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Numero do processo: 16327.001442/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jan 31 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. COMPETÊNCIA DA DEINF/SP. ÂMBITO NACIONAL.
Todas as repartições da Secretaria da Receita Federal do Brasil possuem competência em todo território nacional.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Estando perfeitamente identificados no auto de infração a fundamentação do lançamento e o enquadramento legal tipificador da infração, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal.
MULTA QUALIFICADA. INTUITO DE FRAUDE NÃO CARACTERIZADO.
Não caracterizado o evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, impõe-se a inaplicabilidade da multa por infração qualificada.
Numero da decisão: 1401-004.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento tão somente para afastar a qualificação da multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Cláudio de Andrade Camerano e Daniel Ribeiro Silva, que votavam por manter a qualificação da multa de ofício.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Eduardo Morgado Rodrigues - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Nelso Kichel.
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. COMPETÊNCIA DA DEINF/SP. ÂMBITO NACIONAL. Todas as repartições da Secretaria da Receita Federal do Brasil possuem competência em todo território nacional. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Estando perfeitamente identificados no auto de infração a fundamentação do lançamento e o enquadramento legal tipificador da infração, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. MULTA QUALIFICADA. INTUITO DE FRAUDE NÃO CARACTERIZADO. Não caracterizado o evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, impõe-se a inaplicabilidade da multa por infração qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento tão somente para afastar a qualificação da multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Cláudio de Andrade Camerano e Daniel Ribeiro Silva, que votavam por manter a qualificação da multa de ofício. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 42 /2 00 7- 13 Fl. 1026DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-004.080 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001442/2007-13 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Nelso Kichel. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 992 a 1017) interposto contra o Acórdão nº 16-16.381, proferido pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo São Paulo/SP (fls. 974 a 987), que, por unanimidade, julgou improcedente a Impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 INTIMAÇÃO AO ADVOGADO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Na fase do contencioso administrativo, as intimações são feitas no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. NULIDADE. COMPETÊNCIA DA DEINF/SP. A Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo (Deinf/SP) jurisdiciona os contribuintes, que exercem as atividades relacionadas no anexo V da Portaria RFB n° 10.166/2007 e que tenham a sua matriz localizada no Estado de São Paulo. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Estando perfeitamente identificados no auto de infração a fundamentação do lançamento e o enquadramento legal tipificador da infração, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Caracterizado o evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, impõe-se a aplicação da multa por infração qualificada. PEDIDO DE PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. INDEFERIMENTO. As provas devem ser produzidas juntamente com a impugnação, exceto nos casos previstos nos §§4° a 6° do art. 16, do Decreto n° 70.235/72, situação não demonstrada pela contribuinte. Lançamento Procedente." Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " DA AUTUAÇÃO Fl. 1027DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-004.080 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001442/2007-13 Trata-se dos autos de infração relativos ao Imposto de Renda Retido na Fonte, no montante de R$ 461.561,98, conforme demonstrativo de fl. 04, devido às irregularidades descritas no Termo de Verificação Fiscal (fls.576/581). Em fiscalização empreendida junto à empresa acima identificada, anos calendário de 2002, 2003, 2004, 2005, a Fiscalização relata o seguinte: Inicialmente comunicamos a abertura da fiscalização e solicitamos a documentação fiscal referente ao IRRF. Efetuamos por amostragem o cotejo entre as DIRF 's - Declaração de Imposto Retido na Fonte e a documentação contábil; solicitamos também um levantamento a partir dos dados registrado nas DIRF's e planilhas referente aos valores do imposto de renda retido por código de recolhimento - 0561 - Rendimento do Trabalho Assalariado, 0588 - Rendimento do trabalho sem vínculo empregatício e 1708 – Remuneração de Serviços Prestados por pessoa Jurídica, com totalizações por ano de cada beneficiário pago pela empresa, e que contivessem inclusive a totalizações por mês de todos os beneficiários dentro do ano apurado, mais o total anual retido de todos os beneficiários. Para esclarecer - os números de cada beneficiário: 1, 2, 3.. etc que aparecem nesta planilha correspondem aos contribuintes que constam nessa mesma ordem no resumo anual do beneficiário, por código, nas DIRF 's. Através dos DARF 's - pelo sistema SINAL 08 - cotejamos os totais mensais pagos com os totais devidos. Constatamos, que a empresa reteve, não declarou em DCTF 's e não recolheu o IRRF em vários meses e sob três códigos de arrecadação. Ao final da análise montamos planilhas finais de valores mensais do IRRF que constituem o crédito tributário devido e que lançamos no auto de infração. A documentação exemplificativa das retenções efetuadas se encontram em folha de 447 até 485. Fatos caracterizadores do ilícito: O contribuinte reteve o imposto de renda na fonte, de funcionários, de prestadores de serviços - pessoas físicas e de prestadores de serviços pessoas jurídicas, sem que tenha recolhido, como legalmente devia fazê-lo, à Fazenda Pública, os valores correspondentes a essas retenções. Houve, pois, uma apropriação indébita desses recursos, por parte do contribuinte. Crédito tributário e Enquadramento legal: A cobrança do principal referente aos fatos geradores que compõe a base de cálculo do IRRF retido, não recolhido e não declarado em DCTF é suportada pela legislação seguinte: Artigos 620, 621, 624,625, 626, 636, 637, 638, 641 e 646, do RIR/99 c/c art. 1° a Lei n°988 7/99. A multa proporcional de 150% (Cento e cinquenta por cento) sobre o principal foi aplicada segundo o que reza o parágrafo 1° do inciso II, do artigo 44, da Lei n“9. 43 0/96. Em decorrência das constatações feitas pela Fiscalização, em 03/09/2007 foi lavrado o Auto de Infração, com os seguintes valores: Fl. 1028DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-004.080 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001442/2007-13 DA IMPUGNAÇÃO Cientificada do Auto de Infração em 03/09/2007 (fls.559) o contribuinte apresentou em a impugnação em 03/10/2007 (fls.587/622), acompanhada dos documentos de fls. 623 a 896, , alegando em síntese que: DAS NOTIFICAÇÕES E INTIMAÇÕES Primeiramente, requer a Contribuinte, ora impugnante, que todas as futuras notificações, intimações referentes ao processo administrativo em epígrafe sejam realizadas em nome do seu procurador DR. KIHATIRO KITA, advogado inscrito na OAB/SP sob o n°34.266, com escritório à Rua Frei Eusébio de Soledade, 60 ~ Vila Mariana - São Paulo. DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS Da Incompetência da DEINF/SP A DEINF/SP instaurou procedimento de fiscalização em face da Contribuinte, ora Impugnante, que possui seu domicilio tributária no Município de Barueri/SP. Tal procedimento só poderia ser instaurado pela DRF/BARUERI - 8” Região Fiscal, conforme determinação das Portarias SRF n°s 3007/2001 e 6087/2005 (Transcrita às fl. 591). DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO E IMPOSIÇÃO DE MULTA A DEINF/SP efetuou O lançamento do crédito tributário, plasmado na suposta ausência de recolhimento dos valores relativos ao Imposto de Renda Retido na Fonte, contudo, o mesmo furtou-se em declinar quais os dispositivos legais e/ou normativos que fundamentassem tal ato administrativo, desaguando em incostestável nulidade por infringência aos artigos 142 do CTN e l0 do Decreto n°70235/72 (à fl. 597 é transcrito o art. 10 do Dec.70.235/72). A Autuada, ora Defendente, diante da omissão do enquadramento legal do lançamento efetuado pelo Auditor Fiscal da DEINF/SP sequer tem condições de verificar se realmente há fundamento legal capaz de embasar a procedência da autuação realizada e dos conseqüentes créditos tributários decorrentes, desaguando em inafastável prejuízo em detrimento da ora peticionária no que se refere ao seu direito de ampla defesa e do contraditório de que alude O artigo 5°, LV, da carta magna. DA IMPROCEDÊNCIA DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS Fl. 1029DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-004.080 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001442/2007-13 Os documentos considerados pelo Auditor Fiscal da DEINF/SP não são aqueles pertinentes à constituição do crédito tributário, pois não se revestem dos requisitos demonstradores do fato gerador do IRRF, razão pela qual podemos sustentar que toda a base de dados utilizada pelo representante fazendário não se presta para fundamentar o lançamento aqui questionado(fl.604). Estamos com isso querendo patentear a este Órgão Julgador que o lançamento do crédito tributário em tela e que ora se contesta substancia-se em documentos que não se prestam contabilmente para fins de apuração do fato gerador da obrigação tributária de recolhimento de IRRF, sendo esse argumento corroborado pela prova documental inclusa, donde se verifica que a Autuada, ora Defendente, precedeu com as retenções devidas, com os conseqüentes recolhimentos aos cofres públicos federais. Também não podemos perder de vista que a obrigação de retenção na fonte do IRRF não exonera a obrigação do contribuinte de declarar e recolher os valores que supostamente, não foram objeto de anterior retenção pela fonte pagadora (cita jurisprudência às fls.608 a 611). A ora Defendente, é mera substituta tributária, não possuindo a disponibilidade financeira dos valores que constituem fato gerador da obrigação de recolher o imposto de renda, razão pela qual não pode ser contra ela atribuída a responsabilidade de recolhimento das exações incidentes sobre valores que acrescentaram patrimônio alheio. DA EXCESSIVIDADE DA MULTA APLICADA E SUA CONSEQUENTE REDUÇAO LEGAL Não há sequer o enquadramento legal acerca do lançamento dos créditos tributários em questão, assim como também padece de comprovação a alegação do auditor Fiscal, no sentido e que ora Peticionária cometeu fraude à legislação tributária. O artigo 44, II, da Lei n°9430/96, define três institutos, sendo que a presença de evidente intuito de fraude é obrigatória para aplicação da multa qualificada, ainda que mediante sonegação ou conluio. Não foi indicado nem descrito objetivamente qual tipo constante dos dispositivos legais apontados seria o aplicável à conduta da empresa (fl.6l 5). O fato de a Autuada não ter apresentado Declaração que reflita os registros contábeis e fiscais da sua escrita não corresponde automaticamente à conduta cujo tipo está previsto nos dispositivos acima mencionados, pois o fato gerador permanece devidamente exposto em seus livros contábeis e fiscais; isto e, não se escondeu ou omitiu. Se houve inexatidão das informações constantes no “autolançamento”, a conseqüência prevista é que seja efetuado o lançamento de ofício, conforme o art. 149 do CTN. Se para promover o lançamento de ofício, deve ser desconsiderado o “autolançamento”, então é evidente que a verificação da ocorrência do fato gerador não ocorre com a análise da Declaração do contribuinte que nada mais é que o suporte para seu “autolançamento”, mas sim com a análise dos fatos registrados nos livros contábeis e fiscais. É imprescindível que reste demonstrado que a Autuada agiu dolosamente, o que não se comprovou nestes autos, devendo ser descaracterizada a multa de 150% Fl. 1030DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-004.080 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001442/2007-13 aplicada ( cita ementa de acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais, às fls. 618, 619 e CC às fls. 620 e 621. CONCLUSÃO Face às razões acima expostas, requer a Impugnante, seja acolhida a presente impugnação e, por decorrência lógica, julgar improcedente o lançamento quer seja pela incompetência da DEINF para cumprir o MPF n°08.l.66.00-2005-00281-1 e MPF°s Complementares, quer seja pela ausência de apontamento do embasamento legal quanto aos tributos lançados pela suposta ausência de retenção e declaração do IRRF, o que desaguou em manifesta causa de prejuízo à ampla defesa e do contraditório da Autuada (CF art. 5° LV), que seja ainda pelo fato de que os tributos lançados não podem ser exigidos da ora Defendente, posto que a mesma é substituta tributária. Na remota hipótese de assim não entender esta DRJ, impõe-se no afastamento de multa de 150% dos créditos tributários apurados, seja pela improcedência das apurações realizadas pelo Auditor Fiscal da DEINF, seja , ainda pela ausência de comprovação da fraude por este alegada, razão pela qual se algum tributo for exigido, deverá incidir a multa penal de 75%. DO PEDIDO Requer, a Defendente, que este Órgão Julgador proceda com a realização de todos os meios de prova em direito admitidos, principalmente a apuração contábil dos lançamentos efetuados pelo Auditor Fiscal, bem como dos demais documentos que instruem esta impugnação. (...)” Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Impugnação, a Recorrente apresentou o recurso sob análise alegando: Em sede de preliminar: (i) A nulidade do Auto de Infração por incompetência da DEINF São Paulo; e (ii) A nulidade do lançamento por ausência de fundamentação legal. E, no mérito: (i) A improcedência material do lançamento de IRRF realizado; e (ii) Sucessivamente, se mantido o lançamento, defende que a multa qualificada é excessiva, devendo ser desqualificada. É o relatório. Fl. 1031DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-004.080 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001442/2007-13 Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Trata-se de autuação sofrida pela Recorrente de valores devidos a título de IRRF sobre verbas pagas a título de Rendimento do Trabalho Assalariado (0561), Rendimento do trabalho sem vínculo empregatício (0588) e Remuneração de Serviços Prestados por pessoa Jurídica (1708) em que a retenção foi realizada, porém, sem o devido recolhimento aos cofres públicos. 1 Das Preliminares. Desde a primeira instância a Recorrente defende que a Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo – DEINF/SP não teria competência para o lançamento do Auto de Infração objeto do presente processo. Ao seu sentir, por estar estabelecida no Município de Barueri, conforme seu contrato social, a competência para fiscalizar e proceder a eventual lançamento recairia sobre a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Barueri – 8ª Região Fiscal. A DRJ de origem afastou tal alegação apontando a Portaria RFB nº 10.166/2007 como fundamento legal instituidor da competência da DEINF/SP para os procedimentos realizados. Em contraponto, a Interessada aponta em seu recurso que tal ato normativo foi editado apenas em 2007, enquanto que Mandado de Procedimento Fiscal data de 2005, momento anterior a citada Portaria. Em que pese a Recorrente esteja correta em perceber a anterioridade da fiscalização em relação a Portaria RFB nº 10.166/2007, tal circunstância não significa que a sua arguição inicial esteja correta. Em verdade, a competência da Receita Federal do Brasil, bem como dos Auditores que a integram, é legalmente prevista para todo território nacional. A divisões promovidas por portarias e outros atos infralegais visam tão somente a melhor organização da estrutura do órgão. Ou seja, a organização das diversas repartições que compõe a RFB em delegacias/inspetorias regionais e/ou por especialidades tem cunho gerencial, buscando a otimização dos recursos e melhora dos serviços prestados. Fl. 1032DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-004.080 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001442/2007-13 Não se pode confundir esta organização com a competência jurídica para o exercício dos atos e funções inerentes a atividade da administração tributária. Esta se estende por todo o território nacional, independente de onde esteja localizado o contribuinte. Desta forma, REJEITO esta preliminar. Seguindo adiante, há uma segunda preliminar de nulidade arguida pela Recorrente. Em seu entender, o Auto de Infração não teria indicado devidamente os fundamentos legais dos lançamentos realizados, logo, padeceria de nulidade por cerceamento de defesa. De plano, tal alegação não se verifica verdadeira. Da leitura do Auto de Infração às fls. 619 a 636, tem-se indicado diversos permissivos legais atinentes a matéria, tais como: arts. 620, 621, 624, 625, 626, 636, 637, 638, 641 e 646 do Decreto 3.000/99 – RIR, bem como art. 21 da Lei 9.532/97. Igualmente todos os valores lançados estão devidamente discriminados no Auto de Infração. Por fim, o Termo de Verificação Fiscal às fls 657 a 642 expõe de forma detalhada todos os procedimentos adotados e os fatos apurados na fiscalização, bem como os fundamentos que lastrearam a exação. Assim, não há qualquer subsídio nestas alegações, razão pela qual REJEITO também esta preliminar. 2 Do mérito. Superada as preliminares, resta a análise do mérito. Em apertada síntese a Recorrente aduz que a documentação analisada pela Fiscalização que embasou o lançamento em comento não seria apropriado, nem traduziria a realidade dos fatos. Ainda, alega que, em relação ao IRRF lançado, não é ela a responsável pelo fato gerador, devendo o tributo ser cobrado daqueles que obtiveram efetivamente o acréscimo patrimonial. Pois bem, conforme se extrai dos autos a Fiscalização procedeu ao cotejamento das retenções de IRRF realizadas com os respectivos recolhimentos, através das DARF’s constante de seus sistemas, e daí percebeu que parte das retenções não foram declaradas em DCTF, tampouco fora recolhidos. Frise-se que a própria Recorrente apresentou seus documentos contábeis e fiscais, de onde foram extraídas as informações utilizadas para o lançamento. Ainda, é de se apontar que a Recorrente busca infirmar as bases da fiscalização ou se afastar de sua responsabilidade, contudo, em momento algum se esforça para demonstrar o efetivo recolhimento de IRRF correspondente às parcelas retidas dos pagamentos realizados. Fl. 1033DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-004.080 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001442/2007-13 Nem em primeira instância, nem nesta fase recursal a Interessada apresenta qualquer documento visando a demonstrar a inocorrência dos fatos que levaram a autuação, seja a inexistência dos pagamentos e/ou retenções, seja o efetivo recolhimento devido. Outrossim, não há suporte que sustente a alegação da Recorrente de que é mera substituta tributária, não podendo ser responsável pelo pagamento do imposto pelo acréscimo patrimonial de outrem. Não se esqueça que a Recorrente efetivamente reteve parcela da “riqueza” de outrem a título de IRRF, a inexistência de repasse aos cofres públicos configura verdadeiramente apropriação indébita. Assim, não pode o direito compactuar com esse expediente de se apropriar arbitrariamente de valores devidos aos cofres públicos e alegar não ser o sujeito da obrigação. Desta forma, diante do exposto, entendo não assistir razão à Recorrente, devendo permanecer o Auto de Infração. 3 Da Multa Qualificada. Por derradeiro, a Recorrente realizou o pedido sucessivo de que a multa qualificada para 150% fosse reduzida por, em seu entender, não estarem presentes os requisitos para a qualificação da Multa de Ofício. Conforme consta do processo a multa de ofício foi qualificada nos termos do art. 44, II, da Lei 9.430/96 e art. 71 a 73 da Lei 4.502/64. Transcrevo as definições que ensejam tal agravamento da penalidade: Art. 71 — Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I — da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II — das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 — Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 — Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. A decisão de piso manteve a qualificação sob o argumento de que os fatos narrados se subsumiriam a hipótese do art. 71 supra transcrito. Assim não vejo. Fl. 1034DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1401-004.080 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001442/2007-13 Tal dispositivo exige ação ou omissão dolosa com o fito de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador do tributo. Ora, de todos os fatos narrados nos autos e da documentação apresentada não consigo extrair nenhuma conduta perpetrada pela Recorrente com o dolo específico de ludibriar ou induzir a fiscalização a erro. Ao meu ver, o conteúdo probatório demonstra apenas o mero ato/decisão de não pagar o tributo devido. E para esta circunstância de não pagamento de tributo a penalidade adequada é a multa de ofício de 75%. Não nego a gravidade e, inclusive, a possibilidade de ilícito penal que permeia o ato de se apropria indevidamente de retenções e não recolhê-las aos cofres públicos, mas entendo que a qualificação da multa se reporta a um ato além do mero não pagamento do tributo. Sua imputação carece de um ato mais complexo com objetivo especifico de fraudar a administração fazendária. No presente caso não identifico nenhum ato doloso com a finalidade específica de impedir a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento por parte do fisco, mas apenas atos tendentes ao simples não recolhimento de IRRF devido. Desta forma, entendo como indevida a qualificação da multa para 150%. 4 Conclusão. Diante de todo o exposto, VOTO por REJEITAR as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, por DAR PARCIAL PROVIMENTO tão somente para retirar a qualificação da multa, retornando aos 75% correspondente a multa de ofício. É como voto. (documento assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Fl. 1035DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.004614/2007-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 10 00:00:00 UTC 2020
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2002
IRRF. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. COMPENSAÇÃO. DCOMP.
A compensação tributária a requerimento do contribuinte somente se operava, a partir de 01/10/02, mediante a entrega da respectiva declaração de compensação. No caso, na data da entrega da declaração eletrônica de compensação não mais subsistia o direito do contribuinte compensar diretamente o imposto retido sobre o capital próprio, como requerido.
Numero da decisão: 1301-004.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Sergio Abelson (suplente convocado), Rogério Garcia Peres, Giovana Pereira de Paiva Leite, Lucas Esteves Borges, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. COMPENSAÇÃO. DCOMP. A compensação tributária a requerimento do contribuinte somente se operava, a partir de 01/10/02, mediante a entrega da respectiva declaração de compensação. No caso, na data da entrega da declaração eletrônica de compensação não mais subsistia o direito do contribuinte compensar diretamente o imposto retido sobre o capital próprio, como requerido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Sergio Abelson (suplente convocado), Rogério Garcia Peres, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 46 14 /2 00 7- 23 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11020.004614/200723 Acórdão n.º 1301004.250 S1C3T1 Fl. 116 2 Giovana Pereira de Paiva Leite, Lucas Esteves Borges, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 1019.257, proferido pela 1ª Turma da DRJ/POA, que, ao apreciar a manifestação de inconformidade apresentada, entendeu, por unanimidade de votos, julgála improcedente, para não reconhecer o direito creditório pleiteado pela manifestação. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de apreciar manifestação de inconformidade contra decisão que deixou de homologar as compensações objeto da declaração de compensação (Dcomp) de fls. 01 a 05, transmitida em 16/11/04, na qual informase a compensação de débitos tributários com Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre juros sobre o capital próprio, no valor de R$5.999,64. _ Segundo o Despacho Decisório n° 199 — DRF/CXL, de 12/03/08 (fl. 11/14), a não homologação decorreu de o imposto retido sobre os juros sobr_e o capital próprio percebidos pelo contribuinte não ser passível de compensação após o en— cerramento do período de apuração. Segundo a autoridade administrativa, com base no art. 32 da Instrução Normativa SRF no 460, de 18/10/04, o imposto retido sobre receitas de juros sobre o capital poderia ser compensado da seguinte forma: a) dentro do período de apuração, com o imposto devido sobre os pagamentos ou crédito desses juros para sócios ou acionistas; b) após o encerramento do período de apuração, compondo o saldo negativo do IRPJ do período em que ocorreu a retenção. No caso, o contribuinte requereu, em 16/11/04, compensação do imposto retido no anocalendário de 2002, quando, na melhor das hipóteses, poderia apenas requerer a compensação de eventual saldo negativo do imposto. A autoridade ainda acrescenta que o crédito declarado não seria suficiente para compensar os referidos débitos e encargos. A decisão foi cientificada ao contribuinte em 10/04/08 (fl. 22) que, em 30/04/08, apresentou manifestação de inconformidade contra a decisão, calcada, em síntese, nos seguintes argumentos: a) que em 10/02/03 efetuou a entrega da DCTF relativa ao 4° trimestre de 2002, na qual procedeu a compensação das parcelas relativas ao IRRF incidente aos juros sobre o capital próprio referentes a outubro, novembro e dezembro de 2002. Em 16/11/04, ciente das alterações das Instruções Normativas SRF Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11020.004614/200723 Acórdão n.º 1301004.250 S1C3T1 Fl. 117 3 no 210, de 2002, e 460, de 2004, promoveu a retificação das DCTF para alterar a forma de compensação antes declarada (compensação sem Darf) para a modalidade outras compensações", formalizando a respectiva declaração de compensação (Dcomp), fatos não considerados pela autoridade por ocasião da sua decisão; b) que o direito ã compensação, tal como declarado, lhe é assegurado pelo art. 668, §2° do RIR/99, sendo cabível a cobrança apenas dos juros moratórios, que inclusive já teria efetuado o recolhimento. Deste modo não subsistiria a restrição evocada pela autoridade fiscal quanto ã insuficiência do crédito a ser compensado; c) que a multa aplicada é indevida, por força do disposto no art. 138 do Código Tributário Nacional, na medida em que utilizou procedimento espontâneo para retificar a sua declaração de compensação. Invoca, para reforçar este entendimento os arts. 31 e 67 da Instrução Normativa SRF no 460, de 2004, alegando que a DCTF apresentada em 10/02/03 se enquadraria no período em que estaria assegurado o direito â compensação, ainda que não tenha sido gerado o programa PER/DCOMP. Desta forma, requer a insubsistência do despacho decisório, cancelandose o débito fiscal impugnado. Na seqüência, foi proferido o acórdão recorrido, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, com o seguinte ementário: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002 Ementa: IRRF. JUROS SOBRE 0 CAPITAL PRÓPRIO. COMPENSAÇÃO. DCOMP. A compensação tributária a requerimento do contribuinte somente se operava, a partir de 01/10/02, mediante a entrega da respectiva declaração de compensação. No caso, na data da entrega da declaração eletrônica de compensação não mais subsistia o direito do contribuinte compensar diretamente o imposto retido sobre o capital próprio, como requerido. A mera informação da compensação em DCTF não produz os efeitos extintivos próprios desse instituto, não cabendo aplicar o disposto no art. 138 do CTN, que condiciona a exclusão da responsabilidade ao pagamento dos tributos devidos e respectivos juros de mora. Solicitação Indeferida Ciente em 28/05/2009 (fl. 100) do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou em 29/06/2009 (fl. 101), tempestivamente, Recurso Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11020.004614/200723 Acórdão n.º 1301004.250 S1C3T1 Fl. 118 4 Voluntário, através de representante legal, pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da Análise do Recurso Voluntário Consoante relatado, por meio de declaração de compensação (Dcomp) de nº 23488.61778.161104.1.3.065220, o contribuinte informou a existência de crédito correspondente a Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, incidente a título de juros sobre o capital próprio, retido pela empresa Gold Negócios e Participações Ltda, nos meses de outubro e novembro de 2002, no valor de R$ 5.999,64. Nos termos do Despacho Decisório, não homologação decorreu de o imposto retido sobre os juros sobre o capital próprio percebidos pelo contribuinte não ser passível de compensação após o encerramento do período de apuração. Segundo a autoridade administrativa, o imposto retido sobre receitas de juros sobre o capital poderia ser compensado da seguinte forma: a) dentro do período de apuração, com o imposto devido sobre os pagamentos ou crédito desses juros para sócios ou acionistas; b) após o encerramento do período de apuração, compondo o saldo negativo do IRPJ do período em que ocorreu a retenção. No caso, continua, o contribuinte requereu, em 16/11/04, compensação do imposto retido no anocalendário de 2002. A autoridade ainda acrescenta que o crédito declarado não seria suficiente Irresignado da decisão, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, cujos argumentos foram apreciados pela DRJ, que decidiu julgála improcedente, mantendo assim, os termos do Despacho Decisório. Após intimada, a defesa, em recurso, renova seu pleito inicial, pugnando pelo deferimento do direito creditório declarado. Pois bem. Em conformidade com o que prevê o parágrafo único, do art. 50, da Lei nº 9784/99, adoto os fundamentos da decisão recorrida, a seguir transcritos: Não há controvérsia sobre os juros exigidos, tendo sido anexado cópia de documento de arrecadação demonstrando seu recolhimento (fl. 67). Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11020.004614/200723 Acórdão n.º 1301004.250 S1C3T1 Fl. 119 5 A época do vencimento dos débitos compensados, o art. 74 da Lei no 9.430, de 1996, vigia com a seguinte redação (grifei): Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituidos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Regulando a aplicação do dispositivo, o art. 21, §§ 1° e 2°, da Instrução Normativa SRF no 210, de 30/09/02, trazia a seguinte orientação (grifos meus): § 1 ª A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRF da "Declaração de Compensação". § 2ª A compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. Extraise desses comandos normativos que a partir de outubro de 2002 somente as declarações de compensação seriam eficazes para extinguir o crédito tributário compensado, não bastando para isso apenas a entrega da DCTF. Tanto é assim que o próprio contribuinte viu a necessidade de, tendo entregue apenas essa declaração, fazer a posterior apresentação da declaração de compensação. Nessa linha confirase entendimento do Conselho de Contribuintes: PEDIDO/DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCTF.A compensação a requerimento do contribuinte entre créditos e débitos de tributos de diferentes espécies deveria ser formalizada até 01/10/2002 em Pedido de Compensação e, após esta data, mediante a entrega de Declaração de Compensação. A informa cão prestada em DCTF não exime o sujeito passivo da apresentação do Pedido/Declaração de Compensação.Recurso negado. (acórdão 10249.176, de 26/06/08) Deste modo, a compensação deve ser examinada em relação à Dcomp apresentada, quando, de fato, não mais era possível ao contribuinte compensar o imposto retido sobre os juros sobre o capital próprio. Também não há que se cogitar a aplicação do art. 138 do CTN, uma vez que a declaração dos débitos na DCTF, embora espontânea, não veio acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, condições para a exclusão da responsabilidade prevista naquele dispositivo. Também não socorre a interessada os alegados arts. 31 e 67 da Instrução Normativa SRF n° 460, de 2004. 0 que se extrai desses comandos é que, apesar da obrigatoriedade de as compensações deverem ser formalizadas, a partir da Lei n° 10.637, de 31/12/02, mediante declaração eletrônica (PER/DCOMP), as declarações apresentadas anteriormente a 20/09/03 mediante o formulário aprovado pelo art. 44 da Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11020.004614/200723 Acórdão n.º 1301004.250 S1C3T1 Fl. 120 6 Instrução Normativa n° 210/02 também seriam recepcionadas como se Dcomp fossem. Conclusão À vista do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005884/2009-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 15 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 07/12/2009
DECADÊNCIA. SUMULA CARF Nº 148
No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN.
AUTO DE INFRAÇÃO. ARQUIVOS DIGITAIS. APRESENTAÇÃO COM OMISSÃO OU INCORREÇÃO.
Apresentar a empresa arquivos e sistemas das informações em meio digital relativos aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal com omissão ou incorreção constitui infração à legislação previdenciária.
AUTO DE INFRAÇÃO. FORMALIDADES LEGAIS.
O Auto de Infração (AI) encontra-se revestido das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto.
Numero da decisão: 2301-006.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso
(documento assinado digitalmente)
João Mauricio Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Fernanda Melo Leal, Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (presidente)
Nome do relator: CLEBER FERREIRA NUNES LEITE
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 07/12/2009 DECADÊNCIA. SUMULA CARF Nº 148 No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. ARQUIVOS DIGITAIS. APRESENTAÇÃO COM OMISSÃO OU INCORREÇÃO. Apresentar a empresa arquivos e sistemas das informações em meio digital relativos aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal com omissão ou incorreção constitui infração à legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. FORMALIDADES LEGAIS. O Auto de Infração (AI) encontra-se revestido das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto.
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SUMULA CARF Nº 148 No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. ARQUIVOS DIGITAIS. APRESENTAÇÃO COM OMISSÃO OU INCORREÇÃO. Apresentar a empresa arquivos e sistemas das informações em meio digital relativos aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal com omissão ou incorreção constitui infração à legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. FORMALIDADES LEGAIS. O Auto de Infração (AI) encontra-se revestido das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso (documento assinado digitalmente) João Mauricio Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Fernanda Melo Leal, Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 58 84 /2 00 9- 63 Fl. 149DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.854 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.005884/2009-63 Relatório Trata-se de Auto de Infração (AI) DEBCAD nº 37.252.522-9, por infração ao disposto no artigo 11, parágrafos 3° e 4° da Lei nº 8.218, de 29/08/1991, na redação dada pela Medida Provisória (MP) nº 2.158, de 24/08/2001, tendo em vista que, de acordo com o Relatório Fiscal da Infração, de fls. 33, e documentos de fls. 35 a 37, a empresa apresentou arquivos digitais correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal com omissão ou incorreção. O contribuinte apresentou impugnação que foi julgada improcedente. Inconformado, apresenta recurso voluntário com as mesmas razões apresentadas na impugnação e requer: Diante de todo o exposto e demonstradas à saciedade as razões de reforma do julgado originário, aguarda a recorrente que esse E. Colegiado conclua por dar integral provimento ao recurso e, por consequência determine o cancelamento da autuação lavrada contra a recorrente e o afastamento de todas as penalidades aplicadas, por ser medida de JUSTIÇA É o relatório Voto Conselheiro Cleber Ferreira Nunes Leite, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Prejudicial de Mérito Da Decadência A recorrente alega que, tendo em vista que na obrigação principal deva ser reconhecida no recurso, a decadência das competências do lançamento, a obrigação acessória do presente processo, deve acompanhar a decisão daquela, para que seja aplicada a regra do § 4º do artigo 150 do CTN, face ser lançamento por homologação e de haver antecipação de pagamento da obrigação principal. A matéria em questão já se encontra sumulada no CARF, sob nº 148, conforme reproduzimos abaixo: Súmula 148 No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. Fl. 150DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.854 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.005884/2009-63 Não assiste razão à recorrente, pois sendo a ciência do AI é datada de 18/12/2009, as competências de 01/2004 a 12/2004, aplicando-se a regra do artigo 173 do CTN, ainda podiam ser lançadas na data da ciência do AI. Das Demais Questões Suscitadas Sendo coincidentes as razões recursais e as deduzidas ao tempo da impugnação, a análise do recurso pode ser feita utilizando-se da prerrogativa conferida pelo Regimento Interno do CARF, uma vez que não foram apresentadas perante a segunda instância administrativa novas razões de defesa, adotam-se os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição dos trechos do voto que guardam pertinência com as questões recursais ora tratadas. Do caráter acessório da multa aplicada: Não procede a alegação da empresa no sentido de que a penalidade aplicada teria caráter acessório aos autos de infração n.° 37.210.127-0, 37.210.826-1 e 37.210.825-3, e de que, sendo julgados improcedentes tais autos, o presente auto também deveria ser cancelado. Cumpre esclarecer, aqui, que não consta, no sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), Auto de Infração (AI) com DEBCAD 37.210.127-0 lavrado contra a empresa. Talvez a intenção da impugnante, no caso, tenha sido se referir ao AI n.° 37.210.827-0, constante no TEPF - Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal, de fls. 32. Cabe observar que, ao contrário do que entende a impugnante, não se verifica a conexão deste AI (CFL 22) com os Autos de Infração lavrados, contra ela, nesta mesma ação fiscal, por descumprimento de obrigação principal (AI-OP) - AI's nº 37.210.827¬0, 37.210.826-1 e 37.210.825-3 - tendo sido o presente AI lavrado por apresentação de arquivos digitais correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal com omissão ou incorreção, não sendo o seu resultado influenciado pela procedência ou não dos lançamentos efetuados nos AI-OP, não decorrendo referida autuação dos créditos lançados nestes últimos. Da questão da nulidade do termo de intimação fiscal pelo descumprimentos dos prazos legais: Não merece acolhida, aqui, a alegação da impugnante no sentido de que o prazo, concedido pela fiscalização, para o atendimento das intimações para apresentação de arquivos digitais teria sido exíguo e irregular. Com relação aos artigos 66, 67, 609 e 610 da Instrução Normativa (IN) INSS/DC nº 100, de 18/12/2003, citados pela empresa, em sua defesa, cabe observar que não são aplicáveis ao caso em tela, sendo que referida norma deixou de ter aplicação a partir da entrada em vigor da IN MPS/SRP nº 3, de 14/07/2005, e que o Termo de Início da Ação Fiscal (TIAF), de fls. 06 a 07, foi emitido em 25/06/2008 e cientificado à empresa em 30/06/2008, conforme cópia de Aviso de Recebimento (AR) de fls. 08. E de se destacar, ainda, que houve a intimação para apresentação de "Informações em meio digital com leiaute previsto no Manual Normativo de Arq. Dig. da SRP atual ou em vigor à época de ocorrência dos fatos geradores": I) por meio do TIAF retro mencionado, em que consta que a referida documentação deveria ficar à disposição da fiscalização a partir de 23/07/2008; II) por meio do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD), de fls. 09 a 10, com ciência do contribuinte em 15/08/2008 (fls. 11), em que consta que tal documentação deveria ficar à disposição da Fl. 151DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.854 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.005884/2009-63 fiscalização a partir de 18/08/2008; e, III) por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 2, de fls. 12, emitido em 01/10/2008, em que se deu o prazo de 5 dias úteis para a apresentação desta documentação. E, só então, após a lavratura de todos os atos retro mencionados, foi emitido, em 23/11/2009, o Termo de Intimação Fiscal nº 10, de fls. 28, citado pela impugnante, cujo recebimento se deu em 26/11/2009 (fls. 29), por meio do qual ela foi novamente intimada a apresentar os "Arquivos Digitais MANAD mídia CD" com prazo até 30/11/2009. Cumpre salientar, aqui, que foi observado, pela fiscalização, no caso, o disposto no artigo 2º da IN SRF nº 86, de 22/10/2001 (quanto ao prazo do TIAF), e no artigo 592, parágrafo 1º da IN MPS/SRP nº 03/2005 (quanto aos prazos do TIAD e Termos de Intimação Fiscal), a seguir transcritos. IN SRF nº 86/2001: Art. 2º As pessoas jurídicas especificadas no art. 1°, quando intimadas pelos Auditores- Fiscais da Receita Federal, apresentarão, no prazo de vinte dias, os arquivos digitais e sistemas contendo informações relativas aos seus negócios e atividades econômicas ou financeiras. IN MPS/SRP nº 03/2005: Art. 592. (...) § 1º O sujeito passivo deverá apresentar a documentação e as informações no prazo fixado peio AFPS, que será de, no máximo, dez dias úteis, contados da data da ciência do respectivo TIAD. (...) Assim, não há que se falar em nulidade do TIAD e em cancelamento do AI lavrado em vista do prazo concedido pela fiscalização para atendimento de suas intimações. Da questão da ofensa ao princípio do "tempus regit actum": Não procede a alegação da empresa de que, ao lavrar o presente Auto de Infração, a fiscalização teria asseverado expressamente que ela havia deixado de entregar os arquivos no formato "MANAD" em vigor à época de ocorrência dos fatos geradores referentes ao ano de 2004. É de se destacar, no caso, que o que consta no Relatório Fiscal da Infração, de fls. 33, é que "Apesar de atendida a forma prevista para apresentação das informações em meio digital estabelecida pela RFB, foi constatado que as informações não são integrais". Desta forma, tem-se que se mostra impertinente, aqui, a afirmação da impugnante no sentido de que seria inviável a imposição de penalidade em virtude de desconformidade do formato de apresentação dos arquivos digitais exigidos pelo Fisco, em virtude de inexistência de norma regulamentadora do referido formato até 29/12/2004, sendo a presente autuação decorrente da apresentação, pela empresa (caracterizada como usuária de sistema eletrônico de processamento de dados), das informações em meio digital no formato previsto no MANAD mas com omissão ou incorreção quanto ao conteúdo, e havendo o estabelecimento do referido formato já pela Portaria INSS/DIREP nº 42, de 24/06/2003. Da validação dos arquivos pela fiscalização sem ressalva: Cabe observar, aqui, que a validação consiste em verificar se os arquivos digitais estão de acordo com o leiaute exigido no MANAD, indicando eventuais falhas (erros e/ou avisos) a serem corrigidas. Fl. 152DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.854 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.005884/2009-63 No presente caso, conforme informado no Relatório Fiscal da Infração, tem-se que foi atendida a forma prevista para apresentação das informações em meio digital estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Não procede, contudo, a alegação da empresa no sentido de que o arquivo entregue possuía todas as informações, estando perfeitamente apto ao seu propósito. Ressalte-se que, de acordo com o Relatório Fiscal da Infração, de fls. 33, teriam ocorrido as seguintes omissões, comprovadas no Relatório de Resumo de Validação de Arquivo, com código de identificação "98e37bea-47535153-3d70e203-5ae2fb98", de fls. 35: os Registros 1001, 1005, 1050, 1100, 1150, 1200, 1250, 1990 e K200, que correspondem a todos os registros de CONTABILIZAÇÃO, foram entregues sem um único dado; e, o Registro K.050 não apresentava segurados Contribuintes Individuais, apesar destes existirem na empresa. Referido arquivo, relativo ao ano de 2004, de fato, foi recebido pela fiscalização, em 07/12/2009, conforme Recibo de Entrega de Arquivos Digitais, de fls. 36, mas este foi entregue contendo alguns registros sem dados ou com aviso, não havendo assim que se falar em sua validação sem ressalvas, e a constatação de tal fato - omissões ou incorreções nas informações em meio digital - levou à lavratura do presente Auto de Infração. Do descumprimento de obrigação acessória de se observar, aqui, que a empresa, no caso, incorreu em infração ao artigo 11, parágrafos 3o e 4o da Lei n.° 8.218, de 29/08/1991, na redação dada pela Medida Provisória (MP) n.° 2.158, de 24/08/2001, ao apresentar arquivos digitais correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal, relativos ao ano de 2004, com omissão ou incorreção, de acordo com o Relatório Fiscal da Infração, de fls. 33, e documentos de fls. 35 a 37. Lei 8.218/91: Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. .(Redação dada pela Medida Provisória n° 2158-35, de 2001) (...) § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. (Incluído pela Medida Provisória n° 2158-35, de 2001) § 4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. (Incluído pela Medida Provisória n° 2158-35, de 2001) Cabe destacar o fato de que a fiscalização, ao constatar a apresentação dos referidos arquivos digitais com omissão ou incorreção, restando caracterizado, no caso, o descumprimento de obrigação acessória, não podia se abster da lavratura do presente AI, com a aplicação da multa correspondente, sob pena de responsabilidade funcional. E de se registrar que ele não agiu discricionariamente, mas, sim, de forma vinculada e em observância ao princípio da legalidade, atendendo o disposto nos artigos 142 do CTN e 116 da Lei n.° 8.112/90, transcritos parcialmente a seguir. CTN: Fl. 153DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.854 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.005884/2009-63 Art. 142. (...) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (...) Lei 8.112/90: Art. 116. São deveres do servidor: (...) III - observar as normas legais e regulamentares; Da multa aplicada: Ao contrário do que entende a impugnante, não se vislumbra, aqui, qualquer irregularidade no que tange à penalidade aplicada. No presente caso, a multa, no valor de R$ 80.986,61 (oitenta mil e novecentos e oitenta e seis reais e sessenta e um centavos) foi corretamente aplicada, conforme previsto no artigo 12, inciso H, parágrafo único da Lei n.° 8.218, de 29/08/1991, a seguir transcrito. Art. 12 - A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: (...) II - multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; . (Redação dada pela Medida Provisória n"2158-35, de 2001) (...) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o ano-calendário em que as operações foram realizadas. (Redação dada pela Medida Provisória n° 2158-35, de 2001) Cabe observar que, no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, de fls. 34, consta a seguinte informação: C) III - Para aplicação desta multa, foi utilizado o limite legal e considerou-se 1% da receita bruta do ano-calendário em que as operações foram realizadas (Lei n° 8.218/91, art. 12, parágrafo único), que corresponde ao ano de 2004. Este valor foi extraído do Balancete constante do Diário 06; pois como todas as informações contábeis foram omitidas a somatório excederia muito ao próprio valor da Receita Bruta cuja contabilização qual não fora informada nos arquivos digitais. (...) Não merece acolhida, aqui, a afirmação da empresa no sentido de que não restaria confirmada, nos autos, como correta, a premissa, adotada pela fiscalização, de que o somatório das informações contábeis omitidas excederia o valor da receita bruta, de modo a poder ser utilizado o limite legal para aplicação da multa. Não procede tampouco a alegação da impugnante de que as informações omitidas não teriam sido mencionadas pela fiscalização. E de se destacar, no caso, que, conforme Fl. 154DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.854 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.005884/2009-63 explicitado no Relatório Fiscal da Infração, de fls. 33, ocorreram as seguintes omissões: os Registros 1001, 1005, 1050, II00, 1150, 1200, 1250, 1990 e K200, que correspondem a todos os registros de CONTABILIZAÇÃO, foram entregues sem um único dado; e, o Registro K050 não apresentava segurados Contribuintes Individuais, apesar destes existirem na empresa. Segundo o "Relatório de Resumo de Validação de Arquivo" do de Validação de Autenticação de Arquivos Digitais", de fls. 35, tais registros possuem a seguinte descrição: Registro 1001 - Abertura do Bloco I; Registro 1005 - Identificação da Escrituração Contábil; Registro 1050 - Plano de Contas; Registro 1100 - Centros de Custos; Registro 1150 - Saldos Mensais; Registro 1200 - Lançamentos Contábeis; Registro 1250 -Saldos das Contas antes do Encerramento; Registro 1990 - Encerramento do Bloco I; e, Registro K050 - Cadastro de Trabalhadores. Cumpre salientar, aqui, que, conforme documentos constantes nos autos, todas as informações contábeis foram omitidas nos arquivos digitais apresentados pela empresa, sendo a Receita Bruta uma dessas informações, de modo que, pela lógica, tem-se que (A) 5% do valor da operação correspondente às informações omitidas ou incorretas, que incluem a receita bruta, no caso, é maior que (B) 1% da receita bruta, tendo sido, assim, corretamente utilizado, pela fiscalização, o limite legal como valor da multa deste AI, não havendo necessidade de um cálculo mais detalhado para se chegar a esta conclusão. É de se destacar, ainda, que à infração em tela não se aplica o disposto no artigo 12, inciso I da Lei 8.218/91, que estabelece a seguinte penalidade: multa de 0,5% (meio por cento) do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos. Isso porque foi atendida a forma de apresentação das informações em meio digital estabelecida pela RFB, conforme explicitado no Relatório Fiscal da Infração. Não há que se falar, assim, em redução da multa para 0,5% da receita bruta do período. Quanto ao fato de terem sido as informações contábeis prestadas ou não por outro modo, pela empresa, tem-se que não afasta a aplicação desta multa, que se deu pela apresentação de arquivos digitais com omissão ou incorreção. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso (documento assinado digitalmente) Cleber Ferreira Nunes Leite Fl. 155DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11128.000745/2010-39
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2008
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO.
A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal.
VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. SÚMULA CARF Nº 02.
Os princípios do não-confisco, da Proporcionalidade e Razoabilidade são dirigidos ao legislador, não ao aplicador da lei. Conforme a Súmula CARF nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária
ART. 50 DA IN RFB 800/2007. REDAÇÃO DADA PELA IN 899/2008.
Segundo a regra de transição disposta no parágrafo único do art. 50 da IN RFB nº 800/2007, as informações sobre as cargas transportadas deverão ser prestadas antes da atracação ou desatracação da embarcação em porto no País. A IN RFB nº 899/2008 modificou apenas o caput do art. 50 da IN RFB nº 800/2007, não tendo revogado o seu parágrafo único.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 126.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Numero da decisão: 3003-000.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2008 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. SÚMULA CARF Nº 02. Os princípios do não-confisco, da Proporcionalidade e Razoabilidade são dirigidos ao legislador, não ao aplicador da lei. Conforme a Súmula CARF nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária ART. 50 DA IN RFB 800/2007. REDAÇÃO DADA PELA IN 899/2008. Segundo a regra de transição disposta no parágrafo único do art. 50 da IN RFB nº 800/2007, as informações sobre as cargas transportadas deverão ser prestadas antes da atracação ou desatracação da embarcação em porto no País. A IN RFB nº 899/2008 modificou apenas o caput do art. 50 da IN RFB nº 800/2007, não tendo revogado o seu parágrafo único. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 126. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
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DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. SÚMULA CARF Nº 02. Os princípios do não-confisco, da Proporcionalidade e Razoabilidade são dirigidos ao legislador, não ao aplicador da lei. Conforme a Súmula CARF nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária ART. 50 DA IN RFB 800/2007. REDAÇÃO DADA PELA IN 899/2008. Segundo a regra de transição disposta no parágrafo único do art. 50 da IN RFB nº 800/2007, as informações sobre as cargas transportadas deverão ser prestadas antes da atracação ou desatracação da embarcação em porto no País. A IN RFB nº 899/2008 modificou apenas o caput do art. 50 da IN RFB nº 800/2007, não tendo revogado o seu parágrafo único. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 126. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 07 45 /2 01 0- 39 Fl. 112DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.870 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.000745/2010-39 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-lei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Os fundamentos para esse tipo de autuação nesse conjunto de processos administrativos fiscais são os seguintes: As empresas responsáveis pela carga lançaram a destempo o conhecimento eletrônico, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino. Caso não se concluindo nesse prazo é aplicável a multa. Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações neste tipo de processo questões preliminares, como ocorrência de denúncia espontânea, ausência de tipicidade, ilegitimidade passiva, ausência de motivação. Também, em outros do mesmo tipo, os quais tenho julgado em bloco, eis que possuem a mesma natureza da penalidade imposta no auto de infração, são levantadas pelos sujeitos passivos questões que destacam infringência a princípios constitucionais e até em alguns casos ocorre a solicitação de relevação da penalidade. Ou seja, são suscitados questionamentos que tragam ao auto de infração a ineficiência do instrumento de lançamento e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações. , antes mesmo do Registro da DI, a argumentação de que, de fato, as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) julgou improcedente a impugnação nos termos do Acórdão nº 12-101.967. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual repisa as alegações da impugnação. É o Relatório. Fl. 113DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.870 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.000745/2010-39 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele toma-se conhecimento. No presente caso foi lavrado Auto de Infração para cobrança da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei n° 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003, abaixo transcrita: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (...) IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga. (Grifado) E em relação à prestação de “informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute” no Siscomex Carga, para conferir efetividade a referida norma penal em branco, foi editada a Instrução Normativa RFB 800/2007, que estabeleceu a forma e o prazo para a prestação das referidas informações. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra o presente Auto de Infração (fls. 02/15), a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos ao conhecimento eletrônico (HBL) CE 150805158671775, vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico Sub-Master (MHBL) CE 150805158413563, conforme explicitado no trecho que segue transcrito: 0 Agente de Carga BRINGER DO BRASIL AGENCIAMENTO DE CARGAS NACIONAIS E INTERNACIONAIS LTDA, CNPJ 94.001.641/0001-04, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico Sub-Master (MHBL) CE 150805158413563 a destempo em 20/08/2008, As 14h49, segundo o prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB, para seu conhecimento eletrônico agregado (HBL) CE 150805158671775. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada no Container R0LU2052087 e R0LU4053288, pelo Navio M/V "CAP NORTE", em sua viagem 140N, no dia 20/08/2008, com atracação registrada As 14h06. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são: Escala 08000155000, Manifesto Eletrônico 1508501556861, Conhecimento Eletrônico Master (MBL) 150805158346513, Conhecimento Eletrônico Sub-Máster (MHBL) CE 150805158413563 e conhecimento eletrônico agregado (HBL) CE 150805158671775... Especificamente, no que tange à prestação de informação sobre a conclusão da operação de desconsolidação, os prazos permanentes e temporários foram estabelecidos, Fl. 114DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.870 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.000745/2010-39 respectivamente, no art. 22, “d”, III, e art. 50, parágrafo único, da Instrução Normativa RFB 800/2007, que seguem transcritos: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: [...] III - as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. [...] Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I - a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II - as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifos não originais) No caso, como a prestação de informações sobre a operação de desconsolidação ocorreu antes de 1º de abril de 2009, a recorrente estava obrigada a cumprir o prazo estabelecido no norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 destacado. Os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, as informações foram prestadas somente em 20/08/2008, às 14h49 (data/hora da inclusão no Siscomex Carga do conhecimento eletrônico agregado HBL 150805158671775), portanto, após a atracação da embarcação no Porto de Santos/SP, ocorrida no dia 20/08/2008, às 14h06. Logo, fica claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Além disso, não resta qualquer dúvida que a conduta praticada pela recorrente subsume-se perfeitamente à hipótese da infração descrita nos referidos preceitos legal e normativo. Aliás, em relação à materialidade da mencionada infração inexiste controvérsia nos autos. Apresentadas essas breves considerações, passa-se a analisar as razões de defesa suscitadas pela recorrente. Os pontos contestados no presente recurso cingem-se aos seguintes: nulidade do auto de infração, alteração do artigo 50 da IN RFB nº 800/2007 pela IN RFB 899/2008, incidência de denúncia espontânea, bis in idem e violação aos princípios de vedação ao razoabilidade e proporcionalidade. Em relação à preliminar de nulidade vejamos o que prescreve o art. 59 do Decreto 70235/72: Art. 59 São nulos: I- os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; O Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente, no caso o auditor fiscal do porto alfandegado de escala da embarcação que transportou a carga, sendo que a descrição dos Fl. 115DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.870 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.000745/2010-39 fatos, a capitulação legal e as provas juntadas ao processo, conforme já abordado acima, permitem a correta compreensão da acusação que é imposta ao sujeito passivo, não se verificando qualquer preterição ao direito de defesa da recorrente. O prazo previsto no art. 24 da Lei n° 11.457/2007, não obstante ser uma meta a ser perseguida pelo julgador, em conformidade com o principio constitucional da razoável duração do processo, não acarreta nulidade da decisão no caso de seu descumprimento, principalmente tendo em vista a falta de previsão de sanção legal. A atividade administrativa é vinculada e obrigatória nos termos do art. 142 do CTN e havia previsão legal para todos os valores lançados razão pela qual não vislumbro qualquer nulidade no auto de infração. Quanto à alegação de que a nova redação do artigo 50 da IN RFB nº 800/2007 pela IN RFB 899/2008 a desobrigou de efetuar o registro das operações no prazo a que alude o artigo 22 da IN RFB 800/2007, não assiste razão a recorrente. O art. 50 da IN SRF, com a redação dada pela IN RFB 899, de 29/12/2008, deu a seguinte nova redação ao art. 50 da IN SRF 800, de 27/12/2007: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1o de janeiro de 2009. Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: (...) II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. A alteração promovida pela IN RFB 899/2008 no caput do artigo 50 da IN RFB nº 800/2007 teve como efeito apenas postergar a aplicação do prazos previstos no artigo 22, mas entendo que não teve o condão de eximir que a contribuinte tivesse realizado em prazo adequado a prestação de informações acerca da carga, que deveria ter sido prestada antes da atracação, conforme o prazo estabelecido no inciso II do parágrafo único do art. 50, o que, incontroversamente, não ocorreu. Inconteste, assim, que as informações foram prestadas a destempo. A alegação de revogação do art. 45 da IN/SRF 800/07 pela IN 1.473/14 não teve o condão de eximir que a contribuinte tivesse realizado em prazo adequado a prestação de informações. A conduta prevista na alínea “e” do inciso IV do art.107 do Decreto-Lei n° 37/1966 permanece, podendo ocorrer com a edição da IN SRF no 1.473 eventual flexibilização dos controles aduaneiros legalmente estabelecidos e delegados à Secretaria da Receita Federal, mas não há que se falar em extinção da penalidade. Ainda, alega a recorrente que foi atuada não pela prestação extemporânea de informações, mas simplesmente por ter solicitado a retificação de alguma informação errônea constante do conhecimento eletrônico filhote (House), tempestivamente informados ao sistema. Os extratos colacionados aos autos evidenciam que o motivo do bloqueio do CE agregado foi a inclusão de carga após o prazo ou atracação, ou seja, vinculado a própria operação de desconsolidação. Não consta nenhuma informação de que se trata apenas de alterações ou Fl. 116DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-000.870 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.000745/2010-39 retificações no referido conhecimento eletrônico e que as informações iniciais foram prestadas tempestivamente. As informações a serem prestadas sobre o veículo e a carga transportada estão estabelecidas no art. 10º, da Instrução Normativa RFB 800/2007: Art. 10. A informação da carga transportada no veículo compreende: I - a informação do manifesto eletrônico; II - a vinculação do manifesto eletrônico a escala; III - a informação dos conhecimentos eletrônicos; IV - a informação da desconsolidação; e IV - a informação da desconsolidação; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) V - a associação do CE a novo manifesto, no caso de transbordo ou baldeação da carga. V - a associação do CE a novo manifesto, no caso de transbordo ou baldeação da carga; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) VI - a transferência de CE entre manifestos. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 1o A informação da carga não será exigida no caso de embarcação arribada, exceto se houver carga ou descarga no porto. § 1º A informação da carga não será exigida nos casos de barcos de suprimento de plataformas e de embarcação arribada, exceto, neste último caso, se houver carga ou descarga no porto. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) § 2o Não serão informadas as mercadorias transportadas no veículo e não sujeitas a conhecimento de carga, como sobressalentes e provisões de bordo. § 3o A carga cujo destino constante do CE seja porto nacional e que permaneça a bordo e retorne ao País em outra embarcação ou viagem, com ou sem transbordo ou baldeação em porto estrangeiro, deverá ser informada, na saída, em manifesto PAS, e no retorno, em manifesto LCI, com indicação de baldeação ou transbordo, quando for o caso. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 4o A mercadoria somente será considerada manifestada, para efeitos legais, quando a carga tiver sido informada nos termos do caput e demais disposições desta Instrução Normativa, observados, ainda, outras normas estabelecidas na legislação específica. § 4º As informações sobre as cargas transportadas somente serão consideradas prestadas quando registradas no Sistema Mercante conforme disposto nesta Instrução Normativa. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) Já a alteração das informações já apresentadas, tais como as retificações, foram estabelecidas no art. 27-A e seguintes da IN RFB Nº 800, de 2007. Assim, não resta qualquer dúvida que a conduta praticada pela recorrente subsume-se perfeitamente à hipótese da infração descrita nos referidos preceitos legal e normativo. Quanto às alegações sobre a incidência de denúncia espontânea, entendo que na aplicação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, deve-se analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Fl. 117DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3003-000.870 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.000745/2010-39 Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou não-fazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federa implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entende-se, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do Decreto-Lei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. No mais, tal matéria se encontra pacificada no âmbito do CARF através da Súmula CARF nº 126, cuja observância é obrigatória pelos Conselheiros em seus julgamentos, conforme art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010 Quanto às alegações da recorrente de eventual violação aos princípios constitucionais, tais como do não-confisco, da razoabilidade e proporcionalidade, respeita a matéria cuja discussão é estranha à competência deste Colegiado. Com efeito, na via administrativa o exame da lide há de se ater apenas à aplicação da legislação vigente, sendo descabido pronunciar-se sobre a validade ou constitucionalidade dos atos legais, matéria que se encontra afeta ao Supremo Tribunal Federal, como se verifica dos artigos 102, I, “a” e III, “b”, da CRFB, estando pacificada no âmbito administrativo através da Súmula CARF nº 2, a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto a exclusão de responsabilidade, a recorrente alegou que o atraso no registro da desconsolidação do CE Agregado (HBL) listado no auto de infração, foi causado por ato imputável exclusivamente a terceiros, no caso à co-loader MSL DO BRASIL AGENCIAMENTOS E TRANSPORTES, que acabou por prestar de forma intempestiva as informações de sua responsabilidade. A alegação da recorrente não procede, pois eventuais faltas de intervenientes de comércio exterior de etapa anterior (exemplo, agente de navegação) não invalidam que a impugnante cumpra com sua obrigação mediante apresentação de informação provisória, nos termos do artigo 18, §1°, da IN n° 800/2007. Art. 18. A desconsolidação será informada pelo agente de carga que constar como consignatário do CE genérico ou por seu representante. § 1o O agente de carga poderá preparar antecipadamente a informação da desconsolidação, antes da identificação do CE como genérico, mediante a prestação da informação dos respectivos conhecimentos agregados em um manifesto eletrônico provisório. Além disso, há expressa menção na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, que o agente de carga responde pela referida penalidade, se prestar informação sobre a carga fora do prazo estabelecido. Fl. 118DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3003-000.870 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.000745/2010-39 Vale lembrar ainda que, conforme o § 2º do art. 94, do Decreto-Lei 37/1966, a responsabilidade da ora recorrente por seu ato, descumprimento do prazo para prestar as informações sobre o embarque da carga, independia da sua intenção ou culpa e da extensão dos efeitos causados por ele: Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decreto-Lei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completa-los. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Quanto à alegação de bis in idem pleiteando a aplicação da penalidade uma única vez por veículo transportador ou carga nele transportada, entendo que não se aplica ao presente processo, pois se trata de apenas um conhecimento eletrônico (HBL) agregado, vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico Sub-Master (MHBL) citado acima, não colacionando a recorrente nenhuma prova em contrário. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 119DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 19311.720262/2017-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 3201-002.445
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, para que a unidade preparadora: a) analise o argumento e as provas acostadas ao recurso acerca da desconsideração de ajustes de créditos de PIS/Cofins; e b) intime a Recorrente a comprovar, documentalmente, a receita de prestação de serviços que alega auferir e a identificar os créditos de PIS/Cofins que dela decorrem.
(documento assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, para que a unidade preparadora: a) analise o argumento e as provas acostadas ao recurso acerca da desconsideração de ajustes de créditos de PIS/Cofins; e b) intime a Recorrente a comprovar, documentalmente, a receita de prestação de serviços que alega auferir e a identificar os créditos de PIS/Cofins que dela decorrem. (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (documento assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Em decorrência de ação fiscal desenvolvida junto à empresa qualificada, foram lavrados os Autos de Infração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 1877/1894), como segue: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 93 11 .7 20 26 2/ 20 17 -6 5 Fl. 2575DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3201-002.445 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720262/2017-65 A autuação ocorreu em virtude de créditos não-cumulativos descontados indevidamente na apuração das contribuições e recolhimento do PIS e Cofins de forma insuficiente, conforme informação constante do Termo de Verificação Fiscal, juntado aos autos às fls. 1870/1876. No aludido termo, destaca a fiscalização que a contribuinte descontou valores a título de créditos de PIS e Cofins sobre taxa de administração de cartões de crédito, gastos com veiculação de publicidade na internet, propaganda e marketing, provedor de internet, manutenção e operação de plataformas eletrônicas e outros serviços de informática, pesquisas de mercado, intermediação de vendas, bem como aquisição de material de embalagem em desacordo com o disposto no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, tendo em vista que tais dispêndios não se enquadram entre as despesas para as quais há previsão legal de apropriação de créditos. Por essa razão, tais créditos foram glosados pela fiscalização. Além disso, em vários períodos de apuração os valores apurados como devidos na Escrituração Fiscal Digital - EFD-Contribuições foram declarados de forma insuficiente nas correspondentes DCTF. Constatou também a fiscalização que a contribuinte omitiu, na ficha 100 - "Demais Documentos", os números das notas fiscais de entrada, o nome e o CNPJ dos prestadores de serviços e a descrição desses mesmos serviços (propaganda e publicidade sobre os quais houve o desconto de créditos), sujeitando-se à multa de 3% sobre o valor das transações comerciais escrituradas de forma incompleta em cada período de apuração, conforme legislação correlata. Os créditos de PIS e Cofins glosados, os quais geraram a insuficiência de recolhimentos, foram lançados no auto de infração, que ora se analisa. Cientificada, por meio de sua Caixa Postal, considerando seu domicílio tributário eletrônico (DTE), em 22/09/2010, a interessada apresentou, tempestivamente, a impugnação (fls. 1925/1960) e documentos anexos, que será, a seguir sintetizada. Alega, preliminarmente, nulidades do Auto de Infração. No tópico, "Nulidades do Auto de Infração: Erros de Cálculo", argumenta que a fiscalização recalculou a base de cálculo, incorrendo em quatro erros de cálculo: (i) a fiscalização desconsiderou que a requerente discute, em duas ações judiciais, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, com depósito judicial dos respectivos montantes desde novembro de 2014. Desse modo, alega que ao recompor a base de cálculo, a fiscalização deduziu como "imposto pago" apenas o montante recolhido diretamente aos cofres públicos, sem considerar os depósitos judiciais, o que acarreta a nulidade do auto de infração; Fl. 2576DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3201-002.445 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720262/2017-65 (ii) independentemente da existência de qualquer ação judicial, o STF já pacificou o entendimento de que o ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da Cofins, conforme decisão proferida no RE 574.706, com Acórdão publicado; (iii) houve uma interpretação equivocada da fiscalização sobre a natureza das atividades da requerente, a qual entendeu que não teria direito ao crédito sobre insumos uma vez que a atividade que desenvolve é comercial. Contudo o raciocínio da fiscalização está incorreto, tendo em vista que desenvolve atividade de alta complexidade que envolve a produção de mercadorias e a prestação de serviços; (iv) a fiscalização não considerou os valores registrados como "ajustes de créditos" no cálculo do PIS e da Cofins devidos pela requerente, o que constitui erro que deve ser sanado por essa DRJ. Ainda no tocante às nulidades, no tópico "A nulidade do Auto de Infração", alega que o auto de infração deve conter a determinação da exigência formulada, de modo a indicar claramente o valor do crédito tributário dele exigido. A indicação equivocada do quantum debeatur acarreta a sua nulidade, conforme entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. Os graves erros cometidos pela fiscalização resultam em nulidade da exigência fiscal, devendo a autuação ser cancelada independente do exame de mérito ou reduzido nos montantes cobrados indevidamente ou em duplicidade. No mérito, alega primeiramente, que é uma empresa que atua nos segmentos de logística, produção de bens, prestação de serviços e comercialização de mercadorias, sendo o relacionamento com os clientes, exclusivamente pela internet. Afirma que não se trata de uma empresa de varejo dedicada à comercialização de mercadorias, mas uma instituição que oferece uma gama de produtos e serviços com o objetivo de atingir a sua missão ("conectar pessoas a uma vida com mais estilo e simplicidade"). Argumenta, em síntese, que o esforço empresarial está na integração da cadeia produtiva, que envolve todas as etapas subsequentes à fabricação do bem ou produto. Neste sentido, explica que obtém o produto do fabricante e atua em todas as etapas para colocar o bem em condição de venda e comercialização: separação e individualização das mercadorias produzidas, controle de estoque, logística de transporte para centros de distribuição, logística de armazenamento, serviços para colocar os produtos em condições de uso, consultoria e prestação de informações sobre o produto e suas características técnicas, serviços de customização e adaptação às necessidades dos consumidores e transporte para o domicílio do consumidor. Todas essas atividades não envolvem, em momento alguma, esforço de vendas ou atividade de natureza comercial, mas são todas longas etapas no processo produtivo de um bem destinado à venda. Afirma que a empresa atua no processo produtivo de bens ou produtos e não a simples comercialização de mercadorias, o que lhe proporciona o direito ao crédito do PIS e da Cofins sobre insumos. Subsidiariamente, no tópico "A impossibilidade de Vedação de Créditos sobre Insumos para Empresas Comerciais", alega que a legislação não veda o aproveitamento de créditos por empresas exclusivamente comercias porquanto a lista de dispêndios passíveis de creditamento é apenas exemplificativa, de forma que deve ser admitido o aproveitamento de créditos sobre todos aqueles dispêndios essenciais para a geração de receitas, sendo que a suposta vedação ao aproveitamento de créditos é ilegal e inconstitucional. Quanto à multa e os juros selic, alega que a multa de ofício de 75% é desproporcional à suposta infração cometida pela requerente, devendo ser reduzida para um valor mais justo. No tocante aos juros sobre a multa de ofício, alega que a Lei nº 9.430, de 1996, não autoriza a cobrança de juros sobre as multas de ofício, de forma que a exigência deve ser cancelada nesse ponto. Quanto à taxa Selic, argumenta que está só poderá incidir sobre o crédito tributário principal, não podendo recair sobre a multa de ofício, que é penalidade e não tem natureza tributária. Fl. 2577DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3201-002.445 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720262/2017-65 A seguir discorre sobre a essencialidade de cada uma das despesas que foram glosadas, para ao final pleitear o acolhimento integral da presente impugnação e o imediato cancelamento do Auto de Infração em tela, bem como protesta ainda pela juntada posterior de documentos que possam se fazer necessários." A decisão recorrida julgou improcedente a Impugnação e apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. EMPRESA COMERCIAL. NÃO APLICAÇÃO. Para pessoas jurídicas que pratiquem atividade comercial, custos e despesas não podem ser configurados como insumos, pois tal termo somente é aplicável nas atividades de prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. MULTA DE OFÍCIO Cobram-se juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), e multa de ofício, por expressa previsão legal. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. INCONSTITUCIONALIDADE. Em matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo STF, em sede de julgamento de processos nos quais foi admitida a repercussão geral, as unidades da RFB devem reproduzir o entendimento adotado apenas quando se tratar de decisões definitivas de mérito e somente após manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. EMPRESA COMERCIAL. NÃO APLICAÇÃO. Para pessoas jurídicas que pratiquem atividade comercial, custos e despesas não podem ser configurados como insumos, pois tal termo somente é aplicável nas atividades de prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. MULTA DE OFÍCIO Cobram-se juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), e multa de ofício, por expressa previsão legal. PIS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. INCONSTITUCIONALIDADE. Em matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo STF, em sede de julgamento de processos nos quais foi admitida a repercussão geral, as unidades da RFB devem reproduzir o entendimento adotado apenas quando se tratar de decisões definitivas de mérito e somente após manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Fl. 2578DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3201-002.445 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720262/2017-65 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) quando da lavratura do Auto de Infração, a Autoridade Fiscal recalculou a base de cálculo apurada pela Recorrente e incorreu em quatro graves erros de cálculo: a) o primeiro erro de cálculo decorre de a Fiscalização não ter considerado os valores de “ajustes de crédito” no cálculo do PIS e da COFINS devidos pela Recorrente; b) o segundo erro de cálculo decorre do fato que a Fiscalização desconsiderou determinados depósitos judiciais realizados pela Recorrente em ações judiciais que discutem a inclusão do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na base de cálculo do PIS e da COFINS; c) o terceiro erro de cálculo é que, independentemente da existência de qualquer ação judicial, o Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que o ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS. A decisão foi proferida no julgamento do RE 574.706, com acórdão já publicado; d) o quarto erro de cálculo decorre de uma interpretação equivocada da Fiscalização sobre a natureza das atividades da Recorrente. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (TVF), a Fiscalização entendeu que a Recorrente não teria direito ao aproveitamento de créditos sobre insumos, por entender que a empresa desenvolve atividade comercial. (ii) os erros cometidos pela Fiscalização resultam na nulidade da exigência fiscal discutida nos autos, de tal modo que a autuação deve ser cancelada independentemente de qualquer exame de mérito, ou reduzido nos montantes cobrados indevidamente; (iii) as autoridades fiscais glosaram determinados créditos de PIS e de COFINS sob a alegação exclusiva que a sua atividade econômica não autoriza o crédito de PIS e de COFINS sobre insumos; (iv) o Auto de Infração discute exclusivamente se: a) a Recorrente atua na produção de bens ou produtos; e b) subsidiariamente, caso entenda-se que a Recorrente é uma entidade puramente comercial, se as empresas comerciais podem aproveitar créditos de PIS e de COFINS. (v) é empresa que atua nos segmentos de logística, produção de bens, prestação de serviços e comercialização de mercadorias, cujo relacionamento com os clientes se dá exclusivamente pela internet; (vi) atua como importante elo na cadeia produtiva de bens e serviços, de forma que é legítimo o aproveitamento de créditos de PIS e de COFINS; (vii) não existe vedação ao aproveitamento de créditos por empresas puramente comerciais (o que não é o seu caso); (viii) atua em múltiplos segmentos e participa do processo produtivo de mercadorias, portanto, está autorizada a aproveitar créditos de PIS e de COFINS sobre insumos; Fl. 2579DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3201-002.445 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720262/2017-65 (ix) não se trata de uma empresa de varejo dedicada à comercialização de mercadorias, mas sim uma instituição que oferece uma gama de produtos e serviços; (x) a operação de “compra e venda” é apenas uma das etapas do seu longo e complexo processo produtivo; (xi) nas operações realizadas pela internet – e em especial quando envolvem empresas com a sua complexidade e dimensões – o esforço empresarial é integralmente dedicado ao processo produtivo do bem ou produto; (xii) praticamente todos os seus empregados estão envolvidos na oferta de uma solução completa de informação, serviços, customização e logística – e não na operação de venda em si; (xiii) o relacionamento com o cliente se dá em múltiplas dimensões (para oferta de um pacote completo de comodidade) e não apenas no contexto do ponto de venda. (xiv) que dos seus 2.148 funcionários em 2015, apenas 75 atuavam na operação específica de compra e venda, com o faturamento das transações para os clientes (3%) de todo o seu quadro de empregados); (xv) O esforço empresarial da Recorrente está na integração da cadeia produtiva, que envolve todas as etapas subsequentes à fabricação do bem ou produto; (xvi) obtém o produto do fabricante e atua em todas as etapas para colocar o bem em condição de venda e comercialização: separação e individualização das mercadorias produzidas, controle de estoque, logística de transporte para centros de distribuição, logística de armazenamento, serviços para colocar o produto em condição de uso, consultoria e prestação de informações sobre o produto e suas características técnicas, serviços de customização e adaptação às necessidades dos consumidores e transporte para o domicílio do consumidor; (xvii) todas essas atividades não envolvem, em momento algum, esforço de vendas ou atividade de natureza comercial, sendo longas etapas no processo produtivo de um bem destinado à venda; (xviii) não resta qualquer dúvida de que a empresa atua no “processo produtivo de bens ou produtos” e não na simples comercialização de mercadorias; (xix) expõe através de explicações e fotos o que seriam as etapas do seu processo produtivo; (xx) é uma empresa que atua na produção de bens ou produtos destinados à venda; (xxi) aufere volume anual significativo de receitas com prestação de serviços e outros serviços correlatos: a) Serviço de Market Place: disponibiliza plataforma eletrônica de e-commerce para que terceiros vendam os seus produtos. É remunerada pelos usuários da plataforma. Essa receita é oferecida à tributação pelo PIS, COFINS e ISS; b) Serviço de Customização: atua na personalização de produtos com o objetivo de oferecer soluções customizadas aos seus clientes.; c) Serviços de Logística: atua fortemente no setor de logística, com entrega de mercadorias e produtos em todo o território nacional. Fl. 2580DF CARF MF Fl. 7 da Resolução n.º 3201-002.445 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720262/2017-65 d) Promoção e publicidade: recebe remuneração pela publicidade efetuada em benefício da outras empresas e instituições, bem como pelo atingimento de determinadas metas de exposição das marcas; e) Revenda de espaços publicitários: adquire espaços publicitários e revende para terceiros. (xxii) a Lei 10.637/02 e a Lei 10.833/03 permitem o aproveitamento de créditos sobre “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”; (xxiii) em razão da complexidade e das particularidades das atividades desenvolvidas pela Recorrente, não restam dúvidas de que as suas atividades são todas direcionadas para o processo produtivo de bens ou produtos – e não à simples comercialização de mercadorias; (xxiv) mesmo que se entenda que exerce atividade puramente comercial, não se pode vedar os créditos de insumos; (xxvi) ainda que se entenda que é uma empresa que não atua na produção de bens ou produtos; e que o rol de despesa passíveis de creditamento é exaustivo (e não exemplificativo), o que se admite apenas para argumentar, a suposta vedação ao aproveitamento de créditos por empresas puramente comerciais é inconstitucional e ilegal; (xxvii) as premissas da Fiscalização estão equivocadas, sendo elas: a) Primeira Premissa do Argumento da Fiscalização: a Recorrente tomou crédito de PIS e de COFINS sobre despesas de taxa de administradora de cartão de crédito, de publicidade, de tecnologia, dentre outras. b) Segunda Premissa do Argumento da Fiscalização: as empresas que atuam no setor comercial (o que não é exclusivamente o caso da Recorrente) não podem tomar créditos sobre insumos. c) Conclusão da Fiscalização: devem ser glosados os créditos de PIS e de COFINS apropriados pela Recorrente (taxa de administradora de cartão de crédito, etc...). (xxviii) o conceito de insumo deve ser analisado de forma ampla, de modo a contemplar a totalidade dos dispêndios essenciais para o processo produtivo da empresa, do qual resulta a geração de sua receita e faturamento; (xxix) todos os custos e despesas com bens e serviços que sejam imprescindíveis à atividades empresarial devem ser caracterizados como insumos e, portanto, geram direito ao crédito, nos termos dos artigos 3º, II, das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03; (xxx) o Superior Tribunal de Justiça - STJ decidiu recentemente, na sistemática dos recursos repetitivos, que o conceito de insumos deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância para as atividades da pessoa jurídica; (xxxi) possui uma plataforma eletrônica que integra os seus clientes ao processo produtivo de bens ou produtos. O contato com os seus consumidores se dá exclusivamente através da plataforma eletrônica, na qual as pessoas físicas e jurídicas podem escolher uma gama de produtos, serviços e comodidades oferecidas; Fl. 2581DF CARF MF Fl. 8 da Resolução n.º 3201-002.445 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720262/2017-65 (xxxii) não existe um estabelecimento físico onde possa atrair novos clientes, desenvolver as suas atividades ou gerar novas fontes de receita. A plataforma para contratação das soluções integradas oferecidas é o seu website na internet; (xxxiii) existe apenas uma única forma de atrair novos clientes e gerar novas receitas: o investimento em publicidade, propaganda e marketing, pois não consegue chegar aos potencias consumidores pela via tradicional (através de um estabelecimento em boa localização, por exemplo), sendo absolutamente necessária a divulgação da sua marca e das soluções integradas que oferece aos seus clientes. (xxxiv) não seria possível o desenvolvimento das suas atividades operacionais sem o investimento em propaganda e marketing. Caso não invista em propaganda e marketing, não conseguiria ter sequer um único cliente em sua plataforma virtual; (xxxv) as despesas incorridas com o pagamento das taxas cobradas pelas administradoras de cartões de crédito configuram verdadeiros insumos, isto é, os serviços prestados pelas operadoras de cartões são essenciais à viabilização das atividades de comercialização de mercadorias bem como de intermediação de vendas, estando, portanto, diretamente relacionados à sua atividade-fim; (xxxvi) tem como atividade precípua a venda soluções integradas via comércio eletrônico, ambiente em que praticamente a totalidade dos pagamentos são feitos pelo uso de cartões de crédito; (xxxvii) apenas aproveita créditos de PIS e de COFINS sobre as despesas de tecnologia intrinsecamente relacionadas com a sua plataforma de vendas e a geração de receitas. Não é efetuado o aproveitamento de créditos sobre as despesas com tecnologia de setores que não estão diretamente vinculados à geração de receitas (sistemas administrativos, despesas relacionadas à gestão de áreas de backoffice, etc...); (xxxviii) investe maciçamente em provedores de banda de internet, desenvolvimento, manutenção e operação de plataformas eletrônicas, além de outros serviços de tecnologia que permitam o desenvolvimento de suas atividades; (xxxix) é companhia aberta com ações em circulação na Bolsa de Nova Iorque. Caso deixe de investir em tecnologia e de gerar receitas, a empresa entrará em colapso e gerará enorme prejuízo aos acionistas controladores e minoritários. A ausência de investimento em tecnologia pode gerar consequências criminais e administrativas graves aos seus administradores; (xl) parcela de suas embalagens é vendida aos seus clientes, de forma que é inquestionável o direito ao crédito, uma vez que se trata de material adquirido para revenda. Portanto, não há que se discutir se a empresa possui direito ao aproveitamento de créditos sobre essa parcela; (xli) esclarece que a embalagem, seja para armazenar o produto e mantê-lo conservado, seja para o frete de entrega para o consumidor final ou para embalagem de presente, está ligada à preservação do produto para que esse seja atrativo ao consumo e gere receitas oriundas da sua venda. Dessa forma, despesas decorrentes de aquisição de embalagem são corriqueiras e essenciais a sua atividade, não tratando-se de meras liberalidades, mas sim do mínimo para tornar o produto comercializável; (xlii) As pesquisas de mercado tem os seguintes objetivos: Fl. 2582DF CARF MF Fl. 9 da Resolução n.º 3201-002.445 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720262/2017-65 a) conhecer o perfil do cliente; b) perceber a estratégia dos concorrentes e observar seus pontos fortes e fracos; c) analisar os fornecedores e as empresas que fornecem os produtos e serviços similares; d dimensionar o mercado, identificando o segmento mais lucrativo; e e) detectar novas tendências e avaliar a performance de seus produtos e serviços. (xliii) fica claro a essencialidade desse tipo de investimento se tido em mente a vastidão e dinamicidade do mercado atual; (xliv) a multa aplicada se apresenta desproporcional; (xlv) incabível a aplicação de juros sobre a multa de ofício; e (xlvi) a taxa SELIC não pode ser aplicada aos créditos tributários, em razão da sua abusividade. A Recorrente anexou aos autos Laudo de Constatação elaborado pela PricewaterhouseCoopers Assessoria Empresarial Ltda, que no seu entendimento corroboram que desempenha diversas atividades caracterizadas como prestação de serviços. Devidamente intimada a se manifestar, a Procuradoria da Fazenda Nacional não se pronunciou nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator. O presente processo não se encontra maduro para decisão, razão pela qual a conversão do julgamento em diligência é medida que se impõe. A Recorrente em sua peça recursal alega que o Auto de infração possui inconsistências que nulificariam a autuação. Resumidamente a Recorrente, sustenta que: - quando da lavratura do Auto de Infração, a Autoridade Fiscal recalculou a base de cálculo por si apurada e incorreu em quatro graves erros de cálculo: a) o primeiro erro de cálculo decorre de a Fiscalização não ter considerado os valores de “ajustes de crédito” no cálculo do PIS e da COFINS devidos pela Recorrente; b) o segundo erro de cálculo decorre do fato que a Fiscalização desconsiderou determinados depósitos judiciais realizados pela Recorrente em ações judiciais que discutem a inclusão do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na base de cálculo do PIS e da COFINS; c) o terceiro erro de cálculo é que, independentemente da existência de qualquer ação judicial, o Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que o ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS. A decisão foi proferida no julgamento do RE 574.706, com acórdão já publicado; Fl. 2583DF CARF MF Fl. 10 da Resolução n.º 3201-002.445 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19311.720262/2017-65 d) o quarto erro de cálculo decorre de uma interpretação equivocada da Fiscalização sobre a natureza das atividades da Recorrente. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (TVF), a Fiscalização entendeu que a Recorrente não teria direito ao aproveitamento de créditos sobre insumos, por entender que a empresa desenvolve atividade comercial. Diz, ainda, que tais erros cometidos pela Fiscalização resultam na nulidade da exigência fiscal discutida nos autos, de tal modo que a autuação deve ser cancelada independentemente de qualquer exame de mérito, ou reduzido nos montantes cobrados indevidamente. É de se compreender que as alegações merecem melhor apreciação. Assim, deve a Unidade de Origem (preparadora) analisar o argumento e as provas acostadas aos autos acerca da desconsideração de ajustes de créditos de PIS/Cofins, apresentado no tópico “A” da peça recursal. Outro tema que merece melhor análise e demanda a conversão do feito em diligência se refere a necessidade de se analisar a argumentação produzida pela Recorrente referente a alegada prestação de serviços, a qual deve ser comprovada documental e com a identificação dos créditos que a Recorrente pretende aproveitar. No tópico deve a Recorrente ser intimada a comprovar, documentalmente, a receita de prestação de serviços que alega auferir e a identificar os créditos de PIS/Cofins que dela decorrem. Neste contexto, deve ser procedida a intimação da Recorrente para que no prazo de 60 (sessenta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar os documentos necessários para o cumprimento da diligência ora proposta. Deve, ainda, a autoridade administrativa elaborar relatório conclusivo em relação aos temas objetos da presente diligência. Isto posto, deve ser oportunizada à Recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável uma vez por igual período, para que se manifeste, para, na sequência, os autos retornem a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Cumpridas as considerações anteriormente especificadas, voto por converter o julgamento do Recurso em diligência, para que a unidade preparadora: a) analise o argumento e as provas acostadas ao recurso acerca da desconsideração de ajustes de créditos de PIS/Cofins; e b) intime a Recorrente a comprovar, documentalmente, a receita de prestação de serviços que alega auferir e a identificar os créditos de PIS/Cofins que dela decorrem. É como voto. (documento assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Fl. 2584DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.902392/2013-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2011
PERDCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO.
Em vista do teor do relatório de diligência fiscal, restou claro não remanescer valor pago indevidamente ou a maior a título de estimativa mensal hábil a garantir a homologação da compensação em análise.
Numero da decisão: 1201-003.358
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13609.902400/2013-87, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Melo Carneiro e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. Em vista do teor do relatório de diligência fiscal, restou claro não remanescer valor pago indevidamente ou a maior a título de estimativa mensal hábil a garantir a homologação da compensação em análise. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13609.902400/2013-87, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Melo Carneiro e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 90 23 92 /2 01 3- 79 Fl. 326DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-003.358 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.902392/2013-79 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório o substancial do relatado no Acórdão nº 1201-003.355, de 10 de dezembro de 2019, que lhe serve de paradigma. A Interessada transmitiu o PER/DCOMP no qual requereu a compensação de débito com crédito referente a Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ (código 5993: IRPJ – Apuração com base no Lucro Real – Estimativa Mensal. A DRF Sete Lagoas emitiu Despacho Decisório não homologando a compensação declarada, visto que foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte teve ciência do Despacho Decisório e dele recorreu a DRJ. Fez, resumidamente, as seguintes alegações: a) Recolheu, no código 5993, valor superior ao devido e efetuou compensações desses valores; b) Procedeu à retificação da DCTF relativa ao período de apuração, alterando o valor do débito declarado. Concluiu requerendo o reconhecimento do crédito pleiteado. A DRJ, contudo, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA [...] DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Os débitos informados pelo contribuinte em DCTF constituem confissão de dívida, prescindem de lançamento para serem cobrados, tornando-se instrumento hábil por meio do qual o Fisco pode promover a cobrança. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ [...] IRPJ. ESTIMATIVA. PAGAMENTO MAIOR QUE O DEVIDO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. A Recorrente informou débito em DCTF, [...] e efetuou recolhimento no valor nela indicado, integralmente utilizado para quitar o débito confessado. Não comprovado, com documentação hábil e idônea, o erro simplesmente alegado, não há direito creditório a ser reconhecido, nem há como se homologar as compensações declaradas, razão pela qual mantém-se a decisão recorrida. Fl. 327DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-003.358 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.902392/2013-79 Nas razões de decidir, reclama a autoridade julgadora de primeira instância a falta de demonstrativos contábeis que indicassem a existência do direito creditório pleiteado pela recorrente: 8.4. Assim, verifica-se que a Recorrente não trouxe qualquer documento contábil ou fiscal que pudesse servir de arrimo a suas alegações, de modo a esclarecer o motivo que ensejou o indébito pleiteado, cabendo lembrar que o balanço/balancete de suspensão ou redução deve ser transcrito no livro Diário. Contra a decisão de primeira instância, a recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário, reiterando, em síntese, as mesmas razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. Resolveu este colegiado converter o julgamento em diligência com o fim de que a DRF de origem: (i) verificasse as DCTFs retificadoras apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo a cada um dos meses, observando-se, no que couber, as disposições da IN RFB nº 1.110/2010; (ii) Fizesse o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas a pagamento a maior de estimativa de IRPJ do ano-calendário em questão, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerando-se, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada; (iii) Fossem refeitas as apurações das estimativas mensais do anos-calendário em pauta, para verificar se as estimativas quitadas foram ou não computadas nas apurações dos meses subsequentes e na apuração anual. A Recorrente foi intimada no curso de diligência a apresentar seus documentos fiscais e contábeis e a recompor suas estimativas devidas para o ano-calendário em questão. Como resultado, a autoridade diligenciante, concluiu que a recorrente recolheu a estimativa a rigor a menor e, no ano-calendário, apurou imposto a pagar, em vez de saldo negativo. Tendo sido dada ciência à Recorrente sobre o resultado da diligência, esta não apresentou manifestação. É o relatório. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 1201-003.355, de 10 de dezembro de 2019, paradigma desta decisão. Fl. 328DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-003.358 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.902392/2013-79 Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, razão por que dele deve ser conhecido. Mérito Tendo sido o julgamento convertido em diligência, a autoridade preparadora em seu relatório de fls. 300 e ss., refez os cálculos, após exame de documentos contábeis da Recorrente, das estimativas de IRPJ daquele ano, inclusive do mês em questão. Relativamente ao mês de fevereiro de 2011, objeto deste pedido de pagamento a maior, a autoridade preparadora assim se manifestou: Nos meses de janeiro, fevereiro, abril e setembro/2011 o contribuinte recolheu a menor as estimativas de IRPJ, nos valores do imposto de renda retido na fonte não comprovados. No final, todas as estimativas pagas foram consideradas na apuração do resultado, tendo sido ao final apurado imposto a pagar em vez de saldo negativo. Assim, não se comprovado o pagamento a maior de estimativa para fevereiro/2011 no curso da diligência, resta prejudicado o pedido da Recorrente. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento. É como voto. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 329DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720497/2015-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 04 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Feb 28 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
NULIDADE. LANÇAMENTO.
Estando devidamente circunstanciadas no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, carecem motivos para decretação de sua nulidade.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGAS A DIRETORES NÃO EMPREGADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
A participação nos lucros e resultados paga a diretores não empregados tem a natureza de retribuição pelos serviços prestados à pessoa jurídica, ensejando a incidência de contribuição previdenciária, por não estar abrigada nos termos da Lei nº 10.101/00.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGAS A EMPREGADOS. AFERIÇÃO DE LUCRO COMO CRITÉRIO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Os pagamentos efetuados a título de participação nos lucros ou resultados, quando correlacionados com a simples aferição de lucro por parte da pessoa jurídica, estão sujeitos à incidência de contribuição previdenciária, por não se verificar critério/condição diferenciado voltado à integração capital/trabalho e ao incentivo à produtividade, como requer a legislação de regência.
LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÕES. DEDUÇÃO DE VALORES. FATO GERADOR. ANO-CALENDÁRIO DIVERSO.
Cabe deduzir do lançamento tributário os valores correspondentes às contribuições incidentes sobre os montantes pagos a título de antecipação e adiantamento de plano de participação nos lucros e resultados, quando os respectivos pagamentos ocorreram em ano-calendário diverso do que foi objeto de exame fiscal.
Numero da decisão: 2202-005.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que sejam excluídos do lançamento os valores relativos aos adiantamentos e antecipações do PLR do ano-calendário 2011, pagos em outubro desse ano; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso no que diz respeito ao PLR dos diretores não empregados e conselheiros, vencido o conselheiro Martin da Silva Gesto; e, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso no que tange ao PLR dos empregados, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros e Juliano Fernandes Ayres.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Ricardo Chiavegatto de Lima, Martin da Silva Gesto, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva (suplente convocada), Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson. Ausente o conselheiro Mário Hermes Soares Campos, substituído pela conselheira Sara Maria de Almeida Carneiro Silva.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 NULIDADE. LANÇAMENTO. Estando devidamente circunstanciadas no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, carecem motivos para decretação de sua nulidade. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGAS A DIRETORES NÃO EMPREGADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A participação nos lucros e resultados paga a diretores não empregados tem a natureza de retribuição pelos serviços prestados à pessoa jurídica, ensejando a incidência de contribuição previdenciária, por não estar abrigada nos termos da Lei nº 10.101/00. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGAS A EMPREGADOS. AFERIÇÃO DE LUCRO COMO CRITÉRIO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os pagamentos efetuados a título de participação nos lucros ou resultados, quando correlacionados com a simples aferição de lucro por parte da pessoa jurídica, estão sujeitos à incidência de contribuição previdenciária, por não se verificar critério/condição diferenciado voltado à integração capital/trabalho e ao incentivo à produtividade, como requer a legislação de regência. LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÕES. DEDUÇÃO DE VALORES. FATO GERADOR. ANO-CALENDÁRIO DIVERSO. Cabe deduzir do lançamento tributário os valores correspondentes às contribuições incidentes sobre os montantes pagos a título de antecipação e adiantamento de plano de participação nos lucros e resultados, quando os respectivos pagamentos ocorreram em ano-calendário diverso do que foi objeto de exame fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que sejam excluídos do lançamento os valores relativos aos adiantamentos e antecipações do PLR do ano-calendário 2011, pagos em outubro desse ano; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso no que diz respeito ao PLR dos diretores não empregados e conselheiros, vencido o conselheiro Martin da Silva Gesto; e, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso no que tange ao PLR dos empregados, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros e Juliano Fernandes Ayres. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Ricardo Chiavegatto de Lima, Martin da Silva Gesto, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva (suplente convocada), Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson. Ausente o conselheiro Mário Hermes Soares Campos, substituído pela conselheira Sara Maria de Almeida Carneiro Silva.
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LANÇAMENTO. Estando devidamente circunstanciadas no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, carecem motivos para decretação de sua nulidade. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGAS A DIRETORES NÃO EMPREGADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A participação nos lucros e resultados paga a diretores não empregados tem a natureza de retribuição pelos serviços prestados à pessoa jurídica, ensejando a incidência de contribuição previdenciária, por não estar abrigada nos termos da Lei nº 10.101/00. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGAS A EMPREGADOS. AFERIÇÃO DE LUCRO COMO CRITÉRIO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os pagamentos efetuados a título de participação nos lucros ou resultados, quando correlacionados com a simples aferição de lucro por parte da pessoa jurídica, estão sujeitos à incidência de contribuição previdenciária, por não se verificar critério/condição diferenciado voltado à integração capital/trabalho e ao incentivo à produtividade, como requer a legislação de regência. LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÕES. DEDUÇÃO DE VALORES. FATO GERADOR. ANO-CALENDÁRIO DIVERSO. Cabe deduzir do lançamento tributário os valores correspondentes às contribuições incidentes sobre os montantes pagos a título de antecipação e adiantamento de plano de participação nos lucros e resultados, quando os respectivos pagamentos ocorreram em ano-calendário diverso do que foi objeto de exame fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que sejam excluídos do lançamento os valores relativos aos AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 04 97 /2 01 5- 12 Fl. 2549DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-005.995 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15586.720497/2015-12 adiantamentos e antecipações do PLR do ano-calendário 2011, pagos em outubro desse ano; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso no que diz respeito ao PLR dos diretores não empregados e conselheiros, vencido o conselheiro Martin da Silva Gesto; e, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso no que tange ao PLR dos empregados, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros e Juliano Fernandes Ayres. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Ricardo Chiavegatto de Lima, Martin da Silva Gesto, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva (suplente convocada), Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson. Ausente o conselheiro Mário Hermes Soares Campos, substituído pela conselheira Sara Maria de Almeida Carneiro Silva. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza (CE) - DRJ/FOR, que julgou procedentes autos de infração (fls. 03/153) compreendendo os períodos de apuração de 01/01/2012 a 31/12/2012, relativos a obrigações principais e acessórias previdenciárias. Tais autuações se deram frente à constatação de pagamentos de participação nos lucros ou resultados a segurados empregados e contribuintes individuais - diretores e membros do conselho de administração - em desacordo com a legislação. A instância de piso assim descreve os termos da autuação e da impugnação (fls. 2097/2098): Consta do Relatório Fiscal da Infração, fls. 128/153, que: - o contribuinte pagou aos empregados, diretores não empregados e membros do conselho de administração as rubricas 1340 – PLR e 1342 – Antecipação PLR, decorrentes de PLR - Participação nos Lucros e Resultados, conforme previsto na Lei 10.101/2000. - o contribuinte não apresentou à fiscalização plano de metas ou critérios que justificassem o pagamento de PLR, infringindo o previsto no art. 2º, § 1º, da Lei 10.101/2000. - não há previsão de não incidência de contribuição previdenciária sobre o pagamento de PLR a contribuintes individuais – diretores não empregados e membros do conselho de administração -, nos termos da Lei 8.212/91, art. 28, § 9º, “j”. - a fiscalização preparou as planilhas I a VI, nas quais detalha os valores pagos a título de PLR, identificando os períodos e os beneficiários. - os fatos geradores foram categorizados em levantamentos, de acordo com a natureza da obrigação. - foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais diante da ocorrência, em tese, dos crimes de Sonegação de Contribuição Previdenciária e Crime Contra a Ordem Tributária. Cientificado do lançamento por meio de mensagem em caixa postal, esta ocorrida em 26/10/2015, o contribuinte apresentou impugnação em 27/11/2015, na qual alega que: Preliminar Fl. 2550DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-005.995 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15586.720497/2015-12 2.1) DA PRELIMINAR - DA VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. - a fiscalização se limita a afirmar que o pagamento de PLR violou a legislação, mas não esclarece os requisitos que deixaram de ser cumpridos pela empresa. Dessa forma, houve clara violação ao Princípio Constitucional do Contraditório e da Ampla Defesa. - transcreve decisão do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que trata de nulidade de lançamento por desrespeito ao art. 10 do Decreto 70.235/72 e art. 142 do CTN. Mérito 2.2.1) DA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA (PARTE EMPRESA, SAT/RAT E TERCEIROS) SOBRE A VERBA PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS LUCROS OU RESULTADOS – PLR. - a participação nos lucros e resultados não constitui base de cálculo de contribuição previdenciária de empregados ou contribuintes individuais, conforme disposto no art. 7º, Inciso XI, da Constituição Federal e artigo 22, § 2º, da Lei 8.212/1991. - transcreve decisão do CARF que trata da extensão da não incidência de contribuição previdenciária sobre PLR paga a segurados não empregados. 2.2.2) DO PAGAMENTO DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DE ACORDO COM A LEI 10.101/2000. - a impugnante aderiu nos anos 2011 e 2012 a "CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO SOBRE PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS DOS BANCOS", nas quais havia expressa previsão de participação nos lucros, conforme cláusulas 1ª a 3ª dos referidos acordos (fls 1924/1927). - a fim de comprovar a existência de regra clara e objetiva de participação nos resultados a impugnante confeccionou demonstrativo de cálculo de PLR nos Exercícios 2011 e 2012. - não há necessidade de elaboração de metas individuais. - transcreve decisão do CARF abonadora da tese defensiva. 2.2.3) DO PAGAMENTO DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS – PLR NO ANO DE 2012 - a fiscalização deixou de compensar a segunda parcela do PLR sobre o lucro da empresa em 2011 e paga apenas em 2012. Não obstante impugnada (fls. 1914/1936), a exigência foi mantida no julgamento de primeiro grau (fls. 2095/2104), em decisão cuja ementa a seguir se transcreve: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. O Programa de Participação nos Resultados tem como característica implícita e necessária a fixação de metas objetivas, de modo que o empregado possa identificar os esforços que poderão alcançá-las, bem como quando ocorre o seu atingimento. A ausência de especificação de metas para o pagamento de PLR afasta a validade do Programa, de modo que os valores pagos aos empregados devem ser considerados base de cálculo da contribuição previdenciária. O recurso voluntário foi interposto em 20/04/2016 (fls. 2216/2138), sendo nele repisados, em linhas gerais, os argumentos da impugnação. Ainda, com relação à alegada ausência de dedução do adiantamento da PLR, irresigna-se quanto à adução da decisão contestada no sentido de que a pretensão foi Fl. 2551DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-005.995 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15586.720497/2015-12 desacompanhada de prova, e refere os documentos juntados por ocasião do procedimento fiscal e à impugnação. Considerando não restar claro o exame da indigitada dedução, a Turma resolveu, mediante a prolação da Resolução nº 2202-000.868, em 08/05/2019, converter o julgamento em diligência, para que autoridade lançadora esclarecesse, à luz dos argumentos recursais contidos no isubitem 2.2.3 do recurso voluntário (fls. 2135/2138), dos documentos ali referidos, e da escrituração digital e folhas de pagamento do recorrente, juntadas aos autos conforme respectivos comprovantes de entrega, se é cabível a dedução do lançamento, que diz respeito ao ano-calendário 2012, de valores já pagos no 2º semestre de 2011, a título de antecipação da 1ª parcela do PLR/2011, e, sendo o caso, apontasse as alterações correspondentes a serem consequentemente realizadas na base de cálculo da autuação. Realizado tal procedimento, com a elaboração da respectiva informação (fls. 2213/2219), e consequente manifestação do interessado (fls. 2256 e ss), retornaram os autos para conclusão do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A arguição de nulidade não merece prosperar. Os fatos que deram supedâneo ao lançamento estão devidamente descritos no Relatório Fiscal de fls. 128 e ss, restando perfeitamente circunstanciado na narrativa ali constante que a autuação deu-se pelo não atendimento dos preceitos contidos no art. 7º, inciso XI da CF, no art. 28, § 9º, alínea ‘j’ da Lei nº 8.212/91, no art. 1º da Lei nº 10.101/00, e, em especial, no § 1º do art. 2º dessa última lei. Assim sendo, é perfeitamente possível à recorrente – como, aliás, o fez – enfrentar os pontos da imputação fiscal de modo hábil e exercer o seu direito de defesa no âmbito do procedimento administrativo. Não se pode falar sequer em erro ou ausência de capitulação, sendo que eventual desagrado da contribuinte com a forma mediante a qual essa capitulação consta no relatório, que faz parte do auto de infração, em nada se confunde em motivação para decretação de nulidade. Mencione-se, nesse sentido, os acórdãos n os 9202-01.262 (fev/11), 9202-004.014 (ago/14), 9202-006.970 (j. jun/18) e 2202-005.259 (set/19). Vale registrar, ainda, que não se vislumbra na espécie qualquer das hipóteses ensejadoras da decretação de nulidade do lançamento consignadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, havendo sido todos os atos do procedimento lavrados por autoridade competente, sem qualquer prejuízo ao direito de defesa do contribuinte, o qual recorre evidenciando pleno conhecimento das exigências que lhe são imputadas. No que diz respeito à participação nos lucros ou resultados paga aos diretores e/ou membros de conselho de administração, deve-se relembrar, inicialmente, das normas jurídicas que regram tal participação, a principiar, como suporte básico, pelo inciso XI do art. 7º da Constituição Federal (CF) o qual preconiza que dentre os direitos dos trabalhadores urbanos e Fl. 2552DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-005.995 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15586.720497/2015-12 rurais, tem-se a participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Essa norma está inserta no Capítulo II da Carta Maior, denominado "Dos Direitos Sociais", e visa à proteção não de qualquer trabalhador, mas sim daquele que apresenta vínculo de subordinação, como ressaltam Canotilho e Vital Moreira 1 : (...) a individualização de uma categoria de direitos e garantias dos trabalhadores, ao lado dos de caráter pessoas e político, reveste um particular significado constitucional, do ponto em que ela traduz o abandono de uma concepção tradicional dos direitos, liberdades e garantias como direitos do homem ou do cidadão genéricos e abstractos, fazendo intervir também o trabalhador (exactamete: o trabalhador subordinado) como titular de direitos de igual dignidade. Ressalte-se que os direitos dos trabalhadores explicitados nos incisos do art. 7º da CF não contemplam sem restrições, todos os trabalhadores. A quase totalidade deles, tais como o décimo terceiro salário e a licença-paternidade, são voltados aos trabalhadores com vínculo de subordinação, sem que seja sequer cogitada 'discriminação' pelos não alcançados pelas normas ali contidas, como profissionais liberais, para citar-se apenas um dentre os vários exemplos possíveis. Também o § 4º do art. 218 da CF reforça a compreensão de que a participação nos lucros e resultados é dirigida ao trabalhador subordinado. Esse parágrafo veicula previsão de participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade, regrando que a lei apoiará e estimulará as empresas que invistam em pesquisa, criação de tecnologia adequada ao País, formação e aperfeiçoamento de seus recursos humanos e que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado - e não ao trabalhador não subordinado - desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. Diante desse quadro, descortina-se, como decorrência de caráter constitucional, que diretores não empregados e membros do conselho de administração não estão sob o alcance do instituto regrado pelo inciso XI do art. 7º, norma de eficácia limitada que passou a adquirir seus contornos mais definitivos com o advento da MP nº 794/94. Por sua vez, o art. 2º da Lei nº 10.101/00, que a partir de sua edição passou a regrar a participação nos lucros e resultados constitucionalmente prevista, restringe claramente, em consonância com o acima explicado, esse benefício apenas aos empregados. Atente-se que a lei não faculta, como parecem entender alguns, a negociação entre empresa e seus empregados, mas determina - "será" - que ela seja realizada para que se possa falar em acordo sobre lucros ou resultados. Ou seja, o legislador previu, como não poderia deixar de ser, como pressuposto lógico, que existam partes a princípio contrapostas, mas que procuram negociar e por meio de tal negociação atinjam um patamar de colaboração e integração, com a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa. Não existe negociação consigo mesmo, salvo, talvez, na esfera íntima do indivíduo. A redação desse artigo, aliás, evidencia muito claramente ser o empregado o destinatário da norma, pois como defender que o diretor estatutário, representante do poder de da empresa que subordina, poderia participar de negociação sob as vestes simultâneas de empregador/empregado (trabalhador ou empregado em sentido amplo, caso assim se admita)? 1 CANOTILHO, J.J. Gomes, MOREIRA, Vital. Constituição dirigente e vinculação do legislador. Coimbra: Coimbra Editora, 1994, p. 285. Fl. 2553DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-005.995 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15586.720497/2015-12 Curioso seria imaginar, por exemplo, uma comissão paritária formada por representantes dos diretores estatutários/trabalhadores - diretores também, por suposto - que fossem negociar PLR com os outros diretores estatutários, ou ainda, com eles mesmos, só que aí assumindo os papéis de representantes dos empregadores. Tudo isso, sob as vistas de um representante indicado pelo sindicato, algo despiciendo na insólita situação criada. A prosperar tal tese, o comando da empresa, composto por diretores nessa condição alçados pelo estatuto, poderia, a seu talante, conceder-se aumentos indiscriminados a título de premiação, e, alegando "autonegociação", a propósito, buscar granjear as benesses tributárias correspondentes, em prejuízo da seguridade social. Com a devida vênia, carece de razoabilidade tal exegese. Não há, assim, qualquer inconstitucionalidade a distinguir trabalhadores em razão de sua ocupação ou função, mas sim aplicação plena do princípio da legalidade, diferenciando os desiguais na medida da desigualdade, em observância ao primado dos direitos sociais tal como insculpidos em sede constitucional. À luz dessas constatações, e a par delas, deve ser lembrado que diretores não empregados e membros de conselho de administração são segurados obrigatórios da previdência social, na categoria de contribuintes individuais, a teor da alínea "a" do inciso I do art. 195 da CF, c/c a alínea "f" do inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Nessa qualidade, o correspondente salário-de-contribuição é a remuneração auferida durante o mês, sendo a contribuição a cargo da empresa calculada com base no total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, forte nos incisos III dos arts. 22 e 28 da Lei nº 8.212/91, não lhes sendo aplicável o benefício previsto na alínea "j" do § 9º do art. 28 desse diploma, tendo em vista ser a lei específica requerida nesse dispositivo a Lei nº 10.101/00, a qual, conforme explanado, não contempla trabalhadores não empregados. Em consonância com tal entendimento, veja-se, dentre outras decisões, os acórdãos n os 9202-007.607 e 9202-007.609 (ambos julgados em 26/02/2019) da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), nos quais foi relatora a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Cumpre anotar que, na espécie, sequer há previsão, nas Convenções Coletivas que suportaram os pagamentos efetuados a título de participação nos lucros, de que diretores não empregados ou membros do Conselho de Administração fossem destinatários das disposições nelas estabelecidas – ver, nesse sentido, fls. 316 e ss. Como fecho desse tópico, registre-se que a Lei n° 6.404/76, que dispõe sobre as sociedades por ações, em nenhuma parte de seu texto tratou da tributação das contribuições previdenciárias em relação a remuneração dos segurados contribuintes individuais por parte das empresas, e nem o poderia fazer, pois a instituição e o regramento de contribuições para a seguridade social requer lei ordinária específica, competência essa exercida pela União com a edição da Lei nº 8.212/91. Aquela lei, em seu artigo 152 e parágrafos, estabeleceu somente normas sobre a forma de remuneração dos administradores das Sociedades por Ações, não versando, assim, sobre a incidência das contribuições em comento. Cumpre lembrar, aliás, que o RE nº 569.441/RS, j. 30/10/2014, firmou a Tese de Repercussão Geral nº 344 (de observância obrigatória para este Colegiado por força do art. 62 do RICARF): Fl. 2554DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-005.995 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15586.720497/2015-12 Incide contribuição previdenciária sobre as parcelas pagas a título de participação nos lucros no período que antecede a entrada em vigor da Medida Provisória 794/1994, que regulamentou o art. 7º, XI, da Constituição Federal de 1988. Traga-se à baila, também sobre o tema, o julgado do STF (Agravo Regimental no Recurso Extraordinário nº 636.899/DF, Relator Ministro Dias Toffoli, julgamento em 17/11/2015): Segundo agravo regimental no recurso extraordinário. Art. 7º, XI, da Constituição. Norma não auto-aplicável. Participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa. Regulamentação. Lei nº 10.101/2000. Distribuição de lucros aos sócios e administradores. Lei nº 6.404/76. Contribuição previdenciária. Natureza jurídica da verba. Ausência de repercussão geral. Questão infraconstitucional. 1. O preceito contido no art. 7º, XI, da Constituição não é auto-aplicável e a sua regulamentação se deu com a edição da Medida Provisória nº 794/94, convertida na Lei nº 10.101/2000. 2. O instituto da participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa de que trata o art. 7º, XI, CF, a Lei nº 10.101/2000 e o art. 28, § 9º, Lei nº 8.212/91, não se confunde com a distribuição de lucros aos sócios e administradores autorizada no art. 152 da Lei nº 6.404/76. (...) (negritei) Tem-se, então, que a lei regulamentadora da participação nos lucros ou resultados prevista constitucionalmente é a Lei nº 10.101/00 (conversão da MP nº 794/94), conforme já assentado pelo STF, em compreensão partilhada também pelo STJ no AgRg no AREsp nº 95.339/PA, j. 20/11/2012. Portanto, não há reparos a fazer na exigência fiscal, nesse ponto. Quanto à participação nos lucros paga aos empregados da recorrente, a fiscalização entendeu que, como a empresa não apresentou plano de metas ou critérios que justificassem o pagamento de PLR, não restaram cumpridas as disposições do § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101/00, que estabelece que “dos instrumentos da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado...”. Com razão a autoridade lançadora, pois, ainda que, dependendo da leitura que se faça do art. 2º da Lei nº 10.101/00, se entenda não ser imprescindível o estabelecimento de metas individuais, as participações objeto de exame foram pagas tendo como parâmetro a simples aferição de lucro por parte da recorrente. Veja-se que nas Convenções Coletivas (fls. 1924/1927) foi previsto o pagamento das participações como percentual do lucro líquido, mas não foram dimensionadas metas ou objetivos a serem atingidos, sejam eles considerados de forma individual, sejam entendidos como da empresa/corporativos. Tampouco o critério adotado para a distribuição de participações não se confunde com índice de produtividade, qualidade ou lucratividade. Destaque-se que a distribuição de participações nos lucros tem como pressuposto lógico a existência de lucro, do que se extrai que o lucro, por si só, não é critério possível para Fl. 2555DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-005.995 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15586.720497/2015-12 distribuição da participação, mas sim o objeto da própria distribuição regrada pela norma em relevo. Considerar que a mera aferição de lucros seja critério hábil soa, s.m.j., como exegese tautológica, pois a participação de lucros, requer, por óbvio, que hajam lucros no período. No caso concreto, a participação de lucros só não será paga se o banco não tiver lucros, o que revela não estar diante a se tratar de critério, requisito ou condição, sob qualquer prisma, mas sim, repita-se, de pressuposto lógico da norma que embasa o benefício examinado. Ademais a obtenção de resultado positivo sobre o patrimônio - lucro, a ser distribuído aos sócios de uma pessoa jurídica, é a finalidade natural e inerente ao exercício empresarial, não se confundindo com critério/condição estabelecida e diferenciada que colabore com a finalidade das disposições da Lei nº 10.101/00, que é, conforme firmado em seu art. 1º, servir de “instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição”. Trata-se, de fato, de mera gratificação avençada mediante convenção coletiva, a qual, por não adequar-se as normas da Lei nº 10.101/00, insere-se no campo de incidência das contribuições previdenciárias. Também nesse ponto, então, não tem razão a interessada. Noutro giro, a contribuinte vem aduzindo, desde a impugnação, que a fiscalização incorreu em erro na apuração da base de cálculo da infração. Para a aferição dessa base, a auditoria teria considerado a 1ª parcela do PLR/2012, bem como a 2ª parcela do PLR/2011, paga no primeiro semestre de 2012. Porém, com relação a essa 2ª parcela do PLR/2011, não teria sido descontado o adiantamento da mesma PLR que já fora pago no decorrer do 2ª semestre de 2011, mais especificamente no mês de outubro. A decisão de piso considerou não comprovadas as alegações da impugnação, nos seguintes singelos termos (fl. 2102): A impugnante elaborou planilha informando os valores pagos a título de 2ª parcela de PLR do ano 2011 e paga em 2012, na qual alega que a fiscalização deixou de deduzir a rubrica 2270 (liquidação Adiantamento PLR) para os Diretores não Empregados. Entendo que a impugnante não se desincumbiu de comprovar sua alegação, visto que não anexou à peça defensiva documento de prova, que poderia ser as folhas de pagamento ou registros contábeis. A simples alegação, desacompanhada de prova não tem o condão de desfazer o lançamento, visto que este foi elaborado com base em arquivos digitais fornecidos pelo próprio contribuinte e representa os pagamentos da empresa a título de PLR. No seu recurso voluntário, a autuado aduz que, além de ter circunstanciado de forma ilustrativa via planilhas o ponto controverso, entregou ao Fisco, ao contrário do referido pela decisão de primeiro grau, elementos suficientes para a comprovação de seu direito. Nesse sentido, além de relatórios e planilhas inseridas no corpo do recurso, bem como o acompanhando (fls. 2058/2270), alude à entrega dos arquivos Manad à fiscalização em 02/02/2005 consoante "Recibo de Entrega de Arquivos Digitais" (fls. 952) atesta. Com efeito, não procede a fundamentação da DRJ/FOR nesse aspecto. De acordo com o referido recibo, a contribuinte carreou aos autos os arquivos de folhas de pagamento Fl. 2556DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-005.995 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15586.720497/2015-12 necessários para o exame de suas razões quanto à suposta não dedução de parte do PLR/2011, pago no 2ª semestre de 2011, do total lançado a esse título no primeiro semestre de 2012. Ademais, os registros contábeis envolvidos também foram apresentados no curso do procedimento fiscal, conforme evidenciado pelos documentos "Requisição de cópia de escrituração contábil digital", às fls. 914 e ss, possibilitando, de maneira ampla, a análise do arrazoado da contribuinte. Em decorrência, este Colegiado solicitou à autoridade lançadora, por meio da Resolução nº 2202-000.868, a devida análise dos argumentos da recorrente, tendo em vista a documentação apresentada no curso do procedimento fiscal, com ênfase nos arquivos Manad atinentes à folha de pagamento da instituição financeira. Compulsando a informação elaborada pela fiscalização (fls. 2213/2219), e a manifestação da contribuinte (fls. 2256 e ss), entendo que ficou clara a situação. A fiscalização não contesta que os valores relativos à ‘liquidação antecipação PLR’ relativa aos empregados (conta 2200, R$ 7.384.010,48), e à ‘liquidação adiantamento PLR’ referente aos diretores não empregados e membros do conselho de administração (conta 2270, respectivamente R$ 18.417,56 e R$ 17.263,02), tenham sido pagos efetivamente em outubro de 2011, sendo adiantamentos/antecipações do PLR de 2011. Cinge-se, basicamente, a alertar que esses valores não compuseram a base de cálculo das contribuições recolhidas no decorrer do ano-calendário 2011, conforme a própria contribuinte admite, e, registrando não terem sido esses montantes objeto de lançamento em outro procedimento fiscal, considera que deve ser mantido o crédito tributário tal como lançado. Ora, havendo sido tais valores efetivamente pagos no ano-calendário 2011, de acordo com os registros de folha de pagamento, não contestados, reitere-se, pelo fiscal autuante, não poderiam eles compor a base de cálculo das contribuições lançadas no que se refere às competências - fatos geradores – referentes ao ano-calendário 2012. Na realidade, tal proceder afrontou os termos do art. 22 da Lei nº 8.212/91, sendo que o fato de que os valores em questão não terem composto a base de cálculo das contribuições no ano-calendário devido não serve de escusa para a realização do lançamento em desrespeito ao aspecto temporal da regra de incidência tributária, visto que os fatos geradores das contribuições inadimplidas ocorreram no ano de 2011, não em 2012, como equivocamente firmado na autuação. Sendo o caso, e não transcorrido o prazo decadencial para tanto, caberia à autoridade lançadora efetuar o lançamento relativo ao ano-calendário 2011. Impende então, acatar o pleito do contribuinte para que tais antecipações/adiantamentos relativos ao PLR 2011, pagas em outubro de 2011, sejam deduzidos do valor lançado. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para que sejam excluídos do lançamento os valores relativos aos adiantamentos e antecipações do PLR do ano- calendário 2011, pagos em outubro desse ano. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 2557DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-005.995 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15586.720497/2015-12 Fl. 2558DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13609.902400/2013-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2011
PERDCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO.
Em vista do teor do relatório de diligência fiscal, restou claro não remanescer valor pago indevidamente ou a maior a título de estimativa mensal hábil a garantir a homologação da compensação em análise.
Numero da decisão: 1201-003.355
Decisão:
Vistos, discutidos e relatados os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente
(assinado digitalmente)
Allan Marcel Warwar Teixeira Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Melo Carneiro e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ALLAN MARCEL WARWAR TEIXEIRA
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. Em vista do teor do relatório de diligência fiscal, restou claro não remanescer valor pago indevidamente ou a maior a título de estimativa mensal hábil a garantir a homologação da compensação em análise. Vistos, discutidos e relatados os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa – Presidente (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Melo Carneiro e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 90 24 00 /2 01 3- 87 Fl. 311DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-003.355 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.902400/2013-87 Relatório Por bem representar a controvérsia, adoto relatório da DRJ: 1. A Interessada transmitiu o PER/DCOMP nº 17534.36855.221211.1.3.04- 0473 no qual requer a compensação de débito com crédito referente a Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ (código 5993: IRPJ – Apuração com base no Lucro Real – Estimativa Mensal; período de apuração 28/02/2011; crédito original na data da transmissão = R$177,06; fls. 51 a 55). 2. A DRF Sete Lagoas emitiu Despacho Decisório (fl. 57) não homologando a compensação declarada, visto que foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP 3. O contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 13/08/2013 (AR; fl. 58), e dele recorreu a DRJ, em 12/09/2013 (fl. 2). Fez, resumidamente, as seguintes alegações. 3.1. Recolheu, no código 5993, o valor de R$54.895,21, em 31/03/2011. O valor devido era de R$50.046,45. Assim, houve um pagamento a maior de R$4.848,76. Utilizou crédito original de R$4.671,70 no PER/DCOMP 39658.38275.290711.1.3.04-0352, e R$177,06 no PER/DCOMP 17534.36855.221211.1.3.04-0473. 3.2. Procedeu à retificação da DCTF relativa ao período de apuração março de 2011, alterando o valor do débito declarado de R$54.895,21 para R$50.046,45 apurado na DIPJ AC 2011. Concluiu requerendo o reconhecimento do crédito pleiteado. A DRJ, contudo, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 28/02/2011 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Os débitos informados pelo contribuinte em DCTF constituem confissão de dívida, prescindem de lançamento para serem cobrados, tornando-se instrumento hábil por meio do qual o Fisco pode promover a cobrança. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 28/02/2011 IRPJ. ESTIMATIVA. PAGAMENTO MAIOR QUE O DEVIDO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. A Recorrente informou débito em DCTF, referente ao mês de fevereiro de 2011, e efetuou recolhimento no valor nela indicado, integralmente Fl. 312DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-003.355 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.902400/2013-87 utilizado para quitar o débito confessado. Não comprovado, com documentação hábil e idônea, o erro simplesmente alegado, não há direito creditório a ser reconhecido, nem há como se homologar as compensações declaradas, razão pela qual mantém-se a decisão recorrida. Na razões de decidir, reclama a autoridade julgadora de primeira instância a falta de demonstrativos contábeis que indicassem a existência do direito creditório pleiteado pela recorrente: 8.4. Assim, verifica-se que a Recorrente não trouxe qualquer documento contábil ou fiscal que pudesse servir de arrimo a suas alegações, de modo a esclarecer o motivo que ensejou o indébito pleiteado, cabendo lembrar que o balanço/balancete de suspensão ou redução deve ser transcrito no livro Diário. Contra a decisão de primeira instância, a recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário, reiterando, em síntese, as mesmas razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. Às fls. 127 e ss., resolveu este colegiado converter o julgamento em diligência com o fim de que a DRF de origem: (i) verificasse as DCTFs retificadoras apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo a cada um dos meses, observando-se, no que couber, as disposições da IN RFB nº 1.110/2010; (ii) Fizesse o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas a pagamento a maior de estimativa de IRPJ do ano-calendário em questão, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerando-se, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada; (iii) Fossem refeitas as apurações das estimativas mensais dos anos-calendário em pauta, para verificar se as estimativas quitadas foram ou não computadas nas apurações dos meses subsequentes e na apuração anual; A Recorrente foi intimada no curso de diligência a apresentar seus documentos fiscais e contábeis e a recompor suas estimativas devidas para o ano-calendário em questão. Como resultado, a autoridade diligenciante, às fls. 300, concluiu que a recorrente recolheu a estimativa a rigor a menor no mês de fevereiro de 2011 e, no ano-calendário, apurou imposto a pagar, em vez de saldo negativo. Tendo sido dada ciência à Recorrente sobre o resultado da diligência, esta não apresentou manifestação. Fl. 313DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-003.355 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.902400/2013-87 É o relatório. Voto Conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira, Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, razão por que dele deve ser conhecido. Mérito Tendo sido o julgamento convertido em diligência, a autoridade preparadora em seu relatório de fls. 300 e ss., refez os cálculos, após exame de documentos contábeis da Recorrente, das estimativas de IRPJ daquele ano, inclusive do mês em questão. Relativamente ao mês de fevereiro de 2011, objeto deste pedido de pagamento a maior, a autoridade preparadora assim se manifestou: Nos meses de janeiro, fevereiro, abril e setembro/2011 o contribuinte recolheu a menor as estimativas de IRPJ, nos valores do imposto de renda retido na fonte não comprovados. No final, todas as estimativas pagas foram consideradas na apuração do resultado, tendo sido ao final apurado imposto a pagar em vez de saldo negativo. Assim, não se comprovado o pagamento a maior de estimativa para fevereiro/2011 no curso da diligência, resta prejudicado o pedido da Recorrente. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento. Fl. 314DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-003.355 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.902400/2013-87 É como voto. (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira - Relator Fl. 315DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.012713/2005-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
PAF NOTIFICAÇÃO POR VIA POSTAL VALIDADE É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF Nº 9).
PRELIMINAR TEMPESTIVIDADE
Demonstrado que a impugnação foi apresentada após o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da notificação de lançamento, correta a decisão de primeira instância que não conheceu das demais razões de defesa.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-000.676
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 PAF NOTIFICAÇÃO POR VIA POSTAL VALIDADE É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF Nº 9). PRELIMINAR TEMPESTIVIDADE Demonstrado que a impugnação foi apresentada após o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da notificação de lançamento, correta a decisão de primeira instância que não conheceu das demais razões de defesa. Recurso negado.
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PRELIMINAR TEMPESTIVIDADE Demonstrado que a impugnação foi apresentada após o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da notificação de lançamento, correta a decisão de primeira instância que não conheceu das demais razões de defesa. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 27/05/2011 por NELSON MALLMANN, 27/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Pedro Anan Júnior, Antonio Lopo Martinez, João Carlos Cassulli Júnior, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 27/05/2011 por NELSON MALLMANN, 27/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.012713/200504 Acórdão n.º 220200.676 S2C2T2 Fl. 72 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, LUCIMAR LEMOS STEINKE , foi lavrado meio do auto de infração de, exigese o recolhimento de R$ 5.146,30 de imposto suplementar, R$ 3.859,72 de multa de oficio de 75% e acréscimos legais, em decorrência da revisão da declaração do 1RPF do exercício 2001, anocalendário 2000. A revisão foi efetuada com fundamento nos arts. 788, 835 a 839, 841, 844, 871, 926 e 992, todos do Regulamento do Imposto de Renda — RIR/1999, aprovado pelo Decreto n.° 3.000, de 26 de março de 1999 (ti. 11). A autuação, por sua vez, foi fundamentada no arts. 8°, inciso 11, alíneas "a", "c" e "e", §§ 2° e 3°, e 35 da Lei 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 12 da Lei n°9.477, de 24 de julho de 1997, arts. 11,80 e 82 da Lei n°9.532, de 10 de dezembro de 1997, arts. 37 e 41 a 46 da Instrução Normativa SRF n° 25, de 29 de abril de 1996, (fl. 12) e procedeu as seguintes alterações (fls. 11 e 37): contribuições a previdência e FAPI, de R$ 3.293,62 para R$ 0,00; dependentes, de R$ 3.240,00 para R$ 0,00; despesas médicas, de R$ 12.180,20 para R$ 0,00. Cientificada do lançamento em 17/10/2005 (fl. 4Iverso), ingressou em 21/11/2005, por meio de representante (procuração á fl. 43), com a impugnação de fls. 01/08, acompanhada dos anexos de fls. 09/36. Após notas introdutórias, alega, preliminarmente, cerceamento de defesa e nulidade do lançamento, por violação ao artigo 23 do Decreto 70.235, de 1972, porque não houve intimação pessoal ou postal, na fase preparatória do lançamento, para prestar esclarecimentos e apresentar documentos. No mérito, diz que as contribuições à previdência privada são descontadas em folha, o que e verificável "por mera leitura dos holerites". i Em relação aos dependentes, aduz que Jorge Luis da Costa e Silva "era, na época, companheiro em regime de união estável, e que dependia da contribuinte em todos os aspectos"; que Armando Bruno Gonçalves Steinke é seu neto e, além de pensão alimentícia em seu favor, pagava todas as suas despesas; e que Rose Aparecida Mariano Carneiro é filha adotiva que depende da impugnante para tudo. Acrescenta que a lei civil impõe dever recíproco entre parentes de forma vitalícia e nem mesmo a maioridade rompe esta obrigação. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 27/05/2011 por NELSON MALLMANN, 27/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Quanto às despesas médicas, afirma que arcou com despesas de plano de saúde e outras não cobertas pelo plano, como no caso de atendimento odontológico e que isto é comprovado pelos documentos carreados aos autos e por outros que venham a ser trazidos. Informa que embora seja "avó do então menor Armando Bruno Gonçalves Steinke, considerada a situação aflitiva financeiramente de seu filho Álvaro Milton Steinke, e notadamente em razão do bem estar do menor, a requerente arcou no ano de 2001, como o ônus representado pela pensão alimentícia cobrada pelo menor através de sua genitora JANETE GONÇALVES, nos autos n° 1875/1993, tramitado perante a 3° Vara de Família desta Capital. Requer, por fim, a nulidade do lançamento e a desconstituição do auto de infração. A DRJCuritiba não tomou conhecimento da impugnação da contribuinte por entendela intempestiva, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000 PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. PREVISÃO LEGAL EXPRESSA. A impugnação deve ser apresentada no prazo de trinta dias da ciência do lançamento, por expressa previsão legal. Impugnação não Conhecida Insatisfeita, a contribuinte apresenta recurso voluntário de fls.54/61, alegando que na AR de fls. 41verso, figura a assinatura de um tal de seu Anderson, indicando que não tomou conhecimento do lançamento. Complementa seu argumento, alegando ter ocorrido greve e prejuízo ao acesso no período de outubro a novembro de 2005. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 27/05/2011 por NELSON MALLMANN, 27/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10980.012713/200504 Acórdão n.º 220200.676 S2C2T2 Fl. 73 5 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Trata o recurso voluntário contra decisão de primeira instância que não conheceu a impugnação por esta ser intempestiva. O auto de infração foi encaminhado para o domicilio do contribuinte, ocorrendo a ciência conforme Aviso de Recebimento, fls. 41verso, em 17/10/2005. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 01 e 08, em 21/11/2005, fora do prazo fatal. Caberia ao suplicante adotar medidas necessárias ao fiel cumprimento das normas legais, observando o prazo fatal para interpor a impugnação. Não se aplica o entendimento do citado Parecer COSIT/COTIR/DITIR n°26, de 9 de abril de 1997, pois não há nos autos indicação de que houvesse sido entregue DARF com prazo de vencimento préestabelecido, mas tão somente instruções para preenchimento do DARF. Igualmente, não há prova nos autos de que a greve de auditores fiscais afetou o funcionamento normal do setor de protocolo da repartição, não justificando assim a apresentação intempestiva de impugnação. Ademais, o sujeito passivo dispõe de opção de encaminhamento por via postal. No que refere a incompetência do funcionário do prédio para receber a intimação, assim dispõe a Súmula CARF No. 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 27/05/2011 por NELSON MALLMANN, 27/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 27/05/2011 por NELSON MALLMANN, 27/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10920.007511/2007-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2020
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2005
DISPONIBILIZAÇÃO DE PLANO EDUCACIONAL E ODONTOLÓGICO A EMPREGADOS COM DETERMINADO TEMPO DE VÍNCULO COM A EMPRESA. INEXISTÊNCIA DE IGUALDADE. NÃO ATENDIMENTO À REGRA DE ISENÇÃO.
A cláusula que estipula um mínimo de permanência na empresa para a percepção dos benefícios mostra-se como critério discriminatório apto a gerar uma desigualdade entre os empregados, acarretando a vulneração da regra de extensão dos benefícios a todos os empregados, sujeitando o pagamento de tais benefícios à incidência das contribuições previdenciárias.
Numero da decisão: 9202-008.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Cecília Lustosa da Cruz (relatora), Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Maurício Nogueira Righetti.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo- Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
(assinado digitalmente)
Maurício Nogueira Righetti Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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INEXISTÊNCIA DE IGUALDADE. NÃO ATENDIMENTO À REGRA DE ISENÇÃO. A cláusula que estipula um mínimo de permanência na empresa para a percepção dos benefícios mostrase como critério discriminatório apto a gerar uma desigualdade entre os empregados, acarretando a vulneração da regra de extensão dos benefícios a todos os empregados, sujeitando o pagamento de tais benefícios à incidência das contribuições previdenciárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Cecília Lustosa da Cruz (relatora), Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Maurício Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. (assinado digitalmente) Maurício Nogueira Righetti – Redator Designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 75 11 /2 00 7- 17 Fl. 1450DF CARF MF Documento nato-digital 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo Contribuinte contra o Acórdão n.º 2402005.463, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 17 de agosto de 2016, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 753: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. O Relatório de Representantes Legais representa mera formalidade exigida pelas normas de fiscalização, em que é feita a discriminação das pessoas que representavam a empresa ou participavam do seu quadro societário no período do lançamento, não acarretando, na fase administrativa do procedimento, qualquer responsabilização das pessoas constantes daquela relação. DISPONIBILIZAÇÃO DE PLANO EDUCACIONAL E ODONTOLÓGICO APENAS A EMPREGADOS COM DETERMINADO TEMPO DE VÍNCULO COM A EMPRESA. NÃO ATENDIMENTO A REGRA QUE ESTABELECE QUE A ISENÇÃO É CONDICIONADA AO FORNECIMENTO DO BENEFÍCIO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O estabelecimento norma empresarial que permita a fruição de plano educacional e odontológico apenas por empregados com determinado tempo de permanência na empresa, pela legislação vigente à época dos fatos geradores, feria a regra de isenção que exige que o benefício seja estendido a todo o quadro funcional, acarretando na incidência de contribuição sobre a verba. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NÃO EXTENSÃO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA. Os valores vertidos pela empresa para custeio do plano de previdência fechada somente não sofrem a tributação previdenciária quando disponibilizados a todos os seus empregados e dirigentes. PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE Fl. 1451DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10920.007511/200717 Acórdão n.º 9202008.339 CSRFT2 Fl. 3 3 PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) a título de participação nos lucros sujeitamse a incidência de contribuições, por não haver norma que preveja a sua exclusão do saláriodecontribuição. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE O VALOR DAS FATURAS RELATIVAS A SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS INTERMEDIADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. Conforme decisão plenária do STF, adotada na sistemática do art. 543B do CPC, é inconstitucional a contribuição incidente sobre as faturas relativas a serviços prestados por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho. Recursos de Ofício Negado e Voluntário Provido em Parte. Foram opostos Embargos de Declaração pelo Contribuinte, fls. 823 a 831, com o intuito de obter decisão integrativa do julgado, contudo foram rejeitados, conforme consta do Despacho de fls. 851 a 857. O Recurso Especial anteriormente mencionado, fls. 410 e seguintes, foi admitido, em parte, pelo Despacho de fls. 976 e seguintes para rediscussão a respeito da incidência das contribuições sociais previdenciárias sobre as despesas com educação e as despesas com assistência odontológica (controvérsia sobre a extensão do benefício a todos os empregados). Contra a inadmissão de uma das divergências suscitadas (previdência complementar) foi interposto Agravo, fls. 1.013 e seguintes, que, negando o pleito da Recorrente, manteve o Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial, como se extrai da decisão de fls. 1135 e seguintes. Em seu recurso, o Contribuinte alegou, em suma: a) a autoridade fiscal considerou como sujeita à incidência de contribuições social ao INSS os valores dispendidos pela Recorrente para Auxílio Escolar e Cursos Técnicos, no período compreendido entre jan/97 e dez/05, bem como auxílio odontológico, ambos sob o argumento de que “não foram disponibilizados a todos os empregados e dirigentes da empresa”; b) tal conclusão tem como fundamento o fato de que a Recorrente contava, à época, com o requisito temporal de que os colaboradores tivessem, no mínimo, 12 meses de trabalho para receber auxílio escolar e o auxílio odontológico interpretando que tal requisito temporal afetaria o acesso universal ao benefício e, portanto, o sujeitaria à incidência da contribuição social ao INSS; c) é incontroverso que a Recorrente contava, à época do lançamento, com um requisito temporal para fruição dos programas de educação e auxílio odontológico por seus colaboradores, porém, a questão sobre tal requisito ter (ou não) o efeito de macular a norma de isenção consiste no ponto central Fl. 1452DF CARF MF Documento nato-digital 4 de irresignação da Recorrente, com estribo nos acórdãos acostados; d) pugnase pela apreciação da controvérsia acerca da existência de um requisito temporal ter ou não a possibilidade de afastar a incidência de contribuição social sobre valores vertidos para auxílio escolar e assistência odontológica. Intimada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, fls. 1.154 e seguintes, alegando, em síntese: a) no caso em tela, o auxílio não era a pago a totalidade dos funcionários empresa. Conforme acordo coletivo de trabalho apenas funcionários com vínculo empregatício superior a um ano faziam jus ao dito auxílio. Assim, tendo sido tal verba paga em desacordo com Lei caberia a incidência de contribuição previdência sobre tais valores; b) estando no campo de incidência do conceito de remuneração e não estando adequada à dispensa legal, as parcelas pagas a título de auxílio educação para alguns funcionários deve integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias; c) quanto às despesas odontológicas, o benefício – reembolso de despesas odontológicas não foi estendido à totalidade dos segurados empregados e dirigentes da empresa, não se enquadrando, portanto, na hipótese de nãoincidência prevista na alínea “q” do parágrafo 9o do artigo 28 da Lei n° 8.212/91, o qual exclui do saláriodecontribuição apenas o valor relativo à assistência médica e odontológica estendido à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Cabe acrescentar que, em 22 de janeiro de 2018, foi apresentada petição pelo Contribuinte na qual se pleiteia a conexão dos presentes autos com o processo n.º 10920.007512/200753, fls. 1.196 e seguintes. Considerando a existência de adesão a parcelamento pelo Contribuinte, foi emitida informação pelo auditor responsável, com os seguintes esclarecimentos: Informo que foram realizados os seguintes ajustes no debcad 371122147, para fins de adequação à fase atual do processo, conforme autos: 1º – Desmembramento de parte da rubrica PPR (competências 11/2003 a 12/2008), conforme solicitado pelo contribuinte à folha 715. Tratase de desistência parcial para adesão ao parcelamento especial da Lei 11941, de 27 de maio de 2009, na modalidade pagamento à vista. O interessado informa também, à folha 716, o pagamento de GPS referente à parcela desistida, com os benefícios da Lei. O Termo de Transferência (TETRA) e o Demonstrativo Analítico do Débito Desmembrado (DADD) encontramse às folhas 12001277. 2º – O desmembramento indicado no item anterior resultou na criação do debcad 375090924, referente ao qual resta pendente a reconsolidação do parcelamento especial, para apropriação da guia paga. O Discriminativo do Débito (DD) e a Fundamentação Legal do Débito (FLD) resultante do desmembramento encontramse às folhas 12781283. Fl. 1453DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10920.007511/200717 Acórdão n.º 9202008.339 CSRFT2 Fl. 4 5 3º – Retificação do debcad 371122147, tendo em vista o Acórdão de Recurso Voluntário e de Ofício nr. 2402005.463, de 17/08/2016 (folhas 753 – 770), que conheceu, porém NEGOU PROVIMENTO ao Recurso de Ofício da DRJ (a qual revisou, após diligência, parte das rubricas lançadas no levantamento CTN), bem como conheceu, dando PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário do contribuinte (o qual excluiu a rubrica CTM e reconheceu a decadência dos lançamentos até 11/2002, inclusive). O Demonstrativo Analítico do Débito Retificado (DADR) encontrase às folhas 12841358. 4º – Tendo em vista o Despacho de Amissibilidade do RE do Contribuinte (folhas 976 – 990), o qual admitiu para recurso somente a parte dos débitos referentes às rubricas AE2, AOD e CTN ainda ativas, não admitindo dessa forma as rubricas PC2 e PPR, o próximo passo seria o desmembramento destas rubricas para um novo debcad, para fins de cobrança. No entanto, sabe se que o contribuinte apresentou, em 20/11/2017, desistência parcial para adesão ao PERT (folha 1172), referente à rubrica PPR. Dessa forma optouse por desmembrar, nesta etapa, somente a rubrica PC2 (competências a partir de 12/2002, inclusive) para o debcad 375091556. O Termo de Transferência (TETRA) e o Demonstrativo Analítico do Débito Desmembrado (DADD) encontramse às folhas 1359 – 1386. O Discriminativo do Débito (DD) e a Fundamentação Legal do Débito (FLD) resultante do desmembramento encontramse às folhas 1387 1398. 5º – Com relação à desistência parcial para adesão ao PERT, mencionada no item anterior, foi necessário proceder a um terceiro desmembramento, optandose por fazer a partir do debcad original, resultando no debcad 375091661. O Termo de Transferência (TETRA) e o Demonstrativo Analítico do Débito Desmembrado (DADD) encontramse às folhas 1399 – 1419. O Discriminativo do Débito (DD) e a Fundamentação Legal do Débito (FLD) resultante do desmembramento encontramse às folhas 14201423. 6º Antes de retornar os autos ao CARF para julgamento do Recurso Especial do Contribuinte, há necessidade de apropriação ao debcad 375090924 da Guia paga quando da desistência parcial para adesão ao parcelamento especial da Lei 11941/2009. Após as devidas providências, o processo retornou ao Conselho para prosseguimento do feito. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os demais requisitos de admissibilidade. Fl. 1454DF CARF MF Documento nato-digital 6 Como se extrai do relatório disposto no Acórdão Recorrido, o presente processo tem como objeto a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 37.112.2147, lavrada contra a WEG INDÚSTRIAS S/A, antiga razão social da RF REFLORESTADORA S/A, para exigência da contribuição dos segurados e das contribuições patronais destinadas a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes de riscos ambientais do trabalho – GILRAT, e para outras entidades ou fundos (INCRA e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, agrupadas nos seguintes levantamentos: a) levantamentos AB1 e AB2: remunerações pagas aos segurados empregados a título de ABONO, ocorridos em 02/1997, 02/1999, 05/1999, 07/1999, 05/2000 e 07/2000, informados em Folha de Pagamento, os quais foram estipulados em Convenções Coletivas de Trabalho (CCT); b) levantamento PLE: remunerações pagas aos segurados empregados sob o titulo de PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS, ocorridas em 03/1997, 08/1997 e 03/1998, sem que houvesse formalização de um acordo, previsto nas MP 794/1994, 1397/1996 e reedições posteriores; c) levantamentos PL1 e PL2: remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais (dirigentes) sob o titulo de PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS, ocorridas em 03/1997, 08/1997, 03/1998, 03/2003, 08/2003, 03/2004, 08/2004, 03/2005 e 08/2005; d) levantamentos AE1, AE2 e CTN: remunerações pagas aos segurados empregados sob os títulos de AUXÍLIO ESCOLAR e CURSOS TÉCNICOS, na forma de reembolso parcial de matrículas e mensalidades de cursos técnicos, graduação, pós graduação, idiomas e outros, no período de 01/1997 a 12/2005, não disponibilizados a todos os empregados e dirigentes da empresa; e) levantamentos PC1 e PC2: valores mensais destinados à entidade fechada de previdência privada "WEG Seguridade Social WSS", a cargo da patrocinadora, no período de 01/1997 a 12/2005, não disponibilizada a todos os empregados e dirigentes da empresa; f) levantamento AOD: encargos mensais com assistência odontológica prestada aos seus segurados, através da contratação de Plano Coletivo Empresarial mantido pela Odonto Jaraguá Ltda, no período de 05/1999 a 12/2005, não disponibilizada a todos os empregados e dirigentes da empresa; g) levantamento PPA: remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais (dirigentes) na forma de contratação, em nome destes, de planos de previdência privada aberta (BRADESCO PREVIDÊNCIA e PREVER/UNIBANCO AIG), lançadas na contabilidade na conta "Previdência Privada Administradores n°. 522020115", ocorridas em 03/2000,08/2000 e 03/2001, sendo que tais planos podem ser resgatados a qualquer tempo; h) levantamento PLP: remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais (dirigentes) na forma de contratação, em nome destes, de planos de previdência privada aberta, Fl. 1455DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10920.007511/200717 Acórdão n.º 9202008.339 CSRFT2 Fl. 5 7 porém, lançadas na contabilidade na conta de provisão do Passivo "Participações no Resultado n°. 217510100", em 03/2001 e 03/2002; i) levantamento PPR: remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais (dirigentes) na forma de contratação, em nome destes, de planos de previdência privada aberta, porém, lançadas na contabilidade na mesma conta de despesas com a previdência fechada da WSS (embora com esta não se confunda), em 08/2001, 12/2001, 08/2002, 11/2003, 12/2003,06/2004 a 12/2004 e 07/2005; j) levantamento CTM: valor bruto da prestação de serviços de cooperados associados à cooperativa de trabalho, constantes em notas fiscais ou faturas emitidos pela UNIMED do Estado de Santa Catarina e UN1MED Joinville. Antes de adentrar à análise do mérito, quanto ao pedido de conexão realizado pelo Contribuinte, entendo que não lhe assiste razão, pois os presentes autos tratam de obrigações principais e, embora seja preferível que os processos lavrados na mesma ação fiscal tramitem em conjunto, não há óbice ao prosseguimento do julgamento relativo ao processo em análise, pois ausente relação de prejudicialidade, como ocorre em alguns casos a respeito de obrigações acessórias vinculadas às principais. No que se refere ao parcelamento, cabe salientar que as matérias suscitadas no âmbito do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e que foram admitidas não estão incluídas na parte que foi objeto do parcelamento, motivo pelo qual elas continuam no contencioso administrativo. Conforme narrado, foi admitida para rediscussão a matéria relativa à incidência das contribuições sociais previdenciárias sobre as despesas com educação e as despesas com assistência odontológica (controvérsia sobre a extensão do benefício a todos os empregados). A partir dos dispositivos legais regentes do tema, extraise, conforme a redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, a exigência de que as despesas com educação e com assistência odontológica estariam abarcadas pela isenção constante do art. 28 da Lei 8.212/91 (§ 9º, alínea “q” e “t”) desde que extensíveis a todos os empregados e dirigentes. Sobre o tema, o acórdão recorrido assim tratou: Dos reembolsos de despesas com educação A razão do fisco haver tributado tais verbas, como se infere do item 4.5.3 e 4.5.4 do relatório fiscal da NFLD n.º 37.112.2147, fl. 75, é a não disponibilização a todos os empregados e dirigentes da empresa, uma vez que eram excluídos os empregados com menos de 12 meses vínculo. A empresa alega que, além da verba não possuir natureza salarial, o fato da empresa estabelecer requisitos impessoais para a sua fruição não lhe retira o requisito de disponibilização a todos os empregados e dirigentes. (...). Percebese das normas acima para que o valor pago a título de Plano Educacional/Bolsa de Estudos não seja incluído na base Fl. 1456DF CARF MF Documento nato-digital 8 de cálculo das contribuições previdenciárias, deverá preencher os seguintes requisitos: 1) vinculação à atividade da empresa; 2) não substituição de parcela salarial; e 3) extensão a todos os funcionários. É de se observar que ao se deparar com o caso concreto, o intérprete há de se ater aos requisitos acima, verificando se os mesmos foram observados na disponibilização do benefício pelo sujeito passivo aos seus trabalhadores. É que se tratando norma isentiva, a sua interpretação deve ser nos estritos termos fixados pela norma, não se admitindo o alargamento das balizas normativas. É isso que prevê o art. 111, II, do CTN: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias” Extraise dos autos que o fisco, com esteio em documentos exibidos pela empresa, conclui que as verbas destinadas à educação não estavam disponíveis a todos os trabalhadores a serviço da empresa, posto que era estabelecida uma barreira temporal, doze meses de permanência no emprego. Mesmo reconhecendo que não é despropositada a tese da empresa de que o requisito temporal, embora existente, poderia ser suprido por todos os empregados, não posso, na interpretação da norma legal, afastarme dos seus preceitos objetivos. Ao me deparar com a cláusula que estipula um mínimo de permanência na empresa para a percepção do benefício educacional, sou forçado a dar razão ao órgão recorrido, uma vez que a não extensão a todos os empregados e dirigentes, retira da espécie um dos requisitos erigidos pelo legislador como essencial para que a mesma não viesse a sofrer a tributação. Posso concluir que havendo o impedimento para segurados com menos de 12 meses na empresa, a verba não era extensível a totalidade dos trabalhadores, sendo cabível a tributação sobre a mesma. (...). A assistência odontológica A razão para a tributação desse verba foi a mesmíssima que ocasionou a exigência sobre o plano educacional e a previdência privada, tanto que no recurso as empresas alegam: 136. Como se trata da mesma fundamentação (não disponibilização para todos os empregados, face carência de tempo de empresa) utilizada em relação ao auxilio escolar e cursos técnicos, e como forma de economia, a Impugnante vale se dos mesmos argumentos utilizados em relação ao auxilio escolar e cursos técnicos, os quais são tidos como integralmente aqui transcritos. Fl. 1457DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10920.007511/200717 Acórdão n.º 9202008.339 CSRFT2 Fl. 6 9 Por esse motivo, furtarmeei de repetir os argumentos lançados acima, apenas salientando que a norma aplicável é a alínea “q” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. Não obstante o exposto na decisão vergastada, entendo que a cláusula que estipula um mínimo de permanência na empresa para a percepção dos benefícios não se mostra como critério discriminatório apto a gerar uma desigualdade entre os empregados, considerando a igualdade material, pois todos os que permanecem pela prazo estipulado gozam dos benefícios. Assim, não há como se aferir a aplicação do regramento legal acerca da isenção em exame apenas na vertente de uma igualdade formal, pois há uma situação materialmente isonômica na oferta da educação e da assistência odontológica, o que não vulnera o requisito legal de extensão a todos os empregados e dirigentes. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso especial interposto pelo Contribuinte, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente). Ana Cecília Lustosa da Cruz. Voto Vencedor Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti Redator designado Não obstante os substanciosos argumentos da ilustre Relatora, deles ouso dissentir no que concerne à isenção da contribuição previdenciária sobre os pagamentos a título de plano educacional e odontológico não extensíveis a todos os trabalhadores, independentemente do "tempo de casa". Isto porque, as alíneas "q" e "t" do § 9° do artigo 28 da Lei 8.212/91, com a redação dada à época dos fatos geradores, estipulavam que ambos os auxílios deveriam ser extensíveis a todos os empregados e dirigentes da empresa. q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; t)o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; Nesse tema, entende a Relatora que a não extensão dos benefícios àqueles que ainda não completaram determinado tempo de trabalho na empresa não caracterizaria critério discriminatório, na medida em que todos que permanecem pelo prazo estipulado gozariam do benefício. Fl. 1458DF CARF MF Documento nato-digital 10 Há de se admitir que se analisada a situação dos empregados como se fosse um "filme" na empresa e partindose da premissa de que as regras eram as mesmas desde a criação da empresa ou desde a vigência dos dispositivos legais e que nenhum empregado teria sido desligado antes de o término do prazo mínimo, poderseia chegar à conclusão que todos eles, em um dado momento, não fizeram jus ao benefício e que, assim sendo, haveria uma igualdade material histórica ao longo de determinado período de tempo. Ocorre que a aplicação da legislação tributária deve ser dar na data do fato gerador, mensurado/agrupados em determinado espaço de tempo, que, in casu, é mensal. Com isso, as situações que envolvem os empregados devem ser consideradas como se uma fotografia fosse e não como um filme. Pondo desta forma, pareceme inegável que a regra ajustada acaba potencializando, em determinada competência, a não extensão do benefício a todos os empregados e dirigentes da empresa, o que não deve ser relativizada com a afirmação de que " todos que permanecem pelo prazo estipulado gozariam do benefício". As regras poderiam, no máximo, presumir uma igualdade material, caso nenhum dos trabalhadores fosse ou tivesse sido demitido antes de o término do prazo de carência e desde que tais regras tivessem sido as mesmas desde o início, como dito acima. Guardadas as devidas proporções e mutatis mutandi, equivaleria a afirmar que em determinada empresa, onde, nos mesmos cargos, os homens recebem o dobro do que recebem as mulheres não haveria discriminação, na medida em que todas as mulheres receberiam a metade do que recebem os homens. Evidentemente, a hipótese acima contém um ingrediente invariável no tempo (se homem ou se mulher), diferentemente do caso dos autos, mas bem traduz o equívoco em se segmentar determinado universo, seja lá qual for o critério adotado, como pretexto de demonstrar, a todo custo, uma igualdade exigida pela lei, quando na realidade está nas mãos da empresa a manipulação dessa condição. Nessa perspectiva e à luz do que dispõe o artigo 111 do CTN, VOTO por NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 1459DF CARF MF Documento nato-digital
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