54 10 1123 03/12/2003 [2362] IRPJ Estimativa Mensal Set/03 31/10/03 8.209,04 Por esses dados podese verificar que todos os débitos foram compensados posteriormente às datas dos seus vencimentos, devendo, portanto, sofrer a incidência dos acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até as datas das entregas das DComp correspondentes (art. 28 da IN RFB no 210/2002, com a redação da IN SRF n° 323/2003, já reproduzido). [...] Analisandose os Per/DComp em foco, verificase que a interessada apurou corretamente os juros relativos ao crédito pleiteado, mas, na apuração dos débitos compensados, apenas incluiu os juros de mora devidos, quando deveria considerar, também, conforme determinação legal vigente, a inclusão da multa de mora. Por esse motivo, os débitos a serem considerados realmente quitados para compor possível saldo negativo de IRPJ, que traduza direito liquido e certo, tendo em vista o direito creditório pleiteado/reconhecido de R$1.130.625,69 e os Demonstrativos de Compensação (fls. 136/140), além do Extrato do Processo (fls. 42/43), são os seguintes: [...] Débitos Incluídos no Per/DComp de N° Final 1096 P.A. Vencim. Valor Principal Extinto por Compensação [Saldo Débito Remanescente (Valor Original)] 01/03 28/02/03 77.606,92 77.606,92 03/03 30/04/03 334.591,82 334.591,82 05/03 30/06/03 409.591,71 409.591,71 06/03 31/07/03 181.585,18 181.585,18 04/03 31/05/03 221.475,54 37.055,89 [184.419,65] Dessa forma, de acordo com extratos de fls. 42 e 43, os débitos não compensados com o crédito efetivamente reconhecido são as parcelas das estimativas dos períodos de apuração de abr/03, no valor de R$184.419,65 (Per/DComp de n° final 1096), e de set/03, no valor de R$8.209,04 (Per/DComp de n° final 1123), as quais não deverão compor um possível saldo negativo de IRPJ de 2003 porventura apurado/pleiteado, por falta de liquidez e certeza. Entretanto, como já mencionado, a sua exigência tornase indevida, uma vez que esses débitos encontramse extintos pela compensação, tacitamente homologada, na forma k‘da legislação vigente. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto no sentido de homologar as compensações efetuadas pela interessada, através dos PER/DCOMP de nos 15791.80124.021003.1.3.021096 e 10001.53149.031203.1.3.021123 (fls. 01/11) , em face das homologações reconhecidas tacitamente, abaixo relacionadas, razão pela qual, a sua exigência tomase indevida: Fl. 383DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 366 37 Per/DComp Nº Final Código P.A. Vencimento Valor Original 1096 2362 04/03 30/05/2003 184.419,65 1123 2363 09/03 31/10/2003 8.209,04 Assim, os débitos de IRPJ determinados sobre a base de cálculo estimada dos períodos de apuração de abril e setembro do anocalendário de 2003 nos valores originários de R$184.419,65 e de R$8.209,04, respectivamente, foram homologados tacitamente mediante compensação, que tem o efeito jurídico de extinguilos nos termos expressos no inciso II do art. 156 do Código Tributário Nacional, e por essa razão devem compor o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003, de acordo com o que se demonstra na Tabela 1. Tabela 1 Valores do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003. Descrição (A) DIPJ Fl. 60 R$ (B) Decisão 1ª Instância R$ (C) Decisão 2ª Instância R$ (D) CSLL Devido 1.923.804,53 1.923.804,53 1.923.804,53 Imposto de Renda Retido na Fonte (78.523,93) (78.523,93) (78.523,93) IRPJ Determinado Sobre a Base de Cálculo Estimada (2.088.095,70)* (1.895.264,18) (2.087.892,87) CSLL a Pagar (242.815,18) (49.983,58) (242.612,27) * R$92.711,93 (estimativas referentes ao IRRF) + R$836.030,85 (DARF's) + R$1.237.865,92 (DCOMP's) Por conseguinte, deve ser reconhecido o direito creditório relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$192.628,69 (R$242.612,27 R$49.983,58), apurado pelo regime de tributação com base no lucro real no anocalendário de 2003, para compensação dos débitos ali confessados até o limite desse crédito. Pertinente às diferenças dos valores de IRRF e de DARF, temse que não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que não remanescem quaisquer quantias a serem reconhecidos nessa segunda instância de julgamento a esses títulos. A inferência denotada pela defendente é acertada em parte. Per/DComp nºs 12793.05020.291205.1.3.026300 e 13578.22740.300505.1.3.025090 Direito Creditório Referente ao Saldo Negativo do Ano Calendário de 2004 Ainda sobre o Per/DComp, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, determina: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na Fl. 384DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 367 38 compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. No exercício da competência regulamentar, foi editada Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, que fixava: Art. 56. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de documento retificador gerado a partir do referido Programa. Parágrafo único. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação apresentados em formulário (papel), nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da SRF. Art. 57. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 58 e 59. Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 59. Art. 59. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação. Adotando basicamente os mesmos critérios a respeito da retificação do Per/DComp, atualmente a matéria está prevista a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, que prevê: Fl. 385DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 368 39 Art. 87 . A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da Declaração de Compensação gerados a partir do programa PER/DCOMP, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB de documento retificador gerado a partir do referido programa. Parágrafo único. A retificação do pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e da Declaração de Compensação apresentados em formulário, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento, de reembolso ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da RFB. Art. 88 . O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 89 e 90 no que se refere à Declaração de Compensação. Parágrafo único. A retificação do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso e da Declaração de Compensação será indeferida quando formalizada depois da intimação para apresentação de documentos comprobatórios. Art. 89 . A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário será admitida somente na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 90. Art. 90 . A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário não será admitida quando tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à RFB. §1º Na hipótese prevista no caput , o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à RFB nova Declaração de Compensação. §2º Para verificação de inclusão de novo débito ou aumento do valor do débito compensado, as informações da Declaração de Compensação retificadora serão comparadas com as informações prestadas na Declaração de Compensação original. §3º As restrições previstas no caput não se aplicam nas hipóteses em que a Declaração de Compensação retificadora for apresentada à RFB: Fl. 386DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 369 40 I no mesmo dia da apresentação da Declaração de Compensação original; ou II até a data de vencimento do débito informado na declaração retificadora, desde que o período de apuração do débito esteja encerrado na data de apresentação da declaração original. Art. 91 . Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 44 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. Art. 92 . A retificação da Declaração de Compensação não altera a data de valoração prevista no art. 43, que permanecerá sendo a data da apresentação da Declaração de Compensação original. O Per/DComp somente pode ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Entretanto essa determinação deve ser temperada no caso em que restar comprovado que o sujeito passivo incorreu em erro efetivamente demonstrado tão somente do anocalendário referente ao direito creditório pleiteado, tendo em vista o princípio da verdade material. Em relação ao erro que a Recorrente alega ter cometido no preenchimento dos Per/DComp em que foi indicada como origem do saldo negativo o exercício de 2004, quando, o correto, seria anocalendário de 2004, temse que no Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 12040.519, de 20.09.2011, fls. 258271, consta: Através dos Per/DComp de nos finais 5090 (fls. 148/152) e 6300 (fls. 143/147), transmitidos em, respectivamente, 30/05/2005 e 29/12/2005, a interessada indicou possuir crédito resultante de saldo negativo de IRPJ, relativo ao exercício de 2004, nos valores de R$196.504,85 e R$400.248,47. Na sua defesa, a interessada argumenta que houve equivoco na indicação do exercício, o qual seria o de 2005 (anocalendário de 2004). Na realidade, segundo a interessada, o direito creditório pleiteado através do PER/DCOMP de n° final 5090, oriundo do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2004, era no valor de R$195.408,40, conforme Demonstrativo de fl.05. Já o direito creditório pleiteado através do Per/DComp de n° final 6300 referiase a créditos decorrentes de recolhimentos indevidos, efetuados durante o anocalendário de 2004, totalizando R$474.563,69. O art.77 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008, assim como dispositivos anteriores, determina que a Declaração de Compensação somente pode ser retificada pelo sujeito passivo no caso de se encontrar pendente de decisão administrativa. Por sua vez, o art.147, § 2°, do CTN prevê: Art. 147. 0 lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 370 41 § 1° A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2° Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de oficio pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. (grifouse) Assim, no caso de a DRJ verificar que ocorreu mera inexatidão/equívoco em algum dado que possa ser, facilmente, confirmado pelos elementos carreados ao processo, entendo que não existe qualquer óbice legal a que tal correção seja efetuada de oficio por esta instância. Entretanto, no caso em análise, em face das inconsistências apontadas pela própria interessada, não se pode considerar que ocorreu, no preenchimento dos Per/DComp em foco, mero erro de fato na indicação do exercício 2004, pois outros erros foram cometidos na indicação dos valores e da natureza dos créditos pleiteados. Por essa razão, não é possível efetuarse a retificação pleiteada. Por oportuno, é de se observar que o principio da verdade material, invocado pela interessada, está vinculado ao principio da legalidade. Assim, a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, sem perder de vista a obrigação de atuar dentro dos limites legais, sendo esta uma garantia recíproca de que a lei será cumprida. A Recorrente instrui os autos com: DIPJ do anocalendário de 2004 onde está informado na Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real o saldo negativo de IRPJ no valor de R$669.922,09, fl. 69; cópias dos DARF recolhidos de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, código 2362, dos período de apuração de janeiro, fevereiro, março, abril, junho, julho, agosto e setembro de 2004, fls. 7281; e cópias das Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais (DCTF) confessando os débitos de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, código 2362, do anocalendário de 2004, fls. 8398. Em conformidade com princípio da verdade material, o pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado de saldo negativo de IRPJ deve ser analisado como se do anocalendário de 2004 fosse, porque ficou comprovado o erro pelos dados escriturados no Livro Razão. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão em relação ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada a oposição de novas peças de defesa, possibilitandolhe a Fl. 388DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 371 42 discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, nos termos do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 197211. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento dos Per/DComp afastamento a preliminar do erro material do período do direito creditório, impõe, pois, o retorno dos autos à DRF que jurisdiciona a Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido a fim de evitar a supressão de instância. Devem ser examinadas a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser avaliados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso12. A dedução esclarecida pela defendente, então, está evidenciada em parte. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade13. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está conforme o princípio da legalidade, ao que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para: em relação ao Per/DComp nº 32400.08351.151204.1.3.025572, reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$192.628,69, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real no anocalendário de 2003, para compensação dos débitos ali confessados até o limite desse crédito; atinente aos Per/DComp nºs 12793.05020.291205.1.3.026300 e 13578.22740.300505.1.3.025090, determinar o retorno dos autos à autoridade competente (DRF) para apreciar o mérito do litígio no sentido da admissibilidade do acatamento da retificação do pleito inicial e ainda para reconhecer a possibilidade de formação do saldo 11 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012. 12 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. 13 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.903971/200862 Acórdão n.º 1803002.569 S1TE03 Fl. 372 43 negativo de IRPJ do anocalendário de 2004 no valor total de R$596.753,32 (R$196.504,85 + R$400.248,47) apurado pelo regime de tributação com base no lucro real, para compensação dos débitos confessados nos Per/DComp, mas sem homologar a compensação por ausência de análise pela DRF que jurisdiciona a Recorrente. Consequentemente os autos devem retornar à unidade da RFB, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido nos Per/DComp, inclusive no que diz respeito à juntada por anexação dos processos administrativos, cujas declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso14. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 14 Fundamentação legal: Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.904910/2008-90
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO DA FONTE - IRPF
Fato Gerador: 25/04/2001
IRRF APURADO TRIMESTRALMENTE. LUCRO PRESUMIDO (IRPJ). COMPENSAÇÃO. ATRIBUIÇÃO DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO.
Imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da tributação do IRPJ – lucro presumido. Nos termos estabelecidos pelo regimento deste Conselho, tratando-se de processo cujo objeto é reflexo de outro processo que trata de tributação de pessoa jurídica, deve ser reconhecida a incompetência da Segunda Seção de Julgamento. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 2102-002.049
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER o recurso interposto, pois o julgamento da matéria controvertida (imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da tributação do IRPJ – lucro presumido) é de competência das Turmas de Julgamento da 1ª Seção do CARF. Fez sustentação oral o patrono do recorrente, Dr. Oldair Geraldo Gomes, OAB-DF nº 20.919.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO DA FONTE - IRPF Fato Gerador: 25/04/2001 IRRF APURADO TRIMESTRALMENTE. LUCRO PRESUMIDO (IRPJ). COMPENSAÇÃO. ATRIBUIÇÃO DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO. Imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da tributação do IRPJ – lucro presumido. Nos termos estabelecidos pelo regimento deste Conselho, tratando-se de processo cujo objeto é reflexo de outro processo que trata de tributação de pessoa jurídica, deve ser reconhecida a incompetência da Segunda Seção de Julgamento. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Recurso voluntário não conhecido.
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LUCRO PRESUMIDO (IRPJ). COMPENSAÇÃO. ATRIBUIÇÃO DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO. Imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da tributação do IRPJ – lucro presumido. Nos termos estabelecidos pelo regimento deste Conselho, tratandose de processo cujo objeto é reflexo de outro processo que trata de tributação de pessoa jurídica, deve ser reconhecida a incompetência da Segunda Seção de Julgamento. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER o recurso interposto, pois o julgamento da matéria controvertida (imposto retido na fonte, implicando em pretenso excesso em face do imposto apurado no trimestre, no bojo da tributação do IRPJ – lucro presumido) é de competência das Turmas de Julgamento da 1ª Seção do CARF. Fez sustentação oral o patrono do recorrente, Dr. Oldair Geraldo Gomes, OABDF nº 20.919. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Fl. 121DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.904910/200890 Acórdão n.º 210202.049 S2C1T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase da Declaração e Compensação (Dcomp) de nº 06957.35241.280404.1.3.047900, transmitida eletronicamente em 28 de abril de 2004, relativos a créditos do Imposto de Renda Retido na Fonte. Na Per/Dcomp a requerente declarou a existência de crédito decorrente do seguinte pagamento indevido ao a maior: Período de apuração Código Valor do DARF (R$) Data da arrecadação 21/04/2001 5204 787.500,00 25/04/20001 A Declaração de Compensação não foi homologada pela DRF Brasília, tendo em vista não ter sido confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF citado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. A contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, no prazo regulamentar, alegando que: a) O crédito foi gerado em decorrência do acordo consubstanciado na Escritura Pública de Transação sob Condição Suspensiva, firmada em 16 de abril de 2001, por meio da qual a BASF S/A se comprometeu a pagar o montante de R$ 15.750.000,00 ao Grupo OK Construção e Incorporação, que teria sido contabilizado como receita própria. Em decorrência dessa operação, teria sido recolhido pela BASF S/A a quantia de R$ 787.500,00 de imposto de renda retido na fonte, conforme DARF à folha 61; b) cometeu o equivoco de não incluir o valor no ajuste anual do imposto de renda como dedução do imposto devido no primeiro trimestre do ano calendário, como saldo negativo de IRPJ; c) a negativa da RFB em homologar a compensação frente às evidências apresentadas caracterizaria uma tentativa de enriquecimento ilícito do Estado, no sentido de que a receita correspondente teria sido tributada juntamente com os demais rendimentos e o valor retido não teria sido utilizado até o envio das Declarações de Compensação. d) a doutrina corrobora com o seu entendimento e que a administração tributária deveria pautar sua atuação pelo Princípio da Moralidade, prevalecendo o Princípio da Verdade; e e) o crédito existe, é certo e exigível e poderá ser compensado para quitação de outros débitos da contribuinte. A DRJ Brasília considerou a manifestação de inconformidade improcedente, tendo em vista que a origem do crédito informado não seria "saldo negativo de IRPJ” e que não poderia ser alterado o objeto da manifestação de inconformidade para retificar o PER/Dcomp. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 Cientificado da decisão em 29 de junho de 2010, a recorrente interpôs recursos voluntário, por meio de procuradores legalmente habilitados, no dia 29 do mês subsequente, com os seguintes argumentos: a) o crédito concernente ao pagamento indevido ou a maior de IRRF foi gerado em virtude do acordo expresso em Escritura Pública de Transação sob Condição Suspensiva, firmada 16 de abril de 2001, no qual foi recebido R$ 15.750.000,00 com retenção de R$ 787.00,00 de imposto retido na fonte; b) a requerente não cometeu nenhum erro, contrariamente ao afirmado na Manifestação de Inconformidade, de não haver incluído como antecipação do imposto devido no primeiro trimestre do ano calendário de 2001, pois era optante pela tributação do IRPJ e da CSLL na modalidade de lucro presumido, não tendo nada adicionar à base de cálculo para a apuração dos impostos; c) não está pleiteando a retificação de informações contidas no PER/Dcomp e que a RFB tem o dever de ofício de verificar a existência do referido crédito; d) o DARF foi originalmente recolhido no código 5204 (IRRF juros indenizações e lucros cessantes) que foi alterado unilateralmente e sem justificativas pela fonte pagadora, por meio de Redarf, para o código 1708 (IRRF remuneração de serviços prestados por pessoa jurídica), penalizando a recorrente em face da não localização do referido documento de arrecadação; e) a administração tributária deve pautar sua atuação pelo Princípio da Moralidade e não fazendo a compensação estaria se locupletando indevidamente do valor retido pela fonte pagadora; f) a compensação está de acordo com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo agido a contribuinte dentro da mais estrita legalidade; e g) a análise do pedido de compensação deve levar em conta a verdade material e não a verdade real, de forma prefacial e superficial. Anexa aos autos uma contranotificação extrajudicial da BASF S/A e os comprovantes de arrecadação emitidos pela RFB, e, por fim, requer que seja determinado o deferimento de diligência para verificação da existência, nos sistemas da RFB, do crédito demonstrado, com a consequente quitação, homologandose a referida compensação. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10166.904910/200890 Acórdão n.º 210202.049 S2C1T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que o contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. Os autos tratam de Dcomp não homologada pela DRF Brasília por não confirmação do crédito informado, pois o DARF citado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. A DRJ Brasília considerou improcedente a manifestação de inconformidade, pois entendeu que a requerente pretendia a retificação das informações prestadas no PER/Dcomp, passando de “pagamento indevido ou a maior” para "saldo negativo de IRPJ”, o que somente seria possível com a emissão de um novo pedido, pois não se pode modificar o objeto da manifestação de inconformidade para alterar o PER/Dcomp. O requerente, no recurso, rebate o argumento da DRJ dizendo que “a decisão proferida não merece prosperar, pois [está] eivada de erros quanto às premissas discutidas na Manifestação de Inconformidade” e “o procedimento de utilizar o crédito como ‘pagamento indevido ou a maior’ foi a única opção da contribuinte, pois como a mesma estava no regime fiscal de Lucro Presumido não há de se falar em base negativa”. Compulsando os autos, observase que a discussão gira em torno da retenção na fonte sobre receita tributada na pessoa jurídica, que o contribuinte pretende compensar com débitos de IRPJ, PIS, COFINS, CSLL e IRRF. E, também, que a DIPJ/2002 foi entregue no dia 28 de novembro de 2003, em atraso, e a Receita em questão, de R$ 15.750.000,00, não foi declarada no segundo trimestre de 2001, como deveria, pois a receita desse período é de apenas R$ 1.882.642,13. Entretanto, por se tratar de antecipação do IRPJ, deve ser aplicado aqui o disposto no inc. IV do art. 2º do Regimento Interno deste Conselho (RICARF), não tendo esta Turma competência para julgar o recurso voluntário em questão. Pelo exposto, voto em reconhecer a incompetência desta Turma para processar o recurso voluntário, determinando que os presentes autos sejam encaminhados à Secretaria da Câmara para redistribuição à Primeira Seção de Julgamento do CARF. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 6 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 0/06/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10865.001833/2005-94
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001,2002,2003, 2004
IRPF. DECADÊNCIA.
O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, contados do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
Omissão de rendimentos. Depósito bancário. Presunção. Súmula CARF nº 26:
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº- 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. INTIMAÇÃO. NECESSIDADE. SÚMULA CARF N 29.
Nos casos de contas bancárias em conjunto é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos recursos depositados e/ou creditados nas contas bancárias.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00.
Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do ano-calendário.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE.
É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte e confirmados tacitamente pelo Fisco transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
Não Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SELIC. SÚMULA CARF N° 4.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o crédito tributário ainda em litígio, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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DECADÊNCIA. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos, quando há antecipação de pagamento, contados do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. INTIMAÇÃO. NECESSIDADE. SÚMULA CARF N 29. Nos casos de contas bancárias em conjunto é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos recursos depositados e/ou creditados nas contas bancárias. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. LIMITE DE R$ 80.000,00. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do anocalendário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 18 33 /2 00 5- 94 Fl. 880DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 881 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS CONFESSADOS. TRÂNSITO PELAS CONTAS DE DEPÓSITOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO LANÇADO. POSSIBILIDADE. É razoável compreender que, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo contribuinte e confirmados tacitamente pelo Fisco transitam, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, assim, os correspondentes valores serem excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Não Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SELIC. SÚMULA CARF N° 4. Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar o crédito tributário ainda em litígio, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Fl. 881DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 882 3 Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 2ª Turma da DRJ/BEL (Fls. 513), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: 1. Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, referente aos exercícios 2001, 2002, 2003 e 2004, anos calendário de 2000, 2001, 2002 e 2003, por AFRF da DRF/Limeira/SP. A ciência do lançamento ocorreu em 03/10/2005, por procurador habilitado, conforme Termo de Ciência de fl. 483. O valor do crédito tributário apurado está assim constituído: (em Reais) Imposto 230.217,83 Juros de Mora (cálculo até 31/08/2005) 95.063,75 Multa Proporcional (passível de redução) 172.663,36 Total do Crédito Tributário 497.944,94 2. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal do Auto de Infração, fls.04/07 e Termo de Verificação Fiscal, fls. 13/25, o motivo da autuação foi a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. 3. Inconformado com a autuação o contribuinte apresentou sua impugnação em 03/11/2005, fls.484/485, alegando o seguinte: "01 Alegou o agente fiscal que o autuado, na folha de atuação foi relacionado um valor de R$ 3.000,00 em 30/09/2001, sem comprovação, porém o depósito no valor de R$ 380,00 foi esclarecido como recebimento de aluguel e pro labore conforme recibo comprobatórios Anexo 1, ano base 2001. 02 Os depósitos que foram fundamentados na Lei N°9.481 de 13/08/1997, a qual a fiscalização alegou que trata sobre o imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos ao exterior, dizendo portanto, sem qualquer vínculo ou força probatória da origem dos créditos bancários, venho então solicitar para reaver pois a Lei diz "Dispõe sobre a incidência de imposto de renda na fonte sobre rendimentos de beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, e DA OUTRAS PROVIDÊNCIAS", anos Base 2000, 2001, 2002 e 2003. 03 Em relação à venda do Sítio São Bento ao Sr. André Luis Amaral Cauduro, na busca da origem dos valores creditados de R$ 21.212,42, em 04/04/2002, de R$ 20.000,00, em 18/07/2000, e, de R$ 20.000,00, em 27/07/2002, num total de R$ 61.212,42, estou apresentado um contrato particular de compromisso de compra e venda, Anexo II, justificando estes valores e um recebimento em dinheiro no dia 20 de julho de 2002 no valor de R$ 3.787,58, que na soma total perfaz um valor de R$ 65.000,00, valor a qual foi registrada a escritura, com a presença do documento comprobatório da origem do dinheiro depositado Fl. 882DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 883 4 peço desconsiderar o valor autuado de R$ 65.000,00, ano base 2002. 04 — Os depósitos, portanto efetuados referente à venda da Destilaria Bellão & Schiavon Ltda, onde consta um crédito dia 18/02/2002 no valor de R$ 103.333.50, em minha conta corrente no Banco do Brasil e de acordo com contrato registrado na Jucesp deveria ser efetuado um deposito no valor de R$ 85.000,00 no dia 15/02/2002, por motivo do atraso do pagamento o comprador decidiu me adiantar parte da segunda parcela a vencer dia 04/03/2002, e se comprometeu a pagar o restante da segunda parcela junto à terceira, e não sendo do meu conhecimento da necessidade de alteração contratual acabou ficando o contrato sem nenhuma alteração vindo assim a ocorrer divergência de valores, diante do devido problema de atuação fiscal procurei os donos para solicitar uma alteração contratual, mas como não consegui a localização dos mesmos não houve possibilidade dessa alteração, sendo assim venho demonstrar pelo Anexo III, que as datas de recebimento são próximas, solicitando assim a revisão da atuação referente a este valor sendo que realmente foi efetuado a venda da empresa e ingressou tais recursos no caixa da pessoa física, ano base 2002. Este auto de infração acarretará um prejuízo insuportável e como não tenho condições de pagálo poderá levarme a ruína sou um pequeno agricultor de setenta e quatro anos concedo empregos e pago meus impostos em dia. Estou agonizado com esta injusta cobrança pois por desconhecimento de lei e para reduzir custos de escritório eu mesmo me aventurava, em fazer os meus próprios negócios bancários. Só não vê esta triste realidade quem não tem olhos para ver. Mediante o exposto, requer e espera, a autuada seja declarado improcedente o Auto de Infração, cancelada a exigência, com o conseqüente arquivamento do processo administrativo, como medida de mais cristalina JUSTIÇA ". Passo adiante, a 2ª Turma da DRJ/BEL entendeu por bem julgar a Impugnação procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n° 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Cientificado em 20/10/2008 (Fls. 522), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 19/11/2008(fls. 524 a 542), alegando basicamente que: (...) 2. NÃO CONFIGURAÇÃO DE RENDA Fl. 883DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 884 5 Entende o recorrente que é nulo o lançamento pelos elementos em que se embasou, pois simples depósitos bancários não são suficientes para configurar renda tributável, e não constituem fato gerador do imposto de renda. De acordo com o artigo 1o. do DecretoLei 5.844, de 23/09/1943, são contribuintes do imposto de renda, as pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil que tiverem renda líquida anual superior a Cr$ 12.000,00. Já o artigo 10°. do DecretoLei 5844/43, define que constituem rendimento bruto, em cada cédula, os ganhos derivados do capital, do trabalho ou da combinação de ambos. Depósitos bancários não configuram ganho de capital e nem do trabalho, e muito menos combinação de ambos. O lançamento de crédito tributário baseado em simples depósitos bancários poderia ocorrer se houvesse nexo causal entre os depósitos e o fato que represente omissão de rendimento, ou a utilização dos valores depositados como renda consumida. Não ocorreu, e em nenhum momento se demonstrou essa relação. Se o imposto de renda incide no momento em que se aufere renda, advinda de ganho de capital ou do trabalho, não é cabível cobrálo em momentos distintos desta situação. A Sra. Auditora utilizou unicamente os valores dos depósitos bancários para demonstrar e cobrar imposto de renda, senão vejamos alguns exemplo (...) Entre os períodos acima, os ocorridos até 30/09/2000 foram lançados após o período decadencial. O entendimento de que simples depósitos bancários não são suficientes para configurar renda é entendimento consagrado nas instâncias judiciais e administrativas.(...) (...) Concluise não haver qualquer elemento justificador da autuação sobre tais depósitos bancários, pois não sendo estes renda, não havendo qualquer nexo com fontes de renda omitidas, e não tendo ocorrido renda consumida superior aos rendimentos oferecidos a tributação, é de se cancelar o Al. 3. DECADÊNCIA O lançamento efetuado neste procedimento administrativo descreve que este contribuinte omitiu rendimentos durante o anobase de 2000, provenientes de depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do artigo 42 da Lei 9430/96. Entendemos que tal lançamento é parcialmente nulo, pois entre outros motivos considera períodos já decaídos pela ocorrência de lapso temporal superior a cinco anos do fato gerador. Fl. 884DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 885 6 O Imposto de Renda Pessoa Física é um tributo que se amolda a lançamento por homologação, ou seja, a legislação atribui ao contribuinte o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, calculando o tributo e o recolhendo, estando o lançamento nestes casos regulado pelo artigo 150 e parágrafos da Lei 5.172/66(CTN), e tem fato gerador mensal, nos termos das Leis 7.713/88 e 9430/96. Este entendimento de que o IRPF amoldase a lançamento por homologação está consolidado tanto no âmbito administrativo quanto no judicial.(...) (...) O parágrafo 4o. do artigo 150, do CTN dispõe que nos tributos sujeitos a lançamento por homologação o fisco tem 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para homologar o lançamento, e expirado este prazo, considerase homologado tacitamente o lançamento e definitivamente extinto o crédito, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Está claro que no caso discutido neste auto não houve a configuração de dolo, fraude ou simulação, nem mesmo no entendimento da Sra. Auditora, que se fosse este o entendimento, a Multa lançada não seria no percentual de 75%, e também haveria representação fiscal para fins penais. Como não houve majoração da Multa nem elaboração de representação fiscal para fins penais, nem qualquer outra configuração neste sentido, entendemos que a contagem decadencial é aquela prevista no artigo 150, § 4o. do CTN.(...) (...) Concluise que o período base ocorrido até Setembro/2000 está além do qüinqüênio legal para o lançamento tributário, visto que o lançamento notificado em 03/10/2005 ultrapassou o período decadencial, e em virtude deste fato devese cancelar o valor lançado relativo ao período superior aos cinco anos estabelecidos no artigo 150 caput e §§ 1o. e 4°., do Código Tributário Nacional. (...) 4. PERÍODO MENSAL DE APURAÇÃO E PAGAMENTO DO IMPOSTO SOBRE RENDAS Além das irregularidades acima apontadas, a ilustre Auditora Fiscal deixou de observar outra disposição legal. Desde a edição da Lei 7.713/88 o imposto de renda das pessoas físicas tem seu período de apuração mensal, devendo ser apurado e tributado mês a mês eventuais omissões de rendimentos, para se ter atendido o estabelecido em lei. Não se seguiu tal regra, presumindose sem qualquer critério legal, como se todos os rendimentos tivessem sido omitidos no mês de Dezembro de cada anocalendário apurado, contrariando o Fl. 885DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 886 7 disposto no art.2° da Lei 7713/88 e o § 4° do art.42 da Lei 9.430/96, (...) (...) Como a autuação não observou estas determinações legais, deve a mesma ser cancelada, pois cada depósito glosado como não comprovado deveria ser considerado mês a mês, calculandose o imposto dentro do respectivo mês, utilizando a tabela mensal. 5 . OMISSÃO DE RENDIMENTOS CUJOS DEPÓSITOS SÃO INFERIORES A R$12.000,00 E CUJA SOMA ANUAL É MENOR QUE R$ 80.000,00 . Ainda que os demais quesitos para a lavratura do Auto de Infração estivessem preenchidos, o que se argumenta como ilustração, ainda assim o Auto de Infração deve ser anulado. (...) Após considerados os créditos de valores decaídos, bem como os que já foram comprovados e não aceitos, e os que serão comprovados em item a parte, o total dos depósitos não comprovados é menor ou igual a R$ 80.000,00, devendo serem anulados o valor lançado em tais anos. Portanto, o inciso II do parágrafo 3o . do art. 42, expressamente determina que não serão considerados tais depósitos, eis que a autuação é de uma pessoa física e ambos os requisitos de valor individual e total anual dos depósitos para sua desconsideração como omissão de rendimentos foram atendidos. Ante o exposto, é de cancelar os créditos tributários ora lançado nestas condições. 6. DEPÓSITOS COMPROVADOS A legislação embasadora da autuação, segundo a O recorrente já demonstrou perante a Auditora Fiscal, e também na impugnação para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, a grande maioria da origem dos valores ora em discussão. Entretanto, para que não se alegue omissão deste recorrente, estamos anexando novamente boa parte da documentação, para consideração dos R Conselheiros desta Câmara julgadora se tais documentos não comprovam, nos termos do artigo 42 da Lei 9430/96 a origem dos recursos. Frisamos que nos anos objeto deste litígio, o recorrente se revestia da condição de produtor rural (condômino) e sócio da empresa Destilaria Bellão & Schiavon Ltda., CNPJ 56.783.061/000127, além de ter recebido alguns rendimentos de aluguéis. Quanto a sociedade Destilaria Bellão & Schiavon Ltda., o mesmo participava da mesma com o sócio Francisco Bellão, Fl. 886DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 887 8 CPF 071.551.82820, desde o dia 06/08/1968 até o dia 07/03/2002, conforme pode ser verificado na alteração contratual registrada na JUCESP nesta mesma data, e tempestivamente informada a Receita Federal, onde consta a saída dos sócios, pela venda do estabelecimento industrial citado. (...) 7. TAXA DE JUROS A incidência da Taxa SELIC desde o fato gerador do tributo sobre o débito exigido não encontra respaldo jurídico. (...) No caso em discussão neste auto, até a ciência do auto de infração não podem ser exigidos juros moratórios, em observância do art. 161 do CTN, devendo, na hipótese de manutenção do crédito, serem contados somente a partir da data de constituição do crédito tributário. 8. DO PEDIDO Por todo o exposto, requer que seja julgado improcedente o lançamento, liberandose o Recorrente de qualquer pagamento ao Erário, sem prejuízo, se for o caso, dos demais pedidos alternativos, pois: a) Não sendo simples depósitos bancários configuradores de renda, nem do capital nem do trabalho, nem da combinação de ambos, não se prestam a incidência do imposto sobre a renda, conforme entendimento jurisprudencial citado; b) A Lei 7.713/88 e o art. 42, § 4° da Lei 9.430/96 estabelecem que o imposto de renda das pessoas físicas tem seu período de apuração mensal, devendo ser apurado mês a mês eventuais omissões de rendimentos, para se ter atendido o estabelecido em lei. Não se seguiu tal regra, presumindose sem qualquer critério legal, como se todos os rendimentos tivessem sido omitidos no mês de Dezembro de 1998; c) Os períodos lançados após os 5 anos do fato gerador mensal sejam cancelados pela ocorrência da decadência, conforme exposto; d) Sejam deduzidos dos valores autuados, todos os depósitos comprovados, seja no decorrer da fiscalização, ou após esta; e) A taxa de juros SELIC afronta o Código Tributário Nacional, e se mantido o lançamento, deve ser calculados somente após a constituição do crédito tributário, eis que até então inexistia crédito tributário; f) Nos anos em que o montante apurado como omissão é inferior a R$ 80.000,00 e nenhum depósito é maior que R$ 12.000,00, devendo ser desconsiderado para os fins de presunção de Fl. 887DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 888 9 omissão de receita, nos termos do § 3o inciso II do art. 42 da Lei 9430/96; g) Caso seja mantido o lançamento, ou parte dele, requerse que os valores justificados com o Livro Caixa sejam tributados corretamente, ou seja, pelo Anexo Rural. h) Pela consideração de todas as receitas declaradas da atividade rural, e das outras fontes auferidas por este interessado. Assim, reiterase os termos da impugnação, e requerse o cancelamento integral dos valores lançados dos exercícios 2001, 2003 e 2004, reformandose a decisão da instância primeira. Em 23/01/2013 (Fls. 855), aprouve aos membros do Colegiado desta egrégia 1a Turma Especial da Segunda Sessão de Julgamento, converter o julgamento em diligência, no sentido de retornar os autos à DRFB de origem para que a autoridade preparadora informasse qual foi a parte do lançamento que o contribuinte confessou, parcelou e, conseqüentemente, que foi objeto de desistência parcial do recurso. Realizada a diligência, e tendo em vista que o contribuinte tomou ciência do resultado da diligência (fls.875/877), voltou o processo para este conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre – Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Trata o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Restando em litígio as omissões referentes aos exercícios 2001, 2003 e 2004. Por oportuno, destaco que o contribuinte aderiu ao parcelamento disciplinado pela lei n 11.941/2009; incluindo em tal parcelamento parte do lançamento: Período de Apuração: 12/2000 valor parcelado: R$29.092,50. Período de Apuração: 12/2002 valor parcelado: R$137.555,72. Período de Apuração: 12/2003 valor parcelado: R$56.449,74. Deste modo, ante a desistência parcial do recurso, passo a analisar somente a parte que resta em litígio. Fl. 888DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 889 10 Alega o recorrente que o simples depósito não configura renda, que a apuração do IRPF deve ser mensal, que deve ser reconhecida a decadência de parte do lançamento, que parte do lançamento se refere a depósitos inferiores a R$12.000,00 que somados não ultrapassam o valor de R$80.000,00, que parte dos depósitos restam comprovadas as origens, que a SELIC não é devida, e que seus rendimentos declarados devem ser deduzidos das bases de cálculos. Em sede de preliminar alega o recorrente que o lançamento deve ser notificado ao sujeito passivo dentro do período de cinco anos, contadose do último dia de cada mês em que o crédito é apurado. Acresce que até setembro de 2002, o direito de a Fazenda Pública lançar encontravase atingido pela decadência. No que pertine a nulidade do lançamento em razão da apuração do Imposto em 31 de dezembro de cada ano, e não de forma mensal, cumpre esclarecer que, no lançamento, os depósitos foram apurados mensalmente, com a definição do fato gerador em 31 de dezembro do ano base. Tal procedimento é acatado amplamente pelo CARF, conforme se verifica na Súmula CARF n 38, de aplicação obrigatória por este Conselheiro: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Portanto, incabível acatar a tese do Recorrente que pretende contar o prazo decadencial, no caso, mensalmente. Dentro deste parâmetro, cabe analisar a decadência relativa ao ano calendário 2000; portanto, com fato gerador em 31/12/200 0. O IRPF obedece ao comando do lançamento por homologação, disciplinado pelo Art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional; que reza: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame autoridade administrativa, operase pelo ato em a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado este prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Verificase, ainda, quanto à esse tema (decadência), que o Superior Tribunal de Justiça STJ já firmou o entendimento de que a regra do art. 150, § 4o, do CTN, somente deve ser aplicada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for Fl. 889DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 890 11 comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Transcrevese, a seguir, a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo Relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 890DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 891 12 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observase que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada por este Colegiado, em obediência ao art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do exposto, concluise que o prazo decadencial do IRPF deve ser contado da seguinte forma: (I) ocorrido o pagamento antecipado, aplicase a regra do art. 150, § 4°, do CTN; (II) não ocorrendo o pagamento antecipado ou se comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação, devese aplicar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. No caso em exame, o lançamento relativo ao ano calendário de 2000 poderia ser realizado até 31 de dezembro de 2005. Tendo sido notificado o contribuinte em 03 de outubro de 2005, o foi dentro do período de direito da Fazenda Nacional. Isto posto, não encontravase decaído o direito da Fazenda Nacional lançar o crédito tributário. Razão pela qual entendo ultrapassada as preliminares argüidas. Passo a analisar o mérito da questão; ressaltando que, ante a desistência parcial do recurso, a análise se restringe apenas a parte do lançamento que resta em litígio. Alega o contribuinte a impossibilidade da autuação com base apenas em presunção de renda dos depósitos bancários do art. 42 da Lei 9.430/96. Entendo que tal matéria já encontrase pacificada no ambito do CARF; com o emprego da seguinte Súmula, que é de aplicação obrigatória por este Conselho: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fl. 891DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 892 13 Nos termos da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com as alterações introduzidas pelo art. 4o da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997, o contribuinte deveria comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias; in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Como denota o texto acima, o legislador estabeleceu, a partir da edição da Lei n° 9.430/1996, uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. Há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais. Ao impugnante cabia, portanto, refutar a presunção contida na lei, pois a previsão legal em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem de seus créditos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário Deste modo, cabe ao Recorrente comprovar a origem dos depósitos que restaram não comprovados após a decisão da DRJ: ANO BASE 2000 BANCO DO BRASIL CC 22.4456 Mês Valor 15/02/2000 2.000,00 10/03/2000 2.000,00 28/04/2000 2.000,00 08/08/2000 2.000,00 22/08/2000 2.500,00 30/08/2000 4,.100,00 06/09/2000 2.000,00 15/09/2000 3.600,00 09/10/2000 2.000,00 07/12/2000 2.000,00 28/12/2000 4.000,00 TOTAL 28.200,00 HSBC CC 10200553191 Mês Valor 20/01/2000 2.000,00 05/06/2000 1.550,00 20/06/2000 2.000,00 05/07/2000 2.000,00 14/11/2000 2.000,00 21/12/2000 2.000,00 TOTAL 11.550,00 Fl. 892DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 893 14 BANESPA CC 0355010015439 Mês Valor 02/06/2000 1.100,00 31/10/2000 68.000,00 TOTAL 69.100,00 __________________________________________ ANO BASE 2002 BANCO DO BRASIL CC 22.4456 Mês Valor 18/02/2002 103.333,50 05/03/2002 53.333,34 12/03/2002 2.668,00 11/04/2002 780,00 11/06/2002 127.766,89 10/07/2002 7.290,00 10/07/2002 210,00 20/08/2002 326,00 20/08/2002 890,90 22/08/2002 345,00 22/08/2002 336,00 30/08/2002 5.484,06 18/11/2002 2.436,28 18/11/2002 421,67 20/11/2002 1.367,60 20/11/2002 70,00 25/11/2002 2.000,00 25/11/2002 9.505,48 " 25/11/2002 270,00 25/11/2002 605,00 26/12/2002 2.600,00 322.039,72 POUPANÇA BANCO DO BRASIL CC 010.022.4458 16/05/02 1.970,00 TOTAL MAIO 1.970,00 HSBC CC 10200553191 Mês Valor 09/01/2002 1:620,00 07/02/2002 1.640,00 06/03/2002 1.820,00 04/04/2002 1.820,00 08/05/2002 1.800,00 DATA VALOR 04/04/02 4.500,00 12/04/02 220,00 15/04/02 3.112,69 26/04/02 1.062,00 TOTAL ABR. 8.894,69 Fl. 893DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 894 15 07/06/2002 1.300,00 04/07/2002 1.300,00 TOTAL 11.300,00 BRADESCO CC52884 04/04/2002 20.000,00 04/04/2002 21.212,42 10/07/2002 2.000,00 10/07/2002 1.000,00 18/07/2002 20.000,00 25/07/2002* 20.000,00 14/08/2002 14,550,00 26/08/2002 7.350,00 10/09/2002 1.298,00 11/11/2002 1.092,72 02/12/2002 1.450,00 10/12/2002 1.654,50 1/12/2002 892,00 13/12/2002 1.980,00 16/12/2002 1.782,43 18/12/2002 312,80 18/12/2002 700,00 TOTAL 117.274,87 POUPANÇA BRADESCO CC 5.2884 Data Valor 04/09/02 40.000,00 06/09/02 805,00 07/10/02« 424,00 09/10/02 174,00 23/12/02 2.863,30 24/12/02 2.192,50 26/12/02 925,50 30/12/02 1.991,73 31/12/02 645,00 TOTAL 48.383,03 ______________________________________ ANO BASE 2003 BANCO DO BRASIL CC 22.4456 Mês Valor 10/01/2003 369,00 13/01/2003 5.480,00 13/01/2003 1.899,27 14/01/2003 540,00 15/01/2003 584,00 15/01/2003 80,00 20/01/2003 1.120,00 20/01/2003 1.512,50 20/01/2003 140,00 22/01/2003 700,00 17/02/2003 3.260,50 17/02/2003 195,00 Fl. 894DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 895 16 17/02/2003 154,00 19/02/2003 691,51 12/11/2003 458,00 18/11/2003 2.000,00 19/12/2003 1.378,00 19/12/2003 125,00 TOTAL 20.686,78 HSBC CC 10200553191 Mês Valor 11/06/2003 600,00 BRADESCO CC52884 Mês Valor 07/01/2003 390,00 08/01/2003 70,33 16/01/2003 4.966,70 23/01/2003 183,00 27/01/2003 357,40 28/01/2003 10.970,38 30/01/2003 2.570,00 30/01/2003 786,00 06/02/2003 1.322,00 06/02/2003 240,00 14/02/2003 6.182,00 18/03/2003 126,00 18/03/2003 700,00 21/03/2003 652,80 03/04/2003 1.814,82 07/04/2003 2.551,00 11/04/2003 1.372,00 30/04/2003 1.030,00 02/05/2003 870,00 05/05/2003 3.414,82 07/05/2003 230,00 12/05/2003 4.573,37 12/05/2003 110,00 13/05/2003 4.000,40 15/05/2003 959,51 28/05/2003 896,00 30/05/2003 1.532,50 03/06/2003 253,56 05/06/2003 575,20 12/06/2003 2.839,43 18/06/2003 221,61 23/06/2003 175,00 30/06/2003 2.752,00 04/07/2003 867,00 08/07/2003 1.100,00 08/07/2003 530,00 18/07/2003 157,50 21/07/2003 230,50 21/07/2003 1.677,51 28/07/2003 192,30 04/08/2003 173,30 Fl. 895DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 896 17 08/08/2003 116,00 08/08/2003 2.951,63 11/08/2003 3.077,00 15/08/2003 1.688,00 20/08/2003 21,20 20/08/2003 156,00 22/08/2003 201,90 25/08/2003 139,20 25/08/2003 21,20 26/08/2003 1.122,60 28/08/2003 103,20 28/08/2003 73,00 01/09/2003 2.928,73 02/09/2003 93,00 11/09/2003 2.800,00 11/09/2003 1.100,00 12/09/2003 5.000,00 15/09/2003 1.516,80 06/10/2003 526,00 06/10/2003 20,00 16/10/2003 3.000,00 21/10/2003 1.991,32 30/10/2003 4.200,00 21/11/2003 1.816,14 28/11/2003 1.007,00 01/12/2003 1.790,35 05/12/2003 832,00 08/12/2003 550,00 10/12/2003 3.295,96 10/12/2003 286,50 11/12/2003 713,00 15/12/2003 2.796,68 16/12/2003 840,00 17/12/2003 440,18 22/12/2003 2.925,50 26/12/2003 1.119,97 TOTAL 115.876,00 POUPANÇA – BRADESCO CC 5.2884 Data Valor 02/01/03 70,33 06/01/03 454,00 05/02/03 821,36 10/02/03 3.376,00 12/02/03 892,30 18/02/03 700,00 21/02/03 280,00 24/02/03 803,77 10/03/03 4.547,17 17/03/03 3.981,50 20/03/03 540,00 01/04/03 4.000,00 17/04/03 3.261,44 14/04/03 1.790,00 16/05/03 573,50 23/05/03 2.074,00 Fl. 896DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 897 18 13/06/03 3.500,00 16/06/03 1.741,50 11/07/03 3.409,86 14/07/03 18.550,00 30/07/03 4.500,00 31/07/03 819,51 17/10/03 6.720,00 24/10/03 2.700,00 10/11/03 1.731,00 13/11/03 3.323,37 18/11/03 234,00 18/11/03 2.500,00 10/11/03 1.957,00 20/11/03 800,00 18/12/03 3.124,50 30/12/03 821,75 TOTAL 84.457,20 Inicialmente, verifico que uma das contas que deram ensejo ao lançamento – conta corrente n° 10200553191, mantida no Banco HSBC não era de titularidade somente do recorrente, haja vista as cópias dos extratos fornecidos e juntados aos autos (fls. 77 e seguintes.), que demonstram a existência de outra titular – Anna Thereza Berto Schiavon. Entretanto, não consta de nenhum dos Termos de Intimação acostados aos autos a intimação da outra titular para que comprovasse a origem dos depósitos efetuados naquela conta, sendo certo que o recorrente foi o único intimado a fazêlo. A Súmula CARF nº 29, de aplicação obrigatória por seus Conselheiros, assim dispõe: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Assim, em relação à conta conjunta mantida no HSBC, o procedimento fiscal não está em consonância com as condições impostas pela legislação de regência. Portanto, devese excluir do lançamento os correspondentes créditos bancários no montante de R$ 11.550,00 no ano base 2000, R$11.300,00 no ano base 2002, e R$600,00 no ano base 2003. Também, verifico no que restou do lançamento, nos anos base 2000 e 2002, um rol de depósitos dentro dos limites do art. 42, § 3º, II, da Lei nº 9.430/96 nas Contas correntes do BANCO DO BRASIL CC 22.4456, da POUPANÇA BANCO DO BRASIL CC 010.022.4458, do BRADESCO CC52884, da POUPANÇA – BRADESCO CC 5.2884, e do BANESPA CC 0355010015439, como depósitos não comprovados, os quais não poderiam ser considerados como receitas omitidas por expressa previsão legal, pois são inferiores a R$ 12.000,00 e não excedem R$ 80.000,00, dentro de cada anocalendário. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 897DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 898 19 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). ( Alterado pela Lei nº 9.481, de 13.8.97 ) Lei 9.481/97: Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 , passam a ser de R$12.000,00 (doze mil reais) e R$80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. Assim, considerando que os depósitos bancários das respectivas contas inferiores a R$ 12.000,00 não excedem R$ 80.000,00 nos anoscalendário 2000 e 2002, deve se proceder a exclusão dos correspondentes montantes de R$29.300,00 e de R$58.853,71. Argumenta ainda o recorrente que os valores por ele declarados em suas Declarações de Imposto de Renda não foram excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos. (pág. 542 dos autos) Neste sentido, destaco que a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem avançado no sentido de mitigar o rigor da análise individualizada dos créditos, permitindo, por exemplo, que os rendimentos informados nas declarações de ajuste anual da pessoa física, desde que não expressamente vinculados aos depósitos bancários de origem não comprovada, pois nesse caso seriam excluídos pela própria fiscalização, sejam excluídos em bloco. Neste sentido, cito os Acórdãos nº 210200.430 (2ª Turma Ordinária/1ª Câmara/2ª Seção/CARF), sessão de 03/12/2009, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, por unanimidade; 220200.415 (2ª Turma Ordinária/2ª Câmara/2ª Seção/CARF), sessão de 04/02/2010, relator o Conselheiro Nelson Mallmann, por maioria. A questão é que, de fato, não parece plausível defender que somente os rendimentos informados na declaração de ajuste anual não tenham transitado pelas contas bancárias, o que implicaria dizer que somente os rendimentos omitidos transitam pelas contas bancárias. Nas DIRPF’S sob exame (fls. 472 e seguintes dos autos), observase que foram declarados, a título de rendimentos no ano calendário 2000 o valor de R$ 148.673,13, no ano calendário 2002 o valor de R$281.610,50, e no ano calendário 2003 o valor de R$304.876,40. Fl. 898DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 899 20 Assim, os valores declarados deveriam ser excluído da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, já que tais rendimentos não foram objeto de glosa pela autoridade fiscal, ou seja, estes recursos foram tacitamente confirmados pelo Fisco. Digo deveriam em razão do ano calendário de 2003; no qual o valor declarado foi de R$304.876,40 e a autuação apurou depósitos não comprovados no valor de R$221.619,98. Ocorre que, em 26 de janeiro de 2010, o recorrente apresentou pedido de desistência parcial do recurso; abrindo mão do seu direito de recorrer da autuação do valor de R$42.400,00, com relação ao ano base 2002, e R$8.800,00 com relação ao ano base 2003. Devendo, em razão desta desistência, ser mantida a autuação que se refere a tais débitos. Assim: A Com relação ao ano base 2000, excluindose o valor declarado da base de cálculo da omissão, nada mais restará. B Com relação ao ano base 2002, excluindose o valor declarado de R$281.610,59, restará ainda o valor de R$228.251,72 em depósitos de origens não comprovadas. C Com relação ao ano base 2003, mesmo excluindose o valor declarado, restará o lançamento no valor de R$8.800,00. Como se observa, resta ainda a omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários de origens não comprovadas, no valor de R$228.251,72, no ano base de 2002. O Recorrente, por sua vez, alega que comprou tais depósitos através da venda das sua cotas na sociedade Destilaria Bellão & Schiavon Ltda., pelo valor de R$400.000,00, e pela venda de duas partes de terra do Sítio São Bento. Deixo de apreciar as alegações de comprovação dos depósitos relativos às partes de terras do Sítio São Bento, em razão de tais valores constarem na DIRPF do ano calendário 2002, e já terem sido excluídos do lançamento. Quanto a venda das sua cotas na sociedade Destilaria Bellão & Schiavon Ltda., argumenta o Recorrente, desde o procedimento fiscal, que os depósitos de R$103.333,50 em 18/02/2002, de R$20.000,00 em 04/04/2002, e de R$12.666,50 em 04/04/2002, são dela decorrentes. A DRJ assim se manifestou acerca desta alegação: O anexo III, fl.491, não guarda valor fiscal, pois tratase apenas de uma planilha que relaciona supostos valores referentes à Venda da Destilaria Bellão & Schiavon, mas que deveria estar acompanhada de outros documentos que asseverassem a Fl. 899DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 900 21 veracidade de seus dados, tais como o Contrato de Compra e Venda discriminando a operação e cópias dos cheques emitidos. O próprio contribuinte reconhece a divergência de valores entre o Contrato de Compra e Venda e o valor recebido de R$103.333,50, e que não conseguiu localizar os compradores para poder alterar o contrato. Ressaltese que, assim como já atestado pelo Termo de Verificação Fiscal, fl.15, permanece divergente em data e valor o depósito de R$103.333,50, citado pelo contribuinte, não podendo o impugnante beneficiarse de um fato oriundo de sua própria falta de acurácia na celebração do contrato de compra e venda. Se de fato o valor de R$103.333,50, seria uma conseqüência de um adiantamento da segunda parcela a vencer dia 04/03/2002, somado ao valor da primeira parcela em atraso de R$85.000,00, esta operação deveria ser comprovada com a apresentação de documentos bancários que explicitassem a figura do comprador transferindo tais numerários ao contribuinte, o que não consta do processo.(pág. 518 e 519 dos autos) Entendeu então a DRJ que os valores não correspondiam e, por isso, restava não comprovada a origem destes depósitos. Penso que tal procedimento não foi o correto; haja vista que, no meu entendimento, a venda das cotas, realizada dia 15 de fevereiro de 2002, devidamente registrada na Junta Comercial, por valor superior ao depositado, justifica plenamente as origens dos depósitos, notadamente o depósito de R$133.333,50 realizado dia 18 de fevereiro de 2002.(doc. pág. 73 dos autos) Ainda mais quando se observa que no registro da transação consta que o valor de R$250.000,00 já foi plenamente quitado e em moeda corrente. Observo ainda que a soma dos depósitos de R$103.333,50 em 18/02/2002, de R$20.000,00 em 04/04/2002, e de R$12.666,50 em 04/04/2002, totaliza R$136.000,00; valor correspondente a 34% do valor total das vendas das cotas (R$400.000,00), e que este, segundo a fiscalização, era o percentual pertencente ao recorrente. Por conseguinte, o valor de R$ 130.000,00 destes depósitos devem ser excluídos do lançamento referente ao ano base 2002. Por fim, pede o recorrente a não aplicação da taxa SELIC. A aplicação ou não da taxa SELIC já possuí entendimento consolidado neste Conselho. A Súmula CARF n°4, de aplicação obrigatória pelos conselheiros do CARF, assim estabelece: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 900DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.001833/200594 Acórdão n.º 2801003.961 S2TE01 Fl. 901 22 Sendo, portanto, correta a aplicação da taxa SELIC no lançamento. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 901DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 11080.930668/2009-01
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
LUCRO REAL ANUAL. DECLARAÇÃO DE JUSTE ANUAL.. DEDUÇÃO INTEGRAL DOS PAGAMENTOS ANTECIPADOS POR ESTIMATIVA MENSAL. APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO NA DIPJ. PEDIDO DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA MENSAL NA DCOMP. ERRO DE FATO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCOMP. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À DRJ PARA ANÁLISE DE MÉRITO DO CRÉDITO A TÍTULO DE SALDO NEGATIVO.
Restando comprovado nos autos que o recolhimento da estimativa mensal foi computado no saldo negativo do imposto na declaração de ajuste anual, configura erro de fato no preenchimento da DCOMP, quando o contribuinte presta informação acerca do crédito pleiteado a título de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, quando deveria fazê-lo a título de saldo negativo.
Trata-se de inexatidão material no preenchimento da DCOMP, a qual pode ser retificada de ofício pelo julgador ou a pedido do contribuinte para correção do erro de informação quanto ao crédito do referido do ano-calendário, nos termos do art. 57 da IN SRF 460/04, art. 147, §2º do CTN, e art. 32 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1802-002.533
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRJ de origem, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa, Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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DECLARAÇÃO DE JUSTE ANUAL.. DEDUÇÃO INTEGRAL DOS PAGAMENTOS ANTECIPADOS POR ESTIMATIVA MENSAL. APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO NA DIPJ. PEDIDO DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA MENSAL NA DCOMP. ERRO DE FATO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCOMP. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À DRJ PARA ANÁLISE DE MÉRITO DO CRÉDITO A TÍTULO DE SALDO NEGATIVO. Restando comprovado nos autos que o recolhimento da estimativa mensal foi computado no saldo negativo do imposto na declaração de ajuste anual, configura erro de fato no preenchimento da DCOMP, quando o contribuinte presta informação acerca do crédito pleiteado a título de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, quando deveria fazêlo a título de saldo negativo. Tratase de inexatidão material no preenchimento da DCOMP, a qual pode ser retificada de ofício pelo julgador ou a pedido do contribuinte para correção do erro de informação quanto ao crédito do referido do ano calendário, nos termos do art. 57 da IN SRF 460/04, art. 147, §2º do CTN, e art. 32 do Decreto nº 70.235/72. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 06 68 /2 00 9- 01 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.930668/200901 Acórdão n.º 1802002.533 S1TE02 Fl. 149 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRJ de origem, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa, Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.930668/200901 Acórdão n.º 1802002.533 S1TE02 Fl. 150 3 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls. 126/144 contra decisão da 5ª Turma da DRJ/Porto Alegre (efls. 118/120) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos: que, em 30/06/2009, a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, declaração de compensação tributária retificadora nº 30249.77514.300609.1.7.044507 (efls. 95/99), onde consta: a) débito informado (confessado): CSLL Estimativa Mensal, código de receita 2484, do PA maio/2009, data de vencimento 30/06/2009, assim especificado na DCOMP: principal: R$ 109.897,58; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 109.897,58.. b) crédito utilizado: aproveitamento de suposto direito creditório de R$ 109.897,58 (valor original), referente pagamento supostamente indevido ou a maior do IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA 31/05/2008, DARF no valor de R$ 594.978,74, data do recolhimento, arrecadação, 30/06/2008. Cópia do Comprovante de Arrecadação (efl.106). Valor do crédito na data de transmissão:R$ 201.968,10 (valor original). Obs: O PER/DCOMP Inicial: 24379.56204.290509.1.3.049856 (processo nº 11080.929044/200933). Em 07/10/2009, a DRF/Porto Alegre, mediante a emissão do Despacho Decisório de efl. 107, denegou o direito creditório pleiteado, nos seguintes termos: (...). Limite de crédito analisado, correspondente ao valor do credito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 201.968,10. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Fl. 150DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.930668/200901 Acórdão n.º 1802002.533 S1TE02 Fl. 151 4 Diante da inexistência dio crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430 , de 2 7 de dezembro de 1996, (...) Obs: O recolhimento estaria consumido pelo respectivo débito do IRPJ – Estimativa Mensal do PA maio/2008 confessado na respectiva DCTF, inexistindo o crédito pleiteado na DCOMP; porém, a DCTF não consta dos autos. Ciente desse despacho decisório em 20/10/2009 por via postal AR (efl. 114), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 17/11/2009 (efls. 02/16), juntando ainda documentos (efls. 21/112), aduzindo, em resumo, que: incidiu em erro de fato no preenchimento do PER/DCOMP ao indicar como origem do crédito valor relativo ao recolhimento do IRPJ – Estimativa Mensal do PA maio/2008 (antecipação do imposto), quando deveria ter utilizado o saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2008; juntou cópia da DIPJ 2009, anocalendário 2008, transmitida em 16/10/2009 (efls. 24/63), onde informou apuração: (...) Ficha 9A –Demonstração do Lucro Real 01. Lucro Líquido antes do IRPJ........................R$ 13.358.482,63 Exclusões: 65 () Dispêndios com Inovação Tecnológica (Lei n° 11.196/2005, art. 19) ....................................... R$ 2.152.011,22; 78. Lucro Real ..................................................R$12.577.604,36. (...) Ficha 11 – Cálculo do IRPJEstimativa Mensal: (somatório das estimativas mensais positivas R$ 4.013.789,26) (...) Fl. 151DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.930668/200901 Acórdão n.º 1802002.533 S1TE02 Fl. 152 5 Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real: Deduções: 18. () Imp. de Renda Mensal Pago por Estimativa ....R$ 4.013.789,26; 20. Imposto de Renda a Pagar.......................................(R$ 992.738,02). (...) que o saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2008 decorreu das antecipações de pagamentos das estimativas mensais do imposto e do aproveitamento do benefício fiscal referente dispêndios realizados com inovação tecnológica (Lei nº 11.196/2005); que o mero erro material, quanto à origem do crédito pleiteado, não tem o condão prejudicar ou inviabilizar a compensação informada; que as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento da parte.; que deve prevalecer a verdade material, pois o crédito é líquido e certo. A DRJ/Porto Alegre (5ª Turma), rejeitando a alegação de inexatidões materiais ou erro de fato no preenchimento da DCOMP, julgou a manifestação improcedente, conforme Acórdão de 10/05/2011 (efl. 118), cuja ementa transcrevo a seguir: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALTERAÇÃO DAS INFORMAÇÕES SOBRE O CRÉDITO. INEXATIDÃO MATERIAL NÃO CONFIGURADA. O julgamento de manifestação de inconformidade não pode desbordar do objeto da declaração de compensação apresentada e do despacho decisório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Fl. 152DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.930668/200901 Acórdão n.º 1802002.533 S1TE02 Fl. 153 6 Ciente dessa decisão em 31/12/2013 – na Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. (efl. 124), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 14/01/2014 (efls.126/144), buscando a reforma da decisão recorrida, cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1) – Preliminar de nulidade da decisão recorrida: que o acórdão recorrido não enfrentou, no mérito, a existência do crédito, a liquidez e certeza, pois apegouse a requisitos formais, rejeitando o argumento do erro material (erro de fato) no preenchimento da DCOMP, quanto à origem do crédito; que a situação dos autos é de erro material no preenchimento da DCOMP e deve prevalecer a verdade material, citando precedentes, julgados do CARF (AC. 1801001 295 e outros); que se faz necessária a declaração de nulidadde da decisão a quo, e retorno dos autos à Turma julgadora da 1ª instancia de julgamento, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado; 2) No mérito, caso não seja acolhida a preliminar suscitada a recorrente reiterou, em síntese, os argumentos já apresentados na 1ª instância de julgamento, e resumidos no relatório, no sentido que seja reconhecido o erro de fato no preenchimento da DCOMP, renhecido o crédito a título de saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2008 e extinto o débito confessado na DCOMP, mediante homologação da compensação declarada. É o relatório. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.930668/200901 Acórdão n.º 1802002.533 S1TE02 Fl. 154 7 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de compensação tributária, pedido de reconhecimento de direito creditório atinente ao IRPJ que teria sido pago a maior, quanto ao anocalendário 2008. A decisão recorrida rejeitou o direito creditório, adotando a fundamentação do voto condutor e que transcrevo, no que pertinente (efls. 119/120), in verbis: (...) A contribuinte pretende obter homologação da compensação formulada, alegando erro material ao informar o tipo do crédito no PER/Dcomp. Diz que o crédito seria decorrente do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2008 e não do pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal. A manifestação de inconformidade revela, em verdade, a pretensão do contribuinte de substituir os créditos inexistentes utilizados no PER/DComp em questão por outro de natureza distinta. A possibilidade de retificar PER/Dcomp foi instituída originariamente pela Instrução Normativa 460/04, que permitiu efetuar alterações, em caso de inexatidões materiais, (...): Art. 57. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 58. (...) Os dispositivos citados foram reproduzidos nas instruções normativas SRF 600/05, RFB 900/08 e RFB 1.300/12. O erro alegado pela contribuinte não configura inexatidão material de preenchimento da declaração. Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. No presente caso, não se trata de erro material, mas de erro de direito, o que não é escusável. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.930668/200901 Acórdão n.º 1802002.533 S1TE02 Fl. 155 8 Pretenderse que o crédito inicialmente informado no PER/Dcomp como pagamento indevido seja considerado como saldo negativo é hipótese incabível que, se admitida, implicaria agressão à própria essência da compensação. Em verdade, estarseia realizando outra compensação, o que ensejaria efeitos jurídicos diferenciados, com reflexos no cálculo de juros moratórios e eventualmente na incidência de multa. O próprio programa PER/Dcomp impede a retificação do crédito da maneira pretendida. O procedimento recomendado seria o cancelamento do PER/Dcomp e a transmissão de outro. A retificação de crédito também está impedida no âmbito da manifestação de inconformidade. Sua análise desbordaria ao que foi objeto do despacho decisório e extrapolaria o litígio. (...) Nesta instância de julgamento, a recorrente busca a reforma da decisão recorrida: a) suscitando preliminar de nulidade da decisão a quo, pois o direito créditório pleiteado, relativo a pagamento a maior do IRPJ do anocalendário 2008, não pode ser rejeitado, afastado, negado, por via oblíqua, indireta, ou seja, sem análise do mérito, pela preponderância de formalismo da legislação infralegal em detrimento da verdade material; b) no mérito, caso não seja acatada a preliminar suscitada, que seja reconhecido o erro na informação quanto à identificação do direito creditório (erro de fato no preenchimento da DCOMP), reconhecido o crédito a título de saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2008 e extinto o débito confessado na DCOMP, mediante homologação da compensação declarada. Caracterizados os pontos controvertidos, passo a enfrentálos. Entendo que, no caso, diversamente do alegado pela recorrente, não há vício de nulidade no acórdão guerreado, pois a decisão atacada está motivada, fundamentada, não há caracterização de cerceamento do direito de defesa; porém, entendo que há equívoco na decisão a quo quanto ao óbice utilizado que implicou na não análise do mérito do crédito pleiteado. Ou seja: houve interpretação equivocada pela decisão recorrida quanto ao art. 57 da IN SRF 460/2004, fato que impediu a análise do mérito do crédito demandado, relativo ao anocalendário 2008. Diversamente do entendimento da decisão recorrida, entendo que restou caractrizado o erro de fato no preenchimento da DCOMP quanto à informação do crédito utilizado/pleiteado. Senão vejamos, consta dos autos que a contribuinte: Fl. 155DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.930668/200901 Acórdão n.º 1802002.533 S1TE02 Fl. 156 9 efetuou o pagamento/recolhimento do IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA 31/05/2008, DARF no valor de R$ 594.978,74, data do recolhimento, arrecadação, 30/06/2008. Cópia do Comprovante de Arrecadação (efl.106); que transmitiu tempestivamente a DIPJ 2009, anocalendário 2008, em 16/10/2009 (efls. 24/63), computando no saldo negativo – declaração de ajuste anual o recolhimento/pagamento do IRPJ Estimativa Mensal, código de receita 2362, do PA 31/05/2008, DARF no valor de R$ 594.978,74, data do recolhimento, arrecadação, 30/06/2008, conforme demonstrativo abaixo: Recolhimentos do IRPJ – Estimativa Mensal – AC 2008 (Deduções na Ficha 12A): Jan/2008.......... 313.142,77 Fev/2008 ......... 313.124,46 Març/2008.........300.477,57 Abril/2008 ........521.692,94 Maio/2008.........594.978,74 Junho/2008........419.428,18 Julho/2008........7.45.358,15 Agosto/2008.......769.408,10 Set/2008...............36.178,36 TOTAL.............4.013.789,27 que, entretanto, antes da entrega/transmissão da citada DIPJ, transmitiu eletronicamente via internet em 30/06/2009, por meio do Programa PER/DCOMP, declaração de compensação tributária 30249.77514.300609.1.7.044507 (efls. 95/99), utilizando – como crédito –, de forma inadvertida, o valor relativo ao citado recolhimento (efls. 109/114); que tomou ciência do despacho decisório em 20/10/2009 (efl. 114), ou seja, a DIPJ foi transmitida antes da ciência do despacho decisório. que constatou o suscitado erro de fato na DCOMP (erro de informação quanto à origem do crédito pleiteado do anocalendário 2008) após a ciência do despacho decisório. Pois bem. Compulsando os autos, observando a linha do tempo quanto aos fatos citados, de plano salta aos olhos a existência de informação desencontrada, contradição entre a DIPJ e a DCOMP quanto ao pretenso direito creditório do AC 2008. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.930668/200901 Acórdão n.º 1802002.533 S1TE02 Fl. 157 10 A contribuinte prestou informação equivocada, errônea, com inexatidão material, na DCOMP quanto à origem do crédito pleiteado, pois é diversa da constante da DIPJ. Ou seja: deveria ter informado origem do crédito utilizado a título de saldo negativo do AC 2008, e não o valor recolhido a título de antecipação do imposto por estimativa mensal do PA maio/2008. Observese, ainda, que a DCOMP foi apresentada no anocalendário seguinte ao recolhimento da estimativa mensal, e não no próprio anocalendário do recolhimento da antecipação do imposto por estimativa mensal, configurando mais um argumento plausível pela caracterização do erro de informação na DCOMP quanto à origem do crédito pleiteado, pois encerrado o anocalendário não há que se falar em restituição de pagamento de estimativa mensal, quando recolhida na forma da legislação de regência que é o caso, mas sim saldo negativo. Resta evidente que a informação prestada na DCOMP, quanto à origem do crédito, está em dissonância, em parte, com a DIPJ que trata da apuração do imposto e do pretenso crédito do imposto do anocalendário 2008 (declaração de ajuste anual), pois o pretenso crédito pleiteado do anocalendário 2008 restou apurado pela cobtribuinte a título de saldo negativo e não a título de pagamento indevido de estimativa mensal. Lembrese que a Súmula CARF nº 84 permite a restituição de estimativa mensal recolhida em excesso, a partir da data do respectivo recolhimento, no caso de erro de fato comprovado na apuração da base de cálculo da estimativa mensal (erro quanto à apuração com base na receita bruta ou com balancete de suspensão/redução), ou seja, recolhimento que extrapolou, em completa dissonância em relação à base de cálculo demonstrada na escrituração contábil/fiscal na forma da legislação de regência, que não é o caso, pois a contribuinte não alegou erro de fato na apuração do IRPJ – Estimativa Mensal que tivesse gerado recolhimento em excesso à revelia da base de cálculo de que trata a legislação de regência, mas apenas erro de informação na DCOMP quanto à origem do crédito pleiteado na DCOMP. Como demonstrado, restou configurada a existência do erro na informação do direito creditório no preenchimento da DCOMP objeto dos autos (inexatidão material quanto à origem do crédito utilizado/demandado), sendo então hipótese para retificação, correção da DCOMP, conforme art. 57 da IN SRF 460/2004 e IN ulteriores que tratam da matéria, art. 147, §2º do CTN, e art. 32 do Decreto nº 70.235/72. Reconhecido, caracterizado, o erro de fato no preenchimento da DCOMP (inexatidão material quanto à informação do direito creditório), deve ser afastado, por conseguinte, o óbice que impediu a decisão recorrida de enfrentar o mérito do crédito, sua liquidez e certeza, a título de saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2008. Ou seja, o erro de fato no preenchimento dos dados do crédito na DCOMP, diversamente do entendimento da decisão recorrida, configura sim inexatidão material a que alude o art. 57 da IN SRF nº 460/2004, podendo ser corrigida de ofício pelo julgador, e IN seguintes que tratam da matéria, art. 147, §2º do CTN, e art. 32 do Decreto nº 70.235/72. Para evitar prejuízo ao contraditório e à ampla defesa e para evitar subtração de instância de julgamento quanto à análise de mérito do direito créditório – saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2008, tornase necessário devolver os autos à primeira instância de julgamento, no caso à DRJ/Porto Alegre, para que proceda análise de mérito do direito creditório a título de saldo negativo do IRPJ. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.930668/200901 Acórdão n.º 1802002.533 S1TE02 Fl. 158 11 Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar o óbice que impedira a decisão a quo de enfrentar o mérito do direito creditório a título de saldo negativo do imposto do anocalendário 2008, e determinar o retorno dos autos à DRJ/Porto Alegre para que enfrente, no mérito, a lide direito creditório a título de saldo negativo do imposto do anocalendário 2008. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 158DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 10715.002498/2010-22
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2006
ERRO MATERIAL DO ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA.
Comprovado o equivoco no acórdão com relação a condenação que ficou estabelecida, deve-se reformado acórdão de primeira instância neste ponto.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL.
A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO.
A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário.
MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE.
Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do Decreto-Lei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Nayara Fonseca Cunha, OAB/DF 24.083.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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EXISTÊNCIA. Comprovado o equivoco no acórdão com relação a condenação que ficou estabelecida, devese reformado acórdão de primeira instância neste ponto. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário. MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 24 98 /2 01 0- 22 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002498/201022 Acórdão n.º 3801004.789 S3TE01 Fl. 3 2 Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do DecretoLei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Nayara Fonseca Cunha, OAB/DF 24.083. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002498/201022 Acórdão n.º 3801004.789 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10715.002498/201022, contra o acórdão nº 0728.932, julgado pela 1ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), na sessão de julgamento de 23 de maio de 2012, julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 205.000,00, referentes à multa regulamentar por não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, na forma e no prazo estabelecidos pela Receita. Conforme se descrição dos fatos, a interessada deixou de registrar os dados de embarque de Declarações de Exportação no Siscomex, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no art. 37 da IN SRF n° 28/94. Entendendo estar caracterizada a prestação de informação fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 por embarque, pelo descumprimento do prazo na informação dos dados de embarque no Siscomex. Regularmente cientificada a interessada apresentou impugnação que, em síntese, apresenta os seguintes argumentos: em razão do erro operacional de seu estabelecimento no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, as informações concernentes ao embarque das mercadorias foram fornecidas com atraso, variável, em sua grande maioria, de 01 a 08 dias além do prazo concedido pela legislação para a prestação das informações junto ao Siscomex, nos termos da tabela que acompanha o Auto de Infração. ao contrário do que faz crer a autoridade administrativa, não basta à mera inobservância da legislação aduaneira para validar a imputação de multa. Mister que se configure a intenção dolosa do agente em fraudar o controle aduaneiro, bem como o dano ao Erário incorrido, a fim de justificar a imputação das multas capitaneadas pela legislação que regulamenta o comercio exterior, o que não se apresenta no presente caso. a aplicação da pena de multa mostrase de todo desarrazoada e desproporcional, devendo na espécie se aplicado o artigo 654, do Regulamento Aduaneiro vigente época, Decreto 4.543/2002, o qual prevê a relevação de multa quando a infração não tenha resultado em falta ou insuficiência de recolhimento de tributos. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002498/201022 Acórdão n.º 3801004.789 S3TE01 Fl. 5 4 o Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento de que se aplica às infrações da mesma espécie, apuradas em uma mesma ação fiscal, a teoria da continuidade delitiva, de modo que, ainda que se entendesse pela configuração da infração, esta somente poderia ensejar a imputação de uma multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por todas as infrações apurados na fiscalização. Requer que o Auto de Infração seja julgado improcedente, com a consequente relevação da multa, em razão da ausência de dolo ou prejuízo ao Erário, bem como por força da desproporcionalidade entre a infração cometida e a sanção imposta; ou, em sede de pedido eventual, na hipótese de configurada a infração, e não relevada a multa, que o credito tributário seja reduzido ao valor de R$ 5.000,00 (cinco mil, reais), mediante aplicação da teoria da continuidade delitiva. É o relatório. A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela parcial procedência da impugnação, reduzindo o crédito tributário de R$ 130.000,00 para R$ 75.000,00 referente à multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto Lei nº 37/1966. Colaciono a ementa do referido. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002498/201022 Acórdão n.º 3801004.789 S3TE01 Fl. 6 5 Inconformada com a improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a fls. 133/168, expondo que: 1 O auto de infração seria nulo por não comprovar as supostas infrações; 2 Erro material na decisão de primeira instância, posto que estabeleceu multa regulamentar de R$75.000,00, ao invés de R$65.000,00 3 A infração não é objetiva, sendo necessário perquirir se houve dolo ou dano ao Erário; 4 Aplicação do art. 654 quanto à revelação multa, tendo em vista a ausência de dolo ou dano ao Erário; 5 A manutenção da multa ofende os princípios da proporcionalidade e razoabilidade; É o relatório. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002498/201022 Acórdão n.º 3801004.789 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Erro de Cálculo Primeiramente, quanto ao erro de cálculo, haja vista que de fato restou mantida a penalidade apenas com relação a 13 voos, conforme fl. 166 do Recurso Voluntário e fl. 124/125 do acórdão de primeira instância, devendo, portanto ser reduzida a multa aplicada de R$75.000,00, para R$65.000,00, reformandose a decisão de primeira instância. Denúncia Espontânea A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66. Muito embora compartilhe do entendimento que as agências de carga não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que deve ser adotado o entendimento deste egrégio Conselho, já exposto em diversos acórdãos, como, v.g., o de nº 3401002.443, julgado na sessão de 26 de novembro de 2013. Ocorre que diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Todavia, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que embora não tenha sido objeto de defesa no presente recurso voluntário, entendo que Fl. 211DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002498/201022 Acórdão n.º 3801004.789 S3TE01 Fl. 8 7 por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea, matéria de ordem pública que deve ser ponderada. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Consultados os autos, nas planilhas apresentadas pela fiscalização é possível verificar que as declarações foram entregues, todavia em atraso de no máximo 03 (três) dias, não configurando dano algum ao Erário. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; Fl. 212DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002498/201022 Acórdão n.º 3801004.789 S3TE01 Fl. 9 8 b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002498/201022 Acórdão n.º 3801004.789 S3TE01 Fl. 10 9 (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Nulidade do auto de infração Entendo que não assiste razão o recorrente na sua insurgência sobre a nulidade do auto de infração por não bem comprovar a conduta da recorrente. A fiscalização apresentou a planilha contendo o número das declarações, a data do embarque a data em que foi enviada a declaração e a que voo pretendia, não se olvidando que estas informações são feitas de forma eletrônica e pelo próprio recorrente. Nestes termos, não havendo o recorrente comprovado que de fato as datas de envio não seriam aquelas que apontados pelo fisco, não logrou êxito em desincumbirse do ônus de comprovar a tempestividade das emissões, por força do art. 333, II, do CPC. Obrigação Acessória. Ausência de Dano ao Erário Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107, IV, alínea “e” do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Multa Singular e o Princípio da Proporcionalidade e Razoabilidade Fl. 214DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002498/201022 Acórdão n.º 3801004.789 S3TE01 Fl. 11 10 A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra as declarações expedidas as destempo em cada uma das viagens de voo declarações de forma extemporânea, evocando o princípio da razoabilidade de proporcionalidade. Neste ponto, entendo que não há maculas o julgado da DRJ, posto que determinou que em cada voo cujas declarações tenham sido expedidas com atraso deveria ser aplicada multa apenas na proporção de viagens, respeitando a proporcionalidade e razoabilidade ao contrario do que afirma o recorrente. Neste sentido, entendo por interpretar a norma de forma mais favorável sem infringir a legalidade ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza d penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comendo, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN). A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, Fl. 215DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.002498/201022 Acórdão n.º 3801004.789 S3TE01 Fl. 12 11 da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que deve ser alterada a decisão de primeira instância para que conste o valor correto a ser aplicado de multa, evidenciado o erro formal e pela correta aplicação da penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, devendo incidir sobre cada voo e não por declaração emitida, conforme julgou a primeira instância. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para dar provimento ao recurso voluntário, no sentido de reconhecer que uma vez apresentada a declaração está explicita a denúncia espontânea, motivadora da exclusão da multa regulamentar. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Fl. 216DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10073.720271/2011-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2006, 2007
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL.
A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 - SC, sujeito ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN. Entretanto, nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN)
NORMAS PROCESSUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE.
O ato administrativo de lançamento deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício formal o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pela legislação processual tributária. A ausência de documento/planilha com o qual a autoridade fiscal apurou a base de cálculo, especificando os critério para a identificação da mesma, não pode ser considerado como valido. A ciência do auto de infração apenas se completa quanto todos os requisitos tenha sido disponibilizados ao contribuinte, sob pena de anulação do auto de infração por cerceamento do direito de defesa.
IRRF. DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO.
Deve ser mantido o lançamento com base em diferenças de valores informados na DIRF e aqueles declarados/pagos.
Acolher a preliminar de decadência
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência, para excluir dos itens 001, 002 e 003 do Auto de Infração, os fatos geradores ocorridos antes de dezembro de 2006 e, no mérito, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pelo contribuinte Dr. Remis Almeida Estol, OAB-RJ 45.196.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2006, 2007 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 - SC, sujeito ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN. Entretanto, nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN) NORMAS PROCESSUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE. O ato administrativo de lançamento deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício formal o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pela legislação processual tributária. A ausência de documento/planilha com o qual a autoridade fiscal apurou a base de cálculo, especificando os critério para a identificação da mesma, não pode ser considerado como valido. A ciência do auto de infração apenas se completa quanto todos os requisitos tenha sido disponibilizados ao contribuinte, sob pena de anulação do auto de infração por cerceamento do direito de defesa. IRRF. DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. Deve ser mantido o lançamento com base em diferenças de valores informados na DIRF e aqueles declarados/pagos. Acolher a preliminar de decadência Recurso negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2412; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.720271/201146 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.995 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de fevereiro de 2015 Matéria IRF Recorrente SOBEU ASSOCIAÇÃO BARRAMANSENSE DE ENSINO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2006, 2007 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 SC, sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN. Entretanto, nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN) NORMAS PROCESSUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE. O ato administrativo de lançamento deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício formal o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pela legislação processual tributária. A ausência de documento/planilha com o qual a autoridade fiscal apurou a base de cálculo, especificando os critério para a identificação da mesma, não pode ser considerado como valido. A ciência do auto de infração apenas se completa quanto todos os requisitos tenha sido disponibilizados ao contribuinte, sob pena de anulação do auto de infração por cerceamento do direito de defesa. IRRF. DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. Deve ser mantido o lançamento com base em diferenças de valores informados na DIRF e aqueles declarados/pagos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 02 71 /2 01 1- 46 Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Acolher a preliminar de decadência Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência, para excluir dos itens 001, 002 e 003 do Auto de Infração, os fatos geradores ocorridos antes de dezembro de 2006 e, no mérito, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pelo contribuinte Dr. Remis Almeida Estol, OABRJ 45.196. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10073.720271/201146 Acórdão n.º 2202002.995 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do Contribuinte, SOBEU ASSOCIAÇÃO BARRAMANSENSE DE ENSINO, foi lavrado contra a interessada o Auto de Infração de IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE — IRRF, referente aos anos calendário de 2006 e 2007, através do qual é exigido da interessada o imposto de renda retido na fonte IRRF, no valor de R$ 985.219,47 (fls. 250/265), acrescido da multa de ofício qualificada de 150% e juros de mora. A exação de IRRF teve como motivo a constatação de divergências entre os valores informados na DIRF (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte) e o somatório dos pagamentos ou dos valores declarados nas DCTF, referentes ao IRRF sob os códigos 0561 (Rendimentos do Trabalho Assalariado), 3208 (IRRF – Aluguéis e Royalties pagos a Pessoa Física) e 5952 (Retenção Contribuições pagamento de PJ a PJ de direito privado CSLL/ COFINS/PIS). Segundo Termo de Verificação Fiscal, fls. 10/13, foram constatados os seguintes fatos: A autuada foi intimada por meio do Termo de Início da Fiscalização, emitido em 08/07/2008, a justificar as divergências apuradas nos códigos 0561, 3208 e 5952. face o não atendimento, em termo datado de 18/08/2009, com recebimento em 20/08/2009, a autuada foi cientificada deste fato, e passou se a trabalhar com informações disponíveis. em termo datado de 20/10/2010, constatou se que a autuada deixou de justificar o termo de início e constatação lavrados anteriormente, e apresentou DCTF retificadoras. em 26/10/2010, a autuada prestou a informação de que as retificações efetuadas foram decorrentes de erros encontrados nos dados apresentados originalmente; como a autuada se encontrava sob ação fiscal, os erros encontrados não desonera a fiscalização de proceder com os lançamentos dos valores omitidos. conforme planilha demonstrativa em anexo, nas DIRF e nas DCTF, a autuada deixou de declarar, pagar ou realizou pagamento em valor com insuficiência das retenções de imposto de renda, conforme valores apurados em DCTF entregues até 17/07/2009, início da ação fiscal. a coluna C do demonstrativo diz respeito a pagamentos declarados, decorrentes de trabalho assalariado ( IRRF – 0561). foram aproveitados pagamentos para o mês de janeiro, no valor de R$ 306,46, dois para o mês de fevereiro, nos valores de R$ 82,41 e 159,16. Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 para os pagamentos de aluguéis, foram tomados por base para data de referência os constantes dos comprovantes apresentados. com relação ao mês de dezembro/2006, foram feitos dois pagamentos nos dias 07 e 29, não havendo pagamento no mês de janeiro de 2007; foram aproveitados pagamentos realizados antes da ação fiscal, em 12 de abril de 2006, com vencimentos em 10/02/2006, visto tratarem de fatos geradores de janeiro de 2006. em relação ao mês de fevereiro, foram aproveitados quatro pagamentos efetuados na mesma data, embora com vencimentos que não indicassem que seriam deste mês. em 11/05/2009, a autuada realizou pagamentos, mas sob procedimento fiscal, não sendo levados em conta, visto não se tratar de recolhimentos espontâneos. a autuada já teve autos de infração anteriores concernentes à retenção do imposto de renda retido na fonte. a atitude reiterada em relação a descontar valores de terceiros que são devidos à União e não repassá la, além da tipicidade, em tese, de sonegar informação de valores apurados pelo fisco, sabendo que é obrigação da entidade de apresentar DCTF, demonstrando exatamente o que se deve e pagálos, inclusive quanto ao tipo de tributo (IRRF), visto que os beneficiários, inclusive pessoas ligadas à entidade, abatem em suas declarações os impostos descontados, causando prejuízo à União, ensejando a qualificação da multa de ofício, conforme artigo 44, inciso II da Lei nº 9.430/96. Enquadramento legal: 620, 621, 624, 625, 626, 636, 637, 638, 641 a 646 do RIR/99 c/c artigo 1º da Lei n° 9.887/99. Inconformada, a autuada ingressou com impugnação, em 29/03/2011, fls. 269/279, alegando: alega a tempestividade. Redução da Multa de Ofício * a autoridade lançadora tenta subsidiar a aplicação da penalidade qualificada com base numa exigência decorrente meramente de insuficiência de pagamento de IRRF por ter apresentado em alguns meses declarações inexatas. * constatados os equívocos, efetuou recolhimentos antes da lavratura do auto de infração, mas que foram desconsiderados. * a fraude deve ser afastado pois os valores foram declarados em DIRF. * não há caracterização de intuito doloso ou identificação de elementos e/ou negócios e atos jurídicos falsos, ilegítimos ou Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10073.720271/201146 Acórdão n.º 2202002.995 S2C2T2 Fl. 4 5 fraudulentos, capazes de caracterizar a sonegação, fraude e conluio, isolada ou conjuntamente. * com base na redação do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, à época dos fatos, a vinculação da multa qualificada está restrita aos casos de evidente intuito de fraude, definidos no artigo 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964. * houve alteração na redação do artigo 44 pela Lei nº 11.488/2007, tornando a sua aplicação mais abrangente, pois retirou a expressão “evidente intuito de fraude”. * assim, à época dos fatos , era necessária a conjugação de vários elementos – em todos estando a presença do dolo, má fé – para a imposição da multa qualificada. * o auto de infração não tipifica a suposta ação criminosa em um dos institutos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Decadência do Lançamento. * o IRRF é tributo sujeito ao lançamento por homologação. * a ciência ocorreu em 25/02/2011, concluindo se pela decadência dos fatos geradores até 25/02/2006, nos termos do artigo 150, § 4º do CTN. Cumprimento da Obrigação / Recolhimento do IRRF * a autoridade não aproveitou os recolhimentos após o início da ação fiscal, e também não os efetuados à época dos fatos geradores, abaixo discriminados: PA Dt. Arrec. Valor R$ jan/06 11/01/2006 148,47 jan/06 11/01/2006 284,17 jan/06 17/01/2006 689,75 Total 1.122,39 PA Dt. Arrec. Valor R$ fev/06 08/02/2006 306,49 fev/06 10/03/2006 82,41 fev/06 10/03/2006 159,16 Total 548,06 continua na procura das demais guias e protesta juntada posterior de provas. Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Durante a análise do presente lançamento, verificou se que não constava nos autos a planilha referenciada no Termo de Verificação Fiscal. Com fito de sanear, obteve se cópia desta planilha nos autos do processo de Representação Fiscal para Fins Penais, sendo a mesma acostada às fls. 356/358 do presente processo. Assim, deu se nova ciência à autuada da planilha, bem como concedido prazo de 30 (trinta) dias para, se querendo, aditar razões a sua impugnação. A ciência ocorreu em 24/01/2012, sendo que a autuada apresentou novas razões em 23/02/2012, fls. 362/364, aduzindo que: A 5ª Turma de Julgamento da DRJ/RJOI, na sessão de 29 de junho de 2011, por unanimidade de votos, deu provimento parcial à impugnação referente ao auto de infração complementar ao presente lançamento, para afastar a qualificação da multa. assinala que o fundamento utilizado pela autoridade fiscal para qualificar a multa no auto de infração complementar é o mesmo do presente lançamento, uma vez que ambas decorrem da mesma ação fiscal. conclui pelo afastamento da multa de 150%, para fixar no patamar de 75%. como houve reabertura de prazo de impugnação, para dar ciência de documentos que só foram juntados aos autos após o encerramento da ação fiscal, evidenciando se a necessidade saneamento/aperfeiçoamento do procedimento fiscal, forçoso concluir esse ato saneador como um novo lançamento. portanto, houve a decadência dos lançamentos das competências até 31/12/2006, uma vez que a nova ciência se deu em 24/01/2012. quanto ao mérito, a autoridade lançadora apurou semanalmente os fatos geradores referentes aos meses de fevereiro a novembro/2007, em flagrante desrespeito à norma contida no Anexo II do Ato Declaratório Executivo Codac nº 99, de 29 de dezembro de 2011, que determina a periodicidade mensal do IRRF para os fatos geradores de janeiro a novembro de 2007. visto o erro na construção no lançamento, eivando o de vício insanável, impondo se o cancelamento integral do auto de infração. A DRJ ao apreciar as razões do interessado, julgou a impugnação PROCEDENTE EM PARTE O LANÇAMENTO EFETUADO, mantendo a cobrança do imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 985.219,47, com multa de ofício reduzida para 75%, e juros de mora nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário: 2006, 2007 Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10073.720271/201146 Acórdão n.º 2202002.995 S2C2T2 Fl. 5 7 Ementa: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INOCORRÊNCIA. Nos tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, a decadência do direito de constituir o crédito tributário se rege pelo art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Contudo, no lançamento por homologação o que se homologa é o pagamento. Se não houver pagamento, já não será o caso de lançamento por homologação, mas sim de lançamento de ofício (art. 149 do CTN), situação em que a constituição do crédito tributário deverá observar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. Ementa: IRRF. DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. Deve ser mantido o lançamento com base em diferenças de valores informados na DIRF e aqueles declarados/pagos. Ementa: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A aplicação da multa qualificada somente se admite quando o evidente intuito de fraude resta cabalmente comprovado nos autos. O dolo deve ser provado objetivamente por elementos seguros de prova que não permitam qualquer dúvida, indagação ou divergência, sendo o ônus da autoridade fiscal que lavrou o auto de infração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2006, 2007 Ementa: NOVA INTIMAÇÃO. PLANILHA COM OS CÁLCULOS Nova intimação para cientificar o contribuinte de planilha de cálculo constante e integrante do auto de infração, equivocadamente não encaminhada ao contribuinte juntamente com o lançamento, não tem o condão de alterar a data da ciência do mesmo para fins de verificar a ocorrência da decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário, desde que o lançamento detenha todos requisitos de validade, previstos no art. 142, do CTN. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Insatisfeito, o interessado interpõe recurso voluntário, onde reitera as razões da impugnação. Da decadência parcial do lançamento tendo em vista a ciência efetivamente só teria ocorrido no dia 24/01/2012, devendose excluir do lançamento os itens anteriores a 31/12/2006; Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 No mérito, no que diz respeito aos lançamentos com a rubrica "IRRF Aluguéis e Royalties Pagos à Pessoa Física", em consulta ao espelho do auto de infração, percebese que a autoridade lançadora apurou semanalmente os fatos geradores referentes aos meses de fevereiro a novembro/2007, em flagrante desrespeito à norma contida no Anexo II do Ato Declaratório Executivo Codac n°. 99, de 29 de dezembro de 2011 (Doe. 02), que determina a periodicidade mensal do Imposto de Renda Retido na Fonte para os fatos geradores de janeiro a novembro/2007. É o relatório. Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10073.720271/201146 Acórdão n.º 2202002.995 S2C2T2 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Tratase de auto de infração lavrado para cobrança de IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE — IRRF, Da Ciência do Auto de Infração Para apreciar a questão da decadência cabe apontar a data em que ocorreu a ciência do auto de infração. Do exame dos autos apontase inicialmente para a ciência do auto de infração foi em 25/02/2011 (fl. 251), pela ciência pessoal. Entretanto o recorrente indica que a plena ciência ocorreu no dia 24/01/2012, quando efetivamente ocorreu o pleno conhecimento do lançamento. O recorrente se sustenta especialmente nas razões elencadas no voto vencido do acórdão da DRJ: A primeira ciência do lançamento ocorreu em 25/02/2011. Entretanto, da análise dos documentos que constam nos autos, verificou se a ausência da planilha com os valores apurados, e que era referenciada no Termo de Verificação Fiscal. Assim, a mesma foi anexada aos autos e, por se tratar de elemento novo no processo, foi dada nova ciência à autuada. Entendo, portanto, que somente em 24/01/2012 o ato se tornou perfeito, e podendo produzir os seus efeitos. Ou seja, a autuada foi cientificada do auto de infração, com todos os elementos necessários, previstos no artigo 142 do CTN. Assim, somente após 24/01/2012 pode exercer com plenitude o seu direito de defesa e amplo contraditório. Neste contexto, por ser o julgamento atividade vinculada, considerando a data da ciência do lançamento em 24/01/2012, cumpre observar que houve decadência do direito da Fazenda de constituir o crédito tributário O relator responsável pelo voto vencedor do acórdão registra: Com efeito, o auto de infração verificou a ocorrência do fato gerador, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, e propôs a aplicação da penalidade cabível, sendo, por isso um ato administrativo perfeito e acabado. Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Foi constatada a ausência no processo de tabela de cálculo referenciada no Termo de Verificação Fiscal, integrante do auto de infração, sendo cientificado o contribuinte do teor da mesma e oferecido prazo para aditamento a impugnação. A referida tabela consiste no memorial de cálculo dos valores lançados, cuja metodologia de sua confecção está mencionada no termo de que é anexo, e feita com base nas informações prestadas pelo contribuinte por meio de Declaração de Imposto de Renda na Fonte – DIRF, logo, embora facilite o entendimento do que foi lançado pela autoridade tributária, a existência da tabela de cálculos, de modo algum impedia o contribuinte de compreender o lançamento. Ademais, o contribuinte inequivocamente teve ciência da referida planilha em 03/03/2011, dentro do prazo de impugnação, encaminhada conjuntamente com o Auto de Infração complementar ao lançamento de que trata o presente processo, constante do processo nº 10073.720360/200192, às fls. 210 a 212. O referido auto complementar foi julgado por esta turma em sessão de 29 de junho de 2011, a qual deu provimento parcial a impugnação, e manteve em parte o crédito tributário exigido. A ausência no processo de uma tabela contendo valores, referenciada no texto do termo de verificação fiscal, levando se em conta que este documento menciona a metodologia de cálculo adotada para confecção daquele, e que o próprio auto de infração contém o resultado dos cálculos efetuados, não é capaz de alterar a natureza do lançamento, ou retirar a eficácia de sua intimação, tendo repercussões tão somente no tocante ao exercício do contraditório e da ampla defesa do autuado, sendo, por isso, vícío sanável pela juntada do documento ao processo, e reabertura de prazo para defesa, tal qual foi efetuado no presente caso. Assim, não há que se falar que a ciência do lançamento tenha ocorrido apenas com a ciência por parte do impugnante do inteiro teor da planilha, menos ainda que se trate de novo lançamento, em razão de revisão de ofício, posto que não há anulação do auto de infração, mas seu saneamento a fim de assegurar ao autuado o exercício de seu direito de defesa. Da análise do argumentos, curvome ao entendimento de que inobstante a razoabilidade dos argumentos, apresentados pelo relator responsável pelo voto condutor na DRJ, alguns pontos inviabilizam que se aceite a ciência plena em 25/02/2011. Primeiro, ao longo do Termo de Verificação Fiscal no auto de infração se faz referencia a um documento inexistente nos autos; A existência do referido documento no âmbito do processo do auto complementar não supre a sua ausência no processo do auto principal; A ausência da Tabela, dificulta a compreensão do que exatamente está sendo imputado ao recorrente, e consequentemente restringe a sua capacidade de defesa. Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10073.720271/201146 Acórdão n.º 2202002.995 S2C2T2 Fl. 7 11 O art. 9 do PAF (Decreto No. 70.235/72) indica que o autos de infração ou deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O art. 10 do PAF impõe que o auto de infração será lavrado com a descrição do fato e a determinação da exigência para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias. A descrição do fato e a determinação da exigência são requisitos necessários para a validade do auto de infração. O art. 59 do PAF prescreve com precisão que despachos e decisões realizados com preterição de direito de defesa são nulos. Nesse contexto, entendo que o auto de infração relativo ao processo em cotejo, só foi plenamente cientificado em 24/01/2012, acolher o argumento de que foi 25/02/2011, seria tolerar o cerceamento do direito de defesa no âmbito do processo administrativo tributário. Da Decadência Tendo em vista a data de ciência 24/01/2012, e que o multa de ofício foi desqualificada pela autoridade recorrida, reduzida a 75%, passase a verificar se no lançamento há períodos decadentes Devese registrar que em 21/12/2010, houve a edição da Portaria MF nº 586, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Diante disso, a redação do art.62 do RICARF dispôs: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Diante disso, resta claro que os julgados proferidos pelas turmas integrantes do CARF devem se adaptar, nos casos de decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, a estes julgados. Assim sendo, a contagem do prazo decadencial é um destes temas. No que toca a decadência, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº 973.733 – SC (2007/01769940), que a contagem do prazo decadencial dos tributos ou contribuições, cujo lançamento é por homologação, deveria seguir o rito do julgamento do recurso especial representativo de controvérsia, cuja ementa é a seguinte: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10073.720271/201146 Acórdão n.º 2202002.995 S2C2T2 Fl. 8 13 lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Documento: 6162167 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 18/09/2009 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nos julgados posteriores, sobre o mesmo assunto (contagem do prazo decadencial), o Superior Tribunal de Justiça aplicou a mesma decisão acima transcrita, conforme se constata no julgado do AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.203.986 MG (2010/01395597), verbis: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados:I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado,por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). Documento: 12878841 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 24/11/2010 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que " o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10073.720271/201146 Acórdão n.º 2202002.995 S2C2T2 Fl. 9 15 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido. É de se ressaltar, que os julgados do Superior Tribunal de Justiça firmaram posição no sentido de que “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal”. Sob o meu ponto de vista o maior obstáculo neste tipo de interpretação dada pelo Superior Tribunal de justiça está em definir o que seria considerado “pagamento antecipado” nos futuros julgados por este tribunal Administrativo. Ora, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o escoamento do prazo do art. 150, § 4º, sem manifestação do Fisco, significa a aquiescência implícita aos valores declarados pelo contribuinte, porque o silêncio, neste caso, é qualificado pela lei, trazendo efeitos. A única diferença de regime está consubstanciada na hipótese em que não há pagamento antecipado, que de acordo com Superior Tribunal de Justiça, se aplicaria, para efeitos de março inicial do prazo decadencial, o art. 173, I, do Código Tributário Nacional (regra geral, que deverá ser seguido conforme a interpretação dada pelo STJ), por força do que dispõe o parágrafo único deste mesmo preceptivo. Exaurido o prazo, o Fisco não poderá manifestar qualquer intenção de cobrar os valores. Há, pois, falarse em decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Conforme apontado pela relatora do acórdão da DRJ: Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 CÓDIGO 0561 Em pesquisas aos sistemas da Receita Federal do Brasil, fls. 410, foram confirmados recolhimentos para os fatos geradores de janeiro a setembro de 2006, que ocorrem no final de cada mês. Ou seja, o fato gerador do mês de setembro ocorre em 30/09/2006. Logo, aplicando a contagem do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do CTN, ou seja, cinco anos a contar da data do fato gerador, para estes períodos, o direito para efetuar o lançamento já estava decaído no dia 24/01/2012. Não foi encontrado recolhimento para o mês de dezembro de 2006, devendo se aplicar a regra para contagem do prazo decadencial prevista no artigo 173, inciso I do CTN, a saber, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele que a Administração poderia ter lançado. No caso, o primeiro dia do exercício seguinte seria em 01/01/2008, já que o lançamento já poderia ser efetuado durante o exercício de 2007. Portanto, o direito ao lançamento deste crédito tributário não estava decaído em 24/01/2012. CÓDIGO 3208 Não constam nos sistemas da Receita Federal do Brasil recolhimentos sob o código 3208 para os fatos geradores a partir de março/2006. Cabe, portanto, a aplicação da regra prevista no artigo 173, inciso I do CTN. Para os fatos geradores de março a novembro de 2006, o primeiro dia do exercício seguinte seria em 01/01/2007, já que o lançamento já poderia ser efetuado durante o Ano calendário de 2006. Portanto, o direito ao lançamento destes créditos tributários estava decaído em 24/01/2012. Já para os demais períodos lançados, deve ser mantida a cobrança. CÓDIGO 5952 Não constam nos sistemas da Receita Federal do Brasil recolhimentos sob o código 3208 para os fatos geradores a partir de janeiro/2006, a exceção do pagamento efetuado em 30/05/2007, relativo ao mês de abril/2007. Cabe, portanto, a aplicação da regra prevista no artigo 173, inciso I do CTN, para todos os fatos geradores lançados, exceto do mês de abril/2007. Entretanto, mesmo com a aplicação da regra prevista no artigo 150, §4º do CTN, não ocorreu o direito de constituir o crédito tributário do mês de abril de 2007. Para os fatos geradores de janeiro a novembro de 2006, o primeiro dia do exercício seguinte seria em 01/01/2007, já que o lançamento já poderia ser efetuado durante o ano calendário de 2006. Portanto, o direito ao lançamento destes créditos tributários estava decaído em 24/01/2012. Deste modo no que toca ao lançamento relativo ao código 0561 (Rendimentos do Trabalho Assalariado), mantém o lançamento de 31/12/2006, os demais estão decadentes Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10073.720271/201146 Acórdão n.º 2202002.995 S2C2T2 Fl. 10 17 No que toca ao código 3208 (IRRF – Aluguéis e Royalties pagos a Pessoa Física) , reconhecese a decadência dos lançamentos anteriores a 07/12/2006. Relativamente ao código 5952 (Retenção Contribuições pagamento de PJ a PJ de direito privado CSLL/ COFINS/PIS), reconhecese a decadência dos lançamentos anteriores a 31/12/2006. Adotase em síntese o reconhecimento, expresso no voto vencido do acórdão da primeira instância: Mérito No que toca ao mérito o recorrente reitera os argumentos da impugnação quer para os lançamentos com a rubrica "IRRF Aluguéis e Royalties Pagos à Pessoa Física", em consulta ao espelho do auto de infração, percebese que a autoridade lançadora apurou semanalmente os fatos geradores referentes aos meses de fevereiro a novembro/2007, em flagrante desrespeito à norma contida no Anexo II do Ato Declaratório Executivo Codac n°. 99, de 29 de dezembro de 2011 (Doe. 02), que determina a periodicidade mensal do Imposto de Renda Retido na Fonte para os fatos geradores de janeiro a novembro/2007. Essa matéria foi enfrentada pela autoridade de primeira instância: Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 Se engana a autuada quando afirma que, segundo o Anexo II do Ato Declaratório Executivo Codac nº 99, de 29 de dezembro de 2011, estaria sendo definido que o fato gerador do IRRF seria mensal, maculando, portanto, o lançamento com fatos geradores semanais, pelos motivos a seguir. A definição dos elementos de um tributo é feita por lei, em respeito ao Princípio da Legalidade, previsto no artigo 97 do CTN, e não por ato do Poder Executivo, como é o caso de Ato Declaratório Executivo Codac. Logo, considerando que se trata de imposto de renda retido na fonte incidentes sobre pagamentos a pessoa física a título de rendimentos de aluguéis e royatlties – código 3208, o artigo 631 do RIR/99 dispõe que ocorre o fato gerador no momento do pagamento. Com base nos recibos acostados aos autos, fls. 155/201, o auditor fiscal lavrou o presente lançamento, tendo como fato gerador as datas dos pagamentos dos aluguéis. A título de esclarecimento, o citado Ato Declaratório Executivo Codac nº 99, de 29 de dezembro de 2011, disciplina como será o recolhimento do tributo, que é diferente da ocorrência do fato gerador. Assim, no caso do código 3208, para os meses de janeiro a novembro de 2007, o recolhimento de todos os fatos geradores ocorridos durante o mês ocorrerá mensalmente Uma vez que não identifico falha no arrazoado da DRJ, não vejo como dar respaldos aos argumentos do contribuinte. Ante ao exposto, voto por acolher a preliminar de decadência, para excluir do lançamento dos itens 1, 2 e 3 do auto de infração, os fatos geradores ocorridos antes de dezembro de 2012 e no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/02/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 13811.000667/2001-07
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI - AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos).
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE RECEITA OPERACIONAL BRUTA.
Consoante o parágrafo único do art. 3º da Lei 9.363/96, o conceito de receita operacional bruta para efeitos do incentivo fiscal por ela instituído deve ser buscado subsidiariamente na legislação do imposto sobre a renda. Por esse exato motivo o inciso II do parágrafo 15 do art. 3º da Portaria MF nº 38/97 a definiu como o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Não há, pois, autorização legal ou ministerial para dela excluir a parcela decorrente da venda no mercado externo de produtos que não tenham sido fabricados pela postulante ao benefício.
REP Negado e REC Provido
Numero da decisão: 9303-002.880
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: I) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, que dava provimento; e II) por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Ausente justificadamente a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI - AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE RECEITA OPERACIONAL BRUTA. Consoante o parágrafo único do art. 3º da Lei 9.363/96, o conceito de receita operacional bruta para efeitos do incentivo fiscal por ela instituído deve ser buscado subsidiariamente na legislação do imposto sobre a renda. Por esse exato motivo o inciso II do parágrafo 15 do art. 3º da Portaria MF nº 38/97 a definiu como o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Não há, pois, autorização legal ou ministerial para dela excluir a parcela decorrente da venda no mercado externo de produtos que não tenham sido fabricados pela postulante ao benefício. REP Negado e REC Provido
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ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE RECEITA OPERACIONAL BRUTA. Consoante o parágrafo único do art. 3º da Lei 9.363/96, o conceito de receita operacional bruta para efeitos do incentivo fiscal por ela instituído deve ser buscado subsidiariamente na legislação do imposto sobre a renda. Por esse exato motivo o inciso II do parágrafo 15 do art. 3º da Portaria MF nº 38/97 a definiu como o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Não há, pois, autorização legal ou ministerial para dela excluir a parcela decorrente da venda no mercado externo de produtos que não tenham sido fabricados pela postulante ao benefício. REP Negado e REC Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 06 67 /2 00 1- 07 Fl. 746DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, que dava provimento; e II) por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Ausente justificadamente a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de Recursos Especiais, interpostos tempestivamente pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo, contra Acórdão proferido pela Segunda Câmara Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário. Eis a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2000 CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NT. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. Para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, incluise o valor correspondente a exportação de produtos NT. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. Fl. 747DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13811.000667/200107 Acórdão n.º 9303002.880 CSRFT3 Fl. 713 3 Não se incluem na base de cálculo do incentivo os insumos que não sofreram a incidência da contribuição para o PIS e da Cofins na operação de fornecimento ao produtorexportador. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. NÃO CABIMENTO. A taxa Selic é imprestável como instrumento de correção monetária, não se justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar a concessão de um "plus" que não encontra previsão legal. Recurso provido em parte. O acórdão nega o aproveitamento dos créditos referentes aos insumos adquiridos por pessoa física e cooperativas e afasta a aplicação da taxa selic. As controvérsias suscitadas pelo sujeito passivo se referem à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363, de 1996, dos valores relativos às aquisições de insumos de pessoas físicas e de cooperativas e à incidência da taxa Selic sobre os ressarcimentos de créditos presumidos de IPI. Já a Fazenda Nacional recorre para reformar o acórdão que permitiu a inclusão do valor correspondente a exportação de produtos NT para fins de calculo do coeficiente a ser usado para obter o valor do crédito presumido. Ambas as partes apresentaram contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. Primeiramente trataremos do Recurso Especial Interposto pela Fazenda Nacional. O Procurador recorre para reformar o acórdão que permitiu a inclusão do valor correspondente a exportação de produtos NT para fins de calculo do coeficiente a ser usado para obter o valor do crédito presumido. Nesse ponto usarei o voto proferido pelo Conselheiro Júlio César Alves Ramos, nesta CSRF, em recente julgamento, pela sua precisão e rigor técnico. Como dito, o objetivo da Fazenda Nacional é restaurar a metodologia de cálculo do incentivo praticada pela fiscalização em atendimento ao disposto no ato declaratório normativo 18/98 expedido pelo Coordenador de Tributação da Secretaria da Receita Federal. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Segundo ele, para apurar o percentual entre a receita de exportação e a operacional bruta, percentual esse que será aplicado sobre o valor das aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem para chegarse à base de cálculo do incentivo, devese excluir da primeira – e apenas dela – a parcela que corresponde às vendas no mercado externo de mercadorias adquiridas e não submetidas a qualquer operação de industrialização. Assim fazendo, obviamente, reduzse aquele percentual e em conseqüência o incentivo. A Câmara recorrida, reconhecendo a impropriedade de tratarse distintamente a mesma parcela, determinou que o cálculo se fizesse excluindoa também da receita operacional bruta. Na forma decidida, o critério deve ser único e entenderam os membros do colegiado que o melhor é a exclusão tanto no numerador quanto no denominador da fração. Defende a representação fazendária a inexistência de permissivo legal para dita exclusão, na medida em que a própria lei instituidora do incentivo determinou o recurso subsidiário à legislação do imposto sobre a renda para o estabelecimento do conceito de receita operacional bruta. E como se sabe, lá não se faz qualquer distinção entre as vendas, sejam elas de produtos fabricados ou meramente revendidos. Tenho entendimento firmado, há muito tempo, no sentido de que a parcela discutida integra ambas, tanto a receita de exportação quanto a receita operacional bruta. Isso porque, se é verdadeiro o argumento fazendário quanto à ROB, ele se aplica do mesmo modo à receita de exportação. De fato, não há na legislação do imposto de renda, nem na legislação comercial, qualquer exclusão a ser feita, seja entre produtos fabricados e não fabricados ou qualquer outro. Receita de exportação é simplesmente aquela que resulta da venda de produtos ou serviços no mercado externo em nada interferindo a natureza do produto ou do serviço. Esse é, aliás, o conceito proposto no primeiro ato administrativo editado para regular o incentivo, a Portaria 38/97 do Sr. Ministro da Fazenda. Vale dizer que somente o Ministro de Estado recebeu autorização legal para tal regulamentação (art. 6º da Lei 9.3630) carecendo, pois, de competência o autor do ato expedido e seguido pela fiscalização. De sorte que não me parece duvidoso que a decisão proferida não aplicou da melhor forma a legislação ao manter a exclusão daquela parcela da receita de exportação e determinar que ela fosse excluída também da ROB. Deveria, ao contrário, mantêla na ROB – como já feito no trabalho fiscal – e determinar que ela fosse igualmente computada na receita de exportação. Até porque essa fora a postulação do recurso. É importante destacar que essa determinação levaria a que o direito do contribuinte fosse ainda maior do que o que lhe acabou deferido pela decisão extra petita. Aplic=ala agora, no entanto, pareceme impossível dado que levaria à reformatio in pejus contra a recorrente. Repitase que a primeira exclusão não é objeto do recurso fazendário.O que ele postula é que se determine apenas a inclusão na ROB, mantendose, ao mesmo tempo, sua exclusão da receita de exportação, o que é a forma de cálculo que leva ao menor dos valores. A a isso, a meu ver, não se pode dar provimento. Nego, portanto, provimento ao recurso da Fazenda em relação a esse ponto. Passemos agora ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. Fl. 749DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13811.000667/200107 Acórdão n.º 9303002.880 CSRFT3 Fl. 714 5 Aquisições de pessoas físicas e cooperativas e atualização do ressarcimento pela selic. A outra matéria devolvida ao Colegiado, agora pelo contribuinte, cingese às questões da inclusão dos valores pertinentes às aquisições de pessoas físicas e cooperativas na base de cálculo do crédito presumido de IPI, e, também, a da aplicação da Selic sobre os créditos presumidos de IPI, a ressarcir. Esse tema tem sido objeto de acirrados debates no CARF, ora prevalecendo a posição contrária da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Turmas de Julgamento. Todavia, com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do Carf, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observados no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser adotada aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Essa é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu1 que, O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. ......................................................................................................... Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). ................................................................................................. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI 1 AgRg no AgRg no REsp 1088292 / RS AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2008/02047717 Fl. 750DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Essa decisão foi proferida, justamente, em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, de que trata a lei 9.363/1996, em que atos normativos infralegais obstaculizaram a inclusão na base de cálculo do incentivo das compras realizadas junto a pessoas físicas e cooperativas. Com essas considerações, em que pese a minha discordância quanto ao tratamento da matéria pelo STJ, por força regimental, curvome a decisão do STJ, e passo a admitir a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas, e, sobre os créditos a ressarcir, a incidência da Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Em face do exposto, voto pelo não provimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e dou provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Rodrigo da Costa Possas Fl. 751DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 16832.000282/2010-72
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1103-000.176
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Resolvem os membros do Colegiado converter o julgamento em diligência por unanimidade, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Resolvem os membros do Colegiado converter o julgamento em diligência por unanimidade, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
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(assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 68 32 .0 00 28 2/ 20 10 -7 2 Fl. 3183DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3.184 ___________ Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e Multa Isolada por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL (anocalendário 2006), no valor total original de R$ 3.831.166,84, com incidência de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora (fls.737/777 1). A ciência do contribuinte ocorreu em 30/4/10 (fl.777). Nos “Termos de Verificação Fiscal” (fls.725/736 e 770/771), consignouse, em resumo: acerca dos valores escriturados a débito nas contas “Despesa Preparação de Entrega” (R$167.810,08) e “Despesa Manutenção e Garantia” (R$128.803,26), o contribuinte, após intimado, não apresentou qualquer documentação comprobatória; quanto aos valores escriturados a débito na conta “Despesa Serviços Terceiros/Serviços Profissionais”, as notas fiscais descrevem genericamente serviços de assessoria em intermediação de venda, sem discriminação dos veículos vendidos (Riogov Serviços S/C Ltda – R$ 87.040,40; Rio Oeste Veículos Ltda – R$ 5.000,00); e serviços de assessoria junto a varas de execução e perante a Receita Federal (A&CFT Assessoria & Consultoria Fiscal Tributária Ltda – R$ 210.536,84). Também foram apresentados, juntamente com as respectivas notas fiscais, recibos de pagamento, com histórico “honorários” (Cláudio Luiz Lobo – R$24.657,85), e notas fiscais com a descrição genérica de serviços de advocacia (Lobo e Teixeira Advogados Associados – R$ 7.000,00); “Para dedução de serviços prestados por terceiros como despesa operacional, as faturas, notas fiscais e demais documentos fornecidos como elementos de prova devem identificar a natureza e o prestador do serviço e obedecer às demais disposições comerciais e fiscais sobre emissão de documentos, bem como estarem seus serviços compreendidos nos objetivos sociais da empresa prestadora. Somente são admitidas como operacionais as despesas com prestação de serviços quando efetivamente provada a sua realização, não bastando como elemento probante a apresentação de notas fiscais que nada especificam ou que apenas designam serviços de assessoria em intermediação de vendas, sem discriminar ou relacionar os veículos, e de honorários ou serviços de advocacia, com descrição vaga e insuficiente”; sobre os valores escriturados nas contas “Despesas de Amortização de Prédio Alugado” (R$208.387,90) e “Despesas de Amortização PréOperacionais” (R$500.083,82), não foi possível identificar, de forma individualizada, os bens, datas e valores de aquisição, e datas de entrada em operação; o contribuinte, conforme reconhecido no curso do procedimento fiscal, escriturou em duplicidade as seguintes despesas relativas a serviços prestados por A&CFT Assessoria & Consultoria Fiscal Tributária Ltda: R$ 25.000,00 (NF 513, de 10/4/06), R$ 28.137,31 (NF 524, de 26/6/06), R$ 41.924,59 (NF 525, de 10/7/06) e R$ 3.779,70 (NF 529, de 27/7/06); as despesas relativas à aquisição de cestas de Natal para distribuição aos funcionários (Casas Saara Comestíveis – R$ 6.277,64; Nutrimix Comestíveis Ltda – R$ 6.698,39) e a serviços de emplacamento de veículos (Carlos Augusto Raunhetti R$ 21.026,36; Lage Legalizações Ltda 1 A numeração referida no acórdão é a estabelecida eletronicamente pelo sistema eprocesso. Fl. 3184DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000282/201072 Resolução nº 1103000.176 S1C1T3 Fl. 3.185 3 – R$ 122.428,72), ambos como cortesia, não podem ser deduzidas por caracterizarem mera liberalidade; a respeito dos valores escriturados nas contas “Despesas de Depreciação” (edifícios e instalações, móveis e equipamentos, móveis e utensílios, veículos e identificação – R$291.286,73), não foi possível identificar, de forma individualizada, os bens, datas e valores de aquisição, método adotado, datas de entrada em operação, baixas, acréscimos, reavaliações etc.; restou caracterizada a omissão de receitas, no montante de R$ 3.802.823,10, em razão da ausência de escrituração de parte dos valores recebidos a título de comissão da Ford Motor Company Brasil Ltda, conforme DIRF e circularização perante esta pessoa jurídica; sujeitase o contribuinte ao pagamento da multa isolada calculada sobre os valores das estimativas apuradas e não recolhidas no curso do anocalendário. Os lançamentos foram considerados parcialmente procedentes pela Oitava Turma da DRJ – Rio de Janeiro (RJ), conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.826/834): DILIGÊNCIA. Rejeitase o pedido de diligência quando a lide se resolveria com uma simples juntada de documentos pela interessada. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Somente são admissíveis como dedutíveis as despesas que, além de comprovadas com documentação hábil e idônea, correspondam a bens ou serviços efetivamente recebidos e que esses bens ou serviços sejam necessários, normais e usuais na atividade da empresa. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. CESTAS DE NATAL. Os gastos com cestas de natal distribuídos em festas natalinas são indedutíveis do lucro liquido devido a falta dos requisitos de necessidade, normalidade e usualidade. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. EMPLACAMENTO DE VEÍCULOS. Incabível a dedução, como despesa operacional, dos valores pagos a titulo de emplacarnento pela revendedora de veículos, mormente quando não restar devidamente comprovado que tais dispêndios foram suportados pelo comerciante. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Os dispêndios com depreciação somente são admitidos se comprovados através de mapas e documentação de suporte. MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. A pessoa jurídica somente poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período. OMISSÃO DE RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS. Deve ser feito o lançamento de oficio das receitas que não foram incluídas o lucro liquido do período. CSLL, PIS, COFINS. DECORRÊNCIA. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o imposto de Fl. 3185DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000282/201072 Resolução nº 1103000.176 S1C1T3 Fl. 3.186 4 renda, desde que não presentes argüições especificas ou elementos de prova novos. Devidamente cientificado em 22/4/13 (fl.3.106), o contribuinte apresentou tempestivamente recurso voluntário em 22/5/13 (fls.3.110/3.127), em que alegou, em síntese: preliminarmente, nulidade do acórdão recorrido por cerceamento a direito de defesa em razão do indeferimento do pedido de diligência; e nulidade dos autos de infração relativos às multas isoladas, vez que os fatos geradores do IRPJ e da CSLL ocorreram em 31/12/06, não sendo aplicável a alteração do art.44 da Lei nº 9.430/96, promovida pelo art.14 da Lei nº 11.488, de 15/6/07, resultante da conversão da Medida Provisória nº 351, de 22/1/07; a comprovação das despesas com amortização e depreciação darseia com os documentos já acostados à impugnação (fls.35 e 121); as despesas com a aquisição de cestas de Natal para distribuição aos funcionários não poderiam ser glosadas, pois: (a) seu valor seria reduzido; (b) conteria alimentos; e (c) “...o intérprete não pode restringir onde o legislador não o fez, não se pode excluir do conceito ‘alimentação’ os alimentos natalinos, apenas porque estes últimos, por sua embalagem de apresentação, são popularmente conhecidos como ‘Cesta de Natal’”; as despesas com emplacamento de veículos, por estratégia de vendas, seriam assumidas pelos vendedores, sendo, portanto, dedutíveis; as multas isoladas seriam indevidas, seja pela impossibilidade de retroatividade da legislação de regência, ou mesmo por ter apurado saldo negativo de IRPJ (R$ 424.744,02) e CSLL a pagar de R$ 74.372,70 ao final do anocalendário 2006; no tocante à omissão de receitas, “...a Sra. Auditora Fiscal utilizouse, única e exclusivamente, dos valores constantes da DIRF entregue pela FORD à Secretaria da Receita Federal, sem a mínima precaução de cotejálos com os lançamentos contábeis da recorrente, e, depois, com os saldos finais das contas utilizados na elaboração de sua DIRPJ”. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade, conhecese do recurso voluntário. Em primeira instância, definiuse que determinadas glosas não foram impugnadas pelo sujeito passivo, que teria, inclusive, realizado os respectivos pagamentos: “Na impugnação, a interessada afirma, na fl.779, que não irá se insurgir contra os seguintes pontos do Auto de Infração: Glosa das despesas no valor de R$25.000,00, R$28.137,31, R$3.779,70 e R$41.924,59, por terem sido lançadas em duplicidade, no total de R$98.841,60; Glosa da amortização de prédio alugado, no valor de R$208.387,90 e; Glosa da amortização de despesas préoperacionais, no valor de R$ 500.083,32, no total de R$807.313,32. Afirma também que já fez os respectivos pagamentos.” Fl. 3186DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000282/201072 Resolução nº 1103000.176 S1C1T3 Fl. 3.187 5 Naquele julgamento, a Oitava Turma da DRJ – Rio de Janeiro I (RJ) cancelou as glosas das seguintes despesas, que totalizam R$ 328.271,19: “Preparação de Entrega – VR Ref Estorno de Revisão”: R$ 39.006,82; “Preparação de Entrega – VR Refte, 12058 Trec Auto”: R$ 128.803,26; “Manutenção e Garantia”: R$ 128.803,26; “Lobo e Teixeira Advogados Associados”: R$ 7.000,00; “Cláudio Luiz Lobo”: R$ 24.657,85. À exceção das despesas acima mencionadas, as demais glosas seriam passíveis de contestação pelo sujeito passivo em sede de recurso voluntário. Contudo, insurgiuse o Recorrente apenas quanto às despesas de amortização e depreciação, despesas com a aquisição de cestas de natal e despesas com emplacamentos de veículos. Logo, por consistirem em matéria preclusa, também não serão apreciadas as glosas das despesas com os serviços supostamente tomados de RIOGOV Serviços S/C Ltda, Rio Oeste Veículos Ltda e A&CFT Assessoria & Consultoria Fiscal Tributária Ltda. Da glosa de despesas de amortização e de depreciação Além das glosas com despesas de amortização de prédio alugado (R$208.387,90) e préoperacionais (R$500.083,82), objeto do item 1C do Termo de Verificação Fiscal TVF (“Despesas de Amortização”), não impugnadas pelo contribuinte, a fiscalização também não aceitou, por falta de comprovação, outros valores apropriados a título de depreciação, conforme item 5 do TVF: “[...] Em Termo de fls.38 foi a empresa intimada a relacionar os bens constantes de seu Imobilizado no ano de 2006. Em resposta de fls.40, o contribuinte informou que não foi possível discriminar os bens da empresa, apresentando copia das escrituras de dois imóveis (fls.379/388) e o Razão das contas (fls. 259/262). Assim sendo, foi a empresa intimada às fls.53/56 a prestar esclarecimentos sobre Despesas de Depreciação, informando a que se refere os valores depreciados e o tempo de depreciação, anexando documentação comprobatória e correspondente registro contábil que originou a despesa. Também foi solicitada a apresentar mapa de depreciação do ano, esclarecendo como são efetuados os lançamentos contábeis, e se há um controle dos valores a depreciar. A empresa esclareceu em resposta de fls.57, que ‘os documentos referentes as Despesas de Depreciação não foram encontrados’. Foi informado, também, que a conta 9374 6.1.2.20.04 IDENTIFICAÇÃO se refere a letreiros FORD. Em Termo de 26.03.2010 de fls.118/120, foi o contribuinte intimado a esclarecer como foram feitos os lançamentos contábeis nas contas de despesas de depreciação se, conforme informações da própria empresa, não há mapas de controle mensal dos bens do Imobilizado e Fl. 3187DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000282/201072 Resolução nº 1103000.176 S1C1T3 Fl. 3.188 6 correspondentes depreciações, nem do registro contábil que originou a despesa. Em resposta de12.04.2010 às fls.121/124, a empresa apresentou mapas de fls.263/305 em que os valores da depreciação estão registrados de forma globalizada, sem discriminação individualizada dos bens e documentos de fls.306/378. ..... Apesar de intimado, o contribuinte não comprovou os valores apropriados como despesas a titulo de amortização e de depreciação, por meio de registros que permitissem identificar, de forma individualizada, os bens depreciados, datas e valores de aquisição, método de depreciação adotado, de entrada dos bens em operação, baixas, acréscimos, reavaliações, etc. Assim, de acordo com artigos 305 a 310 do RIR/99 e demais legislação vigente, foi procedida à glosa dos valores lançados nas contas que se seguem: Despesas de Depreciação de Edifícios e Instalações R$ 154.023,72 Despesas de Depreciação de Móveis e Equipamentos R$ 43.150,27 Despesas de Depreciação de Móveis e Utensílios R$ 46.511,49 Despesas de Depreciação de Veículos R$ 47.052,11 Despesas de Depreciação de Identificação R$ 549,14 [...]” A Oitava Turma da DRJ – Rio de Janeiro (RJ) assim enfrentou a questão: “[...] Na impugnação a interessada informa que não apresentou os mapas de depreciação porque os tinha perdido, mas achou tais mapas e põe à disposição da SRFB. Nas fl.88 do Anexo VIII a 35 do Anexo IX, a interessada apresenta documento indicando a depreciação de alguns itens como equipamentos, móveis, contudo não apresenta documento relativo a compra destes bens. Atentese que tais documentos são necessários para que se possa avaliar se a depreciação foi calculada de modo correto e se o valor das despesas de depreciação foi corretamente apropriado no ano calendário em análise. Destaquese que os dados da contabilidade somente podem ser considerados como válidos se acompanhados da respectiva documentação, conforme dispõe o art 276 do RIR199. Ha que se esclarecer à interessada que não cabe a realização de diligência para verificação do restante dos registros de depreciação, posto que tal documentação deveria ser apresentada, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual, conforme dispõe o §4º do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n° 9.532/1997.” Fl. 3188DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000282/201072 Resolução nº 1103000.176 S1C1T3 Fl. 3.189 7 No recurso voluntário, por sua vez, a defesa essencialmente reiterou a necessidade de diligência: “[...] A Recorrente teve glosadas as despesas de Amortização e Depreciação levadas à despesa durante o ano calendário de 2006, tendo juntado à impugnação às fls.35 e 121, embora a glosa tenha sido mantida pelo Acórdão recorrido, porque, face ao volume de documentos a ser juntado, a Recorrente optou por solicitar Diligência Fiscal a sua sede, o que lhe foi negado, conforme já foi relatado anteriormente. 27. Repisese, em determinados casos, não existe qualquer possibilidade prática de se juntar ao processo certos documentos, que somente viriam a tumultuálo, reiterandose, por isso, a preliminar argüida”. Da análise dos documentos de fls.88/199 do Anexo VIII e fls.2/35 do Anexo IX, disponibilizados com a impugnação, é possível verificar que o contribuinte, ao contrário do que produziu durante o procedimento fiscal, quando apresentou valores globais a título de depreciação (fls.263/305), detinha controle individualizado a respeito da depreciação de determinados bens, com a indicação, inclusive, das datas de aquisição. Tal constatação já justifica o deferimento do pedido de diligência. A respeito da omissão de receitas, a DRJ – Rio de Janeiro I (RJ), após apreciar a documentação acostada pelo contribuinte, assim concluiu: “Tal alegação somente poderia ser acatada se o contribuinte comprovasse que os R$10.267.733,06, ou pelo menos o valor de R$6.429.765,04 utilizado pela fiscalização, estaria inserido na receita total de R$ 181.487.814,75 inserta no balancete (fl.681), declarados na linha 3 (R$ 178.609.312,75) e na linha 4 (R$ 2.878.502,00) da ficha 6 A linha 3 da DIPJ/2007. Contudo, tal comprovação não foi feita.” No recurso voluntário, reiterouse a informação de que os valores recebidos da Ford Motor Company Brasil Ltda a título de comissão alcançaria, conforme documentação acostada à impugnação, o montante de R$10.267.733,06, superior aos R$6.433.785,04 informados pela fonte pagadora em DIRF. Pelo exposto, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário federal, VOTO no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), quanto ao anocalendário 2006: a) intime o sujeito passivo a proceder à necessária correlação dos documentos de fls.88/199 do Anexo VIII e de fls.2/35 do Anexo IX (cópias do Sistema de Ativo Fixo) com as despesas de depreciação glosadas (“Edifícios e Instalações”, “Móveis e Equipamentos”, “Móveis e Utensílios”, “Veículos” e “Identificação”); e a apresentar a documentação relativa à aquisição dos bens, ao cálculo individualizado da depreciação e a outros elementos que permitiram apurála nos termos da legislação de regência; b) intime o sujeito passivo a demonstrar o oferecimento à tributação dos valores das comissões que afirma ter recebido da Ford Motor Company Brasil Ltda; Fl. 3189DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000282/201072 Resolução nº 1103000.176 S1C1T3 Fl. 3.190 8 c) elabore relatório circunstanciado em que reste evidenciado, se for o caso, o quantum da depreciação passível de dedução e o valor da receita oferecida à tributação, relativa a comissões recebidas da Ford Motor Company Brasil Ltda; d) cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para, se assim desejar, apresentar manifestação limitada às considerações constantes do respectivo relatório, no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art.35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; e) findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 3190DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 12898.000822/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
LANÇAMENTO. ELEMENTOS FUNDAMENTAIS. VÍCIOS DE NATUREZA MATERIAL.
A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. Vícios constatados em elementos fundamentais (intrínsecos) do lançamento constituem vícios de natureza material.
Numero da decisão: 1401-001.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos sem efeitos infringentes apenas para esclarecer que os presentes lançamentos foram cancelados por vício de natureza material.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta e Mauricio Pereira Faro.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO. ELEMENTOS FUNDAMENTAIS. VÍCIOS DE NATUREZA MATERIAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. Vícios constatados em elementos fundamentais (intrínsecos) do lançamento constituem vícios de natureza material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos sem efeitos infringentes apenas para esclarecer que os presentes lançamentos foram cancelados por vício de natureza material. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta e Mauricio Pereira Faro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 08 22 /2 00 9- 69 Fl. 7518DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 2 Relatório Versa este processo sobre os Autos de Infração de fls. 91/102, lavrados pela DFI/Rio de Janeiro, para exigência de créditos tributários de IRPJ, no valor de R$14.702.796,10, e de CSLL, no valor de R$5.301.646,59, acrescidos de multa de 112,50% e de juros de mora. O crédito tributário total lançado monta a R$50.241.157,80 (fl. 4). A 1ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I, por unanimidade, deu provimento à impugnação, por meio de Acórdão assim ementado, fls. 6633: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 LANÇAMENTO. ELEMENTOS FUNDAMENTAIS. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no art. 142 do CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Nos termos da legislação de regência, houve apresentação de recurso de ofício, dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ao julgar o aludido recurso de ofício, esta Turma, por unanimidade, negou provimento ao recuso de ofício, por meio do Acórdão 1401000.986, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO. ELEMENTOS FUNDAMENTAIS. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. Sem a precisa delimitação desses elementos, não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. Devidamente cientificada desse Acórdão, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou os presentes embargos declaratórios, alegando que nulidade é termo equívoco e, desse modo, tornase necessária a especificação do seu sentido. Fl. 7519DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 12898.000822/200969 Acórdão n.º 1401001.269 S1C4T1 Fl. 3 3 Em face da omissão apontada, requereu a União (Fazenda Nacional) seja conhecido e provido o presente recurso para que essa e. Turma complemente o acórdão de modo que fique expresso o tipo de vício que supostamente maculou o lançamento (se material ou formal). É o relatório. Fl. 7520DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 4 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos presentes embargos de declaração. Consta expressamente da ementa do Acórdão embargado, fls. 7501: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO. ELEMENTOS FUNDAMENTAIS. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. Sem a precisa delimitação desses elementos, não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. Ora, se vícios foram constatados em diversos elementos fundamentais (intrínsecos) do lançamento, resulta evidente que se está falando de vícios de natureza material. A Procuradoria da Fazenda Nacional requer a complementação do Acórdão embargado, simplesmente para esclarecer a natureza do vício que maculou o lançamento. Conclusão Diante do exposto, acolho os presentes embargos, sem efeitos infringentes, apenas para esclarecer que os presentes lançamentos foram anulados por vício material, consubstanciado na ausência de correta verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido e identificação do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 7521DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 12898.000822/200969 Acórdão n.º 1401001.269 S1C4T1 Fl. 4 5 Fl. 7522DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/03/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS
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