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Numero do processo: 19515.720502/2016-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012, 2013, 2014, 2015
PRELIMINAR. DECADÊNCIA. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA.
A conversão do julgamento em diligência com o fito de garantir o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa do Recorrente, não caracteriza, sob nenhum aspecto, advento de decadência, vez que o contencioso administrativo se iniciou com a impugnação tempestiva, sendo a referida conversão mera etapa daquele.
PRELIMINAR. DEMONSTRATIVO DA VARIAÇÃO A DESCOBERTO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. RECURSOS/ORIGENS E APLICAÇÕES/DISPÊNDIOS. COMPROVAÇÃO.
Não há que se falar de ausência de fundamentação legal quando o demonstrativo da variação patrimonial a descoberto apresenta a devida fundamentação legal e indica, de forma inequívoca, os recursos/origens e as aplicações/dispêndios.
PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
O pleno acesso a todos os documentos que lastrearam o lançamento, inclusive com dilação de prazo recursal, que permitiu o total conhecimento e compreensão das infrações fiscais que foram imputadas, infirma as alegações do sujeito passivo quanto a suposto cerceamento de defesa.
AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE DOCUMENTAÇÃO JUNTADA. APRECIAÇÃO PELA AUTORIDADE JULGADORA.
Não há que se falar em nulidade da decisão por ter deixado de analisar documentos apresentados juntamente com a impugnação, quando o julgador da instância de piso fundamentou a sua decisão em outros elementos probatórios anexados aos autos e suficientes à formação de sua convicção.
O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelo impugnante, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. Na verdade, o julgador tem o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar a conclusão adotada.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CARACTERIZAÇÃO. IRPF. TRIBUTAÇÃO.
Os rendimentos caracterizados como acréscimo patrimonial a descoberto devem compor a base de cálculo anual do IRPF e nessa condição serem tributados observando-se a tabela progressiva.
COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS PAGOS POR PESSOA JURÍDICA. APROVEITAMENTO PELA PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE.
Não há que se falar de compensação de tributos pagos por pessoa jurídica no lançamento efetuado em face de pessoa física, vez que ausente amparo na legislação tributária por se tratarem de contribuintes distintos, sujeitos a distintas regras de tributação (pessoa jurídica x pessoa física), observando-se ainda que, no caso da pessoa jurídica, os tributos pagos já repercutiram na apuração do resultado contábil/fiscal daquela nos respectivos anos-calendário, sendo assim incomunicáveis com a pessoa física.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 DO CTN. EXPROPRIAÇÃO DE BENS. PAGAMENTO DE TRIBUTO. INOCORRÊNCIA.
A expropriação de valores e bens em prol da União, em razão da prática de diversos ilícitos criminais, não se caracteriza, sob nenhuma hipótese, pagamento de tributo, mas, sim, um efeito da condenação penal.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. HIPÓTESES DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE.
A omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, comprovada a ocorrência de sonegação, fraude e conluio, hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64, autoriza a qualificação da multa de ofício.
MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. LEI 9430/1996. CUMULATIVIDADE. FUNDAMENTOS DIVERSOS. BASE DE CÁLCULO DISTINTA.
Os incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/1996, tratam de suportes fáticos distintos e autônomos, com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes.
SOLIDARIEDADE. UNIDADE DE INTERESSE JURÍDICO. MATERIALIZAÇÃO DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. CARACTERIZAÇÃO.
Caracterizada a unidade de interesse jurídico entre a responsável solidária e o sujeito passivo principal na materialização da hipótese de incidência tributária, decorre a imposição da solidariedade prevista no art. 124 do CTN.
Numero da decisão: 2402-006.796
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário interposto por Alberto Youssef e rejeitar as preliminares, e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento parcial para excluir do lançamento os bens que foram entregues e expropriados, e incluir nas origens o valor do seguro de vida. O Conselheiro Paulo Sérgio da Silva votou pelas conclusões. Quanto ao recurso voluntário interposto pela responsável solidária, Joana D'arc Fernandes da Silva, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecê-lo e, por voto de qualidade, negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício)
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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DECADÊNCIA. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. A conversão do julgamento em diligência com o fito de garantir o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa do Recorrente, não caracteriza, sob nenhum aspecto, advento de decadência, vez que o contencioso administrativo se iniciou com a impugnação tempestiva, sendo a referida conversão mera etapa daquele. PRELIMINAR. DEMONSTRATIVO DA VARIAÇÃO A DESCOBERTO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. RECURSOS/ORIGENS E APLICAÇÕES/DISPÊNDIOS. COMPROVAÇÃO. Não há que se falar de ausência de fundamentação legal quando o demonstrativo da variação patrimonial a descoberto apresenta a devida fundamentação legal e indica, de forma inequívoca, os recursos/origens e as aplicações/dispêndios. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. O pleno acesso a todos os documentos que lastrearam o lançamento, inclusive com dilação de prazo recursal, que permitiu o total conhecimento e compreensão das infrações fiscais que foram imputadas, infirma as alegações do sujeito passivo quanto a suposto cerceamento de defesa. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DE DOCUMENTAÇÃO JUNTADA. APRECIAÇÃO PELA AUTORIDADE JULGADORA. Não há que se falar em nulidade da decisão por ter deixado de analisar documentos apresentados juntamente com a impugnação, quando o julgador da instância de piso fundamentou a sua decisão em outros elementos probatórios anexados aos autos e suficientes à formação de sua convicção. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 05 02 /2 01 6- 54 Fl. 8635DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.636 2 O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelo impugnante, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. Na verdade, o julgador tem o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar a conclusão adotada. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CARACTERIZAÇÃO. IRPF. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos caracterizados como acréscimo patrimonial a descoberto devem compor a base de cálculo anual do IRPF e nessa condição serem tributados observandose a tabela progressiva. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS PAGOS POR PESSOA JURÍDICA. APROVEITAMENTO PELA PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE. Não há que se falar de compensação de tributos pagos por pessoa jurídica no lançamento efetuado em face de pessoa física, vez que ausente amparo na legislação tributária por se tratarem de contribuintes distintos, sujeitos a distintas regras de tributação (pessoa jurídica x pessoa física), observandose ainda que, no caso da pessoa jurídica, os tributos pagos já repercutiram na apuração do resultado contábil/fiscal daquela nos respectivos anos calendário, sendo assim incomunicáveis com a pessoa física. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 DO CTN. EXPROPRIAÇÃO DE BENS. PAGAMENTO DE TRIBUTO. INOCORRÊNCIA. A expropriação de valores e bens em prol da União, em razão da prática de diversos ilícitos criminais, não se caracteriza, sob nenhuma hipótese, pagamento de tributo, mas, sim, um efeito da condenação penal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. HIPÓTESES DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. A omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, comprovada a ocorrência de sonegação, fraude e conluio, hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64, autoriza a qualificação da multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. LEI 9430/1996. CUMULATIVIDADE. FUNDAMENTOS DIVERSOS. BASE DE CÁLCULO DISTINTA. Os incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/1996, tratam de suportes fáticos distintos e autônomos, com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. SOLIDARIEDADE. UNIDADE DE INTERESSE JURÍDICO. MATERIALIZAÇÃO DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. CARACTERIZAÇÃO. Caracterizada a unidade de interesse jurídico entre a responsável solidária e o sujeito passivo principal na materialização da hipótese de incidência tributária, decorre a imposição da solidariedade prevista no art. 124 do CTN. Fl. 8636DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.637 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário interposto por Alberto Youssef e rejeitar as preliminares, e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento parcial para excluir do lançamento os bens que foram entregues e expropriados, e incluir nas origens o valor do seguro de vida. O Conselheiro Paulo Sérgio da Silva votou pelas conclusões. Quanto ao recurso voluntário interposto pela responsável solidária, Joana D'arc Fernandes da Silva, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecêlo e, por voto de qualidade, negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício) (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de Recursos Voluntários do sujeito passivo principal (efls. 8366/8414) e da responsável solidária Joana D'arc Fernandes da Silva (efls. 8422/8523) em face do Acórdão n. 0273.290 7ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE (efls. 7425/7491), que julgou parcialmente procedente as impugnações de efls. 6873/6881 e efls. 7410/7413 (ambas do sujeito passivo principal), mantendo parcialmente o crédito tributário consignado no lançamento constituído em 18/08/2016 (ciência pessoal efl. 6369) mediante o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF Exercícios: 2012 (AC 2011); 2013 (AC 2012); 2014 (AC 2013); e 2015 (AC 2014) no montante de R$ 41.585.672,67 sendo R$ 14.576.208,85 de imposto (Cód. Receita 2904); R$ 5.014.998,40 de juros de mora calculados até 08/2016; e R$ 21.864.313,27 de multa proporcional calculada sobre o principal (efls. 6253/6276) com fulcro nas infrações caracterizadas por i) acréscimo patrimonial a descoberto; e ii) falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, conforme o discriminado no Termo de Verificação Fiscal (efls. 6277/6350), e improcedente a impugnação (efls. 7071/7137 e efls. 7306/7372) da responsável solidária Joana D'arc Fernandes da Silva. Em face do lançamento em apreço (efls. 6253/6276), o sujeito passivo e a responsável solidária Joana D'arc Fernandes da Silva apresentaram, em 19/09/2016 e 26/09/2016, respectivamente, as impugnações de efls. 6873/6881 e efls. 7410/7413 (ambas do sujeito passivo principal) e efls. 7071/7137 e efls. 7306/7372 (ambas da responsável solidária), julgadas parcialmente procedente e improcedente, respectivamente, nos termos do Fl. 8637DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.638 4 Acórdão n. 0273.290 (efls. 7425/7491), conforme entendimento sumarizado na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012, 2013, 2014, 2015 PRELIMINAR. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. As alegações de nulidade são improcedentes quando a autuação se efetivou dentro dos estritos limites legais e foi facultado ao sujeito passivo o exercício do contraditório e da ampla defesa. DECADÊNCIA. A regra contida no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional é excepcionada nos casos em que se comprovar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, passando a prevalecer o prazo previsto no inciso I do art. 173, em que o prazo decadencial se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a constituição do crédito tributário poderia ter sido efetuada. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. IMPUGNAÇÃO. ABRANGÊNCIA. Todos os arrolados como responsáveis solidários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos isentos, tributáveis, nãotributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. PERDA, EM FAVOR DA UNIÃO, DE VALORES AUFERIDOS PELO AGENTE COM A PRÁTICA DO FATO CRIMINOSO. CARACTERIZAÇÃO COMO PAGAMENTO DO TRIBUTO: IMPOSSIBILIDADE. A perda, em favor da União, de valor auferido pelo agente com a prática do fato criminoso é um efeito da condenação penal e não se confunde com a figura do pagamento do tributo. COLABORAÇÃO PREMIADA. DEVOLUÇÃO AO ERÁRIO DOS VALORES OBTIDOS LICITAMENTE. IMPOSTO ORIUNDO DE TAIS VALORES: ANISTIA: IMPOSSIBILIDADE. A legislação tributária não prevê a possibilidade de anistia para o imposto de renda decorrente de rendimentos ilícitos devolvidos ao erário. SONEGAÇÃO. FRAUDE, CONLUIO. A sonegação, em uma de suas vertentes, é toda ação ou omissão dolosa com o objetivo de impedir ou retardar o conhecimento do fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a Fl. 8638DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.639 5 excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. O conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando alcançar o efeito da sonegação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. HIPÓTESES DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. POSSIBILIDADE. A omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, comprovada a ocorrência de sonegação, fraude e conluio, hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, autoriza a qualificação da multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. CUMULATIVIDADE. FUNDAMENTOS DIVERSOS. BASE DE CÁLCULO DISTINTA. A incidência cumulativa de multa de ofício e de multa isolada é legítima, pois possuem fundamentação fática e jurídica diversas. No caso em discussão, as multas não incidiram sobre a mesma base de cálculo. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. CONTRIBUINTES DISTINTOS. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a compensação de tributos arrecadados por um contribuinte em favor de outro. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese o pedido de realização de diligência quando for considerada desnecessária ao deslinde da matéria litigiosa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A responsável solidária Taiana de Sousa Camargo não apresentou impugnação. O sujeito passivo principal foi cientificado do teor do Acórdão n. 0273.290 (efls. 7425/7491) em 04/07/2018 (efls. 7509) e a responsável solidária Joana D'arc Fernandes da Silva em 22/06/2017 (efls. 7497/7501 e 7510), interpuseram Recurso Voluntário (efls. 8366/8414 e efls. 8422/8523, respectivamente) nas datas de 03/08/2017 (efl. 8364) e em 24/07/2017 (efls. 8415/8416), esgrimindo, em linhas gerais, os seguintes argumentos: Sujeito passivo principal (Alberto Youssef): i) em sede preliminar: a) nulidade do Acórdão n. 02 73.290 (efls. 7425/7491) por ausência de demonstrativo da variação patrimonial com a devida fundamentação legal e por cerceamento de defesa (ausência de ciência dos elementos anexos que compõem o auto de infração; e b) decadência do lançamento; e ii) no mérito: a) ilegalidade do procedimento por ausência de análise de documentação juntada; b) insubsistências do auto de infração quanto à exclusão de ingresso oriundo de empréstimo bancário na planilha de variação patrimonial a descoberto; c) insubsistências do auto de infração quanto à exclusão de ingresso oriundo de rendimento isento (veículo adquirido com prêmio de seguro de vida); d) ilegalidade da proibição de compensação dos tributos pagos pela pessoa jurídica no lançamento efetuado em face de pessoa física; e) ocorrência da hipótese do art. 138 do CTN; f) ilegalidade da aplicação da multa qualificada por ausência de fundamentação minuciosa e não ocorrência de sonegação, fraude ou conluio tributários; g) ilegalidade da cobrança cumulativa de multa isolada com a multa de ofício; h) ilegalidade e ausência de fundamentação fática e probatória no lançamento de dispêndios para a apuração da variação patrimonial; i) insubsistência do auto de infração quanto à exclusão de ingressos oriundos de rendimentos e vendas de títulos Fl. 8639DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.640 6 mobiliários por meio de corretora de valores (Planner); e j) insubsistência do auto de infração quanto à exclusão de ingressos oriundos de empreiteiras, fornecedores e outras pessoas relacionadas. Por sua vez, a responsável solidária Joana D'arc Fernandes da Silva enfrenta o lançamento e a solidariedade que lhe foi imputada, aduzindo, i) em sede preliminar: a) nulidade do termo de ciência não constituição do crédito tributário decadência; b) nulidade do auto de infração e do termos de responsabilidade solidária passiva cerceamento de defesa; c) cerceamento de defesa indeferimento de diligência termo de constatação violação do dever de sigilo profissional e garantias fundamentais; d) violação ao princípio da capacidade contributiva; e) erro de identificação do sujeito passivo; f) cerceamento de defesa deficiente e equivocada descrição dos fatos do termo de responsabilidade ilegitimidade passiva; g) termo de solidariedade passiva sem auto de infração contra o devedor principal; e, ii) no mérito: a) não consideração dos mútuos; b) excesso de exação; c) ausência de correlação das provas e imputação de solidariedade presunção erro da sujeição passiva decisão dissociada dos fatos objeto da exigência fiscal; d) insubsistência do lançamento de ofício; e) impossibilidade do agravamento de multa sem a existência dos requisitos legais ausência de dolo devedor solidário; f) impossibilidade da cumulação da multa isolada; e g) confisco. A PGFN apresentou contrarrazões (efls. 8564/8630). É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo principal (efls. 8366/8414), bem assim pela responsável solidária Joana D'Arc Fernandes da Silva (efls. 8415/8416) são tempestivos e atendem aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores. Portanto, deles CONHEÇO. Recurso Voluntário de Alberto Youssef Das preliminares Em sede preliminar, o Recorrente protesta pela nulidade do Acórdão n. 02 73.290 (efls. 7425/7491) por ausência de demonstrativo da variação patrimonial com a devida fundamentação legal e por cerceamento de defesa (ausência de ciência dos elementos anexos que compõem o auto de infração), bem assim invoca o advento da decadência do lançamento em razão da conversão do julgamento em diligência (necessidade de desconsideração dos débitos tributários relativos ao AC 2011). Ausência de demonstrativo da variação patrimonial com a devida fundamentação legal Em apertada síntese, alega o Recorrente que o demonstrativo de variação patrimonial mensal que lastreou a autuação em lide não contempla fluxo de caixa confrontando origens e aplicações de recursos, impossibilitando, no seu entendimento, a tributação de acréscimos patrimoniais a descoberto ante a ausência de fundamento legal para a base de cálculo, nos termos do enunciado de Súmula CARF n. 67 e do art. 3°. da Lei n. 7.713/88. Fl. 8640DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.641 7 De observar que esta preliminar arguida pelo Recorrente decorre de diligência determinada pela instância de piso, mediante o Despacho 2.002.094 7ª Turma da DRJ/BHE (efls. 7253/7254), para que as autoridades lançadoras dessem ciência ao contribuinte e aos responsáveis tributários arrolados (Joana D’Arc Fernandes da Silva e Taiana Sousa Camargo) de todos os anexos (Anexos 01A até Anexo 44, com especial atenção para os Anexos incluídos nos Termos de Anexação de Arquivo NãoPaginável) que compuseram o presente processo administrativo fiscal, destacandose a planilha de Variação Patrimonial a Descoberto, desde que este ato processual ainda não tenha sido realizado, reabrindose o prazo de 30 (trinta) dias para apresentação da impugnação. Pois bem. Compulsando os autos, verificase que a planilha de variação patrimonial a descoberto (Arquivo NãoPaginável Anexo 42_planilha VPD DOC1_VPD11a14) discrimina nos AC 2011 a 2014, mês a mês, dispêndios/aplicações considerando como origem de recursos os rendimentos brutos tributáveis declarados pelo Recorrente, que foram constatados apenas nos AC 2011 e 2012. Por sua vez, o Termo de Verificação Fiscal (efls. 6277/6350) é bastante elucidativo quanto à metodologia empregada para elaboração da planilha de Variação Patrimonial a Descoberto em apreço, inclusive quanto aos valores considerados (e não considerados) como origens de recursos, verbis: [...] Feita a necessária contextualização do fiscalizado Alberto Youssef e de sua empresa patrimonial, a GFD Investimentos Ltda, passemos a identificar os fatos considerados como infrações tributárias relevantes para esta autuação. Este auto de infração referese apenas a fatos e infrações apurados nos AC 2011 a 2014, dispêndios cujo beneficiário foram considerados como sendo do fiscalizado Alberto Youssef e que redundaram em variação patrimonial a descoberto deste contribuinte. Importante frisar que esta fiscalização já havia autuado o fiscalizado, com ciência em 02/12/2015, por fatos semelhantes aos aqui narrados, por infrações apuradas nos AC 2009 e 2010, conforme se depreende da análise do PAF No. 10803.720060.2015.45 (IRPF AC 2009 e 2010 e Muldi – falta de recolhimento carnêleão), o qual já fora objeto de decisão administrativa da DRJ/BHE, à qual manteve a íntegra da autuação por unanimidade de votos (Anexo 44_Decisão DRJ, deste TVF). A grande maioria dos dispêndios que favoreceram YOUSSEF se deram de forma indireta, ou seja, por meio de sua empresa GFD. Passemos a pontuar cada elemento de variação patrimonial relevante. Importante frisar que serão consideradas, para o cálculo da VPD de Youssef anos 2011 a 2014, apenas as saídas de recursos da conta da GFD e de empresas interpostas já citadas, bem como dispêndios em espécie indicados nas planilhas de Rafael Angulo. Consideraremos que todo os valores recebidos pela GFD nos anos de 2009 e 2010, sejam originários das empresas do operador Julio G. A. Camargo (Treviso, Piemonte e Auguri), ou recursos originários de integralização de capital recebidos do exterior, foram devidamente consumidos nos próprios anos calendários de 2009 e 2010 e tributados no PAF No. 10803.720060.2015.45. A primeira parcela de integralização, ocorrida em 31/08/2010, no valor de R$ 644.540,00, foi praticamente toda consumida, antes mesmo de outros relevantes ingressos/origens, em repasses às empresas Pontual Empreendimentos (R$ Fl. 8641DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.642 8 214.973,62, em 01/09/2010) e Viagens Marsans Internacional (R$ 250.000,00, em 15/09/2010). Já a segunda parcela de integralização, ocorrida em 06/10/2010, no valor de R$ 2.446.556,42, foi praticamente toda consumida, antes mesmo de outros relevantes ingressos/origens, em repasses às empresas Pontual Empreendimentos (R$ 214.973,62, em 25/10/2010), Viagens Marsans Internacional (R$ 1.021.831,00, em 07/10/2010 e 08/10/2010), FAFER ADM E INCORP DE IMÓVEIS (R$ 300.000,00, em 13/10/2010), Piemonte Empreendimentos Ltda (R$ 500.000,00, em 07/10/2010) e CAPEMISA SEGURADORA DE VIDA E PREVIDÊNCIA (R$ 121.600,00, em 08/10/2010). Por fim, a terceira e última parcela de integralização, ocorrida em 23/11/2010, no valor de R$ 2.242.595,16, foi praticamente toda consumida, antes mesmo de outros relevantes ingressos/origens, em repasses às empresas Pontual Empreendimentos (R$ 79.947,24, em 25/10/2010), FAFER ADM E INCORP DE IMÓVEIS (R$ 300.000,00, em 26/11/2010), EXPANDIR (R$ 1.000.000,00, em 23/11/2010 e 30/11/2010) e UTC PARTICIPAÇÕES R$ 756.168,00, em 02/12/2010. [...] Na sequência, com ênfase às efls. 6.292/6335, o Termo de Verificação Fiscal discrimina, com riqueza de detalhes, os dispêndios/aplicações classificandoos quanto à natureza de cada um deles. Sobre o tema, a decisão recorrida elucida: [...] Os elementos de provas utilizados na fiscalização são provenientes da operação "Lava Jato" e foram compartilhados com a administração tributária por meio de decisão judicial, de primeiro grau de jurisdição, fls. 110 a 121 (Anexo 03), ou dos tribunais superiores, fls. 106 a 109 (Anexo 02); respostas produzidas pelo autuado, destacandose a oitiva pessoal, na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba/PR, em 23/07/15, convertidas no Termo de Declarações do Fiscalizado, fls. 583 a 612; além de informações produzidas por terceiros em atendimento às intimações fiscais. Descreve o modus operandi adotado pelo autuado e menciona que ele adquiriu bens móveis e imóveis para si e membros de seu convívio, registrandoos em nome de terceiros e, em especial, como de propriedade da pessoa jurídica GFD Investimentos (antiga DGF), sua longa manus, bem como para contas no exterior dos fundos e empresas que controlam oficialmente a GFD Investimentos (Devonshire Global Fund, Devonshire Investiment Manager LLC, Devonshire Latam Investiments I LLC). A partir das fls. 6.292 do Termo de Verificação Fiscal, as autoridades lançadoras passam a descrever vários eventos que compuseram a planilha "Demonstrativo de Variação Patrimonial Fluxo Financeiro Preliminar", integrante do denominado "Anexo 42_planilha VPD e extratos Termo de Anexação de Arquivo Não paginável". Os fatos, por seus títulos, são os adiante listados: Aquisições de bens e direitos (imóveis) 1.1. Dispêndios para aquisição de apartamento na Vila Nova Conceição, Condomínio Edifício Walk Vila Nova, Rua Afonso Braz, 747, ap. 111 bloco A, matrícula 193.249. [...] Fl. 8642DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.643 9 A partir das fls. 6.292 do Termo de Verificação Fiscal, as autoridades lançadoras passam a descrever vários eventos que compuseram a planilha "Demonstrativo de Variação Patrimonial Fluxo Financeiro Preliminar", integrante do denominado "Anexo 42_planilha VPD e extratos Termo de Anexação de Arquivo Não paginável". Os fatos, por seus títulos, são os adiante listados: Aquisições de bens e direitos (imóveis) 1.1. Dispêndios para aquisição de apartamento na Vila Nova Conceição, Condomínio Edifício Walk Vila Nova, Rua Afonso Braz, 747, ap. 111 bloco A, matrícula 193.249. O mencionado imóvel, residência do autuado e de sua exesposa, foi adquirido de Sergio Heumann, conforme informações contidas no Anexo 10. A aquisição se deu por meio de desembolsos significativos que foram realizados pela GFD Investimentos Ltda./Alberto Youssef. A liquidação do contrato de financiamento imobiliário ocorreu em 28/11/2014, com a quitação de um boleto de R$514.660,59, além do pagamento de custas de R$49.859,59 e ITBI de R$38.284,51. A quitação do boleto (R$514.660,59), atribuída à exesposa de Youssef, não foi admitida pela fiscalização, pois esta entendeu que a Sra. Joana não possuía recursos próprios para esse fim e que os empréstimos obtidos juntos às pessoas físicas Solange Maria Garcia Lopes, Wania Ruth Prata Tibery e Sheila Scaff Coelho se mostraram inverossímeis. Os fiscais mencionaram que a Sra. Joana não comprovou, por meio de documentação, que os rendimentos declarados de R$177.294,21 se referiam a prestação de serviços advocatícios, apesar de alegação nesse sentido. Quanto às operações de mútuo, as desqualificaram pelo fato de a Sra. Joana (i) não ter comprovado a origem dos empréstimos, sobretudo por não ter apresentado os cheques administrativos utilizados pelas mutuantes, tal como defendido no termo de resposta oferecido à fiscalização; (ii) ausência da devolução das quantias emprestadas até o encerramento do procedimento de fiscalização; (iii) inexistência de anotação na matrícula do imóvel da garantia oferecida às mutuantes, a qual se tratava dos direitos que a Sra. Joana detinha sobre o contrato de compra e venda; (iv) ausência do reconhecimento de firma do avalista, presumivelmente parente, nos contratos de mútuo. 1.2. Dispêndios para aquisição de imóvel (terreno de 4.800 m2 e galpão industrial), por intermédio de Sociedade em Conta de Participação junto com a UTC Participações Ltda. e UTC Desenvolvimento Imobiliário SA, na cidade de Lauro de Freitas/BA, por meio de pagamentos via GFD, cuja contratação ocorreu em benefício do Sr. Alberto Youssef. 1.3. Dispêndios diversos para aquisição do Hotel Jahú SA, por meio de pagamentos via GFD, cuja contratação ocorreu em benefício do Sr. Alberto Youssef, conforme se conclui das declarações prestadas pelo Sr. João Procópio Junqueira Pacheco de Almeida Prado. 1.4. Imóvel adquirido em nome de Taiana Sousa Camargo, CPF 668.111.71391. 1.5. Imóvel Web Hotel Príncipe da Enseada. 1.6. Seis unidades no Hotel Blue Tree Premium Londrina/PR (Escuna Flat). 1.7. Dispêndios de Youssef para aquisição de imóveis na cidade do Rio de Janeiro. Aquisições de bens e direitos (veículos) pelo fiscalizado Fl. 8643DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.644 10 1.7. (sic) Aquisição de veículo Land Rover Evoque Dynamic, blindado, plaza FZQ 1954, Renavam 218376, ano 2013, adquirido em 15/05/2013 pelo fiscalizado junto à empresa Autostar, para presentear o exdiretor de abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa. 1.8. Aquisição de veículo VW Tiguan 2.0 TSI, blindado, placa FLR4044, ano 2013, presente de Youssef para sua filha, a Srta. Surrailly Fernandes Youssef. 1.9. Aquisição de veículo Volvo XC60, blindado, placa BBB6244, ano 2011, registrado em nome de Pieruccini & Martins Advogados Associados. 1.10. Aquisição de veículo Porsche Cayene S, placa FLA8333, ano 2006, registrado em nome da empresa Conseq Consultoria e Representações Ltda., sendo o sócio gerente desta pessoa jurídica o também denunciado na Lavajato, o Sr. Enivaldo Quadrado, testadeferro e homem da estrita confiança do fiscalizado. 1.11. Aquisição de veículo Mercedes Benz CLS 500, placas BCT 0050, ano 2006, avaliado em R$125.780,00. 1.12. Aquisição de veículo VW Tiguan 2.0 TSI, blindado, placa ERU 6734, ano 2010, registrado em nome de Rebeca Pimentel Pinheiro Santana, filha de Olivia Maria Pimentel Santana, exsupervisora de novos negócios da Marsans Corporate, empresa do grupo de turismo adquirido por Youssef. Pagamentos diversos feitos pelo fiscalizado 2.1. Pagamentos feitos à empresa Esferatur Passagens e Turismo S/A. 2.2. Suprimentos de caixa na empresa Expandir Participações Ltda.. 2.3. Youssef, por meio da GFD, pagou cerca de R$10,5 milhões à Viagens Marsans Internacionais Ltda e Viagens Marsans Corporativo S/A para aquisição do controle do grupo Marsans. 2.4. Despesas com o colaborador Antonio Almeida Silva, o contador "Toninho", pagos por meio da empresa RCI Hardware e Software Ltda.. 2.5. Pagamentos de salários mensais ao colaborador Rafael Angulo Lopez, normalmente em espécie, mas também por meio das empresas AJPP e Arbor. 2.6. Despesas com serviços prestados pela empresa Frison Conveniente Serviços Automotivos Ltda. no veículo Porsche Cayene S, placa FLA8333, ano 2006. 2.7. Despesas préoperacionais, de locação e funcionamento da Mercearia Araçari Bar e Restaurante Ltda.. 2.8. Despesas de consultoria privada prestadas pelo Sr. Marcelo Vicentini Chamie à Mercearia Araçari Bar e Restaurante Ltda., pagas por Alberto Youssef por meio de depósito em dinheiro e transferências da empresas Arbor Consultoria e Assessoria Contábil Ltda. ME. 2.9. Despesas de Youssef, por meio da GFD, com a compra de ações, títulos e valores mobiliários intermediados pela corretora Planner. 2.10. Despesas com o colaborador Waldomiro de Oliveira, pagos por meio da Empreiteira Rigidez Ltda.. 2.11. Despesas com o colaborador Waldomiro de Oliveira, pagos por meio da RCI Hardware e Software Ltda.. 2.12. Despesas com o colaborador Waldomiro de Oliveira, pagos por meio da MO Consultoria e Laudos Estatísticos Ltda.. Fl. 8644DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.645 11 2.13. Despesas com o colaborador Antonio Almeida Silva, o "Toninho", pagos por meio da Empreiteira Rigidez Ltda.. 2.14. Despesas com o colaborador Antonio Almeida Silva, o "Toninho", pagos por meio da MO Consultoria e Laudos Estatísticos Ltda.. 2.15. Despesas com o colaborador Enivaldo Quadrado, pagos por meio da empresa Arbor Assessoria Contábil. 2.16. Despesas de Youssef com a colaboradora Meire Bonfim da Silva Pozza (contadora e operadora de Youssef), pagos por meio da Arbor Assessoria Contábil. 2.17. Despesas pagas por Youssef por meio da empresa Phisical Com. Imp. Exp. Ltda., junto às empresas L7M Motorsports Ltda. e British Cars do Brasil Ltda.. 2.18. Dispêndios incorridos pelo operador como forma de abastecer as contas bancárias da Expandir Participações S/A, CNPJ 09.372.578/000143, empresa do grupo Marsans, de propriedade de fato de Alberto Youssef. 2.19. Despesas de investimentos realizadas a mando e em benefício de Youssef para a empresa Malga Engenharia Ltda., CNPJ 17.343.014/000100, provenientes das empresas de Meire Pozza, AJPP e Arbor. 2.20. Despesas em espécie realizados por Alberto Youssef ("BBB") consigo ou com a Srta. Taiana Sousa Camargo, demonstradas por documentos entregues por Rafael Angulo Lopez. 2.21. Empresa "Controle e Monitoramento de Veículos Ltda.", CNPJ 06.134.915/000176. 2.22. Despesas com o colaborador João Procópio Junqueira Pacheco de Almeida Prado. No decorrer do ano de 2016, as Autoridades Tributárias e Aduaneiras da Receita Federal do Brasil intimaram o autuado a se pronunciar sobre uma série de dispêndios e aquisições de ativos que a ele foram imputados Termos de Intimação Fiscal TIF nºs 9, 10 e 11, de 16/02/16, 22/03/16 e 02/05/16, respectivamente sem que, entretanto, obtivessem qualquer tipo de resposta. Por ocasião da expedição dos TIFS nºs 12 e 13, em 24/05/16 e 06/07/16, respectivamente, dirigidos ao contribuinte e aos seus representantes legais, contendo a planilha de variação patrimonial a descoberto atribuída ao fiscalizado, foram gerados termos de resposta em 14/06/16 e 30/06/16, levando a fiscalização a se pronunciar, no Termo de Verificação Fiscal, fls. 6.338 a 6.340, sobre a tese encampada pelo interessado quanto à dificuldade em ter acesso aos documentos contábeis de suas empresas e sobre os carnêsleão indicados na intimação. Diante de todo o exposto, a fiscalização tornou sem efeitos tributários os atos praticados em nome da pessoa jurídica GFD Investimentos Ltda. e os considerou como sendo atos de responsabilidade do próprio contribuinte. Isto posto, não se vislumbra no caso em apreço a incidência do Enunciado de Súmula CARF n. 67, nem qualquer transgressão ao art. 3°. da Lei n. 7.713/88. Rejeito a preliminar. Cerceamento de defesa (ausência de ciência dos elementos anexos que compõem o auto de infração) O Recorrente aduz que não foram observados os requisitos mínimos necessários à validade do lançamento e destaca exatamente o Despacho2.002.094 7ª Turma Fl. 8645DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.646 12 da DRJ/BHE (efls. 7253/7254) que decidiu por converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal o cientificasse de todos os anexos integrantes deste processo administrativo fiscal. Ora, se foi exatamente esta providência da DRJ/BHE (Despacho2.002.094) que veio a suprir eventuais omissões da autoridade fiscal no sentido de conferir ao Recorrente pleno conhecimento de todos os documentos e anexos produzidos no curso da ação fiscal e que lastrearam as infrações que lhe foram imputadas, reabrindose, inclusive, o prazo de 30 (trinta) dias para apresentação de impugnação, como é possível que o Recorrente ainda venha arguir cerceamento de defesa? Bem ao contrário do que afirma, resta evidenciado, inclusive pela riqueza de detalhes dos argumentos apresentados, não apenas no Recurso Voluntário (efls. 8366/8414), bem assim em sede de impugnação junto à instância de piso, que o Recorrente tem pleno e completo conhecimento das infrações fiscais que lhe foram imputadas, bem assim de todos os documentos produzidos para o mister pela autoridade fiscal. Convenhamos, não há que se falar de cerceamento de defesa. Rejeito a preliminar. Decadência do lançamento em razão da conversão do julgamento em diligência (necessidade de desconsideração dos débitos tributários relativos ao AC 2011) O Recorrente reclama pelo advento de decadência do lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos no AC 2011, observandose a regra especial do art. 150, § 4°., do CTN, com fulcro no Despacho 2.002.094 7ª Turma da DRJ/BHE (efls. 7253/7254) que determinou que a autoridade lançadora o cientificasse de todos os anexos (Anexos 01A até Anexo 44, com especial atenção para os Anexos incluídos nos Termos de Anexação de Arquivo NãoPaginável) que compuseram o presente processo administrativo fiscal, destacandose a planilha de Variação Patrimonial a Descoberto nos seguintes termos, verbis: [...] Conforme demonstrado no item anterior, através do Despacho 2.002.094, fls. 7253, a 7ª Turma da DRJ/BHE decidiu por converter o julgamento em diligência para que as autoridades lançadoras dessem ciência ao contribuinte de todos os anexos que compunham o processo administrativo, reabrindo o prazo de 30 (trinta) dias para apresentação de impugnação. Ao reconhecer que não foi dada ao contribuinte a ciência de todos os anexos, a 7ª Turma buscou convalidar o lançamento defeituoso quando deveria ter reconhecido sua nulidade, eis que encontravase viciado em sua formação e a situação não se enquadrava em nenhuma das hipóteses do art. 1455, 1466 e 1497 do CTN. Dada a nulidade do lançamento, em sede de impugnação, pugnouse pelo reconhecimento do transcurso do prazo decadencial para os fatos geradores ocorridos no anoexercício 2011, o que foi afastado na decisão ante o entendimento de aplicabilidade da exceção contida no §4º do art. 150 do CTN, nos seguintes termos: [...] Ocorre, no entanto, que não houve qualquer comprovação de ocorrência de dolo, no âmbito tributário, por parte do Contribuinte. Pelo contrário. O que se observa é Fl. 8646DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.647 13 que o julgador tentou trazer o dolo criminal, esse sim flagrantemente existente, para o campo tributário e o aplicou para não se verem decaídos parte dos créditos. De se frisar que não há qualquer dolo tributário em ter o Contribuinte sido sócio oculto de pessoa jurídica e recebido por meio dela algumas receitas provenientes de ilícitos criminais, ainda mais quando estas “receitas” foram devidamente oferecidas à tributação. Tampouco há dolo em se constituir pessoa jurídica para desempenho de atividades profissionais ou administração de bens. De se frisar que não há qualquer dolo tributário em ter o Contribuinte sido sócio oculto de pessoa jurídica e recebido por meio dela algumas receitas provenientes de ilícitos criminais, ainda mais quando estas “receitas” foram devidamente oferecidas à tributação. Tampouco há dolo em se constituir pessoa jurídica para desempenho de atividades profissionais ou administração de bens. Há que se considerar, ainda, que diversos foram os pagamentos de tributos efetuados ao Fisco, como a administração pode saber verificando os registros das respectivas pessoas jurídicas. Não fosse suficiente, é certo a necessidade de existência de dolo específico para que ocorra delito contra a ordem tributária e, no caso em comento, não houve supressão ou redução de tributos que pudesse caracterizálo. Tanto que nas inúmeras sentenças condenatórias proferidas pelo MM. Juiz Dr. Sérgio Moro, juntadas pela autoridade ao PAF para tentar justificar a ocorrência de dolo, não há qualquer condenação por crimes previstos pela lei n. 8.137/1990. [...] Inexistindo dolo, fraude ou simulação, temse que a regra para a contagem do prazo decadencial é a contida no art. 150, §4º do CTN, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador: [...] Assim sendo, considerando a nulidade do auto de infração lavrado em 11/08/2016 e a inexistência de dolo por parte do Contribuinte, fazse necessário reconhecer a decadência do direito da Fazenda de lançar os débitos tributários referentes ao anobase 2011. [...] É cediço que o fato gerador do IRPF é complexivo ou periódico, vez que compreende a disponibilidade econômica ou jurídica adquirida pelo contribuinte em determinado ciclo que se inicia no dia primeiro de janeiro e se finda no dia 31 de dezembro de cada anocalendário. Na espécie, o lançamento em lide foi constituído em 18/08/2016, mediante ciência pessoal (efl. 6369) e referese a fatos geradores ocorridos nos AC 2011 a 2014. De fato, eventuais pagamentos efetuados pelo Recorrente a título de IRPF como por exemplo, carnêleão, imposto retido na fonte e imposto complementar constituem se antecipações do imposto devido na declaração de ajuste anual, e, assim, atrairiam a regra especial do art. 150, § 4°., do CTN, desde, claro, que restem comprovados recolhimentos e inexistente fraude, dolo ou simulação. Fl. 8647DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.648 14 No caso concreto, a autoridade lançadora caracteriza, de forma inequívoca, a materialidade da conduta do Recorrente, subsumindoa ao disposto nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964 (sonegação, fraude e conluio), inclusive para fins da qualificação da multa no percentual de 150%, como se verá detalhadamente no tópico pertinente, o que, por si só, comprova a ocorrência das exceções previstas no art. 150, § 4°.,, in fine, do CTN (fraude, dolo ou simulação), tornando despicienda a averiguação de eventuais recolhimentos antecipados. Nessa perspectiva, afastada a regra especial, verificase que o quinquênio decadencial em relação ao AC mais antigo, no caso 2011, iniciouse no primeiro dia seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso concreto, 1°. de janeiro de 2013. Assim, o prazo decadencial para a Fazenda Nacional proceder ao lançamento de IRPF referente ao AC 2011 exauriuse exatamente em 31 de dezembro de 2017, observandose a regra geral do art. 173, I, do CTN, aplicável ao tributo em apreço. Considerandose que o lançamento em apreço aperfeiçoouse em 18/08/2016, não há que se falar de decadência em face dos fatos geradores ocorridos no AC 2011. Apenas por amor ao debate, é relevante destacar que o Despacho2.002.094 7ª Turma da DRJ/BHE (efls. 7253/7254) não buscou convalidar o lançamento, como sugere o Recorrente, mas tãosomente garantir o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa do Recorrente neste processo administrativo fiscal, na medida em que lhe propiciou, sem qualquer restrição, o acesso a todos os anexos produzidos no curso da ação fiscal, desde que este ato processual ainda não tivesse sido realizado, oportunidade em que, inclusive, reabriu prazo de 30 (trinta) dias para impugnação em face de tais documentos. É dizer, a providência da instância de piso visou unicamente a afastar qualquer prejuízo à defesa do Recorrente. Ademais, a impugnação tempestiva iniciou o contencioso administrativo, havendo a conversão do julgamento em diligência mera etapa daquele. Rejeito a preliminar. Do mérito No mérito, o Recorrente enfrenta o lançamento em lide nos seguintes pontos: a) ilegalidade do procedimento por ausência de análise de documentação juntada; b) insubsistências do auto de infração quanto à exclusão de ingresso oriundo de empréstimo bancário na planilha de variação patrimonial a descoberto; c) insubsistências do auto de infração quanto à exclusão de ingresso oriundo de rendimento isento (veículo adquirido com prêmio de seguro de vida); d) ilegalidade da proibição de compensação dos tributos pagos pela pessoa jurídica no lançamento efetuado em face de pessoa física; e) ocorrência da hipótese do art. 138 do CTN; f) ilegalidade da aplicação da multa qualificada por ausência de fundamentação minuciosa e não ocorrência de sonegação, fraude ou conluio tributários; g) ilegalidade da cobrança cumulativa de multa isolada com a multa de ofício; h) ilegalidade e ausência de fundamentação fática e probatória no lançamento de dispêndios para a apuração da variação patrimonial; i) insubsistência do auto de infração quanto à exclusão de ingressos oriundos de rendimentos e vendas de títulos mobiliários por meio de corretora de valores (Planner); e j) insubsistência do auto de infração quanto à exclusão de ingressos oriundos de empreiteiras, fornecedores e outras pessoas relacionadas. Pois bem. Fl. 8648DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.649 15 Ausência de análise de documentação juntada Quanto à alegação de ausência de análise de documentação juntada aos autos é de se ressaltar que a decisão de piso enfrentou todos os argumentos trazidos pela Recorrente na peça impugnatória (efls. 6873/6881 e efls. 7410/7413). E mesmo que não o fizesse, não estaria obrigada a fazêlo, vez que o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. Na verdade, o julgador tem o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. É nesse sentido, ao tratar da fundamentação das decisões judiciais com fulcro no art. 489, § 1°., do CPC/2015, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), verbis: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC/2015, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585)." Na sequência de sua irresignação, o Recorrente insurgese contra as exclusões na planilha de variação patrimonial a descoberto (VPD) dos ingressos oriundos de empréstimo bancário; rendimento isento (veículo adquirido com prêmio de seguro de vida); rendimentos e vendas de títulos mobiliários por meio de corretora de valores (Planner); e empreiteiras, fornecedores e outras pessoas relacionadas, nos seguintes termos: Ingressos oriundos de empréstimos bancários O TVF incluiu no item 2 – Pagamentos Diversos Feitos pelo Fiscalizado (p. 6.310), o subitem 2.3 – Youssef, por meio da GFD pagou cerca de R$ 10.267.889,54 à Viagens Marsans Internacionais Ltda. e Viagens Marsans Corporativo S/A para aquisição do controle do grupo Marsans (fls. 6.3136.315), sendo que o contribuinte teria sido “intimado e não contestou a causa e a titularidade destes dispêndios” (fl. 6.315). O acórdão recorrido, às fls. 7.466/7.468 manteve o referido dispêndio na planilha de variação de VPD, sob o fundamento de que a impugnação não teria anexado “o contrato que deu origem ao suposto empréstimo” (fl. 7.466) ou que “o empréstimo concedido foi objeto de quitação ou que a garantia oferecida tenha sido exercida para satisfazer a pretensão econômica do credor” (fl. 7.468). Primeiramente, cumpre chamar atenção que o próprio acórdão recorrido reconhece que o relatório de análise não buscou averiguar a procedência de tais recursos, presumindo de forma arbitrária e excessiva, que todos os dispêndios comprovados mediante dados bancários deveriam ser objeto de tributação. Nesse viés, se reconheceu que “o ponto inicial é que o mencionado relatório de análise atevese apenas ao exame dos dados bancários da GFD Investimentos Ltda., sem perscrutar a procedência e a natureza do depósito efetuado na conta corrente da pessoa jurídica. Transcrevo a delimitação do trabalho realizado pela equipe técnica (...)” (fl. 7.466). Fl. 8649DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.650 16 Portanto, resta evidenciada a atuação arbitrária das referidas autoridades fiscais ao realizar, a despeito dos amplos poderes investigadores que lhe são outorgados, do amplo acesso que tiveram de toda documentação envolvida nos inúmeros processos e procedimentos da Operação Lava Jato, a tributação do recorrente tão somente com base nos dados bancários da pessoa jurídica, sem averiguação do cabimento de tributação de rendimentos no caso concreto, em violação ao ordenamento jurídico pátrio, ao estabelecer que a base de cálculo do imposto é o montante dos proventos tributáveis (art. 43 e 44 do CTN) e a competência privativa da autoridade administrativa para verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação e determinação da matéria tributável (art. 142 do CTN). Na sequência, se verifica que o acórdão recorrido se valeu de presunção amparada em fato totalmente distinto e não relacionado ao fato gerador em cotejo, proveniente de depoimento de Carlos Alberto Pereira da Costa na Ação Penal nº 502569917.2014.404.7000/PR, no sentido de que o Banco Merril Lynch, de Nova York, teria realizado empréstimo indevido para integralizar ao capital social da GFD Investimentos. Assim, jamais esse trecho de depoimento de fls. 635 e 636 poderia ser utilizado para justificar ou de alguma forma excluir, a priori, empréstimos bancários não tributáveis, obtidos a partir de instituição bancária diversa (Banco Safra), com outro valor (R$ 10.460.000,00) em data distinta (05/04/2012). Desse modo, a inclusão e manutenção da tributação com base nesse fundamento constitui juízo arbitrário dos fatos. Não fosse apenas isso, a informação sobre a origem e natureza desses proventos, como decorrente de empréstimo bancário do Banco Safra, obtido em 05/04/2012, no valor de R$ 10.460.000,00, já eram de posse da administração fiscal no documento obtido a partir da Cooperação Técnica 002PF001125 e Cooperação Técnica 001MPF00104088, constando os dados bancários extraídos da conta 422 Banco Safra/Agência 25/Conta 175606, sob a descrição EMPRÉSTIMO LIBERADO, no valor de R$ 10.460.000,00: É dizer, não há dúvidas que tal transferência decorreu a partir de empréstimo bancário não caracterizado como acréscimo patrimonial, comprovado a partir de extratos bancários do seu recebimento devidamente obtidos pela Receita Federal, conforme entendimento deste CARF. Não há qualquer justificativa ou razoabilidade, portanto, para simplesmente ignorar a obtenção de empréstimo bancário e sua utilização para as transferências tributadas! Assim, se havia alguma dúvida em relação à origem e ao recebimento desse dispêndio, equivocadamente classificado como variação patrimonial, caberia à administração fiscal, dentro do uso de seus poderes, e com base na Cooperação Técnica 002PF001125 e Cooperação Técnica 001MPF00104088, e fundamento normativo do art. 37 da Lei 9.784/1999, se valer de documentação hábil e inidônea desconstitutiva dos dados bancários documentados no processo. Fl. 8650DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.651 17 Também se mostra totalmente improcedente a alegação do TVF de que o recorrente teria sido “intimado e não contestou a causa e a titularidade destes dispêndios” (fl. 6.315). Nesse sentido, o Termo de Declarações de fls. 606, prestado em 23/07/2015, o complemento a impugnação feita pelo recorrente de fl. 74107413 e a impugnação da Sra. Joana às fls. 7.353/7.354 ratificaram a informação que a inclusão de tal provento como acréscimo patrimonial considerando a transferência de R$ 10.267.889,54 à Viagens Marsans Internacionais Ltda. e Viagens Marsans Corporativo S/A em 05/04/2012 decorreu de empréstimo bancário obtido junto ao Banco Safra, ocorrida na mesma data de 05/04/2012. Em nenhum momento dos autos, o Recorrente recebeu intimação específica para comprovar, mediante documentação, a coincidência destas datas e valores, constituindo flagrante nulidade do lançamento: [...] De todo modo, a despeito disso, o Recorrente vem anexar a documentação obtida em 01/08/2017, mediante acesso obtido nos autos de Embargos de Terceiros 500908937.2015.4.04.700, o qual, no entender da autoridade julgadora (já que a autoridade fiscalizadora, mesmo conhecendo, entendeu ser irrelevante qualquer prova de origem), seria apta a corrigir o lançamento tributário, conforme argumentação de fl. 7.468. O mesmo vale para os recursos provenientes de operação de crédito contraído pela ARBOR Consultoria e assessoria contábil junto ao Banco Máxima, cuja prova encontrase juntado no PAF ás fl. 68166821, que sustentou um conjunto de dispêndios lançados na apuração da planilha VPD (especialmente, o item 13.18). Nesse sentido, em se tratando de transferências bancárias oriundas de empréstimo bancário de origem comprovada, tais rendimentos devem ser excluídos da base de cálculo da variação patrimonial tributável, conforme diversos precedentes sobre a matéria: [...] Ante o exposto, requerse, em sede recursal, a inclusão, no cálculo da VPD, das origens decorrentes de empréstimos bancários conforme alegações acima e prova presente nos autos do PAF. Este ponto foi objeto das impugnações do sujeito passivo (efls. 6873/6881 e 7410/7413) e enfrentado pela decisão a quo, conforme segue: Pagamento de 10,5 milhões efetuado a Marsans A Sra. Joana D'Arc Fernandes, em outro ponto de sua defesa, argumenta que nem todos os recursos que ingressaram na GFD Investimentos foram ilícitos, destacando o empréstimo de R$10.460.000,00, em 05/04/2012, creditado em conta corrente no Banco Safra e, no mesmo dia, objeto de transferência para a pessoa jurídica Viagens Marsans Internacional na importância de R$10.267.889,55, o que não poderia ser objeto de tributação. É verdade que os fiscais consideraram como "aplicação/dispêndios", em 04/2012, na planilha de Variação Patrimonial a Descoberto, o montante de R$10.267.889,54, referente ao item "13.3 Suprimentos de caixa na empresa Viagens Marsans, por meio de recursos que Alberto Youssef mantinha na empresa GFD". Por outro lado, o mencionado empréstimo não foi considerado pelas autoridades lançadoras como "recursos/origens" na planilha de Variação Patrimonial a Fl. 8651DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.652 18 Descoberto. Ao agir desse modo, entendo que atuaram corretamente, consoante argumentos a seguir arrolados, ainda que o Relatório de Análise nº 041/2014, produzido pela Secretaria de Pesquisa e Análise SPEA/PGR, fls. 366, assim tenha se manifestado: Nesse passo, examinando o quadro anterior, convém registrar o empréstimo que foi obtido pela GFD Investimentos no valor de R$ 10.460.000,00 na data de 5/4/2012. Após o recebimento do referido empréstimo, conforme dados extraídos da conta 422 Banco Safra / agência 25 / Conta 175606, vêse que, no mesmo dia (5/4/2012), foi transferido à pessoa jurídica VIAGENS MARSANS INTERNACIONAIS (CNPJ 42.184.317/000175) o importe total de R$ 10.267.889,55. O ponto inicial é que o mencionado relatório de análise atevese apenas ao exame dos dados bancários da GFD Investimentos Ltda., sem perscrutar a procedência e a natureza do depósito efetuado na conta corrente da pessoa jurídica. Transcrevo a delimitação do trabalho realizado pela equipe técnica de apoio à força tarefa da Lava Jato, fls. 363: ANÁLISE A análise da GFD investimentos teve por base os dados bancários deferidos conforme Evento 3, do Processo 5007992, para o período de 1/1/2009 a 31/12/2013, transmitidos pelas instituições financeiras por meio da Cooperação Técnica 002 PF001125 e compartilhado com o Ministério Público Federal por meio da Cooperação Técnica 001MPF00104088. O segundo ponto é que não acompanhou a impugnação o contrato que deu origem ao suposto empréstimo, de forma a identificar as cláusulas relativas aos juros exigidos, a forma de pagamento e a garantia oferecida pelo mutuário. A exigência discriminada no ponto nº 2 é primordial, principalmente porque o autuado já havia se utilizado de artifício bancário, em oportunidade anterior, para trazer ao Brasil recursos que possuía no exterior, não declarados às instituições brasileiras de controle. O depoimento prestado por Carlos Alberto Pereira da Costa na Ação Penal nº 502569917.2014.404.7000/PR é elucidativo, fls. 635 a 636, com destaque especial para o trecho em que é citado o Banco Merrill Lynch: [...] Juiz Federal: Certo. Senhor Carlos, o senhor pode me esclarecer o seu histórico com o senhor Alberto Youssef, então? Interrogado: Sim senhor. Eu conheci o senhor Alberto através do senhor José Janene, quando trabalhava na CSA, como advogado. Em dois mil e ... final de 2008, quando a CSA já tava encerrando as atividades, seu Alberto Youssef me contratou pra abrir ... tentar constituir uma empresa pra fazer uma proteção patrimonial. Ele me disse que havia recursos dele fora do país, e aí foi criada então a GFD que era uma empresa que foi constituída com duas empresas estrangeiras. Juiz Federal: Quais seriam essas empresas estrangeiras? Interrogado: Devonshire, Devonshire que é o GFD Global Fund Devonshire e Latam Investment Management. Juiz Federal: E essas empresas eram do senhor Alberto Youssef? Fl. 8652DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.653 19 Interrogado: Essas empresas elas estão no meu nome, mas são de propriedade dele, né, ele me pediu que eu... Juiz Federal: São Offshores, então? Interrogado: São, são Offshores. Eu sou o beneficiário final dessas empresas. Juiz Federal: Eram constituídas aonde essas duas Offshores? Interrogado: Em Delaware, Estados Unidos. Juiz Federal: E elas enviaram dinheiro pro Brasil como investimento? Interrogado: Foi, foi feito investimento inicial, a princípio o que ele me disse é que iria trazer em torno de dez milhões de reais. Foram feitos, então, abertura de conta no banco Merrill Lynch de Nova York, foi depositado por ele numa conta caução no banco, em torno de três milhões de dólares, três milhões e meio, e o banco Merrill Lynch abriu uma linha de crédito então pra GFD no Brasil. Juiz Federal: Sei. Interrogado: Então o dinheiro que entrou foi caucionado com esse recurso que era dele, através de um empréstimo no Banco Central para integralização do capital social da GFD. Juiz Federal: Mas o dinheiro de fato era dele mesmo? Interrogado: Era dele, isso foi o que ele me disse, sempre me disse. Juiz Federal: Mas o porquê do empréstimo então? Interrogado: Porque o banco Merrill Lynch, até por uma questão de evitar algum tipo de lavagem de dinheiro, esse tipo de utilização, eles não aceitavam uma conta de passagem, ou seja, ele depositar esse dinheiro na conta e eles mandarem pra cá, então isso foi uma estratégia sugerida pelo gerente da conta na época, lá em Nova York, senhor Júlio Laje, que se abríssemos duas contas, abrisse uma conta onde ficaria caucionado um recurso e uma segunda conta onde seria aberto uma linha de crédito pra GFD no Brasil, aonde seriam valores iguais, né. Juiz Federal: Certo, então esse dinheiro veio daí? Interrogado: Veio, veio através ... Juiz Federal: Dez milhões, isso? Interrogado: Não, inicialmente foi proposto dez milhões, tanto é que o capital social da GFD no contrato é dez milhões de reais, mas só ingressaram sete milhões e meio, sete milhões aproximadamente através de quatro operações, através do BACENJUD, aliás, do BACEN. Juiz Federal: Do BACEN. Interrogado: E foram essas quatro que integralizaram sete milhões, sete milhões e pouco, capital social da GFD. (...) Fl. 8653DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.654 20 Em terceiro lugar, não se demonstrou, por meio de provas hábeis e idôneas, que o empréstimo concedido foi objeto de quitação ou que a garantia oferecida tenha sido exercida para satisfazer a pretensão econômica do credor. Veja que a fiscalização já havia inquirido o contribuinte acerca do suposto empréstimo em 23/07/2015, por ocasião do Termo de Declarações prestado na carceragem da Polícia Federal em Curitiba/PR, fls. 606, sendo inimaginável que no período de quatorze meses 23/07/2015 a 26/09/2016, data da apresentação da impugnação não tenha sido possível providenciar os documentos comprobatórios relacionados com a operação em discussão. É importante frisar que o período de 14 (quatorze) meses se estendeu com a apresentação da impugnação em 27/03/2017. 21. Explicar sobre o mútuo supostamente havido entre o Banco Safra e a GFD no valor de mais de R$ 10 milhões? O mútuo foi efetivado? Ele foi quitado? Quais bens a GFD ofereceu em garantia? A.Y.: Na verdade foi a dívida na aquisição da Marsans. Houve repactuação da dívida e iniciaram o pagamento em 60 vezes de 180 mil por mês (hotel em Porto Seguro oferecido em garantia). Assim, a mera alegação, desprovida de prova idônea, é inábil a corrigir o lançamento tributário. Operações de mútuo. Pagamento de registro e ITBI de imóvel. Outro item combatido pela Sra. Joana D'Arc Fernandes se relaciona com a pretensão da regularidade das operações de mútuo realizadas com as pessoas físicas Solange Maria Perim Garcia Lopes, Wania Ruth Prata Tibery e Sheila Scaff Coelho, no total de R$500.000,00, de forma a se defender, na planilha de variação patrimonial a descoberto, do "dispêndio/aplicação" considerado pelos fiscais, em 11/2014, no valor de R$602.804,69, quanto à aquisição do apartamento na Vila Nova Conceição, Condomínio Edifício Walk Vila Nova, Rua Afonso Braz, 747, ap 111 bloco A, matrícula 193.249. A fim de relembrar, a importância de R$602.804,69 é resultado da soma das parcelas de R$514.660,59, R$49.859,59 e R$38.284,51, e corresponde, respectivamente, à quitação de boleto bancário, custas e ITBI, consoante fls. 6.293 do Termo de Verificação Fiscal. As autoridades lançadoras não aceitaram a tese de que a quitação do boleto bancário de R$514.660,59 tivesse sido realizado pela Sra. Joana Fernandes da Silva, sob o fundamento de que os empréstimos não foram comprovados, tecendo considerações sobre (i) as transferências dos valores emprestados, (ii) a devolução das quantias emprestadas, (iii) a garantia dos empréstimos e (iv) a ausência de rendimentos percebidos por ela. A responsável solidária fez acompanhar sua defesa, neste tópico, pelos documentos de fls. 7.143 a 7.156. Com a impugnação apresentada em 27/03/2017, juntou nos autos o cheque bancário emitido por Sheila Scaff Coelho, no valor de R$250.000,00, fls. 7.384, além dos documentos anteriormente apresentados, fls. 7.379 a 7.393. Constato, porém, que deve ser mantido o item de "dispêndio/aplicação" da variação patrimonial a descoberto, pois a Sra. Joana D'Arc Fernandes limitouse a demonstrar apenas um dos aspectos que embasou a fundamentação do fisco. A Sra. Joana D'Arc Fernandes da Silva comprovou a transferência dos valores emprestados por meio da apresentação dos cheques provenientes de Solange Maria Fl. 8654DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.655 21 Perim Garcia Lopes (R$100.000,00, fls. 7.145) e Wania Ruth Prata Tibery (R$150.000,00, fls. 7.149), ambos do Banco Bradesco, agência 2648/Prime Londrina, e emitidos em 24/11/2014 (segundafeira), sacados, vide autenticação bancária neles apostos, gerados os cheques administrativos de fls. 7.146 e 7.148, emitidos em 24/11/2014 (segundafeira), para serem depositados na conta de poupança da Sra. Joana D'Arc, no Banco Bradesco, agência 0560/Londrina Centro, em 27/11/2014 (quintafeira), vide fls. 7.144 (fls. 688), 7.147(fls. 687) e 7.151. O cheque proveniente de Sheila Scaff Coelho (R$250.000,00, fls. 7.384), Banco Santander, agência Londrina, emitido em 20/11/2014, foi sacado em 27/11/2014, vide autenticação bancária nele reproduzida. No verso do cheque constam os dados da agência 3189 e conta 010005324. Na mesma data, foi realizado um depósito em dinheiro na conta 010005324, agência 3189, da responsável solidária, no Banco Santander, no valor de R$251.000,00, fls. 7.385. Ainda em 27/11/2014, foi realizado um TED do Banco Santander para o Banco Bradesco, no valor de R$263.900,00, em benefício de Joana D'Arc Fernandes da Silva, fls. 7.385. A operação descrita neste parágrafo pode ser visualizada no extrato de conta de fls. 7.387 e 7.389. Em 28/11/2014, ocorreu o saque de R$514.660,59 a fim de o boleto bancário, fls. 7.151 c/c fls. 7.156. Quanto ao aspecto da devolução das quantias emprestadas, informa que a dívida ainda não foi quitada e que realizou apenas o pagamento de juros no ano calendário 2.015, sem, contudo, trazer provas nesse sentido. Também não comprovou que as mutuantes concordaram com a postergação do empréstimo e com o pagamento apenas dos juros da obrigação. Nos contratos de mútuo (fls. 674, 679 e 684), a cláusula 4ª e seu parágrafo primeiro disciplinavam que o pagamento do valor principal e dos juros deveria ocorrer no prazo de 180 (cento e oitenta) dias a contar da assinatura do presente contrato, podendo ser renovado por igual período com a concordância expressa das partes. No que concerne à garantia dos empréstimos, argumentou que o avalista dos contratos é seu irmão, com patrimônio suficiente a honrar os mútuos contraídos, sem que, contudo, trouxesse elementos a comprovar tal assertiva. Os próprios contratos de mútuo excepcionavam a garantia do avalista, condicionando o seu exercício após a insuficiência da garantia prestada pela mutuária o próprio imóvel objeto dos contratos de mútuo. Veja que a garantia prestada pela responsável solidária não foi objeto de anotação junto à matrícula do imóvel, destoando do que se verifica rotineiramente nas operações de empréstimo que envolvem valores significativos. A Sra. Joana D'Arc Fernandes também se esquivou de comprovar o recebimento de rendimentos tributáveis provenientes de pessoas físicas no anobase 2014, apresentando apenas dois informes de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício proveniente das pessoas jurídicas Ijiat Agência de Viagens e Turismo Ltda. (R$9.000,00) e Agropecuária Prata Tibery Ltda. (R$10.000,00), fls. 7.190 a 7.191. Diante do contexto, entendo que o dispêndio/aplicação de R$514.660,59 deve ser mantido na planilha de variação patrimonial a descoberto. A responsável solidária também se irresigna quanto ao valor de custas e ITBI apontados pela fiscalização para a transferência do imóvel em discussão nesse tópico, razão pela qual juntou nos autos o documento de fls. 7.392, onde apontou que o valor pago a título de emolumentos alcançou a importância de R$9.254,11. Na Declaração de Ajuste Anual apresentada pela Sra. Joana D'Arc Fernandes, exercício 2015, anocalendário 2014, a ficha denominada "Bens e Direitos" indicou Fl. 8655DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.656 22 a aquisição de um apartamento na Rua Afonso Braz, 747, apto. 111A, Bloco Soho, Edifício Walk Vila Nova Conceição, São Paulo, em 28/11/2014, com pagamento do saldo do financiamento junto ao Banco Santander Brasil S/A, R$514.660,59, mais R$48.859,59 (custas de escritura e registro), e ITBI de R$38.284,51. O dispêndio/aplicação utilizado pelas autoridades lançadoras na planilha de variação patrimonial a descoberto a título de pagamento de ITBI deve ser mantido, pois a responsável solidária não trouxe documento algum em oposição ao discriminado em sua declaração de ajuste anual. Também sou a favor da manutenção do dispêndio/aplicação quanto aos gastos com escritura e registro, no valor de R$48.859,59, pois a prova de fls. 7.392 não discrimina que o pagamento se refere ao imóvel em discussão nesse tópico. Considerandose que o Recorrente não aduz novas razões de defesa perante a segunda instância, confirmo e adoto a decisão recorrida, com fulcro no art. 57, § 3°., do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n. 343, de 09 de junho de 2015. Ingresso oriundo de rendimento isento (veículo adquirido com prêmio de seguro de vida) No item 1, ao listar as aquisições de bens e direitos, o TVF, às fls. 6305, indica a compra do veículo VW Tiguan 2.0 TSI, blindado, placa FLR4044, ano 2013, que seria um presente do Contribuinte à sua filha Surrailly Fernandes Youssef. A decisão recorrida manteve o dispêndio na planilha de variação patrimonial, às fls. 7466, sob a fundamentação de que não houve comprovação da aquisição do veículo com recursos advindos de prêmio de seguro de vida pago a Alberto Youssef. Ocorre, no entanto, que, em sede de impugnação, às fls. 7395, a Sra. Joana D’Arc juntou aos autos fotocópia do cheque emitido pela Seguradora na data 13/11/2013 nominal à Alberto Youssef. Também em novembro/2013, precisamente no dia 30, conforme informação do MPF às fls. 1298, o veículo em comento foi adquirido em nome de Surrailly Fernandes Youssef. A afirmação constante no acórdão recorrido, de que não houve comprovação da compensação do cheque do prêmio de seguro de vida, demonstra que a fiscalização não buscou a verdade real dos fatos, sendo certo que poderiam têlo feito vez que possuem ampla capacidade de investigação. De se dizer, ainda, que a decisão recorrida reconhece expressamente, às fls. 7430, que o relatório de análise não averiguou a procedência dos recursos, considerando, para cálculo da variação patrimonial descoberta, apenas as saídas de recursos da conta da GFD Investimentos, demais empresas citadas e dispêndios em espécies. Notase, tanto no tocante a este item, como em todo PAF, a atuação arbitrária da fiscalização que, mesmo detentora de completa capacidade investigativa, atevese a tributar apenas os dispêndios, ignorando por absoluto todas as receitas, como se estas não existissem. Com efeito, a receita isenta de R$ 631.810,22 obtida pelo requerente no ano calendário 2013 com o comprovado pagamento da indenização de seguro de vida Fl. 8656DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.657 23 (cujo cheque está juntado ao PAF), lançada na DIRPF 2014/2013 (folha 5347 do PAF), foi simplesmente desconsiderada pela fiscalização na apuração da VPD. Fosse legal o lançamento, ele deveria ser revisto para subtrair da base de cálculo este rendimento recebido em 2013. No caso, este mesmo recurso foi utilizado para adquirir o veículo VW Tiguam 2.0 FLR 4044 que foi doado á sua filha em 2013. Veja que a planilha indica que a fiscalização imputa ao requerente o dispêndio de R$ 139.900,00 relativo a aquisição do veículo (item 3.8) e R$ 140.000,00 de doação realizada a sua filha (item 4.2.1). Ora, o valor de R$ 140.000,00 doado a sua filha foi utilizado na aquisição do veículo, cobrandose duplicadamente do mesmo fato econômico. Fosse legal o lançamento, ele deveria ser revisto para subtrair da base de cálculo algum dos dois dispêndios duplicadamente considerados. Ante o exposto, necessária se faz a exclusão do dispêndio constituído na aquisição do veículo VW Tiguan 2.0 TSI, blindado, placa FLR4044, ano 2013, vez considerado em duplicidade, e a inclusão da origem decorrente do recebimento de seguro de vida. O questionamento acima foi objeto das impugnações do sujeito passivo (efls. 6873/6881 e 7410/7413) e assim enfrentado pela decisão recorrida: A responsável solidária de fato, Joana D'Arc Fernandes, alega que o veículo discriminado no item 1.8, VW Tiguan 2.0 TSI, foi adquirido com recursos provenientes do seguro pago a Alberto Youssef por ele ter sido vítima de infarto. Na defesa apresentada em 27/03/2017, a Sra. Joana D'Arc juntou nos autos a cópia do cheque administrativo emitido pela Prudential do Brasil Seguros de Vida, em 13/11/2013, nominalmente a Alberto Youssef, fls. 7.395. O cheque apresentado não veio acompanhado de elemento a demonstrar sua compensação bancária e depósito em conta corrente do autuado e, muito menos, há qualquer elemento que o vincule à aquisição do veículo VW Tiguan. Na denúncia formulada pelo Ministério Público Federal em face de Alberto Youssef e outros ficou demonstrado que o bem foi adquirido em novembro de 2013, com sinal de negócio de R$139,9 mil e financiamento bancário da diferença, vide fls. 1.298 a 1.299. Veja a transcrição do email trocado entre Youssef e o funcionário da concessionária de veículos: “Boa tarde everson estou te enviando os dados para faturar o veiculo Surrailly fernandes youssef cpf 08403290918 rg 86765128 end rua afonso braz 747 apt 111A vila nova conceicao. Aguardo a conta para o sinal abraco” anexo 122. “vou financiar isso no bradesco pela empresa vou te passar um tel. Do ceo da empresa liga para ele que vai tomar todas as providências com Vc para faturar ainda hoje mais tardar segunda cedo 11 989972110 Mário lúcio abs”. anexo 122. Assim, em razão da ausência de prova de que o cheque foi compensado, depositado na conta corrente do autuado e utilizado na aquisição do veículo, não é possível admitir que o automóvel foi adquirido com recursos provenientes de seguro de vida. Com base nos mesmos fundamentos ausência de compensação do cheque e prova do seu depósito na conta corrente do autuado não é possível considerar o Fl. 8657DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.658 24 recebimento da indenização como rendimentos isentos a compor o saldo de origem/recursos da planilha de variação patrimonial a descoberto. A Sra. Joana D'Arc Fernandes alega que Alberto Youssef doou a sua filha Surrailly Fernandes Youssef a importância de R$140.000,00 e que este valor foi utilizado na aquisição do veículo VW Tiguan, o que impediria a fiscalização de considerar tal situação como elemento a propiciar dois dispêndios na planilha de variação patrimonial a descoberto, sob pena de bitributação, a saber: (i) aquisição do veículo VW Tiguan em nome da filha, em 11/2013, no valor de R$139.900,00 (item 3.8); (ii) empréstimos e doações concedidos à filha, em 01/2014, no valor de R$140.000,00 (item 4.2). Na declaração de ajuste anual de Alberto Youssef, exercício 2015, anobase 2014, fls. 5.354, consta na ficha denominada "Doações Efetuadas" que foi pago a Surrailly Fernandes Youssef o valor de R$140.000,00. A informação contida na declaração de ajuste anual do contribuinte é tratada pelo Manual de Perguntas e Respostas do IRPF do exercício de 2015 como doações em dinheiro: DOAÇÕES EM DINHEIRO DOADOR 437 Como o doador deve declarar as doações efetuadas em dinheiro, quando utilizar o Programa IRPF 2015? O doador deve declarar na Ficha de Doações Efetuadas o nome, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) do beneficiário, o valor doado e o código 80 (Doações em espécie). A doação em dinheiro, por se tratar de uma saída de recursos do patrimônio do autuado, deve ser considerada como dispêndio/aplicação na planilha de variação patrimonial a descoberto. Na defesa apresentada pelos autuados não há prova de que o dinheiro repassado a Surrailly Fernandes Youssef tenha sido utilizado na aquisição do veículo VW Tiguan. Como fora demonstrado neste subtópico, o sinal de negócio para a aquisição do mencionado automóvel foi dado por Alberto Youssef, conforme email trocado entre este e o funcionário da concessionária de veículos. Se o contribuinte tivesse a intenção de informar a doação de bens móveis ou imóveis, deveria proceder da seguinte maneira, tal como preconizado pelo Manual de \Perguntas e Respostas do IRPF do exercício de 2015: DOAÇÕES RECEBIDAS EM BENS MÓVEIS E IMÓVEIS 435 — Como declarar as doações recebidas em bens móveis e imóveis? Aquele que recebe as doações deve declarálas da seguinte forma: 1 Relacionar no campo “Discriminação” da Declaração de Bens e Direitos as doações recebidas, com a indicação do nome e do número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) do doador. 2 Informar no campo “Situação em 31/12/2014 (R$)” o valor do bem ou direito recebido, conforme estabelecido pelo instrumento de doação. 3 Informar o valor correspondente à doação na ficha Rendimentos Isentos e Não tributáveis. Fl. 8658DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.659 25 Atenção: O doador deve proceder da seguinte forma: informar no item relativo ao bem doado, no campo “Discriminação” da Declaração de Bens e Direitos, o nome e o número de inscrição no CPF de quem recebeu a doação; deixar em branco o campo “Situação em 31/12/2014 (R$)” e ainda na ficha “Doações Efetuadas”, sob o código 81. Consulte as perguntas 571. Isto posto, entendo que a planilha de variação patrimonial a descoberto deve contemplar como dispêndio/aplicação as duas situações, ou seja, (i) a doação em dinheiro, (ii) a aquisição do veículo VW Tiguan. Considerandose que o Recorrente não aduz novas razões de defesa perante a segunda instância, confirmo e adoto a decisão recorrida, com fulcro no art. 57, § 3°., do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n. 343, de 09 de junho de 2015. Ingressos oriundos de rendimentos e vendas de títulos mobiliários por meio de corretora de valores (Planner) Remetese aos argumentos veiculados nos itens III.A e IV.B, supra. No caso específico, não obstante existam provas no PAF juntadas pela própria autoridade fiscalizadora, de que as relações entre a corretora Planner e a GFD Investimentos incluíram a remessa pela GFD de recursos para aquisição de títulos mobiliários e a remessas da Planner para a GFD para liquidação de vendas de títulos ou pagamento de rendimentos obtidos na aplicação (no caso, de tributação exclusiva na fonte), o lançamento considerou apenas as “saídas” no cálculo do VPD (ver item 13.9 da planilha VPD). Devem ser incluídos no cálculo da VPD como “origens” as receitas recebidas da Planner, comprovadas as folhas 2283, 2284 e 2507 do PAF (notas de corretagem de venda de títulos e extrato da conta da GFD na Planner). A decisão a quo abordou esse questionamento, quando da apreciação das impugnações do sujeito passivo (efls. 6873/6881 e 7410/7413), nos seguintes termos: Venda das ações pela GFD Investimentos. Na impugnação apresentada em 27/03/2017, o autuado entende que a fiscalização deveria ter considerado os recursos obtidos com a venda das ações pela GFD Investimentos Ltda. como "recursos/origens" na planilha de variação patrimonial a descoberto. Na mencionada planilha, o item 13.9 trata dos gastos com a compra de ações. As despesas se encontram reproduzidas no quadro a seguir: Fl. 8659DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.660 26 O Termo de Verificação Fiscal, fls. 6.319/6.320, informa que a resposta apresentada pela Planner Corretora de Valores S/A se encontra presente no Anexo 21B, fls. 2.276/2.347. Na resposta elaborada por Planner Corretora de Valores S/A, fls. 2.281/2.285, extraímos os seguintes trechos referentes à pessoa jurídica GFD Investimentos: (...) Assim, adentrando ao mérito da presente manifestação, informamos que a GFD efetuou transferências eletrônicas de recursos à PLANNER, exclusivamente, para honrar seus compromissos financeiros oriundos da compra de títulos e valores mobiliários na sua conta de cliente nº 343854, no montante total de R$ 3.788.626,72 (três milhões, setecentos e oitenta e oito mil, seiscentos e vinte e seis reais e setenta e dois centavos), sendo necessário, ainda, retificar a monta de valores constantes do item 1 do quadro do TDPFF, que encontrase somada equivocamente no valor de R$4.700.000,00 (quatro milhões e setecentos mil reais). Visando comprovar as operações citadas acima, juntamos a presente manifestação, extrato de conta corrente do cliente no período em questão (doc.III), bem como, as respectivas notas de corretagem que seguem abaixo discriminadas. Oportuno também esclarecer que no em citado período, a PLANNER efetuou à GFD transferências eletrônicas de recursos em sua na conta corrente cadastrada, na monta de R$3.883.256,09 (três milhões, oitocentos e oitenta e dois mil, duzentos e cinquenta e seis reais e nove centavos), que também seguem discriminadas no quadro abaixo, oriundas de venda de títulos e valores mobiliários identificadas nas respectivas notas de corretagem: (...) Na resposta apresentada pela corretora de valores, as notas de corretagem foram anexadas às fls. 2.310/2.347, sendo que se referem tanto à compra como à venda de ativos [(Nºs das notas ano 2011: 59.673, 60.071, 60.497, 64.475, 64.118, 65.107, 67.875, 68.260, 72.542, 73.022, 73.407, 73.731, 74.404, 74.712, 75.068, 75.409, 76.507, 77.471, 81.808, 83.718); Nºs das notas ano 2012: 3.786, 4.606, 61.094, 61.275, 17.886, 32.936, 37.188, 38.283, 30.468, 38.603, 40.845)]. As autoridades lançadoras, ao discorrerem especificamente sobre as despesas do contribuinte, por meio da GFD Investimentos Ltda., com a compra de ações, títulos e valores mobiliários, com a intermediação da corretora de valores Planner (item 2.9 do TVF), fls. 6.319/6.320, não informaram o porquê de terem sido selecionadas apenas parcela das notas de corretagem a fim de compor a planilha de variação patrimonial a descoberto. Por outro lado, às fls. 6.291 do TVF, os agentes do fisco assim se manifestaram: Importante frisar que serão consideradas, para o cálculo da VPD de Youssef anos 2011 a 2014, apenas as saídas de recursos da conta da GFD e de empresas interpostas já citadas, bem como dispêndios em espécie indicados nas planilhas de Rafael Angulo. Consideraremos que todo os valores recebidos pela GFD nos anos de 2009 e 2010, sejam originários das empresas do operador Julio G. A.Camargo (Treviso, Piemonte e Auguri), ou recursos originários de integralização de capital recebidos do Fl. 8660DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.661 27 exterior, foram devidamente consumidos nos próprios anos calendários de 2009 e 2010 e tributados no PAF No. 10803.720060.2015.45. Com base na exposição contida nesse subtópico, encontrase o motivo relevante que conduziu as autoridades lançadoras a não considerarem como origem de recursos na planilha de VPD os recursos recebidos pela GFD Investimentos Ltda. nos anos base 2009 e 2010, sem, que, contudo, tenham sido explicitadas as razões pelo não acolhimento dos recursos obtidos nos anoscalendário subsequentes. Assim, entendo que cabe considerar no demonstrativo de variação patrimonial do interessado os recursos que ele obteve, por meio da GFD Investimentos Ltda., com a venda dos ativos. Com base no quadro produzido pela Planner Corretora de Valores S/A em resposta à intimação do fisco, fls. 2.283/2.284, a compra e a venda de ativos alcançou os valores listados no quadro denominado "Compra e Venda de Ativos pela GFD Investimentos", atentandose para o fato de que os valores mensais são a soma das importâncias indicadas diariamente: O exame do último quadro implica a alteração da planilha de variação patrimonial a descoberto elaborada pelo fisco (origem e aplicação de recursos) para o cômputo das origens e aplicações decorrentes das operações de compra e venda de ações. A alteração da variação patrimonial a descoberto repercutirá no cálculo do imposto de renda devido, elemento a ser apurado em tópico próprio, espaço para o qual deverão se dirigir os autuados. Considerandose que a decisão recorrida, ao considerar no demonstrativo de variação patrimonial do Recorrente os recursos que ele obteve, por meio da GFD Investimentos Ltda., com a venda dos ativos, atendeu plenamente a este pleito específico, não se vislumbrando assim interesse recursal quanto à matéria ora questionada, vez que sua apreciação não lhe tem mais utilidade, pois não há possibilidade de obtenção de uma situação mais vantajosa, sob o aspecto prático. Ingressos oriundos de empreiteiras, fornecedores e outras pessoas relacionadas O Recorrente ao enfrentar o lançamento em litígio neste tópico, remetese aos argumentos apresentados nos itens III.A e IV.B, verbis: Fl. 8661DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.662 28 Remetese aos argumentos veiculados nos itens III.A e IV.B, supra.. No caso, o lançamento não incluiu, como deveria fazer, no cálculo da VPD, as “origens”, em grande parte submetidas a tributação pela GFD, decorrentes de pagamentos efetuados por empreiteiras, fornecedores e outras pessoas vinculadas, indicadas nos lançamentos a crédito na conta da GFD na planilha do Anexo_10_Extrato GFD produzida pela fiscalização. A apreciação dessa alegação do Recorrente já foi devidamente abordada quando da análise da preliminar entitulada ausência de demonstrativo da variação patrimonial com a devida fundamentação legal, bem assim da questão de mérito relativa à ausência de análise de documentação juntada. Assim, entendo suficiente as considerações já feitas. Considerandose que o Recorrente não aduz novas razões de defesa perante a segunda instância, confirmo e adoto a decisão recorrida, com fulcro no art. 57, § 3°., do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n. 343, de 09 de junho de 2015. Proibição de compensação dos tributos pagos pela pessoa jurídica no lançamento efetuado em face de pessoa física No tocante à compensação dos tributos pagos pela pessoa jurídica no lançamento efetuado em face de pessoa física, que o Recorrente suscita na peça recursal, impõese esclarecer que tal procedimento não encontra amparo na legislação tributária, vez que se tratam de contribuintes distintos, sujeitos a distintas regras de tributação (pessoa jurídica x pessoa física), observandose ainda que, no caso da pessoa jurídica, os tributos pagos já repercutiram na apuração do resultado contábil/fiscal daquela nos respectivos anoscalendário, sendo assim incomunicáveis com a pessoa física. Caso a pessoa jurídica GFD Investimentos entenda que efetuou pagamento de tributos a maior ou de forma indevida, pode pleitear restituição e/ou compensação mediante a aplicação PER/DCOMP disponível no sítio da RFB. Ocorrência da hipótese do art. 138 do CTN O Recorrente reclama pela ocorrência da hipótese do art. 138 do CTN, tendo em vista que houve pagamento e exclusão da penalidade e/ou ilegalidade da cobrança em razão da expropriação dos valores e bens em favor da União, bem assim há vedação ao confisco: O art. 107 e 108 do CTN determinam que a analogia, a equidade e os princípios gerais do direito devem ser utilizados na interpretação e integração da legislação tributária. Sob esta luz, a análise dos fatos trazidos pelo auto de infração impugnado demonstram ter havido, na prática e efetivamente, a hipótese prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional. De fato, as provas conduzem para a confissão espontânea do fato gerador e para o pagamento integral do tributo devido, o que, consequentemente, exclui a penalidade eventualmente incidente em vista do atraso. Com efeito, do que consta do PAF que originou o Auto de Infração combatido, grande parte dos elementos probatórios que sustentam a cobrança fiscal foram trazidos espontaneamente pelo próprio contribuinte, que também, espontaneamente, entregou à União a totalidade dos bens adquiridos (neles, incluído, o percentual que corresponderia a incidência tributária). Ou seja, o contribuinte, na prática, confessou espontaneamente a infração tributária e realizou o pagamento integral do Fl. 8662DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.663 29 tributo devido, configurandose a hipótese do art. 138 do CTN. No máximo, podese dizer que não houve a obediência a alguma formalidade (por exemplo, no lugar de entregar os bens à União pelo depósito em conta vinculada ao juízo, realizar o pagamento do respectivo DARF) que, contudo, não estiveram ao alcance do contribuinte pelas circunstâncias em que foi realizada a confissão/denúncia. Formalidades são formalidades, não alteram a realidade dos fatos ocorridos. O próprio lançamento passou por cima das formalidades (desconsiderou pessoas jurídicas etc) para buscar alcançar a verdade real dos fatos tributários. Assim, deve ser anulado o auto de infração pela ocorrência da ipótese prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional. A disponibilização da totalidade dos recursos à União ocorreu antes de existir qualquer condenação penal, como parte de um acordo de colaboração que antecedeu, inclusive, a própria propositura das várias ações penais em face do recorrente. Ou seja, não há o mínimo espaço na realidade para se afirmar que a entrega dos recursos à União é consequência e efeito da “condenação penal”, pois não é possível que um ato seja consequência ou efeito de um outro ato ou fato que ainda nem havia ocorrido no momento em que foi praticado. Simples assim. Por outro lado, a própria União entende que os bens entregues pelo recorrente no âmbito de seu acordo de colaboração premiada deveriam ser utilizados para o pagamento de tributos do recorrente, como plasmado na petição de tutela provisória de urgência cautelar incidental manejada nos autos n. 5022438 44.2014.4.04.700, cuja cópia se anexa, demonstrando que os valores entregues, do ponto de vista da Fazenda Nacional, deveriam ter sido revertidos em favor dela (FN), confirmando a ocorrência da hipótese do art. 138 do CTN. Sucessivamente, no “Termo de Colaboração Premiada” do Contribuinte está prevista a entrega e expropriação da totalidade dos bens obtidos com as práticas confessadas, que foram efetivamente entregues/expropriados, bens cuja aquisição foi considerada como causa jurídica para a incidência tributária no presente lançamento. Contudo, é vedado no ordenamento jurídico brasileiro o emprego do tributo com efeito de confisco (art. 150, IV, CF). Assim, se o valor do tributo for além da totalidade do próprio produto do crime, estaria se revelando verdadeiro confisco. O contribuinte entende que é precisamente o que ocorre neste caso, já que já foram revertidos em benefício da União a totalidade dos bens que foram produto de seus crimes. O argumento do recorrente encontra apoio em parte da doutrina. Luís Eduardo Shoueri (Direito Tributário, 2 Ed. São Paulo: Saraiva, 2012) ensina que: [...] Essa matéria foi enfrentada na decisão recorrida nos seguintes termos: A expropriação dos valores angariados pelo contribuinte em prol da União, em razão da prática de diversos ilícitos criminais, não pode, de forma alguma, ser considerada como pagamento de tributo, mas, sim, como um efeito da condenação penal, que se caracteriza pela perda, em favor da União, de todos os bens, direitos e valores relacionados, direta ou indiretamente, à prática dos crimes previstos na Lei de Lavagem de Dinheiro ( Lei nº 9.613, de 3 de março de 1998). [...] A exigência do imposto corresponde a uma parcela dos rendimentos omitidos, apurada pela aplicação da alíquota nominal de 27,5% que, consideradas as deduções permitidas em lei, reduzse a uma alíquota efetiva inferior, o que descaracteriza o argumento de que o tributo é superior ao valor expropriado. A Fl. 8663DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.664 30 sistemática aqui descrita está demonstrada no demonstrativo de apuração do IRPF, fls. 15 a 20. O fato gerador do imposto de renda surgiu no momento em que o contribuinte percebeu a renda, ainda que proveniente de recursos ilícitos, tal como indicado no demonstrativo de variação patrimonial a descoberto, subsumindose à hipótese de incidência prevista no art. 43 do Código Tributário Nacional. [...] A tributação levou em consideração o acréscimo patrimonial do autuado no momento da ocorrência do fato gerador que, por sinal, é anterior ao instante da expropriação dos valores angariados pelo contribuinte em prol da União. A legislação tributária não prevê a possibilidade de que se anistie os investigados que decidiram colaborar com a Justiça e que devolveram ao erário os recursos obtidos ilicitamente. Quanto à tese de que a prática discutida neste tópico configura confisco, relembro que os órgãos de julgamento em sede administrativotributária estão proibidos de afastar a norma jurídica sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto nº 70.235/72, art. 26A, na redação dada pela Lei nº 11.941/09). (grifei) Desse modo, rejeito a tese encampada pelo sujeito passivo. Pois bem. O art. 138 do CTN informa: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Nessa perspectiva, não se vislumbra no caso concreto, pelas razões já apresentadas pela instância de piso, acima destacadas, bem assim pelo conjunto probatório acostado aos autos, a ocorrência de denúncia espontânea a atrair a incidência do art. 138 do CTN. Outrossim, não há que se falar de confisco, vez que as multas foram aplicadas em percentuais estabelecidos na legislação tributária em vigor, observandose ainda que foge ao escopo do julgador administrativo pronunciarse quanto a eventual inconstitucionalidade de leis, a teor o Enunciado de Súmula CARF n. 2. Aplicação da multa qualificada por ausência de fundamentação minuciosa e não ocorrência de sonegação, fraude ou conluio tributários O Recorrente também se insurge contra a imposição da multa qualificada (150%) aplicada no lançamento em tela. Assim se pronuncia: O recorrente vem requerer a anulação da cobrança da multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) de ofício discriminada nas fls. 12/13 dos autos, tendo como fundamento normativo o art. 44, §1º da Lei nº 9.430/1996. Fl. 8664DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.665 31 De início, cumpre atentar que a equipe de auditores fiscais lavraram Termo de Verificação Fiscal, no qual com base em fundamentação de apenas DUAS PÁGINAS E MEIA (fls. 6.341 6.343) pretende a aplicação de multa de 150% num valor que totaliza R$ 21.864.313,27 genericamente aplicada para mais de 43 fatos geradores entre os anos de 2011 e 2014. Notese a incidência da multa qualificada necessitaria da demonstração do propósito deliberado de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Entretanto, em nenhum ponto, o TVF se debruça sobre a comprovação de recolhimentos de tributos da empresa GFD Investimentos sobre seus rendimentos, decidindose por aplicálos novamente sobre uma das pessoas físicas beneficiadas, em relação aos mesmos rendimentos já tributados anteriormente. Também não há uma subsunção mínima dos arts. 71, 72 e 73 ao caso concreto, quanto mais uma fundamentação minuciosa sobre os fatos geradores. Percebese, na realidade, que o TVF, pela notoriedade do contribuinte, valeuse de seu nome para exasperar juízos genéricos e abstratos, chegando até a se valer do argumento de que o recorrente acumularia “várias condenações criminais na investigação Lavajato (dentre elas a de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, etc (vide Anexos 39 e 44_A a E, deste TVF), além de condenações no escândalo do caso Banestado” (fl. 6.342). Não há, tampouco, discriminação ou menção de qual hipótese do art. 44, §1º se está fundamentando a aplicação de multa qualificada de ofício, o que constitui nulidade absoluta deste ponto, tendo em vista o concreto prejuízo ao exercício da ampla defesa, em ofensa aos arts. 20, caput, inc. VII, VIII e IX da Lei n° 9.784/1999: [...] A fundamentação utilizada no TVF é genérica e a todo momento confunde a responsabilização criminal decorrentes de negócios ilícitos não especificados com a responsabilização e o dolo tributários voltados a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Jamais poderia ser realizada uma aplicação automática do dolo criminal afetos a tipos distintos com o dolo tributário, quanto mais o dolo específico. Neste aspecto, a análise de todas as sentenças criminais juntadas ao PAF demonstra que o recorrente não foi condenado em nenhuma delas por qualquer crime previsto na Lei n. 8.137/1990. Isso de modo algum implica dizer que o contribuinte (como sócio formal ou oculto) não possa ser responsabilizado criminalmente se bens e investimentos são fruto de crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. E, isso também não implica inferir que o contribuinte não possa ser responsabilizado perante a administração fiscal para recolhimento de tributos devidos ou complementares, de pessoa jurídica do qual seja sócio formal ou oculto. O que não se pode confundir é a responsabilização penal com a responsabilização tributária e o dever de justificação minuciosa para aplicação da multa qualificada de ofício. Não por outra razão, este CARF, em inúmeros julgados, entendeu pela nulidade da aplicação de multa qualificada sem demonstração minuciosamente justificada, sendo necessária a efetiva motivação de forma inequívoca do evidente do intuito doloso específico: [...] No caso em tela, considerando que o TVF: (i) não fez qualquer discriminação de qual hipótese do art. 44, §1º se está fundamentando a aplicação de multa qualificada de ofício, em prejuízo à ampla defesa do recorrente; (ii) não há uma subsunção dos arts. 71, 72 e 73 ao caso concreto; Fl. 8665DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.666 32 (iii) efetuou aplicação de multa de 150% num valor que totaliza R$ 21.864.313,27 genericamente aplicada para mais de 43 fatos geradores entre os anos de 2011 e 2014, em apenas duas páginas e meia, desprovidas de fundamentação minuciosa justificadora; (iv) se vale de fundamentação genérica e a todo momento confunde a responsabilização criminal decorrentes de negócios ilícitos não especificados com a responsabilização e o dolo tributários voltados a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, requerse seja declarada a ilegalidade da aplicação da multa de ofício qualificada prevista do art. 44, §1º da Lei nº 9.430/1996. A decisão recorrida consolida, a partir das evidências colacionadas no Termo de Verificação Fiscal (efls. 6277/6350), a conduta do Recorrente: A discussão da imposição da multa qualificada exige, a priori, o exame das condutas praticadas pelo autuado em relação à omissão de rendimentos tributáveis, apurada pela sistemática da variação patrimonial a descoberto. E as autoridades lançadoras, em várias passagens do Termo de Verificação Fiscal, as descreveram, as quais deram azo à constituição do crédito tributário. Pincemos alguns trechos: Em breve síntese, Youssef recebia recursos ("propinas") de empreiteiras beneficiárias, pela fraude do cartel, em contratos gigantescos com a estatal. Para receber estes recursos, Youssef e as empreiteiras simulavam a prestação de serviços tendo como prestadoras empresas de fachada controladas pelo operador Alberto Youssef, mas em nome de laranjas (fls. 6.278). O fato é que Youssef, desenvolvendo sua atividade como operador, enriqueceu e adquiriu bens móveis, imóveis, investimentos em participações hoteleiras, em empresas comerciais de vários ramos, para si e membros de seu convívio próximo. Todos estes ativos figuraram em nome de terceiros, destacandose a empresa GFD Investimentos Ltda, sua empresa patrimonial, que por sua vez estava formalmente em nome de sócios estrangeiros controlados de fato por Youssef (fls. 6.282). Parte substancial das comissões que recebeu de valores desviados da Lavajato foi canalizada para as contas bancárias de sua empresa patrimonial no Brasil, a GFD Investimentos Ltda. (antiga DGF), bem como para as contas no exterior dos fundos e empresas que controlam oficialmente a GFD (Grupo Devonshire). Suspeitase que estas contas no exterior também receberam recursos ilícitos que Youssef guardava no exterior, oriundos de atividades ilícitas cometidas no passado. (fls. 6.283) [...] Youssef passou a se escamotear por meio de inúmeras interpostas pessoas, a fim de se evadir do Fisco e da Justiça. Conhecedor de técnicas sofisticadas de blindagem patrimonial, controlador de inúmeras contas bancárias offshore, próspero na obtenção de interpostas pessoas, Youssef movimentou e adquiriu bens em volumes gigantescos durante anos a fio sem que ninguém percebesse. O segredo para isto: em nenhuma operação poderia constar o seu nome, nem mesmo como procurador. (fls. 6.284) Fl. 8666DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.667 33 Além da GFD, sua empresa patrimonial, outras operações financeiras por ele ordenadas eram feitas por meio de empresas offshore ou diluídas em várias interpostas. Youssef ordenou a movimentação bancária de mais de R$ 250 milhões em recursos ilícitos, por meio de contas bancárias abertas no Brasil em nome de empresas interpostas como a MO CONSULTORIA COMERCIAL E LAUDOS ESTATÍSTICOS LTDA, RCI HARDWARE E SOFTWARE LTDA, EMPREITEIRA RIGIDEZ LTDA, GREECE COM. IMP. EXP. LTDA, PHISICAL COM. IMP. EXP. LTDA, entre outras). Também utilizou empresas de contabilidade de Meire B. S. Pozza, sua contadora, para receber e repassar milhões de reais em recursos ilícitos por meio da AJPP SERVICOS ADMINISTRATIVOS e a ARBOR CONSULTORIA E ASSESSORIA CONTABIL. (fls. 6.284) Tais empresas eram disponibilizadas a Youssef e operacionalizadas por uma trupe de colaboradores regiamente remunerados, destacandose as figuras de Antonio Almeida Silva (o contador "Toninho") e Waldomiro de Oliveira (vulgo, "Bom Velhinho" ou "Pescador"), de tal sorte que Youssef nunca precisou ir sequer a uma agência bancária ou à JUCESP para abrir ou movimentar contas pessoalmente, ou requerer atos cadastrais nas mesmas. Todas estas questões menores eram resolvidas pela trupe de colaboradores, que enriqueceu com esta atividade também. Falaremos destes colaboradores mais adiante, detalhando o que fizeram e quanto ganharam.(fls. 6.284). A descrição das condutas está baseada na farta documentação que constitui o presente processo, destacandose os seguintes elementos probatórios: a) Termo de declarações de Meire Bonfim da Silva Poza, fls. 371 a 389; b) Termo de transcrição do interrogatório de Paulo Roberto Costa, colhido na Ação Penal nº 5026212 82.2014.404.7000, fls. 490 a 515; c) Termo de transcrição do interrogatório de Alberto Youssef, colhido na Ação Penal nº 502621282.2014.404.7000, fls. 517 a 544; d) Termo de Colaboração Premiada do autuado, com a participação de defesa técnica, homologado pelo STF, onde está sendo processado pela prática de crimes contra o sistema financeiro, crimes de corrupção, crimes de peculato, crimes de lavagem de dinheiro e de organização criminosa, dentre outros, fls. 562 a 581; e) Termo de Declarações do autuado prestado às autoridades lançadoras, fls. 583 a 612; f) Termo de declarações complementar nº 10 de Alberto Youssef, fls. 630 a 633; g) Termo de Transcrição de Depoimento de Carlos Alberto Pereira da Costa, fls. 635 a 661; h) Termo de declarações de João Procópio Junqueira Pacheco de Almeida Prado, fls. 1.333 a 1.336; i) Termo de Resposta de Rafael Angulo Lopez, fls. 2.676 a 2.680. Amparandose nos mencionados termos e nos outros elementos que compõem o processo, verifico que a descrição dos fatos utilizada pela autoridade lançadora na constituição do crédito tributário apenas atevese às passagens lá descritas. Da narrativa até aqui exposta, entendo que o contribuinte movimentou e se beneficiou de recursos em divisas estrangeiras no exterior, à revelia do Sistema Financeiro nacional; atuou em conluio com terceiras pessoas para ocultar patrimônio pessoal; emitiu notas fiscais fraudulentas, em nome da GFD Investimentos Ltda., para viabilizar o recebimento das propinas a ele devidas em razão de sua atuação pessoal nos esquemas de desvio de dinheiro de estatais; valeu se de empresas interpostas (MO Consultoria Comercial e Laudos Estatísticos Ltda., Fl. 8667DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.668 34 RCI Hardware e Software Ltda., etc.) para movimentar recursos ilícitos no sistema financeiro nacional, sempre com o objetivo de ocultar sua participação pessoal nas atividades delituosas; adquiriu imóveis e veículos em nome de terceiros, além de várias outras condutas contrárias à lei, com o intuito doloso, único e exclusivo, de impedir o conhecimento por parte do fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, representada pela disponibilidade econômica dos respectivos rendimentos tributáveis, bem como se esquivar da execução fiscal que corre contra ele em relação a créditos tributários constituídos no passado. O autuado confirmou, e terceiras pessoas a ele vinculadas corroboraram, que os recursos que amealhou, indevidamente, com a realização de condutas à margem da lei não poderiam indicar seus dados pessoais, de forma a se esquivar da cobrança de tributos promovida pela Receita Federal do Brasil. Veja a passagem do seu termo de declarações às autoridades lançadoras: Fls. 584 1. O Sr. era o real beneficiário (proprietário) da GFD? Em que data o Sr. adquiriu a GFD ou passou a usála? A.Y.: Ele declara só não ter assinado como procurador ou proprietário da GFD pois tinha uma discussão com a RFB em juízo (...) No termo de transcrição do interrogatório colhido na Ação Penal nº 5026212 82.2014.404.7000, o próprio interessado confirma ao Juiz Federal Sérgio Moro que recebia parcela dos desvios ilícitos provenientes dos contratos firmados entre diversas empreiteiras e a Petrobrás S/A, valendose da conta de diversas empresas para não se apresentar como o verdadeiro beneficiário. Fls. 521 Juiz Federal: Que contas que o senhor utilizou pra receber esses depósitos dessas empresas? Foi mencionado a MO, a GFD, mais alguma? Interrogado: Não, teve mais algumas. Teve algumas empresas que foi usada do senhor Leonardo Meireles. E teve algumas empresas lá fora, quando o recebimento era fora, que era usado de terceiras pessoas, no caso da operadora Nelma Penasso e do próprio Leonardo Meireles. E também de Carlos Rocha, que me indicava conta de clientes que precisavam de dinheiro lá fora e eu precisava desses reais aqui. Juiz Federal: Qual que era o percentual de ganho em cima do contrato que era repassado? Interrogado: Vossa Excelência fala do contrato...? Juiz Federal: Das empresas com a Petrobrás. Interrogado: 1%. Juiz Federal: 1% ia pro PP, já foi mencionado? Interrogado: Sim. Juiz Federal: E o senhor que cuidava da distribuição desses valores? Interrogado: Sim, senhor. Fl. 8668DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.669 35 Juiz Federal: O senhor tinha um ganho próprio? Interrogado: Eu também tinha o meu ganho. Juiz Federal: Quanto que o senhor? Interrogado: Em média de 5%. Juiz Federal: Quanto? Interrogado: 5 %, em média Desse modo, no lançamento fiscal em discussão, não se verifica mera inadimplência de tributo, mas, sim, a prática de várias condutas queridas e desejadas com o intuito deliberado de violar a lei tributária e com pleno conhecimento de sua ilicitude – dolo , de forma a impedir o conhecimento pela administração tributária da ocorrência do fato gerador do imposto de renda – sonegação , em conluio com outras pessoas físicas e jurídicas, sem, obviamente, informar integralmente os rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual, subsumindose às hipóteses descritas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. [...] Ainda sobre a matéria, posicionase a decisão recorrida: Os fatos anteriormente apontados, demonstrados por elementos seguros de provas, levam à conclusão de que o sujeito passivo, conscientemente, omitiu do Fisco os rendimentos tributáveis, provenientes de vantagens indevidas auferidas junto a empresas estatais, apurados pela técnica da variação patrimonial a descoberto, com o objetivo de impedir o conhecimento pela autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador e, por corolário, a fim de reduzir a base de cálculo do imposto de renda. A legislação tributária, por meio do art. 26 da Lei nº 4.506, de 1.964, é clara ao dispor que os rendimentos derivados de atividades ilícitas são sujeitos à tributação do imposto de renda. [...] As Declarações de Ajuste Anual relativa aos anosbase 2011 e 2014, fls. 5.335 a 5.357, contêm valores completamente incompatíveis com aqueles apurados no Auto de Infração. A intenção deliberada de impedir o conhecimento do Fisco da ocorrência do fato gerador, em conluio com outras pessoas físicas e jurídicas e com o emprego de várias fraudes, escondendose atrás da suposta personalidade jurídica da sociedade GFD Investimentos Ltda. e de outras empresas para evitar obrigação tributária, caracteriza as hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Assim, refuto os argumentos contrários ao emprego da multa qualificada. [...] Desta forma, considerandose a materialidade da conduta do Recorrente na forma acima denunciada, não restam dúvidas quanto à sua subsunção à norma plasmada nos arts. 71, 82 e 73 da Lei n. 4.502/1964, caracterizandose infração à legislação tributária a atrair a multa qualificada no percentual de 150% (art. 44, I c/c § 1°. da Lei n. 9.430/1996). Cobrança cumulativa de multa isolada com a multa de ofício Fl. 8669DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.670 36 O Recorrente protesta contra a aplicação cumulativa da multa isolada com a multa de ofício no lançamento em apreço, nos seguintes termos: O recorrente vem requerer a anulação da cobrança cumulativa da multa isolada com a multa de ofício discriminada na fl. 14 dos autos, por suposta falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê leão e utilizandose como fundamento normativo os arts. 106 e 961 do RIR/99, combinados com os arts. 43 e 44, inc. II, alínea ´a´ da Lei nº 9.430/1996. O acórdão recorrido indefere o afastamento da alegação de ilegalidade da acumulação da multa isolada com a multa de ofício, sob os seguintes fundamentos: (i) “o contribuinte não anexou nos autos nenhum DARF que se refira aos períodos de arrecadação indicados no Auto de Infração” (fls. 7.487) ; (ii) “os julgamentos do CARF não vinculam a atividade das Delegacias Regionais de Julgamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil, com exceção das hipóteses em que são editadas súmulas com efeito vinculante em relação à administração tributária federal” (fls. 7.487); (iii) “as duas multas não foram aplicadas sobre a mesma base de cálculo” (fl. 7.488). Em primeiro lugar, cumpre atentar para a ilegalidade, não reconhecida pelo acórdão recorrido, da cobrança cumulativa da multa isolada com a multa de ofício. Nesse sentido, em diversas oportunidades o CARF têm afastado a aplicação simultânea das multas de ofício com a multa isolada prevista no art. 44, inc. II da Lei nº 9.430/1996: [...] A ilegalidade da acumulação da multa de ofício com a multa isolada já foi reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça, ante a característica sucessiva da multa do inc. II e pela incidência do princípio da consunção, a partir do precedente fixado no REsp 1.496.354/PR, de relatoria do Ministro Humberto Martins. Nesse sentido, colacionamse os seguintes julgados: [...] Ante o exposto, requerse a reforma do acórdão recorrido para, em sede de recurso ordinário, proceder a anulação da cobrança da multa isolada discriminada na fl. 14 dos autos, ante a ilegalidade da sua cobrança cumulativa com multa de ofício, devidamente reconhecida por este Conselho (Acórdão nº 1201001.450, Acórdão nº 1301001.725, Acórdão nº 2202003.002) e pelo Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1576289/RS, AgRg no REsp 1.499.389/PB, REsp 1.496.354/PR). A decisão recorrida apreciou a questão, em sede de impugnação, nos seguintes termos: O Regulamento do Imposto Sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1.999, combinado com o art. 44, II, "a", da Lei nº 9.430, de 1.996, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2.007, identifica o fundamento legal de tal exação: Art.106. Está sujeita ao pagamento mensal do imposto a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos que não tenham sido tributados na fonte, no País, tais como (Lei nº 7.713, de 1988, art. 8º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 24, §2º, inciso IV): (...) Fl. 8670DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.671 37 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Neste tópico de discussão, as autoridades fiscais indicaram no Auto de Infração, fls. 14, que a multa isolada foi empregada nos seguintes períodos de apuração: 31/05/2011, 31/12/2011, 31/01/2012, 29/02/2012, 31/03/2012, 30/04/2012, 31/05/2012, 30/06/2012, 31/07/2012, 31/08/2012, 30/09/2012, 31/10/2012, 30/11/2012 e 31/12/2012. O autuado argumenta que os documentos de arrecadação em anexo, fls. 7.009 a 7.033, e discriminados na planilha de fls. 6.880, comprovam o recolhimento do imposto exigido no lançamento. Os documentos de arrecadação em anexo se referem aos períodos de apuração adiante listados: 31/01/2010, 30/03/2010, 31/05/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 31/08/2010, 30/09/2010, 31/10/2010, 30/11/2010, 31/12/2010, 31/01/2011, 28/02/2011, 31/03/2011, 30/04/2011, 30/06/2011, 31/07/2011, 31/08/2011, 30/09/2011, 31/10/2011 e 30/11/2011. Confrontandose os períodos de apuração do lançamento tributário e os documentos de arrecadação que acompanharam a defesa, concluise que a exigência deve ser mantida integralmente, pois o contribuinte não anexou nos autos nenhum DARF que se refira aos períodos de arrecadação indicados no Auto de Infração. A sustentação de que a multa isolada não pode ser exigida cumulativamente com a multa de ofício, segundo julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF que acompanham a defesa, não pode ser admitida por este colegiado julgador. Em primeiro lugar, porque os julgamentos do CARF não vinculam a atividade das Delegacias Regionais de Julgamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil, com exceção das hipóteses em que são editadas súmulas com efeito vinculante em relação à administração tributária federal. A outro ponto, porque a multa isolada e a multa de ofício possuem fundamentação fática e jurídica diversas. A multa isolada é cabível quando a pessoa física deixa de efetuar o pagamento mensal do imposto (CarnêLeão), consoante o disposto no art. 8º da Lei nº 7.713, de 1988, devendo ser aplicada ainda que haja ou não saldo de imposto a pagar na correspondente declaração de ajuste anual, pois o momento em que a arrecadação deveria ter sido realizada precede o resultado do ajuste. A multa de ofício é aplicada sobre o imposto de renda suplementar e decorre da omissão de rendimentos por parte do sujeito passivo na declaração de ajuste, sendo cobrada juntamente com o tributo não pago. Fl. 8671DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.672 38 O fundamento legal da multa de ofício é diverso da multa isolada. Para esta, a base legal já foi reproduzida neste tópico, enquanto para aquela se trata do disposto no art. 44, I, e §1º, da Lei nº 9.430, de 1.996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2.007. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nosarts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Em terceiro lugar, no caso em exame, as duas multas não foram aplicadas sobre a mesma base de cálculo. A multa isolada foi empregada em razão de o autuado ter recebido rendimentos de pessoas físicas sem a correspondente arrecadação do CarnêLeão. A título de ilustração, veja que o interessado informou em sua DIRPF, fls. 5.341, em 05/2011, o recebimento de R$56.528,84, com contribuição à Previdência Oficial de R$737,93. No Auto de Infração, o agente fiscal considerou tais informações e apurou imposto mensal não declarado de R$14.821,48, gerando a multa isolada de R$7.410,74 (50%), fls. 21. Por outro lado, o rendimento tributável de R$56.528,84 foi utilizado como "Recursos/Origens" na planilha de Variação Patrimonial a Descoberto que, subtraído do montante de R$1.013.838,04 de "Dispêndios/Aplicações", gerou variação patrimonial a descoberto, em 05/11, de R$957.309,20. A multa de 150% foi empregada sobre a variação patrimonial a descoberto de R$957.309,20, vide fls. 12. Ante tais considerações, concluise que as multas isoladas e de ofício devem ser mantidas no presente lançamento. Muito bem. Para uma melhor compreensão da matéria em lide, entendo oportuno um breve resgate da legislação tributária, no tocante à aplicação da multa de ofício e da multa isolada, ambas previstas no art. 44 da Lei n. 9.430/1996. No que diz respeito à multa de ofício, é de se observar que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996 foi alterado, em 29/06/2006, pela Medida Provisória (MP) n. 303/2006, que disciplinava, entre outras questões, a aplicação das multas nos casos de lançamentos de ofício realizados pela Administração Tributária Federal. Fl. 8672DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.673 39 Assim, na primeva redação do art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, a multa de ofício era aplicada nos casos de falta de pagamento ou recolhimento; pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; falta de declaração; e declaração inexata, exceto os casos de sonegação, fraude e conluio.rib Na redação conferida pela MP n. 303/2006, a multa de ofício de 75% prevista no dispositivo legal em tela somente pode ser aplicada sobre a totalidade ou diferença de tributo quando se configure falta de pagamento ou recolhimento; falta de declaração; e declaração inexata. Não obstante o encerramento do prazo de vigência da MP n. 303/2006 em 27/10/2006, consoante os termos do Ato do Presidente da Mesa do Congresso Nacional n. 57/2006, a redação do art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996 permaneceu exatamente com a mesma configuração que lhe foi conferida por aquela MP, ou seja, a multa de ofício de 75% aplicase nos casos de falta de pagamento ou recolhimento; falta de declaração; e declaração inexata, agora sob os auspícios da MP n. 351/2007, convertida na Lei n. 11.488/2007. Assim, a novel redação do art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996 excluiu da hipótese de hipótese de incidência da multa de ofício de 75% o "pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa moratória", deduzindose, todavia, que a referida multa está afastada apenas nas situações em que o sujeito passivo efetuou o pagamento após o vencimento, sem o acréscimo da multa de mora de 20%, mas tenha confessado o respectivo débito. Nesse caso específico, a rigor, a multa de ofício de 75% não seria aplicável. De outra banda, é oportuno resgatar que até a edição da MP n. 351/2007, de 22 de janeiro de 2007, posteriormente convertida na Lei n. 11.488/2007, a multa isolada prevista no art. 44, II, da Lei n. 9.430/1996 era aplicada nas hipóteses em que o tributo não havia sido anteriormente pago; o tributo havia sido pago em atraso, mas sem a imposição da multa de mora; a pessoa física sujeita ao recolhimento mensal, deixasse de fazêlo ao longo do ano; e a pessoa jurídica sujeita ao recolhimento mensal por estimativa, deixasse de fazêlo ao longo do ano. A alíquota da multa isolada era de 75%, ou de 150% para os casos de evidente intuito de sonegação, fraude ou conluio. Todavia, desde a edição da MP n. 351/2007, convertida na Lei n. 11.488/2007, alterouse essa sistemática, vez que a multa isolada passou a ser de 50% cobrada sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser feito ao longo do ano calendário pela pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos e ganhos de capital que não tenham sido tributados na fonte, no respectivo país de origem, e pela pessoa jurídica que optar pelo regime de pagamento por estimativa. Nesse contexto, desde 22/01/2007, assim é a redação do art. 44, I e II, da Lei n. 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] (grifei) Fl. 8673DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.674 40 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] Destarte, a nova redação do art. 44, I e II, da Lei n. 9.430/1996, aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir de 22 de janeiro de 2007, afastou qualquer dúvida sobre a possibilidade de aplicação concomitante das multas de ofício e das multas isoladas por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, vez que as hipóteses de incidência que ensejam a imposição das penalidades da multa de ofício e da multa isolada em razão da falta de pagamento do carnêleão são perfeitamente distintas e tratadas em incisos próprios do indigitado dispositivo legal. Resta evidenciado que os incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/1996 tratam de suportes fáticos distintos e autônomos, com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o tributo devido apurado anualmente, no caso concreto, IRPF, aperfeiçoandose a hipótese de incidência tributária ao final do ano calendário. Por sua vez, na espécie, a multa isolada é apurada sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser feito ao longo do anocalendário pela pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos e ganhos de capital que não tenham sido tributados na fonte, no respectivo país de origem. É dizer, são materialidades absolutamente independentes e distintas, não havendo que se falar em concomitância. Em resumo, não existe óbice à cumulatividade de ambas penalidades (multa isolada com multa de ofício). No caso concreto, verificase que o lançamento em lide aplicou a multa de ofício de 150% em face da infração tipificada por acréscimo patrimonial a descoberto (AC 2011; 2012; 2013; e 2014) e multa isolada de 50% restrita à infração caracterizada por falta de recolhimento de carnêleão nos AC 2011 (P.A 31/05/2011 e 31/12/2011) e AC 2012 (todos os períodos de apuração). Ausência de fundamentação fática e probatória no lançamento de dispêndios para a apuração da variação patrimonial A despeito dessa alegação do Recorrente, não se verifica qualquer ilegalidade e ausência de fundamentação fática e probatória no lançamento de dispêndios para a apuração da variação patrimonial, conforme já delineado na análise da preliminar entitulada ausência de demonstrativo da variação patrimonial com a devida fundamentação legal. Sem mais considerações a fazer. Por fim, cabe ressaltar, conforme já relatado, que a decisão recorrida considerou no demonstrativo de variação patrimonial do Recorrente os recursos que ele obteve, por meio da GFD Investimentos Ltda., com a venda dos ativos, alterando, destarte, a planilha de variação patrimonial a descoberto elaborada pela autoridade lançadora fisco (Arquivo Não Paginável Anexo 42_planilha VPD DOC1_VPD11a14) no cômputo das origens e aplicações decorrentes das operações de compra e venda de ações, com repercussão na apuração do Fl. 8674DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.675 41 imposto suplementar exigido no AC 2011 no sentido de reduzilo de R$ 2.171.906,55 para R$ 1.716.373,56, inclusive com redução do valor relativo à multa qualificada, conforme discriminado na tabela abaixo: Nessa perspectiva, não merece reparo a decisão recorrida. Recurso Voluntário de Joana D'arc Fernandes da Silva Com relação ao Recurso Voluntário (efls. 8422/8523) interposto pela responsável solidária (Sra. Joana D'arc Fernandes da Silva), é oportuno destacar que os questionamentos em sede de preliminares e de mérito já foram apreciados, ainda que de forma reflexa, no bojo da análise do recurso voluntário do sujeito passivo principal (Alberto Youssef), restando assim apenas as questões referentes à responsabilidade solidária, que passo à análise. Da análise dos autos, verificase que resta comprovado o interesse comum da responsável tributária na realização dos fatos geradores em litígio, nos termos do art. 124 do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (grifei) Não obstante a expressão "interesse comum" consignada no art. 124, I, do CTN, encartar um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançarse a ratio essendi do referido dispositivo legal. Assim, verificase que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas jurídicas solidariamente obrigadas estejam no mesmo polo da relação jurídica que deu azo à hipótese de incidência tributária, exatamente porque não encontraria respaldo na lógica jurídicatributária a integração no polo Fl. 8675DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.676 42 passivo da relação jurídica de uma empresa que não tenha qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Nessa perspectiva, é forçoso concluir que o interesse qualificado pela lei não há de ser o mero interesse social, moral, econômico ou financeiro no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas sim o interesse jurídico, atrelado à atuação comum ou conjunta no pressuposto fático do tributo. Assim, caracteriza responsabilidade solidária em matéria tributária a realização conjunta de situações que, per se, configuram a hipótese de incidência tributária. As situações fáticas consignadas no Termo de Verificação Fiscal (efls. 6277/6350), caracterizam, de forma exaustiva, a unidade de interesse jurídico entre a responsável solidária (Joana D'arc Fernandes da Silva) e o sujeito passivo principal (Alberto Youssef) na materialização da hipótese de incidência tributária em litígio: [...] 7.1 JOANA D´ARC FERNANDES DA SILVA, CPF 455.827.77920 Enquadramento legal: art. 124, I, CTN: Interesse comum na ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. O fato de o responsável indicado lograr proveito próprio (econômico) das situações que constituem os fatos geradores das obrigações principais revelam sim o seu interesse comum naquelas situações. Em outras palavras, o “interesse comum” a que alude o art. 124, I do CTN pode ser entendido como sendo o interesse econômico, ou seja, o interesse em lograr proveito próprio daqueles atos.” Acórdão CARF 1102 000.920 de 10/09/2013. A Sra. Joana D`Arc foi esposa de Alberto Youssef desde 20/04/1989 até o dia 29/08/2014, portanto, logo após a deflagração da Operação lavajato. Com ele viveu durante anos e se beneficiou claramente dos ganhos obtidos pelo esquema ilícito de seu marido. Deste relacionamento usufruiu de imóveis, veículos e de um estilo de vida de luxo. Intimada por diversas vezes por esta fiscalização, a Sra. Joana não logrou êxito em comprovar rendas próprias que justificassem a aquisição dos bens por ela usufruídos, restando por óbvio que a mesma vivia exclusivamente das rendas de seu exmarido Alberto Youssef. A mesma chegou a entregar declarações de imposto de renda (DIRPFs) em que declarava ter recebido rendas de pessoas físicas em valores relevantes, em torno de R$ 630 mil entre os anos de 2010 e 2013, para tentar dar uma ar de licitude e de origem para seus bens (Anexo 10 deste TVF). Porém, não logrou identificar as pessoas que a pagaram e os serviços que teria prestado e que justificassem estes recebimentos. Até mesmo a quitação do apartamento sediado na Vila Nova Conceição/SP, onde vivia com o fiscalizado, ela tenta justificar o saldo residual como sendo fruto de empréstimo de três amigas, porém também não comprovou a transferência efetiva dos recursos objeto dos mútuos. A solidária chegou a assumir dívidas em seu nome, que na verdade foram contraídas em benefício de seu exmarido, junto à Alpes Corretora TVM S/A. Corrobora a responsabilização da Sra. Joana D´arc o entendimento inserto no “AgRg no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 259.338 – PE Fl. 8676DF CARF MF Processo nº 19515.720502/201654 Acórdão n.º 2402006.796 S2C4T2 Fl. 8.677 43 (2012/02450131”, que reza em sua ementa que a execução fiscal direcionada contra um devedor não alcança o direito patrimonial do seu cônjuge, salvo se o credor comprovar que o proveito econômico com a ilicitude tenha sido revertido em prol da família, está alinhada ao entendimento do STJ: "A meação só responde pelo ato ilícito quando o credor, na execução fiscal, provar que o enriquecimento dele resultante aproveitou ao casal" (Súmula 251/STJ). Citese também o REsp nº 522.263/PR, Relator Ministro João Otávio de Noronha, DJ 06/12/2006, que traz o seguinte: "..O cônjuge responde com sua meação somente pela dívida contraída exclusivamente pelo consorte, desde que esta tenha sido revertida em benefício da família, competindo ao credor comprovar tal situação...". Joana entregou declarações de imposto de renda (DIRPFs) em que declarava ter recebido rendas de pessoas físicas em valores relevantes, para tentar dar uma ar de licitude e de origem para seus bens, porém, não logrou identificar as pessoas que a pagaram e as causas de grande parte dos recebimentos. Joana se beneficiou de uma vida de luxo às custas de recursos de natureza ilícita de Youssef. Informou em suas declarações de imposto de renda (DIRPF) ter auferido rendas que não conseguiu comprovar em sua totalidade, após ser intimada. Importante frisar que Joana foi intimada e reintimada diversas vezes para comprovar aquisição de alguns ativos que a beneficiou. [...](grifos originais) Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER dos Recursos Voluntários (efls. 8366/8414 e efls. 8422/8523), REJEITAR AS PRELIMINARES, e, no mérito, NEGARLHES PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 8677DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.908443/2006-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/2003
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DIREITO CREDITÓRIO APURADO COM SALDO REMANESCENTE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
O Recurso Voluntário é o instrumento por meio do qual o contribuinte submete ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), a decisão proferida em 1ª instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Artigo 25 do Decreto nº 70.235/1972. O poder de recorrer somente existe para quem tem interesse na modificação da decisão pela qual sucumbiu, ou seja, que não tenha sido atendido em sua pretensão, no todo ou em parte, configurando-se requisito indispensável de qualquer recurso. Impossibilidade de conhecimento.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3402-005.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
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DIREITO CREDITÓRIO APURADO COM SALDO REMANESCENTE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. O Recurso Voluntário é o instrumento por meio do qual o contribuinte submete ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), a decisão proferida em 1ª instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Artigo 25 do Decreto nº 70.235/1972. O poder de recorrer somente existe para quem tem interesse na modificação da decisão pela qual sucumbiu, ou seja, que não tenha sido atendido em sua pretensão, no todo ou em parte, configurandose requisito indispensável de qualquer recurso. Impossibilidade de conhecimento. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 84 43 /2 00 6- 26 Fl. 125DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra despacho decisório que deixou de dar cumprimento ao Acórdão nº 1327.537, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ), que declarou ocorrida a homologação tácita da compensação, julgando procedente o pedido realizado através da Manifestação de Inconformidade apresentada. Por bem reproduzir os fatos, transcrevo abaixo o relatório apresentado em decisão da DRJ/RJ2: "Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada em PER/DCOMP, apresentada em 14/08/2003 (fls.02/06), de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, em 15/05/2003, a título de COFINS, atinente ao período de apuração 04/2003, com débito da COFINS referente ao período de apuração 05/2003, no valor de RS 19.321,13. Por meio do Despacho Decisório n° 781156265, emitido eletronicamente (fl. 09), o Delegado da DERATRJO, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Cientificada do despacho decisório em 25/08/2008 (fls. 07 e 08) a interessada apresentou em 23/09/2008 a manifestação de inconformidade de folhas 11 a 16, por meio da qual contesta a cobrança dos débitos indevidamente compensados sob a alegação de que, uma vez que a compensação foi proposta em 14/08/2003, tinha o fisco o prazo de cinco anos, ou seja, até 15/08/2008 para homologar , ou não, o pedido. E o relatório." Às fls. 57 a Equipe de Compensação da Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro proferiu o seguinte despacho: "Lastreados no Acórdão de n° 1327.537 da 4a Turma da DPJ/RJ2, fls.34/35, que homologou tacitamente a DCOMP de n° 38910.66240.140803.1.3.048849, fls.02/06, desfizemos no sistema SIEF a informação do reconhecimento do direito creditório, fl. 40/41, informamos impugnação no processo de cobrança vinculado, e prestamos a informação do resultado da impugnação como sendo lançamento procedente em parte, conforme fl. 42, em função da inexistência nos sistemas da funcionalidade/situação homologação tácita e da impossibilidade de efetivar a compensação sem reconhecimento do direito creditório. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10768.908443/200626 Acórdão n.º 3402005.720 S3C4T2 Fl. 126 3 Tendo em vista que o crédito pleiteado tornouse insuficiente para atingir a totalidade do débito, conforme cálculos do aplicativo SAPO de fls. 37/39, o montante de R$ 4.267,85 continuará sendo cobrado, conforme fl. 42. Diante do exposto procedase à: a) ciência à interessada do Acórdão de n° 1327.537 de fls. 34/35, dos demonstrativos do aplicativo SAPO de fls. 37/39, da cobrança do débito não alcançado pelo crédito pleiteado, extrato de fl. 42, do darf de fl. 43 e do presente despacho." Os cálculos informados no despacho em referência constam nas fls. 50 a 55 do processo eletrônico e apresenta o seguinte levantamento: Fl. 127DF CARF MF 4 Com isso, em data de 25/11/2011 (fls. 60) a Contribuinte foi intimada de acordo com o Termo de Ciência de fls. 59, pelo qual foi comunicada sobre a cobrança de débito não alcançado pelo crédito pleiteado, resultando em saldo remanescente de R$ 9.769,94 (nove mil, setecentos e sessenta e nove reais e noventa e quatro centavos). A Recorrente interpôs o Recurso Voluntário de fls. 6271 alegando, em síntese, que: Em 14 de agosto de 2003 promoveu a compensação de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofíns recolhida indevidamente a maior, transmitindo nesta data a respectiva PER/DCOMP de n.° 38910.66240.140803.1.3.048849, consubstanciada na DCTF do 2.° Trimestre/2003, relativa aos meses de abril (apuração do crédito) e maio (compensação do débito) do mesmo ano de 2003. Recebeu o despacho decisório em 25 de agosto de 2008, em prazo superior ao que deveria o fisco ter procedido a comunicação, restando, portanto, verificada hipótese de homologação tácita prevista na legislação. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10768.908443/200626 Acórdão n.º 3402005.720 S3C4T2 Fl. 127 5 A Delegacia Regional de Julgamento acolheu o pedido de homologação tácita dos créditos compensados. Ao receber a intimação da referida decisão, o I. Fiscal entendeu de forma equivocada que haveria pagamentos a serem realizados, tendo em vista que o sistema da Receita Federal do Brasil impossibilitaria o reconhecimento creditório. Nos termos em que proferido o despacho pelo i. Fiscal, o que se verifica em verdade é o descumprimento da decisão proferida pela delegacia Regional de Julgamento, determinando a cobrança de valores já declarados indevidos. Com a ocorrência da homologação tácita da compensação realizada, ocorre também, por decorrência lógica, a decadência do Direito da Fazenda rever os valores utilizados na compensação e, especialmente, decai o Direito da Fazenda de lançar e cobrar supostas diferenças inexistentes no caso em exame, como já se demonstrou apuradas por ela após a decorrência do prazo de 05 anos. Através do despacho de fls. 18, a Equipe de Compensação da Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro propôs o envio do presente processo para apreciação por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em tempo, importante observar que consta às fls. 120 dos autos a informação de adesão da Contribuinte ao Parcelamento previsto pela Lei nº 12.996RFBDemais Débitos. No entanto, através do extrato de fls. 122 e informações de fls. 123 é possível verificar que o presente processo não está entre aqueles incluídos neste parcelamento. É o relatório. Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora Pressupostos legais de admissibilidade Da análise dos fatos acima relatados, constatase que o v. Acórdão nº 13 27.537 proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro definiu pelo reconhecimento da homologação tácita das compensações declaradas, uma vez que não foram apreciadas pela autoridade administrativa dentro do prazo de cinco anos da data do protocolo pedido. A homologação da compensação, seja tácita ou expressa, de fato extingue os débitos do sujeito passivo declarados no pedido convertido em declaração de compensação, incidindo o artigo 156, inciso II do Código Tributário Nacional. Não há dúvidas de que a homologação tácita da compensação pleiteada no referido PER/DCOMP nº 38910.66240.140803.1.3.048849, transmitida em data de 14/08/2003, foi reconhecida e declarada em decisão de primeira instância. Fl. 129DF CARF MF 6 Por sua vez, da análise da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais de fls. 21, é possível constatar que a diferença entre o débito apurado (R$ 19.321,13) e crédito utilizado para compensação (R$ 17.626,71) foi recolhida através de DARF no valor de R$ 1.694,42 (hum mil, seiscentos e noventa e quatro reais e quarenta e dois centavos). No entanto, a observação lançada pela Equipe de Compensação de que o julgamento foi por provimento parcial (fls. 55), resultando em consolidação do débito para recolhimento da diferença, tratase de despacho decisório e não tramitou perante a Delegacia de Julgamento, o que impossibilita a apreciação por este Colegiado. Em síntese, a irresignação da Recorrente versa sobre o despacho decisório que deixou de dar cumprimento ao Acórdão nº 1327.537, proferido pela DRJ/RJ II. O Recurso Voluntário em análise tem por objeto o pedido para que seja cancelada toda e qualquer cobrança relativa à compensação de valores realizada conforme PER/DCOMP de n.° 38910.66240.140803.1.3.048849, consubstanciada na DCTF do 2.° Trimestre/2003, por força da disposição constante do disposto no artigo 74, § 5 o da Lei n° 9.430/96, reformandose o r. despacho de fls. 44, bem como para que sejam efetuadas as mudanças necessárias nos sistemas da Receita Federal para que seja reconhecida a homologação tácita relativa à compensação de créditos objeto do presente processo. Ocorre que, não obstante a irresignação da Recorrente em decorrência da cobrança de saldo remanescente, o fato é que a decisão da DRJ/RJ 2, per si, não gerou lesividade à parte, tanto é que homologou tacitamente o PERD/COMP objeto deste litígio, julgando pela procedência da Manifestação de Inconformidade. Não há utilidade no recurso interposto, pois o despacho que motivou a irresignação não foi a decisão de Primeira Instância, mas sim outro despacho decisório, o qual deve ser impugnado nos termos previstos pelo Decreto nº 70.235/1972, que assim dispõe: Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: I em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal; a) aos Delegados da Receita Federal, titulares de Delegacias especializadas nas atividades concernentes a julgamento de processos, quanto aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal; b) às autoridades mencionadas na legislação de cada um dos demais tributos ou, na falta dessa indicação aos chefes da projeção regional ou local da entidade que administra o tributo, conforme for por ela estabelecido. II – em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10768.908443/200626 Acórdão n.º 3402005.720 S3C4T2 Fl. 128 7 Outrossim, o poder de recorrer somente existe para quem tem interesse na modificação da decisão pela qual sucumbiu, ou seja, que não tenha sido atendido em sua pretensão, no todo ou em parte, configurandose requisito indispensável de qualquer recurso. Não há, neste caso, o necessário interesse recursal, que obrigatoriamente deve repousar no binômio necessidade e utilidade. A necessidade referese à imprescindibilidade do provimento por este Tribunal Administrativo para obtenção do resultado objeto do recurso, ao passo que a utilidade cuida da adequação da medida recursal alçada para atingir o fim colimado. Por tais razões, não pode ser conhecido o recurso em análise. Dispositivo Ante o exposto, voto por não conhecer o Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.901130/2015-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
A comprovação de certeza e liquidez do crédito se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, que comprove os valores informados DCTF retificada após a ciência da decisão denegando o pedido. Não se presta como prova planilha elaborada pelo próprio interessado no pleito. Inexistindo a demonstração do direito ao crédito, não se homologa a compensação pretendida.
Numero da decisão: 1302-003.183
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.901127/2015-46, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A comprovação de certeza e liquidez do crédito se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, que comprove os valores informados DCTF retificada após a ciência da decisão denegando o pedido. Não se presta como prova planilha elaborada pelo próprio interessado no pleito. Inexistindo a demonstração do direito ao crédito, não se homologa a compensação pretendida.
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PAGAMENTO INDEVIDO Recorrente A.A.DE MELO & CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A comprovação de certeza e liquidez do crédito se dá com a apresentação de documentação hábil e idônea, que comprove os valores informados DCTF retificada após a ciência da decisão denegando o pedido. Não se presta como prova planilha elaborada pelo próprio interessado no pleito. Inexistindo a demonstração do direito ao crédito, não se homologa a compensação pretendida. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13888.901127/201546, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 11 30 /2 01 5- 60 Fl. 125DF CARF MF 2 Trata de recurso voluntário apresentado em face ao Acórdão da decisão de primeira instância, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da recorrente, com a seguinte ementa: DCOMP. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a liquidez e a certeza do crédito informado em declaração de compensação, não se homologam as compensações vinculadas. A recorrente apresentou Declaração de Compensação na qual pretende compensar pagamento indevido/a maior de IRPJ. A declaração não foi homologada pela DRF/Piracicaba, pois o pagamento estava integralmente utilizado para quitação de débito da recorrente, não restando crédito disponível para compensação de débitos informados na DCOMP. A decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade, pois não foram apresentados os motivos de fato e de direito, os pontos de discordância e sequer provas, de forma a demonstrar que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida. Após ciência da decisão, foi apresentado recurso voluntário com as seguintes alegações: constataram erro na apuração dos impostos devidos em 2012, onde foram efetuados pagamentos a maior de IRPJ, sendo a diferença utilizada para compensar débitos de IRPJ e CSLL do ano de 2013. deixaram de apresentar as DCTF retificadoras, tendo como conseqüência que todos os pedidos foram indeferidos. afirma que possui o direito de compensar nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, aduzindo que as divergências foram corrigidas, motivo pelo qual requer o reconhecimento do direito creditório. É o relatório. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13888.901130/201560 Acórdão n.º 1302003.183 S1C3T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.180, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.901127/2015 46, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.180): "O recurso é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele eu conheço. A recorrente reprisa suas alegações no recurso voluntário, afirmando que teria constatado erro no cálculo dos tributos devidos, mas que teria deixado de retificar as DCTF, fato que deu origem ao indeferimento do pedido. Para comprovar o seu direito creditório, apresentou planilha de cálculo e DCTF retificadora. Esta mesma defesa foi trazida na impugnação, analisada pela decisão recorrida, que não acatou as razões apresentadas pela ausência da demonstração do erro cometido, assim como falta de apresentação de provas. De fato, não basta alegar que pagou tributo a maior. Para comprovação do erro, seria necessário demonstrar como foi feita a primeira apuração, o que estaria incorreto, as retificações necessárias, com a nova apuração do tributo devido. A apresentação de DCTF retificadora, após a ciência da decisão negando o pedido, não se presta para comprovação do erro cometido e que teria efetuado recolhimento a maior. A recorrente chegou a elaborar planilha de cálculo onde informa a receita bruta, o tributo que seria devido, o valor pago e a diferença a maior. Mas a planilha, desacompanhada de qualquer elemento probatório que comprove os valores nela constantes, principalmente no que concerne à receita bruta, também não é suficiente para demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado, requisitos necessários previstos no artigo 170 do CTN. É importante salientar que a decisão recorrida apontou a insuficiência de provas trazidas aos autos, principalmente no que concerne os documentos contábeis e fiscais que respaldem a diferença existente entre o valor supostamente devido e do DARF recolhido." Fl. 127DF CARF MF 4 Pelo exposto, como não foi comprovada a certeza e liquidez do crédito que pleiteia, cujo ônus é da recorrente, voto por não dar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 128DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001298/2007-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO CONSTANTE NA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE PELA SEGUNDA INSTÂNCIA.
Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos.
No caso concreto, comprovada a existência de omissão no acórdão, cabe a admissibilidade dos embargos para a correção do vício para possibilitar uma correta compreensão do julgado e adequação do caso.
Assim, considera-se preclusa a matéria que não tenha sido levada ao debate quando da apresentação da Impugnação na primeira instância, o que impossibilita a análise da matéria na segunda instância.
Numero da decisão: 2401-005.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para, sanando a omissão apontada, alterar a conclusão, a ementa e o dispositivo do acórdão embargado que passa a ser: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO CONSTANTE NA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE PELA SEGUNDA INSTÂNCIA. Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovada a existência de omissão no acórdão, cabe a admissibilidade dos embargos para a correção do vício para possibilitar uma correta compreensão do julgado e adequação do caso. Assim, considera-se preclusa a matéria que não tenha sido levada ao debate quando da apresentação da Impugnação na primeira instância, o que impossibilita a análise da matéria na segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para, sanando a omissão apontada, alterar a conclusão, a ementa e o dispositivo do acórdão embargado que passa a ser: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
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OMISSÃO. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO CONSTANTE NA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE PELA SEGUNDA INSTÂNCIA. Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovada a existência de omissão no acórdão, cabe a admissibilidade dos embargos para a correção do vício para possibilitar uma correta compreensão do julgado e adequação do caso. Assim, considerase preclusa a matéria que não tenha sido levada ao debate quando da apresentação da Impugnação na primeira instância, o que impossibilita a análise da matéria na segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para, sanando a omissão apontada, alterar a conclusão, a ementa e o dispositivo do acórdão embargado que passa a ser: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 12 98 /2 00 7- 88 Fl. 452DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), em face do Acórdão nº 2401005.151, da 4ª Câmara/1ª Turma ordinária da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, contextualizado às fls. 413/439, de minha relatoria. Alega a embargante a existência de omissão no acórdão embargado. Salienta que a omissão se dá pelo fato de a decisão embargada não ter se manifestado acerca da ausência dos pressupostos legais com relação à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Nesse passo, a Embargante afirma que o referido pedido não foi objeto de análise do acórdão de primeira instância, tendo em vista que a Embargada sequer formulou o pedido quando da apresentação da sua Impugnação. Submetido à análise de admissibilidade, os aclaratórios foram admitidos por meio de despacho da Presidente da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, Conselheira Miriam Denise Xavier, admitindoo para que sejam sanados os vícios apontados, constatados no acórdão embargado, com devolução do processo para relatoria e inclusão em pauta de julgamento (fls. 447/450). Distribuídos os presentes Embargos a esta Relatora já com Despacho de acolhimento e determinação de inclusão em pauta, consoante Despacho encimado, assim o faço. É o relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Preenchidos os requisitos de admissibilidade dos Embargos de Declaração, passo ao exame do mérito (artigo 65, § 1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015). 2. DO MÉRITO Fl. 453DF CARF MF Processo nº 19515.001298/200788 Acórdão n.º 2401005.735 S2C4T1 Fl. 3 3 2.1 Do vício apontado pela Embargante Cientificada da decisão, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), opôs Embargos de Declaração às fls. 441/443, alegando a existência de omissão no julgado, haja vista ter o acórdão embargado deixado de se manifestar quanto o preenchimento dos requisitos legais para a análise do pedido de exclusão dos juros sobre a multa de ofício. Sustenta a embargante que a omissão se justifica em razão de a Embargada não ter submetido a matéria à apreciação da primeira instância, o que impossibilitaria a análise do pedido em segunda instância, por ter operado a preclusão. O acórdão proferido em face do Recurso Voluntário sustentou que (fl. 413/439): “5. Do juros de mora sobre a multa de ofício [...] Relativamente à matéria, entendo assistir razão à Recorrente. Isso porque o artigo 61 da Lei nº 9.430 não prevê a incidência de juros sobre multa de ofício, mas apenas a da multa de mora sobre o débito decorrente de tributos e contribuição. [...] Assim, em face dos substanciosos fundamentos acima transcritos, impõese afastar a incidência dos juros sobre a multa de ofício na forma aplicada nos presentes autos, por absoluta falta de previsão legal.” Vislumbrando o julgado, percebese que o acórdão de fato é omisso no ponto destacado nos aclaratórios. Nesse aspecto, necessária se faz sua análise para sanar o necessário. Inicialmente, cumpre destacar que de fato a matéria relativa aos juros sobre a multa de ofício não foi suscitada pela Embargada em sua impugnação (fls. 220/254), o que torna preclusa a análise do pedido pela segunda instância. Nesse sentido, ocorreu a preclusão consumativa, a qual se operou quanto às matérias não apresentadas na impugnação, no caso, a incidência de juros sobre a multa de ofício, impossibilitando sua análise por esta instância recursal. Tal fato, inclusive, foi devidamente apontado no Exame de Admissibilidade dos presentes Embargos de Declara (fls. 447/450), que assim expôs: “Pois bem, compulsando a impugnação de fls. 220 a 254, constatase que nenhuma alegação contra a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício chegou a ser ventilada pela contribuinte, o que, de fato, impede o exame da matéria pela segunda instância por falta de Fl. 454DF CARF MF 4 prequestionamento, e sobre isso nada chegou a ser dito na decisão embargada. [...] Portanto, além de se omitir quanto ao não prequestionamento da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, o que, em princípio, justifica os presentes embargos, a decisão embargada foi além, ao decidir sobre matéria não alegada pela contribuinte em nenhuma instância administrativa. Lembrando que a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício não corresponde a questão de ordem pública, o que justificaria o exame de ofício.” Ora, diante da preclusão consumativa, a matéria o Recurso Voluntário (fls. 370/374) não deveria ser conhecido com relação a matéria referente aos juros sobre a multa de ofício. Portanto, acolho os aclaratórios para excluir toda a fundamentação e decisão prevista no item “5. Dos juros de mora sobre a multa de ofício” do acórdão 2401005.151 (FLS. 413/439) e no item “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE”, fazer constar o seguinte: “A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 22/06/2009 conforme A.R à fl. 328, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 22/07/2009 (fl. 338). Com relação à matéria trazida pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, percebese que há inovação com relação ao questionamento acerca dos juros sobre a multa de ofício, haja vista que, na impugnação (fls. 220/254), não houve qualquer discussão com relação a este ponto, ocorrendo, assim, a preclusão consumativa, o que impossibilita a análise da matéria por esta segunda instância, não se podendo, portanto, conhecer do Recurso Voluntário neste ponto. Ora, nos termos do artigo 17 do Decreto 70.235/72, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido indicada expressamente na impugnação, ocorrendo a preclusão consumativa com relação ao tema inovado no Recurso Voluntário. Desta forma, CONHEÇO PARCIALMENTE DO RECURSO, conforme fundamentação supra.” Diante desse cenário, a ementa, conclusão e dispositivo do Acórdão do acórdão 2401005.151 (FLS. 413/439) deve ser alterada de: A EMENTA passa de: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2003 PROVA EMPRESTADA. EXISTÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 19515.001298/200788 Acórdão n.º 2401005.735 S2C4T1 Fl. 4 5 Instaurado o contencioso administrativo, por meio da impugnação protocolizada, o contribuinte obteve a possibilidade de apresentar argumentos e provas de fato e de direito capazes de afastar a exigência fiscal, em atendimento ao contraditório e à ampla defesa, não havendo que se falar em nulidade. ÔNUS DA PROVA. Por força de presunção legal, cabe à contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos que justifiquem o acréscimo patrimonial. PROCEDIMENTO FISCAL. A autoridade autuante procedeu de acordo com a legislação de regência da matéria, possibilitando à interessada, por meio de intimações, manifestarse no curso da ação fiscal para fins de acolhimento de suas alegações, não havendo que se falar em irregularidade no procedimento administrativo que implique nulidade. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. EMPRÉSTIMOS. COMPROVAÇÃO. A alegação de recebimento de recursos provenientes de empréstimos realizados com terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência dos numerários emprestados, não bastando a simples apresentação de contratos de mútuo/recibos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150%. Restando configurado um dos elementos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa de que trata o inciso I, do artigo 44, da Lei n.º 9.430/1996 deverá ser duplicado. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Impõese afastar a incidência dos juros sobre a multa de ofício na forma aplicada nos presentes autos, por absoluta falta de previsão legal. Para a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2003 PROVA EMPRESTADA. EXISTÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Fl. 456DF CARF MF 6 Instaurado o contencioso administrativo, por meio da impugnação protocolizada, o contribuinte obteve a possibilidade de apresentar argumentos e provas de fato e de direito capazes de afastar a exigência fiscal, em atendimento ao contraditório e à ampla defesa, não havendo que se falar em nulidade. ÔNUS DA PROVA. Por força de presunção legal, cabe à contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos que justifiquem o acréscimo patrimonial. PROCEDIMENTO FISCAL. A autoridade autuante procedeu de acordo com a legislação de regência da matéria, possibilitando à interessada, por meio de intimações, manifestarse no curso da ação fiscal para fins de acolhimento de suas alegações, não havendo que se falar em irregularidade no procedimento administrativo que implique nulidade. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. EMPRÉSTIMOS. COMPROVAÇÃO. A alegação de recebimento de recursos provenientes de empréstimos realizados com terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência dos numerários emprestados, não bastando a simples apresentação de contratos de mútuo/recibos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150%. Restando configurado um dos elementos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa de que trata o inciso I, do artigo 44, da Lei n.º 9.430/1996 deverá ser duplicado. Já o texto da CONCLUSÃO do voto, de: 6. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário da recorrente, para, no mérito, DARLHE provimento parcial. Passa a constar com a seguinte redação: 6. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário da recorrente, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO . Por fim, o texto do dispositivo passa de: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e afastar a preliminar de nulidade. No mérito, por maioria, darlhe parcial provimento para excluir a incidência dos juros sobre Fl. 457DF CARF MF Processo nº 19515.001298/200788 Acórdão n.º 2401005.735 S2C4T1 Fl. 5 7 a multa de ofício. Vencido o conselheiro Cleberson Alex Friess que negava provimento ao recurso voluntário. Para o texto: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente do recurso e no mérito negarlhe provimento parcial. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO dos Embargos Declaratórios para no mérito, DARLHE PROVIMENTO suprindo o vício apontado e atribuindolhes, efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 458DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13433.000185/2003-65
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO BASEADO EM SALDO NEGATIVO. APRECIAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. OBRIGATORIEDADE. PODER/DEVER DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALEGAÇÃO DE PRAZO DECADENCIAL A PARTIR DA COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. INAPLICABILIDADE.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
Encerrado o exercício social, o sujeito passivo efetua a apuração, ocasião em que pode constituir crédito tributário ou compor saldo negativo. A verificação do saldo negativo composto não se submete a prazo decadencial para aferição de sua certeza e liquidez. A decadência opera apenas sobre o direito material, sendo vedado efetivar lançamento de ofício.
Carecendo o indébito de comprovação, quando o ônus da prova compete ao contribuinte, não há, realmente, que se falar em compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.458
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO BASEADO EM SALDO NEGATIVO. APRECIAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. OBRIGATORIEDADE. PODER/DEVER DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALEGAÇÃO DE PRAZO DECADENCIAL A PARTIR DA COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. INAPLICABILIDADE. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Encerrado o exercício social, o sujeito passivo efetua a apuração, ocasião em que pode constituir crédito tributário ou compor saldo negativo. A verificação do saldo negativo composto não se submete a prazo decadencial para aferição de sua certeza e liquidez. A decadência opera apenas sobre o direito material, sendo vedado efetivar lançamento de ofício. Carecendo o indébito de comprovação, quando o ônus da prova compete ao contribuinte, não há, realmente, que se falar em compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
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DIREITO CREDITÓRIO BASEADO EM SALDO NEGATIVO. APRECIAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. OBRIGATORIEDADE. PODER/DEVER DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALEGAÇÃO DE PRAZO DECADENCIAL A PARTIR DA COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. INAPLICABILIDADE. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Encerrado o exercício social, o sujeito passivo efetua a apuração, ocasião em que pode constituir crédito tributário ou compor saldo negativo. A verificação do saldo negativo composto não se submete a prazo decadencial para aferição de sua certeza e liquidez. A decadência opera apenas sobre o direito material, sendo vedado efetivar lançamento de ofício. Carecendo o indébito de comprovação, quando o ônus da prova compete ao contribuinte, não há, realmente, que se falar em compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 00 01 85 /2 00 3- 65 Fl. 532DF CARF MF Processo nº 13433.000185/200365 Acórdão n.º 1002000.458 S1C0T2 Fl. 533 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 500/504) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo, apenso aos Processos ns.º 13433.721296.201208, 13433.721298.201299, 13433.721299.201233, 13433.721300.201220, 13433.721301.201274, 13433.721302.201219, 13433.721303.2012 63, 13433.721304.201216, 13433.721305.201252, 13433.721306.201205 ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 472/482), proferida em sessão de 23 de agosto de 2012, consubstanciada no Acórdão n.º 1137.931, da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE (DRJ/REC), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade (efls. 105/111), que pretendia reformar o Despacho Decisório (DD), emitido em 04/07/2008 (efl. 95), que aprovou o Parecer SORAT n.º 057/2008 (efls. 92/94), o qual analisou a Declaração de Compensação em formuláriopapel, protocolada em 08/05/2003 (efls. 04/05), informando crédito proveniente de saldos negativos de IRPJ e CSLL, do anocalendário de 2002, e débitos diversos de 2003, bem como analisou os Pedidos Eletrônicos de Restituição e as Declarações de Compensação (PER/DCOMP's) transmitidos posteriormente, a partir de 29/05/2003, sob os ns.º 33522.04594.290503.1.3.021571, transmitido em 29/05/2003, 24186.29610.110603.1.3.028810, transmitido em 11/06/2003, 30529.55036.270603.1.3.02 1489, transmitido em 27/06/2003, 40722.35790.270603.1.3.027266, transmitido em 27/06/2003, 27754.19806.140703.1.3.028230, transmitido em 14/07/2003, 22346.57696.290703.1.3.024649, transmitido em 29/07/2003, 22104.62249.290703.1.3.02 2037, transmitido em 29/07/2003, 09954.58067.140803.1.3.027492, transmitido em 14/08/2003, 34831.15135.280803.1.3.023866, transmitido em 28/08/2003, 25819.55717.280803.1.3.026000, transmitido em 28/08/2003, 19208.38270.150903.1.3.02,6664, transmitido em 15/09/2003, 33116.27926.290903.1.3.02 2204, transmitido em 29/09/2003, 16161.92956.290903.1.3024508, transmitido em 29/09/2003, 20064.26529.151003.1.3.029299, transmitido em 15/10/2003 e 25692.74510.311003.1.3.022856, transmitido em 31/10/2003. Os PER/DCOMP's foram baixados para tratamento manual (efls. 24/81). O Despacho decisório não homologou as compensações declaradas (efl. 95, efls. 92/94), por não reconhecer o direito crédito, enquanto que a decisão da primeira instância administrativa Fl. 533DF CARF MF Processo nº 13433.000185/200365 Acórdão n.º 1002000.458 S1C0T2 Fl. 534 3 reformouo em parte para reconhecer parcialmente o direito crédito e homologar parcialmente as compensações, cujo Acórdão n.º 1137.931 restou assim ementado (efls. 472/482): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AnoCalendário: 2002 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA O prazo para a homologação das compensações efetuadas sob condição resolutória foi fixado em cinco anos, contado da data da entrega/transmissão da declaração de compensação. Passado este prazo, as compensações são consideradas homologadas tacitamente. COMPENSAÇÃO. CONDIÇÃO DO CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. Quando da análise das compensações efetuadas, caso seja verificada alguma irregularidade na apuração do saldo negativo do imposto (crédito pleiteado), é devido efetuar as alterações necessárias e determinar o montante efetivo do crédito. Não há que se falar em prazo decadencial para fins de apuração do crédito a ser restituído/compensado, vez que, nos termos do art. 170 CTN, somente são passíveis de restituição ou compensação aqueles líquidos e certos. Demonstrada a inexistência do saldo negativo quando da análise da compensação, é devido não reconhecer o direito creditório e, por conseguinte, não homologar as compensações efetuadas sob condição resolutória. A decadência alcança tão somente o direito à constituição de crédito tributário por ventura decorrente da determinação de saldo de imposto a pagar quando da recomposição da apuração do imposto no ajuste anual. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte No Parecer SORAT n.º 057/2008, de 04 de julho de 2008 (efls. 92/94), que serviu como base para o Despacho Decisório, lavrado pela Autoridade Fiscal da Receita Federal, consta que “na análise dos documentos apresentados (...), nos PER/DCOMP baixados para tratamento manual (...), na consulta aos sistemas da SRF, onde se constatou a inexistência de saldo negativo a ser compensado e, por último, com base no nãocumprimento às determinações contidas nos termos de intimação, proponho a NÃOHOMOLOGAÇÃO da Declaração de Compensação constante às folhas (...) e dos PER/DCOMP's constantes às folhas (...)”. Segundo relatado no citado parecer, o IRPJ 2003/2002 apresentava o valor de R$ 0,00 (zero reais) de IRPJ a pagar; da mesma forma, na DIPJ 2003, o contribuinte informava apenas R$ 430.653,05 (quatrocentos e trinta mil e seiscentos e cinquenta e três reais e cinco centavos) em receitas financeiras decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa, sendo que em consulta ao SIEF constatouse um total de R$ 772.003,92 (setecentos e setenta e dois mil e três reais e noventa e dois centavos), fatos que motivaram a intimação do contribuinte para prestar esclarecimentos e, posteriormente, promover retificação na DIPJ original. Ainda segundo o relatório do supracitado parecer, ao cumprir a intimação, o contribuinte retificou a DIPJ anteriormente apresentada, tão somente para modificar os valores de retenção na fonte, resultando, justamente, no saldo negativo de IRPJ informado no Pedido de Compensação e nos PER/DCOMP's transmitidos, na soma total de R$ 42.008,89 (quarenta e dois mil e oito reais e oitenta e nove centavos), permanecendo a discrepância no que diz respeito às receitas oriundas de aplicações financeiras de renda fixa. Foi justamente essa Fl. 534DF CARF MF Processo nº 13433.000185/200365 Acórdão n.º 1002000.458 S1C0T2 Fl. 535 4 distorção de informações fiscais que motivou a Autoridade Fiscal a proferir o Despacho Decisório que nãohomologou as compensações pretendidas pelo contribuinte. Após estes breves apontamentos, observese o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, na forma que se extrai do relatório constante no Acórdão vergastado do juízo a quo (efls. 472/482): Tratam os autos de pedido de compensação formulado em papel pelo contribuinte acima qualificado, às fl. 03 a 05 (aqui será utilizada a numeração do processo digital), onde compensou débitos de estimativa de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), nos valores de R$ 1.976,52, R$ 2.838,82 e R$ 2.514,01, vencidos, respectivamente, em 28 de fevereiro de 2003, 31 de março de 2003 e 30 de abril de 2003, e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no montante de R$ 194,73, com vencimento em 28 de fevereiro de 2003, com supostos créditos de saldos negativos de IRPJ e de CSLL referentes ao anocalendário 2002, nos valores de R$ 42.008,88 e R$ 194,73, respectivamente. Posteriormente, ele transmitiu as Declarações de Compensação abaixo indicadas, às fls. 24 a 81, utilizando os mesmos créditos para efetuar as compensações pretendidas: (...) Após análise manual das referidas compensações efetuadas sob condição resolutória, foi expedido o Parecer Sorat n.º 57/2008, às fls. 92 a 94, propondo a sua não homologação pelas razões resumidas abaixo. Este parecer foi confirmado pelo Despacho Decisório à fl. 95: 1. na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) foi apurado imposto a pagar igual a zero. Verificouse, também, nesta declaração, que o contribuinte declarou apenas R$ 430.653,05 (fl. 87) dos R$ 772.003,92 de receitas financeiras constantes das Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf) (fls. 82 a 86); 2. intimado (fl. 12), alegou desconhecer algumas receitas e retenções na fonte. Foi então intimado a retificar sua DIPJ (fl. 13), para consignar os valores corretos de receitas financeiras. Retificou a DIPJ, porém alterou apenas o valor das retenções na fonte, resultando um saldo negativo de IRPJ de R$ 42.008,89 (saldo informado nas compensações). Novamente intimado a retificar sua DIPJ (fl. 90), contudo não atendeu a intimação; 3. se lançados corretamente os valores das receitas financeiras e suas correspondentes retenções na fonte, os saldos negativos de IRPJ e CSLL apresentariam valores diferentes (menores). Cientificado da decisão em 31 de julho de 2008, bem assim da carta de cobrança dos débitos confessados, consoante Aviso de Recebimento (AR) à fl. 103, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade às fls. 105 a 111, em 27 de agosto de 2008, onde argumentou, em síntese, o que segue: 1. homologação tácita das compensações efetuadas – formulou pedido de compensação em 08 de maio de 2003, havendo efetuado transmissão de Dcomp com o mesmo crédito entre maio e outubro de 2003, ao passo que o pronunciamento da Receita Federal somente ocorreu após o prazo fixado no § 5.º do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, qual seja, de cinco anos Fl. 535DF CARF MF Processo nº 13433.000185/200365 Acórdão n.º 1002000.458 S1C0T2 Fl. 536 5 contados do momento da entrega do pedido de compensação, ocorrendo homologação tácita. Nesse sentido está a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF); 2. homologação tácita dos saldos negativos apurados em DIPJ em função do art. 150, § 4.º, do Código Tributário Nacional (CTN) – constatada a insuficiência dos saldos negativo em decorrência de suposta omissão de rendimentos, a autoridade fiscal teria que ter efetuado lançamento de ofício para exigências das eventuais diferenças, sob pena de homologação dos créditos declarados por força do art. 150, § 4.º, do CTN. A imputação de omissão em momento posterior à extinção do crédito tributário por homologação tácita, sem o devido lançamento, não encontra respaldo legal. O saldo negativo apurado na DIPJ retificadora está homologado. Em 08 de outubro de 2008, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Mossoró/RN (DRF/MOS) expediu o despacho à fl. 126, pronunciandose pela tempestividade da manifestação e encaminhando os autos para julgamento por esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (DRJ/REC). Após a análise da decisão e da manifestação de inconformidade, bem assim dos documentos que instruíam os autos até aquele momento, a Quinta Turma desta DRJ/REC decidiu por baixar os autos em diligências para serem realizadas as seguintes apurações (fls. 138 a 140): 1. verificar a existência de comprovantes de retenção fornecidos pelas fontes pagadoras que ratifiquem o montante de R$ 71.403,02 informado na DIPJ retificadora a título de IRRF; 2. verificar se o montante da estimativa de CSLL informado na DIPJ retificadora representa efetivamente o somatório das estimativas pagas por Darf, devidamente confirmados pelo sistema Sinal04. Esclareceu que a autoridade fiscal deveria elaborar relatório com os esclarecimentos solicitados ou com quaisquer outros pronunciamentos que entender necessários para a solução do litígio. Como resultado da diligência, foi elaborada a Informação Fiscal às fl. 450 a 461, resumida a seguir: 1. glosa parcial dos valores de estimativa de CSLL e de IRPJ deduzidos no ajuste anual na DIPJ (demonstrativos às fls. 458 a 459 e 461) – foram aceitas as parcelas de estimativas compensadas com saldos negativos de períodos anteriores, conforme alegado na resposta à intimação e confirmado nas DCTF, e foram aceitos como recolhidos os valores para os quais o contribuinte apresentou Darf válidos; 2. omissão de receitas financeiras – constatado com base nas Dirf que os rendimentos de aplicação financeira foram de R$ 772.003,92 e o IRRF de R$ 154.400,65. Estes valores foram considerados no demonstrativo de cálculo dos novos valores de IRPJ e CSLL (fl. 461). O contribuinte havia escriturado e declarado apenas R$ 357.024,38 a título de rendimentos. Com base nos comprovantes de rendimentos e de retenção apresentados em diligência, foi confirmada a falta de escrituração parcial dos informes do Banco do Brasil e do HSBC. Os valores da Caixa Econômica Federal foram devidamente declarados e lançados na contabilidade. Já para os rendimentos do Banco Alvorada não foi apresentado comprovante pelo contribuinte; Fl. 536DF CARF MF Processo nº 13433.000185/200365 Acórdão n.º 1002000.458 S1C0T2 Fl. 537 6 3. com base na nova planilha de cálculo restou demonstrado: a) não haver saldo negativo de CSLL de R$ 194,72, mas sim valor a pagar de R$ 37.385,10; e b) que o saldo negativo de IRPJ correto foi de R$ 20.653,49, mas não R$ 42.008,89 declarado na DIPJ retificadora. Cientificado do relatório da diligência em 19 de abril de 2012, consoante AR à fl. 466, o contribuinte apresentou a contestação às fl. 468 a 469, em 14 de maio de 2012, onde alegou que a autoridade fiscal desbordou da determinação da autoridade julgadora, buscando demonstrar a inexistência dos saldos de IRPJ e de CSLL a partir da imputação de omissão de receitas de aplicações financeiras. Com isso, em sua opinião, a autoridade fiscal, de forma ilegal e indevida, ao alterar resultados apurados e declarados estaria efetuando novo lançamento em período já alcançado pela decadência. Reiterou, ainda, o argumento de homologação tácita das compensações. A tese de defesa foi parcialmente acolhida pela DRJ, homologando, parcialmente, as compensações entregues e transmitidas pelo contribuinte, em função do decurso do prazo decadencial de cinco (5) anos. Por outro lado, não se homologou as compensações efetuadas nos PER/DCOMP's ns.º 09954.58067.140803.1.3.027492, transmitido em 14/08/2003, 34831.15135.280803.1.3.023866, transmitido em 28/08/2003, 25819.55717.280803.1.3.026000, transmitido em 28/08/2003, 19208.38270.150903.1.3.02 6664, transmitido em 15/09/2003, 33116.27926.290903.1.3.022204, transmitido em 29/09/2003, 16161.92956.290903.1.3024508, transmitido em 29/09/2003, 20064.26529.151003.1.3.029299, transmitido em 15/10/2003 e, finalmente, 25692.74510.311003.1.3.022856, transmitido em 31/10/2003, haja vista inexistir, em relação a estes, saldo remanescente do crédito reconhecido, uma vez que o saldo foi integralmente utilizado nas compensações homologadas tacitamente. Eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae (efls. 472/482): Com o advento da Lei n.º 10.833, de 2003, cujo art. 17 alterou a redação do § 5.º do art. 74 da Lei n.º 9.430, 1996, o prazo para a homologação das compensações efetuadas sob condição resolutória foi fixado em cinco anos, contado da data da entrega/transmissão da declaração de compensação. Passado este prazo, as compensações são consideradas homologadas tacitamente. Na espécie, o despacho decisório foi cientificado ao contribuinte em 31 de julho de 2008, razão pela qual todas as compensações declaradas antes de 31 de julho de 2003 já estavam homologadas tacitamente: (...) Todavia, em relação às demais declarações, a decisão foi proferida tempestivamente, cabendo apreciar a suficiência ou não dos créditos nelas apontados pelo contribuinte. Os saldos negativos, que venham a ser validados neste voto, deverão ser alocados inicialmente aos débitos acima detalhados, haja vista a homologação de suas compensações. Apenas o possível resíduo será utilizado para compensar os débitos das demais declarações não homologadas tacitamente: (...) Fl. 537DF CARF MF Processo nº 13433.000185/200365 Acórdão n.º 1002000.458 S1C0T2 Fl. 538 7 É inconteste a omissão de receitas financeiras apurada pela autoridade fiscal tanto no parecer referendado pelo despacho decisório, quanto no relatório da diligência. O próprio contribuinte não ataca os valores apurados pela autoridade fiscal e os comprovantes de retenção por si carreados aos autos confirmam a omissão. Todavia, o contribuinte entende que esta irregularidade apurada deveria ter sido objeto de lançamento de ofício, o que não ocorreu. Alega que esta infração não mais lhe poderia ser imputada por ter precluído o direito de constituição do crédito tributário devido ao transcurso do prazo decadencial de cinco anos (art. 150, § 4.º do CTN). Por isso estariam homologadas as apurações do IRPJ e da CSLL a pagar efetuadas na DIPJ retificadora entregue tempestivamente e, por conseguinte, validados os saldos negativos por si apurados. Cabe razão apenas parcial ao contribuinte. Não há dúvida de que o contribuinte não estava mais sujeito à constituição do crédito tributário relativo ao anocalendário 2002, vez que o direito da Fazenda Nacional havia sido fulminado pela decadência. Exatamente em função disso não foi lavrado auto de infração para exigir a CSLL a pagar apurada no trabalho fiscal, acrescida de multa de ofício e juros moratórios. Todavia, este prazo aplicase tão somente à constituição de crédito tributário, e não à validação do direito creditório do contribuinte perante a Fazenda Nacional a ser restituído ou compensado. Isto porque, nos termos do art. 170 CTN, são passíveis de restituição ou compensação apenas os créditos líquidos e certos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Verificado, em trabalho fiscal de análise das compensações efetuadas sob condição resolutória, que o contribuinte não possui de fato o crédito pretendido em função de prestação de informações inverídicas em sua declaração e em função de omissões em sua escrituração, este não pode ser considerado nem certo nem líquido. Assim, não procede o argumento do contribuinte, sendo devida a recomposição dos cálculos do IRPJ e da CSLL a pagar para fins de determinar o exato montante de crédito a que faz jus. Frisese que a autoridade fiscal, de forma acertada, ao incluir as receitas financeiras omitidas na recomposição do cálculo dos tributos, deduziu as respectivas retenções na fonte. Em relação à pequena glosa dos montantes de IRPJ e CSLL estimados deduzidos pelo contribuinte no ajuste anual em sua DIPJ retificadora, justificada na falta de comprovação integral dos recolhimentos/compensações dos valores apurados mensalmente, há que se considerar como correta a apuração fiscal, vez que o contribuinte não a contestou. O levantamento foi efetuado com base nos Darf apresentados e considerados válidos pelo próprio contribuinte durante diligência, tendo sido aceitos Fl. 538DF CARF MF Processo nº 13433.000185/200365 Acórdão n.º 1002000.458 S1C0T2 Fl. 539 8 como verídicos todos os pagamentos realizados por compensação com saldos negativos de períodos anteriores. Então, concluise pela correção dos cálculos efetuados pela autoridade fiscal, que resultaram na apuração de saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 20.653,49 e da inexistência de saldo negativo de CSLL. Por fim, não procede o argumento do contribuinte no sentido de que a autoridade fiscal teria ido além da determinação da autoridade julgadora na solicitação de diligência, buscando demonstrar a inexistência dos saldos de IRPJ e de CSLL a partir da imputação de omissão de receitas de aplicações financeiras. Primeiro, e mais importante, porque a omissão de receitas financeiras não foi verificada durante a diligência, mas sim já no parecer que serviu de base para o despacho decisório que não homologou as compensações efetuadas. Não houve inovação. Segundo, pois, ainda que a questão não tivesse sido anteriormente abordada, o que não é o caso, a autoridade julgadora permitiu à autoridade fiscal diligenciadora ampla liberdade de verificações, conforme se depreende do seguinte trecho da solicitação de diligência: Caso a autoridade diligenciadora discorde dos saldos negativos de IRPJ e/ou CSLL declarados em DIPJ retificadora pela contribuinte (ou mesmo conclua pela inexistência dos referidos saldos), deverá encaminhar as conclusões dos exames realizados à interessada (assim como quaisquer outros pronunciamentos que entender necessários para solução do litígio), concedendolhe prazo de trinta dias para, se assim o desejar, emitir manifestações a respeito. Ante o exposto, tendo sido validado apenas o crédito de IRPJ no valor de R$ 20.653,59, demonstrase a seguir que não existe saldo remanescente após a sua utilização nas compensações homologadas tacitamente. No recurso voluntário (efls. 500/504) o contribuinte reitera os argumentos suscitados na manifestação de inconformidade (efls. 105/111) para vindicar o direito creditório pretendido, reforçando a discussão de mérito com os seguintes argumentos, dentre outros, verbo ad verbum: (...) o órgão colegiado de julgamento em primeira instância administrativa findou por acolher parcialmente a irresignação da recorrente, para declarar a homologação tácita das compensações enviadas até 31 de julho de 2003, nos termos do art. 74, § 5.º, da Lei n.º 9.430/96; noutro vértice, manteve a autoridade julgadora a alegação de que os saldos negativos de IRPJ e CSLL não existiriam no montante informado pela recorrente, em virtude do quê o direito creditório apenas foi reconhecido em parte. Sucede, entretanto, que o argumento esposado pelo Fisco, no sentido de que os saldos negativos de IRPJ e CSLL utilizados pela contribuinte nos pedidos de compensação inexistiriam, não ostenta qualquer respaldo jurídico. Isto porque, visto que os saldos negativos de IRPJ e CSLL que fundamentam o direito creditório da contribuinte foram Fl. 539DF CARF MF Processo nº 13433.000185/200365 Acórdão n.º 1002000.458 S1C0T2 Fl. 540 9 devidamente informados no bojo da DIRPJ – 2003, temse que a sua desconstituição unicamente poderia ocorrer à força de lançamento ex officio, na qual restasse constatada a infração correspondente à omissão de receitas, suscitada pelo Fisco para reduzir o montante dos saldos negativos de IRPJ e CSLL que foram levados à compensação. Logo, em não se observando o procedimento administrativo de lançamento, qual gizado no art. 142, do Código Tributário Nacional, no interregno de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador da obrigação fiscal, exsurge inelutável a homologação dos saldos negativos de IRPJ e CSLL consignados na DIPJ – 2003, com espeque no art. 150, § 4.º, do CTN. Nesse contexto, sobreveio determinação para encaminhamento destes autos para o Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF (efl. 513). Em continuidade ao trâmite processual, em 17/11/2014, foram juntados por apensação a este processo, os feitos que controlam os débitos informados nas Dcomp´s, Processos ns.º 13433.721296/201208, 13433.721298/201299, 13433.721299/201233, 13433.721300/201220, 13433.721301/201274, 13433.721302/201219, 13433.721303/2012 63, 13433.721304/201216, 13433.721305/201252, 13433.721306/201205. Posteriormente, os processos foram distribuídos para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 24/09/2012, efl. 484 e 497, e protocolo recursal realizado em 22/10/2012, efl. 500), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017, haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Outrossim, a Portaria CARF n.º 111, de 20 de julho de 2018, que estabelece o momento da verificação do valor em litígio para fins de definição da competência das Turmas Extraordinárias (TE's), disciplina que a verificação do valor em Fl. 540DF CARF MF Processo nº 13433.000185/200365 Acórdão n.º 1002000.458 S1C0T2 Fl. 541 10 litígio, para fins de definição da competência das TE's, será realizada pela Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap) no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem como define que permanecerá na competência das referidas turmas o recurso voluntário cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou para o conselheiro relator, desde que a partir dessa atualização o valor em litígio não exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos. Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do eprocesso para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de R$ 21.550,02. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando originalmente o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, oportunidade em que o sujeito passivo efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Pois bem. Basicamente, sustenta o contribuinte que os saldos negativos de IRPJ e CSLL que fundamentam o direito creditório, informados na DIRPJ de 2003, não podem ser desconstituídos, pois se tornaram definitivos face a inexistência de lançamento ex officio, vez que não houve auto de infração, na qual restasse constatada a infração correspondente à omissão de receitas, suscitada pelo Fisco, para autorizar reduzir o montante dos saldos negativos de IRPJ e CSLL constituídos pelo contribuinte, os quais foram levados à compensação. Pois bem. No regime de apuração escolhido pelo contribuinte, o qual prevê antecipações de estimativas e retenções na fonte, a lógica do sistema estabelece que o contribuinte suporteas para, ao final do exercício, efetivar a apuração e calcular os tributos Fl. 541DF CARF MF Processo nº 13433.000185/200365 Acórdão n.º 1002000.458 S1C0T2 Fl. 542 11 devidos ou compor o saldo negativo. Esta operação esta sujeita a fiscalização, que poderá se valer de auto de infração, no prazo decadencial de cinco (5) anos, para lançar eventuais créditos tributários não computados, caso entenda ausente valores devidos na apuração antecipada pelo contribuinte. Alega, então, o contribuinte que passados os cinco anos não se poderia efetuar glosa da composição de saldo negativo na análise de declarações de compensação, sob pena de se violar o instituto da decadência. Para a referida tese, com a devida vênia, não assiste razão ao contribuinte. O contribuinte quer crer que devese reconhecer a impossibilidade da glosa, uma vez que superado os cinco anos da composição do saldo negativo, quando do despacho decisório, deverseia reconhecer a certeza e liquidez do saldo negativo, independentemente das DCOMP's estarem no prazo do quinquênio legal para se atestar a certeza e liquidez. O fato é que este Egrégio conselho de Recursos Fiscais em diversas oportunidades analisou a referida tese e a negou, conforme Acórdãos ns.º 9101003.708, 1401002.730, 1401002.779, 1302002.871, 1001000.489, 1201001.912, 9101003.156, dentre outros. Para aclarar o tema cito duas ementas de dois destes acórdãos citados: Acórdão n.º 9101003.156 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 1998 ÔNUS DA PROVA. PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. O artigo 74, §§ 9.º, 10 e 11 da Lei n.º 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei n.º 10.833, de 2003, predicam que o rito da compensação segue as regras do Decretolei n.º 70.235, de 1972 (PAF), sendo que a prova de liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado para fins de indébito tributário é do contribuinte. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. TRATAMENTO MANUAL DE INFORMAÇÕES. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte acompanhados de documentação de suporte. Tendo sido o despacho decisório resultado de tratamento manual de informações, a falta de comprovação da retificação do débito confessado, em análise realizada com base em documentação apresentada pela empresa, demonstra com exatidão a inexistência do direito creditório pleiteado. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO ORIGINADO EM ANOS ANTERIORES. APRECIAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. GLOSA DE SALDO NEGATIVO SEM TRIBUTO A PAGAR. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. Quando o crédito utilizado na compensação tem origem em saldos negativos de anos anteriores, há que se proceder com Fl. 542DF CARF MF Processo nº 13433.000185/200365 Acórdão n.º 1002000.458 S1C0T2 Fl. 543 12 análise da apuração de cada um dos anoscalendário pretéritos, que serviram para a composição do saldo negativo utilizado como direito creditório. Tratase de apreciação no qual não se aplica contagem de decadência, vez que se restringe à verificação da liquidez e certeza do crédito tributário. Caso resulte em glosa de saldo negativo sem desdobramento em tributo a pagar, não se constitui em lançamento de ofício, razão pela qual não se submete à contagem do prazo decadencial. Tratase de situação complemente diferente daquela em que a glosa do saldo negativo tem como resultado tributo a pagar, ocasião na qual o correspondente lançamento de ofício só poderá ser efetuado caso esteja dentro do prazo decadencial previsto na legislação tributária. Acórdão n.º 9101003.156 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 DECADÊNCIA APURAÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS FATOS PASSADOS COM REPERCUSSÃO FUTURA A decadência, no direito tributário, operação tão só sobre o direito material do fisco de, a partir da ocorrência do fato gerador do tributo, promover o respectivo lançamento, não afetando fatos estranhos ao aspecto temporal da hipótese de incidência e que, não obstante pertencentes a períodos anteriores, contribuem, lado outro, para a tipificação perfeita do aspecto quantitativo. A decadência, portanto, não afeta o poder/dever do fisco de investigar fatos passados com repercussão futura. (...) De mais a mais, a Solução de Consulta Interna n.º 16, datada de 18 de junho de 2012, EProcesso n.º 19535.720002/201170, da CoordenaçãoGeral de Contencioso Administrativo e Judicial (COSIT), esclarece em sua ementa que: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO É dever da autoridade, ao analisar os valores informados em Dcomp para fins de decisão de homologação ou não da compensação, investigar a exatidão do crédito apurado pelo sujeito passivo. A homologação tácita de declaração de compensação, tal qual a homologação tácita do lançamento, extingue o crédito tributário, não podendo mais ser efetuado lançamento suplementar referente àquele período, a menos que, no caso da compensação de débitos próprios vincendos, esta tenha sido homologada tacitamente e ainda não se tenha operado a decadência para o lançamento do crédito tributário. Todavia, não há previsão legal de homologação tácita de saldos negativos ou pagamentos a maior, devendo a repetição de indébito por meio de declaração de compensação obedecer aos dispositivos legais pertinentes. Fl. 543DF CARF MF Processo nº 13433.000185/200365 Acórdão n.º 1002000.458 S1C0T2 Fl. 544 13 Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ e da CSLL apurados nas declarações apresentadas, a serem regularmente comprovados pelo sujeito passivo, quando objeto de declaração de compensação, devendo, para tanto, ser mantida a documentação pertinente até que encerrados os processos que tratam da utilização daquele crédito. Dispositivos Legais: Art. 74 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996; arts. 144, 149, 150, 156 e 170 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 368 e 369 da Lei n.º 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil); art. 264 do Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999. A referida solução de consulta, inclusive esclarece que mesmo uma DCOMP homologada tacitamente não atesta a certeza e liquidez de um saldo negativo em cascata gerado a partir da compensação de estimativas com saldos negativos passados. Ainda, na análise da documentação dos autos, verifico que, realmente, não há comprovação de certeza e liquidez para a referida parcela controversa, conforme bem explanou a decisão recorrida. Deste modo, não visualizo erro in iudicando ou in procedendo na decisão da primeira instância, cabendo a este relator verificar o controle de legalidade deste autos, pelo que estando os atos em conformidade com o direito é de se negar razão ao recorrente. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 544DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10715.008368/2009-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
PENALIDADE. LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES EXIGIDAS PELA RFB. PRAZO DE REGISTRO DADOS EMBARQUE. ALARGAMENTO. IN/RFB Nº 1.096/2010. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE.
A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea 'e', do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias, destinadas à exportação no SISCOMEX, é cabível quando o atraso for superior a 07 (sete) dias, nos termos da IN SRF nº 1.096/2010.
No caso sob análise, tratando de processos ainda não definitivamente julgados, é de aplicação a casos pretéritos o novo prazo estabelecido pela IN/RFB nº 1.096/2010, para prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada ou sobre as operações que execute. Solução de Consulta Interna COSIT nº 8/2008.
ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.
Aos órgãos de julgamento administrativo é vedado pronunciar-se sobre argüições de inconstitucionalidade de lei.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-005.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar-lhe parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES EXIGIDAS PELA RFB. PRAZO DE REGISTRO DADOS EMBARQUE. ALARGAMENTO. IN/RFB Nº 1.096/2010. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea 'e', do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias, destinadas à exportação no SISCOMEX, é cabível quando o atraso for superior a 07 (sete) dias, nos termos da IN SRF nº 1.096/2010. No caso sob análise, tratando de processos ainda não definitivamente julgados, é de aplicação a casos pretéritos o novo prazo estabelecido pela IN/RFB nº 1.096/2010, para prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada ou sobre as operações que execute. Solução de Consulta Interna COSIT nº 8/2008. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Aos órgãos de julgamento administrativo é vedado pronunciarse sobre argüições de inconstitucionalidade de lei. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para darlhe parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 83 68 /2 00 9- 60 Fl. 376DF CARF MF 2 Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra a empresa SOCIÉTÉ AIR FRANCE (fls. 2/9), para constituição de crédito tributário referente à multa regulamentar no valor de R$ 45.000,00, decorrente da prestação intempestiva de informações relativas a 9 embarques aéreos realizados no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Segundo a Fiscalização, a Recorrente registrou intempestivamente os dados de embarque de mercadorias, relativos aos Despachos de Exportação (DDE) relacionados na planilha juntada às fls. 10/11 (informações extraídas do SISCOMEX EXPORTAÇÃO), descumprindo dessa forma a obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 2005, sujeitandose por essa infração à multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003. Em seu Relatório, afirma o Fisco que a obrigação do transportador encontra se estabelecida no art. 37 do Decretolei, com observância do prazo estipulado no art. 39, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994. Que o referido prazo deveria ser observado pelo transportador por veículo, cada um identificado pelo respectivo vôo, em que se transportaram as cargas amparadas pelas Declarações de Exportação (DDE). Cientificado do Auto de Infração, a Recorrente apresentou Impugnação e requereu o cancelamento do lançamento, alegando (i) erro na tipificação do auto de infração, (ii) ausência de prova da intempestividade, (iii) prova imperfeita em razão de indisponibilidades do Siscomex, (iv) inexistência de embaraço à fiscalização, (v) violação da finalidade do ato administrativo e (vi) violação à proporcionalidade e à razoabilidade. Na decisão de piso (prolatada pela DRJ em Florianópolis/SC), destacou o julgador administrativo que “a norma do art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 2005, aumentou o prazo para o transportador registrar no SISCOMEX os dados pertinentes ao embarque da mercadoria”, aplicandose retroativamente com base no disposto no art. 106, II, do CTN. Quanto às demais alegações, a DRJ afastouas, ora por falta de comprovação, ora em razão da necessária observância do princípio da legalidade por parte da Administração Pública, cuja atividade é vinculada e obrigatória. Cientificado da decisão em 18/11/2010 e, não concordando, interpôs em 16/12/2010 o Recurso Voluntário e reiterou seu pedido de cancelamento total do Auto de Infração, repisando os argumentos de defesa apresentados na Impugnação, resumida nas seguintes razões: 1) o Auto de Infração foi lavrado com base em incorreta tipificação, bem como em incorreta adequação dos fatos à norma, aplicandose ao caso o art. 112 do Código Tributário Nacional; Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10715.008368/200960 Acórdão n.º 3402005.877 S3C4T2 Fl. 377 3 2) que a planilha com dados extraídos do SISCOMEX que integra o presente Auto de Infração não indica a data real em que a Recorrente realiza a inserção de dados de embarque no Sistema, razão pela qual, por falha técnica, não ficam registradas as tentativas de inclusão de dados de embarque no SISCOMEX; 3) o SISCOMEX inegavelmente apresenta falhas técnicas que, por diversas vezes, geram sua indisponibilidade por horas ou mesmo dias e impedem a inserção de dados de embarque de mercadorias, não podendo a Recorrente arcar com pesadas multas em virtude de um atraso que ela não deu causa; 4) que as mercadorias embarcadas no mês de julho de 2005, não podem gerar qualquer espécie de multa à Recorrente, eis que informada tempestivamente, tendo em vista a Solução de Consulta n° 215/04 da RFB, bem como que o Órgão Julgador de primeira instância não apresentou os motivos pelos quais formulou entendimento diverso daquele esposado na mencionada Solução de Consulta. Por fim, acrescentou as seguintes razões: (i) o caráter confiscatório da multa e (ii) da possibilidade de retroação da IN n° 510, de 2005. Sustentou, também, a ocorrência de direito superveniente, autorizando a aplicação do instituto da denúncia espontânea às multas administrativas. Os autos, então, foram encaminhados a este CARF, que após serem analisados, foi proferido o Acórdão nº 3803006.287 (3ª Turma Especial), sessão de 22/07/2014 (fls. 142/149), que no voto condutor, o Relator aduz que "em relação às alegações do Recorrente que coincidem com aquelas formuladas na primeira instância, reafirmo o que foi dito pelo julgador de piso quanto à ausência de comprovação dos fatos apontados e à necessidade de observância, pela Administração Pública, cuja atividade é vinculada, do princípio da legalidade em matéria tributária. Contudo, dois dos argumentos trazidos pelo Recorrente na segunda instância mostramse cabíveis no presente julgamento". Ao final, decidem que no caso sob análise, no momento da prestação de informações pelo transportador, as Declarações de Exportação já haviam sido apresentadas, restringindose a obrigação acessória aos registros dos embarques no SISCOMEX, medida essa de controle meramente administrativo, o que em nada afeta o cumprimento das obrigações tributárias principais. E conclui da seguinte forma (fl. 142): "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado que negava provimento". (Grifei) Cientificada do Acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei nº 12.350/2010. Ao julgar o caso, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF (Acórdão nº 9303003.788, de 26/04/2016, fls. 288/296), deu provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, afastando a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea às penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela RFB para a prestação de informações à administração aduaneira. Fl. 378DF CARF MF 4 Na mesma decisão, determinou que os autos fossem remetidos novamente às Turmas Ordinárias (TO) para apreciação e deliberação dos demais argumentos apresentados pelo Contribuinte em seu recurso. O contribuinte opôs Embargos de Declaração cuja a admissibilidade foi negada por despacho do Presidente do CARF. Por fim, cabe informar que a Recorrente, lançou mão ao Poder Judiciário e a Fazenda Nacional (PGFN) recorreu da liminar concedida, culminando que o Tribunal Regional Federal da 1ª Região TRF01, proferiu decisão no Agravo de Instrumento nº 1005165 84.2016.4.01.0000 (Processo Referência: 100696887.2016.4.01.3400), em que restou cassada a liminar concedida do MS 100696887.2016.4.01.3400, impetrante SOCIETE AIR FRANCE (fls. 325/374). Os autos foram distribuídos à esta Turma Ordinária, para relatoria do feito. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Como se verifica no relatório, apenas o argumento relativo à aplicação da denúncia espontânea em relação a penalidades decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias foi enfrentado no Acórdão proferido pela 3ª Turma da CSRF, justamente por ter sido o fio condutor do Acórdão proferido na Turma Especial, que deixou de deliberar sobre os demais pontos, a despeito do Relator têlos citados em seu acórdão. Desse modo, cabe a este Colegiado discutir, apenas os demais argumentos aduzidos no recurso voluntário da Recorrente. Como relatado, a Recorrente alega em sua Impugnação e repisa no recurso que (i) ocorreu erro na tipificação do auto de infração, (ii) ausência de prova da intempestividade, (iii) prova imperfeita em razão de indisponibilidades do SISCOMEX, (iv) inexistência de embaraço à fiscalização, (v) violação da finalidade do ato administrativo e (vi) violação à proporcionalidade e à razoabilidade. Acrescentou no recurso as seguintes alegações: (vii) caráter confiscatório da multa e (viii) impossibilidade de retroação da IN n° 510, de 2005. Sustentou, também, a ocorrência de direito superveniente, autorizando a aplicação do instituto da denúncia espontânea às multas administrativas, matéria esta, já enfrentada e decidido pelo seu afastamento pela 3ª Turma da CSRF. 1. Da alegada Nulidade do lançamento Quanto ao argumento sustentado pela Recorrente que é nulo o lançamento, ao fundamento que ocorreu erro na tipificação do Auto de Infração e também que não haveria provas do cometimento da infração, entendo que nos dois argumentos não assiste razão à Recorrente, explico. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10715.008368/200960 Acórdão n.º 3402005.877 S3C4T2 Fl. 378 5 Desta forma aduz a Recorrente, "(...) O auto de infração foi lavrado com base em incorreta tipificação, bem como em incorreta adequação dos fatos à norma, aplicandose ao caso o art. 112 do Código Tributário Nacional". Pois bem. Verificase no Auto de Infração, no quadro "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" (fl. 5 dos autos), que a Fiscalização enquadrou a infração na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, na redação conferida pela Lei n.º 10.833, de 2003, que tipifica a conduta de deixar de prestar as informações requeridas, na alínea “c” do mesmo dispositivo, combinado com dispositivos da IN/SRF nº 28/1994 e IN/SRF nº 510/2005. Vejase: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV – de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga. (Grifei) Como pode ser visto, o alegado enquadramento incorreto não se verifica. De outra forma, a multa em apreço é decorrente, tãosomente, da impontualidade da interessada quanto ao cumprimento da obrigação acessória de que trata a alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37, de 1966, infração essa que, se não informada, seria passível de conhecimento pela autoridade aduaneira. Portanto, perfeitamente tipificada a infração. Quanto a alegação de que não haveria provas do cometimento da infração, resta constatado nos autos que os dados que embasaram o lançamento, estão relacionados nos demonstrativos de fls. 10/11, separado por numero de DDE, sendo que tais informações foram extraídas do Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX, módulo EXPORTAÇÃO), um Sistema informatizado que reflete, num único ambiente, onde permanecem gravadas todas as informações relativas ao comércio exterior (incluindo o registro de embarque de mercadorias destinadas ao exterior) e no qual é exercido o controle governamental do Brasil, a partir inclusive, de informações registradas pelos próprios importadores, exportadores, depositários e transportadores, por seus empregados ou representantes legais. Alega também a Recorrente que, "(...) A planilha Siscomex que integra o presente auto de infração não indica a data real em que a Recorrente realiza a inserção de dados de embarque no sistema, razão pela qual, por falha técnica, não ficam registradas as tentativas de inclusão de dados de embarque no Siscomex, conforme comprovado abaixo (...)". Fl. 380DF CARF MF 6 Ora, se houve alguma das informações relacionadas na planilha de forma incorreta, é ônus da Recorrente demonstrar, trazendo aos autos as provas documentais que comprovem o erro supostamente cometido pela Fiscalização. Afinal, conforme conhecido brocardo jurídico, alegar e não provar é o mesmo que não alegar, devendo o julgador observar as regras de distribuição do ônus probatório. Contudo, a Recorrente nada trouxe que infirmasse qualquer das informações encartadas no demonstrativo elaborada pela Fiscalização e anexada às fls. 10/11. Quanto ao alegado que o Auto de Infração lavrado não foi instruído com qualquer documento que comprove a infração imputada à mesma, caracterizando o cerceamento do direito de defesa, verificase que o Auto de Infração foi lavrado por autoridade competente e teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da RFB, detalhada no Auto de Infração, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade fazendária a sua lavratura. A Recorrente foi cientificada da exigência fiscal e apresentou Impugnação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento de psio, uma vez que todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235/72, foi observado, tanto no lançamento tributário, como no curso do devido processo administrativo fiscal. Assim, a nulidade alegada pela Recorrente quanto ao possível erro de enquadramento legal da penalidade não deve prosperar, haja vista que o tipo infracional está perfeitamente descrito na norma e se coaduna com o fato ocorrido, qual seja, o atraso na prestação dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria. No mesmo sentido verificase que as informações das datas foram extraídas do Sistema de controle de exportação, o SISCOMEX. 2. Da contagem do prazo para inserção dados de embarque retroatividade benigna Sustenta a Recorrente que, (...) As mercadorias descritas no item III, embarcadas no mês de julho de 2005, não podem gerar qualquer espécie de multa à Recorrente, eis que informada tempestivamente, tendo em vista a solução de consulta n° 215/04 da Receita Federal, bem como que o Órgão Julgador de primeira instância não apresentou os motivos pelos quais formulou entendimento diverso daquele esposado na mencionada Solução de Consulta". Afirma que a redação da Solução de Consulta n° 215/04, é clara ao afirmar que não há justificativa para que se considere o início da contagem de prazos às sextasfeiras, sábados, domingos e feriados já que "tal procedimento apenas aumenta o Custo Brasil sem nenhum incremento visível de performance da fiscalização aduaneira". Quanto a contagem dos prazos, o Fisco acertadamente considerou a forma prescrita no caput do artigo 210 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), que determina que os prazos sejam contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Art. 210 Os prazos fixados nesta Lei ou na legislação tributária serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10715.008368/200960 Acórdão n.º 3402005.877 S3C4T2 Fl. 379 7 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (grifei). No entanto, neste caso, não é de se aplicar, porém, a regra prescrita em seu parágrafo único, segundo o qual os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato, uma vez que o cumprimento do prazo em questão não está a depender da intervenção da repartição pública, nem nesta deva ser realizada, uma vez que a obrigação deve ser efetuada pela própria Recorrente em seu estabelecimento. Tratase de regra excepcional, destinada apenas a estabelecer uma exceção à disposição encartada na cabeça do artigo. Como se observa, o nosso entendimento é divergente do adotado na Solução de Consulta 9ª RF/DISIT nº 215, de 2004. Contudo, alerto que além de desprovida de caráter vinculante, não resultou de consulta formulada pela Recorrente. Desta forma, encontrase correto o critério utilizado para aplicação da penalidade, ao considerar que o valor de R$ 5.000,00 deve ser exigido em relação a cada veículo transportador (por data de embarque), ou seja, por embarque/vôo, o que totalizou 09 vôos, no caso em apreço, resultando no valor de R$ 45.000,00. No entanto, há que se destacar que o art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994, alterado pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 2005, desta forma dispunha na época dos fatos (redação dada pela IN RFB 510, de 2005): Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Redação dada pela IN 510, de 2005) Considerando o teor do excerto supra e o fato de que a autuação se refere a embarques ocorridos no mês de julho de 2005, é possível constatar que, no momento da ocorrência das infrações apontadas pela Fiscalização, vigia a redação do art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994, dada pela IN SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005, que fixava o prazo de 2 (dois) dias para a prestação das informações no Siscomex. Contudo, posteriormente, foi editada a IN RFB n.º 1.096, de 13 de outubro de 2010, que alargou para 7 (sete) dias o prazo para a prestação das informações de embarque. Vejase: Art. 1º Os arts. 37, 41 e 52 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 27 de abril de 1994, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. (Grifei) Como se vê do artigo acima, a Instrução Normativa nº 1.096/2010 que, em seu art. 1°, alterou a redação do art. 37 da Instrução Normativa n° 28/94, para determinar que o transportador deverá registrar no SISCOMEX os dados de embarque de mercadorias no prazo de 07 dias, contados da data de respectivo embarque, e que o Código Tributário Nacional dispõe, em seu art. 106, II, que a lei nova que deixe de definir determinada conduta como Fl. 382DF CARF MF 8 infração aplicase imediatamente aos atos não definitivamente julgados, não resta dúvidas quanto à aplicação retroativa da Instrução Normativa n° 1.096/2010, eis que a Receita Federal do Brasil deixou de definir como infração, a inserção de dados no SISCOMEX realizada anteriormente ao prazo de 07 dias da data de embarque. No mesmo diapasão, destacase que a aplicação da retroatividade benigna do prazo estabelecido pela IN RFB nº 1.096/2010, também já é matéria pacificada neste Colegiado. Mesmo que haja opiniões divergentes acerca da aplicação a fatos pretéritos das dilações de prazo introduzidas pelas Instruções Normativas que alteraram a IN SRF nº 28/94, o fato é que a própria Receita Federal do Brasil, por meio da Solução de Consulta Interna COSIT nº 08, de 14/02/2008, admitiu tal possibilidade. Vejase no trecho abaixo: “9. Observase que o art. 37, com a redação dada pela IN SRF nº 510, de 2005, é norma complementar que modificou uma obrigação acessória. O aumento do prazo para o transportador registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, excluiu de sanções os registros feitos depois de 24 horas e antes de dois dias, bem como os registros feitos depois das 24 horas e antes de 7 dias, na hipótese de embarque marítimo. A legislação tributária deixou de definir, como infração, o registro dos dados nesses intervalos de tempo, o que tornou a nova situação jurídica mais benéfica ao transportador, devendo, portanto, ser aplicada a retroatividade benigna disposta na alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN, pois deixou de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão.” Ante ao acima exposto, entendo que este Conselho não pode ignorar a interpretação que a própria Administração Tributária deu ao assunto, flagrantemente favorável ao administrado, mesmo que, em alguns casos, a retroação de prazos legais possa parecer indevida. Nesse diapasão, considerando os dados apurados pela Fiscalização presentes no Anexo do Auto de Infração (planilha de fls. 10/11), devem ser canceladas as parcelas da multa exigidas com base no prazo de 2 (dois) dias, que não excederem o prazo de 07 (sete) dias, tendo em vista o contido no art. 106, II, alíneas "a" e "b" do Código Tributário Nacional (CTN), que trata da retroatividade benigna. Por conseguinte, da análise da tabela acostada aos autos de fls. 10/11, temse que o lançamento só poderia vigorar em relação às Declarações de Despacho de Exportação DDE, cujos embarques foram efetuados e informados nos seguintes dias: 01/10, 07/10, 08/10, 12/10 e 15/10, todos de 2005, visto que ultrapassado o prazo de 07 dias estabelecido para o registro no SISCOMEX, conforme o estabelecido no artigo 37 da IN SRF nº 28/94 (redação dada pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010), sendo exoneradas as penalidades em que a prestação de informações ocorreu em prazo inferior. Como o critério estabelecido para aplicação da penalidade em considerar que o valor de R$ 5.000,00 deve ser exigido em relação a cada veículo transportador (por data de embarque), ou seja, por embarque/vôo e, restaram 05 vôos sujeito à infração, o que perfaz, no caso em apreço, o valor de R$ 25.000,00. 3. Da alegada prova imperfeita indisponibilidades do SISCOMEX Aduz em seu recurso que, "(...) O Siscomex inegavelmente apresenta falhas técnicas (comprovadas abaixo que, por diversas vezes, geram sua indisponibilidade por horas Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10715.008368/200960 Acórdão n.º 3402005.877 S3C4T2 Fl. 380 9 ou mesmo dias e impedem a inserção de dados de embarque de mercadorias, não podendo a Recorrente arcar com pesadas multas em virtude de um atraso que ela não deu causa". No que diz respeito ao argumento que atribui à ocorrência de problemas no SISCOMEX como sendo motivador do registro dos dados de embarque fora do prazo fixado, tenhoo como daqueles que não transcende de si mesmo, é genérico e desprovido de elementos de prova, e dessa ocorrência não se teve notícia concreta nos autos. Como já asseverado, não basta sustentar que falhas ocorreram no aludido sistema e exemplificálas descrevendo algumas que se teriam verificado inclusive em períodos distintos ao que ocorreram os embarques das mercadorias objeto dos autos. Assim, a pretensão calçada nesse argumento não tem como prosperar no sentido de afastar a aplicação da multa ora litigada. No que se refere às alegações quanto às informações da Fiscalização de que as datas informadas como sendo do registro dos dados de embarque seriam, na verdade, as datas das averbações ou que as mesmas não refletem as tentativas de registros por parte da transportadora, também são desprovidas de comprovação nos autos. Sobre os argumentos de problemas existentes no registro das informações, as mesmas não foram comprovadas de forma que pudessem afastar a exigência do cumprimento do prazo em questão. Ainda que as decisões administrativa e judicial trazidas aos autos para sustentar sua tese não vincule o julgador, é de se destacar que as ementas aludem à necessária comprovação das falhas no SISCOMEX. Quanto às alegações no tocante à aplicação da IN RFB n.º 835/2008, que trata de normas de contingência, é de se destacar que referida norma traz em seu bojo as situações em que se aplicaria e, principalmente, os ritos para que se contingenciassem problemas de origem técnica determinando procedimentos a serem cumpridos pelos interessados. E como se vê da análise dos autos, nada consta que tais procedimentos tenham sido adotados no período da autuação em relação à autuada. Por fim, no que respeita ao encargo de se provar o que se alega, de se ver o disposto no inciso III do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, que diz: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir: (redação dada pelo art. 1º da Lei n° 8.748, de 1993) Grifei 4. Da alegada inexistência de embaraço à fiscalização Cabe ressaltar que na vigência da IN SRF nº 28, de 1994, a inobservância da obrigação estabelecida no seu art. 37, era entendida pela RFB como caracterizadora de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, conforme disposto em seu art. 44. No entanto, a partir da edição da MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, foi estabelecida para o transportador a obrigação de “prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas”, como se verifica da redação emprestada ao art. 37 do Decretolei nº 37, de 1966 pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003: Fl. 384DF CARF MF 10 “Art. 77. Os arts. 1º, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado". Posto isto, com a entrada em vigor dessa nova norma legal, o descumprimento da obrigação de prestar à RFB, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, passou a ser cominada com a multa de R$ 5.000,00, prevista no inciso IV, “e”, do art. 107 do Decretolei nº 37/1966, e não mais aquela prevista por embaraço, que veio a ser tipificada no inciso IV, “c”. Assim, para a caracterização de ilícito sujeito à aplicação da referida multa, há que ser apurado o descumprimento da obrigação, o que implica, no caso, a inobservância de prazo fixado pela Administração Tributária para a apresentação dos dados relativos ao embarque. 5. Violação à proporcionalidade e à razoabilidade caráter confiscatório da multa O argumento de que a multa viola princípios constitucionais não pode ser apreciado pelo julgador administrativo, pois falece competência aos agentes administrativos para afastar a aplicação de dispositivos legais plenamente vigentes. Para que incida a penalidade em questão, basta que se configure a situação fática eleita pelo legislador para a sua aplicação, sendo absolutamente desnecessária qualquer consideração Além disso, quanto ao argumento de desproporcionalidade e da razoabilidade, a única possibilidade de não aplicação da multa seria pela declaração de inconstitucionalidade da mesma, o que é vedado expressamente pelo artigo 26A do Decreto nº 70.235/72 e pela Súmula CARF nº 02, de observância obrigatória por parte deste Colegiado. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 6. Dispositivo Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário interposto e darlhe parcial provimento, para manter o lançamento referente aos embarques informados nos seguintes dias: 01/10, 07/10, 08/10, 12/10 e 15/10, todos de 2005, o que perfaz, no caso em apreço, o valor de R$ 25.000,00 (conforme disposto no item "2" deste voto). É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10715.008368/200960 Acórdão n.º 3402005.877 S3C4T2 Fl. 381 11 Fl. 386DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.688672/2009-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 14/03/2005
COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO POR FORÇA DA SÚMULA CARF N. 02.
Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 é vedado a este colegiado analisar a constitucionalidade de norma tributária em vigor.
REMISSÃO DE DÉBITOS
Dentre as competências atribuídas ao julgador de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se inclui a concessão de remissão de débitos.
Numero da decisão: 3302-005.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.903059/2011-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.903059/2011-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad
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INCIDÊNCIA SOBRE SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO POR FORÇA DA SÚMULA CARF N. 02. Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 é vedado a este colegiado analisar a constitucionalidade de norma tributária em vigor. REMISSÃO DE DÉBITOS Dentre as competências atribuídas ao julgador de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se inclui a concessão de remissão de débitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.903059/201116, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 86 72 /2 00 9- 75 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10880.688672/200975 Acórdão n.º 3302005.940 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada ante a ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública, uma vez que o pagamento indicado foi encontrado, encontrandose, todavia, totalmente alocado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Sinteticamente, sustenta a inconstitucionalidade da COFINS recolhida em razão de no período estar em vigor a Súmula STJ n. 276 e entender que a exigência da contribuição sobre sociedades uniprofissionais seria indevida até 17 de setembro de 2008, quando admite que tributo finalmente teve sua constitucionalidade declarada pelo STF, quando do julgamento da ADI 4071. Sobreveio então o julgamento da DRJ, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 1631.133. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, por meio do qual suscitou os argumentos já submetidos à DRJ, enfatizando a inconstitucionalidade da exação bem como a existência de remissão promovida pela lei 11.941/2009. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10880.688672/200975 Acórdão n.º 3302005.940 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.932, de 26 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.903059/201116, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.932): "O Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva e revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual o admito. Não tendo sido arguidas preliminares, é de se passar à análise do mérito. O cerne da controvérsia é deveras interessante, não é de competência deste colegiado, mas sim do Poder Judiciário, contudo merece ser mencionada para a devida contextualização da matéria em discussão: Tratase da à possibilidade ou não de uma lei formalmente complementar, contudo materialmente ordinária, ser revogada por uma lei ordinária. Da solução desta polêmica decorre a tributação, ou não, das sociedades uniprofissionais, isentadas da COFINS pela Lei Complementar n. 70/91, mas que a referida isenção foi revogada pela Lei Ordinária n. 9.430/96. Na tentativa de pacificar a matéria, no dia 14.05.2003 o STJ editou a Súmula n. 276 que dispunha que "As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas de COFINS, irrelevante o regime tributário adotado". Contudo, no julgamento do RE 377.457/PR e RE 381.964/MG o STF admitiu a constitucionalidade da revogação da Lei Complementar (materialmente ordinária) pela Lei Ordinária e a Súmula STJ 276, o que na prática chancelou a tributação das sociedades uniprofissionais pela COFINS desde a entrada em vigor da Lei Ordinária n. 9.430/96. Em que pese o fato da enorme insegurança jurídica promovida pela alteração jurisprudencial, por força da SÚMULA CARF N. 02 a este Colegiado é vedado apreciar eventual inconstitucionalidade de norma jurídica em vigor. Em relação à exigência da COFINS sobre as sociedades uniprofissionais, este Colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que deve ser reconhecida a isenção para sociedade civil prestadora de serviços profissionais em período anterior à publicação da Lei 9.430/96, sendo irrelevante o regime tributário que esta adote para fins do Imposto de Renda, conforme prevê a Súmula 276 do STJ, como se aduz do Acórdão n. 9303 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.688672/200975 Acórdão n.º 3302005.940 S3C3T2 Fl. 5 4 002.036 proferido no Recurso Especial n. 15374.002049/0063, de relatoria da Ilma. Conselheira Nanci Gama, julgado em 10 de julho de 2012. Contudo, os valores tratados nos presentes autos dizem respeito a período posterior, no qual encontrase em vigor legislação que determina a tributação das sociedades uniprofissionais pela COFINS, cuja constitucionalidade foi reconhecida pelo Pretório Excelso. Neste sentido vale destacar que a declaração da constitucionalidade da revogação pelo STF, por ter natureza declaratória, possui efeitos ex tunc, ou seja, retroagido à data da entrada em vigor da norma revogante. Estando a atividade da Recorrente na região de incidência de norma fiscal impositiva, não há de se reformar a decisão atacada, que nega direito ao crédito tributário pretendido pela Recorrente. Em relação ao argumento da existência de remissão promovida pela lei 11.941/2009, também é certo que a concessão ou o reconhecimento da remissão não é matéria de competência da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, razão pela qual deve ser mantida a r. decisão atacada. Pelos motivos já expostos é de se negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18019.000332/2009-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
NULIDADE.
Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Caracterizam omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, deixe de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
De acordo com a Súmula CARF nº 4, "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais."
Numero da decisão: 1201-002.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Gasparello Lima - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para impedimentos de conselheiros).
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Caracterizam omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, deixe de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. De acordo com a Súmula CARF nº 4, "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais."
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para impedimentos de conselheiros).
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BERNARDO LEAL ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Caracterizam omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, deixe de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. De acordo com a Súmula CARF nº 4, "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 01 9. 00 03 32 /2 00 9- 05 Fl. 449DF CARF MF Processo nº 18019.000332/200905 Acórdão n.º 1201002.333 S1C2T1 Fl. 450 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Bárbara Santos Guedes (suplente convocada para impedimentos de conselheiros). Relatório O acórdão nº 1133.433, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife, julgou improcedente a impugnação administrativa, conforme se extrai da sua ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto n.° 70.235/72, sem preterição do direito de defesa, não há que se falar e nulidade do procedimento fiscal. IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA JURÍDICA SIMPLES. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. A Lei n° 9.430, de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. JUROS DE MORA COM BASE NA SELIC e LEI COMPLEMENTAR N°105/2001. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do mister de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese negarlhe execução. Impugnação Improcedente Fl. 450DF CARF MF Processo nº 18019.000332/200905 Acórdão n.º 1201002.333 S1C2T1 Fl. 451 3 Crédito Tributário Mantido O acórdão recorrido narrou os fatos com exatidão, que proporcionaram a imposição fiscal: Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração, às fls. 194 a 262, para exigência de créditos tributários, referentes ao anocalendário de 2006, adiante especificados: Os referidos autos de infração são decorrentes do procedimento de fiscalização efetuado junto à contribuinte, no qual a fiscalização constatou infrações à legislação do SIMPLES. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal dos respectivos autos de infração, bem como do Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal às fls.190/193 consta que, a fiscalização detectou que a receita bruta declarada pela empresa era bastante inferior à movimentação financeira efetuada em sua conta bancária junto ao Banco do Brasil S.A. Intimada A comprovar a origem dos valores depositados/creditados nas mesmas, a contribuinte não comprovou através de documentação hábil e idônea, ensejando a presunção de omissão de receita de iguais valores de acordo com o disposto no art. 42 da Lei n° 9.430/96. Assim, a fiscalização procedeu A autuação apontando as seguintes irregularidades: 1) OMISSÃO DE RECEITA, nos meses de janeiro a dezembro de 2006, dos impostos e contribuições do SIMPLES (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS), decorrente da diferença entre as bases de cálculo declaradas na PJS1/2007 e os valores creditados em conta corrente da contribuinte cujas origens não foram comprovadas através de documentação hábil e idônea, já expurgados as devoluções de cheques e estornos de depósitos bloqueado, aplicandose a alíquota apropriada a cada período de apuração. 2) INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO, dos meses de janeiro a dezembro de 2006, dos impostos e contribuições do SIMPLES (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS), decorrente da diferença apurada relativa à utilização de percentual inferior ao efetivamente aplicável sobre a receita bruta declarada na PJSI/2007. Devidamente notificada, e não se conformando com o procedimento fiscal, a contribuinte apresentou, tempestivamente, Fl. 451DF CARF MF Processo nº 18019.000332/200905 Acórdão n.º 1201002.333 S1C2T1 Fl. 452 4 a sua peça impugnatória, às fls.267 a 288 na qual questiona integralmente os autos de infração, apresentando seus argumentos de defesa, abaixo descritos sucintamente. I Dos aspectos introdutórios e preliminares. Que a fiscalização deveria ter excluído, das receitas consideradas tributáveis, os custos usuais da atividade empresarial, desta forma resultando "num inchaço injusto da base de calculo dos tributos"(sic). Alega também que a fiscalização, tendo observado a existência de depósitos em contas bancárias da autuada bastantes superiores aos escriturados no Livro Caixa, teria o dever de proceder ao lançamento na forma de arbitramento do lucro, da mesma maneira que no caso do lucro presumido. Assevera ainda que, no presente caso, a forma de tributação pelo lucro presumido e pelo SIMPLES são similares pois exigem a mesma obrigação do Livro Caixa com o registro da movimentação bancária, cabendo, pois, a consideração da imprestabilidade da escrita contábil e conseqüente arbitramento do lucro. A autuada afirma em síntese que, existindo a convicção da imprestabilidade dos registros fiscais/contábeis (Livro Caixa, art. 190, parágrafo único, inciso I, do RIR199) existiria ao fisco exclusivamente a opção legal do arbitramento do lucro, independente do regime de tributação. Requer ainda a improcedência do lançamento sob a alegação da inexistência no lançamento da certeza da ocorrência da omissão de receita nos termos do art. 112 CTN, combinado com o art. 3° do mesmo dispositivo legal. A impugnante também se insurge contra a presunção de omissão de receita com base em depósitos bancários, afirmando que o que restou verificado foi apenas uma movimentação bancária mensal, a qual não teria a capacidade de ser tomada como base de incidência de tributos, antes da adoção dos procedimentos previstos no art. 849 e parágrafos doRIR/99. Assevera ainda que havia informado A. fiscalização de que tais depósitos, apesar de constarem da conta corrente da contribuinte, pertenciam a terceiros, cabendo ao fisco investigar em busca da verdade dos fatos. A autuada requer a nulidade dos autos em lide afirmando que os mesmos não se encontram formalizados de acordo com o disposto no art. 100 do Decreto n° 70.235/77, em face de não conterem à devida e clara discrição dos fatos ensejando a preterição do direito de defesa. Sobre o assunto transcreve entendimentos doutrinários, Acórdãos do CARF, e jurisprudência. Também se insurge contra o lançamento alegando ser desproporcional capacidade contributiva da pessoa jurídica, ferindo pois o disposto no art. 145, parágrafo único da CF. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 18019.000332/200905 Acórdão n.º 1201002.333 S1C2T1 Fl. 453 5 Sobre a capacidade contributiva transcreve entendimentos doutrinários. A impugnante também se insurge contra a utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios. Alega ainda a impossibilidade de a fiscalização exigir da contribuinte o fornecimento da documentação comprobatória de sua movimentação bancária financeira, não podendo confundir se com renda/rendimento ou acréscimo patrimonial, estes únicos fatos geradores do IR e CSLL. Também se insurge contra o lançamento afirmando ter havido quebra do sigilo bancário alegando a inconstitucionalidade da Lei Complementar n° 105/2001. Afirma ainda a autuada que os depósitos bancários representariam um marco indiciário da investigação fiscal, não podendo sustentar a presunção legal contida no art. 42 da Lei n° 9.430/96, sob a alegação de falta de correlação natural exigida sendo "o encargo probatório totalmente transferido para o contribuinte, com manifesta impossibilidade dessa prova ser produzida" (sic). II Das razões de mérito. A impugnante afirma não ter tido condição temporal e material para apresentar os documentos comprobatórios da regularidade de seu negócio (lavagem e tinturaria de tecidos), não lhe sendo garantido o direito de acompanhar devidamente a instrução processual, "já que nessa oportunidade, também deverá ser realizados os expedientes de provas que a referida norma legal exige" (sic) Ressalta mais uma vez o fato de a fiscalização não ter considerado os custos de suas atividades, representados pelos cheques emitidos (a débito da conta bancária), bem como se insurge contra o lançamento com base em presunção, alegando que o fisco deveria ter aprofundado as investigações no sentido de aferir com precisão a matéria tributável. Neste item a impugnante reafirma as razões apresentadas no item I alegando que a fiscalização não determinou com a indispensável precisão a matéria tributável, transferindo ilegalmente essa competência ao contribuinte, afrontando a previsão contida no art. 142 do CTN. III Do pedido. Diante das razões trazidas a impugnante requer a improcedências dos lançamentos em lide, e a adoção de todas as providências legais e técnicas que se fizerem necessárias para o completo afastamento das suspeitas fiscais. Caso persistirem, seja levado em conta que o valor de R$ 2.156.924,48 seria logicamente suficiente para aniquilar o negócio da autuada. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 18019.000332/200905 Acórdão n.º 1201002.333 S1C2T1 Fl. 454 6 Requer ainda a nulidade dos lançamentos constantes do presente processo, em face de a fiscalização não ter utilizado o regime pelo lucro arbitrado, bem como das preliminares suscitadas, com fundamento no art. 59, inciso II do Decreto n° 70.235/72. Caso ultrapassadas as preliminares suscitadas a impugnante requer a improcedência da exigência fiscal no que se refere à formulação da base de calculo dos tributos, visto que assentada em levantamento desprovido de qualquer consistência legal. O contribuinte interpôs seu Recurso Voluntário (efls. 418 a 438), reiterando os mesmos argumentos da impugnação administrativa, sem qualquer nova prova que infirmasse o crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, havendo os demais pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. I. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO O acórdão recorrido confirmou a exigência tributária, explicitando a inexistência de qualquer nulidade do lançamento de ofício: Inicialmente analisaremos à preliminar suscitada a respeito da falta de descrição dos fatos que ensejaria nulidade em face de cerceamento do direito de defesa. Constitui parte integrante dos autos de infração o "Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal" às fls. 190/193 onde consta minuciosamente descrita a ação fiscal em lide, juntamente com os Demonstrativos de Apuração dos Valores Não Recolhidos, (fls. 197/205) e de Apuração do Imposto/Contribuição Sobre as Diferenças Apuradas fls. 206/211. A fundamentação legal constante dos citados autos e as penalidades cabíveis estão corretamente discriminados tipificando perfeitamente a infração cometida em atendimento ao principio da legalidade, portanto, o pleno conhecimento dos valores lançados, das bases infringidas e da descrição dos fatos contidas nos autos de infração, garantiram o pleno direito de defesa da contribuinte, o qual foi exercido, quando contestou o mérito do lançamento analisado a seguir. Diante do acima exposto, e contendo o presente lançamento todos os requisitos prescritos no art. 10 do citado Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, Fl. 454DF CARF MF Processo nº 18019.000332/200905 Acórdão n.º 1201002.333 S1C2T1 Fl. 455 7 não há, pois, que se falar em nulidade do auto de infração em lide. (...) Quanto à nulidade do lançamento requerida em face de a fiscalização não ter utilizado a opção de arbitramento do lucro não assiste razão a impugnante pelo exposto a seguir. A autuada era optante pela tributação no SIMPLES Federal. A adoção por este regime de tributação implica no pagamento mensal unificado de seus tributos e contribuições mediante aplicação, sobre a receita bruta auferida, de percentuais previstos em lei, de acordo com a receita bruta mensal acumulada. Desta forma, não há que se falar em tributação sobre o lucro. Não cabendo as regras previstas para as demais pessoas jurídicas não optantes pelo sistema simplificado as quais poderão optar pela tributação sob o lucro real trimestral ou anual, presumido ou arbitrado. Vale ressaltar que, não existe previsão legal para "arbitramento do lucro" no caso de a contribuinte, optante pelo SIMPLES, não possuir o Livro Caixa, nem tampouco se ele não estiver devidamente escriturado. As hipóteses de arbitramento contidas no art. 530 do RIR/99 regulamentam a tributação para as pessoas jurídicas não optantes do SIMPLES. Outrossim, também não há que falar em custos na tributação pelo SIMPLES, visto que, o mesmo é presumido através dos percentuais aplicáveis as receitas brutas. Igualmente, não vislumbro quaisquer das hipóteses dos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/19721, ratificando a ausência de nulidade e prevalecendo a validade da constituição do crédito tributário, tal como formalizado. Por sua vez, não é nula a exigência consubstanciada em informações financeiras do contribuinte, obtidas pela Receita Federal do Brasil sem prévia autorização judicial. Atualmente, a jurisprudência do Egrégio Supremo Tribunal Federal, uniformizada pelo acórdão prolatado no Recurso Extraordinário (RE) nº 601.314/SP, com efeito da repercussão geral estabelecida no artigo 543B do Código de Processo Civil vigente à 1 “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio” Fl. 455DF CARF MF Processo nº 18019.000332/200905 Acórdão n.º 1201002.333 S1C2T1 Fl. 456 8 época, possibilitou o acesso da movimentação financeira do sujeito passivo durante o procedimento fiscal: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece Fl. 456DF CARF MF Processo nº 18019.000332/200905 Acórdão n.º 1201002.333 S1C2T1 Fl. 457 9 requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. O artigo 145, parágrafo primeiro, da Constituição Federal, consagra o princípio da capacidade contributiva, orientando que "sempre que possível os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte." A autoridade administrativa é competente para exigir informações financeiras do contribuinte, mediante intimação escrita, consoante o artigo 197 do Código Tributário Nacional: "Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II – os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras;" A Lei Complementar nº 105/2001 autorizou a requisição de informações pela autoridade fiscal diretamente nas instituições financeiras, ressaltando que não configuraria violação ao dever de sigilo: Art.1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) §3º Não constitui violação do dever de sigilo: (...) VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art.5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração Fl. 457DF CARF MF Processo nº 18019.000332/200905 Acórdão n.º 1201002.333 S1C2T1 Fl. 458 10 tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) §2º As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. (...) §4º Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. §5º As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Este instrumento eficaz de fiscalização foi regulamentado pela Lei nº 10.174/2001 e pelo Decreto nº 3.724/2001, com validade constitucional reconhecida pelo Colendo Supremo Tribunal Federal. Finalmente, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), mediante sua Súmula nº 2, delimita que "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". II. MÉRITO De acordo com artigo 57, parágrafo terceiro, do Regulamento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, adoto e transcrevo a "decisão de primeira instância", concordando com seu inteiro teor, ressalvando que inexistiu novos argumentos ou provas, quando da interposição do recurso voluntário: Fl. 458DF CARF MF Processo nº 18019.000332/200905 Acórdão n.º 1201002.333 S1C2T1 Fl. 459 11 Consoante descrito no "Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal" às fls. 190/193, a fiscalização detectou depósitos bancários na conta corrente da contribuinte junto ao Banco do Brasil incompatíveis com a receita declarada na PJSI, explicitados através do demonstrativo de fl. 189. Intimada, a contribuinte não apresentou qualquer justificativa quanto à origem da diferença detectada pela fiscalização. Em sua impugnação a autuada se restringe a alegar que pertenciam a terceiros, não trazendo qualquer comprovação desta alegação. Quanto à falta de embasamento legal para a consideração de tais valores como omissão de receita alegada, também não prospera visto que o parágrafo 1º do artigo 42 da Lei n.° 9.430/96 assim dispõe: "Art 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira." Para as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES, o art. 18 da Lei n°9.317/96 assim dispõe: Art. 18 Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. Quanto ao entendimento que a fiscalização não poderia obrigar a contribuinte fornecer documentação comprobatória de sua movimentação bancária por não se confundir com o fato gerador do imposto de renda também não prospera pelas razões que se seguem: Primeiramente, cumpre esclarecer que o lançamento com base em presunção é completamente aceitável em nosso ordenamento jurídico tributário. Ensina Maria Rita Ferragut, no livro Presunções no Direito Tributário, editora dialética, ano de 2001, que diversas são as razões que impedem ou tornam extremamente difícil que a ordem jurídica constate diretamente a ocorrência do fato social que, quando juridicizado, passa a produzir efeitos jurídicos. Com efeito, não podendo o direito manterse inerte diante dessa situação, desenvolveu técnicas que possibilitaram o alcance do conhecimento indireto do fato. Dentro dessas técnicas encontramse as presunções legais. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 18019.000332/200905 Acórdão n.º 1201002.333 S1C2T1 Fl. 460 12 A Constituição Federal de 1988, no § 7º do art.150, outorga competência para a criação de regra presuntiva, ao autorizar as pessoas políticas cobrarem impostos e contribuições com base em fatos jurídicos indiciários de eventos de provável ocorrência. As presunções, classicamente, têm sido classificadas segundo dois critérios: o da procedência e da força probante. No primeiro, as presunções classificamse em (i) legais (juris), se elaboradas pelo legislador e impostas como enunciados jurídicos gerais e abstratos, e (ii) hominis (judiciais, ou, ainda, comuns), se construídas pelo aplicador da norma, segundo sua própria convicção. Quanto à força probante, dizemse relativas (juris tantum), quando admitirem prova em contrário, absolutas (juris et de jure), quando não admitirem essa comprovação e, finalmente, mistas, quando admitirem somente algumas provas. A previsão legal para consecução de exigências de natureza tributária, com base em depósitos bancários de origem incomprovada, como no presente caso, tratase de uma presunção legal "juris tantum" autorizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fundamento da exação ora sob análise, conforme consta da Descrição dos Fatos às fls.13, que assim disciplina a matéria. Não logrando a titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem receitas da contribuinte. Há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais, ou seja, a contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é receita tributável. Quanto à alegação de que não lhe foi garantido o direito de acompanhar a instrução processual, isto é, não ter tido condição temporal e material para apresentar os documentos comprobatórios verificamos também não assistir razão a autuada pelas observações que se seguem. A Ação fiscal teve início em 12/05/2009 (fls. 02/03). Intimada em 23/07/2007 a comprovar a origem dos depósitos em sua conta bancária, a empresa não o fez, ensejando no lançamento em lide em 21/08/2009, cientificado em 01/09/2009 (AR fl.266). Importante ressaltar que nesta fase impugnatória a defesa também não apresenta qualquer documentação capaz de elidir a presunção legal, não produzindo, portanto, qualquer prova a seu favor. Vale ressaltar que a ação fiscal é uma fase préprocessual, ou seja, é uma fase na qual os agentes da Administração Tributária, imbuídos dos poderes de fiscalização que lhes são conferidos pelos artigos 194, 195 e 197 a 200, todos do Código Tributário Nacional, verificam e investigam o cumprimento das obrigações tributárias. Nesta fase a contribuinte tem uma participação de natureza passiva, devendo cooperar e atender à fiscalização, Fl. 460DF CARF MF Processo nº 18019.000332/200905 Acórdão n.º 1201002.333 S1C2T1 Fl. 461 13 quando solicitada, no próprio interesse de demonstrar o cumprimento daquelas obrigações. Nessa etapa, ainda não há exigência de crédito tributário formalizada por parte da Fazenda Pública, nem há também, conseqüentemente, resistência a ser oposta pela pessoa fiscalizada. Portanto, inexiste processo, assim entendido como meio para solução de litígios, haja vista ainda não haver litígio. A pretensão da Fazenda ainda não se concretizou. Logo, não há o que se falar em preterição ao direito de defesa da contribuinte no transcurso da ação fiscal. Quando encontradas infrações à lei tributária, a autoridade fiscal lavra auto de infração para formalização da exigência. A partir da lavratura do auto de infração, na hipótese de discordar da exigência, é que a contribuinte, respaldada pelas garantias constitucionais ao contraditório e à ampla defesa, passa a participar ativamente, inaugurando o processo administrativo de exigência de crédito tributário para apresentar razões e provas sobre as quais esta fundamentada a sua discordância. Diante da análise acima exposta não assiste razão a impugnante de alegar que os depósitos bancários não configuram fato gerador do imposto de renda, e que caberia ao fisco investigar com mais profundidade a origem dos depósitos bancários. Contesta ainda a contribuinte a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC, contestando assim, determinação legal plenamente em vigor. Como já mencionado anteriormente, a atividade administrativa é plenamente vinculada. Com efeito, o julgador administrativo deve limitar seu pronunciamento à legalidade dos atos administrativos trazidos à sua apreciação. A nossa tarefa esgotase em declarar se o ato administrativo questionado encontra — ou não — fundamento de validade na legislação de regência. Por essa razão, encontramonos vinculados à letra da lei e não nos é licito desviar o foco da análise do ato administrativo para a legislação que lhe confere supedâneo. Em face das razões expendidas, deixamos de analisar a suposta inconstitucionalidade da aplicação dos juros de mora, intentada pela interessada, tendo em vista que a legislação subsunsora, indigitada nos Autos sob análise, era vigente e eficaz, ao tempo de sua aplicação. Neste mesmo sentido, estando os autos de infração fundamentados em leis vigentes e eficazes ao tempo de sua aplicação não há como acatar a alegação de serem desproporcionais à capacidade contributiva , ferindo o disposto no art. 145, parágrafo único da Carta Magna. Quanto à aplicação do artigo 112 do CT'N temos a destacar que os benefícios do "in dúbio pro réu", determinados no citado artigo, só se aplicam ao caso de dúvidas quanto à capitulação legal do fato, à natureza ou às circunstâncias material do fato, ou natureza dos seus efeitos, à autoria, imputabilidade ou Fl. 461DF CARF MF Processo nº 18019.000332/200905 Acórdão n.º 1201002.333 S1C2T1 Fl. 462 14 punibilidade, ou à natureza da penalidade aplicável ou à sua graduação, o que não é o caso do presente processo, como demonstrado anteriormente. Relativamente à adoção de todas as providências legais e técnicas que se fizerem necessárias para o completo afastamento das suspeitas fiscais requeridas temse que: Depreendese das alegações apresentadas pelo sujeito passivo que a necessidade de existência de perícia ou diligência tratariam apenas da produção de provas que deveriam ser trazidas à colação junto com a peça impugnatória. Sob esse aspecto, a prova pericial não se presta à produção de prova que o sujeito passivo tinha o dever de apresentar junto com a impugnação. Se não o fez, deixou de exercer o seu direito legal. Em decorrência do exposto, denego tais pedidos por serem desnecessários para a solução da lide, nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/72 e alterações posteriores, transcrito a seguir: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligencias ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei n.° 8.748/1993). Conclusão. Diante da análise procedida, voto no sentido de manter integralmente os autos de infração que compõem o presente processo. O Recorrente não evidenciou qualquer argumento jurídico que infirmasse a constituição do crédito tributário, ocasionando sua preservação integral, consoante o acórdão recorrido. Não há elementos suficientes para inverter o ônus da prova que lhe é própria, nem qualquer esclarecimento sobre as receitas omitidas. A presunção relativa de omissão de receita é impugnável pelo Recorrente, porém, necessário documentos hábeis e idôneos que evidenciem o contrário, segundo o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às Fl. 462DF CARF MF Processo nº 18019.000332/200905 Acórdão n.º 1201002.333 S1C2T1 Fl. 463 15 normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. O artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (RIR/1999), aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, reafirma que "a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." A presunção juris tantum foi estabelecida em norma vigente, invertendo o ônus de prova quanto à omissão de receitas para o contribuinte. O atual Código de Processo Civil, subsidiariamente, aplicável ao processo administrativo tributário, prevê tal hipótese no seu artigo 374: "Art. 374. Não dependem de prova os fatos: (...) IV— em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade." Não obstante, quanto à valoração da multa de ofício, não qualificada, assim como a incidência de juros pela Taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC), havendo previsão normativa expressa, novamente, o presente rito não é competente para declarar sua eventual inconstitucionalidade, como impõe a citada Súmula nº 2 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Finalmente, a Súmula nº 4 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) estabeleceu que "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." As considerações acima são bastante para meu convencimento, segundo o artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, prescindindo de qualquer perícia ou outra diligência. Isto posto, voto pelo conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitando a nulidade arguida e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 463DF CARF MF Processo nº 18019.000332/200905 Acórdão n.º 1201002.333 S1C2T1 Fl. 464 16 Fl. 464DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.000345/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
PIS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação.
Numero da decisão: 3201-004.283
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1524; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.000345/200831 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.283 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de outubro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO. PROVA DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Recorrente COOPAVEL COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PIS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão n.º 06049.854 3ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade mantendo o indeferimento da restituição pleiteada, bem como a não homologação das compensações declaradas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 03 45 /2 00 8- 31 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10935.000345/200831 Acórdão n.º 3201004.283 S3C2T1 Fl. 3 2 Em seu pedido de restituição, a contribuinte alega que sofreu a retenção do PIS e da Cofins (no percentual de 3,65%) sobre as operações de comercialização de produtos rurais e prestações de serviço de armazenamento que realizou com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), e que não conseguiu realizar a dedução dos valores retidos na contribuição devida, uma vez que, estando submetida a apuração da contribuição na modalidade não cumulativa, não apurou valor a pagar da contribuição no período, em face de os créditos gerados terem sido superiores ao valor do débito da contribuição. Por sua vez, a SAORT, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel – PR, após analisar o pleito constante do presente processo, emitiu Despacho Decisório indeferindo o pedido de restituição formulado pela interessada. Sustenta a autoridade administrativa, em resumo, que a interessada não logrou êxito na comprovação do direito creditório solicitado, uma vez que não foi possível, com base nos documentos apresentados (arquivos digitais), confirmar se as Notas Fiscais emitidas para a Conab constam declaradas nas receitas que compõem as bases de cálculo das contribuições que foram informadas no Dacon. Diante do indeferimento do pedido de restituição, as compensações declaradas com lastro no pedido de restituição em comento não foram homologadas. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão n.º 06049.854 3ª Turma da DRJ/CTA, está assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO. Inexistindo comprovação do direito creditório informado em Pedido de Restituição ou em Declaração de Compensação DCOMP, é de se indeferir o crédito solicitado e de considerar não homologada a compensação declarada. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: Dos Fatos Inicialmente a Recorrente argui que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Cascavel equivocouse ao analisar o pedido, fazendo confusão com isenções, não incidências e imunidades, e análises que não tem qualquer relação com o pedido formulado, como se o pedido de restituição tivesse sido realizado com base e fundamento no artigo 27 da Instrução Normativa 900 de 2008. A Recorrente argumenta que o pedido de restituição se refere a créditos retidos de PIS, pela prestação de serviços da ora Recorrente à CONAB. Alega ainda que o pedido restituição não se encontra prescrito. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10935.000345/200831 Acórdão n.º 3201004.283 S3C2T1 Fl. 4 3 Do Direito A Recorrente sustenta ter havido pagamento a maior do que o valor devido de PIS para o período em análise (retenção indevida). Fundamenta o pedido restituição no artigo 12, da Instrução Normativa SRF 900/2008. Informa não haver conseguido utilizar os valores retidos na fonte a título de PIS para pagar débitos da mesma espécie no mesmo mês. Assim, adotou o procedimento constante do artigo 34 da IN RFB 900/2008, que trata da compensação de débitos próprios de tributos administrados pela RFB. Sustenta que a única prova necessária para fazer valer o seu direito ao crédito seria da existência da retenção e da quitação dos tributos quando for positiva a sua apuração, o que, segundo a mesma, ocorrera no presente processo. Argumenta quando a suspensão da exigibilidade do crédito nos termos do inciso III, do artigo 151, do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/1966). Do Pedido Ao final do RV a Recorrente pede que seja dado provimento ao recurso a fim de reformar o acórdão da DRJ com a restituição/compensação das contribuições devidamente acrescida de juros pela taxa acumulada da Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.280, de 23/10/2018, proferido no julgamento do processo 10935.000340/200817, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.280): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise de cada um dos pontos do Recurso Voluntário. De forma objetiva, a lide cingese quanto a certeza e liquidez do crédito. No julgamento de primeira instância consta exatamente que a Recorrente não conseguiu comprovar tais créditos. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10935.000345/200831 Acórdão n.º 3201004.283 S3C2T1 Fl. 5 4 Sustenta a autoridade administrativa, em resumo, que a interessada não logrou êxito na comprovação do direito creditório solicitado, uma vez que não foi possível, com base nos documentos apresentados (arquivos digitais), confirmar se as Notas Fiscais emitidas para a Conab constam declaradas nas receitas que compõem as bases de cálculo das contribuições que foram informadas no Dacon. (Acórdão DRJ, efl. 206) As manifestações de inconformidade da Recorrente não colaboraram para o esclarecimento da dúvida da autoridade administrativa. Ao contrário, parecem enveredar por caminhos diversos da comprovação fática de retenção nas Notas Fiscais emitidas pela Conab. Sobre a necessidade de comprovação, cito trecho do Acórdão de primeira instância. Entendeu a autoridade fiscal que para se usufruir do direito à restituição/compensação previsto na legislação acima, é necessário que se comprove: (i) a retenção realizada; e (ii) o valor da contribuição devida no mês, a qual deve ser realizada pela demonstração da respectiva base de cálculo, composta por todas as receitas tributáveis e as possíveis exclusões (receitas isentas, não tributáveis, suspensões, imunidades e, no caso, receitas decorrentes de atos cooperativos), bem como dos créditos da não cumulatividade. No entanto, conforme se observa pela leitura do despacho decisório, a auditoria realizada pela fiscalização não conseguiu firmar convicção sobre o direito creditório requerido, uma vez que os documentos apresentados (arquivos digitais) não espelham (ou confirmam) as receitas de bens e serviços declaradas no Dacon, não se podendo afirmar com certeza se os valores das Notas fiscais emitidas para a CONAB constam dentro das receitas tributadas que compõem a base de cálculo da contribuição, e, por conseqüência, se houve a configuração da hipótese de restituição/compensação acima tratada. Ou seja, a autoridade a quo concluiu que o direito à restituição/compensação restou prejudicado, posto que não houve a comprovação material do mesmo. (Acórdão DRJ, efl. 209) O juízo a quo entendeu que a Recorrente pouco colaborou para esclarecer a certeza e liquidez. Cito trecho e uso como razão de fundamentar como se meu fosse: Nesse ponto, é bom que se lembre, que a autoridade a quo não mediu esforços para seu intento, mas, infelizmente, a contribuinte pouco colaborou. Talvez, digase, em face de um entendimento equivocado. E assim dessa mesma forma, como se vê na manifestação de inconformidade, a interessada prossegue insistindo em sua tese. Inverte os papéis, age como se não precisasse provar nada e, também, como se autoridade tributária fosse obrigada a reconhecer o seu suposto direito creditório sem a necessidade de qualquer verificação documental (ou de arquivos eletrônicos). Ora, a interessada esquece, ou simplesmente ignora, que a administração pública tem a sua atividade vinculada à lei e que, no presente caso, a legislação é clara no sentido de que o direito creditório (com direito à restituição ou compensação) somente é devido quando se comprove a impossibilidade de dedução dos valores retidos dos valores a pagar da contribuição no período, consubstanciada, em síntese, na demonstração da base de cálculo e na inexistência da contribuição. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10935.000345/200831 Acórdão n.º 3201004.283 S3C2T1 Fl. 6 5 Com efeito, é de se dizer que a comprovação da existência de crédito junto à Fazenda Nacional é atribuição da contribuinte, cabendo à autoridade administrativa, por sua vez, examinar a liquidez e certeza de que teriam sido repassadas aos cofres públicos importâncias superiores àquelas devidas pela contribuinte de acordo com a legislação pertinente, autorizando, após confirmação de sua regularidade, a restituição ou compensação do crédito conforme vontade expressa da contribuinte. (Acórdão DRJ, efl. 209) Sobre a necessidade de certeza e liquidez, há farta jurisprudência deste órgão de julgamento. CARF Acórdão nº 3403001.477 do Processo 13882.000037/200271 – Data: 20/03/2012 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ORIGEM CERTEZA. LIQUIDEZ. Compensação de crédito independe de autorização, entretanto, deve ser certo e liquido, constatado por meio de diligência fiscal a certeza, a liquidez decorre do próprio procedimento fiscal, impõe reconhecer o crédito e homologar as compensações efetivadas até o limite dos créditos apurados. CARF Acórdão nº 3403002.579 do Processo 10983.902416/200867 – Data: 24/10/2013 COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, de forma a manter o indeferimento da restituição pleiteada, bem como a não homologação das compensações declaradas na Dcomp nº 25265.65884.020408.1.3.046583." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, de forma a manter o indeferimento da restituição pleiteada, bem como a não homologação das compensações declaradas. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 238DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.001222/2005-62
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2000
MULTA POR ATRASO DCTF.
A entrega de DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória.
EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFÍCIO.
A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitar-se-á, a partir do período que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
Numero da decisão: 1003-000.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2000 MULTA POR ATRASO DCTF. A entrega de DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória. EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFÍCIO. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitar-se-á, a partir do período que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
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