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Numero do processo: 13706.001117/2008-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1999 a 31/08/2003
RECURSO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO.
Declarada pelo STF, por meio de súmula vinculante, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário.
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observado o disposto no § 5o do art. 33
Entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade-fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação.
MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. No mérito: por maioria de votos, em dar provimento parcial para: a) Determinar que a Guia da Previdência Social - GPS, de fl. 9051, seja apropriada à competência 07/2003 do CNPJ 62534060. b) determinar a exclusão das contribuições exigidas sobre os valores que deixaram de ser retidos em razão de medida judicial liminar vigente até 17/01/2002, em relação ao prestador WH-SP; c) determinar o recálculo dos débitos relativos às empresas CONNECTCOM, nos períodos de 12/2001 e março de 2002, ADECCO, nos períodos de dezembro de 2001, fevereiro a junho de 2002, agosto a outubro de 2002, dezembro de 2002, fevereiro de 2003, abril de 2003 e julho de 2003, e PANALPINA, nos períodos de janeiro a maio de 2002, julho de 2002, setembro a dezembro de 2002, março a maio de 2003 e julho de 2003, considerando os pagamentos à maior efetuados tomando como parâmetro o confronto entre os valores devidos segundo a fiscalização por competência/prestador e os recolhimentos por ela efetuados por competência/prestador; d) determinar o reajuste da base de cálculo das notas fiscais juntadas nas fls. 9052/9191 dos autos, aplicando-se as disposições constantes na Ordem de Serviço INSS/DAF nº 209, de 20 de maio de 1999, item 17, na IN INSS/DC 100/2003, art. 159, § 1º, "v", assim como no art. 150, § 1º, v da IN INSS nº 03/2005; e) determinar a improcedência da glosa de alimentação e transporte efetuados pela fiscalização; f) determinar o recálculo da multa de mora do remanescente, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ( art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. Fez sustentação oral o Dr. Ruben Tadeu Cordeiro Perlingeiro.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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MAQ. E SERVIÇOS LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 31/08/2003 RECURSO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. Declarada pelo STF, por meio de súmula vinculante, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãode obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãode obra, observado o disposto no § 5o do art. 33 Entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 11 17 /2 00 8- 71 Fl. 9753DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. No mérito: por maioria de votos, em dar provimento parcial para: a) Determinar que a Guia da Previdência Social GPS, de fl. 9051, seja apropriada à competência 07/2003 do CNPJ 62534060. b) determinar a exclusão das contribuições exigidas sobre os valores que deixaram de ser retidos em razão de medida judicial liminar vigente até 17/01/2002, em relação ao prestador WHSP; c) determinar o recálculo dos débitos relativos às empresas CONNECTCOM, nos períodos de 12/2001 e março de 2002, ADECCO, nos períodos de dezembro de 2001, fevereiro a junho de 2002, agosto a outubro de 2002, dezembro de 2002, fevereiro de 2003, abril de 2003 e julho de 2003, e PANALPINA, nos períodos de janeiro a maio de 2002, julho de 2002, setembro a dezembro de 2002, março a maio de 2003 e julho de 2003, considerando os pagamentos à maior efetuados tomando como parâmetro o confronto entre os valores devidos segundo a fiscalização por competência/prestador e os recolhimentos por ela efetuados por competência/prestador; d) determinar o reajuste da base de cálculo das notas fiscais juntadas nas fls. 9052/9191 dos autos, aplicandose as disposições constantes na Ordem de Serviço INSS/DAF nº 209, de 20 de maio de 1999, item 17, na IN INSS/DC 100/2003, art. 159, § 1º, "v", assim como no art. 150, § 1º, “v” da IN INSS nº 03/2005; e) determinar a improcedência da glosa de alimentação e transporte efetuados pela fiscalização; f) determinar o recálculo da multa de mora do remanescente, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ( art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. Fez sustentação oral o Dr. Ruben Tadeu Cordeiro Perlingeiro. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 9754DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13706.001117/200871 Acórdão n.º 2403002.965 S2C4T3 Fl. 9.722 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário e Recurso de Ofício interposto em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil com julgamento no Rio de Janeiro I, nº 12 044.186, fls. 9.306/9.339, que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada para manter incólume o crédito tributário consubstanciado no DEBCAD 37.065.261, referente ao período de 09/1999 a 08/2003, do qual o contribuinte tomou ciência em 29/12/2006, no valor de R$ 20.965.452,15 (vinte milhões novecentos e sessenta e cinco mil quatrocentos e cinquenta e dois reais e quinze centavos), já inclusos multa e juros. A presente autuação almeja o recolhimento de crédito tributário referente aos valores que deixaram de ser retidos por ocasião do pagamento a empresas prestadoras de serviço executados mediante cessão de mão de obra, ou seja, deixou de reter 11% da Nota Fiscal de serviços, contrariando o que determina o art. 31 da Lei 8.212/91, conforme Relatório Fiscal, fls. 1.803/1.818: 2. FATOS GERADORES E PROCEDIMENTOS ADOTADOS A IBM deixou de destacar na nota fiscal/fatura e de recolher os valores referentes à retenção de 11% sobre os valores pagos a empresas prestadoras de serviços, conforme detalhado abaixo. As empresas prestadoras dos serviços poderiam compensar os valores retidos e recolhidos pela Previ por ocasião do pagamento de das suas contribuições à Seguridade Social, cujos fatos geradores estão descritos no art. 28 da Lei 2.212/91. ... 2.2 PROCEDIMENTOS Em auditoria de diagnóstico realizada na IBM detectouse que a empresa contrata grande quantidade de prestadores de serviço. Tal procedimento se justifica, em grande parte, pela terceirização de seus contratos de suporte a software e manutenção a hardware. Além disso, contrata diversos outros serviços como vigilância, limpeza e conservação, obras de instalação, trabalho temporário, dentre outros. Foi constatado, ainda, que grande parte dessas empresas não vinham sendo retidas dos 11%. Dessa forma, foi apontado na auditoria de diagnóstico que tais fatos geradores deveriam ser melhor apurados. 2.2.3. APURAÇÃO DO VALOR DEVIDO Consta do ANEXO I planilha detalhando a forma de cálculo dos valores cobrados nesta NFLD. É o resultado da junção das informações contidas nas duas planilhas fornecidas pela IBM. Constam as seguintes colunas: ... Fl. 9755DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Para a apuração da BC APU – base de cálculo da retenção, buscouse chegar o mais próximo da realidade. Dessa forma, tivemos as seguintes situações: a) A IBM informou o campo relativo ao número de contrato associado ao pagamento na planilha: o contrato foi apresentado. O contrato foi analisado e chegouse a uma conclusão sobre o percentual a ser utilizado ou mesmo se não cabe a retenção. Tal conclusão encontrase detalhada no item 2.2.4 deste relatório; não foi apresentado o contrato – nesse caso, ocorrendo absoluta ausência de informação, foi adotada a alíquota de 100%. B) Não foi informado o campo relativo ao número de contrato na planilha: não foi apresentado qualquer contrato em vigência para o pagamento – nesse caso, ocorrendo absoluta ausência de informação, foi adotada a alíquota de 100%; foi apresentado um único contrato em vigência para o pagamento – utilizouse a alíquota resultante da conclusão a que se chegou na análise do contrato; Foi apresentado mais de um contrato em vigência para o pagamento – foi utilizada a maior alíquota a cuja conclusão se chegou na análise dos contratos. Consta do ANEXO II planilha elaborada pela fiscalização com o detalhamento da análise dos contratos apresentados. Nesta planilha, temos as seguintes hipóteses de preenchimento: ... As informações contidas nessa planilha, quando em confronto com informações incluídas nas planilhas fornecidas pela IBM, foram desconsideradas. Exemplificando: se na competência 04/2000, para empresa ALFA, consta a informação SC mas na planilha da IBM consta a informação de um pagamento vinculado a um contrato, foi considerada esta última informação não considerouse que tal pagamento pode ser decorrente de contrato cujo termo aditivo não foi fornecido ou, ainda, de acerto de valores pendentes de contrato que estava em vigor até alguns meses antes. 2.3 – CONTRATOS ANALISADOS A IBM, ao celebrar contrato com prestadora, elabora dois contratos. Um, chamado MASTER, que contém informações genéricas e que não informam detalhes da prestação dos serviços (tipo de serviço, período de vigência, valores, etc...). Outro, chamado de SOW, que contém tais informações. Na maioria dos casos (salvo contratos mais antigos) o número do contrato é composto da denominação SOW seguido de uma numeração. Como exemplo temos o contrato SOW 4900BR0064, onde o 00 significa que foi elaborado em 2000. Os contratos fornecidos foram os SOW e encontramse no ANEXO IV. Nesse Fl. 9756DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13706.001117/200871 Acórdão n.º 2403002.965 S2C4T3 Fl. 9.723 5 anexo consta, também, uma cópia de um contrato MASTER para ilustrar o aqui descrito. Segue abaixo o resumo da análise dos mesmos pela fiscalização (número, período de vigência, serviços incluídos e base de cálculo considerada). O período de vigência foi considerado pelos documentos apresentados, ou seja, se não foi apresentado à fiscalização um termo aditivo que prorrogou o contrato, esta ficou, obviamente, impossibilitada de considerar esse período. Para se chegar à base de cálculo considerada, foram analisadas as informações contidas nos contratos bem como as informações da planilha IBM. Ou seja, se um determinado contrato fala em manutenção de software e hardware mas na planilha IBM consta retenção de 11% sobre o valor bruto em quase todas as notas ficais emitidas pelo prestador, foi considerada a alíquota de 100% como base de cálculo uma vez que as notas fiscais/faturas apresentadas não contém informações completas nem tão pouco a IBM as prestou. ... DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 1.821/1.844. DA DILIGÊNCIA O julgamento da impugnação foi convertido em diligência com fundamento nos artigos 18 e 19 do Decreto 70.235/72, sendo solicitado que, com base nas alegações da empresa e informações contidas na documentação apresentada, fosse verificada a documentação e efetuadas as retificações consideradas devidas; pronunciamento quanto aos demais documentos apresentados pela Impugnante, assim como suas razões de defesa, atentando para o fato de que ocorreu decadência para o período de 09/1999 a 11/2001. Conforme Relatório de Diligência Fiscal, fls. 8.971/8.975,a Autoridade Fiscal entendeu que houveram alguns casos em que as GPS apresentadas pela defesa quitam valores constantes das notas fiscais/faturas anexadas pela defesa e ainda há sobras não detalhadas pela IBM. Tais sobras foram, então, apropriados nas respectivas competências em que ocorreram. O contribuinte foi devidamente intimado e apresentou os documentos de fls. 9022/9042 em resposta ao relatório de diligência. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos do então impugnante, a 11ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, prolatou o acórdão 12044.186 de fls. 9.306/9.339, a qual julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação, conforme ementa a seguir: Fl. 9757DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período: 01/09/1999 a 31/08/2003 INFRAÇÃO. RETENÇÃO DE 11% SOBRE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. As empresas contratantes de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, estão obrigadas a reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço. CRÉDITO TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. Declarada pelo STF, por meio de súmula vinculante, a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos à contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional, que determina o prazo de 5 (cinco) anos para a constituição e cobrança do crédito tributário. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo sonegação de documentos ou sua apresentação deficiente, as contribuições serão apuradas por aferição indireta cabendo à empresa o ônus da prova ao contrário. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTOS. O lançamento pode ser revisto quando for constatada matéria de fato que altere a natureza quantitativa do crédito. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A DRJ entendeu por recorrer de ofício, tendo em vista a exoneração do crédito tributário ser de valor superior ao limite de alçada, previsto no art. 1º da portaria MF nº 3, de 03/01/2008. A exoneração procedida se deu em razão do reconhecimento da decadência do período de 09/1999 a 11/2001, nos termos do art. 150, parágrafo IV do CTN, tendo em vista que o crédito tributário foi constituído em 27/12/2006, tendo sido o contribuinte intimado em 29/12/2006, bem como em razão de provas apresentadas pelo contribuinte que afastaram a exigência em algumas competências. A autoridade julgadora elaborou para tanto, a planilha de fls. 9337/9339, que demonstra analiticamente as retificações efetuadas, que demonstram a exoneração da contribuição de R$ 10.262.271,21 para R$ 3.991.707,22 (sem multa e juros). DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a recorrente, IBM Brasil Ind. Máq. e Serviços LTDA, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 9.518/9.556, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: Fl. 9758DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13706.001117/200871 Acórdão n.º 2403002.965 S2C4T3 Fl. 9.724 7 1 – Que parte da contribuição exigida pela NFLD foi devidamente retida e recolhida pela recorrente; 2 – A não sujeição ao regime de retenção cessão de mãodeobra das contribuições previdenciárias; 3 – A não incidência da contribuição sobre o fornecimento de material; 4 – Que foi exigida contribuição sobre serviços que não estão sujeitos à retenção; 5 – Que foi exigida contribuição que a recorrente deixou de reter por força de medida liminar; 6 – A improcedência das glosas de despesas com alimentação e vale transporte; 7 – A impossibilidade de se exigir qualquer contribuição da recorrente. É o relatório. Fl. 9759DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl.9.714, o recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Também conheço do recurso de ofício uma vez que a exoneração procedida está acima do patamar legal para tanto. DO MÉRITO DO RECOLHIMENTO DE PARTE DA CONTRIBUIÇÃO EXIGIDA NA NFLD Afirma o contribuinte no item 2, de sua peça recursal, que há uma guia de pagamento relativa ao período de julho de 2003, referente ao prestador WPSP, que não foi considerada pela fiscalização, seja em sede de lavratura de auto de infração, seja na diligência efetuada, bem como pela DRJ, que afirmou apenas que os pagamentos já teriam sido objeto de análise, conforme se percebe da fl. 9325 dos autos. Razão assiste ao contribuinte. Na referida competência, foi considerado pela fiscalização o total de R$ 22.287,40 (vinte e dois mil, duzentos e oitenta e sete reais e quarenta centavos), a título de recolhimentos efetuados pelo recorrente, em GPS em nome dos prestadores de serviço, conforme se percebe das fls. 751/752 dos autos (ANEXO I do Auto de Infração). Na mesma planilha percebese que o valor devido que fora apontado pela fiscalização foi de R$ 29.380,03 (vinte e nove mil, trezentos e oitenta reais e três centavos), tendo gerado uma diferença à pagar de R$ 7.092,63 (sete mil, noventa e dois reais e sessenta e três centavos). Em sede de diligência, a Receita Federal do Brasil retificou o valor devido na referida competência exonerando a importância devida apenas no que toca a nota fiscal 14346 FF, conforme se percebe do item 19 do Relatório Fiscal de Diligência, fl. 8974, in verbis: 19. Nas notas fiscais em que constam serviços exclusivamente relacionados a ar condicionado, a base de cálculo da contribuição foi retificada para 0%. Isto ocorreu nas notas fiscais 13298FF, 13992FF e 14068FF. A nota fiscal 13892FF teve a base de calculo retificada para 50% pois na nota consta a discriminação de materiais e de mão de obra. As notas fiscais 13325FF e 14346FF tiveram seus valores de retenção alterados em função das informações do item 10 deste Relatório, a cobrança relativa às demais notas fiscais não foi alterada para este prestador. O quadro abaixo demonstra as alterações efetuadas: Fl. 9760DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13706.001117/200871 Acórdão n.º 2403002.965 S2C4T3 Fl. 9.725 9 COMP CNPJ DIF NFLD I DIF NFLD II ago/02 62534060 13.446,08R$ 11.092,00R$ fev/03 62534060 4.664,72R$ 42.287,97R$ mar/03 62534060 705,15R$ 627,38R$ abr/03 62534060 1.737,32R$ 1.659,55R$ jul/03 62534060 7.082,63R$ 7.068,29R$ ... A alteração foi de R$ 24,34 (vinte e quatro reais e trinta e quatro centavos), apenas em razão da exoneração do suposto valor que seria devido da nota fiscal 014346FF. No entanto, em momento algum, a fiscalização no relatório de diligência, trata da alegação concernente ao recolhimento efetuado no valor de R$ 436,67 (quatrocentos e trinta e seis reais e sessenta e sete centavos), acrescidos de R$ 69,86 (sessenta e nove reais e oitenta e seis centavos), que importa em R$ 506,53 (quinhentos e seis reais e cinquenta e três centavos), relativos à competência 07/2003, representados na fl. 9051, dos autos. O recorrente no Doc. 02 do Aditamento à impugnação trás as Guias de Pagamento – GPS referente ao período 07/2003, que compreendem as notas de fls. 9049/9051, as duas primeiras, somadas, chegam ao valor encontrado pela fiscalização e destacado no Anexo I, fl. 756, qual seja, R$ 22.287,40 ( R$ 9.639,92 + R$ 12.647,48), tendo, no entanto, faltado a soma com a GPS de fl. 9151, no importe de R$ 436,67. Também não verifiquei sua utilização extemporânea em qualquer competência, a partir do Anexo I ao auto de infração, bem como do Relatório de Documentos Apresentados, fls. 314/430. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso para que a Guia da Previdência Social – GPS, de fl. 9051, seja apropriada à competência 07/2003 do CNPJ 62534060, no valor de R$ 436,67. DA EXIGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO QUE A RECORRENTE DEIXOU DE RETER POR FORÇA DE MEDIDA LIMINAR Afirma o contribuinte que foi incluído na base de cálculo os valores das notas fiscais emitidas pelas WH EngenhariaSP, sobre as quais a recorrente deixou de efetuar a retenção em razão de medida liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança n. 1999.61.00.0542668, em curso perante a 2ª Vara da Justiça Federal em São Paulo, impetrado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo. A DRJ analisou o argumento do então impugnante e informou que não havia prova de que a WH seria filiada ao sindicato e que seria beneficiada com tal liminar. No entanto, para afastar essa dúvida o contribuinte juntou a inicial do Mandado de Segurança, bem como o anexo ao próprio Mandado de Segurança no qual consta a lista de associados. Verifico que na fl. 9684 dos presentes autos (equivalente a fl. 165 do processo judicial), consta a WH ENGENHARIA como integrante dos beneficiados do sindicato, razão pela qual, entendo que devam ser excluídos da presente demanda os valores lançados no período da vigência da liminar para esta empresa, conforme Parecer Fl. 9761DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 PROCGER/CGCONS/DCT n. 09/2003 e IN/SRP n. 03 de 14/07/2005, art. 177, inciso I, citados pela DRJ na fl. 9336. Outrossim, destaquese que as notas fiscais das quais o contribuinte faz referência são aquelas emitidas até 17/01/2002, data em que fora publicado o Acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região que reformou a referida decisão judicial, constante na fl. 9703 dos autos. Portanto, o contribuinte estava desobrigado da retenção no período compreendido entre 17 de abril de 2000, data do deferimento da liminar pelo magistrado de primeira instância, conforme fl. 9692, até a data de 17/01/2002, data de sua revogação pelo Tribunal Regional Federal, fl. 9703, sendo devidas as cobranças realizadas quanto às notas fiscais do período anterior (cujo período já foi objeto de declaração da decadência pela DRJ, fl. 9338), bem como as posteriores à revogação. DA COMPENSAÇÃO DOS VALORES RECOLHIDOS A MAIOR Afirma o contribuinte, em seu item 2.7. e seguintes que em várias notas fiscais houve por ele o desconto e o recolhimento a maior da contribuição previdenciária de que trata a obrigação do art. 31 da Lei 8.212/91 e esses valores não foram abatidos do montante devido por competência/prestador. Dessa forma, deveria a fiscalização ter “aproveitado o excesso de recolhimento” para abater o valor da diferença apurada no respectivo período (por prestador). Alega que isso ocorreu em virtude de a fiscalização ter considerado cada nota fiscal e a respectiva retenção isoladamente e não a competência (mês) como um todo, por prestador, uma vez que numa mesma competência houve a emissão de uma pluralidade de notas fiscais e, conforme disposição normativa (Ordem de Serviço n. 209/00, vigente no período autuado), o recolhimento poderia ser feito em uma única GPS, como ocorreu. Destaca que tais ocorrência se deram com relação aos prestadores de serviços CONNECTCOM, ADECCO e PANALPINA, da seguinte forma: a) CONNECTCOM, nos períodos de 12/2001 e março de 2002; b) ADECCO, nos períodos de dezembro de 2001, fevereiro a junho de 2002, agosto a outubro de 2002, dezembro de 2002, fevereiro de 2003, abril de 2003 e julho de 2003; e c) PANALPINA, nos períodos de janeiro a maio de 2002, julho de 2002, setembro a dezembro de 2002, março a maio de 2003, e julho de 2003. Requer o recorrente que a NFLD seja retificada para que eventual diferença de contribuição seja apurada pelo confronto entre os valores devidos segundo a Fiscalização, por competência/prestador e os recolhimentos por ela efetuados por competência/prestador, uma vez que obedeceu o disposto no item 29.4 da Ordem de Serviço n. 209/99 e do art. 109, parágrafo único da Instrução Normativa da Diretoria Colegiada do INSS – INSS/DC n. 71 de 10/05/2002, ambas vigentes à época dos fatos geradores. Trago abaixo o texto das normativos trazidos pelo contribuinte como justificativa para seu pleito, item 29.4 da OS n. 209/99 e art. 109 da IN – INSS/DC n. 71/2002, respectivamente, in verbis: Fl. 9762DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13706.001117/200871 Acórdão n.º 2403002.965 S2C4T3 Fl. 9.726 11 29.4 Na hipótese de emissão, na competência, de mais de uma nota fiscal, fatura ou recibo pelo mesmo estabelecimento da contratada, poderá a contratante consolidar o recolhimento dos valores retidos em uma única guia de recolhimento. * * * * * Art.109. Quando mais de um estabelecimento da contratada emitir nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, na mesma competência, o recolhimento dos valores retidos deverá ser efetuado por estabelecimento da contratada, devendo ser emitidos tantos documentos de arrecadação quantos forem os estabelecimentos envolvidos na prestação de serviço. Parágrafo único. Na hipótese de emissão de mais de uma nota fiscal, de mais de uma fatura ou de mais de um recibo de prestação de serviço, na competência, pelo mesmo estabelecimento da empresa contratada, deverá a empresa contratante consolidar o recolhimento de todos os valores retidos em um único documento de arrecadação. A fiscalização e a DRJ justificam a negativa do procedimento em razão da ilegitimidade do recorrente para pleitear a compensação desses valores, uma vez que o legitimado ativo para tanto seria o prestador do serviço e não o tomador, bem como em razão da aferição indireta realizada pelo fiscal, haja vista que houve divergência entre o recorrente e a fiscalização quanto ao percentual da nota a ser aplicado para incidência da contribuição. Ocorre que não se trata aqui, de compensação de valores, mas sim de apropriação de valores efetivamente retidos/recolhidos à maior pelo contribuinte, em nome do prestador de serviços, seja com base nos critérios utilizados pela fiscalização, seja com base no critério levado a cabo pelo contribuinte. Essa possibilidade se dá em razão de a legislação vigente à época permitir que o contribuinte unificasse em uma única Guia, todos os pagamentos relativos a uma pluralidade de notas fiscais emitidas pelo mesmo prestador. Caso a legislação determinasse que deveria ser realizado o pagamento de uma guia para cada nota fiscal emitida, não poderseia estar realizando o presente procedimento, uma vez que a importância paga deveria ser observada por cada documento. Com relação à CONNECTCOM (CNPJ 00.308.141/000176), temos as seguintes informações, conforme se pode depreender do ANEXO I ao Relatório Fiscal: Fl. 9763DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 NOTA FISCAL VALOR RETIDO/RECOLHIDO IBM VALOR DEVIDO ‐ FISCAL DIFERENÇA EXIGIDA PAGAMENTO A MAIOR COMPETÊNCIA REFERÊNCIA FL. 004658‐NS 6.378,73R$ 3.189,36R$ ‐R$ 3.189,37R$ dez/01 449 004576‐NS 4.104,60R$ 2.052,30R$ 2.052,30R$ dez/01 449 004671‐NS 3.459,42R$ 1.729,71R$ 1.729,71R$ dez/01 449 004657‐NS 1.681,90R$ 840,95R$ 840,95R$ dez/01 449 004633‐NS 342,20R$ 171,10R$ 171,10R$ dez/01 449 004577‐NS 258,50R$ 129,25R$ 129,25R$ dez/01 449 004632‐NS 70,84R$ 35,42R$ 35,42R$ dez/01 449 004656‐NS 51,70R$ 25,85R$ 25,85R$ dez/01 449 004670‐NS 2.845,92R$ 2.845,92R$ ‐R$ dez/01 449 004584‐NS 1.029,78R$ 1.029,78R$ ‐R$ dez/01 449 002130‐FF ‐R$ 136,62R$ 136,62R$ ‐R$ dez/01 449 TOTAL 20.223,59R$ 12.186,27R$ 8.037,32R$ dez/01 449 ‐R$ 004949‐NS 332,53R$ 166,27R$ 166,26R$ mar/02 449 004947‐NS 1.360,39R$ 1.360,39R$ ‐R$ mar/02 449 002368‐FF ‐R$ 158,38R$ 158,38R$ ‐R$ mar/02 449 TOTAL 1.692,92R$ 1.685,03R$ 158,38R$ 7,89R$ mar/02 449 Demonstrase, portanto, que com relação ao cessionário de mãodeobra, CONNECTCOM, em ambas as competências em que são exigidas as diferenças, o contribuinte efetuou retenção/recolhimento à maior na Guia de Pagamento – GPS, não podendo lhe ser exigido eventual diferença, inexistente dessa forma. No que toca à empresa ADECCO (CNPJ n. 35.918.663/000174) , temos o quadro à seguir: A) VALOR RETIDO/RECOLHIDO IBM B) VALOR DEVIDO ‐ FISCAL C) DIFERENÇA EXIGIDA D) DIFERENÇA IBM x FISCAL > (A) ‐ (B) COMPETÊNCIA (D) ‐ (C) REFERÊNCIA FL. 133.526,52R$ 134.417,83R$ 1.157,63R$ 891,31‐R$ dez/01 266,32R$ 561 49.741,13R$ 73.514,16R$ 23.781,34R$ 23.773,03‐R$ fev/02 8,31R$ 565 126.539,67R$ 156.929,82R$ 31.333,09R$ 30.390,15‐R$ mar/02 942,94R$ 569 99.412,58R$ 99.198,44R$ 212,36R$ 214,14R$ abr/02 1,78‐R$ 572 99.004,91R$ 107.693,29R$ 8.859,35R$ 8.688,38‐R$ mai/02 170,97R$ 575 114.867,77R$ 118.156,96R$ 3.888,64R$ 3.289,19‐R$ jun/02 599,45R$ 579 84.572,27R$ 95.274,33R$ 10.994,17R$ 10.702,06‐R$ ago/02 292,11R$ 586 135.218,68R$ 137.370,25R$ 2.224,30R$ 2.151,57‐R$ set/02 72,73R$ 590 113.686,26R$ 115.598,88R$ 1.938,17R$ 1.912,62‐R$ out/02 25,55R$ 594 193.427,09R$ 192.670,81R$ 93,78R$ 756,28R$ dez/02 662,50‐R$ 605 73.627,41R$ 111.632,36R$ 38.134,10R$ 38.004,95‐R$ fev/03 129,15R$ 609 128.511,86R$ 128.463,84R$ 238,85R$ 48,02R$ abr/03 190,83‐R$ 616 146.180,92R$ 146.852,21R$ 898,62R$ 671,29‐R$ jul/03 227,33R$ 629 Diante do quadro acima, percebese que na maioria das competências, o contribuinte efetuou um retenção/recolhimento à menor daquele lançado pela fiscalização. No entanto, a diferença que está sendo cobrada pelo fiscal é maior do que a diferença entre o valor recolhido pela IBM e o valor apontado como devido pela fiscalização. Dessa forma, devem as diferenças exigidas serem retificadas, considerando o cálculo da Coluna D, subtraída da Coluna C e, no casos em que o contribuinte recolheu um valor à maior do que aquele exigido na competência (abr/2002, dez/2002 e abr/2003), o saldo deverá ser zerado, não gerando crédito para as demais competências, ou seja, deve prevalecer o cálculo aritmético da Coluna ‘D’ para fins de exigência da contribuição. Por fim, com relação à PANALPINA (CNPJ n. 49.728.108/000194), apresento o quadro abaixo: Fl. 9764DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13706.001117/200871 Acórdão n.º 2403002.965 S2C4T3 Fl. 9.727 13 A) VALOR RETIDO/RECOLHIDO IBM B) VALOR DEVIDO ‐ FISCAL C) DIFERENÇA EXIGIDA D) DIFERENÇA IBM x FISCAL > (A) ‐ (B) COMPETÊNCIA (D) ‐ (C) REFERÊNCIA FL. 50.741,66R$ 74.002,02R$ 30.064,88R$ 23.260,36‐R$ jan/02 6.804,52R$ 697 13.033,31R$ 18.530,06R$ 8.813,50R$ 5.496,75‐R$ fev/02 3.316,75R$ 698 29.097,53R$ 34.514,73R$ 8.733,95R$ 5.417,20‐R$ mar/02 3.316,75R$ 698 37.157,71R$ 40.989,67R$ 7.148,71R$ 3.831,96‐R$ abr/02 3.316,75R$ 699 42.951,20R$ 46.712,55R$ 7.078,10R$ 3.761,35‐R$ mai/02 3.316,75R$ 699 53.564,18R$ 66.146,21R$ 15.898,77R$ 12.582,03‐R$ jul/02 3.316,74R$ 700 35.978,08R$ 39.847,76R$ 7.186,44R$ 3.869,68‐R$ set/02 3.316,76R$ 702 35.369,34R$ 39.578,65R$ 7.526,07R$ 4.209,31‐R$ out/02 3.316,76R$ 702 34.260,36R$ 36.579,92R$ 5.636,32R$ 2.319,56‐R$ nov/02 3.316,76R$ 702 45.274,69R$ 43.743,22R$ 5.102,04R$ 1.531,47‐R$ dez/02 ‐R$ 703 67.705,13R$ 73.374,26R$ 18.816,82R$ 5.669,13‐R$ mar/03 13.147,69R$ 704 47.836,77R$ 44.045,86R$ 8.404,43R$ 3.790,91‐R$ abr/03 ‐R$ 705 41.835,12R$ 85.468,49R$ 52.129,90R$ 43.633,37‐R$ mai/03 8.496,53R$ 705 69.233,98R$ 59.604,56R$ 12.264,29R$ 9.629,42‐R$ jul/03 ‐R$ 706 Diante do quadro acima, verificase que o contribuinte apenas efetuou recolhimentos a maior do que o apurado pela fiscalização nas competências de dezembro de 2002, abril de 2003 e julho de 2003. Portanto, não pode o contribuinte ser considerado devedor nessas competências. Quanto às demais, hão de ser observadas as mesmas observações feitas com relação à empresa ADECCO, ou seja, prevalecer o cálculo aritmético da Coluna ‘D’ e, nas competências em que houve recolhimento a maior do que o que a fiscalização entende como devido, deve o saldo ser zerado, não gerando crédito para as demais competências. Ante do exposto, entendo que assiste razão ao recurso do contribuinte nesse ponto para determinar o recálculo do valor devido. DA NÃOINCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE O FORNECIMENTO DE MATERIAL UP LANGUAGE, ALLPARK e PUSAR Afirma o recorrente que os contratos celebrados com as empresas UP LANGUAGE, ALLPARK e PUSAR também abrangiam o fornecimento de material necessário para a prestação do serviço, citando para tanto as cláusulas contratuais em seu recurso, conforme fl. 9539. Ocorre que a previsão contratual não estabelece o percentual de material e mão de obra relacionados, e, em virtude de não ter a recorrente apresentado as notas fiscais de serviço relacionadas, a fiscalização tomou como base de cálculo o importe de 100% dos pagamentos efetuados a estas empresas. Afirma que o fato de haver previsão contratual, independentemente de discriminação em nota fiscal, é suficiente para minorar a base de cálculo apurada, assim como foi feito com a base dos serviços prestados pela BRITANIA CULTURAL E COMERCIAL LTDA, cujo objeto do contrato é similar àquele celebrado com as demais empresas, não podendo a Fiscalização efetuar o lançamento por arbitramento utilizandose de critérios distintos para mesma situação fática. Pois bem, passemos à análise da questão de direito. Fl. 9765DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 Tratandose de cessão de mão de obra cumulada com entrega de materiais, deveria é importante trazer à lume as disposições dos arts. 121 ao 123 da Instrução Normativa 971/2009, in verbis: Art. 121. Os valores de materiais ou de equipamentos, próprios ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, fornecidos pela contratada, discriminados no contrato e na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, não integram a base de cálculo da retenção, desde que comprovados. § 1º O valor do material fornecido ao contratante ou o de locação de equipamento de terceiros, utilizado na execução do serviço, não poderá ser superior ao valor de aquisição ou de locação para fins de apuração da base de cálculo da retenção. § 2º Para os fins do § 1º, a contratada manterá em seu poder, para apresentar à fiscalização da RFB, os documentos fiscais de aquisição do material ou o contrato de locação de equipamentos, conforme o caso, relativos a material ou equipamentos cujos valores foram discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços. § 3º Considerase discriminação no contrato os valores nele consignados, relativos a material ou equipamentos, ou os previstos em planilha à parte, desde que esta seja parte integrante do contrato mediante cláusula nele expressa. * * * Art. 122. Os valores de materiais ou de equipamentos, próprios ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, cujo fornecimento esteja previsto em contrato, sem a respectiva discriminação de valores, desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, não integram a base de cálculo da retenção, devendo o valor desta corresponder no mínimo a: I 50% (cinquenta por cento) do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; II 30% (trinta por cento) do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços para os serviços de transporte de passageiros, cujas despesas de combustível e de manutenção dos veículos corram por conta da contratada; Fl. 9766DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13706.001117/200871 Acórdão n.º 2403002.965 S2C4T3 Fl. 9.728 15 III 65% (sessenta e cinco por cento) quando se referir a limpeza hospitalar, e 80% (oitenta por cento) quando se referir aos demais tipos de limpeza, do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços. § 1º Se a utilização de equipamento for inerente à execução dos serviços contratados, desde que haja a discriminação de valores na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, adotase o seguinte procedimento: I havendo o fornecimento de equipamento e os respectivos valores constarem em contrato, aplicase o disposto no art. 121; ou II não havendo discriminação de valores em contrato, independentemente da previsão contratual do fornecimento de equipamento, a base de cálculo da retenção corresponderá, no mínimo, para a prestação de serviços em geral, a 50% (cinquenta por cento) do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços e, no caso da prestação de serviços na área da construção civil, aos percentuais abaixo relacionados: a) 10% (dez por cento) para pavimentação asfáltica; b) 15% (quinze por cento) para terraplenagem, aterro sanitário e dragagem; c) 45% (quarenta e cinco por cento) para obras de arte (pontes ou viadutos); d) 50% (cinquenta por cento) para drenagem; e e) 35% (trinta e cinco por cento) para os demais serviços realizados com a utilização de equipamentos, exceto os manuais. § 2º Quando na mesma nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços constar a execução de mais de um dos serviços referidos nos incisos I e II do § 1º, cujos valores não constem individualmente discriminados na nota fiscal, na fatura, ou no Fl. 9767DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 16 recibo, deverá ser aplicado o percentual correspondente a cada tipo de serviço, conforme disposto em contrato, ou o percentual maior, se o contrato não permitir identificar o valor de cada serviço. § 3º Aplicase aos procedimentos estabelecidos neste artigo o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 121 * * * Art. 123. Não existindo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento, e o uso desse equipamento não for inerente ao serviço, mesmo havendo discriminação de valores na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, a base de cálculo da retenção será o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, exceto no caso do serviço de transporte de passageiros, para o qual a base de cálculo da retenção corresponderá, no mínimo, à prevista no inciso II do art. 123. (Redação vigente à época do fato gerador) Parágrafo único. Na falta de discriminação de valores na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, a base de cálculo da retenção será o seu valor bruto, ainda que exista previsão contratual para o fornecimento de material ou a utilização de equipamento, com ou sem discriminação de valores em contrato. Conforme pode se extrair dos dispositivos normativos acima, nos casos em que: a) exista contrato com previsão de fornecimento de material, com ou sem especificação do valor respectivo e; b) não haja discriminação de valores na nota fiscal de serviço ou documento equivalente; a base de cálculo da contribuição deverá ser o valor bruto da nota fiscal. Cumpre destacar que o dispositivo acima encontra a mesma conclusão nas instruções normativas vigentes à época dos fatos geradores, quais sejam: Art. 106, parágrafo 2º e 3º da IN INSS DC 71/2002; Art. 158, caput, INSS DC 100/2003 e Art. 149, caput, INSS 03/2005, cujos textos trago abaixo reproduzidos. Art. 106, parágrafo 2º e 3º da IN INSS DC 71/2002: Art. 106. Quando o fornecimento de material ou de equipamento estiver previsto em contrato, mas sem valor estimado, desde que discriminadas as parcelas na nota fiscal, na fatura ou no recibo, o valor relativo ao custo da mãodeobra deverá ser calculado da seguinte forma, para os serviços: ... Fl. 9768DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13706.001117/200871 Acórdão n.º 2403002.965 S2C4T3 Fl. 9.729 17 § 2º Na falta de discriminação do valor da parcela relativa a material ou a equipamento em nota fiscal, em fatura ou em recibo, a basedecálculo para a retenção será o seu valor bruto. § 3º Quando o fornecimento de material não estiver previsto no contrato, mesmo que discriminadas as parcelas em nota fiscal, fatura ou recibo, a basedecálculo para a retenção será o seu valor bruto. Art. 158, caput, INSS DC 100/2003: Art. 158. Havendo previsão contratual de fornecimento de material ou de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, para a execução dos serviços, esses valores serão deduzidos da base de cálculo desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, conforme previsto no § 7º do art. 219 do RPS. Art. 149, caput, INSS 03/2005: Art. 149. Os valores de materiais ou de equipamentos, próprios ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, fornecidos pela contratada, discriminados no contrato e na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, não integram a base de cálculo da retenção, desde que comprovados. Dessa forma, não merece provimento o recurso do contribuinte neste ponto, uma vez que não foram apresentadas as notas fiscais com a discriminação dos valores, não obstante a apresentação do contrato. Não há que se falar em arbitrariedade do fiscal quanto ao critério utilizado para outras empresas cedentes de mão de obra, uma vez que nos casos em que se foi realizada a comparação, foram apresentadas as notas fiscais de serviço. Entendo que as disposições presentes na Instrução Normativa acima estão em consonância com a legislação tributária, apenas corroborando com a regra geral do ônus da prova, conforme disposto no art. 333 do Código de Processo Civil. WH ENGENHARIASP Com relação à WHSP, afirma o contribuinte que também houve exigência de contribuição sobre valor correspondente ao fornecimento de material em diversos Fl. 9769DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 18 pagamentos efetuados à WHSP, conforme demonstrariam diversas notas fiscais anexadas pela recorrente ao processo. Destaca que no relatório de diligência, a autoridade autuante, entendeu que apenas a NF n. 13892FF teria discriminado o valor correspondente ao fornecimento de material. Aduz ainda que as notas anexadas nas fls. 9052 a 9191 deveriam ter sua base reduzida em 50% do valor da nota. A DRJ entendeu que o procedimento solicitado não deveria ser efetuado, uma vez que a recorrente não teria apresentado o respectivo contrato de prestação de serviços celebrado com WHSP, em razão do disposto no parágrafo 7º do art. 219 do RPS. Em seu favor, a recorrente afirma que o material é inerente à prestação dos serviços prestados pela WHSP e portanto, a apresentação do contrato seria desnecessária. As notas fiscais anexadas foram objeto do DOC. 03 do Aditamento à impugnação e nela constam 135 (cento e trinta e cinco) notas fiscais da empresa WHSP, todas elas se referem ao período não abrangido pela decadência, bem como são posteriores à revogação da liminar da qual exonerava a WHSP da retenção pelos tomadores de serviços. Em análise das referidas provas foi elaborada por este conselheiro planilha demonstrativa das notas fiscais por amostragem, tomando como parâmetro valores acima de R$ 10.000,00 (dez mil reais). Na planilha verificase que os serviços prestados pela WHSP fazem referência a “serviços auxiliares de engenharia civil”, sempre havendo destaque de material, e em algumas notas fiscais material, equipamento, refeição e transporte. Os serviços são diversos, tais como execução de instalações para adequação da biblioteca, instalação de ar condicionado, instalação de Nobreak para Print Center, execução de Infraestrutura para Escritório, Instalação de Divisórias e Instalações Elétricas, readequação de Layout de salas, etc. Verifico que, pela descrição dos serviços, bem como das informações prestadas pelo recorrente, que tais serviços não podem ser executados sem fornecimento de material, ou seja, apenas com mão de obra, enquadrandose na hipótese do art. 122, parágrafo 1º, II, ‘e’, da IN 971/2009, in verbis: Art. 122. ...: ... § 1º Se a utilização de equipamento for inerente à execução dos serviços contratados, desde que haja a discriminação de valores na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, adotase o seguinte procedimento: ... II não havendo discriminação de valores em contrato, independentemente da previsão contratual do fornecimento de equipamento, a base de cálculo da retenção corresponderá, no mínimo, para a prestação de serviços em geral, a 50% (cinquenta por cento) do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços e, no caso da prestação de serviços na área da construção civil, aos percentuais abaixo relacionados: Fl. 9770DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13706.001117/200871 Acórdão n.º 2403002.965 S2C4T3 Fl. 9.730 19 ... e) 35% (trinta e cinco por cento) para os demais serviços realizados com a utilização de equipamentos, exceto os manuais. A previsão acima é a mesma daquela prevista na Ordem de Serviço INSS/DAF n.º 209, de 20 de maio de 1999, item 17, na IN INSS DC 100/2003, art. 159, parágrafo 1º, ‘v’, assim como no art. 150, parágrafo 1º, ‘v’ da IN INSS n. 03/2005 (na redação vigente até 2007), conforme as transcrições à seguir. OS INSS n. 209/99, in verbis: 17 A contratada que esteja obrigada a fornecer material ou dispor de equipamentos próprios ou de terceiros indispensáveis à execução do serviço, cujos valores estejam estabelecidos contratualmente, sendo as parcelas correspondentes discriminadas na nota fiscal, fatura ou recibo, os respectivos valores não estarão sujeitas à retenção. 17.1 Na hipótese de não constar no contrato os valores referentes a material ou equipamentos, deverão ser discriminadas as respectivas parcelas na nota fiscal, fatura ou recibo, não se admitindo que o valor relativo aos serviços seja inferior a 50% (cinqüenta por cento) do valor bruto. 17.1.1 Quando a utilização de equipamento não estiver estabelecida em contrato, porém for inerente à execução do serviço, aplicase o disposto no subitem anterior. 17.2 O valor do material fornecido ao contratante a ser discriminado na nota fiscal, fatura ou recibo não poderá ser superior ao valor de sua aquisição para fins de dedução da base de cálculo da retenção. 17.3 Na construção civil, quando os serviços abaixo relacionados forem executados com equipamentos mecânicos, não constando no contrato o valor referente a equipamento, deverá ser discriminada a respectiva parcela na nota fiscal, fatura ou recibo, não podendo a importância relativa aos serviços em relação ao valor bruto ser inferior a: ... Demais serviços com utilização de meios mecânicos 35% (trinta e cinco por cento) ... 18 Na falta de discriminação do valor da parcela relativa a material ou equipamento na nota fiscal, fatura ou recibo, a base de cálculo para a retenção será o seu valor bruto. IN INSS DC 100/2003, in verbis: Fl. 9771DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 20 Art. 159. Quando o fornecimento de material ou a utilização de equipamento próprio ou de terceiros, exceto o manual, estiver previsto em contrato, mas sem discriminação dos valores de material ou equipamento, a base de cálculo da retenção corresponderá, no mínimo, a: § 1º Se a utilização de equipamento for inerente à execução dos serviços contratados, mas não estiver prevista em contrato, a base de cálculo da retenção corresponderá, no mínimo, a cinqüenta por cento do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, observandose, no caso da prestação de serviços na área da construção civil, os percentuais abaixo relacionados: V demais serviços realizados com a utilização de equipamentos, exceto manuais: trinta e cinco por cento. IN INSS n. 03/2005, in verbis: Art. 150. Os valores de materiais ou de equipamentos, próprios ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, cujo fornecimento pela contratada esteja apenas previsto em contrato, desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, não integram a base de cálculo da retenção, devendo o valor desta corresponder no mínimo a: § 1º Se a utilização de equipamento for inerente à execução dos serviços contratados, mas não estiver prevista em contrato, a base de cálculo da retenção corresponderá, no mínimo, a cinqüenta por cento do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, desde que haja a discriminação de valores nestes documentos, observandose, no caso da prestação de serviços na área da construção civil, os percentuais abaixo relacionados: V trinta e cinco por cento para os demais serviços realizados com a utilização de equipamentos, exceto os manuais. Abaixo segue a tabela demonstrativa, elaborada por amostragem, das notas fiscais. Fl. 9772DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13706.001117/200871 Acórdão n.º 2403002.965 S2C4T3 Fl. 9.731 21 NOTA FISCAL VENCIMENTO VALOR MATERIAL DESTACADO? VALOR2 SERVIÇO REFERÊNCIA 12796 abr/02 20.900,00R$ SIM 3.313,36R$ AUXILIAR DE CONSTRUÇÃO CIVIL ‐ EXECUÇÃO DE INSTALAÇÕES PARA ADEQUAÇÃO DA BIBLIOTECA 9055 12779 abr/02 41.024,25R$ SIM 10.120,98R$ AUXILIAR DE CONSTRUÇÃO CIVIL ‐ INSTALAÇÃO DE AR CONDICIONADO 9057 12872 mai/02 24.037,17R$ SIM 6.037,95R$ AUXILIAR DE CONSTRUÇÃO CIVIL ‐ INSTALAÇÕES DE AR CONDICIONADO 9059 12867 mai/02 22.752,80R$ SIM 8.575,21R$ AUX. CONST. CIVIL ‐ INSTAÇÃO DE NOBREAK PARA PRINT CENTER 9060 12831 abr/02 22.407,18R$ SIM 1.814,04R$ AUX. CONST. CIVIL ‐ INSTALAÇÃO DE AR CONDICIONADO 9064 12929 mai/02 77.854,70R$ SIM 29.342,35R$ AUX. CONST. CIVIL ‐ INSTALAÇÃO DE NOBREAK PARA PRINT CENTER 9066 12931 mai/02 11.544,69R$ SIM 330,12R$ AUX. CONST. CIVIL ‐ INSTALAÇÃO DE AR CONDICIONADO 9067 12969 ILEGIVEL 29.635,19R$ SIM 11.169,09R$ INSTALAÇÃO DE NO BREAK 9068 13006 jun/02 35.024,09R$ SIM 13.200,09R$ INSTALAÇÕ DE NO‐BREAK PARA PRINT CENTER 9071 13107 jul/02 21.610,64R$ SIM 6.871,73R$ EXECUÇÃO DE INFRAESTRUTURA PARA ESCRITÓRIO NO PREDIO 10 9078 13062 jun/02 17.057,48R$ SIM 6.428,73R$ EXECUÇÃO DE INSTALAÇÃO DE NO BREAK PARA O PRINT CENTER 9080 13920 mar/03 21.156,00R$ SIM 7.534,02R$ INSTALAÇÃO DE DIVISÓRIAS E INSTALAÇÕES ELÉTRICAS 9085 13919 mar/03 23.976,00R$ SIM 8.415,80R$ ADEQUAÇÕES ELÉTRICAS E DIVISÓRIAS 9086 13883 mar/03 13.442,22R$ REFEIÇÃO 6.721,11R$ MUDANÇA NA ÁREA DE ARQUIVO DE FINANÇAS 9087 14161 jun/03 18.000,00R$ SIM 4.573,00R$ INSTALAÇÃO E ADEQUAÇÃO ELÉTRICA DO PRÉDIO 9106 14251 jul/03 24.395,86R$ MATERIAL/TRANSPORTE 7.477,80R$ READEQUAÇÃO DA ÁREA DE CALL CENTER E ESCRITÓRIOS 9111 14278 ago/03 59.680,40R$ SIM 12.549,19R$ READEQUAÇÃO DA ÁREA DE CALL CENTER E ESCRITÓRIOS 9112 14279 ago/03 109.628,95R$ MATERIAL/TRANSPORTE 27.603,39R$ DESMONTAGEM DAS INSTALAÇÕES DO 3, 4 E 5 ANDARES 9113 14332 ago/03 69.589,99R$ MATERIAL/TRANSPORTE 18.489,62R$ ADEQUAÇÃO DE LAYOUT E CRIAÇÃO DE SALA DE OPERAÇÕES PARA ADI NO PRÉDIO 10 9114 13335 ago/03 26.252,54R$ SIM 5.602,04R$ REFORMAR PARCIAL DO 2 E 16 ANDARES 9115 14353 set/03 12.295,00R$ SIM 2.555,00R$ MUDANÇA DA RATIONAL A TUTOIA 9118 14286 ago/03 49.145,45R$ SIM 11.119,08R$ DEMONSTAGEM DAS INSTALAÇÕES DO 3, 4 E 5 ANDARES 9119 14310 ago/03 17.346,41R$ SIM 3.452,55R$ ALTERAÇÃO E ADEQUAÇÃO DE LAYOUT E REFORMA NO BANHEIRO DO PREDIO 31A 9120 14311 ago/03 17.443,90R$ SIM 3.667,98R$ READEQUAÇÃO DA ÁREA DE CALL CENTER E ESCRITÓRIOS 9121 13181 ago/02 22.000,00R$ SIM 7.501,12R$ ADEQUAÇÃO DE LAYOUT DA AREA DAS DOCAS DO TUSS 9127 13195 ago/02 31.891,40R$ SIM 10.140,80R$ EXECUÇÃO DE INFRAESTRUTURA PARA ESCRITÓRIOS NO PRÉDIO 10 9128 13136 jul/02 194.394,42R$ MATERIAL/EQ/REF 27.736,08R$ INFRAESTRUTURA PARA INSTALAÇÕES CRITICAS ‐ SUPERVISÃO E GERENCIAMENTO ‐ SERVIÇOS DE AC 9130 13163 jul/02 20.839,37R$ MATERIAL 8.818,74R$ INSTALAÇÃO DE NOBREAK PARA PRINT CENTER 9132 13222 ago/02 60.526,07R$ MAT/EQ/REF 22.907,04R$ EXECUÇÃO DE INFRAESTRUTURA PARA INSTALAÇÕES CRÍTICAS DO IU04 E TU18 9136 13242 jul/02 33.500,16R$ SIM 10.652,36R$ EXECUÇÃO DE INFRA ESTRUTURA PARA ESCRITÓRIO 9137 13262 ago/02 36.357,07R$ MAT/EQ/REF 14.490,08R$ INFRA ESTRUTURA DE INSTALÇÕES CRÍTICAS DO TUO3 E TU18 9138 13299 set/02 92.842,24R$ MAT/EQ/REF 61.350,00R$ INFRA ESTRUTURA DE INSTALÇÕES CRÍTICAS DO TUO3 E TU18 9142 13385 out/02 74.400,00R$ SIM 37.200,00R$ INFRA ESTRUTURA DE INSTALÇÕES CRÍTICAS DO TUO3 E TU18 9148 13382 out/02 137.941,20R$ MAT/EQ/REF 91.151,32R$ INFRA ESTRUTURA DE INSTALÇÕES CRÍTICAS DO TUO3 E TU18 9150 13490 nov/02 50.266,91R$ MAT/EQ 20.670,78R$ EXECUÇÃO PARA SETORES DE NWS E IDNX NO BCRS DO TU‐04 9157 23521 nov/02 75.000,00R$ SIM 37.500,00R$ SERVIÇOS ADICIONAIS DA OBRA DE INFRAESTRUTURA PARA O BCRS TUTOIA 9160 13796 fev/03 21.500,00R$ SIM 10.750,00R$ SUBSTITUIÇÃO DO PISO DA SUBTAÇÃO 9173 13812 fev/03 76.634,00R$ SIM 38.317,00R$ ADEQUAÇÃO DAS INSTALAÇÕES PARA DEFICIENTES 9175 Fl. 9773DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 22 Diante do exposto, entendo as notas fiscais apresentadas no Doc. 03 do Aditamento a impugnação devam ser objeto de recálculo da contribuição devida, aplicandose o disposto nos artigos acima citados. DA GLOSA DE DESPESAS COM ALIMENTAÇÃO E VALE TRANSPORTE Destaca o recorrente que a fiscalização glosou valores relativos a deduções efetuadas pelo cedentes de mão de obra, relativos a refeição e transporte, no que concerne às notas emitidas pela WHSP (Doc. 03 do Aditamento à impugnação, fls. 9052 a 9191) e WH MANUTENÇÃO (Doc. 06 do Aditamento, fls. 9227 a 9294). Afirma que não pode haver a glosa uma vez que bastaria a indicação dos valores em nota fiscal para elidir a responsabilidade do tomador do serviço pela retenção da contribuição, nos termos do item 19 da OS n. 209/99, bem como do art. 105 da IN 71/2002, abaixo transcritos, respectivamente: 9 Poderão ser deduzidos da base de cálculo da retenção os valores correspondentes ao custo de fornecimento, pela contratada, do valetransporte e do valerefeição, em conformidade com a legislação própria. 19.1 As parcelas de que trata este item deverão ser discriminadas na nota fiscal, fatura ou recibo. * * * Art. 105. Poderão ser deduzidas da base de cálculo da retenção as parcelas que estiverem discriminadas na nota fiscal, na fatura ou no recibo e que correspondam: I – ao custo da parcela "in natura", fornecida pela contratada de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), e em conformidade com a legislação própria; II – ao fornecimento de material contratualmente estabelecido e cujo valor não pode ser superior ao de aquisição, comprovado por documento fiscal; III – à utilização de equipamentos pertencentes à contratada, indispensáveis à execução do serviço, desde que contratualmente estabelecido e cujo valor de aluguel também esteja estimado em contrato. Cumpre destacar que essa previsão também consta na IN INSS DC 100/2003, art. 161, in verbis: Art. 161. Poderão ser deduzidas da base de cálculo da retenção as parcelas que estiverem discriminadas na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, que correspondam: I ao custo da alimentação in natura fornecida pela contratada, de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Fl. 9774DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13706.001117/200871 Acórdão n.º 2403002.965 S2C4T3 Fl. 9.732 23 Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), conforme Lei nº 6.321, de 1976; II ao fornecimento de valetransporte de conformidade com a legislação própria. Parágrafo único. A fiscalização do INSS poderá exigir da contratada a comprovação das deduções previstas neste artigo. Há também previsão na IN 971/2009, e, em todas as previsões, a responsabilidade pela guarda da documentação comprobatória de alimentação e transporte é do cedente de mão de obra, e não do tomador. Percebase que a própria legislação informa que o cedente de mão de obra é que deve efetuar o destaque: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (Produção de efeitos). § 1o O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Além disso, não há como ser diferente, uma vez que é o próprio cedente de mãodeobra que determinará os custos que serão incorridos para execução do serviço contido na nota fiscal ou fatura. Dessa forma, não cabe ao tomador a guarda destas provas, mas sim, ao prestador de serviços e, não havendo qualquer indício de conluio entre as empresas, deve ser acentuada a boafé do tomador, em detrimento da presunção da fiscalização. Ante o exposto, entendo que não merecem prosperar as glosas efetuadas pela fiscalização. DA EXIGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOBRE SERVIÇOS QUE NÃO ESTÃO SUJEITOS À RETENÇÃO Em suas razões recursais, aduz a IBM que existem diversas notas fiscais emitidas pela WHSP que discriminam serviços não sujeitos à retenção, como por exemplo, serviços de supervisão, gerenciamento e consultoria, além de serviços envolvendo ar condicionado, mas que, sequer foram citados no relatório de diligência. Fl. 9775DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 24 A DRJ negou o pleito do então impugnante justificando que a fiscalização realizou aferição indireta por não confiar na descrição contida naquele tipo de serviço e este fato causaria a inversão do ônus da prova, devendo o contribuinte apresentar outros documentos para respaldar a informação constante na nota. O contribuinte entende que a fiscalização não deu qualquer razão para que as descrições constantes das notas fiscais fossem desconsideradas, portanto, não poderia a decisão presumir que elas não seriam confiáveis sob pena de cerceamento do direito de defesa da recorrente. Ocorre que a fiscalização informa o motivo para proceder à aferição indireta, conforme fl. 1808, Relatório Fiscal, in verbis: Em virtude dos fatos relatados acima, quais sejam, a falta de informação da maioria dos contratos nas planilhas, a falta da informação da data de emissão da nota na planilha RelINVR (informou somente a data de pagamento), a não apresentação da maioria dos contratos, a apresentação de cópias das notas fiscais/faturas sem informações detalhadas conjugada com a não prestação de informações sobre a forma de prestação dos serviços, esta fiscalização adotou procedimento de aferição indireta para cobrar os valores devidos. Com relação às notas das quais o contribuinte informa que deveriam ser exoneradas (em razão da não incidência dos serviços relacionados), estas são aquelas que não estão respaldadas pelos respectivos contratos, os quais seriam necessários para ilidir a presunção firmada pela fiscalização. Outrossim, destaquese que o recorrente não aponta objetivamente quais as notas que não deveria ser objeto de tributação, bem como, verifico que das notas emitidas pela WH Engenharia – SP, relativas a serviços de arcondicionado tiveram retenção de contribuição previdenciária, a exemplo da nota da fl. 9.059. Ante o exposto, entendo que não merece provimento a fundamentação do contribuinte, por não ter apresentado outra prova capaz de confirmar as informações prestadas nos documentos fiscais dos quais entende que não haveria incidência de contribuições previdenciárias. DA CARACTERIZAÇÃO DA CESSÃO MÃODEOBRA DOS SERVIÇOS CONTRATADOS O recorrente ventila em sua defesa que os serviços prestados pelas empresas, a exemplo do que se perceberiam dos contratos firmados com a INSTEC PROJETOS E INSTALAÇÕES TÉCNICAS LTDA e PCTEC ENGENHARIA E ASSISTÊNCIA TECNICA LTDA., vigentes no período não abrangido pela decadência, que demonstrariam que os empregados das empresas não estavam subordinados à recorrente, e, em razão disso, não haveria que se falar em cessão de mão de obra e, consequentemente, exigência de contribuição previdenciária. Aduz que a fiscalização no item 2.2.4., do Relatório Fiscal apenas cita o tipo de serviço e a empresa que o prestou, não tendo demonstrado a efetiva cessão de mãodeobra nos contratos de prestação de serviços que foram apresentados pela recorrente no decorrer da ação fiscal. Afirma que tal fato acarretaria a nulidade da NFLD por vício material. Fl. 9776DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13706.001117/200871 Acórdão n.º 2403002.965 S2C4T3 Fl. 9.733 25 No entanto, entendo que não merece ser acolhida a razão recursal, seja com relação à existência de nulidade, seja com relação à não configuração de cessão de mão de obra. Primeiro, quanto à nulidade, no item 2.2.4., a fiscalização foi transparente suficiente para informar os serviços prestados, para tanto, vejamos um dos trechos da fl. 1811, integrante do item 2.2.4, in verbis: RHEAL NEGOCIOS E TECNOLOGIA (REALEZA INFORMATICA) – CNPJ 02.698.372/000169 SOW4902BR0255 período: 09/2002 a 06/2005 inclui serviços de manutenção de hardwares e suporte em software. base: 50% do valor da nota. Foi considerado que metade dos pagamentos referese a manutenção de hardware e metade a suporte em software, conforme item 3 do contrato (pág 12/32). Este item trata também da obrigatoriedade da retenção dos 11%. Percebese que a fiscalização informa qual o prestador de serviço ela está tratando, quais os contratos que acobertam a operação e que foram apresentados no decorrer da fiscalização, o período, bem como a natureza dos serviços prestados, além de informar qual a base de cálculo que foi tomada para incidência da retenção. Destaquese que vários foram os prestadores de serviço identificados e que são objeto do presente processo, tendo a empresa deixado de apresentar os contratos relativos a 08 (oito) empresas: TECMES TECNOLOGIA MET SERV INF LTD, ENGEWORK SERVIÇOS E COM DE INF LTDA, SUPER NET ENGENHARIA DE REDES LTDA. SPE DATA INFORMATICA LTDA, VOGA CONSULTORIA INFORMATICA LTDA, SPREAD TELEINFORMATICA, SPREAD TELEINFORMATICA LTDA, PREMIER TECNOLOGIA DA INF LTDA e IONIC ENGENHARIA LTDA, razão pela qual estas empresas não constam do anexo 2.2.4. Além disso, o fiscal elaborou Anexos ao relatório fiscal que bem traduzem os procedimentos tomados no decorrer da fiscalização. Por fim, cumpre destacar que o item 2.2.4., há de ser lido em conformidade com o item 2.2., Procedimentos, fl. 1806/1808, que diz: Em auditoria de diagnóstico realizada na IBM detectouse que a empresa contrata grande quantidade de prestadores de serviço. Tal procedimento se justifica, em grande parte, pela terceirização de seus contratos de suporte a software e manutenção de hardware. Além disso, contrata diversos outros serviços como vigilância, limpeza e conservação, obras de instalações, trabalho temporário, dentre outros. Foi constatado, ainda, que grande parte dessas empresas não vinham sendo retidas dos 11%. Dessa forma, foi apontado na auditoria de diagnóstico que tais fatos geradores deveriam ser melhor apurados. ... Fl. 9777DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 26 Em virtude dos fatos relatados acima, quais sejam, a falta de informação da maioria dos contratos nas planilhas, a falta da informação da data de emissão da nota na planilha RelINVR (informou somente a data de pagamento), a não apresentação da maioria dos contratos, a apresentação de cópias das notas fiscais/faturas sem informações detalhadas conjugada com a não prestação de informações sobre a forma de prestação dos serviços, esta fiscalização adotou procedimento de aferição indireta para cobrar os valores devidos. Tais fatos afastam as alegações de cerceamento do direito de defesa, bem como de que há vício material. No que toca a caracterização dos serviços como cessão de mãodeobra, necessárias são as seguintes considerações. É obrigatória a retenção de 11% no valor da nota fiscal ou fatura, quando a empresa contratar serviço contínuo, desde que haja a cessão de mãodeobra, para fins de Contribuição Previdenciária, nos termos do art. 31 da Lei n. 8.212/91 c/c o art. 219 do Decreto n. 3.048/99; assim como quando contratar, na modalidade empreitada, serviço de cessão de mãodeobra, nos termos do § 3o do art. 219 do Decreto n. 3.048/99. Mister se faz definir o que vem a ser serviço de cessão de mãodeobra, passível da retenção de 11%, para, em seguida, analisar os casos que deram origem à NFLD em tela. Assim disciplina o art. 31, §§ 3o e 4o da Lei n. 8.212/91, redação da Lei n. 9.711/98, verbis: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33 (...) § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. Fl. 9778DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13706.001117/200871 Acórdão n.º 2403002.965 S2C4T3 Fl. 9.734 27 Para melhor compreensão, importante destacar as previsões constantes no art. 219 do Decreto n. 3.048/99, verbis: Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. § 1o Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. § 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III construção civil; IV serviços rurais; V digitação e preparação de dados para processamento; VI acabamento, embalagem e acondicionamento de produtos; VII cobrança; VIII coleta e reciclagem de lixo e resíduos; IX copa e hotelaria; X corte e ligação de serviços públicos; XI distribuição; XII treinamento e ensino; XIII entrega de contas e documentos; XIV ligação e leitura de medidores; XV manutenção de instalações, de máquinas e de equipamentos; XVI montagem; XVII operação de máquinas, equipamentos e veículos; XVIII operação de pedágio e de terminais de transporte; Fl. 9779DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 28 XIX operação de transporte de cargas e passageiros; XX portaria, recepção e ascensorista; XXI recepção, triagem e movimentação de materiais; XXII promoção de vendas e eventos; XXIII secretaria e expediente; XXIV saúde; e XXV telefonia, inclusive telemarketing. § 3o Os serviços relacionados nos incisos I a V também estão sujeitos à retenção de que trata o caput quando contratados mediante empreitada de mãodeobra. (grifo nosso) A jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que a lista constante no § 4o do art. 31 da Lei n. 8.212/91, é exemplificativa. Nesse diapasão, conforme delegação do citado parágrafo, o Regulamento traz, taxativamente, o rol dos serviços que deverão ser considerados como “cessão de mãodeobra”, para fins de incidência da Contribuição Previdenciária. Logo, diante do exposto, extraise que para haver a cessão de mãodeobra, passível da retenção de 11% de Contribuição Previdenciária, mister se faz que haja, concomitantemente: (i) a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados; (ii) a realização de serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa e (iii) previsão do serviço na lista constante no art. 219, § 2o do Decreto n. 3.048/99. Verifico da relação de serviços apresentados como base de cálculo para contribuição previdenciária por parte do fiscal, que todos os serviços foram contínuos, em virtude do período em que foram prestados, que pode ser constatado da movimentação de notas fiscais emitidas, conforme anexo I do REFISC, bem como que todos eles estão presentes na lista do art. 219, parágrafo 2º acima com os efetivos destaques. Com relação às clausulas constantes dos contratos da Instec e Pctec, estas tratam apenas de disposições relativas ao bom cumprimento dos contratos estipulados entre as empresas, principalmente dada a natureza de tais contratos, referentes à manutenção de hardware perante o tomador e perante terceiros. Por todo o exposto, diante das descrições apresentadas pela fiscalização, bem como das planilhas efetuadas e anexas ao auto de infração, além das notas fiscais e elementos trazidos, entendo que há cessão de mão de obra nos casos lançados, conforme disposto nos incisos XII, XV, XVII, XX, e XXV do parágrafo 2º do art. 219 RPS) e não retificados no decorrer do procedimento fiscal. DAS MULTAS APLICADAS No que se referem às multas de mora e de ofício aplicadas, mister se faz tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Fl. 9780DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13706.001117/200871 Acórdão n.º 2403002.965 S2C4T3 Fl. 9.735 29 Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, Fl. 9781DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 30 necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN positiva o princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. DO RECURSO DE OFÍCIO No que toca ao recurso de ofício, entendo que a decisão da 11ª turma da DRJ no Rio de Janeiro não mereça outra reforma que não as apontadas nos tópicos acima. O recurso de ofício trata apenas de retificações procedidas em razão das provas apresentadas pelo então impugnante, ajustadas inclusive em sede de diligência, bem como por tratar de reconhecimento de decadência, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do CTN, uma vez que o contribuinte tomou ciência do auto de infração em 29/12/2006 e por tratar o crédito tributário do período de 09/1999 a 08/2003, está extinto o crédito tributário até a competência de 11/2001. Dessa forma, não merece reparo da referida decisão. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do Recurso de Ofício para negar provimento. Fl. 9782DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13706.001117/200871 Acórdão n.º 2403002.965 S2C4T3 Fl. 9.736 31 Conheço do recurso voluntário para, no mérito, dar provimento parcial do para: a) Determinar que a Guia da Previdência Social – GPS, de fl. 9051, seja apropriada à competência 07/2003 do CNPJ 62534060. b) determinar a exclusão das contribuições exigidas sobre os valores que deixaram de ser retidos em razão de medida judicial liminar vigente até 17/01/2002, em relação ao prestador WHSP; c) Determinar o recálculo dos débitos relativos às empresas CONNECTCOM, nos períodos de 12/2001 e março de 2002; ADECCO, nos períodos de dezembro de 2001, fevereiro a junho de 2002, agosto a outubro de 2002, dezembro de 2002, fevereiro de 2003, abril de 2003 e julho de 2003; e PANALPINA, nos períodos de janeiro a maio de 2002, julho de 2002, setembro a dezembro de 2002, março a maio de 2003, e julho de 2003, considerando os pagamentos à maior efetuados tomando como parâmetro o confronto entre os valores devidos segundo a fiscalização por competência/prestador e os recolhimentos por ela efetuados por competência/prestador; d) determinar o reajuste da base de cálculo das notas fiscais juntadas nas fls. 9052/9191 dos autos, aplicandose as disposições constantes na Ordem de Serviço INSS/DAF n.º 209, de 20 de maio de 1999, item 17, na IN INSS DC 100/2003, art. 159, parágrafo 1º, ‘v’, assim como no art. 150, parágrafo 1º, ‘v’ da IN INSS n. 03/2005. e) determinar a improcedência da glosa de alimentação e transporte efetuados pela fiscalização; f) determinar o recálculo da multa de mora do remanescente, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 9783DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10970.000521/2009-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. SEM CARÁTER DE NORMA GERAL. EXTENSÃO. RESTRITAS AO OBJETO E À AÇÃO ESPECÍFICA.
As decisões administrativas e judiciais não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão, salvo quando se trata de decisão proferida pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normal legal ou pelos STF ou STJ em matéria infraconstitucional sob a sistemática dos recursos repetitivos (artigo 543-C do CPC), que devem ser observadas por este Conselho por força do art. 62-A do RICARF.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. VIA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE DE DEFERIMENTO. MATÉRIA SUMULADA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Anexo II do RICARF).
SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
São válidas como prova as informações bancárias requisitadas em absoluta observância às normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação de informações ao Fisco, pelas instituições financeiras, não constitui quebra do sigilo bancário.
DEPÓSITO BANCÁRIO. TITULARIDADE. PESSOAS INDICADAS NOS DADOS CADASTRAIS. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA.
A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. (Súmula CARF nº 32)
PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
As presunções legais invertem o ônus da prova, cabendo ao Fisco comprovar tão-somente a ocorrência da hipótese descrita na norma como presuntiva da infração.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação de origem dos valores ingressados no sistema financeiro.
Numero da decisão: 2201-002.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia e Eduardo Tadeu Farah.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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SEM CARÁTER DE NORMA GERAL. EXTENSÃO. RESTRITAS AO OBJETO E À AÇÃO ESPECÍFICA. As decisões administrativas e judiciais não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão, salvo quando se trata de decisão proferida pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normal legal ou pelos STF ou STJ em matéria infraconstitucional sob a sistemática dos recursos repetitivos (artigo 543C do CPC), que devem ser observadas por este Conselho por força do art. 62A do RICARF. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. VIA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE DE DEFERIMENTO. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Anexo II do RICARF). SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. São válidas como prova as informações bancárias requisitadas em absoluta observância às normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação de informações ao Fisco, pelas instituições financeiras, não constitui quebra do sigilo bancário. DEPÓSITO BANCÁRIO. TITULARIDADE. PESSOAS INDICADAS NOS DADOS CADASTRAIS. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. (Súmula CARF nº 32) PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 05 21 /2 00 9- 90 Fl. 330DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 As presunções legais invertem o ônus da prova, cabendo ao Fisco comprovar tãosomente a ocorrência da hipótese descrita na norma como presuntiva da infração. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação de origem dos valores ingressados no sistema financeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Nathalia Mesquita Ceia e Eduardo Tadeu Farah. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10970.000521/200990 Acórdão n.º 2201002.678 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Neste processo foi lavrado o auto de infração do Imposto de Renda de Pessoa Física (fls. 20 a 25), exercício 2006, no qual se apurou o imposto de valor de R$ 1.159.803,68 por omissão de rendimentos baseada em depósitos bancários sem comprovação de origem, acrescido da multa de ofício de 75%, sobre os quais incidem os respectivos juros de mora. Conforme o Termo de Verificação Fiscal, diante da não apresentação pela contribuinte dos extratos bancários, foram requisitadas informações aos Bancos Bradesco e HSBC. Após sucessivas intimações, a contribuinte respondeu que emprestou as suas contas a terceiros e que não possuía controle sobre a sua movimentação, entretanto, apesar de ser reiteradamente exigida a comprovação da vinculação dos créditos com as operações da empresa, não apresentou qualquer comprovação. Em decorrência disso, foram efetuadas diligências (fls. 178/237), por meio das quais se constatou a utilização das contas correntes investigadas pela fiscalizada (cheques nominais emitidos para aquisição de um veículo Mitsubishi L200 Sport, em agosto de 2005, no valor de R$ 86.000,00, e débitos referentes a pagamentos de seguros e de consórcio de um veículo Fiat/Palio Fire). Em cumprimento a Mandado de Busca e Apreensão na Praça Evaristo Alves, Patrocínio (MG), foi constatado ser esse o domicílio da contribuinte, do qual ela se mudou sem atualizar o endereço na RFB. A interessada apresentou a impugnação, cujos argumentos foram assim relatados na decisão recorrida: 1) a contribuinte é pessoa simples, não demonstra nem ostenta riquezas, não teve seu patrimônio acrescido, mesmo porque não possui nenhum; logo, ausentes quaisquer indícios que pudesse levar o fisco a presumir ter ela auferido receitas na estratosférica quantia de R$4.248.l14,14; “não possui vínculo com qualquer empresa. Não recebe renda proveniente de salário ou qualquer outro provento”; 2) ao atender à intimação para comprovação da origem dos depósitos bancários, a fiscalizada informou que sua conta foi utilizada por terceiros, empresas do ramo frigorífico, Distribuidora de Carnes Integração, CNPJ n° 04.683.468/000189, e Produtora de Charque Tradição, CNPJ n° 04.339.890/0001l l; “estas empresas não possuem conta bancos em sua contabilidade, sendo que toda movimentação financeira é fiaita através da conta caixa, empresas estas fiscalizadas em igual período (2005) sendo lhes exigidos todos os tributos inclusive Imposto de Renda ”; 3) a intimação efetuada para apresentação de documentos que vinculassem os depósitos bancários realizados em suas contas correntes com operações das citadas empresas “se tornou uma missão impossível" pela imperfeição técnica da contabilidade daquelas empresas; pela falta de tais documentos o fisco considerou os depósitos bancários como omissão de receitas, arbitrando um valor a pagar muito além da capacidade contributiva da autuada; 4) a impugnante é companheira de Homero Tafnor, CPF n° 136.476.10844, “que era o proprietário de um imóvel onde se localiza um frigorífico atualmente paralisado onde as empresas citadas exerciam suas atividades”, fato que pode ser comprovado pela declaração de rendimentos de seu companheiro, pelos aluguéis recebidos; as empresas e seu companheiro tinham empecilhos junto às instituições financeiras para movimentar contas bancárias em seus próprios nomes, e tendo seu companheiro interesse na permanência das empresas no imóvel de sua propriedade, para ajudálas a manterem suas atividades, foramlhes emprestadas as contas investigadas; Fl. 332DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 5) é verdade a aquisição do veículo Mitsubishi, no entanto, esta foi feita por meio de um empréstimo concedido por seu pai, Sr. Antônio Caetano Filho; posteriormente, o veículo foi vendido e o empréstimo quitado; o consórcio de um veículo, junto à Bradesco Administradora de Consórcio Ltda., era para ser pago em sessenta meses com prestações de pequeno valor, porém, tal responsabilidade foi repassada para terceiros; os seguros feitos junto ao Bradesco foram bancados pelo seu companheiro; o auditor fiscal conhece as condições financeiras da investigada, pois conforme relatório, esteve em sua residência, que foi vasculhada em todos os detalhes em busca de algo que a incriminasse, mas nada foi encontrado; 6) o fisco considerou depósitos bancários como receitas, sem observar a inexistência de saldos positivos que induzam a um lucro; entende que a presunção contida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996 inverte o ônus da prova para a pessoa física desobrigada de manter livros contábeis; “não possuindo o livro Caixa, os extratos bancários refletem toda sua movimentação financeira, não só os depósitos, mas também os encargos advindos desta movimentação”; para demonstrar a inexistência de saldos positivos que evidenciem algum lucro serão entregues extratos bancários assim que disponibilizados pelos bancos; no caso em pauta o fisco considerou os depósitos como receitas deixando de deduzir as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, consoante determinado pela lei; 7) “...não e' razoável admitir que uma pessoa física, não assalariada, possa obter uma receita como a que foi apurada sem nenhum custo operacional dedutível na operação do imposto, portanto, inquestionável que houve arbitrariedade”; cita comentário de Aliomar Baleeiro a respeito do ato de arbitramento pelo fisco, nos termos do artigo 148 do CTN; cita, ainda, a Súmula 182 do extinto TFR e, também, entendimento do Conselho de Contribuintes, no sentido de que não basta a simples presunção legal de que os depósitos bancários constituem renda tributável sem que se evidencie sinais exteriores de riqueza. Posteriormente à impugnação, a interessada, por meio de seu representante legal, solicitou, a fls. 259/261, a juntada dos extratos bancários de fls. 264/287, e aproveitou, ainda, para se valer dos seguintes argumentos: 1) reclama que os depósitos bancários foram considerados renda sem computar as saídas; os extratos que ora apresenta demonstram que os valores depositados tratam se de receitas brutas que devem sofrer deduções – despesas de custeio para necessária percepção da receita e manutenção da fonte produtora, nos termos do art. 6°, inciso III, da Lei n° 8.134/1990; observa a ocorrência de saldos negativos infinitamente superiores aos saldos positivos, excluindo qualquer indício de aquisição patrimonial decorrente dessa movimentação bancária; entende que na opção de tributar a receita bruta “a base de cálculo seria 15% sobre 8% (lucro presumido) ou 1,2% sobre a receita bruta R$4.248.114,14 x 1,2% = R$50.977,00”. 2) por outro lado, ratifica que a receita apurada foi auferida por terceiros na conta da autuada, logo, esta deveria constar do presente processo apenas como solidária e as empresas Distribuidora de Charque Integração Ltda. e Produtora de Charque Tradição Ltda. como sujeito passivo da obrigação tributária; “essa assertiva é corroborada pelo relatório fiscal da própria Receita Federal o qual não o temos integralmente, mas consta deste relatório que o contribuinte Máster Couros Ltda., CNPJ n° 01965251/000173, informou que as transferências bancárias de valores para a conta de titularidade de Alexandra Pereira Alves referemse a pagamentos antecipados por conta de fornecimento de peles de bovinos conforme natas fiscais n” 000071 e 000070, emitidas pela empresa Eldorado Comércio e Indústria de Carnes Ltda., CNPJ n° 04759664/000190"; “que o contribuinte, António Sérgio de Melo Queiroz, CPF 23916826620, informou que realizou operações de venda de bovinos para Distribuidora de Carnes Integração Ltda., conforme comprovam as notas fiscais avulsas de produtor apresentadas, acrescentando que nunca manteve com a fiscalizada qualquer relação comercial.”; afirma que essas duas informações correspondem a apenas dois itens de um extenso relatório elaborado pelos auditores federais, em fiscalização efetuada contra as citadas empresas; requer, por essa razão, que esse relatório seja solicitado pela DRJ para a constatação da relação entre a autuada e as empresas responsáveis pelas movimentações de suas contas correntes. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10970.000521/200990 Acórdão n.º 2201002.678 S2C2T1 Fl. 4 5 Os membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG), por meio do Acórdão nº 0929.545, de 21 de maio de 2010, consideraram a impugnação improcedente. Após a frustrada tentativa de intimar a contribuinte, foi cientificado o seu procurador em 24 de junho de 2010 (Aviso de Recebimento à folha 304), que postou o recurso voluntário em 22 de julho, no qual repete as razões de defesa e rebate a decisão recorrida por não ter enfrentado a questão da ilegalidade e desprezado a jurisprudência dos tribunais. É o relatório. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. A recorrente questiona a decisão da primeira instância, pela não manifestação de inconstitucionalidade das normas e inobservância aos tribunais. Além disso, que: o depósito bancário não pode ser considerado renda; a Lei nº 8.021, de 1990, exige a comprovação do consumo para que se possa presumilo como renda; a recorrente não tem disponibilidade econômica ou patrimonial e não está obrigada a manter escritura contábil por ser pessoa física; houve quebra de sigilo bancário; os documentos “protegidos por sigilo fiscal”, que poderiam servirlhe como prova, foram inseridos parcialmente nos autos, impedindo a recorrente de se defender; e que a responsabilidade não seria da autuada, e sim da pessoa jurídica que utilizou a conta. Preliminares Inicialmente, descabe a preliminar de nulidade da decisão recorrida, uma vez que não cabe à DRJ se manifestar sobre a ofensa de princípios constitucionais, por falta de amparo legal. Também, o julgador não está obrigado a observar as decisões dos tribunais, sejam administrativos ou judiciais, salvo de for vinculante. A Administração Tributária se submete ao principio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Assim, não pode a autoridade lançadora e julgadora afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento. No caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 do Anexo II de seu Regimento Interno que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto pelos seus membros. A questão de inconstitucionalidade de lei foi pacificada no CARF por meio da Súmula nº 2, a qual diz: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” As decisões administrativas e judiciais, por sua vez, não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão, salvo as decisões judiciais proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais e as proferidas pelos tribunais sob a sistemática dos recursos repetitivos (artigo 543C do CPC), que devem ser observadas por este Conselho por força do art. 62A do RICARF. Também está desprovido de sustentação o questionamento quanto à ilegalidade de acesso aos dados bancários, já que foram adotadas as medidas legais para inicio da ação fiscal, conforme o disposto no art. 6º da Lei Complementar nº 105: Art. 6°. As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver procedimento administrativo instaurado ou Fl. 335DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10970.000521/200990 Acórdão n.º 2201002.678 S2C2T1 Fl. 5 7 procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. (grifos no recurso) Nos autos, estava clara a necessidade e a imprescindibilidade de acesso aos significativos valores movimentados em contas bancárias para levantamento do imposto de renda devido, já que a informação não fora prestada pelo contribuinte. Essa solicitação de informação está respaldada no art. 918 do RIR/1999: Art. 918. Iniciado o procedimento fiscal, os AuditoresFiscais do Tesouro Nacional poderão solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei n°4.595, de 1964 (Lei n° 4.595, de 1964, art. 38, §§ 5° e 6°, e Lei n° 8.021, de 1990, art. 8°). A autoridade fiscal intimou mais de uma vez a contribuinte, que se esquivou de prestar as informações. Observase ainda que não há quebra de sigilo bancário, e sim, mera transferência de informações, já que estas, na Receita Federal do Brasil, estão sujeitas ao sigilo fiscal, de acesso restrito aos agentes do fisco e ao contribuinte, conforme consta do RIR/1999: Art. 998. Nenhuma informação poderá ser dada sobre a situação econômica ou financeira dos sujeitos passivos ou de terceiros e sobre a natureza e o estado dos seus negócios ou atividades (Lei n° 5.172, de 1966, arts. 198 e 199). [...] § 2° A obrigação de guardar reserva sobre a situação de riqueza dos contribuintes se estende a todos os funcionários públicos que, por dever, de ofício, vierem a ter conhecimento dessa situação (Decretolei n° 5.844, de 1943, art. 201, § 1°). § 3º É expressamente proibido revelar ou utilizar, para qualquer fim, o conhecimento que os servidores adquirirem quanto aos segredos dos negócios ou da profissão dos contribuintes (Decretolei n° 5.844, de 1943, art. 201, § 2°). Art. 999. Aquele que, em serviço da Secretaria da Receita Federal, revelar informações que tiver obtido no cumprimento do dever profissional ou no exercício de ofício ou emprego, será responsabilizado como violador de segredo, de acordo com a lei penal (Decretolei n°5.844, de 1943, art. 202). Pelas razões acima, não se verifica qualquer irregularidade quanto ao acesso às informações bancárias no procedimento fiscal que apurou o imposto de renda. Quanto à alegação de ilegitimidade passiva, vale salientar que as meras alegações da recorrente de que teria emprestado as contas bancárias a terceiros, e de que não seria obrigada a manter escrituração, por ser pessoa física, ou, ainda, de que não adquiriu bens, não são suficientes para cancelar o lançamento. De acordo com a Súmula CARF nº 32, a titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. A contribuinte, diante da farta evidência juntada pela auditoria, fruto de diligências e busca e apreensão, não conseguiu comprovar que os recursos não lhe pertenciam. Omissão de rendimentos – presunção do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 Fl. 336DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 8 O imposto de renda das pessoas físicas, nos termos o artigo 43 do CTN, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, isto é, de riqueza nova. Entretanto, o legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. E, nesse caso, ante a vinculação do princípio da legalidade que rege a administração pública, tem a fiscalização a obrigação de autuar a omissão no valor dos depósitos bancários recebidos. Assim está expresso no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela constatação de depósitos bancários, mas pela falta de esclarecimentos, por parte do contribuinte, quanto à origem dos numerários depositados em suas contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei, resultando na presunção de omissão de rendimentos. As presunções legais invertem o ônus da prova, cabendo ao Fisco comprovar tão somente a ocorrência da hipótese descrita na norma como presuntiva da infração. Nos autos, o contribuinte não apresentou provas, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos valores depositados/creditados nas contas correntes, constante do Termo de Verificação Fiscal (fls. 117 a 121), caracterizando, assim, a omissão de rendimentos, como definida no artigo 42, da Lei 4.930, de 1996, com os limites alterados pelo art. 40 da lei n° 9.481, de 1997, e no artigo 849 e parágrafos do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). Isto posto, voto em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso da contribuinte. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator Fl. 337DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
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Numero do processo: 10768.003937/2005-31
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007
AÇÃO JUDICIAL. SOBRESTAMENTO. PROCESSO BAIXADO E ARQUIVADO.
Compete ao órgão julgador, de ofício ou a requerimento, levar em consideração as alterações fáticas supervenientes, concedendo a medida mais adequada. Deve ser rejeitado o pedido de sobrestamento do processo administrativo até o trânsito em julgado de sentença judicial quando o respectivo processo já transitou em julgado, foi baixado e arquivado no órgão judicial.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PROCESSO DE CONSULTA.
Cabe ao contribuinte apurar na declaração de compensação o crédito líquido e certo (art. 170 do CTN). A mera indicação do processo de consulta como origem do crédito, sem a existência de quaisquer outros elementos aptos a permitir a quantificação do crédito alegado, impede seja operacionalizada a compensação, razão pela qual esta não poderá ser homologada.
CERTIDÃO NEGATIVA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO.
A jurisprudência do CARF é pacifica no sentido de não conhecer os pedidos para emissão de certidão negativa de débito, tendo em vista a falta de competência deste órgão para tal mister.
Numero da decisão: 1801-002.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Fernandes Limiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich
Nome do relator: ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006, 2007 AÇÃO JUDICIAL. SOBRESTAMENTO. PROCESSO BAIXADO E ARQUIVADO. Compete ao órgão julgador, de ofício ou a requerimento, levar em consideração as alterações fáticas supervenientes, concedendo a medida mais adequada. Deve ser rejeitado o pedido de sobrestamento do processo administrativo até o trânsito em julgado de sentença judicial quando o respectivo processo já transitou em julgado, foi baixado e arquivado no órgão judicial. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PROCESSO DE CONSULTA. Cabe ao contribuinte apurar na declaração de compensação o crédito líquido e certo (art. 170 do CTN). A mera indicação do processo de consulta como origem do crédito, sem a existência de quaisquer outros elementos aptos a permitir a quantificação do crédito alegado, impede seja operacionalizada a compensação, razão pela qual esta não poderá ser homologada. CERTIDÃO NEGATIVA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO. A jurisprudência do CARF é pacifica no sentido de não conhecer os pedidos para emissão de certidão negativa de débito, tendo em vista a falta de competência deste órgão para tal mister.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 AÇÃO JUDICIAL. SOBRESTAMENTO. PROCESSO BAIXADO E ARQUIVADO. Compete ao órgão julgador, de ofício ou a requerimento, levar em consideração as alterações fáticas supervenientes, concedendo a medida mais adequada. Deve ser rejeitado o pedido de sobrestamento do processo administrativo até o trânsito em julgado de sentença judicial quando o respectivo processo já transitou em julgado, foi baixado e arquivado no órgão judicial. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PROCESSO DE CONSULTA. Cabe ao contribuinte apurar na declaração de compensação o crédito líquido e certo (art. 170 do CTN). A mera indicação do processo de consulta como origem do crédito, sem a existência de quaisquer outros elementos aptos a permitir a quantificação do crédito alegado, impede seja operacionalizada a compensação, razão pela qual esta não poderá ser homologada. CERTIDÃO NEGATIVA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO. A jurisprudência do CARF é pacifica no sentido de não conhecer os pedidos para emissão de certidão negativa de débito, tendo em vista a falta de competência deste órgão para tal mister. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 39 37 /2 00 5- 31 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES 2 Ana de Barros Fernandes Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Relator. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatório Em 28/06/2005 a empresa formulou consulta (efls. 02/09) para verificar seu direito de efetuar o procedimento de compensação dos valores recolhidos a maior no período anterior ao da IN SRF 480/2004, advindos da utilização da base de cálculo presumida de 32% da receita bruta auferida mensalmente, ao invés de ter utilizado 8% para cálculo da referida base presumida do IRPJ, uma vez que sua atividade enquadravase como serviços hospitalares, nos termos do art. 23, inciso II, alíneas "a", "b" e "c" da IN SRF n° 306/2003, além do disposto no Ato Declaratório Interpretativo n° 18/2003. Em 07/07/2005 foi proferida a Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT n. 284 (efls. 17/20) que considerou correto o entendimento da empresa em relação ao seu direito de compensação dos valores recolhidos a maior. O contribuinte foi intimado desta decisão em 15/07/2005 (efl. 21) e posteriormente o processo de consulta foi arquivado (efl. 22). A partir de então a empresa começou a transmitir as seguintes PER/DCOMP`S (efls. 24/78 e 80/127): 05611.30205.280706.1.3.049300; 14141.74201.100806.1.3.044049; 36674.76784.140906.1.3.049170; 07444.52440.200407.1.7.041697; 08755.56831.141106.1.3.040599; 14557.80472.141206.1.3.040660; 19221.87115.120107.1.3.046484; 23551.16870.160107.1.3.048309; 03422.60309.090207.1.3.048482; 42160.29087.200307.1.3.040094; 21859.98564.200407.1.3.040431; 16584.12548.270407.1.3.047904; 27283.79318.160507.1.3.044436; 13113.19496.190607.1.3.044858; 30011.48613.190707.1.3.043184; 01290.25287.170807.1.3.044798; 26325.90315.200907.1.3.044470; 13507.53994.191007.1.3.044095; 02761.31612.191107.1.3.043004; 21078.29003.191207.1.3.047358. Em 06/06/2011 foi proferido Despacho Decisório (efls. 128/133), o qual não homologou as DCOMP`s, com supedâneo no art. 74 da Lei n. 9.430/1996, uma vez que o contribuinte indicou como crédito o processo de consulta, o qual não trata de qualquer direito creditório, mas sim de consulta sobre aplicação da legislação tributária federal. Consignou ainda que o contribuinte deveria ter indicado os pagamentos efetuados indevidamente ou a maior. Deste modo, concluiu inexistir qualquer direito creditório a ser analisado nas DCOMP`S. O contribuinte tomou ciência desta decisão em 13/06/2011 (efl. 135) e apresentou manifestação de inconformidade (efls. 145/188), a qual foi julgada improcedente pela DRJRio de Janeiro I(RJ). O julgador, inicialmente, verificou ausência de transcurso do prazo de cinco anos para homologação tácita das DCOMP`s. Outrossim, consignou que o direito do contribuinte compensar o recolhimento a maior do IRPJ foi reconhecido, mas este Fl. 294DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES Processo nº 10768.003937/200531 Acórdão n.º 1801002.252 S1TE01 Fl. 294 3 não procedeu ao pedido de compensação conforme disciplinado, impossibilitando à SRF aferir a higidez de seu crédito. Assim, faltou ao crédito informado (processo de consulta) certeza e liquidez. Por fim, decidiu pelo não sobrestamento do presente processo para aguardar o trâmite da ação ordinária n. 2005.34.00.0255368 e indeferiu o pedido de emissão de certidão. O contribuinte foi intimado desta decisão em 22/11/2011 (efls. 245/246) e interpôs recurso administrativo (efls. 248/291), onde argumenta: a) Inicialmente, pretende o sobrestamento do processo administrativo em função da suspensão da exigibilidade do crédito tributário na ação ordinária n. 2005.34.00.0255368, em trâmite na 4ª Vara Federal do Distrito Federal. b) Lembrou que a solução de consulta reconheceu seu direito de compensar o valor recolhido a maior a título de IRPJ. Assim, questiona a conclusão fiscal de inexistência de direito creditório se a solução de consulta constatou tal direito. c) Ressaltou o direito da empresa recolher o IRPJ com a base de cálculo reduzida. d) Por fim, requer a emissão de certidão negativa, com fulcro nos arts. 151, III e V do CTN. Ao final, requer o sobrestamento do presente processo até o trânsito em julgado da ação ordinária n. 2005.34.00.0255368; a homologação das declarações de compensação; emissão de certidão negativa de débitos. Voto Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro, Relator Presentes os pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do presente recurso. Sobrestamento – Ação Ordinária n. 2005.34.00.0255368 Quanto ao pedido de sobrestamento, o mesmo se mostra incabível, seja pelo fato do objeto daquela ação não ser prejudicial à presente lide, seja pelo fato da referida ação ordinária já ter transitado em julgado. Quanto à ausência de prejudicialidade, bem resumiu o julgado recorrido: Isto porque no que tange às Dcomp o crédito pleiteado, uma vez indeferido, não tem por conseqüência sua cobrança. Quanto aos débitos que tenham sido pagos a maior e que estariam representados pelo crédito pleiteado também não há que se falar em exigibilidade, uma vez que já estariam extintos por seus pagamentos. Quanto aos débitos indicados nas Dcomp para compensação seria contraditório, até mesmo um contrasenso, buscar extinguir por compensação débitos de IRPJ e CSLL acima da base presumida cujo reconhecimento pleiteou administrativamente e judicialmente. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES 4 No que tange ao andamento da ação ordinária n. 2005.34.00.0255368, ao consultar este processo judicial no sítio eletrônico do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (http://portal.trf1.jus.br/portaltrf1/paginainicial.htm) verificase que o trânsito em julgado do acórdão proferido ocorreu em 03/04/2013. Inclusive, o processo encontrase baixado naquele tribunal desde 23/04/2013 e baixado e arquivado na 4ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal desde 18/09/2013. Portanto, perdeu o objeto tal pretensão do contribuinte. Impossibilidade de homologação das DCOMP`s O contribuinte requer a homologação das declarações de compensação. Para tanto, lembrou que a solução de consulta reconheceu seu direito de compensar o valor recolhido a maior a título de IRPJ. Outrossim, ressalta o direito da empresa recolher o IRPJ com a base de cálculo reduzida. O processo de consulta instaurado pelo contribuinte cingiase na possibilidade de compensar o imposto que considera ter sido pago a maior, em virtude de ter direito à base de cálculo reduzida do IRPJ. A Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT n. 284 de 07 de julho de 2005 (efls. 17/19) concluiu pelo direito do contribuinte de compensar os valores pagos a maior, desde que correto o seu enquadramento como prestador de serviços hospitalares. Para tanto, consignou ainda que a compensação deveria observar o disposto na IN SRF n. 460/2004: Por último, cumpre observar que, além de observar o prazo de cinco anos contados a partir da extinção do crédito tributário, a compensação deve seguir as orientações da IN SRF n° 460/2004. (efl. 19) Deste modo, importa ressaltar que a conclusão judicial não influencia o presente processo, pois a ação ordinária n. 2005.34.00.0255368 se resumiu ao “reconhecimento do direito de calcular a base de cálculo do Imposto de Renda sobre o lucro presumido no percentual de 8% (oito por cento) e da Contribuição social Sobre o Lucro Liquido – CSLL no percentual de 12% (doze por cento), uma vez que presta serviços de hemodiálise, que se incluem no conceito de "serviços hospitalares".” (efl. 215). Portanto, não tratou especificamente do Despacho Decisório (efls. 128/133), o qual não homologou as DCOMP`s, com supedâneo no art. 74 da Lei n. 9.430/1996. Destarte, se correto o enquadramento do contribuinte como prestador de serviços hospitalares, é cristalino o seu direito à apuração da base de cálculo reduzida do IRPJ e a compensação dos valores pagos a maior. A demanda cingese então na forma pela qual o contribuinte tentou realizar a compensação, indicando como crédito apenas o processo de consulta. O art. 74 da Lei n. 9.430/96 possibilita que o sujeito passivo que apurar crédito o utilize na compensação de débitos próprios. Tal compensação se efetua mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Ademais, cabia ao contribuinte observar a IN SRF n. 600, de 28 de dezembro de 2005 (que revogou a IN SRF n. 460/2004), vigente à época de transmissão das DCOMP`s, a qual determina que a compensação se dará mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP. O art. 170 do CTN exige ainda que os créditos informados pelo contribuinte sejam líquidos e certos. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES Processo nº 10768.003937/200531 Acórdão n.º 1801002.252 S1TE01 Fl. 295 5 A legislação é clara, portanto, ao dizer que é o próprio contribuinte quem apresenta a declaração de compensação, onde deverá informar o crédito utilizado e o débito compensado. Ocorre que nas declarações transmitidas pelo contribuinte (efls. 24/78 e 80/127) o crédito informado se restringiu à indicação do processo n. 10768.003937/200531, que tratou da Solução de Consulta. Ocorre que neste processo não foi apresentado pelo contribuinte os créditos que este pretendia compensar. Portanto, não há como avaliar o pagamento a maior efetuado pelo contribuinte, o qual ensejou seu crédito. Não há nenhum documento nos autos que permita tal avaliação. O problema é simples: não restou demonstrado o quantum do indébito tributário em favor do contribuinte. Registro que a ausência de liquidez e certeza do crédito apurado pelo contribuinte (art. 170 do CTN) não se deve apenas ao fato deste ter indicado como crédito o processo de consulta, mas sim da inexistência de quaisquer documentos que possibilitem tal aferição pela Receita Federal. Tanto é que, a título de exemplo, esta turma já entendeu pela possibilidade de realização de compensação no processo n. 13706.000308/200491, onde o contribuinte havia indicado como crédito seu processo de solução de consulta. Entretanto, naquele caso o contribuinte havia retificado todas as DCTF's e apresentado a DIPJ com a tributação a 8%, permitindo a aferição de liquidez e certeza de seu crédito. Dessa feita, não merece reparos o entendimento adotado na decisão recorrida. Emissão de Certidão Negativa de Débito O contribuinte requer a emissão de certidão negativa, com fulcro nos arts. 151, III e V do CTN. Contudo, tal pretensão não pode nem mesmo ser conhecida por completa incompetência deste órgão para tanto. É pacífica a jurisprudência neste sentido: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2009 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. AÇÃO AJUIZADA APÓS VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR N. 118/2005. PRAZO QUINQUENAL. Conforme entendimento firmado pelo STF, na sistemática dos recursos repetitivos, o prazo prescricional para compensação tributária é de cinco anos, a contar do pagamento, para as ações ajuizadas após início da vigência da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, 09/06/2005. PARCELAMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA INCLUSÃO DAS PARCELAS COMPENSADAS. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. Não tendo o sujeito passivo comprovado que incluiu em parcelamento as quantias supostamente recolhidas indevidamente que pretende compensar, devese glosas os valores correspondentes. PEDIDO DE CERTIDÃO NEGATIVA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO. Não devem ser conhecidos os pedidos para emissão de certidão negativa de débito, posto que é matéria não incluída na competência do CARF. Recurso Voluntário Negado. (Número do Processo 16641.000069/201016; Nº Acórdão 2401003.385; Tipo do Recurso: RECURSO VOLUNTARIO; Relator(a) KLEBER FERREIRA DE ARAUJO; Data de Publicação: 09/06/2014) PEDIDO DE EMISSÃO DE CERTIDÃO NEGATIVA E DE EXCLUSÃO DO CADIN Não se conhece do pedido de emissão de certidão negativa e de exclusão da recorrente do CADIN. (...) Fl. 297DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES 6 (Número do Processo 11065.005085/200416; Nº Acórdão 10322344; Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO; Relator(a) Flávio Franco Corrêa; Data de Publicação: 22/03/2006) Destarte, cabe ao contribuinte observar o que dispõe a IN RFB n° 734/2007, a qual dispõe sobre a emissão de certidão de regularidade fiscal pela Receita Federal. Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Fl. 298DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2015 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES
score : 1.0
Numero do processo: 15540.720159/2012-56
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
O prazo para interposição de recurso é peremptório. A peça impugnatória apresentada após o prazo legal não deve ser conhecida, por não preencher os requisitos de admissibilidade.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido:
Numero da decisão: 2803-004.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. O prazo para interposição de recurso é peremptório. A peça impugnatória apresentada após o prazo legal não deve ser conhecida, por não preencher os requisitos de admissibilidade. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido:
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NÃO CONHECIMENTO. O prazo para interposição de recurso é peremptório. A peça impugnatória apresentada após o prazo legal não deve ser conhecida, por não preencher os requisitos de admissibilidade. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 01 59 /2 01 2- 56 Fl. 454DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte Cobrave Cooperativa Brasileira de Profissionais em Vendas Ltda em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), que restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Matéria não expressamente impugnada tornase definitiva na esfera administrativa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. DIRETORES DE COOPERATIVA. São devidas contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais diretores de cooperativa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O processo ora em apreço teve origem com o lançamento pela fiscalização dos seguintes autos de infração: a) Debcad nº 51.004.0063, relativo ao lançamento de (i) contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais cooperados que trabalham na direção da cooperativa – levantamento A1, e autônomos que prestaram serviços para a cooperativa – levantamento A2, nas competências janeiro de 2009 a dezembro de 2009, e (ii) contribuições previdenciárias patronais destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados a serviços do sujeito passivo – levantamento A6, nas competências novembro de 2009 a dezembro de 2009, inclusive 13°. b) Debcad nº 51.004.0071, relativo ao lançamento de contribuições previdenciárias devidas pelos segurados contribuintes individuais – levantamento A3 e A5, nas competências janeiro de 2009 a dezembro de 2009, sendo que o levantamento A3 referese a contribuições dos segurados contribuintes individuais autônomos que prestaram serviços para a COBRAVE e o levantamento A5 referese a diferenças de contribuições dos segurados contribuintes individuais que prestaram serviços a terceiros decorrentes da aplicação incorreta do limite máximo do salário de contribuição. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 15540.720159/201256 Acórdão n.º 2803004.216 S2TE03 Fl. 455 3 Devidamente cientificada da autuação fiscal, a contribuinte apresentou impugnação aduzindo, em apertado escorço: a) inicialmente diverge das conclusões da auditoria, interrogando sobre a realização direta de vendas, a diferença de atuação dos supervisores da atuação dos diretores, os dados que levaram a auditoria a concluir que a remuneração dos diretores era decorrente de suas atribuições administrativas. b) que a auditoria ignorou a existência de um contador, que, quando a cooperativa era de menor porte, era responsável por todas as atividades administrativas da mesma. Que mesmo afirmando que a atividade administrativa foi exercida pelos diretores até a competência de outubro de 2009, o levantamento A1 incluiu também as competência novembro e dezembro de 2009. c) que a contribuição instituída pela Lei nº 8.212, de 1991, se destinou a substituir, no tocante às cooperativas de trabalho, a contribuição patronal das empresas, em se supondo que os pagamentos efetuados aos cooperativados pelas cooperativas de trabalho sejam inferiores a setenta e cinco por cento das notas fiscais/faturas emitidas. Nesse passo, demonstra que a remuneração total dos cooperativados, incluída a da diretoria, em nenhum momento no período de 2009 excedeu o percentual de 75% do faturamento os valores pagos aos cooperados. Cita Parecer do AdvogadoGeral da União e decisão do processo 2002.71.12.0006055 TRF – 4a Região, que entende aplicáveis ao presente lançamento. Analisando as alegações da contribuinte, a DRJ de origem entendeu por bem em manter na íntegra o lançamento efetuado pela fiscalização, não acolhendo as ponderações apresentadas na impugnação, conforme a ementa de decisão colacionada alhures. Irresignada com a decisão da DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário repisando os argumentos apresentados em sede de impugnação. Sem contrarrazões por parte da Procuradoria da Fazenda, os autos foram encaminhados a este Conselho, sendo a mim sorteada a relatoria. É o relatório. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade Preliminarmente, enfrento a questão da tempestividade do recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Para tanto, importante ressaltar que o sistema da oficialidade, que preside o processo administrativo, caracterizase como uma sequência lógica e ordenada de atos rumo à solução final da demanda, iniciandose com a intimação do sujeito passivo e caminhando até alcançar uma decisão final. Nesse sentido, permitome tecer algumas considerações. Todo o prazo processual é delimitado por dois termos: o inicial (dies a quo), pelo qual surge a faculdade da parte em realizar algum ato, e o final (dies ad quem), em que se extingue efetivamente a faculdade assegurada inicialmente, tenha o interessado praticado ou não o ato processual a ele assegurado. E a norma adjetiva, disciplinando a matéria, estabeleceu um limite de prazo para que as partes possam produzir, de maneira válida, suas manifestações no processo. Com efeito, o artigo 33, do Decreto nº 70.235/72, dispõe que “da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão”. No mesmo sentido, o artigo 5º do Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal, assevera que os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, sendo que somente se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que ocorra o processo ou deva ser praticado o ato. E sobre a questão, o Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e outros processos que especifica, repete a redação citada acima em seu artigo 9º, verbis: Art. 9º. Os prazos serão contínuos, com início e vencimento em dia de expediente normal da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil em que corra o processo ou deva ser praticado o ato (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 5º). 8. De igual sorte, esta também é a determinação dos artigos 184 e 240, parágrafo único, do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 184. Salvo disposição em contrário, computarseão os prazos, excluindo o dia do começo e incluindo o do vencimento. § 1º Considerase prorrogado o prazo até o primeiro dia útil se o vencimento cair em feriado ou em dia em que: Fl. 457DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 15540.720159/201256 Acórdão n.º 2803004.216 S2TE03 Fl. 456 5 I for determinado o fechamento do fórum; II o expediente forense for encerrado antes da hora normal. § 2º Os prazos somente começam a correr do primeiro dia útil após a intimação (art. 240 e parágrafo único). [...] Art. 240. Salvo disposição em contrário, os prazos para as partes, para a Fazenda Pública e para o Ministério Público contarseão da intimação. Parágrafo único. As intimações consideramse realizadas no primeiro dia útil seguinte, se tiverem ocorrido em dia em que não tenha havido expediente forense. Importante também frisar que o próprio Código Tributário Nacional – CTN tratou da matéria, como segue: Art. 210. Os prazos fixados nesta Lei ou legislação tributária serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. In casu, verificase que o contribuinte foi cientificado do acórdão nº 10 48.057, prolatado pela 7ª Turma da DRJ/POA, no dia 24/12/2013 (terçafeira), conforme cópia do AR juntado às fls. 445, começando a contar o prazo de 30 dias no dia 26/12/2013 (quintafeira), por ser o primeiro dia útil seguinte ao da intimação. Contudo, o recurso voluntário foi protocolado apenas no dia 13/02/2014, conforme fls. 446. Portanto, o recurso foi interposto fora do prazo recursal – o último dia para recorrer seria dia 24/01/2014. Dessa forma, não conheço do recurso, por não preencher o requisito formal (tempestividade) para admissibilidade recursal. Conclusão Por todo o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário, por tratarse de peça intempestiva. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 458DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 Fl. 459DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.726234/2011-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2011
REQUERIMENTO DE DESISTÊNCIA DO RECURSO. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso não é conhecido quando contribuinte requer a sua desistência, por ausência de motivação para julgá-lo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário e homologar o pedido de desistência.
Julio César Vieira Gomes Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espindola Reis, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Ausente, o Conselheiro Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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NÃO CONHECIMENTO. O recurso não é conhecido quando contribuinte requer a sua desistência, por ausência de motivação para julgálo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário e homologar o pedido de desistência. Julio César Vieira Gomes – Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espindola Reis, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Ausente, o Conselheiro Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 62 34 /2 01 1- 17 Fl. 6766DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/02/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado para exigir contribuições previdenciárias cota patronal e GILRAT, bem como a contribuição destinadas a terceiros, no período de 01/2006 a 06/2011. O Recorrente interpôs Impugnação (fls. 312/497) requerendo a total improcedência do auto de infração. A DRJ em Salvador/BA, ao analisar o presente caso (fls. 515/521), julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário, entendendo, em suma, que a Recorrente não apresentou provas que pudessem afastar os pressupostos de fato do lançamento. O Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 525/553), no qual sustenta, em síntese, que: (i) devese aguardar o julgamento do processo de cancelamento de imunidade nº 10980.723228/201108; (ii) é detentora do direito à imunidade tributária, preenchendo todos os requisitos materiais; e (iii) seu direito à imunidade está albergado por ordem judicial. Este Conselho determinou a realização de diligência para que o processo nº 10980.723228/201108 e a certidão de objeto e pé do processo nº 2006.70.00.99555 fosse juntado aos autos. O Serviço de Controle e Acompnhamento Tributário (SECAT) atendeu à diligência. A Recorrente apresentou manifestação no sentido de que o julgamento do presente processo deve aguardar, de modo que seja possível aplicar os efeitos decorrentes do mandado de segurança nº 2006.70.00.0099550. Após, a Recorrente protocolou petição requerendo a desistência total do recurso interposto neste processo (fl. 6752). É o relatório. Fl. 6767DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/02/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10980.726234/201117 Acórdão n.º 2402004.531 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso não atende a todos os requisitos de admissibilidade. Isto porque, conforme se verifica à fl. 6752, o contribuinte requereu a desistência total do recurso interposto, não havendo mais motivação para julgálo. Desta forma, voto pelo não conhecimento do recurso, bem como pela homologação do pedido de desistência formulado. Ante todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO, homologando o pedido de desistência formulado pelo contribuinte. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 6768DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/02/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
score : 1.0
Numero do processo: 10670.720072/2010-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN).
DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62-A, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Relatora
EDITADO EM: 17/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 - SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN). DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62-A, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Recurso especial negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora EDITADO EM: 17/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
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DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário contase da data do fato gerador, quando a lei prevê o pagamento antecipado e este é efetuado (artigo 150, § 4º, do CTN). DECISÃO DEFINITIVA DO STJ. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Por força do art. 62A, do Anexo II, do RICARF, as decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. SÚMULA CARF Nº 99. “Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 00 72 /2 01 0- 18 Fl. 2826DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora EDITADO EM: 17/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório Tratase de Auto de Infração por meio do qual se exige Contribuições Sociais Previdenciárias de ônus dos segurados incidentes sobre diferenças de horas extras devidas em razão de redução ficta de hora de trabalho noturna e redução de intervalo intrajornada, bem como incidentes sobre subsídio supermercado e subsídio material escolar, no período de janeiro a dezembro de 2005. A ciência do lançamento ocorreu em 13/12/2010. Em sessão plenária de 18/10/2012, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão nº 2401002.737 (fls. 2.739 a 2.753), assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 VERBAS CONTROVERSAS. DISCUSSÃO NA JUSTIÇA DO TRABALHO. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. PRONUNCIAMENTO DEFINITIVO DO PODER JUDICIÁRIO. Somente consideramse ocorridos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, para as verbas que estejam sobre discussão na Justiça do Trabalho, quando esta se pronunciar definitivamente sobre a lide. ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO PARCIAL PELO SUJEITO PASSIVO DE COMPRAS EFETUADAS PELOS EMPREGADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Os valores pagos pela empresa para custear despesas com alimentação efetuadas pelo seus empregados em Fl. 2827DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO Processo nº 10670.720072/201018 Acórdão n.º 9202003.617 CSRFT2 Fl. 10 3 estabelecimentos conveniados sujeitamse à incidência de contribuições sociais, por não estarem em consonância com a norma que prevê a exclusão desse tipo de parcela do salário de contribuição. MATERIAL ESCOLAR. DISPONIBILIZAÇÃO A PARTE DO QUADRO FUNCIONAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Fornecimento de verba para compra de material escolar, não extensível a todos os empregados e diretores da empresa, é considerado base de cálculo para incidência de contribuições sociais. FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO E DECLARAÇÃO INCORRETA EM GFIP. MULTA MAIS BENÉFICA. AFERIÇÃO CONSIDERANDO TODOS AS LAVRATURAS EFETUADAS NA AÇÃO FISCAL. Nos casos em que tenha havido falta de recolhimento das contribuições e declaração incorreta dos fatos geradores em GFIP, para a aferição da multa mais benéfica, devese cotejar a soma da multa por inadimplemento da obrigação principal (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991) e da multa por descumprimento da obrigação acessória (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991) com a atual multa de ofício (art. 35A da Lei n.º 8.212/1991), prevalecendo a que seja mais favorável ao contribuinte. MULTA. LIMITE DE 20% DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. O limite da multa previsto no § 2.º do art. 61 da Lei n.º 9.430/1996 (20% da contribuição devida) somente é cabível para recolhimento espontâneo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido em Parte” A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os membros do colegiado, I) por maioria de votos, declarar a decadência até a competência 11/2005, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que aplicava a regra do art. 173, I do CTN. II) Pelo voto de qualidade, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as parcelas relativas a horas extras. Fl. 2828DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO 4 Vencidos os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Walter Murilo Melo de Andrade, que davam provimento parcial em maior extensão, para limitar, também, a multa ao patamar de 20%.” O processo foi encaminhado à PGFN em 03/12/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 2.754) e, em 17/12/2012, foi interposto o Recurso Especial de fls. 2.755 a 2.771 (Despacho de Encaminhamento de fls. 2.797), com fundamento no artigo 67, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir a decadência. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 130/2013, de 08/02/2013 (fls. 2.799 a 2.801). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: é consenso na doutrina e jurisprudência pátrias que, em sede de tributo sujeito a lançamento por homologação, a aplicação do artigo 150, §4º somente é possível quando o contribuinte, reconhecendo a ocorrência do fato gerador de determinado tributo, efetua o pagamento, ainda que parcial, possibilitando ao Fisco a conferência posterior dos valores recolhidos, contrapondoos com os efetivamente devidos, efetuando o lançamento de ofício de eventuais diferenças; concluise, pois, que o pressuposto primordial para a aplicação da regra de decadência constante do artigo 150, §4º, do CTN, é o pagamento antecipado parcial do tributo exigido; noutro passo, diante da inexistência de qualquer pagamento, o prazo decadencial para a cobrança dos tributos sujeitos a lançamento por homologação é aquele constante do artigo 173, I, do CTN, conforme Enunciado n.º 219 da Súmula do extinto Tribunal Federal de Recursos; no Superior Tribunal de Justiça esse pensamento está sedimentado e não mais dá azo a quaisquer questionamentos (cita jurisprudência do STJ); nessa perspectiva, cumpre enfatizar que o cerne da questão aqui debatida reside na análise da existência de pagamento antecipado de parte da contribuição exigida, cujo reconhecimento tem a aptidão de atrair a incidência do art. 150, § 4º, do CTN, e em não havendo tal antecipação de pagamento, a aplicação do art. 173, I, do CTN é impositiva. ressaltese que não há que se falar em recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pelo contribuinte como um todo, de modo que qualquer recolhimento efetuado, ainda que não se refira ao objeto do lançamento, possa influir na contagem do prazo decadencial deste de forma a ensejar a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN; este raciocínio não pode prevalecer, sob pena de fulminar as normas legais de regência e abrir ensanchas para injustiças e inauditas lesões ao Erário; para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora colimados, afigurase óbvia a necessidade de se verificar se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos; Fl. 2829DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO Processo nº 10670.720072/201018 Acórdão n.º 9202003.617 CSRFT2 Fl. 11 5 no caso em tela, tratase do lançamento de contribuições, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pelo sujeito passivo, restando claro que, com relação aos mesmos, o contribuinte não efetuou qualquer antecipação; ora, não há como considerar que houve antecipação de pagamento de algo que o contribuinte nunca pretendeu recolher, nesse sentido, deve ser aplicado o art. 173, inciso I do CTN; ademais, afirmar que o recolhimento de contribuição incidente sobre outros fatos implica pagamento parcial do tributo aplicável sobre contribuição em cobrança no lançamento em comento afronta a própria natureza das coisas, inserindose situações fáticas absolutamente diversas sob o mesmo rótulo; aqui se afigura conveniente trazer à colação as lúcidas palavras da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, exaradas em seu voto no bojo do Acórdão nº 20601.033, que restou vencido na ocasião, in litteris: “Como considerar que houve antecipação de pagamento de algo que o contribuinte nunca pretendeu recolher (?). (...) A acepção do termo remuneração não pode ser, para fins de definição do salário de contribuição una, tanto o é, que a doutrina e jurisprudência trabalhistas não admitem o pagamento aglutinado das verbas trabalhistas, o denominado salário complexivo ou complessivo. Considerar que os fatos geradores são únicos, e, portanto, a remuneração deva ser considerada como algo global, é desconsiderar a complexidade das contribuições previdenciárias, bem como a natureza da relação laboral. Até poderíamos aceitar tal conclusão, em uma análise simplória, acerca do faturamento das empresas e as contribuições que incidam sobre esta base de cálculo, mas o mesmo raciocínio não pode ser atribuído às contribuições previdenciárias, onde existe até mesmo, documento próprio para que o contribuinte indique mensalmente e por empregado o que é devido e realize o recolhimento das contribuições correspondentes a estes fatos geradores.” o raciocínio exposto apresentase irretocável, pois a simples circunstância de integrarem a base de cálculo (remuneração) da contribuição previdenciária não tem o condão de conferir a fatos diversos e autônomos a mesma natureza jurídica; na rota desse pensamento, cumpre averbar que se determinado fato relevante ao direito tributário gera contribuição a cargo da empresa, nos termos da lei, o pagamento parcial antecipado estaria configurado tãosomente se houvesse recolhimento de valores atinentes àquele específico fato; caso contrário, se o pagamento referese a outras situações fáticas também previstas em lei como geradoras do tributo, temse hipótese diversa e não há como se sustentar a existência de antecipação de pagamento; no caso em apreço, os valores relativos aos levantamentos especificados no lançamento não foram adimplidos, sendo forçoso concluir que inexiste pagamento antecipado quanto às contribuições exigidas, devendo ser aplicada na espécie, para fins de contagem da decadência, a regra encartada no art. 173, I, do CTN; Fl. 2830DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO 6 além dos fundamentos até aqui expendidos, é preciso ter em mente que a indevida aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, em detrimento da regra encartada no art. 173, I, daquele diploma legal, tem normalmente como efeito imediato a liberação de exações relativas a diversas competências, já que a decadência vai corroer créditos da União em interstícios nos quais não deveria operar nenhum efeito; assim, patente a necessidade de reforma do acórdão hostilizado, de forma que, para a contagem do prazo decadencial, deve ser aplicado o art. 173, do CTN. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e provimento do Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido, nos termos das razões recursais. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento em 19/06/2013 (AR de fls. 2.804), a Contribuinte ofereceu, por meio de correspondência postada em 04/07/2013 (envelope de fls. 2.823), as Contrarrazões de fls. 2.808 a 2.822, reiterando os argumentos do acórdão recorrido. Ao final, a Contribuinte pede que seja negado provimento ao Recurso Especial. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de Auto de Infração por meio do qual se exige Contribuições Sociais Previdenciárias de ônus dos segurados incidentes sobre diferenças de horas extras devidas em razão de redução ficta de hora de trabalho noturna e redução de intervalo intrajornada, bem como incidentes sobre subsídio supermercado e subsídio material escolar, no período de 01/01/2005 a 31/12/2005. A ciência do lançamento ocorreu em 13/12/2010. A matéria em discussão é a decadência relativa ao período de 01/01/2005 a 30/11/2005. Sobre o tema a jurisprudência já foi pacificada, no que diz respeito ao prazo de cinco anos para efetivação do lançamento, inclusive no que tange às contribuições previdenciárias. Nesse sentido, por imposição do artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, o Colegiado deve aderir à tese esposada pelo STJ no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS Fl. 2831DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO Processo nº 10670.720072/201018 Acórdão n.º 9202003.617 CSRFT2 Fl. 12 7 PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos o lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial Fl. 2832DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO 8 qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, nos casos em que há pagamento antecipado, o termo inicial é a data do fato gerador, na forma do § 4º, do art. 150, do CTN. Por outro lado, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, o dies a quo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I, do art. 173, do mesmo Código. Destarte, o deslinde da questão passa necessariamente pela verificação da existência ou não de pagamento e, mais especificamente, que tipo de recolhimento poderia ser considerado. Em relação a esse tema, foi aprovada, em 09/12/2013, a Súmula CARF nº 99, que assim dispõe: SÚMULA CARF Nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Assim, com base nos fundamentos acima, que adoto, e tendo em vista que foram efetuados pagamentos, conforme as GPS – Guias da Previdência Social, constantes do Anexo C, às fls. 2.083 em diante, citadas no acórdão recorrido e não contestadas pela Fazenda Nacional, deve ser aplicado o art. 150, § 4º, do CTN. Como a ciência ao sujeito passivo foi levada a cabo em 13/12/2010, e os fatos geradores dizem respeito às competências 01/2005 a 12/2005, constatase a ocorrência da decadência, no que tange às competências de 01/2005 a 11/2005. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 2833DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO
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Numero do processo: 11684.000921/2009-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 09/01/2009
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE INFORMAÇÕES. DENUNCIA ESPONTÂNEA. ART. 683, § 3º, DO DECRETO 6.759/09. NÃO CABIMENTO.
Nos termos do art. 683, §3º, do Regulamento Aduaneiro, depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador.
Numero da decisão: 3102-002.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, José Paulo Puiatti e Nanci Gama.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa - Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé - Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, José Paulo Puiatti e Nanci Gama.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1951; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 13 1 12 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11684.000921/200993 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102002.302 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de outubro de 2014 Matéria MULTA. Recorrente CAF TRANSPORTES INTERNACIONAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 09/01/2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE INFORMAÇÕES. DENUNCIA ESPONTÂNEA. ART. 683, § 3º, DO DECRETO 6.759/09. NÃO CABIMENTO. Nos termos do art. 683, §3º, do Regulamento Aduaneiro, depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, José Paulo Puiatti e Nanci Gama. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da DRJ em Florianópolis que julgou improcedente a impugnação apresentada, por entender aplicável ao caso concreto a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n.° 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 4. 00 09 21 /2 00 9- 93 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA 2 Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados com riqueza de detalhes, adoto o relatório da decisão recorrida, transcrevendoo abaixo na íntegra: Versa o presente processo sobre aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) em face de o interessado em epígrafe em sua atividade como agente desconsolidador, ter deixado de prestar, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, informação sobre a carga manifestada no Conhecimento Eletrônico Filhote (HBlJ) n.° 130905003030550 e que chegou ao porto de Itaguaí (RJ), no dia 07/01/2009. Segundo descreve a autoridade autuante, à fl. 03 do processo, a informação sobre a carga em relevo deveria ter sido prestada pelo agente de carga (desconsolidador) antes da atracação do navio, ao passo que a desconsolidação da carga, com a respectiva inclusão do citado conhecimento eletrônico filhote no sistema competente, ocorreu somente no dia 09/01/2009 Em conseqüência, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 01 a 11, com fulcro no disposto pela alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n.° 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n.° 10.833, de 2003. Regularmente cientificado da exação em 05/09/2009 (fl. 34), o sujeito passivo irresignado apresentou, em 01/10/2009, os documentos colacionados às fls. 45 a 50 e 54 a 69, e a impugnação de fls. 36 a 44, onde, em síntese: Alega que, muito embora a desconsolidação da mercadoria não tenha sido realizada tempestivamente, inocorreu, contudo, máfé ou tentativa de burlar a legislação, até porque o procedimento fiscal só ocorreu após a notificação espontânea do impugnante, para o que evoca a aplicação do disposto no art. 138 do CTN; Neste passo, após reiterar a inexistência de máfé e de dano à fiscalização, argumenta que a disposição contida no art. 136 do CTN, alusiva à infração de natureza objetiva, não pode ser levada a efeito por meio de simples interpretação gramatical, mas em harmonia com o preceito contido no art. 112 do CTN, devendo a boafé do sujeito passivo ser considerada causa de exclusão de ilicitude, ao que transcreve excertos de decisões judiciais e administrativa que afastaram penalidades tendo em conta a boafé do contribuinte; Finalmente, e face do exposto, requer o cancelamento do auto de infração hostilizado. A DRJ em Florianópolis julgou improcedente a impugnação apresentada, por entender aplicável ao caso concreto a infração prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n.° 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho basicamente reafirmando as alegações da impugnação. É o relatório. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11684.000921/200993 Acórdão n.º 3102002.302 S3C1T2 Fl. 14 3 Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Como é possível perceber do relato acima, os únicos argumentos que o contribuinte alega em sua defesa foram a ausência de máfé e a necessidade de exoneração da multa em face da denúncia espontânea, tendo restado incontroverso nos autos que a informação em análise foi prestada fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil. Em regra, o instituto da denúncia não alcança as penalidades decorrentes do atraso na entrega de declarações. Esta matéria foi inclusive sumulada por este E. Conselho, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Esta máxima, todavia, é excepcionada em se tratando de multas aduaneiras, por possuírem tratamento expresso e específico. Com efeito, prescreve o art. 683 do Regulamento Aduaneiro o seguinte: Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei n o 37, de 1966, art. 102, caput , com a redação dada pelo DecretoLei n o 2.472, de 1988, art. 1 o ; e Lei n o 5.172, de 1966, art. 138, caput). § 1 º Não se considera espontânea a denúncia apresentada (DecretoLei 37, de 1966, art. 102, § 1º, com a redação dada pelo DecretoLei 2.472, de 1988, art. 1º): I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou II após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de multas de natureza tributária ou administrativa, com exceção das aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, § 2º, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 40). (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 16 de maio de 2013) § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA 4 Da simples leitura do enunciado normativo acima transcrito, verificase que a denúncia espontânea alcança, em alguns casos, também as multas de natureza administrativa. Entretanto, esta mesma regra é expressa ao determinar que depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. E é justamente este o caso dos autos, tendo em vista que o contribuinte prestou as informações exigidas apenas após a atracação do navio no porto brasileiro. Com efeito, como bem pontuou a decisão recorrida, (...) o navio em questão (MAERSK DANBOU) atracado no porto brasileiro em 07/01/2009, sem que que lhe cabia desconsolidar, incluindo filhote, o que, aliás, só veio a ocorrer o impugnante prestasse as informações sobre a carga no sistema competente o respectivo conhecimento em 09/01/2009, conforme extrato do conhecimento eletrônico colacionado à fl. 22 Em face do exposto, e tendo em vista que a presente penalidade tem natureza objetiva, independendo da intenção do agente, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 151DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.723069/2009-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A observância dos preceitos legais nos procedimentos de fiscalização e dos princípios do processo administrativo fiscal garante o contraditório e a ampla defesa e afasta a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO.
O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBR-ABNT 14653-3.
MULTA DE OFÍCIO.
Nos casos de lançamento de ofício aplica-se a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-003.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 09/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Relatora. EDITADO EM: 09/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A observância dos preceitos legais nos procedimentos de fiscalização e dos princípios do processo administrativo fiscal garante o contraditório e a ampla defesa e afasta a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBRABNT 146533. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício aplicase a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 30 69 /2 00 9- 25 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723069/200925 Acórdão n.º 2102003.242 S2C1T2 Fl. 186 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 09/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra CLAUDIO LUIZ SPERB Espólio foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 14/20, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do imóvel denominado Fazenda da Divisa, com área total de 489,9ha (NIRF 0.515.6203), relativo ao exercício 2006, no valor de R$ 2.787,42, incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 19/11/2009. A infração imputada ao contribuinte foi arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), com utilização de dados extraídos do Sistema de Preços de Terras (SIPT) – R$ 4.733,97/ha: ITR 2006 Declarado Apurado na Notificação 16Valor da Terra Nua R$ 979.800,00 R$ 2.319.171,90 Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/CGE nº 0425.634, de 15/08/2011, fls. 155/166. Cientificado da decisão, acima referida, por via postal, em 13/09/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 172, o contribuinte apresentou, em 11/10/2011, recurso voluntário, fls. 174/178, onde requer o a seguir transcrito: Fl. 186DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723069/200925 Acórdão n.º 2102003.242 S2C1T2 Fl. 187 3 a) A nulidade dos lançamentos realizados, com a reabertura do prazo para apresentar a documentação regulatória, visto que o lançamento ocorreu dentro do prazo para defesa. b) Superado o requerimento acima, requer a redução do VTN com base no valor real da propriedade e do valor das benfeitorias e a redução do grau de utilização em razão das pastagens e da lotação utilizada. c) A nulidade da aplicação de ônus de mora, visto que não restou oportunizado ao contribuinte a possibilidade de quitação espontânea do débito. É o Relatório. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723069/200925 Acórdão n.º 2102003.242 S2C1T2 Fl. 188 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Preliminarmente, o contribuinte suscita a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Nesse sentido, esclarece que a Notificação de Lançamento foi lavrada antes de decorrido o prazo concedido, durante o procedimento fiscal, para a apresentação de documentos comprobatórios das informações prestadas na Declaração de ITR. Inicialmente é importante dizer que não foi acostado aos autos o AR correspondente à ciência do contribuinte ao Termo de Intimação Fiscal, fls. 10. Todavia, verificase que o Termo foi lavrado em 14/09/2009, sendo concedido ao contribuinte um prazo de vinte dias para o atendimento da intimação. Já a Notificação de Lançamento, fls. 14, foi lavrada em 23/11/2009,com ciência postal em 01/12/2009, AR, fls. 148. Como se vê, entre as datas de lavratura do Termo de Intimação e da Notificação de Lançamento transcorreram exatos setenta dias, de modo que é bastante provável que a Notificação de Lançamento somente foi lavrada depois de já vencido o prazo para a apresentação dos documentos solicitados. Por outro lado, devese dizer que não há nos autos comprovação da alegação da defesa de que Dentro do prazo, providenciou a documentação solicitada, todavia, ao se dirigir a Receita Federal para entrega dos documentos comprobatórios foi informado pelo funcionário, Sr. David, que não poderia ser entregue a documentação pois o processo já havia sido encaminhado para a realização dos respectivos lançamentos. A defesa, embora faça tal afirmação, não juntou aos autos nenhum documento que demonstre a tentativa de apresentação dos documentos, tampouco da data em que tal fato, por ventura, tenha ocorrido. Contudo, ainda, que prevalecesse a afirmação da defesa, tal ocorrência não ensejaria a nulidade do lançamento, posto que, cientificado da Notificação, o contribuinte teve o prazo de trinta para a apresentação da impugnação, que deveria vir acompanhada de todos os documentos pertinentes a sua defesa. Logo, não restou configurado o cerceamento do direito de defesa do contribuinte, nos termos em que disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Ou seja, a Notificação de Lançamento foi lavrada por autoridade fiscal competente e no momento da apresentação da impugnação foi oportunizado ao contribuinte juntar aos autos todos os documentos, de que dispusesse, como de fato o fez, sendo certo que a referida documentação foi analisada pela autoridade de primeira instância, quando da apreciação da impugnação. Nestes termos, afastase a alegação de nulidade por cerceamento ao direito de defesa. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723069/200925 Acórdão n.º 2102003.242 S2C1T2 Fl. 189 5 No mérito, temse que o lançamento cuida de arbitramento do valor da terra nua (VTN), conforme disposto no art. 14 da Lei nº 9.393 de 1996. Em sua DITR/2006, o contribuinte informou VTN de R$ 979.800,00 (R$ 2.000,00/ha) e foi intimado a fazer a comprovação de tal valor, durante o procedimento fiscal, conforme Termo de Intimação Fiscal, fls. 10, mediante a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), com fundamentação e grau de precisão II ou III e anotação de responsabilidade técnica (ART). Encerrado o procedimento, sem que o contribuinte tenha apresentado o laudo solicitado, a autoridade fiscal procedeu ao arbitramento do VTN em R$ 2.319.171,90 (R$ 4.733,97/ha), utilizando valor extraído do SIPT. No recurso, o contribuinte requer a redução do VTN, com base no valor real da propriedade e do valor das benfeitorias. Todavia, tal pedido vem desacompanhado do competente Laudo de Avaliação do imóvel em questão. Destaquese que o Laudo de Avaliação de Benfeitorias e Pastagens, fls. 56 e seguintes, apresentado pela defesa, não se presta para a comprovação do VTN declarado, posto que, conforme art. 8º, § 2º e art. 10, § 1º, inciso I, da Lei nº 9.393, de 1996, o valor da terra nua é o valor de mercado do imóvel, excluídos os valores de mercado relativos a construções, instalações e benfeitorias; culturas permanentes e temporárias; pastagens cultivadas e melhoradas e florestas plantadas. Nestes termos, considerando que o contribuinte não comprovou o VTN declarado, pois deixou de apresentar o laudo de avaliação do imóvel, elaborado nos termos da NBR 14.653 da ABNT, há de prevalecer o arbitramento do VTN, nos moldes em que consubstanciado na Notificação de Lançamento. Por fim, no que concerne à alegação da defesa de que não foi oportunizada ao contribuinte a possibilidade de quitação espontânea do débito, com dispensa da multa, cumpre dizer que não há disposição legal nesse sentido. A multa de ofício foi aplicada nos termos do art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que a seguir se transcreve: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; A autoridade fiscal apurou falta de pagamento de ITR em decorrência da infração a ele imputada. Logo, o contribuinte está sujeito à imposição da multa de 75%, que deve prevalecer, posto que a legislação de regência assim prevê, nos casos de lançamento de ofício. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723069/200925 Acórdão n.º 2102003.242 S2C1T2 Fl. 190 6 Ante o exposto, voto por afastar a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 190DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10830.724923/2012-83
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/12/2008
NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Tendo a fiscalização e a DRJ utilizados a mesma fundamentação para a autuação não há de se falar em inovação no critério jurídico da autuação apto a configurar uma nulidade. Ademais, o acórdão prolatado apresentou e contrapôs todos os pontos suscitados pela recorrente.
INDENIZAÇÃO DA CONVENÇÃO COLETIVA. INDENIZAÇÃO DE DESLIGAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA.
Ausência de demonstração que a Indenização da Convenção Coletiva, pago no desligamento dos funcionários com idade superior a 45 anos, fora pago em decorrência de prestação de serviços. Não incidência das contribuições previdenciárias.
PLR. VALORES FIXOS. AUSÊNCIA DE REGRAS CLARAS E ESPECÍFICAS. INCIDÊNCIA.
Não existindo regras claras e específicas, nem método para aferição da produtividade, sendo a PLR paga a todos os funcionários e em valores fixos, desrespeita-se os preceitos instituídos pela Lei n. 10.101/2000.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35-A, da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-004.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I- por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a incidência das contribuições previdenciárias sobre a rubrica denominada Indenização de Convenção Coletiva. Vencido o Conselheiro Oseas Coimbra Junior. II- por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Oseas Coimbra Junior para aplicar a multa de mora do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação anterior a MP 449/2009, limitada a setenta e cinco por cento, caso ultrapasse esse patamar, nos termos do artigo 35-A, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. Vencidos os Conselheiros Ricardo Magaldi Messetti e Amilcar Barca Teixeira Junior. Sustentação oral Advogada Dra Maria Isabel Tostes da Costa, OAB/DF nº 115.127. Declarou-se impedido o Conselheiro Gustavo Vettorato.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti Relator
(assinatura digital)
Oseas Coimbra Junior Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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INEXISTÊNCIA. Tendo a fiscalização e a DRJ utilizados a mesma fundamentação para a autuação não há de se falar em inovação no critério jurídico da autuação apto a configurar uma nulidade. Ademais, o acórdão prolatado apresentou e contrapôs todos os pontos suscitados pela recorrente. INDENIZAÇÃO DA CONVENÇÃO COLETIVA. INDENIZAÇÃO DE DESLIGAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA. Ausência de demonstração que a Indenização da Convenção Coletiva, pago no desligamento dos funcionários com idade superior a 45 anos, fora pago em decorrência de prestação de serviços. Não incidência das contribuições previdenciárias. PLR. VALORES FIXOS. AUSÊNCIA DE REGRAS CLARAS E ESPECÍFICAS. INCIDÊNCIA. Não existindo regras claras e específicas, nem método para aferição da produtividade, sendo a PLR paga a todos os funcionários e em valores fixos, desrespeitase os preceitos instituídos pela Lei n. 10.101/2000. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35A, da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 49 23 /2 01 2- 83 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 2 Acordam os membros do colegiado, I por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a incidência das contribuições previdenciárias sobre a rubrica denominada Indenização de Convenção Coletiva. Vencido o Conselheiro Oseas Coimbra Junior. II por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Conselheiro Oseas Coimbra Junior para aplicar a multa de mora do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação anterior a MP 449/2009, limitada a setenta e cinco por cento, caso ultrapasse esse patamar, nos termos do artigo 35A, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. Vencidos os Conselheiros Ricardo Magaldi Messetti e Amilcar Barca Teixeira Junior. Sustentação oral Advogada Dra Maria Isabel Tostes da Costa, OAB/DF nº 115.127. Declarouse impedido o Conselheiro Gustavo Vettorato. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti – Relator (assinatura digital) Oseas Coimbra Junior – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira Fl. 483DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10830.724923/201283 Acórdão n.º 2803004.166 S2TE03 Fl. 483 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte Germed Farmacêutica Ltda em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP), que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. INDENIZAÇÃO CONVENÇÃO COLETIVA. NATUREZA SALARIAL CONTRIBUIÇÕES. INCIDÊNCIA A Indenização Convenção Coletiva é um valor pago pela empresa ao empregado de mais idade e desligado sem justa causa, com características de gratificação ajustada e com objetivo de auxiliálo na recolocação no mercado de trabalho. Nesse contexto qualquer verba denominada ou não como indenizatória, paga na rescisão de contrato de trabalho e sem previsão legal de exclusão, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Integra o saláriodecontribuição a verba intitulada participação nos lucros ou resultados da empresa quando paga ou creditada em desacordo com a lei específica. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O processo ora em análise originouse dos seguintes autos de infração: a) Debcad 37.368.607 2, referente a contribuição da empresa (patronal e RAT) sobre as remunerações de segurados empregados, composto dos levantamentos PR1, PR2 e VC1; b) Debcad 37.368.6099, referente a contribuição destinada a outras entidades e fundos (terceiros) sobre as remunerações de segurados empregados, composto dos levantamentos PR1, PR2 e VC1; c) Debcad 37.368.6080, referente a contribuição devida pelos segurados empregados, composto dos levantamentos PR1, PR2 e VC1. Segundo o relatório fiscal, o levantamento VC1 se refere a valores pagos aos segurados empregados e constantes das folhas de Pagamento sob a rubrica 0111 Indenização Convenção Coletiva, pagas por força do estipulado em Convenção Coletiva de Trabalho , quando da rescisão de contrato, sem justa causa, para aqueles que tenham mais de 45 anos de Fl. 484DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 4 idade e com mais de cinco anos na mesma empresa. Por outro lado, os levantamentos PR1 e, PR2 se referem a valores pagos aos segurados empregados, constantes em Folhas de Pagamento sob a rubrica Participação nos Resultados, pagas com base nas convenções coletivas de trabalho, sem o estabelecimento de metas e mecanismos de aferição , contrariando o que determina a Lei 10.101/2000. Devidamente intimada da autuação fiscal, a contribuinte apresentou sua impugnação, trazendo, em síntese, os seguintes argumentos: a) preliminarmente, que a autoridade lançadora presumiu que o pagamento a título de Indenização e de Participação nos Resultados possuiriam natureza remuneratória, em virtude de supostamente não se enquadrarem nas hipóteses de isenção do artigo 28,§ 9º, da Lei nº 8.212/91 , desrespeitando o Principio da Legalidade o que seria inadmissível; b) que a Indenização prevista em Convenção Coletiva de Trabalho não contém as características de retributividade e /ou habitualidade, não devendo portanto compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias; c) que não se justifica atribuir aos pagamentos de Participação nos Lucros a natureza de remuneração, pois ao argumentar que o motivo do lançamento foi por ter a impugnante deixado de negociar com seus empregados, demonstra desconhecimento da Lei 10.101/2000; Ao analisar as alegações da contribuinte, a DRJ houve por bem em não acolher as ponderações apresentadas, julgando procedente o lançamento efetuado. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, aduzindo, em apertado escorço: a) preliminarmente, a nulidade da decisão proferida pela DRJ, visto ter inovado no critério jurídico da autuação fiscal, uma vez que os argumentos expostos na decisão a quo sobre a configuração de gratificação não ajustada, bem como a ausência de outros pressupostos da Lei n. 10.101/00, foram diferentes daqueles utilizados pela autoridade fiscalizadora; b) ainda em preliminar, a nulidade da decisão da instância singela por deixar de analisar todos os argumentos expostos na Impugnação; c) que a verba prevista em Convenção Coletiva tem natureza unicamente indenizatória ao empregado de idade avançada em razão da dificuldade que este enfrentará para se recolocar no mercado de trabalho. Além disso, a verba se destina a suprir a ausência de amparo imediato do INSS ao empregado que não terá condições de manter seu sustendo, devendo este pagamento ser estipulado pela União; d) no tocante a participação nos lucros e resultados, a verba foi estabelecida em Convenção Coletiva, demonstrando a participação efetiva dos empregados, bem como tinha abrangência nacional, o que impossibilitava de trazer metas especificas em razão da dificuldades regionais; e) a aplicação de multa mais benéfica ao contribuinte. Sem contrarrazões por parte da Procuradoria da Fazenda, os autos foram encaminhados a este Conselho para julgamento, sendo a mim sorteada a relatoria. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10830.724923/201283 Acórdão n.º 2803004.166 S2TE03 Fl. 484 5 É o relatório. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 6 Voto Vencido Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade Fazendo o juízo de prelibação, observase que o recurso voluntário apresentado pela contribuinte é tempestivo e que presentes estão os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálo. Da Inexistência de Nulidades Em que pese o excelente arrazoado trazido pela recorrente, não consigo vislumbrar as nulidades suscitadas em preliminares pela contribuinte. Ora, analisando a razão de decidir da DRJ, não encontro a inovação do critério jurídico da autuação fiscal levantada pela recorrente. Ora, averiguando o quanto trazido pela fiscalização em seu relatório fiscal, extraise que a autuação assentou que "os pagamentos efetuados a segurados sob o título de 'Indenização de Convenção Coletiva' sem a necessária previsão legal de desvinculação salarial, são os fatos geradores das contribuições previdenciárias da empresa, do segurados empregados e das contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Terceiros)." Por sua vez, a DRJ ao decidir a questão apontou que "a Indenização Convenção Coletiva é um valor pago pela empresa ao empregado de mais idade e desligado sem justa causa, com características de gratificação ajustada e com objetivo de auxiliálo na recolocação no mercado de trabalho. Nesse contexto qualquer verba denominada ou não como indenizatória, paga na rescisão de contrato de trabalho e sem previsão legal de exclusão, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias." Destarte, por perfunctória análise do quanto colacionado alhures, tanto a fiscalização, quanto a decisão da DRJ, entendera, que a verba relativa a Indenização Convenção Coletiva, independente de ter a DRJ nomeadoa de "gratificação ajustada", não possuía previsão legal, razão pela qual deveria integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. No tocante à PLR, não há como concordar com a inovação alegada. A fiscalização foi hialina em seu relatório fiscal ao justificar a sua autuação no fato de que as Convenções Coletivas apresentadas "não estabeleceram as metas e os mecanismos de aferição conforme determina a Lei n. 10.101/2000". Por seu turno, o acórdão ora recorrido testificou que "para que a distribuição dos lucros e resultados da empresa não esteja vinculada à remuneração dos trabalhadores, não basta à mera previsão em acordo coletivo, é necessário ainda que este acordo preveja regras claras e objetivas, índices de produtividade, qualidade e lucratividade, e programas de meta e resultados". Por consectário, como ocorrido na apreciação da verba anterior, a fundamentação da autuação e da DRJ para o rúbrica PLR é a mesma, não existindo a nulidade apontada. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10830.724923/201283 Acórdão n.º 2803004.166 S2TE03 Fl. 485 7 No que tange à nulidade, também não há como dar guarida a alegação a ausência de análise dos argumentos da impugnação, visto que o acórdão prolatado apresentou e contrapôs todos os pontos suscitados pela recorrente, não subsistindo, assim, razão para o acolhimento das preliminares, negandose provimento ao recurso neste tópico específico. Da Indenização da Convenção Coletiva Ultrapassadas as preliminares apresentadas, passo a análise das questões meritórias apresentadas pela recorrente. No tocante à Indenização da Convenção Coletiva, o fiscal autuante entendeu que os valores pagos a título de indenização por desligamento dos funcionários com mais de 45 (quarenta e cinco) anos e 05 (cinco) anos de empresa possuem caráter remuneratório e, portanto, devem incidir as contribuições previdenciárias. Da minha parte, entendo de forma contrária, pois o valor entregue pela Recorrente ao seu funcionário, no momento do desligamento, possui única e exclusivamente natureza indenizatória. É dizer: tratase de uma soma em dinheiro que a empresa oferece em detrimento da perda do emprego pelo seu exfuncionário com o escopo de indenizar as garantias face ao tempo já trabalhado e à confiança conquistada, bem como a dificuldade que este funcionário, por sua idade, enfrentaria no competitivo mercado de trabalho. Pelo fato de não haver previsão legal sobre pagamento de indenização pelo desligamento não se pode chegar à ilação equivocada, de viez arrecadatório, que esse valor deve integrar o saláriodecontribuição e a base de cálculo da contribuição previdenciária da empresa. É o próprio Estatuto Supremo quem define como limitação ao poder de tributar (art. 150, 1). A regra máxima: é vedado exigir tributo sem que lei o estabeleça. Outrossim, a natureza indenizatória dos valores pagos na rescisão trabalhista não pode ser transmudada ao gosto do Fisco. A autoridade administrativa não trouxe elementos que ensejam a desconsideração da indenização concedida ao empregado. Além disso, conforme ressaltado pelo Supremo Tribunal Federal STF, quando da análise da Adin n.º1659, com a conversão da Medida Provisória n.º 1.5239/97 na Lei n.º 9.528/97, foi afastada a incidência de contribuições previdenciárias sobre as parcelas de caráter indenizatório. E é nesse sentido que os Tribunais Regionais vêm proferindo seus acórdãos a respeito do tema em análise: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. VERBAS INDENIZATÓRIAS. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.523/97. LEI DE CONVERSÃO Nº 9.528/97. DISPOSITIVOS SUPRIMIDOS. PERDA DE EFICÁCIA. 1. A medida provisória nº 1.523/97, ao ter sido convertida na lei nº 9.528/97, teve vetados os dispositivos que incluíam verbas indenizatórias para fins de incidência de contribuição social. 2. Inexigibilidade de recolhimento da contribuição social sobre verbas indenizatórias. 3. Apelação e remessa oficial desprovidas.” (TRF 5 – Apelação Civel PRC 237013 PE 2000.05.00.0229340, Relator Desembargador Federal Paulo Roberto de Oliveira Lima) Fl. 488DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 8 “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE VERBAS INDENIZATÓRIAS E DIÁRIAS. MP N. 1.523/97. LEI N. 9.528/97. 1. A Lei n. 9.528/97 afastou a incidência de contribuição previdenciária sobre as parcelas indenizatórias e diárias. 2. A eficácia do art. 22, § 2º, da Lei n. 8.212/91, com a redação dada pela MP n. 1523/97, foi suspensa pelo STF, na ADIN n. 1.659 3. Apelação improvida. Remessa parcialmente provida.” (TRF1 – Apelação em Mandado de Segurança – MAS 104065 MG 1999.01.00.10.40657, Relator Juiz Carlos Olavo) O Augusto Tribunal da Cidadania também já se manifestou sobre a questão, conforme ementa transcrita abaixo: “TRIBUTÁRIO. VERBAS INDENIZATÓRIAS. ADICIONAL EM CASO DE DISPENSA E INCENTIVO À APOSENTADORIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. INTERPRETAÇÃO DO ART. 28, § 9º, ALÍNEA "E", ITEM 5 DA LEI Nº 8.212/91. (...) 2. As verbas discutidas, como firmado pelo acórdão recorrido, são oriundas da cessação do contrato de trabalho, tendo, portanto, natureza indenizatória e não remuneratória, razão pela qual ser indevida a contribuição previdenciária. Interpretação em consonância com o que dispõe o art. 28, § 9º, alínea e, item 5 da Lei nº 8.212/91. 3. Recurso especial improvido” (Resp 663082 – RJ 2004/00738499, Primeira Turma, Ministro Relator José Delgado) O pagamento de indenização de desligamento não se enquadra na hipótese descritiva do art. 22, I, da Lei 8.121/91, pois, como já amplamente demonstrado, dado o seu caráter genérico com que trata o fato gerador da contribuição social previdenciária. Por fim, saliento que as hipóteses vertentes enquadramse perfeitamente nas proposições da Lei n. 8.212/91, art. 28, §9º, “e”, 5, não integrando, por expressa previsão legal, o salário de contribuição. Chamo a apoiar minha posição o fato de o valor ser pago ao empregado uma única vez, sem habitualidade alguma. O que demonstra não fazer parte do contexto salarial do segurado empregado. Em síntese e conclusivamente, a Indenização de Convenção Coletiva paga pela recorrente ao seu exfuncionário não tem natureza jurídica remuneratória e não integra o saláriodecontribuição do empregado, razão pela qual não necessita constar na folha de pagamento mensal. Assim, neste tópico não assiste razão ao fisco, devendo o crédito ser exonerado, merecendo provimento o recurso voluntário apresentado. Participação nos Lucros ou Resultados A outra questão de mérito apresentada pela contribuinte referese aos valores pagos aos seus funcionários a título de PLR em desacordo com a lei. No presente caso, não havia previsão de "regras claras e objetivas, índices de produtividade, qualidade e Fl. 489DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10830.724923/201283 Acórdão n.º 2803004.166 S2TE03 Fl. 486 9 lucratividade, e programas de meta e resultados". A fiscalização desconsiderou a distribuição dos resultados aos empregados, fazendo incidir a tributação. A Constituição Federal de 1988, no inc. XI do art. 7º, incluiu entre os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, a participação nos lucros ou resultados dos seus empregadores. O texto constitucional, neste ponto, é enfático ao assegurar a sua desvinculação da remuneração percebida pelo empregado, de acordo com os critérios legais. Eis o teor do dispositivo: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visam à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei.” Nesse sentido, a Lei de Custeio da Seguridade Social em seu artigo 28, § 9º, "j"`, condicionou a não incidência de contribuição previdenciária ao atendimento dos critérios fixados em lei específica: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica;” Deste modo, para que uma empresa possa efetuar pagamentos aos seus funcionários do referido benefício, são necessários que se preencham alguns requisitos mínimos dispostos no artigo 2°, da Lei nº 10.101/2000: “Art.2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.” Fl. 490DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 10 Posta a norma resta saber se o procedimento adotado pela empresa afrontou ou não tal regulamentação. Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal, o exercício do direito assegurado pelo referido artigo começaria “com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração”. (RE 398284, Relator Min. Menezes Direito, Primeira Turma, julgado em 23/09/2008). A seu turno, a regulamentação do dispositivo “somente ocorreu com a edição da Medida Provisória 794/94”, posteriormente convertida na Lei 10.101/00. (RE 393764 AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, julgado em 25/11/2008) É dizer: a não incidência da contribuição social previdenciária está adstrita aos pagamentos realizados a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, pressupondo a observância de requisitos mínimos estabelecidos pela Lei nº 10.101/2000. Uma vez descaracterizado o benefício, as quantias em comento pagas pelo empregador a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. Não obstante o brilhantismo do arrazoado apresentado pela recorrente, considerase que os documentos coletivos carreados aos autos não trazem qualquer reglas claras, metas, ou meio de aferição de produtividade, pelo contrário, estipula valores fixo a serem pagos duas vezes ao ano a todos os funcionários. Com efeito, os argumentos trazidos pela recorrente não são satisfatórios para determinar a natureza dos pagamentos como sendo excluídas da base de cálculo do tributo. A preocupação do legislador, constante na Lei 10.101/00, é no sentido de salvaguardar o direito do trabalhador. Urge ressaltar que a regulamentação normativa tem o escopo de proteger o trabalhador, para que sua participação nos lucros se efetive. Assim, podese concluir que os documentos trazidos aos autos não indicam que houve o preenchimento dos requisitos mínimos necessários da Lei n. 10.101/00. Diante desses elementos, deve ser mantida a tributação das contribuições provisórias incidentes sobre a distribuição dos lucros e resultados para os empregados da recorrente. Da Multa de Mora Por fim, sobre a multa aplicada, tornase importante apreciar, a matéria, tendo em vista se tratar de questão de ordem. Dessa forma, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras Fl. 491DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10830.724923/201283 Acórdão n.º 2803004.166 S2TE03 Fl. 487 11 entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 20. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte para, no mérito, darlhe parcial provimento, para afastar a incidência das contribuições previdenciárias sobre a rúbrica denominada Indenização de Convenção Coletiva e para aplicar a multa prevista no art. 35 da Lei n.º 8.212/91 combinado com o art. 61, § 2º da Lei n.º 9.430/96, se mais benéfica ao contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 492DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 12 Voto Vencedor Conselheiro Oseas Coimbra Júnior Sr Presidente, Com as vênias de estilo, divirjo do e. Relator em relação à multa aplicada, somente. A multa aplicada tem seu valor determinado pela legislação em vigor. A atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais para sua aplicação. No entanto, o art. 106, inciso II,”c” do CTN determina a aplicação de legislação superveniente apenas quando esta seja mais benéfica ao contribuinte. Os valores da multas referentes a descumprimento de obrigação principal foram alterados pela MP 449/08, de 03.12.2008, convertida na lei n º 11.941/09. Assim sendo, o valor da multa aplicada até a competência 11/2008 deve ser calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado com o que consta na nova redação trazida no art. 35A, transcrevo. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe parcial provimento para que o valor da multa aplicada até a competência 11/2008 seja calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado com a nova redação trazida no art. 35A da mesma lei, aplicandose o mais benéfico. A comparação darseá no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 10830.724923/201283 Acórdão n.º 2803004.166 S2TE03 Fl. 488 13 (assinado digitalmente) Oseas Coimbra Júnior – Redator Designado Fl. 494DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI
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Numero do processo: 13839.909791/2012-76
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2012
COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO.
Estando o Despacho Decisório suficientemente fundamentado, demonstrando com clareza as razões de fato e de direito que justificaram a não homologação da compensação, não há que se falar em reforma da decisão recorrida.
Numero da decisão: 1801-002.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Daniel de Moura Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA
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DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. Estando o Despacho Decisório suficientemente fundamentado, demonstrando com clareza as razões de fato e de direito que justificaram a não homologação da compensação, não há que se falar em reforma da decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 97 91 /2 01 2- 76 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES 2 Tratase de recurso voluntário interposto por Nova Injeção Sob Pressão e Comércio de Peças Industriais Ltda contra o acórdão de nº 1144043, prolatado pela 3ª Turma da DRJ de Recife/PE, que manteve integralmente o despacho decisório objeto de discussão nestes autos. Neste processo, discutese a não homologação da PER/DCOMP de nº 23189.98075.121112.1.3.042751 (fls. 3034), transmitida pela Recorrente e por meio da qual se pretendia compensar crédito de IRPJ com débito de IPI. A Receita Federal, através do despacho decisório de fl. 51, deixou de homologar a compensação, alegando que o valor recolhido através do DARF (R$56.405,19) havia sido integralmente consumido para quitação do débito de IRPJ apurado em 31/03/2008, declarado na DCTF da Recorrente. Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 0312), a Recorrente alegou nulidade do despacho decisório, que a seu ver teria cerceado o seu direito de defesa ao não fundamentar a contento a não homologação da compensação. Ao conhecer das razões da Recorrente, a 3ª Turma da DRJ de Recife/PE, através do acórdão ora recorrido (fls. 5558), manteve o despacho decisório, nos seguintes termos: “O texto constante do Despacho Decisório em lide, é claro ao expor que a não homologação da compensação se deu em razão do fato de que o DARF indicado como origem do crédito estar totalmente vinculado a débito declarado como devido em DCTF. Como se sabe, nos termos da legislação de regência (Instruções Normativas SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, 016, de 14 de fevereiro de 2000, e posteriores), a DCTF constitui instrumento de confissão de dívida quanto aos débitos nela declarados”. (fl. 5657) Sustentou ainda a DRJ que a Receita Federal não poderia ter reconhecido crédito algum em favor da contribuinte, já que, ao tempo do despacho decisório, o pagamento que supostamente geraria o crédito estava integralmente alocado ao pagamento de débito regularmente declarado pela empresa. Irresignada, a Recorrente apresentou o recurso voluntário ora analisado (fls. 6470), sustentando que o ato administrativo que analisa a compensação tem natureza vinculada e, por isso, deveria ter indicado os pressupostos de fato e de direito que justificaram a não homologação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca Conheço o recurso voluntário, pois tempestivo. Em seu recurso voluntário, a Recorrente sustenta que a Receita Federal, ao deixar de homologar a compensação pretendida, não fundamentou a contento sua decisão, deixando de expor os fundamentos de fato e de direito que justificariam a não homologação. É ver as palavras da Recorrente: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES Processo nº 13839.909791/201276 Acórdão n.º 1801002.292 S1TE01 Fl. 85 3 “08. Muito bem, ao indeferir o pedido ao direito de compensação da recorrente, é necessário que aponte os pressupostos do ato administrativo, pois estamos diante de um ato vinculado. 09. A indicação dos pressupostos de fato e dos pressupostos de direito, a compatibilidade entre ambos e a correção da medida encetada compõem obrigatiedades decorrentes do princípio da legalidade. 10. O detalhamento, ou justificativa, será maior ou menor conforme o ato seja vinculado ou discricionário. A motivação mostra se imprescindível para a efetivação de eficaz controle sobre a atuação administrativa. (...) 12. Dessa forma, estamos diante de um ato administrativo vinculado, sendo necessário preencher os requisitos atribuídos por lei, isto é, não houvera a fundamentação de quais foram os pagamentos localizados, visto que simplesmente noticia por meio da margem da discricionariedade que foram localizados um ou mais pagamentos.” (fl. 67) Com a devida vênia ao entendimento da contribuinte, o seu recurso parte da premissa equivocada de que o despacho decisório não teria sido fundamentado suficientemente. No entanto, pela mera leitura da decisão (que está acostada nestes autos à fl. 51) é possível depreender claramente as razões que levaram a Receita Federal a negar a homologação pretendida pela empresa: o DARF que supostamente geraria o crédito já estava integralmente alocado para pagamento de débitos declarados pelo próprio contribuinte. É ver a redação do despacho, que é clara nesse sentido: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP.” Ou seja, a despeito do que sustenta o recurso voluntário ora analisado, a Receita Federal, ao analisar a declaração de compensação da empresa, foi clara em apontar o pressuposto de fato da não homologação: inexistência de recolhimento a maior, pois o recolhimento no valor de R$56.409,68 foi integralmente consumido pelo débito de IRPJ declarado pela própria contribuinte. E como se sabe, o art. 165, I, do CTN apenas autoriza a restituição de tributos pagos quando eles forem indevidos ou tiverem sido pagos a maior. Portanto, apenas nessas duas hipóteses podese falar em créditos passíveis de compensação. E, no presente caso, a Recorrente sequer invocou qualquer dessas hipóteses em seu favor. A partir do momento em que o despacho decisório consignou nestes autos que não havia crédito em nome da Recorrente a ser compensado, competia a esta instruir sua manifestação de inconformidade com documentos que comprovassem que o DARF gerador do crédito foi pago indevidamente ou a maior. Afinal, o ônus de comprovar a existência do crédito é do contribuinte. Como isso não foi feito nestes autos, a conclusão a que se chega é que a Recorrente não se desincumbiu do seu ônus de comprovar a presença de uma das hipóteses Fl. 86DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES 4 autorizadoras da restituição/compensação de tributos (art. 165, I, do CTN). E sem essa comprovação, impossível é a compensação pretendida pela Recorrente nestes autos. Por estas razões, nego provimento ao recurso voluntário e mantenho incólume a decisão ora recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Relator Fl. 87DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 13/03/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ANA DE BA RROS FERNANDES
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