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Numero do processo: 13984.000515/00-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995
PRAZO PRESCRICIONAL/DECADENCIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição no caso de pagamento indevido é de 10 anos contados do fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data.
Numero da decisão: 9303-006.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para afastar a decadência/prescrição em relação aos pagamentos indevidos decorrentes dos fatos geradores posteriores a 11/10/1990, resguardado o direito do Fisco de atestar, no mérito, o efetivo direito à restituição.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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PRAZO PRESCRICIONAL. Recorrente BATTISTELLA VEÍCULOS PESADOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 PRAZO PRESCRICIONAL/DECADENCIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição no caso de pagamento indevido é de 10 anos contados do fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial para afastar a decadência/prescrição em relação aos pagamentos indevidos decorrentes dos fatos geradores posteriores a 11/10/1990, resguardado o direito do Fisco de atestar, no mérito, o efetivo direito à restituição. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 05 15 /0 0- 81 Fl. 528DF CARF MF Processo nº 13984.000515/0081 Acórdão n.º 9303006.294 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte contra decisão tomada no acórdão nº 20218.971, de 07 de maio de 2008 (efolhas 345), integrado pelo acórdão nº 330100.490, de 29 de abril de 2010 (efolhas 400 e segs). O primeiro recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Anocalendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PIS, até a edição da Medida Provisória n º 1.212/95, era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Jurisprudência consolidada no Egrégio Superior Tribunal de Justiça e, no âmbito administrativo, na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso provido em parte. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 430 e segs) diz respeito ao prazo prescricional/decadencial para repetição do indébito, se de cinco anos contados do fato gerador ou da data da resolução do Senado que declarou inconstitucional a legislação que disciplinava a exigência. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 512 e segs. Fl. 529DF CARF MF Processo nº 13984.000515/0081 Acórdão n.º 9303006.294 CSRFT3 Fl. 4 3 Contrarrazões da Fazenda Nacional às efolhas 516 e segs. Requer que não se dê seguimento ao recurso e, no mérito, que lhe seja negado provimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial Em sede de contrarrazões, a Fazenda Nacional alega que o recurso não observou requisitos formais de admissibilidade. Em síntese, considera que (i) a divergência não foi demonstrada analiticamente; (ii) as ementas não foram transcritas no voto e (iii) as decisões do Superior Tribunal de Justiça não se prestam à demonstração do dissenso. A transcrição das ementas no corpo do recurso não é condição para admissão do contraditório. Basta que seja anexada cópia do inteiro teor dos acórdãos paradigma, ex vi § 9º do art. 67 do Regimento Interno deste Conselho1. Da mesma forma, uma vez que isso tenha sido observado, não há que se falar em demonstração do dissenso com base em jurisprudência do STJ. As referências às decisões judiciais destinamse, apenas, a robustecer a tese defendida pela recorrente. No que se refere à demonstração analítica do dissenso, se observa que a divergência sobre a matéria que remanesce em litígio é de tão fácil identificação que a própria alusão aos fatos revelase suficiente. Mérito 1 Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 10. Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União. § 11. As ementas referidas no § 9º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Fl. 530DF CARF MF Processo nº 13984.000515/0081 Acórdão n.º 9303006.294 CSRFT3 Fl. 5 4 Discutese o dies a quo para contagem do prazo prescricional/decadencial para repetição do indébito. A decisão recorrida considerou que o prazo deve ser contado da data do pagamento indevido. Os paradigma elegeram a data da Resolução n° 49 do Senado Federal, que retirou do mundo jurídico os DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF. A contrarrazoante aduz que, mesmo se considerado o prazo pretendido pela recorrente, o pedido ainda teria sido apresentado a destempo. Salvo melhor juízo, a lide dever ser resolvida à luz de outros fundamentos. Como bem apontado pela decisão recorrida2, o "art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005, estabeleceu por meio de interpretação autêntica, que para os efeitos do disposto no art. 168, I, do CTN, a extinção do crédito tributário ocorre no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1º, da referida lei", tornandose "inaplicáveis as inúmeras teses que circulavam nos meios jurídicos sobre o prazo de prescrição para repetição do indébito de tributos sujeitos à sistemática do lançamento por homologação". Segundo esse entendimento, carece de motivação a discussão travada nos autos sobre os efeitos da declaração de inconstitucionalidade dos Decretosleis nºs 2.445/88 e 2.449/88 e da Resolução n° 49 do Senado Federal na fixação do dies a quo para a contagem do prazo decadencial/prescricional dos pedidos de restituição. Tal como interpretouse, por força do disposto no art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005, o prazo contase, sempre, da data do pagamento indevido (ou, como a seguir se verá, do fato gerador). Admitida essa linha de raciocínio, cumpre ressalvar, contudo, que, ao contrário de como entendeu a decisão recorrida, o lapso temporal não é sempre de cinco anos. 2 "A partir da interpretação sistemática dos arts. 165, I e 168, caput inciso I, do CTN, deflui que o prazo de decadência do direito à repetição do indébito tributário é de cinco anos, contados da extinção do crédito tributário. O art. 32 da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005, estabeleceu por meio de interpretação autêntica, que para os efeitos do disposto no art. 168, I, do CTN, a extinção do crédito tributário ocorre no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1º, da referida lei. Além do mais, apôs a publicação da Lei Complementar n2 118, de 09/02/2005, tornaramse inaplicáveis as inúmeras teses que circulavam nos meios jurídicos sobre o prazo de prescrição para repetição do indébito de tributos sujeitos à sistemática do lançamento por homologação. Tratandose de lei expressamente interpretativa, aplicase o comando do art. 106,1, do CTN. Diante do exposto, concluise que os meses de competência ate agosto de 1995 encontramse fulminados pelo instituto da decadência do direito de a contribuinte pleitear o indébito." Fl. 531DF CARF MF Processo nº 13984.000515/0081 Acórdão n.º 9303006.294 CSRFT3 Fl. 6 5 Em 04 de agosto de 2011, o Supremo Tribunal Federal julgou o Recurso Extraordinário 566.621, modulando os efeitos do que fora disposto no retrocitado art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. A sentença determinou que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição, no caso de pagamento indevido, é de 10 anos contados do fato gerador nas ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos contados da data do pagamento indevido para as ações ajuizadas após essa data. Observese. RE 566621 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 04/08/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também Fl. 532DF CARF MF Processo nº 13984.000515/0081 Acórdão n.º 9303006.294 CSRFT3 Fl. 7 6 se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. O artigo 62, § 2º, do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais3, aprovado pela Portaria 343/2015 e alterações, determina que as matérias de repercussão geral sejam reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pela contribuinte. 3 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos Fl. 533DF CARF MF Processo nº 13984.000515/0081 Acórdão n.º 9303006.294 CSRFT3 Fl. 8 7 O pedido de restituição de que se trata foi apresentado em 11/10/2000, como consta à efolha 03. Concluise que não está prescrito/decaído o direito de repetição do indébito para os pagamentos correspondentes aos fatos geradores ocorridos depois do dia 11/10/1990. O Despacho Decisório de efolhas 153 e segs informa que os pagamentos indevidos ocorreram nos anos de 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995. Voto por dar parcial provimento ao recurso especial da contribuinte para afastar a decadência/prescrição em relação aos pagamentos indevidos decorrentes dos fatos geradores posteriores a 11/10/1990, resguardado o direito do Fisco de atestar, no mérito, o efetivo direito à restituição. Por economia processual, na execução do presente julgado, a unidade adminiatrativa deve adotar o disposto na Súmula CARF nº 15, abaixo transcrita. Súmula CARF nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 534DF CARF MF
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Numero do processo: 10467.900079/2011-16
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2004 a 30/09/2004
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NÃO CUMULATIVIDADE. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O regime jurídico da não cumulatividade pressupõe a tributação plurifásica, objetivando evitar-se a incidência em cascata do tributo. Por outro lado, na tributação monofásica não há cumulatividade, pois o tributo incide em uma única etapa do processo. Por isso, a lei veda que o contribuinte, nas fases seguintes, se aproveite de crédito decorrente de tributação monofásica ocorrida no início da cadeia.
Por expressa vedação legal, os revendedores de combustíveis não podem incluir na base de cálculo dos créditos das contribuições os valores pagos na compra, para revenda, desses produtos, tendo em vista estarem inseridos numa cadeia de comercialização sujeita à tributação monofásica.
O art. 17 da Lei nº 11.033/04 não revogou as vedações ao creditamento já contidas nas Leis n° 10.6.37/02 e 10.833/03.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Diego Weis Júnior.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NÃO CUMULATIVIDADE. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O regime jurídico da não cumulatividade pressupõe a tributação plurifásica, objetivando evitar-se a incidência em cascata do tributo. Por outro lado, na tributação monofásica não há cumulatividade, pois o tributo incide em uma única etapa do processo. Por isso, a lei veda que o contribuinte, nas fases seguintes, se aproveite de crédito decorrente de tributação monofásica ocorrida no início da cadeia. Por expressa vedação legal, os revendedores de combustíveis não podem incluir na base de cálculo dos créditos das contribuições os valores pagos na compra, para revenda, desses produtos, tendo em vista estarem inseridos numa cadeia de comercialização sujeita à tributação monofásica. O art. 17 da Lei nº 11.033/04 não revogou as vedações ao creditamento já contidas nas Leis n° 10.6.37/02 e 10.833/03. Recurso Voluntário Negado.
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NÃO CUMULATIVIDADE. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O regime jurídico da não cumulatividade pressupõe a tributação plurifásica, objetivando evitarse a incidência em cascata do tributo. Por outro lado, na tributação monofásica não há cumulatividade, pois o tributo incide em uma única etapa do processo. Por isso, a lei veda que o contribuinte, nas fases seguintes, se aproveite de crédito decorrente de tributação monofásica ocorrida no início da cadeia. Por expressa vedação legal, os revendedores de combustíveis não podem incluir na base de cálculo dos créditos das contribuições os valores pagos na compra, para revenda, desses produtos, tendo em vista estarem inseridos numa cadeia de comercialização sujeita à tributação monofásica. O art. 17 da Lei nº 11.033/04 não revogou as vedações ao creditamento já contidas nas Leis n° 10.6.37/02 e 10.833/03. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Diego Weis Júnior. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 90 00 79 /2 01 1- 16 Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10467.900079/201116 Acórdão n.º 3002000.029 S3C0T2 Fl. 262 2 (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata dos Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento PER de nº 27208.95721.290408.1.1.101815 (fl. 2/4), 36901.32235.300408.1.1.102600 (fl. 5/7) e 25437.16326.300408.1.1.108079 (9/11), transmitidos em 29 e 30 de abril de 2008, cujo o crédito seria decorrente da sistemática do PIS não cumulativo. A partir desse ponto, transcrevo o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "O Contribuinte supraqualificado foi cientificado em 10/02/2012, fl. 165, do Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em João Pessoa/Paraíba (DRF/JPA/PB), fl. 160, ratificado por um segundo Despacho Decisório de fls. 162/163, em que o Titular da Unidade de Jurisdição do Sujeito Passivo, após apreciar o Pedido de Restituição/Ressarcimento de crédito oriundo da alegada Contribuição para o PIS (PER/DCOMP), referente ao 3º trimestre de 2004, no montante de R$ 1.504,81, fls. 4, 160, e demais dados ali discriminados, proferiu o mencionado Despacho Decisório apresentando as conclusões a seguir: Analisadas as informações prestadas no documento discriminado, constatouse que não há direito ao Pleito apresentado pela Defesa, pelo que se tornou impossível a apuração dos créditos previstos pelo art. 3º da Lei 10.637/2002, motivo pelo qual se indeferiu o Pedido de Restituição/Ressarcimento apresentado no PER/DCOMP identificado. Relevante salientar que, além do mencionado Despacho Decisório, fl. 160, foi anexo aos autos o Termo de Encerramento de Ação Fiscal, fls. 146/157, em que o indeferimento do Pedido de Restituição/Ressarcimento apresentado no PER/DCOMP identificado ficou esclarecido com precisão, conforme sintetizado nas informações a seguir discriminadas: Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10467.900079/201116 Acórdão n.º 3002000.029 S3C0T2 Fl. 263 3 A partir da Lei 9.990/2000, somente as Refinarias de Petróleo passaram a responder pela Contribuição ao PIS e à COFINS, nas operações com combustíveis derivados do petróleo, restando desonerados os demais integrantes da cadeia, razão pela qual os Comerciantes Varejistas de combustíveis foram desonerados, tanto da incidência do PIS quanto da COFINS, através do advento da tributação monofásica. Imprescindível deixar claro, entretanto, que nem o art. 17 da Lei 11.033, de 2004, nem o art. 16, da Lei 11.116, de 2005, alteraram a forma de apuração dos créditos da não cumulatividade do PIS e da COFINS, que permanece regulada pelo art. 3º da Lei 10.833, de 2003, o qual preceitua expressamente a impossibilidade de creditamento em relação aos Comerciantes Varejistas de combustíveis, por estrita falta de previsão legal. O art. 17 da Lei 11.033, de 2004, e o art. 3°, I, ''b",da Lei 10.833, de 2003, cuidam de diferentes objetos: o primeiro autoriza inicialmente a manutenção de créditos apurados, o último impõe restrição à apuração de créditos para determinada hipótese. Ora, para se manter um crédito, o pressuposto primeiro é que ele exista, pois impossível manterse algo inexistente. Uma vez que o art. 3º, I, "b", da Lei 10.833, de 2003, veda a apuração dos créditos sobre os produtos monofásicos em questão, daí se deduz que sequer chega a existir crédito, pelo que não há como se aplicar o disposto no art. 17 da Lei 11.033, de 2004. A Jurisprudência do STJ é pacífica em relação ao assunto da Compensação/Restituição do PIS e da COFINS por Estabelecimentos Comerciantes Varejistas de combustíveis, pois os mesmos não possuem legitimidade ativa para requerer a compensação do PIS e da COFINS incidentes sobre as receitas provenientes da venda de combustíveis, a partir da Lei 9.990/2000, conforme Decisão proferida por esse Tribunal. Em virtude da instituição do regime monofásico, onde o PIS e a COFINS incidem uma única vez, e são devidos pelos Produtores (Refinarias) ou Importadores, a título de ilustração mencionam se os processos RECURSO ESPECIAL 1.145.209 SC (2009/01161159); RECURSO ESPECIAL 946.625 PE (2007/00923522). Ora, conforme a Legislação, os dispositivos a seguir discriminados, ou seja, o art. 4º da Lei 9.718/1998, o art. 2º da Lei 10.560/2002, o art. 14 da Lei 10.336/2001, o art. 3º da Lei 11.116/2005, o art. 5º da Lei 9.718/1998, vedam a apuração dos créditos do PIS e da COFINS, por Comerciantes Varejistas de combustíveis e derivados de petróleo previstas no artigo 1° da Lei 10.485, de 2002. A par de tais ponderações, a Pessoa Jurídica não comprovou a existência de qualquer crédito decorrente das demais hipóteses previstas pela legislação de regência. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10467.900079/201116 Acórdão n.º 3002000.029 S3C0T2 Fl. 264 4 Inconformado com o indeferimento de seu Pleito, do qual tomara ciência em 10/02/2012 (sextafeira), fl. 165, apresentou o Contribuinte Manifestação de Inconformidade, fls. 167/205, Termo de Solicitação de Juntada em 13/03/2012, fl. 166, requerendo que fosse reformado o Despacho Decisório e deferido o creditamento pretendido, argumentando que prestigiaria a higidez do arcabouço jurídico, e alegando em síntese: Por entender ter direito aos créditos de PIS nãocumulativo, em relação aos bens que adquiriu, o Contribuinte pleiteou o seu ressarcimento. Todavia, a Delegacia da Receita Federal do Brasil indeferiu o Pedido de Restituição/Ressarcimento. O laconismo e a negativa do Despacho só pode se dever à quantidade de Leis, que cerca a tributação do PIS/COFINS dos combustíveis, que o Requerente argumenta formar um enorme acervo legislativo, provocando confusões técnicas e terminológicas, o que deve ser a causa do indeferimento de um Pleito alegado como legítimo do Contribuinte, mas que se busca reformar com a Manifestação de Inconformidade. Mas de logo registrando que não há, para qualquer trimestre, duplicidade de Pedido. O que acontece em alguns trimestres são Pedidos Complementares. Assim, um dado trimestre pode ter tido um Pedido Inicial calculando créditos sobre as primeiras Notas Fiscais recebidas; e, posteriormente, outro Pedido, sobre aquele mesmo trimestre, mas só com as Notas Fiscais restantes. Logo não há duplicidade, estando todas as Notas Fiscais disponíveis para diligência, para se constatar que são créditos diferentes. Créditos, portanto, legítimos. Nesse sentido, passase a fornecer as premissas inafastáveis que foram desconsideradas, mas que servirão de lastro para que os Julgadores que reapreciam a matéria possam dar melhor interpretação ao direito pretendido, confirmando a pertinência do ressarcimento. O Pleito do Contribuinte foi negado porque supostamente a Lei vedaria o creditamento pretendido. Todavia, é curial que as Normas devem ser interpretadas sistematicamente e em consonância com o objetivo para o qual se destinam, sob pena de desvirtuamento da Ordem Jurídica, ainda mais quando se trata de PIS/COFINS, que têm sua regência espalhada por vários Diplomas Legais. Se um ou outro preceito for tomado isoladamente, podese chegar a resultado completamente contrário ao Normatizado, quer nas Leis, quer na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10467.900079/201116 Acórdão n.º 3002000.029 S3C0T2 Fl. 265 5 Assim, para esse necessário cotejo analítico de todo o arcabouço jurídico, procedese a uma abordagem sob todos os ângulos Normativos, pois tais aspectos devem ser passados em revista, sob pena de se inverterem direitos e se subverterem garantias. Mas de logo já se aponta que foi desejo expresso do Legislador que não existisse mais qualquer vedação ao creditamento pretendido como forma de dar efetividade à nãocumulatividade. Daí porque todas as faces da complexa questão do creditamento do PIS/COFINS devem ser sopesadas, para que se possa chegar com segurança a conclusões que não violentem a ordem jurídica. É este o esforço que se passa a fazer. Primeira premissa: o Contribuinte está submetido à tributação nãocumulativa. O Contribuinte, conforme consta dos registros da Receita Federal do Brasil, opera no regime de tributação na modalidade Lucro Real, portanto está obrigatoriamente sob a incidência das Leis da nãocumulatividade para o PIS/COFINS, já que não se enquadra nas exceções (tudo doravante sem as alterações da MP n° 413/08 e da Lei n° 11.727/08 porque posteriores aos fatos), pelo que se menciona a legislação que se transcreve às fls. 169/176. Como se vê, o Contribuinte não se enquadra em nenhuma das exceções, ficando, por força de Lei, irremediavelmente preso e devendo se basear na Legislação do PIS/COFINS não cumulativos. Este primeiro corte de Legislações é importante porque já começa a demarcar quais os Institutos e Normas que devem, ou não, ser aplicáveis ao Contribuinte. Agora, e até para realçar o percurso histórico das Leis, é de ser consignado que os Distribuidores já constaram expressamente como jungidos à cumulatividade. Mas houve uma mutação, como dá mostras o Preceito, na redação original que instituiu como Substituta a Refinaria, e substituídos os demais elos da cadeia produtiva, cabendo pontuarse que veio a Lei 9.990/2000, retirando o Distribuidor da incidência e modificando o Preceito, verificandose que, retirada do seio da cumulatividade, não mais retornou, conferível com a redação atual, transcrita a Lei 9.718/1998, fls. 177/178. Notese a menção residual aos Distribuidores de combustíveis, mas totalmente esvaziada, pois já não existe a substituição tributária aventada, Lei 9.715/1998, fls. 178/179. Ou seja, há Norma latente para os Distribuidores enquanto Substitutos, mas não há como Contribuintes Diretos, pois não estão mais na cumulatividade. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10467.900079/201116 Acórdão n.º 3002000.029 S3C0T2 Fl. 266 6 Todas essas revogações e esvaziamentos são significativos e eloqüentes da situação jurídica dos elos da cadeia produtiva como afetos exclusivamente à nãocumulatividade. Por outro lado, devido à inovação de tratamento, são os Produtores que se encontram em limbo tributário, pois passaram a ser submetidos às denominadas alíquotas diferenciadas, e assim se confere essa sucessão e concorrência de Normas da cumulatividade e nãocumulatividade, pelo que se destacam as Leis 9.718/1998, 10.560/2002, 10.637/2002, 10.833/2003, 10.865/2004, fls. 179/181. Por sorte a situação dos Produtores não é o cerne da discussão que se trava, pois em Norma da nãocumulatividade, mandase aplicar as alíquotas da cumulatividade. Qual a natureza jurídica que deve prevalecer: a do produto ou a da atividade? Mas o que interessa é que essa situação se refere a "Produtor" e "Importador", não arrastando os demais elos da cadeia. Ademais, "Importador" é conceito transitório, podendo ser qualquer Empresa que adquira produtos do Exterior, mas irrelevante no caso, pois o Contribuinte não efetuou tal operação. E realmente a Legislação sempre se refere a um termo ou a outro reconhecendo situações dessemelhantes; separação útil, por exemplo, para cobrar tributos diferentes ou exigir obrigações acessórias específicas. Tanto é assim que há Norma que, respeitando que os termos não se confundem, quando quer abarcar o restante de uma cadeia produtiva, diz expressamente o disposto pela Lei 10.147/2000, ou então, quando a Norma quer igualar termos, oficializa expressamente uma equiparação, MP 2.15835/2001, fl. 182. Tudo a mostrar que a Legislação da cumulatividade não se destina ao Contribuinte, já que é extreme de dúvidas que foram postas compulsoriamente na nãocumulatividade as Empresas da cadeia produtiva que apurem resultados para o Imposto sobre a Renda pelo Lucro Real. Segunda premissa: os artigos das Leis da nãocumulatividade que supostamente vedavam o creditamento para combustíveis. Chegase, agora, à reprodução dos artigos de Lei que o Fisco Normalmente invoca quando nega o direito de creditamento discutido. Tudo como se não existisse um plexo Normativo formando um sistema, que demanda por isso mesmo uma interpretação ... sistemática; e também como se o mesmo tivesse ficado estático, sem ser enriquecido por Normas posteriores. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10467.900079/201116 Acórdão n.º 3002000.029 S3C0T2 Fl. 267 7 Verifiquemse todavia os artigos pinçados no arcabouço jurídico, únicas Normas apresentadas como a vedação definitiva e cabal, e supostamente nunca alteradas, dos créditos discutidos, fl. 183. Longe desta Norma por si só resolver a questão, ela mostra que a Lei, quando quis, vedou; e, se quisesse modificar a vedação, teria tal poder, pois veículo introdutor de fonte formal de direito. Terceira premissa: foi atribuída uma alíquota zero para os produtos do Contribuinte. Pelo que está estabelecido, não há mais dúvida de que, na cadeia produtiva de combustíveis, o Contribuinte se acha em uma etapa que está sob a incidência da Legislação do PIS/COFINS nãocumulativos. E, para completar os critérios da regramatriz de incidência, já tinha ficado estabelecido que o Contribuinte operaria com alíquota zero, conforme Normatização, fl. 184. Sobre esta expressão numérica da alíquota, devese, de pronto, afastar mais uma confusão técnicoterminológica. É que juridicamente é descabido confundir alíquota zero com não incidência,pois fenômenos distintos, com pressupostos e conseqüências diferentes. Assim, quando a Legislação pretende manter o produto no campo da incidência e apenas desonerálo, atribui alíquota zero: já quando intenta retirálo da subsunção tributária, taxativamente o diz não incidente. E mais, quando a Lei quer estabelecer a tributação dita monofásica, ela expressamente coloca a incidência em uma única fase que não se confunde com a nãocumulatividade que pressupõe a tributação em várias fases mesmo que em uma ou alguma delas a incidência se dê à alíquota zero. Confirase que a linguagem técnica foi empregada pela Constituição em outros casos, indicando ser indispensável para apartar os institutos, coerência mantida justamente no caso específico de tributos como o PIS/COFINS, fls. 184/185. E o preceito constitucional foi aplicado em combustível diferente dos analisados (Gasolina A e Diesel), bastando notar a distinção de tratamento desse outro produto, Lei 10.560/2002, fl.185. Aqui, sim, quando isso acontece, ocorre a monofasia: o tributo só incide em uma fase. Nesses casos, é estreme de dúvida que não há direito a creditamento para outras fases, porque o resto da cadeia está fora do campo de incidência do tributo, uma vez que a tributação ficou inteiramente concentrada em um único Contribuinte, independentemente da sistemática dos demais elos da cadeia produtiva. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10467.900079/201116 Acórdão n.º 3002000.029 S3C0T2 Fl. 268 8 Ou seja, nesses específicos casos descabe falar em cumulatividade ou nãocumulatividade. Todavia, se incidir, ainda que com alíquota zero, obviamente não é o caso de monofasia, que seria: a.incidência em uma fase; e b.nãoincidência em todas as demais. Então, ressaltese que não ocorreu com os combustíveis discutidos o que sucedeu com o "querosene de aviação". Em outras palavras, não há qualquer Norma de PIS/COFINS que tenha tal previsão para Gasolina A e Diesel. Daí porque é vazia juridicamente qualquer tentativa de retirar o Contribuinte do campo das Leis de nãocumulatividade, baseado em suposição de que existe uma "monofasia" na sua cadeia produtiva. Por aí se vê que leva a equívocos não estabelecer premissas corretas para um argumento. E a perspectiva da "não incidência" ou notação NT levar automaticamente para fora de âmbito tributário também é respeitada nas hostes administrativistas, Acórdão do Conselho de Contribuintes, destacandose que no corpo do voto que, acatado de forma unânime, gerou o citado Acórdão, vêse o coerente debate dos conceitos; é certo que em relação a outra questão, mas que no cerne maneja os institutos tributários discutidos, fls. 186/187. A isenção ou tributação à alíquota zero, por sua vez, representa opções do Legislador em relação a produtos que se encontram dentro do campo de incidência do tributo. Sem dúvida o art. 11 da Lei 9.779/1999 é a prova cabal de que o próprio Estado diferencia os conceitos de "alíquota zero" e NT. Por outro lado, é óbvio que a Norma poderia ter previsto diferente que a Exação incidiria apenas no Produtor de combustíveis, ficando as outras etapas fora da incidência do PIS/COFINS. Todavia, por opção do Legislador, o que a Lei previu foi: a.uma incidência com alíquota mais elevada no Produtor; b.e uma incidência com alíquota zero para os demais. Embaralhar alíquota zero com NT não faz justiça com o atual nível técnico do Direito Tributário Pátrio, como também resultaria em grave violação da legalidade e da segurança jurídica, caso se admitisse a oscilação de interpretações de conceitos, ao sabor dos desejos e interesses de momento. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10467.900079/201116 Acórdão n.º 3002000.029 S3C0T2 Fl. 269 9 E se alguns Julgados não reverenciam o apuro técnico, é de considerar que o Legislador, ainda que nem sempre utilize, tem conhecimento desse vetor principiológico, Lei 10.451/2002, fl. 188. Verificase com freqüência a repetição até em Atos Regulamentares inferiores que os combustíveis estão sob o sistema de monofasia, o que hoje ficou apenas como argumento para convencer que seria justo elevar as alíquotas dos Produtores, o que não teria respaldo legal. Tanto é assim que não há qualquer vedação de nova Lei elevar também a alíquota de todos os elos da cadeia de zero para, por exemplo, 10%. Nesse caso, onde estaria a base legal para impedir a elevação? Como dizer que seria inconstitucional tal Norma? Em uma pergunta síntese: onde está a previsão de que a tributação é monofásica e, portanto, só uma etapa da cadeia produtiva poderia ter alíquota positiva? Tal situação levaria a um paradoxo: a.se com alíquota zero, não deveria haver creditamento; b.então, por este raciocínio, passando a alíquota para 0,1%, aí sim é que poderia haver o creditamento? Além de não se vestir de razoabilidade, ofenderia a legalidade estrita. Quem tem nas mãos o bônus de elevar a qualquer momento tem que suportar o ônus da polifasia. Assim, não há tributação monofásica justamente porque todos estão submetidos à incidência da tributação das citadas contribuições; o que é confirmado pela possibilidade das alíquotas do restante da cadeia produtiva poderem ser alteradas quando o Legislador quiser, sem que tenha que necessária e obrigatoriamente reduzir a alíquota do Produtor. Se um dia isto ocorrer, haverá generalizadas reclamações pela "injustiça" da carga tributária, mas a resposta do Fisco será: onde está na Lei a obrigação de manter a alíquota em zero? Portanto, o Contribuinte está no campo da incidência do PIS/COFINS nãocumulativo com alíquota zero (pelo menos ainda atualmente...). Quarta premissa: a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o art. 17 da Lei 11.033/2004. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10467.900079/201116 Acórdão n.º 3002000.029 S3C0T2 Fl. 270 10 Sempre se discutiu se a nãocumulatividade prevista constitucionalmente já era uma regra ou apenas um princípio a ser implementado nos termos de uma Lei. O debate é desnecessário, pois, com a grande folga de arrecadação, o Estado pode devolver a parte do creditamento suprimido que estava descaracterizando a nãocumulatividade do PIS/COFINS, tornandoa como uma ficção brasileira, pois nãocumulatividade é quase sinônimo de direito amplo e geral de crédito, devendo, para que se realize, pressupor exatamente o confronto de créditos e débitos. E tanto é assim que, quando se estudam as linhas de algum novo tributo, ao se prenunciar que resguardará a não cumulatividade, imediatamente se visualiza a possibilidade de creditamento, como se vê na transcrita Manifestação Doutrinária acerca de nova contribuição, fl. 190. E, no que tange ao PIS/COFINS, a Legislação criou as condições para a plena nãocumulatividade. Assim, por meio da MP 206/2004, publicada e vigente em 09/08/2004, surgiu o art. 16 transformado no art. 17 quando convertida na Lei 11.033/2004, publicada em 22/12/2004, fls. 190/191. A rara clareza do preceito, normalmente ausente dos textos legais, provocou o efeito de se passar a duvidar se o que a Lei disse era realmente o que a Lei estava dizendo. Resistência injustificável, pois, já na Exposição de Motivos da MP, ficou claro que o art. 17, ainda art. 16, vinha para que parassem as dúvidas de que a nãocumulatividade era para valer, sendo reafirmado que o creditamento era sagrado, fl. 191. Se todas as Normas Brasileiras tivessem a clareza do art. 17, a interpretação e a aplicação do Direito estariam cercadas de maior segurança tanto para o Contribuinte como para a Fazenda. Quinta premissa: a MP que introduziu o art. 17 é Norma Politemática. Sob o impacto da inovação, os mais céticos tentaram desqualificar o efeito liberatório do art. 17, dizendo que o mesmo se aplicava apenas no contexto em que veiculado, ou seja, em relação ao REPORTO. Argumento pífio, que já nasceu desmentido pela própria Exposição de Motivos da MP, bem como pela Ementa da Lei já convertida, fl. 192. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10467.900079/201116 Acórdão n.º 3002000.029 S3C0T2 Fl. 271 11 No País em que Medidas Provisórias tratam de dezenas de temas no mesmo corpo Normativo, soa vazia tal alegação. Ademais, se o comando da Lei Complementar 95/1998, que estimula que cada Norma só trate de um tema, tivesse tal grau de vinculação, com sanção de invalidade em caso de descumprimento, o efeito seria muito mais drástico que negar eficácia ao citado art. 17. É que perderia vigência quase toda a Normatização do PIS/COFINS, Imposto de Renda, etc, já que estão espalhadas em várias Normas, com tratamento de várias matérias. Ironicamente como o mostra a própria Medida Provisória 135/2003, que instituiu a COFINS nãocumulativa, que, em que pese a relevância da matéria, que merecia monopolizar todo o texto, pois bem, mesmo nesta Norma ainda se inseriram várias temáticas, fl. 193. A Leitura matinal do Diário Oficial da União é a maior prova de que inexistiria o requisito de Normas Monotemáticas, para dar validade a comandos legais. Sexta premissa: não só não se tentou restringir o direito dos que faturavam com alíquota zero, como houve o reforço, com o art. 16 da Lei 11.116/2005, sem ressalva. Como a salientar que não havia ressalvas a serem feitas ao regime da nãocumulatividade, e que o creditamento era a regra para quem, como a Contribuinte, faturava com alíquota zero, nova Lei reforçou mais ainda o caráter abrangente do art. 17 da Lei 11.033/2004, numa clara demonstração do reforço e prestígio da nãocumulatividade. É que algumas Empresas, como o caso da Contribuinte, tinham poucos débitos de PIS/COFINS, e ficariam com excesso de créditos sem poder usálos na conta débito/crédito, o que também resultaria por desvirtuar inteiramente a pretensão que justificou a introdução da sistemática da nãocumulatividade. Mas veio a ratificação do direito e a facilitação com esse preceito, exatamente reafirmando a necessidade de se dar efetividade ao creditamento como instrumento da não cumulatividade, completando assim a plena realização da não cumulatividade do PIS/COFINS, fl. 194. Sétima premissa: quando nova Lei altera a situação legal, ela deve ressalvar quais casos permanecerão na Dicção antiga. Uma particularidade da complexa Legislação do PIS/COFINS é que, quando uma nova Lei não deva ser aplicada para todos os casos, na nova Norma vêm expressas as situações que ainda permaneçam sob o abrigo de outra Norma anterior, pelo que se transcrevem exemplos significativos, fl. 195. Com efeito, com a vigência do art. 17 da Lei 11.033/2004 e do art. 16 da Lei 11.116/2005, não houve qualquer ressalva para a Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10467.900079/201116 Acórdão n.º 3002000.029 S3C0T2 Fl. 272 12 situação do Contribuinte, o que corrobora a total aplicação dos citados preceitos. Por outro lado, a Autoridade Administrativa usou um argumento equivocado para negar o direito da Empresa, citando as disposições da IN SRF 594/2005, que teria expressamente introduzido a vedação, e mais, com efeito retroativo. No Estado Democrático de Direito, repisese, as limitações e restrições ao agir dos Contribuintes, especialmente quando existe Norma que permite expressamente, somente podem estar previstas em Lei. Qualquer ato infralegal que restrinja ou limite direitos transborda sua amplitude, conforme dizer de Hely Lopes Meireles, fl. 196. Na espécie, além de não existir vedação na Lei, ao contrário encontrase expressamente previsto o direito ao creditamento, não pode, portanto, qualquer ato infralegal restringir tal direito sem cometer ultraje à legalidade com mácula irreparável sobre a Ordem Jurídica. Oitava premissa: o direito de creditamento da Contribuinte é coerente com a técnica de nãocumulatividade do PIS/COFINS. Um ponto que talvez esteja turbando a perfeita compreensão do tema reside na tentativa de aproximar a nãocumulatividade do PIS/COFINS com a que é praticada por outras Exações, como, por exemplo, IPI e ICMS. Sinteticamente, são estes os métodos mais utilizados para realizar uma nãocumulatividade a. Método do crédito do tributo: o tributo devido em cada operação será abatido do que incidiu nas etapas anteriores. b. Método direto aditivo: considera a aplicação da alíquota apenas sobre o valor efetivamente agregado pelo Contribuinte, o que levaria ser aplicada a alíquota do tributo sobre a totalização da mão de obra, das matériasprimas e insumos, demais despesas e a margem de lucro do produto. c. Método indireto aditivo: o cálculo do tributo se faz por meio da somatória da aplicação da alíquota a cada um dos elementos que compõem o valor agregado, como mão de obra, matéria prima, despesas e lucro, tomados isoladamente. d. Método direto subtrativo: este método significa aplicação de alíquota do tributo sobre a diferença entre as vendas e as compras. e. Método indireto subtrativo: neste método o tributo é determinado pela diferença entre a alíquota aplicada sobre as vendas e a alíquota aplicada sobre as compras. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10467.900079/201116 Acórdão n.º 3002000.029 S3C0T2 Fl. 273 13 Ora, pela Normatização do PIS/COFINS nãocumulativos já fica claro que o método escolhido pelo Legislador foi o indireto subtrativo, o que, aliás, já foi explicitamente declarado, fl. 197. Assim, ao contrário do IPI/ICMS, o creditamento do PIS/COFINS independe de quanto foi, ou sequer se houve tributação na cadeia anterior, ou se o elo anterior estava no regime da nãocumulatividade, pois se baseia, como visto, somente em incidência da alíquota base sobre as aquisições. A nãocumulatividade do PIS/COFINS deve ser visualizada em relação à situação de cada Contribuinte e não em relação a uma cadeia produtiva, bem assim ela não guarda qualquer correlação com os acontecimentos anteriores e posteriores havidos na mesma. E mais, diferentemente do que se dá no IPI/ICMS, em que os créditos decorrem da entrada de mercadorias e são apurados em Livros Fiscais, os créditos no PIS/COFINS têm natureza de incentivo fiscal (consoante Exposição de Motivos das Leis), quer dizer, são escolhidos pela Norma e não se referem a toda composição do citado faturamento; mas, claro, não ao ponto de desfigurar a nãocumulatividade. Por exemplo, uma Empresa que esteja na nãocumulatividade por ser tributada pelo lucro real, recolhendo PIS/COFINS à alíquota de 9,25%, e que venha a adquirir produtos para a revenda de outra Empresa que seja tributada pelo lucro presumido, estando, portanto, esta outra na cumulatividade e recolhendo PIS/COFINS à alíquota de 3,65%, mesmo assim aquela terá direito ao creditamento da alíquota de 9,25% incidindo sobre os fatos que geram direito ao creditamento, independentemente de aquela do lucro presumido ter recolhido a menor ou até mesmo não ter recolhido PIS/COFINS. O mesmo ocorrendo pela possibilidade de creditamento sobre etapas não tributadas, ou tributadas com alíquota diferente, como, por exemplo, aluguéis pagos a Pessoa Jurídica, produtos adquiridos de Empresas do Supersimples etc. Como se vê, a questão não é de lógica ou de cálculo matemático, mas de simples vontade do Legislador. Quando a Lei concretiza a previsão constitucional, deve haver creditamento, como o caso aqui tratado. Realmente, negar o direito de creditamento do Contribuinte viola não apenas a legalidade estrita, mas também o projeto da nãocumulatividade, que tem assento na Constituição, fls. 198/199. Sem dúvida a negativa de creditamento iria ferir de morte a própria moralidade esculpida na CRFB/1988, art. 37, pois foi a desoneração que justificou e alimentou a criação da sistemática, servindo de fundamento para aprovação das respectivas Leis no Congresso Nacional, com alíquotas mais altas, fls. 199/200. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10467.900079/201116 Acórdão n.º 3002000.029 S3C0T2 Fl. 274 14 Foi com esse espírito que se aprovou a nãocumulatividade do PIS/COFINS no Brasil. Então o Legislador teria a liberdade de incluir ou não o setor do Contribuinte na nãocumulatividade. E, como visto, exerceu a opção e incluiu, o que lhe permitiu cobrar alíquotas maiores. E ponto. Mais poderes a CRFB/88 não deu à Lei, pois, se tiver incluído, deve respeitar a nãocumulatividade, não podendo usar de estratagemas para desvirtuar o instituto. E foi sábia a Constituição, pois deixar ao alvedrio do Estado mitigar nãocumulatividade seria dar espaço para ilegalidade e imoralidade: o Estado daria com uma mão (listando na não cumulatividade para aumentar alíquota), mas tirando com a outra (negando o creditamento). É certo que o Contribuinte poderia estar na cumulatividade; mas, por enquanto, continua compulsoriamente inserido no regime da nãocumulatividade. É dizer: se o Estado se arrependeu, que retroaja, é seu direito. Só não pode é não atender os comandos constitucionais, forjando uma meiagravidez, uma meianãocumulatividade ou restringindo direitos por atos que violam a legalidade. Quem usufrui do bônus, que arque com o ônus! Tudo a comprovar que não se coadunava com a sistemática constitucional a anterior vedação do Contribuinte para tomar créditos, o que ficou afastado a partir do art. 17 da Lei 11.033/2004. Nona premissa: foi posta na Legislação nova vedação ao creditamento, mas que também já foi afastada. Como a coroar esse quadro, que já garantia ao Contribuinte o direito ao crédito que pleiteia, veio Legislação superveniente a tratar do tema. Com efeito, em 03/01/2008 foi editada a Medida Provisória 413 que, entre várias disposições, alterou o permissivo de creditamento das Leis da nãocumulatividade, que, caso tivesse sido aprovado, o que não ocorreu, passaria a ficar formatado conforme transcrito às fls. 201/202. Organizando tais disposições de forma didática: a. Em Norma dirigida a "produtores" e "importadores", eram listados alguns combustíveis e suas respectivas alíquotas (inciso I, § 1o, art. 2° das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). b.Usando essa listagem de produtos como base, passou a constar que, também quanto àqueles mesmos combustíveis, eram também os outros elos vedados de tomarem créditos daqueles Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10467.900079/201116 Acórdão n.º 3002000.029 S3C0T2 Fl. 275 15 combustíveis (parágrafo 14, art. 3º, da Lei 10.637/2002 e parágrafo 22, art. 3º, da Lei 10.833/2003, com a redação da MP 413/2008). Claro que, somente nesse instante, com essa extensão da vedação também para outros, apareceu no mundo jurídico, através da MP 413/2008, e somente a partir da vigência desses dispositivos, a vedação passaria a gerar efeitos, não retroagindo para o período discutido, porém, repisese, tal dispositivo não foi aprovado. Entretanto, servia a Norma para corroborar: a. Que a Lei usa os termos "produtor" e demais com sentidos diversos. b.Que, quando a Lei quer se referir e vedar algo, a quem não é produtos, ela o faz expressamente. c. Que, para tratar de Empresa como o Contribuinte, a sede legal é na Norma que rege o Contribuinte: da não cumulatividade. d.Que, e isto é eloqüente, não havia, na época dos fatos, Norma alguma com esse teor vedatório. Assim, apesar do direito do Contribuinte estar assentado na Legislação anterior, serviria essa nova Norma como acréscimo interpretativo, porém sem retirar a discussão sobre a respectiva constitucionalidade do mesmo. Sucede que a MP 413/2008, quando convertida na Lei 11.727/2008, voltou a não mais trazer a citada limitação ao creditamento, deixando novamente com pleno alcance o art. 17 da Lei 11.033/2004. Todavia, ficou a lição: quando a Lei quer vedar, ela o faz explicitamente; mas quando libera, devese igualmente respeitar. Se não existe vedação, permanece o direito ao creditamento. Hermenêutica sim, legalidade muito mais. Então, após toda a Exposição, podese agora passar em revista todas premissas analisadas: SE o Contribuinte comercializa combustíveis; SE o Contribuinte é tributado pelo Lucro Real, e portanto foi posto compulsoriamente na incidência do regime não Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10467.900079/201116 Acórdão n.º 3002000.029 S3C0T2 Fl. 276 16 cumulativo para o PIS/COFINS (Leis 10.637/2002 e 10.833/2003); SE no Estado Democrático de Direito, a legalidade é o sobreprincípio que deve reger a tributação; portanto, o único instrumento com poderes para criar restrições a direitos, no caso vedar um creditamento, é a Lei, havendo um momento histórico em que realmente era negado o creditamento; SE também é inegável a existência de uma Norma que previu, expressamente, que o Contribuinte deveria tributar o PIS/COFINS com a alíquota zero sobre seu faturamento e não em monofasia ou nãoincidência; SE posteriormente, também pela mesma forma que, no Estado Democrático de Direito, se estabelecem preceitos cogentes, foi introduzido no Universo Jurídico o art. 17 da Lei 11.033/2004, prevendo expressamente que, para todos os Contribuintes da nãocumulatividade, mesmo que faturem com alíquota zero, ainda assim poderiam creditar se de PIS/COFINS; SE a Lei 11.033/2004 não é monotemática, mas Norma geral do arcabouço tributário, alcançando todos que se enquadrassem em cada uma das situações previstas; SE ainda veio o art. 16 da Lei 11.116/2005 que, ao invés de restringir direito de creditamento, fez foi dotar de mais garantias a previsão do art. 17 da Lei 11.033/2004, sem nenhuma preocupação em estabelecer exceções e vedações; SE sempre se ressalva, nas novas Normas, o que fica ainda regulado em outra Norma anterior, principalmente quando se pretende restringir direitos, o que não aconteceu com a possibilidade de creditamento para o Contribuinte, sendo certo que Normas infralegais não têm tal condão; SE o direito de creditamento é coerente com a técnica de não cumulatividade empregada no PIS/COFINS, e em consonância com a prescrição constitucional, que permite à Lei escolher quais setores serão incluídos na nãocumulatividade, só não permitindo esvaziar sua característica básica, que é a tomada de créditos, sob pena de se estar, de fato, em um regime cumulativo ou de substituição; SE finalmente, veio o Poder Executivo, via Medida Provisória 413/2008, tentar restaurar a vedação de creditamento, mas que, até por intuitiva inconstitucionalidade, não foi mantida no Ordenamento Jurídico. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10467.900079/201116 Acórdão n.º 3002000.029 S3C0T2 Fl. 277 17 LOGO, violaria o arcabouço jurídico ser indeferido o direito do Contribuinte de tomar os créditos discutidos, pois, conforme o Defendente, estaria amparado legal e constitucionalmente." Em seqüência, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (DRJ/FOR), analisando as argumentações da contribuinte, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 NÃO RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. Não havendo o Contribuinte descaracterizado as conclusões de não reconhecimento de seu direito de crédito expressas no Despacho Decisório, ratificase o que foi decidido pela Autoridade a quo no referido Despacho. PIS NÃOCUMULATIVO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. AQUISIÇÃO PARA REVENDA. CRÉDITO INCABÍVEL. Descabe o crédito em relação à aquisição para revenda dos combustíveis derivados de petróleo e de outros produtos submetidos à incidência monofásica da Contribuição para o PIS/PASEP, constantes do § 1º do artigo 2º da Lei 10.637/2002. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. A teor do artigo (art.) 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as Decisões Administrativas, mesmo proferidas por Órgãos Colegiados, sem uma Lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicandose sobre a questão em análise e vinculando as Partes envolvidas naqueles litígios. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 TEMPESTIVIDADE. APRECIAÇÃO. Havendo a ciência do Despacho Decisório ocorrido em dia de sextafeira, a contagem do trintídio legal somente será iniciada no dia imediatamente posterior no qual haja expediente Normal da Unidade da Secretaria da Receita Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10467.900079/201116 Acórdão n.º 3002000.029 S3C0T2 Fl. 278 18 Federal do Brasil em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 237/252), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando e reforçando argumentos jurídicos já apresentados, assim como trazendo a colação a legislação que assevera corroborar seu entendimento quanto à existência do direito ao crédito pleiteado. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. No presente caso, a lide cingese a discussão juridicatributária sobre a incidência do PIS em relação aos combustíveis derivados do petróleo e, conseqüentemente, sobre a possibilidade de sua restituição/ressarcimento. Porquanto, creio ser fundamental entendermos a dinâmica desse mercado, assim como a evolução legislativa sobre a matéria. Por isso, desde logo, creio oportuno esclarecer as operações comerciais envolvidas nessa cadeia de comercialização, desde a fonte produtora ao consumidor final. De fato, percebemos 3 fases distintas: a) as refinarias, na qualidade de produtoras, vendem o combustível para as distribuidoras; b) as distribuidoras, por sua vez, revendemno aos varejistas e c) os varejistas, por último, revendem o produto aos consumidores finais. Considerando o grande volume de operações e a magnitude dos valores envolvidos nesse setor, o legislador adotou uma forma concentrada para o regime de incidência do PIS/Pasep e da Cofins, visando otimizar a eficácia do controle arrecadatório e fiscalizatório. Tal forma de concentração foi efetivada de duas maneiras ao longo do tempo: substituição tributária e monofasia. No regime de substituição tributário, o legislador elege um dos intervenientes da cadeia de comercialização para ser o contribuinte substituto, isto é, recolher a contribuição devida por todos os envolvidos. Parte desse recolhimento se refere ao devido na sua própria Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10467.900079/201116 Acórdão n.º 3002000.029 S3C0T2 Fl. 279 19 operação, parte se refere ao devido pelos outros intervenientes nas etapas posteriores (substituídos). No regime monofásico, entretanto, o tributo incide apenas em uma das fases, ficando as outras desoneradas. Nesse casso, somente um dos intervenientes é contribuinte de fato e de direito. A legislação sobre o tema passou por várias alterações, entretanto, desde o início, refletia a forma concentrada para o regime de incidência dessas contribuições no setor. Assim, até 31/01/1999, vigia o modelo de concentração nas distribuidoras, na condição de contribuintes substitutas dos varejistas (substituição tributária), de acordo com art. 4º da Lei Complementar nº 70/91 e do art. 6º da Medida Provisória nº 1.212/95; entre 01/02/1999 e 30/06/2000, a concentração era nas refinarias, indicadas como contribuintes substitutas das distribuidoras e dos varejistas (substituição tributária), conforme art. 4º da Lei nº 9.718/98 e, a partir de 01/07/2000, passou a ser adotado o modelo monofásico, no qual as refinarias passaram a ser os únicos contribuintes na cadeia de comercialização dos combustíveis, a partir da vigência dos arts. 4º e 43 da Medida Provisória nº 1.99115/2000. Em decorrência dessa nova sistemática de tributação (tributação monofásica), as receitas das distribuidoras e dos varejistas provenientes das vendas desses produtos ficaram excluídas do pagamento das referidas contribuições, por meio do regime de alíquota zero. Quanto às alíquotas dessas contribuições devidas pelos produtores e importadores de derivados de petróleo, após a MP 1.99115/2000, elas foram alteradas pela MP 1.99118/2000, pela Lei 9.990/2000 e pela Lei 10.865/2004, que alterou o art. 4º da Lei 9.718/98, contudo, não houve modificação no regime jurídico de incidência monofásica para o setor. A sistemática de apuração não cumulativa para o PIS/Pasep e para a Cofins, introduzida, respectivamente, pela Lei 10.637/02 e pela Lei 10.833/03, também não trouxe alteração na tributação vigente no segmento em questão, tendo em vista que o arts. 1°, § 3°, IV, de ambas as leis excluíam do regime não cumulativo as receitas sujeitas ao regime monofásico. Além disso, no inciso I dos referidos artigos constava a vedação do aproveitamento de créditos relativos a receitas isentas, não alcançadas pela incidência das contribuições ou sujeitas a alíquota zero. Nessa mesma linha, o art. 8º, VII, "a", da Lei nº 10.637/02 e o art. 10º, VII, "a", da Lei nº 10.833/03 dispunham que permaneciam sujeitas às normas da legislação vigente anteriormente à publicação das referidas leis as receitas sujeitas ao regime monofásico. Com o advento da Lei n° 10.865, de 30/04/2004 e, posteriormente, da Lei nº 10.925, de 23/07/2004, foi dada nova redação aos arts. 1º, 2º, 3 e 8º da Lei nº 10.637/02 e aos arts. 1°, 2°, 3° e 10° da Lei n° 10.833/03. Assim, desde então, passouse a ter, como regra, que as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real e que auferissem receita de venda dos produtos contemplados na Lei n" 9.990/00, exceto álcool para fins carburantes, sujeitavamse, em relação às mesmas, a partir de 01/08/2004, à incidência nãocumulativa da Cofins e do PIS/Pasep. Entretanto, o custo de aquisição destes produtos, quando adquiridos para revenda, não geravam direito a crédito, por expressa vedação legal, pois, consoante os arts. .3°, inciso I, alínea "b" das Leis n° 10.6.37/02 e 10.833/03, com a redação dada pela Lei n° Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10467.900079/201116 Acórdão n.º 3002000.029 S3C0T2 Fl. 280 20 10.865/04, não dariam direito a crédito, as mercadorias e produtos referidos no § 1°, do art. 2°, quando adquiridos para revenda. Dessa forma, adquirindo a contribuinte para revenda gasolina e suas correntes (exceto gasolina de aviação), óleo diesel e suas correntes, gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural ou querosene de aviação, não poderia se creditar, para fins de apuração do PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos, dos custos de aquisição dos referidos produtos. Em consonância, o § 7° do mesmo artigo previa que, no caso de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito seria apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. Em 2008, a Lei nº 11.727 trouxe novas alterações às Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, porém as vedações ao aproveitamento de crédito decorrente da aquisição dos produtos anteriormente citados, quando adquiridos para revenda, continuaram existindo. De fato, a redação dada pela Lei º 11.727/08 ao art. 3º, I, alíneas "a" e "b", de ambas as leis, continua vigente até a presente data. Quanto ao caso concreto ora sob análise, creio que as considerações anteriores refutam todas as argumentações jurídicas trazidas pela recorrente, pois as mostra inconsistentes frente ao desenvolvimento real da legislação sobre o tema. Contudo, entendo oportuno tecer outros comentários sobre alguns pontos específicos. A recorrente alega, por exemplo, que o art 17 da Lei n° 11.033/04, foi introduzido pelo legislador, visando extirpar a vedação ao creditamento em casos como o seu. Entretanto, não assiste razão à recorrente. Primeiramente, porque a regra esculpida no citado artigo somente se aplica nos casos em que as vendas estão sujeitas a alíquota zero, porém, na aquisição, tenham sido pagas as contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins, fato que, em realidade, não ocorre no caso da recorrente, revendedora de combustíveis, isto é, interveniente na terceira fase da cadeia de comercialização desses produtos. Ademais, como justificativa principal, lembremos da existência de norma específica de tributação de combustíveis, art. .3°, inciso I, alínea "b" das Leis n° 10.833/03 e 10.637/02, a qual, como já visto, veda tal geração de crédito. E, assim, por decorrência do Princípio da Especialidade, a norma especial afasta a incidência da norma geral. Da mesma forma, o art. 16 da Lei nº 11.116/05 não trouxe qualquer alteração na sistemática de tributação de combustíveis. Tratandose apenas de norma geral, assim como o art. 17 anteriormente citado. Com efeito, o Supremo Tribunal de Justiça STJ já teve oportunidade de se debruçar sobre o tema e a jurisprudência pacificada não destoa de nosso entendimento. Transcrevese, por exemplo, a ementa do julgamento do Agravo Regimental no REsp 1.239.794/SC de relatoria do E. Ministro Herman Benjamin: "TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. AUSÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO PELO SUJEITO INTEGRANTE DO CICLO ECONÔMICO QUE NÃO SOFRE A INCIDÊNCIA DO TRIBUTO. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10467.900079/201116 Acórdão n.º 3002000.029 S3C0T2 Fl. 281 21 1. Pretende a agravante valerse da previsão normativa do art. 17 da Lei 11.033/2004 para apurar créditos segundo a sistemática das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que disciplinam, respectivamente, o PIS e a Cofins não cumulativos, embora figure como revendedora em cadeia produtiva sujeita à tributação monofásica. 2. O regime jurídico da não cumulatividade pressupõe tributação plurifásica , ou seja, aquela em que o mesmo tributo recai sobre cada etapa do ciclo econômico. Buscase evitar a incidência em cascata, de modo a que a base de cálculo do tributo, em cada operação, não contemple os tributos pagos em etapas anteriores. 3. Na tributação monofásica , por outro lado, não há risco de cumulatividade, pois o tributo é aplicado de forma concentrada numa única fase, motivo pelo qual o número de etapas passa a ser indiferente para efeito de definição da efetiva carga tributária. Logo, não há razão jurídica para que, nas fases seguintes, o contribuinte se aproveite de crédito decorrente de tributação monofásica ocorrida no início da cadeia (AgRg no REsp 1.241.354/RS, Rel. Mini. Castro Meira, Segunda Turma, DJe 10/5/2012; AgRg no REsp 1.289.495/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 23/03/2012; REsp 1.140.723/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/2010; AgRg no REsp 1.221.142/PR, Rel. Min. Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 4/2/2013). 4. Por não estar inserida no regime da não cumulatividade do PIS e da Cofins, nos termos das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, a recorrente não faz jus à manutenção de créditos prevista no art. 17 da Lei 11.033/2004. Tal fundamento é suficiente para o não acolhimento da pretensão recursal. 5. Diante disso, afigurase irrelevante a discussão sobre o alcance do art. 17 da Lei 11.033/2004 aos contribuintes não incluídos no Reporto, pois, neste caso concreto, a apuração do crédito é incompatível com a lógica da tributação monofásica, que afasta o risco de cumulatividade." (grifo nosso) Da mesma forma, recentemente, se manifestou o E. Ministro Mauro Campbell Marques no julgamento do Agravo em REsp nº 1.109.254 SP. Dessa decisão, transcrevemos o seguinte excerto: "A irresignação não merece acolhida. Com efeito, nos termos da jurisprudência esta Corte, o disposto no art. 17 da Lei 11.033/2004 não possui aplicação restrita ao Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária REPORTO (STJ, AgRg no REsp 1.433.246/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10467.900079/201116 Acórdão n.º 3002000.029 S3C0T2 Fl. 282 22 MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 02/04/2014; REsp 1.267.003/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 04/10/2013). Contudo, a incompatibilidade entre a apuração de crédito e a tributação monofásica já constitui fundamento suficiente para o indeferimento da pretensão do recorrente. Nesse sentido: STJ, AgRg no REsp 1.239.794/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 23/10/2013. É que a incidência monofásica do PIS e da COFINS não se compatibiliza com a técnica do creditamento. Precedentes: AgRg no REsp 1.221.142/PR, Rel. Ministro Ari Pargendler. Primeira Turma, julgado em 18/12/2012. DJe 04/02/2013; AgRg no REsp 1.227.544/PR. Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 17/12/2012: AgRg no REsp 1.256.107/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 10/05/2012; AgRg no REsp 1.241.354/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 10/05/2012. Incide na espécie a Súmula 568/STJ, segundo a qual "o relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema". Ante o exposto, com fulcro no art. 932, IV, do CPC/2015 c/c o art. 253, parágrafo único, II, b, do RISTJ, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Publiquese. Intimemse. Brasília (DF), 14 de junho de 2017." (grifo nosso) Como resta claro, a lógica do regime jurídico da não cumulatividade pressupõe a tributação plurifásica, objetivando evitarse a incidência em cascata do tributo. Por outro lado, na tributação monofásica não há cumulatividade, pois o tributo incide em uma única etapa do processo. Por isso, a lei veda que o contribuinte, nas fases seguintes, se aproveite de crédito decorrente de tributação monofásica ocorrida no início da cadeia. Assim, por expressa vedação legal, os revendedores de combustíveis não podem incluir na base de cálculo dos créditos das contribuições os valores pagos na compra, para revenda, desses produtos, tendo em vista estarem inseridos numa cadeia de comercialização sujeita à tributação monofásica. Por fim, quanto à argumentação da recorrente sobre a Medida Provisória nº 413/08, enfatizemos que a alteração pretendida no art. 3º das Leis nº 10.833/03 e 10.637/02 não visava recriar a vedação ao creditamento nas circunstâncias aqui analisadas, como alega a recorrente, pois esta vedação já existia, mas decorria da necessidade de se estabelecer nova sistemática de incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS na produção e comercialização de álcool, conforme assinalado no item 8 da exposição de motivos da citada Medida Provisória. Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10467.900079/201116 Acórdão n.º 3002000.029 S3C0T2 Fl. 283 23 Dessa forma, não há como negar que o Acórdão recorrido acertou em não reconhecer o suposto direito creditório da recorrente, pois as aquisições, para a revenda, das mercadorias e dos produtos supramencionados não fazem jus a crédito. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 283DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.905223/2012-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.187
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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(assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologara a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou haver transmitido DCTF retificadora na qual se confirmou o seu crédito e que o quantum informado e pleiteado no PER/DComp era suficiente para a homologação da compensação declarada. Requereu, ainda, a juntada do presente processo a outro processo administrativo alegando haver conexão entre eles. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 05 22 3/ 20 12 -2 8 Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10675.905223/201228 Resolução nº 3201001.187 S3C2T1 Fl. 134 2 A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse embasar o indébito tributário alegado. Apontou a autoridade julgadora de primeira instância que a simples retificação da DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não era hábil à modificação do Despacho Decisório. Cientificado da decisão de piso, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e, sucintamente, reiterou a existência do crédito postulado, anexando documentação complementar com vista à comprovação do direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.164, de 27/02/2018, proferido no julgamento do processo 10675.905169/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.164): Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente à apuração de COFINS não cumulativa. De acordo com o PER/DCOMP apresentado, o crédito postulado teve origem no pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Consoante Despacho Decisório Eletrônico proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de débito de COFINS declarado pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que: Visando recuperar o crédito tributário acima apontado, a Manifestante providenciou a retificação da DCTF em 04/02/2011, conforme atesta o recibo de entrega nº 35.35.13.86.29.00, e a retificação do DACON em 27/01/2011, consoante atesta o recibo de entrega nº 1078177135. Diante da regular constituição do crédito tributário, através da retificação das obrigações acessórias acima mencionadas, a Manifestante transmitiu o PER/DCOMP nº 33828.46086.280111.1.3.042016 para a Receita Federal do Brasil em 28/01/2011 para compensar o seu lídimo crédito tributário com outros débitos tributários de sua titularidade. Foram anexadas à Impugnação cópias das declarações mencionadas. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10675.905223/201228 Resolução nº 3201001.187 S3C2T1 Fl. 135 3 A Delegacia da Receita Federal indeferiu a Manifestação apresentada ao argumento de que a "compensação é realizada mediante entrega da DCOMP. Assim, o crédito informado deve existir na data da transmissão dessa Declaração" Com efeito, não resta dúvidas de que a retificação da DCTF da Recorrente ocorreu após a transmissão do PER/DCOMP, muito embora esta tenha ocorrido anteriormente à emissão do Despacho Decisório Eletrônico. Não obstante, embora não afaste a possibilidade de revisão do lançamento, a partir dos documentos apresentados pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, entendeu a Turma Julgadora de origem que os documentos apresentados não seriam suficientes para a análise do crédito postulado: Entretanto, a contribuinte limitouse a apresentar a DCTF retificadora e a informar que o crédito decorre da retificação da DCTF. Nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido. No presente caso, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderiam comprovar o montante do tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento indevido ou a maior efetuado em DARF daria ao interessado crédito passível de ser compensado. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, acrescenta aos autos cópia do seu balancete contábil. Na hipótese dos autos, não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos, além do fato de que a retificação da sua DCTF ocorreu antes da emissão do despacho decisório. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Desse modo, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10675.905223/201228 Resolução nº 3201001.187 S3C2T1 Fl. 136 4 despacho decisório, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. Da mesma forma que ocorreu no paradigma, neste processo, o contribuinte retificou a DCTF depois da transmissão do PER/DComp mas antes da ciência do despacho decisório. Apesar de o processo paradigma se referir apenas à Cofins, o mesmo raciocínio desenvolvido se aplica também à contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora efetue a análise da Declaração de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao despacho decisório, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entender necessários. Após, concedase o prazo de 30 (trinta) dias ao Contribuinte para que se manifeste acerca do resultado da diligência. Concluída a instrução do feito, retornem os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.900954/2012-50
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Sat Mar 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). IMPOSSIBILIDADE.
Não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, a exportação de produtos que não sofreram operação de industrialização prevista na legislação do IPI e recebem a notação NT na Tabela do IPI por estarem fora do campo de incidência do imposto.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART. 62-A DO RICARF.
Não há previsão legal para aplicação dos juros Selic nos valores decorrentes de ressarcimento de crédito presumido do IPI. Nos termos do julgamento do REsp nº 1.035.847/RS pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos, a atualização monetária somente é possível sobre os valores indevidamente indeferidos pela autoridade administrativa, posteriormente revertidos pelas instâncias julgadoras. Não havendo crédito a ser ressarcido, reconhecido no curso do processo administrativo, não existe objeto para a correção pela taxa Selic.
Numero da decisão: 3002-000.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Diego Weis Junior e Maria Eduarda Simões, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Maria Eduarda Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). IMPOSSIBILIDADE. Não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, a exportação de produtos que não sofreram operação de industrialização prevista na legislação do IPI e recebem a notação NT na Tabela do IPI por estarem fora do campo de incidência do imposto. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART. 62-A DO RICARF. Não há previsão legal para aplicação dos juros Selic nos valores decorrentes de ressarcimento de crédito presumido do IPI. Nos termos do julgamento do REsp nº 1.035.847/RS pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos, a atualização monetária somente é possível sobre os valores indevidamente indeferidos pela autoridade administrativa, posteriormente revertidos pelas instâncias julgadoras. Não havendo crédito a ser ressarcido, reconhecido no curso do processo administrativo, não existe objeto para a correção pela taxa Selic.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). IMPOSSIBILIDADE. Não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, a exportação de produtos que não sofreram operação de industrialização prevista na legislação do IPI e recebem a notação NT na Tabela do IPI por estarem fora do campo de incidência do imposto. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART. 62A DO RICARF. Não há previsão legal para aplicação dos juros Selic nos valores decorrentes de ressarcimento de crédito presumido do IPI. Nos termos do julgamento do REsp nº 1.035.847/RS pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos, a atualização monetária somente é possível sobre os valores indevidamente indeferidos pela autoridade administrativa, posteriormente revertidos pelas instâncias julgadoras. Não havendo crédito a ser ressarcido, reconhecido no curso do processo administrativo, não existe objeto para a correção pela taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Diego Weis Junior e Maria Eduarda Simões, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Maria Eduarda Simões. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 09 54 /2 01 2- 50 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10783.900954/201250 Acórdão n.º 3002000.003 S3C0T2 Fl. 3 2 Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, no valor de R$ 1.022,46, referente ao 4º trimestre de 2006, efetuado por meio de Per/Dcomp apresentado em julho/2007 (fls. 37 a 40). Por meio de despacho decisório à fl. 17, a unidade de origem indeferiu o pedido em razão da ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido, em procedimento fiscal, integrando o despacho decisório as informações complementares da análise de crédito disponíveis na página internet da Receita Federal, acessáveis pelo contribuinte por meio do Centro Virtual de Atendimento (eCAC). Tais informações complementares não estão disponíveis no processo. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alega que a Lei nº 9.363, de 1996, não restringe a concessão de crédito presumido do IPI apenas aos produtos tributados, não podendo a Fiscalização o fazer em detrimento da Lei (fls. 2 a 16). Ao final, requer a correção do crédito pela taxa Selic, contada a partir da data de protocolo do pedido de ressarcimento. A Delegacia de Julgamento proferiu o Acórdão nº 0130.784 (fls. 45 a 49), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que o crédito presumido somente pode ser concedido em relação a produtos sobre os quais o IPI incida, mas admitiu a correção do crédito pela taxa Selic, com o termo inicial após decorridos 360 dias do protocolo do pedido, em cumprimento da Nota PGFN/CRJ nº 775, de 2014. Segue a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. O direito ao crédito presumido do IPI é condicionado a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto. Por conseguinte, não estão alcançados pelo benefício os produtos por ele nãotributados (NT). Manifestação de Inconformidade Improcedente. Cientificada da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 58 a 72), que não passa de cópia de sua manifestação de inconformidade, da qual se alterou apenas campos como o endereçamento e o nome da peça recursal, sem qualquer consideração específica quanto à fundamentação da decisão de primeira instância. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10783.900954/201250 Acórdão n.º 3002000.003 S3C0T2 Fl. 4 3 No recurso voluntário alegase, em síntese, que a Lei não fez qualquer distinção entre produção e exportação de produtos nãotributados, tributados ou com alíquota zero; que a fiscalização força a utilização da legislação do IPI para interpretar o dispositivo legal; que se trata de uma presunção a ser acatada tal como está; que a fiscalização não pode inovar e que o benefício, instituído para desonerar as exportações, "deve ter interpretação em prol do escopo para o qual foi criado". Para sustentar sua alegação, apresenta decisões do CARF, do TRF4 e do STJ, das quais se transcreve apenas a parte de interesse para o julgamento: CARF Acórdão nº 20218.297 O art. 1º da Lei nº 9.363/96 não exige para o gozo do incentivo que o produto exportado seja tributado pelo IPI ou que a empresa seja contribuinte do IPI. Referindose a lei a "mercadorias", foi dado o benefício fiscal do gênero, não cabendo ao intérprete restringilo apenas aos "produtos industrializados", que são espécie do gênero "mercadorias". TRF4 Apel 2007.70.01.0072727 (...) 7. Também é ilegal a restrição imposta com base no art. 17 da IN/SRF 419/04, relativamente à inclusão na receita de exportação, para efeito de crédito presumido, do valor resultante das vendas para o exterior de produtos nãotributados. A Lei 9.363/96, determinando expressamente o cálculo do benefício sobre o total das aquisições de matériasprimas, material intermediário e material de embalagem, sequer cogita de qualquer restrição ou exclusão, não sendo ela passível de ser inferida pelo intérprete. Essa regulamentação infralegal estabelece restrição que a lei não faz, descaracteriza, aliás, a finalidade do incentivo fiscal criado pelo legislador. STJ REsp 617.733/CE, Min. Teori Zavascki TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. IN/SRF 29/97. ILEGALIDADE. (...) 2. O crédito presumido do IPI instituído pela Lei 9.363/96 teve por objetivo desonerar as exportações do valor do PIS/PASEP e da COFINS incidentes ao longo de toda a cadeia produtiva, independentemente de estar ou não o fornecedor direto do exportador sujeito ao pagamento dessas contribuições. Por isso mesmo, é ilegítima a limitação constante do art. 2º, § 2º da IN SRF 23/97, segundo o qual o crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem,na produção de bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS. Por fim, solicita novamente a correção do crédito pela taxa Selic, desconsiderando que a DRJ havia provido essa parte, embora com termo inicial diferente do pretendido pela recorrente. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10783.900954/201250 Acórdão n.º 3002000.003 S3C0T2 Fl. 5 4 É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard O recurso é tempestivo, atende aos demais pressupostos de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, e dele tomo conhecimento. Crédito presumido do IPI O ponto que se discute neste processo é se o crédito presumido de IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, pode ser concedido em relação a exportações de produto com notação nãotributado (NT) da tabela do IPI. A recorrente é uma empresa que se dedica à exploração de jazidas minerais, beneficiamento (corte em chapas e polimento) e comercialização no mercado interno e externo de pedras tais como mármore, granito e ardósia, segundo informações constantes em seu recurso voluntário e em seu contrato social. Exporta, especificamente, blocos de granito que se classificam no código NCM 2516.12.00, cujo texto diz: granito simplesmente cortado a serra ou por outro meio, em blocos ou placas de forma quadrada ou retangular. A Lei nº 9.363, de 1996, assim dispõe sobre o que interessa a esta discussão: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. (grifado) Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10783.900954/201250 Acórdão n.º 3002000.003 S3C0T2 Fl. 6 5 Os artigos, considerados conjuntamente, determinam que o benefício aplica se às empresas e produtos que atendam aos conceitos de estabelecimento produtor, de produção, de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI, ou seja, na Lei nº 4.502, de 1964, e no Decreto nº 4.544, de 2002 (RIPI/2002), vigente à época dos fatos. Da leitura dos dispositivos legais pertinentes, a seguir transcritos, inferese que, para fins de IPI, estabelecimento produtor equivale a estabelecimento industrial, definido como aquele que executa alguma operação de industrialização da qual resulte produto tributado pelo imposto, ainda que de alíquota zero ou isento. Lei nº 4.502, de 1964 Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Parágrafo único. Para os efeitos dêste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: (...) RIPI/2002 Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como: (...) II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); (...) Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. (grifado) No presente caso, no que diz respeito a suas operações de exportação, a recorrente não se enquadra como estabelecimento industrial do RIPI e nem produz produto tributável pelo IPI. A exigência de a industrialização resultar em produto tributado pelo IPI não é fortuita, mas expressa o alcance do tributo, aponta para as suas hipóteses de incidência. Inicialmente, quando da publicação da Lei nº 4.502, de 1964, constava no Anexo à Lei uma relação que continha apenas os produtos sobre os quais incidia o IPI. Nessa relação não existe a notação NT e não existe a posição 2516, pois a atividade de extração mineral, com o mero corte da pedra, não foi considerado operação de industrialização para fins de tributação pelo IPI. A pedra que tenha sofrido algum trabalho, que pressuponha o aperfeiçoamento de que trata o RIPI, classificase no capítulo 68 ou posterior, esses sim tributados. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10783.900954/201250 Acórdão n.º 3002000.003 S3C0T2 Fl. 7 6 Posteriormente, quando se decidiu por adotar a relação completa de bens sujeitos ao imposto de importação para fins de construção da TIPI, houve a necessidade de marcar quais bens estavam fora do campo de incidência do IPI, que passaram a ter a notação NT (nãotributados). Tal entendimento é confirmado pelo art. 2º do RIPI/2002, que assim dispõe: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI. Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado). (grifado) A notação NT inclui os produtos com imunidade pela Constituição Federal, como livro e jornal, mas o caso analisado, pedra simplesmente cortada, recebe a notação NT por não sofrer uma operação de industrialização. Assim, o que resta claro é que, uma vez que o art. 3º da Lei nº 9.363, de 1996, determina que se utilize os conceitos de produção/industrialização da legislação do IPI, o crédito presumido por ela instituído somente pode ser concedido quando houver exportação de produtos que estejam sob a incidência desse imposto. A Lei nº 9.363/96 adota a lógica do próprio tributo, inclusive aquela utilizada para a concessão dos créditos básicos e incentivados: a venda de mercadoria NT não gera saldo devedor. Se essa saída não gera saldo devedor para o contribuinte, também não pode gerar saldo credor. Essa limitação não alcança os produtos isentos ou com alíquota 0% porque esses estão dentro do campo de incidência do IPI. Os artigos do RIPI/2002 relativos à escrituração dos créditos básicos demonstram a coerência da interpretação adotada, a ver: Art. 190. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: (...) § 1º Não deverão ser escriturados créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, ou saídos com suspensão cujo estorno seja determinado por disposição legal . (...) Art. 193. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto: I relativo a MP, PI e ME , que tenham sido: a) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos nãotributados; (grifado) Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10783.900954/201250 Acórdão n.º 3002000.003 S3C0T2 Fl. 8 7 Contraria qualquer lógica interpretativa defender que um tributo que não incide sobre determinado produto passe a incidir sobre esse mesmo produto somente quando for para gerar crédito. Pior ainda, não incide nem na geração de créditos básicos e incentivados, mas incide apenas quando se tratar do crédito presumido para ressarcimento das contribuições. A Lei nº 9.363, de 1996, em momento algum determinou que se desconsiderasse as hipóteses de incidência ou o fato gerador do IPI. Ao contrário, apontou em seu art. 3º que os conceitos fundamentais do imposto deveriam ser seguidos. Não vislumbro qualquer extrapolação ou restrição indevida na aplicação da lei na interpretação exposta, como alega a recorrente. Tratase apenas de interpretação sistemática, que traz coerência para a aplicação da legislação do IPI. Quanto às decisões transcritas pela recorrente, as turmas de julgamento somente estão obrigadas a aplicar aquelas que atendam ao prescrito no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, o que não é o caso das decisões de outras turmas do CARF e de decisões do TRF4. Quanto à decisão do STJ, trata de tema diverso (compra de insumos de pessoas físicas), não se aplicando ao presente caso. Atualização monetária pela taxa Selic A recorrente solicita novamente a correção do crédito, aplicandose a taxa Selic a partir da data de protocolo do pedido de ressarcimento. Desconsiderou que a DRJ havia reconhecido o direito à atualização monetária, embora com termo inicial após decorridos 360 dias da data do protocolo. Entretanto, entendo que a decisão de primeira instância reconheceu o direito apenas em tese, uma vez que, como o crédito não foi reconhecido, tal decisão tornouse inócua. O STJ pacificou entendimento de que é devida a atualização monetária dos créditos escriturais de IPI nos casos em que o direito ao creditamento não foi exercido no momento oportuno, em razão da oposição de ato administrativo ou normativo reiterado, por meio do julgamento em rito de recursos repetitivos do REsp nº 1.035.847/RS, a seguir transcrito, conjuntamente com a súmula dele decorrente: REsp 1.035.847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10783.900954/201250 Acórdão n.º 3002000.003 S3C0T2 Fl. 9 8 oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. SÚMULA nº 411/STJ É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. (grifado) É importante ressaltar dois pontos da jurisprudência transcrita: 1) não há previsão legal para a atualização monetária de crédito escritural e 2) cabe a atualização quando constatada a oposição ilegítima e constante da Administração, seja por ato administrativo ou normativo. Para a aplicação dessa decisão do STJ, seria necessário encontrar no caso presente a condição apontada no item 2 acima, o que não ocorre, já que o indeferimento foi legítimo e fundamentado, não tendo o despacho decisório da unidade de origem sofrido revisão ao longo deste processo. Logo, concluo não estar atendido requisito para aplicação da atualização monetária do crédito pleiteado. Com essas considerações, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Relatora Declaração de Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Dada a devida vênia aos fundamentos constantes do voto da eminente Relatora, ouso discordar das conclusões ali apresentadas, conforme fundamentos a seguir indicados. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10783.900954/201250 Acórdão n.º 3002000.003 S3C0T2 Fl. 10 9 Embora reconheça que esta matéria seja bastante controvertida na jurisprudência deste Conselho, alinhome à corrente que entende que as exportações de produto com notação nãotributado (NT) da tabela do IPI deve integrar a base de cálculo do crédito presumido de IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 1996. Para que melhor se compreenda as razões aqui expostas, transcrevo a seguir o conteúdo do referido artigo 1º: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Notese que o caput do art. 1º acima transcrito, de fato, aponta como beneficiária do crédito presumido do IPI com ressarcimento do PIS e da COFINS a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Ou seja, os requisitos expostos na legislação são no sentido de que a empresa seja produtora e exportadora de mercadorias nacionais e que as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem sejam adquiridos para utilização no processo produtivo. Não há, em contrapartida, qualquer exigência de que tais produtos sejam efetivamente tributados pelo IPI, para que possa a empresa fazer jus ao crédito presumido de IPI. Entendo, portanto, que ao fazer menção à garantia do crédito sobre mercadorias nacionais, a Lei n.º 9.363/1996 englobou todas as mercadorias nacionais produzidas, sejam elas tributadas ou não pelo IPI, não tendo vinculado o cálculo do crédito presumido à efetiva tributação pelo IPI na entrada ou na saída. Até porque, penso que a intenção do legislador, na verdade, não foi de restringir a concessão do crédito presumido aos produtos que estejam efetivamente sujeitos ao recolhimento do IPI, mas sim incentivar as exportações, concedendo tal benefício às empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais. Logo, penso que não caberia ao intérprete administrativo incluir requisito para fins de concessão do crédito presumido do IPI que não consta da própria lei que o instituiu. No meu entender, a interpretação sistemática da legislação defendida para fins de se negar a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de qualquer mercadoria gravada como "NT", de forma genérica, vai muito além do que nos cabe no papel de Conselheiro/Julgador na esfera administrativa. E, ao assim proceder, invadese a seara legislativa, em prejuízo da segurança jurídica que deve reger a relação entre Fisco e contribuinte, já tão prejudicada pela complexidade da nossa confusa legislação tributária. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10783.900954/201250 Acórdão n.º 3002000.003 S3C0T2 Fl. 11 10 Nesse mesmo sentido, vide Acórdão n. 9303001.469, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e Acórdão n. 3402004.778, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, respectivamente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO NÃO TRIBUTADOS. O artigo 1º da lei nº 9.363/96, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à empresa produtora e exportadora de “mercadorias nacionais”, não o restringe apenas aos produtos industrializados, não cabendo ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. FRETES. VINCULAÇÃO AOS INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. APROVEITAMENTO. De se permitir na formação do cálculo presumido de IPI a inclusão dos gastos com fretes pagos e destacados nas notas fiscais por ocasião de insumos utilizados no processo produtivo. TAXA SELIC. SÚMULA nº 411STJ. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Rel. Min. Luiz Fux, em 25/11/2009. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Especial do Procurador Negado. *** ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RELATIVO AO PIS/COFINS. DESPESAS COM INSUMOS. COMBUSTÍVEIS, ENERGIA ELÉTRICA, MATERIAL LABORATORIAL. Somente podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de matériaprima de produto intermediário ou de material de embalagem. Os combustíveis, energia elétrica e materiais laboratoriais não caracterizam matériaprima, produto intermediário ou material de Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10783.900954/201250 Acórdão n.º 3002000.003 S3C0T2 Fl. 12 11 embalagem, pois não se integram ao produto final, nem foram consumidos, no processo de fabricação, em decorrência de ação direta sobre o produto final (Súmula CARF n.º 19 e Parecer Normativo n.º 65/1979). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PERANTE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVA. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO. PRECEDENTE VINCULANTE DO STJ. A restrição imposta pela IN/SRF n. 23/97 para fins de fruição de crédito presumido do IPI é indevida, sendo admissível o creditamento também na hipótese de aquisição de insumos de pessoas físicas e/ou cooperativas. Precedente do STJ retratado no Resp n.º 993.164, julgado sob o rito de recursos repetitivos, apto, portanto, para vincular este Tribunal Administrativo, nos termos do art. 62, §2° do RICARF. CRÉDITO PRESUMIDO IPI. RECEITAS DE VENDAS DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. O artigo 1º da lei nº 9.363/96, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à empresa produtora e exportadora de “mercadorias nacionais”, não o restringe apenas aos produtos industrializados, não cabendo ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez. A Lei n.º 9.363/1996 não vincula o cálculo do crédito presumido à efetiva tributação pelo IPI na entrada ou na saída. CRÉDITO PRESUMIDO IPI. RECEITAS DE REVENDA. A receita auferida na revenda de mercadorias ao exterior deve ser adicionada à receita de exportação para o fim de apurarse o coeficiente de exportação. CRÉDITO PRESUMIDO IPI. COMPROVAÇÃO EXPORTAÇÃO. Necessário reconhecer o crédito para a qual houve a comprovação da exportação, confirmada na diligência realizada. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. É legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco, no pedido de ressarcimento contra o qual houve a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10783.900954/201250 Acórdão n.º 3002000.003 S3C0T2 Fl. 13 12 Uma vez afastada a interpretação de que os produtos gravados como "NT" deveriam, por esta razão, ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido, passase, então, à análise dos demais requisitos dispostos na legislação. Conforme acima indicado, verificase que a legislação exige que a empresa seja produtora e exportadora de mercadorias nacionais e que as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem sejam adquiridos para utilização no processo produtivo. No caso concreto aqui analisado, ao contrário do que entendeu a ilustre Relatora, entendo que tais requisitos restaram observados pela Recorrente, inclusive em observância ao disposto no art. 4º do RIPI 2002, a seguir transcrito: Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como: (...) II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); (...) Isso porque, consoante acima relatado, verificase que a recorrente é uma empresa que se dedica à exploração de jazidas minerais, beneficiamento (corte em chapas e polimento) e comercialização no mercado interno e externo de pedras tais como mármore, granito e ardósia, segundo informações constantes em seu recurso voluntário e em seu contrato social. Exporta, especificamente, blocos de granito que se classificam no código NCM 2516.12.00, cujo texto diz: granito simplesmente cortado a serra ou por outro meio, em blocos ou placas de forma quadrada ou retangular. Entendo, portanto, que a atividade de corte em chapas e polimento se enquadra no conceito de produção para fins de usufruto do crédito presumido do IPI, visto que altera, sem sombra de dúvidas, o acabamento (polimento), a aparência (cortes em diversos tamanhos e formatos) ou até a finalidade do produto (os cortes específicos de cada produto poderão diferenciar a finalidade de cada produto). Ademais, entendo que o art. 2º do RIPI/2002 abaixo transcrito trata apenas da incidência ou não do IPI, dispondo que os produtos "NT" estão excluídos do campo de incidência daquele imposto: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI. Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado). (grifado) Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10783.900954/201250 Acórdão n.º 3002000.003 S3C0T2 Fl. 14 13 Ou seja, este dispositivo legal não possui o condão de fazer concluir que os produtos "NT" não sofrem processo de industrialização. A legislação optou como selecionar os produtos que seriam gravados como "NT" por diversas razões, inclusive para casos em que há processo de industrialização. É o caso, por exemplo, dos produtos com imunidade tributária determinada pela Constituição Federal, que são gravados como "NT" e, em relação aos quais não há discussão acerca de eventual existência de processo de industrialização. Nesse viés, penso que a conclusão de que o produto aqui analisado teria recebido a notação "NT" por não sofrer processo de industrialização não possui embasamento normativo. Para fins de identificação da melhor solução para a presente demanda, portanto, imprescindível que se analise a atividade específica desempenhada pela Recorrente, e, ao analisála, entendo que assiste razão ao contribuinte, conforme razões acima apresentadas. Por fim, entendo que a menção aos artigos 190 e 193 do RIPI/2002 não possui relevância à solução da presente contenda, visto que versam sobre créditos básicos de IPI, cuja análise não guarda, no meu entender, qualquer relação com a hipótese aqui analisada. Consoante visto acima, a presente contenda versa sobre crédito presumido do IPI, o qual possui particularidades atinentes às razões que levaram à sua concessão (incentivo à exportação) que decerto não se relacionam com as razões atinentes ao crédito básico deste mesmo tributo. Nesse contexto, por entender ter sido ilegítima a recusa realizada pela fiscalização, penso que faz jus a Recorrente à inclusão da SELIC a partir da data do protocolo do Pedido de Ressarcimento. Até porque, como é cediço, este entendimento já restou sedimentado pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.035.847/RS, em sede de recursos repetitivos, ao assim dispor: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10783.900954/201250 Acórdão n.º 3002000.003 S3C0T2 Fl. 15 14 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Ou seja, fixou o STJ que é devida a correção monetária sobre o valor referente a créditos de IPI admitidos extemporaneamente pelo Fisco. E, uma vez constatada a ilegitimidade da recusa realizada pela fiscalização, este entendimento deve ser aplicado por este CARF na forma do art. 62, §2º, do Regimento Interno, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Voto, portanto, no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É como voto. Fl. 87DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.907118/2011-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO.
Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3302-004.998
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidades de votos, em dar provimento parcial para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Acordam os membros do Colegiado, por unanimidades de votos, em dar provimento parcial para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 71 18 /2 01 1- 84 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10930.907118/201184 Acórdão n.º 3302004.998 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição (PER), transmitido eletronicamente, que foi indeferido nos termos do despacho decisório emitido pela DRF em Londrina, pois o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Na manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de pedido de restituição (PER), a contribuinte alega que recolheu valores indevidos de PIS/Pasep e de Cofins, levando em conta a legislação vigente à época, que alargava a suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF considerou inconstitucional tal ampliação da base de cálculo. Anexando jurisprudência do STF e do CARF e planilha demonstrando as diferenças pleiteadas. Encaminhado para julgamento, a DRJ em Curitiba não acolheu as razões contidas na manifestação de inconformidade e manteve o indeferimento do pedido de restituição. Cientificada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário dirigido ao CARF, onde repete as razões já aduzidas, questiona a necessidade de ser parte em ação judicial questionando a constitucionalidade da incidência do PIS ou da Cofins sobre as receitas financeiras, informa que está apresentando cópia dos livros razão e diário, esclarece que é beneficiária da repercussão geral do RE nº 566.621, e, ao final, pede a reforma do acórdão anteriormente proferido. Ao analisar o recurso, a 2ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF, reconheceu, em face da repercussão geral, a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo e deu provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito (análise dos livros diário e razão apresentados). A DRJ em Curitiba julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, por entender que o contribuinte não comprovou documentalmente a origem dos créditos que alegou possuir, nos termos do Acórdão nº 06054.118. Intimada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário alegando, em síntese: preliminarmente (i) mudança de critério jurídico e cerceamento de defesa; (ii) decadência do direito de lançar ou revisar; e meritoriamente (iii) que há documentos nos autos que demonstram a origem do crédito apurado. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10930.907118/201184 Acórdão n.º 3302004.998 S3C3T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.965, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.907064/201157, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.965): "I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 24.12.2015 (fls.112) e protocolou Recurso Voluntário em 26.01.2015 (fls. 114129), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Preliminares II.1 Nulidade da decisão recorrido mudança de critério jurídico Segundo a Recorrente houve mudança de critério jurídico por parte da Turma Julgadora "a quo", na medida em que Despacho Decisório não homologou as compensações apresentadas pela Recorrente pelo fato de que todo o DARF havia sido integralmente utilizado para extinguir débito do contribuinte, ao passo que a segunda decisão recorrida motivou o indeferindo do crédito pela não comprovação da origem do crédito através de documentação hábil e idônea. Sobre mudança de critério jurídico, vale transcrever os ensinamentos do i. professor Hugo Brito de Machado Machado que, com a clarividência que lhe é peculiar expõe seu entendimento sobre o tema: Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas em lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado (Hugo de Brito 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10930.907118/201184 Acórdão n.º 3302004.998 S3C3T2 Fl. 5 4 Machado, Curso de Direito Tributário, 12ª edição, Malheiros, 1997, p 123) No presente caso, entendo que não houve mudança de critério jurídico, na medida em que tanto a autoridade julgadora quanto a fiscalização analisaram a origem do crédito com base nos fatos e fundamentos apresentados pela Recorrente. Aliás a unidade julgadora ao proferir a segunda decisão nada mais fez do que cumprir a ordem proferida pelo Carf que determinou fosse feita a análise quanto a origem do crédito pleiteado, considerando que a questão sobre a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo das contribuições já havia sido solucionado pelo STF. Nesse contexto, coube à autoridade julgador analisar o direito da Recorrente com base nos novos fatos e documentos carreados aos autos, justificando, assim, a alteração dos fundamentos para manter o indeferimento do pedido de restituição, sem que isso acarrete em mudança de critério jurídico. Assim, afasto a preliminar de nulidade suscita pela Recorrente. II.2 Decadência Em síntese apartada, a Recorrente pleiteia a incidência do prazo decadencial do direito do fisco realizar o lançamento de fato gerador ocorrido em 30.06.2001, nos termos do §4º, do artigo 150, do CTN e, subsidiariamente, pede seja admitida a homologação tácita do pedido realizado em 30.06.2005. Em relação ao prazo decadencial, adoto como razão de decidir o voto do i. Julgador Jorge Olmiro Lock Freire, nos autos do processo nº 16327.910550/201157 (acórdão nº 3402004.468), posto : Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10930.907118/201184 Acórdão n.º 3302004.998 S3C3T2 Fl. 6 5 quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10930.907118/201184 Acórdão n.º 3302004.998 S3C3T2 Fl. 7 6 apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. No presente caso, a lide diz respeito apenas em relação ao pedido de restituição formulado pela Recorrente, inexistindo, para este caso aplicação do prazo decadencial pleiteado pelo contribuinte, razão, pela qual, deve ser afastado. III Mérito Inicialmente é imperioso destacar que a matéria em discussão diz respeito a comprovação da origem do crédito, posto que a questão sobre a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo das contribuições, já foi analisada na decisão de fls. 9299, proferida por este Conselho. Pois bem A decisão recorrida, manteve o indeferimento do pedido de restituição apresentada pela Recorrente com base nos seguintes fundamentos: No presente caso, a contribuinte apresentou excertos dos livros diário e razão, e neles consta o lançamento nas contas contábeis nºs 8.01.10.25.74 e 8.01.10.25.86, de valores de PIS e de Cofins que teriam incidido sobre as receitas financeiras do período e que, portanto, no entender da interessada, seriam passíveis de restituição. Compulsandose os autos, no entanto, constatase que neles não há qualquer comprovação acerca das contas contábeis e dos valores que compuseram as bases de cálculo das receitas financeiras consideradas pela contribuinte. Na falta dessa demonstração, apoiada, obviamente, em provas, não há como se verificar se os valores pleiteados realmente têm relação com receitas compreendidas no alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins e, nesse caso, não há como deferir o direito pleiteado. Com todo respeito ao entendimento proferido pela unidade julgadora que, analisou o direito creditório sob análise através dos documentos juntados no primeiro recurso voluntário, entendo que os documentos carreados pela Recorrente, juntados em ambos recursos voluntários demonstram, ainda que parcialmente, a origem do crédito apurado sobre as receitas financeiras, devendo, assim, ser deferido em parte o pedido de restituição sob análise. Isto porque, no entendimento deste relator, tanto as planilhas carreadas às fls. 2829, 155161 e 189, quanto os livros diário e razão carreados as fls. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10930.907118/201184 Acórdão n.º 3302004.998 S3C3T2 Fl. 8 7 5962 e 131154 e, o Documento de Arrecadação de Receitas Federais de fls. 130 documentos juntados nos recursos voluntários interpostos pela Recorrente , demonstram e lastrearam parte do crédito apurado pela Recorrente. Com efeito, o crédito apurado pela Recorrente foi devidamente informado em seu livro razão carreado às fls.147152 e, está amparado pelas planilhas fornecidas pelo contribuinte que demonstram o cálculo do tributo e forma de apuração do crédito (fls.189), inexistindo, assim, ausência de comprovação da origem do crédito. É de se ver que nos documentos carreados às fls.147 e seguintes, especialmente o plano de contas de fls. 165166, há o registro das seguintes receitas financeiras contabilizadas no razão do período sob análise: Descontos Obtidos; Juros Ativos; Rendimentos de Aplicação Financeira e Variação Monetária Ativa. Contudo, os valores registrados pela Recorrente em sua contabilidade são inferiores aos valores objeto do pedido de restituição, justificando, assim, o deferimento parcial do crédito pleiteado. Importante registrar, que o contribuinte não foi intimado à demonstrar a composição das receitas financeiras, sendo que as questões concernentes a prova da origem do crédito foram suscitadas somente na decisão de primeiro grau. Neste caso, havendo dúvida quanto à origem do crédito, deveria a unidade julgadora converter o julgamento em diligência e dar oportunidade ao contribuinte de apresentar outros documentos e, não simplesmente descartar os documentos carreados aos autos para afastar o direito por ausência de provas. Neste cenário, diversamente do que entendeu a unidade julgadora, vejo que os documentos juntados pela Recorrente, se prestam à comprovar, ainda que parcialmente, a origem do crédito. IV Conclusão Diante do exposto, rejeito as preliminares de nulidade e decadência, e no mérito dou parcial provimento ao recurso voluntário para admitir o crédito da contribuição correspondente às valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão de fls. 147 e seguintes. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Assim, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo os documentos juntados pela Recorrente se prestam à comprovar, ainda que parcialmente, a origem do crédito. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu rejeitar as preliminares de nulidade e decadência, e no mérito dar parcial provimento ao recurso voluntário para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10930.907118/201184 Acórdão n.º 3302004.998 S3C3T2 Fl. 9 8 financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 196DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.720118/2017-54
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL.
É imprescindível para a validade do lançamento que a infração esteja adequadamente descrita e comprovada. Não pode subsistir a infração se o contribuinte não pode exercer plenamente seu direito de defesa.
DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA.
Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Comprovadas documentalmente as deduções glosadas, cabe o seu restabelecimento.
Numero da decisão: 2002-000.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento.
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL. É imprescindível para a validade do lançamento que a infração esteja adequadamente descrita e comprovada. Não pode subsistir a infração se o contribuinte não pode exercer plenamente seu direito de defesa. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Comprovadas documentalmente as deduções glosadas, cabe o seu restabelecimento.
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DEDUÇÕES LEGAIS. PENSÃO JUDICIAL. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente VICENTE SACCO NETTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL. É imprescindível para a validade do lançamento que a infração esteja adequadamente descrita e comprovada. Não pode subsistir a infração se o contribuinte não pode exercer plenamente seu direito de defesa. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Comprovadas documentalmente as deduções glosadas, cabe o seu restabelecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 01 18 /2 01 7- 54 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11040.720118/201754 Acórdão n.º 2002000.048 S2C0T2 Fl. 115 2 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2014, ano calendário 2013, tendo em vista a apuração de deduções indevidas de despesas médicas e pensão alimentícia judicial. O contribuinte apresentou impugnação (fls.2/17), alegando, em síntese, que os valores de pensão e com plano de saúde Cassi estão consignados em seu comprovante de rendimentos. Em relação ao plano de saúde da alimentanda, indica a juntada de declaração emitida pela empresa correspondente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) negou provimento à Impugnação (fls. 76/80). Cientificado dessa decisão em 7/11/2017 (fl.84), o contribuinte apresentou, em 16/11/2017 (fl.87), Recurso Voluntário (fls. 87/108), no qual apresenta as seguintes alegações: I) Pensão Alimentícia Diante da afirmação constante da decisão recorrida de que o comprovante juntado por ele fora superado pela apresentação da DIRF retificadora, acessou o sítio da fonte pagadora e imprimiu novo comprovante, o qual corrobora o valor declarado, de R$61.116,50. Afirma que esse valor pode ser verificado também nos contracheques juntados. Ressalta que a divergência pode ser explicada pelo fato de a DIRF apresentada não incluir os valores de sua aposentadoria pagos pelo INSS. III) Despesas Médicas Defende que o comprovante de rendimentos por si só se revela hábil para lhe proporcionar a dedução dos valores ali consignados, relativos a plano de saúde e a parte de despesas com consultas não reembolsadas pelo plano. Cita a Solução de Consulta COSIT nº 173/2015, que esclareceu que os pagamentos à operadora de plano de saúde podem ser deduzidos da base de cálculo se comprovados por documentação hábil e idônea. Acrescenta que é de se presumir que a Cassi apresentou à RFB a Declaração de Serviços Médicos e de Saúde DMED, instituída pela IN RFB nº 985/2009. Em relação à Unimed, indica a juntada de documento complementar, contendo data, carimbo e assinatura do responsável pela sua emissão. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.110). É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11040.720118/201754 Acórdão n.º 2002000.048 S2C0T2 Fl. 116 3 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Pensão Judicial Nos termos do art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999 e demais normas e suas alterações, indicadas na notificação de lançamento, a dedutibilidade do valor pago a título de pensão alimentícia está subordinada à comprovação da obrigação decorrente de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou mesmo de escritura pública (art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil) e também à comprovação dos pagamentos efetuados. Nesse tocante, a autuação registra: A DRJ/SPO decidiu: O impugnante alega que não houve dedução indevida da pensão alimentícia judicial, conforme demonstraria o comprovante de rendimentos de fls.13, emitido em 28/02/2014 pela fonte pagadora Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil. Todavia, o comprovante de rendimentos em questão foi superado pela apresentação de DIRF retificadora por parte da fonte pagadora, em 13/01/2015, conforme consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal, às fls.70/75. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11040.720118/201754 Acórdão n.º 2002000.048 S2C0T2 Fl. 117 4 A partir da DIRF retificadora em questão, observase que os valores de deduções de pensão alimentícia sobre os rendimentos tributáveis foram de R$3.422,83 (fls.71), R$5.061,32 (fls.73), e R$34.368,98 (fls.74), cujo somatório é R$42.853,13, ou seja, o valor reconhecido pela notificação de lançamento, Sendo assim, não há reparos a fazer à glosa da dedução indevida de pensão alimentícia judicial. Do exame dos contracheques juntados pelo sujeito passivo (fls.92/97), verificase o desconto das rubricas "INSS P.A. FORA CONVENIO" E PENSÃO ALIMENTÍCIA S/ PREVI", que, somadas, totalizam R$61.096,10, uma diferença de R$20,40 para o valor consignado no comprovante juntado, de R$61.116,50 (fl.90), e deduzido pelo contribuinte (fl.25). Do confronto entre as informações da DIRF e do comprovante de rendimento, constatase que a diferença entre o valor deduzido pelo sujeito passivo e aquele acatado pela autoridade fiscal decorre da pensão judicial paga sobre rendimentos cuja tributação está sendo discutida na justiça (tributação com a exigibilidade suspensa, à fl.74). Entretanto, a autoridade autuante não fez menção a tal fato e nem a decisão de piso, de tal forma que o contribuinte não apresentou defesa quanto a dedutibilidade da pensão paga sobre esses rendimentos. O sujeito passivo demonstra que foi descontado dos valores deduzidos por ele, contrapondose à acusação fiscal que limitouse a apontar o valor dedutível. A motivação do lançamento deve ser explícita e clara de modo a permitir a identificação da suposta irregularidade que acarretou a exigência imputada ao sujeito passivo, propiciando a ele a possibilidade de exercer na plenitude o seu direito constitucional de defesa e suprir as lacunas observadas pela autoridade fiscal nos documentos apresentados. Portanto, a glosa da pensão judicial deve ser cancelada. Despesas Médicas No tocante às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados (art. 73, do RIR/1999). A autuação consigna: Após reproduzir a legislação de regência, a decisão de piso aponta: No caso em tela, compulsandose os documentos trazidos pelo impugnante, observase que, às fls.13, consta um comprovante Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11040.720118/201754 Acórdão n.º 2002000.048 S2C0T2 Fl. 118 5 de rendimentos com a seguinte informação complementar: CASSI – Caixa Assistência Funcionários BB – CNPJ 33.719.485/000127: R$7.713,73. Cumpre ressaltar que não houve a discriminação dos beneficiários do pagamento ao plano de saúde em questão, o que inclusive já havia sido solicitado pelo Termo de Intimação de fls.38, razão pela qual não se comprovou que a despesa médica, no valor de R$7.713,73, seria relativa ao próprio tratamento do interessado e ao de seus dependentes. Acerca do documento de fls.15, intitulado “Relatório de Pagamentos –Exercício 2013”, com carimbo da UNIMED Pelotas/RS, tratase de uma simples impressão, sem nenhuma assinatura de responsável, ou data de emissão, que não discrimina sequer o CPF do cliente e do beneficiário, e que veio desacompanhada de qualquer comprovante de efetivo pagamento por parte do contribuinte, como cheques, extratos bancários, ou recibos. Logo, não há elementos hábeis e suficientes para comprovar a despesa médica no valor de R$10.087,55. Dessa forma, deve ser mantida a glosa referente à dedução indevida de despesas médicas, no valor total de R$17.801,28. Em seu recurso, além dos contracheques mensais, o sujeito passivo apresentou partes do regulamento do plano de saúde Cassi (fls. 98/105). Em pesquisa ao sítio da instituição, confirmase que as disposições trazidas pelo contribuinte encontramse em vigor. Segundo esse documento, a contribuição é de 3% sobre o valor total dos benefícios de aposentadoria (artigo 35, inciso II`, à fl.103), o que confere com o valor descontado mensalmente do sujeito passivo. Constatase ainda que o plano não estabelece contribuição adicional por dependente. Assim sendo, entendo que o contribuinte faz jus a deduzir o valor de R$7.713,73, uma vez que esse seria o valor a ser pago por ele em seu benefício independentemente da existência de dependentes. Quanto ao valor de R$697,62, consignado em seu comprovante de rendimentos como Participação em consultas, constatase que não foi informado na DIRPF (fl.22) e, consequentemente, não existe litígio acerca dele a ser apreciado por esta instância de julgamento. Notese que a autuação apontou a glosa do valor de R$7.713,73 em relação a Cassi (fl.9). No tocante à Unimed, o sujeito passivo já comprovara que estava obrigado ao pagamento do plano de saúde do excônjuge por força de decisão judicial. No documento de fl. 15, emitido por Unimed Pelotas/RS, consta que ele é o contratante e o beneficiário, o ex cônjuge. Considerando as falhas na documentação apontadas na decisão de piso, o contribuinte juntou ao seu recurso o relatório de fl. 106, o qual noticia o pagamento ao plano de saúde do montante de R$10.307,00, em benefício do excônjuge. Assim, essa glosa também deve ser cancelada. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11040.720118/201754 Acórdão n.º 2002000.048 S2C0T2 Fl. 119 6 Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, no sentido de cancelar integralmente as glosas das deduções de pensão alimentícia judicial e das despesas médicas. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.901034/2008-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/2003
COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO..
A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN).
Numero da decisão: 9303-006.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/04/2003 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO.. A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
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REQUISITOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JOHNSON CONTROLS DO BRASIL AUTOMOTIVE LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2003 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO.. A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 10 34 /2 00 8- 14 Fl. 222DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contribuinte contra o Acórdão nº 3802001.821, de 23/05/2013, proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. Deverá ser admitida a compensação uma vez comprovada a existência do direito creditório aduzido em DCOMP. Recurso ao qual se dá provimento. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento de que é possível a retificação de DCTF após o despacho decisório. Alega divergência com relação ao que decidido no Acórdão nº 180200153. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 170/172. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 178/197). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Conforme assentado no exame de sua admissibilidade, enquanto o acórdão recorrido decidiu que a retificação da DCTF após o despacho decisório não pode impedir a apreciação da compensação declarada, o paradigma adotou o entendimento contrário. A divergência, portanto, é manifesta. E, a nosso juízo, deve ser solucionada em desfavor da tese encartada no recurso especial. Em casos semelhantes, esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impediria o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, tal como preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13819.901034/200814 Acórdão n.º 9303006.275 CSRFT3 Fl. 223 3 legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. E, segundo o acórdão recorrido, é como procedeu a contribuinte, conforme registrado no seguinte parágrafo do seu voto condutor: A decisão de primeira instância silenciou a respeito dessa questão, tendo indeferido o pleito exclusivamente com base na aduzida impossibilidade legal de retificação da DCOMP. Tal possibilidade, todavia, subsiste, uma vez comprovado o cometimento de erro material quando do preenchimento da declaração, como, entendo, está caracterizado no caso presente, frente às evidências retratadas nos autos. Uma vez demonstrada a veracidade dos argumentos aduzidos pela recorrente, e caracterizado o equívoco cometido quando do preenchimento da DCOMP em exame, deverá ser acatada a retificação procedida, com a consequente homologação da compensação objeto dos autos até o exaurimento do crédito em favor do sujeito passivo, devendo a unidade responsável pela execução deste julgado apenas cuidar para verificar se os pagamentos apontados pela reclamante estão realmente disponíveis no sistema. (g.n.) Ante o exposto, e sem maiores delongas, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 224DF CARF MF 4 Fl. 225DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.721682/2011-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/08/2009
CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. NATUREZA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DE INTERESSE DAS CATEGORIAS PROFISSIONAIS OU ECONÔMICAS. IMUNIDADE NA EXPORTAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
A contribuição ao SENAR, destinada ao atendimento de interesses de um grupo de pessoas; formação profissional e promoção social do trabalhador rural; inclusive financiada pela mesma categoria, possui natureza de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, em sua essência jurídica, destinada a proporcionar maior desenvolvimento à atuação de categoria específica, portanto inaplicável a imunidade das receitas decorrentes da exportação.
Numero da decisão: 9202-006.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 07/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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NATUREZA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DE INTERESSE DAS CATEGORIAS PROFISSIONAIS OU ECONÔMICAS. IMUNIDADE NA EXPORTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A contribuição ao SENAR, destinada ao atendimento de interesses de um grupo de pessoas; formação profissional e promoção social do trabalhador rural; inclusive financiada pela mesma categoria, possui natureza de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, em sua essência jurídica, destinada a proporcionar maior desenvolvimento à atuação de categoria específica, portanto inaplicável a imunidade das receitas decorrentes da exportação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 07/04/2018 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 16 82 /2 01 1- 37 Fl. 224DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2301003.242 proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 22 de janeiro de 2013, no qual restou consignada a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 31/08/2009 CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS. Não cabe à instância administrativa decidir questões relativas à constitucionalidade de dispositivos legais, competência exclusiva do Poder Judiciário. NATUREZA JURÍDICA DO SENAR Natureza jurídica da contribuição destinada ao SENAR, onde está alcançada pela imunidade tributária capitulada pelo artigo 149, § 2°, I, após a Emenda Constitucional n° 33 de 11 de Dezembro de 2001. SENAR insculpido no § 5º do art. 22A da Lei nº 8.212/1991 tem natureza jurídica tributária específica de uma CIDE, dado a sua finalidade e dos demais aspectos de sua regra matriz de incidência. Conforme consta do Relatório Fiscal, fls. 15 a 32, o crédito tributário fora constituído porque, não obstante as receitas decorrentes da exportação da produção rural estarem sujeitas à incidência da contribuição devida ao SENAR, por se tratar, como se viu, de contribuição de interesse da categoria econômica não abrangida pela imunidade prevista no art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal, na redação que lhe foi dada pela Emenda Constitucional n.º 33, de 2001, o sujeito passivo deixou de oferecer as receitas obtidas com a exportação de sua produção, no período de julho de 2006 a agosto de 2009 à referida tributação. Irresignada, o ora Recorrente impugnou a autuação requerendo, em síntese: a imunidade das receitas advindas da exportação, considerando que as contribuições de interesse de categoria profissional e econômica, como no caso o SENAR, são espécies do Gênero denominado contribuição social, estando ao alcance da imunidade prevista no § 2º do art. 149 da Constituição Federal; bem como aduzindo a inaplicabilidade da multa. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento entendeu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário tal como autuado. Contudo, em decorrência da análise do Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, foi reformada a decisão e dado provimento ao recurso, na íntegra. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 11020.721682/201137 Acórdão n.º 9202006.510 CSRFT2 Fl. 3 3 Posteriormente, foi interposto Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 187 a 205, com o fito de rediscutir a aplicação da imunidade tributária prevista no art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal, sobre à contribuição destinada ao SENAR, nas receitas decorrentes de exportação, no qual, acerca da divergência, a Recorrente Sustenta que o Acórdão vergastado adotou entendimento distinto do posicionamento adotado nos Acórdãos nº 240102.240 e 401003.188. Foi realizado exame de admissibilidade, fls. 208 a 209, sendo dado seguimento ao citado Recurso para a rediscussão da questão suscitada. No que se refere ao mérito, a Recorrente aduz, em síntese, que: a) o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), tem por objetivo organizar, administrar e executar em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais. As contribuições destinadas ao SENAR, em qualquer das suas modalidades (seja sobre a comercialização, seja sobre a FOPAG), diversamente do que afirma o acórdão recorrido, constituem contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, o que impõe concluir que a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição não lhes é aplicável; b) é assente na doutrina e na jurisprudência que a contribuição ao SENAR possui a natureza jurídica de contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, pois se destina a proporcionar maior desenvolvimento à atuação de categoria específica, que é o produtor rural, sendo exigida de contribuintes vinculados a este setor e a arrecadação é destinada a ações de formação profissional rural e promoção social de trabalhadores e produtores rurais, tendo, portanto, a natureza de contribuições de interesse das categorias profissionais; c) no §2º, inciso I, apenas encontra‑ se prevista a imunidade das receitas de exportação em relação às “contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico”. Observe‑ se que se o termo “contribuições sociais” tivesse sido utilizado pelo constituinte em seu sentido amplo, para abranger as contribuições de interesse de categorias profissionais e as de intervenção no domínio econômico, não teria repetido esta última espécie na redação do já citado inciso I do § 2o do artigo 149; d) resta claro que a imunidade prevista em relação às receitas decorrentes da exportação não abrange as contribuições de interesse de categoria profissionais ou econômicas. Por meio de contrarrazões, fls. 215 a 220, a Contribuinte não se insurgiu relativamente ao conhecimento do recurso, sustentando, em síntese, quanto ao mérito: Fl. 226DF CARF MF 4 a) as contribuições destinadas ao SENAR não devem incidir sobre as receitas de exportação, em razão da imunidade constitucional, conforme reconhecido no Acórdão, tendo natureza jurídica de CIDE; b) a EC n.º 33/2001 inovou no ordenamento jurídico com algumas disposições com caráter tributário, inclusive a imunidade relativa às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico incidentes sobre as receitas de origem de exportação, cujo objeto é incentivar a indústria nacional, fazendo com que o produto fique mais atrativo no mercado internacional, pelo menos no preço, se comparado ao produto estrangeiro; c) a imposição pela Receita Federal de tributar a contribuição ao SENAR, nas receitas decorrentes de exportação, através da IN n.º 971/2009, afronta a norma constitucional do art. 150, inciso I, que dispõe de modo expresso a necessidade de que a instituição ou aumento de tributo, por parte da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, seja formalizada unicamente mediante lei; d) em todas as atividades constitucionais desenvolvidas e efetivamente praticadas, vêse que o SENAR não possui nenhuma função fiscalizatória ou representativa de qualquer categoria profissional ou econômica; e) todas as funções reportam aos propósitos constitucionais contidos no art. 170 e seguintes da Constituição, afigurandose como forma de intervenção no domínio econômico; f) o SENAR descrito no § 5º do art. 22A da Lei 8.212/91 tem natureza jurídica tributária específica de uma CIDE, dado a sua finalidade e dos demais aspectos de sua regra matriz de incidência e, como tal, está sujeito às regras de imunidade previstas no art. 149 da CF. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. Conforme narrado, o presente Auto de Infração decorre do não recolhimento das contribuições destinadas ao SENAR incidentes sobre as receitas provenientes da comercialização da produção com adquirentes residentes no exterior. Com a análise da divergência apontada, observase que o Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional tem como objetivo rediscutir a aplicação da imunidade tributária prevista no art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal, sobre à contribuição destinada ao SENAR, nas receitas decorrentes de exportação. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 11020.721682/201137 Acórdão n.º 9202006.510 CSRFT2 Fl. 4 5 Cumpre destacar que tal matéria foi delimitada como objeto da controvérsia, em razão do reconhecimento da divergência apontada pela Recorrente, no Despacho de Admissibilidade do Recurso; bem como diante da ausência de impugnação referente ao conhecimento pela Recorrida, em sede de contrarrazões. Sobre o tema, a Recorrente entende que a contribuição ao SENAR é contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, o que impõe concluir que a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição não lhes é aplicável. Por outro lado, a Recorrida assevera que a contribuição sob análise tem natureza jurídica tributária específica de uma CIDE, dada a sua finalidade e os demais aspectos de sua regra matriz de incidência e, como tal, está sujeito às regras de imunidade previstas no art. 149 da CF. Assim, caso o referido tributo seja considerado como uma contribuição social ou uma contribuição de intervenção no domínio econômico, estará abarcado pela imunidade, não podendo ser ele exigido sobre as receitas decorrentes de exportação; ao passo que, na hipótese de se reputar como contribuição de interesse de categoria profissional ou econômica, a norma imunizante não poderá ser aplicada, havendo incidência da contribuição sobre as receitas decorrentes da exportação. A matéria controvertida possui extrema relevância jurídica, considerando a divergência na doutrina e na jurisprudência acerca da exata natureza de tais contribuições: se são contribuições sociais gerais; se são contribuições interventivas; ou ainda se configuram contribuições de interesse das categorias profissionais. Inicialmente, com o fim de se buscar uma interpretação adequada para a classificação das contribuições ao SENAR, cabe destacar os ensinamentos doutrinários sobre a distinção do tributo em análise. Consoante o comando inserto no art. 4º, I e II, do CTN, a destinação ou a finalidade do produto da arrecadação é irrelevante para a qualificação da espécie tributária ou de sua natureza jurídica específica, nos termos abaixo transcritos: Art. 4º A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificála: I a denominação e demais características formais adotadas pela lei; II a destinação legal do produto da sua arrecadação. A esse respeito, Hamilton Dias preleciona: No fundo, entretanto, o fato gerador das contribuições tem uma configuração toda especial, pois não é, como nos impostos, condição necessária e suficiente ao surgimento da obrigação, por supor a existência de um especial interesse do sujeito passivo em certa atividade estatal. Assim, o pressuposto ou causa da obrigação é esse benefício, embora se tome como parâmetro referencial ou fato de exteriorização, algo que ocorre no mundo fenomênico, semelhantemente aos impostos. Fl. 228DF CARF MF 6 Acerca do tema, Miguel Reale, discorrendo sobre o fato imponível das contribuições, assevera que: o fato gerador não atua como mera causa da exação, como acontece com os impostos, mas sim como causa qualificada pela finalidade que lhe é inerente. Segundo Luciano Amaro, as contribuições distinguem umas das outras pela finalidade a cujo atendimento se destinam. E prossegue o eminente autor, em outra passagem de sua respeitada doutrina: É a circunstância de as contribuições terem destinação específica que as diferencia dos impostos, enquadrandoas, pois como tributos afetados à execução de uma atividade estatal ou paraestatal específica, que pode aproveitar ou não ao contribuinte (...). Acrescenta Hamilton Dias de Souza e Ives Gandra da Silva, no Curso de direito tributário, que: Nos impostos, basta a ocorrência do fato gerador para nascer a obrigação tributária, ao passo que nas contribuições a obrigação só nasce se verificados, concomitantemente, o benefício e o fato descrito na norma. As contribuições desfrutam de muitos qualificativos na doutrina, dentre eles: parafiscais, especiais e sociais. Contudo, o nome dado ao instituto não possui tanta relevância quanto essência jurídica. O art. 149, caput, da Constituição, enumera três tipos de contribuições da seguinte forma: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. Como se evidencia, o preceptivo discrimina as seguintes contribuições federais: a) contribuições sociais; b) contribuições de intervenção no domínio econômico; e c) contribuições de interesse das categorias profissionais e econômicas. As contribuições para os Serviços Sociais (sistema S) traduzemse nas receitas repassadas a entidades, na maior parte de direito privado, não integrantes da administração pública, mas que realizam atividades de interesse público. Nas palavras de Maria Sylvia Zanella Di Pietro: Essas entidades não prestam serviço público delegado pelo Estado, mas atividades privada de interesse público, serviço não exclusivo do Estado; Exatamente por isso são incentivadas pelo Poder Público. A atuação estatal, no caso, é de fomento e não de prestação de serviço público. (DI PIETRO, 2013, p. 201). Fl. 229DF CARF MF Processo nº 11020.721682/201137 Acórdão n.º 9202006.510 CSRFT2 Fl. 5 7 Para Ricardo Lobo Torres, tratase de arrecadação do Parafisco, isto é, dos órgãos paraestatais incumbidos de prestar serviços paralelos aos da Administração, através de orçamento especial, que convive com o orçamento fiscal (art. 165, § 5º, da CF). Dispostas essas considerações, cabe salientar que a marca das contribuições especiais é que sua arrecadação deve ser carreada para o financiamento de atividades de interesse público, beneficiando certos grupos, e direta ou indiretamente o contribuinte. Dado o panorama geral, colaciono abaixo a legislação atinente às contribuições ao SENAR: Lei 8.212/91 Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de:(Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). I dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social;(Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). (...) § 5º O disposto no inciso I do art. 3º da Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, não se aplica ao empregador de que trata este artigo, que contribuirá com o adicional de zero vírgula vinte e cinco por cento da receita bruta proveniente da comercialização da produção, destinado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR).(Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). Lei 8.315/91 Art. 1° É criado o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), com o objetivo de organizar, administrar e executar em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais. (...) Art. 3° Constituem rendas do Senar: I contribuição mensal compulsória, a ser recolhida à Previdência Social, de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o montante da remuneração paga a todos os empregados pelas pessoas jurídicas de direito privado, ou a elas equiparadas, que exerçam atividades: a) agroindustriais; Fl. 230DF CARF MF 8 b) agropecuárias; c) extrativistas vegetais e animais; d) cooperativistas rurais; e) sindicais patronais rurais; II doações e legados; III subvenções da União, Estados e Municípios; IV multas arrecadadas por infração de dispositivos, regulamentos e regimentos oriundos desta lei; V rendas oriundas de prestação de serviços e da alienação ou locação de seus bens; VI receitas operacionais; VII contribuição prevista no art. 1° do DecretoLei n° 1.989, de 28 de dezembro de 1982, combinado com o art. 5° do DecretoLei n° 1.146, de 31 de dezembro de 1970, que continuará sendo recolhida pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra); VIII rendas eventuais. § 1° A incidência da contribuição a que se refere o inciso I deste artigo não será cumulativa com as contribuições destinadas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), prevalecendo em favor daquele ao qual os seus empregados são beneficiários diretos. § 2° As pessoas jurídicas ou a elas equiparadas, que exerçam concomitantemente outras atividades não relacionadas no inciso I deste artigo, permanecerão contribuindo para as outras entidades de formação profissional nas atividades que lhes correspondam especificamente. § 3° A arrecadação da contribuição será feita juntamente com a Previdência Social e o seu produto será posto, de imediato, à disposição do Senar, para aplicação proporcional nas diferentes Unidades da Federação, de acordo com a correspondente arrecadação, deduzida a cota necessária às despesas de caráter geral. Para a caracterização das contribuições ao SENAR como contribuição de intervenção no domínio econômico seria necessário entender elas possuem caráter extrafiscal como nítidos instrumentos de planejamento, corrigindo as distorções e abusos de seguimentos descompassados, e não somente carreando recursos para os cofres públicos. A mencionada intervenção ocorre com a regulação das atividades econômicas as quais se atrelam, geralmente relativas às disposições constitucionais da Ordem Econômica e Financeira, art. 170, I a IX, e seguintes da Constituição Federal, consoante os princípios abaixo colacionados: Fl. 231DF CARF MF Processo nº 11020.721682/201137 Acórdão n.º 9202006.510 CSRFT2 Fl. 6 9 I soberania nacional; II propriedade privada; III função social da propriedade; IV livre concorrência; V defesa do consumidor; VI defesa do meio ambiente; VI defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) VII redução das desigualdades regionais e sociais; VIII busca do pleno emprego; IX tratamento favorecido para as empresas brasileiras de capital nacional de pequeno porte. IX tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 6, de 1995 De fato, existem atividades econômicas que precisam sofrer a intervenção do Estado, a fim de que sobre elas se promova um fim fiscalizatório, regulando seu fluxo produtivo para a melhoria do setor beneficiado, não sendo essa a finalidade precípua das contribuições ao SENAR, cujo objetivo é organizar, administrar e executar em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais, servindo como fomento da atividade, por meio da educação. Cabe acrescentar que o fato gerador da contribuição debatida é a comercialização da produção rural e ocorre com a venda ou a consignação da produção rural; a base de cálculo é a receita bruta proveniente da comercialização de tal produção, o que destoa das demais contribuições destinadas ao Sistema S (SESI, SENAI...), as quais incidem sobre as folhas de salários. Extraise, assim, que a contribuição ao SENAR, sendo esta desenvolvida para o atendimento de interesses de um grupo de pessoas (formação profissional e promoção social do trabalhador rural), inclusive financiada pela mesma categoria, possui natureza de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, em sua essência jurídica, destinada a proporcionar maior desenvolvimento à atuação de categoria específica. Ao meu ver, as contribuições de intervenção no domínio econômico são mais abrangentes, no aspecto da sua destinação, que as contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, pois aquelas fomentam determinado setor com o fim de Fl. 232DF CARF MF 10 incentivar e instigar o mercado, de forma pragmática, principalmente em momentos de crise, contribuindo na regulação da ordem econômica e refletindo políticas do governo que afetam toda a sociedade, e estas têm sua aplicação adstrita ao financiamento das respectivas categorias profissionais ou econômicas, em áreas específicas, apenas para o seu fomento. No que tange à distinção entre as contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas e as contribuições sociais, entendo que estas contribuições também possuem maior abrangência, ao se destinarem ao financiamento social (bemestar e justiça social), de um modo geral, e não voltado ao interesse de determinadas categorias. Além disso, outra distinção salutar reside no fato de que os recursos o produto das contribuições sociais gerais que ingressam aos cofres públicos decorrentes da sua arrecadação mantém o caráter público e serão aplicados conforme sua vinculação (as verbas arrecadadas são mantidas em poder do Estado para sua aplicação finalística), enquanto os produtos das contribuições que ingressam aos cofres do SENAR perdem o caráter de recurso público, como já decidiu o STF (AG .REG. NA AÇÃO CÍVEL ORIGINÁRIA 1.953). Feitas essas colocações, entendo que; embora reflexamente as contribuições ao SENAR beneficiem a sociedade, no âmbito da educação e assistência aos trabalhadores rurais, bem como causem efeitos na economia, tendo em vista que a educação é pilar relevante no desenvolvimento de um país; em sua essência jurídica tal contribuição se presta, precipuamente, a atender uma categoria econômica específica, qual seja a dos trabalhadores rurais. Diante de todo o exposto, notase que a Recorrida não faz jus à imunidade prevista no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal. Assim, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 233DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17613.720975/2014-56
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA.
A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.
Numero da decisão: 2001-000.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.
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MOLÉSTIA GRAVE COMPROVADA. A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 61 3. 72 09 75 /2 01 4- 56 Fl. 57DF CARF MF 2 Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, fls. 20 a 24, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2012, anocalendário de 2011, por meio do qual foi constatada omissão de rendimentos, relativo a fonte pagadora Instituto Nacional de Seguro Social INSS, no valor de R$ 31.321,74, gerando assim a exigência de imposto de renda suplementar no valor de R$ 6.088,49. O interessado foi cientificado da notificação em 06/08/2014 (fls.26) e apresentou impugnação em 15/08/2014 (fls. 02 e 03), instruída co documentos de fls, 04 e 18. Alega, em síntese, que o rendimento reputado omitido é isento, por se tratar de proventos da aposentadoria pagos a portador de moléstia grave. A DRJ Belo Horizonte, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que o contribuinte não logrou êxito em comprovar a condição de moléstia grave para fins de isenção de imposto de renda. Em sede de Recurso Voluntário, repisa a contribuinte as mesmas razões alegadas na impugnação. Cita base legal e jurisprudência para corroborar o seu entendimento. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Omissão de rendimentos De acordo com o inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de1988 e alterações, são isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores das moléstias nele enumeradas. A isenção em questão também se aplica à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão (§ 6º do art. 39 do Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento de Imposto sobre a Renda RIR/1999). Nos termos do § 4º do RIR/1999, para o reconhecimento de novas isenções, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 17613.720975/201456 Acórdão n.º 2001000.234 S2C0T1 Fl. 3 3 O contribuinte sustenta que encontrase aposentado desde junho de 2008 (fl. 13), entretanto entende a DRJ que ele não apresentou laudo médico nos moldes estabelecidos na legislação acima. Alega a DRJ de Belo Horizonte que o laudo de fl. 10 não foi emitido por serviço médico oficial. No campo destinado à identificação do serviço médico oficial apenas foi aposto o carimbo de identificação do médico Ricardo Ferreira Moura. O fato de tal laudo ter recebido carimbo de CNPJ do INSS não o torna oficial. Não concordo com o entendimento da DRJ. Ao meu ver, foram integralmente supridas as faltas apontadas no lançamento. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos Fl. 59DF CARF MF 4 atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na comprovação pelo Contribuinte da sua condição de portador de moléstia grave, nos termos da lei, entendo que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter a sua condição de isento para fins fiscais restando comprovada a sua condição de portador de moléstia grave. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000259/2010-98
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/10/2007, 16/11/2007, 30/11/2007
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA, CORRETORAS E BANCOS. VENDA DE AÇÕES "DESMUTUALIZAÇÃO" . RECEITA BRUTA OPERACIONAL .
As instituições financeiras (Bancos), assim como as corretoras de valores mobiliários que tenham em seu objeto social a subscrição de ações para compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento (Receita Bruta) operacional, receitas típicas de compra e venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização.
TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE.
Classificam-se no ativo circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de valores de São Paulo Bovespa e BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante.
Numero da decisão: 9303-006.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/10/2007, 16/11/2007, 30/11/2007 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA, CORRETORAS E BANCOS. VENDA DE AÇÕES "DESMUTUALIZAÇÃO" . RECEITA BRUTA OPERACIONAL . As instituições financeiras (Bancos), assim como as corretoras de valores mobiliários que tenham em seu objeto social a subscrição de ações para compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento (Receita Bruta) operacional, receitas típicas de compra e venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização. TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificam-se no ativo circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de valores de São Paulo Bovespa e BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante.
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BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA, CORRETORAS E BANCOS. VENDA DE AÇÕES "DESMUTUALIZAÇÃO" . RECEITA BRUTA OPERACIONAL . As instituições financeiras (Bancos), assim como as corretoras de valores mobiliários que tenham em seu objeto social a subscrição de ações para compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento (Receita Bruta) operacional, receitas típicas de compra e venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no ativo circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de valores de São Paulo Bovespa e BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 02 59 /2 01 0- 98 Fl. 785DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 786 2 conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte, com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 3301003.001, proferido pela – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de julgamento, que decidiu em negar provimento ao Recurso Voluntário, por entender que há incidência do PIS e da COFINS, sobre as receitas auferidas por corretoras de valores com a venda das ações recebidas em substituição dos títulos patrimoniais da BOVESPA e BM&F. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Em conseqüência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias foram lavrados, em 15/03/2010, contra a contribuinte acima identificada: a) o Auto de Infração relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado no valor total de R$ 6.692.734,34 (sendo R$ 3.382.607,23 a título da contribuição, R$ 773.171,70, a título de juros de mora calculados até 26/02/2010 e R$ 2.536.955,41, a título de multa de oficio 75%), referente aos fatos geradores ocorridos em 30/10/2007, 16/11/2007 e 30/11/2007 (fls. 72 a 76). A exigência está fundamentada nos arts. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/2002; art. 18 da Lei n°10.684/2003 e arts. 1°e 2° da Lei n°9.718/1998; b) o Auto de Infração relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado no valor total de R$ 1.087.769,30 (sendo R$ 549.673,67 a título da contribuição, R$ 125.640,39, a título de juros de mora calculados até 26/02/2010 e R$ 412.255,24, a título de multa de oficio 75%), referente aos fatos geradores ocorridos em 30/10/2007, 16/11/2007 e 30/11/2007 (fls. Fl. 786DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 787 3 67 a 71). A exigência está fundamentada nos arts. 2°, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3°, 10, 26 e 51 do Decreto n° 4.524/2002 nos arts. 1° e 2° da Lei n°9.715/1998. 1.1. A ciência da autuação deuse em 15/03/2010, conforme consignado As fls. 68 e 73. 2. 2. De acordo com o disposto nas folhas de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 297 e 302), a infração apurada referese a "FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO" das contribuições para o PIS e COFINS. O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/10/2007, 16/11/2007, 30/11/2007 TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A, recebidas em decorrência da denominada operação de desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, negociadas poucos meses após o seu recebimento, deverão ser registradas no Ativo Circulante. COFINS. BASE DE CÁLCULO. VENDA DE AÇÕES. RECEITA OPERACIONAL DE CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS. O resultado apurado com a venda das ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A. deve ser classificado como receita financeira, operacional, própria da atividade da recorrente, corretora de títulos e valores mobiliários. Assim, por se enquadrarem como receitas derivadas da atividade operacional da pessoa jurídica, tais negociações deverão compor a base de cálculo da COFINS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/10/2007, 16/11/2007, 30/11/2007 TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A, recebidas em decorrência da denominada operação de desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM& F, negociadas poucos meses após o seu recebimento, deverão ser registradas no Ativo Circulante. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. VENDA DE AÇÕES. RECEITA OPERACIONAL DE CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS. Fl. 787DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 788 4 O resultado apurado com a venda das ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A. deve ser classificado como receita financeira, operacional, própria da atividade da recorrente, corretora de títulos e valores mobiliários. Assim, por se enquadrarem como receitas derivadas da atividade operacional da pessoa jurídica, tais negociações deverão compor a base de cálculo do PIS/Pasep. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/10/2007, 16/11/2007, 30/11/2007 PRÁTICAS REITERADAS DA ADMINISTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. LEGITIMIDADE DA EXIGÊNCIA DA MULTA DE OFÍCIO E DOS JUROS DE MORA. Legítima a exigência da multa de ofício e dos juros de mora, eis que não caracterizadas as aduzidas práticas reiteradas da Administração em sintonia com a tese defendida pelo sujeito passivo. Inaplicável ao caso o disposto no artigo 100, inciso III, do CTN. Recurso ao qual se nega provimento". Ciente do referido acórdão e tempestivamente, a Contribuinte interpõe o presente Recurso Especial, suscitando divergência jurisprudencial quanto à escrituração das ações da BOVESPA HODING S.A e da BM&F S.A. decorrentes de processo de desmutualização como Ativo Circulante ou Permanente, para fins de tributação pelo PIS e pela COFINS. A matéria foi prequestionada, posto que expressamente enfrentada no voto condutor do acórdão recorrido. Em suas razões a Contribuinte indicou a legislação que entende haver divergência na sua interpretação: artigo 3º, §2º, inciso IV, da Lei nº 9.718/1998, artigo 179 da Lei nº 6.404/76, e Parecer Normativo CST nº 108/78. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, aponta, como paradigmas, os acórdãos n°s 3403001.829 (fls. 671/696) e 3403003.373 (fls. 697/704), com cópia de inteiro teor extraída do sítio do CARF. Em seguida, o Presidente da 3º Seção do CARF, deu seguimento ao Recurso, por ter sido comprovada a divergência, conforme se extrai do despacho de admissibilidade, fls. 744/747. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, às fls. 749/773, requer que seja negado provimento ao recurso especial, mantendose incólume o julgado recorrido. É o relatório. Fl. 788DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 789 5 Voto Demes Brito Conselheiro Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito quanto à escrituração das ações da BOVESPA HODING S.A e da BM&F S.A. decorrentes de processo de desmutualização no Ativo Circulante ou Permanente, para fins de tributação ou não pelo PIS e COFINS. Com efeito, quanto esta matéria, registro meu posicionamento e desta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme decisão consubstanciada no Acórdão nº 9303 004.232, de Relatoria da Conselheira Vanessa Marini Cecconello, pronunciada na sessão de julgamento de 11/08/2016, a qual restou vencida, sendo designado para elaboração do voto vencedor este Relator. Dessa forma, utilizo o referido julgado como fundamento para minhas razões de decidir por se tratar de matéria idêntica. Vejamos: "Sintome honrado novamente em ser designado Redador para elaboração do Voto Vencedor sobre a "desmutualização". Em que pese os argumentos do voto da Ilustre Conselheira Relatora, com a devida vênia, discordo de todos os fundamentos. Explico: No presente caso, a controvérsia cravase na discussão dos efeitos jurídico tributários advindos do conjunto de operações societárias denominada “desmutualização” das bolsas, especificamente quanto a incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas de alienações das ações recebidas quando da transferência das atividades, até então desempenhadas pelas associações sem fins lucrativos, para as sociedades anônimas BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A. Matéria que subiu para o colegiado julgar. Fl. 789DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 790 6 Neste sentido, não há qualquer controvérsia quanto a admissibilidade do Recurso Especial, superada a discussão referente ao paradigma utilizado pela Recorrente ser de uma corretora de títulos e valores mobiliários, e atividade da Recorrida ser uma instituição financeira (Banco), considerando que em ambos processos as vendas das ações estariam sujeitas à incidência do PIS e da COFINS, tendo em vista que o objeto social da Contribuinte abrange a negociação de títulos e valores mobiliários, a qual adquiriu as ações com objetivo de revendêlas Versa o presente processo sobre o lançamento de ofício das contribuições do PIS e da COFINS, sobre a receita auferida com as operações de alienação das ações da BM&F S/A e BOVESPA, relativo ao fato gerador de 30/11/2007 a 31/12/2007, recebidas em razão do processo conhecido como “desmutualização”, consistente em um conjunto de alterações societárias ocorridas nas Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA) e na Bolsa de Mercadorias e Futuro (BM&F) que deixaram de ser associações sem fins lucrativos e se transformaram em sociedade anônimas. Como conseqüência do processo de “desmutualização”, os detentores dos Títulos Patrimoniais da Bovespa e da BM&F receberam ações representativas do capital da Bovespa Holding S/A e da BM&F Holding S/A, que foram posteriormente vendidas. Sem embargo, no atual contexto constitucional em que se proclama o interprete utilizarse de expedientes objetivos, aplicase uma dose botulínica no texto normativo, tornando o julgador o solipsista de exercer o papel de interprete dos preceitos jurídicos. Neste sentido, em sua tese de doutoramento “Teoria Complexa do Direito”, Luiz Orlando Zanon Junior, bem acentua os preceitos de interpretação e aplicação das normas jurídicas aos casos concretos: “Cabe ao juiz efetuar a interpretação e aplicação das Normas Jurídicas aos casos concretos, na qualidade de seu destinatário principal, mediante o procedimento lógico dedutivo de subsunção. De acordo com tal processo decisório, o intérprete deve primeiro fixar a amplitude da Norma Jurídica previamente dada pelo legislador ou encontrada em um precedente, que consubstancia a premissa maior, e, depois, encaixar as peculiaridades fáticas de um determinado caso, que correspondem às premissas menores, dentro dos quadros normativos previamente fixados, segundo uma lógica meramente dedutiva1.” Deste modo, investindo contra decisão da 4º Câmara da 1º Turma Ordinária, a Fazenda Nacional sustenta em seu recurso que: "A extinção das associações sem fins lucrativos somente poderia resultar na reversão de seu patrimônio à entidade sem fins econômicos ou na restituição aos associados. Admitir a possibilidade de que, por meio de cisão e incorporação, fosse possível empreender a transferência dos bens da 1 Orlando Luiz. Teoria Complexa do Direito. Fls.114115 Florianópolis: Cejur, 2013. ebook http://acadjud.tjsc.jus.br/ebooks Fl. 790DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 791 7 associação à sociedade por ações, transformandoa em sociedade por ações, seria violar frontalmente o art. 61 do Código Civil. Quanto a incidência do PIS e COFINS sobre a receita da venda de ações, a contribuinte escriturou no ATIVO CIRCULANTE as ações recebidas da BOVESPA S.A. e BM&F S.A., em decorrência do processo de desmutualização das Bolsas. Dessa maneira, resta inquestionável que a intenção do contribuinte era alienar os mencionados ativos na oferta pública de ações (IPO), promovida pela BOVESPA S.A. e pela BM&F S.A., nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2007. A própria contribuinte escriturou de modo correto as ações recebidas em seu Ativo Circulante". Por outro lado, a Relatora do Voto Vencido sustenta pela inadmissibilidade do Recurso da Fazenda Nacional, defendendo que o paradigma indicado não se presta a comprovar a divergência, considerando que: "o acórdão indicado como paradigma traz em seu bojo pressuposto inaplicável ao presente caso: temse como contribuinte uma sociedade corretora de títulos e valores mobiliários, cuja atividade precípua é, dentre outras, a compra e venda, por conta própria, de títulos e valores mobiliários. Nos presentes autos, temse no pólo passivo da exigência tributária uma instituição financeira". Quanto ao mérito do Recurso, a Relatora vencida defende que: "não houve dissolução das associações e nem devolução do patrimônio aos antigos sócios, tendo sido o mesmo transferido diretamente para a nova entidade, os títulos patrimoniais antigos e as ações em que se transformou são papéis que representam o mesmo patrimônio, constituindose em ativo permanente. Portanto, o faturamento da alienação das ações se enquadra como venda de um investimento, isto é, constituise em venda de patrimônio próprio, não havendo de se falar na incidência de PIS e COFINS, conforme art. 3º, IV, da Lei nº 9.718/98". Para concluirmos quais são os efeitos jurídicotributários decorrentes do processo de "desmutualização" das bolsas, temos que verificar se as receitas decorrentes das vendas das ações seriam tributadas pelas contribuições PIS/COFINS, percorrendo de modo pragmático os dispositivos legais sobre o tema, e a forma correta de contabilização das ações recebidas no processo. Dos Títulos Patrimoniais da BM&F e BOVESPA Com efeito, até o advento das operações chamadas de “desmutualização”, as bolsas de valores eram intituladas como associações civis, sem fins lucrativos, tendo como função manter o sistema adequado para negociação de valores mobiliários. Contudo, a Lei nº 4.728/65, disciplinou o mercado de capitais, regulando a autonomia administrativa, financeira e patrimonial das bolsas de valores, e sua supervisão operacional pelo Banco Central, de acordo com a regulamentação expedida pelo Conselho Monetário Nacional, a quem competia fixar as normas gerais a serem observadas na constituição, Fl. 791DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 792 8 organização, funcionamento, e relativas a constituição, extinção e forma jurídica das bolsas de valores. Neste passo, eis que surge a Lei nº 6.385/76, a qual, criou a Comissão de Valores Mobiliários, disciplinando o mercado de valores e as operações realizadas na bolsa de valores. A Resolução CMN nº 1.656, de 26 de outubro de 1989, aprovou o regulamento que disciplinou a constituição, organização e funcionamento das Bolsas de Valores: CAPÍTULO I Bolsas de Valores SEÇÃO I Natureza e Características NATUREZA E OBJETO SOCIAL Art. 1º As Bolsas de Valores são constituídas como associações civis, sem finalidade lucrativa, tendo por objeto social: I manter local ou sistema adequado à realização de operações de compra e venda de títulos e valores mobiliários, em mercado livre e aberto, especialmente organizado e fiscalizado pela própria Bolsa, sociedades corretoras membros e pelas autoridades competentes; II dotar, permanentemente, o referido local ou sistema de todos os meios necessários à pronta e eficiente realização e visibilidade das operações; III estabelecer sistemas de negociação que propiciem continuidade de preços e liquidez ao mercado de títulos e valores mobiliários; IV criar mecanismos regulamentares e operacionais que possibilitem o atendimento, pelas sociedades corretoras membros, de quaisquer ordens de compra e venda dos investidores, sem prejuízo de igual competência da Comissão de Valores Mobiliários, que poderá, inclusive, estabelecer limites mínimos considerados razoáveis em relação ao valor monetário das referidas ordens; V efetuar registro das operações; VI preservar elevados padrões éticos de negociação, estabelecendo, para esse fim, normas de comportamento para as sociedades corretoras e companhias abertas, fiscalizando sua observância e aplicando penalidades, no limite de sua competência, aos infratores; VII divulgar as operações realizadas, com rapidez, amplitude e detalhes; VIII conceder, à sociedade corretora membro, crédito para assistência de liquidez, com vistas a resolver situação transitória, até o limite do valor de seu título patrimonial, mediante apresentação de garantias subsidiárias de pelo menos 120% (cento e vinte por cento) do valor do crédito; Fl. 792DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 793 9 IX exercer outras atividades expressamente autorizadas pela Comissão de Valores Mobiliários. Parágrafo único. As Bolsas de Valores não podem distribuir a sociedades corretoras membros parcela de patrimônio ou resultado, exceto nos casos de dissolução e na forma que a Comissão de Valores Mobiliários aprovar. Dessa forma, todas as bolsas de valores autorizadas a funcionar no Brasil ficaram obrigadas a assumir a forma de associação, ou seja, pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos e regidas pelo Código Civil brasileiro vigente à época (Lei nº 3.071, de 1916, arts. 20 a 22). A Resolução nº 1.656, de 1989, sofreu várias alterações pelas Resoluções nº 1.760, de 1990; nº 1818, de 1991; nº 2.549, de 1998; e nº 2.597, de 1999, sendo que somente com a edição da Resolução CMN nº 2.690, de 2000, que aprovou um novo regulamento, é que as bolsas de valores foram autorizadas a se constituírem, alternativamente, sob a forma de sociedade anônima: Art. 1º As bolsas de valores poderão ser constituídas como associações civis ou sociedades anônimas, tendo por objeto social: De acordo com a Resolução CMN nº 1.656/89, o ato constitutivo das Bolsas de Valores compreendia seu Estatuto Social assinado por todos os fundadores, devidamente registrado no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Seu patrimônio social era dividido em títulos patrimoniais, que eram adquiridos por sociedades corretoras como requisito para sua admissão como associadas das bolsas: Art. 7º O patrimônio social das Bolsas de Valores deve ser formado mediante realização em dinheiro e será dividido em títulos patrimoniais, cuja quantidade e valor inicial de emissão devem ser fixados pela Comissão de Valores Mobiliários. [...] Art. 25. Somente pode ser admitida como membro da Bolsa de Valores a sociedade corretora que adquirir o respectivo título patrimonial. § 1º Nenhuma sociedade corretora pode adquirir mais de um título patrimonial de cada Bolsa de Valores. § 2º As sociedades corretoras têm iguais direitos e obrigações perante a Bolsa de Valores. § 3º A sociedade corretora, antes de iniciar suas operações, deve caucionar o seu título patrimonial em favor da Bolsa de Valores. § 4º Aprovada a sua admissão e cumprido o disposto no parágrafo anterior, a sociedade corretora entra em pleno gozo dos direitos de associada da Bolsa de Valores. Fl. 793DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 794 10 Conforme o art. 3º, §2º, do Regulamento Anexo à Resolução nº1.655/1989 do Conselho Monetário Nacional, para que pudessem operar no mercado de capitais por meio de recinto bursátil, as sociedades corretoras e distribuidoras de valores mobiliários deveriam deter títulos representativos do patrimônio daquelas entidades. Art. 3° A constituição e o funcionamento de sociedade corretora dependem de autorização do Banco Central. § 1° A sociedade corretora deverá ser constituída sob a forma de sociedade anônima ou por quotas de responsabilidade limitada. § 2° São condições indispensáveis para a concessão da autorização prevista neste artigo, dentre outras, a admissão como membro de bolsa de valores, em razão da aquisição de título patrimonial de emissão dessa e a aprovação da Comissão de Valores Mobiliários para o exercício de atividades no mercado de valores mobiliários. Também a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) foi constituída sob a forma de associação civil sem fins lucrativos, tendo por objetivo “organizar e prover o funcionamento de mercados para negociação de títulos e contratos que possuam como referência ou tenham como objeto ativos financeiros, índices, indicadores, taxas, mercadorias, moedas, energia, transportes, commodities e outros bens ou direitos direta ou indiretamente relacionados a tais ativos, nas modalidades à vista e de liquidação futura”. O funcionamento das bolsas de mercadorias e de futuros foi regulamentado pela Resolução CMN nº 1.645/89. Portanto, as sociedades corretoras e instituições financeiras (BANCOS) possuíam, antes do procedimento de “desmutualização”, títulos patrimoniais das associações civis, sem finalidades lucrativas denominadas BOVESPA e BM&F. Da Desmutualização das Bolsas de Valores Em 1997, houve a primeira operação de reestruturação da BOVESPA, pela qual foram criadas duas empresas distintas, a Clearing S.A. (“Clearing”) – posteriormente denominada Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (“CLBC”) – e a Bovespa Serviços e Participações S.A. (“Bovespa Serviços”). A CBLC foi instituída mediante cisão de parte do patrimônio da BOVESPA e ficou encarregada de atuar como câmara de compensação e custodiar ações e títulos. Por sua vez, a Bovespa Serviços, subsidiária integral da BOVESPA, ficou com as funções de dar suporte aos serviços de informática e telefonia da BOVESPA, portanto responsável por exercer atividades relacionadas com negociação, controle, fiscalização e difusão de informações. Em 2007 as Bolsas iniciaram mais uma reestruturação societária, que se deu mediante cisão das associações e incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto. Nessa medida, os títulos Fl. 794DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 795 11 patrimoniais detidos pelas sociedades corretoras na BM&F e na BOVESPA foram trocados por ações das novas companhias – BM&F S.A. e BOVESPA HOLDING S.A., respectivamente. A “desmutualização” da Bovespa ocorreu em 28 de agosto de 2007 e envolveu as seguintes etapas, todas realizadas na mesma data: (i) cisão parcial da Bovespa, com a versão das parcelas de seu patrimônio em duas sociedades: Bovespa Holding e Bovespa Serviços S.A. (“Bovespa Serviços”); e (ii) incorporação das ações da Bovespa Serviços e da CBLC ao capital da Bovespa Holding. Em decorrência das operações em questão, os antigos detentores de títulos patrimoniais da Bovespa passaram a ser titulares de ações representativas do capital da Bovespa Holding, a qual, por sua vez, passou a ter como subsidiária integral a Bovespa Serviços e a CBLC. Portanto, a associação civil sem fins lucrativos Bovespa deixou de existir em 28 de agosto de 2007, e os detentores de seus títulos patrimoniais passaram a ser acionistas da Bovespa Holding. A “desmutualização” da BM&F ocorreu em 20 de setembro de 2007, e seguiu modelo jurídico similar ao da BOVESPA: (i) a cisão parcial da BM&F, com a versão das parcelas de seu patrimônio em duas sociedades: BM&F Holding e BM&F Serviços S.A.; e (ii) a incorporação das ações da BM&F Serviços ao capital da BM&F Holding. Em conseqüência das apontadas etapas, os antigos detentores de títulos patrimoniais da BM&F passaram a ser titulares de ações representativas do capital da BM&F Holding, por sua vez detentora da integralidade do capital da BM&F Serviços. Durante o ano de 2007, o procedimento de “desmutualização” foi seguido da abertura do capital das companhias resultantes de referida “transformação” para a negociação das respectivas ações em bolsa de valores. Em decorrência da participação no processo de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de emissão da Bovespa Holding S.A., foram outorgados poderes à essa sociedade para praticar todos os atos necessários à obtenção do registro de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de sua emissão, inclusive no que se refere à distribuição, alienação ou qualquer outra forma de transferência de ações ordinárias de emissão da Companhia. Também foi assinado o “Instrumento Particular de Contrato de Indenização e Outras Avenças”, onde foi autorizada a alienação, no âmbito da Oferta, da quantidade de ações indicada no instrumento de Mandato. Fl. 795DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 796 12 Em relação às ações detidas junto à BM&F S.A., as sociedades corretoras e instituições financeiras se comprometeram, por meio da assinatura de “Termo de Adesão ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações Celebrado no âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F”, a alienar 35% das ações a elas atribuídas no processo de desmutualização na Oferta Pública Inicial (“IPO”). Também foram firmados, pelas sociedades corretoras, ou em alguns casos instituições financeiras, a alienação de um percentual de cerca de 10% de suas ações ordinárias da BM&F S.A. para um fundo de investimento integrante do grupo de Private Equity General Atlantic (“General Atlantic”), conforme “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A.” Os Protocolos e Justificação de Incorporação celebrados em 17 de abril de 2008, entre a BM&F S.A. e a Nova Bolsa S.A. e a BOVESPA HOLDING S.A. e a Nova Bolsa S.A., resumiram a reorganização societária envolvendo a BM&F S.A. e a BOVESPA HOLDING S.A da seguinte forma: (i) Incorporação da BM&F pela Nova Bolsa, a valor contábil, resultando na emissão, pela Nova Bolsa, em favor dos acionistas de BM&F, de ações ordinárias, na proporção de 1:1, e na conseqüente extinção de BM&F; (ii) na mesma data, em deliberação distinta e subseqüente, Incorporação das Ações da Bovespa Holding, pela Nova Bolsa, nos termos deste Protocolo e Justificação, incluindo a emissão, pela Nova Bolsa, em favor dos acionistas da Bovespa Holding, de ações ordinárias e de ações preferenciais resgatáveis; (iii) resgate das ações preferenciais da Nova Bolsa emitidas em favor dos acionistas da Bovespa Holding; (iv) como resultado da Incorporação das Ações da Bovespa Holding e do resgate das ações preferenciais, o conjunto de acionistas da Bovespa Holding passará a ser titular do mesmo número de ações ordinárias da Nova Bolsa de titularidade do conjunto de acionistas da BM&F, assumindo o integral exercício, até a data da assembléia geral da Bovespa Holding que deliberar sobre este Protocolo e Justificação, das opções de compra de ações outorgadas no âmbito do Programa de Reconhecimento do atual Plano de Opções de Compra de Ações da Bovespa Holding e, em data futura, das opções de compra de ações contratadas no âmbito do atual Plano de Opções de Compra de Ações da BM&F; (v) a partir da realização das assembléias que aprovarem as incorporações e o resgate acima referidos, será iniciado processo de registro da Nova Bolsa perante a Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”) e a listagem de suas ações no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo S.A. – BVSP (“BVSP”). Até a obtenção desses registros, as ações da Bovespa Holding e as ações de BM&F continuarão a ser negociadas no Novo Mercado da BVSP sob os atuais códigos BOVH3 e BMEF3, respectivamente, conforme autorização a ser solicitada da BVSP. Fl. 796DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 797 13 Por fim, em assembléias realizadas na data de 08 de maio de 2008 foram aprovadas as incorporações, pela Nova Bolsa S.A., da BM&F S.A. e das ações da BOVESPA HOLDING S.A., unificandose as operações das bolsas de valores e de mercadorias e futuros na Nova Bolsa S.A., que passou a se denominar BM&F BOVESPA S.A. Do Regime Jurídico das Associações e seus efeitos Tributários O acórdão recorrido, sustentou em suas razões decidir pela aplicação do instituto próprio das sociedades anônimas, o qual entendeu cabível os institutos da transformação, cisão e da incorporação. Sendo que teria ocorrido uma transformação da sociedade civil sem fins lucrativos em sociedade anônima, acompanhada da troca de ativos – títulos patrimoniais que foram substituídos por ações, operação esta que, por ter sido efetuada a valor contábil, não produziria nenhum efeito fiscal. Vejamos: "Com a transformação societária daquelas entidades em sociedades por ações (a denominada desmutualização das bolsas), os títulos sociais então existentes no Ativo Permanente/Investimentos do Banco foram transformados em ações em quantidade monetariamente equivalente ao valor dos aludidos títulos. Tendo em vista que o Banco já sabia de antemão que iria alienar parte dasações de sua propriedade, baixou os títulos do ativo permanente e passou a contabilizálos no ativo circulante". Penso que não houve transformação das entidades sem fins lucrativos nas sociedade por ações na engenhosa estrutura societária/tributária denominada "desmutualização", o que de fato ocorreu, sucessivamente, para cada uma das bolsas (BOVESPA E BM&F) foi uma operação de cisão, em que todos os ativos mais importantes para a consecução das atividades das bolsas foram alocados numa das parcelas cindidas enquanto, na outra, restou pequena parte do patrimônio; e uma operação de incorporação, em que a parcela cindida operacional foi incorporada pela sociedade anônima correlata, Bovespa Holding S.A. ou BM&F S.A. Portanto, aplicação do regime jurídico da lei nº 6.404/76 (sociedade por ações) não poderia ter sido aplicada a época dos fatos geradores, oriundos das operações de "desmutualização" levadas a termo pelas Bolsas. Neste sentido, vejamos o que o artigo 5º da Resolução CNM nº 2.690/2000, dispõe: Art. 5º O estatuto social das bolsas de valores deve estabelecer, além do que for exigido pela legislação aplicável, regras básicas relativas à adoção de estrutura administrativa e operacional que permitam assegurar o pleno atendimento do seu objeto social e dos requisitos inerentes à sua condição de instituição auxiliar da Comissão de Valores Mobiliários enquanto entidade reguladora e fiscalizadora do mercado, dispondo, ainda, sobre: [...] VII incorporação, fusão, cisão e dissolução da bolsa de valores; Fl. 797DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 798 14 [...] Deste modo, para os mais aguerridos e apaixonados pela tese, esqueceramse de observar a Resolução CNM nº 2.690/2000, a qual, permite que as bolsas de valores á época poderiam ser constituídas como Associações Civis ou como Sociedades Anônimas. Eis que o artigo 1º, da Resolução CMN, também elucida de modo pragmático a questão. Vejamos: Art. 1º As bolsas de valores poderão ser constituídas como associações civis ou sociedades anônimas, tendo por objeto social: Parágrafo único. As bolsas de valores que se constituírem como associações civis, sem finalidade lucrativa, não podem distribuir a sociedades membros parcela de patrimônio ou resultado, exceto se houver expressa autorização da Comissão de Valores Mobiliários. (...) Art. 6º O Patrimônio ou o capital social das bolsas de valores deve ser formado, quando da constituição, mediante realização em dinheiro, e será dividido, conforme o caso, em títulos patrimoniais ou ações ordinárias com direito de voto pleno, devendo a quantidade e o valor inicial de emissão de títulos patrimoniais ser fixados pela Comissão de Valores Mobiliários. (...) Art. 7º As bolsas de valores podem emitir títulos patrimoniais ou ações com direito de voto pleno, cuja colocação será realizada mediante leilão, com préqualificação para os licitantes, ou na forma prevista em lei. (...) Como demonstrado, a Resolução CMN nº 2.690/2000 faculta a constituição societária de qualquer uma das formas, seja por meio de associação civil sem fins lucrativos ou sociedade anônima. Assim, as bolsas de valores poderiam traçar diretrizes tanto para as que adotaram a estrutura jurídica de associação ou quanto para aquelas que adotaram a forma de S.A. Por outro lado, os institutos da fusão, cisão e incorporação não são de utilização permitida pelas associações por força do disposto no artigo 1.113 e seguintes do Código Civil, cuja localização indica sua aplicação somente às sociedades empresárias. Ainda assim, não penso como os que defendem a aplicação de institutos próprios de sociedades empresárias com fundamento em interpretação literal e isolada do artigo 2033, verbis: Fl. 798DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 799 15 Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código. Da interpretação do dispositivo legal, ainda que se admita a aplicação de cisão, incorporação, às sociedades civis, não se pode furtar das conseqüências contidas no artigo 61 do Código Civil. Ou seja, caso se entenda aplicável os institutos da cisão e incorporação às sociedades civis, por força de interpretação isolada do Art. 2.033 do CC, as estipulações próprias à natureza de sociedades civis sem fins lucrativos não podem ser desprezadas, sob pena de ofensa ao critério da especificidade, prestigiado até mesmo pelo citado artigo 2.033. Contudo, o art..2.033 ressalva sua aplicação em caso de legislação específica. No que se refere às associações civis, a Lei nº 6.015, de 1973, não versa sobre os institutos de fusão, cisão, incorporação e transformação para as associações civis. Portanto, a matéria possui tratamento específico e exclusivo nos artigos 53 a 61 do Código Civil. Em todos os artigos do Codex que versam sobre as Associações fica claro o distanciamento entre elas e a finalidade econômica. Ainda que fosse admitido o apelo da Recorrente, a aplicação de institutos como transformação, cisão e incorporação de sociedades empresárias, apenas para mitigar a solução das atividades desenvolvidas pelas Bolsas de Valores, me parece discrepante dos regimes jurídicos legais, não há como se furtar das normas, considerando que os associados receberam de volta o patrimônio e utilizaramse do mesmo para integralização das ações na sociedade Anônima. Dos Efeitos dos Registros contábeis das ações subscritas e integralizadas Originalmente, os títulos patrimoniais eram escriturados no ativo permanente das sociedades corretoras. Com a dissolução da associação e a subseqüente subscrição e integralização das ações das novas sociedades (Bovespa Holding e BM&F S.A), a recorrente deixou de possuir títulos patrimoniais e passou a ter ações das novas companhias, de natureza diversa, que deveriam ter sido escrituradas conforme dispõe o artigo 179 da Lei 6.404/1976, verbis: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; Fl. 799DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 800 16 II no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia; III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; A escrituração das ações no ativo da empresa, ou no ativo circulante, ou no ativo permanente, é baseada na possibilidade de o contribuinte escolher entre permanecer como proprietário de tais ações (permanente) ou se desfazer delas (circulante). Constatase que, desde o início do processo de desmutualização das bolsas, fica clara a intenção dos então detentores de títulos patrimoniais da BM&F, após receberem as ações das novas entidades formadas como sociedades anônimas, efetivarem a alienação dessas ações, seja pela fixação de prazos para venda das ações acordados entre as companhias e seus acionistas, seja pela disponibilização de parte das ações recebidas para compor o lote destinado à Oferta Pública Inicial (IPO), ou ainda, pela alienação das ações propriamente ditas. No caso das ações da Bovespa Holding S/A, temse que, em 27 de setembro de 2007, foram outorgados poderes à essa sociedade para praticar todos os atos necessários à obtenção do registro de oferta pública inicial de distribuição secundária de ações ordinárias de sua emissão, inclusive no que se refere à distribuição, alienação ou qualquer outra forma de transferência de ações ordinárias de emissão da Companhia. Também foi assinado o “Instrumento Particular de Contrato de Indenização e Outras Avenças”, onde foi autorizada a alienação, no âmbito da Oferta, da quantidade de ações indicada no instrumento de Mandato. Dessa forma, resta claro que a Recorrente pretendia vender, no curso do exercício social ações recebidas. Em relação às ações detidas junto à BM&F S.A., as sociedades corretoras se comprometeram, em 31 de agosto de 2007, por meio da assinatura de “Termo de Adesão ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações Celebrado no âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F”, a alienar 35% das ações a elas atribuídas no processo de desmutualização da BM&F (o que ocorreu Fl. 800DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 801 17 em 01/10/2007), no prazo de seis meses contados a partir da data em que as ações passassem a estar admitidas à negociação na Bovespa. Também foram firmados, pelas sociedades corretoras, a alienação de um percentual de cerca de 10% de suas ações ordinárias da BM&F S.A. para um fundo de investimento integrante do grupo de Private Equity General Atlantic (“General Atlantic”), conforme “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A.”. Mencionese que a acionista poderia ter optado por aderir ao referido termo nos moldes do seu Anexo II, através do qual não haveria tal compromisso venda, porém não poderia alienar as ações, por qualquer forma, antes de passado o prazo de 2 (dois) anos, contados do início das negociações em bolsa; neste caso, as ações poderiam ser consideradas como investimento, e registradas, na sua integralidade, no Ativo Permanente. Destarte, em atendimento ao artigo 179, inciso I, da Lei nº 6.404/1976 o sujeito passivo deveria ter contabilizado esses direitos sobre as ações no Ativo Circulante, uma vez que em decorrência da modificação da natureza jurídica dos direitos possuídos, caracterizada pela devolução dos títulos patrimoniais e o recebimento das ações, o momento da criação das sociedades anônimas é que deve ser considerado como marco inicial para se averiguar a intenção de alienar aquele determinado ativo, com vistas a classificálo no Ativo Circulante ou no Ativo Permanente. Da Tributação do PIS/COFINS sobre alienação de ações Com efeito, as ações recebidas pelo sujeito passivo deveriam ter sido classificadas no Ativo Circulante, correto o entendimento da Fiscalização em tributar o PIS/COFINS, sobre valores obtidos com alienação das ações que constituem receita bruta operacional. Neste passo, os arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, prevêem que a receita bruta, auferida pela pessoa jurídica, será objeto de tributação das contribuições. Vejamos: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Temse que a Recorrente, ao vender as ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A., exerceu uma atividade típica de seu ramo de atuação. e, portanto, a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998 não afasta a incidência das contribuições para o PIS e Cofins sobre a receita dita operacional. Fl. 801DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 802 18 Concluise que as receitas auferidas pela alienação das ações da BM&F S.A e Bovespa Holding S.A. de sua titularidade, decorrentes de atividade típica de seu ramo de atuação, devem ser enquadradas como receitas brutas operacionais e por isso estão sujeitas à incidência do PIS e da Cofins, prevista no art. 3º da Lei nº 9.718/98. Da discussão judicial quanto à base de cálculo das contribuições sociais Como amplamente divulgado, no julgamento dos Recursos Extraordinários nºs 357.950/RS, 390.840/MG, 358.273/RS e 346.084/PR, o Supremo Tribunal Federal STF decidiu que o faturamento das empresas compõese, apenas, de suas receitas operacionais (receita bruta da venda de mercadorias ou da prestação de serviços), ligadas a sua atividade principal, não devendo integrálo as demais receitas não operacionais. Deste modo, foi decretada a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Ao declarar inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 restou assentado pelo STF que era indevida a ampliação da base de cálculo da contribuição, até a edição da EC nº 20/98 e, assim sendo, a Cofins somente poderia incidir sobre os ingressos patrimoniais oriundos de sua atividade empresarial típica. Entretanto, a decisão do STF não tem repercussão no presente litígio, uma vez que o enquadramento legal constante da autuação fiscal refere se ao caput dos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 (estes artigos prevêem que as contribuições serão calculadas com base no seu faturamento, corresponde à receita bruta da pessoa jurídica) que não foram declarados inconstitucionais pelo STF. Da Jurisprudência dos Tribunais sobre a "desmutualização" Vale a pena destacar que a matéria já recebeu manifestação do Poder Judiciário, o qual emprega o mesmo entendimento utilizado no presente voto. Vejamos: TRF 2 Processo nº 000655923.2008.4.02.5101 TRIBUTÁRIO. IRPJ. CSSL. BOVESPA OPERAÇÃO DE DESMUTUALIZAÇÃO . TÍTULOS CONVERTIDOS EM AÇÕES DE S/A. LEI 9.532/97, ART. 17, INCIDÊNCIA. A Bovespa, em reestruturação societária datada de 28.08.2007, iniciou a “demutualização" , deixando de ser uma sociedade civil e convertendo se em sociedade anônima, a Bovespa Holding S/A. Nesse processo de transformação societária, os títulos patrimoniais da impetrante foram substituídos por ações da Bovespa e da BM&F. Tal processo de demutualização"trouxe, efetivamente, ganhos patrimoniais à impetrante que passou de simples associada da Bovespa à detentora de ações na nova holding, acrescendo ao seu patrimônio as novas ações adquiridas Fl. 802DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 803 19 com os valores que havia dispendido para a formação da associação e que lhe fora devolvido devidamente corrigido, repisase em razão da demutualização". O fato apto a desencadear a incidência dos tributos, nesse caso, é o ganho obtido pela impetrante com a devolução de valores, ou seja, com a própria operação de demutualização, na forma como foi efetuada. O artigo 17 da Lei 9.532/97 constitui supedâneo legal para a inclusão da diferença entre o que foi investido para a formação do capital social de entidade isenta e a devolução do que foi aportado na determinação do lucro da pessoa jurídica, uma vez que constitui, indubitavelmente, acréscimo patrimonial, sujeitandose à incidência do imposto de renda, nos termos dos artigos 43 e 44 do Código Tributário Nacional. Não prospera a tese da apelante de que a avaliação dos ativos em questão se dá pela equivalência patrimonial, sistemática que estima o valor do investimento de uma sociedade em outra de acordo com as oscilações do patrimônio da empresa investida e cujos resultados positivos, de acordo com o artigo 225 do Regulamento do Imposto de Renda, não acarretam incidência dos tributos A avaliação pela equivalência patrimonial, consoante previsto no art. 248 da Lei 6.404/1976 (Lei das Sociedades Anônimas), aplicase exclusivamente aos casos de “coligadas sobre cuja administração [a empresa] tenha influência significativa, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital votante, em controladas em outras sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob controle comum (redação dada perla Lei nº 11.638/2007), não sendo este o caso dos autos que trata, na verdade, de avaliação de títulos patrimoniais que a impetrante detém nas bolsas de valores. Também não socorre a impetrante a Solução de Consulta nº 13 de 10/11/97, o Parecer CST nº 2.254/81 e a Portaria MF 785/77, porquanto a referida Portaria, assim como os atos administrativos mencionados são anteriores à entrada em vigor da Lei 9.532/97, de 10/12/97, originária da conversão da Medida Provisória nº 1.602, de 14/11/97, sendo esta quem regula as relações ora em análise. Recurso desprovido. TRF 3 Processo 2008.03.00.0041151 AG 325479 – 6ª Turma TRF3, decisão de 23/05/2008 [...] Observo que como a BM&F era uma associação sem fins lucrativos, os superávits obtidos ano a ano eram reinvestidos na própria bolsa, sem incidência de imposto de renda ou contribuição social sobre o lucro. Pareceme que quando a BM&F converteu seu patrimônio ao qual se integra o que economizou em impostos , em uma sociedade com fins Fl. 803DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 804 20 lucrativos, a diferença então verificada gerou ganho de capital e em decorrência, incide imposto sobre o que não foi pago durante a fase beneficiada pela isenção. O que de fato ocorreu, foi o processo denominado “desmutualização”, através da dissolução parcial da BM&F, que deixou de existir e cujos títulos patrimoniais foram extintos, com a respectiva restituição do seu patrimônio aos seus respectivos sócios, na forma de ações da nova sociedade, a BM&F S/A. [...] TRF3 AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 2008.03.00.0041151/SP DECISÃOVistos. Tratase de agravo de instrumento com pedido de concessão de antecipação de tutela recursal, que visa à reforma de decisão proferida em Primeira instância, adversa aos agravantes. Regularmente processado o agravo, sobreveio a informação, mediante email de fls. 1658/1668, que foi proferida sentença nos autos do processo originário.Ante a perda de objeto, julgo prejudicado o presente recurso e, em conseqüência, NEGOLHE SEGUIMENTO, com fulcro no art. 557, caput, do Código de Processo Civil, restando prejudicado o agravo regimental interposto. Oportunamente, observadas as formalidades legais, baixem os autos á Vara de origem. Intimemse. Consuelo Yoshida Desembargadora Federal PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA. IRPJ E CSLL. INCIDÊNCIA. ARTIGO 17 DA LEI Nº 9.532/97. APLICABILIDADE. PORTARIA 785/77. PARECER NORMATIVO Nº 78/78. ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO Nº 9/81. NORMAS ANTERIORES AO ADVENTO DA LEI Nº 9.532/97. INAPLICABILIDADE. À mingua do alegado vício omissão os embargos de declaração devem ser rejeitados. No tocante à dissolução da associação BOVESPA, o julgado foi claro ao dispor que ocorreu a efetiva dissolução da sociedade BOVESPA e que, assim sendo, deveria ser observada, no tocante ao seu patrimônio, a disciplina do artigo 61 doCódigo Civil, acarretando na devolução do aludido patrimônio aos então associados, a ensejar, desse modo, a incidência do IRPJ e da CSLL, ex vi das disposições contidas no artigo 17 da Lei nº 9.532/97. Não há, portanto, que se falar em omissão do acórdão no tocante a matéria, em especial quanto ao regramento previsto no artigo 1.113 do Código Civil que, digase, diz respeito tãosomente às sociedades e não às associações. Quanto à questão em torno da adoção do método de equivalência patrimonial para avaliação do investimento o acórdão embargado concluiu pela inaplicabilidade, à espécie, do método de equivalência patrimonial que, nos termos dos artigos 248 da Lei nº 6.404/76 e 384 do Decreto nº 3.000/99, somente teria aplicabilidade nas hipóteses de investimentos em empresas controladas ou coligadas, não sendo esse o caso vertido nestes autos. Conforme precedentes jurisprudenciais colacionados no julgado vergastado, não incide, in Fl. 804DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 805 21 casu, a Portaria nº 785/77, bem assim os atos normativos correlatos, dentre os quais se incluem o Parecer Normativo nº 78/78 e Ato Declaratório Normativo nº 9/81, na medida em que anteriores ao advento da Lei nº 9.532/97, norma aplicável à espécie, conforme alhures externado. O mero intuito de prequestionar a matéria não legitima a oposição dos aclaratórios. Precedentes do C. STJ. Conforme jurisprudência firmada no âmbito do E. Supremo Tribunal Federal e do C. Superior Tribunal de Justiça, não se faz necessária a menção a dispositivos legais para que a matéria seja considerada prequestionada, bastando que a tese jurídica tenha sido aquilatada pelo órgão julgador (STF, HC 122932 MC/MT, Relator Ministro Ricardo Lewandowski, j. 03/09/2014, DJe 08/09/2014; HC nº 120234, Relator Ministro Luiz Fux, j. 19/11/2013, DJe 22/11/2013; STJ, REsp 286.040, Relator Ministro Franciulli Netto, j. 05/06/2003, DJ 30/6/2003; EDcl no REsp 765.975, Relator Ministra Eliana Calmon, j. 11/04/2006, DJ 23/5/2006). Embargos de declaração rejeitados. "AMS APELAÇÃO CÍVEL Processo: 308575 0001164 33.2008.4.03.6100 QUARTA TURMA eDJF3 Judicial 1 DATA:03/11/2015. DESEMBARGADORA FEDERAL MARLI FERREIRA" TRF3". Com essas considerações, nego provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 805DF CARF MF Processo nº 16327.000259/201098 Acórdão n.º 9303006.232 CSRFT3 Fl. 806 22 Fl. 806DF CARF MF
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