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Numero do processo: 13710.003184/2002-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Adriana Gomes Rêgo
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. documento assinado digitalmente Adriana Gomes Rêgo Presidente documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Adriana Gomes Rêgo Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 10 .0 03 18 4/ 20 02 -7 5 Fl. 535DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 13710.003184/200275 Resolução nº 1301000.267 S1C3T1 Fl. 536 2 Relatório SOCIEDADE COMERCIAL E IMPORTADORA HERMES S/A, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, que indeferiu pedido veiculado por meio de manifestação de inconformidade, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de pedido de restituição relativo a suposto pagamento a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido dos anos de 1996 e de 1997, no montante de R$ 1.574.473,46, cumulado com pedidos de compensação. A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro (Derat/RJO), por meio de Despacho Decisório (fls. 191), não reconheceu o direito creditório pleiteado. O não reconhecimento do crédito pleiteado pela Derat/RJO decorreu de verificações em controles internos, que apontaram para sua inexistência. Em sede de manifestação de inconformidade (fls. 200/201), a contribuinte alegou: que o Parecer Conclusivo n° 118/2007, adotou o montante de R$ 1.245.016,23 como saldo negativo de CSLL no anocalendário de 1995, porém, em consulta à declaração de rendimentos para o referido ano, verificase que o saldo negativo era de R$ 1.617.476,08; que a divergência derivaria do fato de que a linha 16 (base de cálculo negativa período base anterior), da ficha 11, consta como valor zero no sistema consultado pela Receita Federal, apesar de ter sido informado na DIPJ o valor de R$ 4.097.065,45; que a ausência desta informação teria gerado a distorção no valor do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1995 utilizado pela Receita Federal, comprometendo o recálculo e a conclusão correspondente. A já citada 4a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, analisando a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 1216.049, de 18 de setembro de 2007, pelo indeferimento do reconhecimento do direito creditório requerido. O referido julgado restou assim ementado: SALDO CREDOR DE CSLL. APROVEITAMENTO DE BASE NEGATIVA. PERÍODOS ANTERIORES. UTILIZAÇÃO EM OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO. O saldo de base negativa de CSLL já utilizado em outro processo administrativo da mesma empresa não poderá ser mais utilizado em qualquer outro, mormente em pedido de reconhecimento de direito creditório ou de compensação tributária. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 13710.003184/200275 Resolução nº 1301000.267 S1C3T1 Fl. 537 3 Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 242/250, por meio do qual sustentou: que a decisão recorrida, ao decidir pela não homologação das compensações pleiteadas pela empresa utilizandose de argumentos que não constam do presente processo administrativo, é nula, visto que a ora Recorrente não teve oportunidade nas instâncias inferiores de se defender de tais argumentos, pois não consta dos autos nenhuma cópia do referido processo n° 15.374.003049/9993; que, se foi necessário recalcular o saldo negativo utilizandose Programa da Receita Federal, resta evidente que não houve alteração de ofício, visto que, se esta tivesse ocorrido, não seria necessário o recálculo, pois já constaria no sistema o suposto novo saldo; que deve ser determinada a nulidade da decisão recorrida, bem como o retorno dos autos à origem, de modo a propiciar o exercício do direito de defesa pela ora Recorrente no tocante aos argumentos referentes ao processo administrativo n° 15.374.003049/9993, que não constaram em momento algum nos presentes autos. que, se já houve por parte da Administração a alteração de oficio, temse como totalmente desnecessária a declaração retificadora, vez que ela já fora alterada pelo Fisco; que o fato de inexistir declaração retificadora na espécie não pode servir de suporte para manutenção de suposta infração ou exigência de impostos, visto que compete necessariamente ao julgador aplicar o princípio da busca da verdade material a fim de comprovar se efetivamente a suposta infração existente é válida e legal. Em sessão realizada em 12 de setembro de 2012, esta Primeira Turma Ordinária, por meio da Resolução nº 1301000.086, resolver converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem prestasse esclarecimentos acerca das seguintes questões: 1. se, no anocalendário de 1996, os valores recolhidos por meio de documentos de arrecadação totalizaram R$ 1.496.664,41, enquanto os compensados foram de R$ 1.245.016,23 (saldo negativo do anocalendário de 1995), qual a razão para não se reconhecer, ao menos, o crédito de R$ 743.396,88; FICHA 11 – CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LINHA 22 – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO...............R$ 1.998.283,76 LINHA 23 – () Contribuição Social c/Base R. Bruta ou Bal. Susp/Red....................R$ 2.741.680,64 (*) LINHA 26 – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL A PAGAR (SALDO NEGATIVO).........(R$ 743.396,88) (*) R$ 1.496.664,41 (ESTIMATIVAS RECOLHIDAS) + R$ 1.245.016,23 (ESTIMATIVAS COMPENSADAS). 2. diante da data em que o Parecer Conclusivo nº 118/07 foi emitido (03 de julho de 2007), esclarecesse o motivo pelo qual não foi considerada a decisão prolatada no processo administrativo nº 15374.003049/9993 (acórdão nº 10193.972, de 16 de outubro de 2002), que, de acordo com pesquisas efetuadas no acervo deste Colegiado, restabeleceu o saldo negativo do anocalendário de 1995 originalmente declarado pela contribuinte (R$ 1.617.476,08); Fl. 537DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 13710.003184/200275 Resolução nº 1301000.267 S1C3T1 Fl. 538 4 3. uma vez admitido o saldo negativo do anocalendário de 1995 no montante de R$ 1.617.476,08, informasse, haja vista o pronunciamento da autoridade julgadora de primeira instância, se existia óbice ao reconhecimento do direito creditório no montante de R$ 1.115.856,73, conforme demonstração abaixo. FICHA 11 – CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LINHA 22 – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO...............R$ 1.998.283,76 LINHA 23 – () Contribuição Social c/Base R. Bruta ou Bal. Susp/Red....................R$ 3.114.140,49 (*) LINHA 26 – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL A PAGAR (SALDO NEGATIVO).........(R$ 1.115.856,73) (*) R$ 1.496.664,41 (ESTIMATIVAS RECOLHIDAS) + R$ 1.617.476,08 (ESTIMATIVAS COMPENSADAS) Em atendimento, a Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes do Rio de Janeiro (DEMAC/RJO) aportou aos autos o Relatório de fls. 531/533, cujo inteiro teor reproduzo a seguir. 1. Referese este processo a Pedido de Restituição de 11/07/02 (fls. 01) e aos Pedidos de Compensação de fls. 04, 05, 88 e 98 protocolados em 11/07/02, 13/08/02 e 10/09/02, de pagamento a maior ou indevido, em relação a DARF (fls. 07/11 com recolhimentos de 29/02/96 a 31/03/97) e conforme DIPJ 1997AC 1996 ao tributo CSLL no valor de R$ 1.574.473,46 (fls. 38) para compensar débito de Cofins e PIS – códigos 2172 e 8109 em PA de 06, 07 e 08 de 2002. 2. Conforme Parecer Conclusivo 118/07 e Despacho Decisório (fls. 207/210) a empresa não teve o direito creditório reconhecido e consequentemente a não homologação das compensações declaradas e enumeradas acima, devido ao recálculo dos valores utilizando o Programa da Receita Federal – Sistema de Apoio Operacional (SAPO), donde o SN da DIPJ 1995AC 1994 e exercícios anteriores o Fisco considerou 0,00 conforme telas das DIPJ de fls. 190/193. 3. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 440/459), requerendo o recálculo e utilizadose o valor de R$ 1.617.476,08 com saldo negativo de CSLL para o ano calendário de 1995 em vez do R$ 1.245.016,23 pois tal divergência entre a declaração apresentada tempestivamente e o parecer da Receita Federal, foi identificado que a linha 16 – Base Calc. Negat. Da Contr. Social Per. Base Anter, da mesma ficha 11 no sistema SRF/IRPJ/CONS (f1.114), consta com valor zero, apesar da empresa ter informado o valor de R$ 4.097.065,45, conforme mesma linha e ficha da declaração IRPJ/96 apresentada em anexo, às fls. 453. 4. A Delegacia de Julgamento ao analisar essa Manifestação, emite o Acórdão 1216049 – 4 ª Turma da DRJ/RJO1 de 18/09/2007 (fls. 474/477), concordando com o Parecer e DD 118/07 e Indeferindo a solicitação do contribuinte, pelo fato deste valor 4.097.065,45 já ter sido aproveitado no processo administrativo n° 15374.003049/9993 (histórico do SAFLI às fls. 462/471), a declaração de rendimentos apresentada pela interessada no ano calendário de 1996, foi alterada de oficio pela Administração Tributária, à época do resultado da decisão Acórdão n° 10193.972 (fls.472), no campo correspondente à linha 16 da ficha 11, não podendo ser aproveitada esta base negativa mais uma vez para compensar débitos oriundos de PIS e de COFINS, se a mesma já fora aproveitada em outra oportunidade. 5. A empresa apresentou Recurso Voluntário (fls. 484/ 499), solicitando a nulidade da decisão proferida pela Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro I em face Fl. 538DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 13710.003184/200275 Resolução nº 1301000.267 S1C3T1 Fl. 539 5 do cerceamento de defesa, determinandose o retorno dos autos e a abertura de prazo para a Recorrente se manifeste sobre o processo administrativo n° 15.374.003049/9993, utilizado como fundamento do indeferimento das compensações pleiteadas. 6. O CARF através do Recurso n° 172.156 de 12/09/2012 (fls. 501/505) converte o Julgamento em Diligência para esclarecimentos à respeito do SN de 1995, do processo administrativo nº 15374.003049/9993 (acórdão nº 10193.972, de 16/10/2002) e se existe óbice ao reconhecimento do direito creditório para o SN de 1996. 7. Primeiramente cabe esclarecer ao CARF que o pedido do contribuinte é de PGIM – Pagamento Indevido ou a Maior e não SN Saldo Negativo, conforme pedidos de compensação e pedido de restituição, onde consta no campo 2, o motivo do pedido: “Pagamentos de DARF´s a Maior conforme declaração Imposto de Renda 1996 tributo contribuição Social na Planilha em anexo”. E, para se chegar ao valor do crédito de R$ 1.574.473,46 conforme requerimento dos pedidos de compensação (fls. 38) datado de 10/07/2002 foram utilizados: ”os DARF´s em anexo (fls. 07/11) e corrigidos com taxa SELIC, o SN da DIPJ 1997AC 1996 e as correções e compensações da CSLL de janeiro/07 a Junho/2002”. 8. Em segunda observação, conforme verificamos no 1° parágrafo acima, os recolhimentos dos DARF´s aconteceram de 29/02/96 a 31/03/97 e tanto o pedido de Restituição quanto os de Compensação foram protocolados em 11/07/02, 13/08/02 e 10/09/02 respectivamente. Logo, na data do pedido de restituição já ocorreu a prescrição para a empresa requerer esse, sendo que a partir de 01/04/2002 já ocorreu a prescrição para qualquer restituição ou compensação de todos esses DARF´s. E a empresa ainda corrigiu com taxa SELIC esses DARF´s em 10/07/2002 para seu cálculo do crédito conforme fls. 38. O mesmo verificamos com o SN da DIPJ 1997AC 1996, donde a empresa poderia compensar ou pedir restituição desse SN nos exercícios de 1997 a 2001 e não no exercício de 2002 e principalmente em 11/07/2002, quase 07 meses após a prescrição. 9. Em terceira observação, temse que o Relatório da Recurso n° 172.156 do CARF, se encontra equivocado no 2° parágrafo, ao relatar: “Trata o processo de pedido de restituição relativo a suposto pagamento a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido dos anos de 1996 e de 1997, recolhidos em 2002, no montante de R$ 1.574.473,46, cumulado com pedidos de compensação” . Pois os DARF´s (fls. 07/11) não foram recolhidos à rede bancária em 2002 e sim em 1996 e 1997, conforme relatado no 1° parágrafo acima. 10. Quanto às respostas da Diligência, vamonos à análise dessas: a) Não se pode reconhecer o crédito de R$ 743.396,88 simplesmente pela prescrição desse, e também como o pedido é de PGIM não existe pagamento a maior nos meses de 1996, pois em janeiro, conforme DIPJ (fls. 70/75) a CSLL a pagar é de R$ 173.582,22 e este pagamento se deu por DARF pelo mesmo valor. Em fevereiro a CSLL a pagar é de 171.918,55 e o pagamento é pelo DARF no mesmo valor. Em março a CSLL a pagar é de 264.311,19 e o DARF é do mesmo valor. Em abril, CSLL a pagar é 0,00 pois compensou o valor devido, não tendo nenhum recolhimento (DARF), portanto não ocorreu pagamento a maior. O mesmo acontece em maio, junho, julho, agosto e setembro onde não há recolhimentos (DARF), havendo somente compensação. Já em outubro, consta na DIPJ a CSLL devida em 338.581,00 tendo DARF de 226.106,75 (somatório dos 02 DARF desse PA) e saldo a compensar de 112.474,25 portanto não tendo valores a maior. Em novembro CSLL a pagar é de Fl. 539DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 13710.003184/200275 Resolução nº 1301000.267 S1C3T1 Fl. 540 6 371.390,65 apresentando DARF no mesmo valor. E finalmente em dezembro apresenta CSLL a pagar em 289.356,06 e DARF no mesmo valor. Pelos cálculos do SAPO que foi refeito, utilizando o crédito da estimativa de 1996 (fls. 527/530), concedido conforme Relatório Diligência Fiscal (fls. 514/515) e Acórdão n° 10193972 (fls.516/521) no processo administrativo de n° 15374.003049/9993 que restabeleceu o valor de 1.617.476,08 para compensação no lugar de 1.245.016,23 verificamos que cobriu os períodos de 1996 e apresentaria saldo de 28.046,22 se não estivesse prescrito. b) A 2ª questão tornase equivocada pois a jurisdição do contribuinte é outra, não podendo o processo retornar ao autor do Parecer Conclusivo n° 118/07 para justificar o porquê de não ter usado o saldo negativo restabelecido pelo Acórdão 10193972. c) Na 3ª questão o óbice ao reconhecimento do direito creditório seriam a prescrição, pois conforme já relatado nos parágrafos anteriores, o pedido de restituição se deu transcorridos mais de 05 (cinco) anos após a ocorrência do fato e também pelo fato deste pedido ser com relação a pagamento a maior de 09 (nove) DARF´s e não de saldo negativo. 11. Em devolução ao CARF, conforme conclusão da diligência determinada por este, de acordo com as fls. 505. (GRIFOS DO ORIGINAL) É o Relatório. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 13710.003184/200275 Resolução nº 1301000.267 S1C3T1 Fl. 541 7 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. O presente processo foi impulsionado a partir da apresentação, por parte da contribuinte, do PEDIDO DE RESTITUIÇÃO de fls. 01 e dos PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO de fls. 02, 03, 68 e 78. No referido pedido de restituição, protocolado em 11 de julho de 2002, restou assinalado: PAGAMENTO DE_DARFs A MAIOR CONFORME DECLARAÇÃO IMPOSTO DE RENDA 1996 TRIBUTO CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NA PLANILHA EM ANEXO. O crédito apontado nos referidos pedidos de compensação foi de R$ 1.574.473,46. A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro (Derat/RJO), por meio do Parecer Conclusivo de fls. 188/190, esclareceu que: i) os créditos indicados pela contribuinte para compensação referemse a recolhimentos a maior ou indevidos de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), efetuados entre 29 de fevereiro de 1996 e 31 de março de 1997, no montante de R$ 1.574.473,46; ii) o saldo negativo do anocalendário de 1996 apresentou a seguinte composição: FICHA 11 – CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LINHA 22 – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO...............R$ 1.998.283,76 LINHA 23 – () Contribuição Social c/Base R. Bruta ou Bal. Susp/Red....................R$ 3.332.717,23 LINHA 26 – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL A PAGAR (SALDO NEGATIVO).........(R$ 1.334.433,47) iii) o valor de R$ 3.332.717,23 acima indicado foi composto por pagamentos realizados pela contribuinte (R$ 1.496.664,41), devidamente confirmados, e compensações que tiveram por base saldos negativos de períodos anteriores (R$ 1.836.052,82); e iv) analisando os períodos anteriores para fins de verificação acerca da existência de saldos que pudessem ser utilizados na compensação da parcela de R$ 1.836.052,82, verificou que no anocalendário de 1995 o saldo negativo foi de R$ 1.245.016,23, inexistindo saldos negativos relativos a períodos anteriores ao ano de 1995. A partir dessa análise, concluiu a referida unidade administrativa (Derat/RJO) que: a) no anocalendário de 1996, a contribuinte não teria saldo negativo, mas, sim, débito relativo a estimativas de novembro (parte) e dezembro, no total de R$ 580.610,64; e b) no ano calendário de 1997 não houve constatação de pagamento a maior. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 13710.003184/200275 Resolução nº 1301000.267 S1C3T1 Fl. 542 8 Em sede de Manifestação de Inconformidade, a contribuinte informou que, conforme declaração apresentada, o saldo negativo do anocalendário de 1995 foi de R$ 1.617.476,08, e não de R$ 1.245.016,23, como apontado pela Derat/RJO. Esclareceu que a divergência decorreu do fato de ter sido desconsiderado, na apuração da CSLL devida, compensação de base negativa de períodos anteriores no montante de R$ 4.097.065,45. A Turma Julgadora de primeira instância, apreciando a Manifestação de Inconformidade, indeferiu o pedido ali veiculado, servindose, para tanto, dos seguintes fundamentos: a) o ponto fundamental da controvérsia estaria no reconhecimento da base negativa da CSLL para o período de 1995, sendo certo que, considerada a argumentação da contribuinte, a autoridade tributária não a teria levado em consideração quando do cálculo do saldo inicial para verificação do direito creditório; b) promovida verificação em sistema interno da Receita Federal (IRPJ/CONS – fls. 94), restou constatado que a base negativa de períodos anteriores, na apuração do resultado do ano calendário de 1995, foi “zerada”, isto em razão de alteração efetuada de ofício pelo Fisco em virtude do resultado do julgamento em primeira instância do processo nº 15374.003049/9993 (assinalou a decisão que a matéria já tinha sido objeto de apreciação por parte do então Primeiro Conselho de Contribuintes, acórdão nº 10193972, fato que seria corroborado pelo histórico do sistema SAPLI, anexado ao processo, no qual poderia ser verificado o aproveitamento de prejuízo fiscal e de base negativa); c) diante do fato de o valor da base negativa já ter sido aproveitado em outro processo administrativo, a declaração de rendimentos apresentada no ano de 1996, alterada de ofício no campo correspondente à linha 16 da ficha 21, deveria ter sido objeto de retificação, “não podendo ser aproveitada esta base negativa mais uma vez para compensar débitos oriundos de PIS e de COFINS, se a mesma já fora aproveitada em outra oportunidade); e d) agiu corretamente a Delegacia da Receita Federal ao não considerar a base negativa em referência e promover o recálculo do saldo credor de CSLL, nos termos do extrato de fls. 94 (R$ 1.245.016,23). Vêse, pois, que autoridade julgadora de primeira instância ratificou o decidido por meio do Despacho de fls. 191. Embora as circunstâncias fáticas não tenham sido adequadamente descritas nos autos, o que se depreendeu, em primeiro lugar, é que a contribuinte, amparada pelas disposições do art. 14 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, promoveu compensações de antecipações obrigatórias (estimativas) de diversos períodos, utilizando para tal saldos negativos e pagamentos a maior, e, por meio de planilhas demonstrativas, evidenciou a existência de crédito passível de compensação em 2002. A Delegacia da Receita Federal que primeiro analisou os pedidos de compensação da contribuinte (Derat/RJO), os indeferiu alegando que a parcela de R$ 1.836.052,82, correspondente à estimativa de 1996 extinta por meio de créditos de períodos anteriores, não poderia ser considerada, haja vista que no anocalendário de 1995 o saldo negativo foi de R$ 1.245.016,23, e inexistia saldos negativos relativos a períodos anteriores ao ano de 1995. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 13710.003184/200275 Resolução nº 1301000.267 S1C3T1 Fl. 543 9 O primeiro questionamento levantado por esta Turma Julgadora foi o seguinte (item 1 da Resolução nº 1.301000.086, de 12 de setembro de 2012): se, no anocalendário de 1996, os valores recolhidos por meio de documentos de arrecadação totalizaram R$ 1.496.664,41, enquanto os compensados foram de R$ 1.245.016,23 (saldo negativo do ano calendário de 1995), qual a razão para não se reconhecer, ao menos, o crédito de R$ 743.396,88?; FICHA 11 – CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LINHA 22 – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO...............R$ 1.998.283,76 LINHA 23 – () Contribuição Social c/Base R. Bruta ou Bal. Susp/Red....................R$ 2.741.680,64 (*) LINHA 26 – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL A PAGAR (SALDO NEGATIVO).........(R$ 743.396,88) Em atendimento, a Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes do Rio de Janeiro (DEMAC/RJO) informou, in verbis: Não se pode reconhecer o crédito de R$ 743.396,88 simplesmente pela prescrição desse, e também como o pedido é de PGIM não existe pagamento a maior nos meses de 1996, pois em janeiro, conforme DIPJ (fls. 70/75) a CSLL a pagar é de R$ 173.582,22 e este pagamento se deu por DARF pelo mesmo valor. Em fevereiro a CSLL a pagar é de 171.918,55 e o pagamento é pelo DARF no mesmo valor. Em março a CSLL a pagar é de 264.311,19 e o DARF é do mesmo valor. Em abril, CSLL a pagar é 0,00 pois compensou o valor devido, não tendo nenhum recolhimento (DARF), portanto não ocorreu pagamento a maior. O mesmo acontece em maio, junho, julho, agosto e setembro onde não há recolhimentos (DARF), havendo somente compensação. Já em outubro, consta na DIPJ a CSLL devida em 338.581,00 tendo DARF de 226.106,75 (somatório dos 02 DARF desse PA) e saldo a compensar de 112.474,25 portanto não tendo valores a maior. Em novembro CSLL a pagar é de 371.390,65 apresentando DARF no mesmo valor. E finalmente em dezembro apresenta CSLL a pagar em 289.356,06 e DARF no mesmo valor. Pelos cálculos do SAPO que foi refeito, utilizando o crédito da estimativa de 1996 (fls. 527/530), concedido conforme Relatório Diligência Fiscal (fls. 514/515) e Acórdão n° 10193972 (fls.516/521) no processo administrativo de n° 15374.003049/9993 que restabeleceu o valor de 1.617.476,08 para compensação no lugar de 1.245.016,23 verificamos que cobriu os períodos de 1996 e apresentaria saldo de 28.046,22 se não estivesse prescrito. Equivocase o responsável pela informação, pois: A. não cabe alegar prescrição por meio de mero RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL, especialmente na circunstância em que o indeferimento do pleito, devidamente refletido em atos decisórios emitidos pelas autoridades competentes (DESPACHO DECISÓRIO DO DELEGADO DA RECEITA FEDERAL e ACÓRDÃO PROLATADO POR TURMA DE JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA), não teve por fundamento tal fato; B. como dito anteriormente, embora os fatos não tenham sido adequadamente descritos nos autos, especialmente quanto à natureza do crédito indicado para fins de compensação tributária (se decorrente de saldo negativo ou de pagamento a maior), é certo que o indeferimento do pleito tomou por base o SALDO NEGATIVO DO ANO DE 1995, que foi utilizado na extinção de estimativas de 1996 e, com isso, repercutiu nos demais valores demonstrados nas planilhas de fls. 30/42; Fl. 543DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 13710.003184/200275 Resolução nº 1301000.267 S1C3T1 Fl. 544 10 C. a análise sintetizada na informação acima reproduzida, distanciandose dos fundamentos que serviram de base para o não reconhecimento do direito creditório, limitouse a verificar a ocorrência de pagamento a maior ou indevido, quando, na verdade, deveria, sem entrar no mérito de uma suposta prescrição do direito, ter recomposto o saldo negativo do ano calendário de 1995, levando em consideração, inclusive, o fato de que nos autos do processo nº 15374.003049/9993 o saldo negativo em referência, no montante de R$ 1.617.476,08, foi restabelecido. O segundo questionamento feito por esta Turma de Julgamento foi no sentido de indagar acerca do motivo pelo qual o Parecer Conclusivo nº 118/07, tendo sido emitido em data posterior à decisão prolatada no processo administrativo nº 15374.003049/9993 (acórdão nº 10193.972, de 16 de outubro de 2002), não considerou os efeitos da referida decisão (restabelecimento do saldo negativo do anocalendário de 1995 originalmente declarado pela contribuinte R$ 1.617.476,08). O Relatório de Diligência Fiscal assinalou: A 2ª questão tornase equivocada pois a jurisdição do contribuinte é outra, não podendo o processo retornar ao autor do Parecer Conclusivo n° 118/07 para justificar o porquê de não ter usado o saldo negativo restabelecido pelo Acórdão 10193972. À evidência, a indagação não foi feita com a expectativa de que o servidor responsável pelo Parecer Conclusivo nº 118/07 a respondesse, mas, sim, que fossem trazidas ao processo razões de ordem fática ou jurídica capazes de justificar a ausência de contemplação do decidido em segunda instância. Por fim, o terceiro questionamento declinado na Resolução nº 1.301000.086 objetivou saber se, considerados os termos da decisão exarada em primeira instância e uma vez admitido o saldo negativo do anocalendário de 1995 no montante de R$ 1.617.476,08, existiria algum óbice ao reconhecimento do direito creditório no montante de R$ 1.115.856,73, conforme demonstração ali apresentada. A resposta trazida ao processo foi a seguinte: Na 3ª questão o óbice ao reconhecimento do direito creditório seriam a prescrição, pois conforme já relatado nos parágrafos anteriores, o pedido de restituição se deu transcorridos mais de 05 (cinco) anos após a ocorrência do fato e também pelo fato deste pedido ser com relação a pagamento a maior de 09 (nove) DARF´s e não de saldo negativo. Como dito, absolutamente improcedente a argüição de PRESCRIÇÃO, eis que isto, além de não ter constituído fundamento para o indeferimento do pleito da contribuinte, não pode ser suscitado em sede de RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA. No que diz respeito à afirmação de que o crédito objeto de questionamento diz respeito a pagamento a maior, e não a saldo negativo, cumpre reiterar que, embora essa questão não esteja suficiente clara nos autos, é fato que o elemento propulsor da denegação do pedido da contribuinte foi a recomposição do saldo negativo de CSLL de 1995, e não a inexistência de pagamento a maior. Esclareço, ainda, o seguinte: Fl. 544DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 13710.003184/200275 Resolução nº 1301000.267 S1C3T1 Fl. 545 11 o fato de o pedido assinalar que o crédito indicado para compensação tributária decorre de pagamento a maior, por si só, não é suficiente para definir a sua natureza, cabendo registrar que, salvo melhor juízo, as planilhas demonstrativas de fls. 33/42 evidenciam que o direito creditório no montante de R$ 1.578.473,46 foi determinado a partir dos saldos contábeis da conta CSLL A RECUPERAR (R$ 1.262.098,38, fls. 38, adicionado de R$ 316.375,08, fls. 42); o procedimento adotado pela contribuinte (compensação contábil de tributos da mesma espécie), como assinalado na Parecer Conclusivo nº 118/07, teve por suporte o disposto no art. 14 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, que, nesse específico caso (tributos e contribuições de mesma espécie), autorizava a compensação tributária independentemente de requerimento; a título de mero esclarecimento, cabe informar que o registro constante no RELATÓRIO da Resolução nº 1.301000.086, acerca do ano em que os supostos pagamentos foram efetuados a maior, derivou de interpretação equivocada do que foi assinalado no relatório da decisão de primeira instância, visto que ali restou consignado: “A interessada acima identificada formalizou pedido de restituição e compensação (fls. 01/03; 68 e 78), através dos quais alega possuir crédito no valor total de R$ 1.574.473,46, em razão de recolhimentos a maior a titulo de CSLL estimativa para os anos de 1996 e 1997 (DARF de fls. 05/09), em 11/07/2002; 13/08/2002 E 10/09/2002, respectivamente, com o objetivo de compensálos com débitos de COFINS e de PIS.” Em vista de todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de CONVERTER, mais uma vez, O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a unidade administrativa de origem preste o seguinte esclarecimento: uma vez admitido o saldo negativo do ano calendário de 1995 no montante de R$ 1.617.476,08, informar, haja vista o fundamento esposado nos atos decisórios precedentes (DESPACHO DECISÓRIO e ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA), se existe óbice ao reconhecimento do direito creditório nos termos em que foi requerido pela contribuinte, ou em qualquer outro montante. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 545DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/0 3/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ADRIANA GOMES REGO
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Numero do processo: 10660.723582/2012-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
SERVIÇOS PRESTADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
A partir de 03/2000 tornou-se devida por parte da empresa tomadora (contratante) a contribuição de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho; contudo, uma vez declarada a inconstitucionalidade da cobrança em decisão definitiva do STF, por força do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, as turmas deste Conselho devem reproduzir o mesmo entendimento em seus acórdãos.
Embargos Voluntário Provido
Numero da decisão: 2402-004.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A partir de 03/2000 tornouse devida por parte da empresa tomadora (contratante) a contribuição de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho; contudo, uma vez declarada a inconstitucionalidade da cobrança em decisão definitiva do STF, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, as turmas deste Conselho devem reproduzir o mesmo entendimento em seus acórdãos. Embargos Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 35 82 /2 01 2- 28 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal realizado em 02/01/2013 para constituição de crédito sobre serviços contratados por intermédio de cooperativa de trabalho e pagamentos a contribuintes individuais; esta última não impugnada pelo recorrente. Segue transcrição de trecho da decisão recorrida: CONTRATAÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A NOTA FISCAL OU FATURA. SUJEITO PASSIVO. EMPRESA CONTRATANTE. A empresa contratante deve recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre o valor da nota fiscal de prestação de serviços, relativamente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. ATO COOPERATIVO PRINCIPAL. ATO 1 DISCRIMINADO NAS NOTAS FISCAIS. BASE DE CÁLCULO. O valor do ACP Ato Cooperativo Principal é a remuneração dos serviços médicos/enfermeiros cooperados, o que justifica o fato de ser oferecido à tributação do Imposto de Renda Retido na Fonte. ... No relatório fiscal de fls 12/14 e anexos de fls. 15/18, a autoridade lançadora registra que as contribuições apuradas ocorreram: com o pagamento de remuneração a segurados contribuintes individuais no período de 01 a 06/2008, apurado na contabilidade apresentada pela empresa, cujos valores encontramse demonstrados no Relatório de Lançamento – Levantamento L21, que integra o presente auto; com o pagamento da remuneração à UNIMED Itajubá Cooperativa de Trabalho Médico – Itajubá/MG e Cooperativa de Transporte e Condutores Autônomos Ltda – Itajubá/MG, no período compreendido entre 01 a 12/2008, sendo calculado a contribuição da empresa sobre os valores constantes das Notas Fiscais ou Faturas emitidas pelas cooperativas, Anexo I deste Relatório, fls. 15/16, conforme Contratos de Prestação de Serviços. ... Alega preliminarmente, que concorda com a cobrança relativa às parcelas: 1 aos valores pagos aos contribuintes individuais; e 2 às contribuições para a Seguridade Social decorrentes de pagamento realizado às Cooperativas de Transporte, razão pela Fl. 265DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10660.723582/201228 Acórdão n.º 2402004.657 S2C4T2 Fl. 248 3 qual efetuará o pagamento destes débitos, cujos comprovantes serão posteriormente juntados aos autos. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: Quanto às demais irregularidades lançadas neste Auto de Infração, que são as contribuições devidas à Seguridade Social sobre os valores pagos a trabalhadores cooperados da área de saúde, o lançamento ora impugnado não merece prosperar, porquanto não apresenta substrato jurídico apto a validar a pretensão da fiscalização, conforme demonstrado a seguir. Diz que está correto o recolhimento da contribuição social sobre notas fiscais emitidas por cooperativas de trabalho na área da saúde (UNIMED), não sendo verdadeiro o entendimento da fiscalização de que foi utilizada base de cálculo reduzida, o que motivou a diferença lançada no presente Auto de Infração. Cita o inciso IV, do artigo 22 da Lei nº 8.212/1991 e diz que com base na suposta infringência ao referido dispositivo legal, foram lançados valores correspondentes à alíquota de 15% sobre a diferença entre os valores brutos das notas fiscais emitidas pela Cooperativa de Trabalho da área da saúde (UNIMED) durante o ano de 2008, e o valor já recolhido, equivalente a alíquota de 15% aplicado sobre a base de cálculo reduzida, declarada em GFIP. Aduz que a fiscalização equivocouse ao efetuar o lançamento do valor decorrente de aplicação da alíquota de 15% sobre o valor do Ato Cooperativo Principal, desconsiderando que, na hipótese em apreço, há uma redução da base de cálculo legalmente prevista, fato que valida a conduta da impugnante. Explica que o lançamento referese ao ano de 2008 e que durante este período estava em vigor a Instrução Normativa SRP nº 03, de 14/07/2005, a qual veio a ser posteriormente revogada pela Instrução Normativa RFB nº 971/2009, ainda em vigor nos dias atuais e que acerca das contribuições instituídas pelo artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/1991, ambas trouxeram disposições sobre as bases de cálculo especiais decorrentes dos serviços prestados por Cooperativas, dentre as quais encontram se as relacionadas à atividade da saúde. A Instrução Normativa RFB nº 971, de 13/11/2009, que revogou a IN SRP nº 03/2005, no Capítulo IV que trata das Sociedades Cooperativas – Seção IV Bases de Cálculo Especiais e Subseção Única – Bases de Cálculo na Área de Saúde, precisamente no artigo 219, diz: Vejase que, na época dos fatos (2008), sob a égide da IN SRP nº 03/2005, já existia a previsão para aplicação da alíquota de 15% sobre os serviços pagos a trabalhadores cooperados da saúde, no sentido de que há redução da base de cálculo nos contratos coletivos de grande risco ou risco global, em que não houver discriminação na nota fiscal ou fatura dos serviços Fl. 266DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 prestados, para valor não inferior a 30% do valor bruto da Nota Fiscal ou Fatura. E é justamente essa a situação em que a impugnante se enquadra. Aduz que a partir da análise do Contrato de Prestação de Serviços firmado com a Unimed Itajubá Cooperativa de Trabalho Médico, verificase que houve a contratação dos serviços nos exatos termos em que exigidos pela IN vigente à época dos fatos, quais sejam, contrato coletivo de grande risco ou risco global, que assegura atendimento completo, em consultório ou hospital, inclusive exames complementares ou transporte especial. Por essa razão, aplicase aos valores pagos à Unimed Cooperativa, decorrentes de celebração do referido contrato, o disposto no artigo 219, I, “a”, da IN SRP nº 03/2005, que diz, que não havendo nas faturas emitidas nenhuma discriminação quanto ao serviço prestado, a base de cálculo para a apuração da contribuição previdenciária devida não poderá ser inferior a 30% sobre o valor bruto da nota fiscal, procedimento adotado pela impugnante ao aplicar a alíquota de 15% sobre o valor correspondente a 30% do valor bruto da nota fiscal ou fatura para chegar ao valor da contribuição devida. Ressalta ainda, que ao exigir da impugnante a diferença entre o valor efetivamente recolhido (15% de 30% do valor bruto da NF) e aquele que entende ser devido (15% sobre o valor do Ato Cooperativo Principal), a fiscalização está cobrando valores flagrantemente indevidos, nos termos das Instruções Normativas editadas pela própria Receita Federal. Na seqüência, fala da equivocada aplicação da Lei nº 11.941/2009 e da impossibilidade de aplicação da multa de ofício, salientando que caso o lançamento dos valores expostos anteriormente não sejam cancelados, deverá, quando menos, ser determinada a retificação da penalidade aplicada, consubstanciada na multa de 75% prevista no artigo 44 da Lei nº 9430/1996, uma vez que esta não era a multa aplicada às contribuições previdenciárias quando da ocorrência dos fatos geradores. Diz que nesse ponto, encontrase também eivada de erro a conclusão fiscal de que a penalidade em questão veio em substituição às duas anteriormente previstas (art.32, §5º e art. 35,II, da Lei nº 8.212/1991, nas redações pretéritas ao advento da MP nº 449/2008), de modo que a aplicação não retroativa da legislação em vigor não se mostra mais benéfica ao contribuinte, como afirma a fiscalização, mas extremamente mais maléfica. Naquele período, não havia que se falar em multa de ofício nos casos de lançamento, mas apenas em multa de mora. Solicita o contribuinte que a penalidade aplicada no presente lançamento seja reduzida à alíquota de 20%, por ser a multa de mora atualmente prevista na legislação para as contribuições previdenciárias e se tratar, evidentemente, da penalidade mais benéfica do que a aplicada no presente caso. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10660.723582/201228 Acórdão n.º 2402004.657 S2C4T2 Fl. 249 5 Questiona a forma como foi apurada a multa mais benéfica, sob a alegação de irregularidade dessa sistemática, pois cumula penalidades referentes a infrações distintas (obrigação principal com uma ou várias obrigações acessórias), tratandoas como coisa única, um regime de multas que vigorava anteriormente ao advento da MP nº 449/2008 passível de confrontação com o novo regime trazido pela Lei nº 11.941/2009. Por essas razões, requerse ao mesmo o cancelamento da aplicação da multa de ofício, substituindoa pela multa de mora atualmente prevista na legislação no patamar de 20% ou, quando muito, aplicandose os percentuais previstos na redação do artigo 35,II da Lei nº 8212/1991, vigente até o advento da MP nº 449/2008. Pede ainda, seja reconhecido o pagamento realizado dos valores referente à contribuição devida à Seguridade Social sobre os valores pagos a contribuintes individuais e sobre os valores pagos Cooperativa de Transporte, conforme comprovantes de recolhimentos a serem apresentados. É o Relatório. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Verifico o preenchimento dos requisitos formais dos embargos opostos, e portanto, passo a examinálos. Inicialmente, ressaltase que a parte do lançamento referente a contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações pagas a pessoas físicas, contribuintes individuais, apuradas na contabilidade da empresa e a contribuição incidente sobre o valor das notas fiscais emitidas por cooperativa de trabalho de transporte não foram impugnadas e o recorrente requereu o cálculo para fins de pagamento; portanto, examinaremos apenas a incidência sobre os contratos de cooperativa de trabalho médico. De acordo com o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11/01/1973 devem ser reproduzidas pelas turmas do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Quanto à contribuição previdenciária sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, em 25/02/2015 foi publicada a decisão definitiva do STF proferida na sessão de 18/12/2014 no sentido de declarála inconstitucional: 25/02/2015,Publicado acórdão, DJE, DATA DE PUBLICAÇÃO DJE 25/02/2015 ATA Nº 16/2015. DJE nº 36, divulgado em 24/02/2015 ... EMB.DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 595.838 EMENTA Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário.Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. Lei aplicável em razão de efeito repristinatório. Infraconstitucional. Assim, tendo se tornado definitiva a decisão do STF resta a esta turma de julgamento reproduzila em seus acórdãos. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10660.723582/201228 Acórdão n.º 2402004.657 S2C4T2 Fl. 250 7 Voto pelo provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 270DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 07/04/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10510.000874/2010-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2008
SALÁRIO INDIRETO - ALUGUEL
Conforme artigo 28 da Lei n.º 8.212/91, o pagamento de aluguel para a moradia de empregados, de forma habitual, configura salário-utilidade e deve compor a remuneração para efeitos de incidência contributiva previdenciária, mas quando há demonstração que os pagamentos foram efetuados de forma temporária e para atender necessidade de trabalho em localidade diversa do domicílio do empregado, esta verba não deve integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias.
ALIMENTAÇÃO PAGA EM TICKETS SOFRE A INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. A alimentação fornecida em tickets ou pecúnia sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária.
AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL.
A ausência de fundamentação legal e motivação para sustentar a aferição indireta do lançamento configura a nulidade da autuação por vício material. O vício material é aquele que não corresponde à verdade, e aqui se traduz pela falta de certeza quanto à possibilidade do Fisco promover ao lançamento da alíquota previdenciária correspondente à faixa salarial de cada segurado.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-003.585
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário quanto às contribuições previdenciárias relativas à cota do segurado incidentes sobre a rubrica "aluguel" , porque houve a demonstração que os pagamentos foram efetuados de forma temporária e para atender necessidade de trabalho em localidade diversa do domicílio do empregado, não devendo a verba integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Vencido o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva por entender que a verba foi paga nos moldes do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91, onde pagamento de aluguel para a moradia de empregados, de forma habitual, configura salário-utilidade e deve compor a remuneração para efeitos de incidência contributiva previdenciária. Por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário quanto às contribuições previdenciárias relativas à cota do segurado incidentes sobre fornecimento de alimentação sem a inscrição no PAT, nas competências de 03/2005 e 04/2005, pela falta de fundamentação legal e motivação para sustentar a aferição indireta do lançamento, o que configura a nulidade da autuação por vício material. O vício material é aquele que não corresponde à verdade, o que no caso em tela pode ser traduzido pela falta de certeza quanto à possibilidade do Fisco promover ao lançamento da alíquota previdenciária correspondente à faixa salarial de cada segurado. Vencido na votação o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva por entender que a falta de fundamentação legal, no caso, não motiva a nulidade do lançamento.
Liege Lacroix Thomasi - Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Leo Meirelles do Amaral
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2008 SALÁRIO INDIRETO ALUGUEL Conforme artigo 28 da Lei n.º 8.212/91, o pagamento de aluguel para a moradia de empregados, de forma habitual, configura salárioutilidade e deve compor a remuneração para efeitos de incidência contributiva previdenciária, mas quando há demonstração que os pagamentos foram efetuados de forma temporária e para atender necessidade de trabalho em localidade diversa do domicílio do empregado, esta verba não deve integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. ALIMENTAÇÃO PAGA EM TICKETS SOFRE A INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. A alimentação fornecida em tickets ou pecúnia sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. A ausência de fundamentação legal e motivação para sustentar a aferição indireta do lançamento configura a nulidade da autuação por vício material. O vício material é aquele que não corresponde à verdade, e aqui se traduz pela falta de certeza quanto à possibilidade do Fisco promover ao lançamento da alíquota previdenciária correspondente à faixa salarial de cada segurado. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em dar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 08 74 /2 01 0- 41 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 provimento ao Recurso Voluntário quanto às contribuições previdenciárias relativas à cota do segurado incidentes sobre a rubrica "aluguel" , porque houve a demonstração que os pagamentos foram efetuados de forma temporária e para atender necessidade de trabalho em localidade diversa do domicílio do empregado, não devendo a verba integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Vencido o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva por entender que a verba foi paga nos moldes do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91, onde pagamento de aluguel para a moradia de empregados, de forma habitual, configura salárioutilidade e deve compor a remuneração para efeitos de incidência contributiva previdenciária. Por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário quanto às contribuições previdenciárias relativas à cota do segurado incidentes sobre fornecimento de alimentação sem a inscrição no PAT, nas competências de 03/2005 e 04/2005, pela falta de fundamentação legal e motivação para sustentar a aferição indireta do lançamento, o que configura a nulidade da autuação por vício material. O vício material é aquele que não corresponde à verdade, o que no caso em tela pode ser traduzido pela falta de certeza quanto à possibilidade do Fisco promover ao lançamento da alíquota previdenciária correspondente à faixa salarial de cada segurado. Vencido na votação o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva por entender que a falta de fundamentação legal, no caso, não motiva a nulidade do lançamento. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Leo Meirelles do Amaral Fl. 305DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10510.000874/201041 Acórdão n.º 2302003.585 S2C3T2 Fl. 234 3 Relatório Trata o presente de Auto de Infração de Obrigação Principal lavrado em 08/03/2010, com ciência pelo sujeito passivo em 12/03/2010, e referese às contribuições previdenciárias relativas à parte dos segurados, incidentes sobre valores pagos a título de aluguéis e condomínios no período de 03/2005 a 12/2008. Referese, também, o crédito às contribuições previdenciárias relativas à cota dos segurados incidentes sobre a alimentação fornecida em valesrefeição sem a inscrição no PAT, nas competências de 03/2005 a 04/2005. Conforme consta do relatório fiscal de fls.42/47, a autuada disponibilizou imóveis alugados para moradia de empregados e colaboradores, nas cidades de Aracaju/SE e Salvador/BA, bem como pagou as respectivas despesas de condomínio. O relatório ressalva que os imóveis computados em canteiro de obras, escritórios e refeitórios não constam do débito. Quanto à alimentação o Relatório Fiscal traz que a autuada apenas se inscreveu no PAT em 09/06/2005, de forma que a alimentação fornecida na forma de vale refeição nas competências de 03/2005 e 04/2005, foi considerada como base contributiva previdenciária. Aduz o Fisco que para a apuração do crédito foi aplicada a alíquota de 8%, porque se mostrou impossível quantificar e discriminar por segurado a sua remuneração global. Os valores lançados relativos à alimentação constam das planilhas de fls. 102/106; os referentes aos aluguéis constam das fls. 115/136 e às fls. 137/147, constam os contratos de locação. Após a impugnação, Acórdão de fls. 243/255, julgou o lançamento procedente. Inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em apertada síntese: a) a nulidade do levantamento porque o crédito deveria ter sido constituído através de Notificação de Lançamento e não de Auto de Infração, já que se trata de obrigação principal; b) a nulidade da autuação porque o crédito foi constituído por aferição indireta e não há qualquer menção a este fato no Relatório Fiscal, tampouco consta a fundamentação legal da aferição; c) a nulidade da autuação porque falta clareza no Relatório Fiscal ante as características e especificidades dos levantamentos. Que o Relatório não espelha as circunstâncias da cobrança; Fl. 306DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 d) que não pode subsistir o lançamento acerca da alimentação com a única motivação da falta de inscrição no PAT; e) que no Decreto regulamentador do PAT n.º 05/91, não há alusão à inscrição e nem à necessidade de renovação anual; f) que está inscrita no Programa a partir de 06/2005; g) que parte dos custos com a alimentação são suportados pelos empregados; h) que as verbas(aluguéis e alimentação) não são passíveis de integrar o salário de contribuição, pois não visam remunerar o trabalho; i) que os beneficiários dos aluguéis não foram identificados e isso impossibilitou a individualização do eventual ganho salarial; j) que o Fisco não demonstrou que os pagamentos eram pelo trabalho; k) que os pagamentos ocorreram pela necessidade de deslocamento dos funcionários dos locais originários de suas residências; l) que o lançamento se baseou apenas na relação de endereços e valores de despesas com habitação sem analisar faticamente a situação; m) que todos os locativos envolvem a efetiva operacionalidade empresarial da autuada e foram assumidos para a normal realização dos trabalhos; n) que as locações envolvidas na autuação situamse em diversas localidades e municípios dada a específica natureza da atividade empresarial da recorrente; o) que determinadas atribuições técnicas, funcionais e gerenciais mereciam o deslocamento de profissionais qualificados para acompanhar o serviço de realização de obras de construção civil e o pagamento de aluguéis se deu para acomodar profissionais da empresa deslocados de seus domicílios de origem para a realização de trabalhos; p) que demonstrou serem as locações dos imóveis residenciais no mesmo tempo que diversas locações coletivas para a moradia conjunta de diversos empregados; Fl. 307DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10510.000874/201041 Acórdão n.º 2302003.585 S2C3T2 Fl. 235 5 q) as locações eram transitórias e apenas atendiam à prestação de serviço no tempo determinado; r) que o fato das locações serem em Aracaju e Salvador não se prestam para sustentar que não se destinavam a canteiro de obras; s) que o valor da multa deve constar com clareza nos autos, mesmos que reduzida por força de lei; t) que as para se verificar o percentual das multas elas devem ser aplicadas de forma isolada; u) que a multa de 75% é muito mais gravosa que a de 24%. Por fim, requer o recebimento do recurso com a suspensão da exigibilidade do pretenso crédito previdenciário até o final do julgamento da lide, que resultará no cancelamento definitivo da autuação. É o relatório. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade devendo ser conhecido e examinado. Compulsando os autos é de se ver que a presente autuação referese às contribuições relativas à cota dos segurados, incidentes sobre verbas pagas aos empregados e colaboradores da recorrente a título de alimentação e aluguéis, cuja obrigação principal relativa a parte patronal constou de outro Auto de Infração de Obrigação Principal DEBCAD 37.195.2131. De acordo com pesquisa efetuada no sítio do CARF, se vê que o processo antes referido, foi julgado por este Colegiado em sessão de 19/02/2014, com Acórdão 2302 003.013, que deu provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da autuação as verbas pagas a título de aluguel devido a comprovação de serem pagas de forma temporária e efetivamente vinculadas a prestação de serviços em localidades diversas do domicilio do segurado. Como este auto de infração trata da matéria idêntica ao AIOP 37.195.2131, apenas divergindo no levantamento, já que aqui está sendo cobrada a contribuição relativa à cota do segurado e naquele AIOP a parte patronal, entendo que o resultado deve ser o mesmo para a rubrica, de forma que faço menção e reproduzo o voto divergente vencedor naquele processo, exarado pela ilustre Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz: Tratase o presente lançamento de cobrança de contribuições previdenciárias sobre os valores relacionados aos custos assumidos pela empresa empregadora/Recorrente com aluguéis gerados pela necessidade de locações de imóveis para habitação dos trabalhadores que desenvolvem específica obra contratada pela Recorrente, qual seja: construção de um gaseoduto de grande proporção com ponto de partida no Estado de Alagoas e término no Estado da Bahia, contratado junto à Petrobrás. Os gastos relacionados com os aluguéis possuíam três denominações: canteiros de obras, repúblicas e residências. Todas elas foram extraídas da planilha apresentada pelo próprio contribuinte. Os valores correspondentes aos canteiros de obras não foram objeto de lançamento. Quanto às repúblicas, foram excluídos por ocasião do julgamento da Impugnação na Delegacia Regional de Julgamento. Permaneceu incólume a cobrança dos gastos relacionados com as residências. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10510.000874/201041 Acórdão n.º 2302003.585 S2C3T2 Fl. 236 7 Isto porque, no entender do autuante, os imóveis residenciais alugados destinavamse a verdadeiro benefício concedido ao empregado. Em contrapartida, no recurso, afirmou o contribuinte que os aluguéis pagos aos imóveis residenciais estavam caracterizados como custos operacionais e, como tal, deveria ser excluído do lançamento. Pois bem! De acordo com o art. 28, §9º, 'm', da Lei nº 8.212/91 c/c art. 214, §9º, inciso XII do Decreto nº 3.048/99, não incide contribuição previdenciária sobre os valores correspondentes a habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, vejamos: "Lei nº 8.212/91: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ... m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)" "Decreto nº 3.048/99: Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e o trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que Fl. 310DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;... § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: ... XII os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego;" Sobre o tema, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu, no julgamento do RESP nº 439.133/SC de Relatoria da Ministra Denise Arruda, que o fornecimento de habitação só integra o salário de contribuição se comprovado o pagamento com habitualidade, vejamos: "RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO CONFIGURAÇÃO. MÉRITO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA...AJUDA DE CUSTO. DESLOCAMENTO NOTURNO. ALUGUEL. VERBAS PAGAS COM HABITUALIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AJUDA DE CUSTO PARA DESENVOLVIMENTO DE SUPERVISOR DE CONTAS... RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA PARTE, PARCIALMENTE PROVIDO. 7. Havendo habitualidade no recebimento de ajuda de custo para aluguel, essa parcela deve integrar o saláriodecontribuição, com a devida incidência de contribuição previdenciária. ... 9. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido." (REsp 439133/SC, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/09/2008, DJe 22/09/2008) Este entendimento também é seguido por esta Corte Administrativa, conforme acórdão a seguir: "ALUGUÉIS. SALÁRIO IN NATURA. HABITUALIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Havendo habitualidade no recebimento de ajuda de custo para aluguel, essa parcela deve integrar o saláriodecontribuição, Fl. 311DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10510.000874/201041 Acórdão n.º 2302003.585 S2C3T2 Fl. 237 9 com a devida incidência de contribuição previdenciária. Precedentes do Conselho de Contribuintes e Superior Tribunal de Justiça." (AC 280300.570 – 3ª Turma Especial, Rel. Gustavo Vettorato, 16.03.2011) No caso em análise, conforme dito e devidamente demonstrado pela empresa Recorrente, os valores dos aluguéis pagos aos imóveis residenciais utilizados para abrigar os funcionários que residem em local diverso da obra, assim o foram em caráter temporário. Ressalto que não é o fato da unidade alugada ser usufruída por diversos empregados (república aluguéis mais baratos) ou apenas um (residências aluguéis mais altos) que altera a natureza jurídica dos pagamentos. O que importa é saber a freqüência com que os pagamentos dos aluguéis foram efetuados, de forma contínua (salário indireto) ou temporária (isenta). Sendo assim, quanto ao aluguel, conforme o disposto no art. 28, § 9º, “m” da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 214, § 9º, XII do Decreto 3.048/1999, por tratarse de ajuda de custo para habitação, uma vez que o trabalho ocorreu em local distante da residência dos empregados, permanecendo em alojamentos (repúblicas ou residências) próximos aos locais das obras, entendo que estas verbas não podem ser caracterizadas como salário indireto e, por isso, sobre elas não devem incidir as respectivas contribuições previdenciárias. É como voto. Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Redatora designada Pelo exposto, entendo, assim como votei naquele processo, que embora de acordo com o artigo 28 da Lei n.º 8.212/91, os pagamentos de aluguéis e taxas condominiais para a moradia de empregados, de forma habitual, configure salárioutilidade ou in natura, e deve compor a remuneração para efeitos de incidência da contribuição social, quando há demonstração que os pagamentos foram efetuados de forma temporária e para atender necessidade de trabalho em localidade diversa do domicílio do empregado, esta verba não deve integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. De acordo com os elementos constantes do autos, entendi que restou configurado que o pagamento de aluguéis residenciais, ainda que para funcionários mais capacitados, ou de nível técnico mais elevado do que a maior parte dos trabalhadores que foram acomodados em repúblicas, se deu pela necessidade da prestação de serviço na atividade fim da recorrente em local diverso de onde o funcionário estava domiciliado e se deu na mesma temporalidade em que os demais trabalhadores também estavam deslocados de seus domicílios e acomodados nas repúblicas. Desta forma, ficou evidente que as locações foram temporárias e se prestaram exatamente a permitir a prestação de serviço naquelas localidades. Destarte, tal verba não deve integrar o salário de contribuição porque se subsume à exceção prevista na letra "m" do §9º, do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91: Fl. 312DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ... m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)" Os valores fornecido a título de valerefeição sem a devida inscrição no PAT, se constituem em base de incidência da contribuição previdenciária, porque de acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, somente a alimentação in natura fornecida aos empregados é que está ao abrigo da reiterada jurisprudência do STJ no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre a mesma. Entretanto, é de se notar que, embora no processo AIOP DEBCAD 37.195.2131, relativo à parte patronal das contribuições previdenciárias, este Colegiado tenha entendido pela procedência da autuação, vejo que no processo em tela há que ser observada a seguinte questão: o Auditor Fiscal informa no seu relatório que para a apuração do débito foi aplicada de forma genérica a alíquota de 8%, porque era impossível quantificar e discriminar por segurado a remuneração global, a fim de serem aplicadas as alíquotas, conforme a faixa salarial de cada trabalhador. Ora, neste caso está evidente a utilização de aferição indireta para apuração do quantum devido, ao passo que o relatório fiscal não faz qualquer referência à fundamentação legal para sustentar a aplicação da alíquota única de 8% para todos os segurados, aferindo indiretamente o valor relativo à cota do segurado e tampouco o discriminativo FLD Fundamentos Legais do Débito, às fls. 38/39, traz a fundamentação da aferição indireta. Assim, entendo que possui razão a recorrente quando argui a nulidade do lançamento pela falta de menção e fundamentação legal da aferição indireta. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10510.000874/201041 Acórdão n.º 2302003.585 S2C3T2 Fl. 238 11 As nulidades absolutas no processo administrativo estão previstas no art. 59 do Decreto n º 70.235 de 1972, nestas palavras: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Fora das hipóteses do art. 59 do Decreto n º 70.235, as demais irregularidades serão sanadas apenas se resultarem prejuízo ao sujeito passivo, e desde que tenham sido argüidas pelo sujeito passivo, pois caso contrário haverá preclusão, na forma do art. 17 do Decreto n º 70.235. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Conforme previsto no art. 61 do Decreto n º 70.235, a nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Assim, pode o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como órgão julgador da legitimidade do lançamento fiscal, reconhecer a nulidade absoluta. No caso presente, entendo que o lançamento deve ser anulado por vício material. Cabe à autoridade lançadora motivar adequadamente suas afirmativas, possibilitando ao contribuinte a perfeita compreensão do que lhe é imputado, viabilizando o exercício do direito inserido no inciso LV, do artigo 5 da Constituição Federal/88. O Fisco tem o dever de expor os motivos pelos quais está praticando o ato de lançamento fiscal. Nesse sentido , assevera o artigo 50, caput e inciso II da Lei n. 9.784/99: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: ... II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções;” Fl. 314DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 A legislação em apreço insculpiu princípio paulatinamente defendido pela doutrina pátria, de que o ato administrativo, além de legalmente fundamentado, deve ser motivado. Leciona o professor Hely Lopes Meirelles em Direito Administrativo Brasileiro, Melhores Editores São Paulo, 2003, p.149: “O motivo ou causa é a situação de direito ou de fato que determina ou autoriza a realização do ato administrativo.” Ainda continua nas páginas 193/194: “A teoria dos motivos determinantes fundase na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos motivos expostos para todos os efeitos jurídicos. Tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato e por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade. (...)” “Por aí se concluiu que, quer quando obrigatória, quer quando facultativa, se for feita, a motivação atua como elemento vinculante da Administração aos motivos declarados como determinantes do ato.Se tais motivos são falsos ou inexistentes, nulo é o ato praticado.” O lançamento é forma, sendo o ato de aplicação material da norma de incidência. Apesar de ser forma, exteriorização, reflete o conteúdo da norma de incidência tributária, o fato gerador. A falha na exteriorização do lançamento é um vício formal, por seu turno, o erro quanto ao conteúdo irá traduzir um vício material. Como é cediço, são componentes do ato administrativo: a competência, a forma, a finalidade, o motivo e o objeto. Ao lavrar um ato administrativo, a autoridade pode falhar em algum desses elementos; dessa maneira, a distinção, entre os componentes do ato, é relevante para fins de determinação dos efeitos que o vício nos elementos geram. Em uma concepção a respeito da forma do ato administrativo é incluída não somente a exteriorização do ato, mas também as formalidades que devem ser observadas durante o processo de formação da vontade da Administração, e até os requisitos concernentes à publicidade do ato. Nesse sentido é a lição de Maria Sylvia di Pietro, na obra Manual de Direito Administrativo, 18ª edição, Ed. Atlas, página 200. Na lição expressa de Maria Sylvia di Pietro, na obra já citada, página 202, in verbis: “Integra o conceito de forma a motivação do ato administrativo, ou seja, a exposição dos fatos e dos direitos que serviram de fundamento para a prática do ato; a sua ausência impede a verificação da legitimidade do ato.” Se houver falha no pressuposto de fato ou de direito, o vício é material. No caso em tela, o vício que maculou o lançamento é material, porque o Fisco não trouxe o motivo que o levou a arbitrar a alíquota relativa à cota do segurado empregado incidente sobre valores tidos como base de cálculo da contribuição previdenciária. Pela análise dos autos se vê a falta de certeza quanto à possibilidade do Fisco promover ao lançamento da alíquota previdenciária correspondente à faixa salarial de cada segurado. Tal fato se traduz em vício material. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10510.000874/201041 Acórdão n.º 2302003.585 S2C3T2 Fl. 239 13 Vício extrínseco são aqueles que dizem respeito à forma, seja pela inobservância das formalidades legais ou dos critérios de competência. Por sua vez os vícios intrínsecos são os inerentes ao conteúdo, à essência do documento ou à substância do ato nele representado. O lançamento pode ser defeituoso, mas pode não ser falso, no sentido de não ter vício material, mas apenas o vício formal. Caso não haja oportunidade de correção da falta, a autoridade julgadora nunca poderá restar convicta da ausência ou inexistência do fato gerador. O vício material é aquele que não corresponde à verdade. Pelo exposto, e considerando o parágrafo 3º do artigo 59 do Decreto n.º 70.235/72, voto pelo provimento do recurso voluntário relativamente à rubrica "aluguel", já que foi paga nos moldes da letra ”m” do parágrafo 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91 e voto pelo provimento do recurso voluntário para anular, por vício material, o levantamento remanescente, relativo ao fornecimento de alimentação sem a inscrição no PAT, nas competências de 03/2005 e 04/2005, pela falta de fundamentação legal para sustentar a aferição indireta do lançamento. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 316DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 13888.720194/2012-19
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2007
DILIGÊNCIA PARA PERÍCIA. DESNECESSIDADE
Converter o julgamento em diligência para perícia contábil é prerrogativa e faculdade do julgador. Existindo nos autos elementos suficientes para o convencimento do julgador, desnecessária é a diligência.
EXCLUSÃO DO SIMPLES.
Com a exclusão do SIMPLES a contribuinte se sujeita às normas tributárias aplicáveis às demais pessoas, sendo imperioso o lançamento tributário em honra ao princípio da legalidade, uma vez a constituição do crédito é procedimento vinculado à lei.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-004.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2007 DILIGÊNCIA PARA PERÍCIA. DESNECESSIDADE Converter o julgamento em diligência para perícia contábil é prerrogativa e faculdade do julgador. Existindo nos autos elementos suficientes para o convencimento do julgador, desnecessária é a diligência. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Com a exclusão do SIMPLES a contribuinte se sujeita às normas tributárias aplicáveis às demais pessoas, sendo imperioso o lançamento tributário em honra ao princípio da legalidade, uma vez a constituição do crédito é procedimento vinculado à lei. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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DESNECESSIDADE Converter o julgamento em diligência para perícia contábil é prerrogativa e faculdade do julgador. Existindo nos autos elementos suficientes para o convencimento do julgador, desnecessária é a diligência. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Com a exclusão do SIMPLES a contribuinte se sujeita às normas tributárias aplicáveis às demais pessoas, sendo imperioso o lançamento tributário em honra ao princípio da legalidade, uma vez a constituição do crédito é procedimento vinculado à lei. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 01 94 /2 01 2- 19 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira Fl. 194DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 13888.720194/201219 Acórdão n.º 2803004.199 S2TE03 Fl. 194 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte Transportadora Perdigão Ltda em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2007 SIMPLES. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO COM RECURSO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas que, no caso das contribuições sociais, seguem as mesmas regras das demais empresas, devendo recolhêlas como tal, inexistindo previsão legal de atribuição de efeito suspensivo a recurso contra o ato declaratório de exclusão. PROVA PERICIAL PRESCINDÍVEL. O requerimento para produção da prova pericial deve ser indeferido quando esta se mostrar prescindível à formação da convicção necessária ao julgamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Analisando os autos, observase que a contribuinte, mediante o Ato Declaratório Executivo DRF/PCA 0057/2011 foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES (fundamentado na Lei n° 9.317/96) no período de 01/2007 a 06/2007, pelos seguintes motivos: (a) escrituração do livro caixa sem informações acerca da movimentação financeira e sem a escrituração da totalidade das receitas auferidas; (b) não oferecimento à tributação dos depósitos bancários em contas correntes de titularidade da empresa, à medida em que não apresentou justificativa para as mesmas. Em decorrência da exclusão da empresa do Simples, a fiscalização procedeu ao lançamento das contribuições previdenciárias patronais que, nos termos do artigo 3º, § 1º “f” da Lei n° 9.317/96, estão incluídas no pagamento mensal unificado do regime tributário simplificado para as empresas optantes, e das contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Terceiros), as quais, nos termos do artigo 3o, § 4o da Lei n° 9.317/96, não são devidas pelas empresas optantes. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 Em razão da exclusão supra mencionada, a fiscalização houve por bem em efetuar o lançamento dos seguintes autos de infração: a) Debcad 37.370.9820, referente às contribuições previdenciárias devidas pela empresa incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, incluindo a alíquota destinada ao SAT/RAT (artigo 22, I e II da Lei n° 8.212/91) e remunerações dos segurados contribuintes individuais (artigo 22, III da Lei n° 8.212/91), totalizando R$ 59.187,30 (cinqüenta e nove mil, cento e oitenta e sete reais e trinta centavos) incluindo o principal, juros e multa de ofício; b) Debcad 37.370.9846, referente às contribuições destinadas a outras entidades e fundos – Terceiros (SalárioEducação, INCRA, SEST/SENAT, SEBRAE e SESCOOP) incidentes sobre as remunerações dos segurados, totalizando R$ 14.407,83 (quatorze mil, quatrocentos e sete reais e oitenta e três centavos) incluindo o principal, juros e multa de ofício. Informa o Relatório Fiscal que as contribuições lançadas não foram declaradas em GFIP e em atenção ao disposto no artigo 106, II, “c” do CTN, a fiscalização procedeu a comparação entre a multa de mora prevista no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, somada à multa pela não declaração em GFIP prevista no artigo 32, IV e § 5o da Lei n° 8.212/91 vigentes à época da ocorrência dos fatos geradores com a multa de ofício posteriormente instituída pela Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009. Devidamente intimada da autuação, a contribuinte apresentou impugnação apresentando as seguintes ponderações: a) o lançamento decorre da desclassificação da empresa do Simples, em processo no qual fora efetivada impugnação, estando aguardando decisão. Assim, primeiro deve ser decidido o processo relativo à exclusão do Simples e, caso procedente, poderá haver outros autos em decorrência do primeiro. Assim, o lançamento representa préjulgamento do primeiro processo, requerendo sua suspensão até decisão final pela DRJ/RPO; b) não concorda com a forma de apuração e o valor lançado, requerendo a realização de perícia contábil; c) a suspensão do AI ante a notória dependência e conexão dos procedimento. Ao analisar as alegações apresentadas pela contribuinte, a DRJ entendeu por bem em manter intacto o lançamento efetuado pela fiscalização, não acolhendo impugnação apresentada, conforme a ementa do acórdão alhures apresentada. Irresignada com a decisão proferida pela DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo, em apertado escorço, em suas frívolas razões: a) preliminarmente a nulidade da decisão a quo, por ferir o princípio da ampla defesa e do contraditório ao decidir pela desnecessidade da realização de perícia contábil requerida na impugnação; b) o lançamento decorre da desclassificação da empresa do Simples, em processo no qual fora efetivada impugnação, estando aguardando decisão, devendo este processo aguardar o julgamento daquele. Sem contrarrazões por parte da Procuradoria da Fazenda, os autos foram encaminhados a este Conselho, sendo a relatoria sorteada inicialmente o Conselheiro Mauro Fl. 196DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 13888.720194/201219 Acórdão n.º 2803004.199 S2TE03 Fl. 195 5 José Silva. Posteriormente, redistribuído o processo a esta 3a. Turma Especial, foi a mim sorteada a relatoria. É o relatório. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade Fazendo o juízo de prelibação, observo que o recurso voluntário apresentado pela contribuinte é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálo. Da Desnecessidade de Diligência para Perícia Contábil Como é cediço, no processo administrativo fiscal a diligência é uma faculdade do julgador que não se sente apto, com os instrumentos probatórios constantes nos autos, a proferir sua decisão. Ademais, o artigo 18 do PAF confere ao julgador a possibilidade de decidir sobre os pedidos de perícia ou diligência, não estando, por consectário, obrigado a acatar o pedido de diligência formulado pela parte. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados. § 2º Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juízo da autoridade. § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. Assim, não vislumbro, no caso em apreço, qualquer necessidade para converter o presente julgamento em diligência para a realização de perícia contábil, entendendo que os elementos constantes nos autos são mais que suficientes para formar o conhecimento do julgador, razão pela qual não acolho as ponderações da contribuinte neste ponto, uma vez que inexiste qualquer desrespeito aos basilares princípios da ampla defesa e do contraditório pela decisão a quo. Da Exclusão do Simples A empresa foi excluída do Simples Nacional por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/PCA ADE no. 0057 de 05.08.2011, pelos seguintes motivos: Fl. 198DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 13888.720194/201219 Acórdão n.º 2803004.199 S2TE03 Fl. 196 7 (a) escrituração do livro caixa sem informações acerca da movimentação financeira e sem a escrituração da totalidade das receitas auferidas; (b) não oferecimento à tributação dos depósitos bancários em contas correntes de titularidade da empresa, à medida em que não apresentou justificativa para as mesmas. A recorrente, por sua vez, alega que nem a legislação do Simples Federal (Lei nº. 9.317/96) nem a do Simples Nacional (Lei Complementar nº. 123/2006) tratam dessa possibilidade de maneira explícita e refuta a sua exclusão do programa, bem como que teria o direito adquirido de permanecer sob a égide daquele sistema. A contribuinte foi excluída no Simples Nacional por meio do Ato Declaratório Executivo, sendo que não se vislumbra a necessidade de apreciação do presente feito com o Processo 10665.720.345/201346, sem, contudo, trazer aos autos qualquer demonstração da necessidade de conexão. Ora, a conexão somente se deve operar quando há a necessidade de decisão uniforme, evitando, por consectário, julgamentos conflitantes. Com efeito, diante do quadro fático que se apresenta, entendo que o lançamento tributário é medida que se impõe. A autoridade fazendária representa a administração pública, que deve pautarse pelo princípio da legalidade, insculpido no art. 37 da Constituição Federal. Assim sendo, patente a realização do fato gerador, incide o tributo, devendo o Fisco proceder o lançamento, uma vez que se encontra subordinado, de forma completa, à lei. Destarte, como preleciona o art. 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento possui natureza vinculada, o que significa que não cabe a autoridade Fazendária a escolha, sendo ele definido em lei. A legislação é clara no sentido que com a exclusão do Simples, a contribuinte se sujeita às normas tributárias aplicáveis às demais pessoas. Observo ainda que, em momento algum o recorrente impugnou a constituição do lançamento, limitandose a rechaçar a sua exclusão do Simples. Ademais, o próprio CARF já sumulou o entendimento da possibilidade da fiscalização lançar os créditos tributários de empresas excluídas no Simples, ainda que esteja tramitando o processo que discute mencionada exclusão. Súmula CARF nº 77: A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. Diante no exposto, neste ponto, não acolho a tese trazida pela recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento. É como voto Fl. 199DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 8 (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 200DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 31/03/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
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Numero do processo: 13896.910080/2012-60
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1572; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 11 1 10 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.910080/201260 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3801000.881 – 1ª Turma Especial Data 28 de janeiro de 2015 Assunto Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS Recorrente JPTE ENGENHARIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório eletronicamente emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife, por meio do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 08 0/ 20 12 -6 0 Fl. 318DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910080/201260 Resolução nº 3801000.881 S3TE01 Fl. 12 2 qual foi não homologada a Declaração de Compensação DCOMP em que é indicado suposto crédito a título de pagamento indevido ou a maior da COFINS. Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório da DRJ de Recife: 2. A não homologação da compensação se deu porque, embora localizado supradito pagamento, ele fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. 3. No recurso, a defendente alega que tem por objeto a prestação de serviços técnicos no ramo de engenharia e que tem como principal tomadora de serviços o Grupo PETROBRÁS, estando submetida ao pagamento, dentre outros tributos, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, relativamente às quais as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 estabeleceram sistemática não cumulativa de pagamento, que consiste “em deduzir, dos débitos apurados de cada contribuição, os respectivos créditos admitidos na legislação”. 4. Transcreve a recorrente o art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, que prevê a possibilidade de desconto de créditos da COFINS, e apresenta decisões administrativas e judiciais que tratam do conceito de insumos para fins de desconto de créditos desta contribuição, após o que assevera que, “fundamentada na legislação tributária e no entendimento dado pelos Tribunais Pátrios, em decorrência de recolhimentos realizados a maior no exercício de liquidação de sua carga tributária inerente às Contribuições Sociais em comento, razão pela qual requereuse a presente compensação administrativa”. 5. Diz ter cumprido todas as etapas legais estabelecidas e que preencheu todos os requisitos e que, desta forma, não haveria que se negar a homologação das compensações e muito menos ainda aplicar multa. 6. Argúi que a alegação do Despacho Decisório recorrido de que inexistiria crédito indicaria, de forma clara, erro no cruzamento de informações dos sistemas que impediu a identificação do crédito, que fala ser líquido e certo. 7. Menciona que, para sanar quaisquer dúvidas, apresenta Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON e de Declaração de Débitos e Créditos – DCTF da DCOMP. 8. Ao final, diante das provas apresentadas, requereu o acolhimento da defesa e que seja julgada “improcedente a autuação e, em decorrência, cancelada a exigência”. 9. Dentre outros documentos, a contribuinte anexou aos presentes autos cópia de DACON retificadora e este. Analisando o caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife entendeu por bem julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, ao Fl. 319DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910080/201260 Resolução nº 3801000.881 S3TE01 Fl. 13 3 argumento de que este não apresentou documentos que evidenciassem, de forma inequívoca, o direito ao pretendido indébito. Transcrevase a ementa da referida decisão: TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição/compensação de tributo recolhido de acordo com confissão de dívida constante de DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório que não homologa a compensação exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro na confissão e de que o pagamento realizado foi indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Diante dessa decisão, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que não fora intimado para prestar qualquer esclarecimento ou apresentar documentação fiscal que atestassem a natureza e demonstrassem inequivocamente o seu crédito, tendo o seu pedido de compensação sido não homologado direto por meio de despacho eletrônico. Assim, juntou ao Recurso todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes, que comprovam a natureza do crédito. Registrou também disponibilizar os documentos fiscais e contábeis, que poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa, em Barueri. Argumentou que o processo administrativo fiscal possui como princípio a verdade material e traz jurisprudência deste Conselho e do Poder Judiciário sobre a necessidade e importância de sua aplicação. É o relatório. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910080/201260 Resolução nº 3801000.881 S3TE01 Fl. 14 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisando os autos, entendo que no julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Recife poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade e correção dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a Fl. 321DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910080/201260 Resolução nº 3801000.881 S3TE01 Fl. 15 5 ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00 99, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 103 18789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Fl. 322DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910080/201260 Resolução nº 3801000.881 S3TE01 Fl. 16 6 Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, a DACON que foi retificada pelo Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstra créditos passíveis de compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de Recife, é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados são mesmo decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos na sua prestação de serviços de engenharia e, em conseqüência, são passíveis de compensação, como pretendeu a Recorrente. Não se pode olvidar que consta anexada aos Autos, além da DACON retificada, balancete, documentação fiscal e contábil passível de verificação do direito creditório. Tal documentação, contudo, não foi considerada pela DRJ/Recife, sob a alegação de ter sido apresentada posteriormente ao indeferimento da compensação. Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF de Recife para: 1. Apurar se, com base na documentação acostada aos autos, os valores dos créditos de bens e serviços utilizados como insumos na sua atividade declarado no DACON retificado estão corretos; 2. Caso se entenda que a documentação acostada aos autos não seja suficiente para a verificação dos créditos, intimar a empresa a apresentar documentos adicionais para esse fim específico, concedendolhe prazo para tal apresentação; 3. Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 4. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 323DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10715.006824/2009-37
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Nayara Fonseca Cunha, OAB/DF 24.083.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Nayara Fonseca Cunha, OAB/DF 24.083. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 68 24 /2 00 9- 37 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 12 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes. 2 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 12 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10715.006824/200937 contra o acórdão nº 0722.147, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), na sessão de julgamento de 06 de junho de 2012, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 165.000,00, referentes à multa regulamentar por não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, na forma e no prazo estabelecidos pela Receita. Conforme se descrição dos fatos, a interessada deixou de registrar os dados de embarque de Declarações de Exportação no Siscomex, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no art. 37 da IN SRF n° 28/94. Entendendo estar caracterizada a prestação de informação fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 por embarque, pelo descumprimento do prazo na informação dos dados de embarque no Siscomex. Regularmente cientificada a interessada apresentou impugnação que, em síntese, apresenta os seguintes argumentos: em razão do erro operacional de seu estabelecimento no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, as informações concernentes ao embarque das mercadorias foram fornecidas com atraso, variável, em sua grande maioria, de 01 a 08 dias além do prazo concedido pela legislação para a prestação das informações junto ao Siscomex, nos termos da tabela que acompanha o Auto de Infração. ao contrário do que faz crer a autoridade administrativa, não basta à mera inobservância da legislação aduaneira para validar a imputação de multa. Mister que se configure a intenção dolosa do agente em fraudar o controle aduaneiro, bem como o dano ao Erário incorrido, a fim de justificar a imputação das multas capitaneadas pela legislação que regulamenta o comercio exterior, o que não se apresenta no presente caso. a aplicação da pena de multa mostrase de todo desarrazoada e desproporcional, devendo na espécie se aplicado o artigo 654, do Regulamento Aduaneiro vigente época, Decreto 4.543/2002, 3 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 12 o qual prevê a relevação de multa quando a infração não tenha resultado em falta ou insuficiência de recolhimento de tributos. o Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento de que se aplica às infrações da mesma espécie, apuradas em uma mesma ação fiscal, a teoria da continuidade delitiva, de modo que, ainda que se entendesse pela configuração da infração, esta somente poderia ensejar a imputação de uma multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por todas as infrações apurados na fiscalização. Requer que o Auto de Infração seja julgado improcedente, com a consequente relevação da multa, em razão da ausência de dolo ou prejuízo ao Erário, bem como por força da desproporcionalidade entre a infração cometida e a sanção imposta; ou, em sede de pedido eventual, na hipótese de configurada a infração, e não relevada a multa, que o credito tributário seja reduzido ao valor de R$ 5.000,00 (cinco mil, reais), mediante aplicação da teoria da continuidade delitiva. É o relatório. A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela improcedência da impugnação, no que se refere à multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto Lei nº 37/1966. Colaciono a ementa do referido. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO. O registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para a via de transporte aérea, caracteriza a infração ontida a línea e”, inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA. Aplicase a lei tributária, em matéria de penalidades, a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. INFRAÇÃO CONTINUADA. EMBARQUES DIFERENTES. MERA REITERAÇÃO DA CONDUTA INFRACIONAL. É incabível falar em infração continuada quando os atos caracterizadores da infração não resultam do aproveitamento das condições objetivas que balizaram a prática das infrações anteriores. 4 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 12 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. Tendo em vista a presunção de constitucionalidade das normas legais que foram legitimamente inseridas no ordenamento jurídico, cabe à autoridade administrativa tão somente verificar se os fatos subsumemse na norma de regência e aplicar a penalidade em face da existência de expressa determinação legal, dado que o lançamento não é atividade discricionária, mas, bem ao contrário, vinculado e obrigatória. Impugnação rocedente em Parte Crédito Tributário Mantido Parte Inconformada com a improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: 1 O auto de infração seria nulo por não comprovar as supostas infrações; 2 A infração não é objetiva, sendo necessário perquirir se houve dolo ou dano ao Erário; 3 Aplicação do art. 654 quanto à relevação multa, tendo em vista a ausência de dolo ou dano ao Erário; 4 A manutenção da multa ofende os princípios da proporcionalidade e razoabilidade; É o relatório. 5 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 12 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Denúncia Espontânea A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66. Muito embora compartilhe do entendimento que as agências de carga não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que deve ser adotado o entendimento deste egrégio Conselho, já exposto em diversos acórdãos, como, v.g., o de nº 3401002.443, julgado na sessão de 26 de novembro de 2013. Ocorre que diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Todavia, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que embora não tenha sido objeto de defesa no presente recurso voluntário, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea, matéria de ordem pública que deve ser ponderada. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Consultados os autos, nas planilhas apresentadas pela fiscalização é possível verificar que as declarações foram entregues, todavia em atraso de no máximo 03 (três) dias, não configurando dano algum ao Erário. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código 6 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 12 Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) 7 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 12 No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento. Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Nulidade do auto de infração Entendo que não assiste razão o recorrente na sua insurgência sobre a nulidade do auto de infração por não bem comprovar a conduta da recorrente. A fiscalização apresentou a planilha contendo o número das declarações, a data do embarque a data em que foi enviada a declaração e a que voo pretendia, não se olvidando que estas informações são feitas de forma eletrônica e pelo próprio recorrente. Nestes termos, não havendo o recorrente comprovado que de fato as datas de envio não seriam aquelas que apontados pelo fisco, não logrou êxito em desincumbirse do ônus de comprovar a tempestividade das emissões, por força do art. 333, II, do CPC. Ausência de Dano ao Erário Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. 8 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 12 Multa Singular e o Princípio da Proporcionalidade e Razoabilidade A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra as declarações expedidas as destempo em cada uma das viagens de voo declarações de forma extemporânea, evocando o princípio da razoabilidade de proporcionalidade. Neste ponto, entendo que não há maculas o julgado da DRJ, posto que determinou que em cada voo cujas declarações tenham sido expedidas com atraso deveria ser aplicada multa apenas na proporção de viagens, respeitando a proporcionalidade e razoabilidade ao contrario do que afirma o recorrente. Neste sentido, entendo por interpretar a norma de forma mais favorável sem infringir a legalidade ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN que: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Havendo dúvida sobre capitulação legal do fato deve ser afastada a aplicação da multa. Sobre o tema em comendo, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM 9 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 12 VEÍCULO TRANSPORTADOR. Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN). A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que a penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, deve ser aplicada por viagem e não por declaração de carga, conforme julgou a primeira instância. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para dar provimento ao recurso voluntário, no sentido de reconhecer que uma vez apresentada a declaração está explicita a denúncia espontânea, motivadora da exclusão da multa regulamentar. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator 10 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 12 11 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10280.720770/2008-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INFRAÇÕES APURADAS ADEQUADAMENTE DESCRITAS. INOCORRÊNCIA.
Não há cerceamento ao direito de defesa quando constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu plenamente o seu direito de defesa.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. EVENTUAIS OMISSÕES OU INCORREÇÕES. FALTA DE PRORROGAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Irregularidade na emissão ou na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta a nulidade do lançamento.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DECADÊNCIA. FATO GERADOR. ORIGEM NÃO COMPROVADA. DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. MATÉRIA SUMULADA
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. (Súmula CARF nº 38)
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro.
Numero da decisão: 2201-002.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathália Correia Pompeu (Suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad e Nathália Mesquita Ceia. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INFRAÇÕES APURADAS ADEQUADAMENTE DESCRITAS. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento ao direito de defesa quando constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu plenamente o seu direito de defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. EVENTUAIS OMISSÕES OU INCORREÇÕES. FALTA DE PRORROGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Irregularidade na emissão ou na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta a nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DECADÊNCIA. FATO GERADOR. ORIGEM NÃO COMPROVADA. DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. MATÉRIA SUMULADA O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. (Súmula CARF nº 38) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro.
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CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INFRAÇÕES APURADAS ADEQUADAMENTE DESCRITAS. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento ao direito de defesa quando constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu plenamente o seu direito de defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. EVENTUAIS OMISSÕES OU INCORREÇÕES. FALTA DE PRORROGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Irregularidade na emissão ou na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta a nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DECADÊNCIA. FATO GERADOR. ORIGEM NÃO COMPROVADA. DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. MATÉRIA SUMULADA O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Súmula CARF nº 38) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 07 70 /2 00 8- 92 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathália Correia Pompeu (Suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad e Nathália Mesquita Ceia. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10280.720770/200892 Acórdão n.º 2201002.616 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Neste processo foi lavrado o auto de infração do IRPF, exercícios 2004 e 2005, no qual se apurou o imposto de R$ 616.743,64, acrescido da multa de ofício de 75%, sobre os quais incidem os respectivos juros de mora. As infrações apuradas foram: dedução indevida de dependentes e omissão de rendimento presumidos com base no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996. O interessado apresentou a impugnação, cujos argumentos de defesa foram assim relatados na decisão recorrida: 3.1. Argúi a decadência do lançamento que se reporta ao ano calendário 2003 formalizado no ano de 2008, segundo o que prescreve o art. 150, do CTN, contando se cinco anos a partir dos meses de depósito. 3.2.. Mandado de Procedimento Fiscal não específico viola o princípio da ampla defesa e do devido processo legal. 3.3. Decorridos 120 dias da emissão do MPF o mesmo auditor tornase incompetente para a continuação da fiscalização. Não houve ciência de prorrogações do MPF emitido. 3.4. Movimentação financeira não pressupõe acréscimo patrimonial. Como aferir a presunção de renda em razão da CPMF paga? 3.5. Em procedimento efetuado com base em depósitos bancários de origem não comprovada é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida; Os membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (PA), por meio do Acórdão nº 0120.283 (fls. 233 a 241), de 04 de janeiro de 2011, consideraram a impugnação improcedente. Cientificado, por meio postal, em 22 de fevereiro de 2011 (fl. 244), o contribuinte interpôs o recurso voluntário em 22 de março, no qual repete parcialmente os pontos já arguidos em sede de impugnação, excetuandose a exigência de comprovação da utilização dos valores depositados como renda consumida. É o relatório. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. A impugnação restringese a questões relacionadas à omissão baseada nos depósito bancário, para a qual argui a impossibilidade de se presumir renda em razão da CPMF e a decadência do direito de lançar os fatos geradores ocorridos em 2008, além da nulidade do auto de infração por vícios no MPF e cerceamento do direito de defesa. Não contempla a glosa da dedução com dependentes. Nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa e falta de prorrogação do MPF. O contribuinte centra sua argumentação no fato de o MPF não ser específico, o que violaria os princípios do contraditório e ampla defesa, maculando o devido processo legal no âmbito administrativo. Em seguida, alegando nulidade do lançamento, diz que não teria havido a prorrogação do MPFF originário, ficando o mesmo mandado por mais de 120 dias, do início da fiscalização em 5 de março até a sua conclusão em 10 de novembro de 2008. Tal situação tornaria o auditorfiscal incompetente para o exercício da respectiva fiscalização. Quanto ao cerceamento do direito de defesa, observase que as infrações apuradas foram adequadamente descritas e fundamentadas nas peças acusatórias e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu plenamente o seu direito de defesa meio da impugnação e do recurso. Assim, não se vislumbra no lançamento as hipóteses de nulidade elencadas nos arts. 59, 60 e 61 do Decreto n° 70.235, de 1972, estando o lançamento em total consonância com o disposto no art. 10 do citado Decreto, que define os requisitos obrigatórios do auto de infração, e das disposições contidas no art. 142, do CTN. No que tange ao MPF, a jurisprudência reiterada e uniforme do CARF é de que se trata de um mero instrumento de controle interno da Administração Tributária, e, em razão disso, eventuais omissões ou incorreções não causam nulidade do auto de infração, como se observa nas decisões proferidas pelas turmas da Primeira, da Segunda e da Terceira Sessão de Julgamento e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. De forma exemplificativa, cito os Acórdãos nºs 1402001.360, 110100.812, 110300.626, 1301000.752, 130200.513, 2102 002.305, 3102001.669, 340301.025 e CSRF/0106.028. Como se vê nos autos, o contribuinte foi devidamente cientificado dos diversos termos lavrados pela fiscalização, nos quais foram solicitados documentos e esclarecimentos no desenrolar do procedimento. O auto de Infração contém os fundamentos legais, bem como o demonstrativo de apuração do crédito tributário decorrente das infrações descritas. Os fatos circunstanciados estão claramente postos no Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante do Auto de Infração. Também estão presentes os motivos de fato e de direito, requisitos de validade do ato administrativo, e ao recorrente foi possibilitada a defesa por meio da impugnação e do recurso voluntário. Assim sendo, considerando que as irregularidades na emissão ou prorrogação do MPF não são motivos suficientes para nulidade do lançamento e que não se verifica nos autos Fl. 302DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10280.720770/200892 Acórdão n.º 2201002.616 S2C2T1 Fl. 4 5 qualquer desacordo às normas legais que caracterize cerceamento do direito de defesa, rejeita se as preliminares levantadas pelo contribuinte. Apuração mensal do IRPF O imposto de renda das pessoas físicas é um exemplo clássico de tributo que se enquadra na classificação de complexivo, apurado no ajuste anual. Ou seja, aquele que o fato gerador se completa após o transcurso de um determinado período de tempo e abrange um conjunto de fatos que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade de gerar a obrigação tributária exigível. Assim, embora apurado mensalmente, o IRPF se sujeita ao ajuste anual, apurandose o montante devido ao final do exercício, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual. A base de cálculo do imposto abrange os rendimentos tributáveis recebidos durante o anocalendário, diminuídos das deduções pleiteadas. Para isso, há a declaração de ajuste – art. 85 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). O fato jurídico tributário compreende os rendimentos recebidos no anocalendário findo em 31 de dezembro, ainda que haja a obrigatoriedade do pagamento ou retenção do imposto à medida que tais rendimentos são percebidos. No caso em análise, o requerente foi cientificado do auto de infração em 17 de novembro de 2008. Como os anoscalendários fiscalizados são 2003 e 2004, mesmo adotando se a contagem do prazo decadencial nos termos dispostos no § 4º do art. 150 do CTN, que é a forma mais benéfica ao sujeito passivo, somente no início de 2009 é que decairia o direito de o fisco lançar os tributos referentes ao anocalendário 2003. A polêmica da apuração mensal para a omissão baseada em depósitos bancários foi encerrada neste Conselho com a edição da Súmula CARF nº 38, aprovada pela Segunda Turma da CSRF em sessão de 08 de dezembro de 2009, in verbis: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Não há possibilidade de a turma divergir do enunciado da súmula editada, pois, nos termos do artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, “As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF.” Omissão de rendimentos com base em depósitos bancários O Imposto de Renda das Pessoas Físicas, nos termos o artigo 43 do CTN, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, isto é, de riqueza nova. Entretanto, o legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. E, nesse caso, ante a vinculação do princípio da legalidade que rege a administração pública, tem a fiscalização a obrigação de autuar a omissão no valor dos depósitos bancários creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 Assim está expresso no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela constatação de depósitos bancários, mas pela falta de esclarecimentos por parte do contribuinte quanto à origem dos numerários depositados em suas contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei, resultando na presunção de omissão de rendimentos. As presunções legais invertem o ônus da prova, cabendo ao Fisco comprovar tão somente a ocorrência da hipótese descrita na norma como presuntiva da infração. Nos autos, o contribuinte não apresentou provas, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos valores depositados/creditados nas contas correntes, constante do Termo de Verificação Fiscal (fls. 117 a 121), caracterizando, assim, a omissão de rendimentos, como definida no artigo 42, da Lei 4.930, de 1996, com os limites alterados pelo art. 40 da lei n° 9.481, de 1997, e no artigo 849 e parágrafos do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). Assim, não comprovada a origem dos recursos, deve ser mantido o lançamento. Isto posto, voto em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator Fl. 304DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
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Numero do processo: 12466.003329/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 15/03/2006 a 01/06/2006
VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V.
Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta, conforme previsto no art. 23, inciso V, do Decreto-Lei nº 37/66.
IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETO-LEI Nº 1.455/76.
Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do Decreto-Lei nº 1.455/76.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DA MERCADORIA IMPORTADA. ART. 95, INCISO V, DO DL 37/66.
Responde pela infração conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importador, nos termos previstos no art. 95, inciso V, do Decreto-Lei nº 37/66.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-001.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Daniel Mariz Gudino e Luciano Lopes de Almeida Moraes que davam provimento ao recurso voluntário da Massimex. Conselheiro Daniel Mariz Gudino fará declaração de voto.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Joel Miyazaki - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 15/03/2006 a 01/06/2006 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. Ficam sujeitas a pena de perdimento as mercadorias importadas cuja operação foi realizada por meio de interposição fraudulenta, conforme previsto no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 37/66. IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA NO VALOR DA MERCADORIA. ART. 23, § 3º DO DECRETOLEI Nº 1.455/76. Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/76. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 33 29 /2 01 0- 14 Fl. 2323DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DA MERCADORIA IMPORTADA. ART. 95, INCISO V, DO DL 37/66. Responde pela infração conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importador, nos termos previstos no art. 95, inciso V, do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Daniel Mariz Gudino e Luciano Lopes de Almeida Moraes que davam provimento ao recurso voluntário da Massimex. Conselheiro Daniel Mariz Gudino fará declaração de voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Joel Miyazaki Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Trata o presente processo de auto de infração (fls 1160) lavrado em desfavor de MASSIMEX TRADING LTDA, CNPJ 03.208.672/000185, com sujeição passiva solidária de ALLDIX COMERCIAL LTDA, CNPJ 05.010.453/000112 e ZTE DO BRASIL COMERCIO SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 05.216.804/0001 46. Fl. 2324DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 12466.003329/201014 Acórdão n.º 3201001.852 S3C2T1 Fl. 2.323 3 Conforme descrição dos fatos do auto de infração, o esquema fraudulento envolvendo diversas empresas, entre elas as ora arroladas, foi desfraldado pela Operação XIV BIS, empreendida pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público Federal, com a participação da Receita Federal do Brasil (RFB). Tal esquema acabava por promover a importação de mercadorias estrangeiras ocultando os verdadeiros responsáveis pelas operações. A Massimex promovia as importações supostamente por conta e risco próprio, sendo a Alldix a real importadora (não habilitada junto ao Siscomex). O exportador, in casu, era ZTE Corporation e a destinatária final das mercadorias era sua coligada nacional ZTE do Brasil (também não habilitada junto ao Siscomex, pelo menos à época dos fatos analisados). Utilizavam, ainda, empresas de fachada (Broker RJ, Slot Line, Techno Shop e Directa Net Work) para ficticiamente transitar as mercadorias e fraudar o recolhimento de tributos. Além do não recolhimento dos tributos devido ao sub faturamento do valor aduaneiro, majoravam os valores de comercialização com as empresas de fachada, as quais não recolhiam os tributos, e atribuíam margem de lucro mínima na transferência final, reduzindo o valor a recolher pela ZTE do Brasil. Ainda, a utilização da Massimex, empresa sediada no Espírito Santo, possibilitava a fruição de benefícios relacionados ao Fundap (redução da alíquota do ICMS de 12% para 7%, diferimento desse recolhimento, financiamento de longo prazo de 70% do ICMS recolhido com juros fixos de 1% ao ano e com opção de recompra da dívida em leilões realizados periodicamente, nos quais os contratos eram liquidados, na época dos fatos, por cerca de 15% do saldo devedor). Consta dos autos a apuração de diversas infrações, como a interposição fraudulenta de terceiros, uso de documentos falsos e fraude no valor aduaneiro, o que ensejou: • a cobrança das diferenças relativas aos Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), PIS/PASEP Importação e COFINS Importação, multa e juros de mora devido à apuração do real valor aduaneiro; • o lançamento das multas de ofício agravadas devido ao evidente intuito de fraude, com fulcro no artigo 44, I c/c § Io da Lei n° 9.430/96 para o II, PIS e COFINS, e artigo 80, § 6o, II da Lei n° 4.502/64, com redação dada pela Lei n° 11.488/07, para o IPI; e • a aplicação da penalidade de perdimento de mercadoria, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro devido a sua não localização ou consumo, com base no artigo 618 do Decreto n° 4.543/02. A empresa Massimex apresentou sua impugnação alegando preliminarmente cerceamento de defesa por dificuldades para acessar os autos. No mérito, desfilou uma seqüência de argumentos a seguir apresentados. Segundo a empresa existem três formas para realizar uma importação: direta, por conta e ordem de terceiros e, a partir de 2006, por encomenda. Afirma que realizava suas operações de forma direta, ou seja, por sua Fl. 2325DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 própria conta e risco. Somente recebia o valor dos compradores após a efetivação das vendas e não imaginava que os diversos compradores fossem a mesma pessoa jurídica ou estivessem previamente acordados. Alegou ser estabelecimento equiparado a industrial, agindo sempre de forma clara e sem simulações e que nunca existiu vedação para venda total de uma importação a um único comprador e que, se os compradores agiam de forma desonesta, isso não pode afetar a impugnante. Informa que é de seu interesse que somente empresas cadastradas no Siscomex possam atuar no comércio exterior, sendo que a existência de empresas de fachada é a si prejudicial e que não tem interesse em ocultar ou beneficiar tais empresas. Afirma que do esquema fraudulento descrito podese depreender que era no máximo usada, de forma inocente, pelas outras empresas, sem sequer ter ciência do que acontecia. Simplesmente pesquisava no mercado mercadorias que seriam aceitas e as importava por conta e risco próprios, realizando a venda às empresas participantes do suposto esquema, das quais recebia os devidos pagamentos à vista. Quanto ao valor aduaneiro, não admite qualquer subfaturamento e que os valores utilizados nas Declarações de Importação (DI) foram os efetivamente cobrados pelo exportador. Quanto ao fato de não possuir contratos formais entre a impugnante e a exportadora, alega que a mera ausência de tal formalidade não induz a qualquer fraude pois não é assim que se formaliza compra e venda internacional, que é amparada por um contrato de câmbio e uma fatura, documentos que estariam presentes em todos os processos. Postula, pois, a não cobrança de diferenças tributárias por não haver subfaturamento, além de entender improcedentes as multas agravadas, para cujas aplicações deve o ente fiscalizador comprovar cabalmente a prática dolosa da sonegação, fraude e conluio. Também entende que não há qualquer embasamento fático a respaldar a aplicação da pena de perdimento, menos ainda a sua conversão em multa. Conclui que nos autos há somente ilações que não podem lastrear as autuações. Por fim, pleiteia que as intimações sejam remetidas ao escritório do advogado subscritor da peça de defesa. A impugnação da Alldix postula seja declarada a nulidade do auto de infração por: nunca ter sido notificada a entregar qualquer documento, por abuso de discricionariedade (ou cerceamento de defesa, pois todos os documentos a possibilitar a defesa estariam apreendidos pela Polícia Federal e a empresa não recebeu intimação que a possibilitasse apresentar defesa ao longo do processo) e pelo afastamento do princípio da verdade material (o auto teria sido lavrado por presunção). Defende que não participou de qualquer fraude ou esquema a fim de não pagar ou reduzir valor de impostos e que teria adquirido e vendido todas as mercadorias ao amparo de notas fiscais com os devidos recolhimentos de impostos ao cofres públicos. Reitera que nenhuma fraude houve, até porque as certidões comprovam a existência da empresa Techno Shop. Alega que não poderia saber que as empresas participantes do esquema seriam de fachada, pois, a princípio, estavam regulares perante a Receita Federal, Serasa e Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo. Quanto aos preços, nada teria sido comprovado acerca de utilização de valores subfaturados). Também entende que as Fl. 2326DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 12466.003329/201014 Acórdão n.º 3201001.852 S3C2T1 Fl. 2.324 5 multas aplicadas teriam caráter confíscatório por demasiadamente excessivas e desproporcionais. Solicita que, em não se entendendo pela insubsistência total da autuação, sejam afastadas as multas e a aplicação da taxa Selic. Protesta pela possibilidade de apresentação posterior de prova documental, perícia técnica e que a Impugnante seja intimada para tanto. Ainda, requer que as intimações sejam remetidas ao escritório da advogada subscritora da peça de defesa. Em sua peça de defesa, a ZTE do Brasil alega cerceamento de defesa por ter recebido tãosomente cópia do auto de infração, não instruído com quaisquer documentos e provas que teriam fundamentado o ato administrativo, inclusive o Mandado de Procedimento Fiscal MPF que deu origem aos procedimentos. Afirma que a autuação se deu com uso desmedido de presunções e com desconsideração da obrigação da autoridade fiscal guiar se pela busca da verdade material, restando ausente fundamentação fática e jurídica para atribuirlhe responsabilidade solidária. Pretende ser reconhecida como vítima e não como partícipe do suposto esquema fraudulento. Alternativamente, pleiteia que, como terceiro de boa fé, em não se afastando integralmente sua responsabilidade, sejalhe somente exigido o pagamento da parcela de tributo, juros e multas moratórias não recolhidos em operação relativa aos produtos que tenha adquirido. Ainda, solicita cópias integrais dos documentos que instruíram a autuação ou irrestrita vista à integralidade dos documentos e informações que compõem o auto de infração e devolução do prazo para apresentação de impugnação complementar. Foi declarada a revelia da impugnação protocolada pela ALlDIX pela unidade preparadora Alfândega do Porto de Vitória (fl. 1847). A impugnação foi apresentada na Derat São Paulo em 2612011, encaminhada a Vitória em 2712011, que, por sua vez, enviou a peça de defesa em 332011 a esta DRJ Florianópolis. A tempestividade será devidamente analisada como preliminar no voto do relator." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não conheceu a impugnação da Alldix em razão da intempestividade e negou provimento às impugnações apresentadas pela Massimex e pela ZTE. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 15/03/2006 a 01/06/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não configura cerceamento do direito de defesa quando o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação encontram plenamente assegurados. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. Fl. 2327DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 E lícito ao Fisco Federal valerse de informações colhidas por outras autoridades fiscais, administrativas ou judiciais para efeito de lançamento, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. PROVAS INDICIÁRIAS. A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, em regra, por uma de duas vias: ou por uma prova única, direta, concludente por si só; ou por um conjunto de elementos/indícios que, se isoladamente pouco atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. IMPEDIMENTO DE APRECIAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O protesto pela juntada posterior de documentação não obsta a apreciação da impugnação e somente é possível em casos especificados na lei. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 15/03/2006 a 01/06/2006 DANO AO ERÁRIO. UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO FALSA NO DESPACHO DE IMPORTAÇÃO. PERDIMENTO DA MERCADORIA. CONVERSÃO EM MULTA. Localizados os documentos verdadeiros não utilizados no curso do despacho de importação, aplicável a pena de perdimento às mercadorias objeto das DI. Não localizada ou consumida a mercadoria, convertese a, pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro real, o que não tem o condão de afastar a incidência do Imposto de Importação. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. SOLIDARIEDADE PASSIVA. Comprovada a participação de terceiros em esquema fraudulento de interposição de pessoa para importação de mercadorias, respondem pelas infrações o importador e demais empresas participantes da fraude. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 15/03/2006 a 01/06/2006 VALOR ADUANEIRO SUBFATURADO. DIFERENÇA DE II A RECOLHER. Verificada a utilização de valores aduaneiros subfaturados, deve ser o II recalculado e recolhidos os valores das diferenças apuradas, multa e juros de mora. FRAUDE. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Comprovada a utilização de esquema fraudulento de interposição de pessoa para importação, aplicável a multa de ofício agravada no percentual de 150%. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 15/03/2006 a 01/06/2006 VALOR ADUANEIRO SUBFATURADO. DIFERENÇA DE IPI A RECOLHER. Verificada a utilização de valores aduaneiros subfaturados, deve ser o II recalculado e recolhidos os valores das diferenças apuradas, multa e juros de mora. FRAUDE. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Comprovada a utilização de esquema fraudulento de interposição de pessoa para importação, aplicável a multa de ofício agravada no percentual de 150%. Fl. 2328DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 12466.003329/201014 Acórdão n.º 3201001.852 S3C2T1 Fl. 2.325 7 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 15/03/2006 a 01/06/2006 VALOR ADUANEIRO SUBFATURADO. DIFERENÇA DE COFINS A RECOLHER. Verificada a utilização de valores aduaneiros subfaturados, deve ser o II recalculado e recolhidos os valores das diferenças apuradas, multa e juros de mora. FRAUDE. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Comprovada a utilização de esquema fraudulento de interposição de pessoa para importação, aplicável a multa de ofício agravada no percentual de 150%. Período de apuração: 15/03/2006 a 01/06/2006 VALOR ADUANEIRO SUBFATURADO. DIFERENÇA DE PIS/PASEP A RECOLHER. Verificada a utilização de valores aduaneiros subfaturados, deve ser o II recalculado e recolhidos os valores das diferenças apuradas, multa e juros de mora. FRAUDE. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Comprovada a utilização de esquema fraudulento de interposição de pessoa para importação, aplicável a multa de ofício agravada no percentual de 150%. Impugnação Improcedente.” Cientificada, as 3 (três) empresas interpuseram recursos voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação. No seu recurso voluntário a empresa Alldix não apresenta nenhuma alegação quanto a intempestividade da sua impugnação deliberada no acórdão da primeira instância. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Inicialmente por tratarse de questão preliminar passo a análise dos requisitos de admissibilidade para apreciação do recurso. Consultando os argumentos apresentado pela empresa Alldix, não existe nenhum questionamento quanto a decisão de piso, que não conheceu da sua impugnação em razão da intempestividade. Considerando que o litígio administrativo nasce com a impugnação válida, sendo a impugnação intempestiva não foi instaurado o litígio administrativo e portanto, o recurso voluntário apresentado não pode ser conhecido. Quanto aos recursos voluntários protocolados pelas empresas Massimex e ZTE, por atenderem os pressupostos legais, merecem ser conhecidos. Em razão dos argumentos apresentados pelas duas recorrentes se referirem aos mesmos fatos, já que constam do processo como solidários, farei a análise dos recursos em conjunto. Fl. 2329DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 8 Ofensa a princípios constitucionais e vícios no ato administrativo do lançamento Inicialmente afasto as alegações de ofensa aos princípios constitucionais que não são possíveis de apreciação por parte deste colegiado, em razão da sua incompetência para decidir sobre a constitucionalidade de lei tributária. Conforme a súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Em sede preliminar é alegada a existência de vícios no ato administrativo que não teria atendido aos requesitos de motivação e finalidade. Não vislumbro assistir razão as alegações dos recursos. O auto de infração teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federa, fartamente detalhada em relatório fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade autuante a lavratura do auto de infração. As Recorrentes foram cientificadas da exigência fiscal e apresentaram impugnações que foram apreciados em julgamento realizado na primeira instância. Irresignadas com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocoloram recursos voluntários, rebatendo as posições adotadas pela autoridade de primeira instância, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto quanto ao lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. Da aplicação da pena de perdimento para mercadorias importadas por conta e ordem de terceiros A lide gira em torno da exigência de tributos devidos na importação de mercadorias, em razão de subfaturamento cominado com a aplicação de multa agravada e da conversão em multa da pena de perdimento aplicada a mercadorias importadas por intermédio de interposição fraudulenta, ao arrimo que a empresa importadora Massimex teria realizado as operações em nome de empresas de fachada, sob o controle da Alldix, sendo este fato, ocultado dos controles legais pertinentes. As autuadas, em sua defesa, alegam a licitude dos recursos utilizados e a atuação de boafé nas operações, estando assim, sofrendo a imputação de uma fraude que não existe. Fl. 2330DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 12466.003329/201014 Acórdão n.º 3201001.852 S3C2T1 Fl. 2.326 9 É necessário esclarecer que diferente de outros casos já discutidos neste conselho, o fato que aqui se apresenta, não é de falta de comprovação de origem dos recursos. O que deu origem ao lançamento são as operações de importação da Massimex, que segundo a Fiscalização Aduaneira, teriam ocorrido em razão de um esquema orquestrado pela Alldix para diminuir os tributos devidos e ocultar dos controles aduaneiros os reais adquirentes das mercadorias importadas. No caminho para esclarecer os fatos faço um breve relato sobre a legislação e os conceitos aduaneiros envolvidos nas operações de comércio exterior, a ocultação de intervenientes e a interposição fraudulenta. O controle aduaneiro, a ocultação dos intervenientes e a interposição fraudulenta O controle aduaneiro é matéria relevante em todos os países e a comunidade internacional busca de forma incessante o controle das mercadorias importadas, de forma a garantir a segurança e a concorrência leal dentro das regras econômicas e tributárias. Desde da edição do DecretoLei 37/66, o Brasil busca coibir as irregularidades na importação. Este diploma legal, determinava a conferência física e documental da totalidade das mercadorias importadas. Com o crescimento da economia nacional, a crescente integração do País no plano internacional e o aumento significativo das operações de comércio exterior. O Estado Brasileiro, decidiu modificar os controles que até então vinha exercendo sobre a importação, desenvolvendo controles específicos que se adequassem ao incremento das operações na área aduaneira. A solução veio com a entrada em produção do Siscomex Importação em janeiro de 1997. A partir deste sistema, os controles de despacho aduaneiro de importação passaram a utilizar canais de conferência, que determinaram níveis diferentes de controles aduaneiros. Desde um controle total durante o despacho aduaneiro, com conferência documental, física das mercadorias e avaliação do valor aduaneiro até a um nível mínimo de conferência. Ao modernizar o seu sistema de controle aduaneiro o País flexibilizou o controle individual das mercadorias importadas, mas, dai nasceu a necessidade de também trabalhar o controle em nível de operadores de comércio exterior. A partir desta premissa foram definidos controles aduaneiros em dois momentos distintos. O primeiro, anterior a operação de importação, quando é exigido uma habilitação prévia da empresas interessada em operar no comércio exterior. Este controle busca avaliar a idoneidade daquelas empresas que pretendem operar no comércio, e atualmente esta disciplinado na Instrução Normativa da SRF nº 228/2002. Apesar deste controle ser preferencialmente em momento anterior as operações. Existem situações em que não é suficiente para impedir operações irregulares. Para coibir estas irregularidades a Fiscalização Aduaneira também atua em momento posterior ao desembaraço aduaneiro, buscando identificar irregularidades nas operações realizadas. O caminho adotado vem sendo o de confirmar a idoneidade das empresas envolvidas nas operações e investigar a origem do recursos utilizados. A ocultação dos reais intervenientes ou a falta de comprovação da origem dos recursos configura, por força legal, dano ao erário, punível com a pena de Fl. 2331DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 10 perdimento das mercadorias, nos termos definidos no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76. "Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)" O art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76 trata de duas situações distintas a primeira de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação e outra a interposição fraudulenta de terceiros que pode ser comprovada ou presumida nos termos previstos no art. 22, § 2º, do Decretolei nº 1.455/76. A existência de uma das duas situações, quando comprovadas pelo Fisco, ensejam a aplicação da penalidade de perdimento. Matéria que suscita controversa é se a comprovação da origem dos recursos, utilizados na operação de comércio exterior, afastaria a aplicação de penalidades. Tal argumento não encontra respaldo na legislação que disciplina a matéria. Nos termos do art. 23, inciso V do DecretoLei nº 1.455/76, o dano ao erário, punido com a pena de perdimento da mercadoria, ocorre quando a informação sobre os reais responsáveis pela operação de importação é deliberadamente ocultada dos controles fiscais e alfandegários, por meio de fraude ou simulação. A partir da determinação legal é inconteste que se a Fiscalização Aduaneira prova que determinada operação declarada ao Fisco não corresponde a realidade dos fatos, resta evidenciada o dano ao erário e o perdimento da mercadoria. Fl. 2332DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 12466.003329/201014 Acórdão n.º 3201001.852 S3C2T1 Fl. 2.327 11 A comprovação da origem dos recursos afasta a presunção da interposição fraudulenta, mas de forma alguma é suficiente para afastar as outras previsões da norma que trata da ocultação dos reais intervenientes na operação de importação. Quando a origem dos recursos não esta comprovada presumese a interposição fraudulenta, quando comprovada nos autos, cabe a Fiscalização provar a ocultação dos reais adquirentes da operação de importação, para a aplicação da penalidade de perdimento das mercadorias nos termos do art. 22 do DecretoLei nº 1.455/76. É mister salientar, que não são todas as operações por conta e ordem de terceiros são consideradas infração aduaneira. O art. 80 da Medida Provisória nº 2.15835/01 estabeleceu a possibilidade de pessoas jurídicas importadoras atuarem em nome de terceiros por conta e ordem destes. Os procedimentos a serem seguidos nestas operações estão atualmente disciplinados na IN SRF nº 225/02. Considerando a possibilidade de importações, com a intervenção de terceiros, fato previsto em lei e disciplinado pela Receita Federal, torna mais forte a pena a ser aplicada quando importador e real adquirente, utilizando de fraude ou simulação oculta esta operação do conhecimento dos órgãos de controle aduaneiro, visto que, o fato de não seguir as determinações normativas para as importações por conta e ordem, acarretam prejuízo aos controles aduaneiros, fiscais e tributários. A par de toda a discussão sobre a aplicação da pena de perdimento da mercadoria por dano ao erário, a matéria ainda não fica totalmente resolvida, visto que em determinadas situações, a pena de perdimento por diversos motivos não pode ser aplicada. Aqui temos um empecilho ao cumprimento da norma, já que impedida de aplicar o perdimento, se não existir outra pena possível, equivaleria a uma ausência de punibilidade, o que poderia além do prejuízo não ser ressarcido, estimular futuros atos ilícitos, diante da não aplicação da pena aos infratores. Tal fato não ficou desconhecida pelo legislador, que de forma lúcida, criou a possibilidade da conversão da pena de perdimento em multa, no valor de 100% do valor da mercadoria, conforme previsto art. 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76. Diante do arcabouço legal que trata a matéria, fica cristalino a procedência da aplicação da pena de perdimento, nas situações em que for comprovada a ocultação dos reais adquirentes da operação de importação, bem como a conversão da pena de perdimento em multa. Tal posição já é matéria assentada neste Conselho, conforme se verifica nos acórdãos nº 9303001.632, 320100.837 e 310200.792. Resolvida a questão da legalidade da imputação, passo a analisar a situação fática que culminou na aplicação da penalidade ora combatida. A operação de importação realizada pela Massimex e o envolvimento da empresa Alldix. A fiscalização identificou, amparada em diversos informações e documentos fiscais, a relação da Massimex com empresas que orquestraram um esquema para ocultar das autoridades aduaneiras os reais adquirentes da mercadoria importada. O trabalho da auditoria da receita federal foi detalhado e consegue comprovar de forma inequívoca o modo de operação. A seguir detalho informações extraídas do relatório fiscal, que motivaram a Fl. 2333DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 12 exigência fiscal, que corroboram o entendimento adotado pela Fiscalização Aduaneira para motivar a exigência fiscal. i) O esquema fraudulento que originou o lançamento controlado no presente processo foi apurado pela Operação XIV BIS, que foi objeto de atuação por diversos órgãos da administração pública. (fls. 49 a 50) "No centro do esquema está a empresa ALLDIX COMERCIAL LTDA, CNPJ 05.010.453/000112, identificada como a real importadora do esquema. Essa empresa promovia a importação de mercadorias estrangeiras, negociando com os exportadores, sem nunca ter sido habilitada pela RFB para operar no Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX). Isso significa dizer que a ALLDIX nunca pôde registrar Declarações de Importação no SISCOMEX. Para isso, se valia de trading companies domiciliadas no Estado do Espírito Santo, que registravam as operações como se fossem por conta e risco próprio, quando na verdade estavam ocultando os verdadeiros responsáveis pela operação." ii) O esquema fraudulento utilizado para a ocultação dos reais adquirentes e a redução indevida dos tributos devidos foi claramente identificada pela Fiscalização. (fls. 51 a 52) "Nas investigações, foi identificado que a ALLDIX utilizava 03 (três) tradings capixabas, para pulverizar as operações e dificultar a identificação das irregularidades por parte do fisco. Uma dessas tradings é a empresa ora autuada. As outras duas tradings não serão mencionadas neste Auto de Infração para preservar o sigilo. Essas tradings declaravam as importações em seu nome, logo, as demais empresas, de forma fraudulenta e simulada, afastavamse do pólo passivo da obrigação tributária constituída pela ocorrência do fato gerador do IPI, qual seja, o desembaraço aduaneiro das mercadorias. Assim, essas empresas não de creditavam do IPI na entrada das mercadorias, porém também se eximiam do pagamento do IPI relativo à saída das mercadorias do seu estabelecimento. É o que se costuma chamar de "quebra da cadeia do IPI". Após a nacionalização, as tradings emitiam notas fiscais de saída em nome de uma série de empresas identificada como de "fachada". Essas empresas serviam para novamente pulverizar as operações, dando a impressão que se tratavam de operações normais no mercado interno, quando na verdade essas empresas foram posteriormente identificadas pela RFB como inexistentes de fato. Além disso, essas empresas intermediárias serviam para fornecer mais uma camada de ocultação, afastando ainda mais a ALLDIX da ocorrência do fato gerador e dificultando sua identificação como real importadora das mercadorias. Posteriormente eram emitidas notas fiscais de saída das empresas de "fachada" tendo como destinatária a ALLDIX. Importante destacar que o esquema não se limitava a causar Fl. 2334DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 12466.003329/201014 Acórdão n.º 3201001.852 S3C2T1 Fl. 2.328 13 dano ao erário relativo aos tributos incidentes nas importações subfaturadas e à quebra da cadeia do IPI. Também eram sonegados os tributos incidentes sobre o lucro e sobre o faturamento, pois as notas fiscais de saída das empresas de "fachada" tinham preços majorados, próximos ao preço pelo qual posteriormente a ALLDIX repassava os produtos. Sendo assim, o lucro aparente da ALLDIX nessas operações era mínimo, e como as empresas de fachada não recolhiam nem declaravam nenhum tributo, o fisco ficava "a ver navios". Por fim, as mercadorias eram repassadas aos destinatários finais da cadeia fraudulenta. Algumas dessas empresas eram coligadas de grandes grupos multinacionais, sendo que os exportadores estrangeiros eram empresas do mesmo grupo, ou seja, o esquema de interposição, em grande parte, cuidava de nacionalizar mercadorias produzidas por ou cujas marcas pertenciam a grandes grupos multinacionais e repassálas às coligadas nacionais. As coligadas nacionais identificadas na presente ação fiscal são: THOMSON MULTIMÍDIA LTDA (CNPJ N° 02.773.531/000142) e ZTE DO BRASIL COMERCIO SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES LTDA (CNPJ N° 05.216.804/000146)." iii) Pesquisa realizada nos sistemas informatizados da Receita Federal demonstram que as empresas de "fachada" constavam na situação de INAPTA ou BAIXADA. (fl. 55) "As mercadorias nacionalizadas ao respaldo das Declarações de Importação investigadas pela presente ação fiscal foram repassadas, logo após o desembaraço, para empresas identificadas como de "fachada". Tais empresas constam atualmente com a situação INAPTA ou BAIXADA no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), conforme Tabela 3. ... Além da inexistência constada pela RFB, as provas que serão abordadas no decorrer deste Auto de Infração demonstraram que a atuação dessas empresas nas operações em tela foi como meras empresas de "fachada". Isso não bastasse, os indícios levantados em pesquisas realizadas nos sistemas de informação da RFB demonstram que a situação irregular dessas empresas perduram desde o início de suas operações." iv) Diligência na empresa Massimex comprova a venda dos produtos às empresas de "fachada" eram emitidas imediatamente após o desembaraço. (fls. 61 a 62) "Ao final desta diligência, restou comprovado que as Notas Fiscais destinadas às empresas de "fachada" eram emitidas logo Fl. 2335DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 14 após o desembaraço, e que, para cada Declaração de Importação identificada, toda a carga foi "vendida" para uma só empresa, como pode ser visto na Tabela 5 abaixo. Portanto, ficou claro que as vendas eram todas prédeterminadas e exclusivas para as empresas de "fachada", principalmente para a TECHNO SHOP LTDA, constituindo um forte indício que as operações não eram por conta e risco próprio, como declarado nas Declarações de Importação, o que motivou a instauração do presente procedimento fiscal." v) Ações fiscais realizadas pela Inspetoria da Receita Federal no Rio de Janeiro, realizadas por força de requisição judicial advinda da 1ª Vara Criminal Federal de Campinas, comprovam o modus operandi das empresas envolvidas no esquema apurado na operação XIV Bis. (fl. 64 a 65) "A Alfândega do Porto de Vitória recebeu relatório elaborado na Inspetoria da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro IRF/RJ ( fls 308 ) sobre a conclusão de dois procedimentos fiscais instaurados naquela Inspetoria, ao respaldo dos MPF Regionais 0715400.2009.003019 (fls 316) e 0715400.2009.003000 (fls 371), em face de duas tradings sediadas no Estado do Espírito Santo. Acompanharam o relatório cópias dos elementos de prova e demais informações levantadas durante as ações fiscais. Os procedimentos fiscais foram instaurados em razão de requisição judicial (fls 318 e 373), proferida pelo juízo da Ia Vara Criminal Federal de Campinas Especializada em Crimes Contra o Sistema Financeiro e Lavagem de Valores, em virtude de ação penal distribuída e recebida naquele juízo. Analisando o resultado dessas ações fiscais, verificouse que foram autuadas as mesmas operações de importação que foram identificadas pelas diligências citadas no tópico 4.1.2 (Tabela 6 e Tabela 7) deste Auto de Infração, ou seja, importações que foram declaradas como por conta e risco próprios pelas trading companies e que depois foram repassadas para uma das empresas de "fachada" identificadas na Operação 14 Bis, a TECHNO SHOP LTDA. Os procedimentos fiscais evidenciaram infrações de duas naturezas: i) a fraude de valor, em razão da prática sistemática em reduzir a base tributável dos gravames aduaneiros; ii) a cessão de nome das empresas fiscalizadas, com o intuito fraudulento de ocultar o real adquirente das mercadorias, identificado como sendo a sociedade empresária ALLDIX COMERCIAL LTDA. Nessas ações ficais também foram obtidas faturas dos exportadores estrangeiros que comprovaram o subfaturamento dos valores declarados nas Declarações de Importação. As provas colhidas pela IRF/RJ motivaram a instauração da presente ação fiscal, haja vista as claras evidências de que a MASSIMEX se valia do mesmo modus operandi. Parte dessas provas, em tempo de obedecer ao principio do contraditório e da ampla defesa, também instruem o presente Auto de Infração, por demonstrarem de forma cabal a prática reiterada pelas Fl. 2336DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 12466.003329/201014 Acórdão n.º 3201001.852 S3C2T1 Fl. 2.329 15 empresas envolvidas dos ilícitos identificados, comprovando que se tratava de um verdadeiro esquema fraudulento do qual, conforme restou comprovado na presente ação fiscal, a MASSIMEX participou. Cada uma das ações fiscais empreendidas pela IRF/RJ identificou ilícitos nas importações de produtos proveniente de dois exportadores estrangeiros: a THOMSOM TELECOM e a PALM ONE INC." vi) A existência de contrato elaborado entre a empresa ZTE DO BRASIL e ALDIXX que tratava de acordo comercial para realização de importações. (fl. 86) "Por fim, em 07/10/2010, a ZTE DO BRASIL compareceu novamente perante esta fiscalização e apresentou contratos (fls 697). Dentre os contratos apresentados, havia um contrato firmado com a ALLDIX COMERCIAL (fls 699), documento intitulado ACORDO COMERCIAL (Contrato n° 3.3.6). Nesse contrato, no item 2.1, a ALLDIX COMERCIAL declara ter condições legais para realizar as operações de importação e respectivo despacho aduaneiro das mercadorias, contando com empresas coligadas e/ou parceiras regularmente cadastradas junto ao SECEX e ao BANDES. No item 3.1 é estabelecido que o objeto do contrato é "processar pedidos de importação ... efetivando as importações nos termos e condições ora pactuados, compra e venda de mercadorias, admissão temporária ou entreposto aduaneiro". Resta claro que a ALLDIX atuou no mercado interno como importadora, sem nunca ter sido habilitada no SISCOMEX, portanto, estava impedida de registrar qualquer operação no comércio exterior. Na mesma situação se encontrava a ZTE DO BRASIL, que só foi habilitada em 08/08/2006, portanto, também não podia figurar como adquirente nas Declarações de Importação. Sendo assim, só foi possível promover as importações das mercadorias posteriormente repassadas para a ZTE DO BRASIL através da interposição fraudulenta, onde a ALLDIX COMERCIAL e a ZTE DO BRASIL permaneceram ocultas na operação, não se apresentando, respectivamente, como importador e adquirente das mercadorias. As Declarações de Importação foram registradas como operações por conta e risco próprias pela Autuada, que cedeu o nome." Os exemplos aqui apresentados, não citam todas as apurações realizadas pela Fiscalização, mas comprovam a existência de um esquema fraudulento, com objetivo de ocultar dos controles aduaneiros os reais adquirentes das mercadorias e ainda, reduzir de forma indevida os tributos devidos. Fl. 2337DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 16 É inequívoco que as operações foram realizadas por encomenda. A Massimex atuava como uma intermediária junto à autoridade aduaneira, realizando importações previamente negociadas, com vendas vinculadas a empresas de "fachada" que completavam as operações revendendo as mercadorias a empresa Alldix, que determinava o destino final de acordo com os reais adquirentes das importações. A fraude no valor aduaneiro declarado e a exigência dos tributos devidos sobre a diferença apurada A Fiscalização Aduaneira, durante os procedimentos de auditoria, identificou a prática contumaz de ocultação do real adquirente das mercadorias e da utilização de artifícios dolosos para a redução dos tributos devidos. Neste caminho identificou os reais valores praticados nas operações de importação e que os valores declarados ao Fisco foram em montante inferior ao praticado, o que ensejou a lavratura de auto de infração para exigência dos tributos que não foram recolhidos diante deste artifícios. A justificativa e as provas estão demonstradas no Relatório Fiscal, do qual extraio os trechos abaixo, que ao meu sentir, comprovam a irregularidade nos valores declarados ao Fisco. "No presente caso, por tudo que foi demonstrado, restou comprovado que a Autuada participou de forma ativa de um esquema fraudulento de ocultação do efetivo importador e adquirente das mercadorias em operações de importação, nas quais foram declarados valores substancialmente inferiores em relação aos preços efetivamente praticados. Evidenciada a conduta fraudulenta da Autuada, tendo sido identificado o verdadeiro valor de transação praticado, devem ser apurados os valores dos tributos a serem lançados de ofício, bem como a aplicação da pena de perdimento convertida em multa deve incidir sobre o verdadeiros valores aduaneiros, que serão determinados a seguir. Os verdadeiros valores de transação foram devidamente identificados e comprovados através das faturas verdadeiras {comercial invoices) apreendidas durante a Operação XIV Bis, e obtidas por esta fiscalização junto à Justiça Federal, conforme delineado no Tópico 5.4. Para a DI 06/02973135, cuja fatura verdadeira não foi identificada na documentação apreendida, utilizamos a Planilha de Formação de Custo (fls 890) da importadora de fato ALLDIX COMERCIAL, indicando a venda dos produtos à ZTE DO BRASIL, a real adquirente das mercadorias. Nessa planilha, consta o preço FOB em Reais e a Taxa de Câmbio, possibilitando calcular o Valor VMLE em Dólares Americanos. Sendo assim, inicialmente, apresentamos na Tabela 10 abaixo os valores declarados em cada Declaração de Importação, sendo cotados em dólar e moeda nacional, realizada a conversão na data do fato gerador da obrigação tributária." As Recorrentes, ao questionarem os valores apurados pela Fiscalização, alegam que as provas obtidas não são suficientes para comprovar a diferença apurada. Entendo não assistir razão ao recurso. A Fiscalização demonstra de forma clara e com provas Fl. 2338DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 12466.003329/201014 Acórdão n.º 3201001.852 S3C2T1 Fl. 2.330 17 suficientes, as diferenças entre os preços declarados e os preços praticados. As Recorrentes não apresentam documentos que possa contradizer os argumentos apresentados pelo Fisco, limitamse a afirmar a procedência dos valores declarados, entretanto, não apresentam nenhum fato que possa ilidir o trabalho fiscal. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. O despacho foi motivado pelas provas obtidas pelo Fisco que comprovam a diferença entre os valores declarados e aqueles realmente praticados nas operações de importação. As Recorrentes para contrapor as argumentações e provas trazidas pela Fiscalização necessitam identificar, de forma cristalina e comprovada, os reais valores praticados, trazendo os documentos necessários para embasar a sua afirmação, que podem ser contratos comerciais, trocas de mensagens, cartas emitidas entre fornecedor e adquirentes e tantos outros documentos que poderiam ser apresentados para justificar o valor declarado ao fisco. Entretanto, as Recorrentes não apresentam nenhum documento que possa comprovar as suas afirmações. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória não é suficiente para alterar a exigência fiscal. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 A solidariedade das empresas Alldix e ZTE em relação às operações de importação da Massimex Verificando todo o arcabouço de provas, constante dos autos, fica evidente o conhecimento das empresas Massimex, Alldix e ZTE nas operações realizadas e da fraude ocorrida para ocultação dos reais adquirentes das mercadorias. Conforme já demonstrado, a ocultação dos operadores reais nas Declarações de Importação estão plenamente confirmadas nas informações e documentos apurados pela Auditoria Fiscal, onde são detalhadas as operações e responsabilidade de cada um das partes nas operações. Existindo o conhecimento das empresas autuadas nas importações, não há como afastar a responsabilidade nas operações realizadas. Firme neste entendimento devese aplicar as determinações expressas do artigo 95, inciso I e V, do Decretolei nº 37/66, que responsabiliza o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem. " Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 2339DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 18 II conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; III o comandante ou condutor de veículo nos casos do inciso anterior, quando o veículo proceder do exterior sem estar consignada a pessoa natural ou jurídica estabelecida no ponto de destino; IV a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria. V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)(grifo nosso) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006) Conclusão As conclusões da Fiscalização Aduaneira sobre a vinculação das importações das empresas Massimex, Alldix e ZTE são baseadas em procedimento de investigação detalhado e com fundamentos robustos, não há como afastar após os relatos e informações obtidos, que existia a compra dos produtos importados com intervenção direta da empresa Alldix e ZTE, sendo a empresa Massimex uma prestadora de serviços que viabilizava as operações de importação das mercadorias. Diante do conjunto de fatos e documentos trazidos aos autos é importante ressaltar, que a penalidade que esta sendo imputada às empresas dizem respeito a ocultação dos reais adquirentes da operação de comércio exterior por meio de fraude e simulação. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário apresentado pela empresa Alldix e negar provimento aos recursos das empresas Massimex e ZTE. (ASSINADO DIGITALMENTE) Winderley Morais Pereira Declaração de Voto Fl. 2340DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 12466.003329/201014 Acórdão n.º 3201001.852 S3C2T1 Fl. 2.331 19 Conselheiro Daniel Mariz Gudiño A despeito do brilhante voto do relator, ouso dele discordar especificamente no tocante à aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro sobre a Massimex. A referida multa está prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455, de 1976, e resulta da impossibilidade de se aplicar o perdimento das mercadorias importadas de forma fraudulenta. Não discordo da análise de que a Massimex teria participado do esquema do qual a Alldix e a ZTE do Brasil se locupletaram. Minha divergência diz respeito ao destinatário da multa prevista no dispositivo legal supracitado. A meu ver, se a pena de perdimento é direcionada ao real adquirente das mercadorias importadas de forma fraudulenta, a multa resultante da conversão da pena de perdimento não pode ter outro destinatário. Isso porque é o real adquirente das mercadorias importadas que se beneficia da sua ocultação por terceiros. Obviamente o importador realizará uma operação de comércio exterior e ganhará algo por isso, mas tal ganho é residual se comparado ao ganho do real adquirente das mercadorias importadas fraudulentamente. Penso que o importador que cede o seu nome para o real adquirente ser acobertado pode sofrer duas sanções excludentes entre si, a saber: se tem capacidade econômica, é devida a multa do art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007; se não tem capacidade econômica, é declarada inapta a sua inscrição no CNPJ, nos termos do art. 81 da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002. É verdade que o art. 727, § 3º, do Decreto nº 6.759, de 2009, prevê que a multa por cessão de nome não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias na importação ou na exportação. Logicamente, também não poderia inibir a aplicação da multa resultante da conversão do perdimento. Disso não divirjo; a minha discordância reside na interpretação desse dispositivo. Isso porque, na minha visão, a multa por cessão de nome é devida exclusivamente pelo importador com capacidade econômica, ao passo que a pena de perdimento ou a multa correspondente é devida exclusivamente pelo real adquirente. Pensar de forma diversa acarreta injustiças. O importador pode ser penalizado com multas que, somadas, totalizam 110% do valor aduaneiro das mercadorias, ao passo que a penalidade máxima aplicável ao real adquirente é o perdimento das mercadorias ou uma única multa de 100% do seu valor aduaneiro. Em outras palavras, quem mais se beneficia da interposição fraudulenta na importação pode ter uma penalidade mais branda do que o importador que apenas cede o seu nome para acobertar o beneficiário da operação de comércio exterior. Também merece consideração o art. 95 do DecretoLei nº 37, de 1966, que imputa responsabilidade conjunta ou isolada para quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie. Uma leitura apressada desse dispositivo poderia legitimar a interpretação de que a penalidade imposta ao real adquirente da mercadoria poderia ser cobrada conjunta ou isoladamente do importador. Fl. 2341DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 20 Não é disso que se trata. Quando o legislador quis estabelecer essa responsabilidade conjunta ou isolada para o adquirente da mercadoria e o importador, ele o fez expressamente. Isso fica muito claro nos incisos V e VI do art. 95 do DecretoLei nº 37, de 1966, a saber: Art.95 Respondem pela infração: [...] V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. ( Incluído pela Medida Provisória n o 2.15835, de 2001 ) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. ( Incluído pela Lei n o 11.281, de 2006 ) Assim, com todas as vênias que merece o entendimento contrário, concluo que a única pena que poderia ser aplicada à Massimex é a multa de 10% prevista no art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, uma vez que realizou importação por conta própria, cedendo, pois, o seu nome, em razão de a ZTE do Brasil não dispor de habilitação no RADAR. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Fl. 2342DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digita lmente em 11/03/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 13601.000398/2002-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
Ementa:
RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO - A não apuração do crédito presumido com base no custo integrado obriga a que sejam considerados os estoques inicial e final dos insumos adquiridos, bem como as transferências realizadas no período de referência. "
RESSARCIMENTO. CREDITO PRESUMIDO. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA E TRANSPORTE.
os gastos com aquisição de energia elétrica e com serviços de transporte não podem ser incluídos como MP, PI e ME para fins da apuração de créditos com base na Lei n.º 9.363/1996.
RESSARCIMENTO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. Malgrado exijam trabalhos posteriores de usinagem, os produtos 'Bruto forjado para engrenagem' e 'Bruto forjado para cubo embreagem', ao saírem do estabelecimento da contribuinte, já apresentam as formas ou os perfis das engrenagens deles resultantes, pelo que, utilizando-se da Regra 2º do Sistema Harmonizado e de sua nota explicativa, classificam-se no código fiscal 84.83.40.90.
Numero da decisão: 3401-002.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
EDITADO EM: 05/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 Ementa: RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO A não apuração do crédito presumido com base no custo integrado obriga a que sejam considerados os estoques inicial e final dos insumos adquiridos, bem como as transferências realizadas no período de referência. " RESSARCIMENTO. CREDITO PRESUMIDO. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA E TRANSPORTE. os gastos com aquisição de energia elétrica e com serviços de transporte não podem ser incluídos como MP, PI e ME para fins da apuração de créditos com base na Lei n.º 9.363/1996. RESSARCIMENTO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. Malgrado exijam trabalhos posteriores de usinagem, os produtos 'Bruto forjado para engrenagem' e 'Bruto forjado para cubo embreagem', ao saírem do estabelecimento da contribuinte, já apresentam as formas ou os perfis das engrenagens deles resultantes, pelo que, utilizandose da Regra 2º do Sistema Harmonizado e de sua nota explicativa, classificamse no código fiscal 84.83.40.90. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Alves Ramos Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 1. 00 03 98 /2 00 2- 27 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. EDITADO EM: 05/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Este processo cuida de Pedido de Ressarcimento de IPI que a contribuinte alega ter direito com origem em créditos de insumos utilizados na fabricação de produtos exportados (DecretoLei n° 491/1969, art. 5o e Lei n° 8.402/1992, artigo 1º, inciso II) e em crédito presumido previsto na Portaria MF n° 38/1997 (Lei n° 9.363/1996), bem como das Declarações de Compensação de débitos ainda vincendos que foram anexadas a este Pedido de Ressarcimento. Verificação fiscal da documentação da contribuinte concluiu que ao longo dos períodos de apuração em questão a contribuinte laborou com classificação fiscal equivocada, e que essa correção implica em mudança das alíquotas de IPI. No caso, a diferença de alíquota seria de 2% a maior, e essa correção deve ser considerada na determinação do IPI a ser ressarcido. Além disso, essa fiscalização também encontrou irregularidades no cálculo da receita de exportação e dos valores das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem empregados no processo produtivo, com reflexos no cálculo do crédito presumido de IPI. A autoridade administração de jurisdição decidiu tratar as infrações em processo administrativo próprio (PAF n.º 13603.001973/200451), embora houvesse uma relação de dependência com este processo que cuida do pedido de ressarcimento do IPI e das declarações de compensação. Dessa análise e decisão, em resumo: foi lavrado auto de infração para lançamento do crédito tributário, foi reconstituída a escrita fiscal, recalculado novos saldos credores de IPI, que acabaram por ser menores do que os constantes da escrituração da contribuinte ao final de cada trimestre, e glosado parte do crédito pleiteado. A autoridade administrativa competente (SAORT da DRF de Contagem MG) para apreciar o pedido de ressarcimento e as declarações de compensação anexadas decidiu confirmar as glosas propostas pela fiscalização e deferir parcialmente o pedido de ressarcimento e homologar as compensações declaradas, até o limite do crédito reconhecido. A contribuinte contesta essa decisão, mas informa que impugnou o mérito da razão fiscal contida no processo 13603.001973/200451 (e também no PAF n.º 13603.000631/200171, que trata de fato idêntico para outros períodos de apuração) e que, enquanto não decididos aqueles processos, este não poderia chegar a uma conclusão final de não reconhecer o credito pedido e de não homologar as compensações declaradas. A Respeitável 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora indeferiu a solicitação e a reclamação da contribuinte tendo em vista o decidido no processo n.º 13603.001973/200451". O Acórdão n.º 12.591, de 23/02/2006 ficou assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Fl. 170DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13601.000398/200227 Acórdão n.º 3401002.916 S3C4T1 Fl. 3 3 Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO A não apuração do crédito presumido com base no custo integrado obriga a que sejam considerados os estoques inicial e final dos insumos adquiridos, bem como as transferências realizadas no período de referência. " RESSARCIMENTO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTOS. Malgrado exijam trabalhos posteriores de usinagem, os produtos 'Bruto forjado para engrenagem' e 'Bruto forjado para cubo embreagem', ao saírem do estabelecimento da contribuinte, já apresentam as formas ou os perfis das engrenagens deles resultantes, pelo que, utilizandose da Regra 2º do Sistema Harmonizado e de sua nota explicativa, classificamse com perfeição no código fiscal 84.83.40.90. Solicitação indeferida.". A contribuinte, inconformada, ingressou com recurso voluntário por meio do qual retornou à argumentação da manifestação de inconformidade. Afirma que questionou a razão da autoridade fiscal e administrativa das decisões em discussão, questionou a reclassificação fiscal e o recalculo do crédito presumido impostos, bem como as glosas, tudo isso através das contestações feitas nos autos de infração n°s 13603.001973/200451 e 13603.000631/200171. Protesta pela exoneração integral de qualquer penalidade aplicada; recorre ao art. 151, inciso III, do CTN, para reclamar efeito suspensivo para o seu recurso, e contesta ter sido a exigência feita por meio de notificação eletrônica, o que o próprio Conselho de Contribuintes considera nula. Este processo chegou ao Segundo Conselho de Contribuintes e entrou na sessão de 18/09/2007 da 3ª Câmara, mas o seu julgamento foi convertido em diligência através da Resolução n.º 20300.844, de voto conduzido pelo Eminente Conselheiro Eric Moraes de Castro e Silva, com a seguinte determinação: Em face de todo o exposto, proponho converter o julgamento do presente recurso em diligência, a fim de que a Delegacia da Receita Federal em ContagemMG: a) anexe documentos e/ou esclarecimentos elucidativos sobre todas as condições e motivos pelos quais se efetuou a glosa do presente pedido, especificando, se for o caso, o montante dela relativo ao erro na classificação fiscal e ao erro na apuração da base de cálculo do crédito presumido; b) confirme ou não a dependência deste processo ao de n° 13603.000631/200171; c) aguarde o final do julgamento administrativo em relação ao Processo de nº 13603.001973/200451, e, se afirmativo o quesito anterior, também em relação ao de n° 13603.000631/200171, promovendo ajuntada, neste processo, de cópias das decisões; e d) posteriormente, devolva os autos para este Conselho de Contribuintes para julgamento. A autoridade administrativa de jurisdição endossa a informação fiscal (fls. 220223) de 17/07/2008, realizada em atendimento à diligência requerida pelo Conselho de Contribuinte, de onde extraímos o seguinte trecho: a) No presente processo a empresa solicitou ressarcimento do saldo credor do IPI relativo ao 2o trimestre de 2002 no valor de R$ 174.866,15, porém, com a lavratura do auto de infração consubstanciado no processo administrativo fiscal n° 13603.001973/200451 decorrente das infrações apuradas e da conseqüente Fl. 171DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 reconstituição da escrita fiscal, foi apurado saldo credor de R$ 149.799,11, ou seja, o crédito glosado foi de R$ 25.067,04. A glosa de R$ 25.067,04 decorreu exatamente do resultado da fiscalização levada a efeito junto ao contribuinte na qual foram constatadas as infrações erro de classificação fiscal e credito presumido indevido, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal lavrado juntamente com o auto de infração cuja cópia anexamos às fls. 129 a 138. Às fls. 139 a 153 anexamos cópia do Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal que é composto pelos seguintes demonstrativos: Demonstrativo dos Saldos da Escrita Fiscal (antes da reconstituição) (fls. 139 a 142) onde se encontram os valores escriturados pelo contribuinte no Livro de Registro e Apuração do IPI no período fiscalizado; Demonstrativo de Dados Apurados (fls. 143 a 147) no qual encontramse lançados como créditos apurados os valores que haviam sido estornados pelo contribuinte na sua escrita fiscal relativos aos pedidos de ressarcimento e na coluna débito o valor do estorno feito pela fiscalização dos valores a serem ressarcidos; Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal (fls. 148 a 153) onde temos os dados dos demonstrativos anteriores além dos valores lançados na coluna "Soma Demonstr. Débitos Apurados" onde se encontram os valores relativos às infrações apuradas. Na coluna Saldo de Escrita Reconstituído do PA (A) temos os saldos reconstituídos em cada período de apuração. Na tabela abaixo encontramse os valores da glosa efetuados no 2o trimestre de 2002 relativos a cada infração apurada: Infração Abril Maio Junho Total Erro de classificação fiscal 3.741,89 3.428,44 4.130.42 11.300,75 Crédito presumido indevido 6.270,32 7.495,92 13.766.24 Total glosa 25.066,99 b) Este processo não guarda dependência com o processo de n° 13603.000631/200171 que se refere ao auto de infração de IPI lavrado em decorrência de fiscalização realizada em 2000. que abrangeu os fatos geradores de janeiro de 1998 a dezembro de 2000, realizada em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 00141/2000. Naquela fiscalização foram apuradas as mesmas infrações constatadas na fiscalização seguinte, determinada pelo MPF 00168/2004 que abrangeu os fatos geradores ocorridos entre janeiro de 2001 e dezembro de 2004, quais sejam, erro de classificação fiscal e crédito presumido indevido como também foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal que resultou no indeferimento parcial dos pedidos de ressarcimento do IPI relativos aos trimestres abrangidos por aquela fiscalização. Cumpre lembrar que embora o saldo credor reconstituído no 3o decêndio de dezembro de 2000 apurado pela fiscalização anterior seja menor que o escriturado pela empresa no livro de IPI, a fiscalização seguinte realizada conforme Mandado de Procedimento Fiscal n° 00168/2004 considerou na reconstituição da escrita fiscal como saldo da escrita fiscal no I o decêndio de janeiro de 2001 o valor escriturado pela empresa em seu livro de apuração do IPI, conforme se vê na coluna Saldo Credor Reconstituído do PA anterior (R$ 161.889,62) e não o saldo credor reconstituído apurado em decorrência da fiscalização anterior (R$ 107.869,67). Em resumo, o saldo credor apurado ao final do 3o trimestre de 2001 não sofreu nenhuma influência do resultado da fiscalização relativa aos fatos geradores ocorridos entre janeiro de 1998 e dezembro de 2000. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13601.000398/200227 Acórdão n.º 3401002.916 S3C4T1 Fl. 4 5 O processo retorna à apreciação do Superior Tribunal Administrativo. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Tempestividade e demais requisitos já verificados quando da sessão de 18/09/2007 da 3ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. Mérito Este processo trata do pedido de ressarcimento de IPI e das declarações de compensação a ele anexadas. A verificação realizada pela fiscalização constatou fatos que resultaram em glosas do pleiteado pela contribuinte e, também, que se tornaram objeto do auto de infração conduzido no processo administrativo 13603.001973/200451. Entendo que razão assiste à autoridade administrativa e fiscal quanto aos fatos que ensejaram glosar parte do crédito pretendido pela contribuinte e não homologar as declarações de compensação pelo valor que excedessem o valor de crédito reconhecido. Senão, vejamos: (i) a respeito do erro de classificação fiscal e de alíquota do IPI A contribuinte fabrica, por meio de forja de barra de aço, engrenagem e cubo de embreagem a ser posteriormente acabada pelos seus clientes para serem empregados em caixa de câmbio e em embreagem de automotivos. A contribuinte utilizava a classificação 7326.19.00 e alíquota de IPI de 10% até outubro de 2002. Ocorre que a posição 7326 [outras obras de ferro ou aço] não pode ser aplicada para obra forjada não acabada, mas que apresentam as características essenciais de artefato acabado, como me parece ser o caso aqui em discussão. Ha a seguinte Nota orientando a aplicação da posição 7326: "A presente posição não inclui as obras forjadas que consistam em artefatos compreendidos em outras posições da Nomenclatura (partes reconhecíveis de máquinas ou de aparelhos, por exemplo), nem as obras forjadas não acabadas que exijam um trabalho suplementar mas que apresentem as características essências de artefatos acabados". (grifos nossos) Considerando o que do processo consta, o produto em discussão tem aproximada forma do produto acabado, mas ainda será submetido a etapa de industrialização Fl. 173DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 6 para que alcance a condição de finalização e cumpra efetivamente suas funções. O produto é um engrenagem inacabada, incompleta. E, por força do que dispõe a regra 2a das Normas de Classificação, o produto incompleto deve ser incluído na classificação fiscal do produto acabado. Regra 2 a): Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, mesmo que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado." Ora, o 8483.40 é reservado para as "Engrenagens e rodas de fricção, exceto rodas dentadas simples e outros órgãos elementares de transmissão apresentados separadamente; eixos de esferas ou de roletes; caixas de transmissão, redutores, multiplicadores e variadores de velocidade, incluídos os conversores de torque." Assim concluo que foi correta a classificação proposta pela fiscalização, que ela seria 8483.40.90 alíquota de 12% até outubro de 2002 , por força da aplicação da regra 2 a do Sistema Harmonizado, pois se trata de artigo incompleto e inacabado, mas que apresenta as características essenciais ou o esboço do produto acabado. (ii) a respeito do crédito presumido indevido Conforme constatado pela fiscalização, no mês de novembro de 2001 a contribuinte incluiu, em meu ponto de vista indevidamente, na receita de exportação o valor relativo à venda de produtos adquiridos de terceiros (CFOP 7.12) e no mês de dezembro do mesmo ano o valor escriturado no livro de Registro de Apuração do IPI sob o CFOP 7.99 (outras saídas não especificadas). Esse proceder da contribuinte contraria frontalmente o que dispõe os artigo 1º e 2º da Lei 9.363/1996 e disciplinado pela Portaria MF n.º 38/1997. O valor resultante das vendas ao exterior de bens adquiridos de terceiros e não submetidos a processo de industrialização pela contribuinte não pode integrar a receita de exportação para fins de apurar o crédito presumido do IPI. Pareceme procedente a glosa e deve ser mantida. Também me parece correta o recálculo feito pela autoridade fiscal dos valores de custos na determinação do crédito presumido, observandose o que disciplinam os §§ 7º e 8º do artigo 3º da Portaria MF n. 38/1997. A empresa utilizou, na apuração do crédito presumido, os valores das compras efetuadas no mês como valor dos custos efetivamente utilizados no processo produtivo, o que contraria esses §§, afinal, eles determinam que se o contribuinte não mantiver sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, a apuração da quantidade de MP, PI e ME utilizadas na produção deverá ser efetuada considerandose as quantidades em estoque no início do mês, as quantidades adquiridas e as quantidades em estoque no final do mês, bem como as saídas não aplicadas na produção e transferências. A empresa incluiu no total das compras de MP, PI e ME as compras de energia elétrica (CFOP 1.42) no período de janeiro de 2001 a dezembro de 2003 e as compras de serviços de transporte (CFOP 1.62 e 2.62) nos meses de janeiro a março de 2001. A Súmula 19 do CARF já superou as divergências ao definir que os gastos com aquisição de energia elétrica não podem ser incluídos como MP, PI e ME para fins da apuração de créditos com base na Lei n.º 9.363/1996. E chego à mesma conclusão com relação aos gastos com serviços de transporte, pois, consoante a legislação do IPI que subsidiariamente dá os contornos do que pode ser considerado MP, PI e ME, os serviços de transporte não são matéria prima, nem produto intermediário, nem material de embalagem, portanto os serviços de transporte neles não se enquadram. Corretas as glosas a meu ver e devem ser mantidas. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13601.000398/200227 Acórdão n.º 3401002.916 S3C4T1 Fl. 5 7 Antes de prosseguirmos em nossa análise, sublinho que o processo 13603.000631/200171 se refere ao período de apuração de janeiro de 1998 a dezembro de 2000, enquanto que o PAF n.º 13603.001973/200451 se refere ao período de apuração de 10/01/2001 a 10/01/2004. Portanto, aquele primeiro não pode se referir diretamente a este que julgamos agora, pois os períodos de apuração são distintos, malgrado a semelhança dos fatos. Mas o mesmo não ocorre com relação a esse último. Há, a meu ver, uma relação de dependência entre o que julgamos hoje e o processo 13603.001973/200451, pois, se nesse processo, se concluir que não procedem os fatos considerados infração pela autoridade fiscal no caso o erro de classificação fiscal e de alíquota de IPI usada pela contribuinte e de cálculo de credito presumido do IPI então não podem prosperar as glosas do crédito pretendido pela contribuinte neste processo. Os fatos apurados pela fiscalização e que ensejaram o reconhecimento de direito creditório menor que o solicitado originalmente pela contribuinte em seu pedido de ressarcimento de IPI foram submetidos ao contraditório e a 1ª Câmara do 3º Conselho de Contribuinte, no processo 13603.001973/200451, através do Acórdão n.º 30134.208, em 05/12/2007, com voto condutor como relator do Ilmo Conselheiro João Luiz Fregonazzi, negou provimento ao recurso voluntário e considerou procedente a reclassificação fiscal definida pela autoridade lançadora, e remeteu a lide a prosseguimento de julgamento pelo 2º Conselho de Contribuintes, para tratar do assunto crédito presumido. Sendo assim, as glosas baseadas na reclassificação fiscal não poderiam ser contestadas neste processo, pois aquele já decidiu pela sua correção, tornandoa definitiva. Com relação ao tema crédito presumido, conforme exposto acima, entendo corretas as glosas realizadas e propomos não dar provimento ao recurso voluntário neste âmbito. Ademais, a contribuinte decidiu aderir a programa de parcelamento e, assim, desistir do prosseguimento do seu recurso administrativo no PAF 13603.001973/200451. Tendo em vista as considerações e razões aqui expostas, concluo e proponho a este Colegiado não dar provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 175DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 8 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
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Numero do processo: 10580.911723/2009-52
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2003
NÃO EXISTÊNCIA DE OMISSÃO E CONTRADIÇÃO.
Embargos de declaração com efeitos infringentes. Impossibilidade.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3802-004.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes auto.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitá-los.
(assinado digitalmente)
Mercia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Embargos de declaração com efeitos infringentes. Impossibilidade. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes auto. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do presente recurso de embargos e, no mérito, rejeitálos. (assinado digitalmente) Mercia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 17 23 /2 00 9- 52 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso de embargos que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão lavrado pela 2ª Turma Especial da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamentos do Carf, em que foi conhecido e negado provimento ao Recurso Voluntário interposto. Ao analisar a questão, a 2ª Turma Especial proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2003 Direito ao crédito não conhecido. Ausência de prova do crédito pleiteado. Em recurso que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão em epígrafe, argumentando que houve contradição, no que concerne ao reconhecimento do crédito pleiteado para possível compensação, e que houve, também, omissão quanto à negativa de acolhimento dos termos da sentença proferida no mandado de segurança nº 2009.34.00.031.4472, em andamento na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal. Voto Verificase que o presente Recurso de Embargos é tempestivo e preenche todos os seus requisitos positivos. Portanto, dele tomo conhecimento e passo analisar o mérito. Por intermédio de manobra diversionista, o recorrente pretende efeitos infringentes em sede de embargos, o que é vedado pela legislação de regência. Tal motivo já é suficiente para negar provimento. Contudo, para elucidar a questão, renovase aqui os termos da decisão proferida em sede de recurso voluntário. O recorrente tem, em tese, ao seu favor, uma decisão judicial precária apenas, pois o processo ainda está em andamento e, por via de conseqüência, não aconteceu o trânsito em julgado do mandado de segurança. Esta situação, portanto, s.m.j., não implica no reconhecimento da liquidez e da certeza dos créditos tributários, nos termos do artigo 170 do CTN e do artigo 66 da lei nº 8.383/91. Ou seja, para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e da certeza, o que, de fato, não foram preenchidos. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911723/200952 Acórdão n.º 3802004.219 S3TE02 Fl. 112 3 Inclusive, aprofundando um pouco mais o debate, não há nos autos, qualquer prova que o contribuinte é beneficiário da noticiada decisão judicial, já que não há documentos que comprovam a condição de ser o ora recorrente integrante dos quadros associativos da associação que consta no polo ativo do mandado de segurança, muito menos os atos constitutivos dela para saber o funcionamento do regramento jurídico nos casos de representação coletiva em sede judicial. Portanto, pelas razões acima expostas, CONHEÇO dos presentes Embargos e, no mérito, Rejeitoos. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Fl. 251DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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