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Numero do processo: 10880.720108/2006-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano calendário: 2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA.
É ônus processual do contribuinte fazer prova dos fatos alegados em contraposição à pretensão fiscal.
Assunto: Compensação
Ano calendário: 2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP.
Não são aceitas PER/DCOMP que declaram compensação de estimativa
mensal de IRPJ e CSLL com saldo negativo de IRPJ do mesmo ano calendário da estimativa.
Recurso Voluntário desprovido.
Numero da decisão: 1402-000.773
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Pelá
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Ano calendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual do contribuinte fazer prova dos fatos alegados em contraposição à pretensão fiscal. Assunto: Compensação Ano calendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. Não são aceitas PER/DCOMP que declaram compensação de estimativa mensal de IRPJ e CSLL com saldo negativo de IRPJ do mesmo ano calendário da estimativa. Recurso Voluntário desprovido.
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PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual do contribuinte fazer prova dos fatos alegados em contraposição à pretensão fiscal. Assunto: Compensação Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. Não são aceitas PER/DCOMP que declaram compensação de estimativa mensal de IRPJ e CSLL com saldo negativo de IRPJ do mesmo ano calendário da estimativa. Recurso Voluntário desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.720108/200610 Acórdão n.º 140200.773 S1C4T2 Fl. 2 2 ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva dos Santos Lima Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela contribuinte contra Despacho Decisório, proferido pela Divisão de Orientação e Análise Tributária/EQPIR, da Delegacia de Administração Tributária em São Paulo DERAT (fls. 120 a 126), que reconheceu parcialmente o direito creditório da contribuinte, homologando parcialmente as DCOMP's apresentadas, todas relativas ao saldo credor de IRPJ do anocalendário de 2003. Esclareçase, para logo, que a contribuinte solicitou, por meio dos PER/DCOMP relacionados a seguir, a compensação de débitos no valor total de R$ 1.151.931,39 (um milhão, cento e cinqüenta e um mil, novecentos e trinta e um reais e trinta e nove centavos), com crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003. Processo Total de débitos 41300.86764.180309.1.7.023900 (Retificadora em 18/03/2009 Exercício 2004) 08371.47816.270804.1.7.02.8952 (Retificadora em 27/08/2004 Exercício 2003) 04796.81213.130704.1.3.029068 (Original em 13/07/2004 Exercício 2003) 491.803,74 27341.71741.200707.1.3.021275 (original em 31/12/2003 Exercício 2004) 13.176,05 01639.13951.180309.1.7.023170 (Retificadora em 18/03/2009 Exercício 2004) 06879.94115.190307.1.7.023591 (Retificadora em 19/03/2007 Exercício 2004) 10275.98739.290606.1.3.023003 (original em 29/06/2003 Exercício 2004) 77.063,20 13816.36928.180309.1.7.025640 (Retificadora em 18/03/2009 Exercício 2004) 01897.65129.200707.1.3.022831 (Original em 20/07/2007 Exercício 2004) 569.888,40 1.151.931,39 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.720108/200610 Acórdão n.º 140200.773 S1C4T2 Fl. 3 3 A 5ª Turma da DRJ/SP1 julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade da contribuinte para reconhecer, adicionalmente, o direito creditório no valor de R$ 865.386,90, oriundo de Imposto de Renda retido na fonte (IRRF). Entretanto, a decisão recorrida não reconheceu o valor de R$ 109.606,84, referente a suposto crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ recolhido por estimativa, uma vez que o referido crédito, "sendo estimativa de IRPJ de janeiro de 2003, não poderia ter sido oferecido à compensação com saldo do próprio anocalendário 2003". Nesse passo, a contribuinte apresenta recurso voluntário para contestar, tão somente, a parcela não homologada. Transcrevo trecho de sua peça (fls. 182/189): No anocalendário de 2003, ao invés de auferir lucro, a Empresa obteve prejuízo fiscal, não apurando IRPJ, antes de descontar as deduções, por conseguinte, obteve crédito de saldo negativo de IRPJ (R$ 109.606,84), além de crédito de IRRF (R$ 891.526,97), oriundo de rendimentos de aplicação financeira. Totalizando um crédito em favor da Recorrente no montante de R$ 1.001.133,81 (Hum milhão e mil cento e trinta e três reais e oitenta e um centavos) devidamente declarado em sua DIPJ 2004 (Ano Calendário 2003). 0 que ensejou a elaboração dos PER/DCOMP's, objeto da presente, para compensar o aludido crédito de Imposto de Renda que lhe é devido. Ocorre que o citado acórdão (n° 1625.501), da lavra da 5ª Turma da DRJ/SP01, não reconheceu como crédito da Recorrente, passível de compensação, os valores (R$ 109.606,84) referentes ao saldo negativo de IRPJ mensal pago por estimativa. Sob o fundamento de que tal crédito de R$ 109.606,84 (Cento e nove mil, seiscentos e seis reais e oitenta e quatro centavos), sendo estimativa de IRPJ de janeiro de 2003, não poderia ter sido oferecido à compensação com saldo do próprio anocalendário 2003. No entanto, conforme demonstraremos nas seguintes razões de direito, descabe tal alegação da 5ª Turma da DRJ/SP01, isso porque boa parte desse crédito (R$ 109.606,84) não se origina propriamente de estimativa de janeiro de 2003, mas se constitui de saldo acumulado (R$ 93.799,10) de estimativa de IRPJ do ano de 2002, que conforme determina a legislação de regência (caso não utilizado) é transferido para o ano seguinte. (...) Neste sentido, conforme se depreende claramente a partir da análise da D1PJ 2003 (AnoCalendário: 2002) através da Ficha 11 Pags. 8 a 10 (acostada aos autos através do presente recurso com fulcro no artigo 16, § 4º , "c" do Decreto n° 70.235/72), o saldo que a 5ª Turma da DRJ/SPO1 (no importe de R$ 93.799,10) afirma ser de janeiro de 2003, na verdade foi constituído em maio de 2002 e foi sendo transferido de mês a mês até ser incorporado a janeiro de 2003. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.720108/200610 Acórdão n.º 140200.773 S1C4T2 Fl. 4 4 É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. Verificase do PER/DCOMP 04796.81213.130704.1.3.029068, que parte do débito declarado referese a IRPJ estimativa de Janeiro de 2003 no valor de R$ 109.606,84. Além disso, também fora compensado R$ 42.552,86 relativamente à CSLL estimativa de Janeiro de 2003. Os demais valores compensados referemse a PIS, COFINS, IR e CSLL estimativa, todos do anocalendário 2002. Por sua vez, o PER/DCOMP 08371.47816.270804.1.7.02.8952, retificador do PER/DCOMP 04796.81213.130704.1.3.029068, indica as mesmas compensações acima mencionadas. Contudo, em virtude de erro na informação do valor principal de um dos débitos que estava sendo compensado, o valor total dos débitos informados no PER/DCOMP aumentou de R$ 491.803,74 para 491.805,13. Na intimação de fl. 49, a Recorrente noticia que o PER/DCOMP 08371.47816.270804.1.7.02.8952, que retificou a DCOMP 04796.81213.130704.1.3.02.9068, diz respeito, na verdade, ao saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2003, conforme DIPJ/2004, e não ao Exercício 2003, anocalendário 2002, como erroneamente constou naquele PER/DCOMP. Assim, a Recorrente, em 18/03/2009, novamente retificou o PER/DCOMP 04796.81213.130704.1.3.02.9068, corrigindo o equívoco, consoante PER/DCOMP retificador nº. 41300.86764.180309.1.7.023900. Entretanto, esse último PER/DCOMP retificador continua noticiando a compensação de débitos de IRPJ e CSLL estimativa de Janeiro de 2003 com créditos do ano calendário 2003 (Exercício 2004). Logo, mantenho o entendimento da decisão recorrida, pois, ainda que por força do princípio da verdade material se aceite a retificação levada a cabo em 18/03/2009, débitos do anocalendário 2003 não poderiam ter sido compensados com crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003. Transcrevo trecho da decisão recorrida neste ponto: E ainda, como o auditor fiscal apontou, não é possível compensar estimativa mensal de IRPJ com saldo negativo de IRPJ desse mesmo ano, pois essa estimativa estaria sendo compensada com saldo negativo ainda não existente, ou seja, somente ao final do período de apuração, seria possível saber o valor do saldo negativo de IRPJ e somente ai seria possível utilizálo para compensação. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.720108/200610 Acórdão n.º 140200.773 S1C4T2 Fl. 5 5 Assim a compensação de R$ 109.606,84, não será considerada como tendo sido feita. Neste tocante, alega a Recorrente que parte do crédito utilizado para pagamento dos débitos de IRPJ e CSLL referentes a Janeiro de 2003, no valor de R$ 93.799,10, não seriam, em verdade, créditos do anocalendário 2003, mas, sim, do ano calendário 2002. Para provar o alegado, a Recorrente traz aos autos a DIPJ 2003, conforme fls. 207/209. Digase também, por oportuno, que a Recorrente nada alega sobre o valor de R$ 15.807,74, correspondente a diferença do crédito por ela compensado no PER/DCOMP em questão. Analisando a DIPJ 2003, verificase que a mesma está incompleta, faltando, principalmente, as páginas que correspondem à discriminação do Imposto de Renda mensal por estimativa dos meses de janeiro, fevereiro e março, bem assim como a ficha de apuração do Imposto de Renda a pagar naquele anocalendário. Dessa forma, do que se pode conferir, existe, em dezembro de 2002, um saldo negativo de Imposto de Renda a pagar de R$ 93.799,10. Com efeito, não anexou a Recorrente aos autos os comprovantes de recolhimento de IRPJ estimativa que formam o saldo de recolhimento a maior de R$ 93.799,10 no anocalendário de 2002. Por assim ser, entendo que não logrou a Recorrente comprovar suas alegações, mormente de que o PER/DCOMP em questão estaria eivado de erro mesmo após duas retificações , já que crédito utilizado para pagamento dos débitos de IRPJ e CSLL estimativa de Janeiro de 2003 não seriam do anocalendário 2003, mas, sim, do anocalendário 2002. É importante ressaltar que, quando a matéria "sub judice" se restringe à compensação de créditos tributários, a incumbência principal do julgador se resume em avaliar as provas apresentadas pelo contribuinte para comprovação do direito creditório alegado. Isso porque, a regra do art. 16, III, do Decreto 70.235/72 é clara ao dispor que cabe ao contribuinte a prova dos fatos alegados em contraposição à pretensão fiscal. Desse modo, não tendo a recorrente, tanto na impugnação, quanto no recurso voluntário, apresentado os documentos hábeis à comprovação dos fatos alegados, não é possível aferir a certeza e a liquidez do crédito tributário pleiteado, que são requisitos legais indispensáveis à compensação tributária (art. 170 do CTN). Posto isso, voto no sentido de negar provimento ao recurso para manter a nãohomologação do crédito de R$ 109.606,84 pleiteado pela Recorrente. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 264DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10880.720108/200610 Acórdão n.º 140200.773 S1C4T2 Fl. 6 6 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10425.721604/2014-60
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. FILHOS.
Para fins de dedução do IRPF, a pensão alimentícia deve ser paga a filhos em decorrência de obrigação judicial comprovadamente vigente no ano-calendário da declaração e nos limites estipulados na decisão ou acordo judicial. Súmula CARF nº 98.
Numero da decisão: 2002-000.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil.
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. FILHOS. Para fins de dedução do IRPF, a pensão alimentícia deve ser paga a filhos em decorrência de obrigação judicial comprovadamente vigente no ano-calendário da declaração e nos limites estipulados na decisão ou acordo judicial. Súmula CARF nº 98.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (Assinado digitalmente) Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1320; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 83 1 82 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10425.721604/201460 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.016 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 28 de fevereiro de 2018 Matéria IRPF PENSÃO ALIMENTÍCIA Recorrente JOSÉ JANUÁRIO FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. FILHOS. Para fins de dedução do IRPF, a pensão alimentícia deve ser paga a filhos em decorrência de obrigação judicial comprovadamente vigente no ano calendário da declaração e nos limites estipulados na decisão ou acordo judicial. Súmula CARF nº 98. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 72 16 04 /2 01 4- 60 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10425.721604/201460 Acórdão n.º 2002000.016 S2C0T2 Fl. 84 2 Relatório Lançamento Tratase de notificação de lançamento de IRPF nos seguintes valores (fl. 29): Rubrica Valor em reais Imposto 4.667,74 Multa de ofício 3.500,80 Juros de mora 540,99 Total à época 8.709,53 O lançamento decorreu da glosa de R$ 29.450,83 deduzido a título de pensão alimentícia judicial. De acordo com a descrição dos fatos (fl. 30): O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos aos filhos a título de pensão alimentícia cessa a partir da maioridade, salvo se comprovada incapacidade física ou mental para o trabalho ou, quando maiores até 24 anos, estejam cursando estabelecimento de ensino superior. Eventuais repasses financeiros efetuados pelos pais aos filhos após o atingimento de sua maioridade decorrem de liberalidade. No presente caso, conforme informações dos sistemas da RFB e da Previdência Social, os filhos já completaram 32 e 30 anos no ano de 2012. Mantido o valor pago a título de pensão alimentícia à ex cônjuge, Umbelina Martins de Oliveira. Tempestividade da impugnação O prazo para impugnar é de 30 dias1. Considerando que o contribuinte tomou ciência do lançamento no dia 06/08/2014 (fl. 35) e protocolou sua peça no dia 28/08/2014 (fl. 2), verificase que a impugnação é tempestiva. Impugnação Em sua impugnação (fl. 2) o contribuinte alega, em síntese, que: o valor de R$ 29.450,83 referese a pagamento efetuado a título de pensão alimentícia judicial; segue anexo comprovante de rendimentos, sentença judicial e documento de identidade do signatário, notificações às fontes pagadoras (PREVI e INSS), mandando proceder ao desconto dos alimentos definitivos nos rendimentos do alimentante. Alega ainda que (fl. 17 e ss): teve 4 filhos com a senhora Umbelina com quem foi casado de 1973 a 1995; a Sra. Umbelina interpôs ação de alimentos na qual ficou determinado judicialmente com sentença homologatória transitada em julgado o pagamento de pensão 1 Art. 15 do Decreto 70.235/72 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10425.721604/201460 Acórdão n.º 2002000.016 S2C0T2 Fl. 85 3 alimentícia no percentual de 40% dos valores líquidos percebidos pelo requerente para a genitora e para os filhos menores, em 08 de agosto de 1993; em 28 de abril de 1999, foram exoneradas as filhas maiores Luana e Carla após contraírem núpcias, restando ainda os filhos Kenio e Kélia; em caso de separação judicial, são considerados dependentes os filhos que ficarem sob a guarda ou os determinados em sentença judicial ou homologação de acordo judicial, podendo o responsável pelo pagamento da pensão deduzir o valor efetivamente pago aos seus dependentes; cita jurisprudência do STJ; os pagamentos efetuados pelo requerente aos filhos pensionistas não decorrem de mera liberalidade, mas sim de cumprimento de decisão judicial transitada em julgado que em caso de descumprimento é passível de punição com pena de prisão; a exoneração dos alimentos não cessa simplesmente por ter o alimentando atingido a maioridade, mas somente com uma nova sentença judicial de exoneração de alimentos; cita súmula do STJ; esse entendimento se fundamenta no caso da necessidade do alimentando persistir após a maioridade e o alimentante continuar em condições financeiras de arcar com o ônus da obrigação alimentar, não havendo motivo para extinção da pensão alimentícia que deverá permanecer como antes; com a maioridade muda apenas o fundamento da obrigação alimentar que deixa de ser decorrente do dever de sustento e passa a ter como base o dever de solidariedade resultante do parentesco, art. 1.696 do Código Civil; as diversas hipóteses de emancipação previstas no Código Civil não acarretam, por si só, o término da obrigação alimentar, exceto no caso do casamento, por existir disposição legal específica sobre o assunto; corroborando a opinião jurídica é que o Regulamento do Imposto de Renda, reproduzindo dispositivo existente na legislação anterior, de que os filhos maiores até 24 anos que estejam cursando estabelecimento de ensino superior são considerados dependentes à luz do Direito Tributário, independente de decisão judicial; não existe nenhum critério científico para limitar o pagamento de pensão alimentícia ao filho somente até os 24 anos. A única referência legal aos 24 anos é a da norma supracitada; não faz sentido limitar um direito civil com base numa referência de legislação tributária, principalmente, como no presente caso, que existe uma determinação judicial; a vida forense está repleta de casos em que irmãos, tios, primos e sobrinhos obtêm pensão alimentícia apenas com base no binômio necessidade do alimentando e Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10425.721604/201460 Acórdão n.º 2002000.016 S2C0T2 Fl. 86 4 possibilidade do alimentante. Seria antijurídico negar ao filho a mesma pensão alimentícia que se concede aos parentes colaterais; também não se pode ignorar o postulado da reciprocidade do dever alimentar entre pais e filhos (art. 1.696, Código Civil), sob pena de se incorrer em situações absurdas; o Código Civil não limita no tempo a duração do pagamento da pensão alimentícia; o Código Civil é uma lei ordinária enquanto o Regulamento do Imposto de Renda é um mero decreto, portanto inferior na hierarquia das normas legais; o Código Civil tem primazia para disciplinar a questão dos alimentos que se insere no Direito de Família, ramo do Direito Civil. O Regulamento do Imposto de Renda pertence ao Direito Tributário, não tendo como fundamentar qualquer decisão acerca do instituto civil dos alimentos, visto que, sendo uma regra de Direito Tributário, não guarda pertinência com a matéria alimentar. É incorreto misturar grandezas imiscíveis: alimentos pertencem ao Direito Civil, enquanto a tributação pertence ao Direito Tributário; Por fim requer que seja desconsiderado o procedimento de declaração de ajuste anual para recolhimento do valor lançado, por estar o requerente amparado legalmente pela legislação vigente. Documentos impugnação Após a impugnação constam os seguinte documentos: comprovante de rendimentos PREVI (fls. 3 e 4); comprovante de rendimentos INSS (fl. 5); sentença judicial (fl. 6 e ss); acórdão judicial (fl. 11 e ss); ofício nº 150 (fl. 14); ofício nº 149 (fl. 15); documento de identidade (fl. 16); Decisão de 1ª instância A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) julgou a impugnação improcedente, porque a pensão alimentícia foi concedida em favor dos filhos menores. A partir da maioridade o contribuinte poderia ter ingressado com ação de revisão de alimentos, como já havia procedido anteriormente. Indispensável assim que comprovasse a vigência da obrigação em 2012 através de certidão de objeto e pé da ação judicial. Não se trata, pois de restringir o direito do contribuinte à dedução de pensão paga a filhos maiores, mas sim do ônus que lhe incumbe de comprovar que a obrigação prevalecia no anocalendário a que se refere o lançamento (fl. 40). Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10425.721604/201460 Acórdão n.º 2002000.016 S2C0T2 Fl. 87 5 Tempestividade do recurso voluntário O prazo para recorrer é de 30 dias2. Considerando que o contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 16/09/2016 (fl. 80) e protocolou sua peça no dia 06/10/2016 (fl. 47), verificase que o recurso voluntário é tempestivo. Recurso Voluntário Em seu recurso voluntário (fl. 48 e ss) o contribuinte alega, em síntese, que: que foi casado com a senhora Umbelina, com quem teve 4 filhos, tendo a relação chegado ao fim em 1995. Em 08/08/93, por meio de sentença homologatória, foi determinado o percentual de 40% dos valores líquidos percebidos pelo requerente, para a genitora e para os filhos menores. Após exoneração de alimentos das filhas Luana e Carla, restaram como dependentes os filhos, Kênio e Kélia; o art. 1.699 do Código Civil dispõe que "se fixados os alimentos, sobrevier mudança na situação financeira de quem os supre, ou na de quem os recebe, poderá o interessado reclamar ao juiz, conforme as circunstâncias, exoneração, redução ou majoração do encargo". Contudo, alega que não houve mudança da situação dos alimentandos, continuando assim a serem obrigatórios os alimentos; o responsável pelo pagamento da pensão pode deduzir do IRPF os valores pagos aos seus dependentes, sendo a dedução do imposto totalmente cabível e feita de boafé e de forma legal; os pagamentos efetuados não decorrem de mera liberalidade, mas sim de cumprimento de decisão judicial, que em caso de descumprimento é passível de punição com pena de prisão; citando a súmula 358 do STJ, alega que a exoneração de alimentos não cessa simplesmente por ter o alimentando atingido a maioridade, mas somente com uma nova sentença judicial de exoneração de alimentos, o que não ocorreu no caso em tela; a dedução se deu em decorrência de decisão judicial homologada, nos termos da alínea f, inc. II do art. 8º da Lei 9.250/1995; o Código Civil não limita a duração do pagamento da pensão alimentícia; o Código Civil é uma lei ordinária, enquanto o Regulamento do Imposto de Renda é um mero decreto, portanto inferior na hierarquia das normas legais; o Código Civil tem primazia para disciplinar a questão dos alimentos, que se insere no Direito de Família, ramo do Direito Civil, haja vista o critério da especialidade; o Regulamento do Imposto de Renda não tem como fundamentar qualquer decisão acerca do instituto civil dos alimentos, pois é regra do Direito Tributário, não guardando pertinência com a matéria alimentar; 2 art. 33 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10425.721604/201460 Acórdão n.º 2002000.016 S2C0T2 Fl. 88 6 há reciprocidade do dever alimentar entre pais e filhos (art. 1.696, CC), sendo que a emancipação, por si só, não acarreta o término da obrigação alimentar; não há que se falar em aplicação de multa e juros, haja vista que as deduções da pensão alimentícia foram feita sempre de boafé e conforme a lei; Por fim, requer que seja desconsiderado o procedimento de declaração de ajuste anual para recolhimento de valor lançado, por estar o requerente amparado legalmente pela legislação vigente e que seja desconsiderada a aplicação de multa e juros, tendo em vista que as deduções foram informadas de boafé, e em cumprimento a sentença judicial homologada. Documentos recurso voluntário Após o recurso voluntário constam os seguinte documentos: intimação de ciência do acórdão da DRJ (fl. 56); cópia do acórdão da DRJ (fl. 57 e ss); demonstrativo de débito (fl. 59); DARF (fl. 60); comprovante de rendimentos INSS (fl. 61 e 64); informe de rendimentos Cooperforte Ltda (fl. 62 e 66); comprovante de rendimentos PREVI (fl. 63 e 69); demonstrativo de empréstimos e financiamentos PREVI (fl. 68); documento de identidade (fl. 70); sentença judicial (fl. 71 e ss); acórdão judicial (fl. 74 e ss); ofício nº 150 (fl. 77); ofício nº 149 (fl. 78). Voto Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo, como acima demonstrado, e foi assinado pelo sujeito passivo, portanto dele conheço. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10425.721604/201460 Acórdão n.º 2002000.016 S2C0T2 Fl. 89 7 Mérito O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis valores pagos aos filhos a título de pensão alimentícia é matéria de Direito Tributário e não de Direito Civil como alega o recorrente. A decisão judicial trazida aos autos, tem o seguinte dispositivo (fl. 73): Ex positis, para que produza seus legais efeitos, julgo por sentença, procedente a presente ação revisional, promovida por José Januário Filho, contra Umbelina Martins de Oliveira e filhos, isentando o autor de, doravante, continuar a prestar alimentos à Luana Martins de Sousa e a Carla Patrícia Martins de Sousa. Em consequência, reduzo a pensão anteriormente fixada em 40%, para 28% dos rendimentos mensais do alimentante (deduzidos descontos já estipulados), devendo este último percentual, destinarse agora, exclusivamente à sua ex consorte e filhos menores remanescente (Kênio Martins de Sousa e Kélia Martins de Sousa) Observase que a decisão supracitada concede pensão aos filhos menores e, conforme consta dos autos, à época da lavratura do lançamento, os filhos do recorrente já possuíam 32 e 30 anos de idade. Logo, esta decisão judicial não se aplica mais aos filhos que já alcançaram a maioridade, pois a sua redação delimita o seu alcance aos filhos menores. No mais, a referida decisão foi prolatada em abril de 1999, não constando dos autos comprovação da sua vigência em 2012, época do fato gerador. Tal comprovação, como já mencionado pela DRJ (fl. 40), poderia ter sido feita através da apresentação de certidão de objeto e pé da ação judicial, contudo o contribuinte não o fez. No mais, a súmula CARF 98 dispõe que: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Não tendo comprovado a validade da decisão judicial à época do fato gerador, não há como aferir se o pagamento da pensão em 2012 decorreu de decisão judicial. Sendo assim, resta prejudicada a análise da maioria de seus argumentos do recorrente, haja vista que eles pressupõem a vigência da decisão judicial naquele ano, alegação esta que foi feita sem a apresentação de provas. A aplicação da multa de ofício e do juros de mora independe da existência de máfé ou boafé do contribuinte, decorrendo tãosomente do estrito cumprimento das normas que foram citadas pela autoridade lançadora às fl. 26 dos autos, ou seja, a alegada boafé do contribuinte não elide a obrigação de pagar a multa de ofício e os juros. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10425.721604/201460 Acórdão n.º 2002000.016 S2C0T2 Fl. 90 8 Conclusão Isto posto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.901882/2008-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Declaração de Compensação
Ano calendário: 1998
Ementa: SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO EM EXERCÍCIO SEGUINTE. INEXISTÊNCIA DE DECADÊNCIA.
A compensação dos prejuízos é decorrência necessária do fato gerador do imposto de renda e da CSLL. É elemento para a determinação do aspecto quantitativo do imposto de renda. Eliminá-lo seria macular os artigos 43 e 44 do CTN, tornando um não acréscimo patrimonial tributado pelo imposto de renda, em montante irreal.
Por força do artigo 6º, § 1º, II, da Lei nº 9.430, de 1996, que o saldo negativo do imposto apurado em 31 de dezembro será compensado com o imposto a ser pago a partir do ano subsequente, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago
a maior.
A possibilidade facultada de se requerer a restituição do saldo negativo não pode ser compreendida como sendo marco inicial do prazo decadencial. Nos casos de períodos sucessivos de prejuízos fiscais o saldo negativo do ano anterior se incorpora no fluxo do saldo do ano seguinte até que efetivamente a empresa possua condições de compensar. Em havendo longo período de prejuízos ou situações de fase não operacional em que não exista imposto a
pagar, dito saldo não é atingido pela decadência. O termo inicial dessa contagem se dá no período em que o contribuinte não mais poderia aproveitar os créditos, mormente pela mudança do regime de tributação.
Decadência afastada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.631
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para afastar o decurso de prazo para apreciação do crédito, determinando-se o retorno dos autos à DRF de origem para verificar a procedência do direito creditório do contribuinte, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, que não afastava o decurso de prazo. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: Moises Giacomelli Nunes da Silva
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ementa_s : Declaração de Compensação Ano calendário: 1998 Ementa: SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO EM EXERCÍCIO SEGUINTE. INEXISTÊNCIA DE DECADÊNCIA. A compensação dos prejuízos é decorrência necessária do fato gerador do imposto de renda e da CSLL. É elemento para a determinação do aspecto quantitativo do imposto de renda. Eliminá-lo seria macular os artigos 43 e 44 do CTN, tornando um não acréscimo patrimonial tributado pelo imposto de renda, em montante irreal. Por força do artigo 6º, § 1º, II, da Lei nº 9.430, de 1996, que o saldo negativo do imposto apurado em 31 de dezembro será compensado com o imposto a ser pago a partir do ano subsequente, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. A possibilidade facultada de se requerer a restituição do saldo negativo não pode ser compreendida como sendo marco inicial do prazo decadencial. Nos casos de períodos sucessivos de prejuízos fiscais o saldo negativo do ano anterior se incorpora no fluxo do saldo do ano seguinte até que efetivamente a empresa possua condições de compensar. Em havendo longo período de prejuízos ou situações de fase não operacional em que não exista imposto a pagar, dito saldo não é atingido pela decadência. O termo inicial dessa contagem se dá no período em que o contribuinte não mais poderia aproveitar os créditos, mormente pela mudança do regime de tributação. Decadência afastada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO EM EXERCÍCIO SEGUINTE. INEXISTÊNCIA DE DECADÊNCIA. A compensação dos prejuízos é decorrência necessária do fato gerador do imposto de renda e da CSLL. É elemento para a determinação do aspecto quantitativo do imposto de renda. Eliminálo seria macular os artigos 43 e 44 do CTN, tornando um não acréscimo patrimonial tributado pelo imposto de renda, em montante irreal. Por força do artigo 6º, § 1º, II, da Lei nº 9.430, de 1996, que o saldo negativo do imposto apurado em 31 de dezembro será compensado com o imposto a ser pago a partir do ano subsequente, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. A possibilidade facultada de se requerer a restituição do saldo negativo não pode ser compreendida como sendo marco inicial do prazo decadencial. Nos casos de períodos sucessivos de prejuízos fiscais o saldo negativo do ano anterior se incorpora no fluxo do saldo do ano seguinte até que efetivamente a empresa possua condições de compensar. Em havendo longo período de prejuízos ou situações de fase não operacional em que não exista imposto a pagar, dito saldo não é atingido pela decadência. O termo inicial dessa contagem se dá no período em que o contribuinte não mais poderia aproveitar os créditos, mormente pela mudança do regime de tributação. Decadência afastada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10875.901882/200852 Acórdão n.º 140200.631 S1C4T2 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para afastar o decurso de prazo para apreciação do crédito, determinandose o retorno dos autos à DRF de origem para verificar a procedência do direito creditório do contribuinte, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, que não afastava o decurso de prazo. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório Tratase de PER/DCOMP de fls. 117/119, transmitida em 20/07/2004, para extinção de débitos no valor principal de R$ 5.304,70, com crédito relativo a saldo negativo de CSLL, apurado no período de 01/01/1998 a 31/12/1998, no valor de R$ 2.619,87. Por meio do despacho decisório de fl. 23, proferido em 18/07/2008 e cientificado à recorrente por meio de edital em 05/11/2008 (fls. 123/126), a declaração de compensação não foi homologada pela autoridade fiscal, nos seguintes termos: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatou se que na data de transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo de crédito já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data de transmissão do PER/DCOMP e a data de apuração do saldo negativo. Data de apuração do saldo negativo: 31/12/1998 Data de transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo do crédito: 20/07/2004 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 2.619,87 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima Identificado. Valor devedor consolidado correspondente aos débitos Indevidamente compensados, para pagamento até 31/03/2008. PRINCIPAL MULTA JUROS 5.304,70 1.060,93 2.956,30 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10875.901882/200852 Acórdão n.º 140200.631 S1C4T2 Fl. 3 3 A DRJ, no acórdão de fls. 128/130, manteve a decisão proferida e indeferiu a solicitação da contribuinte, sob o fundamento de que quando da transmissão do PER/DCOMP, em 20/07/2004, já havia expirado o prazo de 5 anos, iniciado em 01/01/1999, para realizar a compensação de créditos decorrentes de saldo negativo de CSLL, referentes ao período de apuração entre 01/01/1998 a 31/12/1998. O acórdão atacado pode ser sintetizado a partir da seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. O direito de pleitear restituição, ou utilizar indébito em compensação, extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. As antecipações convertemse em pagamento extintivo do crédito tributário no encerramento do período de apuração, momento a partir do qual, se superiores ao tributo ou contribuição incidente sobre o lucro apurado, constituem indébito passível de restituição ou compensação. Solicitação Indeferida” Intimada em 09/09/2009 (fl. 132), a contribuinte, interpôs recurso voluntário em 08/10/2009 (fls. 133/143), alegando, em síntese: a) que transmitiu a declaração de compensação dentro do prazo previsto para pleitear o seu direito, uma vez que o início do prazo se deu em 01/11/1999, mês seguinte ao da entrega da DIPJ, e o término, decorridos os 5 anos, ocorreu em 01/11/2004; b) que o artigo 6°, § 1°, inciso II da Lei n° 9.430, de 1996, bem como o artigo 858, § 1°, inciso II, do RIR, de 1999, que regulam a matéria, não deixam dúvidas de que o início do prazo para pleitear a compensação/restituição de créditos decorrentes de saldo negativo é o mês seguinte ao fixado para a entrega da respectiva DIPJ; c) que o prazo para a entrega da declaração no exercício de 1999, que normalmente é 30 de abril, foi prorrogado, por meio da Instrução Normativa n° 118, de 1999, para 29/10/1999; d) que diante do saldo negativo apurado no anocalendário de 1998, procedeu a compensação de valores, com imposto apurado de IPI, na primeira quinzena de julho de 2004, em total conformidade com o artigo 2°, § 4°, inciso III, e 74, todos da Lei n° 9.430, de 1996; e) colaciona jurisprudência das Seções do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e do tribunal Regional Federal da Segunda Região. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10875.901882/200852 Acórdão n.º 140200.631 S1C4T2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n°. 70.235, de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Tratase de pessoa jurídica tributada com base no lucro real que no ano de 1998 apurou saldo negativo do IRPJ. Dispõe o artigo 6º, § 1º, II, da Lei nº 9.430, de 1996, que o saldo negativo do imposto apurado em 31 de dezembro será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. O saldo negativo do ano anterior se incorpora no fluxo do saldo do ano seguinte até que efetivamente a empresa possua condições de compensar. Em havendo longo período de prejuízos ou situações de fase préoperacional em que não exista imposto a pagar, dito saldo não é atingido pela decadência. Nesta linha colho o seguinte trecho de artigo escrito por Eurico Marcos Dinis de Santi: “Compensação dos prejuízos é decorrência necessária do fato gerador do imposto de renda e da CSLL. É elemento para a determinação do aspecto quantitativo do imposto de renda. Eliminálo seria macular os artigos 43 e 44 do CTN, tornando um nãoacréscimo patrimonial tributado pelo imposto de renda, em montante irreal. O motivo da trava foi garantir a arrecadação e não limitar o direito à compensação. ... O objetivo da trava foi garantir uma arrecadação mínima, se apurado lucro líquido, com a limitação de utilização do prejuízo acumulado. Em contrapartida, extingui o prazo (...) para que o contribuinte pudesse compensar integralmente seu saldo de prejuízo fiscal, ainda que em muitos anos1.” Além dos fundamentos acima referidos, por si só suficientes para afastar a decadência, na linha do entendimento do Conselheiro Carlos Pelá, do STJ e eu, o caso concreto, por outra ótica, também está a revelar situação caracterizada pela tese dos 5 + 5, a seguir fundamentada. Inicialmente, no que diz respeito à aplicação das normas contidas no artigo 3° da Lei Complementar nº 118, de 2005, tal norma, por mudar o critério de contagem do prazo decadencial, não possui natureza interpretativa, mas sim verdadeiro direito material, só se aplicando aos pagamentos ocorridos após sua entrada em vigor, o que não é o caso dos autos. Partindo do conceito legal de tributo, de que trata o artigo 3º do CTN, como sendo “toda a prestação de natureza pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada”, temse que editada norma pela Administração exigindo tributo cabe ao particular, independentemente de sua vontade ou concordância, satisfazer a exigência tributária. 1 In Revista Dialética de Direito Tributário. nº 185. Fevereiro 2011, pág. 50. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10875.901882/200852 Acórdão n.º 140200.631 S1C4T2 Fl. 5 5 Mesmo nos casos em que a norma que contém a exigência esteja em desconformidade com o texto constitucional, cabe ao sujeito passivo a obrigação de satisfazer o pagamento, pois os atos editados pelo poder público, até decisão em contrário, gozam de presunção de legalidade. Nesta linha, mesmo diante das hipóteses de exigência indevida de tributo cabe ao sujeito passivo efetuar o pagamento até que se verifique uma das seguintes hipóteses: a) Decisão do Supremo Tribunal Federal, em controle concentrado de constitucionalidade, declarando a inconstitucionalidade da norma que instituiu o tributo; b) Resolução do Senado Federal editada nos termos do artigo 52, X, da CF, suspendendo a execução, no todo ou em parte, da norma declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal e c) A Administração Pública, através de ato competente, administrativamente reconhece que o tributo cobrado é indevido. Para os pagamentos realizados antes da vigência da Lei Complementar 118, de 2005, nos casos de situação litigiosa, o marco decadencial, à luz do artigo 168, II, do CTN, se dá quando verificada uma das condições acima elencadas. Afastada, em relação ao caso concreto, a aplicação do artigo 3° da Lei Complementar 118, de 2005, há que se analisar o disposto no artigo 168, I, do CTN, que dispõe que o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 anos, contados da data da extinção do crédito tributário. A questão a ser superada diz respeito ao momento da extinção do crédito tributário. No que diz respeito à extinção do crédito tributário, o artigo 156 do CTN contém as seguintes previsões: “Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV a remissão; V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus § § 1º e 4º; VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X a decisão judicial passada em julgado; XI a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. (AC) (Inciso acrescentado pela Lei Complementar nº 104, de 10.01.2001, DOU 11.01.2001).” Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10875.901882/200852 Acórdão n.º 140200.631 S1C4T2 Fl. 6 6 Nos casos de lançamento por homologação, em relação à extinção do crédito tributário, a situação se subsume ao disposto no inciso VII do artigo 156, do CTN, que dispõe que a extinção do crédito tributário se dá com o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º. Assim, nos casos de lançamento por homologação, em que ocorre o auto lançamento, para extinção do crédito tributário são necessários, concomitantemente, dois requisitos, quais sejam: a) o pagamento; b) a homologação do lançamento, nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º. O § 1° do artigo 150, do CTN, é expresso ao prever que a extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado está condicionada a uma condição resolutória, qual seja, a homologação do pagamento que, se não realizada de forma expressa, ocorrerá, tacitamente, após o decurso de cinco anos, conforme previsto no artigo 150, § 4° do CTN. Assim, o crédito tributário somente estará extinto após sua respectiva homologação que, se não realizada de forma expressa, se dá no prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Por longo tempo, para os pedidos de restituições referentes a fatos anteriores à vigência da Lei Complementar n° 118, de 2005, meu entendimento era de que o marco do prazo decadencial para o pedido de restituição, ressalvadas as hipóteses de litigiosidade acerca da legalidade ou constitucionalidade da exigência, davase com a data do pagamento. No entanto, em face ao que dispõe o artigo 156, VI, combinado com o artigo 150, §§ 1° e 4° e artigo 168, I, todos do CTN, tenho que a melhor posição é a que se firmou junto ao STJ, motivo pelo qual, com tais considerações, revisei posição anterior passando a adotar, para os fatos ocorridos anteriores à vigência da Lei Complementar n° 118, de 2005, a tese dos 5 + 5. No caso concreto, quer pelos fundamentos especificados na primeira parte deste voto, por si só suficientes, quer pela tese dos 5 + 5, não há decadência. Para que não de alegue omissão, destaco que o prazo para entrega da DIPJ não se confunde com o marco inicial do prazo decadencial. Nesta linha, com tais considerações, rejeito os demais argumentos articulados nas razões de recurso. Especificamente quanto ao saldo negativo de recolhimentos de IRPJ e CSLL, a 1a. Turma da CSRF vinha decidindo que o inicio da contagem prazo deslocase para a data da entrega da declaração. Nesse sentido citese o Acórdão nº 0106.047, de 10/11/2009, proferido no recurso 105152.539. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido; extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário arts. 165 I e 168 I da Lei 5172 de 25 de outubro de 1966 (CTN). No caso do saldo negativo de IRPJ/CSLL (real anual), o direito de compensar ou restituir iniciase em abril de cada ano (Lei 9.430/96 art. 6° / RIR199 ART. 858 § 1° INCISO II). Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10875.901882/200852 Acórdão n.º 140200.631 S1C4T2 Fl. 7 7 Todavia, na sessão da CSRF de agosto/2010, a matéria foi revista, conforme Acórdão 910100.347, cuja ementa elucida: SALDOS NEGATIVOS DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL. O prazo para pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ ou CSLL,acumulado, devidamente apurado e escriturado, é de 5 anos contados d operíodo que a contribuinte ficar impossibilitada de aproveitar esses créditos,mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo encerramento de atividades.Recurso Provido. O aproveitamento dos saldos negativos nos períodos de apuração seguintes independe autorização prévia da RFB, muito menos está sujeita a apresentação de DCOMP. Tratase de um verdadeiro contacorrente, a exemplo do que ocorre com o Imposto sobre Produtos Industrializado. A cada período de apuração, o contribuinte apura o tributo devido, verifica o saldo de recolhimento do período anterior (existência de saldo negativo), bem como as retenções na fonte, e apura o saldo a pagar ou o novo saldo negativo de recolhido. Tratase de um procedimento dinâmico, que deve ser controlado na contabilidade e no LALUR. Nos termos do art. 264 do Regulamento do Imposto de Renda, o contribuinte deve manter em boa guarda todos os comprovantes de apuração, retenção e recolhimentos, enquanto estiver realizando aproveitamento de saldos anteriores, tal qual ocorre com o saldo de prejuízos fiscais ou lucro liquido negativo ajustado. Enquanto o contribuinte se mantiver no regime de apuração do lucro real poderá aproveitar esses saldos negativos de recolhimento. Mas se encerrar suas atividades ou mudar de regime, tem cinco anos para pleitear a restituição ou compensação desse saldo. ISSO POSTO, voto no sentido de para afastar o decurso de prazo para apreciação do crédito, determinandose o retorno dos autos à DRF de origem para verificar a procedência do direito creditório do contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 10880.906310/2008-91
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Sat Mar 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para análise da documentação contábil carreada ao processo e lhe atribua certeza e liquidez do crédito pleiteado.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para análise da documentação contábil carreada ao processo e lhe atribua certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Cássio Schappo – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. Relatório O presente processo teve origem com a apresentação de PER/DCOMP na data de 14/11/2003(fls.6), que tem como objeto Declaração de Compensação de crédito por pagamento indevido ou a maior de COFINS, no valor de R$ 45.009,89 do Período de Apuração julho/2000, através de DARF arrecadado na data de 15/08/2000 no valor de R$ 137.840,55. O débito compensado referese a COFINS, apurada no mês de outubro de 2003 no valor de R$ 71.804,28. O Despacho Decisório (fls.1) não homologou a compensação declarada por inexistência de crédito, pois o valor do DARF indicado foi integralmente utilizado para quitação do débito de COFINS do período de apuração 31/07/2000. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 06 31 0/ 20 08 -9 1 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10880.906310/200891 Resolução nº 3001000.017 S3C0T1 Fl. 3 2 Adoto a partir desse ponto o relato do acórdão recorrido da 3ª Turma Especial 3ª Seção, por bem dispor sobre a questão discutida: O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls. 11/13, argumentando que havia necessidade de a RFB promover a sua intimação a fim de que apresentasse justificativa a respeito dos créditos. Ressalta que o Ato Declaratório Interpretativo SRF n.º 25/2003, foi exarado no sentido de que o despacho decisório é nulo quando impede o contribuinte de apresentar justificativa do seu direito creditório. Afirma que o despacho decisório é na realidade um lançamento de ofício e adquire a natureza de um auto de infração. Informa que o crédito em questão foi apurado em outubro/2003 e que decorre de recolhimentos indevidos de COFINS e PIS no período de abril/99 e julho a setembro/2003, ocorrido sobre receitas provenientes de valores reconhecidos judicialmente, que por sua vez não configuram receita tributável. Requer a realização de diligência com a finalidade de apurar a veracidade dos fatos, com fundamento no art. 16 do Decreto n.º 70.235/72. Ainda na manifestação de inconformidade anexa planilha apontando o crédito pleiteado. Às fls. 50/58 sobreveio o acórdão n.º 1631.4819 ª Tuma da DRJ de São Paulo, que por sua vez indeferiu o pedido por compreender não ter havido cerceamento de defesa, uma vez que o contribuinte foi regularmente cientificado do despacho decisório, bem como porque o despacho decisório foi motivado na falta de crédito disponível. Além do que, os julgadores apontaram que o contribuinte não apresentou prova da existência do crédito e que se limitou a apenas alegar o seu direito e ainda negou provimento ao pedido de diligência. Inconformado com a decisão, apresentou Recurso Voluntário às fls. 61/77 repisando os mesmos argumentos já trazidos na manifestação de inconformidade, valendo destacar a sua insistência de que o crédito decorre de decisões judiciais e de pagamentos indevidos de PIS e COFINS. Destaca que as planilhas apresentadas à fl. 37 e depois à fl. 93/94, foram elaboras com base em registros extraídos do Livro Diário às fls. 95/96 e que os créditos são originários do recolhimento indevido das contribuições nos períodos de abril/99 e julho a setembro/2003, nos termos do art. 3º, § 2º, inciso II da Lei n.º 9.718/98, já que este dispositivo exclui da base de cálculo do tributo as reversões de provisões que não representem ingressos de novas receitas. Por fim, insiste na realização de diligência a fim de que seja verificado que lhe assiste razão ao direito creditório. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10880.906310/200891 Resolução nº 3001000.017 S3C0T1 Fl. 4 3 Na decisão de primeiro grau, consta informação dando conta de que o DARF que justifica o crédito não se refere a período de apuração correspondente aos meses de fevereiro/99, abril/99 a agosto/2003. O voto condutor do acórdão recorrido (fls.100/101), que negou provimento ao Recurso Voluntário, foi instruído nos seguintes termos: Não assiste qualquer razão ao contribuinte. Primeiramente porque não há necessidade da RFB o intime a justificar a origem do crédito, antes de emitir o despacho decisório, pois basta que na manifestação de inconformidade sejam apresentadas as provas que embasaram o creditamento realizado por meio das PER/DCOMPs para que o débito seja excluído, razão pela qual não se aplica ao caso o Ato Declaratório Interpretativo SRF n.º 25/2003. Além do que, não há fundamento jurídico para que prospere a alegação de que o despacho decisório possui natureza de lançamento, pois uma vez realizada a compensação, por iniciativa do contribuinte, cabe a Fazenda Nacional verificar a regularidade de tal ato, nos termo do art. 74 do § 11 da Lei n.º 9.430/96, ou seja, a compensação sempre é realizada sob condição resolutória, por força da lei. Quanto a alegação de falta de motivação do despacho decisório, compreendo que este argumento também deve ser afastado, principalmente porque a justificativa do indeferimento da compensação foi a ausência de crédito disponível para fazer frente ao débito informado. Logo, aqui está a motivação, ou seja, carência de crédito. Por outro lado, se o contribuinte pretende demonstrar que o débito inexiste, então deveria ter apresentado prova do seu direito com a finalidade de reduzir ou extinguir o débito confessado por meio de PER/DCOMP, ou seja, lastro contábil, visto que sobre ele recai o ônus probatório, nos termos do art. 16 do Decreto n. 70.235/72. O que é inadmissível é a alegação fazia de que a origem do crédito decorre de receitas tributadas indevidamente, sem demonstrar a sua origem. Já o argumento de que o despacho decisório constitui lançamento de ofício é descabido, tendo em vista que o débito em exame teve origem na confissão realizada pelo próprio contribuinte, logo desnecessário o ato de constituição do crédito por parte da Fazenda. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10880.906310/200891 Resolução nº 3001000.017 S3C0T1 Fl. 5 4 Quanto ao pedido de diligência formulado pelo contribuinte, compreendo que agiram bem os julgadores de piso em negar o pedido, pois analisando os autos, concluise que realmente não se mostra necessária a realização de diligência, principalmente porque o recorrente não trouxe aos autos nem mesmo indício do seu direito. Feito o encaminhamento à Unidade de Origem para dar ciência do acórdão, consta as fls.103 despacho de encaminhamento, alertando para o seguinte fato: "Observamos a existência de um “Termo de Solicitação de Juntada” de documentos efetuada pelo contribuinte em 11/09/12, sendo de se mencionar que o julgamento do CARF se deu em 24/09/13. Assim, em homenagem ao princípio da economia processual, dentre outros, retornamos este processo ao CARF para que examine o fato identificado e, sendo o caso, proceda a juntada e eventuais outras medidas que entender pertinentes". Dessa forma foi feita a juntada dos documentos apresentados pela recorrente através do termo de fls.105, que tratamse de requerimento e uma série de documentos fiscais e contábeis do período de referência do crédito. Justifica que encontrou dificuldades no levantamento dos documentos apresentados, sendo esses de fundamental importância para a comprovação do direito creditório. Invoca, ao final, o princípio da verdade material para fazer uso dos documentos juntados e poder julgar o caso dentro da mais lídima justiça. Retornando os autos ao CARF para providências, foi recepcionado com a emissão de despacho de admissibilidade de embargos de declaração, contemplado às fls. 149/150, da lavra do Presidente da Terceira Sessão de Julgamento Sr. Rodrigo da Costa Pôssas, que traz a seguinte redação: Tratase de processo que versa sobre a não homologação de Decomp, julgado por meio do Acórdão nº 3803004.559, que negou provimento ao recurso voluntário. O processo foi enviado à origem no dia 08/10/2013 para que fosse dada ciência do Acórdão ao contribuinte, mas foi devolvido no dia seguinte, 09/10/2013, com o despacho de encaminhamento de fls. 103, dando conta de que antes da ocorrência do julgamento houve um pedido de juntada de complementação de recurso voluntário que não fora apreciado. Em conseqüência desse fato, o complemento do recurso voluntário deixou de ser apreciado pelo colegiado na ocasião do julgamento. Examinando os autos, constatase a seguinte cronologia dos fatos: 1) Na fl. 105: a solicitação de juntada do complemento ao recurso voluntário foi feita no dia 11/09/2012; 2) Na fl. 98: a sessão de julgamento ocorreu no dia 24/09/2013; e 3) Na fl. 147: a juntada do complemento do recurso voluntário foi aceita em 26/08/2015. Portanto, é fora de qualquer dúvida que no julgamento ocorrido no dia 24/09/2013 houve omissão na apreciação de argumentos do Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.906310/200891 Resolução nº 3001000.017 S3C0T1 Fl. 6 5 contribuinte, fato que rende ensejo à interposição de embargos de declaração, a teor do art. 65 do RICARF1. 1 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; Embora a autoridade administrativa não tenha apresentado formalmente um embargo de declaração, o princípio da fungibilidade autoriza a recepção do despacho de fls.103 como embargos de declaração, uma vez que foram atendidos os pressupostos regimentais do art. 65 do RICARF, a saber: 1)Tempestividade: o processo chegou ao conhecimento da autoridade administrativa no dia 08/10/2013 e retornou ao CARF no dia seguinte, com a guarda do prazo regimental de cinco dias; e 2) Houve indicação do vício que rende ensejo ao recurso, pois a indicação da data da solicitação da juntada do complemento do recurso voluntário e a data da sessão de julgamento deixa patente a omissão na apreciação de razões de defesa do contribuinte. Considerando que se trata de Acórdão proferido por turma extinta, e que o relator originário não mais integra o Quadro de Conselheiros do CARF, valhome do art. 49, § 6º do RICARF2 para determinar que este processo seja incluído em lote de sorteio a ser efetuado no âmbito da Terceira Seção. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Cássio Schappo, Relator Está evidente que houve a apresentação de documentos pela Recorrente que correspondem a elementos de provas relacionados aos fatos que levaram a contribuinte pleitear o crédito e a compensação com débito de COFINS através da PER/DCOMP antes referenciada e que por falha na juntada em tempo próprio, da própria administração tributária, houve o julgamento do Recurso Voluntário sem leválos em consideração. Os Embargos são procedentes, como bem fundamentado na análise de admissibilidade, pela manifesta omissão por parte do Colegiado quando do julgamento do recurso voluntário, mesmo sendo involuntária, da análise da documentação trazida aos autos pela recorrente. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.906310/200891 Resolução nº 3001000.017 S3C0T1 Fl. 7 6 Em detida conferência dos documentos de fls.106 a 144, verificase que o crédito utilizado no pedido de compensação referese ao Período de Apuração julho de 2000, cujo recolhimento se deu através do DARF pago no dia 15/08/2000 e que esse crédito corresponde ao valor de R$ 45.009,89 tendo como alíquota da COFINS 3% incidente sobre uma Base de Cálculo no valor de R$ 1.500.329,76. É justamente essa base de cálculo levantada de forma extemporânea pela Recorrente, que deverá recair uma melhor análise sobre sua origem. Conforme lançamentos contábeis contidos em seus livros contábeis fls.118, 119 e 120, correspondem a três lançamentos num total de R$ 1.500.329,76 que individualmente contam com os seguintes valores: Fls.118 indica o valor de R$ 1.179.639,47 referente a SALDO FINAL DE PROV. P/CONT. CRED. EXTEMP. IPI CF. RAZÃO em 31/07/2000; Fls.119 indica o valor de R$ 307.808,20 referente a SALDO FINAL DE PROV. P/CONT. CREDITO CF. RAZÃO em 31/07/2000; Fls.120 indica o valor de R$ 12.882,09 referente a CRED. PRESUMIDO DE IPI N/MES 07/2000; Isso posto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência para que a Unidade de Origem confirme a certeza e liquidez do crédito pleiteado no valor de R$ 45.009,89 correspondente a 3% sobre a Base de Cálculo de R$ 1.500.329,76 em conformidade com a documentação contábil apresentada e se necessário intime a interessada a apresentar informações complementares em busca da veracidade dos fatos narrados, possibilitando a ampla defesa e o contraditório (Decreto nº 7.574/2011, art. 35 a 37). Comunique o sujeito passivo, abrindo prazo para a sua manifestação e após retorne os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 161DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.901821/2013-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 21/03/2013
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, torna-se incabível a nulidade arguida.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO
É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.007
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrente A. M. R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 21/03/2013 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, tornase incabível a nulidade arguida. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 18 21 /2 01 3- 41 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10930.901821/201341 Acórdão n.º 3302005.007 S3C3T2 Fl. 3 2 Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, que não homologou a compensação declarada por meio de Per/Dcomp uma vez que o crédito informado já estava integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte . Na manifestação apresentada, a contribuinte aduz que, sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada, por isso, pede que seja recebido o recurso e declarada a nulidade do despacho decisório emitido. Segundo afirma, em resumo: não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade; não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; a autoridade administrativa deve obediência à legalidade e que seus atos devem ser motivados, para que se possa promover a defesa do ato; a não homologação ocorreu por uma questão de sistema de informática, já que o crédito propriamente dito sequer foi apreciado e carece de definição o significado de "disponibilidade do crédito" no despacho decisório. Contudo, acredita se tratar de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restando crédito disponível para ser restituído. Mas, salienta, diversas poderiam ser as situações que acarretariam a restituição do valor recolhido. Contesta a falta de intimação para que pudesse fazer os esclarecimentos necessários, acarretando o cerceamento ao seu direito de ampla defesa. Enfim, diz que o pedido formulado tem como fundamento a inclusão indevida na base de cálculo da contribuição não só da receita decorrente de seu faturamento, mas de outras receitas que não deveriam compôla, conforme inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em outras ações já transitadas em julgado. Em relação à produção de provas, diz que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06046.166. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após regularmente cientificada, apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. Ao final requer que sejam os autos remetidos à Delegacia de origem, para que sejam promovidas diligências necessárias à comprovação do crédito. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10930.901821/201341 Acórdão n.º 3302005.007 S3C3T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.004, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.901828/201362, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.004): PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. DAS NULIDADES Observase que a matéria litigiosa trazida na peça recursal prendese basicamente a arguição de nulidades: a) do despacho decisório que não declinou os motivos do indeferimento de seu pleito, bem como não analisou o mérito do pedido de restituição/ compensação postulado pela empresa, tampouco intimou o interessado a fazer os esclarecimentos necessários a comprovar o alegado, ensejando portanto cerceamento do direito de defesa; b) nulidade da decisão de primeira instância, por ausência de fundamentação e por obstar a produção das provas necessárias, já que sequer é sabido o que não foi reconhecido. Analisase a seguir as nulidades suscitadas. Da fundamentação do despacho decisório Observase que a peça decisória originase do processamento eletrônico das compensações, segundo a legislação de regência da matéria, tendo explícita fundamentação quanto à indisponibilidade do crédito pleiteado, cujos dados demonstrados no referido despacho decisório, seja quanto aos valores do crédito e débitos declarados, estão amparados na PER/DECOMP acostada aos autos. Conclui assim referido despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, crédito disponível para compensação pretendida. Notese que essa situação fática, inclusive é ratificada da pela própria recorrente, quando infere que do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restou crédito disponível para ser restituído, no Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10930.901821/201341 Acórdão n.º 3302005.007 S3C3T2 Fl. 5 4 entanto, tece considerações sobre outras formas de verificação do suposto indébito. Vêse portanto que o despacho decisório apresentou a motivação adequada à situação em exame, respaldandose nos dados oriundos da PER/DECOMP transmitida pelo próprio sujeito passivo. Notese ainda que a contribuinte foi regularmente cientificada do despacho decisório, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, o que lhe oportunizou o exercício do contraditório e da ampla defesa, comparecendo assim aos autos, com a manifestação de inconformidade que inaugurou a lide e recurso voluntário nas referidas instâncias administrativas, onde demonstra perfeita cognição dos fatos demonstrados no despacho decisório pela linha argumentativa apresentada. Instaurada a lide, esse é o momento processual para que a contribuinte apresente os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, inexistindo omissão da autoridade administrativa quanto às intimações suscitadas, visto que os dados utilizados no referido despacho foram fornecidos pelo próprio sujeito passivo, prescindindo assim de motivação para que referida autoridade administrativa diligenciasse com vistas a perquirir a origem do crédito, já que o tratamento inicial dos dados revelou a indisponibilidade do crédito pleiteado. Da fundamentação da decisão de piso Igualmente não prospera a nulidade arguida quanto à suposta falta de motivação da decisão de piso, haja vista que a leitura da referida peça revela que todas as preliminares suscitadas foram devidamente fundamentadas, bem como a análise meritória do pleito, quanto aos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Assim a r. turma julgadora demonstrou fundamentadamente a motivação de sua decisão, exercendo assim a prerrogativa da livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme lhe assegura o 1art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ante as considerações acima não se vislumbra qualquer mácula no referido despacho decisório, tampouco na decisão de piso, que enseje a declaração de nulidade, visto que além da observância da norma processual específica, Decreto nº 70.235, de 1972, também atendem às normas dispostas nos arts. 2º e 50, da Lei nº 9.784, de 1999. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA A contribuinte requer a realização de diligência, visando demonstrar nessa oportunidade, as provas que lastreiam o crédito pleiteado. Em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório, bem como o disciplinamento na norma processual, quanto a um pedido de diligência. 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10930.901821/201341 Acórdão n.º 3302005.007 S3C3T2 Fl. 6 5 Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, verifica se: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações.(grifei). Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observese que a premissa para verificar a origem do crédito, que é a constatação do indébito, inexiste no presente caso, visto que restou demonstrado no citado despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. Ressaltese que, no presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, cabendo ao requerente de um suposto direito creditório demonstrar ao fisco, os livros e documentos exigidos pela legislação para a comprovação de seu direito. Neste sentido, a recorrente teve a oportunidade processual, uma vez que lhe foram assegurados o contraditório e ampla defesa, quando da apresentação da manifestação de inconformidade de apresentar documentos/livros que demonstrem à Administração Tributária o suposto o crédito pleiteado. Com efeito, como já ressaltado, a própria recorrente destaca inferir quanto ao despacho decisório que se trata de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o crédito declarado em DCTF, aventando porém estirem outras situações que acarretariam a restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo da exação, no entanto permaneceu silente quando do oportuno momento processual de trazer as provas que lastreiam o seu crédito pleiteado e assim, ensejar uma diligência pelo órgão a quo para verificar a materialidade do crédito arguido, porém a recorrente limitouse em suas peças defensórias a aduzir alegações e solicitar diligências sem demonstrar o lastro probatório que se faz necessário, em se tratando de direito creditório pleiteado, como já destacado. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10930.901821/201341 Acórdão n.º 3302005.007 S3C3T2 Fl. 7 6 Por oportuno, registre o que prevê o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 18 – A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’.”(grifei). Verificase assim que o deferimento de um pedido de diligência ou perícia, pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria ou colher determinada prova, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida, ou ainda que se faça premente uma análise que exija conhecimentos técnicos específicos, o que não é o caso dos autos, cuja documentação objeto da diligência solicitada deixou de ser apresentada em momento oportuno quando da apresentação da manifestação de inconformidade, tampouco apresentou a Requerente até então a demonstração de qualquer impedimento para realização de seu mister. Observese ainda que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da Recorrente. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. DA APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS Protesta a Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou a recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. Pelo exposto, não há reparos na decisão de piso, uma vez que escudada no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, não acatou a solicitação de Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10930.901821/201341 Acórdão n.º 3302005.007 S3C3T2 Fl. 8 7 apresentação posterior de prova, diferente do prazo estabelecido, destacando em reforço argumentativo, que sequer foram juntadas aos autos quaisquer documentos necessários à sua análise. MÉRITO Da inexistência probatória Tendo em vista que a questão dos autos diz respeito ao instituto da compensação, forma de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156 do CTN, e disciplinada no art. 170 do referido diploma legal, há exigências fundamentais para que possa ser operacionalizada a compensação, no âmbito do Direito Tributário, sendo as principais: (1) a necessidade de lei que autorize a compensação; e (2) que os créditos de titularidade do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Dizse assim que um crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, a certeza diz respeito à existência do crédito e a liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do contribuinte e existindo lei que preveja a compensação, procederseá ao encontro das dívidas. Nesse mister, a compensação está disciplinada nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, no caso em apreço, quanto à questão meritória, destaca a recorrente que ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Assevera ainda que incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôla e nesse sentido utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Ocorre que a recorrente ao enfatizar essa questão o faz de forma genérica, sem identificar quais receitas compuseram indevidamente a base de cálculo da COFINS, tampouco acosta aos autos quaisquer elementos probatórios que o respalde, tais como livros/documentos que sejam passíveis de análise por essa turma julgadora. A lei estabelece o dever de motivação do ato administrativo, que no caso em apreço restou perfeitamente demonstrada a motivação das peças decisórias até então analisadas. Ocorre que o artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece os requisitos a serem cumpridos pelo contribuinte quando da apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade, entre os quais, na dicção do inciso III do art. 16, do citado diploma legal a matéria posta em lide há de ser expressamente contestada, ou seja há de demonstrar o interessado [...os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. No caso em exame, embora pondere a interessada que está respaldada na decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal, no sentido da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das referidas Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10930.901821/201341 Acórdão n.º 3302005.007 S3C3T2 Fl. 9 8 contribuições, cabe à interessada a prova da existência de seu direito, demonstrando a liquidez e certeza dos créditos alegados, utilizados para extinção do crédito tributário sob condição resolutória, através da apresentação, dos livros e documentos estabelecidos pela legislação para a comprovação da exatidão de suas informações, quando da inauguração da lide, haja vista que declarou à Administração Tributária possuir um montante de crédito, utilizado para extinguir os débitos compensados. No entanto, como já exposto em sede preliminar, a recorrente não se desincumbiu do ônus probatório que lhe competia para demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, já que em suas peças defensórias deixou de carrear aos autos qualquer elemento probatório que lastreie o seu pleito. Cabe registrar que a matéria em exame encontra precedente no âmbito deste Egrégio Conselho, com relação ao mesmo sujeito passivo, nos termos do Ac nº 3803004.798 , de 26/11/2013, a seguir ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da declaração de compensação transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO.COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de desprovimento do recurso. MOMENTO POSTERIOR DE PRODUÇÃO DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), em especial no Decreto 70.235/72, não havendo como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS, E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10930.901821/201341 Acórdão n.º 3302005.007 S3C3T2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu rejeitar as preliminares suscitadas, e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.906895/2012-66
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007
DCOMP. COFINS. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS ADVINDOS DE DCTF. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF.
Não deve prosperar o pedido de compensação, cujo argumento solidifica-se na existência de crédito em DCTF, enquanto, na verdade, ao compulsar os autos, verifica-se que tais valores foram efetivamente confessados, conforme descrito em Despacho Decisório e declarada em DCTF.
Numero da decisão: 3001-000.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cléber Magalhães e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007 DCOMP. COFINS. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS ADVINDOS DE DCTF. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. Não deve prosperar o pedido de compensação, cujo argumento solidifica-se na existência de crédito em DCTF, enquanto, na verdade, ao compulsar os autos, verifica-se que tais valores foram efetivamente confessados, conforme descrito em Despacho Decisório e declarada em DCTF.
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COFINS. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS ADVINDOS DE DCTF. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. Não deve prosperar o pedido de compensação, cujo argumento solidificase na existência de crédito em DCTF, enquanto, na verdade, ao compulsar os autos, verificase que tais valores foram efetivamente confessados, conforme descrito em Despacho Decisório e declarada em DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cléber Magalhães e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 68 95 /2 01 2- 66 Fl. 79DF CARF MF 2 Relatório Despacho Decisório 040064684 Tratase de decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp registrada sob n.º 34496.56864.060410.1.3.046488, enviada em 06/04/2010, referente a pagamento indevido ou a maior, sendo que o crédito analisado corresponde ao valor original na data de transmissão do Per/Dcomp no total de R$ 6.987,07. A partir das características do DARF discriminado no Per/Dcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, no caso, os constantes no Per/Dcomp 35401.37626.131107.1.3.042403, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp 34496.56864.060410.1.3.046488. Manifestação de Inconformidade Em sua defesa, a Recorrente mencionou a equivocada declaração de débito na Dcomp. Erro no preenchimento da Dcomp Aduz a Recorrente, que embora tenha sido declarado débito no Per/Dcomp 35401.37626.131107.1.3.042403, tais valores não encontram respaldo na DCTF correspondente, havendo, portanto, mero erro de preenchimento nas Declarações de Compensação. DRJ/RPO A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 1449.468 4ª Turma ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2007 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DComp. RETIFICAÇÃO. Consideramse confissões de dívida os débitos declarados em Declaração de Compensação. Os débitos contidos na DComp podem ser retificados/cancelados por iniciativa da contribuinte, nos termos da norma de regência. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que se verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10380.906895/201266 Acórdão n.º 3001000.131 S3C0T1 Fl. 80 3 O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar a situação fática, será aproveitado conforme a transcrição a seguir: Trata o presente processo de PER/Dcomp de crédito da Contribuição para a Cofins de março de 2007, no valor de R$ 6.987,07. A DRF em Fortaleza, por meio do despacho decisório de fl. 07, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado ter sido parcialmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte na DComp 35401.37626.131107.1.3.042403, anteriormente entregues e não canceladas/retificadas, além da alocação relativa ao valor declarado em DCTF de R$ 10.480,96. Cientificada do despacho, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 11/12. Argumenta que: Os débitos indicados no PER/DCOMP n° 35401.37626.131107.1.3.042403 não existem conforme se verifica na DCTF em anexo do período correspondente; Por fim, solicita a homologação da compensação apresentada. No voto, a autoridade julgadora de primeira instância firma seu entendimento no sentido de delimitar o tema a ser enfrentado, qual seja, a possibilidade de autorizar a compensação quando existe divergência entre débito declarado na Dcomp, e a ausência deste débito em DCTF. crédito indicado no PER/Dcomp já fora utilizado na DComp nº 35401.37626.131107.1.3.042403. Não existe, portanto, saldo passível de restituição além daquele indicado no Despacho Decisório. Para que existisse algum saldo a restituir, seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado ou cancelado a Dcomp anteriormente até a transmissão da nova PER/Dcomp. Como não o fez, não havia saldo de pagamento sobre o qual a autoridade fiscal tivesse que se manifestar. Não o tendo feito, não cabe à autoridade da RFB suprirlhe a falta, investigando um suposto débito inexistente e sendo este confessado pela contribuinte, tendo em vista que a Dcomp é documento com conteúdo confessional. Falta de Prova Indo além no voto, percebese que a autoridade de primeira instância, além de julgar inexistente o crédito alegado, pela ausência de retificação da Dcomp, entendeu que, mesmo havendo o crédito, não teria condições de demonstrálo com a parca documentação acostada a esses autos. Seguese a trechos do voto com a exposição de seu raciocínio: Fl. 81DF CARF MF 4 ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível o reconhecimento do direito creditório, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior.. não juntou qualquer documento que comprovasse os valores recolhidos indevidamente ou maior que o devido. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. para desconstituir o débito confessado, a contribuinte deveria indicar o erro, o motivo do erro e juntar toda a documentação para comprovar a argumentação. Contudo, nada foi juntado, preferindo ficar somente nas alegações Recurso Voluntário A recorrente, em sua defesa, apresentou resumo fático no qual destacou que protocolou o Per/Dcomp n.º 4496.56864.060410.1.3.046488. O motivo foi o pagamento a maior relativo à Cofins competência de março de 2007. Contornos desta Líde Sua divergência perante a decisão de primeira instância administrativa, parte da indicação, no Despacho Decisório (DDE) e pela autoridade julgadora, aos Per/Dcomps 35401.37626.131107.1.3.042403, vez que o crédito pleiteado teria sido utilizado nestes procedimentos. Ainda, insurgese contra a necessidade de retificação de suas Perd/Dcomp, em que pese a argumentação oficial pela existência do débito tributário nela confessado. Possibilidade de Compensação de Créditos Advindos de DCTF Válida Antes de adentrar no mérito, a recorrente introduz breve resumo sobre a legislação que disciplina o instituto da compensação, mencionando seus requisitos, quais sejam, a. autorização legal, b. obrigações recíprocas, e c. dívidas líquidas e certas. Validade da DCTF Retificadora Traz aos autos jurisprudência deste CARF, cuja ementa indica a possibilidade de formalização de informações através de DCTF retificadora. Ausência de Débito em DCTF Neste ponto, evidenciase a insurgência da recorrente em face da exigência, exposta na decisão de primeira instância administrativa, de haver, necessariamente, a retificação da Per/Dcomp 14047.53693.131107.1.3.049486 original, na qual constava a informação declarando o débito. Segundo consta, a recorrente busca legitimar seu direito no fato de a DCTF não conter a informação do débito, mas tão somente, na DComp; ainda, q ue seria a DCTF o meio para formalizar o crédito. Fundamenta seu raciocínio no artigo 8.º da IN 1.110/2010. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10380.906895/201266 Acórdão n.º 3001000.131 S3C0T1 Fl. 81 5 Prescrição a partir da entrega da DCTF Por fim, a recorrente busca a declaração da prescrição da cobrança ora em curso, vez que transcorreramse mais de 05 anos da entrega da DCTF e da efetiva cobrança judicial. Alega não se tratar de decadência, justamente pelo motivo de o débito estar confessado, e, a partir daí, não se necessitar mais de lançamento para constituir o crédito tributário. Por fim, segundo a tese da recorrente, o fisco teria 5 anos para exigir o débito judicialmente. Do pedido Pugnou pela aplicação dos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. A legitimação do crédito pago a maior. Protestou por todos os meios de prova, inclusive perícia. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Mérito Ao analisar a documentação nos presentes autos, pôdese evidenciar a alegação da ocorrência de pagamento indevido, relativo a Cofins de março de 2007. Em 2010, a recorrente protocolizou a Dcomp 34496.56864.060410.1.3.046488 objeto desta análise, a qual reclamava a utilização do crédito gerado com o alegado pagamento indevido de Cofins em contraponto ao débito de Cofins, relativo ao mês Fevereiro de 2010. Possibilidade de Compensação de Créditos Advindos de DCTF Válida Em 2009, houve o envio da DCTF n.º 1000.000.2009.2080234049 relativa ao 2.º semestre de 2005, na qual consta na ficha 'Débito Apurado e Créditos Vinculados', grupo de tributos CSLL, no período de apuração dezembro de 2005, débito apurado no valor de R$ 14.280,82. Foi efetuado pagamento de R$11.701,53 e compensado, em razão de pagamento indevido ou a maior, a quantia de R$ 2.579,29. Ainda, a formalização do pedido se deu através da DComp 17736.54221.290807.1.3.042535. No ano de 2012, em resposta à DComp 34496.56864.060410.1.3.046488, sobreveio o Despacho Decisório Eletrônico n.º 040064684, o qual houve por bem, homologar parcialmente a compensação declarada. O motivo exposto no mencionado DDE, fora que o crédito advindo do Fl. 83DF CARF MF 6 pagamento indevido de Cofins, março de 2007, teria sido absorvido pelo débito declarado nas Dcomp 35401.37626.131107.1.3.042403. Como visto em Relatório, as alegações em manifestação de inconformidade da recorrente, o argumento indicado para legitimar a utilização do crédito, é a inexistência de débito constituído em DCTF válida, qual seja, a de n.º 1000.000.2009.2080234049. Existência de débito em DCTF A recorrente alega que a compensação declarada na DComp 34496.56864.060410.1.3.046488 devem prevalecer sobre os débitos expostos nas DComp 35401.37626.131107.1.3.042403 por não estarem lançados na respectiva DCTF. Contudo, na DCTF 1000.000.2009.2080234049 referente ao 2.º semestre de 2005, consta na ficha 'Débito Apurado e Créditos Vinculados', grupo de tributos CSLL, no período de apuração dezembro de 2005, débito apurado no valor de R$ 14.280,82. E mais. Constatase que foi efetuada a compensação, em razão de pagamento indevido ou a maior, conforme a DComp 17736.54221.290807.1.3.042535, exatamente nos moldes do Despacho Decisório. Não prosperando, assim, a alegação da recorrente no sentido de inexistir débito em DCTF válida, vez que existe débito e foi compensado . Prescrição a partir da entrega da DCTF Não existe prescrição em favor do contribuinte conforme postulado pela recorrente. Segue acórdão: Acórdão nº 1401002.067 COMPENSAÇÃO DCTF INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA A homologação tácita é previsão peculiar e exclusiva da compensação mediante DCOMP. Não pode ser estendida por analogia para outras formas de compensação. Desse modo, no caso de valores registrados na DCTF, assim como em outras declarações, como a DIPJ, a Fazenda Pública tem o direito de verificar as informações que julgar necessárias para reconhecer o indébito tributário e não se sujeitar a um suposto prazo decadencial não previsto em lei. Evidentemente que, esgotados os cinco anos da realização da compensação, o Fisco perde o direito de cobrar o crédito tributário, mas por força do fenômeno da prescrição do direito de cobrar. Isso não significa que tenha que acatar que a efetiva liquidação da dívida foi promovida para fins de aferir o direito de repetição do contribuinte. RESTITUIÇÃO INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA E DE DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO PERQUIRIR DIREITO CREDITÓRIO Não se pode transmutar uma disposição legal relativa a um prazo extintivo para um lapso aquisitivo. É ir muito além das fronteiras da interpretação, especialmente porque não haveria limites ao indébito. No caso de homologação do pagamento ou da compensação, o direito está limitado ao próprio valor do crédito tributário que se pretende extinguir, como na usucapião, que, apesar de se caracterizar como uma prescrição aquisitiva, está limitada ao próprio bem concreto que se pretende adquirir. Já a aquisição Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10380.906895/201266 Acórdão n.º 3001000.131 S3C0T1 Fl. 82 7 pura e simples de um valor monetário por decurso de prazo na verificação de informações redundaria na possibilidade de se consolidarem direitos contra a Fazenda Pública de montantes estratosféricos e totalmente irreais. Os prazos extintivos visam à pacificação social, à consolidação pelo tempo de situações já estabelecidas. Em razão disso, há dois tipos de prazos em matéria tributária, ambos relativos à extinção de direitos do Fisco em face do particular: a decadência que fulmina o poder de constituir o crédito tributário, e a prescrição que elimina o direito de cobrar. Ambos os casos consolidam situações concretas que se perpetuaram no tempo, ou seja, como o sujeito passivo até então não pagou, então por inércia do Fisco continuará a não pagar. Na prescrição aquisitiva da usucapião, há de igual sorte uma perpetuação no tempo, pois aquele que adquire a propriedade já dispunha da posse, vale dizer, a relação concreta com o bem permanece a mesma. Já uma suposta prescrição aquisitiva de pretenso indébito tributário geraria uma modificação no plano fático, qual seja, a transferência de recursos ilimitados de domínio público para a esfera privada. Em suma, no curso do processo administrativo de restituição, a Administração tem o poder de verificar e o particular o dever de manter todos os documentos que se referiram ao direito pleiteado. Conclusão Diante do exposto, conheço do Recurso e negolhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 85DF CARF MF
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Numero do processo: 18470.723005/2012-85
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
TERMO DE INDEFERIMENTO. ATIVIDADE ECONÔMICA. CNAE.
PRAZO.
Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitando-se ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo.
Numero da decisão: 1001-000.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2012 TERMO DE INDEFERIMENTO. ATIVIDADE ECONÔMICA. CNAE. PRAZO. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitando-se ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
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ATIVIDADE ECONÔMICA. CNAE. PRAZO. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 30 05 /2 01 2- 85 Fl. 42DF CARF MF 2 Tratase de Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 05) para o ano calendário 2012, tendose em vista as atividades vedadas , nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso XI, XII e XIII. Após tomar ciência do contido do Termo de Indeferimento a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade. A decisão de primeira instância (efls. 24/28) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o interessado ao promover a alteração contratual, o fez após o prazo estabelecido na norma (até seu último dia útil do mês de janeiro). Cientificada da decisão de primeira instância em 06/07/2012 (efl. 30) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 03/08/2012 (efl. 40), em que aduz, em resumo, que não deveria ser prejudicada pela demora da Jucepa em processar seu pedido de alteração contratual: . Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Tratase, nestes autos, exclusivamente do Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 05) para o ano calendário 2012. Cabe verificar o que dispõe o artigo 17 da Lei nº 123/2006, inciso XI a XIII: “Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) Fl. 43DF CARF MF Processo nº 18470.723005/201285 Acórdão n.º 1001000.286 S1C0T1 Fl. 43 3 XI que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios; XI (Revogado); (Redação dada pela Lei Complementar nº 147, de 2014) XII que realize cessão ou locação de mãodeobra; XIII que realize atividade de consultoria; XIII (Revogado); (Redação dada pela Lei Complementar nº 147, de 2014) (...) A opção pelo Simples Nacional está regulamentada pela mesma Resolução CGSN nº 94/2011: Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) (...) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; O contribuinte não diligenciou de forma a regularizar a pendência no prazo legal, pois apresentou cópia de alteração contratual, registrada no órgão competente em 09.02.2012 (fl.12), em que figura seu objeto social (fl.10). Pela precisão da apreciação, adoto aqui as razões a seguir descritas do voto vencedor do acórdão recorrido: 11. Da consulta aos sistemas informatizados da RFB (CNPJ/CONSULTA/CNPJ) de fls. 20/21, vêse que a única alteração de cadastro (atividade econômica) junto à RFB, no ano de 2012, ocorreu em 13.02.2012, tendo sido informado como data do evento, 09.02.2012. Fl. 44DF CARF MF 4 12. Referida alteração no CNPJ, foi aceita pela unidade cadastradora de jurisdição do interessado e processada em 14.02.2012, permanecendo no CNPJ do interessado as seguintes atividades CNAE (fls. 21/23): (...) 14. O interessado apresentou cópia de alteração contratual, registrada no órgão competente em 09.02.2012 (fls.12), em que figura em seu objeto social (fls.10) as seguintes atividades: (...) 15. As alterações do ato constitutivo estão sujeitas ao registro público, sem o qual não tem validade e não produz os efeitos que lhe são próprios, conforme dispõe o Código Civil: Art. 1.154. O ato sujeito a registro, ressalvadas disposições especiais da lei, não pode, antes do cumprimento das respectivas formalidades, ser oposto a terceiro, salvo prova de que este o conhecia. Parágrafo único. O terceiro não pode alegar ignorância, desde que cumpridas as referidas formalidades.(grifo nosso) 16. Ocorre que o interessado ao promover a alteração contratual, o fez após o prazo estabelecido na norma (até seu último dia útil do mês de janeiro). 17. Face ao exposto, mantenho o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (TI), de fls.5. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 45DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.902005/2011-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/06/2002
DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO
O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.256
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2002 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado.
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente RICAL RACK INDUSTRIA E COMERCIO DE ARROZ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2002 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 20 05 /2 01 1- 27 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13227.902005/201127 Acórdão n.º 3301004.256 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP, transmitido eletronicamente. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado do Despacho Decisório o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que, em revisão realizada nos cálculos, a empresa identificou que havia recolhimentos a maior de PIS e Cofins decorrentes de inclusão de receitas isentas na base de cálculo, fato que lhe possibilitaria a restituição e compensação com outros débitos. Constatando que o crédito havia sido indeferido, o contribuinte identificou que isto ocorreu pelo fato de não terem sido retificadas as DCTF, embora o crédito seja totalmente devido. Acrescentou que a resolução das divergências encontradas no cruzamento de informações no sistema da Receita Federal do Brasil que gerou o indeferimento do crédito poderia ser resolvido com uma simples retificação de DCTF. Porém, em função de terem transcorridos mais de cinco anos desde o fato gerador do crédito, o contribuinte fica impossibilitado de retificar as informações. Por isso, requereu a correção da informação prestada em DCTF, a fim de sanar os motivos que ensejaram o indeferimento, se colocando à disposição para comprovar a existência do crédito da forma que a autoridade fiscal entender necessário, e ainda que: a) sejam corrigidos os valores dos tributos devidos em função da impossibilidade do contribuinte retificar as DCTF da época; b) caso entenda a autoridade fiscal necessária a comprovação das bases de cálculo, informe a forma e os documentos que deseja que sejam apresentados; c) sejam declarados homologados os pedidos de restituição; d) sejam declaradas homologadas as compensações. A DRJ em Belo Horizonte (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, sob fundamento da não comprovação da existência e suficiência do crédito postulado, nos termos do Acórdão nº 02051.141. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em que repisa os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e, nos seguintes termos: Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13227.902005/201127 Acórdão n.º 3301004.256 S3C3T1 Fl. 4 3 2.1 DA DECADÊNCIA DA POSSIBILIDADE DE RETIFICAR A DCTF INEXISTÊNCIA DE DECADÊNCIA DO CREDITO; 2.2 DA INEXISTÊNCIA DE FALTA DE COMPROVAÇÃO INAPLICABILIDADE DO ART 333 DO CPC POSSIBILIDADE DE DETERMINAÇÃO DE DILIGÊNCIAS; 2.3 DA INVIABILIDADE DA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO ECONOMIA PROCESSUAL E EFICIÊNCIA. Além de requerer o provimento do seu pleito, requer alternativamente a realização de diligências a fim de que a Recorrente seja intimada a apresentar os documentos comprobatórios do crédito. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.237, de 02 de fevereiro de 2018, proferido no julgamento do processo 13227.900822/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.237): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Quanto à decadência, adotase o entendimento da decisão recorrida de que ao pedido de retificação de informações da DCTF em razão da impossibilidade de o contribuinte retificála transcorridos mais de cinco anos do fato gerador, ainda que fosse possível transmitir a DCTF retificadora, a mera retificação, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se prestaria para comprovação do pagamento indevido ou a maior. Ademais, conforme se consignou na decisão de piso, a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver como objetivo reduzir débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (art. 9º, § 2o, I, c, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010, vigente na época). Atualmente o art. 9º, § 5o, da Instrução Normativa RFB nº 1.599, de 11 de dezembro de 2015 é cristalino: § 5ºO direito do sujeito passivo de pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13227.902005/201127 Acórdão n.º 3301004.256 S3C3T1 Fl. 5 4 1º(primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração. Portanto, adotase a conclusão constante da decisão recorrida de que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. O art. 165 do CTN dispõe que o contribuinte tem direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, o ônus de provar a liquidez e certeza do direito incumbe àquele que alega detêlo (art. 333 do antigo Código de Processo Civil CPC, em vigor nas datas da apuração do crédito e da emissão do Despacho Decisório, e reproduzido pelo art. 373 do Novo CPC). Dessa forma, é dever da Recorrente comprovar seu crédito e ele teve ampla oportunidade. Assim, tal oportunidade que se encontra precluída em razão de não ter apresentado provas de seu crédito quer na manifestação de inconformidade, quer no Recurso Voluntário. Dessarte, denegase por incabível, o pedido de diligências da Recorrente. Anotese que o fato de a DCTF não ter sido retificada, por si só, definitivamente, não teria o condão de elidir o direito ao crédito garantido pelo art. 165 do CTN. Todavia, para que pudéssemos reconhecêlo, a recorrente deveria ter carreado aos autos demonstrativo da apuração, devidamente conciliado com os livros contábeis. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 59DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.721739/2013-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
GANHO DE CAPITAL. PERMUTA COM RECEBIMENTO DE TORNA EM DINHEIRO. FATO GERADOR. EXISTÊNCIA DE DISCUSSÃO JUDICIAL SOBRE A VALIDADE DO CONTRATO.
Para fins de ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda, assim como para a existência dos seus efeitos, é indiferente a validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis ou terceiros.
Numero da decisão: 2401-005.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. Processo julgado na sessão do dia 07/02/2018, no período da tarde.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e José Alfredo Duarte Filho. Ausentes os conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 GANHO DE CAPITAL. PERMUTA COM RECEBIMENTO DE TORNA EM DINHEIRO. FATO GERADOR. EXISTÊNCIA DE DISCUSSÃO JUDICIAL SOBRE A VALIDADE DO CONTRATO. Para fins de ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda, assim como para a existência dos seus efeitos, é indiferente a validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis ou terceiros.
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secao_s : Segunda Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. Processo julgado na sessão do dia 07/02/2018, no período da tarde. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e José Alfredo Duarte Filho. Ausentes os conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal.
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ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS Recorrente HERMÍNIO BENTO VIEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 GANHO DE CAPITAL. PERMUTA COM RECEBIMENTO DE TORNA EM DINHEIRO. FATO GERADOR. EXISTÊNCIA DE DISCUSSÃO JUDICIAL SOBRE A VALIDADE DO CONTRATO. Para fins de ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda, assim como para a existência dos seus efeitos, é indiferente a validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis ou terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. Processo julgado na sessão do dia 07/02/2018, no período da tarde. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e José Alfredo Duarte Filho. Ausentes os conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 17 39 /2 01 3- 75 Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10945.721739/201375 Acórdão n.º 2401005.275 S2C4T1 Fl. 459 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 19ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), por meio do Acórdão nº 1265.318, de 13/05/2014, cujo dispositivo tratou de considerar a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário exigido neste processo administrativo (fls. 436/439): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 GANHO DE CAPITAL Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos, tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SUSPENSÃO. A suspensão do crédito tributário exigido somente ocorrem em face das hipóteses legais previstas nos incisos do art. 151 do CTN. Impugnação Improcedente 2. Extraise do Termo de Verificação Fiscal, acostado às fls. 360/383, que o processo administrativo, na origem, é composto da exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), relativamente ao anocalendário de 2008, acrescido de juros de mora e da multa de ofício proporcional de 75%, decorrente de ganho de capital auferido com a alienação de participações societárias e outros bens mediante contrato de permuta, com pagamento de parcela complementar, em dinheiro, comumente denominada de torna. O Auto de Infração encontrase juntado às fls. 384/390. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10945.721739/201375 Acórdão n.º 2401005.275 S2C4T1 Fl. 460 3 3. A ciência do auto de infração aconteceu no dia 22/10/2013, tendo o contribuinte impugnado, em 21/11/2013, a exigência fiscal (fls. 392 e 396/398). 4. Intimado em 26/05/2014, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 440/441, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 24/06/2014, em que aduz as seguintes questões de fato e direito contra a decisão de piso (fls. 443/447): (i) a operação de alienação não se efetivou, eis que o précontrato firmado pelas partes em 30/09/2008 acabou não se concretizando, dada a existência de condição suspensiva (cláusula quarta); (ii) além disso, o negócio jurídico está sob discussão judicial, cuja finalidade é o reconhecimento da nulidade dos atos praticados; e (iii) uma vez declarado nulo a transação, dela não decorre efeito jurídico algum, inexistindo razão para a manutenção do crédito tributário lançado. É o relatório. Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10945.721739/201375 Acórdão n.º 2401005.275 S2C4T1 Fl. 461 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 6. De acordo com a documentação que instrui o processo administrativo, o autuado firmou, na condição de vendedor, contratos de permuta de participações societárias e outras avenças com determinadas pessoas físicas, pactuando a troca entre quotas de capital social e ações de titularidade do vendedor com outros bens e direitos pertencentes aos permutantes compradores: (i) permuta de participações societárias das empresas Irmãos Muffato & Cia Ltda, Cerro Verde Transportes e Logística S/A (fls. 31/43); e (ii) permuta de participações societárias das empresas Televisão Londrina Ltda, Rádio e Televisão Tarobá Ltda e Muffato Hotel Ltda (fls. 44/52). 6.1 Com a finalidade de compensar as diferenças entre as avaliações atribuídas pelas partes no que diz respeito aos bens e direitos abrangidos nas operações de permutas, foi estipulado um complemento financeiro mediante recebimento de torna avaliada em dinheiro, dividida em 24 (vinte e quatro) parcelas, tendo como beneficiário o vendedor (Cláusula Terceira, às fls. 38 e 47). 7. A apuração do ganho de capital pela fiscalização deuse proporcionalmente à primeira parcela em dinheiro, no montante de R$ 501.970,83, comprovadamente recebida pelo contribuinte através de depósito em conta bancária, visto que as 23 (vinte e três) parcelas seguintes foram depositadas em conta judicial (fls. 323). 8. Por sua vez, o recorrente sustenta, em síntese, que o negócio jurídico não produziu efeitos, além de estar "sub judice", com vistas à decretação da nulidade do pré contrato assinado entre as partes. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10945.721739/201375 Acórdão n.º 2401005.275 S2C4T1 Fl. 462 5 9. Pois bem. Os argumentos de defesa são precários e insuficientes para invalidar o lançamento fiscal. O agente lançador detalhou no Termo de Verificação Fiscal, o que foi corroborado pelo votocondutor do acórdão recorrido, que os contratos firmados entre as partes envolvidas estão perfeitos e acabados, aptos a produzirem seus efeitos práticos. 9.1 Senão vejamos a redação dos instrumentos de vontade, especificamente as Cláusulas Quarta e Sexta (fls. 40/42 e 49/50): (...) Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10945.721739/201375 Acórdão n.º 2401005.275 S2C4T1 Fl. 463 6 10. Conforme previsto na Cláusula Quarta, foi estabelecida tão somente uma condição suspensiva perante terceiros, devida à necessidade de avaliação dos bens e direitos. Todavia, entre os signatários, segundo a Cláusula Sexta, o negócio jurídico foi considerado consumado e acabado, provocando desde a sua assinatura o cumprimento das obrigações assumidas no instrumento de pactuação, descabendo a qualificação de um negócio jurídico condicional para efeitos tributários. 11. Tanto é assim, que referente à torna, fracionada em vinte e quatro vezes, em cada contrato, procedeuse ao pagamento pelos compradores da primeira parcela diretamente ao contribuinte, por meio de crédito em conta mantida em instituição financeira, no valor total de R$ 501.970,83. 12. Com o recebimento deste valor em dinheiro, é inegável a existência de aquisição de disponibilidade econômica e jurídica de renda, representando, em consequência, acréscimo patrimonial para o contribuinte, sujeito à incidência do imposto de renda sobre o resultado positivo do ganho de capital. 13. No que tange à ocorrência do fato gerador e produção de seus efeitos com relação à primeira parcela da torna em dinheiro, uma vez que perfeito e acabado o negócio jurídico, não tem relevância no campo tributário a falta de transferência de domínio dos bens móveis e imóveis que compõem a operação, devido ao curso da ação judicial que se discute a validade do contrato entre as partes, nem ganha significância o depósito judicial das demais parcelas a título de compensação em dinheiro da permuta, esperando o resultado do litígio instaurado. 13.1 O efetivo cumprimento de todas cláusulas pactuadas é uma questão alheia ao fato gerador da obrigação tributária. 14. Do mesmo modo, uma eventual declaração de invalidade do negócio jurídico pelo Poder Judiciário, nos termos das leis que regem o direito privado, nenhuma implicação terá sobre a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Nesse sentido, o que dispõe o art. 118 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN): Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. 15. Destarte, tendo em conta as razões deduzidas no apelo recursal, não merece reforma a decisão de piso que manteve intacto o lançamento de ofício. Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10945.721739/201375 Acórdão n.º 2401005.275 S2C4T1 Fl. 464 7 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 464DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11052.001330/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 17/12/2010
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO. OMISSÃO DE SEGURADOS. MULTA. REGULARIDADE.
Constitui infração à legislação previdenciária omitir na folha de pagamentos valores pagos aos segurados que lhe prestaram serviços.
Numero da decisão: 2201-004.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Douglas Kakazu Kushiyama.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 23/02/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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FOLHA DE PAGAMENTO. OMISSÃO DE SEGURADOS. MULTA. REGULARIDADE. Constitui infração à legislação previdenciária omitir na folha de pagamentos valores pagos aos segurados que lhe prestaram serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Douglas Kakazu Kushiyama. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 13 30 /2 01 0- 11 Fl. 124DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 12ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I que manteve, parcialmente, o lançamento tributário relativo ao descumprimento de obrigação acessória, por parte do sujeito passivo, de informar em sua folha de pagamento o total da remuneração paga aos seus segurados. Tal crédito foi constituído por meio de Auto de Infração que contém o Debcad 37.317.8891, devidamente explicitado, pelo qual foi apurado o crédito tributário no valor de R$ 2.863,58 em valores consolidados em dezembro de 2010. A ciência pessoal do Auto de Infração, que contém o lançamento referente às contribuições devidas no período de janeiro a dezembro de 2007 , ocorreu em 17 de dezembro de 2010, conforme se verifica às folhas 03. Em 14 de janeiro de 2011, foi apresentada a impugnação ao lançamento (fls. 46). Em 13 de agosto de 2013, a 12ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I, por meio da decisão consubstanciada no Acórdão 1258.486 (fls. 87), de forma unânime, julgou parcialmente procedente a defesa administrativa apresentada e tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 17/12/2010 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO. OMISSÃO DE SEGURADOS. MULTA. REGULARIDADE. Constitui infração à legislação previdenciária omitir na folha de pagamentos valores pagos aos segurados que lhe prestaram serviços. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Tal decisão tem o seguinte relatório que, por sua clareza e precisão, reproduzo (fls. 88): 'Tratase de Auto de Infração (DEBCAD nº 37.317.8891) lavrado contra a Impugnante em virtude de a mesma ter deixado de elaborar folha de pagamento com a totalidade dos valores pagos aos segurados que lhe prestaram serviços, o que caracteriza a infração prevista no art. 32, I, da Lei 8.212/91, c/c o artigo 225, I, parágrafo 9º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. 2. Em decorrência da infração verificada pela fiscalização, foi aplicada a multa de R$ 2.863,58, prevista nos art. 92 e 102, da Lei 8.212/91 e artigo 283, I, alínea “a” e art. 373, do Regulamento da Previdência Social, cujo valor foi atualizado pela Portaria MPS/MF nº 333, de 29/06/10, tendo sido configurada circunstância agravante do artigo 290, V, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11052.001330/201011 Acórdão n.º 2201004.064 S2C2T1 Fl. 125 3 3. Nos relatórios fiscais de fls. 27/42 a fiscalização informou que: 3.1. Apurou na contabilidade da empresa pagamentos a título de PLR e AuxílioAlimentação os quais não foram incluídos nas folhas de pagamento de 01 a 12/2007; 3.2. Constatou a existência de lavratura de dois autos de infração, sob fundamento legal distinto do presente, cuja data de pagamento ocorreu há menos de cinco anos da infração ora cometida, o que configurou a reincidência genérica, elevando a penalidade aplicada em duas vezes. 4. A Impugnante apresentou a defesa, de fls. 46/49, aduzindo que: 4.1. A independência entre as obrigações acessória e principal não é absoluta, como neste caso em que as verbas não constituem base de cálculo para a contribuição previdenciária, de maneira que não há qualquer interesse para o fisco em seu cumprimento, nem respaldo normativo para tal exigência. 5. É o relatório." Cientificado da decisão que contrariou seus interesses em 18 de agosto de 2014, por meio de acesso ao seu domicílio tributário eletrônico, consoante se observa pelo despacho de folhas 115, o sujeito passivo apresentou tempestivamente recurso voluntário (fls. 118) no qual, na essência, reproduz seus argumentos da impugnação. O recurso foi distribuído por sorteio eletrônico, em sessão pública, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator. Presentes os requisitos de admissibilidade do recurso interposto, passo a apreciálo na ordem de suas alegações. DA INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE FATOS GERADORES Segundo o apelo, não houve descumprimento da obrigação de informação em folha de pagamento de remuneração de empregados, posto que não há incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de alimentação e PLR. Vejamos seus argumentos (fls. 122) "Asseverese, inclusive, que especificamente no caso dos pagamentos de alimentação e ticket alimentação, no julgamento dos PTA's atrelados ao presente feito, a 12ª Turma da Delegacia Fl. 126DF CARF MF 4 da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, expressamente se reconhecer a não incidência de contribuições previdenciárias sobre tais pagamentos e, por consequência lógica, a inexistência da obrigação acessória de discriminar esse pagamentos nas folhas de salário. Outrossim, nesses mesmos PTA's permanece a discussão acerca da incidência das contribuições também sobre o PLR, não tendo havido ainda decisão definitiva sobre o tema. (...) Com efeito, em que pese tenham ocorrido três pagamentos, no próprio ano de 2007, e em intervalo inferior a seis meses, o sentido óbvio da vedação contida no artigo 3o, § 2o, da Lei n.° 10.101, é o de vedar seja o segurado beneficiado pelo pagamento de PLR por mais de duas vezes, ao ano, e em intervalo inferior a seis meses que indique prenúncio de habitualidade. Circunstâncias estas que, portanto, tem de ser analisadas sob o ponto de vista de cada beneficiário, e não de maneira genérica, como o fez a fiscalização e a r. DRJ. E, in casu, como já adiantado, não houve pagamento da PLR a um mesmo empregado em mais de duas vezes no ano, ou em periodicidade inferior a seis meses, entre cada pagamento. A principal causa de ter havido pagamentos em três meses distintos durante o primeiro semestre de 2007 referese à circunstância de que em cada um desses meses terem sido contemplados grupos distintos de empregados, classificados de acordo com o cargo exercido na empresa. Ademais, outros elementos também justificam a circunstância de terem sido efetuados pagamentos nos três primeiros meses de 2007, tais como (i): ter havido o pagamento da própria PLR, relativa a 2006, cuja data prevista é fevereiro de 2007, nos termos do Termo de Acordo firmado com o sindicato e (ii) ter havido o creditamento da PLR a beneficiários diversos dos anteriormente contemplados (v. g., profissionais desligados no curso do ano de 2006). Naturalmente, dentro da liberalidade de negociação entre empresas, empregados e Sindicatos, não há nenhum empecilho em estipular regras de pagamento da PLR que, atendendo ao objetivo do legislador, segreguem os pagamentos a tal título durante o exercício fiscal sem que um mesmo segurado seja contemplado repetidas vezes. (...) (negritos e sublinhados concomitantes são meus) Inicialmente, antes de analisar pontualmente as alegações recursais, entendo ser mais adequado, no caso concreto, uma explanação sobre a incidência tributária no caso das verbas pagas como participação nos lucros e resultados. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11052.001330/201011 Acórdão n.º 2201004.064 S2C2T1 Fl. 126 5 Como regra geral, as contribuições previdenciárias têm por base de cálculo a remuneração percebida pela pessoa física pelo exercício do trabalho. É dizer: toda pessoa física que trabalha e recebe remuneração decorrente desse labor é segurado obrigatório da previdência social e dela contribuinte, em face do caráter contributivo e da compulsoriedade do sistema previdenciário pátrio. De tal assertiva, decorre que a base de cálculo da contribuição previdenciária é a remuneração percebida pelo segurado obrigatório em decorrência de seu trabalho. Nesse sentido caminha a doutrina. Eduardo Newman de Mattera Gomes e Karina Alessandra de Mattera Gomes (Delimitação Constitucional da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias ‘in’ I Prêmio CARF de Monografias em Direito Tributário 2010, Brasília: Edições Valentim, 2011. p. 483.), entendem que: “...não se deve descurar que, nos estritos termos previstos no art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91, apenas as verbas remuneratórias, ou seja, aquelas destinadas a retribuir o trabalho, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo disponibilizado ao empregador, é que ensejam a incidência da contribuição previdenciária em análise” (grifos originais) Academicamente (OLIVEIRA, Carlos Henrique de. Contribuições Previdenciárias e Tributação na Saúde ‘in’ HARET, Florence; MENDES, Guilherme Adolfo. Tributação da Saúde, Ribeirão Preto: Edições Altai, 2013. p. 234.), já tivemos oportunidade de nos manifestar no mesmo sentido quando analisávamos o artigo 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que trata do salário de contribuição: “O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita o salário de contribuição de maneira definitiva, ao prescrever que é composto pela totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de cálculo do fato gerador tributário previdenciário, ou seja, o trabalho remunerado do empregado, é o total da sua remuneração pelo seu labor” (grifos originais) O final da dessa última frase ajudanos a construir o conceito que entendemos atual de remuneração. A doutrina clássica, apoiada no texto legal, define remuneração como sendo a contraprestação pelo trabalho, apresentando o que entendemos ser o conceito aplicável à origem do direito do trabalho, quando o sinalagma da relação de trabalho era totalmente aplicável, pois, nos primórdios do emprego, só havia salário se houvesse trabalho. Com a evolução dos direitos laborais, surge o dever de pagamento de salários não só como decorrência do trabalho prestado, mas também quando o empregado "está de braços cruzados à espera da matériaprima, que se atrasou, ou do próximo cliente, que tarda em chegar", como recorda Homero Batista (Homero Mateus Batista da Silva. Curso de Direito do Trabalho Aplicado, vol 5: Livro da Remuneração.Rio de Janeiro, Elsevier. 2009. pg. 7). O dever de o empregador pagar pelo tempo à disposição, ainda segundo Homero, decorre da própria assunção do risco da atividade econômica, que é inerente ao empregador. Ainda assim, cabe o recebimento de salários em outras situações. Numa terceira fase do direito do trabalho, a lei passa a impor o recebimento do trabalho em situações em que não há prestação de serviços e nem mesmo o empregado se encontra ao dispor do Fl. 128DF CARF MF 6 empregador. São as situações contempladas pelos casos de interrupção do contrato de trabalho, como, por exemplo, nas férias e nos descansos semanais. Há efetiva responsabilização do empregador, quando ao dever de remunerar, nos casos em que, sem culpa do empregado e normalmente como decorrência de necessidade de preservação da saúde física e mental do trabalhador, ou para cumprimento de obrigação civil, não existe trabalho. Assim, temos salários como contraprestação, pelo tempo à disposição e por força de dispositivos legais. Não obstante, outras situações há em que seja necessário o pagamento de salários A convenção entre as partes pode atribuir ao empregador o dever de pagar determinadas quantias, que, pela repetição ou pela expectativa criada pelo empregado em recebêlas, assumem natureza salarial. Típico é o caso de uma gratificação paga quando do cumprimento de determinado ajuste, que se repete ao longo dos anos, assim, inserese no contrato de trabalho como dever do empregador, ou determinado acréscimo salarial, pago por liberalidade, ou quando habitual. Nesse sentido, entendemos ter a verba natureza remuneratória quando presentes o caráter contraprestacional, o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, haver interrupção do contrato de trabalho, ou dever legal ou contratual do pagamento. Assentados no entendimento sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias, vejamos agora qual a natureza jurídica da verba paga como participação nos lucros e resultados. O artigo 7º da Carta da República, versando sobre os direitos dos trabalhadores, estabelece: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; De plano, é forçoso observar que os lucros e resultados decorrem do atingimento eficaz do desiderato social da empresa, ou seja, tanto o lucro como qualquer outro resultado pretendido pela empresa necessariamente só pode ser alcançado quando todos os meios e métodos reunidos em prol do objetivo social da pessoa jurídica foram empregados e geridos com competência, sendo que entre esses estão, sem sombra de dúvida, os recursos humanos. Nesse sentido, encontramos de maneira cristalina que a obtenção dos resultados pretendidos e do conseqüente lucro foi objeto do esforço do trabalhador e portanto, a retribuição ofertada pelo empregador decorre dos serviços prestados por esse trabalhador, com nítida contraprestação, ou seja, com natureza remuneratória. Esse mesmo raciocínio embasa a tributação das verbas pagas a título de prêmios ou gratificações vinculadas ao desempenho do trabalhador, consoante a disposição do artigo 57, inciso I, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, explicitada em Solução de Consulta formulada junto à 5ªRF (SC nº 28 – SRRF05/Disit), assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PRÊMIOS DE INCENTIVO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11052.001330/201011 Acórdão n.º 2201004.064 S2C2T1 Fl. 127 7 Os prêmios de incentivo decorrentes do trabalho prestado e pagos aos funcionários que cumpram condições pré estabelecidas integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e do PIS incidente sobre a folha de salários. Dispositivos Legais: Constituição Federal, de 1988, art. 195, I, a; CLT art. 457, §1º; Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, I, III e §9º; Decreto nº 3.048, de 1999, art. 214, §10; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, 9º e 50. (grifamos) Porém, não só a Carta Fundamental como também a Lei nº 10.101, de 2000, que disciplinou a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), textualmente em seu artigo 3º determinam que a verba paga a título de participação, disciplinada na forma do artigo 2º da Lei, “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade” o que afasta peremptoriamente a natureza salarial da mencionada verba. Ora, analisemos as inferências até aqui construídas. De um lado, concluímos que as verbas pagas como obtenção de metas alcançadas tem nítido caráter remuneratório uma vez que decorrem da prestação pessoal de serviços por parte dos empregados da empresa. Por outro, vimos que a Constituição e Lei que instituiu a PLR afastam – textualmente – o caráter remuneratório da mesma, no que foi seguida pela Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212, de 1991, que na alínea ‘j’ do inciso 9 do parágrafo 1º do artigo 28, assevera que não integra o salário de contribuição a parcela paga a título de “participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica” A legislação e a doutrina tributária bem conhecem essa situação. Para uns, verdadeira imunidade pois prevista na Norma Ápice, para outros isenção, reconhecendo ser a forma pela qual a lei de caráter tributário, como é o caso da Lei de Custeio, afasta determinada situação fática da exação. Não entendo ser o comando constitucional uma imunidade, posto que esta é definida pela doutrina como sendo um limite dirigido ao legislador competente. Tácio Lacerda Gama (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, Ed. Quartier Latin, pg. 167), explica: "As imunidades são enunciados constitucionais que integram a norma de competência tributária, restringindo a possibilidade de criar tributos" Ao recordar o comando esculpido no artigo 7º, inciso XI da Carta da República não observo um comando que limite a competência do legislador ordinário, ao reverso, vejo a criação de um direito dos trabalhadores limitado por lei. Superando a controvérsia doutrinária e assumindo o caráter isentivo em face da expressa disposição da Lei de Custeio da Previdência, mister algumas considerações. Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário 3ªed. São Paulo: Ed Saraiva. 2013. p.649), citando Jose Souto Maior Borges, diz que a isenção é uma hipótese de não incidência legalmente qualificada. Nesse sentido, devemos atentar para o alerta do professor titular da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, que recorda que a isenção é vista Fl. 130DF CARF MF 8 pelo Código Tributário Nacional como uma exceção, uma vez que a regra é que: da incidência, surja o dever de pagar o tributo. Tal situação, nos obriga a lembrar que as regras excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Paulo de Barros Carvalho, coerente com sua posição sobre a influência da lógica semântica sobre o estudo do direito aliada a necessária aplicação da lógica jurídica, ensina que as normas de isenção são regras de estrutura e não regras de comportamento, ou seja, essas se dirigem diretamente à conduta das pessoas, enquanto aquelas, as de estrutura, prescrevem o relacionamento que as normas de conduta devem manter entre si, incluindo a própria expulsão dessas regras do sistema (abrogação). Por ser regra de estrutura a norma de isenção “introduz modificações no âmbito da regra matriz de incidência tributária, esta sim, norma de conduta” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 25ª ed. São Paulo: Ed. Saraiva, 2013. p. 450), modificações estas que fulminam algum aspecto da hipótese de incidência, ou seja, um dos elementos do antecedente normativo (critérios material, espacial ou temporal), ou do conseqüente (critérios pessoal ou quantitativo). Podemos entender, pelas lições de Paulo de Barros, que a norma isentiva é uma escolha da pessoa política competente para a imposição tributária que repercute na própria existência da obrigação tributária principal uma vez que ela, como dito por escolha do poder tributante competente, deixa de existir. Tal constatação pode, por outros critérios jurídicos, ser obtida ao se analisar o Código Tributário Nacional, que em seu artigo 175 trata a isenção como forma de extinção do crédito tributário. Voltando uma vez mais às lições do Professor Barros Carvalho, e observando a exata dicção da Lei de Custeio da Previdência Social, encontraremos a exigência de que a verba paga a título de participação nos lucros e resultados “quando paga ou creditada de acordo com lei específica” não integra o salário de contribuição, ou seja, a base de cálculo da exação previdenciária. Ora, por ser uma regra de estrutura, portanto condicionante da norma de conduta, para que essa norma atinja sua finalidade, ou seja impedir a exação, a exigência constante de seu antecedente lógico – que a verba seja paga em concordância com a lei que regula a PLR – deve ser totalmente cumprida. Objetivando que tal determinação seja fielmente cumprida, ao tratar das formas de interpretação da legislação tributária, o Código Tributário Nacional em seu artigo 111 preceitua que se interprete literalmente as normas de tratem de outorga de isenção, como no caso em comento. Importante ressaltar, como nos ensina André Franco Montoro, no clássico Introdução à Ciência do Direito (24ªed., Ed. Revista dos Tribunais, p. 373), que a: “interpretação literal ou filológica, é a que toma por base o significado das palavras da lei e sua função gramatical. (...). É sem dúvida o primeiro passo a dar na interpretação de um texto. Mas, por si só é insuficiente, porque não considera a unidade que constitui o ordenamento jurídico e sua adequação à realidade social. É necessário, por isso, colocar seus resultados em confronto com outras espécies de interpretação”. (grifos nossos) Nesse diapasão, nos vemos obrigados a entender que a verba paga à título de PLR não integrará a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias se tal verba for Fl. 131DF CARF MF Processo nº 11052.001330/201011 Acórdão n.º 2201004.064 S2C2T1 Fl. 128 9 paga com total e integral respeito à Lei nº 10.101, de 2000, que dispõe sobre o instituto de participação do trabalhador no resultado da empresa previsto na Constituição Federal. Isso porque: i) o pagamento de verba que esteja relacionada com o resultado da empresa tem inegável cunho remuneratório em face de nítida contraprestação que há entre o fruto do trabalho da pessoa física e a o motivo ensejador do pagamento, ou seja, o alcance de determinada meta; ii) para afastar essa imposição tributária a lei tributária isentiva exige o cumprimento de requisitos específicos dispostos na norma que disciplina o favor constitucional. Logo, imprescindível o cumprimento dos requisitos da Lei nº 10.101 para que o valor pago a título de PLR não integre o salário de contribuição do trabalhador. Vejamos quais esses requisitos. Dispõe textualmente a Lei nº 10.101/00: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art. 3º ... (...) § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. Fl. 132DF CARF MF 10 (grifamos)" Da transcrição legal podemos deduzir que a Lei da PLR condiciona, como condição de validade do pagamento: i) a existência de negociação prévia sobre a participação; ii) a participação do sindicato em comissão paritária escolhida pelas partes para a determinação das metas ou resultados a serem alcançados ou que isso seja determinado por convenção ou acordo coletivo; iii) o impedimento de que tais metas ou resultados se relacionem à saúde ou segurança no trabalho; iv) que dos instrumentos finais obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores; v) a vedação expressa do pagamento em mais de duas parcelas ou com intervalo entre elas menor que um trimestre civil. Esses requisitos é que devemos interpretar literalmente, ou como preferem alguns, restritivamente. O alcance de um programa de PLR, ao reverso, não pode distinguir determinados tipos de trabalhadores, ou categorias de segurados. Não pode o Fisco valorar o programa de meta, ou mesmo emitir juízo sobre a participação sindical. A autoridade lançadora deve sim, verificar o cumprimento dos ditames da Lei nº 10.101/00. Recordemos a acusação fiscal, no ponto em questão (fls. 36): "A contabilização da Participação nos Resultados foi realizada através da conta 353012006 "Remuneração variável participação no resultado" sob a qual foi solicitado através de intimação "Explicação por escrito assinada pelo responsável legal a respeito da conta 353012006 Remuneração variável participação no resultado, ao que se refere, como funciona e os beneficiários com valores recebidos/creditados por data" que foi parcialmente atendida com a seguinte informação prestada pelo representante da empresa Sr. Enio de Carvalho em 01/10/2010 "As contas 353012003 e 353012006 pertencem ao Grupamento de Despesas Gastos com o Pessoal, do Plano de Contas da Companhia, e tem por função o registro contábil das despesas com pessoal oriundas de adicionais por acordo..." Ocorre que foram lançados valores nesta conta nos meses 01/2007, 02/2007 e 03/2007, em periodicidade superior ao que determina a Lei 10.101 em seu art. 39 § 2e que veda expressamente o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Além disso, o "Termo de Acordo sobre a Participação nos Resultados" deter parágrafo 4Q da cláusula A que o valor máximo a ser pago a cada empregado a título de Participação nos Resultados será limitado a 6 (seis) salários base, o que foi desrespeitado conforme demonstra abaixo,alguns pagamentos que foram informados pelo contribuinte, conforme anexo V" (destaques não constam do relatório fiscal). Não assiste razão ao Recorrente. Como visto em nosso esforço teórico, ao descumprir o acordo firmado entre as partes, ajuste este que contou com a anuência sindical, e efetuar pagamento de valores Fl. 133DF CARF MF Processo nº 11052.001330/201011 Acórdão n.º 2201004.064 S2C2T1 Fl. 129 11 superiores ao acordado, a Recorrente contrariou preceito da norma isentiva, atraindo, forçosamente, a incidência tributária. Contrariou, uma vez mais, ao pagar em mais de duas vezes no mesmo ano civil, valores a título de PLR. Nem se diga que tais pagamentos não foram realizados aos mesmos segurados, posto que tal argumentação não veio acompanhada das necessárias provas. Forçoso recordar que esses mesmos argumentos não foram comprovados na impugnação, sendo motivo determinante para a manutenção do lançamento pelo julgador de primeira instância. Ora, caso tais alegações fossem comprováveis, bastaria, ao contribuinte diligente, elaborar planilha, com lastro em sua folha de pagamento e registro contábeis, que demonstrassem tal situação. No que tange as alegações sobre a alimentação, mister recordar as considerações constantes da decisão de piso (fls. 89): 9. Além disso, ao enfrentar o mérito da obrigação principal afastouse a incidência de contribuição dos valores relativos à alimentação, mas não dos referentes à PLR, de modo que a ausência destes últimos na folha de pagamentos, seguindo a tese da Impugnante, já justificaria a aplicação da penalidade." (grifei) Acertada a decisão de primeira instância. Embora reconhecida a improcedência do lançamento quanto aos valores pagos a título de alimentação ou auxílio alimentação, deve manter a autuação em razão da ausência da discriminação na folha de pagamento do sujeito passivo, da remuneração relativa ao PLR. Portanto, não merece reparo a decisão de piso. Diante do exposto, forçoso negar provimento ao recurso nessa parte. Nada mais havendo no recurso voluntário, o que demonstra a concordância da Recorrente com os demais pontos do acórdão de impugnação, passo a conclusão. CONCLUSÃO Diante do exposto e pelos fundamentos apresentados, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão de primeiro grau em sua inteireza. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 134DF CARF MF 12 Fl. 135DF CARF MF
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