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Numero do processo: 18186.002240/2008-49
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2004
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, por intermédio da Súmula Vinculante n° 8, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra do Código Tributário Nacional.
O lançamento fiscal encontra-se parcialmente decadente.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
A empresa é obrigada a recolher, na forma e prazo definidos pela legislação vigente, as contribuições de que trata a Lei n° 8.212/91 e alterações posteriores.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-004.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para declarar a decadência das competências anteriores a 11/2000, inclusive. Vencidos os conselheiros Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2004 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, por intermédio da Súmula Vinculante n° 8, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra do Código Tributário Nacional. O lançamento fiscal encontra-se parcialmente decadente. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A empresa é obrigada a recolher, na forma e prazo definidos pela legislação vigente, as contribuições de que trata a Lei n° 8.212/91 e alterações posteriores. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2004 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, por intermédio da Súmula Vinculante n° 8, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra do Código Tributário Nacional. O lançamento fiscal encontrase parcialmente decadente. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A empresa é obrigada a recolher, na forma e prazo definidos pela legislação vigente, as contribuições de que trata a Lei n° 8.212/91 e alterações posteriores. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, para declarar a decadência das competências anteriores a 11/2000, inclusive. Vencidos os conselheiros Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 22 40 /2 00 8- 49 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18186.002240/200849 Acórdão n.º 2803004.060 S2TE03 Fl. 294 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18186.002240/200849 Acórdão n.º 2803004.060 S2TE03 Fl. 295 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrada contra a empresa supracitada, referente às contribuições sociais devidas à Seguridade Social incidentes sobre remunerações pagas a contribuintes individuais (autônomos) e sobre pró labore dos sócios. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O Contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal em 29/03/2006 (fl. 3). Inconformado apresentou impugnação. A decisão do órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal confirmou a procedência do lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado da decisão, apresentando recurso voluntário, alegando em síntese: a fiscalização não comprovou habilitação para realizar do auditoria contábilfiscal ou da revisão contábilfiscal, junto ao Conselho Regional de Contabilidade – CRC, portanto o lançamento fiscal deve ser nulo; foi imputada onerosa multa sem ao menos verificar a capacidade contributiva do contribuinte; não há a certeza e liquidez referente aos valores lançados; a multa é confiscatória; a taxa de juros não pode ser superiores a 12% ao ano, nem ser aplicada a taxa selic; protestase por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente a juntada de novos documentos e a oitiva de testemunhas; por fim, requer o cancelamento do lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18186.002240/200849 Acórdão n.º 2803004.060 S2TE03 Fl. 296 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual será analisado. Consta do relatório fiscal, fls. 56/58, que o lançamento fiscal se refere às contribuições sociais devidas sobre remunerações pagas a contribuintes individuais (autônomos), assim como, sobre prólabore retirado pelos sócios, período de 01/1999 a 02/2004. Foram incluídos valores relativos à contribuição de 11% sobre as remunerações pagas que deveriam ter sido retidos dos contribuintes individuais (autônomos), a partir da competência 04/2003. As competências lançadas compreendem (relatório DSD, fls. 15/19): 01/1999 a 03/1999, 08/2000 a 12/2000, 01/2001 a 12/2001, 01/2002 a 05/2002, 07/2002 a 12/2002, 01/2003 a 12/2003, 01/2004, 02/2004. Há recolhimento de contribuições para as competências, relatório – RDA, fls. 30/32: 01/1999 a 03/1999, 02/2000, 01/2000, 02/2000, 04/2002, 08/2002 a 12/2002, 01/2003, 02/2003, 08/2004. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal em 29/03/2006 (fl. 3). DA DECADÊNCIA A súmula vinculante do STF, nº 08 traz: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Com a decisão do Pretório Excelso, a questão passa a ser decidida com base nos artigos art. 150, § 4º e 173, ambos do Código Tributário Nacional – CTN. Transcrevemos o artigo 173 do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito Fl. 296DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18186.002240/200849 Acórdão n.º 2803004.060 S2TE03 Fl. 297 5 tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A jurisprudência pátria já assentou que a aplicabilidade deste artigo seria na hipótese de inexistência de pagamento antecipado ou na ocorrência de fraude ou dolo, conforme transcrevemos. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Já o artigo 150, § 4º do CTN, informa: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Assim sendo, para as competências sem recolhimento prévio demonstrado nos autos (comp. 08/2000 a 12/2000, 01/2001 a 12/2001, 01/2002, , 03/2002, 05/2002, 07/2002, 03/2003 a 12/2003, 01/2004, 02/2004) deve ser aplicada a regra do art. 173, I do CTN, estão decadentes as competências: 08/2000 a 11/2000. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18186.002240/200849 Acórdão n.º 2803004.060 S2TE03 Fl. 298 6 Para as competências com recolhimento prévio demonstrado nos autos (comp. 01/1999 a 03/1999, 02/2002, 04/2002, 08/2002 a 12/2002, 01/2003, 02/2003) devese aplicar a regra do art. art. 150, § 4º do CTN. Estão decadentes as competências: 01/1999 a 03/1999. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal em 29/03/2006 (fl. 3). Destarte, para o lançamento fiscal estão decadentes as competências anteriores a 11/2000, inclusive. DO LANÇAMENTO FISCAL A recorrente não contestou diretamente os valores lançados pela fiscalização. Assim, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela recorrente, nos termos do art. 17 do Decreto 70. 235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, no âmbito federal. COMPETÊNCIA LEGAL DO AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL Sobre a competência do AuditorFiscal para a lavratura de Auto de Infração, a Lei 1.457, de 16 de março de 2007 esclarece a matéria: Art. 2o Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (...) § 3o As obrigações previstas na Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, relativas às contribuições sociais de que trata o caput deste artigo serão cumpridas perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) “Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; Fl. 298DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18186.002240/200849 Acórdão n.º 2803004.060 S2TE03 Fl. 299 7 c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; A base legal para a competência dos atos de Auditoria fiscal da Receita Federal foi a Lei 1.457/2007, em especial os artigos 2o e 6o. Destarte, não há necessidade da fiscalização comprovar habilitação para realizar auditoria contábilfiscal ou revisão contábil fiscal perante o Conselho Regional de Contabilidade – CRC, como quer o contribuinte. MULTA. LEGALIDADE. NÃO CONFISCATÓRIA. A multa aplicada no lançamento fiscal encontra respaldo na lei 8.212/91, conforme demonstrado no relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD. Aplicada a multa na forma da lei não pode ser considerada confiscatória, pois este juízo de admissibilidade já foi feito pelo poder legislativo quando da sua aprovação. Cabe a autoridade administrativa aplicar as determinações legais e zelar pelo cumprimento da obrigação tributária, respeitando o princípio da legalidade. A lei em vigor, cuja invalidade ou inconstitucionalidade não foi declarada, deve ser cumprida pela administração pública por força do ato vinculado. Não é possível, no âmbito administrativo, afastar aplicação de legislação nos termos do art. 26A do Decreto nº. 70.325/72, acrescentado pela MP nº 449/2008. Ademais, consta da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS. TAXA SELIC. SUMULA CARF É devida e legal a aplicação dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, bem como, a aplicação da taxa SELIC, enunciadas nas súmulas 4o e 5o do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 18186.002240/200849 Acórdão n.º 2803004.060 S2TE03 Fl. 300 8 Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Pondo fim à discussão, o STF, em sede de repercussão geral, no julgamento do RE 582461/SP, rel. Min. Gilmar Mendes, em 18/05/2011, decidiu ser legítima a incidência da Selic como índice de atualização dos débitos tributários pagos em atraso. O contribuinte protestas por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente a juntada de novos documentos e a oitiva de testemunhas, entretanto, até o momento do julgamento não concretizou o intento. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores, discriminativo de débito, instrução para o contribuinte, fundamentos legais, relatório fiscal, e demais informações constantes dos autos, consoante artigo 33 da Lei 8.212/91, e demais dispositivos mencionados nos autos. Não há que se falar em falta de certeza e liquidez relativa aos valores lançados. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para declarar a decadência das competências anteriores a 11/2000, inclusive. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 300DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10830.006178/2006-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2101-000.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para esclarecimento de questões de fato quanto a: (1) dados cadastrais e demais informações existentes relativas às contas mantidas no MTB- Hudson Bank e (2) fontes pagadoras dos aluguéis objeto do lançamento e, eventual oferecimento dos valores ao fisco pelo cônjuge da autuada. Vencido o Conselheiro Eduardo de Souza Leão. Designada a conselheira Maria Cleci Coti Martins para redação do voto vencedor. Realizou sustentação oral o patrono da recorrente, Dr. Gustavo Froner Minatel OAB/SP 210198.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Redatora Designada.
EDITADO EM: 24/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: EDUARDO DE SOUZA LEAO
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para esclarecimento de questões de fato quanto a: (1) dados cadastrais e demais informações existentes relativas às contas mantidas no MTB Hudson Bank e (2) fontes pagadoras dos aluguéis objeto do lançamento e, eventual oferecimento dos valores ao fisco pelo cônjuge da autuada. Vencido o Conselheiro Eduardo de Souza Leão. Designada a conselheira Maria Cleci Coti Martins para redação do voto vencedor. Realizou sustentação oral o patrono da recorrente, Dr. Gustavo Froner Minatel OAB/SP 210198. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. MARIA CLECI COTI MARTINS Redatora Designada. EDITADO EM: 24/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 06 17 8/ 20 06 -4 9 Fl. 485DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 3 2 Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Recurso Voluntário onde a Contribuinte/Recorrente objetiva a reforma do Acórdão de nº 1729.328 da 8ª Turma da DRJ/SPOII (fls. 361/381), que, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento, mantendo crédito tributário exigido a título de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, no montante histórico de R$ 343.011,80, correspondendo a imposto R$118.072,29, multa agravada de 112,5% R$132.831,32, e os juros de mora R$92.108,19, calculados até 31/10/2006. Para melhor compreensão do caso em análise, se faz necessário transcrever algumas informações advindas do Termo de Verificação Fiscal de fls. 21/51, in verbis: “2. INFORMAÇÕES PRELIMINARES 3. A presente ação fiscal decorre da CPI do BANESTADO e trata de operações em dólares efetuadas no MTBHudson Bank no ano calendário 2001 no montante de US$ 395.000,00 em conjunto com seu cônjuge IRINEU SZPIGEL, CPF n° 682.518.15800. Foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal n° 0810400.2006 003690, objetivando analisar as informações obtidas pela Justiça Federal junto As autoridades do Governo dos Estados Unidos da América, as quais foram transferidas para a Receita Federal do Brasil, conforme breve histórico relatado a seguir: 4. Em 29/04/2004, em decisão no Processo n° 2004.70000082670, o Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba decretou a quebra do sigilo bancário e autorizou o Ministério Público Federal a utilizar documentos e mídias eletrônica recebida da CPMI do Banestado, que, por sua vez, os receberam da Promotoria distrital de Nova York, relativamente As contas mantidas no MTBCBCHudson Bank, Safra Bank e Lespan. 5. No item 26 da mesma decisão, o Juízo autoriza, também, o compartilhamento de todos esses dados com a Receita Federal, Bacen e Coaf, para instruir as atividades especificas desses órgãos. 6. A documentação fora entregue ao Ministério da Justiça do Brasil pelo US. Department of Justice, Criminal Division, Office of International Affairs, atendendo a requisição do Governo Brasileiro, datada de 26 de novembro de 2.003, conforme expediente daquela unidade em 29 de janeiro de 2.004, após certificações de diversas autoridades daquele pais da origem da documentação relacionada ao caso. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 4 3 7. Em 16/12/2003, o juiz da Suprema Corte, Honorable John Cataldo, expediu o documento denominado "Order To Disclose" visando liberar a CPMI do Banestado e ao Ministério da Justiça provas e documentos havidos em investigações e procedimentos do Grande Júri conhecido como "International Money Loundering by John Doe". 8. Em 18 de fevereiro de 2.004, o Diretor da Secretaria Nacional de Justiça, Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça, através do Oficio n° 66/2004/DRCISNJMJ, acusa o recebimento dos documentos e os faz encaminhar ao Procurador da República no Estado do Paraná. 9. A fiscalizada realizou operações no MTBHudson Bank no anocalendário 2001 no montante de US$ 395.000,00 (trezentos e noventa e cinco mil dólares dos Estados Unidos da América). 10. Por meio do memorando SRRF08/DIFIS/EQPAF/467/2006 de 31/05/2006 foi encaminhado a SAPAC/DRF/CAMPINAS cópia do Memorando EEF/Port.463/2004 n°33/2006 de 24/04/2006 e de seus anexos com Representações fiscais em meio eletrônico contra contribuintes desta jurisdição, incluindo a contribuinte acima qualificada. 11. De acordo com o Memorando EEF/Port.463/2004 n°33/2006 de 24/04/2006, as representações fiscais em meio eletrônico foram obtidas na análise das "mídias" eletrônicas das contas Merchants, Lespan, Safra, e MTBHudson 12. A Cofis/Difis encaminhou CD com os dados obtidos em meio magnético referentes às operações efetuadas. A equipe especial de Fiscalização preparou relatórios em meio magnético com as operações efetuadas por cada contribuinte. Os relatórios de representação estão impressos. 13. Em 27/06/2005, foi elaborado o Laudo n° 1496/2005INC com a finalidade de identificar os responsáveis ( titulares ou procuradores ou representantes) pela conta n° 030101301, denominada KUNDO S.A., consolidar sua movimentação financeira, identificar o relacionamento com outras Pessoas Físicas e/ou Jurídicas investigadas, correntistas do Banestado — NI, Beacon Hill — NI, Merchantes Bank — NI, Safra — NI e Lespan. De acordo com este laudo, foram analisadas as ordens de pagamento, sob a forma de mídia digital, sejam recebidas (I e C) ou remetidas (0 e D) pela conta investigada N° 030101301, mantida no MTBCBCHUDSON BANK. Os principais campos existentes nessas ordens de pagamento são: • Account Number: número da conta que teve o sigilo afastado • Value data: data da operação • Dollar_amount: valor da transação expresso em dólares norteamericanos • IN Out: indica o tipo de transação "I" (ordens recebidas de outros bancos, "O" (ordens remetidas para outros bancos) "C" ordens recebidas de outras contas mantidas no MTB Bank ) e "D" (ordens remetidas para outras contas mantidas no MTB Bank) • Reference: número da transação gerada pelo respectivo sistema • Originador: pessoa física ou jurídica ordenante da transação • Original Bank: banco do qual se originou a ordem de pagamento recebida pelo MTB Bank • Instruction Bank: informações complementares do Original Bank Fl. 487DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 5 4 • Beneficiary Bank: instituição (banco ou empresa) intermediária da transação • Beneficiary Info: beneficiário final da transação • Senders aba num: número ABA do banco que remeteu os recursos • Senders name: nome do banco que remeteu os recursos • Receivers aba num: número do ABA do banco que recebeu os recursos • Other Bank Info: outras informações sobre a transação 14. Na representação da Sra. CLARICE SZPIGEL, consta que houve as seguintes movimentações financeiras, para a conta n° 30101301 no MTB, cujo beneficiário foi a conta KUNDO. DATA Nº CONTA Valor da movimentação em Dólares 14/03/2001 30101301 155.000,00 15/08/2001 30101301 240.000,00 15. De acordo com a Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física exercício 2002, ano calendário 2001, não constam saldos de contas no exterior na Declaração de Bens da fiscalizada. 16. SUJEIÇÃO PASSIVA 17. As informações e os documentos disponibilizados para a Secretaria da Receita Federal foram obtidos por meio da quebra do sigilo bancário determinado pela Justiça Norte Americana, conforme relatado acima no item Informações Preliminares. O material remetido para as autoridades judiciárias brasileiras foi encaminhado ao Departamento da Policia Federal (força tarefa CC5), e posteriormente compartilhado com a Secretaria da Receita Federal que, através da Portaria n° 463/04, de 30 de abril de 2004, nomeou Equipe Especial de Fiscalização para a análise fiscal do material recebido, chegandose à conclusão que a fiscalizada efetuou transações financeiras entre instituições bancárias localizadas fora do Brasil, sendo uma destas instituições o Merchants Bank/NYC 18. A Equipe Especial de Fiscalização instituída pela Portaria SRF nº 463/2004 apresentou duas Representações Fiscais contra a pessoa física CLARICE SZPIGEL, onde a mesma, juntamente com seu cônjuge IRINEU SZPIGEL, consta como remetente de duas operações totalizando US$ 395.000,00: Dados da representação eletrônica encaminhada Memo EEF/Port. 463/04 nº 33/2006 de 24/04/ Operações em que a contribuinte abaixo consta como remetente: Nome: CLARICE SZPIGEL CPF: 038.716.43831 Fl. 488DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 6 5 Conta: KUNDO — Número: 30101301 1ª operação • Account_Number: número da conta que teve o sigilo afastado 30101301 • Value_data: data da operação 14/03/01 • Dollar_amount: valor da transação expresso em dólares norteamericanos 155.000,00 • IN_Out: indica o tipo de transação "I" (ordens recebidas de outros bancos, "0" (ordens remetidas para outros ancos) "C" ordens recebidas de outras contas mantidas no MTB Bank) e "D" (ordens remetidas para outras contas mantidas no MTB Bank) I • Reference: número da transação gerada pelo respectivo sistema 20010314B1Q8983C003683I • Original Bank : banco do qual se originou a ordem de pagamento recebida pelo MTB Bank AC606910832; 1RINEU SZPIGEL OR CLARICE SZPIGEL; I P.O. BOX 321 MIDTOWN STATION; NEW YORK 10018 • Instruction Bank: informações complementares do Original Bank ACZZEC1; EPIC NEW YORK (EC1); PI INTERFACE; INTL PRIVATE BANKING; NEW YORK NY • Beneficiary Bank: instituição (banco ou empresa) intermediária da transação ;;; • Beneficiary Info: beneficiário final da transação AC030101301; KUNDO • Senders_name: nome do banco que remeteu os recursos MARINE NYC • Receivers_name: nome do banco que recebeu os recursos CBC NY 2ª operação • Account_Number: número da conta que teve o sigilo afastado 30101301 • Value_data: data da operação 15/08/2001 • Dollar_amount: valor da transação expresso em dólares norteamericanos Fl. 489DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 7 6 240.000,00 • IN Out: indica o tipo de transação "I" (ordens recebidas de outros bancos, "O" (ordens remetidas para outros ancos) "C" ordens recebidas de outras contas mantidas no MTB Bank) e "D" (ordens remetidas para outras contas mantidas no MTB Bank) I • Reference: número da transação gerada pelo respectivo sistema 20010815B1Q8983C0037251 • Original Bank : banco do qual se originou a ordem de pagamento recebida pelo MTB Bank AC606910832; IRINEU SZPIGEL OR CLARICE SZPIGEL; I P.O. BOX 321 MIDTOWN STATION; NEW YORK 10018 • Instruction Bank: informações complementares do Original Bank ACZZEC1; EPIC NEW YORK (EC1); PI INTERFACE; INTL PRIVATE BANKING; NEY YORK NY • Beneficiary Bank: instituição (banco ou empresa) intermediária da transação ;;; • Beneficiary Info: beneficiário final da transação AC030101301; KUNDO • Senders_name: nome do banco que remeteu os recursos MARINE NYC • Receivers_name: nome do banco que recebeu os recursos CBC NY 19. A identificação dos contribuintes efetuada pela Equipe Especial de Fiscalização instituída pela Portaria SRF nº 463, de 30 de abril de 2004, via de regra, obedeceu aos seguintes passos: a) Seleção dos campos da mídia eletrônica que foram pesquisados (Order Customer, ACC Party, Ult.Benef, details ofpayment, para BHSC); b) Leitura e pesquisa individualizada de cada um dos nomes que apareceram na mídia, nos sistemas da SRF (CPF, CNPJ); c) O nome foi identificado, positivamente, quando correspondeu a um só nome constante dos sistemas (sem homônimos, único no Brasil) ou quando, embora com homônimos, foi vinculado a um endereço, também constando da mídia, que era seu próprio ou de empresas a que estivesse vinculado; Fl. 490DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 8 7 d) Via de regra, quando houve homônimos, não foi efetuada identificação positiva, salvo quando outras informações constantes da mídia trouxeram a convicção necessária (endereços, nomes de esposas, filhos ou empresas); e) Quando as consultas aos sistemas da SRF não foram suficientes para firmar convicção, as pesquisas se estenderam à interne e companhias telefônicas, para checagem de endereços constantes da mídia. f) Em alguns casos, a identificação foi efetuada após diligência fiscal nos locais informados na mídia eletrônica, constando, nesses casos, relatórios sucintos da forma de identificação. 20. Conforme se pode verificar do sistema informatizado da SRF, na base CPF existe apenas uma CLARICE SZPIGEL, que conforme declaração de imposto de renda pessoa física é cônjuge de IRINEU SZPIGEL, CPF n° 682.518.15800, e ainda na base CPF existe apenas um IRINEU SZPIGEL. As telas dos referidos sistemas constituem o anexo I, II e III, e fazem parte do presente termo de verificação. 21. DO PROCEDIMENTO FISCAL 22. Da análise das informações repassadas pela Justiça Federal, constatouse que, no ano de 2001, a fiscalizada efetuou transações financeiras no exterior, através da instituição bancária MTB HUDSON BANK. As transações referemse a valores em que a fiscalizada foi ordenante, nas datas e valores a seguir discriminados: DATA Nº CONTA Valor da movimentação em Dólares 14/03/2001 30101301 155.000,00 15/08/2001 30101301 240.000,00 23. A contribuinte acima identificada, programada regularmente para fiscalização conforme Mandado de Procedimento Fiscal, não foi localizado no endereço fornecido a Secretaria da Receita Federal como sendo o de sua residência. 24. Em 14/08/2006, foi enviado, com AR (Aviso de Recebimento), Termo de Inicio de Fiscalização à RUA CANDIDO BUENO, n° 912, 2° PISO CENTRO, JAGUARIUNA SP — CEP 13820000, endereço constante da sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física/2006, tendo a correspondência sido devolvida com a justificativa "MUDOUSE". 25. Visando localizar a contribuinte acima identificada, pesquisei nos sistemas informatizados da Receita Federal e constatei que a mesma recebe rendimentos tributáveis da empresa ENGRATECH TECNOLOGIA EM EMBALAGENS PLÁSTICAS S/A, CNPJ n° 05.825.478/000174, endereço a Rua Iguatemi, 448, 5º Andar, CJ 502, 504, 506, 508, 510, ITAIM BIBI São Paulo, CEP 01451010, conforme Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física exercício 2005. 26. Identificado o seu endereço profissional, tentei, via telefone 01137043714, contato, tendo sido atendida pela Sra. Erica, que me informou que a Sra. Clarice não Fl. 491DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 9 8 estava e que a pessoa que poderia me fornecer o telefone da mesma era a Sra. Daniela. Após várias tentativas de falar com a Sra. Daniela, consegui falar com a mesma no dia 25/08/06 aproximadamente às 08:00 e pedi que a Sra. Clarice entrasse em Contato com a Receita Federal, mas a referida atendente preferiu impedir o acesso a fiscalizada, alegando que não acreditava ser telefonema da Secretaria da Receita Federal, mesmo quando lhe forneci o telefone da DRF/Campinas para ligação de retorno da Sra. Clarice Szpigel. 27. Dispõe o art. 28, parágrafo 3°, do RIR/99 (aprovado pelo Decreto 3000/99), in verbis: “§ 2º Quando se verificar pluralidade de residência no Pais, o domicilio fiscal será eleito perante a autoridade competente, considerandose feita a eleição no caso da apresentação continuada das declarações de rendimentos num mesmo lugar (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 171, § 2º). § 3º A inobservância do disposto no parágrafo anterior motivará a fixação, de oficio, do domicilio fiscal no lugar da residência habitual ou, sendo esta incerta ou desconhecida, no centro habitual de atividade do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 171, § 3º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 127, inciso I)." (grifei) 28. Assim, em 28.08.2006, enviei via correio, com A.R., para o endereço da empresa Engratech, onde a contribuinte Clarice Szpigel trabalha, intimação para que a Senhora CLARICE SZPIGEL comparecesse ou fizesse contato com a Receita Federal em Campinas, para tomar ciência de procedimento fiscal de seu interesse. 29. Contudo, mesmo sendo funcionária da referida empresa, a correspondência da Secretaria da Receita Federal a ele dirigida foi recusada, e o correio a devolveu apontando o nome da pessoa que manifestou a recusa. 30. A pessoa que se recusou a receber a correspondência dirigida ao fiscalizado, foi identificada como Tais. 31. Em nova tentativa de dar ciência do Termo de Inicio de Fiscalização, compareci, em 30.08.2006, ao endereço da empresa ENGRATECH SÃO BERNARDO TECNOLOGIA EM EMBALAGENS PLÁSTICAS S/A, CNPJ 05.248.082/000101, com sede em São Bernardo do Campo — SP, e filial no Município de Jaguariúna, na Av. Armando Mario Tozzi, 363, Bairro Santa Úrsula, da qual seu cônjuge IRINEU SZPIGEL é sócio, e onde fui atendida pelo Senhor Manoel José Bueno, CPF 024.828.57856, que alegou que o Sr. Irineu não estava na empresa. 32. Nessa ocasião foi deixado recado e telefone para que o Sr. Irineu e sua esposa Clarice entrassem em contato com a Receita Federal para tomar ciência de procedimento fiscal de seu interesse. 33. Finalmente, em 31.08.2006, via telefone, uma pessoa identificouse como Antônio Carlos Picolo, alegou ser procurador da fiscalizada e agendou data para tomar ciência da fiscalização. 34. Em 04.09.2006, mediante procuração, a fiscalizada tomou ciência do Termo de Inicio de Fiscalização e foi INTIMADA a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, os esclarecimentos, informações e/ou documentos a seguir especificados: Fl. 492DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 10 9 1. Comprovar, mediante apresentação de documentação hábil, idônea e coincidente em datas e valores, a origem dos recursos que possibilitaram a realização dos depósitos, na qualidade de ordenante, no Banco MTB HUDSON BANK, conforme discriminados a seguir: DATA Nº CONTA Valor da movimentação em Dólares 14/03/2001 30101301 155.000,00 15/08/2001 30101301 240.000,00 2. Apresentar os comprovantes de Rendimentos auferidos/recebidos no ano calendário 2.001, com os respectivos recolhimentos/pagamentos de Imposto de Renda na Fonte; 3. Esclarecer e comprovar, mediante documentação hábil e idônea, se os valores das transações bancárias discriminadas estavam sujeitos e se foram oferecidos à tributação. 35. Nesta mesma ocasião, recebeu, por meio de seu procurador, o Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.04.002006.003690 e a seguinte documentação obtida por determinação judicial, referente às conclusões dos trabalhos da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do Banestado: 1) Oficio n° 0015/05FTCC5 2) Conclusão do processo n° 2004.70000082670 3) Oficio n° 0123/2004CPMI "BANESTADO" 4) Relatório elaborado pela equipe especial de fiscalização referente ao CPF 038.716.43831. 36. Em 22.09.2006, a fiscalizada entregou na DRF/CAMPINAS, no serviço de protocolo, uma petição onde alega, em síntese, que: 1 Por ser pessoa física não mantém escrituração de sua movimentação financeira; 2 Não se lembra de cada uma das operações financeiras que porventura tenha realizado; 3 Não tem registro das operações listadas pela fiscalização no MTB HUDSON BANK; 4 Nunca manteve conta bancária no MTB HUDSON BANK; 5 Desconhece a origem das informações em poder do Fisco que possibilitaram a elaboração dos documentos que foram apresentados; Fl. 493DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 11 10 6 Diante do desconhecimento da origem das informações em poder do Fisco, requer que a repartição disponibilize o seu acesso ao dossiê ou qualquer outro documento que esteja em poder da fiscalização; 7 Que em relação ao item 2 do Termo de Inicio de Fiscalização, está apresentando parte dos elementos solicitados; 37. Em relação ao item 3 do Termo de Inicio de Fiscalização, nada alegou. 38. Nesta mesma data, a fiscalizada requer que todas as intimações sejam remetidas no endereço: Avenida Armando Mário Tozzi, n° 363, Jardim Santa Ursula em JaguaritinaSP. 39. Analisando as alegações da fiscalizada, fica evidenciada a tentativa de fugir de tema central e objetivo da ação fiscal que é a movimentação financeira efetuada no exterior, pela fiscalizada. 40. A referida movimentação financeira está devidamente identificada e documentada e cuja origem é, inclusive, assunto de domínio público, pois foi objeto de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, amplamente divulgada pela mídia. 41. Contudo, esclareço mais uma vez a fiscalizada, respondendo, a seguir, a cada uma das suas alegações: 1 A fiscalização não pediu escrituração fiscal de movimentação financeira da fiscalizada, o que de fato, na condição de pessoa física, ela não está obrigado por lei a fazer. Por outro lado, mesmo que tivesse feito, espontaneamente, a tal escrituração, a mesma não teria valor probante, pois a comprovação da origem e movimentação de valores se faz com documentos hábeis e idôneos e não com escrita efetuada pela interessado; 2 Também não foi solicitado à contribuinte que "lembrasse" de suas operações bancárias. Foram pedidos, sim, esclarecimentos e comprovações referentes origem dos recursos que comprovadamente movimentou nas duas operações especificadas e identificadas, com datas e valores; 3 Os registros de suas operações foram fornecidos juntamente com o Termo de Inicio de Fiscalização. 4 Também não foi solicitada a confirmar se possui conta MTB HUDSON BANK, pois a sua relação com o referido banco estrangeiro está documentada. 5 Quanto à origem das informações em poder do Fisco, o histórico da obtenção das mesmas está inserido nos documentos que lhe foram fornecidos. 6 Está demonstrado que a contribuinte tem conhecimento das informações em poder do fisco, entretanto essas mesmas informações estarão à sua disposição também no processo fiscal que será formalizado na conclusão da presente fiscalização. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 12 11 42. Com o objetivo de verificar se dispunha de recursos para a saída de tal numerário, a fiscalizada foi intimada, em 28/09/2006, a: a) informar e comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, os elementos especificados abaixo, com detalhamento mensal, referentes aos anos calendários 2001: 1 rendimentos tributáveis, isentos e tributados exclusivamente na fonte percebidos pelo(a) epigrafado e seu(s)s dependente(s); 2 aquisição(ões) e alienação(ões) de bens e direitos; (...) 18 dispêndios efetuados com telefone fixo 19 dispêndios efetuados com telefone celular 20 dispêndios efetuados com conta de água 21 dispêndios efetuados com conta de luz 22 dispêndios efetuados com seguro de carro 23 dispêndios efetuados com assinatura de jornais e revistas 24 dispêndios efetuados com empregados domésticos 25 dispêndios efetuados com seguro de vida b) Apresentar, cópias autenticadas dos contratos de compra e venda de imóveis, bem como reserva de usufruto, realizados no ano calendário 2001, referentes aos imóveis situados a rua prof. Artur Ramos nº 350 e rua 55, n°11, Guarujá/SP. 43. Em atendimento a intimação lavrada em 28/09/2006, a fiscalizada em 11/10/2006, com relação aos itens abaixo, afirma que por ser pessoa física não mantem escrituração de sua movimentação financeira e, portanto, não possui as informações solicitadas: a) pagamentos efetuados a titulo de Cando de Crédito; b) pagamentos e doações efetuados (despesas médicas e/ou hospitalares, pensão alimentícia judicial, advogados, engenheiros, etc); c) dispêndios efetuados com IPTU (...) Fl. 495DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 13 12 n) dispêndios efetuados com assinatura de jornais e revistas o) dispêndios efetuados com empregados domésticos p) dispêndios efetuados com seguro de vida 44. A fiscalizada informou que recebeu doações de seu marido Sr. Irineu Szpigel no ano calendário 2001 no valor de R$ 55.000,00. 45. Na mesma data a fiscalizada apresentou as escrituras de compra e venda dos imóveis situados a rua Prof. Artur Ramos nº 350 e rua 55, n°11, Guarujá/SP. 46. Para que a fiscalizada ordenasse transações financeiras, era necessário que tivesse disponibilidade de recursos financeiros. A disponibilidade de recursos, independentemente de sua denominação, origem e do local onde se encontre, caracteriza rendimentos passíveis de tributação, nos termos do art. 43 caput e parágrafo 1° e art. 45 do CTN. 47. Tendo em vista que a fiscalizada não apresentou qualquer elemento que demonstrasse a origem dos recursos movimentados ou prova de que os mesmos foram submetidos a tributação anteriormente, foi elaborado o Demonstrativo Mensal de Evolução Financeira, ano calendário 2001, considerando os dados constantes da Declaração de Ajuste Anual, exercício 2002, da Declaração de Imposto Retido Fonte DIRF, ano calendário 2001 e as operações financeiras realizadas no exterior. 48. Quanto aos dispêndios no exterior foi utilizado a metade, (50% cinqüenta por cento), do valor cuja movimentação foi ordenada simultaneamente com seu esposo, convertido em reais de acordo com a IN/SRF/73/98. 49. Na falta de maiores informações foram consideradas aquelas que mais favoreceram a fiscalizada, isto é, na falta de mais elementos foram lançados no mês de janeiro os recursos / origens recebidos e lançados no mês de dezembro os dispêndios / aplicações efetuados no referido ano calendário analisado. 50. Em 26/10/2006, a fiscalizada foi intimada a: a) Analisar a Planilha Demonstrativo Mensal de Evolução Financeira, ano calendário 2001, apontando eventuais incorreções e, se for o caso, distribuir corretamente os valores nela contidos durante o anocalendário; b) Caso haja correções a serem consideradas, apresentar documentação, hábil e idônea, comprobatória das modificações anotadas. 51. A Planilha a Demonstrativo Mensal de Evolução Financeira, ano calendário 2001, encontrase no anexo III e faz parte do presente termo de verificação. 52. Em 14/11/2006, em atendimento a fiscalização, a contribuinte informa: Fl. 496DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 14 13 a) não mantém escrituração de sua movimentação financeira b) a intimação e planilha apresentadas pela fiscalização não trazem o critério utilizado para seu preenchimento c) que não foram utilizados os rendimentos isentos e os tributados exclusivamente na fonte das instituições financeiras. d) Que a contribuinte presume que os valores com a rubrica "dispêndio no exterior" referemse aos valores em dólares relacionados no Termo de Inicio de Fiscalização. e) Que a contribuinte desconhece as operações listadas pelo fisco. 53. Diante das alegações da contribuinte a Planilha Demonstrativo Mensal de Evolução Financeira, ano calendário 2001 foi revista, nada tendo sido adicionado uma vez que a fiscalizada não declarou os rendimentos isentos e rendimentos tributados exclusivamente na fonte na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física — DIRPF, exercício 2002. O rendimento isento no valor de R$ 55.000,00 referente à doação de IRINEU SZPIGEL, já constou da planilha apresentada à fiscalizada. 54. A conversão das transações financeiras ("dispêndios no exterior"), ocorridas em moeda Dólar dos Estados Unidos da América, foi efetuada para moeda Reais do Brasil de acordo com INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF n° 41, de 19 de abril de 1999, por ser mais adequada aos fatos e ainda mais favorável à fiscalizada. Assim, foi abandonada a conversão pela IN SRF 73/98. 55. A Planilha a Demonstrativo Mensal de Evolução Financeira, ano calendário 2001, encontrase no anexo IV e faz parte do presente termo de verificação. (...) 59. Tendo em vista que as transações foram efetuadas, pela fiscalizada, em conjunto com seu cônjuge IRINEU SZPIGEL, que apresentaram declarações de rendimentos em separado e que não comprovaram, com documentação hábil e idônea, as origens de recursos, foi considerado como disponibilidade de renda para cada um 50% do valor das movimentações realizadas nas datas mencionadas. 60. Os valores ordenados pela fiscalizada foram expressos em Dólar dos Estados Unidos da América, os quais foram convertidos para a moeda corrente nacional (Real) conforme regra estabelecida na IN SRF n 2 41, de 19 de abril de 1999: INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF n° 41, DE 19 DE ABRIL DE 1999. "Art. 1°. Para fins de determinação da base de cálculo dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, o valor em reais das transferências do e para o exterior será apurado com base na cotação de venda, para a moeda, correspondente ao segundo dia útil imediatamente anterior ao da contratação da respectiva operação de câmbio ou, se maior, da operação de câmbio em si." Fl. 497DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 15 14 61. DA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 62. Com base nos elementos acima descritos foi elaborada Planilha a Demonstrativo Mensal de Evolução Financeira, ano calendário 2001, em anexo, que faz parte do presente termo. 63. Demonstrouse pelas planilhas a existência de sinais exteriores de riqueza/ gastos incompatíveis com a renda disponível nos seguintes meses, sendo que referido valor será tributado: MÊS ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO mar/01 128.198,80 ago/01 280.150,69 TOTAL 408.349,49 64. Da análise e pesquisas efetuadas nos sistemas de controle da Secretaria da Receita Federal (DIRF, informações prestadas pelas fontes pagadoras) verificouse que na DIRPF/2002 não consta o rendimento tributável de aluguel recebido no montante de R$ 34.593,38, com Imposto de Renda Retido na Fonte de R$ 5.193,13, de Lojas Arapuá, CNPJ 00.354.053/000100. Motivo pelo qual referido rendimento foi adicionado aos rendimentos tributáveis da DIRPF/2002. 65. lançamento de acordo com os artigos 835 e 841 do RIR/99, aprovado pelo Decreto 3000/99. 66. Os valores totais apurado acima foram incluídos na Declaração de Ajuste Anual do IRPF/2002 como rendimento tributável, resultando em Imposto de Renda a Pagar conforme demonstrado na Minuta de Cálculo a seguir apresentada: 67. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO 68. Agravase a penalidade, na forma do art. 44, parágrafo 2°, da Lei 9460/96, quando em procedimento de oficio a contribuinte deixa de atender a solicitação da Fl. 498DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 16 15 Autoridade Fiscal, proporcionando a mora na verificação e maiores ônus à Administração Tributária pela demanda de diligências e outras fontes de informações. 69. O fiscalizado não foi localizado no endereço fornecido à Secretaria da Receita Federal como sendo o de sua residência. 70. Procurado nas empresas das quais é sócio recusou recebimento de correspondência expedida pela Receita Federal por meio de seus subordinados. 71. Regularmente intimado a apresentar informações sobre os saldos bancários no inicio e final de cada mês do período fiscalizado, recusouse a fazêlo, alegando não estar obrigada a manter escrituração de sua movimentação financeira. 72. Regularmente intimado não informou nem apresentou qualquer elemento relativo aos dispêndios no ano calendário 2001. 73. Considerando a dificuldade na localização da fiscalizada, bem como o não fornecimento de informações que poderia ter obtido junto As instituições financeiras agravo a multa de oficio para o percentual de 112,5%. 74. CRÉDITO TRIBUTÁRIO 75. Diante dos fatos descritos, foi lavrado Auto de Infração para cobrança do crédito tributário, decorrente das infrações constatadas: Acréscimo Patrimonial a Descoberto/Sinais Exteriores de Riqueza e Omissão de Rendimento recebido de Pessoa Jurídica, do qual este Termo passa a fazer parte integrante. 76. A presente ação fiscal restringiuse a análise das informações extraídas da documentação repassada pela Justiça Federal, relativamente As transações financeiras ocorridas no exterior no ano de 2001. Fica, portanto, ressalvado o direito de a Fazenda Nacional fazer verificações posteriores e cobrar o que for devido em razão dos fatos, circunstâncias e elementos não verificados e/ou não conhecidos nesta oportunidade; 77. E, para constar e surtir seus efeitos legais, lavramos o presente termo, em 03 (três) vias de igual teor, assinado pelo(s) Auditor(es)Fiscal(is) da Receita Federal, cuja ciência e cópia do contribuinte se dará via postal, por Aviso de Recebimento (AR).” Nesses termos, segundo disposto no Auto de Infração de fls. 13/19, a Contribuinte teria cometido as seguintes infrações tributárias: 001 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS E ROYALTIES RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS 002 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA Fl. 499DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 17 16 Diante da Autuação foi apresentada Impugnação cujos argumentos trazidos foram sintetizados pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos: “Lavrado o Auto de Infração, a contribuinte foi cientificada em 14/12/2006 (fls. 06), apresentando a defesa de fls. 140/172: A contribuinte repete as alegações tecidas durante o procedimento fiscal. Com efeito, assevera que: * A documentação não conteria qualquer comprovação de eventual solicitação, feita pela contribuinte, para realização de transações financeiras fora do pais. Apesar de solicitado, não lhe teria sido disponibilizado o dossiê da Receita Federal do Brasil, para que pudesse averiguar porque seu nome consta como ordenante de operações desconhecidas. Aduz também que não haveria registro do nome da contribuinte no Laudo de Exame EconômicoFinanceiro e, portanto, faltaria comprovar que as operações apontadas foram ordenadas pela contribuinte. * Nulidade do procedimento porque está apoiado em informações oriundas de processo judicial do qual a contribuinte não é parte. Valor relativo da prova emprestada. Afirma que o trabalho fiscal teve inicio e fim com a prova emprestada. * Equivoco na apuração individualizada de acréscimo patrimonial referente a patrimônio comum, já que a contribuinte é casada em regime de comunhão universal de bens. A despeito de apresentar Declarações de Ajuste Anual em separado, os bens do casal constam na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte. * Aduz a contribuinte que inexistiria omissão de rendimentos de aluguéis, sendo que o montante de R$ 34.593,38 estaria incluso no total de R$ 65.035,56 declarados por seu marido. * Impossibilidade de agravamento da multa, pois a contribuinte deveria ter sido intimada no endereço fornecido quando da entrega da D1RPF de 2006. * Indevida cobrança de juros sobre a multa de oficio.” (fls.367). Atentando aos argumentos de defesa e às provas colacionadas nos autos, a 8ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em São Paulo II (SP) proferiu decisão que restou assim ementada: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. BENS COMUNS. Os rendimentos comuns produzidos por bens ou direitos, cuja propriedade decorra do regime de casamento (comunhão universal) podem ser tributados em separado na proporção de cinquenta por cento do total dos rendimentos para cada consorte. Artigo 4°, II e parágrafo único da IN SRF nº 15/2001. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 18 17 PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. É licito ao Fisco federal valerse de informações colhidas por outras autoridades fiscais, administrativas ou judiciais para efeito de lançamento, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. Artigo 332 do CPC. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO POR NÃO ATENDIMENTO DAS INTIMAÇÕES. Cabe o agravamento da multa de oficio, por não atendimento das intimações, quando resta caracterizado o descaso da contribuinte para com a fiscalização ou o descumprimento proposital das solicitações. Artigo 44 da Lei n° 9.430/96 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de oficio, porquanto parte integrante do crédito tributário, está sujeita á incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Artigos 113, § 1°; 139; e 161, do CTN. Lançamento Procedente” No Recurso Voluntário disposto às fls. 409/469, a Recorrente repisou suas argumentações de Defesa, insistindo na nulidade do procedimento fiscal, diante do erro da metodologia aplicada para verificação do acréscimo patrimonial, em face do patrimônio único do casal que apenas ofertava Declarações em separado, devendo ser considerado os bens e direitos declarados pelo seu cônjuge, assim como todos os dispêndios do casal. Ressalta a necessidade de apresentação de provas do ilícito fiscal, e ainda a impossibilidade de produção de prova negativa, tanto quanto questiona o valor da prova emprestada apropriada nos autos. Alega o cerceamento do direito de defesa, decorrente da indisponibilização do dossiê tido pela DRF local, da indisponibilidade das provas da acusação e da utilização de documentos em língua estrangeira. Levanta a tese de que somente após a apuração do patrimônio comum, confrontandose os efetivos recebimentos com os efetivos desembolsos, é que o Fisco pode verificar se houve ou não acréscimo patrimonial. Defende a inexistência de omissão de rendimentos dos valores de alugueis, porquanto os respectivos valores teriam sido declarados pelo seu cônjuge. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 19 18 No mais, reforça a inexistência de motivações para o agravamento da multa, e impossibilidade de aplicação de juros sobre a multa, para ao final requerer a decretação da nulidade do Auto de Infração, ou, subsidiariamente, a improcedência da equivocada exigência fiscal. Distribuído o feito para nossa Relatoria, coloco em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Em princípio, conforme se verifica nos autos, importa salientar que na Impugnação e no Recurso Voluntário em julgamento, a Contribuinte/Recorrente se esforça em arguir a inexistência de provas que confirmem sua participação no envio de recursos para o exterior. No caso, alega inexistir qualquer registro de requisição ou ordem feita pela Recorrente para a realização de transações financeiras no exterior, muito menos a prova da movimentação de recursos, não justificando a presunção adotada pela r. fiscalização. Afirma que a única "prova" utilizada pelo Fisco para lavratura do auto de infração é um relatório interno, gerado pela própria Coordenação de Fiscalização da Receita Federal do Brasil, que aponta a Recorrente como ordenante das operações investigadas. Nesse sentido, dispõe que, além deste documento apresentarse extremamente parcial, apenas atesta com base nos dados obtidos da CPMI do Banestado, que a Receita Federal do Brasil "concluiu" a titularidade das operações, por meio das informações colhidas. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 20 19 Ocorre que tal "conclusão" não possuiria qualquer respaldo fático, e sequer jurídico, uma vez que a Recorrente nunca foi investigada por qualquer CPMI, e tampouco é parte no processo judicial em que se autorizou o compartilhamento das informações com outros órgãos. De fato, uma análise cuidadosa nos documentos acostados aos autos, fica evidente que em nenhum momento foram juntados aos autos documentos que confirmassem a investigação da Recorrente por meio de CPI, muito menos sua participação no ilícito apontado. No caso, o Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.04.002006.003690 que findou no presente lançamento fiscal decorreu de documentação obtida por determinação judicial, referente às conclusões dos trabalhos da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do Banestado, em que se observa: 1) Oficio n° 0015/05FTCC5 (fls. 71/73 e 109/111) 2) Conclusão do processo judicial n° 2004.70000082670 (fls. 75/83 e 113/121); 3) Oficio n° 0123/2004CPMI "BANESTADO" (fls. 69 e 107) Ocorre que em nenhum destes documentos há sequer citação do nome da Recorrente como investigada ou responsável por alguma situação censurável. Vale destacar que o Laudo de Exame EconômicoFinanceiro, de nº 1496/2005, juntado aos autos (fls. 251/273), onde foram identificados os responsáveis (titulares ou procuradores ou representantes) pela movimentação financeira da conta corrente da KUNDO S/A n° 030 101301, não aponta em nenhum momento algum indício de participação da Recorrente nas atividades questionadas pela fiscalização. Por sua vez, o denominado “Relatório elaborado pela equipe especial de fiscalização referente ao CPF 038.716.43831” – da Recorrente, não consta nos autos, mas apenas supostamente algumas páginas do mesmo. Assim, os únicos elementos de prova que relacionam a Recorrente aos fatos examinados estão dispostos nas fls. 85, 87 e 89, repetidos nas fls. 101, 103 e 105, que, repita se, supostamente são advindas do conclamado Relatório da Equipe Especial de Fiscalização. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 21 20 Pior é que tais páginas apenas indicam valores e o nome da Recorrente e de seu esposo, dispostos numa folha apresentada como espécie de formulário, não conferindo qualquer indicação da origem, quais as provas colhidas que serviram de fundamento, elementos de convicção ou qualquer outro subsídio a confirmar os dados lançados. Por outro lado, atentese que a tributação do acréscimo patrimonial a descoberto está fundada nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, in verbis: “Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título.” (grifamos) Fl. 504DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 22 21 Por sua vez, o Regulamento do Imposto de Renda disposto no Decreto nº 3.000/1999, prevê expressamente: “Art.55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, §2º, inciso IV, e 70, §3º, inciso I): (...) XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; (...) Parágrafo único. Na hipótese do inciso XIII, o valor apurado será acrescido ao valor dos rendimentos tributáveis na declaração de rendimentos, submetendose à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva de que trata o art. 86.” Avultam das normas transcritas que o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, incidirá sobre o acréscimo patrimonial, compreendido como rendimento bruto do Contribuinte, que não corresponda ao seu rendimento declarado. E a presunção legal da omissão de rendimentos representada pelo acréscimo patrimonial a descoberto, decorre da constatação lógica de que ninguém aumenta seu patrimônio sem a obtenção dos recursos para isso necessários. Neste sentido, para que seja desconstituída a presunção fiscal, cabe ao Contribuinte/Fiscalizado justificar o acréscimo patrimonial verificado, com provas e/ou documentos satisfatórios, que apontem a disponibilidade financeira por meio de rendimentos tributáveis, isentos ou não tributáveis ou, ainda, tributáveis exclusivamente na fonte. Não obstante, embora seja ônus do contribuinte desconstituir o lançamento fiscal com documentos hábeis e idôneos, conforme sistema de repartição do ônus probatório adotado pelo Decreto nº 70.235/1972, norma que rege o processo administrativo fiscal, no seu artigo 16, inciso III, e de acordo com o artigo 333 do Código de Processo Civil, aplicável à espécie de forma subsidiária –, eis que a realidade fática anunciada no presente procedimento fiscal, em razão da acusação da contribuinte em remeter valores para o exterior, aponta para uma solução diferente quanto à produção de provas visando afastar a presunção fiscal. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 23 22 É que, em nenhum momento foram juntados aos autos provas da saída de recursos financeiros da Contribuinte/Recorrente para o exterior. A bem da verdade, para a compreensão do caso, vale destacar que o art. 9º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que a autoridade fiscal deve instruir o Auto de Infração com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito imputado ao contribuinte. Vejamos a letra da lei: “Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)” A bem da verdade, o direito brasileiro consagra a possibilidade de uso da prova indiciária. Entretanto, no caso de uso das provas indiciárias (indiretas), é ônus do agente fiscal contextualizar os rudimentos de prova juntados, tratando de articulálos de forma tal a demonstrar a inequívoca conduta ilícita do contribuinte. Se a congruência dos elementos de prova existentes não resultar o possível resultado afirmado pelo agente fiscal, não restará força probatória para a acusação por falta de elementos de convicção. No caso, avultam dos autos, mais categoricamente descrevido no Termo de Verificação Fiscal de fls. 21/51, que a Contribuinte/Recorrente foi intimada mais de uma vez a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em contas bancárias mantidas no exterior. E a Contribuinte/Autuada em suas manifestações, se resumia a afirmar desconhecer as transferências bancárias. Diante da ausência de resposta plausível da Fiscalizada, mas também deixando de atentar à falta de documentação existente nos autos, a Fiscalização lavrou o Auto de Infração de fls. 13/19, considerando ter havido omissão de rendimentos em face de acréscimo patrimonial a descoberto, além de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas – alugueis, que não foram ofertados a tributação. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 24 23 Contudo, pelo escorço fático, as alegações de nulidade da exigência fiscal quanto a suposto acréscimo patrimonial decorrente do envio de recursos para o exterior, em razão de suposta ausência de provas, merecem acolhimento. Ora, do exame dos documentos que compõe o processo verificase que o nome da Contribuinte/Recorrente somente é mencionado nos formulários trazidos nas fls. 85, 87 e 89, repetidos nas fls. 101, 103 e 105, supostamente elaborados pela Equipe Especial de Fiscalização, sem que haja nenhuma informação, narrativa ou dado concreto da conformação do envio dos valores dispostos nas citadas páginas. Na verdade, inexiste qualquer documento que comprove a ordem ou o comando do envio de numerários para a Conta corrente analisada no exterior. Tanto assim que nos documentos oriundos da Justiça Federal e no Laudo Pericial juntado aos autos, o nome da Contribuinte/Recorrente, não é mencionado sequer uma única vez. Além disso, o denominado “Relatório elaborado pela equipe especial de fiscalização”, constituída por Portaria da Secretaria da Receita Federal do Brasil, apesar de não existente nos autos, se estiver desacompanhado de elementos contundentes, por si só não é prova suficiente de que a Recorrente tenha realizado a operação ali indicada. Presumese que as informações constantes do referido Relatório elaborado pela Equipe Especial de Fiscalização foram extraídas das planilhas eletrônicas recebidas das autoridades americanas, nas quais constam os movimentos das contas e subcontas administradas ou mantidas no Banestado, Beacon Hill, Merchants Bank, Safra e Lespan, em face de ordens de pagamento recebidas ou remetidas para a conta investigada n° 030101301, mantida no MTBCBCHUDSON BANK. Acreditase, portanto, na possibilidade do nome da Recorrente ter sido mencionada como ordenante da remessa de recurso ao exterior, nos documentos encaminhados ao governo brasileiro pelas autoridades americanas, de modo que conformam indícios da realização da remessa de recurso indicada no Auto de Infração. No entanto, tais fatos são apenas indiciários. Não se pode descartar a possibilidade de uso indevido do nome do contribuinte, apenas pelo fato da inexistência de homônimos nos registros dos nomes nacionais. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 25 24 Vale ressaltar que não foram acostados aos autos documentos assinados pela Recorrente ou mesmo fornecidos por instituições financeiras brasileiras ou americanas, os quais lhe indicassem como ordenante de recursos ao exterior. Deste modo, o nome da Recorrente aparece apenas nas folhas dos formulários juntados ao feito, sem que haja nenhuma prova contundente ou no mínimo esclarecedora da realidade material levantada nos autos. Desta forma, temse que os elementos trazidos pela autoridade fiscal aos autos não são suficientes para comprovar, de forma inequívoca, que a Recorrente realizou as remessas de recursos ao exterior, de modo que tais valores – correspondentes à remessa de recursos ao exterior, devem ser excluídas do demonstrativo de variação patrimonial a descoberto. Neste sentido: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2003, 2004 (...) ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte. VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. REMESSAS DE RECURSOS AO EXTERIOR. PROVA INDICIÁRIA. Para caracterizar a infração de omissão de rendimentos a prova indiciária deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. MULTA DE OFÍCIO 75%. LANÇAMENTO EM NOME DE HERDEIROS. INAPLICABILIDADE. Conforme legislação vigente, o lançamento não comporta multa de ofício de 75% quando o crédito tributário é constituído em nome dos herdeiros após a homologação da partilha. Recurso Voluntário Provido em Parte” (Acórdão nº 2102 002.833, Processo nº 18471.000065/200759, Redatora Designada Conselheira Núbia Matos Moura, 2ª TO/ 1ª CÂMARA/ 2ª SEJUL/ CARF/MF, Data de Publicação: 02/06/2014 grifamos) Destaquese, ainda, que exigir que a Recorrente trouxesse aos autos documentos que atestassem o não envio ou a existência de recursos que justificassem a remessa ao exterior, equivale a exigir a apresentação de prova negativa ou confissão fática, sendo certo que não se pode esquecer que o ônus da prova, quando da imputação de infração de omissão de Fl. 508DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 26 25 rendimentos, é da autoridade fiscal. Ou seja, não é o caso de o contribuinte ter que provar que não fez a remessa de recursos para o exterior e sim de a autoridade fiscal demonstrar, de forma inequívoca, que a remessa foi realizada pelo contribuinte. Nestes termos, voto por excluir a apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, do anocalendário de 2001, exercício 2002, quanto a remessa de recursos ao exterior, no valor definido no Termo de Verificação Fiscal, desconstituindo o lançamento fiscal referente. Por outro lado, quanto a consideração das provas produzidas pela Contribuinte/Recorrente em relação ao recebimento de alugueis e suas consequências no crédito tributário lançado, sua postura não pode prevalecer. De fato, restaram omitidos os valores recebidos a título de aluguel relativos ao imóvel locado a Lojas Arapuã, com CNPJ/MF nº 00.354.053/000100, porquanto não há provas de que foram ofertados a tributação. E a tese de que tais valores foram lançados a tributação na Declaração de Ajuste de seu esposo (fls. 340), não se sustenta diante da divergência entre os números de CNPJ/MF das Fontes Pagadoras (CNPJ/MF nº 51.655.637/000157) , assim como dos valores totais referentes. A Recorrente também insurgiuse contra a aplicação da multa agravada, por entender que não cometeu qualquer ato que justificasse o agravamento imputado. De fato, a multa agravada aplicada no auto combatido resta prevista na Lei nº 9.430/96, nos seguintes termos, conforme texto vigente na data da autuação: “Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 303, de 2006) Ide setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) Fl. 509DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 27 26 IIcento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (...) § 2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 303, de 2006) a) prestar esclarecimentos; (Incluída pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito)” Da análise dos autos e de todo seu conjunto probatório, em que pese a tentativa de interpretação dada aos fatos pela Recorrente, entendo que a opção da contribuinte em se furtar a apresentar quaisquer documentos referentes às suas operações financeiras, comprovantes de rendimentos, pagamentos efetuados e dispêndios em seu nome, arriscando encobrir alguma disponibilidade econômica, figuram no mínimo como tentativa de negar a prestação de esclarecimentos solicitados pela Fiscalização. A meu ver, sua recusa mostrase ainda mais injustificada quando observamos que a Recorrente poderia prestar as informações solicitadas (quanto a movimentação financeira, origem de seus recursos, comprovação de seus dispêndios), porquanto, em tese, apenas fariam prova contrária à alegativa de remessa de recursos ao exterior, destacando a verdade fática e jurídica evidenciada pela ausência de provas neste sentido por parte da Fiscalização Tributária, durante todo o procedimento fiscal. Neste sentido, conformando hipótese de não atendimento pelo sujeito passivo, dos esclarecimentos solicitados pela Fiscalização, entendo que deva ser mantida a multa agravada de 112,5%, estabelecida no art. 44, § 2º, “a” da Lei nº 9.430/96, nos termos do texto vigente a época do lançamento fiscal. A Recorrente também pretende afastar a incidência de juros sobre a multa aplicada, ao entendimento de que as sanções devem ser aplicadas ao sujeito passivo para combater a impunidade, não havendo que se falar em acréscimos moratórios sobre a mesma, porquanto somente será devida a partir da decisão definitiva, que trará a certeza da infração sobre a qual deverá recair a penalidade prevista na legislação. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 28 27 Sobre a matéria, importa destacar que a multa de ofício não está inserida no conceito de tributo (art. 3° do CTN), apesar do § 1º do art. 113 do CTN, reconhecer que possui a mesma natureza da obrigação tributária. Na letra da lei: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” (grifamos) No mesmo sentido aponta o artigo 139 do CTN: “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” Contudo, quanto a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício arbitrada pela fiscalização, não se pode ignorar a disposição legal trazida no artigo 61, § 3º da Lei 9.430/96, que prevê expressamente: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” Ou seja, o legislador ordinário estabeleceu que os juros moratórios incidirão sobre o “débito”, conceito utilizado com distinção e especificidade pelo legislador, para autorizar a aplicabilidade da Taxa Selic (§ 3º do art. 5º da Lei nº 9.430/96). E este CARF já pronunciou entendimento de que o referido “débito” corresponde ao direito subjetivo da Fazenda exigir do sujeito passivo o cumprimento da Fl. 511DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 29 28 obrigação tributária, que nos termos do Código Tributário Nacional (art. 3º), tem como pressuposto a licitude do fato subsumido à materialidade da regra matriz de incidência. Em sentido diverso, a multa decorre do descumprimento do ato lícito, exigido por lei, e não se confunde com o crédito tributário em sentido estrito, mesmo que possua a mesma natureza jurídica. Nesse contexto é que o CTN, em seu art. 161 (caput) prevê que sobre o valor devido a título de tributo incidirão juros moratórios, independentemente da aplicação de qualquer medida sancionatória que possa incidir cumulativamente sobre o débito. Tal conformação impõe a conclusão da não incidência de juros sobre a penalidade imputada pelo descumprimento da ordem tributária. Neste sentido: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 (...) JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO. A Lei 9.430/96 não prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. O art. 161, § 1º, que se subordina ao caput, prevê supletivamente a aplicabilidade de juros de mora à taxa de 1% ao mês. O art. 161, caput, do CTN prevê a incidência de juros de mora antes de imposição das penalidades cabíveis. Sobre a multa de oficio são inaplicáveis juros de mora.” (Acórdão nº 2202002.571, Processo nº 19515.003398/200587, Relator Cons. FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, 2ª TO/ 2ª CÂMARA/ 2ªSEJUL/CARF/MF/, Data de Publicação: 09/06/2014); “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2006, 2009 (...) TAXA SELIC. JUROS DE MORA INCIDENTE SOBRE MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, por absoluta falta de previsão legal. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 30 29 Recurso voluntário provido em parte” (Acórdão nº 2202002.429, Processo nº 12448.734760/201113, Redator Designado Conselheiro Antônio Lopo Martinez, 2ª TO/ 2ª CÂMARA/ 2ª SEJUL/ CARF/MF, Data de Publicação: 20/11/2013); “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 (...) Ementa: JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A Lei 9.430/96 não prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. O art. 161, § 1º, que se subordina ao caput, prevê supletivamente a aplicabilidade de juros de mora à taxa de 1% ao mês. O art. 161, caput, do CTN prevê a incidência de juros de mora antes de imposição das penalidades cabíveis. Sobre a multa de oficio são inaplicáveis juros de mora.” (Acórdão nº 110300.193, Processo nº 16327.001478/200527, Redator Designado Cons. Marcos Shigueo Takata, 1ª CÂMARA/ 1ª SEJUL/ CARF/MF/DF, Data de Publicação: 18/05/2010) Deste modo, apesar de alguns posicionamentos deste CARF em sentido diverso, entendo pela ilegalidade da incidência de juros de mora sobra a multa aplicada, na melhor interpretação do art. 161 do CTN c/c art. 61, § 3º da Lei nº 9.430/96, devendo ser reformado o acórdão recorrido também neste sentido. Por fim, sobre a aplicação da taxa SELIC como juros moratórios, não há o que discutir nos termos da Súmula nº 4 deste CARF: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Ante todo o acima exposto e o que mais constam nos autos, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para desconstituir a tributação lançada a título de acréscimo patrimonial a descoberto, em face da inexistência de provas nos autos que a Recorrente efetivou remessa de recursos ao exterior, assim como para afastar a incidência de juros de mora sobre a multa aplicada, mantendo todo o restante dos valores delimitados na decisão recorrida. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.006178/200649 Resolução nº 2101000.202 S2C1T1 Fl. 31 30 É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Voto Vencedor Conselheira Maria Cleci Coti Martins Com a devida vênia ao Conselheiro Relator, entendo que o processo carece de documentação instrutória/probatória, o que pode ser saneado de ofício. Tendo em vista que não foram trazidos aos autos documentos bastantes para dar suporte ao fato de que o contribuinte é efetivamente o responsável pelas transferências bancárias, entendo que deve ser dada oportunidade à autoridade fiscal para complementar a instrução dos autos nesse quesito. Por outro lado, a contribuinte argumenta que os valores relativos à aluguéis lançados já teriam sido declarados na DIRPF do cônjuge, o que é permitido por lei. As divergências encontradas relativamente aos aluguéis referemse ao número CNPJ do locatário e também aos valores declarados. Desta forma, voto converter o julgamento do recurso em diligência para esclarecimento de questões de fato quanto a: (1) dados cadastrais e demais informações existentes relativas às contas mantidas no MTB Hudson Bank e (2) fontes pagadoras dos aluguéis objeto do lançamento e eventual oferecimento dos valores ao fisco pelo cônjuge da autuada. A autoridade fiscal deverá fazer análise dos documentos em termo circunstanciado que deverá ser submetido à recorrente para, se desejar, apresentar manifestação em 30 dias. É como voto. Maria Cleci Coti Martins Redatora Fl. 514DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 24/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 26/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 36624.006286/2005-60
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2002 a 31/08/2002
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO.
Reconhecida a duplicidade de recolhimento de valores pelo órgão competente, entende-se ser possível a compensação com o lançamento fiscal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-004.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para reconhecer o direito à compensação de valores recolhidos em duplicidade pelo contribuinte com os valores lançados na notificação fiscal - NFLD nº 35.672.442-5, nos termos do despacho da Equipe de Revisão de Débitos/EQREV/DICAT, DRF de Administração Tributária em São Paulo, de 22/07/2014, folhas 192/195 do processo: 35462.000685/2005-54, apensado ao processo: 36624.006286/2005-60.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Ricardo Magaldi Messetti, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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E EXPORTAÇÃO S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2002 a 31/08/2002 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO. Reconhecida a duplicidade de recolhimento de valores pelo órgão competente, entendese ser possível a compensação com o lançamento fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para reconhecer o direito à compensação de valores recolhidos em duplicidade pelo contribuinte com os valores lançados na notificação fiscal NFLD nº 35.672.4425, nos termos do despacho da Equipe de Revisão de Débitos/EQREV/DICAT, DRF de Administração Tributária em São Paulo, de 22/07/2014, folhas 192/195 do processo: 35462.000685/200554, apensado ao processo: 36624.006286/200560. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Ricardo Magaldi Messetti, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 00 62 86 /2 00 5- 60 Fl. 347DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36624.006286/200560 Acórdão n.º 2803004.196 S2TE03 Fl. 348 2 Relatório Tratase de crédito tributário lançado contra a empresa acima identificada (NFLD nº 35.672.4425), correspondente a contribuições sociais previdenciárias e de Terceiros a cargo da empresa, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, período de 04/02 a 08/02. São divergências nas competências 04/02, 05/02 e 08/02 entre os valores declarados em Guia de Recolhimento da Previdência Social e Informações ao FGTS GFIP e os valores recolhidos em Guia da Previdência Social – GPS. Os valores declarados pela empresa foram confrontados com as respectivas folhas de pagamento, constatandose divergências existentes nas competências mencionadas referente à falta de recolhimento. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, apresentando impugnação. A decisão de primeira instância administrativa fiscal negou provimento à impugnação. DO RECURSO O contribuinte foi cientificado da decisão, apresentando recurso voluntário, alegando em síntese: que na impugnação demonstrou ser titular de créditos líquidos e certos em face do INSS, por força do recolhimento em duplicidade das competências janeiro/2001 e março/2001, objeto da NFLD n° 35.435.2466, integralmente quitada em data anterior; que recolheu as competências abril/2002 e maio/2002, objeto da autuação, entretanto, por um lapso quando do preenchimento das guias de recolhimento registrou as competências erradas de janeiro e março de 2001; que o fato foi relatado à fiscalização que desconsiderou por completo a existência dos créditos apontados; requer que seja aplicado o artigo 89, §8° da Lei 8.212/91, compensando os valores existentes de crédito com os valores lançados pela fiscalização; o crédito em questão não carece de liquidez, certeza, indispensáveis para se admitir a compensação pleiteada, na medida em que apresentou documentos que comprova que as competências janeiro e março de 2001 foram integralmente recolhidas através da NFLD 35.435.2466, vindo a ser novamente recolhidas através de GPS própria, por erro em seu preenchimento, quando de fato se tratava das competências abril e maio de 2002, objeto da notificação em discussão; por fim, requer a reforma da decisão recorrida. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36624.006286/200560 Acórdão n.º 2803004.196 S2TE03 Fl. 349 3 É o relatório. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36624.006286/200560 Acórdão n.º 2803004.196 S2TE03 Fl. 350 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual será analisado. O contribuinte requer a compensação parcial do crédito tributário lançado vez que efetuou recolhimento nos meses 04/02 e 05/02, contudo, por equívoco fez constar nas guias de recolhimento (GPS), fls. 141 e 142, as competências 01/01 e 03/01, que tratam do lançamento ocorrido na NFLD n 235.435.2466, que foi quitado em recolhimento próprio. Assim, requer a compensação do crédito alegado, nos moldes do art. 89, §8o, da Lei 8.212/91. Consta da decisão recorrida, fls. 205/208 que: a empresa apresentou documentos referentes as guias GPS's recolhidas em 30/04/02 e 29/05/2002, que dizem respeito aos estabelecimentos com CNPJ de nº 00.994.533/000136 e nº 00.994.533/004719, com competência para 01/01 e 03/01; diante da alegação do contribuinte e da documentação acostada aos autos, verificou que as guias anexadas pela empresa não são provas suficientes do equivoco que a empresa diz ter cometido no momento de recolher as competências referentes aos meses 04/02 e 05/02; observou, ainda, que nas competências apuradas no lançamento fiscal em discussão, a empresa efetuou recolhimentos, os quais foram considerados pela fiscalização, conforme o DAD Discriminativo Analítico de Débito, bem como em pesquisa realizada no sistema informatizado do órgão, conforme fls. 4/5 e 199/204; para que a empresa faça jus à compensação pleiteada é necessário que o crédito seja líquido e certo, entretanto, não se encontra demonstrado pelo contribuinte nos autos; para que a empresa possa se beneficiar da compensação, nos moldes do art. 89, §8o, da Lei 8.212191, teria primeiramente que requerer mediante a via adequada a restituição do eventual crédito. É necessária a comprovação de que o contribuinte faça jus ao crédito para ser possível a compensação dos valores com o lançamento fiscal; considerando que a documentação acostada pela empresa não comprovou a existência efetiva do crédito, nem de requerimento para a análise de eventual restituição, não é possível efetivar o pedido de compensação requerido pelo contribuinte, já que não foi cumprido o disposto no art.89,§8o, da Lei 8.212/91. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Da análise do art. 89, parágrafo 8o da Lei 8.212/91, tanto na redação dada pela Medida Provisória nº 252/2005, quanto pela redação da Lei nº 11.196, de 2005, verificase a necessidade de crédito líquido e certo a restituir a ser compensado com os valores constantes em lançamento fiscal. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36624.006286/200560 Acórdão n.º 2803004.196 S2TE03 Fl. 351 5 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a,b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) §8o Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, ainda que parcelado sob qualquer modalidade, inscritos ou não em dívida ativa do INSS, de natureza tributária ou não, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação em procedimento de ofício. (Incluído pela Medida Provisória nº 252, de 2005). Sem eficácia § 8oVerificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005). Consta do processo: 35462.000685/200554 (fls. 192/195), apenso aos autos ora em discussão (processo: 36624.006286/200560), despacho da Equipe de Revisão de Débitos/EQREV/DICAT, DRF de Administração Tributária em São Paulo, de 22/07/2014, que após análise do pedido e documentos apresentados pelo contribuinte, reconheceu a duplicidade dos recolhimentos, e não como erro de preenchimento como alegado pelo contribuinte. Assim sendo, reconheceu a constituição do crédito como líquido e certo no valor de R$ 121.447,69 para apropriação na notificação fiscal NFLD n° 35.672.4425, propondo a análise em conjunto dos autos. Reconhecida a duplicidade do recolhimento de valores pelo órgão competente quando da quitação da NFLD nº 35.435.2466, a possibilidade de compensação com os valores lançados na notificação em epígrafe (NFLD nº 35.672.4425), e com base no art. 89, parágrafo 8o da Lei 8.212/91, entendese ser possível a compensação dos valores recolhidos em duplicidade com o lançamento fiscal em debate. Os fatos geradores expressamente não contestados serão considerados não impugnados, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72, permanecendo válidos para o lançamento fiscal em epígrafe. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores por intermédio do Relatório de Lançamento – RL, o Discriminativo Analítico de Débito – DAD, a Instrução para o Contribuinte – IPC, os Fundamentos Legais do Débito – FLD, Relatório Fiscal, e demais informações constantes dos autos, consoante artigo 33 da Lei n° 8.212/91. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito à compensação de valores recolhidos em duplicidade pelo contribuinte com os valores lançados na notificação fiscal NFLD nº 35.672.4425, nos termos do despacho Fl. 351DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 36624.006286/200560 Acórdão n.º 2803004.196 S2TE03 Fl. 352 6 da Equipe de Revisão de Débitos/EQREV/DICAT, DRF de Administração Tributária em São Paulo, de 22/07/2014, folhas 192/195 do processo: 35462.000685/200554, apensado ao processo: 36624.006286/200560. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 352DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10111.000757/2006-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3201-000.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência , nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência , nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino. Referese o presente processo a auto de infração para a cobrança de PIS e Cofins, incidentes sobre a importação de produto químicos farmacêuticos. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo dos autos de infração lavrados pela fiscalização da Alfândega do Aeroporto Internacional de Brasília, fls. 01/14, constituídos para cobrança da Contribuição para os Programas RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 11 .0 00 75 7/ 20 06 -0 1 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000757/200601 Resolução nº 3201000.520 S3C2T1 Fl. 94 2 de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços (Pis/PasepImportação) e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (Cofins Importação), da multa de 75% prevista no art. 44, inc. I da Lei nº 9.430, de 27/12/96 e juros de mora, perfazendo, na data da autuação, o valor de R$ 30.708,78 (trinta mil setecentos e oito reais e setenta oito centavos). DOS FATOS O importador, por meio da Declaração de Importação nº 06/09026849, registrada em 01/08/2006, submeteu a despacho de importação o produto Cefaclor Monoidratado, requerendo a redução de alíquota de Cofins Importação e de PIS/Pasep Importação do inciso I do artigo 1° do Decreto 5.821 de 29 de junho de 2006. Art1°Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COF1NS, da Contribuição para o PIS/PASEP Importação e da COFINS Importação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a operação de importação dos produtos: I químicos classificados no Capitulo 29 da NCM, relacionados no Anexo I deste Decreto; A fiscalização não concedeu a redução, pois considerou que o produto importado não se enquadrava na relação exaustiva de produtos do capitulo 29 constante no Anexo I do citado Decreto. Apenas o produto Cefaclor é citado na relação do Anexo I, não o produto monoidratado. Segundo o fiscal: “A hidratação do produto é um detalhamento observado no Decreto de redução, como se pode observar no caso da cefalexina. Portanto, não se pode estender a produtos com hidratação diversa a especificada no Decreto o beneficio de redução de alíquota a zero”. Mais adiante informa que: “A distinção entre os produtos químicos pode ser observada através do número CAS, um número de registro único no banco de dados do Chemical Abstracts Service, uma divisão da Chemical American Society, também utilizado pela Secretaria da Receita Federal na elaboração da Instrução Normativa 657/2006, que trata sobre Nomenclatura do Valor Aduaneiro e Estatística – NVE”. No caso do Cefaclor há dois registros: Cefaclor anidro, CAS 5399473 e Cefaclor monohidrato, CAS 70356035. Portanto, observase que são dois produtos distintos e apenas aquele citado no Anexo I do Decreto 5.821 /2006 tem direito a redução de alíquota. Cientificado dos autos de infração em 20/10/06, fl.01, a representante legal do autuado, despachante aduaneira Wang Huei Ju apresentou, em 27/10/06, a peça de fls. 32/33, intitulada de “impugnação inicial”, onde aduziu em síntese que o produto cefaclor é sempre apresentado na forma monoidratada e foi submetido a despacho de importação na forma regulamentar. Solicitou a indicação de técnico habilitado e credenciado junto à Alfândega do Aeroporto Internacional de Brasília “para, em laudo circunstancial esclarecer o assunto”, e, ainda, a Fl. 256DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000757/200601 Resolução nº 3201000.520 S3C2T1 Fl. 95 3 prorrogação do prazo para apresentação da impugnação, de conformidade com o inc. II do art. 6° do Decreto nº 70.235/72. Em 01/11/06, a unidade de origem consignou que “o interessado, impugnou tempestivamente, o crédito tributário” e encaminhou à DRJSPO II o processo para prosseguimento (fl. 45). Em face da mudança de jurisdição instituída pela Portaria SRF n° 179, de 13/02/2007 (DOU de 14/02/2007), que alterou o Anexo V do Regimento Interno da SRF, aprovado pela Portaria MF n° 30/2005, este processo foi encaminhado pela então DRJ/SPOII para esta DRJ/FOR. Em 21/05/07, o interessado apresentou o documento de fls. 64/82 onde inicia afirmando que: (...) inconformada com o Auto de Infração supra mencionado, vem mui respeitosamente perante V. Sas. tendo em vista o principio da informalidade do processo administrativo, e tendo o pedido de perícia admitido como impugnação, vem mui respeitosamente emendar a mesma, pelos motivos de fato a seguir mencionados: Solicitou preliminarmente a realização de laudo técnico (perícia) indicando os quesitos que anseiava ver respondidos, com base no inciso IV do Art. 16 do Decreto n° 70.235/72, porém não indicou o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito, passou em seguida a apresentar os argumentos de mérito. A impugnante alega que o cerne da discussão é o registro no CAS, que o Cefaclor é considerado gênero, que comportam as seguintes espécies: • Cefaclor monoidrato – CAS 70356035 • Cefaclor anidro – CAS 53994733 Corroborase a interpretação, a NVE Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística regida inicialmente pela Instrução Normativa SRF n° 80, de 27 de dezembro de 1996, alterada pela Instrução Normativa SRF n° 657, de 26 de junho de 2006, e posteriormente alterada pela Instrução Normativa SRF n° 701, de 27 de dezembro de 2006, assim especificou: Subitem 2941.90.33 Cefaclor e Cefalexin monoidratados; Cefalexina sódica. Atributos e Especificações de Nível "U" Atributo CAS/DCB 0001 070356035/ Cefaclor 0002 015686712/ Cefalexina 0003 023325782/ Cefalexina monoidratada 9999 Outros Por fim, aduz que o anexo I do citado decreto, sem quaisquer outras informações técnicas, possui, na posição 338 CEFACLOR, em seu termo mais genérico, sem especificar suas espécies conhecidas. Assim, ao contemplar o gênero CEFACLOR no Decreto n° 5.821, de 29 de junho de 2006, o legislador reduziu a zero a alíquota do PIS/PASEP Importação e da COFINS Importação para todas as espécies, a saber, anidro e monoidratado. A autuada ainda acrescenta que não agiu em nenhum momento com dolo, fraude ou simulação, “muito pelo contrário, a legalidade sempre Fl. 257DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000757/200601 Resolução nº 3201000.520 S3C2T1 Fl. 96 4 esteve presente em todos os seus procedimentos podendose, quando muito, vislumbrar a interpretação equivocada de uma legislação confusa, como demonstra o fato da própria Instrução Normativa SRF n° 701, de 27 de dezembro de 2006, considerar o termo CEFACLOR para o CAS correspondente ao CEFACLOR MONOIDRATADO” ou seja, continua a empresa, “a própria NVE, [...], corrobora o entendimento da IMPUGNANTE quando da aplicação da redução de alíquota, prevista no Decreto n° 5.821/2006, é também impreciso na utilização da linguagem técnica [sic]”. Em 20/09/10, foi recepcionado por esta DRJ/FOR o documento de fls. 85/102, por meio do qual o interessado solicitou a juntada de perícia técnica, realizada por solicitação da Alfândega da Receita Federal do Brasil no Aeroporto Internacional de Viracopos (fls. 87/102), afirmando que o estudo “acata a tese da IMPUGNANTE no sentido de que o termo CEFACLOR referese ao gênero, não se restringindo às fórmulas anidras como entendeu a D. Autoridade autuante”. A Delegacia de Julgamento julgou parcialmente procedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 01/08/2006. OUTORGA DE BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do Fato Gerador: 01/08/2006. CEFACLOR MONOIDRATADO. NÃO CONTEMPLAÇÃO À REDUÇÃO A ZERO DAS ALÍQUOTAS DA COFINS IMPORTAÇÃO E DA PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. O produto cefaclor monoidratado não foi elencado no Anexo I do Decreto nº 5.821, de 29 de junho de 2006, por isso não faz jus à redução a zero das alíquotas das contribuições Cofins Importação e Pis/PasepImportação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos da manifestação de inconformidade. Na decisão recorrida, em síntese, entendeuse que. desde o advento da Portaria Interministerial nº 1, de 06/09/83 (DOU 12/09/83), do Ministério da Saúde, do Ministério da Previdência e Assistência Social, e do Ministério da Indústria e Comércio, que aprovou as Denominações Comuns Brasileiras – DCB para fármacos, a lista DCB é de adoção obrigatória em todos os documentos oficiais. De acordo com referida normativa, temse que: Fl. 258DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000757/200601 Resolução nº 3201000.520 S3C2T1 Fl. 97 5 Na tabela das Denominações Comuns Brasileiras, a coluna que traz o princípio ativo corresponde ao nome genérico das substâncias farmacêuticas, em ordem alfabética. Relacionamse também, na mesma coluna, os derivados correspondentes, que estão dispostos logo abaixo da molécula principal com um pequeno recuo. A cada princípio ativo é associado em outra coluna o correspondente nº CAS que, conforme informação constante das RDC “Tratase do número de registro atribuído pelo Chemical Abstracts Service CAS, órgão da Sociedade Americana de Química (American Chemical Society ACS) às substâncias químicas. Na ausência desta informação, este campo será preenchido com as chamadas de[Ref.1] até [Ref.11], indicando a referência bibliográfica, [...]”No mesmo manual acima citado, pode ser encontrada a seguinte explicação para a estrutura dos códigos da DCB, então constantes da tabela, que elucida a estrutura de organização das substâncias: Os cinco primeiros números são referentes à família do fármaco e não devem ser alterados. São dados a partir de uma seqüência numérica. As moléculas principais e seus derivados terão esses cinco primeiros números em comum. Os dois números seguintes correspondem à molécula base (sempre números 01) ou derivados/sais (02 a 99). [...]. Para ilustrar, dá como o exemplo a forma de classificação da substância cefalexina, e prossegue: Vêse que o que o perito chamou de gênero, a DCB chama de molécula base. A questão que se apresenta, no estado atual de cognição da matéria, é: quando o legislador se refere à molécula base ele pretende contemplar somente esta com o benefício fiscal ou toda a família do fármaco? Se a resposta for afirmativa para o cefaclor, o mesmo raciocínio deve ser usado para a cefalexina e tantos outros produtos que aparecem entre os 2.032 constantes do anexo I do decreto, afinal não se pode conceber que o legislador tenha aplicado raciocínios variáveis dentro do mesmo ato, a depender do produto. No entanto, após detida análise do assunto, do cotejo do anexo I do decreto com a lista DCB, a conclusão que se chega é que a interpretação deve ser a mais restrita. Vejase que em se assumindo como verdadeira a afirmação de que quando o legislador contemplou o cefaclor com o benefício fiscal pretendeu fazêlo para toda a família do fármaco, se deve assumir que Fl. 259DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000757/200601 Resolução nº 3201000.520 S3C2T1 Fl. 98 6 a redução concedida para a cefalexina, deveria ser estendida também para toda a família, o que tornaria despiciendo elencar a cefalexina monoidratada e o cloridrato de cefalexina como fez o legislador e, além disso, assumir que o benefício deveria ser estendido para os produtos cefalexina sódica e lisinato de cefalexina, estes dois últimos não contemplados no anexo I do decreto. A título de exemplo, a mesma reflexão deve ser feita para o cefetamete (item 347 do decreto) que não teve o seu derivado cloridrato de cefetamete pivoxila contemplado pela redução, para a ceftriaxona que, não obstante tenha dois derivados, a ceftriaxona sódica e a ceftriaxona sódica hemieptaidratada, somente foi beneficiada a molécula base e o primeiro derivado citado (itens 363 e 364 do decreto), o ciprofloxacino que, não obstante tenha dois derivados, o cloridrato de ciprofloxacino e o lactato de ciprofloxacino, somente foi beneficiada a molécula base e o primeiro derivado citado (itens 408 e 542 do decreto), o clobetasol que, não obstante tenha dois derivados, o butirato de clobetasol e o propianato de clobetasol, somente foi beneficiada a molécula base e o segundo derivado citado (itens 447 e 1697 do decreto), entre outros. Assim, repitase, o entendimento deve ser restrito, pois uma interpretação ampla sobre o alcance dos termos constantes do Anexo I do Decreto nº 5.821/06 não se mostra coerente quando se analisa o ato como um todo, além de não se alinhar com a rigidez de controle imposta pelo Ministério da Saúde, por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, aos princípios ativos e aos medicamentos que os contém e a todas as atividades a eles relacionadas, aí incluídas as importações Sobre o argumento do NVE, afirma a decisão: Por outro lado, a empresa argui, com razão, que na Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística (NVE), divulgada à época dos fatos geradores, por meio da IN SRF nº 701, de 27/12/065, o produto envolvido na lide era apresentado da seguinte forma: Subitem 29419033 Cefaclor e cefalexina monoidratados, cefalotina sódica Atributos e Especificações de Nível 'U' Atributo AA CAS/DCB Especificações: 0001 070356035/ Cefaclor [...]Vêse que dentro da NVE, que procura destacar o produto sob o ponto de vista da sua relevância, seja quanto ao valor, seja quanto à importância estatística ou comercial ou ambos, foi eleito como único atributo o número de registro no Chemical Abstracts Service (CAS) associado à Denominação Comum Brasileira (DCB). Na especificação 0001 foi consignado o CAS nº 070356035, que se refere ao produto monoidratado, associado à denominação cefaclor. No entanto, pelo que até aqui foi exposto, entendese que o que ocorre é uma impropriedade na edição da NVE que suprimiu indevidamente o termo monoidratado e que deve ser corrigida, tendo em vista que, conforme dito, os documentos oficiais devem obedecer a lista DCB e esta associa o CAS nº 070356035 ao cefaclor monoidratado. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000757/200601 Resolução nº 3201000.520 S3C2T1 Fl. 99 7 A decisão manteve a multa de ofício, por ser aplicada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição em qualquer lançamento de ofício em que se detecte falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reiterou os argumentos da manifestação de inconformidade. Posteriormente à apresentação de recurso voluntário e após a inclusão em pautado processo, para julgamento, a Recorrente apresentou laudo técnico de engenheiro químico, sobre os produtos químicos em referência. É o relatório. Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Tal como relatado, pelas Declarações de Importação 08/02550058 e 08/04377582, registradas, respectivamente, em 19/02/08 e 24/03/08, a Recorrente submeteu a despacho o produto cefaclor monoidratado, identificandoo como “cefaclor” e requerendo a redução a zero da alíquotas de Cofins Importação e PIS/Pasep Importação, conforme o inciso I do artigo 1°, do então vigente Decreto nº 5.821 de 29/06/06. Referido decreto reduz a zero as alíquotas do PIS e da COFINS, incidentes na importação, dos produtos que mencionava, tendo sido revogado pelo Decreto n. 6.426, de 2008. Prescrevia em seu art.1o , inciso I: Art.1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEP Importação e da COFINS Importação incidentes sobre a receita decorrente da venda no mercado interno e sobre a operação de importação dos produtos: I químicos classificados no Capítulo 29 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, relacionados no Anexo I deste Decreto; No Anexo I do referido decreto, temse como contemplado com a alíquota zero: 338 CEFACLOR Portanto, o cerne da controvérsia reside em saber se a versão monoidratada de cefaclor, estaria fora do benefício de redução à zero das alíquotas das contribuições incidentes sobre as importações, considerandose que, sob a perspectiva da fiscalização e da autoridade julgadora de primeira instância, a leitura exegética literal da norma, excluiria o produto importado do benefício. Conforme relatado, foi juntado laudo técnico que em casos como o presente, no qual se abordam questões que tangenciam propriedades merceológicas de produtos químicos, pode ser fundamental ao deslinde da questão. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10111.000757/200601 Resolução nº 3201000.520 S3C2T1 Fl. 100 8 Embora intempestiva a juntada do documento, que ocorre em momento adiantado do processo administrativo, sem justificativa para tanto, posicionome no sentido de privilegiar a Verdade Material, como importante vetor do processo administrativo fiscal,em detrimento do rigor processual. Assim sendo, proponho a conversão do julgamento em diligência, para dar ciência à Fazenda Nacional da juntada do presente laudo técnico, para que, querendo, manifestese. Após, retornem os autos para o prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 262DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/04/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 10980.001205/2010-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3401-000.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência. Vencido o Cons. Júlio César Alves Ramos.
Júlio César Alves Ramos - Presidente e Relator
Robson José Bayerl Redator desigando
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jílio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência. Vencido o Cons. Júlio César Alves Ramos. Júlio César Alves Ramos Presidente e Relator Robson José Bayerl – Redator desigando Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jílio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Retorna à apreciação do colegiado recurso voluntário cujo julgamento teve início em sessão realizada em novembro do ano passado. Na ocasião, o Conselheiro Fernando Cleto assim o relatou: Consta dos autos que o crédito tributário em questão referese a crédito presumido de IPI referente a aquisições de pessoas físicas, baseado em decisão proferida no Processo Judicial n° 2002.81.00.0013151 da empresa incorporada, no ano de 2002, Iracema Indústrias de Caju Ltda, CNPJ 05.866.835/000142, transitado RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 01 20 5/ 20 10 -5 0 Fl. 465DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2 015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10980.001205/201050 Resolução nº 3401000.883 S3C4T1 Fl. 3 2 em julgado em 19/07/2007, tendo como número do Processo de Habilitação do Crédito 10980.009854/200965. A DRF de origem não reconheceu o direito ao crédito presumido de IPI sob o argumento de que os produtos exportados pela contribuinte são classificados na TIPI como NT (não tributados), situação esta que não dá direito A. utilização do beneficio previsto na Lei n° 9.363/96. Acrescenta ainda, que a contribuinte inseriu nos cálculos para atualização dos valores dos créditos presumidos do IPI a taxa selic, cujo procedimento não encontra respaldo legal tendo em vista que o dispositivo que permite a correção pelos juros selic é exclusivo para repetição de pagamento indevido ou a maior de tributos. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 338/354) contra a não homologação das compensações, na qual, em resumo, fez as seguintes considerações: a) o não reconhecimento do seu direito à. utilização do crédito presumido de IPI nos termos da Lei n° 9.363/96 viola de forma flagrante a sentença de mérito proferida no Mandado de Segurança n° 2002.81.00.0013151; b) após a recorrente ter tido reconhecido, de forma definitiva, o seu direito de se utilizar do beneficio do crédito presumido de IPI, não há como se alegar que o fato dos produtos por ela exportados serem classificados como NT não permite a utilização do beneficio em questão, pois toda a discussão quanto ao reconhecimento do direito da recorrente ao mencionado beneficio foram enfrentadas e resolvidas com definitividade no Mandado de Segurança; c) além do mais, inexiste restrição na Lei n° 9.363/96 para aplicação do beneficio do crédito presumido de IPI a produtos classificados corno NT na TIPI. A recorrente é empresa produtora e exportadora de produtos nacionais, não interessando se os seus produtos são notados como NT; d) no caso especifico da requerente, os produtos por ela exportados são aqueles resultantes do processo de beneficiamento da castanha de caju, o simples fato de seus produtos configurarem como NT na TIPI não é capaz de desnaturar a condição de empresa produtora, isto é, de empresa que realiza processo de industrialização; e) considerando que o direito ao ressarcimento equiparase ao direito de restituição de qualquer outro tributo administrado pela Receita Federal. o que de acordo com a disposição contida na legislação aplicável deve ser atualizado pela taxa selic. E, segundo jurisprudência tanto do STJ como do STF, na hipótese de o crédito não ter sido utilizado em função de óbice criado pelo próprio Fisco, deve ser aplicada a atualização monetária em homenagem ao principio da nãocumulatividade, bem como para evitar o enriquecimento sem causa do Fisco. A DRJ houve por bem em não acolher as alegações da recorrente, mantendo a decisão proferida anteriormente, sob o argumento de que os produtos NT não ensejam o direito a crédito, bem como que o reconhecimento do direito a créditos de IPI limitase aos termos do pedido e da decisão judicial que os autoriza. Irresignada a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 412/435), reiterando as alegações apresentadas em sua manifestação de inconformidade, pleiteando, ao final a procedência do pedido de compensação dos créditos de IPI. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2 015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10980.001205/201050 Resolução nº 3401000.883 S3C4T1 Fl. 4 3 Não houve apresentação de contrarrazões por parte da Fazenda, vieram os autos a este conselho para julgamento. É o relatório. Naquela assentada, o relator afirmou e concluiu: (...) Com efeito, como bem ressaltou a recorrente em suas razões, não cabe mais levantar, na esfera administrativa, se a recorrente tem ou não direito a se utilizar do benefício, pois toda a discussão do direito em questão já foi devidamente discutida no processo judicial, com resultado favorável ao contribuinte transitado em julgado. Ademais, se a decisão judicial concedeu o direito a crédito ao recorrente, como já explanado, não pode a administração negálo sob o argumento de que não se trata de crédito prêmio e sim de NT. Ora, negarse a cumprir a decisão proferida no Mandado de Segurança é desrespeitar a liturgia das nossas cortes judiciais, o que, tenho certeza, não é esse o escopo desse Conselho. Assim sendo, a autoridade administrativa estaria limitada a aferir se o valor do crédito foi ou não apurado de forma correta de recorrente e não discutir se existe o direito ou não ao mencionado benefício, visto que este já foi sotrancado na esfera judicial. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, determinando a remessa dos presente autos à DRJ para que se verifique se os valores apresentados pela recorrente estão corretos ou não. Dessa proposição dissentimos o Conselheiro Fenelon Moscoso (Suplente convocado) e eu, tendo sido ela acompanhada pelos Conselheiros Robson Bayerl (Suplente convocado), Jean Cleuter e Angela Sartori. A diligência não foi cumprida a contento, manifestandose a autoridade dela incumbida por meio de "Informação Fiscal" na qual, após "relatar" o processo conclui nos seguintes termos: (...) Concluindo, conforme o Acórdão nº 1434.802 da 8ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto (ainda em vigor) os valores apresentados não estão corretos, uma vez que o contribuinte não tem direito ao crédito presumido de IPI por exportar produto NT independentemente das entradas serem de pessoas físicas (decisão judicial) ou jurídicas (IN 23/97). No entanto se o CARF decidir pelo provimento do recurso voluntário apresentado pela empresa faremos os cálculos nos termos do novo Acórdão. Sendo o que tínhamos a informar, sugerimos o retorno ao CARF para prosseguimento.” Fl. 467DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2 015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10980.001205/201050 Resolução nº 3401000.883 S3C4T1 Fl. 5 4 Voto Vencido Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Como se vê, a autoridade administrativa a quem foi cometido o cumprimento da diligência determinada por este colegiado, "interpretou" que a ela estivesse sendo requerida alguma "informação fiscal". Não era o caso, pois a Câmara não pediu a opinião da autoridade administrativa sobre o cabimento ou não do direito. Ela determinou nos estritos termos da lei reguladora do processo administrativo que se apurasse o montante a que faria jus a empresa uma vez afastado o óbice erigido pela unidade julgadora de primeiro grau. Ainda que dessa posição eu tenha divergido, é ela que tem de prevalecer desde que o colegiado mantenha o entendimento inicial. Faço essa ressalva, pois, como indiquei no relatório, a composição do colegiado sofreu duas alterações: a saída do relator original motivo pelo qual estou relatando agora o processo após novo sorteio , cuja vaga hoje é ocupada pelo titular Bernardo Leite, e também as nomeações dos Conselheiros Robson Bayerl e Eloy Eros Nogueira para as vagas fazendárias então em aberto e que, naquele julgamento original, foram preenchidas pelo primeiro substituto à época e pelo suplente Fenelon Moscoso. Destarte, por coerência com a posição já manifestada à época e por entender que o Conselheiro não está vinculado, no retorno da diligência, à posição que prevaleceu na primeira assentada mesmo que tenha acompanhado na ocasião a proposta do relator, o que não foi o meu caso, voto pelo não provimento do recurso voluntário. Destarte, por coerência com a posição já manifestada à época e por entender que o Conselheiro não está vinculado, no retorno da diligência, à posição que prevaleceu na primeira assentada mesmo que tenha acompanhado na ocasião a proposta do relator, o que não foi o meu caso, voto pelo não provimento do recurso voluntário pelas considerações a seguir expendidas. Inicialmente, considero relevantes alguns registros ausentes no relatório elaborado pelo dr. Fernando: a) as declarações de compensação foram apresentadas em 2004; b) o mandado de segurança é de 2002 e seu trânsito em julgado se deu em 2007; c) o pedido de habilitação de crédito é de 2009 (volume 1); d) no despacho decisório do processo relativo à habilitação é feita a ressalva de que o deferimento não implica a aceitação do crédito alegado, que terá de ser auditado (volume 1, fl. 38); e) a alegação de que a SRF deferira outros pedidos sem contestar a classificação fiscal não consta do recurso voluntário, que apenas argumenta que negar o direito fere a coisa julgada, que produtos NT devem dar sim direito ao crédito, aliás assumindo que os aqui discutidos são mesmo NT, que, embora NT, há processo de industrialização e que o correto Fl. 468DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2 015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10980.001205/201050 Resolução nº 3401000.883 S3C4T1 Fl. 6 5 teria sido enquadrálos como alíquota zero sendo "mera liberalidade o enquadramento como NT", e o direito à Selic. Esses registros visam a qualificar adequadamente a afirmação, aparentemente acolhida por dr. Fernando, de que a exigência de que os produtos fossem industrializados somente passou a ser feita após a obtenção da decisão judicial favorável. Não estou com isso dizendo que a SRF não houvesse acatado pedidos outros que versassem produtos NT, como afirmado pelo patrono, embora não haja nos autos prova disso. O fato é que essas eventuais decisões não têm efeito vinculante para nós. Como consequência, nada obsta que o colegiado aprecie a possibilidade de ressarcimento, a título do incentivo criado pela Lei 9.363, quando a exportação diz respeito a produtos considerados nãoindustrializados pela legislação do IPI, mesmo que em outros processos do contribuinte a SRF já o tenha deferido em tais circunstâncias. E eu entendo que não há tal possibilidade, ainda que isso tampouco signifique que a expressão NT seja o motivo para a negativa, como procurei explicitar em voto que abordava a exportação de café1 , mas que se aplica ao caso aqui em discussão e por isso peço vênia para reproduzir. Entendo não assisitir razão à recorrente. É que, como ela mesma reconhece, a lei instituidora do benefício exigiu a ocorrência de produção. De fato, o seu art. 1º apenas o confere a quem seja empresa produtora e exportadora. Confirase: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Mas, diferentemente do que ela afirma, a mesma Lei estabelece sim o que seja “produção” para esses efeitos, remetendo o intérprete e aplicador do direito às disposições da “legislação” do IPI. Tratase, como se sabe, do parágrafo único do art. 3º a seguir transcrito: Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. 1 Processo 13909.000124/200283, votado em agosto de 2007 Fl. 469DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2 015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10980.001205/201050 Resolução nº 3401000.883 S3C4T1 Fl. 7 6 Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Com isso, pareceme fora de qualquer discussão que o beneficiário do instituto criado em 1996 tem de ser um estabelecimento produtor na forma do que preceitua a legislação do imposto. Como o próprio contribuinte afirma, nas palavras de Ulhôa Conta, não há necessidade de interpretar esse comando: ele é, por si só, cristalino. Ora, a legislação do IPI referida na norma tem como âncora a Lei nº 4.502 que, desde 1964, define o que seja produção para efeitos do IPI em seu art. 3º ART.3 Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I o conserto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; II o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto. III o preparo de medicamentos oficinais ou magistrais, manipulados em farmácias, para venda no varejo, diretamente e consumidor, assim como a montagem de óculos, mediante receita médica. * Inciso III acrescido pelo DecretoLei n. 1.199, de 27/12/1971. IV a mistura de tintas entre si, ou com concentrados de pigmentos, sob encomenda do consumidor ou usuário, realizada em estabelecimento varejista, efetuada por máquina automática ou manual, desde que fabricante e varejista não sejam empresas interdependentes, controladora, controlada ou coligadas. * Inciso IV acrescido pela Lei n. 9.493, de 10/09/1997 (DOU de 11/09/1997, em vigor desde a publicação). Mas nesse conceito original, cabia sim interpretar o alcance das expressões “alterar o acabamento ou a apresentação do produto”. Os diversos decretos que aprovaram regulamentos do IPI (RIPI) delimitaram o alcance das expressões contidas na lei ao definir, com precisão, cinco modalidades de industrialização. No período das exportações promovidas pela recorrente, o que vigia era ainda o RIPI baixado pelo decreto de nº 87.981, em 1982. Seu art. 4º assim regulamentava a definição de industrialização (disposição repetida em todos os regulamentos posteriores): Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): Fl. 470DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2 015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10980.001205/201050 Resolução nº 3401000.883 S3C4T1 Fl. 8 7 I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Como se observa, a regulamentação, embora aprofundasse o alcance das expressões originais, ainda deixava aberto o campo de interpretação quanto aos limites das alterações que devem ser promovidas pelo “produtor” sobre o produto para que se configure uma industrialização. Por esse motivo, esta Câmara, por maioria, tem entendido possível ao contribuinte demonstrar o cumprimento dos requisitos previstos nesse dispositivo para enquadrarse como “produtor”, ainda que o seu produto esteja indicado na TIPI como NT. Dentre as modalidades ali definidas – ressalvese que de modo exemplificativo – duas parecem cogitáveis ao caso concreto: o beneficiamento e o acondicionamento. É também por esse motivo que se firmou o entendimento de que não cabe excluir a receita de exportação de produtos NT do total daquela receita que integra o numerador da relação utilizada para apurar a base de cálculo (receita de exportação sobre receita total). Assim, caso deferido o benefício, caberia também a revisão desse critério adotado pela fiscalização. Divirjo desse entendimento, embora deixando registrado que não concordo com o simples argumento de que basta o produto ser NT na TIPI para que o benefício se torne incogitável. Cumpre esclarecer esse meu posicionamento. É que entendo que aquela tabela, igualmente baixada por meio de decreto regulamentar expedido pela Presidência da República, vem exatamente para impedir interpretações divergentes, no âmbito administrativo, acerca do que seja industrialização para efeito do IPI. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2 015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10980.001205/201050 Resolução nº 3401000.883 S3C4T1 Fl. 9 8 Nesse sentido, vale transcrever as felizes lições do saudoso mestre Hely Lopes Meirelles2 , acerca do alcance e vinculação dos decretos regulamentares: Decretos, em sentido próprio e restrito, são atos administrativos da competência exclusiva dos chefes do Executivo, destinados a prover situações gerais ou individuais, abstratamente previstas de modo expresso, explícito ou implícito pela legislação. Comumente, o decreto é normativo e geral, constituindo exceção o decreto individual. Como ato administrativo, o decreto está sempre em situação inferior à da lei, e, por isso mesmo, não a pode contrariar. O decreto geral tem, entretanto, a mesma normatividade da lei, desde que não ultrapasse a alçada regulamentar de que dispõe o Executivo. O nosso ordenamento administrativo admite duas modalidades de decreto geral (normativo): o independente ou autônomo e o regulamentar ou de execução. Decreto regulamentar ou de execução é o que visa a explicar a lei e facilitar a sua execução, aclarando seus mandamentos e orientando sua aplicação. Tal decreto comumente aprova, em texto à parte, o regulamento a que se refere. Regulamentos são atos administrativos, postos em vigência por decreto, para especificar os mandamentos da lei, ou prover situações ainda não disciplinadas por lei. Desta conceituação ressaltam os caracteres marcantes do regulamento: ato administrativo (e não legislativo): ato explicativo ou supletivo da lei; ato hierarquicamente inferior à lei; ato de eficácia externa. Idêntico posicionamento (salvo quanto à possibilidade dos chamados decretos autônomos) adota outro de nossos mais celebrados administrativistas, o Professor Celso Antônio Bandeira de Mello3 , para quem o princípio da legalidade ínsito no art. 84, IV da Lei Maior impõe “que mesmo os atos mais conspícuos do Chefe do Poder Executivo, isto é, os decretos, inclusive quando expedem regulamentos, só podem ser produzidos para ensejar execução fiel da lei. Ou seja: pressupõem sempre uma dada lei da qual sejam os fiéis executores”. Definindo, na mesma obra, o que seja essa “fiel execução”, ensina, com a característica clareza (op.cit., p. 330) : “Ditos regulamentos cumprem a imprescindível função de, balizando o comportamento dos múltiplos órgãos e agentes aos quais incumbe fazer observar a lei, de um lado, oferecer segurança jurídica aos administrados sobre o que deve ser considerado proibido ou exigido pela lei (e ipso facto, excluído da livre autonomia da vontade), e, de outro lado, garantir aplicação isonômica da lei,pois, se não existisse esta normação infralegal, alguns servidores públicos, em um dado caso, entenderiam perigosa, insalubre ou insegura dada situação, ao passo que outros, em casos iguais, dispensariam soluções diferentes”. E mais adiante referindose à vinculação dos regulamentos (op. Cit. pp. 331 a 332): 2 MEIRELES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo, Malheiros, 2004, p. 181 3 BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso De Direito Administrativo. 17ª Ed. São Paulo, Malheiros, 2004, p. 94 Fl. 472DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2 015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10980.001205/201050 Resolução nº 3401000.883 S3C4T1 Fl. 10 9 “É bem de ver que as disposições regulamentares a que ora se está aludindo presumem, sempre e necessariamente, uma interpretação da lei aplicanda... ....A respeito destes regulamentos cabem importantes acotações. A primeira delas é a de que interpretar a lei todos fazem – tanto a Administração, para imporlhe a obediência, quanto o administrado, para ajustar seu comportamento ao que nela esteja determinado – mas, só o Poder Judiciário realiza, caso a caso, a interpretação reconhecida como a ‘verdadeira’, a ‘certa’ juridicamente. Seguese que, em juízo, poderá, no interesse do administrado, ser fixada interpretação da lei distinta da que resultava de algum regulamento. De outra parte, entretanto, não há duvidar que o regulamento vincula a Administração e firma para o administrado exoneração de responsabilidade ante o Poder Público por comportamentos na conformidade dele efetuados. Isto porque o Regulamento é ato de “autoridade pública”, impositivo para a Administração e, reflexamente, mas de modo certo e inevitável (salvo questionamento judicial), sobre os administrados, que, então, seja por isso, seja pela presunção de legitimidade dos atos administrativos, têm o direito de, confiadamente, agir na conformidade de disposições regulamentares”. Aplicando tais lições ao caso em análise, vêse que o que seja industrialização, mesmo com a definição que lhe deram tanto a Lei quanto o Decreto, pode ainda, em muitos casos, ser objeto de intrepretações diversas. Para efeito de IPI, porém, toda discussão cessa diante da TIPI, pois é exatamente para dirimir qualquer dúvida nesse aspecto que ela é baixada. Não cabe, pois, ao agente administrativo considerar que o produto que ali esteja definido como não industrializado seja industrializado, ou viceversa. Trocando em miúdos, sempre que uma dada operação aparentemente puder enquadrarse como industrialização é aquela norma regulamentar que dirimirá, no âmbito das obrigações atinentes ao IPI, o correto entendimento (ao menos o correto na visão do Poder Executivo, de onde provém), e de forma vinculante a todos os aplicadores do direito integrantes de sua estrutura administrativa. E é claro que esse entendimento pode ser contestado pelos contribuintes, mas então há de ser objeto de apreciação pela instância constitucionalmente capaz: o Poder Judiciário. Nessa esteira é que entendo que não podem os aplicadores do direito não integrantes do Poder Judiciário ultrapassar as definições emanadas da TIPI no que se refere ao alcance do conceito de industrialização para efeito do IPI. Mas, como disse, esse posicionamento tampouco autoriza que se remeta automática e acriticamente à TIPI para desconfigurar o direito do postulante ao crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, apenas porque na TIPI o produto apareça como NT. E isso porque nem todos os produtos que ali aparecem com tal expressão o fazem por serem produtos não industrializados. De fato, muitos, sem dúvida a maioria, o são. Mas ao lado deles há também os Fl. 473DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2 015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10980.001205/201050 Resolução nº 3401000.883 S3C4T1 Fl. 11 10 casos da imunidade conferida a alguns produtos. Para eles também a TIPI reserva a expressão NT, desde que aquela não incidência não dependa de qualquer condição. No que respeita apenas à aplicação do IPI não faz qualquer diferença o motivo: sendo NT, o produto está fora do campo de incidência daquele imposto e quem o produz nenhuma obrigação tem com respeito ao tributo. Mas, quando se examina a TIPI com olhos no benefício da Lei 9.363/96, isso faz sim diferença, pois ela não exigiu, e nisso a recorrente tem inteira razão, que os produtos exportados estejam no campo de incidência do IPI. O que ela exige é que eles tenham sido submetidos a uma operação de industrialização. E, como espero ter deixado claro, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Essa ressalva, porém, não afeta a situação sob exame. O produto exportado pela empresa é definido na TIPI como NT exatamente porque os processos a que se possa submeter não foram considerados pelo legislador suficientes para caracterizar uma industrialização. Vale enfatizar que nessa caracterização a existência ou não de maquinário é inteiramente irrelevante. Com efeito, tanto um estabelecimento pode ser definido como industrial mesmo sem dispor de qualquer maquinário, como outro, que o detenha, nem por isso se torna “produtor”. Assim, enquanto o café em grão, não torrado nem descafeinado, constar na TIPI como NT, é produto não industrializado, as operações adotadas em seu “processamento” não consubstanciam industrialização e o seu “processador” não faz jus ao benefício veiculado na Lei nº 9.363/96. Mutatis mutandis, essas considerações se aplicam integralmente ao caso aqui em discussão, visto não haver qualquer dúvida de que os produtos exportados são considerados pela legislação do IPI como nãoindustrializados, como aliás o reconhece o próprio contribuinte em seu recurso. Por isso é que votei pela desnecessidade de diligência, e por negar provimento ao recurso, o que reitero aqui. É como voto. Júlio César Alves Ramos Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado Fl. 474DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2 015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10980.001205/201050 Resolução nº 3401000.883 S3C4T1 Fl. 12 11 Com todo respeito à posição externada pelo eminente Conselheiro Relator, dele ouso divergir, também por coerência ao voto proferido na assentada anterior, onde se decidiu pela conversão do julgamento em diligência. Entretanto, nada obstante a manutenção de entendimento, devo ressaltar que no julgamento anterior a adesão à conversão da diligência se pautou por motivos distintos daquele estampado no voto condutor e que acabou por ser formalizado. Se bem me recordo, a motivação constante da diligência fora a proposta inicial do Relator, que dava provimento ao recurso e determinava o cumprimento da decisão judicial, ao argumento que o deferimento do direito ao crédito presumido relativo à exportação de produtos NT fora objeto da demanda. No entanto, este ponto de vista restou vencido, concluindo o colegiado, por maioria de votos, como relatado, decidido pela diligência para verificação da efetiva existência de exportação de produtos sujeitos à alíquota zero, de maneira que a formalização da Resolução, nos termos em que se encontra, talvez se deva a uma falha de comunicação. Na sequência, tocante à justificativa para tal providência, acentuo que foram apresentados Termos de Verificação Fiscal lavrados pela DRF FortalezaCE, que então jurisdicionava o estabelecimento produtor (IRACEMA INDÚSTRIAS DE CAJU LTDA. – incorporada por KRAFT FOODS BRASIL S/A – anterior denominação de MONDELEZ BRASIL LTDA.), originário dos créditos, lavrado nos PAs 10380.021193/9963 e 10380.021192/9909, onde se registrou a exportação de produtos classificados na posição TIPI 0801.32.00 (Castanha de caju e seus derivados), tributados à alíquota zero. Além disso, o próprio despacho decisório de fls. 329/334, exarado pela DRF Curitiba/PR neste feito, parece reconhecer que parcela das exportações ora questionadas comportaria produtos industrializados, ainda que submetidos à alíquota zero do imposto. Nesta senda, entendo que não há elementos suficientes no presente processo para que se possa afirma categoricamente pela existência ou não do direito vindicado, cumprindo, mais uma vez, em homenagem ao princípio da verdade material, nova conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos: 1. Que a diligência ora proposta seja realizada pela unidade de jurisdição do domicílio fiscal do estabelecimento produtor, onde se originaram os créditos ora requeridos; 2. Que seja verificado, no período de apuração objeto deste pedido de ressarcimento (janeiro/1997 a dezembro/2001), quais os produtos exportados pelo estabelecimento produtor, respectivas classificações fiscais na TIPI/TEC e alíquotas então vigentes; 3. Apartar o montante das exportações, no período, de produtos com notação NT (Não Tributados) e tributados com alíquota zero, se existentes; 4. Havendo produtos tributados com alíquota zero, proceder ao levantamento do direito ao crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 em relação a eles, considerando as aquisições de pessoas físicas, tal qual decidido no âmbito do MS 2002.81.00.0013151, cujas peças foram acostadas ao presente processo; Fl. 475DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2 015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10980.001205/201050 Resolução nº 3401000.883 S3C4T1 Fl. 13 12 5. Informar se o crédito apurado na forma do item anterior foi, porventura, reconhecido, tratado ou deferido em outro processo administrativo e, em caso positivo, indicar o seu número; 6. Elaborar relatório circunstanciado das verificações realizadas, com as informações reputadas relevantes ao deslinde da presente demanda; 7. Abrir vista ao contribuinte do relatório elaborado e franquearlhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação. Findo o procedimento, com ou sem sobredita manifestação, devolvamse os autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento do julgamento. Robson José Bayerl Fl. 476DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 12/02/2 015 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10730.008723/2009-11
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS REALIZADOS E DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS.
Carreado nos autos conjunto de provas satisfatório acerca dos pagamentos realizados e da prestação dos serviços, em harmonia com as informações declaradas em DIRPF, deve ser restabelecida a correspondente dedução de despesas médicas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-003.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello, Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Presidente em exercício), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson e Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado). Declarou-se impedido o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente).
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS REALIZADOS E DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. Carreado nos autos conjunto de provas satisfatório acerca dos pagamentos realizados e da prestação dos serviços, em harmonia com as informações declaradas em DIRPF, deve ser restabelecida a correspondente dedução de despesas médicas. Recurso Voluntário Provido.
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COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS REALIZADOS E DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. Carreado nos autos conjunto de provas satisfatório acerca dos pagamentos realizados e da prestação dos serviços, em harmonia com as informações declaradas em DIRPF, deve ser restabelecida a correspondente dedução de despesas médicas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello, Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Presidente em exercício), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson e Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado). Declarouse impedido o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 87 23 /2 00 9- 11 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) DRJ/RJ2, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no valor total de R$ 34.032,51 relativo ao anocalendário 2005. A autuação decorreu da glosa de despesas médicas no valor de R$ 58.000,00 informados como pagos a Ayres Silva Barbosa. Consoante descrição dos fatos e enquadramento legal, a contribuinte foi regularmente intimada a comprovar o efetivo pagamento das despesas declaradas. Em resposta, não apresentou documentação que atendesse à intimação, tais como: cheques nominativos, ordens bancárias, transferências interbancárias e outros que comprovassem o efetivo pagamento das despesas declaradas. Em sede de impugnação, a notificada juntou documentos e pediu o cancelamento da exigência, nos termos descritos no relatório da decisão recorrida: Explica que vem submetendose a complexo tratamento dentário desde 2003, conforme plano de tratamento odontológico que acompanha sua impugnação e que demonstra também todos os custos e pagamentos efetuados desde 2003 até 2006. Elabora planilha indicando os pagamentos efetuados a Ayres Barbosa e diz que vários deles foram realizados por meio de cheques do Banco do Brasil e do Bradesco e outros, em espécie. Quanto aos cheques emitidos, aduz que podem ser confirmados nos seus extratos bancários, os quais junta. Afirma que em 2005 efetuou pagamentos que totalizam R$ 58.550,00, conforme planilha já citada e anotações de próprio punho do profissional. Acrescenta ainda laudo, radiografias e fotografias, que dão suporte ao tratamento descrito. Esclarece que os resultados pretendidos não foram alcançados, anexando laudos e declarações de outros profissionais. Argumenta que na sua ânsia pela busca do melhor tratamento, aceitou os honorários estabelecidos por Ayres Barbosa, deixandose aos seus cuidados. Diz que o valor declarado foi menor do que o efetivamente dispendido, e atribui tal fato a um simples equivoco por parte do profissional, a quem tinha em melhor estima e consideração. O lançamento foi mantido pela instância de primeiro grau, que consubstanciou seu entendimento no acórdão assim ementado (fls. 93/97): DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Na falta de comprovação, por documentos hábeis, do efetivo pagamento, é de se manter a glosa das despesas médicas declaradas. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 11/11/2011, reiterando, em linhas gerais, as razões e o pedido da impugnação. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10730.008723/200911 Acórdão n.º 2802003.371 S2TE02 Fl. 146 3 É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como supedâneo legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário.(grifei) Fl. 148DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 A contribuinte declarou gastos com o dentista Ayres Barbosa no valor de R$ 58.000,00, o que corresponde à cerca de 37% de seus rendimentos anuais. Conforme mencionado pela decisão atacada, o mesmo ocorreu para os anoscalendário 2003, 2004 e 2006, sempre com o referido profissional e em valores similares (R$ 50.540,00, R$ 58.000,00 e R$ 55.0000,00, respectivamente). Nesse contexto, justificável a demanda da fiscalização por comprovação da efetividade dos pagamentos realizados, mediante a documentação requisitada cheques nominativos, ordens bancárias, transferências interbancárias, etc., forte nos §§ 3º e 4º do art. 11 do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943 (respectivamente, §§ 1º e 2º do art. 73 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99). Convém atentar, todavia, ser necessário que essas normas sejam lidas e interpretadas em conjunto com o art. 79, § 1º (art. 845, § 1º do RIR/99) desse mesmo diploma, o qual estabelece: Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: (...) § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão. (...) No caso concreto, temse que a recorrente juntou declaração e recibo emitido pelo profissional (fls. 4/5), complementando posteriormente sua defesa com documento intitulado plano de tratamento odontológico (fls. 42/47), extratos bancários (fls. 48/73), radiografias (fls. 74/77) e declaração do profissional Luciano da Silva Dias (fls. 78/81). Ora, diversamente do que entendeu a DRJ/RJ2, considero que os documentos em tela são hábeis a amparar a pretensão da notificada. Cabe sopesar que se trata de pessoa física de idade avançada (nascida em 11/2/1925), sendo compreensível que os gastos com a restauração da arcada dentária (fls. 82/88) e tratamentos correlatos, tais como os referidos às fls. 42/47 e 74/81, alcancem cifras bastante elevadas e tenham longa duração, estendendose por diversos anos. Destaquese que Ayres Barboza confirmou a prestação dos serviços e a percepção dos pagamentos em foco, frisando que esses recebimentos foram regularmente considerados em sua Declaração do Imposto de Renda no exercício de 2006, informação essa não contestada pela fiscalização, tampouco abordada pelo acórdão vergastado. E, ainda que se reconheça não terem sido trazidos cheques nominais emitidos em favor do indigitado profissional, também deve ser considerado que há razoável correspondência entre os cheques apontados nos extratos e os abatimentos registrados no prontuário de fls. 43/47, o que foi admitido pela instância a quo. Ademais, a contribuinte juntou ao recurso voluntário decisão da DRJ/RJ2 no processo nº 13731.000258/200869, no qual foram examinadas despesas deduzidas com o mesmo profissional no anocalendário 2003, as quais naquela oportunidade foram consideradas idôneas e restabelecidas como dedutíveis. Examinandose os termos dessa decisão, vêse que se trata, na essência, da mesma situação ora analisada, o que revela haver significativa divergência quanto à valoração dos fatos no âmbito daquela Turma julgadora (fls. 131/137). Fl. 149DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10730.008723/200911 Acórdão n.º 2802003.371 S2TE02 Fl. 147 5 Em suma, o conjunto dos elementos probatórios carreados nos autos suportam as despesas médicas no montante de R$ 58 mil informadas pela contribuinte na Declaração de Ajuste Anual do exercício 2006 (fls. 21/24), motivo pelo qual deve ser restabelecida a correspondente dedução. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 150DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 16/03/20 15 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 10830.002114/2004-15
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001, 2002
NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO NO LANÇAMENTO.
Argüição genérica de nulidade por falta de motivação não prospera perante lançamento efetuado por autoridade competente, amparado nas devidas razões de fato e de direto.
NULIDADE. QUEBRA DE SIGILO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Carece competência ao Colegiado para apreciar alegação de nulidade da quebra de sigilo, quando assentada em suposta inconstitucionalidade de lei.
ART. 62-A DO RICARF. FALTA DE APLICAÇÃO NA AUSÊNCIA DE DECISÃO DO STF FORMADA SOB O RITO DO ART. 543-B DO CPC.
Inaplicável o art. 62-A do RICARF quando ausente decisão do STF submetida ao rito de repercussão geral regrado pelo art. 543-B do CPC.
UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA FINS DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LEI 10.174/01. SÚMULA CARF Nº 35.
A teor da Súmula CARF Nº 35, o art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ART. 42 DA LEI 9.430/96. DOCUMENTAÇÃO QUE ATESTA A ORIGEM DE PARTE DOS DEPÓSITOS.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Apresentada documentação que atesta satisfatoriamente a origem de parte dos créditos, devem ser estes excluídos do montante dos rendimentos omitidos.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 2802-003.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar as nulidades suscitadas e, no mérito, de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para fins de excluir da base de cálculo do tributo lançado de ofício, relativo ao ano-calendário 2001, o valor de R$ 3.661,18 (três mil, seiscentos e sessenta e um reais e dezoito centavos), nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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FALTA DE MOTIVAÇÃO NO LANÇAMENTO. Argüição genérica de nulidade por falta de motivação não prospera perante lançamento efetuado por autoridade competente, amparado nas devidas razões de fato e de direto. NULIDADE. QUEBRA DE SIGILO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Carece competência ao Colegiado para apreciar alegação de nulidade da quebra de sigilo, quando assentada em suposta inconstitucionalidade de lei. ART. 62A DO RICARF. FALTA DE APLICAÇÃO NA AUSÊNCIA DE DECISÃO DO STF FORMADA SOB O RITO DO ART. 543B DO CPC. Inaplicável o art. 62A do RICARF quando ausente decisão do STF submetida ao rito de repercussão geral regrado pelo art. 543B do CPC. UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA FINS DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LEI 10.174/01. SÚMULA CARF Nº 35. A teor da Súmula CARF Nº 35, o art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ART. 42 DA LEI 9.430/96. DOCUMENTAÇÃO QUE ATESTA A ORIGEM DE PARTE DOS DEPÓSITOS. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 21 14 /2 00 4- 15 Fl. 2308DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Apresentada documentação que atesta satisfatoriamente a origem de parte dos créditos, devem ser estes excluídos do montante dos rendimentos omitidos. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar as nulidades suscitadas e, no mérito, de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para fins de excluir da base de cálculo do tributo lançado de ofício, relativo ao anocalendário 2001, o valor de R$ 3.661,18 (três mil, seiscentos e sessenta e um reais e dezoito centavos), nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP) DRJ/SP2, que julgou parcialmente procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no valor total de R$ 168.794,44 relativo aos anoscalendário 1999, 2000 e 2001. O lançamento deuse em virtude da constatação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, constando o lançamento nas fls. 312/325 destes autos. Inconformado, o autuado aduziu em sua defesa que (fls. 133/181): o acesso ao sigilo bancário do contribuinte sem autorização judicial, nos termos da Lei Complementar nº 105/2001, fere os direitos e garantias individuais constitucionalmente assegurados; a retroatividade da aplicação da Lei nº 10.174/2001 fere o princípio constitucional da segurança jurídica; os valores lançados pela fiscalização têm origem comprovada e não ensejam a tributação pelo IRPF, restando imotivados o lançamento e respectiva multa; não ser possível a utilização da Taxa Selic. Fl. 2309DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10830.002114/200415 Acórdão n.º 2802003.288 S2TE02 Fl. 2.306 3 A instância de primeiro grau deu provimento parcial à impugnação, excluindo dois depósitos decorrentes de reembolsos de despesas efetuadas em nome da empresa da qual o recorrente era sócio, todos os depósitos vinculados a empréstimos efetuados pelo seu pai, Plínio José Porto, e transferência entre contas de sua titularidade não levada em conta pela fiscalização, datada de 26/2/99. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 10/11/2011, alegando, em síntese: ser nulo o auto de infração, pois a quebra do sigilo bancário com base na Lei Complementar nº 105/2001 é inconstitucional, citando decisões do Supremo Tribunal Federal sobre o tema; pede, também, a aplicação dos arts. 62 e 62A do RICARF ao caso, com a suspensão do processo, pelo menos; que a aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 fere os princípios da segurança jurídica, de irretroatividade da lei tributária e da anterioridade; que as doações e empréstimos em seu favor efetuados por seus familiares (sogro, cunhados e irmãos) foram motivadas pelas dificuldades financeiras em que se encontrava; que identificou os depósitos relacionados a essas operações, não sendo razoável demandar que nos comprovantes conste o nome do depositante, por se tratarem de familiares os envolvidos; que os valores são baixos, não geraram acréscimo patrimonial, não podendo lhe ser exigida escrituração contábil; que a documentação que apresentou relativa a reembolsos de despesas de viagens e de gastos diversos por ele efetuados em nome da empresa ABM Comércio Internacional Ltda. foi ignorada pela DRJ/SP2, trazendo exemplos que entende evidenciam que as conclusões dessa Delegacia estão equivocadas, e que tais reembolsos não se constituem riqueza nova; que não houve menção pela fiscalização do acréscimo patrimonial que teria lhe beneficiado em função dos reembolsos, doações e empréstimos aludidos, não havendo então que se falar em tributação pelo IR; que a autuação é nula por inexistirem situações concretas que a justifiquem, pois não houve motivação para o auto dado inexistir omissão de rendimentos. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da nulidade por falta de motivação. Fl. 2310DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 O auto de infração está devidamente formalizado, estando claramente discriminadas as razões de fato e de direito que o fundamentaram, conforme se depreende da sua leitura, às fls. 313/318. O ato administrativo em questão não carece de motivação, portanto, devendo ser ressaltado que não se vislumbra, na espécie, qualquer das hipóteses ensejadoras da decretação de nulidade do lançamento consignadas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, havendo sido todos os atos do procedimento lavrados por autoridade competente, sem qualquer prejuízo ao direito de defesa do contribuinte, o qual recorre de seus termos evidenciando pleno conhecimento das exigências que lhe são imputadas. Quanto à alegação de inexistência de omissão de rendimentos, essa se confunde com o próprio mérito do lançamento, e como tal será oportunamente analisada. Da quebra de sigilo. O recorrente pugna pela anulação do lançamento, para possibilitar o "alinhamento" com o que considera ser o entendimento do STF, que julgou inconstitucional a quebra do sigilo bancário. Cabe afastar, de plano, os argumentos atinentes à suposta inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário nos termos do art .6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, por atraírem a incidência do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e da Súmula CARF nº 2, esta por força do art. 72 do RICARF (Regimento Interno do CARF, Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009): Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Há que se observar que as disposições do inciso I do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e do art. 62 do RICARF demandam, para que possa ser afastada a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, que esta tenha sido reconhecida por decisão plenária definitiva do STF. Nesse sentido, somente os precedentes formados em controle de constitucionalidade concentrado, ou cujo julgamento tenha sido realizado em observância do rito do art. 543B do Código de Processo Civil têm o condão de serem qualificados como decisão plenária definitiva do STF. Não por outro motivo o art. 62A do RICARF prevê que decisões formadas sob o citado rito são de observância obrigatória para os membros do CARF. Os julgados transcritos na peça recursal, salientese, não possuem as mencionadas características, sendo inaptos a amparar as pretensões do contribuinte, portanto. Esclareçase, por fim, que a aludida "suspensão do processo" prevista no RICARF sobrestamento do processo, na realidade foi revogada pela Portaria Ministério da Fazenda nº 545, de 18 de novembro de 2013. Da aplicação retroativa da Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001. O contribuinte contesta a aplicação retroativa da Lei nº 10.174/01, que teria acarretado a violação de uma série de princípios, devendo ser então o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos até o dia 8/1/2001 cancelados. Fl. 2311DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10830.002114/200415 Acórdão n.º 2802003.288 S2TE02 Fl. 2.307 5 A matéria foi objeto da Súmula CARF nº 35, foi aprovada pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) em sessão de 8/12/2009, e de observância obrigatória para os membros do CARF, nos termos do caput do art. 72 do Regimento Interno do CARF (RICARF Portaria MF nº 256, de 22/6/2009). Leiase o teor da súmula: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Vale consignar que com a publicação em 14/7/2010 no D.O.U da Portaria MF nº 383, de 12/7/2010, foi atribuído a essa Súmula efeito vinculante em relação à toda administração tributária federal. Por esse viés, assim, inexiste mácula no lançamento contestado. Das doações e empréstimos efetuados por seus familiares. Diz o recorrente que se deparou com dificuldades financeiras em virtude do insucesso dos negócios de sua empresa, a ABM Comércio Internacional Ltda., CNPJ nº 62.390.588/000194, o que o levou a buscar empréstimos e doações junto a familiares. Afirma que recebeu valores mensais em dinheiro de seu sogro para despesas de colégio e afins de sua filha; do cunhado Arnaldo Moreira, recebia valores mensais pois o referido cohabitava na mesma residência; do cunhado Eduardo Moreira recebia reembolso de despesas no interesse do referido; e dos irmãos recebia doações, empréstimos e reembolso de despesas. Para fins de demonstrar o alegado, traz planilha que reputa identificar a origem dos depósitos associados a esses parentes (fl. 2.283/2.285), asseverando que a DRJ desconsiderou a documentação acostada na impugnação sob a alegação de que "não há como se identificar o depositante", o que entende não se revelar razoável por se tratarem de familiares os envolvidos. Acrescenta que os valores são baixos, não geraram acréscimo patrimonial, não podendo lhe ser exigida escrituração contábil. Ora, a simples associação de depósitos bancários ao nome de determinadas pessoas físicas, sejam familiares ou não do contribuinte, não se consubstancia sequer em início de prova de que tais créditos tenham sido por aquelas efetuados, muito menos de que tenham sofrido a devida tributação em sua origem, caso efetivamente vinculados a empréstimos e doações. Cópias de recibos de depósitos, tais como os constantes nas fls. 819 e 824, também nada esclarecem sobre os responsáveis pelos créditos, e qual a motivação para a sua realização. E, a despeito de se tratar o contribuinte de pessoa física, e de não estar obrigado a contabilizar suas mutações patrimoniais, tinha ele todas as condições de efetuar o devido registro e controle dos aventados empréstimos e doações, na medida em que as Declarações do Imposto de Renda de Pessoa Física (DIRPF) possuem campos apropriados a serem preenchidos para fins de consignar tais operações, para fins do disposto no art. 6º, XVI da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Fl. 2312DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Além disso, poderia, por dever de cautela e para documentar esses cogitados empréstimos e doações, ter demandado que eles fossem realizados por intermédio de transferências bancárias com identificação do depositante, ou mediante cheques nominais, ou ainda, ter avençado contrato formalizando essas operações. Com efeito, foram aceitas pela instância a quo as justificativas pertinentes aos empréstimos advindos do pai do recorrente, por restarem devidamente atestadas pelos cheques nominais apresentados e pela DIRPF do seu genitor. Quanto à adução de que os valores em comento são baixos, não gerando acréscimo patrimonial, cabe lembrar que a autuação teve como base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, sendo que desde o início da vigência desse preceito a existência de depósitos bancários sem comprovação da origem, após a regular intimação do sujeito passivo, passou a constituir hipótese legal de omissão de rendimentos e ou/receita. Portanto, cabe ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de presunção legal relativa, bastando assim que a autoridade lançadora comprove o fato definido em lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a referida omissão. Destarte, intimado o recorrente a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados, devidamente discriminados pela fiscalização, e não se desincumbindo desse ônus probatório que lhe foi legalmente transferido, ficou caracterizada a omissão de rendimentos. Nessa toada, vale esclarecer que o acréscimo patrimonial se verifica quando da percepção dos rendimentos omitidos pelo contribuinte, sendo desnecessário, no caso em tela, menção específica no lançamento acerca do acréscimo patrimonial que teria beneficiado aquele em função dos reembolsos, doações e empréstimos aludidos, por ser esse acréscimo decorrente da percepção daqueles rendimentos, na forma da legislação em vigor. Dos reembolsos de despesas e gastos. O contribuinte associou uma série de depósitos bancários a reembolsos/adiantamentos de despesas de despesas de viagens e gastos realizados em nome da empresa ABM Comércio Internacional Ltda, da qual é sócio, que não foram aceitas pelo acórdão contestado conforme motivos consignados em planilha para cada um dos depósitos (fls. 2.287/2.289). Irresignado, o contribuinte defende que a contabilidade e os documentos apresentados na impugnação corroboram os lançamentos/justificativas, trazendo três exemplos com o fito de ilustrar tal assertiva. Não obstante, compulsando os autos e cotejando as motivações trazidas pela DRJ/SP2 com os documentos colacionados, para cada um dos mais de 60 (sessenta) créditos bancários em questão, pôde ser constatado não haver reparos a realizar na decisão guerreada, à exceção de dois dentre os três exemplos ilustrativos carreados pelo contribuinte. Com relação aos outros créditos, deve ser enfatizado que as razões colocadas pela decisão a quo correspondem satisfatoriamente à análise da natureza da documentação apresentada, sendo desprovida de qualquer substância a afirmativa de que a DRJ não a analisou, "descartandoa de pronto". Fl. 2313DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10830.002114/200415 Acórdão n.º 2802003.288 S2TE02 Fl. 2.308 7 De fato, a conclusão a que se chega do exame das motivações da DRJ/SP2, e dos depósitos e documentos a elas pertinentes, é que o recorrente escolheu, para ilustrar seus argumentos, justamente os três únicos casos em que havia possibilidade razoável de reverter em seu favor as considerações firmadas na decisão de primeiro grau. Passo, por conseguinte, à análise dos três créditos bancários para os quais foram traçadas razões específicas em sede de recurso voluntário: a) Crédito de R$ 5.779,65, datado de 28/3/2001, com o histórico "TBL 1652.073006 VIAGPP", para o qual a glosa foi mantida pelo motivo "6 documentos não corroboram lançamento contábil e/ou relatório de despesas". Segundo o contribuinte, os documentos correspondentes a esse depósito constam na linha 120 de sua impugnação (fls. 2147/2159 do processo digital). Prossegue, dizendo que foram acostados: "'Relatório de Despesas de Viagem', cópia do Livro Diário, Faturas concernentes aos gastos com hospedagem, passagem aérea, etc, que correspondem, exatamente, a R$ 5.779,65. No livro Diário da empresa da qual o contribuinte é sócio, consta lançamento nesse valor no dia 31/3/2001, com o histórico "Despesas de Viagens e Estadias". No entanto, os documentos trazidos para amparar tais despesas estão em quase sua totalidade consignando valores em moeda corrente da Indonésia, não havendo planilhas ou documentos hábeis a permitir a conversão desses valores em moeda brasileira, cujo ônus de apresentação era do autuado, motivo pelo qual não merece reparos a decisão vergastada, nesse ponto. b) Crédito de R$ 2.145,15, datado de 3/5/2001, com o histórico "TBL 1652.073006 AL CARR", para o qual a glosa foi mantida pelo motivo "6 documentos não corroboram lançamento contábil e/ou relatório de despesas". Conforme o contribuinte, os documentos correspondentes a esse depósito constam na linha 132 de sua impugnação: "Nota Fiscal de Serviços emitido pela Localiza no valor de R$ 2.145,12". No livro Diário da empresa da qual o contribuinte é sócio, consta lançamento nesse valor no dia 31/5/2001, com o histórico "Despesas de Viagens e Estadias" (fl. 2173). E efetivamente, há documento daquela locadora de veículos colacionado à fl. 2187 que corrobora a despesa em comento, a qual deve ser, portanto, aceita como comprovada. c) Crédito de R$ 1.516,03, datado de 3/10/2001, com o histórico "TBL 1652.073006 RD PP", para o qual a glosa foi mantida pelo motivo "6 documentos não corroboram lançamento contábil e/ou relatório de despesas". De acordo com o autuado, os documentos correspondentes a esse depósito constam na linha 160 de sua impugnação: "'Relatório de Despesas', Notas Fiscais de despesas com alimentação, Fatura emitida por hotel, Recibo de reembolso com combustível, os quais totalizam R$ 1.516,03". No livro Diário da multicitada empresa, consta lançamento nesse valor em data não discernível, com o histórico "Despesas Diversas" (fl. 2.209). O somatório das Fl. 2314DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 despesas às fls. 2.210/2.214 atesta a realização desses dispêndios, devendo, então, ser considerada como comprovada a origem do depósito em questão. Desse modo, temse que um total de R$ 3.661,18 (R$ 2.145,15 + R$ 1.516,03) devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento referente ao anocalendário 2001. Ao final, deve ser feita a alusão ao fato de que o contribuinte, em sede de sustentação oral realizada pelo seu patrono na sessão de julgamento, modificou as razões originalmente trazidas em sede recursal, dissociando os depósitos do reembolso de despesas da multicitada empresa e procurando associálos à distribuição de resultados. Postulou, para complementação e embasamento de tal argumentação, a juntada posterior de documentos nos autos, em momento não especificado, o que foi rejeitado pela Turma frente ao disposto no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vejase que o recorrente não levantou nenhum motivo para não ter trazido os aventados documentos até o momento, e eventual dilação de prazo para tanto contraria não só o disposto no referido preceito legal, como também os princípios constitucionais da eficiência e da duração razoável do processo. Ademais, os registros contábeis apresentados, por si sós, não consubstanciam prova suficiente das operações a que se referem, as quais demandam documentação hábil, preferencialmente proveniente de terceiros, para firmar a convicção sobre a existência dessas operações, forte no parágrafo único do art. 195 do CTN, e tendo em vista as normas brasileiras de contabilidade. Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar as nulidades suscitadas, e de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para fins de excluir da base de cálculo do tributo lançado de ofício, relativo ao anocalendário 2001, o valor de R$ 3.661,18 (três mil, seiscentos e sessenta e um reais e dezoito centavos). (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 2315DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/01/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000003/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/07/2005
IMPUGNAÇÃO APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL. FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. RECURSO NÃO CONHECIDO.
De acordo com o art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, a impugnação (tempestiva) da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Como a impugnação foi apresentada de forma intempestiva, não resta dúvida de que a fase litigiosa do procedimento não foi instaurada, motivo pelo qual o recurso não será conhecido.
Numero da decisão: 2301-004.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto que integra o presente julgado.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto que integra o presente julgado. Marcelo Oliveira - Presidente. Adriano Gonzales Silvério - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO.
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FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. RECURSO NÃO CONHECIDO. De acordo com o art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, a impugnação (tempestiva) da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Como a impugnação foi apresentada de forma intempestiva, não resta dúvida de que a fase litigiosa do procedimento não foi instaurada, motivo pelo qual o recurso não será conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto que integra o presente julgado. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 00 03 /2 00 7- 11 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO. Relatório Tratase de crédito, DEBCAD 37.009.0284, lançado pela fiscalização previdenciária contra o sujeito passivo referente às contribuições destinadas à Seguridade Social e não recolhidas, correspondentes à parte da empresa, a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos terceiros, relativas ao período de 03/1999 a 06/2003 (descontínuo), além de diferenças de acréscimos legais (competências 05/1999 e 07/2005) e glosa de dedução (competência 03/1999), conforme relatório fiscal de fls. 2932. Os valores devidos foram apurados através do confronto entre as Guias de recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP e os Resumos das folhas de pagamento e as Guias de Previdência SocialGPS O sujeito passivo apresentou impugnação sustentando, em apertada síntese que desde 2003 é optante do Simples, conforme autorização concedida judicialmente nos autos do processo nº 99.00094069, ajuizado pelo Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre. A DRJ julgou intempestiva a impugnação, mantendo o Auto de Infração tal como lançado. Inconformado o sujeito passivo interpôs recurso voluntário repisando os argumentos. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso não reúne uma das condições de admissibilidade, e, portanto, dele não conheço. Isto porque, conforme se extrai dos autos não se instaurou a fase litigiosa processual em virtude da intempestividade da sua impugnação, nos termos do artigo 14 do Decreto nº 70.235/72. Como bem observado pela decisão recorrida o sujeito passivo foi cientificado do lançamento em 28/12/2006 e não em 29/12/2006. À época vigia o prazo de 15 dias para o protocolo da impugnação, nos termos do artigo 37 da Lei 8.212/91. Porém a impugnação foi protocolada apenas em 16/01/2007, fora, portanto, do prazo legal. Assim, não merece conhecimento o recurso voluntário, conforme reiteradamente vem reconhecendo esse CARF: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2002 NOTIFICAÇÃO PARA Fl. 252DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11330.000003/200711 Acórdão n.º 2301004.243 S2C3T1 Fl. 252 3 RECOLHIMENTO DE DÉBITO NRD. FNDE. SALÁRIO EDUCAÇÃO. FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. DEFESA ORIGINÁRIA INTEMPESTIVA. RECURSO NÃO CONHECIDO. De acordo com o § 1º do art. 14 do Decreto nº 3.142, de 1999 c/c o art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, a impugnação (tempestiva) da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Como a impugnação foi apresentada de forma intempestiva, não resta dúvida de que a fase litigiosa do procedimento não foi instaurada, motivo pelo qual o recurso não será conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido.(Acórdão nº 2803003.759, Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima) Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/08/2004 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE. FASE LITIGIOSA NÃO INSTAURADA. RECURSO NÃO CONHECIDO. De acordo com o art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, a impugnação (tempestiva) da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Como a impugnação foi apresentada de forma intempestiva, não resta dúvida de que a fase litigiosa do procedimento não foi instaurada, motivo pelo qual o recurso não será conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido (Acórdão 2803003.715, Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Junior) Diante dessas considerações, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso voluntário. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 253DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 19/02 /2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.732418/2011-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF.
O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC. Aplicação do art. 62-A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009).
Recurso Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 2201-002.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Vencidos os Conselheiros GERMANALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ (Relator) e GUSTAVO LIAN HADDAD, que deram provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
(assinado digitalmente)
Eduardo Tadeu Farah - Redator desginado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: German Alejandro San Martín Fernández
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PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). Recurso Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Vencidos os Conselheiros GERMANALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ (Relator) e GUSTAVO LIAN HADDAD, que deram provimento integral ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 24 18 /2 01 1- 14 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TA DEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 2 (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Redator desginado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, de fls. 07/11, na qual se exige o recolhimento do imposto de renda pessoa física, acrescido de multa de mora e juros de mora no valor total de R$ 14.527,03, decorrente as glosa do Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 10.606,78. Apreciada a impugnação de fls. 02/03, o lançamento foi mantido em parte reduzindo o imposto suplementar a pagar para R$ 2.159,35, sob o seguinte fundamento: A fiscalização informa às fls. 09 que procedeu a glosa do imposto de renda retido na fonte informado pelo contribuinte na Declaração de Ajuste Anual pelo fato do mesmo não ter apresentado cópia do processo judicial com valores individualizados percebidos e da retenção do imposto de renda. Na Declaração de Ajuste Anual (cópia às fls. 65/82) o contribuinte informou rendimento recebido do Hospital Nossa Senhora da Conceição, por decorrência de ação judicial – processo 00515.2001.026.04.00, no valor de R$ 68.369,87, com imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 20.962,10. O Hospital N. S. Conceição informou através da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF retificadora entregue em 22/04/2010 rendimento no valor de R$ 37.651,93 com imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 10.355,32. Em razão da diferença constatada, no valor de R$ 10.606,78, agiu corretamente a fiscalização ao glosar o imposto retido na fonte declarado a maior. Em vista disso, a glosa deve ser mantida. Entretanto, com fundamento na verdade material que deve reger o processo administrativo fiscal, também deve ser retificado o rendimento informado. Sendo válida a informação contida na DIRF em relação ao imposto retido, o mesmo peso da informação deve ser dado em relação ao rendimento. O contribuinte declarou R$ 68.369,87 e a fonte pagadora informou R$ 37.651,93. Assim sendo, deve ser promovida a correção do demonstrativo de apuração do imposto devido com a exclusão do valor declarado a maior equivalente a R$ 30.717,94. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TA DEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 11080.732418/201114 Acórdão n.º 2201002.592 S2C2T1 Fl. 120 3 Nas razões recursais (fls. 94/95), apresentou a juntada da cópia do processo judicial com a individualização dos valores recebidos em decorrência de ação trabalhista e a retenção do imposto de renda. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Vencido Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. Ainda que o cerne do litígio não verse exatamente sobre a incidência do IRPF sobre rendimentos acumulados recebidos em virtude de ação judicial, a solução da presente lide fiscal e a exatidão do crédito tributário a ser exigido deve se dar à luz do recurso especial representativo de controvérsia n. 1.118.429∕SP. Ainda que a pretensão resistida do recorrente se restrinja aos valores recebidos da fonte pagadora e do valor da retenção realizada, no entendimento da fiscalização, respectivamente recebidos e retidos em valores menores do que aqueles declarados, o regime de tributação dos rendimentos deve ser necessariamente analisada. Ainda que não haja impugnação expressa quanto à adoção do regime de caixa e os argumentos de defesa girem em torno da natureza dos rendimentos isentos e não tributáveis no entendimento do recorrente entendo que o julgador tributário não se encontra adstrito às razões do recorrente, mormente quando há previsão regimental de aplicação do decido pelo STJ em sede de repetitivo. Tal conclusão deriva do princípio do livre convencimento motivado e da verdade material, que permite ao julgador se utilizar de fundamento jurídico diverso dos apontados pelas partes para solução da lide, cujo fundamento legal se encontra no artigo 29 do Decreto n. 70.235/72: Nesse sentido, TRF da 4 Região: O julgador pode utilizar qualquer fundamento que entenda necessário para resolver a causa, mesmo que não alegado pelas partes, desde que a decisão venha suficientemente motivada. A doutrina atribui essa idéia ao Princípio do Livre Convencimento Motivado que está consagrado no art. 131 do CPC: "o juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o convencimento". (TRF4 501782449.2011.404.0000, Terceira Seção, Relator p/ Acórdão Rogerio Favreto, D.E. 31/10/2012) (sem grifos no original) É de se ver que por ocasião do recebimento dos valores decorrentes da ação trabalhista ajuizada, a tributação desses valores se deu pelo regime de caixa, ou seja, pela Fl. 164DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TA DEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 4 aplicação da alíquota sobre a totalidade dos rendimentos recebidos, em desacordo com o decidido pelo STJ, em sede de repetitivo (Resp 1.118.429∕SP) e atualmente sob repercussão geral no STF (Tema 368). Nos termos do artigo 62A do RICARF: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do dispositivo regulamentar acima transcrito, cuja observância é obrigatória aos membros do CARF, o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de repetitivo deve ser necessariamente o fundamento decisório nas situações nas quais a tributação de rendimentos acumulados seja objeto de lide. A Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC, assim decidiu: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." O julgado, apesar de se referir ao pagamento a destempo de benefícios previdenciários, não se restringiu, conforme se depreende da leitura da ementa acima transcrita, a afastar somente a tributação pelo regime de caixa naquela hipótese. O debate foi além da situação fática em julgamento e abordou expressamente as demais situações nas quais o recebimento de rendimentos acumulados decorrentes de condenações judiciais sem observância da tabela progressiva vigente à época dos rendimentos, implicaria em desprestígio à capacidade contributiva e isonomia tributária. Não por outra razão, ambas as Turmas da Primeira Seção do STJ, já se pronunciaram favoravelmente à tese de que o decidido em repetitivo no Resp n. 1.118.429∕SP, deve ser aplicado no âmbito das verbas trabalhistas. Nesse sentido: AgRg no AgRg no REsp 1.332.443/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013, AgRg no Agravo em Recurso Especial nº 434.044/SP e Recurso Especial nº 1.376.363 – PE, cuja ementa segue abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VERBAS RESCISÓRIAS. VIOLAÇÃO DO ART. 535. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. FGTS. JUROS DE MORA. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTES.(...) 2. Este Superior Tribunal de Justiça já decidiu que não incide Imposto de Renda sobre o recebimento do FGTS e dos juros de mora correlatos. Precedentes. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TA DEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 11080.732418/201114 Acórdão n.º 2201002.592 S2C2T1 Fl. 121 5 3. O entendimento de que o imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos em atraso e acumuladamente deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas, vedandose a utilização do montante global como parâmetro, também se aplica ao contexto das verbas trabalhistas. (destaques meus).. Por fim, é de ressaltar que a discussão ainda pendente no STF, no RE 614.406, sob repercussão geral (Tema 368), em nada afeta a definitividade da decisão em repetitivo proferida pelo STJ. Isso em razão do distinto enfoque dado pelo STF ao tema, eminentemente em razão da superveniência de decisão do TRF da 4 Região, pela inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei n. 7.713/88, o que em tese, poderia violar a isonomia e o princípio da uniformidade geográfica. No caso dos autos, é incontroverso que o lançamento do IRPF se deu pela aplicação da alíquota sobre o total dos rendimentos recebidos, em desconformidade com o decidido pelo STJ; vale dizer, sem observância da alíquota aplicável se os valores tivessem sido recebidos à época própria. De outro lado, não há nos autos elementos suficientes para saber se os rendimentos foram por acaso tributados pela alíquota correta, se observado o regime de competência, ou se se tratavam de rendimentos isentos. Ademais, mesmo se presentes tais elementos, por se tratarem de rendimentos sujeitos a ajuste anual, é possível, ainda que tributáveis, não gerassem imposto a pagar, dadas as dedutibilidades permitidas na legislação. Ademais, além de se tratar de novo lançamento, ato de competência privativa da autoridade lançadora, nos termos do artigo 142 do CTN, a aplicação das alíquotas vigentes à época, sem oportunizar ao contribuinte a retificação das informações prestadas por ocasião da entrega da DIRPF referentes aos respectivos anoscalendários, poderia gerar pagamento de imposto a maior, dadas as dedutibilidades permitidas na legislação e não incluídos por opção do contribuinte à época. Ademais, o vício contido no lançamento não pode ser resumido em um mero erro na aplicação da alíquota, sanável em sede contenciosa administrativa. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal diversa daquela reconhecida como correta pelo STJ, ficou reconhecido que a autoridade fiscal se utilizou de critério jurídico equivocado, o que afetou substancialmente a constituição do crédito tributário. A adoção do regime de caixa em detrimento do regime de competência prejudicou a correta quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e por consequência, o valor do tributo devido, caracterizandose em insanável vício material. O próprio Parecer PGFN/CAT Nº 815/2010 que no intuito de solucionar inúmeras dúvidas expostas pela RFB, indicou a forma de cálculo que o Fisco deveria adotar à época em que vigoraram os Pareceres da PGFN que autorizavam as revisões de ofício com base na jurisprudência do STJ, reconheceu a necessidade de oportunizar aos contribuintes a retificação das informações prestadas, como único meio de se chegar ao valor tributável correto do IRPF: Fl. 166DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TA DEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 6 100. Temse, assim, nos termos acima fixados, conjunto de soluções para implemento concreto das decisões do Superior Tribunal de Justiça em âmbito de rendimentos acumulados. Concluise: a) Deve a Administração proceder aos cálculos de imposto de renda incidente sobre os rendimentos acumuladamente recebidos segundo o regime de competência, seguindose às decisões do Superior Tribunal de Justiça, bem como se levando em conta a negativa do Supremo Tribunal Federal em conferir repercussão geral à matéria, a par de recente decisão do Tribunal Regional da 4ª Região, que definiu pela inconstitucionalidade de regra que possibilitaria utilização de regime de caixa, no cômputo dos valores de que trata a presente manifestação; b) A recomposição do valor tributável à época deve ser aplicada apenas na hipótese de a RFB possuir os dados necessários devendo por sua vez disponibilizar os referidos dados ao contribuinte para que este espontaneamente possa também verificar o valor do imposto devido. c) Nesses casos, devese somar os valores originalmente reconhecidos com os valores posteriormente recebidos, de uma única vez, de modo que se tenha uma nova base de cálculo. d) Nas situações em que a RFB não disponha dos referidos dados para recomposição da base de cálculo, devese tãosomente aplicar as tabelas da época em face de valores supervenientemente recebidos. e) Assim, simplesmente, desprezandose o que no passado foi recebido pelo interessado, contabilizamse, exclusivamente, valores posteriormente recebidos, à luz de tabelas originais.; f) O valor do imposto deve ser calculado resgatandose o valor original da base de cálculo declarada pelo sujeito passivo em sua Declaração de Ajuste Anual relativa ao ano a que o rendimento corresponde (A), e adicionandose o valor do rendimento recebido acumuladamente (excluídos as atualizações monetárias e juros, conforme item 83, e as parcelas mencionadas nos itens 84 e 85) (B), e chegandose ao valor da base de cálculo que seria declarada se o rendimento tivesse sido percebido na época própria (C). Sobre esta base de cálculo e, tomando se em conta a tabela progressiva vigente na época a que o rendimento corresponde, calculase o imposto correspondente (D). g) Os juros moratórios devem ser tributados, quando da recomposição dos valores resultar em imposto a pagar, devendose os cálculos serem efetuados com base no período de recebimento e juntamente com outros rendimentos do período. Pelo conjunto de razões acima expostas, entendo que determinar a aplicação das alíquotas vigentes à época, representaria novo lançamento com outro critério jurídico, o que é expressamente vedado pelo artigo 146 do CTN. Ademais, não compete a este órgão de julgamento, ainda mais em adiantada fase recursal, refazer o lançamento com critérios jurídicos distintos daqueles utilizados à época, mas tão somente exercer o controle de legalidade em sede contenciosa, caracterizado pelas suas limitações quanto à alteração de alguns aspectos da hipótese de incidência, base de cálculo e alíquotas. Nesse sentido, alguns precedentes deste E. Sodalício: (...) PIS – LEI COMPLEMENTAR 7/70 – BASE DE CÁLCULO – O parágrafo único do art. 6° da LC 7/70 estabeleceu que a base de cálculo correspondia ao faturamento do 6° mês anterior. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TA DEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 11080.732418/201114 Acórdão n.º 2201002.592 S2C2T1 Fl. 122 7 Se o lançamento desrespeitou essa norma, e como ao julgador administrativo não é permitido refazer o lançamento, então resta apenas cancelar a exigência. (...).( CSRF/0105.163, de 29/11/2004) (grifos meus) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2008 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NATUREZA JURÍDICOCONTÁBIL. Equivocase o lançamento que considera a despesa de amortização do ágio como despesa com provisão, pois o ágio é a parcela do custo de aquisição do investimento (avaliado pelo MEP) que ultrapassa o valor patrimonial das ações, o que não se confunde com provisões expectativas de perdas ou de valores a desembolsar. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode refazer o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente. (Acórdão 1302001.170, de 11/09/2013) (grifos meus). NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INALTERABILIDADE DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AO MESMO SUJEITO PASSIVO. Na fase contenciosa, não é admissível a mudança do critério jurídico adotado no lançamento contra o mesmo sujeito passivo em relação aos fatos geradores já concretizados. (...) (Acórdão 2802002.489, de 17/09/2013) (grifos meus). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996 LANÇAMENTO FISCAL. REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. REDUÇÃO DE SALDO NEGATIVO. DIFERENÇA. No lançamento fiscal, a irregularidade de se lançar sem reduzir o prejuízo fiscal implica em erro na formação da própria base tributável, o que não é passível de correção por parte do julgador administrativo, que não pode alterar o lançamento. Neste sentido, a jurisprudência do CARF é tranqüila no sentido de se cancelar o auto de infração por inteiro. (...) 1401001.086, de 07/11/2013) (grifos meus) Logo, não cabe a este órgão de julgamento o refazimento do lançamento nesta fase recursal, cujo vício material de origem se encontra na incorreta aplicação da alíquota sem observância do regime de competência, a resultar na indeterminação da matéria tributável, requisitos mínimos para atestar a validade do lançamento tributário, nos termos do artigo 142 do CTN. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TA DEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 8 Dado o reconhecimento da invalidade do lançamento, prejudicadas as alegações sobre os valores retidos pela fonte pagadora. Pelo exposto, conheço e dou provimento ao recurso voluntário. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Voto Vencedor Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Redator Designado Em que pese o voto proferido pelo ilustre Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, tenho, data vênia, opinião divergente ao seu entendimento. Diferentemente do que defende o Relator, penso que no caso dos autos não ocorreu qualquer vício material de origem, já que a autoridade fiscal utilizou, para a constituição da exigência, a norma legalmente vigente na data do fato gerador, ou seja, o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 (regime de caixa). Contudo, em razão de fato superveniente, qual seja, o art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009), devese aplicar à espécie o REsp nº 1.118.429/SP, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC. Na ocasião, o STJ decidiu que a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculada de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Vejase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. REsp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Pelo que se vê, o REsp nº 1.118.429/SP versa exatamente sobre o caso dos autos, ou seja, parcelas atrasadas recebidas acumuladamente, por força de decisão judicial. Portanto, não há que se falar em refazimento do lançamento por inobservância do regime de competência, mas o dever de ofício de aplicar sobre os rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TA DEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 11080.732418/201114 Acórdão n.º 2201002.592 S2C2T1 Fl. 123 9 Ante ao exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para aplicar sobre os rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. (assinado digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 170DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 22/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por EDUARDO TA DEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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Numero do processo: 10630.001462/2009-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005, 01/01/2008 a 31/10/2008
RECURSO INTEMPESTIVO.
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade. Julio César Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 14 62 /2 00 9- 28 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. 33, §§ 2° e 3°, da Lei 8.212/1991, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, que consiste em deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 06/07), a empresa deixou de apresentar à fiscalização o Livro Diário relativo ao período de janeiro a outubro de 2008 e de ter apresentado, no que referese ao exercício de 2005, o Livro Diário n° 2 e o Razão n° 2 sem lançamentos de valores de rescisões de contrato de trabalho, cujos termos encontramse juntados aos autos, fls. 08/15. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 15/07/2009 (fls. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 20/27), alegando, em síntese, que: 1. Preliminarmente, alega nulidade do lançamento sob o fundamento de que a fiscalização compreendeu período distinto daquele conStante do Termo de Inicio de Ação Fiscal (TIAF) n° 0610300.2008.00448, datado de 19/09/2008. Aduz que o citado Termo informa o período de 03/2006 a 08/2008 e a fiscalização ocorreu em relação aos anos de 2004, 2005, 2006, 2007 até 10/2008, sem que qualquer comunicação acerca de tal mudança lhe fosse feita; 2. No mérito salienta que é optante pelo regime de tributação Lucro Presumido e que submetese à legislação especifica para a matéria. Fundamenta sua alegação no parágrafo 16° do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999, e no art. 527 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), transcritos na peça impugnatória. Reportase ao artigo 47, inciso II, parágrafo 6°, do Decreto 612/92 para argumentar que os lançamentos escriturados no Livro Diário serão exigidos pela fiscalização após seis meses contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições. Assim, entende que o Livro Diário relativo ao ano de 2008, sequer poderia ser exigido em fevereiro de 2009, como ocorreu, pois a obrigação se efetivaria após 30/06/2009. Conclui que em nenhum momento prejudicou o trabalho da fiscalização, negando informações ou deixando de apresentar documentos que lhe foram exigidos; 3. Aduz, no tocante à apresentação de Livro Diário do ano de 2005 com informações diversas da realidade, que a autuação recaiu sobre Fl. 94DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10630.001462/200928 Acórdão n.º 2402004.564 S2C4T2 Fl. 3 3 período anterior a 03/2006, não previsto no MPF/TIAF emitido em 19/09/2008, o que enseja a nulidade deste auto de infração; 4. Requer a nulidade do presente auto de infração. Caso não seja este o entendimento dos julgadores, que lhe seja concedida a relevação da multa aplicada, nos termos do artigo 291 do RPS ou, em último caso, seja a multa aplicada em seu valor mínimo em face da inocorrência de circunstâncias agravantes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG – por meio do Acórdão 0231.392 da 9a Turma da DRJ/BHE (fls. 60/64) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que não havia justificativa nem amparo legal para prosperar a pretensão da Impugnante no sentido de considerar o procedimento fiscal passível de nulidade. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Governador Valadares/MG informa que o recurso interposto é intempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Quanto à tempestividade do recurso voluntário interposto, verificase que não houve cumprimento de tal requisito de admissibilidade. A Recorrente foi intimada da decisão de primeira instância em 25/03/2011, mediante correspondência postal acompanhada de Aviso de Recebimento (AR), conforme documento dos Correios juntado aos autos. Por sua vez, a Recorrente interpôs recurso voluntário, apresentando as mesmas alegações postuladas na sua peça de impugnação, não se manifestou à respeito da tempestividade do recurso. Em decorrência dos elementos fáticos constantes nos autos, verificase que a Recorrente interpôs o recurso voluntário em 28/04/2011, nos termos da papeleta do recurso voluntário, devidamente carimbada pelo Fisco da Delegacia da Receita Federal em Governador Valadares/MG, papeleta inicial do recurso. O art. 5º, parágrafo único, do Decreto 70.235/1972 – diploma que trata do contencioso administrativo fiscal no âmbito dos tributos arrecadados e administrados pela União – estabelece como serão computados os prazos para interposição de recurso, transcrito abaixo: Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Salientase que a tempestividade do recurso voluntário é aferida pela data do protocolo junto ao órgão preparador do processo (circunscrição do domicílio fiscal da Recorrente). Em outras palavras, o que importa, para verificar a tempestividade do recurso, é que ele tenha sido apresentado ao protocolo dentro do prazo legalmente previsto, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972, transcrito abaixo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão.(g.n.) A Recorrente teve ciência da decisão de primeira instância – proferida por meio do Acórdão 0231.392 da 9a Turma da DRJ/BHE (fls. 60/64) – em 25/03/2011 (sexta feira). Assim, levandose em consideração que os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão, nos exatos termos do parágrafo único do artigo 5º do Decreto 70.235/1972, o prazo para interposição de recurso teve início em 28/03/2011 (segundafeira). O trigésimo dia ocorreu em 26/04/2011 (terçafeira). Entretanto o recurso só teria sido postado ao Fisco em 28/04/2011, quintafeira (papeleta inicial do recurso voluntário). Fl. 96DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10630.001462/200928 Acórdão n.º 2402004.564 S2C4T2 Fl. 4 5 Com o mesmo entendimento, o art. 15 do Decreto 70.235/1972 estabelece que a peça recursal deverá ser apresentada no local do órgão preparador de circunscrição do sujeito passivo. Decreto 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF): Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (g.n.) A regra na contagem dos prazos processuais é a continuidade, ou seja, os prazos não se suspendem nem se interrompem, com exceção das hipóteses de força maior ou de caso fortuito, como greves ou outros fatos que impeçam o funcionamento dos órgãos da Administração. Essas hipóteses devem ser devidamente comprovadas nos autos e, no momento, não as encontramos presentes neste processo. Nesse sentido, resta claro que a autuada não verificou o prazo para apresentação do recurso, só vindo a apresentálo após o vencimento legal. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso interposto em razão da sua intempestividade. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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