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Numero do processo: 15504.726056/2011-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2402-000.495
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Maria Anselmo Coscrato dos Santos e Ronaldo de Lima Macedo.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio César Vieira Gomes - Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Maria Anselmo Coscrato dos Santos e Ronaldo de Lima Macedo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1276; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.726056/201155 Recurso nº Resolução nº 2402000.495 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 10 de fevereiro de 2015 Assunto CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente ASSOCIACAO EVANGELICA BENEFICENTE DE MINAS GERAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Maria Anselmo Coscrato dos Santos e Ronaldo de Lima Macedo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .7 26 05 6/ 20 11 -5 5 Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 15504.726056/201155 Resolução nº 2402000.495 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratamse de autos de infração constituídos em 30/11/2011 (fls. 3, 10, 16 e 23), para exigência de: (i) contribuições previdenciárias correspondentes à parte da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados (DEBCAD 37.230.1355); (ii) contribuição dos segurados, incidentes sobre as remunerações pagas pela empresa aos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços (DEBCAD 37.230.1371); (iii) contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Salário Educação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE) (DEBCAD 37.254.4754); e (iv) multa por apresentação de GFIP’s com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias (DEBCAD 37.272.8383), referentes ao período de 01/2008 a 12/2008. A Recorrente apresentou em 10/01/2012 impugnações (fls.695/914) requerendo o cancelamento de todos os lançamentos. A DRJ de Belo Horizonte (MG) manteve integralmente o crédito exigido, sob os argumentos de que: (i) até novembro/2009 o reconhecimento de isenção de contribuições previdenciárias para Entidades Beneficentes de Assistência Social – EBAS dependia de requerimento e prévia manifestação da Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 55, § 1° da Lei n° 8.212/91; (ii) inexistindo o reconhecimento à isenção da entidade beneficente, esta passa a contribuir para a Seguridade Social pela sistemática aplicável às demais empresas, razão pela qual estaria obrigada a recolher as contribuições para o SESC e para o SENAC, vez que se trata de empresa prestadora de serviços médicos e hospitalares; (iii) a contribuição ao INCRA é devida inclusive pelas empresas que exercem, com exclusividade, atividades de natureza urbana; (iv) os acréscimos legais e a multa foram aplicadas em conformidade com a legislação vigente. Intimada da decisão DRJ em 09/10/2012 (fl. 996), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 08/11/2012 (fls. 1003/1042) visando à reforma da decisão, pois: (i) é entidade filantrópica desde 1973, motivo pelo qual quando da edição da Lei n° 8.212/91 já possuía o reconhecimento do benefício da isenção, estando, portanto, dispensada de realizar o requerimento previsto no art. 55, § 1° da Lei n° 8.212/91; (ii) a exigência de apresentação de requerimento representa excesso de formalismo e burocracia, visto que a Recorrente já atende a um rol extenso de exigências para fazer jus ao Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos; (iii) a exigência prevista no art. 55, § 1° da Lei n° 8.212/91 foi suprimida com a edição da Lei n° 12.101/09, o que demonstra que o próprio legislador entendeu como impertinente essa exigência; (iv) não é sujeito passivo das contribuições ao SESC, SENAC e SEBRAE vez que possui natureza filantrópica, e, portanto, sem fins lucrativos; (v) por ser beneficiária da isenção prevista no art. 55 da Lei n° 8.212/91, é isenta, por consequência, do pagamento de Salário Educação, nos termos do art. 1°, § 1° da Lei n° 9.766/98; (vii) não é contribuinte da contribuição devida ao INCRA por ter direito à imunidade tributária e por não se tratar de entidade vinculada à previdência social. É o relatório. Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 15504.726056/201155 Resolução nº 2402000.495 S2C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme se verifica no Relatório Fiscal de fls. 363/375, a autoridade administrativa pautou o lançamento no Ato Cancelatório nº 11601.0/002/97, de 05 de setembro de 1997, que cancelou a isenção concedida à Entidade a partir de 06/05/1994, em virtude da cassação do Título de Utilidade Pública Federal e indeferimento do pedido de Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos. Segue abaixo trecho do REFISC: “10 Na presente situação foi emitido pela Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte o Ato Cancelatório n.º 11601.0/002/97, de 05 de setembro de 1997, cancelando, a partir de 06/05/1994, a isenção concedida à Entidade com base no disposto no §4º do artigo 30 do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social (ROCSS), aprovado pelo Decreto nº 2173/97. Esse Ato Cancelatório se deu em razão de cassação do Título de Utilidade Pública Federal, conforme Decreto de 05/05/94 e indeferimento do pedido de Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, conforme Resolução CNAS nº45 de 29/03/96, o que constitui infração ao disposto nos incisos I e II do artigo 55 da Lei 8212/91, combinado com os incisos I e III do artigo 30 do ROCSS. Estamos anexando cópia do mesmo no presente relatório.” Estando o presente processo atrelado ao Ato Cancelatório nº 11601.0/002/97, é mister que sejam prestadas informações acerca do mesmo. Assim, deve a autoridade administrativa juntar neste processo as informações acerca do desfecho do referido ato cancelatório, bem com anexar, se possível, cópia integral do respectivo processo administrativo. Ademais, deve ser informado em quais períodos, após a data de emissão do referido Ato Cancelatório, a Recorrente se encontrou abarcada pelo Título de Utilidade Pública Federal e Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso e pela realização de diligência para esclarecimento das questões suscitadas acima. Após a realização da diligência, deve ser aberto prazo de 30 dias para manifestação do contribuinte, em atenção ao princípio da ampla defesa e do contraditório. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
score : 1.0
Numero do processo: 13678.000006/2002-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1997
DCTF. RECOLHIMENTO NÃO LOCALIZADO. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO.
A autuação decorreu da ausência de comprovação de pagamento de partes dos créditos vinculados informados pelo contribuinte em sua DCTF. Colacionados aos autos documentos que comprovam as alegações recursais é de rigor o reconhecimento da improcedência do lançamento.
MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF Nº 74.
Aplica-se retroativamente o art. 14 da Lei no 11.488, de 2007, que revogou possibilidade de lançamento da multa de ofício, quando apurado saldo a pagar na análise da DCTF apresentada pela contribuinte, salvo nos caso sem que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos art. 71 a 73 da Lei nº 4.502. Aplicação do art. art. 106, II, c, do CTN. Precedentes.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. JUROS DE MORA. INAPLICABILIDADE. INSIGNIFICÂNCIA DOS VALORES REMANESCENTES. DESCONSTITUIÇÃO. EFICIÊNCIA ADMINISTRATIVA.
O institutodadenúnciaespontânea,previstonoartigo138doCTN, exclui a responsabilidade pela infração, quando o tributo devido for pago, após a entrega da DCTF e antes do início do procedimento fiscal. Por expressa previsão do dispositivo, os juros de mora devem ser incluídos no pagamento do valor principal, não havendo, portanto, como postular a exclusão dos juros moratórios da presente autuação. Todavia, em face da demonstrada insignificância do débito remanescente, em respeito aos princípios que regem a administração pública deve ser desconstituído o valor residual cobrado.
Numero da decisão: 2202-002.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
(Assinado Digitalmente)
Marco Aurelio de Oliveira Barbosa - Presidente em Exercício.
Fabio Brun Goldschmidt - Relator.
EDITADO EM: 16/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente em exercício), MARCIO DE LACERDA MARTINS, RAFAEL PANDOLFO, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA, DAYSE FERNANDES LEITE, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1997 DCTF. RECOLHIMENTO NÃO LOCALIZADO. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. A autuação decorreu da ausência de comprovação de pagamento de partes dos créditos vinculados informados pelo contribuinte em sua DCTF. Colacionados aos autos documentos que comprovam as alegações recursais é de rigor o reconhecimento da improcedência do lançamento. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF Nº 74. Aplica-se retroativamente o art. 14 da Lei no 11.488, de 2007, que revogou possibilidade de lançamento da multa de ofício, quando apurado saldo a pagar na análise da DCTF apresentada pela contribuinte, salvo nos caso sem que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos art. 71 a 73 da Lei nº 4.502. Aplicação do art. art. 106, II, c, do CTN. Precedentes. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. JUROS DE MORA. INAPLICABILIDADE. INSIGNIFICÂNCIA DOS VALORES REMANESCENTES. DESCONSTITUIÇÃO. EFICIÊNCIA ADMINISTRATIVA. O institutodadenúnciaespontânea,previstonoartigo138doCTN, exclui a responsabilidade pela infração, quando o tributo devido for pago, após a entrega da DCTF e antes do início do procedimento fiscal. Por expressa previsão do dispositivo, os juros de mora devem ser incluídos no pagamento do valor principal, não havendo, portanto, como postular a exclusão dos juros moratórios da presente autuação. Todavia, em face da demonstrada insignificância do débito remanescente, em respeito aos princípios que regem a administração pública deve ser desconstituído o valor residual cobrado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Marco Aurelio de Oliveira Barbosa - Presidente em Exercício. Fabio Brun Goldschmidt - Relator. EDITADO EM: 16/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente em exercício), MARCIO DE LACERDA MARTINS, RAFAEL PANDOLFO, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA, DAYSE FERNANDES LEITE, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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RECOLHIMENTO NÃO LOCALIZADO. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. A autuação decorreu da ausência de comprovação de pagamento de partes dos créditos vinculados informados pelo contribuinte em sua DCTF. Colacionados aos autos documentos que comprovam as alegações recursais é de rigor o reconhecimento da improcedência do lançamento. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF Nº 74. Aplicase retroativamente o art. 14 da Lei no 11.488, de 2007, que revogou possibilidade de lançamento da multa de ofício, quando apurado saldo a pagar na análise da DCTF apresentada pela contribuinte, salvo nos caso sem que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos art. 71 a 73 da Lei nº 4.502. Aplicação do art. art. 106, II, “c”, do CTN. Precedentes. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. JUROS DE MORA. INAPLICABILIDADE. INSIGNIFICÂNCIA DOS VALORES REMANESCENTES. DESCONSTITUIÇÃO. EFICIÊNCIA ADMINISTRATIVA. O institutodadenúnciaespontânea,previstonoartigo138doCTN, exclui a responsabilidade pela infração, quando o tributo devido for pago, após a entrega da DCTF e antes do início do procedimento fiscal. Por expressa previsão do dispositivo, os juros de mora devem ser incluídos no pagamento do valor principal, não havendo, portanto, como postular a exclusão dos juros moratórios da presente autuação. Todavia, em face da demonstrada insignificância do débito remanescente, em respeito aos princípios que regem a administração pública deve ser desconstituído o valor residual cobrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 8. 00 00 06 /2 00 2- 36 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 16/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Marco Aurelio de Oliveira Barbosa Presidente em Exercício. Fabio Brun Goldschmidt Relator. EDITADO EM: 16/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente em exercício), MARCIO DE LACERDA MARTINS, RAFAEL PANDOLFO, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA, DAYSE FERNANDES LEITE, FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Fl. 157DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 16/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA Processo nº 13678.000006/200236 Acórdão n.º 2202002.874 S2C2T2 Fl. 17 3 Relatório Tratase de auto de infração (fls. 8/15) constituído em face de Mineração Serra da Fortaleza Ltda., CNPJ nº 18.499.616/000114,atualmente Votorantim S.A., relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte, por supostas inconsistências apuradas na DCTF apresentada no Primeiro Trimestre de 1997. Segundo consta na Descrição dos Fatos do Auto de Lançamento, fl. 10, foi realizada auditoria interna nas DCTF apresentadas pela contribuinte, onde foi apurada 1) falta de recolhimento/pagamento de valores declarados, bem como 2) pagamento de valores declarados em atraso sem a inclusão de acréscimos moratórios (juros e multa), mensurados através dos demonstrativos de fls. 10/16. Assim, foi constituído crédito no valor total de R$ 26.883,28, sendo que, em relação à infração imputada no item 1, R$ 9.440,70correspondem ao imposto apurado, R$ 7.080,53àMulta de Ofício, e R$ 8.986,39 a juros de mora calculados até31/10/2001.Já em relação à infração imputada no item 2(falta ou insuficiência de acréscimos legais sobre valores pagos em atraso), foram lançados R$ 2,82, a título de juros pagos a menor ou não pagos, e R$ 1.372,84 a título de Multa de Ofício/Isolada. Impugnação Notificada do lançamento aos 03/12/2001 (fl. 27), a empresa autuada apresentou impugnação no dia 02 de janeiro de 2002(fls. 02/05), alegando em síntese: 1) Que os pagamentos não localizados pelo Fisco foram efetivamente recolhidos, apresentando DARFs no intuito de comprovar o pagamento. 2) Relativamente às multas e aos juros não pagos ou pagos a menor, refere tratarse de denúncia espontânea, o que permitiria o pagamento sem o computo da multa moratória, colacionando jurisprudência. Apresentou com a impugnação DARF’s de fls. 19/23. Acórdão da DRJ A 3ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento.(fls. 66/72), conforme ementa que segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 Ementa: REVISÃO DE DCTF Os débitos apurados nos procedimentos de auditoria interna, decorrentes de verificação dos dados informados na DCTF, serão exigidos por meio de auto de infração, com o acréscimo da multa de lançamento de ofício e dos juros moratório, previstos na legislação vigente. MULTA DE MORA DENÚNCIA ESPONTÂNEA Fl. 158DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 16/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA 4 O pagamento do imposto devido fora dos prazos fixados pela legislação tributária, ainda que espontaneamente, obriga ao acréscimo de multa ejuros moratórios. Lançamento Procedente As razões do acórdão podem ser assim sintetizadas: 1) Quanto à ausência de recolhimento de alguns dos valores declarados, refere que os DARFs trazidos pela contribuinte foram recolhidos pelo estabelecimento de sua filial, inscrito no CNPJ sob n° 18.499.616/000203; sendo tais DARFs utilizados para extinção de débitos declarados na DCTF apresentada por esta filial. Conclui que, diante desses fatos, um mesmo pagamento não pode extinguir dois débitos. 2) Quanto ao recolhimento intempestivo sem os acréscimos legais, refere que a denúncia espontânea afasta a multa punitiva, decorrente da prática de ilícito tributário, mas não exclui a incidência da multa de mora. Argumenta que a multa de mora não é lançada de ofício, só incidindo sobre pagamentos espontâneos. Recurso Voluntário Intimado em 01/09/2004 (fl. 57) da decisão proferida pela DRJ, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, em 30/09/2004, (fls. 59/63), reiterando as razões anteriormente apresentadas. No tocante à ausência de pagamento sobre os valores declarados,acrescenta que, por uma falha sua,o mesmo débito foi declarado nas DCTFs relativas ao CNPJ de sua matriz e filial,mas que, de forma alguma, poderseia alegar a existência de dois débitos. Em sessão plenária realizada em 19/10/2006,a Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes julgou parcialmente procedente o Recurso Voluntário, em acórdão assim ementado (fls. 100/111): IRF VALOR LANÇADO EM DCTF COMPENSAÇÃO INDEVIDA PROCEDIMENTO Incabível o lançamento para exigência de saldo a pagarapurado em DCTF devido a não homologação de valores compensados,salvo se ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a73 da Lei n°.4.502, de 30 de novembro de 1964. Ainda assim, o lançamentodeve restringirse à exigência da multa de ofício. O saldo do imposto apagar, em qualquer caso, deve ser encaminhado à Procuradoria da FazendaNacional para inscrição na Dívida Ativa da União. RECOLHIMENTO EXTEMPORÂNEO DE TRIBUTO DESACOMPANHADO DE MULTA DE MORA MULTA DE OFÍCIO ISOLADA INAPLICABILIDADE RETROATIVIDADE BENIGNA Tratandose depenalidade cuja exigência se encontra pendente de julgamento, aplicase alegislação superveniente que venha a beneficiar o contribuinte, em respeitoao princípio da retroatividade benigna (Medida Provisória n° 303, de29/06/2006, e art. 106 do CTN) Recurso parcialmente provido. Acordaram os membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência o IRRF e Fl. 159DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 16/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA Processo nº 13678.000006/200236 Acórdão n.º 2202002.874 S2C2T2 Fl. 18 5 consectários, bem como a multa isolada. Assentou o voto condutor da maioria a impossibilidade de lançamento de débitos já confessados em DCTF, entendendo não haver fundamentação para a formalização da exigência por meio de auto de infração. Em síntese, decidiuse, ser incabível o lançamento de ofício para exigência de tributo declarado em DCTF, constituído na vigência do art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, uma vez que tal exigência teria perdido eficácia a partir da edição do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, que por sua vez deveria ser aplicado retroativamente. Recurso Especial Inconformada, a Fazenda Nacional, por meio de sua Representante, com fundamento no artigo 7°, inciso I, do Regimento Interno da Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n. 147, de 25/06/2007, interpõe o Recurso Especial de fls. 124 a 131, “para que se restabeleça o lançamento de IRRF (imposto e não penalidade) cancelado pela ilustre maioria da Câmara a quo”. A contribuinte foi intimada para apresentar contrarrazões do Recurso Especial em 09/10/2008 (fls. 137/138). Em sessão realizada em 07/11/2012, a Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, proveu o Recurso Especial da Fazenda Nacional, entendendo pela possibilidade de lançamento em relação às diferenças apuradas na DCTF apresentada pelo Contribuinte, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 DCTF. CRÉDITOTRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.POSSIBILIDADE. Na vigência da redação original do art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Com a alteração perpetrada pelo art. 18 da Lei nº 10.833/2001, os lançamentos já efetuados devem permanecer íntegros. Recurso especial provido. Afirmou o Eminente Conselheiro Relator que o lançamento foi concretizado antes da alteração perpetrada pelo art. 18 da Lei nº 10.833/2003. Sendo assim, apesar de o novo art. 90 da MP nº 2.15835/2001 dispensar o lançamento para apurar diferenças em declaração prestada pelo sujeito passivo, devese considerar que o lançamento foi feito respeitando as normas legais existentes no momento de sua lavratura, sendo um ato jurídico perfeito, o que implica que as instâncias julgadoras devem apreciar normalmente as inconformidades dos contribuintes. Assim, determinou o retorno dos autos a Turma competente da Segunda Seção para apreciar o mérito do recurso voluntário, porquanto a então Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recursoapenas por considerar Fl. 160DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 16/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA 6 inidôneo o veículo que constituiu o crédito tributário lançado, sem entrar no mérito do voluntário. É o relatório Voto Conselheiro Relator FABIO BRUN GOLDSCHMIDT O processo retorna a esta Câmara para a apreciação do mérito. A exigência nos presentes autos se refere a: 1) imposto declarado pela recorrente e informado em sua DCTF, cujo pagamento não foi identificado pela Receita Federal; e 2) multa isolada aplicada pelo recolhimento a destempo de valores informados em DCTF sem o acréscimo de juros e multa de mora. Insurgiuse o contribuinte, alegando: a) em relação ao ponto 1, que os pagamentos não localizados pelo Fisco foram efetivamente recolhidos, apresentando DARFs (fls, 19 a 23), e que o mesmo débito fora lançado em equívoco na DCTF da matriz e da filial; b) em relação ao ponto 2, que o pagamento em atraso configurou denúncia espontânea, o que permitiria o pagamento sem o computo da multa moratória, colacionando jurisprudência. Passamos a analisar os pontos em questão. 1) Ausência de Recolhimento em relação aos valores Declarados em DCTF Através de auditoria realizada na DCTF apresentada pelo contribuinte, a autoridade fazendária apurou aausência de recolhimento/pagamento sobre parcela dos valores declarados pelo contribuinte a título de Imposto de Renda Retido na Fonte, resultando no lançamento deR$ 9.440,70,correspondente à obrigação principal; R$ 7.080,53,correspondente à Multa de Ofício, e R$ 8.986,39 a juros de mora. Estabelece o art. 865, inciso II, do RIR 99, que o recolhimento do imposto retido na fonte deverá ser efetuado até o terceiro dia útil da semana subsequente a de ocorrência dos fatos geradores. Assim, o IRRF retido na primeira semana de um mês deveria ser recolhido até o terceiro dia útil da segunda semana desse mesmo mês, e assim por diante. Diante disso, consoante se depreende do relatório de débitos apurados e créditos vinculados do contribuinte sob o CNPJ matriz nº 18.499.6161000114 (fls.39/43), percebese a ocorrência de débitos de IRRF referentes ao Rendimento de Trabalho Assalariado, Código de Receita 05611, referentes aos seguintes períodos de apuração: 1ª e 5ª Semana de Janeiro;4ª e5ª Semana de Fevereiro; e 5ª Semana de Março. Sobre tais períodos, o Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Informados na DCTF, anexado ao auto de lançamento, apontou que Fl. 161DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 16/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA Processo nº 13678.000006/200236 Acórdão n.º 2202002.874 S2C2T2 Fl. 19 7 cinco dos débitos declarados não tiveram seus pagamentos localizados na integralidade pelo Fisco (fl. 11). Em sua impugnação, o contribuinte traz DARFs correspondente aos débitos apontados na DCTF, em idênticos valores,datas, períodos de apuração e códigos de receita, também referentes ao Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre valores pagos a título de trabalho assalariado e férias (fls. 19/24). Todavia, os DARFs apresentados referemse a débitos pagos por filial da contribuinte, inscrita no CNPJ sob o nº 18.499.616/000203 (fls. 19/24), e informados na DCTF apresentada por este mesmo estabelecimento filial (fls.29/37). Cotejando tais informações, temos o seguinte quadro: DCTF PRIMEIRO TRIMESTRE 1997 1 P Apuração Vr. Declarado DARF Vinculado Observações 01 01 / 1997 2.081,05(fl. 39) R$ 1.993,97 Confirmado pelo Fisco R$ 87,08 Não Localizado DARF apresentado na impugnação Recolhido no CNPJ 18.499.616/000203 (fl. 19) R$ 87,08 Vinculado à DCTF apresentada ao CNPJ 18.499.616/000203 fl. 32 2 P Apuração Vr. Declarado DARF Vinculado Observações 05 01 / 1997 R$ 31.803,99 (fl. 40) R$ 24.466,41 Confirmado pelo Fisco R$ 859,28 Confirmado pelo Fisco R$ 2.003,85 Confirmado pelo Fisco R$ 2.263,56 Confirmado pelo Fisco R$ 2.210,89 Não Localizado DARF apresentado na impugnação Recolhido no CNPJ 18.499.616/000203 (fl. 20) R$ 2.210,89 Vinculado à DCTF apresentada ao CNPJ 18.499.616/000203 fl. 33 3 P Apuração Vr. Declarado DARF Vinculado Observações 04 02 / 1997 R$ 630 03(fl. 41) R$ 630 03 Não Localizado DARF apresentado na impugnação Recolhido no CNPJ 18.499.616/000203 (fl. 21) R$ 630 03 Vinculado à DCTF apresentada ao CNPJ 18.499.616/000203 fl. 34 4 P Apuração Vr. Declarado DARF Vinculado Observações 05 02 / 1997 R$ 28.700,82 (fl. 42) R$ 5.341,21 Não Localizado R$ 18.818,00 Confirmado pelo Fisco Fl. 162DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 16/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA 8 R$ 4.541,61 Confirmado pelo Fisco DARF apresentado na impugnação Recolhido no CNPJ 18.499.616/000203 (fl. 22) R$ 5.341,21 Vinculado à DCTF apresentada ao CNPJ 18.499.616/000203 fl. 35 5 P Apuração Vr. Declarado DARF Vinculado Observações 05 03 / 1997 R$ 1.171,49 (fl.43) R$ 1.171,49 Não Localizado DARF apresentado na impugnação Recolhido no CNPJ 18.499.616/000203 (fl. 23) R$ 1.171,49 Vinculado à DCTF apresentada ao CNPJ 18.499.616/000203 fl. 36 Diante de tal situação, entendeu a DRJ que o estabelecimento matriz declarou o crédito decorrente do pagamento das DARFs apresentadas, para quitar débito de IRRF apurado no período (fls.39/45),da mesma forma que procedeu o estabelecimento filial (fls. 32/37), concluindo que a mesma DARF foi utilizada para quitar dois débitos distintos. Nesse ponto, entendo prosperar as razões do contribuinte,que não houve a utilização da mesma DARF para quitar dois débitos distintos, mas sim de que o mesmo débito constou, por equívoco, em duas DCTFs. Vejamos. No que consta das declarações do estabelecimento matriz (fls. 39/43), percebe se que há declaração de um débito apurado, e, a título de crédito vinculado, o pagamento de diversas guias, com o mesmo código de receita, período de apuração e vencimento, que somadas indicam exatamente o montante do valor declarado no débito. A título de exemplo, vejamos a declaração trazida à fl. 40, referente ao período de apuração da 5ª Semana de Janeiro de 2007: Fl. 163DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 16/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA Processo nº 13678.000006/200236 Acórdão n.º 2202002.874 S2C2T2 Fl. 20 9 Para comprovar a quitação de crédito vinculado, referente ao período de apuração de 01/02/1997, que não foi identificado pelo Fisco, a contribuinte trouxe em sua impugnação a DARF respectiva, indicando o mesmo valor (R$ 2.210,99), vencimento (05/02/1997) e código de receita (0561), consoante se verifica(fl. 20): Em que pese indique recolhimento pelo estabelecimento filial (CNPJ nº 18.499.616/000203), percebese que o estabelecimento filial lança tal crédito na sua DCTF na exata medida do débito declarado, conforme se verifica à fl. 33: Fl. 164DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 16/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA 10 Diante disso, confrontando ambas as declarações (fl. 40 – Matriz, e fl. 33 – Filial), não é crível que estabelecimentos diversos tenham exatamente o mesmo débito (R$ 2.210,89),referente ao mesmo fato (IRRF sobre Rendimentos do Trabalho Assalariado, Código de Receita 0561), no mesmo período de apuração (01/02/1997) e com o mesmo vencimento (05/02/1997). É evidente, portanto, que não se trata de débitos distintos, adimplidos pela mesma DARF, mas sim que o mesmo débito foi lançado equivocadamente na matriz e na filial. Nesse quadro,a matriz pode estar contabilizando equivocadamente o débito da filial, ou então a filial equivocadamente adimpliu com a obrigação tributária devida pela matriz, e contabilizou tal pagamento na sua DCTF como contrapartida de um débito que não existiu para si. A ocorrência de equívoco fica mais nítida quando verificamos que, nos 5 pagamentos declarados pela DCTF da matriz, os valores são sempre declarados na mesma quantia dos créditos declarados pela filial e, igualmente, idênticos em seu período de apuração, código de receita, e vencimento. Assim, temos: DCTF ‐ Matriz DCTF ‐ Filial Valor do pagamento declarado 87,08 87,08 Período de apuração 04/01/1997 04/01/1997 Vencimento 08/01/1997 08/01/1997 Código de Receita (fato) 0561 0561 Folha 39 32 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 16/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA Processo nº 13678.000006/200236 Acórdão n.º 2202002.874 S2C2T2 Fl. 21 11 Valor do pagamento declarado 2210,89 2210,89 Período de apuração 01/02/1997 01/02/1997 Vencimento 05/02/1997 05/02/1997 Código de Receita (fato) 0561 0561 Folha 40 33 Valor do pagamento declarado 630,03 630,03 Período de apuração 22/02/1997 22/02/1997 Vencimento 26/02/1997 26/02/1997 Código de Receita (fato) 0561 0561 Folha 41 34 Valor do pagamento declarado 5341,21 5341,21 Período de apuração 01/03/1997 01/03/1997 Vencimento 05/03/1997 05/03/1997 Código de Receita (fato) 0561 0561 Folha 42 35 Valor do pagamento declarado 1171,49 1171,49 Período de apuração 29/03/1997 29/03/1997 Vencimento 02/04/1997 02/04/1997 Código de Receita (fato) 0561 0561 Folha 43 36 Se estranha o fato de que empresas diferentes tenham o mesmo débito, o que se dirá quando essa correspondência aparece em cinco períodos distintos. Ademais, nos períodos em que foram utilizados os créditos vinculados das parcelas de R$ 87,08, R$ 2210,89, e R$ 5341,21, foram lançados outros créditos, cuja soma quitou integralmente o débito apurado no período respectivo. Isso evidencia que a matriz não aproveitava os créditos vinculados da DARF da empresa filial para pagar débito próprio. Ao contrário, a integralidade dos débitos lançados é que era feita de acordo com os seus créditos vinculados naquele período, o que se verifica do fato de os débitos declarados na DCTFs de fls. 32, 33 e 35, corresponderem à soma exata dos créditos vinculados lançados no período. Assim, o que houve no caso dos autos, foi um erro de preenchimento ou da matriz (em preencher sua DCTF, vinculando um crédito e um débito que não é seu) ou da filial (em estar efetuando um pagamento sem ser o sujeito passivo da obrigação tributária). Em qualquer dos casos, entretanto, não se verifica qualquer lesão ao Fisco, haja vista que o pagamento do IRRF fonte foi devidamente quitado pelas DARF’s apresentadas nas fls. 19/23. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 16/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA 12 Em situação semelhante, já decidiu esta Turma Ordinária: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1998 MATÉRIA DE FATO. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. Colacionados aos autos documentos que comprovam as alegações recursais e ilidam a legitimidade da ação fiscal, é de rigor o reconhecimento da improcedência do lançamento. Recurso provido. (Relator: Antonio Lopo Martinez, Acórdão 2202002.626, j. em 15/04/2014) Como bem assentou, o Relator na ocasião: Da análise dos autos, notase que os DARFs juntados aos autos, apesar de constar com um CNPJ diferente do constante nas DCTFs objeto da autuação são, todos eles, em valores idênticos aos declarados, inclusive datas de recolhimento. Em seu recurso, o Recorrente justifica e explica o ocorrido, conforme está transcrito no relatório desse acórdão. Em termos pragmáticos é improvável que um contribuinte, com dois ou mais estabelecimentos, tivesse débitos idênticos de IRF em todos eles que fosse fazer o recolhimento em apenas um deles. Ainda: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1997 DCTF. RECOLHIMENTO NÃO LOCALIZADO. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, constatado erro no seu preenchimento e comprovandose que todo o valor de IPI supostamente devido já foi integralmente recolhido pela filial,o cancelamento da autuação fiscal é medida que se impõe. Recurso Voluntário Provido. (Relator:Bernardo Motta Moreira, Acórdão 3301002.157, j. em 28/01/2014) De igual forma, não se poderia lançar mão de que a autuação deuse sob o argumento de declaração inexata, o que restaria configurado com o erro no preenchimento da DCTF. O argumento principal do enquadramento (fl. 10) é a constatação da “falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata”, ou seja, a declaração inexata para a autoridade autuada decorre do descumprimento de obrigação principal, que foi consubstanciado na inserção de valores na DCTF, sem que houvesse a comprovação do pagamento do principal. Todavia, o contribuinte logrou comprovar o pagamento do tributo, juntando as DARF condizentes em data, código e valores, aos débitos supostamente em aberto. Inexistente, portanto, o próprio motivo da autuação. Nesse caso: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/1997 a 31/08/1997, 01/11/1997 a 31/12/1997 MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando deixe de definilo como infração. Cancelase a multa de ofício sobre débito informado em DCTF objeto de auto de infração. LANÇAMENTO. AUDITORIA DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS EM DCTF. INEXISTÊNCIA DO MOTIVO QUE O ENSEJOU. É improcedente olançamento de ofício de valores apurados em auditoria de informações prestadas em DCTF quando restar falso o motivo que o sustenta. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 16/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA Processo nº 13678.000006/200236 Acórdão n.º 2202002.874 S2C2T2 Fl. 22 13 (Relator: Belchior Melo de Sousa; Acórdão nº: 3803000.150, j. em 19/10/2013) Diante disso, percebese que insubsistente o lançamento no ponto. No tocante a multa de ofício aplicada, a constatação de erro no preenchimento da DCTF que levou a desconstituição do débito principal, já é suficiente para sua exclusão. Todavia, necessário analisar outro fundamento que leva a exclusão dessa parcela exclusiva do auto de lançamento. O lançamento deuse com base no artigo 90 da MP nº 215835, de 24 de agosto de 2001, que exigia expressamente o lançamento de ofício nas hipóteses relativas à falta ou não comprovação do pagamento do tributo declarado, como segue: Art 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo,decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados,relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.” Tal norma foi delimitada pelo art. 18 da Lei 10.8333/03 que indicou queo lançamento de ofício, em relação às diferenças apuradas em declaração prestada pelo contribuinte, ficaria limitado unicamente à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas.Ainda, tal aplicação da multa isolada ficaria restrita às hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos art. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Posteriormente, com a publicação da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/07, o citado dispositivo foi novamente alterado, sendo retirada a hipótese de lançamento de ofício sobre a multa isolada, salvo quando comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo contribuinte. Sendo assim, com a nova redação dada ao art. 18 da Lei 10.8333/03, os valores relativos débitos originados de créditos vinculados na DCTF e não confirmados, devem ser encaminhados à PGFN para inscrição na Dívida Ativa da União. Sob esse regramento, o comando do art. 90 da MP nº 2.158/2001deixou de permitir que o lançamento alcançasse as multas de ofício, salvo nos casos expressamente previstos no art. 18 da Lei 10.833/03. Assim, atualmente é incabível o lançamento de multa, quando decorrente de diferenças apuradas na DCTF, motivo pelo qual a multa lançada, no presente caso, deve ser afastada, em observância à retroatividade benigna prevista no art. 106, II, “c”, do CTN. Nesse sentido, manifestação da Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2000 IRRF. NORMAS PROCESSUAIS. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. POSSIBILIDADE LANÇAMENTO. INAPLICABILIDADE DE MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 18 DA LEI Nº10.833/2003. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 16/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA 14 De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 142 do Código Tributário Nacional, inexiste óbice legal para o lançamento de ofício exigindo tributos declarados pelo contribuinte mediante Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, efetuado anteriormente à vigência do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, ainda sob o manto dos preceitos contidos no artigo 90 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, o qual expressamente exigia o lançamento de ofício para as hipóteses relativas à ausência de comprovação do pagamento de tributo declarado. Entrementes, em face de legislação posterior afastando a aplicabilidade da multa de ofício para lançamentos de créditos declarados em DCTF, objetos de pedido de compensação indeferido, impõese rechaçar a manutenção de referida multa, conquanto que não constatada a prática das infrações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/1964, em observância ao princípio da retroatividade benigna da norma, insculpida no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário conhecido em parte e provido. (Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Acórdão nº920202.058, j. em 21/03/12) Diante do exposto, entendo que no ponto deve ser provido o Recurso Voluntário, para fins de declarar insubsistente o auto de lançamento, em relação à Ausência de Recolhimento dos valores Declarados em DCTF excluindo da autuaçãoR$ 9.440,70 correspondem ao principal, R$ 7.080,53 à Multa de Ofício, e R$ 8.986,39 a juros de mora. 2) Multa isolada aplicada pelo recolhimento a destempo de valores informados em DCTF sem o acréscimo de juros e multa de mora. Trata a autuação no ponto, de lançamento referente à multa de ofício isolada, bem como de juros moratórios, referente a valores declarados na DCTF e pagos em atraso pelo contribuinte. No tocante à multa isolada em decorrência de pagamento extemporâneo, deve ser aplicado o mesmo entendimento referido anteriormente, pela sua inexigibilidade por aplicação da anterioridade benigna prevista pelo art. 106, II, do CTN, entendimento este, aliás, corroborado por julgado desta Câmara: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1998 ERRO DE DECLARAÇÃO. CORREÇÃO. Devidamente comprovado que houve erro na declaração do contribuinte, deve o erro ser corrigido. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF Nº 74. Aplicase retroativamente o art. 14 da Lei no 11.488, de 2007, que revogou a multa de oficio isolada por falta de acréscimo da multa de mora ao pagamento de tributo em atraso, antes prevista no art. 44, § 1, II, da Lei no 9.430/96. Recurso de Ofício não provido (Acórdão nº 2202002.133; Relator: Rafael Pandolfo; j. em 22/01/2013) Sendo assim, o único ponto que entendo deve ser mantida a autuação referese ao lançamento dos juros moratórios, não incluídos quando do pagamento do valor declarado extemporaneamente. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 16/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA Processo nº 13678.000006/200236 Acórdão n.º 2202002.874 S2C2T2 Fl. 23 15 Nesse caso, não prospera a pretensão do contribuinte de afastamento dos juros de mora em razão de ter realizado espontaneamente o pagamento do tributo em atraso. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, prevê expressamente que o atraso deve ser adimplido já com os juros de mora, ao referir que “a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração”. Assim, a conduta adotada pelo contribuinte é apta para excluir a multa aplicada, mas não os juros pelo atraso. É que se depreende do seguinte julgada da Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2000 TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO DENÚNCIA ESPONTÂNEA MULTA MORATÓRIA INDEVIDA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros, tal qual ocorre no caso em tela. Precedentes da CSRF e do Egrégio STJ. Recurso especial negado. (Acórdão n° 920200.257, 2ª Turma, sessão de 22 de setembro de 2009, relator Gonçalo Bonet Allage). Todavia, mantendose unicamente os juros, restarão na autuação unicamente a quantia de R$ 2,82. Ora, tal quantia não pode seguir objeto de autuação. Vale lembrar que, de acordo com a Portaria MF nº 75, de 22 de março de 2012, restou determinado que valores consolidados iguais ou inferiores a R$ 1.000,00, não serão inscritos em dívida ativa. Da mesma forma a Lei 10.522 institui regras de dispensa ou cancelamento de execuções fiscais de valores abaixo de R$ 1.000,00. A rigor tais legislações instituem critérios de aplicação do Princípio da Insignificância no âmbito tributário, uma vez que reconhecem a existência da obrigação tributária, mas impedem a inscrição/execução de um crédito por saber que, levar adiante o seu adimplemento importará em maiores gastos para administração pública do que valores a serem recebidos. É o que se percebe no presente caso: estaremos criando um maior custo para a administração pública ao postergarmos para uma fase posterior a desconstituição de um crédito que jamais poderá sequer ser inscrito em dívida ativa. Vale lembrar que a administração pública deve pautarse pelo Princípio da Eficiência, o que desaconselha o processamento de casos, cujo custo seja maior que o próprio objeto da cobrança. Isso sem que contar que estaremos criando obstáculos para uma empresa em, por exemplo, expedir certidão negativa de débitos, vital para o exercício de sua atividade, em razão da cobrança de um valor menor que R$ 3,00. É por essa razão que entendo que tal parcela, igualmente, deve ser desconstituída. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 16/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA 16 Conclusão Isso posto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para excluir do auto de lançamento em relação 1) à falta de recolhimento/pagamento de valores declarados, os valores de R$ 9.440,70 correspondente ao imposto apurado, R$ 7.080,53 à Multa de Ofício, e R$ 8.986,39 a juros de mora; e em relação 2)ao pagamento de valores declarados em atraso sem a inclusão de acréscimos moratórios (juros e multa), o valor de R$ 1.372,84 correspondente à Multa de Ofício/Isolada, e R$ 2,82 a título de juros de mora. (Assinado digitalmente) Fabio Brun Goldschmidt Relator Fl. 171DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 16/12/20 14 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BAR BOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.904541/2009-81
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2010
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. ERRO DEMONSTRADO.
O Per/DComp somente pode ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Entretanto essa determinação deve ser temperada no caso em que restar demonstrado que o sujeito passivo incorreu em erro de informação em Per/DCTF, evidenciado através das informações contidas em DIPJ anterior ao Dcomp.
DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Em situações em que restou superado o fundamento da negativa de homologação da compensação, a unidade de origem deve proceder à nova análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total.
Numero da decisão: 1803-002.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
[assinado digitalmente]
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
[assinado digitalmente]
Ricardo Diefenthaeler - Relator
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Sérgio Rodrigues Mendes, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani, Meigan Sack Rodrigues e Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: RICARDO DIEFENTHAELER
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2010 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. ERRO DEMONSTRADO. O Per/DComp somente pode ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Entretanto essa determinação deve ser temperada no caso em que restar demonstrado que o sujeito passivo incorreu em erro de informação em Per/DCTF, evidenciado através das informações contidas em DIPJ anterior ao Dcomp. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que restou superado o fundamento da negativa de homologação da compensação, a unidade de origem deve proceder à nova análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total.
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RETIFICAÇÃO. ERRO DEMONSTRADO. O Per/DComp somente pode ser retificado pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Entretanto essa determinação deve ser temperada no caso em que restar demonstrado que o sujeito passivo incorreu em erro de informação em Per/DCTF, evidenciado através das informações contidas em DIPJ anterior ao Dcomp. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que restou superado o fundamento da negativa de homologação da compensação, a unidade de origem deve proceder à nova análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 45 41 /2 00 9- 81 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10380.904541/200981 Acórdão n.º 1803002.601 S1TE03 Fl. 212 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Carmen Ferreira Saraiva Presidente [assinado digitalmente] Ricardo Diefenthaeler Relator Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Sérgio Rodrigues Mendes, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani, Meigan Sack Rodrigues e Roberto Armond Ferreira da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte antes identificada em face do acórdão proferido pela DRJ a quo, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contra o despacho de não homologação da compensação intentada através da Declaração de Compensação (Dcomp) de nº 25736.04133.280706.1.3.040470, transmitida eletronicamente em 28/07/2006, com base em créditos relativos ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) Lucro Real Ajuste Anual. Como relata a decisão recorrida, na referida Dcomp, "o contribuinte alegou ter crédito oriundo do pagamento de IRPJ, realizado em 31/03/2006, no valor principal de R$ 11.093,76 (cód. 2430), que teria sido feito a maior", requerendo "a sua compensação parcial, no limite do valor de R$ 542,06, com débitos totalizando R$ 548,46 (fls. 5)". O Despacho Decisório considerou improcedente o crédito declarado, sob a seguinte fundamentação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sede de manifestação de inconformidade, alegou a ora recorrente que possui direito de crédito em razão de pagamento a maior de tributo, assinalando que o valor informado em DCTF é maior do que o valor devido. Apreciando o recurso, a Turma Julgadora da DRJ a quo entendeu que a contribuinte não apontou a origem do erro e não demonstrou sua existência, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. A decisão em questão foi assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10380.904541/200981 Acórdão n.º 1803002.601 S1TE03 Fl. 213 3 Incumbe ao manifestante o ônus da prova de liquidez e certeza do crédito pleiteado, mormente diante da inconsistência entre as informações por ele prestadas à Administração Tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 13/8/2013 (fls. 117), a interessada apresentou o presente recurso em 12/9/2013 (fls. 119 e seguintes), tempestivamente, portanto. Assevera, em síntese, o que segue: a) que a DCTF foi preenchida com erro, informando débito de IRPJ para o PA 12/2005 a maior do que o devido; b) que o valor correto foi informado na DIPJ, tendo a recorrente entendido que assim estaria corrigido o erro; c) que a DCTF somente foi retificada em momento posterior ao Despacho Decisório, observando que a IN SRF nº 600, de 2005, não veda a retificação dessa declaração nesse momento; d) que para "confirmar de forma irrefutável" o crédito reclamado, juntou cópia da DIPJ, das DCTFs Original e Retificadora, dos DARFs e do LALUR, que comprova a base de cálculo do período; e) que os princípios da verdade material e da boafé objetiva concorrem no sentido de se lhe reconhecer o crédito guerreado. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Diefenthaeler, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. A recorrente pretende ver homologada compensação em que utilizou crédito de IRPJ relativo ao AC 2005 (código de receita 2430 "IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REALENTIDADES NÃO FINANCEIRASDECLARAÇÃO DE AJUSTE"), que alega ter recolhido com erro, a maior. Refere que o valor devido e correto é R$ 39.818,36, tendo, no entanto, recolhido R$ 40.360,42. Relata que, embora tenha informado o último valor em DCTF, posteriormente constatou o erro a partir de análise mais detalhada da sua escrita. O valor correto foi, então, informado em DIPJ, julgando a recorrente que esse procedimento era suficiente para corrigir a informação. Somente depois de tomar conhecimento da não homologação da compensação fez a retificação da DCTF. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10380.904541/200981 Acórdão n.º 1803002.601 S1TE03 Fl. 214 4 A decisão a quo assinala que a recorrente, limitouse a informar que o valor correto de IRPJ apurado é aquele constante na DIPJ do respectivo período. Observa, assim, que a DIPJ, embora seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomada isoladamente, não é prova suficiente do erro alegado, ressaltando que "a incoerência do contribuinte macula de dúvida as informações por ele prestadas, o que afasta a certeza do crédito pleiteado". Ocorre, no entanto, que o fato de constar em DIPJ apresentada em 28/06/2006 (fls. 163), antes, portanto, da Dcomp, montante a pagar de CSLL Ajuste Anual no valor de R$ 39.818,36 (Ficha 12A fls. 174) indica que é plausível o argumento da recorrente de que entendeu ser suficiente a informação em DIPJ, daí a não retificação da DCTF antes do despacho decisório. Vejase, a propósito, que o batimento eletrônico de informações na análise da Dcomp faz o cotejo do pagamento de que se origina o crédito a compensar com a informação correspondente em DCTF, não considerando a informação prestada em DIPJ. Ora, refletindo a Dcomp a informação que já constava em DIPJ, é de se crer que a dissonância com a DCTF Original (que foi posteriormente retificada) decorre de erro de apuração constatado e corrigido com a apresentação da DIPJ, anteriormente, como se viu, à Dcomp. É, assim, direito da recorrente reaver o indébito tributário, ainda que tenha confessado anteriormente qualquer outro valor em DCTF, não se podendo alegar a preclusão do direito, sob pena de ofensa aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa e até mesmo da legalidade, valendo ressaltar que a DCTF foi posteriormente retificada. Não obstante o caráter de confissão da DCTF, a exatidão dos valores envolvidos e os erros de fato caracterizados na declaração poderão ser objeto de verificação na fase de julgamento, seja em homenagem ao princípio da verdade material, seja para preservação da própria legalidade na cobrança de tributos, evitando cobrar débito indevido, ou, ao contrário, reconhecer como crédito valor devido de tributo. De outra banda, se a norma tributária veda a retificação da Declaração de Compensação e Pedido de Restituição (Per/Dcomp) após o despacho decisório, não o faz para a DCTF. Vale ressaltar, aliás, que, a teor do art. 11, § 1º, da IN RFB nº 903, de 2008, vigente à época da retificação da DCTF do 2º Trimestre de 2005 (a retificadora foi entregue em 19/5/2009, fls. 197), a DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e serve para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Conclusão Em face do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, determinando que a unidade de origem reaprecie a compensação objeto do presente processo, , abstraindose do erro de preenchimento demonstrado, devendo verificar a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido. Devem os débitos compensados permanecer com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total das compensações promovidas. [assinado digitalmente] Ricardo Diefenthaeler Fl. 217DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER Processo nº 10380.904541/200981 Acórdão n.º 1803002.601 S1TE03 Fl. 215 5 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por RICARDO DIEFENTHAELER
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Numero do processo: 13807.014719/99-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1995
PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO.
PRAZO PRESCRICIONAL.
Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, o prazo de cinco anos previsto no art. 3º da mesma lei só é válido para os pedidos de restituição protocolizados após a sua vigência, 09/06/2005. Para os pedidos protocolizados até esta data prevalece o prazo de 10 anos contados da data do fato gerador.
COMPENSAÇÃO.
Há direito de análise do pedido de compensação informado em DCTF, oriundo de pedido de restituição anterior.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-002.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Recorrente SOCIEDADE CIVIL PADRE FAURE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1995 PIS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, o prazo de cinco anos previsto no art. 3º da mesma lei só é válido para os pedidos de restituição protocolizados após a sua vigência, 09/06/2005. Para os pedidos protocolizados até esta data prevalece o prazo de 10 anos contados da data do fato gerador. COMPENSAÇÃO. Há direito de análise do pedido de compensação informado em DCTF, oriundo de pedido de restituição anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 01 47 19 /9 9- 25 Fl. 547DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13807.014719/9925 Acórdão n.º 3301002.543 S3C3T1 Fl. 548 2 Relatório Por bem relatar os atos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP): 1. Em 10/12/99 a sociedade requer restituição de R$ 167.890,39 (fl 3 e 14), do PIS apurado de 01/07/88 a 31/12/95 e recolhido entre 20/10/88 e 31/01/96, com correção pela Selic, por inconstitucionalidade dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, arguindo que o PIS, nos moldes da Lei Complementar 7/70, é exigível à alíquota de 5% sobre o imposto de renda devido, em razão da atividade de prestação de serviços exercida, conforme Darf’s originais anexados (fl 123195 e 198257). Mediante “Pedido de compensação de crédito com débito de terceiros” requer que R$ 133.338,55 desse crédito seja compensado (Leis 8.383/91 e 9.430/96) em benefício de empresa dela cindida: “Escola Logos S/C Ltda”, Cnpj 03.305.498/000199 (fl 3). Em 20/7/2003 a cindida incorpora a requerente (fl 408). 2. Despacho Decisório indefere parte da restituição e todo o pedido de compensação, considerando: a) Decadência quinquenal do direito de pleitear a restituição (CTN art 165, I, e 168, I, e AD 96/99) referente a recolhimentos até 10/12/1994; b) Afastados os DecretosLeis, o Pis é devido pelo sistema da LC 7/70, sendo a empresa tributada pelo PIS Repique e PIS Dedução; c) Tendo a empresa recolhido pelo PisFaturamento pode restituir o que excede ao Pis Repique pago após 11/12/94; d) Tais critérios resultam em crédito de UFIR 24.274,65 (R$ 20.116,40 em 31/12/95) ao qual cabe aplicar a SELIC a partir de 1/1/96; e) Pedido de compensação não discrimina nenhum débito, não podendo ser acatado. 3. O despacho foi enviado por correio (fl 282verso). Depois foi afixado edital em 11/7/07, com contagem de prazo de trinta dias a partir do 16º dia de afixação ( fl 284). 4. Em 27/8/2007 há inconformidade de Logos Participações Educacionais Ltda, Cnpj 03.305.498/000199 (fl 351), na qual, em suma: Contesta as normas decadenciais para pleitear a repetição de indébito em 5 (cinco) anos contados da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento, defendendo a contagem a partir de 9/10/95 (publicação da Res. 49/95 do Senado), conforme jurisprudência administrativa transcrita; Diz ter procedido contabilmente a compensação de Pis e Cofins de 2000 e 2001, conforme DCTF’s anexas; Diz ter indicado “débitos a vencer” no campo próprio, pois a IN 21/97 não exigia indicação dos débitos que seriam utilizados, sendo correto seu proceder. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13807.014719/9925 Acórdão n.º 3301002.543 S3C3T1 Fl. 549 3 Ao final, pede reforma parcial do despacho para reconhecer restituição integral do Pis e deferir a compensação. Informa o endereço dos advogados para intimação. Pede produção probatória permissível, protestando por posterior juntada de documentos, perícia, memoriais e sustentação oral. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) indeferiu a Manifestação de Inconformidade do contribuinte sob a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1995 INTIMAÇÃO. MEIOS E/OU DIRECIONAMENTO. COMPETÊNCIA. AUTORIDADE PREPARADORA. Compete à unidade preparadora a escolha do direcionamento e/ou do meio para comunicar ato processual (e.g.: pessoal, eletrônica, postal e/ou edital) objeto do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, e alterações. MEIOS DE PROVA. SUSTENTAÇÃO ORAL. IMPOSSIBILIDADE. No processo administrativo fiscal são admissíveis os meios documental e/ou pericial, não havendo previsão para o oral. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E/OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A diligência e/ou a perícia objetivam subsidiar a convicção do julgador e se restringem à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde de questão controversa, mas não se justificam quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. PROVA. MOMENTO DE PRODUÇÃO. PRECLUSÃO. JUNTADA DE NOVAS PROVAS DOCUMENTAIS. INDEFERIMENTO. Para evitar a preclusão a interessada deve apresentar com a impugnação a documentação sustentadora de suas alegações, ou demonstrar alguma das situações do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1995 REPETIÇÃO. EXTINÇÃO DO DIREITO POR DECADÊNCIA. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o Fl. 549DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13807.014719/9925 Acórdão n.º 3301002.543 S3C3T1 Fl. 550 4 transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário, assim considerada a data do pagamento do tributo (AD SRF 96/99; art. 3º, LC 118/05; art 106, 150, §1º, 168, I, CTN). Decadência para repetir o Pis pago até 10/12/1994. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1995 COMPENSAÇÃO. PEDIDO INEPTO. Por falta de objeto (débito), desnaturase o pedido de compensação. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário onde, basicamente, repetiu as alegações constantes da sua Manifestação de Inconformidade É o relatório. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13807.014719/9925 Acórdão n.º 3301002.543 S3C3T1 Fl. 551 5 Voto O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. 1. Prescrição do Direito de Pedir a Restituição: Parte da controvérsia processual está centrada no prazo de que o contribuinte dispunha para entrar com o pedido de restituição. O Pedido de Restituição do PIS foi feito em 10/12/1999. O tributo foi apurado de 01/07/88 a 31/12/95 e recolhido entre 20/10/88 e 31/01/96. A Interessada alega em seu Recurso Voluntário que a restituição não foi atingida pelo prazo decadencial, pois este seria contado da publicação da Resolução Nº 49 do Senado Federal, em 09/10/95. Alega também, que caso a tese acima não seja considerada, que deve ser abarcada a tese de que, tratandose de tributo cujo recolhimento está sujeito à homologação, aplicase o entendimento jurisprudencial de que o prazo prescricional para repetir o que indevidamente se pagou é de 5 anos contados do prazo estabelecido para a homologação do lançamento, que também é de 5 anos. Dessa forma, o fato é que, ainda assim, estaria a maior parte do direito da Recorrente (relativa aos valores exigidos no período de 1989 a 1996) albergada pela tese acima esposada, amplamente acolhida por nossos tribunais superiores. O prazo para os contribuintes apresentarem o pedido de restituição foi objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal, que concluiu pela repercussão geral deste tema nos autos do Recurso Extraordinário nº 561.908, e passou a apreciar seu mérito nos autos do Recurso Extraordinário nº 566.621 sendo publicado em 11/10/2011 acórdão assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4o, 156, VII, e 168, I, do CTN. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13807.014719/9925 Acórdão n.º 3301002.543 S3C3T1 Fl. 552 6 A LC 118/2005, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção de confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede a iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3o, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Após esta decisão, esta corte administrativa passou a adotála em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, o qual determina a observância de decisões proferidas pelo STF e STJ no rito dos recursos repetitivos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos Fl. 552DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13807.014719/9925 Acórdão n.º 3301002.543 S3C3T1 Fl. 553 7 artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Neste sentido, recente acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1988 a 31/12/1991 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543B DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). “Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados. (Acórdão da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais nº 9303002.333, sessão do dia 20/06/2013) Sem dúvida a jurisprudência deste tribunal administrativo já vem reconhecendo pacificamente esses direitos, conforme se depreende de recente Acórdão proferido pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, processo de relatoria do eminente Conselheiro Henrique Pinheiro Torres: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Para restituição/compensação de créditos relativos a fatos geradores ocorridos entre setembro de 1989 e março de 1992, cujo pedido foi protocolado até 08 de junho de 2005, aplicavase o prazo decenal tese dos 5 + 5. Recursos negados.(Acórdão CSRF nº 9303002.304 3ª Turma, 20/06/2013). (grifei) Fl. 553DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13807.014719/9925 Acórdão n.º 3301002.543 S3C3T1 Fl. 554 8 O assunto, inclusive, foi sumulado pelo CARF: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Portanto, seguindo a linha das decisões acima alinhavadas, há que se reconhecer que o contribuinte detinha o prazo de dez anos, contados da data do fato gerador do pagamento indevido, para pedir restituição dos valores recolhidos a maior do PIS. Considerando que o pedido de restituição do PIS foi apresentado em 10/12/1999, os pagamentos efetuados e decorrentes de fatos geradores ocorridos a partir de 10/12/1989 podem ser objeto de análise de seu direito creditório. No caso em tela, o fato gerador do tributo objeto do pedido de restituição é de 01/07/88 a 31/12/95, estando os períodos entre 01/07/88 e 10/12/89 prescritos para análise do pedido de restituição, e os demais períodos, aptos a serem analisados. 2. Compensação. Do alegado crédito de R$ 167.890,39 a requerente pediu compensação de R$ 133.338,55 para a empresa cindida: “Escola Logos S/C Ltda”, CNPJ 03.305.498/000199 (fl 3). Em 20/07/2003, a empresa cindida incorporou a requerente. O Despacho Decisório e o Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) indeferem a compensação, alegando que o formulário não discrimina débito a compensar, conforme exige a legislação, sendo, portanto, sem efeito. Na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário a empresa defende a correção de seu procedimento com base na IN SRF Nº 21/97 e, alega que, apesar de não ter constado do pedido de compensação a discriminação dos débitos que seriam utilizados, o fato é que a Recorrente procedeu à referida compensação contabilmente, com débitos de PIS e COFINS relativos aos exercícios de 2000 e 2001, consoante já demonstrado nas DCTFs juntadas na Manifestação de Inconformidade. Como disposto no Acórdão recorrido, a autocompensação, prevista no artigo 66 da Lei 8.383/91, não exigia pedido escrito. Entretanto, o contribuinte realizou o pedido escrito, sendo as normas aplicáveis ao caso, a Lei 9.430/96 e a IN 21/97. A redação original do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 cria e rege a compensação a requerimento: Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13807.014719/9925 Acórdão n.º 3301002.543 S3C3T1 Fl. 555 9 Diz a IN 21/97: Art. 7º Compete à autoridade administrativa da Delegacia da Receita Federal (DRF) ou da Inspetoria da Receita Federal, classe A (IRFA), do domicílio fiscal do contribuinte, decidir acerca do crédito pleiteado e autorizar o seu pagamento, relativamente à parte em que for favorável a decisão, na forma da Instrução Normativa Conjunta nº 117, de 16 de novembro de 1989, expedida pela SRF e pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN). Parágrafo único. Para efeito do disposto neste artigo, a autoridade competente poderá determinar seja efetuada diligência fiscal prévia, nos estabelecimentos do contribuinte, de modo a constatar, face à sua escrituração contábil e fiscal, a veracidade dos dados apresentados. (...) Compensação de Crédito de um Contribuinte com Débito de Outro Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. § 1º A compensação de que trata este artigo será efetuada a requerimento dos contribuintes titulares do crédito e do débito, formalizado por meio do formulário "Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros", de que trata o Anexo IV. § 2º Se os contribuintes estiverem sob jurisdição de DRF ou IRF A diferentes, o formulário a que se refere o parágrafo anterior deverá ser preenchido em duas vias, devendo cada contribuinte protocolizar uma via na DRF ou IRFA de sua jurisdição. § 3º Na hipótese do parágrafo anterior, a via do Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, entregue à DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do débito terá caráter exclusivo de comunicado. § 4º Na hipótese do § 2º, a competência para analisar o pleito, efetuar a compensação e adotar os procedimentos internos de que trata o § 2º do art. 13 é da DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do crédito. § 5º Nas compensações de que trata este artigo, o Documento Comprobatório de Compensação de que trata o Anexo V será emitido em duas vias, devendo ser entregue uma via para cada contribuinte. § 6º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art.17. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13807.014719/9925 Acórdão n.º 3301002.543 S3C3T1 Fl. 556 10 Realmente o pedido de compensação de “débito vincendo” não discrimina os dados de qualquer débito ao qual contrapõe o indébito pleiteado, o que deveria ter sido feito à época. Entretanto, o primeiro pedido de restituição nos serviu para que o contribuinte não perdesse o direito de ter o seu direito ao crédito analisado, como disposto no item do prazo para entrada do pedido de restituição. Posteriormente, o contribuinte informou em DCTF os valores dos débitos a serem compensados com os créditos que, aparentemente possui. Portanto, em consonância com o Princípio da Verdade Material, entendo que assiste razão ao contribuinte nesse ponto. Conclusão: 1) Em relação ao prazo de Prescrição do Direito de Pedir a Restituição, considerando que o Pedido de Restituição do PIS foi feito em 10/12/1999, entendo que os pagamentos efetuados e decorrentes de fatos geradores ocorridos a partir de 10/12/1989 podem ser objetos de análise de seu direito creditório. Como o fato gerador do tributo objeto do pedido de restituição é de 01/07/88 a 31/12/95, os períodos entre 01/07/88 e 10/12/89 estão prescritos para análise; 2) Em relação ao direito à compensação, entendo que assiste razão ao contribuinte. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito do contribuinte em ter analisado o seu pedido de compensação, com retorno dos autos a delegacia de origem para que verifique a existência de crédito líquido e certo em favor do contribuinte para o período não atingido pelo prazo prescricional já informado. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 556DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13807.014719/9925 Acórdão n.º 3301002.543 S3C3T1 Fl. 557 11 Fl. 557DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13819.002954/2001-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 1997
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 01). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO.
Sem qualquer prova de que o débito do período de apuração 01-03/1997 (R$16.306,78) tenha sido declarado em duplicidade, na primeira e segunda semana de março de 1997, mantém-se o lançamento.
Numero da decisão: 2102-003.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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Recorrida União (Fazenda Nacional) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 01). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO. Sem qualquer prova de que o débito do período de apuração 01-03/1997 (R$16.306,78) tenha sido declarado em duplicidade, na primeira e segunda semana de março de 1997, mantém-se o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator e presidente-substituto EDITADO EM: 06/04/2015 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (presidente-substituto e relator) Roberta de Azevedo Ferreira Pagetti (vice-presidente), Núbia Matos Moura, Alice Grecchi e Lívia Vilas Boas e Silva. Relatório Trata-se de recurso voluntário, em face do Acórdão 05-36.950, de 16/02/2012, exarado pela 4ª Turma da DRJ/CPS (fls. 129 a 140). Em 30/10/2001 foi lavrado contra a contribuinte auto de infração eletrônico, decorrente do processamento da DCTF do ano-calendário de 1997 (ciência em 05/12/2001, por aviso de recebimento, fl. 86), exigindo crédito tributário no valor de R$135.476,68, relativo à falta de recolhimento do IRRF, mais acréscimos legais (multa de ofício e juros de mora), diante da falta de localização de pagamentos e de ações judiciais informadas na DCTF (débitos com exigibilidade suspensa), conforme demonstrativos das fls. 20 a 22. Em revisão de ofício, a unidade preparadora excluiu parte do crédito tributário, restando em litígio os seguintes débitos (Extrato/SIEF): Código receita Período apuração Vencimento Valor em litígio 0561 01-02/1997 05/02/1997 14.025,64 0561 01-03/1997 05/03/1997 17.899,58 0561 02-03/1997 13/03/1997 16.306,78 Em sua impugnação (fls. 02 e 03), a contribuinte asseverou que: (a) o valor de R$14.025,64 refere-se à Medida Cautelar 97.0002186 6, cuja decisão foi emitida pelo Poder Judiciário em 27/01/97, depositado em 30/01/97, por Guia de Depósito à Ordem da Justiça Federal. Tal depósito foi indicado em DCTF, código de receita 0561, no campo “Exigibilidade Suspensa”; (b) o valor de R$16.306,78 refere-se à Medida Cautelar 97.0004975 2, cuja decisão foi emitida pelo Poder Judiciário em 03/03/97, depositado em 06/03/97, por Guia de Depósito à Ordem da Justiça Federal. Tal depósito foi indicado em DCTF, código de receita 0561, no campo “Exigibilidade Suspensa”. (c) o valor de R$17.899,58 refere-se a débito declarado em duplicidade na DCTF. Constou na 1ª e na 2ª semanas do mês de março de 1997, com código de receita 0561. Tal valor (R$17.899,58) seria composto pelo débito de R$16.306,78 (letra b) mais a quantia de R$1.592,80, referente a IRRF recolhido em 31/03/97, acrescido de multa de mora de R$142,32, no total de R$1.735,12, conforme cópia de DARF que anexou. A DRJ, em seu julgamento, (a) não apreciou o mérito “na parte em que há identidade com a matéria submetida ao Poder Judiciário, especificamente referida aos débitos de R$14.025,65 (PA: 01- 02/97, código de receita 0561) e R$16.306,78 (PA: 02-03/97, código de receita 0561)”, (b) julgou procedente em parte a impugnação, para excluir o valor de R$1.592,80, referente ao débito do período de apuração 01-03/97, código de receita 0561, Fl. 167DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13819.002954/2001-73 Acórdão n.º 2102-003.297 S2-C1T2 Fl. 2 3 determinando a alocação do DARF no valor total de R$1.735,12 (fl. 54) à respectiva DCTF, vinculada a este processo; (c) excluiu a multa de ofício vinculada, relativa a todos os débitos e períodos de apuração remanescentes da revisão de ofício; e (d) apontou a necessidade de serem verificados “os efeitos, sobre o crédito tributário mantido, do trânsito em julgado de decisão judicial, com a conseqüente necessidade de, anteriormente à cobrança, verificar a existência, suficiência e disponibilidade dos depósitos judiciais efetuados pela contribuinte, do qual se tem notícia, nos termos do despacho de fl. 105 (fl. 108 do processo eletrônico) que teriam sido, ou serão, convertidos em renda da União Federal”. Como resultado do julgamento, o seguinte crédito tributário restou exigido no presente processo: Código receita Período apuração Valor em litígio Multa de ofício 0561 01-02/1997 14.025,64 0,00 0561 01-03/1997 16.306,78 0,00 0561 02-03/1997 16.306,78 0,00 Segundo informações da unidade preparadora (fl. 108), o débito do período de apuração 02-03/1997 (R$16.306,78) teria sido extinto por decisão judicial transitado em julgado e há discussão quanto ao montante do débito de R$14.025,64 a ser convertido em renda da União. Tal acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 1997 DCTF. REVISÃO INTERNA. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. LANÇAMENTO. A propositura de ação judicial antes da lavratura do auto de infração não obstaculiza a formalização do lançamento, mas impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, das razões de mérito submetidas ao Poder Judiciário. Exclui-se parte do crédito tributário formalizado, não abrangido pelas ações judiciais, em vista da existência de recolhimento disponível para alocação, nos sistemas informatizados da RFB. MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no Código Tributário Nacional, é cabível a exoneração da multa de lançamento de ofício vinculada, para débitos já declarados em DCTF. A data da ciência por decurso de prazo, a contar de sua disponibilização na caixa postal do Módulo e-CAC ocorreu em 22/01/2013, por termo de vista em processo (fl. 105). Em 08/02/2013 (termo de solicitação de juntada, fl. 148), foi apresentado recurso voluntário (fls. 149 a 154), afirmando que: (a) no que tange aos depósitos judiciais, não há falar em sua cobrança, uma vez que restou confirmada a suspensão de sua exigibilidade, e a matéria deve ser apreciada neste processo administrativo fiscal; (b) o débito do período de apuração 01-03/1997 (R$16.306,78) foi declarado em duplicidade, na primeira e segunda semana de março de 1997, estando impossibilitada de retificar a DCTF. É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Dele tomo conhecimento. QUESTÃO PRELIMINAR – RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA Está correta a decisão recorrida em não apreciar o mérito da matéria objeto das ações judiciais. De acordo com a Súmula CARF 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ressalto que, em função da discussão judicial relativa aos débitos dos períodos de apuração 02-03/1997 (R$16.306,78) e 01-02/1997 (R$14.025,6), eventuais cobranças desses valores se dará nos autos do processo judicial, devendo ser excluídos da cobrança administrativa . QUESTÃO DE MÉRITO – COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO DO IRRF A contribuinte não trouxe aos autos qualquer documento que pudesse comprovar que o débito do período de apuração 01-03/1997 (R$16.306,78) tenha sido declarado em duplicidade, na primeira e segunda semana de março de 1997. Sendo assim, não há reparos a fazer na decisão recorrida quanto à manutenção de sua exigência. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13819.002954/2001-73 Acórdão n.º 2102-003.297 S2-C1T2 Fl. 3 5 Assim, com base nos fundamento retrocitados, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 170DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10880.733524/2011-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. CÁLCULO DO LIMITE DE DEDUÇÃO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. LUCRO REAL TRIMESTRAL. COMPOSIÇÃO DO PATRIMÔNIO.
No caso de pessoas jurídicas optantes pelo regime de tributação pelo lucro real trimestral, para efeito do cálculo do limite de dedução dos valores pagos a título de juros sobre o capital próprio, o resultado de cada trimestre pode ser computado no patrimônio líquido inicial dos trimestres seguintes.
Numero da decisão: 1202-001.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno (relator), que negava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima.
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima- Presidente.
(assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno- Relator.
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Donassolo (Presidente à época do julgamento), Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Plínio Rodrigues Lima, Cristiane Silva Costa (suplente) e Orlando José Gonçalves Bueno. Declarou-se impedido o Conselheiro Geraldo Valentim Neto.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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CÁLCULO DO LIMITE DE DEDUÇÃO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. LUCRO REAL TRIMESTRAL. COMPOSIÇÃO DO PATRIMÔNIO. No caso de pessoas jurídicas optantes pelo regime de tributação pelo lucro real trimestral, para efeito do cálculo do limite de dedução dos valores pagos a título de juros sobre o capital próprio, o resultado de cada trimestre pode ser computado no patrimônio líquido inicial dos trimestres seguintes. Vistos, relatados e discutidos os autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno (relator), que negava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima – Redator Designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 73 35 24 /2 01 1- 37 Fl. 1836DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10880.733524/201137 Acórdão n.º 1202001.093 S1C2T2 Fl. 9 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Donassolo (Presidente à época do julgamento), Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Plínio Rodrigues Lima, Cristiane Silva Costa (suplente) e Orlando José Gonçalves Bueno. Declarouse impedido o Conselheiro Geraldo Valentim Neto. Relatório Tratase de auto de infração referente ao IRPJ e a CSLL, anos calendários de 2006 e 2007. A fiscalização adicionou na apuração do lucro real da empresa valores considerados como excesso de juros pagos ou creditados a título de remuneração do capital próprio, por entender que não foram observados os limites de dedutibilidade previstos na legislação do Imposto de Renda, além de considerar equivocada a forma de aplicação da Taxa de Juros a Longo Prazo (TJLP). De acordo com a fiscalização Recorrente: a) Em vez de aplicar a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), pro rata dia, conforme prescrevem os artigos 9º da Lei 9.249/95 e 347 do RIR, aplicou a TJLP de forma proporcional, em relação aos 12 meses do ano, considerando que as mutações do PL se deram todas no último dia de cada mês; b) Considerou, sob a escusa de apurar trimestralmente o IR, o resultado de cada trimestre para efeito do cálculo do limite de dedutibilidade dos valores pagos a título de JCP, contrariando, a legislação societária, a qual determine que somente após o término do exercício social e decisão tomada em assembleia é que a incorporação da parcela do lucro não distribuída ao patrimônio líquido da empresa se torna definitiva, sendo incorreto deduzir como despesa a remuneração paga a título de JCP no trimestre calculada (inclusive) sobre o lucro correspondente ao trimestre anterior. A impugnação da ora Recorrente foi julgada improcedente, sendo considerado pela DRJ que a pessoa jurídica pode deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, todavia, estes devem ser calculados sobre as contas do patrimônio líquido, não computados os lucros em formação no período base, e limitados à variação, pro rata dia, da TJLP, não podendo, segundo a DRJ, o lucro do próprio período base ser computado como integrante do patrimônio líquido, em face de os juros sobre o capital próprio destinaremse à remuneração do capital pelo tempo em que este ficou à disposição da empresa. Por fim, ao a DRJ julgou procedente o lançamento principal de IRPJ, replicou o mesmo entendimento à exigência da CSLL. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário argumentando que no período fiscalizado, apurava o IRPJ e a CSLL em bases trimestrais, ou seja, a apuração trimestral foi definitiva, Fl. 1837DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10880.733524/201137 Acórdão n.º 1202001.093 S1C2T2 Fl. 10 3 sendo cada trimestre considerado de forma estanque para a aplicação da legislação tributária, o que significa dizer, segundo a Recorrente, que o procedimento adotado para cálculo do JCP, estaria em consonância com o que determina a legislação fiscal, já que ao encerramento de cada trimestre, a Recorrente incorporou o lucro apurado em seu patrimônio líquido. Uma vez que na apuração em bases trimestrais cada trimestre deve ser considerado de forma isolada, os lucros auferidos e não distribuídos devem ser contabilizados em contas no patrimônio líquido das sociedades. A Recorrente alega também que a fiscalização foi contraditória porque de um lado aceitou o regime de apuração trimestral, mas considerou, por outro lado, que a evolução do patrimônio líquido deve ser considerado em bases anuais. Assim, insistiu a Recorrente que na apuração trimestral a tributação é definitiva, sendo cada trimestre considerado de forma estanque para a aplicação da legislação tributária. Por esse motivo, dentro da coerência da legislação fiscal, ao encerramento de cada trimestre a Recorrente incorporou o lucro apurado em seu patrimônio líquido. Diz que isso foi feito porque tinha o dever de contabilizar os lucros auferidos e não distribuídos nas contas de patrimônio líquido da sociedade. Argumenta a Recorrente que a legislação do IRPJ e da CSLL permite em casos semelhantes que eventuais distorções ocorridas ao longo do período de apuração devam ser corrigidas ainda dentro do período eleito, citando como exemplo a IN SRF 267/2002 que, ao regulamentar o tratamento tributário aplicável a incentivos fiscais, determina que, no caso de apuração trimestral, a dedução do imposto decorrente dos incentivos corresponderá ao valor dos investimentos efetuados dentro do respectivo trimestre de apuração. Alega a Recorrente por fim, que a referência à legislação societária, feita pelo Fisco, se apresenta como destorcida da realidade e da estrutura básica da tributação sobre a renda que a leva em consideração elementos patrimoniais atrelados àquele período e não a períodos anteriores ou posteriores. Consequentemente, concluiu a Recorrente sob a questão da trimestralidade que, uma vez que a fiscalização não se pautou no correto cálculo do patrimônio líquido restaria, também, sem argumento a acusação no sentido de que a empresa não teria utilizado a variação correta da ‘TJLP’ pro rata dia, na medida em que o lançamento se encontra viciado, porque não edificou corretamente a matéria tributável como um todo. A Procuradoria apresentou contrarazões ao Recurso alegando que a insatisfação da Recorrente não merece prosperar. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, Relator. Fl. 1838DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10880.733524/201137 Acórdão n.º 1202001.093 S1C2T2 Fl. 11 4 Não merece prosperar os argumentos da Recorrente. Não se trata o caso de decidir em aplicar ou a legislação fiscal ou a legislação societária. Nos parece claro que somente a legislação societária é competente para fornecer subsídios sobre qual base de cálculo deve ser utilizada no cálculo de dos Juros sobre Capita próprio, ou melhor, sobre qual o momento adequado em que deve ser olhado o patrimônio líquido para fins de cálculos. A Recorrente alega que esse momento deve ser trimestralmente. Aduz que à base de cálculo, no caso patrimônio líquido, deve ser incorporado o lucro trimestral. Ou seja, segundo referido argumento, deve ser calculado a cada trimestre um novo patrimônio líquido e, consequentemente, aumentar o montante de Juros Sobre Capital Próprio a remunerar os donos do capital, refletindo em menos tributo a pagar. Alega, fundamentalmente, que tem esse direito porque apurou trimestralmente o Imposto de Renda. Apesar da coerente alegação da Recorrente, não merece prosperar o argumento porque, de fato, não é a apuração do Imposto de Renda que decide sobre a destinação que será dado aos rendimentos do capital, sejam ele lucro ou juros. Quem decide sobre essa destinação é a própria sociedade e o faz APÓS O ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. Somente, portanto, após o final de um ano passa a existir a base (patrimônio líquido) correta para o cálculo dos Juros sobre Capital próprio. Desta forma, não se trata de poder ou não aumentar o patrimônio líquido trimestralmente e sim a necessidade de se utilizar o patrimônio líquido obtido ao final exercício. Isto porque o artigo 175 da Lei nº 6.404/76 estabelece que o exercício social tem duração de 1 (um) ano, cuja data do término é fixada no estatuto e que ao final do exercício social, devem ser realizadas as demonstrações financeiras, no intuito de verificar o resultado das atividades desenvolvidas durante o período e, na sequencia destinar os recursos de referido exercício. Conforme argumentou a Procuradoria, em suas contrarazões, citando, Modesto Carvalhosa (Comentários à Lei de Sociedades Anônimas, 3º volume, 5ª edição, São Paulo: Saraiva, 2011), “o conceito de exercício social está intimamente ligado à ideia de prestação de contas e de distribuição de resultados. De fato, de uma forma simples, poderíamos dizer que é no término do exercício social que se reúnem os donos do capital empregado no negócio para saber quais os resultados das transações realizadas durante o período então findo, examinar a prestação de contas dos administradores e deliberar sobre a quantia que cada um pode retirar a título de lucro. É o art. 132 da lei que regula a matéria. Determina esse artigo que, nos quatro primeiros meses seguintes ao término do exercício social, haja uma assembleia geral para tomar as contas dos administradores, discutir e votar as demonstrações financeiras e deliberar sobre a destinação do lucro líquido do exercício e a distribuição de dividendos. Os arts. 176 e seguintes estabelecem as normas sobre a elaboração e divulgação das demonstrações financeiras” (grifo nosso). Nesse sentido, o artigo 176 da Lei das S/A determina que cabe à diretoria da sociedade elaborar as demonstrações financeiras, inclusive as demonstrações sobre os lucros ou prejuízos acumulados no período, registrando em referidas demonstrações a destinação dos lucros Fl. 1839DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10880.733524/201137 Acórdão n.º 1202001.093 S1C2T2 Fl. 12 5 segundo a proposta dos órgãos da administração, dependendo de aprovação pela assembléia geral. A título ilustrativo podese verificar que no artigo 30 do Estatuto Social da Recorrente está disposto que ocorre encerramento do exercício social em 31 de dezembro de cada ano, prevendo o respectivo parágrafo segundo do mesmo dispositivo que a destinação a ser dada ao lucro do exercício será de I – 5% (cinco por cento) para a formação do fundo de reserva legal, até atingir 20% (vinte por cento) do capital social subscrito; II – pagamento de dividendos obrigatórios (art. 33); III – o lucro remanescente terá a destinação deliberada em Assembleia Geral, observadas as prescrições legais. Desta forma, mesmo que a Recorrente tenha apurado o imposto de renda em períodos trimestrais, para o caso em apreço deve ser, antes de ser aplicada a legislação fiscal, ser respeitada a legislação societária, que especificou o período de um ano como duração do exercício social, visto que a existência de lucros ou prejuízos, a ser prestado conta em definitivo para os donos do capital, somente é verificada ao final do período, momento em que, caso seja apurado lucro no exercício, após deliberação em assembleia, o lucro será incorporado definitivamente ao patrimônio líquido, nos termos dos artigos 132 c/c 192 da Lei das S/A. Diante desse quadro é correto afirmar que a empresa reduziu a base de cálculo dos tributos remunerando com uma taxa de juros o lucro do exercício que seria integralmente distribuído. Logo, os valores auferidos no decorrer do exercício social não podem compor o patrimônio líquido, para efeito de cálculo dos juros sobre capital próprio. Ademais, de acordo com o artigo 109 do CTN, o conceito de patrimônio líquido não pode ser alterado para fins tributários, o que significa dizer que a Recorrente deveria ter calculado os JCP aplicando a TJLP, pro rata dia, exclusivamente sobre as contas do patrimônio líquido, quais sejam, capital social, reserva de capital, reserva de lucro e lucros acumulados. Por outro lado, com relação a aplicação da TJLP PRO RATA DIA, devese ressaltar que o artigo 9º da Lei nº 9.249/95 estabelece que os juros pagos ou creditados a título de remuneração do capital próprio estão limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Longo Prazo – TJLP. De acordo com a fiscalização, a Recorrente, ao contrário do que dispõe referida lei, aplicou a TJLP de forma proporcional em relação aos doze meses do ano, considerando que as mutações do patrimônio líquido se deram todas no último dia de cada mês. A Recorrente não discordou do mérito neste ponto, apenas argumentou que, uma vez que a fiscalização não se pautou no correto cálculo do patrimônio líquido o lançamento tributário se encontraria viciado. Logo, conforme decido acima, se a fiscalização utilizou o patrimônio líquido adequado não há que se falar em vício do lançamento tributário. Assim, é de se negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o crédito tributário lançado. Fl. 1840DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10880.733524/201137 Acórdão n.º 1202001.093 S1C2T2 Fl. 13 6 Orlando José Gonçalves Bueno Voto Vencedor Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. Tratase de divergência do I. Relator em relação à dedução, como despesa, da remuneração paga a título de JCP no trimestre, calculada (inclusive) sobre o lucro correspondente ao trimestre anterior. Sustenta o I. Conselheiro que mesmo a Recorrente apurando o imposto de renda em períodos trimestrais, devese, antes da legislação fiscal, respeitar a legislação societária, a qual especificou o período de um ano como duração do exercício social, visto que a existência de lucros ou prejuízos, com prestação de contas em definitivo para os donos do capital, somente é verificada ao final do período. No caso de lucro no exercício, após deliberação em assembléia, este será incorporado definitivamente ao patrimônio líquido, nos termos dos artigos 132 c/c 192 da Lei das S/A. Não obstante tais considerações, a Recorrente deve apurar a base de cálculo do IRPJ/CSLL e suas respectivas deduções, inclusive a que se refere aos juros sobre capital próprio ao final de cada período – trimestre no caso concreto , conforme determina o art. 274 do RIR/1999, verbis: Art. 274. Ao fim de cada período de incidência do imposto, o contribuinte deverá apurar o lucro líquido mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do período de apuração e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 7º, § 4º, e Lei nº 7.450, de 1985, art. 18). Dispõe o art. 9° da Lei n° 9.249/95 sobre o efeito fiscal da dedução dos juros sobre o capital próprio: Art. 9º. A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia da Taxa de Juros de longo Prazo TJLP. Destarte, devese ajustar o lucro líquido, apurado trimestralmente, deduzindo se os juros sobre o capital próprio calculados durante o mesmo período de apuração da Recorrente. O referido ajuste em nada se relaciona com a deliberação em assembléia para pagamento dos juros aos sócios. Corrobora do mesmo entendimento o decidido no Acórdão n° 1301 001.116, da relatoria do I. Conselheiro Valmir Sandri, da E. Primeira Turma da Terceira Câmara desta Seção, cujos fundamentos a seguir transcritos passo a adotálos no presente recurso: Fl. 1841DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10880.733524/201137 Acórdão n.º 1202001.093 S1C2T2 Fl. 14 7 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO CÁLCULO DO LIMITE DE DEDUTIBILIDADE REGIME DE TRIBUTAÇÃO LUCRO REAL TRIMESTRAL COMPOSIÇÃO DO PATRIMÔNIO No caso de pessoas jurídicas optantes pelo regime de tributação pelo lucro real trimestral, para efeito do cálculo do limite de dedutibilidade dos valores pagos a título de JCP, o resultado de cada trimestre já pode ser computado no patrimônio líquido inicial dos trimestres seguintes do mesmo ano (...) Duas foram as questões combatidas na impugnação: (i) a TJLP aplicada e (ii) a recusa da fiscalização de consideração, no patrimônio líquido inicial de cada trimestre, a partir do 2°, do resultado do trimestre anterior, para efeito do cálculo do limite de dedutibilidade dos valores pagos a título de JCP. As parcelas exoneradas, que correspondem a cancelamento dos lançamentos relativos aos três últimos trimestres dos dois anos calendário (1996 e 1997), foram lançadas em razão do entendimento do autuante, de que, para efeito do cálculo do limite de dedutibilidade dos valores pagos a título de JCP, as pessoas jurídicas optantes pelo regime de apuração do Lucro Real Trimestral não podem considerar, na composição do Patrimônio Líquido inicial de um trimestre, o resultado do trimestre anterior. (...) (...) De acordo com o disposto no PN CST n° 20, de 1987, o lucro líquido que servirá de base para determinação do lucro real de cada período deve ser apurado segundo os procedimentos usuais da contabilidade, inclusive com o encerramento das contas de resultado. Aduz o citado Parecer Normativo que a apuração do lucro líquido exige a transferência dos saldos das contas de receitas, custos e despesas para uma conta única de resultado, passando a integrar o patrimônio líquido, com o encerramento do período de apuração, mediante lançamentos para contas de reservas e de lucros ou prejuízos acumulados. Portanto, no que diz respeito ao resultado do próprio período de apuração, este somente será computado no patrimônio líquido que servirá de base de cálculo dos juros sobre o capital próprio, após a sua transferência para as contas de reservas ou de lucros ou prejuízos acumulados. Assim, havendo opção pelo regime de lucro real mensal, o resultado de cada mês já pode ser computado no patrimônio líquido inicial dos meses seguintes do mesmo ano. Havendo opção pelo regime de lucro real trimestral, o resultado de cada trimestre já pode ser computado no patrimônio líquido inicial dos trimestres seguintes do mesmo ano. Já se o regime for de lucro real anual, o resultado do ano só poderá ser Fl. 1842DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10880.733524/201137 Acórdão n.º 1202001.093 S1C2T2 Fl. 15 8 computado no patrimônio líquido inicial do ano seguinte. (GRIFEI) Normativo: PNCSTn°20, de 1987. 28. O artigo 274 do RIR/1999 estabelece o seguinte: "Art. 274. Ao fim de cada período de incidência do imposto, o contribuinte deverá apurar o lucro líquido mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do período de apuração e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 7°, § 4°, e Lei n° 7.450, de 1985, art. 18). 31. Assim, no caso da Interessada, optante pela apuração do lucro real trimestral, ela deveria, sim, ao final de cada trimestre apurar o lucro líquido mediante a elaboração, com observância da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do trimestre e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. 32. O artigo 9° da Lei 9.249/95 que trata do pagamento de JCP pelas pessoas jurídicas a seus sócios assim estabelece: 27. Nas edições anteriores e posteriores a orientação foi sempre a mesma, como pode ser visto no site da Secretaria da Receita Federa1 do Brasil (a título de exemplo, Perguntas e Respostas relativas às DIPJ 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010, de números, respectivamente, 569, 458, 430, 151, 151 e 151). 28. Além de ser razoável e esperado que os contribuintes seguissem a orientação dada pela resposta acima referida, sou de opinião que ela é a correta. 29. Do que está disposto nos artigos 43 e 44 do CTN, o imposto de renda tem por fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de acréscimos patrimoniais originários de renda ou de proventos de qualquer natureza em um determinado período, e a sua base de cálculo é o montante real, arbitrado ou presumido da renda ou dos proventos tributáveis. "Art. 9°. A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a titulo de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia da Taxa de Juros de longo Prazo TJLP." (grifamos) 33. Concordo com a Interessada quando diz que a própria lei é clara no sentido de que a dedução é para fins de apuração do lucro real, mencionando o patrimônio líquido, cuja apuração deve, portanto, seguir o corte necessário para a correta aferição da base de cálculo trimestral, determinado pelo art. 274 do RIR/99. Em face de todo o exposto, em relação à apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, a Recorrente pode utilizar o resultado de cada trimestre para o cálculo do limite de dedução dos valores pagos a título de juros sobre o capital próprio. Razão pela qual dou provimento ao presente recurso. É como voto. Fl. 1843DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO Processo nº 10880.733524/201137 Acórdão n.º 1202001.093 S1C2T2 Fl. 16 9 Plínio Rodrigues Lima Fl. 1844DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ORLANDO JOSE GONCALVES B UENO
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Numero do processo: 13839.902604/2008-47
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO.
A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), e afasta a exigência da multa de mora. Entendimento consolidado pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados na sistemática do art. 543-C do CPC-Código de Processo Civil. Reprodução obrigatória (art. 62 A do RI/CARF). Recurso ao qual se dá provimento.
Numero da decisão: 3802-004.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Renato Silveira, OAB/SP 222.047.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), e afasta a exigência da multa de mora. Entendimento consolidado pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados na sistemática do art. 543C do CPCCódigo de Processo Civil. Reprodução obrigatória (art. 62 A do RI/CARF). Recurso ao qual se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Renato Silveira, OAB/SP 222.047. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 26 04 /2 00 8- 47 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação (fl. 47), tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Inconformada com o despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fl.01/16, datada de 18/09/2008, com a seguintes palavras: I DOS FATOS E FUNDAMENTOS JURÍDICOS DO PEDIDO 1. Tratase de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí que não homologou a Declaração de Compensação n° 15648.33073.101204.1.3.042262 (doc. 03), transmitida em 10/12/2004. 2. Referida Declaração de Compensação informa a extinção por compensação de débito a título de COFINS, período de apuração novembro/2004, no montante original de R$ 47.765,62. 3. O crédito que suportou esta Declaração de Compensação decorre de pagamento indevido realizado pela Requerente, a título de multa moratória,recolhida em hipótese e denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional (“CTN”). 4. Pois bem. Conforme se observa da anexa Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais("DCTF") referente ao 3ºo Trimestre de 2000, e entregue em 14/11/2000 (doc. 6), a Requerente apurou, a título de COFINS (período de apuração de 30/09/2000), um débito a pagar no valor originário de R$ 455.858,11 (página 81 da DCTF), sendo que, dentro do prazo legal (13/10/2000), recolheu o tributo apurado, conforme comprova o Documento de Arrecadação de Receitas Federais ("DARF") anexo (doc. 7). Fl. 116DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13839.902604/200847 Acórdão n.º 3802004.058 S3TE02 Fl. 116 3 5. Ocorre que, em momento posterior, a Requerente, espontaneamente, constatou ter recolhido valor inferior ao efetivamente devido, razão pela qual em 13/12/2000 realizou um acerto de contas, pagando, em complementação à COFINS referente ao período de apuração de 30/09/2000, os seguintes valores: (a) R$ 232.989,07 (sendo R$ 227.929,05 de principal e R$ 5.060,02 de juros) (DARF anexo, recolhido em 13/12/2000 doc. 8); (b) R$ 17.786,64 (sendo R$ 17.400,35 de principal e R$ 386,29 de juros) (DARF anexo, recolhido em 13/12/2000 doc. 9); 6. Conforme se observa dos DARFs anexos (docs. 8 e 9), a Requerente não recolheu o tributo dentro do prazo de vencimento, razão pela qual em 13/12/2000 pagou os valores principais acrescidos de juros de mora. 7. Diante disso, posteriormente à regularização espontânea de sua situação, em 29/01/2004, a Requerente apresentou DCTF Retificadora (doc. 10), em cuja página 84 constam os mencionados valores de R$ 232.989,07 (sendo R$ 227.929,05 de principal e R$ 5.060,02 de juros) e de R$ 17.786,64 (sendo R$ 17.400,35 de principal e R$ 386,29 de juros). 8. No presente caso ocorreram, portanto, os seguintes fatos: (a) em 14/11/2000 foi apresentada DCTF referente ao 3º Trimestre de 2000, na qual consta débito de COFINS (período de apuração de 30/09/2000), no valor originário de R$ 455.858,11 (doc. 6); (b) em 13/10/2000, dentro do prazo legal, este montante de R$ 455.858,11 foi recolhido (doc. 7); (c) em 13/12/2000, a Requerente realizou um acerto de contas e espontaneamente pagou a complementação da COFINS referente ao período de apuração de 30/09/2000, devidamente acrescida dos juros legais (R$ 232.989,07, sendo R$ 227.929,05 de principal e R$ 5.060,02 de juros; e R$ 17.786,64, sendo R$ 17.400,35 de principal e R$ 386,29 de juros docs. 8 e 9); e, (d) somente em 29/01/2004, a Requerente apresentou DCTF Retificadora (doe. 10), em cuja página 84 constam os mencionados valores complementares (R$ 232.989,07 e R$ 17.786,64). 9. Dessa forma, é de fundamental importância mencionar que estes recolhimentos, ainda que a destempo, foram efetuados: (a) com acréscimo dos juros devidos; (b) antes do Fisco tomar conhecimento do referidos débitos; (c) antes de ser iniciado qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização; e (d) antes do crédito ser constituído, seja por declaração ou por lançamento de ofício. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 10. Sendo assim, neste caso estão evidentemente presentes todos os requisitos necessários à configuração de denúncia espontânea (Código Tributário Nacional "CTN", art. 138). 11. Bem por isso, o procedimento adotado pela Requerente encontrase em perfeita sintonia com o atual posicionamento do E. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA ("STJ"). 12. Nem se alegue, portanto, que ao presente caso poderia ser aplicada a recente Súmula n° 360, editada pelo E. STJ, segundo a qual é inaplicável o benefício da denúncia espontânea "aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". 13. Isso porque, conforme já explicitado, a Requerente efetivamente pagou o tributo antes de leválo ao conhecimento do Fisco. 14. Ocorre que, muito embora a inequívoca configuração da denúncia espontânea, em 23/11/2004 a Requerente indevidamente recolheu a multa moratória no valor de R$ 47.765,62, que seria devida caso não se tratasse da hipótese de denúncia espontânea (DARF anexo doc. 11). 15. Assim, como forma de recuperar o montante indevidamente recolhido, em 10/12/2004 a Requerente transmitiu o anexo Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação ("PER/DCOMP") (doc. 5), utilizando este valor de R$ 47.765,62, para quitar débitos de COFINS. 16. Ocorre que a Receita Federal do Brasil, possivelmente por não admitir a aplicação da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, houve por bem não homologar a compensação declarada. Confirase a íntegra da decisão (doc. 4): "FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 47.765,62. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para a quitação do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência de crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada." 17. Observase da decisão recorrida (doc. 4) que o motivo da não homologação da compensação declarada foi a suposta inexistência de crédito, justamente por considerar devido o pagamento da multa moratória, ainda que não tenha havido explicitação da recusa da tese da denúncia espontânea. 18. Contudo, observada a denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, restará demonstrada a existência de crédito, fazendo necessária a homologação da compensação declarada. É o que a Requerente passará a expor. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13839.902604/200847 Acórdão n.º 3802004.058 S3TE02 Fl. 117 5 II.l Do Pagamento do Tributo Antes da Entrega da DCTF Súmula n° 360 do STJ 19. Não obstante o fiel cumprimento das exigências legais, especialmente do artigo 138 do CTN, destacaseque a Requerente procedeu ao recolhimento do tributo com o acréscimo dos juros de mora antes de entregar a DCTF ao Fisco. (...) 20. Cumpre demonstrar que a Requerente enquadrase na exata hipótese de denúncia espontânea conferida pela mais recente jurisprudência do E. STJ, a quem cabe decidir em última análise sobre a interpretação da legislação federal, na qual se inclui o Código Tributário Nacional. Confirase: "DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO NÃO DECLARADO MULTA MORATÓRIA. EXCLUSÃO. COMPENSAÇÃO. I Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando não há o denominado autolançamento, por meio de prévia declaração de débitos pelo contribuinte, não se encontra constituído o crédito tributário, razão pela qual, nesta situação, a confissão da dívida acompanhada do seu pagamento integral, anteriormente a qualquer ação fiscalizatória ou processo administrativo, configura denúncia espontânea, capaz de afastar a multa moratória. Precedentes: AgRg no REsp n° 868.680/SP, Rei. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 27.11.2006; AgRg no Ag n° 600.847/PR, Rei. Min. LUIZ FUX, DJ de 05.09.2005 e REsp n° 836.564/PR, Rei. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJde 03.08.2006. II A multa recolhida indevidamente pelo contribuinte está incluída no conceito de crédito para os fins de compensação tributária, tendo em vista que o artigo 74 da Lei n° 9.430/96 autoriza o aproveitamento de quaisquer créditos relativos a tributos ou contribuições que sejam passíveis de restituição, restando evidente a vinculação da penalidade com a exação tributária. Precedente: REsp n° 831.278/PR, Rei. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJde 30.06.2006. III Recurso especial da FAZENDA NACIONAL impróvido. Recurso especial do contribuinte provido."(Recurso Especial n° 903345/RS, Ia Turma, Relator Ministro Francisco Falcão, DJ 12/04/2007 destaques da Requerente). "TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CTN, ART. 138. PAGAMENTO INTEGRAL DO DÉBITO DECLARADO EM DCTF. RETIFICADORA. MULTA. EXCLUSÃO. 1. Não se caracteriza a denúncia espontânea, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento. 2. Por outro lado, configurase a denúncia espontânea com o ato do contribuinte de efetuar o pagamento integral ao Fisco do débito principal, corrigido monetariamente e acompanhado de Fl. 119DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 juros moratórios, antes dè iniciado qualquer procedimento fiscal com o intuito de apurar, lançar ou cobrar o referido montante, tanto mais quando esse débito resulta de diferença de IRRF e CSLL, tributos sujeitos a lançamento por homologação, que não fizeram parte de sua correspondente Declaração de Contribuições e Tributos FederaisDCTF. 3. In casu, o contribuinte reconheceu a existência de erro em sua DCTF e recolheu a diferença devida, acompanhada de correção monetária e juros, antes de qualquer providência do Fisco, que, em verdade, só tomou ciência da existência do crédito quando da realização do pagamento pelo devedor. 4. A regra do artigo 138 do CTN não estabelece distinção entre multa moratória e punitiva com o fito de excluir apenas esta última em caso de denúncia espontânea. Precedentes. 5. Recurso especial não provido." (Recurso Especial n° 908.086/RS, Rei. Ministro CASTRO MEIRA, DJ 05/06/2008 destaques da Requerente). 21. Com efeito, o E. STJ considera caracterizada a denúncia espontânea, com a decorrente exclusão da multa moratória, quando o recolhimento do tributo e dos juros de mora é realizado antes de constituído o débito, sendo que, tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, considerase constituído o débito quando declarado pelo contribuinte ao fisco. 22. Débito constituído, ainda de acordo com o atual entendimento do E. STJ, é aquele que, embora não quitado, já tenha sido declarado ao fisco (quando tal procedimento compete ao contribuinte), ou antes de qualquer procedimento fiscal iniciado. 23. No presente caso, tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, cabe à Requerente declarar o montante devido quando da entrega da DCTF. Portanto para a configuração da denúncia espontânea, deve a Requerente recolher os valores devidos, com acréscimo de juros, antes da entrega da DCTF com tais informações. 24. Em decorrência do vasto repertório jurisprudencial sobre a matéria, o E. STJ, em 27/08/2008, fez editar a Súmula n° 360, assim dispondo: uO beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". (Rei. Min. ELIANA CALMON). 25. Referida súmula, ao afastar a aplicação da denúncia espontânea aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo, evidentemente, acaba por tornar compulsória a aplicação da denúncia espontânea às hipóteses em que os contribuintes realizam o pagamento do tributo antes da declaração da DCTF. 26. E é exatamente a hipótese em exame, pois a Requerente pagou o tributo em 13/12/2000, com o acréscimo dos juros Fl. 120DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13839.902604/200847 Acórdão n.º 3802004.058 S3TE02 Fl. 118 7 (docs. 8 e 9), e, em momento posterior (29/01/2004), entregou a DCTF Retificadora (doc. 10) onde levou ao conhecimento do Fisco referido valor, restando configurada a denúncia espontânea. II.2 Multa Moratória Indevida na Denúncia Espontânea 27. Dispõe o artigo 138 do CTN: "Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." 28. Da leitura do dispositivo legal transcrito, concluise que a denúncia espontânea, acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, exclui a responsabilidade pela infração. Por exclusão da responsabilidade entendese o afastamento da possibilidade de ser aplicada qualquer penalidade, no caso a multa pelo pagamento impontual do tributo. 29. Segundo o Exmo. Ministro MILTON PEREIRA, da Ia Turma do STJ, o artigo 138 do CTN tem por pressuposto que exigir a multa "... seria desconsiderar o voluntário saneamento da falta, malferindo o fim inspirador da denúncia espontânea e animando o contribuinte a permanecer na indesejada via da impontualidade, comportamento prejudicial à arrecadação da receita tributária, principal objetivo da atividade fiscal" (trecho da ementa de acórdão da sua relatoria, no REsp n° 9.421O/PR, DJU de 19/10/1992). 30. Então, denunciada espontaneamente a infração, com o pagamento do tributo devido e dos juros de mora" fiscalização, fica o contribuinte dispensado do cumprimento da penalidade de natureza pecuniária relativa à infração, qual seja, a multa. 31. O E. STJ, por meio de suas Ia e 2aTurmas, a quem compete em última análise apreciar questões relacionadas com a matéria, há muito vem entendendo não ser possível a exigência da multa no caso de débitos denunciados espontaneamente com o respectivo recolhimento do tributo. Nesse sentido, confirase a ementa dos seguintes acórdãos: "Tributário ICM Importação Regime draw back – Mercadoria Importada comercializada em território brasileiro – Denúncia espontânea (CTN, art. 138) Multa moratória. Se o contribuinte denuncia espontaneamente débito tributário em atraso e recolhe o montante devido, com juros de mora, fica exonerado de multa moratória (CTN, art. 138). " ( I a Turma, REsp n° 36.796/SP, Rei. Min. Humberto Gomes de Barros, v.u., julg. em 03/08/94, DJU de 22/08/94 destaques da Requerente) Fl. 121DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 •'TRIBUTÁRIO. ICM. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INEXIGIBILIDADE DA MULTA DE MORA. O Código Tributário Nacional não distingue entre multa punitiva e multa simplesmente moratória; no respetivo sistema, a multa moratória constitui penalidade resultante de infração legal, sendo inexigível no caso de denúncia espontânea, por força do artigo 138. Recurso Especial conhecido e provido. " (2a Turma, REsp n° 16.672/SP, Rei. Min. Ari Pargendler, v.u., julg. em 05/02/96, DJU de 04/03/96 destaques da Requerente) 32. Vêse, assim, que também por força do artigo 138 do CTN, a exigência fiscal relativa ao pagamento supostamente realizado fora do prazo afigurase manifestamente insubsistente, fazendo se imperioso o pronto reconhecimento do direito creditório em face do pagamento indevido da multa de mora em denúncia espontânea. II.3 Da Denúncia Espontânea no Caso Concreto 33. Referida multa moratória foi entendida como devida justamente pelo fato da Receita Federal do Brasil desconsiderar a denúncia espontânea, a qual, caso observada, certamente ensejaria o reconhecimento do direito creditório e, conseqüentemente, a homologação da compensação declarada. 34. Isto porque, a Receita Federal do Brasil, ao analisar, eletronicamente, o crédito da Requerente, simplesmente vinculou o DARF informado no PER/DCOMP com o valor da multa moratória anteriormente pago, sem, contudo, observar que referido pagamento era indevido, por tratarse a hipótese de denúncia espontânea. 35. Observase, no presente caso, a seguinte situação: (a) em 14/11/2000 foi apresentada DCTF referente ao 3ºo Trimestre de 2000, na qual consta débito de COFINS (período de apuração de 30/09/2000), no valor originário de R$ 455.858,11 (doc. 6); (b) em 13/10/2000, dentro do prazo legal, este montante de R$ 455.858,11 foi recolhido (doc. 7); (c) em 13/12/2000, a Requerente realizou um acerto de contas e espontaneamente pagou a complementação da COFINS referente ao período de apuração de 30/09/2000 (R$ 232.989,07 e R$ 17.786,64 docs. 8 e 9); (d) somente em 29/01/2004, a Requerente apresentou DCTF Retificadora (doc. 10), em cuja página 84 constam os mencionados valores complementares (R$ 232.989,07 e R$ 17.786,64); (e) em 23/11/2004, a Requerente indevidamente recolheu a multa moratória no valor de R$ 47.765,62, que seria devida caso não se tratasse a hipótese de denúncia espontânea (DARF anexo doc. 11); e Fl. 122DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13839.902604/200847 Acórdão n.º 3802004.058 S3TE02 Fl. 119 9 (f) como forma de recuperar o montante indevidamente recolhido, em 10/12/2004 a Requerente transmitiu o anexo PER/DCOMP (doc. 5), utilizando este valor de R$ 47.765,62, para quitar débitos de COFINS. 36. E é exatamente este PER/DCOMP a razão principal que levou a não homologação da compensação, pois, ao desconsiderar a denúncia espontânea, entendeu a Receita Federal do Brasil ser devida a multa moratória e, conseqüentemente, não reconheceu indevido o pagamento realizado pela Requerente, o que acarretou a suposta inexistência de crédito. 37. Destaquese, por derradeiro, que a Requerente recolheu o tributo com o acréscimo dos juros de mora e antes da adoção de qualquer procedimento administrativo ou de fiscalização por parte do Fisco. 38. Deste modo, a tabela abaixo demonstra exatamente o pagamento integral dos juros de mora, o que corrobora, in casu, a aplicabilidade da denúncia espontânea. Vejase: Data de Vencimento Data do recolhimento em atraso Juros de Mora Devido Juros de Mora Recolhido 13/10/2000 13/12/2000 R$ 5.060,02 R$5.060,2 (doc.8) 13/10/2000 13/12/2000 R$ 386,29 R$ 386,29(doc.9) 39. Demonstrado o recolhimento integral dos juros de mora, e considerando que a Requerente pagou o tributo devido antes do Fisco adotar qualquer medida administrativa ou de fiscalização e, ainda, antes de entregar a DCTF, forçoso reconhecer a aplicação da denúncia espontânea e, conseqüentemente, o direito creditório, pois configurado o recolhimento indevido da multa de mora. III DO PEDIDO 40. Por todo o exposto, é a presente para requerer seja acolhida a manifestação de inconformidade, para reformar a r. decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal em Jundiaí, homologandose a compensação realizada, pois configurada a suficiência de crédito em favor da Requerente. É o relatório. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/CPS no 0536.164, de 07/12/2011, proferida pelos membros da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 123DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000 RECOLHIMENTO FORA DO PRAZO. MULTA DE MORA. DEVIDA. É devida a multa de mora incidente sobre o pagamento efetuado a destempo, ainda que inexistente procedimento de fiscalização. O instituto da denúncia espontânea, de que trata o art. 138 do CTN, não alcança o pagamento espontâneo do tributo, após o prazo de vencimento, para fins de exclusão da multa de mora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgamento foi no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a nãohomologação da compensação que integra a declaração de compensação, ratificando o Despacho decisório. Ainda insatisfeito, o contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta que a motivação da declaração recorrida, para manutenção da não homologação das compensações, foi exclusivamente a de que a multa de mora não teria natureza punitiva e não estaria abrangida pela denúncia espontânea. A multa de mora tem natureza punitiva como reconhecido pelo STJ (recurso especial de n° 1.149.022, julgado pela sistemática de recurso repetitivo) e até mesmo pela PGFN (Pareceres PGFN/CRJ de n°s 2.113/2011 e 2124/2011). Sendo assim, deve ser reproduzido pelo CARF, nos termos do art. 62A do RICARF. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. Foram encaminhados memoriais pela recorrente. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata –se de PER/DCOMP onde se pleiteia restituição/compensação pagos em 23/11/2004, a título de multa de mora, no valor de R$ 47.765,62. A recorrente argumenta que o recolhimento complementar foi efetuado com o principal e juros, portanto espontâneo, pois anterior à retificação da DCTF, e o pagamento da multa de mora posteriormente, sendo indevido; logo, solicitando a homologação da compensação. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13839.902604/200847 Acórdão n.º 3802004.058 S3TE02 Fl. 120 11 Existem diversos julgados por esta Turma de julgamento, dentre eles, o proferido pelo Conselheiro Solon Sehn nos autos do processo no 10680.000035/200775 (Acórdão no 3802000.738, de 06/10/2011), cujas razões de decidir adoto para o presente caso: No mérito, cumpre destacar que a denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do CTN, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Dctf. Essa interpretação, embora questionada por parte da doutrina e da jurisprudência, foi consolidada pelo STJ no Recurso Especial no 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008. Transitado em julgado em 01/12/2008). O afastamento da multa de mora na denúncia espontânea, por outro lado, restou pacificado no julgamento do REsp 1.149.022/SP: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ. 1ª S. RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010, transitado em julgado em 30/08/2010). Referido recurso foi julgado nos moldes do regime previsto no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), razão pela qual deve ser aplicado o art. 62A do Regimento Interno desse Conselho: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No caso em exame, o Recorrente apresentou (i) prova do pagamento do principal, acrescido de juros de mora (fls. 44 e ss); (ii) realizado no dia 1512/2003, antes de qualquer providência fiscalizatória (fls. 43); (iii) cópia das Dctfs originárias (fls. 57 e ss.) e retificadoras, de 06/06/2004 (fls. 72 e ss.). A comparação destes dois últimos documentos mostra que o pagamento foi anterior a ambos. Encontramse presentes, portanto, os pressupostos do art.138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13839.902604/200847 Acórdão n.º 3802004.058 S3TE02 Fl. 121 13 Estando caracterizada a denúncia espontânea, não cabe a incidência de multa, punitiva ou moratória, inclusive porque, consoante destaca Robson Maia Lins, ambas têm a mesma configuração normativa: [...] embora com nomes distintos o pressuposto de ambas as multas é um descumprimento de um dever jurídico e o consequente é o pagamento de uma quantia em dinheiro. Não importa o nome: multa punitiva e multa moratória têm a mesma configuração normativa de sanção e por isso devem ser excluídas quando da denúncia espontânea (LINS, Robson Maia. A mora no direito tributário. Tese de Doutorado. Faculdade de Direito. PUC/SP. São Paulo, 2008, p. 245) 1. No mesmo sentido, destacamse os seguintes acórdãos do Carf: DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. MULTA DE MORA. INAPLICABILIDADE. Se o débito é denunciado espontaneamente ao Fisco, acompanhado do correspondente pagamento do imposto corrigido e dos juros moratórios, é incabível a exigência de multa de mora, de vez que o art. 138 do CTN não estabelece distinção entre multa punitiva e multa moratórias. MULTA DE OFÍCIO. Em decorrência, é descabida a imposição da multa de ofício em face do pagamento do tributo desacompanhado da multa de mora. Recurso especial provido. (3ª T. Acórdão CSRF/0305.102. Rel. Anelise Daudt Prieto. Sessão de 06/11/2006). MULTAS DE OFÍCIO E DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA O contribuinte faz jus a tal beneficio de exclusão da multa, seja de oficio ou de mora, por haver recolhido o imposto mais os juros devidos antes do inicio qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso especial negado. (3ª T. Acórdão CSRF/0304.690. Rel. Carlos Henrique Klaser Filho. Sessão de 20/02/2006). DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO MULTA DE MORA INAPLICABILIDADE. Se o débito é denunciado espontaneamente ao Fisco, acompanhado do correspondente pagamento do imposto corrigido e dos juros moratórios, é incabível a exigência de multa de mora, de vez que o art. 138 do CTN não estabelece distinção entre multa punitiva e multa moratória. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO (3ª C. 3º CC. Acórdão 303 30.332. Rel. Zenaldo Loibman. Sessão de 10/07/2002). Votase, portanto, pelo conhecimento e provimento integral do recurso, afastandose a exigência da multa de mora. Outros julgados, a título de exemplo, confiramse as seguintes ementas: Acórdão de n° 3802003.381, de relatoria de Waldir Navarro Bezerra: 1 Disponível em: http://www.sapientia.pucsp.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=8261. Acesso: 12/05/2011. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 14 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2007 IOF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTERIOR À ENTREGA DA DCTF. CARACTERIZAÇÃO. AFASTAMENTO DA MULTA MORATÓRIA. A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), e afasta a exigência da multa de mora. Essa interpretação foi consolidada pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados no regime previsto no art. 543Cdo Código de Processo Civil. Interpretação vinculante nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Acórdão de n° 3802003.434, de minha relatoria: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. A denúncia espontânea nos tributos lançados por homologação, sem prejuízo dos demais requisitos do art. 138 do Código Tributário Nacional, é caracterizada sempre que o pagamento ocorre antes da apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), e afasta a exigência da multa de mora. Entendimento consolidado pelo STJ nos Recursos Especiais nº 886.462/RS (Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJe 28/10/2008) e (RESP 1.149.022/SP. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 24/06/2010), julgados na sistemática do art. 543C do CPCCódigo de Processo Civil. Reprodução obrigatória (art. 62 A do RI/CARF). Recurso ao qual se dá provimento. A recorrente, em 13/12/2000, realizou um acerto de contas e espontaneamente pagou a complementação da COFINS referente ao período de apuração de 30/09/2000 (R$ 232.989,07 e R$ 17.786,64 docs. 8 e 9); Em 29/01/2004 apresentou DCTF Retificadora (doc. 10), em cuja página 84 constam os mencionados valores complementares (R$ 232.989,07 e R$ 17.786,64); Em 23/11/2004 a recorrente recolheu a multa moratória no valor de R$ 47.765,62, que seria devida caso não se tratasse da hipótese de denúncia espontânea (DARF doc. 11). Observase, portanto, que o pagamento ocorreu antes da apresentação da DCTF, e ainda, antes da prática de qualquer ato de fiscalização. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13839.902604/200847 Acórdão n.º 3802004.058 S3TE02 Fl. 122 15 Assim, diante da documentação, a Recorrente promoveu o pagamento em atraso, mas antes da entrega da DCTF, solicitando a aplicação do art. 138 do Código Tributário Nacional, restando caracterizada a denúncia espontânea. E, diante da jurisprudência reiterada do STJ, inclusive em sede de recurso repetitivo, e Atos Normativos PGFN nº 04/2011 e 08/2011, bem como na Nota Técnica Cosit nº 1/2012, entendo estar correto o sujeito passivo, merecendo acolhida seu Recurso Voluntário. Aplicação do art. 62A do RI/CARF. (Portaria MF n° 256/2009). Por todo o exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 129DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 2/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10380.902912/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1102-000.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
João Otavio Opperman Thome Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros João Otavio Oppermann Thome, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Relatório
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) João Otavio Opperman Thome Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros João Otavio Oppermann Thome, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) João Otavio Opperman Thome – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho – Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros João Otavio Oppermann Thome, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Quarta Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 02 91 2/ 20 09 -9 1 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.902912/200991 Resolução nº 1102000.256 S1C1T2 Fl. 3 2 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO COMPENSAÇÃO. INTEGRAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO AO PAGAMENTO A MAIOR. ART. 10 DA IN SRF 600/2005. CARÁTER VINCULANTE. Por força do artigo 10 das INs SRF no 460, de 2004, e 600, de 2005, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “O processo versa sobre compensação (PER/DCOMP n° 33611.98752.150705.1.3.049296), que objetiva compensar recolhimento a maior de estimativa de IRPJ, pago em 29/10/2004. O total do crédito original utilizado nesta DCOMP foi de R$ 241.731,49. 2. O Despacho Decisório (fls. 06/07) considerou improcedente o crédito informado na PER/DCOMP, à luz da seguinte fundamentação: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. 3. O referido decisório está arrimado no seguinte enquadramento legal: os artigos 165 e 170 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005 e artigo 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação contra o referido ato administrativo, alegando que: • No período em questão, o contribuinte declarou em DCTF débito tributário relativo a estimativa mensal de IRPJ/CSLL, pagandoo. Posteriormente, verificando erro, transmitiu a devida DCTF retificadora, diminuindo tal débito. Depois de encerrado o anocalendário em questão, apresentou PER/DCOMP, aproveitandose da diferença entre o valor pago e a quantia declarada na DCTF retificadora. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.902912/200991 Resolução nº 1102000.256 S1C1T2 Fl. 4 3 • Para sua surpresa, a contribuinte recepcionou Intimação/Despacho Decisório pela Secretaria da Receita Federal (SRF), comunicando a improcedência do crédito informado na PER/DCOMP, sob o argumento de que tal crédito tratavase de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado como dedução do imposto de renda mensal da pessoa jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ao para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. • Pelo que está acima exposto, fica muito evidente que, ainda que o tributo recolhido em demasia fosse considerado estimava mensal da IRPJ/CSLL, logo, passível de compensa cão apenas após a constituição do saldo negativo ao final do período de, apuração, a compensação pleiteada pela requerente ainda seria legitima. • Ocorre que, quando a compensação foi pleiteada, o exercício já estava encerrado, logo, jamais o despacho decisório poderia ainda tratar tais recolhimentos como mera estimativa, tendo em conta que já era cediço o quantum devido no regime de apuração pelo lucro real anual. • Em síntese, por qualquer via tal recolhimento é indevido ou a maior, pois o montante da obrigação tributária já era conhecido quando a compensa cão foi pleiteada, sendo injustificável a motivação do despacho decisório, que alegou que o recolhimento por estimativa só poderia servir para compor o saldo negativo do IRPJ/CSLL ao final do período de apuração. • Ocorre que o Despacho Decisório ora impugnado ignorou completamente o fato da ocorrência do erro no recolhimento, como foi exposto, tendo a integralidade do valor recolhido como tributo pago por estimativa. Na situação considerada pelo fisco, o valor da compensação darseia com a posterior verificação da existência de pagamento indevido, passível apenas no final do exercício, ao comparar o valor recolhido com o montante devido ao fim do período de apuração com base no regime de Lucro Real Anual. • Infelizmente o Despacho Decisório, de forma incauta, fundamentase em regra geral sem considerar as particularidades do caso concreto, no qual o recolhimento efetuado foi superior ao devido e declarado através da DCTF. Situação bem diversa, talvez a que tenha fundamentado a decisão impugnada, é aquela na qual o contribuinte realiza pagamentos por estimativa mensal e os declara ao fisco e, em dado período de apuração, vislumbra que os recolhimentos superam o lucro real até aquele momento, porém, antes mesmo do encerramento do exercício, quando apenas então teria a condição de contemplar se os recolhimentos efetuados e declarados ao fisco eram ou não indevidos. • O caso da impugnante é bem diverso, o valor declarado ao fisco como devido por estimativa mensal de IRPJ/CSLL é inferior ao que foi recolhido, logo, inegável a caracterização de pagamento indevido. • Ocorre que o Despacho Decisório fundamenta a decisão nele contida igualando o caso da impugnante com a metodologia de apuração por estimativa presente no regime de lucro real anual, onde, na declaração anual de ajuste, vislumbrase se os recolhimentos estimados são superiores ou inferiores ao devido, resultando na constatação de pagamento indevido. • Tal confusão fica notória quando a decisão expõe que "por tratarse de pagamento ao titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Fl. 118DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.902912/200991 Resolução nº 1102000.256 S1C1T2 Fl. 5 4 Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ e CSLL do período". Como se vê, a decisão impugnada considera que o recolhimento efetuado pela impugnante era devido ao titulo de estimativa mensal, quando a DCTF do período de apuração em debate demonstrava valor inferior ao que foi efetivamente recolhido, constituindose assim em pagamento indevido. • A impugnante entende estar havendo um notório mal entendido por parte da SRF, quando pretende tratar de pagamento por estimativa o que não é, pois coma já foi exaustivamente exposto tratase de pagamento em excesso do recolhimento mensal por estimativa. De outra forma, pelo que pretende a SRF, jamais poderia haver pagamento indevido ou a maior quando o contribuinte fosse recolher a estimativa mensal, pois, em qualquer circunstância tal recolhimento seria considerado uma estimativa mensal, a ser totalizada ao final do exercício, e comparada com o quantum devido no Lucro Real anual. • A situação sobredita não pode merecer guarida jurídica, pois ignora completamente um fato da vida real de qualquer contribuinte, 'ão passível de ocorrer no cotidiano que há previsão legal para seu tratamento, que é o erro no cômputo do tributo devido pelo contribuinte, levandoo a recolher mais do que o exigido pela legislação. Pela decisão ora impugnada, tal realidade seria irrelevante quando tratase de recolhimento por estimativa, pois o contribuinte estimando certo ou errado o valor do tributo mensal, tal estimativa seria dada como efetiva para efeito de comparação com o valor anual devido. • Obviamente, tal entendimento não pode prosperar, pois cerceia completamente um direito liquido e certo do contribuinte de reaver o que erroneamente apurou e recolheu. Admitir o contrário seria subverter inclusive principio geral de direito, no qual há repulsa geral ao locupletamento sem causa, neste caso, por parte da Fazenda Pública. • Diante do exposto, resta evidente tratarse de recolhimento indevido, visto realizado em monta superior ao declarado em DCTF, justificandose o pedido de compensação pleiteado e refutandose por completo a negativa do fisco em reconhecer tal límpido direito. • Ainda que a hipótese levantada no Despacho Decisório merecesse guarida, apesar da notória impropriedade da decisão em aplicar regra genérica a caso especifico circunstancialmente diverso, outros detalhes táticos merecem especial atenção, pois •de forma alguma poderiam ter sido completamente ignorados na motivação da decisão impugnada. Posteriormente, percebendo que havia recolhido valor a maior, a empresa transmitiu o PER/DCOMP, tendose ainda retificado a DCTF. • Diante dos fatos ignorados no Despacho Decisório, resta evidenciado que o recolhimento gerador do direito creditório pleiteado já era passível de comparação com o valor efetivamente devido para o anocalendário em questão. Isso porque, no momento da entrega da DIPJ, já se sabia qual era o IRPJ/CSLL efetivamente devido pelo regime de apuração do Lucro Real Anual. • O valor do IRPJ/CSLL devido no ano em questão havia sido informado ao fisco, quando da transmissão da DIPJ. Nestes termos, já era possível determinar que os recolhimentos realizados por estimativa mensal ao longo do exercício superavam o valor efetivamente devido no calendário, motivando a composição do saldo negativo demonstrado na Ficha 12 A da DIPJ mencionada. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.902912/200991 Resolução nº 1102000.256 S1C1T2 Fl. 6 5 • De outro modo, é logicamente inviável admitir que, no momento da transmissão do PER/DCOMP, já após o encerramento do resultado do ano ern questão, ainda, se pudesse tratar os recolhimentos efetuados naquele ano como estimativas mensais, quando já havia o aperfeiçoamento do quantum devido, manifestadamente inferior ao total recolhido ao longo do exercício. • Tal ilógica acepção tragada no despacho decisório afronta qualquer hermenêutica, ou mesmo, a mera etimologia do instituto defendido pelo fisco, qual seja, o da estimativa. Por definição de nossa pátria linguagem, estimativa é a previsão de um valor, circunstância ou resultado. Desta forma, é irrazoável admitir ainda se tratar de estimativa de recolhimento de tributo devido, quando já se sabe, e não apenas se estima, o valor definitivo da contribuição devida. Em simples questionamento: Como se pode considerar recolhimento estimado da IRPJ/CSLL de determinado anocalendário, quando o pedido de compensação se deu posteriormente? • Em que pese a impugnante ter por certo, como já foi exaustivamente demonstrado, tratarse de recolhimento indevido, pois recolheu valor de estimativa mensal superior aquele declarado ao fisco, ainda que se admitisse a ilógica tese do fisco, considerando tratarse de recolhimento por estimativa, logo, restrito a composição de saldo negativo, no caso concreto em análise, também se trataria de saldo negativo, fato formalmente consignado na DIPJ transmitida pelo contribuinte. • Sabendo de tais fatos, a compensação pleiteada pela impugnante é devida por encontrar respaldo fático e legal, visto que, pelo que já foi fartamente exposto, a origem do crédito não homologado foi o pagamento indevido, seja por se tratar de recolhimento a maior quando comparado com o valor devido declarado em DCTF, seja pelo fato de já se ter, na época do pleito de compensação, a certeza de que tais recolhimentos excediam ao tributo devido no final do exercício em questão. • O direito a restituição ou compensação dos valores indevidamente recolhidos pelo contribuinte encontrase previsto no inciso II do art. 165 do CTN. • Para a fruição do direito, fazse necessária a ocorrência de pagamento indevido, decorrente de erro do contribuinte quando do recolhimento do tributo ou ainda, na extinção de decisão condenatória que cominava ao contribuinte o pagamento de tributo. • Dito isto, tendo em vista o que já foi relatado, resta evidente tratarse de recolhimento indevido. Ocorre que, em um primeiro momento, a impugnante declarou valor a titulo de estimativa mensal do IRPJ/CSLL devido. Em momento posterior, revisando o cômputo da monta devida, o contribuinte constatou erro da determinação do montante do débito, retificando a competente declaração (DCTF), informando que o valor correto seria outro menor. • Pelo exposto, fica notório que o fato descrito se alinha perfeitamente com a hipótese de recolhimento indevido prevista no art.165, II, do CTN, acima transcrito, por tratarse de inequívoco erro no cálculo do montante do débito, sendo importante salientar que o equivoco foi devidamente saneado e informado SRF através da retificação da DCTF do período. • Em relação a transmissão da DCTF retificadora é relevante relembrar o que dispõe o §10 do art. 90 da IN SRF n° 255/02, vigente it época dos fatos em debate, abaixo transcrito: Art. 9º. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF Fl. 120DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.902912/200991 Resolução nº 1102000.256 S1C1T2 Fl. 7 6 elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1° A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. • Da leitura da norma acima, se extrai que, ao transmitir a DCTF retificadora informando valor de débito relativo a IRPJ/CSLL devida por estimativa inferior ao originalmente declarado, o novo valor declarado substituiu o anterior para todos os efeitos, tendo em vista que a declaração retificadora substitui integralmente a retificada. Desta feita, é inegável que o valor devido ao titulo da exação em debate é inferior ao que foi declarado, logo, alinhandose plenamente na figura de pagamento indevido, prevista no art. 165, II, do CTN. • Pelo que decidiu o despacho da SRF em impugnação, o contribuinte jamais erraria no recolhimento estimado de IRPJ e CSLL, quando sujeito ao lucro real anual, pois qualquer que fosse a monta recolhida estarseia sempre diante de recolhimento por estimativa, negando o fato, até usual, de que o contribuinte pode erra no cálculo do débito. Se a própria norma (art. 165, II, CTN) previu a possibilidade de erro do contribuinte, jamais poderia o intérprete afastar tal comum, corriqueira e verossímil possibilidade. • Diante de tamanha impropriedade, parece ao contribuinte tratarse de mera confusão no trato das circunstâncias particulares do caso concreto por parte da SRF, que confundiu o recolhimento alvo do pedido de compensa cão com o valor mensal apurado com base no regime de estimativa, pois o valor recolhido foi superior ao valor da estimativa, logo, em parte indevido. O que não poderia ser alvo de compensa cão, pelas normas expostas como fundamento da decisão, é o valor do tributo calculado e recolhido ao titulo de estimativa, ou seja, o valor exato da exação devida sob o regime de estimativa e não eventuais recolhimentos a maior. • Sobre este fato, é importante analisar o que diz o inciso IV do §4° do art. 2° da Lei No. 9.430/96, abaixo transcrito, aplicável à IRPJ/CSLL, conforme art. 28 da Lei N°. 9430/96: Art. 2° A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15. da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1 ° e 2° do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995. § 4° Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. • Como está claro na norma acima, o que está vinculado ao tributo devido no regime de apuração anual é o valor recolhido na forma do art. 2°, ou seja, o tributo calculado na forma ali prescrita, logo, o que foi pago em excesso não foi pago na forma prevista na lei, logo, não está inserido na vinculação sobredita. Sendo a norma omissa a qualquer valor eventualmente pago em excesso, por ausência previsão legal, jamais poderia a SRF pretender fazer tal vincula ção, uma vez que o legislador não o fez. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.902912/200991 Resolução nº 1102000.256 S1C1T2 Fl. 8 7 • Neste exato sentido, o então Conselho de Contribuintes proferiu decisões pela possibilidade de compensa cão dos valores pagos a maior, de forma indevida, nos recolhimento de estimativas mensais de IR e CSLL já no mês subseqüente ao mesmo. Ainda mais flagrante é tal direito no caso em debate, quando a compensação foi feita apenas no exercício subseqüente, quando não mais há de ser falar em estimativa, visto que já era conhecido o quantum devido no exercício. • Tal entendimento pode ser exemplificado pelas seguintes decisões: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA A MAIOR QUE O DEVIDO O valor do recolhimento a titulo de estimativa maior que o devido segundo as regras a que está submetido o lucro real anual, é passível de compensação/restituição, a partir do mês seguinte. O valor que está vinculado à apuração no final do ano é a estimativa recolhida de acordo com a legislação de regência do referido sistema. (Acórdão 10516205, Processo No. 14033.000221/2005 28, 1 ° CC, Quinta Câmara, Sessão de 06/12/2006, Relator José Clóvis Alves, Provimento por unanimidade). [O contribuinte aduziu outros atos administrativos em seu favor] • Por tudo que foi exposto, resta claro o direito da impugnante, configurado que está o pagamento a maior, logo indevido, tendo em vista que excedente ao que preconiza o art, 2° da Lei 9.430/96, desta feita, alheio a vinculação dada aos recolhimentos por estimativa. Motivo este, pelo qual, o egrégio Conselho de Contribuintes tem reiteradamente reconhecido o erro da SRF ao vincular o pagamento excedente das estimativas mensais em debate. • Afora tudo o que 16 foi exposto, que deixa de forma induvidosa o direito da impugnante, o art. 858, §1°, II do RIR/99 • A justificativa trazida pelo fisco para negar neste e em outros casos a compensação de estimativas mensais de IR e CSLL seria o fato de não se saber, por ocasião do recolhimento, se haveria ou não recolhimento indevido, visto que ainda não se saberia a exação devida no regime anual. No caso em tela, tal justificativa não tem qualquer sentido pois, como já dito, a compensação foi pleiteada no ano seguinte, logo, quando já se sabia o valor da obrigação anual e, por conseguinte, já se tinha a certeza da impropriedade do recolhimento feito em demasia. Portanto, se o Fisco prefere fazer vista grossa à realidade do pagamento indevido, como já demonstrado, não pode negar que a hipótese levantada para negar a compensação não se aplica ao caso presente. • A própria SRF, através do Ato Declaratório SRF No. 3/00, reconhece o direito dos contribuintes em compensarem o saldo negativo do 1RPJ e CSSL já a partir de janeiro do ano calendário subseqüente, conforme se vê abaixo transcrito: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1° e 6º da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro liquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou Fl. 122DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.902912/200991 Resolução nº 1102000.256 S1C1T2 Fl. 9 8 compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (G.N). • Da simples leitura da norma acima se extrai que, ainda que diante de insensata visão de não reconhecer como indevidos os recolhimentos alvo do pleito de compensação, a impugnante teria o direito de compensar os valores recolhidos. No caso em análise, pleiteouse a compensação dos mesmos apenas posteriormente, quando a norma torna passível de compensação, quando negativo, o tributo recolhido ao titulo de estimativa mensal já a partir de janeiro do exercício subseqüente. • Como fica evidente, ainda que os valores recolhidos a maior não fossem considerados como indevidos, logo passíveis de restituição ou compensação, na época em que as compensações foram pleiteadas já eram passíveis de compensação ao titulo de saldo negativo de 1RPJ/CSLL em relação ao ano calendário em questão. • Do exposto, se extrai que não ha como negar o direito da compensação pleiteada pelo contribuinte, de outra forma, terseia a insólita situação do contribuinte ser obrigado a recolher o débito cuja compensação não foi homologada, tão somente para gerar novo direito creditório passível de restituição ou compensação. Isto é evidente, pois caso a compensação não seja homologada, o crédito fiscal usado na mesma, decorrente do pagamento a maior da estimativa ou na pior das hipóteses, constituinte de saldo negativo de IRPJ, ficaria novamente desvinculado, logo, passível de restituição ou compensação. • A absurda situação acima descrita parece há muito não mais existir no ordenamento jurídico pátrio, pois é de flagrante atentado ao principio da economia processual ou, em uma visão mais finalista, afronta o instituto da compensação, há décadas aplicável as relações obrigacionais e hoje prevista no art. 368 do Código Civil. • Em resumo, o fisco tem que restituir ou compensar os valores em debate de qualquer maneira, seja através da compensação já pleiteada, objeto do presente processo, ou em pedido futuro, pois ao negar a presente compensação, os valores recolhidos tornamse desvinculados de qualquer relação jurídica, devendo pois ser imediatamente restituídos ao contribuintes, pois de outra forma estaria caracterizado o enriquecimento ilícito da Fazenda Pública, possibilidade rechaçada pelo ordenamento pátrio. 5. Por fim, o administrado requereu: que fosse homologada a declaração de compensação, seja pelo fato do recolhimento objeto do pedido de compensação ter sido efetuado em monta superior ao que determina a lei, seja pelo fato deste valor, na época do pedido de compensação, já compor saldo negativo de IRPJ/CSLL; e que fosse cancelada a cobrança constante na intimação / despacho decisório. 6. É o relatório.” O acórdão recorrido julgou improcedente a manifestação de inconformidade, pois entendeu que não seria possível a compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativas em vistas à vedação contida na Instrução Normativa nº 600/05. Em sede de recurso voluntário a Contribuinte reproduz suas alegações da manifestação de inconformidade, requerendo a homologação da compensação, pois não haveria óbice legal para a compensação do pagamento a maior ou indevido de estimativas. É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.902912/200991 Resolução nº 1102000.256 S1C1T2 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme salientado em sede de relatório supra, a Contribuinte sustenta que em 29.10.2004 efetuou o recolhimento do valor de R$241.731,49 (fls. 36) para pagamento de estimativas de IRPJ do mês de setembro de 2004. Citado montante, após a apresentação de DCTF retificadora (fls. 40), teria sido reduzido a zero, razão pela qual teria restado caracterizado o recolhimento a maior de tributo devido naquele período. O valor respectivo, atualizado em 15.07.2005, totalizaria R$271.609,50. Notese que a página da DCTF retificadora relativa ao mês de setembro de 2004 não se encontra acostada aos autos. Noticia a Contribuinte que, em 15.07.2005, transmitiu a PER/DCOMP n. 33611.98752.150705.1.3.049296, por meio da qual utilizou a integralidade dos créditos para quitação de débitos de COFINS do mês de junho de 2005, no valor de R$271.609,50. É essa última compensação que é objeto desse processo administrativo. A pretensão da Contribuinte foi indeferida pela RFB, sob o fundamento de que eventuais créditos relativos ao recolhimento a maior de estimativas de IRPJ apenas poderiam ser utilizados na dedução do IRPJ devida ao final do período de apuração ou na composição do respectivo saldo negativo após a entrega da declaração de ajuste. Pois bem. A possibilidade de compensação de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior ao longo de determinado anocalendário, independentemente da formação do saldo negativo do período respectivo, não comporta divagações, ante a edição da Súmula CARF nº 84, do seguinte teor, verbis: “Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.” Contudo, em que pese a pacificação dessa questão jurídica, a caracterização do indébito de estimativas recolhidas ao longo do anocalendário pressupõe, além do recolhimento a maior, que o valor respectivo (das estimativas) não componham o saldo negativo apurado no anocalendário correspondente, sob pena de possibilitar ao contribuinte dupla restituição de tributos sobre o mesmo pagamento. Nessa hipótese, em que o contribuinte considera (por opção) as estimativas recolhidas na formação do saldo negativo do período correspondente, a restituição que se deve deferir é a deste (saldo negativo) e não do eventual indébito decorrente daquele particular (e provisório) recolhimento de tributo, salvo em caso de retificação da DIPJ (quanto ao montante do saldo negativo) pelo contribuinte antes do respectivo pedido de retificação/compensação. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 10380.902912/200991 Resolução nº 1102000.256 S1C1T2 Fl. 11 10 No caso, embora os elementos dos autos não sejam suficientes para verificar se a estimativa de setembro de 2004 compôs (ou não) o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004, a Contribuinte apresentou planilha de cálculos a fls. 59, por meio da qual sugere que as estimativas cuja restituição se requer também compõem tal saldo negativo, informado na ficha 12 da DIPJ 2005 a fls. 58. Nesses termos, considerados (a) a pretensão da Contribuinte de compensar o valor do saldo negativo de IRPJ informado em sua DIPJ e não o montante de estimativas recolhidas em outubro de 2004, já que fez constar dele (saldo negativo) o valor de tais estimativas; e (b) o provável erro de preenchimento da declaração de compensação respectiva, que se extrai do teor da própria manifestação de inconformidade e da alegada composição do saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2004; e (c) a ausência de elementos nos autos para reconhecer, desde já, o direito creditório da Contribuinte, orientase voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que sejam adotadas as seguintes providências: (a) seja atestada a existência, ou não, de PER/DCOMP´s relativa ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004; (b) seja atestada, de forma conclusiva e justificada, se existe saldo passível de utilização para que seja procedida a compensação do saldo negativo de IRPJ com os débitos objeto do pedido de compensação deste processo, considerados todos os demais pedidos de compensação relacionados ao direito creditório proveniente do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004. Em relação a todas as verificações efetuadas deverá ser lavrado Relatório de Diligência circunstanciado e dele ser dada ciência ao contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, querendo. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 20 /02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME
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Numero do processo: 13609.720152/2010-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995
CRÉDITO JUDICIALMENTE RECONHECIDO. EXECUÇÃO ADMINISTRATIVA. COMPENSAÇÃO.
A compensação tributária é mecanismo de execução administrativa de decisão judicial. O contribuinte tem direito de controverter o montante do crédito ilíquido reconhecido judicialmente no curso do processo administrativo relativo à compensação.
Decisão de Primeira Instância Anulada
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 3402-002.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular o Acórdão n° 02-48.596, de 16 de setembro de 2013, para que outra decisão seja proferida, apreciando as razões de defesa do contribuinte, no que tange aos critérios de apuração e ao quantum do crédito a ser certificado, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente o Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo DEça.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995 CRÉDITO JUDICIALMENTE RECONHECIDO. EXECUÇÃO ADMINISTRATIVA. COMPENSAÇÃO. A compensação tributária é mecanismo de execução administrativa de decisão judicial. O contribuinte tem direito de controverter o montante do crédito ilíquido reconhecido judicialmente no curso do processo administrativo relativo à compensação. Decisão de Primeira Instância Anulada Aguardando Nova Decisão
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular o Acórdão n° 02-48.596, de 16 de setembro de 2013, para que outra decisão seja proferida, apreciando as razões de defesa do contribuinte, no que tange aos critérios de apuração e ao quantum do crédito a ser certificado, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente o Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo DEça.
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EXECUÇÃO ADMINISTRATIVA. COMPENSAÇÃO. A compensação tributária é mecanismo de execução administrativa de decisão judicial. O contribuinte tem direito de controverter o montante do crédito ilíquido reconhecido judicialmente no curso do processo administrativo relativo à compensação. Decisão de Primeira Instância Anulada Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular o Acórdão n° 0248.596, de 16 de setembro de 2013, para que outra decisão seja proferida, apreciando as razões de defesa do contribuinte, no que tange aos critérios de apuração e ao quantum do crédito a ser certificado, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente o Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 01 52 /2 01 0- 13 Fl. 619DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 Relatório VOTORANTIM METAIS ZINCO S.A formulou as declarações de compensação listadas na planilha abaixo, visando à compensação de créditos reconhecidos na ação ordinária n° 2000.38.00.0237099, advindos da decretação da inconstitucionalidade do DecretoLei n° 2.445, de 29 de junho de 1988, e do DecretoLei n° 2.449, de 21 de julho de 1988, com débitos vincendos da Contribuição para o Plano de Integração Social – PIS. 16078.29732.150206.1.3.57‐4989 12576.38804.150306.1.3.57‐3748 12140.64282.130406.1.3.57‐1202 02184.85074.150506.1.3.57‐0580 34862.14419.130606.1.3.57‐4054 29897.58802.110208.1.3.57‐5458 14661.46840.100308.1.3.57‐0011 37707.74431.090408.1.3.57‐5002 05768.22584.041208.1.7.57‐0155 26859.98734.040608.1.3.57‐7098 37593.57178.070708.1.3.57‐6471 08022.98777.050808.1.3.57‐4494 31353.24482.060209.1.3.57‐0233 26601.38799.050309.1.3.57‐8301 ‐ Mediante Despacho Decisório das fls. 251 e 252, a DRFSete Lagoas procedeu à valoração do direito creditório no montante de R$ 9.483.586,86 (atualizado até 15/02/2006) e homologou integralmente as compensações declaradas nas referidas DComps. Nada obstante, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 266 a 279), contestando o valor do direito creditório reconhecido. Argumentou que o cálculo da variação diária da UFIR, utilizado na apuração do crédito, estava incorreto; que, quanto aos meses de janeiro a março de 1988, desconsiderou se a semestralidade da base de cálculo da Contribuição; que não se levou em conta a isenção prevista no art. 111 do DL n° 2.449, de 1988, relativamente aos meses de abril, maio e junho de 1988; que não foram considerados os recolhimentos efetuados em 07/10/1991 no valor de R$ 31.487.650,66 e em 25/10/1995, no valor de R$ 18,90, cujas guias apresenta, e; quanto à competência 08/1991, que os encargos da mora decorrente do recolhimento em atraso foram considerados indevidamente. Os autos foram então baixados para a DRF/STLMG, em diligência, para as seguintes verificações, nos termos da Resolução n° 2.001.534, de 25 de março de 2013 (fls. 493 a 496): 1. Apresentação d a relação dos recolhimentos que foram considerados na apuração do direito creditório em discussão. 2. Informação sobre se, no parcelamento n° 10640.000412/9557, os débitos foram confessados nos moldes dos decretosleis declarados inconstitucionais ou nos moldes da LC n° 07,de 1970; 3. Informação sobre se, no cálculo do direito creditório, foram considerados eventuais valores recolhidos indevidamente no processo de parcelamento n° 10640.000412/9557; 4. Confirmação do efetivo recolhimento dos pagamentos efetuados em 07/10/1991 no valor de Cr$ 31.487.650,66 (cópia fl. 305) e em 25/10/1995, no valor de R$ 18,90 (cópia fl. 306) e informação sobre se, nos cálculos de apuração do direito creditório, foram considerados tais pagamentos; 5. Realização de nova apuração do valor do crédito em discussão, caso se verificasse a existência de valores recolhidos indevidamente no processo de parcelamento n° 10640.000412/9557 e/ou se constatasse que os valores mencionados no item 4 foram Fl. 620DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13609.720152/201013 Acórdão n.º 3402002.617 S3C4T2 Fl. 620 3 recolhidos indevidamente e não foram considerados no cálculo do direito creditório apurado anteriormente; 6. Prestação de outras informações julgadas pertinentes. Em atendimento ao pedido de diligência foi emitido o despacho de fls. 548 a 549, por meio do qual a autoridade fiscal suscita as seguintes questões: I. Impossibilidade de utilização de eventual saldo de crédito em favor do contribuinte, em face de já haver transcorrido mais de 05(cinco) anos do trânsito em julgado da ação ordinária n° 2000.38.00.0237099; II. Ausência de objeto de litígio, dado que as DComp transmitidas pela Contribuinte foram integralmente homologadas; III. Apuração do direito creditório em valor menor do que o anteriormente apurado (inicialmente fora apurado crédito em favor da Contribuinte no montante de R$ 9.483.586,86 (em 15/02/2006); com o refazimento dos cálculos, o valor do crédito apurado passou a R$8.637.266,27(em 15/02/2006). Cientificada do resultado da diligência, o interessado argumentou que não existe limitação temporal para compensação dos valores indevidamente recolhidos, visto tratar se de direito subjetivo potestativo, mormente a partir do momento em que reconhecido pelo Poder Judiciário. Defendeu também o cabimento da manifestação de inconformidade apresentada, ao fundamento de ter sucumbido quanto ao valor pleiteado, havendo, desta forma, objeto contra o qual possa se insurgir. Repisou as demais alegações apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade. A 1ª Turma da DRJ/BHE entendeu que o presente processo não tem por objetivo definir o montante do crédito reconhecido pela ação judicial n° 2000.38.0237099, mas tão somente verificar se o crédito por ela utilizado nas DComp é suficiente para extinguir os débitos nelas declarados. Assim sendo, o montante do crédito a ser reconhecido limitase ao total dos débitos cuja extinção está sendo pleiteada, em face das compensações realizadas. Por essa razão, não conheceu da Manifestação de Inconformidade. Quanto às eventuais diferenças existentes, recomendou que o interessado ingressasse, no tempo e na forma devidos, com novas declarações de compensação, indicando novos débitos a serem extintos, ou com pedido de restituição. O Acórdão n° 0248.596, de 16 de setembro de 2013, fls. 585 a 589, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO. LITÍGIO INEXISTENTE. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de manifestação de inconformidade apresentada em face de compensações homologadas administrativamente, devido à inexistência de litígio. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Sem Crédito em Litígio Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 1ª Turma da DRJ/BHE. O arrazoado de fls. 596 a 614, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados com a lide, controverte o prazo para o exercício do direito judicialmente reconhecido. Quanto à decisão da 1ª Turma da DRJ/BHE, insurgiuse contra o não conhecimento da MI sob a alegação de que sucumbiu quanto ao valor pleiteado (recebeu menos do que pediu), havendo, sim, objeto contra o qual possa recorrer, contrariamente ao afirmado no acórdão recorrido. Retoma a reclamação contra a apuração do valor do crédito. A numeração de folhas reportase à atribuída pelo processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 596 a 614 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJBHE1ª Turma nº 0248.596, de 16 de setembro de 2012. Matérias controvertidas Devolvese a esta Turma Recursal a discussão a respeito do não conhecimento da MI e sobre o montante do crédito em disputa. A questão sobre o prazo para exercício do direito reconhecido na ação judicial, muito embora tenha sido ventilada no relatório da diligência requerida pela autoridade julgadora a quo, não foi por ela abordada, nem constou do Despacho Decisório. Por essa razão, não é objeto da lide. Preliminar ao mérito Conforme relatado, o contribuinte, ora recorrente, manejou ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, cujo provimento se deu por declarar indevidos os pagamentos efetuados sob a égide dos indigitados decretosleis, declarandose adicionalmente o direito da autora de compensálos com débitos administrados pela RFB, obedecidos os parâmetros de correção monetária então fixados. O provimento judicial foi ilíquido, transferindo essa fase para a seara administrativa. Não por outra razão, no parecer técnico que ancora o Despacho Decisório, fls. 251 e252, a autoridade tributária descreveu o andamento e o conteúdo do julgado, destacando os indexadores que deveriam ser aplicados no dimensionamento do crédito; pronunciouse afirmando que, "por questões operacionais, o presente processo trata tão somente da análise do direito creditório, todos os débitos relacionados nas DComps da Tabela 1 foram cadastrados no processo nº 13609.720004/201171"; e utilizouse das Fl. 622DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13609.720152/201013 Acórdão n.º 3402002.617 S3C4T2 Fl. 621 5 ferramentas operacionais de sistema próprias da apuração do indébito, tendo em vista a compensação em procedimentos internos dos débitos declarados. Assim, o que fez a Delegacia em Sete Lagoas foi proceder à liquidação da decisão judicial, declarando (reconhecendo) o montante do crédito do contribuinte, mediante o levantando dos pagamentos da contribuição efetuados, procedendo às vinculações destes com os débitos a que correspondiam, agora ajustados, e, erroneamente, ainda os vinculou a parcela de débitos de 1988 não confessados (faturamento sobre serviços), promovendo com este último proceder a um lançamento fiscal oblíquo e fora de tempo. E a decisão proferida, a intento de cumprir a decisão judicial, consigna que "em face das informações prestadas, com as quais concordo, e nos termos da decisão judicial proferida na Ação Ordinária nº 2000.00.38.0237099/MG, transitada em julgado em 26/03/2004, decido homologar as DComps listadas na Tabela I". Dáse assim a certificação do montante do crédito a que o contribuinte tem direito , porque a compensação é uma forma de execução da repetição do indébito, que é pedido implícito na exordial da Autora , ao de compensar o crédito cujo direito seja declarado no provimento. Este conceito de compensação como forma de execução da repetição do indébito é também o entendimento da PGFN1, sendo a apuração do crédito atividade integrante do procedimento interno de compensação, e, por este fato, indispensável à efetividade do provimento judicial. Ora, se o indébito necessita ser apurado como parcela do cumprimento da tutela judicial, nada mais próprio que o seja segundo o direito positivado na norma individual e concreta judicial, não ao talante da Administração Tributária. No regime jurídico da compensação regulado pela Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, quando os pedidos eram formalizados em papel, a instrução normativa regulamentadora, Instrução Normativa SRF n° 21, de 10 de março de 1997, exigia que ao pedido de compensação fosse anexado, também, pedido de restituição, além do inteiro teor do processo judicial. Este processamento ensejava, com clareza, que a decisão administrativa reconhecesse o direito creditório deferido judicialmente, ainda que não ele não fosse esgotável nos pedidos de compensação então apresentados, verbis: Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. (Redação dada pelaIN SRF nº 73/97, de 15/09/1997) 1 Parecer PGFN/CAT Nº 2093, de 2012 "Uma vez produzida a norma individual e concreta pelo Estadojuiz, certificando a existência da relação jurídica de indébito, compete ao titular do direito de crédito, o contribuinte, buscar a satisfação do direito ali reconhecido, mediante precatório ou compensação, nos termos da Súmula Nº 461, do STJ, resultando claro que a compensação é uma forma de execução da repetição de indébito tributário". Fl. 623DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 No novo regime, inaugurado pelo art. 49 da Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, a compensação passou a ser ato unilateral do contribuinte, tornouse um direito potestativo, passandose a interpretar que a análise do crédito prescinde do reconhecimento do direito creditório, fixandose a decisão em apenas homologar ou não homologar as compensações. Nada obstante, a DComp contempla um campo específico para o valor do "crédito utilizado na DComp". Valorar o crédito no caso do PIS pago sob a égide dos decretosleis n°s 2.445 e 2.449, de 1988, envolve algumas variáveis (existência ou não de indexador nos débitos, semestralidade, aplicação dos expurgos inflacionários), logo, é inarredável a estrita aderência dos critérios levados a cabo pela autoridade administrativa ao que fora consagrado na decisão judicial. Não pode o órgão da jurisdição do contribuinte eleger seu próprio critério de valoração do crédito, ao arrepio do teor do provimento judicial, e submeter o contribuinte à incerteza jurídica: (a) de prover outras compensações, sem saber se poderá aproveitar o crédito na dimensão que calcula possuir, até que se finde anos a fio , a discussão no bojo de compensações não homologadas; (b) de sujeitarse à aplicação de multa por compensações indevidas que, porventura, venha a declarar. Com essas considerações, não se está a afirmar que assim tenha procedido a autoridade administrativa na execução da decisão judicial. Mas tampouco se pode afirmar que ela aderiu incontestavelmente ao provimento judicial. Isso porque a valoração do crédito, a menos que se prove ao contrário, não passou pelo crivo do processo administrativo. O processo 13609.720004/201171, que controla os débitos objeto das declarações de compensação arroladas no Relatório, está arquivado na SAMFMG desde 24/03/2011 e, segundo o histórico de suas movimentações, extraído do Sistema Comprot, não consta que tenha transitado por outros órgãos fora da DRFSTL: Histórico de Movimentações Processo nº13609.720004/201171Foram encontrados 3 registros Data Tipo Seq Relação Origem Destino 24/03/2011 Arquivamento 0003 02006 ARQUIVO GERAL DA SAMF MG ARQUIVO GERAL DA SAMFMG 10/03/2011 Movimentação 0002 10403 SEC ORIENT ANALISE TRIBUTARIADRFSTLMG ARQUIVO GERAL DA SAMFMG 06/01/2011 Primeira Distribuição 0001 00000 PROTOCOLO DEL REC FED EM SETE LAGOASMG SEC ORIENT ANALISE TRIBUTARIADRFSTLMG Entendo que não é possível, por meio da fixação de uma mecânica operacional (DComp), obliterar o direito do contribuinte ao contraditório e à ampla defesa, na hipótese de este não concordar com a apuração do fisco relativamente apenas ao crédito, e limitar o exercício deste direito somente à situação em que sua compensação for não homologada, total ou parcialmente. No presente caso, o contribuinte teve seu débito reduzido na aferição do fisco, ao manifestarse sobre as primeiras compensações declaradas. Sua inconformidade não foi conhecida, em razão de os débitos possuírem valores aquém do crédito utilizado. Não poder o contribuinte discutir a forma de apuração e o quantum apurado a que julga ter direito, à luz da norma judicial, por se entender que a contestação será adequada só no momento em que tiver débitos não homologados, implica em insegurança jurídica para o contribuinte, por não saber se deve utilizar o saldo de crédito que calcula, ou se subjugase ao limite consignado no despacho decisório. O dilema do contribuinte, que acarreta a insegurança jurídica, é crucial, porque a negativa de apreciar a sua inconformidade (não conhecêla) Fl. 624DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13609.720152/201013 Acórdão n.º 3402002.617 S3C4T2 Fl. 622 7 submeteo ao risco de alto custobenefício de arcar com multa mínima de 50% sobre as compensações não homologadas, ao servirse de crédito que julga possuir em certa medida, não reconhecida pelo fisco, em face do manejo de outros eventuais critérios de apuração. Com efeito, o mérito da compensação, em sentido estrito, não podia ser oponível, uma vez homologadas as compensações dos débitos. Contudo, isso não significa que a manifestação, lato sensu, da Delegacia sobre a compensação, que envolve a apreciação do crédito, sobretudo por se tratar especificamente da atividade necessária de liquidação da decisão judicial transitada em julgado , não possa estar eivada de ilegalidade, senão outra, ao menos por descumprimento da decisão, no que concerne à apuração do crédito. A Instrução Normativa RFB n° 1.300, de 20 de novembro 2008, assim como as anteriores, a partir da Instrução Normativa SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002, não explicitam a forma como o contribuinte deve discutir o seu direito de obter o fiel cumprimento do decisum ao ser objetado nesta específica questão. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tampouco e passa ao largo de inusitada controvérsia. Entretanto, a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que subsidia o processo administrativo fiscal, no que lhe complemente e integre, dispõe: Art. 56. Das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito. Apontadas pelo contribuinte ilegalidades na apuração do crédito, em face das disposições judiciais, podese assegurar que há sucumbência deste, na esfera administrativa, no tocante a sua ação de executar o provimento obtido, merecendo tutela no devido processo (administrativo) legal. De mais a mais, adotar o entendimento ora esposado não desborda da competência conferida à Delegacia de Julgamento, consoante estipula o art. 233 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 203, de 14 de maio de 2012 – RIRFB, pois contra apreciação da Autoridade Administrativa no presente processo de compensação é do que trata a irresignação do contribuinte: Art. 233. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, com jurisdição nacional, compete conhecer e julgar em primeira instância, após instaurado o litígio, especificamente, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais: [...] IV contra apreciações das autoridades competentes em processos relativos a restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, imunidade, suspensão, isenção e redução de alíquotas de tributos, Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), indeferimento de opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), e exclusão do Simples e do Simples Nacional. Fl. 625DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 8 Assim, não deve prosperar o entendimento segundo o qual somente a não homologação dos débitos compensados pelo contribuinte suscita questão com força de inaugurar o litígio. Pelo exposto, voto por reformar a decisão de primeira instância, para que profira uma outra, apreciando as razões de defesa do contribuinte, no que tange aos critérios de apuração e ao quantum do crédito a ser certificado, sem prejuízo de observar a exigência indireta, no demonstrativo de vinculações, de crédito tributário não confessado e decaído, ficando prejudicadas as demais questões trazidas no recurso voluntário. É como voto. Sala de sessões, em 28 de janeiro de 2015 Fl. 626DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 11065.002706/2009-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
Os embargos de declaração apenas são cabíveis em face de obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma (art.65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF), hipóteses não presentes no caso concreto.
PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA RECURSAL.
O pedido de parcelamento relativamente a determinados créditos tributários exigidos configura desistência do recurso em tramitação e renúncia ao direito sobre o qual se funda (art.78 do Anexo II do Regimento Interno do CARF).
Numero da decisão: 1103-001.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, conhecer parcialmente dos embargos, apenas quanto aos fatos geradores ocorridos a partir do 2º trimestre de 2006, para rejeitá-los, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Os embargos de declaração apenas são cabíveis em face de obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma (art.65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF), hipóteses não presentes no caso concreto. PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA RECURSAL. O pedido de parcelamento relativamente a determinados créditos tributários exigidos configura desistência do recurso em tramitação e renúncia ao direito sobre o qual se funda (art.78 do Anexo II do Regimento Interno do CARF).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, conhecer parcialmente dos embargos, apenas quanto aos fatos geradores ocorridos a partir do 2º trimestre de 2006, para rejeitá-los, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva - Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
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Percentual de presunção. Serviços hospitalares Embargante ECOCLÍNICA ECOGRAFIA CLÍNICA S/S LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Os embargos de declaração apenas são cabíveis em face de obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma (art.65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF), hipóteses não presentes no caso concreto. PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA RECURSAL. O pedido de parcelamento relativamente a determinados créditos tributários exigidos configura desistência do recurso em tramitação e renúncia ao direito sobre o qual se funda (art.78 do Anexo II do Regimento Interno do CARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, conhecer parcialmente dos embargos, apenas quanto aos fatos geradores ocorridos a partir do 2º trimestre de 2006, para rejeitálos, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 27 06 /2 00 9- 14 Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103001.164 S1C1T3 Fl. 1.498 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pelo contribuinte em 23/4/14 (fls.1.483/1.492) em face do acórdão nº 1103000.988, de 11/2/14, que recebeu a seguinte ementa (fls.1.425/1.445): IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. SERVIÇOS HOSPITALARES. A base de cálculo do imposto será determinada mediante a aplicação do percentual de trinta e dois por cento sobre a receita bruta auferida, para as atividades de prestação de serviços hospitalares (art.15, §1º, III, a, da Lei nº 9.249, de 26/12/95). No caso concreto, o fato de haver decisão transitada em julgado em tal sentido, quanto às receitas decorrentes da execução de exames de ecografia e prestação de serviços de clínica médica, afasta a aplicação da nova interpretação do Superior Tribunal de Justiça, adotada sob a sistemática do art.543C do Código de Processo Civil (REsp nº 1.116.399/BA). LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. SERVIÇOS HOSPITALARES. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido será determinada mediante a aplicação do percentual de trinta e dois por cento sobre a receita bruta auferida, para as atividades de prestação de serviços hospitalares (art.20 c/c art.15, §1º, III, a, da Lei nº 9.249, de 26/12/95). No caso concreto, o fato de haver decisão transitada em julgado em tal sentido, quanto às receitas decorrentes da execução de exames de ecografia e prestação de serviços de clínica médica, afasta a aplicação da nova interpretação do Superior Tribunal de Justiça, adotada sob a sistemática do art.543C do Código de Processo Civil (REsp nº 1.116.399/BA). MULTA DE OFÍCIO.CABIMENTO. Comprovado nos autos que o trânsito em julgado das decisões judiciais desfavoráveis ao contribuinte foi certificado anteriormente à ciência dos autos de infração, não há se falar em suspensão de exigibilidade dos créditos tributários quando da autuação, sendo cabível a multa de ofício. A ciência formal do contribuinte efetivouse em 26/8/14 (fl.1.454). O Embargante sustenta, em síntese, que o acórdão embargado teria contrariado expressamente a decisão da DRJ, reformandoa em seu prejuízo. Além do mais, teria sido omisso “...ao se preocupar somente em justificar o limite da coisa julgada em face do acórdão do TRF4, que reformou a sentença favorável ao EMBARGANTE”. Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103001.164 S1C1T3 Fl. 1.499 3 Às fls.1.455/1.456, noticia a inclusão de parte dos créditos tributários exigidos neste processo (4º trimestre de 2004 a 1º trimestre de 2006) no parcelamento especial instituído pela Lei nº 12.996, de 18/6/14. Os embargos de declaração foram distribuídos com base no art.65, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (“O presidente da Turma poderá designar conselheiro para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração”). É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Do juízo de admissibilidade Os embargos de declaração são tempestivos. Nos termos do Regimento Interno do CARF (Anexo II), os embargos de declaração são cabíveis para sanar obscuridade, omissão ou contradição existentes no acórdão: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. O Embargante inicialmente sustenta que para os fatos geradores ocorridos até o primeiro trimestre de 2006, período em que a Quinta Turma da DRJ – Porto Alegre (RS) não conheceu do litígio em razão da concomitância, o colegiado, ao prestigiar as decisões judiciais transitadas em julgado que determinaram a aplicação do percentual de 32% sobre as receitas advindas da realização de exames de ecografia e clínica médica, teria proferido julgamento ultra petita. Com a informação de “...que parte dos débitos tributários envolvidos na presente autuação – 4º trimestre de 2004 a 1º trimestre de 2006 – foi incluída no Programa de Recuperação Fiscal – REFIS”, não se conhece dos embargos de declaração quanto a estes períodos. De acordo com o Anexo II do Regimento Interno do CARF, o pedido de parcelamento configura renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. §1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. §2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. §3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103001.164 S1C1T3 Fl. 1.500 4 recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Acrescentese que sequer se poderia falar em reformatio in pejus decorrente da aplicação das decisões judiciais transitadas em julgado, pois caso se confirmasse a concomitância decidida em primeira instância, o efeito imediato seria a manutenção das autuações com o percentual de presunção majorado, pois o recurso voluntário quanto aos fatos geradores até o 1º trimestre de 2006 sequer teria sido conhecido. Ao revés, restou decidido no acórdão embargado a ‘incidência dos percentuais reduzidos de presunção (8% para o IRPJ; 12% para a CSLL) sobre as receitas consideradas, à exceção daquelas decorrentes da execução de exames de ecografia e prestação de serviços de clínica médica para as quais deve ser aplicado o percentual de 32% (trinta e dois por cento)’. Uma segunda omissão diria respeito aos limites da coisa julgada do acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que sob as lentes do Embargante estaria assim caracterizada, verbis: “15. A omissão que se pretende demonstrar tem justificativa no fato do acórdão embargado ter se preocupado somente em justificar o limite da coisa julgada em face do acórdão do TRF 4, que reformou a sentença favorável ao EMBARGANTE. 16. Vejamos algumas falhas técnicojurídicas desse raciocínio: a) o MM juiz de 1ª instância concordou com o lucro presumido de 8% mas explicitou que o limite da sentença eram as notas fiscais juntadas aos autos, para futura compensação dos tributos pagos a maior, pelo lucro presumido de 32%; b) Em EMBARGOS DECLARATÓRIOS da Impetrante, o MM juiz reforçou esse ponto, negandoos; c) a PFN apelou da sentença sem mencionar esse aspecto, que é fundamental, porquanto o MS é um processo cuja prova tem que ser préconstituída, não tem os efeitos da ação declaratória; d) O Acórdão do TRF4 inverteu a tese da sentença do ponto de vista estritamente do lucro presumido de 8% x 32%. 17. Omitiuse sobre a abrangência de período tributável. 18. Portanto, o acórdão do TRF4 transitou em julgado com os limites das notas fiscais da sentença! 19. Ou seja, apenas ‘inverteu o sinal’ da sentença, sem se ater às provas documentais; 20. Basta fazer um raciocínio inverso para se comprovar a assertiva: se a EMBARGANTE tivesse logrado sucesso no TRF4 e essa questão não fosse préquestionada, ela só teria direito à compensação dos tributos pagos indevidamente das notas fiscais acostadas ao MS, pois a sentença assim estabeleceu. 21. Com a coisa julgada pode ser diferente, conforme o resultado da análise da tese aventada no processo?” Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103001.164 S1C1T3 Fl. 1.501 5 Da fundamentação dos embargos de declaração quanto ao ponto, notase que o contribuinte pretende, na realidade, rediscutir a matéria, o que, como sabido por todos, não é possível na estreita via dos embargos de declaração. Ao enfrentar a alegação de defesa, de que a coisa julgada diria respeito apenas às notas fiscais acostadas à petição inicial, o acórdão a afastou sob o argumento de que as decisões proferidas pelo TRF – 4ª Região basearamse no contrato social. Vejamos: “[...] no voto do Relator, Des. Federal Joel Ilam Paciornik, restou evidente que aquele colegiado também decidiu sobre os serviços de clínica médica, como não poderia ser diferente, pois o acórdão baseouse no contrato social acostado à petição inicial, sem a ampliação do objeto outrora mencionada. ..... No contrato social (fls.70/74), consta como objeto social ‘...a prestação de serviços de ecografia e clínica médica’, e exatamente esta informação é a que foi considerada pela Primeira Turma do TRF – 4ª Região. A folha 84 mencionada pelo Relator contempla a Cláusula Segunda do contrato social, o que confirma que não apenas as atividades de ecografia foram excluídas do conceito de ‘serviços médicos’. Na realidade, desde a sentença (fls.923/931), vêse com clareza que a decisão não restringiu a análise aos exames de ecografia, conforme se extrai do seguinte excerto: ‘[...] Cabe analisar se os serviços de ecografia e clínica médica, prestados pela impetrante, se enquadram na categoria de ‘serviços hospitalares’ para fins de gozar do regime diferenciado ... Assim, uma vez que os serviços de diagnóstico são considerados serviços hospitalares, é de ser reconhecido o direito da impetrante ao recolhimento do IRPJ com base de cálculo reduzida’. (destaquei) Com o Mandado de Segurança nº 2005.71.08.0044775, referente à CSLL, impetrado em 17/5/05 (fl.1.077), os acontecimentos não ocorreram diferentemente. O Impetrante reafirmou ser ‘...explorador do ramo serviços de ecografia e clínica médica’. Na sentença, igualmente se assentou ‘...Cabe analisar se os serviços de ecografia e clínica médica, prestados pela impetrante, se enquadram na categoria de ‘serviços hospitalares’ para fins de gozar do regime diferenciado’ (fls.1.166/1.173). A ementa do acórdão da Primeira Turma do TRF – 4ª Região restou assim redigida (fl.1.205/1.209): ‘TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. IRPJ. CSLL. SERVIÇOS HOSPITALARES. ARTS. 20 E 15, § 1°, III, 'A' DA LEI 9.249/95. NATUREZA DAS ATIVIDADES. ENQUADRAMENTO. RECEITA BRUTA. REDUÇÃO DE PERCENTUAL. 1. A atividade desenvolvida pela impetrante não encontra enquadramento no conceito de serviço hospitalar, para o Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103001.164 S1C1T3 Fl. 1.502 6 fim de incidência do IRPJ e a CSLL com percentuais de 8% e 12%, respectivamente, sobre a renda bruta, para a formação da base de cálculo destes tributos. 2. No caso do autos, as atividades da empresa não se enquadram no conceito de serviços hospitalares, para efeito de incidência da Lei n° 9.249/95, remanescendo aqueles concernentes à hemodiálise. 3. Posicionamento pessoal destronado em virtude do julgamento da 1ª Seção desta Corte, em 10 de junho de 2006, nos Embargos Infringentes em Apelação Cível n° 2003.71.00.0311590. 4. Apelação da União e remessa oficial providas para julgar improcedente o pedido, e apelação da impetrante improvida.” Notase, do respectivo voto condutor (fls.1.206/1.209), que também a decisão foi baseada no contrato social: ..... Feitas tais considerações, não se sustentam, portanto, as alegações do Recorrente no sentido de que a discussão judicial limitarase ao percentual de presunção aplicável aos serviços de ecografia, ainda que, como afirma, tenham sido anexadas aos Mandados de Segurança ‘algumas notas fiscais de ecografia’. Em suma, as decisões judiciais transitadas em julgado fixaram que os serviços de ecografia e clínica médica não se enquadram no conceito de ‘serviços hospitalares’ para fins de aplicação do percentual de presunção na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Tal norma, estabelecida definitivamente pelo Judiciário para o caso concreto, deve ser prestigiada, aplicada pela Administração tributária. Assim, somente sobre as receitas advindas da realização de exames de ecografia e serviços de clínica médica deve, necessariamente, incidir o percentual de 32% (trinta e dois por cento), em todo o período autuado. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER PARCIALMENTE dos embargos de declaração, apenas quanto aos fatos geradores ocorridos a partir do 2º trimestre de 2006, para REJEITÁLOS. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11065.002706/200914 Acórdão n.º 1103001.164 S1C1T3 Fl. 1.503 7 Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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