Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,276)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,062)
- Primeira Turma Ordinária (16,046)
- Primeira Turma Ordinária (16,020)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,352)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,404)
- Quarta Câmara (84,620)
- Terceira Câmara (67,201)
- Segunda Câmara (55,443)
- Primeira Câmara (19,959)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,825)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,384)
- Segunda Seção de Julgamen (114,111)
- Primeira Seção de Julgame (76,334)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,957)
- Câmara Superior de Recurs (37,862)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,405)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,749)
- HELCIO LAFETA REIS (3,622)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,724)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,481)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 13227.901051/2012-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/07/2004
DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO
O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza.
Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.155
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/07/2004 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13227.901051/2012-90
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5850880
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.155
nome_arquivo_s : Decisao_13227901051201290.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE HENRIQUE MAURI
nome_arquivo_pdf_s : 13227901051201290_5850880.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
id : 7195698
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007499702272
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1343; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13227.901051/201290 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301004.155 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2018 Matéria PERDCOMP. PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente IRMÃOS GONCALVES COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/07/2004 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 10 51 /2 01 2- 90 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13227.901051/201290 Acórdão n.º 3301004.155 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF JIPARANÁ emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório. A empresa apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: · vende mercadorias também para clientes estabelecidos na Zona Franca de Manaus, saídas estas sujeitas à alíquota zero para incidência de PIS e Cofins por força da norma prescrita no artigo 2º da Lei 10.996, de 2004; · refez sua apuração de PIS e Cofins em face da tributação indevida de receita tributada à alíquota zero e apurou novos valores de débitos, todos demonstrado em DACON Retificador, de forma que os valores recolhidos e declarado sua DCTF à época revelaramse maiores que os efetivamente devidos; · não efetuou a retificação das DCTFs para que ficasse também demonstrado nela o pagamento efetivamente efetuado. A DRJ em Juiz de Fora (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 09054.489. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repisa os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e, com o fito de comprovar o direito ao crédito, derivado de pagamento indevido de PIS e COFINS sobre receitas com vendas de mercadorias para a Zona franca de Manaus, carreia aos autos cópias da parte do Livro de Apuração do ICMS destinada às saídas de mercadorias e indica que foram escrituradas sob o CFOP 6109. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13227.901051/201290 Acórdão n.º 3301004.155 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.146, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 13227.901042/201207, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.146): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A recorrente alega que o crédito objeto do Pedido de Restituição (PER) deriva de pagamentos indevidos de PIS sobre vendas para a Zona Franca de Manaus, cuja alíquota se encontrava reduzida a zero (art. 2° da Lei n° 10.996/04). Confessa que, realmente, não retificou a DCTF, para reduzir o valor do débito declarado a maior. Porém, informa que retificou o DACON, onde a apuração estaria demonstrada. Aduz que o DACON encontrase no banco de dados do Fisco, por onde pode ser consultado. E traz cópias da parte do Livro de Apuração do ICMS destinada às saídas de mercadorias e indica que foram escrituradas sob o CFOP 6109 ("Venda de produção do estabelecimento, destinada à Zona Franca de Manaus ou Áreas de Livre Comércio"). Em despacho Eletrônico (fl.05), a unidade de origem indeferiu o PER, sob a alegação de que está vinculado a débito devidamente declarado em DCTF. A DRJ ratificou este argumento e frizou que o DACON é um mero informativo, sendo a DCTF o instrumento de formalização do lançamento. Que o contribuinte, diante do erro em seu preenchimento, deveria têlo retificado. Conclui pela improcedência do PER, destacando que a peça de defesa não trouxe demonstração da apuração do crédito, lastreada em documentação hábil. O art. 165 do CTN dispõe que o contribuinte tem direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, o ônus de provar a liquidez e certeza do direito incumbe àquele que alega detêlo (art. 333 do antigo Código de Processo Civil CPC, em vigor nas datas da apuração do crédito e da emissão do Despacho Decisório, e reproduzido pelo art. 373 do Novo CPC). O fato de a DCTF não ter sido retificada, por si só, definitivamente, não teria o condão de elidir o direito ao crédito garantido pelo art. 165 do CTN. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13227.901051/201290 Acórdão n.º 3301004.155 S3C3T1 Fl. 5 4 Todavia, para que pudéssemos reconhecêlo, a recorrente deveria ter carreado aos autos demonstrativo da apuração do PIS, devidamente conciliada com os livros contábeis, e, ao menos, significativa amostra das notas fiscais das vendas que alega terem sido realizadas sob o amparo do benefício de redução a zero da alíquota. Ainda que se encontrasse disponível nos autos o DACON, este informativo, combinado com as cópias do livro de Apuração do ICMS, não se me afigurariam como suficientes para comprovação do crédito. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Assim, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13864.720066/2016-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DEFESA. VÍCIO PROCESSUAL. SUPRIMENTO.
A apresentação espontânea do Recurso Voluntário pelos responsáveis solidários, não intimados do Acórdão de primeira instância, com demonstração de pleno conhecimento do teor daquela decisão, ausência de invocação de prejuízo e contendo exaustiva defesa, supre o vício processual.
NULIDADE. CAUSA NÃO PRESENTE.
Não constatada preterição ao direito à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal do contribuinte e tendo sido lavrado por autoridade competente o Auto de Infração, não se cogita de possibilidade capaz de nulificar o lançamento, conforme previsto no art. 59 do Decreto nº 70.235/72.
INOVAÇÃO NOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO PELAS AUTORIDADES JULGADORAS. IMPOSSIBILIDADE.
Às autoridades julgadoras de primeira instância não compete o aprimoramento do lançamento realizado. A adoção de critérios novos para a manutenção do lançamento, em conteúdo diverso daquele inicialmente utilizado, importa em efetiva nulidade da atuação das autoridades julgadoras.
Numero da decisão: 1302-002.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher as preliminares de nulidade parcial da decisão de primeiro grau, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DEFESA. VÍCIO PROCESSUAL. SUPRIMENTO. A apresentação espontânea do Recurso Voluntário pelos responsáveis solidários, não intimados do Acórdão de primeira instância, com demonstração de pleno conhecimento do teor daquela decisão, ausência de invocação de prejuízo e contendo exaustiva defesa, supre o vício processual. NULIDADE. CAUSA NÃO PRESENTE. Não constatada preterição ao direito à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal do contribuinte e tendo sido lavrado por autoridade competente o Auto de Infração, não se cogita de possibilidade capaz de nulificar o lançamento, conforme previsto no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. INOVAÇÃO NOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO PELAS AUTORIDADES JULGADORAS. IMPOSSIBILIDADE. Às autoridades julgadoras de primeira instância não compete o aprimoramento do lançamento realizado. A adoção de critérios novos para a manutenção do lançamento, em conteúdo diverso daquele inicialmente utilizado, importa em efetiva nulidade da atuação das autoridades julgadoras.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13864.720066/2016-77
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5854480
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-002.627
nome_arquivo_s : Decisao_13864720066201677.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
nome_arquivo_pdf_s : 13864720066201677_5854480.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher as preliminares de nulidade parcial da decisão de primeiro grau, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7234143
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007505993728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1883; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 845 1 844 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13864.720066/201677 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.267 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2018 Matéria NULIDADE INOVAÇÃO NO JULGAMENTO Recorrente RIGIS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DEFESA. VÍCIO PROCESSUAL. SUPRIMENTO. A apresentação espontânea do Recurso Voluntário pelos responsáveis solidários, não intimados do Acórdão de primeira instância, com demonstração de pleno conhecimento do teor daquela decisão, ausência de invocação de prejuízo e contendo exaustiva defesa, supre o vício processual. NULIDADE. CAUSA NÃO PRESENTE. Não constatada preterição ao direito à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal do contribuinte e tendo sido lavrado por autoridade competente o Auto de Infração, não se cogita de possibilidade capaz de nulificar o lançamento, conforme previsto no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. INOVAÇÃO NOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO PELAS AUTORIDADES JULGADORAS. IMPOSSIBILIDADE. Às autoridades julgadoras de primeira instância não compete o aprimoramento do lançamento realizado. A adoção de critérios novos para a manutenção do lançamento, em conteúdo diverso daquele inicialmente utilizado, importa em efetiva nulidade da atuação das autoridades julgadoras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher as preliminares de nulidade parcial da decisão de primeiro grau, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 00 66 /2 01 6- 77 Fl. 845DF CARF MF Processo nº 13864.720066/201677 Acórdão n.º 1302002.267 S1C3T2 Fl. 846 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em relação ao Acórdão nº 06 57.298, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (fls. 711 a 749), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 NULIDADE. CAUSA NÃO PRESENTE. Não constatada preterição ao direito à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal do contribuinte e tendo sido lavrado por autoridade competente o Auto de Infração, não se cogita de possibilidade capaz de nulificar o lançamento, conforme previsto no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO. Nos termos do que dispõe o Processo Administrativo Fiscal, a juntada de documentos deverá ser feita por ocasião da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em momento posterior, salvo nos casos expressamente previstos no PAF. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. DECRETO N° 2.471/1988. NÃO APLICAÇÃO PARA FATOS POSTERIORES À EDIÇÃO DA LEI N ° 9.430/96. Fl. 846DF CARF MF Processo nº 13864.720066/201677 Acórdão n.º 1302002.267 S1C3T2 Fl. 847 3 O comando do art. 9°, VII do Decretolei n° 2.471/1988, que afasta o imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários, não se aplica aos lançamentos efetuados com base na presunção legal de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei no 9.430/1996. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. O decidido quanto à infração que além de implicar o lançamento de IRPJ provoca os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (Pis), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. MANDATÁRIO. DIRETOR. Atribuise a responsabilidade tributária, nos termos do art. 135, incisos II e III do CTN, ao mandatário e aos diretores, responsáveis pela administração e gerência, uma vez comprovado o cometimento de infração à lei. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É cabível a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%, quando restar comprovado, nos autos, que o sujeito passivo adotou condutas que constituem a sonegação e o conluio, como definido em lei. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. RAZOABILIDADE. PROPORCIONALIDADE. Os princípios constitucionais da proporcionalidade, razoabilidade e vedação ao confisco são dirigidos ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. SUBSTITUIÇÃO POR MULTA DE 20%. IMPOSSIBILIDADE. Os percentuais da multa de ofício, exigível em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, descabendo a substituição por multa em patamar diverso (20%)." O lançamento de que tratam os presentes autos (fls. 03 a 43) foi realizado para exigência de IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Contribuição para o PIS/Pasep, relativos ao anocalendário de 2011, importando no montante de R$ 15.819.541,82 (valores de juros de mora calculados até 05/2016). Fl. 847DF CARF MF Processo nº 13864.720066/201677 Acórdão n.º 1302002.267 S1C3T2 Fl. 848 4 O IRPJ foi apurado sobre o Lucro Arbitrado, tendo em vista que não foi apresentada a escrituração contábil e fiscal, conforme art. 530, inciso III, do CTN. Foram apuradas as infrações de omissão de receitas por presunção legal, referentes a depósitos bancários cuja origem dos recursos não foi comprovada; e omissão de receitas não operacionais, relativas a ganho de capital na alienação de imóvel. Foi atribuída responsabilidade tributária pelos créditos constituídos, com base no art. 135, inciso II, do CTN a BENEDITO BENTO FILHO, que seria o sócioadministrador de fato da pessoa jurídica, e, com base no art. 135, inciso III, do CTN a RICARDO ALVES BENTO e GISLAINE JEANNE ALVES BENTO, sóciosadministradores de direito da pessoa jurídica. O lançamento de ofício foi realizado com multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, conforme art. 44, inciso I, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, por se entender presentes as práticas de sonegação e conluio, conforme descritas pelos arts. 71 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Regularmente intimados, o sujeito passivo principal e os responsáveis tributários apresentaram Impugnação conjunta (fls. 565 a 596), por meio da qual: a) sustentam, preliminarmente, a nulidade dos Autos de Infração por cerceamento do direito de defesa, configurado na dificuldade imposta pela autoridade fiscal responsável pelo lançamento, no manejo e análise dos documentos que instruíram a fiscalização, tendo em vista o bloqueio da possibilidade de impressão dos arquivos, a ausência de digitalização dos documentos em um só arquivo e a ausência de numeração das folhas dos referidos documentos, que não foram organizados em ordem cronológica; b) na mesma preliminar, entendem violados, ainda, os princípios constitucionais do Contraditório e da Ampla Defesa e da Eficiência da Administração Pública; c) no mérito, alegam equívoco na autuação, ao se considerar o resultado da alienação de imóvel de propriedade da RIGS, destinado à venda, como receita não operacional, uma vez que esta pessoa jurídica tem por objeto social a compra e venda de imóveis, de modo que se trataria de receita operacional, integrante, portanto da receita bruta sujeita à apuração do IRPJ com base no Lucro Presumido; d) em relação à infração relativa a omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, argumentam que a autuação foi feita sem comprovação do "nexo causal entre cada depósito e o fato que represente referida omissão", baseada, portanto, apenas em extratos bancários, o que seria vedado pelo DecretoLei nº 2.471, de 1º de setembro de 1988, e pela Súmula nº 182 do Tribunal Federal de Recursos, conforme jurisprudência do CARF; e) em relação à mesma infração, alegam, ainda, que todos os depósitos estão devidamente comprovados, conforme Livros Diário e Razão referentes ao anocalendário de 2011; f) entendem indevida a responsabilização de BENEDITO BENTO FILHO, GISLAINE JEANNE ALVES BENTO e RICARDO ALVES BENTO, sustentando que esses dois últimos são, de fato, os sóciosadministradores da RIGS e que os valores pagos aos Fl. 848DF CARF MF Processo nº 13864.720066/201677 Acórdão n.º 1302002.267 S1C3T2 Fl. 849 5 primeiro responsável não constituem desfalque no patrimônio da pessoa jurídica, mas pagamento parcial de dívida desta com o Sr. BENEDITO, seu exsócio; g) afirmam, assim, não haver o dolo necessário à incidência do art. 135 do CTN; h) quanto à qualificação da multa de ofício, asseveram que não teria havido a obrigatória comprovação de dolo e da consumação da sonegação e conluio alegados, conforme exigida pelas Súmulas CARF Nº 14 e 25 e jurisprudência do CARF; i) por fim, alegam que a aplicação da multa qualificada no percentual de 150% possui caráter confiscatório, violando os arts. 150, inciso IV, e 145, §1º, da Constituição Federal, este último relativo ao Princípio da Capacidade Contributiva. A decisão de primeira instância (fls. 711 a 749) entendeu não proceder a preliminar de cerceamento de direito de defesa, posto que o processo se encontra organizado em ordem cronológica, regularmente assinado e com a numeração das folhas. A par disso, a forma como estão apresentados os documentos, ao contrário do alegado, facilitam a procura e análise dos mesmos. Por fim, a defesa foi amplamente exercida pelos interessados, denotando total conhecimento das infrações apontadas. Quanto à infração relativa a omissão de receitas com ganho de capital, entenderam os julgadores correta a apuração do IRPJ sobre o Lucro Arbitrado e a consideração do resultado da alienação de imóvel como receita não operacional sujeita a ganho de capital, posto que a pessoa jurídica apresentou declaração de inatividade em relação ao anocalendário de 2011, não apresentou a sua escrituração contábil, não comprovou o exercício de qualquer atividade no referido período e, nem sequer, a sua efetiva existência. Em adição, o Livro Diário apresentado juntamente com a Impugnação não possui valor probatório, posto que não está devidamente registrado no órgão competente. No que diz respeito à infração de omissão de receitas relativa a depósitos bancários de origem não comprovada, foi mantida a autuação, uma vez que "a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda e reflexos não se deu pela mera constatação de um crédito bancário, considerado isoladamente, abstraída das circunstâncias fáticas. Pelo contrário, a caracterização está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários creditados e seu oferecimento à tributação, conforme dicção literal da lei.", baseandose em presunção legal relativa de omissão de receitas. Quanto à mesma infração, entendeu a DRJ que, sendo a Lei nº 9.430, de 1996, que embasou o lançamento, norma mais recente, prevalece sobre o DecretoLei nº 2.471, de 1988; e que a alegação de que os depósitos se referem a empréstimos recebidos de sócia e de procurador, meramente amparada em Livro Diário sem registro, mas desacompanhada de outros elementos comprobatórios não é suficiente para comprovar a origem dos recursos. A decisão recorrida manteve, ainda, a responsabilidade tributária atribuída a BENEDITO BENTO FILHO, GISLAINE JEANNE ALVES BENTO e RICARDO ALVES BENTO, por considerar comprovada as infrações às Leis nº 8.864, de 1994, e 8.981, de 1995, na condição de mandatário e sócios, respectivamente, da pessoa jurídica autuada. Finalmente, foi mantida a multa qualificada de 150%, já que se considerou que as condutas adotadas pela contribuinte constituem, de fato, sonegação e conluio. A decisão Fl. 849DF CARF MF Processo nº 13864.720066/201677 Acórdão n.º 1302002.267 S1C3T2 Fl. 850 6 entendeu, ainda, inaplicável o conceito de confisco e de ofensa aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade em relação à aplicação da multa de ofício. A decisão foi aplicada aos autos de infração reflexos, por decorrência. Por meio de Recurso Voluntário conjunto (fls. 760 a 800), o sujeito passivo principal e os responsáveis: a) repetem a alegação preliminar de cerceamento do direito de defesa, nos termos constantes da Impugnação, acrescentando que a forma de leitura disponível para os contribuintes é diversa daquela disponível para os julgadores, e que a numeração das folhas do processo teria ocorrido após o protocolo da Impugnação; b) alegam, ainda, que, após a intimação da decisão da DRJ, não foi possível o acesso ao processo digital e que tal processo não estava disponível, no portal eCAC, aos responsáveis tributários; c) em relação à omissão de receitas não operacionais, afirmam ser arbitrário o posicionamento dos julgadores de primeira instância que não teriam acatado documentos trazidos junto com a Impugnação; d) quanto à referida infração, ainda, repetem os argumentos da Impugnação, adicionando que, conhecendo a atividade fim da empresa, e que o bem alienado se tratava de um imóvel, a autoridade fiscal teria ciência de que se tratava de uma receita operacional da empresa e não de ganho de capital; e) no que diz respeito à infração relacionada com depósitos de origem não comprovada, afirmam, mais uma vez, que os julgadores de primeira instância que não teriam acatado documentos trazidos junto com a Impugnação; f) no mais, repisam as alegações trazidas na Impugnação, somando apenas o argumento da desnecessidade de registro de contrato de mútuo no registro de títulos e documentos, desde que existente contrato escrito e que haja a contabilização da operação; g) também em relação à responsabilização das pessoas físicas, repetem o teor da Impugnação, apontando em adição apenas a suposta inovação de argumento da decisão de primeira instância que teria entendido haver infração à lei por ter havido omissão de ganho de capital, o que não seria verídico, pois, conforme alegação anterior, tratarseia de receita operacional da empresa; h) finalmente, quanto à aplicação da multa qualificada, limitamse a reproduzir o teor da peça impugnatória. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator 1. Do conhecimento do Recurso Fl. 850DF CARF MF Processo nº 13864.720066/201677 Acórdão n.º 1302002.267 S1C3T2 Fl. 851 7 O sujeito passivo principal foi cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 07 de março de 2017 (fls. 750 e 757). Não consta do processo qualquer comprovação de intimação semelhante aos responsáveis tributários. Contudo, em 06 de abril de 2017, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, foi apresentado o Recurso Voluntário de fls. 760 a 800, assinado conjuntamente por todos os sujeitos passivos arrolados nos autos de infração. O Recurso é assinado por Procuradores, devidamente constituídos às fls. 814 a 821. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, incisos I e IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. A ausência de intimação aos responsáveis tributários, a princípio, constitui vício sanável que levaria ao retorno do processo à Unidade preparadora para a realização do ato. Contudo, tal procedimento somente encontraria fundamento na hipótese de que os responsáveis tributários não houvessem apresentado Recurso Voluntário, ou que tivessem alegado qualquer prejuízo em decorrência do vício processual. Não é que se constata nos autos, em que os sujeitos passivos apresentam Recurso Voluntário se defendendo de todos os pontos da autuação e demonstrando, à exaustão, conhecimento dos autos e do teor da decisão recorrida. É imperioso o reconhecimento, no caso, de que a ausência de intimação foi plenamente suprida pela apresentação espontânea do Recurso Voluntário por parte dos responsáveis tributários, na mesma linha de raciocínio que fundamenta o art. 239, §1º do Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao PAF ("§1º O comparecimento espontâneo do réu ou do executado supre a falta ou a nulidade da citação, fluindo a partir desta data o prazo para apresentação de contestação ou de embargos à execução"). Ademais, tal apresentação, sem a alegação de qualquer prejuízo, conduz à preclusão do direito de os responsáveis, posteriormente, virem a suscitar o vício, até em respeito ao dever de boafé que, nas palavras de Fredie Didier Jr (Curso de Direito Processual Civil, Salvador: Juspodium, 2016. vol. 1, p. 409), "impede que a parte guarde na 'algibeira' a alegação de nulidade, para momento futuro, tornando instável o processo". Como sabido, para o reconhecimento do vício processual, é imprescindível a existência de prejuízo à parte, o que, nem de longe, vislumbrase nos presentes autos. Na lição do mesmo autor (op. cit., p. 410): "A invalidade processual é sanção que somente pode ser aplicada se houver a conjugação do defeito do ato processual (pouco importa a gravidade do defeito) com a existência de prejuízo. Não há nulidade processual sem prejuízo (pas de Fl. 851DF CARF MF Processo nº 13864.720066/201677 Acórdão n.º 1302002.267 S1C3T2 Fl. 852 8 nullité sans grief). A invalidade processual é sanção que decorre da incidência de regra jurídica sobre um suporte fático composto: defeito + prejuízo. Sempre mesmo quando se trate de nulidade cominada em lei, ou as chamadas nulidades absolutas." Isto posto, o Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 2. Da preliminar de nulidade Os Recorrentes invocam, desde a Impugnação, a nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa, uma vez que haveria violação ao art. 22 do Decreto nº 70.235, de 1972, e ao art. 5º do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que exigem que o processo seja organizado em ordem cronológica e tenha as suas folhas numeradas e rubricadas. A decisão de primeira instância entendeu não procederem as alegações, posto que o processo está, sim, organizado em ordem, regularmente assinado e com a numeração das folhas. No Recurso Voluntário, é alegado, então, que "o processo recebeu numeração de folhas somente após o protocolo da impugnação". E afirmado, inclusive, que os Recorrentes teriam o arquivo disponibilizado inicialmente no qual não consta qualquer numeração nas páginas. A afirmação dos Recorrentes é absurda. Todo documento junto ao sistema eletrônico eprocesso tem, automaticamente, as folhas numeradas, no momento da autenticação. Não existe a possibilidade de documento autenticado não estar numerado. Ademais, no eCAC, no momento de consulta aos documentos de um processo, os números das páginas são mostradas explicitamente ao lado dos documentos, conforme imagem a seguir. São igualmente improcedentes os demais argumentos suscitados pelos Recorrentes de dificuldade no manuseio dos arquivos, por bloqueio para impressão e por Fl. 852DF CARF MF Processo nº 13864.720066/201677 Acórdão n.º 1302002.267 S1C3T2 Fl. 853 9 organização fora da ordem cronológica. Os Recorrentes chegam a argumentar que a "forma de leitura dos documentos não está disponível para os contribuintes, apenas para os julgadores". Como atesta a imagem acima, os documentos são apresentados no eCAC exatamente na mesma ordem em que postos no sistema eprocesso (e não haveria qualquer razão para ser diferente). Além disso, há, no eCAC, botão específico para obtenção, em formato PDF, de cópia do documento selecionado, ou, ainda, cópia integral do processo. A partir do arquivo obtido, não existe qualquer óbice à impressão por parte do contribuinte. No caso do presente processo, a imagem constante do Acórdão recorrido atesta, cabalmente, que os autos estão organizados em ordem cronológica e de fácil consulta pelos que o manuseiam. Nas conclusões do seu Recurso Voluntário, os Recorrentes alegam que, após a intimação da decisão da DRJ, não foi possível o acesso ao processo digital, além de que tal processo não estava disponível, no portal eCAC, aos responsáveis tributários Os Recorrentes não trazem qualquer comprovação das alegações, de modo que as suas alegações poderiam ser rechaçadas de pronto. Contudo, há mais argumentos para não acatálas. Em primeiro lugar, o acesso ao processo por meio do eCAC é apenas uma das formas facultadas aos Recorrentes. Como é sabido, e explicitado no documento de fl. 92, porém, os sujeitos passivos tem pleno direito de vistas e obtenção de cópia integral do processo por meio do atendimento presencial em qualquer unidade da Receita Federal do Brasil. Assim, ainda que procedentes as alegações de impossibilidade de acesso aos autos, por meio do eCAC, o direito de defesa dos Recorrentes era plenamente assegurado por meio do atendimento presencial. Por fim, como bem destacado no citado Acórdão, "a defesa foi amplamente exercida pelos interessados, denotando um total conhecimento das infrações apontadas, conforme se verifica pelo teor da impugnação interposta". O mesmo se repete em relação ao Recurso Voluntário, de modo que não se vislumbra qualquer prejuízo aos Recorrentes caso, eventualmente, não tenha tido acesso aos autos eletronicamente (o que, repitase, não foi comprovado). Como já dito, não há nulidade processual sem a existência de prejuízo à parte. Revelase, portanto, plenamente acertada a decisão recorrida, ao não constatar qualquer hipótese de nulidade nos autos, de modo que deve ser rejeitada a preliminar suscitada pelos Recorrentes. 3. Da inovação no julgamento Antes de adentrar à apreciação do mérito da autuação, fazse necessário examinar questão preliminar trazida pelos Recorrentes em meio aos argumentos de defesa Fl. 853DF CARF MF Processo nº 13864.720066/201677 Acórdão n.º 1302002.267 S1C3T2 Fl. 854 10 contra a atribuição de responsabilidade solidária a BENEDITO BENTO FILHO, GISLAINE JEANNE ALVES BENTO e RICARDO ALVES BENTO, posto que pode redundar na declaração de nulidade parcial do Acórdão recorrido. Ao alegar a improcedência da sobredita responsabilização, os Recorrentes repetem o teor da Impugnação, mas apontam, adicionalmente, suposta inovação de argumento da decisão de primeira instância uma vez que a fundamentação da autoridade fiscal para a responsabilização foi o fato de que o Sr. Benedito estaria desfalcando dolosamente o patrimônio da empresa e que o Sr. Ricardo e a Sra Gislaine simulavam ser sócios administradores. Já para a DRJ a infração a lei teria consistido na omissão do ganho de capital. O exame do Termo de Verificação Fiscal de fls. 44 a 91 permite a constatação de que a atribuição de responsabilidade tributária às referidas pessoas físicas foi fundamentada em dois momentos, quando da caracterização de cada uma das infrações imputadas aos sujeitos passivos. Primeiramente, no item II.1 daquele Termo, após relatar a infração referente à omissão de receitas referente a ganho de capital na alienação de imóvel, a autoridade fiscal passa a caracterizar a responsabilidade tributária de BENEDITO BENTO FILHO. Os fatos narrados são: a) o endereço cadastral da RIGIS seria o mesmo constante das Declarações de ajuste anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF) relativas aos anoscalendários de 2003 a 2014 do Sr. BENEDITO; b) desde 1995, o Sr. BENEDITO seria procurador, com poderes ilimitados, da RIGIS; c) o Sr. BENEDITO seria, de fato, quem dirigia, administrava e tomava as decisões referentes à RIGIS; b) a conta bancária aberta em nome da RIGIS, em 2011, teria como única pessoa autorizada a movimentála o Sr. BENEDITO; e) poucos dias após a abertura da referida conta, a RIGIS teria vendido imóvel pelo valor de R$ 15.500.000,00 (quinze milhões e quinhentos mil reais), sendo parte do valor decorrente da operação (R$ 12.350.000,00) retirado da conta bancária pelo Sr. BENEDITO e parte (R$ 3.150.000,00) depositada em conta de titularidade deste; f) o Sr. BENEDITO seria, de fato, sócioadministrador da RIGIS e o real beneficiário da transação imobiliária. Assim, a autoridade fiscal enquadrou o Sr. BENEDITO na condição de mandatário da RIGIS e entendeu que este teria agido com excesso de poderes, com infração à lei societária e ao Estatuto Social da pessoa jurídica, na medida em que "apropriouse dos recursos financeiros da alienação do imóvel, desfalcando dolosamente o patrimônio da RIGIS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO S/A", o que justificaria o enquadramento como responsável tributário pelos créditos decorrentes da infração em pauta, nos termos do art 135, inciso II, do CTN. Fl. 854DF CARF MF Processo nº 13864.720066/201677 Acórdão n.º 1302002.267 S1C3T2 Fl. 855 11 No mesmo tópico, o responsável pelo procedimento fiscal caracterizou a responsabilidade tributária de RICARDO ALVES BENTO e GISLAINE JEANNE ALVES BENTO, apontando os seguintes fatos: a) as referidas pessoas físicas seriam os únicos acionistas e, reiteradamente, os diretores eleitos da RIGIS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO S/A, a partir de 1992; b) com a transformação da pessoa jurídica para sociedade empresária de responsabilidade limitada, os referidos sujeitos passivos se tornaram os únicos sócios cotistas e únicos responsáveis pela administração da pessoa jurídica; c) RICARDO ALVES BENTO e GISLAINE JEANNE ALVES BENTO são filhos de BENEDITO BENTO FILHO; d) a RIGIS não possuiria qualquer atividade, por: não possuir ciclo operacional; não possuir registros de empregados em Guias de Recolhimento do FGTS e da Informações à Previdência Social (GFIP); ter endereço cadastral em imóvel desocupado (fato sobre o qual a pessoa jurídica e seus sócios, apesar de intimados, não se pronunciaram); ter apresentado Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica como inativa, em relação aos anos calendários de 2005, 2008 a 2011 e 2013; ter apresentado Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) sem qualquer valor de tributos e atividades operacionais, nãooperacionais, financeiras ou patrimoniais, em relação aos anoscalendários de 2004, 2006, 2007 e 1012; não ter apurado qualquer débito nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais de todos os trimestres de 2004, 2006 a 2009 e 2012; não ter apresentado Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon) em todos os períodos desde 2003; não possuir escrituração contábil; e) RICARDO e GISLAINE seriam sóciosadministradores apenas formais, interpostas pessoas do Sr. BENEDITO. Deste modo, a autoridade fiscal entendeu que os Srs. RICARDO e GISLAINE teriam agido com excesso de poderes, com infração à lei societária e ao Estatuto Social da pessoa jurídica, na medida em que simularam ser os sóciosadministradores da RIGIS, ocultaram a alienação de imóvel desta pessoa jurídica (tinham ciência da operação, mas apresentaram declaração de inatividade) perante Fisco, consequentemente, não ocorrendo o pagamento dos tributos e contribuições incidentes sobre o ganho de capital. Neste sentido, as referidas pessoas físicas foram arroladas como responsáveis tributários pelos créditos decorrentes da infração em pauta, nos termos do art 135, inciso III, do CTN. Por semelhante modo, no item II.2 do Termo de Verificação Fiscal, após relatar a infração referente à omissão de receitas relativa a depósitos bancários de origem não comprovada, a autoridade fiscal passa a caracterizar a responsabilidade tributária de BENEDITO BENTO FILHO. A imputação é realizada, também com base no art. 135, inciso II, do CTN, sob os seguintes fundamentos: "O BENEDITO BENTO FILHO agiu com excesso de poderes, com infração à lei societária e ao estatuto social na época o Fl. 855DF CARF MF Processo nº 13864.720066/201677 Acórdão n.º 1302002.267 S1C3T2 Fl. 856 12 tipo societário era 'sociedade anônima fechada', daí mencionar se 'lei societária' e 'estatuto social' , em relação aos depósitos bancários de origem não comprovada, na medida em que, agindo formalmente como mandatário, desviou os valores de origem não comprovada da conta bancária da RIGIS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO S/A, desfalcando dolosamente o patrimônio dela somente ele movimentava tal conta, inclusive transferiu parte dos valores para o HOTEL URUPEMA, do qual é sócio , com total poder de decisão procuração com poderes ilimitados , dissimulando, dessa forma, ser o verdadeiro sócioadministrador da entidade, sócio administrador de fato, consequentemente não ocorrendo o pagamento dos tributos e contribuições incidentes sobre as receitas decorrentes dos depósitos de origem não comprovada." No mesmo tópico, o responsável pelo procedimento fiscal caracterizou a responsabilidade tributária de RICARDO ALVES BENTO e GISLAINE JEANNE ALVES BENTO, com base no art. 135, inciso III, do CTN, com a seguinte motivação: "O RICARDO ALVES BENTO e a GISLAINE JEANNE ALVES BENTO agiram com excesso de poderes, com infração à lei societária e ao estatuto social na época o tipo societário era 'sociedade anônima fechada', daí mencionarse 'lei societária' e 'estatuto social' , em relação aos depósitos bancários de origem não comprovada, na medida em que simularam serem os sócios administradores da RIGIS ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÃO S/A o BENEDITO BENTO FILHO era de fato o sócioadministrador , além da ocultação dos valores de origem não comprovada depositados na conta bancária da referida pessoa jurídica perante o fisco federal houve declaração de inatividade da referida pessoa jurídica em relação ao anocalendário 2011 por meio da representante legal GISLAINE JEANNE ALVES BENTO , consequentemente não ocorrendo o pagamento dos tributos e contribuições incidentes sobre as receitas decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada." Já na decisão de primeira instância (fls. 711 a 749), a atribuição de responsabilidade tributária a BENEDITO BENTO FILHO, GISLAINE JEANNE ALVES BENTO e RICARDO ALVES BENTO é caracterizada do seguinte modo: "172. Fica claro também que os mesmos cometeram as seguintes infrações às seguintes leis: • Falta de emissão de notas fiscais relativas às receitas omitidas e pela caracterização da omissão do ganho de capital: Lei nº 8.846/1994 Art. 1º A emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, relativo à venda de mercadorias, prestação de serviços ou operações de alienação de bens móveis, deverá ser efetuada, para efeito da legislação do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, no momento da efetivação da operação. (...) Fl. 856DF CARF MF Processo nº 13864.720066/201677 Acórdão n.º 1302002.267 S1C3T2 Fl. 857 13 Art. 2º Caracteriza omissão de receita ou de rendimentos, inclusive ganhos de capital para efeito do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza e das contribuições sociais, incidentes sobre o lucro e o faturamento, a falta de emissão da nota fiscal, recibo ou documento equivalente, no momento da efetivação das operações a que se refere o artigo anterior, bem como a sua emissão com valor inferior ao da operação. • Não informação das receitas e do ganho de capital à Receita Federal do Brasil: Lei nº 8.981/1995 Art. 56. As pessoas jurídicas deverão apresentar, até o último dia útil do mês de março, declaração de rendimentos demonstrando os resultados auferidos no ano calendário anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) (...)" Entendo necessário o reconhecimento da procedência da alegação dos Recorrentes. A ocultação da alienação de imóvel de propriedade da RIGIS e dos valores de origem não comprovada foi um dos fundamentos utilizados, no lançamento, para a atribuição de responsabilidade tributária a GISLAINE JEANNE ALVES BENTO e RICARDO ALVES BENTO, pelo que poderia se entender que, quanto a tal argumento, a autoridade julgadora de primeira instância teria apenas se aprofundado na motivação, ao citar o dispositivo da Lei nº 8.981, de 1995, de modo que não haveria qualquer inovação de critério jurídico. Contudo, tal construção se revela mais difícil em relação ao novo argumento apresentado pelos julgadores, no que diz respeito à ausência de emissão de notas fiscais relativas às receitas omitidas, em descumprimento à Lei nº 8.846, de 1994. Tratase de conduta e dispositivo legal totalmente ausentes no lançamento tributário. Mais grave é constatar que a ocultação das receitas por parte das citadas pessoas físicas é apenas o argumento subsidiário da autoridade fiscal para a atribuição da responsabilidade, posto que o fundamento principal, caracterizado como excesso de poderes, com infração à lei societária e ao estatuto social, é a simulação da condição de sócios administradores, de modo contrário ao interesse da sociedade e em favor de BENEDITO BENTO FILHO. Ao realizar a análise da atribuição de responsabilidade de modo conjunto para as três pessoas físicas, a decisão a quo ignora completamente a tese principal utilizada pela autoridade fiscal: o desvio de recursos da pessoa jurídica pelo Sr. BENEDITO em proveito próprio. Na verdade, em relação a BENEDITO BENTO FILHO, este foi o único fundamento utilizado no lançamento para a configuração da responsabilidade tributária, de modo que, quanto a esta pessoa física, há total inovação de critérios na decisão da DRJ. É sabida a impossibilidade de que os critérios utilizados no lançamento sejam alterados pelas autoridades julgadoras, uma vez que tal conduta atentaria contra a segurança jurídica e violaria o direito ao contraditório e à ampla defesa assegurado aos contribuintes. Fl. 857DF CARF MF Processo nº 13864.720066/201677 Acórdão n.º 1302002.267 S1C3T2 Fl. 858 14 É que, no momento da constituição do crédito tributário, são fixados, pela autoridade responsável pelo lançamento, as premissas fáticas e jurídicas sobre as quais o ato administrativo é praticado. É em relação a tais fundamentos que o autuado vai construir a sua defesa, a qual será submetida às instâncias do contencioso administrativo. Tornase, portanto, inadmissível que, no momento do julgamento, seja introduzido novo fundamento jurídico, totalmente alheio aos autos e ignorado, até então, pelo litigante, que não teve a oportunidade de a ele se contrapor. A inovação operada no Acórdão recorrido conduz à constatação da ocorrência da nulidade de que trata o art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)" (Destacouse) De fato, a manutenção da responsabilidade tributária das pessoas físicas sob fundamentação totalmente diversa daquela utilizada no lançamento, constitui cerceamento do direito de defesa dos sujeitos passivos, ocasionando a nulidade parcial do Acórdão da DRJ, em relação à apreciação da referida responsabilidade. O procedimento encontra abrigo na jurisprudência do CARF, conforme o seguinte julgado: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2002 INOVAÇÃO NOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO PELAS AUTORIDADES JULGADORAS. IMPOSSIBILIDADE. Às autoridades julgadoras de primeira instância não compete o aprimoramento do lançamento realizado. A adoção de critérios novos para a manutenção do lançamento, em conteúdo diverso daquele inicialmente utilizado, importa em efetiva nulidade da atuação das autoridades julgadoras." (Acórdão nº 1201001.557 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Fl. 858DF CARF MF Processo nº 13864.720066/201677 Acórdão n.º 1302002.267 S1C3T2 Fl. 859 15 Julgamento, sessão de 14 de fevereiro de 2017, Relator Conselheiro Luís Fabiano Alves Penteado) 4. Da Conclusão Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa, mas declarar a nulidade parcial da decisão de primeira instância, exclusivamente, no que diz respeito à análise relativa à responsabilidade tributária atribuída a BENEDITO BENTO FILHO, GISLAINE JEANNE ALVES BENTO e RICARDO ALVES BENTO, determinando, então, o retorno dos autos à DRJ/Curitiba, para nova apreciação da matéria, atendose aos critérios jurídicos utilizados no lançamento. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 859DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.900766/2013-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Declarou-se impedido o Cons. Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13502.900766/2013-18
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5830013
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-001.340
nome_arquivo_s : Decisao_13502900766201318.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROBSON JOSE BAYERL
nome_arquivo_pdf_s : 13502900766201318_5830013.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Declarou-se impedido o Cons. Tiago Guerra Machado.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
id : 7120185
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007520673792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1420; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 3 1 2 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.900766/201318 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.340 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 30 de janeiro de 2018 Assunto Declaração de Compensação Recorrente BRASIL KIRIN INDUSTRIA DE BEBIDAS S/A (INCORPORADORA DE PRIMO SCHINCARIOL IN. DE CERV. E REFRIG. DO NORDESTE) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Declarouse impedido o Cons. Tiago Guerra Machado. Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 08151.50765.200710.1.7..043092, cujo fundamento foi a não comprovação documental da origem do crédito, consoante processo 10855.722095/201261. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .9 00 76 6/ 20 13 -1 8Fl. 2080DF CARF MF Processo nº 13502.900766/201318 Resolução nº 3401001.340 S3C4T1 Fl. 4 2 Em manifestação de inconformidade o contribuinte esclareceu que, antes da emissão do despacho decisório eletrônico, no bojo do PA 10855.722095/201261, foi intimado a apresentar documentos que comprovassem a origem do crédito e que a autoridade fiscal, após exame da documentação entregue, concluiu que esse conjunto probatório não demonstrava a origem do pagamento indevido. Na seqüência, descreveu o equívoco verificado na apuração, sustentando que as retificações da DCTF e DACON foram efetuadas espontaneamente, antes da ciência do despacho decisório em comento, ostentando a mesma natureza da declaração original, de modo que a razão para a não homologação inexistiria. A DRJ Curitiba/PR julgou a manifestação improcedente, em decisão assim ementada: “DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO DESPACHO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL. Se a contribuinte, intimada, não apresenta documentos contábeis capazes de comprovar a ocorrência de erro de fato em sua DCTF e em seu Dacon (retificadores), apresentados, ainda que previamente à emissão do despacho decisório, não há como reconhecer direito creditório, devendose manter a não homologação da compensação pleiteada.” O recurso voluntário aduziu que foi promovida a revisão do cálculo do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, por errônea apropriação de créditos, o que resultou em valores recolhidos a menor e a maior, sendo essa a origem do indébito utilizado na compensação e que o julgador administrativo de primeiro grau, mesmo possuindo discricionariedade para solicitar a realização de diligência, preferiu julgar improcedente o recurso inaugural, sem qualquer averiguação. Foram detalhadas as modificações introduzidas na apuração das contribuições e anexado um vasto acervo documental, consistente, segundo descrito, nos resumos dos Livros Registro de Apuração de IPI e ICMS, CFOPs de cada operação, “rótulos de linha” e notas fiscais de entrada, extratos do Livro Razão, balancetes, demonstrativos, dentre outros documentos contábeis e fiscais. Por fim, discorreuse sobre o direito de crédito sobre serviços adquiridos para manutenção de máquinas e equipamentos empregados no processo produtivo. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Consoante relatam recorrente e o julgador a quo, antes da expedição do despacho decisório eletrônico, que não homologou a compensação declarada, houve um procedimento de revisão do crédito indicado no PERDCOMP respectivo, ocorrido no PA 10855.722095/201261, tendo a autoridade fiscal, segundo consta, concluído pela sua improcedência, por ausência de comprovação. Fl. 2081DF CARF MF Processo nº 13502.900766/201318 Resolução nº 3401001.340 S3C4T1 Fl. 5 3 Nada obstante essa informação, também constante do despacho decisório eletrônico, não localizei esse PERDCOMP relacionado na representação do PA 10855.722095/201261, entretanto, admitirei como procedente essa indicação. Naqueles autos consta a Intimação DRF/SOR/SEORT nº 1.912/2011, onde se determinou ao contribuinte que i) esclarecesse “o motivo que os recolhimentos da tabela anexa se tornaram indevidos” e ii) apresentasse “provas materiais para a justificativa” do item anterior. Em atendimento à requisição fiscal o contribuinte informou que, em 2008, alterou o método administrativo de apuração dos PIS/Pasep e Cofins e revisou os cálculos dos anos anteriores, promovendo a retificação das declarações correspondentes (DACON/DCTF), e, na mesma correspondência entregou “CD contendo a composição das DACON’s retificadoras referentes aos meses de fevereiro/2005, março/2006, maio/2006, dezembro/2006 e junho/2007” e cópia da Solução de Consulta nº 132/2009. Posteriormente, através da Intimação DRF/SOR/SEORT nº 748/2012, a autoridade fiscal apresentou o seguinte questionamento: “Em face das informações prestadas por V Sa em 13/janeiro/2012, é necessário que sejam indicadas quais as classificações contábeis foram alteradas e comprovar que os reflexos destas alterações foram devidamente corrigidas, por exemplo, se foi reconhecido crédito de COFINS para partes e peças utilizadas na manutenção e funcionamento de máquinas de produção, em contrapartida, este mesmo valor deixou de figurar como “despesa”, assim ocasionou além da retificação da Dacon e da DCTF, a da DIPJ com o aumento da base de cálculo tributável.” Em 23/05/2012 o contribuinte respondeu que o valor do crédito a que se referia o ativo imobilizado fora contabilizado a débito das contas 130024 (PIS a compensar) e 13025 (COFINS a compensar), em contrapartida de crédito na rubrica 181021 (Ativo imobilizado); que não houve contabilização em contas de resultado a influenciar a DIPJ; que os créditos relativos a material de manutenção foram registrados a débito nas contas 130024 (PIS a compensar) e 13025 (COFINS a compensar) e crédito na rubrica 330002 (Despesas recuperadas); e, que em “relação aos anexos que demonstram valores contábeis, os mesmos foram contabilizados e oferecidos a tributação em 12/2009 no montante total do levantamento realizado, conforme demonstrativo no anexo 2”. Não existe qualquer outro despacho, intimação, correspondência, termo de verificação fiscal ou relatório nos autos, restringindose às manifestações acima listadas. Na seqüência, retornando ao presente processo, repitase, sem qualquer relatório ou termo de verificação fiscal, em 03/07/2013, foi emitido o despacho eletrônico ora combatido (efl. 07), que arrola o seguinte fundamento para não homologação da compensação: “A partir das características do(s) DARF discriminado(s) no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos sem saldo reconhecido para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 2082DF CARF MF Processo nº 13502.900766/201318 Resolução nº 3401001.340 S3C4T1 Fl. 6 4 Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho.” As informações complementares, por seu turno, trazem a seguinte observação: “Crédito reconhecido em valor originário: 0,00 Justificativa: AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA Observação: DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA NÃO COMPROVA ORIGEM DO PAGAMENTO INDEVIDO PROCESSO 10855.722095/201261.” Como se observa, não é possível saber quais verificações foram realizadas pela fiscalização, tampouco quais documentos não foram apresentados e eram necessários à comprovação/demonstração do direito creditório. Apensados à manifestação de inconformidade foram juntadas apenas cópias da PERDCOMP, DCTF e DACON. A decisão sob vergasta observa que a retificação dos DACONs revelou uma revisão integral do cálculo das contribuições não cumulativas, com alteração de praticamente todos os itens do demonstrativo, sem que nenhuma prova fosse juntada, seja nesses autos, seja no PA 10855.722095/201261, o que implicaria o não reconhecimento do crédito e consequente não homologação da compensação aviada. Sobre essa manifestação do colegiado a quo, ressalto que, diversamente do que foi aduzido, não é possível afirmar que não foi apresentada nenhuma prova contábil, haja vista que esta circunstância não está registrada em lugar algum, sendo apenas uma suposição, haja vista que o contribuinte, no PA 10855.722095/201261, apresentou um Compact Disc com a composição das rubricas dos DACONs, não havendo qualquer intimação para apresentar, especificadamente, qualquer documento fiscal. Demais disso, o fato de se promover uma revisão geral do DACON não encontra óbice para sua realização, desde que feito com observância dos atos normativos baixados pela RFB, como parece ser o caso. Ou seja, entendo que não é possível exigir que o sujeito passivo deva intuir qual documentação as autoridades fiscais reputam necessária à demonstração do direito creditório vindicado, de modo que é esperado que o contribuinte seja intimado a apresentar os documentos específicos, a critério dos agentes públicos, que demonstrem a situação fiscal alegada. Requerer que o contribuinte apresente “provas materiais” que respaldem o crédito e, em seguida, a despeito da apresentação de alguma documentação, sem qualquer reiteração ou detalhamento, indeferir o pleito justamente por falta de prova parece, para dizer o mínimo, contraditório ou, pelo menos, contrário à lógica jurídica. O caso desses autos apresentame sui generis, não recordando de caso análogo nesse colegiado, onde a fiscalização tenha realizado um procedimento fiscal para aferir o Fl. 2083DF CARF MF Processo nº 13502.900766/201318 Resolução nº 3401001.340 S3C4T1 Fl. 7 5 crédito postulado e não tenha lavrado qualquer relatório ou termo de verificação narrando o trabalho desenvolvido e suas conclusões, salvo se esse elemento, por equívoco, não tenha sido apensado aos autos, o que me parece mais provável, custandome a crer que inexista qualquer manifestação fiscal. Nesse diapasão, cumpre registrar que o recorrente, em recurso voluntário, coligiu diversos documentos, cerca de 1.700 páginas, para demonstrar o pretenso direito creditório, o que, a meu sentir, consubstancia um início de prova razoável a justificar a conversão do julgamento em diligência. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, dada a singularidade das circunstâncias que envolvem o processo, onde não houve um detalhamento dos documentos que o contribuinte deveria apresentar, sequer relacionando quais os livros e/ou documentos deixaram de ser apresentados, não vislumbro essa vicissitude no recurso manobrado. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, como antecipado, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: · Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; · Informação se esse crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário; · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, · Elaboração de relatório circunstanciado, minudente e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Robson José Bayerl Fl. 2084DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.906465/2011-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/08/2002
COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO.
A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via.
DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação.
Numero da decisão: 3201-003.284
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/08/2002 COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10830.906465/2011-18
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5843713
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.284
nome_arquivo_s : Decisao_10830906465201118.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10830906465201118_5843713.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
id : 7174106
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007524868096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1578; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.906465/201118 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.284 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente FAZENDA TOZAN DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/08/2002 COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório FAZENDA TOZAN DO BRASIL LTDA. declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 64 65 /2 01 1- 18 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10830.906465/201118 Acórdão n.º 3201003.284 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou o seguinte: a) promovera medida judicial e obtivera provimento para o fim de declarar a inexistência de relação jurídicotributária que o obrigasse a recolher a contribuição (PIS/Cofins) a partir da base de cálculo determinada pela Lei nº 9.718/98, no período sob comento, tendolhe sido autorizada a compensação desses indébitos tributários em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, devidamente corrigidos pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor; b) referida decisão judicial veio a ser objeto de recurso de apelação da Fazenda Nacional, o qual foi recebido simplesmente em seu efeito devolutivo; c) a própria PGFN já emitiu orientação para que tal matéria, uma vez submetida ao Poder Judiciário, não fosse mais objeto de contestação/recurso; d) a compensação declarada encontravase amparada em decisão judicial, em conformidade com o art. 170A do Código Tributário Nacional, e, tendo o recurso de apelação interposto pela PGFN sido recebido tão somente no efeito devolutivo, não havia que se falar em trânsito em julgado da decisão, a qual desde o seu nascimento gozava de liquidez e certeza quanto à forma; e) os valores objeto da compensação declarada são de fácil confirmação por parte da Secretaria da Receita Federal, uma vez que inúmeras informações constantes das DIPJs do período informam o montante das receitas operacionais sobre as quais o Contribuinte ou suas incorporadas recolheram indevidamente a título de PIS/COFINS; f) ao confeccionar a PERD/COMP para a devida compensação, deixara de mencionar referida informação, não sendo possível mais retificar a declaração pelo fato de que, quando se insere a informação de que o crédito é decorrente de ação judicial, o sistema entende que o tipo de crédito informado na PERD/COMP retificadora é diferente do tipo de crédito informado na PERD/COMP original, tratandose, portanto, de mero erro de fato. Nos termos do Acórdão nº 05039.395, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão sob o argumento de que a compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença, sem o que se rejeita a extinção de débitos por essa via. Além disso, a Delegacia de Julgamento consignou que o reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ele ser restituído ou utilizado em compensação. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário com os mesmos argumentos de defesa apresentados, aduzindo que a compensação realizada ocorrera em estrita conformidade com a decisão judicial proferida a seu favor. É o relatório. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10830.906465/201118 Acórdão n.º 3201003.284 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.276, de 30/01/2018, proferido no julgamento do processo 10830.903744/201120, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.276): Como se verifica pelo relato dos fatos, a Recorrente promoveu a compensação de débitos tributários utilizandose de crédito alegadamente decorrente do recolhimento indevido da COFINS nos termos do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (alargamento de base de cálculo). Ocorre que, tal compensação, ocorreu antes do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito de crédito do contribuinte, ou seja, em desconformidade com o art. 170A do CTN: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.(Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Nesse aspecto, pontua o acórdão da DRJ: Não obstante, ao contrário do que pretende a contribuinte, tal decisão não lhe garante o direito à compensação administrativa do crédito que entende possuir. Em certo momento de sua manifestação, a contribuinte alega que a decisão judicial teria reconhecido o seu direito à compensação. No entanto, a própria sentença de primeiro grau que reconheceu a inconstitucionalidade condicionou a compensação ao trânsito em julgado. É o que se constata pelos termos da sentença conforme consta do sítio do Tribunal: Isto posto, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA, extinguindo o feito com exame de mérito, nos termos do art. 269, I, CPC, para o fim de: a) declarar a inexistência de relação jurídico tributária que obrigue a impetrante a recolher o PIS e COFINS com base de cálculo determinada pela Lei 9718/98, nos períodos de julho/2001 a novembro/2002 e de julho/2001 a janeiro/2004, respectivamente, devendo, para tais períodos serem observadas as LC 7/70 e 70/91; b) reconhecer o direito líquido e certo da impetrante em compensarse dos indébitos tributários, após o trânsito em julgado, em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, nos períodos supra, com quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos da fundamentação retro. Outrossim, declaro o direito da impetrante em corrigir monetariamente seus créditos, pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor, relativamente Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10830.906465/201118 Acórdão n.º 3201003.284 S3C2T1 Fl. 5 4 aos períodos supra. Deverá a impetrante, nos termos do 1º, do artigo 74, da Lei nº 9430/96, quando do procedimento da compensação, efetuar a entrega à Secretaria da Receita Federal de declaração em que constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Custas na forma da lei, sem honorários de advogado (Súmula nº 105, STJ). Sentença sujeita ao reexame necessário. Comuniquese ao eminente relator do agravo noticiado nos autos a prolação da presente sentença, para as providências cabíveis. (destaque acrescentado) Com efeito, em que pese a sabida declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, é certo que, na hipótese do contribuinte, detentor de ação judicial, se fazia imprescindível, no momento da transmissão das Declarações de Compensação, o trânsito em julgado da decisão judicial. Desse modo, correto o entendimento da DRJ ao indeferir a compensação nos termos do art. 170A do CTN. Não obstante, há um segundo aspecto a ser considerado na hipótese dos autos. Ainda que ultrapassada a questão instrumental, a Recorrente não logrou demonstrar que os créditos que pretende restituir correspondem, efetivamente, à diferença da COFINS recolhida indevidamente em razão do alargamento da sua base de cálculo: É como assinala o Acórdão da DRJ: Noutra vertente, o crédito também não resta demonstrado, de vez que a contribuinte não consegue evidenciar que, no documento de arrecadação indicado na Declaração de Compensação, haveria alguma parcela indevida e, portanto, haveria crédito passível de utilização. Efetivamente, ainda que se admita a existência de um crédito decorrente de inconstitucionalidade no normativo que presidiu o recolhimento, é imprescindível que a contribuinte comprove a existência e o montante do crédito que reivindica. No caso, a inconstitucionalidade atingiu apenas uma parte do tributo que seria exigível, pelo que a demonstração do montante do crédito reivindicado assume contornos mais importantes. Nesse sentido, não cabe aqui a tentativa da manifestante no sentido de atribuir à Administração Tributária a responsabilidade pela apuração de seu crédito a partir das declarações que teria apresentado. Esta é uma incumbência da contribuinte, proponente original da extinção de débitos pela via da compensação. Nesse sentido, o Tribunal ao reformar parcialmente o provimento de primeira instância no que se refere ao direito à compensação, em decisão dada em 23/07/2012, é explícito ao atribuir à contribuinte o dever de comprovar seu crédito: Por fim, observo, in casu, não merecer acolhida a pretensão formulada pela Impetrante, no sentido de reconhecerse o direito à compensação das parcelas do PIS e da COFINS exigidas com base no art. 3º, § 1º da Lei n. 9718/98, à vista da ausência de documentos que comprovem o efetivo recolhimento do aludido tributo, razão pela qual a sentença deve ser reformada nesse ponto. (destaque acrescentado) Assim, o próprio Poder Judiciário, que reconheceu a inconstitucionalidade da Lei nº 9.718, de 1998, em benefício da contribuinte, não corroborou o pleito de autorização à compensação Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10830.906465/201118 Acórdão n.º 3201003.284 S3C2T1 Fl. 6 5 pela inexistência de provas do crédito. Tal prova não foi trazida a este processo administrativo pelo que, igualmente, é de ser negada a compensação por falta da prova da materialidade do crédito utilizado. Acrescento que, nesse aspecto, o Recurso Voluntário do Contribuinte restou silente. Seja em sede de Manifestação de Inconformidade, seja em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte deixou de comprovar a materialidade do crédito que pretende ver reconhecido. Com efeito, ainda que tenha ocorrido o reconhecimento judicial do direito ao crédito, o valor a ser ressarcido deverá necessariamente ser liquidado, ou nos autos da ação judicial, ou por via administrativa. Nesta via, por meio do procedimento próprio de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial, cuja existência não foi sequer noticiada nos autos. Por todo o exposto, entendo que o acórdão recorrido deve ser mantido em sua integralidade, votando por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005473/2009-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE FRAUDE.
Aplica-se a norma de decadência do art. 150, §4º, do CTN na existência do pagamento antecipado referido no caput do dispositivo citado, e ausente a constatação de fraude, dolo ou simulação, iniciando-se da data do fato gerador a contagem do prazo qüinqüenal.
Numero da decisão: 1302-002.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Lizandro Rodrigues de Souza (suplente convocado) e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE FRAUDE. Aplica-se a norma de decadência do art. 150, §4º, do CTN na existência do pagamento antecipado referido no caput do dispositivo citado, e ausente a constatação de fraude, dolo ou simulação, iniciando-se da data do fato gerador a contagem do prazo qüinqüenal.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 19515.005473/2009-78
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5848085
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-002.578
nome_arquivo_s : Decisao_19515005473200978.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
nome_arquivo_pdf_s : 19515005473200978_5848085.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Lizandro Rodrigues de Souza (suplente convocado) e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias.
dt_sessao_tdt : Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
id : 7186604
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007535353856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1617; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 550 1 549 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.005473/200978 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1302002.578 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de fevereiro de 2018 Matéria DECADÊNCIA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado QUALY QUEIJOS COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE FRAUDE. Aplicase a norma de decadência do art. 150, §4º, do CTN na existência do pagamento antecipado referido no caput do dispositivo citado, e ausente a constatação de fraude, dolo ou simulação, iniciandose da data do fato gerador a contagem do prazo qüinqüenal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Lizandro Rodrigues de Souza (suplente convocado) e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 54 73 /2 00 9- 78 Fl. 550DF CARF MF Processo nº 19515.005473/200978 Acórdão n.º 1302002.578 S1C3T2 Fl. 551 2 Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto em face do Acórdão nº 1150.589 (fls. 515 a 520), de 3 de julho de 2015, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife, que acordou, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial à impugnação apresentada por QUALY QUEIJOS COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA, aos autos de infração lavrados contra si. A decisão recorrida foi assim ementada: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Aplicase a norma de decadência do art. 150, §4º, do CTN na existência do pagamento antecipado referido no caput do dispositivo citado, iniciandose da data do fato gerador a contagem do prazo qüinqüenal. OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS EM CONTA BANCÁRIA DE ORIGEM INCOMPROVADA. Caracterizam receitas omitidas os valores creditados em conta bancária em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de lançamento de ofício sofre a incidência de juros de mora com base na taxa Selic a partir do seu vencimento." Por bem sintetizar os presentes autos, transcrevo o Relatório constante do Acórdão recorrido, complementandoo ao final: "O processo trata de exigência de crédito tributário de imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ) apurado segundo o regime do lucro presumido nos quatro trimestres do anocalendário 2004, conforme auto de infração de fls. 355, lavrado em razão da seguinte infração: "001 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Valor referente a depósitos e investimentos, realizados junto a instituições financeiras, em que o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." Exigemse também, como tributação reflexa, CSLL – contribuição social sobre o lucro líquido (fls. 378), PIS – programa de integração social (fls. 363) e Cofins –contribuição para financiamento da seguridade social (fls. 371). Fl. 551DF CARF MF Processo nº 19515.005473/200978 Acórdão n.º 1302002.578 S1C3T2 Fl. 552 3 Foi aplicada a multa de ofício no percentual de 75% prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/1996 em todos os autos de infração, matriz e reflexos. Segundo descrição dos fatos contida no TVF – termo de verificação fiscal (fls. 348), a contribuinte foi intimada em 21/08/2009 e reintimada em 15/10/2009 a esclarecer a origem dos valores creditados ou depositados em contacorrente bancária mas não logrou fazêlo. Os valores estão discriminados nos demonstrativos constantes do referido relatório fiscal. Cientificada da exigência em 07/12/2009, conforme atestado nos próprios autos de infração, a contribuinte a contestou no dia 5 do mês seguinte, mediante a apresentação de peças de impugnação individualizadas para cada auto de infração (fls. 387, 403, 419 e 435). Suscitou preliminar de decadência acerca dos três primeiros trimestres de 2004, relativamente a IRPJ e CSLL, e dos meses de janeiro a novembro quanto a PIS e Cofins. Defendeu a aplicação do art. 150, §4º, do CTN – Código Tributário Nacional (Lei 5.172/1966), excluindo a hipótese de cabimento do art. 173, I, do referido ato legal, em razão da inexistência de indício a respeito de dolo, fraude ou simulação. Informou que quitará mediante parcelamento o valor correspondente ao fato gerador de 12/2004, não alcançado pela decadência, "recaindo a presente defesa sobre todos os demais fatos geradores exigidos no AI em epígrafe." No mérito, ainda que afastada a decadência, o que cogitou apenas por amor ao debate, alegou ausência de comprovação da materialidade do lançamento. Afirmou: "Em detrimento ao principio da verdade material, que deve reger o processo administrativo, a fiscalização optou pelo caminho mais fácil, ou seja, considerar as entradas como receita da empresa sem o apoio de quaisquer outros elementos. É sabido que a presunção de omissão de receita não deve ser levada em consideração sem outras provas. É indicio, mas não é fato isolado suficiente a desencadear a tributação. Por óbvio, nem toda entrada deve ser tributada, tanto que algumas foram excluídas do auto. Mas outras restaram equivocadamente tributadas como as receitas financeiras auferidas e os mútuos tomados no período." Refutou a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício e o seu cálculo com base na taxa Selic." Fl. 552DF CARF MF Processo nº 19515.005473/200978 Acórdão n.º 1302002.578 S1C3T2 Fl. 553 4 A parcela do crédito não impugnada foi transferida para cobrança no âmbito do processo administrativo nº 16151.000016/201017. A decisão de primeira instância acolheu a preliminar de decadência quanto ao crédito tributário correspondente aos fatos geradores dos três primeiros trimestres de 2004, relativamente ao IRPJ e à CSLL, e dos meses de janeiro a novembro quanto à Contribuição ao PIS e à Cofins, uma vez que, na autuação, não houve menção a dolo, fraude ou simulação, e foi comprovada a existência de pagamentos a título de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e Cofins. No mérito, foi mantida a autuação com base na presunção legal de omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada; e a exigência de juros de mora calculados com base na taxa Selic, inclusive sobre a multa de ofício. Foi interposto Recurso de Ofício ao CARF. O sujeito passivo, cientificado da decisão de primeira instância, em 15 de setembro de 2015 (fl. 544), não interpôs Recurso Voluntário. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator 1. DO CONHECIMENTO DO RECURSO Como relatado, em face da exoneração parcial do crédito pelo acórdão recorrido foi interposto recurso de ofício pelo colegiado a quo. No caso em análise, o montante exonerado relativo ao pagamento de tributo e encargos de multa importou em R$ 5.385.783,85, conforme a seguir detalhado: TRIBUTO PRINCIPAL (R$) MULTA (R$) IRPJ 824.038,55 618.028,91 PIS/PASEP 322.074,32 241.555,74 CSLL 444.980,82 333.735,62 COFINS 1.486.497,08 1.114.872,81 Nos termos Súmula CARF nº 103, "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". Neste sentido, o recurso de ofício deve ser conhecido, pois o valor exonerado extrapola o limite fixado pelo Ministro da Fazenda, por meio da Portaria nº 63, de 09 de fevereiro de 2017 (créditos de tributos e encargos de multa superior a R$ 2.500.000,00). Assim passo a apreciar a parcela do crédito tributário exonerada, devolvida a este colegiado por meio do citado Recurso. Fl. 553DF CARF MF Processo nº 19515.005473/200978 Acórdão n.º 1302002.578 S1C3T2 Fl. 554 5 2. DO OBJETO DO RECURSO Como também relatado, a decisão de primeira instância acolheu a preliminar de decadência quanto ao crédito tributário correspondente aos fatos geradores dos três primeiros trimestres de 2004, relativamente ao IRPJ e à CSLL, e dos meses de janeiro a novembro quanto à Contribuição ao PIS e à Cofins. A fundamentação da decisão de primeira instância foi que, na autuação, não houve menção a dolo, fraude ou simulação, e houve a comprovação da existência de pagamentos antecipados a título de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e Cofins, de modo que a contagem do prazo decadencial deve iniciar na data do fato gerador, conforme art. 150, §4º, do CTN, sem que ocorra o deslocamento para o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", conforme prescreve o art. 173, I, do mesmo Código. De fato, nem o Termo de Verificação Fiscal (fls. 348 a 351) nem os Autos de Infração (fls. 352 a 381) fazem qualquer menção à constatação de fraude, dolo ou simulação. Por outro lado, os extratos de fls. 512 a 514 atestam que o sujeito passivo realizou recolhimentos a título de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e Cofins em relação ao período de janeiro a novembro de 2004. Neste sentido, a contagem do prazo decadencial deve ocorrer, mesmo, de acordo com o art. 150, §4º, do CTN. In verbis: "Art. 150. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." O deslocamento para a aplicação do art. 173, I, do CTN, ainda que, na ausência de dolo, fraude ou simulação, somente poderia ser realizado caso inexistisse pagamento antecipado por parte do sujeito passivo. Como mencionado no Acórdão recorrido, tal entendimento restou consagrado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, por meio de julgamento do Resp n° 973.733/SC (Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009), julgado sob a sistemática do artigo 543C, do antigo CPC (e de observância obrigatória pelos órgãos do CARF, por força do disposto no art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015), cuja ementa se transcreve: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS Fl. 554DF CARF MF Processo nº 19515.005473/200978 Acórdão n.º 1302002.578 S1C3T2 Fl. 555 6 PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Fl. 555DF CARF MF Processo nº 19515.005473/200978 Acórdão n.º 1302002.578 S1C3T2 Fl. 556 7 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008" (Destacouse) Assim, tendo a ciência dos autos de infração, no presente caso, ocorrido em 07/12/2009, é imperioso que se reconheça a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos há mais de cinco anos desta data. Nenhum reparo, portanto, há a ser realizado em relação ao Acórdão recorrido. Isto posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 556DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000262/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Marcelo Giovani Vieira. Fez sustentação oral o patrono Dr. Pedro Guilherme Accorsi Lunardelli, OAB/SP 106.769, escritório Advocacia Lunardelli.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16349.000262/2009-10
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5843689
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-001.150
nome_arquivo_s : Decisao_16349000262200910.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCELO GIOVANI VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 16349000262200910_5843689.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Marcelo Giovani Vieira. Fez sustentação oral o patrono Dr. Pedro Guilherme Accorsi Lunardelli, OAB/SP 106.769, escritório Advocacia Lunardelli.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7174082
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007538499584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1440; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 1.719 1 1.718 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16349.000262/200910 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.150 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 27 de fevereiro de 2018 Assunto RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente WHIRLPOOL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Marcelo Giovani Vieira. Fez sustentação oral o patrono Dr. Pedro Guilherme Accorsi Lunardelli, OAB/SP 106.769, escritório Advocacia Lunardelli. Relatório Tratase de Pedidos de Ressarcimento de Cofins, vinculada a exportação, relativa ao 2º trimestre de 2007, com fundamento no artigo 6º da Lei 10.833/2003, cumulada com Declarações de Compensação. O Despacho Decisório decidiu por homologar parcialmente as compensações, em vista da glosa dos créditos, conforme os seguintes motivos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 49 .0 00 26 2/ 20 09 -1 0 Fl. 1719DF CARF MF Processo nº 16349.000262/200910 Resolução nº 3201001.150 S3C2T1 Fl. 1.720 2 dedução indevida da base de cálculo, referente a descontos incondicionais concediso em vendas realizadas para Zona Franca de Manaus; equívocos no rateio de créditos vinculados à exportação; glosa sobre pagamentos de empresas prestadoras de serviços de telemarketing, promoção e merchandising, agência de publicidade e serviços de gestão de despesas de veículos; glosa de créditos extemporâneos, porque não foram acompanhadas por retificação do Dacon, exigida pela IN 590/2005; tais créditos correspondem a “levantamento de créditos de Pis e de Cofins sobre ativos produtivos, sobre serviços de transporte e sobtre gastos despendidos com serviços de propaganda e marketing; glosa de despesas de armazenagem e frete, relativos a movimentação de conteineres vazios e gastos de transporte na devolução; glosa de valores relativos à tomada de crédito sobre encargos de depreciação sobre móveis, utensílios e equipamentos de informática, os quais, segundo o Fisco, não estavam relacionados à produção; glosa de créditos calculados relativos a aquisições de fornecedores sediados na Zona Franca de Manaus, com alíquota errada; glosa sobre a transferência entre filiais de produtos conforme nota fiscal 50.361, de 17/04/2007; glosa de valores lançados em duplicidade, informados simultaneamente, no Dacon, na linha 02 – Bens utilizados como insumo e 04 – Despesas de energia elétrica, conforme demonstrativo; Cientificada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, argumentando: que o Despacho Decisório seria nulo, porque não fundamentou a glosa relativa a depreciações, e por erro material no cálculo do rateio de receitas; a regra de não cumulatividade de Pis e Cofins, segundo princípios constitucionais, seria muito mais ampla que a adotada pelo Fisco; quanto à glosa de frete e armazenagem, defende que tomou crédito sobre atividades “umbilicalmente” necessárias às suas atividades e ao processo produtivo e à venda de produtos acabados; e portanto, seriam despesas operacionais; as despesas de call center, marketing e promoção dos produtos também seriam despesas necessárias à atividade da empresa; que a retificação do Dacon não é requisito para apropriação do crédito extemporâneio; a própria Receita Federal admitiria, conforme a pergunta nº 67 respondida em seu site, que a retificação é preferível mas não obrigatória; que o §4º do artigo 3º da Lei 10.833/2003 permite o aproveitamento de crédito em meses subsequentes; Fl. 1720DF CARF MF Processo nº 16349.000262/200910 Resolução nº 3201001.150 S3C2T1 Fl. 1.721 3 que houve equívoco no apuração do rateio entre receita tributadas no mercado interno, receita não tributadas no mercado interno e receitas exportadas; que a data de embarque não pode ser considerada para fins de apuração da receita exportada, mas sim a data da nota fiscal, em vista do conceito de faturamento como base de cálculo das contribuições; que as diferenças a menor de receita exportada, acusadas pelo Fisco, não foram aproveitadas no mês seguinte; que essa diferença também não foi computada na receita total. A empresa deixa de recorrer quanto às seguintes matérias: descontos incondicionais de vendas à ZFM; glosas de créditos sobre encargos de depreciação; aquisições de fornecedores sediados na ZFM; valores lançados em duplicidade; crédito sobre transferência entre filiais ref. Nota fiscal 50.361. A DRJ/Porto Alegre/RS – 2ª Turma decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendo integralmente o teor do Despacho Decisório. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 Ementa: ARGUIÇÃO DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. Deve ser afastada a preliminar de nulidade por ausência de fundamentação ou motivação, quando no Despacho Decisório há indicação dos pressupostos de fato e de direito que embasaram a decisão relativa à não homologação da compensação. CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. Para serem considerados como insumos e, consequentemente, gerarem créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, os bens e serviços devem ser diretamente aplicados ou consumidos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Somente os dispêndios com fretes vinculados à venda de produtos, cujo ônus seja suportado pelo vendedor, geram créditos a serem descontados da contribuição devida pela pessoa jurídica. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Na eventualidade de se apurar extemporaneamente crédito decorrente das sistemáticas de não cumulatividade da Contribuição ao PIS/Pasep ou da Cofins, os respectivos Dacon deverão ser retificados, respeitado o prazo decadencial de cinco anos e atendidas as demais exigências da legislação de regência. Fl. 1721DF CARF MF Processo nº 16349.000262/200910 Resolução nº 3201001.150 S3C2T1 Fl. 1.722 4 CRÉDITOS DECORRENTES DE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. Não há previsão legal para o aproveitamento dos créditos calculados em relação à depreciação ou amortização de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado que não sejam utilizados na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. EXPORTAÇÃO. MOMENTO DO RECONHECIMENTO DA RECEITA. A receita de exportação deve ser reconhecida na data do embarque dos produtos vendidos para o exterior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A empresa então interpôs o Recurso Voluntário, reforçando os argumento da Manifestação de Inconformidade. Acrescenta defesa quanto à glosa de créditos sobre depreciação de bens considerados pela fiscalização como não pertencentes ao processo produtivo. Após o prazo de recurso voluntário, a empresa peticionou para juntada de laudos acerca do seu processo produtivo. Voto O processo ainda não está maduro para julgamento. Os créditos de Pis e Cofins, relativos a insumos e outros dispêndios vinculados a vendas tributadas no mercado interno podem ser objeto de compensação com os respectivos débitos, inclusive de meses subsequentes, em vista do art. 3º, caput, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e §4º1. No caso de créditos de Pis e Cofins, relativos a insumos e outros dispêndios vinculados a exportação, eventual saldo credor pode ser objeto de pedido de compensação com outros débitos, e inclusive ressarcidos, nos termos do artigo 5º das mesmas Leis. 2 Para esse fim, calculase o rateio proporcional entre receita de exportação e receita bruta. 1 § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. 2 Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: Produção de efeito I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 1722DF CARF MF Processo nº 16349.000262/200910 Resolução nº 3201001.150 S3C2T1 Fl. 1.723 5 A recorrente reclama que tal cálculo, efetivado pelo Fisco, conteria três erros: 1 – Calculou a receita de exportação de cada período a partir da data de embarque da mercadoria, em vez de a data de faturamento; 2 – A diferença a menor de receita de exportação, conforme o primeiro item, não foi adicionada no mês seguinte; 3 – A mesma diferença também não foi excluída da receita bruta. As reclamações merecem atenção. Não há acusação, por parte do Fisco, de exportações fictícias. Nesse contexto, a diferença de metodologia não deveria acarretar substanciais diferenças de valores exportados, a menor. Constatase que as exportações mensais consideradas pelo Fisco são sistematicamente menores que as exportações informadas em Dacon. O total trimestral difere em dezenas de mihões de reais. Aparentemente, as notas fiscais de saída para exportação, cujo embarque tenha ocorrido no mês seguinte, não foram computadas nas receitas de exportação em nenhum mês. Mas não há, nos autos, elementos suficientes para dirimir a dúvida. Desse modo, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a Receita Federal providencie os seguintes esclarecimentos: qual a composição das receitas exportadas em cada mês consideradas no Despacho Decisório ? Todos os embarques de exportação em cada mês foram considerados, ou somente os embarques relativos a notas fiscais do próprio mês ? caso todas as notas fiscais de exportação, tanto do próprio mês, quanto de meses anteriores, tiverem sido consideradas no cálculo do valor exportado de cada mês, qual a origem da diferença substancial dos valores agregados de exportação ? Após relatório conclusivo, com as considerações que entender pertinentes, a Delegacia da Receita Federal deve providenciar a cientificação da recorrente para manifestar se, se desejar, no prazo de 30 dias, prorrogáveis por mais 30, e devolver o processo a este Carf. Marcelo Giovani Vieira, Relator. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 1723DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.907129/2011-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO.
Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3302-005.002
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidades de votos, em dar provimento parcial para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10930.907129/2011-64
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5843631
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.002
nome_arquivo_s : Decisao_10930907129201164.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10930907129201164_5843631.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidades de votos, em dar provimento parcial para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
id : 7174024
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007554228224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1989; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.907129/201164 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302005.002 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Acordam os membros do Colegiado, por unanimidades de votos, em dar provimento parcial para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 71 29 /2 01 1- 64 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10930.907129/201164 Acórdão n.º 3302005.002 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição (PER), transmitido eletronicamente, que foi indeferido nos termos do despacho decisório emitido pela DRF em Londrina, pois o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Na manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de pedido de restituição (PER), a contribuinte alega que recolheu valores indevidos de PIS/Pasep e de Cofins, levando em conta a legislação vigente à época, que alargava a suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF considerou inconstitucional tal ampliação da base de cálculo. Anexando jurisprudência do STF e do CARF e planilha demonstrando as diferenças pleiteadas. Encaminhado para julgamento, a DRJ em Curitiba não acolheu as razões contidas na manifestação de inconformidade e manteve o indeferimento do pedido de restituição. Cientificada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário dirigido ao CARF, onde repete as razões já aduzidas, questiona a necessidade de ser parte em ação judicial questionando a constitucionalidade da incidência do PIS ou da Cofins sobre as receitas financeiras, informa que está apresentando cópia dos livros razão e diário, esclarece que é beneficiária da repercussão geral do RE nº 566.621, e, ao final, pede a reforma do acórdão anteriormente proferido. Ao analisar o recurso, a 2ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF, reconheceu, em face da repercussão geral, a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo e deu provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito (análise dos livros diário e razão apresentados). A DRJ em Curitiba julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, por entender que o contribuinte não comprovou documentalmente a origem dos créditos que alegou possuir, nos termos do Acórdão nº 06054.122. Intimada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário alegando, em síntese: preliminarmente (i) mudança de critério jurídico e cerceamento de defesa; (ii) decadência do direito de lançar ou revisar; e meritoriamente (iii) que há documentos nos autos que demonstram a origem do crédito apurado. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10930.907129/201164 Acórdão n.º 3302005.002 S3C3T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.965, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.907064/201157, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.965): "I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 24.12.2015 (fls.112) e protocolou Recurso Voluntário em 26.01.2015 (fls. 114129), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Preliminares II.1 Nulidade da decisão recorrido mudança de critério jurídico Segundo a Recorrente houve mudança de critério jurídico por parte da Turma Julgadora "a quo", na medida em que Despacho Decisório não homologou as compensações apresentadas pela Recorrente pelo fato de que todo o DARF havia sido integralmente utilizado para extinguir débito do contribuinte, ao passo que a segunda decisão recorrida motivou o indeferindo do crédito pela não comprovação da origem do crédito através de documentação hábil e idônea. Sobre mudança de critério jurídico, vale transcrever os ensinamentos do i. professor Hugo Brito de Machado Machado que, com a clarividência que lhe é peculiar expõe seu entendimento sobre o tema: Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas em lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado (Hugo de Brito 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10930.907129/201164 Acórdão n.º 3302005.002 S3C3T2 Fl. 5 4 Machado, Curso de Direito Tributário, 12ª edição, Malheiros, 1997, p 123) No presente caso, entendo que não houve mudança de critério jurídico, na medida em que tanto a autoridade julgadora quanto a fiscalização analisaram a origem do crédito com base nos fatos e fundamentos apresentados pela Recorrente. Aliás a unidade julgadora ao proferir a segunda decisão nada mais fez do que cumprir a ordem proferida pelo Carf que determinou fosse feita a análise quanto a origem do crédito pleiteado, considerando que a questão sobre a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo das contribuições já havia sido solucionado pelo STF. Nesse contexto, coube à autoridade julgador analisar o direito da Recorrente com base nos novos fatos e documentos carreados aos autos, justificando, assim, a alteração dos fundamentos para manter o indeferimento do pedido de restituição, sem que isso acarrete em mudança de critério jurídico. Assim, afasto a preliminar de nulidade suscita pela Recorrente. II.2 Decadência Em síntese apartada, a Recorrente pleiteia a incidência do prazo decadencial do direito do fisco realizar o lançamento de fato gerador ocorrido em 30.06.2001, nos termos do §4º, do artigo 150, do CTN e, subsidiariamente, pede seja admitida a homologação tácita do pedido realizado em 30.06.2005. Em relação ao prazo decadencial, adoto como razão de decidir o voto do i. Julgador Jorge Olmiro Lock Freire, nos autos do processo nº 16327.910550/201157 (acórdão nº 3402004.468), posto : Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10930.907129/201164 Acórdão n.º 3302005.002 S3C3T2 Fl. 6 5 quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10930.907129/201164 Acórdão n.º 3302005.002 S3C3T2 Fl. 7 6 apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. No presente caso, a lide diz respeito apenas em relação ao pedido de restituição formulado pela Recorrente, inexistindo, para este caso aplicação do prazo decadencial pleiteado pelo contribuinte, razão, pela qual, deve ser afastado. III Mérito Inicialmente é imperioso destacar que a matéria em discussão diz respeito a comprovação da origem do crédito, posto que a questão sobre a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo das contribuições, já foi analisada na decisão de fls. 9299, proferida por este Conselho. Pois bem A decisão recorrida, manteve o indeferimento do pedido de restituição apresentada pela Recorrente com base nos seguintes fundamentos: No presente caso, a contribuinte apresentou excertos dos livros diário e razão, e neles consta o lançamento nas contas contábeis nºs 8.01.10.25.74 e 8.01.10.25.86, de valores de PIS e de Cofins que teriam incidido sobre as receitas financeiras do período e que, portanto, no entender da interessada, seriam passíveis de restituição. Compulsandose os autos, no entanto, constatase que neles não há qualquer comprovação acerca das contas contábeis e dos valores que compuseram as bases de cálculo das receitas financeiras consideradas pela contribuinte. Na falta dessa demonstração, apoiada, obviamente, em provas, não há como se verificar se os valores pleiteados realmente têm relação com receitas compreendidas no alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins e, nesse caso, não há como deferir o direito pleiteado. Com todo respeito ao entendimento proferido pela unidade julgadora que, analisou o direito creditório sob análise através dos documentos juntados no primeiro recurso voluntário, entendo que os documentos carreados pela Recorrente, juntados em ambos recursos voluntários demonstram, ainda que parcialmente, a origem do crédito apurado sobre as receitas financeiras, devendo, assim, ser deferido em parte o pedido de restituição sob análise. Isto porque, no entendimento deste relator, tanto as planilhas carreadas às fls. 2829, 155161 e 189, quanto os livros diário e razão carreados as fls. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10930.907129/201164 Acórdão n.º 3302005.002 S3C3T2 Fl. 8 7 5962 e 131154 e, o Documento de Arrecadação de Receitas Federais de fls. 130 documentos juntados nos recursos voluntários interpostos pela Recorrente , demonstram e lastrearam parte do crédito apurado pela Recorrente. Com efeito, o crédito apurado pela Recorrente foi devidamente informado em seu livro razão carreado às fls.147152 e, está amparado pelas planilhas fornecidas pelo contribuinte que demonstram o cálculo do tributo e forma de apuração do crédito (fls.189), inexistindo, assim, ausência de comprovação da origem do crédito. É de se ver que nos documentos carreados às fls.147 e seguintes, especialmente o plano de contas de fls. 165166, há o registro das seguintes receitas financeiras contabilizadas no razão do período sob análise: Descontos Obtidos; Juros Ativos; Rendimentos de Aplicação Financeira e Variação Monetária Ativa. Contudo, os valores registrados pela Recorrente em sua contabilidade são inferiores aos valores objeto do pedido de restituição, justificando, assim, o deferimento parcial do crédito pleiteado. Importante registrar, que o contribuinte não foi intimado à demonstrar a composição das receitas financeiras, sendo que as questões concernentes a prova da origem do crédito foram suscitadas somente na decisão de primeiro grau. Neste caso, havendo dúvida quanto à origem do crédito, deveria a unidade julgadora converter o julgamento em diligência e dar oportunidade ao contribuinte de apresentar outros documentos e, não simplesmente descartar os documentos carreados aos autos para afastar o direito por ausência de provas. Neste cenário, diversamente do que entendeu a unidade julgadora, vejo que os documentos juntados pela Recorrente, se prestam à comprovar, ainda que parcialmente, a origem do crédito. IV Conclusão Diante do exposto, rejeito as preliminares de nulidade e decadência, e no mérito dou parcial provimento ao recurso voluntário para admitir o crédito da contribuição correspondente às valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão de fls. 147 e seguintes. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Assim, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo os documentos juntados pela Recorrente se prestam à comprovar, ainda que parcialmente, a origem do crédito. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu rejeitar as preliminares de nulidade e decadência, e no mérito dar parcial provimento ao recurso voluntário para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10930.907129/201164 Acórdão n.º 3302005.002 S3C3T2 Fl. 9 8 financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.720202/2010-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2009 a 30/09/2009
GLOSA. CUSTOS OU DESPESAS. SOCIEDADE EMPRESÁRIA INAPTA. PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO.
Cabível o indeferimento de crédito decorrente de aquisições de mercadorias de empresas declaradas inaptas se inexistir efetiva demonstração, por meio de documentação hábil, de que o adquirente dos bens, direitos, mercadorias ou tomador do serviço efetuou o pagamento e recebeu os respectivos bens.
RECEITA BRUTA. CONCEITO. DESCONTOS OBTIDOS. REDUÇÃO DE PASSIVO.
Os abatimentos sobre compras importam para o devedor acréscimo patrimonial, caracterizando-se como receitas operacionais, cujo valor deve ser computado na base de cálculo do PIS apurado no regime não cumulativo.
CESSÃO DE CRÉDITO. NEGÓCIO JURÍDICO. NÃO COMPROVAÇÃO
Para ter eficácia perante terceiros, a cessão de crédito deve estar embasada em contrato público, ou particular que atenda aos requisitos da legislação civil, em ambos casos devidamente lançado no Registro de Títulos e Documentos.
MÚTUO ENTRE DIRETOR E EMPRESA PARA PAGAMENTO DE TÍTULOS DE CRÉDITO. ENDOSSO DE CHEQUES DO FORNECEDOR PARA TERCEIROS. NECESSIDADE DE PROVA DE PAGAMENTO NO CASO DE FORNECEDOR REGULAR.
Não tendo a Recorrente feito prova das operações financeiras com documentos hábeis, nem demonstrado inequivocamente a origem dos recursos para a quitação das duplicatas, deve ser mantida a glosa das compras.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido quando não formulado nos termos da legislação ou quando desnecessário e prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou, ainda, se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador.
Numero da decisão: 3402-004.969
Decisão: Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordaram os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto (Relator), Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), que davam provimento parcial ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Sousa Bispo.
Assinado Digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
Assinado Digitalmente
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Assinado Digitalmente
Pedro Sousa Bispo-Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2009 a 30/09/2009 GLOSA. CUSTOS OU DESPESAS. SOCIEDADE EMPRESÁRIA INAPTA. PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. Cabível o indeferimento de crédito decorrente de aquisições de mercadorias de empresas declaradas inaptas se inexistir efetiva demonstração, por meio de documentação hábil, de que o adquirente dos bens, direitos, mercadorias ou tomador do serviço efetuou o pagamento e recebeu os respectivos bens. RECEITA BRUTA. CONCEITO. DESCONTOS OBTIDOS. REDUÇÃO DE PASSIVO. Os abatimentos sobre compras importam para o devedor acréscimo patrimonial, caracterizando-se como receitas operacionais, cujo valor deve ser computado na base de cálculo do PIS apurado no regime não cumulativo. CESSÃO DE CRÉDITO. NEGÓCIO JURÍDICO. NÃO COMPROVAÇÃO Para ter eficácia perante terceiros, a cessão de crédito deve estar embasada em contrato público, ou particular que atenda aos requisitos da legislação civil, em ambos casos devidamente lançado no Registro de Títulos e Documentos. MÚTUO ENTRE DIRETOR E EMPRESA PARA PAGAMENTO DE TÍTULOS DE CRÉDITO. ENDOSSO DE CHEQUES DO FORNECEDOR PARA TERCEIROS. NECESSIDADE DE PROVA DE PAGAMENTO NO CASO DE FORNECEDOR REGULAR. Não tendo a Recorrente feito prova das operações financeiras com documentos hábeis, nem demonstrado inequivocamente a origem dos recursos para a quitação das duplicatas, deve ser mantida a glosa das compras. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido quando não formulado nos termos da legislação ou quando desnecessário e prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou, ainda, se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10835.720202/2010-92
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5854138
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-004.969
nome_arquivo_s : Decisao_10835720202201092.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
nome_arquivo_pdf_s : 10835720202201092_5854138.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordaram os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto (Relator), Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), que davam provimento parcial ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Sousa Bispo. Assinado Digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. Assinado Digitalmente Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo-Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7233675
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007664328704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 33; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1907; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 35.404 1 35.403 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10835.720202/201092 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.969 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2018 Matéria PIS Ressarcimento Recorrente VITAPELLI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2009 a 30/09/2009 GLOSA. CUSTOS OU DESPESAS. SOCIEDADE EMPRESÁRIA INAPTA. PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. Cabível o indeferimento de crédito decorrente de aquisições de mercadorias de empresas declaradas inaptas se inexistir efetiva demonstração, por meio de documentação hábil, de que o adquirente dos bens, direitos, mercadorias ou tomador do serviço efetuou o pagamento e recebeu os respectivos bens. RECEITA BRUTA. CONCEITO. DESCONTOS OBTIDOS. REDUÇÃO DE PASSIVO. Os abatimentos sobre compras importam para o devedor acréscimo patrimonial, caracterizandose como receitas operacionais, cujo valor deve ser computado na base de cálculo do PIS apurado no regime não cumulativo. CESSÃO DE CRÉDITO. NEGÓCIO JURÍDICO. NÃO COMPROVAÇÃO Para ter eficácia perante terceiros, a cessão de crédito deve estar embasada em contrato público, ou particular que atenda aos requisitos da legislação civil, em ambos casos devidamente lançado no Registro de Títulos e Documentos. MÚTUO ENTRE DIRETOR E EMPRESA PARA PAGAMENTO DE TÍTULOS DE CRÉDITO. ENDOSSO DE CHEQUES DO FORNECEDOR PARA TERCEIROS. NECESSIDADE DE PROVA DE PAGAMENTO NO CASO DE FORNECEDOR REGULAR. Não tendo a Recorrente feito prova das operações financeiras com documentos hábeis, nem demonstrado inequivocamente a origem dos recursos para a quitação das duplicatas, deve ser mantida a glosa das compras. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 02 02 /2 01 0- 92 Fl. 35404DF CARF MF 2 Indeferese o pedido quando não formulado nos termos da legislação ou quando desnecessário e prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou, ainda, se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordaram os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto (Relator), Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), que davam provimento parcial ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Sousa Bispo. Assinado Digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. Assinado Digitalmente Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Assinado Digitalmente Pedro Sousa BispoRedator Designado Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Relatório Por bem relatar o feito, utilizarei de trechos do relatório fiscal da decisão recorrida. Tratase de processo formalizado para o tratamento manual do Pedido de Ressarcimento – PER nº 11841.74034.010210.1.5.080353, anexado às fls. 12 a 16, referente a crédito da contribuição para o PIS NãoCumulativo Exportação relativo ao 3º trimestre de 2009. Vinculadas ao crédito pleiteado, a interessada transmitiu as Declarações de Compensação – DCOMP abaixo relacionadas, informando a compensação de débitos próprios discriminados na planilha de fl. 25. O Termo de Verificação e Conclusão Fiscal explicou os procedimentos e critérios adotados para a consideração (ou não) dos créditos objeto deste PER e para a apuração do valor a ser ressarcido, e veio acompanhado dos seguintes anexos: Fl. 35405DF CARF MF Processo nº 10835.720202/201092 Acórdão n.º 3402004.969 S3C4T2 Fl. 35.405 3 DEMONSTRATIVO DE CÁLCULO – PIS/PASEP: Relatório de apuração de crédito PIS – ressarcimento – período 04/2009 a 09/2009 (fls. 1196/1200). ANEXO I: Remissão de dívida referente a aquisição de insumos – descontos obtidos (fls. 1201/1213). Este anexo inclui, separada por fornecedor, documentação referente aos descontos aleatórios obtidos (fls. 2368/3239 e 12859/15747). ANEXO II: Glosa efetuada em função da cessão de crédito (fls. 1214/1218). Este anexo inclui, separada por fornecedor, documentação referente aos pagamentos efetuados a terceiros via cessão de crédito (fls. 6129/7459). ANEXO III: Operações de mútuo com o diretor administrativo da Vitapelli (fls. 1219/1225). Este anexo inclui, separada por fornecedor, documentação referente aos pagamentos efetuados com suprimento de recursos do diretor administrativo (fls. 7460/9406). ANEXO IV: Operações de transporte com veículos incompatíveis ou sem registro (fl. 1226). Este anexo inclui, separada por fornecedor, documentação referente às operações não comprovadas (fls. 9407/9474). ANEXO V: Glosa situação irregular do fornecedor (fl. 9475/9489). Este anexo inclui, separada por fornecedor, documentação referente às operações não comprovadas (fls. 15748/19151). Ao final, propôs o reconhecimento parcial do direito creditório pretendido, no que foi acompanhado pelo Despacho decisório exarado pela DRF/Presidente Prudente. Regularmente cientificada do resultado, a interessada protocolou sua Manifestação de Inconformidade, que veio acompanhada dos documentos, alegando em síntese: que quanto ao item “1 – Dos supostos descontos aleatórios obtidos junto aos fornecedores de couros. (item 3.1 – Relatório Fiscal) [...] é comum na atividade da Manifestante a ocorrência de inconformidades relacionadas à sua matéria prima principal, ou seja, o couro verde, salgado ou salmorado” e que “Algumas dessas inconformidades só aparecem após iniciado o processo industrial, sendo um dos motivos pelo qual os descontos não são imediatos ao recebimento da mercadoria [...] somente se resolvendo meses após, de forma cumulativa, resultando nos casos de descontos superiores relatados pela fiscalização”; que “Quanto aos ‘abatimentos s/ compras’, são descontos concedidos após a entrega da mercadoria” e que “embora tenha sido registrado em conta de Receitas Financeiras, não se trata de receitas [...] não podendo servir de base para a exigência de contribuição ao PIS/PASEP e COFINS”; que “não há que se falar em insubsistência passiva, não se aplicando as soluções de consulta colacionadas pela fiscalização” e que “Quanto ao ‘Perguntas e Respostas’ do IRPJ, tratase de questão diversa da aqui tratada, pois se referem a vendas canceladas, enquanto aqui tratamos de descontos ou abatimentos nas compras”; que “tenta a d. fiscalização fazer uso de Resolução do Conselho Federal de Contabilidade nº 750/1993, que teve sua redação atualizada pela Resolução nº 1111/2007 e Resolução nº 1282/2010” que “o Apêndice II nada mais é que, uma interpretação do que era veiculado na Resolução nº 750/1993 do CFC, antes das Fl. 35406DF CARF MF 4 alterações promovidas pela Resolução nº 1282/2010” e que “Com a nova redação [...] já não se pode atribuir validade aquele Apêndice II, pois, se refere a algo que não mais existe”; que com relação ao item “2 – Dos Pagamentos Efetuados a Terceiros em Decorrência de Cessão de Crédito. (item 3.2 – Relatório Fiscal) [...] Em que pese todo o zelo do senhor fiscal nessa parte também não merece prosperar o entendimento aqui levado a efeito”; que “A cessão de créditos está disciplinada no art. 286 e 290 do novel Código Civil” e que “partindo do pressuposto de um negócio jurídico perfeito, onde houve o contrato de compra e venda e a tradição da mercadoria, o direito creditício decorrente dessa operação mercantil pode ser transferido pelo credor a quem bem lhes aprouver”; que “A única ressalva que se apresenta, é a necessidade de notificação ao devedor, conforme previsto no art. 290 do Código Civil. Cumprida essa exigência legal, conforme cartas de cessão de crédito apresentadas, juntamente com a quitação das respectivas obrigações, configurase aí o negócio jurídico perfeito e acabado”; que “Nesse entendimento, as cartas de cessão de crédito com firmas reconhecidas em cartório são mais que suficientes para comprovar tal relação jurídica e notificação ao devedor/manifestante, não cabendo ao fisco qualquer questionamento nesse sentido”; que “Portanto, é totalmente descabida a exigência de comprovação da relação jurídica entre o fornecedorcedente e beneficiáriocessionário, porque, aqueles, não estão obrigados a prestar contas de suas atividades comerciais para a ora manifestante”; que quanto ao item “3 – Dos Contratos de Mútuo com o Diretor Administrativo da Vitapelli. (item 3.3 – Relatório Fiscal) [...] é comum o suprimento de recursos financeiros pelos sócios, especialmente no caso do Diretor Administrativo que é sócio majoritário da empresa, nada havendo de anormal nessa situação”; que “... conforme dito pela fiscalização a manifestante apresentou contrato de mútuo e cópia dos cheques endossados, não comprovando o efetivo pagamento dos fornecedores” e que “... se foram apresentados os cheques endossados pelos fornecedores e que estavam em poder de terceiros, é porque a relação jurídica entre Vitapelli x fornecedores estava extinta, ainda que os cheques fossem pósdatados”; que com relação ao item “4 – Dos Veículos Incompatíveis para o Transporte de Carga. (item 3.4 – Relatório Fiscal) [...] Não existem veículos incompatíveis com o transporte das mercadorias como quer fazer crer o fisco, as supostas divergências decorrem de visíveis erros na anotação dos dados dos veículos. Para espancar de vez as dúvidas colacionamos abaixo os dados corretos dos veículos e juntamos consulta ao Sistema Renavam”; que quanto ao item “5 – Empresas cujas Notas Fiscais foram glosadas [...] O fato de essas empresas ter apresentado suas Declarações obrigatórias na condição de Inativa, ou mesmo, não apresentadoas, longe de afastar a veracidade e efetividade das operações entabuladas com esses fornecedores, demonstram a ineficiência do órgão fiscalizador”; que com relação ao item “6 – Da boa fé da Manifestante [...] Nos casos de apropriação de custos de produção acobertado por documentação fiscal considerada inidônea pela fiscalização, o entendimento manifestado pelo Conselho de Fl. 35407DF CARF MF Processo nº 10835.720202/201092 Acórdão n.º 3402004.969 S3C4T2 Fl. 35.406 5 Contribuintes é que em se tratando de compras efetivamente comprovadas por contribuinte de boafé, descabe a glosa dos respectivos custos”; que “... atestam à ocorrência/veracidade da operação os seguintes documentos, que já foram juntados aos autos pela fiscalização: (a) as cópias dos depósitos bancários, que comprovam o pagamento das aquisições das peles de bovinos dos Fornecedores posteriormente declarados inidôneo; (b) ‘tickets de pesagem’ que comprovam o recebimento das mercadorias; e (c) RPAs que comprovam o transporte das mercadorias e; (d) controles de descarregamento”; que quanto ao item “7 – Do Princípio da Verdade Material [...] além de analisar as provas juntadas pelas partes no processo administrativo tributário, o Fisco também tem o dever de buscar elementos que comprovem aquilo que realmente aconteceu”; que com relação ao item “8 – Da Publicidade da Declaração de ‘Inapta’ e ‘não habilitada’ dos Fornecedores [...] somente após a conclusão desses processos pelo Fisco é que a condição de ‘inapta’ ou ‘não habilitada’ desses fornecedores, foi disponibilizada para consulta pública no site da Receita Federal do Brasil e no SINTEGRA, ou seja, até então não era possível que qualquer contribuinte soubesse da inidoneidade da referida Empresa”; que quanto ao item “IV – DA CORREÇÃO PELA TAXA SELIC [...]nas relações com o Fisco, o contribuinte deve dispor tanto de ressarcimentos quanto de restituições atualizadas pelos mesmos índices utilizados pela Receita Federal do Brasil quando da constituição do crédito tributário”; Ao final, requer que sejam acolhidas as razões de fato e de direito apresentadas, e protesta pelo aditamento da manifestação de inconformidade e a realização de perícia contábil. A DRJ julgou sua manifestação de inconformidade parcialmente procedente, revertendo somente a glosa relativa ao ANEXO IV Operações de transporte com veículos incompatíveis ou sem registro. Irresignado, apresentou o Contribuinte Recurso Voluntário, no qual pugna: I) Que se aplique o Acórdão proferido no PAF nº 10835.721527/201254 às glosas relativas às aquisições de insumos de empresas consideradas pela fiscalização como inaptas, relativamente aos fornecedores: a) J A Comércio de Couros Ltda; b) José de Carvalho Lima Júnior e Reginaldo Carvalho Siqueira ME; c) Simental Comércio de Couros; II) Em relação às glosas relativas às fornecedoras Maria Lúcia da Silva Madeireira e Amarildo Gobes dos Santos ME, remete à planilhaguia anexada, que articula as provas documentais presentes no processo e comprova a ocorrência dos negócios. III) Que os descontos glosados são, em rigor, abatimentos sobre as compras, reiterando o que fora dito na manifestação de inconformidade. IV) Que os contratos de mútuo com o Diretor Administrativo da Recorrente não são irregulares, mas sim prática usual e remete ao caso do Frigorífico Angelelli Ltda, para afirmar que as duplicatas fazem prova do efetivo pagamento. Fl. 35408DF CARF MF 6 V) Que se aplique a taxa SELIC ao crédito objeto do pedido de ressarcimento. VI) Requer a produção de prova pericial. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de passar à análise das razões do Recurso Voluntário, na ordem em que foram aduzidas naquela peça, cabe frisar que a Recorrente juntou planilha, construída à partir de documentação acostada ao processo administrativo, que vincula as Notas Fiscais de Entrada ao fornecedor (com número da folha respectiva), indicando a data do registro no Livro Registro de Entrada (LRE, também com a folha em que se encontra), à respectiva entrada no Livro Razão e a forma, data e dados do pagamento (com indicação da folha respectiva). Tal planilha está em fl. 19562 e ss. I) Das glosas de créditos relativos às aquisições de fornecedores considerados inaptos pela fiscalização. Pugna inicialmente, o Contribuinte, pela aplicação do decidido no Acórdão CARF nº 1102001.075, julgado pela 1ª Seção e relativo ao efeito das presentes glosas na apuração do IRPJ e CSLL da Recorrente, nos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, no qual foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a validade de certas operações. Conquanto concorde que é incoerente que as mesmas operações possam receber tratamento contraditório ao serem julgadas por turmas em sessões distintas do CARF, o Acórdão que se pretende aplicar sequer é definitivo, pendente atualmente de análise no âmbito da 1ª CSRF, cabendo aqui a análise específica do mérito das glosas. Parte das glosas de créditos pleiteados pelo contribuinte no trimestre respectivo do anocalendário de 2009, referentes à aquisição de couro bovino junto aos diversos fornecedores indicados no termo de verificação fiscal, foi glosada pelo auditor sob o argumento de que essas aquisições efetivamente não ocorreram, conforme, segundo ele, comprovam os elementos acostados aos autos. Em seu recurso voluntário a interessada alega que as operações efetivamente ocorreram e foram pagas, devendo serem mantidos os efeitos tributários dos negócios, conforme decidido pelo STJ nos autos do REsp 1.148.444MG. Sobre a aquisição de empresas declaradas inaptas a lei nº 9.430/96 a partir do art. 80 estabeleceu as diretrizes sobre “empresa inidônea" e define em seu art. 82 “caput” que não produzirá efeitos em favor de terceiros os documentos expedidos por pessoas jurídicas inaptas, in verbis: Fl. 35409DF CARF MF Processo nº 10835.720202/201092 Acórdão n.º 3402004.969 S3C4T2 Fl. 35.407 7 Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Analisemos especificamente os fornecedores, adotando como metodologia o cotejo entre o Anexo 5 do Termo de Verificação Fiscal e a Planilha entregue pelo Contribuinte, articulando as provas dos autos. Além disso, ressaltese que as glosas referentes a todas as fornecedoras, com exceção da Maria Lúcia da Silva Madeireira e Amarildo Gobes dos Santos ME foram revertidas no âmbito do Acórdão CARF nº 1102001.075. a) J A Comércio de Couros Ltda A fiscalização aduziu que esta empresa não se encontra no endereço indicado no sistema da RFB, e que a mesma se encontra como "não habilitado" no SINTEGRA em pesquisa datada de 16/04/2009. Por outro lado, compulsando a planilha juntada pelo contribuinte e as telas de pesquisa junto ao SINTEGRA, se verifica que esta empresa estava "habilitada" em consultas de 29/04/2009 até 08/12/2009, abrangendo todo as operações realizadas durante o período habilitado. Com a devida vênia, tratase apenas de indício de inexistência, que teria de ser melhor depurados e analisados pelo fisco para dar lastro à autuação. Não se pode simplesmente concordar com a alegação fiscal de que o simples fato da empresa não estar localizada no endereço indicado à RFB seria prova de que ela nunca existiu. Verificase nos autos que a empresa era habilitada no SINTEGRA, há provas do transporte e entrega dos bens, há comprovação do pagamento, há registro contábil da entrada dos bens adquiridos, perfazendo todas as condições necessárias para o aproveitamento o crédito de PIS/Cofins. Desse modo, voto por reverter a glosa dos créditos desse fornecedor. b) José de Carvalho Lima Júnior e Reginaldo de Carvalho Siqueira ME O motivo da glosa das aquisições do Sr. José de Carvalho Lima Júnior foi a constatação do seu falecimento em 03/01/2009, e que, por ser este empresário individual, a sua morte acarretaria a extinção da empresa. Por outro lado, a Recorrente alega que não foi lavrado qualquer certidão de óbito, de modo que não há publicidade do falecimento do empresário e, além disso, a própria fiscalização reconhece ser fato comprovado, constatado pelo fisco estadual de Minas Gerais, Fl. 35410DF CARF MF 8 que o Sr. Reginaldo de Carvalho afigurase como sucessor econômico de fato do Sr. José de Carvalho, prosseguindo nas suas atividades econômicas, tendo em vista: (i) o mesmo endereço e atividade; (ii) os mesmos fornecedores e clientes; (iii) o parentesco entre ambos; (iv) notas fiscais preenchidas pelo mesmo punho: Ora, em primeiro lugar, há que se verificar que em tudo o Sr. Reginaldo manteve a aparência de higidez da operação, inclusive da sucessão empresarial, não havendo qualquer prova nos autos de máfé, seja objetiva, seja subjetiva, da Recorrente o que por si já atrai a aplicação da teoria da aparência para a proteção jurídica dos negócios realizados. Todavia, uma vez comprovado a transferência da mercadoria e o pagamento do preço, tornase despicienda a discussão sobre a validade do negócio, como determinado expressamente por art. 118, I do CTN: Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; Novamente, verificase nos autos provas de todos os elementos aptos a autorizar a manutenção do crédito, independentemente da validade jurídica do negócio, visto que se comprovou o pagamento e a transferência dos bens. Frisese: não se está dizendo aqui que as operações eram juridicamente válidas mas da invalidade delas não se pode depreender diretamente a inidoneidade dos documentos emitidos, especialmente para fins de aproveitamento dos créditos. Ao invés de demonstrar que a empresa não vendia couro, a diligência fiscal serviu para deixar absolutamente claro que a empresa trabalhava essencialmente com isso, fornecendo quase 100% do seu estoque de couros à Vitapelli Ltda, e sendo pago através de cheque ou por meio de duplicata descontada em banco. Em relação ao Reginaldo de Carvalho Siqueira ME, a fiscalização glosou os créditos sob os seguintes fundamentos: i) o empresário individual não tinha capacidade econômica para gerir os negócios, conforme DIRPF/2010; ii) a empresa escriturou notas fiscais Fl. 35411DF CARF MF Processo nº 10835.720202/201092 Acórdão n.º 3402004.969 S3C4T2 Fl. 35.408 9 de entrada emitidas por fornecedores declarados inexistentes pelos Fiscos Estaduais, e há indícios de notas fiscais de entrada frias, pois teriam sido emitidas pelo mesmo punho escritor responsável pelo preenchimento dos documentos fiscais de saída; c) nos extratos bancários da empresa inexistem os depósitos de cheques emitidas pela Vitapelli Ltda. Quanto à ausência de depósitos dos cheques emitidos pela Vitapelli Ltda, tal fato é absolutamente cediço, visto que a própria fiscalização reconheceu que é comum nesse ambiente de negócios a cessão de créditos por parte dos fornecedores. O simples fato da inexistência de depósitos dos cheques resta enfraquecido, enquanto indício da ausência de pagamento, em razão dessas circunstâncias específicas. O que há nos autos, isso sim, são cheques correspondente aos valores pagos informados, referentes às notas fiscais de aquisição junto a esse fornecedor. Ora, tampouco há que se imputar à Recorrente qualquer tipo de ônus ou sanção relacionado a irregularidades que a fornecedora possa ter cometido junto àquelas que lhe forneciam bens haja vista que não há efetivamente provas nos autos, mas simplesmente suspeitas do órgão de fiscalização. A relação da fornecedora com a Recorrente é um degrau acima, e não pode ser afetada por esses indícios salvo no caso de se comprovar que esse fornecedor seria uma pessoa jurídica simulada o que não está comprovado nos autos. Além disso, a empresa se encontrava "habilitada" no Sintegra, durante o período dos negócios realizados, o que reforça a boafé da Recorrente nas suas operações e corrobora a manutenção do crédito. Se os fiscos estaduais tinham plena certeza da ocorrência de irregularidades junto a este fornecedor, que tomassem medidas voltadas à declaração de sua inaptidão e sua inabilitação no Sintegra, o que não foi realizado anteriormente às operações analisadas. Ademais, não consta nos autos nenhum indício de que a recorrente tivesse, ou devesse ter, conhecimento da irregular interposição de pessoa/sucessão fraudulenta. Do ponto de vista da recorrente, portanto, entendo que o quanto trazido aos autos a coloca, em relação aos dois citados fornecedores, na condição do adquirente de boafé a que alude a doutrina e a jurisprudência, pelo que não pode ser ela responsabilizada, neste caso, pelas irregularidades praticadas por seus fornecedores. Desse modo, voto por reverter estas glosas.. c) Simental Comércio de Couros A fiscalização glosou as aquisições dessa empresa em razão dos seguintes elementos: i) um dos sócios não tinha capacidade econômica para gerir o negócio e nem conhecimento das operações; ii) divergência entre os pedidos efetuados pela Vitapelli e os pagamentos efetuados ao fornecedor; iii) indícios de interposição entre a Simental e a empresa Império do Boi Indústria e Comércio Ltda, Neste caso, aderimos integralmente às conclusões do relator do Acórdão CARF nº 1102001.075, pelo que reproduzimos abaixo suas considerações: Da análise das peças constantes dos autos, relativas ao processo de inaptidão da empresa Simental, restou claro para este relator que a pessoa jurídica de fato não possuía patrimônio e capacidade operacional condizente com as vendas que disse ter efetuado à recorrente, pelo que são inidôneas as notas fiscais por ele emitidas. Fl. 35412DF CARF MF 10 Contudo, a mesma diligência apontou indícios de que a empresa atuaria como interposta pessoa do frigorífico que se localizava a menos de 200 metros do local. Nos autos há inclusive fotos do couro no que seriam as instalações da Simental, tiradas pelo fisco. A exemplo de outros casos já aqui relatados, a despeito da inidoneidade do fornecedor e da documentação por ele emitida, não consta nos autos nenhum indício de que a recorrente tivesse, ou devesse ter, conhecimento dessas irregularidades. Nos documentos trazidos aos autos pelo fisco, constam conhecimentos de transporte emitidos por terceiros, além de documentos internos da recorrente (relatórios de entrada, ocorrências no recebimento de couros, e “tickets de pesagem”, entre outros). E, com relação aos pagamentos, cópias dos documentos de controle interno da recorrente (“cópias de cheque”, nominais ao fornecedor e aos transportadores), bem como, em alguns casos, cópias efetivas dos cheques emitidos, também nominais ao fornecedor. Diante destes elementos, entendo que o quanto trazido aos autos não afasta a condição da recorrente, em relação ao fornecedor ora em análise, de adquirente de boafé a que alude a doutrina e a jurisprudência, pelo que não pode ser ela responsabilizada, neste caso, pelas irregularidades por ele praticadas. Apesar das irregularidades constatadas na empresa Simental, a documentação referida na planilha apresentada pela Recorrente deixa claro que a operação ocorreu efetivamente, não havendo qualquer indício de que a mesma tivesse ciência dos vícios apontados na empresa que inclusive se encontrava habilitada junto ao SINTEGRA. Quanto às divergências entre os valores das notas e os recebimentos, tal se dá em razão dos abatimentos que já foram elucidados pela Recorrente, não devendo causar espécie tais discrepâncias. Desse modo, voto por reverter a glosa neste ponto. d) Amarildo Gobes dos Santos ME e Maria de Lucia da Silva Madeireira O relatório fiscal destacou as seguintes constatações, em síntese: o empresário individual Amarildo Gobes dos Santos demonstrou não ter conhecimento de aspectos importantes dos negócios da empresa, desconhecendo o valor do seu capital social, os nomes de seus fornecedores de lenha, dos seus prestadores de serviços de transporte e demais ajudantes, bem como os valores mensais de compras e vendas; o endereço da empresa (Rodovia Raposo Tavares s/n, Km 649, Presidente Epitácio/SP), não foi utilizado para o exercício da referida atividade comercial; falta de escrituração dos documentos fiscais de saídas de mercadorias nos livros próprios; falta de lastro de compra de mercadoria em quantidade suficiente para as vendas declaradas, no período de 02/2009 a 03/2010; ausência de conta bancária para um empreendimento que teria realizado vendas de vários milhões; Além disso, este fornecedor se encontrava "não habilitado" no SINTEGRA desde 2004, não estando apto a emitir notas fiscais e realizar operações mercantis Fl. 35413DF CARF MF Processo nº 10835.720202/201092 Acórdão n.º 3402004.969 S3C4T2 Fl. 35.409 11 normalmente. Mais ainda, se verificou que a empresa tinha montantes de gastos de compra muito inferiores ao valor das vendas, refletindo uma margem de lucro irreal. O Fisco Estadual fez uma elaborada fiscalização para demonstrar que essa pessoa jurídica era simulada, não tinha existência real. Neste caso, há provas contundentes da inaptidão da empresa e a inidoneidade dos documentos por ela emitidos, além do fato da inabilitação no Sintegra fazer prova contra a boafé do contribuinte nesse ponto. Frisese também que nos autos não há prova nenhuma do recebimento das mercadorias (com exceção do Livro Registro de Entrada), constando apenas as notas fiscais e a "telas" do sistema de controle de negócios da Vitapelli Ltda., que informariam os pagamentos. Já nos manifestamos em outras oportunidades que a aplicação do regime do art. 82, parágrafo único da Lei 9.430/96 pressupõe, antes de tudo, a efetiva existência da pessoa jurídica que tenha fornecido o bem cuja documentação foi tratada como inidônea para fins fiscais. É dizer, à partir da constatação da existência a despeito de eventual inaptidão que irá se verificar se foi efetivamente realizado o pagamento e a mercadoria recebida. A mesma situação é constatada quanto à Maria Lucia da Silva Madeireira, a qual foi constatada pela fiscalização como pessoa jurídica simulada, interposta pela Madeireira Santo Antônio, do Sr. Daniel Gobes dos Santos, que operava ambas, sendo a que a Sra Maria Lúcia da Silva sequer tinha conhecimento das atividades da empresa, somente assinando a procuração para o Sr. Daniel Gobes. O mesmo raciocínio esgrimido anteriormente se aplica aqui: apesar da existência de entradas no Livro Registro, das notas fiscais e da tela do sistema de controle indicando a emissão de cheques para pagamento, tais elementos só se tornam relevantes à partir do momento que se constate a existência real da empresa, e não mero simulacro. Além disso, a não habilitação desta no SINTEGRA corrobora as razões da fiscalização, pela manutenção da glosa. Assim, voto por manter estas glosas. e) Conclusão Parcial Desse modo, voto por reverter as glosas relativas às aquisições das fornecedoras indicadas, com exceção das aquisições das empresas Amarildo Gobes dos Santos ME e Maria de Lucia da Silva Madeireira. II) Da inclusão na base de cálculo dos abatimentos sobre as compras conceito de receita tributável para PIS/Cofins A fiscalização apurou diferenças entre os valores efetivamente pagos aos fornecedores e os valores constantes nas Notas Fiscais apresentadas, o que foi justificado pelo Recorrente como abatimentos sobre as compras, concedidos pelos fornecedores em razão de inconformidades relacionadas ao couro verde, salgado ou salmorado. Fl. 35414DF CARF MF 12 Em razão dessas inconformidades, às vezes, serem constatadas apenas durante o processo industrial, os descontos são concedidos posteriormente à operação comercial, de forma cumulativa relativamente às diversas aquisições de períodos anteriores. A fiscalização, por sua vez, reconhece em tais descontos "um ato liberatório da credora em relação à devedora, que se coaduna com descontos independentes de qualquer condição", não devendo ser tratado como "receita financeira", mas como "receita outros resultados operacionais". Em razão disso, deu aos abatimentos o tratamento de perdão de dívida, para fins de inclusão desses valores na base de cálculo das contribuições sociais. Sobre a possibilidade de inclusão ou não de valores relativos a perdão de dívida na base de cálculo do PIS/Cofins, este Colegiado se manifestou no Acórdão CARF nº 3402004.002, no qual fui designado redator do voto vencedor, nos termos que serão reproduzidos abaixo. Antes disso, todavia, é preciso fazer algumas colocações acerca dos fundamento invocados no Termo de Verificação Fiscal e no Despacho Decisório. Em primeiro lugar, fundamenta o tratamento jurídico do perdão de dívida com base na Decisão SRRF/6ª RF/DISIT Nº 297, de 21 de dezembro de 2000, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ementa: INSUBSISTÊNCIA PASSIVA. À baixa de valor registrado no passivo, por insubsistência da obrigação de pagar (insubsistência passiva) corresponde uma receita tributável, no momento desta baixa. Dispositivos Legais: Lei nº 6.404/1976, art. 186, § 1º; IR/1999, art. 273, caput; Lei nº 7.689/1988, art. 2º; Lei Complementar nº 7/1970, art. 3º. Sobre isto, três óbices distintos: i) em primeiro lugar, a presente decisão não se refere às contribuições sociais não cumulativas, mas sim a IRPJ, CSLL e PISRepique, não tendo aplicabilidade direta ao caso em tela; ii) em segundo lugar, o conceito de insubsistência passiva utilizada na decisão é absolutamente impróprio, pois em rigor ela se refere à variação negativa da Situação Líquida Patrimonial (SLP) em razão da diminuição do ativo da empresa provavelmente a decisão quis se referir à insubsistência do passivo, figura diametralmente diversa; e iii) ainda que se refira à insubsistência do passivo o que não o fez, pelo menos no jargão técnicocontábil , essa variação afeta a SLP, daí a pertinência de tal dado para fins de IRPJ e CSLL, mas não necessariamente para as contribuições sociais sobre a receita. A fiscalização tributária adotou, para fins de incidência tributária, o conceito contábil de receita veiculado, por exemplo, na Resolução CFC nº 1.374/2011, que qualificaria o "perdão de dívidas" como espécie de receita: Reconhecimento de receitas 4.47. A receita deve ser reconhecida na demonstração do resultado quando resultar em aumento nos benefícios econômicos futuros relacionado com aumento de ativo ou com diminuição de passivo, e puder ser mensurado com confiabilidade. Isso significa, na prática, que o reconhecimento da receita ocorre simultaneamente com o reconhecimento do aumento nos ativos ou da diminuição nos passivos (por exemplo, o aumento líquido nos ativos originado da venda de bens e Fl. 35415DF CARF MF Processo nº 10835.720202/201092 Acórdão n.º 3402004.969 S3C4T2 Fl. 35.410 13 serviços ou o decréscimo do passivo originado do perdão de dívida a ser paga). De fato, a fiscalização apontou precisamente um dispositivo de pronunciamento do Conselho Federal de Contabilidade que se presta a definir a receita, mas olvidou em distinguir que se trata de um reconhecimento de receita "na demonstração do resultado". Tratase de um escopo específico e distinto do reconhecimento de receita para fins de tributação, como expressamente reconhecimento no item 8A do Pronunciamento CPC nº 30, verbis: 8A. A divulgação da receita na demonstração do resultado deve ser feita a partir das receitas conforme conceituadas neste Pronunciamento. A entidade deve fazer uso de outras contas de controle interno, como “Receita Bruta Tributável”, para fins fiscais e outros. Como se vê, cai por terra o fundamento contábil da autuação a partir do reconhecimento, pela própria contabilidade, da diversidade entre o conceito de receita para fins de demonstração de resultado e para fins de cálculo das contribuições sociais devidas tratam se de finalidades absolutamente distintas que demandam registros coerentes com seus próprios escopos. Resta, ultrapassada a fronteira de um conceito contábil de receita, o enfrentamento de um conceito constitucional e legal de receita para fins de determinação da hipótese de incidência das contribuições sociais, bem como a delimitação de sua base de cálculo. Em se tratando de um conceito utilizado pela Constituição Federal e com reflexos nos textos do artigo 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que determinam a incidência do PIS/Cofins não cumulativo sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, "independentemente de sua denominação ou classificação contábil". Tal redação do dispositivo, como explica o Professor Marco Aurélio Greco, tem o condão de desatrelar da contabilidade o conceito de receita gerando dois efeitos opostos, mas complementares: de um lado, se contabilmente algo não está registrado como receita, mas tem essa natureza, as contribuições devem incidir; de outro lado, se algo está registrado contabilmente como receita, mas não tem essa natureza, não há incidência das contribuições. Outro não foi o entendimento do Órgão Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, sujeito à sistemática de repercussão geral: O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. Fl. 35416DF CARF MF 14 Como não poderia deixar de ser, não cabe nem deve caber ao Conselho Federal de Contabilidade ou aos demais órgãos definidores de regras contábeis a definição da hipótese de incidência dos tributos brasileiro, sob pena de subversão da sistemática normativa de delimitação de competência pela Constituição e definição da incidência pelas leis. Sob uma perspectiva histórica, o que se pode constatar é a tentativa constante de União de estender a hipótese de incidência das contribuições sociais, esbarrando sempre no conceito constitucional de receita tributável e nas limitações legais. Tal levantamento é feito de forma extremamente competente pelo Conselheiro Antonio Carlos Atulim, em declaração de voto apresentada no Acórdão nº 3402003.071, julgado em Maio de 2016, cujo conteúdo reproduzo abaixo: Historicamente essas contribuições sempre incidiram sobre o faturamento, entendido como o produto da venda de mercadorias e da prestação de serviços. A tentativa de a União incluir no rol de incidência das contribuições todas as receitas operacionais da pessoa jurídica tornouse uma odisseia que teve início em julho de 1988, quando se pretendeu alterar a base de cálculo do PIS por meio da edição de dois decretosleis. O PIS foi instituído por meio da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, a qual previa que as empresas privadas passariam a contribuir para o fundo com duas parcelas, sendo uma com base na dedução do imposto de renda devido e outra com base no faturamento (arts. 1º e 3º). Esse quadro legislativo se manteve até julho de 1988, quando foram editados os DecretosLeis nº 2.445, de 29 de junho de 1988, e nº 2.449, de 21 de julho de 1988, por meio dos quais as contribuições mensais até então devidas sobre o faturamento, passariam a incidir sobre a receita operacional bruta (art. 1º, V, do DecretoLei nº 2.445/88). A tentativa de a União ampliar a base de cálculo do PIS por essa via foi rechaçada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 148.754, por meio do qual o Tribunal declarou a inconstitucionalidade formal dos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Relativamente ao financiamento da Seguridade Social, a odisseia teve início com a instituição do Fundo de Investimento Social FINSOCIAL, por meio da edição do DecretoLei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, quando foi criada uma contribuição devida pelas empresas equivalente a 0,5% (cinco décimos por cento) do faturamento (art 1º, § 1º). Sobreveio então a Constituição Federal de 1988 e com o passar dos anos a alíquota inicial de 0,5% do FINSOCIAL foi sendo elevada ao mesmo tempo em que foi criada a Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988). Houve contestação judicial por parte dos contribuintes e o Supremo Tribunal Federal mais uma vez foi chamado a intervir. No julgamento do RE nº 150.764, o Tribunal manteve a cobrança do FINSOCIAL com a configuração existente na data da promulgação da CF/88, declarando inconstitucionais as majorações procedidas em sua alíquota após o advento da nova ordem constitucional. Diante da inviabilidade do aumento da contribuição ao FINSOCIAL, foi editada a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, por meio da qual foi revogado o FINSOCIAL, instituindose a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com alíquota de 2% incidente sobre o faturamento (art. 2º). Fl. 35417DF CARF MF Processo nº 10835.720202/201092 Acórdão n.º 3402004.969 S3C4T2 Fl. 35.411 15 Esse quadro legislativo se manteve até a edição da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, por meio da qual a União mais uma vez tentou ampliar as bases de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS redefinindo o conceito de faturamento (art. 3º, § 1º). E mais uma vez a União viu sua tentativa frustrada, pois por meio do RE nº 390.840 o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Desse breve retrospecto legislativo, resulta a comprovação da assertiva inicial deste voto, no sentido de que historicamente essas contribuições sempre incidiram sobre o faturamento e que a intenção da União, pelo menos a partir de 1988, sempre foi ampliar o campo de incidência para abarcar a receita operacional. Todas as vezes em que a União tentou ampliar as bases de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS para alcançar as receitas operacionais das empresas, houve declaração de inconstitucionalidade da norma infraconstitucional. Esse quadro mudou com o advento da Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, por meio do qual foi alterado o texto do art. 195, I, "b" da CF/88, que passou a prever a incidência das contribuições destinadas ao custeio da seguridade social sobre a "receita ou o faturamento". A partir dessa alteração constitucional, passou a existir permissão para que o legislador incluísse nas bases de cálculo das contribuições destinadas ao financiamento da seguridade social qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, pois o texto constitucional utilizou o vocábulo "receita" sem nenhuma qualificação ou limitação. Com lastro nessa alteração constitucional, foram editadas as Medidas Provisórias nº 66, de 2002 e 135, de 2003, que resultaram na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, respectivamente, que nas suas redações originais definiram as bases de cálculo das contribuições nos seguintes termos: Lei nº 10.637: " Art. 1oA contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. 1oPara efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2oA base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...)" Lei nº 10.833 "Art. 1oA Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 35418DF CARF MF 16 § 1oPara efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2oA base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...)" A primeira leitura desses dispositivos legais aparentemente autoriza a pretensão fiscal de incluir a na base de cálculo das contribuições qualquer tipo de receita, seja ela operacional ou não operacional. Mas embora exista autorização na constituição para a tributação da "receita" em geral, o legislador não se valeu dessa faculdade, pois não só vinculou "a totalidade das receitas" ao termo "faturamento", mas também excluiu expressamente da incidência as receitas não operacionais nos parágrafos 3º dos arts. 1º dessas duas leis. Nas cabeças dos arts. 1º de ambas as leis, a menção ao termo "faturamento", limita a amplitude do "total das receitas auferidas" ao total das receitas operacionais, uma vez que as receitas nãooperacionais não se identificam com faturamento, já que não decorrem da execução do objeto social da pessoa jurídica. Tal afirmação parece ser confirmada pelos parágrafos 3º dos dois dispositivos citados, que se encarregaram de excluir da incidência das contribuições as receitas não operacionais, nos seguintes termos: Lei 10.637/2002: § 3oNão integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I a IV omissis... V referentes a: a) vendas canceladas ou aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI–não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (incluído pela Lei nº 10.684/2003) Lei nº 10.833/2003: § 3oNão integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I omissis II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III e IV omissis V referentes a: a) omissis Fl. 35419DF CARF MF Processo nº 10835.720202/201092 Acórdão n.º 3402004.969 S3C4T2 Fl. 35.412 17 b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. (...)" Ao contrário do entendimento de alguns, esse rol de exclusões das receitas não operacionais não é exaustivo, pois o legislador, no momento da elaboração da norma, não tem condições de prever todas as hipóteses de receitas não operacionais que podem se apresentar no mundo real. Tanto isso é verdade que com o advento da Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014, houve alteração na técnica de redação dos artigos 1º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, pois ao mesmo tempo em que o legislador especificou e limitou a incidência às receitas estabelecidas no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e no art. 183, VIII da Lei nº 6.404/76, houve ampliação do rol de exclusões de receitas não operacionais das bases de cálculo, fato que comprova que o rol de exclusões anteriormente existente não era exaustivo. Se fosse exaustivo, não seria necessário e nem logicamente possível que uma lei posterior viesse a ampliálo. Assim, se historicamente o legislador nunca pretendeu incluir as receitas não operacionais nas bases de cálculo do PIS e COFINS e se existe previsão expressa de exclusão dessas receitas nas leis que instituíram as contribuições não cumulativas, é incabível a pretensão da fiscalização tributálas. Com razão o Ilustre Conselheiro retrocitado. A legislação do PIS/Cofins não cumulativo vigente à época da concessão dos abatimentos previa em seu artigo 1º o seguinte: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Tal dispositivo enseja uma leitura conjunta com o art. 12 do DecretoLei 1.598/77, que definia expressamente o conceito de faturamento mensal e receita bruta, nos seguintes termos: Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. Não se está diante, no presente caso, de receita bruta decorrente da venda de bens e serviços, caracterizado pela legislação de regência como o conjunto de fatos aptos a configurar a incidência do PIS e da Cofins. É preciso mais do que simples "ganho" para que se configura receita tributável, como também consignou o STF, no mesmo REx 606.107/RS: Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no Fl. 35420DF CARF MF 18 patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. (grifo nosso) No caso em tela, resta claro que o perdão de dívida considerando aqui o fundamento da fiscalização nunca poderia ser tratado como receita para fins de tributação (apenas para fins de demonstração de resultado da empresa), por não configurar ingresso. Ele não se integra ao patrimônio de forma inaugural não há aquisição de disponibilidade nova, mas apenas eliminação de um comprometimento patrimonial existente. E mais, não se trata de uma distinção que estamos inaugurando aqui, mas sim de elemento de discrímen não apenas consagrado jurisprudencialmente como também pela própria legislação, que não se furtou, em diversas oportunidades, em deixar claro que a eliminação de um passivo, conquanto represente um ganho, não deve ingressar na base de cálculo do PIS e Cofins, como no artigo 1º, §3º, incisos V, "b", X e XII da Lei nº 10637/02: Art. 1º (...) § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: V referentes a: b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, QUE NÃO REPRESENTEM INGRESSO DE NOVAS RECEITAS, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de participações societárias, que tenham sido computados como receita; X de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público; XII relativas ao valor do imposto que deixar de ser pago em virtude das isenções e reduções de que tratam as alíneas “a”, “b”, “c” e “e” do § 1o do art. 19 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977; A lei é categórica: sempre que estiver ausente o elemento de ingresso financeiro, o "ganho" não pode se enquadrar na categoria de "receita tributável" quando muito, no conceito de receita contábil para fins de demonstração do resultado. Desse modo, não podem os valores reputados como "perdão de dívida" ou mesmo que sejam abatimentos s/ compras serem incluídos na base de cálculo do PIS/Cofins não cumulativo. Assim, voto pela exclusão de tais valores da apuração. III) Da validade da cessão de créditos A fiscalização entendeu por desconsiderar os pagamentos feitos pelo Recorrente a terceiros que não correspondiam aos fornecedores, em razão da existência de contratos de "cessão de crédito a terceiros com autorização do fornecedor", para desconsiderar os pagamentos feitos em relação aos negócios jurídicos realizados com os fornecedores. O equívoco é total, neste ponto. A cessão de créditos é operação típica, descrita no art. 286 do Código Civil: Fl. 35421DF CARF MF Processo nº 10835.720202/201092 Acórdão n.º 3402004.969 S3C4T2 Fl. 35.413 19 Art. 286. O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boafé, se não constar do instrumento da obrigação. Em primeiro lugar, o titular, proprietário, dos créditos que serão cedidos NÃO é a Vitapelli, mas sim os FORNECEDORES que se tornaram credores do Recorrente após o fornecimento de matériasprimas mediante contraprestação (ou promessa de contraprestação). Portanto, que cede o crédito não é a Vitapelli, mas sim o fornecedor. Assim, a cessão de crédito, como já foi dito anteriormente, é uma relação negocial entre o fornecedor credor da Vitapelli e uma terceira pessoa que não tem qualquer relação necessária com a Vitapelli , cujos efeitos somente poderão ser opostos ao devedor (o Recorrente) mediante notificação deste, nos termos do art. 290 do CC/02 (Art. 290. A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor, senão quando a este notificada; mas por notificado se tem o devedor que, em escrito público ou particular, se declarou ciente da cessão feita.). O que a cessão de crédito opera é apenas o efeito translativo na posição creditória da relação jurídica decorrente do negócio realizado originalmente entre a Vitapelli e seus fornecedores. Ora, se é reconhecido pela própria fiscalização que os pagamentos foram feitos aos terceiros cessionários dos créditos dos fornecedores, a relação jurídica creditória decorrente dos negócios jurídicos de aquisição de matériasprimas que estarão sendo extintas por esses pagamentos pois o cessionário subrogase na posição do fornecedor, como credor da Vitapelli. Como bem colocado pela Recorrente, não há que se confundir a cessão de créditos relativos à operação de compra e venda, com a operação de compra e venda em si, pois é nesta que se funda o direito aos créditos, conforme a legislação. São três momentos distintos: i) a compra e venda (Vitapelli e fornecedor); ii) a cessão dos créditos (fornecedor e terceiros); e iii) o pagamento das compras (Vitapelli e terceiros). Ainda se aduziu, na decisão recorrida, que segundo o art. 288 do CC/02, "É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrarse mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do § 1o do art. 654". Ora, o Fisco não é terceiro interessado na cessão de créditos, mas apenas na ocorrência do pagamento relativo ao negócio jurídico, de modo que o negócio foi celebrado mediante instrumento particular com assinaturas devidamente reconhecidas em cartórios, garantindo a validade da operação de cessão e a sua oponibilidade ao devedor (Vitapelli). O terceiros a que se refere a legislação são aqueles que tenham interesses patrimoniais em bens e direitos dos envolvidos na operação de cessão de crédito especificamente o cedente e o cessionário como forma de proteger terceiros, por exemplo, da dilapidação patrimonial para frustrar obrigações privadas existentes absolutamente nada tem a ver com a verificação da ocorrência ou não dos negócios jurídicos de aquisição de matérias primas entre os fornecedores e o Recorrente. Pelo contrário, ao atestar a ocorrência dos pagamentos feitos pela Vitapelli aos cessionários, a Fiscalização confirma a ocorrência da condição necessária para afastar a inidoneidade dos documentos, conforme art. 82, parágrafo único da Lei 9.430/96: Fl. 35422DF CARF MF 20 Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. É dizer, a própria Fiscalização confirmou o pagamento as obrigações oriundas do fornecimento de matériaprima. Desse modo, há que se reconhecer a validade das operações de cessão de crédito realizadas pelos fornecedores, que impactaram na comprovação do pagamento do preço respectivo das matériasprimas adquiridas, o que, conjuntamente ao Livro de Registro de Entradas do período analisado, bem como os tickets de pesagem e demais documentos que atestem o transporte e recebimento das mercadorias, servem para comprovar a ocorrência do negócio e para afastar a inidoneidade das notas fiscais. Assim, voto por reverter as glosas referentes aos pagamentos de terceiros cessionários de créditos que a Vitapelli tinha perante seus fornecedores. IV) Das glosas em razão do contrato de mútuo com o Diretor da Recorrente A fiscalização constatou que parte dos cheques utilizados para o pagamento dos fornecedores estava em poder do Diretor Administrativo da Vitapelli, o Sr. Nilson Riga Vitale, em face de contrato de mútuo. Em rigor, o motivo da glosa foi o fato do Diretor Administrativo ter apresentado cópia dos cheques endossados pelos fornecedores, e que isso não teria comprovado o efetivo pagamento dos fornecedores. Em relação à empresa Frigorífico Angelelli (CNPJ 44.802.528/000150), a fiscalização aduz que não teria sido comprovado a quitação da compra de matériaprima com recursos do Diretor Administrativo, em razão de ter sido apresentado apenas cópia do contrato de mútuo e das duplicatas. Em primeiro lugar, é preciso frisar aqui que a lógica é distinta daquela utilizada em relação às empresas cuja glosa se fundou na inidoneidade das notas fiscais em razão da inaptidão da empresa, ou mesmo na sua simulação. No presente caso, tratamse de empresas cuja existência e operação não foram contestadas pela fiscalização, de modo que o gozo do crédito não fica condicionado ao efetivo pagamento do montante da operação, mas simplesmente o registro fiscal da ocorrência dela, através da nota fiscal. Isso se dá em razão da apuração de créditos de PIS/Cofins obedecer ao regime de competência, fazendo jus o Recorrente ao crédito no período em que foi realizado o negócio e nascida a relação jurídica, e não em um eventual momento posterior de recebimento da mercadoria (exemplo disso são os casos de venda para entrega futura de produto já existente). Portanto, se exigir a comprovação dos pagamentos para se conceder o crédito da operação é criar condição não prevista pela legislação para os casos ordinários, mas somente Fl. 35423DF CARF MF Processo nº 10835.720202/201092 Acórdão n.º 3402004.969 S3C4T2 Fl. 35.414 21 para aqueles em que a presunção de boafé do adquirente é colocada em xeque em razão da inaptidão do seu fornecedor, demandando o escorço probatório específico previsto na Lei nº 9.430/96. Então, novamente, é preciso frisar que a respeito destas glosas não foi feita qualquer acusação fiscal quanto à inaptidão das empresas, razão pela qual o fundamento da autuação, qual seja, a não comprovação do efetivo pagamento, não pode ser mantida. Além disso, verificase que a fiscalização insiste em glosar os créditos em razão do endosso dos cheques, por entender que não haveria prova de pagamento aos fornecedores. Causa espécie, a este relator, esse argumento. O endosso de título de crédito tem o condão de transferir o direito de recepção do valor nominal do respectivo título do endossante para o endossatário. Os títulos endossados são os cheques emitidos pela Vitapelli Ltda (cf. consta nos autos cópias deles), mas na operação de endosso que também envolve a cessão de um crédito, razão pela qual o que foi aduzido anteriormente aqui também se aplica esta não tem nenhuma participação. Em rigor, o endossante é o fornecedor e o endossatário é o terceiro que passou a ter direito ao recebimento do valor do título de crédito a única peculiaridade nesse caso é que o pagamento desses valores, aos terceiros endossatários, seria feito com recursos do Diretor Administrativo, em razão de contrato de mútuo estabelecido entre este e a Recorrente, para fins de suprimento de recursos financeiros algo absolutamente cediço no meio comercial. O fato dos recursos advirem do contrato de mútuo para o pagamento dos cheques endossados é juridicamente irrelevante para fins de concessão ou não do direito ao crédito, seja porque tratase de um negócio não relacionado à operação comercial em si, mas simplesmente ao suprimento de recursos à Recorrente, seja porque não é necessária a comprovação do efetivo pagamento para que se tenha direito ao crédito, salvo nos casos de fornecedor inapto. Em relação ao Frigorídico Angelelli, a apresentação das duplicatas quitadas é documento suficiente para demonstrar o direito ao crédito. Ora, o devedor emitiu um título de crédito se obrigando a pagar o valor da fatura num determinado prazo, e tal valor foi pago ainda que com recursos do Diretor, auferidos através de mútuo contratado entre eles. Não consigo ver qual o problema neste caso, pois não há um ônus probatório específico quanto ao pagamento, como comprovação da origem dos recursos, comprovantes de depósitos etc.; além do fato reconhecido pela fiscalização da quitação da duplicata deixar claro o efetivo pagamento da obrigação nascida da relação comercial entre a Recorrente e este fornecedor. Desse modo, voto pela reversão também destas glosas. V) Correção monetária do ressarcimento pela SELIC. Fl. 35424DF CARF MF 22 Requer o contribuinte o reconhecimento do direito à correção monetária pela SELIC. Sobre o tema, aduziu o Cons. Waldir Navarro no julgamento do PAF nº 10835.002183/200471, nos seguintes termos: Pois bem. O art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, e o art. 39, caput e § 4º , da Lei nº 9.250, de 1995, autorizavam a compensação ou a restituição, corrigida monetariamente, com base na variação da Unidade Fiscal de Referência (Ufir), ou o abono de juros calculados pela taxa Selic, de pagamentos indevidos ou a maior de tributos e contribuições, o que não é o caso de ressarcimento de créditos, oriundos de receitas de exportação, de PIS/COFINS não absorvidos pelos débitos do mesmo imposto ou compensados com os demais tributos federais. Cabe ressaltar que ressarcimento e restituição são institutos distintos, porquanto o primeiro é modalidade de aproveitamento de incentivo fiscal (um benefício), ao passo que a restituição, ou repetição de indébito é a devolução, ao contribuinte que tenha suportado o ônus do tributo ou contribuição pagos indevidamente, ou em valor maior do que o devido, ou seja, de receita tributária que ingressou indevidamente nos cofres da Fazenda Pública. E mais. Entendo que essa matéria prescinde de maiores digressões, pois a pretensão da Recorrente correção do ressarcimento da COFINS pela incidência da taxa SELIC, encontrase cabal e expressamente vedada pela legislação de regência, disposta no art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, aplicável também ao ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS não cumulativa pela norma de extensão do inciso VI do art. 15: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. (....). Assim, contra disposição expressa da lei não é cabível aplicar analogias com decisões judiciais não aplicáveis ao caso concreto, como pretende a Recorrente. E é desta forma que vem reiteradamente sendo decidido pela CSRF. Por fim, sobre a alegação de inconstitucionalidade, deste outro lado, pela aplicação da Súmula CARF nº 2, fica impedido o Colegiado deste CARF de apreciar a Constitucionalidade da lei. Vejase: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. À vista disso, o pleito feito pela Recorrente de atualização monetária e incidência de juros pela SELIC dos valores dos créditos a serem ressarcidos não pode ser acolhido. Aderindo às razões acima, há que se negar o direito do contribuinte à atualização dos créditos pleiteados, pela SELIC. VI) Da boafé do contribuinte, da verdade material, da publicidade da inaptidão ou inabilitação do fornecedor, da realização de perícia. Fl. 35425DF CARF MF Processo nº 10835.720202/201092 Acórdão n.º 3402004.969 S3C4T2 Fl. 35.415 23 A Recorrente aduz sua boafé através da apresentação das pesquisas à habilitação de seus fornecedores, e pela apresentação de documentação comprobatória das operações. Tais pontos já foram levados em conta na análise das glosas perpetradas, razão pela qual não cabe manifestação específica sobre este ponto aqui. Quanto à realização de perícia, este relator entende ser despicienda em razão do farto acervo probatório e das diversas planilhas apresentadas, que facilitam a compreensão de tudo. Desse, modo, nego a realização de perícia com fundamento no art. 18 do Decreto 70.235/72. VII) Conclusão Ante o exposto, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: I) para reverter todas as glosas de crédito, com exceção das glosas relativas às aquisições dos fornecedores Amarildo Gobes dos Santos ME e Maria de Lucia da Silva Madeireira; II) excluir da base de cálculo da contribuição os valores reputados como "perdão de dívida" pela fiscalização; III) reverter as glosas referentes aos pagamentos a terceiros cessionários de créditos que a Vitapelli tinha perante seus fornecedores, e aos pagamentos feitos pelo Diretor Administrativo a endossatários de cheques emitidos pela Vitapelli, em razão de operação de mútuo. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Voto Vencedor Com a devida vênia, fui designado a redigir o presente voto vencedor, uma vez que o Colegiado, por voto de qualidade, não acompanhou o entendimento do eminente Relator quanto aos seguintes itens do seu voto: I) Das glosas de créditos relativos às aquisições de fornecedores considerados inaptos pela fiscalização ( relativos às empresas J.A Comércio de Couros Ltda, José de Carvalho Lima Júnior, Reginaldo de Carvalho Siqueira ME e Simental Comércio de Couros); II) Da inclusão na base de cálculo dos abatimentos sobre as compras conceito de receita tributável para PIS/Cofins; III) Da validade da cessão de créditos; e Fl. 35426DF CARF MF 24 IV) Das glosas em razão do contrato de mútuo com o Diretor da Recorrente. Das glosas de créditos relativos às aquisições de fornecedores considerados inaptos pela fiscalização Conforme informa o ilustre Relator, parte das glosas de créditos pleiteados pelo contribuinte no trimestre respectivo do anocalendário de 2009, referentes à aquisição de couro bovino junto aos diversos fornecedores indicados no termo de verificação fiscal, foi glosada pelo Auditor sob o argumento de que essas aquisições efetivamente não ocorreram, conforme, segundo ele, comprovam os elementos acostados aos autos. A Recorrente pugna, inicialmente, pela aplicação do decidido no Acórdão CARF nº 1102001.075 julgado pela 1ª Seção e relativo ao efeito das presentes glosas na apuração do IRPJ e CSLL da Recorrente, nos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, no qual foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a validade de certas operações. Compartilho das mesmas conclusões do Relator, que se manifestou sobre o tema da seguinte forma: Conquanto concorde que é incoerente que as mesmas operações possam receber tratamento contraditório ao serem julgadas por turmas em sessões distintas do CARF, o Acórdão que se pretende aplicar sequer é definitivo, pendente atualmente de análise no âmbito da 1ª CSRF, cabendo aqui a análise específica do mérito das glosas. Acrescento ainda que o processo citado pela Recorrente trata de auto de infração, enquanto o processo ora analisado trata de pedido de ressarcimento no qual cabe à Recorrente o ônus da prova de seu direito creditório. Em seu recurso voluntário a interessada alega que as operações efetivamente ocorreram e foram pagas, devendo ser mantidos os efeitos tributários dos negócios. É entendimento pacificado neste Colegiado que cabe à Recorrente o ônus de provar o direito creditório alegado perante a Administração Tributária, conforme consignado no Código de Processo Civil (Lei nº5.869/73), vigente à época, e adotado de forma subsidiária na esfera administrativa tributária: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; A obrigação de provar o seu direito decorre do fato de que a iniciativa para o pedido de ressarcimento ser do contribuinte, cabendo à fiscalização a verificação da certeza e liquidez de tal pedido, por meio da realização de diligências, se entender necessárias, e análise da documentação comprobatória apresentada. O art. 65 da revogada IN RFB nº 900/2008 esclarecia: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua Fl. 35427DF CARF MF Processo nº 10835.720202/201092 Acórdão n.º 3402004.969 S3C4T2 Fl. 35.416 25 escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. A busca da verdade material deve nortear toda a fase inquisitorial e o contencioso administrativo. A comprovação de uma dada situação fática pode se dar com uma única prova, que por si só é suficiente para se concluir pela ocorrência do fato, ou por um conjunto de elementos/indícios que, se isoladamente não garantem a ocorrência do fato, mas agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. Nesse sentido, a Autoridade Tributária realizou, por meio de auditoria, a análise do direito creditório do contribuinte e concluiu que, pelo conjunto de provas obtidas, eram insubsistentes os créditos pleiteados sobre as aquisições realizadas das empresas J.A Comércio de Couros Ltda, José de Carvalho Lima Júnior, Reginaldo de Carvalho Siqueira ME e Simental Comércio de Couros, haja vista que as operações não teriam efetivamente ocorrido no plano fático. O Termo de Verificação e Conclusão Fiscal expõe em seus subitens 3.5 a 3.10 e também no ANEXO V as glosas decorrentes de situação irregular de cada fornecedor (fl. 9475/9489). Este anexo inclui, separada por fornecedor, documentação referente às operações não comprovadas (fls. 15748/19151). As irregularidades apuradas nas empresas diligenciadas foram fartamente documentadas (fls. 9475/9489 e 15748/19151). pela Fiscalização. Várias irregularidades que levaram a desconsideração das compras dessas empresas foram identificadas, tais como falta de habilitação junto ao sistema Sintegra, inaptidão do CNPJ, inexistência de fato do empreendimento, desconhecimento do negócio pelo responsável legal (empresa fornecedora operada por terceiros), valores de aquisições incompatíveis com os declarados pelos fornecedores, etc. No presente Recurso, caberia então à Interessada trazer aos autos elementos de prova inequívocos que comprovassem a efetividade das operações principalmente quanto ao pagamento das notas fiscais e o recebimento das mercadorias, tudo isso visando infirmar as conclusões levadas a efeito pela Fiscalização. Nesse sentido, a empresa juntou aos autos planilha com a relação dos documentos que entendeu necessários à comprovação da efetividade das operações com as citadas empresas. O ilustre Relator, da mesma forma, entendeu que a documentação acostada aos autos comprovariam a ocorrência das ditas operações objetos de glosas. Durante a sessão de julgamento, pedi vistas do processo a fim de analisar a documentação juntada e avaliar a sua potencialidade de infirmar as conclusões da fiscalização pelas glosas dos créditos relativos as aquisições das empresas citadas. A seguir, são expostas as conclusões obtidas após a análise realizada. Na tentativa de comprovar a efetividade das operações com as empresas citadas a empresa apresentou planilha, junto com o seu recurso, na qual relaciona todos os documentos comprobatórios anexados aos autos. Conforme consta na planilha de fls.19.562 a 19.572, a empresa juntou aos autos cópias das notas fiscais de compras, cópias dos conhecimentos de transportes, RPAs, cópias e espelhos de cheques, alguns recibos de prestadores de serviços e tickets de pesagem, Fl. 35428DF CARF MF 26 tudo com o fim de comprovar o pagamento das compras e respectivo recebimento da mercadorias originadas das empresas em epígrafe. A documentação apresentada para comprovação de pagamentos das compras e fretes juntadas, por si só, não se mostrou hábil para comprovar de forma inequívoca a realização das operações quanto ao pagamento e recebimento das mercadorias. OsTickets de pesagem. recibos de autônomos, registros contábeis, cópias e espelhos de cheques não são documentos hábeis para comprovar a efetividade da ocorrência das operações com as empresa em situação irregular quanto a ocorrência do efetivo pagamento e recebimento das mercadorias adquiridas. Deveria a empresa ter trazido aos autos extratos bancários que demonstrassem as movimentações entre as empresas ou mesmo os comprovantes de depósitos referentes aos pagamentos. Ademais, não constam nos autos, como comprovação do efetivo ingresso dos bens, com registros individualizados, cópias do Livro de Registro de Controle da Produção e do Estoque ou o controle quantitativo, como preceituam os arts. 383 e 388 do Decreto n. 4.544, de 2002. Mesmo naqueles casos em que a empresa apresentou comprovantes de depósitos do pagamento das mercadorias adquiridas, a exemplo do que se deu em algumas notas fiscais da empresa Reginaldo de Carvalho Siqueira ME, a Recorrente deixou de apresentar os comprovantes de depósitos em relação ao pagamento dos respectivos fretes contratados, limitandose também a juntar cópias de cheques. Noticiase nos autos que nos extratos bancários dessa empresa não constam cheques compensados da Vitapelli, tampouco foram apresentados contratos de operações de créditos envolvendo os supostos cheques. Nesse sentido, não deve ser reconhecido o direito creditório quanto às aquisições de mercadorias das empresas J.A Comércio de Couros Ltda, José de Carvalho Lima Júnior, Reginaldo de Carvalho Siqueira ME e Simental Comércio de Couros, por falta de comprovação inequívoca da realização das operações, nos termo do art. 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96. Da inclusão na base de cálculo dos abatimentos sobre as compras conceito de receita tributável para PIS/Cofins. A Autoridade Tributária apurou diferenças entre os valores efetivamente pagos aos fornecedores e os valores constantes nas Notas Fiscais apresentadas. Tal fato foi justificado pelo Recorrente como abatimentos sobre as compras, concedidos pelos fornecedores em razão de inconformidades relacionadas ao couro verde, salgado ou salmorado. A fiscalização entendeu que tais descontos se constituem em "um ato liberatório da credora (fornecedor) em relação à devedora, que se coaduna com descontos independentes de qualquer condição", não devendo ser tratado como "receita financeira", mas como "receita outros resultados operacionais". Em razão disso, deu aos abatimentos o tratamento de perdão de dívida, para fins de inclusão desses valores na base de cálculo das contribuições sociais. O tema envolvido em questão diz respeito principalmente ao conceito de receita para a legislação do PIS/Pasep e da Cofins não cumulativos. O Relator defendeu que os valores contabilizados relativos aos abatimentos sobre compras concedidos por fornecedores não possuem a natureza de receita. Segundo o seu entendimento, somente ocorre a caracterização de receita quando há ingresso financeiro de recursos que se integre ao patrimônio na condição de elemento novo e positivo, fato que não ocorreu no caso.ora analisado. A turma colegiada, por voto de qualidade, entretanto, concordou com o entendimento da Autoridade Tributária ao atribuir natureza jurídica de receitas operacionais as Fl. 35429DF CARF MF Processo nº 10835.720202/201092 Acórdão n.º 3402004.969 S3C4T2 Fl. 35.417 27 parcelas em discussão, mantendo a sua inclusão na base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme fundamentos a seguir expostos. Percebese pela leitura dos autos que a recorrente é sujeita ao regime não cumulativo das contribuições e aos comandos do artigo 1º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, cujas redações em 2009 eram as abaixo transcritas: Lei nº 10.637/2002: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Produção de efeito § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI – não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (a Lei nº 10.833/2003 ampliou a exclusão para "não operacionais, decorrentes da venda do ativo permanente", aplicandose ao PIS/Pasep, de acordo com o artigo 15 da referida lei) Lei nº 10.833/2003: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, Fl. 35430DF CARF MF 28 independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). (Produção de efeito). Constatase pela legislação transcrita que a base de cálculo das contribuições na sistemática não cumulativa é bem ampla, incluindo todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Além disso, a legislação também prevê as exclusões desta base de cálculo. No entanto, não se identifica no dispositivo legal legal transcrito previsão para a exclusão da remissão de dívidas da incidência do PIS e da COFINS não cumulativos. Assim, resta verificar se esses valores se subsumem ao conceito de receita. O Relator, em seu voto, insistiu na tese da necessidade de ingresso positivo de recurso que implique repercussão patrimonial positiva para que o evento seja caracterizado como receita para quem aufere. Fl. 35431DF CARF MF Processo nº 10835.720202/201092 Acórdão n.º 3402004.969 S3C4T2 Fl. 35.418 29 O Colegiado, por voto de qualidade, discordou dessa assertiva por entender que não apenas o ingresso de recursos na entidade com aumento do seu ativo (sem contrapartida no passivo) representa receita, mas também aqueles benefícios econômicos decorrentes de diminuição de passivo, sem contrapartida diminutiva no ativo, têm efeito positivo patrimônio líquido da entidade, da mesma forma se caracterizando como receita. O Pronunciamento Técnico CPC 30 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis confirma esse entendimento na sua definição de receita: Objetivo A receita é definida no Pronunciamento Conceitual Básico Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis como aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido da entidade e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. As receitas englobam tanto as receitas propriamente ditas como os ganhos. A receita surge no curso das atividades ordinárias da entidade e é designada por uma variedade de nomes, tais como vendas, honorários, juros, dividendos e royalties. O objetivo deste Pronunciamento é estabelecer o tratamento contábil de receitas provenientes de certos tipos de transações e eventos. (negritos nossos) Concluise que receita é o ingresso econômico representado por um aumento de ativo ou diminuição de passivo que resulta em aumento de patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. Nesse sentido, os abatimentos sobre compras possuem natureza jurídica de remissões de dívidas, caracterizadas por um ingresso econômico decorrente da redução de um passivo sem a redução cocomitante de um ativo, resultando, desta forma, em um acréscimo de riqueza refletida no patrimônio da entidade.. A não inclusão desses eventos na base de cálculo do PIS e da COFINS somente seria possível por meio de previsão em lei. Não havendo previsão legal para tanto, correto está a tributação dessas receitas pelas contribuições em comento. Este colegiado também já se pronunciou em outras oportunidades sobre a matéria, a teor dos Acórdãos nº 1401001.114 e 3201002.117, cujas ementas parciais transcrevemse, respectivamente: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 Fl. 35432DF CARF MF 30 PERDÃO DE JUROS DE MORA. NORMAS GERAIS DE DIREITO O valor relativo à redução de dívida decorrente de remissão não tem natureza de receita financeira, devendo ser registrada como "outras receitas operacionais". PERDÃO DE JUROS DE MORA. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. A remissão de dívida importa para o devedor (remitido) acréscimo patrimonial (receita operacional diversa da receita financeira), por ser uma insubsistência do passivo, cujo fato imponível se concretiza no momento do ato remitente. Recurso Voluntário Negado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2002 PERDÃO DE DÍVIDA. PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. O perdão de dívida importa para o devedor acréscimo patrimonial, caracterizandose como receita operacional, cujo valor deve ser computado na base de cálculo do PIS apurado no regime não cumulativo. Recurso Voluntário negado Assim, os abatimentos sobre compras se constituem em receitas tributáveis, decorrentes de um acréscimo patrimonial para o devedor, pela redução de um passivo, sem correspondente redução do ativo, que não se qualificam como receitas financeiras, estando corretamente classificadas como “Outras Receitas Operacionais”, conforme restou comprovado nos autos. Da validade da cessão de créditos Conforme relatado nos autos, a Autoridade Tributária desconsiderou os pagamentos feitos pela Recorrente a terceiros que não correspondiam aos fornecedores, em razão da existência de contratos de "cessão de crédito a terceiros com autorização do fornecedor". A Recorrente, por sua vez, afirma que não seriam necessárias maiores formalidades, bastando apenas a comunicação ao devedor nos termos dos art. 107 e 108 do Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002). No entanto, ao contrário do que aduz a Recorrente, o Código Civil em seu art. 288 define que a cessão de crédito é ineficaz quando a transmissão de um crédito não for celebrada por meio de instrumento público, ou em caso de instrumento particular, que sejam atendidos os requisitos constantes no art. 654 do mesmo diploma legal, o qual ao estabelecer as condições de validade da procuração particular define em seu § 1ª que a mesma deve conter a indicação do lugar onde ocorre a outorga, a qualificação das partes, e discriminação dos poderes conferidos. Código Civil Fl. 35433DF CARF MF Processo nº 10835.720202/201092 Acórdão n.º 3402004.969 S3C4T2 Fl. 35.419 31 Art. 288: É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrarse mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do § 12 do art. 654. (...) Art. 654: Todas as pessoas capazes são aptas para dar procuração mediante instrumento particular, que valerá desde que tenha a assinatura do outorgante. § 1ºO instrumento particular deve conter a indicação do lugar onde foi passado, a qualificação do outorgante e do outorgado, a data e o objetivo da outorga com a designação e a extensão dos poderes conferidos. § 22 O terceiro com quem o mandatário tratar poderá exigir que a procuração traga a firma reconhecida. Vale ressaltar, ainda, que a Lei de Registros Públicos nº 6.015, de 1973, que estabelece em seu art. 130, § 9º que para os instrumentos de cessão de direitos e de créditos surtirem efeitos perante terceiros devem ser registrados no Registro de Títulos e Documentos. Art.130. Estão sujeitos a registro, no Registro de Títulos e Documentos, para surtir efeitos em relação a terceiros: (Renumerado do art. 130 pela Lei nº 6.216, de 1975). §9º os instrumentos de cessão de direitos e de créditos, de subrogação e de dação em pagamento. No caso concreto, percebese que as referidas exigências legais não foram obedecidas pela empresa. Constatase que não constam nos autos os instrumentos referentes às diversas cessões de crédito que os fornecedores da requerente teriam feito com vários cessionários, apenas há cartas de alguns fornecedores (denominado Notificação de Cessão de Crédito), comunicando a Recorrente que o pagamento deveria ser feito para um terceiro por eles escolhidos. Por essas razões não há como reconhecer a eficácia das cessões de créditos desprovidas das formalidades legais. Das glosas em razão do contrato de mútuo com o Diretor da Recorrente Os motivos alegados pela Fiscalização para efetuar a glosa quanto a esse item foram assim resumidos no voto do ilustre Relator: A fiscalização constatou que parte dos cheques utilizados para o pagamento dos fornecedores estava em poder do Diretor Administrativo da Vitapelli, o Sr. Nilson Riga Vitale, em face de contrato de mútuo. Em rigor, o motivo da glosa foi o fato do Diretor Administrativo ter apresentado cópia dos cheques endossados pelos fornecedores, e que isso não teria comprovado o efetivo pagamento dos fornecedores. Fl. 35434DF CARF MF 32 Em relação à empresa Frigorífico Angelelli (CNPJ 44.802.528/000150), a fiscalização aduz que não teria sido comprovado a quitação da compra de matériaprima com recursos do Diretor Administrativo, em razão de ter sido apresentado apenas cópia do contrato de mútuo e das duplicatas. A Recorrente, por sua vez, alega que deve ser dada validade as operações pois foram apresentados o contrato de mútuo e cópia dos cheques endossados, sendo tais documentos suficientes para comprovar a efetividade das operações. Justificou, ainda, que se foram apresentados os cheques endossados pelos fornecedores e que estes estavam em poder de terceiros, é porque a relação jurídica entre Vitapelli x fornecedores estava extinta, ainda que os cheques fossem pósdatados. Conforme já registrado, os documentos comprobatórios de ocorrência das compras, apresentados pela empresa, resumiramse aos contratos de mútuo e os cheques do Diretor endossados pelos fornecedores. Ambos documentos não são hábeis para comprovar o efetivo pagamento das compras, pelo que está correta a glosa operada pela Fiscalização. O contrato de mútuo, por si só, é insuficiente para comprovar o suprimento de recursos pelo sóciodiretor, necessitaria o Contribuinte apresentar documentação que de fato demonstrasse a efetiva transferência do recurso para a empresa. Cheque endossado por fornecedor também não se mostra hábil para comprovar essa transferência, tampouco para o efetivo pagamento da mercadoria junto aos fornecedores. É entendimento pacificado neste Colegiado que cabe à Recorrente o ônus de provar o direito creditório alegado perante a Administração Tributária, conforme consignado no Código de Processo Civil (Lei nº5.869/73), vigente à época, e adotado de forma subsidiária na esfera administrativa tributária: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; A obrigação de provar o seu direito decorre do fato de que a iniciativa para o pedido de ressarcimento ser do contribuinte, cabendo à fiscalização a verificação da certeza e liquidez de tal pedido, por meio da realização de diligências, se entender necessárias, e análise da documentação comprobatória apresentada. O art. 65 da revogada IN RFB nº 900/2008 esclarecia: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. No presente Recurso, caberia então à Interessada trazer aos autos elementos de prova inequívocos que comprovassem a efetividade das operações principalmente quanto ao pagamento das notas fiscais de aquisição das mercadorias, tudo isso visando infirmar as conclusões levadas a efeito pela Fiscalização. Fl. 35435DF CARF MF Processo nº 10835.720202/201092 Acórdão n.º 3402004.969 S3C4T2 Fl. 35.420 33 Em situação semelhante, com relação as compras do Frigorífico Angelelli Ltda., a Recorrente alega que a simples apresentação das duplicatas quitadas pelo seu emitente ou endossatário é suficiente para comprovar a efetividade da operação. Em posição divergente, entendo que a documentação apresentada é insuficiente para comprovar a efetividade das operações com o referido frigorífico. Da mesma forma que o caso anterior, a documentação apresentada pelo Contribuinte não conseguiu comprovar a origem dos recursos, tampouco o efetivo pagamento das aquisições das mercadorias. Dessa forma, uma vez que a Recorrente não logrou êxito na comprovação de ocorrência das referidas operações financeiras com o sóciodiretor e os fornecedores, também devem ser mantidas as glosas operadas pela Fiscalização nesse item. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Pedro Sousa BispoRedator Designado Fl. 35436DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16636.000689/2010-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/1991 a 30/09/1995
INDÉBITO TRIBUTÁRIO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA.
As decisões judiciais que reconhecem o indébito tributário não podem ser objeto de pedido de restituição administrativa, sob pena de ofensa ao art. 100 da Constituição Federal.
Numero da decisão: 3001-000.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/1991 a 30/09/1995 INDÉBITO TRIBUTÁRIO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. As decisões judiciais que reconhecem o indébito tributário não podem ser objeto de pedido de restituição administrativa, sob pena de ofensa ao art. 100 da Constituição Federal.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16636.000689/2010-16
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5832105
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3001-000.193
nome_arquivo_s : Decisao_16636000689201016.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CASSIO SCHAPPO
nome_arquivo_pdf_s : 16636000689201016_5832105.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
dt_sessao_tdt : Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7128852
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007708368896
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1478; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 2 1 1 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16636.000689/201016 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.193 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 26 de janeiro de 2018 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PIS/PASEP Recorrente YURGEL SOCIEDADE ANONIMA INDUSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1991 a 30/09/1995 INDÉBITO TRIBUTÁRIO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. As decisões judiciais que reconhecem o indébito tributário não podem ser objeto de pedido de restituição administrativa, sob pena de ofensa ao art. 100 da Constituição Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/POA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade e por consequência o direito creditório não foi reconhecido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 63 6. 00 06 89 /2 01 0- 16 Fl. 537DF CARF MF Processo nº 16636.000689/201016 Acórdão n.º 3001000.193 S3C0T1 Fl. 3 2 Dos fatos A Contribuinte buscou via ação judicial (Ação Ordinária nº 2000.71.10.0054497), o reconhecimento ao crédito de PIS pelo pagamento a maior que o devido, face a declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449 de 1988 com pretensões de efetuar a compensação ou restituição dos valores indevidamente recolhidos. A sentença obtida em juízo lhe conferiu o direito à compensação dos valores recolhidos a maior, ressalvada a prescrição decenal. Valendose do seu direito creditório e respaldada pela determinação judicial, a contribuinte efetuou pedido de habilitação de crédito, com despacho favorável (efls.155), tornadoa apta a apresentar Declaração de Compensação. Em ato contínuo transmitiu a RFB 29 Declarações de Compensação e um Pedido de Restituição (efls.126/127), face ao valor que lhe fora conferido no processo de habilitação de crédito. Do Despacho Decisório A DRF de Pelotas/RS proferiu Despacho Decisório (efls. 235/240), homologando tão somente as compensações requeridas face a suficiência de crédito e indeferiu o pedido de restituição por não lhe ter sido facultado pela determinação judicial. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls. 291), justificando que: 1 – "embora na ação declaratória restou consignado o direito da contribuinte em compensar seu crédito tributário frente seus débitos, nada obsta à contribuinte restituir seus créditos"; 2 – efetivamente ocorreu a compensação do crédito tributário conforme determinado em decisão judicial, mas, sendo o débito inferior o saldo credor remanescente deve ser restituído; 3 – transcreve entendimento jurisprudencial no sentido de não ser necessário seguir a especificidade da decisão, uma vez que permanecendo saldo credor favorável ao contribuinte, o mesmo deverá ser restituído; Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 2ª Turma da DRJ/POA, esta proferiu decisão pela improcedência da manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elaborada: AÇÃO JUDICIAL DIREITO À COMPENSAÇÃO RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. AFRONTA À COISA JULGADA IMPOSSIBILIDADE. A utilização de créditos oriundos de decisão judicial deve obedecer integralmente a parte dispositiva da decisão, inclusive quanto este determina que o indébito reconhecido somente pode ser objeto de compensação, sendo que agir de forma diferente, acarreta afronta a coisa julgada. Então, a partir Fl. 538DF CARF MF Processo nº 16636.000689/201016 Acórdão n.º 3001000.193 S3C0T1 Fl. 4 3 do trânsito em julgado, o contribuinte terá a faculdade de optar pelo recebimento do crédito por via de precatório ou proceder à compensação tributária, não sendo possível a restituição administrativa, sob pena de violação a decisão judicial transitada em julgado e ao art. 100 da Constituição Federal. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls. 333) contra a decisão proferida em primeira instância, alegando tratarse de mero equivoco de interpretação da legislação atinente a matéria, merecendo ser reformada integralmente a decisão recorrida. Que da compensação autorizada judicialmente, restou um saldo no montante de R$ 42.164,08 que foram objeto de pedido de ressarcimento. Caso não seja atendido resultará em enriquecimento ilícito do Estado, afrontando os princípios da ilegalidade, da eficiência e da proporcionalidade. Que a devolução dos tributos indevidamente recolhidos pelo contribuinte encontramse previstos no art. 165 do CTN, independentemente da modalidade do seu pagamento, de forma a coibir o Estado de se apropriar do patrimônio do contribuinte e devolvêlo em consonância com o disposto no art. 884 do CC. Tanto é possível a restituição pecuniária do saldo remanescente não compensado que a IN da SRF nº 1.300/2012, faz essa previsão, devendo, inclusive, ser acrescido dos juros SELIC. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Apesar da razoabilidade de todo o conteúdo de defesa trazido pela recorrente, tem a questão da legalidade que impedido atendimento ao pleito, administrativamente. Esse tema já foi, inclusive, objeto de análise e julgamento pela 1ª Turma da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, contido no acórdão nº 3301003.958, de 27 de julho de 2017, da Conselheira Semíramis de Oliveira Duro Relatora, de cujas razões peço vênia para incluílas nos fundamentos dessa decisão. Pedido de Ressarcimento/Restituição Fl. 539DF CARF MF Processo nº 16636.000689/201016 Acórdão n.º 3001000.193 S3C0T1 Fl. 5 4 Para a Recorrente, quando a sentença declaratória certifica todos os elementos relativos à obrigação tributária, como ocorreu no presente caso, a mesma tem força de título executivo e poderá servir de base à apresentação de pedido administrativo de restituição. Entendo que não há razão nesse argumento. Com o trânsito em julgado da decisão que determinou a repetição do indébito, é facultado ao contribuinte manifestar a opção de receber o respectivo crédito por meio de precatório regular ou requisição de pequeno valor, ou mediante compensação em âmbito administrativo. Todavia, ao fazer a opção pelo pagamento do crédito via compensação administrativa, o contribuinte sujeitarseá ao procedimento disciplinado pela RFB. Não é possível a restituição administrativa, sob pena de violação ao art. 100 da Constituição Federal: Art. 100. Os pagamentos devidos pelas Fazendas Públicas Federal, Estaduais, Distrital e Municipais, em virtude de sentença judiciária, farseão exclusivamente na ordem cronológica de apresentação dos precatórios e à conta dos créditos respectivos, proibida a designação de casos ou de pessoas nas dotações orçamentárias e nos créditos adicionais abertos para este fim. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 62, de 2009). O mesmo entendimento expressa a Súmula nº 461 do STJ: Opção de Recebimento por Meio de Precatório ou Compensação – Indébito Tributário Certificado por Sentença Declaratória Transitada em Julgado O contribuinte pode optar por receber, por meio de precatório ou por compensação, o indébito tributário certificado por sentença declaratória transitada em julgado. E ainda, REsp 1.114.404 MG, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, DJ 01/03/2010: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. SENTENÇA DECLARATÓRIA DO DIREITO À COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. POSSIBILIDADE DE REPETIÇÃO POR VIA DE PRECATÓRIO OU REQUISIÇÃO DE PEQUENO VALOR. FACULDADE DO CREDOR. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. Fl. 540DF CARF MF Processo nº 16636.000689/201016 Acórdão n.º 3001000.193 S3C0T1 Fl. 6 5 1. "A sentença declaratória que, para fins de compensação tributária, certifica o direito de crédito do contribuinte que recolheu indevidamente o tributo, contém juízo de certeza e de definição exaustiva a respeito de todos os elementos da relação jurídica questionada e, como tal, é título executivo para a ação visando à satisfação, em dinheiro, do valor devido" (REsp n. 614.577/SC, Ministro Teori Albino Zavascki). 2. A opção entre a compensação e o recebimento do crédito por precatório ou requisição de pequeno valor cabe ao contribuinte credor pelo indébito tributário, haja vista que constituem, todas as modalidades, formas de execução do julgado colocadas à disposição da parte quando procedente a ação que teve a eficácia de declarar o indébito. Precedentes da Primeira Seção: REsp.796.064 RJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 22.10.2008; EREsp. Nº 502.618 RS, Primeira Seção, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 8.6.2005; EREsp. N. 609.266 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 23.8.2006. 3. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. A IN RFB nº 1.300, de 2012, menciona unicamente a hipótese de compensação ao tratar do tema, não autorizando a restituição administrativa como forma de satisfação dos títulos judiciais, a menos, que a decisão judicial determine a restituição administrativa. Diante da sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, que vincula o julgamento administrativo no âmbito do CARF, conforme previsão regimental específica (art. 62, § 2º, do atual RICARF), este órgão julgador deverá seguila. Neste caso, a restituição administrativa não foi objeto da lide judicial. Além disso, os créditos apurados em decorrência da ação judicial já foram parcialmente utilizados para extinguir por compensação débitos de PIS conforme Declarações de Compensação homologadas Deve, por conseqüência, ser indeferido o pedido de restituição (PER 00746.70570.041108.1.2.578852). Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário mantendo o indeferimento do pedido de restituição ora questionado. (assinado digitalmente) Fl. 541DF CARF MF Processo nº 16636.000689/201016 Acórdão n.º 3001000.193 S3C0T1 Fl. 7 6 Cássio Schappo Fl. 542DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720066/2011-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA.
Constatada omissão no acórdão, acolhem-se os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para que seja sanado o vício apontado, mantendo-se a decisão embargada que conheceu do recurso apenas na parte que versa sobre a incidência dos juros de mora, para dar-lhe provimento e integrar o voto para acrescentar-lhe que os valores exigidos na presente autuação relacionam-se com o objeto do Mandado de Segurança nº 2004.61.00.020839-0.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 3201-003.309
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto.
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA. Constatada omissão no acórdão, acolhem-se os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para que seja sanado o vício apontado, mantendo-se a decisão embargada que conheceu do recurso apenas na parte que versa sobre a incidência dos juros de mora, para dar-lhe provimento e integrar o voto para acrescentar-lhe que os valores exigidos na presente autuação relacionam-se com o objeto do Mandado de Segurança nº 2004.61.00.020839-0. Embargos Acolhidos
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16561.720066/2011-65
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5838854
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.309
nome_arquivo_s : Decisao_16561720066201165.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 16561720066201165_5838854.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios. Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto. Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
id : 7153208
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050007712563200
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1613; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720066/201165 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3201003.309 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria CIDE Embargante SAP BRASIL LTDA Interessado SAP BRASIL LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA. Constatada omissão no acórdão, acolhemse os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para que seja sanado o vício apontado, mantendose a decisão embargada que conheceu do recurso apenas na parte que versa sobre a incidência dos juros de mora, para darlhe provimento e integrar o voto para acrescentarlhe que os valores exigidos na presente autuação relacionamse com o objeto do Mandado de Segurança nº 2004.61.00.0208390. Embargos Acolhidos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto. Paulo Roberto Duarte Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Trata o presente processo de embargos de declaração opostos pelo sujeito passivo, em face do Acórdão 3201002.100, prolatado por esta Turma na sessão de 16/03/2016. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 66 /2 01 1- 65 Fl. 1726DF CARF MF Processo nº 16561.720066/201165 Acórdão n.º 3201003.309 S3C2T1 Fl. 3 2 O acórdão embargado conheceu em parte o Recurso Voluntário e, na parte conhecida, deulhe provimento, cuja ementa foi assim redigida: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL Constatado que o processo administrativo guarda relação de identidade com o processo judicial partes, causa de pedir e pedido caracterizada a concomitância, com a consequente prevalência do processo judicial em relação ao administrativo. Aplicação da Súmula CARF n. 1. DEPÓSITO JUDICIAL DO MONTANTE INTEGRAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. Não incide juros de mora na hipótese de existência do depósito judicial do montante integral do crédito tributário em discussão. Aplicação da Súmula CARF n. 5. Cientificado da decisão, o sujeito passivo interpôs embargos de declaração, sustentando que a decisão recorrida contém contradição, como expôs: “(...) embora a Relatora tenha acertado ao mencionar que “A presente controvérsia versa sobre a incidência sobre remessas a título de pagamento por prestação de serviços da Recorrente, à sua matriz na Alemanha”, tal menção é frontalmente contraditória à decisão de afastamento das nulidades levantadas pela Embargante, pois, ao contrário da afirmação contida no voto da Relatora de que “a Recorrente ingressou com dois mandados de segurança, de n. 2010.61.00.0075961 e 2009.61.00.0232110, referentes à discussão de incidência da CIDE sobre as operações de remessa, e outro para tenha o direito de pagar o IRRF à alíquota de 15%, para efetuar o depósito judicial, sendo que com relação à ação judicial de discussão da CIDE, constatouse que vem sendo feitos os depósitos judiciais, do montante integral do crédito tributário em discussão”, a verdade material subjacente aos fatos em discussão no presente processo é que a incidência da CIDE sobre pagamentos de serviços feitos pela Embargante em favor da empresa alemã SAP AG é objeto única e exclusivamente do Mandado de Segurança nº 2004.61.00.0208390, conforme evidenciam os documentos juntados ao caso como docs. nº 4 a 6 da impugnação protocolada em 24.1.2012. A perpetuação de tal equívoco poderá gerar diversos problemas e,inconvenientes à Embargante no futuro.” No despacho de admissibilidade (fls. 1.713/1.716), atestouse a tempestividade da peça e, no mérito da análise, não se vislumbrou a propagada contradição. Contudo, constatouse o vício da omissão, pois a decisão embargada não enfrentou a arguição de nulidade da autuação em razão da errônea indicação do mandado de segurança em relação ao qual havia a concomitância. Fl. 1727DF CARF MF Processo nº 16561.720066/201165 Acórdão n.º 3201003.309 S3C2T1 Fl. 4 3 Assim, constatado que o julgado deixou de analisar questão relevante ao deslinde da do litígio, acolheuse os embargos para que o vício da omissão seja sanado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator. Admitidos os embargos por decisão do Presidente da Turma, o processo foi a mim distribuído, o qual incluí em pauta de julgamento. Conforme relatado, os embargos foram admitidos em decorrência da omissão da decisão por não ter enfrentado a alegação de nulidade da autuação em razão da indicação errônea do mandado de segurança em relação ao qual haveria a concomitância. Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF), cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. O mandado de segurança nº. 2004.61.00.0208390, sobre o qual repousa a concomitância entre a ação judicial e o presente processo administrativofiscal, e alegado como sendo o correto pela contribuinte, não foi citado na decisão. Reconhece a embargante que o cerne do litígio é a concomitância entre processos judicial e administrativo cujo objeto é a incidência sobre remessas a título de pagamento por prestação de serviços da SAP Brasil, à sua matriz na Alemanha SAP AG. O vício apontado é quanto à identificação correta da medida judicial em que foram realizados os depósitos judiciais que garantem a suspensão da exigibilidade da presente autuação. Alega a embargante que o processo judicial no qual se discute a incidência da CIDE e os depósitos realizados tratase do Mandado de Segurança nº 2004.61.00.0208390, e não os Mandados de Segurança nº 2009.61.00.0232110 e 2010.61.00.0075961, como apontado pela Fiscalização na autuação. Seguindo neste raciocínio a embargante assevera que não se trata de mero equívoco fiscal, mas de vício material na autuação que ensejaria sua nulidade, pois conforme argui, "obrigou a ora Embargante a exercer seu direito de defesa sem mesmo ter a certeza dos fatos que estão sendo alegados em seu desfavor." Não vejo motivação para se decretar a nulidade do auto de infração, todavia, é certo que não houve o enfrentamento da matéria suscitada nas peças de defesa. Primeiro, ainda que se alegue a incerteza da autuação quanto aos valores lançados, a própria SAP Brasil demonstra conhecimento dos fatos e exerce em plenitude o seu direito de defesa. Fl. 1728DF CARF MF Processo nº 16561.720066/201165 Acórdão n.º 3201003.309 S3C2T1 Fl. 5 4 No Termo de Verificação Fiscal estão consignados os demonstrativos e referências às planilhas que serviram de cálculo à atuação, e a ausência de menção ao MS nº 2004.61.00.0208390 não macula o procedimento de nulidade, eis que os valores apurados encontramse calculados e apontados pela fiscalização nas planilhas às folhas 366/605, com base em elementos fornecidos pela contribuinte, a saber: planilhas discriminando remessas ao exterior, contatos de câmbio, contratos de serviço, certidões de objeto e pé, guia de depósitos. Ou seja, a partir dos documentos de propriedade da interessada foram extraídas as informações para a lavratura do auto de infração para prevenção de decadência, revelandose incompatível alegações de cerceamento de direito de defesa motivado por incerteza na alegação dos fatos afirmados pelo Fisco. Segundo, a jurisprudência deste CARF tem se manifestado no sentido que a nulidade a ser proferida necessariamente deve impor prejuízo à parte, e neste aspecto a embargante não deduz objetivamente qual a natureza do prejuízo, tãosomente exercita a possibilidade de "gerar diversos problemas e inconvenientes à Embargante no futuro" Entendo que a preocupação é com o desfecho das ações judiciais nominadas nestes autos que, na hipótese de decisões finais conflitantes e desfavoráveis, poderia acarretar prejuízo na liquidação dos valores devidos; todavia, novamente, repisase, não se configuram vícios materiais que maculam de nulidade o auto de infração. Conclusão Dessa forma, não se apresentam vícios que ensejam a nulidade suscitada, contudo devese aclarar a decisão para constar que os valores exigidos na presente autuação não guardam relação com a discussão travada nos Mandados de Segurança nº 2009.61.00.0232110 e 2010.61.00.0075961, mas sim com a discussão judicial existente no Mandado de Segurança nº 2004.61.00.0208390. Por todo exposto, voto por acolher os embargos de declaração interpostos, sem efeitos infringentes, para (i) integrar o voto acrescentandolhe que os valores exigidos na presente autuação relacionamse com o objeto do Mandado de Segurança nº 2004.61.00.0208390. Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 1729DF CARF MF
score : 1.0
