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Numero do processo: 10580.723310/2010-56
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
Numero da decisão: 9202-006.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Júnior Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora), Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior – Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 33 10 /2 01 0- 56 Fl. 317DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 2801003.292, proferido pela 1ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de processo de Autuação, conforme Auto de Infração, para cobrança de Imposto de Renda de Pessoa Física, exercícios de 2006 e 2007, para exigência de crédito tributário no valor de R$ 18.703,41, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. O Contribuinte apresentou impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, fls. 80 e ss, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, às fls. 89/129, requerendo, em síntese: a reforma do acórdão recorrido, para julgar nulo o Auto de Infração, pelo reconhecimento da impropriedade da forma de constituição do débito, ou improcedente, pela indubitável natureza indenizatória da URV e dos juros moratórios, bem como pela ilegitimidade ativa da União Federal. Outrossim, caso mantida a exigência, requereu fosse excluída a incidência da multa no importe de 75% do débito, haja vista não restar comprovada a existência de qualquer tipo de infração cometida diretamente pela Contribuinte, já que as informações foram baseadas em Lei Estadual, e, ainda, a exclusão da incidência do imposto de renda que recaiu sobre os juros de mora no período. A 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 133/147, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para excluir da exigência tributária a multa de ofício de 75%. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 ISENÇÃO HETERÔNOMA. IMPOSSIBILIDADE. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003 não tem o condão de excluir, por meio de isenção heterônoma, crédito tributário relativo ao imposto de renda, Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10580.723310/201056 Acórdão n.º 9202006.401 CSRFT2 Fl. 318 3 tributo de competência da União, ainda que o produto da arrecadação deste imposto, retido na fonte, se destine ao próprio Estado. URV. DIFERENÇAS. RECEBIMENTO EM MOMENTO POSTERIOR. As diferenças de URV percebidas em momento posterior à conversão se incorporam aos vencimentos, razão pela qual devem integrar a base de cálculo do imposto de renda, haja vista que não mais representam diferenças de URV, mas sim diferenças de remuneração. RETENÇÃO NA FONTE. OMISSÃO. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE. O inadimplemento do dever de recolher a exação na fonte não exclui a obrigação do contribuinte de oferecer os valores percebidos à tributação. A responsabilidade pelo pagamento do tributo continua sendo do contribuinte, que deve proceder ao ajuste em sua declaração de rendimentos, a despeito da errônea interpretação conferida à legislação pelo responsável tributário. JUROS DE MORA. DECISÃO DO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. A decisão do STJ, em sede de recurso repetitivo, que excluiu a exigência do imposto de renda sobre juros de mora, se restringiu aos pagamentos efetuados em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Preliminar Rejeitada Recurso Voluntário Provido em Parte Intimado, o Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência, às fls. 156/184. Preliminarmente, requereu o sobrestamento do feito, conforme o art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, em virtude de o Supremo Tribunal Federal ter reconhecido a repercussão geral de matéria exaustivamente abordada e prequestionada nos autos dos Recursos Extraordinários de nº 614232 e 614406. No mérito, alegou divergência jurisprudencial em relação às seguintes matérias: 1. Violação à Súmula 02 do CARF e ao art. 62 do Regimento Interno – Afastamento de Legislação Tributária fundada em incompatibilidade com artigo da Constituição Federal. Alegou o Contribuinte em nenhum momento ter suscitado a inconstitucionalidade de lei. Arguiu que a irresignação consistiu, efetivamente, em não ser observada pela Fiscalização autuante a existência de Lei válida, que se encontra dotada de eficácia plena, pois até hoje não foi formalmente declarada qualquer inconstitucionalidade sobre a mesma. Apresentou acórdão Fl. 319DF CARF MF 4 paradigma em contrariedade ao acórdão recorrido e observou que em ambos os casos os Recorrentes não suscitaram ou requereram a declaração de inconstitucionalidade por parte do Conselho de Contribuintes. Entretanto, o acórdão recorrido afastou aplicação de Lei válida e eficaz por incompatibilidade com artigo da Carta Magna, ao passo que o acórdão paradigma deixou de apreciar a incompatibilidade suscitada em virtude de sua incompatibilidade. 2. Imprestabilidade da Base de Cálculo na forma em que se encontra – Lançamento que desconsiderou possíveis deduções e apresentou erro na sua construção. Após longa argumentação, o Recorrente observou que, para efeito de admissibilidade e para comprovar que este ilustre Conselho vem anulando autuações que tenha “erro de construção do lançamento”, trouxe o paradigma, no qual buscou demonstrar que, no caso em exame, o lançamento foi revisado após ter sido constituído e notificado o Contribuinte, ao passo que no paradigma a conclusão foi no sentido de nulidade justamente pela existência de erro na construção do lançamento. 3. URV – Parcelas de Natureza Indenizatória. Divergindo do acórdão recorrido, os paradigmas, em caso idêntico, concluíram pelo caráter indenizatório da parcela percebida a título de URV. 4. Não Incidência de IR sobre os Juros Moratórios/Compensatórios. O Recorrente apresentou acórdão paradigma reconhecendo a não incidência do Imposto de Renda sobre os juros de mora, em contrariedade ao decido no acórdão recorrido. 5. Ilegitimidade da União Federal para figurar no pólo ativo da relação jurídicotributária. Às fls. 254/260, a 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, DANDO PARCIAL SEGUIMENTO ao recurso apenas em relação à terceira divergência arguida: “URV – Parcelas de Natureza Indenizatória”. Inclusive, restou prejudicada a preliminar, uma vez que os §§ 1º e 2º do artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009 (RICARF), que previam tal providência, foram revogados pela Portaria MF nº 545, de 18/11/2013. O recurso também foi submetido à Presidência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, às fls. 261/262, que manteve o despacho exarado pelo Presidente da Câmara. Do Despacho de Exame de Admissibilidade, o Contribuinte foi intimado, conforme fls. 267. Às fls. 270/313, à Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões, requerendo, preliminarmente, o não conhecimento do recurso especial, e, em relação ao mérito, alegando que a) as parcelas relativas à conversão da URV de que trata a Lei Complementar nº 20, de 2003, e Lei Estadual nº 8.730, de 2003, ambas do Estado da Bahia, possuem nítida feição salarial, submetendose, em consequência, ao Imposto de Renda; b) a natureza específica da verba é que determina se ela se constituiu em base de cálculo de tributo, sendo irrelevante a classificação adotada pela lei; c) não é incompatível o disposto no inciso I do art. 157 da CF com a exigência, por parte da União, de imposto sobre rendimentos pagos pelos Estados e que não foi objeto de retenção na fonte; d) tanto a Resolução nº 245, de 2002, do Supremo Tribunal Federal, quanto o Parecer PGFN/2716/2007 são inaplicáveis às parcelas referentes à conversão da URV de que cuida o presente pedido; e) as multas devem receber o tratamento preconizado na Nota AGU/AV12/2007. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10580.723310/201056 Acórdão n.º 9202006.401 CSRFT2 Fl. 319 5 Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de processo de Autuação, conforme Auto de Infração, para cobrança de Imposto de Renda de Pessoa Física, exercícios de 2006 e 2007, para exigência de crédito tributário no valor de R$ 18.703,41, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a divergência jurisprudencial em relação à definição da natureza da verba URV. IMPOSTO SOBRE A RENDA E INDENIZAÇÕES Pois bem, como dito a problemática consiste na questão da natureza atribuída a verba recebida pelo contribuinte, e para melhor deslinde da questão mister se faz analisar o enquadramento das indenizações perante a legislação do imposto sobre a renda. A interpretação dada pela Fazenda Nacional é a de que na medida em que a legislação federal, prevê expressamente a isenção ou nãotributação de certas verbas indenizatórias (como as contempladas nos incisos IV e V do artigo 6° da Lei federal n. 7.713/88 ), então só estariam excluídas da incidência estas verbas; e por consequência, todas as demais verbas de caráter indenizatório não expressamente contempladas estariam sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda. Para os doutrinadores esta afirmação é incompatível com os dispositivos constitucionais e também as disposições do Código Tributário Nacional. Para Aliomar Baleeiro, " a renda se destaca da fonte sem empobrecêla", e Marco Aurélio Greco complementa: "indenizar é tornar" sem dano" aquele patrimônio; não é acrescêlo, é recompôlo ao que era antes do evento. Portanto, nestes casos, a indenização não é produto do capital e/ou do trabalho, nem acréscimo patrimonial, razão pela. qual está fora do âmbito de incidência do imposto sobre a renda". Isto significa que o fato de não haver na legislação federal regra expressa prevendo a não incidência de determinada indenização (com o perfil acima) não implica na sua tributação. Ao contrário, não há necessidade de regra neste sentido, pela singela razão de esta indenização não estar alcançada pela norma constitucional (art. 153, Ill). Por definição, está fora do âmbito material de incidência; logo, não precisa haver previsão neste sentido e as que Fl. 321DF CARF MF 6 existirem terão caráter explicitador, por vezes, resultantes de dúvidas surgidas quanto à natureza jurídica de determinada verba. O jurista citado ainda ensina que, "indenização que implique recomposição de patrimônio passado economicamente identificável (ou seja, sem haver acréscimo patrimonial), não configura hipótese de incidência do imposto sobre a renda. A verba paga é evento do mundo dos fatos que pode receber mais de uma qualificação jurídica a depender das circunstâncias que a cercam". A questão primordial a ser debatida aqui é saber a quem cabe afirmar a natureza jurídica de determinada verba para fins de enquadramento na legislação do imposto sobre a renda. Três situações podem ser identificadas: a) partes privadas (contratualmente ou por outro instrumento) qualificam determinada verba como de caráter indenizatório; b) o Poder Judiciário, no bojo da prestação jurisdicional, qualifica a verba como indenizatória; e c) a Lei qualifica a verba como indenizatória. Na medida em que a natureza jurídica é que determina a incidência ou não do imposto sobre a renda, importante compreender em quais hipóteses o Fisco Federal pode recusar a qualificação oriunda de qualquer das situações acima e afirmar a natureza não indenizatória da verba, de modo a deflagrar a incidência das regras do imposto. A terceira hipótese é a que nos importa no caso em tela, uma vez que o contribuinte em questão teve a natureza de sua verba declarada como indenizatória por meio de Lei Estadual. É de se destacar o fato de a qualificação indenizatória dada a verba foi editada pelo legislador através de uma lei específica. Toda lei goza de presunção de constitucionalidade. Caso se tratasse de uma lei federal, o Fisco também federal, não teria competência para afastar sua aplicabilidade, pois não lhe é dado substituirse ao legislador, nem tem competência para declarar a inconstitucionalidade de uma norma. Tratandose de lei estadual abrese o debate, pois a qualificação jurídica por ela veiculada tem o efeito de atribuir ao fato subjacente uma qualidade que por decorrência e em função do caráter de Direito de superposição de que se reveste o Direito Tributário repercute na aplicação da lei tributária federal, ao afastáIa no caso de indenizações (que não impliquem acréscimo patrimonial). Daí a pergunta, que responde toda a problemática aqui veiculada, pode a lei estadual interferir com a interpretação e aplicação da lei tributária federal? Embora pareça questão de fácil resolução, e a resposta pareça ser a simples alegação realizada pelo Fisco, de que não cabe a Lei estadual interferir nas hipóteses de incidência|(fato gerador) de tributo federal, penso que a questão envolve outros institutos jurídicos e concepções tributárias. Para alguns juristas, nos quais novamente cito Marco Aurélio Greco, a pergunta envolve um falso problema. Pois a questão efetiva não é esta, obviamente os Estados não têm competência para legislar sobre imposto sobre a renda. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10580.723310/201056 Acórdão n.º 9202006.401 CSRFT2 Fl. 320 7 A questão legítima aqui discutida é, se o Fisco Federal pode afastar a qualificação jurídica de determinada verba que tenha sido atribuída por lei estadual válida no ordenamento jurídico. E aqui neste ponto, sem dúvida a resposta é não, por força da presunção de constitucionalidade de que se reveste toda lei. Portanto, enquanto subsistir o preceito normativo, o Fisco federal não possui competência para afastar a qualificação jurídica ali contida. Para afastála é preciso, previamente, buscar a declaração da sua inconstitucionalidade, o que não pode ser realizado pelo Poder Executivo, sem a chancela do Poder Judiciário. Ainda que a alegação do fisco fosse de que o preceito nela contido é manifestamente inconstitucional. por dispor sobre matéria que não cabe ao Estado regular ou se seu conteúdo contiver disciplina inequivocamente conflitante com o ordenamento, a ponto de configurar aquilo que a jurisprudência denomina de "ato teratológico", não é o que ocorre no caso em tela, pois a disposição sobre a verba submetida ao regime estatutário é de plena competência do ente estadual. Assim, não há que se falar que a Lei Complementar n. 20/2003 ou a Lei n. 8.730/2003, possua qualificação jurídica teratológica que possa afastar de plano sua aplicabilidade. Assim, além da presunção de constitucionalidade de que se revestem as leis em referência, elas dispõem sobre matéria que compete aos Estados regular, por dizer respeito ao funcionamento das respectivas Instituições. Portanto, não é estranho que seja a lei a reconhecer a natureza jurídica de determinada verba, à luz do contexto do respectivo regime estatutário, conforme previsão expressa do § 11 do artigo 37, CF, que é explícito ao prever que: “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) XI a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicandose como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (...) § 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei." (grifo nosso) Ou seja, podem existir pagamentos a agentes públicos que tenham caráter indenizatório, desde que as respectivas parcelas estejam previstas em lei. Ora, se tais parcelas Fl. 323DF CARF MF 8 podem existir, a própria lei também pode afirmar esse caráter, "especialmente" em relação a verba submetida ao regime estatutário. Ad argumentandum tantum, ainda há que se salientar que, sendo da competência dos Estados definir a natureza de tais verbas, ainda é também de sua competência a responsabilidade pela retenção do imposto na fonte e consequentemente é de sua titularidade o direito de cobrála. Contudo até o presente momento não vemos no Estado da Bahia nenhuma menção neste sentido. Assevera, Marco Aurélio Grecco, que a CF/88, a titularidade não é sobre o resultado material da atividade de reter, mas é sobre todo aquele imposto que de acordo com a legislação pertinente deva ser submetido ao regime de retenção na fonte. Esta titularidade é atribuída em caráter exclusivo ao Estado o que afasta qualquer interesse ou pretensão por parte da União. Vale dizer, se determinada verba, pela sua natureza, deve submeterse à retenção, o simples fato de esta ser a respectiva qualificação, afasta por si só a titularidade da União. Ou seja, a União não tem titularidade sobre a parcela do imposto sobre a renda na fonte que incidir (juridicamente) na fonte. A circunstância de haver ou não no plano fático a retenção não modifica esta qualificação jurídica da titularidade sobre esse montante, posto que a qualificação advém diretamente da CF/88 e a eventual inação do Estado em reter não configura transferência de titularidade à União; nem doação a seu favor de verba que pertence ao Estado, Daí a conclusão de que, em relação ao imposto incidente na fonte, a relação jurídica que se instaura é entre o contribuinte e Estado, diretamente, sem qualquer mediação da União. A União editou a lei que dispõe sobre o tratamento tributário das diversas verbas que o contribuinte pode auferir. Mas, em relação àquelas que, por sua natureza, devam se submeter à retenção na fonte, o respectivo imposto pertence integral e exclusivamente ao Estado. Por fim o julgamento do caso em tela implica na aplicação de princípio basilar do Direito Administrativo, qual seja o respeito a legalidade. Assim, enquanto a Administração Pública só pode fazer o que está previsto em lei, ao Administrado, no caso em tela Contribuinte, é possível fazer tudo aquilo que não é proibido. Ainda, para Hely Lopes Meirelles: Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza” (MIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 30. Ed. São Paulo: Malheiros, 2005). A Legalidade é intrínseca a ideia de Estado de Direito, pensamento este que faz que ele próprio se submeta ao direito, fruto de sua criação, portanto esse é o motivo desse princípio ser tão importante, um dos pilares do ordenamento. É na legalidade que cada indivíduo encontra o fundamento das suas prerrogativas, assim como a fonte de seus deveres. A administração não tem fins próprios, mas busca na lei, assim como, em regra não tem liberdade, escrava que é do ordenamento. O Princípio da Legalidade é uma das maiores garantias para os gestores frente o Poder Público. Ele representa total subordinação do Poder Público à previsão legal, visto que, os agentes da Administração Pública devem atuar sempre conforme a lei. Assim, o administrador público não pode, mediante mero ato administrativo, conceder direitos, estabelecer obrigações ou impor proibições aos cidadãos. A criação de um novo tributo, por Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10580.723310/201056 Acórdão n.º 9202006.401 CSRFT2 Fl. 321 9 exemplo, dependerá de lei. Do mesmo modo, a limitação de direitos não poderá ser feita por via de interpretação mais gravosa que aquela propriamente estabelecida na norma. Na fiscalização, o Princípio da Legalidade possui atividade totalmente vinculada, ou seja, a falta de liberdade para a autoridade administrativa. A lei define as condições da atuação dos Agentes Administrativos, determinando as tarefas e impondo condições excludentes de escolhas pessoais ou subjetivas. Por fim, esse princípio é vital para o bom andamento da Administração Pública, sendo que ele coíbe a possibilidade do gestor público agir por conta própria, tendo sua eficácia através da execução jurídica dos atos de improbidade, evitando a falta de vinculação à norma e, principalmente, a corrupção no sistema. Essa preocupação se faz constante para que seja atingido o objetivo maior para o país, o interesse público, através da ordem e da justiça. No caso em tela, entendo que não houve por parte do Estado da Bahia uma intromissão quanto ao tributo federal de competência da União imposto de renda pessoa física. Mas que houve sim, uma natureza indenizatória dada a verbas oriundas do regime estatutário daquele Estado, as quais são de competência exclusiva do mesmo, responsável por gerir e organizar seu Regime Próprio de Trabalho e Previdência. A existência destas leis legitimou o agir do contribuinte, que exerceu direito que lhe foi conferido por lei. Lei esta emitida por Ente participante da Administração Pública, face ao pacto federativo constitucionalmente imposto. Desse modo, por melhor que seja a construção jurídica utilizada pela Receita Federal, afastar a legalidade ou a constitucionalidade de norma válida no ordenamento jurídico prescinde de um conjunto de medidas dispostas na Constituição Federal, as quais não contemplam a possibilidade do Fisco, ou até mesmo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, negar validade ou aplicabilidade. Observo que o controle de constitucionalidade pode ser realizado de modo preventivo (antes de a lei entrar em vigor) pelo Poder Legislativo ou de modo repressivo (a lei já está em vigência e deve ser expulsa do ordenamento), em regra, no Brasil, é jurisdicional, logo pelo Poder Judiciário na modalidade concentrado ou difuso. Assim resume Zeno Veloso: (...) O controle jurisdicional da constitucionalidade, no Brasil, utiliza o método concentrado, sendo o controle abstrato, em tese, através de ação direta, a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federa, tendo por objeto leis e atos normativos federais e estaduais, em confronto com a Constituição Federal, que nos Estadosmembros, compete aos Tribunais de Justiça, tendo por objeto leis e atos normativos estaduais e municipais, em face da Constituição estadual. Servimonos, também, do controle difuso, concreto, incidenter tantum, exercido por qualquer órgão, singular ou coletivo, do Poder Judiciário.(VELOSO, Zeno. p. 35) Assim, resta evidente que no caso em apreço, ainda que fosse caso de não aplicar a natureza jurídica dada a verba por lei, esta seria de exclusiva competência do Poder Judiciário, pois por uma questão de competência constitucional, legal e regimental, este Tribunal Administrativo não pode afastar a constitucionalidade de Lei. Ressaltese aqui, a clara diferenciação entre o poder dever dos julgadores no âmbito judicial e administrativo. Enquanto o juiz é dotado de equidade, o conselheiro do Tribunal Administrativo é dotado de obediência ao princípio da legalidade. Fl. 325DF CARF MF 10 Contudo, compreendo que a melhor solução da questão não prescinde de Juízos de constitucionalidade, vez que conforme explanado acima, a natureza das verbas percebidas pelo contribuinte foram legitimamente declaradas indenizatórias por força de lei estadual, sendo que conforme previsão constitucional é da competência do Ente Federado responsável pelo Regime estatutário fazêlo, não usurpando assim competência da União para declarar as hipóteses de incidência do imposto de renda pessoa física, a quem coube determinar que o imposto era devido sobre verbas remuneratórias, excluindo as indenizatórias, sem no entanto, ser responsável por determinar quais verbas são de uma natureza ou de outra. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte para afastar a incidência do imposto de renda sobre as parcelas pagas a Agentes Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV, as quais tem natureza claramente indenizatória. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10580.723310/201056 Acórdão n.º 9202006.401 CSRFT2 Fl. 322 11 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso divergir quanto ao mérito do pleito do Recurso Especial da Contribuinte, quanto à natureza das verbas recebidas sob análise. a) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Estadual 8.730, de 2003 Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 4° e 5° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003: Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias n os. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos magistrados, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual, o que restringe a aplicação da referida Lei Estadual na seara de interesse. Todavia, notese que não se trata, aqui, quando da consequente conclusão de não aplicação da referida Lei, para fins de definição da natureza tributária das verbas sob análise e da incidência ou não do IRPF, de invasão de competência do STF pela União para declarar a inconstitucionalidade a referida Lei Estadual (o que caracterizaria a violação alegada à Súmula CARF no. 02 e ao art. 62 do Regimento Interno deste CARF então em vigor quando da propositura do recurso), mas, sim, de interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida Lei Estadual, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência Fl. 327DF CARF MF 12 seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Não se está a afastar, aqui, a constitucionalidade do dispositivo de forma a afastar sua aplicação, mas tão somente verifica se sua impossibilidade de produção de efeitos na seara tributária, em se tratando de IRPF. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo aplicável ao tributo em questão, para se concluir pela sua tributação ou não pelo imposto sobre a renda. A propósito, chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas à contribuinte pelo Tribunal de Justiça da Bahia não se destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pelo contribuinte repõem a atualização monetária dos salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 4° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Desta forma, é incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. Por fim, de se reproduzir uma vez mais a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no auto de infração à efl. 07. b) Da Resolução n.° 245 do STF O recorrente traz à baila a Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2° da Lei n° 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de 2003, aplicarseia também aos membros do Poder Judiciário dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10580.723310/201056 Acórdão n.º 9202006.401 CSRFT2 Fl. 323 13 A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Vejase: “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. Fl. 329DF CARF MF 14 As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, mesmo caso se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação de se cingirem os efeitos da referida Resolução e dos despachos PGR e Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, o recorrente), vedados: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais de efl. 07, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dispositivos legais de efl. 07 que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei do Estado da Bahia no. 8.730, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 330DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000279/2007-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1998 a 30/09/1998
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08.
As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitam-se aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional, restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto.
Numero da decisão: 2201-004.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e prover o recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Ausente, justificadamente, a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1998 a 30/09/1998 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08. As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitam-se aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional, restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto.
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DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08. As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitamse aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional, restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e prover o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente, justificadamente, a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 02 79 /2 00 7- 91 Fl. 323DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 11330.000216/200734, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária " O presente processo trata de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, referente às contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, Empregados, Empresa, inclusive para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho, e Terceiros. O valor originário lançado é relativo ao período de apuração constante do documento fiscal, sobre o qual incidiram multa e juros. A análise do Relatório Fiscal indica: que a Notificação em tela teve por objetivo substituir a NFLD que foi anulada pelo Conselho de Recursos da Previdência Social, por vício formal, erro na classificação da fundamentação legal do fato gerador das contribuições apuradas; que a lavratura da Notificação tem fundamento no inciso II do art. 45 da Lei 8.212/91, que assegura à Seguridade Social o direito de apurar e constituir seus créditos em até 10 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada; que o fato gerador das contribuições apuradas foi a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados da empresa prestadora, cedidos à empresa NET Rio S.A. (tomadora), cuja responsabilidade foi atribuída a esta última por solidariedade, não afastada nos termos da legislação (§ 4º do art. 31 da Lei 8.212/91). A NET Rio S.A. foi devidamente cientificada do lançamento e, inconformada, formalizou tempestivamente sua impugnação, estruturada nos seguintes tópicos: Preliminares: da necessidade de adequada constituição do pólo passivo desta NFLD; da necessidade de oferecerse ciência ao ora defendente, dos termos de eventual defesa apresentada pelo contribuinte gerador da solidariedade imposta nesta NFLD; Fl. 324DF CARF MF Processo nº 11330.000279/200791 Acórdão n.º 2201004.054 S2C2T1 Fl. 3 3 da inexistência de atos fiscais hábeis à minimização dos riscos de lançamentos em duplicidade; da inexistência de providências fiscais aptas à caracterização da ocorrência da cessão de mãodeobra hábil à geração da solidariedade previdenciária; da ocorrência da decadência quinquenal; De mérito: da condição legal da notificada; dos aspectos valorativos das exageradas alíquotas utilizadas para mensuração dos saláriosdecontribuição extraídos de faturas de serviço; Já a empresa prestadora apresentou intempestivamente sua impugnação. Na análise da impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento considerou procedente em parte o lançamento, promovendo a exclusão dos créditos tributários relativos às contribuições sociais destinadas a outras entidades ou fundos, por não comportar lançamento por solidariedade. No mais, entendeu improcedentes os argumentos da defesa, inclusive em relação à decadência, que concluiu ser de 10 anos, nos termos do art. 45 da Lei 8.212/91. Ciente do Acórdão da DRJ, ainda inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual trouxe à balha considerações sobre a edição da então recente Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal. Na sequência, o recurso, basicamente, constituise na reafirmação dos mesmos tópicos já tratados na impugnação. Posteriormente, o recorrente apresentou nova petição, exclusivamente para reiterar suas considerações sobre a necessidade de cancelamento do lançamento em razão da citada Súmula Vinculante nº 08. É o relatório necessário.." Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de fevereiro de 2018, proferido no julgamento do processo n° 11330.000216/200734, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Fl. 325DF CARF MF 4 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de fevereiro de 2018: Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Por constituir matéria preliminar de mérito, relevante iniciar a análise do presente pela alegação de que os débitos lançados são relativos a períodos de apuração alcançados pela decadência. Como se viu no relatório supra, tanto a Autoridade Fiscal quanto o Julgador de 1ª Instância ampararam seus atos (lançamento e decisão) nos termos do art. 45 da Lei 8.212/91, cuja redação então vidente era a seguinte: art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. O débito ora sob análise decorre do cancelamento, por vício formal, de lançamento anterior. No presente caso, considerando os termos do art. 45 da Lei 8.212/91, o prazo decadencial teria início na data em que se tornou definitiva a decisão que cancelou o lançamento julgado nulo por vício formal. Não obstante, por não ter sido juntado aos autos os elementos que pudessem indicar a data efetiva em que esta se tornou definitiva e considerando que tratar do tema agora resultaria em inovação da lide administrativa com a inclusão de questão sobre a qual a autoridade lançadora, a autoridade julgadora e a defesa não se manifestaram, há que se considerar, como início do prazo decadencial, a data em que foi exarada a decisão definitiva que fulminou o lançamento original. Assim, levandose em consideração os estritos termos da legislação vigentes na época do lançamento, não haveria que se falar em decadência. Não obstante, em Sessão Extraordinária realizada em 12 de julho de 2008, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, editando a Súmula Vinculante n° 08, nos seguintes termos: Súmula Vinculante n° 08: Fl. 326DF CARF MF Processo nº 11330.000279/200791 Acórdão n.º 2201004.054 S2C2T1 Fl. 4 5 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Assim, resta evidente a inaplicabilidade do art. 45 da lei 8.212/91 para amparar o direito da fazenda pública em constituir o crédito tributário mediante lançamento, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições previdenciárias sujeitamse aos artigos 150, § 4º, e 173 da Lei 5.172/66 (CTN), cujo teor merece destaque: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Grifouse Desta forma, considerando a data da prolação de decisão definitiva que anulou o lançamento como termo inicial para contagem do prazo decadencial, em cotejo com a data da ciência do lançamento substitutivo, há que se reconhecer que, nesta data, o direito do fisco em constituir o crédito tributário ora sob análise já se apresentava fulminado pela decadência. Conclusão: Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais acima expostos, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, doulhe provimento para considerar fulminados pela decadência todos o débitos contidos na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito em discussão. Fl. 327DF CARF MF 6 Quanto às demais matérias questionadas pela recorrente, deixo de analisálas, por restarem prejudicadas em razão da decadência reconhecida. Carlos Alberto do Amaral Azeredo – Relator” Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 328DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15885.002295/2008-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2002 a 31/01/2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTOS ADMISSIBILIDADE. INTEMPESTIVIDADE IMPUGNAÇÃO INSTÂNCIA A QUO.
Conforme explicita o Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo administrativo tributário, em seu art. 56 e § 2.º, a impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento. No presente caso, a preliminar de tempestividade foi suscitada nas razões do recurso voluntário, situação em que é cabível o julgamento da tempestividade argüida.
Numero da decisão: 2401-005.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2002 a 31/01/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTOS ADMISSIBILIDADE. INTEMPESTIVIDADE IMPUGNAÇÃO INSTÂNCIA A QUO. Conforme explicita o Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo administrativo tributário, em seu art. 56 e § 2.º, a impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento. No presente caso, a preliminar de tempestividade foi suscitada nas razões do recurso voluntário, situação em que é cabível o julgamento da tempestividade argüida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 5. 00 22 95 /2 00 8- 83 Fl. 536DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 537DF CARF MF Processo nº 15885.002295/200883 Acórdão n.º 2401005.181 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) debcad n.º 37.080.9068, que constitui o crédito de contribuições sociais relativas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), incidentes sobre remunerações pagas, perfazendo, inicialmente, o montante de R$392.206,42 (incluindo multa e juros vide fls. 04), abrangendo o período de 07/1994 a 01/2007. Consoante o Relatório Fiscal (fls. 42/51), apuraramse os fatos geradores a partir de remunerações de segurados empregados, especificamente a rubrica SAT/RAT, declarada inconstitucional – à época – pelo mandado de segurança (MS) nº 2003.61.08008149 8, que tramitava na 2ª Vara Federal de BauruSP, apuradas em folhas de pagamento, rescisões, notas fiscais e outros documentos, diversos deles não contabilizados, e aferidas indiretamente com base na área construída, além de ter havido caracterização de segurados a partir da constatação dos requisitos legais.Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) debcad nº 37.080.9041, que constitui o crédito relativo às contribuições sociais relativas à parte do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), incidentes sobre remunerações pagas, perfazendo, inicialmente, o montante de R$ 369.059,22 (incluindo multa e juros vide fl. 04), abrangendo o período de 10/1997 a 01/2007. A presente NFLD foi lavrada em separado em face da suspensão de exigibilidade, decorrente da ação judicial já mencionada. Tendo em vista que a contabilidade não registra o real movimento das remunerações e dos faturamentos, conforme relatório de análise contábil constante dos autos, foi adotado o expediente da aferição indireta Impende salientar que ainda foram analisados documentos apreendidos judicialmente, nos autos do processo nº 2003.61.08.0126184 da 3.ª Vara Federal de BauruSP. Os valores apurados estão demonstrados, por estabelecimento, em diversos relatórios, conforme recibo de arquivos entregues ao contribuinte, fazendose referência ainda ao relatório Fundamentos Legais do Débito (FLD), e à emissão de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP). Ressaltese ainda que foram anexadas cópias de: planilhas de cálculo de saláriodecontribuição e avisos para regularização de obras (ARO), consultas processuais judiciais, especialmente decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) em apelação (fls. 152/154) no processo nº 2007.61.08.0042401, datada de 11/03/2011 que trata de Medida Cautelar cujo objeto era a devolução de todos os documentos apreendidos e ainda retidos pela fiscalização , procuração, contrato social e alterações, dentre outros. Consta despacho de 25/08/2011, da SACAT da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em BauruSP, às fls. 167/168, dando notícia de que: Fl. 538DF CARF MF 4 a) na apelação, o Tribunal decidiu que o prazo para interposição de defesa administrativa tivesse início a partir da data de conclusão do procedimento de devolução do material apreendido ou da data da intimação daquela decisão, o que ocorresse por último; b) a fiscalização informou que todos os documentos foram devolvidos; c) a data de da intimação da decisão do TRF3 nos autos nº 2007.61.08.0042401 ocorreu em 28/03/2011, não havendo registro, no sistema de protocolo de documentos e processos (Cdoc e Comprot), de interposição de recurso administrativo até a presente data; e, por fim; d) sugeriu a aplicação da Súmula Vinculante n.º 8 do Supremo Tribunal Federal (STF), com posterior cobrança do crédito remanescente. Diante do acima exposto, consta às fls. 197/199 Despacho Decisório (DD) reconhecendo parcialmente a decadência, nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do STF e Parecer PGFN/CAT nº 1617/2008, pelo que, com base no art. 150 e § 4º do CTN, foram excluídas as competências de 10/1997 a 03/2002. assim, foi emitido o Discriminativo Analítico do Débito Retificado (DADR), remanescendo o crédito em R$ 334.212,53, corrigidos até 19/04/2007. Nessa esteira dos acontecimentos, por intermédio de Despacho (DD) a empresa foi intimada a regularizar o débito (quitar ou parcelar) no prazo legal de cobrança administrativa, em 08/11/2011, conforme se verifica às fls. 230/236. Inconformada, a empresa autuada, apresenta IMPUGNAÇÃO em 21/11/2011, às fls. 238/2917, alegando em síntese: a) em sede preliminar – a tempestividade da defesa administrativa tendo em vista que, nos termos do acórdão na ação judicial n.º 2007.61.08.0042401, o prazo para interposição da defesa iniciase a partir da efetiva entrega da documentação apreendida ou da data da intimação da decisão prolatada. Como não foram devolvidos todos os documentos apreendidos – em especial as DISO –, as quais seriam imprescindíveis para a defesa do contribuinte, alega que não iniciou o prazo para defesa. que a presente impugnação/manifestação é feita por cautela, para não se ver imputada de omissa ou inerte em sua defesa administrativa, apesar da não entrega das DISO à impugnante. No mérito alega que: a contribuição do SAT/RAT está com a exigibilidade suspensa. que os embargos de declaração na ação judicial nº 2007.61.08.0042401 impõem efeito suspensivo em sua decisão. que a fiscalização realizada foi irregular e precária, devendo ser anulada. que não foram devolvidas as DISO à empresa, impossibilitando a verificação dos dados apurados e lançados pela fiscalização. que foi irregular o procedimento e critérios de cálculo dos valores devidos por aferição indireta, para as obras que relaciona; Fl. 539DF CARF MF Processo nº 15885.002295/200883 Acórdão n.º 2401005.181 S2C4T1 Fl. 4 5 que é indevida a inclusão dos sócios da empresa como solidários, no pólo passivo da execução fiscal. que é indevida a imposição de multa superior a 20%. que deve ser cancelada a NFLD. que deve ser permitida a juntada posterior de documentos. Assim, às fls. 306/307 consta despacho da DRF/BAURU/SACAT, de 29/12/2011, informando que em relação ao Acórdão proferido pelo TRF3 no processo nº 2007.61.08.0042401, entende que: a) o procedimento de devolução dos documentos apreendidos foi concluído em 23/09/2009, tendo o sujeito passivo recebido em 07/10/2009 a comunicação da devolução mencionada; e b) a data de intimação dessa decisão ocorreu o dia 28/03/2011. Ato contínuo, os presentes autos são encaminhados ao setor de fiscalização, para apreciação das alegações da autuada, e para ratificar ou retificar as informações quanto à devolução dos documentos apreendidos. Em resposta, consta a Informação Fiscal de fls. 310/311, de 29/02/2012, informando que as alegações acerca da não devolução de todos os documentos já haviam sido feitas no processo judicial, e ali respondidas, atendendo ao ofício da Procuradoria (PRFN). Em síntese, transcreve a Informação Fiscal da época (05/11/2009), segundo a qual “não consta relacionadas nas atas de abertura de todas as caixas objeto de apreensão judicial a descrição DISO’S de obras”. Em anexo, consta o Ofício 75/2009 PRFN/SP, a Informação Fiscal da época e todos os elementos comprobatórios relativos à apreensão e à devolução dos documentos (vide fls.312/491). Por fim, consta despacho de encaminhamento do processo à DRJ, ante as alegações do sujeito passivo quanto à tempestividade da impugnação, pela suposta falta de devolução das DISO. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1444.533 7ª Turma da DRJ/RPO, às fls. 497/503, não conhecendo da Impugnação oposta, em face de sua intempestividade. Recordese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2002 a 31/01/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO. PRAZO LEGAL. TERMO DE INÍCIO. ARGÜIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. EFEITOS. A impugnação deve ser apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data da ciência do procedimento a ser impugnado. Fl. 540DF CARF MF 6 A defesa apresentada fora do prazo legal estipulado somente instaura a fase litigiosa se for suscitada a sua tempestividade, observandose que a negativa de seu acolhimento afasta a apreciação das demais questões argüidas. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi intimado do resultado do julgamento em 13/12/2013, conforme AR de fls. 510/511 e inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário tempestivo às fls. 513/565, em 10/01/2014, reprisando os mesmos argumentos já lançados em sua peça de impugnação, inclusive no mérito, e reiterando a preliminar de tempestividade aos argumentos a seguir expostos: Após, ratifica toda a alegação de mérito, embora, ressaltese, a matéria submetida para análise perante este E. CARF, referese somente à preliminar de arguição da tempestividade. Repisa ainda a necessidade de aplicação da Súmula nº 8 do STF, para ver reconhecida a total improcedência de todos os lançamentos das contribuições realizadas anteriormente a março de 2002, ou seja, anterior a cinco anos, conforme descrito no CTN, uma vez que ocorreu nas presente competências pagamento de valores à Secretaria Previdenciária, podendo ser facilmente constatado pela NFLD e pelo sistema. É o relatório. Fl. 541DF CARF MF Processo nº 15885.002295/200883 Acórdão n.º 2401005.181 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate, no dia 13/12/2013, conforme AR de fl. 510/511, e apresentou seu recurso voluntário em 10/01/2014. Assim, CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DAS PRELIMINARES 2.1 TEMPESTIVIDADE O Recorrente alega em suas razões recursais que a impugnação apresentada às fls. 238/291 é tempestiva, tendo em vista que, de acordo com o Acórdão do processo judicial nº 2007.61.08.0042401, o início do prazo para interposição da defesa contarseia à partir da efetiva entrega de documentação apreendida ou da data da intimação da decisão prolatada. Como não teriam sido devolvidos todos os documentos apreendidos – em especial as DISO – ,reputadas imprescindíveis para a defesa do contribuinte, não teria se encerrado, ainda, o prazo para impugnação. Em que pese os argumentos de defesa apresentados, os mesmos não podem prosperar, conforme restará demonstrado a seguir: Conforme amplamente esclarecido no v. Acórdão a quo (fls. 497/503), o termo inicial para apresentação da defesa administrativa, conforme r.decisão proferida nos autos do processo nº 2007.61.08.0042401 – Medida Cautelar do TRF da 3ª Região, restou definido como sendo a data de conclusão do procedimento de devolução do material apreendido ou a data da intimação daquela decisão, o que ocorresse por último. Nesse diapasão, em que pese a ciência da NFLD ter ocorrido em 27/04/2007, em face da decisão judicial supramencionada, o desdobramento visando a devolução dos documentos apreendidos pela fiscalização – postergou tal início, já que o procedimento de devolução dos documentos apreendidos foi encerrado em 23/09/2009, com ciência à interessada em 07/10/2009, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fls. 156/157. Também foi informado desse encerramento o Juízo pertinente, em 05/01/2010, conforme Ofício de fls. 159/160. Nessa mesma esteira dos acontecimentos, a data de intimação da decisão do TRF3 nos autos n.º 2007.61.08.0042401 ocorreu em 28/03/2011, conforme atestado às fls. 167/168; assim, este foi considerado o marco inicial para a interposição de defesa administrativa relativa à NFLD lavrada. Notese ainda que em relação às alegações da autuada de que não houve devolução da totalidade dos documentos apreendidos, em especial as DISO, necessárias para promover sua defesa, as mesmas também não podem prosperar, senão vejamos:. Fl. 542DF CARF MF 8 A Informação Fiscal de fls. 310/311 e seguintes, reportandose ao ocorrido na época, vem esclarecer a questão. De acordo com tais expedientes e anexos comprobatórios, não constava a descrição de DISOs nas atas de aberturas de todas as caixas de documentos apreendidos. Ou seja, não se registrou DISO`s nos "termos de comparecimento e abertura de volumes” ou em “atas de devolução e retenção de volumes”, os quais discriminam o conteúdo das caixas. Destacase que os trabalhos de abertura, triagem e posterior devolução do material apreendido foram notificados à empresa e acompanhados por seus representantes, devidamente habilitados, mediante procurações, conforme se depreende do contido nos presentes autos, incluindo “listas de comparecimento para a retirada da documentação apreendida”, e planilhas de “controles da retirada das caixas e documentos apreendidos”, todas rubricadas por representantes da empresa. Somase ainda que naquela Informação Fiscal já era consignada a improcedência das alegações de cerceamento de defesa, haja vista não constar no material relacionado nenhuma DISO de obra; além do registro de que todos os documentos foram devolvidos à empresa, sejam os originais, sejam as cópias daqueles que ficaram retidos. Em síntese, quanto ao aspecto da devolução, resta claro que foram efetivamente devolvidos todos os documentos da empresa, com regular finalização do procedimento de devolução, e que não havia DISO`s integrando o rol dos referidos documentos, afastandose, assim, qualquer possibilidade de prejuízo procedimental ou cerceamento de defesa para o Contribuinte. Dessa feita, diante dos fatos acima articulados e com fulcro nos artigos 14 e 15 do Decreto nº 70.235/72 (DOU de 07/03/1972), a impugnação deveria ter sido apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias da data de intimação da exigência 28/04/2011 , instaurandose assim a fase litigiosa do procedimento, o que de fato não ocorreu, já que a petição apresentada pela empresa, a pretexto de IMPUGNAÇÃO, foi protocolizada somente em 21/11/2011, ou seja, muito depois do prazo legal supracitado; concluindose – de forma inequívoca – pela sua intempestividade. Conforme explicita o Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo administrativo tributário, em seu art. 56 e § 2.º, a impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, exceto se a preliminar de tempestividade for suscitada, situação em que será cabível o julgamento da tempestividade da impugnação argüida pelo Impugnante, in verbis: Art.56. (omissis) (...) §2o Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. (grifos nossos) Razão pela qual não merece reforma o v. Acórdão recorrido, bem como a presente decisão também limitarseá a julgar a preliminar de tempestividade da impugnação apresentada, a qual, assim como na 1ª instância, deve ser rejeitada, haja vista a absoluta extemporaneidade da peça impugnatória. Fl. 543DF CARF MF Processo nº 15885.002295/200883 Acórdão n.º 2401005.181 S2C4T1 Fl. 6 9 Nessa esteira de entendimento, deixase de apreciar as demais matérias tratadas no recurso voluntário, para as quais não se instaurou a fase litigiosa do procedimento. Já em relação à questão de ordem pública apresentada decadência melhor sorte não socorre a Recorrente já que o período em discussão nos presentes autos é de 01/04/2002 a 31/01/2007, não estando mais em debate eventuais lançamentos de contribuições realizadas anteriormente a março de 2002, nos termos requeridos no recurso voluntário de fls. 513/565. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo incólume o v. Acórdão proferido pela instância a quo. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 544DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 36624.014337/2006-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9202-000.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para informar a situação da NFLD 37.014.665-4, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RAIA DROGASIL S/A Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para informar a situação da NFLD 37.014.6654, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 66 24 .0 14 33 7/ 20 06 -1 6 Fl. 283DF CARF MF Processo nº 36624.014337/200616 Resolução nº 9202000.184 CSRFT2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD: 37.014.6662, emitido em 30/10/2006, contra o contribuinte identificado acima, no valor de R$ 243.505,68 (duzentos e quarenta e três mil, quinhentos e cinco reais e sessenta e oito centavos), por infringência ao artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei 8.212/91, uma vez que a empresa apresentou GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informação à Previdência Social, nas competências de 08/99 a 03/2003, com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. De acordo com o Relatório Fiscal, as omissões referemse a prêmios pagos, por meio de cartões eletrônicos, a segurados empregados que prestaram serviços à Notificada nas 25 competências: 08/1999,12/1999, 01/2000, 02/2000, 03/2000, 12/2000, 02/2001, 042001, 12/2001, 01/2002, 03/2002, 08/2002, 02/2003 e 03/2003. Tais remunerações foram apuradas pelo confronto dos valores nominais das Notas Fiscais de serviços emitidas pela empresa Incentive House S/A, CNPJ n° 00.416.126/000141, com os correspondentes registros contábeis efetivados na "ContaCorrente n° 4.11.29.01.00020 Propaganda e Publicidade: Matriz Outros meios". Ainda de acordo com o Relatório Fiscal, a multa aplicada foi a prevista no artigo 32, inciso IV, § 5°, da Lei 8.212/91, combinado com o artigo 284, inciso II, do RPS Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, no valor de R$ 243.505,68 (duzentos e quarenta e três mil, quinhentos e cinco reais e sessenta e oito centavos), correspondente a 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada, por competência, a um multiplicador, obtido em função do número de empregados da empresa, sobre o valor mínimo previsto no art. 92. O cálculo da multa encontrase detalhado nos anexos de fls. 05/07. A autuada apresentou impugnação, tendo a Secretaria da Receita Previdenciária/Delegacia em São Paulo Oeste julgado a autuação procedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 10/02/2011, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2301001.823, com o seguinte resultado: “ Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para utilizar o cálculo da multa da forma prevista no art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à recorrente, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à recorrente, nos termos do voto da Relatora. II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do cálculo da multa, devido à regra decadencial do I, Art. 173 do CTN, os fatos ensejadores da multa até 12/2000, anteriores a 01/2001, nos termos do voto da Relatora. Redator designado: Adriano González Silvério”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/1999 a 30/03/2003 DECADÊNCIA De acordo com a Súmula Fl. 284DF CARF MF Processo nº 36624.014337/200616 Resolução nº 9202000.184 CSRFT2 Fl. 4 3 Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Para os lançamentos de ofício, como é o caso do Auto de Infração, aplicase, a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional. APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. SALÁRIO INDIRETO PRÊMIO O prêmio fornecido pela empresa a seus empregados a título de incentivo pelas vendas, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho. HABITUALIDADE O conhecimento prévio de que tal pagamento será realizado quando implementada a condição para seu recebimento retiralhe o caráter da eventualidade, tornandoo habitual. MULTA APLICADA Os critérios estabelecidos pela MP 449/08, caso sejam mais benéficos ao contribuinte, se aplicam aos atos ainda não julgados definitivamente, em observância ao disposto no art. 106, II, “c”, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 24/08/2011, para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional opôs em 16/09/2011, portanto, tempestivamente, Embargos de Declaração (fls. ) alegando erro material/contradição ao reconhecer a decadência da autuação em relação à competência 12/2000, pois, com a aplicação do prazo previsto no art. 173, I, do CTN, a decadência somente afetaria os créditos tributários constituídos até 11/2000. Tais embargos foram rejeitados. O processo foi novamente encaminhado à Fazenda Nacional, em 07/01/2014, para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010, da rejeição dos embargos de declaração opostos por ela. A Fazenda Nacional interpôs, em 10/01/2014, portanto, tempestivamente, Recurso Especial. Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação aos seguintes aspectos: a) termo inicial do prazo decadencial – art. 173, I, do CTN; e b) retroatividade benigna obrigação acessória. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2300 102/2014, da 3ª Câmara, de 12/02/2014. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 36624.014337/200616 Resolução nº 9202000.184 CSRFT2 Fl. 5 4 O recorrente traz como alegações, em relação ao item “a” – termo inicial do prazo decadencial – art. 173, I, do CTN, que a decisão recorrida aplicou de modo equivocado a aludida norma na contagem do prazo decadencial quanto ao fato gerador ocorrido em dezembro de 2000. Ressalta que tanto no acórdão recorrido quanto no acórdão trazido como paradigma houve aplicação do art. 173, I, do CTN segundo tese firmada no Recurso Repetitivo nº 973.733 do STJ, de observância obrigatória pelos órgãos do CARF, por força do disposto no art. 62A do RICARF, acrescentado pela Portaria MF n° 586, de 21 de dezembro de 2010. Argumenta que o Colegiado a quo sustenta que o art. 62A do RICARF impõe a mera reprodução do acórdão firmado em recurso repetitivo pelo STJ, o que afasta a aplicação do conteúdo expresso do art. 173, I, do CTN, segundo o qual o direito da Fazenda Pública constituir o credito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, prevalecendo a assertiva encontrada de que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte a ocorrência do fato imponível; e que o paradigma, acertadamente, preceitua que o acórdão do STJ deve ser devidamente interpretado, sobretudo considerandose a própria jurisprudência mansa e pacifica daquela Corte, mesmo em período posterior ao julgamento do Resp n° 973.733/SC, que determina a contagem da decadência regida pelo art. 173, I, do CTN, nos precisos termos de sua redação, isto e, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Salienta que, no presente caso, verificase que não há que se falar em decadência da competência de dezembro de 2000, porque a sua exigibilidade (vencimento) somente ocorreu a partir de 01/2001; por conseguinte, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado foi 1°/01/2002; já, o último dia da decadência quinquenal foi 31/12/2006; e, portanto, considerando que a ciência da autuação ocorrera em 06/11/2006, não há falar em decadência em relação à referida competência (12/2000). Requer, assim, a reforma do acórdão recorrido, a fim de que seja restabelecida a cobrança da competência 12/2000, eis que não atingida pela decadência, tendo em conta o disposto no art. 173, I, do CTN, em consonância com o entendimento firmado pelo STJ em sede de recurso repetitivo. Em relação ao item “b” retroatividade benigna obrigação acessória, o recorrente requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Cientificado do Acórdão nº 2301001.823, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN em 14/10/2015, o contribuinte interpôs, em 29/10/2015, portanto tempestivamente, Recurso Especial (fls. ) da parte do Acórdão que lhe foi desfavorável e contrarrazões (fls. ). Ao Recurso Especial do Contribuinte foi negado seguimento conforme Despacho s/nº, da 3ª Câmara, de 23/03/2016 (fls. ) e Despacho s/nº, da CSRF, (fls. ), respectivamente, Exame e Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial do Contribuinte. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 36624.014337/200616 Resolução nº 9202000.184 CSRFT2 Fl. 6 5 Em suas contrarrazões, o contribuinte diz que a discussão trazida pela Recorrente diz respeito à aplicação de uma das seguintes normas jurídicas para cálculo da multa aplicada neste feito, ambas introduzidas pela Lei nº 11.941/2009: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mês calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo.” “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Argumenta que da simples análise das normas transcritas, fica claro que elas se aplicam a hipóteses absolutamente distintas, referindose o art. 32A ao descumprimento de obrigações acessórias e o art. 35A ao descumprimento de obrigação principal; e que nos presentes autos aplicase, sem dúvida, o art. 32A, visto que exigida multa pelo suposto descumprimento de obrigação acessória. Afirma que a aplicação do art. 35A ao presente caso implicaria verdadeiro bis in idem, já que a multa de ofício sobre a obrigação principal já é exigida na NFLD nº 37.014.6638. Ressalta que o objeto da Lei nº 11.941/2009 foi o de reduzir as absurdas e cumulativas penalidades no âmbito da contribuição previdenciária, especialmente aquelas previstas para obrigações acessórias e que a aplicação do art. 35A a essas obrigações acaba por fulminar qualquer redução, já que este dispositivo determina a exigência de pesada multa do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, apurada sobre o valor de eventual contribuição devida. Acrescenta que tal procedimento acabaria por determinar a perda de eficácia da própria norma, contrariando a vontade do legislador em benefício daquele órgão que foi efetivamente o alvo da legislação. Por fim, ressalta que a interpretação pleiteada pela Recorrente somente pode ser adotada, a despeito de sua ínsita falta de lógica, se ignorado mandamento expresso no art. 112 do Código Tributário Nacional: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I – à capitulação legal do fato; (...) IV – à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. “ É o relatório. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 36624.014337/200616 Resolução nº 9202000.184 CSRFT2 Fl. 7 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende, em princípio, aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 168. Das Preliminares ao Mérito As questão objeto do recurso referemse, resumidamente, a regra para aferição da decadência quinquenal, bem como, a retroatividade benigna quanto à natureza das multas aplicadas nos autos de infração de contribuições previdenciárias após a MP 449/2008, convertida na lei nº 11.941/2009. Contudo, por tratarse de AI de obrigação acessória AIOA, para atribuir certeza ao crédito, conforme podemos identificar no relatório fiscal, foram lavrados Autos de Infração de Obrigações Principais conexos ao presente processo, qual seja: NFLD/DEBCAD 37.014.6654, contudo não foi possível identificar qual a situação do processo, nem mesmo identificamos o número a ele atribuído no sistema, para que pudéssemos pesquisar o andamento, o que prejudica a continuidade do presente lançamento. Dessa forma, deve a DRF prestar informações quanto ao andamento do referidos lançamento, identificando o número do processo atribuído a cada lançamento em relação ao DEBCAD, bem como os fatos geradores lançados e a existência de julgamentos, pedidos de parcelamento, ou qualquer outra informação que possibilite identificar a procedência dos lançamentos. Solicitase, caso exista outro lançamento, além do aqui identificado, a realização de planilha com as informações solicitadas, para que se possa decidir com clareza o resultado da multa aplicada em relação aos fatos geradores omissos. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a DRF preste informações acerca do andamento da obrigação principal que embasou a presente autuação, mais especificamente: NFLD/DEBCAD 37.014.6654. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 288DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.901137/2011-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO INTERESSADO.
Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.074
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para apuração da base de cálculo devida.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PIS/COFINS Recorrente FERMENTOS BRASIL ESPANHA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO INTERESSADO. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para apuração da base de cálculo devida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 11 37 /2 01 1- 69 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10950.901137/201169 Acórdão n.º 3302005.074 S3C3T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o PIS/Pasep. De acordo com o Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que, após profícuo e extenuante estudo, constatou que desde o advento da Lei 10.925, de 23 de Julho de 2004, estava recolhendo PIS e COFINS em desacordo com o citado diploma legal, haja visto que a peticionária comercializa, dentre outros, o produto popularmente conhecido como "fermento lático" cuja classificação no código NCM é 3002.90.99, código este contemplado pela referida lei através do seu Art º com alíquota 0 para PIS e COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de vendas no mercado interno. Afirma ainda que após ser cientificada do DD, tentou retificar a DCTF sem êxito, haja vista o prazo já ter expirado. O contribuinte apresentou Solução de Consulta sobre classificação de mercadorias e notas fiscais (amostragem), requerendo a reavaliação do Despacho Decisório. Na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 02052.046. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa, após ser cientificada, apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.066, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10950.900108/201180, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.066): "PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10950.901137/201169 Acórdão n.º 3302005.074 S3C3T2 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Do pedido para juntada posterior de provas Protesta o Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou o recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. MÉRITO Da inexistência probatória Tendo em vista que a questão dos autos diz respeito ao instituto da compensação, forma de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156 do CTN, e disciplinada no art. 170 do referido diploma legal, há exigências fundamentais para que possa ser operacionalizada a compensação, no âmbito do Direito Tributário, sendo as principais: (1) a necessidade de lei que autorize a compensação; e (2) que os créditos de titularidade do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Dizse assim que um crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, a certeza diz respeito à existência do crédito e a liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do particular e existindo lei que preveja a compensação, procederseá ao encontro das dívidas. Nesse mister, a compensação está disciplinada nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, no caso em apreço, quanto à questão meritória, destaca o recorrente que desde o advento da Lei nº 10.925, de 23 de Julho de 2004, estava recolhendo PIS e COFINS em desacordo com o citado diploma legal, haja vista que comercializa, dentre outros, o produto popularmente conhecido como "fermento lático" cuja classificação no código NCM é 3002.90.99, código contemplado pela referida lei com alíquota zero para PIS e COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de vendas no mercado interno. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10950.901137/201169 Acórdão n.º 3302005.074 S3C3T2 Fl. 5 4 Em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório. Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, verifica se: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observese que a premissa para verificar a origem do crédito, que é a constatação do indébito, inexiste no presente caso, visto que restou demonstrado no citado despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. Ressaltese que, no presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, cabendo ao requerente de um suposto direito creditório demonstrar ao fisco, os livros e documentos exigidos pela legislação para a comprovação de seu direito. Nesse sentido, o recorrente teve a oportunidade processual, visto que lhe foram assegurados o contraditório e ampla defesa, quando da apresentação da manifestação de inconformidade de apresentar documentos/livros que demonstrem à Administração Tributária o suposto o crédito pleiteado. Com efeito, pela minudência da fundamentação, reproduzo parcialmente excertos da decisão de piso: Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta.(grifei). Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10950.901137/201169 Acórdão n.º 3302005.074 S3C3T2 Fl. 6 5 No caso concreto, o contribuinte declarou em DIPJ e confessou em DCTF o tributo recolhido por meio do Darf apresentado como crédito para a compensação. Transmitiu o PerDcomp (...), mas não efetuou a retificação de suas declarações. Ressaltese que (...) retificou as DCTF (....) contudo sem alterar os valores em discussão. A Solução de Consulta de classificação serve para amparar a classificação da mercadoria ali descrita. As notas fiscais apresentadas, de acordo com o contribuinte, por amostragem comprovam a venda da mercadoria indicada na Solução de Consulta. Entretanto, o valor pleiteado como crédito é igual a 96% do Darf. Significa dizer que o contribuinte , praticamente, só comercializa o produto objeto da Solução de Consulta, informação que não foi prestada nem comprovada na manifestação. As provas apresentadas por amostragem são insuficientes para comprovar os fatos relatados e para conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado.(grifei). Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR A PRELIMINAR SUSCITADA E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar os fatos relatados e conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.907295/2012-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.099
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologara a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas sem saldo reconhecido para compensação dos débitos indicados no Per/Dcomp. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou, em síntese, que a DCTF e o Dacon coincidiam nos centavos nos valores do crédito, crédito esse quitado por meio de DARFs, e requereu a produção de todos os meios de prova em direito admitidas, sobretudo a documental inclusa, a documental superveniente e a pericial, e que fosse julgada procedente a sua defesa, com a nulidade da incidência e a anulação do lançamento, com fundamento no art. 145, I, do CTN. A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse embasar o indébito tributário alegado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 07 29 5/ 20 12 -2 6 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10983.907295/201226 Resolução nº 3201001.099 S3C2T1 Fl. 110 2 Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou a existência do crédito postulado, alegando o seguinte: 1. é agente gerador de energia participante do Sistema Interligado Nacional SIN, que funciona com mecanismo de rateio de custos de geração de energia com fins à segurança ao sistema; 2. a Conta de Consumo de Combustíveis CCC e a Conta de Desenvolvimento Energético CDE são fundos geridos pela Eletrobrás que viabiliza economicamente a geração de energia com base em matrizes elétricas, por intermédio da utilização de combustíveis fósseis; 3. os valores recebidos são utilizados nas aquisições de combustíveis fósseis carvão mineral e consumidos na geração de energia termoelétrica; 4. os agentes geradores procedem ao registro contábil para controle dos custos adquiridos com recursos da CCC e CDE; 5. os combustíveis fósseis não integram seus ativos e não se constituem custos em decorrência da aquisição de terceiros pela Eletrobrás; 6. Os custos dos combustíveis são cobrados dos consumidores finais da energia, através das distribuidoras e permissionárias; 7. a sistemática de contabilização dos custos com combustíveis como receita se alterou exsurgindo um crédito da recorrente com o Fisco em razão dos valores oferecidos à tributação pelo PIS e Cofins não se constituírem receitas, mas sim simples ingressos; 8. Procedeu à retificação de suas DCTFs para excluir dos débitos as parcelas da CCC e CDE e transmitiu DCOMPs visando a compensação; 9. as compensações foram indeferidas, vez que o Fisco entende erroneamente tratarse de receitas passíveis de tributação; 10. o despacho decisório acusou falta de documentação comprobatória; 11. o procedimento deveria ser precedido de retificação de ofício das declarações DCTF e DACON. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.095, de 30/01/2018, proferido no julgamento do processo 10983.908751/201255, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10983.907295/201226 Resolução nº 3201001.099 S3C2T1 Fl. 111 3 Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.095): Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta resolução. Por conter matéria preventa desta Seção de Julgamento e estarem presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Contudo, é preciso esclarecer que esta lide administrativa fiscal não está em condições de julgamento, uma vez que existe situação que impossibilita a sua imediata solução. Como já mencionado no voto do Conselheiro Relator, durante a sessão de julgamento foi debatida a necessidade de conversão do processo em diligência, diante da existência de DCTF retificadora, apresentada e não apreciada. Conforme debatido, o Despacho Decisório reconheceu a retificadora, mas não homologou o pedido do contribuinte fundamentada na seguinte premissa: "retificação não esclarecida". Cumpre ressaltar que, a retificadora, quando anterior ao procedimento de ofício, substitui integralmente a DCTF original, sem necessidade de esclarecimento, conforme pode ser verificado na IN 1.599/2015, Art. 9.º (mesmo teor desde IN´s de 2002): "Art. 9ºA alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2ºA retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I redução dos débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alteração dos débitos de impostos e contribuições em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado de início de procedimento fiscal. § 3ºA retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10983.907295/201226 Resolução nº 3201001.099 S3C2T1 Fl. 112 4 poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4ºNa hipótese prevista no inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento à intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma prevista no art. 7º. § 5ºO direito do sujeito passivo de pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º(primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração. § 6ºA pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador." Tais disposições normatizam, para a DCTF, o princípio da espontaneidade, conforme garantia prevista no Art. 138 do CTN. Assim, para que houvesse acusação de falta de esclarecimento da DCTF retificadora (que no caso, foi espontânea e tem a mesma natureza da original), deveria existir, nos autos, uma intimação anterior do Fisco, solicitando o esclarecimento e motivo da retificação. Assim, contribuiria para a solução desta lide fiscal que a fiscalização apresentasse essa intimação ou alguma tentativa, do Fisco, de esclarecer a retificação, ou seja, uma possível falha de instrução do processo. Esta Turma de julgamento não identificou a presença de tal intimação ao contribuinte, assim como a ausência de despacho decisório próprio ao caso, que considerasse esta situação exposta, que considerasse o caso concreto do contribuinte. Constatada esta irregularidade que poderia afrontar o devido processo legal, decidiuse por converter o julgamento em diligência e, para esta tarefa, fui designado para apresentar o voto vencedor. Diante desta breve exposição, em busca da verdade material e, com fundamento na legislação que concerne ao processo administrativo fiscal e ao Direito Tributário, votase para que o julgamento seja convertido em diligência, para que: a autoridade de origem verifique e comprove se houve ou não intimação anterior que solicitasse o esclarecimento e motivo da retificação; a autoridade de origem verifique se há ou não Despacho Decisório que considerou a DCTF retificadora e, se houver, identificar e juntar nos autos; cumprida a diligência, o contribuinte deve ser intimado para se manifestar, em 30 dias da intimação, a respeito do relatório apresentado pela autoridade fiscal. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10983.907295/201226 Resolução nº 3201001.099 S3C2T1 Fl. 113 5 Após, retornem os autos a este Conselho para julgamento. Resolução proferida. Esclareçase que, nos presentes autos, ocorreu a mesma situação fática identificada na resolução do processo paradigma quanto à ausência de comprovação da existência de intimação tendente a esclarecer a retificação espontânea da DCTF. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora verifique e comprove se houve ou não intimação anterior que solicitasse esclarecimentos e o motivo da retificação da DCTF, bem como verifique se há ou não Despacho Decisório que tenha considerado a DCTF retificadora e, se houver, identificar e juntar nos autos. Cumprida a diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões do trabalho fiscal. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 113DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.679794/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 15/04/2006
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito.
DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde.
PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.850
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 15/04/2006 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 97 94 /2 00 9- 71 Fl. 99DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário interposto pela empresa TIM CELULAR S/A., contra a Decisão da DRJ, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade que manteve o Despacho Decisório eletrônico emitido pela Delegacia de Administração Tributária em São Paulo DERAT/SP, que não homologou as compensações declaradas com pagamento indevido de CIDE. No referido Despacho Decisório informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade a contribuinte reconhece que deixou de retificar as DCTFs relativas aos períodos que entende ter havido recolhimento a maior. Sustenta, contudo, que mero equívoco no preenchimento destas declarações não pode gerar débitos fiscais. Alega ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa, discorre sobre o princípio da verdade material e assevera que o equívoco é evidente e não justifica a glosa havida. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão nº Acórdão 1627.094, prolatado pela DRJ em São Paulo (SP): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 15/04/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.679794/200971 Acórdão n.º 3402004.850 S3C4T2 Fl. 3 3 efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÓNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito credit6rio, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, reprisando os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade, adicionando, em síntese, as seguintes razões: Aduz que como explicitado na Manifestação de Inconformidade, por conta da sistemática tributária vigente, apurou créditos tributários a seu favor (recolhimento indevido ou a maior de diversos impostos e contribuições administrados pela RFB), sendo certo que tais montantes são plenamente utilizáveis para fins de compensação de débitos relativos a outros tributos federais administrados pela RFB. Com efeito, a partir de meados de 2006, constatou ter efetuado recolhimento a maior a titulo de IRRF, CIDE, PIS importação, COFINS importação, incidentes sobre operações de remessa ao exterior de Royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos, recolhimentos estes realizados desde o anocalendário de 2004 e que foram compensados com débitos de COFINS apurada em PER/DCOMP. (i) Da carência de Fundamentação do Despacho Decisório: Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e ignorado pela decisão recorrida, o Despacho Decisório é absolutamente carente de fundamentação legal (motivação), quedandose nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado; a carência de motivação que torna vazio o despacho decisório inquinado, viola frontalmente o principio da ampla defesa e do contraditório; o simples fato da DRJ/SP1 ter ultrapassado a nulidade alegada sem qualquer análise digna das atribuições da Autoridade Fiscal acarreta indevida supressão de instância; (ii) Quanto ao mérito, argumenta a violação aos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade: afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais Fl. 101DF CARF MF 4 créditos; se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta; que o mero erro material no preenchimento dos valores descritos na DCTF não pode operar quaisquer efeitos; o fato de a Recorrente ter cometido o simples erro de preenchimento relativo à inclusão de débitos indevidamente na sua DCTF, não é bastante para que o Fisco ignore diversos outros elementos que, já analisados pela RFB, revelam manifestamente a validade dos créditos fiscais vindicados, pois estes existem e só não são reconhecidos por um equivoco na declaração; de se frisar que é dever da Administração Pública, em prol da legalidade de sua atuação, investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo a uma cobrança, ou seja, se a Administração possui dados para identificar os fatos, não deve ela se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo do contribuinte; (iii) Do escorreito procedimento de compensação realizado: o entendimento havido pelo Acórdão recorrido baseiase, pura e simplesmente, no fato de que as declarações não identificavam saldo (crédito) a restituir (ou compensar), mas somente a liquidação regular de débitos apurados, situação esta que, consoante já aduzido na Manifestação de Inconformidade, era devida unicamente em razão da falta de retificação das DCTFs enviadas com erros de preenchimento, equívocos perfeitamente sanáveis pelo Fisco, até mesmo de oficio, que tem livre acesso à toda a escrituração fiscal da Recorrente e, mesmo assim, jamais a solicitou para fins de imputação das compensações de créditos declaradas. Por fim, requer que seja o Recurso Voluntário conhecido e recebido com efeito suspensivo (nos termos do artigo 151, III do CTN) e declarado nulo o Despacho Decisório que fundamenta a exigência ante a patente carência de fundamentação ou, caso assim não entenda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do RI CARF, para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.849, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.679805/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.849): 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10880.679794/200971 Acórdão n.º 3402004.850 S3C4T2 Fl. 4 5 O caso se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. No Despacho Decisório o Fisco informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. A Recorrente alega que mero equivoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB. 3. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório A Recorrente alega que há carência de fundamentação e motivação do Despacho Decisório prolatado pela DERAT/SP e que houve cerceamento do seu direito de defesa. Vejase trecho: "(...) Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e solenemente ignorado pela decisão da 5ª Turma da DRJ/SP1, o despacho decisório em comento é absolutamente carente de fundamentação legal, quedando nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado. "(...) não se pode admitir em nome desta agilidade a violação de direito expresso na Carta Magna, elementar ao principio do contraditório e da ampla defesa, que é a obrigatoriedade de fundamentação das decisões proferidas tanto em âmbito administrativo como judicial (....)". Pois bem, entendo que não assiste razão à Recorrente. Explico. De acordo com o dispositivo constitucional que trata do direito ao contraditório e à ampla defesa, temos que: (artº 5º, inciso LV): Artº 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade nos seguintes termos: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. É cediço que a autoridade competente, ao verificar a infração e entender presente as provas necessárias à caracterização da infração ou do ilícito fiscal, não está obrigada a conceder defesa antes da cientificação do respectivo lançamento ao sujeito passivo, posto que é com a apresentação da impugnação que o procedimento se verte em processo, estabelecendose, por conseguinte, o efetivo conflito de interesses: de um lado o Fisco que acusa a existência de débito tributário, fundando sua pretensão de recebêlo e, de outro, o sujeito passivo, que opõe resistência por meio da apresentação de defesa administrativa Fl. 103DF CARF MF 6 (impugnação). É a partir desse momento, ou seja, com o início da fase processual, que se impõe a aplicação, no âmbito administrativo, do princípio constitucional da garantia ao devido processo legal, no qual está compreendido o respeito à ampla defesa, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal. Verificase que o Despacho Decisório (eletrônico) teve origem em auditoria de análise de crédito declarado em PER/DECOMP pela Recorrente, realizada pela RFB, que encontrase detalhada no corpo do documento (campo 3), onde consta a motivação, fundamentação, decisão e o enquadramento legal que conduziram a autoridade fazendária a não homologação da compensação declarada. Vejase trecho: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 11.190,74. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". A Recorrente foi devidamente cientificada do referido Despacho Decisório e apresentou, tempestivamente, a sua Manifestação de Inconformidade (fls. 10/24) que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância administrativa. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou Recurso Voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, demonstrando perfeito conhecimento de todo o conteúdo deste processo, não lhe sendo oposto qualquer constrangimento ou dificuldade, e está exercendo seu direito de defesa de forma ampla, por meio deste processo. Portanto, a motivação para o indeferimento no Despacho Decisório, bem como, as do julgamento na primeira instância, estão claramente identificadas e fundamentadas no Acórdão recorrido, não havendo que se falar na "indevida supressão de instância". Com todo este histórico de discussão administrativa, cumpridos os prazos legais para manifestação, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no Despacho Decisório ou no julgamento da primeira instância, ou seja, todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235, de 1972 foi observado, tanto o Despacho Decisório, bem como, o devido processo administrativo fiscal (PAF). Pela leitura do Despacho Decisório, que foi emitido eletronicamente pela RFB, constatase o nome e matrícula Auditor Fiscal (foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções), bem como verificase a descrição de forma suficientemente, objetiva e cristalina os fatos o Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10880.679794/200971 Acórdão n.º 3402004.850 S3C4T2 Fl. 5 7 enquadramento legal e normativos, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão da motivação. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. Por fim, apenas para um melhor esclarecimento sobre nulidade, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no âmbito do processo administrativo fiscal. Assim, prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Como se vê, o caso aqui analisado, não se enquadra em nenhuma das hipóteses do art. 59 acima reproduzido. Assim, respeitados pelo Fisco os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, inexiste o cerceamento do direito de defesa até esta fase processual e, portanto, improcedente é a alegação nulidade do feito fiscal. 4. Do pedido de diligência (produção de provas, escrita fiscal) Requer a Recorrente ao final de seu recurso que, "(...) ou, caso assim não entenda V.Sa., seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do Regimento Interno deste E. Conselho para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da ora Recorrente, confirmandose, ao final, a compensação declarada". Pois bem. Primeiramente, ressaltese que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja por parte do fisco ou da Recorrente. Conforme será abordado na parte meritória, as questões colocadas não justificam o deferimento de uma diligência uma vez que além de existir nos autos elementos que propiciam ao julgador a cognição dos fatos postos em lide, a Recorrente teve a oportunidade de apresentar seus elementos probatórios quando da Manifestação de Inconformidade. Fl. 105DF CARF MF 8 No art. 15 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal), consta que a impugnação deverá ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar. Sobre isso, coloquese, inicialmente, que no que se referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas, a legislação processual administrativo tributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o princípio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição do contribuinte/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste. Mencionese, adicionalmente, que o Código de Processo Civil, aqui aplicável subsidiariamente ao Decreto 70.235/72, estabelece, em seu art. 373, que o ônus da prova incumbe ao autor, quando fato constitutivo do seu direito. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse mesmo sentido, segue a Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários. Já à autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18, Decreto nº 70.235/1972, cabe determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento ou as impraticáveis. Assim, há que se ter em conta, que tais previsões legais não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Dentro deste quadro, temse que não cabe a autoridade julgadora, em qualquer pleito repetitório apresentado, diligenciar para fins de, de ofício, promover a produção de prova da existência e/ou procedência do crédito pleiteado pelo Contribuinte. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindível é a diligência/perícia requerida pela contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferila. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência/perícia Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10880.679794/200971 Acórdão n.º 3402004.850 S3C4T2 Fl. 6 9 com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. 5. Quanto ao mérito Em seu recurso a Recorrente argumenta a violação ao princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas. Vejase: "(...) Conforme já delineado, o débito da ora Recorrente fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais créditos". A Recorrente reconhece que informou, equivocadamente, na DCTF original, débito de CIDE quitado mediante recolhimento de DARF no valor informado no Despacho Decisório que ora se discute. Todavia, após revisão interna, constatou o pagamento a maior do referido débito, uma vez que os cálculos estavam sendo efetuados de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de COFINS após a correção do montante efetivamente devido. Que se fosse dado "a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta". Por outro lado, relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros, haveria o crédito que utilizou nas PER/DCOMP, a decisão de piso observa que "a contribuinte limitase a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova documental do que alega". Prossegue a Recorrente afirmando que, "(...) O PER/DCOMP em questão, transmitido em 18.06.2007 (DOC.02 da petição de juntada outrora protocolada), contemplou a utilização de crédito apurado de CIDE recolhido em 29.07.2005, conforme DARF no valor de R$ 11.190,74 (onze mil, cento e noventa reais e setenta e quatro centavos DOC.03, da petição de juntada outrora protocolada), para compensação de COFINS apurada no mês de maio de 2007 no valor de R$ 14.270,43 (catorze mil, duzentos e setenta reais e quarenta e três centavos), situação esta que foi finalmente e adequadamente espelhada na DCTF retificadora transmitida em 03.12.2009 (DOC.04, da petição de juntada outrora protocolada), a qual põe por terra quaisquer dúvidas quanto à liquidez do crédito cuja compensação foi pleiteada pelo PER/DCOMP sob exame". No entanto, verificase que tanto na Manifestação de Inconformidade como no Recurso Voluntário, a Recorrente limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer Fl. 107DF CARF MF 10 DCTF retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório prolatado pelo Fisco, que ocorreu em 23/10/2009. Como muito bem pontuado pela decisão a quo, a qual subscrevo algumas partes das considerações tecidas (com alterações pontuais), adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999, "(...) a retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a Manifestação de Inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da Contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais, tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório". A Recorrente reconhece, a princípio, que não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Logo o sistema PER/DCOMP ao realizar a compensação não poderia ter encontrado saldo credor no DARF utilizado na Declaração de Compensação (DCOMP), eis que estava alocado ao débito segundo informado na DCTF. No entanto, após ciência do Despacho Decisório, quando da Manifestação de Inconformidade é que a Contribuinte informa o Fisco ter havido erro no preenchimento das DCTF e procede a retificação da declaração. É importante ressaltar que a conduta do Fisco é pautada em documentos formais e oficiais e, se a Recorrente resta inerte e não promove à tempo as retificações cabíveis na DCTF, não cabe ao Fisco promovêlas. Vale dizer que este Colegiado vem registrando noutros processos envolvendo matéria idêntica, em que esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior a ciência do Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhado de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original, conforme preconiza o § 1º do art. 147, do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (Grifei) Da interpretação do artigo acima, extraise que a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.679794/200971 Acórdão n.º 3402004.850 S3C4T2 Fl. 7 11 devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equivoco cometido na elaboração da declaração original (DCTF). Ressalto que, como já frisado no tópico anterior, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição deste/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste (ônus da prova). Assim, a Recorrente deveria ter acostado aos autos, junto com a Manifestação de Inconformidade a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Fiscais e Contábeis, como o Livro Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Reprisee que no caso em exame, a Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu (quando da Manifestação e agora em fase de recurso), qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que alega que cometera no preenchimento da DCTF (como a escrita contábil e fiscal, por exemplo). Veja que o processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto n° 70.235/72, que em seu art. 16, III assim dispõe, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará. III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. I.° da Lei n.° 8.748/I993)" Ainda nos §§ 4° e 5° do mesmo artigo determinam que: " § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997) § 5°. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/I997)" (Grifei) Percebese que a Recorrente trouxe somente documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de Fl. 109DF CARF MF 12 documentos ou diligência, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal solicitação. Entre ser verdadeira a afirmação da Recorrente, segundo a qual o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil antes da transmissão das compensações, não lhe pode subtrair o direito ao crédito (o princípio da verdade material requerido), e reconhecerlhe o direito a esse crédito, passa, inapelavelmente, pelo vão das provas, que a ela competia trazer aos autos, exercendo, com isto, sim, sua ampla defesa, ainda que fosse na segunda instância. Se juntasse as provas no recurso voluntário certamente contaria com a possibilidade de seu acolhimento nesta segunda instância de julgamento. No entanto, vale ressaltar que, até a presente data, passado quase dois anos entre a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário, nenhuma documentação foi apresentada pela Recorrente, que se limitou a juntar cópia da DCTF retificadora, não embasada por qualquer documentação comprobatória. Isto posto, para este Colegiado, portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida, ao afirmar que a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não seria óbice, mas também não seria suficiente para a demonstração do crédito vindicado, sendo indispensável, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN, supra, a comprovação do erro em que se fundou a retificação, o que a Recorrente, conforme já ressaltamos neste voto, não logrou realizar. 6. Dos princípios da estrita legalidade, da razoabilidade e da proporcionalidade À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, legalidade, razoabilidade e proporcionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 7. Dispositivo Ante o exposto, conheço do recurso voluntário para no mérito, NEGARLHE provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.679794/200971 Acórdão n.º 3402004.850 S3C4T2 Fl. 8 13 Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.722139/2012-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
MATÉRIA NÃO CONTESTADA. VÍNCULO DE SOLIDARIEDADE. DEFINITIVIDADE NA VIA ADMINISTRATIVA.
O vínculo de solidariedade entre os contribuintes, consubstanciado no Termo de Sujeição Passiva Solidária, é matéria definitiva nesta via administrativa.
PRESUNÇÃO LEGAL. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. HIGIDEZ.
A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são receitas omitidas, sujeitas à incidência do IRPJ e reflexos.
Ao fazer uso de uma presunção legalmente estabelecida, o Fisco fica dispensado de provar no caso concreto a omissão de rendimentos. Trata-se de presunção iuris tantum, que admite prova em contrário, cabendo ao contribuinte a sua produção. O que não o fez de forma adequada.
No mais, não trouxe o contribuinte nenhuma outra prova capaz de desconstituir a presunção legal, razão pela qual o crédito remanescente lançado é devido e legítimo, tendo agido bem a Delegacia de Julgamento.
Numero da decisão: 1401-002.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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VÍNCULO DE SOLIDARIEDADE. DEFINITIVIDADE NA VIA ADMINISTRATIVA. O vínculo de solidariedade entre os contribuintes, consubstanciado no Termo de Sujeição Passiva Solidária, é matéria definitiva nesta via administrativa. PRESUNÇÃO LEGAL. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. HIGIDEZ. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são receitas omitidas, sujeitas à incidência do IRPJ e reflexos. Ao fazer uso de uma presunção legalmente estabelecida, o Fisco fica dispensado de provar no caso concreto a omissão de rendimentos. Tratase de presunção iuris tantum, que admite prova em contrário, cabendo ao contribuinte a sua produção. O que não o fez de forma adequada. No mais, não trouxe o contribuinte nenhuma outra prova capaz de desconstituir a presunção legal, razão pela qual o crédito remanescente lançado é devido e legítimo, tendo agido bem a Delegacia de Julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 21 39 /2 01 2- 64 Fl. 4109DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório 1. Tratamse de Recursos de Ofício e Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Recife (PE) que manteve parcialmente o crédito tributário decorrente de infrações a legislação tributária, em virtude da aplicação indevida do percentual para determinação do lucro presumido e da base de cálculo da CSLL, ausência de inclusão na base de cálculo do IRPJ dos juros sobre o capital próprio, ausência de inclusão na base de cálculo do IRPJ de outras receitas, e pelas seguintes omissões de receitas (financeiras, não escrituradas e não declaradas, de prestação de serviços, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, na revenda de mercadorias para o exterior, escriturada e não declarada, de rendimentos e/ou ganhos líquidos de aplicação financeira de renda fixa ou de renda variável). 2. As infrações tributárias descritas acima se referem ao ano calendário de 2007, nos quais são exigidos da recorrente o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, e a Contribuição para o PIS/PASEP, conforme valores descriminados nas tabelas abaixo: IRPJ VALOR DO CRÉDITO R$ 2.601.664,96 JUROS R$ 1.352.926,38 MULTA R$ 2.014.033,34 VALOR TOTAL R$ 5.968.624,68 CSLL Fl. 4110DF CARF MF Processo nº 13896.722139/201264 Acórdão n.º 1401002.283 S1C4T1 Fl. 4.110 3 VALOR DO CRÉDITO R$ 828.355,37 JUROS R$ 431.313,97 MULTA R$ 643.867,52 VALOR TOTAL R$ 1.903.534,86 COFINS VALOR DO CRÉDITO R$ 197.721,97 JUROS R$ 106.759,06 MULTA R$ 170.478,57 VALOR TOTAL R$ 474.956,60 PIS/PASSEP VALOR DO CRÉDITO R$ 42.839,75 JUROS R$ 23.131,12 MULTA R$ 36.937,05 VALOR TOTAL R$ 102.907,92 2. Segundo informações constantes nos autos, a recorrente é uma empresa prestadora de serviços de engenharia de trânsito, “dedicandose especialmente aos serviços de sinalização viária, operação de radares fixos e móveis, fiscalização, utilizando exclusivamente os percentuais de 8% e 12% para apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL, respectivamente”. 3. Inferese dos autos, que “no tocante à omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, a partir de extratos bancários fornecidos pelo contribuinte e assenhoreados pelo fisco via RMF, a fiscalização efetuou as exclusões dos créditos com origem comprovada, remanescendo montantes com origem não esclarecida, considerados como presunção de omissão de receita, na forma do art. 42 da Lei n 9.430/96”. 4. A despeito da multa de ofício aplicada, esta foi qualificada, na medida em que se vinculou aos “tributos provenientes das infrações de omissão de receitas financeiras, não escrituradas e não declaradas pelo sujeito passivo, nos importes de R$ 3.459,84, R$ 5.659,83, R$ 8.484,75 e R$ 10.780,17, nos 04 trimestres do anocalendário 2007, e da omissão de receitas de prestação de serviços, não escrituradas e não declaradas pelo sujeito passivo, Fl. 4111DF CARF MF 4 nos importes de R$ 225.000,00, R$225.000,00, R$ 225.000,00 e R$ 282.707,98, nos 04 trimestres do AC2007”. 5. Lavrouse termo de responsabilidade solidária em face do Sr. Izildo Marques de Oliveira, com a seguinte fundamentação: Infrações tributárias de ações comissivas e dolosas constituindose como sonegação fiscal e responsabilidade solidária nos termos do art. 135, inciso III do CTN. "resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado". 6. Cientificado da autuação fiscal em 17/09/2012 (fls. 3.828) o interessado apresentou Impugnação em 11/10/2012 (fls. 3.832/3.904), na qual alegou: i) DA NULIDADE: Alegou a nulidade do auto de infração, pois “a autoridade lançadora enviou por via postal os autos de infração, seus anexos e o Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, recebidos em 14/09/2012, porém o fiscalizado não conseguiu vista do processo na DERAT São Paulo (SP), sob alegação de que o processo não se encontrava naquela unidade, sendo que a autoridade demorou excessivamente para liberar o processo, que chegou na DERAT somente em 02/10/2012, véspera da data fatal para apresentação da impugnação”; ii) DA APLICAÇÃO INDEVIDA DA MULTA QUALIFICADA: Argumenta que “só poderia ter sido feita se constatada qualquer conduta concernente à falsidade material, falsidade ideológica ou desatendimento de intimações, o que não aconteceu, justificando, assim, a exoneração da qualificação da multa, por não se enquadrar como crime de sonegação fiscal, fraude e conluio, assim definidos na Lei nº 4.502/64”; iii) DA DECADÊNCIA: Requereu a declaração da “decadência dos créditos tributários dos meses de janeiro a agosto de 2007, considerando a lavratura da autuação em setembro de 2012, pela fluência do qüinqüênio decadencial, contado na forma do art. 150, § 4º, do CTN”; iv) DA INAPTIDÃO: Afirma que a “declaração de inaptidão da empresa deve ser cancelada, pois, diferentemente do asseverado pela autoridade fiscal, o contribuinte se encontra estabelecido na Rua Eclisio Viviani, nº 165, 1º andar, Centro, Osasco”; v) DA APLICAÇÃO ILEGAL DO PERCENTUAL DE 32% NA DETERMINAÇÃO DA RECEITA LÍQUIDA: Alega que “a atividade exercida pela contribuinte se encontra no rol da construção civil por empreitada, pois presta serviços com emprego total de materiais conforme se pode verificar pelas notas fiscais juntadas, fazendo jus aos percentuais de presunção de 8% e 12% para cálculo do lucro presumido e da base de cálculo da CSLL, respectivamente, em linha com o entendimento da RFB exarado em soluções de consultas”. E que, “o Fisco Federal aplicou ilegalmente o percentual de 32% (trinta e dois por cento) na determinação da receita liquida no regime de tributação lucro presumido, quando o certo seria o percentual de 8% (oito por cento) pela legislação tributária”; Fl. 4112DF CARF MF Processo nº 13896.722139/201264 Acórdão n.º 1401002.283 S1C4T1 Fl. 4.111 5 vi) DA PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA PELA SUPOSTA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA COM O FITO DE CARACTERIZAR A SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA: Afirma que a fiscalização “esqueceuse de que os supostos depósitos bancários podem se constituir em valiosos indícios, mas não fazem prova de omissão de receita, por não caracterizarem disponibilidade econômica de renda e proventos, além de que, para amparar tal lançamento mister que se estabeleça um nexo causal entre cada deposito e a receita supostamente omitida"; vii) DO ÔNUS DA PROVA: Alega que o lançamento do crédito tributário foi alicerçado em mera presunção, meros indícios, sem provas concretas, com inversão indevida do ônus da prova, pois o contribuinte não admitiu, reconheceu ou confessou a alegação do fisco, outro lhe opondo fato impeditivo, modificativo ou extintivo, sendo que “uma autuação fiscal baseada em mera presunção é um procedimento execrado pelo Poder Judiciário, pelos julgadores administrativos e pela doutrina, que entendem prevalecer, no processo administrativo, o princípio da verdade real ou material, e nunca a verdade ficta ou presumida”; viii) REQUEREU o cancelamento dos autos de infração, bem como o arquivamento do processo administrativo fiscal. Pugnou pela juntada de documentos, realização de perícias, diligências, vistorias, etc. 7. O Acórdão ora Recorrido (1143.913 – 4ª Turma da DRJ/REC) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. VÍNCULO DE SOLIDARIEDADE. DEFINITIVIDADE NA VIA ADMINISTRATIVA. O sujeito passivo solidário não combateu o vínculo de solidariedade que o une em face da exação lançada. Dessa forma, forçoso reconhecer que o vínculo de solidariedade entre os contribuintes, consubstanciado no Termo de Sujeição Passiva Solidária, é matéria definitiva nesta via administrativa. NULIDADE. RETARDO NA VISTA DO PROCESSO. INOCORRÊNCIA. A mera alegação de demora na vista aos autos por culpa da repartição, quando o contribuinte assevera que recebeu pelos Correios os autos de infração, seus anexos e o Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, é insuficiente para decretação de nulidade do lançamento. A uma porque o contribuinte recebeu as peças com as imputações, o que permitiria aparelhar sua defesa; a duas porque o contribuinte não demonstrou como tal retardo prejudicou sua defesa, pois não trouxe qualquer alegação ou documento e, principalmente, porque logrou apresentar sua impugnação diversos dias antes do prazo fatal. Nessa linha, ausente a demonstração de Fl. 4113DF CARF MF 6 como o pretenso retardo na vista aos autos prejudicou sua defesa, inviável acatar a presente nulidade, pois aqui se aplica o brocardo do pas de nullité sans grief (nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para o fiscalizado). MULTA QUALIFICADA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO EM DECORRÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITA NÃO CONTABILIZADA. CANCELAMENTO. Sob óptica da tributação, a contabilização, ou não, das receitas, desde que não ofertadas em ambos os casos à tributação, é um fenômeno de igual relevância, obviamente desde que não haja alguma conduta fraudulenta a tipificar a conduta do contribuinte, como, exemplificadamente, a emissão de nota fiscal inidônea, movimentação de conta bancária em nome fictício, movimentação bancária em nome de terceiro (“laranja”), movimentação bancária em nome de pessoas já falecidas, falsidade documental, falsidade ideológica, emissão de nota fiscal calçada, emissão de notas fiscais de empresas inexistentes (notas frias), omissão reiterada de receitas, em diversos anoscalendário, confissão de receitas, seguidamente, minoradas à Fazenda Federal em face daquelas confessadas ao fisco dos entes subnacionais, hipóteses estas que justificam a qualificação da multa de ofício. Porém, atentese, o contribuinte não incorreu em quaisquer dessas condutas qualificadas, mas simplesmente não contabilizou parcialmente receitas oriundas de um consórcio do qual fazia parte, auferidas em sua maior parte em um acordo judicial, que sequer são expressivas em face do total ofertado à tributação no anocalendário 2007, ou seja, plausível encarálas como uma simples omissão de receitas, a não justificar a qualificação da multa de ofício, na forma da Súmula CARF nº 14: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”. IRPJ. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO OU PRESENÇA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO, APLICASE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, NO RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (JULGADO EM 12/08/2009, RELATOR O MINISTRO LUIZ FUX), QUE TEVE O ACÓRDÃO SUBMETIDO AO REGIME DO ARTIGO 543C, DO CPC E DA RESOLUÇÃO STJ 08/2008 (REGIME DOS RECURSOS REPETITIVOS). REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. A partir do posicionamento do STJ no RESP nº 973.733, o CARF passou a adotar a mesma tese (precedentes: acórdãos CSRF nºs 9101001.417, 9202002.850 e 9303002.373), entendimento que deve ser seguido, por coerência, por esta primeira instância (Turma da DRJ), ou seja, não havendo pagamento ou no caso de fraude, dolo ou simulação, a regra decadencial está estampada no art. 173, I, do CTN; de outro vértice, havendo pagamento antecipado sem dolo, fraude ou simulação, seguese a regra decadencial do art. 150, § 4º, do CTN. Fl. 4114DF CARF MF Processo nº 13896.722139/201264 Acórdão n.º 1401002.283 S1C4T1 Fl. 4.112 7 ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL POR EMPREITADA. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO PARA DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. O percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção civil é de 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, e de 8% (oito por cento) quando se tratar de contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. HIGIDEZ. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são receitas omitidas, sujeitas à incidência do IRPJ e reflexos. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. 8. Isto porque, segundo entendimento da Turma, acerca da caracterização do instituto da decadência in casu, “considerando a ciência do lançamento em 14/09/2012 (fl.3.821), os fatos geradores do IRPJ e CSLL, do 1º e 2º trimestres de 2007, e de COFINS e PIS/PASEP, de janeiro a agosto de 2007, foram atingidos pela decadência, pois lançados após o quinquênio contado na forma do art. 150, § 4º, do CTN, devendo ser cancelados. Assim, permanecem hígidos, apenas, os períodos de apuração do IRPJ e da CSLL do 3º e 4º trimestres de 2007 (aperfeiçoados os fatos geradores em 30/09/2007 e 31/12/2007) e da COFINS e do PIS/PASEP de setembro a dezembro de 2007”. 9. Afirmando que “sempre que a atividade de prestação de serviço de construção civil empregar unicamente mãodeobra, o percentual de presunção é de 32%; quando se tratar de contratação por empreitada de construção civil, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra, o percentual de presunção é de 8%”; 10. Dessa forma, tendo em vista o julgamento procedente em parte da impugnação apresentada, restou decidido: 1. A redução da multa qualificada do percentual de 150% para 75% para: 2. O IRPJ do 3º trimestre de 2007 deve ser reduzido de R$ 629.199,58 (fl. 3.771) para R$ 337.789,18, com multa de ofício de 75%; Fl. 4115DF CARF MF 8 3. A CSLL do 3º trimestre de 2007 referente à APLICAÇÃO INDEVIDA DE PERCENTUAL DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO deve ser reduzida de R$ 143.107,58 (fl. 3.754 c/c a fl. 3.923) para R$ 55.684,46, com multa de ofício de 75%. A CSLL devida das demais infrações (R$ 14.233,01 e R$ 45.493,58 – fl. 3.927 c/c a fl. 3.787) deve ser mantida inalterada, apenas reduzindo a multa qualificada da primeira importância para o percentual ordinário de 75%; 4. O IRPJ do 4º trimestre de 2007 deve ser reduzido de R$ 688.544,36 (fl. 3.773) para R$ 379.165,65, com multa de ofício de 75%; 5. A CSLL do 4º trimestre de 2007 referente à APLICAÇÃO INDEVIDA DE PERCENTUAL DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO deve ser reduzida de R$ 184.948,57 (fl. 3.755 c/c 3.923) para R$ 92.134,96, com multa de ofício de 75%. A CSLL devida das demais infrações (R$ 9.112,21 e R$ 16.852,72 – fl. 3.927 c/c a fl. 3.789) deve ser mantida inalterada, apenas reduzindo a multa qualificada da primeira importância para o percentual ordinário de 75%. 6. O reconhecimento dos fatos geradores do IRPJ e CSLL, do 1º e 2º trimestres de 2007, e de COFINS e PIS/PASEP, de janeiro a agosto de 2007, foram atingidos pela decadência, pois lançados após o quinquênio contado na forma do art. 150, § 4º, do CTN, devendo ser cancelados; 7. A exclusão da infração nº 1 (aplicação indevida do percentual para determinação do lucro presumido e da base de cálculo da CSLL) do relatório as receitas decorrentes da prestação de construção por empreitada, com emprego de materiais. 11. Houve interposição de Recurso de Ofício às fls. 3.9347 dos autos, tendo em vista que a exoneração do crédito tributário superou o valor de R$ 1.000.000,00. 12. Ciente da decisão do Acordão em 13/05/2014 (fls. 4.031), que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário em 28/05/2014 (fls. 4.036/4.090), no qual alegou somente: i) DA INAPLICABILIDADE DA PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITA PELA SUPOSTA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA: Alega “que as quantias objeto da discussão, não se caracterizam como rendimento, sendo a autuação feita de forma arbitrária e ilegal” E que “a quebra do sigilo bancário é uma excepcionalidade frente ao atual ordenamento jurídico. Sendo, incontestável a posição do STF acerca da inviolabilidade do sigilo bancário sem autorização judicial”. Colaciona diversos julgados de alguns tribunais de justiça e do STF para corroborar a sua tese; ii) Informa que no caso dos autos, “há patente vício de procedimento que macula o crédito tributário dele decorrente, pois o princípio constitucional Fl. 4116DF CARF MF Processo nº 13896.722139/201264 Acórdão n.º 1401002.283 S1C4T1 Fl. 4.113 9 da legalidade tributária impõe a observância, tanto da lei tributária material. conformada com o texto constitucional, quanto da lei tributária de natureza processual para constituição do crédito tributário igualmente conformado com os dispositivos da Constituição Federal”. iii) DO ÔNUS DA PROVA: Aduz que “o ônus da prova da existência material e fática dos pressupostos exigidos no Código Tributário Nacional, que embasam a cobrança de qualquer tributo, cabe única e exclusivamente ao fisco. Não se pode transferir à contribuinte o dever de prova”. Salienta que “o princípio da verdade material é um dos mais importantes princípios do Direito Administrativo; reza tal princípio que no processo administrativo o julgador deve sempre buscar a verdade pura, os reais fatos ocorridos, independente de quaisquer formalidades ou ficções estabelecidas pela norma, mesmo que para tanto o agente administrativo use elementos alheios ao processo ou a ele trazidos de forma inusitada”. iv) Afirma ao final, que “o princípio da segurança jurídica é um vetor na busca pela justiça e prima pela observância de institutos consubstanciados, principalmente, no respeito aos direitos adquiridos, no devido processo legal, ensejando, desta maneira, imposição de limites e a segurança, propriamente dita, do cidadão ao depararse com as invalidações dos atos administrativos considerados ilegais ou inconstitucionais”; v) Requereu o provimento do Recurso Voluntário interposto para reformar o acórdão recorrido, desobrigando a recorrente do recolhimento de quaisquer quantias, por ser injusta e indevida a pretensão do Fisco. 13. Verificase, portanto, que no Recurso Voluntário, tal qual na Impugnação, não há questionamentos quanto à responsabilidade solidária do sócio administrador, questão que ganhou definitividade na esfera administrativa. 14. Ademais, não há qualquer questionamento fático ou apresentação de nova prova. Ainda, sequer há impugnação específica à decisão recorrida, tão somente foram lançados argumentos genéricos e de direito, questionando a constitucionalidade do uso da movimentação bancária e questionamentos quanto ao ônus da prova. 15. Às fls. 4.107 dos autos Despacho de Encaminhamento ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. 16. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Fl. 4117DF CARF MF 10 Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. Passo a analisar o Recurso Voluntário. Inicialmente cumpre esclarecer que, desde a impugnação, e repetidos no Recurso, os fundamentos do contribuinte não enfrentam a matéria fática e de direito. Especialmente no Recurso Voluntário, o contribuinte se resume a apresentar razões genéricas quanto à inconstitucionalidade da "quebra de sigilo", defende que o ônus da prova é do Fisco e que o lançamento estaria viciado. Tratase, a meu ver, de argumentação meramente protelatória e desprovida de fundamento. O lançamento encontrase devidamente fundamentado, tanto no auto de infração, com o devido enquadramento legal, quanto na descrição das razões de fato e de direito da autuação. A ausência de comprovação da origem da movimentação fundamentou a presunção legal de omissão de receita, o que ficou claramente identificado no lançamento. No que se refere à alegação de nulidade do lançamento face a inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário, a qual analiso como preliminar, cumpre ressaltar que dispõe a Súmula CARF nº 2, a qual é de aplicação vinculante: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Assim, não cabe a este colegiado exercer qualquer função de controle de constitucionalidade com redução de texto. Outrossim, mesmo que assim não fosse, em que pese este Relator não concorde com o seu resultado, o STF no julgamento da ADI 2390 em 18.02.2016 entendeu ser constitucional a lei que permite ao Fisco o acesso aos dados bancários dos contribuintes. Como bem ressaltado na decisão recorrida, a partir de 1° de janeiro de 1997, com a edição da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 42, a existência dos depósitos bancários cuja origem não seja comprovada, foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receita, conforme dispositivo legal já transcrito. Com essa nova previsão legal, sempre que o titular de conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, está o Fisco autorizado/obrigado a proceder ao lançamento do imposto correspondente, não mais havendo a obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do principio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tãosomente a inquestionável observância do novo diploma. Ao fazer uso de uma presunção legalmente estabelecida, o Fisco fica dispensado de provar no caso concreto a omissão de rendimentos. Tratase de presunção iuris tantum, que admite prova em contrário, cabendo ao contribuinte a sua produção. O que não o fez de forma adequada. No mais, não trouxe o contribuinte nenhuma outra prova capaz de desconstituir a presunção legal, razão pela qual o crédito remanescente lançado é devido e legítimo, tendo agido bem a Delegacia de Julgamento. Fl. 4118DF CARF MF Processo nº 13896.722139/201264 Acórdão n.º 1401002.283 S1C4T1 Fl. 4.114 11 No mesmo sentido, entendo que nos termos do faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF, a decisão recorrida também deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos no que se refere à manutenção da multa qualificada. Face o exposto, voto pelo não provimento do Recurso Voluntário. No que se refere ao Recurso de Ofício, igualmente entendo que o mesmo não merece ser acolhido. A decisão recorrida deu parcial provimento à Impugnação para: 1. reduzir a multa qualificada do percentual de 150% para 75%; 2. • reconhecer que os fatos geradores do IRPJ e CSLL, do 1º e 2º trimestres de 2007, e de COFINS e PIS/PASEP, de janeiro a agosto de 2007, foram atingidos pela decadência, pois lançados após o qüinqüênio contado na forma do art. 150, § 4º, do CTN, devendo ser cancelados; 3. • excluir da infração nº 1 (aplicação indevida do percentual para determinação do lucro presumido e da base de cálculo da CSLL) do relatório as receitas decorrentes da prestação de construção por empreitada, com emprego de materiais, como discriminado neste voto. Quanto à qualificação da multa, agiu bem a DRJ que fundamentou sua decisão na Súmula CARF nº 14: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”. Isto porque, a qualificação de uma conduta tem que ter substrato em uma conduta que vá além da simples omissão de receitas à tributação, em regra com a presença de falsidade ideológica ou material, ou quando patente o evidente intuito de fraude, o que não ocorreu no caso vertente. O contribuinte deixou de ofertar parcela da sua receita à tributação da forma devida, fato que, por si só, não pode acarretar no agravamento da multa. Desta forma, assim como a DRJ, entendo restar ausente uma conduta dolosa ou fraudulenta, devendo ser mantida a decisão de desqualificar a multa de ofício dos tributos incidentes sobre as infrações nºs 2 e 3 descritas no relatório, passandoa para o percentual ordinário de 75% sobre os tributos lançados. No que se refere ao reconhecimento de decadência parcial do lançamento, também agiu bem a DRJ. Nos caso destes autos, restou comprovado através do sistema de controle de pagamento da RFB, que e há pagamento antecipado de IRPJ, CSLL, COFINS e Fl. 4119DF CARF MF 12 PIS/PASEP no curso do anocalendário 2007, devendo ser aplicada a regra decadencial do art. 150, § 4º, do CTN. Desta forma, considerando a ciência do lançamento em 14/09/2012 (fl. 3.821), os fatos geradores do IRPJ e CSLL, do 1º e 2º trimestres de 2007, e de COFINS e PIS/PASEP, de janeiro a agosto de 2007, foram atingidos pela decadência, pois lançados após o qüinqüênio contado na forma do art. 150, § 4º, do CTN, devendo ser cancelados. Assim, permanecem hígidos, apenas, os períodos de apuração do IRPJ e da CSLL do 3º e 4º trimestres de 2007 (aperfeiçoados os fatos geradores em 30/09/2007 e 31/12/2007) e da COFINS e do PIS/PASEP de setembro a dezembro de 2007. No que se refere ao s percentuais de presunção para cálculo da base de do IRPJ e CSLL, a DRJ firmou o entendimento de que sempre que a atividade de prestação de serviço de construção civil empregar unicamente mãodeobra, o percentual de presunção é de 32%; quando se tratar de contratação por empreitada de construção civil, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra, o percentual de presunção é de 8%. Entendimento do qual coaduno e já manifestei em outros votos de minha Relatoria. A partir disso a DRJ fez uma análise minuciosa de todos os contratos objeto de fiscalização, glosando os serviços de construção civil do lançamento, e mantendo os demais, a exemplo da locação de radares e equipamentos. Como exemplo do minucioso trabalho desenvolvido na decisão recorrida, quanto ao Contrato firmado com o Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo – DER – Edital nº 003/2003CO, entendeu a DRJ que os serviços de sinalização viária com fornecimento de placas de sinalização de limite de velocidade/proibição de ultrapassagem/perigo/atenção, estacas, postes, pórticos, colunas, defensas, barreiras plásticas bicolor, cilindro canalizador de tráfego, baia para balizamento simples, sinalização horizontal são empreitada de construção civil, como reconhecido nas classificações da CNAE FISCAL, citada pela autoridade lançadora (fl. 3.697), com fornecimento de materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. Segue aduzindo que não se pode aceitar o entendimento da autoridade autuante de que tais bens não se incorporam à obra, pois a remoção de diversos deles iria descaracterizar a própria estrada (como imaginar uma estrada sem placas de sinalização, pintura horizontal, postes, pórticos?). Tratase de empreitada de construção civil, fornecendo o empreiteiro os materiais indispensáveis à execução da obra, sendo eles incorporados à obra. Já quanto aos serviços de locação e operação de equipamentos (notas fiscais nº de ordem 37 a 72, do Anexo I, do Termo de Verificação Fiscal), não se enquadram na conceituação de construção por empreitada, pois a locação de bens não é obra civil. Locação de bens é mera prestação de serviço, estando correto, no ponto, o trabalho fiscal. E seguiu assim quanto à análise dos demais contratos e editais. Razão pela qual entendo não haver reparo na decisão recorrida. Face ao exposto, voto pelo não provimento de ambos os Recursos. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 4120DF CARF MF Processo nº 13896.722139/201264 Acórdão n.º 1401002.283 S1C4T1 Fl. 4.115 13 Fl. 4121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10111.721404/2014-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem da RFB colacione aos autos os documentos comprobatórios de ciência dos responsáveis solidários que impugnaram o auto de infração ou, caso ainda não tenham sido cientificados do acórdão de primeiro grau, que proceda as devidas ciências de todos os responsáveis solidários.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem da RFB colacione aos autos os documentos comprobatórios de ciência dos responsáveis solidários que impugnaram o auto de infração ou, caso ainda não tenham sido cientificados do acórdão de primeiro grau, que proceda as devidas ciências de todos os responsáveis solidários. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus.
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem da RFB colacione aos autos os documentos comprobatórios de ciência dos responsáveis solidários que impugnaram o auto de infração ou, caso ainda não tenham sido cientificados do acórdão de primeiro grau, que proceda as devidas ciências de todos os responsáveis solidários. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos adotase o relatório contido no acórdão recorrido, que seque transcrito: Tratase de auto no valor total de R$ 5.634.631,03, para lançamento da multa de 100% do valor aduaneiro das operações de importação realizadas por meio das DI listadas as fls. 121/122, em razão de as mercadorias sujeitas a pena de perdimento, pela prática de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 11 .7 21 40 4/ 20 14 -4 1 Fl. 2715DF CARF MF Processo nº 10111.721404/201441 Resolução nº 3302000.718 S3C3T2 Fl. 2.716 2 interposição fraudulenta, terem sido consumidas ou revendidas ou não localizadas. Foram arrolados como solidários a MOMENTO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA EPP e seu sócio JOÃO CARLOS ANGELINI, e o sócio da POSONIC, YAN CHI FOR, conforme Termos de Sujeição Passiva Solidária lavrados as fls. 130 a 135. A auditoria fiscal traz as seguintes informações em seu relatório: Em 06/03/2012, compareceram na sede do estabelecimento matriz da empresa Momento Comércio e Representação Ltda. (SHCN, CL Quadra 213, Bloco B 22 Sala 217 – Asa Norte – Brasília – DF), com o objetivo de cientificar os responsáveis acerca do início dos procedimentos de fiscalização, sendo recebidos pelo Sr. João Carlos Angelini, sócio administrador da empresa, que franqueou o estabelecimento à fiscalização. Que da analise dos contratos celebrados e obtidos juntamente a Momento, verificou a existência de 06 grandes clientes, no período de 2008 a 2012, estando entre eles a Posonic do Brasil Ltda. Que os contratos têm datas anteriores às datas de registro das respectivas Declarações de Importação (DI) e os bens constantes destas DI são quase sempre repassados integralmente para cada um dos clientes previamente contratados, por meio de emissão de notas fiscais (NF) em datas bastante próximas ou até mesmo anteriores ao desembaraço da DI e, geralmente, com baixa agregação de valor, em concordância com o montante acordado nesses contratos. Que a empresa declara não possuir estoques e nem depósito físico para armazenamento das mercadorias. Que todas as DI da empresa Momento foram registradas como importações próprias, sem constar qualquer informação acerca de seus reais adquirentes, como estabelece a legislação aduaneira. Que diante dos fatos e documentos analisados, iniciouse fiscalização na empresa POSONIC, a qual não. Que a empresa Momento já havia firmado 26 contratos com a Posonic no período de abril de 2010 a junho de 2011, no valor total de R$ 11.161.077,94 (fl s. 41), previamente a sua habilitação na modalidade ordinário em 12/07/2011. Que a empresa POSONIC Security Systems Intl Ltd figura como exportador em algumas DI da empresa Momento que tiveram seus produtos repassados em seguida a POSONIC DO BRASIL. Detalha assim a fiscalização o seu quadro probatório, DI a DI, as fls. 43/106, a fim de demonstrar as operações de revenda de mercadorias da Momento para a POSONIC, os registros contábeis e os adiantamentos efetuados por esta última. Apresenta a fiscalização a legislação em que se fundamenta e informa a lista dos documentos e outros elementos de prova juntados aos autos (fls. 129). Fl. 2716DF CARF MF Processo nº 10111.721404/201441 Resolução nº 3302000.718 S3C3T2 Fl. 2.717 3 A POSONIC pugna, apresentando elementos de ordem legal, doutrinária e jurisprudencial, alegando (fls 2.235/2.257): da impossibilidade jurídica de sua responsabilização principal na infração de interposição fraudulenta, pois não seria o importador; da inexistência de solidariedade do sócio; da inexistência de interposição decorrente de sua boa fé como adquirente das mercadorias; da não ocorrência de dano ao erário público, fraude ou simulação; da necessidade de comprovação do dano efetivo no caso de interposição fraudulenta; da aplicação ao caso em epígrafe exclusivamente da multa de 10% do art. 33 da lei nº 11.488/2007, aos invés da multa de 100% relativa ao perdimento. Apresenta ainda cópia de contrato assinado entre a POSONIC e a MOMENTO, de fornecimento de equipamentos similares aos importados por meio das DI deste auto, assinado em 04/01/2011. A MOMENTO e seu sócio JOÃO CARLOS ANGELINI pugnam apresentando elementos de ordem legal, doutrinária e jurisprudencial, alegando (fls 2.282/2.335): Em sede de preliminar pela insubsistência da lavratura do termo de sujeição passiva solidária, pela não aplicação da solidariedade do Código Tributário Nacional ao seu caso, pois os autos não tratam de tributos, mas de penalidade e pela aplicação ao caso em epígrafe exclusivamente da multa de 10% do art. 33 da lei nº 11.488/2007. Aduz que o sócio não pode ser responsabilizado, pois não há provas nos autos de que tenha praticado a infração ou contribuído para sua prática. No mérito apresenta argumentos que se resumem a defender sua tese, conforme exposto no item 38 da pugna (fls. 2.295) de que: Além disso, alega ausência de dolo nas operações realizadas, a regularidade da empresa e de seus negócios, sua capacidade econômicofinanceira, não sendo portanto “de fachada” e que foi verificada a origem, disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior. Fl. 2717DF CARF MF Processo nº 10111.721404/201441 Resolução nº 3302000.718 S3C3T2 Fl. 2.718 4 Traz também à tona o contrato comercial, que cita como negócio jurídico regular e legal, celebrado entre a MOMENTO e a POSONIC para fornecimento de equipamentos. Alega a não comprovação da “interposição fraudulenta”, ou seja, ausência de materialidade de provas quanto a prática da infração. Alega ainda, não ocorrência de dano ao erário público, fraude ou simulação. Informa que o baixo valor agregado da revenda, alegado pela fiscalização, justificase diante do benefício fiscal relativo ao ICMS, conforme declaração sua as fls. 2.327. Apresenta planilha (fls. 2.329) pela qual pretende provar que a fiscalização não considerou os tributos incidentes no momento de alegar o baixo valor agregado da revenda. Atesta que foram celebrados os contratos anteriores as importações, contudo apresenta argumentos pelos quais pretende provar a sua legalidade e regularidade diante da legislação em vigor. Resume assim seus pedidos: ilegitimidade passiva na penalidade aplicada; inaplicabilidade da responsabilização prevista no CTN, por não se tratar de tributo; ausência de fundamentação ou motivação legal na autuação; e improcedência da autuação, por ausência da prática de “interposição fraudulenta” nas operações realizadas. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 2635/2647), em que, por unanimidade de votos, as impugnações foram julgadas improcedentes, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/05/2010 a 22/07/2011 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário. A pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente. IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, bem como a prática de interposição fraudulenta, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Fl. 2718DF CARF MF Processo nº 10111.721404/201441 Resolução nº 3302000.718 S3C3T2 Fl. 2.719 5 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 16/3/2015, a autuada POSONIC DO BRASIL LTDA. foi cientificada da decisão (fl. 2649). Inconformada, em 31/3/2015, protocolou o recurso voluntário de fls. 2665/2697, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Os presentes recursos voluntários não se encontra em condições de ser julgado, pois, não há provas nos autos, de que todas as pessoas arroladas no polo passivo da autuação e que apresentaram impugnação foram cientificadas da decisão recorrida. Sabese que, no caso de pluralidade de sujeitos passivos, todos deverão ser cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, conforme determina o art. 56, § 3º, do Decreto 7.574/2011, que segue transcrito: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). [...] § 3º No caso de pluralidade de sujeitos passivos, caracterizados na formalização da exigência, todos deverão ser cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. [...] Ainda no caso de pluralidade de sujeitos passivos, de modo geral, todos os impugnantes ou manifestantes deverão ser cientificados dos atos decisórios prolatados no processo, com abertura de prazo para cada um deles apresentar defesa, se esta for admitida, sob pena grave prejuízo ao direito de defesa. Quanto à necessidade/obrigatoriedade de ciência a todos os sujeitos passivos do resultado do julgamento de primeiro grau, embora não haja previsão expressa no referido Decreto, bem como no Decreto 70.235/1972, a leitura combinada dos arts. 311 e 332 deste último Decreto revela que uma das finalidades precípuas dessa providência é proporcionar ao sujeito passivo impugnante ou manifestante a oportunidade de apresentação perante este 1 "Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)" 2 "Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão." Fl. 2719DF CARF MF Processo nº 10111.721404/201441 Resolução nº 3302000.718 S3C3T2 Fl. 2.720 6 Conselho, no prazo de trinta dias, de recurso voluntário contra a decisão que lhe tenha sido desfavorável. Assim, a falta de intimação ou ciência de um ou de alguns dos impugnantes ou manifestantes do resultado do julgamento de primeiro grau, configura grave irregularidade processual, com evidente prejuízo ao direito de defesa das pessoas impugnantes ou manifestantes não cientificadas, que, uma vez constatada, deve ser prontamente sanada, consoante expressa determinação do art. 60 do Decreto 70.235/1972, que segue transcrito: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. No caso em tela, além da autuada POSONIC, impugnaram a exigência fiscal os responsáveis solidários: MOMENTO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA EPP e seu sócio, o Sr. JOÃO CARLOS ANGELINI. Entretanto, após compulsar os autos, este Relator não localizou os documentos comprobatórios das ciências do acórdão de primeira instância aos responsáveis solidários, MOMENTO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA EPP e seu sócio, o Sr. JOÃO CARLOS ANGELINI, que impugnaram a autuação. Por todo o exposto, para fim de sanar a referida irregularidade, com respaldo no art. 60 do Decreto 70.235/1972, votase pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a unidade de origem da RFB colacione aos autos os documentos comprobatórios de ciência dos responsáveis solidários MOMENTO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA EPP e seu sócio, o Sr. JOÃO CARLOS ANGELINI, caso ainda não tenham sido cientificados do acórdão de primeiro grau, que proceda as devidas ciências de todos eles. Após, retornem os autos a este Colegiado, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 2720DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.720087/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008
REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. REQUISITOS FORMAIS.
O aproveitamento de crédito de Pis e Cofins, no regime não cumulativo, em períodos posteriores ao de competência, é permitido pelo §4º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008
LANÇAMENTO. PROVA.
Aquiescendo as partes quanto à parcela de créditos comprovada, conforme trabalho fiscal em sede de diligência, acata-se seu resultado.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
Ausentes os pressupostos de dolo, a multa de ofício deve ser reduzida para 75%. Não cabe a apreciação do caráter confiscatório das multas legalmente previstas, nos termos da Súmula Carf nº 2.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3201-003.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. REQUISITOS FORMAIS. O aproveitamento de crédito de Pis e Cofins, no regime não cumulativo, em períodos posteriores ao de competência, é permitido pelo §4º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008 LANÇAMENTO. PROVA. Aquiescendo as partes quanto à parcela de créditos comprovada, conforme trabalho fiscal em sede de diligência, acata-se seu resultado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Ausentes os pressupostos de dolo, a multa de ofício deve ser reduzida para 75%. Não cabe a apreciação do caráter confiscatório das multas legalmente previstas, nos termos da Súmula Carf nº 2. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. REQUISITOS FORMAIS. O aproveitamento de crédito de Pis e Cofins, no regime não cumulativo, em períodos posteriores ao de competência, é permitido pelo §4º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008 LANÇAMENTO. PROVA. Aquiescendo as partes quanto à parcela de créditos comprovada, conforme trabalho fiscal em sede de diligência, acatase seu resultado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Ausentes os pressupostos de dolo, a multa de ofício deve ser reduzida para 75%. Não cabe a apreciação do caráter confiscatório das multas legalmente previstas, nos termos da Súmula Carf nº 2. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 00 87 /2 01 2- 10 Fl. 1294DF CARF MF 2 Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade. Relatório Reproduzo relatório de primeira instância: Trata o presente processo de Auto de Infração (AI) por falta/insuficiência das Contribuições para o PIS/Pasep, no valor de R$ 204.204,69, do período de 01/01/2008 a 31/10/2008, acrescido de multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) e juros de mora. Conforme o Termo de Verificação Fiscal constante dos autos, os valores inseridos nos DACON (Demonstrativo de Apuração das Contribuições para o PIS/Cofins) referentes aos meses de janeiro a dezembro de 2008, reduziram indevidamente a zero o valor da Cofins a recolher em 2008. Não obstante as intimações emitidas para a contribuinte em epígrafe, os seguintes créditos não foram comprovados através de documentos hábeis e idôneos: Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 10932.720087/201210 Acórdão n.º 3201003.398 S3C2T1 Fl. 1.294 3 Desta forma, foram glosados os créditos não comprovados e inseridos no Dacondos períodos de apuração do ano de 2008 e tipificado o crime contra a ordem tributária, conforme inciso II do artigo 1º. da Lei nº. 8.137/90. A multa de ofício imposta foi a de 150%, descrito no artigo 44, inciso I, parágrafo 1º. da Lei nº. 9.430/96. Na impugnação, a contribuinte alega ter atendido a todas as notificações que lhe foram encaminhadas, entregando todos os documentos solicitados, sem embaraço à fiscalização. Lista a série de documentos apresentados relativos ao ano de 2008, conforme as respectivas datas de apresentação (fls. 4/5 da Impugnação) e aduz trazer em anexo declaração da funcionária responsável pela entrega de documentos à fiscalização, atestando que todas as solicitações foram atendidas, sendo que, em algumas oportunidades, o recibo de entrega de documentos não foi protocolado. Na seqüência, remete às Leis nº. 10.637/2002 e 10.833/2003, em especial ao art. 3º., para salientar ser possível a alteração dos créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins, descontados em período pretérito, desde que não decorrido o prazo de cinco anos da ocorrência do fato que gerou o direito ao crédito. Remete à regra originada no art. 1º. do Decreto Federal nº. 30.910/32 e transcreve a Solução de Divergência COSIT nº. 21 de 22/08/2011 da RFB. Alega que o fenômeno da apropriação de créditos extemporâneos das contribuições ao PIS e a Cofins não pressupõe a retificação de obrigações acessórias e tampouco a observância do princípio jurídicocontábil da competência. Sustenta que apurou créditos de PIS/Cofins que não foram objeto de desconto, conforme permitido pelo art. 3º. das Leis nº. 10637/2002 e 10833/2003, relativos a arrendamento mercantil, energia elétrica, importações, estoque de abertura (2003 e 2004) e máquinas importadas. No que tange à comprovação do crédito apurado, diz ter juntado aos autos os seguintes documentos, conforme os créditos: Arrendamento Mercantil – Planilha e Cópia do Livro Diário; Energia Elétrica: planilha e contas de energia elétrica de janeiro de 2003 a dezembro de 2007; Importações: Planilha e Cópia do Livro Diário e Notas Fiscais; Estoque de Abertura – 2003 e 2004; Planilha e Cópia do Livro Diário; Depreciação – 2004: Planilha e Cópia do Livro Diário; Máquinas Importadas: Planilha e Cópia das Notas Fiscais. Fl. 1296DF CARF MF 4 Ressalta que, na hipótese remota de manutenção do lançamento após os esclarecimentos e documentos anexados, que a mera falta de recolhimento de tributo quando o contribuinte possui a sua receita escriturada não configura dolo no intuito de suprimir tributo, impedindo que o fisco tome conhecimento do fato gerador tributável. Ainda, que a hipótese prevista no art. 44, II, da Lei nº. 9.430/96 deve ser interpretada restritivamente e aplicada somente nos casos de fraude, em que tenha ficado demonstrado pelo fisco o dolo, instruído o processo com documentos que comprovem a acusação. Neste sentido, cita decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf. Sustenta que, mesmo que afastado o dolo e reduzida a multa ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do art. 44, II, da Lei nº. 9.430/96, esta multa isolada tem evidente caráter confiscatório, vedado pelo inciso IV, do art. 150 da Constituição Federal, em afronta às garantias dispostas no inciso XXII da Magna Carta. Cita jurisprudência dos tribunais e doutrina sobre o tema. Por fim, requer a anulação do auto de infração ou, alternativamente, a anulação da multa agravada de 150% ou mesmo sua redução, em vista da inexistência de dolo, fraude ou simulação. A DRJ/Florianópolis/SC – 4ª Turma, por meio do Acórdão 0732.216, de 9/08/2013, decidiu pela improcedência da Impugnação, mantendo integralmente o lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008 PROCESSO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL. LIMITES À COGNIÇÃO As provas passíveis de serem conhecidas na impugnação do sujeito passivo são aquelas destinadas a contraditar, de forma individualizada e específica, a análise já efetuada pelo fisco, pelo que não é lícito examinar, em sede de impugnação, os mesmos documentos ou outros que, sem razão justificável, a impugnante subtraiu à apreciação da autoridade fiscal. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. TRATAMENTO DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. No regime da nãocumulatividade, a repetição/compensação de créditos não aproveitados à época própria (créditos extemporâneos) deve ser precedida da revisão da apuração confronto entre créditos e débitos do período a que pertencem tais créditos. Assim, os créditos extemporâneos devem ser pleiteados em procedimentos repetitórios referentes aos períodos específicos a que pertencem. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008 Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 10932.720087/201210 Acórdão n.º 3201003.398 S3C2T1 Fl. 1.295 5 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008 MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. É aplicável a multa de 150% no caso em que ficar caracterizada a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido e evitar ou diferir o seu pagamento. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. A empresa, então, interpôs o Recurso Voluntário onde reitera as razões de defesa da Impugnação. Acrescenta pedido de nulidade da decisão recorrida, porque não teria apreciado as provas, cerceando seu direito de defesa. Apela, ainda, ao princípio da verdade material. Em 27/11/2013 o processo foi julgado no Carf, que o converteu em diligência, para que : a) Apuremse os créditos a que faz jus o contribuinte, ora recorrente, com apoio na documentação acostada aos autos até o momento processual da impugnação (inclusive), ou outras mais que a autoridade diligenciante julgar conveniente intimar o autuado a apresentar; b) Repercutase essa apuração no lançamento ora sub judice, em parecer circunstanciado; c) Abrase o prazo regulamentar para que o autuado, querendo, se manifeste sobre esse parecer; d) Devolvase o processo a esta 3ªTO/4ªC/3ªS/CARF, para julgamento do RV. Às fls. 1.277 a 1.284 Consta o Relatório Fiscal de diligência, atestando a idoneidade das comprovações documentais trazidas na Impugnação, o que reduziu subtancialmente o lançamento. A empresa foi cientificada do relatório e não se manifestou. Fl. 1298DF CARF MF 6 É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria de competência desta Turma e deve ser conhecido. Preliminar de nulidade da decisão recorrida A recorrente pede a nulidade da decisão recorrida porque não teria apreciado as provas trazidas na impugnação, e com isso, cerceado seu direito de defesa. Com efeito, a decisão recorrida não enfrenta o mérito das provas documentais trazidas na impugnação, todavia, o faz pelo motivo de não reconhecer o direito a crédito extemporâneo, e porque a recorrente não teria especificado com detalhe cada prova a cada crédito, entendendo ser este ônus seu. Desse modo, segundo sua interpretação, a análise das provas seria prescindível. A necessidade de diligência ou perícia é matéria de apreciação do colegiado, nos termos dos arts. 18 e 29 do PAF: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (ressaltei) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Se a decisão recorrida, no exercício do seu mister, entendeu que a análise das provas seria prescindível, a divergência dessa tese pode ser contestada em Recurso Voluntário, como matéria de mérito, mas não como preliminar de nulidade, porque não houve omissão da decisão recorrida, mas interpretação da legislação. Desse modo, afasto a preliminar argüida. Mérito 1 – Direito de aproveitamento de créditos extemporâneos As leis que tratam do ressarcimento/compensação de Pis e Cofins sempre se referem ao saldo credor acumulado no trimestre, por exemplo, art. 5º, §2º da Lei 10.637/20021 e art. 6º, §2º da Lei 10.833/20032, além do caput do art. 16 da Lei 11.116/20053. 1 § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 10932.720087/201210 Acórdão n.º 3201003.398 S3C2T1 Fl. 1.296 7 No entanto, não há, nesses dispositivos, qualquer vedação a que créditos extemporâneos, não utilizados no período de competência, possam ser apropriados em período posterior, compondo o saldo credor desse trimestre posterior. Com efeito, o §4º do artigo 3º das Leis 10/637/2002 e 10.833/20034 permite essa compreensão. Na expressão do §4º, não há limitação de trimestre. O que se entende dessa legislação é que o pedido de ressarcimento deve ser trimestral, o que veda o pedido mensal ou anual. Mas nada impede que, num determinado trimestre, seja apropriado crédito de período anterior não aproveitado. Tal circunstância não causa nenhum prejuízo à Fazenda, posto que não há atualização financeira do crédito aproveitado tardiamente. Para além das vedações materiais do crédito – sua natureza legal para fins de direito de creditamento e respectivas comprovações as vedações procedimentais para o crédito extemporâneo, são de que não sejam aproveitados em duplicidade, o que deve ser foco do trabalho fiscal, que se respeitem o prazo prescricional, e sejam formulados em PER/DCOMP. Observo que nem mesmo as instruções normativas da Receita Federal expressam a exigência de que o crédito extemporâneo deva ser objeto de PER/DCOMP do próprio período de competência. O comando do §9º da IN 600/2005, já transcrito, é de que o pedido se vincule ao saldo do trimestre, não vedando que o saldo do trimestre contenha créditos anteriores ao trimestre, não registrados por equívoco. O que vejo, nas exigências normativas, são de que o pedido seja trimestral, como é formatado o próprio programa gerador do PER/DCOMP. No mesmo sentido, cito precedentes do Carf: 3302002.674, 3403001.935, 3401001.577, e 9303004.562. 2 – Comprovação dos créditos Sem maiores considerações, tendo em vista que o relatório fiscal reconheceu as provas trazidas, e seu resultado foi cientificado ao contribuinte sem que ele se manifestasse, acato o resultado da diligência. 2 § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. 3 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. 4 § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Fl. 1300DF CARF MF 8 3 – Qualificação da multa de ofício A multa de ofício aplicada foi de 150%, porque o autuante entendeu não comprovados quaisquer dos créditos intimados, o que o induzia a acreditar que fossem fictícios. Não obstante, em sede de Impugnação foram trazidas provas documentais, que foram acatadas no relatório de diligência que as apreciou. Assim, entendo afastado o motivo que ensejou a consideração do dolo, razão pela qual afasto a qualificação da multa. Quanto ao caráter confiscatório da multa aplicada, ainda que em percentual normal de 75%, conforme alegado pela recorrente, não há como lhe dar razão, porque tal percentual é aplicado nos casos de erro, sem dolo, sempre que reste valor não recolhido. Assim, não cabe às turmas do Carf afastar a multa de ofício legalmente prevista, cf. art. 44 da Lei 9.430/96, por invocação de princípios constitucionais, nos termos da Súmula Carf nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar o impedimento do aproveitamento de créditos extemporâneos; para permitir os créditos comprovados conforme o resultado da diligência fiscal e reduzir a multa de ofício para 75%. Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 1301DF CARF MF
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