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Numero do processo: 10580.728440/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2007 a 31/08/2008
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA.
O Programa de Participação nos Resultados tem como característica implícita e necessária a fixação de metas objetivas, de modo que o empregado possa identificar os esforços que poderão alcançá-las, bem como quando ocorre o seu atingimento.
A ausência de especificação de metas bem como de registro no Sindicato competente do PLR afasta a validade do Programa, de modo que os valores pagos aos empregados devem ser considerados base de cálculo da contribuição previdenciária.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por voto de qualidade em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Principal, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e as Conselheiras Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor.
Liege Thomasi Lacroix - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Arlindo da Costa e Silva Redator designado
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: Leonardo Henrique Pires Lopes
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2007 a 31/08/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. O Programa de Participação nos Resultados tem como característica implícita e necessária a fixação de metas objetivas, de modo que o empregado possa identificar os esforços que poderão alcançá-las, bem como quando ocorre o seu atingimento. A ausência de especificação de metas bem como de registro no Sindicato competente do PLR afasta a validade do Programa, de modo que os valores pagos aos empregados devem ser considerados base de cálculo da contribuição previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Recurso Voluntário Provido em Parte
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O Programa de Participação nos Resultados tem como característica implícita e necessária a fixação de metas objetivas, de modo que o empregado possa identificar os esforços que poderão alcançálas, bem como quando ocorre o seu atingimento. A ausência de especificação de metas bem como de registro no Sindicato competente do PLR afasta a validade do Programa, de modo que os valores pagos aos empregados devem ser considerados base de cálculo da contribuição previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 84 40 /2 00 9- 41 Fl. 334DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 338 2 ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por voto de qualidade em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Principal, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e as Conselheiras Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor. Liege Thomasi Lacroix Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Arlindo da Costa e Silva – Redator designado Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 339 3 Relatório Período de Apuração: 01/02/2007 a 31/08/2008 Data de Lavratura do AIOP: 17/12/2009 Data de Ciência do AIOP: 21/12/2009. Tratase de Auto de Infração de Descumprimento de Obrigação Principal (AI 37.201.9269), lavrado em face de RADIO FM BAHIA SOL LTDA, do qual foi notificado em 28/10/2008, referente às contribuições da empresa destinadas à Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT. De acordo com o Relatório Fiscal, foi realizado acordo coletivo para instituição do Programa de Participação e ResultadosPLR com o SERTEBSindicato das Empresas de Radiodifusão e Televisão do Estado da Bahia e o SINTERP/BASindicato dos Trabalhadores em Rádio, TV e Publicidade da Bahia, referentes aos exercícios de 2005, 2007 e 2008. Contudo, apenas em 03/03/2009 foi protocolado no SINTERP. Além dessa irregularidade, não foi estabelecida meta clara e objetiva, tendo sido escolhido o resultado operacional como meta, sem especificar valores. No tocante à multa, foi feita a comparação da sistemática anterior com a atual, instituída pela Lei nº 11.941/2009, verificando o valor menor entre a multa de ofício atual, de 75% sobre o valor do débito, e o somatório das penalidades anteriores (AI 68 + 24%), tendo se chegado à conclusão de que penalidade atual seria mais benéfica. Apresentada impugnação, esta foi julgada improcedente, nos seguintes termos: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de Apuração: 01/02/2007 a 31/08/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COTA PATRONAL. É devida a cota patronal atinente aos segurados empregados consoante preceituam os incisos I e II, do art. 22, da Lei nº 8.212/1991. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESCARACTERIZAÇÃO. Os pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados realizados, pela empresa, sem o cumprimento de todos os requisitos impostos pela Lei nº 10.101/2000, temse que tais verbas integram o salário de contribuição e sobre elas incidem as contribuições destinadas à Seguridade Social. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Irresignada, a ora Recorrente interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese: Fl. 336DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 340 4 a) O acordo coletivo atribuiu às empresas à fixação, juntamente com seus empregados, dos pagamentos; b) A regra sempre esteve relacionada ao crescimento do faturamento da empresa ou ainda redução do prejuízo contábil; c) A legislação não determina o prazo para o registro do PLR no Sindicato; d) O Sindicato e a Confederação participaram de todas as etapas do Plano, tendo assinado o Acordo, com anuência da forma de escolha dos critérios e da avaliação; e) A participação do Sindicato é obrigatória quando se tratar de Acordo Coletivo de Trabalho, o que não é o caso do PLR em questão. Além disso, o produto final do acordo contou com o arquivamento pelo Sindicato, não sendo necessárias provas de todas as etapas da negociação com sua participação; f) Havia a possibilidade de revisão anual do PLR, entendida esta como a possibilidade de modificarem as disposições do programa de acordo com suas necessidades, sendo certo que a legislação admite a previsão de prazo indeterminado; g) Os elementos subjetivos e objetivos de avaliação se complementam; h) As regras foram claras e objetivas; i) Critérios comportamentais e comparativos de avaliação se coadunam com a finalidade do Programa, pois os empregados sabia que este seria ponto de avaliação, em virtude da interferência desse aspecto nos resultados financeiros da empresa. Não sendo o critério de pagamento exclusivamente financeiros, a avaliação não pode ser exclusivamente objetiva; j) A utilização de critérios comparativos entre os empregados mostrase necessária para se obter um parâmetro capaz de estabelecer melhor desempenho; k) Não existe na legislação limite máximo a ser distribuído a título de PLR; l) O recebimento de valor correspondente a várias vezes o salário do empregado justificase pela sua função diretamente relacionada ao cargo e à sua representação nos resultados da empresa. A título de exemplo, o empregado que recebeu 179 vezes o seu salário, conforme apontado pela autuação, teria conferido resultado 64 vezes maior ao que recebeu; m) A empresa paga aos seus funcionários salários compatíveis com o de mercado, não podendo se falar em substituição da remuneração; Fl. 337DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 341 5 n) a ausência de arquivo das avaliações de desempenho que fundamentaram os pagamentos da PLR foi suprida pela demonstração dos resultados individuais arquivados eletronicamente; o) o fato de existir um registro mensal da avaliação dos empregados não significa que os pagamentos de PLR representavam uma comissão pelos serviços prestados, uma vez que os pagamentos de PLR levaram em consideração metas apuradas em periodicidade semestral ou anual; p) Não há habitualidade e retributividade no pagamento; q) é descabida a cobrança do adicional de 2,5% do Recorrente; r) é ilegal a inclusão dos dirigentes no pólo passivo da autuação fiscal; s) é ilegal a majoração da multa de mora em face do transcurso do tempo; t) é ilegal a aplicação da Taxa Selic como juros de mora. Sem Contra Razões. Acórdão nº 2302002.865 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da 2ª SEJUL/CARF/MF/DF, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto pela empresa Rádio FM Bahia Sol ltda. Embargos de Declaração a fls. 242/245 acusou a ocorrência de contradição entre as circunstâncias de fato atávicas ao lançamento e o Acórdão nº 2302002.865 acima referido. Processo: 10580.728440/200941 Nome do contribuinte: RADIO FM BAHIA SOL LTDA Acórdão 2302002.865 Decisão: Por voto de qualidade em dar provimento parcial ao recurso do Auto de Infração de Obrigação Principal, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e as Conselheiras Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20%, em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor. Ainda devem ser excluídas do lançamento as competências até 11/2003, inclusive, pela homologação tácita expressa no artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional. (grifos nossos) Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO Resultado: Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 338DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 342 6 Crédito Tributário Mantido em Parte Com efeito, ao tratar do exame da decadência, percebese no voto do Ilustre Relator a ocorrência de equívoco involuntário, eis que se houve como considerado o período de apuração do débito como sendo de fevereiro/2003 a dezembro/2006 e data de lavratura do Auto de Infração como 28/10/2008. Todavia, o Discriminativo de Débito a fls. 05/06 aponta como período de apuração do crédito tributário o lapso temporal de fevereiro/2007 a agosto/2008, e o Aviso de Recebimento, a fl. 97, informa a ciência do Sujeito Passivo em 21/12/2009. Os embargos de Declaração foram acolhidos para sanear, tão somente, a questão atinente à decadência. É o relatório. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 343 7 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o Recurso tempestivo, passo ao seu exame. Da Decadência No caso em apreço, o Auto de Infração foi lavrado em 21/12/2009, tendo como objeto as contribuições devidas nos exercícios de fevereiro/2007 a agosto/2008. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12.06.2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal – STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais aqueles dispositivos legais e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo. Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Fl. 340DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 344 8 Art. 103A da Constituição Federal O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Lei n° 11.417, de 19/12/2006 Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. (...). ...Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. Temos que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram obrigados a acatar a Súmula Vinculante. Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto, uma vez que existem duas regras, aparentemente conflitantes, dispondo sobre a decadência de créditos tributários, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4º), e a segunda o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 341DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 345 9 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Harmonizando os referidos dispositivos legais, o Superior Tribunal de Justiça esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitarse a lançamento por homologação: 1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação; 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito. Cumpre transcrever o acórdão prolatado em sede de Recurso Especial representativo da controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, Fl. 342DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 346 10 págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, “quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias” . A comprovação da presença de tais circunstâncias seria imprescindível para o afastamento do art. 150, §4º do CTN e aplicação do seu art. 173, I, o que não se vislumbra em qualquer momento da autuação. Depreendese dos autos que, da ação fiscal em comento, não houve lavratura de auto de infração relacionado a outros fatos geradores de contribuições previdenciárias, de modo que a fiscalização entendeu que as demais contribuições previdenciárias haviam sido pagas pela empresa. Outrossim, não tendo sido comprovando que sua conduta tenha sido eivada de dolo, fraude ou simulação, restando configurado, portanto, o pressuposto fático ensejador da aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional, fica definitivamente afastada a incidência do disposto no artigo 173, I do mesmo dispositivo legal. Nesse contexto, considerando ser de fevereiro/2007 a agosto/2008 o período de apuração, e considerando que o Auto de Infração em questão foi levado à ciência do Sujeito Passivo em 21 de dezembro de 2009, decorre que o lançamento nele carreado alcança, com a mesma eficácia constitutiva, todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos até a competência dezembro/2005, inclusive os desta, nos termos do art. 150, §4º, do CTN, não havendo que se falar, portanto, em decadência. Do programa de Participação nos Lucros ou ResultadosPLR Fl. 343DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 347 11 A Constituição Federal determinou, no seu art. 7º, inciso XI, que a participação pelo empregado nos lucros ou resultados da empresa estaria desvinculada de remuneração, conforme definido em lei. A Lei nº 8.212/1991, ao definir a base de cálculo das contribuições previdenciárias, excluiu a participação nos lucros e resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica, nos seguintes termos: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Diante da norma constitucional e da Lei nº 8.212/91, foi editada a Medida Provisória nº 794/1994, sucessivamente reeditada até posterior conversão na Lei nº 10.101/2000, cuja redação à época dos fatos geradores assim dispunha: Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (grifase). A partir da análise da Lei acima transcrita, quando interpretada conjuntamente com a Constituição Federal,verificase que o intuito do legislador foi o de estimular a criação pelas empresas de Programas de Participação em Lucros e Resultados, como mecanismo de incentivo à produção e de integração do capital da empresa aos recursos humanos. Através do PLR, permitese que o empregado participe dos resultados da atividade, distribuindolhe valores a partir do atingimento de metas, sem, contudo, empregar Fl. 344DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 348 12 lhe os riscos que lhe são inerentes, até porque estes devem permanecer com o empregador investidor. Exatamente por ser uma medida que preserva o interesse de todos os envolvidos na produção, a Lei exige a participação de representantes dos empregados e empregadores na elaboração do PLR, que devem estipular conjuntamente as metas, os resultados e prazos. Ocorre que a Lei não foi tão específica em prever todas as formalidades, critérios e condições para elaboração do PLR, devendo, por isso, tal liberdade concedida aos elaboradores ser interpretada amplamente, sem restringirlhe a eficácia, desde que seja observada sua finalidade e as exigências legalmente postas, evitandose, por outro lado, qualquer tentativa de sua utilização como meio de burla à tributação e de substituição da remuneração dos empregados. Neste diapasão, para que os valores pagos aos empregados a título de PLR não sejam tributados, devem observar as exigências legais, bem como o intuito do legislador, para que o espírito do Programa efetivamente seja alcançado. Esta deve ser a análise da fiscalização. Vejase que os dispositivos insertos na Lei 10.101/2000 devem ser rigorosamente observados, tanto para que o contribuinte não tenha que recolher a contribuição previdenciária quando houver PLR instituído na empresa, quanto para que somente as exigências nela contidas possam ser aplicadas. O que se observa é que a Lei previu apenas os seguintes requisitos: Negociação entre empresa e empregados, com representantes de ambas as categorias; Regras claras e objetivas; mecanismos de verificação das informações relevantes para atingir as metas; Todos esses requisitos, na verdade, buscam garantir que o PLR tenha a participação das duas categorias (empregados e empregadores) tanto no momento de sua elaboração quanto de sua execução, podendo ser acompanhado por todos os envolvidos quanto ao cumprimento e ao alcance de metas. Por isso é que os programas de metas, resultados e prazos devem estar pactuados previamente, pois somente desta forma é que seria possível se ter certeza de que os empregados estão cientes das condições do PLR e que os esforços envidados serão recompensados com a distribuição dos valores. No caso dos autos, o auditor fiscal descaracterizou o PLR instituído pelo Banco Recorrente por entender que não preenchia as exigências legais, tampouco a finalidade do Plano. Neste sentido, cabe analisar cada um dos fatos para que se verifique se deve ser mantida a autuação. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 349 13 De início, afirma o auditor fiscal que o PLR previu revisões anuais obrigatórias, o que não teria ocorrido, bem como que o plano foi instituído por prazo indeterminado. A Lei nº 10.101/2000 exige que o plano especifique a periodicidade da distribuição e o prazo de vigência do programa. A razão de tal exigência consiste na necessidade de se permitir ao empregado o tempo que terá para alcançar a meta, bem como por quanto tempo poderá ser bonificado enquanto permanecer na empresa. In casu, a periodicidade de distribuição foi devidamente prevista no Plano, e o prazo indeterminado atendeu também aos objetivos previstos na Lei, eis que o empregado saberia que, enquanto estivesse na empresa, fruiria dos benefícios instituídos pelo Programa. A revisão anual do Programa, inserta em cláusula do Plano, encontra respaldo na necessidade que os empregados e empregadores podem ter de adequar as metas, a data de pagamento, os critérios de recebimento, dentre outros, às circunstâncias atuais. Isto porque um Programa, sobretudo de prazo indeterminado, não poderia ser rígido e imutável, sob pena de se desnudar sua finalidade. A título de exemplo, imaginemos uma meta financeira para todos os empregados que, após alguns anos de vigência do Programa e crescimento da empresa, passasse a ser facilmente obtida. Evidentemente que dita meta teria que ser revista, até para se adequar melhor a uma das finalidades do Programa, que seria a de estimular os empregados, através da participação nos lucros e resultados, a envidar esforços, melhorar a qualidade e aumentar a produtividade. De outro lado, se as condições pactuadas continuam a atender os objetivos da empresa e a servir de estímulo aos seus empregados, não haveria por que revisálas, apenas sob o pretexto de ter que ser feita uma reformulação. Nesse caso, não teria sentido em editar um novo instrumento prevendo os mesmos termos, quando o anterior já tem previsão por prazo indeterminado. Em segundo lugar, firma o AFRFB que o Sindicato não participou do processo de negociação, descumprindo a determinação legal. De fato, a Lei de regência estabelece que o Sindicato seja uma das partes da negociação, quando realizado por convenção ou acordo coletivo, ou participante das negociações quando o instrumento for particular. O PLR do caso narrado se refere à segunda hipótese, em que o Sindicato tem a condição de participante e mero assistente dos empregados. Nesses casos, os termos são elaborados pela comissão formada por representantes dos empregados e empregador, cabendo ao Sindicato assessorar com instruções sobre os direitos da categoria que representa, sem, contudo, ser a sua anuência necessária à validade dos critérios, das metas e das condições do programa. Neste diapasão, entendo que o Sindicato deve ser informado das negociações, dandolhe oportunidade para participar das negociações. Contudo, a sua ausência não pode ser óbice à validade das tratativas, sob pena de se atribuir excessiva força ao órgão de classe, inclusive de vetar o avanço das negociações, o que definitivamente não foi a finalidade da Lei Fl. 346DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 350 14 quando permitiu instrumento particular de estipulação do PLR, diverso dos acordos e convenções coletivas. Assim, ainda que seja verdade que o Sindicato não participou ativamente de todas as etapas da negociação, bastaria o seu conhecimento da existência das fases de negociação para que sua participação como assistente tivesse sido atendida. Uma vez que o AFRFB não trouxe qualquer elemento que indicasse que a Recorrente não conferiu a oportunidade ao Sindicato de participar das reuniões e tratativas, não pode haver presunções em desfavor do contribuinte. Sobre o tema, o Superior Tribunal de Justiça já teve a oportunidade de destacar os efeitos da participação do Sindicato: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CARACTERIZAÇÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 07/STJ. PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÚMULA 07/STJ. 1. A isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica a que refere a Lei n.º 8.212/91. 2. Os requisitos legais inseridos em diplomas específicos ( arts. 2º e 3º, da MP 794/94; art. 2º, §§ 1º e 2º, da MP 860/95; art. 2º, § 1º e 2º, MP 1.53934/ 1997; art. 2º, MP 1.69846/1998; art. 2º, da Lei n.º 10.101/2000), no afã de tutelar os trabalhadores, não podem ser suscitados pelo INSS por notória carência de interesse recursal, máxime quando deduzidos para o fim de fazer incidir contribuição sobre participação nos lucros, mercê tratarse de benefício constitucional inafastável (CF, art. 7º, IX). 3. A evolução legislativa da participação nos lucros ou resultados destacase pela necessidade de observação da livre negociação entre os empregados e a empresa para a fixação dos termos da participação nos resultados. 4. A intervenção do sindicato na negociação tem por finalidade tutelar os interesses dos empregados, tais como definição do modo de participação nos resultados; fixação de resultados atingíveis e que não causem riscos à saúde ou à segurança para serem alcançados; determinação de índices gerais e individuais de participação, entre outros. 5. O registro do acordo no sindicato é modo de comprovação dos termos da participação, possibilitando a exigência do cumprimento na participação dos lucros na forma acordada. 6. A ausência de homologação de acordo no sindicato, por si só, não descaracteriza a participação nos lucros da empresa a ensejar a incidência da contribuição previdenciária. 7. O Recurso Especial não é servil ao exame de questões que demandam o revolvimento do contexto fáticoprobatório dos autos, em face do óbice erigido pela Súmula 07/STJ. 8. In casu, o Tribunal local afastou a incidência da contribuição previdenciária sobre verba percebida a título de participação nos lucros da empresa, em virtude da existência de provas acerca da existência e manutenção de programa espontâneo de efetiva participação nos lucros da Fl. 347DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 351 15 empresa por parte dos empregados no período pleiteado, vale dizer, à luz do contexto fáticoprobatório engendrado nos autos, consoante se infere do voto condutor do acórdão hostilizado, verbis: "Embora com alterações ao longo do período, as linhas gerais da participação nos resultados, estabelecidas na legislação, podem ser assim resumidas: a) deve funcionar como instrumento de integração entre capital e trabalho, mediante negociação; b) deve servir de incentivo à produtividade e estar vinculado à existência de resultados positivos; c) necessidade de fixação de regras claras e objetivas; d) existência de mecanismos de aferição dos resultados. Analisando o Plano de Participação nos Resultados (PPR) da autora, encontramse as seguintes características: a) tem por objetivo o atingimento de metas de resultados econômicos e de produtividade; b) há estabelecimento de índices de desempenho econômico para a unidade e para as equipes de empregados que a integram; c) fixação dos critérios e condições do plano mediante negociação entre a empresa e os empregados, conforme declarações assinadas por 38 (trinta e oito) funcionários (fls. 352/389); d) existência de regras objetivas de participação e divulgação destas e do desempenho alcançado. Comparandose o PPR da autora com as linhas gerais antes definidas, bem como com os demais requisitos legais, verificase que são convergentes, a ponto de caracterizar os valores discutidos como participação nos resultados. Desse modo, estão isentos da contribuição patronal sobre a folha de salários, de acordo com o disposto no art. 28, § 9.º, alínea "j", da Lei n.º 8.212/91". (fls. 596/597) 9. Precedentes:AgRg no REsp 1180167/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, DJe 07/06/2010; AgRg no REsp 675114/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, DJe 21/10/2008; AgRg no Ag 733.398/RS, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ 25/04/2007; REsp 675.433/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 26/10/2006; 10. Recurso especial não conhecido. (REsp 865.489/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 26/10/2010, DJe 24/11/2010) O que soa mais estranho no Relatório Fiscal é a afirmativa de que o Sindicato teria sido ausente das revisões. Ora, este mesmo Relatório aponta a ausência de revisões como um dos motivos para o descumprimento do PLR. Sendo assim, como poderia o Sindicato participar de algo que não existiu? Por todo o exposto é que não se pode entender qualquer vício no Programa sob exame em virtude da participação ou não do Sindicato. O Relatório Fiscal afirma, ainda, que o PLR previu metas tendo em vista resultados globais do grupo econômico, inclusive de empresas localizadas no exterior, o que dificultaria, segundo afirma, o conhecimento pelos empregados do alcance das metas. Ocorre que a legislação não faz qualquer exigência neste ponto. A utilização de metas que considerem o grupo econômico tem total consonância com a finalidade do PLR, que é a de integrar o empregado à empresa como um todo. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 352 16 Toda empresa tem no seu recurso humano o mais precioso insumo. É justamente o somatório dos esforços que faz a empresa se desenvolver, tanto analisada uma empresa isoladamente, quanto um grupo econômico, inclusive porque os resultados de uma das empresas do grupo reflete no das demais. O fato de alguma empresa do grupo econômico ser localizada no exterior não impede que o empregado acompanhe o atingimento das metas, se houver divulgação desses resultados. Em particular, o ramo de atividade da Recorrente e o nível de fiscalização a que se submete pelo Banco Central do Brasil, pela Comissão de Valores Mobiliários, dentre outros órgãos competentes, faz com que os resultados se tornem ainda mais transparentes. Vejase que não se discute nos autos o desconhecimento dos empregados sobre as regras previstas. Se a comissão de negociação tomou como base dados do grupo empresarial, não há qualquer irregularidade na formalização do acordo. As empresas do mesmo grupo econômico apresentam relações bastante próximas, tanto que o Fisco sempre as considera conjuntamente na ocasião do lançamento, até por imposição legal, já que teriam um mesmo comando de decisões, as vezes até com mesma administração. Estabelecer que os resultados alcançados por outra empresa do grupo econômico sirvam de critério para aferição da participação nos lucros e resultados é medida condizente com a própria sistemática adotada pela legislação previdenciária e trabalhista, já que tratam as empresas como solidárias e intrinsecamente relacionadas umas as outras, inclusive quanto aos fatos geradores das contribuições. O referido Programa não teria qualquer vício, se não fossem os seguintes outros pontos de irregularidades encontrados. O PLR leva em conta o comportamento pessoal do empregado, faz comparação entre eles, valoriza a figura do avaliador, sendo um critério/meta por demais subjetivo. Neste aspecto, o referido Programa deixou demasiadamente abrangente a meta que seria alcançada. Embora tenha graduado os níveis de enquadramento da avaliação pessoal, esta depende dos critérios do superior imediato, sem que o empregado saiba quais os itens seriam analisados e, de que forma, poderia atingir a meta proposta. Não se pretende afirmar que apenas as metas numéricas possuem a objetividade necessária para configuração do PLR, mas sim que a meta deve ser de tal forma objetiva que o empregado possa identificar previamente os meios de alcançála e se a atingiu ou não, independentemente de terceiros para tanto, o que não ocorreu no caso. Ressaltese ainda, que as metas financeiras do Programa seriam “metas em tese”, posto que não quantificadas nem parametrizadas, e definidas ainda sem a participação do sindicato, sendo seus valores definidos discricionariamente pela empresa. As metas financeiras Fl. 349DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 353 17 nos dizeres do próprio auditor fiscal são as metas “mais obejtivas” por natureza, desde que parametrizadas, já que o lucro sem quantificação é o objetivo de qualquer empresa privada. Outro ponto de irregularidade no PLR da Recorrente se refere ao pagamento aos empregados, a este título, em valores que não encontram correspondência com as metas e valores propostos no Programa. O PLR não precisa ter limite máximo de pagamento, ao contrário do que foi afirmado pela fiscalização, até porque isso seria ir de encontro à proposta do Programa, já que o empregado que atingisse meta suficiente para lhe garantir o pagamento deixaria de ter os estímulos para produzir mais e com maior qualidade, o que é a finalidade principal do PLR. Contudo, o valor pago, ainda que exceda 179 vezes o valor do seu salário, deve ter correspondência com o que propõe o PLR, o que não aconteceu no caso dos autos, pois não se pode identificar a partir de que metas e critérios o empregado alcançado aquele valor. Vejase que sequer esse argumento foi combatido pela Recorrente. Por todo o exposto, entendo, embora por razões diversas das apontadas pela fiscalização, que o Programa de Participação nos Lucros não atendeu aos critérios legais de objetividade, tampouco todos os pagamentos foram efetuados com base no referido PLR. Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 354 18 A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Fl. 351DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 355 19 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 356 20 Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação Fl. 353DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 357 21 dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Da cobrança da Taxa SELIC Entendo ser possível e correta a aplicabilidade da Taxa SELIC nos casos de atraso no pagamento de importâncias devidas ao INSS, haja vista sua previsão legal estar devidamente fundamentada no art. 58, inc. II do Decreto nº 2.173/97, consoante se pode observar: Art. 58. Para o pagamento de valores das contribuições e demais importâncias devidas à seguridade social, arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e não recolhidas até a data de seu vencimento, inclusive dos débitos objeto de parcelamento, incidirão: [...] II juros de mora: a) um por cento no mês do vencimento; b) equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC nos meses intermediários; c) um por cento no mês do pagamento; Além do mais, ressalto que recentemente o Segundo Conselho aprovou a Súmula nº 03 que assim dispôs sobre a matéria: “SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” Relembrese, mais uma vez, no que tange à alegada inconstitucionalidade da taxa, o entendimento de que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2°; Emenda Constitucional n° 3/93; Código de Processo Civil , arts. 480 a 482). Por fim, a termo inicial para fluência de juros de mora é, nos termos do art. 161 do CTN, o vencimento do tributo. Da impossibilidade de análise de alegação da inconstitucionalidade da cobrança do adicional de 2,5% A tentativa do contribuinte de afastar a cobrança do adicional de 2,5% no caso em comento em virtude da sua inconstitucionalidade, esbarra na incompetência desse Conselho para o exame da matéria. Em outras palavras, reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho, que somente pode reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivo legal quando estiver diante de uma das hipóteses previstas no art, 62, parágrafo único seu Regimento Interno, quais sejam: Fl. 354DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 358 22 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993 No caso dos autos, contudo, não ocorreu qualquer dessas hipóteses. Cumpre esclarecer que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, notadamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, os Conselhos de Contribuintes se autoimpuseram com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 147, de 25/06/2007 (que aprovou o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes): Fl. 355DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 359 23 Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária” Assim, afasto a alegação de inconstitucionalidade da cobrança do adicional de 2,5% da contribuição ao presente caso. Da Exclusão dos Corresponsáveis Quanto à solicitada exclusão do sócio gerente, cabe esclarecer que a relação de corresponsáveis anexada aos autos pela Fiscalização, no meu particular entendimento, tem como escopo garantir a possibilidade de inclusão dos sócios da empresa no pólo passivo da obrigação tributária numa futura execução fiscal, e não simplesmente listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa. O prejuízo aos corresponsáveis é imediato, pois com o exaurimento do contencioso administrativo, o débito lançado será imediatamente inscrito no CADIN, em nome do autuado e também de todos os corresponsáveis listados na relação anexa ao Auto de Infração. No caso da pessoa jurídica contribuinte, ela é quase sempre a responsável pelas suas obrigações tributárias, pois ela, além de ser o sujeito da relação jurídica tributária, tem também, na maioria das vezes, o dever legal de pagar o tributo. Contudo, a lei prevê que, quando houver inadimplemento da pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos pode ser transferida para seus diretores, gerentes ou responsáveis, sob determinadas condições. É o que determina o comando do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – (...) II – (...) III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Pelo referido comando, esta responsabilidade só poderá ser transferida para a pessoa do sócio administrador, para o diretor responsável ou para o representante legal capaz. Além disso, esta transferência só poderá acontecer quando houver prova de que estes praticaram qualquer um dos atos irregulares descritos no caput do artigo. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 360 24 Encerrado o processo administrativo com a confirmação da procedência da dívida e não havendo pagamento, será emitida a Certidão da Dívida Ativa, que fundamentará a execução fiscal. Nela deve constar o nome do responsável pelo pagamento e, caso se tenha apurado alguma irregularidade capaz de imputar aos sócios diretores ou ao representante legal a responsabilidade pelo pagamento, deverá conter a respectiva indicação, posto que nossos tribunais só aceitam a citação dos corresponsáveis cujos nomes estejam mencionados na CDA, e só nessa hipótese, poderá constar o nome do corresponsável. Sim, pois partese do pressuposto de que, como a CDA tem presunção de certeza e liquidez, estando o nome do sócio administrador, do diretor ou do representante nela incluído, presumirseá, da mesma forma, que houve uma apuração de responsabilidade no processo administrativo, que garantiu o direito de defesa do incluído. No entanto, no âmbito das execuções fiscais de contribuições previdenciárias, até a revogação do art. 13, da Lei n. 8.620/93, o chamamento dos corresponsáveis ocorria de imediato, independentemente de restarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa ou da prova da prática de algum dos atos previstos no art. 135 do CTN. Nesse aspecto, o Superior Tribunal de Justiça, tem farta jurisprudência determinando que se o nome do corresponsável estiver inscrito na CDA, tal fato é suficiente para a sua sujeição passiva solidária, cabendo ao corresponsável apenas via embargos à execução (cuja oposição é imprescindível a penhora), fazer contraprova à sua condição de sujeito passivo. Ressaltese ainda, que mesmo depois da publicação da Lei 11.941/09, que revogou o art. 13 da Lei 8.620/93, que permitia a responsabilização solidária do corresponsável independentemente da prática de qualquer fato previsto no art. 135 do CTN, o próprio STJ já sinaliza em recentes julgados, que muito embora tenha havido a revogação do dispositivo acima mencionado, ainda assim constando o nome na CDA é cabível a sua inclusão no polo passivo da execução fiscal até que seja feita prova em contrário. Para encerrar qualquer controvérsia, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula 88, que assim dispõe: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Logo, resta claro o prejuízo aos corresponsáveis com a sua inclusão na relação anexa ao presente Auto de Infração, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art.135 do CTN, pois essa relação servirá de base para uma futura inscrição do débito em dívida ativa. Conclusão Fl. 357DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 361 25 Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para que seja aplicada aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2008 a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte, afastando nesse período toda e qualquer aplicação de multa de ofício, como que o rol de corresponsáveis contido no auto de infração tenha finalidade meramente informativa, sem o condão de atribuir responsabilidade às pessoas nele indicadas tal qual previsão na Súmula 88 do CARF. É como voto. Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 358DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 362 26 Voto Vencedor DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Ouso discordar, data venia, do entendimento esposado pelo Ilustre Relator relativo ao regime jurídico aplicável à determinação da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributaria principal formalizada mediante lançamento de ofício. E para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio juris que ora se escultura, atinese que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. JULIET: ”Tis but thy name that is my enemy; Thou art thyself, though not a Montague. What's Montague? it is nor hand, nor foot, Nor arm, nor face, nor any other part Belonging to a man. O, be some other name! What's in a name? that which we call a rose By any other name would smell as sweet; So Romeo would, were he not Romeo call'd, Retain that dear perfection which he owes Without that title. Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee Take all myself”. William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600. O caso ora em apreciação trata de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício. Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 363 27 §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O regramento legislativo relativo à aplicação de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data inicial do período de apuração em realce, encontravase sujeito ao regime jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Fl. 360DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 364 28 c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de ofício consubstanciado no Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.201.9269, referente a fatos geradores ocorridos nas competências de 01/02/2007 a 31/08/2008. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 365 29 Nessa perspectiva, tratandose de lançamento de ofício formalizado mediante o Auto de Infração de Obrigação Principal acima indicado a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada, no período anterior à vigência da MP nº 449/2008, de acordo com o critério de cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, hoje CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não incluídas em lançamentos Fiscais de ofício, ou seja, quando o recolhimento não for resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado, no horizonte temporal em relevo, em conformidade com a memória de cálculo assentada no inciso I do mesmo dispositivo legal acima mencionado, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, variando de oito por cento, se paga dentro do mês de vencimento da obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da exação. Tal discrimen encontrase tão claramente consignado na legislação previdenciária que até o organismo cognitivo mais rudimentar em existência – o computador – consegue, sem margem de erro, com uma simples instrução IF – THEN – ELSE unchained, determinar qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de incidência: IF lançamento de ofício THEN art. 35, II da Lei nº 8.212/91 ELSE art. 35, I da Lei nº 8.212/91. Traduzindose do “computês” para o “juridiquês”, tratandose de lançamento de ofício, incide o regime jurídico consignado no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições previdenciárias em atraso, aplicase o regramento assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, Fl. 362DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 366 30 estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por aí. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de penalidade pecuniária, então batizada de “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 363DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 367 31 I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como visto, o regramento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal a ser aplicada nos casos de recolhimento espontâneo feito a destempo e nas hipóteses de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, citese, incisos I e II do art. 35 Fl. 364DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 368 32 da Lei nº 8.212/91, nessa ordem, agora encontramse dispostos em separado, digase, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Nesse novo regime legislativo, a instrução de seletividade invocada anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando: IF lançamento de ofício THEN art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Diante de tal cenário, a contar da vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício há que ser dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui referida pelos seus genitores com o nome de batismo de “multa de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não demanda áurea mestria perceber que o nomem iuris consignado na legislação previdenciária para a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da Fazenda houvese por batizada com a singela denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as suas naturezas jurídicas são idênticas: penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. No que pertine à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal não incluída em lançamento de ofício, o título designativo adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 369 33 Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu uma apenação mais severa para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, durante a fase do contencioso administrativo. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Daí a divergência inaugurada por este Conselheiro. Em seu voto de relatoria, o insigne Conselheiro Relator defendeu a aplicação retroativa, para as competências anteriores a dezembro/2008, do limite de 20% para a multa de mora previsto no §2º do art. 61 da Lei nº 9.430/96, por entender tratarse de hipótese de retroatividade benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. No caso, considerou o preclaro Relator que a comparação das normas deve ocorrer em institutos da mesma natureza. Logo, multa de mora com multa de mora (art. 35 da Lei 8.212/91), não com multa de ofício (art. 35A da Lei nº 8.212/91), por considerar que tal penalidade era inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008. Sendo assim, a multa de mora aplicada em face dos autos de infração relacionados às obrigações principais (AIOP) deveria ficar restrita ao percentual de 20% até novembro/2008, permanecendo o percentual de 75% a partir de dezembro/2008. Se nos antolha não proceder o argumento de que a penalidade referente à multa de ofício era inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008. Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. De outro eito, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Ocorre que ao efetuar o cotejo de “multa de mora” (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora” (art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008), promoveuse data venia a comparação de Fl. 366DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 370 34 nomem iuris com nomem iuris (multa de mora) e não de institutos de mesma natureza jurídica (penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). De tal equívoco, no entendimento deste Subscritor, resultou no voto de relatoria a aplicação retroativa de penalidade prevista para uma infração mais branda (descumprimento de obrigação principal não inclusa em lançamento de ofício) para uma infração tributária mais severa (descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica, in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. Lé com lé, cré com cré (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967). Reiterese que não se presta o preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’ do CTN para fazer incidir retroativamente penalidade menos severa cominada a uma infração mais branda para uma transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em lei, especificamente, castigo mais hostil, só pelo fato de possuir a mesma denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas. Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96 só se presta para punir o descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício. Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, tanto a legislação revogada (art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) preveem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio jurídico lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas. Nessa perspectiva, nos casos de lançamento de ofício, o cotejamento de normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, uma vez que estas tratam, especificamente, de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, ou seja, penalidades de idêntica natureza jurídica. Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 371 35 b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na mesma hipótese especifica, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de obrigação principal é variável em função da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. De fato, encerrado o Processo Administrativo Fiscal e restando definitivamente constituído, no âmbito administrativo, o crédito tributário, não sendo este satisfeito espontaneamente pelo Sujeito Passivo no prazo normativo, tal crédito é inscrito em Dívida Ativa da União, pra subsequente cobrança judicial. Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa pelo atraso no recolhimento de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator, desde que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c" do CTN concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora do recolhimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício trazido pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o Fl. 368DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 372 36 crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. Nestas hipóteses, somente irá se operar o teto de 75% nos casos em que não houver ocorrido sonegação, fraude ou conluio. Da conjugação das normas tributárias acima revisitadas concluise que, nos casos de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, a penalidade pecuniária pelo descumprimento da obrigação principal deve ser calculada de acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores inadimplidos, conforme se vos segue: a) Para os fatos geradores ocorridos até novembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, observado o limite máximo de 75%, desde que não estejam presentes situações de sonegação, fraude ou conluio, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. b) Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada de acordo com o critério fixado no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. No caso dos autos, considerando que o horizonte temporal do lançamento compreende o período de apuração de fevereiro/2007 a agosto/2008 e considerando não haver sido verificada a presença dos elementos objetivos e subjetivos de conduta que, em tese, qualificase como fraude ou sonegação, tipificadas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, respectivamente, resulta que a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante o presente lançamento de ofício deve ser aplicada de acordo com o art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em atenção ao princípio tempus regit actum, observado o limite máximo de 75%, em honra à retroatividade da lei tributária mais benigna insculpida no art. 106, II, ‘c’ do CTN. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto no sentido de o regramento a ser dispensado à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante o presente lançamento de ofício obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, observado, unicamente, o limite máximo de 75%, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’, do CTN. É como voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Redator designado. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10580.728440/200941 Acórdão n.º 2302003.281 S2C3T2 Fl. 373 37 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13807.013661/99-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/1994 a 31/12/1994, 01/01/1995 a 28/02/1995, 01/05/1995 a 31/05/1995, 01/08/1995 a 30/09/1995
SEMESTRALIDADE. BASE DE CÁLCULO.
Até fevereiro de 1996, a base de cálculo do PIS, nos termos do parágrafo único do art. 6º da LC nº 7/70, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária até a data do respectivo vencimento, sendo a alíquota de 0,75%. A contribuinte tem direito de apurar a contribuição com base neste critério.
PIS. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL Em decorrência da suspensão de execução dos Decretos-leis 2.445 e 2.449, de 1988, pela Resolução n.° 49 do Senado Federal, voltaram a viger os dispositivos constantes na Lei Complementar n.° 7, de 1970 e demais atos legais não atingidos pela declaração de inconstitucionalidade dos mencionados decretos-leis, autorizando a exigência de eventuais diferenças de valores devidos, como readequação à ordem jurídica remanescente.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
A citação e transcrição de dispositivos legais aplicados a períodos diferentes daqueles abrangidos pelo auto de infração, com destaque e identificação para cada período de vigência dos dispositivos transcritos, não constitui cerceamento de defesa.
AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA
É legal a lavratura de auto de infração fora do domicílio fiscal do contribuinte.
AUDITOR FISCAL. COMPETÊNCIA
A competência do Auditor Fiscal do Tesouro Nacional para o lançamento inclui o exame de livros e documentos contábeis, atividade que não se confunde com o exercício da profissão de contador cujas atribuições estão especificadas em legislação federal própria.
MULTA DE OFÍCIO
O não pagamento das parcelas devidas, em suas épocas próprias, sujeita a empresa à incidência de multa e juros. No caso dos autos, o percentual da multa equivale a setenta e cinco por cento, porque o lançamento é de oficio, em face do recolhimento insuficiente.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-002.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina de Freitas e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Recorrente PRODUTOS ALIMENTÍCIOS ARAPONGAS S/A PRODASA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1994 a 31/12/1994, 01/01/1995 a 28/02/1995, 01/05/1995 a 31/05/1995, 01/08/1995 a 30/09/1995 SEMESTRALIDADE. BASE DE CÁLCULO. Até fevereiro de 1996, a base de cálculo do PIS, nos termos do parágrafo único do art. 6º da LC nº 7/70, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária até a data do respectivo vencimento, sendo a alíquota de 0,75%. A contribuinte tem direito de apurar a contribuição com base neste critério. PIS. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL — Em decorrência da suspensão de execução dos Decretosleis 2.445 e 2.449, de 1988, pela Resolução n.° 49 do Senado Federal, voltaram a viger os dispositivos constantes na Lei Complementar n.° 7, de 1970 e demais atos legais não atingidos pela declaração de inconstitucionalidade dos mencionados decretosleis, autorizando a exigência de eventuais diferenças de valores devidos, como readequação à ordem jurídica remanescente. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A citação e transcrição de dispositivos legais aplicados a períodos diferentes daqueles abrangidos pelo auto de infração, com destaque e identificação para cada período de vigência dos dispositivos transcritos, não constitui cerceamento de defesa. AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA • É legal a lavratura de auto de infração fora do domicílio fiscal do contribuinte. AUDITOR FISCAL. COMPETÊNCIA A competência do Auditor Fiscal do Tesouro Nacional para o lançamento inclui o exame de livros e documentos contábeis, atividade que não se AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 01 36 61 /9 9- 10 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13807.013661/9910 Acórdão n.º 3301000.575 S3C3T1 Fl. 259 2 confunde com o exercício da profissão de contador cujas atribuições estão especificadas em legislação federal própria. MULTA DE OFÍCIO O não pagamento das parcelas devidas, em suas épocas próprias, sujeita a empresa à incidência de multa e juros. No caso dos autos, o percentual da multa equivale a setenta e cinco por cento, porque o lançamento é de oficio, em face do recolhimento insuficiente. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina de Freitas e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Fl. 259DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13807.013661/9910 Acórdão n.º 3301000.575 S3C3T1 Fl. 260 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo SP: A empresa acima identificada, foi intimada a recolher ou impugnar o crédito tributário relativo ao PIS, consubstanciado no Auto de Infração (fls. 14 a 16) no valor total de R$ 59.285,30 (cinqüenta e nove mil e duzentos e oitenta e cinco reais e trinta centavos), incluindo multa proporcional e juros de mora calculados até 29/10/1999, em virtude de insuficiência de recolhimento desta contribuição nos períodos de novembro a dezembro de 1994 e de Setembro de 1994 a Setembro de 1995. Conforme descrito no “Termo de Verificação” (fls. 04 a 06), foi lavrado o auto de infração por ter sido apurada diferença entre os valores devidos e os recolhidos do PIS, em virtude de diferença de alíquotas, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração do presente processo. Inconformado com a autuação, da qual foi devidamente cientificado em 22/11/1999, o contribuinte protocolizou tempestivamente, em 08/12/1999, a impugnação (fls. 20 a 55), acompanhada de documentos, na qual alega em síntese que: Alega que o auto de infração é nulo por cerceamento de defesa, pois os demonstrativos de cálculos apresentados nada demonstram com a clareza necessária à sua compreensão, não constando do auto de infração os motivos de fato e a indicação dos dispositivos legais infringidos. Há somente um emaranhado de dispositivos legais, inclusive alguns que nem se aplicam ao presente caso, dificultando a inteligência do que foi lançado. Argumenta que o auto de infração também é nulo porque foi lavrado fora do domicílio fiscal do contribuinte, sem ter o Agente Fiscal sequer solicitado informações ou efetuado diligências relativas ao conteúdo dos dados presentes no estabelecimento do contribuinte. Investe também contra o trabalho do Agente Fiscal, dizendoo não qualificado para função, pois não e bacharel em contabilidade, nem tampouco está inscrito no Conselho Regional de Contabilidade, fato imprescindível à função de auditoria, tornando o auto de infração nulo por mais esse motivo. Quanto ao mérito, alega que o Agente Fiscal apurou a base de cálculo segundo preconizam os Decretosleis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988 e declarados inconstitucionais, quando deveria ter calculado segundo a Lei Complementar nº 7/1970, que determina que a base de cálculo do PIS é o faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador. Alega que o art. 6º da citada Lei Complementar se refere a data do fato gerador e não à mera data do prazo de recolhimento, e por isso não pode sofrer qualquer correção monetária de valor. Investe também contra as taxas TR e SELIC como fator de atualização monetária , pois já foram demonstradas ser inconstitucionais, por terem natureza remuneratória e não moratória, o que contraria a Lei. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13807.013661/9910 Acórdão n.º 3301000.575 S3C3T1 Fl. 261 4 Protesta contra a imposição da multa de ofício por considerála exagerada e ofensiva ao princípio do nãoconfisco, garantindo que, se aplicável, a multa deveria ser no máximo de 30% do principal exigido. Por fim requer que o auto de infração seja julgado improcedente. Ao examinar o processo em 24/09/2004, o Julgador da 9º Turma da DRJ de Julgamento de São Paulo, considerou prudente baixar o processo em diligência para que fossem verificadas as alegações do contribuinte, no que concerne à apuração das bases de cálculo que serviram de base para o lançamento efetuado, vez que no processo, nenhum documento havia sido acostado (fls. 71 e 72). O Termo de Verificação Fiscal (fls.167 a 168) da diligência efetuada, relata que, após exame dos livros fiscais do contribuinte, o lançamento fiscal foi feito somente sobre o faturamento, como determina a Lei Complementar nº 07/70, fato esse comprovado pelo levantamento realizado no livro Diário Apuração de Resultado Mensal. Destaca ainda o fato de que todos os valores das bases de cálculo apurados são superiores aos constantes do demonstrativo de fls.02 do auto de infração. Cientificado da diligencia em 03/05/2006, o contribuinte apresentou manifestação em 19/05/2006, reafirma que o faturamento utilizado na apuração do cálculo atual é mesmo preconizado no Decreto nº 2.445/1988 e não está de acordo com a LC nº 07/1970 que determina que seja tomado o faturamento do sexto mês anterior e sem correção monetária da base de cálculo. Apresenta planilha com os cálculos que entende corretos, afirmando ainda ter direito a crédito nos meses que, em sua opinião, recolheu a maior. (fls.174). Investe também contra os novos períodos de apuração da base de cálculo da contribuição, levantados na diligencia , pois alega que o auto de infração original só exigiu a contribuição relativa aos períodos de novembro a dezembro de 1994, de janeiro a fevereiro, maio e de agosto a setembro de 1995, não sendo cabível a inclusão de novos períodos que, de todo modo já estariam prescritos. Impugna, portanto, não só o critério de cálculo, como também os valores apurados e as competências englobadas. A Informação Fiscal (fls.175 a 177) detalha os procedimentos efetuados e elabora, planilhas demonstrando o trabalho efetuado, os valores apurados no Auto de Infração, cotejados com os apurados na diligência, os valores recolhidos pelo contribuinte e os valores a recolher, evidenciando que, não só o auto de infração deixou de incluir vários períodos de apuração, onde havia diferenças a tributar como também que todas as bases de cálculo apuradas são menores que as levantadas pela diligência efetuada. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo SP considerou a impugnação improcedente sob a seguinte ementa: Período de apuração: 01/11/1994 a 31/12/1994 e 01/09/1994 a 30/09/1995 PIS — SEMESTRALIDADE. O art. 6° da Lei Complementar n° 07/1970 não determina que o PIS seja apurado com base no faturamento verificado no sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. Tratase de simples fixação de prazo de Fl. 261DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13807.013661/9910 Acórdão n.º 3301000.575 S3C3T1 Fl. 262 5 vencimento, que posteriormente foi alterado, sem que tais alterações tivessem sua validade questionada'. PIS. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL — Em decorrência da suspensão de execução dos Decretosleis 2.445 e 2.449, de 1988, pela Resolução n.° 49 do Senado Federal, voltaram a viger os dispositivos constantes na Lei Complementar n.° 7, de 1970 e demais atos legais não atingidos pela declaração de inconstitucionalidade dos mencionados decretosleis, autorizando a exigência de eventuais diferenças de valores devidos, como readequação à ordem jurídica remanescente. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A citação e transcrição de dispositivos legais aplicados a períodos diferentes daqueles abrangidos pelo auto de infração, com destaque e identificação para cada período de vigência dos dispositivos transcritos, não constitui cerceamento de defesa. AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA • É legal a lavratura de auto de infração fora do domicílio fiscal do contribuinte. AUDITOR FISCAL. COMPETÊNCIA A competência do Auditor Fiscal do Tesouro Nacional para o lançamento inclui o exame de livros e documentos contábeis, atividade que não se confunde com o exercício da profissão de contador cujas atribuições estão especificadas em legislação federal própria. LANÇAMENTO. NULIDADE É válido o procedimento administrativo desenvolvido em conformidade com os ditames legais MULTA DE OFÍCIO O não pagamento das parcelas devidas, em suas épocas próprias, sujeita a empresa à incidência de multa e juros. No caso dos autos, o percentual da multa equivale a setenta e cinco por cento, porque o lançamento é de oficio, em face do recolhimento insuficiente. No Recurso Voluntário o contribuinte repete os argumentos da impugnação onde afirma que o lançamento: a) Não apreciou aspectos constitucionais envolvendo a Semestralidade do PIS e a abusiva Multa aplicada à Recorrente, por entender se impedida legalmente; e b) Entendeu Legal a cobrança da multa aplicada, em que pese o percentual altíssimo de 75%. c) Foi realizado com falta de habilitação técnica do Fiscal; Fl. 262DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13807.013661/9910 Acórdão n.º 3301000.575 S3C3T1 Fl. 263 6 d) Foi realizado com falta de demonstração do enquadramento legal e com cerceamento de defesa e) É nulo pela lavratura do ato fiscal fora do local do domicílio do sujeito passivo, com princípio da legalidade violado. O contribuinte apresenta também razões de mérito para contestar a autuação, onde chega ao pedido: "Requerse que seja anulada a decisão de primeira instância e anulado, portanto, o Auto de Infração em questão em razão das omissões lançadas alhures, bem como no que diz respeito à aplicação da taxa TR e SELIC como índice de sobreposição de juros moratórios, e no que diz respeito à multa aplicada, da qual se requer a redução para o valor correspondente a 30% do principal lançado, tudo em respeito aos artigos 50, XXII, 37 e 150, I e IV, da Constituição Federal, e ao artigo 161, § 1° do Código Tributário Nacional, bem como excluindose do lançamento a competência 08/1995, eis que incluída após lavrado o AI em tela e reconhecendose inclusive o crédito da Recorrente no valor de R$ 11.306,52 (onze mil, trezentos e seis reais e cinqüenta e dois centavos), valor a ser corrigido até o efetivo aproveitamento. Se prevalecer ainda outro entendimento, requerse a esse Egrégio Conselho de Contribuintes que se digne em apresentar, ao Exmo. Sr. Ministro de Estado da Fazenda, proposta para aplicação de equidade ao caso em análise, conforme disposição do art. 26, do Decreto n°70.235/72." É o relatório Fl. 263DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13807.013661/9910 Acórdão n.º 3301000.575 S3C3T1 Fl. 264 7 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento Primeiramente se analisa a questão de nulidade do auto de infração. A alegação de nulidade do auto de infração e de cerceamento do direito de defesa, sob o argumento de que faltou o enquadramento legal do crédito tributário lançado e exigido é equivocada e improcedente. Conforme se verifica da descrição dos fatos e enquadramento legal, a contribuição para o PIS teve como fundamento, para os períodos objeto do lançamento, o art. 3°, alínea b, da LC n.º07, de 1970, art. 1°, parágrafo único da LC n.º 17, de 1973, artigos 53, IV da Lei n.º 8.383, de 1991, art. 83, III da Lei n.º 8.981, de 1995. Todos estes diplomas legais estão indicados no demonstrativo do Auto de Infração e com explicação detalhada no Termo de Verificação Fiscal. As razões e os motivos do lançamento de ofício do crédito tributário contestado, bem como a infração que lhe foi imputada, encontram se amplamente demonstrados no Termo de Verificação Fiscal, ou seja, recolhimento a menor que devido das contribuições para o PIS períodos de competência de novembro a dezembro de 1994, janeiro a fevereiro, maio, e de agosto a setembro de 1995, em face da utilização de alíquota em percentual inferior a 0,75 %. O demonstrativo exibe com clareza as diferenças de contribuições exigidas, os valores recolhidos e as bases de cálculo consideradas. Desse modo, resta comprovado que a base legal foi devidamente enunciada e empregada no cálculo dos valores devidos. De mais a mais, não há cerceamento de defesa já que o contribuinte apresentou recurso voluntário de 40 páginas, contestando todos os pontos do auto de infração e demonstrando compreender o trabalho efetuado. Já a lavratura do auto de infração na repartição fiscal não implica nulidade do procedimento efetuado. O disposto no Decreto n.º 70.235, de 1972, art. 10, no qual se prevê que aquele se faça no local de verificação da falta, não significa o local onde a falta foi praticada, mas sim onde foi constatada, nada impedindo, portanto, que isso ocorra no interior da própria repartição ou em qualquer outro local, conforme o caso. Quanto a falta de habilitação técnica do autuante, também não colhe razão a impugnante. O entendimento de que se o AuditorFiscal da Receita Federal não possuir o registro no Conselho Regional de Contabilidade tornáloia incompetente para proceder a fiscalização e lavrar o auto de infração é equivocado e carece de fundamentação legal. Passase então, a análise do mérito. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13807.013661/9910 Acórdão n.º 3301000.575 S3C3T1 Fl. 265 8 Ao contrário do entendimento da interessada, o lançamento contestado teve como fundamento a LC n.º 7, de 1970, e LC n.º 17, de 1973, e ulteriores alterações por meio das Leis n.º 8.383, de 1991, art. 53, IV, e n.º 8.981, de 1995, art. 83, III, e não nos Decretosleis n.º 2.445 e n.º 2.449, ambos de 1988. Em adendo, tanto no lançamento inicial como na diligência efetuada, a base de cálculo utilizada pelos auditoresfiscais, para o cálculo das contribuições ora exigidas, não incluiu as receitas financeiras. Conforme se verifica nos demonstrativos de apuração das contribuições para o PIS, levantadas na diligência requerida pela Delegacia da Receita Federal em São Paulo, a base de cálculo utilizada foi o faturamento da empresa, ou seja, somente as receitas provenientes de vendas de mercadorias, conforme determina a LC n.º 7, de 1970. A impugnante afirma que os Decretosleis foram utilizados como base legal pela Fiscalização, já que o faturamento considerado foi sempre o do mês anterior ao do pagamento, e a impugnante entende que a Lei Complementar nº 07/1970 deveria usar o faturamento do sexto mês anterior, ao fato gerador. Apesar da Fiscalização não ter usado os Decretosleis e sim a Lei Complementar nº 07/1970 como base para o lançamento, quando se trata da base de cálculo utilizada para constituir o crédito tributário, assiste razão ao recorrente. O assunto é sumulado pelo CARF: Súmula CARF nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Na diligência requerida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo SP e executada pela Delegacia de Fiscalização em São Paulo SP , Defic/SP, fica claro que tanto no auto de infração quanto na execução da diligência, foi considerada a base de cálculo do PIS relativa ao faturamento do mês anterior, quando deveria considerar a base de cálculo relativa ao faturamento do sexto mês anterior a apuração, sem correção monetária. Quanto às alegações de inconstitucionalidade das Taxas TR e Selic, como “.. fator de atualização monetária sobre contribuições previdenciárias.” , cabe esclarecer, primeiramente, ao contribuinte que o PIS é uma contribuição social e não previdenciária e que os fatores de correção que são utilizados para o cálculo dos juros de mora, que a impugnante contesta aspectos relativos decorrentes, exclusivamente, de expressa previsão legal. No tocante aos juros de mora cobrados, não obstante as considerações expendidas em sentido contrário, a exigência dos juros de mora, no presente lançamento se deu em conformidade com a lei vigente à época e assim, o valor dos juros moratórios decorrentes da impontualidade do sujeito passivo no adimplemento da obrigação fiscal, são plenamente exigíveis. Outro argumento de defesa do contribuinte é de que o percentual da multa aplicada é excessivo o que configura um verdadeiro confisco. Cabe lembrar que as multas de ofício são aplicáveis em todos aqueles casos em que restar constatado, em procedimento fiscal, a falta de cumprimento espontâneo das Fl. 265DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13807.013661/9910 Acórdão n.º 3301000.575 S3C3T1 Fl. 266 9 obrigações tributárias, sendo razoável que sejam tão gravosas a ponto de cumprirem sua função precípua, ou seja, desestimular a prática de infrações fiscais. As multas de ofício não podem ser confundidas com as multas de mora, meramente compensatórias, destinadas ao simples ressarcimento pelo atraso no pagamento de obrigação devidamente constituída. No que se refere ao percentual de 75%, adotado pela fiscalização e considerado excessivo pelo impugnante, relembrese apenas o que já dito em relação à necessária gravidade das multas punitivas. A vedação à utilização de tributo com efeito de confisco, preceituada pelo art. 150, IV, da Constituição da República Federativa do Brasil, impede que o padrão de tributação seja insuportável ao contribuinte. Como norma programática, é dirigida ao Poder Legislativo, que deve tomar em consideração tal preceito, quando da feitura das leis; como norma proibitiva, está afeita ao controle de constitucionalidade, de competência exclusiva do Poder Judiciário, conforme majoritária doutrina e jurisprudência. No caso em análise, a previsão legal para o percentual de multa de ofício encontrase no art.44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, que estabelece a aplicação de multa de setenta e cinco por cento calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento fora do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração, e nos de declaração inexata. Tratandose, portanto, de lançamento de ofício em que ficou constatada a falta de recolhimento do tributo, a aplicação de multa de 75% encontrase de acordo com a legislação vigente. Finalmente, examinase a alegação do contribuinte quando da manifestação a respeito da diligência feita, a respeito de não caber a inclusão de novos períodos de apuração, sem a lavratura de um termo de cobrança e que esses períodos não poderiam, de todo modo ser lançados pois já estariam prescritos. Assiste razão ao contribuinte quanto a esse quesito. Só se pode exigir o recolhimento do tributo devido e não recolhido, quando a autoridade fiscal efetivamente constitui o crédito por meio de lançamento, conforme o art. 142 do CTN, nas suas várias modalidades, previstas nos artigos 147 a 150, do mesmo CTN. No caso em pauta, a diligência apenas levantou os valores devidos em todos os meses do período considerado, ou seja novembro de 1994 a setembro de 1995, mas absteve se de lançálos, porque já havia se extinguido o direito fazendário de constituir o crédito para aqueles períodos. Apesar do contribuinte continuar a contestar esse ponto no Recurso Voluntário, a diligência não efetuou o lançamento desses meses e o próprio acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo SP já deixou claro que esses valores não foram considerados Conclusão: 1) Em relação às razões apresentadas pelo recorrente para a nulidade do auto de infração: não assiste razão à recorrente; 2) Em relação ao uso da taxa Selic, aos juros de mora cobrados e ao percentual confiscatório da multa de ofício: não assiste razão à recorrente; Fl. 266DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13807.013661/9910 Acórdão n.º 3301000.575 S3C3T1 Fl. 267 10 3) Em relação à inclusão de novos períodos de apuração da base de cálculo da contribuição, levantados na diligencia, sendo que o auto de infração original só exigiu a contribuição relativa aos períodos de novembro a dezembro de 1994, de janeiro a fevereiro, maio e de agosto a setembro de 1995, em tese, a recorrente teria razão, mas, de fato, esses novos períodos de apuração não foram lançados, portanto, não assiste razão à recorrente; 4) Em relação ao mês a ser utilizado como base de cálculo para o auto de infração: assiste razão à recorrente. Portanto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a Delegacia da Receita Federal de circunscrição do contribuinte calcule a contribuição devida com a base de cálculo relativa ao faturamento do sexto mês anterior à apuração, sem correção monetária. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 267DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 26 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 11060.000129/2007-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA. EXCLUSÃO DE EMPRÉSTIMOS DE NUMERÁRIOS NÃO COMPROVADOS
Caracteriza-se como omissão no registro de receita a indicação na escrituração de saldo credor de caixa, decorrente de exclusão de empréstimos de numerários não comprovados por documentação hábil e idônea.
CSLL - PIS - COFINS - TRIBUTAÇÃO REFLEXA
Em se tratando de exigências de contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão dos processos decorrentes, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas.
Recurso Voluntário Improvido
Lançamento Procedente
Numero da decisão: 1102-001.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que. integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Alexandre dos Santos Linhares - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA. EXCLUSÃO DE EMPRÉSTIMOS DE NUMERÁRIOS NÃO COMPROVADOS Caracterizase como omissão no registro de receita a indicação na escrituração de saldo credor de caixa, decorrente de exclusão de empréstimos de numerários não comprovados por documentação hábil e idônea. CSLL PIS COFINS TRIBUTAÇÃO REFLEXA Em se tratando de exigências de contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão dos processos decorrentes, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. Recurso Voluntário Improvido Lançamento Procedente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que. integram o presente julgado. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 01 29 /2 00 7- 12 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 11060.000129/200712 Acórdão n.º 1102001.091 S1C1T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela BOTUCARAÍ TABACOS LTDA. contra acórdão proferido pela 1ª Turma da DRJ/STM, conforme ementa a seguir: Acórdão 1811.056 – 1ª Turma da DRJ/STM Sessão de 16 de julho de 2009 Processo 11060.000129/200712 Interessado BOTUCARAÍ TABACOS LTDA. CNPJ/CPF 05.163.277/000159 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITA. SALDO CREDOR DE CAIXA. EXCLUSÃO DE EMPRÉSTIMOS DE NUMERÁRIOS NÃO COMPROVADOS Caracterizase como omissão no registro de receita a indicação na escrituração de saldo credor de caixa, decorrente de exclusão de empréstimos de numerários não comprovados por documentação hábil e idônea. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS. Em se tratando de exigências de contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão dos processos decorrentes, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. Lançamento Procedente Contra o contribuinte foram lavrados Autos de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Programa de Integração Social PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – Fl. 309DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 11060.000129/200712 Acórdão n.º 1102001.091 S1C1T2 Fl. 4 3 CSLL, às fls. 172 191, referentes aos anoscalendário 2003 e 2004, no valor de total de R$ 5.508.239,82 (discriminado às fls. 04). Autuação decorre de apuração de omissão de receita caracterizada pela ocorrência de saldo credor de caixa, conforme Relatório da Ação Fiscal às fls 143 a 146, narrado pelo Acórdão recorrido: A fiscalização foi motivada pelo fato de a contribuinte ter apresentado a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) 2004, anocalendário 2003, preenchida somente nas fichas de apuração do PIS e da Cofins, e a DIPJ 2005, anocalendário 2004, foi entregue com todas as fichas de apuração zeradas. Além disso, a contribuinte estava omissa em relação aos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon) 2003 e 2004 e as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) de todos os trimestres do período fiscalizado, as quais somente foram entregues após intimação à contribuinte para que as apresentasse. a) Na análise dos Livros Diário e Razão chamou atenção a conta 2.1.04.002.001 Alcenira Furlan Lawall (razão às fls. 36 a 52), a qual retrataria operações de empréstimos lançados a débito da conta 1.1.01.001 Caixa Geral (razão às fls. 26 a 35 e 39 a 51), entre a contribuinte (devedora) e a empresária individual Alcenira Furlan Lawall (credora), CNPJ 02.227.473/000151, nos anoscalendário de 2003 e 2004 nos montantes anuais de R$ 2.100.000,00 e R$ 5.050.000,00, respectivamente, sendo que em 01/07/2004 o saldo devedor atingiu R$ 5.550.000,00 . b) Intimou o contribuinte a apresentar os contratos dessas operações (fls. 60). Em resposta o contribuinte apresentou 28 documentos denominados Contrato Particular de Empréstimo de Numerário (fls. 61 a 89); c) Como os contratos particulares não foram averbados em registro público, buscou maiores informações sobre o relacionamento da credora Alcenira Furlan Lawall com a devedora Botucaraí Tabacos Ltda.; Segundo informações fornecidas pelo Sr. Tales Ellwanger, procurador da contribuinte (procuração à fl. 19), a devedora Botucaraí Tabacos Ltda. é na prática sucessora das operações da credora Alcenira Furlan Lawall, pois conforme seus dados cadastrais, ambas têm o mesmo ramo de atividade (comércio atacadista de fumo) e o mesmo endereço. Também constatou que o dirigente de fato da autuada é o Sr. Sérgio Liberto Lawall, filho de Alcenira Furlan Lawall e cônjuge e pai de Clarice Hoppe Lawall e Giocel Luis Lawall, que são os sócios da mesma. e) Durante a fiscalização na pessoa jurídica (PJ) Alcenira Furlan Lawall não encontrou quaisquer provas de que a mesma possuía os recursos necessários para realizar os vultuosos Fl. 310DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 11060.000129/200712 Acórdão n.º 1102001.091 S1C1T2 Fl. 5 4 empréstimos ao contribuinte e de que efetivamente os tenha feito, tendo em vista as receitas por ela declaradas nos anos calendário de 2003 e 2004 (fls. 10 a 17), de apenas R$ 270.000,00 e R$ 0,00 e a constatação de insuficientes saldos de caixa, bancos e contas a receber. Diante desse fato, novamente intimou o contribuinte (fl. 91) a apresentar documentos hábeis e idôneos que comprovassem o efetivo recebimento dos recursos referentes aos ditos empréstimos. Entretanto, a intimação não foi respondida pelo contribuinte, pelo que Autuante procedeu a reconstituição da conta 1.1.1.01.001 Caixa Geral (razão às fls. 26 a 35 e 39 a 51), com a exclusão da mesma de todos os lançamentos referentes aos supostos empréstimos (conta 2.1.04.002.001 Alcenira Furlan Lawall fls. 36 e 52) . g) A conta Caixa Geral reconstituída está no Anexo 1 fls. 99 a 108, por meio do qual constatou a ocorrência de saldo credor de caixa tanto em 2003 quanto em 2004, tendo sido tributado como omissão de receita o maior saldo credor apurado no valor de R$ 2.026.066,48, em 14/04/2003 (fl. 100) e no valor de R$ 4.784.469,78, em 04/07/2004 (fl . 106), de acordo com inciso I do art. 281 do Decreto n° 3000 (RIR199), de 26.03.1999 h) Os prejuízos apurados pelo contribuinte nos anos de 2003 e 2004 e o saldo credor dos períodos anteriores foram compensados como demonstrado nas planilhas de fls. 109 a 112. O contribuinte apresentou impugnação de fls. 196 200, com documentos de fls. 201 261, alegando em síntese que: a) Não concorda com a autuação, pois o Autuante desconsiderou tanto os contratos de empréstimos apresentados como os extratos bancários da PJ Furlan Lawall, referente ao ano de 2003, que demonstram possuir disponibilidade dos recursos repassados ao contribuinte autuado. b) Não dá para desconsiderar a existência de uma relação jurídica entre as empresas que tem característica de grupo empresarial familiar, o que não é impedido por lei. Os repasses de recursos entre empresas do mesmo grupo não é irregular, o que é reconhecido tanto pela doutrina e pela jurisprudência dominantes. c) Os contratos acostados apontam um repasse da pessoa jurídica A Furlan Lawall para a impugnante, no valor de R$ 2.100.000,00, no ano de 2003, pelo que estão plenamente justificados os recursos aportados no Caixa Geral. Se há irregularidade não tem origem no contribuinte autuado. d) No ano de 2004, onde a diferença apontada monta R$ 5.050.000,00, diz ter ocorrido um erro de digitação de código na conta empréstimo, em vez de "adiantamento de clientes". Conforme consta da relação de adiantamentos (fl. 143), a pessoa jurídica "Inter Continental Leaf Tabacos" adiantou ao Fl. 311DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 11060.000129/200712 Acórdão n.º 1102001.091 S1C1T2 Fl. 6 5 contribuinte a importância de R$ 2.917.238,48 para entrega futura. e) Não há, portanto, qualquer omissão de receita como aponta o Agente Fiscal. As origens dos valores foram totalmente demonstradas, inclusive, os decorrentes dos empréstimos ora apontados em R$ 2.132.761,60. f) Carece a autuação de fundamentos fáticos e legais, pois demonstrou as origens dos recursos, não teve aumento patrimonial sem origem e que o apurado, na realidade não é renda, mas decorre de operações de financiamento lícitas (empréstimos e adiantamentos). g) Diz que as diferenças de caixas justificadas não são elementos hábeis em determinar fato gerador de tributo, por não atenderem, conforme requer a lei, a demonstração cabal de acréscimo patrimonial. Cita o assunto, o art. 43 do Código Tributário Nacional, doutrina e manifestação do Poder Judiciário. O Acórdão de 1ª Instância (fls. 279 – 286) julgou pelo improvimento da impugnação administrativa interposta, mantendo na íntegra o crédito tributário. A recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 295 – 306), reafirmando as razões da impugnação administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares Relator Atendidos os pressupostos legais do recurso voluntário, é de se conhecêlo. Analisando o processo em epígrafe, entendo por negar provimento ao recurso voluntário da recorrente. Em suma, a questão gira em torno se a documentação apresentada pela recorrente é hábil e idônea para comprovar a origem dos empréstimos os quais foram objeto da autuação. I IRPJ — Omissão de Receita. Saldo Credor de Caixa. Exclusão de empréstimos de numerários não comprovados A infração se refere à omissão de receitas referentes aos anoscalendário de 2003 e 2004, decorrente de indicação na escrituração de saldo credor de caixa. A fiscalização efetuou lançamento após recomposição do saldo da conta caixa, com a exclusão de registro de entrada (débito) de todos os valores a seguir lançados como empréstimos tidos como recebidos da pessoa jurídica (PJ) Alcenira Furlan Lawall — Fl. 312DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 11060.000129/200712 Acórdão n.º 1102001.091 S1C1T2 Fl. 7 6 CNPJ 02.227.473/000151 (fls. 44 – 106), cujas operações de ingressos dos numerários não foram devidamente comprovadas. A impugnante contesta afirmando que os empréstimos do ano de 2003 estão comprovados através dos contratos de fls. 110 137 e extratos bancários da PJ Afurlan Lawall de fls. 213 261. Quanto às operações do ano de 2004, alega um erro de digitação de código na conta empréstimo, que deveria ter sido contabilizado como "adiantamento de clientes", conforme consta da relação de adiantamentos da PJ "Inter Continental Leaf Tabacos" (fl. 202) que adiantou ao contribuinte a importância de R$ 2.917.238,48 para entrega futura. O exame dos fatos permite concluir que não há reparos a fazer nessa exigência. Intimado e reintimado a apresentar documentos hábeis e idôneos que comprovassem o efetivo recebimento dos recursos, a recorrente não o fez. Efetivamente, apenas os Contratos Particulares apresentados (fls. 110 137), assinados por pessoas pertencentes ao mesmo grupo familiar (pai, mãe, filho e cônjuge), não são provas suficientes para comprovar ditas operações de empréstimos, pois poderiam ter sido confeccionados a qualquer momento. A despeito de não estarem registrados no registro público, ponto este não exigível pela legislação, os documentos não são suficientes para afastas a imputação tributária, devendo o lançamento ser mantido. Tratandose de pessoas vinculadas, somente os extratos bancários comprovando as remessas dos valores seriam suficientes para comprovar a origem dos supostos mútuos alegadas. Os extratos apresentados pela recorrente pertencentes à PJ Afurlan Lawal (fls. 154 – 202) não se prestam à comprovar a origem dos recursos na contabilidade da recorrente, haja vista não haver identificação das transferências para a recorrente. Ademais, não é prática usual que operações desse porte tenham sido efetuadas em moeda corrente nacional, conforme está dito na cláusula primeira dos contratos. Em operações desse porte, deveria sim o contribuinte apresentar à fiscalização documentos hábeis e idôneos que comprovem o efetivo repasse do numerário do credor para o devedor e isso não restou provado nos autos. Os extratos bancários trazidos na impugnação em nome de "Afurlan Lawall" – Conta n° 5.366X (fls. 213 261), não apresentam registros de saídas de numerários da referida conta bancária, com coincidência de datas e valores, que comprovem os repasses dos valores da PJ Alcenira Furlan Lawall à PJ Botucaraí Tabacos Ltda. Da mesma forma, não há coincidência de datas e valores entre os adiantamentos tidos como efetuados pela "Inter Continental Leaf Tabacos" à Botucaraí Tabacos Ltda. (fl. 202) e os supostos ingressos a título de empréstimos contabilizados a débito de caixa. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 11060.000129/200712 Acórdão n.º 1102001.091 S1C1T2 Fl. 8 7 Para fins de consecução da verdade material, foram comparados todos os valores lançados no relatório de adiantamentos da empresa "Inter Continental Leaf Tabacos" (fls. 202) com o Razão de 2004 (fls. 68 – 93) da recorrente, sem que fosse encontrado sequer um lançamento que coincidisse em valores ou em datas. Também foi verificado o balanço patrimonial da recorrente (fls. 96), no qual não se constatou qualquer valor referente a adiantamento de clientes. No caso, o contribuinte autuado, submetido ao regular procedimento de fiscalização, apesar das intimações, deixou de ofertar as contraprovas necessárias a atestar a regularidade de seus registros contábeis, configurandose perfeitamente procedente a reconstituição do caixa, mediante a exclusão dos valores lançados referentes aos supostos empréstimos cuja efetividade do ingresso não restou comprovada por instrumentos hábeis. Observase que o procedimento da fiscalização de Recomposição da Conta Caixa (fls. 147 166), caracterizador de omissão de receitas, levou em consideração a movimentação diária de entrada e saída do Caixa no período de apuração focalizado, sendo que a tributação recaiu sobre os valores de R$ 2.026.066,48 (2003) e R$ 4.784.469,78 (2004) correspondentes ao maior saldo credor verificado no período. A presunção legal de que saldo credor de caixa configura omissão no registro de receita está prevista no inciso I do art. 281 do RIR/99, nos seguintes termos: RIR/99 Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei n2 1.598, de 1977, art. 12, § 22, e Lei n2 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; Sobre o assunto, assim tem se manifestado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na ementa do Acórdão a seguir: Processo nº 13866.000224/200253 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.447 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de setembro de 2013 Matéria IRPJ e Reflexos Recorrente GULOZITOS ALIMENTOS LTDA (Coobrigados JOSÉ FERNANDES DA COSTA e GIANE PRATA DA COSTA) Recorrida FAZENDA NACIONAL Fl. 314DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 11060.000129/200712 Acórdão n.º 1102001.091 S1C1T2 Fl. 9 8 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. A existência de saldo credor de caixa, não justificada mediante apresentação de provas hábeis e idôneas, caracteriza a presunção de omissão de receitas. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE CAIXA. PRESUNÇÃO LEGAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM E DO EFETIVO INGRESSO. NECESSIDADE. Não comprovada a efetividade da entrega do numerário à empresa, mantémse a presunção legal de omissão de receitas apurada a partir de suprimento de caixa feito por sócio. SUJEIÇÃO PASSIVA. SOLIDARIEDADE. RESPONSABILIDADE. Respondem solidariamente pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A imposição da multa qualificada no percentual de 150% é cabível quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase em pelo menos um dos casos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Aplicase a decisão proferida em relação ao lançamento de IRPJ, no que couber, às exigências dele decorrentes. Assim, constatada a não comprovação do efetivo ingresso do numerário no caixa referente aos ditos empréstimos acima arrolados, considerase correta a atuação da fiscalização de recompor o saldo da conta caixa, pelo expurgo do valor nela debitado indevidamente, e o consequente arrolamento do saldo credor resultante, como receita omitida ao crivo da tributação. A presunção legal afasta a necessidade de vinculação a acréscimos patrimoniais, como quer a defesa. Para elidir a presunção legal é necessário que o contribuinte comprove a inocorrência do saldo credor caracterizador da omissão de receita, mediante prova hábil e idônea do efetivo ingresso do numerário no caixa referente aos ditos empréstimos. De acordo com o artigo 44 do CTN, na tributação do imposto de renda não se dá só sobre rendimentos reais, mas também sobre rendimentos arbitrados ou presumidos por sinais indicativos de sua existência e montante. II Dos lançamentos da CSLL, do PIS e da COFINS Fl. 315DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 11060.000129/200712 Acórdão n.º 1102001.091 S1C1T2 Fl. 10 9 Os fundamentos de fato e jurídicos do lançamento do IRPJ foram aproveitados para os lançamentos da CSLL, do PIS e da COFINS. Assim, julgado procedente o lançamento do IRPJ, igual sorte colhe os lançamentos decorrentes, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejarem conclusões diversas. As exigências da CSLL, do PIS e da COFINS decorrem, também, da omissão de receitas, por saldo credor de caixa, com fundamento legal no art. 6° da Lei n° 7.689, de 15/12/88 e art. 24 da Lei n° 9.249/95: Lei n° 7.689/1988 Institui contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas e dá outras providências. Art. 6°A administração e fiscalização da contribuição social de que trata esta lei compete à Secretaria da Receita Federal. Parágrafo único. Aplicamse à contribuição social, no que couber, as disposições da legislação do imposto de renda referente à administração, ao lançamento, à consulta, à cobrança, às penalidades, às garantias e ao processo administrativo. Lei n° 9.249/1995 Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. (.) §. 2° O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Procedente, por conseguinte, os lançamentos da CSLL, PIS e COFINS, considerados reflexos do IRPJ. É como voto. (assinado digitalmente) Francisco Alexandre dos Santos Linhares Fl. 316DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES Processo nº 11060.000129/200712 Acórdão n.º 1102001.091 S1C1T2 Fl. 11 10 Fl. 317DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 27/03/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por FRANCISCO ALEXANDRE DOS SANTOS LINHARES
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Numero do processo: 10855.002505/2003-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1999
DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO.
Para os tributos lançados por homologação, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador, caso tenha ocorrido o pagamento, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. Aplicação do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF.
DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DE TRIBUTO DECLARADO.
É legítimo o lançamento de oficio exigindo tributos declarados pelo contribuinte mediante Declaração de Contribuições e Tributos Federais - DCTF, efetuado anteriormente à vigência do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, ainda no amparo do artigo 90 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, que expressamente o exigia para as hipóteses relativas à ausência de comprovação do pagamento de tributo declarado.
MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ARTIGO 18 DA LEI Nº 10.833/2003.
Em face da aplicação retroativa do caput do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, afasta-se a aplicabilidade da multa de ofício para lançamentos de créditos declarados em DCTF, exceto quando se comprove falsidade.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-002.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência até o período de apuração 04-06/1998 e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para afastar a multa de ofício.
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente.
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e RAFAEL PANDOLFO.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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CONTAGEM DO PRAZO. Para os tributos lançados por homologação, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador, caso tenha ocorrido o pagamento, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. Aplicação do artigo 62A do Regimento Interno do CARF. DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DE TRIBUTO DECLARADO. É legítimo o lançamento de oficio exigindo tributos declarados pelo contribuinte mediante Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, efetuado anteriormente à vigência do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, ainda no amparo do artigo 90 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, que expressamente o exigia para as hipóteses relativas à ausência de comprovação do pagamento de tributo declarado. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ARTIGO 18 DA LEI Nº 10.833/2003. Em face da aplicação retroativa do caput do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, afastase a aplicabilidade da multa de ofício para lançamentos de créditos declarados em DCTF, exceto quando se comprove falsidade. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência até o período de apuração 0406/1998 e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para afastar a multa de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 25 05 /2 00 3- 62 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente. MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e RAFAEL PANDOLFO. Relatório Foi lavrado Auto de Infração contra TAQUARI CALÇADOS LTDA., originado de auditoria interna em Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF, no valor total de R$ 7.484,28, sendo R$ 2.774,91 a título de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF, R$ 2.628,19 de juros de mora calculados até 30/06/2003 e R$ 2.081,18 de multa de ofício de 75%. Foram apuradas inconsistências nas DCTFs do 2º, 3º e 4º trimestres de 1998, referentes a pagamentos não localizados. Inconformado com a exigência fiscal, o contribuinte apresentou a impugnação protocolizada em 17/07/2003 (fl. 03), na qual, alega, em apertada síntese, que todos os recolhimentos foram efetuados conforme DARF juntados às fls. 26 a 40. A DRF de origem efetuou a análise das alegações e documentos apresentados e proferiu Despacho Decisório (fls. 47 e 48) revendo de ofício o lançamento e reduzindo a exigência inicial. O interessado foi intimado em 10/02/2012 (fls. 55 e 56) e apresentou “recurso voluntário” contra a decisão (fls. 60 a 64), alegando a decadência do direito da constituição do crédito tributário, uma vez decorrido o prazo de mais de 8 anos entre o lançamento e o despacho decisório. Efetuou um pedido alternativo para que fosse concedida à recorrente a inclusão de tais créditos tributários no parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09, caso não fosse acolhida a alegação de decadência. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto – SP (DRJ/RPO) julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/04/1998, 29/04/1998, 20/05/1998, 27/05/1998, 01/07/1998, 29/07/1998, 12/08/1998, 10/09/1998, 28/10/1998, 09/12/1998, 30/12/1998 DCTF. PAGAMENTOS NÃO ENCONTRADOS. AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DOS PAGAMENTOS. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10855.002505/200362 Acórdão n.º 2202002.949 S2C2T2 Fl. 106 3 Não comprovada a liquidação dos débitos, mantémse o lançamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 07/07/2003 DECADÊNCIA. PRAZO PARA O LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O prazo para a Fazenda efetuar a constituição do crédito tributário através do lançamento decai no prazo de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte, relativamente aos débitos para os quais não ocorreram pagamentos sujeitos à homologação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão em 18/02/2013 (fl. 83). O contribuinte, por meio de seu representante legal, interpôs recurso voluntário em 08/03/2013 (fls. 85 a 99), no qual alega, em resumo, que ocorreu a decadência do direito da constituição do crédito tributário, uma vez decorrido o prazo de mais de 8 anos entre o lançamento e o despacho decisório, o que desrespeitou o princípio da razoabilidade. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa O recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. Tratase de Auto de Infração lavrado contra TAQUARI CALÇADOS LTDA., originado de auditoria interna em Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF, no qual foram apuradas inconsistências nas DCTFs do 2º, 3º e 4º trimestres de 1998, referentes a pagamentos não localizados. Em seu recurso, o contribuinte não apresentou nenhum documento relativo aos pagamentos declarados nas DCTFs e não comprovados, os quais foram objeto do presente lançamento, tendo se limitado a alegar a questão da decadência. No tocante à contagem do prazo decadencial, em observância ao disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, devese adotar as conclusões exaradas no Recurso Especial nº 073.733 SC , cuja ementa abaixo se transcreve: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). No que concerne ao IRRF, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador. Na ausência de pagamento ou nas hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo de 5 (cinco) anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No presente caso, houve pagamento, conforme se verifica pelo Despacho Decisório de fls. 47 e 48 e pelos DARFs de fls. 24 a 33. A outra hipótese de aplicação do prazo previsto pelo artigo 173, I, do CTN, seria a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Compulsando os autos, observase que não restou comprovado que o contribuinte tenha praticado nenhuma conduta dolosa que se enquadrasse nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Assim, fica descartada a hipótese de dolo, fraude ou simulação que ensejaria a aplicação do prazo decadencial do artigo 173, I, do CTN. Desse modo, de acordo com o entendimento acima referido, devese aplicar, para a contagem do prazo decadencial, o previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador Como a ciência do auto de infração deuse em 07/07/2003 (fl. 34), foram alcançados pela decadência os lançamentos referentes aos seguintes períodos de apuração (PAs): 0204/1998, 0404/1998, 0405/1998 e 0406/1998. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10855.002505/200362 Acórdão n.º 2202002.949 S2C2T2 Fl. 107 5 Quanto aos demais períodos de apuração, o lançamento deve ser mantido, pois não há nos autos nenhuma comprovação da realização dos pagamentos ou de compensações. Ressaltese que o lançamento foi efetuado anteriormente à vigência do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, ainda no amparo do artigo 90 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, que expressamente o exigia para as hipóteses relativas à ausência de comprovação do pagamento de tributo declarado. Art 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Em relação à multa de ofício, ela deve ser exonerada em função da aplicação retroativa do caput do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, visto que a penalidade aplicada nesse caso não foi fundamentada na hipótese versada no caput desse artigo. Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Esse tem sido o entendimento da CSRF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Anocalendário: 2000 IRRF. NORMAS PROCESSUAIS. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. POSSIBILIDADE LANÇAMENTO. INAPLICABILIDADE DE MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 18 DA LEI Nº 10.833/2003. De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 142 do Código Tributário Nacional, inexiste óbice legal para o lançamento de ofício exigindo tributos declarados pelo contribuinte mediante Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, efetuado anteriormente à vigência do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, ainda sob o manto dos preceitos contidos no artigo 90 da Medida Provisória n° 2.15835/ 2001, o qual expressamente exigia o lançamento de ofício para as hipóteses relativas à ausência de comprovação do pagamento de tributo declarado. Entrementes, em face de legislação posterior afastando a aplicabilidade da multa de ofício para lançamentos de créditos declarados em DCTF, objetos de pedido de compensação indeferido, impõese rechaçar a manutenção de referida multa, conquanto que não constatada a prática das infrações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/1964, em observância ao princípio da retroatividade benigna da norma, insculpida no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário conhecido em parte e provido. (Acórdão nº 920202058. Rel. RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA) (grifo nosso). Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Fl. 109DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Período de apuração: 10/09/1998 a 20/12/2000 MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENÉFICA. À exceção dos casos em que tenha ocorrido sonegação, fraude ou conluio, afasta se a multa de ofício em relação aos valores declarados em DCTF nos lançamentos determinados pelo art. 90 da MP nº 2.15835/2001, com base na aplicação retroativa do art. 18 da Lei nº 10.833/2003. [...] Recurso de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional não conhecido. Recurso por contrariedade à lei provido. (Acordão nº 9303002.424, Rel. HENRIQUE PINHEIRO TORRES). (Grifo nosso) A Solução de Consulta Interna COSIT nº 3/2004 também apresenta conclusão nesse sentido: [...] c) os lançamentos que foram efetuados, com base no art. 90 da MP nº 215835, no período compreendido entre a edição da MP nº 215835, e a MP nº 135, de 2003, assim como eventuais impugnações ou recursos tempestivos apresentados pelo sujeito passivo no curso do processo administrativo fiscal, constituemse atos perfeitos segundo a norma vigente à data em que foram elaborados devendo ser apreciados pelas instâncias julgadoras administrativas previstas para o processo administrativo fiscal; d) no julgamento dos processos pendentes cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP nº 215835, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que essas penalidades não tenham sido fundamentadas nas hipóteses versadas no caput deste artigo [...] Dessa forma, voto no sentido de reconhecer a decadência até o período de apuração 0406/1998 e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso para afastar a aplicação da multa de ofício. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 110DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 13710.002802/2003-41
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/1998, 01/11/1998 a 31/12/1998
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado provar os fatos que tenha alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-005.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cassio Schappo e Flavio de Castro Pontes
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado provar os fatos que tenha alegado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cassio Schappo e Flavio de Castro Pontes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 71 0. 00 28 02 /2 00 3- 41 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13710.002802/200341 Acórdão n.º 3801005.229 S3TE01 Fl. 3 2 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13710.002802/200341 Acórdão n.º 3801005.229 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13710.002802/200341, contra o acórdão nº 1554.578., julgado pela 16ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro (DRJ/RJI), na sessão de julgamento de 08 de abril de 2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, abrangendo os períodos de apuração 01/98 a 06/98, 11/98 e 12/98 (fls. 35 a 45), no valor de R$ 29.241,24, acrescido de multa de ofício de 75%, no valor de R$ 21.930,93, e juros de mora, calculados até 30/06/03, no valor de R$ 27.182,86, totalizando um crédito tributário apurado de R$ 78.355,03, em decorrência de auditoria interna efetuada pela Defis/RJ. Na Descrição dos Fatos (fl. 37) consta que a presente exigência originouse de auditoria interna nas DCTF apresentadas pelo sujeito passivo, tendo sido verificada a falta de recolhimento dos valores nelas informados, em razão de inexatidão, uma vez que os pagamentos informados não foram localizados (fls. 38 a 41). O enquadramento legal da presente autuação encontrase especificado à fl. 37. A base legal da multa de ofício e dos juros de mora exigidos consta à fl. 42. Após tomar ciência da autuação em 18/08/03 por via postal (fl. 125), a empresa autuada, inconformada, apresentou tempestivamente a impugnação anexada às fls. 03 a 06 em 17/09/03, com as alegações abaixo resumidas: • A Cofins lançada referente aos fatos geradores ocorridos até 18/08/98 foi alcançada pela decadência, em razão do disposto no artigo 150 do CTN; • Além disso, não houve qualquer procedimento anterior ao auto de infração, não cabendo mais à RFB pleitear a constituição dos créditos em questão, nos termos do parágrafo único do artigo 173 do CTN; • No mérito deve ser julgado improcedente o lançamento, pois, conforme cópias dos DARF anexadas, o crédito exigido foi quitado a tempo e modo devidos; • A não identificação, pelos sistemas da RFB, dos pagamentos efetuados deuse pelo fato de o valor neles contido ser maior que o declarado, uma vez que o processamento somente identifica DARF de valor idêntico ao declarado na DCTF; • No caso do PA 02/98, tanto a DCTF originária, como a retificadora foram processadas como tributo devido, quando, na Fl. 233DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13710.002802/200341 Acórdão n.º 3801005.229 S3TE01 Fl. 5 4 verdade, a informação original deveria ter sido substituída pela retificadora; • Assim, extinto está o crédito exigido, nos termos do artigo 156 I do CTN; • Cabe observar que parte dos débitos foi objeto de parcelamento. Assim, deve ser verificado se o valor de R$ 6.966,41 foi quitado por esta modalidade. Às fls. 144/145 consta decisão, proferida pela Dicat/DRFRJ1 em 23/10/2012, por meio da qual é feita a revisão do presente lançamento, nos seguintes termos: • Quanto aos débitos relativos aos PA 02/98 (R$ 2.402,70) e 12/98 (R$ 4.310,46), foram localizados nos sistemas de controle da RFB os pagamentos relativos à sua quitação (fls. 49 e 61), sendo extintos os respectivos créditos; • Quanto ao débito relativo ao PA 11/98 (R$ 6.966,41), o contribuinte informa que foi quitado por meio de parcelamento, juntando aos autos documentação referente ao processo administrativo nº 10768.028125/9818 (fls. 55 e 57); • Em pesquisa ao citado processo (fls. 126 a 133), constatouse que o débito em questão não está incluído naquele parcelamento, não se confirmando a sua quitação, restando devido o correspondente crédito; • Quanto aos demais débitos, constatouse que o contribuinte transmitiu em 27/11/98 DCTF originais e, posteriormente, em 08/01/99 e 23/08/99, transmitiu DCTF complementares, com valores modificados em relação aos originais; • A apresentação de DCTF complementares em vez de retificadoras fez com que os sistemas entendessem tratarse de débitos distintos e, não havendo pagamentos correspondentes aos valores declarados nas DCTF complementares, foi lavrado o presente auto; • Analisandose a DIPJ da empresa constatase que os valores de Cofins relativos aos 1º e 2º trimestres de 1998 coincidem com os informados nas DCTF complementares, o que indica a ocorrência de erro de fato no procedimento relatado, ocasionando o lançamento; • Por estas razões, entendese pela improcedência do lançamento relativamente a estes itens; • Diante do exposto, decidese rever de ofício o presente lançamento, determinando o prosseguimento da exigência do crédito procedente. Em decorrência de tal revisão, foi exigido do contribuinte apenas o valor de R$ 6.966,41, relativo à Cofins devida no PA 11/98 (fl. 146), parcela mantida do lançamento . O contribuinte tomou ciência desta decisão em 26/10/2012 (fl. 153) e apresentou manifestação de inconformidade às fls. 156 a 168, em 21/11/2012, com as seguintes alegações: • O julgador deveria ter levado em consideração os documentos juntados aos autos, suficientes para corroborar as alegações da Fl. 234DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13710.002802/200341 Acórdão n.º 3801005.229 S3TE01 Fl. 6 5 defesa, e poderia ter intimado o contribuinte a juntar outros que entendesse necessários, em homenagem ao princípio da verdade material; • O processo administrativo nº 10768.028125/9818 tramita sob a égide da RFB, podendo a autoridade administrativa requerêlo ao setor competente; • Devem ser observados os princípios da eficiência e da moralidade administrativas; • O Fisco não pode levar mais de doze anos para efetuar a cobrança de suposto débito e ainda alegar que, apesar das provas juntadas aos autos, o parcelamento não foi demonstrado; • A manifestante pretende provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente documentais; • Assim, requer seja anulado o lançamento, pois o valor exigido foi integralmente quitado pelo parcelamento efetuado no processo administrativo nº 10768.028125/9818, ou, caso assim não se entenda, seja reconhecida a decadência do direito de lançar o referido débito, pois decorridos mais de cinco anos sem que tenha havido o necessário lançamento.” A DRJ do Rio de Janeiro (DRJ/RJI) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito. Colaciono a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/1998, 01/11/1998 a 31/12/1998 LANÇAMENTO IMPUGNAÇÃO ALEGAÇÃO SEM PROVA A prova documental das alegações trazidas pelo contribuinte deve ser apresentada na impugnação. LANÇAMENTO PRAZO DECADENCIAL AUSÊNCIA DE PAGAMENTO Não havendo pagamento parcial do crédito tributário, o prazo decadencial aplicável à sua constituição de ofício se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a fl. 192/207, expondo que: 1 Afirma que a autoridade administrativa competente não fica obrigada a restringir seu exame ao que foi alegado ou provado pelas partes, podendo Fl. 235DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13710.002802/200341 Acórdão n.º 3801005.229 S3TE01 Fl. 7 6 e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento; 2 Menciona que o princípio da verdade material em matéria tributária determina que a autoridade fiscal tem o dever de buscar a verdade, sendo que o processo fiscal tem a finalidade de garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador, bem como da constituição do crédito tributário; 3 Alega que o julgador desconsiderou as razões apresentadas sob o pretexto da ausência de documentos comprobatórios, em que pese já constavam nos autos; 4 Entende que ao se deparar com qualquer incerteza ou dúvida, o julgador deveria intimar o contribuinte para esclarecer fatos ou apresentar elementos, onde fora efetuado o parcelamento do débito ora exigido; 5 Assevera que existe vício de moralidade quando o ato administrativo tem como lastro motivo inexistente, insuficiente ou inadequado com o seu objetivo, ou seja, quando os pressupostos fáticos e jurídicos que foram apreciados para sua expedição não guardam relação de pertinência com a relação jurídicoadministrativa criada; É o sucinto relatório. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13710.002802/200341 Acórdão n.º 3801005.229 S3TE01 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Tratase de lançamento de crédito tributário, no qual o contribuinte alega que a totalidade deste teria sido parcelada no processo administrativo n° 10768.028125/9818. Ocorre que, conforme revisão do lançamento, restou constatado que parte do crédito não fora incluída no referido, no que se entendeu por devida o lançamento apenas nestes períodos de apuração, quais seja 01/01/1998 a 30/06/2008, 01/11/1989 a 31/12/1998. Consultados os autos, observo que o contribuinte não logrou êxito em demostrar que as parcelas referidas se encontram abrangidas pelo cito parcelamento, fundamento único que poderia reformar a decisão exarada em primeiro grau. Em sede de recurso voluntário sequer ataca os pontos abordados e decididos pelo julgador de primeira instância. Assim, temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do CPC: “Art. 333 O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. II – ao réu, quanto à existência de fato impeditiva, modificativa ou extintiva do direito do autor.” Nestes termos, entendo que não se desincumbindo do ônus de provar, não cabendo pleitear análise do pleito pela verdade material, posto que não resta consubstanciada nos autos, bem como sobre o vício de moralidade do processo, posto que não observase qualquer mácula no julgamento pretérito. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Fl. 237DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13710.002802/200341 Acórdão n.º 3801005.229 S3TE01 Fl. 9 8 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 238DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10880.984591/2009-01
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005
POSSIBILIDADE DE COMPENSAR ANTECIPAÇÃO EM TESE. AFASTADO O ÓBICE.
Julgamentos anteriores do CARF. Anulação da decisão para nova ser proferida.
Numero da decisão: 1802-002.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa- Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa (Presidente), Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (Suplente Convocado), Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira).
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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AFASTADO O ÓBICE. Julgamentos anteriores do CARF. Anulação da decisão para nova ser proferida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa (Presidente), Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano (Suplente Convocado), Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 45 91 /2 00 9- 01 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10880.984591/200901 Acórdão n.º 1802002.516 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório A ora Recorrente apresentou, em 9/4/2008, a Per/Dcomp nº 25982.36354.090408.1.7.044667, corrigindo DCOMP anterior, por meio do qual solicita compensação de parte do débito de estimativa do IRPJ do mês de janeiro/2005, com o crédito, no valor de R$ 430.192,19, referente a pagamento a maior de estimativa do IRPJ de junho de 2005. A DERAT, através do Despacho Decisório exarado em 21/09/2009, não homologou a compensação declarada, sob o fundamento de que não é passível de ser compensado o crédito de estimativa. Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, em 28/10/2009, às fls. 08 a 21, alegando, em suma que: Em janeiro de 2005, um de seus clientes rescindiu um contrato em que a Impugnante fornecia energia e, em razão disso, ela tornouse credora da multa contratual devida pelo cliente "Solvay". De início, entendeu que os valores recebidos da multa, um doze avos, deveriam ser reconhecidos como receita em regime de caixa. Depois, percebeu que essa receita deveria ser reconhecida pelo regime de competência, ou seja, deveria ser incluída na apuração do resultado do período em que ocorreu o fato jurídico, em janeiro de 2005. Com isso, foram realizados os devidos ajustes em sua contabilidade e procedido nova apuração dos tributos nesse período. De outro lado, os valores dos tributos que já haviam sido recolhidos ao longo do anocalendário de 2005, tornaramse indevidos, originando um saldo credor a seu favor. 0 despacho decisório indeferiu a compensação realizada pela contribuinte por entender que o valor recolhido a maior a titulo de estimativa mensal do IRPJ de fevereiro de 2005, somente poderia ser compensado ao final do período de apuração do lucro, com base no teor do disposto no artigo 10 da IN n° 600/2005. Não se justifica exigir determinado valor que foi recolhido indevidamente por mero erro de fato, por violação ao principio constitucional da estrita legalidade. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10880.984591/200901 Acórdão n.º 1802002.516 S1TE02 Fl. 4 3 Não se aplica a vedação constante do artigo 10 da IN no 600/2005 ao caso concreto. As estimativas recolhidas são meros adiantamentos dos valores devidos ao final do ano Calendário e poderão não retratar a realidade subjacente. No presente caso, o direito a compensação do valor indevidamente recolhido é imediato, pois o erro de fato cometido pela contribuinte não trouxe qualquer prejuízo ao Erário. Ainda que os valores ora cobrados fossem exigíveis, eles não poderiam ser lançados, pois, a doutrina e jurisprudência são unânimes ao proclamarem a impossibilidade de lançamento de crédito tributário apurado por estimativa após o encerramento do períodobase. Constatandose eventual insuficiência da estimativa do imposto, as autoridades fazendárias apenas poderiam apurar o tributo devido após o encerramento do períodobase e constituir eventual diferença do crédito tributário. Por fim, ainda que se entendesse pela manutenção da exigência em tela, a aplicação da multa deveria ser afastada porque procedeu a quitação do tributo em relação ao fato gerador de janeiro de 2005 de forma espontânea. Em 20 de dezembro de 2010, a 4ª Turma da DRJ/SP1 proferiu o Acórdão nº 1628.701, julgando improcedente a manifestação de inconformidade e mantendo o despacho da DRF de São Paulo, sob o seguinte fundamento: "Voto (...) 6.Conforme acima relatado, o despacho decisório não homologou a compensação, pois o crédito pleiteado se referia a pagamento a maior de estimativa de fevereiro de 2005 e somente poderia ser compensado na apuração do valor devido do IRPJ, no final do anocalendário de 2005. 7. A não aceitação da compensação foi decidida com base no que vem estabelecido na Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005 (publicada no DOU de 30/12/2005), em seus artigos 10 e 77, que repete o que já era previsto na Instrução Normativa SRF n°460, de 18/10/2004. "Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do MAI ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou Fl. 120DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10880.984591/200901 Acórdão n.º 1802002.516 S1TE02 Fl. 5 4 pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRRI ou de CSLL do período. Art. 77. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. 8. Logo, está claro que na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o devido de IRPJ calculado por estimativa — como no presente caso , este valor somente poderia ter sido utilizado na dedução do IRPJ apurado ao final daquele período de apuração, ou para compor o saldo negativo de IRPJ. 9. Deste modo, não era possível à Impugnante à época da transmissão da DCOMP sob análise — pleitear restituição/compensação de IRPJ calculado por estimativa eventualmente pago a maior que o devido. 10. Nesse ponto, é de se notar que os AFRFB, inclusive julgadores, devem aterse aos limites impostos pelas normas legais. 11. Nesse sentido, vejase a lição de Luiz Henrique de Barros Arruda, em "Processo Administrativo Fiscal”, 2a ed., Ed. Atlas, 1994, pág. 85: "Como órgãos de jurisdição administrativa, sua função, no contexto do sistema de autocontrole da legalidade dos atos administrativos, consiste em examinar a consentaneidade dos procedimentos fiscais ou decisões das autoridades a quo com as normas legais vigentes." 12. Esse também é o entendimento da jurisprudência administrativa: "LEGALIDADE DAS NORMAS FISCAIS Não compete ao Conselho de Contribuintes, como Tribunal Administrativo que é, e, tampoirtco, ao juizo de primeira instancia, o exame da legalidade das leis e normas administrativas." (Ac. 106 07 .303/1996). LEGALIDADE/CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS Compete exclusivamente ao Judiciário o exame da legalidade/4.nstitucionalidade das leis. Recurso negado." (2° CC — 2° Cam. Acórdão n° 20210665. Data da sessão: 10/11/98.) 13. Norma especifica a este respeito foi estabelecida no art. 70 da Portaria MF n° 58/2006, a ser respeitada no âmbito das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, transcrito abaixo: "Art. 7° 0 julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei n° 8.112 ' de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos." 14. Assim dispõe, o art. 116, III, da Lei n°8.112/1990, retrocitado: "Art.116. Sao deveres do servidor: III observar as normas legais e regulamentares;" 15. Com referencia ao argumento da Impugnante da impossibilidade da cobrança da estimativa, ern que a compensação não foi homologada, por ter se encerrado o períodobase, cabe analisar o previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (alterado pelos artigos 49 da MP n° 66, de 30/08/2002, convertida na Lei n° 10.637, de 30/12/2002, e 17 da MP 135, de 31/10/2003, convertida na Lei n° 10.833, de 30/12/2003), assim dispõe, em seus §§ 1° e 6°: Fl. 121DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10880.984591/200901 Acórdão n.º 1802002.516 S1TE02 Fl. 6 5 "Art. 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível d restituição ou de ressarcimento, poderá na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002). §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (..) § 6° A declaração de compensação constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dosdébitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei n°10.833, de 2003)" (g.m). 16. Portanto, a Declaração de Compensação (DCOMP) entregue constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados (indevidamente compensados) e com a aplicação da multa de mora, pois, ao contrário da afirmação da Impugnante, não houve a quitação do débito. 17. Em face do exposto, não comprovado direito creditório, VOTO no sentido de INDEFERIR a manifestação de inconformidade, mantendo a decisão recorrida.” Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 24/02/2011, ressaltando, primeiramente, a tempestividade do recurso sub examine. Após, reiterou os argumentos invocados na manifestação de inconformidade, bem como atacou o acórdão proferido pela autoridade fiscal, requerendo a sua reforma, destacando, em suma, a inaplicabilidade do art. 10 da IN nº 600/2005 para o presente caso, bem como requerendo a compensação dos valores declarados na Per/Dcomp nº 33677.92947.281205.1.3.046310. Esse o Relatório. Segue meu Voto. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10880.984591/200901 Acórdão n.º 1802002.516 S1TE02 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Relator. Da Tempestividade A ciência do Acórdão deuse em 27/01/2011 e o Recurso Voluntário foi interposto em 24/02/2011. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Do Mérito A ora recorrente alega que um de seus cliente rescindiu contrato de fornecimento de energia, e em razão disso, a mesma tornouse credora da multa contratual estipulada em contrato, no caso de rescisão por uma das partes. Alega ainda que erroneamente achou que os valores recebidos a título de multa deveriam ser reconhecidos como receita em regime de caixa, porém, depois em melhor análise entendeu que essa receita deveria ser reconhecida pelo regime de competência, incluída na apuração do resultado do período em que ocorreu o fato jurídico, ou seja, em janeiro de 2005. Para acerto dos valores, foram realizados ajustes em sua contabilidade e procedida nova apuração dos tributos, entretanto, os valores que já haviam sido recolhidos ao longo do anocalendário de 2005, tornaramse indevidos, originando um saldo credor a seu favor. A autoridade julgadora indeferiu a compensação por entender que o valor recolhido a maior a titulo de estimativa mensal do IRPJ de fevereiro de 2005, somente poderia ser compensado ao final do período de apuração do lucro, com base no teor do disposto no artigo 10 da IN n° 600/2005. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10880.984591/200901 Acórdão n.º 1802002.516 S1TE02 Fl. 8 7 Entretanto, nos moldes da Súmula CARF 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Desta forma, voto pelo parcial provimento do recurso para afastar o óbice de não se considerar crédito à antecipação, anulo a decisão anterior e devolvo os autos a Delegacia de origem para nova decisão. É o meu VOTO. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Fl. 124DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 23/03/2015 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por J OSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 13982.001246/2009-81
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2009
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. ARBITRAMENTO. DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE DO CONTRIBUINTE. PREVISÃO LEGAL. §§ 3º e 4º da lei nº 8.212, de 1991.
Os créditos discutidos nestes autos tiveram como fato gerador das contribuições lançadas, a remuneração da mão-de-obra apurada por aferição indireta através do Custo Unitário Básico (CUB), publicado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil - SINDUSCON / SC.
O fundamento legal do critério de aferição do montante de mão-de-obra na construção civil foi o previsto nos §§ 3º e 4º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991.
O próprio contribuinte reconhece as inconsistências do seu sistema de contabilidade, situação que ampara completamente os procedimentos adotados pela fiscalização.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-004.045
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2009 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. ARBITRAMENTO. DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE DO CONTRIBUINTE. PREVISÃO LEGAL. §§ 3º e 4º da lei nº 8.212, de 1991. Os créditos discutidos nestes autos tiveram como fato gerador das contribuições lançadas, a remuneração da mão-de-obra apurada por aferição indireta através do Custo Unitário Básico (CUB), publicado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil - SINDUSCON / SC. O fundamento legal do critério de aferição do montante de mão-de-obra na construção civil foi o previsto nos §§ 3º e 4º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991. O próprio contribuinte reconhece as inconsistências do seu sistema de contabilidade, situação que ampara completamente os procedimentos adotados pela fiscalização. Recurso Voluntário Negado
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. ARBITRAMENTO. DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE DO CONTRIBUINTE. PREVISÃO LEGAL. §§ 3º e 4º da lei nº 8.212, de 1991. 1. Os créditos discutidos nestes autos tiveram como fato gerador das contribuições lançadas, a remuneração da mãodeobra apurada por aferição indireta através do Custo Unitário Básico (CUB), publicado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil SINDUSCON / SC. 2. O fundamento legal do critério de aferição do montante de mãodeobra na construção civil foi o previsto nos §§ 3º e 4º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991. 3. O próprio contribuinte reconhece as inconsistências do seu sistema de contabilidade, situação que ampara completamente os procedimentos adotados pela fiscalização. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 12 46 /2 00 9- 81 Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13982.001246/200981 Acórdão n.º 2803004.045 S2TE03 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13982.001246/200981 Acórdão n.º 2803004.045 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, parte patronal e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa (GILRAT), incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, apuradas por aferição indireta por meio do Custo Unitário Básico (CUB), publicado pelo SINDUSCON/SC. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 24 de maio de 2012 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2009 OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ARBITRAMENTO FISCAL. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo à empresa autuada o ônus da prova em contrário. ASSUNTO: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2009 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O MPF é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da auditora fiscal. Verificandose nos autos a regular ciência e prorrogação do MMPF, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, sob pena de preclusão, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo. Impugnação Procedente em Parte Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13982.001246/200981 Acórdão n.º 2803004.045 S2TE03 Fl. 5 4 Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Em preliminar, ao contrário do que entende a decisão hostilizada, é manifesta a impossibilidade de se convalidar o auto infracional, por desrespeito ao período que a fiscalização dispôs para a realização da inspeção e lavratura do auto infracional, muito superior ao preconizado pelo parágrafo 2º, do art. 7º, do Decreto n. 70.235/72. O Termo de Início da Ação Fiscal data de 15/10/2009 e o Termo de Encerramento somente foi lavrado em 06/01/2010, em afronta ao prazo máximo de 60 dias determinado de forma cogente pela norma legal. No tópico que trata da desconsideração da contabilidade e da aferição indireta, é manifesto o desejo da decisão apenas confirmar o trabalho desenvolvido no auto de infração. Quanto a avaliação e interpretação dos fatos trazidos pela fiscalização e esclarecidos pela defesa, fica bastante claro o desprezo pelas comprovações invocadas nas razões da empresa e o papel apenas confirmador do trabalho do auditor fiscal. Em vários pontos da decisão recorrida fica estampado o caráter da dúvida no trabalho da fiscalização, que sempre é resolvido pelo julgador em favor do Fisco, olvidandose que diante do Princípio da Verdade Real, aplicável ao processo administrativo fiscal, pode e deve aprofundar a matéria sempre que pairar dúvidas sobre determinado fato. Registra a decisão recorrida, que a contabilidade da empresa recorrente é imprestável e não merecedora de fé. Ao contrário do que afirma a decisão inimiga, não merece amparo a imputação de que a escrituração contábil apresentada é imprestável. As pequenas inconsistências detectadas não impedem ao Fisco averiguar a efetiva mãodeobra utilizada, desautorizandose a aferição indireta e o lançamento por arbitramento. Ante ao exposto, espera a empresa autuada ver acolhido o presente recurso, reformandose a decisão recorrida, para o fim de se anular o julgamento, ou no mérito se desobrigar a recorrente ao pagamento dos valores indicados no auto de infração, nos termos das razões despendidas, como de direito. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13982.001246/200981 Acórdão n.º 2803004.045 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Os créditos discutidos nestes autos tiveram como fato gerador das contribuições lançadas, a remuneração da mãodeobra apurada por aferição indireta através do Custo Unitário Básico (CUB), publicado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil SINDUSCON / SC. O fundamento legal do critério de aferição do montante de mãodeobra na construção civil foi o previsto nos §§ 3º e 4º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 20), no presente caso, a aferição indireta ocorreu porque a contabilidade da empresa autuada, por apresentar omissões, equívocos e imprecisões mostrouse imprestável para efeitos de identificação da real remuneração dos segurados a serviço da recorrente. Em preliminar, o contribuinte aduz que ao auto de infração não pode ser convalidado, por evidente afronta ao prazo máximo de 60 (sessenta) dias (§ 2º do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 1972), para a autoridade administrativa iniciar e terminar a fiscalização. O artigo 7º do Decreto nº 70.235, de 1972, está redigido da seguinte forma: Art. 7º. O procedimento fiscal tem início com: (...) § 2º. Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Da leitura do dispositivo legal tido como descumprido pela fiscalização, percebese que o contribuinte leu somente sua parte inicial, ignorando solenemente a disposição expressa de prorrogação sucessiva, como foi exatamente o caso dos autos. O Termo de início de Procedimento Fiscal de 15.10.2009 foi seguido dos Termos de Intimação Fiscal nº 12720748, de 27.10.2009 (fls. 13 / 14); nº 02/2009, de 10.11.2009 (fls. 15 / 16); nº 03/2009, de 17.11.2009 (fls. 17 / 18). No que se refere ao mérito, o contribuinte se limitou a discutir questões periféricas, não atacando o necessário, perdendose em comentários genéricos do tipo: Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13982.001246/200981 Acórdão n.º 2803004.045 S2TE03 Fl. 7 6 Ao contrário do que afirma a decisão inimiga, não merece amparo a imputação de que a escrituração contábil apresentada é imprestável. As pequenas inconsistências detectadas não impedem ao Fisco averiguar a efetiva mão deobra utilizada, desautorizandose a aferição indireta e o lançamento arbitrado. (grifouse) Vêse, pois, que o próprio contribuinte reconhece as inconsistências do seu sistema de contabilidade, situação que ampara completamente os procedimentos adotados pela fiscalização. Destarte, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Assim sendo, mantenho o lançamento, bem como a decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos e nego provimento ao recurso aviado pelo contribuinte. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 18159.002599/2010-68
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2000
PREVIDENCIÁRIO. INCONSTITUCIONALIDADE
A Súmula n° 2 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF pacificou que: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO .TAXA SELIC. JUROS
A Súmula n° 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF pacificou que: partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais
PREVIDENCIÁRIO .MULTA DE MORA
As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigos 35, I, II, III da Lei 8.212/91.
Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
PREVIDENCIÁRIO .MULTA MAIS BENÉFICA.
Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar o artigo 35 da Lei n° 8.212/91, na forma da Lei 11.941/2009 que lhe conferiu nova redação.
PREVIDENCIÁRIO .LANÇAMENTO. FATO GERADOR.LEI DE REGÊNCIA.
O artigo 144 do Código Tributário Nacional-CTN aduz que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ( art. 61, da Lei nº 9.430/96) ao artigo 35 da Lei nº 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa.
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente.
IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2000 PREVIDENCIÁRIO. INCONSTITUCIONALIDADE A Súmula n° 2 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF pacificou que: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO .TAXA SELIC. JUROS A Súmula n° 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF pacificou que: partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais PREVIDENCIÁRIO .MULTA DE MORA As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigos 35, I, II, III da Lei 8.212/91. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. PREVIDENCIÁRIO .MULTA MAIS BENÉFICA. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar o artigo 35 da Lei n° 8.212/91, na forma da Lei 11.941/2009 que lhe conferiu nova redação. PREVIDENCIÁRIO .LANÇAMENTO. FATO GERADOR.LEI DE REGÊNCIA. O artigo 144 do Código Tributário Nacional-CTN aduz que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ( art. 61, da Lei nº 9.430/96) ao artigo 35 da Lei nº 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2324; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18159.002599/201068 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.627 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente RODOVIARIO RAMOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2000 PREVIDENCIÁRIO. INCONSTITUCIONALIDADE A Súmula n° 2 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF pacificou que: “ O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” PREVIDENCIÁRIO .TAXA SELIC. JUROS A Súmula n° 4 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF pacificou que: “ partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” PREVIDENCIÁRIO .MULTA DE MORA As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigos 35, I, II, III da Lei 8.212/91. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. PREVIDENCIÁRIO .MULTA MAIS BENÉFICA. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar o artigo 35 da Lei n° 8.212/91, na forma da Lei 11.941/2009 que lhe conferiu nova redação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 15 9. 00 25 99 /2 01 0- 68 Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 PREVIDENCIÁRIO .LANÇAMENTO. FATO GERADOR.LEI DE REGÊNCIA. O artigo 144 do Código Tributário NacionalCTN aduz que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ( art. 61, da Lei nº 9.430/96) ao artigo 35 da Lei nº 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente. IVACIR JÚLIO DE SOUZA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18159.002599/201068 Acórdão n.º 2403002.627 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de crédito da Seguridade Social correspondente à parte da empresa, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho SAT, e, também, as destinadas a terceiros, lançado pela Fiscalização em relação ao período de 01/99 a 06/00, contra a empresa acima identificada, em decorrência do pagamento de salários a empregados. Segundo o Relatório Fiscal o débito teve como fato gerador o pagamento da remuneração aos segurados empregados que prestam serviços à notificada nos estabelecimentos matriz e filiais, tendo servido de base ao lançamento fiscal as folhas de pagamento de salários resumo geral mensal, recibos de salários, de ferias e de rescisão não incluldos em folhas de pagamento, as GFIP e as GRFP informadas e GPS recolhidas. Objetivando possibilitar uma melhor identificação dos fatos geradores que deram origem ao lançamento, a Autoridade autuante houve por bem discriminálos em siglas (devidamente Identificadas), tendo elaborado, a partir dessa proposição, os respectivos anexos, onde constam nominalmente relacionados todos os empregados cujo valor recebido a titulo de remuneração pelos serviços prestados se constitui no saláriodecontribuição da NFLD em comento. DA IMPUGNAÇÃO Na sua peça vestibular de fls, 972, a então impugnante alegou ilegalidade da autuação sob pretexto que houvera sido lavrada a autuação com base em mera presunção: “ 2. A Autuada é respeitada empresa que desenvolve suas atividades no segmento de transporte rodoviário, sendo certo o fato de que, se acaso deixou de recolher algum tributo, tal ocorreu por absoluta impossibilidade financeira, decorrente, como é sabido, da lastimável crise econômica que assola todo o pais. Tem certeza, no entanto, do fato de que nenhum de seus funcionários (grande parcela dos quais constituída por pais de família), deixou de receber os seus respectivos salários, justificadamente merecidos e, sem dúvida, imprescindíveis à manutenção de uma vida digna.” Alegou ainda que : “Consoante se observa do Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, entregue ao ora lmpugnante, não se sabe a que titulo, em data posterior àquela da entrega do Auto de Infração, a d. fiscalização considera para a fixação da base de cálculo das contribuições supostamente devidas, valores obtidos em rescisões, recibos de férias e recibos de salários não incluídos em folha de pagamento. ” Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Alegou ser inconstitucional a cobrança de Juros de mora e aplicação da taxa SELIC; Alegou, também, que é ilegal a exigência de recolhimento de incidência das rubricas :SalárioEducação, SAT, INCRA e SEBRAE. “ DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTANCIA Na forma da DECISÃONOTIFICAÇÃO n° 11.424.4/0147/2000 , ás fls 1013, as alegações não lograram êxito e mantiveramse o lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Não tendo logrado êxito na instância a quo a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 1022 onde reiterou os mesmos argumentos que trouxera em sede de impugnação. É o Relatório. Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18159.002599/201068 Acórdão n.º 2403002.627 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme o registro de fls. 1012, o Recurso é Tempestivo. Aduz que apresenta os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Relevante destacar o conteúdo do despacho de fls. em razão da edição da Súmula 21 e sua eficácia, tendo em vista que foi destacado no item 4 : “4. No caso em tela, o presente processo encontravase inscrito na Procuradoria da Fazenda Nacional, Divisão de Grandes Devedores, em cobrança judicial. Em face da Súmula Vinculante nº 21 e do PARECER/PGFN/CRJ/ Nº 1973/2010 através do qual, foi alterado o entendimento de que deveriam prosseguir apenas os processos cujo exame de admissibilidade do recurso se encontrava pendente até 3 de janeiro de 2008; passando a ser liberado o envio dos recursos a qualquer tempo, condicionado apenas à nova manifestação do órgão administrativo competente, a Procuradoria encaminhou o processo a esta DRF/GVS para que se proceda um novo exame de admissibilidade do recurso, antes inadmitido. 5. Isto posto, e com base nos atos citados no item 4 supra, somos do parecer que o processo deve ser encaminhado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, 0112045.0, em prosseguimento.” DO MÉRITO Procedendo de forma genérica, adentrou ao mérito sem enfrentamento eficaz da autuação sofrida. Não tendo logrado êxito na instância a quo reiterou em sede recursal os mesmos argumentos interpostos em sede de impugnação tal qual a íntegra do item 12 que , em síntese, representa a essência de sua tese: “12. Consoante se observa do Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, entregue ao ora Recorrente, não se sabe a que titulo, em data posterior Aquela da entrega do Auto de Infração, a d. fiscalização considera para a fixação da base de cálculo das contribuições supostamente devidas, valores obtidos em rescisões, recibos de Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 férias e recibos de salários não incluídos em folha de pagamento.Transcrevese: "8. Foram efetuados os seguintes lançamentos: (.) REC com valores obtidos em rescisões, recibos de férias e recibos de salário não incluídos em folha de pagamento; RES com valores obtidos em rescisões não incluídas em folha de pagamento; SAL com valores de recibos de salário não incluídos em folha de pagamento;" DOS ELEMENTOS PROBANTES Às fls 669 / 955, nos documentos denominados Relatório Fatos Geradores Geral, a Autoridade fiscal discrimina , uma a uma, as fontes de origem da autuação oportunizando pois ao recorrente guerrear pontualmente os elementos probantes que justificaram a constituição dos créditos tributários ora em comento. Para efeito de registro, à título de amostra mínima, estratificado do Relatório Fatos Geradores Geral colacionado pela Autoridade autuante, parte do combatido levantamento classificado como “ RES com valores obtidos em rescisões não incluídas em folha de pagamento , revela nome e saláriodecontribuição SC do empregado considerados para efeito do lançamento em comento. Portando no exercício da ampla defesa e do contraditório a empresa poderia ter efetivamente guerreado todos os levantamentos colacionando provas contrárias às apresentadas nos autos. DAS ILEGALIDADES E DAS INCONSTITUCIONALIDADES A Recorrente alegou ser inconstitucional a cobrança de Juros de mora e aplicação da taxa SELIC e alegou ainda que é ilegal a exigência de recolhimento de incidência das rubricas SalárioEducação, SAT, INCRA e SEBRAE. Quanto aos juros e a taxa SELIC aplicada, este Conselho pacificou o entendimento quando da emissão da Súmula nº 4: “Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” Sobre as argüições de inconstitucionalidades, exortese a Súmula nº 2 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF : “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18159.002599/201068 Acórdão n.º 2403002.627 S2C4T3 Fl. 5 7 DAS MULTAS É compulsório observar que o artigo 144 do Código Tributário Nacional CTN define que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada : “ Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Na hipótese de novos critérios de apuração ou de novos processos de apuração é que se aplica a previsão do § 1º deste artigo: “ § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios ” O presente lançamento não está submetido à novos critérios de apuração. Assim, ainda que estivesse não implicaria inobservar o preceituado no caput do artigo 144 CTN. Na forma do registro de fls.665, no Relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD e Acréscimos Legais da Multa, o cálculo do valor da multa teve por base os parâmetros estabelecidos pelo art. 35, I, II, II da Lei n°8.212/91. Entretanto o artigo supra foi alterado pela Lei 11.941/2009, estabelecendo não novos critérios de apuração mas determinando que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (Redação dada pela Lei 11.491, 2009)”(grifos do relator) Lei 9.430/96: “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.( Vide Lei n° 9.716, de 1998)” MULTA MAIS BENÉFICA O artigo 106, II, “c”, do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Assim, impõese, que o cálculo da multa seja efetuado com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 de modo que comparando o resultado com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 prevaleça a multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Desse modo, pelo exposto, é pertinente o recálculo da multa cuja a definição do cálculo se observará quando a liquidação do crédito for postulado pelo contribuinte, de acordo com o artigo 2° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°14, de 4 de dezembro de 2009: “Art. 2° No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei n ° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN.” Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18159.002599/201068 Acórdão n.º 2403002.627 S2C4T3 Fl. 6 9 CONCLUSÃO Conheço do recurso, para NO MÉRITO, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, determinando que se proceda ao recálculo da multa de mora conforme o art. 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n ° 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20% , critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 13/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13888.902238/2012-27
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1803-000.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente a Conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1900; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 164 1 163 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.902238/201227 Recurso nº Resolução nº 1803000.137 – Turma Especial / 3ª Turma Especial Data 05 de março de 2015 Assunto PER/DCOMP DILIGÊNCIA Recorrente BIOCELL LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente a Conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. RELATÓRIO A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 35012.99893.171209.1.3.045354 em 17.12.2009, fls. 5862 utilizandose do pagamento a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), código 2372, no valor original de R$1.187,26 arrecadado em 24.08.2009 e apurado pelo regime do lucro presumido, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 63, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 02 23 8/ 20 12 -2 7 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13888.902238/201227 Resolução nº 1803000.137 S1TE03 Fl. 165 2 A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a R$1.187,26. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fl. 02, com os argumentos a seguir discriminados. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que: Considerando a tempestividade de sua manifestação em consonância com o que determina o artigo 51, em seu parágrafo 3º, da Instrução Normativa número 600, de 28 de dezembro de 2005. Considerando que na Per/DComp (Compensação) foi utilizado credito no valor de R$1.187,26, mas o mesmo ter sido integralmente usado para quitação de débitos do contribuinte. Considerando que no Preenchimento da DCTF (3º Trimestre/2009) houve a informação errônea do valor do débito, mais especificamente da CSLL, referente ao trimestre mencionado, sendo declarado o valor de R$2.936,12 e o correto era o valor de R$1.594,82. Por se tratar de preenchimento incorreto da DCTF, a empresa nada deve, conforme documentos anexos. Vimos solicitar a imediata suspensão da exigibilidade do débito, pois o contribuinte não pode ser penalizado por algo que não deve. Está registrado como ementa do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 09 47.602, de 31.10.2013, fls. 6972: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 24/08/2009 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13888.902238/201227 Resolução nº 1803000.137 S1TE03 Fl. 166 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Notificada em 14.11.2013, fl. 74, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 13.12.2013, fls. 7186, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, reiterando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que: Inicialmente, importante ressaltar que não merece prosperar a afirmação da Autoridade Julgadora no sentido de que a Recorrente não teria expressamente direito creditórios naquela ocasião. O processo administrativo é regido pelo princípio da busca da verdade material, sendo certo que o fim maior a ser atingido é o da verificação da efetiva ocorrência da hipótese de incidência ou, no presente caso, do direito ao crédito do contribuinte. Destarte, não pode ser mantida a decisão da autoridade julgadora, posto que tal fato resultaria em cerceamento de defesa e, principalmente, ferimento à busca da verdade material. Nesse contexto, importante esclarecer que o direito crédito de IRPJ e CSLL é totalmente possível, tendo em vista que fora utilizado o percentual correspondente a 32%, aplicado à base de cálculo dos tributos, os quais anteriormente mencionados, contudo a Lei n° 11.727, de 23 de junho de 2008 determina que os serviços de prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa. Destarte, a BIOCELL, devidamente enquadrada em sua atividade econômica sob código 86.40202 Laboratórios clínicos, e 86.30501 Atividade médica ambulatorial com recursos para realização de procedimentos cirúrgicos 86.40207 Serviços de diagnóstico por imagem em uso de radiação ionizante, exceto ressonância magnética. Deste modo, com base nas informações supracitadas, informamos que o cálculo fora efetivado com percentual de 32%, erroneamente, tendo em vista que a alíquota cabível, no caso da atividade da Biocell, é de 8% para o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, e de 12% no que tange a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL. Sintetizando, o direito do pedido de compensação do crédito mediante PER/DCOMP deuse em virtude da utilização do percentual indevido. Fixada essa importante premissa, vimos pedir que se valha do direito da utilização do crédito com base nas informações prestadas. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Fl. 173DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13888.902238/201227 Resolução nº 1803000.137 S1TE03 Fl. 167 4 Ante todo o exposto, a Recorrente espera e requer seja dado integral provimento ao presente recurso voluntário com a reforma da decisão recorrida, ara o fim de ser reconhecido o seu direito ao aproveitamento integralmente dos créditos, a titulo de compensação, de que trata a Lei n° 11.727, de 23 de junho de 2008, acerca dos aludidos tributos, outrossim o cancelamento do débito fiscal objeto de discussão, nos termos acima articulados, como medida de inequívoca aplicação do Direito. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. VOTO Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Em relação à solicitação de retificação do DARF, temse que a Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, que aprova o Regimento Interno da RFB determina: Art. 226. À Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária Derat, quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, excetuados os relativos ao comércio exterior, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de atendimento e interação fiscocontribuinte, de comunicação social, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística e de gestão de pessoas, e, especificamente: [...] VI desenvolver as atividades relativas à cobrança, recolhimento de créditos tributários, parcelamento de débitos, retificação e correção de documentos de arrecadação; Nesse sentido, a Unidade da RFB que jurisdiciona a Recorrente tem competência exclusiva de proceder a correção de documentos de arrecadação. Por essa razão, falece competência ao CARF para processar o pedido, que não pode ser deferido nessa segunda instância de julgamento. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos, oportunidade em que deduz alegações sobre o cerceamento do direito de defesa. Os atos administrativos não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação Fl. 174DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13888.902238/201227 Resolução nº 1803000.137 S1TE03 Fl. 168 5 processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. O Despacho Decisório foi lavrado por servidores competentes com observância de todos os requisitos legais (art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos3. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 4 A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional5. Assim, o Despacho Decisório, fl. 63 e o Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0947.602, de 31.10.2013, fls. 6972, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. 4 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13888.902238/201227 Resolução nº 1803000.137 S1TE03 Fl. 169 6 defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A tese protetora exposta ela defendente, assim sendo, não está demonstrada. A Recorrente suscita que devem ser analisados os meios de prova apresentados em sede de segunda instância de julgamento de modo a demonstrar seu direito líquido e certo. Sobre a realização de todos os meios de prova, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos6. Privilegiando o princípio da verdade material, em sede de segunda instância de julgamento, cabe apreciar os assentos contábeis produzidos pela Recorrente em relação à comprovação das supostas inexatidões materiais devidas a lapso manifesto constantes nos dados informados à RFB procurando evidenciar a liquidez e a certeza do valor de direito creditório pleiteado. Compulsando os presentes autos, resta constatado que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. A Recorrente suscita que o Per/DComp deve ser deferido, porque diz que se dedica à atividade hospitalar e por essa razão fica sujeita ao coeficiente de 12% para apuração do lucro presumido para fins de CSLL. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional7. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a 6 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 7 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13888.902238/201227 Resolução nº 1803000.137 S1TE03 Fl. 170 7 favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais8. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Temse que o Per/DComp fundamentase na aplicação indevida no coeficiente de determinação do lucro presumido, uma vez que houve aplicação incorreta do percentual de determinação do lucro presumido de 32% sobre as receitas tributáveis auferidas na atividade de prestação de serviços, quando o correto, para esta atividade, seria 12%, o que acarretou a diferença de pagamento a maior que o devido de CSLL apurada pela Recorrente referente ao terceiro trimestre do anocalendário de 2009. O regime de tributação com base no lucro presumido trimestral é uma opção da pessoa jurídica para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada com o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. É determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. A pessoa jurídica deve manter o Livro Registro de Inventário, bem como a escrituração 8 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13888.902238/201227 Resolução nº 1803000.137 S1TE03 Fl. 171 8 contábil nos termos da legislação comercial, ressalvada a hipótese, neste caso, de escriturar o Livro Caixa, incluindo toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Via de regra, o lucro presumido é apurado mediante a aplicação do coeficiente de 12% (doze por cento) sobre a receita bruta, inclusive para serviços hospitalares para fins de CSLL. Para as atividades expressamente relacionadas, entretanto, o coeficiente é distinto, já que o parâmetro de fixação relacionase diretamente aos custos e às despesas incorridas para a realização das transações ou operações inerentes à atividade da pessoa jurídica e à manutenção da respectiva fonte produtora. No caso de prestação de serviços em geral o coeficiente previsto na legislação tributária é de 32% (trinta e dois por cento), de acordo com o art. 15 e o art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Notese que a legislação tributária que trata de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente, de modo que não cabe conferirlhe efeito retroativo, por falta de previsão normativa. Por esta razão, somente a partir de 01.01.2009, ocasião em que a alínea “a” do inciso III do art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, com redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, começou a produzir efeitos na ordem jurídica, um contorno normativo mais abrangente foi conferido à prestação de serviços hospitalares englobando o auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1116399/BA9, que cujo trânsito em julgado ocorreu em 08.11.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF10. A partir de 01.01.2009, a legislação de regência da matéria expressamente prevê que para usufruir do coeficiente de apuração do lucro presumido para fins determinação dos tributos no caso de pessoa jurídica que se dedica à prestação de serviços hospitalares, a pessoa jurídica prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n° 50, de 21 de fevereiro de 2002 e alterações determina: Parte II [...] 2.1 – Atribuições de Estabelecimentos Assistenciais [...] 1 Prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia atenção à saúde incluindo atividades de promoção, prevenção, vigilância à saúde da comunidade 9 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1116399/BA. Ministro Relator:Benedito Gonçalves, Primeira Seção, Brasília, DF, 28 de outubro de 2009. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=6898628&sReg=20090006481 0&sData=20100224&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 10 Fundamentação legal: Fundamentação legal: art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.art. 29 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13888.902238/201227 Resolução nº 1803000.137 S1TE03 Fl. 172 9 e atendimento a pacientes externos de forma programada e continuada; 2 Prestação de atendimento imediato de assistência à saúde atendimento a pacientes externos em situações de sofrimento, sem risco de vida (urgência) ou com risco de vida (emergência); 3 Prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação atendimento a pacientes que necessitam de assistência direta programada por período superior a 24 horas (pacientes internos); 4 Prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado da saúde (contato direto); 5 Prestação de serviços de apoio técnico atendimento direto a assistência à saúde em funções de apoio (contato indireto); 6 Formação e desenvolvimento de recursos humanos e de pesquisa atendimento direta ou indiretamente relacionado à atenção e assistência à saúde em funções de ensino e pesquisa; 7 Prestação de serviços de apoio à gestão e execução administrativa atendimento ao estabelecimento em funções administrativas; 8 Prestação de serviços de apoio logístico atendimento ao estabelecimento em funções de suporte operacional. As quatro primeiras são atribuições fim, isto é, constituem funções diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde. As quatro últimas são atribuições meio para o desenvolvimento das primeiras e de si próprias. [...] 3 DIMENSIONAMENTO, QUANTIFICAÇÃO E INSTALAÇÕES PREDIAIS DOS AMBIENTES [...] A presente norma não estabelece uma tipologia de edifícios de saúde, como por exemplo posto de saúde, centro de saúde, hospital, etc., aqui se procurou tratar genericamente todos esses edifícios como sendo estabelecimentos assistenciais de saúde EAS, que devem se adequar as peculiaridades epidemiológicas, populacionais e geográficas da região onde estão inseridos. Portanto, são EASs diferentes, mesmo quando se trata de edifícios do tipo centros de saúde, por exemplo. O programa arquitetônico de um centro de saúde irá variar caso a caso, na medida em que atividades distintas ocorram em cada um deles. Desta forma, as diversas tabelas contidas no documento permitem que sejam elaborados programas arquitetônicos dos mais diversos. Para tanto se deve, a partir da definição da listagem das atividades que o EAS irá realizar, escolher os ambientes próprios para realização das mesmas. Assim, identificandose na listagem de atribuições/atividades do capítulo 2 o número da atividade que se irá realizar, devese procurar na primeira coluna de cada tabela esse número e consequentemente o ambiente correspondente àquela atividade. Exemplo: caso tenhase definido que o EAS executará a atribuição de internação e mais precisamente as atividades de internação de Fl. 179DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13888.902238/201227 Resolução nº 1803000.137 S1TE03 Fl. 173 10 pacientes em regime de terapia intensiva, devese procurar a tabela de unidade funcional internação, subgrupo internação intensiva. Nesta tabela serão encontrados os ambientes fins “relativos à UTI/CTI. Logicamente um programa arquitetônico de uma UTI não será composto somente por esses ambientes. Portanto, devese procurar nas tabelas relativas as atividades de apoio os ambientes complementares, como por exemplo banheiros, copas, etc. Esses ambientes encontramse listados abaixo das tabelas, com a denominação ambientes de apoio. A solução do litígio depende da comprovação de que a Recorrente seja organizada sob a forma de sociedade empresária e que cumpre as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em especial que preenche os requisitos do subitem 2.1 da Parte II da RDC da Anvisa nº 50, de 2002, bem como que tenha estrutura física de um estabelecimento assistencial de saúde que atenda os requisitos do item 3 da Parte II da RDC da Anvisa nº 50, de 2002. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão em relação ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos11. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento dos Per/DComp pelo afastamento da preliminar de falta de comprovação do preenchimento dos requisitos de que seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para fins de reconhecimento do direito creditório, impõe, pois, o retorno dos autos à DRF que jurisdiciona a Recorrente para que seja analisado o mérito. Devem ser examinadas a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Também devem ser avaliados conjuntamente os Per/DComp que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso12. Em assim sucedendo e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto por converter o julgamento na realização de diligência para que a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente aprecie o acatamento do pleito inicial e o mérito do litígio e ainda para: (a) reconhecer a possibilidade de formação do direito creditório pleiteado de pagamento a maior de CSLL, código 2372, no valor original de R$1.187,26 arrecadado em 24.08.2009 e apurado pelo regime do lucro presumido decorrente da aplicação do coeficiente de 12% sobre a receita bruta, para compensação dos débitos confessados nos Per/DComp, apurando sua liquidez e certeza inclusive nos aspectos de sua existência, suficiência e disponibilidade; (b) fazer a juntada das informações constantes nos registros internos da RFB, tais como DIPJ, DCTF, DIRF e DARF, e ainda anexar as cópias dos processos administrativos, 11 Fundamentação legal: art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012. 12 Fundamentação legal: art. 9º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13888.902238/201227 Resolução nº 1803000.137 S1TE03 Fl. 174 11 cujas declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso13; e (c) verificar se houve pedido de reconhecimento do direito creditório em outros processos referente ao mesmo direito creditório e se ali foi admitido como correto esse valor, para evitar a utilização em duplicidade do crédito tributário pleiteado nesses autos, cotejando a escrituração da Recorrente com os dados constantes nos registros internos da RFB para aferir a verossimilhança; Na apuração do direito creditório pleiteado de pagamento a maior de CSLL, código 2372, no valor original de R$1.187,26 arrecadado em 24.08.2009 e apurado pelo regime do lucro presumido, a pessoa jurídica deverá produzir um conjunto probatório robusto de que está organizada sob a forma de sociedade empresária e que cumpre as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em especial que preenche os requisitos do subitem 2.1 da Parte II da RDC da Anvisa nº 50, de 2002, bem como que tenha estrutura física de um estabelecimento assistencial de saúde que atende os requisitos do item 3 da Parte II da RDC da Anvisa nº 50, de 2002. Ainda deve apresentar os assentos contábeis correspondentes. A autoridade designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, em especial relativamente à existência do direito creditório relativo direito creditório pleiteado de pagamento a maior de CSLL, código 2372, no valor original de R$1.187,26 arrecadado em 24.08.2009 e apurado pelo regime do lucro presumido decorrente da aplicação do coeficiente de 12% sobre a receita bruta, para fins de compensação dos débitos confessados nos Per/DComp objeto de averiguações nos presentes autos. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes à diligência efetuada e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes14 . (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 13 Fundamentação legal: Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. 14 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/03/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 11080.004489/2007-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL.
Desde 1º de janeiro de 1997, caracteriza-se como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2201-002.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah.
Nome do relator: German Alejandro San Martín Fernández
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizase como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia, German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira e Eduardo Tadeu Farah. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 44 89 /2 00 7- 47 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 14/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por GERMAN ALE JANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 03 a 15), com vistas a exigir crédito tributário no montante de R$ 110.774,33, nele compreendidos imposto, multa de ofício e juros de mora, relativo ao anocalendário 2002, em decorrência da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados e omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas. Apreciada a Impugnação (fl. 230/248), o lançamento foi julgado procedente, por ausência de comprovação da origem dos depósitos bancário, mediante a vinculação de cada depósito à operação realizada. Nas razões de Voluntário (fl. 230/248), reclama ofensa ao princípio de igualdade de tratamento tributário e justifica que a origem dos depósitos glosados foi provada nos autos; entretanto, a prova foi ignorada pela fiscalização. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. A presente ação fiscal decorre da análise de informações fiscais fornecidas à RFB pelos seguintes bancos: Banco de Brasil S/A e ao Banco ABN AMRO REAL S/A., realizada com a finalidade de verificar se os valores referente às movimentações financeiras efetuadas no anocalendário de 2002, pela Recorrente, correspondem efetivamente ao movimentado nas contas bancárias de sua titularidade. Os extratos bancários foram apresentados pela Recorrente, após intimação. Constatada a omissão de rendimentos, foi lavrado Auto de Infração e constituído o respectivo crédito tributário relativo a omissão de rendimentos provenientes depósitos bancários de que trata o artigo 42 da lei n° 9.430/96. Preliminar de nulidade. Violação à isonomia tributária Alega o recorrente violação à isonomia tributária pela decisão a quo, dadas as afirmações feitas sobre a condição profissional do autuado, exauditor fiscal e advogado, quanto à prova de suas razões expostas em Impugnação. De fato, há menção na decisão da DRJ sobre a necessidade de prova sobre as razões de defesa, na qual se faz menção à condição profissional, cujo conhecimento sobre a Fl. 370DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 14/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por GERMAN ALE JANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 11080.004489/200747 Acórdão n.º 2201002.606 S2C2T1 Fl. 120 3 legislação tributária e sobre os respectivos efeitos tributários das operações e transações realizadas, é de fato, acima do nível do homem médio. Entretanto, o que a DRJ exigiu para provar as alegações sobre empréstimos e demais justificativas para a origem dos depósitos, são as provas exigidas em regra para qualquer contribuinte que tenha sofrido auto de infração de acusação semelhante, sem qualquer relação ou exigência de prova ainda mais robusta, apenas em razão da condição profissional do autuado. Aliás, ainda que assim fosse, a isonomia é regra, a permitir tratamento desigual em virtude de situação peculiar que em tese possa trazer critérios de discrímen justificados e suportados pelo ordenamento. No caso em julgamento, eventual mas não constatada rigidez na prova apresentada, em razão dos fartos conhecimentos sobre a legislação tributária e processo administrativo dos auditores fiscais, é sim critério de discrímen justificável para exigência de prova robusta, e observância do princípio da obrigatoriedade da lei, a que se refere o Art. 3º da LINDB. Posto isso, rejeito a preliminar de nulidade por violação ao princípio da isonomia. Da justificação dos empréstimos realizados De acordo com as razões expostas em Impugnação e repetidas em sede recursal, o recorrente busca justificar os depósitos no valor de R$ 20.800,00, realizado em 11/10/2002, R$ 50.000,00, realizado em 23/12/2002, R$12.684,00, em 23/12/2002 e mais a importância em dinheiro de R$ 50.000,00, em 23/12/2002), em empréstimos realizados pelas pessoas jurídicas Carneiro e Castro S/C e A. M. S. Consultoria S/C, de CriciúmaSC. De acordo com o recorrente, os documentos contábeis apresentados demonstram a constituição dos empréstimos e, inclusive, sua amortização parcial mediante lucros aos quais o fez jus (anos de 2002 a 2005) e o saldo atual de sua dívida para com a empresa, no valor de R$ 110.534,00) e quitado, finalmente em 23/10/2010 conforme recibo. A comprovação dos empréstimos foi rejeitada pela DRJ, dada a falta de contrato escrito entre as partes, não oferecimento de garantias formais, não comprovação da devolução dos recursos, falta de indicação das importâncias devidas na declaração DIRPF/2003), escrituração contábil (Livro Diário pertinente ao ano de 2002),"confusa", "cambiante" e, por carecer de elemento essencial à sua validade: registro e autenticação em tempo hábil. Para o recorrente, o tratamento desigual que lhe foi imputado, e já rejeitado em preliminar, seria a justificativa para o não acolhimento das provas apresentadas, suficientes, em sua visão, para justificar os depósitos bancários de origem não comprovada. Em que pese o exposto em sede de Voluntário, acertada a decisão da DRJ. Não se trata aqui de criar exigências de provas não previstas na legislação, mas, sim, em prol da verdade material, em buscar a real grandeza dos fatos geradores ocorridos, através da análise do contexto fáticoprobatório aqui apresentado. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 14/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por GERMAN ALE JANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 4 Entendo que a inexistência de declaração quanto aos empréstimos contraídos pelo recorrente em sua DIRF e a apresentação posterior de registros contábeis e de suposta quitação do empréstimo, não se prestam para desconstituir a acusação de omissão de rendimentos imputada. Aliás, a "quitação do empréstimo", apresentada por ocasião da interposição do recurso, nada mais é do que recibo, desacompanhado, inclusive, do respectivo comprovante da transferência bancária lá noticiada, o que, no contexto da acusação imputada, não é prova suficiente para ilidir a acusação fiscal. A apresentação dos registros contábeis das operações de empréstimos, desacompanhadas da prova cabal de sua realização, conforme afirmado pela fiscalização e corroborado pela decisão a quo, não são suficientes como prova, se desacompanhados do contrato de mútuo assinado entre as partes a estipular as condições mínimas do acordo, tais como tempo de duração, juros remuneratórios, meio de devolução, multa contratual, etc; existência de prova de devolução dos recursos arrecadados; declaração na DIRPF/2003, e;escrituração contábil da pessoa jurídica com registro e autenticação contemporâneas aos fatos. Posto isso, rejeito as alegações quanto aos supostos empréstimos realizados. Depósitos de origem não comprovada. Empréstimo recebido de Paulo Baltazar no valor de R$34.000,00, Segundo o recorrente, o depósito efetuado no dia 2/07/2002, na conta n° 517.1938, agência do Banco do Brasil em BrasíliaDF, no valor de R$34.000,00, tem por origem de empréstimo contraído em abril de 2001, no valor de R$ 150.000,00 recebidos de Paulo Baltazar Entretanto não há como fazer qualquer correlação entre o valor depositado em dinheiro em julho de 2002 e o empréstimo realizado em abril de 2001. Aliás, improvável que o valor recebido em dinheiro do mutuante indicado por razões não reveladas, não declarado pelo mutuário, ainda se encontrasse em espécie e em poder do recorrente. Dessa forma, concluise que a origem dos recursos do depósito de R$34.000,00, em 02/07/2002, não restou comprovada. Aliás, desde a fase de fiscalização foi dado ao contribuinte a possibilidade de justificar a natureza dos rendimentos omitidos, sendo dever da autoridade fiscal conferir aos depósitos identificados o correto tratamento tributário, como de fato foi feito em relação a vários depósitos cuja origem revelou valores não submetidos à tributação do IRPF e já excluídos antes mesmo da lavratura. Pelo exposto, conheço e nego provimento ao recurso voluntário. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 372DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 14/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por GERMAN ALE JANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 11080.004489/200747 Acórdão n.º 2201002.606 S2C2T1 Fl. 121 5 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2015 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 14/01/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 05/01/2015 por GERMAN ALE JANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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